Capitulo 13
Depois de lancharem nas cozinhas eles foram direto para biblioteca onde, como supunham, encontraram Hermione estudando. Ela parecia triste e ficou surpresa quando eles apareceram, como os meninos tinham deixado seus materiais na torre ela concordou em subir para continuar estudando na sala comunal Ravenclaw.
— Eu passei a tarde toda na biblioteca, achei que vocês apareceriam depois do almoço. Ou ficaram todo esse tempo no laboratório? — Perguntou ela tentando ser menos ríspida, mas mostrando que ficara chateada de ser abandonada.
Terry imediatamente saltou e explicou onde eles passaram parte da tarde e evitou falar sobre a manhã fazendo poções, se concentrando apenas nos testes de quadribol e deixando claro que não foram chama-la apenas porque acreditaram que ela preferiria estudar e não porque estivessem chateados. Isso desfez sua expressão magoada e ela parabenizou Harry por estar no time, ainda que dissesse ser um esporte muito perigoso, pelo que lera. Neville explicou que a posição do Harry era a menos perigosa e isso a tranquilizou. O resto da tarde eles se concentram em estudar.
As 18:30 eles desceram para o jantar antes da reunião e depois, disfarçadamente, saíram separados do Grande Salão e em direções diferentes antes de chegarem ao Covil. Harry e Terry foram primeiro ao Corujal postar sua longa carta a sua mãe, Edwiges ficou muito feliz em vê-los e com a viagem.
Além dos 1º anos apenas Penny foi convidada, ela ficara responsável de observar e conversar discretamente com os alunos do 6° e 7º anos sobre as aulas extras que ocorreram naquela manhã.
Assim que todos chegaram, Hermione compartilhou o nome escolhido para a sala e seus motivos para o escolher. Todos acharam o nome muito legal e justo. Terry, logo depois assumiu a liderança contando aos colegas sobre como fora as reuniões com os alunos mais velhos e como eles reagiram zangados, mas que por fim depois de muita discussão todos concordaram em manter silencio e apenas comparecer as aulas e, no caso dos nascidos trouxas e alguns mestiços, retornarem os estudos no mundo trouxa.
— Mas Harry e Terry, vocês acham mesmo que eles vão conseguir manter o segredo e não protestarem, principalmente quando se formarem e não conseguirem os empregos que eles querem? — Perguntou Padma sensatamente.
— A verdade é que não podemos garantir isso, mas podemos esperar, além disso deixamos bem claro que eles e suas famílias estariam em perigo e que todo trabalho seria perdido se fosse revelado o fato de sabermos e estarmos lutando. — Disse Terry dando de ombros.
— Acredito que eles entenderam que protestar contra o atual governo é inútil e perigoso. Vamos nos concentrar no que podemos mudar, e acho que quando alguns pais se engajarem isso vai crescer, a verdade é que podemos tentar manter para nós e mudar tudo sozinhos, mas é impossível. Falar a verdade para eles e esperar que eles sejam os mais espertos possíveis, é o melhor que podemos fazer. — Disse Harry.
— Eu entendo que não podemos fazer tudo sozinho Harry, mas você acha inteligente contar para os outros anos, se fizermos isso, dois terços da escola saberão, sinceramente acho difícil que não haja fofocas e depois disso os Slytherin ouvirão e seus pais e quem está no comando político saberão. — Disse Michael.
— Podemos controlar a informação, mas temos que aconselhar fortemente que os nascidos trouxas e os mestiços com contato com o mundo trouxa, retornem seus estudos. E se não explicarmos tudo, como fizemos com vocês e os 6º e 7º anos, não acredito que eles nos ouvirão. Talvez os Ravenclaws. — Disse Terry calmamente.
— Ei, os Hufflepuffs também, não temos medo do trabalho duro. — Protestou MacMillan.
— Penny você tem algum conselho? — Perguntou Harry antes que uma discussão de casas começasse.
— Sim, na verdade, acho que todos vocês estão certos. Contar os fatos e a verdade é importante e cada um tem que lidar com essas verdades do seu jeito, não podemos controla-los, apenas esperar que eles sejam sensatos e mantenham o sigilo. Quanto aos outros anos, acredito que devemos contar a eles como é a discriminação no mundo magico e orienta-los a continuar seus estudos trouxas, mas não precisamos falar para eles das aulas extras, não até que estejam no 6º ano e entendam melhor a importância de não fofocarem sobre o assunto. — Falou ela inteligentemente.
Todos assentiram aliviados por terem alguém mais velho para decidir por eles, mas logo perceberam que não era o caso, quando Penny encarou Harry esperando sua decisão como palavra final. Harry assentiu gostando do conselho de Penny e olhou para Terry ele parecia concordar também.
— Muito bem, faremos assim então, vamos contar para cada ano, casa por casa as discriminações e dificuldades de se conseguir um bom emprego no mundo magico. Aconselha-los a continuar seus estudos trouxas e manter sigilo disso, e quando estiverem no 6º ano abrimos a verdade das aulas extras exclusivas para puros sangues. Teremos que treinar nossos colegas mais jovens ao longo dos anos, porque um dia não estaremos aqui e eles precisarão continuar a passar a verdade. Além disso tenho algumas ideias de como ajudar os alunos que estarão se formando este ano, mas precisarei analisar bem e conversar com um advogado antes de falar sobre isso. — Disse Harry com firmeza, e aqueles que ainda tinham dúvidas ou não sabiam perceberam que o líder ali era ele.
Todos assentiram acreditando que era o mais sensato que poderiam fazer e esperando que os alunos mais velhos consigam entender a importância do enorme movimento rebelde que eles iniciaram e que eles precisavam ficar nas sombras o máximo de tempo possível.
— Greengrass, Davis, vocês acreditam que conseguem descobrir quem são os mestiços ou nascidos trouxas da casa Slytherin? — Perguntou Harry. — Sabemos que o 7º ano só tem puro sangue e o 6º tem dois mestiços, no seu ano tem apenas um mestiço, Moon. Mas precisamos convidar os dos outros anos e avisa-los também.
— Podemos tentar, mas não será tão simples, pois como Lydia, os mestiços são discretos sobre seus status, eles não são tratados tão mal se não exibirem sua relação com sangue trouxa, entende. Não é que os puros sangues não saibam quem são mestiços, acredite todo mundo ali sabe quem é quem. — Disse Tracy sorrindo duramente.
— Quanto aos nascidos trouxas, eles não existem na casa Slytherin, creio que o chapéu é suficientemente inteligente para saber que eles seriam massacrados se os classificassem na nossa casa. — Disse Greengrass seu rosto sem emoção.
— Você tem certeza disso? Talvez eles apenas se mantenham escondidos como os mestiços. — Questionou Hermione olhando para a garota com descrença.
— Sim, como se alguém como você conseguisse disfarçar sua ignorância do nosso mundo por 5 minutos seguidos. — Disse Greengrass com escarnio.
— Ei! Não fale assim com ela. — Disse Weasley zangado.
Mas Greengrass apenas o olhou com desprezo e continuou como se ele não tivesse falado nada. Hermione corou levemente com sua defesa ou talvez com o passa fora da garota Slytherin.
— Uma pessoa que acabou de chegar ao mundo bruxo se mostra de longe, com seus trejeitos; modo de se vestir, jeito de falar, seu deslumbramento com a magia. Acredite, eles nunca poderiam se esconder. E quanto aos mestiços, acabei de dizer, eles não se escondem, apenas são discretos, se por acaso começassem a falar sobre suas famílias trouxas e do mundo trouxa e mostrar orgulho de sua linhagem trouxa seriam desprezados ou pior exatamente como um nascido trouxa. — Esclareceu Greengrass.
— Sim, desde que pelo menos finjam desprezo ou indiferença aos trouxas, os mestiços enquanto não tão respeitado quanto um puro sangue, pode ainda ser aceito. Esse foi um dos motivos que Voldemort teve muitos seguidores, e muitos mestiços também. — Disse Moon, com desprezo.
— Como assim? — Perguntou Harry, tudo que tinha a ver com entender melhor Voldemort o interessava.
Moon olhou para Greengrass que suspirou entediada, mas Harry percebeu que suas mãos estavam fechadas fortemente, apesar de sua expressão duvidava que tedio era o que ela estava sentindo de verdade.
— Meu avô uma vez disse que o Lord das Trevas não queria destruir o mundo magico e muito menos derramar sangue puro. Ele queria dominar o nosso mundo e que todos se curvassem a ele e o temessem, tanto que não teriam coragem nem de pronunciar seu nome. — Disse Greengrass, e desviou o olhar para a janela, focando na paisagem escura. — Quanto aos mestiços, eram oferecidos um lugar ao seu lado desde que limpassem suas casas, tirassem a sujeira.
— Você quer dizer...? — Perguntou Lisa de olhos arregalados e pálida, assim como todos que entenderam o que ela estava tentando dizer.
— Se o mestiço matasse sua mãe ou pai nascido trouxa ou trouxa e qualquer outra família trouxa que tivessem eram aceitos, não exatamente como iguais, mais como alguém que limpou sua linhagem e se converteu ao pensamento purista. — Concluiu Greengrass e Harry percebeu o seu nojo ao falar sobre isso.
— Foi isso que ele ofereceu ao meu pai, como um puro sangue papai cometeu o enorme erro de se casar com uma nascida trouxa. Quando o procuraram para que ele tivesse a grande honra de ser um comensal da morte, disseram que era seu privilegio matar minha mãe e meus avós trouxas e que se ele o fizesse poderia me deixar viver, apesar do meu sangue estar contaminado. — Disse Moon com ironia e escarnio.
O silencio depois disso foi estranho, alguns pareciam querer vomitar, outros tinham os olhos cheios de lagrimas e outros ainda estavam com muita raiva. Harry queria saber mais, para entender mais, ainda que não podia deixar de pensar que talvez fosse muita informação horrível para seus colegas 1º anos.
— Lord? Ele era um Lord? — Perguntou Harry sem poder se conter.
Foi Greengrass quem respondeu, com um sorriso ainda mais escarnecedor.
— Não, ninguém nunca soube quem ele era, mas não era de nenhuma família nobre, apesar de alguns rumores ter se espalhado de que ele era descendente do próprio Salazar Slytherin. Meu avô acredita que ele espalhou tais rumores quando ainda era estudante em Hogwarts para ter o apoio dos membros da casa na época, que eram de famílias antigas puras que acreditavam nos preconceitos puristas de nosso fundador. Lord das Trevas ou Mestre é como seus seguidores o chamavam, ele assim o exigia e se um deles não lhe mostrasse esse respeito, seriam punidos.
Harry acenou em agradecimento e arquivou essa nova informação para analisar mais tarde e sabendo que todos precisavam mudar de assunto se dirigiu a menina mais velha, presente no Covil.
— Penny você conseguiu falar com alguns alunos que estiveram nas aulas hoje? — Perguntou Harry continuando a reunião.
— Sim, na verdade eu marquei de me encontrar aqui com um representante de cada ano e casa, com exceção do 7º Slytherin, assim eram quatro 6º anos e três 7º. — Disse Penny didaticamente. — Achei melhor assim do que todos eles vindo para cá. De qualquer forma eles me contaram que foram para as masmorras as 8 da manhã, do lado oposto a sala de Poções e não tiveram que procurar muito, pois logo encontraram duas salas de aulas com professores esperando. Não são nenhum dos professores de Hogwarts, o que claro levanta a questão de quem os permite entrar e que essa pessoa deve saber sobre essas aulas. — Disse ela com o rosto franzido.
— Aposto que é o Snape. — Disse Weasley amargo.
Era sua primeira reunião e, com exceção de sua defesa a Hermione, ele se mantivera quieto, talvez tentado entender todos os assuntos e a dinâmica do grupo. Quando as meninas Slytherin chegaram, Harry o vira abrir a boca para protestar, mas Finnigan o cutucara e sussurrara algo urgentemente, o que fizera o garoto ruivo se calar com uma expressão azeda. Essa mesma expressão voltava sempre que uma das meninas Slytherins falava.
— Isso é não possível, os únicos que permitem que alguém entre em Hogwarts é o diretor e vice-diretora. — Disse Davis sorridente. — Não quer dizer que o Prof. Snape não saiba sobre as aulas ou seu propósito de excluir os não puros-sangues.
— Essa é uma questão importante, pois não vejo como Dumbledore ou McGonnagall permitam essa exclusão absurda, mas também não consigo imagina-los sendo facilmente encantados ou enganados. — Disse Penny séria, depois suspirou e continuou. — Mas, de qualquer forma, não vejo como podemos descobrir isso sem colocar em risco o fato de que sabemos sobre as aulas e nos infiltramos nela.
— Você está certa Penny, não temos como fazer perguntas sobre algo que nem deveríamos saber em primeiro lugar. Mas manteremos os ouvidos e olhos atentos, quando ou se descobrirem a infiltração isso causará uma reação e se estivermos observando podemos descobrir quem ou quais pessoas em Hogwarts está envolvido nisso tudo, enganado ou não. — Harry falou e quando viu todos concordarem, olhou para Penny. — Continue Penny, por favor.
— Bem os 6º anos tinham aula de Etiqueta Social que, entre outras coisas, eles irão aprender sobre as classificações sociais, cumprimentos sociais e políticos e jurídicos, maneiras em festas, jantares e ocasiões oficiais, inclusive a vestimenta esperada. O professor, que é um velho funcionário do Ministério, disse que muitas vezes as pessoas aparecem inadequadamente vestidos e viram motivos de risos. Imagino que seriam nascidos trouxas ou mesmo mestiços que não sabem o que vestir para as funções e festas. — Disse Penny com amargura, muitos espelharam sua expressão, como podiam rir deles se não os ensinavam o certo. — Ah, em algum momento eles terão aulas de esgrima e espadas, parece que é uma tradição ensinar aos herdeiros de famílias antigas a luta antiga de espadas e a esgrima é um esporte para puros sangues mágicos como para alguns aristocratas trouxas. — Disse ela parecendo animada com ideia das aulas.
Na verdade, essa informação causou muitos sorrisos e exclamações animadas. Harry também sorriu esperando chegar ao 6º ano e ter essas aulas também.
"E em algum momento terão aulas de dança também. — Completou sorrindo. As meninas ficaram ainda mais animadas, mas os meninos fizeram caretas com a ideia.
— E os 7º anos? — Perguntou Terry.
— Bem, dessa vez era uma professora, também funcionaria do ministério, ela se apresentou como uma assistente dos membros da Suprema Corte. Os alunos se sentiram meio perdidos no começo, a aula era de Política modulo 5, assim descobrimos que são 4 módulos por ano. O assunto era bem avançado falando sobre o poder político de cada família, sobre os Sagrados 28 e as posições políticas na Suprema Corte dos Bruxos. Pareceu a eles um assunto muito importante, mas ao mesmo tempo ensinando ou repassando os antigos preconceitos. — Disse Penny claramente chateada.
— Bem, isso não me surpreende, para se manter por tanto tempo esses pensamentos coletivos e jeito de fazer política, tem que ser ensinado para as novas gerações. É por isso que o poder político se mantem nas antigas famílias a séculos. Assim eles perpetuam os preconceitos e mantem as leis a seu favor e claro excluem os mestiços, mas principalmente os nascidos trouxas de qualquer decisão, acesso aos privilégios ou mesmo contribuição de novos pensamentos e ideias. Desta forma não há mudanças, apenas as antigas tradições, que esses puristas defendem com todo fervor. — Disse Terry com sua expressão inteligente e voz calma e cativante.
Todos o ouviram e incrivelmente, a maioria entendeu tudo o que ele quis dizer, com algumas poucas exceções, pois como sempre Terry tinha um jeito de explicar mais simples e claro. E os nascidos trouxas e alguns mestiços não puderam deixar de ver semelhanças do que acontecia no mundo magico com a situação de alguns países no mundo trouxa, do presente ou da história.
— Penny e sobre a presença de todos esses alunos. Houve alguma reação por parte dos professores ou dos alunos puros sangues? — Perguntou Hermione.
— Boa pergunta, e não, nenhuma reação. Os colegas de ano ou casa puros sangues os cumprimentaram normalmente. E os professores não tinham nenhuma lista de chamada, como esperávamos, e não pareceram achar estranho a presença de mais alunos do que em anos anteriores. Os professores também não pegaram os nomes dos alunos ou fizeram apresentações, disseram que as aulas não são obrigatórias, não há notas ou exames finais. — Disse Penny.
— Mas isso não tem sentido! Porque se não há um registro das aulas como eles podem usa-las como vantagem na hora de disputarem um trabalho? — Perguntou Hermione indignada.
— Sim como eles podem comprovar suas presenças nas aulas e se não tem exames finais como comprovam que se saíram bem nas aulas e assim tem vantagem de conhecimento sobre uma outra pessoa? — Perguntou Morag muito zangada.
Todos mostraram sua indignação e confusão e olharam em volta tentando encontrar alguém que pudesse explicar. Harry olhou para Greengrass que voltara a sua expressão de tedio, mas com o olhar verde em sua direção ela o olhou de volta com frieza e se levantou. Todos se calaram e olharam para ela com atenção e certa desconfiança.
— A explicação é bem simples. Essas aulas são apenas para os herdeiros das famílias antigas que querem manter as tradições e status, como dito por Boot. Assim elas são na verdade obrigatórias para famílias como as minha, ou Malfoy, Parkinson, Smith. Os outros puros sangues que não são puristas apenas estão lá para que eles continuem sabendo mais que os mestiço ou nascidos trouxas e assim, a avalição de que vocês são inferiores, se mantem. — Disse Greengrass friamente. — Portanto eles não precisam de registros de presença, notas de exames finais, porque quem os contratar serão outros puros sangues, de famílias antigas amigas que sabem que, como eles, esses alunos tiveram essas aulas extras. Além disso a questão principal é o seu status de sangue, o currículo não importa, quem é mais competente não importa, essas aulas são para nós aprendermos a administrar os negócios de família e a fazer a velha política. E sobre se eles foram bem nas aulas, isso é obvio, não há testes, apenas ouvir a palestra e aprender os antigos caminhos e agir de acordo, como se vestir, como andar, como cumprimentar alguém, saber quem é quem no mundo magico e quem tem poder onde. Saber o seu lugar e de cada um, inclusive ao tratar "sangues ruins" como eles merecem. Isso é prova suficiente — Concluiu ela e depois se sentou calmamente.
Todos a ouviram e quando ela terminou olharam-na estupefatos, mas o silencio só durou alguns instantes, as exclamações e gritos de indignação começaram e o mais veemente era o garoto Weasley que chegou a tirar sua varinha e ergue-la como se pretendesse usa-la. Harry imediatamente se colocou na frente de Greengrass, Terry e Penny o imitaram.
— Parem! — Gritou Harry zangado, houve silencio, mas ninguém que se levantara se sentou, estavam muito zangados. — Greengrass só fez o que lhe pedi, explicou o que não entendíamos e uma versão clara de dentro desse mundo. Sua visão do mundo magico é um dos motivos do porque ela está aqui, e não para agrada-los ou fazer amigos. Mas não vou aceitar ninguém a hostilizando ou ameaçando apenas por sua sinceridade, porque é exatamente isso o que queremos, a verdade, por mais nojenta que seja. — Terminou duramente e viu alguns se acalmarem, apesar de estarem com expressões magoadas, mas Weasley ficou ainda zangado com sua varinha na mão.
— Você não pode aceitar essa cobra aqui! O que ela falou não se fala nunca e você não pode aceitar isso! — Exclamou Weasley raivoso com o rosto quase tão vermelho como seu cabelo.
— Eu aceito cobras aqui sim Weasley, aceito cobras astutas e ambiciosas, assim como texugos leais e incansáveis, assim como leões corajosos e teimosos, mas o que eu não aceito são pessoas, não importa a casa, grosseiras e violentas. Agora guarda sua varinha e sente-se ou saia daqui e não volte. — Harry o encarou nos olhos e por um segundo parecia que o garoto temperamental queria discutir, ele abriu a boca e fechou, olhou em volta e ao não ver apoiadores ficou ainda mais vermelho, dessa vez de constrangimento e desfez o círculo que se formara empurrando Justin do caminho e saiu porta a fora. Justin tropeçou e caiu sobre Megan, que caiu sobre Padma, que caiu sobre Morag, finalmente MacMillan e Anthony os apoiaram e eles pararam de cair um sobre os outros.
Eles ficaram em um silencio constrangedor até que uma voz divertida falou:
— Bem, só quero lhes dizer que ao contrário de Daphne, eu estou aqui para fazer amigos. Ainda que eu os ache muito sérios e cansativos, às vezes, mas ainda assim todo esse drama, uau, é muito divertido. Infelizmente não temos isso lá na Slytherin. — Disse Tracy Davis sorridente e fazendo beicinho no final.
Isso quebrou o clima e alguns até riram com ela ou dela, Harry não teve certeza. Olhando para os amigos do garoto ruivo, disse:
— Vocês são bem-vindos a ficar e voltar sempre que tiver uma reunião, mas Weasley, só quando compreender que aqui não fazemos diferenças de sangue ou casas. E, por favor, não permitam que fique de boca grande por aí falando sobre tudo isso, nosso segredo já é precário como é. — Disse Harry os encarando nos olhos com firmeza.
Eles assentiram e se levantaram.
— Obrigada Harry, eu vou voltar com certeza e qualquer coisa que você precisar pode contar comigo. — Disse Thomas sincero.
— Sim, eu também, eu quero participar e ajudar. E desculpa pelo Weasley, ele tem um temperamento, vou atrás dele agora ver se consigo acalma-lo. Vamos Dean? — Disse Finnigan, parecendo meio envergonhado do amigo.
Os dois saíram em seguida, logo depois Greengrass se levantou.
— Devemos ir também, já estamos longe da nossa sala por algum tempo, não queremos chamar a atenção com desaparecimentos. — Disse ela do seu jeito frio, Moon se levantou silenciosa e Davis fazendo beicinho e cara triste, mas logo abriu um sorriso e acenou adeus alegremente. — Potter. — Disse Greengrass sem emoção e saiu sem olhar ou se despedir de ninguém.
Para Harry lhe pareceu um avanço, das outras vezes ela saíra sem dizer nada, agora pelo menos havia um frio "Potter".
— Vocês sabem, essa menina tem um profundo talento para ser atriz, se vivesse no mundo trouxa já estaria no teatro com meus pais. — Disse Mandy pensativa.
— Quem? Greengrass? — Perguntou Hermione chocada.
— Não! Jesus, Greengrass poderia trabalhar de estátua no museu de cera de Madame Tussauds com esse rosto sem emoção assustador. Estou falando da Davis, ela tem uma veia para atuação, cômica e dramática. — Disse Mandy divertidamente.
Isso levou a alguns sorrisos e expressões confusas de alguns que não sabiam nada do mundo trouxa.
— Bem, acho que já foi drama suficiente e devemos voltar para nossas casas e fazer seja lá o que cada um tenha que fazer. Harry? — Apontou Penny de maneira responsável.
— Com certeza, acredito que falamos tudo o que era preciso sabermos de momento. Vamos continuar a agir normalmente, ficar atentos e semana que vem marcamos reuniões para conversar com os outros anos. Boa noite todo mundo. — Disse Harry encerrando a reunião.
Todos saíram rapidamente em pequenos grupos indo para direções diferentes, até que no Covil ficaram apenas Penny, Hermione, Neville, Terry e Harry.
— Bem, vocês sabem como dar uma festa, isso eu reconheço. — Disse Penny sorrindo do seu próprio sarcasmo.
Terry e Harry se olharam e depois riram divertidos, Hermione tinha uma expressão empertigada, mas dava para ver ela segurando um sorriso. Neville sorria divertido, mas se sentia dividido, afinal Weasley era seu colega de dormitório.
— Obrigado Penny por sua ajuda, nunca teríamos chegado até os alunos mais velhos sem você. — Disse Harry sorrindo para ela grato.
— Não Harry, não precisa agradecer, a ideia que vocês tiveram de contar tudo isso para os alunos foi incrível. Me sinto envergonhada em dizer que apesar de ter vivido a vida toda no mundo magico e de ter conhecimento dos preconceitos que os nascidos trouxas, principalmente, enfrentam nunca pensei em olhar com mais atenção, ter mais senso crítico e muito menos alertar meus colegas sobre isso. — Disse Penny tristemente.
— Eu não sabia de nada disso também Penny, quando vim ao mundo magico estava tão animado e feliz, cego para a realidade e estaria assim ainda se Terry não tivesse me contado tudo isso e me feito pensar por mim mesmo. — Disse Harry movendo a cabeça desanimado. — Eu confesso que até pensei em não fazer nada sobre isso, eu queria ser apenas Harry, não chamar a atenção para mim e ser um garoto como qualquer outro. — Ele levantou os olhos e encarou seus amigos com determinação. — Mas fazer isso seria esquecer meus pais, eles foram assassinados enquanto lutavam contra esses puristas e nada mudou, suas mortes e de outros foram esquecidas e eu não vou fazer o mesmo. Então na verdade acredito que temos de agradecer ao Terry aqui, foi ele que nos alertou a todos que o mundo magico não é um conto de fadas. — Harry disse apontando para o amigo e este corou constrangido quando todos sorriram para ele agradecidos.
— Eu confesso que ainda acho difícil acreditar nisso tudo. Eu sei que é verdade, mas ainda quero acreditar que tem pessoas lá fora tentando mudar as coisas, e há Dumbledore, sua luta pelos direitos dos nascidos trouxas é bem divulgada nos livros. E ele é um dos defensores das leis de proteção aos trouxas, ainda acredito que haja um explicação para essas aulas extras para puros sangues. — Disse Hermione em tom de fato.
— Hermione, você está certa em dizer que tem pessoas lutando pelos direitos dos trouxas ou nascidos trouxas, mas infelizmente eles são minoria e estão perdendo. Informar os alunos da realidade e nós mesmo tentarmos mudar as coisas é ajudar essas pessoas não as desmerecer. Quanto a Dumbledore, bem eu me reservo o direito de questionar todo mundo e não acreditar cegamente no que se lê ou dizem. — Disse Terry, trocando um olhar com Harry.
Hermione não pareceu gostar, como sempre, de ser contrariada, mas ela passara parte do dia hoje pensando que eles não iriam mais quere-la por perto depois de sua explosão na noite anterior sobre a injustiça do uso do laboratório de poções, assim achou melhor não começar outra discussão. Neville concordava com tudo o que eles disseram, mas achava difícil acreditar que Alvo Dumbledore pudesse não ser o grande bruxo que ele crescera ouvindo que fosse, mas a ideia desse mesmo grande bruxo ser enganado também não descia bem.
Penny estava na casa que a tudo se questionava, mas até para ela pensar em Dumbledore como menos que confiável era difícil. Harry não disse nada, apesar de ver as dúvidas em seus amigos, sabia que não tinha dados o suficiente para emitir uma opinião confiante, mas do pouco que sabia sobre o diretor não podia deixar de pensar que talvez o grande bruxo Alvo Dumbledore fosse o maior conto de fadas do mundo magico.
Em seguida eles se separaram indo para suas casas, Harry e Terry se concentraram nas leituras da semana, tendo já terminado os deveres de casa. Harry queria se adiantar e estar bem preparado, na tarde seguinte tomaria chá com Flitwick e durante a semana além das reuniões no Covil tinha o início dos treinos de quadribol e não pretendia deixar seus estudos para trás.
Quando chegou as 22 horas eles já tinham lido e feito anotações para as aulas de Transfiguração da semana, na manhã seguinte eles se concentrariam em Astronomia e Herbologia. História e Defesa era um caso diferente, conversando chegaram a ideia de que eles mesmos poderiam preparar essas aulas e estudar junto com Hermione e Neville, Terry ficaria com História e Harry com Defesa.
— Acredito que vai ser bom, e talvez Hermione não se importe em nos ajudar com Transfiguração e Neville com Herbologia quando precisarmos. E você também é muito bom em Feitiços, assim estaremos bem preparados e tudo ficará bem. — Disse Terry calmamente enquanto guardava seu material na mochila.
— Tudo é muita coisa Terry, nossas notas estarão bem, mas infelizmente eu terei que estar à frente em minha preparação magica, principalmente em Defesa. Acredita que se alguém como Lucius Malfoy vier atrás de mim, ele vai esperar eu terminar meus 7 anos em Hogwarts? — Perguntou Harry, levantando uma sobrancelha ironicamente — Com o que eu sei hoje não acredito que eu venceria nem um 1º ano Slytherin puro sangue que já veio para a escola sabendo muitas magias. Você viu a Greengrass outro dia? Ela fez magia que ainda não aprendemos e com tanta naturalidade que parece as usar a anos. — Harry suspirou e pegando sua mochila no ombro esquerdo começou a ir para seu quarto.
— Você está certo, mas acredito que esse estudo extra e avançado deve ser feito escondido. Quem não o queria saber nada sobre sua herança ou o mundo magico não vai gostar se além de estar entre as melhores notas do nosso ano, você também começar a fazer estudos extras e avançados. — Disse Terry, enquanto subiam as escadas.
— Sim, essa é uma boa ideia, além disso é bom que quem venha tentar algo contra mim subestime minha capacidade de me defender. — Disse Harry definindo sua estratégia.
Eles se deram boa noite e Harry entrou em seu quarto, tomou banho e colocou seu pijama, comeu e tomou suas poções tentando gravar na mente todas as coisas que tinha que fazer essa semana. Concluiu que ter uma agenda não seria uma má ideia.
Fez uma careta ao pensar que era o tipo de coisa que Hermione gostaria, ela era toda organizada e certinha, suspirou sem saber o que pensar da menina. Sua primeira ideia seria se afastar do seu jeito mandão e cheio de regras, tinha a sensação de que quebraria muitas regras em seu tempo em Hogwarts e não sabia o quanto poderia confiar nela, mas no fundo Hermione lembrava um pouco ele mesmo, a vontade de se encaixar, fazer parte, fazer amigos, como poderia ser grosseiro e incompreensivo quando sua própria mãe deveria ter sido como ela um dia.
A mãe de Terry o orientou para ser paciente com os nascidos trouxas, ele sentia que sua mãe teria lhe dito o mesmo. E tantas outras coisas, pensou Harry, e ao em vez de pegar o livro de seu avô, pegou seu pequeno tesouro, não os olhava a uma semana desde que a Sra. Boot os enviara. Tirou as fotos e as cartas, olhou seus rostos e sorrisos, leu suas palavras e lamentou mais uma vez a dor de perde-los. Dessa vez ele só derramou algumas lagrimas de saudade e tristeza e até sorriu algumas vezes ao prestar mais atenção nas fotos, seu pai com uniforme de quadribol e uma vassoura bem nova, ele tinha, percebeu, um sorriso malicioso, mas olhava para sua mãe tentando mostrar inocência, sua mãe estava zangada com ele, qual seria o motivo? Os dois pareciam saudáveis e altos, seu pai principalmente, não era nada nanico, alto com os ombros largos, ainda que magrelo feito um caniço.
Na foto do Clube de Feitiço ele identificou a Sra. Boot e também o Prof. Flitiwick, haviam outras pessoas na foto e talvez algumas delas tenham sido amigos de sua mãe. Onde estavam? Talvez Flitwick pudesse lhe informar amanhã. E na foto do casamento dos pais de Terry, seu pai parecia imensamente feliz, como se tivesse ganhado um grande prêmio e sua mãe sorria, meio feliz, meio envergonhada, o rosto corado. Tão felizes e sem saber que não viveriam muito mais do que alguns anos à frente, será que sabiam, será que como sugerido por Terry eles fizeram um testamento e lhe indicara um guardião no caso de o pior acontecer? Se fizeram, e não tinha por que não acreditar nisso, porque Dumbledore o colocara com seus tios? Quem era seu advogado, com quem Harry deveria falar sobre o testamento e quem fora seu guardião que nunca o procurara. Onde estava a pessoa a quem seus pais haviam confiado mais do que todos para cuidar dele?
Na manhã seguinte Harry acordou cedo como sempre e decidiu começar a preparar a aula de Defesa, se queria passar a informação para seus amigos tinha que ter um bom entendimento sobre o assunto. Assim pegou alguns livros na prateleira do 1º ano e os espalhou, estudou seus sumários escolhendo assuntos em comum e dividindo em sua importância, leu alguns trechos, encontrado algumas semelhanças entre os autores, alguns escreviam algo novo e interessante, mas a maioria era muito parecido, apenas escrito de maneira diferente.
Tendo uma ideia Harry olhou na última página para ver quais eram as referências dos autores e não ficou surpreso ao encontrar o mesmo autor repetido em todos os livros como uma das referências. Mason, Aaron, autor de A magia defensiva na prática e seu uso contra as artes das trevas Vol.1, além de Compreensão das Artes das Trevas, saiba contra o que está lutando. Em três dos livros havia também um outro livro, A Jornada para seu Mestre em Defesa Contra a Artes das Trevas.
Mestre? Como um professor no assunto? Confuso Harry anotou os livros e o nome do autor e procurou nas prateleiras de todos os anos, mas não encontrou nem esses três livros ou qualquer um de Aaron Mason. Não entendia, se os livros eram tão bons para que 5 autores diferentes os usassem como referencias porque não tinham esse mesmo autor aqui. Talvez na biblioteca, pesquisaria hoje mesmo, decidiu, pois ficara muito interessado nos títulos dos livros.
Voltando aos estudos fez um resumo dos assuntos, Criaturas das Trevas, Maldições e Contra Maldiçoes, Feitiço como Defesa, Ambiente como Defesa, Lutar ou Fugir e Físico x Magia. A verdade é que não havia quase nada sobre a importância de se estar em forma e ao procurar nas referências percebeu que o pouco que tinha vinha dos livros de Aaron Mason, sobre lutar ou fugir, todos diziam que era melhor fugir em busca de ajuda, mas e se não houvesse como fugir ou para quem pedir ajuda?
Ainda não muito satisfeito Harry resumiu os assuntos de cada livro, pegando as diferenças e semelhanças de todos. Eram quase 9 horas da manhã e ele trabalhava a duas horas quando Terry desceu.
— Você já está trabalhando? Herbologia? — Perguntou Terry ao ver o amigo devolver os livros para as prateleiras e guardar suas anotações na mochila.
— Não, Defesa, acho que amanhã podemos ter mais uma aula sobre o assunto, estava me preparando. Agora vamos comer, estou morrendo de fome, acordei a horas. Depois quero ir para a biblioteca. — Disse Harry, apressando seu amigo para a saída.
— Sabe hoje é domingo, você pode dormir até um pouco mais tarde, teremos tempo para nos preparar mais tarde hoje, antes e depois do seu chá com Flitwick. — Disse Terry observando os degraus para não pisar no que afunda o pé.
— Eu estou acostumado a acordar cedo Terry, mesmo sem minha varinha despertar eu dificilmente conseguiria dormir até mais tarde que 7 horas. Prefiro adiantar os estudos do que ficar de preguiça na cama, além disso depois do meu encontro com Flitwick eu duvido que vou ter cabeça para voltar as leituras, estou pensando que poderíamos ir para o jardim e aproveitar o ar fresco antes de escurecer. Ou talvez explorar o caminho naquele corredor a esquerda do Covil. — Disse Harry andando apressado para o salão, estava faminto e lamentou não ter mais lanches, acabaram se todos e apesar de Terry ter dito que sua mãe lhe enviaria mais, parecia errado ficar esperando que ela os enviasse. Não queria incomodá-la ou ter como certo, afinal ele não era filho dela. Hoje à noite tinha mais um sanduiche, mas amanhã iria até a cozinha e pediria a Mimy se ela poderia lhe levar um sanduiche e leite para ele comer antes de tomar as poções.
Quando chegaram a mesa Terry estava ofegante pelo ritmo apressado, mas Harry tinha sua respiração normal e sentando-se recebeu seu prato especial e com um sorriso começou a comer.
— Essa é uma ótima ideia Harry. E devemos fazer os dois, vamos para o jardim antes do jantar e explorar depois do jantar. — Disse tentando recuperar sua respiração. — E acho que se vou andar com você por aí vou ter que começar a me exercitar, você é muito rápido e eu fico correndo atrás e respirando feito um cachorro velho. — Disse Terry com um bico contrariado enquanto se servia de ovos e salsichas.
Harry riu, mas não comentou nada enquanto comia, olhando em volta viu que Hermione e Neville ainda não tinham descido, imaginou se tivera outra festa na noite anterior que os deixara acordados até tarde de novo. Mas apesar de não os encontrar viu o olhar de Malfoy na sua direção, ele parecia mais calculista que raivoso, o que o fez se perguntar o que o garoto loiro estava planejando.
— Devemos também ter backup se vamos explorar, não podemos ir entrando sem deixar alguém saber onde vamos, isso seria irresponsável. — Disse Terry.
— Sim, tenho certeza que o Neville não se importará de esperar no Covil que retornemos. — Disse Harry e baixando o tom de voz, e disfarçando com o copo de leite, continuou. — Malfoy está olhando como se planejasse algo, parece que ele gosta de se mostrar aos domingos. — Disse ele rapidamente antes de beber o leite.
— Hum, acho que ele precisou de uma semana para pensar em uma resposta para seu último comentário, ou seu pai o manteve quieto e agora ele não se aguenta mais. O que você acha que ele pode estar planejando? — Especulou Terry suavemente.
— Não sei, mas não tenho medo dele, se fosse um dos Slytherins mais velhos estaria preocupado, mas parece que apesar de estarem com raiva pelo que aconteceu com o Snape não estão dispostos a arriscar me atacando, mesmo que seja anonimamente. Quanto a Malfoy, são só palavras, posso aguentar algumas ofensas e ameaças tolas, ainda que adoraria que ele tentasse alguma coisa, me faria muito bem faze-lo pagar pelo que fez com o Neville. — Disse Harry enquanto comia o seu mingau.
— Não me surpreende que ninguém tentou nada contra você, esses Slytherins são astutos, querem observar e avaliar a situação, pois quer eles gostem ou não você é considerado um herói no mundo magico e está sob a proteção de Dumbledore, que é respeitado como o maior bruxo vivo. — Disse Terry inteligentemente. — E sobre o Malfoy, fazer qualquer coisa será contrário ao que você disse a Hermione e Neville, quando disse para eles ignorarem tanto Malfoy quanto o Weasley, pois não valem a pena ou são importantes para se deixar afetar. — Disse Terry firmemente.
Harry suspirou, sabendo que seu amigo estava certo e ele não era do tipo de procurar brigas ou planejar vinganças por mais inofensivas que fosse, e dar prosseguimento a hostilidade de Malfoy não seria nada inteligente. Talvez se ele fosse um Gryffindor como seu pai fora, mas ele era um Ravenclaw, e enquanto amava seu pai e se orgulhava de sua defesa aos nascidos trouxas não concordava com seus métodos.
— Você está certo Terry, mas eu sempre posso desejar. — Disse com um sorriso brincalhão.
Terry riu e eles decidiram ir para a biblioteca, quando deixaram o Grande Salão e pegaram o corredor, ouviram uma voz chamando atrás.
— Potter! — Gritou Malfoy andando na direção deles ladeado por seus dois guarda costas, Crabbe e Goyle. — Espero que esteja comendo muito bem suas últimas refeições, Potter. Sei que meu pai já está providenciando sua expulsão de Hogwarts e vou ficar muito satisfeito vendo você pegar o trem de volta para a terra dos trouxas. — Disse ele com seu sorriso arrogante.
— Você está bem confiante Malfoy. — Disse Harry instantaneamente mudando a postura e cruzando as mãos atrás das costas segurou sua varinha e se afastou levemente de Terry abrindo espaço para se defenderem e se desviarem de qualquer ataque magico. — Me parece que você tem certeza das ações de seu pai e de seu poder de se livrar de mim, mas a verdade é que nós dois sabemos que são só palavras, ameaças vazias diante de sua covardia de tentar fazer algo por si mesmo. Muito acostumado ao papai fazer tudo por você, eu suponho. — Harry sabia que estava caindo na provocação do garoto, mas queria saber o que ele estava planejando.
Malfoy ficou ainda mais pálido de raiva, mas depois sorriu maldosamente, Harry não pode deixar de pensar que o rosto do outro garoto expressava muito facilmente seus pensamentos.
— Sim, mas pelo menos eu tenho pai, não é? Ele foi bem mais esperto que o seu. — Seu sorriso apenas aumentou quando viu a raiva brilhar nos olhos de Harry e que Terry fez um movimento involuntário para segura-lo, ainda que não foi necessário, pois para seu desapontamento Harry não tentou ataca-lo. — E eu não sou um covarde, enfrento você a qualquer hora sozinho — disse Draco. — Hoje à noite, se você quiser. Duelo de bruxos. Só varinhas, sem contato. Que foi? Nunca ouviu falar de duelo de bruxos.
— Sabe Malfoy, quando eu penso que você disse a maior besteira possível ouço sair da sua boca ainda mais idiotices do que na vez anterior. — Disse Terry dando um passo à frente e olhando o garoto loiro com desprezo.
— Não se meta nisso Boot, não tem nada a ver com você. — Disse Malfoy irritado.
— Ah, mas você está enganado, tem a ver comigo sim, porque ao contrário de você que tem esses dois gremlins ao seu lado, Harry aqui tem amigos. E você chamar um herdeiro de uma casa antiga para um duelo bruxo quando não tem autorização ou poder para isso é um completo desrespeito e humilhação para a sua casa, Malfoy. Eu não sei o que seu chamado "esperto" pai tem te ensinado, mas para sua informação Duelos Bruxos só podem ser realizados entre bruxos adultos e qualificados que já concluíram a escola e eles tem que ser com o representante maior de sua casa. Assim apenas seu pai pode desafiar Harry para um duelo e só daqui a muitos anos, pois se não teríamos um monte de adultos desafiando e machucando crianças. — Disse Terry inteligentemente e ao mesmo tempo apontando a ignorância do outro.
Malfoy corou de vergonha, mas seus olhos cinzentos pareciam que iam explodir de fúria.
— Bem, acredito que você já tem sua resposta Malfoy, depois que seu pai não estiver mais neste mundo e formos adultos você me procura caso ainda queira um duelo bruxo. Até lá faça um favor a si mesmo e vai catar piolho dos seus gorilas. — Disse Harry e depois com um aceno se afastou, Terry o seguiu, mas os dois mantiveram o canto dos olhos nos três Slytherin para qualquer tentativa de ataque, mas não foi necessário, como das duas outras vezes Malfoy parecia sem ação e seus dois amigos confusos.
Harry e Terry se afastaram e depois de virar à direita no corredor Harry intempestivamente entrou em uma sala de aula vazia. Terry ficou apavorado quando seu amigo se curvou fazendo um som estranho e por um segundo ele pensou que Harry estava gritando ou chorando até perceber que na verdade era um ataque de riso. As gargalhadas do amigo reverberaram tão alto que Terry desejou saber como silenciar a porta, como não sabia ele apenas a fechou e olhou para Harry com um sorrindo, pensara que o amigo estaria zangado, não esperava essa reação.
Ofegante de tanto rir Harry tentou falar, pois Terry parecia levemente confuso.
— Gremlins... Ah!Ah!Ah!, — Harry perdeu o folego de novo e se dobrou de rir, segurando o estomago. — Gorilas... Ah!Ah!Ah! Ah!Ah!Ah!.
E Terry não aguentou mais e começou a rir também, lembrando a expressão dos três garotos e contagiado pelo riso do amigo. Eles riram até chorar e seus estômagos doer. Quando começaram a se acalmar Terry ofegante disse:
— Por Merlin, você nunca reage do jeito esperado, achei que teria que te segurar para impedi-lo de matar o Malfoy e que estaria furioso. Mas ao em vez disso ri de uma referência a filmes trouxas e de os chamar de gorilas.
— Não estou rindo por isso, e apesar de não gostar do que Malfoy falou sobre o meu pai, eu o provoquei justamente para ele reagir e dizer o que estava planejando. — Disse Harry sentado no chão desde que suas pernas desabaram e enxugando as lagrimas do rosto. — Estou rindo da cara do Malfoy quando você o fez engolir sua arrogância puro sangue e mais ainda do fato que eles devem estar se perguntado até agora quem são os gremlins e os gorilas, não acredito que eles perceberam que estávamos falando de Crabbe e Goyle. — Harry não aguentou, olhou para Terry e ele voltaram a rir tudo de novo ao lembrar os rostos perdidos dos garotos Slytherins. — Ah!Ah!Ah!
O riso durou por mais uns 5 minutos antes de se levantarem e se ajeitarem para continuar o caminho para a biblioteca.
— Confesso que pensei que você saltaria em Malfoy com o que ele disse. — Comentou Terry com voz rouca de tanto rir.
— Acredite, eu poderia ter, mas você está certo, eu disse para Hermione e Neville para não se deixar afetar pelas palavras e opiniões de garotos como o Malfoy e eu estava dizendo isso a sério. — Harry pausou o passo e olhou para Terry firmemente. — Malfoy está errado, meu pai não está morto porque era menos esperto que o pai dele. Ele está morto porque foi assassinado por um homem cruel e mal; sua coragem e bravura, sua bondade e amor por minha mãe não são os motivos de sua morte e muito menos o faz menos esperto que Lucius Malfoy. — Seu olhar verde brilhou com determinação e poder. — E tanto quanto eu gostaria de fazer Draco engolir suas palavras, não vale a pena, porque nem daqui a 100 anos ele seria capaz de entender essa verdade.
Harry continuou seu caminho e eles não falaram mais sobre o assunto, tudo fora dito, não havia mais o que se acrescentar a essa realidade.
Chegaram a biblioteca e encontraram Hermione e Neville em uma das mesas, rodeados de livros. Os dois pareciam um pouco sobrecarregados, Hermione com a quantidade de livros e Neville com o conteúdo do livro de Transfiguração.
— Oi, vocês nos venceram hoje, não sabíamos que já haviam descido para o café, muito menos que estivessem por aqui. — Disse Terry sentando-se na cadeira ao lado de Hermione, Harry foi se sentar ao lado de Neville.
— Bom dia pessoal, Hermione insistiu que começássemos a estudar bem cedo hoje porque ela acha que estamos atrasados. E ontem depois do fim da reunião não conseguimos estudar nada quando voltamos para a nossa torre. — Disse Neville aliviado da chegada dos meninos, eles eram mais pacientes para explicar e de um jeito que ele entendia. Hermione se impacientava quando ele não a entendia.
— Houve outra festa ontem à noite? — Perguntou Harry, pensando na tranquilidade da torre Ravenclaw ontem e hoje e como ele conseguira adiantar seus estudos.
— Não, não era festa, eram apenas os alunos saindo e conversando, não temos uma separação como vocês e, para nós que queríamos estudar o zunzunzum ficou cada vez mais alto. Cheguei a pedir, por favor, que eles falassem mais baixo, mas eles só riram. — Disse Hermione mal-humorada. — Combinamos Neville e eu de acordar mais cedo e vir para a biblioteca bem cedo para compensar, e eu até pensei em ler um pouco o livro de Runas no meu quarto, mas Parvati e Lavander como sempre estavam rindo e tagarelando sem parar. E eu não acho que estamos atrasados Neville, eu sei que estamos atrasados, ainda estou terminando o dever de Poções, preciso pesquisar mais algumas coisas extras para o dever de Transfiguração e eu só fiz leituras para as aulas de Feitiços e Transfiguração da semana. Falta todo o resto e... — Disse ela parecendo aflita por estar para traz.
— Calma, Hermione, você não está atrasada, temos o dia todo para terminar ou caprichar nos deveres de casa. E quanto a ler adiantado para as aulas da semana toda, foi apenas uma ideia por causa das reuniões no Covil e agora os treinos de quadribol do Harry, se você deixar quinta e sexta-feira para ler amanhã não será o fim do mundo sabe. — Disse Terry do seu jeito calmo.
— Sim Hermione, só não queríamos correr o risco de nos atrasarmos e por isso estamos no preparando com antecedência, eu terminei todos os meus deveres, mas ainda tenho Astronomia e Herbologia para ler. E você Neville? — Perguntou Harry tentando distrai-los um pouco, pelo jeito eles estavam aqui a algum tempo e estressados já.
— Eu ainda tenho meus deveres de Transfiguração e estou em dúvida sobre o de Astronomia, minhas leituras estão atrasadas, falta Feitiços, Astronomia e Transfiguração. — Disse Neville suspirando preocupado.
— Mas é por isso que estamos nos juntando para fazer os deveres juntos sempre que possível, para nos ajudarmos. — Disse Terry sorrindo animado.
E assim eles passaram a manhã estudando, com o apoio dos Ravens, Hermione se sentiu menos pressionada e Neville menos perdido. Harry marcou uma aula de Defesa para o dia seguinte e Terry disse que marcaria uma de História para quarta-feira, já que de terça e quinta Harry tinha treinos de quadribol. Hermione prometeu ajuda-los com Transfiguração, ainda que ela não parecia tão animada com a ideia e Neville concordou com um sorriso tímido ajudar com Herbologia se eles precisassem.
Eles terminaram quase tudo por volta da hora do almoço e decidiram fazer uma pausa antes de continuarem. Quando voltaram do almoço, Harry que já terminara sua parte e estava só ajudando Neville decidiu procurar os livros de Aaron Mason, mas para sua surpresa não havia nenhum, ele chegou a pedir ajuda a Madame Pince, mas depois de pesquisar no tomo da biblioteca ela retornou dizendo que o autor não tinha nenhum livro na biblioteca de Hogwarts. Isso o confundiu além da medida, suspirando ele pegou um livro de Defesa do 2º ano e pensou em empresta-lo, mas depois mudou de ideia, apenas o levou a mesa e discretamente anotou o que achou interessante principalmente as maldiçoes, não queria deixar registrado o seu interesse no assunto ou que estava na segunda semana lendo conteúdo do segundo ano.
Quando todos terminaram, decidiram trabalhar no projeto de Herbologia, todos estavam interessados e Neville era o mais empolgado. Suas pesquisas revelaram poucos livros sobre a cultura trouxa, o que não deveria surpreende-los, ainda que como eles tinham aulas eletivas de Estudos Trouxas sem livros para estudo e pesquisa era um mistério apontou Terry o que fez Hermione fazer uma careta. Eles decidiram adiar até que Hermione e Terry solicitassem livros dos seus pais e estes chegassem, pois queriam fazer um projeto com embasamento e não crendices.
Eles falaram brevemente sobre o projeto de carpintaria magica e a resposta de Flitwick, e como teriam que aguardar por uma posição, Harry se mostrou otimista dizendo que acreditava que seu chefe de casa encontraria uma solução sobre o assunto. Neville e Terry ficaram animados e Hermione voltou ao mal humor de antes ao questionar os privilégios a mais que os Ravens ganham por suas boas notas, além do quarto individual em si.
Harry ignorou sua atitude e olhando o relógio decidiu subir para seu encontro com Flitwick, combinando de encontrar com eles no jardim no mesmo lugar da semana passada. Hermione fez uma careta e abriu a boca para perguntar porque ele estava se encontrando com o professor, mas Harry se afastou rapidamente, deixando ela, seu mau humor e curiosidade para Terry e Neville lidarem.
Em frente a sala do seu chefe de casa Harry respirou fundo e bateu. Alguns segundos depois, ouviu passos e a porta se abriu. Flitwick sorridente estava a sua frente, com um terninho azul claro e sapatos pretos.
— Ah, Sr. Potter entre, entre. Você chegou na hora certa, acabei de chegar dos testes do coral de Hogwarts. Eu sou o maestro e esse ano fizemos testes com um pequeno grupo de alunos para aceitar novos membros. Por um acaso você não teria um voz decente e interesse em ser parte do coral, não? — Perguntou o professor com sua voz esganiçada enquanto eles se sentavam, ele na poltrona vermelha e Harry no sofá azul como da última vez.
— Eu!? Cantar!? Não, não senhor, eu não canto nada senhor, desculpe. — Disse Harry apavorado.
— Que pena, eu coloquei avisos dos testes em todas as salas comunais, mas infelizmente poucos apareceram interessados e com os alunos se formando o coral está bem desfalcado. — Disse Flitwick tristemente.
— Senhor, se o senhor não se importar que eu diga, talvez o problema seja que muitas pessoas não leem os avisos nos quadros de avisos das salas comunais, professor. Eu mesmo não tinha visto ou ouvido falar nada sobre o coral ou testes para o coral. — Disse Harry timidamente.
— Ora, será que é possível? Sempre achei que essas coisas se espalhassem facilmente. — Disse Flitwick pensativo.
— Hum, bem se for algo popular talvez, mas... Bem eu conheço duas pessoas do meu ano que eu tenho quase certeza que se interessariam em fazer parte do coral, Mandy da nossa casa e Tracy Davis da casa Slytherin, elas estavam no teste? — Perguntou Harry, pensando que as duas meninas com veia para a atuação não perderiam a oportunidade de subir em um palco, mesmo que fosse com um simples coral.
— Hum..., não, não, tenho certeza que nenhuma delas estava no teste, será possível que nem souberam sobre ele? — Questionou Flitwick surpreso e diante do aceno de Harry, olhou curioso para o seu jovem aluno. — E diga-me Harry, qual seria sua sugestão para resolver esse problema?
Pego de surpresa, Harry arregalou os olhos, não estava acostumado que um adulto pedisse sua opinião, mas não querendo desapontá-lo, refletiu um pouco antes de responder.
— Bem senhor, acredito que se cada chefe de casa informasse sobre a existência do coral e os testes nas reuniões de início de ano, como a que tivemos em nosso primeiro dia seria uma solução, como quando o senhor falou sobre o Clube de Feitiços. Ou poderiam ser passada as informações para todo o salão quando todos estiverem reunidos, sabe, na abertura do ano. — Disse Harry corando levemente. — E bem, agora que o prazo se iniciou e não tem mais reuniões acredito que um breve anuncio durante o jantar ou café da manhã e uma nova data para testes seria o ideal. — Encerrou ele, sentindo a boca seca.
— Hum, essas são ótimas ideias Sr. Potter, e será isso mesmo que farei, apenas tenho que conversar brevemente com Minerva, quer dizer a vice-diretora McGonnagall, acredito que ela me autorizará. — Disse ele e distraidamente começou a preparar um chá para eles com aceno de varinha.
Harry observou enquanto o bule e as xicaras de moviam sozinhas e eram trazidos em uma bandeja flutuante, assim como um prato de sanduiches. Eles, silenciosamente, pousaram na mesinha do centro e o chá se serviu na xicara, o bule se movendo e Harry arregalou os olhos encantado.
— Açúcar Sr. Potter? — Questionou professor Flitwick.
— Eu... mel, senhor, mel e leite, por favor. — Disse Harry encontrando a voz.
Em seguida seu chá foi temperado a seu gosto e a xicara veio flutuando até ele, assim como um prato com alguns pequenos sanduiches pousou em seu colo. Harry pegou a xicara e tomou um gole, perfeito.
— Obrigada, professor. — Disse sorrindo e depois sem conseguir se segurar falou. — Isso foi incrível, senhor!
— Obrigada Sr. Potter, e obrigada por seu insight, vou observar com mais atenção essa situação com o coral. Confesso que, além das minhas aulas e o Clube de Feitiço, cuidar do coral é uma das minhas grandes alegrias. Agora vamos nos concentrar no que lhe trouxe aqui hoje Sr. Potter. — Disse Flitwick mais seriamente.
— Hum... antes senhor queria lhe perguntar algumas coisas professor, se estiver tudo bem? — Harry perguntou inseguro, não queria que ele se chateasse com muitas perguntas e não quisesse falar dos seus pais.
— Claro Sr. Potter, estou aqui para responder a perguntas, é o principal trabalho de um professor. Vamos, diga-me o que você gostaria de saber? — Flitwick tomou seu chá e sorriu levemente deixando-o à vontade.
— Bem, senhor, é que... — Harry explicou sobre sua confusão ao tentar encontrar os livros do autor Aaron Mason, como apesar dele ser referência de outros escritores não havia um único livro dele em Hogwarts. — E os títulos parecem muito interessantes e Defesa tem sido um dos meus assuntos preferidos, apesar das aulas horríveis e.… quer dizer... não são tão horríveis, apenas não tão boas e... — Harry corou constrangido por ter deixado escapar sobre as péssimas aulas do Prof. Quirrell.
Flitwick riu levemente, mas disfarçou rápido tomando seu chá, Harry o imitou e depois colocou um sanduiche na boca para tentar disfarçar o constrangimento.
— Bem Sr. Potter, devo lhe dizer que fico muito feliz por seu interesse em Defesa e em seus estudos em geral, e infeliz em lhe informar que você não encontrará obras brilhantes como as de Aaron Mason aqui na escola por dois motivos. O primeiro é que eles são mais caros do que os livros que você comprou quando foi ao Beco Diagonal com sua lista de livros, e mais caros dos que os livros na Biblioteca, não muito mais caro que não permitisse a escola comprar apenas um exemplar de seus livros para o acesso dos alunos, mas ainda assim o suficiente para que o Conselho de Governadores decida pelos mais baratos.
"Assim, o segundo e o principal motivo são as censuras. O Ministério da Magia tem regras bem claras de quais conteúdos são ensinados aos alunos, se você não escrever os seus livros de acordo com essa cartilha de regras, seu livro é censurado e proibido de ser orientado para o ensino dos alunos em Hogwarts. — Disse Flitwick e apesar de discreto dava para ver sua indignação e desprezo pela atitude do Ministério. — Claro, você pode publicar seu livro da maneira que quiser, algumas editoras vão lhe virar as costas, pois sabem que não ganharam tanto dinheiro se não tiverem Hogwarts e o Ministério como possíveis clientes. Mas outras publicarão seus livros e as livrarias os terão para vender, mas eles são livros digamos proibidos ou não recomendados pelo Ministério, assim muitas pessoas que seguem cegamente suas diretrizes acabam não tendo acesso a esse conteúdo menos censurado. E claro, vocês alunos só conhecerão se comprarem por conta própria, mas as taxas por publicar um livro sem seguir as regras do Ministério os torna um pouco mais caros e inacessíveis para o bruxo médio, ou seja, os que não tem muito dinheiro.
Harry não deveria se chocar com essa nova informação, não é absolutamente algo que não fora discutido na última semana com seus colegas. Terry o alertara para não confiar em tudo o que lia, pois você não sabia quem fornecia os fatos. E ele dissera que o Ministério controlava o que se aprende em Hogwarts, ainda que não fosse um controle que impedisse o aluno de estudar o que quisesse por conta própria. Ainda assim o currículo escolar era censurado e a confirmação de seu chefe de casa deixou Harry entorpecido.
— Você entende o que eu estou lhe contando Sr. Potter? Entende o que significa tudo o que eu lhe falei? — Perguntou Flitwick olhando-o com atenção.
— Sim senhor, eu compreendo muito bem. — Disse Harry, sentindo que esse assunto deveria ser tratado com muito cuidado.
— Fico feliz e como seu professor e chefe de casa recomendo a você que não se prive de nada que desperte sua curiosidade e que possa lhe dar acesso ao conhecimento. Mas caso se decida por este caminho, Sr. Potter, aconselho discrição, você não quer que muitas pessoas saibam sobre o tipo de leitura que lhe agrada. — Disse Flitwick suavemente e bebeu seu chá com um leve sorriso.
Harry acenou entendendo muito bem a cautela de seu professor, mas desejando que as coisas não fossem tão complicadas. Mudando de assunto, Harry perguntou:
— Professor, Prof.ª Hooch e McGonnagall me disseram que falariam com o senhor sobre a possiblidade de eu ter uma autorização especial para ter uma vassoura para jogar quadribol pelo time. O senhor conseguiu falar com o Diretor Dumbledore?
— Ah, sim, sim, claro, eu estava tão concentrado no coral que tinha me esquecido. Não sou um grande fã de quadribol e as vezes não lhe dou tanta atenção, o que claro é uma falta seria a um chefe de casa. — Disse ele parecendo levemente envergonhado. — Devo-lhe os meus parabéns Sr. Potter, fazer o time e sendo tão jovem, Minerva, bem ela é um pouco obcecada por quadribol, já me informou que você é o mais jovem jogador de quadribol do último século em Hogwarts. Então parabéns! — Disse o professor animadamente e preparou com um aceno de varinha mais chá.
Harry sorriu e corou levemente e comeu mais um sanduiche e bebeu um gole do chá quente.
— Bem quanto a vassoura, Minerva e Rolanda insistiram em me acompanhar até o Diretor, pois queriam atestar seu grande talento enquanto eu solicitava a autorização especial. Tínhamos certeza de que seria uma batalha épica de palavras e argumentos, mas na verdade foi decepcionante fácil. Diretor Dumbledore concordou imediatamente com a autorização especial de que você tenha sua própria e nova vassoura para jogar quadribol. — Disse Flitwick, parecendo ainda decepcionado por não ter conseguido sua épica batalha, mas Harry estava aliviado, teria uma chance maior de ser um bom jogador que não tivesse que usar as velhas vassouras da escola.
— Obrigada professor. — Disse sorrindo e pensando em outro problema, perguntou. — Senhor você sabe como faço para poder comprar uma vassoura nova sem poder sair da escola?
— Hum, bem você pode claro escrever para a Qualidade Quadribol e solicitar a vassoura do seu interesse. — Disse Flitwick como se fosse obvio.
— Mas como farei o pagamento? Eu tenho algum dinheiro comigo, mas não sei se será o suficiente para uma vassoura. Elas não são caras? — Perguntou Harry confuso.
Prof. Flitwick o olhou um pouco confuso e mais atento, depois franzindo o cenho perguntou.
— Harry, quando você foi ao seu cofre no Gringotes, eles não o orientaram sobre como ter acesso ao seu dinheiro sem visitar o Banco?
— Não senhor, eu não sabia que isso era possível. Quer dizer que existem maneiras de comprar e pegar dinheiro do banco para pagar sem deixar Hogwarts? — Harry se empolgou imediatamente pensando nos livros e nas roupas que gostaria de comprar, talvez nem precisasse esperar até as festas. — Existem catálogos professor, nas lojas do Beco, eles têm catálogos dos produtos para nós escolhermos?
Flitwick o olhou pensativo e depois suspirou e acenou com a varinha, logo em seguida a porta que dava para seus aposentos se abriu e uma pequena pilha de folhetos surgiu flutuando, até parar em suas pequenas mãos.
— Bem Sr. Potter essa informação que vou lhe dar é sigilosa e desde de já solicito a você a máxima discrição. Entendido? — Perguntou o professor muito seriamente.
— Eu..., sim professor, prometo ser discreto e não falarei a ninguém se o senhor quiser. — Disse Harry com igual seriedade.
— Você pode falar com seus amigos de confiança, mas como eu disse com cautela e discrição, se essas informações chegassem aos ouvidos errados, poderiam colocar vidas em perigo. Você entende? — Flitwick o olhou nos olhos e mostrou claramente a importância do seu pedido.
— Sim, senhor, não vou ser irresponsável, eu prometo professor. — Disse Harry o olhando com seus olhos verdes com igual intensidade.
— Muito bem, respondendo suas perguntas anteriores, sim você pode ter acesso ao seu dinheiro sem precisar ir ao banco pessoalmente. O ideal seria você escrever ao seu gerente de contas, a Família Potter deve dispor de um para administrar os seus investimentos e ele estará ciente das quantias de dinheiro que você pode gastar por mês e qual a maneira mais adequada para você retira-lo. Existem mais de uma maneira, claro, e cada uma tem um custo, sugiro que pergunte qual método seus pais utilizavam. — Disse Flitwick em seu tom de professor.
Harry apenas acenou e controlou sua expressão e a vontade de perguntar o que era um gerente de conta exatamente, quais investimentos ou qualquer outra pergunta que surgiu em sua cabeça enquanto ele ouvia seu chefe de casa. Ele não queria mostrar sua ignorância completa sobre o mundo magico ou sobre sua família.
— Bem quanto as lojas no Beco Diagonal, não, eles não têm catálogos, o que claro é uma pena, mas eles não veem necessidade desse gasto já que têm uma loja física que pode e em geral é visitada por todos os bruxos. Quanto aos que como você que não podem visitar o Beco, bem os alunos não são seus principais clientes, não durante o período escolar, nas férias é mais comum eles receberem adolescentes para as compras escolares e pessoais. Se um aluno precisa de algo aqui em Hogwarts, eles supõem que seus pais comprarão e enviarão ao aluno via coruja. — Disse o professor com expressão contrariada.
— Mas, e sobre os alunos nascidos trouxas, seus pais não tem como ir ao Beco Diagonal comprar coisas. — Harry expressou a óbvia falha nessa ideia.
— Bem Harry, os donos de lojas no Beco, com algumas raras exceções, não veem os nascidos trouxas ou trouxas como valiosos clientes. — Flitwick parecia querer falar mais alguma coisa sobre isso, mas pareceu pensar melhor e apenas acenou sua varinha e os folhetos flutuaram até o colo de Harry. — Existem alguns bruxos e bruxas que, infelizmente, devido aos custos de se abrir uma loja no mundo magico acabam por trabalhar na informalidade, você entende o que isso significa?
— Hum, não, não exatamente, senhor. — Respondeu Harry sincero.
— Isso acontece quando os custos de se abrir um negócio são muito alto e, para mantê-lo aberto, os impostos são ainda mais caros. Infelizmente é mais barato abrir e manter um negócio se você é um puro sangue ou faz parte de certas famílias mais antigas, como a sua. É por isso que você vai encontrar negócios no Beco Diagonal que existem a séculos e durante todo esse tempo pertenceu a mesma família bruxa. — Explicou Flitwick e quando Harry acenou seu entendimento, continuou. — Mas quando se formam alguns dos ex-alunos, que não conseguem bons empregos no mundo magico e nem no mundo trouxa, decidem abrir um negócio sem pagar as devidas taxas e impostos, isso é, claro, ilegal e com certeza os enviaria para Azkaban, a prisão bruxa, mas ainda assim eles se arriscam, pois não há muitas outras escolhas para se manterem e suas famílias. — Flitwick parecia triste com essa constatação. — Bem, obviamente eles não podem ter uma loja física, alguns se arriscam montando pequenas lojas portáteis em alguns lugares, é chamado de Feira dos Trouxas, pois em sua maioria são nascidos trouxas que a compõe. Eles marcam um ponto de encontro e divulgam apenas entre os que eles confiam, ou seja, outros nascidos trouxas e claro toda a venda é feita rapidamente, pois eles temem ser encontrados pelos aurores do Ministério.
— Isso é muito triste, senhor. — Disse Harry, ele já sabia das injustiças das leis para se abrir um negócio, da discriminação para se conseguir um emprego, mas pensar que alguns desses nascidos trouxas viviam ilegalmente e que poderiam ser presos por causa disso o entristecia e revoltava ainda mais.
— Sim, Sr. Potter, triste é uma boa maneira de descrever essa situação. Mas, bem, voltando aos catálogos, a Feira dos Trouxas acontece apenas 2 vezes por mês, assim esses comerciantes informais, entregam pequenos folhetos com seus produtos, apenas para quem eles confiam, claro. Você pode olhar as opções e pedir via coruja o que precisar, lembre-se de se manter discreto e sugiro que para essas pessoas você pague diretamente sem envolver o banco. Mas claro que existem maneiras de quando você comprar via coruja em uma loja do Beco Diagonal o pagamento ser feito direto por Gringotes. — Concluiu Flitwick.
— Obrigado professor prometo ser discreto e olharei com atenção os folhetos antes de devolve-lo. — Disse Harry, pensando que a primeira coisa que faria quando Edwiges voltasse seria escrever para o Banco Gringotes.
— Você pode ficar com eles Sr. Potter e fazer uso sempre que precisar, assim como seus amigos, tenho certeza que posso confiar em você. — Disse o professor sorrindo levemente. — Bem, tem mais alguma dúvida que você tenha?
— Não senhor, e muito obrigado, professor, por sua ajuda. — Disse Harry e engolindo em seco continuou. — O senhor poderia falar dos meus pais agora, professor?
— Com prazer Sr. Potter, com prazer. — Disse Flitwick com um sorriso emocionado. — Bem, eu convivi mais com sua mãe, embora claramente sendo os dois Gryffindors, eu não era seu chefe de casa e assim Minerva terá ainda mais histórias para lhe contar. Mas Lily Evans foi sem dúvida a melhor aluna de Feitiços para quem eu já dei aulas, isso se não for a melhor que já pisou nesta escola, e eu incluo a mim mesmo.
"Você deve ter no pouco tempo em que você está em Hogwarts, Sr. Potter, percebido que aquilo que fazemos mais intuitivamente e naturalmente, fazemos melhor. Você ser um voador natural fala por si só. Bem, alguns alunos têm essa ligação natural e intuitiva com alguns aspectos da magia, Lily era uma delas para Feitiços e Poções. O professor de Poções da época, Horácio Slughorn era completamente encantado por sua mãe, pois assim como em Feitiços ela conseguia muitas vezes com intuição e sempre confiando em sua magia e conhecimento melhorar as poções, quase sempre ignorando o autor do livro. " — Flitwick estava sorrido e com o olhar distante no passado, não viu a expressão surpresa e encantada de Harry ao saber ele tinha esse mesmo talento de sua mãe.
"Em Feitiços, ao perceber seu talento, já no primeiro ano eu a convidei para fazer parte do Clube de Feitiços, assim como você e fico feliz que tenha herdado seu talento em minhas aulas, Lily entendia e capitava os aspectos da feitiçaria tranquilamente. Apesar de não ser uma Ravenclaw ofereci a ela a chance de um projeto em seu 6º ano, de criar novos e melhorar os feitiços existentes, ela tinha muito talento para Aritmancia também, assim ela aceitou empolgada. Quando ela se formou seu projeto estava pronto e ela tinha vários novos feitiços criados, imediatamente ofereci a ela a oportunidade de iniciar seu Mestre em Feitiços, eu a tutoraria e um dia ela poderia me substituir aqui em Hogwarts, mas ela havia também recebido um convite de Dumbledore para se unir a Ordem da Fênix e lutar na guerra que se travava em nosso mundo. Lily escolheu lutar e não posso culpa-la, pois se não tivéssemos vencido ela nunca poderia voltar a pisar no mundo magico, quanto mais em Hogwarts. Este foi seu argumento, "Preciso lutar pela liberdade de todos serem o que quiserem e viverem em paz e seguros no mundo magico Filius, se não fizer isso nunca poderei me olhar no espelho". Horácio também lhe ofereceu o Mestre de Poções, ela tinha criado algumas novas poções e melhorado outras, mas ela também o recusou, disse que quando a guerra terminasse faria os dois Mestres, Lily queria ser professora de Feitiços e escrever livros de poções corretamente, sempre dizia que os autores davam a receita errada e ela pretendia corrigir tudo isso. " — Flitwick ficou emocionado e pegou um lenço para suavemente limpar uma lágrima que rolara, depois voou uma caixinha de lenços para Harry que nem percebera derramara algumas lagrimas de emoção.
Harry sentiu seu coração se apertar ao ouvir tudo isso, seu grande talento e seus planos para o futuro, enquanto maravilhado por saber mais dela, não pode deixar de pensar o quão triste era que nunca realizaria seus projetos. Tinha um monte de perguntas e decidiu começar por duas.
— Professor, ela era boa nas outras aulas também? E o que é Ordem da Fênix, senhor?
— Ah, sim sua mãe pelo que sei era muito aplicada e curiosa, nunca entendi muito bem como ela não veio para minha casa, mas bem, Lily era uma ótima aluna em todos os seus assuntos, inclusive as eletivas de sua escolha, Runas Antigas, Aritmancia e Trato de Criaturas Magicas. Pelo que sei as aulas em que ela tinha menos destaque era Transfiguração, e claro quando escolheu seus NEWTs, ela deixou cair Criaturas Magicas e História, que efetivamente não ajudavam em criação de novas poções e feitiços. — Informou Flitwick.
— Acredito que ela escolher lutar ao em vez de fazer seus Mestres em segurança é o motivo que ela estava na Gryffindor e não na Ravenclaw, professor. — Disse Harry sorrindo timidamente.
— Tem toda razão Sr. Potter, toda a razão, você como ela tem uma maneira muito intuitiva de ver as coisas. Sabe apesar de sua semelhança física com seu pai, desconfio que sua personalidade é mais como Lily. — Disse ele sorrindo.
Harry sorriu também, cada pequena coisa que o ligava a seus pais e o ajudava conhece-los e entende-los era um presente.
— Bem Sr. Potter, quanto a sua outra pergunta, não tenho muito o que lhe informar, apenas que o Diretor Dumbledore formou durante a guerra um grupo chamado a Ordem da Fênix com bruxos e bruxas de sua confiança para lutar contra você-sabe-quem e os seus seguidores. Eu não era um membro, assim só sei o que ouvi de alguns membros e do próprio Dumbledore. Infelizmente, o Ministério estava perdendo a guerra para você-sabe-quem e Dumbledore decidiu criar esse grupo para lutar mais direta e efetivamente contra ele e seus comensais da morte. Lily e James deixaram de lado seus planos de trabalho e estudo depois de formados para se unirem a Ordem e assim lutar e, pelo que sei eles foram alguns dos seus mais brilhantes guerreiros. Eles lutaram contra o próprio você-sabe-quem e viveram, algo quase inédito, com exceção de alguns brilhantes aurores e do próprio Dumbledore. — Disse Flitwick muito sério.
— Foi por isso professor, que Voldemort os matou naquela noite? Foi porque eles eram fortes e ele queria tira-los do caminho? — Harry tinha essa pergunta em sua mente a algum tempo, ainda mais importante para ele do que entender o porquê ele sobreviveu naquela noite e ainda causou o desaparecimento de Voldemort.
— Você é muito corajoso ao dizer seu nome Harry. Bem, na verdade o porquê você-sabe-quem foi mata-los em sua casa naquela noite é um mistério. Seus pais estavam escondidos a algum tempo, sua mãe desde que soubera da gravidez já havia se afastado da luta direta pelo que sei, ainda que ajudasse no que era possível, mas depois de algum tempo que você nasceu eles decidiram se afastar totalmente da batalha. Lembro-me que ela veio para uma última visita, disse que estaria escondida em um lugar seguro e ficaria sem se comunicar. Lily estava muito tensa e não trouxera você como tinha antes nas visitas anteriores, James estava cuidando de você, ela me informou. Perguntei porque iam para o subsolo, algo tão avesso ao caráter Gryffindor de ambos e Lily me respondeu que agora que era mãe via tudo de maneira diferente, para ela e James a prioridade era sua segurança e eles fariam qualquer coisa para protege-lo. Essa foi a última vez que a vi com vida. — Flitwick suspirou tristemente e acenando com a varinha um pequeno pacote apareceu flutuando e veio pousar em seu colo.
"Essa é a última foto que ela me trouxe de você, mas tem mais algumas da época de escola, fiz copias de todas caso você não tenha alguma. "
Harry viu uma foto de seus pais segurando ele, os três sorriam e acenavam para a câmera, seu pai o segurava envolto em um cobertor vermelho escuro e sua mãe segurava sua mão pequena e acenava, eles todos riam e depois a foto voltava ao começo. Com a garganta fechada e os olhos marejados, Harry respirou fundo e suspirando tremulamente guardou a foto junto as outras dentro do envelope. As veria com calma depois, se começasse a olhar para elas temia começar a chorar e não queria fazer isso na frente do seu professor ou que ele parasse de lhe contar sobre seus pais.
— Obrigada Professor, vou olhar para elas depois no meu quarto, senhor. — Disse ele pigarreando tentando se acalmar e pegando a foto de sua mãe no Clube de Feitiços. — Professor, hum... a mãe de Terry me mandou essa foto do Clube de Feitiços, a turma de 1973, foi o último ano dela e mamãe está nela. Queria saber se alguém nessa foto era amiga de minha mãe ou se ela tinha algum amigo ou amiga próximo e se o senhor sabe onde eles estão. — Perguntou Harry hesitante.
— Ok, deixe-me ver e tentar relembrar quem eram os alunos naquele ano, sim, sim, lembro claro, sua mãe estava no 3º ano e no grupo ela era amiga de todos, sua mãe era assim, extremamente gentil e boa com todos, não importava sua origem ou personalidade. — Disse Flitwick olhando para os antigos alunos com carinho. — Bem nesse ano, além de Serafina, haviam muitos membros mais velhos, sua mãe junto com Julia Adson eram as únicas tão jovens. Srta. Adson está aqui ao lado de sua mãe, a menina loira e magra, ela e sua mãe eram muito próximas, na mesma casa, no mesmo ano, e ambas nascidas trouxas. Infelizmente depois de formada Adson voltou ao mundo trouxa e nunca mais ouvi falar dela. Daqui da foto acredito que sua mãe não tinha uma amizade tão próxima com mais ninguém, talvez a própria Serafina, as duas conversavam muito sobre feitiços e eram do mundo trouxa, o que as aproximava. Havia também o jovem Gideon Prewett, ele e seu irmão gêmeos eram tão difíceis quantos seus sobrinhos, os gêmeos Weasley, mas Gideon tinha um talento para Feitiços, sendo da mesma casa eles se davam bem, apesar de o Sr. Prewett ser um pouco mais velho, ele estava no 5º ano. Sinto muito Harry, desta foto ninguém mais se destaca como particularmente próximo a sua mãe.
— Tudo bem senhor, e sobre seus colegas de ano, o professor se lembra de alguém. — Perguntou Harry enquanto guardava sua foto no envelope.
— Ah, sim sua mãe era amiga das meninas de seu ano, principalmente Maria MacDougal, tia da nossa Morag, Marlene McKinnon, Julia Adson como lhe falei, e havia outra menina... seu nome era bem diferente como em diversas famílias bruxas... Sinto muito Harry, não consigo me lembrar. — Disse Flitwick balançando a cabeça chateado. — Você deve perguntar a Minerva, ela se lembrará com certeza.
— Claro professor, está tudo bem. O senhor sabe o que aconteceu com essas amigas e amigos dela professor? — Perguntou Harry.
— Bem Adson como lhe disse nunca mais tive contato, naquela época era perigoso ser um nascido trouxa em nosso mundo, e não sei se depois da guerra ela retornou ou mesmo se sobreviveu a guerra. Foram muitos mortos e desaparecidos Sr. Potter e infelizmente não acredito que o Ministério se preocupou em nomeá-los tanto quanto se esforça para os esquecer. Bem Maria pelo que sei está bem, casada talvez, não tenho certeza, mas Morag poderá lhe informar. Gideon e Fabian Prewett foram mortos por comensais da morte, assim como Marlene McKinnon e seus pais e irmão e irmã mais novos. A família toda foi morta em um único ataque. — Disse Flitwick e não pode conter uma única lagrima que ele enxugou com seu lenço.
Eles ficaram em silencio por alguns instantes, em respeito e lembrança aos mortos. Harry sentiu uma grande tristeza ao pensar em tantas boas pessoas mortas tão jovens e por causa de um preconceito tolo.
— Professor Flitwick, o senhor poderia me contar sobre meu pai agora, senhor. — Pediu Harry gentilmente.
— Ah sim, James Potter, eu não era tão próximo dele quanto de Lily, posso apenas dizer o que observei enquanto ele estava pelos corredores desta escola e em minha sala de aula. Depois de formados eu o vi em apenas duas ocasiões, o casamento deles e o seu nascimento. Jamais houve um bruxo tão incrivelmente feliz quanto ele nesses dois momentos. — Flitwick fez uma pausa e sorriu com a lembrança. — Não importa o que digam sobre ele, Sr. Potter apenas saiba que seu pai os amava intensamente.
Harry acenou sorrindo emocionado, ele sabia disso e mesmo que seu pai não fosse perfeito nunca duvidaria de seu amor por ele e sua mãe.
— Bem como lhe disse James era incrivelmente talentoso, diferente de sua mãe que se destacou em dois assuntos e era ótima aluna nas demais, James era o oposto. Ele se destacou em todos os assuntos, mas muitas vezes mantinha seu foco mais no quadribol, seus amigos e suas aventuras ou em pregar peças e brincadeiras, do que nos estudos. Ainda assim, não tendo os estudos como prioridade, ele era, junto com sua mãe e Snape, o melhor em Poções. Nas outras disciplinas ele se destacou sozinho, ele era o melhor em Transfiguração, Minerva o chamava de prodígio, Defesa, Runas, Aritmancia e Trato de Criaturas, tinha um grande desinteresse por Herbologia e Astronomia a não ser quando os conectava com Poções e dormia nas aulas de História como todos nesta escola. Apenas Feitiços ele era o segundo melhor ficando atrás de sua mãe. — Disse Flitwick assombrado com seus feitos. — Sempre pensei que se seu pai fosse um Ravenclaw dedicado aos estudos, ele teria batido todas as marcas da escola, que no momento pertencem em sua maioria a Alvo Dumbledore. Não tenho dúvidas de que James Potter se tivesse vivido teria se tornado um dos maiores bruxos da sua geração, claro, se ele quisesse. — Flitwick sorriu e seus olhos brilharam divertidos.
"Seu pai Harry, foi chamado de arrogante e irresponsável enquanto na adolescência, mas era um garoto alegre e amado, cheio de energia e quando se tornou mais velho e mais maduro suas outras qualidades se destacaram. Ele era humilde e doce, muito amigo e leal aos amigos, sua mãe se apaixonou por ele no 7º ano, enquanto os dois foram os Monitores Chefes. Sua falta de ambição e completa despretensão de sua riqueza ou talento quando ficou mais velho foi algo que o destacou, não havia como não gostar de James Potter. — Completou Flitwick.
Harry ficou assombrado, sempre supusera que sua mãe fora melhor estudante que seu pai, mas percebeu que apenas, ela era mais interessada nos estudos que ele. A ideia de que ele fora o melhor em quase todas as disciplinas e sem se esforçar, era incrível. Não pode deixar de pensar que como seu pai ele também não se interessava por Astronomia e Herbologia, a não ser com suas conexões a fabricação de Poções. Ele era bom em Poções e Feitiços como os dois e não apenas como sua mãe. As outras eletivas ele ainda não sabia, História só gostava das aulas de Terry e bem Transfiguração, ele só tivera dificuldades nas primeiras aulas. Agora ele achava bem fácil, ainda que não fosse tão bom quanto Hermione, mas sem dúvida estava em um segundo próximo.
— Professor e os seus amigos, o senhor sabe me dizer sobre seus amigos mais próximos? — Disse ele retornando os pensamentos de volta a conversa.
— Sim, claro bem, eu seu ano eles eram um quarteto, James tinha amigos em todas as casas com exceção da Slytherin. Mas seus amigos mais próximos eram seus companheiros de casa, Remus Lupim está, até onde sei, vivo, mas nunca mais o vi depois da guerra. Peter Pettigrew que foi assassinado. E Sirius Black que, apesar de melhor amigo de seu pai, no fim da guerra ele mudou de lado e não apenas traiu seus pais revelando o lugar onde estavam escondidos para você-sabe-quem, mas também se tornou o assassino de Pettigrew. Bem claro que você sabe tudo sobre isso, imagino que seus tios lhe contaram as circunstancias da triste morte dos seus pais. — Disse Flitwick e Harry acenou meio paralisado sem encontrar a voz para responder e foi melhor assim, porque ele não era um bom mentiroso e não queria que seu professor e chefe soubesse a verdade sobre sua vida com seus tios.
Com a garganta seca, Harry bebeu o ultimo do seu chá a muito frio e pousou a xicara na mesinha. Encontrando a voz e um sangue frio que não sabia que tinha, ele se levantou e agradeceu a seu professor. Flitwick o acompanhou até a porta e lhe recomendou mais uma vez falar com Minerva, pois ela teria ainda mais história.
Sua saída foi meio abrupta, mas Harry não se importava, subiu rapidamente as escadas finais para sua torre, passou pela porta de entrada sem nem se lembrar como ou qual pergunta respondeu. Em um instante ele subiu ao seu quarto e quando fechou a porta estava ofegante, nunca ficava ofegante, tentou controlar a respiração, mas não conseguiu. Sentiu a falta de ar aumentar e seu peito apertar até doer. Em pânico por não conseguir respirar foi até à janela aberta para ver se com o ar puro se sentia melhor, enfiou a cabeça para fora da janela e respirou fundo. Fez isso uma, duas, três e finalmente começou a sentir o ar chegar a seus pulmões.
Tentou se acalmar e não pensar no que lhe dissera Flitwick, mas não conseguiu parar de repetir na sua mente suas palavras. Traídos! Traídos! Traídos! Eles foram traídos por seu melhor amigo. A raiva, assim como sua magia se agitou nele e ele não conseguiu conte-la, direcionando na direção da parede Harry bateu as duas mãos com força e raiva, uma, duas e gritou extravasando a amarga injustiça.
— Ahhhhhh! Ele era seu amigo! Seu amigo! — A raiva deu lugar as lagrimas e Harry caiu no chão de joelhos soluçando, a tristeza o envolveu até que tudo o que ele tinha era uma grande secura e miséria por dentro.
Quando voltou a si estava escurecendo, deitado no chão Harry pensou que deveria se levantar e encontrar seus amigos, mas uma estranha apatia o envolvia e ele não tinha vontade de sair de onde estava. Se sentia vazio e machucado e não queria ver ninguém nunca mais. Mas seu desejo foi prontamente ignorado quando houve uma batida na porta, Harry fingiu não ouvir e continuou a olhar para o teto quando ouviu outra batida. Um segundo depois a porta se abriu e Terry colocou a cabeça para dentro.
— Harry? Você... — Ele viu as pernas de Harry no chão e imediatamente entrou preocupado. — Harry! Você está bem? Está ferido? — Perguntou meio em pânico. Mas ao ver o amigo com os olhos abertos fixos no teto e respirando normalmente, parou olhando-o com mais atenção.
Harry estava com as vestes amarrotadas, o cabelo ainda mais bagunçado do que o normal, seu rosto estava avermelhado e marcas de lagrimas sinalizavam que ele chorara. Olhando em volta percebeu uma certa bagunça pouco característica, Harry era razoavelmente organizado, e olhando a parede notou duas marcas de mãos queimadas na pedra do castelo, marcas do tamanho das mãos de seu amigo.
— Você fez essas marcas? — Perguntou chocado e quando Harry olhou e deu de ombros indiferente ele suspirou se perguntando o que causara tal explosão de magia acidental. — Uau, nunca vi uma magia acidental tão forte. — Terry voltou e fechou a porta em busca de privacidade e depois se sentou no chão encostado ao fim da cama. — Estávamos esperando por você no jardim, mas eu pensei na possibilidade de que talvez você gostaria de ficar sozinho depois de falar sobre seus pais. Contei a Hermione e Neville o motivo de seu encontro com o Flitwick, mas acho que você não precisa se preocupar, eles entenderam que você não queria falar sobre isso e não vão ficar fazendo perguntas. — Como Harry continuou deitado sem dar sinal de falar Terry continuou.
"Eu não pretendia te incomodar também, mas já é hora do jantar e você não pode perder nenhuma refeição, Madame Pomfrey vai ficar chateada. — Isso finalmente pareceu causar uma reação nele, seus olhos mais vivos, sua expressão menos indiferente. — E pensei que íamos explorar o corredor do Covil depois do jantar, se você quiser podemos deixar para amanhã, mas com a aula extras de Defesa e a primeira reunião com os segundos anos vai ficar meio apertado. — Disse Terry e finalmente viu seu amigo fechar os olhos e respirar fundo. Depois ele os abriu e o olhar determinado de Harry Potter estava de volta, ele se levantou e cambaleou um pouco, mas rapidamente se endireitou.
— Preciso de uns minutos para um banho, te encontro lá embaixo na sala comunal. — Disse como voz tão crua e rouca que era quase irreconhecível. Ele não olhou para Terry, manteve o olhar na paisagem da janela, imaginando que ele estava constrangido Terry não o encarou e se aproximou da porta, mas antes de sair perguntou suavemente:
— Quer falar sobre o que aconteceu?
Harry acenou negativamente e foi na direção do banheiro e a Terry só restou sair e fechar a porta antes de descer para esperar seu amigo.
