Capitulo 14

Durante o jantar Harry se manteve silencioso e acabrunhado. Terry tentou falar amenidades ou interessa-lo sobre o treino que quadribol, mas Harry lhe deu um ombro frio respondendo quase que grosseiramente. Depois do jantar eles subiram até a torre da Gryffindor, pois não viram o Neville mais no Grande Salão. Durante o caminho Terry tentou suavemente dizer que seja o que fosse que o estava chateando, ele deveria falar e não guardar tudo dentro até quase sufoca-lo. Harry prontamente lhe lançou um lançar digno de Daphne Greengrass e depois continuou andando ignorando-o completamente.

Quando chegaram na entrada, se acomodaram a esperar que alguém chegasse para dizer a senha e poderem entrar, a Mulher Gorda do quadro de entrada pareceu surpresa com a inesperada visita e ao ver o modo como eles estavam longe um outro e sem conversarem perguntou:

— Tiveram uma discussão queridos? — Disse com voz aguda. Eles a ignoraram e Harry até se afastou pelo corredor, Terry sorriu sem graça.

— Não senhora, está tudo bem. Estamos só visitando um amigo.

Todos ficaram em silencio depois disso, apesar de a Mulher Gorda lançar um olhar descrente na direção deles. Alguns minutos depois alguém passou e disse a senha, "Dragão Chinês". Terry fez uma careta para a falta de imaginação, não é para menos que Hermione goste de responder à pergunta da águia da torre Ravenclaw. Depois que o garoto passou, Harry e ele com a mesma senha entraram sem dificuldades e questionamentos por parte da Mulher Gorda.

Eles entraram em uma grande sala comunal com cores predominantemente vermelhas, mas com algum dourado também. Era bem confortável e acolhedora, com sofás e poltronas e algumas mesas de estudos de um lado e mesas de jogos de outro. A lareira estava acesa e sentados nas poltronas e sofás mais próximos a ela, estavam alguns alunos mais velhos, casais que estavam tentando engolir os rostos uns dos outros. Corando, eles foram na direção das mesas de estudo, passando pelas mesas barulhentas de jogos de xadrez bruxo, snap explosivo e gobstones. Nesse momento alguns alunos desceram pelas escadas rindo e gritando alto sendo perseguidos por meninas ainda mais barulhentas. Era assustador e tão diferente da Ravenclaw que era como estar em outra escola. Neville não estava nas mesas de estudos, pudera se ele poderia ler com toda essa bagunça, pensou Terry.

Depois de uma troca de olhar entre os dois, eles subiram as escadas dos meninos e no primeiro andar encontraram uma porta escrita 1º ano. Eles bateram e quando alguém respondeu "Entre", Terry abriu a porta e entraram em um quarto grande com 4 camas grandes com dosséis e roupas de cama vermelhas. Comparada a cama deles, essas eram camas de príncipes, mas só de terem seus próprios quartos valia a pena.

— Terry? Harry? — Perguntou Neville levantando-se da última cama onde lia um livro de Herbologia. — O que vocês estão fazendo aqui?

— É, e como vocês entraram na nossa casa? — Perguntou Weasley que estava pegando um jogo de xadrez bruxo de seu baú.

— Com a senha. — Disse Terry simplesmente. — Oi Neville, queríamos falar com você, precisávamos de uma ajuda, se você não estiver ocupado, te devolvemos antes do toque de recolher. — Terry tinha um sorriso animado, mas mesmo Neville parecia perceber que não era dos mais animados assim.

— Claro, só estava lendo umas coisas extras para a aula de Herbologia. Tenho umas perguntas para a Sprout, mas dá para deixar para depois. Vamos lá. — Disse Neville sorrindo curioso.

— Se você quiser pode trazer o livro, talvez você até precise. — Disse Terry quando viu o amigo deixar o livro sobre a cama. Neville concordou confuso, mas pegou o livro.

Eles rapidamente desceram as escadas e se era possível a sala comunal estava ainda mais barulhenta, olhando em volta Terry viu que alguém trouxera cerveja e whisky de fogo e parecia que uma festa estava a caminho. Uau, esse pessoal não sabia que tinham aulas no dia seguinte? Saindo rapidamente para fora pelo retrato ele olhou para Harry que também tinha uma expressão assombrada e não apática como a de antes, o que era um alivio.

— Nossa, ainda bem que não estou na Gryffindor, teria sido um pesadelo para se dedicar aos estudos. — Disse Harry. — Você e Hermione estão certos em ficar bravos e deveriam conversar com McGonnagall, talvez ela possa fazer algo para pelo menos impedir o barulho de ir para o lado em que vocês estudam. — Concluiu ele enquanto desciam as escadas para o 5º andar.

— Vocês acham que dariam resultados? — Perguntou Neville timidamente.

— Vocês não vão saber se não tentarem, Neville. Harry está certo, aquilo é um pesadelo, eu até entenderia se fosse em algumas ocasiões especiais, quando soubemos das mudanças nas aulas de Poções também tivemos uma festa com a casa toda em nossa sala comunal, mas desde então ela é apenas para estudo. Se todos os fins de semanas for assim e, se durante a semana ainda for barulhento, não tem como vocês terem boas condições para estudar o que precisam. — Disse Terry chateado por seus amigos.

Nesse momento eles entraram no corredor do Covil e ficaram em silencio, não querendo ser ouvidos e que alguém os seguissem. Assim que entram na sala confortável com a lareira crepitando, eles se acomodaram e Neville expressou seus pensamentos.

— O problema Terry é que a grande maioria da nossa casa gosta das coisas como são e não se importam o suficiente com notas ou estudar, como os Ravenclaw ou Hermione. Se reclamássemos teríamos a casa toda zangada conosco, já não somos muito populares, Hermione por seu jeito mandão, alguns zombam dela ou a ignoram, e bem eu sou desajeitado e tímido. Não queremos ser ainda mais impopulares, entendem? — Disse Neville, tristemente.

— Nós entendemos Neville, vocês querem se enturmar e fazer parte, acho que tudo bem, vocês sempre podem vir estudar na nossa torre com a gente ou aqui no Covil também. E ainda tem o tempo que passamos na Biblioteca. Mas se um dia vocês decidirem fazer algo sobre isso, vocês têm nosso apoio. — Disse Terry acalmando o garoto de rosto redondo. Harry acenou oferecendo seu apoio, mas já dava para ver sua expressão anterior retornando.

— Obrigado, pessoal. Bem, mas o que vocês precisavam de ajuda? — Questionou Neville, grato por eles não insistirem em fazer o que ele não se sentia à vontade para fazer.

— Bem, Harry e eu queremos explorar para onde vai esse corredor a esquerda lá embaixo, mas não podemos ir sem um backup, seria irresponsável. Assim queríamos saber se você não se importaria de ficar aqui e caso demoremos muito para retornar, sabe, pedir ajuda para um professor ou monitor. — Disse Terry sorrindo e tentando a sua melhor expressão de "por favor, não me diga não".

— Hum..., mas será que não é perigoso? — Disse Neville preocupado.

— Dificilmente, aposto que talvez encontremos alguns ratos e uma nova rota, quem sabe mais perto do Salão Principal ou da Biblioteca ou mesmo de uma das outras casas. Seria importante não chegarmos sempre pelo mesmo caminho, cedo ou tarde alguém vai perceber, principalmente, se Hufflepuffs, Gryffindors e Slytherins subirem para o 5º andar onde está nossa torre. — Disse Harry indiferente.

Neville lhe lançou um olhar estranho, mas concordou em aguardar o retorno dos amigos e agradecendo a sugestão de Terry de trazer seu livro se acomodou para continuar sua leitura. Enquanto isso Terry e Harry desceram e acendendo suas varinhas começaram o caminho pelo corredor estreito, com mais ou menos um metro de largura. Haviam tochas velhas pelo caminho e Terry comentou que eles precisavam descobrir como substitui-las sem ter que pedir a Mimy, seria algo interessante a se aprender e eles não explorariam os elfos mais do que já faziam. Harry o ignorou voltando a sua atitude fria, e Terry decidiu pôr um fim a isso.

— Ok, vamos resolver isso agora mesmo. Eu não vou sair para explorar com você agindo assim. O que está acontecendo? Porque está tão chateado e parece que comigo também? — Disse Terry interrompendo sua caminhada e se colocando a frente do amigo.

Harry voltou a ignora-lo e tentou se desviar, mas Terry deu um passo na sua direção e eles ficaram frente a frente de novo.

— Não temos tempo para isso, prometemos ao Neville voltar em 1 hora, se atrasarmos vamos preocupa-lo e ele vai pedir ajuda e aí estaremos encrencados por nada. — Disse Harry friamente.

— Eu não me importo, podemos até retornar a partir daqui mesmo, mas não vamos a lugar nenhum até você me dizer o que está acontecendo. Porque você estava daquele jeito hoje Harry e porque está tão zangado? Achei que queria saber sobre seu pais, que estava preparado. — Disse Terry com seu tom calmo, mas firme.

— Você não entende. — Disse Harry com raiva, deu um passo para traz tentando se afastar do amigo. Melhor voltar para o Covil, decidiu.

— Então me explique e não ouse fugir, o que eu não entendo? — Disse Terry e viu na iluminação das varinhas seu amigo dar a volta e sua expressão era possessa.

— Eu não estou fugindo! E você não pode entender, ninguém pode entender, eu não quero falar sobre isso! — Gritou Harry.

— Eu sou seu amigo e seja o que for posso ao menos te ouvir, mesmo que não possa entender. — Gritou Terry de volta, percebendo que seu amigo precisava tirar para fora toda essa raiva. Mesmo que fosse em sua direção. — Eu tenho inteligência suficiente para perceber que Flitwick lhe falou algo que te deixou muito zangado e tem a haver com seus pais, e você não pode esperar que eu te veja assim e não me preocupe, você não está bem, e nem está fingindo que está. Deixe-me ajuda-lo como puder Harry.

— Eu não quero sua ajuda! Você mentiu para mim também! — Gritou Harry zangado e pálido. — Todos me escondem ou mentem sobre tudo, sobre minha vida, meus pais, tudo mentira! Eu nem sabia quem eu era e pensei que meus pais fossem bêbados e que me odiavam.

— Eu nunca menti para você! E não te escondi nada, desde o dia em que nos conhecemos eu fui sincero sobre tudo o que conversamos, podemos não ter falado sobre alguma coisa ainda, mas não é que eu queira esconder, apenas são muitas informações...

— Você não me contou que ele os traiu! Você sabia sobre isso e não me falou! — Interrompeu Harry ainda mais alto, o som fez eco no corredor vazio.

— O que? Do que está falando, quem os traiu? — Perguntou Terry confuso e tentando manter o tom mais baixo e calmo.

— Seu melhor amigo, ele traiu meus pais e deu seu esconderijo a Voldemort. O melhor amigo do meu pai o traiu e o entregou para ser assassinado. Porque não me contou? — Harry agora parecia menos zangado e sim magoado com a traição dos dois amigos, o de seu pai e o dele.

— O que? Do que está falando, quem entregou a Voldemort a localização dos seus pais foi Sirius Black, ele era um dos maiores seguidores dele, seu braço direito. Black vinha de uma família muito escura, todos eram apoiadores de Voldemort e dos pensamentos puristas. Na verdade, os Black são considerados uma das famílias mais racistas que existem no mundo magico. — Terry tinha a expressão mais confusamente sincera que Harry já vira em alguém e pela primeira vez ele duvidou de tudo, pois nada fazia sentido.

— Professor Flitwick me disse que Sirius Black era o melhor amigo do meu pai na escola, seu colega de dormitório e que ele mudou de lado no fim da guerra e entregou a Voldemort a localização dos meus pais, além de matar um outro amigo deles, um tal de Pettigrew. — Disse Harry completamente desconcertado.

— Mas isso não está nos livros que eu li e meus pais também nunca me falaram nada sobre isso. Seu melhor amigo? E ele estava na Gryffindor com seu pai? — Terry parecia tão confuso e chocado quanto ele.

Harry respirou fundo e tentou se acalmar, deixando o alivio, de Terry não estar escondendo ou mentindo para ele, o percorrer. Tanto quanto a notícia sobre Sirius Black, a ideia de que Terry também não era de confiança vinha lhe corroendo por dentro e agora ao colocar para fora todo o veneno percebeu que se sentia muito melhor.

— Harry, eu jamais esconderia algo assim de você se eu soubesse. E eu devia ter falado sobre o fato de que alguém informara o endereço dos seus pais para Voldemort, mas nunca falamos com detalhes sobre aquela noite e na verdade nunca achei isso importante. Sempre me pareceu simples, um comensal da morte recebe a missão de encontrar seus pais e, quando o faz, informa a seu líder a localização. — Disse Terry sincero e Harry acenou mostrando que acreditava nele. — Entendo porque você está tão zangado, porque não continuamos no caminho e você me conta o que mais o professor te contou de importante e que você queira falar, depois com calma podemos falar mais sobre Sirius Black. Vamos lá. — Disse Terry e dessa vez assumiu a liderança para que seu amigo pudesse falar sem ter olhos sobre ele.

Harry parou ainda um segundo e depois respirando fundo o ar empoeirado, começou a andar e, calmamente, contar a Terry sobre sua mãe e seus talentos, principalmente em Poções e Feitiços.

— Que legal, você tem esse mesmo talento dela, aposto que ela tem as receitas das poções corrigidas e melhoradas em algum lugar Harry, principalmente, se ela pretendesse publicar. E criar feitiços, quando você estiver em Aritmancia podemos descobrir se você herdou esse também. — Disse Terry como sempre animado com a ideia de aprender.

Harry então contou sobre seu pai e nesse ponto seu amigo parou completamente estupefato.

— Uau, Flitwick disse isso mesmo, ele era o melhor de seu ano em todas essas disciplinas e sem se esforçar? — Perguntou Terry.

— Sim, ele disse que se papai tivesse sido um Ravenclaw estudioso teria batido todos os recordes da escola que pertencem a Dumbledore, mas ele preferiria se concentrar em quadribol e nas brincadeiras com os amigos e não era ambicioso ou arrogante sobre seus talentos mágicos. — Disse Harry, sorrindo orgulhoso.

— E seu melhor assunto era Transfiguração?

— Ele era o melhor em tudo que se interessava, como eu Astronomia e Herbologia o interessava pouco, apenas para fabricação de poções e ele dividia o posto de melhor com mamãe e Snape nesta aula, e ficava em segundo em Feitiços, atrás de mamãe. Nas outras disciplinas ele era o melhor de seu ano e em Transfiguração, Prof.ª McGonnagall o chamava de prodígio. — Harry seu sorriso aumentando.

— Harry é por isso que você é tão bom em Transfiguração e em Defesa também, e aposto que nas outras disciplinas eletivas você também será o melhor da turma. — Disse Terry sorrindo animadamente.

— Eu não sou tão inteligente ou poderoso como meu pai Terry, ao contrário dele tenho que me esforçar e estudar bastante. Se estivesse na Gryffindor e não me preocupasse com os estudos como ele, minhas notas seriam apenas medias, tenho certeza. — Disse Harry, dando de ombros.

— Harry, você se esquece que as circunstancias são diferentes. Seu pai cresceu no mundo magico, conhecendo e aposto fazendo magia antes de vir a Hogwarts e você não. E não se esqueça do que me disse sobre ele ser saudável, você mesmo contou que os problemas de desnutrição podem afetar a concentração e a aprendizagem, tenho certeza que, quanto mais a sua saúde melhorar mais facilmente o aprendizado e conhecimento virá para você. E além disso seu pai, apesar da guerra não tinha que se preocupar com tudo o que você descobriu nas últimas duas semanas, aposto que ele teve uma infância bem tranquila e que sua estadia em Hogwarts foi razoavelmente sem drama. — Disse Terry inteligentemente. — Mas de qualquer forma, você não tem que ser igual ao seu pai, ele era ele e você é você.

Harry assentiu entendendo tudo que Terry quis dizer, ele tinha seu próprio potencial para alcançar e se talvez não fosse um potencial tão grande como o de seu pai, tudo bem, como seu pai não daria importância para ser melhor que ninguém.

E seu pai era um homem que se importava mais com a família e amigos do que com ser rico e poderoso, Harry também precisava estudar bastante para defender a si e seus amigos, mas não por uma ambição desmedida para ser poderoso. Sorriu e então pensou sobre o amor de seu pai por sua mãe e como ele desistira de uma carreira no quadribol para lutar e garantir sua segurança. E depois quando ele, Harry, nascera ainda deixara a luta para se esconder e protege-lo...

Harry parou de andar e cambaleou como se tomasse um balaço na cabeça, suspirando olhou para as costas de Terry que caminhava mais a frente, pensando que mais uma vez nada fazia sentido.

— Terry... — Seu tom estranho chamou a atenção do amigo que olhou para traz e ao vê-lo parado retornou alguns passos na sua direção.

— Oi, tudo bem? Você viu alguma coisa? — Terry perguntou olhando em volta antes de encarar seu amigo e ver que ele estava pálido. — Harry? O que é?

— Terry, quando seus pais se esconderam, eles foram para o subsolo, quem sabia onde vocês estavam? — Perguntou Harry suavemente e bem devagar.

— Eles foram para o Estados Unidos, eu nasci lá, te disse. — Respondeu Terry confuso.

— Sim, mas a casa em que eles, vocês viviam, depois que você nasceu aposto que eles se esconderam ainda mais. Quem sabia? — Perguntou Harry mais urgentemente agora.

— Ah, bem acredito que só minha avó no começo, vovô ia para o trabalho todos os dias no Ministério e seria perigoso ele ter essa informação. Mas depois que minha tia Carole morreu, vovó entrou em profunda tristeza e meu avô Boot a levou para ficar conosco. Ele tinha esperança que minha presença a consolasse um pouco. Meus parentes trouxas não sabiam também, sempre que eles viajavam para nos visitar eles marcavam um encontro em algum lugar e depois de ter certeza que eles eram eles e que não foram seguidos meu pai os levava para onde estávamos. E a comunicação com eles era pelo correio trouxa. Mesmo assim, mamãe me disse que as vezes eles mudavam de casa, apenas como precaução. Porque? — Disse Terry sem entender onde seu amigo estava indo com suas perguntas.

Harry explicou rapidamente sobre a última visita de sua mãe e como seus pais estavam abandonando a luta e indo para o subsolo, que ficariam incomunicáveis.

— E a última carta que minha mãe enviou a sua foi no meu nascimento. E alguns meses depois, não sei quantos, ela visitou Flitwick e se despediu dizendo que ia se esconder. Mas ela desistiu de seus Mestres e meu pai de jogar quadribol profissional para lutarem e de repente eles desistem de lutar para se esconderem. — Disse Harry como se tivesse entendido o segredo do universo.

— Sim, Harry, claro, depois que você nasceu eles perceberam que proteger você era mais importante, devem ter recebido ameaças contra sua mãe e você como o pai de Moon e meu pai... Espere, que cartas? — Terry perguntou completamente desconcertado.

— Terry, preste atenção, ninguém sabia onde nós estávamos, e eles não se comunicaram com ninguém, assim como sua família, aposto que eles tomaram ainda mais precauções, pois ainda estavam no país. Provavelmente eles, assim como seus pais, só contariam a um membro da família. Não a família trouxa de minha mãe que a odiava, meus avós já estavam mortos, assim apenas restaria seu melhor amigo, que meu pai veria como família, um irmão. — Disse Harry intensamente.

— Sim, que os traiu e mudou de lado... — E finalmente a luz brilhou no rosto de Terry que arregalou os olhos e encarou seu amigo. — Mas isso não faz o menor sentido!

— Entendeu? Meu pai e minha mãe eram dois dos bruxos mais inteligentes e poderosos, eles, como você disse, devem ter se precavido sobre tudo, o esconderijo, o testamento, meu guardião, eles eram amados e devem ter tido muitos amigos, mas aquela era uma época perigosa e confiar na pessoa errada poderia significar o fim, Hagrid me disse isso. Aposto que eles não confiariam cegamente, aposto que eles pensariam e olhariam para a possibilidade de traição. Eles me amavam e se amavam e eles não arriscariam nossas vidas, sei disso. — Disse Harry ainda mais pálido, passou a mão pelos cabelos angustiado. — Algo aconteceu, não temos informação suficiente, não há como chegar a uma conclusão, mas alguma coisa deu errado em seu plano e então de repente o melhor amigo do meu pai, seu irmão, meu possível guardião se torna o braço direito de Voldemort e todos acreditam...

— Harry... — Terry estava tão pálido quanto seu amigo de olhos verdes. — A informação veio do Ministério, a notícia, os livros com essa verdade sobre Sirius Black vieram do Ministério. E você tem razão, seus pais eram inteligentes, seu pai talvez um gênio, eles pensariam em todas as possibilidades, teriam proteções magicas poderosas. Sirius Black era o melhor amigo de seu pai, um Gryffindor, indo contra a própria família ao lutar contra Voldemort, então no último dia da guerra ele muda de lado e trai seus pais e se torna o braço direito de Voldemort. Isso é quase tão absurdo quanto você tê-lo matado aos 15 meses, e os dois fatos, todo o mundo magico acredita sem contestar porque a informação veio do Ministério. — Terry parecendo completamente perdido andou alguns passos e parou como se pensasse em outra coisa. — E você, Harry, você tinha 15 meses quando isso aconteceu, seus pais estariam escondidos a quase um ano antes disso e não foram encontrados, porque de repente Black, que os escondeu por tanto tempo, contaria?

— Imperius? — Harry disse sentindo um mal pressentimento.

— Mas isso apareceria no julgamento! Malfoy e muitos outros se livraram da cadeia com essa alegação e era bem falsa. — Exclamou Terry indignado, passando a mão pelo cabelo. — Você tem razão faltam informações para uma conclusão e para chegarmos a verdade precisamos de mais fatos, mas uma coisa nós sabemos. — Disse Terry o olhando nos olhos.

— Meu guardião está em Azkaban. — Concluiu Harry sentindo um frio estranho percorre-lo por dentro, parecia chegar até sua alma.

Terry falou um palavrão, dos mais feios, algo tão a avesso a sua personalidade tranquila que chamou a atenção de Harry para o amigo que ao ver sua palidez e desespero se acalmou imediatamente.

Respirando fundo, mais centrado como não esteve o dia todo desde o momento em que ouvira o nome de Sirius Black, Harry sabia que o que eles tinham eram mais uma ponta solta de um novelo grande e emaranhado que não tinham como desembaraçar e chegar a verdade esta noite. Ele descobriria a verdade, seja lá o que acontecera naquela noite que levara a morte de seus pais, a prisão de seu guardião e seu abandono na casa de seus parentes.

Mas hoje, eles tinham que se concentrar no que se propuseram a fazer, e depois voltar para Neville que estava esperando.

— Vamos, Terry, não descobriremos nada hoje, vamos terminar o que começamos e encontrar a saída desse corredor. — Disse Harry e firmemente ergueu sua varinha e assumiu a liderança. — Depois ou amanhã lhe conto o que mais Flitwick me contou e podemos até discutir teorias, agora vamos nos concentrar em voltar para Neville, nosso tempo está se esgotando.

Terry concordou e olhando para o relógio percebeu que Harry estava certo, meia hora se passou da uma hora que tinham, precisavam se apressar e deixar mais esse mistério para outro momento. Assim eles seguiram o caminho em silencio, tentando se concentrar no corredor escuro e empoeirado, cheio de teias de aranha, mesmo que lá no fundo os dois tivessem um estranho pressentimento sobre suas novas descobertas.

O caminho se mantinha, eles perceberam depois de mais alguns metros, em leve declive, o que os fez concluir que qualquer saída que alcançassem seria nos andares abaixo do 5º andar. Em dado momento um novo caminho surgiu, virando à esquerda, como não queriam se separar continuaram em frente deixando aquele outro corredor para explorarem outro dia. Não demorou mais do que uns 30 metros para chegarem ao fim, as costas de uma estátua que protegia a entrada como no outro lado. A abertura era mais estreita que a do Covil, mas Harry conseguiu passar, Terry teve mais dificuldade, mas depois de um puxão nada elegante de Harry ele desentalou.

— Parece a estátua de um troll de um olho só. — Disse Harry apontando a luz da varinha para a imensa estatua. — Não conheço esse corredor, e você? — Perguntou Harry olhando em volta do corredor fracamente iluminado por algumas poucas tochas.

— Não, nunca vim aqui, seja lá onde é aqui. E é um ciclope. — Disse Terry olhando em volta e dando alguns passos à frente.

— O que? O que é um ciclope? — Perguntou Harry seguindo o amigo mais para o fundo do corredor desconhecido. Se chegassem a uma escada poderiam descobrir onde estavam e depois voltar até o Covil.

— A estátua, não é um troll de um olho só, é um ciclope, você sabe, da mitologia grega. — Disse Terry divertidamente.

— Ah sei, acho que vi algo disso na escola, mas não lembro de nenhum ciclope. Além disso, só comecei a apreciar a História depois que nos conhecemos. — Respondeu Harry.

Ouvindo um barulho eles se viraram e se depararam com madame Norra, a gata do zelador Filch, ela estava a uns 4 metros e olhando-os intensamente e com reprovação.

— Se ela está por aqui, Filch está vindo logo atrás, é melhor desaparecermos. — Sussurrou Harry.

— Mas ainda não passou do toque de recolher e não estamos fazendo nada errado. — Protestou Terry.

— Duvido que ele vai acreditar em nós, além disso não sabemos onde estamos e ele vai querer saber como viemos parar aqui. Vem, vamos em frente, se tentarmos voltar para o corredor do Covil essa gata esquisita vai descobrir a passagem e levar Filch até nosso esconderijo. — Disse Harry e se apressou pelo corredor mal iluminado com Terry ao seu lado.

Quando ouviram a voz de Filch dizer "Você os encontrou querida? ", eles começaram a correr, mas o corredor parecia apenas ficar mais escuro e tendo apagado suas varinhas ficava difícil enxergar o caminho. Terry o deteve pelo braço e apontou para uma porta, era a primeira que apareceu em todo o corredor, tinha uma leve iluminação que se via pelas frestas.

— Vamos nos esconder, e depois que ele passar, voltamos para a entrada do ciclope. — Disse Terry em um sussurro urgente. Harry acenou e Terry tentou abrir a porta que estava trancada. — Trancada. Como é o feitiço de abrir porta mesmo Harry?

— Alohomora, rápido Terry. — Disse Harry, ouvindo os passos de Filch a distância, ele falava com a gata, mas não dava para entender.

— Não consigo, tenta você Harry. — Disse Terry depois de tentar o feitiço e a porta continuar trancada.

— Você consegue sim, lembre-se não é a palavra e sim você comandando sua magia a fazer o que você precisa, agora abra a porta. — Disse Harry firmemente.

Terry concordou e respirando fundo para se acalmar se concentrou em abrir a porta, feitiçaria, ele entendera com a percepção única de Harry sobre o assunto, se tratava de sua magia agir sobre o ambiente, ergue-lo, traze-lo, flutua-lo, abri-lo, fecha-lo.

— Alohomora. — E ouviu o clique da porta. Sorrindo a abriu e ele e Harry entraram e fecharam a porta. E na hora certa, pois alguns segundos depois eles ouviram Filch passar com madame Norra.

— Para onde eles foram, vá farejando, minha querida, eles podem estar escondidos em algum canto. — Disse ele e a gata miou grosseiramente.

Eles ficaram em silencio em frente a porta esperando eles se afastarem.

— Quando saímos temos que ir pelo caminho de onde veio o Filch, deve dar nas escadas e descobriremos onde estamos exatamente. Se formos pelo corredor do Covil vai ser tudo por nada. — Sussurrou Harry.

Eles ouviram um barulho estranho e olhando para traz Harry abriu a boca em completo choque com o que viu, percebeu que ao em vez de uma sala, estavam em um corredor fracamente iluminado onde um cachorro monstruoso, um cachorro que ocupava todo o espaço entre o teto e o piso, dormia sobre um alçapão de madeira. Tinha três cabeças. Três pares de olhos que se abriam sonolentos; três narizes, que franziam e estremeciam farejando os intrusos; três bocas babosas, a saliva escorrendo em cordões viscosos das presas amarelas.

Naqueles segundos em que Harry meio paralisado absorvia a visão de pesadelos a sua frente, um dos pares de olhos de uma das cabeças se abriu e também os olhou surpresos ao acordar e encontrar comida fresca tão facilmente disponível, concluiu Harry e sem querer dar tempo das outras cabeças acordarem de vez e a surpresa passar ele rapidamente agarrou o braço de seu amigo paralisado e foi na direção da porta que se abriu magicamente.

Ouvindo os rosnados de ensurdecer e temendo que eles pudessem persegui-los, Harry ainda segurando o braço de Terry correu pelo corredor, mas não precisou se preocupar porque assim que saíram a porta se fechou com um estalo alto. Mas ele não parou e chegando a estátua do troll de um olho só, que dizer ciclope, ele empurrou Terry de maneira ainda mais abrupta do que o puxara e depois passou pela abertura.

Ele só teve tempo de se levantar e levantar Terry do chão quando ouviu Filch voltando, ele parou como uma estátua e sinalizou silencio ao amigo, mas a expressão de pânico chocado ainda não se desfizera de seu rosto pálido, assim falar não parecia ser algo esperado dele.

— Eles estão por aqui — ouviram-no resmungar — provavelmente escondidos, vamos encontra-los, minha querida, e pendura-los nas masmorras, uma boa surra é o que eles merecem.

Seus passos e resmungos se afastaram e quando se sentiu seguro Harry ainda segurando o braço de Terry deu alguns passos para dentro do corredor escuro e estreito, quando se afastou uns 20 metros, parou e soltou seu amigo, e se encostou na parede com as pernas bambas.

— Essa foi por pouco, acredito que sabemos em qual lugar estávamos. — Disse Harry e olhando seu amigo viu seu rosto bem devagar descongelar da expressão de pânico e choque, mas seu olhar parecia ainda horrorizado ao encarar Harry.

— O corredor proibido do terceiro andar. — Disse ele com uma voz instável. — Harry... — Começou, mas Harry o interrompeu balançando a cabeça negativamente enquanto falava.

— Depois falamos sobre o que vimos, nosso tempo se esgotou, vamos voltar para o Covil antes que Neville vá pedir ajuda, e vamos ter que correr. — Disse ele e rapidamente começou um trote leve pelo caminho iluminado apenas por suas varinhas.

Agora que sabiam não ter nada perigoso e por sua corrida leve foram apenas alguns minutos para atravessaram o caminho e chegaram ao Covil. Neville largara o livro e olhava com preocupação para o relógio, quando eles entraram, Harry cheio de adrenalina e suado e Terry ofegante e pálido como se fosse vomitar.

— Vocês estão atrasados, já estava indo buscar ajuda. — Disse ele e ao ver a palidez de Terry franziu o cenho e se levantou. — O que aconteceu? Vocês encontraram alguma coisa perigosa no caminho?

— Bem, não no caminho exatamente, mais como depois dele. E Terry, se você vai vomitar é melhor pôr a cabeça para fora da janela, porque eu não sei desaparecer coisas ainda. — Disse Harry levemente divertido.

Terry seguiu seu conselho e foi até a janela e respirou fundo, o ar fresco e frio foi o suficiente para controlar o enjoo, assim ele decidiu ficar por ali mesmo.

— O que ele tem? O que vocês viram? — Neville estava preocupado, assim Harry se sentou e contou sobre o caminho que teriam que explorar em outro momento e como eles acabaram por encontrar uma saída em uma estátua de um troll de um olho só.

— Mas acabou que a gata, madame Norra e o Filch apareceram quando tentávamos identificar o lugar onde estávamos antes de voltar e precisamos no esconder. Entramos por uma porta que, percebemos um pouco tarde, era o corredor do 3º andar, aquele onde Dumbledore disse para não irmos a não ser que quiséssemos encontrar uma morta horrível. — Explicou Harry sentando cansado quando aos poucos a adrenalina diminuía.

— Oh! E o que havia lá? — Perguntou Neville ouvindo a história com atenção.

— Um CERBERUS! Um maldito e enorme Cerberus. E é um Ciclope Harry. — Disse Terry se aproximando deles ainda pálido, mas com um aspecto bem melhor se sentou em uma das poltronas.

— O que!? — Neville estava pálido e em pânico. — Vocês encontraram um Cerberus e um Ciclope!? Aqui, em Hogwarts!? — Neville parecia pronto para sair correndo.

— O que? Não, por Merlin, um Cerberus já é ruim o suficiente. Estou falando da estátua na saída, é um ciclope e não um troll de um olho só. — Disse Terry e escondendo o rosto nas mãos, suspirou tentando se acalmar, nunca sentira tanto medo em sua vida.

— Um Cerberus, mas porque tem um Cerberus na escola? — Perguntou Harry, lembrando o alçapão embaixo das patas, se perguntou se não acabara de descobrir onde estava escondido o pacotinho encalombado que Hagrid pegara no cofre em Gringotes.

— Eu não sei, mas lhe digo, Dumbledore perdeu o juízo! Ele coloca um maldito Cerberus atrás de uma porta que abrimos com um Alohomora, é um feitiço de 1º ano, qualquer um poderia se perder e acabar entrando naquele corredor. — Disse Terry indignado e ainda assustado.

— Deve ser por isso que Filch estava por lá, mas você tem razão Terry, só fico feliz de não ter ido com vocês e com certeza não vou chegar perto do 3ª andar. — Disse Neville.

— Acredito que sei por que o Cerberus está lá naquele corredor, mas é melhor levarmos o Neville até a torre Gryffindor, é quase toque de recolher, conversamos sobre isso amanhã. — Disse Harry se levantando.

Os meninos olharam para o relógio e se levantaram imediatamente ao verem que faltavam apenas 15 minutos para as 21 horas. No caminho eles não falaram nada com receio de serem ouvidos, e quando chegaram ao quadro da Mulher Gorda agradeceram a Neville e lhe deram boa noite. Quando o quadro se abriu o barulho que vinha da sala parecia ainda mais alto, pois alguém ligara a radio bruxo e uma música com batida pesada tocava.

Depois que Neville entrou, eles rapidamente seguiram para a torre Raven, e ao entrarem em sua sala comunal o contraste era gritante. Alguns estavam estudando ou lendo em um canto e de outro um grupo de 5º anos conversavam em um debate acalorado, mas em tom baixo, algum assunto escolar. Fora isso, as cores e o silencio era o que mais contrastava com a torre dos Gryffs. Eles subiram direto para seus quartos e viram que seus colegas de ano estavam na sala de convívio jogando e conversando, o barulho de riso e explosão não era convidativo depois do dia que tiveram, assim eles se deram boa noite, mas na porta do quarto, Harry tomou coragem e disse.

— Terry? — Seu amigo que já abrira a porta parou e o olhou curioso. — Desculpa ter duvidado de você e ficado zangado. Não foi legal. — Disse Harry timidamente, mas o encarou nos olhos com sinceridade.

— Desculpas aceitas. — Disse Terry devolvendo a sinceridade. — Ainda que eu entendo porque você ficou zangado, fazia sentido que você acreditasse que eu sabia sobre... Bem, na verdade eu sabia, apenas não sabia o que você soube hoje. Isso ficou meio confuso. — Disse ele com expressão cansada, ainda estava um pouco pálido e abalado com o perigo que correram.

— Ficou, mas eu entendi que eu não sabia que você sabia, mas o que você sabia não era o que eu sabia, apesar de que você sabia alguma coisa do que eu sabia. — Disse Harry sorrindo divertidamente.

— Hã!? — Terry olhou como se ele tivesse perdido o juízo. Harry riu e Terry desistiu de entender, seu amigo tinha um humor bem estranho as vezes. — Deixa para lá. De qualquer forma, tudo está bem, mas em uma próxima apenas me pergunte, prometo nunca mentir para você. — Disse Terry sincero e depois abriu um enorme bocejo.

— Combinado. Boa noite, Terry. — Disse Harry ainda sorrindo.

Entrando em seu quarto percebeu que ele já estava ocupado.

—Edwiges! — Exclamou Harry animado ao ver sua querida coruja branca em cima de sua cama, ao seu lado havia uma caixa com embrulho azul como a que recebera na semana anterior. — Olá garota, você fez boa viagem? — Ele estendeu o braço e a coruja subiu e piou afirmativamente. — Você voltou bem rápido, conseguiu descansar enquanto estava na casa de Terry? — Perguntou alisando sua pena com carinho, Edwiges se arrepiou, como sempre adorava ser afagada nas costas, e piou outra vez e depois o olhou com atenção e piou inquisitiva ao perceber que seu Harry não parecia tão bem. — Oh, eu estou bem Edwiges, estou comendo bem e tomando as poções que a curandeira mandou, assim vou deixar de ser nanico e vou ficar saudável. — Edwiges piou de novo com descrença e Harry suspirou, ela parecia sempre saber quando ele não dizia toda a verdade. — Estou bem, apenas foi um dia duro, tive uma conversa com o Prof. Flitwick e ele me contou algumas histórias sobre meus pais, e também me contou que eles foram traídos por um amigo e foi por isso que Voldemort encontrou seu esconderijo e os matou. — Contou Harry sentando-se na cama e seus ombros caíram com a tristeza e saudades dos seus pais, Edwiges caminhou por seu braço e antebraço até chegar ao seu ombro e carinhosamente passou sua cabeça por seus cabelos pretos bagunçados. Harry sorriu com seu consolo já se sentindo melhor. — Obrigado Edwiges, é bom ter você também. Bem, tenho que escrever uma carta para Gringotes, é muito importante, você quer ir descansar um pouco e amanhã te levo a carta no corujal? — Edwiges piou negativamente e depois saltou na cabeceira da sua cama e estufou o peito deixando claro que ia ficar por ali e quando enfiou a cabeça branca embaixo de uma das asas para dormir Harry percebeu que ela pretendia passar a noite com ele.

Ele não se opôs, até porque além de gostar da companhia dela, seria mais discreto enviar a carta para Gringotes direto do seu quarto do que do corujal. Deixando a carta para escrever depois Harry pegou a caixa sentindo seu estomago se aquecer, sabia que a Sra. Boot lhe enviara mais sanduiches e enquanto ele era muito grato, uma parte dele não queria incomoda-la. E se ela se cansasse de ajuda-lo e não o quisesse mais em sua casa para o Natal, ou pior se não o quisesse mais como amigo de seu filho? Engolindo em seco, Harry abriu o embrulho azul devagar, mais uma vez sem rasga-lo pretendendo guardar em seu baú, como da outra vez havia uma carta em cima da caixa de papelão, ele a pegou e abriu.

Caro Harry,

Obrigada por sua gentil carta de agradecimentos, ainda que não necessárias fiquei muito feliz por seu apresso pelos sanduiches que lhe enviei. E ainda mais por ter indiretamente lhe proporcionado seu reencontro com seus pais. E sua presença em nossa casa nas Festas de Invernos nunca poderia ser um incomodo, pelo contrário, será um imenso prazer conhece-lo e ter sua companhia.

Em sua última carta Terry me contou sobre a semana de estudos de vocês, ele estava muito orgulhoso em contar seus feitos tanto quanto os deles em sala de aula. Parabéns por seus destaques em Poções e Feitiços, e que tenha se mantido entre os melhores nas outras aulas. Isso não me surpreende, tendo eu conhecido seus pais, mas ainda assim sei que suas notas também são frutos de sua dedicação e determinação, assim mais uma vez, meus Parabéns.

Harry sorriu de suas palavras, era bom ser elogiado por seu esforço, por ele mesmo. E suspirou ao ler sobre ela ainda o querer em sua casa, esperava que até dezembro ela não mudasse de ideia.

Parabéns também por ter feito o time de quadribol, eu não sou uma grande fã, mas até eu sei que isso foi um grande feito, imagine ser o buscador do time da casa no 1º ano. Eu conheci mais sua mãe, mas meu sogro e meu marido, que são fanáticos pelo esporte, disseram que James era um grande talento e que amava muito jogar para o time da Gryffindor. E que ele teria ficado extremamente orgulho de seu feito. Peço apenas que seja cuidadoso, tente não se ferir, ok?

Por falar em cuidados, Terry me disse que você foi até a curandeira e que ela está cuidando de você. Enquanto ele não disse nada além disso e pediu para que me tranquilizasse, confesso que saber que você necessita de algum tipo de atenção de uma curandeira me deixa aflita e preocupada com você e com sua situação familiar que tornou sua saúde motivo de atenção.

Espero que quando nos encontrarmos pessoalmente você se sinta à vontade e confie em mim para me contar mais sobre seus problemas de saúde e sobre como é sua vida com seus parentes trouxas. E sei que confiança não se conquista apenas com palavras e sim com ações sinceras, assim saiba que não terei receio em provar a você que sou digna de sua confiança, assim como de que você é digno do meu afeto.

Harry olhou para as palavras com cuidado, mesmo sem conhece-la pessoalmente sentia que sua preocupação era sincera e que ele podia confiar nela, mas contar sobre sua vida nos Dursley. Com Terry sentira que não receberia pena ou falsa preocupação, que ele poderia ajuda-lo com sua inteligência a entender o porquê e como acabara por ir parar no mundo trouxa, mas será que poderia confiar que a Sra. Boot o ajudaria a sair da casa de seus parentes? E se por acaso a pessoa que o colocara lá, Dumbledore, fizesse algo para prejudica-la apenas por tentar ajuda-lo. Suspirando sem saber o que fazer voltou a carta.

Terry também me contou sobre suas questões alimentares, assim enviei sanduiches saudáveis e com o dobro de frango, carne, e queijos, além das verduras e legumes. Ele me explicou que você tem que comer todas as noites antes de suas poções e tem que ser uma comida fresca, assim estou enviando a você um pote especial com sanduiches e alguns doces para a semana. Todo domingo à noite prepararei lanches novos e enviarei do meu pote aqui em casa para o seu aí na escola. Eles estão conectados.

Você é claro se perguntará como faço tal magia, é muito complexa para explicar em uma carta, assim, quando estiver aqui em casa lhe contarei esse pedaço interessante de magia.

Pelo que Terry me disse você não está acostumado a ter pessoas se preocupando com você ou fazendo coisas para você e tem receio de me incomodar. Ele até disse para mim não te enviar coisas demais para não te sobrecarregar, mas que tipo de pessoa eu seria se diante de sua necessidade olhasse para o outro lado. Pode te confundir que eu me preocupe com você devido a uma amizade antiga com alguém que já se foi, mas você vai descobrir que para mim, assim como para meu filho uma amizade dura para sempre e você não limita ou condiciona amizade. Portanto trate de se acostumar, assim como meu filho gosto de ver as pessoas sempre bem e felizes e isso não é caridade, e sim afeto.

Harry suspirou ao ler a Sra. Boot tentando tranquiliza-lo sobre sua maior preocupação, ele entendia que não era caridade, não queria ser um peso, mas ela sinceramente queria lhe oferecer esses presentes, pois para ele seus sanduiches eram presentes, e cuidar dele. Nunca ninguém fez isso para ele e apesar dela dizer que não era apenas por sua amizade com sua mãe, mas também sua amizade com seu filho, Harry ainda sentia que ele não valia tanto trabalho. Ele não sabia o que fazer, se pelo menos sua mãe estivesse aqui poderia orientá-lo. Voltou a ler.

Sei que deve estar em conflito sobre o que fazer e se você deve ou não aceitar meu cuidado, bem vou apenas lhe dizer que sua mãe era uma das pessoas mais gentis e carinhosas que eu já conheci. Lily tinha um enorme coração e se por um acaso fosse meu filho que precisasse, ela cuidaria do meu Terry com toda a sua generosidade, assim como sei que se ela pudesse lhe aconselhar, sua mãe lhe diria que amizade e afeto nós apenas aceitamos sem questionar e nem agradecer. Aceite Harry minha amizade e afeto, vê-lo bem é todo agradecimento que necessito.

Harry suspirou tremulamente com suas palavras, sua mãe lhe diria isso? Lembrou-se de tudo que Prof. Flitwick lhe contara sobre ela e teve certeza que sim, sua mãe não apenas ajudaria Terry se a situação fosse inversa, mas também o aconselharia, Harry, a aceitar a amizade e o afeto dos Boots e apenas retribuir com sua própria amizade e afeto. Nada mais era necessário. Decidido, voltou a carta.

Bem, qualquer que seja sua decisão, saiba que não vou desistir de cuidar de você como eu puder, assim acostume-se, meu caro Harry.

Além da comida, Terry me explicou que você precisa de roupas para fazer exercícios físicos e para os treinos de quadribol. Ele me deu mais ou menos o seu tamanho comparativamente a ele, assim comprei as roupas dois números á baixo dele, mas ainda os encantei para que se ajustem a você magicamente sempre que os vestir. O encanto durará até as Festas, quando então, poderemos ir fazer algumas compras e você poderá escolher o tamanho correto e do seu gosto. Caso precise de qualquer coisa não hesite em me pedir, ainda que sei que o fará, mas sempre posso esperar.

Sem nunca esquecer,

Serafina M Boot

Harry arregalou os olhos, roupas de treinos, isso era incrível e ainda serviriam perfeitamente porque estavam encantados. Esse era um encanto muito útil, poderia pelo menos transformar as roupas velhas de Dudley em algo usável, pois o que mais o incomodava eram o fato de serem vários tamanhos maiores do que o seu. Abrindo a caixa ele encontrou por cima um pote um pouco maior do que o anterior, colocando ao seu lado na cama, pegou um pacote de plástico transparente, desfazendo a fita adesiva ele retirou as roupas dobradas de dentro. Não pode deixar de sorrir, haviam três jogos de treinos, um azul claro, um azul escuro e um preto. Tinham shorts, calça, camisetas e ele percebeu uma jaqueta esportiva para os dias frios. Era tudo novo e muito bonito, de muita boa qualidade, nunca tivera algo assim, além de suas vestes do uniforme da escola.

Olhando a si mesmo sujo e suado, decidiu tomar banho antes de provar, nem devia ter subido assim na cama, é nessas horas que uma mesa e cadeira faziam faltas. Depois do banho ele experimentou as roupas que apenas se ajustaram levemente na região dos ombros e quadris, o resto serviu bem. Sorrindo animado e grato, amanhã começaria a treinar, se aceleraria seu desenvolvimento físico não faria exercícios apenas antes dos treinos, mas tentaria fazer um pouco todos os dias.

As roupas de treinos eram uma boa surpresa e ele tinha que escrever de volta e agradecer a Sra. Boot, era o mais educado a se fazer. Mas ele precisava de outras roupas e agora que sabia que poderia comprar e pagar por coisas via coruja, não precisava pedir a ela por alguns jeans e camisetas, poderia comprar por sim mesmo, pensou sentindo um certo orgulho por poder fazer algo como comprar o que precisava. Nunca tivera nada e o pouco que os Dursley lhe davam lhe exigia gratidão, bem ele não era grato, não agora que sabia o quão doente eles o deixaram. Mas dos seus pais e do dinheiro que eles e seus antepassados lhe deixaram, Harry com certeza se orgulhava.

Bem, antes de pedir qualquer coisa tinha que escrever a Gringotes, assim usando sua cama como apoio, ajoelhado no chão, e com um delicioso sanduiche de frango, cenouras e queijo ao seu lado, escreveu uma carta para seu gerente no banco, apesar de não saber seu nome e comeu tranquilamente. Depois de assinar e selar em um envelope, ele a direcionou a "Gerente das Contas Potter" de "Harry James Potter", esperava que fosse o suficiente para a carta não se perder e mais importante chegar discretamente as mãos certas.

Depois ele escreveu uma carta de agradecimento para a Sra. Boot, ele ficou muito tempo pensando no que lhe dizer para expressar sua gratidão e por fim decidiu deixar simples e verdadeiro.

Obrigado. Aceito sua amizade e afeto se puder aceitar os meus em retribuição.

Sinceramente,

Harry J. Potter

Aliviado ele selou em um envelope e deixou separado. Pediria a King para levar a Sra. Boot quando Terry enviasse o gigantesco coruja para sua casa. Tinha certeza que Terry também recebera uma caixa com roupas de treinos e lanches de sua mãe. Em seguida ele pegou os folhetos que Flitwick lhe dera, enquanto roupas e livros poderiam esperar a resposta de Gringotes, sua vassoura teria que vir com mais urgência. Não sabia quando seria o primeiro jogo da Ravenclaw, mas mesmo durante os treinos ele precisava aprender a voar com a vassoura diferente e nova, isso seria bom para ele se adaptar e para seu time se ajustar aos seus movimentos.

Olhando os folhetos Harry imediatamente identificou um que oferecia todos os tipos de poções por preços melhores do que os do Beco Diagonal. Não precisava ser um Ravenclaw para compreender para quem o seu chefe de casa vendia as poções que seus alunos fabricavam e ao encontrar um outro folheto oferecendo ingredientes de poções entendeu que eram deles que vinham o necessário para suas aulas e testes extras no laboratório da torre. Sorriu, ao pensar, que o Prof. Flitwick era o maior rebelde desta escola, além de ir contra as regras de Hogwarts, ao fazer isso, também desafiava o Ministério da Magia.

Olhando com atenção encontrou um que oferecia roupas trouxas e bruxas, outro, sapatos, esse lhe interessava precisava de um par de tênis novos, o seu lhe servia, mas era bem velho. Havia outro para livros e um outro para artigos de papelaria, havia um até que oferecia joias e outros presentes, isso seria legal para o Natal, precisava comprar algo para Terry e sua mãe. E finalmente um para artigos de quadribol, sobre vassouras apenas por encomenda, o que, Harry imaginou, era normal entendendo que vassouras são caras.

Rapidamente ele escreveu ao endereço do folheto, não tinha nome ou endereço físico, mas embaixo dizia que a coruja os encontraria se a enviasse ao endereço de pedido, Company Quadribol, e pediu o valor da vassoura Nimbus 2000, ele se identificou e explicou que se tornara o buscador de sua casa e perguntou qual outros artigos de quadribol sua posição necessitava. Depois de selar a carta decidiu enviar por uma coruja da escola, isso atrairia menos atenção do que sua coruja e o do Terry que eram bem distintos.

Finalmente ele terminou seu sanduiche, bebeu suas poções escovou os dentes e foi dormir, pensando na longa semana que teria pela frente.

A semana se mostrou ainda mais cheia do que supusera no domingo. Começando na segunda-feira, depois de enviar todas as cartas aos seus respectivos caminhos, arrastou um sonolento Terry para o campo de quadribol para alguns exercícios. Como pensara ele também recebera roupas de treinos da sua mãe, e concordou em treinarem todos os dias, principalmente, por que na noite anterior percebera que não estar em boa forma física era perigo e, bem, vergonhoso.

Depois de tomarem banho foram para o Covil e Harry lhe contou o resto de sua conversa com Flitwick, o que claro causou ainda mais reação do seu amigo moreno.

— Quer dizer que eles não apenas controlam nosso currículo, isso eu já sabia, mas também quais livros temos acesso em Hogwarts? Isso é tão... Harry a ideia de que o Ministério interfere em Hogwarts de maneira tão direta e vil. Claro que isso não deveria realmente me surpreender, Lucius Malfoy tem o Ministro da magia no bolso e também é parte do Conselho de Governadores. E que eles controlem as publicações, nunca mais lerei um livro sem questionar se foi censurado. — Terry estava inconformado.

Harry então contou sobre os comerciantes informais e como Flitwick os apoiava e protegia, desafiando quem estava no comando em Hogwarts e no Ministério.

— Uau! E bem debaixo dos narizes deles. Genial! — Disse Terry com seu sorriso animado e brilhante. — Mas você tem razão a ideia que essas pessoas poderiam ser presas quando a culpa de tudo isso é dessas leis discriminatórias é absurda e assustadora. — Concluiu Terry indignado. — E você faz muito bem em comprar coisas deles, também farei isso, depois você me empresta os folhetos, por favor.

Depois Harry repetiu um resumo sobre seus pais, e falou sobre a Ordem da Fênix, o grupo criado por Dumbledore para lutar contra Voldemort.

— Ordem da Fênix? Eu nunca ouvi nada sobre isso e nem li em nenhum livro, mas considerando que os livros são censurados pelo Ministério faz sentido. Eles nunca iriam querer dividir os elogios por qualquer luta contra Voldemort e seus seguidores, e ainda admitir que estavam perdendo a guerra e precisaram de ajuda. Rá! Nunca mesmo. — Analisou Terry com desprezo, depois arregalou os olhos. — Harry, se seus pais eram dessa Ordem, Sirius Black também seria e se houvesse um espião no grupo porque o Diretor não descobriu quem era? E como, se Black era o espião seus pais conseguiram se esconder por tanto tempo?

— Eu não sei Terry e não quero parecer paranoico, mas começo a considerar o pensamento de que foi muito conveniente que o meu possível guardião saiu de cena e assim não pode assumir minha tutela ou se opor ao meu exilio com meus parentes trouxas. E sobre a minha herança? O testamento não foi lido, bloqueado ou se lá o que, e ainda Hagrid é enviado para não me ensinar nada ou me orientar sobre minha família e a maneira de agir com os goblins em Gringotes. — Disse Harry andando de um lado para o outro.

— Sim, mas você não deve se preocupar com seu dinheiro em si, os goblins não deixam ninguém chegar perto de seu cofre ou de seus investimentos. O Gringotes se orgulha de ser bem seguro contra roubos ou fraudes, mas eles não cuidam de quaisquer propriedades. Isso caberia ao administrador ou advogado, que podem ser o mesmo, cuidarem de qualquer propriedade de sua família. — Disse Terry inteligentemente.

— O que? Espere, primeiro Flitwick me diz que eu tenho um gerente de contas, investimentos e que posso retirar dinheiro mesmo ainda em Hogwarts e agora você me fala sobre propriedades. Que propriedades? Hagrid me disse que a casa onde morávamos explodiu. — Disse Harry seu temperamento subindo.

— Harry, como eu disse uma vez, para alguém tão inteligente. — Mantendo o tom calmo, Terry suspirou e olhou para seu amigo. — Harry que parte do que eu lhe disse que sua família é uma das mais ricas do nosso mundo você não entendeu? E o que o faz pensar que significa apenas ouro guardado no banco?

— Mas você me disse que eu tenho um outro cofre, um cofre de família com ouro e joias, armas, moveis. E como, você poderia me dizer, eu saberia que minha família tem investimentos ou propriedades, se eu nem sabia da existência de outro cofre, eu nem conhecia os rostos dos meus pais até sua mãe me enviar fotos deles. — Disse Harry além da frustração.

— Desculpa, você está certo. Eu não sei quais investimentos ou propriedades sua família tem, mas sendo tão interessados no mundo magico e seu crescimento, com certeza os Potters teriam os dois. E sobre sua casa, ela não explodiu, apenas o teto do seu berçário está faltando, a casa continua do mesmo jeito que ficou naquela noite. Se tornou uma espécie de monumento, muitos bruxos vêm de longe para visitar e deixar mensagens, os trouxas não podem ver, é claro. — Disse Terry solenemente.

Harry assentiu sem nem saber o que pensar sobre isso, um monumento, deixaria isso para depois, decidiu, não tinha condições de entender completamente o fato de que, o lugar onde seus pais foram tirados dele, era agora um monumento.

— Bem, se como pensamos foi Dumbledore quem bloqueou o testamento dos seus pais, as propriedades devem estar sob os cuidados dos advogados ou dele mesmo, mas você não deve se preocupar com eles. Enquanto minha opinião sobre o nosso Diretor não é das melhores no momento e não temos a menor ideia de suas intenções quando te afastou do mundo magico e de sua herança familiar, eu não acredito que te roubar estava entre seus objetivos. — Disse Terry tentando voltar ao assunto ao perceber que seu amigo ficara abalado com a informação sobre sua casa. — Os goblins cuidam das proteções magicas e o administrador cuida da manutenção e produção.

— Proteções magicas? Produção? — Perguntou Harry curioso.

— Sim. Bem, quanto a produção, é possível que você tenha pequenas fazendas de produção ou algo do tipo. E as proteções, além de cuidarem do nosso dinheiro o Gringotes empregam Disjuntores de Maldição, eles não apenas quebram alas e proteções antigas em busca de tesouros em escavações no Egito e outros países, mas também formulam alas em volta de propriedades. — Explicou Terry e depois pensou sobre outra coisa, ou duas na verdade. — Harry, porque você insistiu em conversar agora, tão cedo e não mais tarde quando nos encontraremos aqui com Neville e Hermione antes da reunião com os 2º anos Ravenclaws? E você poderia me falar sobre a carta que você mencionou ontem da sua mãe para a minha?

Harry suspirou e rapidamente contou sobre as cartas e as fotos e como suas mães mantiveram uma amizade depois de formadas, apesar de terem poucos contatos por causa da guerra.

— E seus pais estiveram no casamento deles? E ela contou do seu nascimento como minha mãe contou do meu? — Confuso e um pouco magoado Terry se sentou. — Ela nunca me contou, quer dizer, ela falou de sua mãe e mesmo de seu pai um pouco, e meu avô falou dos seus avós e de seu pai, mas ela nunca me disse que eram tão próximas.

— Acredito que porque era doloroso, além disso ela tentou me encontrar depois que a guerra acabou, mas eu já estava escondido no mundo trouxa e alguém a impediu de ter acesso a mim. — Harry bagunçou o cabelo pensativo. — Acredito que ela não queria que você tivesse expectativas sobre mim, sabe, que se nos conhecêssemos e nos déssemos bem seria por nós e não por que nossas mães queriam que fossemos amigos ou algo assim.

— Sim, faz sentido, teria sido estranho te encontrar e dizer "Oi, nossas mães foram amigas, vamos ser amigos também? " — Terry bufou mais acalmado pelas palavras do amigo. — E não foi alguém que a impediu de te encontrar, foi Dumbledore.

— Sim, nós sabemos que sim. E como muitas coisas que sabemos, não sabemos tudo para realmente entender, teremos que continuar investigando e observando e ligando os pontos, é um grande quebra cabeça. — Disse Harry com um olhar intenso e brilhante. — Bem, sobre sua outra pergunta, não quero falar nada disso para os nossos amigos Gryffs, eu até confio no Neville, apesar de não saber como é a relação da avó dele com Dumbledore, vai que ele conta tudo para ela. E sobre Hermione, não confio nela, é muito ligada a regras e tem uma confiança cega para as figuras de autoridades e os livros, não quer dizer... — Acrescentou rapidamente ao ver o Terry ameaçar defende-la. — Não quer dizer que não a quero como amiga ou que se um dia ela mostrar uma mente mais aberta não podemos contar tudo isso, só apenas ainda não. — Disse Harry firmemente, Terry entendeu e concordou. — Mas podemos conversar sobre o Cerberus e, sobre o que tem mais naquele corredor, com eles mais tarde. — Cedeu Harry.

— Ei, você disse que tinha uma ideia do que o Cerberus estava fazendo naquele corredor. — Perguntou Terry curioso.

— Eu acho que sim, mas depois eu conto de uma vez para vocês três, agora vamos descer e tomar café antes da nossa aula com Snape, ou nos atrasaremos. — Disse Harry levantando-se.

— Ok, vamos, mas você não me convence, não vai contar agora porque adora fazer mistério. — Terry disse divertido.

Harry riu, mas não negou e eles desceram as escadas para começar o dia de aulas. Que, Snape a parte, correu tudo bem, sua poção ficou perfeita graças as pequenas correções que fizera durante os testes sábado. Terry teve que seguir o livro e recebeu um E, pois, como ele mesmo apontara, nem ele ou Neville poderiam fazer as poções com as modificações de Harry. Afinal Harry não deveria poder testar a poção antes, ele poderia, claro, fingir perceber o erro do autor e ter sua poção corrigida na frente do professor, mas se Terry e Neville fizessem o mesmo, Snape, que não era nenhum idiota, perceberia e descobriria sobre o laboratório da torre. Mas nem Terry ou Neville se importaram, mesmo que não tirassem O em todas as poções como o Harry, ainda estavam felizes com seus trabalhos e notas.

Transfiguração também foi tudo bem, ainda muita teoria e repetição, mas a cada dia Harry se sentia mais seguro, e saber que seu pai era um prodígio o motivou ainda mais. Em História, Harry fez o dever de McGonnagall e ignorou Binns.

Depois de lanchar na cozinha Harry e Terry foram para o Covil e contaram para a Hermione sobre sua aventura da noite anterior o que a deixou chateada, primeiro por não a terem incluído e depois por terem sido tão imprudentes e temerários. Quando contou sobre o que ele acreditava o Cerberus estava protegendo, explicando tudo o que acontecera desde que vira o pacote encalombado e o que Hagrid disse sobre isso ter a ver com Dumbledore e Nicolas Flamel, sua reação foi a que Harry esperava.

— Precisamos descobrir quem é esse tal de Flamel e o que pode ser esse pacote e porque é tão importante para alguém tentar rouba-lo e para ter que ser escondido aqui em Hogwarts. — Concluiu Harry determinado.

— Hum, o que eu sei sobre Flamel é que ele é amigo de longa data de Dumbledore e que os dois trabalharam juntos na área da alquimia, mas não faço ideia do que poderia ser esse pacote. Você tem razão Harry teremos que pesquisar discretamente. — Disse Terry pensativo.

— Mas vocês quase morreram ontem e agora querem se meter onde não devem. Hagrid disse que isso era assunto de Dumbledore e seu amigo, não devemos ficar interferindo, poderíamos acabar mortos ou pior, expulsos. — Disse Hermione zangada.

Os três meninos olharam chocados para ela e Terry respondeu.

— Hermione vou ignorar o absurdo que você acabou de dizer e apenas justificar que temos o direito de saber porque um Cerberus está neste momento em um corredor em nossa escola por traz de uma simples porta de madeira que qualquer 1º ano mais competente pode abrir. Somos nós que Dumbledore coloca em risco e acho que quero saber o que é mais importante do que a nossa segurança. — Disse Terry com firmeza.

— Bem, pois eu acho que ele avisou sobre o corredor e, se ninguém quebrar as regras ao ir aonde não deve, não se machucarão e além disso tenho certeza que o Cerberus está bem preso. O diretor Dumbledore seria incapaz de desconsiderar nossa segurança como você o acusa. — Disse ela contrariada e ofendida.

Harry olhou para Terry com uma sobrancelha arqueada e um olhar que dizia, "Eu te disse", Terry suspirou e acenou discretamente ao amigo antes de responder.

— Ok, Hermione, é um direito seu pensar assim, mas é um direito nosso discordar e não vamos deixar de pesquisar. E você Neville? — Perguntou Terry ao garoto silencioso.

— Bem, desde que não cheguemos perto do Cerberus, não me importo de ajudar a pesquisar. — Disse Neville timidamente.

— Neville!? — Exclamou Hermione indignada.

— O que? Eu poderia facilmente me esquecer o caminho, me perder e acabar naquele corredor, Hermione. E eu quero entender o que é tão importante que faz o diretor de Hogwarts acreditar que está tudo bem ter um Cerberus a alguns poucos metros dos estudantes. — Disse Neville defensivamente.

Depois disso eles mudaram para a aula de Defesa mesmo que Hermione ainda que parecia querer convencê-los de que ela estava certa. Quando os primeiros alunos chegaram para a reunião eles interromperam a aula que havia sido muito produtiva. A reunião também foi bem, os segundos anos Ravenclaws estavam mais do que dispostos a retomarem seus estudos trouxas ao saberem das discriminações e dificuldades de se conseguir um bom emprego no mundo magico.

Depois do jantar eles se reuniram com os Gryffindors 2º ano e seu desinteresse era exasperante, eles não sabiam nada sobre os trabalhos no mundo magico e não pareciam interessados em saber. Quando Terry perguntou quais eletivas eles planejavam escolher para o próximo ano, eles o olharam com expressões vazias, pois não sabiam nada de aulas nenhumas. Frustrado Terry passou um bom tempo explicando um monte de coisas e finalmente viu alguns olhares de interesse e preocupação. Mas quando foram para a torre fazer seus deveres nenhum deles tinha certeza que qualquer um se importaria o suficiente para voltar aos seus estudos trouxas.

O dia seguinte se manteve igual, exercícios de manhã, aulas, reuniões, deveres e estudos extras e muita e boa alimentação. A noite depois do jantar Harry foi para seu primeiro treino de quadribol, Terry o acompanhou e assistiu preparando a aula extra de História do dia seguinte.

Para Harry o treino foi incrível, por ver os outros jogadores jogarem e começarem a se entrosar entre si e com ele. Trevor era um ótimo capitão, paciente, mas ainda exigente, ele parecia entender que a maioria nunca jogara, não apenas um com o outro, mas também em times, Harry sendo o mais obvio e parava para explicar posições, táticas e estratégias sem perder a calma ou se chatear. MacMillan era mais impaciente, mas Trevor o ignorava e rapidamente todos aprenderam a deixa-lo sozinho com seus resmungos e cara azeda. Quando terminaram o treino seu capitão os parabenizou pelo ótimo trabalho e os dispensou reforçando a presença de todos na quinta no mesmo horário.

O dia seguinte assim como a semana seguiu com muito estudo e treinos, dedicação as aulas, deveres, preparação e aulas extras. Suas respostas as cartas que enviara chegaram rapidamente, a de Gringotes muito esclarecedora, dizia que ele tinha acesso ao seu dinheiro em qualquer lugar da Grã-Bretanha, mas apenas ao cofre confiança. E seu gerente de contas, Ruggedstone, lhe enviou uma bolsa magicamente conectada ao cofre onde sempre que ficasse vazia 100 galeões apareceriam, havia um limite de 500 galeões por mês e ninguém mais que não tivesse o sangue Potter poderia acessa-la. A bolsa tinha um custo e cada transferência de 100 galeões uma pequena taxa, mas para Harry valia a pena. E Ruggedstone disse que se Harry assinasse uma ordem de pedido com o valor do produto, o comerciante poderia ir retirar o pagamento pessoalmente no banco, pois os goblins tinham maneiras de verificar a letra e assinatura magicamente e assim evitar fraudes. Ele também solicitou que Harry agendasse uma reunião no próximo verão quando então eles poderiam discutir sobre quais mais serviços o Gringotes oferecia e sobre seus dinheiro e investimentos.

A carta do Company Quadribol foi um pouco constrangedora, o dono da empresa, seu nome era David, o parabenizou várias vezes por ser o novo buscador e um tão jovem. Disse que era uma honra ajudá-lo a encontrar uma boa vassoura e lhe disse no fim, que uma Nimbus 2000 custava 75 galeões e que ele precisava de luvas de buscador, tênis próprios para quem precisava prender os pés na vassoura e braçadeiras leves para protege-lo ao pegar o pomo mesmo se um balaço o atingir. Harry enviou 100 galeões de volta e pediu tudo o que foi mencionado, nas cores pretas, além da vassoura. Ficou feliz de ter a nova bolsa, porque guardado com ele de sua visita ao Beco Diagonal, tinha apenas 23 galeões e alguns sicles e nuques.

Prof. Flitwick também os procurou e informou ter recebido autorização para algumas aulas extras de carpintaria magica, agora ele precisava organizar as aulas, procurar alguém qualificado, encaixar em um horário acessível. As aulas seriam quinzenais e seriam optativas, assim, uma só turma com todos os alunos que tivessem interesse sem separação por idade. Eles só tinham agora que aguardar o anuncio.

As reuniões prosseguiram e enquanto os Gryffindors mais velhos pareciam mais interessados e preocupados, infelizmente identificar os Slytherins mestiços se mostrou uma missão difícil e tinha que ser feita sem pressa e sem colocar as três meninas em risco. Com os Ravens não houve problemas, eles gostavam de estudar e respeitavam adquirir novos conhecimentos, descobriram até que alguns deles já continuavam seus estudos trouxas por iniciativa própria. Os Hufflepuffs também se interessaram, mas eram mais descontraídos e menos ambiciosos, ainda que a perspectiva de um subemprego preocupou vários deles.

Quando o mês de setembro acabou eles tinham conseguido informar todos os alunos mestiços e nascidos trouxas de todas as casas e anos e os aconselharam a retomarem seus estudos trouxas. Houve um movimento de livros chegando para muitos alunos via coruja, incluindo os do Terry que junto com Harry começaram a seguir seus próprios conselhos. Esses novos estudos se encaixaram em seus horários e os tornaram ainda mais ocupados quando outubro seguiu, mas nenhum deles se importou.

As aulas extras do 6º e 7º anos estavam indo bem, ninguém desistira e Penny vinha com alguns relatórios de que todos estavam gostando e empolgados com tantas coisas novas que nunca imaginariam seriam importantes aprender para entender e pertencer ao mundo magico. Felizmente ninguém parecia ter descoberto a infiltração de alunos não desejados na aula, como Harry supusera, o segredo em torno das aulas jogava a favor deles.

Os estudos extras se mostraram um grande fator da vida de Harry, não apenas o que estudava com seus amigos, mas seus estudos individuais. Defesa era sem dúvida o seu melhor assunto, assim Harry tentou se soltar e aprender a frente sozinho, mesmo com os livros censurados. Mas mesmo sem intenção ele logo estava à frente deles também em Feitiços e Poções, e em um segundo próximo a Hermione em Transfiguração. Em Herbologia, Neville era o melhor, com Hermione em segundo e os Ravens vindo a seguir. Terry é claro se destacava em História, mas também vinha em segundo em Feitiços e terceiro em Poções, apenas Transfiguração ele descia para quinto com Lisa e Michael ficando a sua frente.

Harry não se importava com competições e se ofereceu para ajudar seus amigos em qualquer duvidas que tivessem. Terry e Neville se beneficiavam disso e se esforçavam muito por si mesmos. Hermione tendia a não querer ajuda e preferiria estudar a mais sozinha, Harry entendeu que ela não queria ter que os ajudar em Transfiguração e eles serem tão bons quanto ela, assim também não pedia ajuda nos outros assuntos, que na verdade ela se saia muito bem. Assim eles tendiam a fazer os deveres com ela, mas apenas Neville aparecia para as aulas extras.

Dos seus amigos de casa, Mandy, Morag e Padma eram muito inteligentes e dedicadas, mas não tinham vergonha de pedir ajuda a ele se tivesse algum problema. Michael, Anthony e Lisa preferiam se manter entre si, ainda que Lisa lhe pediu um pouco de ajuda em Defesa quando os meninos não estavam por perto. Entre as outras casas, apenas Justin e Megan, ou Hannah e Susan de vez em quando apareciam para alguns auxílios mútuos. Os Gryffindors, segundo Neville, nunca pegavam em livros, a não ser para fazer deveres e na sala de aula, assim eles não precisavam ou se importavam com aulas extras.

Talvez fosse porque agora andava muito ocupado com o treino de quadribol duas noites por semana além de todas as horas de estudos e deveres, mas Harry nem acreditou quando se deu conta de que já estava em Hogwarts havia dois meses. O castelo parecia mais sua casa do que a casa da rua dos Alfeneiros.

Na manhã do Dia das Bruxas eles acordaram com um delicioso cheiro de abóboras assadas que se espalhava pelos corredores. E, o que era ainda melhor, o Prof. Flitwick anunciou na aula de Feitiços que, em sua opinião, os alunos estavam prontos para começar a fazer objetos voarem, uma coisa que andavam morrendo de vontade de experimentar desde que viram o professor fazer o sapo de Neville sair voando pela sala. Esse era um feitiço mais complexo do que os que aprenderam antes, mas Harry já o dominara, depois de ver Greengrass usá-lo tão facilmente e de maneira tão útil, não quisera esperar até aprender em aula. O Prof. Flitwick dividiu a turma em pares para praticar. O parceiro de Harry foi Seamus Finnigan. Terry foi com Lisa e Neville com Lavander, nenhum dos dois pareciam animados, mas o pior foi Hermione que fez parceria com o Weasley. Era difícil dizer se era Ron ou Hermione que estava mais aborrecido com isso.

— Agora, não se esqueçam daquele movimento com o pulso que praticamos! — Falou esganiçado o Prof. Flitwick, como sempre empoleirado no alto da pilha de livros. — Gira e sacode, lembrem-se, gira e sacode. E digam as palavras mágicas corretamente, é muito importante, também, lembrem-se do bruxo Barrufo, que disse "s" em vez de "f" e quando viu estava no chão com um búfalo em cima do peito.

Harry e Seamus giraram e sacudiram o pulso, a pena de Harry subiu exatamente o que ele queria, uns 15 centímetros acima da mesa, mas a de Seamus continuava parada sem se mover. Seamus ficou tão impaciente que a empurrou com a varinha e tocou fogo nela, Harry teve que rapidamente apagar o fogo com um Aguamenti. Logo depois tentou ajuda-lo com a sua própria pena. Flitwick passou por suas bancadas e pediu a Harry que repetisse o feitiço.

— Muito bom Sr. Potter, muito controle. 5 pontos por seu bom trabalho e por ajudar um amigo. — Disse Flitwick quando Harry ergueu sua pena sem dificuldade.

Enquanto voltava a ajudar seu parceiro, Harry olhou em volta para os amigos. Terry conseguira erguer a pena assim como Lisa, mas os dois perdiam o controle do feitiço e deixava a pena cair e não a desciam de volta a mesa. Neville tinha o mesmo problema, além de que seu feitiço parecia mais fraco, a pena só subia alguns centímetros. Lavander parara de tentar e parecia entediada.

Hermione e Weasley pareciam estar discutindo, ele agitava sua varinha loucamente e falava as palavras com ênfases nas silabas incorretas, e Hermione tentava corrigi-lo.

— Wingardium leviosa! — Ordenou, sacudindo os braços compridos como pás de moinho.

— Você está dizendo o feitiço errado — Harry ouviu Hermione corrigir aborrecida. — É Wing-gar-dium levi-o-sa, o "gar" é bem pronunciado e longo.

— Faz você então, que é tão inteligente — retrucou Ron.

Hermione enrolou as mangas das vestes, bateu a varinha e disse:

— Wingardium leviosa!

A pena se ergueu da mesa e pairou a mais de um metro acima da cabeça deles. Ela fizera o feitiço, mas sem o controle necessário, a pena subiu demais e quando o professor surgiu batendo palmas Hermione se desconcentrou e a pena flutuou sozinha até o chão.

— Ah, muito bem! — Exclamou o professor Flitwick, batendo palmas. — Muito bem, miss Granger. Vejam classe, Srta. Granger conseguiu, não desistam continuem, lembrem-se gira e sacode.

Ao fim da aula todos os Ravenclaw conseguiram o feitiço, e os Gryffindor apenas Weasley, Lavander e Finnigan não o conseguiram. Harry tentou ajudar o garoto irlandês, mas apesar dele entender o que fazer, sua magia parecia querer agir abruptamente, pensando em suas conversas com Terry e as primeiras aulas com Flitwick, concluiu que a magia de Seamus ainda estava instável e se ajustando ao aumento de poder com o início da puberdade.

Quando saíram da sala Harry pode ver que Weasley estava de muito mau humor e, se juntando a seus amigos, pode ouvir ele reclamando e gesticulando sobre alguma coisa, mas não conseguiu entender o que, mas Hermione que estava mais a frente com Neville o ouviu e saiu correndo pelo corredor parecendo estar chorando. Harry e Terry se aproximaram para saber o que acontecera quando Finnigan falou:

— Acho que ela ouviu o que você disse. — Disse ele preocupado.

— E daí? — Mas pareceu meio sem graça. — Ela já deve ter reparado que não tem amigos.

— Bem, para começar isso não é verdade. — Disse Neville zangado. — Hermione tem amigos e não é nenhum pesadelo, pode ser um pouco mandona, mas nós gostamos dela mesmo assim porque sabemos que ela só tenta ajudar.

— O que você disse a ela, Weasley? — Perguntou Terry com expressão fechada, algo difícil de ver em seu amigo sempre animado e tranquilo.

— Eu não disse nada a ela, não tenho culpa que ela me ouviu. E vocês podem suporta-la porque também são todos ratos de biblioteca, mas para nós Granger é um pesadelo e mal a suportamos. — Disse Weasley irritado e de rosto corado.

— Bem, pois eu prefiro ser amigo de Hermione que, do seu jeito mostra interesse em aprender, do que de alguém que nunca consegue fazer um feitiço descente. Ela te envergonhou Weasley e, ao em vez de ter humildade para aprender com ela quando tentou te ajudar, você decide humilha-la e ofende-la. Sabe eu não espero muito de você, mas isso é bem baixo. — Disse Terry e saiu pisando duro.

Harry e Neville seguiram atrás e logo se separaram para aulas diferentes. Terry passou o resto do dia mal-humorado e nem Harry dizendo que suas palavras para o Weasley foram boas e verdadeiras o animou. Quando foram para a Biblioteca, não a encontraram lá como sempre e quando Neville chegou disse que ela não apareceu em nenhuma das aulas da tarde. Eles supuseram que ela fora para a torre e devia estar em seu quarto onde nenhum deles tinha acesso. Fizeram os deveres e depois foram para suas torres.

Harry não tinha certeza se queria ir para a festa de Halloween, mesmo assim tomou banho e colocou roupas limpas e novas. Comprar algumas roupas e calçados novos fora muito bom, assim não precisava usar vestes o tempo todo. Colocou uma camisa verde escura e um jeans preto com um tênis preto, ajeitou a bagunça do cabelo e olhou em volta. Ele fizera algumas decorações, mudara as cores da roupa de cama, trouxera uma planta da estufa, ainda estava sem moveis, mas parecia mais do seu jeito.

Sua vassoura também já chegara e Harry vinha testando e treinando com ela, era incrível, tão rápida e intuitiva. Ele estava meio apaixonado por ela. Quando Terry o pegou limpando-a pela decima vez riu e o aconselhou a limpar sua varinha também, assim ela funcionaria melhor. Harry não fazia ideia sobre isso, mas agora pelo menos uma vez por semana polia as duas, vassoura e varinha.

Ele também solicitara os livros de Aaron Mason e estava aguardando resposta, esperava que fossem encontrados. Suspirando decidiu descer e ir para o jantar, enquanto não estava no clima para festa, sendo o aniversário de 10 anos do assassinato de seus pais, não queria deixar seus amigos sozinhos e estava preocupado com Hermione. Encontrando Terry na sala comunal, eles desceram as escadas para o Salão Principal, as decorações do Dia das Bruxas eram de tirar o folego, mil morcegos vivos esvoaçavam nas paredes e no teto e outros mil mergulhavam sobre as mesas em nuvens negras e baixas, fazendo dançarem as velas dentro das abóboras. Deixando o jantar de lado foram direto para a mesa Gryffindor.

— Oi Neville, você encontrou a Hermione? — Perguntou Harry a seu amigo que acabara de se sentar e estava colocando alguma comida em seu prato.

— Não Harry, ela não estava na sala comunal e não posso checar em seu quarto. — Disse Neville se virando para eles. — Querem se sentar? — Mas antes que pudessem responder Parvati os chamou dois lugares abaixo.

— Ei, vocês estão procurando a Hermione? — Perguntou ela e com seus acenos continuou. — Ela ficou o dia todo chorando no banheiro das meninas no segundo andar. Ainda está pelo que sei.

— É melhor irmos busca-la, não podemos deixar que fique sozinha lá. — Disse Terry se perguntando porque nenhuma das meninas tentara ajudar Hermione.

Harry e Neville concordaram e o menino Gryffindor abandonou o prato e se levantou da mesa. E nesse momento o Prof. Quirrell entrou correndo no salão, o turbante torto na cabeça e o terror estampado no rosto. Todos olharam quando ele se aproximou da cadeira de Dumbledore, escorou-se na mesa e ofegou:

— Troll... nas masmorras... achei que devia lhe dizer.

Em seguida desabou no chão desmaiado.

Houve um alvoroço. Foi preciso explodirem várias bombinhas da ponta da varinha do Prof. Dumbledore para as pessoas fazerem silêncio.

— Monitores — disse ele com voz grave e retumbante –, levem os alunos de suas casas de volta aos dormitórios, imediatamente!

Imediatamente o monitor ruivo Weasley começou a gritar.

— Me acompanhem! Fiquem juntos, alunos do primeiro ano! Não precisam ter medo do troll se seguirem as minhas ordens! Agora fiquem bem atrás de mim. Abram caminho para os alunos do primeiro ano passarem! Com licença, sou o monitor!

— Como é que um troll pode entrar? — Perguntou Harry enquanto ficavam o três parados e observando a enxurrada de alunos saindo do Grande Salão em direção a escadaria. — E porque Dumbledore não nos manteve aqui seguros ao em vez de nos enviar por aí, eu duvido que o troll esteja nas masmorras ainda.

— Não sei a resposta para nenhuma de suas questões Harry, mas temos que avisar a Hermione antes de subirmos, ela não saberá e pode estar em perigo. — Disse Terry começando a seguir os alunos para a saída.

— O que faz você pensar que troll não está mais nas masmorras Harry? — Perguntou Neville pálido e ofegante atrás.

— Porque trolls são atraídos por luzes e barulhos, deve ser por isso que ele deixou a floresta, mas como ele entrou? Trolls não sabem abrir portas. — Disse Harry lembrando de tudo o que estudara sobre criaturas escuras ou perigosas. — Terry é melhor darmos a volta, vamos na direção da enfermaria, tem uma escada por lá lembra? Chegaremos mais rápido.

Terry concordou e eles se afastaram da multidão e saíram na direção da enfermaria, subiram as escadas, mas quando chegaram ao topo viram que alguns passos no fim do corredor Snape se afastava com sua capa ondulante que o fazia parecer um morcego. Eles ficaram em silencio até que ele virasse no fim do corredor a direita e depois continuaram até a porta do banheiro, o mesmo que Terry levou Harry quando ele passou mal.

— Porque ele está fazendo aqui e não nas masmorras? — Perguntou Neville.

— Não sei, talvez tenham percebido que o troll não ficaria muito tempo em um lugar vazio e escuro. Não com tantas luzes e barulhos dos estudantes. — Disse Terry ao se aproximar da porta do banheiro e bater. — Hermione? Você está aí?

— Vão embora! Já disse para me deixarem em paz! — Gritou Hermione, sua voz abafada.

— Bem credito que foi por isso que ninguém a ajudou mais cedo, ela os mandou embora. — Disse Terry chateado.

— Bem não temos tempo para ficar de conversinha pela porta Terry, estamos em uma situação de risco aqui. — Disse Harry e rapidamente entrou no banheiro. — Hermione, eu não sei porque você decidiu passar seu dia num banheiro chorando, mas temos que ir, tem um troll solto pela escola. — Disse ele bem alto na direção dos reservados.

Um deles se abriu e Hermione saiu, descabelada, o rosto e olhos inchados e vermelhos de chorar.

— Vão embora. Não quero ir para a festa. — Ela fungou e tentou arrumar os cabelos. — E vocês não deveriam entrar num banheiro de meninas.

— Hermione, esqueça as regras por um minuto! Você não ouviu? Não viemos chama-la para nenhuma festa idiota, tem um troll solto pelos corredores, não me pergunte como ele entrou, mas precisamos ir para as torres. — Disse Harry irritado.

— Hermione, depois conversamos, mas agora precisamos ir para um lugar seguro. — Disse Terry e pegando seu braço suavemente a levou na direção da saída. Neville segurou a porta aberta e foi o último a sair batendo nas costas de Harry que bateu na de Terry.

Isso porque na frente deles a uns 10 metros, bem no caminho em que precisavam ir, estava uma visão enorme e medonha. Quase quatro metros de altura, a pele cinzenta e baça, o corpanzil cheio de calombos como um pedregulho e uma cabecinha no alto, que mais parecia um coco. Tinha pernas curtas, grossas como um tronco de árvore e pés chatos e calosos. Segurava um enorme bastão de madeira, que arrastava pelo chão, porque seus braços eram compridíssimos.

Enquanto todos paravam chocados e de boca aberta, inclusive o Troll, Harry imediatamente tirou sua varinha e se colocou à frente de seus amigos.

— Rápido, peguem suas varinhas, lembrem-se seu couro é muito duro para qualquer feitiço de impacto. Maldições e feitiços de distração e desorientação, vamos deixa-lo confuso até encontrar um local seguro para nos escondermos ou que um adulto chegue. — Disse Harry em um sussurro e gesticulou para seus amigos recuarem.

Todos fizeram o que ele mandou, pálidos e assustados, mas com a varinha firme nas mãos. Eles começaram a dar passos para traz andando de costas sem tirar os olhos do troll que parecia olha-los confuso e movia a pequena orelha tentando pensar e decidir o que fazer. Eles aumentaram a distância mais uns 15 metros quando o troll finalmente começou a andar na direção deles com um grunhido e erguendo o bastão de madeira os ameaçando.

— Incarcerous. — Disse Harry dando alguns passos à frente e enviando uma corda na direção das pernas do troll, não o seguraria por muito tempo, mas ia lhe dar tempo

— Frangeretur — Disse Neville. E de sua varinha saiu estalos altos que pararam o troll assustado.

— Incendio! — Gritou Terry, mas querendo assustar do que queimar troll, deu certo, pois o monstro fedorento recuou tentando se afastar e com as cordas em suas pernas tropeçou e caiu para traz com um grande estrondo.

— Glisseo. — Disse Hermione congelando o chão.

— Vamos, temos tempo de nos afastar e buscar algum lugar seguro. — Disse Harry e rapidamente correu com seus amigos para o fim do corredor onde viram Snape desaparecer. Viraram a esquerda ao em vez de direita, na direção da enfermaria.

Eles passaram pela enfermaria, mas Harry disse que se ficassem lá teriam que explicar porque não estavam em suas torres. Todos estavam com medo o suficiente para concordarem e eles entraram na enfermaria vazia.

— Colloportus! — Disse Harry e trancou a porta.

Eles suspiraram aliviados e ouviram com atenção esperando ouvir se o troll se aproximasse. Demorou vários minutos, mas logo ouviram passos pesados se aproximando, preocupado Harry repetiu o feitiço.

— Você acha que a porta é forte para segura-lo caso ele tente destruí-la? — Perguntou Terry pálido e preocupado.

— Silencio, ele tem boa audição, vamos procurar outro lugar para nos escondermos caso ele consiga passar pela porta, mas em silencio. — Disse Harry e todos concordaram, rapidamente olharam em volta e decidiram pelo escritório de Madame Pomfrey. Mas Harry insistiu que ficassem mais perto da porta.

— Caso ouçamos um bruxo adulto, podemos pedir ajudar. — Sussurrou em sua explicação.

Logo depois ouviram uma voz falar e arregalaram os olhos animados, mas Harry foi o único que com uma boa audição e por estar carregado de adrenalina, entendeu exatamente o que foi dito e saltou para frente e colocou a mão na boca de Hermione e a calou instantes antes de ela gritar por ajuda. Os dois meninos o encararam sem entender, mas ele sinalizou silencio e ouvir e gesticulou a varinha, para estarem preparados.

— Sua besta fedorenta, você deveria estar em outro lugar não tem ninguém por aqui. — A voz era levemente familiar, mas Harry não fazia ideia de quem era. — Vamos, preciso que você cause um pouco mais de distração e bem longe do 3º andar, vou te levar mais perto do Grande Salão, talvez algum sangue ruim ainda esteja por perto e você possa esmagar um para mim...

Eles ouviram um grunhido e a pessoa seja quem for continuou falando com o Troll, mas não puderam entender o que. Olhando para seus amigos Harry os viu de olhos arregalados e ainda mais pálidos. Quando Terry ameaçou falar, ele sinalizou que não e todos ficaram em silencio e parados quase sem respirar, até que ouviram passos, e seja quem fosse andava rápido e mancando, Harry teve uma terrível percepção e arregalando os olhos agarrou Hermione e a arrastou na direção dos fundos da enfermaria, Neville e Terry o seguiram e só tiveram tempo de se colocarem atrás de uma cortina e se abaixarem quando a pessoa abriu a porta magicamente sem dificuldades e entrou indo na direção ao escritório da curandeira.

Harry que ficara na ponta em frente aos amigos, espiou, mas não havia ninguém, ouviram barulho e xingamentos e alguns minutos depois passos vindo do escritório, Harry voltou a espiar e viu Snape deixar a enfermaria claramente machucado pela maneira como mancava. A porta voltou a se fechar e eles ficaram em absoluto silencio, por mais alguns minutos, até Harry se levantar e eles se aproximarem da porta.

— Acredito que se formos rápidos podemos chegar até o Covil, precisamos subir ao 3º andar e usar a entrada do ciclope, está bem mais perto. — Disse Harry, visualizando o caminho e decidindo que era a melhor chance.

— Você perdeu o juízo? Precisamos ir para os nossos dormitórios, ou ficar aqui mesmo. É mais seguro. — Disse Hermione desesperada.

— Não podemos ir pela escadaria, você ouviu, o troll foi levado naquela direção, além disso se ficarmos aqui e formos encontrados por algum adulto, a pessoa que estava com o troll vai saber que estivemos aqui e possivelmente o ouviu. — Disse Harry decidido.

— Você está certo, o melhor lugar para nos escondermos até tudo isso passar é o Covil e não é tão longe. Mas corremos o risco de sermos encontrados por qualquer um, inclusive esse que colocou o Troll na escola ou Snape. — Disse Terry bagunçando os cabelos.

— Sim, mas se isso acontecer dizemos que estávamos tentando ajudar a Hermione e que nos escondemos no banheiro das meninas quando vimos o troll. Podemos levar uma bronca, mas não fizemos nada errado e essa pessoa com o troll não está interessado em sujar as mãos ou chamar atenção para si, por isso a distração. — Disse Harry e olhando para seus amigos aflitos e duvidosos, continuou determinado. — Vamos, rápidos e em silencio, se encontrarmos alguém eu explico e vocês me ajudam. Agora vamos lá.

Harry abriu a porta da enfermaria e continuou pelo caminho que Snape desapareceu mais cedo, seus amigos o seguindo. Chegando a algumas escadas estreitas, subiram até o lance acima, era o terceiro andar, mas ainda não o corredor que tinham de chegar. Eles prosseguiram, Harry os guiando por instinto e, quando chegaram ao corredor escuro onde estava a estátua do ciclope, ouviram passos. Se encostaram nas sombras da parede e andaram ainda mais em silencio, quando se aproximaram da estátua viram que os passos eram de Filch que andava de um lado para o outro em frente a porta do Cerberus. Estava vigiando, claramente.

Terry sinalizou a entrada e Hermione e depois Neville entraram, quando eles ouviram passos atrás deles se olharam com olhos arregalados e Terry entrou mais rápido com um empurrão de Harry e este o seguiu. Terry sinalizou silencio e que ficassem parados aos amigos Gryffis quando os passos passaram em frente à estátua e se aproximaram do zelador.

— Alguém tentou passar pela porta ou apareceu por aqui Filch? — Snape perguntou com sua voz sombria.

— Não professor. Nem mesmo aqueles pestinhas apareceram, pelo mesmo por uma vez eles obedeceram e foram para seus dormitórios. O senhor está bem professor? Como está a perna? — Perguntou Filch.

— Tudo bem, já fiz um curativo, esse maldito Cerberus do Hagrid quase me arrancou a perna, é impossível vigiar três cabeças. — Disse Snape zangado.

— O senhor achou que alguém ia tentar descer pelo alçapão professor? — Perguntou Filch curioso.

— Não quis arriscar, foi muito conveniente um troll estar na escola em uma noite de festa, uma distração se já vi alguma. Teremos que redobrar os cuidados e vigília neste corredor Filch, não podemos nos deixar enganar. Bem, o troll já foi encontrado e levado para a floresta, assim posso me recolher. Boa noite. — Disse Snape, claramente ainda mal-humorado, apesar das boas notícias.

Quando ouve silencio por 20 segundos depois que ele passou pela estatua, Harry se moveu, pegou o braço de Neville e o puxou alguns metros à frente, depois o soltou e acendeu sua varinha e com seus amigos o seguindo em silencio liderou o caminho para o Covil, tentando entender tudo o que acontecera nesta noite e encontrar uma maneira de se proteger e a seus amigos de um inimigo desconhecido que estava bem próximo a eles.