NA: Olá, eu não gosto de notas, mas eu tinha que colocar algumas coisas. Esse capitulo ficou muito longo e se vocês não gostarem, me avisem que vou tentar fazer menor. Eu quis mostrar a experiência de Natal completa do Harry, uma mistura de trouxa e magica, e da maneira que acredito uma família como os Boots fariam e seguindo as tradições americanas e inglesas que pesquisei. Tem uma pequena parte de religião, eu também pesquisei, não quero ofender ninguém ou qualquer crença, apenas seguindo a coerência com os personagens. Se vocês acharem que está muito chato tudo bem, eu não pretendo escrever tantos detalhes do dia a dia no futuro, eu pelo menos vou resistir bravamente. Rsrsrs.
Outra questão recebi uma revisão de Dan, ele está anônimo e por isso não tenho como te responder, por favor se cadastre. Agradeço a revisão e fico muito feliz que você esteja gostando da história, mas sobre a Ginny, minha visão é diferente da sua e espero que possa aceitar. Eu só leio fanfic Hinny, e nunca escreveria uma fanfic onde eles não ficassem juntos. Mas espero que minha Ginny te agrade mais.
Capítulo 20
Serafina e Falc olharam para o filho por alguns segundos em completa incompreensão e então ao mesmo tempo tentaram perguntar:
— É.… o que!?
— Movimento rebelde!?
Harry não aguentou e começou a rir de novo, seu amigo parecia estar confessando um crime.
— Isso não tem graça Harry, é muito sério. — Disse ele olhando atravessado para o amigo.
— Eu sei, mas a impressão que passa é que você vai lhes confessar um assassinato. — Disse Harry divertido.
— Assassinato? Merlin, vocês mataram alguém? — Perguntou Sr. Falc chocado.
— Não! — Gritou Terry de olhos arregalados. — Ninguém matou ninguém, Harry você só torna tudo mais complicado de explicar.
— Desculpe Terry. Sr. Falc, Sra. Serafina, o que Terry está tentado contar é que nós iniciamos algumas outras mudanças em Hogwarts em um movimento que poderia ser chamado de uma rebelião silenciosa. — Explicou Harry mais seriamente.
Por mais meia hora ele e Terry explicaram o que tinham feito, as reuniões com nascidos trouxas e mestiços de cada ano, incentivando quem tinha acesso ao mundo trouxa para continuarem seus estudos, pois sofreriam discriminações quando se formassem e teriam dificuldades em conseguir trabalho. E como os 6º e 7º anos se infiltraram nas aulas extras que agora eram frequentadas por todos os alunos de Hogwarts destes anos, não importa seus status de sangue.
— Isso é incrível, perigoso, mas incrível. — Sr. Falc estava sorrindo orgulhoso. — Vocês foram muito inteligentes e corajosos.
— Sim, eu concordo, a desinformação é um dos maiores males em nosso mundo. É um movimento arriscado, não há como saber que não existem espiões entre os mestiços com quem vocês conversaram, os puristas não são apenas puros-sangues. E vocês podem pedir sigilo, mas a verdade é que não podem controlar a situação. — Sra. Serafina estava bem mais pessimista com a possibilidade de sucesso.
— Sim e, efetivamente, não muda nada terem no currículo essas aulas, pois o principal na avaliação de quem contrata é o status de sangue. — Considerou Sr. Falc.
— Nós sabemos tudo isso mamãe, papai e consideramos isso antes de decidir informa-los. E a verdade é que não os informar nos faria iguais ao Ministério com suas censuras, mentiras e desinformação. O importante era começar um movimento contra a ignorância, e o que cada um vai fazer a partir deste ponto, se eles vão pesquisar e ter mais senso crítico, ou fingir que tudo está bem, é decisão de cada um.
— Além disso esses são apenas os primeiros passos em nossa rebelião silenciosa, temos muitas outras ideias e vamos colocar em pratica aos poucos, no momento certo. — Disse Harry misterioso.
— Sim, tem isso também, o que o Harry disse, vocês sabem, mais ideias e mais rebelião... silenciosa, obvio. — Disse Terry parecendo um pimentão de tão vermelho.
— Ok, apenas sejam cuidadosos e gostaríamos de ouvir essas ideias, mas agora está muito tarde e vocês devem ir dormir. Amanhã vai ser dia de limpeza e compras. — Disse Sra. Serafina se levantando e começando a recolher os pratos e xícaras para levar para a cozinha. — Seu pai e eu vamos conversar sobre o que podemos fazer sobre Snape e deixaremos vocês saberem. Boa noite.
— Boa noite. — Todos se despediram, Terry ficando para traz para um beijo em seus pais, enquanto Harry saia da biblioteca.
Ele o alcançou nas escadas e, quando chegaram ao corredor do segundo andar, o deteve.
— Harry, que ideias são essas que você falou? E vamos continuar a rebelião? — Terry perguntou desconcertado.
— Eu não te contei? Hum... podia jurar que te falei sobre elas. — Disse Harry pensativo.
— Rá rá, você sabe muito bem que não me falou nada, eu não fazia ideia do que você estava falando. — Disse Terry contrariado.
— Eu percebi e seus pais também, você é um líder de uma rebelião Terry, tem que aprender a mentir melhor. — Disse Harry com um sorriso brilhante. — Agora vamos dormir, já é quase meia noite.
— Espera, isso não é justo, eu sou o co-lider de uma rebelião silenciosa e você não pode ir dormir sem me contar suas ideias, nossos próximos movimentos... — Protestou Terry, mas seu amigo só disse "Boa noite" e se fechou em seu quarto. — Maldito seja esse seu gosto pelo mistério, vai me deixar curioso até o fim. — Resmungou ele antes de entrar em seu próprio quarto.
No dia seguinte, segunda-feira, como dito pela Sra. Serafina era dia de limpeza e compras. Limpeza não queria dizer faxina, como Harry supôs, e sim recolher roupas, brinquedos, moveis e objetos usados que não serviam ou não queriam mais para a doação. Cada uma das crianças e adultos separou seus itens e depois Sra. Serafina os classificou, concertou com sua varinha o que estava quebrado ou alguma roupa rasgada e depois separou por caixas.
Sr. Falc recebeu uma carta do Sr. Corner pedindo um encontro naquele mesmo dia as 13 horas, assim ao sair para ir pegar o trem para seu escritório em Londres, ele colocou as caixas em seu carro e levou a uma ONG na cidade que distribuía entre os abrigos de sem tetos e orfanatos de St. Albans e Londres.
— Bem, agora vamos as compras, como Anne está de folga essa semana vocês virão comigo, mas vamos nos organizar e ser cuidadosos. Não quero ninguém se afastando e se perdendo na multidão, se isso acontecer vocês procurem um funcionário do supermercado e me esperem que os encontrarei no escritório. Entendem? — Disse Sra. Serafina, um pouco ansiosa.
As crianças acenaram igualmente preocupadas, Harry percebeu que provavelmente teriam ficado em casa com o Sr. Falc, se este não tivesse que ir ao escritório.
— Sra. Serafina, vamos comprar comida no supermercado? — Perguntou ele, imaginando como ajudar.
— Sim Harry, temos muitos ingredientes para comprar. No mundo trouxa existem mais opções e é mais barato assim vamos a um grande Hipermercado em St. Albans e compraremos tudo para a ceia e para as doações. — Disse ela mostrando quatro folhas de papel listando os ingredientes.
— Hum... talvez eu possa ajudar a senhora. Eu vou sempre ao mercado com minha tia e, às vezes, até vou sozinho. Se dividirmos a lista podemos fazer na metade do tempo e então nos encontramos no caixa. — Sugeriu Harry sorrindo.
— Não sei, pode ser perigoso você sozinho em um lugar abarrotado de estranhos, não me sinto à vontade, sei que você é bem independente, mas ainda tem só 11 anos. — Dava para ver seu conflito, a ideia era boa, mas para ela o instinto de proteger era maior.
— Eu posso ficar com ele mamãe, assim a senhora tem que cuidar apenas de Adam e Ayana e eles podem até te ajudar. Harry e eu ficaremos juntos e seremos cuidadosos, se alguém tentar alguma coisa o outro pode gritar por ajuda. E não somos mais crianças, sabe. — Terry disse firmemente.
Serafina hesitou mais um pouco, mas no pouco tempo em que convivera com Harry percebera o quão maduro e independente ele era, tinha certeza que saberia fazer as compras sem problemas. E em dois, se por um acaso alguém os abordasse, o outro ajudaria. Acenou concordando e os meninos trocaram um sorriso, Terry parecia o mais feliz com a liberdade e confiança da mãe.
— Ok, concordo, mas algumas regras, vocês dois não vão se separar, onde um for o outro vai, mesmo se isso os fizer perder tempo, o mais importante é a segurança. E vou colocar um feitiço de rastreamento em vocês apenas em caso de emergência. E se alguém os abordar e vocês se sentirem em perigo não hesitem em se defender até mesmo com magia, lidamos com as consequências depois, mas apenas em uma emergência. Combinado? — Disse Serafina em tom que não admitia discussão. Os meninos apenas acenaram, concordando totalmente.
Assim menos de uma hora depois Harry e Terry estavam com sua metade da lista andando pelos abarrotados corredores de um imenso supermercado. Terry, apesar de ter se oferecido, fora muitas poucas vezes ao supermercado, nunca prestara atenção e não fazia ideia do que fazer, mas Harry sabia. Sua tia sempre comprava do melhor e mais caro para o seu Duduzinho, perguntando a Sra. Serafina soube que ela comprava produtos de qualidade, não os mais caros, mas ainda os de qualidade. Assim Harry andou pelos corredores e explicou ao amigo como escolher os produtos, Terry ainda ficava abismado como seu amigo sabia tanto de alimentos.
— Minha tia compra muita comida em casa, meu primo e meu tio são ambos obesos, e eles comem o tempo todo e em grandes quantidades. Minha tia sempre me leva com ela, pois não gosta de me deixar sozinho em casa, tem medo que exploda tudo ou coma escondido. As vezes quando é pouca coisa ou ela está atarefada me manda ir comprar na loja Tesco pequena do nosso bairro. — Explicou calmamente.
— Isso é muito triste, eles deixaram você doente com desnutrição e devem fazer o mesmo com o filho, mas com a obesidade, vai saber quantos problemas de saúde o garoto não vai ter também. — Disse Terry chateado.
Harry, que nunca tinha pensado que Dudley, com tantos privilégios e mimos, pudesse estar sendo prejudicado fez uma careta sem saber o que pensar, achava difícil se preocupar com o primo odiado, mas percebeu de repente que devia sentir pena dele e não inveja. Mudando de assunto, decidiu pensar nisso em outro momento.
— Uma pena que não trouxe minhas roupas velhas, sua mãe poderia ter concertado e elas iriam para a doação. Eu não tinha nada para colaborar. — Disse Harry chateado.
— Não se preocupe, você pode enviar quando chegarmos em Hogwarts, além disso, ano que vem você vai ter crescido e essas roupas todas que você comprou não vão mais servir e assim vai ter muito o que doar. — Considerou Terry olhando com intensidade para duas marcas diferentes de molhos de tomate, pareciam iguais para ele.
— Certo, eu não tinha pensado nisso. — Disse Harry e calmamente pegou a marca mais conhecida e começou a colocar o número pedido da lista no carrinho. — Sua mãe disse que está comprando comida para a doação também, não entendi, ela vai enviar as coisas que comprarmos para a ONG?
— Oh, não, isso é outra coisa. — Terry suspirou enquanto se concentrava em explicar e deixou as compras para o amigo. — Começou com vovó Shawanna, seu pai, meu bisavô lutou na Segunda Guerra Mundial, quando ele voltou não era o mesmo. Meu tio Martin chama de SPT, Stress Pós-Traumático, hoje existe não apenas um nome, mas tratamento, terapia e remédios. Naquela época não havia ajuda e ele desenvolveu alcoolismo, minha avó conta que ele era o melhor pai do mundo antes da guerra, mas depois ficou irritadiço, impaciente, até violento as vezes. E não conseguia manter um emprego por causa da bebida, tinha vergonha da minha bisavó sustentar a casa com seus doces. Um dia ele foi embora, não sabiam para onde, a polícia não ajudou, um negro desaparecido na Louisiana era motivo de comemoração e não gasto de recursos públicos. — Terry falou com desprezo e magoa. — Não importava que ele era um veterano de guerra, era apenas um nigger para eles. Dois anos depois, pouco antes do Natal bisavó e vovó foram chamadas no IML, ele tinha se tornado mendigo, vivia nas ruas e morrera de frio a apenas dois dias. Como ele ainda tinha sua identificação do exército com ele puderam encontrar sua família, ou então teria sido enterrado como indigente. — Terry estava triste agora.
— Morreu de frio? — Harry estava chocado e olhando para fora da janela de vidro, imaginou se haveriam pessoas vivendo nas ruas com esse frio, sentiu seu coração se apertar com o pensamento.
— Sim, o inverno não costuma ser tão ruim no Sul, mas eles têm ondas de frios onde a temperatura pode chegar abaixo de zero. Entre o frio e a bebida seu coração parou enquanto ele dormia. Depois disso todos os anos vovó vai até um abrigo e leva comida que ela mesma faz e ajuda a servir no dia 24 de dezembro. Os abrigos e sopões comemoram a ceia de Natal um dia antes, assim eles precisam de doações e ajuda para servir todo mundo. — Explicou Terry. — Mamãe e papai também assumiram a tradição, então amanhã elas preparam muita comida e na quarta levam para os abrigos, mamãe em Londres e vovó em Oxford.
— Entendi. — Disse Harry ainda chocado, nunca pensara nas dificuldades que outras pessoas sofriam, sempre estivera muito concentrado na miséria que era sua vida. — Sinto muito por seu bisavô.
— Sim, vovô quem me contou, vovó não gosta de lembrar. Foi por isso que o que aconteceu com vovó Honora nos assustou tanto, o frio pode levar a vida de alguém muito rapidamente. — Disse Terry olhando para o carrinho cheio um pouco surpreso, eles foram andando pelos corredores enquanto ele falava e nem percebera Harry pegar todos os ingredientes.
— Bem, eu gostaria de ajudar, você acha que sua mãe permitiria? E porque ela não ajuda em um abrigo aqui em St. Albans? — Perguntou Harry ao amigo, tentando distrai-lo da lembrança da avó que estava tão doente.
— St. Albans não tem um abrigo, apenas um sopão e um orfanato. Mamãe entrega comida para eles, mas eles têm muitos voluntários para ajudar a servir. Em Londres é diferente, são muitas pessoas sem tetos, milhares segundo a última informação. E os pobres também são bem-vindos, você sabe pessoas que até tem casa, mas não tem dinheiro para uma ceia. Assim eles precisam de mais comida e ajuda de voluntários para servir. — Informou Terry enquanto via o amigo pegar ovos e leite, depois ele pegou alguns queijos, massas folhadas e iogurtes. — Em Oxford tem um abrigo que vovó ajudou desde a fundação a uns 25 anos, ela é voluntaria lá o ano todo. E bem, mamãe sempre nos deixa ajudar com alguma coisa para as doações, não vejo porque ela não te deixaria ajudar também.
— Espero que sim. — Disse Harry selecionando algumas nozes, amêndoas e avelãs. — Hum..., acho que só falta as barras de chocolate, deve ficar não seção de doces e biscoitos. Vamos lá. — Disse Harry empurrando o carrinho pesado.
Depois do último item da lista eles foram ao local combinado para esperar a Sra. Serafina, que chegou alguns minutos depois parecendo surpresa de eles já estarem esperando. Depois que passaram pelo caixa, guardaram as compras no carro e seguiram para o Chalé. Adam cansado acabou cochilando e quando chegaram Terry o pegou e o levou para seu quarto, enquanto Harry e Serafina descarregavam o carro, Ayana ajudou um pouco, mas logo se cansou e também foi tirar uma soneca.
— Sra. Serafina, Terry me contou que a senhora vai cozinhar para os abrigos e depois ajudar a servir na quarta-feira, gostaria de ajudar. — Disse Harry enquanto já abrigados do frio na cozinha começavam a arrumar as compras nos armários e caixas frias.
— Isso é maravilhoso Harry, toda a ajuda é bem-vinda. Amanhã minha cunhada vem me ajudar e minha irmã vai ajudar mamãe, nós dividimos para conquistar. — Disse ela com um sorriso carinhoso. — Você pode nos ajudar e quem sabe até preparar um prato seu, tenho certeza que será muito apreciado.
— Posso ir no abrigo ajudar a servir também? — Perguntou Harry esperançoso.
Serafina parou o que fazia e o encarou, ele sempre a surpreendia.
— Você tem certeza? É um trabalho duro, temos que servir milhares de pessoas por horas a fio. Como é véspera de Natal você pode passar um dia tranquilo jogando e brincando com as crianças, Falc fica aqui para cuidar delas. — Disse Sra. Serafina o olhando com atenção.
— Eu gostaria de ajudar e ir com a senhora servir a comida Sra. Serafina, tenho muito o que retribuir e ser grato, se eu puder fazer um pouco acho que me sentirei bem. — Disse Harry humilde e levemente constrangido.
— Eu entendo, também sinto vontade de agradecer e retribuir pelo que Deus me proporciona, mas você não deve se achar menos merecedor se não for Harry, está tudo bem querer ser apenas criança um pouco mais. — Serafina se aproximou e acariciou seu ombro docemente.
— Eu não sou criança a muito tempo Sra. Serafina, tive que crescer bem rápido e sobreviver, mas nunca pensei que havia pessoas que tem uma vida mais difícil que a minha. Se puder ajudar só um pouco pelo menos não estarei sendo egoísta. Posso ir? — Pediu ele resoluto.
— Sim Harry, se você quer e sente que é o que deve fazer, ser grato e retribuir ao próximo as coisas boas que aconteceram com você, eu apoio totalmente. — Respondeu ela sorrindo. — Diga-me o que você gostaria de preparar para levar?
— Hum..., posso fazer mince pies muito bons. Sempre faço no número 4 e até meu tio e a irmã dele dizem que são bons, claro, minha tia toma os créditos, mas sou eu quem os faço. — Disse Harry animado.
— Sim, você pode, adoro mince pies, mas não vamos fazer em forminha individuais, vamos fazer em formas grandes e depois cortamos em pedaços. Bem, vamos começar hoje mesmo e nos adiantar. — Disse ela batendo palmas. — Precisamos começar a picar todos os legumes e verduras, fazer os molhos, amassar as massas. Terry! — Gritou ela na direção da sala. — Venha nos ajudar, temos muito o que fazer.
Quando o Sr. Falc voltou, ao anoitecer, parou na porta da cozinha vendo-os trabalhar. Terry estava encarregado de picar e cortar os ingredientes, Harry ao seu lado amassava massas de tortas e sua esposa cozinhava molhos diversos no fogão.
— Precisam de ajuda? — Perguntou ele divertido.
— Falc! — Exclamou Serafina indo até ele para um beijo de boas-vindas.
— Oi papai! — Disse Terry sorrindo e distraído desceu a faca no dedo. — Ouch! Merda, cortei meu dedo.
— Terry, querido não fale palavrão, vem aqui que eu concerto esse corte. Episkey. — Disse ela apontando sua varinha e o corte se fechou. — Bem já fizemos muito por hoje, subam vocês dois tomem banho e quando descerem tragam seus irmãos da sala de jogos. Vou preparar uns sanduiches para o jantar.
— Não precisa querida, trouxe algumas pizzas para o jantar. — Disse Sr. Falc e entrou na cozinha, atrás dele vinha flutuando três caixas de pizzas. — Achei que estaria atarefada demais para fazer o jantar, além disso essa é a minha invenção trouxa preferida.
— Pizza! Que delícia! Mamãe podemos tomar banho depois da pizza? Por favor? — Disse Terry olhando para as caixas com olhos gulosos.
— Ok, vai chamar seus irmãos. Obrigada querido, estive tão ocupada que nem percebi como estava tarde. — Disse Serafina sorrindo e com um aceno de varinha pratos e copos vieram dos armários e ela pegou uma jarra de suco de laranja da caixa fria.
A pizza estava uma delícia, Harry havia comido escondido de seus parentes algumas vezes, mas comer assim quentinha e conversando e rindo com pessoas de quem ele gostava, tornava-as ainda mais gostosas. Sua preferida era pepperoni, sem dúvida. Depois do jantar ele e Terry foram tomar banho, os pequenos foram postos na cama com uma história e Sra. Serafina limpou e arrumou a cozinha para o dia de trabalho duro no dia seguinte.
Quando Harry desceu foi procurar o Sr. Falc que estava na biblioteca, o encontrou debruçado sobre papeis e mais papeis em sua escrivaninha.
— Olá Harry, sei que deve estar querendo saber como foi minha reunião com Corner. — Sr. Falc suspirou e se levantou indo até ele. — Não tenho boas notícias, o que temíamos que tinha acontecido, que alguém deteve o testamento de seus pais, realmente aconteceu.
— Quem fez isso senhor? Quem impediu a abertura do testamento do meus pais? — Perguntou Harry, já sabendo a resposta, mas queria a confirmação.
— Dumbledore, Harry, foi ele quem fez isso. — Disse Sr. Falc. — Vem, vamos nos sentar e eu vou te explicar.
— Sr. Falc? Posso chamar o Terry para participar? Eu confio nele e assim não preciso lhe explicar tudo depois. — Pediu Harry calmamente.
— Sim, claro que pode Harry. Serafina também está interessada em saber, pois isso será importante em nosso caso quando dermos entrada ao pedido legal por sua guarda. — Disse Sr. Falc saindo e voltando instantes depois com os dois.
— Harry, você não está cansado? Não quer deixar isso para outro dia? — Perguntou Serafina ao entrar no escritório.
— Estou bem senhora, amanhã e nos próximos dias estaremos muito ocupados, eu prefiro saber agora e ter esse tempo para entender e pensar no que fazer. — Disse Harry sentando-se em uma poltrona.
— Ok, sei que isso é muito importante para você, mas depois vocês vão para a cama, ontem vocês já dormiram muito tarde. — Disse ela sentando com o filho no sofá, Falc escolheu a outra poltrona.
— Como foi a reunião com o Sr. Corner, papai? — Perguntou Terry curioso.
— Corner estava muito zangado com a perda do contrato com a família Potter. Chegou a fazer insinuações de que aproveitei a amizade de vocês e a presença de Harry em nossa casa para "passar a perna nele", foram suas palavras. — Disse Sr. Falc quase divertido. — Apresentei o novo contrato com a testemunha de um professor de Hogwarts e ele se calou rapidamente, principalmente, quando insinuei que poderia contestar o contrato legalmente se quisesse e assim todos saberiam que, até meu pai lhe informar, Harry Potter não tinha ideia de quem eram seus advogados e administradores.
— Hum, aposto que isso o fez suar. — Disse Serafina com ironia.
— Literalmente, querida. Depois disso foi apenas uma formalidade, ele me mostrou o contrato que teve com sua família, e como cumpriu as estipulações corretamente. Corner é bem organizado, os negócios e propriedades me parecem, em uma análise superficial, bem cuidados, mas como eu disse farei uma auditoria para termos certeza. Sua expressão só se tornou culpada quando eu lhe perguntei do testamento e se ele cumpriu a última vontade de Lily e James. — Sr. Falc suspirou passando a mão pelo rosto.
— O que você descobriu Falc? Era o que temíamos? Dumbledore bloqueou o testamento? — Perguntou Serafina tensa.
— Pior. — Ao ver suas expressões surpresas e preocupadas tentou explicar. — Ou pelo menos me parece pior, porque é definitivo, se estivesse bloqueado por alguma razão, poderíamos contestar essas razões, sejam quais fossem, e cumprir o testamento. Mas Dumbledore não é nenhum tolo, tem mais experiência e inteligência que todos nós juntos e sendo o Chefe Bruxo da Suprema Corte tem muito poder e influência. E naquela época com o fim da guerra, a confusão com todos os julgamentos e prisões, e a comemoração pela morte de você-sabe-quem, eu duvido que alguém percebeu o que ele fez. — Considerou Sr. Falc exasperado.
— O que ele fez, Sr. Falc? —Perguntou Harry sentindo seu coração apertado.
— Ele invalidou o tentamento dos seus pais Harry. Dumbledore entrou com um pedido de anulação, alegando que a última vontade dos seus pais não era confiável e assim o testamento foi invalidado. — Disse o Sr. Falc tristemente.
Harry sentiu uma frieza estranha percorre-lo, não era raiva ou furia, era algo diferente que o deixou frio e paralisado.
— Mas como? O que ele alegou? Que Lily e James não estavam em seu juízo perfeito? Que eram insanos? Porque isso seria a maior mentira de todos os tempos. — Sra. Serafina estava furiosa.
— Não foi essa a alegação, eu fui ao Ministério e tive acesso a todos os processos envolvendo Harry. Eu os estive lendo e o que Dumbledore fez foi uma manobra judicial bem no limite da verdade e mentira, mas não ilegal, assim sendo não podemos contestar a legalidade da anulação, poderíamos apenas contestar o motivo que ele usou para requerer que o testamento fosse anulado. Mas, sinceramente, duvido que ganharíamos a causa. — Disse Sr. Falc e olhando para Harry percebeu que ele estava rígido. — Você entende até agora o que eu disse Harry? — Perguntou ele gentilmente.
— Sim Sr. Falc, eu entendo, ele anulou os últimos desejos dos meus pais. Senhor? Que motivo ele usou para a anulação e isso me impede de ter minha herança? — Harry perguntou tentando entender tudo, qualquer decisão tinha que vir do conhecimento.
— E é aí que tudo fica ainda pior, assim vamos por partes. Você, Harry, é o herdeiro principal de seus pais, caso eles não tivessem deixado um testamento, você herdaria tudo legalmente e naturalmente. Com o testamento anulado isso acontece sem que nenhum pedido legal seja necessário e sem muita burocracia. Mas qualquer outra estipulação é anulada, presentes em objetos ou dinheiro para amigos, doações, estipulações legais sobre casas ou legados e o principal, os guardiões listados para cuidar de você no caso de suas mortes. Que nós sabemos era a principal intenção de Dumbledore. — Sr. Falc hesitou e inclinando-se para frente olhou Harry com atenção. — Mas além de entrar com o processo de anulação, ele entrou com um pedido de tutela, alegando que sem um guardião legal você estava vulnerável e incapacitado de se defender. Ele ganhou sua tutela facilmente, se tornando o administrador ou curador dos seus bens, ainda que as questões legais tenham permanecido com Corner como estipulado por contrato anterior.
— Eu não entendo, se ele era meu tutor porque não vivi com ele? — Perguntou Harry desnorteado.
— Ele pediu sua tutela, não sua guarda Harry, sua guarda, com o testamento dos seus pais invalidado, vai direto para os parentes vivos mais próximos. — Explicou o Sr. Falc.
— Meus tios, eles são meus únicos parentes. — Disse Harry de olhos arregalados.
— Sim, o Departamento de Cuidados Infantis com a anulação do testamento entra para cuidar da guarda do menor, você, e entrega-la a quem lhe é de direito, seus tios. Quando se torna seu tutor Dumbledore se transforma no curador de sua herança, seu representante legal e cuidador enquanto vivesse no mundo trouxa com seus parentes, ou seja, entre suas funções estaria a sua verificação, proteção, defesa e educação formal, mas os cuidados parentais ficariam para os guardiões, seus tios. — Sr. Falc estava além de sério.
— Mas, ele não fez isso, ele nunca fez nada disso. — Disse Harry com voz engasgada.
— Até onde sabemos ele fez, não podemos provar que Dumbledore não garantiu sua segurança, proteção e muito menos que não cuidou de seus bens, tudo o que sabemos é que ele não foi um tutor presente. Mas o pior Harry é que, ao assumiu sua tutela, sendo quem era ninguém pensou em contestar ou negar seu pedido, ele impediu que assistentes sociais do Departamento de Cuidados Infantis verificassem você. Harry, eles teriam entrado em contato com seus tios e sabemos que teriam se negado a ficar com você, mas se por um acaso se sentissem obrigados a acolhe-lo, receberiam visitas para a verificação de suas condições, para ter certeza que estaria sendo bem cuidado. Quando Dumbledore se torna seu tutor e sendo um professor, isso é ainda mais valido, os assistentes sociais se veem impedidos de verifica-lo. Eles apenas entram em contato com seu tutor. — Sr. Falc se levantou e apontou para alguns papeis, pegou alguns e os espalhou pela escrivaninha. — Essas são avaliações Harry, uma para cada ano, os assistentes sociais solicitaram notícias sobre você e a cada ano receberam uma avaliação de Dumbledore. "O bebê Potter mostra-se bem adaptado na casa de seus tios, depois de primeiros meses difíceis, agora parece ser parte da família", "O menino Potter se mostra feliz e inteligente, aprendendo rápido, passa muito tempo com sua tia, seu primo sendo mais velho prefere crianças de sua idade. ", "O menino Potter começou a escola infantil trouxa, muito inteligente e adaptável. É sem dúvida uma criança feliz. ", "O jovem Potter está usando óculos, parece-se mais com seu pai, é um pouco tímido para fazer amigos, mas muito inteligente para aprender, recebe elogios da professora". Essa é mais recente: "O jovem Potter agora com dez anos, se mostra muito adaptado a família. Está sempre auxiliando sua tia com as tarefas, passa muito tempo com ela, seu primo mais velho tem amigos de sua idade, Harry se mostra tímido para fazer amizade, suas magias acidentais podem ser um fator. Sua tia o leva com ela aonde vai e parece cuidar dele muito bem. Tem um bom coração que o fará um grande bruxo um dia." — Sr. Falc leu sentido o coração apertar enquanto lia cada palavra mentirosa.
Harry se levantou e se aproximou do Sr. Falc enquanto ele lia, completamente chocado.
— Mas... isso é mentira. Dudley não é nem dois meses mais velho que eu, ele é maior porque tinha mais comida. E eu ficava longe dele porque me batia sem parar e também porque desde pequeno minha tia me queria por perto, para me vigiar ou para me ensinar as tarefas que eu era obrigado a fazer todos os dias por toda a casa. E eu nunca fiz parte da família, nunca estive adaptado porque eles sempre deixaram bem claro que eu era uma aberração anormal, um fardo nada bem-vindo. E eu não era tímido para fazer amigos, Dudley batia em qualquer um que falasse comigo. E os elogios da professora só me meteram em problemas, porque meu tio me colocava de castigo por ser uma aberração cdf e humilhar o Dudley. "Sem dúvida uma criança feliz", são mentiras, tudo é mentira! — Exclamou Harry furioso e sua fúria o tornou agitado e ele andou de um lado para outro na biblioteca.
— Nós sabemos Harry, Falc, isso é monstruoso, Dumbledore era seu tutor legal, mas fez um trabalho pífio e ainda mentiu nas avaliações. — Disse Serafina pálida e com os olhos cheios de lagrimas.
— Não acredito que ele tenha mentido. — Disse Falc e ao ver o olhar chocado da esposa e do filho e magoado de Harry, continuou. — Acredito que essa era sua percepção de longe, já sabemos que o diretor não esteve presente durante todos esses anos, mas ainda assim ele descreve sua vida com seus tios Harry, ainda que seja muito mal interpretada. Posso estar enganado, mas a ideia dos seus tios de estarem sendo observados não me parece tão absurda. — Sr. Falc disse olhando para o menino que ao entender arregalou os olhos.
— O senhor acha que ele tinha alguém me observando? — Perguntou Harry.
— Sim, sabemos que ele não o fez pessoalmente, mas assumindo sua tutela ele era magicamente obrigado a verificar você como descrito na função de tutor. Assim, Dumbledore colocou alguém por perto para te observar e de tempos em tempos recebia notícias dessa pessoa e os repassava para os assistentes sociais. E não acredito que essa pessoa tenha mentido. Harry o abuso que sofreu dos seus parentes veio da negligencia, desamor e isso não é muito claramente visto como um abuso, como um olho roxo, por exemplo. Se não até os professores ou vizinhos trouxas teriam denunciado as autoridades trouxas. — Explicou tristemente Sr. Falc.
— O que o senhor quer dizer é que a maior parte do que eles fizeram ficou escondido dentro do número 4 ou não era muito claramente um abuso, assim coisas como, eu ficar muito com minha tia, seria interpretada de maneira diferente do que era. — Considerou Harry pensativo. — Além disso ninguém olharia muito de perto, pois meus tios sempre falavam que eu era impossível, desobediente e esquisito como meus pais e se gabavam de quão maravilhosos eram por me aguentar ao em vez de me deixar no orfanato.
— Isso não me surpreende, muitas vezes as pessoas veem o que querem ver, negligencia é um dos abusos mais difíceis de se descobrir. Os vizinhos e professores deviam ter notado a maneira como eles te tratavam, mas ignoraram e essa pessoa que espiona para Dumbledore fez o mesmo. E, se por um acaso, ela disse algo de preocupante aposto que Dumbledore descartaria como algo apenas incomum. Você estava vivo e longe do mundo magico, isso era o bastante. — Disse Sra. Serafina indignada.
— Sim, sabemos disso agora, mesmo que queiramos pensar em outras opções, a mim me parece que Dumbledore trabalhou muito duro para ter controle sobre você quando bebê e assim te manter isolado no mundo trouxa. — Disse Sr. Falc.
— Papai, você disse que ele é obrigado magicamente a cuidar da educação do Harry, além de sua herança, mas sabemos que ele não fez isso. — Apontou Terry.
— Mas está fazendo agora, como seu diretor, Dumbledore está proporcionando conhecimento para o Harry, isso é o suficiente para cumprir o contrato. — Ao ver seus olhares chocados, acrescentou enojado. — Eu disse que ele é muito inteligente, e tem mais de 100 anos, sabe muito bem como fazer as coisas.
— Bem, o que ele fez como tutor até agora então? Apenas colocou Harry com os tios, plantou um espião para lhe dar informações e agora é seu diretor. E ele acha que isso é suficiente? — Perguntou Terry indignado.
— E ele supervisionou o trabalho de Corner, foi o administrador de seus negócios. Diretamente, ele apenas fez o que seu bisavô Henry fez quando era membro da Suprema Corte dos Bruxos, verificou o trabalho do advogado, cuidou que a manutenção de suas propriedades fosse feita corretamente e tomou qualquer decisão em seus negócios. — Sr. Falc olhou para Harry tristemente. — Foi por isso que Corner não entrou em contato com você, Dumbledore o orientou a não o fazer, mesmo com você voltando ao mundo magico, qualquer questão de sua herança é comunicada diretamente ao seu representante legal e não você, pelo menos até sua maioridade.
— Quer dizer...? — Harry entendeu de repente e sentiu uma grande desesperança o envolver.
— Sim, Harry, sua herança é administrada por seu tutor legal até sua maioridade. Assim você não pode controlar nada ou tomar qualquer decisão sobre nada relacionado ao seu espólio, na verdade como seu atual advogado devo me comunicar com ele, imediatamente. E, ele não pode determinar que eu não lhe comunique sobre sua herança, como fez com Corner, apenas porque em nosso contrato ficou acordado que eu não lhe esconderia nada e isso vem primeiro. — Disse ele se sentando outra vez e pedindo com um gesto que todos fizessem o mesmo.
— Falc, ele não poderia impedir o Harry de mudar de advogados? Cancelar o contrato de vocês? — Sra. Serafina perguntou hesitante. Harry arregalou os olhos em pânico, isso tornaria tudo ainda mais difícil.
— Não querida, Harry não se preocupe, você é o herdeiro da casa Potter e pode assinar contratos, desde que feitos, legal e magicamente corretos. Nós nos certificamos disso e ele não pode contestar a decisão de um herdeiro, mas legalmente ele tem total controle sobre...
— Mim. — Disse Harry e seus ombros caíram desanimados. — Ele tem controle sobre mim, sobre minha herança, minhas propriedades, que eu não posso nem visitar sem sua autorização, na verdade, por ele eu nem saberia de suas existências. Dumbledore não vai me deixar dar um passo, para qualquer direção que não seja o que ele planeja para mim. Não sabemos quais são seus planos, ou se suas intenções são boas ou más, mas não há dúvida que ele tem planos para mim. — Harry colocou o rosto nas mãos sentindo-se encurralado. — Alguém pode alegar que ele quer me proteger, que eu não carregue o peso de ser um herdeiro de uma casa importante, que quer que eu seja criança, mas isso é besteira, muitas crianças chegam a Hogwarts, mesmo antes disso, sabendo de suas responsabilidades. Malfoy e outros, até mesmo Terry sabem que tem um papel e carregam esse peso sem problemas, assim sua intenção não é me proteger, ele quer me controlar. Até atingir a maioridade eu não posso decidir nada e muito menos deixar os Dursley. — Encerrou ele cabisbaixo.
— Sinto muito, Harry. — Disse Sr. Falc sinceramente.
— Mas... não podemos desistir! Papai, temos que fazer alguma coisa, não podemos não tentar nada. — Terry estava chocado e inconformado.
— É claro que não vamos desistir Terry, mas seja o que fizermos tem que ser muito bem pensado e planejado e ainda assim o resultado mais provável será contra nós. — Disse Falc realisticamente.
— No que está pensando Falc? — Serafina perguntou angustiada.
— Poderíamos contestar a tutela, mas seria perda de tempo, mesmo que provássemos que Dumbledore não foi um bom tutor ninguém acreditaria que o grande diretor de Hogwarts, Albus Dumbledore, agiu de má fé. Perderíamos, sem dúvida. — Passando a mão pelo rosto cansadamente, ele continuou. — Se tentássemos a guarda e o cancelamento da tutela com alegações contra os Dursley e Dumbledore, isso se viraria contra nós facilmente. As pessoas questionariam nossas intenções e poderiam, nos, acusar de má fé ou até de estarmos interessados na herança de Harry.
— Quer dizer que não podemos tentar conseguir a guarda do Harry? — Perguntou Serafina triste.
— É claro que podemos querida e vamos, mas acredito que a melhor estratégia é não acusar ou hostilizar Dumbledore. — Disse ele pensativamente. Sua mente de advogado estava se movendo por estratégias e movimentos como em um tabuleiro de xadrez.
— Como assim? — Perguntou Terry preocupado com os ombros caídos do amigo, sua desesperança era flagrante.
— Entramos com um pedido legal por sua guarda, alegando que os Dursleys não o querem e que o negligenciaram todos esses anos, mas não requeremos a anulação da tutela, pelo menos neste momento. E, claro, agiremos como se acreditássemos que Dumbledore não sabe a realidade sobre sua vida com seus parentes, o que pode ser verdade, e não vamos acusa-lo de ser um tutor negligente ou desatento. — Explicou suas ideias Falc.
— Claro! Falc se o levarmos diante do juiz ele vai alegar que não sabia, que foi enganado e se verá obrigado a fazer o seu papel de tutor, ou seja, concordar com a mudança de guarda dos parentes do Harry para guardiões competentes, nós. — Disse Serafina esperançosa.
— Essa é a ideia, não acredito que mesmo Dumbledore diante das provas que apresentaremos ficará imune, a não ser que estejamos enganados e ele saiba como foi a vida do Harry nos últimos 10 anos e não se importe. — Disse Falc objetivamente.
— Então ainda temos esperança de tirar o Harry da casa dos seus parentes e ele vir morar conosco? — Perguntou Terry esperançoso. — Você ouviu Harry, meus pais não vão desistir e você também não pode. Não importa que ele controle sua herança até ter 17 anos, quando você estiver vivendo aqui conosco, estará seguro e protegido. — Afirmou Terry com determinação.
Harry que ouvira tudo em silencio não disse nada por um tempo, a estratégia do Sr. Falc era boa e poderia dar certo, mas ele não deixaria suas esperanças subir. Estava tentando engolir o desapontamento de não poder colocar seus planos para a rebelião em pratica, não queria se desapontar quando tivesse que voltar para o número 4. E, pensou, havia outra coisa que não fora esclarecida e que ele precisava saber e entender.
— Sim eu ouvi, mas todos nós sabemos que por mais boa que seja nossa estratégia e sua competência Sr. Falc, dependemos na verdade das intenções do diretor. Tudo está muito claro, se Dumbledore não tiver planos para mim, ele vai ficar chocado por seu erro e negligencia, pedir desculpas e muito agradavelmente concordar que vocês tenham minha guarda. Mas, se ele tem planos, não importa se sabia ou não como é minha vida e não fará diferença o que conseguirmos provar, o diretor vai insistir que eu fique na casa dos meus tios e no máximo prometer me proteger com mais cuidado. — Disse Harry friamente, bagunçando o cabelo, suspirou. — No fim, está nas mãos dele e, se decidir usar sua influência, eu ficarei aonde ele quer que eu fique. Vamos tentar essa estratégia senhor, se vocês realmente acham que vale a pena começar uma briga deste tamanho com poucas possibilidades de vitória. Não quero prejudica-los de nenhuma maneira.
— Harry! — Protestou Terry.
— Eu já sabia que seria difícil antes Harry, não teríamos oferecido se não tivermos certeza que é o que queremos, além disso desde quando você desiste sem nem tentar só porque é difícil. — Disse Sr. Falc com um olhar gentil.
— Porque ele não acha que merece. — Disse Sra. Serafina suavemente. — Ele acha que não merece tanto trabalho, mas você está errado Harry. Por tantos motivos eu poderia enumerar, mas o principal e mais importante, por você mesmo. Você merece ser cuidado, querido, apoiado e nós lutaremos por você, para você e com você se nos deixar. — Ela falou o olhando nos olhos com intensidade.
Harry engoliu em seco sentindo a sinceridade dela e pelos acenos de Terry e seu pai, eles concordavam com ela. Ele poderia fazer isso, lutar mesmo sem esperança de vitória? Sim, pensou, poderia, seus antepassados lutaram muitas vezes sem esperança, mas nunca desistiram, seus pais também e morreram para protege-lo. Ele não desistiria, lutaria até seu último suspiro.
— Sim, Sra. Serafina, eu aceito vocês ao meu lado nessa luta, também não vou desistir e quem sabe podemos vencer no final. Muito obrigada, de verdade. — Disse ele sincero e solenemente. — Sr. Falc, o senhor poderia me dizer o que Dumbledore usou para invalidar a última vontade dos meus pais? — Perguntou ele tentando engolir o amargo que o desrespeito aos seus pais mortos lhe trazia na boca.
— Sim, mas, infelizmente, não temos nada para fazer quanto a isso Harry, enquanto talvez um pouco antiético, o que Dumbledore fez foi legal. — Falc suspirou pensando que a última coisa que queria era falar sobre mais essa crueldade, mas prometera ao menino não lhe esconder nada e não quebraria a promessa. — Eu não sei se você já ouviu falar de Sirius Black, ele era...
— O melhor amigo do meu pai. — Interrompeu Harry com os olhos acesos, seus ombros até subiram. — Prof. Flitwick me contou sobre meus pais, seus amigos e falou sobre Black, como ele os traiu e Terry me contou que ele está preso em Azkaban.
— Sim, exatamente. Harry em um testamento as testemunhas não podem ser beneficiárias, assim Black foi uma das testemunhas e não um dos beneficiários do testamento, ele deveria ter seu próprio dinheiro. A outra foi Marlene McKinnon. — Suspirando Falc olhou para a esposa tristemente. — Dumbledore alegou que, com uma testemunha morta, McKinnon e outra na prisão por assassinato e traição, Black, as últimas vontades de seus pais eram não confiáveis. E o fato de a traição de Black ter sido contra sua família apenas deu peso a sua alegação e assim ele conseguiu invalidar o testamento. — Concluiu Falc.
— Mas Black estava preso e não era um dos beneficiários do testamento, assim o que ele justificou que tinha que proteger, Black teria influenciado meu pais a fazer o que? Doar toda a fortuna Potter para Voldemort? — Perguntou Harry cínico.
— Não Harry, seu pedido de anulação visava proteger você. Black não era apenas o melhor amigo de seu pai, ele também era o padrinho de casamento de seus pais e seu padrinho. Harry no mundo magico, um padrinho é considerado família, assim o primeiro guardião estipulado por seus pais era Black. — Disse Sr. Falc gentilmente.
Harry olhou surpreso, até mesmo no mundo trouxa um padrinho era importante, levantando-se andou pela biblioteca tentando colocar mais essa peça no imenso quebra-cabeça que era sua vida. Seu padrinho, Black era seu padrinho, devia ter sido uma boa pessoa e o amado ou então seus pais não o escolheria para ser seu padrinho. A não ser que ele os enganou, mas se ele mentiu como seus pais não foram mortos antes? Na linha do tempo que montara seus pais estavam escondidos a meses e agora mais do que nunca tinha certeza que seu padrinho seria o único a conhecer a localização. Falta de interesse de Voldemort? Mas, se esse era o caso, porque de repente ele decidiria mata-los se nem estavam mais lutando contra ele? E se Black não os traiu por vontade própria, foi forçado de alguma maneira, porque a verdade não apareceu no julgamento?
— Harry, querido, você está bem? — Perguntou Sra. Serafina preocupada.
Harry parou de andar e trocou um olhar com seu melhor amigo. E pela primeira vez em mais de duas horas ele sorriu.
— Sim senhora, eu estou muito bem. — Disse Harry e voltando ao seu lugar encarou o Sr. Falc. — Acredito senhor que está errado em sua suposição, tenho certeza que temos o que fazer nesse aspecto e se cancelarmos a anulação do testamento poderemos anular sua tutela e então estarei fora de seu controle. Não importe o tempo que leve Sr. Falc quero esse homem, seja ele bom ou não, bem longe de mim.
Falc o avaliou com atenção, seu primeiro pensamento foi dizer que ele estava errado, nada poderia ser feito para mudar isso, era impossível. Duas coisas o deteve, o sorriso dele e seus ombros erguidos, era bom vê-lo esperançoso, mais cedo fora difícil ver seu desespero. E a outra foi que crescendo no mundo magico se aprende a nunca acreditar no impossível, e em se tratando de questões legais e magicas isso era ainda mais verdade.
— Ok. Você me deixou curioso e quero ouvir o que tem a me dizer, mas acredito que é melhor encerramos por hoje. São muitas informações novas e existem ainda muitos documentos para investigar. A auditoria se faz ainda mais necessária, não acredito que Dumbledore tomou decisões erradas em relação a sua herança, mas temos que ter certeza. — Sr. Falc se levantou caminhando até a escrivaninha. — Além disso, nada poderá ser feito até pelo menos dia 27, o que incluiu comunicar Dumbledore da mudança de escritório realizada por você. Então o que me diz de no dia 26 marcarmos um novo encontro e você me conta dessa nova ideia.
— Acho uma ótima ideia, assim nos concentramos no Natal, celebramos, nos divertimos e adiamos o trabalho e as dificuldades por alguns dias. Harry, o que você acha? — Perguntou Serafina olhando-o com expectativa.
Harry acenou, concordava com eles, estava exausto e ainda tinha muito em que pensar, precisava ter seus argumentos bem definidos, sabia que suas ideias eram tão extraordinárias que precisaria de convencimento.
— Tudo bem por mim. Terry? — Perguntou ao amigo, sua opinião era importante para ele.
— Sim, por mim tudo bem, mas podemos marcar a reunião para o dia 27? Dia 26 é sexta-feira mesmo e não vai fazer tanta diferença, quer dizer, o que vamos falar não é algo que precisará de ação imediata. — Argumentou Terry corando vermelho.
— Porque você quer o dia 26 livre? — Harry estava muito confuso e o constrangimento do amigo era no mínimo estranho.
— Bem, você vê, é que no Boxing Day tem a maratona do futebol na TV, todos os anos eu assisto com o vovô Bunmi. —Terry conseguiu ficar ainda mais vermelho, uma grande façanha em seu rosto moreno.
— Oh! Claro, eu me esqueci que você gosta de futebol. — Disse Harry sorrindo.
— Você não gosta, Harry? Meu pai e Terry são apaixonados pelo esporte. — Perguntou Sra. Serafina enquanto sinalizava para a cozinha, Harry tinha que comer um sanduiche antes de tomar suas poções.
— Eu nunca vi um jogo Sra. Serafina, meu tio prefere críquete e na escola o professor preferia que fizéssemos alguns exercícios e brincadeiras. Ele disse que jogaríamos no secundário. — Explicou Harry se sentando com Terry enquanto sua mãe lhe preparava um sanduiche.
— E eu já disse a ele que isso é uma pena e que na primeira oportunidade assistiríamos um jogo juntos. Como aqui não tem TV tem que ser na casa do vovô, além disso todos os anos nós assistimos a maratona no Boxing Day, lá em Oxford. — Explicou Terry e deu uma grande mordida em seu sanduíche.
— Por mim tudo bem, podemos relaxar nos próximos dias e continuar com tudo isso depois, como você disse Terry, não há muito o que fazer. — Disse Harry também comendo seu sanduíche.
Naquela noite Harry não dormiu bem, seu sono foi agitado, seus sonhos confusos, ele parecia estar preso em um labirinto, não conseguia achar a saída, se sentia perseguido e encurralado. Quando acordou a imagem de uma luz verde o perseguiu para sua consciência e o riso frio arrepiou seu corpo ensopado de suor. Ofegante olhou para a janela, faltava pouco para o amanhecer e apesar de cansado não queria dormir, decidiu tomar um banho quente para limpar e acordar de vez.
Quando desceu pensou em ir para a biblioteca ler, mas sua mente agitada precisava de outra coisa para se concentrar e se acalmar, assim, decidiu cozinhar. Sra. Serafina deixara a longa lista de pratos que tinha que preparar hoje na bancada e Harry queria fazer seus mince pies. Suspirando mais animado decidiu começar com uma das caçarolas e enquanto ela cozinhava esticaria a massa pronta e montaria as tortas. O recheio precisava ser preparado também. O cheiro logo envolveu a cozinha e se espalhou pela casa, quando as assadeiras de tortas começaram a assar. A caçarola borbulhava e ele decidiu fazer o pão de milho que a Sra. Madaki lhe ensinara, era muito bom e combinava com sopas e caçarolas.
Ele estava amassando o pão quando a Sra. Serafina entrou na cozinha e o olhou meio espantada, meio resignada e meio divertida. Decidindo que era melhor pegar seu lado leve, sorriu para ela brilhantemente.
— Bom dia, Sra. Serafina! — Disse ele animadamente.
— Eu não deveria nem me surpreender por encontra-lo cozinhando, mas ainda é tão cedo Harry. Você não deveria estar dormindo? — Disse ela sorrindo carinhosa. Foi na direção do fogão e começou a olhar para o que ele estava fazendo. — E você já fez tudo isso. Merlin, a quanto tempo está acordado?
— Não muito senhora, umas 2 horas talvez, eu não consegui dormir. — Disse Harry dando de ombros.
— O que te impediu de dormir? Há algo errado com seu quarto? Você ficou com frio? — Perguntou ela preocupada.
— Não, não senhora, apenas... — Suspirando Harry olhou para a massa bonita que se tornara seu trabalho, estava quase bom. — Eu tive um pesadelo e não queria dormir de novo depois e cozinhar me acalma, sabe, me distrai e ajuda a me concentrar.
— Oh! Entendo. — Disse ela e começou a pegar os ingredientes para o café da manhã e perguntou displicentemente. — Você gostaria de falar sobre seu pesadelo?
Harry levantou o olhar da massa para a Sra. Serafina, ela não o estava encarando e sim calmamente pegando os ingredientes do café da manhã. Nunca ninguém se importou com seus pesadelos, não sua tia com certeza, não sabia o que pensar, mas também não queria ninguém em cima dele como se fosse fraco ou algo assim. Talvez ela só estivesse curiosa e não pensaria menos dele, considerou.
— Bem, na verdade é um pesadelo que tenho sempre, quando fico ansioso ou com muita coisa na mente. — Explicou ele começando a dar forma nos pães de milho como a Sra. Madaki ensinara. — Tem gritos as vezes, parece uma mulher e sempre um riso frio que dá arrepios e no fim uma luz verde brilhante e então eu acordo. Às vezes é só isso, mas hoje antes eu parecia estar em um labirinto preso e não conseguia achar a saída e, então o riso e a luz verde e eu acordei. — Finalizou Harry e diante do silencio na cozinha ele levantou o olhar e encontrou a Sra. Serafina o olhando pálida e chocada. — Sra. Serafina? A senhora está bem?
— Eu... — Mas as palavras pareciam faltar e ela engoliu em seco e pareceu ficar verde como se fosse vomitar. — Preciso de um minuto, com licença. — Disse e saiu da cozinha quase correndo.
Confuso Harry terminou a primeira centena de pãezinhos, mas antes olhou a caçarola, estava perfeita, se a Sra. Serafina aprovasse seu sabor poderia começar a preparar as outras 4 receitas, seriam duas entregues no sopão e orfanato aqui em St. Albans e 3 iriam para o Abrigo St. Andrews de Lambeth em Londres, onde eles iriam ajudar a servir.
Um pouco depois Sra. Serafina voltou, parecia melhor, mas ainda meio triste.
— Está melhor, Sra. Serafina? — Perguntou ele preocupado.
— Sim Harry, estou bem, vou preparar o café da manhã para nós e enquanto isso você me conta o que fez até agora. — Disse ela tentado sorrir.
Harry acenou e explicou o que fizera ganhando um olhar impressionado da Sra. Serafina, depois que ela experimentou a caçarola o encheu de elogios, ele sorriu abertamente e corou satisfeito. Os dois tomaram café da manhã e trabalharam por mais uma hora antes de qualquer pessoa aparecer e este foi Sr. Falc que depois de comer algo se trancou no escritório. Em seguida foi Elizabeth, cunhada da Sra. Serafina que chegou animada tendo viajado de trem e depois carro da estação. Quando as crianças desceram foram alimentadas e levadas a sala de jogos e Terry ficou com a função de entretê-los, ele queria ajudar na cozinha, mas Ayana fez um bico enorme, disse que logo ele iria embora de novo e não lhe restou outra escolha se não ceder à chantagem.
Sra. Serafina depois da tortas e pães de milho colocou os 4 perus, 6 tender, 6 presuntos e 3 pernis para assar, o forno magico se ampliava magicamente a cada nova assadeira. Havia também as caçarolas, batatas assadas com cenouras, molhos e recheios. Elizabeth de origem argelina preparou um prato da terra de seus pais chamado Couscous que, segundo ela, era muito popular por ser uma comida com muita sustança e não muito cara. Harry aprendeu com ela a preparar e quando experimentou achou delicioso.
Logo depois do almoço Sra. Serafina insistiu que ele ajudara o suficiente e que devia ir brincar e se divertir com as crianças. Harry acenou concordando, seu prato estava pronto e a maior parte agora já estava assando. Quando foi se encontrar com os outros Ayana que falava sobre quadribol com Terry o olhou animada.
— Harry você já está livre? Você poderia me ensinar a voar! — Disse ela parecendo ter encontrado ouro.
— Hum... eu não acho que seus pais deixariam e, além disso, está muito frio lá fora. — Disse ele hesitante.
— Oh! Mas você prometeu! Eu vou pedir a mamãe e ela vai deixar. Espere. — E rapidamente deixou a sala de brinquedos.
— Harry, você quer jogar xadrez bruxo comigo? — Pediu Adam com um sorriso doce.
— Claro, mas eu nunca joguei, você tem que me ensinar. — Disse Harry sorrindo, não tinha preferidos, mas achava ser irmão de Adam muito mais fácil do que da Ayana, esperava pegar o jeito logo.
— Ok, primeiro é diferente do xadrez normal, porque as peças se movem e elas tem algum conhecimento do jogo assim elas vão tentar te ajudar, mas você nem sempre pode ouvi-las porque elas não sabem tudo e muito menos a estratégia que você está usando no jogo. Certo? — Orientou ele animado.
— Ok. — Respondeu Harry se sentando na mesa infantil com ele.
— Bem agora sobre as regras, cada peça de move de uma maneira, vamos começar pelos peões... — E assim pacientemente Adam lhe explicou as regras, na metade Ayana apareceu chorosa e disse que sua mãe não os deixara ir voar.
— Tenho certeza que no verão teremos a oportunidade, voar pode ser perigoso e você ainda pode ficar doente por causa do frio. Não quer passar o Natal doente, não é? — Disse Harry suavemente.
Ela acenou que não e depois se sentou perto dele para vê-los jogar. Terry estava montando um quebra-cabeça de mil peças em outra mesa e a chamou para ajudar e assim, Adam e ele ficaram sozinhos. Depois de dois jogos, com uma vitória para cada um, foram ajudar Terry e Ayana com o quebra-cabeça, eles riram e se divertiram por quase duas horas até que, pouco antes do escurecer, Harry perdeu o poder de concentração e cansado decidiu tirar um cochilo. Mais cansado do que imaginara só acordou quando Sra. Serafina o chamou para comer um sanduiche e tomar suas poções, depois ele voltou a dormir até a manhã seguinte e sem pesadelos.
Harry nunca supôs que esperaria com tanta ansiedade o Natal, ao longo de sua vida fora só mais um dia de trabalho duro e desprezo dos seus parentes e muita solidão. Não houve momento em que mais sentira falta de seus pais do que nos Natais, imaginando como seria celebrar a data com uma família de verdade. Agora ele teria essa oportunidade, mas não pode deixar de pensar em quantas pessoas que não a tinham e se sentir grato e culpado ao mesmo tempo quando acompanhou o Sr. Falc ao orfanato e ao sopão de St. Albans para levar a comida.
— Não deve sentir culpa pelo que você tem, assim como não deve sentir inveja pelo que você não tem, Harry. — Sr. Falc disse quando comentou com ele seus pensamentos. — Se você sente culpa ou pena dá a entender que não acredita que eles sejam capazes de se erguerem, nós não ajudamos por pena, ajudamos para que eles se sintam acolhidos e lutem para se reerguer e ter uma vida boa e talvez ajudar alguém um dia.
Suas palavras o fizeram sorrir, os Boots o ajudaram, não por pena, o fizeram se sentir acolhido e ter o desejo de lutar e ele pretendia retribuir ajudando outros.
— Eu entendo, senhor. — Respondeu Harry.
Depois de entregar as comidas na cidade, eles voltaram para o Chalé e colocaram o resto dos pratos no porta malas magicamente ampliado e partiram. Neste momento só iriam Sra. Serafina, Terry e Harry, Sr. Falc viria mais tarde de trem com as crianças e eles se encontrariam todos para jantar. Normalmente apenas Sra. Serafina e Sr. Falc ajudariam no abrigo e as crianças ficariam com os avós Boots, mas com a piora da Sra. Honora isso não era uma opção. Assim, Sr. Falc ficaria com Adam e Ayana, isso porque Terry decidiu ir também e ajudar ao saber que Harry recebera autorização. A viagem durou uma hora e meia e quando chegaram ao Abrigo St. Andrews em Lambeth, Londres, pouco depois das 10 horas encontraram uma grande multidão. Eles foram pelos fundos e descarregaram a enorme quantidade de comida na cozinha.
O irmão da Sra. Serafina, Martin, e sua esposa, Elizabeth, já estavam lá, eles os cumprimentaram e os apresentaram a algumas pessoas que sorriram animada por terem mais ajudantes e logo os colocaram para arrumar o imenso salão. As filas se formavam e grupos de 300 seriam servidos de uma vez, pois era a quantidade de pessoas que cabiam dentro do abrigo. As 11 horas, com tudo pronto os primeiros foram entrando.
Terry ficou no setor de servir sidra quente para eles e Harry ficou servindo seus mince pies que receberam muitos elogios, principalmente, quando alguém contou que fora ele quem os assara. Serafina colocou feitiços de rastreamento neles e pode se concentrar em seu próprio trabalho, ainda que os verificando de vez em quando.
Harry observou com o coração apertado todas aquelas pessoas, haviam muitos sozinhos, de cabeça e ombros caídos, alguns tinham um sorriso simpático e agradeciam, desejavam um Feliz Natal, as roupas de todos eram velhas e não pareciam proteger do frio. Mas também haviam famílias muito pobres, Harry se perguntou se as crianças também viviam nas ruas ou se eram aqueles que tinham casa, mas não muito para comer e muito menos comemorar o Natal. Observando, viu seus olhos famintos e assombrados com tanta comida e imaginou que deveria ter parecido assim em sua primeira noite em Hogwarts no banquete de boas-vindas.
Ele ficou impressionado em como todos eram tão gratos, parecia tão pouco, mas a verdade é que era mais do que um prato de comida. Era a oportunidade de celebrar o Natal com dignidade, não nas ruas, no frio ou trancado em um armário. Ele se sentiu tão feliz em ajudar aquelas pessoas e tão gratificado com seus sinceros obrigadas que teve certeza que não queria passar o Natal de outra maneira nunca mais.
Quando o movimento começou a cair Terry e Harry começaram a ajudar com a limpeza e arrumação, mas as 17 horas Serafina veio busca-los para irem embora. Cansado, mas satisfeito Harry desejou Feliz Natal para os outros voluntários sentindo uma camaradagem nunca antes experimentada e olhando para seu amigo percebeu que Terry vivera a mesma experiência. Foi só na saída que eles puderam conversar com Martin e Elizabeth que combinaram de se encontrarem com eles no Hyde Park.
Harry não tinha ideia dos planos agora, pensara que iam se encontrar com Sr. Falc e as crianças para jantar, mas para sua surpresa e prazer eles foram a um Mercado de Natal. Seus tios sempre iam a um pequeno Mercado de Natal no Surrey e o deixavam com a Sra. Figg, depois Dudley voltava com presentes e se exibindo sobre todas as coisas que vira e comera. Mas o Mercado de Natal no Hyde Park, um dos maiores parques de Londres, que se chamava Hyde Park Winter Wonderland era enorme e havia tantas coisas para ver, comprar e comer que ele perdeu o folego, era como entrar no Beco Diagonal outra vez.
Havia um parque de diversão e eles andaram em alguns brinquedos, pararam em chalés pequenos e compraram lembrancinhas de artesanato. Harry comprou um globo de Natal com o Hyde Park dentro, quando ele o agitava a neve se movia e era como se estivesse nevando. Eles comeram e beberam nos pequenos chalés também e depois para seu choque foram para o rinque de patinação. Harry confessou que não sabia patinar e Sra. Serafina se dispôs a lhe ensinar, assim enquanto todos iam patinar, os dois foram para uma área mais calma e ela pacientemente o orientou e ajudou. Ela era uma ótima professora e muito paciente, depois de 10 minutos Harry se sentiu seguro para patinar sozinho e quando não caiu ou se desiquilibrou sorriu brilhantemente, era como se seu coração fosse explodir de alegria.
Depois eles foram se encontrar com os outros, sua coragem e aptidão natural para os esportes logo fez Harry se soltar e patinar por todos os lados, rápido e com algumas manobras. Terry também era ótimo, mas não tão corajoso para se exibir com manobras, mas Ayana era o oposto, ela virava e girava e saltava, Harry se viu tentando acompanhá-la e fazer algumas dessas manobras, ele caiu algumas vezes, mas conseguiu outras tantas e riu tanto como nunca em toda a sua vida. Nunca tivera tanta diversão.
— Bem, não foi voar, mas nós patinamos juntos. — Disse ele sorrindo brincalhão.
— Sim, você é muito bom Harry, adorei patinar com você. — Disse Ayana e o abraçou fortemente.
Harry sentiu seu sorriso aumentar e a abraçou de volta, a quentura em seu peito nunca ia embora agora, mas quando ela ou Adam o abraçavam essa quentura crescia. Era bom, seguro e certo.
Quando ela se afastou para fazer mais manobras, Harry foi ficar junto de Terry que ajudava Adam com paciência igual à da sua mãe.
— Você é muito bom nisso. — Disse ele quando Adam foi sozinho patinando, um pouco hesitante, mas sorrindo.
— Você também. — Disse Terry sorrindo.
— Hum? — Confuso Harry deixou de vigiar o Adam para o caso dele cair e olhou para o amigo.
— Você é um bom irmão mais velho, nem parece que está no cargo a apenas 3 dias. — Disse ele e ao ver a sua expressão espantada, suspirou. — Você é ótimo, com os dois, protetor, carinhoso e paciente. Ontem quando Ayana veio chorando porque não podia ir voar, normalmente, ela choraria ou ficaria de bico amuada por horas. Mas você a acalmou, fez ela pensar e ainda prometeu diversão para o verão, Ayana nunca quer esperar por nada, quando ela quer algo quer na hora, mas ontem aceitou e veio brincar e esqueceu a frustração. Isso é ser um irmão mais velho Harry e acho que você está indo muito bem.
Harry acenou sem saber o que dizer e desviando o olhar foi, instintivamente, vigiar os dois para ter certeza que estavam seguros. Adam estava com a mãe e a tia e o primo Marvel. Ayana estava de mãos dadas com Tianna rindo e patinando.
— Você não se importa? Quer dizer, que eu seja... você sabe e que eles queiram... e gostem de mim? — Perguntou Harry hesitantemente sem encara-lo.
— Que eu me importe que você seja um bom irmão mais velho para meus irmãos e que eles gostem de você? Não. Sabe porquê? — Terry perguntou e quando Harry o olhou acenado negativamente, respondeu. — Primeiro, porque isso não me torna menos irmão deles, ou os faz gostar de mim menos, apenas os faz receber mais carinho e proteção, você sabe o ditado "quanto mais melhor", em relação as pessoas que nos amam isso é totalmente verdadeiro. Segundo, você recebe carinho e afeto de irmãos, algo que você precisa, na verdade eu diria que eles são exatamente o que você precisa. Terceiro, eu também saio ganhando, porque divido a função de irmão mais velho que, quando se trata da Ayana pode ser bem cansativo, e ganho não apenas um melhor amigo, mas um novo irmão também. E, bem, é isso. — Concluiu com um sorriso inteligente e saiu patinando.
Harry sorriu, sim, nada mais precisava ser dito.
Pouco antes das 22 horas, que era quando o Mercado de Natal se fechava, eles se arrumaram para irem embora. As despedidas foram só um "até amanhã", todos se encontrariam na casa dos Madaki em Oxford para a ceia. Sr. Falc dirigiu de volta para St. Albans, pois Sra. Serafina estava bem cansada, tanto que acabou dormindo no trajeto. O mesmo aconteceu com Terry e Adam, Ayana ainda estava cheia de adrenalina para dormir e Harry tinha muito em que pensar.
Assim, ouvindo Beatles baixinho no rádio do carro, ele olhou pela janela refletindo sobre o dia incrível que tivera, mas sua mente sempre se desviava para as pessoas que conhecera hoje, algumas sem comida, sem teto e outras sem esperança e então ele pensava na única família deixada por seus pais, preso em uma cela, sem esperança e carinho a 10 anos.
Quando chegaram Adam e Ayana queriam preparar as meias e deixar os mince pies e cenouras na lareira para o Papai Noel e suas renas. Harry descobriu que ele também tinha uma meia com seu nome, o que o fez sorrir e corar animado, parecia meio infantil, mas ainda era legal. Sra. Serafina pediu que ele lhe entregasse seus presentes, que ela e o Sr. Falc organizariam tudo. Harry concordou e depois que os dois pequenos estavam dormindo ele desceu para entregar todos os presentes que comprara ou fizera para a família.
No dia seguinte Harry acordou mais tarde que o habitual e como fizera muitos exercícios na noite anterior, decidiu se dar uma folga dos treinos. Descendo depois de se arrumar, encontrou Sra. Serafina na cozinha tomando um chá sozinha, parecia um pouco abatida e com pensamentos tristes. Quando ela o viu sorriu divertida.
— Devia saber que mesmo a casa acordando mais tarde você ainda seria o primeiro Harry. Feliz Natal, querido. — Disse ela e se levantando o beijou nos cabelos bagunçados suavemente, mas sem abraça-lo.
— Feliz Natal, Sra. Serafina. — Disse Harry sorrindo e sentando na mesa aceitou o chá que ela lhe serviu. — Então quais são os planos para hoje?
— Bem, vamos tomar café da manhã, meus sogros virão daqui a pouco e trocaremos presentes. Depois vamos todos por aparatação para a casa dos meus pais. Miriam, o marido e o filho já estão lá e Martin, Elizabeth e as crianças devem já ter pego a estrada, hoje o trem não funciona. — Informou ela calmamente, suspirando sobre o chá quente, continuou. — Trocamos mais presentes com todos e depois preparamos a ceia, comemos, celebramos e nos divertimos. É isso. Ah, mamãe aproveita que estamos reunidos e vamos todos a igreja agradecer.
Harry acenou tomando seu chá, nunca fora a igreja, seria outra novidade. Nesse momento Adam e Ayana apareceram correndo animados com um sonolento Terry atrás.
— Mamãe o Papai Noel comeu os mince pies? E as renas comeram as cenouras? — Perguntou Adam saltitando como um coelho.
— Ele trouxe nossos presentes? Podemos abrir? — Perguntou Ayana com um olhar implorante.
Terry sorriu para o Harry e revirou os olhos para a crença dos irmãos no Papai Noel e ele só sorriu, nem se lembrava de ter acreditado nele algum dia.
— Vocês não estão esquecendo nada? O que se fala primeiro? — Perguntou Serafina com as sobrancelhas arqueadas.
E assim se seguiu um mantra de Feliz Natal e abraços para todos os lados.
— Ótimo, estamos esperando os avós Boots para o café da manhã e a troca de presentes, assim subam para tomar banho, se vistam com a roupa que separei, lembrem-se, hoje além da ceia vamos a igreja. — Ordenou Sra. Serafina e eles concordaram, Ayana relutante e bicuda.
— A senhora poderia me ajudar com o que vestir para a ceia e a igreja também, Sra. Serafina? — Perguntou Harry enquanto começava a ajuda-la com o preparo do café.
— Claro Harry, vamos preparar um gostoso café da manhã e depois eu te ajudo. — Disse ela sorrindo com carinho.
Eles trabalhavam bem juntos, ela era paciente e o elogiava e ele observava e aos poucos se sentia mais à vontade para fazer perguntas. Um tempo depois os avós Boots chegaram pelo flu, as crianças desceram e o Sr. Falc saiu da biblioteca onde estivera trabalhando. Sra. Honora percebeu isso e lhe chamou a atenção.
— Falcon, querido, hoje é Natal, não é dia de trabalhar. — Disse ela exasperada.
— Eu sei mamãe, apenas olhando uns documentos, mas não se preocupe não vou mais trabalhar hoje. — Disse Sr. Falc lhe dando um abraço.
Eles todos tomaram café da manhã, Sra. Honora teve um pouco de dificuldade de se lembrar do Harry e quando soube quem ele era animadamente contou histórias sobre sua avó Euphemia, eram repetidas, mas Harry não se importou.
Depois foram para a sala de estar para a troca de presentes. Terry lhe explicou que eles trocavam presentes entre eles, assim quando iam para a casa dos avós Madaki, apenas trocavam com o resto da família.
— Faz sentido. — Respondeu Harry ao entrar na sala e seus olhos se arregalaram ao encontrar uma pilha de presentes com o seu nome. — Isso tudo é para mim? — Sussurrou para o amigo surpreso.
— Claro Harry, você não achou que ia ficar sem presentes agora que tem amigos, não é? — Disse Terry baixinho.
Nesse momento a radio sem fio bruxa foi ligada e se ouviu a cantora bruxa popular, Celestina Warbeck cantando uma de suas canções românticas de sucesso, Sra. Honora cantarolou junto.
Harry não sabia muito bem o que pensar, acreditara que talvez Terry, Hermione e Neville lhe dessem um presente, e talvez os Boots uma lembrança, mas aquela pilha estava além do esperado. Adam e Ayana fizeram uma grande festa com seus presentes, os brinquedos e livros sendo o mais comemorado. Terry também tinha um enorme sorriso no rosto enquanto rasgava os embrulhos, Harry pegou o primeiro e descobriu pelo cartão que era de Mandy, Morag e Padma, que lhes escreveram bonitas palavras e explicaram terem se unido para lhe dar um presente legal. Abrindo, cuidadosamente, o embrulho descobriu, com um engasgo de espanto, um belo estojo de couro preto, com dizeres em letras prateadas: Estojo para manutenção de vassouras.
Havia um frasco grande de líquido para polir cabos, uma tesoura prateada e reluzente para aparar cerdas, uma pequena bússola para prender na vassoura em viagens longas e um manual: Faça a manutenção da sua vassoura. Isso é muito legal, pensou com um sorriso e lembrou das três amigas com carinho.
O próximo embrulho era estranho, estava em papel pardo grosso e trazia escrito em garranchos: Para o Harry, de Hagrid. Dentro havia uma flauta tosca de madeira. Era óbvio que Hagrid a entalhara pessoalmente. Harry soprou-a – parecia um pouco com um pio de coruja. Não pode deixar de sentir saudades de seu amigo.
O seguinte presente era da Hermione que acabou por ser um organizador de tarefas e agenda magica que nunca se acabava e com uma senha para abrir que você escolhia, assim ninguém poderia acessar suas anotações. Harry sorriu lembrando que pensara ser algo que ela gostaria de ter meses atrás, devia saber que seria seu presente e ele gostara muito, seria muito útil e agora poderia ficar mais organizado com suas tarefas e confiar menos em sua memória. Olhando para o Terry viu que eles ganharam a mesma coisa e seu amigo parecia satisfeito também.
Pegando outro embrulho descobriu que era de Neville, sorriu sentindo saudades de seu amigo tímido, abrindo descobriu que era um pomo de treino, seu sorriso se alargou.
— Legal Neville! — Sussurrou animado, abrindo a pequena caixa deixou o pomo voar por um instante a sua volta, ele não se afastava longe ou alto, mas se movia rapidamente para treinar seus reflexos. Empolgado ele pegou o pomo quando este se tornou um borrão dourado e guardou sabendo que usaria muito esse presente.
O embrulho seguinte era de Terry, e ao abrir descobriu que era um casaco longo de couro de dragão verde escuro. Abismado olhou para o amigo que havia erguido o mesmo casaco, só que preto, e o olhava com espanto.
— Eu vi você olhando para ele sem parar, achei que tinha gostado e que era um presente legal. — Disse Terry em sua defesa.
— Eu estava olhando sem parar porque estava pensando em comprar para você de presente e estava em dúvida entre o casaco e um livro. — Disse Harry em sua defesa. Eles se olharam e riram e depois se agradeceram e Harry acrescentou. — Ainda bem que não é da mesma cor.
Os outros dois presentes eram de Adam e Ayana, eles lhe compraram jogos de tabuleiros trouxas, War e Scotland Yard, de estratégias e detetives. Harry adorou, pois nunca tivera a oportunidade de jogar e brincar esses jogos ou qualquer outro na verdade. Ele agradeceu sinceramente e lamentou não ter um presente melhor para eles. Quando eles abriram sua pequena caixa de biscoitos ele corou vermelho.
— Eu não conhecia vocês e não sabia o que comprar, minha amiga Mandy sugeriu que algo feito por mim seria apreciado e eu só sei cozinhar, então fui até as cozinhas de Hogwarts e assei biscoitos de Natal. — Gaguejou ele envergonhado.
Sr. Falc, Sr. Boot e Sra. Honora, assim como Adam e Ayana abriram suas caixas e encontraram seus biscoitos em formatos de estrelas com glace em cima.
— Você fez para nós? — Perguntou Adam pegando um dos biscoitos, deu uma mordida e gemeu, arregalando os olhos castanhos. — Humm... delicia, obrigado Harry, adorei minhas estrelas doces.
— São lindas Harry, você me ensina a fazer biscoitos de Natal com carinha de glacê? — Perguntou Ayana com olhos implorantes.
— Eu... claro, eu te ensino, Ayana. — Disse Harry aliviado que eles gostaram. Olhando para os adultos os viu experimentando e pareciam gostar também.
— Hum, muito bom, obrigado Harry. — Disse o Sr. Falc comendo o segundo biscoito.
— Realmente delicioso, querido, e o tempo que deve ter lhe levado para assa-los e cobri-los. Eu sei, fiz muitos desses para minhas crianças, Carole comia até passar mal. — Disse Sra. Honora sorrindo com a lembrança feliz.
— Eu me lembro querida, os biscoitos são deliciosos Harry e um ótimo presente para dar a estranhos, muito inteligente. Obrigado. — Cumprimentou Sr. Boot, Harry corou, agora pelos agradecimentos e elogios.
— Eu não devia ficar surpresa de você fazer biscoitos tão bem, são deliciosos Harry. — Disse Sra. Serafina roubando um da caixa do marido. — Mas onde estão os meus?
— Oh! Não senhora, eu lhe comprei um presente, hum... para agradecer tudo o que a senhora fez para mim e bem, Mandy me ajudou a escolher, ela entende de coisas femininas e... — Ele parou de falar um pouco apavorado quando ela abriu a caixa azul Ravenclaw e encontrou o relógio de ouro rosa e madrepérolas.
— Meu Deus! Isso... é fabuloso! Harry querido, você não devia ter gastado tanto, eu teria ficado muito feliz com os biscoitos de natal feitos por você. — Disse Sra. Serafina, mas ao ver seu rostinho cair se apressou em lhe assegurar. — Mas eu adorei o relógio, é maravilhoso, você e Mandy tem muito bom gosto. Muito obrigada. — Disse ela e lhe deu um beijo no rosto, depois colocou o relógio e o exibiu para todos.
— Bom jeito de nos fazer parecer maus em presentear, Harry. — Disse Sr. Falc olhando para o relógio e a echarpe que ele lhe comprara e que já estava no pescoço de Serafina.
— Sim, muito obrigado por isso, amigo. — Disse Terry, que comprara um enfeite de cabelo bonito e brilhante.
Todos riram e Harry os acompanhou entendendo que ninguém estava mesmo chateado e que a Sra. Serafina gostara de todos os presentes que ganhara.
— Harry, ainda falta alguns presentes seus. Aqui. — Disse Terry lhe estendendo os embrulhos.
Eram dois, um dos avós Boots, ele abriu e encontrou um par de botas de couro de dragão preto, era de cano médio e solado grosso, Harry se apaixonou imediatamente e seu sorriso foi o maior de todos. Ao lado também havia um objeto de couro de dragão preto comprido e alças macias de couro curtido.
— Ei, eu ganhei um desses também, para que serve vovô? — Perguntou Terry pegando o seu, era de couro amarelo, mais o resto era igual ao de Harry.
— Essas são portas varinhas ou elmos de varinhas como chamados antigamente, normalmente, apenas aurores e outros funcionários do Ministério os usam, mas acredito que vocês dois devem proteger suas varinhas e vocês mesmos de um acidente. — Disse Sr. Boot e ergueu a maga da camisa que usava e mostrou a sua porta varinha presa ao braço. — No início vocês podem estranhar, mas aos poucos vão perceber que é muito mais rápido se armar para defesa com um movimento de pulso do que buscando a varinha todo o caminho atrás no cós da calça. Cada um foi feito e magicamente preparado, vocês devem pingar uma gota de sangue, desta forma apenas a magia do seu sangue pode tirar a varinha do elmo, ou seja, vocês ou alguém de sua família de sangue. Isso serve também para as alças, apenas se cortarem seus braços ou se estiverem mortos alguém pode remover o elmo de vocês. — Disse ele muito seriamente.
— Que legal... — Disse Harry que já pensara que levar o braço para traz, além de demorado, era revelador do movimento de defesa ou ataque. — Muito obrigado, Sr. Boot, posso começar a usar agora?
— Claro, aqui. — E tirando uma pequena adaga de prata da bota lhe estendeu sem preâmbulos e de maneira displicente.
— Eu não acredito que essa conversa seja a melhor para hoje meu sogro, pode assustar os meninos, e eles podem não querer se cortar... — Disse Sra. Serafina olhando para as crianças que estavam distraídas como seus presentes novos e não ouviram a explicação do avô.
Mas enquanto falava Harry pegou a faca e sem nenhuma hesitação ou careta de dor cortou a mão facilmente e deixou o sangue cair no couro de dragão. O sangue fez um barulho como um chiado e desapareceu sendo absorvido pelo couro e sua magia. Sorrindo Harry rapidamente pegou sua varinha e apontando para o corte tentou o feitiço "Episkey" que ouvira a Sra. Serafina usar no outro dia e funcionou, o corte desapareceu e só restou um pouco de sangue que ele limpou com um feitiço de limpeza simples.
— Pronto. — Disse animado e depois colocou o elmo no braço direito, pensou em pedir para Terry amarrar as alças de couro, mas assim que encostou em seu braço e pensou que o queria preso, as alças se moveram magicamente e enlaçaram seu braço.
Elas não se deram nó, o que teria criado uma protuberância estranha, apenas se sobrepuseram uma sobre a outra como se coladas, mas estavam coladas magicamente. Ele colocou sua varinha pela única abertura que ficava na parte final do elmo, na altura do pulso e ela ficou presa pelo couro fortemente.
— Hum, é incrível senhor, mas como vou tira-la rapidamente? — Perguntou percebendo que erguer a manga e puxar a varinha com a mão esquerda não era o movimento correto.
— Simples, você tem que querer, assim como quis as alças presas em seu braço, deseje que elas se soltem e elas obedecerão, sua magia domina a sua porta varinhas. O mesmo com a liberação, deseje que sua varinha fique livre e ela estará. — Explicou Sr. Boot sorrindo.
— Ok. — Harry se concentrou e, quando ele quis sua varinha livre, ela se soltou e antes que pudesse pegar caiu no chão, no tapete da sala onde estava sentado. — Legal. — Disse ele olhando para Terry que parecia surpreso com todo o processo.
— Muito bem, agora você só precisa treinar para poder fazer isso. — Disse ele e num borrão sua varinha se soltou e ele a pegou e apontou facilmente para um inimigo invisível.
— Uau! — Exclamou Harry e mesmo Terry parecia mais empolgado do que duvidoso agora.
— Isso é muito legal, obrigado vovô. O senhor me ajudaria a colocar o meu? — Disse ele tomando coragem e indo para mais perto do avô e sua adaga de prata.
Harry observou que Serafina desistira de protestar e agora estava conversando com a Sra. Honora, distraindo-a da conversa mais pesada e o sangue, enquanto o Sr. Falc brincava com Adam e Ayana, Harry supôs que com a mesma intenção, distração. Assim enquanto Terry era ajudado pelo avô decidiu abrir seu último presente, dos pais do amigo. Era uma caixa media, mas sabia que o tamanho não era importante, não com a magia. Sorrindo, ele a abriu e encontrou vários livros dentro, pegando um por um descobriu que eram livros sobre assuntos que todos os bruxos aprendiam na infância. Tinha um sobre transportes mágicos, feitiços de cuidados pessoais, um sobre quadribol e sua história, outro sobre Hogwarts e sua história, um sobre a história do Ministério, outro sobre leis de herança e família antigas, um muito bom sobre magia familiar e outro sobre regras sociais magicas.
— Sei que parece chato ganhar tantos livros Harry, mas achei que você gostaria de saber essas coisas, pelo menos para mim foi muito importante saber tudo isso quando me tornei parte da sociedade mágica. — Disse Sra. Serafina se sentando ao seu lado no tapete. — Isso não apaga os preconceito e discriminações que existem, mas esses conhecimentos todos fazem parte de ser um bruxo e é algo que eles não podem tiram de você, Harry. Isso é algo que aprendi com meu pai, ninguém pode lhe tirar o conhecimento que você adquiriu e que faz você quem você é.
— Obrigado Sra. Serafina, eu estou aprendendo a amar o conhecimento e os livros. Ser um bruxo para mim é algo incrível, mudou minha vida, me aproximou dos meus pais e é muito frustrante perceber que isso deveria fazer parte de mim, de quem eu sou, mas a tanto que eu não sei. — Harry suspirou e olhou para os livros com carinho e anseio. — Sei que ser um bruxo é mais do que magia, é conhecimento e o que você faz com esse conhecimento. Assim nada poderia me agradar mais do que esses livros de presente. De verdade. — Disse Harry absolutamente sincero.
— Bem, eu concordo, mas meu marido achou muito chato e queria lhe dar algo mais divertido. Olhe na caixa. — Disse ela sorrindo.
Surpreso Harry olhou no fundo da caixa e encontrou uma caixa de madeira envernizada, abrindo descobriu um jogo de xadrez bruxo, sorriu animado, Adam o ensinara a jogar a alguns dias e ele gostara muito. Era difícil, exigia concentração e planejamento estratégico e ele julgara ser um ótimo exercício intelectual, assim como o habito da leitura.
— Terry é muito bom, mas Adam, Falc e meu sogro são os melhores da família, tenho certeza que eles poderão te ensinar, essa é uma ótima forma de se divertir e aprender ao mesmo tempo. — Disse Serafina.
— Obrigado senhora, obrigado Sr. Falc, eu gostei muito. — Disse Harry sorrindo sentindo uma estranha alegria.
Depois de guardar seus presentes, Harry vestiu a nova roupa que a Sra. Serafina o ajudou a escolher, uma calça social cinza clara e uma camisa de botão azul escura, por cima ele colocou um colete de couro de vaca preto e um casaco cinza escuro, era bem quente com pelos internos e dobrando a borda até a gola os pelos cinza claro fazia contraste com o escuro. Era bem elegante, mas o colete de couro dava uma descontraída assim como a sua nova bota de couro de dragão. Sra. Serafina disse que ele estava descolado, mas apropriado para uma ceia e culto.
Eles estavam indo todos por aparatação, desta vez sem saber onde estava indo pareceu ser mais demorado e Harry ficou mais enjoado, mas não vomitou seu café da manhã para o desapontamento de Ayana. Harry chegou com a Sra. Serafina no hall de entrada de um casarão histórico, onde vivia os avós Madakis. Tinha três andares, tijolinhos vermelhos e ficava em um bairro de Oxford cheio de casarões antigos igualmente bonitos e bem conservados.
— Uau! — Harry suspirou olhando para os detalhes antigos bem conservados, parecia que tinha voltado no tempo, uns 200 anos.
Eles foram para a sala de estar e os moveis e decoração eram muito bonitos, mas também antigos, era bonito e combinava com o Prof. Bunmi.
— Eu sei, enorme e antigo, mamãe tem uma área dela onde decorou do seu gosto, menos "sufocante", ela diz. E a cozinha é moderna e com seu estilo. Eu cresci aqui, depois que saímos ficou um pouco grande, mas papai nunca se mudaria, ele adora, não apenas por seu amor pela história, mas também para receber em jantares e debates, seus colegas e alunos. — Disse Serafina olhando a casa antiga com nostalgia. — Enquanto eu crescia e, até hoje, essa casa está sempre cheia.
Na sala o resto da família já tinha chegado, os jovens Madakis, pois os Coltons já estavam desde o dia anterior. Houve um couro de Felizes Natais e Harry se viu apertando a mão de todos. Harry também cumprimentou Prof. Bunmi pela casa, o homem faltou sair flutuando com os elogios ao seu bebê. Miriam sussurrou que ele amava mais a casa do que os filhos, mas ele não ouviu e começou uma aula fascinante sobre a história da casa que todos, menos Harry, já ouvira antes. Mas Sra. Madaki o interrompeu ao entrar com um carrinho e serviu uma xicara de eggnog para todos, era a hora de abrir mais presentes. Harry não esperava ganhar mais presentes, já que eles não o conheciam e esperava que eles não se chateassem com seus biscoitos, mas para sua surpresa ele tinha outra pilha de presentes na árvore de natal.
A árvore era enorme e muito decorada, as dos Boots era bem menor. Sra. Madaki explicou que o tamanho vinha da sua origem americana, pois por lá quanto maior o pinho melhor. Harry tomou seu eggnog saboroso e abriu seus presentes, o primeiro era dos Coltons, era assinaturas de revistas uma de esportes e outra de negócios.
— Assim vocês não ficam desatualizado enquanto estiverem na escola de magia. Esporte para diversão e o de negócios para aprender e saber como a nossa economia está. — Disse Chester, ele era muito alto e magro, moreno claro como Terry e usava os cabelos cortados tão rentes que era quase raspado. — Falc disse que você é o herdeiro de uma grande fortuna, eu também sou e quando era adolescente nunca me importei com isso, quando estava na universidade meu pai teve um derrame e tive que assumir os negócios da família. Eu mal sabia o que era Pib externo ou interno, tive que aprender e me virar. Você deve se manter e aprender desde cedo, e se precisar de qualquer ajuda ou conselho não hesite em me procurar. — Disse ele com sua voz suave e elegante.
Harry acenou e agradeceu sinceramente, achando uma ótima ideia, já que ele não fazia ideia do que era Pib de dentro ou de fora. O outro presente era de Martin e Elizabeth, eles lhe compraram um diário e uma mochila nova muito bonita de couro marrom bem macio que parecia manteiga.
— A mochila porque Serafina me disse que você gostava de coisas de couro e descoladas, achei que gostaria de colocar seus livros e cadernos da escola em algo mais a sua cara. — Disse Elizabeth sorrindo.
— E o diário é minha ideia, uma maneira de você expressar o que está sentindo, escrever sobre seus sonhos, mesmo se não conseguir falar com alguém você pode falar consigo mesmo. — Disse Martin com seus olhos gentis. — Serafina me disse que pode tornar o diário seguro, assim ninguém pode abrir ou ler além de você e a mochila também, pode ficar segura, leve e alguma coisa sobre maior do que parece, humm... não me lembro.
— Eu sei senhor, muito obrigado, adorei a mochila e prometo tentar o diário. — Disse Harry sincero, nunca pensara em escrever em um diário e não sabia se conseguiria, mas a intenção era muito boa e adorara a mochila.
Dos avós Madaki ele ganhou livros, de história, guerras e política do Prof. Bunmi, que disse que esperava que até as aulas no verão tudo estivesse lido. Harry engoliu em seco e acenou, ele era um professor bem exigente, pensou. Da Sra. Madaki ele ganhou uma parka verde escuro com capuz, forrada de pele branca, tão bonita e quente que não pode deixar de pensar que poderia escalar as montanhas escocesas com ela e não sentir frio. Ela também lhe fez alguns doces, fudges, brownies, rolls de canela e cookies com chips de chocolate.
— A parka é para o frio do norte querido, assim você não fica doente e o doces são alguns mais tradicionais do meu país, sei que gosta de comidas e receitas diferentes. Talvez no verão eu possa lhe ensinar a assar alguns deles. — Explicou ela com um sorriso doce.
— Obrigado Sra. Madaki, eu adorei e vou querer sim aprender. — Disse empolgado com a ideia e pegando um roll de canela que ele nunca provara deu uma mordida e foi para o céu e voltou. — Uau! Isso é muito bom.
— Obrigada querido, você... — Mas neste momento um grito estrangulado veio do neto mais velho e ela se interrompeu.
— Eu não acredito! É sério!? Ahhhh! Vovô, isso é sério!? — Terry estava saltando e abraçando o avô e pulando segurando um envelope vermelho.
— O que é isso? O que você deu a ele papai? — Serafina perguntou entre curiosa e preocupada.
— São ingressos querida, eu sei, eu sei que você não quer que eu o leve, mas eu prometo que será seguro. — Disse Prof. Bunmi tentando apaziguar sua expressão furiosa.
— Seguro!? Não há nada de seguro em um estádio de futebol! — Gritou Sra. Serafina, todos ficaram em silencio, as crianças confusas e os adultos muito sérios. — Você se esqueceu que a apenas 2 anos 96 pessoas morreram em Hillsborough? E o governo ainda culpou as vítimas pelos próprios assassinatos!
Harry observou todos abaixarem a cabeça, ele se lembrava de ouvir seus tios comentando sobre isso, seu tio dissera que concordava com o governo, que a culpa era dos bêbados e que era bem feito que estavam mortos.
— Serafina, minha filha, as coisas estão mudando, as grades saíram dos estádios e ano que vem já tem uma nova liga sendo formada. Estão chamando de Primeira Liga e o jogo que eu comprei os ingressos é um estádio seguro. — Explicou Prof. Bunmi sereno.
— Por favor, mamãe deixa eu ir. É o Arsenal! — Implorou Terry.
— Filho, não se meta e nem pense em fazer um show disso, a decisão é de sua mãe e você vai obedece-la. Entendido? — Disse Sr. Falc muito sério.
— Sim, senhor. — Disse ele cabisbaixo.
Assim Sra. Serafina e o pai saíram da sala em uma discussão acalorada, Terry se aproximou dele e parecia bem chateado.
— Onde é o jogo? — Perguntou ele tentando distrair o amigo.
— Em Luton, contra o Luton Town, não fica nem muito longe daqui e não tem rivalidades entre as torcidas, assim tem menos perigo com os hooligans. — Explicou Terry. — Antes do que aconteceu em Hillsborough eu ia com meu avô as vezes, mas desde então minha mãe nunca mais deixou.
— Eu não me lembro muito bem o que aconteceu, apenas ouvi meus tios resmungando. — Disse Harry tentando lembrar.
— Eu lembro, foi horrível, eles erraram na verificação de entrada das pessoas no estádio, um erro da polícia e dos gerentes do estádio. Liberaram mais pessoas do que cabiam e elas foram se amontoando e sem empurrando na direção da grade que separava a arquibancada do campo. Não dava para ir para frente ou ir para traz porque mais pessoas continuavam entrando e entrando e quando eles perceberam o que estava acontecendo 96 pessoas estavam mortas esmagadas, pisoteadas ou asfixiada.
— Isso é horrível. — Disse Harry chocado.
— O governo tentou culpar as pessoas mortas chamando-as de vândalos e bêbados o que, claro, era um absurdo, era o início da partida, alguns poderia já ter bebido um pouco, mas a grande maioria só iria para os pubs depois do jogo. — Explicou Terry espiando onde seu avô e mãe saíram. — Depois disso se montou uma comissão para mudar as coisas e como meu avô disse esse é o último ano desse campeonato, ano que vem será uma liga liderada pelos clubes e não pela federação inglesa de futebol.
Harry acenou tentando entender, era incrível o número de coisas que não sabia. Olhando para os outros, os adultos distraiam as crianças com seus presentes, mas mantinham o olhar curioso na direção em que os dois foram discutir. Eles voltaram alguns minutos depois e Sra. Serafina estava muito séria e o Prof. Bunmi sorrindo.
— O jogo não é em Londres e sim em Luton, o estádio é menor e os torcedores tem menos rivalidades, assim menos riscos com hooligans. — Explicou ela meio para o marido, meio para Terry que estava tentado conter o sorriso. — E meu pai concordou com aparatação ao em vez de ir de trem e correr riscos no caminho com briga entre torcidas. Eles terão um feitiço de rastreamento e em caso de emergência vão nos ligar do primeiro telefone público e vamos busca-los imediatamente.
Terry não disse nada, apenas olhou para o pai esperando seu veredito, Sr. Falc estava muito sério.
— Ok, se o perigo é minimizado acredito que tudo bem, mas gostaria que conversasse conosco antes de comprar um presente como esse, professor. Vou fazer uma visita ao Ministério para descobrir o local de aparatação em Luton. — Disse ele e mal tinha terminado de falar quando Terry começou a gritar e pular e abraçar os pais e o avô.
Os pais de Terry não pareciam muito felizes, mas diante da alegria de seu amigo mesmo eles não poderiam ficar chateados por muito tempo. Harry descobriu que ele estava incluído no passeio, o que fez seu estomago dar cambalhotas e seu coração acelerar, pois Prof. Bunmi comprara 4 ingressos. Os três e Chester, que também era fã de futebol, mas ele disse que no dia seguinte estaria com sua mãe e irmã, assim o quarto ingresso foi para Sr. Falc e depois disso todos ficaram mais relaxados ao saberem que teriam um bruxo por perto em caso de emergência.
Finalmente depois de todo o drama os adultos abriram seus presentes, as crianças já tinham devorado seus biscoitos e Ayana anunciara para eles que seu novo irmão os fizera e que ele pretendia ensina-la como fazer. Tianna não pareceu muito contente e lançou um olhar meio contrariada na direção de seu próprio irmão. Os adultos também gostaram e Sra. Madaki ficou tão emocionada com um "presente tão pensativo" que lhe deu um beijo na testa e um aperto da bochecha. A Harry só restou corar vermelho escuro.
Harry nunca participara de uma ceia de Natal, a não ser a parte de cozinhar, assim ele pensou em ir para a cozinha como em todos os anos, mas Sra. Serafina logo o expulsou, disse ter muita gente para ajudar e que ele deveria aproveitar o Natal com as outras crianças e não trabalhando. Ele não sabia muito o que se fazia no Natal para se divertir, mas logo descobriu, ouve uma luta de bolas de neve e a construção de um boneco de neve com as crianças e seu pais. Depois de um feitiço para limpar, secar e aquecer eles entraram para chocolates quentes ou mais eggnogs e filmes de Natal na TV, as crianças ficavam vidradas e silenciosas assistindo a história do Papai Noel ou riram até não poder mais com Esqueceram de Mim.
Finalmente houve a parte de comer e eram tantas e tão gostosas as comidas que Harry se sentiu zonzo, havia as tradicionais, mas também alguns pratos típicos americanos e africanos e ele adorou descobrir novos sabores sem perceber, naquele momento, que estava conhecendo novos mundos.
Depois da sobremesa Terry o arrastou para assistir uma partida de futebol na TV, Harry nunca assistira e seu amigo disse que ele precisava aprender antes de irem ao estádio no dia seguinte. O jogo Aston Villa x West Ham estava começando e Terry lhe explicou com calma as regras e táticas do jogo, seu avô ou Chester se metiam as vezes e Sr. Falc e Boot faziam caretas, pois não era quadribol.
Harry achou fascinante e entendeu porque seu amigo gostava tanto, talvez não fosse tão rápido ou emocionante como quadribol, mas era muito viril, cheio de estratégias, táticas e quando os gols saiam era uma grande emoção. Agora que ele sabia o que esperar estava ansioso para o dia seguinte.
Depois do jogo, todos começaram a se arrumar para a igreja, os Madakis eram todos Protestantes, da linha Batista, explicou Terry. Apenas os avós Boots não iam, pois eram agnósticos e partiram antes mesmo do jogo acabar porque Sra. Honora estava cansada e desorientada.
A igreja era outra coisa que ele não sabia nada sobre, Sra. Serafina disse que eles iam a igreja para estar com a comunidade, agradecer e louvar a Deus e que Harry não precisava ser um membro para estar lá e fazer tudo isso. Mais aliviado Harry os acompanhou na caminhada a pé, durante o caminho eles encontraram e cumprimentaram muitas outras pessoas caminhando também, seja por apenas um passeio, cantar com o coral nas portas das casas ou ir para a igreja também.
O culto como era chamado foi inesperadamente legal, Harry não podia pensar em outra palavra. O sermão do Pastor não foi longo e chato como ouvira seu tio dizer algumas vezes, justificando porque não ia a igreja, mas Harry não entendeu completamente o que foi dito. Os momentos de silencio e reflexão ou agradecimento eram bons, ele agradeceu a Deus tudo de bom em sua vida e pediu a ele que cuidasse de seus pais e de seus novos irmãos. Mas o que ele mais gostou foi a música, uma banda tocava no palco, músicas religiosas, mas com um ritmo popular que o fez pensar nos Beatles.
Quando voltaram para o casarão Madaki, Harry mentalmente cantarolava algumas das músicas. Depois de todos comerem mais um pouco da comida saborosa, Harry muito cheio ainda só comeu a sobremesa, eles voltaram para casa. Adam estava dormindo e nem sentiu, mas Ayana vomitou assim que chegaram no Chalé e parecia muito orgulhosa consigo mesmo. Harry e Terry riram da sua expressão satisfeita, felizmente, eles estavam apenas um pouco enjoados. Depois de tomar suas poções, escovar os dentes e colocar o pijama Harry se deitou pensando no dia incrível que tivera, não era surpresa que o Natal era tão esperado e popular, pensou, e enquanto dormia pensou que o dia seguinte não podia chegar em breve para ele viver uma nova aventura.
