Capítulo 23
Eles aparataram de volta para o Chalé Stone Grove, Harry estava tão cansado e vazio, literalmente, que nem se sentiu enjoado. Eles entraram e as conversas, risos das crianças era um contraste tão grande com o lugar de onde vieram que Harry se sentiu desconcertado. Era além de surreal sair de um lugar tão triste, silencioso, que exalava morte e entrar em outro que exalava alegria e vida. Os dois pararam na porta da cozinha e observaram o Sr. Falc, com um avental amarelo florido, cozinhar com a ajuda de Terry, Ayana e Adam, a radio bruxa estava tocando uma música da Irmãs Estranhas e todos cantavam o refrão.
— Ah, olá estranhos, fico feliz que decidiram voltar para nós e espero que estejam com fome, pois estou preparando minha especialidade e, bem, único prato que sei cozinhar. — Disse Sr. Falc notando-os sem olhar com atenção. — Macarrão com almondegas! — Anunciou e os olhou, só então percebendo que suas expressões eram tristes e pálidas.
As duas crianças sem perceberem correram cumprimentar a mãe com abraços e beijos, Terry que estava sorrindo e preparando as bolas de almondegas, parou e os olhou seriamente. Para Harry tudo parecia estranho e lento, mas uma parte dele lhe dizia que precisava reagir e agir normalmente, principalmente, para o bem de Ayana e Adam. E ele tentou, mas parecia um esforço além das suas energias no momento, suspirando, exausto e com a cabeça doendo, olhou para o Sr. Falc.
— Desculpe, Sr. Falc, estou muito cansado e sem fome agora, acho que vou subir, tomar um banho e dormir mais cedo. Boa noite. — Disse e sem olhar para ninguém saiu da cozinha e subiu para seu quarto.
Ele não queria preocupa-los, mas também não queria olhares e perguntas, só queria dormir e amanhã se sentiria melhor. Harry tomou um banho longo e quente, sentindo a vontade de tirar o cheiro de cemitério de si, nunca estivera em um, não sabia que tinha um cheiro tão entristecedor. Tudo lá era triste, pensou, e se sentiu confortado com a ideia de que seu pais não estavam lá de verdade. Depois de escovar os dentes duas vezes, colocou seu pijama e estava prestes a deitar em sua cama quando ouviu uma batida na porta.
— Entre. — Sussurrou, sem imaginar quem seria.
A porta se abriu e Sra. Serafina entrou carregando uma bandeja com um prato de sopa e um copo de leite. Harry sentiu sua garganta se fechar e pigarreando, disse:
— Não estou com fome, Sra. Serafina.
— Eu sei que não, querido, mas você precisa tomar suas poções antes de dormir e está de estômago vazio, assim fiz uma sopa bem leve e quentinha, não vai pesar e talvez até te ajude a dormir melhor. — Disse ela suavemente, enquanto colocava a bandeja na mesa.
Harry acenou e se aproximou, olhando para a comida sem interesse, mas sabendo que a Sra. Serafina estava certa. Assim, se sentou na cadeira e tomou algumas colheradas, enquanto a observava banir suas roupas sujas do banheiro para a lavanderia e separava as poções que ele tinha que tomar.
— Você tem uma para dor de cabeça também, Sra. Serafina? — Perguntou ele, entre as colheradas.
— Sim, Harry, imaginei que talvez pudesse precisar de uma, trouxe uma de sono sem sonhos também. Você gostaria? — Perguntou Sra. Serafina se sentando na outra cadeira.
Harry sacudiu a cabeça, talvez tivesse pesadelos, mas preferiria do que ficar dopado.
— Bem, vou deixar aqui, se você tiver um pesadelo pode tomar ou se preferir me procurar, não hesite. Eu... me preocupo que não deveria ter lhe levado tão cedo lá, devia ter esperado você estar mais velho. — Sussurrou ela, carinhosamente.
Harry pousou a colher na bandeja sem nem perceber que tomara toda a sopa. Olhando para a Sra. Serafina, sorriu tristemente.
— Eu não acho que teria sido mais fácil, não importa o tempo, talvez se eu estivesse entre a vida e a morte, teria sido menos impactante, talvez se eu não estivesse aprendendo a lidar com tantos novos sentimentos, talvez se eu não pudesse entender completamente o que eu perdi naquela noite. Acho que só assim visitar aquele lugar não teria sido tão difícil quanto foi hoje. — Harry disse com sinceridade, e pegando suas poções bebeu todas antes de tomar o leite quente para tirar o gosto ruim.
— Você está certo, e isso é muito maduro e inteligente de se perceber. — Levantando-se Serafina o olhou com atenção. — Apenas saiba que você não está sozinho e que se precisar de qualquer coisa, eu estou aqui.
Harry acenou e sentindo uma gratidão imensa foi até ela e a abraçou pela cintura bem apertado, sentiu os braços dela envolver seus ombros e por um segundo só se deixou sentir o abraço. Era bom, muito bom.
— Obrigada, Sra. Serafina. Por tudo. — Disse ele com a voz abafada em sua blusa.
— De nada, Harry. — Sussurrou Serafina com voz embargada.
Os dois se separaram e Harry disfarçou a emoção indo para o banheiro escovar os dentes mais uma vez.
— Boa noite, Sra. Serafina.
— Boa noite, Harry, tenha bons sonhos. — Disse Serafina, recolhendo a bandeja e deixando o quarto.
Incrivelmente, ele teve bons sonhos, sonhou que estava voando em sua vassoura e seu pai em outra voava com ele, com manobras velozes e muito riso. E então ele estava na cozinha fazendo biscoitos com sua avó e cantando uma canção dos Beatles no rádio. Na vez seguinte ele jogava xadrez com seu avô Fleamont e ouvia histórias, e em seguida estava assistindo a um jogo de futebol com seu avô Brian e aprendendo sobre estatísticas, e no momento seguinte estava no jardim brincando de se esconder com sua avó Euphemia. Mas o momento mais precioso e mais longo foi ele com sua mãe no laboratório de poções e ela o ensinando, rindo, conversando, o abraçando e beijando, seus olhos verdes brilhantes com tanto amor que Harry acordou engasgado e chorando.
Ainda estava escuro, assim ele se virou tentando não se esquecer do sonho maravilhoso e dormiu chorando baixinho. Quando acordou Harry acreditou que se sentiria melhor, um novo dia, seguir em frente e tudo isso, mas não foi o que aconteceu. Ele não sabia o que tinha, mas acordou se sentindo muito triste e cansado apesar do tanto que dormira e não queria se levantar ou ver ninguém, não queria perguntas ou risos, não queria a felicidade ou carinho. Harry não entendia o que lhe acontecia, mesmo quando estava nos Dursleys e só sentia um grande vazio ainda conseguia seguir com seu dia no automático, mas hoje nem mesmo esse botão ele conseguia ligar.
Sra. Serafina veio acorda-lo e quando o encontrou ainda deitado e com a cabeça escondida embaixo das cobertas, ficou aflita, trouxe o café da manhã, mas ele não comeu, tentou falar com carinho, mas ele não respondeu. Quando também recusou o almoço, ela estava quase aos prantos.
— Por favor, Harry, me diga o que você precisa, se ficar sem comer vai prejudicar sua saúde. Diga-me, querido, qualquer coisa. — Disse Serafina com voz embargada.
Harry também não entendia ou sabia por que estava assim, e por isso não sabia do que precisava, mas, pensou, lembrando do que dissera o Sr. Martin, talvez ele pudesse descobrir.
— Posso falar com o Sr. Martin, por favor? — Sussurrou ele e viu a Sra. Serafina deixar o quarto tão rápido como era possível e menos de 5 minutos depois o Sr. Martin entrou no quarto.
Harry, com muito esforço, se sentou na poltrona ainda de pijama e olhou para o bosque com arvores sem folhas, antes a paisagem o encantava, mas agora parecia triste e sem vida. Sr. Martin era uma versão mais jovem do Prof. Bunmi, mas seus olhos castanhos bondosos o lembravam da Sra. Madaki e da Sra. Serafina.
— Olá, Harry. — Disse ele se sentando na cadeira que ele puxou para ficar na sua frente. — Minha irmã me disse que está tendo um dia difícil depois de visitar os túmulos de seu pais ontem.
— Desculpe incomoda-lo, Sr. Martin, mas me lembrei que o senhor disse que se eu precisasse conversar poderia chama-lo. — Disse Harry envergonhado e olhando para as mãos.
— Você não me incomoda de nenhuma maneira Harry, e me sinto feliz em ouvi-lo. — Disse ele suavemente.
Harry o olhou e não encontrou nada além de sinceridade e compreensão em seus olhos.
— Não sei porque me sinto assim, Sr. Martin. Quando vivia com meus parentes minha vida era difícil, mas estava acostumado e, mesmo nos dias mais ruins, eu só ficava no automático, sabe, tinha um grande vazio, eu não sentia nada e eu seguia. — Disse ele tentando explicar.
— Nada, Harry? Não tinha nenhum sentimento? — Perguntou ele.
Refletindo, Harry negou, reconsiderando.
— Não, não nada, eu sentia desesperança e raiva, as vezes medo ou tristeza, mas não era nada forte e, mesmo quando ficava mais difícil, eu conseguia deixar de lado e passar meu dia. Achei que hoje, apesar de ontem, eu poderia fazer o mesmo, que eu entraria no automático e deixaria os sentimentos de lado, mas não foi o que aconteceu. — Suspirando Harry bagunçou os cabelos. —Quando acordei hoje me senti muito estranho, cansado e triste, sem fome e sem vontade de ver ninguém, tudo parece acinzentado e morto. — Sussurrou ele, olhando para o bosque triste.
— Como foi a visita aos seus pais ontem?
— Eu não os visitei, eles não estavam lá, apenas seus esqueletos estão lá. Achei que ir lá me faria bem, que me faria sentir mais perto deles, mas não foi o que eu senti. — Disse Harry tentando não chorar.
— O que sentiu?
— Me senti mais perto da morte, é tudo o que senti lá, e raiva, tanta raiva, e tristeza também e saudades... — Harry olhou para as mãos e piscou, não queria chorar mais. — São tantas coisas, nunca senti tantas coisas e tão fortemente, mas não me sinto melhor.
— Tudo bem não se sentir bem hoje Harry, você teve um dia difícil e não tem que fingir que está bem ou ficar no automático, deve ser sincero com você mesmo. — Disse Martin tranquilamente.
— Nunca pude me concentrar em mim e ter um dia de folga, Sr. Martin, sinto que devo ser forte e não fraco, eu sou fraco por me sentir assim?
— Não acredito que sentir é fraqueza Harry, antes você tinha um vazio em sua vida, agora tem um monte de novos sentimentos, alguns não são bons sentimentos, isso não é fraqueza, isso é ser humano.
— Eu sonhei com meus pais e meus avós essa noite, foi muito bom, havia cores e riso e alegria e amor, assim seria minha vida, acho, se eles estivessem vivos, mas eu acordei e tudo era triste e cinza e morto. Não quero sentir raiva deles, mas não consigo evitar.
— O que o faz ter raiva?
— Eles confiaram na pessoa errada, eles poderiam ter fugido para bem longe, mas eles ficaram e confiaram no traidor que os entregou a Voldemort, eles morreram, Sr. Martin e me deixaram sozinho. — Harry apertou os punhos tentando controlar a raiva que sentia.
— Tudo bem sentir raiva ou qualquer outro sentimento. Quanto aos seus pais, eles eram bem jovens Harry e confiaram em um amigo, acharam que estavam fazendo o certo para protege-lo. Tenho certeza que fizeram o que podiam e mais um pouco e nunca tiveram a intenção de abandona-lo.
— Eu sei, eu sei, mas ainda não consigo evitar de sentir raiva, não consigo não pensar como teria sido. Sabe, Sr. Martin, eu não sabia que eles me amavam antes, Sra. Serafina me enviou fotos e uma carta da minha mãe que era como uma declaração de amor para mim. Eles eram estranhos para mim antes, eu sabia seus nomes, mas meus parentes disseram que eram bêbados que não me queriam e morreram em um acidente de carro para ficar longe de mim. — Harry passou as mãos nos cabelos de novo, tentando ordenar os pensamentos. — Então eu vi seus rostos pela primeira vez, vi seus olhos e seus sorrisos, suas expressões e li suas palavras e ouvi tantas coisas incríveis sobre eles e eu os conheci. Eles são incríveis Sr. Martin, são as pessoas mais maravilhosas do mundo e eles eram meus pais, eu vim deles e eles me amaram de verdade.
— Isso é bom Harry, fico feliz que você os tenha agora. — Sr. Martin respondeu ignorando suas lagrimas, que ele não conseguiu segurar, Harry se sentiu grato.
— Mas eu não os tenho, quer dizer, eu os tenho, eles são meus, meus pais, mas eles se foram Sr. Martin e só quando estava naquele cemitério com cheiro de morte eu percebi que é para sempre e... — Harry engasgou e impaciente suspirou. — Eu os perdi, tudo o que poderia ter sido, eles seriam os melhores pais, eles me amariam mais que tudo e eu também os amaria e eu seria um bom filho, mas está tudo perdido, tudo se foi, morto.
Harry não conseguiu se impedir de chorar, ele não queria, mas estava além de seu controle.
— Desculpe chorar tanto Sr. Martin, eu não sei por que estou assim, eu sempre soube que eles estavam mortos, mas foi diferente, sabe.
— Isso te incomoda Harry? Chorar e não saber porque se sente assim? — Perguntou Sr. Martin depois que ele conseguiu se controlar um pouco.
— Os dois, por isso pedi para falar com o senhor, pensei que se entendesse por que estou assim, eu poderia concertar e voltar ao normal. — Disse ele olhando para o homem de olhos compreensíveis.
— É isso que quer Harry? Voltar ao normal de antes, quer voltar a não sentir nada ou quase nada?
— Eu... não, Sr. Martin, mas não posso ficar assim, preciso ser forte e melhorar, vou voltar para a escola no domingo, não posso me sentir assim e ser fraco. — Disse Harry aflito.
— O que você não pode sentir, Harry?
— Isso tudo! Eu estou sempre sentindo algo, ou estou com raiva, ou triste, ou com tantas saudades do que poderia ter sido que mal consigo ficar no presente! — Exclamou Harry. — Às vezes é tudo junto, mas não posso me concentrar no passado, no que poderia ter sido, não posso me iludir, não posso sonhar com o impossível, porque eles estão mortos, estão todos mortos!
E o sentimento era tão intenso que saiu dele e explodiu a janela, felizmente, o vidro voou para fora e os dois pararam olhando para a janela quebrada enquanto o vento frio entrava. Envergonhado, Harry pegou a varinha habilmente do elmo e com um "Reparo", concertou o vidro no lugar.
— Desculpe, Sr. Martin. — Disse ele suavemente.
— Não precisa se desculpar, Harry. — Disse o Sr. Martin tranquilo. — Já vi muita magia acidental, você não se machucou?
— Não, apenas...
— Apenas...
— Me sinto melhor Sr. Martin, eu não fiz nada, mas me sinto melhor, eu não entendo. — Disse ele confuso.
— Você fez Harry, você falou sobre seus sentimentos, foi sincero e ainda conseguiu expressar o que quer, o que precisa. — Sr. Martin o olhou com atenção. — Você diz que precisa entender porque está passando por isso, diga-me, o que você acha que está acontecendo com você?
— Eu... eu acho que foi tudo Sr. Martin.
— Tudo?
— Sim, eu não sabia sentir tantas coisas assim, as vezes acho que ainda não sei, mas não quero voltar a ser o Harry de antes. E antes eu não tinha meus pais, eu ainda não os tenho de verdade, mas antes era pior, eles eram como fantasmas e agora são... meus pais. — Harry suspirou profundamente. — Mas encontra-los agora foi como se eles morressem de novo, para mim parece assim, sabe, e eu me sinto tão triste e as vezes é só demais e hoje parecia assim, porque quando fui ao tumulo deles pareceu tão definitivo, eu queria ir, mas foi tão triste, Sr. Martin. Isso vai passar? Essa dor aqui no meu peito vai passar?
— O que você acha? Você quer que ela passe?
— Eu... sim eu quero, eu não quero esquece-los Sr. Martin, nunca vou esquece-los ou deixar de ama-los, mas preciso que a dor passe para que eu possa viver, eu preciso, preciso aprender, estudar, ter meus amigos, me tornar o que minha mãe disse que eu ia me tornar. Sr. Boot disse que quando perdemos alguém sofremos muito, mas que com o tempo precisamos continuar a viver para homenagear os que se foram. — Harry estava pensativo agora. — O senhor concorda, que temos que viver e ser feliz? Não acha que é errado eu ser feliz quando eles não podem ser?
— Você conhece seus pais melhor do que eu, Harry, o que você acredita que eles quereriam? Eles ficariam felizes ou tristes onde estão, ao vê-lo viver e ser feliz?
— Meus pais me amavam Sr. Martin, eu sei disso, assim como eu os amos.
— Ok, e se a situação fosse inversa? Você gostaria que eles deixassem de viver e mergulhassem na tristeza, na culpa, na dor? Se você tivesse morrido naquela noite?
Harry arregalou os olhos, nunca tinha pensado nisso, mas e se fosse o inverso? E se eles vivessem? Ele os quereria felizes, claro, rindo, voando na vassoura, fazendo poções e talvez tendo outros filhos, não que o esquecesse, mas que vivessem uma boa vida.
— Eles querem que eu seja feliz, Sr. Martin, eu acredito nisso.
— Assim, não há nada errado em continuar a vida depois da sua perda, como não há nada errado sofrer por essa perda e sentir tudo isso que você está sentindo. Isso não é fraqueza Harry. O que você está passando chama-se luto. Você já ouviu algo sobre isso?
— Não, senhor, isso tem cura?
— Sim, Harry, tem sim, e a cura é passar por isso e chegar ao final e continuar vivendo.
— Não entendo, senhor.
— O luto é o processo que vivenciamos quando perdemos algo ou alguém, seja para a morte ou não. E sentimos mais intensamente dependendo da importância do que perdemos. — Sr. Martin explicou suavemente. — Como você disse, a alguns meses, descobriu e apreendeu seus pais, você já sabia de suas mortes, mas eles eram estranhos sem rostos e agora eles são seus, talvez não fisicamente, e ainda, eles são seus. A não ser pelo período em que viveram juntos, não subestime esses poucos meses Harry, você diz que sente o amor deles, aposto que nesses 15 meses eles te amaram tanto, mas tanto, você só precisava se permitir sentir, lembrar de ser amado por eles. Mas quando amamos e perdemos alguém sofremos e passamos pelo luto que essa perda nos traz, existem fases: Negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Elas não ficam separadas, você pode senti-las todas ao mesmo tempo, no mesmo dia e cada uma vem carregada de sentimentos difíceis que nos deixam frágeis, mas não fracos. E o que você está fazendo, sendo sincero sobre seus sentimentos e falando sobre isso, é um grande passo para ter o que você busca e precisa, que é viver sua vida intensamente.
Harry acenou e tentou entender tudo em sua mente, queria fazer mais perguntas, mas tinha uma que era importante.
— Então isso que estou sentindo, todo mundo sente? Não é porque eu sou fraco?
— Não Harry, você não é fraco, ninguém é fraco por sentir, mesmo que sejam sentimentos negativos. E sim, todo mundo que ama verdadeiramente e valoriza esse amor, quando perde passa por isso, mas cada um à sua maneira, todos somos diferentes, assim você não deve tentar ser como ninguém.
— O senhor pode me explicar mais sobre essas fases? Assim sei o que esperar e me sinto melhor com o conhecimento, o entendimento de que o que eu sinto é algo humano e que não estou sozinho.
— Claro, será um prazer.
Sr. Martin, então, explicou as fases do luto e Harry entendeu melhor, nunca tivera a oportunidade de chorar seus mortos, agora estava fazendo isso e junto com muitas outras coisas novas e intensas. Uma parte dele estivera negando a dor, a morte e ontem fora como encara-la de frente, seu cheiro, seu sabor, sua crueldade. Junto viera a raiva, a revolta da perda de algo tão precioso, do que poderia ter sido, do maior amor que ele poderia ter vivenciado. E na noite anterior ele tentara negociar consigo mesmo, sim, dói, hoje você chora, mas amanhã você segue em frente, não tem tempo para ficar assim. Mas então hoje veio a depressão, a melancolia e a tristeza tão profunda que tudo o que você quer é ficar sozinho. A aceitação viria, Sr. Martin disse, demoraria um pouco, não se pode colocar prazo para o luto, mas um dia ela viria.
— E estarmos aqui, por iniciativa sua, você pediu ajuda, você quer superar, se curar e viver a vida que seu pais lhe deixaram, você é o legado deles, Harry. Eles vivem através de você e, cada dia em que você sorri e é feliz, eles também são, mas não tenha pressa Harry. Um dia de cada vez.
Harry acenou entendendo, era difícil, ele queria ficar melhor agora, mas como seus problemas de saúde levaria tempo e cuidado, ele não poderia se forçar a melhorar. Não quando uma perda e dor tão grandes estavam envolvidos.
Depois o Sr. Martin se despediu oferecendo que Harry escrevesse para ele quando estivesse na escola, caso sentisse necessidade de conversar mais, e aconselhou que ele escrevesse no diário que o presenteara. Harry não quis deixar o quarto, ele comeu seu almoço tardio, mas pediu a Sra. Serafina se podia ficar sozinho hoje, ela sorriu, beijou sua testa e concordou. Ele ficou sentado olhando para a janela e pensando, uma parte dele estava cansado do sentimento de tristeza e melancolia, a inatividade, as lagrimas e as imagens do sonho que se repetiam em sua mente, do poderia ter sido, do que nunca poderia ser. Outra parte, que ficava mais forte aos poucos, parecia precisar desse momento para lamentar, para sofrer.
No dia seguinte, ele acordou se sentindo melhor, a dor estava lá e Harry sabia pelo que aprendera com o Sr. Martin que era um processo, ele tinha que passar por isso, o entendimento, o conhecimento do que ele estava vivenciando não fazia tudo desaparecer, mas o confortava saber que era algo natural, humano. Sr. Martin disse que não havia certo ou errado sobre o que sentimos e que Harry não era fraco por estar triste, às vezes, mas hoje ele queria continuar a viver, hoje ele queria encontrar o carinho, a inocência e o riso dos seus novos irmãos. Hoje ele queria ajudar a Sra. Serafina, cozinhar algo gostoso para eles comerem, agradecer pelo que tinha e não chorar pelo que perdera.
Harry descobriu ao se juntava aos Boots que naquela noite eles iam a uma festa de Réveillon na casa do Coltons. Ninguém ficou encarando ou fazendo perguntas para ele e agradecido Harry tomou o café da manhã entre risos e brincadeiras. Depois Harry pediu para a Sra. Serafina deixar que ele ensinasse Ayana a assar biscoitos e isso se tornou em grande projeto que todos participaram, apenas o Sr. Falc estava fechado na biblioteca com o Sr. Boot trabalhando.
Depois de almoçarem biscoitos de chocolates, amanteigados e gengibre, eles passaram parte da tarde brincando no jardim branco de neve, Harry e Adam contra Terry e Ayana jogaram bolas de neve e riram até não poder mais. Sra. Serafina até deixou que eles voassem um pouco, Ayana não gostou de ter que usar a vassoura infantil, mas sua mãe lhe prometeu que no verão ela poderia voar em uma normal.
Para Harry voar afastou o ultimo resquício de cheiro e sabor de morte que o acompanhava, voando ele nunca poderia se sentir mais vivo, o bosque voltou a ser bonito e o mundo colorido e não cinzento. Ele se exibiu um pouco com manobras que deixaram Sra. Serafina apavorada e que tirou Sr. Falc e Sr. Boot do escritório para assistir. Quando ele desceu, o grupo bateu palmas e Harry sentiu seu peito se aquecer de afeto.
Quando a noite caiu Sra. Serafina o ajudou a escolher a roupa adequada para a festa.
— Os Coltons são uma família trouxa muito rica e suas festas são muito elegantes, mas você é um adolescente, assim não é necessária a formalidade que se espera de um adulto. Você deve sempre estar atento ao ambiente, ao que se espera e ao que você quer mostrar. — Disse ela enquanto eles analisavam as opções.
— Isso é importante? O que se espera e o que eu quero mostrar? — Perguntou ele suavemente.
— Sim, o que se espera, quer dizer que está predeterminado, as vezes no convite você já verá indicado, formal, informal, esportivo e assim por diante. O ambiente precisa ser observado também, pois há diferença de clima, no jardim, na praia, um churrasco, um jantar dentro de casa e com quem, são jovens, são mais velhos, é um encontro de negócios ou social. — Disse ela pegando uma camisa de botão vermelha escura, quase vinho. Harry não gostara muito dela quando eles escolheram na loja, mas agora lhe parecia muito bonita. — E o que você quer mostrar, não é por que você deve se importar com o que as pessoas pensam ou quer agradar qualquer um, mas sim o que quer passar de si mesmo para que as pessoas te conheçam e saibam quem você é, pelo menos, naquele momento. É importante que suas roupas reflitam sua personalidade, ao mesmo que respeita a etiqueta da festa.
Harry acenou entendendo melhor e avaliou o que ele gostaria de vestir com o que seria a festa, elegante e rica.
— Hum, posso então colocar o jeans preto e a bota marrom de couro de vaca, e uma jaqueta de couro preta? — Perguntou ele ao mostrar as opções.
— Hum, sim são boas opções, o jeans preto rasgado seria inadequado para esse ambiente, mas o jeans preto vai ficar ótimo. A bota e a jaqueta de couro trouxa e não magica é melhor, pois são mais elegantes, enquanto que os mágicos sugerem um ambiente mais rustico e ao ar livre, couro de dragão aquece mais. A festa será dentro de casa, assim não precisa dessa proteção extra, bem, e quanto a camisa? — Perguntou ela separando as opções.
— Acho que gosto dessa, a vinho. — Disse ele hesitante.
— Harry! Essa será perfeita, vai ficar lindo com sua pele pálida, o que o fez escolhe-la, tive a impressão que você não gostou tanto dela quando a compramos, eu insisti porque sabia que faria um contraste incrível com uma combinação preta como a de hoje. — Disse ela sorrindo empolgada.
— É só... acho que quero um pouco de cor, não quero tudo escuro e cinzento. — Ele disse suavemente olhando constrangido para a fita de couro em seu pulso.
— Isso é muito esperto de você, vestir-se com algumas cores não apenas nos deixa mais bonitos, mas alegra nosso espirito. — Ela disse e se sentiu que Harry estava falando de mais do que roupas, não disse mais nada, o que o fez grato.
Eles viajaram de carro para Londres, pois seria difícil explicar aparatar em uma festa trouxa e viajar de trem quando estavam todos elegantemente vestidos, não seria adequado. Sra. Serafina explicou que eles ficariam na casa da família em Londres ao em vez de dirigirem de volta de madrugada. Harry não sabia o que esperar, mas a imensa Mansão iluminada e decorada com luzes, flores e abarrotada de pessoas vestidas com a máxima elegância, o surpreendeu. Ficava em Hampstead, um rico bairro cheio de outras mansões.
Os pais de Chester os receberam na entrada, sua mão, Sue estava em um elegante vestido vermelho e com um monte de joias, Harry desconfiou que eram bem caras. Seu pai Ches, em um elegante smoking, se sentava em uma cadeira de rodas, consequência do derrame de anos atrás. Terry lhe disse que ele estava bem melhor, antes, Sr. Ches estava preso a uma cama, sem falar ou comer, foram anos de fisioterapia para estar agora rindo e conversando normalmente. Isso o fez pensar que precisava começar a fazer os exercícios que o fisioterapeuta lhe recomendara.
Eles encontraram Miriam e Chester, eles estavam lindamente vestidos, ele com um smoking branco e ela com um vestido prateado brilhante e montes de joias. Chester Jr. estava com a babá e Ayana e Adam quis subir para vê-los, Sra. Serafina e Miriam os acompanhou e Chester levou o Sr. Falc para pegar uma bebida. Terry e Harry ficaram meio perdidos e circularam pela festa se aproximando das mesas de comida e bebidas sem álcool, havia tanta comida saborosa e diferente que os dois ficaram felizes por não terem almoçado nada além de biscoitos. Harry adorou a lagosta, camarão e salmão, lembrando que devia comer mais peixes, mas não gostou do caviar.
— Lamento não ter lhe dado muita atenção nos últimos dias, nem perguntei como foi seu dia com Zack. — Disse Harry ao amigo enquanto comiam mais salada de lagosta.
Os dois dias anteriores foram diferentes e estranhos e hoje eles ficaram o dia todo envolvidos nas brincadeiras e nem conversaram.
— Está bem Harry, o importante é que você está melhor. — Terry o olhou e sorriu sincero. — De verdade, eu prefiro que você tenha um dia mais calado ou pensativo, do que fique fingindo que está bem quando não está. Eu sou seu amigo, posso aceitar isso.
Harry acenou, ele sabia disso, sua confiança em Terry e na amizade deles lhe dizia que ele entenderia e não o julgaria fraco.
— Eu sei, Terry e é por coisas assim que me sinto melhor e quero estar melhor, por sua família, sua amizade. Obrigada por dividi-los comigo e, sabe, não ficar com ciúme, nem nada. — Disse Harry constrangido, mas queria muito dizer isso a algum tempo, mais do que a acolhida do Boots, a amizade de Terry o fez se sentir bem-vindo e querido.
— Eles não são meus, são suas próprias pessoas e seus afetos não são limitados, não é porque o amam, que me amam menos. Isso é o legal sobre o amor Harry, ele é infinito. — Disse ele sorridente e pegou mais uma perna lagosta. — De qualquer forma, isso serve para o Zack também, tentei como você me aconselhou, não desistir de nossa amizade. Disse a ele que não tive a intenção de ofende-lo e me desculpei. Ele também pediu desculpa, disse que ficou com ciúme ao em vez de ter ficado feliz por mim como um amigo faria.
— Isso é bom, talvez agora vocês possam ser amigos como antes. — Disse Harry enquanto pegava mais algum salmão, com molho de iogurte era muito bom.
— Bem, acho que essa é a questão, não podemos ser amigos como antes, estudamos em escolas, para não dizer mundos diferentes, ele tem seus novos amigos e eu os meus, não nos veremos por 9 meses a cada ano e não é como se fossemos passar o verão grudados. — Terry suspirou e bagunçou os cabelos. — Acho que ainda podemos ser amigos, por afeto e por escolha, mas será uma amizade diferente, não como antes ou como a nossa.
— Faz sentido, todas as relações mudam, certo? — Disse ele, não é como se soubesse muito sobre isso.
— Acredito que sim, estamos crescendo e mudando, porque as relações não mudariam? — Terry disse e pegou mais um pouco de ponche de maçã. — De qualquer forma, quando ele me perguntou o que eu achava dos novos games da Super Nintendo e eu disse que não podia jogar na minha escola todo o ciúme desapareceu e ele disse que uma escola assim era muito chata. E passamos o resto da tarde jogando jogos no vídeo game e conversando sobre coisas sem importância.
— Dudley também tem um desses e um computador, mas eles nunca me deixam chegar perto. — Disse Harry, olhando em volta.
— É muito divertido, não como magia, mas ainda legal. Em casa é impossível ter, mas mesmo que tivesse minha mãe não me deixaria jogar o dia inteiro como o Zack joga, além disso eu adoro ler. — Disse Terry e, quando ouviu uma exclamação do amigo, olhou na direção que Harry olhava. — O que?
— É a Sra. Clark, a dona da Editora Aprilis, eu não tive oportunidade de contar o que aconteceu na segunda-feira. — Disse Harry surpreso ao vê-la elegantemente vestida com um vestido azul claro e poucas e brilhantes joias.
— Mamãe fez um resumo, não entrou em detalhes, mas ela disse que a dona da Editora era uma mulher formidável, nascida trouxa e muito rica no mundo trouxa. Acho que isso explica o porquê ela estar aqui. — Disse Terry dando de ombros.
— Não apenas porque ela é rica, acho que também porque sua família ou os negócios da família do marido estão ligados a comunicações. Ela disse que sempre se interessou por jornalismo e editoração, assim o marido lhe deu uma revista e do que o sobrinho deixou transparecer, ela tornou a revista um sucesso. — Informou Harry. — Mas agora os filhos cuidam de tudo e ela ficou viúva, assim decidiu realizar seu sonho e ter uma Editora no mundo magico, já que dinheiro não é mais problema, ela quer ajudar a tornar o nosso mundo um lugar melhor para os nascidos trouxas. Sua Editora só publica livros não censurados.
— Isso é muito legal, não é para menos que mamãe gostou tanto dela. — Disse Terry pegando um saboroso pedaço de torta de morango, havia chantilly também, perfeito.
— Deve ser por isso que ela está aqui, os Coltons também estão envolvidos com comunicação, certo? — Perguntou Harry, tentando se lembrar.
— Bem, na verdade, eles estão envolvidos em todas as áreas de entretenimento, TV, teatro, cinema. Eles começaram na verdade com o mercado financeiro, bolsa de valores e ganharam milhões, mas, e eu não sei porque, o Sr. Ches sempre quis trabalhar nessa área, assim eles abriram uma produtora e como são muito ricos, todos querem que sua produtora os financie e produza sua peça, ou filme ou programa de TV. Mas não sei se eles estão envolvidos com revistas ou algo assim. — Contou Terry pensando em comer outra torta, mas Harry tinha outras ideias.
— Bem, vamos lá cumprimenta-la e talvez ela nos conte. — Disse Harry e rapidamente se afastou na direção da mulher mais velha que agora estava sozinha, pegando uma taça de champanhe.
Sem escolha e olhando com saudades para a torta de morango, Terry o seguiu.
— Olá, Sra. Clark, como está a senhora? — Harry perguntou, educadamente.
— Ora, mas que linda surpresa! Sr. Potter, jamais esperava encontra-lo aqui, apesar de que o ver tornou minha noite bem mais interessante. — Disse ela sorrindo gentilmente.
— Este é meu melhor amigo, Terry Boot, estou me hospedando em sua casa durante as férias de inverno. Ele também é um Ravenclaw. Terry essa é a Sra. Clark, a dona da Editora Aprilis. — Disse Harry, muito educado e formal.
— Muito prazer, Sr. Boot, conheci sua linda mãe a poucos dias, você se parece com ela. — Disse Sra. Clark.
— Obrigada, Sra. Clark, é um prazer conhece-la. Tanto mamãe quanto Harry disseram boas coisas sobre a senhora. — Terry educadamente, apertou e se inclinou em sua mão, Harry achou estranho e se perguntou se era outro cumprimento desconhecido.
— Muito obrigada, meu querido. Vamos procurar um lugar para nos sentarmos, na minha idade ficar muito tempo de pé é uma tolice. — Sra. Clark os orientou para uma pequena saleta e eles se sentaram em cadeiras brancas e douradas. — Vocês já se alimentaram? A comida está divina, como em todas as festas da Sue, claro, tudo é sempre perfeito. — Disse ela sorrindo.
— Sim senhora, nós comemos, a lagosta era incrível e o camarão, mas o melhor foi o salmão com molho de iogurte. — Disse Harry animado. — Mas não gostei muito de caviar, não sei por que é tão caro.
Sra. Clark riu divertidamente, parecia até mais jovem.
— Concordo plenamente Sr. Potter, as pessoas com muito dinheiro as vezes se esquecem das coisas mais simples e saborosas, eu comi um tarte de salmão de dar água na boca. E você Sr. Boot o que mais gostou? — Perguntou ela sorrindo do seu jeito gentil.
— Acho que a torta de morango com chantilly, Sra. Clark, é minha sobremesa preferida e por favor, me chame de Terry. —Disse Terry sorrindo.
— Ora, será um prazer, torta de morango, hum, essa eu não provei, e o seu doce preferido Sr. Potter, qual é?
— Harry, por favor, Sra. Clark, eu não comi sobremesa ainda, mas eu gosto muito da torta de melaço e no Natal comi pudim de pão da Louisiana, acho que é minha segunda sobremesa preferida. — Disse ele ao lembrar daquela gostosura.
— Da Louisiana? Por um acaso viajaram de chave de portal para lá? Hum, que delicia, adoro pudim de pão, o de minha avó foi o melhor que já comi, mas nem me lembro a última vez que comi algo tão caseiro. — Disse ela saudosa.
— Não senhora, meus avós são de lá, mas moram aqui na Inglaterra a muitos anos. Vovó sempre prepara alguns pratos tradicionais da Louisiana, principalmente, no Natal. — Explicou Terry.
— Sim, Sra. Madaki preparou uma receita deliciosa de Gumbo, Sra. Clark, maravilhoso e ficou incrível com o arroz selvagem. Eu a vi preparar, acho que conseguiria fazer, mas nunca ficaria tão delicioso, a avó de Terry é uma grande cozinheira. — Contou Harry.
— Parece algo que eu gostaria de experimentar, a muito não como uma comida caseira e saborosa, estou sempre ocupada e comendo em restaurantes caros, que servem uma comida insípida. Você se interessa por cozinhar, Harry? — Perguntou Sra. Clark.
Harry e Terry então conversaram um pouco sobre si mesmos, seus interesses e talentos, Sra. Clark não acreditou quando soube que Harry era o buscador de sua casa já em seu 1º ano. Eles riram muito e Terry acabou indo buscar um garçom para lhes trazer sobremesas e bebidas quentes. Harry comeu sua torta de melaço, mas não havia pudim de pão, Sra. Clark preferiu um folhado de maçã caramelado e Terry a sua torta preferida.
— Bem, nossa noite tem sido maravilhosa e muito doce, mas ainda não sei como vim ter o prazer de encontra-los aqui, no mundo trouxa e na casa de meus antigos amigos, os Coltons. — Disse ela curiosamente,
— Bem, tia Miriam, ela é trouxa e casada com Chester Colton III, e ela também é a irmã caçula de minha mãe. — Contou Terry.
— Ora, mas que mundo pequeno, dois mundos pequenos, nesse caso. Eu conheço a jovem Miriam, ela é lindíssima e já esteve na capa da Épique algumas vezes. Se não me engano eu a conheci antes mesmo que ela se casasse com Chester e agora eles têm um filhinho lindo. — Sra. Clark parecia encantada.
Terry arregalou os olhos, mas antes que pudesse falar algo, um homem alto e com um smoking preto surgiu, parecendo estressado.
— Mamãe, estive te procurando a horas, por toda parte, preciso lhe apresentar a algumas pessoas e você está aqui se divertindo. — Disse ele bruscamente.
— Olá Robert, estou me divertindo como acredito é o esperado em uma festa de Réveillon ou será que as coisas mudaram desde o último e eu não soube? — Ela falou com frieza e carinho ao mesmo tempo, como só uma mãe era capaz de fazer.
Sra. Clark se levantou e sorriu para os dois quando eles se levantaram juntos, educadamente.
— Eu sei, mas é importante socializar, você sabe como essas festas são importantes para novos negócios. — Disse ele, parecendo ter aceitado a repreensão.
— Eu sei, meu querido, eu fazia isso antes mesmo de você nascer, agora me leve para essas pessoas adoravelmente chatas que você quer que eu conheça. Meus queridos, espero vê-los mais tarde, mas se não acontecer, tenham um ano novo maravilhoso e se divirtam bastante em Hogwarts. — Sra. Clark sorriu e estendeu a mão para os dois.
— Feliz ano novo, Sra. Clark. — Disse Terry se inclinando em sua mão.
— Feliz ano novo, Sra. Clark. — Disse Harry e imitou seu amigo, ganhando um sorriso e uma piscadela da Sra. Clark, antes que desaparecesse no meio das pessoas da festa.
— Harry! Essa é Julia Clark-Wilson! — Terry exclamou assim que ficaram sozinhos.
— O que?
— Harry, até mesmo você já deve ter ouvi falar ou visto uma revista Épique, é o maior sucesso das Empresas de Comunicações Clark-Wilson. Eles estão envolvidos em tudo, jornais, revistas, editoração e documentários, deve ser assim que eles conhecem os Coltons, aposto que a Produtora deles é investidora e ainda produz seus documentários. — Terry falou enquanto eles deixavam a saleta e circulavam pela festa. — Mas o maior sucesso é a Revista Épique, ela foi fundada a quase 50 anos e eles falam de tudo, politica, tecnologia, moda, guerra, seu lema é que tudo que existe no mundo é épico e, portanto, deve estar na Épique.
— Acho que já vi tia Petúnia lendo essa revista sim. Sra. Clark disse que seu marido lhe deu uma revista de presente e que ela fez um trabalho com algum sucesso, seu sobrinho deu a entender que foi muito mais que isso. Deve ser essa revista, mas agora não é mais ela que está no comando e sim seus filhos, foi por isso que ela decidiu começar algo novo. A Editora Aprilis. — Disse Harry pensativamente e foram na direção onde havia algumas crianças de várias idades brincando, conversando e comendo.
Era como uma grande sala de jogos, preparada para os convidados mais jovens, havia até mesmo uma grande mesa cheia de comida e bebida coloridas. Terry e Harry decidiram ver se havia algo diferente e pegar mais ponche. Harry olhou em volta e viu Ayana e Adam brincando, ela com tatuagens de carimbo e ele com bexigas de bichos.
— Eu não acredito. — Disse Terry chocado, mas sorrindo.
— O que? — Perguntou Harry curioso.
— Olha, lá. — Disse apontando e para sua própria surpresa Harry viu sua colega de casa Mandy Brocklehurst em um grupo de meninas adolescentes.
Harry se lembrou que os pais de Mandy eram atores de teatro, talvez fosse por isso que ela estivesse por ali. Olhando para Terry os dois acenaram e foram cumprimenta-la.
Mandy ficou encantada em vê-los e os abraçou animadamente, ela contou que seus pais estavam sempre atuando em peças produzidas pelos Coltons. As meninas que a cercavam pareciam impressionadas e com inveja do fato de ela ter meninos legais e bonitos como amigos. Os três logo se cansaram da conversa fútil e se afastaram.
— Eu não acredito que Miriam Colton é sua tia! Ela é tão linda e talentosa. — Disse Mandy animada ao saber porque estavam ali. — E meninos, queria agradecer aos dois por me enviarem presentes de Natais tão legais. Adorei a bolsa Terry e Harry os chocolates eram uma delícia e os vinis, eu não parei de ouvir o do Michael Jackson. — Mandy disse quando eles se aproximaram da janela, estava nevando suavemente. — Eu nem imaginava que você sabia que eu gosto de música.
— Você fala sobre música o tempo todo com a meninas, seria impossível não saber. — Disse Harry divertidamente e os três riram por que era verdade. — Bem, obrigada pelo estojo de manutenção que você, Morag e Padma me deram, foi muito legal. E queria lhe agradecer pelos conselhos para os presentes, Sra. Serafina adorou o relógio e os biscoitos que eu fiz foram o maior sucesso.
— Sim, eu roubei um do meu irmão Adam, estava muito bom e Mandy obrigada pelo livro, eu adorei, não sabia nada sobre a História do Teatro. Tenho lido e é incrível o quão antigo é. — Disse Terry sorridente.
Mandy sorriu com os agradecimentos e elogiou suas roupas novas, Harry contou sobre suas compras e como eles foram patinar no Hyde Park, ela adorava patinar e disse que deviam marcar de ir antes de domingo. Ela os arrastou até seus pais e os apresentou brevemente, Richard e Charlotte, mas eles não queriam saber nada de formalidades, assim eram apenas, Ricky e Charlie. Depois eles foram passar um tempo com os irmãos, Mandy tinha apenas um irmão de 5 anos e ele e Adam pareciam se gostar muito, seu nome era Rocco. Ayana ficou encantada com Mandy e todos se divertiram com suas perguntas sem fim.
Quando a meia noite chegou eles tinham se divertido tanto que estavam exaustos, depois da contagem regressiva e os fogos que deixaram Harry de boca aberta, literalmente, eles se despediram. A festa ainda duraria muitas horas, mas, para aqueles com crianças, a noite sempre acabava mais cedo. Os pais de Mandy e os pais de Terry simpatizaram uns com os outros e, com insistência de Ayana e Mandy, combinaram de se encontrarem para o almoço no shopping e depois irem patinar no Hyde Park no dia seguinte.
Quando chegaram a casa Boot em Londres, Harry não teve como ver nada de tão cansado e assim que se deitou na cama de um dos quartos de hospedes dormiu. Só teve tempo de pôr o pijama, tomar suas poções e escovar os dentes. Apenas na manhã seguinte ele se deu conta que a casa era um sobrado de três andares que ficava em Canonbury e era decorado como a Abadia, apenas com mais modernidade.
O bairro tinha um monte de parques, Terry e ele se divertiram correndo pelo Islington Green Park e, depois de voltarem, Harry usou seus aparelhos pela primeira vez. Quando acabou de pular cordas 20x estava exausto e suado.
Depois de um necessário banho e café da manhã substancial eles foram todos para o shopping, e decidiram ir ao cinema, Harry nunca assistira um filme no cinema e achou incrível. Eles assistiram A Família Addams e todos adoraram. Depois de se encontrarem com os Brocklehurst, Harry teve o prazer de mais uma primeira vez, um hambúrguer duplo com bacon, batatas fritas e um milk shake de chocolate chips.
Quando finalmente eles chegaram a pista de patinação ele já sorrira tanto que seu rosto até doía. Mandy, se descobriu, era tão boa em patinar quanto Ayana e deu a Harry várias dicas. Seus pais eram muito divertidos e descolados, pareciam jovens e amavam atuar no teatro, eles os convidaram para virem no verão assistir sua próxima peça que estava em fase de produção.
Quando o dia acabou eles se despediram combinando de se encontrarem no trem e Harry se sentiu feliz ao pensar em voltar para Hogwarts e rever os amigos. Sr. Falc dirigiu de volta para St. Albans, a música tocava baixinho, Adam e Ayana cochilaram, Terry e sua mãe conversavam sobre a Sra. Clark e sua revista e, incrivelmente, Harry pegou no sono sentindo se cansado, quente e feliz como chamais em sua vida.
O dia seguinte trouxe Anne de volta as vidas da família Boot, era sexta-feira, segundo dia do ano e todos estavam em atividades. Sra. Serafina tinha que se preparar para suas aulas e alunos na segunda-feira, Ayana também voltava para a escola, Terry e ele tinham que se preparar para pegar o trem no domingo de manhã e Sr. Falc tinha que se preparar para voltar ao escritório. E em meio a tudo isso eles estavam correndo contra o tempo para libertar Sirius e preparar o caso de pedido de guarda.
Naquela tarde Harry passou um bom tempo com o Sr. Falc lhe explicando sobre sua herança paterna, e Harry teve que se controlar para desistir de seus planos e enfeitiçar Dumbledore assim que o visse.
— Harry, você precisa entender que do ponto de vista dele, essa foi uma boa solução. Sua família é envolvida com agricultura, ingredientes de poção e pecuária, isso exigiria muita de sua atenção e...
— Ele poderia ter deixado o Sr. Corner administrar tudo e apenas supervisionar Sr. Falc, exatamente como fez meu bisavô Henry. Dumbledore não tinha o direito de parar toda a produção, por mais de 10 anos todos os principais negócios da minha família ficaram paralisados e, mesmo com minha ignorância, eu sei que colocar tudo de volta para produzir será caro, isso se houver mercado para voltarmos. — Disse Harry, além de zangado.
— Sim, eu concordo, o prejuízo é incalculável, mas ainda as contas mostram um bom aumento em seu cofre familiar e não sei de onde vem, acho que terei mais respostas quando o encontrar semana que vem. Ele já me respondeu, marcamos para terça-feira bem cedo. — Disse Sr. Falc mostrando uma tabela com um demonstrativo financeiro dos últimos 15 anos. — Eu voltei tanto tempo em minha auditoria, pois queria verificar quanto sua família faturava anualmente quando seu avô e depois seu pai cuidavam de tudo. Observe que apesar de diminuir significativamente, ainda existem lucro, mas pelo que vi das documentações todos os negócios foram encerrados. Sua família tem participações em algumas empresas e os Royalties para poções inventadas, mas isso geraria 60% dos valores que foram depositados em seu cofre, os outros 40% são de fonte desconhecida até o momento.
Harry observou o demonstrativo e as descrições dos rendimentos anuais.
1977
853,000,00 galeões
1978
855,000,00 galeões
1979
781,000,00 galeões
1980
825,000,00 galeões
1981
743,000,00 galeões
1982
234,000,00 galeões
1983
265,000,00 galeões
1984
445,000,00 galeões
1985
473,000,00 galeões
1986
477,000,00 galeões
1987
479,000,00 galeões
1988
487,000,00 galeões
1989
512,000,00 galeões
1990
526,000,00 galeões
1991
554,000,00 galeões
Kenmare Kestrels: 25% dos lucros anuais
Fábrica de Tecidos Fawcets: 40% dos lucros anuais desde que forneça a matéria prima, senão, 30% dos lucros anuais
Fábrica de Bebidas Ogden: 20% dos lucros anuais, 5% se não fornecer a matéria prima
Mercado Magico Alimentício: 30% dos lucros anuais
Fábrica de Madeira Magica: 25% dos lucros anuais
Royalties por produtos patenteados: 50,000,00 galeões anuais
— Ok, então os lucros eram altos enquanto meu avô era vivo e depois se desestabilizou, porque meu pai teve que assumir, ele estava em meio a uma guerra. Mas, com suas mortes, despencou porque Dumbledore decidiu parar a produção de todas as fazendas de alimentos e animais e as estufas de ingredientes de poções. Como não fornecemos matéria prima até os lucros das empresas Fawcets e Ogdens caíram, mas dois anos depois houve um aumento nos lucros. Não pode ser que depois da guerra essas empresas tiveram mais lucro? — Perguntou Harry pensativo.
— Foi o que eu pensei a princípio, mas elas são obrigadas a fornecer um balancete e os depósitos em seu cofre estão bem claros. Uma média de 40% do dinheiro depositado, não vem de lugar nenhum, que eu tenha encontrado, acredito que Dumbledore poderá fornecer explicações. — Disse Sr. Falc. — Aqui estão as retiradas anuais. Você pode ver que tem um pouco para caridade, o Hospital St. Mungo, e um pouco para pesquisa de uma cura para Varíola de Dragão, também para o Orfanato dos Abortos...
— Orfanato dos Abortos? Isso soa horrível. — Harry ficou chocado.
— Acredite já foi pior, as famílias puristas matavam seus filhos abortos antigamente, depois os abandonavam no mundo trouxa e agora os abandonam neste orfanato. Foi fundado a uns 100 anos atrás por um homem, ele era um aborto e foi deixado nas ruas de Londres por seus pais, ele enriqueceu e decidiu criar um lar para eles. — Explicou Sr. Falc e Harry tentou não se sentir mal, mas ainda parecia um nome horrível. — E aqui a retirada anual para a conta da Suíça que sua mãe estipulou e os depósitos em sua conta confiança nos últimos 10 anos. Você pode ver que quase nada foi retirado perto do que foi depositado. Assim, esse é o total do seu cofre familiar, apenas em galeões, não tenho como fazer um inventario de joias, armas, armaduras e quadros, mas se você quiser podemos até avaliar tudo em alguns anos.
Harry acenou e olhou para o total de seu cofre surpreso, Terry lhe dissera que sua família era uma das mais ricas do mundo magico, ele duvidara, mas percebendo o lucro anual enorme mesmo sem os negócios familiares estarem funcionando e considerando que cada Potter ao longo da história investira habilmente e administrara com cuidado a fortuna da família. E que, apenas seu avô, conseguira com sua poção para cabelos e a venda da empresa um valor exorbitante. Isso sem contar que nos últimos 10 anos as retiradas não foram muitas, ele devia ter sabido antes, mas uma parte dele devia estar em negação.
Fortuna Potter Cofre 512: 7,5 bilhões de galeões
— Uau! Eu nem sei o que pensar, suponho que diante disso nem deveria me zangar com o que Dumbledore fez ou me preocupar em trabalhar ou refazer os negócios da família. — Harry suspirou e bagunçou os cabelos. — Mas a minha família não me legou tudo isso sentando em sua bunda e não fazendo nada e todos esses negócios parados, quantos empregos foram perdidos. Minha família ajudou a construir o nosso mundo e nos últimos 10 anos isso foi impedido de continuar a acontecer. Eu tentarei não ficar mais zangado do que já estou Sr. Falc, mas essa é mais uma coisa que me faz não gostar de Dumbledore.
— Eu entendo e não tenho dúvidas que quando recuperar o controle sobre seu espolio você vai recuperar esses anos perdidos e fazer ainda mais pelo mundo magico. — Sr. Falc então pegou outras pastas. — Aqui estão as escrituras de cada uma das suas propriedades, essas em azul são as propriedades de produção que no momento estão inativas. Elas estão espalhadas por todo o Reino Unido e tenho o prazer de lhe dizer que você tem algumas propriedades em outros países. Nada muito grande, uma fazenda de chá na Índia, uma fazenda de carneiros na Austrália, uma reserva na África do Sul, você tem um bosque inteiro no Canadá e um vinhedo na Itália.
— Uau! — Ele repetiu e queria saber a História de cada lugar, mas teria que esperar.
— Ah, você também tem um haras na Irlanda, mas está marcada como casa e não como propriedade produtiva. Chama-se...
— Hallanon. — Harry ficou engasgado e explicou a um surpreso Sr. Falc sobre a história da casa.
— Sim, é isso mesmo o nome, minha mãe lhe informou certo. Bem, sobre propriedades familiares são bem menos o que não me surpreende porque em cada uma dessas propriedades produtivas espalhadas pela Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda você terá uma casa, assim não há porque ter casas só por ter e se preocupar com manutenção, já que estarão vazias. — Explicou Sr. Falc. — Assim você tem uma Mansão em Londres, em Kensington, na verdade pelo endereço ela fica bem em frente ao Hyde Park.
Harry arregalou os olhos, as mansões que ele vira por lá eram imensas com jardins lindos e cheios de verde e em frente ao rinque de patinação! Ele nem sabia o que pensar.
"Na Irlanda você tem Hallanon e na Escócia você tem um Chalé, se chama Flowers Woodland. Na França tem uma casa, em Paris, e outro Chalé na Suíça. Tem um apartamento em Londres e um em New York e as duas casas no Oeste, na divisa com Gales, o Chalé Iolanthe, tem esse nome porque foi a primeira esposa Potter a viver nele e a mansão Potter, que fica mais perto da fronteira, na Floresta Stone Waterfall. "
Harry ficou surpreso, pensara ter apenas a casa na Irlanda e as da Inglaterra, não esperava ter mais em outros países, mas não questionou, quando tivesse tempo pesquisaria cada uma delas e como vieram a pertencer a sua família.
— Eu nunca imaginei que minha família poderia ter tanto Sr. Falc, isso é normal? Quer dizer, tem outras famílias com tanto dinheiro? — Perguntou Harry um pouco constrangido.
— Sim, você precisa lembrar que essas fortunas em famílias como a sua começaram a quase mil anos. Dinheiro se acumula e se a família não tem o habito de esbanjar ou fazer negócios ruins pode chegar a esse montante. — Sr. Falc viu seu olhar confuso. — Harry, nossa sociedade não é grande, mas existe uma economia, uma área de produção, bens de consumo e ao longo dos séculos e até hoje os puros sangues dominaram essas áreas, você sabe quais negócios e quais empresas sua família investiu e historicamente foi sempre assim, então com uma sociedade que cresce com mestiços e nascidos trouxas que consomem esses produtos e os das outras famílias, isso explica as grandes fortunas.
— Mas eu achei que minha família ajudava as pessoas, quer dizer, todo esse dinheiro no cofre e os nascidos trouxas em necessidades e tendo que abandonar nosso mundo, porque eles não fizeram nada? — Harry perguntou inconformado.
— Mas eles fizeram, nem sempre dinheiro por dinheiro é suficiente, as pessoas não aceitam caridade Harry, preferem ser faxineiros a aceitarem dinheiro de alguém. E sua família sempre ajudou, com doações a Hogwarts para ajudar os nascidos trouxas ou mesmo mestiços, com situação financeira difíceis, a estudarem com desconto em Hogwarts. Ajuda ao Hospital, orfanato, oferece empregos e paga um salário justo aos nascidos trouxas. Famílias como os Greengrass não ficaram ao lado de você-sabe-quem, ficaram neutros na guerra, mas eles são purista, tratam os nascidos trouxas pior do que trata seus animais e paga uma miséria por seus trabalhos em suas estufas. — Explicou Sr. Falc e Harry entendeu, sua família era generosa, mas as vezes só dinheiro não era suficiente.
— Entendo Sr. Falc, mas eu quero fazer mais, tenho algumas ideias e quero saber se usando o dinheiro da minha herança trouxa vou ter como realizar esses planos ou terei que pedir permissão ao diretor? — Perguntou Harry firmemente.
— Não Harry, Dumbledore é seu tutor apenas no mundo magico, legalmente, não pode interferir em sua herança trouxa e não pode te impedir de usar esse dinheiro como bem entender. — Disse Sr. Falc.
— Mesmo se eu tiver intenção de gastá-lo aqui no mundo magico? — Perguntou, olhando-o com atenção.
— Mesmo assim, é seu dinheiro Harry, e sou seu advogado, se você quiser comprar, não sei, o Caldeirão Furado, com esse dinheiro, você pode. Quais são suas ideias, estou curioso. — Sr. Falc parecia realmente interessado.
Harry sorriu e pondo fim ao mistério começou a explicar suas ideias, Sr. Falc fez algumas exclamações e logo pegou um papel e começou a fazer anotações, por mais uma hora os dois refinaram algumas ideias e encontraram soluções legais para outras. Quando, finalmente Sr. Falc tinha um plano bem estruturado para começar a trabalhar, Harry foi para o mais importante.
— E sobre Sirius, Sr. Falc? O Sr. já sabe como tira-lo de Azkaban?
— Sim Harry, estive trabalhando e pesquisando com meu pai todos esses dias. Papai já sabia da gravidade do que fizeram, ele era um jovem advogado ao fim da Segunda Guerra Mundial e acompanhou os tratados assinados entre as nações envolvidas, tanto as trouxas como as magicas. — Sr. Falc afastou suas anotações e começou a preparar um chá para os dois. — Você já ouviu falar sobre a Organização das Nações Unidas, ONU?
— Hum, não senhor, eu não sei o que é. — Disse Harry confuso.
— Os governos trouxas a criaram em 1945 ao fim da guerra, antes já existia uma Liga das Nações, mas o principal objetivo ao substituírem pela ONU era evitar que outra guerra mundial acontecesse e proteger o ser humano das atrocidades cometida pelo próprio governo de um país contra seus cidadãos. — Sr. Falc bebeu seu chá e Harry imitou tentado entender tudo. — Em nosso mundo desde que o Estatuto Internacional de Sigilo foi instituído em 1692, fundamos uma equivalente à ONU, a Confederação Internacional de Magos que tem membros importantes de cada país e, seu principal objetivo, é vigiar os governos para que esses mantenham o Estatuto de Sigilo e assim protejam nossa existência dos trouxas. Você entende até agora?
— Sim, senhor. — Harry entendia, e Terry já falara da importância do Estatuto de Sigilo.
— Assim, a ICW vigia e investiga ou mesmo pune um governo se este fizer ou deixar algo acontecer que coloque em risco o Estatuto e, muitas vezes ao longo da História, eles multaram ou prenderam Ministros que por qualquer motivo ameaçaram o Estatuto. Mas depois de 1945, com o que aconteceu com Hitler no mundo trouxa e Grindelwald em nosso mundo, um novo braço surgiu muito fortemente na ICW, acompanhando sua irmã trouxa a ONU, eles criaram um escritório para defender os Direitos Humanos e combater quaisquer crimes contra a humanidade e seus direitos.
"Surgiu nesse período a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Direito Internacional dos Direitos Humanos, Tribunais foram criados e Tratados assinados entre as nações. Nós seguimos seus exemplos, pois estava claro para a ICW que se os governos não fossem vigiados e punidos por ferirem ou cometerem crimes contra os Direitos Humanos, cedo ou tarde uma guerra aconteceria e o Estatuto de Sigilo poderia ser quebrado e isso poderia ser o nosso fim. Quando a guerra contra você-sabe-quem estourou, um dos maiores erros da Ministra Bagnold foi se preocupar mais em manter o Estatuto a qualquer custo, ao em vez de combater ele e seus comensais da morte. "
"É por isso que exigiu pesquisa, Direito Internacional não é nossa especialidade e dos Direitos Humanos eu sabia menos ainda, confesso. Mas, basicamente, os governos se comprometeram a manter e respeitar os Diretos Humanos, não apenas não cometer crimes contra a humanidade, como fez Hitler, mas também não desrespeitar o direito de cada cidadão, bruxo ou bruxa. Eu sei o que vai dizer, nossas leis não respeitam os nascidos trouxas, a discriminação é institucional, mas isso não arrisca o Estatuto e é considerado uma questão cultural, tradicional e, infelizmente, ninguém fez nenhuma denúncia e o pessoal da ICW só pode agir diante de uma denúncia. "
— Mas essas coisas são ensinadas em Hogwarts Sr. Falc? Existem livros sobre isso? — Perguntou Harry chocado.
— Não Harry, nem uma coisa nem outra. — Disse Sr. Falc suspirando.
— Então como as pessoas vão fazer denúncias, lutar contra a discriminação se eles não sabem como? Alguns nem sabem que estão sendo discriminado, eles acham que é assim que sempre foi e então é assim que tem ser. — Harry estava inconformado.
— Você tem toda razão e me incluo nessas pessoas que estão paralisadas e não fazem nada para mudar as coisas erradas, é assim a tanto tempo e parece que em algum momento simplesmente aceitamos e esquecemos que somos nós que fazemos as coisas melhores, elas não surgem ou mudam do nada. Harry, eu realmente sinto muito e ver você, tão jovem, tendo ideias e querendo mudar, transformar o que está errado, me faz sentir envergonhado e espero que aceite minha ajuda, vou lutar ao seu lado até o fim. — Sr. Falc falou intensamente e Harry acenou, ele entendia, também ficara assim com seus tios, passivo, insensível, no piloto automático, mas agora ele era diferente e não poderia voltar a ser como antes.
— Eu aceito Sr. Falc e o que fazemos sobre meu padrinho, eles feriram seus Direitos, não é?
— Sim, Harry, eles fizeram, prender alguém sem julgamento por tantos anos, condena-lo sem nem mesmo um interrogatório e diante de informações de testemunhas dúbias e sem leva-lo a frente de um juiz e júri. Merlin, o que eles fizeram foi rasgar os acordos, os Tratados assinados, eles jogaram no lixo a Declaração Universal dos Direitos Humanos e serão punidos severamente por isso, acredite, a ICW não brinca. Enquanto a prioridade é o Estatuto de Sigilo, os Direitos Humanos se tornou, nas últimas décadas, cada vez mais fortes, pois para a ICW um país que os defende, que os mantem busca acima de tudo a paz e com a paz o Estatuto está mais protegido. — Explicou o Sr. Falc.
— Entendi, então o senhor e o Sr. Boot vão até a ICW e denunciarão o que está acontecendo, o que eles fizeram com Sirius? — Harry perguntou ansioso.
— Não é tão simples assim, a ICW se reúne duas vezes por ano, seu corpo como eu disse é composto por bruxos importantes e de prestígios, que são escolhidos pela Suprema Corte de seus países. Para que nossa denuncia chegue até eles, ainda vai um tempo e pode não acontecer, pois eles têm escritórios internos em cada país para que eles investiguem e resolvam os problemas denunciados em território que se apresentou o problema. E se eles esgotarem todos os recursos para resolver o problema e não conseguirem ou acreditarem que uma punição mais severa deve ser aplicada, levam a questão aos membros da ICW que analisarão os relatórios e votarão na melhor medida a se tomar. — Explicou Sr. Falc.
— Entendi, mas isso não vai levar tempo? Não seria mais rápido ir direto na ICW? — Harry não podia deixar de ter pressa.
— Existem regras, um caminho para seguir ao realizar uma denúncia contra um governo, alegando que ele está cometendo crimes contra os Direitos Humanos. Por exemplo, uma pessoa física não pode fazer isso, tem que ser uma instituição ou, no nosso caso, seus representantes legais, tem que haver provas documentais, apenas sua palavra não basta ou eles nem leem a denúncia e tem que ser feita ao seu escritório interno, que existe aqui em nosso país. Se tentássemos quebrar a hierarquia e ir direto para a ICW, perderíamos tempo, pois eles não nos dariam atenção. — Sr. Falc suspirou. — Acredito que isso até joga a nosso favor, porque Dumbledore é o Supremo Chefe da ICW, atualmente.
— O que? Mas, ele não pode interferir? Impedir que ajudemos o Sirius? — Harry perguntou chocado.
— Não, e vou além, acredito que como será um dos investigados nem será informado sobre tudo isso. Harry, temos que supor e acreditar que todos os envolvidos, incluindo, Dumbledore acreditaram na culpa do Sirius, mas para os Direitos Humanos isso não importa porque a justiça é muito clara, todos são considerados inocentes até prova em contrário e só se prova a culpa de alguém em um julgamento, com provas, testemunhas e votação de um júri isento. — Sr. Falc era bem firme em sua declaração. — E como o Chefe da Suprema Corte Bruxa do governo magico Britânico, Dumbledore está entre os que serão investigados, questionados e punidos pelo que fizeram ou não fizeram. Assim, nossos próximos passos, é reunirmos provas, escrever um relatório de denúncia e apresentar para o Escritório de Direitos Humanos da ICW em Londres. O investigador deles vai fazer o mesmo, checar e investigar cada informação que fornecemos e diante da constatação da veracidade da denúncia eles entraram em contato com o Ministro e o Chefe Bruxo e exigiram a liberação do prisioneiro de guerra Sirius Black.
— Prisioneiro de guerra? — Harry estava surpreso.
— Sim, Harry, é exatamente isso o que Sirius é, um prisioneiro de guerra. Bem, em nossa denuncia pediremos sigilo alegando risco para a vida do prisioneiro e quando eles confrontarem o Ministro da Magia estarão com aurores especiais que trabalham para a ICW. O Ministério terá que libertar Sirius imediatamente e na presença dos aurores especiais que garantirão sua segurança. — Explicou o Sr. Falc e parecia empolgado com toda a ideia.
— E se eles recusarem?
— Questionar um agente da ICW? O Ministro saíra preso pelos aurores especiais ali mesmo. E se continuarem a impedir a libertação dele, podem acionar o Corpo dos Supremos da ICW o que poderia levar o Governo Magico Britânico a ter severas punições, sanções e até ser destituído. Mas eu não tenho dúvida que o covarde no Ministro Fudge vai fazer o que eles mandarem. — Sr. Falc não parecia preocupado.
— Sr. Falc? Porque é necessário o sigilo? E porque eles não informariam o Dumbledore? — Perguntou Harry.
— A questão de Dumbledore é simples, ele será um dos investigados, assim para ter completa isenção e não pairar quaisquer dúvidas sobre o caso, sejam de interferências ou influencias, os investigadores manterão o diretor fora de todo o processo, inclusive se for necessário levar o caso aos membros da ICW ele não poderá presidir o Tribunal, seu primeiro titular o substituirá. — Sr. Falc sorriu levemente. — Já estive perguntando aqui e ali sobre o Agente Chefe do Escritório da ICW daqui da Inglaterra, Niklaus Balmat, pelo que me disseram é um suíço incorruptível, o que claro, é exatamente o que precisamos.
— Parece algo tão grande e complicado, eu entendi, mas ainda estou com medo que não conseguiremos ajuda-lo. — Disse Harry aflito.
— Eu entendo e essa é minha maior preocupação e do meu pai. Nós discutimos a melhor abordagem para a denúncia exaustivamente, Harry, o pedido de sigilo na investigação é um direito legal e pediremos, pois não podemos correr o risco de que alguém acredite que se o Sirius estiver morto o processo morre também, isso não acontecerá, mas as pessoas as vezes são tolas e cruéis assim. — Disse o Sr. Falc e inclinando se, apoiou os braços na mesa. — A outra questão tão importante quanto essa é apresentarmos provas, não apenas do fato de que não ouve julgamento, mas de que Sirius é inocente das acusações que levaram a sua prisão.
— Porque isso é tão importante? — Harry queria saber tudo.
— Porque não queremos que assim que estiver livre e se recuperando de sua prisão, Sirius ainda corra o risco de ser acusado e processado e julgado, ainda que corretamente desta vez. Se provarmos sua inocência, indubitavelmente, os promotores e juízes do Ministério não aceitarão qualquer tentativa de uma nova acusação. — Sr. Falc o olhou com atenção. — Mas também queremos mostrar que, se os aurores envolvidos no caso, tivessem investigado corretamente eles teriam percebido sua inocência e ele nem teria ido a julgamento e, que se ainda houvesse dúvida, em um julgamento justo os defensores teriam provado a inocência de Sirius sem dificuldades. Isso pesará a nosso favor e mostrará a gravidade do crime cometido, por incompetência e desumanidade.
— Entendi e como vocês vão conseguir reunir provas de sua inocência e ainda manter sigilo da investigação? — Para Harry esse parecia um movimento impossível.
— Bem, meu pai e eu tivemos muitas ideias e a primeira coisa que faremos é... — E o Sr. Falc por mais uma hora explicou suas ideias e Harry até sugeriu algumas coisas aqui e ali.
Quando eles terminaram, Harry se sentia exausto, mas otimista, ele confiava no Sr. Falc e no Sr. Boot e gostara de suas estratégias.
— Antes de encerrarmos Harry, gostaria de falar de mais uma coisa, preciso reunir provas também dos maus tratos dos seus tios para com você, essa será a base para o nosso pedido de guarda. — Sr. Falc lhe deu um sorriso triste. — Eu entendo que você preferiria não falar mais sobre isso, mas nós temos dois caminhos, ou oferecemos o seu testemunho, isso significa que você estará no tribunal e será entrevistado pelo juiz e, apenas pelo juiz do caso, a contar sobre sua vida nos Dursley. Esse é um questionamento secundário, a assistente social e curandeira designada por ele procurará você e farão perguntas, analisaram sua saúde e sua vida na casa de seus tios. Diante do relatório deles, ele marcará uma audiência e isso acontecerá rápido, você testemunhar ou não é sua escolha, se escolher não testemunhar, precisamos apresentar uma discrição mais detalhada dos abusos e nesse caso sugiro que usemos copias de memórias para apresentar ao juiz. Assim, você não terá que testemunhar e ao mesmo tempo as provas nas lembranças de como eles te trataram terá um peso enorme para o juiz nos dar sua guarda. — Sr. Falc falou gentilmente e parecia preocupado com ele.
Harry engoliu em seco, sem saber o que dizer. A ideia de estar na frente de um estranho no tribunal respondendo perguntas e contando sobre sua vida miserável nos Dursley era assustadora, mas o pensamento de que esse mesmo estranho poderia assistir como em um filme as humilhações sofridas era de embrulhar o estômago.
— Posso pensar Sr. Falc? Até amanhã, posso pensar o que eu quero fazer? — Perguntou Harry hesitante.
— Claro que sim, Harry, pode pensar o tempo que quiser, posso recolher as lembranças nas férias de pascoa. E se decidir por esse caminho saiba que serão três ou quatro memórias pontuais, não será meses ou anos de sua vida. E será sigiloso, apenas eu e o juiz teremos acesso as lembranças e, Dumbledore por ser seu tutor, ninguém mais. — Disse Sr. Falc o tranquilizando. — Depois elas serão devolvidas a você, isso é importante em um caso envolvendo menor, manter o sigilo sobre tudo, até mesmo que há um processo.
Harry acenou concordando, mas ainda estava em dúvida e, depois de agradecer ao Sr. Falc por tudo, ele deixou o escritório, pensativo, e foi procurar as crianças e Terry. Os encontrou estudando, Sra. Serafina estava por perto também ajudando e preparando suas aulas da semana seguinte. Harry decidiu que se concentrar nos estudos era o que precisava para deixar tantas novas informações se assentar em seu cérebro.
Naquela noite eles foram jantar com os Madaki em Oxford, para poderem se despedir, afinal só voltariam na pascoa e Harry tentou disfarçar o prazer de ser incluído no feriado. Prof. Bunmi contou algumas histórias de sua vida na África do Sul, onde morou até os 18 anos, sobre a segregação e como ao ir para a América em busca de mais liberdade e conhecimento, descobriu que a mesma segregação existia por lá. Ele falou de Luther King e sua luta, incansável, com palavras e não armas e violência. Harry pediu seu livro para ler e ele pareceu muito feliz em lhe presentear com o primeiro que escreveu, ainda enquanto vivia nos Estados Unidos. O livro se chamava As Culturas da Segregação e as Segregações nas Culturas.
No sábado o clima era meio nostálgico, Ayana e Adam eram os mais tristes, mas mesmo os pais de Terry pareciam já estar com saudades. Sr. Falc e Sra. Serafina tiraram o dia para ficar com eles, sem trabalho, sem estudo e foram todos passear em St. Albans. A cidade era linda e, além de passearem pelo centro comercial, eles foram ao Museu Verulamium, a Torre do Relógio, o Teatro Romano e as Muralhas Romanas Verulamium e almoçaram no Pub Ye Olde Fighting Cocks, que se dizia o Pub mais antigo da Inglaterra. Naquela noite eles foram jantar na Abadia para se despedirem dos avós Boots, Sra. Honora contou várias histórias sobre seu tempo em Hogwarts e Terry passou muito tempo com ela, ouvindo com atenção sobre sua vida. Harry jogou xadrez com o Sr. Boot e, apesar de não ter vencido, dificultou muito a vitória dele, fato que deixou ambos orgulhosos.
Quando voltaram Harry pediu para falar com o Sr. Falc na biblioteca, enquanto Sra. Serafina colocava as crianças na cama.
— Tudo bem, Harry? — Ele perguntou quando fechou a porta.
— Sim Sr. Falc, hum... eu já me decidi sobre o que eu quero no processo de guarda, senhor. Eu não quero ter que ficar pensando nisso quando voltar para a escola, na verdade quero esquecer e só pensar nisso na viagem de volta de trem em junho. — Explicou Harry hesitante.
— Ok, isso me parece muito justo, então, o que você decidiu? — Perguntou ele gentilmente.
— Eu prefiro as memórias na penseira Sr. Falc, prefiro não ter que testemunhar e responder perguntas ao juiz na audiência. — Disse Harry pausadamente.
— Isso é uma boa decisão Harry, não vejo necessidade de você se desgastar em um testemunho tão difícil. O que me diz de tirarmos as memórias agora? — Disse o Sr. Falc sorrindo e abrindo um armário pegou alguns frascos verdes escuros e tampas vermelhas. — Esses vidros são especiais, é onde se coleta provas de testemunhas para se apresentar em um processo. Esse lacre é magico e só eu posso abri-lo e depois o juiz designado do caso e ele mantem um registro a cada vez que é aberto, assim sem fraude ou quem não deve tendo acesso. — Explicou o Sr. Falc.
— O que eu faço? — Perguntou ele ansioso.
— Primeiro vamos estabelecer o que queremos informar ao juiz, acredito que uma cena com suas refeições, almoço e jantar é importante, seus relatórios médicos mágicos e trouxas acompanharão e apenas corroborarão a memória. Temos também que mostrar o tratamento agressivo dos seus tios, você disse que nunca houve agressão física, mas Serafina me disse que na visita a sua tia, ela foi muito agressiva e até fez ameaças. E você não pareceu surpreso com seu jeito de agir. — Sr. Falc parecia preocupado.
— Sim, ela agir daquela maneira é normal, eles não gostam de mim Sr. Falc e nunca me quiseram em sua vida. Acho que entendi o que o senhor quer. Tem que ter uma memória do meu armário também? — Perguntou Harry, olhando para as mãos envergonhado.
— Sim, sobre o armário também, mas ele não era seu Harry, ou pelo menos não o seu lugar para estar. — Sr. Falc apertou seu ombro suavemente. — Vamos lá, uma lembrança de cada vez, quero que se concentre em um dia comum e no que você comia normalmente, depois vamos copiar outra onde eles te deixaram de castigo sem comida. Depois um dia comum dormindo no armário e um dia de castigo trancado nele. Um dia em que eles te trataram normal e um dia mais ruim, em que eles te trataram pior. Pode ser?
— Sim, hum... eles nunca me bateram, mas quando Dudley me batia eles não faziam nada e tio Valter até o incentivava, isso conta também? Ah, e houve o dia em que o Dudley me empurrou da escada e eu quebrei o braço, minha tia foi até estranha e me levou ao hospital e cuidou de mim, mas meu tio deu dinheiro ao meu primo e o chamou de bom menino. Essa foi a única vez que vi tia Petúnia ficar brava com ele, apesar de que ela não falou nada para o Dudley. — Disse Harry, tentando pensar no que poderia ser importante.
— Sim, Harry, acho que essas memórias todas seriam importantes, se você sente que deve me permitir copia-las. — Disse o Sr. Falc e pegando sua varinha continuou. — Vou copia-las e nomeá-las uma de cada vez, então se concentre na primeira, ok?
Harry acenou e se concentrou na primeira memória e sentiu um frio arrepiante passar por seu cérebro, quando abriu os olhos, Sr. Falc guardava o fio prateado no frasco. E assim cada memória foi copiada e colocada em um frasco diferente, marcada e selada com o lacre magico. Quando terminaram, Harry ficou feliz de poder ir dormir e esquecer de tudo isso, se concentrando em Hogwarts, seus amigos, estudar e quadribol.
Depois de um lanche e suas poções, Harry checou pela última vez se seu novo baú estava bem organizado e não se esquecera de nada, limpou o quarto e banheiro, colocou seu pijama e foi dormir. Felizmente foi uma noite sem sonhos.
Ele acordou com alguém o mexendo, de sono leve abriu os olhos bem desperto e se deparou com Adam, olhando a janela viu que era bem cedo.
— Tudo bem, Adam? — Perguntou Harry, com voz de sono.
— Sim, Harry, estamos fazendo o abraço de despedida dos irmãos, e você é nosso irmão e tem que participar. Vem. — Disse Adam e pegando sua mão o puxou da cama.
Harry só teve tempo de calçar os chinelos antes de ser puxado para fora do quarto. Abraço de despedida dos irmãos? O que era isso? Mas logo descobriu ao entrar no quarto de Terry e encontrar Ayana agarrada a ele com lagrimas nos olhos. Engolindo em seco Harry viu quando Adam se deitou no outro lado do irmão e percebeu que eles queriam que ele participasse.
— Vem logo Harry, só ficamos abraçados e conversamos um pouco. — Disse Terry, parecendo exasperado, mas ele era um irmão muito bom para desconsiderar os sentimentos dos pequenos.
Harry acenou e se deitou ao lado de Adam e todos se aconchegaram em baixo das cobertas.
— Eu não quero que vocês vão embora. O verão está muito longe. — Disse Ayana com voz embargada.
Adam fungou e acenou com a cabeça se abraçando mais a Harry, que sentiu seu coração se apertar, na verdade uma parte dele queria ficar e faze-los felizes, mesmo que amasse Hogwarts.
— Passará rápido e vamos nos divertir tanto no verão, mamãe deixou você voar em uma vassoura de verdade Ayana e você, Adam, vai estar se preparando para começar seu primeiro ano na escola trouxa. — Disse Terry suavemente acariciando seus cabelos cacheados soltos e volumosos.
— Sim, mas vai ser um tempo infinito até lá e agora vamos ficar sem dois irmãos, antes era só você Terry, agora é o Harry também. — Disse Ayana, com um bico triste.
Terry o olhou pedindo ajuda com consola-los e Harry arregalou os olhos em pânico, tentando pensar no que dizer. Por fim, se decidiu pela sinceridade.
— Nós amamos vocês dois, muito mesmo, mas precisamos ir para Hogwarts para aprender magia, um dia vocês também estarão lá conosco e vamos ajuda-los a se tornarem os melhores bruxos, mas agora é importante que vocês aprendam aqui e façam companhia aos seu pais e seus avós. — Disse Harry suavemente acariciando as costas de Adam e pegando a pequena mão de Ayana. — Isso é importante também e nós escreveremos a vocês dois sempre que possível.
— Promete? — Perguntou Adam com voz chorosa.
— Prometemos, e espero cartas de vocês também, Adam você me disse que enviaria um desenho para mim, lembra. — Disse Harry sorrindo e lhe dando uma piscadela.
Isso foi suficiente para os dois aceitarem e eles conversaram mais uma pouco antes de todos pegarem no sono. Harry, apenas cochilou, achando muito estranho dividir a cama com mais três pessoas, ainda que fosse seus novos irmãos. A verdade é que não estava acostumado com tanta proximidade humana, mas achou bom. Quando Sra. Serafina veio procura-los ele foi o primeiro a acordar e foi para seu quarto se vestir antes do café da manhã, ao em vez de ir treinar Harry decidiu preparar um delicioso café da manhã para os Boots em agradecimento por sua incrível e acolhedora estadia.
Harry preparou ovos, bacon, panquecas, waffles, suco de laranja e colocou a mesa com geleia e caldas e frutas picadas. Quando eles aparecerem ficaram surpresos e olharam para ele chocados.
— Você fez tudo isso?
— Uau!
— Harry! Achei que tinha ido treinar, porque preparou tudo sozinho, você poderia ter me ajudado. — Disse Sra. Serafina, exasperada.
— Eu não fui treinar hoje, Sra. Serafina. Eu preparei esse café da manhã como uma maneira simples de agradecer vocês por terem me recebido tão bem e me proporcionado os dias mais felizes de minha vida. Obrigada. — Disse Harry sincera e solenemente.
— Oh! — Disse Sra. Serafina emocionada e foi abraça-lo, era o primeiro abraço que ela começava, mas ele não se encolheu e apenas a abraçou de volta.
Depois disso Harry recebeu um monte de abraços, até Terry e Sr. Falc lhe deram abraços mais masculinos e todos disseram que ele era da família e não tinha que agradecer. Felizmente o momento estranho passou rápido e todos adoraram sua comida, Harry corou e sorriu com todos os elogios.
Enquanto Sra. Serafina com a ajuda das crianças limpava a cozinha, Harry subiu e mudou para a roupa que decidira usar na viagem de trem. Ele escolheu a bota de dragão negro que o Sr. Boot lhe deu, o jeans preto rasgado e estiloso, uma camisa de botão branca elegante e o colete de couro de vaca preto por cima. E a parka que a Sra. Madaki lhe deu para enfrentar o frio das montanhas escocesas. Quando ficou pronto Harry sorriu, adorava o couro e o descolado, mas mais ainda adorava mistura-lo com o mais elegante e formal. O contraste era tudo o que ele era agora.
Fechando seu baú ele o encolheu e guardou no bolso de sua bolsa de couro amanteigado marrom, que graças a Sra. Serafina agora tinha leveza e espaços mágicos. Checou o quarto pela última vez e sorriu pensando que o quarto já se sentia dele e desejando voltar no verão, quem sabe em definitivo.
Todos viajaram de trem para Londres, os Boots e as crianças iam almoçar na casa dos jovens médicos Madakis depois de deixá-los. Quando chegaram a estação bruxa tinham 20 minutos de sobra e todos se abraçaram várias vezes. Ayana e Adam pareciam menos tristes, mas ainda tinham algumas lagrimas de partir o coração.
— Harry, não importa o que precise, não hesite em nos dizer. Ok? Falc é seu advogado, mas somos mais do que isso para você, o queremos muito bem e seguro. — Disse Sra. Serafina depois de mais um abraço.
— Eu prometo, Sra. Serafina. Obrigada, por se importar. — Disse Harry suavemente.
— Sempre, Harry, agora se cuide, cuide do Terry e estude bastante. Vou continuar a enviar os sanduiches, então coma bem e nenhuma loucura com aquela vassoura.
Depois da ultimas recomendações os meninos entraram no trem e se sentaram em um compartimento onde já estava Hermione.
— Vocês já chegaram, achei que só eu chegava mais cedo, morro de medo de perder o trem. — Disse ela e sem se segurar abraçou os dois animada. — Estamos voltando! Preciso contar sobre as férias incríveis que eu tive, e onde está o Neville? Vou esperar ele chegar assim conto para vocês três de uma vez...
Harry sorriu para a tagarelice ansiosa da amiga, que ele nem percebera sentira falta e olhando para a janela, deu o ultimo aceno a Sra. Serafina antes de eles passarem a barreira para Londres trouxas. E seu sorriso aumentou ainda mais ao perceber que também tinha muitas histórias para contar sobre as melhores férias do mundo.
