Capítulo 24
Harry se sentou no compartimento com Terry, Hermione e Neville que chegara pouco antes e todos trocaram agradecimentos por seus presentes de Natal. Depois eles falaram sobre suas férias.
— Eu fui esquiar com meus pais e foi incrível, assustador, mas maravilhoso. Eu fiquei só na área juvenil e com um instrutor e aprendi a esquiar bem, mas não tive coragem para ir para as áreas mais íngremes. — Contou Hermione.
— Bem, eu fiquei em casa com minha avó e meus tios, passei muito tempo na estufa, pedi para a vovó me comprar algumas plantas que pesquisamos para nosso projeto e depois do Natal passei muito tempo com minha orquídea. Vou sentir falta dela, mas trouxe uma pequena muda e quero trabalhar algumas técnicas magicas nela. — Explicou Neville sorrindo.
Seu amigo tímido estava encantado com a rara orquídea que Harry lhe dera e disse estar trabalhando em uma maneira mais eficiente de reprodução, já que sua raridade vinha da dificuldade de se realizar fotossíntese e assim se nascer mais da espécie. Seu entusiasmo era tanto que Harry se viu interessado em seu projeto, assim como os outros e quando o trem partiu eles estavam empolgados com a ideia de um novo projeto de Herbologia.
Harry, com entusiasmo e grande ajuda de Terry, se lançou a contar sobre suas férias e quando Mandy, Morag e Padma apareceram eles contaram tudo de novo, explicando para Padma e Neville o que era Mercado de Natal, rinque de patinação, cinema e futebol. Eles riram muito e ouviram sobre as férias das meninas e quando Corner apareceu com Lisa e Anthony, Harry estava corado e com dor na barriga de tanto rir.
Harry se afastou para eles sentarem, mas logo percebeu que os três colegas não tinham intenção de se sentar, olhando-os percebeu que suas expressões eram incomuns. Anthony parecia constrangido e lhe lançou um olhar de desculpa, Lisa lhe lançou um olhar decepcionada e cruzava os braços como se estivesse prestes a lhe dar uma bronca. Mas Corner era quem mais se destacava, ele estava com sua postura arrogante de nariz em pé de sempre e hoje ainda o olhava com raiva.
— Algum problema? — Perguntou Harry suavemente, já imaginando do que se tratava.
— Sim, tem um problema, Potter! — Exclamou Corner e seu rosto ficou vermelho. — O que você fez foi uma covardia, minha família trabalha e administra as questões legais da sua família a décadas e você não pode dispensar meu pai como se ele fosse um cachorro. Nem mesmo quis se encontrar com ele pessoalmente, agiu de maneira covarde!
Os suspiros na cabine e exclamações de protesto se seguiu a suas últimas palavras, Harry sentiu seu temperamento subir, mas suspirou deixando que saísse, pois não podia enfeitiça-lo como queria.
— Quer mesmo falar sobre isso aqui, Corner? Na frente de todos? Esse assunto diz respeito a mim e a seu pai e se você quer se meter, tudo bem, mas existem maneiras mais discretas de lidarmos com isso. — Harry falou com frieza, arqueando uma sobrancelha.
— Não, vamos falar aqui mesmo, não sou covarde e prefiro falar o que penso na sua cara e com testemunhas. — Disse ele agressivamente.
— Bem, então, entre e sente-se, não vou brigar com você como um touro sem cérebro. Somos Ravenclaws e agiremos de acordo, tendo uma conversa civilizada. — Disse Harry ainda com frieza, isso pareceu desconcertar Corner que ficou parado sem saber como agir e olhou para Lisa e Anthony. — Eu disse, sente-se! — Seu tom de comando era inegável e mesmo o irritado Corner não poderia não obedecer.
Depois que os três se acomodaram e a porta se fechou um constrangimento envolveu o ambiente. A cabine se expandira para caber 10 alunos e todos se moveram para deixar os dois garotos, um de frente do outro.
— Você quer que a gente saia, Harry? —Perguntou Padma olhando para ele e Corner hesitante.
—Por mim ninguém precisa sair, Corner que falar sobre negócios familiares para todos ouvirem, assim que todos ouçam, mas aqueles que preferirem não ficar, não são obrigados. — Disse Harry mais suavemente para os outros amigos. Ninguém se moveu. — Bem, Corner, vamos esclarecer algumas coisas antes de mais nada. Eu enviei meu novo advogado para encontrar seu pai, para que ele lhe entregasse os documentos e qualquer outra informação sobre os negócios de minha família. Pelo que sei esse é um movimento aceitável e não covarde como você disse. — Disse Harry calmo e frio.
— Sim, pode ser, mas ao fazer isso impediu que meu pai o conhecesse e o convencesse a mantê-lo como seu advogado. Você deveria ter conversado com ele primeiro e não o despedir sem nem mesmo conhece-lo ou saber o trabalho duro que meu pai tem feito por sua família. — Disse Corner de peito estufado feito um pato.
— Trabalho duro muito bem remunerado, pelo que diz meus demonstrativos financeiros anuais. — Disse Harry e agora ele sorriu, mas sem qualquer humor. — E eu não tinha que fazer nada, deixar ninguém me convencer de nada, o trabalho do seu pai deveria falar por ele. Mas sabe o que não falou por ele? Ele mesmo. Nunca recebi uma única correspondência ou visita de seu pai, nem sabia que minha herança estava sendo administrada por um escritório de advocacia magico até que o Terry, aqui, me informou. — Contou Harry e viu alguns olhares de puros sangues e mestiços surpresos.
Até mesmo Lisa deu uma olhada estranha ao amigo e Harry adivinhou que Corner não se preocupou em lhe contar detalhes.
— Sim, imagino que Boot foi muito entusiasmado em lhe dar muitas informações e convence-lo que seu pai era melhor advogado que o meu. — Disse Corner olhando para Terry com desprezo. — E se meu pai não entrou em contato com você foi por determinação do seu Tutor, ele é o responsável por cuidar dos negócios Potter e é para ele que papai presta conta. Porque ele deveria te procurar? — Corner o olhou triunfante e Harry desejou ser um Gryffindor para lhe dar um soco na cara.
— Bem, primeiro vou dizer de novo que não me deixo ser convencido de nada, nem por Terry nem por ninguém, tomo minhas próprias decisões. — Disse Harry controlado. — E quanto ao resto, é muito simples e aposto que seu pai sabe a resposta e deveria ter compartilhado com você, assim evitaríamos toda essa conversa absurda.
— Sim? E o que é? — Perguntou Corner corando de raiva ou constrangimento.
— Merlin, e é um Ravenclaw. — Disse Terry no mesmo tom de desprezo.
— Por eu sou a família Potter! — Harry exclamou, mas seu tom foi baixo e o fogo frio iluminou seus olhos verdes. — Eu sou aquele para quem seu pai trabalha e a quem deve explicações! É para mim que ele deve lealdade, é para mim que o contrato magico assinado por seu bisavô ao meu bisavô se cumpre. E, se seu pai esqueceu disso se acreditou que um Tutor qualquer é mais importante que minha vontade, que minha magia, que meu sobrenome, então ele não merecia minha confiança e a honra de cuidar do legado que meus antepassados me deixaram! — Harry falou com firmeza, poder magico se agitou e teve o prazer de ver Corner empalidecer.
— Isso... isso não é.… verdade, meu pai não fez nada errado ou ilegal. — Balbuciou Corner, ficando vermelho de vergonha.
— Não? Porque não escrevemos ao seu pai e marcamos um encontro para esclarecer tudo isso, em bem publicamente exatamente como você gosta e vemos o que ele responde. — Sugeriu Harry com um sorriso solicito e educado que escorria sarcasmo.
Corner ficou ainda mais vermelho, como se soubesse já qual seria a resposta do pai, mas ainda abriu a boca para falar e dessa vez foi cortado por Terry.
— Acredito que esse assunto sigiloso já foi discutido onde não se devia o suficiente, Corner. Assim, sugiro que pare de falar e se envergonhar ainda mais diante das testemunhas que você acolheu com tanto entusiasmo. — Terry o olhou com frieza, mas em seus bondosos olhos castanhos era menos assustador. — Seu pai não fez nenhuma reclamação formal porque sabe que enquanto legalmente ele não fez nada impróprio no que concerne a magia, esteve sujeito a ser punido por descumprimento de contrato. Então, você deveria ser grato ao Harry por não exigir punição e não tornar nada disso público e assim prejudicar a relação do seu pai com seus outros clientes. Pena que, você, não teve tanta consideração por ele. — As palavras finais de Terry fizeram Corner empalidecer ao perceber o que fizera e ele olhou em volta meio em pânico.
— Não se preocupe Corner, ninguém aqui é fofoqueiro, não que você e, pelo jeito, seu pai mereçam essa consideração do Harry ou de nós. — Disse Neville, surpreendentemente, com desprezo. — Mas minha avó, que é cliente de seu pai, vai saber disso, tenha certeza.
Corner parecia finalmente entender a situação em que estava e se levantou para deixar a cabine, Lisa e Anthony, muito envergonhados o seguiu.
— Ah, Corner, se voltar a me chamar de covarde de novo vou me esquecer de tudo sobre ser um Ravenclaw e vou te fazer saber por que eu sou filho de dois Gryffindors e muito orgulhoso disso. — Encerrou Harry com a mesma frieza assustadora.
Corner que parou, mas não se virou ao ouvir sua voz, apenas acenou e saiu sem olhar para traz. Lisa o seguiu, mas Anthony ficou mais um pouco e olhou para Harry.
— Sinto muito por isso Harry, tentei convence-lo a não vir aqui, mas ele se recusou a me ouvir. — Disse Anthony constrangido.
Mas antes que Harry pudesse tranquiliza-lo Morag se adiantou.
— Sei que está a pouco tempo no mundo magico Anthony, mas você se desculpar por Corner, apenas o humilha ainda mais, pois nos diz que você acredita que seu amigo não é capaz de agir com honra e se desculpar por si mesmo. — Informou ela firmemente.
— Mas... eu não tive a intenção... — Disse Anthony, muito chocado.
— Todos sabemos que não, mas é essa a mensagem. Se alguém ofende uma família antiga, só recupera sua honra ao se desculpar pessoalmente. Corner não é tolo e sabe disso, sugiro que o aconselhe a não demorar muito para vir pedir desculpas ao herdeiro Potter e que, ao fazer isso, faça em nossa presença. — Disse Padma friamente.
— Sim, por que se ele foi corajoso para chamar Harry de covarde em nossa presença, tem que se desculpar diante de nós. — Disse Terry, cruzando os braços.
— Ou então, concluímos que ele não se importa com a honra da sua própria família. — Encerrou Neville.
Anthony parecia ter perdido a capacidade de falar e acenando com a cabeça deixou o compartimento e o silencio que se seguiu a todo o conflito. Pigarreando, Harry olhou para seus colegas, apenas Hermione e Mandy pareciam desconcertadas e os outros pareciam bem chateados.
— Obrigada pelo apoio de todos e agradeço também a discrição. — Disse Harry seriamente.
— Não se preocupe Harry, nunca exporíamos você e mesmo Corner, ainda que ele não mereça. — Disse Neville, corando levemente agora que a crise se fora.
— Sim, exatamente, e no nosso caso existe também a lealdade para com um colega de casa, mas Corner tem sorte de que essa conversa não chegará ao seu pai ou ele estaria em grandes problemas. — Disse Padma e depois suspirou. — Eu fiz minha irmã confessar ao nosso pai todo o episódio que aconteceu das mentiras espalhadas por ela e Lavander. Papa se zangou muito e disse que, se ela pisar fora da linha ou não melhorar muito suas notas nos exames finais, passará todo o verão de castigo e sua presença em Hogwarts pode ser repensada.
— Uau, isso parece tão extremo e, bem, Parvati se desculpou... — Hermione começou em seu tom de dona da verdade, mas, ao receber um cutucão de Neville, arregalou os olhos percebendo que estava falando do que não sabia com arrogância outra vez. — Desculpe, não quero desrespeitar o que não compreendo, gostaria de entender porque o que sua irmã e Corner fez foi tão grave. — Disse mais humilde e ainda curiosa.
— Bem, no caso de minha irmã, tem uma questão cultural, uma mulher indiana, uma Patil não deve se degradar com fofocas, mas além disso espalhar fofocas mentirosas do herdeiro de uma importante e antiga família mágica. — Padma estava muito séria. — Papa deixou bem claro que se ela não tivesse se desculpado com Harry sua punição seria muito pior, pois agir como Parvati agiu e ainda não ser humilde para se redimir, humilha nossa casa, nossa família, nosso sobrenome.
— Isso é importante no mundo magico Hermione, a honra da família, quando Corner age da maneira como agiu está desonrando sua família e se ele se desculpar pode se redimir, se não o faz sua atitude não atinge apenas a ele ou seu pais, mas seus antepassados. — Disse Terry com seu jeito calmo.
— Meu avô além de bruxo é escoceses e tem grande orgulho das vidas e feitos honrosos de seus pais, avós, bisavós e outros antepassados mais antigo. Pode parecer exagerado, mas se tratássemos o que Corner fez como algo sem importância o que seria o próximo? Ele chamaria Harry de covarde e mentiroso no Grande Salão para toda a escola ouvir? Harry teria que exigir explicações e reparação para manter a honra de sua família, pois se não o fizesse seria considerado para todo o mundo magico que a Família Potter é covarde e mentirosa. — Explicou Morag.
— Como Harry o colocou em seu lugar a humilhação e desonra passa para a Família Corner que fez acusações desonrosas e infundadas e, vamos manter apenas entre nós, mas se ele não se desculpar diante de todos os presentes a opinião sobre ele e sua Família, para nós, continua manchada. — Encerrou Padma.
Hermione estava chocada com tudo que ouvira e teve vontade de falar que achava tudo antigo e ultrapassado, mas controlou a língua. Mas Terry a conhecia bem.
— Sei que está pensando que isso é antiquado, Hermione, e que no mundo trouxa as coisas não são mais assim, mas o mundo magico é diferente e enquanto temos muitas coisas para melhorar não acredito que respeitar a honra da minha família e da família do próximo seja errado. O errado são algumas famílias acreditarem que esse respeito deve ser apresentado apenas para famílias puras. — Disse Terry e mesmo Hermione não pode deixar de concordar com o raciocínio.
Harry acompanhou a discussão aprendendo tanto quanto Hermione e Mandy, sabia o suficiente para agir como agira com Corner, apesar de que ainda achava estranho a ideia de ser respeitado pelo nome de sua família. Ele queria ser respeitado por si mesmo, mas, em sua conversa com o Sr. Boot, ele entendera que ao exigir respeito ao nome de sua família o primeiro que devia cobrar era a si mesmo. E que, se ele agisse honrosamente estaria mostrando esse respeito, assim se alguém tentasse desrespeitar sua casa ou acusa-lo de alguma desonra era seu direito se defender e ao seu nome e antepassados.
Hermione fez mais algumas perguntas, ela nunca poderia se segurar, pensou, Harry sorrindo e logo depois as meninas saíram indo encontrar outros amigos. A mulher do carrinho já passara a muito tempo e Harry com fome decidiu comer mais um sanduíche que a Sra. Serafina enviara para o almoço. E depois de saciar sua fome decidiu entrar em um assunto delicado.
— Vocês estão preparados para encarar Quirrell quando chegarmos na escola? — Perguntou suavemente.
A conversa entre Neville e Terry parou e Hermione que estava lendo o livro Hogwarts, uma história pela decima vez, o baixou.
— Eu tinha até me esquecido disso, confesso. — Disse Hermione baixinho.
— Eu também. — Disse Neville, corando.
Terry apenas deu de ombros um pouco envergonhado.
— Hum, ok, vocês ficaram tão bravos por que não contei antes minhas desconfianças e eu fiz isso para que tivessem tempo de se acostumarem e planejarem como se comportarão diante dele ao voltarmos de férias e aí vocês apenas, esquecem. — Disse Harry e não aguentando suas expressões culpadas e coradas, riu, seu riso logo se tornou uma gargalhada e seus amigos logo o acompanharam também. — Ok, ok, eu não estou chateado nem nada, mas vocês precisam estar preparados teremos aulas com ele essa semana.
— Como você conseguiu disfarçar, Harry? — Perguntou Neville timidamente.
— Bem, primeiro, eu não gosto dele ou de suas aulas, assim não tenho que fingir. Na verdade, sempre saio da sua sala com dor de cabeça, acho que é por causa do cheiro de alho. Me mantenho discreto entro e saio como fiz desde o início do ano, não o observo muito porque ele não é idiota e não vai dar mole na sala de aula, assim não adianta ficar encarando tentando descobrir isso ou aquilo. — Disse Harry com firmeza e todos acenaram. — Se comportem normalmente e não precisam ficar com medo dele, porque Quirrell não vai atacar primeiros anos.
— Mas ele já atacou você, Harry. — Disse Hermione preocupada.
— Sim, mas já concordamos que, provavelmente, foi um impulso de momento. Ele correu um grande risco de ser descoberto e talvez nem conseguisse me machucar seriamente, isso me revela duas coisas. — Disse Harry olhando calmamente para os amigos. — Que ele tem um grande ódio por mim e não conseguiu se controlar mesmo colocando em risco sua missão de roubar o que tem embaixo do alçapão. E que, sabendo o risco que correu, não vai tentar de novo e sim se focar no que ele quer.
— Bem, isso são suposições razoáveis e imagino que se formos discretos e não chamar a atenção para nós, não há porque nos tornarmos um alvo, ainda que teremos que estar muito atentos. — Disse Hermione objetivamente.
— Sim, e quanto ao que tem embaixo do alçapão? Vamos parar de tentar descobrir o que é e só deixar que ele roube? — Perguntou Neville.
— Mas é essa toda a questão, eu concordo que seja o que for não devia estar na escola, mas o objeto parece estar bem protegido. Além de Fofo existem mais proteções colocadas no lugar por cada professor e, Dumbledore, Hagrid nos contou. E com Dumbledore presente em Hogwarts, a mim me parece que roubar, seja lá o que for, é impossível. — Defendeu seu ponto Hermione.
— Primeiro de tudo, não podemos subestimar o Quirrell, e ele é um dos que colocou proteções para guardar a pedra. Se ele souber ou descobrir como passar por cada proteção, pelo Fofo, não seria impossível tirar o Dumbledore do caminho e roubar a tal pedra. Acredito que a importância do que ele pretende roubar deve influenciar nossa decisão de ficarmos atentos e tentar impedi-lo. — Considerou Harry inteligentemente.
— Ok, então se não é impossível que ele chegue a pedra, só precisamos descobrir o que é exatamente e quão importante ou perigoso pode ser nas mãos dele. — Disse Neville ansioso.
— Eu já sei o que é e já adianto que é muito perigoso. — Disse Terry muito sério.
— O que? E quando pretendia contar para nós? — Perguntou Hermione chateada.
— Eu não sei, talvez quando os reencontrasse e tivesse uma oportunidade que é, olha que curioso, agora. — Disse Terry irônico.
— Bem, pois poderia ter começado por isso, estamos no assunto a um tempo. — Disse ela teimosamente, mas felizmente Terry não era de comprar briga e apenas suspirou.
— Olha, tinha me esquecido disso como vocês e estava tão envolvido com as férias que nem me lembrei de contar para o Harry. — Disse ele com um olhar de desculpas.
— Tudo bem, mas teria sido bom saber antes. Quando você descobriu? — Perguntou Harry curioso.
— No segundo dia de férias, perguntei a minha mãe se ela já ouvira falar de Nicolas Flamel, achei que isso nos pouparia horas de pesquisa e ela me falou que ele e Dumbledore pesquisaram alquimia juntos e os usos do sangue de dragão. — Disse Terry culpado. — Depois que entendi fui a nossa biblioteca e encontrei a informação, mas não conseguia um momento para te contar sem ninguém por perto para ouvir e depois acabei esquecendo. Sabe, com tudo.
Harry entendeu que seu amigo falava das longas reuniões e descobertas feitas naqueles dias.
— Ok, mas o que é a tal pedra? — Harry perguntou preocupado.
— É chamada de a Pedra Filosofal, foi inventada por Flamel e tem o poder de transmutar metal em ouro e fazer o elixir da vida, quem o bebe não morre. Flamel e sua esposa tem mais de 600 anos. — Terry explicou e viu os três amigos empalidecer.
— Merlin! Eles têm mais de 600 anos? Isso...
— E pode transformar metal em ouro, não é para menos que estão tentando roubar a pedra, Quirrell ou quem está por traz dele deve querer enriquecer. — Disse Hermione com voz aguda.
— Porque algo assim foi criado? E porque ainda não foi destruído ou escondido em um lugar impossível de se acessar? — Harry estava com os olhos brilhando tentando entender esse novo mistério. — Porque traze-lo para Hogwarts e colocá-lo, como consideramos antes, como isca para pegar o ladrão? Algo tão perigoso que nas mãos de alguém mal e poderoso poderia ser uma arma terrível.
— Arma? — Hermione não entendeu o termo.
— Sim, Hermione, pense se isso cai nas mãos de alguém mal que se torna imortal e pode com calma aprender e se tornar cada vez mais poderoso até que ninguém possa derrota-lo e ele poderia tentar dominar o mundo inteiro ou pelo menos o mundo magico como fez Voldemort. — Disse Harry sentindo seu estômago embrulhar quando uma ideia ainda pior passou por sua mente e de repente foi como se um estalo agudo soasse em seu cérebro e ele entendeu e ofegou, ficando ainda mais pálido. — Merlin, é isso.
— O que? O que você entendeu Harry? — Perguntou Terry já se acostumando com as deduções do amigo.
— É por isso que Quirrell me odeia, ele é um seguidor de Voldemort e deve querer vingança pelo que aconteceu ao seu mestre! E por isso ele quer a Pedra Filosofal! — Harry sentiu uma vontade enorme de caminhar, mas o espaço não lhe permitia.
— O que? Você acha que Quirrell quer a pedra para se tornar imortal e se vingar ou continuar de onde seu mestre parou? — Terry perguntou.
— Ou talvez tenha alguém por traz dele que quer fazer isso. — Sugeriu Hermione.
— Talvez um dos seguidores que ficaram livres? Como Malfoy? — Neville disse engolindo em seco.
Harry estava pensando e ouvindo as sugestões dos amigos, mas balançou a cabeça negativamente.
— Poderia ser isso, mas não acho, ainda me lembro do que Hagrid me disse no dia em que entregou minha carta, nunca vou me esquecer de suas palavras quando lhe perguntei o que aconteceu com Voldemort depois de assassinar meus pais e tentar me matar. Ele disse "Boa pergunta, Harry. Desapareceu. Sumiu. Na mesma noite em que tentou matar você. O que faz você ainda mais famoso. É o maior mistério, entende... ele estava ficando cada dia mais poderoso, por que foi embora? Tem quem diga que ele morreu. Besteira, na minha opinião. Não sei se ainda tinha humanidade suficiente para morrer. Tem quem diga que ainda está lá fora esperando, ou coisa parecida, mas não acredito. Gente que estava do lado dele voltou para o nosso. Uns pareciam que estavam saindo de uma espécie de transe. Acho que não teriam feito isso se ele fosse voltar. A maioria de nós acha que ele ainda anda por aí, mas perdeu os poderes. Está fraco demais para continuar. Porque alguma coisa em você acabou com ele, Harry. Aconteceu alguma coisa, naquela noite, com que ele não estava contando, eu não sei o que foi, ninguém sabe, mas alguma coisa em você o aleijou, para valer. " — Harry sussurrou as palavras e ouviu as exclamações chocadas dos amigos, mas sua mente estava naquele dia, naquele barraco no meio do mar, no frio e choque e emoção que vivera.
— Harry, você está sugerindo que Quirrell está trabalhando para ele? — Terry também sussurrou, o ambiente no compartimento mudando para um clima mais sombrio.
— Vocês não veem? Posso estar errado, claro, pode ser que Quirrell queira a pedra e seu poder para ele, pode ser para outro comensal da morte qualquer que ficou livre, Malfoy, como você sugeriu Hermione. — Harry tinha os olhos brilhantes e decidiu confiar nos seus instintos. — Mas se Hagrid está correto e Voldemort está vivo, mas fraco, quem teria mais interesse em roubar a Pedra Filosofal? Ela pode o ajudar a recuperar seus poderes ou, seja lá o que, ele perdeu naquela noite e ainda pior, também o tornaria imortal. Depois de quase morrer tentando me matar aposto que a ideia de imortalidade o atrairia. E isso explicaria por que Quirrell tentou me matar, aposto que Voldemort me odeia e o orientou a acabar comigo se tivesse uma oportunidade. — Harry estava com a cabeça zunindo.
— Não posso acreditar nisso, quer dizer, todos acreditam que ele está morto. Não deve ser ele, Harry, deve haver outra explicação. — Neville estava pálido e sua voz saiu tremula.
— Mas se Hagrid acredita que ele está vivo, mas fraco, aposto que Dumbledore acredita também e isso explicaria... — Hermione começou, mas parou meio engasgada como se não quisesse dizer seus pensamentos em voz alta, mas Terry acompanhou seu raciocínio.
— Isso explicaria porque Dumbledore está usando a pedra como isca! Ele não apenas quer pegar um ladrão ele quer pegar Voldemort! — Exclamou ele abismado. — É por isso que não foi discreto na informação de que a pedra está em seu poder, por isso a retirou de Gringotes e não escondeu em outro lugar.
— Porque? — Perguntou Harry incentivando seu amigo a concluir seu pensamento.
— Por que em Hogwarts ele tem mais controle, deve acreditar que assim pode proteger melhor a pedra de Voldemort. Dumbledore deve saber que contra alguém tão poderoso apenas suas proteções magicas não seriam suficientes para assegurar a pedra. — Raciocinou Terry.
— Mas Hagrid disse que ele está sem poderes! — Gritou Neville ainda mais pálido.
— Conhecimento também é poder, Neville. Mesmo se Voldemort estiver fraco magicamente ele ainda tem conhecimento para orientar Quirrell ou qualquer um a passar por proteções complexas que Dumbledore poderia configurar. — Respondeu Terry inteligentemente.
— Então, a intenção do diretor ao colocar a Pedra como isca em Hogwarts é de atrair Voldemort para tentar prendê-lo enquanto ele estiver fraco, mas me parece um risco muito grande para os alunos e ainda mais para a pedra, porque se algo der errado e Voldemort conseguir a Pedra Filosofal... — Hermione não terminou o pensamento, mas todos entenderam o que poderia significar para o mundo magico, para todos eles se esse futuro horrível se tornasse real. — Mas..., mas talvez Dumbledore não esteja usando a pedra verdadeira. É isso! Ele deve estar usando uma falsa como isca e ainda acho arriscado para nós, mas pelo menos não deve estar arriscando a verdadeira.
Hermione parecia mais aliviada e sorria, talvez pelo pensamento de que Voldemort não tem como conseguir a pedra ou que seu ídolo não seria tão temerário.
— Hum, me desculpe te desiludir, mas se ele acha que usar uma escola cheia de crianças como palco de um plano para capturar Voldemort, que ele mesmo reconhece é tão poderoso quanto ele, não me surpreenderia nenhum pouco que também usasse a pedra verdadeira. — Disse Harry sem conter o cinismo.
— Harry! Eu concordo que o que diretor está fazendo não é muito correto, mas temos que considerar que ele tem boas intenções e além disso, Voldemort não é tão poderoso quanto Dumbledore. — Disse Hermione e cruzou os braços contrariada.
— Se Dumbledore é mais poderoso, porque não o derrotou durante a guerra? Foram 11 anos, Hermione, 11 anos de trouxas e bruxos sendo assassinados por Voldemort e seus seguidores, meus pais foram só os últimos. — Harry disse com firmeza e olhou pela janela.
Houve um silencio estranho na cabine, até que Hermione disse hesitante.
— Eu sei Harry, e nesse ponto você pode estar certo, mas não gosto de compara-los, entende? Por que para mim ser poderoso é mais do que poder magico, Dumbledore e Voldemort poderiam se equiparar em um duelo, mas o diretor é um bruxo muito maior e melhor.
Harry acenou, suspirando, sabendo que não podia deixar sua antipatia e desconfiança em relação ao diretor domina-lo.
— Sim, você está certa, desculpa, apenas descobri muitas coisas sobre Dumbledore durante as férias, quando tivermos um tempo e mais privacidade vou contar a vocês. Mas eu concordo, Dumbledore não é mal como Voldemort e aparentemente suas ações tem boas intenções, mas o Sr. Boot disse, eu penso assim também. Boas intenções, não te eximem de responsabilidades ou mesmo culpa, se alguém se ferir por causa desse plano não vai importar quais são suas intenções. — Disse Harry com dureza.
E claro nem mesmo Hermione pode contestar tal afirmação. Todos ficaram em silencio tentando ordenar os pensamentos e no fim foi Neville que fez a pergunta mais importante.
— Bem, agora que sabemos ou supomos que a Pedra Filosofal está em perigo de cair nas mãos de Volde...mort, o que fazemos?
— Se estivermos certos e, não podemos desconsiderar que pode ser Voldemort e pode ser a Pedra verdadeira, então não fazer nada não é uma possibilidade. Pelo menos para mim seria impossível ficar sentado em minha bunda e deixar que ele volte ao poder sem ao menos lutar para tentar impedi-lo. — Harry disse com firmeza.
— Harry, eu até concordo com o pensamento, mas o que quatro primeiros anos podem fazer contra um bruxo adulto e poderoso, mesmo que agora esteja enfraquecido. Acredito que devemos estar atentos sim e se virmos algo ou acreditarmos que a Pedra está em perigo iminente, devemos ser inteligentes e sensatos e procurar um adulto. Tentar agir intempestivamente e nos colocar em perigo não me parece o caminho mais Ravenclaw. — Terry disse e seu tom era firme, deixando claro que não mudaria de ideia.
— Eu concordo, mesmo supondo que Quirrell possa conseguir passar pelas proteções, mesmo que de alguma maneira ele consiga afastar Dumbledore ainda termos uma escola cheia de professores e me parece tolice tentarmos impedir o roubo quando podemos simplesmente pedir ajuda. — Hermione falou sensatamente e suspirou mais aliviada.
Neville acenou também parecendo menos assustado e olhou para o Harry que não pode deixar de se sentir dividido, uma parte dele não confiava muito nos adultos, uma parte dele queria resolver o mistério e viver a aventura, mas seu lado Ravenclaw sabia que eles estavam certos, pular pelo alçapão para o perigo desconhecido não era nada inteligente.
— Concordo, vamos ficar de ouvidos e olhos atentos e, se percebermos algum movimento de Quirrell para roubar a Pedra, avisamos um adulto. — Concordou Harry suspirando um pouco triste, mesmo que fosse o certo a se fazer.
Depois disso eles ficaram em silencio, o alivio que os três amigos demonstravam contrastava com o que Harry sentia e ele tentou entender porque, queria enfrentar Voldemort, o assassino de seu pais, talvez ter a chance de se vingar ou mesmo destruí-lo de vez? Queria a aventura, o perigo, o mistério? Queria ser o herói que todos diziam que ele era por algo que fizera ou se lembrava de fazer? Ou talvez fosse tudo isso junto? Hum, não tinha certeza, mas teria que ficar atento para entender.
Quando Harry voltou a ler seu livro de oclumência, que estava muito bem disfarçado, acreditou que o resto da viagem seria tranquila, não teve tanta sorte, pois menos de uma hora depois a porta se abriu bruscamente e Malfoy e seu gremlins apareceram. Harry se esforçou para não rir com a lembrança do último enfrentamento.
— Malfoy. — Disse ele, educadamente, como sempre tomando a iniciativa.
— Potter, cercado por esses perdedores como sempre, eu lhe ofereci a chance de estar entre os melhores, mas você se recusou, agora tem que se contentar com esse lixo. — Seu tom e expressão era de desprezo ao olhar para Neville e Hermione.
Harry abaixou o livro calmamente, mas não tirou sua varinha, primeiro porque ela estava bem acessível em seu elmo, segundo porque já percebera que Malfoy era um cachorro que ladra, mas não morde.
— Hum... sabe, Malfoy estive discutindo essa sua fixação por mim com Terry e não chegamos a uma conclusão, ele acha que você tem obsessão por meu cabelo e eu sugeri que devia ser apenas um complexo masoquista, você sabe, aquelas pessoas que gostam de sentir dor e voltam para mais e mais. — Disse Harry e ele sabia por sua expressão que tanto Malfoy como seu gremlins não entenderam o sarcasmo.
Seus amigos que o conheciam bem entenderam e ele viu Hermione engasgar e abrir a boca surpresa, Neville bufar e tentar controlar a vontade de rir com esforço e Terry acenando seriamente.
— Sim, Malfoy, você poderia esclarecer qual de nós dois está certo. — Disse ele com falsa curiosidade.
— Eu... isso… você…. — Como sempre Malfoy ficou sem palavras e seu rosto pálido tinha duas manchas vermelhas nas bochechas.
Harry teve que se segurar para não rir, adorava fazer ele ficar assim, tinha a impressão que nem lhe dar um soco no nariz lhe daria tanta satisfação, talvez, pensou, um dia descobrisse.
— Sim, Malfoy, eu acho que estou certo porque é a única explicação para você continuar insistindo em vir me procurar. Nós não somos amigos, aliás, quando você ofereceu sua amizade, eu recusei sim, como você disse, mas eu lhe disse que dependia de você nos tornarmos amigos no futuro. Infelizmente, suas atitudes desde então são apenas uma demonstração dos preconceitos puristas que causaram a última guerra e que levaram ao assassinato dos meus pais. — Harry deixou de lado o sarcasmo e o olhou com frieza. — Você tem capacidade para compreender isso, Malfoy?
— Compreender o que? — Disse ele, parecendo ter recuperado a compostura.
Harry suspirou olhando para o garoto loiro e se perguntando se valia a pena, mas, talvez isso o impedisse de voltar a importuna-lo.
— Você ama seus pais, Malfoy?
— É obvio, Potter. — Respondeu ele como se o considerasse pouco inteligente.
— Sim, obvio, então pense por um segundo se algum idiota preconceituoso e cruel viesse até sua casa e os matasse. — Disse Harry duramente, seus olhos verdes brilharam como fogo frio. — Depois de pensar e pensar e pensar, compreenda que não existe maneira, circunstância, motivo ou desculpas no mundo que me farão ser amigo, colega, aliado de negócios com pessoas que pensam como aquele assassino. E se você só quer vir aqui de novo e de novo para me provocar, esqueça, porque tenho problemas e preocupações demais para ficar de picuinha com um filhote que não para de latir para chamar a atenção. Agora saia!
Malfoy fez menção em sair e depois se voltou e zombou levemente.
— Essa é a razão para você pensar e pensar Potter, ou como já lhe disse, você vai acabar como eles.
— Vamos fazer um acordo Malfoy, e nem por um segundo pense que estou brincando, você não volta a falar dos meus pais com essa boca imunda e eu não quebrarei esse seu nariz empinado. — Harry se levantou agora, cansado e no limite de sua tolerância, o encarou olho no olho. — Eu tenho sido paciente com você, eu tenho sido um Ravenclaw, eu tenho sido o bruxo que fui educado para ser e apenas te lembrado o seu lugar, reflita antes de você vir me procurar novamente o que eu posso fazer com você se decidir descer ao seu nível e dos seus. — Sua voz abaixou até um sussurro e a ameaça estava muito clara.
Malfoy finalmente, pareceu perceber que estava chegando a um limite perigoso e mostrando mais astucia que o normal, saiu e seus gremlins mudos e sem noção o seguiu.
Harry voltou a se sentar tentando controlar a raiva que sentia, a vontade de esquecer quem era e descontar um pouco de sua raiva em alguém, mas Malfoy não era esse alguém, ele não era nada, apenas um espinho chato. Sim, pensou, era isso que queria, encontrar Voldemort e faze-lo pagar pela morte de seus pais, não se importava em ser herói, não se importava com o mistério e aventura, em se tratando do assassino deles tudo o que queria era machuca-lo, destruí-lo e se ele estava mesmo vivo precisava treinar ainda mais porque quando chegasse o momento queria ser o único a termina-lo para sempre.
— Acalme-se, Harry. — A voz de Terry chegou de muito longe e foi só quando olhou para os amigos que percebeu que sua raiva mal contida liberara sua magia.
E foi só então que ele percebeu que mal conseguia respirar, lembrando, instantaneamente, do dia em que descobrira sobre Sirius que a raiva o consumira e só voltou a respirar quando colocou a cabeça para fora da janela de seu quarto. Harry, abruptamente, foi até a janela do compartimento, abriu o vidro e se forçou a respirar fundo uma, duas, três vezes até o aperto no peito diminuir e o ar encher seus pulmões.
Sentia a raiva percorre-lo ainda e lembrou como ele fizera magia acidental naquele dia também, as marcas de suas mãos ainda estavam nas paredes de pedra de seu quarto. Mas se recusou a deixar que o mesmo acontecesse agora, fechou os olhos e tentou focar na respiração e não pensar em nada, apenas respirar, era o que o livro sobre oclumência ensinava primeiro, a importância de estar em contato com seu centro, ou seja, respiração, magia, sentimento, pensamento. E o livro de meditação de Mason ensinava técnicas de meditação de todos os lugares do mundo. Assim, o livro que encontrara no Beco vinha sendo muito útil.
Ignorando os sons e vozes se concentrou em sua respiração até que sua magia se acalmou e respirou mais um pouco até a raiva diminuir e não restar nada além de respirar e a energia da magia que o percorria, o abraçava, o protegia. Essa era a ausência de si mesmo que vinha tentando alcançar a duas noites antes de dormir e, aqui e agora no Expresso Hogwarts, ele conseguiu. O mundo parecia não existir e o peso de seu corpo pareceu desaparecer e a calma que acompanhou era algo jamais sentida.
No compartimento os amigos o observavam com olhos arregalados, tudo mudara tão rápido, num instante ele estava zombando do Malfoy, depois dando uma lição de moral e em seguida Harry o ameaçava, sua raiva palpável. Depois que Malfoy fora embora todos esperavam algum comentário irritado ou sarcástico, mas ao em vez disso sua magia se agitara fortemente saindo do seu corpo e crepitando em volta como eletricidade no ar. E então, ele estava ofegante como se corresse uma maratona e o ar não alcançasse seus pulmões, Terry tentou acalma-lo e Harry o olhou surpreso como se não tivesse percebido o que acontecia.
E então ele saltou, abriu a janela e começou a respirar fundo o ar fresco e frio até acalmar a respiração, todos pensaram que era o fim e que ele fecharia a janela, sua magia parecia recuar, mas então algo inexplicável aconteceu, sua magia o flutuou no ar e ele pairou em posição de repouso a uns trinta centímetros do banco.
— Que é isso!? — Gritou Hermione, assustada.
Neville engasgou alto e quando Hermione fez menção de tocá-lo Terry assumiu o comando se levantou e falou em um sussurro:
— Não toque nele.
— Mas...
— Shhhhhssss. — Disse Terry e indo até a porta disse. — Colloportus. — Depois fechou as cortinas. — Vamos fazer silencio e não vamos toca-lo.
— Mas o que ele tem? — Sussurrou Neville, preocupado.
Todos os três se sentaram em um dos bancos estofados e observaram Harry flutuando sobre o outro banco, a magia ainda crepitava levemente e sua expressão era de paz, parecia quase estar dormindo.
— Isso se chama meditação magica, Harry me disse que vinha tentando chegar ao estado de ausência a duas noites. — Explicou Terry num sussurro.
— O que? — Hermione perguntou confusa.
— Ausência? Mas... ele não está aqui? — Neville olhou para Harry de olhos arregalados.
— Não, ele está ali fisicamente, magicamente, mas sua mente está em estado de ausência. Vou explicar do começo, vocês já ouviram falar de oclumência? Não? Bem, trata-se... — Terry em um sussurrou explicou aos amigos a importância e como Harry conseguiu os livros de Mason e descobrira que acalmar a mente, magia e emoções com meditação ajudaria a aprender oclumência mais rápido e eficientemente. — Mason pesquisou muito e até visitou países como a China, Índia, Sri Lanka recolhendo e aprendendo técnicas, bruxas e trouxas, quando ele voltou escreveu um livro sobre meditação. Harry o comprou no Beco sem nem saber nada sobre oclumência, mas depois que conseguiu os livros que ensinam oclumência, percebeu que a primeira coisa que tinha que aprender era a meditação mágica.
— Ok, mas o que tem de diferente entre uma meditação comum e a mágica e porque ela ajuda a aprender oclumência mais rápido e melhor? — Disse Hermione e dava para ver seus olhos brilhando intensamente pelo interesse.
— Eu ainda não sei tudo, não li os livros, Harry está terminando e depois vai me emprestar, mas pelo pouco que eu entendi, se você está usando uma técnica de meditação qualquer pode ter bons resultados, dorme melhor, menos stress, mais controle sobre as emoções e assim por diante, mas realizando a meditação magica você atinge um maior controle sobre sua magia, sobre as emoções que controlam sua magia e sobre sua mente, não apenas seus pensamentos, mas algo mais transcendental e pode até encontrar o centro dos seus pensamentos e de sua magia. — Terry olhou para o amigo. — E se você consegue chegar neste estado pode controlar seus pensamentos e emoções de maneira que um legilimente apenas vê o que você quer que ele veja. Tem mais benefícios, Harry estava muito interessado e ansioso, mas não sei com o que.
— Parece incrível! Fascinante! — Disse Hermione corada de animação.
— E ele vai ficar assim por muito tempo? — Perguntou Neville agora mais tranquilo.
— Não sei e nem sei se o Harry sabe. — Disse Terry dando de ombros e decidiu passar o resto da viagem lendo em silencio.
Seus amigos seguiram seu exemplo e todos ficaram quietos com suas leituras até que escureceu e as montanhas ficaram mais conhecidas e quando todos os três se perguntavam o que fariam sobre o amigo, Harry pousou suavemente no banco e abriu os olhos.
Harry voltou a sentir, ouvir, cheirar e abriu os olhos lentamente sentindo uma paz que jamais sentira na vida. Percebeu que estava deitado no banco e olhando em volta encontrou seus três amigos o encarando, sorrindo suavemente, apenas se sentiu bem e afetuoso sobre eles.
— Oi. — Disse e logo em seguida o trem apitou e freou lentamente até parar, Harry sorriu mais ao perceber que já estavam em Hogwarts.
— Você está bem, Harry? — Terry perguntou suavemente.
— Nunca estive melhor, desculpe se os assustei. — Respondeu se sentando. — Mas toda a discussão com Corner e Malfoy me encheu de raiva e pensar em Voldemort vivo tornou tudo demais, assim minha magia reagiu a minha raiva. Quando percebi que precisava me acalmar para não fazer magia acidental, decidi usar uma técnica de respiração e foco de Mason, não pensei que atingiria o estado de ausência, mas agora percebo que estava fazendo errado antes. — Disse ele sincero, ficar fingindo que estava tudo bem ou que não acontecera nada demais era contraproducente.
— Errado? — Perguntou Hermione curiosa.
— Sim, mas precisamos de mais tempo e privacidade para poder explicar a vocês. Agora é melhor irmos. — Disse Harry enquanto se levantava, seus amigos concordaram e Terry destrancou a porta.
Deixando o trem os quatro caminharam na direção das carruagens sem cavalos que se movia por magia.
— Eu percebi que vocês estavam sem baú no compartimento, mas tive a impressão que pelo menos você tinha o seu quando pegamos o trem a duas semanas. — Observou Hermione enquanto se aproximavam do castelo.
— Eu sempre mantenho meu baú encolhido, Harry comprou um novo com essa capacidade também. — Disse Terry tirando o malão diminuído do bolso e mostrando a ela, que arregalou os olhos pronta para fazer um monte de perguntas, mas Harry se adiantou.
— Neville, você não nos contou sobre sua nova varinha, sua avó deixou que pegasse a sua quando conversou com ela? — Perguntou ao amigo.
Neville corou na hora e seus ombros caíram, seus olhos tristes.
— Não, eu conversei com ela e expliquei o que o Olivares contou a vocês, mas ela disse que era bobagem e que antigamente era comum que as Famílias guardassem as varinhas dos antepassados e que elas passassem para os novos membros. — Neville estava muito cabisbaixo. — Eu expliquei a ela que se eu testasse as varinhas antigas guardadas em nosso cofre poderia encontrar uma mais compatível comigo, contei que a varinha estava me impedindo de fazer magia forte ou mesmo realizar alguns feitiços. Ela ficou muito zangada, disse que a varinha do meu pai o ajudou a ser um grande bruxo e pode me ajudar também, que tenho que me esforçar mais, que a falha é minha e não da varinha.
Sua voz acabou em um sussurro tão suave que era difícil ouvir, Harry suspirou e trocou um olhar com Terry, lembrando que seu amigo precisava de apoio e confiança.
— O que você acha Neville? Você concorda com ela? — Perguntou Terry suavemente.
— Eu não sei, sempre achei que seria um aborto ou um bruxo fraco, não sei no que acreditar. — Neville deu de ombros sincero.
— Bem, então você precisa descobrir, ter certeza e mesmo que não seja tão poderoso quanto seu pai, tudo bem. Mas você não pode desistir ou se sentir mal sem nem saber. — Disse Harry com firmeza.
— Harry está certo, Neville, você é inteligent melhor em Herbologia, com as preparações para as aulas sua memória está melhorando. Quando tiver sua própria varinha aposto que seus feitiços vão melhorar. — Afirmou Hermione, parecendo perceber que Terry e Harry estavam tentando motiva-lo.
— Vocês acham mesmo isso? — Neville perguntou parecendo esperançoso.
Harry suspirou ao perceber que apenas alguns dias com sua avó o criticando sua confiança despencara lá embaixo.
— Todos acreditamos nisso Neville, de verdade, e acho que mesmo diferente, você pode ser um bruxo tão incrível como seu pai foi. Mas não importa o que pensamos e sim o que você acredita, podemos incentiva-lo pelos próximos meses, mas quando chegar o verão sua avó vai voltar a critica-lo e não estaremos lá. — Harry o olhou intensamente. — Apenas se você acreditar em si mesmo, não importará tanto o que ela diz ou pensa de você.
Eles ficaram em silencio depois disso, até porque a carruagem parou em frente a escadaria e eles se apressaram em subir e entrar no saguão para sair do frio assombroso. Felizmente, alguém, provavelmente, Hagrid limpara a neve dos degraus e eles chegaram ao topo sem acidentes. Se despedindo os amigos entraram no Grande Salão indo em direções diferentes, cada dois para sua mesa. Harry olhou em volta para o espaço iluminado e não pode deixar de sorrir, sentira falta de Hogwarts, estivera tão ocupado vivendo tantas coisas novas e intensas que só agora e aqui percebia como era bom estar em Hogwarts.
Enquanto os meninos faziam uma intensa e diferente viagem no Expresso de Hogwarts, os Boots seguiram de taxi até a casa de Martin e Elizabeth, onde deixaram as crianças aos seus cuidados depois do almoço e em outro taxi foram para a estação e pegaram outro trem para Reading. A viagem de quase uma hora foi tensa e silenciosa e depois de mais um taxi até um Pub trouxa local, Serafina e Falc se sentaram em um canto discreto com boa visão para a porta e ignoraram o barulho alto que os torcedores de algum time de futebol faziam ao assistir ao jogo nas TVs disponíveis.
— Você acredita que eles vêm? — Perguntou uma tensa Serafina depois que o marido voltou do bar com duas cervejas quentes e espumosas.
— Eles confirmaram que sim e não acredito que vão voltar atrás quando concordamos em vir até aqui, eles devem morar por perto, imagino. E ele é nascido trouxa, deve conhecer bem esse Pub. — Falc falou passando o braço pelos ombros da esposa e observando o Pub atulhado. — De qualquer forma, eles queriam mais detalhes e quando disse que tinha que ser pessoalmente e não por carta concordaram desde que fosse aqui. Eles escolheram bem, um lugar trouxa, barulhento, seguro para os dois lados e mais importante para o assunto que vamos discutir. — Concluiu ele e bebeu um gole da cerveja com uma careta, essa era uma invenção trouxa que não o agradava tanto.
— O anonimato é bom, mas ainda me preocupe que se recusem a ajudar. Qual seria o próximo passo se isso acontecer? — Serafina perguntou baixinho.
— Temos mais uma ou duas ideias, mas essa é a que temos mais chance de sucesso. Vamos usar todas as armas, inclusive o nome do Harry. — Falc disse firmemente, ao ver sua expressão, continuou. — Eu sei, não me agrada essa manobra também e se não fosse pelo fato de que sei que Harry não vai se importar não a usaria, mas vamos ver, talvez nem seja necessário.
Ao falar isso sinalizou com a cabeça para um casal que vinha caminhando na direção da mesa deles. Os dois se levantaram para recebe-los, nenhuma identificação era necessária, eles não frequentavam exatamente os mesmos círculos, mas haviam se esbarrado algumas vezes, o suficiente para se reconhecerem facilmente.
— Boa noite. Agradecemos muito que tenham vindo. — Disse Falc sorrindo levemente.
— Você não nos deu muita escolha com todo aquele, "importante e urgente" em sua misteriosa carta. — Disse a mulher com dureza.
— Acame-se querida, vamos nos sentar, pegar uma bebida e ouvir o que é tão importante. — Disse o homem mais tranquilo e foi ao bar buscar duas canecas de cerveja quente para os dois.
Quando os quatro se acomodaram com suas bebidas não puderam falar porque nesse momento os gritos de gol se espalharam por toda parte e o barulho era ensurdecedor. A mulher mais velha de cabelos pretos compridos olhou em volta com um ar de desprezo e superioridade. Por alguns minutos os dois casais beberam suas bebidas casualmente enquanto se avaliavam não tão discretamente. Por fim o homem que tivera um sorriso de prazer ao observar a agitação do bar os encarou mais seriamente.
— Bem, você nos deixou muito curiosos Falc e seu tom sugeria que um lugar anônimo era o mais aconselhável. — Disse o homem.
— Foi uma ótima escolha. E mais uma vez obrigada por virem. — Disse Falc e Serafina acenou agradecendo com um sorriso suave.
— Bem, vamos ficar de trocas de gentileza ou vamos direto ao ponto. Quero saber qual o assunto tão importante e urgente que me fez vir para esse lugar vil. — Disse a mulher e seu olhar não admitia discussão.
— O assunto é seu primo, Andrômeda. — Disse Falc com a mesma firmeza e olhando-a nos olhos, acrescentou. — Precisamos falar sobre Sirius Black.
O silencio que se fez só foi quebrado pelos gritos de protestos que vieram da multidão, que diziam "isso não é pênalti! " "Que juiz burro! ". Enquanto isso na mesa, Andrômeda Tonks e seu marido Ted trocaram um olhar confuso antes de encararem o casal mais jovem de novo e agora pareciam os dois muito sérios e mal-humorados.
— Porque estão vindo me falar daquele traidor depois de tantos anos? — Andrômeda disse com frieza, seus olhos escuros mostrava o desprezo ao falar do primo.
— Calma, Andy. — O homem barrigudo de rosto redondo e com bochechas gordas e coradas pelo frio, Ted, passou o braço em volta dos ombros da esposa. — Falc, Serafina, vocês podem nos dizer do que se trata isso tudo? Todo esse mistério e urgência para falar de Black?
— Desculpa, não temos a intenção de fazer mistério, apenas como dito na minha última carta, o assunto é importante e urgente e o sigilo fundamental. Assim peço aos dois que independente de não quererem nos ajudar mantenham essa conversa em segredo absoluto. — Pediu Falc intensamente.
— E porque teria interesse em sair por aí falando daquele traidor. Assim como não tenho interesse em falar agora. — Andrômeda fez menção de se levantar, mas Serafina se adiantou e pegou sua mão sobre a mesa.
— Andrômeda, por favor, nos escute, jamais teríamos contatado vocês se não fosse uma questão de vida ou morte, entendo que seja doloroso, mas nos de apenas alguns minutos. Garanto a você que valerá a pena. — Disse ela em tom de urgência.
Andrômeda a encarou com atenção e, depois de trocar outro olhar com o marido, se acomodou outra vez.
— Muito bem, mas serão apenas alguns minutos. — Disse ela implacável.
— Ok, vou aproveita-los então, você o chamou de traidor Andrômeda, Black, entendo por isso que você tem informações concretas sobre o que ele fez? — Perguntou Falc em um tom duro, ele era muito bom em interrogar testemunhas.
— Informações que todos têm Falc, ele foi condenado a vida em Azkaban por trair os Potter e matar um amigo, além daqueles pobres trouxas. Do que se trata isso? — Andrômeda estava impaciente.
— Por favor, me responda só mais algumas perguntas. Primeiro onde você estava quando tudo isso aconteceu? Como foi informada? Você se encontrou com seu primo? — Falc disparou intensamente.
Andrômeda parecia que queria protestar, mas Ted segurou seu braço e seriamente a aconselhou com um olhar a responder. Suspirando, contrariada, acenou antes de olhar para o casal Boot.
— Muito bem, nós, Ted, minha filha e eu estávamos no subsolo, pois minha irmã Bellatrix estava decida a nos matar para limpar a linha da Família Black e honrar seu mestre. Quando soube da morte de você-sabe-quem e que a guerra se acabara, tanto ela, como Sirius já haviam sido julgados e condenados a vida em Azkaban e, obviamente, não tive nenhum interesse em me encontrar com qualquer dos dois. — Falou ela com firmeza.
— Entendo, diga-me, sem as informações do que aconteceu naquela noite e depois o assassinato de todas aquelas pessoas, você esperaria algo assim de Black? Do que você conhecia dele? — Falc continuou e agora até mesmo Andrômeda o olhou com certa confusão.
— Não, claro que não. Meu primo era completamente contra os pensamentos puristas desde bem jovem e sua classificação na Gryffindor foi apenas um reflexo disso. Sua chamada rebeldia poderia ter sido uma fase como diziam meus tios, seus pais, mas sua amizade com James era o mais importante para ele e ainda nada comparado ao amor que sentia por aquele menino. — Disse Andrômeda com o olhar distante. — Eu o vi apenas três vezes depois que seu afilhado, Harry, nasceu e Sirius só conseguia falar dele, mostrar foto, exibi-lo, elogia-lo, parecia até que ele era o pai de tão orgulhoso estava. Quando tudo aconteceu pensei que era um engano e que apareceria no julgamento, mas então um dos amigos deles, Lupin me procurou para dizer que o julgamento já acontecera e a culpa de Sirius era incontestável. Ele já havia sido condenado a vida em Azkaban.
— Isso não te levou a se perguntar, Andrômeda, porque você não foi chamada em seu julgamento? Como a única pessoa de sua família que poderia atestar seu caráter, da relação dele com os Potters e o afilhado, como advogado sei que sua defesa teria você no banco como uma das duas testemunhas. Não lhe pareceu estranho? — Falc tinha um olhar mais sério do que nunca.
— Eu... — Ela hesitou e trocou um olhar com marido, parecia levemente assustada, além de confusa. — Nem pensei nisso, nós estávamos escondidos, não incomunicáveis, Sirius sabia onde era nossa casa segura, por isso só ficamos sabendo do fim da guerra quando Ted visitou o mundo trouxa para algumas compras e viu as comemorações nada discretas dos bruxos. — Seu tom era de desprezo. — Nos perguntamos porque Sirius não veio pessoalmente informar o que acontecera, mas então quando começamos a receber informações mais completas descobrimos sobre os Potters e sua prisão. Escrevemos a Dumbledore imediatamente, questionando o que exatamente acontecera e dizendo ser impossível que Sirius traísse os Potters.
— Ele nos enviou Lupin que contou em detalhes sobre o Fidelius e a explosão da rua e que Sirius já fora condenado, as provas eram incontestáveis. — Ted continuou quando sua esposa se emocionou, seu olhar dizia que estava muito interessado e preocupado. — O que está acontecendo Falc? Vocês não são o tipo que especulam sobre coisas sérias sem um bom motivo, principalmente, depois de tantos anos. Acredito que é a hora de vocês nos fornecerem algumas respostas.
— Sim, desculpe a insistência e as perguntas, mas isso só nos dá uma base para entender como e quando tudo aconteceu. — Suspirando Falc olhou em volta e depois se inclinou sobre a mesa, baixando o tom de voz antes de continuar. — Fui contratado por uma pessoa que trouxe um novo olhar sobre o que aconteceu naquela noite, nos meses antes e nos dias após o ataque aos Potters que levou a prisão de Black.
— Alguém? Como assim? Quem os contratou? — Andrômeda estava surpresa. — Ainda não entendi nada disso, Sirius, não importa o que você diga foi comprovadamente julgado e condenado por seus crimes e isso é tudo uma grande perda de tempo. — Era obvio que a mulher mais velha, de expressão fria e dura, não toleraria mais tolices e voltas.
— Esse é o problema Andrômeda, tudo o que sabemos se baseia nesta certeza que era a minha também e, mesmo quando a pessoa que me contratou esfregou na minha cara que a ideia de seu primo ser o traidor dos Potters era tão absurda e ilógica, eu me apeguei a isso. — Falc a olhou intensamente nos olhos e viu quando a verdade a atingiu.
— Não... não, não... eles não fizeram isso... — Ela sussurrou chocada.
— Sirius nunca teve um julgamento, Andrômeda. — Falc disse simplesmente e viu seu rosto empalidecer, Ted a abraçou mais forte como se tentasse segura-la.
— Isso não é possível, quem manda uma pessoa para aquele inferno sem ao menos um julgamento? Falc, você tem certeza sobre isso? — Ted perguntou com dureza, seu rosto estava pálido e angustiado.
— Sim, consegui acesso, discretamente e verifiquei. Sirius nunca foi nem mesmo interrogado, a Ministra Bagnold assinou sua condenação e o enviou para Azkaban instantes depois de ser trazido pelos aurores. Não ouve investigação dos aurores, não ouve interrogatórios, ele não teve permissão a um advogado de defesa e muito menos chegou perto de um juiz ou júri. — Falc enumerou as injustiças e viu a dor e angustia pesarem sobre os dois.
— Oh! Meu Merlin, o que fizemos Ted, eu sabia que não poderia ser, eu sabia, mas quando soubemos que ele foi condenado, Lupin nos disse, provas incontestáveis, testemunhas. Sirius, oh, Sirius, Ted, o que fizemos! — Gritou Andrômeda aflita, mas felizmente com todo o barulho ninguém a ouviu ou os notou.
— Acalme-se, Andy, vamos ouvir o que eles têm a nos contar, nos culparmos e nos desesperarmos não vai ajudar o Sirius. — Disse Ted e seu tom calmo chegou a esposa que chorava aflita.
— Sim, sim, Ted, você está certo. — Disse ela quase sem folego e enxugou as lagrimas do rosto, impaciente. — Falc, conte-nos tudo o que descobriu e quem é essa pessoa, mas o mais importante nos diga como você pretende tirar Sirius daquele inferno e como podemos ajudar.
Falc suspirou aliviado e trocou um sorriso com Serafina, e eles nem precisaram usar o nome Harry Potter.
— Eu tenho total intenção de falar cada detalhe, mas acho que precisamos ir para um lugar mais secreto. Esse é um lugar anônimo o suficiente, mas como as próximas informações precisamos de sigilo máximo. — Falc disse olhando-os seriamente. — Vocês entendem isso? Ninguém deve saber ou suspeitar que descobrimos que Sirius não teve um julgamento ou que pretendemos tirar ele de lá. Isso colocaria sua vida em risco e dificultaria muito descobrir uma maneira de ajuda-lo. Isso incluiu Lupin e Dumbledore.
O casal Tonks trocaram um olhar e nem precisaram dizer nada, nunca confiariam em Lupin e Dumbledore outra vez.
— Vamos até nossa casa ou vocês preferem ir até a de vocês? — Perguntou Serafina suavemente.
— Em nossa casa Nymphadora pode chegar a qualquer momento e ficaria muito curiosa, não acredito que devemos envolve-la. Ela está começando o seu treinamento Auror e não podemos coloca-la em risco, eu conheço minha filha, ela iria querer investigar. — Disse Andrômeda pensativamente, Ted acenou concordando.
— Vamos para o Chalé Stone Grove e sugiro que se preparem para algumas revelações nada agradáveis. — Disse Falc se levantando e todos caminharam para fora do pub.
Eles foram até um beco e Falc levou em aparatação acompanhada Ted e Serafina levou Andrômeda. Quando se acomodaram na biblioteca com um chá quente desta vez a mulher de cabelos escuros e encaracolados, pálpebras pesadas e pele pálida parecia ainda mais imponente devido a melhor iluminação. O homem parecia mais alto, calvo e barrigudo e seus olhos castanhos, bondosos, o que era um contraste com os olhos negros e frios da esposa.
— Bem, conte-nos tudo. — Disse ela firmemente e impaciente segurando seu chá com elegância.
E então Falc contou e por quase uma hora não houve interrupções, ainda que algumas exclamações e palavrões tenham sido proferidos. Quando terminou Ted o olhava abismado e mesmo Andrômeda tentava disfarçar a surpresa.
— Vocês estão nos dizendo que um garoto de 11 anos pensou em todas essas coisas e descobriu o que ninguém no Ministério conseguiu e mesmo nós nunca consideramos? — Ted perguntou.
— Harry é menino muito inteligente e sagaz, mas também doce e maravilhoso. — Serafina disse com um sorriso carinhoso. — Assim que chegou ao mundo magico quis descobrir mais sobre seus pais e quanto mais ele sabia mais queria saber e quanto mais aprendia menos fazia sentido que Sirius fosse o traidor.
— Sim, mesmo quando explicamos sobre o Fidelius, sobre Pettigrew e os trouxas mortos, essas novas informações só lhe mostraram ainda mais como sem sentido era tudo. Nada do que foi exposto como culpa do Sirius tinha qualquer coerência com as personalidades de seus pais, Sirius e Pettigrew. — Falc suspirou, com vontade de um whisky ao em vez de chá. — E confesso que tudo o que ele deduziu me deixou chocado, mas ainda continuei me apegando ao fato de que Black foi julgado, foi meu pai que percebeu o que poderia ter acontecido. Estivemos nos arquivos dos processos antigos nos feriados e não tinha um único funcionário, assim, entramos e saímos sem despertar curiosidades. Conseguimos todos os documentos necessários sem chamar atenção e vamos usá-lo para libertar Sirius, mas queremos também provar a inocência dele, por isso que pedi a você, Andrômeda que nos ajudasse com esse importante movimento.
— Porque isso é tão importante? Porque você quer provar a inocência do Sirius? — Ted perguntou ainda incomodado.
— Porque precisamos mostrar que se os aurores tivessem se dado ao trabalho de investigar ou se Sirius tivesse tido um advogado de defesa competente e a oportunidade de um julgamento, um homem não estaria preso naquele inferno a 10 anos. — Falc explicou intensamente. — Como você disse um garoto de 11 anos deduziu tudo isso porque se importou o suficiente para olhar, fato que não ocorreu com os envolvidos na prisão de Sirius, se alguém tivesse dado a mínima atenção ou se os procedimentos legais corretos tivessem seguido, tudo teria sido diferente. Se ele for libertado poderá ainda ter que passar por um julgamento, mas se nossa investigação mostrar sua inocência, Sirius poderá se concentrar apenas em sua recuperação e os culpados por tudo isso serão punidos como se deve.
— Além dos nossos depoimentos você pretende interrogar mais alguém? — Perguntou Andrômeda tentando deixar de lado o outro assunto no momento.
— Bem, tinha planejado enviar uma carta para Lupin, mas depois que vocês me contaram que foi ele, quem os informou sobre o que aconteceu, não sei se seria aconselhável. — Disse Falc sincero.
— Lupin não pode ser responsabilizado por termos acreditado na culpa de Sirius, suas informações vieram direto de Dumbledore. Lembro-me de Lupin nos contando que estava em uma missão para a Ordem da Fênix e quando foi chamado de volta e soube o que acontecera Sirius já estava em Azkaban, assim ele também não sabe que não houve julgamento e acreditou no que o diretor lhe disse. — Ted falou com firmeza. — Mas sou obrigado a lhe dizer que pelo conheço dele, Lupin é extremamente leal a Dumbledore, posso estar errado, mas acredito que assim que terminar sua reunião com ele, sua primeira parada será ir informar ao diretor de tudo.
Falc trocou um olhar preocupado com Serafina, isso era preocupante, eles tinham esperança de ter Lupin como um aliado na liberação de Sirius e na obtenção da custódia de Harry também.
— Bem, teremos que procurar outras pessoas que os conheciam então, mas a verdade é que esses depoimentos são apenas para uma constituição do caráter, da personalidade dos envolvidos. Isso nos dá uma base, um contexto para explicar porque Sirius não poderia ser o Guardião do Segredo, mas são dois crimes diferentes e o assassinato de todas aquelas pessoas e o fato de que afirmaremos que Pettigrew está vivo, precisará de mais provas. Andrômeda, sei que o que te pedi é algo impossível, mas acredito que seria importante, fundamental se fizéssemos isso. — Falc disse com sinceridade.
— Ainda não compreendo seu raciocínio, principalmente, se você quer manter o sigilo sobre tudo, esse movimento pode atrair a atenção de pessoas que matariam Sirius em um piscar de olhos. — Afirmou Ted preocupado.
— Isso é obvio Ted, Falc quer ter certeza, ele mesmo, da inocência de Sirius. — Disse Andrômeda com olhar astuto.
— O que? Mas achei que tudo isso era por que você já tem certeza. — Ted falou indignado.
— Eu tenho certeza que Sirius não traiu os Potters e, mesmo sem ter certeza de quem disparou aquele feitiço que matou tantas pessoas inocentes, pretendo ajuda-lo, pois ele foi injustiçado e eu defendo a justiça. É meu dever corrigir essa falha, mas temos que considerar que na hora da raiva pelo de Pettigrew fez, Sirius poderia ter tentado mata-lo e acidentalmente matado aquelas pessoas. — Falc suspirou e os olhou com sinceridade. — Isso renderia a ele um processo, algum tempo de prisão e ainda assim eu o defenderia, porque existe uma diferença entre forte emoção e imprudência e assassinato frio e calculado. Mas precisamos preparar o Harry para essa possiblidade, de que o padrinho não apenas matou 13 pessoas, mas também poderia ter que ficar preso por mais um pouco de tempo.
— Preso por mais tempo? E esses últimos 10 anos não contam em nada? — Andrômeda estava furiosa.
— Na verdade, contam sim e ele poderia ser até perdoado, mas ainda assim um processo e julgamento caberia e seria longo e desgastante. Precisamos nos preparar e ao Harry, ele é nossa prioridade. — Falc a olhou com atenção. — Sei que estou pedindo muito...
— Você não está pedindo muito e minha hesitação não é por mim e sim preocupação para com a segurança de meu primo, mas entendo seu raciocínio e estou mais do que disposta a ajudar. — Disse Andrômeda com determinação.
— Andy... — Ted tentou protestar, mas a mulher o cortou.
— Eu já virei as costas para ele uma vez, Ted, meu primo, minha família, o único do meu sangue que me aceitou, te aceitou e mesmo assim eu acreditei que ele era culpado de se unir a você-sabe-quem. Que tolice, porque agora percebo seguindo o raciocínio de Harry, que se ele fosse mesmo o espião teria entregue nossa localização a Bella e nem estaríamos aqui nesse momento! — Andrômeda estava quase aos prantos outra vez, mas respirou fundo buscando se acalmar e olhou com firmeza para Falc. — Diga-me o que você precisa que eu faça, em detalhes.
— Muito bem, o que precisamos é que você... — Falc passou mais uma hora explicando em detalhes cada passo e movimentos até que os Tonks se sentiram seguros do que tinham que fazer no dia seguinte.
Quando eles partiram os Boots foram buscar os filhos mais novos e tentaram ignorar o vazio que se sentia na casa com a ausência de Terry e Harry, passando uma noite de domingo tranquila e tentando ignorar a semana decisiva que tinham pela frente.
Enquanto os Boots tentavam ter uma noite tranquila, Terry e Harry depois do saboroso e farto jantar estavam na sala comunal conversando com os colegas, falando das férias, agradecendo os presentes trocados. Mandy trouxera sua vitrola e uma música dos Beatles tocava para a surpresa e encanto dos puros sangues que conheciam o aparelho, mas não banda trouxa de sucesso. O barulho de conversa era alto, mas hoje a sala não era para estudo e sim confraternização.
Harry reencontrou o time de quadribol que parou para agradecer pelos presentes, Trevor ouviu ele falando de futebol e logo eles entraram em uma discussão sobre táticas defensivas. Owen lhe deu um meio abraço agradecido, parecia menos preocupado e muito aliviado por poder fazer as aulas de Carpintaria Magica. Harry percebeu que suas roupas continuavam simples e desgastadas, mas ele parecia alegre e animado com as aulas e quadribol.
MacMillan veio agradecer pelo vinil com entusiasmo, ele parecia sincero ao dizer que gostara da banda e logo Mandy pegou seu vinil e colocou para todos ouvirem, tinha até algumas pessoas dançando. Melrose também apareceu e agradeceu, mas sua insinceridade era tão obvia que se Harry não tivesse tão mais calmo depois de sua meditação, teria o acusado de falsidade. Davies gostara de suas luvas de atacante e Martín das luvas de goleira, fora meio sem imaginação, mas eles pareciam ter gostado da lembrança.
Harry riu e conversou muito, ficou longe de Chang e suas amigas que lhe lançaram olhares irritados e de outras que lhe lançaram alguns olhares estranhos. Conversou com Penny, que contou sobre suas férias meia bruxa e trouxa e os dois concordaram que os dois mundos eram bons, não dava para virar as costas para nenhum deles. Harry comentou que tinha algumas ideias e que assim que pudessem queria se reunir com ela e saber sua opinião.
Quando foi dormir ele apreciou com mais atenção sua mesa e cadeira novas, de madeira escura e brilhante, agora poderia fazer estudo extras aqui sem ninguém saber. Suspirando, Harry arrumou tudo para as aulas do dia seguinte, roupas, materiais na mochila nova, limpou seu quarto e banheiro. Depois de tomar suas poções foi dormir se sentindo leve e pronto para as aulas do dia seguinte, tinha até feito suas preparações na sexta-feira, mas antes precisava tentar sua meditação mágica.
Agora que entendera o que precisava fazer Harry deitou na cama e focou na respiração seus pensamentos ainda estavam agitados, mas o foco na respiração era a figura enquanto o resto era o fundo. Dessa vez sua magia estava calma, sem agitação, assim precisou de certo tempo para senti-la, mas logo a encontrou, a energia, o poder que fluía por seu sangue, sua pele, até mesmo seus cabelos. No trem ele queria acalma-la para evitar fazer magia acidental, agora Harry queria expandi-la além de si. Mason dissera que o benefício da meditação magica era o exercício do conhecimento e controle de sua magia, além de, com maior rapidez encontrar uma profunda ausência física e espacial. Harry entendendo o que devia fazer usou sua magia para limpar sua mente e quando conseguiu o estado de ausência de si, tudo deixou de existir, seu corpo, seu quarto, o castelo, pensamentos e problemas, só existia a magia e ela o sustentava o nutria o aquecia. Seu corpo se elevou na cama por alguns centímetros e por vinte minutos ele meditou até que alcançou um equilíbrio. Harry sentiu sua magia abraça-lo e recuar para dentro dele e suspirou de contentamento e, um segundo depois, estava dormindo.
Enquanto no dia seguinte Harry acordava e com Terry ia fazer seus exercícios, no Ministério da Magia os funcionários de cargos mais baixos chegavam mal-humorados com a segunda-feira e pensando em todo trabalho que teriam, pois, seus chefes puros-sangues ainda estavam de folga ou férias extras apenas por serem os chefes. Entre os inúmeros funcionários que chegavam uma visitante caminhou habilmente e calmamente na direção dos elevadores, depois de deixar sua varinha na portaria e tendo escondido uma varinha extra, um pequeno teste para checar se eles a descobririam.
Entrando no elevador Andrômeda Tonks agiu normalmente, sem chamar atenção com nervosismo, arrogância ou tentando se ocultar. Se fossem perguntados ninguém que andou de elevador com ela saberia descreve-la, suas roupas ou expressão. Quando o elevador parou na sessão dois ela se encaminhou para o Departamento de Execução das Leis da Magia, mas se desviou tranquilamente para a área de Serviços Administrativos da Suprema Corte dos Bruxos, onde se desviou para o escritório de porta marrom onde se lia Escritório Administrativo de Azkaban. Batendo na porta levemente entrou e encontrou uma pequena recepção com duas mesas e apenas um bruxo. Ao fundo tinha uma porta para um escritório vazio.
— Bom dia. — Disse suavemente e educada para o jovem de óculos quadrados, roupas simples e expressão entediada.
— Bom dia, Sra., sou Gibson Coffey, como posso ajuda-la? — Sua voz era esganiçada como de um papagaio e o tom de tedio era flagrante.
— Olá, Sr. Coffey, gostaria de solicitar a visita de um prisioneiro. — Disse Andrômeda.
— Ok, primeiro a Sra. só pode visitar prisioneiros da sua família, qual seu parentesco com o prisioneiro? — Disse em tom de que já repetira isso incontáveis vezes.
— Ele é meu primo. — Respondeu ela, indiferente.
— Muito bem, precisa preencher este formulário, se não houver nenhuma restrição a visitação poderemos agendar. Os agendamentos ocorrem em até uma semana, mas nesta época do ano o número de visitas diminui por causa das férias dos funcionários, assim elas podem levar mais tempo. — Disse o Sr. Coffey lhe entregando uma folha de papel.
— Oh! Tinha esperança de encontra-lo amanhã, tenho algumas questões legais de família para resolver e pensei que poderia ter tudo certo em poucos dias. Não seria possível agendar um horário para amanhã, Sr. Coffey? — Perguntou ela com uma expressão triste.
— Sinto muito, minha colega de trabalho ainda não chegou e meu chefe está de férias, ele não voltará em mais duas semanas. Na prisão também o superintendente está de férias, além de outros supervisores, e com menos pessoal ficamos restritos. — Disse lançando um olhar mal-humorado na direção do escritório, claramente, não gostava de seu chefe.
— Entendo e sinto muito que esteja tão sobrecarregado, mas o senhor parece um homem tão competente, aposto que poderia me ajudar sem precisar de ter um chefe em cima lhe dando ordens. — Disse ela docemente enquanto, distraidamente, preenchia o formulário.
— É, claro, claro que posso te ajudar...hum, bem porque não, amanhã as 10 horas tem um horário mais do que possível, minha colega, Judith já chegou e posso receber o prisioneiro. Sou mais do que capaz. Vamos apenas confirmar se não existe restrições. — Disse ele estufando o peito e pegando sua varinha passou pelo formulário preenchido com um feitiço de verificação, para ver se faltou alguma informação ou se o prisioneiro tem restrições ou proibições de visitação. — Tudo ok, Sra. Tonks, a senhora tem um horário marcado amanhã as 10 horas para visitar o prisioneiro número 390. Não existem restrições quanto a alimenta-lo, mas não pode lhe fornecer quaisquer tipos de objetos. Eu mesmo o receberei aqui, por favor, chegue 15 minutos antes. — Ele disse como um papagaio que repete uma frase decorada.
— Claro, Sr. Coffey e muito obrigada, tinha absoluta certeza de sua competência, poderei trazer meu advogado para conversar com meu primo e explicar as questões legais da herança de família? — Disse Andrômeda com um sorriso doce e sincero.
— Claro, seu advogado terá que se registrar, mas ele pode acompanha-la, se o prisioneiro quiser ter seu próprio advogado é um direito dele, Sra. Tonks, não podemos tirar os direitos de um prisioneiro. — Disse em tom professoral de quem segue regras.
— Oh não, isso seria um crime, não é, mas não se preocupe, meu primo não vai precisar de um advogado. Obrigada por tudo Sr. Coffey e até amanhã. — Disse Andrômeda com um último sorriso e, em seguida, deixou o Mistério da Magia como entrou, quase invisível.
Na manhã seguinte entrando, separadamente, Andrômeda e Falc chegaram ao pequeno Escritório Administrativo de Azkaban as 9:45 da manhã e encontraram o Sr. Coffey e mais uma jovem que, sentada em sua cadeira, lia a Revista Witch Weekly, dava risinhos e nem se dignou a olha-los.
— Bom dia, Sr. Coffey, este é meu advogado, Sr. Falc. Eu contei a ele como prestativo você foi em nos ajudar hoje. — Disse Andrômeda com um sorriso suave.
— Sra. Tonks me falou quão competente e gentil você se mostrou e agradecemos muito Sr. Coffey, assim poderemos ter tudo resolvido ainda essa semana. Nos poupa muitos problemas, obrigada mais uma vez. — Disse Falc em tom absolutamente sincero.
Sr. Coffey estufou o peito, ergueu os ombros e pareceu ficar alguns centímetros mais alto.
— É um prazer auxilia-los e esse é meu trabalho. Por favor, me acompanhem até a área de visitação. — Disse ele com sua voz esganiçada, mas sem o tedio habitual.
Os três foram completamente ignorados pela jovem na mesa e não encontraram ninguém no caminho quando caminharam para a área de visitação, que se descobriu ser um corredor escuro, onde se abriam portas para salas sem janelas. Ele abriu a porta 3 onde uma mesa se mostrava, havia três cadeiras, uma de um lado da mesa e outras duas do outro lado, de frente a primeira.
— Bem, as 10 horas em ponto o prisioneiro 390 chegará via chave de portal a essa mesa algemado, pés e mãos. O aviso de visita foi enviado por formulário ontem à tarde, então o prisioneiro deve ter sido preparado, banho e roupas limpas, pois Azkaban não é o lugar mais limpo. — Disse Sr. Coffey com uma expressão de nojo. — Quando o prisioneiro chegar perguntarei se ele quer receber sua visita e se quer a presença de seu advogado, esse é um direito dele. — Olhando para o relógio, acrescentou. — Como dito, é permitido que a Sra. lhe traga comida, mas nenhum objeto pode voltar com ele, então o prisioneiro terá que comer aqui. Seu tempo de visita é de uma hora, mas pode terminar antes e se houver algum tumulto eu terei que encerrar mais cedo. Vocês já deixaram suas varinhas, assim entendo que magicas não serão realizadas. Sr. Falc, ao sair por favor, pare em meu escritório, preciso registrar sua visita. Alguma pergunta?
— Tudo me parece muito claro, muito obrigada Sr. Coffey. — Disse Falc, também olhou no relógio e neste momento uma luz azul apareceu e quando se foi Sirius Black estava sentado na cadeira, algemado, magro, pálido e muito confuso.
