Capítulo 25

Andrômeda teve que sinalizar para que Sirius ficasse calmo o Sr. Coffey se adiantou e, ignorando sua conversa silenciosa, falou com sua voz esganiçada.

— Prisioneiro 390, sua prima Sra. Tonks solicitou uma visita, você aceita sua solicitação?

Sirius demorou a responder, confuso além da razão, a muito tempo não estava longe de um dementador ou como um cachorro e tudo lhe parecia um sonho ou alucinação. Que começara mais cedo com um banho e roupas limpas, ainda que fosse o uniforme de pano grosseiro e cor apagada de Azkaban. E agora estava aqui sendo visitado por sua prima a quem ele nunca imaginou que veria outra vez. Quando o funcionário de voz esganiçada repetiu a pergunta Sirius detectou a urgência na expressão de Andy e caiu em si, isso estava mesmo acontecendo.

— Sim. — Respondeu simplesmente com a voz tão rouca que nem a reconheceu como sua.

— Você gostaria da presença de seu advogado? — Tornou a perguntar o funcionário.

Que advogado? Sirius voltou a olhar para sua prima e pela primeira vez percebeu um homem distinto que deveria ser um advogado e sua confusão aumentou.

— Não. — Sussurrou ele mais uma vez.

— Muito bem, voltarei em uma hora. — Disse ele e saiu da sala.

Houve um momento de silencio e então Andrômeda se adiantou e para seu choque completo o abraçou e sussurrou em seu ouvido palavras de carinho que ele não entendeu, mas compreendeu pelo que era. Sem poder se conter ele se derreteu em seu abraço e chorou baixinho, por alguns minutos se apegou ao seu cheiro limpo e suave de rosas, as lembranças o engolfaram até Sirius sentir que se afogaria.

— Andy, Andy, eles se foram Andy. Foi minha culpa, oh, Andy, tudo minha culpa. — Disse ele em um sussurro rouco e triste.

— Calma Sirius, não temos muito tempo, esse não é o momento de emoções. Eu que sou uma tola, Sirius me olha. — Disse Andrômeda com firmeza o obrigando a levantar a cabeça e olha-la nos olhos, seu rosto parecia o de uma caveira de tão magro, seus olhos cinzas estavam escuros e assombrados. — Precisamos te tirar daqui, mas você precisa nos ajudar, desculpe não vir antes, sinto muito. — Sua voz se embargou e ela olhou para Falc em busca de ajuda.

— Sr. Black, Sirius, descobrimos a pouco tempo que você nunca teve um julgamento, antes nossas informações era de que sua culpa era incontestável e que seu julgamento foi apenas uma formalidade devido as provas e testemunhas. — Fala disse em tom baixo e intenso. — Meu nome é Falcon Boot, pode me chamar de Falc, vamos trabalhar juntos para te tirar daquele inferno e para isso precisamos de sua ajuda.

— Sirius, Falc é um advogado e ele sabe como te libertar, mas precisa de ajuda para provar sua inocência, você pode nos dizer tudo o que aconteceu? — Andrômeda disse mais calma e segurando suas mãos fortemente.

— Foi minha culpa Andy, tudo minha culpa, eu não mereço sair de lá, eu os matei... — Seu tom de derrota e ombro caídos e lagrimas eram tudo o que ele tinha.

— Sirius, isso é muito importante, você matou ou causou a morte dos Potters? — Falc perguntou em um tom duro.

— Foi como se fosse, tudo minha culpa, Andy quanto tempo passou? — Disse ele com olhar confuso.

Suspirando Andy, pegou em sua bolsa algumas poções e colocou garganta abaixo de Sirius, aos poucos a poção calmante e pepper-Up fez efeito e ele se acalmou e parecia mais desperto.

— Preste atenção, temos pouco tempo e não teremos sorte de vir visita-lo sem sermos notados, temos uma pequena janela de oportunidade e precisamos que você se recomponha e nos ajude, nos de informações para podermos te libertar. Agora, Sirius Orion. — Seu tom de comando e frieza assim como as poções foram o suficiente para o centrar, mas foi seu nome inteiro que lhe deu a noção de si mesmo e da realidade.

— Andy, Andy, você está aqui, depois de tanto tempo não esperava vê-la nunca mais. E quem é você de novo, desculpa, estava muito confuso. Obrigada pelas poções, por falar nisso. — Disse ele, sua voz ainda rouca estava mais forte e sua expressão tinha mais do antigo Sirius.

— Eu sou Falc Boot, um advogado e não se preocupe em se desculpar, você está muito melhor do imaginávamos. Depois de tanto tempo achei que o encontraria em um estado mental muito pior, os Dementadores não estão estacionados em sua cela? — Perguntou Falc surpreso.

— Sim, mas eles não podem me enlouquecer como os outros porque eu sou inocente, mas isso não é uma lembrança feliz, porque ainda é tudo minha culpa. — Disse Sirius com amargura e autodesprezo.

— O que isso quer dizer? — Perguntou Falc tentando controlar o medo de que todas a deduções estivessem erradas.

— Porque foi minha ideia mudar o Guardião Secreto, eles pediram para mim ser Andy, para mim, mas pensei que era muito obvio e que eles precisavam de mais proteção e sugeri mudarmos para aquele maldito rato! — Disse ele com fúria, para o rato e si mesmo.

Aliviado Falc ignorou sua explosão e trocou um olhar com Andrômeda que também parecia mais tranquila.

— Sirius, precisamos resolver algumas questões legais, queremos provar sua inocência e para isso precisamos de provas, só posso recolher provas de um prisioneiro se ele me aceitar como seu advogado. Você me aceita como seu representante legal? — Falc foi objetivo.

— Eu, claro, isso seria incrível, finalmente ter um advogado e a chance de um julgamento. Eu tentei dizer aos guardas que eu era inocente, mas eles nunca me escutaram e nem me deixaram pedir um advogado, um deles disse que eu já estava condenado a vida em Azkaban. Você pode reverter isso? — Sirius perguntou esperançoso.

— Vamos tentar, aqui assine isso, nosso tempo está se esgotando, já passou vinte minutos. — Disse Falc apressadamente e entregou uma pena e uma declaração ao Sirius que com dificuldades assinou apesar das mãos algemadas.

— O que agora? — Perguntou Sirius ansioso.

— Vou recolher as memórias de cada evento, o que aconteceu naquela noite, na noite em que você encontrou Pettigrew, como vocês mudaram o Guardião Secreto, o dia em que o Fidelius entrou em vigor. Quero também uma lembrança de sua relação com os Potters e uma de Pettigrew que você acredita evidencia sua personalidade, que o tornaria capaz de ser o traidor. Isso é muito importante Sirius, você acha que apesar do Dementadores consegue me fornecer essas lembranças? — Falc perguntou preocupado enquanto retirava diversos frascos de vidro verde escuros e lacres vermelhos da pasta.

— Sim, nunca poderia me esquecer de nada disso, não são lembranças felizes, acredite. — Sirius continuou amargo e ficou surpreso quando Andrômeda apareceu com uma varinha.

— É uma varinha infantil, tem pouco poder, mas o suficiente para que eu consiga as lembranças, não quis solicitar o uso de uma varinha, isso só é permitido em caso de recolhimento de provas, mas não queria isso registrado e que chamasse a atenção. O chefe do escritório está de férias e quase não tem ninguém importante no Ministério, é uma pequena janela. — Explicou Falc.

— Dissemos que o motivo da visita são questões legais de herança e o jovem funcionário nem sabe quem você é e queremos que continue assim. Vamos manter o sigilo até o momento de podermos tira-lo de Azkaban em total segurança. — Disse Andrômeda com um sorriso triste.

Logo em seguida Falc recolheu as lembranças e encheu os frascos de provas. Quando terminou sinalizou para Andrômeda que retirou um pote com uma sopa de legumes cheirosa e nutritiva, e mais algumas poções de nutrição.

— Aqui Sirius, tenho autorização para lhe trazer comida, trouxe uma sopa quente e nutritiva. É mais leve e não vai te fazer mal e tem algumas poções de nutrição, não vai resolver sua desnutrição a longo prazo, mas lhe dará um pouco de saúde até te tirarmos de lá. — Disse ela lhe entregando o pote e uma colher.

Sirius nem disse nada e apenas atacou comendo desesperadamente a sopa e por quase dez minutos ele até esqueceu a presença dos outros dois na sala. Quando terminou, um pouco envergonhado, tomou as outras poções e suspirou, sentindo se cheio e quente como a muito tempo não se sentia. Ao pensar nisso abriu os olhos e encarou sua prima que parecia mais velha do que se lembrava.

— Obrigada Andy e desculpa comer feito um troll. — Disse ele e depois perguntou o que mais temia. — A quanto tempo estou aqui Andy?

— Está tudo bem, foi por isso que queríamos resolver as questões legais antes de lhe alimentar. — Andy suspirou e o olhou com carinho. — Você está em Azkaban a 10 anos, Sirius.

Sirius arregalou os olhos chocado, imaginara que já fazia alguns anos, mas 10? Todo esse tempo perdido, porque ninguém viera ajuda-lo e mais importante, onde estava Harry?

— Harry? Ele está bem? Dumbledore cuidou dele? Eu o entreguei ao Hagrid, mas devia ter ficado com ele ao em vez de ir atrás do rato. Andy, ele já deve estar em Hogwarts, quem cuidou dele todo esse tempo? Ele também acha que sou culpado, um monstro como vocês todos pensaram? — Sirius perguntou com urgência e desespero.

— Sirius... — Andrômeda disse com voz embargada pela tristeza e culpa.

— Foi por isso que vocês me esqueceram, não é? Todos vocês, Remus, Dumbledore, nenhum dos colegas da Ordem, você... — Sua voz se esmoreceu diante a dor que sentia. — Ninguém nunca nem me visitou ou veio saber ou perguntar o que aconteceu naquela noite, todos vocês tinham certeza de minha culpa, acreditaram que eu poderia ter entregado a localização de James, Lily e Harry. Harry, Andy! Eu morreria por ele, duas, mil vezes eu morreria por todos eles, mas Harry, você sabe o que ele significava para mim. Vocês todos sabiam...

— Sirius, por favor, me perdoe, não tem perdão, mas eu lhe imploro que me perdoe, fomos informados que você havia sido julgado e condenado. Eu escrevi para Dumbledore e ele enviou Lupin que disse que haviam testemunhas e provas que eram incontestáveis e ficamos chocados, mas não paramos para pensar no absurdo e na falta de sentido. — Andrômeda ficou sem voz, mas respirou fundo e controlou as lagrimas. — Não tínhamos todas as informações e não sabíamos que não houve nenhum julgamento, eu juro, se eu imaginasse que te mandaram sem ao menos um interrogatório não teria descansado até te tira daqui e agora é o que vamos fazer, Falc e eu não vamos parar até você estar livre.

— Não posso culpa-la e nem sei se mereço sua ajuda porque no fim eles foram mortos e eu nem consegui pegar o rato, ele fugiu antes que pudesse mata-lo pelo que fez. — Sirius suspirou de amargura e desprezo outra vez. — Harry, Andy, me diga que ele está bem? Que está seguro?

— Sirius, é por causa de Harry que estamos aqui. — Disse Falc e olhando para o relógio suspirou, sabendo que seu tempo estava acabando. — Nosso tempo está acabando e tenho mais algumas coisas para perguntar, assim apenas escute. Tudo o que conversamos deve ser mantido em sigilo se alguém aparecer especulando sobre o que Andrômeda queria com você diga que era uma questão de herança da Família Black e mostre aversão e raiva ou que ela te odeia, não de nada sobre a verdade. Preciso que você se lembre de qualquer pessoa que possa depor a seu favor, alguém que não seja totalmente leal ao Dumbledore, que conhecia vocês todos e pode dizer que a ideia de você trair os Potters sempre foi absurda.

— Eu... — Sirius tentou pensar e ao mesmo tempo sua mente não parecia parar de pensar em Harry e que em breve estaria de volta aquele inferno. — Eu não consigo pensar em ninguém, que ainda estejam vivos ou sãs, Remus é minha primeira opção, mas ele é totalmente leal ao Dumbledore e por que ele não pode saber disso e o que quer dizer com vocês estarem aqui por causa do Harry? — Suas perguntas saíram um atropelo confuso.

— Sirius, preciso que se concentre, esqueça Dumbledore, no momento não podemos confiar nele, se ele te procurar não fale absolutamente nada do que conversamos. Me fale alguém mais que possa ajuda-lo e te falo do Harry. — Disse Falc duramente e viu os olhos do homem moreno brilhar ao ouvir o nome do afilhado.

— Eu... Maria, Maria MacDougal, ela não estava na Ordem da Fênix, mas namorava Caradoc Dearborn que era um dos membros, quando ele desapareceu nós nos aproximamos porque ela queria se envolver nas suas buscas. Passamos semanas trabalhando lado a lado, ela estava arrasada porque eles estavam prestes a anunciar o noivado, mas nunca o encontramos, nenhum corpo. — Disse Sirius, pensativo. — Emmeline Vance, nós saímos por um tempo, nada sério, mas éramos amigos e ela e Gideon estavam em um enrosco quando ele morreu junto com o irmão Fabian. Nós bebemos juntos e depois disso ela se afastou da Ordem, ainda queria lutar, mas tinha certeza que tínhamos um espião entre nós e que foi por isso que os gêmeos Prewett foram emboscados daquela maneira. Emmy teve uma discussão com Dumbledore, queria que ele agisse mais efetivamente e descobrisse quem era o espião. Quando Marlene e a família foram mortos, percebemos que estávamos sendo dizimados e foi por isso que não contamos a ninguém que mudamos o Guardião, nunca teríamos pensado que o espião era Peter, nunca... — Sirius voltou a ter aqueles olhos assombrados.

— Muito bem, vou procura-las, escute Sirius você quer informações sobre o Harry? São pensamentos felizes, os Dementadores vão se banquetear dessas emoções. — Disse Falc preocupado.

— Não se preocupem, eu tenho uma carta na manga, por favor, me fale sobre ele, como está meu garoto? — Sussurrou Sirius se inclinando para frente com uma fome bem diferente.

— Foi ele que descobriu tudo Sirius, quando soube sobre você, sobre sua amizade com seus pais e ser seu padrinho, Harry imediatamente começou a refletir e deduzir que nada fazia sentido. Que da descrição da personalidade de James e Lily e a sua, não era lógico e provável que as coisas aconteceram como todos acreditavam, ele passou horas falando sobre linha do tempo e como nada se encaixava. Até que finalmente paramos de discutir com ele e fomos verificar e descobrimos que você não tinha tido um julgamento. — Falc disse e sorriu ao lembrar daquele dia, um dos mais chocantes de sua vida.

— Harry...? Ele acredita que sou inocente e descobriu tudo? Mas como? — Sirius estava além de chocado, nem mesmo receber visitas depois de tantos anos o surpreendera tanto.

— É uma longa história Sirius, quando você sair vou contar em todos os detalhes, apenas saiba que Harry nunca acreditou que você trairia seus pais e a ele. — Disse Falc e olhou para o relógio, o tempo se fora e precisavam sair.

— Eu ainda não o conheci Sirius, mas Falc me disse que ele é um menino maravilhoso, muito doce e inteligente. Está na casa Ravenclaw, em Hogwarts. — Disse Andrômeda emocionada ao ver Sirius chorando outra vez.

— Ravenclaw? Não Gryffindor? Ele deve ser um gênio, mas com pais como os que ele teve. — Sirius chorou baixinho ao pensar no lindo bebê que tanto amava.

— Sirius, o tempo acabou, controle se não queremos que eles te vejam chorando isso chamaria a atenção. Rapidamente me diga, você disse que entregou o Harry para o Hagrid, quando foi isso exatamente? — Perguntou Falc com urgência.

Com muito esforço Sirius se controlou e devia ainda ser um efeito da poção calmante, porque por dentro sentia vontade de se encolher e chorar para sempre.

— Foi depois que James e Lily foram mortos, eu cheguei ao Chalé Iolanthe e encontrei tudo destruído e eles estavam mortos. Hagrid chegou logo depois e me ajudou a tirar tira-los. Eu subi as escadas, parecia que poderia desabar se ele fosse para cima, peguei Harry que estava chorando no berço e o corpo de Lily... — Sirius engasgou de dor, mas respirou fundo. — Eu nem sabia o que fazer, mas Hagrid disse que Dumbledore o enviara para buscar o Harry e leva-lo para segurança. E então, eu o entreguei para ele e percebi que estaria seguro e decidi que tinha que ir atrás do rato, eu dei minha moto voadora para eles partirem em segurança e comecei a persegui-lo. E... bem na verdade está tudo nas lembranças que lhe dei. — Concluiu ele mais tranquilo.

— Isso é ótimo, agora que temos tudo concluído, vamos finalizar as documentações da herança. — Disse Falc sorrindo animado ao mesmo tempo que a porta se abriu e o prestativo funcionário entrava. — Ah, Sr. Coffey, na hora certa, temos tudo concluído. Pode enviar o prisioneiro de volta, esperarei em sua sala. — Falc lhe lançou um ultimo olhar firme e Andrômeda lhe deu um sorriso animador.

Depois eles saíram da sala e foram para a porta do Escritório.

— Eu quis que ele voltasse a lembrança triste antes de voltar e não estivesse pensando no Harry, se não os Dementadores iriam come-lo vivo quando voltasse e isso o ajudou a se acalmar, se estivesse chorando, mesmo o ingênuo Sr. Coffey teria sua atenção desperta. — Sussurrou Falc rapidamente. — Eu preciso ficar para meu registro e você pode sair, melhor assim separados como entramos. Nos encontramos em minha casa, como combinado.

Andrômeda apenas acenou e saiu rapidamente, sua máscara estava no lugar antes que cruzasse com qualquer pessoa e mais uma vez deixou o Ministério sem alertar ninguém que em menos de uma hora eles conseguiram informações que alterariam todo o mundo magico.

Falc a seguiu logo depois sentindo um grande peso sobrecarregar seus ombros. Seu encontro com Sirius trouxera alivio, mas ampliara o número de problemas, liberta-lo não seria difícil, mas liberar Harry das garras de Dumbledore lhe parecia impossível. Depois da reunião daquela manhã e a informação de que o diretor enviara Hagrid para busca-lo, antes mesmo de os aurores chegarem e descobrirem as mortes, chamarem o Departamento Infantil. Os corpos dos pais ainda estavam quentes e Dumbledore já enviara alguém para pegar Harry e enviar para a casa dos Dursleys.

Harry explicara que o Guardião de Hogwarts contara ter lhe tirado da casa em ruinas e o levado para os tios, assim, e ele teria que confirmar a cronologia, depois que Sirius entregara o bebê Harry e a moto voadora para Hagrid, este o levara por ordens de Dumbledore para o número 4 antes mesmo do Sirius ser acusado de qualquer coisa ou preso e condenado sem um julgamento. E, em tudo isso, uma pergunta o atormentava, qual era o interesse de Albus Dumbledore em Harry Potter?

Quando chegou em casa para almoçar com Serafina, um habito que os dois tinham duas ou três vezes por semana, a encontrou andando de um lado para outro e soube por sua expressão que antes de comer, teria que contar tudo para ela em detalhes.

— Por onde quer que eu comece? Dumbledore ou Sirius? — Perguntou divertido.

— Vamos começar pelo almoço, sei que deve estar com fome, quase não comeu nada no café da manhã. — Disse ela e o encaminhou para a cozinha onde a mesa estava posta.

Falc suspirou, tantos anos juntos e ela ainda o surpreendia e nunca saber o que faria a seguir era uma das coisas que o fazia ama-la tanto. Ele agradeceu e a beijou suavemente e depois os dois comeram em silencio e só então foram para a biblioteca.

— Me conte sua reunião com Dumbledore e apenas o mais importante do encontro com Sirius, não terei tempo para mais que isso tenho aulas em uma hora. — Pediu ela quando se sentaram nas poltronas.

Falc acenou e pensou naquela manhã quando fora para o escritório depois do frugal café da manhã, preparado e com sua oclumência ao máximo, repassando as estratégias. O escritório ainda estava vazio, no dia anterior ele também chegara cedo e saíra tarde depois de uma discussão com seu sócio de muito anos. Harry estivera com sua intuição no lugar certo, Anton estava em êxtase ao saber que Falc conseguira os negócios da Família Potter para o escritório e tinha um monte de ideia de usar o nome do menino-que-viveu para trazer ainda mais clientes ricos. E ficara zangadíssimo quando Falc lhe disse que isso não aconteceria e que ele, Anton, ficaria bem longe das contas Potters. A discussão acabou quando Anton deixou o escritório intempestivamente e ele esperava que hoje, depois do almoço, eles tivessem a oportunidade de se acertarem, mas a reunião com Dumbledore era o mais importante e foi no que ele se concentrou.

As 8 horas da manhã Dumbledore entrou em seu escritório com vestes lilases bonitas, cabelos e barbas brancas bem assentados e um sorriso sereno. Seus olhos azuis por traz dos óculos de meia lua brilharam quando Falc o recebeu na sala de espera com entusiasmo e um toque sutil de admiração. Depois dos cumprimentos e elogios, eles entraram em seu escritório e Falc preparou um chá, pessoalmente, para os dois enquanto falavam de amenidades, o trabalho dele, o de Falc, a família Boot e a saúde de sua mãe e como seu pai estava muito sobrecarregado. Sim, ele estava muito orgulhoso de seu filho Ravenclaw, ainda que esperava que Ayana fosse uma Gryffindor como ele, se não ele ficaria em muita desvantagem em casa e isso provocou riso e o clima era bom e no tom certo.

E então quando se sentaram e beberam seu chá, Falc iniciou o assunto que os reunira.

— Professor, sei que deve ter recebido uma carta de Carson Corner e minha carta marcando esse encontro o deixou curioso, se não já ciente do que aconteceu. Quando soube que o senhor era o Tutor de Harry fiquei muito surpreso, mas nada comparado a surpresa e alivio que ele sentiu. — Disse Falc falando tranquilamente. — Harry estava tão confuso e preocupado, saber que o teria para cuidar de sua herança até sua maioridade o tranquilizou muito. Agora que sou seu advogado tenho que verificar com o senhor exatamente quais são suas orientações para a administração dos negócios da Família Potter.

— Falcon, por favor, me chame de Albus, não sou mais seu diretor e agora que vamos trabalhar juntos me parece que toda essa formalidade deve ser desfeita ou tudo será mais cansativo. — Disse Dumbledore, sorrindo serenamente.

— Posso tentar, profess... veja é um habito e o senhor nem foi, realmente, meu professor. — Falc riu e seu convidado o acompanhou. — Vou tentar Albus e sinto uma grande honra em trabalhar com o se.… quer dizer, com você.

— Obrigada e na verdade também não me desagrada trabalhar com a Família Boot, até porque sei que vocês eram muito próximos aos Potters. — Disse Dumbledore bebendo o chá. — E sei que terão o melhor interesse de Harry devido a essa proximidade.

— Bem, eu, particularmente, respeitava muito o Sr. Fleamont e era colega de James, nossa diferença de idade nos impediu de sermos amigos próximos, mas ele era um duelista tão bom quanto o pai. Quando tivemos a oportunidade de duelar amigavelmente depois que ele terminou seu 5º ano, sou obrigado a confessar que ele limpou o chão comigo. — Disse Falc com falsa tristeza e os dois riram suavemente. — Mas papai fala com muito carinho do Sr. Fleamont, ele teve a oportunidade de cumprimentar e observar o Harry brevemente e o achou muito parecido com o avô e não com James, pois Harry é mais sério e tímido.

— Eu também observei o Sr. Potter e tive a mesma impressão, ele me parece muito sensível, algo que acredito herdou da mãe. Lily era muito intuitiva as emoções, acredito que Harry tem a chance de se tornar um grande bruxo quando crescer. Diga-me Falcon, como foi que você se tornou seu novo advogado? — Perguntou Dumbledore com voz serena e expressão que não revela nada.

— Ah, imagino que Corner deve ter lhe feito algumas acusações ou insinuações sobre mim, o desafiei a protestar formalmente. Disse e ele que não fiz nada antiético e muito menos ilegal. — Falc disse exasperado, tinha que mentir, sem mentir e sua oclumência garantia o resto. — Não vou negar que aproveitei uma oportunidade Albus, mas não sou um ambicioso sem coração, Harry chegou em casa para passar as férias de inverno, Terry insistiu muito, aquele menino herdou o coração da mãe e não podia tolerar que seu melhor amigo passasse o Natal sozinho em Hogwarts. Não vi muito Harry nos primeiros dias, muito tímido e preferia ficar com Terry e meus outros filhos e evitava os adultos. — Falc suspirou brevemente e tomou um gole de chá. — Em um dos jantares meu filho, Terry herdou o cérebro da mãe também, mas tem um dom para o Direito como os Boots, começou a falar, fazer perguntas e afirmou que Harry não recebera nenhum contato de seu administrador e advogado. Eu fiquei muito surpreso e Harry disse que não deveria ter ninguém cuidando das suas coisas, ele estava muito preocupado, nem sabia o que acontecera com o que seus pais lhe deixaram ou se havia um testamento. Albus, achei que devia ter havido um engano, mas não pude deixar de me preocupar que o administrador não entrou em contato porque não estava fazendo tudo legal como se devia fazer. Mas eu só poderia verificar e responder essas perguntas se ele assinasse um contrato legal e magico comigo. Aqui, eu tenho uma cópia do contrato para você. — Falc se levantou e pegou uma pasta vermelha e entregou ao diretor.

" Você verá que foi tudo feito corretamente e a magia aceitou a mudança, com o contrato pude me inteirar de tudo e responder as perguntas de Harry. Ele ficou preocupado que estivessem roubando o legado deixado por seu pais, mas quando contei a ele como você se tornou seu tutor e cuidou de tudo e, que mesmo se quisesse, Corner não poderia roubar nada ele se sentiu muito aliviado e grato. "

— Parece-me que tudo está correto, mas gostaria de examinar com mais atenção. — Disse Dumbledore olhando o contrato, seu cenho se franziu levemente ao ver a assinatura de Flitwick no fim. — Você deve entender minha preocupação, tudo aconteceu tão repentinamente que se fosse qualquer outra família estaria desconfiado, mas como sei que vocês não são puristas ou desonestos e da antiga amizade com os Potters me sinto mais tranquilizado de que ainda que inesperada, essa mudança não foi feita com propósitos negativos ao Sr. Potter. Espero que compreenda Falcon que o bem-estar do Sr. Potter é muito importante para mim.

— Eu não tenho a menor dúvida, sei o quanto se importa com seus alunos e imagino que para ir tão longe a ponto de se tornar seu tutor, você entendeu a importância do Harry para nosso mundo. Harry é muito tímido e não se importa com sua fama ou mesmo com dinheiro, fez poucas perguntas e só parecia querer saber que estava tudo certo. Ele estava muito preocupado com ter que tomar decisões sobre tudo, mas eu disse que era você quem cuidava e decidia sobre o espolio até que completasse 17 anos e Harry me pareceu bem mais tranquilo. Ele confessou que se sente perdido com o tudo que tem que aprender e que mais isso lhe parecia muito pesado. Fiquei com um pouco pena dele, na verdade, Albus, e fico feliz que ele tenha nós dois para cuidar de tudo. Quanto a honestidade de minha família, acredite, meu pai e avô me ensinaram muito bem e nunca me ocorreria tirar aproveitar de uma criança, muito menos uma a quem todos devemos tanto. — Disse Falc com firmeza.

Ele percebeu Dumbledore relaxar muito sutilmente, mas não baixou a guarda e esperou seu próximo movimento.

— Muito bem, fico feliz que pense assim. De qualquer forma foi minha decisão que Corner não entrasse em contato com Harry, acreditei que neste primeiro ou segundo ano eu o deixaria ser uma criança, se adaptar, se concentrar nos estudos e, bem, aproveitar a infância um pouco mais. Ele já tem pesos o suficiente para carregar sem colocarmos mais em seus pequenos ombros. — Disse o diretor muito contrito. — Mas deveria saber que seria impossível que não fosse informado sobre sua herança e história familiar. Percebi que seu filho está sempre lendo algum livro de história. — Especulou ele e Falc riu apesar do alarme de saber que o diretor esteve observando seu filho.

— Albus, meu sogro e minha esposa são professores de história, ele para universitários e ela para adolescentes. Terry cresceu respirando história e tem um dom para ensinar, na verdade, Harry tem se beneficiado muito desse seu talento. — Disse Falc orgulhoso.

— Sim, sim, observei suas notas e elas me surpreenderam, as suas notas trouxas eram medianas. Confesso que tinha certeza que Harry seria um Gryffindor e mais parecido com o pai em relação aos estudos. — Dumbledore sorriu sereno e seus olhos azuis tinham um brilho quase ofuscante. — Foi uma surpresa positiva e acredito que essa amizade será benéfica para os dois.

— Eu não passei tanto tempo com Harry, mas minha esposa Serafina observou seus deveres, ele tem algumas dificuldades, mas parece muito determinado em fazer bem feito. Disse a ela que quer deixar seu pais orgulhosos. — Comentou Falc ao se levantar e preparar um novo chá.

— Essa era uma das minhas preocupações, primeiro jogar um peso enorme sobre seus ombros e depois que o fizesse acreditar que ele tinha que corresponder às expectativas de ser um Potter, filho e neto de grandes bruxos e bruxas. E somado a isso há a perda dos pais e toda essa história de menino-que-viveu. — Dumbledore suspirou aceitando sua xícara com chá quente. — Pedi aos meus professores que não falassem muito sobre James e Lily e sobre a guerra, quero que ele se concentre nos estudos e no presente e não tente viver no passado ou pelos mortos.

— Ele faz poucas perguntas como lhe disse Albus, mas me pareceu muito curioso sobre os pais, você acredita que não falar deles é o melhor? Normalmente um órfão sente falta e quer saber mais das pessoas que os trouxe ao mundo, de onde eles vieram. — Falc considerou suavemente.

— Talvez, mas não acredito que seja o melhor para o Sr. Potter, acredito como disse que viver e aproveitar a vida e não viver de ilusões do passado é o melhor para ele. — Dumbledore falou com mais firmeza e Falc não era tolo para não perceber que estava recebendo uma ordem. — É por isso que quero que você pouco ou nada fale sobre os negócios da família ou dinheiro para ele, continuarei a cuidar de tudo e quando ele for maior de idade o ensinarei a administrar sua herança. Mas nada disso é importante agora Harry deve se concentrar em aprender, em se tornar o que precisa ser.

— O problema é que em nosso contrato me comprometi a lhe informar de tudo que fosse importante, algo que seu antigo advogado não fez. Isso o irritou um pouco Albus, ele não gostou de ser ignorado, talvez você precise reconsiderar, talvez seja melhor você o deixar informado, ciente, mas explicar que tudo está seguro até ele poder assumir. — Tentou Falc, ele sabia que estava se arriscando, mas tinha que saber até onde ia as ideias do diretor.

— Não, isso não é o melhor caminho, iria distrai-lo do que é importante. — Disse o diretor com firmeza e misterioso, Falc teve que se segurar para não perguntar o que era importante. — Bem, você só o informe que tudo está indo bem como os pais dele deixou, diga que eu estive e estarei cuidando de tudo e se ele insistir em saber mais detalhes, mostre o valor de seu cofre, mas evite mostrar as propriedades ou falar dos negócios que estão paralisados.

— Claro, mas não posso não responder a perguntas diretas, estou magicamente vinculado, você compreende, professor. Felizmente, Harry não faz muitas perguntas, mas não entendi porque não falar das casas que ele tem, quer dizer, entendo que não queira que ele saiba ou se preocupe com a fazendas de produções paralisadas, mas por que ele não pode saber das propriedades familiares?

— Quanto a produção, infelizmente, não podia dispor de tempo para gerenciar as inúmeras fazendas, Corner precisaria de mais do que apoio simbólico, seria necessário um gerente em tempo semi-integral e me comprometo a ajudar o Sr. Potter a retomar os negócios quando chegar o momento certo. O ajudarei pessoalmente, mas agora ele deve apenas ser um estudante, uma criança. — Dumbledore suspirou e o brilho de seus olhos arrefeceu. — Quanto as casas, é importante, e não posso lhe informar porque, sinto muito Falc, que Harry não saiba que tem outras casas. Disse ao Hagrid para lhe dizer que a casa de seu pais explodiu e quero que continue a acreditar nisso. É importante que ele acredite que a única casa que tem é a casa de seus tios e desde já lhe adianto que durante o verão ele não poderá ficar em sua casa como nas férias de inverno.

— Claro, se você tem certeza que isso é importante, não fizemos planos para as férias de verão de qualquer forma, mas Serafina o convidou para as férias de pascoa, sinto muito Albus, não tem como voltar atrás. — Disse Falc sinceramente contrito.

— Tudo bem, mas tente não o fazer se sentir muito em casa ou parte da família. Ele deve ter consciência que sua única família são seus tios. — Dumbledore suspirou e não parecia nada feliz. — Não lhe pediria isso se não fosse tão importante Falcon, acredite.

— Eu acredito Albus e espero que um dia possa confiar em mim para contar os motivos, gostaria de poder ajuda-lo. — Disse Falc sinceramente e usou a oclumência para esconder a raiva e o choque que sentia.

— Obrigado por sua compreensão. Acredite, tudo isso que faço é para o bem dele, Sr. Potter pode não ver assim um dia, mas minha intenção é protege-lo acima de tudo e prepara-lo. — Dumbledore concluiu deixando claro que não aceitaria mais argumentos.

— Ok. E, bem, se você mudar de ideia sobre retomar a produção das fazendas saiba que estou disposto a me envolver no trabalho duro e não me importo de supervisionar um gerente. Pense nisso, poder reerguer os negócios Potters traria muito prestigio para o meu escritório Albus. — Falc sorriu animadamente com a ideia. — O que exatamente você quer que eu faça sobre os negócios Potters e, se você puder me informar de onde 40% por cento da renda anual vem e como posso ajudar, ficaria ainda mais feliz.

— E foi isso, os negócios Potters se resumem a isso e agora sabemos de onde vem a renda fantasma. — Disse Falc cansadamente.

— Merlin, Harry ficará furioso e com razão e me apavora o que Dumbledore planeja realmente. Porque essa insistência para que ele fique nos Dursleys e para o que quer prepara-lo? — Serafina andava de um lado para o outro tensa. — E não quer que o tratemos como família, como devemos agir? Como se fosse um hospede indesejado?

— Não, acredito que a ideia é não o fazer se sentir em casa, apenas com uma visita, como o amigo do nosso filho. Ao em vez de um quarto poderíamos ter dado uma cama de campanha para ele no quarto do Terry mesmo que tivéssemos mais espaço. Poderíamos não ter chamado ele para o Natal e sim viajado para algum lugar de férias, assim ele e Terry ficariam em Hogwarts. Poderíamos ignorar ele o verão todo, apesar do Terry nos dizer que sua vida com sua família não é boa. Quando ele viesse nos visitar ignoraríamos sua magreza ou altura e apenas o entupiríamos de comida sem realmente resolver o problema. Seriamos gentis e educados, mas manter distância emocional para que ele nunca pense que para nós ele é tão importante como um dos nossos filhos. E claro, nunca fazer nada para ajuda-lo, efetivamente, contra seus tios e muito menos contra Dumbledore. — Falc expos claramente e se levantou. — Se nesse momento decidíssemos acatar suas ordens, faríamos tudo isso e aquele menino ficaria sozinho e abandonado.

— Mas não faremos isso. — Afirmou Serafina duramente.

— Maldição, com certeza não! — Disse Falc e os dois estavam além de furiosos. — A verdade é que nesse momento Dumbledore é nosso inimigo e teremos que estar mais atentos do que nunca. Não vou lhe dizer como foi o encontro com Sirius, quero que você assista na penseira hoje à noite com calma e vou mostrar para o papai também e a reunião com Dumbledore. Assim estaremos todos na mesma página e você deve ir querida, sua hora se esgotou. — Disse ele olhando para o relógio.

— Diga-me ao menos se estávamos certos, Sirius é mesmo inocente de tudo? — Perguntou Serafina ansiosa.

— Sim, Harry estava certo, ele é inocente e agora temos um grande número de provas para tira-lo de lá. — Respondeu Falc enquanto a acompanhava até o ponto de aparição.

Serafina suspirou aliviada e depois de um beijo de despedida aparatou em sua sala na escola trouxa. A porta trancada magicamente e o feitiço para afastar trouxa no lugar, assim ninguém descobria que ela não estava ali aproveitando o almoço para preparar atividades.

Falc também voltou para seu escritório, tinha muito trabalho acumulado por causa dos feriados e ainda mais a fazer sobre o caso de Sirius, o próximo passo era agendar entrevistas com a duas mulheres mencionadas por ele, que poderiam ou não ajudar no processo. Ele pretendia estar diante de Niklaus Balmat na semana seguinte se tudo corresse como o planejado. Assim que entrou em seu escritório e começou a planejar o resto do seu dia a porta se abriu e seu sócio Anton entrou.

— Anton, eu tenho muito trabalho e se você veio continuar a discussão de ontem, por favor, adiemos para depois do expediente, assim posso ao menos tomar um whisky de fogo enquanto te escuto. — Disse Falc cansadamente.

— Estou aqui em paz, vim me desculpar na verdade. — Disse o homem de cabelos loiros escuros e olhos verdes claros.

— Você, se desculpar? Está doente por acaso ou é algum espião polissuco? — Disse Falc meio irônico meio sério.

— Eu mereço isso e sou eu mesmo. Pergunte o que quiser, vamos lá. — Disse ele se sentando na borda da mesa.

— Ok, onde você estava quando sua filha Tracy nasceu? — Perguntou ele, sabendo que ninguém mais sabia disso, ele lhe contara em um desabafo bêbado.

— Isso é golpe baixo, muito baixo, estava na Enfermaria de Acidentes Mágicos do St. Mungo, porque quando aparatei para o Hospital ao saber que Leticia estava em trabalho de parto, me estrunchei. — Disse Anton com uma careta. — Obrigada por me lembrar do dia mais doloroso e humilhante da minha vida.

— Bem, você mesmo disse que merecia e ainda não me convenceu que não está doente. — Disse Falc com uma sobrancelha arqueada.

— Eu não estou doente também e quando cheguei hoje de manhã estava mais do que disposto a continuar insistindo em meu ponto e ainda acho que são ótimas ideias e que beneficiaria Potter tanto quanto nós. — Anton se afastou andando pelo escritório e depois parou em frente à mesa o encarou como um advogado a uma testemunha. — Mas então eu vi Albus Dumbledore deixar seu escritório e percebi que isso é muito maior do que você deixou transparecer. — Anton falou e seu olhar se manteve em seu rosto, mas Falc não deu nada, ele era tão bom advogado como o sócio.

— O que você espera que eu lhe diga meu amigo, quer que lhe conte que Dumbledore é o Tutor legal de Harry Potter e que não verdade quem manda em tudo é o diretor? Bem, você adivinhou certo, muito sagaz como sempre. — Disse Falc com um sorriso irônico.

— Acredita que sou idiota? Se Dumbledore está envolvido você tem muitos mais problemas com o que lidar do que, quem manda na herança Potter. Você sabe muito bem o que eu penso do nosso estimado diretor. — Disse Anton exasperado, depois o olhou esperando, mas Falc se manteve em silencio. — E você não o está defendendo como sempre fez quando apontei os defeitos do homem, seu inesperado silencio me confirma exatamente o que eu temia. E vejo por sua expressão que não vai me contar os problemas em que se enfiou. Ok, digo apenas que isso não é justo, lhe avisei muitas vezes que Dumbledore não era tão perfeito como todos pregam por aí.

— Anton, preciso lidar com as questões Potters sozinho, não importa o que. Assim, por favor, recue. — Disse Falc seriamente.

— Muito bem, farei isso, mas desde já conte comigo, o que você precisar eu farei, ajudarei e nem precisa me contar nada ou me dizer porque tenho que fazer isso ou aquilo. Se você está tentando passar a perna naquele homem e precisar de ajuda, saiba que farei qualquer coisa. — Disse Anton com determinação.

— Anton... — Disse Falc de coração apertado.

— Qualquer coisa, Falc. — E saiu da sala rapidamente.

Falc suspirou e com um movimento de varinha fechou a porta e começou a trabalhar. A semana prometia ser longa e ficar pensando no passado não ajudaria em nada.

A semana de Harry e Terry também começou com muito trabalho, aulas, leituras, aulas extras e no caso de Harry treino de quadribol, pois estavam a 3 semanas do jogo contra os Slytherins. Apesar do que sentira no trem Harry se sentiu aliviado de não ter que colocar, proteger a Pedra Filosofal, como umas das suas tarefas e preocupações ou então não haveria tempo suficiente para tudo.

Mas se ele aumentou as horas de treino em Defesa não foi porque estava preocupado com a Pedra ou Voldemort, de jeito nenhum, era apenas uma precaução, nada mais. E se ele não contou a seus amigos sobre seu desejo secreto de ir atrás de Voldemort também não era importante, porque na verdade eles não poderiam entender como se sentia.

Ainda assim preocupado com seus sentimentos de raiva Harry decidiu escrever para o Sr. Martin em busca de conselho, gostava de conversar com ele. Harry também decidiu tentar o diário que estava encantado para ninguém mais poder ver, mas ainda se sentia estranho, esperava que aos poucos escrever nele o ajudasse como dissera o Sr. Martin. Mas o que mais lhe ajudava eram os exercícios, correr o ajudava a esvaziar a mente, os exercícios aeróbicos e de fisioterapia o cansavam de um jeito bom e o enchia de adrenalina. E a meditação vinha lhe dando um sono sem pesadelos e sempre acordava repousado, sua ligação com sua magia ficava mais forte e era como se a cada noite uma tranquilidade o envolvesse. Agora o que precisava era trazer esse controle e tranquilidade para quando estivesse acordado e tendo que lidar com idiotas. Ainda se sentia tolo por ter deixado que Corner e Malfoy o atingissem, lhe tirassem a calma.

— Bem, Harry, você vai nos falar sobre os livros de meditação e oclumência hoje? Sei que estivemos muito ocupados, mas estou ansiosa. — Disse Hermione, eles estavam no Covil, era sexta-feira e depois de uma semana com muitas aulas e deveres tiraram a noite para descontrair.

— A verdade é que nada do que eu disser vai ser tão completo quanto vocês lerem os livros. Eu estou terminando o de oclumência e já passei o de meditação para Terry, que quando terminar vai passar para vocês dois. — Disse Harry pensativo. — É importante para nós dois aprendermos o máximo que conseguirmos de oclumência nos próximos meses e se vocês querem saber o que está acontecendo terão que aprender também.

— Ok, eu quero aprender de qualquer forma, quer dizer que não pode nos contar o que descobriu sobre Dumbledore até aprendermos oclumência? — Perguntou Hermione não muito feliz.

— Nem deveria ter dito isso a vocês, Hermione, você precisa entender, não é uma questão de confiança e sim da sensibilidade das informações e do fato de que o diretor poderia capta-las da sua mente facilmente. Terry lhe explicou o que era legilimência. — Afirmou Harry.

— Precisamos manter o perfil baixo Hermione, apenas a ideia que que temos algo a esconder pode estragar tudo. Mas eu leio rápido e é incrivelmente bom, ainda não consegui encontrar uma técnica de meditação que me ajude a alcançar o estado de ausência, mas já estou me sentido mais descansado, dormindo melhor. — Terry contou com entusiasmo.

— Ainda não entendi porque precisamos fazer meditação para aprender oclumência, não coisas diferentes? — Perguntou Neville olhando para o tabuleiro de xadrez bruxo, ele e Harry vinham jogando uma partida a quase uma hora.

— São artes diferentes, é assim que Mason chama a meditação e a oclumência. E não, você não precisa aprender meditação para aprender oclumência, mas Mason aconselha, pois se você conseguir meditar e mais importante, realizar a meditação magica, você está meio caminho para formar uma mente ocluída. — Harry olhou com atenção o movimento do amigo, já prevendo para onde ele iria e decidido a impedi-lo, queria cerca-lo e ataca-lo. Sr. Boot disse que Harry era mais agressivo do que defensivo, Neville parecia ser defensivo.

— Como assim? — Hermione perguntou, assistindo à partida.

— A primeira coisa que você precisa fazer para conseguir um mínimo de defesa mental é controlar suas emoções, controlar seus pensamentos e controlar e conhecer sua magia. Mason diz que com a meditação magica todas essas coisas são possíveis mais rapidamente e mais eficazmente. A meditação normal já é boa, mas se você consegue conhecer sua magia a chance de sucesso é maior. — Disse ele, quando viu Neville fazer exatamente o que ele esperava.

— Conhecer? — Terry estava confuso também.

— Sim, Terry quando você conseguir atingir o estado de ausência vai perceber, é como se fosse apenas sua consciência e a magia, a energia, não há mais nada físico, é uma experiência transcendental. — Contou Harry com entusiasmo. — A cada meditação magica, mais eu conheço minha magia e ela me conhece, cada vez ela se torna mais parte de mim e me conecto mais com ela. Mason explica que meditação todo mundo pode fazer, mas oclumência apenas nós bruxos podemos realizar porque oclumência é uma arte mágica. Mas é uma arte sutil e delicada, assim quanto mais você consegue utilizar sua magia suavemente e não bruscamente melhor e se você a conhecer e ela te conhecer poderá guia-la com mais controle.

— E isso é importante o controle da magia? — Perguntou Neville preocupado com isso e seu rei.

— Sim, Neville, mas não é uma questão de poder e sim de controle não apenas da magia, mas das emoções, pensamentos e até respiração. Quando um legilimente faz uma "leitura", se ele for bom, vai perceber sua mentira ou emoções até por sua respiração. E se ele que captar mesmo que superficialmente o porquê da mentira vai lhe olhar nos olhos e terá acesso as emoções, pensamentos e se for bom decifrará o que viu e saberá tudo o que pensa e sente, qual era a mentira e até qual é a verdade. Mas um bom oclumente nunca é pego na mentira e se o legilimente tentar captar suas emoções e pensamentos, sua magia sutilmente o protegerá. — Explicou Harry e sorriu quando a rainha tentou defender o rei e se colocou onde ele queria.

— A magia protege com barreiras mentais? — Perguntou Hermione curiosa.

— Barreiras? Como muros ou algo assim? Não, isso seria muito estranho, nossa mente não é um canteiro de obras. Não, nosso controle sobre respiração, emoção, pensamento tem que ser impecável, mas nossa magia sutilmente conduzida por nós realiza o que precisamos, por isso precisamos controla-la e conhece-la. Pense em nossa magia como nosso exército de defesa e você, sua consciência, seu comandante, quando você conta uma mentira, precisa que ela proteja a verdade, quando você tem um segredo precisa que fique escondido, quando você não gosta de alguém precisa que esse sentimento seja ocluído e sua magia faz isso para você e ao mesmo tempo projeta o que quer dizer, sentir e fazer aquela pessoa acreditar. Tem que ser muito delicado e controlado, com alguém como Dumbledore tem que ser feito perfeitamente. E a verdade é que a arte precisa de treino e determinação incansável, quanto mais você treina melhor e mais forte se torna seu exército. Xeque mate! — Disse sorrindo ao derrubar o rei de Neville.

— Poxa, você é meio assustador Harry, mas eu gosto de jogar com você, com Weasley é quase impossível de tanto que ele se gaba. — Disse Neville sorrindo.

— Harry estava aprendendo com meu avô e meu irmão, eles são muito bons, Neville. Vamos jogar nós dois, talvez a gente consiga uma partida mais longa. — Disse Terry e logo os dois estavam jogando uma partida com Hermione e Harry assistindo. — Harry, mas o que acontece se houver um ataque direto como o que minha mãe mencionou?

— Ataque direto? — Hermione estava confusa e detestava não saber, mas já procura na biblioteca e não encontrara nenhum livro sobre o assunto, eles estavam na área restrita.

— Sim, existe um feitiço chamado Legilimens que é um ataque direto a mente de um bruxo. Bem, o importante da oclumência é a ilusão, é fazer seu oponente acreditar que tem a informação correta, assim você se protege de qualquer tentativa de captação de informações. — Considerou Harry observando seus dois amigos defensivos jogarem, sim aquele jogo duraria mais de uma hora. — E se você tem um inimigo e ele te ataca, existem feitiços de proteção, mas se você está sem sua varinha, prisioneiro, amarrado, e ele tentar invadir sua mente há duas coisas que você pode fazer, usar seu exército ou magia para expulsa-lo e, para isso sua força magica tem que se equiparar ao do outro bruxo. Ou você limpa sua mente de qualquer pensamento e isso é muito difícil, pode ser feito e precisa de muita força mental, mas limpar a mente é um processo mais avançado.

— Você o expulsa com sua magia? — Hermione parecia surpresa e preocupada com a ideia.

— E sem varinha? — Neville parou de jogar e o olhou chocado.

— Sim, tudo isso, toda essa arte é feita com magia, apenas sua magia e você, sem varinha. E isso é uma das coisas mais legais, Mason diz que se você dominar a arte e continuar treinando, se tornar um animago se torna muito mais fácil, pois esse é o mesmo processo. — Harry tinha um grande sorriso. — Não seria legal, poder se tornar um animal como a Prof. McGonagall?

— Oh! Eu li o livro que me enviou sobre animagus Harry. Ele diz que é uma magia sem varinha e uma transfiguração avançadíssima, exige muita dedicação e é muito difícil de se alcançar. — Disse Hermione lendo a informação em sua mente.

— Sim, realmente é, mas também é algo como uma conexão magica e uma conexão de sua magia com a magia da natureza. Não tem muito informação lá, mas no verão quero comprar qualquer livro que ele escreveu sobre o assunto ou outro autor sem censura. O livro que te comprei era censurado e por isso é dito que é muito difícil, assim ninguém tenta, aposto. — Disse Harry exasperado.

— O que Mason diz sobre isso no livro? — Perguntou Terry antes que Hermione começasse a defender seu presente.

— Ele diz apenas que todos os seres humanos têm uma conexão com a natureza, seja algo espiritual ou mais consciente. Mas com os bruxos essa conexão é maior e pode ser mais explorada, assim podemos ter algum tipo de conexão com os elementos, flora, fauna, pois todas essas coisas da natureza têm magia e se permitirmos essa magia pode se conectar com nossa magia. — Harry viu seus amigos de olhos arregalados com a ideia e muito interessados. — Quanto mais conhecemos nossa magia e nos conectamos com ela, mais fácil se torna nos conectarmos com a natureza e se aumentarmos essa conexão podemos encontrar o animal com quem temos mais afinidades, pode levar tempo e precisa paciência, mas não é tão difícil. E depois é só realizar auto transfiguração que exige muito poder mental e magico, como qualquer transfiguração avançada, até porque é feita sem varinha.

— Eu nunca conseguiria fazer isso. — Disse Neville desanimado.

— Não seja bobo, Neville, você de nós três é o que tem uma maior conexão com a natureza e seu problema com a transfiguração é por causa de sua varinha, assim mesmo que não seja tão bom quanto nós no assunto, aposto que sem varinha você poderia realizar a transfiguração. — Disse Hermione em seu tom de comando.

— Bem, pensando assim até que pode ser, mas ainda acho que seria difícil. Você está pensando em tentar Harry? — Perguntou Neville voltando ao jogo.

— Tentar? Não Neville, eu não penso em tentar, eu quero e vou me tornar um animago, mesmo que leve anos e eu só consiga depois da escola. — Disse Harry com os olhos brilhando de determinação. — Confesso que agora a prioridade é oclumência, mas domina-la já é um passo para a transformação animagus, assim vou me concentrar nisso agora e espero que no ano que vem ou no outro possa começar a me dedicar a isso. E vocês? Alguém quer se tornar um animago? — Perguntou curioso.

— Eu quero com certeza, seria uma área fascinante de estudo da Transfiguração e da Magia, mas vou primeiro aprender oclumência e talvez legilimência, talvez durante os verões eu possa me dedicar a animagia. — Disse Hermione excitada.

— Bem, eu gostaria de tentar, me conectar mais com a flora seria legal e se me tornar um animago me ajudasse, não sei se consigo, mas quero tentar. — Disse Neville distraidamente.

— E você Terry? — Perguntou Hermione ao menino mais calado.

— Sinceramente, acho que é assustador a ideia de me tornar um animal. Não me entendam mal. — Disse ao ver seus olhares surpresos. — Eu adoro animais, não vejo a hora de ter aulas de Trato de Criaturas Magicas e acho que é uma área de estudo magico fascinante, mas não gostaria de me tornar um animal. — Completou tranquilamente.

Harry sorriu nem um pouco surpreso, seu melhor amigo gostava de tranquilidade e estudo, algo como se tornar um animago seria uma aventura meio arriscada para ele.

— Bem, se você mudar de ideia pode sempre começar a treinar para a transformação depois, já que com o treinamento da oclumência você estará no meio caminho do processo. Queria falar com vocês sobre o treinamento em Defesa, acredito que temos que aumentar essas aulas extras e praticar mais maldições. — Harry observou seus amigos o encarando.

— Alguma razão para isso? Quer dizer, é um assunto importante e já estamos bem adiantados, praticamente encerramos o livro do primeiro ano e você tem ensinado muitas magias do livro de Mason, que aliás ainda não lemos. — Perguntou Terry confusamente.

— Eu não fui completamente sincero com vocês sobre como me sinto sobre proteger a Pedra, escrevi uma carta para o Sr. Martin e ele me aconselhou a ser sincero com vocês e respeitar quaisquer decisões que tomem e não apenas supor o que vocês querem. — Disse Harry um pouco constrangido, mas sabia que tinha que contar a eles a verdade.

— Como assim? — Terry perguntou e não parecia zangado.

— Sr. Martin? — Hermione perguntou curiosa.

— É o tio do Terry, irmão da Sra. Serafina e bem, ele é um psiquiatra e me ajudou a lidar com alguns sentimentos durante as férias. — Harry sentiu se corar ainda mais constrangido.

— Psiquiatra? — Neville agora estava perdido.

— É um tipo de curandeiro, um médico trouxa que ajuda a cuidar da mente e das emoções. — Explicou Terry calmamente.

Neville arregalou os olhos levemente e depois desviou o olhar disfarçando o que pensava, pigarreando, disse:

— Não tem esses tipos de curandeiros no mundo magico.

— Não, infelizmente, quando se trata da mente estamos a anos luz de distância, seja na área neurológica ou na área psicológica. — Disse ele com amargura e tristeza.

— Neuro... o que? — Neville tentou não parecer muito interessado, mas não enganou Harry.

Terry com a ajuda da Hermione explicou o que eram os dois termos e Neville ficou de olhos arregalados por um tempo.

— Bem, mas isso não explica o que você escreveu para o tio do Terry e o que você está escondendo de nós. — Hermione perguntou inquisitiva.

— Eu não estou escondendo nada de vocês e o que eu escrevi para ele é entre nós dois. — Disse Harry com firmeza, nem um pouco interessado em falar sobre o insight do Sr. Martin que o ajudou a entender que sua raiva para com Corner e Malfoy foi na verdade uma transferência da raiva que sentia por seus pais e Voldemort e não o que sentia pelos garotos que não tinham culpa de nada.

Ele entendera depois de ler a carta do Sr. Martin que estava com raiva de Voldemort e queria justiça e vingança pela morte de seus pais e a dor que ele lhe causara. Nenhuma novidade nessa conclusão, mas também estava com raiva de Malfoy por sua conexão com Voldemort e pelo que causara a família Boot e a pobre Sra. Honora. E com raiva do Sr. Corner por sua omissão e desconsideração com o contrato para com sua família, era uma traição e indiferença que ele não perdoaria facilmente. Sr. Martin o lembrou que a raiva era uma das fases do Luto e por isso não surpreendente que ele projetasse esses sentimentos nos dois garotos ou sentisse necessidade de ir em busca de justiça. Também lhe disse que falar sobre isso e ser sincero consigo e seus amigos seria bom, que ele não devia esperar que seus amigos não apoiassem ou compreendessem seus sentimentos, supor o pior não era contraproducente. E disse que a meditação e os exercícios o ajudariam a lidar com a raiva.

— Ok, Harry, não precisa nos contar sua conversa com o tio Martin, isso é pessoal, mas o que exatamente você diz que não foi totalmente sincero? — Terry como sempre acalmou os ânimos.

— Bem, vocês se sentiram aliviados por não terem que defender a Pedra diretamente e sim pedir ajuda em caso de perigo iminente. Eu não me senti assim. — Disse Harry e viu suas expressões surpresas.

— Você ficou chateado de não poder salvar a Pedra, pessoalmente? — Hermione questionou chocada. — Porque? Você tem algum tipo de complexo de herói?

— Não Hermione, não tem a ver com a Pedra em si e sim com Voldemort. Antes de perceber que é ele que quer a Pedra eu estava bem em apenas chamar ajuda e informar um professor, mas agora que sei quem a quer e o porquê, bem, a verdade é que uma parte de mim gostaria de impedi-lo, enfrenta-lo. — Harry suspirou e se levantando passou as mãos pelos cabelos bagunçando-os. — Não estou dizendo que é o que eu vou fazer, concordo com vocês e acredito que a maneira mais inteligente de agir é avisar um professor, mas agora que sei, que tenho certeza que Voldemort está vivo e tentando recuperar o seu poder minha vontade de treinar ficou ainda maior.

— Porque Harry? — Neville sussurrou, seu rosto estava pálido.

— Porque eu quero justiça! Porque eu quero impedi-lo ou ajudar a impedi-lo a se recuperar, mas, mais que isso, eu quero acabar com ele, seja agora enfraquecido ou no futuro se ele conseguir voltar a ter poder. Não me importa, a única coisa que me importa é que quando chegar o momento de termina-lo eu quero que seja eu a fazer isso. — Harry estava ofegante e os olhou um a um, determinado. — Quero vingar o assassinato dos meus pais e, pode não ser por causa da Pedra, mas cedo ou tarde terei que lutar contra ele e por isso vou me preparar, vou treinar e treinar e eu entendo se vocês não se sentem assim e não querem fazer o mesmo. Tudo bem, mas a partir de agora vou aumentar meu treinamento em Defesa.

O silencio que seguiu foi pesado e triste e, incrivelmente, ele sempre o surpreendia, foi Neville quem se levantou primeiro e se aproximou dele.

— Vou treinar com você Harry, quero aprender a me defender, mas ainda mais quero justiça pelo meus pais também. Quero te ajudar a acabar com Voldemort, não importa o custo. — Neville disse com firmeza e Harry sentiu seu coração se apertar, as vezes se esquecia que seu amigo também teve seus pais mortos na guerra.

— Ok, combinado Neville e obrigado, mas lhe digo desde já que quando chegar a hora da luta você vai precisar de uma maldita boa varinha sua e não a maldita boa varinha do seu pai. — Disse com um sorriso, Neville sorriu de volta e acenou concordando.

Harry olhou seus amigos e percebeu como eles lutavam com suas naturezas, no fim Hermione sussurrou baixinho.

— Eu não gosto da ideia de combinarmos matar alguém aos 11 anos de idade, mas não vou fingir que compreendo o que vocês sentem com a morte de seus pais. Desde que cheguei ao mundo magico percebi que tudo o que aprendi no mundo trouxa até agora, em muitos casos não se aplicam aqui. Espero que estejamos errados ou que se Voldemort está mesmo vivo, um adulto, Dumbledore consiga pará-lo, mas se por um acaso cair em seus ombros essa horrível tarefa farei o possível para ajudá-lo a vencer. Não quero vingança, mas quero liberdade. — Disse ela bem baixinho e com o rosto pálido.

Harry olhou para Terry e sabia que sempre poderia confiar em seu amigo, mas também tinha consciência de que estava pedindo demais a ele e decidiu tranquiliza-lo.

— Sei que estou pedindo demais, Terry...

— Você não está pedindo demais, Harry. — Interrompeu Terry com firmeza e se levantou indo até ele. — Eu também tenho a quem fazer justiça e também quero liberdade, mas ainda mais eu quero proteger minha família. Prefiro morrer do que deixar ele machucar meus irmãos e sei que se sente assim também, por isso conte comigo.

Harry suspirou aliviado e emocionado, Sr. Martin estava certo, não deveria supor como eles reagiriam e agora percebia também que não poderia desconsiderar seus sentimentos, suas perdas e seus sonhos. Acenando olhou para eles com um sorriso.

— Ok, vamos pegar aquelas agendas que você nos enviou Hermione e organizar nossos horários para liberar tempo, quero triplicar nosso tempo de treinamento em Defesa, assim quando faltar 1 mês para os exames finais podemos cortar esse tempo pela metade e aumentar os estudos dos outros assuntos. — Disse Harry e eles foram se sentar e pegando suas novas agendas os quatro começaram a trabalhar.

Harry mais tarde, antes do toque de recolher, entrou em seu quarto satisfeito. Ele e seus amigos teriam um fim de semana de muito estudo, principalmente em Defesa e Harry se sentia aliviado por ter sido sincero com seus amigos. Ficar de segredos poderia ser perigoso e nada produtivo, o melhor eram...

Harry parou no meio do pensamento quando viu um pacote estranho em cima de sua cama que, ele sabia, não estava lá mais cedo quando deixara sua mochila. Olhando em volta com atenção procurou por Edwiges ou outra coruja, mas, apesar da janela entreaberta que ele sempre mantinha para sua coruja entrar, não havia sinal dela. Se aproximando Harry pegou a varinha e lamentando não saber nenhum feitiço para diagnosticar magias nocivas a usou apenas para cutucar o embrulho que parecia inofensivo.

Pegando o embrulho notou que era muito leve, abriu o sobre a cama e encontrou uma coisa sedosa e prateada dobrada em camadas refulgentes. Harry apanhou o pano brilhoso e prateado, tinha uma textura estranha, parecia tecida com fios de água. Estendendo a para fora da cama a sua frente teve a impressão de que era uma capa, linda e diferente. Olhando para o papel do embrulho encontrou um cartão e o apanhou. Escritas numa caligrafia fina e rebuscada que ele conhecia muito bem, estavam as seguintes palavras:

Seu pai deixou isto comigo antes de morrer. Está na hora de devolvê-la a você. Pretendia lhe entregar a capa no Natal, mas acredito que não gostaria que estranhos tivessem conhecimento de que algo tão valioso está em sua posse. Algumas coisas devem ficar invisíveis.

Use-a bem.

Não havia assinatura, mas nenhuma era necessário, sabia a quem aquela letra pertencia e nunca poderia se esquecer onde a lera. Ainda se lembrava das palavras mentirosas contidas nas cartas de avalições que Albus Dumbledore escrevera para as assistentes sociais do Departamento de Proteção Infantil. Mas o que exatamente era isso e porque estava lhe enviando agora? Se essa capa especial pertencera a seu pai, porque não a devolvera em setembro? Apenas para lhe entregar no Natal? Mas se era sua, uma herança de seu pai não era exatamente um presente, então a questão de lhe entregar no Natal era apenas um detalhe. Mas era um detalhe importante ou não?

Harry leu de novo a mensagem tentando decifrar mais alguma informação e não precisava ser muito inteligente para entender o que as palavras capas, invisível e use-a bem significava. Uma capa de invisibilidade? Ele nem sabia que algo assim existia, mas deveria saber que no mundo magico tudo era possível. Examinando a capa se perguntou se realmente fora de seu pai e depois percebeu com um sorriso que uma capa como essa seria exatamente o que James Potter precisaria para viver suas aventuras em Hogwarts.

Use-a bem, era isso que Dumbledore esperava dele? Que a usasse e vivesse aventuras ou desafiasse as regras? Ou era apenas algo do seu pai que ele queria devolver. Não podia confiar em Dumbledore, mas também desconfiar de cada pequeno gesto o deixaria paranoico. Passando a mão carinhosamente pelo pano brilhoso e suave sentiu seu coração se encher de amor ao pensar em seu pai, sabia o quanto ele era corajoso e forte, o quanto o amava e sua mãe. Ter algo que lhe fora valioso o emocionava.

Olhando em volta pensou em como testaria a capa e logo arrastou a nova cadeira até o banheiro e subindo nela de frente para o espelho da pia, Harry jogou a capa em volta dos ombros e viu só sua cabeça suspensa no ar, seu corpo estava completamente invisível. Ele cobriu a cabeça e desapareceu completamente.

Embaixo da capa Harry constatou que podia enxergar bem do lado de fora, mas de sua imagem no espelho não se via nada, até mesmo o brilho da capa se fora. Incrível! E ainda mais especial porque havia sido de seu pai, mas, pensou Harry, tirando e segurando a capa com afeto, tinha a sensação de que Dumbledore não a entregara agora sem mais nem menos. A questão era o que exatamente o diretor estava planejando?

Exausto, Harry decidiu pensar mais sobre isso e conversar com seus amigos no dia seguinte. Guardando a capa em segurança em seu novo baú, ele depois tomou um banho, comeu, tomou suas poções e fez sua meditação antes de dormir sonhando com um menino muito parecido com ele, mas com olhos de avelã brilhantes e sorriso malicioso que invisível caminhava por Hogwarts, vivo e feliz.

Falc estava trabalhando muito e sua semana fora longa como previra, mas os avanços compensavam as muitas horas a mais de trabalho. Depois de sua difícil conversa com Anton e a tranquilidade de que teria seu apoio, Falc mergulhou em pesquisa e preparação para sua entrevista com o Secretario Chefe do Escritório da ICW. Sua primeira ação efetiva fora preencher um longo formulário de denúncia contra o Ministério da Magia com as graves acusações de crimes cometidos contra os Direitos Humanos. Ele solicitava sigilo e um encontro para apresentações das provas, o que ele esperava acontecesse na outra semana, mas para sua surpresa uma resposta direta do Secretário, Niklaus Balmat, agendando um encontro para sexta-feira de manhã as 8 horas acelerara seu trabalho, pois agora tinha um prazo.

Depois disso Falc teve seu pai recolhendo os depoimentos dos Tonks enquanto ele agendava e visitava Maria MacDougal e Emmeline Vance. A primeira, assim que explicou que era sobre Sirius Black e pediu sigilo se mostrou muito e claramente disposta a ajudar. Maria nunca acreditou que Sirius fosse o espião da Ordem da Fênix e disse que falou isso para todos, inclusive Lupin e Dumbledore, mas foi ignorada.

— O senhor precisa entender Sr. Boot, nós ficamos muito próximos, ele era muito brincalhão e jovial, mas levava a guerra e a proteção muito a sério. Eu não fazia parte da Ordem da Fênix, mas Caradoc sim e eu acompanhava de perto a luta e ajudava sempre que podia. — Disse a jovem que aparentava ter uns 30 anos, era muito bonita de cabelos crespos vermelhos escuros, olhos castanhos e rosto redondo.

Ela o recebera em seu pequeno Chalé na cidade de Invermay onde trabalhava em casa como artesã, seu principal trabalho era fazer ou consertar tapeçarias para as famílias puros sangues. Falc achou seu trabalho magnifico e recebeu um sorriso doce quando a elogiou.

— Caradoc era seu noivo? — Perguntou ele suavemente.

— Não, ainda, estávamos com planos de ir nessa direção, mas... — Maria se emocionou e pegando um lenço elegantemente enxugou o canto dos olhos. — Caspiana, sua irmã mais nova foi assassinada cruelmente, ela era puro-sangue, mas isso não importou. Eles queriam que ele mudasse de lado, ameaçaram e tentaram de tudo para que ele se tornasse um comensal da morte, mas Caradoc era um cavalheiro e tinha um coração enorme. Depois de sua morte, ele ficou obcecado em descobrir quem a matara e quem era o espião.

— O espião? — Falc a olhou com mais intensidade.

— Sim, Caradoc tinha certeza que havia um espião entre os membros da Ordem e disse que se vingaria, mas não me contou detalhes, no começo porque não queria me envolver, me colocar em perigo e depois porque ficou paranoico, não confiava em ninguém. — Ela suspirou e olhou para o jardim branco de neve. — E então um dia ele desapareceu e nunca mais foi visto. Eu procurei Dumbledore, mas ele foi quase indiferente, estava muito ocupado, preocupado com a guerra, com o todo, para se importar com uma única pessoa. Eu então, procurei Lily, nós éramos amigas, muito amigas, estávamos no mesmo ano em Hogwarts e eu sabia que ela estava na Ordem também, mas descobri que estava incomunicável e deixara a luta. Sirius me levou até um ponto de encontro, não a casa segura deles e ela me disse que eles receberam informações seguras de que Voldemort planejava matar seu bebê.

— Harry... Potter? — Disse ele quase deixando escapar sua ligação com o menino, mas Maria estava longe no passado e não percebeu.

— Sim, fiquei chocada, mas daquele monstro poderia se esperar tudo. Lily disse que eu não deveria tentar encontrar Caradoc sozinha e disse para mim confiar que os membros da Ordem o estavam procurando. Eu insisti em ajudar e descobri que Sirius era o responsável direto pelas buscas, depois nisso nos encontramos duas ou três vezes por semana e até fui com ele em algumas missões. — Maria sorriu suavemente. — Na escola, confesso nunca gostei muito dele, Sirius parecia sempre estar brincando e zombando, era um mulherengo e arrogante. Mas aquele Sirius era tão diferente, comprometido com a luta, em defender os Potters a qualquer custo. Ele sempre tinha uma foto do Harry e sempre me mostrava todo orgulhoso.

— E você acredita na sinceridade dos seus sentimentos? — Falc perguntou.

— Eu estava muito atenta a tudo e todos, tinha que ser, por minha vida e porque poderia encontrar uma pista sobre Caradoc, Sr. Falc acredite, Sirius amava aquele menino, James e Lily também, mas Harry era tudo para ele. — Maria suspirou e o olhou com olhos tristes. — O senhor está tentando ajuda-lo de alguma maneira?

— Sim, espero que entenda que o que vou te contar é sigiloso e poderia levar a muito perigo para Sirius. O que preciso de você é exatamente o que fez, um depoimento que ateste o caráter e personalidade de Sirius, até mesmo uma cópia de uma memória de algum momento que você se lembra mostre que poderia ser ele a trair os Potters. — Falc disse e se inclinando. — Você pode fazer isso por Sirius mesmo sem eu lhe contar o porquê?

— Claro, será um prazer e nada além da verdade. — Respondeu Maria com determinação.

Depois de coletar oficialmente o testemunho e ter assinado Falc finalmente explicou suas descobertas e teve que esperar que a jovem acalmasse as lagrimas de tristeza e preocupação por Sirius. Ela só podia indicar Lupin para ajudar como testemunha de caráter e depois de lhe assegurar sigilo e disposição para ajudar no que fosse preciso, Falc partiu.

A visita a Vance foi mais difícil, era uma mulher mais velha, na casa dos 40 anos, tinha olhos desconfiados e duros. Queria saber exatamente o que e porque ele queria saber sobre Sirius, mas ele insistiu no sigilo e que precisava que seu depoimento fosse sincero e sem influência.

— Por favor, Srta. Vance, preciso apenas que me ateste o caráter do Sr. Black e se você acreditou ou acredita que ele seria capaz de trair os Potters baseado no que você testemunhou da relação deles e de sua personalidade. Prometo que depois explicarei tudo. — Disse ele sincero.

— Ok, isso já é oficial? Sim? Bem, se você quer saber se eu acredito que ele seria capaz de trair os Potters? Claro que não. Sirius os considerava sua família, ele se afastou de sua antiga e nobre família purista e os detestava. — Vance tomou o chá, seus cabelos castanhos encaracolados desciam até o quadril, tinha um rosto fino e simples e olhos castanhos tristes. — Tinha certeza que havia um engano, mas depois a informação de sua condenação chegou e não havia o que fazer. Sr. Falc, entenda que Sirius era completamente contra os pensamentos puristas, ele adorava os trouxas e as invenções trouxas. Tinha uma moto, apreciava as bandas de rock e roupas e as mulheres, Sirius era um apreciador das mulheres, bruxas ou trouxas. Nós tivemos um pequeno romance, nada sério para mim porque ele era muito mais jovem e Sirius não tinha interesse em uma relação amorosa séria durante a guerra, muitas vezes me disse que suas prioridades eram os Potters, Harry principalmente. Ele amava aquele menino.

— Eu soube que você teve uma relação com Gideon Prewett e que vocês tinham problemas com um espião na Ordem da Fênix e que se acreditou que Sirius era esse espião. — Perguntou Falc.

— Minha relação com Gideon era bem nova, estávamos nos divertindo e aquele era um período com tantos perigos, você poderia morrer na missão seguinte, assim aproveitávamos cada pequeno momento. Se nossa relação seria mais do que era ou se seria algo passageiro, nunca saberei porque ele acabou morto junto com o irmão em uma emboscada. — Vance suspirou tristemente. — Nós tivemos muitas missões perdidas naquele ano, uma sucessão de casas seguras descobertas e nascidos trouxas que escondíamos ou tentávamos tirar do país, mas éramos emboscados e eles mortos.

Falc sentiu seu coração se apertar com essas palavras e tentando disfarçar olhou para a pena que escrevia o depoimento, magicamente configurada pelo tribunal de justiça para evitar fraudes.

— Você poderia contar algum exemplo? — Perguntou Falc em voz baixa.

— Trabalhávamos com bruxos que não estavam na Ordem, alguns puros sangues ou mestiços que queriam ajudar. Transportávamos os nascidos trouxas de uma casa segura a outra e quando uma janela se abria os tirávamos do país, França, Países Baixos, Suíça. Então um dia os comensais no emboscaram, perdemos algumas pessoas e escapamos por pouco, pensamos que foi azar, na segunda vez consideramos uma coincidência, na terceira tínhamos certeza que alguns dos voluntários era o traidor e paramos de trabalhar com eles. E quando voltou a acontecer percebemos que o espião estava entre nós, na Ordem da Fênix, ninguém queria falar em voz alta, parecia impossível.

" Mas então Dorcas Meadowes foi encontrada por você-sabe-quem, ela estava espionando as movimentações dos Lestranges e alguém os avisou, ela era muito boa para ser descoberta. Ele a matou pessoalmente e todos disseram que foi um erro dela, que se aproximou demais e foi descoberta, mas eu e muitos outros não acreditamos nisso. — Vance se levantou e andou pela cozinha simples da casa da pequena fazenda onde vivia. Ela trabalhava no Ministério como uma Obliviadora, mas preferiria viver no campo. — Então a casa de Caradoc foi descoberta e sua irmã assassinada e ele desapareceu enquanto procurava informações sobre quem a matou e como eles chegaram até sua casa segura. E então os Bones tiveram sua casa invadida, toda a família morta. Benjy Fenwick foi capturado em uma missão e quando o encontramos estava aos pedaços. Não muito tempo depois os gêmeos Prewett que estavam indo para uma outra missão foram emboscados e mortos por Dolohov e outros comensais. E por último a casa segura dos McKinnon foi encontrada e toda a família assassinada, eram férias de verão, por isso até seus irmãos mais novos que estavam em casa de Hogwarts foram mortos. Era obvio que a Ordem da Fênix estava sendo dizimada e nesse ponto não nos calamos mais, Dumbledore começou a manter assuntos sensíveis para si mesmo, não revelando nada a ninguém e nós olhávamos um para os outros com desconfiança. Eu tive uma discussão definitiva com Dumbledore, me afastei e talvez isso tenha salvado minha vida. E nisso tudo, o mais curioso eram os Potters.

— Curioso? Como assim? — Falc perguntou chocado com o cenário de decadência que era a Ordem da Fênix, eles estavam perdendo a guerra de dentro para fora e Dumbledore não fizera nada.

— Há muito que não sei, apesar da minha breve relação com Sirius e camaradagem com James e Lily, não éramos amigos próximos. Assim, quando umas poucas semanas depois do Natal os dois abandonaram a luta para se esconderem, eu e o resto da Ordem só fomos informados que você-sabe-quem estava buscando mata-los. Isso não era novidade, eles já haviam lutado diretamente com ele três vezes e sobrevivido. Depois de um tempo a casa segura onde estavam foi descoberta e eles se mudaram para uma outra, mais algumas semanas e aconteceu outra vez e de novo algum tempo depois. — Ela sorria ao ver sua expressão surpresa.

— O que? — Falc ficou chocado.

— Interessante, não é? Era como se alguém do nosso lado informasse a você-sabe-quem a localização de sua casa segura e alguém do outro lado informasse a Dumbledore que a casa não era mais segura e um ataque aconteceria aos Potters. Claro, depois do fim da guerra o próprio Dumbledore informou que aquele Snape era um espião, mas não sabíamos na época. — Disse ela encolhendo os ombros ao beber seu novo chá. — Depois de um tempo a localização deles passou a ser mantida bem segura, apenas seus amigos mais próximos sabiam onde estavam, mas eles continuavam a ser encontrados e se espalhou um sussurro entre nós que o espião era um dos amigos dos Potters. Antes que pudessem especular muito ou mesmo questionar Dumbledore, ele informou que os Potters se colocariam sob o Fidelius e que Sirius seria o guardião secreto e ficaria escondido para sua própria segurança. Uma semana depois era a Noite das Bruxas e tudo aquilo aconteceu. — Encerrou Vance e seu rosto triste pareceu mais velho e abatido.

— Quem você nomearia entre os amigos que sabiam as localizações dessas casas seguras? Nomes inteiros, por favor, Srta. Vance. — Perguntou Falc sentindo que tinha encontrado ouro.

— Bem, os amigos de James eram Sirius Black, Peter Pettigrew e Remus Lupin, eles eram inseparáveis desde a escola e de Lily havia Marlene McKinnon, todos que faziam parte da Ordem, mas não acredito que o casal correria o risco de informar alguém que não estivesse entre eles. E no fim o único que confiaram foi Sirius. — Concluiu ela simplesmente.

— Como você descreveria os outros dois amigos, Pettigrew e Lupin? — Falc perguntou e ouviu com atenção sua descrição de suas personalidades. — Srta. Vance, deste três, das suas personalidades e relação com os Potters, se ouvisse falar que qualquer um deles os traiu qual seria o primeiro em que pensaria, seria o traidor?

— Não é obvio? Pettigrew, claro, ele era um covarde, todos nós fomos ameaçados ou convidados a nos tornarmos um seguidor de você-sabe-quem em algum momento, Sr. Falc. Sirius foi praticamente obrigado por sua Família preconceituosa desde o berço, mas ele foi embora, primeiro ao ser classificado na casa Gryffindor e depois fugindo para a casa dos Potters aos 16 anos. Ele nunca cederia a pressão ou ameaças nesta altura da guerra e jamais colocaria aquele bebê em perigo. Eu não sei quem era o traidor Sr. Falc, mas uma certeza eu tenho, não era Sirius Black.

Depois disso a entrevista foi uma repetição do fim da entrevista com Maria MacDougal. O único a quem ela acreditava, poderia atestar sobre Sirius era Lupin. Falc então, explicou suas descobertas, pediu sigilo e delicadamente consolou a mulher solitária e triste enquanto ela chorava por seu amigo.

Em seguida a esses dois depoimentos a semana se acelerou e a manhã de sexta-feira chegou e encontrou Falc pronto para seu encontro com o Secretário Chefe da ICW. Ele chegou ao Escritório de Assuntos Internos da ICW no elegante bairro de Westminster com meia hora de antecedência e se sentou na sala de espera decorada com cores neutras. O Secretário Chefe, Niklaus Balmat além de representante da ICW no Reino Unido, era um defensor feroz dos Direitos Humanos e do Estatuto Internacional de Sigilo e segundo informações abominava qualquer tipo de corrupção ou incompetência na administração de um governo.

Quando a sua secretária lhe permitiu entrar em seu escritório as 8 em ponto, Falc sabia que aquele era o momento mais importante para a libertação de Sirius. Secretário Balmat era bem mais jovem do que Falc esperava, deveria ter uns 45 anos e não os 65 que alguém em um cargo tão importante normalmente tinha. Ele era alto, moreno com olhos acinzentados e frios, tinha por sua aparência alguma ascendência italiana ou grega. A maneira como o encarou tinha a intenção de intimida-lo e se não fosse o número de provas em sua pasta Falc com certeza titubearia, mas o peso delas era sua maior força, além da lembrança de olhos verdes determinados. Quando falou com um inglês perfeito e sotaque mínimo, fez com firmeza e autoridade.

— Sr. Boot, eu recebi sua denúncia e antes de prosseguirmos e perdemos tempo, o meu e o seu, quero enfatizar a gravidade de suas acusações. — Sr. Balmat foi direto, sem cumprimentos, apresentações ou gentilezas educadas. — E digo que se não tiver provas de tais acusações nem lhe ouvirei e muito menos abrirei uma investigação para investigar sua denúncia.

— Eu compreendo Sr. Secretário Balmat e afirmo que tenho provas mais do que suficiente. — Disse Falc respeitosamente. — Na verdade Sr. Secretário, espero que tenha separado algumas horas na sua agenda para poder ver todas a provas que reuni.

Niklaus Balmat o olhou com atenção por alguns instantes e lendo a determinação em seus olhos, acenou afirmativamente.

— Muito bem, sua denúncia foi de que o Ministério Magico Britânico cometeu graves violações aos Direitos Humanos. Qual exatamente é sua acusação e quem o senhor representa Sr. Boot. — Perguntou ele sem mais delongas.

— Eu acuso o Ministério Magico Britânico do grave crime de descumprimento do Artigo 10 da Declaração Universal dos Direitos Humanos que afirma: Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. — Disse Falc firmemente e observou a expressão do Secretário se fechar. — Declaração essa assinada e adotada em ambos os Mundo Magico e Trouxa do Reino Unido a partir de 10 de dezembro de 1948.

— Conheço de cor está Declaração, Sr. Falc assim como sei exatamente o que o Artigo 10 representa, mais uma vez eu pergunto. Quem o senhor representa? — Perguntou o Secretário Balmat nada feliz ou com paciência para meandros.

— Eu represento o prisioneiro de guerra, Sirius Black.