NA: Olá, gostaria de agradecer a todas as revisões que tenho recebido e avisar que estou postando no Spirit, caso alguém prefira aquele site. Ainda não está atualizado como esse, mas em mais uma semana eu terei publicado os 27 capítulos lá também.

Recebi muitos elogios, conselhos de atenção a gramática e algumas criticas, muito bem vindas, aos longos diálogos. E que estou detalhando muito e me alongando nos assuntos, assim o capítulo fica cansativo.

Fiquei feliz com o Feed Back, pois assim posso me atentar a isso e melhorar. A verdade é que sem revisões eu vou escrevendo achando que tudo está bom. Estou tentando, eu juro que estou, ser mais dinâmica e não tão detalhista, não é fácil, mas prometo tentar melhorar.

Recebi outra critica ao último capítulo que os depoimentos de Maria e Vance eram desnecessários e repetitivos, já que depois ouviremos tudo no julgamento, espero que esse e o próximo capítulo os ajude a entender porque eles eram necessários. E essa mesma pessoa, o brilhante zildomsou, me aconselhou a perguntar a vocês se devo fazer capítulos mais curtos para que a leitura não fique tão pesada e cansativa.

Gosto de capítulos longos, mas se a maioria votar, vou dividir pela metade das 13 a 16 mil palavras que estou publicando por capítulo no momento. Portanto, mesmo você que não revise normalmente, por favor, opine, assim saberei o que a maioria prefere. Obrigada, Tania.

Capítulo 26

Sua declaração de representação causou surpresa ao jovem Secretário, Sr. Balmat, mas mostrando inteligência e agilidade mental, ao em vez de questionar tal afirmação, gesticulou para uma mesa redonda de reuniões em sua sala o convidando para sentar. Agradecendo Falc se sentou e apresentou a Declaração que o autorizava a falar por seu cliente, assinado a poucos dias.

— Muito bem, agora quero as provas que você afirma ter de que o Sr. Black é um prisioneiro de guerra e não um prisioneiro julgado e devidamente condenado por seus crimes. — Disse o Secretário Balmat com firmeza.

— Aqui estão os arquivos do processo de prisão do Sr. Black legalmente copiados da área de arquivos de processos antigos do Tribunal de Justiça da Suprema Corte Bruxa, no Ministério da Magia. — Apresentou Falc e observou os olhos do homem se estreitarem com a informações contidas.

— Isso é tudo? — Perguntou e sua voz se tornou cortante.

— Sim, Sr. Secretário e acredite eu me senti igualmente chocado. — Falc disse educadamente.

— Uma ordem de prisão assinada pela Ministra Bagnold condenando o prisioneiro Sirius Black a vida em Azkaban pelo crime de traição e assassinato em massa, depois que provas irrefutáveis e testemunhas serem ouvidas, além do flagrante dos crimes de assassinato. — Sua voz pareceu ficar ainda mais furiosa enquanto lia a única folha na pasta. — E diante do fato de que ele cometeu crimes contra o Governo de traição e espionagem e diante de tantas e incontestáveis provas o prisioneiro é sumariamente condenado e enviado a Prisão Bruxa do Reino Unido, por decisão do Ministério Magico sem julgamento.

Falc observou enquanto o homem andava de um lado ao outro tentando se acalmar e não o interrompeu, apenas aproveitou esse tempo e organizou na mesa as inúmeras provas da inocência de Black.

— Sr. Secretário Balmat? — Falou respeitosamente, pois viu que ele se acalmara e agora olhava para Londres pela janela do escritório, levantando-se olhou na direção que o Secretário encarava e percebeu que daquele ponto tinha se uma visão parcial da entrada do Ministério da Magia. — Também gostaria de vê-los punidos Sr. Secretário e a justiça que eu tanto prezo restaurada, mas tenho informações ainda mais graves, senhor.

Olhando para ele e depois para a mesa com muitos mais papeis que minutos antes, o Secretário perguntou:

— Mais grave do que o crime hediondo de um governante se achar acima das leis desse país, de Sua Majestade e da ICW e condenar um homem a prisão perpetua sem lhe dar o devido direito a um julgamento? — Seu tom era incrédulo.

— Sim, Sr. Secretário, porque aqui comigo tenho provas da inocência do meu cliente, provas essas, que um recém-formado auror competente teria descoberto se lhe fosse dado a oportunidade de investigar. Um julgamento talvez nem fosse necessário, mas dada a chance de um, o advogado de defesa do meu cliente poderia ter conseguido sua inocência facilmente. — Falc falou com segurança e viu a expressão do outro homem empalidecer.

— Por Odisseu! Você quer dizer que além de tudo eles prenderam um homem inocente? Mas o que sobre as provas incontestáveis e testemunhas? A grave acusação de traição e espionagem? — Sr. Balmat se aproximou da mesa e parecia possesso.

— São todas circunstanciais Sr. Secretário, algumas coisas eu diria boatos.

— Mas, e sobre o flagrante? — Perguntou ele chocado.

— O flagrante Sr. Secretário, talvez fosse o mais difícil de provar, mas tenho aqui uma memória entregue legalmente pelo meu cliente e posso atestar que ela mostra que ele não foi o responsável pela explosão que causou a morte de 12 pessoas. — Afirmou Falc apontando para as memórias sobre a mesa.

— Espere, a ordem da Ministra Bagnold disse 13 pessoas, 12 trouxas e um bruxo. — Disse o Sr. Balmat pegando de novo o papel ofensivo e criminoso. — Aqui, é isso que diz na ordem de condenação.

— Senhor, o corpo do bruxo nunca foi encontrado, apenas seu dedo. Apesar da explosão, esse resultado era no mínimo suspeito. Tenho provas Sr. Secretário de que Peter Pettigrew era o espião e traidor e que foi ele que explodiu a rua trouxa para simular a própria morte e assim conseguir fugir, além de incriminar o Sr. Black. — Falc disse quase suavemente, dada a grandiosidade do horror de suas palavras.

— Por Odisseu! O que eles fizeram? Quanta incompetência, desumanidade e crimes em um único ato, em uma única assinatura! — Depois o olhando com dureza afirmou. — Quero ver cada uma das suas provas Sr. Boot, cada uma e espero que sejam boas. Convocarei meu Agente Auror Chefe para acompanhar, pois ele estará encarregado das investigações e confirmações de suas provas.

— Sr. Secretário, solicito sigilo completo das investigações até que meu cliente esteja fora da prisão. — Falc disse uniformemente.

— Esse é um direito de seu cliente e não vou mais lhe negar seus direitos. Qual o motivo, Sr. advogado, para a solicitação de sigilo? — Questionou ele com olhar atento.

— Temo pela segurança do meu cliente, pois ele se encontra em poder do Ministério da Magia que já lhe negou seus direitos e poderia, em uma tentativa fútil de abafar seus graves crimes, atentar contra a vida do meu cliente. — Seu tom formal e palavras não escondia sua real preocupação e crença.

— Compreendo, pedirei a liberação do prisioneiro de guerra Sirius Black, imediatamente, do poder do Ministério da Magia Britânico para a custódia da ICW. Ele estará em segurança e meu Agente Chefe poderá investigar todos esses fatos sem luvas de pelicas. Quero a verdade, toda a verdade e não medirei esforços, passarei por cima de qualquer um que se colocar em meu caminho e chegarei aos responsáveis e os punirei por isso. — Afirmou Sr. Balmat com determinação e se encaminhando até a porta disse a sua secretária. — Meg, solicite a presença do Agente Auror Chefe, diga para cancelar seus compromissos do dia e reagendo qualquer coisa da minha agenda de hoje. Obrigado.

Fechando a porta depois de suas ordens ele voltou para dentro e foi até um armário para pegar uma penseira que colocou sobre a mesa.

— Sr. Secretário? — Falc se aproximou da mesa pedindo autorização para falar.

— Sim, Sr. Boot? Tem mais alguma coisa que ainda não me disse que possa tornar esses crimes terríveis ainda piores? — Perguntou Sr. Balmat com dureza.

— Senhor, não sei quais são as provas ou testemunhas apontadas pela ordem de condenação já que, obviamente, elas não são apresentadas no processo legal inexistente contra meu cliente...

— Vá direto ao ponto Sr. advogado de defesa. Não temos tempo para meandros tolos. — Disse ele, o encarando duramente.

— Em minhas investigações surgiu a possível informação de que uma das testemunhas contra meu cliente é Albus Dumbledore, assim Sr. Secretário solicito que os dados da investigação e processos sejam mantidos inacessíveis do atual Chefe Supremo da ICW e o Chefe da Corte Bruxa do Reino Unido atualmente e durante o período do encarceramento indevido e desumano do meu cliente. — Falc falou com todos os meandros legais, para enfatizar a importância de seu pedido.

O Sr. Secretário o encarou e pela primeira vez parecia sem palavras, mas então ele respirou fundo e sussurrou.

— E essa bagunça fica cada vez pior e pior. Pedido aceito e concedido, Sr. advogado de defesa. — Disse ele e nesse momento ouviu-se uma batida na porta. — Entre. Agente Chefe, obrigada por vir tão prontamente, temos uma emergência, você transferiu qualquer caso mais urgente?

— Sim, Sr. Secretário, Agente Peterson me substituirá senhor. — Disse a mulher de aproximadamente 35 anos que entrou na sala, ela era alta e magra, tinha cabelos marrons bem curtos e picotados.

— Muito bem, deixe-me apresentá-los, este é o advogado Sr. Falcon Boot. Sr. Boot está é a Agente Auror Chefe da ICW do Reino Unido, Emily Denver uma auror altamente condecorada da MACUSA. — Apresentou os formalmente o Sr. Balmat.

— Prazer em conhece-la Agente Chefe Denver. — Disse Falc escondendo sua surpresa por uma mulher tão jovem estar em tal cargo.

— O prazer é meu Sr. Boot e, por favor, apenas AC Denver é suficiente ou ficaremos falando os cargos uns dos outros eternamente. — Disse ela com voz firme e objetiva. — Poderia me informar do que se trata Sr. Secretário?

— Sim, vou inteira-la de tudo que já sei e descobriremos o resto juntos, ainda não examinei todas as provas trazidas pelo Sr. Boot, por que não quis perder tempo. Desde já aviso que estamos em protocolo de sigilo nível 5, separe apenas um agente para cobertura e o informe o mínimo necessário para segurança, de resto tudo passa de você para mim e vice e versa. — O Sr. Secretário falou rapidamente e se sentando na mesa de reuniões começou a contar num resumo sucinto as informações que ele tinha até o momento.

Pelo resto da manhã Falc repassou cada depoimento das testemunhas que atestavam o caráter e personalidade do Sirius, Pettigrew e mesmo os Potters. Acompanhada de uma lembrança de um momento em que suas afirmações do amor de Sirius pelos Potters e seu ódio pelos pensamentos puristas estão em evidencias. O testemunho de Vance causou grande impacto, pois ela conseguiu comprovar a linha do tempo e Maria conseguiu comprovar que os Potters estavam escondidos para proteger o filho, a quem Sirius amava.

Mas o pior momento foi entrar na casa destruída dos Potters, ver sua dor ao encontrar seus amigos mortos, seu carinho para com o bebê e envia-lo em segurança para ser entregue a Dumbledore e depois ir caçar Pettigrew. Isso causou um pausa e comentário de Denver.

— O fato de ele entregar o menino para Dumbledore e não o sequestrar ou mata-lo quando o encontrou e fazer o trabalho para o seu "mestre", que ele não tinha como saber estava morto, deveria ter sido suficiente para os aurores que investigavam o caso, descarta-lo como suspeito ou pelo menos o colocar no fundo da lista. — Disse ela com irritação, por ver um péssimo trabalho investigativo, Falc a entendia bem.

— Não houve investigação dos aurores, AC Denver. — Explicou ele.

— Foram 15 assassinatos no total além da morte do terrorista conhecido como Voldemort e ninguém investigou? — Seu tom era mortal. Falc apenas acenou afirmativamente.

Em seguida o momento em que Sirius encontra e desarma Pettigrew, mas este com uma segunda varinha escondida, depois do grito de acusação falsa, causa a explosão. Black fica inconsciente por um instante, mas acorda o suficiente para ver como Pettigrew que se protegeu com um escudo, corta o dedo com um feitiço de corte simples, se transforma em um animago rato e desaparece nos esgotos da rua destruída. Black tenta, zonzo e machucado impedi-lo, mas de repente percebe todos os corpos e começa a rir histericamente. Os funcionários do Ministério chegam e com um olhar decidem o que aconteceram e, quando volta a si do obvio estado de choque, Sirius Black está em uma cela em Azkaban com Dementadores guardando a sua porta.

Saindo da penseira Falc se senta e observa os outros dois, Denver parecia querer conter a raiva e o Sr. Secretário andava de um lado para o outro.

— Não sou curandeiro, mas é obvio que Black está ferido, deve ter tido uma concussão e estava em choque, mas ele nem foi levado ao hospital ou a um curandeiro. Vocês viram, quando acorda na cela ainda está com os ferimentos da explosão. Isso é desumano. — Afirmou ele inconformado.

— E o trabalho de investigação dos aurores foi de pobre para inexistente. Eu sabia que estávamos a frente do Reino Unido em treinamento, inclusão e protocolos, mas isso é além de incompetência. — Disse Denver com seus olhos castanhos brilhando de fúria.

— Eu me senti da mesma maneira quando percebi que grande injustiça meu cliente sofreu, dediquei minha vida a justiça, acredito nela e Sirius Black nem teve o direito a um simples interrogatório. — Disse ele pensativamente.

Eles ficaram em silencio por alguns instantes refletindo sobre a enormidade e horror do crime, então Denver de adiantou e perguntou:

— Qual o próximo passo Sr. Secretário? Quais são suas ordens? — Sua postura era de alguém que queria entrar em ação.

— O primeiro a fazer é tirar Black da custódia do Ministério, sua segurança estará comprometida quando iniciarmos uma investigação oficial. Isso sem contar o fato de que mantê-lo em cárcere privado em Azkaban enquanto investigamos é desumano e criminoso. — Sr. Balmat foi até sua mesa e pegou um pergaminho e com uma pena bonita e elegante começou a escrever. — Vamos fazer isso imediatamente e comunicarei e notificarei o Ministro pessoalmente da mudança de custódia e do início das investigações. — Sr. Balmat pegou um segundo pergaminho e começou a escrever outra vez, depois de usar o brasão oficial da ICW no primeiro. — Vou montar uma equipe de investigadores jurídicos e a partir da minha notificação você, Denver e o outro Agente Auror de sua escolha os acompanhará e os protegerá enquanto eles recolherão todo e qualquer documento dos processos judiciais da Suprema Corte Bruxa dos últimos 15 anos. Se encontrarmos mais absurdos como esse voltarei ainda mais. Depois que meus investigadores jurídicos estiverem analisando cada processo você começará a investigar de dentro para fora Denver, quero que me arranque as entranhas daquele Ministério, quero os envolvidos interrogados, quero-os separados e nenhuma combinação de versões. Quero, malditamente, chegar ao fundo disso, a partir desse momento o Ministério Magico Britânico está sob investigação da ICW.

— Sim, Sr. Secretário. Permita-me acrescentar e sugerir, respeitosamente, senhor que acredito que um número maior de agentes será necessário para uma missão de tão longo alcance. Precisamos ser precisos em nossa abordagem e isso exigirá preparação para executar a operação. Qualquer erro pode atrasar ou afetar a investigação ou colocar a equipe ou mesmo o senhor em perigo. — Denver falou educadamente, mas foi firme.

— Você está esperando resistência? Sua leitura é de que pode haver quaisquer tipos de conflitos ou incidentes mágicos? Algum tipo de ataque? — Perguntou o Sr. Secretário muito sério.

— Minha leitura é que pessoas capazes de fazer isso com um ser humano é capaz de qualquer coisa para abafar e impedir uma investigação da ICW, principalmente, se houverem mais crimes além desse escondido, Sr. Secretário. E temos protocolos a seguir, o senhor me contratou por meus trabalhos anteriores e em todos eles os sucessos aconteceram por respeito aos protocolos. — Disse ela firmemente.

— Ok, respeitarei sua avaliação, mas lembre-se estamos em nível 5, nenhuma informação pode ser divulgada, sua equipe é sua responsabilidade e se houver vazamentos isso caíra sobre seus ombros. — Disse ele com dureza.

— Eu confio em minha equipe Sr. Secretário. Solicito 24 horas para preparação para o cumprimento dessa operação. Preciso o mais rápido possível dos nomes de sua equipe jurídica que estarão participando da parte de coleta de documentos da operação. Designarei ao senhor dois Agentes para proteção e precisarei da área leste isolada para interrogatórios e reuniões de minha equipe. — Disse ela e se Falc tivesse quaisquer dúvidas de sua competência elas se perderam diante de sua firmeza e força em solicitar o que queria.

— Muito bem, você terá tudo o que solicitou, mas lhe darei apenas 24 horas AC Denver, quero entrar naquele Ministério amanhã as 13 horas, nem um minuto a mais. Dispensada. — Disse Sr. Balmat calmamente e Denver saiu depois de um aceno rígido e formal.

— Sr. Secretário, sei que não posso estar na equipe de investigação jurídica. — Disse Falc se aproximando da mesa onde Sr. Balmat ainda escrevia.

— Não, Sr. Boot, devido ao seu interesse e de seu cliente não pode fazer parte da investigação, mas pode acompanhar as descobertas que minha equipe e Denver fizerem. Não acredito que o Tribunal de Justiça do Ministério acolherá qualquer denúncia contra o Sr. Black, mas com o que você tem e mais qualquer coisa que meus Agentes escavarem, dificilmente o senhor terá dificuldade de impedir um julgamento. — Disse o Sr. Secretário objetivamente.

— Tenho esperança que eles nem tentarão, Sr. Secretário e gostaria de solicitar acompanhar a operação amanhã senhor, além de estar presente na mudança de custódia do meu cliente para as celas da ICW. Imagino que suas novas acomodações estão aqui no escritório de Londres? — Perguntou Falc educadamente.

— Imaginou certo Sr. Boot, temos uma área para prisioneiros e interrogatórios neste prédio. Sr. Black ficará aqui até o fim das investigações e receberá atendimento médico adequado. Você pode me acompanhar amanhã a primeira abordagem e a transferência do seu cliente até aqui e checar suas condições e novas acomodações. — Declarou ele e se levantando foi até a mesa onde estavam as provas. — Imagino que você tenha cópias disso tudo, quero ficar com essas e rever cada detalhe e me preparar junto com minha equipe para a operação.

— Então, o deixarei para que se prepare Sr. Secretário e agradeço por sua disponibilidade e atenção, foi um prazer conhece-lo. — Disse Falc sabendo que o Sr. Balmat estava ansioso e precisava de tempo para tudo o que aconteceria no dia seguinte.

— O prazer é todo meu e o agradecimento por me trazer essa desumanidade também, terei enorme satisfação em trabalhar com o senhor em ajudar seu cliente e punir os responsáveis. E imagino que tenha sido alguém da família que solicitou que investigasse tudo isso, assim na segunda o senhor pode solicitar oficialmente pedidos para visitas. — Informou o Sr. Secretário apertando sua mão formalmente em um cumprimento de várias horas de atraso.

Falc deixou o escritório com seus ombros mais leves e otimista, ainda faltava muito para que Sirius fosse complemente livre, mas amanhã ele estaria longe de Azkaban.

O sábado de manhã encontrou Harry se preparando para seu dia e olhando pensativamente para seu baú onde o "presente" de Dumbledore repousava. Seus instintos lhe diziam que não podia confiar no diretor, mas não compreendia onde poderia haver uma armadilha em uma capa de invisibilidade e que pertencera ao seu pai. Ele tinha perguntas, claro, porque a capa tão valiosa, supunha que fosse valiosa, estava com Dumbledore? Porque ele não a entregara antes? Porque ele queria que a tivesse quando estava tentando mantê-lo afastado de suas outras heranças? Ele queria que Harry usasse a capa, a mensagem era clara, mas usar para quê? Para se aventurar, se proteger?

Suspirou, não tinha informações suficientes para deduzir as respostas a essas perguntas, mas sua inteligência lhe dizia que desprezar a capa, que era um instrumento de defesa antes de mais nada era a atitude errada. Se aproximando do baú tirou a capa e a examinou com atenção, precisava desconsiderar as emoções aqui, os sentimentos por ter algo de seu pai e os sentimentos de desconfiança em relação a Dumbledore. Tinha que ser frio e inteligente e analisar se esconder a capa em seu baú não era o mesmo que deixar sua varinha no criado mudo.

Decidido Harry colocou a capa dobrada em sua mochila de couro marrom que tinha espaço suficiente para ela e todos os seus livros. Teria que pensar em uma maneira de carrega-la quando não estivesse com a mochila e que fosse mais acessível e fácil de ativa-la, assim como sua varinha. Porque, a partir de agora, a capa ia aonde quer que ele fosse.

Harry foi se encontrar com seus amigos para o café da manhã, eles tinham que começar a preparação para as aulas da semana seguinte e a tarde estava fora desses planos, pois seria a primeira aula de carpintaria mágica. Todos estavam excitados e ansiosos pela aula, Harry não podia negar uma certa satisfação por ter ajudado a trazer algo tão legal para seus colegas. Mas essas aulas extras lhes tiravam um tempo precioso para preparação, assim eles pretendiam aproveitar a manhã muito bem e começando cedo.

Terry e ele se encontraram com Hermione e Neville na mesa Gryffindor e eram uns dos primeiros a entrarem no Grande Salão as 7:30. Como a biblioteca estava ainda fechada, depois da refeição eles subiram até a sala comunal da Ravenclaw e até as 9 horas trabalharam nas preparações teóricas das aulas de segunda, terça e quarta-feira. Depois foram para o laboratório preparar as poções da semana, Hermione estava excitada, pois era sua primeira vez no laboratório. Depois do Halloween ela ainda não sentia à vontade de fazer as preparações junto a eles lá, mas quando retornara do Natal tinham mudado de ideia.

— Você ainda não nos contou o que a fez mudar de ideia sobre usar o laboratório da nossa casa, Hermione? — Perguntou Terry com os mesmos pensamentos do amigo.

— Ah, bem. — Ela corou levemente. — Eu conversei com minha mãe sobre tudo o que aconteceu, sobre como e porque eu agi daquela maneira com vocês e ela ficou muito decepcionada comigo, disse que eu desprezei o oferecimento de amizade e conhecimento apenas por orgulho e falsa independência. Mamãe disse que todo mundo precisa de ajuda de outras pessoas, que é assim que crescemos e aprendemos e no tornamos melhor. — Hermione parou hesitante em frente da estátua da Rowena Ravenclaw, por onde acessariam o laboratório. — Ela disse que se eu quero mudar as coisas em minha casa devo começar a mudar minha atitude, ser mais amiga dos meus colegas e respeitar que eles não são tão estudiosos como eu e que se negar a vir ao laboratório seria desrespeitar que eu, ao contrário deles, sou estudiosa. Ela disse que eu estava tentando resolver o problema sem entende-lo.

— Sua mãe parece muito inteligente, assim como você. — Disse Terry sorrindo suavemente e Hermione corou um pouco mais.

— Você contou a seus pais sobre as discriminações que os nascidos trouxas sofrem para conseguir um emprego no mundo magico depois de formados? — Perguntou Harry a observando com atenção.

— Não! Não tive coragem, fiquei apavorada que eles não compreendessem que estamos lutando por mudanças. — Disse ela claramente culpada enquanto Terry abria a porta do laboratório.

Hermione olhou em volta encantada com as instalações e a organização e limpeza do laboratório. Até o cheiro era bom! E todos aqueles ingredientes nos armários, era tão bonito e arejado.

— Misters Potter, senhor, Misters Potter veio com um novo amigo. — Disse Bubbles aparecendo saltitando animado, Harry sorriu ao vê-lo com a toca de gato que lhe dera de presente de Natal.

— Sim, Bubbles, essa é minha amiga Hermione Granger. Hermione este é Bubbles o elfo doméstico da torre Ravenclaw. — Apresentou Harry enquanto se instalava em uma bancada.

Hermione estava olhando para a criatura de olhos arregalados e recebendo um cutucão do Terry percebeu que estava sendo mal-educada e se aproximou estendendo a mão em cumprimento.

— Olá, Bubbles, é um prazer conhece-lo. — Disse ela com um sorriso suave.

— O prazer é de Bubbles, Missius Granger, Bubbles está feliz em ajudar Misters Potter e seus amigos. — Disse ele animadamente, depois se aproximou da bancada de Harry e tirando a touca timidamente a amassou nas duas mãos e olhou para Harry com adoração. — Bubbles quer agradecer Misters Potter, por lembrar de Bubbles e dar um presente de Natal para Bubbles. — Mostrando a toca ele a tocou suavemente e depois a colocou na cabeça cobrindo suas orelhas pontudas nos bicos de lã. — Bubbles quer agradecer Misters Potter, Bubbles está usando presente de Misters Potter e as orelhas de Bubbles não estão mais frias, elas ficam bem quentinhas.

— De nada, Bubbles, foi só uma lembrança para agradecer tudo que você faz para nos ajudar em nossos estudos, isso é muito importante para mim e eu é quem devo lhe agradecer. E fico feliz que gostou da touca, achei que com o inverno você ficaria mais protegido. — Disse Harry suavemente e viu o rosto do elfo escurecer, sinal de que estava corando.

— Não precisa agradecer Bubbles, este é o trabalho de Bubbles e Bubbles gosta de ajudar os alunos. Bubbles se sente feliz em ajudar Misters Potters. — Disse Bubbles e depois se sentou em sua banqueta com um sorriso animado para poder observa-los.

Harry começou a arrumar sua bancada e percebeu que Neville já estava mais adiantado, pegando ingredientes da poção que fariam no início da semana. Terry ajudava Hermione em sua bancada e os dois pareciam estar discutindo, ele sinalizava negativamente e ela fez alguns gestos de impaciência, mas por fim pareceu aceitar e todos os quatro fizeram suas poções da semana sem dificuldades.

Tendo se preparado antes eles usaram apenas anotações e não os livros e Harry ajudou Neville quando ele ficou confuso sobre o tempo em que deveria ficar com o fogo no máximo, pois ele esquecera de cronometrar. Hermione parecia distraída, ainda assim sua poção ficou como descrita no livro. Harry fez algumas mudanças na sua, pois achou que ela não precisava ficar no fogo alto por tanto tempo, era uma poção delicada para curar espinhas e sua intuição lhe dizia que tanta agressividade não a tornaria tão efetiva. No fim sua poção ao em vez verde escura e grossa como uma geleia ficou apenas verde e cremosa, Harry tinha a sensação que a sua teria um efeito melhor.

Quando voltaram para a sala comunal Hermione olhou para Terry impaciente e, em silencio para não atrapalhar os alunos que estudavam, eles deixaram a torre e foram para o Covil. Harry imaginou que sua expressão tinha a ver com a discussão de mais cedo.

— Bem, você me disse que não poderia explicar sobre Bubbles naquele momento, agora eu quero saber, o que quis dizer sobre ele ser um elfo doméstico que serve a torre Ravenclaw? — Disse Hermione com voz imperiosa assim que entraram na sala do Covil. — Você quer dizer que ele é um empregado da casa Ravenclaw?

Terry e Harry trocaram um olhar e Neville pareceu constrangido.

— Não quis falar sobre Bubbles na frente de Bubbles, isso teria sido além de rude. E não, não foi o que eu quis dizer. Bubbles não é um empregado, é um servo, na real concepção da palavra. — Disse Terry firmemente.

Hermione arregalou os olhos e os encarou notando que Neville e Harry não pareciam surpresos.

— Como assim? Me explique. — Ela exigiu com aguda.

Nenhum deles se sentou enquanto Terry explicava, não era uma reunião normal com notícias duras e planejamento de uma rebelião silenciosa. Era, na verdade, um relato triste de uma realidade desumana e odiosa, a constatação da crueldade humana e como um sistema pode se erguer e sustentar sob o peso dos mais frágeis, das minorias a quem deveriam proteger e não usar. Hermione estava em lagrimas e quando Terry terminou ela jogou longe a mochila de livros.

— Argh! Eu não quero isso! — Disse ela angustiada.

— Hermione... — Terry tentou falar suavemente, mas ela o interrompeu.

— Não! É para esse mundo que eu vim? Esse mundo que eu deixei meus pais, minha família? Para um mundo que aceita a escravidão? Que se serve disso? Que come e bebe e vive e desfruta do trabalho de escravos? E todos vivem normalmente como se fosse normal e certo? — Ela estava gritando e Harry achou que nunca ela lhe parecera tão magoada.

— Não, Hermione, não aceitamos, mas pense! Se os puros sangues tratam suas próprias espécies com desprezo, como animais, como inferiores, como... Hermione, pare por um segundo e me escute, como você pensou que ele trataria outras espécies mágicos? — Terry falou com paixão. — Acha que os elfos domésticos são os únicos seres mágicos que sofrem discriminações ou injustiças? Acredita que outras pessoas não se enojaram com essa situação?

— E o que devemos fazer, comer e beber de trabalho escravo e fingir que nada acontece, vocês três sabiam disso e não me contaram ou fizeram nada! Como puderam!? — Disse ela em tom de traição.

— Hermione, eu entendo que isso te magoa, eu tanto quanto você! Conheço bem as histórias da escravidão no mundo trouxa, a segregação e luta dos meus antepassados como os seus, mas você não pode desconsiderar uma cultura de séculos e séculos ou acreditar que nós três somos culpados sobre como as coisas são ou nossa impotência para mudar algo. A verdade é que nesse momento, não podemos fazer quase nada. — Disse Terry firmemente.

— Lamento que não te disse nada Hermione, mas achei que você tinha lido isso em algum lugar, já que sempre tem um livro com você e, bem, o assunto nunca surgiu. — Disse Neville timidamente.

— Hermione, nós não estávamos em um complô para esconder informações, pelo contrário, desde o começo Harry e eu estamos falando sobre os problemas no mundo magico e nossa intenção é ajudar a todos e não apenas os nascidos trouxas ou mestiços. — Disse Terry mais calmamente.

Hermione não parecia querer os ouvir andando de um lado para o outro parecendo pensar intensamente como se buscasse uma solução e Harry podia perceber e quase ouvir sua mente tendo ideias e mais ideias e quando Terry o olhou meio pedindo ajuda ele resolveu interferir.

— Nada disso vai dar certo. — Disse simplesmente, Hermione parou e o encarou percebendo que ele estava falando com ela. — Eu disse que nenhuma dessas suas ideias vai dar certo. Eu posso quase ouvir você pensando e planejando Hermione e estou dizendo que essas ideias que está tendo agora, no calor do momento, cheia de raiva e decepção não vão dar certo.

— Ah, é? E qual é sua ideia então? Nos sentarmos e aproveitarmos dos escravos e não fazer nada? Porque se for isso eu me recuso, me recuso a...

— Comer? Beber? Sua ideia brilhante para ajudar os elfos é fazer greve de fome? — Harry observou seu rosto e soube que acertara, não conseguindo se conter ele riu. — Por Merlin, Hermione, o que passar fome vai resolver alguma coisa?

— Isso não tem graça! Você não compreende o que eles passam por isso não se importa! — Exclamou ela com raiva.

Harry ficou sério e tentou controlar a irritação, pois isso não era sobre ele e sua vida com seus parentes.

— Você está errada, eu entendo muito bem e de maneiras que você nunca poderia entender e fico muito feliz por isso. Hermione, ninguém aqui acha isso simples, engraçado ou pequeno. — Harry se aproximou de sua amiga. — Todo o mundo magico está alicerçado em preconceitos e mentiras, em superioridade de sangue ou mágica. E quer saber, se você olhar para a história trouxa vai encontrar o mesmo, muitos países se construíram usando e discriminando, rebaixando os diferentes. E até hoje é possível encontrar pessoas que se acham superior por sua cor, religião, nacionalidade, gênero.

— Você sabe que é verdade, Hermione e entendo sua decepção, eu cresci sabendo essas coisas e vi a decepção de minha mãe por nunca ter conseguido realizar os sonhos de mudanças que tinha em nossa idade. — Terry também se aproximou. — Precisamos compreender a História do mundo em que vivemos e pensar em maneiras de mudar, mas passar fome não resolve nada.

— Ok, eu entendo e desculpa ter ficado com raiva de vocês, mas isso... — Ela parou com a voz embargada e seus olhos estavam cheios de decepção e magoa. — Porque ninguém faz nada? Dumbledore, McGonagall, o Ministro e tantos outros adultos que devem saber ou acreditar que é errado. Porque?

E sem poder se conter Hermione se inclinou e chorou sentidamente com soluços a sacudindo. Todos os três a cercaram a abraçando e apertando seu ombro ou acariciando suas costas suavemente. Quando ela parou de chorar, pediu desculpas e eles se sentaram, Terry lhe pegou água e Hermione aos poucos se acalmou, mas Harry pode ver uma certa dureza em seus olhos e lamentou que sua amiga estivesse perdendo sua ingenuidade e confiança nos adultos.

— Ok, estou mais calma e quero saber o podemos fazer ou se vocês já têm planos para mudar isso. — Perguntou ela duramente.

— Nós já estamos fazendo isso, as mudanças começaram a meses atrás Hermione, estamos informando da verdade, nos unindo e aos poucos vamos mudar as coisas, mudar o mundo magico. — Disse Terry suavemente.

— Mas nós não contamos nada disso para os nascidos trouxas e aposto que muitos deles não sabem, assim como eu, que somos servidos por escravos. E por que uma escola que devia ensinar e defender a igualdade aceita isso? Deveríamos contar para todos e começar um protesto, uma campanha contra isso, precisamos fazer algo mais efetivo. — Disse ela intensamente.

— Hermione! Escuta o que você está dizendo? Protestar para quem? Acha mesmo que alguém no Ministério ou Conselho de Governadores vão ouvir crianças de 11 anos? E nascidos trouxas e mestiços ainda por cima? Acredita que os outros vão começar uma cruzada sem possibilidades de vitória para defender seres mágicos que estão felizes com suas vidas? — Terry voltou a retorquir firmemente.

— Eles estão felizes porque fizeram lavagem cerebral neles! Eles pensam que ser servos é bom, ficam felizes em agradar seus mestres. Isso não é ser feliz, isso é estar iludido. — Disse ela furiosa.

— Concordamos com você, mas o elfos são assim a séculos, não tem como de o dia para a noite convence-los que toda sua cultura e crença estão erradas, na verdade Hermione, lhe digo que se você tentar vai ofende-los e até magoa-los. — Disse Neville sensato.

— Mas... se contarmos a eles que podem e devem e merecem ser livres... — Ela se interrompeu quando percebeu suas expressões. — Então, como vamos ajuda-los se eles não querem ajuda, como mudaremos isso se não tentarmos convence-los...

— Hermione, as mudanças não acontecerão do dia para a noite, pode levar anos, talvez mais de uma geração. Encontrei com Cedric Diggory na casa de Terry durante as férias e... — Harry contou a conversa que teve como o garoto Hufflepuff. — Percebem? As coisas já estão mudando, um dia seremos nós, nossa geração a ocupar cargos no Ministério e teremos novos membros na Suprema Corte Bruxa. Quando nos unimos e educamos e informamos estamos combatendo as mentiras e a ignorância que é o que alimenta os preconceitos.

— Ok, posso ver sua ideia, mas como os libertamos se eles não querem ser livres? — Disse ela tristemente.

— Bem, eu não sei, sinceramente, tenho algumas ideias, mas precisamos conviver mais com os elfos domésticos, entende-los, sermos seus amigos, até estuda-los. Talvez isso deva ser como uma missão para nós, descobrir como desfazer a lavagem cerebral de séculos e séculos. — Constatou Harry seriamente.

— Ok, eu posso fazer isso, pelo menos não me sinto inútil e culpada, posso me tornar amiga deles, na verdade isso será um grande prazer. — Disse ela com um sorriso aguado.

Todos acenaram, pois não podiam concordar mais e Harry sorrindo decidiu começar por apresentar Hermione a sua amiga Mimy.

— Vem, Hermione, me ocorreu que eu não te apresentei minha amiga Mimy, é ela que faz meus pratos saudáveis. Acredito que vocês se darão muito bem. — Disse ele e todos se dirigiram a cozinha.

Harry estava certo, Mimy adorou Hermione e vice e versa, a elfa agradeceu pela toca e Hermione perguntou se os outros elfos também gostariam de tocas para afastar os frios das orelhas. Ela contou que sabia tricotar, sua avó lhe ensinara e poderia fazer ao longo do ano, assim no próximo inverno todos teriam orelhas quentes. Isso lhe rendeu olhares de adoração e até alguns abraços. Harry podia ver que era difícil para ela não falar nada para contrariar sua obvia alegria em servir e, principalmente, pedir a eles que não se curvassem, mas Hermione conseguiu e enquanto almoçavam na cozinha sendo servidos por escravos felizes em serem escravos cada um deles tentou engolir a amargura deixada em suas bocas a cada mordida.

Depois do drama e almoço eles foram para a sala designada para a primeira aula de Carpintaria Magica, menos Hermione que decidira não fazer as aulas extras e decidiu ir tomar um banho e tirar um cochilo. Harry desconfiava que ela não ia descansar nada e sim ir para a biblioteca pesquisar sobre outros seres mágicos.

O aviso colocado pelo professor Flitwick explicava que um número grande de alunos se inscrevera, assim duas turmas foram fechadas. Uma do 1º ao 4º ano que começariam hoje e outra do 5º ao 7º ano que iniciariam no próximo sábado e eles alternariam os sábados. Os três amigos entraram na sala do 1º andar, era ampla com 6 mesas compridas e altas de madeira rustica, a frente uma mesa menor e igualmente alta que devia ser a do professor.

Aos poucos 28 alunos encheram a sala e eles se posicionaram ao longo das 6 mesas, Harry ficou na primeira com Terry, Neville, Owen e Dean. Olhando em volta ficou um pouco chocado ao perceber que a maioria dos alunos eram nascidos trouxas ou mestiços e que as poucas meninas presentes eram nascidas trouxas. Todos estavam falando excitadamente sobre a aula, quem era o professor e o que eles aprenderiam. Finalmente um homem alto entrou na sala, ele não usava vestes e sim roupas rusticas e confortáveis e quentes. Tinha uma barba preta bem aparada, olhos azuis sérios e cabelos fartos pretos também. Sua altura e músculos impressionavam e ninguém ali duvidou que ele era um homem acostumando com o trabalho pesado e manual, que entenderia de carpintaria apesar de não parecer um professor.

— Boa tarde, garotos, eu sou Hector Jonas, sou um dos sócios da Fábrica de Madeiras Magicas. Prof. Flitwick me convidou para ensina-los Carpintaria Magica, minha profissão, a qual me dedico com muito prazer. Trabalho todos os dias plantando e colhendo madeira para o nosso uso diário. E uma das coisas que vou lhes ensinar é respeitar todos os seres de uma floresta, nosso foco não será a fauna, mas quando estamos em uma floresta entramos em seu território, em seu habitat, assim nós os respeitaremos. E lhes ensinarei a colher a madeira certa, do jeito certo e que respeitem cada árvore. Umas das coisas que precisam compreender é que não tomamos o que não nos é dado e precisamos merecer receber o dom que é a madeira mágica. Isso exigirá paciência e muito dedicação, se estiverem dispostos aprenderão uma linda arte. Alguma pergunta?

Terry levantou a mão e outros mais atrás também, mas Prof. Jonas apontou para Owen.

— Sim, seu nome?

— Owen Flynn, Prof. Jonas, queria saber se carpintaria magica é diferente da trouxa?

— Boa pergunta e a resposta é sim. Tudo o que fazemos com magia se torna diferente. A natureza tem sua própria magia, assim vamos colher madeira magica, vamos usar nossa magia para fazer arte com essa madeira, assim é uma arte magica e não apenas a fabricação de moveis e muito menos a extração da madeira sem controle e cuidado. Não se preocupem, teremos tempo para eu lhes ensinar muita coisa. Mais alguma pergunta? Sim, Srta.?

— Jones, Professor, Megan Jones, gostaria de saber onde o senhor aprendeu tudo isso?

— Eu aprendi com meu pai, que aprendeu com o pai dele e assim por diante, mas a muito anos um dos meus antepassados aprendeu com Liam Potter. — Hector contou com um sorriso e brevemente olhou para Harry, que percebeu que ia ouvir a história por traz da sociedade com a Fábrica de Madeiras Magicas. — Liam Potter fundou a Fabrica a muito séculos e ganhou muito dinheiro com ela. Ele tinha uma profunda conexão com a floresta, conta-se a história em minha família que ele era um animago e passava mais tempo na floresta como seu animal do que como humano. Ele descobriu propriedades de muitas plantas para poções importantes e o uso da madeira para mais do que varinhas magicas. Mas ele desenvolveu uma maneira de usarmos a madeira sem ferir a magia e a vida da floresta e é isso que pretendo lhes ensinar. E nossa primeira lição será na Floresta e não aqui. Vamos! — Disse ele e foi na direção da porta.

Os alunos se olharam surpresos, mas rapidamente o seguiram para fora do castelo e pelos jardins na direção da Floresta Proibida.

— Será que ele não sabe que é proibido irmos até lá? — Sussurrou alguém.

— É perigoso... — Disse outro.

— Tem lobisomens. — Esse deveria se um idiota, pensou, Harry.

Parando na beira da Floresta o Prof. Jonas os olhou com atenção.

— A Floresta Proibida é perigosa sim, mas não vamos adentrar mais do que 50 metros de distância e eu estarei por perto, vocês sabem fazer magia e gritar, assim acredito que tudo ficará bem. E Lobisomens só aparecem nas noites de lua cheia e não durante o dia na lua minguante. — Disse ele com ironia.

Harry não pode deixar de sorrir, gostava desse professor.

"Vocês viram nossa sala de trabalho ou oficina, me digam o que estava faltando? " — Perguntou ele, mas ninguém levantou a mão. Harry refletiu e visualizando a sala e entendendo levantou o braço para cima.

— Sim, Sr. Potter? — Perguntou Hector sem esconder que sabia quem ele era o que o agradou, sem falsidades.

— Cadeiras, professor.

— Certo e errado, porque não precisamos de cadeiras e sim bancos de trabalhos. Esse é nosso primeiro projeto, se vocês querem fazer carpintaria precisam de bancos para se sentarem. O que quero que vocês façam hoje pelo resto da aula é caminhar pela floresta, não conversem entre si, façam silencio e escutem a magia, se conectem com a magia da floresta. Conversem com as árvores através de sua magia, não com palavras, mas de energia para energia, vida para vida. Talvez não aconteça hoje, mas se vocês se permitirem a Floresta o acolherá e lhe permitirão usar sua madeira. Quando isso acontecer vocês sentirão a energia e encontraram a árvore onde poderão colher a madeira. Se isso acontecer me chamem, pois vou guia-los ao próximo passo. Agora vão, lembrem-se, não pensem em nada, se concentrem na floresta em pedir o que vocês precisam, sejam humildes e só pensem no aqui e agora. — Suas palavras eram suaves quase hipnóticas os convidando enquanto entravam na Floresta.

Harry não teve dificuldade em esvaziar a mente e se concentrar na Floresta, na sua magia e era incrível, sua meditação magica ajudou muito. Ela era velha e ansiosa como que estivesse feliz em conectar-se com jovens magias, Harry fechou os olhos e caminhou sentindo-se seguro e a energia quente passou por seu corpo aquecendo e protegendo. A magia das árvores pedia que confiasse e Harry suavemente sorriu e se deixou conectar, era quase intenso demais de um jeito bom. Ele agradeceu sua energia e pediu o que buscava, suavemente a magia o conduziu e sem abrir os olhos ele se deixou guiar até chegar em frente a uma árvore de Faia cheia de musgos cobrindo seu tronco grosso e antigo, tinha raízes que se sobressaiam sobre a terra grossa e húmida.

Harry sorriu entendendo sua permissão e passou a mão por seu tronco em uma caricia suave.

— Obrigada. — Disse ele e se inclinou se curvando, Harry não sabia porque fizera isso, instinto talvez, mas seu respeito pareceu agradar a árvore que se agitou e algumas gotas de neve caíram sobre ele.

Rindo Harry olhou em volta procurando pelo professor para ajuda-lo, mas o encontrou a uns cinco metros o observando com um sorriso.

— Tendo uma boa conversa, Sr. Potter? — Perguntou Prof. Jonas.

— Sim, ela é uma brincalhona. — Respondeu ele com um sorriso.

— Eu te observei quando entrou, conseguir essa conexão é muito difícil e não esperava que ninguém conseguisse na primeira aula, mas você conseguiu em segundos, estou impressionado. Acredito que herdou o dom dos seus antepassados. — Cumprimentou Jonas sincero.

Harry corou e olhou para as mãos, ainda não se acostumara com elogios.

— Hum... não sei professor, acho que minha facilidade vem do fato de que estou praticando a meditação magica e não porque tenho algum dom. — Harry explicou tímido.

— Meditação mágica? Isso também é uma arte e das mais difíceis, demorei para encontrar o estado de ausência. Quanto tempo você demorou? — Perguntou ele se aproximando, mas parecia muito atento aos outros alunos também.

— Demorei dois dias. — Disse Harry pesaroso, mas viu os olhos do professor o olhar surpreso.

— Dois dias? Por Merlin, eu demorei 4 meses e olha que tinha uma boa conexão com minha magia. — Jonas sorriu e pareceu o olhar com mais atenção. — Não é a Meditação Magica Sr. Potter é um dom que você tem de se conectar com sua magia e a magia do mundo, que lhe permitiu acessar o estado de ausência tão rapidamente e se conectar com a magia da Floresta. Um dom que deve ter herdado de seus antepassados.

Harry ficou surpreso com essa declaração, não pensara que se conectar a magia fosse um dom.

— Mas pensei que todos pudessem fazer isso, sabe, meditação magica e se conectar com a magia. — Disse ele confuso.

— Sim, todos podemos, mas alguns com mais facilidade do que outros e é assim com todos os tipos de magia, mas alguns tem isso como um dom magico. — Olhando com um sorriso, continuou. — Aposto que você é um natural para voar na vassoura, que é muito bom com Herbologia ou Poções ou Astronomia ou os três, aposto que quando você começar a estudar como encontrar e identificar magia ocultas será o primeiro da sua turma e se quiser ser um animago, seu animal estará conectado profundamente com a natureza. E você pode se descobrir um grande nadador se já não for, além de um ótimo carpinteiro magico. — Disse ele e observando seu jovem aluno percebeu que estava parcialmente certo por seu rosto corado de timidez.

— Eu sou um voador natural e bom em Poções, mas Prof. Jonas, como antes de vir para Hogwarts eu não sentia essa magia se é um dom eu poder senti-la e me conectar com ela tão facilmente? — Perguntou Harry curioso.

— Bem, primeiro ter o dom por si só não significa nada, um pianista, por exemplo, se ele não tiver acesso a um piano e tocar e tocar e treinar como poderia acessar e aperfeiçoar seu dom? — Disse Jonas observando seus alunos, mas ninguém parecia ter se conectado como Harry. — E quanto mais você usa sua magia, mais a treina e a conhece mais aperfeiçoa esse dom. Devo lhe dizer Sr. Potter que se não se limitar ou parar de buscar conhecimento, você descobrirá que há poucas coisas no mundo que não poderá fazer com sua magia.

Harry acenou concordando, não tinha a menor intenção de parar de aprender.

— Como faço professor para colher a madeira para o meu banco? — Harry perguntou olhando para a gigantesca árvore.

— Bem, é muito simples, qual galho você acredita tem madeira suficiente para o seu banco?

Harry olhou para a árvore e apontou para um galho grosso e comprido as uns 5 metros de altura.

— Tem certeza? Pense no banco que você vai construir, visualize a mesa de trabalho e calcule com sua altura, seu banco e o dos outros terão tamanhos diferentes, pois vocês têm alturas diferentes. Você precisa de um banco na altura certa para realizar sem trabalho com as ferramentas que comprou. Observe com atenção, você pediu madeira apenas para o banco, não deve sobrar madeira para mais nada ou para jogar fora, sem desperdício. Se concentre e siga sua intuição, qual galho você precisa Sr. Potter?

Enquanto Jonas falava suavemente Harry fechou os olhos e visualizou o banco na altura que precisava e sentiu a magia da Faia e dos seus galhos, tocando seu tronco a sentiu sussurrar suavemente e abrindo os olhos apontou para um galho diferente, ele era mais fino e jovem e estava a uns 3 metros de altura.

— Aquele professor, tenho certeza. — Disse Harry com um sorriso.

— Muito bem, agora vou te ensinar a colhe-la. — E tirou da bolsa de couro transversal que usava uma escada encolhida, colocando no chão aumentou até a altura certa com sua varinha. — Bem, agora você sobe e vou lhe ensinar os feitiços que precisa para não se machucar. — Harry obedeceu e subiu os três metros de escada. — Primeiro passo é amarrar o galho ou então quando você o serrar ele cairá sobre você, isso é importante Sr. Potter, segurança é fundamental na carpintaria mágica. O feitiço é Ligabis in Genere, não tem movimento especifico, apenas aponte e deslize sua varinha pelo galho.

Harry disse o feitiço e sentiu quando sua magia o obedeceu e teceu uma rede de amarras invisíveis como cordas de magia em volta do galho o sustentando.

— Pronto. — Disse Harry olhando para o professor em busca do próximo passo.

Jonas ergueu a sobrancelha surpreso e usando sua varinha verificou que o feitiço fora feito perfeitamente e na primeira vez, incrível.

— Você se esqueceu de dizer que é bom em Feitiços também Sr. Potter. Bem, agora você vai serrar o galho, serrar não cortar, menos impacto para a árvore. O feitiço é Removere in Genere, seja suave, cuidadoso e se precisar repetir não tem problema. — Orientou Jonas suavemente, Harry o achou um bom professor.

— Removere in Genere. — Disse Harry suavemente, queria remover o galho, mas sem machucar a árvore ou usar sua magia grosseiramente.

Ele repetiu o feitiço mais duas vezes até que o galho se soltou e pairou no ar segurado pela magia do feitiço anterior.

— Muito bem, existe agora dois caminhos, você usa sua magia para que o galho o acompanhe flutuando ou você deixa a madeira leve e a carrega em seus ombros. O que você prefere? — Perguntou Jonas sorrindo orgulhoso.

— Prefiro leva-la com minha magia, professor. — Respondeu Harry que não gostou da ideia de usar magia para deixa-la leve.

— Muito bem, você conhece Wingardium Leviosa, essa é uma versão mais forte, ainda mantendo as amarras magicas do outro feitiço o que eu quero que você faça é dizer a essas amarrar invisíveis para te seguir. O feitiço é Secundum Virtutem, o que quer dizer que elas seguirão sua magia ou energia. — Explicou Jonas.

Harry acenou entendendo e sem dificuldade fez o feitiço e quando desceu a escada o galho o seguiu suavemente. Sorrindo por ter conseguido ele observou o professor guardar a escada e agradeceu.

— De nada Harry, foi meu prazer e...

— Professor Jonas? — Uma voz gritou de mais ao longe a esquerda da Floresta, parecia empolgada e não preocupada.

— Ah, acho que mais alguém conseguiu, maravilhoso. — Disse Jonas e se apressou na direção da voz.

Harry ficou mais um pouco e suavemente agradeceu a árvore acariciando seu tronco cheio de musgo e ouviu seu sussurro de carinho e despedida. Ele então seguiu rápido em direção ao professor, pois ele conhecia aquela voz, seu galho o acompanhou suavemente. Quando se aproximou sorriu feliz ao perceber que estava certo, era Neville e ele sorria encantado em frente a um grande e antigo carvalho. Se mantendo mais afastado ele observou como o Prof. Jonas o elogiava fazendo seu amigo corar e sorrir bobamente e depois escolher e colher o galho correto. Harry sabia da conexão do seu amigo com Herbologia, não pode deixar de pensar que talvez seus problemas com voar fosse apenas medo e insegurança.

No resto da aula apenas mais um aluno conseguiu a conexão, Owen, e Harry ficou muito feliz, pois sabia o quanto a carpintaria magica o ajudaria e sua família. Quando voltaram para a sala os três meninos colocaram seus galhos em suas bancadas e o professor acalmou aqueles que não conseguiram dizendo ser normal cada um ir em um ritmo diferente do outro. Orientou que ninguém tentasse ir a Floresta sozinho, mas que a noite antes de dormir tentassem meditar e se conectar com sua magia. Ele assegurou a Harry, Neville e Owen que seus galhos estariam em segurança até a próxima aula.

Os meninos foram para a cozinha lanchar, pois estavam famintos e conversaram sobre a aula. Neville ainda parecia estar flutuando e muito corado com os elogios.

— Eu entendi o que você disse Harry, é incrível, como se eu fosse minha magia e minha magia fosse eu e dava para sentir toda a magia da floresta e o carvalho que se conectou comigo, ele sussurrou, posso jurar que ele me chamou de amigo. — Disse ele encantado.

— Bem, eu não cheguei tão longe, não consegui a conexão, mas me conectei com minha magia e espero que agora eu consiga realizar a meditação mágica. — Disse Terry sorrindo feliz por seus amigos.

Harry explicou o que dissera Jonas e seus amigos arregalaram os olhos.

— Então é normal que eu não esteja conseguindo o estado de ausência, quer dizer a meditação é legal, me sinto com mais energia e estou dormindo e descansando melhor, mas se o professor Jonas demorou 4 meses não seria impossível que eu demorasse alguns meses também. — Terry acenou entendendo. — Você conseguiu tão rápido porque você tem esse dom e é por isso que é tão bom em voar e Poções, mesmo feitiçaria. Aposto que o Neville vai conseguir o estado de ausência rapidamente também.

Neville corou ainda mais e Harry pensou que seu amigo não estava acostumado a ser elogiado, exatamente como ele. Depois do lanche Harry foi para a enfermaria e os amigos decidiram procurar Hermione para contarem sobre a aula. Harry deveria ter vindo procurar Madame Pomfrey mais cedo naquela semana, mas estivera muito ocupado, os professores estavam passando mais deveres, talvez, já em preparação para os exames. E por causa da aproximação do jogo com os Slytherins, seu capitão, Trevor, programara 3 treinos durante a semana.

Quando entrou na enfermaria Harry só esperou alguns segundos antes de ouvir os passos da curandeira. Quando ela o viu sua expressão se franziu levemente.

— Está atrasado, Sr. Potter. — Disse ela com severidade.

—Eu sei, desculpe Madame Pomfrey, mas a semana foi corrida e cheia de coisas, parecia que nunca tinha tempo. — Disse timidamente.

— Eu entendo, você voltou de férias e é difícil voltar ao ritmo, mas poderia ter vindo a noite depois do jantar, essa poção é importante tomar sem atrasos. Vamos lá, deite-se que vou pega-la para você. — Disse Pomfrey e desapareceu em seu escritório.

Harry se deitou na cama da enfermaria e quando ela voltou bebeu sua poção azul translucida sem nenhuma careta. Estava acostumado, além disso queria muito crescer e melhorar sua saúde.

— Sr. Potter, recebi uma carta da Sra. Boot, ela me contou que o levou para um checape completo com alguns médicos trouxas e tomar vacinas que as crianças trouxas tomam. Você poderia me contar os resultados apresentados? — Perguntou ela sentando-se com seu prontuário e uma pena.

Harry contou sobre como fora a consulta, os exames e as recomendações.

— E alguns resultados mais complexos só sairão nesta semana, eu preciso fazer os exercícios fisioterapêuticos para combater a atrofia muscular por imobilização e quando meus novos óculos ficarem prontos a Sra. Serafina vai envia-los. A consulta com o oftalmologista foi tudo bem, ele disse que minha miopia é um pouco avançada para minha idade e regulou o grau com lentes melhores, minhas lentes não estavam muito fora do grau, mas eram bem simples, agora vou ter uma lente superior e uma armação nova. — Harry explicou enquanto sentia seus ossos esquentarem e doerem.

— Fisioterapêuticos? Oftalmologista? Não conheço estes termos, você poderia me esclarecer? — Perguntou a curandeira confusa.

Harry acenou e explicou o que cada profissional faz e como eram os exercícios e equipamentos que estava usando para a atrofia. E como o médico oftalmologista examinava seus olhos com maquinas e tinha dito que quando ficasse mais velho sua miopia tinha a tendência a retroceder com seu desenvolvimento e melhor alimentação.

— Hum, interessante, maquinas, equipamentos, como é incrível o que os trouxas fazem. E ele realmente acredita que a miopia pode retroceder, ora nunca ouvi falar disso. — Disse ela surpresa. — Nós temos curandeiros que examinam os olhos e se identificam um problema o paciente é enviado a única loja no Beco Diagonal onde o Optometrista descobre qual o problema, medi o grau e faz os óculos que você precisa.

— Bem, no mundo trouxa o Oftalmologista é um médico, um curandeiro e apenas ele pode dar a receita dos óculos que você precisa e depois você vai ao Optometrista que apenas fabrica seus óculos de acordo com a receita. — Explicou Harry percebendo que o mundo magico parecia um pouco atrasado neste aspecto.

— Realmente? Muito interessante. E fico feliz que tenha acesso a esses recursos Sr. Potter inclusive esses exercícios que ajudam seus músculos a se curarem e desenvolverem mais rápido. Sra. Boot me disse também que ele recomendou que você nadasse, pois isso o ajudaria a crescer. — Disse ela interessada.

— Sim o fisioterapeuta disse que a natação é um exercício completo, que nadar diariamente ajuda a crescer porque você utiliza e flexiona todos os músculos e ossos do corpo e sem impacto como correr ou pegar peso, por que seu corpo está flutuando. — Harry explicou suavemente. — Ele disse que se eu nadasse todos os dias cresceria mais rapidamente e de maneira mais saudável.

— Entendo, vou fazer algumas pesquisas e depois de ter mais informações procurarei o diretor e tentarei colocar algumas ideias em pratica, não prometo a você que vou conseguir, mas lhe garanto que vou tentar. — Disse ela com firmeza.

Harry acenou e agradeceu com um sorriso, sabia que se ela pudesse o ajudaria e se houvesse alguma maneira de ele nadar em Hogwarts ela descobriria e tentaria fazer funcionar.

O sábado de Harry foi ocupado e interessante como quase sempre são seus dias em Hogwarts, mas o dia de seu advogado conseguiu ser ainda mais. Ele chegou aos Escritórios de Assuntos Internos da ICW as 9 horas e passou toda a manhã respondendo perguntas de cada uma das provas que conseguira e apontando outras direções que não pode verificar por questão de sigilo. E acompanhou a preparação das equipes da ICW, a jurídica e a policial que com o comando de Denver ouviu atentamente as instruções e as 13 horas a operação deu início.

Falc acompanhou o Sr. Balmat e a AC Denver com um grupo de 12 Agentes Aurores até o Ministério da Magia, eles entraram pelas lareiras diretas que acessavam o escritório da ICW dentro do Ministério. Os escritórios tinham apenas uma sala para reuniões e uma recepcionista que dava informações, pois a ICW preferiria fazer seu trabalho em um lugar neutro. A recepcionista piscou assustada quando viu o Sr. Secretário e mais todo o contingente que o acompanhava.

— Darlina, consiga o Ministro da Magia, a Chefe do Departamento de Leis e o Chefe Auror imediatamente, estaremos na sala de reuniões. — Disse Sr. Balmat seriamente e a moça abriu a boca e acenou freneticamente.

Todos foram para a sala de reuniões e Falc ficou um pouco surpreso ao entender que era o Ministro que vinha até o Sr. Secretário e não o contrário. Ele esperava que demorasse para os convocados aparecerem, afinal era sábado, mas em menos de 5 minutos a Chefe do DLM Madame Amélia Bones entrou na sala e veio cumprimentar o Sr. Balmat.

— Sr. Secretário, um prazer revê-lo, apesar de que pelo número de Agentes posso imaginar que o motivo não é dos mais auspiciosos. — Disse ela formalmente.

Madame Bones era uma mulher perto dos 60 anos, muito alta, cabelos grisalhos e curtos, rosto sério e profissional.

— Infelizmente não, Madame Bones, apesar de sempre ser um prazer encontrá-la. Minha presença hoje no Ministério é dos mais graves, mas gostaria de esperar os outros convocados. — Disse ele educadamente, embora claramente uma decisão final.

— Certamente. — Concordou ela e olhando em volta o viu. — Falc, não tinha te visto e não sabia que trabalhava para a ICW. — Disse Bones muito surpresa e se aproximando para cumprimenta-lo.

— Madame Bones, prazer em reencontra-la. Eu não trabalho para a ICW, a razão de minha presença será esclarecida pelo Sr. Secretário. — Disse Falc sorrindo ao apertar sua mão, ela o olhou com atenção, mas ele se manteve neutro.

Quase mais 10 minutos e o Chefe do Departamento do Aurores Gabriel Sparks entrou, ele era um homem alto, um pouco acima do peso, tinha por volta de 80 anos e mostrava isso com seus cabelos brancos e calvo, além da barba comprida também branca. Ele usava vestes oficiais do Chefe Auror, negras e formais e caminhou elegantemente até o Sr. Secretario o cumprimentando formalmente e ignorando os outros presentes, ao contrário de Madame Bones que se apresentou e cumprimentou cada um.

Para Falc isso não era surpresa, conhecia a reputação de Sparks e sabia que tipo de pessoa ele era, mas viu Denver o olhando com atenção, afinal, ele era um dos seus alvos. Demorou mais cinco minutos e o Ministro da Magia, Cornelius Fudge entrou afobado e apressado com seu chapéu coco verde limão nas mãos, usando um terno verde escuro, baixo e gordo, com uma cabeça redonda e calva. Ele estava perto dos 60 anos e era um dos homens mais fracos que Falc já conhecera.

— Sr. Secretário, acabei de receber sua mensagem, o senhor deseja uma reunião? Qual assunto? Não me lembro de termos nada agenda e, em um sábado, não menos. — Disse Fudge se aproximando com a mão estendida, mas mostrando claramente exasperação.

Antes de responder Sr. Balmat fez um sinal e todos os Agentes deixaram a sala, com exceção de AC Denver. Em seguida, olhando para o Ministro, falou:

— Não tínhamos nada agendado porque o que me traz aqui é uma emergência e elas não escolhem dias, Sr. Ministro. Assim, o dia pouco importa diante do que tenho a fazer. — O tom do Sr. Balmat era de dar arrepios e até mesmo Fudge pareceu perceber com algum tipo de instinto que ele estava em problemas.

— Oh, sim, claro, claro, e então, qual a emergência? Estamos a sua disposição para o que precisar, qualquer ajuda, Sr. Secretário, pode contar com o Ministério. — Disse o Ministro bajulador.

— Bom saber, Sr. Ministro. Porque a partir deste momento, com a autoridade concedida a mim pela Confederação Internacional de Bruxos, eu estou colocando o Ministério da Magia do Reino Unido sob investigação judicial e criminal. Aqui está o documento oficial assinado e com o Brasão da ICW. — Disse ele em tom formal que indicava ser algo imutável.

— Mas..., mas... o que... porque... Como... — Fudge balbuciou pálido, sua expressão de pânico e sua boca escancarada. Seria engraçado se o que acontecera com Sirius não fosse trágico.

— E aqui estão os meus primeiros pedidos e medidas, este é um decreto oficial de transferência de custódia do prisioneiro 390, Sirius Orion Black, da Prisão Bruxa de Azkaban para as celas do Escritório de Assuntos Internos da ICW. A remoção e transferência é imediata. A Agente Chefe Auror Denver designará dois Agentes para escoltar o prisioneiro da prisão, o senhor pode, Sr. Ministro, indicar alguém para acompanha-los. — Disse Sr. Balmat objetivamente.

— Sirius Black! É disso que se trata!? Mas ele é um criminoso, um assassino cruel, eu vi pessoalmente seu trabalho e sua alegria diante dos corpos, fui um dos primeiros a chegar a cena... — Fudge se interrompeu quando Denver deu um passo em sua direção com um olhar predador e empalideceu ainda mais.

— Interessante informação, Ministro Fudge, isso o torna um dos muitos que interrogarei hoje. — Disse Denver com um sorriso frio.

— Mas... eu não compreendo, Sr. Secretário, o senhor não pode levar um prisioneiro condenado e... — Mais uma vez Fudge se interrompeu percebendo a expressão nada amigável do Sr. Balmat.

— Não posso? O senhor está negando uma ordem direta de um representante da ICW, Sr. Ministro?

— O que!? Não!? Não Sr. Secretário, eu quero colaborar com o que for necessário, mas gostaria de compreender o que está acontecendo. — Perguntou o Ministro apertando e amassando se chapéu ansiosamente, ele estava suando de desespero.

— Isso é algo que eu gostaria de saber também Sr. Secretário. — Disse madame Bones se aproximando e lendo os dois documentos oficiais apresentados. — Crimes contra os Direitos Humanos, mas isso é muito grave, o senhor pode nos informar quais são as acusações?

— Com grande desprazer. As acusações contra o seu Ministério são de aprisionar um homem sem a medidas judiciais corretas, sem uma investigação, interrogatório, audiência, negando lhe acesso a um advogado e muito menos a chance de defender-se em um julgamento. — Disse Sr. Secretario e dava para ver sua raiva. — Aqui está, a ordem de condenação da Ministra Bagnold ao Sr. Black, uma condenação de prisão perpétua com a alegação de que provas incontestáveis e testemunhas comprovavam a traição e assassinato em massa.

Madame Bones pegou a ordem e empalideceu enquanto lia.

— Por Merlin, o que fizemos? — Disse ela completamente chocada.

— Mas, o que isso significa? Foi feita pela antiga Ministra, não tem nada a ver com o Ministério e foi a mais de 10 anos. — Disse Fudge aflito.

— Foi feito por Bagnold, enquanto no cargo de Ministra, assim o cargo e o Ministério herdam o crime cometido. — Informou Bones. — Isso é desumano Ministro Fudge, o senhor deve se preparar para dar uma declaração pedindo desculpas o mais rápido possível e precisamos remover o Sr. Black daquele inferno.

— Isso é uma grande tolice. — Disse uma voz mais grossa e todos encaram o Chefe Auror que os olhava com o cenho franzindo e certa empáfia. — Black foi corretamente condenado por seus crimes, ele era um traidor da pior espécie e porque precisaria de um julgamento se sua culpa era óbvia? Na verdade, tanto Bartô Crouch como eu defendemos que ele fosse executado com o beijo imediatamente. Toda essa confusão por causa de alguém que já deve estar babando e balbuciando como um descerebrado é um absurdo.

O silencio depois de sua declaração foi tão pesado que até mesmo Fudge que não é particularmente inteligente percebeu que Sparks dissera algo absurdo e auto condenável.

— Sr. Sparks, eu acreditava que tudo o que aconteceu nesse horrível episódio fosse incompetência e descaso, mas ouvindo essa declaração percebo que o que instigou esse crime hediondo foi a crueldade e arrogância de homens que deveriam defender e seguir as leis até o ultimo de suas forças. — Sr. Secretário se aproximou dele alguns passos. — Mas estou curioso, quais eram as provas incontestáveis que mostraram a vocês que sua culpa era tão óbvia que justificava tirar do Sr. Black o direito a uma investigação, interrogatório, audiência, acesso a um advogado e por fim um julgamento?

— Bem, Sr. Secretário, não sei quem o procurou com todas essas calunias, mas lhe garanto que o Black está tendo o que merece. Talvez, por não ser inglês e ainda tão jovem, o senhor não tenha todas as informações, mas lhe garanto que quando ouvir todas as crueldades cometidas por Black, vai concordar que Azkaban é o lugar certo para ele. — Disse Sparks floreando, bajulando e discriminando na mesma frase, mas sem responder à pergunta feita.

— Ouvir e supor é diferente de provar e saber, eu lhe perguntei quais as provas incontestáveis os levaram a condenar a prisão perpétua um homem que não teve o direito concedido a todos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, o direito a se defender e provar sua inocência. Quero que enumere as provas, Sr. Sparks. Agora. — Seu tom deixava claro que era uma ordem e não aceitaria mais rodeios.

— Bem, Black foi encontrado em flagrante, Sr. Secretário, ao lado de 13 corpos, rindo alegremente devido ao prazer da morte de todas aquelas pessoas. Mortes que ele causou, isso sem falar que ele era o Guardião dos Potters, uma testemunha confirmou isto, tendo ouvido a informação do próprio casal. — Disse ele em tom de fato.

— Desculpe, mas se você estivesse na bancada de testemunhas em um julgamento e meu cliente tivesse tido um advogado decente, ele protestaria a essa informação. — Falc se adiantou e disse com frieza. — Ele diria: Sr. Meritíssimo, rindo alegremente é a opinião pessoal do Sr. Sparks, peço que não seja aceito como prova nos altos do processo. E o juiz aceitaria o pedido. E acrescentaria, onde está a prova de sua alegação caluniosa, de que meu cliente matou todas aquelas pessoas?

— E quem é você? — Disse Sr. Sparks rispidamente.

— Falcon Boot, advogado de defesa de Sirius Orion Black. E meu cliente é inocente até que a culpa seja provada por um tribunal justo e se tivesse tido a chance de contestar essas chamadas provas incontestáveis e testemunhas não teria passado 10 anos de sua vida em Azkaban. — Acrescentou Falc com convicção.

Sua afirmação surpreendeu Fudge e Bones, mas Sparks apenas riu debochadamente.

— Sinto muito garoto, mas você está errado, Black não apenas é culpado como duvido que teria como contestar a testemunha do caso. Nem você nem qualquer advogado poderia enfrentar Albus Dumbledore em um julgamento e foi ele que nos deu a informação de que Black era o guardião dos Potters. — Disse presunçosamente.

— E ele era a única testemunha? Vocês não se preocuparam em realizar uma investigação completa? Enviar aurores para questionar outras pessoas por mais informações? — Questionou Denver duramente.

— E porque faríamos isso? — Perguntou Sparks petulante.

— Além do fato de que esse seria o procedimento legal correto? Talvez, para ter certeza que o guardião secreto não foi alterado no último instante, sem que Dumbledore tenha sido informado disso. — Disse Sr. Balmat lhe lançando um olhar mortal.

— Merlin nos ajude, foi isso que aconteceu? — Bones perguntou empalidecendo. — Condenamos um homem aquele inferno sem julgamento e ainda por cima ele é inocente?

— Black não é inocente! — Exclamou Sparks ferozmente.

— Isso não importa! O Sr. Black ser inocente ou não, pouco importa diante das ações criminosas que este Ministério cometeu a 10 anos. — Sr. Balmat falou sem gritar, mas sua veemência agiu com a força de um berro. — Este governo, este país deveria se envergonhar e lamentar o dia em que seus principais representantes políticos e legais agem como Deuses, acreditando-se no direito de tirar a liberdade e direitos de um homem livre. Que se acreditam superiores para desconsiderar Acordos e Tratados feitos a décadas para proteger e respeitar a humanidade. E o senhor, Sr. Sparks viverá para lamentar muito esse dia. Tire-o da minha frente. — Disse o Sr. Secretário friamente.

Houve um instante de silencio, mas logo Denver se adiantou e com um sorriso frio, disse:

— Sr. Gabriel Sparks, o senhor está preso pelo crime de quebra sumaria e confessa do Artigo 10 da Decla...

— O que? O senhor não pode, não tem o direito de me prender, tira essa algemas magicas de mim. Eu sou o Chefe Auror do Ministério da Magia, como você ousa... — Enquanto a AC Denver o prendia e lia seus direitos o Sr. Sparks olhava indignado para o Sr. Secretário que caminhou até perto dele invadindo o seu espaço pessoal.

— Eu posso, eu ouso e tenho total direito de prendê-lo por seus crimes. Mas para sua tranquilidade eu não sou como você, se não, imagine isso, com sua confissão eu poderia julgar que você não precisa de um advogado, do direito de se defender em um julgamento e envia-lo direto para Azkaban. Afinal, eu tenho certeza de sua culpa. — Disse ele, o olhando nos olhos até o homem ficar pálido e finalmente perceber que estava em grandes problemas. —Tire-o da minha frente.

Denver sinalizou para um do Agentes que escoltou um chocado futuro ex-Chefe Auror para fora da sala de reunião.

— Sr. Secretário? — Uma voz aguda sussurrou, era Fudge que estava tão pálido e meio esverdeado e que durante os últimos minutos se encolhera tentando passar despercebido, mas agora o medo lhe deu coragem para falar.

— Sim, Sr. Ministro? — Respondeu o Sr. Balmat.

— O senhor vai me prender também? — Perguntou Fudge como uma criança apavorada.

— Não Sr. Ministro, mas o senhor como outros serão interrogados e terão que esclarecer suas participações neste ato criminoso. Sugiro que colabore e não resista e acompanhe um dos meus agentes até os Escritórios de Assuntos Internos da ICW. — Disse ele calmamente, parecia estar quase com pena do Ministro.

— Sim, claro, eu não tenho porque não colaborar, sim, sim. O que devo fazer? Hum, talvez chamar o Dumbledore e ele resolverá tudo. Amélia, você acredita que é o que eu devo fazer? — Ele parecia estar em um pânico confuso e falava apressado e afobado.

— Não Sr. Ministro, o senhor não chamará ninguém, a não ser um advogado se acreditar que precisa de um. O que o senhor vai fazer é deixar alguém que o represente supervisionando e nos auxiliando em nossas ações e acompanhar um dos meus Agentes até os Escritórios da ICW. E lá poderá se acalmar, respirar fundo e se lembrar em detalhes o que aconteceu naquele dia, dará seu depoimento e responderá as perguntas que lhe forem feitas. Você entendeu, Ministro Fudge? — Disse Sr. Balmat disse quase didaticamente.

— Eu... sim, entendi, Sr. Secretário, entendi. Amélia, por favor, você poderia me representar? — Disse ele olhando para Madame Bones.

— Sim, Ministro, não se preocupe, eu cuidarei de tudo enquanto estiver na ICW. — Disse ela gentilmente e parecia um pouco chocada com o óbvio desmoronamento do Ministro Fudge.

Depois disso tudo se moveu mais rapidamente, Bones selecionou pessoal de confiança para acompanhar a equipe jurídica e dois Agentes para os arquivos onde se cumpriu a ordem oficial para o recolhimento dos processos dos últimos 15 anos. E mais dois aurores para acompanhar dois agentes até Azkaban onde recolheriam Sirius para a transferência. Dois agentes ficaram com o Sr. Balmat o tempo todo, enquanto Denver foi pessoalmente convocar o Auror do caso Alastor Moody e o antigo Chefe do DLM Bartô Crouch para que se apresentassem imediatamente para esclarecimentos. E enquanto Falc esperava calmamente por seu cliente para acompanha-lo as suas novas acomodações, Remus Lupin recebia uma visita assustadoramente oficial.

Remus estava vivendo no pequeno chalé onde crescera com sua família, próximo ao Rio Yare na região de Norwich. Apesar de nunca conseguir um emprego por muito tempo e ter pouco dinheiro para provisões básicas, ter um lugar para viver era um grande alento e segurança. Naquela tarde de sábado ele estava olhando os classificados trouxas, era uma boa opção para alguém com sua condição, pois muitas vezes Remus conseguia bicos em fabricas ou portos para trabalhos temporários. Assim, ele conseguia se manter com dificuldades, mas ainda com dignidade. Mexendo seu chá suavemente, Remus dobrou o jornal de Dover, procurando por alguma opção de trabalho no porto quando ouviu uma batida na porta.

Além de confuso porque não esperava ninguém e raramente recebia visitas, Remus abriu a porta e encontrou dois bruxos em vestes negras, aurores obviamente e olhando com mais atenção sentiu um frio na espinha ao identificar o brasão da ICW. Não fizera nada errado, mas talvez eles descobriram que era um lobisomem e estavam lhe investigando por causa de algum incidente causado por sua espécie.

— Posso ajuda-los, Agentes? — Perguntou o mais calmo que conseguiu.

— Remus John Lupin? — Perguntou um deles em tom oficial.

— Sim. — Respondeu Lupin engolindo em seco.

— Precisamos que nos acompanhe até os Escritórios e Assuntos Internos da ICW em Londres, imediatamente, para prestar esclarecimentos sobre uma investigação. — Disse o outro uniformemente.

— Posso saber qual investigação, Agentes? — Remus sabia que não conseguiria fugir de dois aurores da ICW, mas a vontade era imensa.

— Não temos autorização para divulgar quaisquer informações Sr. Lupin, apenas temos a missão de acompanha-lo. Imediatamente, senhor. — Disse o primeiro Agente o olhando com atenção, talvez percebendo seu instinto de fuga.

Lupin acenou e pegando o casaco do cabideiro da entrada acompanhou os Agentes em aparatação acompanhada direto para área de aparatação dos Escritórios em Londres.

Hagrid, em Hogwarts, recebeu a mesma visita, os aurores o acompanharam via chave de portal para outro ponto dos Escritórios, recusando seu desejo de chamar por Dumbledore para esclarecer a situação.

Enquanto isso diversas outras pessoas começaram a receber cartas solicitando suas presenças imediatas no Escritório da ICW no Ministério da Magia. E quando chegavam, eram encaminhados pela recepcionista para as lareiras de flu para os Escritórios de Assuntos Internos. Os Tonks, Vance, MacDougal eram apenas alguns deles.

Dumbledore estava em seu escritório, examinando suavemente a memória de sua reunião com Falcon Boot, o jovem lhe parecera sincero e disposto a ajudar, além de interessado em agrada-lo. Provavelmente, por medo que ele lhes tirasse a conta Potter ou por querer convence-lo a retomar as produções das fazendas. Mas Dumbledore ficara com a impressão de que o advogado lhe escondia algo, assim decidira dedicar parte de seu fim de semana a examinar a reunião com calma.

Quando chegou a parte em que pedia a ele que escondesse as casas de Harry viu uma leve contração em sua expressão, mas poderia ser choque ou surpresa, em nenhum momento Dumbledore sentira qualquer sentimento de raiva por parte do outro homem. Talvez, pensou, sentando-se em sua cadeira, fosse apenas sua consciência pesada o levando a ver mais do que havia. Nesse momento queria que Harry tivesse a oportunidade de ser apenas uma criança, estudar, fazer amigos e viver aventuras, sem o peso de administrar ou pensar em sua herança. Afinal, seria assim se James estivesse vivo e o menino já teria um peso muito grande para carregar no futuro.

E o mais importante, não podia correr o risco de Harry descobrir ter mais casas e querer deixar seus tios que não o tratavam tão bem. Dumbledore sabia quando o deixara lá que o menino não teria uma vida fácil, mas, por sua aparência quando chegou em Hogwarts, desconfiava que sua vida nos Dursley fora um pouco pior do que supusera, infelizmente a proteção era importante demais para correr o risco de se perder. Ele tinha um forte palpite que essa proteção dada por Lily tão amorosamente com o sacrifício de sua própria vida poderia ser fundamental para que Harry cumprisse a profecia e vencesse Tom.

E, pensou, era por causa dessa profecia que prepara tudo para Harry encontrar o espelho esta noite e estar pronto para lidar com Voldemort e Quirrell quando o momento chegasse. Prepara-lo para as dificuldades que o futuro traria era o mais importante...

Uma batida na janela o distraiu de seus pensamentos e Dumbledore a abriu com um movimento de varinha e deixou que a coruja entrasse com sua entrega.

— Olá, minha querida, o que você tem para mim? — Sussurrou ele e pegou a carta da perna estendida da coruja. — Você precisa aguardar resposta? Se não pode ir para o corujal se aquecer e descansar antes de sua viagem de volta.

A coruja saiu janela a fora e distraidamente Dumbledore tornou a fecha-la enquanto examinava o envelope da carta da ICW de Londres. O que poderia ser? Não se lembrava de nenhum assunto pendente, mas era possível que algo surgisse e ele precisara ser informado. Abrindo a carta Dumbledore franziu o cenho confuso, era uma convocação para comparecer aos Escritórios para prestar esclarecimentos sobre uma investigação. Ora, que investigação? Não havia nada que a ICW estivesse investigando em solo britânico neste momento.

Bem, deveria ir avisar Minerva que passaria a tarde resolvendo pendencias da ICW e que ela deveria assumir, como sempre brilhantemente, seu lugar na direção da escola, decidiu.

Todos iam aos poucos chegando e sendo encaminhados a ala leste dos Escritórios da ICW e colocados em salas individuais de interrogatórios sem suas varinhas e sem terem se cruzados uns com os outros ou informados do assunto, apesar de alguns saberem do que se tratava. Dumbledore foi o último e se recusou a entregar sua varinha, quis falar com o Secretário Sr. Balmat e foi encaminhado para sua sala onde esperou por quase uma hora até que ele retornasse.

Enquanto o diretor de Hogwarts, além de todos os outros cargos, tomava um proverbial chá de cadeira, Sirius Black era retirado de Azkaban e, acompanhado por seu advogado, levado via chave de portal para sua nova cela nas instalações prisionais da ICW, Londres. A cela era simples, mas perto do lugar onde estivera parecia um palácio e mais importante, sem Dementadores, pensou, Sirius. Olhando para seu advogado tentou se lembrar do encontro com ele e sua prima, quando fora? Eles falaram que iriam liberta-lo, mas depois de um tempo Sirius concluíra que fora um sonho ou alucinação, talvez os Dementadores estivessem finalmente enlouquecendo-o.

— Entendo que você está muito confuso, Sirius, vou lhe explicar tudo o que aconteceu, mas primeiro você terá que passar por um banho, um curandeiro e um longo interrogatório. Você deve se preparar, pois precisará explicar com detalhes aos aurores da ICW tudo que aconteceu naqueles dias, pouco antes de ser preso. — Disse Falc, lhe orientando sobre o que estava por vir.

— Finalmente. — Respondeu Sirius com um sorriso sarcástico.