Capítulo 31
— Meu nome é Firenze. É melhor você deixar a Floresta, posso carregá-lo, assim estará em segurança mais rápido. — Disse o centauro Firenze.
— Não estou mais em perigo, mas obrigada por seu oferecimento, Sr. Firenze. O que precisamos é levar o unicórnio rapidamente para o Hagrid, talvez ele possa salvá-lo. — Disse Harry se ajoelhando no pescoço do animal que se agitou assustado. — Shhhssss, tudo bem, ninguém mais vai te machucar, o homem mal foi embora. — Sussurrou Harry suavemente passando a mão em sua cabeça.
O sangue prateado escorria de um corte em seu pescoço e o animal deitava de lado com a crina nacarada se espalhando pelo chão. Era uma linda visão e ainda triste, pois sua dor e medo eram visíveis em seu olhar
— Eu senti o perigo e vim o mais rápido possível, mas cheguei tarde demais, não há como salvá-lo Harry Potter. A magia negra utilizada em seu ferimento não pode ser curada e o matará. — Disse Firenze em tom sombrio.
— Pode ser, mas ele ainda está vivo e nós não ficaremos olhando-o morrer sem fazer nada. Ferula, Ferula. — Disse Harry friamente e conjurando bandagens enrolou em seu pescoço tentando deter o sangramento. — Fique calmo, amigo, vamos tentar te ajudar. — Harry olhou para Firenze que o observava surpreso. — Meus amigos foram chamar o Hagrid, você pode carregá-lo até os encontrarmos? Eu vou correndo junto com você, sou muito rápido.
— Muito bem, mas o melhor é subir nas minhas costas, assim não corre o risco de você ficar para traz. Não é seguro para você aqui. — Disse ao dobrar as patas traseiras para o Harry subir em seu lombo.
Depois que ele se acomodou, Firenze se inclinou e suavemente pegou o unicórnio em seus braços e saiu galopando o mais rápido possível entre as árvores. Harry se segurou em suas crinas o melhor que pode para não cair e se inclinou para frente tentando evitar os galhos das árvores de bater em seu rosto. E sentiu um pouco da emoção descrita por Scheyla ao cavalgar, se não fosse sua preocupação com o unicórnio teria sido pura diversão.
Eles galoparam por algum tempo em silencio, mas de repente começaram a ouvir vozes chamando seu nome.
— Harry!?
— Harry, cadê você!?
— Harry!? Responde!? Onde está você!?
Firenze diminuiu o passo para uma caminhada leve e olhou em volta preocupado.
— Mais crianças na Floresta. O que fazem aqui? Não sabem do perigo? — Disse ele irritado.
— São meus amigos me procurando, obviamente. Estou aqui! — Gritou Harry bem alto e descendo do lombo de Firenze que ainda caminhava, ele nem perdeu o passo e correu mais à frente do centauro e voltou a gritar. — Aqui! Estamos aqui!
E logo seus amigos, Terry primeiro, seguido por Hagrid segurando uma besta apareceram. Neville e Hermione vieram mais atrás ofegantes e vermelhos.
— Harry! Você está bem? — Gritou Hermione, mas Terry sem falar nada o agarrou em um abraço de urso depois se afastou para verificar se estava ferido e antes que pudesse responder, Neville e Hermione o alcançaram e abraçaram também.
Meio esmagado e ainda emocionado por sua preocupação e afeto, Harry olhou para Hagrid que lhe sorria preocupado.
— Tudo bem aí, Harry?
— Não Hagrid, um bruxo estava machucando um unicórnio. Ele está muito ferido, Sr. Firenze o está trazendo, você pode ajudá-lo? — Disse Harry ansioso e se virando viu Firenze surgir entre as árvores carregando o unicórnio.
— Um bruxo! Machucando uma criatura inocente! Isso não se faz! Firenze! O pobrezinho está vivo? — Disse Hagrid com expressão furiosa e se aproximou do centauro pegando o unicórnio em seus braços.
— Sim, mas por pouco Hagrid, ele foi ferido com magia negra e não acredito que sobreviva. Você tem que manter os alunos fora da Floresta, meu amigo, ela está mais perigosa do que nunca, principalmente para o garoto Potter. — Disse ele sombrio e sério.
— Sim, obrigada Firenze, vou levar o pobrezinho. Talvez o professor Kettleburn possa fazer algo. Vamos lá crianças, fiquem perto, já está escuro. — Disse Hagrid muito tenso e preocupado.
Harry viu seus amigos se apressarem atrás do guarda caça com suas varinhas acesas e erguendo a sua ele disse:
— Lumus. — E encarou Firenze sem se preocupar em seguir os outros. — O senhor me acompanha mais um pouco Sr. Firenze? — Pediu ele educadamente.
— Sim, Harry Potter, apenas por um pouco mais. — Disse ele e os dois começaram a caminhar.
— Quero lhe agradecer por toda a sua ajuda e lhe perguntar porque disse que a Floresta é mais perigosa para mim, Sr. Firenze? — Disse Harry caminhando lentamente por entre as árvores.
— Me chame apenas de Firenze. — Disse o centauro e depois ficou em silencio como se pesasse se devia ou não responder sua pergunta. Harry não o pressionou e foi um bom tempo antes dele lhe perguntar. — Harry Potter, você sabe para que se usa o sangue de unicórnio?
— Apenas Harry, por favor. Não. — Disse Harry surpreendido pela pergunta, ainda que percebesse que sua resposta era muito importante para entender o que acontecera naquela noite. — Só usamos o chifre e a cauda na aula de Poções, mas imagino que aquele bruxo queria bebê-lo por alguma razão.
— Vocês não usam sangue de unicórnio porque é uma coisa monstruosa matar um unicórnio. Só alguém que não tem nada a perder e tudo a ganhar cometeria um crime desses. O sangue do unicórnio mantém a pessoa viva, mesmo quando ela está à beira da morte, mas a um preço terrível. Ela matou algo puro e indefeso para se salvar e só terá uma semivida, uma vida amaldiçoada, do momento que o sangue lhe tocar os lábios.
Harry parou e encarou Firenze, seu rosto e olhos estavam prateados pelo luar que se erguia e penetrava pelas árvores.
— Isso quer dizer que além de ser mal aquele bruxo estava desesperado ao cometer tal monstruosidade. — Refletiu Harry em voz alta. — Seria preferível morrer do que ser amaldiçoado para sempre. Não seria?
— Sim — concordou Firenze — A não ser que, além de desesperado, ele precise se manter vivo o tempo suficiente para beber outra coisa, algo que vai lhe devolver a força e o poder totais, algo que significa que jamais poderá morrer. Harry, você sabe o que é que está escondido na sua escola neste momento?
— A Pedra Filosofal! É claro, o elixir da vida! Você quer dizer que aquele bruxo com quem eu lutei era Voldemort? Eu já tinha a desconfiança de que ele era o único a tentar roubar a Pedra, mas não imaginei que estaria tão perto... — Harry olhou para traz no caminho de onde vieram, desejando poder destruir seu inimigo, mas consciente que mesmo fraco Voldemort era muito mais poderoso do que ele. Se não fosse a chegada de Firenze, estaria em grandes dificuldades.
— Você está ciente do perigo então, fico feliz. Talvez os planetas estejam sendo mal interpretados, isso já aconteceu antes. E espero que seja verdade agora. — Disse Firenze e nesse momento o som de cascos foi ouvido, alguns segundos depois dois centauros surgiram por entre as árvores.
— Firenze! O que faz com um humano? — Trovejou o mais velho.
— Agouro, Ronan. — Firenze os cumprimentou formalmente. — Sabe quem é esse? Estou guiando o jovem Potter para a segurança.
— O que é que você andou contando a ele? — Rosnou Agouro. — Lembre-se, Firenze, juramos nunca nos indispor com os céus. Você não leu o que vai acontecer nos movimentos dos planetas?
— Agouro, tenho certeza de que Firenze apenas queria ajudar o filhote e achou que estava fazendo o melhor. — Ronan falou em tom sombrio.
Agouro escoiceou com raiva.
— Fazendo o melhor! O que tem isso a ver conosco? Os centauros se preocupam com o que foi previsto! Não é nossa função ficar correndo por aí servindo humanos perdidos na nossa floresta!
Firenze de repente empinou-se nas patas traseiras com raiva.
— Você sabe que algo está matando os unicórnios! — Firenze berrou para Agouro. — Eu senti o perigo e a magia negra, tentei chegar a tempo para impedir e não consegui, mas o jovem Potter aqui correu pela Floresta e lutou bravamente, talvez o inocente sobreviva graças a sua coragem. Você não viu isso em seus planetas? Tomei a posição contra o que está rondando a floresta e lutarei ao lado dos humanos se for preciso, Agouro.
— Foi por isso que viemos, temíamos que interferisse no que não devia. E também que acabasse ferido. — Disse Agouro furiosamente. — Se envolver-se com humanos é isso que acontecerá! Acabará morto e eles nem lhe agradecerão por seu sacrifício!
— Está errado Sr. Agouro. — Disse Harry firmemente e deu um passo para frente sem medo. — Firenze lutou ao meu lado para salvar o unicórnio de Voldemort e não apenas lhe agradeci como lhe ofereço minha amizade e dos meus. — Harry se virou para Firenze e se inclinou respeitosamente. — Os Potters estão em dívida por sua coragem em seguir seu coração e assim arriscar sua vida pelos inocentes e é um privilégio para mim conhecer e oferecer minha amizade a um ser tão honrado. Que assim seja. — Disse Harry encarando Firenze nos olhos e uma onda de magia deixou seu corpo e envolveu o centauro loiro que fechou os olhos e suspirou, falando baixinho em uma língua suave e cantada que Harry desconhecia, mas ainda assim ele entendeu a intenção quando a magia do centauro o acariciou sutilmente.
Firenze depois olhou para o céu e a lua, que subira ainda mais alto e falou baixinho.
— Marte está brilhante essa noite. E isso significa tempos sombrios que se aproximam meu jovem amigo, mas espero que o resultado seja favorável para você e estarei ao seu lado se assim precisar. — Disse Firenze encarando Harry seriamente ao concluir sua promessa.
— Eu sei o que me espera e vou me preparar ainda mais para proteger e defender a todos. Agradeço qualquer ajuda e bons sentimentos. — Disse Harry com um aceno formal. Depois encarou Agouro que tinha uma expressão furiosa, mas não desonrou o momento importante. — Não sou seu inimigo Sr. Agouro ou de qualquer criatura do bem, talvez um dia minhas ações falem por mim, até lá nos separamos em paz. — Disse Harry com uma leve inclinação e colocou o braço direito cruzado no peito com o punho sobre o coração.
Agouro hesitou contrariado por seu correto cumprimento e postura respeitosa. Mas Ronan se adiantou e respeitosamente retornou sua despedida.
— Nos separamos em paz, jovem Potter.
Agouro sabendo que não poderia ser desonroso fez o mesmo, ainda que as palavras saíram de muita má vontade por seus lábios. Depois disso eles se afastaram galopando e Harry prosseguiu por mais alguns quilômetros com Firenze ao seu lado, seu novo amigo queria saber como ele chegara até o unicórnio. Harry lhe contou sobre o jardim que fizera para sua família, sua conexão com a magia da natureza e como, ao sentir o alerta de perigo da Floresta e seu pedido de ajuda, correra para ajudar e enviara seus amigos em busca de Hagrid.
— E foi quando você chegou e na hora certa. Mesmo fraco Voldemort é muito poderoso e eu não poderia segurá-lo por muito tempo. — Concluiu Harry humildemente.
— É incrível sua conexão com a magia natural, os bruxos de hoje são muito dependentes de suas varinhas e não buscam mais os antigos caminhos. — Disse Firenze surpreendido.
Harry deu de ombros e explicou sobre as aulas com o professor Jonas, como ele ensinou todos os alunos a se conectar e respeitar a Floresta e sua magia.
— Isso é muito auspicioso. Houve uma época em que Hogwarts se preocupava com o respeito de todas as magias e criaturas, em ensinar essa conexão. Os jovens estudantes aprendiam até mesmo a arte do arco e flecha dos guerreiros centauros daquela época. — Contou Firenze com uma voz solene.
— Seria incrível aprender arco e flecha, nós alunos conseguimos as aulas de Carpintaria Mágica e acredito que devemos lutar por mais e por aulas de mais qualidade. Infelizmente o mundo mágico está um tremendo caos e sendo governado por bruxos preguiçosos e desatentos, muitos ainda são preconceituosos e cruéis. — Disse Harry pensativamente. — Hogwarts apenas reflete essa realidade.
— Apesar de jovem mostra sabedoria, Harry. Talvez ainda possamos nos encontrar para que eu lhe ensine minha nobre arte. Os planetas me dirão quando o momento certo chegar. — Disse Firenze olhando para o céu que ficou cada vez mais visível. — Deixarei que siga a partir daqui meu jovem amigo, seus amigos o esperam logo a frente.
Harry realmente viu os ombros largos de Hagrid mais distante caminhando quase para fora da Floresta e Terry, Neville e Hermione parados o observando a quase 200 metros de onde eles estavam.
— Foi um grande prazer te conhecer Firenze e esperarei o momento do nosso reencontro com ansiedade. Por favor, qualquer coisa que precise não hesite em me procurar, minha amizade e dívida são verdadeiras. Nos separamos em paz. — Sussurrou Harry ao cruzar o braço direito no peito, com o punho sobre seu coração, mostrando seu respeito pelo jovem centauro.
— Não me esquecerei nunca de sua coragem e de sua amizade honrosa. Nos separemos em paz. — Disse Firenze e ao em vez de retribuir o cumprimento estendeu o braço direito.
Harry, compreendendo, fez o mesmo com o seu esquerdo e segurou em seu braço em um aperto firme, punho com punho, sangue com sangue, pulso de vida com pulso de vida emocionado pela honra do cumprimento que revelava respeito e amizade.
Depois Firenze se virou e saiu em galope para dentro da Floresta Proibida.
Harry então correu pelo resto do caminho e alcançando seus amigos sinalizou que conversariam depois e correu atrás do Hagrid. Os três não protestaram e se apressaram em segui-lo.
— Hagrid? Ele está vivo? O unicórnio resistiu a viagem? — Perguntou Harry ansiosamente.
— Sim, Harry, mas o pobrezinho está muito fraco, é melhor irmos até a enfermaria ver se Madame Pomfrey pode ajudar. Um de vocês se apresse e vai até a sala dos professores, chame pelo Prof. Kettleburn e Quirrell, se o ferimento foi feito por magia negra talvez ele também possa saber o que fazer. — Disse Hagrid se apressando pelo jardim até as escadas que levavam ao Grande Salão.
— Ok, eu vou, sei onde está a sala e sou mais rápido. — Disse Harry olhando para os amigos que acenaram, até porque os três pareciam exaustos e ofegantes.
Harry saiu correndo pelo castelo e ignorou um monitor que tentou impedi-lo de correr pelos corredores. Não dava para perceber que ele corria por causa de uma emergência? Se perguntou Harry irritado e quando chegou a porta da sala dos professores não se preocupou em bater, apenas a abriu e encontrou alguns professores conhecidos e desconhecidos. E ele não fazia ideia de quem era Kettleburn.
— Sr. Potter o que pensa que está... — Começou McGonagall, mas Harry a cortou sem cerimônia.
— É uma emergência professora. Prof. Kettleburn? — Perguntou ele rapidamente olhando em volta.
Um dos professores se levantou, ele não era muito alto, mas muito troncudo e musculoso, tinha cabelos brancos e um rosto enrugado e curtido pelo sol. Apesar de idoso, parecia muito forte e enérgico.
— Sim? Qual a emergência, Sr. Potter? — Perguntou com a voz roufenha, estranhamente frágil, não combinava com sua aparência.
— Um unicórnio ferido gravemente senhor, Hagrid o levou para a enfermaria de Madame Pomfrey. Ele pediu para chamá-lo e ao professor Quirrell, urgentemente, senhor. — Disse Harry apressado.
— Um unicórnio? — Disse o homem se apressando em pegar sua mochila. — Hagrid me disse que algo estava matando unicórnios na Floresta, mas porque precisa do Prof. Quirrell?
— Um bruxo o feriu com magia negra, senhor. — Disse Harry e viu todos ficarem tensos e soltarem exclamações surpresas.
— Do que está falando Sr. Potter? — McGonagall perguntou enérgica.
— Não temos tempo, o unicórnio está morrendo. — Disse ele impaciente.
Harry não achava que Quirrell era competente para ajudar, mas queria observar de perto o homem que estava auxiliando Voldemort.
— Bem, nesse caso lhe enviarei o Prof. Snape, ele poderá ajudar, tem mais experiência com magia negra do que Quirrell. — Disse ela e Harry acenou saindo atrás de Kettleburn que já se apressava pelo corredor.
Os dois chegaram a enfermaria em poucos minutos e encontram Madame Pomfrey um pouco brava.
— ...aqui não é lugar para animais, mesmo lindas criaturas como essa, você devia tê-lo levado para sua cabana, Hagrid. — Dizia ela, ainda que tentasse com a varinha fechar o ferimento no pescoço do unicórnio deitado na cama alta da enfermaria.
— Desculpe, Madame Pomfrey, pensei que o pobrezinho teria mais chance aqui com a ajuda da senhora, além do Prof. Kettl... — Hagrid disse aflito e se interrompeu quando viu o professor em questão entrar. — Professor, ele está bem fraquinho, senhor.
— Ok, o que você me diz, Poppy? — Perguntou o homem com sua voz estranha.
Enquanto os dois trocavam ideias e acenavam com suas varinhas sobre o lindo animal, Harry se colocou ao lado de seus amigos que observavam tensos. Hagrid também estava muito aflito torcendo as mãos ou puxando sua barba. A agitação aumentou e era claro que os dois não sabiam ou conseguiam fechar o ferimento ou deter o sangramento. Quando Harry começou a acreditar que não poderiam salvar o unicórnio Snape entrou na enfermaria com sua veste negra se agitando a sua volta.
— Minerva disse que precisam do meu auxilio em algo urgente envolvendo magia negra. — Disse ele olhando para todos na sala e se detendo em Harry um segundo a mais.
Harry devolveu seu olhar e sentiu um leve roçar, tentando captar seus sentimentos e sem piscar colocou sua preocupação em foco total em seus pensamentos superficiais.
— Ah, Severus, acredito que só você com sua experiência poderá salvar o unicórnio, nós não conseguimos deter a magia impregnada no ferimento. — Disse Madame Pomfrey e se afastou para permitir que Snape assumisse seu lugar.
Ele se apressou em acenar sua varinha e depois acenou mais rápido e frenético, seus movimentos se tornaram um borrão e seus lábios se moviam como se rezando silenciosamente. Foram quase 5 minutos e ninguém ousou dizer uma palavra e interromper o que seja lá que ele fazia, suor se formou em sua testa e seu rosto ficou ainda mais pálido do que o normal. Quando ele finalmente se deteve o ferimento se fechara, Harry pode ver um risco vermelho de pele recém-criada e sem pelos onde era o corte.
— Eu detive a magia negra de se espalhar e a tirei do ferimento o suficiente para fechar o corte. Precisarei trabalhar no ferimento de hora em hora para o caso do ferimento se reabrir. — Disse ele com voz cansada, Harry calculou que usara muita energia. — Ele vai precisar de poções para fortalecimento e reposição de sangue Poppy, precisa ficar mais forte para combater com sua própria magia.
— Pegarei imediatamente e o melhor é que ele fique aqui, ainda que isso seja altamente impróprio. — Disse ela enquanto caminhava para seu escritório e voltava com diversos frascos de poções.
Com alguns feitiços ela os desapareceu no estômago do unicórnio que estava dormindo ou inconsciente e não reagiu.
— Posso ajudá-lo a combater a maldição se você me ensinar Severus, não tenho tanta habilidade quanto você, mas tenho força mágica para nos revezarmos. — Disse Silvanus que limpava suavemente o sangue do pelo do unicórnio com sua varinha.
— Isso será bom. Mas antes gostaria de saber o que essas crianças estão fazendo aqui e qual seus envolvimentos nisso. E Hagrid, você pegou o que fez isso com o animal quando o encontrou? — Perguntou Snape muito sombrio.
— Eu não o encontrei professor, foi o Harry aqui, ele lutou com o bruxo que machucou o unicórnio, lá na Floresta. — Disse Hagrid orgulhoso e lhe dando um tapa forte em seu ombro que fez seus joelhos se vergarem.
Harry viu a expressão de Snape ficar ainda mais séria, seus olhos negros brilhantes se voltaram para ele e o encararam mais uma vez roçando a superfície de seus pensamentos e sentimentos. Dessa vez Harry sutilmente o deixou ver sua exasperação com Hagrid que era bem sincera, porque seu amigo não poderia ser menos ingênuo?
— É mesmo? E posso saber exatamente o que estava fazendo na Floresta Proibida? Imagino que acredita que as regras não se aplicam a você e seus amigos? Seu pai era igualzinho. — Apesar do tom mordaz não havia, efetivamente, nenhuma ofensa, mas ainda assim Harry se tencionou na hora.
— Eu não poderia saber disso porque meu pai foi morto por seu mestre. — Disse Harry dando um passo à frente e o viu ficar ainda mais pálido.
— Como ousa seu... — Mas Snape se calou abruptamente, com certeza impedido por seu juramento.
— Assim como o senhor se acha no direito de lembrar os defeitos e erros de um adolescente, me sinto no direito de o lembrar dos erros e escolhas de um adulto. — Harry o encarou nos olhos friamente. — Não pense que não sei quem és de verdade, professor. — Disse ele ironizando o título, depois deu um passo para traz nem um pouco interessado em uma discussão inútil, estava exausto. — Além disso, não estávamos na Floresta, estávamos e podemos provar na borda, perto da margem do lago. Quando ouvimos uma agitação enorme e era óbvio que algo ou alguém estava sendo atacado, nós nos separamos. Eu fui verificar o que acontecia com Terry, Neville e Hermione correram chamar o Hagrid. — Explicou Harry tranquilamente, mostrando em seus pensamentos superficiais apenas a corrida urgente para ajudar, enquanto apontava para os amigos e depois para Hagrid, com um olhar mais aguçado.
— Muito bem e você diz que foi um bruxo e que lutou com ele? — Disse Snape com incrédula ironia.
— Hagrid entendeu errado, Terry e eu no aproximamos e vimos o centauro, Firenze, lutar contra uma criatura encapuzada não dava para ver o que ou quem era. Eu lancei alguns feitiços para ajudar e o ser encapuzado os deteve com uma barreira mágica e um movimento de varinha. Foi quando supus que era um bruxo, enquanto se distraiu o centauro o atacou com seus cascos e ele fugiu entre as árvores. — Contou Harry sem perder um passo ao mudar a história sutilmente. — Depois Firenze pegou o unicórnio e corremos de volta, encontramos Hagrid, Neville e Hermione e nos despedimos de Firenze e chegamos o mais rápido possível ao castelo em busca de ajuda. E foi isso. — Disse Harry calmamente.
— Interessante. Parece que você tem todos os fatos sem problemas. E vocês confirmam o que ele contou? — Perguntou ele os olhando agudamente nos olhos. — Hagrid?
— Ah, sim, sim senhor. Os pequenos chegaram gritando e contando que precisavam de ajuda na Floresta, que o Harry e...
— Eu, eu corri com Harry, mas cheguei atrasado porque ele é muito rápido, quando o alcancei a criatura já não estava mais por perto e o centauro estava trazendo o unicórnio nos braços e o Harry em seu lombo. — Contou Terry cortando o ansioso Hagrid antes que sua dificuldade em mentir se tornasse óbvia.
— Firenze deixou que você o montasse? — A voz frágil e roufenha do Prof. Kettleburn soou um pouco incrédula.
— Hum... sim senhor, Firenze temia que a criatura voltasse e disse que havia outro bruxo lutando com o buxo encapuzado quando ele chegou. Depois que o Firenze o espantou tentou encontrar o bruxo invisível, mas ele não apareceu ou respondeu, isso o deixou tenso e o centauro se apressou em nos tirar de lá. — Harry disse timidamente olhando para o professor de Trato de Criaturas Mágicas.
— Então, além de um bruxo encapuzado tinha um bruxo invisível. Que incrível história Potter e você no meio disso quebrando todas a regras de Hogwarts possíveis. — Disse Snape sarcástico.
— Não professor, Harry só queria ajudar, é minha culpa. Eu disse a eles que os unicórnios estavam sendo mortos por alguma coisa e quando o Harry percebeu que o inocente estava sendo machucado quis ajudar. — Disse Hagrid claramente ansioso, puxando a barba.
— Está tudo bem Hagrid, o importante é que o unicórnio está vivo e vai se recuperar. Se quiser me dar detenção, tudo bem senhor, mas o que eu contei é verdade e tenho certeza que o centauro Firenze vai confirmar o que aconteceu. — Disse Harry rigidamente.
— Eu informarei seu chefe de casa e o diretor e eles decidirão sobre sua punição Potter, agora saiam todos daqui. — Disse ele rispidamente.
Harry até que queria discutir e ficar mais por causa do unicórnio e ele podia ver o mesmo desejo em Terry, mas Neville o puxou pela manga e Hermione agarrou o braço esquerdo de seu amigo puxando-os para fora da enfermaria. Harry ainda puxou a manga do Hagrid que entendeu e saiu também, no corredor eles se olharam e sorriram.
— Obrigada Hagrid. — Sussurrou Harry ao amigo. — Eu não quero que se espalhe que eu lutei com esse bruxo encapuzado, as pessoas já falam o suficiente sobre mim.
— Tudo bem Harry, não quero que se meta em encrenca por causa disso, você foi muito corajoso em salvar o pobrezinho. Isso é algo que não se esquece Harry, aposto que ele sempre vai se lembrar de você. — Disse ele orgulhosamente.
Depois disso eles se despediram e os quatro correram para o salão. Ainda tinham tempo para jantarem, mas Harry sinalizou antes de entrarem.
— Precisam desfazer essas expressões, temos que agir normalmente ou vamos chamar a atenção. — Disse ele baixinho e viu seus amigos respirando fundo ou suspirando e fechando os olhos, seus rostos aos poucos foram perdendo a preocupação e aflição. Apenas estavam corados e suados por toda a corrida. — Depois do jantar no reunimos no Covil e conversamos.
Eles acenaram e entraram calmamente no Grande Salão que felizmente estava bem vazio pelo horário tardio. Ninguém lhes lançou um olhar continuando suas conversas e jantares tranquilamente e Harry ficou aliviado, esperava que o que acontecera nas últimas horas não virasse fofoca. Não queria chamar mais atenção do que já fizera. Faminto e sedento agora que a adrenalina estava diminuindo, Harry comeu dois pratos gigantescos, bebeu muita água e leite gelado. Depois eles se separaram, Neville e Hermione foram para a entrada do 1º andar e Terry e Harry subiram para o 5º andar como se estivessem indo para a torre Ravenclaw.
Assim que os quatro entraram no Covil, Harry fechou a porta e encarou os amigos que como ele estavam tensos outra vez.
— Harry, o que aconteceu lá na Floresta? E porque você correu daquela maneira, sem esperar que um de nós fosse com você? — Hermione questionou, mas ela não parecia zangada como teria estado antes.
— E porque você se contradisse? Quando explicou para o Snape o que aconteceu, sobre ter um bruxo invisível e você ter lutado ou não com o bruxo encapuzado. — Terry perguntou tendo obviamente percebido sua mentira.
Suspirando Harry contou o que acontecera desde o momento em que chegou a clareira e encontrou o bruxo encapuzado bebendo o sangue do unicórnio e viu seus amigos empalidecerem e se esverdearem de nojo e depois preocupação. Quando chegou a sua conversa com Firenze sobre a identidade do bruxo todos soltaram exclamações assombradas e Terry se levantou tenso como nunca antes. Harry encerrou com a reação de Ronan e Agouro diante da ajuda de Firenze e seu oferecimento de sua amizade e de sua família.
— Harry! Foi por isso que eu lhe disse que não deveria ir! Deveríamos ter ido buscar o Hagrid, você sendo mais rápido teria chegado a ele muito antes de nós e não teria corrido tantos riscos desnecessários! — Terry disse zangado andando de um lado para o outro. Harry levantou a sobrancelha e viu as expressões levemente surpresas de Hermione e Neville com a reação de Terry. — Mas você me escutou? Não! Claro que não, apenas mergulhou pela Floresta Proibida sem um segundo pensamento ou preocupação com os riscos a si mesmo. Sem nem mesmo parar para pensar em um plano ou se organizar, quem sabe talvez perceber que esse movimento era perigoso e nada inteligente! — Continuou ele com seu discurso zangado e indignado. — Você, senhor, está de castigo! Sou seu irmão mais velho e posso te colocar de castigo por fazer algo tolo e imprudente, então, a partir de agora e por uma semana você não pode... não pode..., hum... já sei você vai se exercitar meia hora a menos todos os dias. É isso.
Depois ele se sentou meio ofegante, suado e corado e os encarou e corou ainda mais ao perceber o ridículo de suas palavras finais. Harry não aguentou e riu, Neville o seguiu um segundo depois e Hermione se segurou um pouco mais, talvez porque concordasse com o que Terry dissera, mas também não se aguentou e soltou uma gargalhada. Terry cruzou os braços emburrado, mas dava para ver seus olhos brilhando de diversão.
— Ok, irmão mais velho, sinto muito por ter te preocupado e prometo cumprir o castigo, meia hora a mais de sono para você por uma semana. — Disse Harry com uma piscadela. Depois mais sério acrescentou. — Agora, não concordo quando diz que foi um risco desnecessário, Hagrid não chegaria a tempo de salvar o unicórnio, Firenze cavalgou uma grande distância antes de os encontrarmos. E a Floresta pediu minha ajuda, Terry, você me conhece o suficiente para saber que eu não poderia não fazer nada. E concordo que talvez eu poderia ter lhe levado comigo, já que é quem está em melhor forma, mas o que você disse para Snape sobre ficar para traz provavelmente aconteceria e eu teria lutado com Voldemort sozinho do mesmo jeito. — Expos Harry claramente e viu seu irmão de má vontade acenar concordando.
— E a Floresta sabia do grande perigo e chamou Firenze para ajudar o Harry, então você sempre esteve protegido, acredito. — Disse Neville confiante que a Floresta não o abandonaria.
— Senti isso também, mas ao mesmo tempo me preocupa o quão poderoso Voldemort é mesmo enfraquecido. À beira da morte, foi o que Firenze disse, bebendo o sangue do unicórnio para se manter vivo o tempo suficiente para roubar a Pedra e assim recuperar suas forças e viver sem se preocupar com a morte outra vez. — Harry foi quem se levantou agora e caminhou de lá para cá. — Ele nem se preocupou com meus feitiços e o único que eu acertei nele foi porque o surpreendi e ainda assim foi como uma coceira. E juro para vocês, ele voou, literalmente, Voldemort voou e plainou até pousar no chão.
— Harry, não seja duro consigo mesmo, essas maldições que usou, quartos anos ainda não aprenderam, mas sua força mágica não é nem um decimo do que será quando você for adulto. — Disse Terry exasperado. — É por isso que digo que temos que ser prudentes e chamar um adulto, não é falta da coragem Gryffindor que você tem de sobra e sim porque sei que na força mágica bruta e experiência um adulto nos supera a todos.
— Sim, Harry, você será tão poderoso como seu pais, talvez até mais e eles lutaram contra Voldemort três vezes. — Disse Neville sorrindo.
— Terry está certo Harry, não sabemos a idade de Voldemort, mas é seguro pensar que ele tem décadas de experiência sobre nós. Estamos terminando nosso 1º ano e bem à frente de nossos colegas de ano, mas seria impossível adquirirmos tanto conhecimento e poder em apenas 1 ano. E nem atingimos a puberdade ainda. — Considerou Hermione e corou levemente no fim.
— Quando atingimos a puberdade? — Perguntou Harry pensativo, ainda caminhando.
— Depende, cada pessoa é diferente da outra e tem que se considerar a idade também. Eu já fiz 12 anos, em 18 de dezembro. — Disse Terry e olhou questionador para os amigos.
— Eu também já tenho 12 anos, meu aniversário foi em 19 de setembro. — Disse Hermione timidamente.
— Eu só faço 12 anos em 30 de julho. — Disse Neville dando de ombros.
— Eu também faço em 31 de julho, um dia depois do seu Neville. — Disse Harry surpreso.
— Nós sabemos. — Disse os três ao mesmo tempo e depois riram da coincidência e a careta que Harry fez por todos saberem tanto sobre ele. Terry foi quem continuou. — Está vendo? Hermione é quase um ano mais velha que vocês e eu sou mais de 7 meses mais velho. Isso influência e Harry, a maneira como sua saúde foi afetada pela desnutrição também pode influenciar. Você deveria perguntar para Madame Pomfrey, ela poderá te responder melhor. — Concluiu ele.
— Além disso, puberdade não é algo que você não tem um dia e acorda no outro e tem, é um processo, sabe, mudanças físicas e hormonais vão acontecendo aos poucos e... — Hermione parou ao ver o olhar confuso de Harry e Neville. — Neville, sua avó ou tio não lhe falaram sobre isso? Harry, você não teve aulas de saúde na escola? Não sabem sobre o que acontece durante a puberdade?
Neville corou levemente e acenou negativamente e Harry desconfortável também negou e acrescentou:
— Eu tive aulas de saúde, mas esses assuntos viriam só no secundário, acho, meu professor apenas falou sobre primeiros socorros, higiene pessoal e coisas assim. — Disse ele timidamente.
— Bem, acredito que meus pais poderiam falar com você sobre isso Harry, foram eles quem me explicaram e as aulas de saúde apenas acrescentaram as questões mais técnicas. — Terry contou.
— Comigo foi o mesmo, mamãe me explicou o que aconteceria comigo e com meu corpo enquanto eu crescia, mas as aulas de saúde ensinaram os nomes e definições. Entendem? — Disse Hermione. Neville e Harry acenaram. — Talvez o melhor seja nós falarmos o que sabemos Terry ou vocês podem comprar um livro. E em último caso esperar que o Sr. e Sra. Boot expliquem para o Harry e sua avó ou tio-avô te explique Neville.
Harry e Neville trocaram um olhar constrangido e decidiram juntos com um sorriso tímido.
— Livro! — Disseram eles e todos riram levemente.
Apesar do clima mais leve Harry caminhou até a janela aberta olhando para as montanhas, dali via apenas um trecho da Floresta Proibida. Não pode deixar de pensar no grande perigo que todos corriam e se Voldemort estava atacando outro unicórnio nesse momento.
— Harry, o que está pensando? — Neville perguntou curioso.
— Pensando que o que tenho feito não é suficiente, todo esse treinamento extra não é suficiente. Sabíamos da possibilidade de Quirrell trabalhar para Voldemort, mas nunca pensei que ele estivesse tão perto. — Harry se virou para seus amigos. — Ele é muito poderoso e se ajudar Quirrell a passar pelas proteções poderia conseguir a Pedra e a guerra recomeçaria. Não sou forte o suficiente ou sei o bastante para machucá-lo, imagine então matá-lo.
— E o que faremos? — Disse ele suavemente, percebendo a preocupação justa do amigo.
— Nos preparamos mais e melhor. — Harry voltou a andar de um lado para o outro, pensando. — Precisamos de mais do que a magia, se vai demorar anos para que tenhamos mais força mágica ou adquirir o conhecimento que possa realmente ser útil em uma luta, precisaremos usar o fator surpresa. Isso deu certo hoje, consegui acertá-lo quando o surpreendi e Mason fala sobre isso em seu livro, mas eu comprei apenas o Vol. 1, preciso comprar os outros e aprender mais, não apenas feitiços e maldições, mas maneiras de usar o meio e outras armas em uma batalha.
— Harry, lembre-se que Dumbledore está na escola. Mesmo que Voldemort esteja tão perto, não ousou invadir Hogwarts nem quando estava forte e muito menos agora tão fraco, por temê-lo. — Disse Hermione sensata. — Mesmo que não confiemos ou gostemos do diretor, podemos ficar mais tranquilos com esse pensamento.
— Além disso, Harry, eu entendo o seu desejo de se vingar e fazer justiça, mas esse não é o momento. Agora contamos com os professores, até Dumbledore para lutar contra Voldemort e quem sabe o diretor consiga prendê-lo ou matá-lo. — Disse Terry inteligentemente.
— Vocês, os dois, — disse Harry, apontando para os amigos, impaciente — não estão considerando o imponderável! Não podemos esperar ou confiar cegamente. Isso já está mais do que provado. Voldemort mesmo fraco é muito poderoso e na última semana Dumbledore esteve ausente em todas as refeições, ele está muito ocupado com a bagunça no Ministério e ICW. Assim, roubar a Pedra não é algo impossível, temos que considerar essa possibilidade e, mesmo se ele não conseguir, vocês acham que Voldemort vai desistir de buscar outras maneiras de recuperar suas forças? — Harry estava levemente zangado.
— Se ele já tem o apoio de Quirrell, poderia conseguir outros comensais para ajudá-lo, Malfoy, Pettigrew. — Disse Neville mais realista.
— Sim e se ele voltar daqui a 10 anos, ótimo, terminamos a escola, somos adultos, poderosos e preparados, mas e se não for assim? Acredita que se a guerra recomeçar enquanto estamos na escola não lutaremos porque não fizemos os nossos NEWTs? — Harry falou duramente para os amigos. — Eu compreendo que vocês estão mais acostumados a contar e confiar nos adultos e eu respeito isso, mas estão sendo ingênuos ao acreditarem ou esperarem o melhor cenário. Temos que nos preparar para o pior.
Harry podia ver que Terry considerava e refletia, tentando encontrar um argumento, mas acabou desistindo e suspirando acenou concordando.
— Eu não gosto, mas isso me parece o mais inteligente a se fazer, nos preparar para o pior. — Disse ele e dava para ver que estava cansado.
— Eu concordo, até porque os únicos adultos que confio no momento são meus pais. Precisamos aprender a nos defender e continuarmos com nossa rebelião. Eu vou pensar em coisas que podemos fazer para lutar contra a alienação que o Ministério nos impõe. E quero ajudar em seus projetos de verão, Harry. — Disse Hermione decidida.
— Eu também vou ajudar e vou pesquisar com você outras maneiras de lutas, além das mágicas. — Disse Terry com um sorriso triste. — Ainda que prefiro que lutemos com palavras do que com armas.
— E o que eu posso fazer? —Neville perguntou olhando para o Harry.
— Sinceramente, o mais importante no momento seria você e a Hermione fazerem exercícios conosco e entrarem em forma. Hoje mostrou claramente que precisamos todos estar em uma forma física melhor, eu sei que nenhum de vocês gostam, mas vão sentir um grande aumento na disposição e energia. E o mais importante, em caso de emergência, podem correr. — Disse Harry com um sorriso animado.
Terry tentou não ter pena dos amigos ao ver aquele sorriso, mas não conseguiu, principalmente, quando viu os dois acenarem hesitantemente.
— Tudo bem, se você acha que é importante. Que horas vocês se levantam para se exercitarem? — Disse Neville e Hermione olhando o relógio sinalizou que precisavam ir para a torre Gryffindor.
— Legal! Acordamos às 6, mas com o castigo do Terry essa semana acordaremos às 6:30. — Disse Harry e, desconsiderando as caretas dos amigos, falou animadamente sobre as atividades e como eles se sentiriam bem durante o caminho até a torre dos leões. — Bem, então amanhã as 6:30 nos encontramos no 4º andar, estamos nos exercitando lá no campo de quadribol agora que o tempo está bom. Tomar o sol da manhã é importante. Boa noite.
Eles se despediram, Terry e Harry voltaram para sua sala comum.
— Você sabe que eles não estão animados, certo? — Disse Terry quando chegaram a porta de seus quartos.
— Eu não me importo, sinceramente, se correr rápido salvar a vida deles já estou satisfeito. Boa noite. — Harry entrou em seu quarto sentindo a exaustão envolvê-lo, tomou um banho, comeu e tomou suas poções e dormiu depois de sua meditação.
E apesar disso ele teve pesadelos, com o unicórnio morto, um grito, riso frio e luz verde. Acordou bem antes do despertador da varinha e suspirou cansado, mesmo sem dormir ficou mais um pouco na cama repassando tudo o que acontecera e percebeu que ainda havia perguntas que não tinham respostas.
Durante o primeiro treino de seus amigos, Harry deixou isso de lado e se concentrou em incentivá-los a se moverem. Eles estavam sonolentos, depois ofegantes, vermelhos e suados, mas correram e fizeram os exercícios que ele pediu quase sem reclamar. Harry achou que foi uma vitória. Na verdade, Neville não poderia falar porque não tinha voz, seu folego só existia para a próxima respiração. Hermione estava um pouco melhor e se forçou a não desistir ou reclamar, não deixaria que pensassem que ela era fraca apenas por ser uma menina. Além disso, em determinado momento o sorriso do Harry a fez começar a pensar em assassinato e por isso achou melhor não olhar ou falar com ele.
Harry se preocupou com a reação do Quirrell durante a segunda-feira, mas ele agiu normalmente e as quatro amigos se esforçaram pelo mesmo. Dumbledore estava de volta ao jantar e isso os aliviou sutilmente. Depois eles foram para o Covil, fazer deveres e terminar a conversa da noite anterior.
— O motivo porque eu menti ou me contradisse Terry, foi porque eu queria que a história fosse confusa. Eu estava invisível quando lutei com Voldemort e ele não conseguiu entrar em minha mente, tenho certeza, ainda que doeu quando ele tentou. — Disse Harry quando se sentaram e espalharam os livros e pergaminhos na mesa. — Assim, dei a entender e espero que chegue a ele por Quirrell a informação que foi algum bruxo desconhecido invisível que o atacou e não eu. Menti e me fiz de um garoto tolo que saiu correndo e não sabia o que fazia ou o nome da barreira mágica, porque é isso que eu quero que chegue a Dumbledore. Tudo o que aconteceu de verdade seria informação demais sobre mim para os dois. Não sei se vai dar certo, mas eu tinha que tentar.
— Eu acho que foi inteligente. Snape percebeu que você mentia, mas não sabia sobre o que ou qual era a verdade e Voldemort não tem como ou porque acreditar que foi com você que ele lutou. — Disse Neville sorrindo. — Mas não entendi como ele pode tentar acessar sua mente se você estava invisível, quer dizer, ele não poderia olhar em seus olhos.
— E essa é uma pergunta muito boa e eu também não entendo como ele sempre sabia onde eu estava. Não importa para que lado da clareira eu ia, ele se virava para mim como um imã e vinha na minha direção. — Harry apontou sua maior dúvida.
Diante da confusão de Neville, Terry explicou o que era um imã. Depois Hermione, pensativa, falou:
— Bem, acho que essas duas perguntas tem a mesma resposta. Um grande legilimente usa poder mágico bruto para pode captar ou invadir a mente de alguém mesmo sem contato olho no olho ou mesmo uma varinha e o uso do feitiço Legilimens. — Explicou Hermione tirando da mochila o livro sobre legilimência que o Harry lhe emprestara, ele estava planejando ler no verão, pois aprender oclumência era mais urgente. — Isso é o que diz no livro sem censura, mas ele diz que tem que ser um bruxo muito poderoso, o que nós sabemos Voldemort é. E pelo que ele disse um bruxo tão poderoso pode detectar magia facilmente, ele alerta que com alguém assim não adianta usar a ilusão ou mentiras para ocluir sua mente porque eles sempre sabem. Podem não saber a verdade, mas sabem que você está mentindo e facilmente podem invadir e captar a verdade.
— Isso quer dizer que ele é capaz de me encontrar mesmo quando eu usar a capa, pode não saber quem eu sou, mas ele sente o ser mágico, a magia onde ela estiver. — Disse Harry e fez uma careta. — Isso quer dizer que Dumbledore também pode fazer isso e como foi ele quem me enviou minha capa, nunca estarei verdadeiramente invisível para o diretor.
— Exato. — Disse ela também não muito feliz.
— Mas como o Harry conseguiu impedir o Voldemort de entrar em sua mente? — Perguntou Neville curioso.
— Bem, estou só imaginando, mas acho que foi uma combinação de fatores, a falta do contato visual exige poder bruto e não sutileza, Harry fez o mesmo e empurrou com sua magia a tentativa de invasão. E Voldemort está mais enfraquecido, assim Harry venceu com sua magia. — Disse ela duvidosamente.
— Pode ser isso, lembro de sentir uma forte dor em minha cicatriz e por um instante perdi a noção do ambiente, eu senti que ele queria entrar em minha mente, a magia dele veio como um soco. Eu parei o soco com minha magia e o empurrei para longe. — Disse Harry lembrando daquele momento aterrorizador.
— Uau, isso é incrível. Não consigo nem pensar em ficar perto dele e você conseguiu parar ele de entrar em sua mente. E porque não foi o mesmo com a luta? — Neville parecia impressionado e Harry não gostou, o que ele fizera não era nada importante.
— Poder bruto, ele tem mais, é mais velho, mas está enfraquecido. E eu venho treinando meu exército mental para proteger minha mente a meses, naquele momento foi uma combinação de instinto e todos esses meses de treinamento em oclumência. Mas a luta, vocês tinham que ver, Voldemort simplesmente se movia para o lado e me seguia, era como se eu fosse um inseto chato, não um perigo real e ele sabia disso. — Disse Harry mal-humorado.
— Ainda assim você conseguiu acertá-lo e impedir que ele entrasse em sua mente. O livro diz como lutar contra alguém tão poderoso, impedir que ele acesse sua mente? — Perguntou Terry tentando animar o amigo.
— O livro foca em acessar mentes e não proteger. O autor diz que se você tem poder para captar sentimentos e pensamentos é um grande legilimente, mas se você pode perceber a mentira de uma mente ocluída está a um passo de ser um legilimente perfeito. Apenas alguém com mais poder poderia ocluir a mente com um forte exército magico ou alguém que consiga com extrema sutileza criar uma ilusão e deixar você ver o que ele acredita ser verdade. — Explicou Hermione inteligentemente.
— Hã? — Neville ficou confuso.
— Mason fala sobre isso no livro dele sobre oclumência, ele também chama de o oclumente perfeito. Diz que se você usar sua magia suavemente e, sutilmente, criar informações mesmo sentimentos e esvaziar sua mente do resto nunca ninguém poderá detectar sua mentira ou ilusão. Faz sentido. — Disse Harry entendendo.
— Mas isso além de difícil deve te impedir de ser você mesmo. Prefiro pensar que se fortalecermos nosso exército mental poderemos proteger nossos pensamentos. E sempre podemos focar nos pensamentos artificiais assim eles não olham muito profundamente. — Disse Terry esperançoso.
— Foi o que eu fiz com o Snape. — Disse Harry e ao ver suas expressões contou sobre a tentativa do professor de captar seus pensamentos e sentimentos superficiais. — Eu foquei na verdade do que aconteceu mesmo enquanto mentia, além disso queria que ele pensasse que eu não estava sendo totalmente sincero. Não sei o quão bom legilimente ele é e me pareceu que não percebeu que eu estava ocluindo minha mente, mas aposto que quando eu falar com Dumbledore, ele deve perceber. Terei que ser muito mais sutil em minha oclumência quando conversar com o diretor.
Seus amigos acenaram preocupados e eles voltaram para os estudos. No dia seguinte eles descobriram com Hagrid que o unicórnio estava fora de perigo, ele tinha um pequeno cercado atrás de sua cabana e o animal ficaria lá até se recuperar completamente e poder voltar para o seu rebanho na Floresta. No fim de semana eles conseguiram tempo para ir visitá-lo, ele era lindo, mas arisco, só deixava Harry o acariciar, ainda que ele olhasse menos desconfiado para o Neville também. Terry e Hermione ficaram morrendo de ciúmes, para divertimento dos amigos.
Maio se moveu ainda mais rápido, entre os treinos, as preparações para os exames, as pilhas de deveres e as cartas de seu padrinho Harry tinha muito pouco tempo livre. Depois da primeira semana de pesadelos, Harry visitou no domingo o jardim que ele fez com seus amigos e se sentiu tão em paz que eles cessaram. O que foi bom porque além dos pesadelos a dor em sua cicatriz o estava incomodando muito, Terry se preocupou e insistiu que ele contasse a Madame Pomfrey, mas Harry não queria se preocupar com isso até os exames acabarem. Depois que a dor desapareceu ele se esqueceu sobre o assunto.
Sirius o escrevia toda semana e Harry retribuía da mesma maneira. Ele lhe contou sobre seus progressos físicos, o encontro com os amigos antigos e seu trabalho na Fábricas Black, onde ele e o Sr. Falc faziam uma verdadeira revolução. Harry lhe contou sobre os treinos de quadribol, as aulas e o desejo que os exames chegassem logo, ele já se sentia pronto e estava cansado de tanto estudar sobre esses mesmos assuntos. Sirius parecia entender sua pressa e vontade de ir para magias mais avançadas e prometia que durante o verão eles treinariam muito juntos.
Os exercícios estavam indo bem, apesar do pessimismo de Terry. Neville ainda tinha dificuldades por causa do peso extra, mas não desistiu e Hermione estava entrando em forma rapidamente e, mesmo sem querer, admitira estar se sentindo mais disposta e meditando melhor o que, claro, lhe ajudava a dormir melhor.
Quando junho chegou trouxe os exames e muito calor. Harry ficou muito irritado que em uma escola mágica não havia como tornar as salas de pedras mais frescas para poderem se concentrar nas perguntas. Terry disse que o calor o deixava mais mal-humorado do que o normal, Neville concordou e Hermione disse que Harry buscava uma desculpa para quando perdesse para ela como o melhor aluno do seu ano.
No fim da primeira semana de exames Harry insistiu que tirassem uma folga e todos foram para a cabana do Hagrid visitá-lo, já fazia um tempo que não o encontravam. Eles tinham mais exames na semana seguinte, mas tinham todo o fim de semana para repassarem por uma última vez o conteúdo. Hagrid estava no jardim e com um rastelo juntava as folhas, mas parou quando os viu se aproximar.
— Olá — disse, sorrindo. — Terminaram os exames da semana? Têm tempo para um refresco?
Sorrindo animados eles aceitaram e se sentaram no jardim bebendo o suco de abóbora gelado e conversando.
— Hagrid, você teve notícias do dragão? — Sussurrou Terry olhando em volta para ter certeza que ninguém os ouvia.
— Oh! Sim, coisa fofa, é uma fêmea. Charles me escreveu e mandou até uma foto, disse que posso ir visitar quando eu puder. Ele a chamou de Fúria, um pouco agressivo para um bebê tão inocente, eu teria escolhido Norberta. — Disse ele insatisfeito.
— E o unicórnio Hagrid? Quando você vai soltá-lo na Floresta? — Perguntou Harry com um sorriso, o lindo animal estava quase que completamente recuperado em sua última visita.
— Ainda não está pronto, o pobrezinho, além disso o rebanho se afastou para longe por causa dos ataques, quando o perigo acabar e eles voltarem levarei o Savage até o grupo. — Disse Hagrid, ignorando as caretas pelo nome que ele dera ao unicórnio. — Agora ele estaria sozinho e seria perigoso.
Harry se tencionou levemente ao ouvir isso.
— Faz tempo que o rebanho se afastou Hagrid? Você sabe para onde eles vão? — Harry perguntou mais sério.
— Um mês mais ou menos, depois que você salvou o Savage não houve mais nenhum ataque. Eu olhei por tudo e não encontrei nem sangue, nem unicórnio morto ou rastros do rebanho. — Disse Hagrid distraidamente. — Eles vão para bem longe, para as montanhas, lá estarão seguros porque pouca coisa consegue vencer as escarpas.
— E antes desse ataque, quando houve outro? — Harry estava mais preocupado ainda.
— Bem, acho que fevereiro e outro em dezembro, pobrezinhos, não entendo quem poderia machucar criaturas tão doces e inocentes. — Disse Hagrid chateado.
— E o Fofo, Hagrid? Ele está bem? Nunca mais você nos falou dele. — Disse Harry calmo ainda que percebesse a tensão nos amigos.
— Ah sim, ele está bem, eu o alimento toda a semana, mas o coitadinho está sentindo falta de mais espaço. Dumbledore acha que podemos tirá-lo daquele corredor depois que as crianças deixarem a escola. — Hagrid parecia preocupado com seu cachorrinho de três cabeças.
— Hagrid, você sabe nos dizer se a Pedra Filosofal que está lá embaixo do alçapão é a verdadeira? — Harry não gostava de pressionar o amigo, mas era muito importante saberem.
— Mas... como... Vocês não deveriam saber disso! — Disse Hagrid com expressão fechada.
— Você nos disse Hagrid, falou sobre uma pedra e que tinha a ver com Nicolas Flamel e Dumbledore, apenas juntamos tudo. Não se preocupe, não falamos para ninguém sobre isso e sabemos que ela está bem segura. — Disse Terry com seu jeito calmo.
— Sim, Hagrid, nós acreditamos quando você disse que Dumbledore assegurou a Pedra, mas estamos curiosos, quer dizer, é a verdadeira Pedra Filosofal? Ou é apenas uma imitação? — Disse Hermione e com um sorriso acrescentou. — Eu disse a eles que você saberia, pois, o diretor confia muito em você e não deixaria de lhe contar.
Hagrid corou e puxou a barba de vergonha, mas tinha um sorriso satisfeito e seus ombros se levantaram de orgulho.
— Bem, sim, Dumbledore confia em mim, grande homem, sempre se preocupa com todos. Aquela história da ICW é uma calúnia, muito errado acusarem um homem tão bom. — Disse ele e Harry teve que se controlar para não fazer uma careta. — Sim, a Pedra é a verdadeira, Flamel pediu ao diretor para guardar, sabia que Hogwarts era o lugar mais seguro do mundo para proteger algo tão valioso.
Harry e os amigos se entreolharam preocupados. Logo depois eles deixaram o amigo e subiram em silencio para o Covil.
— Harry, você acredita que Quirrell vai tentar roubar a Pedra, foi por isso que fez todas aquelas perguntas? — Hermione perguntou assim que entraram na sala e fecharam a porta.
— Sim, acredito que o nosso tempo acabou. Vocês ouviram o Hagrid, o rebanho de unicórnios foi para as montanhas, isso quer dizer que Voldemort não se alimenta desde fevereiro. Quando o detive ele não teve tempo de beber quase nada, aposto que está fraco e precisando da Pedra urgentemente. — Harry disse muito sério.
— Ok, mas porque você acha que ele tentaria hoje ou amanhã? — Disse Terry sensato.
— Eu não sei quando ele vai tentar Terry, não posso ver em sua mente para saber. — Disse Harry exasperado. — Mas semana que vem começam os OWLs e NEWTs, todos estarão concentrados, tensos e os funcionários do Ministério virão para aplicar os exames. Dumbledore dificilmente poderá deixar Hogwarts a não ser que seja uma emergência.
— Ok, acho que faria sentido, serão duas semanas bem complicadas e se Quirrell desaparecesse ou não estivesse onde deveria na hora dos exames chamaria a atenção. — Disse Terry compreendendo.
— Os professores tem mais uma semana de exames para os anos normais, mas entre os exames do 5º e 7º ano serão mais duas semanas e muitas horas em que Quirrell ficará preso. — Disse Hermione acenando.
— E ele não pode tirar o diretor ou encontrar um momento mais propício estando tão ocupado, vai esperar quando tudo se acalmar. — Disse Neville acompanhado o raciocínio.
— Sim, mas o melhor nesse caso seria no fim dos exames, que será só daqui duas semanas, mas...
— Voldemort está sem sangue de unicórnio e pode estar fraco. Ele poderia ir para algum outro lugar que tem unicórnios, mas porque gastar energia para uma viagem longa se pode adiantar a tentativa de roubar a Pedra e se curar de uma vez. — Apontou Harry e viu os olhares preocupados dos amigos.
— E nesse caso, esse fim de semana ou o próximo seriam os ideais, os alunos estarão descansando ou estudando, mesmo os professores poderão estar distraídos corrigindo nossos exames da semana e Dumbledore... Harry tudo se volta para o diretor, se ele deixar Hogwarts por algum pretexto qualquer, provavelmente, será um engano do Quirrell e o dia em que tentará roubar a Pedra. — Disse Hermione tensa.
— Mas como podemos descobrir se o diretor deixar Hogwarts ou não? — Neville perguntou e antes que o Harry pudesse falar Terry se adiantou.
— Muito simples, procuramos a vice-diretora e explicamos a ela nossas suspeitas, pedimos a McGonagall que avise o diretor e que fique atenta a qualquer tentativa enganosa de afastá-lo da escola. — Disse Terry calmamente.
— Podemos fazer isso, tenho certeza que ela contará ao Dumbledore e poderá passar esse fim de semana e o outro vigiando com mais atenção. — Disse Hermione um pouco mais aliviada.
Harry acenou concordando, era um bom plano, mas não se mostrou nada bom quando bateram na porta de McGonagall e depois de entrarem e fecharem a porta começaram a explicar suas suspeitas. A vice-diretora fechou a cara na hora e os olhou friamente.
— Não sei como descobriram sobre a Pedra, mas fiquem tranquilos, não é possível ninguém a roubar, está muitíssimo bem protegida. — Disse ela com voz severa.
— Nós sabemos professora, mas, por alguém poderoso, proteções podem ser superadas. Temos certeza que alguém quer roubar a Pedra e acreditamos que pode acontecer neste fim de semana. Ou talvez no próximo. — Disse Harry seriamente.
Mas isso pareceu não cair bem para ela.
— Potter, sei do que estou falando, ninguém pode entrar na escola sem minha autorização e as proteções poderiam ser superadas por alguém poderoso se alguém igualmente poderoso não fosse responsável pela última delas. — Disse ela se encaminhando para a porta. — Ninguém pode superar a proteção de Dumbledore, agora voltem para suas tarefas e não os quero perto do 3º andar ou lhes darei detenções até o fim do próximo ano.
— Mas...
— Professora, apenas com sua autorização, a senhora disse, isso quer dizer que o diretor não está na escola? — Perguntou Harry cortando Hermione.
— Para sua informação, não. O Prof. Dumbledore foi chamado com urgência no escritório da ICW em Londres e voltará amanhã, mas como eu disse a Pedra está segura, agora saiam. — Disse ela abrindo a porta e apontando para o corredor.
Eles saíram acanhados e maltratados, mas Hermione tentou mais uma vez, talvez na esperança de que sua professora favorita a ouvisse.
— Professora, se a senhora no deixar contar o que sabemos... — Disse ela aflita, mas eles já estavam no corredor e McGonagall simplesmente fechou a porta com uma batida seca, na cara deles. — Eu não acredito, ela... ela nem vai nos ouvir...
Terry se aproximou e colocou a mão em seu ombro apoiando-a.
— O que fazemos agora? — Sussurrou Neville olhando para o Harry.
— Dumbledore já foi tirado de Hogwarts e aposto que quando ele chegar em Londres vai descobrir que a carta é falsa e não existe nenhuma urgência. — Harry disse e olhando em volta se sentiu muito vulnerável. — Vamos voltar para o Covil, continuamos essa conversa lá. — Disse baixinho.
Eles voltaram para o 5º andar, mas quando passaram pela porta de Flitwick, Harry fez uma pausa, seu chefe de casa era seu professor favorito e tinha muita confiança nele.
— Talvez Flitwick acredite em nós... — Disse ele pensativo e viu Terry arregalar os olhos.
— Harry! Sim, você está certo, Flitwick vai ao menos nos ouvir e pode ficar em guarda. — Disse ele animadamente e sem dar a chance de qualquer um dizer mais nada, bateu na porta do professor.
Não demorou nem 2 minutos para a porta se abrir e Flitwick aparecer, pequeno, sorridente e usando um pulôver xadrez. Harry sentiu uma onda de alivio, tinha certeza que o professor de feitiços os ajudaria.
— Olá meninos! Não deveriam estar no jantar? — Perguntou ele ainda sorrindo, mas ao ver suas expressões ansiosas e aflitas ficou sério. — Estou vendo que estão com algum problema, entrem, entrem e me digam o que acontece. Alguma coisa em seus exames?
Eles entraram e o professor fechou a porta, se colocando do outro lado de sua mesa, subiu em sua cadeira e ficou na altura deles.
— Professor, antes quero que saiba que o que vamos contar é absolutamente verdade. Nunca mentiríamos sobre algo tão grave. — Começou Terry muito sério.
— Eu não tenho dúvidas disso, vocês são bons garotos. O que aconteceu? — Disse ele suavemente.
— Bem, senhor é que desconfiamos que a Pedra Filosofal vai ser roubada e talvez hoje à noite mesmo. Quer dizer, sabemos que ela tem muitas proteções, senhor, mas tememos que o ladrão consiga passar por elas e pegar a Pedra... — Disse Terry e olhando para os amigos todos acenaram em apoio.
Houve um instante de silencio e quando Harry temia que seriam expulsos outra vez, Flitwick acenou seriamente e com a varinha conjurou outras duas cadeiras para ficar ao lado das duas existentes.
— Ok, vamos todos nos sentar e gostaria de ouvir como vocês descobriram sobre a Pedra Filosofal estar em Hogwarts e quais informações têm para chegarem a conclusão de que ela sofrerá uma tentativa de roubo hoje à noite. — Disse ele se sentando em sua própria cadeira.
Aliviados, todos se sentaram e olharam para o Harry que respirando fundo contou tudo sem deixar nada de fora, agora não era o momento para segredos ou hesitações. Ele contou sobre sua visita ao Beco com Hagrid e as informações que o amigo deixara escapar aos poucos. Falou sobre o que acontecera no Halloween, a conversa que ouviram e depois o ataque a sua vassoura e a desconfiança de que os dois eram o mesmo, Quirrell. Harry então falou sobre o dragão e viu seus amigos o olharem confusos, mas ignorou, ele desconfiava a um tempo que o comerciante que "perdera" o ovo de dragão não era um desconhecido.
— Hagrid me disse que seu maior sonho era ter um dragão e desconfiei que ele conseguir um nessas circunstâncias não era apenas uma coincidência. Apenas não apontei isso porque, sinceramente, não acho que faria diferença e não acredito que seria tão difícil assim se livrar de Fofo e o ovo de dragão foi um plano exagerado e pouco inteligente. — Explicou ele e continuou seu conto.
Quando falou das deduções de porquê e para quem a Pedra estava sendo roubada, Flitwick empalideceu e soltou uma exclamação aguda. Harry contou sobre o que acontecera na Floresta e sobre as previsões dos centauros de tempos sombrios, e concluiu com a informações de hoje de Hagrid e depois de McGonagall.
— Sem o diretor aqui, senhor e sendo Voldemort por traz de Quirrell, temo que ele consiga superar as proteções e levar a Pedra, se isso acontecer, bem, acredito que todos sabemos o quão terrível isso seria. — Disse ele pessimista com a expectativa de uma nova e terrível guerra.
— Harry, meninos, não quero duvidar de vocês nem por um segundo, pois vejo que pensaram com muito cuidado em tudo e não estão sendo levianos, mas a ideia de que Voldemort está vivo e que a intenção de Dumbledore ao colocar a Pedra Filosofal aqui era atrai-lo para uma armadilha. — Flitwick tinham uma expressão chocada. — Se tudo o que me disseram for verdade, é muito grave e me faz duvidar da sanidade do nosso diretor.
— Pensamos na possibilidade de que ele estaria usando uma Pedra falsa, senhor, mas Hagrid confirmou que é a verdadeira. Consideramos que seu plano ou intenção era prender ou matar um Voldemort enfraquecido, mas sem sua presença para capturar Quirrell e tirar dele a informação de onde seu mestre está... — Disse Hermione torcendo as mãos ainda que estivesse contente que um adulto os estava ouvindo.
Terry acenou pegando de onde a amiga parou.
— Não íamos nos envolver, senhor, porque com as proteções e o diretor parecia um plano razoável ainda que colocasse nós, alunos, em risco, mas sem ele aqui tememos que seja tudo por nada. E o pior, se Voldemort conseguir a Pedra Filosofal, não apenas recuperaria seus poderes como também se tornaria imortal. — Terry estava pálido com o pensamento.
— Tentamos alertar a Prof. McGonagall, senhor, mas ela não quis nos ouvir ou acreditou em nós. E quando ela nos contou que a carta da ICW levou o diretor para Londres e que ele só volta amanhã, isso nos pareceu um momento possível para Quirrell agir. — Disse Neville também pálido e apavorado.
— Podemos estar errados professor, mas não acredito que devemos arriscar, não sobre algo tão importante. — Concluiu Harry e viu seu professor acenar afirmativamente.
— Vocês estão todos certos, precisamos agir e acredito que capturar Quirinus no ato seja o melhor movimento. Depois disso enviarei uma carta ao diretor pedindo o seu regresso urgentemente para descobrir exatamente para quem ele está trabalhando e poder prendê-lo também. E se for você-sabe-quem, como vocês desconfiam e ele realmente está vivo... — Professor Flitwick assumiu um olhar feroz. — Poderemos finalmente nos livrar desse mal de uma vez por toda.
Ele se levantou e deu a volta na mesa, os quatros meninos se levantaram também ansiosos e animados.
— Podemos ajudar, professor? — Harry perguntou.
— Podem, vão para o Salão Principal e ajam normalmente durante o jantar, depois fiquem seguros em suas torres. Eu vou esperar no corredor por Quirrell, se ele não aparecer hoje me reunirei com o diretor amanhã quando retornar e exigirei um plano mais efetivo para proteger a Pedra. — Disse ele de maneira séria e enérgica, não admitia contestação. — As proteções não vão segurar Quirrell por muito tempo e existem muitas outras maneiras de montar uma armadilha. Acreditei que o possível ladrão estava fora de Hogwarts, mas a verdade é que Quirinus poderia ter conseguido a informação de cada professor que montou uma proteção facilmente, porque nunca desconfiamos dele. Assim como ele conseguiu a informação sobre Fofo de Hagrid, com essa história absurda de dragão.
Seus amigos acenaram e Harry relutante concordou, Quirrell tinha que ser capturado e Flitwick faria isso facilmente, pois era um bruxo muito mais competente. Eles se despediram e foram jantar, mas Harry sentia um peso em seu peito que lhe impediu de comer muito. Os quatro se sentaram na mesa Ravenclaw que era mais silenciosa e assim ninguém perceberia o fato que eles pouco conversaram entre si. Quando subiram para as torres Harry hesitou no 4º andar e Terry foi o primeiro a perceber.
— Harry? O que está pensando? — Terry perguntou e quando viu seu olhar decidido. — Não, nem pense, nós fizemos o que combinamos, avisar um adulto, você prometeu que não faria nada imprudente.
— Eu prometi isso caso não fosse necessário e você está certo, Flitwick vai cuidar de tudo, mas... Foi você que me disse para confiar nos meus instintos, Terry e não posso ignorar agora, quando algo tão importante está em jogo. — Argumentou Harry baixinho.
— Vamos no meter em apuros, Harry, o professor disse para ficarmos nas torres, o que você está pensando em fazer? — Perguntou Hermione ansiosa.
— Vou apenas vigiar, tenho certeza que hoje vai acontecer alguma coisa, vou para o Covil, passarei a noite lá. Ninguém vai perceber que não dormi na torre, observarei o que vai acontecer de traz da estátua do ciclope e se tudo correr bem, ótimo, mas pelo menos poderei ajudar se for necessário. — Informou ele decidido.
— Me parece um bom plano, não tem mal nenhum em vigiar. Vou com você, irei até meu quarto pegar algumas coisas, cobertas, travesseiros, assim acampamos confortáveis. — Disse Hermione objetiva.
— Eu também vou, espero por vocês no Covil, quando tudo tiver terminado poderei saber o que aconteceu. — Disse Neville e depois olhou para Terry que estava pensativo.
— Ok, não é uma má ideia, ainda que ache que o Flitwick não vai ter problemas, vou também e fico com o Neville. — Disse ele.
E assim em meia hora e antes do toque de recolher eles pegaram o necessário para um acampamento no Covil e discretamente foram para lá. Enquanto Neville e Terry se acomodavam na sala, com um livro e sanduíches que Harry e Terry trouxeram, Harry e Hermione pegaram sua parte e seus cobertores e foram pelo longo corredor até se acomodarem atrás da estátua do ciclope. Onde estavam podiam visualizar a porta do corredor onde estava Fofo, por uma fresta entre a parede de pedra e a estátua de mármore. Não havia ninguém, mas ainda assim eles se mantiveram em silencio e no escuro, dividiram um sanduíche e esperaram. Mesmo sem falarem nada Harry achou que era bom ter companhia, tinha planejado fazer isso sozinho e estava feliz que seus amigos confiaram nele e aceitaram sua ideia.
Passaram se quase 2 horas e Hermione pegara no sono encostada contra a parede, quando Harry ouviu passos, em alerta máximo ele acordou a amiga que arregalou os olhos e os dois se aproximaram para observar quem se aproximava. Com os olhos acostumados com a escuridão puderam facilmente enxergar um bruxo caminhar rapidamente para a porta e perceberam, um segundo antes de uma voz falar, que era Quirrell.
— Vai a algum lugar Quirinus? — A voz de Flitwick soou dura e forte, o que era estranho à figura pequena que surgiu e ao alegre professor de sempre.
— Fi...lius? O.…que...que faz por.… a.… qui? — A voz baixa e gaga de Quirrell soou e era muito óbvia a falsidade em seu tom.
— Estou aqui para proteger a Pedra, você como um dos que colocou proteção sabe que temos um ladrão que tenta roubá-la. Com Dumbledore ausente está entre minhas funções proteger a entrada. — Disse ele calmamente e caminhou mais uns passos perto. — A questão é, o que você está fazendo aqui?
— Eu... bem, ... pen...pensei em…ter cer...teza que... Tudo está be...bem por aaaaqui. — Disse Quirrell suavemente, seu tom era estranho como se estivesse com dor e não apenas com o medo de sempre.
— Tudo está bem, você pode voltar para o seu quarto. Eu passarei a noite aqui. — Disse o professor em tom de ordem.
— Claro, Filius. — Harry percebeu o que ia acontecer um segundo antes e instintivamente tirou sua varinha e desejou poder gritar, alertar, mas não houve tempo, porque no segundo em que falou a última letra, Quirrell estavam apontando sua varinha a Flitwick e lançando uma maldição desconhecida.
Mas Harry não tinha com o que se preocupar, Filius Flitwick não era um duelista medíocre, muito pelo contrário, sua varinha estivera em sua mão o tempo todo e assim que o seu adversário deixou a máscara cair e falou normalmente, ele já erguera um Protego, saltara para o lado e rapidamente lançou um Expeliarmus. Abismados Harry e Hermione assistiram ao duelo sem acreditar, Flitwick saltava e pulava, ágil, nunca estava no mesmo lugar e parecia incansável. Incrivelmente, Quirrell também não era ruim, seus feitiços eram fortes e rápidos, suas barreiras pareciam nem sentir o feitiço e ele pouco se movia, seguro e intenso.
De um lado para o outro as luzes das maldições de diversas cores iam e vinham faltando os bruxos, mas atingindo as paredes, causando danos que poderiam ser mortais. Harry perdeu a noção do tempo e logo percebeu o mesmo que Flitwick, aquela não era uma luta fácil como supuseram e se continuasse assim por muito tempo, o professor de Feitiços mais velho poderia se cansar e perder. Ele olhou pensando no que fazer para ajudar Flitwick a derrotar Quirrell, ergueu sua varinha, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o professor ladrão conjurou o que parecia uma serpente negra enorme que se enrolou em Flitwick, ele soltou um grito estrangulado e tentou se soltar, mas sua varinha caiu no chão. Hermione abriu a boca como se fosse gritar e Harry a tapou com a mão esquerda e só um ofego saiu.
— Mate-o, bem devagar. — Disse Quirrell sorrindo e depois abriu a porta de Fofo e eles ouviram uma música bonita e suave tocar, algo completamente distorcido para a cena que acabaram de ver. A porta se fechou outra vez e o som da música desapareceu.
Sem hesitar Harry saiu de traz da estátua e correu pelo corredor até Flitwick que estava completamente preso e inconsciente, sendo esmagado aos poucos pela cobra enorme. Devia ter uns 4 metros e era grossa como um tronco jovem, desesperado Harry se aproximou mais e sem hesitar falou:
— Solte-o, agora! — E para sua surpresa a cobra obedeceu, ela se desenrolou de Flitwick e o deixou caído no chão como uma boneca de pano retorcida. — Afaste-se dele, deixe o castelo para a Floresta e não machuque ninguém.
— Simmssss, como queressss. — A cobra deslizou por ele e Hermione, que deu um pulo e um grito agudo e desapareceu pelo corredor escuro.
Sem esperar mais Harry correu a Flitwick e colou o ouvido em seu pequeno peito, temendo e tremendo não ouvir seu coração.
— Ele está morto? — Sussurrou Hermione com voz embargada.
— Não, seu coração está batendo, mas fraco, vou carregá-lo para a enfermaria, Madame Pomfrey pode salvá-lo. — Disse Harry rapidamente e pensando em Quirrell tomou uma decisão. — Volte para o Covil, posso carregar o professor sozinho. Voltarei o mais rápido possível, enquanto isso diga ao Terry para ir ao meu quarto e pegar minha vassoura.
— Harry... o que...? — Hermione balbuciou confusa.
— Sem discussão Hermione, faça o que lhe disse, vou usar a escada para levar o professor a enfermaria, agora vai, não vou te deixar aqui sozinha, anda... — Harry a enxotou e, quando a viu desaparecer pelo corredor atrás da estátua, se abaixou e pegou seu professor favorito com delicadeza nos braços e sem um segundo de hesitação, correu.
Pareceu uma eternidade até chegar lá, pois tinha medo de correr rápido demais e machucá-lo, quando o pousou na cama, Flitwick gemeu de dor e Harry sentiu seus olhos se encheram de lagrimas.
— Tudo bem professor, Madame Pomfrey já vem cuidar do senhor, vai ficar tudo bem. — Sussurrou ele e enxugando as lagrimas bobas olhou em volta e encontrou papel e um pergaminho, rapidamente escreveu em letras garrafais, "Esmagado por uma cobra" e colocou sobre seu peito.
Harry esperou mais alguns segundos até ouvir os passos da curandeira que teria recebido o alerta de presença em sua enfermaria, para então sair pelo corredor. Não correra nem 50 metros quando se deparou com Madame Norra e falou um palavrão, sem hesitar ele se desviou da gata e correu para o primeiro andar, a entrada da biblioteca estava mais perto. Movendo o braço conectou sua magia a da capa e pediu sua ajuda, a capa se soltou e deslizou o envolvendo como se o abraçasse e quando Filch apareceu, Harry já estava invisível. Depois disso ele correu para o Covil sem problemas e encontrou seus amigos aflitos aguardando sua volta.
— Harry! O professor? — Perguntou Terry angustiado.
— Eu o deixei na enfermaria, Pomfrey vai cuidar dele, se ele puder ser salvo ela fará isso. — Disse Harry e olhando em volta. — Minha vassoura, onde está? Pedi a Hermione para lhe dizer que eu precisava dela...
— Sei porque você a quer, para ir atrás do Quirrell! Será que o que aconteceu com Flitwick não te mostrou que não podemos fazer nada? Somos primeiros anos, precisamos pedir a ajuda de adultos e não nos jogarmos daquele alçapão. — Disse Terry zangado.
— Terry, quem vamos chamar? McGonagall não acreditou em nós e não sei se tem alguém poderoso para vencê-lo, Flitwick foi incrível e não conseguiu. Eu não posso ficar parado e não fazer nada, vocês vão atrás de ajuda e eu ganharei tempo, vou segurá-lo o máximo que puder. — Disse Harry firmemente.
— Harry! Você está se ouvindo? O que te faz pensar que poderá atrasá-lo? As proteções estão lá para isso, tem várias delas para impedi-lo de chegar a Pedra, enquanto isso podemos nos dividir e pedir ajuda, tem outros professores, até Snape, ele queria proteger a pedra no Halloween. — Terry foi mais duro e Harry olhou para os amigos, Hermione estava pálida e com lagrimas no rosto e Neville mantinha os punhos fechados e o olhar tenso.
— Eu preciso fazer isso, vocês vão atrás dos outros professores, vou pegar minha vassoura e descer pelo alçapão. — Disse decidido, mas quando tentou deixar a sala Terry se colocou em seu caminho, estava desesperado.
— Harry, por favor, pense em Ayana e Adam... eles ficarão arrasados se algo lhe acontecer...
— Isso não é justo e você sabe disso, eu estou pensando neles. Quirrell não é um ladrão comum e por isso tenho que detê-lo.
— Mas isso não é o jeito Ravenclaw de agir, descer por aquele alçapão não é inteligente! As chances estão contra você! — Disse ele agudamente.
— Terry! — Harry se adiantou e o segurou pelos ombros. — Escute-me! Esse é um daqueles momento em que não se age pela razão, não importam as chances ou se é o não o movimento mais inteligente, mas sim se trata de fazer o que é certo. Acima de tudo existem momentos em que devemos nos guiar pela coragem, pelos instintos e pela magia! Você teme por minha vida se eu descer por aquele alçapão, mas se Voldemort retornar quem você acha que será o primeiro que ele vai matar? Acredita que haverá um lugar seguro para mim? Acredita que ele permitirá que eu frequente Hogwarts e, calmamente, seja um estudante ou que terei tempo para crescer? — Harry se afastou e olhou para todos os seus amigos com dor e tristeza. — Quantos ele vai matar antes de chegar até a mim? Vocês? Os Boots? Sirius? Eu já perdi muito e não vou ficar parado e deixar ele voltar sem lutar até não poder mais dar um único suspiro. Vou descer por aquele alçapão e nenhum de vocês vão me impedir! Agora saia da minha frente! — Gritou Harry determinado.
Terry cambaleou como se dividido, como se derrotado ao perceber que não poderia detê-lo e quando Harry caminhou para a porta falou:
— Você está certo. — Harry parou ao som de sua voz e o olhou, ele tinha lagrimas nos olhos, mas logo se firmou e respirou fundo. — Você, apesar de ser o mais novo é o mais sábio e corajoso de nós. Tem razão, essa é a coisa certa a se fazer, mas isso não quer dizer que não podemos agir com inteligência. — Disse Terry firme.
— Nós? — Harry perguntou confuso.
— Sim, nós, Terry está certo, mesmo que seja perigoso devemos fazer o certo, mas temos mais chances de parar o Quirrell se formos todos nós juntos. — Disse Hermione e olhando para Neville que se aproximou.
— Com certeza eu estou dentro, também não viverei muito se Voldemort voltar, pois nunca me juntarei a ele e seu comensais. — Disse Neville com determinação.
— Eu agradeço o apoio, mas alguém tem que ficar e buscar a ajuda dos professores, talvez alguns deles possam enviar uma mensagem a Dumbledore. — Disse Harry sensato, descendo as escadas do Covil.
Seus amigos o seguiram e eles rapidamente fizeram o caminho pelo corredor.
— Eu fico, Harry vai precisar da ajuda de vocês dois para passar pelas proteções, eu não serei muito útil, mas assim que avisar um professor sigo com ele atrás de vocês para ajudar. — Disse Neville praticamente correndo para alcançar o Harry.
— Ok, isso é bom, vou pegar minha vassoura e a flauta que ganhei no Natal, precisamos de mais uma vassoura. — Disse Harry e Hermione falou:
— Vou pegar do Fred e George, eles devem estar acordados ainda.
E assim eles se separaram, Terry ficou esperando ali para o caso de um monitor aparecer e assim alertar mais pessoas. Harry subiu e saiu com sua vassoura e flauta em minutos, os dois desceram para o 4º andar e logo Hermione apareceu com duas vassouras e jogou uma para Terry. Eles desceram mais um andar e decididos foram para a porta de Fofo, ninguém apareceu, monitor, professor, fantasma ou poltergeist. Terry abriu a porta e Harry começou a tocar a flauta ao mesmo tempo sem dar chance de o cachorro soltar mais do que um rosnado antes de deitar no chão profundamente adormecido. De lado havia uma harpa caída, a fonte da bonita musica usada mais cedo por Quirrell. Hermione se aproximou do alçapão e com a ajuda de Terry afastou uma das patas gigantescas e abriu a porta de madeira.
— A vassoura vai ser muito útil, tem um vazio escuro e não tem como saber a altura ou o que tem lá embaixo. — Disse Terry e pegando sua vassoura montou e lentamente passou pela abertura estreita.
— Como você vai montar e tocar ao mesmo tempo? — Perguntou Hermione aflita, Harry fez um gesto para que ela não se preocupasse e a viu montar e com bem menos habilidade passar pelo alçapão.
Harry pegou a vassoura com uma mão e com a outra continuou tocando uma musica nada afinada, mas não teve dificuldades para passar pela abertura e voar para a sala escura, seus amigos o aguardavam planando suavemente. Harry guardou a flauta em seu bolso e sacou sua varinha e a iluminou, voando lentamente para baixo, Terry e Hermione imitaram seus movimentos. A escuridão era espessa e o Lumus triplo não iluminava mais do que um metro a frente, mas foi o suficiente para que Harry enxergasse uma gigantesca planta bem a frente.
Ele parou e viu as outras vassouras pararem também.
— É uma planta e duvido que esteja aqui atoa, deve ser perigosa ou venenosa. — Disse ele e se desviando dela foi para frente, mas viu um movimento a sua direita e subiu bruscamente. — Subam! — Gritou, Terry seguiu, mas Hermione não foi rápida o suficiente e gritou quando algo prendeu em sua vassoura e a puxou para baixo.
— Hermione! — Disse Terry e embicou para baixo, mas Harry o deteve com um grito de alerta.
— Não desça! Lumus Máxima! — E sacudiu sua varinha enviando a bola de luz na direção da planta e conseguiu ver os tentáculos da planta envolvendo a vassoura e puxando mais para baixo e entendeu o que era.
— Harry! É Visgo do Diabo! — Gritou Hermione entendendo ao mesmo tempo.
— Eu percebi, fogo Hermione, é por isso que está tão escuro, ela não gosta de fogo. Incendio! — Disse ele enviando chamas para a base do Visgo que se encolheu e recuou.
— Lacarnum Inflamarae! — Gritou Hermione e um jato de chamas azuis disparou de sua varinha para os tentáculos que se prendiam na vassoura. — Acho que a vassoura se quebrou! — Gritou ela que continuou descendo mesmo quando os tentáculos a soltaram e se encolheram de volta a sua base.
— Eu pego você. — Disse Terry e desceu, ajudando-a a subir em sua vassoura, a outra sem forças continuou descendo até pousar no Visgo que a enlaçou e em segundos a vassoura desapareceu.
Usando o fogo para iluminar o caminho eles voaram para baixo no único caminho que havia, um corredor de pedra onde se ouvia os pingos abafados da água que escorriam pela parede. O corredor começou a descer o que lembrou a Harry de Gringotes e quando pousaram no chão e começaram a caminhar ele pode ouvir o barulho de asas mais à frente.
— Asas, são asas!? — Disse Harry erguendo a varinha iluminada.
— O que? — Terry e Hermione estavam confusos e abalados olhando para traz na direção do Visgo, mas Harry já se concentrava no possível perigo a frente. — Só escuto um zumbido. — Disse Terry entendendo.
— Eu também. Tenha cuidado Harry pode ser algum animal perigoso. — Disse Hermione com a varinha erguida em sua mão tremula.
Havia uma luz à frente e movimentos, quando chegaram ao fim do corredor se depararam com uma câmara muito iluminada, o teto abobadado no alto. Era cheia de passarinhos, brilhantes como joias, que esvoaçavam e colidiam pelo aposento. Do lado oposto da câmara havia uma pesada porta de madeira. Harry cauteloso deu alguns passos à frente, mas nada aconteceu e confuso observou os pássaros com mais atenção tentando identificá-los.
— Não são pássaros. — Disse ele ao ver como brilhavam a luz da câmara.
— Não? Mas então o que são? — Terry perguntou se aproximando do amigo.
— Harry veja, vassouras, devem estar aqui por um motivo. — Apontou Hermione e ele entendeu.
— São chaves aladas! Devem abrir a porta para a próxima proteção. Devemos encontrar e pegar para prosseguir. — Disse Harry e sem hesitar voou para o meio das chaves aladas, mais uma vez, nada aconteceu. — São centenas de chaves, um de vocês pode olhar o tipo de chave pela fechadura?
— Deve ser uma chave bem grande e antiga, provavelmente de prata. — Disse Hermione depois de examinar a maçaneta.
Terry subiu e os dois voaram procurando, não demorou muito para Harry enxergar a chave correta, quando voou em sua direção ela fugiu para baixo e Hermione mesmo sem vassoura tentou pegá-la. Ela subiu e Harry prevendo seu movimento para a esquerda, longe de onde estava Terry, a agarrou facilmente. Pousando ele a usou destrancando a porta e a chave tornou a alçar voo, parecendo agora muito maltratada depois de ter sido apanhada duas vezes.
— Prontos? — Harry perguntou aos dois, com a varinha firme em sua mão direita enquanto a esquerda segurava a maçaneta da porta.
Eles fizeram um sinal afirmativo com a cabeça, também com suas varinhas a postos e olhares decididos. Ele abriu a porta cautelosamente, a câmara seguinte era tão escura que não dava para ver absolutamente nada. Mais uma vez os três acenderam suas varinhas, mas não era necessário porque ao andarem alguns passos a luz inesperadamente inundou o aposento, revelando uma cena surpreendente. Estavam parados na borda de um enorme tabuleiro de xadrez atrás das peças pretas, que eram todas mais altas do que eles e talhadas em um material que parecia pedra. De frente para eles, do outro lado da câmara, estavam dispostas as peças brancas. Terry e Hermione sentiram um leve arrepio de aversão com as peças brancas e altas que não tinham feições. Harry blasfemou irritado.
— O que? — Terry perguntou confuso com sua irritação. — É só xadrez, provavelmente temos que jogar para chegar ao outro lado.
— Exatamente, que tipo de merda de proteções são essas? Passamos por três e com essa quatro, se para nós não está sendo um grande desafio como Dumbledore esperava segurar um bruxo adulto? Um professor? — Disse Harry e deu alguns passos à frente, queria se apressar e chegar a Pedra logo, se as proteções eram cada vez mais fracas assim Quirrell já poderia tê-la em mãos.
Caminhando até o meio do tabuleiro Harry tentou passar pelas peças brancas, mas o peão se moveu e lhe apontou uma espada, ele ignorou e perguntou:
— Temos que substituir as peças pretas e ganhar para chegar a porta? — O peão branco guardou a espada e acenou afirmativamente. — Ok, Terry?
— Eu jogo a mais tempo, mas você é melhor que eu, então nos diga o que fazer. — Disse o amigo cauteloso.
— Acredito que podemos jogar juntos, eu tenho uma ideia, mas aceitarei sugestões, três cabeças pensam melhor do que uma e é por isso que viemos juntos. — Disse Harry e tocando a torre ele se posicionou em seu lugar enquanto a peça deixava o tabuleiro. — Hermione, você é o bispo da direita e Terry, você fica com o cavalo da esquerda. — Seus amigos acenaram e se posicionaram. — Agora, esperamos, as brancas começam.
E assim o jogo começou, Harry estava com pressa e seu jogo agressivo o ajudava nesse momento, em poucos minutos ele atacou as peças brancas e se livrou de 4 peões ainda que perdeu 3. Terry falou aqui e ali, Hermione que jogou poucas vezes se manteve em silencio. Em menos de 10 minutos, Harry fez uma pausa satisfeito, mas Terry estava preocupado.
— Você vai ter que me sacrificar. — Disse ele conformado.
— O que? — Hermione se assustou.
— Porque faria isso? — Harry sorriu e enviou o bispo que rapidamente foi destruído por um cavalo branco.
— Você não deveria ter feito isso, o bispo é mais importante do que o cavalo. — Disse Terry chateado.
— Não se preocupe, já estamos quase no fim. — Disse Harry e enviou o bispo Hermione para o flanco direito, isso tirou o cavalo deles de posição e expos o meio, prevendo o que aconteceria facilmente, Harry enviou sua rainha para perto do rei branco que não resistiu e a destruiu.
— Harry! A rainha! Você sacrificou a rainha. — Disse Terry chocado, mas Harry ao em vez de explicar, simplesmente caminhou em sua posição de torre até o rei branco e tocando-o, disse:
— Xeque mate! — O rei branco tirou a coroa e jogou-a aos pés dele. As peças se afastaram para os lados e se curvaram, deixando o caminho livre para a porta em frente. — Vamos lá, já perdemos muito tempo com essa bobagem. — Disse ele ignorando os olhares surpresos dos amigos.
Parando em frente a porta seguinte Harry olhou para os dois, questionando e estes acenaram prontos e ele a abriu suavemente.
Um fedor horrível entrou por suas narinas, fazendo-os puxarem as vestes para cobrir o nariz. Os olhos lacrimejando, eles viram, deitado no chão diante deles, um troll ainda maior do que o que tinham enfrentado, desacordado e com um calombo ensanguentado na cabeça.
— Essa era a proteção de Quirrell, a mais difícil até agora e a que ele saberia passar facilmente. — Sussurrou Harry, enquanto, cautelosamente, saltavam por cima da perna maciça do troll.
— Estou feliz que não temos que lutar contra um desses outra vez. — Disse Hermione meio verde pelo cheiro horroroso. — Rápido Harry ou vou vomitar.
Harry acenou e abriu a porta para a próxima proteção já não tão preocupado e viu que não havia nada muito assustador ali, apenas uma mesa e sobre ela sete garrafas de formatos diferentes em fila.
— Poções. Duvido que o Snape faria algo fácil. — Disse Harry cauteloso.
Ao cruzarem a soleira da porta, imediatamente irromperam chamas atrás deles. Eram roxas e o mesmo tempo, surgiam chamas pretas na porta adiante. Estavam encurralados.
— Você está certo Harry, ele fez algo mais difícil. — Disse Terry olhando em volta.
— Olhem! — Hermione apanhou um rolo de papel que havia ao lado das garrafas. Harry e Terry espiaram por cima do seu ombro para ler o papel:
O perigo o aguarda à frente, a segurança ficou atrás,
Duas de nós o ajudaremos no que quer encontrar,
Uma das sete o deixará prosseguir,
A outra levará de volta quem a beber,
Duas de nós conterão vinho de urtigas,
Três de nós aguardam em fila para o matar,
Escolha, ou ficará aqui para sempre,
E para ajudá-lo, lhe damos quatro pistas:
Primeira, por mais dissimulado que esteja o veneno,
Você sempre encontrará um à esquerda do vinho de urtigas;
Segunda, são diferentes as garrafas de cada lado,
Mas se você quiser avançar nenhuma é sua amiga;
Terceira, é visível que temos tamanhos diferentes,
Nem anã nem giganta leva a morte no bojo;
Quarta, a segunda à esquerda e a segunda à direita
São gêmeas ao paladar, embora diferentes à vista
— Uma charada! — Disse Terry sorrindo.
— Genial. Isso não é mágica é lógica! — Disse Hermione suspirando de alivio. — A maioria dos grandes bruxos não parecem ter um pingo de lógica, ficariam presos aqui para sempre.
— Não Quirrell e não nós, isso é apenas outra proteção tola, para dizer o mínimo. — Disse Harry irritado.
Se afastando até as chamas negras ele começou a usar alguns feitiços contra ele, enquanto deixava os dois amigos resolverem a charada.
— Já sei. A garrafa menor nos fará atravessar as chamas negras. — Disse Hermione e Terry concordou com um aceno.
Harry observou a garrafinha e a pegou na mão.
— Só tem o suficiente para um de nós prosseguir. Quirrell estará tentando passar a proteção de Dumbledore que deve ser o próximo, vou segurá-lo o máximo que puder. — Disse Harry e diante de suas expressões de protestos os cortou. — Vocês fiquem aqui e tentem cancelar esse fogo, algum professor, talvez Snape, não deve estar longe, mas quem vai enfrentá-lo agora sou eu.
Hermione e Terry muito pálidos se olharam e acenaram relutantes.
— Vamos entrar para te ajudar assim que eles chegarem Harry, tente fazê-lo falar e ganhar tempo sem lutar. Não se machuque. — Disse Terry e se aproximando lhe deu um forte abraço.
— Tentarei parar o fogo, devo ter lido alguma coisa sobre isso em algum livro. Ah, Harry. — Disse Hermione e também o abraçou. — Você é muito corajoso, um grande bruxo. Tenha cuidado.
— Eu vou e vocês também são. Fiquem atentos para o caso de Quirrell sair com a pedra, usem todo o arsenal de magia letal que lhes ensinei, lembrem-se, é uma batalha por suas vidas. — Disse Harry e, com a garganta embargada de emoção, suspirou e bebeu a poção em um só gole, era como se o gelo estivesse invadindo seu corpo.
Ele deixou a garrafa na mesa e avançou pelas chamas negras que lamberem seu corpo, mas não as sentiu e por um instante não viu nada a não ser as chamas negras, então Harry terminou de atravessá-las e viu a última câmara. E havia alguém lá como esperava, Quirrell, mas o que o surpreendeu foi vê-lo parado diante do espelho de Ojesed e em um segundo tudo fez sentido.
Foi por isso que Dumbledore lhe montara uma armadilha meses atrás para que ele encontrasse o espelho e estivesse "preparado" para quando se deparasse com ele de novo. Por isso a capa, por isso as pistas fáceis de encontrar e deduzir, desde o dia em que Hagrid o levou a Gringotes, todo o cenário estava pronto e planejado para que Harry estivesse ali naquele momento.
A intenção do diretor nunca foi pegar Quirrell no ato ou mesmo Voldemort, a intenção sempre fora que Harry enfrentasse as armadilhas pífias feitas para um primeiro ano medíocre que Dumbledore acreditava que ele era. Obviamente ele contava que Harry teria a ajuda de seus amigos e ainda assim todas as proteções foram frágeis e tolas, uma enganação, pois assim as chances de ele chegar a Quirrell eram maiores e Dumbledore queria esse encontro, mas...
Porque ele queria que Harry enfrentasse o professor ladrão? A não ser que sua esperança era que o próprio Voldemort aparecesse e Harry o enfrentasse, mas porquê? Era para isso que ele precisava ser preparado? Ensinado? A enfrentar seu inimigo? As perguntas rodavam em sua mente, mas duas coisas ele sabia, Dumbledore não fora enganado a deixar Hogwarts e ele, Harry, tolamente jogara seu jogo como um peão obediente e estava posicionado exatamente onde o diretor o queria.
