NA: Olá pessoal, desculpe que ficou tão longo, mas não consegui cortar, tudo parecia se encaixar, começo, meio e fim. Como eu gosto. E desculpe qualquer erros de gramática, acabei a segunda revisão as 2 da manhã, cansada e sonolenta, mas não quero revisar de novo amanhã.
Espero que gostem e por favor, revisões são sempre maravilhosas e motivadoras, assim, revisem! kkkk
Até mais, Tania
Capítulo 33
Harry continuou na enfermaria durante o resto da semana, saindo apenas para fazer seus últimos exames, Prof.ª McGonagall viera questionar se ele gostaria de adiar para a semana seguinte, mas ele garantira, em um tom frio, que tinha condições de prestar os últimos três exames da semana. Madame Pomfrey concordou em liberá-lo desde que Harry voltasse para a enfermaria depois de cada exame, o que ele não se importou, mas insistiu em ter alta no sábado para o último jogo do campeonato de quadribol. A curandeira concordou contrariada e Harry obedeceu a todas as suas recomendações durante a semana para aplacá-la.
Quando seu capitão Trevor veio visitá-lo, conformado que eles perderiam o campeonato por não terem um buscador, Harry ficou muito feliz em tranquilizá-lo e garantir sua presença. Trevor saiu sorrindo animado e decidido a treinar o time fortemente para que estivessem prontos.
Seus amigos e colegas também vieram visitar e Harry retribuiu com carinho seus abraços e afetos. Madame Pomfrey deixou que eles entrassem aos poucos e ficassem apenas por 5 minutos, Morag, Mandy e Padma lhe trouxeram jogos e livros. Lisa e Anthony trouxeram mais chocolates e desejaram sinceras melhoras. Penny segurou sua mão e não fez perguntas, eles falaram sobre quadribol, o verão e exames, mas nada muito importante. Os gêmeos o provocaram sobre o jogo de sábado, dizendo que seu time ganharia e levantaria a taça de quadribol. Harry riu de seus comentários dúbios e os lembrou que mesmo com uma concussão era melhor buscador do que o do time deles e os meninos, com uma careta, foram obrigados a concordar.
A verdade é que os Gryffindor tinham chance que vencer se ganhassem com uma margem maior do que 200 pontos, algo que ninguém esperava que acontecesse. Se eles vencessem com uma margem menor, a Taça do Campeonato iria para a Hufflepuff que venceram os Slytherins no último sábado, graças a Cedric pegar o pomo quando seu time perdia de 170 a 30. Se os Ravens ganhassem por qualquer margem de pontos o Campeonato era deles e seria uma conquista invicta.
Neville, Hermione e Terry também apareceram, claro, e tiveram permissão para ficarem mais tempo, eles entenderam que ali não era o lugar ou o momento para falarem sobre nada do que realmente precisavam discutir e Terry lhe deu uma descrição do jogo no sábado, todos se esforçando para mostrar normalidade.
— Ainda assim muitos vieram fazer perguntas sobre o que aconteceu lá embaixo e não dissemos uma palavra. — Disse Terry comendo uma pena de açúcar distraidamente.
— Nenhum de nós falou nada, Penny, Fred e George também não falaram. — Disse Hermione olhando os cartões e separando os que tinham mensagens de meninas fãs.
— Então, como todos souberam o que aconteceu? — Harry perguntou separando suas cartas de sapos de chocolate para dar a Adam e Ayana, eles colecionavam.
— Dumbledore disse no jantar que um acidente aconteceu onde o Prof. Flitwick se feriu gravemente, que você estava presente e o trouxe a enfermaria, quando voltou, encontrou o Prof. Quirrell com problemas e tentou ajudar, mas acabou ferido e Quirrell morto. — Explicou Neville cuidando do vaso de lírios que ele trouxera, tentando alegrar o amigo. Harry ficara muito emocionado e agradecido.
— Quer dizer que essa é a história? E o diretor não vai contar a verdade? Falar sobre Voldemort? Chamar os aurores? — Harry falou baixo, mas estava chocado.
Todos os três acenaram negativamente e deram de ombros sem falarem mais nada. Na visita seguinte, Harry quis saber como raios Neville desceu pelo alçapão com Penny, Fred e George, ao em vez de um professor como tinham combinado.
— Bem, a verdade é que eu não sabia onde era o quarto pessoal ou escritório de nenhum professor, com exceção de McGonagall e pensei que se explicasse o que tinha acontecido com o Flitwick, ela ajudaria ou avisaria outros professores. — Disse Neville e suspirou tristemente. — Ela estava muito zangada e só acreditou que algo estava errado quando chegamos a enfermaria e vimos a Madame Pomfrey tentando salvar a vida do professor, desesperadamente. McGonagall então, mandou uma mensagem por seu gato patrono para o diretor que respondeu com sua fênix patrono que estava a caminho e resolveria tudo.
— O que? E então ela apenas não fez nada porque ele disse que quando chegasse desceria pelo alçapão? Ela não entendeu a urgência? — Harry se esforçou para ficar calmo ou Pomfrey os expulsaria.
— Eu disse a ela que vocês três estavam em perigo e que o ladrão era Quirrell, disse até que temíamos que Voldemort estivesse envolvido, mas acho que foi a coisa errada a dizer. Ela ficou lívida, disse que não toleraria brincadeiras tolas, que Quirrell era um professor e que eles, Dumbledore, principalmente, saberiam se Quirrell fosse o ladrão. Pedi a ela que chamasse outro professor, Snape mesmo, para descer o alçapão e ajudar, mas ela disse que Dumbledore estava chegando a qualquer momento e cuidaria de tudo. — Neville olhou para suas mãos parecendo decepcionado. — Fiquei tão chocado e depois zangado que decidi ir atrás de vocês sozinho, mas no caminho encontrei Penny terminando suas rondas, contei o que acontecera e ela nem hesitou em ir comigo, quando chegamos ao Cerberus os gêmeos já estavam lá cantando para o Fofo dormir. Disseram que seguiram a Hermione depois de lhe emprestarem as vassouras e tentavam passar pelo Fofo, mas não sabiam ligar a arpa e então, começaram a cantar, mas isso pareceu deixar o Cerberus mais zangado. Penny acionou a música da arpa e pulamos do alçapão, as vassouras teriam sido uteis. Eu identifiquei na hora o Visgo e a Penny conjurou fogo, seguimos, pegar a chave foi fácil com Fred e George e eles também ajudaram a Penny no xadrez, então chegamos as poções e encontramos...
— Nós. — Disse Hermione chateadíssima. — Estávamos presos lá, não consegui me lembrar de nenhum feitiço para parar o fogo e ninguém chegava, ficamos apavorados porque começamos a ouvir um barulho horrível vindo da câmara onde você estava com o Quirrell.
— Eu também não conseguia pensar em nada e na verdade estávamos encurralados, não podíamos nem voltar e pedir ajuda. — Terry mostrava bem a angústia que a impotência do momento lhe causara.
— Então, como vocês entraram? — Harry perguntou curioso.
— Penny. Assim que eles chegaram ela usou um feitiço congelante nos dois fogos, o roxo e o preto, o Flamaro Inmomentum. E conseguimos entrar. — Hermione explicou e pegando um livro na bolsa. — Eu encontrei o feitiço, eu já tinha lido uma parte desse livro, mas não cheguei a essa parte sobre feitiços de efeitos momentâneos, sabe, que só duram alguns segundos e não exigem muito poder mágico. Um feitiço tão simples... — disse ela obviamente zangada consigo mesma.
— Foi melhor assim. — Disse Harry resoluto.
— Harry... — Terry começou a protestar, mas Harry acenou negativamente.
— Eu vou explicar depois, mas acreditem, foi melhor assim.
E ninguém disse mais nada depois disso.
Sábado chegou quente e ensolarado, Harry teve alta e com a ajuda de Mimy carregou todos os presentes e doces para seu quarto. No caminho, ele foi cumprimentado por várias pessoas sorridentes e animadas, que desejavam sorte ou provocavam sobre o jogo. Harry teve que se esforçar para relaxar e sorrir, lembrando-se que elas não sabiam o que realmente acontecera, não entendiam seu medo de dormir e sonhar com a cabeça de Quirrell explodindo ou como a profecia pesava em seu coração. Se forçando a agir normalmente e se concentrar para o jogo, queria mais do que nunca direcionar sua mente e sua coragem para um jogo inofensivo e não estratégias de batalhas, planos de sobrevivência ou a morte de outro bruxo.
Harry, mesmo sem saber que Quirrell morreria de qualquer forma, não sentia culpa por sua morte, talvez, por que entendera, no momento em que entrou naquela câmara, que um ou outro não a deixaria vivo e Harry com certeza não se deixaria morrer por um patético servo do assassino de seus pais. E, no entanto, apesar da ausência de culpa, algo que o incomodava, duvidava que algum dia esqueceria o que aconteceu. Uma parte mais cínica e realista dele o alertava que essa fora, provavelmente, sua primeira morte, mas um outro lado mais jovem e inocente desejava nunca mais ser necessário matar ninguém por motivo que fosse, mesmo em defesa de sua própria vida ou amigos.
Quando subiu em sua vassoura para se aquecer antes do jogo, Harry pela primeira vez em uma semana sentiu a alegria atravessá-lo e sorriu de verdade. Fechando os olhos ele se soltou, deixou o vento e o instinto o guiar enquanto voava bem alto, livre e, quanto mais alto subiu, mais Harry ansiou pela liberdade. Ele poderia ir embora, pensou, olhando para o horizonte, fugir para bem longe, esconder-se de Dumbledore, fugir dessa maldita profecia e ser livre para viver como e aonde quisesse. E ainda... Mesmo antes de saber sobre o motivo de Voldemort matar seus pais, Harry já ansiava por vingança e justiça. E talvez sua liberdade, pensou, estivesse em sua escolha. Parecia ser um círculo sem fim, mas na verdade era simples, ele não ficaria e lutaria, não mataria Voldemort por causa da profecia e sim por sua própria escolha, seu desejo e necessidade de honrar seus pais. Assim como ele escolhia entrar no campo de quadribol, quando chegasse o momento Harry escolheria ser o carrasco de Voldemort e ele se sentia bem com isso.
Quando o jogo começou Harry tirou tudo de sua mente, seu time precisava dele e sua casa contava com uma vitória que não vinha a mais de uma década. E na verdade, Harry queria muito vencer, ele queria voar e espantar os últimos vestígios de maldade, de sangue e dor. Ele e seu time estavam muito concentrados, estavam treinados e preparados, sabiam que as artilheiras da Gryffindor eram rápidas, habilidosas e precisas, assim o movimento que usaram com os Slytherins não daria o mesmo resultado. Trevor os treinou duramente para criar um paredão defensivo e ao mesmo tempo não abrir mão do ataque alegando, inteligentemente, que se eles estiverem atacando não estariam sendo atacados. Harry não participaria dessa vez, se concentrando apenas em pegar o pomo, pois havia a certeza que a pontuação seria equilibrada e precisariam dos 150 pontos extras.
— E temos os Ravens com a bola mais uma vez, seu sistema de defesa tem sido brilhante hoje, seus contra-ataques bem precisos. Por isso estão apenas 50 pontos atrás dos Gryffis, as lindas meninas estão sendo mortais hoje e, a não ser que Potter esteja recuperado do seu misterioso acidente, os campeões dessa tarde serão os leões. — Narrou Jordan nada imparcial.
Harry suspirou olhando em volta, as atacantes Gryffindors eram muito boas e apesar da defesa bem treinada era quase impossível segurá-las, ainda que Scheyla estava brilhante, fazendo grandes defesas e mesmo assim o jogo estava 120 a 70. A única esperança deles era se Harry pegasse o pomo e se possível antes que a diferença de pontos aumentasse. Ele deu a volta pelo campo e subiu mais para o alto, o buscador Gryffindor, um tal de McLaggen o seguiu de perto vigiando seus movimentos e também olhando para baixo.
Quando Harry viu seu time sofrer mais um gol e a torcida Gryffindor gritar, um brilho suave lhe chamou a atenção, sem hesitar, mergulhou. Um dos gêmeos percebeu e lançou um balaço em sua direção, Harry acelerou e o evitou por alguns centímetros, continuando sua descida. Olhando para traz viu McLaggen segui-lo de perto, o garoto mais velho voava muito bem, mas Harry era melhor e sem medo alinhou sua vassoura com a grama perseguindo o pomo que parecia sentir a proximidade do fim do jogo, pois acelerou e como um borrão subiu e desceu em zigue-zague.
McLaggen tentou acompanhar os movimentos bruscos e aleatórios do pomo, mas Harry apenas o seguiu e esperou, quando ele subiu e fez uma parada, depois mergulhando na direção da grama, o buscador Gryffindor passou pelo pomo em um drible seco e Harry que esperava uma descida, mas não a parada o viu deslizando por suas costas, pensando rápido, ele girou sobre si em uma pirueta e de ponta cabeça estendeu a mão direita e pegou o pomo. O movimento o desequilibrou e de maneira mais constrangedora do que dolorosa, Harry se viu deitado na grama, uma queda de mais ou menos um metro. Mas ele não se importou, sorrindo, se sentou e estendeu a mão para o alto para que todos vissem o pomo dourado. O silencio durou apenas alguns segundos e quando todos entenderam o que significava, o barulho foi ensurdecedor.
Harry se levantou e seu time o alcançou, abraçando, bradando comemorando e ele sentiu sua garganta se apertar, seus olhos se encherem de lágrimas. Quando Trevor o ergueu em seus ombros, Harry enxergou sua casa em volta do time pulando emocionados, viu seus amigos, inclusive dois Gryffindor, gritando e batendo palmas. Até mesmo os gêmeos sorriam ainda em suas vassouras, nem um pouco chateados. E quando eles subiram para pegar a Taça seu capitão a entregou para ele e depois o ergueu outra vez sobre os ombros e Harry a ergueu sobre sua cabeça e gritou:
— Vencemos! Ravenclaw! Somos campeões! — E ele sentiu-se forte e vivo e que tudo valera a pena.
A festa na sala comunal foi longa e animada, era uma mistura de Ravenclaws, Hufflepuff e Gryffindors que ficaram com o 2º lugar empatados, deixando a Slytherin em último. Os monitores foram a cozinha e voltaram com comida e bebida, Harry trouxe a montanha de doces que ganhara e Mandy ligou sua vitrola com um vinil de Michael Jackson e a festa não parecia ter fim. Trevor foi chamado a dar um discurso e dedicou a vitória e o campeonato ao querido Prof. Flitwick, "o melhor chefe da melhor casa de Hogwarts! ", que ainda estava inconsciente na enfermaria. E agradeceu a Harry por seu talento, inteligência e por ser "o buscador mais foda corajoso do mundo! "
Harry esqueceu de tudo e se divertiu e comemorou, quando Mandy e Morag vieram tirá-lo para dançar, ficou vermelho feito um tomate, mas rindo copiou seus movimentos e cantou junto com a música e pulou feito um doido. Algumas meninas do 2º e 3º anos, que Hermione chamava de meninas fãs, tentaram chamar sua atenção com risinhos e olhares melosos, mas Harry as ignorou.
Em dado momento Trevor o puxou de lado para conversarem um pouco.
— Harry, eu pensei sobre sua ideia de um time de reservas e não tinha pensado que daria certo, mas depois do que ocorreu essa semana percebi que estou sendo um idiota. — Disse ele com o rosto corado, voz rouca e cabelos bagunçados. — Se você não pudesse jogar teríamos perdido o campeonato e o trabalho do ano todo apenas porque não tínhamos um reserva preparado.
— Bem, você já sabe o que eu penso e fico feliz que decidiu fazer isso. Tenho certeza que os reservas ficarão muito felizes em nos ajudar, fazer parte do time. — Disse Harry sorridente. — E você não deveria ter se preocupado, tenho certeza que a Chang assumiria meu lugar com prazer.
Trevor bufou e eles riram divertidos. Harry passou um tempo com seus melhores amigos e tentou animá-los, mas eles só se soltaram quando prometeu que no dia seguinte conversariam sobre tudo o que aconteceu em sua luta com Quirrell. Neville até foi arrastado para dançar por Mandy e roxo de tão vermelho gingou desengonçado e Harry se sentiu menos constrangido por sua própria performance. Os gêmeos vieram e as atacantes, Katie, Angelina e Alice também apareceram mostrando fair play e Harry corou e ficou todo quente quando as três lhe deram um beijo de parabéns. Terry riu, até Harry dizer uma única palavra.
— Tracy. — Sua expressão foi cômica quando ele olhou em volta meio apavorado que a menina pudesse realmente estar ali, o que levou a mais risos.
Quando finalmente Harry foi dormir de madrugada sentia-se tão cansado e feliz que nem se preocupou com pesadelos, mortes e profecias. E apesar disso acordou com um grito estrangulado de um pesadelo terrível onde sua mãe era morta por uma luz verde em frente ao seu berço e o riso frio de Voldemort ecoando pelo quarto. Preso entre as cobertas, Harry se esforçou para se soltar desesperado e lembrando-se do pânico ao ver o corpo sem cabeça caindo sobre ele e caiu no chão, dolorosamente. Levantando-se mal chegou ao banheiro antes de vomitar toda a comida da festa, quando não havia mais nada em seu estômago e os engasgos pararam, Harry se levantou e tomou um banho quente que o confortou.
Voltando para seu quarto percebeu pela leve claridade que não faltava muito para o amanhecer. Suspirando, se alongou e decidiu se movimentar, limpou seu quarto e banheiro, depois foi para as escadas de Hogwarts e as subiu e desceu correndo algumas vezes, do 1º ao 5º andar e, concentrado nas escadas mágicas para não cair, conseguiu não pensar no pesadelo. Pelo menos por algum tempo.
Quando Terry, Neville e Hermione apareceram, Harry já estava suado e pronto para correr no campo de quadribol. Cheio de adrenalina ele forçou os amigos e quando estes reclamaram, respondeu.
— Não mandei bancarem os preguiçosos durante a semana! Enquanto eu estava na enfermaria vocês mantiveram suas bundas sonolentas na cama, agora paguem o preço. Vamos lá! Mais uma volta!
E seus amigos pararam de gemer e obedeceram, Harry ignorou seus olhares furiosos.
Depois do café da manhã, Harry foi a enfermaria perguntar sobre Flitwick, ele fizera a mesma pergunta todos os dias e antes de ter alta também. A resposta da Madame Pomfrey foi o mesmo, ele está evoluindo, acordara algumas vezes, muito desorientado e com dor, dormira logo depois e, o melhor para seu corpo se curar e as poções fazerem efeito, era o sono.
Agradecendo, Harry subiu para se encontrar com seus amigos, sabia que não tinha mais como adiar essa conversa e eles precisavam e mereciam saber tudo o que acontecera, sem seus apoios e ajudas nunca teria chegado até onde chegara, não teria vencido essa 1ª batalha. Quando chegou no Covil o três já estavam esperando ansiosos, Harry fechou a porta e olhando para Hermione arqueou a sobrancelha direita.
— Você pesquisou o que eu te pedi?
— Sim, Harry e encontrei dois feitiços que acho que vão nos ajudar. Um é o Feitiço de Imperturbabilidade, se chama Imperturbabili Locus, basicamente ninguém pode ouvir o que falamos aqui dentro seja pela porta, janela ou paredes, funciona em um ambiente fechado, se estivermos ao ar livre precisaríamos usar o Imperturbabili Amet que é muito mais complexo e difícil. E na teoria um bruxo muito poderoso poderia contrariar o feitiço e ouvir o que estivermos falando e nem saberíamos. — Disse Hermione tirando de sua mochila um livro grande, grosso e antigo. — Mas, Terry se lembrou de um feitiço que seu avô sempre usa ao chegar a uma de suas casas.
— Eu não me lembrava exatamente o nome do feitiço, mas com as informações que eu tinha conseguimos encontrá-lo. Chama-se Homenum revelio e basicamente serve para revelar presença humana. — Disse Terry e acenou para Hermione que levantou sua varinha e disse:
— Homenum revelio. — Harry esperou alguns segundos, mas nada aconteceu.
— Ele não deveria nos revelar ou mostrar toda a escola? — Perguntou curioso, se sentando.
— E esse é o legal, você tem que pensar com firmeza, no ambiente e deixar claro que você quer saber de uma presença humana fora de nós quatro. Assim, quando usei o feitiço pensei no covil, no caminho até a porta e quis que revelasse alguém que não deveria estar aqui. Nós deveríamos. — Explicou Hermione em um tom menos professoral que o normal.
— Parece bom. Teremos que lembrar de usar esse último de quando em quando, mas é muito útil e o primeiro vai nos dar segurança de não sermos ouvidos sem querer. Caso contrário, se alguém poderoso como Dumbledore desconfiar de nós o suficiente para vir no ouvir atrás da porta, já perdemos, porque de alguma forma revelamos que temos segredos. — Disse Harry pensativo.
— Continuaremos pesquisando, devem existir outros mais avançados ou sutis. — Disse Hermione e pegando o livro o guardou em sua bolsa outra vez. — Você se encontrou com o diretor, imagino que esteja tranquilo porque acredita que conseguiu enganá-lo com sua oclumência. — Disse ela não demonstrando nenhuma culpa com a ideia de enganar Albus Dumbledore.
— Sim e na verdade não acredito que ele tentou usar legilimência em mim, eu fingi estar com dor de cabeça e apesar de olhar em seus olhos as vezes, me concentrei sempre na verdade ou no sentimento de dor. O meu maior medo era que ele captasse que eu estava mentindo, por isso sempre falei a verdade ou partes da verdade e quando precisei mentir ou perguntar algo que eu sabia, me concentrei em sentimentos como dor, medo, raiva. — Harry suspirou. — Acredito que funcionou até porque Dumbledore vê o que quer ver e até agora com exceção de estar na casa Ravenclaw eu agi como ele esperava ou planejou.
— Isso é bom, ele praticamente não nos questionou, parecia ter entendido tudo o que acontecera, descemos para salvar a Pedra e Penny, os gêmeos e Neville contou que desceu para nos ajudar. Ele nem piscou de surpreso e também não perguntou sobre a Pedra em nenhum momento, parecia saber ou esperar onde ela estava. — Disse Terry pensativo.
— Ele provavelmente esperava que estivesse comigo, ao não a encontrar supôs que foi destruída quando o espelho foi destruído. Eu não lhe dei a chance de perguntar se eu sabia da Pedra, assim que tive um momento questionei se a Pedra estava segura. Imagino que ela está segura? — Harry perguntou aos amigos.
— George e Fred ainda estão com ela, eles querem te entregar pessoalmente e imaginamos que se Dumbledore olhasse mais de perto seria para nós e não eles, assim não me preocupei. — Explicou Neville e Harry concordou.
— Deixe com eles por enquanto, não quero arriscar e precisamos descobrir como destruí-la sem que ninguém perceba...
— Você perdeu o juízo? Você quer destruir a Pedra Filosofal? — Terry estava chocado.
— E o que deveríamos fazer? Deixar por aí para que caia nas mãos de alguém como Voldemort ou pior no futuro? Ou talvez usar em busca de imortalidade ou riqueza? Não, muito obrigada. — Disse Harry bruscamente. — Algo tão valioso e perigoso só traria problemas e mais problemas, todos concordamos que já os temos de sobra.
— Harry, eu concordo na teoria e não, não estou interessado na imortalidade ou ouro, mas ainda assim a oportunidade de estudar um objeto tão incrível e poderoso? Já parou para pensar que podemos descobrir outras utilidades para a Pedra? Ou ao menos que alguns de seus componentes se usado de determinada maneira pode nos ajudar a, não sei, descobrir a cura para a Licantropia? — Terry tinha os olhos brilhando com a ideia de pesquisas e estudos avançados.
— Isso seria incrível, Terry está certo, Harry, não podemos destruir a Pedra apenas porque é perigoso sem saber se tem outros benefícios. — Disse Hermione resoluta.
Harry fechou os olhos, pensativo, de todas as coisas que pensara nos últimos dias em conversar com seus amigos, nem tinha considerado o que fazer sobre a Pedra Filosofal, na verdade, tinha certeza que eles concordariam com sua decisão de destruí-la.
— Ok, vou enviar a Pedra para meu gerente em Gringotes, eu não posso tirar nada do meu cofre familiar, mas posso colocar. Só nós e Penny e os gêmeos saberão que ela não foi destruída, mas só nós saberemos onde está. — Harry suspirou cansado. — Vou visitar meu cofre durante esse verão e aumentarei a segurança que já existe, apenas por precaução. E um dia, quando formos mais velhos e soubermos algo sobre alquimia podemos estudar a Pedra, mas precisaremos montar um laboratório secreto e criar mecanismos de autodestruição.
— Mecanismos de autodestruição? — Neville estava confuso.
— Sim, Harry falou de um modo trouxa, mas acredito que o que ele quis dizer foi criar encantamentos de autodestruição, com gatilhos. De maneira simples, se alguém tentar acessar, invadir ou roubar nosso laboratório, o encantamento é acionado e a Pedra destruída, assim não existe o risco que alguém como Voldemort se beneficiar de seu poder. — Explicou Hermione e fez uma anotação em seu bloco de notas, para pesquisas, imaginou Harry.
— Se algo assim é possível, porque Nicolas Flamel e Dumbledore não o fizeram? Toda essa história idiota de alçapão e proteções teriam sido evitadas. Eles não perceberam o perigo que corríamos? O perigo que a Pedra corria? — Neville estava inconformado.
— Não sei se Flamel sabia sobre os planos do diretor, mas apenas o fato de criar algo tão perigoso e permitir que exista por tanto tempo, sem inventar maneiras de torná-la inacessível, inalcançável e ainda permitir que circule por aí sem o menor cuidado, não me diz coisa boas sobre ele. — Disse Harry irritado. — E não vamos saber seus motivos porque, sem a Pedra, ele e sua esposa morrerão e, antes que me digam que devíamos devolver a Pedra a eles e que suas mortes são algo terrível, considerem o que eu acabei de dizer e que é possível que Flamel sabia sobre os planos de Dumbledore. E pior, eles poderiam se comunicar com o diretor e então ele saberia que nós que roubamos a Pedra e que mentimos descaradamente. — Harry falou com firmeza.
— Eu não vou argumentar contra você, além disso se existem outros benefícios para se ter com a Pedra e os Flamel viveram mais de 500 anos sem se preocuparem em descobrir, isso os torna nada agradáveis no meu livro. — Disse Terry e Hermione apenas deu de ombros indiferente.
— Concordo com os dois. — Disse ela, ainda fazendo anotações. Harry olhou para o Neville que suspirou.
— Mesmo que eles sejam boas pessoas, não vou me sentir culpado, por Merlin, eles já viveram quase 700 anos. E seus argumentos são muito bons Harry, não acredito que poderíamos confiar neles. — Disse ele realista.
— Bom, então, resolvemos uma questão. Acredito que vocês querem saber o que aconteceu quando eu entrei na câmara? — Perguntou Harry e tirando sua varinha fechou os olhos se concentrou e disse: — Homenum revelio.
Quando nada aconteceu ele respirou fundo e explicou o que viu quando entrou e sua percepção de que a armadilha da Pedra nunca existiu para matar ou prender Voldemort e sim para conduzir Harry até o seu encontro. Por isso a capa, por isso a armadilha do espelho, por isso enviar Hagrid pegar a Pedra em sua presença, não havia como Harry não descobrir, não se preocupar e não ir proteger a Pedra que, ele temia, poderia ser roubada pelo assassino de seus pais. E as fracas proteções eram para que Harry, com a ajuda dos amigos, chegasse a câmara com o espelho, esse sim a única e real proteção da Pedra Filosofal.
— No fim, de um jeito distorcido, descer pelo alçapão foi a decisão certa por que eu agi como Dumbledore esperava, como ele acredita que eu sou ou me manipulou para ser. — Harry sorriu com sarcasmo. — Ele nem desconfia que não sou um dos seus peões obedientes e, no fim, ao tentar me enganar o enganado foi ele.
Seus amigos pareciam chocados e furiosos, Terry se levantou e andava de um lado para o outro, Neville apertava os punhos. Hermione tinha um olhar calculista e Harry percebeu que ela já estava ligando os pontos tentando entender as motivações de Dumbledore.
— Eu não acredito... Tudo isso que aconteceu, Flitwick e você poderiam ter morrido, não compreendo porque o diretor fez isso. — Disse Neville.
— Não importa porque ele fez, Flitwick estava certo, temos que questionar a sanidade do diretor. Nunca vou perdoá-lo pelo que fez com o Harry, como se não bastasse os Dursleys, Dumbledore ainda faz jogos e manipula a todos colocando sua vida em risco sem o menor cuidado. — Disse Terry caminhando furiosamente.
— Eu concordo com você, Terry, mas acredito que seus motivos importam sim. — Disse Hermione mais objetiva. — Harry, em sua conversa com ele, conseguiu entender suas motivações?
— Não. — Disse Harry e viu sua expressão mudar para decepção e sorriu divertidamente. — Mas, de minha conversa com Voldemort, eu consegui. E acreditem, o cara gosta muito do som da própria voz.
— O que!? — Todos os três arregalaram os olhos e Terry voltou a se sentar desistindo de estar zangado.
— Deixe-me antes falar de minha conversa com Quirrell... — Disse Harry e contou a eles sua interação com o ex-professor de Defesa. Os três o ouviram com atenção e apenas Hermione fez um comentário ácido sobre seu discurso de busca ao poder.
— Bem, mas mesmo ao buscar o poder existe o bem e o mal. Ele estava apenas tentando se convencer, o idiota.
Quando Harry terminou explicando sobre o rosto de Voldemort atrás da cabeça de Quirrell, seus amigos empalideceram e se esverdearam de nojo e pavor.
— Ele esteve o tempo todo com Quirrell? Em todas as nossas aulas? — Neville estava trêmulo só de pensar.
— O ano todo, Quirrell disse que depois que falhou em roubar a Pedra em Gringotes, Voldemort o puniu e decidiu vigiá-lo mais de perto. — Explicou Harry sombrio.
— Acredita que Dumbledore sabia sobre isso? Que Voldemort estava aqui em Hogwarts o ano todo? — Hermione estava chocada.
— Se ele soubesse porque não tentou destruí-lo? Era uma oportunidade muito mais importante do que testar o Harry seja lá por que for. — Disse Terry contrariado.
— Eu não contei ao diretor sobre Quirrell estar possuído por Voldemort, ele já sabia, porque examinou o corpo e detectou de alguma maneira ou porque sempre soube, mas isso não importa porque Dumbledore acredita que quem deve matar Voldemort sou eu e mais ninguém. — Disse Harry muito sério.
— O que? — Terry foi o primeiro a se recuperar da informação absurda.
— Eu não compreendo. — Disse Neville.
— Deixe-me contar-lhes minha conversa com Voldemort... — Harry então contou sobre o começo da conversa e Neville o interrompeu.
— Espera, você chamou Voldemort de patético e mentiroso? — Ele tinha uma expressão de assombro. — Não sei se você é insano ou corajoso, sinceramente.
— Não sei te explicar Neville, acredito que quando acontecer com vocês, poderão entender. É uma mistura de instinto e coragem, mas também de vontade de sobreviver, de vencer, eu senti uma fúria e ao mesmo tempo uma frieza que me permitiu manter a calma e usar meu cérebro. — Disse Harry dando de ombros como se não fosse importante e, levemente constrangido de seus olhares de admiração, continuou explicando sobre as informações que ele conseguiu de Voldemort sobre sua mãe e a profecia.
Todos ficaram ainda mais pálidos e Harry, lhes dando um tempo para absorver tudo, se levantou e foi até a janela olhar as montanhas, ele também ainda não sabia o que pensar sobre isso. Quanto ao futuro, não o incomodava tanto, mesmo sem saber da profecia ele já se determinara a matar Voldemort, vingar seus pais. E o fato de que, provavelmente, se ele tivesse acessado toda a informação da profecia e soubesse que matar seus pais apenas criaria seu maior inimigo era apenas um detalhe, no fim não importava e não mudava nada. O que o incomodava era a morte de seus pais por causa dele, Harry, antes a culpa vinha de ter sobrevivido e eles não, de viver e ser feliz quando eles não podiam. Mas agora sabia que, se ele não existisse, seus pais não teriam morrido e uma parte dele não podia deixar de pensar que talvez eles lamentassem ou se arrependessem.
— Harry... — Terry se aproximou e Hermione e Neville o seguiam. Estavam pálidos e com lágrimas nos olhos. — Harry, profecias não são precisas e muito menos precisam ser cumpridas...
— Essa já foi cumprida Terry, vocês não percebem? — Harry impaciente começou a andar de um lado a outro. — Mesmo antes de saber o motivo que levou Voldemort a matar meus pais, eu já tinha me determinado a vingá-los, a lutar até o fim para destruir seu assassino. É claro para mim, mesmo sem saber toda a profecia, que Voldemort me deu poder para derrotá-lo a partir do momento em que me atacou, em que me tirou meus pais.
— Oh... É como um círculo, Voldemort por acreditar na profecia a cumpriu quando tentou te matar, aposto que o resto da profecia diz algo assim, que se ele te atacasse você se tornaria seu maior inimigo e teria poder de derrotá-lo. — Disse Hermione entendendo.
— Eu não sei se entendo. — Disse Neville confuso.
— Eu também não, me parece uma grande loucura que o Harry seja o único com o poder de derrotar Voldemort e que poder é esse? — Disse Terry aflito.
— Vamos nos sentar e vou tentar explicar. — Harry pediu e seus amigos aceram concordando. — O fato de não sabermos toda a profecia torna tudo mais confuso, mas acredito que seu conteúdo deve dizer que uma criança nasceria com poder de derrotá-lo, não com O PODER, e que seriam suas ações em tentar matar a criança que lhe concederia esse poder. Quando Voldemort me escolhe, me marca, mata meus pais sem saber que suas ações cumpriam a profecia e me tornavam seu maior inimigo. Esse poder é vingança, é justiça, é o desejo e a determinação de nunca desistir até que ele esteja morto. — Harry explicou. — Pode ter mais, mas nesse momento é o que mais faz sentido e o que eu disse a ele quando me chamou para me unir a ele. Talvez, apenas talvez, se ele não tivesse matado meus pais...
— Você jamais se uniria a ele, Harry. — Disse Terry com determinação.
E Harry sorriu agradecido por seu apoio e lealdade.
— Tem razão, eu nunca me uniria a ele, mas é possível que eu fugiria. Isso já me passou pela cabeça, ir embora para bem longe, me esconder e viver minha vida em paz e Dumbledore que resolva essa bagunça, mas, então, eu penso em meus pais... — Harry suspirou trêmulo.
— Ele escolheu você e ao te escolher criou seu próprio carrasco, entendo agora. — Disse Neville acenando solenemente e curioso perguntou. — Quem era a outra criança?
— Você. — Disse Harry e viu seu amigo ofegar e empalidecer ainda mais.
— Eu!? Mas..., mas... o que!?
— Ele disse que seus pais também eram atrevidos e sabemos que, como eu, você nasceu no fim do sétimo mês, Neville. — Harry decidiu ser sincero, seu amigo merecia isso. — Mas ele escolheu a mim, disse que era porque, assim como ele, sou um mestiço e porque sabia como poderosos são a família Potter, disse também que meus pais eram mais poderosos, apesar dos seus serem aurores. Eu não sei se nada disso é verdade, ainda, era a verdade dele.
Todos ficaram em silencio esperando que Neville aceitasse essa revelação. Por fim, ele acenou muito angustiado.
— Eles devem ter sido informados sobre a profecia e por isso nos mudamos para a mansão Longbottom. Vovó me contou que nos mudamos do chalé do primogênito por causa da guerra, a mansão era mais segura. — Neville passou a mão pelo rosto em aflição e para enxugar algumas lágrimas. — Harry, você acha que essa profecia tem algo a ver com o que aconteceu com eles?
— Eu... — Harry hesitou em dizer o que pensava.
— A verdade, por favor. — Disse ele em um sussurro.
— Sim. Acredito que seus fiéis comensais saberiam da profecia, saberiam porque ele estava, obcessivamente, perseguindo meus pais para me matar. Posso estar errado, mas acredito que eles não acreditariam que um bebê mataria seu poderoso mestre. — Disse Harry enfatizando seu desprezo na última palavra. — Se acreditaram ter sido uma armadilha ou que Voldemort foi capturado, tentariam descobrir o que aconteceu, Pettigrew desapareceu, Dumbledore era inalcançável e meus pais estavam mortos, assim...
— Restariam meus pais, eles teriam o conhecimento de que eu era a outra possibilidade da profecia e acreditariam que meus pais saberiam o que aconteceu com Voldemort. — Neville se levantou chocado e andou de um lado para o outro, dava para ver sua angústia. — Mas eles não sabiam de nada e por isso os torturaram daquela maneira...
— Sim, eles não sabiam, porque o que aconteceu foi algo magicamente inesperado e poderoso. Voldemort não previu o sacrifício de minha mãe ou que esse ato criaria essa barreira mágica de amor que fez ricochetear a maldição da morte e destruir seu corpo. Dumbledore confirmou o que aconteceu, os dois chamaram de magia antiga e poderosa e nunca vou entender por que ele não disse a todos a verdade. — Disse Harry também se levantando e se aproximando de Neville que o olhava, perdido.
"Eu não sei se teria salvado seus pais, não sei quando eles foram atacados, mas talvez se Dumbledore tivesse ido aos jornais e contado, explicado como aconteceu a suposta morte de Voldemort, apenas talvez... E eu não seria o herói do mundo mágico, seria minha mãe, foi ela a heroína, foi ela quem salvou a todos nós, sua coragem, seu sacrifício..." — Harry ofegou e baixou a cabeça nas mãos ao lembrar de seu pesadelo, sua mãe em frente ao seu berço, protegendo-o com seu corpo, sua vida.
Neville soluçou e se aproximou também e os dois se abraçaram chorando a tristeza, a dor e a perda imensa que sofreram e que apenas agora entendiam o porquê, o como e apesar de quererem a verdade, ela apenas evidenciava a arrogância de homens tolos e poderosos que se achavam acima de tudo. Harry sentiu Terry e Hermione os abraçarem e ele moveu o seu braço esquerdo os acolhendo em um abraço em grupo estranho, triste e cheio de lágrimas.
Sirius olhou para a Fábrica de Confecções Black reformada. Nas últimas 5 semanas eles trabalharam incansavelmente para tornar os locais de trabalho seguro, salubre e agradável. Edgar se engasgara de horror e chamara o antigo gerente de "o maior dos maiores burros em forma humana que já existiu". Sirius apenas rira de sua expressão exagerada, ainda que percebesse que o homem não estava brincando.
Ele saiu pelas portas duplas de madeira e vidro da entrada para o pátio também reformado e com um agradável jardim e percebeu pela multidão que todos os 33 funcionários já estavam presentes. Sirius tentou não se entristecer por suas aparências magras, pálidas, com olheiras e roupas velhas e remendadas. Tinha que se concentrar no futuro e no bem que essas pessoas teriam daqui por diante. Se aproximando se colocou ao lado de Edgar, Remus, Maria, Falc e a nova gerente da Fábrica, Sra. Ofélia. Eles o olhavam em expectativa, os funcionários, desconfiados ou receosos.
— Bom dia. Fico muito feliz que todos vocês voltaram, durante esse mês em que a produção ficou paralisada nós entrevistamos a todos e insistimos em consultas médicas na Clínica Omnia. Espero que os tratamentos e remédios que os médicos/curandeiros lhes forneceram ajudem todos a recuperarem suas saúdes. — Sirius fez uma pausa e recebeu alguns acenos hesitantes, alguns o olhavam meio incrédulo como se não acreditassem que ele realmente se importava. Pigarreando, ele prosseguiu. — Enquanto vocês todos aproveitavam umas merecidas e inédita férias, nós reformamos a Fábrica, tanto por fora como por dentro. Reformulamos os métodos de trabalho, o contrato de trabalho de todos e salários, deixarei que nosso novo Gerente Geral lhes explique em mais detalhes. Edgar?
— Olá! Bom dia a todos! — Exclamou animadamente Edgar com olhos azuis brilhantes e sorriso alegre, um contraste com os olhares e expressões pálidas e quebradas. — Quando cheguei aqui e descobri a maneira como essa fábrica era administrada e vocês funcionários tratados, mal acreditei que houvesse tanta maldade, burrice e discriminação em um único espaço e saber que o próprio Ministério fechava os olhos para tudo isso... Me lembrou o motivo pelo qual deixei o mundo mágico a tantos anos, a decepção ao perceber o atraso e como os preconceitos são mais importantes do que a bondade, humanidade e o crescimento econômico do nosso mundo. — A expressão de Edgar se tornou seria e intensa, suas palavras pareceram tocar a todos. — Eu reconstruí minha vida no mundo trouxa, mas sempre tive a esperança de que um dia surgisse a oportunidade de mudanças no nosso mundo mágico e esse é o momento, essa é a oportunidade para as mudanças e vocês não tem ideia de como estou feliz de fazer parte disso. — Disse ele e seu sorriso alegre voltou. — Temos muitas ideias e vamos trabalhar para as colocar em prática, mas por enquanto vamos nos concentrar no básico e essencial. O local de trabalho de vocês era frio, úmido e escuro, a reforma tornou arejado, iluminado e com temperatura agradável. Vocês eram obrigados a trabalhar mais de 12 horas por dia e ganhavam por produção, agora trabalharão 8 horas por dia com um intervalo de almoço de 2 horas e permissão para leves descansos, terão salários fixos e participação nos lucros da empresa em forma de bônus anuais. Vocês tinham que construir peças individualmente e tinham metas senão eram despedidos ou ganhavam menos pela peça concluída. Agora vocês trabalharão em setores e a meta será cumprir os pedidos, se for necessário, horas extras serão pagas. Vocês construíam magicamente até 15 peças ao mesmo tempo, algo desgastante e desumano, agora estarão no seu setor trabalhando em apenas 5 peças por vez e estarão sendo monitorados por um feitiço muito complexo chamado magicum corporo, todos os dias quando entrarem na fábrica o encantamento será acionado. Ele basicamente percebe e avisa quando vocês estão com energia mágica abaixo do ideal e assim precisam fazer uma pausa, beber, comer e não fazer magia por uns 15 minutos. Acredito que quando vocês estiverem mais saudáveis não terão mais problemas de desgaste mágico. Nós construímos uma cozinha e refeitório, vocês podem trazer lanches, almoços ou preparar o que quiserem, podem também ir passar as duas horas de almoço em suas casas, como preferirem.
Edgar fez uma pausa e Sirius olhou em volta para as expressões assombradas, olhos arregalados, boca abertas, algumas pessoas choravam e Sirius se sentiu tocado pela comoção, reações de pessoas sofridas que não esperavam mais gestos de bondades ou de justiça de nenhum bruxo puro-sangue. Uma senhora de cabelos grisalhos sussurrou:
— Isso é um sonho?
Sirius se adiantou e falou antes de Edgar prosseguir.
— Não, não é um sonho, eu... Estive preso nos últimos 10 anos, assim como vocês, sofrendo a injustiça do mundo que amamos e que nos decepciona. Se eu pudesse teria lhes ajudado a mais tempo, mas espero que chegue o dia em que vocês se sintam felizes de trabalhar para um Black. — Disse ele com voz embargada.
Houve um momento de silencio e Sirius viu que alguns o olhavam com menos amargura, ainda que outros ainda pareciam desconfiados.
— Sr. Black ou Sirius como ele prefere quer que essas mudanças aconteçam e foi por isso que ele me contratou. — Edgar continuou com um sorriso doce. — Eu serei o Gerente de todos os negócios da família Black e a Sra. Ofélia, aqui, será a gerente daqui da Fábrica de Confecções. — Disse ele indicando a mulher de uns 50 anos, cabelos grisalhos presos em um coque, óculos e sorriso suave. — Uma das mudanças mais importantes serão os setores, as confecções das roupas estarão divididas em setores. Teremos o Setor de Designer ou de criação, estará sob o comando de Maria MacDougal, ela fará os desenhos das roupas, seguindo estilos e tendências. Teremos o Setor de Moldes e Cortes que essencialmente criarão os moldes a partir dos desenhos e medidas entregues por Maria e usarão os moldes para cortar os tecidos escolhidos por ela e sua equipe para cada peça. Também teremos, claro, o Setor de Costura, com subsetores, Fechamentos, Cós, Bolsos, Barras e Pespontos e por fim o Setor de Decoração que é, como vocês sabem, a área de bordado e aplicações. — Edgar fez uma pausa e alguém levantou a mão hesitante. — Sim?
— Silvya, Sr. Edgar, hum... não vamos mais fazer peças exclusivas e luxuosas? Sabe, tudo feito por apenas um costureiro do começo ao fim? —Perguntou uma moça de uns 30 anos muito pálida e magra.
— Não e, com isso, não quero dizer que a qualidade de nossas peças vai diminuir, ainda faremos peças de luxos, mas abrangeremos um mercado maior, mais popular e com roupas em tecidos mais baratos e com esse método de trabalho aceleraremos a produção. O trabalho artesanal e exclusivo ainda tem espaço, mas em uma Fábrica de Confecções deste tamanho e potencial não pode se limitar apenas a isso. Em princípio, abriremos para pedidos de roupas populares, mas temos projetos de lançar novos estilos, tendências e no futuro queremos entrar no mercado trouxa. — Disse Edgar com seu sorriso empolgante. — E claro trazer roupas trouxas para o mundo mágico.
— Mas não existem lojas de roupas trouxas no mundo mágico... — Alguém disse no meio dos funcionários. — Senhor.
— Ainda não, mas isso sempre pode mudar. — Disse Edgar com um sorriso ainda maior. — Agora, hoje queremos que vocês conheçam a nova fábrica, vejam as mudanças e reformas. Durante as entrevistas que fizemos tentamos entender o que cada um tem de mais talento ou prazer em trabalhar assim vocês descobrirão, em uma lista no quadro de avisos, seus nomes e os setores em que estão designados. Futuramente se alguém quiser solicitar uma transferência para outro setor ou subsetor, estamos abertos. Temos também uma caixa de sugestões e críticas, é anônima, assim qualquer um pode se expressar como quiserem sem medo. Ah, a Sra. Ofélia que era a chefe de costura será a Gerente da Fábrica, ela coordenará os setores, supervisionará a produção e estará à disposição dos funcionários. Em termos de hierarquia, vocês respondem a Sra. Ofélia, ela responde a mim e eu respondo ao Sr. Black. Os outros aqui presentes são o Sr. Lupin e o Sr. Boot contador e advogado do Sr. Black. Vocês os verãos por aqui na Fábrica algumas vezes por semana, assim como eu e a Maria. Alguma pergunta?
Os rostos acenaram, parecendo ansiosos para entrar e uma mão se levantou.
— Sim?
— O senhor disse que receberemos salários, mas não disse quanto. — Perguntou um senhor de uns 50 anos, parecendo um pouco assustado com sua própria ousadia.
— Bem, essa é uma ótima pergunta, Sr. Parker, certo? — Edgar falou e seu sorriso aumentou, ele nem parecia preocupado que nenhum dos funcionários retribuiu seus sorrisos. — Nós estamos com os novos contratos prontos em meu escritório e, se todos concordarem com os termos, assinaremos hoje mesmo antes de partirem. Em primeiro lugar, eu sei que muitos de vocês vivem e consomem no mundo trouxa que é mais barato, assim dividiremos o salário 50% libras e 50% galeões, vocês não precisam fazer a conversão de lá para cá ou de cá para lá. Caso algum de vocês prefiram só libras ou só galeões tudo bem, apenas avisem a Sra. Ofélia. — Disse o Edgar apontando para a nova Gerente. — O salário será pago quinzenalmente e serão 50 galeões por quinzena, ou 250 libras. Também haverá... — Mas Edgar não pode continuar com os murmúrios que se fez ouvir, aumentando aos poucos.
Sirius viu suas expressões de incredulidade e um jovem de uns 25 anos, de rosto redondo se adiantou.
— O Sr. está nos zombando? — Disse ele meio bravo, meio esperançoso.
— O que? Não, de maneira alguma, jamais zombaria sobre algo tão sério e importante. O salário mensal será de 100 galeões ou 500 libras e mais benefícios...
— Mas..., mas, antes produzíamos e produzíamos, trabalhávamos até quase desmaiar e sem pausa, almoços e mal conseguíamos 5 galeões durante o mês, senhor. — Disse o jovem sem compreender.
Sirius sentiu sua tristeza aumentar ao, mais uma vez, ver incredulidade, esperanças e lágrimas.
— Nós sabemos. — Disse Edgar e seu sorriso era suave e triste. — E entendemos o quão errado e cruel isso foi, vocês foram explorados e isso apenas por seu status de sangue, mas hoje vocês estarão se movendo a um recomeço, quando entrarem naquela fábrica tentem esquecer os anos duros e se concentrarem em crescerem, melhoram e que, pelo menos por nós, vocês nunca serão desvalorizados. — Alguns acenaram cheios de esperança e outros ainda olhavam assombrados como se estivessem sonhando. — Com eu dizia, além do salário vocês receberão benefícios. Conseguimos junto a Clínica Omnia um convênio que lhes fornecerão e, aos seus dependentes diretos, atendimento médico e não haverá nenhum desconto em seus pagamentos por isso. A verdade é que, vocês todos estarem saudáveis e suas famílias estarem saudáveis se refletirá naturalmente na produção e isso beneficia a todos nós. Bem, é isso, por favor, entrem e encontrem seu espaço de trabalho, espero que gostem.
Pequenos grupos foram entrando hesitantes, parecendo ainda receosos, mas quando passaram pela nova porta entraram em um hall iluminado que saia em uma pequena recepção com uma mesa e sofás confortáveis e uma escrivaninha, onde ficaria a recepcionista, suas expressões eram surpresas pela decoração bonita meio trouxa, meio mágica. Uma nova porta dupla se abria e todos foram naquela direção, se engasgando com o ambiente novo, a fábrica antes escura e fria que lembrava uma caverna, agora estava clara e arejada. Um teto alto e abobado se erguia e claraboias ajudavam a iluminar o ambiente, o espaço longo e grande da fábrica tinha dezenas de mesas de trabalho, mesas de confecções e produção. As mesas eram novas, as cadeiras confortáveis, tudo em tom claro e moderno e os funcionários assombrados começaram a se mover tocando-os para ter certeza que não era uma ilusão.
— Aqui, temos um quadro de aviso com seus nomes e os setores em que estarão trabalhando. — Disse Edgar e logo um grupo se aproximou tentando ver seus nomes. — Vocês podem ver que é mais do que uma pintura nova, vocês têm novo locais e equipamentos de trabalho. E toda a fábrica está encantado com uma magia chamada Evanesco Pulveris, que basicamente desaparece todo o pó dos tecidos, isso vai fazer com que os problemas respiratórios desapareçam, eu acredito.
Isso provocou soluços e uma mulher bem idosa, com cabelos brancos, magra e pálida demais e olhos assombrados se aproximou de Sirius e estendeu a mão.
— Obrigada, Sr. Sirius, obrigada por tudo isso. — Sirius apertou sua mão emocionado, percebendo que como ele estas pessoas estavam saindo de uma terrível prisão.
— De nada, Sra. Dennis. Eu... espero que a senhora possa se recuperar, espero que todos possam se recuperar... — Disfarçando a emoção Sirius se aproximou de uma mesa montada com comidas e bebidas. — Como hoje é domingo e um recomeço, pedi aos elfos que preparassem algo para comemorarmos, então comidas e bebidas para todos. E, rapazes poderiam vir? — Sirius pediu e 4 elfos jovens apareceram. — Estes são Nilly, Vever, Xou e Tita. — Ele apresentou os elfos que timidamente acenaram para os funcionários. — Os 16 elfos que eram escravizados nessa fábrica estavam muito maltratados e doentes, alguns tinham passado da idade de se aposentarem. Assim, eu os libertei e os acompanhei pessoalmente até os jardins élficos... — Ao ver alguns olhares confusos, Sirius sorriu. — Vocês sabem que existe um Departamento de Controle das Criaturas Mágicas no Ministério, certo? — A maioria acenou e ele continuou. — Esse Departamento foi criado para proteger as Criaturas Mágicas, infelizmente, o preconceito que impera na nossa sociedade impregnou seus ideais e se tornou um lugar de controle e maus tratos, mas décadas atrás o Sr. Henry Potter conseguiu que se votasse na Suprema Corte uma lei que criasse um lugar seguro e confortável para os elfos sem famílias ou que estivessem em idade de se aposentar. Se uma família puro-sangue quer adquirir um elfo eles vão até o Ministério e um dos funcionários vai até o Jardim e busca um elfo. O Sr. Potter queria a liberdade de todos os elfos, mas infelizmente não conseguiu e assim criou um lugar onde eles podem estar seguros quando não estiverem servindo uma família.
Muitos acenaram entendendo e muitos olharam tristemente para os jovens elfos, como se temessem que os veria ser maltratados também.
— Nossos quatro amigos aqui foram os únicos elfos que concordaram em trabalhar por um pagamento e sem vínculos. Isso quer dizer que eles são livres e receberão 1 galeão por mês e assim, como todo funcionário dessa fábrica, serão tratados com respeito e não como escravos. — Disse Sirius firmemente. E viu muito olhares surpresos, os elfos coraram levemente envergonhados e baixaram os olhos. — Como agora tem empregos e não podem viver no Jardim dos Elfos, passarão a viver aqui mesmo na Fábrica. Arrumamos o sótão para eles, de maneira segura e confortável. Nilly vai trabalhar na área de decoração, Tita com Maria na área de criação e Xou e Vever na área de transporte de tecidos do depósito para e entre os setores.
— Os elfos trabalharão as mesmas horas que vocês, terão o domingo de folga como vocês e ficarão em seus setores, não são faz tudo e não assumirão mais cargas do que são capazes. Ninguém nessa fábrica será explorado. — Disse Edgar com firmeza. — Os Setores existem como forma de organização e aumento da produtividade, não concorrência ou segregação, elitização. Pelo contrário, os Setores devem e podem se comunicar entre si e colaborar para o melhor de todos. Qualquer problema, dúvida e solicitações podem procurar a Sra. Ofélia, que é a funcionaria mais antiga da fábrica, vocês todos a conhecem e sei que a respeitam, por isso lhe pedimos para ser a nova Gerente. Bem, acredito que dissemos tudo, vocês podem conhecer seus locais de trabalho, explorar a nova Fábrica, comer, beber e depois venham ao meu escritório e assinaremos os novos contratos! — Edgar disse a última parte com grande animação e, em uma plateia diferente, arrancaria alguns aplausos, mas nesta apenas recebeu alguns acenos e leves sorrisos.
Sirius ficou aliviado com os sorrisos, nunca vira tantas pessoas tão tristes em sua vida. Ele viu Maria levar sua pequena equipe de três, duas mulheres e um homem para a área de desenho, enquanto outros entravam na grande sala de moldes e cortes. Uma outra porta levava para o depósito de tecidos onde Vever e Xou com mais dois funcionários olhavam com admiração a nova organização e quantidades e variedades de tecidos. Uma jovem foi até a recepção e sentou em sua nova cadeira e mesa emocionada e incrédula. Outros estavam na nova sala de decoração olhando encantados para os novos equipamentos e suprimentos de bordado e aplicação em pedras e a maior parte estavam explorando as novas estações de trabalho na parte principal e maior onde aconteceriam a produção de confecção mais pesada.
— Isso que está fazendo aqui é uma grande maravilha, Sr. Black. — Disse uma voz feminina e suave ao seu lado, Sirius olhou e encontrou a Sra. Ofélia parada a sua direita observando os funcionários explorarem a nova Fábrica como crianças.
— Sirius, por favor, senhora. E o que estou fazendo é o mínimo que todos deveriam estar fazendo, seja por si mesmo ou por determinação do Ministério. Espero, sinceramente, que minha atitude seja apenas o começo, Sra. Ofélia. — Disse Sirius um pouco constrangido o cumprimento.
— Sr. Sirius, então, e assim é melhor, o senhor não se parece com um Black, no bom sentido. — Disse ela o olhando com atenção com seus olhos castanhos claros.
— Esse é o melhor elogio que alguém poderia me fazer. — Disse Sirius, seu sorriso aumentando.
— Eu... bem, não sei se isso é relevante, mas eu conheci seu tio Alphard, nós... Tivemos um relacionamento amoroso por muitos anos. — Disse ela timidamente. Sirius a olhou surpreso e viu que seu rosto estava corado e olhar focado na direção geral da fábrica, não foi difícil entender que ela se sentia constrangida porque uma relação sexual fora do casamento seria considerado inadequado antigamente.
— Eu não sabia, sempre pensei que tio Alphard fosse um solteirão convicto, um aventureiro. — Disse Sirius delicadamente.
— Ah, sim. — Ela riu suavemente e depois o olhou e ao perceber que não havia julgamento e reprovação suspirou aliviada. — Alphie era um aventureiro e viajou pelo mundo quando mais jovem, depois que voltou ele começou a trabalhar aqui na Fábrica e tinha um monte de ideias, queria, principalmente, melhorar a vida dos funcionários. Seu avô no começo não gostou, mas quando seu pai se mostrou mais interessado pelas mulheres e diversão do que trabalhar, deixou em suas mãos. Quando entrei para trabalhar aqui era bem jovem, 22 anos e seu tio era um homem mais velho e dedicado ao trabalho. Nossa relação tinha que ser escondida, ele me disse que qualquer um da Família Black me mataria se descobrissem. — Disse ela e seu olhar era distante no passado.
— Ele estava certo. Posso pensar em muitos parentes que teriam muito prazer em fazer isso. — Disse Sirius amargo.
— Sim e tudo ficou pior quando seu avô morreu. Seu pai herdou a Fábrica e mudou tudo, com o incentivo de sua mãe qualquer melhoria que seu tio trouxe foi apagada e Alphie não aguentou, decidiu se afastar da família, ir embora e construir seu próprio negócio. — Disse ela tristemente.
— Não sabia que era por isso que ele se afastou da família. De qualquer forma, tio Alphie teve sucesso, ele me fez seu herdeiro e foi brilhante em seus negócios. — Disse Sirius. — Vocês voltaram a se ver?
— Sim, nunca terminamos, sempre que ele voltava para a Inglaterra nos víamos. Eu tinha compromissos familiares que me impediam de largar tudo e ir com ele, ao mesmo tempo tive receio de tudo virar um escândalo. Assim, mantivemos nossa relação um segredo até o fim. — Disse ela parecendo arrependida.
— Quer dizer que quando tio Alphard morreu vocês ainda estavam juntos? — Sirius se sentia chocado.
— Sim, Alphie me falava de você, dizia que dessa vez o irmão diferente era o mais velho e por isso tinha esperança no futuro das Fábricas Blacks, da Família Black. Quando você foi preso, pensei que ele tinha se enganado e fiquei feliz que estava morto para não se decepcionar, agora percebo que se ele estivesse vivo, você não teria ficado 10 anos preso sem julgamento. — Disse ela em tom de desculpa.
— Tudo bem e sim, meu tio Alphard poderia ter me ajudado, ainda que tantos que eu pensei que nunca me abandonariam fizeram exatamente isso. — Disse Sirius sem conseguir esconder a magoa. — O que eu não entendo Sra. Ofélia é porque a senhora não estava em seu testamento, como seu único herdeiro sei que mais ninguém foi beneficiado, apenas alguns poucos presentes e doações.
— Ah, mas ele não me queria como alvo, Alphie sabia que todos adivinhariam nossa relação. Ele me deixou uma excelente herança em vida, na verdade por Alphie, eu teria parado de trabalhar décadas atrás, mas eu tinha responsabilidades familiares e jamais permiti que ele me sustentasse ou aos meus. — Disse ela orgulhosamente.
— E depois que ele se foi? Porque a senhora continuou a trabalhar aqui? — Perguntou Sirius curioso.
— O que mais eu faria? Tinha perdido a chance de viajar e viver uma vida de verdade com meu Alphie e aqui eu me sentia mais perto dele e poderia ajudar um pouco essas pessoas sofridas. — Disse ela olhando para os funcionários com carinho.
Sirius entendeu e poderia imaginar que ela ajudou muitos com remédios e comidas, talvez facilitando ou ajudando para eles não terem problemas com o gerente anterior, Smith.
— A senhora foi muito corajosa, meu tio Alphard tinha muito bom gosto. — Disse Sirius sorrindo e a viu corar levemente e seus olhos brilharem, talvez com o amor ao homem que os deixara a tantos anos, mas que ainda o unia, inesperadamente.
Nesse momento uma jovem se aproximou da Sra. Ofélia, muito hesitante e olhando para ele com medo, Sirius sorriu tentando relaxá-la, mas isso só a fez arregalar os olhos meio em pânico.
— Está tudo bem, Amilie querida, você queria me falar algo? — Disse Sra. Ofélia gentilmente., como se falasse com uma criança.
— Eu... sim, Sra. Ofélia, apenas, meu nome, na lista, está como sua assistente e não sei muito bem o que devo fazer ou... ou onde vou ficar... — Disse ela timidamente e ainda o olhando de relance e medo no olhar.
— Claro, venha comigo, Amilie. Vou lhe mostrar o meu escritório e você estará lá comigo, tem uma mesa para você me ajudar e teremos muito... — E elas se afastaram depois de um aceno da Sra. Ofélia para Sirius que se aproximou de Edgar que estava animado conversando com dois funcionários, mas, assim que eles o viram, se afastaram receosos.
— Espero que um dia eles não se afastem ou me olhem com tanto medo. — Disse Sirius triste.
— Não desanime meu amigo. Eles apenas associam o nome Black com a maneira terrível que estavam sendo tratados. — Edgar suspirou e o chamou na direção das escadas que levava ao seu escritório e ao do Sirius, uma grande sala de reuniões e um escritório que Remus e Falc usariam sempre que estivessem na Fábrica. — Entre, vou deixar a porta aberta assim eles vêm aos poucos assinar o novo contrato. Sirius, eu entrevistei e com a ajuda da Sra. Ofélia, linda senhora, recoloquei cada funcionário em um trabalho onde seus talentos se encaixam mais. Eles logo estarão felizes, com o trabalho, as condições, salários, mas não vai ser do dia para a noite que esquecerão o que aconteceu. E alguns deles ainda esperarão por um tempo, acredito, que você se mostre como outros puros-sangues racistas.
— Eu entendo. — Ainda que o magoasse, detestava que as pessoas o julgassem por sua família louca, foi por isso que ficara 10 malditos anos em Azkaban. — É por isso que aquela moça, Amilie me olhou como seu eu fosse um demônio?
— Oh não, Amilie é um caso especial e vou lhe contar porque a Sra. Ofélia me permitiu, mas pediu que fossemos discretos. — Edgar tinha uma expressão triste que Sirius nunca viu no homem alegre. — Amilie não trabalhava mais na fábrica a uns 3 meses, Sra. Ofélia insistiu em tentar convencê-la a voltar agora que estão acontecendo as mudanças, porque sabe que a menina precisa do trabalho e também porque tem esperança que ela se beneficie dos atendimentos psicológicos que o seguro saúde fornece.
— Porque ela precisa de atendimento psicológico? — Sirius perguntou sentindo um frio estranho de medo.
— Smith a estuprou, Sirius. — Edgar contou sem preâmbulos e muita raiva em seus olhos azuis bondosos. Sirius empalideceu. — Sra. Ofélia flagrou o ato e estuporou o desgraçado, levou a menina embora e a ajudou. Ela me contou que Amilie não queria voltar e na verdade mal conseguia sair de casa no começo por puro pânico, esse medo que você viu é dos homens em geral, por isso a Sra. Ofélia a escolheu para trabalhar como sua assistente, assim a menina não tem que ficar muito perto dos funcionários masculinos.
Sirius não sabia o que dizer, ele se inclinou sobre a mesa e fechou os olhos contendo a raiva cega, a vontade de ir atrás do desgraçado e lhe dar uma surra. Melhor, matá-lo com suas mãos, maldito infeliz, desgraçado, pensou, mas não falou em voz alta, não queria assustar os funcionários com sua explosão.
— Merlin, Edgar, uma menina tão doce, como alguém... — Engolindo em seco ao se lembrar de sua magreza, palidez, roupas grandes demais e como se mantinha encolhida e longe dos homens. Como não percebera? — Isso aconteceu outras vezes? Com as outras funcionárias? As atuais ou antigas? — Sirius nem conseguia imaginar.
— Não temos como saber com certeza, Sra. Ofélia me contou que ele estava sempre assediando as mais novas, o velho pervertido, e que as vezes oferecia dinheiro em troca de sexo para as que não produziram muito no mês. — Edgar se aproximou e tocou em seu ombro. — Eu sinto muito, Sirius.
— Eu também... aquele filho da puta do caralho. — Disse Sirius em um sussurro, sem poder conter a raiva. — Como está o processo que encontrar os ex-funcionários, Edgar?
— Apenas começando, mas com a ajuda da Sra. Ofélia, tenho esperança de que vamos encontrar a todos e poderemos oferecer atendimento médico, psicológico e empregos se eles quiserem. E se não, pagaremos a indenização que combinamos. — Disse Edgar solenemente.
— Faça isso, urgentemente, e se houverem mais casos como esse, dobre a indenização, não importa o quanto custe, ajude-os Edgar, ajude a todos... — Muito perto de perder o controle Sirius foi na direção da porta enquanto dizia. — Vou deixá-lo sozinho ou eles terão receio de vir assinar o contrato.
Sirius foi para seu escritório, fechou a porta e lançando um feitiço de imperturbabilidade, sentou-se em sua cadeira e chorou, soluços o sacudiram enquanto chorava pela injustiça, pela traição, pelo fim da inocência. Sirius não sabia, mas ele não chorava apenas por Amilie, chorava também por si mesmo, pelo garotinho Sirius que a tantos anos descobrira fazer parte de uma família terrível e cruel, pelo rapaz Sirius que fugira apavorado depois da tortura vil de sua mãe, pelo jovem Sirius que, traído e esquecido, perdera a esperança de algum dia sentir algo bom outra vez. Sirius também não sabia, mas foi nesse momento que começou a se curar, ao lamentar e sofrer por uma jovem estranha que, assim como ele, foi cruelmente machucada e traída.
Depois das lagrimas, abraços e apoio, eles voltaram a se sentar, Harry insistiu que eles terminassem o assunto e depois se concentrassem em outras coisas.
— Não podemos mergulhar nisso, temos que agir o mais normal possível e durante o verão pensar com calma, nos encontrarmos e contarmos tudo para os Boots e Sirius. — Disse Harry pensativo. — Terry está certo ao dizer que temos que pedir ajuda aos adultos que confiamos. Hermione, acredito que o momento de falar com seus pais pode ser em breve e Neville, é preciso que você reflita o que vai contar de tudo isso a sua avó. Temos mais uma semana em Hogwarts, sem aulas ou exames, vamos passar um momento com nossos amigos, nos divertir, treinar e não tocar mais nesse assunto, até porque seria perigoso sermos ouvidos.
Eles concordaram e Hermione lhe perguntou sobre sua conversa com Dumbledore. Harry contou na integra a conversa, inclusive sua impressão sobre a maneira com que o diretor o enxergava.
— Me pareceu muito claro que quando ele diz que preciso ser ensinado e preparado, quando diz que vai me dar respostas quando eu for mais velho e estiver pronto, que Dumbledore tem um plano a longo prazo. Deve ter começado a planejar lá atrás quando meus pais morreram, ele sabia da profecia, percebeu que eu seria aquele com poder de derrotar Voldemort, assim, porque não me preparar desde cedo? Porque distrações? Porque saber sobre minha herança ou a história da minha família? Porque me treinar magicamente se ele sabe que o Voldemort efetivamente não pode me matar, me tocar? Assim, apenas me permitir enfrentar o assassino dos meus pais e me preparar para o dia em que terei que cumprir a profecia. — Considerou Harry cansadamente.
— Mas tem tantas coisas que não fazem sentido nisso que parece mais uma peneira cheia de furos. — Disse Terry exasperado.
— Sim, como porque você precisava ficar nos Dursleys? Porque não podia nem saber sobre o mundo mágico, não ter contato? — Disse Hermione irritada.
— Como ele sabia que Voldemort estava vivo? E mesmo com essa proteção, você poderia ser morto a mando de Voldemort por um de seus comensais, então, porque não o treinar minimamente? — Continuou Terry.
— E o que ele espera que você aprenda ao confrontar Voldemort? Que aprenda sobre seu inimigo? Que tenha experiência de quase morte? E se você morrer de verdade? Então, nessa ideia estúpida de profecia, Voldemort é imortal? — Hermione acrescentou.
— E o que viver nos Dursleys serve de preparação? E, lhe mostrar sua herança familiar não ao ajudaria? Ter você como ignorante de tudo, do mundo mágico e concentrado apenas em Voldemort ajuda em que? E o que ele pretende? Que você continue enfrentando Voldemort sem parar todos os anos? Treiná-lo magicamente não seria muito mais inteligente? — Terry não perdeu uma batida.
Harry esperou sua amiga acrescentar algo, mas ela ficou em silencio.
— Acabaram? — Harry perguntou trocando um olhar divertido com Neville. — Todas são boas perguntas e não sei as respostas, me parece que Dumbledore sabe muita coisa e age a partir disso, não estou dizendo que ele está certo, mas também não posso dizer que suas ações são motivadas por crueldade ou mesmo desejo de me controlar apenas para me controlar.
— Talvez, quando contarem tudo isso aos pais do Terry e Sirius, consigam entender melhor suas motivações. Posso estar errado, Harry, mas me parece que ele quer controlar você para te conduzir a cumprir a profecia, parece que ele não acredita que você vai cumpri-la se não for do jeito que ele planejou. — Disse Neville, ainda triste.
— Se for isso, ele é bem menos inteligente que todos pensam, pode ser um gênio sobre magia e livros, mas não entende nada sobre pessoas, o que as motiva, suas emoções. — Disse Harry e suspirando acrescentou. — Tenho a sensação também que ele quer ser aquele em quem mais eu confio.
— Como assim? — Hermione havia pegado seu bloco e fazia novas anotações, eram em códigos que só ela entendia, assim Harry não se preocupou.
— Lembram-se quando eu encontrei o espelho e fui de propósito na armadilha que ele montou para mim? Nós especulamos, e acredito que a Hermione mencionou, que ele poderia estar querendo me ajudar em um momento de vulnerabilidade e ganhar minha confiança. — Disse Harry pensativo.
— Sim, eu me lembro e especulei que ele queria que você confiasse nele, sabe, "veja eu te ajudei, confie em mim" ou em substituir seus pais como uma figura parental, "olha, você não os tem, mas tem a mim". — Disse Hermione sem deixar suas anotações.
— E eu me lembro de falar que qualquer das opções seria nojenta. — Lembrou Neville com uma careta.
— O que o fez considerar o mesmo nessa situação, Harry? — Perguntou Terry.
— Bem, primeiro ele disse ao seu pai para que não me fizessem sentir muito bem-vindo, é importante que eu continue nos Dursleys, que eu não tenha outra família. O fato do Sirius ter sido convenientemente afastado, assim como todos os amigos dos meus pais não é coincidência. Eu chego no mundo mágico desprezado e solitário, faço alguns amigos, mas são garotos da minha idade, não adultos. Ele esperava que eu estivesse na Gryffindor, com uma chefe de casa severa e ausente. — Harry disse e viu Hermione zombar ironicamente. — Eu fui para a Ravenclaw e ele recomenda ao meu chefe de casa que não fale dos meus pais, isso poderia nos aproximar, talvez eu confiasse a Flitwick minha vida difícil. Você se lembra da sua expressão quando ele viu a assinatura do professor no contrato? — Terry acenou pensativo. — Dumbledore não gostou nem um pouco, assim que eu voltei ele me manda um presente do meu pai, sem se identificar, mas monta uma armadilha e aparece, tem uma conversa legal, não me pune por quebrar as regras e ainda age como se eu deveria estar grato por sua ajuda em não me impedir de cair nos encantos do espelho. E nem considera o fato de que eu estava lá em primeiro lugar porque ele armou para eu estar lá! Eu não precisava de ajuda, mas se precisasse seria por sua culpa, por sua armadilha. — Harry se levantou indignado. — E isso se repete, ele nunca foi enganado a deixar Hogwarts, não duvido nada que esperou, pacientemente, até entrar na hora certa para me ajudar, aposto que não contava que quando chegasse na câmara eu já teria me livrado do perigo. Ainda assim, eu percebi e agradeci sua "ajuda" e ele aceitou meus agradecimentos! Disse até, "temi chegar tarde demais para te ajudar", como se ele tivesse feito alguma coisa e pior, como se o perigo que corri não tivesse sido orquestrada por ele.
— Ele queria ser seu salvador. Queria que você o visse como um herói ou o idolatrasse. — Disse Terry acenando em entendimento.
— Pior, ele seria o primeiro adulto a tratar o Harry bem, correr para salvá-lo. Você o veria como o maior bruxo do mundo e nunca o questionaria. — Hermione disse e dava par ver seu nojo.
— Acredita que por isso era tão importante que você crescesse maltratado nos Dursleys? Para que confiasse cegamente nele? — Neville muito chateado.
— Não sei, parece ir longe demais, mas não posso duvidar de nada. De qualquer forma, ele disse que eu fiz certo em seguir meu coração e tentar salvar a Pedra, que eu salvei Flitwick e estava muito orgulhoso. Disse que não seria punido e sim recompensado. — Harry levantou a sobrancelha para os amigos eles entenderam.
— Claro, ele te recompensa, elogia e incentiva a continuar agindo assim! — Exclamou Hermione. — E acho que temos uma resposta a uma das perguntas, Harry, ele espera que você continue a arriscar sua vida para deter Voldemort, ele quer prepará-lo, não com treinos e estudos, mas com a prática!
— E ele em nenhum momento considera o risco que Harry corre? Ele não se importa? — Terry estava furioso.
— Talvez... — Neville parou meio pálido e Harry o olhou com atenção.
— Neville? O que é, qual a sua ideia?
— Uma bobagem Harry, não adianta especular... — Neville tentou se esquivar.
— Às vezes a verdade está em um primeiro pensamento ou intuição Neville, fale, não há nada errado em falar mesmo que não for a verdade. — Disse Terry o incentivando.
— É que não sabemos a continuação da profecia, Dumbledore sabe, Harry mesmo falou ele não está agindo aleatoriamente, está agindo baseado em fatos que ele sabe e nós não. E me ocorreu que talvez ele não se preocupe de o Harry morrer, porque ou a profecia estipula um momento de confronto final, uma data ou porque ela diz que Harry tem que morrer para o Voldemort morrer. — Neville disse sombrio e ao ver suas expressões incrédulas, corou e acrescentou timidamente. — Bobagem, eu disse...
— Por Merlin, isso não é bobagem coisa nenhuma! — Terry se levantou furioso. — Faz muito sentido! E aquele velho tolo está lá no escritório dele manipulando a vida do Harry porque acredita em uma maldita profecia! Assim como Voldemort acreditou a 11 anos, o diretor age baseado em sua crença, suas ações estão ligadas ao conteúdo da profecia.
— Quer dizer que você acha ser possível que a profecia diga o que o Neville mencionou? — Perguntou Hermione arrasada.
— Acredito que tudo é possível, mas o que vocês não entendem é que profecias são difíceis de interpretar, são sutis, elas não são claras, não fornecem datas ou fatos precisos. — Terry estava andando de um lado para outro. — A questão toda é que Dumbledore a interpretou sozinho, aposto que nunca pediu a opinião de ninguém sobre ela e baseado em sua crença planejou em detalhes a vida do Harry e talvez ele esteja certo, mas e se não tiver? E se houver outro caminho? Ele não é onipotente, ele é humano e pode cometer erros. Ele está jogando com a vida do meu irmão sem, em nenhum momento, se preocupar com ele como pessoa, Harry é apenas uma arma, um fim para um meio.
— Acalme-se Terry. — Disse Harry suavemente se aproximando.
— Como você, justo você, pede tão tranquilamente que eu me acalme? Depois da vida horrível que teve nos Dursleys? Depois de a apenas alguns dias ter visto nosso professor quase ser morto, quase morrer e ser obrigado a matar outro professor? — Terry enxugou as lágrimas de raiva, impaciente. — Não importam seus motivos ou suas ideias, Dumbledore é cruel e asqueroso e nunca vou perdoá-lo pelo que fez com você, nunca mesmo.
Eles ficaram em silencio e Harry suspirou, se aproximando abraçou seu irmão com força. Depois se afastou rapidamente e bateu em suas costas tentando afastar a emoção.
— Eu entendo, agradeço e me sentiria da mesma maneira se fosse o contrário, mas agora é melhor encerrarmos esse assunto e seguir com nossa semana como eu disse antes. — Harry conduziu Terry ao sofá e continuou. — Durante o verão tentaremos nos reunir e conversar mais, talvez até tenhamos mais informações depois da audiência. E ainda teremos a ajuda dos adultos que com certeza acrescentarão suas próprias ideias e talvez eles saibam como podemos ter acesso a profecia, Voldemort mencionou que iria até o Ministério para conseguir ler seu conteúdo. — Disse Harry e viu Hermione fazer mais algumas anotações.
— São boas ideias Harry, e Terry você está certíssimo sobre Dumbledore. Ele não é quem pensamos ou todo mundo pensa, permitir que tudo isso aconteça... Mesmo que tenha seus motivos, não se justifica todas essas crueldades. — Disse ela firmemente. — E eu decidi que vou contar tudo para os meus pais Harry, com exceção da minha briga com a McGonagall e a verdade sobre Dumbledore, a Pedra e tal, se eles não puderem confiar nos principais adultos de Hogwarts não vão me permitir voltar. Mas falarei sobre a realidade do mundo mágico e nossos planos para o verão, talvez precise da ajuda de seus pais, Terry.
— Eles ajudarão com certeza e qualquer outro nascido trouxa que precisar. — Afirmou Terry mais calmo com o apoio dos amigos.
— Eu não vou falar nada para minha avó, quero antes fazer algumas perguntas sobre meus pais, ver o que ela sabe, estou pensando em contar sobre a Pedra e Voldemort e exigir uma varinha. Diante da reação dela vou decidir o que fazer. — Disse Neville pensativo.
— Seja cuidadoso, no fim o mais importante seria ela ter a versão que eu dei Dumbledore e não mencione a profecia, pelo menos até ter certeza que ela não vai correndo falar com ele. Se a situação mudar e esconder o que sei dele não for mais necessário, eu te aviso. — Disse Harry e Neville acenou. — Acredito que no fim evoluímos muito, no início do ano, quando tivemos nossos primeiros encontros aqui no Covil, não sabíamos nada de nada. Não sabíamos porque um Cerberus estava na escola, o que era ou quem queria roubar a tal Pedra, não tínhamos certeza se Voldemort estava vivo e não entendíamos porque o melhor amigo do meu pai estava na prisão quando sua traição era, obviamente, um absurdo. Sabemos até mais do que esperávamos e se continuarmos a fazer perguntas e investigar de maneira inteligente tenho certeza que descobriremos ainda mais. Acredito que essa semana, além de continuar treinando, temos que nos reunir com nossos amigos do primeiro ano e contar a verdade a eles...
— O que? — Os três o olharam chocados.
— Não tudo, mas Penny, os gêmeos e nossos amigos do primeiro ano merecem a verdade. Dumbledore escondeu tudo, nem chamou os aurores, isso é apenas mais alienação. Não contaremos sobre a profecia e daremos a versão que eu dei a Dumbledore, apenas no caso, mas eles têm que saber, têm que estar avisados e, se quiserem, se prepararem. — Disse Harry com firmeza.
— Harry, acredito que a maioria não acreditará, principalmente com a versão oficial do diretor. — Disse Hermione sensata.
— Paciência, é como dissemos antes, informamos, o que cada um faz com isso é problema deles. —Disse Harry e seus amigos acenaram.
— Ok, então uma reunião com nossos colegas de ano e imagino que você queira uma atualização da Penny sobre as aulas extras que os 6º e 7º estão frequentando? — Questionou Hermione e começou a preparar um papel para entregar aos colegas, convocando para a reunião.
— Sim e quero uma reunião com os nascidos trouxas 7º ano, mas isso podemos falar com a Penny pessoalmente depois dessa primeira reunião. — Apontou Harry. — Bem, por agora acredito que isso é o mais importante, vamos tentar relaxar um pouco e passar tempo com todos os nossos amigos, também quero passar um tempo no nosso jardim, sempre me sinto bem quando vou lá.
Os três acenaram concordando e Hermione disse que era tarde para irem almoçar no grande salão e eles foram para as cozinhas. Mimy como sempre os serviu com grande animação e os outros elfos tinham sorrisos brilhantes para eles. Hermione andou e conversou com todos pelo nome e perguntado isso ou aquilo sobre suas vidas, ela os informou que estava produzindo muitas toucas de gato e os entregaria quando retornasse em setembro antes de esfriar. Ganhou mais sorrisos, corar e alguns mais corajosos a abraçaram, quando ela se sentou houve uma disputa para ver quem a servia e os meninos tiveram que segurar o riso.
Durante o resto da semana os quatro fizeram o que se propuseram, relaxaram, passaram tempo com os amigos e comemoram suas notas. Hermione ficou em primeiro e Harry em segundo, mas, quando lhe estendeu um galeão, ela se recusou a aceitar alegando que ele estava se recuperando e que no ano seguinte o venceria com justiça. Só lhes restou rir e seguir em frente.
Terry ficou em quinto e estava muito feliz.
— Talvez minha mãe me deixe ter um Kneazle quando ver minhas notas. — Disse animadamente.
Neville terminou em nono e seus olhos encararam o vazio totalmente assombrados por uns 10 minutos, Harry o despertou com um Aguamenti no rosto e todos riram, inclusive o próprio, com água pingando pelo queixo. Assim o top 10 ficou:
Hermione
Harry
Daphne Greengrass
Lisa Turpin
Terry
Michael Corner
Padma Patil
Morag MacDougal
Neville
Tracy Davies.
Neville se encaixou entre os 10 por causa das notas extras dos projetos de Herbologia, mas ele não se importou e estava muito animado de conseguir sua nova varinha durante o verão.
Na quarta-feira à noite os colegas primeiros anos apareceram no Covil, Penny e o gêmeos também foram convidados. Fred olhou estranhamente para as meninas Slytherins, mas, ao contrário de seu irmão mais novo, não disse nada e não parecia zangado, apenas surpreso.
— Oi, pessoal, fico feliz que todos puderam vir, antes de falar porque os chamei, a Penny tem atualizações sobre as aulas extras que os 6º e 7º anos conseguiram se infiltrar em setembro. Penny? — Disse Harry e depois se sentou deixando o espaço para a garota do 5º ano.
— Obrigada, Harry. Bem, eu estive conversando com nossos colegas nascidos trouxas e mestiços, o mais discretamente possível e suas impressões são muito positivas, apesar dos conteúdos preconceituosos das aulas, eles sentem que aprenderam muito. Os 7º anos estudaram os assuntos dos 6º por conta própria, mas eles disseram que valeu a pena porque puderam ter acesso as introduções, já que suas aulas eram mais avançadas. Ao todo são 5 disciplinas, Etiqueta, Administração, Politica, Direito e Economia, cada disciplina tem 6 módulos ou 6 sábados de aula durante o ano. As aulas terminam no último sábado de maio, assim eles podem se concentrar nos exames. Como eu disse as aulas não tem faltas ou exames e o foco é a economia mágica, a administração dos negócios mágicos, havia até uma aula falando sobre os salários que se paga por status de sangue, puros-sangues ganham mais que o dobro do que os mestiços e até 10x mais do que nascidos trouxas. — Penny tinha uma expressão de nojo e isso se espalhou pela sala. — Felizmente os infiltrados conseguiram manter a calma, mas eles ficaram muito indignados, Harry e com razão. Eles também focam nos comportamentos adequados em cada situação, inclusive ao fechar um negócio, contratos. Existe uma aula inteira sobre cumprimentos adequados a outras criaturas mágicas, centauros, goblins, sinceramente não entendo porque isso não é ensinado a todos na aula de história. Não nos ensinar apenas nos afasta das outras criaturas, nos isola e acho que todos perceberam isso. As aulas de Política são basicamente uma defesa dos antigos caminhos, das tradições, como se posicionar politicamente, quem é quem no cenário e como subir degraus na escada social e política. Um 7º ano disse que teve de sair da sala porque ficou enojado quando eles começaram a falar que tratar mal ou não ter amizade com nascidos trouxas abre inúmeras portas para quem quer chegar a Ministro ou a uma cadeira na Suprema Corte.
Harry ouviu alguns murmúrios de chateação e Hermione fazendo algumas anotações.
— Sei que é difícil, mas precisamos saber a verdade, só assim podemos encontrar formas de lutar por mudanças. — Disse ele e viu vários acenos, MacMillan e Corner se mostravam incrédulos.
— Bem, Direito, foram aulas igualmente preconceituosas, basicamente falando das leis mais importantes no mundo mágico, no mundo dos negócios e como elas favorecem os puros-sangues. — Disse Penny cansadamente.
— E eles não se sentiram constrangidos por falarem assim com uma sala cheia de nascidos trouxas? — Hermione questionou duramente.
— Eu perguntei e o professor passa a informação sem muito contato com os alunos, se ele sabe que tem nascidos trouxas, não se importa. Uma das meninas se aproximou de um deles e perguntou por que não se lutava pela igualdade de direitos entre puros-sangues, mestiços e nascidos trouxas, ela disse que o professor riu e alegou que isso não era possível porque mestiços e nascidos trouxas eram inferiores e assim não deveriam receber tratamento, direitos ou privilégios iguais aos seus superiores. — Disse Penny com voz fria de tanta raiva.
Novamente os murmúrios de indignação e raiva se espalharam, alguns ficaram pálidos e outros com lágrimas nos olhos.
— Sim, são superiores, mas a melhor aluna do nosso ano é uma nascida trouxa e eu sei de fato que minha mãe era uma das melhores alunas do seu ano, aposto que se voltarmos analisando ano a ano vamos encontrar os nascidos trouxas em muitos momentos superando esses racistas. — Disse Harry firmemente e viu vários sorrisos e acenos. — Mais alguma coisa, Penny?
— Acho que só dizer que os 7º anos tiveram aulas de dança e esgrima, eles disseram que foi muito interessante e que era uma pena que não tínhamos essas e outras aulas assim em Hogwarts. Quer dizer, uma garota disse que o time de quadribol só tem 7 jogadores e tirando o clube de Feitiço e o Coral, não existem muitas atividades extracurriculares. — Concluiu Penny e vários disseram as aulas que gostariam de ter.
— Seria legal ter outros esportes, futebol, por exemplo. Ou aulas de Artes. — Disse Dean animado.
— Poderíamos ter um Clube de Transfiguração ou de Poções. — Disse Lisa.
— Nesse caso eu preferiria um de Defesa. — Disse Harry sorrindo, sua pontuação em Defesa fora a melhor de um 1º ano da história de Hogwarts.
— Ah, dança e esgrima seria interessante, e línguas? Eu adoraria aprender latim, francês, talvez até a sereiano — Disse Mandy sorrindo.
Harry deixou que eles falassem mais um pouco e se descontraíssem, depois se levantou e seu rosto sério silenciou e mudou o clima na sala.
— Bem, agora o motivo que eu os chamei, é porque quero lhes contar o que aconteceu de verdade no corredor do terceiro andar. — Disse Harry sombrio.
— Como assim? Dumbledore nos disse que houve um acidente. — Disse MacMillan confuso.
— Dumbledore mentiu, ele deve ter seus motivos e não vou questioná-lo e vocês podem acreditar nele se quiserem, mas eu senti que precisava lhes dizer a verdade. Primeiro, porque vocês me apoiaram o ano todo, mantiveram em segredos nossos movimentos. Segundo, porque não concordo em combater a alienação escondendo fatos importantes, isso me parece contraproducente e por mim contaria para a escola toda, mas como não tenho como fazer isso, vou ao menos contar para meus amigos e colegas mais próximos. — Harry disse e recebeu vários acenos. — Não preciso dizer que não devem falar sobre isso por aí, se quiserem contar para seus pais, contem, mas não acredito que eles duvidarão do diretor, mas o importante é que vocês saberão a verdade e poderão se preparar.
— Nos preparar? Para o que? — Seamus foi quem perguntou curioso.
— Antes, se alguém não quiser saber ou preferir apenas saber a versão de Dumbledore tudo bem, podem sair. — Harry esperou, mas ninguém se mexeu e então ele contou sobre como eles descobriram sobre a Pedra, o Cerberus e o ladrão, Quirrell.
Todos ouviram com olhos arregalados e quando Harry explicou o raciocínio de que o ex-professor trabalhava para Voldemort recuperar seu poder, todos ficaram pálidos, estremeceram e engasgaram. Ainda que outros tantos o olhou como se ele fosse louco, ainda assim, Harry contou sobre a luta na Floresta e a conversa com o centauro Firenze.
— Ele estava matando unicórnios? — Foi Penny quem falou tão pálida e chocada como todos na sala.
— Isso é terrível. Eles são tão inocentes e lindos. — Disse Parvati que junto com Lavander estavam em lágrimas.
— E Firenze disse isso? Que a pessoa vive, mas uma vida amaldiçoada? — MacMillan perguntou enojado.
— Sim, tudo o que estou lhes contando aconteceu, agora vou para o dia em que descemos o alçapão... — Harry explicou a conversa com Hagrid, McGonagall e Flitwick, seu desejo de ter certeza que tudo daria certo e a luta em que o chefe deles quase morreu. Seus colegas de casa engasgaram e choraram ao saber a verdade do ataque ao querido Flitwick.
— Oh... ele é tão pequeno, Harry, você salvou a vida dele... — Disse Morag soluçando.
— Ele nem estaria lá se não fosse por mim, além disso, eu só o levei para a enfermaria, Madame Pomfrey o salvou. — Disse ele sem explicar como mandara a cobra se afastar e essa obedecera, Harry disse que lançou um feitiço de fogo que a assustou.
Ele, então, contou sobre as proteções e como ele chegou a última câmara, contou sua conversa com Quirrell e o aparecimento chocante de Voldemort, dessa vez os engasgos foram de nojo e Harry temeu que muitos vomitassem.
— Meu Deus, como isso é possível? Ter um rosto na sua cabeça e...
— Voldemort esteve conosco nas aulas o ano todo, bem ali...
— Porque Dumbledore não contou a verdade?
— Porque ninguém acreditaria. — Disse Corner. — Sinto muito Potter, mas eu também acho difícil de acreditar, Voldemort está morto, todos sabem disso e agora você diz que não só ele está vivo como esteve possuindo nosso antigo professor durante todo o ano? — Seu tom era incrédulo e Harry viu seus amigos tentarem defendê-lo, mas ele acenou negativamente.
— Eu não estou aqui para convencê-los, apenas contar a verdade, acreditem no que quiserem. Continuando... — Harry resumiu sua conversa com Voldemort e a luta e a morte terrível de Quirrell o que provocou mais engasgos e Lisa correu para a janela e vomitou.
— Eu estava lá, vi o Quirrell tentar matar o Harry, vi o que aconteceu com ele e depois vi o espectro de Voldemort surgir e falar, ele se identificou como Voldemort e ameaçou o Harry, depois foi embora. — Penny disse como todos pálida e trêmula. — Harry está certo, cada um deve acreditar no que quiser, mas eu confio nele, ele não tem porque inventar tudo isso e mesmo se não presenciasse aquele horror, eu acreditaria nele.
— Nós também estávamos lá e vimos o mesmo, além disso, meu pai sempre disse que Dumbledore não acreditava que Voldemort estava morto, apenas enfraquecido. — Disse George seriamente, algo muito estranho em seu rosto.
— E o fazemos? Se acreditarmos em tudo isso o que podemos fazer? — Disse Seamus meio desesperado.
— Se prepararem, Voldemort está fraco, sem um corpo, mas ele tem seguidores aí fora, Pettigrew, Malfoy e outros. Cedo ou tarde ele vai voltar e, quando isso acontecer, caberá a nós lutarmos quer gostemos ou não e com as aulas ridículas de Defesa que temos sugiro que todos comecem a treinar mais por si mesmo. De resto, aqueles que acreditam que seus pais acreditariam ou um irmão mais velho, compartilhar com pessoas de confiança não seria uma má ideia. O mais importante é vocês saberem a verdade, estou cansado de mentiras. — Disse Harry irritado.
— Harry, eu até acredito em você, mas se começar a espalhar o que aconteceu sem provas e com o diretor dando outra versão, ninguém vai acreditar e, sinceramente, acredito que você viraria uma piada. Uns até diriam que você está mentindo para chamar a atenção ou porque quer mais fama. — Disse MacMillan sensato e outros acenaram concordando.
— Ok, mantenham para si mesmos então, mas comecem a treinar, talvez um dia todos nós precisemos lutar em uma nova guerra. — Disse Harry e depois os dispensou. Ele insistiu para eles agirem o mais normal possível e recebeu alguns olhares incrédulos.
Apenas Penny e os gêmeos ficaram e agradeceram por ele ter explicado tudo o que aconteceu. Hermione ficou marcando com Penny um horário para encontrarem os 7º anos e Harry se retirou em um canto com Fred e George.
— Quero lhes agradecer por esconderem a Pedra, vocês foram incríveis. — Disse Harry baixinho.
— Sem problema, ficamos muito felizes em ajudar. — Disse George sincero.
— Sim, ficamos, mas queríamos saber o que você pretende fazer com essa belezinha aqui. — Disse Fred com um sorriso malicioso.
— Vou destruí-la, algo assim poderia cair em mãos de tipos como Voldemort ou pior, não quero Lords das Trevas imortais no futuro. — Disse Harry mentindo sem culpa.
— Oh... Acho que é o melhor, mas tínhamos esperança de conseguir algum ouro antes disso, sabe... — George disse corando um pouco constrangido e Harry acenou, era bem conhecido que os Weasleys eram uma família muito pobre, Malfoy vivia zombado de Ron sobre isso.
— Ei, Potter, será que antes de destruir a Pedra não podemos fazer algum ouro com ela? Sabe, pelo menos para vassouras novas, a minha nem voltou do alçapão e a do Georgie está meio cambaleante. — Disse Fred também corando um pouco.
— Não sabemos nada de alquimia rapazes e se procurássemos alguém que entende seria muito perigoso, para todos nós. Mas, quanto as vassouras, não se preocupem vou comprar novas para vocês, qual modelos preferem? — Perguntou Harry sabendo que os meninos não teriam vassouras para jogar no ano que vem, no último jogo, Fred já usou uma da escola.
— O que? — George arregalou os olhos de surpresa.
— Não precisamos de caridade, Harry, podemos dar um jeito. — Disse Fred estranhamente sério.
— Não é caridade, eu pedi a Hermione que conseguisse duas vassouras, assim era minha responsabilidade e é justo que eu arque com o prejuízo, não me importo, desde que não enviem os balaços com muita força em mim no próximo ano. — Disse Harry divertido e os viu o encararem incrédulos. — Estou falando sério, qual modelo?
Os dois se encaram em uma conversa silenciosa e depois o olharam decididos, será que eles se falavam telepaticamente? Harry se perguntou, curioso.
— Ok, se você tem certeza, mas pode ser uma mais antiga, nada de lançamentos novos, talvez uma Cleansweep Five ou Six, quem sabe uma nimbus 1500 ou 1700. — Disse Fred hesitante e olhou para o irmão algumas vezes recebendo acenos de concordância.
— Muito bem, vou providenciar e enviar para suas casas, assim vocês têm vassouras para treinarem durante o verão, qual o endereço que eu envio a encomenda? — Perguntou Harry.
— A Toca, nossos nomes e receberemos. — Disse George e depois hesitante estendeu a mão para Harry em cumprimento. — Obrigada, Harry, de verdade.
— É, baixinho, você não tinha que fazer isso, então, obrigada. — Disse Fred e Harry sorriu malicioso.
— Baixinho, é? Aposto que vou ser mais alto que você um dia. — Disse Harry provocador.
— Rá, rá, pequeno homem, sinto que essa aposta você já perdeu, mas vamos lá. Quanto você quer perder? — Fred disse divertido.
— Hum... acho que devemos ser ousados, quem ganhar escolhe o que o outro tem que fazer, seja o que for. — Disse Harry animado com a brincadeira.
— Ai, Harry, você não devia fazer esse tipo de aposta com o Fred, vai se arrepender. — Disse George o olhando com pena.
— Eu me garanto, então? Estamos de acordo? — Disse Harry estendendo a mão mais uma vez.
— Apostado! — Exclamou Fred malicioso.
Harry não teve que ser um legilimente para saber que ele já estava pensando em coisas bem constrangedoras para ele fazer no futuro. Depois disso eles lhe entregaram a Pedra Filosofal, discretamente, e se despediram. Sozinhos, Penny já partira, os amigos olharam Pedra com assombro, Harry com uma careta.
— Você tem a caixa, Hermione? — Harry perguntou ansioso para se livrar, momentaneamente, da Pedra.
— Sim, Harry, você fez um ótimo trabalho na construção da caixa e as magias que usou para proteger a Pedra, até ela estar em seu cofre são muito boas também. — Disse ela tirando uma caixa de madeira pequena de sua bolsa. — Eu acrescentei um de ilusão, assim todos que a verem pensarão estar vendo algo diferente, é um feitiço leve e vai durar apenas até chegar a Londres, seu gerente de contas, provavelmente, já verá a caixa.
— Isso está bom, obrigada por checar os feitiços. — Disse Harry e guardou a Pedra na caixa, trancou e embrulhou com um dos papeis azuis que guardara ao longo do ano. — O feitiço de ilusão é uma boa ideia, mas acredito que se alguém o ver pensará que é um presente.
Assim que terminou o embrulho, Edwiges apareceu na janela do Covil.
— Olá garota, sempre na hora certa. — Ele a elogiou e acariciou suas costas. — Agora, menina inteligente, esse embrulho é muito importante e perigoso, preciso que você entregue amanhã para Ruggedstone, assim que o banco abrir. Se por um acaso você sentir que está sendo seguida ou que alguém quer te atacar por causa do embrulho, não hesite em ir para o mar ou algum outro lugar e jogar o embrulho, ninguém pode pegá-lo, é melhor perdermos para sempre do que cair nas mãos erradas. E você é mais importante também, não se arrisque e fique atenta. Certo? — Sussurrou Harry urgentemente, seu estômago estava embrulhado ao pensar que ela poderia ser ferida, mas não confiava em nenhuma outra coruja para esse trabalho.
Edwiges muito séria acenou em entendimento e beliscou seus dedos quando Harry prendeu o embrulho na sua perna. Depois ela subiu em seu ombro, bagunçou seus cabelos e voou para o sul. Suspirando, Harry a assistiu e fez uma prece por sua segurança.
— Ela vai ficar bem, Harry. — Disse Terry se colocando ao seu lado.
— Sim, ninguém sabe que estamos fazendo isso, Edwiges estará segura. — Disse Hermione o apoiando do outro lado.
— E ela é tão inteligente, aposto que amanhã à tarde estará de volta. — Disse Neville.
Harry acenou apreciando suas palavras de apoio.
No dia seguinte eles foram para o jardim de jacintos e lírios. Harry vinha dormindo pouco por causa dos pesadelos e queria um momento de paz e sempre conseguia isso ao visitar o jardim ou, pelo menos, depois de sua luta com Voldemort na Floresta ajudou a afastar os pesadelos. Eles pegaram uma cesta de piquenique com Mimy e se acomodaram, Hermione com um livro e depois seu bloco, fazendo anotações em códigos indecifráveis. Terry também tinha um livro e Harry o acompanhou, lendo um dos livros de Dan Brown, chamado o Anjos e Demônios, mas logo se perturbou pelo assassinato no começo da história e decidiu acompanhar Neville no trabalho de jardinagem e tirar as ervas daninhas do meio das flores. Eles pouco falaram, ainda que Terry mencionou que seu pai estaria dando entrada no pedido de guarda hoje, Harry apenas acenou, não queria falar sobre isso também, queria apenas relaxar e não pensar nos problemas.
Depois do almoço ele deitou na grama ao lado dos lírios e pensou em sua mãe, fechando os olhos visualizou seu rosto sorridente segurando-o nos braços e suspirou trêmulo. "Eu sei a verdade mamãe" pensou, sentindo o cheiro da flor envolvê-lo. "Eu sei que você deu sua vida para me salvar", "Vou contar para todos que você é a heroína, que você os salvou a todos", "Sinto muito, mamãe". E ele dormiu, por um bom tempo em um sono suave e sem sonhos ruins, embalado pelo cheiro de lírios e o amor que ele podia sentir preencher seu coração e tocar sua pele como uma suave carícia.
Em algum momento ele acordou descansado e olhou em volta procurando o barulho que o despertou. A tarde caia, Neville estava lendo seu livro esquecido, parecendo muito interessado, Terry e Hermione conversavam em sussurros em cima do bloco de códigos. Se esticando e bocejando Harry prestou atenção e ouviu o barulho de cascos em galope leve, ele se levantou e viu Firenze aparecer por entre as árvores. Seus amigos se surpreenderam e acenaram cordialmente ao centauro, Harry se aproximou e o cumprimentou com um aperto firme de punho com punho.
— Olá, Firenze, não esperava te ver antes do próximo ano. — Disse Harry e os dois caminharam um pouco mais perto da margem.
— Os planetas me disseram que nos encontraríamos hoje Harry e a magia da Floresta sussurrou que você precisava conversar com um amigo guerreiro. — Disse Firenze o olhando com atenção. — E percebo em seus olhos que a Floresta está certa como sempre.
Harry sorriu tristemente e pegando uma pedra a jogou no lago, vendo-a saltar duas vezes suavemente.
— Eu consegui salvar a Pedra Filosofal de Voldemort, Firenze, mas tive que matar o Quirrell no processo. Dumbledore disse que ele morreria de qualquer forma, quando entrei naquela câmara eu não sabia disso, mas sabia que tinha que o matar e mesmo assim eu entrei. E, mesmo agora, não sinto culpa pelo que fiz. — Disse Harry envergonhado.
Firenze apenas acenou e não parecia estar com nojo dele.
— Porque você o matou? — Perguntou suavemente.
— Eu sabia que tinha que o impedir de ter a Pedra, nem ele ou eu desistiríamos, no fim da batalha lutávamos por nossas vidas, meus amigos surgiram e Quirrell tentou machucá-los e, então, foi o fim dele. Não vou permitir que ninguém machuque meus amigos, Firenze. — Disse Harry com firmeza.
— E lhe incomoda que você não se sinta culpado? — Questionou ele ainda em seu tom suave.
— Sim, quer dizer, eu o matei, eu, todo mundo sente culpa quando machuca alguém sem querer e eu não o matei sem querer, eu queria matá-lo, queria detê-lo. — Harry suspirou e olhou para seu amigo. — O que isso quer dizer? Que sou mal? Que vou ser mal como Voldemort?
— Não jovem amigo, você não é mal e nem se tornará mal. O fato é que você fez o que tinha que fazer, não sente culpa, mas lamenta ter que tirar a vida do um ser. — Harry acenou, era verdade, não sentia culpa, mas ainda lamentava ter matado Quirrell. — Quando um caçador mata sua presa, ele não sente culpa, faz o que tem que fazer para alimentar seu povo, mas lamenta ter que tirar a vida do animal da Floresta. Por isso nunca matamos por esporte ou diversão e agradecemos o sacrifício que nos sustenta. Você é um guerreiro e por isso sente que fez o que era necessário para proteger seu povo, não há motivo para culpa, mas é bom que não aprecie a matança, que não o faça por diversão e lamente quando ela se torna inevitável.
Harry acenou entendendo a analogia com o caçador e sentiu um certo alivio, tinha medo que sua falta de culpa o fizesse mal.
— Entendo, obrigada Firenze, mas porque me chama que guerreiro? — Perguntou ele, curioso.
— Harry, todos nós nascemos com um caminho a seguir, se você souber poderá ver esse caminho nos planetas. — Disse Firenze olhando para o bonito céu azul do fim da tarde de verão. — Nosso caminho se liga a nossas escolhas, mas nossas escolhas se ligam a nossa magia, nosso espirito, coração e mente. Veja, seu povo ali. — Disse Firenze apontando para os seus três amigos. — O garoto de rosto redondo, ele é um espirito da terra e da flora, é tão forte que posso sentir daqui. — Firenze falou e nesse momento Neville largou o livro e deitando de bruços começou a falar suavemente com um jacinto, Harry sorriu. — O garoto alto e de olhos bondosos tem o espirito e a magia de um cuidador, ele ainda está em conflito com sua mente, mas seu coração sabe que seu caminho é na cura. — Uma borboleta pousou no braço de Terry que suavemente a passou para o dedo e se levantando a levou mais perto da árvore e a ajudou a voar. — A menina concentrada em suas anotações é uma defensora, seu espirito, magia e coração, mesmo sua mente estão focados em defender e ajudar aqueles que precisão, desesperadamente, de alguém que lute por eles. Ela poderia entrar em batalha, mas provavelmente seria um grande peso para ela tirar uma vida, pesaria na alma de todos eles. Todos os três querem defender, curar, ajudar, cuidar e dar vida. — Firenze o encarou nos olhos e Harry o sentiu ler sua alma. — Você, Harry Potter tem o espirito, a magia, o coração e a mente do guerreiro, você lutará e atacará para proteger e como todo guerreiro protetor sabe que as vezes a morte é o único caminho, por isso não sente culpa, mas também não sente prazer.
Harry acenou, refletindo sobre suas palavras, sempre lutara para sobreviver e se defender dos Dursleys, houve momentos em que quase perdera a esperança, mas ainda assim algo o fazia se levantar no dia seguinte e enfrentá-los de novo e de novo. E foi assim quando enfrentou Voldemort e Quirrell, a vontade de sobreviver, de proteger, de lutar era maior que o medo, que a culpa e ainda, apesar do inevitável, Harry não sentira nenhum prazer ou orgulho em matar. Suspirando, Harry entendeu que se fosse necessário mataria outra vez e sentiu seu coração e mente aceitar isso.
— Obrigada, Firenze. Acho que a Floresta estava mesmo certa, eu precisava conversar com você, não sei se terei paz, mas aceito melhor meu caminho. — Disse Harry grato.
— O que você precisa, Harry, é de um Ritual de Purificação. Todo guerreiro e caçador precisa, de tempos em tempos, se purificar, alma e magia. Isso traz paz ao seu coração e mente. Como essa foi sua primeira morte, acredito que é do que precisa para seguir em frente. — Disse Firenze sabiamente.
— O que é isso? — Harry perguntou confuso.
— A escola não ensina sobre os rituais? Isso é muito triste. Existem vários rituais mágicos antigos, Harry, foram criados pelos primeiros seres dotados de magia, os Druidas. Eles foram nossos primeiros mestres e ensinavam magia, filosofia, história. Naquela época os rituais eram os únicos meios de se realizar a magia, nos dias de hoje os bruxos acenam tão facilmente suas varinhas que se esqueceram dos antigos caminhos. — Firenze disse em seu tom mais solene.
— Eu não sabia nada disso, Firenze. Hogwarts é censurada pelo Ministério sobre o conteúdo que nos ensina e mesmo sem isso não acredito que nossos professores mudariam muita coisa. — Disse Harry realista e muito interessado acrescentou. — Como faço esse Ritual de Purificação?
— Precisa ser na lua minguante, isso ajuda no processo de meditação, interiorização e promove o esvaziar-se, limpar as energias negativas ao se deixar ser lavado pelas águas curadoras da mãe natureza. — Disse Firenze suavemente. — Passe o dia e a noite em jejum e meditação junto a natureza, ao amanhecer se banhe nas águas puras da montanha e peça que ela tire de sua magia e espirito a energia da morte, o resto virá naturalmente. Existem outros rituais mais complexos com o uso da linguagem mágica dos Druidas, as runas, mas esse terá que esperar para quando for mais velho e estiver preparado.
Harry acenou e olhou na direção das montanhas, não tinha certeza de qual era a fase da lua, mas não acreditava que poderia simplesmente subir a montanha.
— Parece bom, talvez quando eu voltar em setembro você possa me ajudar a chegar ao local, Firenze? — Disse Harry, timidamente.
— Será um prazer ajudar um amigo, Harry. Observarei os planetas e eles me dirão o momento de nosso reencontro. Nos separamos em paz. — Disse Firenze lhe estendendo o braço em cumprimento.
— Muito obrigado, Firenze. Nos separamos em paz. — Disse Harry sorrido e apertando seu braço com firmeza.
Logo depois ele partiu e Harry retornou aos seus amigos que se levantaram e pegaram a suas coisas e a cesta, eles começaram a caminhar para o castelo, o sol se poria em breve.
— Tudo bem, Harry? — Perguntou Terry e Harry encarou seus olhos castanhos bondosos, não queria que seu irmão jamais carregasse peso algum em sua alma, ele faria o que fosse necessário para evitar isso.
— Tudo vai ficar bem, Terry. — Disse ele sincero.
Quando foi ao seu quarto para tomar banho antes do jantar Harry encontrou Edwiges e quase chorou de alivio, ela tinha uma pequena carta em sua perna. Ruggedstone confirmava que o embrulho azul estava em seu cofre familiar. Acariciando sua amiga suavemente, Harry suspirou, tudo estava indo bem, seus amigos estavam seguros, Sr. Falc dera entrada a sua guarda hoje, Dumbledore não sabia ou desconfiava de nada, a Pedra estava segura, Voldemort estava longe, fraco e sozinho. Ele estaria indo para a casa de seus parentes no domingo, mas era bem possível que seriam por apenas alguns dias antes da audiência. Claro, o resultado da audiência era um mistério, tinha a sensação que Dumbledore tinha mais cartas na manga, mas havia esperança.
Infelizmente no dia seguinte suas esperanças morreram um pouco quando McGonagall lhe comunicou que estava sendo esperado pelo diretor em seu escritório.
— O diretor quer falar comigo? Sobre o que, professora? — Harry estava confuso, mas seus amigos empalideceram.
— Eu não sei, Sr. Potter, se vir comigo o acompanharei até a entrada. — Disse ela rigidamente e Harry apesar da vontade, decidiu não argumentar.
Olhando para os amigos, sorriu, tentando acalmá-los.
— Encontro vocês no lugar de sempre, pessoal. — Disse ele e os viu acenarem freneticamente.
Depois ele seguiu a professora para o 3º andar até chegarem a estátua de uma gárgula onde ela parou e disse.
— Penas de açúcar.
E a gárgula se moveu para o lado, revelando uma escada circular.
— Pode ir, ele o aguarda. — Disse McGonagall e Harry sentiu vontade de perguntar se entre suas atribuições como professora e vice-diretora estava, ser a menina de recados do Dumbledore, mas mordeu a língua.
Sentindo que estava sendo muito duro com ela, Harry acenou dizendo com sinceridade.
— Obrigada, professora.
Subindo no primeiro degrau, se assustou quando a escada começou a se mover para cima, parecendo uma escada rolante e, suspirando, usou aqueles poucos segundos para fortalecer sua oclumência. Colocou confusão, surpresa, preocupação e pensamentos sobre seus pesadelos sobre o Quirrell e sua morte violenta em seus pensamentos superficiais, tinha a sensação que Dumbledore gostaria de o ver se sentindo culpado. Quando a escada parou, ele sutilmente pediu a sua magia que protegesse seus pensamentos e o ajudasse a iludir seu adversário. Harry bateu na porta e ouviu:
— Entre, Harry.
Ele abriu a porta e entrou em um grande escritório circular, cheio de janelas, livros e porta retratos de pessoas mais velhas. Alguns dos retratos o olhavam descaradamente e outros de esguelha, Harry os ignorou e olhou para Albus Dumbledore que se levantou de traz de uma mesa, sorrindo, tranquilamente. Harry o imitou e sorriu timidamente, mostrou sua confusão e preocupação em estar em apuros.
— Tudo bem, senhor? — Disse ele tomando a iniciativa.
— Sim, Harry, não se preocupe, você não está em apuros. — Disse o diretor e apontando para uma cadeira, continuou. — Sente-se, por favor. Gostaria de saber como está indo depois de sua provação a quase 2 semanas?
— Eu estou bem, diretor. — Disse Harry sentando-se e focando na cena da cabeça de Quirrell explodindo, não estava fingindo quando empalideceu levemente.
— Pesadelos? — Questionou ele suavemente.
— Eu... sim, senhor, mas não é nada demais, logo passa. — Disse Harry sincero e humilde.
— Sinto muito que esteja passando por tudo isso e estive pensando sobre como te ajudar e conversei com Madame Pomfrey e ela concorda comigo que ir para casa será muito bom para você. — Disse Dumbledore preocupado.
— Oh... — Confuso Harry olhou para baixo em sua mão e tentou pensar no que dizer.
— Ficar longe da escola e começar as férias de verão mais cedo, acredito, seria o ideal para você se recuperar melhor, Harry. Por isso escrevi aos seus parentes, contei sobre o acidente e que estou lhe levando hoje para casa. Eles já devem ter recebido a carta. — Disse Dumbledore e seu sorriso parecia forçosamente animado.
— Ir hoje? Eu não entendo, senhor, achei que poderia ir no domingo de trem com meus amigos. — Disse Harry sentindo um frio estranho percorrê-lo, era medo, mas tentou disfarçar e aparentar desconforto e alguns pensamentos desagradáveis sobre seus parentes.
— Eu sei Harry, mas a viagem será longa e você terá muitos curiosos no trem e na estação o incomodando com perguntas e, como eu disse, voltar para sua casa, sua única família e se afastar de Hogwarts talvez seja o que você precise para se livrar dos pesadelos. Não se preocupe com nada, vou acompanhá-lo por aparatação e você estará longe das lembranças em breve. O que me diz de nos encontrarmos em 1 hora na entrada do Grande Salão, assim você tem tempo para arrumar suas coisas e se despedir de seus amigos.
Harry se levantou também porque sentia que era o esperado dele e caminhou para a porta, confuso, decidiu fazer uma última tentativa, sem desafiá-lo abertamente, esse não era o momento, ainda não.
— Eu... não me importo senhor, com os curiosos, quero dizer, preferiria viajar com meus amigos e ficar para o banquete de despedida. — Disse ele humildemente pedindo.
— Eu sei, Harry, mas acredite, isso é o melhor para você. Ah, foi boa sua lembrança, os pontos das casas já foram acrescentados depois dos últimos acontecimentos, a casa Ravenclaw já seria a vencedora da Copa da Casas, mas agora a vantagem aumentou e a Gryffindor ultrapassou os Slytherins, tenho certeza que seus amigos ficarão contentes. — Disse ele sorrindo satisfeito.
— Pontos acrescentados? Não entendo, senhor?
— Bem, por sua coragem e de seus amigos, eu concedi 60 pontos a você e 50 pontos cada e para os outros que lealmente os seguiram mais tarde 10 pontos. Vou anunciar durante o banquete e tenho certeza que eles ficarão muito felizes pelo prêmio. Agora vai, nos encontramos em 1 hora. — Disse o Diretor e depois lhe virou as costas encerrando o encontro.
Harry parou um segundo, dividido entre ser o garoto obediente ou ser ele mesmo e acabar com esse maldito teatro. Tentou ignorar a raiva, sabendo que tinha que manter a cabeça fria e pensar, pensar, respirando suavemente, Harry caminhou para a porta e pisou na escada que o levou até o corredor, a gárgula se fechou e ele parou no corredor olhando para a estátua. Mesmo se enfrentasse Dumbledore, ainda poderia ser obrigado a fazer o que ele queria, afinal o velho era seu tutor. Harry não era tolo, apesar de não usar seu título, ficou bem claro que fora uma ordem e não um pedido a decisão de o levar para seus parentes hoje. Mas porquê? Era possível que o diretor foi informado sobre o pedido de guarda? Se sim, o que ele pretendia? Deveria fugir?
Percebendo que não chegaria a lugar nenhum, Harry andou rápido, quase correndo para o Covil e encontrou seus amigos o aguardando com ansiedade.
— Harry!
— O que ele queria?
— Eu não tenho muito tempo, escutem. — Disse ele e fechando a porta lançou o feitiço de imperturbabilidade e rapidamente contou seu encontro para eles.
— O que? Dumbledore enlouqueceu? — Hermione perguntou chocada.
— Ele sabe que seus parentes não gostam de você, como ele pode achar que você estaria melhor lá do que conosco? E não lhe permitir participar do banquete? — Terry estava além de confuso.
— Ele parece desesperado e tudo isso que falou de preocupação com seus pesadelos é mentira. — Disse Neville sensato.
— Tive a mesma sensação e temo que ele soube do pedido de guarda do Sr. Falc, se for isso, quer me levar a um lugar onde não posso ser alcançado ou que ele acredita é assim, Dumbledore não sabe que a Sra. Serafina já esteve na casa dos meus tios. — Considerou pensativo.
— Harry, é melhor você não ir. — Disse Terry aflito.
— E vou enfrentá-lo quando estamos tão perto da audiência? Além disso ele é meu tutor, Dumbledore pode não ter usado o título na nossa conversa, mas o tom de ordem e decisão definitiva foram muito claras. Ele não pediu minha opinião Terry, disse que vai me levar para a casa dos meus tios e ponto. — Disse Harry rapidamente olhando para o relógio.
— Mas, Harry, e se ele não te levar para os seus tios e se te levar para algum outro lugar, não deixar que volte e que nos veja. — Disse Hermione preocupada.
— Ela está certa, Harry, e se ele te prender em algum lugar, poderia até te machucar... — Terry considerou ainda mais preocupado.
— Pessoal, ele não pode fazer isso, mesmo que fizesse teria que obedecer a lei e me trazer de volta. E ele não vai me machucar, pensem, acredito que o melhor é não o enfrentar agora e sim obedecê-lo, Terry, escreve e conte a seus pais o que aconteceu, diga que é melhor nenhum deles aparecer no número 4 para o caso de ele ter alguém vigiando de perto, Sra. Figg, por exemplo. — Disse Harry tentando ignorar a raiva que sentira e ainda sentia por saber que sua antiga babá era um aborto e espião do diretor.
— Mas isso quer dizer que estará sem proteção contra seus parentes, mamãe e papai pretendiam lhes ameaçar na estação antes de você ir com eles. — Disse Terry e já pegara pergaminho e pena e começava a carta.
— Eu posso lidar com eles e vou chegar com Dumbledore que acredito vai ser intimidação o suficiente. Meu tempo está acabando, preciso ir arrumar minhas coisas, ainda bem que já havia adiantado algumas coisas. Hermione, você e Penny terão que se sentar hoje à noite com os nascidos trouxas e explicar o básico, não poderão falar muitos detalhes por que não podem falar em meu nome. Em último caso, de o endereço do escritório do Sr. Falc, ele é meu representante legal e lhes dará mais informações. — Disse Harry e viu a menina fazer anotações. — Acho que é isso, espero que nos vejamos em breve e fiquem bem até nos encontramos de novo.
Harry sentiu uma emoção estranha, vinha tentando não pensar na separação de seus amigos e muito menos em voltar a casa de seus tios e agora tudo se precipitara e ele não teve uma longa viagem de trem para se preparar. Neville foi o primeiro a lhe dar um forte abraço, seguido por Hermione que tinha lágrimas nos olhos, Terry estava pálido e também parecia que ia chorar.
— Cuide-se Harry, não hesite em usar magia para se defender se for necessário. — Neville disse com voz rouca.
— Harry, eu lhe dei meu endereço e telefone, qualquer problema fuja e venha até minha casa, a qualquer hora. — Disse Hermione com um soluço no final.
— Harry, tenho certeza que em breve meus pais vão te buscar e você estará seguro. — Disse Terry e Harry apenas acenou, não poderia falar mais nada e sem mais deixou o Covil e subiu para seu quarto.
Ele arrumou suas coisas rapidamente em seu baú e o encolheu guardando no bolso. Edwiges apareceu e Harry lhe disse para voar até Surrey, ele se livrou de sua gaiola meses atrás. Depois desceu as escadas e lamentou não ter conversado com o Prof. Flitwick, ele estava acordado a 2 dias, mas muito fraco, Madame Pomfrey prometera que o deixaria visitá-lo no sábado, o dia seguinte. Quando chegou a porta de entrada, ainda tinha alguns minutos de sobra, alguns meninos e meninas passaram rindo e Harry tentou não os invejar por suas vidas comuns.
— Tudo pronto, Harry? Onde está seu baú? — Dumbledore falou as suas costas.
— Tudo bem, senhor. Está no meu bolso. — Disse ele batendo no bolso de sua jaqueta mais leve de couro preta.
— Ora, isso é uma inventividade interessante, ainda que um pouco caro. — Disse ele e começou a caminhar na direção dos portões.
Harry se apressou para acompanhar, com as pernas mais curtas e olhando a casa de Hagrid, planejara tomar chá com o amigo essa tarde e se despedir.
— Terry tinha um e achei mais prático e inteligente, aproveitei as férias de inverno e comprei um para mim, valeu a pena. — Disse Harry resolutamente, se Dumbledore lhe censurasse sobre como ele gastava o seu dinheiro, o teatro acabaria aqui e agora. Ele estava no limite.
— Entendo, praticidade e inteligência são importantes. Parece-me que sua amizade com o Sr. Boot e estar na casa Ravenclaw lhe fez bem. Eu vi suas notas, elas são incríveis, devo-lhe os parabéns. — Disse Dumbledore e Harry abaixou a cabeça timidamente e corou, não precisava fingir, McGonagall lhe dissera que suas notas em Defesa foram mais altas do que as duas mais altas anteriores, a do seu pai e a de Dumbledore.
— Obrigada, senhor. — Disse Harry ignorando o comentário sobre Terry e a Ravenclaw, até porque os dois o ajudaram, mas suas notas também eram méritos próprios.
Eles passaram pelo portão e andaram mais um pouco pelo caminho que levava a Hogsmeade, quando Dumbledore se deteve, Harry parou nervosamente e se sentindo tolo pelo desejo de sacar a varinha.
— Agora, Harry, vou nos aparatar para sua casa segure meu braço. — Disse o diretor e Harry obedeceu, esperando instruções, mas no segundo em que lhe segurou o braço ele sentiu o movimento familiar de ser esmagado dentro de um tubo de borracha e se esforçando para pensar na Rua dos Alfaneiros e sem pressa saiu da aparatação.
O estalo estranhamente suave os acompanhou na chegada e Harry se sentiu zonzo e um pouco enjoada, poderia ter lhe dado tempo para se preparar, pensou, irritado.
— As primeiras aparatações são difíceis, normal ficar enjoado. Vamos por aqui. — Disse ele os conduzindo por traz de um quintal e foi só ao olhar em volta que Harry percebeu que estavam no quintal traseiro da Sra. Figg, olhando em volta viu a cortina da cozinha se mexer e não precisava ser um Ravenclaw para saber que a velha os estava espiando.
Dumbledore deve ter lhe avisado da chegada deles e é bem possível que a mandou o vigiar mais de perto. Mostrando sua falsa característica de não ser curioso, Harry não fez perguntas e Dumbledore não lhe ofereceu uma explicação. Os dois caminharam calmamente pela rua naquela manhã de sexta-feira e Harry se perguntou o que os vizinhos diriam ao ver um homem muito velho de cabelos e barbas longas e brancas, usando um manto roxo andando pela vizinhança na direção do número 4. Sua tia ficaria furiosa quando as fofocas começassem
Em alguns minutos eles pararam em frente à casa de seus tios e Harry tentou ignorar o afundamento no estômago e não fazer uma careta. Mantendo uma expressão neutra, ele começou a caminhar para a porta quando Dumbledore falou:
— Bem, aqui nos separamos, Harry. Espero que estar em casa o ajude a superar tudo o que aconteceu, nos vemos no próximo mandato. — Sua voz suave e sorriso fez Harry arregalar os olhos. Ele estava de brincadeira?
— O senhor não que entrar, diretor? Conversar com meus tios? — Disse Harry ansioso.
— Não é necessário, já expliquei tudo por carta e não acredito que seus tios ficariam muito felizes com minha presença em sua casa. Mas tenho certeza que estarão ansiosos para recebê-lo de volta. Tenha um bom verão, Harry. — Disse Dumbledore e depois se afastou andando suavemente pela rua.
O homem era insano? Ele sabia que seus tios não gostavam de bruxos, por isso não gostariam de sua presença, o que o fez pensar que iriam ficar felizes com a volta dele aquela maldita casa? Harry suspirou, sabendo que nunca entenderia Albus Dumbledore, depois se virou e caminhou pela entrada terrivelmente familiar e parou em frente a porta. Detestava estar ali e as lembranças de sua infância nessa casa, fechou os olhos respirando fundo, não podia se deixar abater, ele era um guerreiro, um bruxo, um Potter. Ele era o filho de James e Lily. Não era um anormal, uma aberração, o garoto ou apenas Harry e com certeza não se curvaria, não deixaria de lutar de novo e de novo. Decidido, ele ergueu a mão e bateu na porta, os Dursleys que estivessem mesmo prontos para seu retorno ou teriam uma grande surpresa.
