NA: Olá, esse foi mais demorado porque fui pega por um resfriado bem chato durante o fim de semana que me tirou praticamente dois dias de escrita. Mas aqui está e espero que vocês gostem. Revisem, por favor, mesmo se não gostarem, kkkk.
Queria pedir ao irmãos e queridos revisores, Black Potters para se cadastrarem, assim posso responder suas revisões ou perguntas. Isso vale para qualquer outro revisor anonimo, vocês me enviam perguntas e não tenho como responder, por aqui fica incomodo com outros leitores, prefiro respondê-los diretamente.
Até mais, Tania
Capítulo 36
Harry observou sua tia engolir em seco e, ansiosamente, os deixou entrar e fechou a porta.
— Harry, eu gostaria de conversar com sua tia a sós se você puder nos dar licença. — Disse Dumbledore educadamente.
Sua tia arregalou mais os olhos e soltou um gemido baixo e parecia apavorada, Harry, apesar de tudo, se sentiu estranhamente protetor e a tranquilizou:
— Não precisar ter medo, tia Petúnia, o diretor não vai machucá-la, certo, senhor? — Harry olhou seriamente para Dumbledore que suspirou e acenou afirmativamente.
— Certamente eu não a machucarei, Petúnia.
Harry viu sua tia se tranquilizar levemente e apontar para a sala e ele subiu as escadas até seu quarto, o quarto do seu primo estava com a porta fechada, mas ele ouviu o barulho de seu vídeo game, ele estava atirando em alguém, zumbis, muito provavelmente. A vontade de voltar e ouvir a conversa era imensa, assim depois de tirar o sapato, ele voltou silenciosamente até o meio da escada e dali conseguiu se esconder e espionar a sala por cima, sem ser visto.
Na sala de estar, Dumbledore olhou em volta e viu as fotos do obeso Dudley e a ausência de qualquer presença de Harry e suspirou tristemente.
— Sinto-me responsável de mais de uma maneira por tudo o que vem acontecendo nessa casa e eu lamento muito, Petúnia, mais do que você poderia imaginar. E ainda...
— Se isso é por causa do menino e ele estar doente, eu fiz o que pude para protegê-lo e eu nunca o quis aqui em minha casa, como parte de minha família. — Petúnia disse defensivamente.
— Harry, Petúnia, o nome dele é Harry e ele é seu sobrinho. E eu sei que não lhe dei uma escolha, mas você o aceitou aqui, se não tivesse aceito, eu teria constatado magicamente. E, ao aceitá-lo, deveria ter lhe dado a família que Harry precisava, o amor que ele merecia e tão injustamente perdeu. — Disse Dumbledore com frieza. — E você mente ao dizer que fez o que pode para protegê-lo, Petúnia, você poderia muito mais e sabe disso, é por isso que está cheia de culpa.
— Eu não... — Petúnia começou a protestar indignada, mas foi interrompida.
— Não minta, eu posso sentir a culpa irradiando para fora de você. E deve estar te consumindo a muito tempo, você finge que ela não está ali, a sufoca e tenta racionalizar, jogar a culpa em outra pessoa e até se fazer de vítima, mas não é assim que a culpa funciona. — Dumbledore a olhou tristemente. — Quando você vai admiti-la? Quando vai tentar se redimir? Em seu leito de morte? Quando for tarde demais e nada possa ser feito para que seu sobrinho a perdoe e a ame?
Petúnia arregalou os olhos e se sentou no sofá, suas pernas não a sustentavam.
— O senhor não sabe o que diz... Não entende...
— Oh sim, eu entendo muito bem, minha querida, entendo tudo sobre a culpa e ser tarde demais. Sou muito mais velho que você e a muitos anos perdi uma irmã, eu não a valorizei, assim como você, não a amei e apenas deixei que meus sentimentos, minha revolta, meu egoísmo fossem maiores e mais importantes que nossa relação e quando percebi... Não a tinha mais. —Dumbledore também se sentou e seus olhos azuis tinham lágrimas de tristeza. — Não podia nem mesmo pedir perdão ou abraçá-la uma última vez.
Petúnia não aguentou e escondendo o rosto nas mãos começou a chorar, os soluços altos a sacudiam. Dumbledore se sentou ao seu lado e bateu em seus ombros suavemente.
— Eu sei... eu sei... — Ele disse e a deixou chorar.
Quando Petúnia conseguiu se controlar, Dumbledore conjurou um copo de água que ela tomou com mãos trêmulas. Depois ele conjurou um jogo de chá que preparou e serviu o chá para os dois magicamente. Petúnia, olhando para suas mãos em seu colo envergonhada nem percebeu, ela recebeu o chá e tomou um gole tentando se acalmar.
— Quando você me escreveu aquela carta tão doce, tive muita vontade de conhecê-la, uma menina tão bonita e irmã dedicada, mas hoje percebo como se sentia solitária e excluída. Acreditei que uma carta gentil explicando a impossibilidade de seu pedido seria o suficiente e que você superaria sua decepção e seria feliz por sua irmã. — Dumbledore a olhou com aqueles olhos azuis que leem a alma e sorriu triste. — Ao em vez disso, Petúnia, você permitiu que a inveja e o ciúme tomassem seu coração e fossem maior que seu amor por Lily.
— O senhor não pode imaginar como é ser sempre menos. — Disse Petúnia cheia de amargura. — A menos bonita, menos inteligente, menos simpática, a menos especial... Sempre menos e menos, menos...
— Não, mas essa era sua percepção sobre si mesma e a sua percepção do que os outros pensavam. Alguma vez lhe ocorreu que a questão não era ser melhor ou pior que sua irmã? Mas sim, ser você mesma? Quais são suas qualidades e talentos, Petúnia? Não me importa compará-las com ninguém, eu quero saber apenas de Petúnia. — Disse ele com firmeza.
— Eu... — Ela parou sem conseguir pensar em nada.
— Você tentou? Na minha carta, eu lhe disse que você era especial por si mesma e para que descobrisse seus talentos e para trazer magia ao mundo a sua maneira. Você fez isso, Petúnia? Ou passou os últimos 20 anos odiando o mundo pelo que não teve? Odiando a magia, sua irmã, seu sobrinho e todos os bruxos, apenas porque esse dom não foi lhe concedido? — Questionou Dumbledore e Petúnia olhou ainda mais envergonhada para as mãos.
— Era muito doloroso, meus pais a amavam mais porque ela era uma bruxa e eu tentei deixá-los orgulhosos de mim, mas nada do que eu fazia era bom o suficiente. Mesmo quando me casei com um bom homem e lhes dei um neto, eles não puderam me preferir a ela e quando Lily teve seu bebê pareciam tão felizes e orgulhosos. — Disse Petúnia com voz entrecortada.
— Lamento que se sinta assim e tenho certeza que seus pais nunca quiseram que você se sentisse preterida, você é mãe e tenho certeza que se tivesse tido outro filho o amaria tanto quanto ama o seu Dudley. Acredito que a dor e ciúme mancharam sua visão da sua relação com seus pais e lhe deram uma percepção errada dos sentimentos deles. Você está a anos acreditando que odiar a magia e se esforçar para viver uma vida normal resolve tudo, mas está mentindo para sim mesma. — Disse Dumbledore objetivo.
— Eu poderia ter sido feliz, com minha família, ter tido uma vida normal se o senhor não tivesse largado o menino em minha porta. E tentei protegê-lo, Vernon queria espancá-lo para tentar tirar a magia dele e eu não deixei. — Ela disse contrariada e defensiva.
— Ah, Petúnia... A magia é um dom, mas, cuidado da maneira errada, pode ser um dom terrível. Se você não tivesse protegido seu sobrinho a magia dele poderia ter se voltado contra ele e sua família, teria sido uma tragédia terrível para todos nós. — Disse Dumbledore e seu rosto ficou pálido. — E mesmo que tenha se esforçado para sufocar, sua proteção ao seu sobrinho veio do seu amor por ele ou então a proteção de Lily jamais teria durado tantos anos. As alas nem teriam sido acionadas e, quando foram, a proteção que o sacrifício de sua irmã criou impediu que Harry fosse ferido por perigos externos e internos. Você não percebe, Petúnia? O amor de sua irmã agiu através de você e do seu amor para protegê-lo. — Ele parecia cansado e triste. — Você realmente acredita que teria sido mais feliz sem saber nada sobre o Harry? Se ele estava vivo ou morto? Porque, Petúnia? Porque não se permitiu amar seu sobrinho? Porque encheu seu coração de amargura e não de amor? Porque, ao perder sua irmã e a chance de se redimir, você não acolheu seu filho e resgatou a família que perdeu?
— Eu tentei! O senhor não sabe o que diz, não tem o direito de me julgar! Eu o aceitei e o abracei e nós choramos juntos pela morte de Lily. Ele era um bebê tão doce, amoroso e chorava todas as noites pedindo pela mãe, todas as noites por meses e meses, eu o consolei e abracei. — Petúnia começou a chorar de novo. — Eu tinha esperança que ele seria normal, mas quando cresceu mais um pouco começou a fazer magia acidental e eu escondi de Vernon, por mais de um ano eu não lhe contei nada até o dia em que ele viu por si mesmo. Eu não tive escolha, eu perderia tudo, meu casamento, minha família, tudo perdido e, ao mesmo tempo, eu nunca deixei que ele tocasse no Harry, nunca. Eu pensei que se o isolasse e o castigasse seria o suficiente para contentar Vernon, mas nunca quis que ele adoecesse por causa disso.
Suas palavras terminaram em mais soluços e lágrimas.
— Eu cometi um grande erro ao impor a sua vida uma criança, e impor a essa criança uma vida tão dura. Meu erro e sinto muito. Espero que possa me perdoar por ter querido proteger aquele menino e não pensado em mais nada. — Dumbledore suspirou muito triste. — Voldemort matou centenas de pessoas, mágicas e trouxas, seu poder, que ele usava com maldade e crueldade, crescia a cada dia e, quando Harry, com a ajuda do sacrifício de sua irmã o destruiu, salvou a todos nós. Eu sabia que seus seguidores o perseguiriam e o matariam cruelmente, ele precisava ser protegido a todo custo e assim os condenei a anos de convívio amargo e doloroso. — Dumbledore fez uma pausa e a olhou seriamente. — Mas Harry não tem culpa, Petúnia, ele não tem culpa por nossos erros e fraquezas, nossas decepções, medos e amarguras. Como você mesma disse, ele é um menino doce e amoroso que a apenas alguns dias teve que se defender de um ataque mortal de um seguidor de Voldemort e foi a proteção de Lily que o salvou, além de sua coragem e determinação. Agora mais do que nunca, ele precisa de sua proteção, precisa estar em sua casa para que o sacrifício e amor de Lily não se perca.
— Eu nunca o mandei embora, ele é minha responsabilidade e pode viver aqui pelo tempo que quiser. — Disse Petúnia defensiva.
— Bem, não foi o que as assistentes sociais entenderam, me pareceu que vocês queriam que Harry fosse embora para sempre. — Disse Dumbledore confuso.
— Quem disse isso foi Vernon, eu jamais diria isso, eu apenas disse que não queria que ele tivesse sido deixado em minha porta, mas, desde o momento em que decidi aceitá-lo e criá-lo, jamais o mandei ou mandaria embora. A proteção é importante para ele e para nós também, o senhor disse que protege a mim e ao meu Duda, certo? — Petúnia voltou a olhar para as mãos.
— Sim, mas posso colocar outras proteções para você e seu filho, não seria tão difícil, infelizmente, Harry sem a proteção, estaria mortalmente vulnerável. Preciso que você o aceite em sua casa, assim a proteção continuará a existir. — Esclareceu Dumbledore.
— E o aceitei a mais de 10 anos e isso não mudou. — Petúnia disse com certa frieza.
— Petúnia, você o aceitou em sua residência e o tratou muito mal, se soubesse o que estava acontecendo aqui teria interferido a muito mais tempo. Eu confiei que nada seria maior que o amor de uma tia e que você o amaria como ama seu filho e, vendo pelas fotos, suponho que você não conseguiu amar nenhum do dois. — Dumbledore foi mais duro e Petúnia empalideceu.
— O que!? Eu amo meu Duda! Eu me esforcei para que ele nunca duvidasse que era meu preferido, que ele era especial. — Disse Petúnia se levantando zangada.
— Sim, se esforçou tanto que o menino está obviamente obeso. Olhe para essas fotos, Petúnia! Harry está desnutrido, mas o seu filho está muito além do peso e em sua necessidade de ter preferidos, de comparações absurdas, o deixou doente. — Dumbledore também se levantou enérgico e zangado. — Acredita que ele vai te agradecer? Por ter sido tão mimado que nunca vai entender ou aceitar quando receber um não? Por ser tão egoísta que acha normal que seu priminho seja trancado e morto de fome, desde que ele tenha tudo o que quiser? Por ser tão obeso que poderá ter problemas graves de saúde?
Petúnia empalideceu e olhou para as fotos, tentou ver o que via sempre, seu garotinho doce, de ossos grandes e bochechas rosadas, mas tudo o que viu foi um menino obeso, de olhar petulante e expressão maliciosa. Algumas das fotos ele sorria exibindo um brinquedo que tanto queria e em outros estava zangado por não ter o que queria, fosse um brinquedo ou comida.
— Eu... Eu nunca...
— Você queria protegê-lo da dor que ele poderia sentir ao descobrir que seu primo era um bruxo e ele não, tentou se convencer e ao seu filho que ser um trouxa é melhor do que ser um bruxo e ter magia. E se esforçou tanto que tratou seu sobrinho com crueldade e seu filho com irresponsabilidade. Você não soube amar nenhum dos dois e isso é o mais triste disso tudo, tanto amor e ninguém se sente realmente amado. — Dumbledore moveu a cabeça negativamente. — Mas o Harry encontrou uma família boa e eles o amam fortemente, os Boots, foram quem entraram com o pedido de guarda. E eles conseguiram o compartilhamento da guarda, isso quer dizer que Harry ainda vai viver aqui, mas passará o seu dia na casa Boot. E eles, assim como eu, estaremos atentos a vida que o menino terá aqui, não aceitaremos mais que ele seja maltratado.
— Do que está falando? Eu não posso ter bruxos entrando e saindo de minha casa, Vernon jamais aceitará isso! — Exclamou Petúnia chocada.
— Você deveria ter pensado nisso anos atrás ou nunca considerou que quando descobríssemos a maneira como tratou o menino, das duas uma, ou Harry deixaria sua casa ou seria assegurado de perto por aqueles que se importam com ele de verdade. — Dumbledore voltou a falar daquele jeito decepcionado e Petúnia olhou para as mãos envergonhada. — Seu tempo está acabando, Petúnia, em poucos anos Harry passará por aquela porta e deixará esta casa para sempre e você terá perdido a chance de se redimir com sua irmã.
Eles ficaram em silencio por alguns segundos e quando ela manteve os olhos nas mãos, ele suspirou, desapontado.
— Eu voltarei a noite para conversar com seu marido, quero ter...
— Isso não é necessário! — Petúnia gritou com seu tom mais agudo. — Eu mesmo falarei com ele e explicarei a situação, eu o convenci a ficarmos com o menino a 10 anos, vou convencê-lo de novo. E ele sabe que não pode tocá-lo, Harry deixou claro o que aconteceria.
— Bom, mas não hesitarei em voltar e nossa conversa será num tom bem diferente, por isso não ousem descontar no menino, a culpa do que está acontecendo é de suas ações e da minha tolice. E acredite, se essa proteção não fosse tão importante, eu tiraria o Harry dessa casa e, com todo prazer, os colocaria na prisão. — O tom dele foi duro e frio.
Harry, que espionava, não conseguia ver seu rosto, apenas a aura mágica que deve ter assustado muito sua tia, e ao subir rapidamente para seu quarto enquanto eles se despediam, lhe ocorreu que estava explicado porque os bruxos o temiam ou respeitavam tanto. Em seu quarto, ele suspirou tentando entender tudo o que ouviu, sua tia não o odiava tanto quanto acreditou a vida toda, a proteção era real e o motivador, além da profecia, das ações de Dumbledore. Ainda faltavam algumas peças nesse quebra-cabeça, mas ele tinha muito mais do que pensara que descobriria e agora tinha que planejar os próximos passos com muito cuidado.
Mais tarde, Harry desceu para ajudar sua tia com o jantar, sabia que os Boots chegariam a qualquer momento e queria conversar com ela rapidamente.
— Os Boots me convidaram para jantar, vão vir me buscar as 16 horas. Eu não os vejo desde a Páscoa e além disso querem combinar meus horários e os dias em que estarei lá com eles. — Disse ele pegando algumas batatas para descascar.
Sua tia ainda estava muito pálida e ansiosa, mordia os lábios e olhava para fora a todo instante como se temesse a chegada de mais bruxos.
— O melhor é eles virem te buscar no parque e te deixarem lá. — Disse ela contrariada. — E combinamos que aos sábados você cuidaria no jardim e que me ajudaria a preparar o jantar.
— Sim, estarei aqui um dia da semana, mas não precisa ser aos sábados quando o tio Vernon passará o dia em casa, posso cuidar do jardim as sextas-feiras. — Disse Harry pensativo. — E pedirei que eles me busquem depois que o tio sair para o trabalho e pelo menos 1 hora antes de voltar, assim te ajudo com o jantar.
Harry a viu acenar e decidiu falar de algumas de suas ideias para o verão.
"Vou começar a frequentar uma academia aos sábados, se tudo der certo, preciso aprender a nadar e a lutar, os outros dias da semana vou estar nos Boots estudando magia e disciplinas trouxas. "
— Academia? Luta? — Sua tia o olhou surpresa.
— Sim, tia Petúnia, a senhora já sabe que fui atacado a duas semanas, foi por pouco, se não fosse a proteção da mamãe não teria sobrevivido. Preciso continuar a treinar e aprender a me defender mágica e fisicamente. — Informou Harry, seriamente.
— O perigo é real? — Perguntou com voz sufocada.
— Claro que é real, acredita que eu estaria aqui se não precisasse da proteção da mamãe? Eu não ligo a mínima para a decisão do juiz, estava preparado para fugir e me esconder, mas não vou jogar o sacrifício da minha mãe no lixo. Ela morreu para me salvar e vou honrar isso. — Disse Harry enquanto habilmente descascava e cortava as batatas. — E com o número de seguidores de Voldemort que fugiram da justiça e o fato de ele mesmo estar vivo... Acredite, o perigo é muito real, para todos nós.
— Fugiram da justiça? — Harry a olhou e viu que estava realmente interessada.
Ele rapidamente explicou como a sociedade mágica funcionava, suas descobertas, os preconceitos e discriminações. E como seu padrinho acabou preso sem julgamento e outros comensais da morte compraram sua liberdade. Foi um resumo conciso, mas percebeu que sua tia entendeu, isso não o surpreendeu, Harry sabia que ela não era nenhuma idiota.
— Isso quer dizer que vai haver uma nova guerra…— Sussurrou ela e Harry acenou.
Temperando as batatas e a carne, ele as colocou no forno para assar.
— Sem dúvida, é uma questão de tempo, mas eu tenho algumas ideias para ajudar o nosso lado a se preparar e lutar mais efetivamente. Coisas simples que Dumbledore poderia ter feito a muito tempo, mas está tão acostumado a sentar sua bunda magra e preguiçosa em suas cadeiras de cargos importantes e apenas... Sei lá o que ele faz, reflete, planeja, manipula, talvez penteia a barba. — Disse Harry com frieza e sarcasmo.
Um som estranho veio de sua tia e quando a olhou percebeu que ela tentava sufocar a risada com uma das mãos sobre a boca. Ignorando seu momento de conflito, Harry continuou.
"Vou também começar a aprender a administrar os meus negócios mágicos, tenho muitas ideias para ajudar as pessoas nascidas trouxas a enganarem essas leis discriminatórias. — Concluiu Harry, olhando para o relógio percebeu que tinha pouco tempo. — Queria saber se posso levar todos aqueles brinquedos velhos e quebrados que estão no meu quarto?
— O que pretende fazer com isso? — Petúnia perguntou curiosa.
— Vou pedir para a Sra. Serafina concertar tudo e depois levar para um orfanato, tem muitas crianças que podem aproveitar os brinquedos. Dudley nem se lembra deles e tanto faz para ele jogar no lixo ou enviar para a doação. — Disse Harry dando de ombros.
— Ok, você pode pegar, mas, se o seu tio perguntar, foi tudo para o lixo, entendeu? — Disse ela incisiva.
Harry acenou e rapidamente subiu, tomou banho e se vestiu com uma roupa mais do seu gosto. Encolheu e guardou seu baú, não deixaria nada ali, não queria que seu tio tentasse trancar ou destruir. Quando ouviu uma batida na porta, desceu e a abriu, sua tia observava do corredor ansiosa.
— Harry! — Sra. Serafina e o Sr. Falc estavam na entrada e sorriam para ele.
Harry sorriu também, sentindo uma mistura de emoção, o maior deles era alivio que eles não o esqueceram e carinho, um grande carinho e sem se segurar abraçou-os fortemente. Depois se afastou e acenou para entrarem, muito emocionado para falar muito. Sua tia expressava muita mais contrariedade que o normal, mas ele ignorou.
— Ah, Petúnia, lembra-se de mim? Serafina Boot e este é meu marido, Falcon Boot.
Sr. Falc educadamente estendeu a mão em cumprimento, apesar da tensão do ambiente, mas sua tia o olhou com nojo e não retribuiu.
— Bem, também é um prazer te conhecer, Sra. Dursley. — Disse ele ironicamente. — Harry, você está pronto? As crianças estão ansiosas para vê-lo.
— Estou pronto, senhor, apenas queria pedir a Sra. Serafina que viesse pegar alguns brinquedos antigos de Dudley que estão no meu quarto ocupando espaço. Tia Petúnia autorizou que nós os concertássemos e levássemos a um orfanato, já que meu primo não tem mais nenhum interesse neles. — Harry explicou animado.
Eles subiram a escada e entraram em seu quarto e ele apontou para a montanha de brinquedos quebrados e jogados em um canto.
— Merlin... Isso é um absurdo, esse quarto é horrível e porque todos esses brinquedos estão aqui? — Sra. Serafina olhou em volta para a cama estreita e velha, o colchão fino, a cadeira e escrivaninha desgastadas e bambas e o guarda roupa pequeno e escuro.
— Aqui costumava ser o segundo quarto do meu primo, eu só o consegui depois que minha carta de Hogwarts chegou. —Explicou Harry e apontando para os brinquedos, acrescentou timidamente. — Pensei em concertarmos e levarmos até o Orfanato dos Abortos.
— Essa é uma ótima ideia, Harry. — Disse ela sorrindo e com um aceno de varinha conjurou uma caixa e colocou todos os brinquedos dentro, não deveria caber, pois a caixa não era tão grande, mas tudo se encaixou. Depois ela baniu a caixa para o solar do Chalé e olhando em volta, franziu o cenho para o resto do quarto. — Agora vamos dar um jeito nisso aqui, você não pode dormir e estudar em um lugar desses.
Harry sorriu animado e a viu acenar a varinha, primeiro tudo ficou limpo, muito mais limpo do que sua faxina trouxa. Depois ela baniu os moveis e conjurou novos e mais bonitos, incluindo roupas de camas, cortinas e tapetes. O quarto ficou uma versão menor do seu quarto no Chalé, até o papel de parede horroroso foi pintado de azul e Harry achou que até o ar melhorou, antes aquele quarto o sufocava.
— Obrigada, Sra. Serafina. — Disse ele entusiasmado.
— De nada, querido, e no verão que vem teremos que fazer tudo de novo, moveis conjurados que não tem runas não duram para sempre. — Explicou ela enquanto eles saiam do quarto.
— Talvez eu possa fazer alguns moveis nas aulas de carpintaria mágica e trazer aqui no próximo verão. — Disse Harry animado com a ideia.
Nesse momento seu primo saiu do quarto gingando e ao vê-los arregalou os olhos e pôs as duas mãos na bunda assustado.
— Olá. — Disse Sra. Serafina docemente.
— Está tudo bem, Dudley, está é a mãe do meu melhor amigo da escola, a Sra. Serafina. É a professora que eu te contei que me ajudou com minha gramática, lembra? — Disse Harry suavemente. — Sra. Serafina, esse é meu primo, Dudley.
— Prazer em conhecê-lo, Dudley. — Disse ela estendendo a mão e seu primo muito hesitante apertou e depois sem uma palavra se trancou em seu quarto. — Ele parece assustado? — Questionou ela confusa enquanto desciam as escadas.
— E está, seus pais sempre lhe ensinaram a temer o diferente e o Hagrid o assustou muito ano passando quando veio trazer minha carta. — Harry rapidamente explicou sobre a calda de porco.
— Hagrid! O que ele estava pensando!? Poderia ter machucado o menino seriamente, ainda bem que sua magia não era forte o suficiente para realmente transformá-lo. — Disse ela exasperada.
Quando chegaram embaixo na escada encontraram os dois, Sr. Falc e tia Petúnia olhando zangados um para o outro.
— Terminamos, tudo bem por aqui? — Serafina perguntou curiosa.
— Tudo bem, querida, eu estava apenas dizendo a Sra. Dursley que não vamos pegar e deixar o Harry no parque e sim aqui, na porta da casa dele. — Disse Sr. Falc sério.
— Com certeza! Podemos combinar nossos horários, mas não vamos recolhê-lo no parque, além de perigoso para ele andar por aí sozinho, queremos acompanhar sua vida aqui nesta casa de perto. — Disse Serafina com veemência. — Eu lhe disse em dezembro, Petúnia, que sua casa ia se tornar minha segunda casa e eu não estava brincando.
— Eu não vou aceitar...
— Não me importa o que vai ou não aceitar. — Interrompeu Serafina com frieza. — Nós temos a guarda compartilhada e estaremos atentos a vida do Harry, qualquer passo em falso e tiramos ele daqui. E a proteção que vá para o inferno.
— Está tudo bem, tia Petúnia, nós já temos um acordo e isso não vai mudar, vou organizar para sair e voltar quando tio Vernon não estiver em casa e será apenas durante os verões. Se eu posso aguentar tenho certeza que você também pode. — Disse Harry ironicamente.
Sua tia parecia que tinha engolido um limão e Harry a observou com a sobrancelha erguida, por fim ela acenou e suspirou, sua ansiedade e palidez ainda mais acentuadas.
"E você pode dizer aos vizinhos que estou inscrito em uma escola de verão ou cursos extras, é melhor não inventar algo ruim sobre mim ou algo assim. Se ficar sabendo que um de vocês está dizendo que estou em algum tipo de reformatório ou algo assim, eu vou desmentir e direi a verdade. Direi que vocês foram acusados de abuso e perderam parte da minha guarda, que estão em supervisão das assistentes sociais e do juiz. — Disse Harry com firmeza.
— Você não ousaria!? — Gritou ela com seu tom agudo e Harry fez uma careta.
— Ah, eu ousaria sim, se tentarem acabar com minha reputação com mentiras, vou devolver na mesma moeda, apenas usarei a verdade. — Disse Harry sarcástico.
— Muito bem. Quando voltar hoje não faça barulho para não incomodar o seu tio e é melhor manter aquela sua coruja quieta. — Disse ela e depois foi para a cozinha sem dizer mais nada.
Depois disso ele deixaram a casa e caminharam para o parque.
— Não podemos aparatar direto da casa? — Perguntou ele curioso.
— Ainda não sabemos, assim que me encontrar com Dumbledore perguntarei se podemos ir e vir direto da casa ou do pórtico, seria mais educado. — Disse Sr. Falc.
— Imagino que essa conversa será bem interessante. O senhor já pensou no que vai dizer para justificar não ter lhe contado sobre o pedido de guarda? — Perguntou Harry curioso.
— Sim, vou dizer a verdade, que não confiava nele, não tinha certeza que ele não sabia sobre sua vida naquela casa e que depois da nossa reunião em janeiro tive certeza que interferiria e queríamos ao menos chegar a uma audiência e ter uma chance. — Falc deu de ombros. — Inventar uma desculpa qualquer é tolice.
Harry acenou concordando e quando chegaram o parque, caminharam até as árvores e olhando em volta aparataram, com ele segurando firmemente o braço da Sra. Serafina. Eles chegaram a varanda do Chalé em frente a porta vermelha e Harry sorriu ao ver o lugar familiar e querido, não era sua casa, mas era a casa de sua família de verdade. Assim que entraram na sala se estar, Harry foi atacado por dois pequenos misseis humanos que o apertaram em um abraço de esmagar ossos e a ele só restou rir e retribuir.
— Harry! Você veio! Você veio! — Disse Adam pulando.
— É claro que ele veio, essa é a casa dele também, mamãe e papai nos disseram que você tem duas casas agora, Harry. — Disse Ayana depois que o soltou.
— Sim, é verdade, eu ainda vivo na casa dos meus tios, mas vou passar meus dias aqui. — Disse Harry e olhado em volta encontrou Terry o olhando com o cenho franzido e acrescentou. — É uma longa história, mas foi melhor assim. — E viu Sirius em um canto. — Sirius!
Harry correu e o abraçou forte, sentindo o abraço apertado e os beijos em seus cabelos.
— Que bom que está aqui. Sentimos muito sua falta e estamos muito curiosos sobre o resultado da audiência. — Disse ele suavemente.
— Sim, pensei que pretendia colocar seus planos em prática, como conversamos, mas meu pai disse que a ideia da guarda compartilhada foi sua. — Disse Terry e dava para ver que estava zangado.
Harry deu um meio sorriso e um abraço rápido no amigo, olhando em volta viu que todos os olhavam em expectativa e suspirou.
— Não há muito o que explicar, minha tia me contou o motivo que a fez me aceitar em sua casa ao em vez de me enviar para um orfanato. Na carta que estava comigo quando me encontrou em sua porta, Dumbledore fala sobre a proteção que o sacrifício da minha mãe criou e como ele formulou alas de sangue poderosas para nos proteger a todos de ataques. — Harry viu que eles o ouviam com atenção. — Viver na casa da minha tia mantem as alas e também a proteção contra Voldemort, que neste momento é muito importante, se algum dia deixar de ser ficarei muito feliz em deixar a casa dos meus tios. Assim, tentei pensar em uma solução e a guarda compartilhada me pareceu a melhor, quer dizer, já tínhamos planos de eu vir aqui estudar e porque não apenas tornar isso oficial. E o diretor ficou mais tranquilo, podemos continuar com nossos planos sem que ele interfira...
— Mas... você ainda continua nos Dursley! — Disse Terry teimosamente.
— Sim, mas posso lidar com eles, Terry, não sou mais o Harry de antes que aceitava passivo e calado tudo o que acontecia. Estou lutando contra as injustiças e isso eu devo a você por ter me aberto os olhos para a realidade naquele dia, no trem. Não se preocupem, eu fiz um acordo com minha tia e eles vão respeitar porque estão com medo, assim, enquanto não descobrirem que não posso fazer magia, acredito que estou seguro. — Harry terminou com um sorriso encorajador, mas era óbvio que todos pensavam que o resultado foi uma derrota.
Harry não podia explicar completamente sem falar da luta com Quirrell e ele não falaria sobre isso na frente das crianças, que já o olhavam de olhos arregalados.
— E se vocês não se importarem, prefiro encerrar o assunto agora, podemos retornar a ele em outro momento. — Pediu ele e todos acenaram.
Depois disso ele foi, felizmente, arrastado pelas crianças para a sala de jogos e ouviu um grande resumo do ano de cada um. Adam estava muito ansioso para começar na escola em setembro e contou sobre sua festa de aniversário de 6 anos que acontecera no início de junho. E agradeceu o presente que ele lhe enviara, Harry construíra um trem de madeira de carvalho, com vagões pintados de vermelho, lembrava uma réplica do Expresso de Hogwarts e agora estava em seu quarto em um lugar de destaque. Ayana contou sobre suas aulas e sua nova melhor amiga Kim, ela era chinesa e se mudara para a Inglaterra a pouco tempo. Ouvir suas tagarelices sobre suas vidas, suas vocês doces e inocentes era exatamente o que ele precisava, Harry sorriu mais, seus olhos verdes brilharam e até a hora do jantar estava gargalhando junto com seus irmãos.
Sr. Boot e Sra. Honora vieram para o jantar, ela parecia melhor e até o reconheceu, ainda que repetiu algumas histórias já contadas antes sobre sua avó, não que ele se importasse. Na sobremesa a audiência surgiu na conversa.
— Não se preocupe, Harry, vamos recorrer. Podemos ir para 2ª instancia e para 3ª, até a Suprema Corte se for necessário. Temos provas suficientes para prosseguir e as ausências dos seus tios vão pesar ainda mais nas próximas audiências. — Disse o Sr. Boot confiante.
— Eu não quero recorrer a decisão do Juiz Wood, senhor. — Disse Harry calmamente e depois colocou um grande pedaço de torta de melaço na boca, olhando em volta viu que todos o encaravam surpresos.
— Mas... Harry, eu pensei que só estava ganhando tempo, que ainda gostaria de deixar os seus tios. — Sr. Falc estava confuso.
Harry olhou para os pequenos, mas eles comiam e conversavam com a Sra. Honora sem prestarem atenção na conversa.
— É difícil explicar, minha decisão tem a ver com o que aconteceu com Quirrell e...
— Você contou a eles? — Terry perguntou chocado.
— É sobre isso que você nos contará no domingo? — Serafina perguntou preocupada.
— Isso tem a ver com os pesadelos que vem tendo? — Sirius também falou. Os três falaram praticamente juntos e Harry suspirou.
— Eu tive que falar, Terry, mas eu só dei um resumo básico ao seu pai, as circunstancias exigiram isso e não, não quero falar sobre isso. — Disse Harry ainda um pouco envergonhado por sua reação de quase pânico com a possibilidade de ter que entregar sua varinha. — Sim, Sirius, tem a ver com meus pesadelos e eu vou contar a todos, assim que tivermos um tempo longo e sem ouvidos sensíveis. — Concluiu Harry olhando para Adam e Ayana que nesse momento riram de algo que cochichavam.
— Ok, mas poderia ser no sábado e não no domingo? Estamos esperando toda a família no domingo, eles estão ansiosos para encontrarem você e o Terry. — Sugeriu Sra. Serafina e, Harry olhando para o amigo, concordou.
— Você parece preocupado, Terry, por um acaso não quer que sua mãe e eu saibamos o que aconteceu em Hogwarts esse ano? — Sr. Falc perguntou olhando para o filho com olhos de falcão.
— Não! Pai, não é isso, apenas... Bem, o que aconteceu não pode ser contato em qualquer lugar e em alguns minutos, eu apenas fiquei surpreso. — Disse Terry defensivamente.
— Eu estou muito curioso e ainda mais para entender porque isso te influencia a querer continuar na casa dos seus tios, Harry. — Sr. Boot o olhou com atenção. — Entendo que você considere a guarda compartilhada um passo à frente do que era antes, mas...
— Mais como uma maratona a frente, Sr. Boot. — Harry sorriu e deu de ombros. — Acredito que foi melhor assim e, como disse, fiz um acordo com meus tios, eles aceitaram e a guarda compartilhada é apenas um bônus extragrande. Vou ficar o mínimo possível naquela casa e estar aqui com vocês, estudar e manter a proteção da minha mãe.
— Você pode explicar o acordo que fez? — Falc perguntou curioso.
Harry acenou e contou sobre suas ameaças aos seus tios e como eles concordaram com seus termos.
— E assim, as sextas-feiras ficarei por lá e cuidarei do jardim. Para evitar meu tio o melhor é que quem for me buscar chegue depois das 8 e me deixe de volta antes das 17 horas. Se estiver tudo bem para vocês? — Disse Harry olhando para a Sra. Serafina e o Sr. Falc que acenaram concordando. — Meu tio só chega as 18, mas prometi ajudar com o jantar, acredito que foi um bom acordo.
— Foi, mas me preocupa que esse acordo esteja baseado no medo que eles têm de sua magia, se descobrirem que você não pode, efetivamente, usar magia fora da escola, sua vantagem se perde. — Disse Sirius preocupado.
— E quem disse que não vou usar magia se precisar? Não usarei a não ser que eles me obriguem, mas não hesitarei se for para me defender. — Disse Harry com firmeza.
— Mas, Harry, você poderia ser expulso. — Sra. Serafina disse alarmada.
— Talvez. Ainda que depois do que eu fiz o diretor fazer duvido muito que ele permitiria que isso acontecesse. — Disse Harry com um sorriso malicioso.
— Merlin, eu conheço esse sorriso, James tinha a mesma expressão quando pregava uma peça em alguém e não era pego. — Sirius disse com um riso que lembrava o latido de um cachorro.
— Harry, o que você fez? — Perguntou Terry conhecendo aquele sorriso também.
— Bem, eu fui obrigado a ir com Dumbledore para casa e poderia ter ido por aparatação e deixado sua presença rápido, mas eu queria fazer algumas perguntas e pensei que, se ele estivesse distraído, poderia me ajudar a manter minha oclumência com mais tranquilidade. Além disso, eu queria fazer um pequeno teste e ver até onde ele vai para me agradar ou conseguir o meu perdão. Isso parece ser importante para ele, ter uma relação amigável comigo e pretendo explorar isso. — Explicou Harry pensativo.
— Mas com que intenção? Você acha seguro se tornar amigo dele? Dumbledore não é idiota, Harry, pelo contrário e vai perceber que você não está sendo sincero. — Disse Terry confuso, em menos de uma semana seu amigo mudara completamente e ele não conseguia acompanhar. — E depois de tudo o que ele fez...
— Terry. — Harry o olhou e podia ver sua confusão. — Eu não vou me tornar amigo dele, até porque ele não está nem um pouco arrependido do que fez, mas eu também não posso abrir guerra contra ele. Quer eu goste ou não, Dumbledore ainda é meu tutor e é nisso que quero me concentrar, agora que a questão da guarda está resolvida podemos revogar a anulação do testamento dos meus pais. Isso é importante para mim, quero que as últimas vontades deles sejam respeitadas e quero que Sirius se torne meu tutor.
— Eu? Mas... Pensei que... — Sirius parecia muito desapontado e Harry sentiu seu coração se apertar.
— Eu também, mas tudo mudou e vou explicar mais no sábado. Mas, pensem, se conseguirmos que o testamento seja validado e o cancelamento da tutela, podemos alegar que minha guarda continuará como está, mas que você, Sirius que foi escolhido pelos meus pais para ser meu guardião e padrinho pode assumir minha tutela. Dumbledore não tem porque lutar contra isso ou mesmo argumentos e finalmente estaremos livres de suas amarras. — Disse Harry com veemência.
— Na verdade, isso faz mais sentido do que continuarmos a lutar pela guarda, mas não entendi o que você fez com Dumbledore e qual é sua intenção em se tornar amigável com ele. — Disse Falc confuso.
— Não quero me tornar amigável com ele, quero apenas ver o que ele está disposto a fazer para conseguir ter uma relação amigável comigo, porque isso é importante para ele, Dumbledore. E minha intenção, por enquanto, é minha e talvez me dê uma vantagem em algum momento, apenas para o caso de ser necessário. — Harry explicou e viu os olhares confusos e decidiu contar o que aconteceu.
Sorrindo, Harry contou sobre onde ele levou o diretor, do terno roxo até a mostarda amarela. Todos o olharam assombrados, inclusive as crianças, e quando terminou a história fez-se silencio por alguns segundos e em sincronia todos engasgaram e logo gargalharam fora de controle. Harry não aguentou e riu tudo o que não pode no momento em que estava com Dumbledore.
Quando se acalmaram Terry foi o primeiro a falar.
— Ok, já entendi sua ideia e acredito que é brilhante. — Disse ele tentando controlar o riso. — E você tem que nos mostrar essa lembrança na penseira, e quando Hermione e Neville vierem nos visitar vão querer ver com certeza.
Harry apenas acenou concordando, talvez fosse uma boa depois das lembranças da morte de Quirrell que todos teriam que ver.
Depois do jantar Harry se despediu de todos e o Sr. Falc o levou para Surrey e o deixou na porta.
— Tem certeza que não quer que eu entre? Seu tio pode não estar feliz com o resultado da audiência. — Disse ele preocupado.
— Com certeza não está, mas, a essas horas, minha tia já o acalmou e explicou tudo, vamos deixar que ela lide com ele por enquanto. Prometo que se ele ficar difícil, eu aviso o senhor. — Disse Harry sincero e os dois se despediram.
Harry entrou e subiu direto para seu quarto redecorado, ignorando o barulho da TV na sala de estar, trancou a porta e vestiu seu pijama. Ele estava lendo quando Edwiges entrou pela janela.
— Ei, garota, que bom que chegou, estava querendo falar com você. — Disse Harry e suavemente passou os dedos por suas costas, ela se agitou feliz e piou suavemente. — Eu vou viver aqui nos Dursley, mas só estarei aqui a noite, durante o dia vou ficar na casa dos Boots e, como sei que você gosta de dormir durante o dia e caçar a noite, acredito que o mais seguro é você ficar lá no Chalé.
Edwiges o olhou e protestou suavemente, depois subiu e seus ombros e se acomodou ali.
— Você quer ficar comigo? — Harry a viu acenar. — Mas eu estarei indo e vindo por aparatação, você não vai gostar e não dá para você viajar de cá para lá e de lá para cá todos os dias. Olha, eu vou passar o dia lá e você vai me ver, se precisar enviar uma carta enviarei de lá e a noite você tem o bosque para caçar, melhor do que aqui. Que me diz?
Harry a viu acenar concordando e depois suavemente acariciou seus cabelos, parecia preocupada.
— Sobre meus pesadelos? Não se preocupe, vou conversar com o Sr. Martin assim que possível e depois vou tentar ir fazer o ritual de purificação. Tenho certeza que logo não os terei mais. — Sussurrou ele, sua coruja quase sempre o consolava depois de um pesadelo. — Durma hoje aqui, ok? Amanhã, você voa para o Chalé do Boot, vou deixar o seu poleiro novo aqui caso venha me visitar. Até por que, as sextas e sábados, eu não vou para lá e se você quiser pode vir aqui.
Edwiges concordou e depois foi caçar, Harry leu um pouco, mas a tensão do dia logo o fez sonolento e, depois de meditar, dormiu profundamente. E ainda, perto do amanhecer o pesadelo se arrastou sobre ele e o acordou com um grito estrangulado e suando frio. Sua coruja sentou em seus ombros e piou bagunçando seus cabelos.
— Ssshhhss, baixinho Edwiges ou acordará meu tio. — Suspirando ele se levantou e vestiu a roupa de treino. — Não se preocupe, vou ficar bem, se quiser pode começar sua viagem, quando você chegar no Chalé, eu já estarei lá.
Harry a viu acenar e voar para o norte, aliviado por saber que sua amiga estaria segura. Depois ele saiu para o treino, durante o café da manhã seu tio, muito mal-humorado, reclamou de tudo e foi ignorado, inclusive pela esposa. Harry esperou seu tio sair para o trabalho e foi até o jardim da frente esperar sua "carona", Sra. Serafina chegou logo depois e ele sentiu um grande alivio de sair, pelo menos por algumas horas, daquela casa. Não importava que no fim sua decisão foi ficar, ainda detestava viver ali.
Seu dia foi de muita brincadeira, com as crianças, Terry, Kalil, Sirius e Almofadinhas. Eles combinaram que as horas de estudos começariam na semana seguinte e Harry não se importou de ter um tempo para só se divertir.
— Tenho muito o que lhe contar sobre as mudanças que estão sendo feitas nas Fabricas Black e te apresentar ao Edgar, ele vai nos ajudar com suas ideias do Grupo Empresarial. — Disse Sirius durante o almoço.
— Vocês acreditam que já vamos poder colocar minhas ideias em prática, Sirius? — Harry perguntou ansioso.
— Falc não teve tempo de te contar, mas a fase 1 já está completa e a fase 2 já começou. — Disse ele com um enorme sorriso.
— Isso! — Harry comemorou e trocou um sorriso com Terry. — E a reunião com os 7º anos, Terry? Você sabe se correu tudo bem?
Isso fez seu amigo o olhar confuso.
— Hermione ia te escrever contando como foi, você não recebeu sua carta?
— Não e pensando bem, eu não recebi nada do Neville ou da Penny também, imaginei que ela me escreveria para falar sobre como ajudar no projeto e ele sobre sua nova varinha. — Disse Harry preocupado.
— Neville me escreveu, disse que teve uma grande discussão com a avó e que ela se recusou a deixar que ele compre uma varinha nova. — Terry parecia zangado. — Ele parecia bem chateado.
— E Hermione? — Harry perguntou.
— Ela só escreveu para contar que foi viajar de férias com os pais, a viagem já estava programada como uma surpresa para ela, mas Hermione diz que assim que voltar quer ajudar e vir estudar conosco.
Harry acenou ainda confuso, não entendia porque os amigos não lhe escreveram ainda e ele decidiu que hoje mesmo enviaria Edwiges com uma carta para cada um e outra para Penny. Sua amiga coruja ficaria muito feliz com o passeio.
— E sobre a reunião? — Ele voltou a perguntar.
— Foi confuso sem você, Harry. Quando você saiu apressado e disse que não poderíamos falar em seu nome, não prestamos muita atenção, mas na hora em que estávamos em frente aos nascidos trouxas do 7º ano percebemos o que queria dizer. Eles tinham um monte de perguntas e queriam ter certeza das intenções por traz dos planos, tentamos lhes dar garantias, mas a verdade é que só você pode realmente falar por você, assim eu decidi dar o endereço do escritório do meu pai, todos disseram que pretendiam procurá-lo. — Explicou Terry meio que se desculpando.
— Tudo bem, a culpa é de Dumbledore e sua mania de querer controlar minha vida. — Harry disse exasperado. — Você já marcou um encontro com ele, Sirius?
— Sim, para amanhã, na verdade. Agora que você já está longe da escola, adiar apenas levantaria suas desconfianças de porque não me encontro com ele, já que em teoria eu tenho que lhe pedir autorização para encontrar você. — Explicou Sirius com ironia. — Mas confesso que preferiria não o encontrar, principalmente, depois do resultado da audiência.
— Em teoria, você nem deve saber sobre a audiência, é sigilosa e o melhor é Dumbledore não saber que nos conhecemos já. Apenas para que ele não se pergunte o que mais não sabe, não quero que Dumbledore volte e examine cada detalhe dos últimos meses, com sua inteligência perceberia mais meias verdades. — Apontou Harry.
— Sim, conversei muito com o Sr. Boot, Falc e Serafina, acredito que estou pronto para fazer o meu papel. — Disse Sirius e depois sorriu. — Eu sempre fui o melhor ator dos marotos.
— Marotos? O que é isso? — Harry perguntou curioso e viu seu padrinho engasgar com o suco de abóbora.
— Que padrinho terrível eu sou! Harry, ainda não lhe contei sobre os marotos e o mapa, isso é um absurdo, seu pai me puxaria as orelhas. — Disse Sirius e depois os regalou com um conto animado sobre a saga do Marotos em Hogwarts, as brincadeiras, os apelidos, as noites de lua cheia correndo pela Floresta.
Harry e Ayana foram os mais animados, mas quando ele contou sobre o mapa, Terry e Adam e até mesmo, Anne, a babá e Serafina ficaram com os olhos brilhantes e empolgados.
— Um mapa, da escola toda, isso seria incrível! — Harry exclamou empolgado. — Poderíamos fazer outro, Sirius?
O sorriso do seu padrinho morreu na hora.
— Eu... Harry, eu apenas ajudei, eu sou bom em Feitiços e Aritmancia, mas foram seu pai e Remus quem fizeram as partes mais complicadas, não acredito que poderia fazer sozinho. — Disse ele triste.
— Você não voltou a conversar com Remus? — Harry perguntou curioso.
— Sim, voltei, até porque trabalhamos juntos. O idiota achou que ia despedi-lo, mas, bem... não estamos muito amigáveis, não sei se posso confiar nele, Remus é muito leal a Dumbledore. — Contou Sirius.
— Se, depois de tudo o que aconteceu com você por causa das inações criminosas do diretor, Remus ainda está cegamente leal, você faz bem em não confiar, mas se ele estiver mais aberto a ver os defeitos de Dumbledore. — Harry deu de ombros.
A verdade era que essa decisão era do seu padrinho, mas, onde ele estava envolvido, não conseguia imaginar confiar no melhor amigo de seu pai. A tarde Anne o deixou em sua casa, ela deixava o trabalho às 17 horas e não morava muito longe de Surrey, assim ficou combinado que, durante os dias da semana, Harry seria recolhido e entregue por ela.
Ele ajudou sua tia a preparar o jantar e ignorou mais uma vez o mal humor de seu tio, que resmungou e resmungou sem que ninguém lhe dissesse nada. Harry pegou sua tia o olhando algumas vezes durante a refeição e em outras, a pegou olhando para seu primo com preocupação. Harry se perguntou se ela estava finalmente vendo que seu filho estava muito doente. Naquela noite Harry recebeu uma carta do Sr. King e não pode deixar de sorrir, o auror se mostrara muito compreensível com seu ataque tolo. Na carta ele dava o endereço da Academia que frequentava, ficava em Brixton, um bairro de Londres, não seria difícil ir de trem, considerou.
A sexta-feira começou com seu treino e quando estava preparando o café da manhã substancial para si e os parentes, decidiu testar sua teoria.
— Tia Petúnia, um amigo dos meus pais que é um auror, ou policial, me escreveu ontem me falando sobre uma academia. É o lugar que o Sr. King frequenta, ele me disse que ensinam várias lutas, tem piscinas para natação e quadras esportivas. — Explicou Harry e viu sua tia erguer os olhos do chá e o encarar.
— Você me disse que ia frequentar aos sábados, espero que não espere que eu te leve ou pague por isso. — Disse ela azeda e Harry respirou fundo controlando a vontade de dar uma resposta igualmente atravessada.
— Não, tia, tenho dinheiro suficiente para pagar por qualquer coisa que eu queira, não se preocupe. E a academia fica em Londres, Brixton, assim é mais rápido ir de trem. O que eu queria lhe perguntar é se você não gostaria de matricular o Duda? — Disse Harry quando virou mais uma panqueca.
— Duda? — Ela o olhou surpresa.
— Sim, a senhora deve ter percebido que ele está além de gordo, essa obesidade é tão perigosa quanto minha desnutrição. E talvez lhe faça bem fazer alguma atividade física, aprender uma luta ou esporte? — Disse ele displicente.
— Duda nunca vai querer, ele nunca gostou de nenhum esporte. — Disse ela, mas Harry achou que sua expressão estava pensativa e o fato de não o corrigir sobre a obesidade do primo, era um bom sinal.
— Sim, mas lá tem muitas opções e tem piscina, Duda gostava de ir ao clube do tio Vernon nadar, lembra? — Harry serviu os dois e se sentou à sua frente, sua tia acenou pensativa. — E ele tem físico para algumas lutas, se emagrecer um pouco, sabe, judô, boxe. Seria algo para o ocupar agora que vai mudar de escola, a senhora já escolheu para qual vai enviá-lo?
— Não, tem poucas opções aqui perto e a Smeltings tinha um desconto bom pelo fato do seu tio ter sido aluno lá. A opção seria enviá-lo para alguma escola em Londres, mas elas são muito mais caras e a maioria são semi-internatos. — Explicou ela enquanto brincava com a comida e observava ele comer sua montanha de ovos, legumes e queijos.
— E isso seria ruim? Se Duda ficar a semana na escola, poderia se alimentar melhor, eles têm regras de cardápios saudáveis, não tem? E aos fins de semana pode ficar aqui, se ele gostar da academia pode até continuar o treinamento aos sábados mesmo depois que o verão acabar. — Disse Harry suavemente.
— Ficar a semana todo sem meu Duduzinho? — Petúnia fez uma careta para a ideia.
— Bem, talvez apenas pelos anos do secundário e talvez fosse mais fácil do que a senhora tentar colocar o Duda em uma dieta. Não sei, tia, mas talvez valha a pena se for para ele ficar saudável. — Disse Harry e decidiu não insistir mais, sabia que isso faria ela refletir e com sorte sua tia escolheria o melhor para o seu primo.
O resto do seu dia foi de jardinagem, estudar, mais jardinagem e cozinhar. Seu humor foi ficando mais sombrio enquanto o dia chegava ao fim e a noite em seu quarto, Harry não conseguia dormir. No dia seguinte teria que contar e mostrar tudo que aconteceu na escola durante o ano e uma parte dele se perguntava se os Boots o olhariam diferente depois que o vissem matar o Quirrell. Sirius entenderia, Harry pensou, mas a Sra. Serafina e o Sr. Falc ainda gostariam dele? Ou o quereriam longe de Adam e Ayana?
Seus pesadelos foram mais duros e Harry dormiu muito pouco, depois de um treino mais puxado ele tomou um longo banho que acabou acordando seu tio. Harry ignorou seus gritos enquanto se vestia em seu quarto e quando desceu, decidiu tomar o café nos Boots. Já estava na porta quando ele gritou de novo.
— Onde você vai? Tem que preparar o café da manhã seu garoto inútil e preguiço! — Exclamou seu tio furioso.
Harry foi até a cozinha e, pegando os ovos, os colocou sobre a mesa junto com o bacon e salsichas.
— Aqui está, prepare seu próprio café da manhã! Eu não sou se servo, seu escravo ou empregado! O único inútil e preguiçoso nesta casa é você que se senta em sua bunda gorda e espera ser servido por mim ou minha tia. — Gritou Harry, seu tio o olhava com espanto e ele decidiu deixar a casa antes que se recuperasse.
Harry caminhou meio quarteirão quando viu o Sr. Falc, aliviado por ver um rosto amigo, ele sorriu e até se esqueceu dos pesadelos e pensamentos negativos da noite anterior.
— Bom dia!
— Bom dia, Harry! Com pressa de deixar a casa? — Perguntou ele com olhar aguçado.
— O senhor nem faz ideia. Não que eu esteja ansioso por nossa conversa, mas ficar longe dessa casa é minha maior alegria. — Disse Harry sincero.
— Harry, sei que você disse que essa proteção é importante, mas ela é mais importante que sua felicidade ou paz? É bem óbvio que viver com seus tios o deixa infeliz. — Sr. Falc o olhou com cuidado quando chegaram ao parque vandalizado e vazio.
— Talvez não, mas não me decidi ainda sobre o que é mais importante e não quis perder a proteção antes de ter certeza que realmente preciso dela, Sr. Falc. — Disse Harry com um sorriso meio triste. — Acredito que depois que eu contar sobre a morte de Quirrell vai ficar mais claro.
— Ok, vamos ir então, todos estão esperando.
Eles aparataram no Chalé e todos ainda estavam na mesa tomando o café da manhã. Harry se juntou feliz e comeu com prazer.
— Sirius, como foi o encontro com Dumbledore? — Perguntou curioso, se servindo de mais leite.
— Acredito que foi tudo bem, depois conto com mais detalhes e tenho uma surpresa boa para você. — Disse ele com um sorriso animado e uma piscadela. Harry sorriu aliviado e curioso.
Mais tarde ele se despediu dos pequenos que estavam indo para a casa dos avós Madaki, Sr. Boot e Sirius chegaram, Sra. Honora ficaria com a Srta. Cassiane. Eles entraram na biblioteca e a penseira sobre a mesa tornou mais real o que eles estavam prestes a fazer, Harry empalideceu e mesmo Terry começou a suar. Os adultos perceberam e a Sra. Serafina os abraçou.
— O que é isso? Não pode ser tão ruim e não os deixaremos de castigo ou qualquer coisa, vocês não precisam se preocupar. — Disse ela suavemente.
— Não estamos preocupados com castigos, mamãe. É maior, muito maior e... — Terry o olhou e Harry acenou. — Nós escondemos alguns fatos que aconteceram na escola antes das férias de inverno. Fizemos isso porque não havia nada que vocês pudessem fazer e, principalmente, porque não pretendíamos nos envolver. Acredito que tudo começa quando Hagrid foi levar ao Harry sua carta de Hogwarts.
— Sim, quando estávamos no banco... — Harry então contou sobre o pacote encalombado. — Parecia algo sem importância, mas quando explorávamos as saídas do Covil... — Quando Harry contou sobre o Cerberus todos empalideceram.
— Dumbledore perdeu completamente a sanidade. — Sr. Boot já estava de pé andando irritado e eles nem chegaram ao pior.
— Bem, não foi difícil ligar o pacote importante ao alçapão e a presença do Cerberus, algumas perguntas ao Hagrid e ele nos contou que o pacote era assunto de Dumbledore e Nicolas Flamel. — Terry explicou então sobre o troll e a voz que ouviram falando com o ser fedorento.
— Mas porque não contaram a um professor? E porque esconderam isso de nós quando estiveram aqui no Natal? — Serafina não estava nada feliz.
— Porque era claro que todos os adultos de Hogwarts já estavam cientes de que alguém estava tentando roubar a Pedra, foi por isso que a armadilha foi montada. E o fato do Snape ter desconfiado, com razão, que o troll era uma distração no fez considerar que os avisar não era necessário. — Explicou Terry defensivamente.
— E o mais importante, não sabíamos quem era o ladrão, a quem pertencia a voz e se contássemos ao diretor ou McGonagall e o ladrão descobrisse e acreditasse que poderíamos identificá-lo, estaríamos nos colocando como seus alvos. — Disse Harry quase impaciente. — E, sinceramente, isso foi o menos grave que aconteceu, vocês têm que se preparar e entender que não tínhamos a intenção que tudo se encaminhassem na direção em que foram, nos recriminar por cada decisão não vai nos levar a nada.
— Harry está certo, querida, eu já sei um pouco do que aconteceu e já entendi que o único responsável foi Dumbledore, não as crianças. — Disse Sr. Falc apertando suas mãos carinhosamente.
— Ok, me desculpem, por favor, continuem. — Disse ela suspirando.
— Depois do ataque do troll, eu sofri uma nova tentativa, foi durante o primeiro jogo de quadribol... — Harry então explicou o ataque e seu raciocínio que o levou à conclusão de que era Quirrell o ladrão e porque só contou aos amigos na vigem de trem da escola para Londres em dezembro. — Também não me preocupei em contar para um professor, porque acreditei que eles ou ao menos o diretor, McGonagall e até Snape já saberiam. Era óbvio e me pareceu que os três estavam mais envolvidos nas questões da Pedra do que os outros e mais uma vez não quis me colocar como alvo, além disso, não tínhamos provas. Hermione neste ponto tinha certeza que Dumbledore estava usando a Pedra como isca para prender o ladrão, pegá-lo em flagrante, mas quando voltamos para a escola Terry nos contou o que era exatamente a Pedra e foi quando... — Harry explicou sua teoria de que Quirrell queria a Pedra para Voldemort e viu todos empalidecerem ainda mais.
— Isso não me surpreende, minha prima louca, Bella, gritou várias vezes que seu Mestre estava vivo e que voltaria ao poder. — Disse Sirius com um olhar assombrado que sempre tinha ao pensar em Azkaban.
— Vivo? Como é possível? — Questionou o Sr. Boot, mas ninguém respondeu porque não podiam imaginar como.
— Nesse ponto isso era apenas uma conjectura e...
— Você tinha certeza, Harry. — Interrompeu Terry. — Nós duvidamos, mas Harry tinha certeza que Voldemort estava por traz de Quirrell.
Ao ver os olhares curiosos, Harry suspirou.
— Tudo só me parecia coincidência demais, no ano em que volto ao mundo mágico, meu primeiro ano em Hogwarts e tem um Cerberus, um alçapão cheio de proteção e no fim um Pedra que pode tornar alguém imortal. Hagrid me disse e, acredito que são os pensamentos de Dumbledore também, que tem certeza que Voldemort está vivo, apenas enfraquecido. — Explicou Harry e viu todos acenarem. — Mas a verdade é que era apenas uma intuição, de qualquer forma, ao voltar para Hogwarts, o diretor fez seu próximo movimento... — Harry contou sobre a capa que recebeu do diretor, isso provocou uma reação de Sirius.
— A capa! Você está com a capa de James? — Ele parecia chocado e emocionado.
— Sim. — Harry sorriu e se levantou mostrando a braçadeira, ele explicou que a fez com o Prof. Jonas e como sua conexão com a magia da capa lhe permitia se proteger mais facilmente.
Ao ver seus olhares confusos, ele apenas suspirou e pediu a capa que o protegesse ao mesmo tempo que pedia a braçadeira que a liberasse. Em poucos segundos ela se arrastou como um liquido prateado por seu corpo e o envolveu até que Harry desapareceu completamente. As exclamações foram de espanto e Sirius se levantou animado.
— Isso é incrível! James nunca pensou em algo assim, sempre corríamos o risco de sermos pegos antes de ficarmos invisíveis. Esqueça o mapa, isso é muito mais brilhante. — Disse ele rindo com seu riso de latido.
— Uma capa de invisibilidade. Dumbledore entrega uma capa de invisibilidade a uma criança de 11 anos e só eu estou pensando que isso é uma péssima ideia? — Disse Sra. Serafina olhando em volta e ao mesmo tempo todos eles responderam.
— Sim!
Isso provocou o riso de todos e até ela, sorriu meio exasperada.
— Serafina, pense como algo assim pode proteger o Harry e os amigos, na verdade acredito que foi a melhor coisa que Dumbledore fez até agora. — Disse Sr. Falc olhando para Harry quando este apareceu e a capa voltou para sua braçadeira suavemente.
— Pai, espere para ver o porquê o diretor entregou a capa antes de afirmar isso. — Disse Terry desanimado.
— Bem, nesse ponto desconfiamos do motivo que o levou a me entregar a capa naquele momento, sendo algo do meu pai, ele poderia ter me entregue em setembro e não como uma desculpa tola de um presente de Natal. — Continuou Harry e respirando fundo, contou sobre o espelho e não houve quem não se engasgassem de emoção. Sra. Serafina derramou lágrimas, Sirius se levantou e ficou olhando para fora pela janela, arrasado.
— Que crueldade, Merlin, e pensar que um dia acreditei que Dumbledore fosse o maior bruxo que o mundo já viu. — Sr. Boot estava arrasado pela decepção.
— Harry foi muito inteligente, ele percebeu que... — Terry explicou o que levou Harry a voltar ao espelho e esperar a jogada de Dumbledore.
Harry não contou o encontro.
— Acredito que essa é a primeira lembrança que precisam ver, assim estamos todos juntos em nossas impressões. — Disse Harry e com a ajuda do Sr. Falc tirou a lembrança da conversa.
Terry também entrou já que não estava presente ao encontro e Harry se sentou e esperou calmamente. Na época, ele não tivera noção de quanto tempo durara a conversa, mas quando eles saíram 10 minutos depois, percebeu que foi rápida.
Assim que todos estavam fora, Sirius falou furioso.
— Ele age como se você tivesse que lhe agradecer por sua ajuda quando foi sua armadilha que o colocou em frente ao espelho.
— Isso é um absurdo, mas você foi muito bem, Harry, ao não o encarar nos olhos e ele acreditou que era apenas timidez. — Elogiou o Sr. Boot.
— "Se algum dia o encontrar, estará preparado. " Preparado. Mais uma vez essa palavra, em nossa reunião e, nesse momento, Dumbledore diz que você precisa estar preparado. — Sr. Falc estava pensativo.
— Vamos explicar, já temos a resposta para isso. — Disse Harry. Todos se sentaram e ele continuou. — Nesse ponto, estávamos confusos sobre porque eu tinha que encontrar o espelho, para o que precisava estar preparado, nossa única certeza é que seja o que fosse, não tinha acabado. Hermione e Terry acreditavam que a intenção de Dumbledore era entrar na minha vida ou na minha confiança em um momento de vulnerabilidade. — Explicou ele. — Terry sugeriu que ele queria me "salvar" e assim me fazer vê-lo como um grande bruxo, um herói, alguém em quem eu confiaria cegamente. Hermione sugeriu que ele poderia estar tentando se inserir como uma figura parental, algo como "você não tem seus pais, mas tem a mim".
— Poderia ser tudo isso e é asqueroso fazer isso com uma criança, mas no fim ele deixa claro que precisava que você encontrasse o espelho, que aquele encontro era uma preparação. — Disse Sirius tentando conter a raiva e feliz por ter ido no dia anterior se encontrar com o diretor, hoje seria impossível.
— Foi Harry quem percebeu isso e nos fez considerar que ainda não tinha acabado. Felizmente, nada aconteceu nos meses seguintes e nossa decisão era apenas observar e se percebêssemos qualquer tentativa do Quirrell em direção da Pedra, contaríamos a um professor. — Explicou Terry muito sério. — Ainda assim, Harry insistiu que aprendêssemos mais Defesa, pois ele temia o imponderável.
— E com razão. — Harry foi quem se levantou nesse momento, mal-humorado. — Hermione tinha certeza que as proteções e Dumbledore estar na escola evitariam o roubo ou que a Pedra Filosofal usada de isca era falsa. Terry insistiu que mesmo se o diretor fosse enganado e tirado de Hogwarts qualquer outro professor poderia defender a Pedra, mas eu não pude deixar de considerar que Voldemort estava envolvido de alguma forma e que não poderíamos subestimá-lo e então nós tivemos a confirmação de que ele estava na escola. — Disse Harry e se aproximando da penseira. — Vocês devem ver o que aconteceu na Floresta.
Harry explicou sobre o jardim e depois eles entraram, assistindo do ponto em que Harry ouviu o pedido de ajuda da Floresta e correu, até o momento em que se despediu de Firenze. Mais uma vez, ele foi o único que esperou na biblioteca e passou quase meia hora antes que eles saíssem da penseira. Todos se sentaram antes de falar qualquer coisa e seus rostos pálidos e chocados já expressavam muito.
— Voldemort, vivo e em Hogwarts. — Sr. Boot sussurrou assombrado.
— Eu entendi o que você quis dizer sobre ele nem parecer sentir suas maldições, Harry, parecia que Voldemort estava apenas lutando contra...
— Uma criança, Terry, ele estava lutando contra uma criança e mesmo enfraquecido ainda é um dos bruxos mais poderosos e um adulto. Você foi muito corajoso e imprudente Harry, sei que salvar o unicórnio foi importante, mas sua vida é mais. — Disse Sra. Serafina o olhando com seus olhos castanhos cheios de carinho.
Harry engoliu em seco e acenou.
— Eu não pude não agir, é difícil explicar... — Disse ele, meio que se desculpando.
— Na verdade, é muito claro que você tem a coragem Gryffindor em você e a imprudência também, o fato de ser um Ravenclaw apenas o ajuda a pensar e ser mais inteligente em suas ações. — Disse Sirius sorrindo com orgulho. — E não acredito que, além de lutar com Voldemort e salvar um unicórnio, você andou no lombo de um centauro, se tornou seu amigo e deu uma surra verbal em outros dois centauros, tudo em meia hora. E eu acreditando que as aventuras dos marotos foram incríveis.
— Sirius, isso não era uma aventura, foi muito arriscado e você não deve incentivá-lo. — Serafina o olhou chateada.
— Serafina, acredita que pode impedir o Harry de fazer o que o seu coração diz para fazer? Você conheceu Lily e eu a conhecia e James, Harry tem muito dos dois e sua própria teimosia, seus instintos afiados. O que temos que fazer é ajudar, é prepará-lo para que ele seja esperto, tome a decisão certa e sobreviva, tentar segurá-lo seria o mesmo que tentar guardar água em suas mãos. — Disse Sirius e seu tom era firme.
Harry viu Serafina o encarar bem nos olhos e depois sorrir, meio triste, meio divertida.
— Desde o primeiro momento que vi esses olhos verdes, eu já sabia disso, mas isso não me impede de me preocupar. — Disse ela e a Harry só lhe restou sorrir tímido e agradecido por seu cuidado com ele.
— Além da presença de Voldemort, o que me preocupa são as previsões dos centauros, tempos sombrios a frente, isso me parece algo que não podemos desconsiderar. — Sr. Falc disse pensativo.
— Eu concordo e na verdade acredito que esses tempos sombrios serão uma nova guerra e temos que nos preparar, mas deixe-me continuar e então podemos conversar mais sobre tudo. — Disse Harry e recebeu acenos de todos. — Depois do que aconteceu na Floresta estávamos ainda mais preocupados porque já não confiávamos nas proteções se quem estava tentando superá-las, talvez pessoalmente, era Voldemort. Então no fim da primeira semana de exames... — Harry contou-lhes sobre a conversa com Hagrid e como perceberam que sem sangue de unicórnio, o roubo da Pedra poderia acontecer a qualquer momento e enquanto os professores estavam ocupados.
— Foi o Harry quem percebeu, ele diz nós, mas na verdade é ele quem tem esses insights e intuição. — Disse Terry lhe dando um olhar exasperado. — Hermione confirmou que a Pedra era a verdadeira e decidimos contar para McGonagall nossas suspeitas, a intenção era que ela avisasse Dumbledore e eles aumentassem a vigilância, mas...
— McGonagall jamais lhes daria atenção. — Disse Sirius tristemente. — Eu a adoro e ela é uma grande bruxa, mas é também a chefe de casa da Gryffindor, onde estão os alunos mais mentirosos e brincalhões, desordeiros e imprudentes.
— Foi exatamente o que aconteceu e foi minha culpa por dizer que eu não acreditava que as proteções segurariam Quirrell, ela se sentiu ofendida e mais ainda por questionarmos o diretor. — Disse Harry irritado por seu erro tolo.
— Não se sinta culpado, Harry, ela nem acreditou em nós quando dissemos que o ladrão era Quirrell. O ano todo as pistas estavam lá e Dumbledore devia saber, mas ela não se importou em investigar ou o diretor em informá-la. — Disse Terry ainda zangado. — É óbvio que McGonnagall é leal ao diretor e cega aos seus defeitos, mas ela nos expulsou sem considerar que somos bons alunos e nunca fizemos nada que lhe desse o direito de nos chamar de mentirosos. E é por isso que ela não é mais a chefe da Gryffindor, ela não se importa com seus alunos.
— O que?
— Como assim?
— Quando isso aconteceu?
Terry muito satisfeito contou sobre as dificuldades que seus amigos enfrentaram e como McGonagall decidiu deixar de ser chefe da casa e entregar o cargo para a Prof.ª Vector. Falc e Sirius foram os mais chocados.
— Eu nunca pensaria que ela deixaria os alunos, McGonagall sempre adorou mais que tudo os alunos, cuidar e ensinar. — Disse Sirius.
— Se me dissessem antes eu diria que ela deixaria de ser vice-diretora, nunca abandonar a Gryffindor. — Disse Falc.
— Vocês desconsideram o fato de que como qualquer pessoa, McGonagall é ambiciosa, claro que sua lealdade a Dumbledore influenciou sua decisão, mas seu desejo pelo cargo de diretora também. — Disse Sr. Boot com certo cinismo. — Se ela deixasse o cargo de vice para outro professor, no dia em que Dumbledore deixar de ser o diretor de Hogwarts ela não seria a sucessora natural.
— Não tínhamos considerado isso. — Disse Harry suspirando. — Bem, de qualquer forma decidimos procurar o Prof. Flitwick e ele foi incrível, acreditou em nós e decidiu vigiar o corredor do 3º andar. Nós confiamos nele, mas sentimos que...
— Você sentiu. — Terry falou com firmeza. — Harry, pare de dizer nós, Hermione, Neville e eu estávamos felizes por deixar tudo nas mãos de um adulto e irmos dormir, mas você teve a intuição e mais uma vez corretamente a seguiu e por isso salvou a vida do Flitwick.
— Salvou a vida dele? Mas o que aconteceu? — Sussurrou Serafina aflita pelo seu chefe de casa.
— Ele vai ficar bem, mamãe, mas isso graças ao Harry…— Terry contou sobre a insistência do amigo em observarem escondidos para terem certeza que tudo ficaria bem.
— Acho que vocês devem assistir, é bem escuro e apertado, mas dá uma medida das nossas decisões. — Disse Harry e tirou a lembrança da luta e depois a discussão e decisão de descer pelo alçapão.
Ele voltou a sentar, desta vez com Terry que não quis ir ver seu professor ser machucado.
— Você vai entrar na luta? — Perguntou Harry ao amigo.
— Sim e acho que você deveria também. — Disse Terry o olhando com atenção.
— Não sei se quero ver tudo aquilo de novo. — Disse Harry sincero.
— Mas você continua vendo em seus pesadelos, talvez entrar e assistir de um ângulo diferente o ajude. — Disse o amigo preocupado.
— Meus pesadelos com Quirrell é o que menos me preocupam, Terry. — Harry suspirou e enxugou as mãos suadas.
O amigo o olhou, mas antes de perguntar qualquer coisa os adultos deixaram a penseira e estavam assombrados. Harry pensou que fosse por causa de Flitwick ou pela decisão de descerem pelo alçapão, mas Sirius foi o primeiro a falar e o surpreendeu completamente.
— Você falou com a cobra.
— O que? Sim, eu falei, qual o problema? — Harry estava confuso.
— Harry... — Seu padrinho o olhou preocupado.
— Isso já aconteceu antes, Harry, você já tinha falado com alguma cobra antes? — Sr. Falc se sentou também.
— Sim, eu conversei com uma no zoológico no ano passado. O que isso importa? — Perguntou irritado com o assunto pouco importante.
— Espera, você disse que espantou a cobra, achei que tinha usado magia. — Terry o olhou chocado também.
— Achei mais fácil dizer que a espantei com um feitiço do que explicar que eu disse a ela para soltar o professor e ir embora para a Floresta e que ela respondeu concordando. — Disse ele dando de ombros.
— Foi isso que você disse? — Serafina parecia mais curiosa do que chocada.
— A cobra te respondeu? — Terry tinha os olhos arregalados, parecia quase animado, mas ainda chocado.
— Sim, vocês estavam lá e viram e ouviram o que eu falei. Não estou entendo nada, porque estão mais preocupados com a cobra do que com o professor ou que vamos descer pelo alçapão? — Harry mostrou sua irritação.
— Harry, estamos preocupados com tudo, mas o fato de você ser um ofidioglota nos deixou a todos chocados. — Disse Sirius colocando a mão em seu ombro.
— Lembra-se, Harry que falamos sobre habilidades mágicas e de herança genética? A ofidioglossia é uma delas e muito incomum, pois existem nas linhas de algumas famílias, é uma habilidade herdade pelo gene familiar. — Explicou Sra. Serafina suavemente.
— E não tem essa habilidade nos Potters? — Entendendo a confusão deles.
— Não, pelo menos até onde sabemos. É possível que por não ser uma habilidade popular algum Potter a tenha escondido, mas provavelmente seu avô encontraria a informação quando pesquisou sobre seus antepassados. — Sr. Boot parecia pensativo e curioso.
— Bem, mas não podemos desconsiderar minhas outras linhagens, sou descendente de diversas famílias, os Peverell, os Fleamont, os O'Hallahan, os Evans que devem ter vindo de algum aborto ou bruxo que se casou com um trouxa e não podemos saber a qual família mágica eles pertenciam. — Disse Harry sem preocupação. — Além disso, porque uma habilidade mágica não é popular? Eu preferiria ser uma metamorfomago, mas não vou reclamar de poder falar com cobras, isso talvez tenha salvado a vida do Flitwick.
— Você está certo, Harry, mas no mundo mágico o preconceito é a principal arma dos ignorantes. — Disse Serafina exasperada. — Essa habilidade é mais claramente identificada na família Slytherin, por isso a cobra é sua mascote. Salazar Slytherin era um ofidioglota e...
— Voldemort também, na verdade ele se declarava descendente direto de Salazar Slytherin e conseguiu muitos seguidores com essa declaração e usava a ofidioglossia como prova de sua linhagem. — Explicou Sr. Boot mais realista. — E se as pessoas souberem que você, Harry, além de ter derrotado Voldemort quando bebê também tem essa habilidade, que muitos consideram uma habilidade escura, olharão para você com desconfiança.
— Que tolice, uma habilidade escura? Eu acabei de usar essa habilidade para salvar a vida de alguém, apenas porque herdei a capacidade de falar com cobras, isso não me faz mal e muitos menos como Slytherin e Voldemort. — Harry estava inconformado.
— Você está certo, mas as pessoas lá fora não pensarão como nós, por isso lhe aconselho a esconder sua habilidade, até porque ninguém pode entender o que você fala e isso poderia mudar sua reputação rapidamente. — Disse Sr. Boot preocupado.
— Foi como MacMillan disse, Harry, sem provas as pessoas pensariam que você está tentando chamar a atenção ou é um mentiroso. Se descobrissem que você compartilha essa habilidade com dois bruxos das trevas, elas se virariam contra você e de herói passaria a ser o vilão. — Explicou Terry sensato.
Harry acenou, ele não gostava de sua fama ou de ser chamado de herói, mas sabia que seus planos poderiam ser destruídos se ele tivesse uma reputação negativa, imagine então, se fosse considerado um bruxo das trevas.
— Ok, manter em segredo, isso não é problema, mas ainda não entendo, quando falei com a cobra não percebi que estava falando outra língua. — Disse ele confuso.
— Aqui, tente. — Sirius rapidamente agitou sua varinha e uma cobra apareceu. — É bom que treine, assim pode identificar quando estiver falando a língua das cobras e saber que uma está por perto.
Harry acenou e olhou para a cobra de jardim verde de mais ou menos 1 metro, ela olhou em volta confusa e depois o encarou diretamente como se soubesse que ele podia entendê-la.
— Olá. — Disse ele, franziu o cenho, não parecia outra língua.
— Olá, senhorrr, porque estou aquiiii? — Suas palavras tinham mais ênfase no fim como um silvo.
— Eu apenas queria testar minha habilidade de falar com cobras. — Harry então percebeu que os sons que saiam de sua boca eram como um silvo, não era exatamente uma linguagem humana, era uma linguagem animal. — Eu descobri que posso falar com vocês e queria saber como é, você já encontrou muitos oradores?
— Nãooo, acabeiiii de ser criadaaaa. Precisaaa falar com uma nascenteeee. — Disse ela e Harry acenou.
— Obrigado. Você quer ir para o jardim? Tem um lindo bosque lá fora. — Sugeriu ele e foi abrir a porta.
— Obrigadaaaa. — Disse ela quando deixou o escritório.
Quando ele voltou encontrou todos o olhando com assombro.
— Vocês não entenderam nada? — Perguntou curioso.
— Isso foi incrível! — Terry disse com um sorriso animado. — Mas como poderíamos entender alguma coisa? Você apenas silvou e enrolou a língua com os sons mais estranhos.
— Foi realmente muito estranho e a cobra respondendo com silvos, era claro que você entendia ela e vice e versa. — Disse Serafina ainda chocada.
— É curioso, porque para mim parece que ela está falando como nós falamos, mas depois percebi que não é uma linguagem humana com palavras. É uma linguagem animal, sons e silvos que expressam a mensagem, muito interessante. — Disse Harry sorrindo.
— Eu concordo que seja interessante, mas também concordo com meu pai que o melhor é você manter segredo dessa habilidade, Harry. — Disse Sr. Falc.
— Tudo bem por mim, não tenho intenção de sair por aí falando com cobras ou comprar uma como animal de estimação. — Disse Harry divertido. — Bem, agora vamos seguir pelo alçapão...
— Você quer dizer que vocês vão seguir pelo alçapão. — Serafina os olhou preocupada. — Eu sei que no momento vocês acreditaram que era a melhor opção, mas haviam mais adultos na escola que poderiam ajudar.
— Nós sabemos e não descemos lá sem considerar isso. Neville ficou para encontrar ajuda e nós três descemos, a ideia era atrasar Quirrell e quanto mais avançamos pelas proteções, mais temíamos que ele pegaria a Pedra facilmente. — Disse Harry seriamente.
— Porque? — Sirius se mostrou surpreso. — Eu pensaria que as proteções feitas pelos professores seriam difíceis ou impossíveis, principalmente para crianças e Quirrell estava sozinho, sem Voldemort, isso deveria ser uma vantagem.
— As proteções eram uma piada e nós passamos por elas facilmente, Quirrell não deve nem ter suado e ele não estava sozinho. — Harry se levantou e se colocou ao lado da penseira. — Agora vem a parte mais difícil e vou entrar com vocês.
— Tem certeza, Harry? — Terry se mostrou preocupado.
— Sim. Acredito que será bom ver tudo de novo e.… bem, podemos já ir conversando sobre as descobertas que fiz. — Disse ele hesitante e com a ajuda do Sr. Falc tirou a lembrança mais longa de sua mente até agora. — Resumindo, a última proteção nos encurralou com o fogo, não dava para ir ou voltar, mas tinha uma charada e líquidos que ajudava a passar pelo fogo. Tinha o suficiente para uma pessoa, eu tomei e segui, Terry e Hermione ficaram esperando a ajuda que Neville traria e tentando lembrar de algum feitiço para superar o fogo. Agora vamos começar do ponto em que eu entro na última câmara e encontro Quirrell e a proteção de Dumbledore.
Todos acenaram e um a um eles entraram, Harry e Terry primeiro e por fim os adultos. Eles olharam em volta, a imagem congelada mostrava Harry parado a alguns passos de um fogo negro e Quirrell de costas e em frente ao espelho de Ojesed.
— O espelho! — Sirius gritou e se adiantou, os outros o seguiram. — Esse é o espelho de Ojesed, o que ele faz aqui?
— Essa é a última proteção, Dumbledore colocou a Pedra dentro do espelho e me contou depois que a única maneira de a acessar era se a pessoa que olhasse no espelho quisesse a Pedra, não para usá-la, mas para protegê-la. — Explicou Harry e viu suas expressões de assombro.
— A Pedra nunca esteve em perigo, Quirrell ficaria em frente ao espelho para sempre e nunca conseguiria pegá-la. — Disse Sirius o encarando.
— Isso foi uma armadilha para você, Harry, por isso que tinha que encontrar o espelho antes, assim saberia como ele funcionava, para esse momento. — Serafina parecia arrasada.
— Por isso as proteções frágeis, a intenção nunca foi deter o ladrão e sim facilitar para que você chegasse até aqui. — Sr. Falc o olhou por confirmação e Harry acenou afirmativamente.
— Isso quer dizer que Dumbledore não deixou Hogwarts? Ele está em algum lugar escondido e permitindo que você enfrente esse terrível perigo? Com qual intenção? — Sr. Boot estava furioso.
— A intenção ficará evidente mais à frente. E é possível que ele estivesse na escola, mas acredito que se fosse assim McGonagall saberia. Eu acho que ele deixou Hogwarts, mas não foi muito longe. — Disse Harry dando de ombros. — Vamos seguir?
Todos acenaram e o Sr. Falc descongelou a lembrança.
— Olá, professor. — Disse ele calmamente segurando sua varinha displicentemente ao longo do corpo.
Quirrell se virou e sorriu. Seu rosto não tinha nenhum tique.
— Estive me perguntando se você apareceria, Potter. — Disse um pouco debochado. — Depois de seu pequeno ato na Floresta tinha a esperança de poder liquidá-lo antes de deixar Hogwarts com a Pedra Filosofal para o meu mestre.
Harry sorriu e o olhou com o mesmo ar de deboche.
— Quirrell, nós dois sabemos que você não vai sair vivo dessa sala e muito menos da escola, as chances de você chegar até seu mestre com a Pedra são ainda mais pífias. — Disse ele com muito mais segurança do que sentia, mas em uma batalha você não mostra medo, insegurança ou confusão.
Harry viu todos o olharam surpresos.
— O que? — Perguntou sem entender.
— Você não percebe? Sua segurança, coragem, desafio, Harry, eu já vi aurores que entraram em situações de batalhas como você está fazendo agora que tremiam, pálidos e apavorados. — Disse Sirius com um sorriso orgulhoso.
— Quando você disse que era o instinto, não tinha considerado que você nem demonstrou medo. — Disse Terry assombrado.
— Bem, pois eu estava com medo e inseguro, mas em uma batalha não se mostra fraco ao seu inimigo, a não ser que isso seja o caminho mais inteligente para vencê-lo. É como um jogo de xadrez, você tem que pensar 2 ou 3 jogadas a frente. — Disse dando de ombros. — Vamos continuar.
Quirrell deu uma gargalhada e com um estalo cordas voaram na direção de Harry que com grande agilidade se afastou para o lado enquanto erguia a varinha.
— Incendio! — Gritou e as cordas se desfizeram nas chamas. — Quanta agressividade, professor, não gosta de conversar? Ou não gosta de ouvir a verdade? — Disse ele ainda sorrindo.
— Boa, Harry! — Gritou Terry com um grande sorriso.
Sirius também riu e se aproximou passando seu braço pelos seus ombros.
— Essa lábia, Lily era igualzinha, não havia como vencê-la em uma discussão. — Disse ele e Harry sorriu, apesar de seu olhar continuar triste.
Quirrell o olhou zangado, mas depois relaxou com um sorriso frio.
— Muito bem, você quer conversar? Porque não me conta como descobriu que eu estaria aqui? Você não parecia surpreso em me ver como se soubesse que era eu o ladrão da Pedra. — Disse ele caminhando mais perto, Harry não se moveu ou mostrou desconforto.
— Bem, to...da eessaa gag...guei...ra, desculpe professor, mas não convenceu. E não vamos esquecer do troll, hum... esse foi um movimento bem tolo e então Hagrid realiza seu grande sonho e consegue um ovo de dragão, raro e valioso, em um jogo de cartas em um bar onde ele acaba sempre bêbado. — Harry moveu a cabeça negativamente e mostrou certa pena. — Um plano absurdo e exagerado, óbvio mesmo. E hoje o diretor deixa Hogwarts para Londres e eu pensei, olha só, Quirrell finalmente resolveu agir. E pronto, cá estou.
— Mas todas essas coisas, menos a gagueira, poderiam ter sido feitos por qualquer outro, como você chegou à conclusão de que eu sou o autor? — Disse ele dando mais uns passos em sua direção, Harry sorriu e displicentemente, se moveu lateralmente ao ter uma ideia e planejando seus próximos movimentos.
— Você já tinha o seu plano aqui. — Afirmou Terry ao reconhecer sua expressão.
— Plano? — Serafina muito aflita, apesar de admirar a coragem do Harry, não conseguia mostrar animação.
— Sim, vocês vão ver. — Disse Harry.
— Essa é uma boa pergunta e na verdade Snape era um bom candidato, com seu ódio por meu pai e clara aversão por minha pessoa. E ele com seu jeito de morcegão andando por aí e maltratando todo mundo faz o tipo, mas existem alguns detalhes que na hora de deduzir deixou claro quem era o ladrão. — Explicou Harry mantendo os olhos fixos em Quirrell para o caso de ele se cansar da conversa e atacar.
— Ainda não acredito que Snivellus é professor em Hogwarts, só por isso a sanidade de Dumbledore deveria ser questionada. — Disse Sirius mal-humorado.
Todos apenas acenaram, Falc e Serafina se olharam, eles tinham planos para lidar com isso em breve.
— E que detalhes são esses? — Perguntou Quirrell curioso dando outro passo para frente e Harry aumentando o sorriso deu outro passo para o lado, como se eles estivessem dançando.
— Bem, o dia em que nos conhecemos no Beco, por exemplo, o Gringotes foi roubado naquele dia e eu estava com Hagrid quando o cofre foi esvaziado, imagine, a Pedra Filosofal bem ali durante todos as horas em que fiz minhas compras escolares. — Harry mostrou uma expressão de assombro debochado e depois continuou. — E não vamos esquecer do dia em que atacou minha vassoura, sabemos que Snape não pode me atacar por causa do juramento e você era o único que não estava no camarote dos professores, apesar de ter estado lá no início do jogo. E claro, o mais flagrante, no dia do ataque do troll eu estava na enfermaria e imagine minha surpresa quando o ouvi, sem gagueira alguma, conversando com o ser fedorento e o levando para o Grande Salão. Muitos furos, na verdade, acredito que se pudesse lhe dar uma nota, seria T, de troll. — Harry riu suavemente.
Harry viu Quirrell ficar vermelho de raiva e apertar sua varinha com mais firmeza e preparou-se.
— E porque você não contou a...
— Chega... Ele está ganhando tempo... Seu tolo... Consiga a Pedra... — Disse uma voz fria de pesadelos que parecia vir do próprio Quirrell.
— O que foi isso!? — Serafina exclamou apavorada.
Os adultos olharam em volta tentando encontrar a origem da voz, mas não havia mais ninguém presente.
— Essa é a voz de Voldemort, eu a reconheceria e sua maneira de falar com seus servos. — Disse Sirius pálido. — Voldemort está aqui.
— Eu disse que Quirrell não estava sozinho, vamos continuar e todos entenderão em breve. — Afirmou Harry e a lembrança prosseguiu.
— Sim, mestre. — Disse Quirrell e se aproximou do espelho o olhando com cobiça.
Harry que havia se aproximado do espelho, mas não o suficiente deu dois passos mais, Quirrell percebeu e apontou sua varinha.
— Nem mais um passo ou acabarei com você agora mesmo, se quer viver mais um pouco se mantenha quieto enquanto consigo a Pedra para o meu mestre e prometo que o matarei com misericórdia, rápido e sem dor. — Disse ele e Harry parou, não por causa da ameaça ou promessa, mas porque ainda não era o momento para começar a inevitável luta.
— A Pedra está escondida neste espelho, eu a vejo... e me vejo a apresentando ao meu mestre..., mas onde é que ela está? — Murmurou Quirrell, batendo de leve na moldura. — Pode-se confiar em Dumbledore para inventar uma coisa dessas..., mas ele está em Londres... E estarei bem longe quando voltar.
— Dumbledore está longe, mas ele não é o único que pode detê-lo, existem outros professores poderosos em Hogwarts. — Disse Harry tentando distrai-lo do espelho.
Quirrell riu e o olhou com expressão de pena.
— Um deles já tentou, acredito que terei o prazer de ser o primeiro a lhe informar que seu querido chefe de casa está morto. Eu o matei mais cedo quando tentou se interpor em meu caminho, assim como matarei você em breve. — Disse Quirrell com grande prazer, logo se virou para o espelho e não viu a expressão de raiva no rosto de Harry e nenhuma surpresa. — Como se uma meia raça imunda poderia me deter quando tenho Lord Voldemort do meu lado...
— Canalha! — Serafina olhou furiosa para Quirrell e Falc a abraçou tentando acalmá-la. — Ele fala isso rindo como se...
— Calma, querida, é óbvio que Quirrell é um comensal da morte e como todos os outros, sem consciência ou bondade. — Disse Sr. Falc suavemente.
— E o que mais me choca é que Dumbledore o deixe dar aulas as crianças sem qualquer cuidado. — Disse o Sr. Boot, ele se manteve em silencio tentando compreender tudo e estava cada vez mais chocado. Ao ver que todos o olhavam, continuou. — Vocês não perceberam que um comensal da morte foi o professor dos alunos durante o ano todo e o diretor sabia disso?
— Fica ainda pior, vovô. — Disse Terry trocando um olhar cansado com Harry.
— Vamos ver, então. — Disse Sr. Boot furioso.
Harry engoliu a raiva e vontade de enfeitiçá-lo e se concentrou nas informações que ele lhe dera, ainda sem entender como a voz de Voldemort soara da câmara a alguns instantes.
— Como você o conheceu? Voldemort? Pelo que sei seus seguidores o abandonaram quando perdeu seus poderes, muitos acreditam que ele está morto. — Harry perguntou mostrando sua sincera curiosidade.
Quirrell deu a volta no espelho examinando e batendo com sua varinha na moldura, murmurando, Harry achou que ele não responderia, mas se enganou.
–– Conheci-o quando estava viajando pelo mundo. Eu era um rapaz tolo naquela época, cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal. Lord Voldemort me mostrou como eu estava errado. Não existe bem nem mal, só existe o poder e aqueles que são demasiado fracos para o desejarem... Desde então, eu o tenho servido com fidelidade, embora o desaponte muitas vezes. Por isso tem precisado ser muito severo comigo. — Quirrell estremeceu de repente. — Não perdoa erros com muita facilidade. Quando não consegui roubar a pedra de Gringotes, ele ficou muito aborrecido. Me castigou... resolveu me vigiar mais de perto...
A voz de Quirrell foi morrendo e ele praguejou baixinho.
— Eu não entendo... a Pedra está dentro do espelho? Devo quebrá-lo? — Disse pensativo, mais uma vez rodeando o espelho.
Vigiando de perto? O que exatamente isso quer dizer? Dando mais uns passos para frente Harry se colocou em frente ao espelho, segurou a varinha com firmeza e olhou sabendo que veria seu maior desejo, a localização da pedra ou uma maneira de mantê-la segura. Quirrell não o percebeu no começo, mas, quando viu seu reflexo no espelho, se virou furioso.
— Perto, Voldemort está perto dele? E esteve desde setembro? Como isso é possível? — Sirius perguntou chocado.
— Vocês já vão ver. — Disse Harry, sabendo o que viria a seguir.
— Potter! Afaste-se, eu já disse! — E levantou a varinha, mas a voz soou outra vez.
— Não... Use-o.… use o menino para pegar a Pedra...
— Não estou interessado em ser usado para te ajudar Voldemort. E por que não aparece? Acredito que já conversei com seu capacho o suficiente. — Disse ele resolutamente.
— O que? — Falc olhou em volta sem entender e a confusão de todos, menos Terry, era a mesma.
Harry apenas acenou para Quirrell.
Harry sentiu uma forte magia tentar invadir sua mente e ele pediu a sua magia que o afastasse, não lhe dando acesso nem mesmo a pensamentos superficiais, não queria o assassino de seus pais dentro de sua mente. Sua magia, forte e protetora o atendeu lutando bravamente e mantendo-se impenetrável.
Isso durou alguns segundos quando a voz alta e fria tornou a falar.
— Deixe-me falar com ele... cara a cara...
— Mestre, o senhor está muito enfraquecido!
— Estou forte... para isso...
Harry não fazia ideia de aonde Voldemort surgiria e ficou completamente chocado quando viu Quirrell erguer os braços e começar a desenrolar o turbante. O que raios ele estava fazendo? O turbante caiu. A cabeça de Quirrell parecia estranhamente pequena sem ele. Então ele virou de costas sem sair do lugar. Harry empalideceu com o que viu e sentiu a bile de asco e pavor subir a sua garganta. Onde deveria estar a parte de trás da cabeça de Quirrell, havia um rosto, o rosto mais horrível que Harry já vira.
Era branco-giz com intensos olhos vermelhos e fendas no lugar das narinas, como uma cobra.
Todos os adultos se engasgaram ou exclamaram de espanto, pálidos e enojados. Mesmo Terry ficou meio verde de asco.
— Merlin... — Sr. Boot se aproximou de Quirrell como se quisesse ter certeza do que via. — Magia negra, das mais terríveis, esse idiota se gabando e nem percebe que já está morto.
— Deus, acho que vou vomitar... — Disse Serafina e rapidamente deixou a penseira, Sr. Falc a seguiu.
— Quando você nos contou sobre isso, não consegui visualizar desta maneira, acho que não queria imaginar algo tão horrível. — Disse Terry meio esverdeado.
Eles ficaram em silencio, Sirius olhava pensativo e por fim falou:
— Foi por isso que Dumbledore o queria aqui embaixo, para enfrentar Voldemort, ele devia saber que esse maldito estava em Hogwarts e armou todo esse teatro para que vocês ficassem frente a frente. — Sirius estava furioso, Harry apenas acenou confirmando.
— Mas porquê? — Serafina voltou, recuperada e ouviu as últimas das palavras de Sirius. — Porque fazer isso? Ele parece se importar com sua segurança e ainda assim, faz jogos como esse.
— Ele deve saber algo que ainda não sabemos. — Disse Falc e todos o encararam. — Assim como as alas, a proteção de sangue, nós nos perguntávamos porque sua insistência em que Harry fique na casa dos tios. Agora é o mesmo, suas ações, essa armadilha vem de alguma informação que não temos.
— E se assistirmos o resto, vocês saberão. — Disse Harry sério. — Voldemort adora o som da própria voz, vamos continuar.
— Harry Potter... — falou o rosto.
Harry apertou com firmeza a varinha e se forçou a se acalmar.
— Está vendo no que me transformei? — Disse Voldemort. — Apenas uma sombra vaporosa... Só tenho forma quando posso compartir o corpo de alguém..., mas sempre houve gente disposta a me deixar entrar no seu coração e na sua mente... O sangue do unicórnio me fortaleceria nessas últimas semanas... meu servo fiel Quirrell esteve bebendo-o por mim na floresta..., mas alguém nos impediu em nossa última caça e tivemos que adiantar o roubo da Pedra…, mas uma vez que eu tenha o elixir da vida, poderei criar um corpo só meu... Agora... por que você não é um bom menino e me ajuda a consegui-la?
— E porque eu faria isso? Por pena do seu estado? Talvez em agradecimento por ter assassinado meus pais. — Disse Harry com uma raiva fria que estranhamente o tornou ainda mais calmo.
— Como você consegue ficar tão calmo na frente dele? — Sussurrou Sr. Falc chocado.
— Ele é o assassino dos meus pais, não vou lhe dar o prazer de me ver assustado. — Disse Harry com firmeza.
— Não seja tolo — rosnou o rosto. — É melhor salvar sua vida e se unir a mim... ou vai ter o mesmo fim dos seus pais... Eles morreram suplicando piedade...
— Mentira! Isso é mentira. — Gritou Sirius furioso, ele se aproximou de Quirrell como se quisesse agredi-lo.
— Eu sei que é mentira, ele está apenas tentando me atingir, mas não vai conseguir. — Disse Harry e todos o olharam ainda mais surpresos.
Harry riu levemente e se moveu buscando a posição para seu plano, Voldemort o espelhou distraidamente.
— Isso é o melhor que você tem para me provocar? Uma óbvia mentira sobre meus pais? Patético. — Disse Harry dançado com um Quirrell de costas e tentou ignorar a bizarrice desse fato.
Voldemort não se zangou com a sua provocação, seu rosto malvado sorriu.
— Que interessante... — sibilou. — Sempre dei valor à inteligência e coragem... E você parece ter eles de sobra, herdados de seu pais... É, menino, seus pais foram corajosos... Matei seu pai primeiro e ele me enfrentou com coragem..., mas sua mãe não precisava ter morrido... estava tentando protegê-lo... Me ajude e deixarei que viva, a não ser que queira que sua morte tenha sido em vão...
Isso chocou a todos.
— O que?
— Do que ele está falando?
— Lily não precisava morrer? Mas...
— Isso não faz o menor sentido.
— Ele vai falar o motivo, vamos ver. — Insistiu Harry e todos ficaram em silencio, mas suas expressões expressavam grande preocupação.
Isso desconcertou Harry, completamente, disfarçando ele sorriu e moveu a cabeça negativamente.
— Mais mentiras, é assim que consegue servos tão fieis? Com mentiras e ameaças e eles são tolos em segui-lo? Ah, mas eles o abandonaram, talvez tenham percebido que você não era mais que uma fraude com palavras doces. — Disse Harry que refletindo rapidamente sobre o que ouvira decidiu cutucar seu ego. — Afinal um bebê de 15 meses o derrotou...
— Garoto tolo... Acha que tem alguma chance contra Voldemort... Você nunca me derrotou... sua mãe, poderosa e talentosa... eu a teria deixado viver por isso, apesar de seu sangue imundo... Ela se recusou a se afastar e então eu a matei... Em frente ao seu berço e você tão patético não pode me impedir…, mas seu sacrifício criou uma proteção, magia antiga... Eu fui tolo, não previ isso... Quando virei minha varinha para você a maldição ricocheteou e destruiu meu corpo... Dor foi tudo o que senti desde então... Até que o fiel Quirrell me encontrou... Ele será grandemente recompensado por seus serviços...
— Por sua servidão você quer dizer, já entendi que você quer servos, escravos e pelo que soube estava muito perto de vencer a guerra a quase 11 anos. E de repente decidiu matar um bebê e perseguiu meus pais obsessivamente até encontrá-los por isso? E quer que eu acredite nisso? — Disse Harry sentindo um frio estranho atravessar seu coração. — Acho que você estava com medo dos meus pais, eles eram poderosos, mais jovens que você e poderiam vencê-lo, cedo ou tarde. Não foi? Você percebeu que eles eram mais poderosos e agora inventa essa história para não admitir aos seus escravos que seu mestre é fraco. — Harry cuspiu a última parte com todo o nojo que conseguiu reunir.
Os olhos vermelhos brilharam de malícia como se estivesse satisfeito com a reação de Harry ou por saber algo que ele não sabia.
— Então Dumbledore não lhe contou... Imagino que o velho tolo o ache muito jovem para saber a verdade…, mas posso lhe contar, porque não... Assim você morre sabendo que a culpa da morte dos seus pais é sua... Houve uma profecia... Sobre uma criança nascida no fim de julho... Que seu pais me desafiaram três vezes e ela teria o poder de me derrotar...
Exclamações de assombro foram ouvidos, mas ninguém disse nada, pois estavam muito chocados.
Harry ficou ainda mais pálido e não conseguiu disfarçar o choque, sabia que Voldemort não mentia, mas ainda assim a necessidade quase infantil de negar prevaleceu.
— Mentira, isso é mentira, você está inventando. — Disse ele com voz rouca de dor e Voldemort riu satisfeito. Um riso estranhamente familiar.
— Não minto menino tolo... Voldemort não teme ninguém... Decidi matá-lo apenas para acabar com as esperanças de Dumbledore e a sua Ordem patética... Meu comensal espionava o diretor e ouviu quando a profecia foi feita... Ele não ouviu toda a profecia... Um erro do qual o farei pagar dolorosamente... Quando tiver meu corpo irei conseguir a informação no Ministério e entenderei... Ainda que você já estará morto e não fará diferença...
— Quer dizer que uma profecia foi feita que uma criança teria o poder de derrotá-lo e essa criança sou eu? — Harry perguntou pensativo e se esforçando em esconder sua dor, não queria lhe dar essa satisfação.
— Poderia ser você ou aquele patético Longbottom, seus pais também eram atrevidos... Mas, não tão poderosos quanto os seus pais, apesar de serem aurores... Eu o escolhi porque, como eu, você é um mestiço e senti que seria o mais forte por sua história familiar... Os Potters são muito conhecidos por seu poder…, mas eu pretendia matar o garoto aborto também... Apenas você foi mais fácil encontrar graças a Rabicho... Talvez já tenha sido informado da traição do amigo de seu pai, o rato...
Voldemort concluiu com um riso frio e de repente Harry reconheceu ele de seus pesadelos. Afastando esse pensamento para mais tarde ele se forçou a se concentrar em seus planos, dando o último passo para a posição.
— Uma profecia. — Sirius estava pálido e com um olhar assombrado para o passado. — Por isso eles se esconderam, Dumbledore deve ter lhes contado sobre a profecia e que Voldemort escolheu você e não Neville.
— Por isso a perseguição. — Serafina disse aflita. — Eu não entendia porque Voldemort perseguia-os, implacavelmente, apenas por vingança, isso não fazia muito sentido.
— Não fazia, mas pensei que era também porque ele os temia, Lily e James lutaram e sobreviveram três vezes, poderiam derrotá-lo um dia e acreditei que Voldemort apenas queria se assegurar de matar seus inimigos mais fortes. — Sr. Falc disse pensativo. — Nunca pensei que o alvo era você, Harry.
— Merlin e se a profecia foi feita a Dumbledore, ele sabe seu conteúdo e é por isso que está agindo assim, tentando controlar a vida do Harry. — Sr. Boot disse furioso. — Ele acredita na profecia, assim como Voldemort, e que Harry é o único que pode derrotá-lo.
— Sim, vovô, e pensamos que o resto da profecia diz ou ele interpreta assim, que Harry não deve ser treinado e sim preparado para derrotar Voldemort e que essa preparação é encontrá-lo, conhecê-lo, sabe, uma experiência prática. — Terry disse. — Neville até sugeriu que Dumbledore não teme que o Harry morra antes do encontro final, porque em sua interpretação, isso só ocorrerá no futuro. E que não treinar o Harry é porque a profecia diz que ele não vai sobreviver, sabe, que os dois morrem no fim.
— O que? — Sirius estava chocado e se aproximou de Harry como se quisesse protegê-lo. — Ele está preparando meu afilhado para ser morto? Para perder e não vencer?
— Isso faria sentido, na verdade, mas sem o resto da profecia é impossível saber com certeza. — Sr. Boot ficou pensativo. — Talvez ele perceba que o Harry não tem como alcançar o poder de Voldemort em alguns poucos anos e acredite que se ele o enfrentar diretamente pode aprender como derrotá-lo.
— Mas, avô, os pais de Harry eram jovens e poderosos, poderiam tê-lo vencido em alguns anos mais de treinamento. Harry é igualmente poderoso e se começar a treinar desde já, poder ser capaz de vencer Voldemort, eu acredito nisso. — Disse Terry com veemência.
— É possível que ele não acredite que o Harry precisa de treinamento, se a profecia diz que ele terá o poder para derrotar Voldemort, Dumbledore deve estar se apegando a isso. O que é uma idiotice, ele está baseando todas as suas decisões em sua interpretação de uma profecia, elas nunca são claras e o diretor pode estar errado. — Serafina disse chateada.
— O poder? E que poder é esse? — Falc olhou em volta e parou em Harry que se manteve em silencio. — Você sabe?
— Acredito que sim. Podemos ver o resto e talvez vocês entendam por si mesmos? E falta pouco, assim vamos tentar até o fim? — Sugeriu Harry cansado, todos concordaram.
— Eu sei o que deve dizer a profecia. — Disse ele seriamente e depois o encarou nos olhos vermelhos. — Deve dizer, "não mate seus pais Voldemort ou você terá um grande inimigo" ou talvez, "além de poder para derrotá-lo ele vai ter a sede de os vingar e destruí-lo" quem sabe, "ele não vai descansar enquanto não o fizer pagar por matar seus pais". — Harry levantou a varinha, pronto para lutar.
— Acha que o temo menino... Vou destruí-lo e expor seu corpo para todos saberem que ninguém pode derrotar Voldemort...
Mas Harry estava cansado de sua voz e seu discurso narcisista e gritou:
— Então lute! E me dê o prazer de cumprir aquela maldita profecia.
E Voldemort fez o que ele esperava, começou a se virar para que Quirrell com os braços e varinha pudesse lutar e Harry se aproveitou da oportunidade.
— Accio Quirrell! — E no momento em que o homem, a poucos metros de distância, ainda de costas e meio de lado voou em sua direção Harry posicionado em frente ao espelho esperou, esperou e se afastou levemente sentindo o vento provocado por seu corpo passar por ele e em seguida o barulho ensurdecedor do seu encontro com o espelho.
Na penseira todos olharam assombrados. Terry e Sirius não se seguraram.
— Uau!
— Isso foi brilhante!
Harry observou enquanto Quirrell e espelho voavam vários metros à frente, até atingir o chão e rolar mais alguns metros pela força do feitiço. Sem perda de tempo ele murmurou um "Wingardium leviosa" e fez o espelho flutuar alguns centímetros do chão. Enquanto isso meio trôpego, Quirrell se levantou do chão, estava com alguns arranhões e a veste uma bagunça, seu olhar era de profundo ódio.
— Você vai pagar por isso Potter, vou te matar bem devagar e dolorosamente. — Disse ele dando alguns passos em sua direção.
Harry sorriu satisfeito quando ele caminhou para onde o queria.
— Que coincidência engraçada, eu estava pensando a mesma coisa. — E com um movimento e intenção pediu a magia que erguesse o espelho e quando ele estava na altura do peito de Quirrell, Harry soltou o feitiço de levitação e rapidamente gritou. — Depulso! Depulso! — O primeiro feitiço jogou o espelho em Quirrell com violência, mas o segundo jogou Quirrell e o espelho na direção da parede de pedra.
O estrondo foi ainda mais ensurdecedor porquê dessa vez o espelho se quebrou e Harry tomado por fúria fria não hesitou em tentar esmagá-los. Homem e espelho.
— Depulso! Reducto! — Gritou e se aproximou vendo que Quirrell estava inconsciente e com cortes numerosos por toda parte do corpo, causados pelo espelho que se espatifara. Sua varinha estava no chão ao seu lado quebrada em vários pedaços.
— Merlin, isso foi a coisa mais incrível que eu já vi! — Sr. Boot encarou os dois Harrys, a postura relaxada e atenta do Harry da lembrança era a mais surpreendente. — Você é um duelista natural.
— Eu estive aprendendo muito com os livros de Mason. — Disse Harry constrangido pelo elogio.
— Isso, não é algo que se aprende em livros, Harry. — Disse Sr. Boot com um sorriso. — Seu avô era igual, alguns talentos vêm mais naturalmente, e outros são tão incorporados em nossas mentes, magia e coração como o ato de respirar.
— E eu não acredito que vou dizer isso, mas Harry, o que você fez foi muito impressionante. — Serafina disse. — Sirius tem razão, temos que ajudar você a aprender e treinar porque se essa profecia é ou não verdadeira não importa. O fato é que, para Dumbledore e Voldemort, ela é fundamental e eles vão continuar a te levarem para situações de perigo e você precisa estar pronto para sobreviver, a qualquer custo.
Harry viu todos acenarem e sentiu seu coração aquecido por seu apoio e preocupação, mas também percebeu que os adultos acreditavam que a luta chegara ao fim. Suspirando trocou um olhar com Terry e disse:
— Eu agradeço, mas a luta ainda não acabou. — Ao ver seus olhares confusos na direção do inconsciente Quirrell, continuou. — Eu também me enganei.
Quando se preparava a continuar atacando até ter certeza que Quirrell estava morto, uma onda de magia explodiu em sua direção e Harry se viu voando e girando, enquanto caia desejou desesperadamente a sua magia que o protegesse da queda, mas ela ainda aconteceu. Batendo com força de costas no chão, Harry deslizou pelas pedras ásperas segurando sua varinha com força e quando parou sem fôlego e tomado pela dor encarou o teto da câmara.
— Deus!
— Harry!
— Levante-se, ele está vindo para você!
As exclamações se ouviram na penseira e Harry viu seu amigo se afastar para a entrada da câmara, provavelmente, queria estar longe da cabeça de Quirrell, decidiu fazer o mesmo.
Quando ouviu passos se forçou a erguer a cabeça e o tronco apesar da dor e viu Quirrell andar de costas em sua direção, os olhos vermelhos raivosos o encaravam e seu rosto antes feio agora estava grotesco por ter sido esmagado contra a parede.
— Você morrerá e depois matarei cada um de seus amigos...
— Por favor, nós sabemos que quem vai morrer aqui não sou eu e nem você, mas seu patético servo. — Harry o cortou enquanto se levantava dolorosamente. — Estou muito cansado e dolorido para ouvir seu discurso, e você, Voldemort é um grande egocêntrico para ouvir qualquer um, assim, te pouparei do meu.
Ele parou a uns três metros de distância e se encararam, analisando a verdade de suas palavras e por fim ele sorriu.
— Você está certo Harry Potter... Eu gosto de sua inteligência e coragem... Um dia será um poderoso bruxo como seus pais foram... Junte-se a mim e poderemos governar esse mundo de fracos, juntos….
— Desgraçado! — Disse Sirius. — Sempre o mesmo, com seu discurso de superioridade e oferecendo mentiras, como se ele permitisse que alguém governasse ao seu lado quando se acredita superior a todos.
— Ele parece ter gostado de você, Harry. — Terry disse meio enojado.
— Não gostado, Voldemort não gosta de ninguém, Harry o impressionou assim como Lily o fez, lembre-se que ele propôs deixá-la viva, uma nascida trouxa, apenas porque ela mostrava o mesmo poder, coragem e inteligência do Harry. — Disse Sr. Boot sem perceber como suas palavras pesavam em Harry, que se encolheu e empalideceu. Sirius e Serafina notaram.
— Agora que você me deu a informação de que tenho o poder de derrotá-lo? Por que me uniria a você? Voldemort, nós dois sabemos que você já cumpriu a profecia, você me criou... — Harry sorriu friamente e deu um passo mais perto. — Você escolheu seu inimigo e seu futuro carrasco e eu vou adorar vê-lo gritar por misericórdia.
— Garoto atrevido vou... — Mas ele se interrompeu e se virou bruscamente, pego de surpresa Harry não conseguiu erguer a varinha para se proteger quando um Quirrell consciente e possesso saltou na sua direção.
— Não! — Todos os adultos gritaram na penseira.
— Eu baixei a guarda, foi tolice minha. — Disse ele olhando para a cena de fora e vendo sua desatenção. — Voldemort usou minha ideia contra mim e eu nem percebi.
Furioso consigo mesmo por baixar a guarda Harry mais uma vez bateu as costas dolorosamente no chão com o homem enraivecido sobre ele. Na batida sua varinha se soltou de sua mão e Quirrell agarrou seu pescoço tentando estrangulá-lo. Harry sentiu uma dor excruciante em sua cicatriz, mas logo Quirrell o soltou com um grito aterrorizante.
— Ahhhhhhhhh. Estão queimando, mestre, minhas mãos.
— Mate-o... mate-o...
Tonto pela dor Harry tateou para encontrar a varinha e tentou desalojar o homem ferido de cima dele, mas não conseguiu nem um nem outro e quando Quirrell voltou a apertar seu pescoço os dois gritaram juntos pela dor que sentiam, ainda que seu grito saísse abafado por causa do estrangulamento.
— Minhas mãos mestre... — Quirrell chorava pateticamente com sangue escorrendo por seus inúmeros ferimentos e as mãos em carne viva e, finalmente, Harry entendeu que a queimadura vinha de quando ele tocava sua pele.
Sem hesitar ele levou as duas mãos ao seu rosto e pescoço que já estavam uma bagunça e o homem gritou ainda mais pela dor terrível, mas Harry percebeu que a dor em sua cicatriz parecia querer tirar seus sentidos de tão forte.
— Ahhh, mestre... Queima... Me ajude mestre...
— O que?
— Ele está queimando onde o segura ou é tocado por você.
— A proteção de Lily. — Serafina o olhou assombrada. — Esse é o poder? Voldemort não pode matá-lo por causa da proteção, do sacrifício de Lily.
Emocionado, Harry acenou.
— Eu não vi assim, pensei... Pensei que não havia um poder específico e sim que eu teria poder para derrotá-lo, que isso viria do meu desejo de vingança, da minha determinação em destruí-lo e fazê-lo pagar pelo assassinato dos meus pais. — Harry disse suavemente e tentou controlar a vontade de chorar. — Mas então, minha tia falou que Dumbledore afirmou em sua carta que a proteção que o sacrifício da minha mãe criou, me protegeu com alas de sangue e que por estar vivendo na casa com o sangue dela, essa proteção continuaria a existir e... foi quando eu entendi. — Harry os olhou triste. — Foi por isso que não pude deixar a casa dos meus tios, vocês entendem? Não são apenas as alas, viver com minha tia permitiu que a proteção continuasse a existir e é por isso que Quirrell não pode me tocar e sim, acredito que esse pode ser o poder que eu preciso para matar Voldemort de uma vez, um dia. Pelo menos, Dumbledore acredita nisso, foi por isso que me deixou lá quando bebê e ele sabe a profecia completa.
— Mas Harry, não há como ter certeza e se Dumbledore estiver errado... — Terry começou chateado.
— E se ele estiver certo? — Harry o interrompeu, mas não estava zangado, a dor em sua voz era óbvia. — Diga-me, e se ele estiver certo? Vou jogar o sacrifício da minha mãe no lixo, apenas para não ter que conviver com os Dursleys por um pouco mais de tempo? São apenas os verões e agora, algumas horas por dia, foi isso que me deu a ideia da guarda compartilhada. Eu já aguentei os Dursleys por 10 anos, sem esperança, posso aguentar mais um pouco, é um sacrifício minúsculo perto do sacrifício da minha mãe.
— Harry... — Serafina se aproximou, mas Harry se distanciou, não queria consolo ou palavras bonitas.
— Essa é minha decisã mínimo que eu posso fazer, valorizar o sacrifício deles depois de ser o responsável por suas mortes...
— Não! — Gritou Sirius e, se aproximando, o segurou pelos ombros sem deixá-lo se afastar e se ajoelhando o encarou nos olhos. — Não foi sua culpa!
— Foi, sem mim eles estariam vivos e... — Sua voz falhou no fim embargada.
— Harry, escute-me, seus pais o quiseram, você não veio sem querer ou por engano, James e Lily planejaram e desejaram ter você. E eles o amavam tanto...
— Eu sei! — Harry gritou desesperado de dor e culpa. — Eu sei que eles me amavam e foi por esse amor que eles se sacrificaram, mas eu não merecia, Sirius, eles é que deveriam estar vivos! Eu os ouço em meus pesadelos todas as noites, todas as noites eles vêm e me dizem que estão arrependidos, eu sei, eles lamentam terem morrido por mim.
— Não! Isso não é verdade. — Sirius o sacudiu levemente, mas Harry não o ouviu.
— Eles vêm todas as noites, Sirius, eles me dizem que prefeririam que eu não tivesse nascido e que foi minha culpa que eles morreram. Sirius... Eu sei que eles se arrependeram, eu sei... — Harry soluçou e se afundou em seu ombro chorando.
Harry não percebeu Serafina caindo de joelhos em lágrimas e Terry chorando e abraçando seu pai, ou mesmo a dor e emoção do Sr. Falc e o Sr. Boot. Sirius o apertou fortemente engasgado de emoção.
— Eu conhecia James, mais do que qualquer pessoa, além de Lily e, mesmo ela, eu a conhecia muito bem também, não tinha como não, porque sua mãe era uma pessoa muito sincera e transparente. — Sirius disse suavemente enquanto Harry chorava baixinho. — Está me ouvindo?
Harry acenou afirmativamente.
"Lily, ela tinha o coração mais generoso que eu já vi em alguém e seu coração sempre estava em seu olhar, não havia máscaras ou enganos. Ela lutava e tentava proteger a todos e James, nossa, ele sempre se orgulhou de ser corajoso e bravo e honrado, um verdadeiro cavaleiro das histórias antigas que protegia os mais fracos e agia honrosamente. Ser um Gryffindor nunca foi apenas uma casa de escola para ele, para nenhum dos dois. E ainda, isso não foi nada, nada, Harry, olhe para mim. — Sirius o puxou e Harry levantou os olhos verdes cheio de tristeza e dor. — Ah, Harry, isso ainda não foi nada perto do que eles sentiram quando descobriram que Lily estava grávida e quando você nasceu, Merlin, tudo deles se voltou para proteger você. A magia deles, seus corações, seus espíritos, suas mentes estavam completamente concentradas em você, eu os vi e, Harry, você era o mundo deles, nada era mais importante, ninguém era mais amado por eles. Os seus pesadelos não são reais, sabe porquê? "
Harry acenou negativamente, lágrimas escorriam por seu rosto.
"Porque eu sei, eu sei que eles não se arrependeram, muito pelo contrário, enquanto devem ter ficado muito tristes por deixarem você, eu sei que eles morreram em paz ao perceberem que suas mortes permitiriam a sua sobrevivência e não apenas naquela noite, mas ali mais uma vez. — Sirius apontou a cena congelada de Quirrell olhando para as mãos queimadas. — E de novo e novo, quantas vezes Voldemort tentar vai ser detido pelo amor deles e isso é uma vitória para James e Lily. — Sirius soluçou e o apertou com força. — Eu chorei e lamentei suas mortes por anos e anos, mas agora eu percebo que não foi em vão, eles viveram para trazer você a esse mundo e protegê-lo mesmo depois que se foram. Você entende, Harry? Não é a morte deles que o protege, é a vida deles, é o amor deles e NÃO É SUA CULPA.
Suas palavras finais foram enfáticas e olhando com firmeza nos olhos verdes do afilhado.
— Você jura, Sirius? Você jura que eles não se arrependeram? Que eles não estão bravos por morrerem para me proteger? Jura para mim? — Disse Harry, chorando.
— Eu juro. — Disse Sirius solenemente. — Seus pais nunca se arrependeram e aonde estiverem, estão muito felizes por mesmo depois de anos que eles partiram, ainda poderem te proteger.
— Harry. — Serafina sussurrou suavemente, Harry a olhou, tinha esquecido de que todos estavam ali. — Nada deixa um pai mais feliz do que cuidar e proteger um filho, o que aconteceu não foi sua culpa, você era um bebê inocente e não poderia ter protegido a Lily. — Disse ela entendendo que saber que a mãe morrera em frente ao seu berço deveria ser doloroso.
Harry soluçou e acenou para ela.
—Harry. — Sr. Falc se aproximou ainda abraçado fortemente a Terry. — Você entenderá isso um dia, quando segurar seu primeiro filho nos braços, vai descobrir o maior amor que há no mundo. Nesse dia, você compreenderá completamente que o que seus pais fizeram não foi nenhum sacrifício. — Disse ele apertando Terry mais fortemente.
Harry voltou a acenar.
— Harry. — Sr. Boot se aproximou dele. — Eu morreria por minha Carole, aqui e agora, se fosse me dada a escolha, o privilégio de dar a minha vida para que ela vivesse. — Sua voz se perdeu na dor, lágrimas escorreram pelo canto de seus olhos. — Seus pais não estão arrependidos, bravos ou tristes, a cada vez que você respira, sorri, ri, voa, aprende, em cada momento que você vive, eles apenas sentem paz. É isso o que um pai sente quando consegue proteger seu filho, Harry, paz.
E pela primeira vez, Harry acreditou e depois de semanas da dor e culpa massacrando seu coração dolorosamente, ele sentiu o alivio da crença de que seu pais o amavam e não se arrependiam desse amor. Sem poder controlar a emoção, Harry soluçou aliviado e afundando contra o peito de Sirius, ele chorou e chorou, seus soluços desesperados arranharam o coração de todos, mas ninguém o interrompeu. Sirius o apertou fortemente e embalou contra seu peito como quando ele era um bebezinho, afundou o rosto contra seus cabelos e chorou também, agradecendo, "Obrigado por salva-lo, James, Lily, obrigado".
Harry acabou dormindo depois de muito chorar, exausto e embalando no colo de seu padrinho.
— Vou levá-lo para o seu quarto, talvez ele durma sem pesadelos agora. — Disse ele com voz rouca.
— Vou sair também, eu já sei o que acontece e, sinceramente, não quero ver de novo. — Disse Terry tristemente.
Os três deixaram a penseira e Sirius subiu para deixar o afilhado em sua cama, depois de cobri-lo e beijar sua testa, ele voltou a descer e entrar na penseira.
— Vamos lá, vamos terminar com isso. — Disse assim que entrou. Todos acenaram e a lembrança se descongelou.
— A varinha... Pegue a varinha... — A voz de Voldemort saiu mais fraca, mas Harry não sabia se era por que estava quase inconsciente.
Harry viu Quirrell pegar sua varinha e a erguer na sua direção, mas ele agarrou sua mão queimando-o e esperando que ele soltasse a varinha pela dor, mas tudo o que conseguiu foi desviar a ponta da varinha para a entrada da câmara. Os dois lutaram por alguns segundos, disputando a varinha e foi quando o caos se fez presente.
Com gritos de "Harry! ", "Harry, estamos aqui", e "Solta ele! ", seus amigos, Terry, Hermione e Neville apareceram seguidos de perto por Penny, Fred e George. Todos tinham uma expressão feroz e preocupada, mas tudo o que Harry podia ver, de ponta cabeça, era sua varinha apontada para eles. Quirrell também percebeu e gritou.
— Onde estão os professores? Porque só vieram alunos ajudar? — Serafina perguntou confusa.
— Isso não deveria nos surpreender, Hogwarts está uma verdadeira bagunça, estamos vendo uma criança de 11 anos lutando por sua vida contra um adulto, um professor e tudo isso foi planejado pelo diretor. — Disse Sr. Boot inconformado.
— Confringo!
— Aguamenti! — Harry gritou ao mesmo tempo e ficou aliviado quando sua varinha o obedeceu e um jato de água vou na direção das escadas.
Sabendo o que fazer Harry segurou seu punho com a duas mãos, ignorou seus gritos de dor, seu pulso queimado em carne viva e a própria dor e usando todas a suas forças apontou sua varinha para o pescoço de Quirrell e sem hesitar, gritou:
— Confringo! — E nem ficou chocado quando sua cabeça explodiu enviando sangue, cérebro e crânio para todos os lados.
Os 4 adultos se engasgaram de nojo e choque se afastando, instintivamente, dos pedaços de cabeça que voaram pela câmara.
— Meu Deus! — Serafina colocou a mão sobre a boca tentando evitar vomitar outra vez.
— Merlin, não é para menos que o menino não consegue dormir, eu teria pesadelos também depois disso. — Disse Sr. Boot.
— O senhor acha que ele está sentindo culpa por isso também? — Questionou Sirius preocupado.
— Não sei se é culpa, mas isso explica sua reação quando tentaram lhe tirar sua varinha no Ministério. — Disse Falc e contou em mais detalhes sua veemente negativa em entregar a varinha.
— SPT, Harry está sofrendo de Stress Pós-Traumático, por isso a ansiedade, pesadelos, raiva, sua recusa a deixar seu meio de defesa, desconfiança de que pode ser atacado a qualquer momento. — Serafina disse preocupada. — Vou falar com Martin, depois que eles conversaram em dezembro, Harry melhorou muito.
— Ele me disse que vem se correspondendo com Martin, me aconselhou a fazer terapia. Talvez os dois já estejam falando sobre isso. — Disse Sirius de coração apertado ao pensar nas semanas difíceis que Harry vinha tendo.
— Vamos terminar, quero sair daqui. — Sr. Boot parecia exausto.
Mas quando o corpo sem cabeça começou a cair sobre ele, Harry tentou se afastar se arrastando pelo chão de pedra, desesperadamente, mas sabia que não conseguiria e foi quando George e Neville o puxaram com força e o colocaram sobre seus pés. Com um grito de alivio e dor, Harry cambaleou e olhou em volta procurando perigo, sua varinha, precisava de sua varinha.
— Aqui. — Disse Fred colocando-a em sua mão, Harry nem percebera que estava gritando pedindo por ela.
Aliviado e respirando fundo para se controlar, ele olhou em volta procurando.
— Está tudo bem Harry, já acabou, Quirrell está morto. — Disse Penny suavemente e Harry a encarou percebendo que eles não sabiam, não entendiam.
— Não, Quirrell está morto, mas Voldemort está aqui também, fiquem todos a postos, peguem suas varinhas. — Seus amigos obedeceram e se colocaram ao seu lado, mas ele pode ver que Penny, George e Fred pareciam pensar que ele enlouquecera. — Façam o que eu mandei. Agora! — Ele gritou e os viu obedecerem muito chocados.
Harry observou em volta e finalmente viu um espectro deixando o corpo de Quirrell. Sem ter a menor ideia do que fazer com algo sem corpo e temendo por seus amigos, Harry deu um passo à frente.
— Vá embora, Voldemort, você perdeu, mas hoje ainda não é o dia em que vou te matar. — Disse ele mais corajoso do que se sentia, na verdade tinha a sensação que ia desmaiar a qualquer momento.
— Você pagará por isso Harry Potter... Aguarde, retornarei e destruirei tudo o que ama... O farei temer e respeitar Voldemort...
Harry sentiu seus amigos tensos e ouviu exclamações de surpresa e choque.
— Vá embora. — Falou em firmeza e felizmente viu o espectro deixar a câmara.
Sem forças ele cambaleou e antes de cair Terry o agarrou de um lado, Neville do outro.
— Tudo bem, estou bem, apenas muito cansado, acho que vou desmaiar. — Sussurrou ele sem perceber que estava em choque.
— Vamos te levar daqui, vamos te levar para Madame Pomfrey. — Disse Terry com voz embargada.
— Sim, Harry, você vai ficar bem, estamos aqui, desculpa não entrarmos antes. — Disse uma chorosa Hermione e de repente Harry ouviu uma voz conhecida chamar seu nome.
Tirando forças não sabendo de onde, Harry se virou para o George ou Fred, não tinha certeza.
— No meu bolso, uma Pedra, pegue, ninguém a viu ou ouviu sobre ela. — Seu sussurro entrecortado saiu com tanta urgência que ninguém questionou e George pegou a Pedra Filosofal do bolso de sua veste e rapidamente ele e o irmão a fizeram desaparecer.
E então a voz que o chamava com urgência entrou na câmara, Harry teve um vislumbre do rosto pálido e preocupado de Dumbledore antes que tudo escurecesse e ele não sabia mais.
A penseira escureceu e eles se preparam para sair, mas ao em vez disso outra lembrança começou, eles se viram na enfermaria e assistiram a conversa entre Harry e Dumbledore. Quando acabou eles saíram para a biblioteca, Terry estava sentado na mesa comendo um sanduíche que ele mesmo preparara.
— Desculpe não esperar, estava faminto. — Disse ele tímido. — Vocês demoraram mais do que eu esperava.
— Harry colocou a lembrança da sua conversa com Dumbledore na enfermaria, ele deve ter colocado sozinho. — Disse Falc se sentando cansadamente.
— Alguém está com fome? Posso preparar alguns sanduíches. — Serafina ofereceu, mas todos negaram, pois assim como ela, estavam com os estômagos embrulhados.
— Vocês viram como o Quirrell acabou, não é? Eu também não teria fome. — Disse Terry com uma careta.
— Você sabe se o Harry se sente culpado pelo que aconteceu, Terry? — Sirius perguntou preocupado.
— Acho que não, ele teve uma conversa com Firenze e eles combinaram um ritual de purificação em setembro, algo sobre limpar a energia da morte de sua magia. — Explicou ele pensativo. — Eles conversaram e parece que Firenze o ajudou a entender que Harry é um guerreiro e que, às vezes, tem que matar, não quer, se orgulha ou se diverte com isso, ele apenas faz o que tem que fazer.
— Se os pesadelos eram pela culpa ao descobrir sobre a profecia, talvez Harry só precise do ritual de purificação para dormir em paz. — Disse Sirius cansado. — Vou levar ele até Firenze no próximo fim de semana, não tem porque esperar até setembro com essa energia negativa em sua magia e alma.
— Eu concordo. — Disse Sr. Boot. — Me preocupa como Dumbledore se insere na vida dele, é óbvio que ele esperou o momento certo para salvar o Harry e ter ainda mais sua confiança.
— Harry estragou um pouco seus planos. — Disse Terry divertido.
— Sim, mas ele não quis contar sobre a profecia, acredita que Harry é muito jovem e sou obrigada a concordar com isso. — Disse Serafina ainda preocupada com a tristeza de Harry.
— Harry nunca vai pensar assim, talvez ele seja jovem e não precisasse saber de tudo, mas ser completamente ignorante e não se preparar, aprender e treinar. — Sirius disse inconformado. — Se por acaso a profecia diz que Harry vai morrer junto com Voldemort e é por isso que Dumbledore não se preocupa em treiná-lo, bem, dane-se. — Sirius se levantou muito zangado. — Dane-se os dois e essa maldita profecia, porque no que depender de mim, meu afilhado vai viver por muito tempo depois que esses dois malditos morrerem.
Todos acenaram concordando, ninguém naquela sala permitiria que Harry fosse apenas um porco preparado para o abate.
