Capitulo 38
A sala de reunião ficou em silencio por alguns instantes com todos sorrindo animados com a expectativa e desejo de melhorar o mundo que todos eles amavam. Até que a barriga de Harry resolveu se pronunciar e roncou audivelmente. Todos riram e Harry corou.
— Bem, acho que meu estômago deixou claro que estou faminto, preciso ir almoçar antes das minhas aulas da tarde. — Disse ele e olhando em volta, perguntou. — Então, quem vai me levar?
— Eu o levarei, Harry, também vou almoçar antes de voltar ao meu escritório. — Disse Sr. Falc e pegando seu terno da cadeira, explicou. — Tudo ficará mais fácil quando ligarmos o flu da lareira lá embaixo na recepção, creio que até quarta-feira estará conectado.
— Eu vou com vocês, depois tenho umas visitas para fazer. — Disse Sirius pegando sua jaqueta de couro marrom.
— Bem, nós almoçaremos por aqui e começaremos a trabalhar, Harry assim que tiver uma reunião marcada com os alunos que se formaram comunico a você. — Disse Edgar.
Harry acenou e explicou seus dias e horas livres, e o Sr. Edgar prometeu marcar a reunião em algum destes horários.
— Boa sorte e bom trabalho, Penny, Sr. Edgar, não hesitem em me chamar para o que precisarem e obrigada, de verdade, por me ajudarem a colocar minhas ideias em movimento. — Disse Harry e formalmente apertou suas mãos, encerrando a reunião. — O Sr. também, Sr. Falc e Sirius.
Os mais velhos não riram de sua seriedade ou se sentiram diminuídos por estarem trabalhando para uma criança, aquela não era afinal, uma criança normal e isso nada tinha a ver com seu estupido apelido.
Depois eles desceram pelo elevador e se separaram, Sirius saiu primeiro, discretamente, e Sr. Falc e Harry em seguida, ainda não tinham oficialmente se encontrado, assim eram necessários cuidados extras.
— Creio que deveremos esperar pouco mais de uma semana antes de sermos visto com o Sirius, qualquer um de nós. E você, particularmente, não deve ser visto ou associado a GER Empreendimentos. — Explicou o Sr. Falc suavemente quando se aproximavam do ponto de aparatação do Beco. — Pelo menos até conseguirmos o fim da tutela.
Harry apenas acenou e quando chegou ao Chalé contou a Sra. Serafina e aos seus irmãos sobre sua manhã durante o almoço, sem entrar em detalhes que os pequenos não entenderiam.
— Então, Penny já está trabalhando? Hermione deve estar ansiosa para voltar e ajudar, tem alguma coisa que eu possa fazer, também gostaria de ajudar. — Disse Terry ansioso.
— Sinceramente, acredito que você e o Harry devem se concentrar em estudar e aproveitar o verão, isso também vale para a Hermione, todos vocês são muito jovens para pensarem em trabalhar. — Disse Sra. Serafina preocupada.
— Eu concordo, querida, mas eles apenas ajudarão aqui e ali, o Harry será o mais necessário, pois temos que o consultar em algumas decisões, quanto a Terry, Hermione e, até mesmo Neville, tenho certeza que encontraremos algo em que todos podem ajudar sem tirar tempo de estudo e diversão. — Apontou o Sr. Falc e ela acenou ainda hesitante.
— Desde que não atrapalhe a agenda de estudo, tudo bem, mas ainda acho que vocês devem aproveitar o verão, estar com seus irmãos, brincar e apenas serem garotos de 12 anos. Sei que tudo isso é importante, mas vocês não devem crescer rápido demais. Confiem que os adultos estão fazendo o que os adultos fazem. — Disse ela e seu foco principal era no Harry que a olhou pensativo.
Uma parte dele desconfiava dos adultos naturalmente e outra queria lembrar que nenhum adulto fizera nada antes, mas olhando para seus irmãos e seus rostos inocentes, sentiu seu coração se encher de amor, olhou também para Sirius que desde que se sentaram para almoçar pouco dissera, distraído e completamente concentrado no desafio que Harry lhe lançara. Tinha apenas algumas semanas com eles e então estariam de volta a Hogwarts e seriam meses até o Natal, olhando para o Terry viu sua expressão pensativa e acenando os dois concordaram, silenciosamente.
— A senhora está certa, Sra. Serafina, não tínhamos pensado em tudo isso, mas na verdade nossos estudos são muito importantes, assim como passar tempo com a família. Acredito que o senhor Edgar vai ter que se virar sem nós, Sr. Falc. — Disse Harry muito sério e preocupado.
— Claro, vou dizer a ele, o chamaremos apenas quando for necessário, Harry e claro que se tiverem alguma ideia, vocês e seus amigos, é sempre bem-vinda. — Disse o Sr. Falc positivamente. — E quanto a Chester? Ele estará de volta na quarta-feira. Você leu alguma coisa do relatório que te entreguei ontem?
— Sim, li todo o relatório ontem depois do jantar e tenho montes de perguntas, queria saber se posso contratar alguém, um investidor para administrar meus investimentos no mundo trouxa, Sr. Falc. Tem que ser alguém de confiança já que um contrato mágico não poderá ser assinado. — Disse Harry pensativo. — Preciso também que seja alguém com conhecimento do comércio internacional e a economia global.
— Pensei que pretendia que o Sr. Niall continuasse a cuidar de seus investimentos, Harry? — Sra. Serafina perguntou sem entender.
— E eu pretendia, ou pelo menos deixar que ele supervisionasse todos os investimentos que eu fizesse, mas o Sr. Niall me escreveu uma carta e explicou que descobriu um problema cardíaco, seu médico recomendou a aposentadoria. Ele foi muito sincero, disse que nunca pensou em parar porque sabia que tinha que cuidar de tudo até poder me passar todas a informações sobre minha herança, mas agora que isso aconteceu, sente-se aliviado e pronto para se aposentar. — Explicou Harry com o cenho franzido. — Escrevi-lhe e disse que vou liberá-lo imediatamente, temos apenas que recolher todos os documentos e transferir para outro escritório depois. Sr. Falc, sei que o senhor não trabalha no mundo mágico, mas poderia ser apenas meu advogado? Ou terei que contratar outro escritório? E quero dar uma bonificação justa ao Sr. Niall por tudo o que fez, ele merece e tenho certeza que vovô Bryan quereria isso.
— Isso é muito generoso, Harry, e acredito que o melhor é contratarmos uma firma de advocacia trouxa. Eu não atuo no mundo trouxa porque não tenho conhecimento das leis trouxas e para supervisionar sua herança e investimentos isso será necessário. Quanto a um investidor, acredito que Chester é sua resposta, ele é formado em economia e comercio exterior e é muito bom em seu trabalho. Seus pais estão completamente envolvidos com a Produtora Colton, mas Chester tem seus pés fincados nos investimentos e negócios. — Explicou o Sr. Falc solicito.
— Oh... o senhor acredita que ele aceitaria ser meu investidor, Sr. Falc? — Harry perguntou ansioso.
— Bem, só saberemos quando lhe perguntar. Acredito que ele aceitaria, pensando que quando você for adulto assumirá seus próprios negócios e investimentos, assim Chester cuidaria e ensinaria você, não sei, pelos próximos 10 anos ou algo assim. — Disse Falc pensativo. — Vou marcar uma reunião com ele assim que voltar do Caribe e poderemos todos nos sentar e discutir as opções.
Harry acenou preocupado, não queria deixar a herança do seu avô Bryan de lado e muito menos sendo mal administrada. Logo depois Sirius saiu para seus encontros e o Sr. Falc de volta ao escritório e às 13 horas em ponto Adam e Ayana se encontraram na biblioteca para os estudos mágicos com a supervisão de Anne. Os pequenos apenas estavam estudando teoria mágica, etiqueta e outros fatos teóricos. Terry e Harry foram para o solar com a Sra. Serafina para poderem fazer magias.
— Vamos primeiro revisar, quero saber tudo o que sabem de magia prática de cada assunto. Começamos com Feitiço, Terry, você primeiro. — Disse Sra. Serafina em modo professora.
E assim Terry tirou sua varinha e fez cada um dos feitiços aprendidos facilmente. Harry foi em seguida, sua segurança e naturalidade com os feitiços ficou claro, Serafina só vira outra pessoa com tanto talento, Lily Evans, pensou, sorrindo.
— Agora Transfiguração, Terry. — Continuou ela, fazendo pequenas anotações.
Terry melhorara muito em Transfiguração, mas ainda mostrava falta de confiança e os mais difíceis tinha que repetir duas vezes. Harry tinha mais força mental e não precisava repetir, mas não era fácil ou natural, exigia muita concentração e era feito com mais lentidão. Depois de mais anotações, ela falou.
— Agora, Defesa, Terry.
Terry sabia muito mais magias do que um primeiro ano deveria e se mostrava quase tão seguro com as maldições como se mostrou com os feitiços, mas lhe faltava agressividade, por isso as maldições saiam com menos potência. Quando chegou a vez do Harry, ele hesitou.
— Hum…, posso usar aquela parede, Sra. Serafina?
— A parede? — Serafina ficou confusa.
— Sim, como alvo. — Explicou ele como se fosse óbvio.
— Como alvo, claro, o que estou pensando, hum…e se eu criar um alvo para você? Um segundo. — Disse ela e conjurou uma espécie de manequim de plástico.
Harry olhou para o frágil boneco e coçou a cabeça, a parede do seu quarto tinha inúmeras queimaduras e saliências de seus feitiços, não achava que aquele boneco sobreviveria.
— Tem certeza, Sra. Serafina? — Perguntou duvidoso.
— Sim, Harry, vamos lá. — Ela o incentivou e o observou se posicionar.
Harry não mostrou tensão, deu um passo para traz se colocou levemente de lado com seu lado direito a frente. Seu braço esquerdo ele posicionou atrás das costas e sua varinha se ergueu, mas seu corpo de manteve ereto, ombros retos e queixo erguido. Ele, naturalmente, se moveu em segundos para a posição de luta, sua expressão era concentrada e seus olhos focados. E então começou uma sucessão de maldições, uma após a outra em uma velocidade impossível. Sua varinha se agitava freneticamente e antes que uma maldição alcançasse o manequim outra deixava a varinha, cores variadas e Harry não gritava, ele falava a maldição, mas não precisava erguer a voz para aumentar seu poder. Na verdade, em poucos segundos a força das maldições destruiu o boneco de plástico o reduzindo a membros disformes, queimados e derretidos no chão e assim a parede se viu vítima dos impactos. De olhos arregalados, Serafina viu a parede interna do solar que dava para a sala de brinquedos das crianças ser queimada e lascada e quando uma rachadura apareceu, lateralmente, ela percebeu que a parede seria pulverizada também.
— Pare! — Gritou a apavorada e quando Harry parou, sua postura mudou voltando ao normal e olhou para ela preocupado.
— Tudo bem, Sra. Serafina? — Perguntou docemente com aqueles grandes olhos verdes inocentes e ela não aguentou.
Serafina soltou uma gargalhada e apontando para o boneco derretido e a parede rachada, riu ainda mais, em segundos suas pernas bambearam e ela se sentou no chão segurando o estômago de tanto rir. Terry e Harry logo a acompanhavam e Adam e Ayana ouvindo os risos vieram ver o que acontecia e se contagiaram, apesar de não saberem bem porque, caíram no chão rindo também. Anne ficou na porta olhando sem entender, suspirando, decidiu ir preparar alguns lanches e refrescos, sabia que, depois tanta magia e risos, todos estariam sedentos e famintos.
Depois de muito riso, sanduíches e refrescos, Sra. Serafina disse que as aulas práticas de defesa teriam que esperar até que ela e Falc pensassem em um alvo mais seguro. Harry sugeriu uma parede de pedra como de Hogwarts e contou sobre a parede do seu quarto.
— Oh... por isso que você estava hesitante, prometo que lhe darei atenção da próxima vez. — Disse ela meio envergonhada. — De qualquer forma o Chalé é feito de pedra, mas não tem a magia que as paredes de Hogwarts carregam, teriam que ser magias muito escuras e poderosas para destruir as paredes. Sugiro que daqui a alguns anos, depois que passar a puberdade, você encontre outro alvo, Harry.
Ele acenou e depois todos voltaram aos estudos, Serafina se concentrou em Feitiços e Transfiguração. Feitiços com Terry era apenas repetição e maior repertório, com Harry além de mais repertório, ela apenas o incentivou a começar a lançar os feitiços silenciosamente, reconhecendo que não havia nada que ela pudesse lhe ensinar para ser um melhor feiticeiro. Transfiguração, Terry precisava de incentivo e confiança, maior concentração e Harry apenas de prática e repetição. E os dois precisavam repassar o conteúdo do primeiro ano antes de irem para o segundo com segurança.
Pouco antes de ir embora de volta a Surrey, Harry escreveu para seus amigos mais uma vez, explicando sobre sua desconfiança que alguém estava pegando sua correspondência que não vinham ou iam com sua coruja, lhes enviou uma cópia da agenda de estudos e os convidou para participarem, Hermione, claro, quando retornasse de suas férias. A Neville, ele acrescentou uma carta a Sra. Longbottom pedindo a ela formalmente permissão para que seu neto viesse estudar. Sra. Serafina acrescentou ao seu pedido um convite dos Boots.
— Edwiges, preciso que entregue essas cartas, a Neville primeiro, espere a resposta e depois a Hermione, aguarde sua resposta também. Seja cuidadosa, alguém está roubando minhas cartas, não deixe que ninguém te machuque e viaje segura. — Disse ele a sua amiga, Edwiges piou muito séria e bagunçando seus cabelos voou para o leste.
Enquanto Harry estava passando sua tarde no Chalé estudando, Sirius se encontrava, discretamente, com seu velho amigo, King Shacklebolt em seu escritório na Fábrica de Confecção. King usara o flu, assim nem mesmo seus funcionários sabia de sua presença.
— Então? É uma boa ideia, não é? — Sirius perguntou confiante, ainda que tentasse esconder a ansiedade.
— É uma boa ideia, sem dúvida e mesmo que leve anos tem grandes chances de dar resultado. — Disse King com sua entonação profunda e tranquila.
— Mas? — Sirius questionou percebendo na frase que o auror não estava completamente seguro do plano.
— Mas, você não é um auror, Sirius, não pode trabalhar infiltrado ou disfarçado. Não tem treinamento para isso e duvido que Bones e meu chefe autorizem. — King foi sincero.
— King, isso é besteira! Eu lutei em uma guerra maldita, estive em batalhas com comensais da morte muito mais perigosos que esses idiotas que habitam a Travessa do Tranco. Você sabe disso. — Apontou Sirius irritado.
— Sim e isso foi a mais de 10 anos, você está se recuperando da prisão e não tem treinamento, não estou dizendo que não gosto da sua ideia, mas ela precisa de ajustes. — Disse King em tom definitivo.
Sirius suspirou decepcionado, sabia que podia fazer isso.
— Isso não é justo, você não pode colocar outro auror quando foi minha ideia, além disso tem que ser alguém desconhecido que todos saibam que não é um auror. Eu sou a pessoa perfeita, além de ninguém me ver trabalhando para o Ministério depois de minha prisão injusta, tenho o dinheiro e o sobrenome certos para compor o personagem. — Apontou Sirius confiante. — Vamos lá, King, tenho certeza que se você concordar pode convencer Madame Bones e o Chefe Scrimgeour a concordarem com meu plano.
Desta vez foi King que suspirou, pensativo.
— Se eu concordar e conseguir convencê-los, você está preparado para a reputação que se espalhará sobre você rapidamente no mundo mágico? Todos acreditarão que você virou um criminoso, entende isso, Sirius? — Perguntou King muito sério.
— Eu entendo, as pessoas que me importam saberão a verdade e não é como se eu pretendesse me mudar para a Travessa do Tranco. Depois que vocês fizerem a operação e afastar uma boa parte dos criminosos, comprarei diversos pontos e, claro, isso dará a impressão que minha intenção é continuar a manter as atividades criminosas, mas logo ficará claro que pretendo revitalizar a Travessa e tudo ficará bem. — Apontou Sirius sorrindo entusiasmado. — E quando terminar de comprar cada prédio decrépito, posso começar meu treinamento auror.
— Essa é a parte que não concordo, quero que você comece o treinamento antes, assim que colocarmos essa operação em movimento, se colocarmos. — King se levantou e pensativo apontou para o amigo. — Preciso que esteja ciente dos protocolos e afiado com sua magia, disfarce e físico. Só concordarei se perceber sua evolução, não vou te soltar no meio da Travessa do Tranco sem preparação e algum treinamento.
— Ok, faz sentido e concordo, mas onde realizarei o treinamento auror se não posso ser visto no Ministério e muito treinando com vocês? — Perguntou Sirius interessado.
— Vou pensar em alguma coisa e, se conseguir convencer meus chefes a concordarem com essa missão, criaremos uma história sólida, um plano que não pode ser desviado e se ignorar alguma regra ou ordem, tiro você do caso imediatamente. Entende? — King falou com firmeza e Sirius apenas assentiu sorrindo animado, já podia sentir a adrenalina percorrê-lo com o pensamento de estar em ação. — E essa ideia foi do Harry? Tem certeza?
— Sim, meu afilhado é muito inteligente. Aliás, ele me contou que te conheceu e começará a frequentar o Centro Esportivo que você lhe recomendou neste sábado. — Disse Sirius orgulhoso.
— Verdade? Bem, estarei lá então, quero o treinar em algumas lutas e apresentá-lo a algumas pessoas. Harry me contou o que aconteceu na escola esse ano Sirius, fiquei muito preocupado com ele, percebi um leve SPT e sua magia e espirito precisam de um ritual de purificação. — Disse King, preocupado.
— Eu também soube e, na verdade, vi a lembrança da luta, Harry foi brilhante, King, não poderia estar mais orgulhoso, mas também sei que o que aconteceu foi muito pesado para alguém tão jovem. De qualquer forma, ele está em psicoterapia com alguém de confiança e no sábado depois da academia o levarei para Firenze, acredito que fará bem a nós dois participarmos de um ritual de purificação. — Explicou Sirius enquanto preparava um chá e entregava uma xícara ao seu amigo.
— Voldemort estava lá mesmo? Quer dizer, sei que o Harry não estava mentindo, mas não consigo imaginar que aquele maldito está vivo e que o Harry o derrotou de novo. — Disse King pensativo.
— Vivo, mas fraco e sem corpo, apenas um espectro. É uma dessas coisas que apenas vendo para compreender completamente. Você não contou ao seu chefe? — Sirius perguntou curioso.
— E fazer aquele menino ser investigado e que essa história se espalhe? Sinceramente, abafar tudo não é a resposta e o que Dumbledore fez foi errado, mas, se tentássemos fazer a coisa certa agora que o diretor deu sua versão, Harry seria chamado de mentiroso ou pior, por muitos. — King apontou e acrescentou. —Poderia apenas apresentar a verdade para Bones e Scrimgeour, mas não duvido que eles exigissem que uma investigação fosse aberta, Sirius e teríamos que entrevistar todas essas crianças, os professores, Dumbledore.
— E isso seria ruim? King, o diretor deve ser questionado, o que ele fez foi... Não sei nem como descrever suas ações, mas meu afilhado poderia ter sido morto. Seu trabalho como diretor deveria ser, ao menos, reavaliado, supervisionado ou algo assim. — Sirius disse impaciente. — O Conselho de Governadores com certeza não sabia que uma armadilha com um Cerberus foi montada na escola onde centenas de alunos então vivendo. Ou será que Hogwarts não tem mais como sua principal função ser uma escola?
— Eu entendo e como um auror me sinto em conflito, meu primeiro instinto é informar meus superiores e iniciar uma investigação, mas, enquanto podemos manter tudo em sigilo do público em geral, não posso garantir sobre outras pessoas que sabemos não são confiáveis. — King pousou a xícara na mesa e se levantou. — O Ministro seria informado e ele é muito amigo de Malfoy, não se esqueça que o Conselho de Governadores é composto por algumas figuras nada confiáveis, entre eles o próprio Malfoy. Sirius, se eles conseguirem tirar Dumbledore de Hogwarts e descobrirem que Voldemort está vivo no mesmo dia seria catastrófico, isso sem contar o que eles podem tentar fazer com o Harry.
— O Harry? O que quer dizer? Ele estava se defendendo! Tentou com todas as suas forças sobreviver, Harry não tem culpa de nada. — Sirius estava indignado.
— Eu sei disso, você e os Boots, mesmo Dumbledore sabem disso, mas você acredita que alguém como Malfoy não usaria algo assim para caluniá-lo? Para o Ministro ou mesmo na imprensa? O-menino-que-mata, assassino de dois bruxos adultos, o novo Lord das Trevas e poderia pensar em milhões de outras coisas. Fudge é fraco, as pessoas são como gados que seguem o grito mais alto, em um instante Harry poderia ser de um herói para um monstro para eles, Sirius e não duvidaria que fosse acusado criminalmente. Ou pelo menos uma tentativa de acusação e não acredito que você queira que aquele menino passe por tudo isso.
— Não, é claro que não, King, por Merlin, tudo o que mais quero é protegê-lo. — Disse Sirius chocado e pálido ante a visão terrível apresentada pelo amigo.
— Eu também e é por isso que acredito que devemos deixar as coisas como estão, infelizmente, o nosso mundo não nos permite acreditar que Harry seria tratado com justiça. Você, melhor do que ninguém, compreende isso. — King encerrou com sua voz profunda.
Sirius apenas acenou, mesmo que preferisse que Dumbledore fosse responsabilizado pelo que fez, não tentaria conseguir isso as custas do Harry. E, pensou, olhando para seu amigo e talvez futuro mentor, talvez King estivesse certo, revelar tudo e iniciar uma investigação poderia trazer a questão da profecia à tona e Harry já dissera não querer que ninguém soubesse sobre isso. Mas talvez seu afilhado abrisse uma exceção sobre King e o auror poderia os auxiliarem a descobrir como acessar o conteúdo da profecia.
A terça-feira, depois que Anne o pegou em sua casa, começou com estudos trouxas, Sr. Madaki revisou seus estudos do ano e passou uma programação, além de livros, para estudarem. Harry entregou seus relatórios dos livros que o Sr. Madaki lhes entregara em dezembro e foi introduzido ao francês e latim, quando a hora do almoço chegou ele se sentiu muito aliviado, o avô de Terry era meio apavorante. Durante o almoço, Sr. Falc lhe disse que a reunião com os alunos fora agendada para a manhã seguinte, às 8 horas, Harry era bem-vindo, mas Penny, Edgar, Sirius e ele poderiam cuidar de tudo. Ele hesitou, mas depois decidiu ir, tinha a tarde de hoje para estar com Adam e Ayana, Sirius e estudos livres, poderia dedicar a manhã seguinte a GER. Tudo se encaixaria, pensou, tinha apenas que encontrar um equilíbrio entre todos as pessoas importantes de sua vida e seus projetos.
Durante a tarde, Harry voou com Ayana e Terry, depois todos brincaram e desenharam junto com Adam na sala de jogos. Ele jogou uma partida de xadrez com ele e conversaram sobre a escola e magia. Seu irmãozinho tinha muita curiosidade sobre a magia da natureza, as aulas de carpintaria e pediu ao Harry que o ajudasse a se conectar com o bosque. Harry prometeu ajudá-lo se seus pais autorizassem.
No fim da tarde antes de partir, Sirius apareceu e os dois foram para a Abadia, seu padrinho queria conversar e passar um tempo só os dois. Eles foram até a garagem onde ele concertava sua motocicleta, quando a viu Harry arregalou os olhos, lembrava-se dela, de seus sonhos.
— Essa belezinha aqui é uma Triumph 650 T 120 Bonneville de 1959. — Explicou Sirius. — Uma das melhores e mais potentes motos da década de 50, quando eu a comprei na década de 70 muitas outras motos já a haviam superado, mas está aqui era um modelo clássico e além de sua beleza, me permitiu trabalhar em algumas modificações especiais.
— Ela é linda, Sirius. Quando poderemos voar? — Perguntou Harry a rodeando e o sidecar que estava engatado na moto.
— Não até que eu tenha revisado tudo, tanto a mecânica, como a magia. Foi por isso que eu te chamei aqui, queria saber se você quer me ajudar? — Disse Sirius com um sorriso ansioso.
— Eu? Você quer que eu te ajude? Mas eu não entendo nada de motos. — Disse Harry de olhos arregalados de surpresa e animação.
— Bem, eu também não entendia e aprendi. Se você quiser, posso te ensinar e podemos juntos colocá-la para voar. Que me diz? — Sirius se agachou ao seu lado em frente a moto.
— Claro! Será incrível! Quando começamos? — Harry perguntou entusiasmado e ansioso.
— Porque não agora? Temos meia hora antes de te levar para a casa dos seus tios e posso te contar sobre minha conversa com o King sobre a Operação Travessa do Tranco. — Disse Sirius e com a varinha rapidamente transfigurou suas roupas para roupas mais velhas. — A primeira coisa que precisamos fazer é uma limpeza, de cada parte da moto, o tanque de combustível, as velas, as válvulas, filtros e cabos. Enquanto fazemos isso verificamos se algo está desgasto ou quebrado e concertamos ou trocamos. Se necessário compramos peças novas, com peças delicadas e que se exige tanto, você deve sempre ter consciência que é perigo concertar por magia. Se a magia se desgastar você pode se ver com uma peça quebrada em um momento de voo e, bem, isso seria um desastre certo.
Harry concordou e tirando sua varinha começou a imitar seu padrinho, a limpeza em si era feita com magia, mas ainda havia muito trabalho manual, algo que ele gostava e achava relaxante. Estar com Sirius apenas fazia tudo melhor. Eles não tinham muito tempo, mas conseguiram adiantar a limpeza e Sirius pode lhe contar sobre sua primeira reunião com King, inclusive a conversa sobre uma possível investigação dos acontecimentos do fim do ano. E também sua ideia de mostrar a memória da luta para o amigo auror e pedir sua ajuda para descobrir como acessar a profecia.
— Eu concordo com o Sr. King, Sirius, quando contei para meus colegas de ano o que aconteceu, muitos não acreditaram, porque não querem pensar que Voldemort está vivo, porque confiam em Dumbledore. — Disse Harry enquanto lavava a mão suja de óleos e terra. — Eles mesmos me disseram que eu seria motivo de piada ou desconfiança se saísse contando a verdade. Além disso, enquanto não confio em Dumbledore e acredito que ele tem poder demais, não penso que ter Hogwarts em poder de pessoas como Fudge ou Malfoy seja muito bom, na verdade, acredito que seria muito mais perigoso para os alunos.
— Sim, depois de ouvi-lo não pude não concordar também, mas ainda temo pelo perigo que você corre enquanto Dumbledore tem tanto poder. — Disse Sirius e depois de voltar suas roupas ao normal, eles deixaram a garagem e foram para o ponto de aparatação.
— Bem, não a muito que possamos fazer sobre isso, não vou começar uma guerra contra o diretor, ele não é meu inimigo, eu apenas quero o controle sobre minha vida e herança. — Explicou Harry pensativo. — E a punição da ICW ainda não saiu, pode ser que ele perca um pouco de seu poder depois disso.
— Talvez algum poder, mas prestígio? Eu não vejo isso acontecendo. — Disse Sirius e em seguida os aparatou para as árvores do parque e os dois caminharam para o número 4.
— Bem, eu vou pensar sobre sua ideia de contar sobre a profecia ao Sr. King, tenho receio que ele mude de ideia sobre contar aos seus superiores, precisamos ter certeza que manterá segredo. — Disse Harry pensativo e Sirius acenou concordando. — E espero que o Sr. King consiga convencer seus chefes a dar permissão para a Operação Travessa do Tranco e estou muito feliz que você vai se tornar auror como sonhava a tantos anos, Sirius. — Disse Harry e quando entraram na rua dos Alfeneiros acrescentou com o cenho franzido. — E você não ia me explicar o que é um bordel?
Sirius se engasgou com a pergunta e olhando para o afilhado viu sua expressão curiosa e inocente, não conseguiu se impedir de soltar uma gargalhada. Isso fez o Harry ficar ainda mais sério.
— Porque você ri? E porque todos ficaram corando na reunião? — Perguntou, sua voz saiu irritada. Porque simplesmente não explicavam o que era de uma vez?
— Desculpe, meu afilhado querido, eu não deveria estar rindo porque na verdade não é nada engraçado. Apenas, sua inocência me desconcerta e, bem, é um pouco engraçada. — Disse Sirius tentando conter o riso. — Olha, esse é um assunto delicado e prometo que não tratarei como uma piada ou algo assim, mas temos que ter mais tempo para que eu possa te explicar algumas coisas antes de explicar exatamente o que é um bordel. Ok? — Disse ele mais solene.
Harry acenou concordando, ainda mais confuso.
— Ok, Sirius, nos vemos amanhã na reunião. — Disse Harry e depois de lhe deu um abraço.
— Ok, fique seguro. Até amanhã. — Disse Sirius suavemente lhe beijando a testa.
Harry entrou e depois de um banho rápido foi ajudar sua tia com o jantar.
Na manhã seguinte o Sr. Falc veio buscá-lo para irem a GER, Harry se sentia ansioso por essa reunião, sabia que essa era a primeira mudança efetiva na vida das pessoas que estavam sendo discriminadas pelo Ministério. E depois da explicação do Sr. Edgar na última reunião, Harry entendia que por mais boa intenção que tinha, apenas contratar todos não era a maneira mais inteligente de agir.
Quando eles aparataram no Chalé, Harry ficou confuso.
— Vamos por flu, Harry, ele já está conectado, assim não corremos o risco de sermos vistos juntos e muito menos entrando na GER. — Explicou Sr. Falc e Harry apenas assentiu.
Em segundos eles atravessaram para o endereço "GER, saguão" e se dirigiram para o elevador.
— Os Negócios Blacks alugam um andar inteiro e poderão abrir seu próprio flu se quiserem ou usar o do saguão, mas no futuro quando estivermos mais estruturados abriremos um flu oficial no andar da GER, assim Edgar e você não precisarão passar pelo saguão e serem vistos porque quem não deve vê-los. — Sr. Falc lhe informou.
O elevador se abriu e eles foram para uma sala ao lado da sala de reuniões que estava com as portas fechadas. Quando entraram, Edgar, Sirius e Penny os aguardavam.
— Vou ter que o deixar, Harry, ontem recebi uma carta de Dumbledore pedindo um encontro para hoje de manhã e é melhor que esteja por lá trabalhando quando o diretor chegar. — Disse o Sr. Falc olhando para o relógio. — Boa sorte a vocês. Nos vemos mais tarde. — E saiu apressado de volta para o elevador.
Pego de surpresa, Harry apenas o observou preocupado, esperava que Dumbledore não ficasse muito zangado e não ousasse fazer nada ao Sr. Falc, ou teria que se ver com ele.
— Não se preocupe, Harry, ele ficará bem, Falc está preparado para esse encontro a algum tempo. — Disse Sirius tranquilo e bagunçou seus cabelos.
— Certo. Vamos nos concentrar aqui, então. Os alunos já chegaram? — Perguntou Harry tentando afastar a mente do Sr. Falc.
— Sim, Harry, estão na sala de reuniões. Pelos menos os interessados em uma entrevista de emprego. —Penny falou sorrindo, sua postura parecia mais confiante e ela parecia já fazer parte do escritório.
— Nem todos responderam a proposta de emprego? — Harry ficou surpreso.
— Não, e isso não deveria nos surpreender, temos 19 alunos do 7º ano, mestiços ou nascidos trouxas, todos se infiltraram com sucesso nas aulas extras, mas destes 4 veem de famílias bruxas abastadas ou com contatos no Ministério e um nascido trouxa respondeu em sua carta que pretende trabalhar no escritório de advocacia do pai. É um Ravenclaw que continuou os estudos e pretende fazer faculdade de direito, sua família é rica, assim ele não precisa do trabalho. — Continuou Penny explicando enquanto retirava as cartas de resposta dos 5 alunos.
— Isso não é tão incomum, em um grupo tão grande existem histórias diferentes e aqueles que tem condições financeiras ou contatos não são os que nos propomos a ajudar, infelizmente, como os 13 jovens que nos esperam comprovam, eles são a minoria. — Sr. Edgar falou e pegando algumas pastas, perguntou. — Como quer fazer isso, Harry?
Harry respirou fundo e respondeu:
— Como deve ser feito, da maneira mais precisa. Eu confio no senhor, Sr. Edgar, se acreditar que alguém não deve ser contratado, respeitarei sua decisão. Quero que a GER seja uma grande empresa que ajude com sucesso o maior número possível de pessoas, mas temos que fazer isso com inteligência. — Disse Harry com firmeza.
Edgar sorriu surpreso e levemente admirado.
— Muito bem. Então, Penny e eu entraremos e pediremos que assinem um acordo de confidencialidade, caso alguém não assine, estará fora. Depois vocês podem acompanhar os testes e entrevistas. Ok? — Disse Sr. Edgar sorrindo.
Harry e Sirius acenaram e esperaram alguns minutos quando Penny veio chamá-los. Na sala de reuniões Harry encontrou muitos rostos conhecidos que o olharam muito surpresos.
— Potter? O que faz aqui? — Disse uma das moças, Harry não se lembrava de seu nome, mas sabia que era uma Gryffindor.
— Deixe-me lhes apresentar os seus possíveis contratantes, Sr. Sirius Black dono da Negócios Black e Sr. Harry Potter, dono da GER, Empreendimentos. Os dois estão aqui para acompanhar as suas entrevistas e ao fim decidirão se tem interesse em contratá-los para serem seus funcionários. Compreendem? — Edgar expôs muito claramente e muitos acenaram ansiosos, outros franziram o rosto, preocupados, chateados ou incrédulos.
Harry decidiu falar rapidamente.
— Bom dia a todos. Vocês devem se lembrarem que no início do último ano eu lhes falei que tinha muitas ideias para mudar o mundo mágico, para que um dia todos tivessem oportunidades e direitos como os puros-sangues. Bem, com a ajuda de pessoas muito competentes, estou colocando essas ideias em práticas e se estiverem interessados, não apenas em um emprego, mas, em ajudar nestes empreendimentos, aqui terão essa oportunidade. Mas nada lhes será oferecido sem compromisso, esforço e determinação e isso vale para todos, igualmente. — Disse Harry e viu muito rostos mais calmos, com alguma esperança e desejo de participar.
Todos acenaram e Harry se sentou com Sirius e observou o trabalho de Edgar e Penny que começou com apresentações básicas. Depois um questionário foi entregue, eram apenas 5 perguntas e todos responderam rapidamente. Cada um trouxera e entregara seus resultados dos exames de Hogwarts e informações de estudos trouxas. Em dado momento uma entrevista diferente começou, Edgar dava uma situação hipotética e escolhia alguém aletoriamente para responder o que a pessoa faria. Depois houve uma entrevista mais formal com questões mais pessoais, alguns pareceram incomodados, mas ninguém se esquivou de responder.
Foram duas horas, depois eles foram liberados para descerem ao saguão e aguardarem. Penny os informou que na cozinha havia alguns lanches e sucos. Enquanto isso os quatro se sentaram para analisar os dados.
— Bem, vamos avaliar um a um. — Disse Edgar e espalhou as análises. — Começando com Amélia Jones, nascida trouxa, Ravenclaw. É de Londres, muito inteligente e criativa, tem talento artístico. É muito responsável e dedicada, seu sonho é ser artista plástica ou estilista, mas precisa do trabalho, quer ajudar os pais com o pagamento da escola de sua irmã mais nova, Megan Jones. Hufflepuff, 1º ano.
— Estou precisando de funcionários no setor de Design, Maria tem trabalhado fortemente, mas praticamente tem mantido os desenhos básicos, não está conseguindo inovar ou criar peças novas. Se a Srta. Jones se mostrar talentosa e ainda estiver estudando Moda em uma universidade trouxa, eu com certeza me interesso em contratá-la. — Disse Sirius pegando a pasta. — Ela diz que está aberta a qualquer trabalho, podemos é claro lhe oferecer uma das vagas na recepção ou secretária, mas me parece um desperdício.
— Eu concordo, o problema é que ela não terminou a escola trouxa e ainda não pode entrar em uma universidade. Proponho que lhe oferecemos a oportunidade de estagiar na sua Fábrica de Confecções ou um cargo de secretária aqui, há uma diferença de honorários, mas nada tão significativo. — Disse Edgar fazendo algumas anotações.
— Do que eu conheço da Amélia, ela escolherá o estágio. — Disse Penny suavemente e todos acenaram.
— E sobre a bolsa? — Harry perguntou. — Podemos lhe falar sobre a bolsa de estudos da Divisão Evans?
— Sim, informaremos que como uma de nossas estagiárias ou funcionárias, ela pode se candidatar a bolsa de estudos quando terminar o Ensino Médio, mas explicaremos que, quando chegar o momento, uma avaliação rigorosa será feita e apenas assim a Srta. Jones será beneficiada com uma Bolsa de Estudos Evans. — Disse Edgar seriamente. — E, claro, isso vale para todos, seus comportamentos a partir de suas contratações, pessoal e profissional, é que decidirá se são elegíveis a uma bolsa.
— Eu gosto disso, entre os critérios de avaliação, Sr. Edgar quero que seja assegurado que eles não têm ou pretendem ter qualquer simpatia para qualquer tipo de pensamentos racistas, discriminatórios ou totalitários. — Harry apontou sério. — Seria terrível descobrir que estamos ajudando pessoas que discriminam negros ou homossexuais, por exemplo.
— Bem pensando, Harry. A verdade é que podemos esperar que os nascidos trouxas vítimas de preconceitos não terão preconceitos, mas, acreditar sem averiguar, seria ingenuidade. — Disse Sirius sensato.
Edgar suspirou e fez algumas anotações.
— Vou precisar de uma boa equipe, alguém para gerenciar a Divisão Evans e já perdi uma das melhores possíveis secretárias que entrevistamos para a Fábrica de Confecções do Sirius. E, sinceramente, neste grupo de hoje não vejo ninguém com qualificação para ser mais do que assistentes, secretários e recepcionistas, vai demorar anos até que possamos termos confiança para colocá-los em cargos mais altos e com mais responsabilidades. — Disse Edgar realisticamente.
— Eles têm apenas 18 anos, Sr. Edgar e acabaram de deixar um internato que os enganou por anos, os fizeram acreditar que tinham um lugar em nosso mundo. A maioria deles precisam de um trabalho e ajuda para continuar estudando, nós podemos lhes dar isso, mas o Sr. está certo, precisamos de mais ajuda. —Disse Harry preocupado.
— Acredito que sei onde podemos conseguir alguns funcionários mais qualificados. Edgar, quando o contratamos, Falc e eu entrevistamos vários outros nascidos trouxas, a maioria deles com boas qualificações. Nós guardamos seus contatos para quando precisássemos de mais alguns funcionários — Disse Sirius animado.
— Isso é ótimo. Nós ganharemos tempo e podemos começar a contatá-los hoje mesmo, Penny. — Disse Sr. Edgar sorrindo, Penny apenas acenou e fez anotações, eles pareciam trabalhar em um bom ritmo.
— E sobre os alunos, Sr. Edgar? — Perguntou Harry ansioso para ajudá-los.
— Vamos continuar a avaliações dos teste e entrevistas, mas creio que você mesmo percebe que alguns não são o que precisamos ou queremos trabalhando na GER, Harry. — Disse o Sr. Edgar sensato.
— Sim, eu percebi. — Harry ficou surpreso com a atitude de alguns. — Vamos continuar, então. Quem é o próximo?
— Noah Willians, nascido trouxa, Hufflepuff. — Informou Penny formalmente.
— O Sr. Willians é de Southampton, uma cidade do Sul, turística e praiana. Seu pai é advogado e sua mãe tem uma pequena agência de turismo, seu interesse era trabalhar no Ministério, no Departamento de Ligação Internacionais. — Edgar descreveu o jovem. — Me pareceu inteligente e interessado, nunca seria mais que um recepcionista ou faxineiro no Ministério, mas consigo vê-lo com grande potencial para crescer na GER. Ele também precisa concluir o Ensino Fundamental e Médio antes da faculdade, assim proponho que o contratemos para uma vaga aqui de secretário e o direcionemos mais a frente para assistente na Divisão de Turismo, acredito que ele pode nos ajudar muito nesta área.
Todos concordaram e Harry ficou aliviado, Noah era um dos que ele mais simpatizara quando se reuniram no Covil.
— Grace MacWilliam, nascida trouxa, Ravenclaw. — Continuou Penny.
— Srta. MacWilliam é de Edimburgo, Escócia. Tem interesse na área de cura, mas precisa trabalhar e poupar dinheiro para a faculdade de medicina. Ela se candidatou a uma vaga como estudante de curandeira no St. Mungus e a vaga lhe foi negada. — Apontou Edgar sucinto. — Obviamente, seu status de sangue importa aos que escolhem os candidatos no Hospital porque a Srta. MacWilliam não poderia ter melhores notas. Proponho contratá-la como secretária e assistir de maneira criteriosa seu comportamento por um ano e depois lhe oferecer uma Bolsa de Estudos Evans, ela tem potencial para ser uma grande médica um dia.
Mais uma vez todos concordaram e Penny disso o próximo nome.
— Thomas Wilson, nascido trouxa, Gryffindor.
— Sr. Wilson tem notas medias para baixo e não muito interesse em estudar ou crescer. Alega precisar de emprego, mas que preferiria trabalhar no Departamento de Quadribol do Ministério. Seu desinteresse é flagrante e não me parece muito inteligente. — Edgar disse duramente.
— Enquanto o ouvíamos pensei que, se não se mostrar preguiçoso, poderia trabalhar como vendedor na loja do David Coleman, de produtos esportivos. — Apontou Harry e todos sinalizaram concordando.
— Podemos colocá-lo em um curso de vendas, várias escolas técnicas têm cursos de 6 meses e provavelmente ele estará terminando quando inaugurarmos a loja Sports Company. Enquanto isso ele poderia trabalhar em uma de suas fábricas, Sirius. Talvez na Fábrica de Confecções? — Disse Edgar fazendo mais anotações.
— Por mim tudo bem, sempre precisamos de ajuda por lá, mesmo para alguém sem treinamento, existem trabalhos de carregamento e entrega. — Disse Sirius positivo.
— Ótimo. Próximo?
— Phoebe Watson, nascida trouxa, Hufflepuff. — Disse Penny.
— Eu a achei muito divertida e alegre. Gostei dela. — Disse Harry sorrindo.
— Sim, suas notas são medianas, mas ela me parece muito esforçada e otimista, além de aberta a aprender. Disse que pensou em se candidatar a uma vaga no Profeta Diário, ela tem uma tia jornalista e mostra interesse na área, mas sem muito segurança. — Disse Edgar.
— Ela parece ainda não saber o que quer fazer profissionalmente. — Apontou Penny.
— Acredito que ela poderia ser uma das recepcionistas lá da entrada, tem boa articulação verbal, é alegre e receberá bem nossos clientes e associados. Se, futuramente, ela tiver interesse em crescer na empresa ou estudar, reavaliamos. — Sugeriu Edgar e todos concordaram.
— Isabella Byrne, nascida trouxa, Ravenclaw.
— Srta. Byrne se mostra muito ambiciosa, quer trabalhar na área de administração, ainda não concluiu o Ensino Médio, mas falta pouco. Me parece muito focada e intensa. — Descreveu Sr. Edgar.
— Talvez intensa demais. — Disse Sirius ironicamente. — Me pareceu um tubarão pronta para devorar os outros candidatos.
— Ela é um pouco assustadora, mesmo. — Disse Harry timidamente.
— Isabella sempre foi assim, e ela é muita disciplinada e inteligente, poderia ter sido nossa Monitora Chefe em Hogwarts, mas o cargo foi para uma puro sangue. — Disse Penny.
— Acredito que isso é bom, se ela tiver caráter, são de pessoas assim que precisamos. Podemos contratá-la para trabalhar na Divisão de Negócios ou Financeira, não podemos? — Harry expressou.
— Eu concordo e na verdade, se ela se mostrar tão competente e honesta, podemos no futuro ter uma gerente de Divisão. — Disse Edgar sorrindo. — O que me dizem de oferecer uma das vagas de assistentes de divisão? Poderia começar comigo e quando tivermos os Gerentes da Divisões, posso transferi-la e ela já estará treinada. Acredito que ela conseguirá uma bolsa de estudos sem dificuldades.
Mais uma vez todos concordaram e eles seguiram para o próximo.
— Sophia Travis, nascida trouxa, Ravenclaw.
— Srta. Travis é muito inteligente, boas notas, mas me parece muito mais interessada na área acadêmica. Deixou claro seu desejo de fazer um mestre em Feitiço e parece realmente acreditar que pode, com suas notas conseguir uma vaga para os treinamentos de mestres do Ministério. Ela só quer um trabalho para se manter enquanto não concluiu seu treinamento. — Edgar apontou tristemente. — Ela está se iludindo, claramente.
— E sendo arrogante. Suas notas são boas, mas a de muitos outros também foram, acredito que ela não entendeu completamente o que explicamos a eles sobre a discriminação no Ministério e outras áreas do mundo mágico, Harry. — Disse Penny preocupada.
— Ela logo vai perceber, infelizmente, mas enquanto isso poderíamos lhe oferecer uma vaga de vendedora em uma das lojas. Talvez a da Srta. Doylen, Sophia é inteligente e deve entender de livros, acredito que seria bom para as duas. — Harry propôs e todos acenaram.
— Vamos introduzi-la no curso de vendas e observar como ela vai lidar com a decepção de ser rejeitada pelo Ministério. Podemos sempre reavaliar quando a Srta. Travis souber melhor o que fará no futuro. — Disse Edgar.
— Robyn O'Connor, nascido trouxa, Gryffindor.
— Incrivelmente boas notas. Seu maior interesse é em poções, ele deseja o mestre, pretende se candidatar a uma vaga no curso de mestres do Ministério, mas está ciente que não conseguirá a vaga. Temos uma possível loja de ingredientes de poções e poções que será aberta, mas não acredito que o Sr. O'Connor quer ser vendedor, seria algo temporário e, podemos sempre financiar com a Divisão Evans, um mestre particular.
— O fato dele ter tão boas notas sendo um Gryffindor e com o professor horroroso de poções que temos conta a seu favor. — Disse Penny séria.
— Muito. Ele me pareceu muito inteligente e animado para começar a trabalhar, acredito que poderia trabalhar na loja que vende poções, assim ele pode tanto trabalhar na fabricação como na venda. E isso é algo que pode o ajudar a crescer, contato com um potioneer experiente, com o público e podemos sempre avaliar se Robyn é um candidato a bolsa depois que ele concluir o Ensino Fundamental e Médio. — Propôs Harry.
— E antes de inaugurarmos a loja podemos lhe oferecer um uma vaga em minha Fábrica de Poções, talvez até lhe interesse continuar trabalhando lá, estamos precisando de potioneers talentosos. — Apontou Sirius pensativo.
— Vamos ver o que ele prefere, os dois aspectos podem trazer crescimento, apenas na sua Fábrica o Sr. O'Connor vai trabalhar com poções mais perigosas e raras. — Disse Edgar e olhou para Penny esperando o próximo.
— Bem, esses foram os nascidos trouxas. Agora entramos com a lista dos mestiços, são 5 apenas. — Disse Penny pegando as pastas. — Logan Davenport, mestiço, Gryffindor.
— E começamos com o mais difícil. — Apontou Edgar seriamente.
— Esse garoto inventou a arrogância. — Disse Sirius, mal-humorado.
— Sr. Davenport é filho de uma bruxa e um trouxa, seu pai é muito rico, eles são de Manchester. Ele alega que seu pai contratou tutores para que pudesse estudar e concluir seus estudos trouxas e queria entrar para o Departamento de Leis do Ministério. Pretende estudar direito e quer trabalhar com leis internacionais. — Resumiu Sr. Edgar com uma leve careta.
— Não me parece o perfil que precisamos ou queremos e na verdade não acredito que o Sr. Davenport aceitaria qualquer vaga humilde que oferecêssemos, mesmo com a perspectiva de crescimento. — Disse Sirius e todos acenaram, menos Harry.
— Harry? Tem uma ideia diferente? — Sr. Edgar perguntou curioso.
— Não exatamente, apenas acredito que não devemos descartá-lo completamente apenas por sua arrogância. Ele é jovem e imaturo, quase todos os Gryffindors são assim e sempre pode mudar. Em alguns anos ele será um advogado especialista em leis internacionais, pode ainda ser um associado, cliente, ou nós podemos ser seus clientes. — Harry descreveu os cenários mostrando a contagem nos dedos. — E se ele tem interesse no Ministério e sabe que sem um sobrenome dificilmente conseguirá chegar a Chefe do Departamento de Leis, tem interesse em que essas leis discriminatórias sejam superadas.
— Você acredita que devemos manter as portas da GER abertas a ele, pois no futuro o Sr. Davenport pode nos auxiliares, principalmente, quando estivermos lutando dentro do Ministério da Magia? — Sr. Edgar estava pensativo e Harry acenou. — Isso é muito inteligente e estratégico, Harry. Você está certo, explicarei ao Sr. Davenport que não temos uma vaga para ele no momento, mas que espero contato dele assim que tiver com seu escritório de advocacia aberto. Podemos inclusive incentivá-lo a estudar as leis mágicas e manter contato conosco.
Todos acenaram concordando e Harry corou com o elogio.
— Henry Kelly, Mestiço, Hufflepuff.
— Kelly é uma família bruxa irlandesa. São fazendeiros e Herbologista. Sr. Kelly não quer trabalhar no ramo da família, ele quer viver em Londres e parece dar muita importância a isso, parece detestar o campo. — Disse Sr. Edgar.
— Sei que isso pode parecer fofoca, mas Henry é conhecido por ser mulherengo e meio machista entre as meninas em Hogwarts. — Disse Penny e corou levemente. — Sempre sabemos dessas coisas, assim não namoramos tipos como ele, sabe.
— Isso não é fofoca, seu caráter é importante para contratarmos alguém e ele me pareceu pouco ambicioso ou interessado em crescer e estudar. Sua maior motivação parece ser ter um trabalho qualquer para poder viver em Londres, suas notas são medianas e disse que suas áreas de interesse são Quadribol e Astronomia, — Edgar apontou.
— Ele nem fingi, claramente, sua única preocupação na vida é se divertir e não quer responsabilidade ou tem vocação ou dom específicos. Mas isso não quer dizer que não podemos contratá-lo, mesmo que não tenha um plano de carreira. — Disse Sirius olhando suas respostas.
— Me preocupa sua personalidade, como vendedor terá que trabalhar com o público e se tem o hábito de ser desagradável com as mulheres, isso não me parece algo que devemos ter em nossas mãos. — Edgar apontou preocupado.
— Bem, acredito que como ele cresceu em uma fazenda pode ter algum conhecimento na área. Poderia oferecer um cargo para trabalhar na minha Vinícola em Kent, estamos aumentando e diversificando a produção e alguém como ele que saiba trabalhar na produção, cumpra os horários e as ordens, pode ser um bom funcionário. E ele não terá contato com os clientes. — Disse Sirius pensativo.
— Eu gosto, é uma boa ideia. Teremos que ficar atentos a como ele se comporta com as colegas de trabalho, mas o Sr. Kelly me parece interessado em trabalhar para se manter aqui. E se um dia ele amadurecer e tiver mais ambição, reavaliamos. — Edgar propôs e todos concordaram.
— Lucy Brown, mestiça, Hufflepuff. — Disse Penny e seu rosto ficou meio pálido. — Hum... esse caso é meio complicado.
— Porque diz isso, Penny? Srta. Brown me pareceu muito interessada e trabalhadora, tem boas notas, se interessava pelo Departamento de Controle da Criaturas Mágicas. Ela quer trabalhar para acabar com os preconceitos contra os seres mágicos, não temos nada nesta área ainda, mas podemos sempre contratá-la e realocá-la depois. E como tem família trouxa pode até ser que concorde em ir para uma universidade trouxa, se qualificar em alguma área. — Edgar descreveu e parecia otimista.
— Sim, apenas, Lucy não era assim, ela não escreveu, mas seus interesses antes eram na área da música. Ela fazia parte do coral da escola e tem uma voz linda, professor Flitwick sempre comenta e como sua mãe é nascida trouxa, seus planos eram tentar uma carreira na música, no mundo trouxa ou mágico. — Contou Penny, triste. — Tudo mudou esse ano, ela é prima de Lavander Brown do seu ano, Harry.
— Verdade? Lavander disse ter um irmão, mas nunca comentou ter uma prima. — Harry comentou curioso.
— Isso porque Lucy e sua mãe não mantêm relação com os Brown. O pai de Lucy era o irmão mais velho do pai de Lavander, mas, anos atrás ele foi mordido por um lobisomem e seu pai o deserdou e o afastou da família. Lucy era bem pequena, e ela e seus pais passaram necessidades e quando seu pai desapareceu na época da guerra, seu tio e sua tia ainda mantiveram distancia, pois ele se tornou o herdeiro da família e dos negócios Brown e não quis dividir a herança. — Penny explicou concisa. — E a alguns meses Lucy descobriu que seu pai desapareceu porque foi assassinado pelos aurores do Ministério, apenas porque era um lobisomem, ele não era um criminoso.
— Isso é terrível. — Edgar falou horrorizado.
— Eu sei tudo isso, porque ela me procurou e queria saber com mais detalhes sobre as discriminações, sobre o que pretendíamos fazer para combater o Ministério. Ela abandonou seus sonhos de ser cantora, Sr. Edgar para poder alcançar justiça ao seu pai, Lucy nem precisa trabalhar porque os familiares das vítimas do Ministério receberão uma indenização, mas tudo o que lhe importa é vingar seu pai. — Encerrou Penny ainda triste.
— Eu não sei o que dizer, todos temos nossas motivações e, apesar de triste que a Srta. Brown abandone seu sonho, não consigo deixar de pensar que faria o mesmo no lugar dela. — Disse Edgar muito sério.
— Eu também, é para que a morte dos meus pais não sejam em vão que tive a ideia da GER e dos projetos para mudar o mundo mágico. Acredito que devemos permitir que a Lucy lide como acredite ser melhor com a dor que está vivendo e talvez um dia, quando ela encontrar paz, possa viver seu sonho. — Disse Harry solenemente, todos acenaram concordando.
— E, em qual cargo nós a contratamos? — Perguntou Sirius pensativo.
— Acredito que ela poderia trabalhar como assistente na Divisão Evans, é um projeto para ajudar nascidos trouxas e combater a discriminação. Com o tempo podemos ampliar para ajudar os lobisomens e outras meias raças e seres mágicos. — Apontou Harry inteligentemente
Todos concordaram e sorriram, parecia que a melhor maneira de ajudar Lucy era permitir que ela os ajudasse.
— Bem, os últimos são os gêmeos White. Maxwell White, mestiço, Ravenclaw e Matilde White, mestiça, Gryffindor. — Encerrou Penny sorrindo levemente.
— Eles me parecem muito inteligentes e motivados. Sr. White tem interesse em Aritmancia, seu talento em matemática pode ser muito efetivo para a Divisão Financeira. Precisaremos de um administrador financeiro experiente, mas ele poderia ser seu assistente. — Propôs Sr. Edgar e todos concordaram. — Quanto a Srta. White, tenho a leve impressão que sua boa articulação e inteligência pode ser de grande ajuda quando abrirmos o Hotel, posso imaginá-la trabalhando como assistente da gerência e um dia se tornando a gerente. Claro, até o Hotel ser inaugurado, podemos contratá-la como assistente para outra Divisão, talvez a Imobiliária? — Sugeriu Edgar. — Ela pode nos ajudar muito, principalmente quando contratarmos alguém para a reforma dos prédios.
— Quando vamos iniciar essa fase, Sr. Edgar? — Perguntou Harry curioso.
— Logo, Harry e já tenho o escritório de arquitetura que irá nos ajudar a reformar os imóveis e revitalizar as vielas, elas precisam de novos calçamentos e revestimentos. É uma empresa trouxa, mas o arquiteto e engenheiro sócios são bruxos. Mac e Ian são muito respeitados em seus trabalhos no mundo trouxa, mas, infelizmente, no mundo mágico nunca tiveram abertura. A empresa se chama M&T Arquitetura e Construção. — Edgar pegou uma pasta com Penny e entregou ao Harry. — Tenho uma reunião agendada com eles amanhã e acredito que se fecharmos um contrato poderemos iniciar as reformas na segunda-feira, Harry.
Harry acenou e leu os detalhes sobre a empresa, Arthur MacLaren e Ian Trents, formados em arquitetura e engenharia civil na Universidade de Londres. MacLaren era um mestiço da Ravenclaw e Trents um Gryffindor, nascido trouxa.
— Eles parecem grande pessoas, Sr. Edgar e, se seus trabalhos são de primeira, serão as pessoas certas para o projeto. Eu não poderei estar aqui e, na verdade, é melhor assim, não podemos pedir confidencialidade de todo o mundo. — Disse Harry suspirando, no futuro poderia participar de tudo o que fosse importante. — O senhor poderia perguntar a eles se é possível alargar as vielas, Sr. Edgar?
— O que está pensando, Harry? — Perguntou Sirius curioso e também lendo as informações da empresa de arquitetura.
— Apenas que as vielas do Beco Morto são muito estreitas, se vamos revitalizar as ruas, podemos alargá-las, quer dizer teremos lojas com vitrines, as ruas estreitas não são muito atraentes ou não permitem muita visibilidade. — Apontou Harry.
— Isso é uma grande ideia e não vejo porque não poderemos fazer isso, pedirei a Falc que consulte as leis urbanista, mas acredito que é mais que possível. — Edgar falou entusiasmado e fez anotações. — Harry, isso é fantástico!
Harry corou e sorriu, ainda achava estranho ser elogiado.
— Bem, eu preciso ir para as minhas aulas e, agora que decidimos quem e como contratar os alunos, deixarei que vocês sigam. Eu estarei muito envolvido com meus estudos e sei que podem fazer um bom trabalho ao contratar quem precisamos para colocar a GER para funcionar, queria estar aqui hoje porque quero muito ajudar os alunos de Hogwarts que estão sofrendo com o preconceito de sangue do mundo mágico. Foram eles que me deram a ideia da GER, quando conseguimos infiltrar os alunos nas aulas extras percebi que poderíamos tentar fazer o mesmo e infiltrar os adultos na sociedade mágica, no comércio, na produção. — Harry explicou ao Sr. Edgar seus pensamentos, Penny e Sirius já sabiam. — Se o senhor conseguir fechar com os associados gostaria de conhecê-los, pessoalmente, mas sei que é mais do que capaz de encontrar as pessoas certas.
— Eu... Harry, quando me ofereceram a oportunidade de trabalhar no mundo mágico e fazendo o que eu amo, me senti um homem privilegiado. — Edgar sorriu daquele jeito sonhador e encantado, Harry não podia deixar de sorrir também. — Naquele momento pensei que estava apenas realizando algo bom para mim, mas nos últimos meses descobri que estou ajudando o meu povo e fazendo parte da maior revolução que um país já vivenciou, e sem armas. Me sinto muito honrado por essa oportunidade e por sua confiança. Muito obrigado.
Harry não soube o que dizer ao ver seu rosto emocionado e seu olhar de sincera gratidão. Penny e Sirius assentiram e também agradeceram, ele sentiu sua garganta se fechar pela emoção, tudo isso só era possível por causa do sacrifício de seus pais e, em breve, quando Dumbledore não pudesse mais controlá-lo, pretendia contar ao mundo a verdade.
— Eu... fico feliz e um dia quero poder dizer para todos que tudo o que estou fazendo é em homenagem aos meus pais, foram eles que nos permitiram estar aqui hoje. — Harry pigarreou e se levantou. — Irei agora, bom trabalho para vocês e se precisarem não hesitem em me chamar.
— Ok, Harry, bons estudos e assim que tiver os primeiros associados acordados lhe informarei, afinal o contrato terá que ser assinado por você pessoalmente, como Chefe da Casa Potter. Espero que até a última semana de agosto tenhamos tudo assinado e que inauguremos o máximo de lojas possíveis antes do Natal, incluindo o Hotel. — Disse Edgar ao se levantar animadamente para se despedir do Harry.
Harry sorriu contagiado por seu sorriso e apertou sua mão firmemente, deu um abraço em Penny e Sirius, depois desceu o elevador até o saguão de entrada onde estava o flu. Os alunos estavam todos lá esperando ansiosos e quando o viram muitos se moveram até ele.
— Nós terminamos a reunião e logo vocês serão chamados. Boa sorte a todos e, se forem contratados, sejam bem-vindos a GER Empreendimentos. — Disse Harry com um sorriso.
— Realmente a empresa é sua, Potter? — Disse a garota Gryffindor que agora Harry sabia se chamar Matilde.
— E a empresa é seu plano de mudar o mundo mágico? Como você nos disse nas reuniões do Covil? — Lucy perguntou ansiosa.
— Sim e sim. Se forem oferecidos um cargo e aceitarem, serão informados sobre os projetos, muitos já estão em movimento e quem quiser poderá fazer parte ou pelo menos terem um bom trabalho com uma remuneração justa. — Informou Harry e todos acenaram. — Preciso ir agora. Boa sorte.
Harry foi para o flu e recebeu muitas despedidas acompanhadas de agradecimentos. Ao chegar no Chalé Sra. Serafina e Terry quiseram ouvir sobre a reunião e enquanto arrumava mesa contou a eles e apontou seu espanto.
— Nunca imaginei que tanto fosse envolvido na contratação de um funcionário e, com nossos associados, Sr. Edgar disse que teremos que ser igualmente criteriosos, confesso que estou ansioso para conhecê-los. — Encerrou Harry animado.
— Então, você não vai participar da contratação dos gerentes das divisões? — Terry perguntou curioso.
— Não, eu queria estar com os nossos colegas de Hogwarts hoje e entender como tudo é feito, mas as próximas contratações, Edgar, seu pai e Sirius, além da Penny são mais do que capazes. E minha participação só aumenta a chance de vazar a informação de que a GER me pertence. Eu apenas estarei mais envolvido no fechamento dos contratos com os sócios, afinal tenho que conhecê-los e assinar os contratos. — Harry explicou e serviu um copo de suco.
Neste momento o barulho do flu se fez ouvir e o Sr. Falc entrou na cozinha, Harry o olhou ansioso. Ele devolveu o olhar e sorriu.
— Tudo correu bem, Harry, não se preocupe. — Disse ele e Harry apenas suspirou aliviado.
Todos se sentaram para almoçar e o Sr. Falc contou sobre sua reunião com Dumbledore.
— Eu fiz o que te falei, fui sincero. Disse que percebemos durante o Natal que sua vida com seus tios era abusiva e que com o acesso ao testamento de Lily e James, percebemos que se não tivesse sido anulado, poderíamos ter cuidado de você por todos esses anos. — Sr. Falc fez uma pausa e apertou a mão de Serafina. — Disse a Dumbledore que, assim como nossos filhos, nos apaixonamos por você e que nossa principal preocupação era lhe dar um lar, mas que em nossa reunião suas palavras me fizeram perceber que teríamos que conseguir sua guarda judicialmente. Expliquei que menti porque tínhamos receio que ele impedisse uma audiência e que acreditava que envolver as assistentes sociais e o juiz era o melhor caminho para protegê-lo, independentemente, da decisão final.
— E o que ele disse? — Sra. Serafina perguntou preocupada.
— Dumbledore disse que fizemos o correto e que não esperaria outra atitude de um Boot, que nossa preocupação sempre deve ser o Harry, ele é mais importante que tudo. — Falc disse e expressou sua perplexidade, que se espalhou por Harry, Terry e Serafina. — Agradeceu por nossa decisão que o alertou sobre as condições de vida do Harry e se desculpou por ter que impor a nós o trabalho que deveria ter sido dele, cuidar do Harry.
— Mas não é nenhum trabalho. — Protestou Sra. Serafina.
— Eu disse isso e Dumbledore concordou, dizendo que para uma família como a nossa o amor vem naturalmente. — Sr. Falc suspirou parecendo cansado. — Não sei o que pensar, ele parecia sincero e nem um pouco zangado com nossa decisão e com as consequências. Ele encerrou dizendo que a guarda compartilhada se apresenta como a melhor decisão, pois isso permite que Harry tenha uma família que o ame e ainda mantenha a proteção de Lily. E que lamenta não ter pensado nisso antes.
— Ele lamenta, mas não se arrepende, se pudesse voltar no tempo faria tudo igual, principalmente, se pensasse sobre a possiblidade de que, por ser muito jovem, eu considerasse aqui e não o número 4 como minha casa. — Harry disse sorrindo ironicamente. — Dumbledore sempre soube o que estava fazendo e sua decisão de me afastar do mundo mágico foi consciente e calculada. Essa história de que "eu não pensei nisso" é a maior enganação, Sr. Falc e ele sabia muito bem que meus tios não me amariam. É possível que não imaginou que eu seria maltratado e talvez o diretor realmente lamente isso, mas no fim do dia, quando ele diz "o Harry é o mais importante", Dumbledore não se refere a minha pessoa, a minha felicidade e sim ao fato de que sua arma precisa ser protegida e preparada para o momento certo.
Todos ficaram em silencio e avaliaram suas palavras, Anne conversava e distraia Adam e Ayana, assim a conversa deles em tom baixo não era acompanhada pelos três.
— Ok, tudo isso faz sentido, mas porque Dumbledore não ficou zangado com a interferência dos meus pais? E porque em toda essa história, ele fez tanto esforço para te manter longe do mundo mágico? Quer dizer, eu não acredito que na profecia algo esteja escrito que você deveria viver no mundo trouxa para ser o escolhido. — Questionou Terry inteligentemente e Harry fez uma careta para a escolha de palavras do amigo.
— Quanto a primeira pergunta, pode ser porque se sente envergonhado ou exposto, talvez por não querer começar um conflito com as pessoas que são legalmente meus guardiões junto com meus tios. Quanto a segunda questão, não faço a menor ideia, mas desconfio que talvez, muito em breve, terei a oportunidade de perguntar ao Dumbledore diretamente. — Disse Harry dando de ombros. — E sobre o processo de invalidação da anulação do testamento dos meus pais, Sr. Falc? Quando poderemos conseguir isso?
— Não tão rapidamente quanto todos gostaríamos, Harry. Um processo envolvendo um menor é mais rápido como vimos, mas esse não é o caso agora, o juiz tem que julgar e decidir se nosso pedido procede, se ele aceitar daremos prosseguimento ao processo e pode levar alguns meses até a decisão final, talvez um ano. — Informou Falc realisticamente.
— Um ano? Mas, Sr. Falc, vamos inaugurar as novas lojas antes do Natal e se isso lhe chamar a atenção e o diretor decidir descobrir a quem pertence a GER? — Harry não pode deixar de se preocupar.
— Infelizmente, não podemos apressar o processo judicial, Harry, mas depois que cada contrato estiver assinado, Dumbledore não pode impedir nada. — Disse Falc solidário.
— Mas poderia assumir tudo e dar ordens, não vou aceitar isso e se o juiz negar? Ou se perdemos e o testamento continuar anulado, serão anos até minha maioridade. — Harry empurrou seu prato, perdera o apetite.
— Não seja tão pessimista, Harry e nem pense em não terminar de comer, hoje teremos uma longa tarde de estudo você precisa estar bem alimentado. — Disse Sra. Serafina suavemente, mas com o olhar sério.
— Serafina está certa, Harry, deixe esse pessimismo de lado, o nosso pedido será julgado procedente e temos grandes chances de ganhar e se Dumbledore quer tanto ficar de bem com todos nós, talvez ele nem coloque uma grande oposição. — Disse Sr. Falc sorrindo. — Tenha fé.
Harry acenou e sorriu sem muito entusiasmo, puxando o prato voltou a comer, precisava crescer e treinar, mas sentia que ter fé e otimismo não seria o suficiente para vencer Dumbledore, ele teria que usar sua ideia de backup, apenas tinha que esperar o momento certo.
A tarde foi de muito estudo, eles voltaram a focar em Feitiço e Transfiguração. Em algum ponto da tarde, Sirius apareceu com notícias das contratações, todos aceitaram as propostas de emprego com exceção de Henry Kelly que não quis trabalhar na vinícola, seu flagrante desinteresse tornou óbvio que o melhor era não tentar outra colocação para ele. Logan Davenport aceitou muito bem a falta de uma proposta, sua arrogância natural o fez ver como um elogio o fato de que nenhum dos cargos parecia lhe convir. E se despediu elegantemente, prometendo manter contato, além de ajuda se algum dia no futuro a GER precisasse de um advogado no mundo trouxa.
Depois disso eles treinaram juntos, Sirius era muito bom em Transfiguração e ajudou Harry e Terry a entenderem mais sobre o assunto.
— Quando me transfiguro em meu animago, é uma transfiguração avançada que envolve meu corpo e mente, coração, espírito e energia mágica. Tudo de mim é exigido e quando vocês transfiguram um objeto ou conjuram um objeto, devem estar cientes disso. Seus corpos não são necessários, mas suas magias, corações, mentes e almas tem que estarem focados totalmente, precisam se conectar com o objeto, acreditar sem distrações ou inseguranças. Lembrem-se que tudo o que existe no mundo tem sua energia e que ao conjurarem um objeto, vocês usam energia do ambiente e a de vocês para criar algo. Vocês podem pensar que criam o objeto do nada, mas isso é um pensamento errado, pois o lugar nenhum ou nada, existem e tem muita energia assim como o mundo que nos cerca e vocês. — Explicou Sirius calmamente.
Harry ouviu com atenção, transfigurar não era algo tão natural quanto a feitiçaria ou as maldições, sua força mental e determinação o ajudavam, mas algo o impedia de fazer isso rápido e natural. Mas ele estava se conectando com sua magia? E com a magia do ambiente? Com a feitiçaria, Harry fazia isso tranquilamente, podia até sentir a magia deixando seu corpo e abrindo ou fechando uma porta. Com as maldições era como respirar, seu corpo e mente, seu coração e espirito entendiam que aquele era o momento de defender e tudo dele se projetava nesta intenção. Percebeu, então, que não fazia o mesmo com a Transfiguração, ele apenas usava sua mente racional para acreditar que poderia mudar o objeto e sua magia para mudá-lo. Precisava, sentir a magia e treinar até que viesse naturalmente. Mais confiante, Harry fechou os olhos e respirou fundo sentindo sua magia arrepiar por seu corpo levantando o pelo de seus braços e olhou com firmeza para a chaleira. Apontando sua varinha e disse o feitiço:
— Receptum Vertere. — E observou lentamente a chaleira se tornar uma caixa de madeira simples, franziu o cenho.
— Lembre-se de especificar exatamente o que e como quer o novo objeto e não se esqueçam que ele tem sua própria energia. — Disse Sirius suavemente.
Harry não disse nada e deixou sua magia avançar e sentiu a sutileza simples do objeto, pode sentir a madeira que ele conjurara ao transfigurar a porcelana da chaleira e entendeu melhor. Repetindo o feitiço, ajustou tudo de si, seu coração ou desejo, sua mente ou determinação, sua magia conectada com a energia do objeto e sentindo em sua alma essa conexão, Harry comandou a transfiguração da caixa em uma chaleira de porcelana azul, com lírios brancos. E observou quando muito mais rapidamente seu feitiço se realizou e sorriu a ver a chaleira.
— Muito bem, isso foi muito mais rápido e imagino que você queria essa imagem. Agora continue indo e vindo com o feitiço e mudando a decoração a cada vez, até o momento em que você sinta que pode fazer isso sem prensar. E você, Terry vamos nos concentrar em sua insegurança...
E assim foi a tarde toda, treinamento e treinamento. No fim do dia uma carta de Neville e Hermione chegou, a de seu amigo veio acompanhada de uma de sua avó que autorizava o neto a comparecer a casa Boot, apenas nos horários de aulas mágicas, o que claro levou a protestos de Terry e Harry. Seria bom ver o amigo em outros momentos também. Ele viria a partir de segunda-feira. Hermione só estaria de volta a Inglaterra na última semana de julho e tivera permissão dos pais para comparecer às aulas mágicas e trouxas. Nada de mais importante fora mencionado, talvez porque eles temiam que alguém interceptasse as cartas de Edwiges também, mas os dois desejaram que Harry estivesse bem na casa de seus tios. Terry os informara sobre o resultado da audiência.
A quinta-feira foi de estudos trouxas de manhã e mágicos a tarde, o dia foi longo e cansativo, os deveres de casa se concentravam em leituras e mais leituras, um resumo oral ou escrito eram pedidos, mas tinham que ser concisos e claros.
— Não adianta você me dar um dever de casa enorme que teve suas informações copiadas dos livros, para mim basta um resumo do seu entendimento ou não entendimento. Poucas palavras que mostram seus conhecimentos e trabalhamos a partir disso. — Explicou Sr. Madaki quando Harry o questionou.
Harry não pode deixar de pensar que os métodos de trabalhos dele e da Sra. Serafina eram mais eficientes, intensos e realmente tornavam todos os assuntos mais interessantes. A sexta-feira começou com um treino e trabalho de jardinagem, sua tia estava indo as compras de roupas de treinos para o seu primo, assim Harry pegou uma carona até a terapia com o Sr. Martin.
— Como você está hoje, Harry? — Perguntou ele quando se acomodaram.
— Bem, eu acho, tenho dormido melhor, quase sem pesadelos e tive uma grande semana, a GER Empreendimentos está iniciando seu principal papel que é ajudar os nascidos trouxas e mestiços. Também tive momentos incríveis no Chalé, sabe, passar meu dia na casa dos Boots tem sido... Às vezes acho que estou vivendo a vida de outra pessoa, sabe, que não pode ser real. E neste fim de semana vou as montanhas para fazer o ritual de purificação, acredito que isso me fará me sentir... Eu não sei, menos culpado eu acho...
— Você gostaria de me falar sobre o que o faz se sentir culpado? — Sr. Martin perguntou suavemente.
— Sei que o senhor não concordará e que eu era muito jovem e não tive controle sobre a ações de ninguém, mas tenho o sentimento que meu nascimento foi errado para os meus pais. — Harry suspirou e contou sobre a profecia e tudo o que aconteceu a partir dela. — Sirius me garante que meus pais não se arrependeram e eu acredito, isso ajudou com os pesadelos e posso sentir o amor deles, Sr. Martin, mas não posso deixar de pensar que eles estariam vivos se não fosse por mim, sabe.
— Estariam mesmo? — Sr. Martin perguntou suavemente. — Eles lutavam uma guerra, Harry e eram guerreiros, nunca desistiriam de lutar. Vamos fazer um exercício, imagine que você não nasceu e seus pais continuaram a lutar contra Voldemort, a tal Ordem tinha um espião e estava sendo destruída, certo?
Harry acenou intrigado e tentou imaginar esse cenário.
"E o espião era um amigo em quem confiavam e, como dois dos melhores guerreiros que lutaram 3 vezes contra Voldemort e sobreviveram, eles seriam alvos importantes, talvez prioritários. Quase todos os outros membros da Ordem foram traídos, emboscados e mortos dentro de 1 ano em que o espião começou a agir, mas seus pais foram os últimos. Porque? " — Sr. Martin questionou suavemente.
— Porque eles estavam se escondendo, para me proteger. — Harry arregalou os olhos quando entendeu. — Oh...
— A mim me parece, que você existir, deu a eles pelo menos 1 ano a mais de vida, Harry e deve ter sido o ano mais feliz da vida deles, exatamente por terem você. — Suas palavras se perderam no fim quando Harry soluçou.
Sem poder se controlar pelo alivio da dor que a culpa lhe causava, Harry se inclinou e colocou o rosto em suas mãos e chorou.
— Não foi minha culpa... — Disse ele soluçando. — Não foi, Sr. Martin, não foi...
— Não, Harry, não foi sua culpa.
Quando ele se acalmou, Sr. Martin lhe deu um copo com água e lenços para as lágrimas, Harry se sentia tão leve que poderia voar sem vassoura.
— Obrigada, Sr. Martin, por me ajudar a entender, minha mente sabia que minha culpa não fazia sentido, mas meu coração não havia entendido ainda. — Disse Harry com a voz rouca.
— De nada. Você ainda pretende ir as montanhas?
— Sim, um guerreiro precisa limpar a energia da morte de sua magia e acredito que além do que aconteceu com Quirrell, preciso de alguma forma limpar as energias negativas da morte da minha mãe em frente ao meu berço. — Disse Harry pensativo.
— Você se lembra do que aconteceu a tantos anos?
— Sim, eu tenho pesadelos, sempre os tive desde bem pequeno. A um grito as vezes, depois um riso frio e uma luz verde e sinto dor em minha testa. Antes pensava que era do acidente de carro que matou meus pais, mas agora sei o que aconteceu de verdade. — Harry suspirou. — Quando me encontrei com Voldemort, ele riu e reconheci o mesmo riso do meu sonho. A luz verde acredito que vem feitiço da morte que a matou e que ele usou contra mim e que ricocheteou destruindo seu corpo. E o grito, penso que era minha mãe, sei que não poderia protegê-la Sr. Martin e a Sra. Serafina me disse que como mãe, ela deve estar em paz por saber que deu sua vida para me salvar. Que seu amor foi tão forte que permitiu que seu sacrifício me protegesse até hoje. Por isso vou fazer o ritual e por Quirrell, não me sinto culpado por matá-lo, mas de certa forma me sinto sujo, entende?
— Sujo como mal?
— Sim, eu sei que não sou mal, entendo que como um guerreiro precisei matar para sobreviver e defender meus amigos e faria de novo e de novo. E apesar de minha mente e até meu coração aceitarem isso, minha alma lamenta e uma parte de mim queria voltar a antes daquele momento, ao Harry de antes de matar Quirrell. Parece bobo, mas aquele Harry parecia mais bom e inocente.
— E você acredita que o ritual vai te ajudar a voltar a ser o Harry de antes?
— Não Sr. Martin, nunca mais posso voltar a ser como antes, mas acredito que o ritual vai me ajudar a aceitar quem eu sou agora e ter paz. Entende?
— Sim, entendo.
Quando seu tempo acabou, Harry se despediu do Sr. Martin, eles voltariam a se encontrarem na segunda. Sua tia já o esperava no carro e Harry se sentou silenciosamente atrás, seu primo reclamava de fome e que queria comer um hambúrguer, assim acabaram parando em um shopping. Harry pagou por sua comida o que fez Duda o olhar de olhos arregalados, ele apenas levantou a sobrancelha questionando sua surpresa.
— Onde você conseguiu dinheiro? Você está roubando? Vou contar para o meu pai e ele vai te dar uma lição. — Disse ele com um sorriso mesquinho.
— Duda! Não fale assim, seu pai nunca bateu no seu primo, nem baterá. E você pode parar de fazer fofoca ou contar mentiras, mocinho. — Disse sua tia em tom mais duro que o normal ao falar com o filho, apensar de falar baixo.
— Mas, mãeeee... — Seu primo fez cara de quem ia chorar e Harry o cortou.
— Você pode contar ao seu pai que eu tenho dinheiro, Duda, mas saiba que não roubei nada. Meus pais me deixaram dinheiro antes de morrer e tenho acesso a um pouco dele todos os meses, para a escola e outras coisas. — Informou Harry orgulhoso, poderia ser infantil, mas era bom poder dizer ao seu primo que ele não era o único que podia ter o que quisesse. Claro, ele não poderia se exibir dizendo que seus pais lhe compraram, mas como era herança deles, era quase a mesma coisa.
— Mentira. Papai disse que seus pais eram vagabundos e bêbados, eles não tinham dinheiro. — Disse Duda com um bico pretensioso e Harry sentiu vontade de lhe dar um soco.
— Hum... interessante como seu pai falou isso e que eles morreram em um acidente de carro, mas na verdade, não foi isso que aconteceu. Porque não pergunta para sua mãe? — Harry olhou para a tia bem os olhos e viu como ela desviou o olhar, como sempre. — Diz, tia Petúnia, minha mãe, sua irmã, Lily, era uma vagabunda e bêbada? — Suas palavras saíram duras, mas Harry estava cansado de mentiras.
Sua tia pareceu hesitar, seu conflito entre agradar o filho, educá-lo, algo que ela estava tentando fazer, finalmente, e dizer a verdade sobre sua irmã. Por fim ela suspirou e acenou negativamente.
— Não, Lily não era nada disso. Sua... Tia era maravilhosa... Ela tinha um grande coração e era muito inteligente e bonita... — Ela pigarreou meio emocionada e constrangida.
Harry viu Duda ficar assombrado com suas palavras e pegando em seu bolso, algo que sempre carregava com ele, Harry tirou uma foto de seus pais o segurando.
— Aqui. Esses eram meus pais, Duda. Minha mãe era a melhor aluna do seu ano em Hogwarts e meu pai era ainda mais talentoso, apenas não se importava tanto com notas. — Disse Harry mostrando a foto ao primo, ele não pegou, mas olhou com atenção. — Eles lutaram em uma guerra e eram os melhores guerreiros, os mais fortes e admirados, não trabalhavam porque a família do meu pai é muito antiga e tem dinheiro, meu avô foi um inventor e vendeu sua empresa com grande lucro. Meus pais pretendiam, depois que acabasse a guerra, fazer o equivalente bruxo de universidade, mas não foi possível.
Duda finalmente pegou a foto nas mãos e olhou pela primeira vez para os tios, eles pareciam ser bons, não entendia nada. Seu primo se parecia muito com o pai dele e sua tia tinha aqueles olhos verdes brilhantes, iguais aos do Harry, pareciam ler sua alma. Isso sempre lhe dera arrepios.
— Ela é bonita como você, mãe. — Disse ele baixinho e olhando para ela, perguntou. — Se tudo isso é verdade, porque vocês mentiram? Porque papai disse essas coisas horríveis?
Harry viu sua tia empalidecer e decidiu ir ao banheiro, pedindo licença, deixou-os sozinhos. Quando voltou viu seu primo confuso e mal-humorado, sem encará-lo.
— Vamos lá, Duda, vou lhe pagar um sorvete, talvez eles tenham o seu preferido de chocolate com caramelo. — Disse Harry tentando animá-lo.
Incrivelmente, apesar de aceitar o sorvete e comer tudo bem rápido, sua expressão não mudou durante toda a viagem para Surrey, Duda ficou em silencio e parecia tentar entender algo, Harry não sabia o que. Quando desceram do carro, ele finalmente falou:
— Então, meu pai odeia o Harry, porque ele é um bruxo e não por algo que ele ou os pais deles fizeram? Ou por serem maus? — Questionou ele e sua mãe acenou em silencio.
Todos ficaram em silencio por alguns segundos e finalmente ele perguntou de novo.
— Meu pai está errado? — Duda perguntou e parecia ser doloroso dizer essas palavras, sua tia ficou mais pálida e sem saber o que responder, entrou correndo e parecia chorar.
— Acredito, Duda, que essa resposta ninguém pode te dar, você tem que encontrá-la sozinho e decidir o que você pensa sobre tudo isso. E enquanto você decide pode ficar com a foto dos meus pais, tenho muitas outras. — Disse Harry para o primo que ainda segurava firmemente a foto dos tios, que acenavam alegremente segurando o bebê Harry em seus braços.
No dia seguinte eles pegaram o trem para Brixton, sua tia disse que sem sacolas de compras não precisavam ir de carro. Ela os acompanhou, não totalmente segura sobre o Centro Esportivo, mas assim que chegaram, sua impressão mudou muito. A recepcionista os acompanhou para a enfermaria onde passaram por exames físicos básicos e foram questionados sobre seus últimos relatórios médicos. Havia um médico, enfermeira, nutricionista e um educador físico, Duda e ele passaram por cada um em etapas e no fim uma lista de recomendações foram apresentadas. Depois foram para um escritório onde pagaram a matricula e dois meses de mensalidade.
— Bem, tenho aqui a lista de recomendações da equipe médica, tem mais alguma coisa que gostariam de fazer ou algo da lista que não gostariam? — Perguntou a secretária, Sra. Tiller.
— Bem, eu queria saber se posso fazer algum peso na academia, sabe, para desenvolver alguns músculos? — Perguntou Harry educado e Duda acenou rapidamente, mostrando o mesmo interesse.
— Não, musculação é recomendado apenas a partir dos 16 anos, com acompanhamento de um profissional podem começar com 13 anos, mas isso ainda não é possível. Creio que só no próximo verão. — Disse ela com um sorriso gentil.
Harry acenou e pegou sai lista de recomendações.
Natação
Ginástica Artística
Dança
Ciclismo
Artes Marciais
Tênis
Vôlei
Basquete
Futsal
Tantas opções, pensou, ele não poderia fazer tudo em um dia, Harry disse isso a Sra. Tiller que acenou concordando.
— Infelizmente, é verdade, mas creio que pode escolher 5 modalidades e no ano que vem sempre pode escolher algo novo. —Sugeriu ela, pois já sabia que ele voltaria apenas nos verões.
Harry olhou para seu primo que conversava com sua mãe e decidiam o que ele deveria fazer, ela pegou seu olhar e estendeu a mão.
— Deixe-me ver. — Disse séria, mas com voz suave.
Ele lhe entregou a lista, Petúnia observou a lista pensando no que o menino precisava, crescer e aprender a se defender.
— Bem, acredito que natação e artes marciais, com certeza, dança ou ginástica te deixará mais ágil, mas não precisa fazer os dois e dos esportes me parece que talvez deveria começar com o tênis e no futuro pode jogar os outros, quando estiver mais alto e forte. Agora poderia se machucar. Ciclismo é bom também, mas você não sabe andar de bicicleta. — Apontou ela uniformemente e lhe devolveu o papel.
Harry acenou e pensou que não deveria ser tão difícil aprender a andar de bicicleta e o ajudaria a crescer, então... No fim escolheu artes marciais, natação, ciclismo, tênis e no último segundo em grande dúvida decidiu pela ginástica, parecia menos assustador do que a ideia de dançar. Ele entregou suas escolhas para a secretária que o matriculou nas aulas e lhe entregou seus horários.
Horários Harry Potter:
- 8hrs às 9hrs: ginástica olímpica
- 9hrs às 11hrs: artes marciais
- Pausa para o almoço de 1 hora
- 13hrs às 14hrs: ciclismo
- 14hrs às 15hrs: tênis
- 15hrs às 17hrs: natação
— Claro que existem pausa para hidratação e lanches, que assim como ao almoço, é por nossa conta, nosso nutricionista tem uma dieta preparada para cada um, individualmente. E você Dudley? — Perguntou Sra. Tiller gentil, Duda corou levemente e lhe entregou suas escolhas. — Muito bem, aqui estão seus horários.
Harry espiou os horários para ver o que seu primo faria.
Horários Dudley Durleys:
8hrs às 9hrs: ginástica
9hrs às 11hrs: boxe
Pausa para o almoço de 1 hora
13hrs às 14hrs: academia
14hrs às 15hrs: ciclismo
15hrs às 17hrs: natação
Eles só se encontrariam no fim do dia para a natação, percebeu Harry. Logo depois eles foram liberados e foram ao vestiário se trocarem, tia Petúnia foi embora prometendo estar de volta às 17 horas. Como já tinham perdido mais de uma hora, Harry foi para as aulas de artes marciais e foi apresentado a várias categorias e seus dojos e mestres. Um aluno assistente foi designado para falar de todas as artes e Harry se sentiu tonto, com tantas informações, até que...
— Olá, Harry. — A voz profunda as suas costas o fez se virar rapidamente, sorrindo.
— Sr. King! O senhor está aqui! — Disse ele entusiasmado.
— Sim, eu disse que queria participar do seu treinamento, Tyler, pode deixa o jovem Harry comigo agora. — Disse o Sr. King educadamente.
— Sim, senhor. Até mais, Harry.
— Obrigado, Tyler. — Harry acenou para o adolescente desengonçado e espinhento que o ajudara.
— Venha, Harry. Vamos conversar enquanto caminhamos. — Disse o Sr. King e para sua surpresa, eles foram caminhar em um jardim muito bonito e calmo, o som da água parecia trazer uma tranquilidade ao ambiente e Harry se sentiu mais calmo, imediatamente. — Este é um jardim japonês, um ótimo lugar para meditação. Seu padrinho me disse que te levará para as montanhas onde realizará o ritual de purificação, poderia me descrever o que pretende fazer?
Harry acenou e contou sobre a orientação de Firenze.
— O centauro está muito bem informado e isso não me surpreende, são seres muito sábios, os centauros. E ele está certo, existem rituais que envolvem runas antigas, mas exige-se grande conhecimento em runas para realizá-lo. — Eles se sentaram em um banco e o Sr. King retirou do bolso um saquinho de veludo e de dentro do saquinho uma pulseira de pedra negra. — Esse ritual que você realizará é um ritual natural, mas ainda assim você estará profundamente ligado a magia, a sua e a da natureza. As energias negativas podem ser incrivelmente poderosas e exigirá de você grande poder para se concentrar em sua meditação e conexão. Essas pedras são turmalinas negras, das montanhas africanas, elas são profundamente canalizadoras de energia negativa. Até mesmo os trouxas sabem disso e a utilizam. Elas são brutas e não polidas, assim mais poderosas, sua escuridão absorverá a escuridão e você deve segurá-la o tempo todo em suas mãos como ponto de apoio. E depois que as purificar poderá usá-las com você o tempo todo. Elas absorverão muita energia negativa dirigida a você, Harry, mas de tempos em tempo devem ser limpas.
Harry pegou a pulseira e facilmente conectou sua magia a das pedras e se impressionou.
— Elas são poderosas. — Sussurrou surpreso. — Como as limpo depois, Sr. King?
— Vou lhe enviar um livro de rituais de purificação de objetos e ambientes, é de origem africana, mas acredito que vai lhe interessar. — Disse King sorrindo.
— Obrigado, Sr. King, de verdade. — Disse Harry com um sorriso ainda maior.
— De nada, Harry. Agora falemos de seu treinamento, pensei muito em nosso último encontro e em sua necessidade de aprender a se defender e acredito que devemos introduzir diferentes artes marciais ao seu repertório. — Disse ele se levantando e voltaram a caminhar pelo jardim.
— Não apenas o Muay Thai? — Harry perguntou curioso.
— O Muay Thai tem uma grande vantagem de lhe ensinar e treinar a transformar seu corpo em uma arma, Harry. As técnicas desta luta permitem que você use todos os pontos de seu corpo, joelhos, cotovelos, canelas, punhos, pés em uma combinação mortal, você aprenderá a utilizar seus membros como uma espada ou bastão e mortalmente atacar seu adversário. — Disse o Sr. King e Harry acenou, parecia exatamente o que ele precisava. — Mas existem outras artes marciais e acredito que o Aikido seria uma excelente arte para começarmos a treiná-lo em conjunto com o Muay Tai. O Aikido é uma técnica de luta japonesa, com foco no aspecto defensivo, usando o corpo e o peso do adversário para se esquivar com torsões, desvios, projeções e contusões. Ele também o ensinará a lutar com espadas, bastões e facas, o que claro pode sempre ser uma vantagem, mas seu aspecto mais interessante é a simulação da esquiva, quando estiver duelando com um bruxo, Harry, perde-se muito menos tempo e energia se esquivando rapidamente dos feitiços e contra-atacando, do que conjurando feitiços de proteção.
— Isso parece incrível! Eu preciso de toda as técnicas possíveis para me ajudar, principalmente, contra Voldemort. Ele é muito mais poderoso que eu e acredito que precisarei de mais do que magia para vencê-lo. — Disse Harry animado.
— Existem muitas lutas africanas com bastões, mas o Aikido apresenta um aspecto de treino mental e uma filosofia de não agressão que acredito, o beneficiará. Você aprenderá a poupar sua energia e usar a energia do adversário para vencê-lo quando ele te atacar. As técnicas do Aikido, você poderá usar em praticamente todos os tipos de situação de luta, corpo a corpo, espadas, facas, bastões, varinhas. O Muay Tai tem seu foco em técnicas de defesa e ataque corpo a corpo, em uma situação em que estiver sem sua varinha ou outra arma, seu corpo será a arma. — Sr. King encerrou a explicação quando voltaram para área de artes marciais. — Existem outras lutas que seriam interessantes para você aprender no futuro, mas devemos focar em apenas duas e mesmo assim não será fácil aprender 2 artes marciais ao mesmo tempo.
— Eu estou disposto, Sr. King, vou me esforçar muito. — Garantiu Harry firme.
— Eu acredito em você. O Muay Tai, você aprenderá comigo e o Aikido com o O-Sensei Koolang, eu conversei com ele e expliquei que o seu foco não é competição e sim defesa. Enquanto sua atenção se dividirá com outros alunos, O-Sensei lhe dará uma aula intensa e exigente, e eu não farei diferente, Harry. — Sr. King apontou para a um homem moreno de origem tailandesa, ele não era muito alto, mas sua postura e expressão calma e confiante não deixava duvida de sua habilidade.
— Sensei King, este é o jovem de quem me falou? — Disse ele se inclinando em frente ao Sr. King em respeito e depois olhando para o Harry com seus olhos negros atentos.
— Sim, O-Sensei Koo, este é Harry Potter, filho de amigos antigos que perdemos na guerra. Harry, este é o O-Sensei Koolang seu novo mestre da arte do Aikido. —Apresentou Sr. King formalmente.
Harry não sabia como cumprimentá-lo assim se inclinou respeitosamente e depois estendeu sua mão.
— Prazer em conhecê-lo, O-Sensei Koolang. Obrigado por aceitar me treinar.
— O prazer é meu, Harry Potter. — Disse ele se inclinando em cumprimento e apertando sua mão firmemente. — Vamos começar, hoje lhe explicarei a filosofia do Aikido...
Harry gostou dele, O-Sensei não perdeu tempo ou fez perguntas sobre porque ele precisava aprender a se defender. A história e filosofia do Aikido eram muito interessantes e ao em vez de ir fazer algo físico o primeiro exercício que seu professor pediu foi meditar.
— Se você quer ser um mestre em se defender de qualquer ataque, precisa ter uma mente forte e precisa. — Disse ele e Harry apenas acenou, meditação era algo que fazia a meses e não teve dificuldade de alcançar o ponto que precisava.
Sentado no chão, Harry se esforçou para não flutuar e se concentrou apenas em sua magia, limpou sua mente e sentiu a paz que sempre acompanhava estes momentos. Um toque em seu ombro o despertou, Harry abriu os olhos e se deparou com o O-Sensei Koolang ajoelhado a sua frente.
— Muito bem, Harry. A quanto tempo você medita? — Perguntou ele com um leve sorriso.
— Um pouco mais de seis meses, O-Sensei. — Respondeu ele suavemente.
— Nunca vi alguém encontrar uma conexão tão profunda e tão rapidamente, isso é uma grande vantagem e me diz que sua mente é forte e está preparada. Lembre-se que no Aikido seu principal objetivo não é vencer seu adversário e sim a si mesmo, controle, inteligência e compaixão são as bases da defesa. Vou lhe ensinar como vencer seu adversário sem dar um golpe e sem se encher de raiva e agressão. Vamos lá, começaremos com o alongamento. — Disse Koolang.
Por mais uma hora, Harry, depois de um alongamento completo, começou a aprender técnicas de esquivas, quedas, torções. A ideia de usar o fluxo de ataque do agressor para se defender e economizar sua própria energia era fascinante e Harry se ajustou igual um pato em um lago. Seus instintos naturais se encaixaram na postura e movimentos, sua agilidade e controle mostraram sua habilidade e sua inteligente estratégica de antecipar os ataques o faziam parecer um aluno mais experiente. O O-Sensei Koolang não disse, mas ficou muito impressionado.
Harry adorou e pode até se ver usando estas técnicas em um duelo mágico. Depois ele foi se encontrar com o Sr. King e descobriu que o Muay Tai era bem diferente do Aikido, ainda com foco em defesa, mas em atacar para se defender. Harry descobriu que poderia usar todo o seu corpo em um combate, os golpes de pernas eram muito importantes, mas ele logo descobriu que suas pernas eram muito fracas e curtas para efetivamente serem usadas como uma arma. Mesmo seus braços eram magros demais para realmente ter força para machucar em um golpe. Isso o irritou muito.
— Os golpes não são apenas força, Harry. Vamos trabalhar nas técnicas e desenvolver seu corpo para naturalmente saber cada golpe, repetição e treinamento. Com o tempo seus músculos se desenvolverão e a força acompanhará os golpes, ainda Harry, o elemento surpresa e a colocação do golpe no ponto certo do seu oponente pode lhe dar uma grande vantagem. — Sr. King explicou e logo depois o liberou.
Harry se sentou com seu primo no almoço, Duda falou empolgado sobre a aula de boxe e como seu soco era forte, mas não perguntou sobre as aulas dele. Seu primo pareceu estranhar o prato cheio de salada legumes e carne, mas estava com fome o suficiente para não reclamar, mas isso mudou quando descobriu que a sobremesa era gelatina.
A sua tarde foi aprender, primeiro a andar de bicicleta, eles tinham uma pista coberta oval que ele descobriu se chamava velódromo. O pessoal que treinava o faziam com interesses em se tornarem profissionais e competir em campeonatos e nas olimpíadas, mas havia uma área de aprendizagem e lazer, Harry passou uma hora tentando se equilibrar em cima de uma bicicleta. O professor deixou um aluno mais velho para ajudá-lo, mas sua impaciência e distração irritou Harry que se afastou e tentou se lembrar do dia em que viu seu tio ensinar seu primo. Demorou um pouco mais e Harry se sentia hesitante, mas finalmente ele conseguiu andar com a bicicleta, virar e parar sem ajuda.
Tênis foi o oposto, a aluna que lhe introduziu ao esporte era muito doce e gentil, Diana, e pacientemente o ensinou as regras e movimentos. Quando foram para a quadra externa, Harry sorriu para o sol e se divertiu muito jogando contra ela. Ele descobriu que, sua agilidade era um grande benefício ao ter que correr de um lado ao outro da quadra, mas seus golpes na bola com a raquete eram fracos e mais uma vez Harry lamentou seu braço fino.
— Não se preocupe, em pouco tempo de treino você sentirá um aumento e fortalecimento dos músculos em todo o seu braço direito, por isso o alongamento e aquecimento são importantes. Sua rapidez nas pernas é incrível e o ajudará a ser um grande jogador de tênis e é importante que seus treinamentos lhe permitirão fortalecer sua musculatura corporal sem um aumento muito grande de massa. — Apontou Diana atenciosa.
— Mas isso não seria bom? Ter mais massa muscular? — Perguntou Harry confuso.
— Depende. Aumento de massa muscular quer dizer aumento de peso e pode prejudicar a rapidez, para um tenista, tonificação e fortalecimento são mais importantes do que o aumento dos músculos. A maioria dos tenistas tem corpos esguios e fortes, mas sem excesso de músculos, resistência e não volume. Compreende? — Explicou ela e Harry acenou e agradeceu, elogiando-a por explicar tão bem.
— Obrigada, Harry, estou no primeiro ano de Educação Física na Universidade de Londres, espero conseguir uma vaga de professora aqui depois que me formar, mas ainda gosto muito de fazer trabalho voluntária. — Disse ela sorridente.
Em seguida, Harry foi aprender a nadar, a piscina rasa tinha um professor de educação física, Prof. Jimmy, era sorridente e animado, muito paciente e Harry conseguiu se sentir seguro em aprender com ele. Seu primo estava na área dos adolescentes e zombou dele por estar na piscina infantil, mas Harry o ignorou e se concentrou em aprender tudo o que o Sr. Jimmy lhe ensinou. Em determinado momento Harry estava boiando suavemente e fechando os olhos se conectou com a energia da água que pareceu aceitá-lo e acolhê-lo, sorrindo ele deixou sua energia envolver seu corpo e deixando sua magia deslizar pela água. Depois disso, nadar se tornou tão natural quanto andar, apenas os movimentos de braços e pernas eram difíceis, mas prender a respiração e se mover embaixo da água foi fácil e muito divertido.
Pouco depois das 17 horas, Harry e Duda saíram para o saguão e encontraram Petúnia e Sirius conversando rispidamente, ela pálida e ele vermelho de raiva.
— Oi, já estamos aqui. — Disse Harry os interrompendo.
Os dois os olharam surpresos e meio envergonhados.
— Vamos embora, mamãe, estou cansado e com muita fome. — Disse Duda que realmente parecia que cairia de exaustão a qualquer momento.
— Sim, querido. — Disse docemente e depois olhou para o Harry mais séria. — Ele, disse que o levará para acampar está noite e que você só voltará na segunda-feira à tarde. Isso é verdade?
— Sim, tia Petúnia, vamos acampar nas montanhas e voltaremos apenas na segunda-feira de manhã, assim iremos direto para o Chalé do Boots. — Informou Harry calmamente.
— Muito bem. — Ela pareceu hesitar como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas era muito tempo se esforçando para não se importar ou não ser minimamente gentil, assim... — Vamos, Duda.
E os dois partiram sem olhar para traz. Harry, olhou para o padrinho que encarava as costas de sua tia com um olhar mortal e o abraçou.
— Tudo bem, Sirius?
— Sim, sim tudo bem, apenas... Deixa para lá. — Disse ele, o apertando contra o peito. — Vamos, temos que ir comprar algumas coisas no Beco Diagonal para o nosso acampamento. — Continuou Sirius e eles deixaram o Centro Esportivo, caminharam até um beco vazio e aparataram para o ponto de aparatação do Beco. — Esqueci de lhe perguntar se você escreveu para o Firenze para avisar que estamos indo neste fim de semana.
— Não precisa, Sirius, os planetas com certeza o avisaram e Firenze estará nos esperando. — Disse Harry sorrindo.
Sirius pareceu surpreso, mas deu de ombros e eles continuaram para a primeira loja.
— Bem, conte-me como foi seu treinamento no Centro Esportivo. — Perguntou Sirius quando escolhiam uma barraca de acampamento com feitiço de extensão e acomodações internas.
Harry, que se engasgou de surpresa ao entrar na barraca, contou sobre suas escolhas e seu tempo com o O-Sensei Koolang e King. Sirius ouviu com atenção e enquanto escolhia e pagava por uma barraca com cozinha, área de jantar e dois quartos, pensou que também deveria providenciar uma pedra turmalina natural para si mesmo. Não sabia se resolveria com o tanto de energia negativa em sua magia, mas poderia ajudar. Enquanto Harry contava sobre o resto do seu dia, eles compraram uma mochila para carregarem a barraca e colocarem roupas, comida e água.
Lembrando-se que tinha uma promessa a cumprir, Harry pediu ajuda do seu padrinho para escolher duas vassouras para dois batedores.
— Preciso enviar para o Fred e o George Weasley, Sirius. — Disse Harry contando como seus amigos perderam suas vassouras no episódio do alçapão.
— Bem, vamos lá. Eu fui um batedor e a melhor vassoura é a que tem a melhor aceleração de arrancada e estabilidade em paradas bruscas. Se não me engano as linhas Nimbus e a Cleansweep eram as melhores. — Informou Sirius animado.
A loja Qualidades Quadribol estava vazia e parecia que ia fechar a qualquer momento, mas quando pediram para ver duas vassouras para batedores o vendedor, de olho na comissão, os atendeu entusiasticamente. Com a ajuda de Sirius, escolheu a Nimbus 1700, sua vassoura era muito boa na discrição do que um batedor precisava, feita por seu padrinho, e ele não conhecia a Cleansweep. E não comprou a Nimbus 2000 porque não queria que os gêmeos se sentissem ofendidos. Ele pediu para que a loja entregasse via coruja e deu o nome e endereço dos batedores Gryffindors.
— Bem, acredito que temos tudo o que precisamos. Você trouxe roupas extras para o frio da montanha? — Perguntou Sirius olhando para sua bolsa de couro marrom.
— Eu tenho meu baú comigo o tempo todo, Sirius, não gosto de deixar minhas coisas na casa dos meus tios. E sim, acredito que temos tudo, ainda que comida não me parece uma necessidade, Firenze disse que devemos fazer jejum durante a meditação. — Apontou Harry pensativo.
— Sim, mas até chegarmos as montanhas e começarmos o ritual vamos precisar comer e beber. E jantaremos antes de ir para Hogsmeade, a caminhada e o frio das montanhas nos exigirão muito Harry, precisamos estar preparados. — Disse Sirius e Harry acenou entendendo.
Eles foram para o mundo trouxa para o jantar e compraram lanches e aveia, mel, cereais, frutas secas, castanhas e nozes e água. Com a mochila abastecida e bem alimentados, voltaram ao Caldeirão Furado que estava ainda mais escuro, desagradável e barulhento e usaram o flu para os Três Vassouras.
— É melhor do que aparatar uma distância tão grande, principalmente, depois de um jantar tão farto. — Disse Sirius divertido.
Harry achava o flu desorientador, mas concordou que uma aparatação acompanhada tão longa seria muito mais desagradável. Eles chegaram ao bar e restaurante que também estava cheio, mas tinha melhor iluminação, decoração e estava limpo. Ninguém os notou ou deu atenção quando deixaram o lugar, ainda que os dois observaram para ter certeza que não eram seguidos, e caminharam para a Floresta Proibida. Sirius conhecia o caminho com segurança e ao passarem pela casa dos gritos contou sobre o porquê do nome.
— E as pessoas acreditavam que eram fantasmas que gritavam? Nunca investigaram ou tentaram descobrir? — Harry Perguntou curioso.
— Não, Dumbledore espalhou o boato que era uma entidade perigosa e isso colocou medo nas pessoas, o que foi ótimo porque se tivessem tentado investigar teriam se deparado com um lobisomem que é muito mais perigoso que qualquer fantasma. — Contou Sirius divertido.
— Quero me tornar um animagus também, Sirius. — Disse Harry quando entraram em meio as árvores.
— Verdade? Isso seria incrível! É difícil e exige muito trabalho, mas vale a pena e vendo o quão rápido você é, acredito que será um animal veloz. — Disse Sirius animadamente.
Harry acenou animado e estendendo sua magia se conectou com a Floresta e ouviu seu sussurro.
— Por aqui, Sirius. — Indicou o caminho e Sirius pareceu surpreso. — Firenze está nos esperando. Quanto tempo levou para meu pai e você se transfigurarem?
— Três anos. Começamos durante o 2º ano e terminamos no 5º ano, exigiu muita preparação e pesquisa, tínhamos que fazer de uma maneira que ninguém descobrisse, famílias ou professores. E dominar a transfiguração nos levou ainda mais tempo, seu pai foi o mais rápido, eu era muito bom em Transfiguração, mas para ele era natural. — Sirius tinha um sorriso triste e olhar saudoso.
Harry apenas acenou e não disse nada, sabia que seu padrinho, assim como ele, ainda estava lidando com o luto pela perda de seus pais. Eles caminharam por mais alguns minutos antes de Firenze aparecer entre as árvores, Harry sorriu feliz ao ver o amigo e se aproximou dele estendendo o braço esquerdo para cumprimentá-lo.
— Firenze! — Disse animadamente e eles juntaram seus pulsos em um cumprimento firme.
— Harry Potter. Os planetas me avisaram que nosso encontro seria muito mais cedo do que combinamos. É um grande prazer revê-lo, meu amigo. — Disse Firenze com um sorriso sutil e voz suave.
— O prazer é todo meu, Firenze. Este é meu padrinho, Sirius Black, ele veio me trazer para realizar o ritual de purificação. Sirius, este é meu amigo, Firenze, ele me ajudou em minha primeira luta com Voldemort. — Harry os apresentou sorridente, era muito bom ter amigos, família e poder apresentá-los.
— Muito prazer em conhecê-lo, Firenze e muito obrigado por proteger meu afilhado. E também por ajudá-lo a lidar com tudo o que aconteceu na escola. — Disse Sirius solenemente e se inclinou respeitosamente, apoiando o punho direito em seu coração.
— Sirius Black. — Disse Firenze e devolveu o cumprimento. — Nenhum agradecimento é necessário, muito me alegrou ajudar um jovem bruxo tão corajoso e que ainda me honrou com sua sincera amizade. Sua presença nesta Floresta mágica e antiga foi prevista pelos centauros, mas está adiantada. Meu povo está desconcertado pela teia que move o destino, os planetas já não nos mostra apenas escuridão, temos esperança.
Harry ficou desconcertado com essas palavras, isso quer dizer que havia esperança que ele vencesse Voldemort? Olhou para o padrinho que, como ele, mostrava surpresa.
— Bem, minha presença aqui é graças ao Harry e se há alguém que acredito pode nos salvar a todos e tornar essa esperança algo real, é ele. — Disse Sirius olhando com amor para o afilhado, Harry corou e arrastou as botas tímido. — Estamos aqui porque nós dois precisamos de um ritual de purificação, Firenze. Temos carregado em nossas almas, magias, mentes e corações, muitos sentimentos e energias negativas, além do toque da morte. Precisamos subir a montanha até o local de purificação.
— Ainda tenho pesadelos, Firenze, estou muito melhor, mas acho que depois do ritual me sentirei mais em paz. — Disse Harry envergonhado.
— Não há motivo para se sentir envergonhado, Harry. Você é um guerreiro e os grandes guerreiros são aqueles que admitem que precisam de ajuda e precisam encontrar a paz. Em uma batalha se você estiver cheio de guerra e tormento, mesmo que vença seu inimigo, você ainda perde. — Disse Firenze suavemente. — Vou acompanhá-los até o início da subida, depois vocês deverão prosseguir por si mesmos. O ritual começa com a jornada e ela deve ser solitária, apenas acompanhada de um companheiro de propósito.
Harry e Sirius acenaram e se trocaram, colocando roupas mais resistentes e botas de couro de dragão. Em seguida começaram a caminhada pela Floresta e Harry se sentou no lombo de Firenze, ele tentou dizer que podia caminhar, mas os dois adultos insistiram.
— A subida da montanha será dura, Harry Potter, deve guardar energias para sua jornada. Vocês trouxeram uma pedra de apoio? — Questionou Firenze.
— Sim, Firenze, trouxemos a turmalina negra natural. — Contou Harry se abaixando e desviando de um galho. As árvores estavam se tornando mais fechadas.
— Boa escolha. A escuridão da turmalina absorverá a escuridão. Quando chegarem ao local de purificação devem se separarem, suas magias e negatividades não podem colidir ou atrapalharão um ao outro. Harry, comece a sua purificação com a queima das ervas do saco que encontrará na árvore que mais lhe atrair depois que se conectar. A magia do local é forte e deve estar preparado, ajoelhe-se ao lado da fogueira e inicie a meditação, é importante que sua concentração não se mova. E não se preocupe, pois é um lugar protegido, nenhum perigo o alcançará. Quando o sol começar a nascer, sem magia ou truques, entre na água sem a pedra de turmalina. A água o limpará, mas a pedra terá absorvido o pior e precisará do fogo, assim antes de entrar na água jogue-a no fogo das ervas.
Harry acenou memorizando tudo e só teve uma dúvida.
— O fogo durará tanto tempo?
— O fogo de um ritual só se apaga quando o ritual chegar ao fim, é por isso que você não pode se desconcentrar. Se o fizer, o fogo se apagará e o ritual terá falhado, entendem? — Firenze encerrou os olhando e tanto Harry como Sirius acenaram concordando.
Eles caminharam por quase duas horas até que Firenze parou e apontou para um dos lados das montanhas, era cheio de pedras e escarpas, Harry pensou que ele queria que subissem por ali.
— Vejam, o perigo passou e eles retornam para casa. — Disse com a voz tão suave que quase não se ouvia.
Harry olhou com atenção e prendeu o folego ao ver uma cavalaria de unicórnios descendo habilmente pelas pedras. Eram muitos, brancos, com crinas brilhantes e nacaradas, alguns pareciam prateados ou dourados, grandes, filhotes, tantos que era impossível contar, 40, talvez 50 deles. Ele se sentiu encantado, nunca vira nada tão bonito e inocente em sua vida e se sentiu pacificado apenas de olhá-los de longe. Olhando para Sirius viu por sua expressão seu próprio encantamento.
— Tão lindos, agora que a família está voltando, Hagrid poderá devolver o Savage. — Disse Harry sorrindo alegre, tinha certeza que seu pequeno amigo estava com saudades da família.
— Savage? — Firenze perguntou confuso e depois que Harry explicou, o centauro suspirou e recomeçou a caminhada. — Apenas Hagrid com seu grande coração e pouca sensatez poderia pensar em um nome assim.
Harry e Sirius riram porque aquela era a descrição perfeita do guarda-caças. Os três andaram por mais meia hora antes da subida se tornar mais íngreme e Firenze parou.
— Aqui eu os deixo. Prossigam e que encontrem o caminho em suas jornadas. — Firenze disse suavemente.
Harry desceu de seu lombo e o cumprimentou em despedida.
— Espero que nosso próximo encontro se adiante mais uma vez, meu amigo. Nos separamos em paz. — Disse Harry apoiando o punho no peito e depois apertando seu pulso.
— Os planetas me avisarão e que eles te guiem em segurança. Nos separamos em paz. — Disse Firenze sorrindo e depois ele e Sirius se despediram respeitosamente.
Sozinhos Harry e Sirius se olharam e depois para a trilha da montanha que iluminada por suas varinhas se inclinava levemente e cujo horizonte era apenas escuridão.
— Bem, vamos lá, então, vamos subir a Montanha Negra. — Disse Sirius sorrindo empolgado.
Harry sorriu também, entendendo-o muito bem, pois se sentia igualmente animado e ansioso pela aventura, pelo desconhecido.
— Sim, vamos iniciar a nossa jornada, Sirius.
NA: Se alguém se interessar, essa é a agenda do Harry durante a semana.
Agenda da semana:
segunda-feira
Manhã: psicoterapia
Tarde: estudo mágico
terça-feira
Manhã: estudos trouxas
Tarde: livre
quarta-feira
Manhã: livre
Tarde: estudo mágico
quinta-feira
Manhã: estudos trouxas
Tarde: estudo mágico
sexta-feira
Manhã jardinagem/ 11hs psicoterapia
Tarde: livre, e mais jardinagem se necessário
sábado
Academia
Domingo
livre
