Capítulo 40
A segunda-feira nos Boots começou com a chegada de Sirius e Harry famintos, energizados e com olhos cheios de sentimentos e mistérios. Eles contaram sobre a experiência sem entrar em detalhes sobre as visões e encontros mágicos e espirituais. Depois Harry foi para a terapia e contou ao Sr. Martin tudo em mais detalhes, incrivelmente, ali no momento terapêutico ele se sentiu bem em compartilhar sua jornada.
— O que você sente que tudo isso significa para você, a partir de agora, Harry? — Perguntou o Sr. Martin ao fim do conto.
— Tantas coisas, Sr. Martin, mas o principal é que me sinto mais forte para enfrentar o que vier, sabe? Existem coisas que não tem como retornar, não dá para continuar sempre olhando para o passado e lamentando e se questionando e ao destino. Preciso confiar mais em mim para seguir em frente, a dor não desaparece, perder meus pais sempre pesará em meu coração, mas posso viver com isso, assim como posso viver com a decisão que tomei de matar Quirrell. — Harry explicou e suspirou cansadamente. — O senhor entende, Sr. Martin?
— Sim, Harry e acredito que a magia entendia exatamente o que você precisava também. — Disse ele com um sorriso suave.
— Sim, ela sabia que eu precisava aceitar e compreender, eu pude sentir a magia dos meus pais e ancestrais me tocando, me segurando, me protegendo. E eu entendi que nunca estive sozinho. — Harry olhou para o relógio e se levantou. — Apesar de me sentir bem, gostaria de continuar com a terapia pelo resto do verão Sr. Martin, se o senhor não se importar.
— Definitivamente, eu não me importo. Te espero sexta-feira, Harry. — Eles se despediram com um aperto de mão.
Harry seguiu de taxi até o Caldeirão Furado e discretamente de flu para os Boots onde pode ir dormir antes do almoço e aulas da tarde. Infelizmente foi acordado muito mais cedo por Terry que parecia entusiasmado.
— Vem, acorda, vem ver quem está aqui.
Ao chegar sonolento a sala de estar arregalou os olhos, surpreso e alegre.
— Neville!
— Harry! — O dois se abraçaram com entusiasmo, batendo nas costas um do outro.
— Eu pensei que só estaria aqui mais tarde para as aulas! — Disse Harry sorridente e olhando para o amigo viu seus ombros mais erguidos e olhos castanhos mais brilhantes. — O que aconteceu?
— Eu segui seu conselho, Harry, e me conectei com meus pais magicamente, você estava certo, eles estão lá. — Neville ficou emocionado e olhou para Terry, a única outra pessoa na sala e resumiu a conversa que teve com Harry em abril. — Foi incrível e, bem, eu pensei em tudo o que você me disse sobre sua avó, Terry e o que Hermione explicou sobre neurologia e fisioterapia, percebi que meus pais estão vivendo uma vida estéril e vazia. Mudarei tudo e preciso da ajuda de vocês para comprar coisas trouxas como a vitrola que a Mandy levou para a sala comunal da Ravenclaw e...
— Neville, calma, amigo. — Disse Harry segurando seu ombro esquerdo e parando seu fluxo confuso de palavras. — Vamos para a cozinha tomar um lanche e você nos conta tudo com calma.
Neville acenou corando, mas ainda sorrindo animadamente.
— E, se vamos fazer compras, irei chamar minha mãe, pois é ela quem tem que nos levar. — Disse Terry e foi buscá-la enquanto Harry levava o Neville para a cozinho.
Quando Terry, as crianças, Anne e a Sra. Serafina entraram na cozinha, gemeram de entusiasmo ao verem Harry preparar queijos grelhados.
— Prazer em conhecê-lo, Neville e bem-vindo ao Chalé Boots. — Disse Sra. Serafina e depois de todas as apresentações começou a preparar um chá e suco, enquanto ouvia a explicação de Neville.
— Foi por isso que pedi a minha avó que me deixasse flu mais cedo, assim, se estivesse tudo bem, poderíamos comprar essas coisas antes da aula da tarde. — Neville a olhou esperançoso e corado.
— Bem. — Sra. Serafina se sentou, todos se serviram e esperaram sua decisão. — Se vamos comprar todas essas coisas, no mundo mágico e trouxa, dificilmente seremos rápidos o bastante para voltarmos para a aula, estão acredito que o melhor é tirarmos um dia de folga. E só tem um lugar onde podemos encontrar quase todas essas coisas. — Disse ela com um sorriso divertido.
— O Shopping! — Gritou todos rindo e Neville arregalou os olhos sem entender.
Mas meia hora depois, quando chegaram ao maior shopping de Londres, ele entendeu, de olhos arregalados e um sorriso bobo caminhou ao lado dos amigos. Anne levou Adam e Ayana para a área de brinquedos infantis e combinaram de se encontrar para o almoço, enquanto isso Serafina os levou para lojas de departamentos, flores e plantas, pinturas, música e livros. Sra. Serafina sugeriu comprar alguns livros de poemas e aventuras para lerem a Frank e Alice, Neville assentiu com entusiasmo. Ao fim das compras, eles foram para a praça de alimentação e Neville foi apresentado ao hambúrguer duplo com bacon e milk shake. Seu entusiasmo e prazer surpreso, deu a Harry uma nova ideia.
Depois eles decidiram ir ao cinema, Batman estava em cartaz e as crianças adoraram, Neville assistiu de boca aberta e Harry dormiu de pura exaustão. Ao fim do filme, pipoca e refrigerante, Neville estava encantado pelo mundo trouxa e eles seguiram para o Beco Diagonal para mais algumas compras. Harry apontou o para a loja de varinhas e viu seu amigo olhar hesitante e desejoso.
— O que te impede, Neville? — Perguntou Harry suavemente.
— Não sei, minha avó não permitiu, tivemos uma briga feia no início das férias e agora estamos nos dando bem ou quase isso, sabe, ela não se opôs as mudanças que quero fazer sobre meus pais. — Disse ele suspirando.
— Você lutou por seu pais, agora precisa lutar por si mesmo, lembra-se do seu desejo de vingá-los. Como fará isso sem uma varinha? — Harry falou mais duro e viu seu amigo endurecer a expressão e levantar os ombros.
Em vinte minutos, Neville entrou e saiu da loja com a varinha que o escolheu suavemente como se o esperasse e acolhesse com afeto. Ele a sentia como uma extensão de si mesmo.
— Ela é feita de cerejeira, seu cerne é pelo de unicórnio e tem 33 centímetros. — Seu sorriso era radiante. — É incrível, vocês me disseram, mas só agora eu entendo, posso sentir a ligação e me sinto mais seguro com a ideia de fazer magias. Faz sentido?
— Bem, eu nunca usei a varinha de outra pessoa, mas sei que sempre me senti seguro com a minha varinha. — Disse Harry e os outros acenaram.
— Quarta-feira haverá muitas chances para experimentar sua nova varinha, Neville. Como hoje foi folga, vamos intensificar a partir da próxima aula. — Disse Sra. Serafina.
Quando voltaram a tarde para o Chalé, o jeito tímido e doce de Neville conquistara a todos e Serafina passou um tempo explicando sobre a clínica de médicos e curandeiros, administrada por nascidos trouxas e mestiços que não tinham espaço no Hospital St. Mungus. Contou como eles contrariavam o Ministério e usavam métodos trouxas para tratar os pacientes mágicos e, às vezes, métodos mágicos para pacientes trouxas.
— Mas pensei que era impossível usar magia nos trouxas ou na frente dos trouxas? — Neville perguntou confuso.
— E é, Neville, mas existem magias mais espirituais e naturais, os trouxas as vezes preferem ir procurar médicos e remédios naturais, além disso, eles tem uma farmacêutica e potioneer brilhante. O nome dela é Fiona O'Shea e ela faz poções ou remédios naturais para os trouxas, utiliza as propriedades benéficas das plantas mágicas sem o prejuízo que uma poção mágica faria a eles. — Explicou Serafina.
Harry arregalou os olhos, surpreso e animadamente curioso.
— Verdade? Mas, isso é brilhante. Ela consegue os mesmos benefícios e retirando a nocividade da magia que poderia, em excesso, agir como um veneno para os trouxas? — Harry indagou.
— Eu não sei como ela faz isso, Harry, Srta. O'Shea tem formação em farmácia além de ser uma mestra em poções. — Explicou Sra. Serafina.
— Oh, isso me deu outra ideia, Sra. Serafina, preciso ir a GER e conversar com o Sr. Edgar, antes de voltar para a minha casa no Surrey. — Disse Harry entusiasmado. — Neville, me despedirei de você, nos vemos quarta-feira.
Harry se despediu de todos e Sra. Serafina liberou a Anne para sair mais cedo e acompanhá-lo para a GER.
— Oh, Harry, que incrível, eu estava muito animada para conhecer a GER, mas não pensei que seria tão bonito. — Disse Anne quando eles flu para o saguão da empresa.
— Sim, confesso que nem eu, Anne. — Disse Harry e olhando para a recepção viu a sorridente e animada ex-aluna do 7º ano. — Boa tarde, Phoebe.
— Boa tarde, Sr. Potter! — Exclamou ela com entusiasmo.
— Apenas Harry, Phoebe, não precisa de toda essa formalidade. Como está o trabalho? Está tudo dando certo? — Perguntou interessado.
— Oh sim, Sr., quer dizer, Harry, hoje é meu primeiro dia e tivemos um dia bem movimentado, estou adorando, conheci tantas pessoas e o Sr. Edgar é tão gentil. — Ela falou com ainda mais energia e animação.
— Fico feliz e deixe-me lhe apresentar uma amiga minha e da família Boot, Anne Kemp, ela também cuida dos irmãos mais novos do Terry. Anne, está é Phoebe Watson, a nova recepcionista da GER. — Harry observou as duas se cumprimentarem. — Edgar ainda está por aí, Phoebe? Será que ele pode me receber?
— Oh sim, Harry e você pode subir sem me perguntar, Sr. Edgar tem uma assistente e ela poderá informá-lo se ele ainda está com algum visitante. — Informou Phoebe sorridente e profissional.
— Obrigada.
Harry subiu pelo elevador ao 3º andar, Anne decidiu esperar lá embaixo conversando com a Phoebe. No área de espera e com o círculo de mesa para os assistentes a movimentação era maior do que em sua última visita, havia mais vida e energia, Harry sorriu feliz.
— Boa tarde. — Disse ele e os pessoal o encararam surpresos.
— Harry! — Exclamações animadas de quase todos foram ouvidas, mas outros disseram "Sr. Potter".
— Nada de formalidades, pessoal, apenas Harry está bom. — Disse ele se aproximando. — Como estão indo tudo por aqui? Vocês começaram hoje também?
— Sim, Harry e o Sr. Edgar, Sr. Falc e Sr. Sirius fizeram várias entrevistas com possíveis novos diretores de Divisão e associados, foi um dia muito produtivo e agitado. — Grace respondeu estendendo a mão em cumprimento. — Quero muito agradecer por essa oportunidade, estou trabalhando como secretária e adorando.
— E eu vou ser assistente da Divisão de Turismo, Harry, ainda não temos um diretor nesta Divisão, mas estou ajudando em tudo o que posso e trabalhando em várias ideias para alavancarmos o turismo no mundo mágico. — Disse Noah apertando sua mão também. — Não sei como ninguém pensou nisso antes e quando abrirmos o Hotel vai ser um estouro.
— Harry, estou contratada como assistente para a Divisão Evans e é uma oportunidade fantástica, muito obrigada. Depois de tudo o que soube sobre o meu pai, poder ajudar e combater o Ministério me conforta muito. — Disse Lucy muito grata.
— E eu estou contratada como assistente para a Divisão Imobiliária e estive em uma reunião incrível com o arquiteto e construtor, seus projetos para as reformas dos imóveis e vielas são maravilhosos. Se você veio aprová-los, posso lhe mostrar. — Disse Matilde entusiasmada.
— Obrigado, pessoal, é maravilhoso ver o entusiasmo de todos, mas na verdade vim falar com o Sr. Edgar, tive algumas novas ideias...
— Porque não estão trabalhando? — Uma voz falou de traz dos altos novos funcionários que envolveram Harry em um círculo.
Harry viu as caretas e rolar de olhos do círculo que se abriu e ele viu a rígida e ambiciosa Isabella, nova assistente do Sr. Edgar.
— Boa tarde, Isabella. — Disse Harry com um sorriso sutil.
— Sr. Potter. — Cumprimentou ela ajustando a postura.
— Apenas Harry, por favor. Vejo que já está trabalhando como assistente do Sr. Edgar. — Apontou ele caminhando até ela e, olhando em volta, viu o Maxwell em um dos escritórios trabalhando, quando o viu sorriu e veio cumprimentá-lo.
— Harry!
— Boa tarde, Maxwell. Como está?
— Muito bem, estou trabalhando nas notas e gastos, fazendo projeções de custos e lucros, tem sido incrível e o Sr. Edgar disse que já contratou um Diretor para a Divisão Financeira, serei seu assistente. Obrigada, Harry, esse é um trabalho de sonhos e todas as suas ideias para melhorar a economia do mundo mágico são brilhantes. — Disse ele apertando sua mão energicamente.
— Fico feliz, muito mesmo e espero que todos estejam felizes. — Disse sorrindo e todos o acompanharam, menos Isabella que continuou rígida e seria. — Grace, você pode me dizer se o Sr. Edgar está desocupado? Gostaria de falar com eles sobre algumas ideias.
— Eu posso verificar para você, Sr. Potter. — Disse Isabella seria e solicita.
— Primeiro e, não quero ter que me repetir, é apenas Harry, por favor, na frente de um cliente ou quando a formalidade exigir, no futuro, vocês podem me chamar de Sr. Potter. — Disse Harry olhando-a firmemente, ela corou levemente. — Não quero tanta formalidade e rigidez quando estamos trabalhando com um proposito tão humano, a GER não tem como principal função obter lucros e não vamos nos tornar uns idiotas esnobes, rígidos e arrogantes. Quero que todos trabalhem e produzam felizes, que entendem o nosso principal objetivo aqui, assim, Isabella, tira a máscara e se solte. — Harry a olhou e todos pareciam chocados com seu pequeno discurso, ainda que sorriam e acenavam a cada palavra, mas Isabella era a mais chocada.
— Eu..., não sei se entendo, sss, Harry.
— Muito bem. Onde está a Penny? — Harry olhou em volta e Grace se adiantou.
— Vou buscá-la, Harry. — E rapidamente abriu a porta da sala de reuniões onde Harry viu Penny com uma pilha de cartas que ela deveria estar escrevendo para enviar aos associados.
— Harry! — Ela se apressou em sua direção com um grande sorriso e os dois se abraçaram. — Eu não sabia que viria hoje.
— Foi uma decisão de última hora, preciso falar com o Sr. Edgar, mas antes, Penny quando lhe falei sobre esse projeto o que lhe disse que era nosso principal objetivo? — Perguntou educadamente, Penny o olhou surpreso, mas respondeu.
— Mudar o mundo mágico, torná-lo justo e humano, sem preconceitos e leis discriminatórias. Tornar o nosso mundo o lugar de direito de todos os bruxos, não importam status de sangue, um direito que nos é negado agora.
— A ideia de infiltrar os nascidos trouxas na economia e comércio do mundo mágico me veio de onde?
— Da infiltração dos alunos nas aulas extras, você percebeu que poderíamos, com inteligência, fazer o mesmo fora de Hogwarts.
— E qual era minha maior motivação?
Ela hesitou, mas quando viu seu olhar sério prosseguiu.
— Esse era o sonho de seus pais e por isso eles lutaram na última guerra, sua maior motivação é não permitir que a luta deles morra também e suas vidas tenham sido perdidas em vão. — Disse ela suavemente e houve alguns ofegos, Lucy soluçou suavemente.
Harry continuou a encarar Isabella enquanto Penny respondia e viu seus olhos se arregalarem de surpresa.
— A GER não é uma empresa para lucros, para arrogância, ganência e esnobismos. Ninguém aqui é melhor que ninguém por suas notas, qualificações ou cargos, para mim, na minha empresa, construída com o dinheiro dos meus pais e avós. — Harry olhou em volta e os encarou firmemente. — Se alguém aqui maltratar qualquer pessoa por suas aparências, status de sangue, casa em Hogwarts, opção sexual ou quaisquer outras diferenças, estará na rua e não me importa o quão competente sejam. Nós estamos em uma guerra contra a discriminação e não seremos falsos. — Ele voltou a encarar Isabella. — Você entendeu agora?
— Eu entendi, Harry. — Ela respondeu suavemente e hesitante olhou em volta para os colegas, sua expressão aos poucos relaxou um pouco, não totalmente e sua postura mudou levemente. — Sinto muito se fui grosseira com qualquer um, apenas... preciso muito desse trabalho, quero muito fazer tudo para dar certo.
Harry viu algumas expressões surpresas e no fim Matilde se adiantou.
— Nós entendemos, eu também sou perfeccionista como você. Mas a verdade é que essa é uma grande oportunidade para todos nós e queremos muito ter sucesso pessoal, mas o sucesso da GER é ainda mais importante e cresceremos com a empresa. — Disse ela com um sorriso suave.
— E, enquanto realizamos algo tão grandioso e fantástico, não tem porque não sermos amigos, eu acredito. — Disse Grace e todos acenaram e sorriram, inclusive Isabella, um pouco mais tímida.
— Finalmente! — A voz de Edgar surgiu do escritório sorridente e olhando para Isabella. — Passei o dia todo tentando encontrar a verdadeira você e, bem, ela está aqui. Obrigada, Harry seria uma tortura trabalhar com um estatua mal-humorada ao meu lado.
Ele riu e Harry o acompanhou, isso relaxou a todos, que riam também e Isabella, apesar de corada, abriu um sorriso um pouco maior.
— De nada, foi o meu prazer. Precisava falar com você um momento, se o senhor tiver tempo. — Disse Harry sorrindo.
— Sim, tenho, tivemos um dia muito ocupado, mas agora não tem mais nenhum compromisso, certo, Grace? — Disse ele olhando a jovem secretária.
— Não, senhor, mas ainda estamos esperando o Sr. Falc voltar do Ministério. — Disse ela profissional.
— Ótimo. Finalizem todos aos seus trabalhos então e se não os ver até as 17 horas, estão todos liberados e até amanhã. — Disse ele olhando para o seu relógio, houve um couro de "até amanhã". — Menos você Isabella.
— Sim, senhor. — Disse ela se empertigando mais levemente e pronta para seguir qualquer ordem.
—Quero que você escreva as palavras do Harry, ou de suas perguntas que a Penny respondeu, sobre objetivos e motivações da GER. Tire o mais pessoal, sobre seus pais e construa uma placa bem bonita, azul prateada com letra negras, use um material durável e a pregue lá embaixo no saguão. Depois faça outra sobre o que acontecerá com os funcionários da GER que não seguirem a primeira placa e coloque aqui. — Ele apontou para uma das paredes. — No nosso quartel general para nunca esquecermos pelo que estamos lutando.
— Sim, senhor. — Disse ela e dava para ver sua mente criando ideias.
— Se alguém quiser ficar um pouco além da hora e ajudar a Isabella, fiquem à vontade. — Disse ele sorrindo. — Penny, você vem comigo, por favor. Harry, vamos para a minha sala ou a sua?
— Eu tenho uma sala? — Harry perguntou surpreso e percebeu o grupo de funcionários, um pouco mais unidos que antes, se juntarem sussurrando ideias para as placas.
— Sim, venha ver. — Disse Sr. Edgar sorridente.
A sala do Harry, incrivelmente, era maior do que as outras e a do Sr. Edgar, quando apontou isso, seu direto respondeu seriamente.
— Esta é sua empresa, você não terá 12 anos para sempre e enquanto cresce e, depois quando for um adulto precisa ter seu lugar nesta empresa muito claro.
— Entendo. — Harry entendia, ainda que fosse um pouco surpreendente.
— Você já é um empresário, Harry, e um dos bons que contrata boas pessoas e delega inteligentemente. Agora, eu ouvi algo sobre você ter tido algumas ideias? — Edgar perguntou com entusiasmo.
— Sim, senhor, estive com um amigo puro-sangue no mundo trouxa e, bem, sua reação me fez pensar. Além do restaurante do Hotel, temos mais algum restaurante sendo construído? — Harry perguntou e, ao em vez de dar a volta na elegante mesa de ébano e se sentar na cadeira oficial, escolheu a área de estar e se sentou em uma poltrona.
— Não, Harry, ainda estamos trabalhando com os informais e comida não é algo que podem vender facilmente em feiras ou por coruja e folhetos. Porque? — Disse ele se sentando em um sofá azul claro e Penny curiosa se sentou em outra poltrona.
— Bem, meu amigo Neville foi a Shopping conosco para algumas compras e sua reação a comida trouxa foi inspiradora. — Harry sorriu divertido. — Acredito que devemos abrir uma lanchonete e pizzaria no Beco Diagonal.
— Hum... Isso é uma excelente ideia, uma comida rápida e popular, saborosa, as crianças serão os principais clientes, mas mesmo os adultos trabalhadores adorarão e isso tornará a vida do Caldeirão Furado ainda mais difícil. — Disse ele pensativamente, mas seus olhos brilhavam.
— Claro, ofereceremos refeições o dia todo, não apenas nos horários do almoço e jantar, com qualidade, rapidez, bom preço e poderíamos incluir a opção para levar para casa. O Caldeirão não tem nada disso e a comida deles é pavorosa. — Disse Penny animada.
— Teremos que fazer algumas pesquisas, visitar algumas pizzarias e restaurantes pela Londres trouxa e descobrir os modelos diferentes de trabalho, cardápios, decorações. Isso será um grande prazer, sem dúvida. — Acrescentou Edgar rindo.
Harry sorriu animado e os ouviu fazendo anotações e planos.
— Bem, minha outra ideia é sobre a loja de Poções, nós temos alguém entre os informais que vende as poções prontas, certo? E outro que vende só os ingredientes?
— Sim, mas, na verdade, descobrimos que o vendedor de poções prontas não é um potioneer certificado, ele é apenas um negociador, compra poções mais baratas de potioneers que não têm oportunidades e as revende. — Edgar apontou seriamente. — Isso nos coloca em problemas porque, por lei, para ser dono de uma loja que vende poções o dono tem que ser um mestre em poções, assim como o dono da loja de ingredientes tem que ser um Herbologista.
— E o que vai acontecer com esse bruxo? Podemos ajudá-lo de outra maneira? — Harry perguntou preocupado.
— Podemos, claro, se estiver disposto a deixar esse negócio, ele me parece bem honesto e trabalhador, tem talento na área de vendas. Podemos direcioná-lo para ser vendedor ou em alguma outra área que lhe interesse. — Explicou Edgar. — Mas porque me perguntou sobre essa loja especificamente, Harry?
Harry explicou o que a Sra. Serafina disse a pouco sobre Fiona O'Shea e Sr. Edgar soltou uma exclamação de entusiasmo.
— Quer dizer, não sei se ela teria interesse, Sr. Edgar, mas se tiver poderíamos abrir um Boticário no Beco e depois ampliar para um em Londres trouxa. E, pensei em outra ideia, o senhor acredita ser possível abrirmos uma espécie de escola de poções? Um instituto que ensina poções, futuramente poderíamos até colocar outras disciplinas, mas pensei em começar com a Srta. O'Shea e outros Mestres de Poções. Poderíamos oferecer aulas de reforço de verão, aulas para aqueles que não alcançaram os NEWTs para alguma profissão desejada e querem repeti-lo, aulas pré Hogwarts e, claro, mestrado para os mais talentosos. — Explicou Harry sorrindo animado.
Tanto Edgar como Penny se olharam chocados e pareciam não ter compreendido completamente o que ele propôs, finalmente, ela exclamou:
— Isso seria brilhante! — Ela se levantou energicamente. — Poderíamos ajudar tantas pessoas, nosso professor de poções é abissal e tem tão poucos Mestres na área, isso sem falar os que não alcançam as notas para serem aurores, ou curandeiros...
— Brilhante, sem dúvida, mas tenho quase certeza que impossível. — Interrompeu Sr. Edgar sensato.
Os sorrisos de Harry e Penny morreram diante de suas palavras.
— Impossível? Porque? — Harry perguntou desapontado.
— O Ministério nunca entregará uma licença facilmente. Lembre-se que enquanto independente, Hogwarts é regularizado pelo Departamento Educacional e seu prestígio é algo importante para o governo mágico. Além disso, existe um setor para treinamento de Mestres no Ministério, é caríssimo e apenas puros-sangues são aceitos, mestiços com sobrenomes antigos como você, Harry, também. — Explicou Edgar tristemente.
— Mas, é exatamente por isso que precisamos avançar nesta direção e não pretendemos concorrer com Hogwarts, seria uma espécie de instituto ou escola técnica. E não poderíamos fazer isso sem o conhecimento do Ministério? — Harry questionou sem entender.
— Não é tão simples, primeiro seria ilegal, tudo o que fizemos até agora foi dentro da lei, Harry e, mais importante, não poderíamos entregar um certificado oficial e válido. Ok, para reforços de verão ou mesmo para aulas extras para aqueles que querem refazer seus NEWTs daria certo. Mas, para um mestrado? Não, porque o bruxo ou bruxa não teriam como comprovar qualificação já que não tem um cerificado oficial ou legal. — Apontou Edgar e ao ver seu rosto cair de desapontamento acrescentou rapidamente. — Isso não quer dizer que não podemos tentar, tenho certeza que quando Falc chegar podemos ter sua ajuda para pensarmos em uma estratégia legal.
— Eu ouvi meu nome? — Sr. Falc entrou sorridente e ao ver o Harry, disse. — Olá, Harry não sabia que pretendia nos visitar hoje.
— Foi uma decisão de última hora, Sr. Falc, tive algumas ideias que queria discutir com o Sr. Edgar. — Explicou Harry.
— E eu quero ouvi-las, mas antes, tenho boas notícias. Estive no Ministério e consegui autorização, com praticamente nenhuma burocracia, para reformarmos as vielas e, o melhor, em meu pedido solicitei a ampliação das vielas. Ótima ideia, aliás, Harry. — Sr. Falc se sentou em uma das cadeiras e continuou. — O responsável mal leu minha solicitação e autorizou tudo, assim podemos realizar a reforma da maneira que queremos.
— Isso é ótimo, Mac e Ian ficarão felizes. Harry, eu lhe falei do nosso arquiteto e construtor, eles fizeram a reforma do escritório da GER e são muito respeitados no mundo trouxa. Em nossa última reunião na sexta-feira eles apresentaram um grande projeto e o orçamento, que nos agradou a todos. — Informou o Sr. Edgar. — Assinamos o contrato e hoje suas equipes já começaram as obras, precisávamos apenas da autorização do Ministério para as reformas das vielas.
— E tenho mais uma notícia, ainda não temos autorização, mas enquanto estava no Ministério decidi checar se legalmente poderíamos abrir uma entrada do Hotel direta para Londres trouxa... — Exclamações animadas os interromperam e ele riu. — Eu sei, eu sei, quando tive a ideia fiquei muito empolgado, mas tentei, discretamente, consultar a possibilidade legal e ela existe, tem apenas um monte de regras para evitar que os trouxas vejam a entrada e todas as magias e runas são colocados por especialistas em alas do Ministério e custam uma pequena fortuna. Isso, claro, justifica porque ninguém nunca tentou fazer uma abertura, mas considerando nossos objetivos de atrair mais pessoas e turistas para o Beco Diagonal e a aparência do Caldeirão Furado, acredito que seria um investimento aceitável.
— Isso sim é que uma mega brilhante ideia! — Exclamou Penny de olhos arregalados.
— Falc, se conseguirmos a autorização, o crescimento do Beco em vendas e turismo... Não tenho nem como começar a projetar o aumento, seriam números estratosféricos e qualquer fortuna investida seria rapidamente recuperado. — Edgar se levantou cheio de energia e animação. — Isso sem contar o fato de que economizaríamos na possível compra e reforma do Caldeirão Furado. Com nossa própria entrada não precisaremos mais comprar o velho pub.
— Exatamente o que eu pensei e, o que me impediu de dar entrada no pedido, é o valor alto. Não podia tomar essa decisão sem antes consultá-lo, Harry, além disso não temos tal valor em caixa. — Informou Sr. Falc se sentando.
— O valor é tão alto assim? E todo o dinheiro das contas trouxas? Nós já gastamos tudo? — Harry perguntou ansioso. — Porque a abertura do Beco pelo nosso Hotel seria perfeita para os nossos planos, Sr. Falc, é uma ideia maravilhosa.
— Sim, o valor é alto e se tivéssemos acesso a sua herança mágica seria considerado um trocado. — Falc se sentou mais sério. — Você pediu ao Sr. Niall para enviar todo o seu dinheiro para a conta suíça e foi muito inteligente porque na Suíça não precisamos pagar impostos ou justificar ganhos e gastos. Usamos esse dinheiro para comprar os imóveis e temos o suficiente para as reformas e aberturas dos possíveis negócios.
— E temos um capital para emergências, mas não podemos utilizar nenhum deles porque não seria nada inteligente não termos dinheiro para abrir as lojas ou para o caso de algo acontecer que precise de dinheiro imediato. — Apontou Edgar sensato.
— Hum... acredito que devemos usar o capital para emergências, afinal essa é uma situação inesperada, positiva, mas que precisamos agir rápido. Em breve encerrarei alguns dos investimentos do meu avô Bryan, aliás, preciso me reunir com o Sr. Chester o quanto antes, Sr. Falc. — Harry disse pensativamente e todos acenaram.
— Isso é uma boa ideia, escreverei para o Chester, talvez ele possa nos encontrar na quarta-feira de manhã. — Disse Falc acenando a varinha, papel e pergaminho vieram até ele da mesa.
— Eu quero fazer novos investimentos e devolveremos o capital para emergência da GER, além disso acredito que em breve terei acesso a toda a minha herança mágica, o que claro nos trará ainda mais segurança. — Disse Harry e o Sr. Falc o encarou confuso.
— Eu ainda nem dei entrada ao nosso pedido de cancelamento da anulação do testamento. O que faz você pensar que terá acesso a sua herança e brevemente? — Questionou ele e ao vê-lo sorrir misterioso, acrescentou. — Você sabe algo que eu não sei, Harry Potter, gostaria de compartilhar?
Harry não aguentou e riu divertido, ao olhar no relógio percebeu que estava um pouco atrasado e se levantou.
— Apenas uma pequena ideiazinha que estou trabalhando, Sr. Falc, aqui na minha cabeça e dar entrada no pedido de cancelamento me ajudará a colocá-la em prática. Agora preciso ir ou minha tia ficará chateada. Sr. Edgar e Penny podem lhe explicar minhas ideias e, se o senhor descobrir uma maneira de fazer uma delas funcionar legalmente, seria incrível. — Harry se despediu dos três e saiu da sala... quer dizer sua sala, demoraria um pouco para se acostumar com isso.
Seus funcionários estavam todos na sala de reuniões conversando animadamente e realizando o projeto das placas, mesmo que já tenha passado um pouco das 17 horas. No saguão, Anne e Phoebe estava rindo de alguma coisa e pareciam amigas de infância. Harry explicou sobre o projeto e a recepcionista alegremente decidiu subir e ajudá-los. Anne aparatou Harry do ponto de aparatação do saguão para a porta da sua casa em Surrey, eles não precisavam mais aparatar no parque porque Dumbledore criara um ponto de aparatação na soleira e informara ao Sr. Falc na semana anterior.
Eles se despediram e Harry entrou, sua tia estava na cozinha descascando legumes e ao vê-lo sua expressão fechada se aliviou levemente, seus ombros relaxaram, mas suas palavras ríspidas se opuseram a leitura que ele fez de sua linguagem corporal.
— Você está atrasado.
— Sim, estava em uma reunião de negócios, mas me atrasei só um pouco. Vou subir e tomar um banho rápido, já volto para te ajudar. — Harry deixou a cozinha sem dizer mais nada.
A verdade é que ele descobrira muito sobre sua tia nas últimas semanas e não tinha ideia do que fazer sobre isso, o melhor era agir normalmente e esperar que algo lhe ocorresse e quem sabe... Tolice, tinha que parar de pensar que um dia eles poderiam ter uma boa relação.
A terça-feira foi de estudos trouxas e tempos com seus irmãos, Harry, Terry e Ayana voaram, jogando um pouco de quadribol amigável. E no fim do dia ele foi com Sirius para a garagem da Abadia continuar a trabalhar na motocicleta. E, finalmente, seu padrinho lhe explicou o que era um bordel, ou tentou, Harry o interrompeu logo no início, muito corado.
— Espera, espera, isso tem a ver com sexo? — Questionou ele confuso quando seu padrinho começou a explicar o que era sexo.
— Alguém já te explicou sobre sexo? — Sirius o olhou surpreso.
— Não, mas, bem, estávamos falando sobre o aumento de poder mágico quando chega a puberdade e nem eu ou Neville sabíamos muito sobre isso, ninguém falou conosco e a minha escola trouxa ainda não tinha ensinado o assunto antes do fim do primário. — Explicou Harry enquanto passava as ferramentas para o padrinho que acenou. — Hermione e Terry se ofereceram para nos explicar ou que perguntássemos ao Sr. Falc, no caso do Neville ao seu tio-avô, ou comprarmos um livro. Nós compramos um livro no mundo trouxa, escrevi e expliquei para a Sra. Serafina e ela nos enviou um ótimo livro, bem completo, que também explicava sobre a concepção e como evitá-la. Tinha uma parte legal falando como sexo é mais do que algo físico e envolve sentimentos, que devemos estar preparados e seguros, gostar da pessoa com quem escolhemos ter algo tão íntimo e que os meninos não devem se sentir pressionados para perderem a virgindade apenas porque é o que a sociedade machista espera que eles façam.
Sirius parou o que estava fazendo e olhou com atenção para Harry.
— Esse parece ser um bom livro, você ficou com dúvidas sobre alguma coisa? Eu sei que ri antes, mas esse é um assunto importante e delicado, prometo que ouvirei sempre você e responderei seriamente qualquer pergunta que tiver. — Sirius disse e viu o afilhado o olhar com atenção como se estivesse verificando a veracidade de sua promessa.
— Bem, se você tem certeza que não se importa... — Harry perguntou um pouco hesitante e corado.
— Não me importo, pelo contrário, ficaria muito feliz em ajudar. — Disse Sirius sincero, sabia que ao contrário da maioria dos seus amigos, James incluído, Harry não prosperaria e se abriria a base de zombarias e provocações, principalmente em um assunto tão delicado. Para ele, Sirius, o assunto também era complicado nesta idade e por isso queria ajudar seu afilhado a encarar o sexo de maneira tranquila e saudável.
— Ok, hum... as pessoas realmente pressionam outros a perderem a virgindade? Quer dizer, isso é algo íntimo e pessoal, não deveria ser da conta de ninguém, não é? — Perguntou Harry confuso.
— Sim, não teoria, mas na prática os amigos conversam entre si sobre isso e não é incomum que os homens mais velhos, colegas ou familiares se interessem em saber se você ainda é virgem ou não. — Explicou Sirius, calmamente. — As meninas também conversam entre si e deveria ser apenas uma troca de experiência, como foi, como se sentiram ou algo assim. Infelizmente, no caso dos homens existe uma pressão para não ser virgem a partir de uma certa idade, pois isso mostra sua masculinidade.
— Masculinidade? — Harry ficou ainda mais confuso.
— Sim, que eles são heterossexuais e não homossexuais. A pressão da sociedade machista, como dito no livro, é para que os jovens adolescentes provem que não são gays. Você sabe o que é ser gay? — Sirius perguntou suavemente.
— Hum... no livro explicava que a homossexualidade até 1982 era considerada uma doença e que agora não é mais, dizia ser uma orientação sexual e não opção porque ninguém escolhe por quem se sente atraído. E que não se deve ter preconceito ou ter vergonha e esconder sua orientação. — Contou Harry lembrando de tudo o que leu no livro.
— Exato, estou gostando cada vez mais deste livro e quando você entrar na puberdade, começará a se sentir atraído por meninas ou meninos, ou até mesmo os dois. E nunca se envergonhe ou se esconda, Harry, o importante é você estar feliz e aceitar a si mesmo. — Sirius disse sorrindo e Harry acenou. — Infelizmente, o preconceito existe e entre os homens machistas, mulheres também, há a ideia de que um jovem virgem não é homem de verdade, apenas quando você faz sexo se torna um homem e prova que não é gay.
— Que idiotice. E as pessoas se sentem pressionadas?
— Sim, porque querem se encaixar, porque têm vergonha ou querem agradar seus pais ou avôs, alguns são provocados ou zombados pelos amigos, mas você não deve permitir que isso o impila a fazer algo tão importante antes que esteja pronto e com uma pessoa legal. — Sirius apontou tirando as velas e decidindo que teria que comprar novas. — Além disso, alguma provocação entre amigos, conversar, compartilhar é normal, mas se alguém está zombando, pressionando e sendo preconceituoso, então não são seus amigos de verdade. Seus amigos respeitarão você e seu momento.
Harry acenou e lhe entregando outra chave, perguntou:
— Você sabe quando o papai... bem, quando ele fez isso a primeira vez?
— James nunca se deixou pressionar e seus avós não eram ignorantes machistas. As meninas ficavam em cima dele, seu pai era bonito e carismático, ele começou a notá-las quando tinha uns 14 anos, mas éramos muito imaturos e sem noção, então ele se apaixonou por sua mãe. — Sirius riu baixinho e incrivelmente não foi tão doloroso se lembrar ou falar deles. — Durante todo nosso 5º ano perdi a noção de quantas vezes ele a perguntou para um encontro, James poderia fazer a pose de arrogante e gostosão, mas, cada vez que Lily dizia não, ele ficava arrasado e se perguntava o que estava fazendo de errado, ficava inseguro, ainda que só mantivesse isso conosco. Remus o aconselhou a namorar outras meninas, esquecer um pouco a sua mãe, sabe, tentar ser seu amigo e ser ele mesmo, mas James morria de medo de fazer isso e sua mãe acabar saindo com alguém e a perder para sempre.
— Mamãe não gostava dele? — Harry estava surpreso.
— Não e nem éramos amigos neste ponto. Nossa imaturidade e arrogância, as brincadeiras sem fim, sua mãe era muito dedicada e intensa, focada nos estudos e nas regras, diversão e namoro não estavam em seu radar. Particularmente, eu não entendia o que seu pai via nela, Lily era linda, mas chata, quando disse isso ao seu pai, ele me respondeu, "Isso é muito bom, Almofadinhas, detestaria ter que te matar se por um acaso você gostasse dela também! ". — Disse Sirius e os dois riram muito. — Enfim, eu não sabia o que dizer a ele e o aconselhei a perguntar aos seus avós, durante nosso 6º ano, James tentou mudar de atitude e ser mais maduro, gentil com sua mãe, mas ela não deu bola e até namorou um garoto, seu pai ficou louco de ciúmes. No 7º ano, eles se tornaram os monitores chefes e seu pai já não era o mesmo garoto arrogante e brincalhão, eles começaram a namorar logo depois de um encontro na primeira visita a Hogsmeade. E perderam suas virgindades um com o outro no aniversário do seu pai, em março e James me disse que nunca se sentiu tão feliz como naquele momento por não ter cedido às pressões e feito sexo antes com alguma garota aleatória.
Harry acenou sorrindo suavemente ao pensar em seus pais felizes.
— Você sabe o que meus avós lhe aconselharam? — Harry perguntou pensativo.
— Sim, seu avô lhe disse para ser sempre um cavaleiro, gentil e responsável, mostrar seu bom coração e mente inteligente. E sua avó disse que com a reputação de brincalhão que ele tinha, James deveria mostrar um incansável e verdadeiro interesse. Sra. Euphemia disse que as garotas precisam ter segurança no interesse do garoto, pois temem ser só uma brincadeira ou um jogo para eles, um passa tempo. — Contou Sirius começando a lavar suas mãos e Harry o seguiu ouvindo com atenção. — James se tornou muito mais paciente, sempre dizia que não importava o tempo que levasse convenceria a sua mãe que ele a queria de verdade e a conquistaria. Disse que nunca desistiria dela, pois a amava muito.
Harry sorriu e quando entram na cozinha aceitou a cerveja amanteigada que seu padrinho lhe ofereceu.
— E com você, como foi? — Questionou Harry sabendo que com Sirius essa experiência teria sido diferente.
— Para mim foi bem diferente e isso tem a ver com sua pergunta sobre os bordéis, explicarei isso e depois lhe conto sobre minha experiência, ok? — Disse Sirius seriamente e, quando Harry acenou, explicou o que era um bordel.
Harry ouviu sem interromper, até porque ficou muito chocado para dizer qualquer coisa e quando Sirius ficou em silencio, demorou um pouco tentando compreender tudo.
— Mas, Sirius, o livro dizia ser algo íntimo e especial, como... porquê…eu não entendo. — Disse Harry perdido.
— Harry, o sexo é algo muito prazeroso e, nesse caso, é encarado como um negócio, e um lucrativo, por homens que oferecem aos seus clientes este prazer, bebidas e um ambiente descontraído de diversão. — Sirius tentou explicar com delicadeza. — Para as garotas e garotos de programa a questão, na maioria dos casos, é de subsistência, existem exceções, mas a verdade é que eles precisam, necessitam do dinheiro para se sustentar e as suas famílias.
— Quer dizer que eles são obrigados porque não tem outra forma de se sustentarem? E existe um bordel na Travessa do Tranco? — Harry questionou tentando entender.
— Existem muito mais que um bordel na Travessa do Tranco, assim como existem muitos bordeis em todo o mundo, seja o mágico ou trouxa. — Sirius suspirou e olhou com cuidado para o afilhado que tinha o cenho franzido e uma expressão fechada. — Vender o corpo, fazer do sexo um negócio é algo que acontece quase desde que a humanidade existe, Harry e não posso dizer o porquê as pessoas decidem fazer isso, cada um tem uma história. Em alguns casos é por pura necessidade, falta de oportunidade ou qualificação para fazer outro trabalho. Alguns gostam do dinheiro, eles ganham mais sendo garotos e garotas de programa do que trabalhando como vendedores ou recepcionistas, isso não quer dizer que gostam. Outros são obrigados, escravizados por cafetões e, em todos esses casos, acredito que a maioria deles são muito infelizes, pois como disse o livro que você leu, sexo é algo íntimo e especial, deve ser feito com alguém que gostamos e apreciamos, na hora e do jeito certo para cada um.
— Cafetões? — Harry perguntou e Sirius suspirou percebendo como o assunto era difícil, mas não podia deixar de responder com sinceridade, assim explicou o que era exatamente. — Então, eles são obrigados, quer dizer, os que escolhem fazer isso, fazem por necessidade, mas é uma escolha de certa forma. No entanto, esses são como os elfos, escravos, prisioneiros, Sirius, isso é terrível.
— Sim, é muito terrível e, quando começarmos a transformar a Travessa do Tranco, encontraremos todo o tipo de histórias, Harry, você deve estar preparado. — Apontou Sirius suavemente.
Harry acenou tentado entender tudo, mas era difícil, sexo era um conhecimento novo e tinha tantos aspectos, inclusive negativos.
— E o que isso tem a ver com você e sua primeira experiência? Você já foi a um bordel? — Harry perguntou tentando não o ofender com suas perguntas.
— Merlin, não, mas minha família, ao longo dos séculos, ganhou muito dinheiro com esse tipo de negócio e era tradição que, durante o verão de seus 13 anos, os jovens Blacks fossem levados por seus pais ao bordel para perder a virgindade e serem ensinados a se tornarem homens. — Sirius explicou um pouco envergonhado. — Eu cresci sabendo o que minha família fazia, as crueldades eram mostradas e ensinadas desde cedo, assim, quando fui para Hogwarts já sabia o que era um bordel e sexo, mas só conhecia os aspectos ruins. Quando estava no fim do meu 3ª ano sabia que durante o verão seria levado e obrigado por meu pai a fazer sexo com alguma menina do bordel, assim procurei uma menina mais velha por conselhos. Não podia perguntar a um garoto, ele apenas zombaria e talvez até espalhasse minhas dúvidas. No nosso time de quadribol tinha uma garota do 6º ano, ela era divertida e descolada, então lhe expliquei e perguntei como fazia para a experiência não ser muito ruim para a garota de programa. Minha amiga foi incrível, disse que não permitiria que minha primeira vez fosse em um bordel e me levou a um lugar isolado do castelo e me ensinou tudo sobre sexo.
— Mas você era tão jovem, Sirius. — Harry o ouviu com atenção entendendo como deve ter sido difícil fazer parte de uma família tão escura e cruel.
— Sim, mas cada um é cada um, eu comecei a notar as meninas com 13 anos, seu pai com 14 e Remus só com 15. Eu estava pronto e o melhor, pude escolher com quem e não ser obrigado por meu pai. Tive uma experiência incrível, com uma amiga que eu gostava e respeitava muito, ela foi paciente e me ensinou a dar prazer a uma mulher e não apenas usá-las. — Sirius o olhou seriamente. — Acredite, Harry, mesmo fora de um bordel existem um monte de homens tolos e canalhas que só se preocupam em usar as mulheres para seu próprio prazer, que a tratam com desrespeito e não tornam o momento prazeroso para elas.
— Prazeroso? — Harry questionou surpreso.
— O livro que você leu não falou que fazer sexo é uma das coisas mais divertidas e prazerosas que existem? — Sirius questionou levemente divertido.
— Hum... acho que dizia que existem partes do corpo que ao serem tocadas davam prazer, mas não explicava sobre como tornar prazeroso para uma garota ou algo assim. — Harry corou levemente.
— Bem, você ainda é jovem e a ideia é que você não faça sexo, assim o livro não vai te ensinar a fazer sexo. Eu sabia o mecanismo, principalmente o que um homem devia fazer para ter prazer, mas o sexo é muito mais que apenas os movimentos físicos, Harry. Tem a ver com o clima, a camaradagem, o respeito, a química, a sedução, a generosidade, tantas coisas e, se você puder ter tudo isso, pode tornar a experiência muito boa para você e seja com quem estiver, garoto ou garota. — Sirius explicou suavemente. — Em termos físicos...
Harry ouviu com atenção a explicação sobre o que significava o sexo em toques, movimentos, posições e entendeu que esse era o aspecto positivo e prazeroso. Apenas o homem conseguia transformar algo que parecia tão bonito em algo tão feio, pensou ele quando seu padrinho o levou até a casa dos seus tios, na porta antes de se despedirem, Sirius encerrou:
— Quando você se interessar por alguém ou começar a se sentir atraído, explicarei com mais detalhes, como dar um bom beijo, sobre sexo oral e outros detalhes que tornam tudo mais prazeroso. Hoje foi apenas a parte mais técnica.
— Obrigado, Sirius, por me contar verdade. — Disse Harry e os dois se despediram.
A quarta-feira começou com uma reunião com o Sr. Niall. Harry se despediu do velho advogado com um forte e emocionado abraço, lhe deu um cheque substancial de recompensa por seu longo e importante trabalho, além de um quadro muito bonito que estava no escritório de seu avô Bryan. Ele teve a ideia de que o Sr. Niall gostaria de algo mais pessoal do seu avô e não apenas dinheiro, assim visitara a casa dos avós rapidamente, logo depois que o Sr. Falc o pegou de manhã e escolheu o quadro. Sr. Niall chorou de emoção com sua explicação ao ver o quadro de um barco em um lago, pois se lembrava de tê-lo visto em suas visitas ao seu avô. O Sr. Niall também indicou novos advogados, mas disse ser sua decisão quem escolher.
Depois Harry se reuniu com o Sr. Chester e eles passaram um bom tempo tentando entender e decidir o caminho a seguir.
— Harry, você leu meu relatório, seu avô era um homem brilhante e seria adorável tê-lo conhecido. Seus investimentos são sólidos e muito bem pensados, uma rede de restaurantes, uma rede de lojas de departamentos, uma cervejaria, uma empresa de tecnologia, na época se resumia a rádios e televisores. Outra empresa de fabricação de sapatos, uma empresa imobiliária, outra de alimentos e outra rede de farmácias. Todos itens essenciais ou populares que se bem administrados tendem a crescer, se expandir de acordo com o mercado e avanços tecnológicos. — Disse o Sr. Chester quando se encontraram em seu elegante escritório no Centro de Londres, que ficava em um enorme prédio todo espelhado.
— E o ponto chave pelo que eu entendi é a administração dessas empresas, certo? — Harry questionou abrindo o relatório. — A Fábrica de sapatos, por exemplo, foi onde o senhor disse que descobriu os maiores problemas.
— Sim, Harry, a administração é antiga e linha dura. Na década de 60 eles eram pioneiros e por isso se mantiveram e se mantem até hoje com números altos. Todas as empresas que seu avô investiu cresceu e as ações que ele comprou tiveram valorizações incríveis, algumas valem 100x mais do que a 20 ou 30 anos. — Explicou Chester empolgado e Harry pode ver quão impressionada ele estava com seu avô. — Mas se ele estivesse aqui estaria olhando para o futuro também e o presente, isso é o que um bom investidor faz, porque você precisa projetar tendências e precisa ver o que está sendo feito agora para alcançar esta excelência no futuro ou continuar a excelência. Entende?
— Sim e a Fábrica de sapatos, que ao longo dos anos abriu sua própria rede de lojas de vendas da marca em Shoppings por todo o país, está trabalhando muito mal agora e não buscando se modernizar. — Compreendeu Harry.
— Não apenas isso, eles também usaram cada centavo para o lançamento e construção dessas lojas, eles não têm capital para emergência e o fluxo de caixa está no vermelho. Eles poderiam fazer uma pausa para respirar, mas o objetivo é chegar as 100 lojas e temem mostrar fraqueza no mercado se recuassem. — Chester pegou uma pasta e entregou ao Harry. — Mas o pior é isso, aqui.
Harry leu e arregalou os olhos chocado.
— Eles foram multados por poluir o meio ambiente?
— Sim, desde 1984 as leis ficaram mais rígidas e a fiscalização se modernizou. A Fábrica de sapatos continuamente faz a evasão de seus poluentes em rios ou no solo, eles já foram orientados a mudarem e modernizarem esse setor da fábrica, mas os custos seriam astronômicos e eles não tem dinheiro...
— Porque estão construindo as lojas, mas como estão pagando essas multas tão altas?
— Ele não estão, esse é o valor que total que eles devem sem os juros que serão acrescentados, não tenha dúvida. Harry, objetivamente, essa empresa é uma bomba relógio e acredito que em 10 anos chegará a falência. — Chester apontou sincero.
— Então precisamos vender as ações que temos da empresa imediatamente e por estar em alta no momento teremos um bom lucro, comparado ao que meu avô investiu. — Disse Harry pensativo. — Eu poderia conversar com o dono e tentar ajudá-lo a resolver todos esses problemas, mas ele não daria atenção a um acionista menor, um garoto de 11 anos. É uma pena, mas podemos acompanhar e talvez daqui a uns 10 anos, quando a fábrica se desvalorizar e entrar em falência, podemos comprar e reestruturá-la e assim todas essas pessoas não perderiam os seus empregos. O que você acha? — Harry perguntou olhando para o Sr. Chester e Sr. Falc.
— Essa é uma boa estratégia e se você não quiser administrá-la, pode vendê-la por muito mais do que pagou em poucos anos. Muitos investidores preferem isso, comprar empresas falidas, reerguê-las e vendê-las com lucros altíssimo. É mais trabalhoso do que comprar ações, pois exige uma aquisição dura, restauração, modernização e as vezes demitir e contratar funcionários novos. Depende muito do que a auditoria mostrar ser o problema da empresa e sempre quando for comprar uma empresa uma auditoria é obrigatória, Harry. — Chester apontou para os papeis. — Não duvido que nesta empresa alguém esteja desviando dinheiro, seria muito fácil com todas as construções apresentar notas superfaturadas, infelizmente, a desonestidade é um problema em todos os lugares. — Sr. Chester pegou outra pasta e abriu mostrando uma planilha com números e mais números. — E é por isso que você precisa aprender a olhar os números, Harry, em um negócio, você pode ser bom com pessoas, ter ideias brilhantes, ser um líder incrível, mas se não souber ler e compreender os números não será um bom administrador. Primeiro porque pode ser roubado, mas também não saberá quais as melhores ações, quando é hora de investir, ampliar ou modernizar. Os números nos dizem isso e você não deve ignorá-los. E é assim que vamos entender o próximo caso, me diga o que você vê nesta planilha.
E assim eles passaram empresa a empresa, analisando cada investimento e, o Sr. Chester e o Sr. Falc muito pacientes, o ensinaram vários aspectos administrativos, economia nacional e mundial, aspectos legais e fiscais, ambientais e trabalhistas. Depois que o Harry decidiu quais investimentos manter e quais vender, Sr. Chester lhe deu uma nova pasta.
— Aqui tem as empresas que, como seu consultor financeiro, eu recomendo que você invista e os valores exigidos em cada investimento. Leia e estude, pesquise por si mesmo e na semana que vem nos reuniremos novamente, responderei qualquer pergunta e decidiremos juntos. — Explicou Sr. Chester.
— O senhor aceita, então? O senhor aceita ser meu consultor financeiro? — Harry perguntou animadamente ansioso.
— Sim, semana que vem discutiremos um contrato e assinaremos, pesquisarei o escritório de advocacia indicado pelo Sr. Niall e se eles são bons e honestos. Podemos nos sentar e com a ajuda do Falc elaborar um contrato com eles também, mas o ideal seria se você os conhecesse e seu escritório e sentisse o clima e vibração. A verdade é que eles podem ser fantásticos, mas se você não gostar deles e de como eles trabalham, não vamos a lugar nenhum. — Explicou Chester e Harry acenou, sentindo-se um pouco cansado com tantas coisas para aprender e fazer.
Naquela tarde Neville veio para sua primeira aula e confessou ter escondido a varinha de sua avó. Contou também que no dia anterior levara suas compras ao Hospital e transformara o quarto de seus pais, que agora era duplo com apenas os dois vivendo e não mais uma enfermaria cheia de outros pacientes. O quarto foi redecorado e sua mãe adorou a música da vitrola, as novas colchas e almofadas coloridas e ir trabalhar nas plantas do jardim. Seu pai segurou o rádio com firmeza e em um momento indicou a mãe um livro para ela ler para ele. Neville os levou para uma caminhada, fizeram alguns alongamentos e ele se surpreendeu ao ver como se cansaram rapidamente, era claro que, apesar das poções, seus corpos estavam se deteriorando sem exercícios.
— Depois de tudo o que a Sra. Serafina me disse, senti muita vontade de trazê-los para a minha casa e contratar pessoal para cuidar deles corretamente. O problema é que legalmente o Ministério exige, para manter o Estatuto de Sigilo, que casos como os dele sejam mantidos trancados na Enfermaria de longo prazo. — Disse Neville quando eles fizeram uma pausa para um lanche.
— Bem, contrate um advogado e se comprometa a criar um ambiente seguro na sua casa com profissionais qualificados e se necessário entre com um processo contra essa lei idiota. Use o seu sobrenome se necessário e eu o apoiarei com o meu, não será uma batalha fácil, mas aposto que você poderia vencer. — Disse Harry tomando um grande gole de leite gelado.
Neville acenou pensativo e depois eles voltaram para a aula, seu amigo acenou sua varinha alegremente animado com fazer mais magias.
— É tão mais fácil, antes parecia que eu tinha que empurrar minha magia, agora tenho apenas que a conduzir. — Disse ele explicando a sensação.
No dia seguinte a Sra. Serafina recebeu uma carta de Madame Pomfrey e ela estava bem chateada.
— Harry, você se esqueceu que tinha que ir para Hogwarts tomar sua poção? Madame Pomfrey está muito chateada, pois está te esperando e você não responde suas cartas. — Disse ela o olhando com as sobrancelhas arqueadas.
Harry empalideceu e colocou as mãos na cabeça.
— Eu me esqueci! E não recebi suas cartas, não recebi cartas de ninguém esse verão! — Harry se levantou ansioso. — Sra. Serafina, preciso ir tomar a poção, é muito importante, tanta coisa aconteceu, não acredito que me esqueci.
Sra. Serafina suspirou sabendo que não poderia ficar zangada, o menino estava mesmo muito ocupado, ela deveria ter pensado em lhe perguntar sobre seu tratamento ou escrito para Madame Pomfrey, era normal para adolescentes se esquecerem dessas coisas e era função da mãe ou seu cuidador estar atento a isso.
— Está tudo bem, eu deveria ter lhe perguntado também e Madame Pomfrey disse que, durante o verão, você tomaria a poção uma vez por mês e não a cada 2 semanas, assim não está fora do prazo, mas ela o espera amanhã lá sem falta. Responderei a ela e explicarei sobre as cartas e que estaremos lá logo depois de sua terapia. Ok? — Disse ela suavemente.
— Ok. — Disse ele suspirando aliviado. — Ainda que acredito que ela estará chateada.
— Ela entenderá. E as outras poções, você não se esqueceu delas, certo? E tem lanchado antes de tomá-las? — Perguntou Serafina preocupada.
— Não, Sra. Serafina, eu lancho e as tomo todos os dias antes de dormir, apenas me esqueci que tinha que ir para Hogwarts uma vez em julho e outra em agosto para a poção especial. — Explicou Harry envergonhado.
— Isso acontece e aquela poção parece ser tão dolorosa que eu me esqueceria também. — Disse Terry preenchendo um teste sobre astronomia que a mãe lhes dera. — Você quer que eu vá junto Harry e fique conversando e te distraindo da dor?
— Eu posso ir também, Harry. — Neville se ofereceu.
— Não é necessário e a senhora também não precisa ir Sra. Serafina, o Sirius disse que precisava ir comprar algumas peças da moto e me convidou para acompanhá-lo amanhã, acredito que ele não se importe de me levar até a escola também. — Disse Harry sorrindo e todos concordaram.
Assim no dia seguinte ao meio dia depois de se despedir do Sr. Martin, Harry e Sirius foram almoçar e visitaram algumas lojas de peças de motos para comprar e encomendar, as velas, válvulas e correias que precisavam para colocar a motocicleta para voar. Em seguida usaram o flu do Caldeirão Furado e foram direto para a enfermaria de Hogwarts que estava aberta, provisoriamente, para eles naquela tarde. Madame Pomfrey estava sentada em sua mesa e o olhou duramente, Harry engoliu em seco e começou a se desculpar e explicar, enquanto Sirius chegava pela lareira.
— Madame Pomfrey! Como é bom vê-la! — Disse Sirius distraindo-a com um abraço animado que fez a curandeira corar levemente.
— Sr. Black, estou muito feliz em vê-lo e tão mais saudável que as fotos no jornal mostravam, me preocupei com sua saúde. — Disse ela suavemente.
— Eu tive uma ótima equipe, mágica e trouxa, além do Harry aqui, cuidando de mim com comida saudável e exercícios. E eu agradeço sua preocupação e cuidados com meu afilhado, ele elogiou muito a senhora. — Disse Sirius com voz doce.
— Me elogiou, mas se esqueceu de mim e de nossa consulta, acredito que menos elogios e mais memória lhe é recomendado, Sr. Potter. — Disse ela o olhando firmemente, mas sem a dureza de antes.
— Desculpa, Madame, não me esquecerei no mês que vem, prometo. — Disse Harry sincero, enquanto era conduzido a uma das camas da enfermaria.
— Bem, agora já deixei uma data acordada com a Sra. Boot, assim posso acreditar que você não se esquecerá, jovem. — Disse ela e depois o examinou com sua varinha. — Hum... muito bom você cresceu mais um centímetro este mês e chegou a 9 desde setembro passado, seu peso está bom, assim como seu estômago e vitaminas. Você deve tomar mais sol, como tem ido seus exercícios? — Perguntou ela enquanto entregava a poção azul translúcida.
Harry a tomou e explicou sobre seus treinos de manhã, sobre o Centro Esportivo e todos os esportes novos que estaria praticando durante o verão.
— É uma pena que seja apenas durante o verão, mas se for ter uma piscina em Hogwarts poderei ao menos continuar a nadar. — Encerrou ele esperançoso
—Infelizmente, Sr. Potter, meu pedido foi recusado. — Informou madame Pomfrey muito chateada.
— Oh... — Harry não escondeu o desapontamento.
— Porque? Seria muito benéfico para as crianças praticarem um exercício tão completo como natação. — Sirius que estava sentado em uma das cadeiras se levantou indignado.
— E, eu apresentei em detalhes um estudo que fiz, opiniões de outros curandeiros e fatos comprovados do aumento de desempenho e saúde dos que praticam exercícios, mas eles não me deram a mínima atenção. Alegaram não terem orçamento para a construção de uma piscina e a contratação de um professor de natação. — Madame Pomfrey suspirou desanimadamente. — Na verdade, eles acharam a ideia bem absurda e só faltaram rir na minha cara.
— Quem são eles? — Perguntou Sirius e Harry ao mesmo tempo e muito zangados.
— O Conselho de Governadores. — Informou ela com uma leve careta.
— Mas, e quanto ao Dumbledore ou McGonnagall? Não entenderam a importância dessa mudança e os benefícios para os alunos? Eles não te apoiaram? — Questionou Sirius muito irritado.
— O diretor Dumbledore compareceu à reunião e disse que acreditava ser uma interessante ideia e apenas isso. — Disse ela e ao ver sua expressão, acrescentou. — O que está pensando em fazer?
— A Família Black fará uma doação a Hogwarts em benefício da saúde, desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, para a construção de uma piscina e ginásio para exercícios. — Informou Sirius e sorriu malicioso. — Você sabe quando haverá uma próxima reunião do Conselho?
— Na primeira terça-feira de agosto. — Madame Pomfrey o olhou com atenção. — Você tem certeza, Sr. Black? Essa seria uma grande doação e...
— E é para o bem do meu afilhado. Sua saúde não tem preço para mim, Madame Pomfrey e deixarei bem claro àqueles esnobes e tolos que supervisionarei a construção da piscina pessoalmente e que a quero em funcionamento até setembro. — Sirius olhou com carinho para o afilhado que estava claramente com dor, sua palidez e suor não deixava dúvida. — E isso ainda é pouco para me recuperar e compensar minha ausência.
— Sirius, não foi sua culpa. — Disse Harry com voz baixa.
— Claro que não, ainda que seu gesto seja muito bonito e beneficiará muitas outras crianças além do seu afilhado. Muito obrigada e parabéns, Sr. Black. — Disse madame Pomfrey e depois os deixou sozinhos.
— Bem, além da piscina o que você acha que seria interessante ter nesta pequena academia? — Perguntou Sirius e Harry sussurrou baixinho algumas ideias, mas logo se cansou e cochilou. — Não se preocupe, visitarei o Centro Esportivo amanhã com você e verei por mim mesmo. — Disse Sirius baixinho antes de lhe beijar a testa suavemente e segurando sua mão, vigiou seu sono.
Quando Harry acordou duas horas depois estava bem descansado e sem dor, felizmente. Ele ouviu uma conversa e risos em tom suave e olhando em volta, viu Sirius e Prof. Flitwick a alguns metros de sua cama.
— Professor! — Harry exclamou animado e levantando-se foi até ele. — Professor Flitwick! O senhor se recuperou!? — E, sem poder se conter, o abraçou fortemente e quando ouviu um gemido se afastou assustado. — Desculpe, eu o apertei muito forte? Machuquei o senhor? Quer que chame a Madame Pomfrey?
— Não, não, eu estou bem! — O animado professor riu divertido e se moveu para mostrar, ainda que fossem movimentos mais lentos e acompanhado de uma pequena bengala. — Veja, estou ótimo, apenas estou me apoiando nesta bengala por mais algumas semanas, até o reinício das aulas estarei perfeitamente bem.
Harry sorriu aliviado e depois ficou sério e olhando para seu professor preferido, disse:
— Sinto muito, professor, de verdade, nunca quis que se machucasse. — Sua voz saiu engasgada no fim
— Sr. Potter... Harry, o que aconteceu não foi, de nenhuma maneira, sua culpa, não precisa se desculpar por nada. Na verdade, pelo que sei, sou eu quem deve lhe agradecer, você salvou minha vida, Harry e estou em dívida. — Disse ele suavemente e se curvou levemente e respeitosamente.
Harry acenou e aceitou seu agradecimento, sabendo que o ofenderia se recusasse ou não reconhecesse a dívida.
— Estou feliz que esteja quase completamente recuperado, senhor. — Disse Harry sorrindo de novo.
— Eu também e ainda mais feliz porque até setembro estarei de alta completamente, nem precisarei desta bengala. — Disse ele animado e depois suspirou. — Sabe, Harry, você e seus amigos estavam certos em suas deduções, foram brilhantes e lamento não ter ajudado mais. Dumbledore me explicou que vocês conseguiram proteger a Pedra Filosofal de Quirrell antes que ela fosse destruída e sinto muito que meu erro de cálculo os colocou em perigo. Confesso que não imaginei que Quirinus pudesse me vencer em um duelo.
— E ele não venceu, professor, Voldemort o venceu. — Disse Harry simplesmente e ignorou o estremecimento de Flitwick que empalideceu e o olhou chocado. — O diretor não lhe contou o que aconteceu?
— Sim ou eu pensei assim, mas vejo agora que o mais importante ficou de fora de suas explicações. — Prof. Flitwick estava muito sério. — Você poderia me contar exatamente o que aconteceu, Harry? Se não for muito difícil para você, claro, soube que se feriu e viu Quirrell morrer.
Harry suspirou e olhou para o padrinho que acenou o apoiando.
— Professor, é uma longa história e talvez o senhor devesse ver a lembrança do que aconteceu para entender tudo. Foi assim que contei para o Sirius e os Boots, em uma penseira e existe um outro amigo nosso que quer ver em mais detalhes tudo o que aconteceu também. — Harry olhou para o padrinho que sorriu em aprovação. — Podemos marcar em breve, conversarei com a Sra. Serafina sobre uma data e escreverei ao senhor. Pode ser?
— Pode, eu agradeço sua disposição, Harry. E como tem sido seu verão? — Prof. Flitwick como sempre respeitou seu pedido sem insistir ou mostrar desapontamento.
Eles conversaram mais um pouco e depois se despediram, Harry estava faminto e eles foram para a cozinha tomar um chá e lanchar.
— Hum... tanto tempo sem comer a comida de Hogwarts e quantas lembranças de visitar essas cozinhas. — Sussurrou Sirius com uma expressão nostálgica.
Na cozinha, Mimy os recebeu alegremente e mesmo os outros elfos pareciam imensamente felizes de terem pessoas para servir, acabaram montando uma mesa cheia de comidas deliciosas e Harry comeu tanto que tinha certeza que não jantaria naquela noite.
No dia seguinte, Sirius aparatou bem cedo e acompanhou Harry e Duda ao Centro Esportivo de trem. Sua tia Petúnia tentou recusar, mas Harry foi firme que seu padrinho os acompanharia e se ela quisesse poderia ir junto, mas que isso seria uma perda de tempo. Por fim ela o chamou de lado para questioná-lo.
— Ele está muito zangado comigo, tem certeza que é seguro para o Duda? — Sua tia sussurrou ansiosa.
— Sim, tia, meu padrinho jamais descontaria sua raiva em uma criança e, muito menos, eu permitiria isso. — Harry a olhou firmemente e disse com frieza. — Deveria parar de julgar os outros por si mesma.
E saiu com o padrinho e o primo, deixando-a pálida e enjoada para traz. Durante o caminho Duda, aos poucos, foi relaxando ao ver que o bruxo/bicho papão era divertido, alegre e bem-humorado. Harry lhe perguntou sobre escolas e o primo apenas deu de ombros pouco interessado. Quando chegaram, Sirius foi se inscrever em musculação na academia, além de boxe, que ele gostava, ciclismo, tênis e natação. Harry foi para sua primeira aula de Ginástica Olímpica e se divertiu muito, seu receio com as piruetas e mortais logo caíram no esquecimento quando foi ensinado a como fazê-los e pousar em cima de espumas e colchões confortáveis. Na verdade, parecia uma grande brincadeira de pular em colchões e ele riu muito. Seu corpo leve e ágil se mostrou muito adequado para o esporte e ele percebeu que o ajudaria com as lutas marciais e tênis, pois ele se tonaria mais flexível e rápido, seus músculos se fortaleceriam sem que ele ganhasse massa muscular demais. Isso o deixou animado ao perceber que todos os esportes que ele escolheu se encaixavam entre si para ajudá-lo a se desenvolver e ficar mais forte, sem que ele precisasse se tornar uma bomba musculosa. Na Ginástica os aparelhos que mais gostou foi as argolas, as barras paralelas e as fixas, ainda que o salto parecesse bem interessante para quando tivesse mais experiência.
Em sua aula com o O-Sensei Koolang, Harry foi ensinado técnicas para se defender do ataque de um adulto. O O-Sensei era muito paciente e trabalhou pessoalmente com ele, explicando os movimentos de bloqueio, esquiva, finalização e imobilização. Enquanto o ensinava, ele explicava a filosofia pacífica e harmoniosa do Aikido, o objetivo de apenas se defender e nunca atacar. Harry entendeu e respeitou suas palavras, não tinha problema algum em usar todas as técnicas para se defender, para cair e rolar sem se machucar. No fim da aula, ele explicou os pontos sensíveis no corpo humano para golpes de finalização e bastões.
— Não adianta agitar um bastão e não bater nos pontos certos. Você pode finalizar uma luta em segundos e, ser misericordioso e rápido ao vencer seu inimigo, é o correto. — Disse ele suavemente.
Na aula de Muay Thai o foco foi em golpes de perna, Harry depois de ser ensinado como, postura e movimentos, chutou e chutou o braço do Sr. King, que estava estofado, repetidamente.
— Mais forte! Direita, esquerda, esquerda, direita! Forte, alto, baixo, baixo, alto! Centro, acima, forte, mais forte! Alto! Esquerda, alto! — Sr. King repetiu e Harry em certo ponto simplesmente obedeceu por puro instinto e determinação, de tão cansado estava.
No almoço Sr. King se sentou com eles e elogiou Harry para Sirius.
— Ele é incrível, aprende rápido, tem bons instintos. O-Sensei Koolang disse que se preocupou em ter que dar aulas mais exigentes para um iniciante, mas que Harry aprende tão rápido e se mostra tão promissor que não tem mais reservas. — Ele disse sorrindo, Harry corou enquanto seu padrinho sorriu orgulhoso. — E comigo ele também avança rapidamente, uma pena que Hogwarts não tem aulas ou facilite que os alunos possam deixar a escola e continuar praticando.
— Bem, estamos tentando avançar nesta direção com uma piscina, quem sabe um dia podemos chegar as artes marciais. — Disse Sirius e explicou sobre a construção da piscina.
— Isso seria incrível e se uma academia será incluída, sugiro a construção de um dojo, assim, Harry pode continuar a treinar o pouco que teremos tempo de lhe ensinar até setembro. — Disse Sr. King animado.
— Estive olhando em volta e os aparelhos elétricos da academia não serão possíveis, claro, mas os que não são podem ser incluídos. Tem mais alguma coisa que você gostaria, Harry? — Perguntou Sirius.
— Uma pista de corrida, no inverno não é possível correr lá fora, pensei que se conseguirmos fazer uma pista de atletismo redonda no espaço onde a piscina será construída, sabe, na lateral das paredes. — Disse Harry fazendo um círculo com a mão. — E a piscina no meio.
— Isso é muito bom e se usarmos feitiço e runas para ampliar o espaço poderemos fazer uma pista de tamanho razoável. — Disse Sirius sorrindo.
— Poderei até usá-la para andar de bicicleta. — Apontou Harry animado.
— Mas você não sabe andar de bicicleta. — Disse Duda que ouviu a conversa em silencio, estava um pouco incomodado e ciumento dos elogios e atenção que seu primo recebia, mas até agora se sentira intimidado para falar qualquer coisa.
— Eu aprendi. — Disse Harry dando de ombros e não querendo falar que aprendera sozinho, perguntou. — E você? Como foi na academia e boxe hoje?
— Tudo bem, o cara da academia disse que preciso perder uns 40 kg, mas se eu ficar magrelo como você não terei um soco forte. — Disse seu primo rabugento. — E o cara do boxe disse que preciso emagrecer para ser mais rápido, mas não preciso ser rápido, preciso apenas socar o cara com força e pronto.
— Bem, isso que você o alcançar ou se esqueceu quantas vezes eu corri e você nem chegou perto? Imagine em um ringue de boxe? Se o cara for mais rápido, você nunca o acertará e, se ele tiver um bom soco, te colocará para dormir. — Disse Harry com sarcasmo.
Seu primo o encarou com um bico e olhou em volta como se procurasse um adulto para denunciar sua provocação, mas encontrou apenas Sirius e o Sr. King.
— Harry está certo, Dudley, você já viu um boxeador acima do peso ou obeso? — Sr. King perguntou com sua voz segura e calma, não tinha como discutir com ele. — Mesmo os pesos pesados têm apenas músculos e não gordura, você tem uma estrutura para chegar lá um dia, mas precisa perder peso. Isso ajudará no boxe e em sua saúde.
Duda acenou e engoliu a vontade de protestar contra o primo. O resto do almoço, seu padrinho e King falaram mais sobre o boxe e os benefícios dele emagrecer e do Harry desenvolver músculos, mas não em excesso.
— Sua estrutura e o do seu pai e avô eram de corpos altos, magros e musculosos, mas musculatura magra e forte. — Disse Sirius.
— Foi o que a instrutora de tênis me disse, que minha rapidez é uma grande vantagem e se ganhar peso com excesso de músculo ficarei mais lento. — Explicou Harry.
O resto do dia foi muito bom e divertido, ele andou de bicicleta, jogou tênis e nadou com Sirius, pois eles tinham os mesmos horários e foi muito especial. Depois, exaustos, pegaram o trem de volta para Surrey, Duda cochilou quase toda a viagem, roncando, enquanto Sirius e Harry conversavam.
— Sinto muito que você tenha que ter aprendido a andar de bicicleta sozinho. — Disse Sirius baixinho.
— Oh... — Harry disse corando de constrangimento.
— Eu percebi que isso te chateou e lamento não ter podido lhe ensinar. — Sirius disse sincero.
— Está tudo bem, Sirius, você já vai me ensinar a andar de moto, sobre garotas e outras coisas... — Disse Harry olhando para as mãos.
— E isso me deixa feliz, de poder estar aqui e te ensinar tudo o que precisar, seus pais são insubstituíveis, mas lembre-se que você tem a mim, Falc e Serafina. Eu sei que não foi assim com sua tia e que você teve que se cuidar e aprender por si mesmo, mas agora você não está mais sozinho, Harry. — Disse Sirius suavemente.
Harry apenas acenou e quando se despediram na porta do número 4, eles se abraçaram fortemente.
— Te amo, Sirius. — Disse Harry contra seu peito.
— Também te amo muito, Harry, muito mesmo. — Disse ele beijando seus cabelos bagunçados.
O domingo foi um dia de família com os Madakis e Boots, misturados no Chalé. Sr. e Sra. Madaki queriam mais detalhes sobre o ritual que eles fizeram, fascinados por esse lado da magia que era mais natural e espiritual. Com autorização do Sr. Falc e Sra. Serafina, Harry levou Adam para o bosque e o ensinou a se conectar com a natureza, seu irmão era muito doce e tranquilo, conseguiu se conectar sem dificuldades e ficou fascinado pelo sussurro das árvores. A energia o encantou e ele sorria sem parar.
— Posso sentir minha magia, Harry, mamãe e papai tinham medo que eu não fosse um bruxo, eles me levaram ao St. Mungus para descobrir, sabe, porque nunca fiz magia acidental. — Disse Adam emocionado. — E eu nunca senti minha magia, mas posso sentir agora, posso sentir...
Harry sorriu e viu Adam correr animado e de olhos fechados, sendo conduzido por sua magia e a magia das árvores.
— Eu posso sentir minha magia, Harry! — Ele gritou animado e Harry riu e o seguiu. — Eu sinto a magia! Eu sou um bruxo! Ah! Ah! Ah!
Seu riso era feliz e contagiante, Harry teve uma ideia.
— Adam! — Quando seu irmãozinho parou e olhou, ele continuou. — Sinta a magia e suba comigo. — Disse ele e sem varinha, conectado com a magia, Harry pediu que ela o erguesse assim como em sua visão.
Ele não voou e sim flutuou suavemente, com cuidado usou a feitiçaria sem varinha para o erguer na direção da árvore e se sentou em um galho alto. Adam o olhou de olhos arregalados e Harry acenou, o incentivando.
— Você consegue, use sua conexão, sua magia e a magia da natureza e venha até aqui.
Adam fechou os olhos e em poucos segundos estava flutuando na sua direção, mas ele abriu os olhos e surpreso perdeu a concentração, estava caindo quando Harry enviou sua magia que o manteve planando no ar.
— Ops! — Disse ele sorridente.
— Tudo bem, se concentre, estou te segurando, use sua vontade sobre a magia e chegue até aqui. — Orientou Harry sorrindo.
Adam fechou os olhos de novo, se concentrou e logo subiu até o galho, Harry o ajudou a se sentar ao seu lado.
— Pronto. — Disse Harry olhando para o garoto de olhar de anjo.
— Eu fiz magia, Harry e eu voei! De verdade! — Adam exclamou chocado.
— Sim, você fez magia, mas não voou e sim flutuou. Existe uma diferença entre voar e flutuar, o feitiço é o Wingardium Leviosa e é possível usar em si mesmo, além de não usar uma varinha. — Explicou Harry calmamente. — Para isso, precisa de uma grande conexão com sua magia, você tem meditado?
— Sim, Harry. — Acenou Adam balançando as pernas penduradas e olhando para o chão a uns 8 metros de distância. — Como você me ensinou.
— Isso ajuda a sentir sua magia, em algum momento você atingirá o estado de ausência e será incrível. Magia sem varinha é muito difícil e normalmente a fazemos quando estamos vivendo uma grande emoção, é chamado de magia acidental, mas você também pode fazê-la intencionalmente nas circunstâncias certas. — Disse Harry e Adam o ouviu com atenção.
— Como agora. Eu pensei que só faria magia quando tivesse minha varinha. — Disse Adam.
— Sim, existe algo que eu aprendi desde que descobri que era um bruxo, Adam, sabe o que é? — Perguntou Harry sorrido, Adam acenou negativamente. — Você tem que acreditar, Adam, tem que acreditar que é possível e que você pode fazer o que quiser. Nunca duvide de si mesmo, Adam Boot.
Adam o olhou com um sorriso brilhante e acenou.
A segunda-feira trouxe outra visita, desta vez na hora esperada. Hermione apareceu pelo flu antes do almoço muito feliz e animada.
— Terry! Harry! Neville! Você já está aqui!? — Ela exclamou e os abraçou fortemente. — Estava com tantas saudades! E ansiosa para vir estudar com vocês, quase não aproveitei as férias no começo, mas meus pais insistiram que eu lhes contasse o que estava acontecendo e depois pude relaxar. Eles me apoiaram totalmente e a Holanda é maravilhosa, vocês devem conhecer...
— Porque ela não para de falar? — Perguntou Ayana olhando para a Hermione com uma careta.
Isso calou a amiga que olhou em volta corando de constrangimento ao ver que haviam mais pessoas.
— Olá, desculpe, eu me empolguei. — Disse ela acenando e sorrindo tímida.
— Está tudo bem e não seja grosseira, Ayana. — Disse Terry também sorrindo. — Deixe-me apresentar todo mundo, minha mãe...
Depois das apresentações, Hermione apertou a mão e agradeceu a Sra. Serafina e ficou encantada com as crianças, além de uma troca de sorriso com Anne, todos foram almoçar.
— Obrigada de novo por me convidar para o almoço e as aulas, Sra. Serafina, meus disseram que não se importam de pagar pelas aulas trouxas e mágicas. — Disse Hermione educadamente.
— De jeito nenhum, você e Neville são amigos das nossas crianças e estamos tendo essas aulas de qualquer maneira, apenas com mais alunos, o que é um prazer e meu pai se sente da mesma maneira. — Disse ela sorrindo suavemente. — E diga a seus pais que em breve marcarei o jantar para podermos conhecê-los melhor.
— Isso seria ótimo, Sra. Serafina, eu contei a eles sobre como os nascidos trouxas são tratados e nossos planos para lutar contra a discriminação, sobre a GER. — Hermione olhou para o amigo. — Harry, você precisa me contar tudo o que está acontecendo e no que posso ajudar. — Disse sua amiga apressadamente e Harry acenou. — Eu só não contei sobre, bem, Quirrell, Voldemort, Dumbledore e toda a história da Pedra, fiquei com medo que eles não me deixassem voltar para Hogwarts. Bem, agora eles estão cheios de perguntas e querem muito ajudar no que puderem.
— Claro, eu posso imaginar e tenho certeza que serão de grande ajuda, não apenas com os planos do Harry e a criação da GER. — Disse Sra. Serafina positiva. — Eu e Falc temos algumas ideias e acredito que seus pais gostarão de nos ajudar.
Hermione acenou sorrindo ainda tímida e depois olhou para Harry que suspirou dramaticamente, mas resumiu os últimos acontecimentos da GER para a amiga, inclusive a resolução de se concentrarem no estudos e descanso, tempo com a família e não apenas trabalhar. Ela pareceu animada com todas as novidades e ficou desapontada com o final, mas depois acenou concordando.
— Meus pais disseram algo parecido, para eu aproveitar as férias e agora quero aprender muito, fazer magia o resto do verão será incrível. Mas, Harry, se houver qualquer coisa...
— Eu avisarei e isso vale para o Terry e Neville também, prometo. — Disse Harry sincero. — Sra. Serafina, eu esqueci de falar que sairei um pouco mais cedo hoje, preciso ir comprar um computador, pensei que a Hermione poderia me ajudar a escolher um se ela não se importar. — Disse Harry olhando para amiga que acenou rapidamente.
— Claro, não me importo, papai comprou o último modelo que saiu em abril com o novo programa da Microsoft, se chama Windows for Workgroups 3.1. Ele tem muitos mais recursos e acelera a navegação na rede mundial, a internet, tem sido incrível acessar algumas das informações. — Disse sua amiga animadamente. — E poderemos trocar mensagens por e-mail e até arquivos, é incrível.
— Hum... Confesso que não entendi muito tudo o que você falou. — Disse Harry bagunçando ainda mais os cabelos.
— Porque você quer comprar um computador, Harry? — Perguntou Sra. Serafina quando pegou alguns brownies para servir com sorvete.
— Sr. Chester me orientou a pesquisar as empresas que poderei escolher investir e quando lhe perguntei como fazia isso, ele me disse, jornais, revistas e computadores. — Harry disse comendo o sorvete gelado com o brownie quente com prazer. — Eu nem pensei nisso, quando estive em Londres sexta-feira com Sirius comprei montes de jornais e revistas de negócios, mas pensei que poderia usar o computador do meu primo rapidamente, mas, quando perguntei a ele, me disse que só o usava para jogar jogos e não tem conexão com a internet. Assim preciso comprar um para mim e me conectar com a rede mundial para pesquisar.
Sra. Serafina acenou e concordou em liberá-los 1 hora mais cedo.
— Quem os acompanharão?
— Sirius, ele tem algumas peças da moto que encomendou para buscar e disse que me levaria, apenas preciso da Hermione porque se não ficaremos perdidos. — Explicou Harry.
— Eu entendo um pouco de computadores, eles são usados na escola onde trabalho, você e a Hermione escolhem o melhor modelo e se quiser posso te ensinar a usá-lo, hum…, amanhã te levo embora e fico um pouco lá na casa dos seus tios te explicando. — Disse Serafina e Harry sorriu.
— Isso seria incrível, muito obrigado, Sra. Serafina.
— Incrível seria se pudéssemos ter um computador aqui. — Disse Terry meio triste.
— Confesso que não faço ideia do que estão falando. — Disse Neville, coçando a cabeça.
— Não se preocupe, Nev, magia é muito melhor e mais divertida. — Disse Adam sorrindo brilhantemente.
— Bem, já que sairá mais cedo, Harry, deixe-me te perguntar agora antes que esqueça e a você também, Neville. — Disse Serafina tirando a mesa com a ajuda dos meninos. — Seus aniversários são quinta-feira e sexta-feira, não sei se sua avó planeja algo especial, Neville, mas se ela concordar poderíamos fazer uma festa só, para vocês dois. O que me dizem?
Neville parou confuso e Harry um pouco chocado, nem se lembrara que seu aniversário estava tão perto e muito menos esperava uma festa, quer dizer, ela estava falando de uma festa de aniversário de verdade?
— Hum, acho que ela não se importará, senhora, normalmente temos apenas um jantar em família, afinal eu não conhecia outras crianças para uma festa, antes de Hogwarts. E não me importo de uma festa junto com a do Harry, mas algo pequeno, não quero dar trabalho. — Disse Neville timidamente e corado.
— E você, Harry? — Questionou ela olhando para o Harry que não sabia o que dizer.
Ele pigarreou confusamente e passou a mão pelos cabelos.
— Eu não sei bem, Sra. Serafina. Quer dizer, como o Neville disse, não quero dar trabalho...
— Bem, e desde quando uma pequena festa de aniversário com alguns amigos é algum trabalho? Pensei em fazermos no domingo com toda a família, convidamos sua avó, Neville e os pais da Hermione e qualquer outro amigo de Hogwarts que quiserem. — Disse ela animadamente. — Aposto que minha mãe fará um bolo delicioso, podemos decorar com as cores que quiserem. Hermione, vou lhe ensinar alguns feitiços de decoração maravilhosos. Harry, não sei o que sua tia está planejando e claro que podemos convidá-los ou ao menos seu primo, ainda que duvido que eles venham, mas como você estará lá com eles na sexta-feira que é o dia do seu aniversário, tenho certeza que o domingo seria aceitável para ela.
Quando ela terminou, todos o encararam esperando sua resposta e Harry não soube o que dizer, o silencio se prolongou e ele abaixou a cabeça constrangido.
— Harry? — Disse ela confusa, Terry já adivinhara o que deveria ser, mas percebeu que os outros não entenderam.
— Bem, é que, hum... minha tia nunca fez nada, Sra. Serafina, nunca tive uma festa ou comemoração de aniversário ou presente, na verdade... Na maioria das vezes eles nunca lembraram e até eu me esqueço. É só um dia como outro qualquer. — Disse Harry baixinho e ainda olhando para o chão, esfregou seu tênis no chão constrangido.
Houve ofegos e exclamações, um pequeno míssil o abraçou e ele cambaleou, era Adam, mas logo Ayana o abraçou também.
— Entendo. — Disse Serafina tentando controlar a raiva e tristeza e agir corretamente. — E lamento que eles tenham sido tão tolos e mesquinhos, mas o dia do seu nascimento não é um dia qualquer, Harry. Esse deve ter sido o dia mais feliz e especial da vida dos seus pais. — Disse ela e Harry a encarou de olhos arregalados. — E como amamos você, muito, o dia do seu aniversário também é especial para nós e devemos comemorar. Certo, pessoal?
Todos acenaram emocionados e o abraçaram ou bateram em suas costas.
— Obrigado, Sra. Serafina, obrigado a todos. — Disse Harry engasgado.
— E que saber, acho que sexta-feira, o seu dia especial, não deve ser passada na casa dos seus tios. Vamos sair, todos nós, iremos aonde você quiser, Harry, escolha. — Disse Serafina sorrindo emocionada. — Sirius e Falc podem nos acompanhar, pedirei que tirem uma folga do trabalho e todos nós comemoraremos o seu aniversário. E no domingo faremos uma festa dupla para a família.
Harry acenou sorrindo animado e as crianças pularam e exclamaram cheias de empolgação.
— Onde você quer ir, Harry? Onde? — Perguntou Ayana ansiosa.
— Bem, eu nunca fui, mas já ouvi dizer que é incrível, sabe, talvez pudéssemos ir à praia? — Disse Harry baixinho com medo de estar pedindo demais.
— Se é a praia que você quer ir, é para onde iremos! — Gritou ela com determinação e todos, até Hermione, pularam e gritaram comemorando.
Depois eles foram estudar, o clima estava leve e divertido, mas Hermione logo intensificou a concentração, pois queria muito alcançá-los. Os três meninos estavam fazendo magias e estudando teorias do 2º ano e ela ainda tinha que repassar o 1º ano com Serafina. Harry sabia que ela estaria com eles em poucos dias e teve a ideia de ao em vez de avançarem, voltassem para os feitiços de Defesa ainda não treinados, pois agora tinham uma parede para agir como alvo. Sirius e Sr. Falc a construíram no jardim, era de pedra e tinha várias magias para resistir e não se destruir, Harry pediu que eles desenhassem um alvo para poderem treinar a pontaria. Assim, enquanto Hermione estava no solar com Sra. Serafina, os três meninos saíram para repassar as maldições e azarações do 1º ano.
No fim do dia Sirius apareceu e Harry o apresentou a Hermione que o cumprimentou ansiosa e corada. Quando foram para a Londres trouxa, Harry perguntou porque ela estava agindo estranha e corando o dia todo.
— Oh... Estou ansiosa, Harry. Quero que os Boots e Sirius gostem de mim, estou sendo boba, eu sei, mas não posso evitar. Além disso meninas coram mesmo e meninos também. — Disse ela defensiva na loja de peças de motos onde seu padrinho pegava suas encomendas.
Harry acenou entendendo, claro que ele também corava, quando era elogiado ou estava envergonhado, não corava por ansiedade, mas cada um era cada um.
— Bem, você não devia se preocupar, tenho certeza que todos gostaram de você. — Apontou Harry dando de ombros.
— Obrigada, Harry, mas acho que Ayana não gostou muito de mim não. — Disse ela desapontada.
— Ah, Ayana não está acostumada a ter meninas por perto, só meninos, quando a prima dela aparece, as duas ficam competindo por tudo. E ela gostou da Mandy, talvez porque ela não entrou em seu território como você, Hermione. — Sugeriu Harry.
— Oh... claro. Eu devia ter pensado nisso, também tenho dificuldades em fazer amizade com meninas, pois são mais competitivas. Obrigada, Harry, acho que já sei o que fazer. — Disse ela sorridente.
Depois foram a uma loja de tecnologia e Hermione os ajudou a comprar um computador. O dono da loja, Sr. Stuart os atendeu com muita empolgação e deu uma aula básica, sobre os programas mais modernos, software e hardware. Como Harry tinha pressa, pagou um extra para que ele fosse na manhã seguinte a sua casa no número 4 instalar o computador com tudo o necessário, inclusive internet. Sr. Stuart ficou muito feliz em atendê-lo.
Sirius depois colocou Hermione em um taxi para sua casa, que não estava longe e os aparatou até Surrey, onde se despediram. Enquanto ajudava sua tia com o jantar explicou que no dia seguinte o técnico viria e pediu que ela o recebesse, já que Harry já estaria em St. Albans. Ela apenas acenou rigidamente. Ele também contou sobre a Sra. Serafina o ensinando a usar o computador na tarde seguinte e os planos para sexta-feira, o que a fez o olhar contrariada.
— Isso não é possível! — Disse ela rispidamente. — Eu já disse que não quero esses... em minha casa, espero que até Vernon chegar ela já tenha ido embora. E na sexta-feira, precisarei da sua ajuda, seu tio tem um importante jantar de negócios com os Masons e preciso que o jardim, a casa e a comida estejam impecáveis.
Harry a olhou com frieza e a viu desviar o olhar como sempre.
— Primeiro, Sra. Serafina estará no meu quarto e não andando pela casa, tio Vernon nem a perceberá, isso se ela ficar até depois das 18 horas, afinal, não sei quanto tempo demorará a aula porque não sei se usar o computador é difícil ou se aprenderei rápido. E não serei grosseiro em expulsá-la apenas para não irritar o seu marido. — Disse Harry firmemente. — E segundo, sexta-feira é meu aniversário, sei que você não se importa com isso e nunca se preocupou em comemorar ou lembrar, mas minha nova família, os Boots, Sirius e amigos da escola querem que eu tenha um dia especial. Assim, iremos todos para a praia e passaremos o dia lá, mas acordarei cedo e arrumarei o jardim que está muito bonito e conservado, não é como se estivesse precisando de uma reforma. Quanto a limpeza da casa, Duda estará aqui o dia todo, faça-o ajudar e a senhora é mais do que capaz de preparar o jantar. — Encerrou ele em tom definitivo e voltou a preparar a salada.
Sua tia ficou em silencio e Harry achou que o assunto se encerrara quando a ouviu dizer baixinho:
— Eu ainda sou sua família... — Harry a olhou bruscamente e percebeu por sua expressão que estava arrependida do que disse ou não esperava ser ouvida.
— Eu sei, tia Petúnia, eu sei muito bem que nós somos Evans e sei também que a senhora lamenta esse fato, mas não posso mudar isso. Sinto muito que isso a obrigue a me aturar em sua casa... — Sua voz falhou e irritado jogou a faca na mesa com um baque alto. — Em poucos anos deixarei essa casa e a senhora poderá esquecer de mim e que algum dia teve uma irmã e um sobrinho...
Sufocado por todas as coisas mais que queria dizer e reprimindo o ímpeto, Harry deixou a cozinha para o jardim e respirou fundo o ar quente do fim da tarde de verão. Depois de tudo o que descobrira sobre sua tia, Harry se sentia tão confuso, sua magoa e ressentimento estavam borbulhando dentro dele, mas o que adiantaria explodir quando todos precisavam continuar a viver sob o mesmo teto por anos e anos.
No dia seguinte, Hermione conheceu o Sr. Madaki e eles simpatizaram um pelo outro de imediato, o que não surpreendeu Harry. Sua amiga adorava fazer dezenas de perguntas e o avô de Terry adorava responder, ensinar e falar sobre tudo e um pouco mais. Ela decidiu ficar para a tarde de jogos e brincadeiras, Neville não viera para as aulas trouxas, mas apareceu durante o almoço com autorização para passar o resto do dia com eles. Sra. Serafina lhe perguntou sobre sua lista de convidados e se Sra. Longbottom permitiu a festa conjunta.
— Sim, senhora, na quinta-feira passarei a manhã com meus pais e a noite meus parentes virão para um jantar formal, como todos os anos, mas eu disse a minha avó que quero uma festa de aniversário com o Harry e ela concordou. — Neville explicou timidamente. — Ela disse que quer auxiliar com os custos e como é uma festa infantil devo convidar apenas meus colegas de Hogwarts, assim, meus parentes que são todos adultos não devem ser incluídos.
— Mas não é apenas uma festa para crianças, teremos toda a família... — Protestou Serafina confusa.
— Eu sei, senhora, fui eu quem deu a entender isso. — Neville corou envergonhado. — Não queria que ela me obrigasse a convidar meus parentes, quer dizer... eu já os verei no jantar na quinta-feira e eles são muito formais, não conseguiria me divertir se estivessem na festa. Entende? — Explicou ele meio aflito.
— Claro que sim, querido, entendo e é sua festa, você deve convidar quem quiser. — Se apressou em tranquilizá-lo Sra. Serafina. — Bem, então quem você quer convidar?
— Meus amigos são Harry, Terry e Hermione, tenho alguns colegas da escola, mas ninguém muito próximo, ainda que se o Harry quiser convidá-los, não me importaria. — Disse Neville olhando para o amigo.
— Eu gostaria, se for possível, de convidar Mandy, Morag, Padma, Lisa, Anthony, são todos bons amigos da Ravenclaw. E Penny, Fred e George, talvez Justin e Megan, Hannah e Susan? — Harry olhou para os amigos que acenaram concordando, aqueles eram os amigos mais próximos de todos eles.
— Eu concordo, gosto de todos. — Disse Neville.
— Muito bem, depois preciso do sobrenome de todos eles, enviarei os convites nesta tarde mesmo, talvez vocês possam me ajudar. — Disse Serafina e todos concordaram com acenos. — Harry, você quer incluir seus tios e primo? E sobre os Tonks? Gostaria de convidá-los e conhecê-los? São a única família de seu padrinho, os que os fazem sua família também. E talvez Remus Lupim? Ele era amigo de seus pais que você ainda não teve oportunidade de conhecer. — Ela perguntou anotando os nomes.
Harry engoliu o bocado de espaguete que parecia borracha em sua boca antes de responder.
— Não para os meus parentes, eles jamais viriam e, se sentissem obrigados a vir, estragariam a festa. — Disse Harry tentando disfarçar o desagrado só de pensar nesta possiblidade. — Lupim não me conhece porque nunca quis me conhecer e já estou de férias a quase 1 mês, Sirius o vê sempre por causa do trabalho e em nenhum momento ele pediu para se encontrar comigo. Então também não estou interessado em conhecê-lo e muito menos em um momento de festa. Sobre os Tonks, não me importo com suas presenças e em conhecê-los, mas acredito que a senhora deve perguntar para o Sirius também, ele está um pouco afastado deles e tem suas razões, não quero que fique incomodado. — Apontou Harry rapidamente e voltou a comer tentando não olhar para ninguém.
— Ok. Vou conversar com Sirius então. — Disse ela sem questioná-lo sobre seu tom mais duro. — Bem, então, entre a família e convidados serão quase 40 pessoas e o melhor é fazermos a festa no jardim. Eu liguei para mamãe e papai, eles estão se encontrando conosco na praia e depois voltam para cá e assim mamãe me ajudará a preparar as comidas e doces.
— Eu posso ajudar também, Sra. Serafina. — Se ofereceu Harry.
— Nem pense nisso, é o seu aniversário e não irá cozinhar. — Disse Sra. Serafina sorrindo. — Além disso, faremos quase tudo no sábado e você não estará aqui e sim no Centro Esportivo. Hum... Marcarei a festa para as 15 horas no domingo, todos concordam?
Houve vários acenos e Hermione olhou hesitante para Ayana e depois sugeriu timidamente.
— Eu gostaria de vir ajudar no sábado, Sra. Serafina, quer dizer, não sei fazer doces ou cozinhar, mas talvez eu e a Ayana possamos ajudar e aprender.
Ayana arregalou os olhos e a encarou com atenção.
— Você gostaria de passar o sábado comigo? — Perguntou ela confusa.
— Sim, se você quiser, acho que seria divertido ajudarmos a sua mãe e avó. — Respondeu Hermione e Ayana abriu um grande sorriso.
— Eu gostaria disso. — Disse ela e olhou para a mãe pedindo autorização.
— Muito bem, no sábado nós quatro preparamos a festa do Harry e Neville, Terry e Adam terão que arrumar o que fazer com seu pai. — Disse Serafina e depois se levantou tirando a mesa. — Vamos então fazer todos esses convites, Anne depois você pode dar um pulo no Beco e deixá-los no Correio Coruja para serem entregues?
— Sim, Serafina. — Disse Anne solicita.
O resto do dia voou e a Sra. Serafina o levou embora e lhe ensinou a usar o computador. O monitor branco e grande ocupava um grande espaço de sua mesa, assim como o CPU que foi colocado no chão na lateral da mesa. Harry achou tudo fascinante e adorou ligar, desligar e usar o grande mouse para mover a seta e clicar em várias coisas diferentes. Pesquisa, desenho, escrita, fotos, e-mail, era incrível o quanto se poderia fazer com um computador. Sra. Serafina foi embora as 18:30, mas ninguém estava em casa, sua tia tivera a ideia de convidar seu marido e filho para jantarem fora. Sozinho, Harry preparou alguns sanduíches e entrou na rede mundial de pesquisa para saber mais sobre as empresas sugeridas pelo Sr. Chester para investir.
No dia seguinte de manhã, Sr. Falc o acompanhou até o escritório do Sr. Chester e eles discutiram longamente a lista de empresas para investir, Harry fez inúmeras perguntas e por fim se decidiram por comprar ações de empresas de ramos diferentes. A inglesa BP do setor de energia, as americanas Apple de tecnologia e eletrônicos, a AT&T de telecomunicações, a McKesson do setor de tecnologia na saúde e a Berkshire Hathaway que era uma empresa do estilo da GER, um conglomerado que administrava outras empresas de ramos diversos. E a italiana Exor, uma empresa de investimentos. Harry pesquisara por si mesmo e decidiu investir também na americana Microsoft, uma empresa de tecnologia e a criadora do programa Windows que ele usou em seu computador e a sul-coreana Samsung, também uma empresa da tecnologia da informação. Sr. Chester o elogiou por suas pesquisas, perguntas e inteligência em escolher empresas tão promissoras.
— Bem, agora falando sobre os advogados indicados pelo Sr. Niall. — Disse ele pegando uma pasta amarela.
— O que você descobriu sobre eles, Ches? — Perguntou o Sr. Falc interessado.
— Robinson & Hughes é um escritório com boa reputação, trabalham em diversas áreas de direito, são jovens, 10 anos apenas, mas estão crescendo e pelo que descobri são honestos e competentes. — Disse Chester enquanto Harry e o Sr. Falc olhavam as informações. — Acredito que foi uma boa indicação do Sr. Niall, Harry.
— Isso é bom e se vocês dois indicaram, fico mais tranquilo, mas não entendo porque não posso usar os seus advogados, Sr. Chester? — Questionou Harry curioso.
— Porque você é um dos meus clientes e ele me defendem, seria um conflito de interesse se eles te defendessem também. Quer dizer, vamos assinar o nosso contrato e se eles estivessem aqui, de que lado estariam? — Chester apontou e Harry acenou entendendo.
— Bem, eu estou aqui e estou do seu lado, Harry, assim deixe-me ver esse contrato, Sr. Colton. — Disse Sr. Falc em tom sério e pomposo e todos riram.
O contrato foi discutido e assinado rapidamente porque o Sr. Chester era justo e Harry concordou com os valores e condições.
— Bem, agora começarei o trabalho de verdade, Harry. Sua conta será uma prioridade para mim, encerrarei os investimentos que combinamos e comprarei ações nas empresas que discutimos. Mandarei relatórios detalhados a cada 3 meses de todos os movimentos e se achar que deve investir em alguma nova empresa o avisarei. — Disse Chester encerrando a reunião. — Preciso apenas de informações bancárias para depósitos, número de documentos e outras burocracias.
— Ok, eu tenho tudo aqui comigo, Ches e você deve usar apenas essa conta na Suíça, precisamos movimentar dinheiro do mundo trouxa para o mágico e vice e versa, assim um lugar sem fiscalização é mais inteligente. — Disse o Sr. Falc lhe entregando uma pasta vermelha. — Precisamos desse valor líquido disponível, todos os lucros obtidos nas vendas das ações podem ser reinvestidos com exceção deste.
Sr. Chester olhou com atenção, fez alguns cálculos e acenou concordando.
— Será suficiente para os investimentos, Sr. Chester? O valor da venda das ações? — Perguntou Harry preocupado, mas precisavam retirar o capital para emergências que tinham usado para a abertura da entrada do Beco Diagonal no Hotel, que o Sr. Falc já solicitara.
— Harry, quando disse que seu avô era um homem incrível e muito inteligente, eu não estava exagerando. As ações que vamos vender renderá mais de 2 milhões de libras, isso se eu não conseguir chegar a 3, acredite, é mais do que suficiente para comprar ações destas empresas que discutimos. Mas lembre-se, estamos buscando lucros de médio e longo prazo, assim como seu avô fez, então lucraremos com o crescimento destas empresas nos próximos anos e não no mês que vem. Certo? — Disse ele sorrindo.
Harry acenou entendendo e aliviado fez uma prece de agradecimento ao seu avô Bryan e mais uma vez desejou muito tê-lo conhecido.
O dia seguinte apesar das aulas duplas, foi um dia animado e cheio de energia. No almoço teve a sobremesa preferida do Neville para comemorar seu aniversário e os planos para a festa no domingo e a visita a praia de Bournemouth no dia seguinte foram finalizados. Harry estava muito ansioso e animado, sentia que teria o melhor aniversário de sempre, ainda que comparado aos seus anteriores, duvidaria que algo poderia acontecer que o faria pior.
NA: Olá, sei que os capítulos estão longos e detalhados, estou tentando ser mais dinâmica e passar mais rapidamente pelo verão, ainda que tem muitas coisas importantes para acontecer antes de voltar para Hogwarts. Espero que seja pacientes e gostem de viver o verão com Harry e todo o pessoal. Por favor, revisem e digam do que gostaram ou não gostaram. É muito incentivador e aquece meu coração. Até mais, Tania
