NA: Olá, pessoal, lamento pela demora em terminar esse capítulo. Foram vários os motivos, ele ficou muito longo porque queria concluir exatamente onde encerrei, revisar 2x mais de 20 mil palavras toma seu tempo. Tive que fazer muita pesquisa para as nova lojas do Beco Diagonal, mas o maior problema foi o frio FDP que fez aqui na minha cidade, tive que digitar com um luva! E isso me fez digitar mais devagar. Mas não se preocupem mesmo se me atrasar um pouco, pois não pretendo parar.
Espero que gostem, Tania.
Capítulo 44
O grande e bem decorado Salão Green do Hotel Sanderson foi aos poucos se enchendo de pessoas naquela manhã de sábado. Mesas redondas com cadeiras confortáveis foram montadas e uma mesa comprida com comidas e bebidas organizadas. Serafina dispensou o uso do palco, mas aceitou o microfone, esperando que, apesar da magia presente na sala, ele funcionasse adequadamente. Olhando em volta, ansiosamente, viu pequenos grupos de pais se formando e conversando sobre o que tinham em comum, filhos adolescentes e bruxos em Hogwarts, outros liam o folheto entregue na entrada com informações sobre o que era e qual o objetivo de uma Associação de Pais.
Serafina e Falc tiveram a ideia de criarem um grupo de pais para protestarem formalmente através de uma carta para o diretor de Hogwarts, o Conselho de Governadores e o Departamento de Educação do Ministério. Eles discretamente se inteiraram das leis sobre o assunto e descobriram que, assim como no mundo trouxa, na sociedade mágica também era possível criar legalmente uma Associação de Pais, registrar e efetivamente participar da carreira escolar dos filhos. O primeiro passo foi escrever para os pais das crianças que eles conheciam e questionar se tinham interesse em participar. Sra. Longbottom e Leticia Brown recusaram, amavelmente, mas os Grangers, os Clearwaters, Davis, Diggorys e Brocklehurst se mostraram muito entusiasmados com a ideia e Zenira Diggory trouxe consigo sua amiga, Cecilia MacMillan, também assistente social do Ministério.
O passo seguinte foi escrever para cada um do pais dos alunos da lista das reuniões do Covil. Entre mestiços e nascidos trouxas eram 113 alunos, excluindo o 1º ano que começaria em setembro, claro. Desses, apenas 77 responderam confirmando interesse em participar da reunião, a maioria nascidos trouxas, e isso não era garantia de que se interessariam em se inscreverem na Associação de Pais. A reunião de hoje era para convencê-los a participar, pois acreditavam que, quanto maior o número de inscritos, maior seria o impacto que causariam e melhores a chances de fazerem a diferença.
— Querida, todos assinaram a ata de presença, contei 63 dos 77 que responderam estar interessados. — Disse Falc se aproximando dela suavemente. — E, passou 15 minutos do horário agendado, não acredito que mais alguém chegará a essa altura.
— Isso é bom, Falc, são 63 e mais os 5 que escreveram em suas cartas que não poderiam comparecer, então, 68 dos 77 que responderam. Muito mais do que eu esperava, na verdade. — Disse ela suavemente. — Vamos começar?
Falc acenou e foi até as portas e as fechou colocando alguns feitiços para que ninguém ouvisse a reunião, depois voltou para o lado da esposa e os dois pegaram os microfones se colocando em frente ao palco e encarando as mesas. Durante esse movimento os pais começaram a se sentar, lentamente percebendo que a reunião começaria.
— Bom dia a todos. — Disse Serafina sorrindo suavemente e esperou que os últimos se sentassem e respondessem ao cumprimento. — Meu nome é Serafina Boot e este é meu marido, Falc Boot.
— Bom dia. — Cumprimentou Falc.
— Os motivos que nos levaram a convidá-los para essa reunião são, claro, nossos filhos e suas carreiras escolares mágicas e trouxas. Eu e meu marido somos bruxos, ele é puro-sangue e eu nascida trouxa, creio que todos sabem a diferença entre uma denominação e outra. — Ela aguardou, mas ninguém negou sua afirmação. — Como muitas vezes acontece, apenas quando vivemos as experiências dos nossos pais que compreendemos completamente o que eles passaram, o que tentaram nos ensinar e porque ficamos de castigo quando tínhamos certeza de estarmos certos.
Isso provocou risos e o clima se descontraiu no salão, Serafina se sentiu mais calma e continuou:
— Em setembro passado enviei meu filho mais velho para Hogwarts e, mesmo tendo vivido a experiência de ir a incrível escola mágica, tudo o que senti quando o vi embarcar no trem foi a aflição de uma mãe que se separa do seu garotinho por meses e meses. E, foi nesse momento que entendi o que meus pais passaram, mas acredito que para eles deve ter sido ainda pior, pois a eles esse novo e incrível mundo era também completamente desconhecido. — Disse Serafina vendo muitos acenos e expressões de concordância e empatia. — Percebi também que estava enviando meu filho para viver e aprender em um mundo injusto e muitas vezes cruel, não pude deixar de me perguntar o que fiz ao longo da minha vida adulta para mudar isso.
— O mundo mágico tem muitos problemas e estou tão acostumado a eles que de certa maneira fiquei paralisado e comecei a acreditar que nada pode ser mudado. — Falc disse suavemente. — Mas, então, no início deste verão um garoto de 11 anos me disse que nada muda se não fizermos algo sobre isso e meu filho, da mesma idade, acrescentou que as mudanças se tornam possíveis se houver união e uma luta diária contra a ignorância e alienação. Foi necessário que duas crianças me dissessem essas verdades simples para perceber que eu sou parte dos problemas do meu mundo. Minha inação é parte do problema.
— É por isso que os chamamos aqui, para nos unirmos e realizarmos ações que levem as mudanças a muito tempo necessárias em nossa relação como pais com Hogwarts. E também para assegurarmos que nossos filhos tenham tudo o necessário para serem poderosos bruxos e incríveis seres humanos. — Disse Serafina seriamente. — Além, claro, de passarem pelos 7 anos de estudos em Hogwarts seguros e felizes.
— Para realizarmos tudo isso, nós acreditamos que informação e comunicação é o começo de tudo. Por exemplo, quantos de vocês sabem que no último ano escolar um dos principais professores dos nossos filhos, morreu? — Falc perguntou com a sobrancelha erguida.
Isso provocou murmúrios de surpresa e choque em vários pais, outros ergueram a mão respondendo à pergunta, mas o número de pessoas era mínimo. Um dos que ergueu a mão se levantou hesitante, era um homem trouxa.
— Hum... com licença...
— Sim? — Serafina sorriu gentilmente e o homem relaxou sutilmente.
— Minha filha, Megan, ela me contou que o diretor informou aos alunos que houve um acidente, que dois professores se machucaram e um deles morreu. Ela só nos contou porque quando chegou da escola estava tendo pesadelos e não sabíamos o porquê, mas a pressionamos e Megan disse que um amigo dela viu o que aconteceu e que não foi um acidente. Minha Megan é uma boa menina e não mente, senhora, mas não temos para quem perguntar a verdade, ela diz que seu amigo jamais mentiria e acreditamos nela. — Disse ele humildemente.
— O senhor é Todd Jones? Pai de Megan Jones, Hufflepuff, 1º ano concluído? — Perguntou Serafina.
— Sim, sim, senhora. — Acenou ele respeitosamente.
— É um prazer conhecê-lo e sou obrigada a informá-lo que sua filha disse a verdade e que o diretor Albus Dumbledore mentiu. — Disse Serafina, mais exclamações e murmúrios se espalharam.
Serafina observou que seu grupo, todos sentados juntos em uma mesa, se mostrou chocado. Olhou para Falc e acenou, eles tinham concordado em uma versão dos fatos, infelizmente, toda a verdade seria perigoso para o Harry.
— Nosso filho e seus amigos mais próximos estiveram, indiretamente, envolvidos no que aconteceu. Em resumo, o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Quirino Quirrell, era um seguidor de Voldemort e tentou matar Harry Potter, mas o Prof. Flitwick de Feitiços lutou bravamente para defendê-lo. — Explicou Falc sombriamente e viu diversos estremecimentos, rostos empalidecendo e gritinhos, provavelmente, dos mestiços. Outros mantiveram uma expressão em branco e olharam confusos a reação de alguns a um simples nome. — Harry e meu filho são melhores amigos e, juntamente com outros bons amigos, ajudaram o Prof. Flitwick no melhor da capacidade deles e conseguiram impedir Quirrell, que morreu durante a luta. Flitwick ficou muito ferido, Harry Potter também, mais levemente, o diretor decidiu informar que foi tudo um acidente e, claro, os pais, nós, não fomos informados de absolutamente nada, muito menos que um assassino ensinou nossos filhos por um ano inteiro.
Houve murmúrios mais altos e leves protestos, era óbvio que mesmo os pais que sabiam do "acidente" estavam muito chocados e contrariados com essas novas revelações.
— São por coisas assim e muito mais que decidimos iniciar uma Associação de Pais, legalmente, um direito e um dever que temos como pais, para honrarmos o privilégio de cuidar dos nossos filhos. — Disse Serafina com uma expressão séria. — Nós distribuímos um folheto explicando o que é uma Associação de Pais e as regras para a fundação e administração da mesma. Antes de prosseguirmos, gostaria de saber se alguém tem alguma pergunta ou dúvidas sobre as informações que leram.
Uma pessoa mais atrás levantou a mão, era uma mulher trouxa e também parecia, como o Sr. Jones, muito humilde.
— Teremos algum gasto com a Associação? Se nos inscrevermos? — Ela perguntou com voz tímida.
— Não, esse é um direito legal que temos de formar a Associação, isso não exigirá nenhum custo. No futuro podemos promover as reuniões em um local que não precisa ser alugado como esse salão e cada um pode trazer de casa um prato e bebida, assim dividimos essa parte. — Explicou Serafina. — Se, em algum momento promovermos algum evento para os nossos filhos, por lei, a escola é obrigada arcar com parte dos custos e nós podemos arrecadar com vendas de doces, bolos ou biscoitos para ajudar. Tudo isso será especificado no Estatuto da Associação que será criado por uma comissão votada pela maioria e qualquer proposta será votada e decidida por todos. Esclarecido essa questão? — Perguntou Serafina e houve vários acenos de concordância. — Mais alguma questão?
Um homem alto do fundo se levantou com uma expressão dura.
— Nós somos obrigados a nos inscrever? — Perguntou ele um pouco rabugento.
— Não. — Respondeu Falc firmemente. — Ninguém é obrigado a nada, esse é um convite e seria incrível que o maior número possível de pessoas se juntassem, pois, se nos unirmos acredito que poderemos ajudar nossos filhos a terem uma carreira escolar e futuros melhores que os nossos.
O homem em questão acenou meio envergonhado e se sentou sem falar mais nada.
— Mais alguma pergunta? — Serafina falou suavemente.
— Eu tenho, desculpe, não é sobre isso da Associação, eu entendi o folheto, mas estou confusa sobre antes. — Disse uma mulher pequena de cabelos grisalhos e expressão ansiosa. — Meu neto, Matt, ele estuda nessa escola de magia e não fala muito sobre o que acontece lá, assim não sabia nada sobre nenhum professor que morreu, mas quando o senhor explicou, não entendi o que disse exatamente.
— O que a senhora não entendeu? — Serafina lhe perguntou com um sorriso encorajador.
— O que é Voldemort exatamente? E porque um professor tentaria matar uma criança? — Questionou ela completamente confusa.
Houve um silencio estranho e chocado, alguns murmúrios de concordância e outros de leve surpresa.
— Essa é uma das informações cruciais que nenhum pai ou avô ou cuidador deveria deixar de ter antes de enviar suas crianças para o mundo mágico. — Disse Serafina seriamente. — Alguém mais não sabe quem é Voldemort e, por consequência, Harry Potter?
Dezenas de mãos subiram e Serafina ficou confusa, não esperava isso.
"Ok, vamos tentar assim, vocês que levantaram as mãos agora e que já ouviram algo sobre uma guerra bruxa ou o fim da guerra, qualquer coisa nesse sentido, abaixe a mão. " — Disse ela e várias mãos se abaixarem, mas ainda haviam muitas erguidas. — "Bem, a reunião será um pouco mais longa, então. Em resumo, o mundo mágico vive um constante conflito de sangue...
Serafina foi a mais sucinta e simples possível ao explicar os séculos de preconceitos e perseguições que culminou na guerra que se encerrou a 11 anos com o assassinato de seus amigos.
— Não se enganem, com a manutenção das leis, das tradições e mesmos rostos governando o mundo mágico, o fim da guerra não foi uma vitória. As mortes acabaram, mas os preconceitos continuam e, infelizmente, para nossas crianças mestiças e nascidas trouxas isso significa bullying em Hogwarts e falta de oportunidades de empregos, bons empregos ou justos salários. — Concluiu ela suavemente e viu muitas expressões furiosas e chocadas.
— Mas, então aquela mulher mentiu, ela foi a casa da minha filha e disse que Matt seria um grande bruxo e poderia trabalhar onde quisesse. — A senhora grisalha voltou a falar zangada. — Minha filha não está aqui hoje porque trabalha em dois empregos para pagar a mensalidade da escola do Matt e aposto que foi por isso que ele não disse que sofre bullying, ele não queria contar que era tudo mentira.
— E o que podemos fazer? — O homem de expressão dura se levantou. — Eu sou um nascido trouxa e mentiram para os meus pais também, aguentei todos os anos as provocações dos puros-sangues porque achei que valia tudo a pena para ser um bruxo, mas quando terminei Hogwarts descobri que a única função em que era qualificado era de faxineiro, não importavam minhas notas e, mesmo como faxineiro, ganhava menos que um mestiço. É assim que eles te classificam por lá, rotulam seu status de sangue como um carimbo em sua testa. — Sua expressão era magoada. — Eu desisti de ser um bruxo e passei a viver e trabalhar como um trouxa, porque não vejo como algum dia nada mudará e me parece uma ilusão acreditar que temos poder para fazer algo.
— E, no entanto, o senhor enviou sua criança para Hogwarts. Acredito que isso significa que ainda tem esperança e o senhor está certo no que disse e que não será fácil, mas se não buscarmos mudanças, então, elas nunca acontecerão mesmo. — Disse Falc delicadamente.
— Eu quis lhe dar uma chance, como mestiço, talvez..., mas eu insisti que continuasse os estudos trouxas para ter um futuro melhor que o meu, assim não precisa trabalhar em obras até se matar, pode um dia ter um diploma e uma vida boa. — Disse ele de cabeça baixa.
— Queria ter pensado nisso anos atrás, minha Amélia... — Sr. Jones se levantou e olhou para o homem. — ... terminou Hogwarts no último ano e descobriu apenas em setembro passado que nunca conseguiria um bom emprego ou abrir um negócio no mundo mágico. O que a salvou foi que uma empresa nova abriu, a GER e estão contratando nascidos trouxas e mestiços, na entrevista eles perceberam seu talento para o desenho de roupas e lhe ofereceram um trabalho nessa área por um salário justo. — Ele sorriu suavemente. — Ela está cheia de planos, quer terminar o ensino médio e fazer faculdade de Moda. Veja, existem outras pessoas que estão fazendo coisas boas e trazendo mudanças, não podemos perder a esperança. Talvez, quando minha Megan se formar, haja ainda mais oportunidades para ela e seu garoto.
— Meu filho também só soube sobre isso em setembro passado, me escreveu e pediu livros para estudar as disciplinas trouxas. — Disse uma outra mulher que se levantou da mesa do Sr. Jones.
— Minha filha também, na mesma época, ela quer terminar a escola trouxa e fazer faculdade de medicina porque disse que não poderá ser curandeira no mundo mágico. — Um homem se levantou explicando.
Quando mais algumas pessoas contaram experiências semelhantes era clara a curiosidade de todos, assim Serafina explicou a decisão de Harry, seu filho e os amigos de espalharem a verdade.
— Foram eles que nos inspiraram a iniciar esse movimento, assim como compartilharam a verdade que Hogwarts e o Ministério escondem a anos, queremos que saibam o que seus filhos estão enfrentando e nos ajude a apoiá-los. — Disse Serafina sincera.
— Isso é tudo muito bonito e tudo o mais, mas o meu filho tinha uma vaga em Eton e teria ido para Cambridge fazer Direito como eu, meu pai e avô fizeram. — Um homem loiro e alto de terno caro se levantou e falou energicamente. — Quebramos uma longa tradição na família Finch-Fletchley e meu Justin está perdendo muitas oportunidades, tudo para poder ser um bruxo e agora vocês me dizem que tudo isso é para ele ser um faxineiro? Ou para ser expulso desse mundo porque alguns puristas se acham melhores que o meu garoto?
— Meu Anthony não foi convidado para a festa de Natal do melhor amigo porque é um nascido trouxa, isso o magoou muito e ele deve estar sofrendo outras discriminações naquela escola. — Disse uma mulher loira e com joias bonitas e caras. — Meu menino não precisa passar por nada disso, não o enviarei mais para essa escola cheia de professores mentirosos e assassinos. Ele está correndo riscos e para que? Para ser tratado como se fosse um indesejável?
— Temíamos que alguns de vocês se sentissem assim e digo desde já que se tomarem esse caminho também estarão causando sofrimento aos seus filhos. E o pior, estarão fazendo exatamente o que esses puristas querem, estão desistindo e ensinando os seus filhos a fazerem o mesmo. — Disse Serafina com firmeza. — Ser um bruxo não é algo que se deixa de ser e sei que se fosse obrigada a abandonar essa parte de mim, jamais seria feliz.
— Olá, eu sou Jean Granger, quando minha filha, Hermione, me contou tudo isso, meu primeiro instinto foi afastá-la desse mundo, mas a verdade é que o mundo trouxa também é falho e cheio de preconceitos. — Disse a mãe de Hermione se levantando. — Fugir não é a solução e quando minha menina me disse que queria lutar para mudar o mundo mágico, a única resposta possível para mim foi, "E como posso ajudá-la? ". Por isso me inscreverei na Associação de Pais e ajudarei no que for possível, a luta de nossas crianças é nossa também.
— O que a senhora diz é verdade, não poder ser um bruxo... — O homem de expressão dura os encarou. — Isso me machuca todos os dias e talvez eu tenha desistido, mas naquela época não havia luta ou ninguém que se importasse conosco. Se vocês estão falando sério em ajudar meu David, então eu vou me inscrever também, farei qualquer coisa para que meu garoto tenha as chances que não tive.
Houve vários murmúrios de concordância e apoio, os pais de Justin e Anthony os olharam e assentiram também.
— Bem, e como começamos? — Perguntou o Sr. Jones sorrindo.
Sirius caminhou pelo St. James Park calmamente, mas olhando em volta em busca do seu encontro. Ainda não entendia a escolha dessa localização, mas o dia que começara a menos de uma hora já se mostrava tão bonito, o parque, neste momento vazio, tão agradável que ele não reclamaria. Vestindo botas negras, jeans escuros e jaqueta de couro de motociclista, sua figura chamaria a atenção facilmente, mas dependendo do observador, seu bonito rosto, olhos acinzentados e cabelos negros cheios de cachos e volume na altura da nuca, seriam a principal atração.
Finalmente localizando seu encontro, Sirius apertou o passo até chegar ao banco onde King Shacklebolt estava sentado. Ao vê-lo, King se levantou e os dois se apertaram a mão em cumprimento.
— Lugar diferente para nos encontrarmos, sua carta não disse muito. Você tem alguma informação sobre a profecia? — Sirius perguntou indo direto ao assunto que lhe ocorrera ao receber sua carta.
— Não, ainda estou investigando, quero ter certeza de perguntar para alguém confiável, não me precipitarei com algo tão delicado. — Disse King e gesticulou para que eles andassem antes de continuar. — Nossos encontros a partir de agora serão assim, no mundo trouxa, horários e localizações discretas, isso faz parte do seu disfarce na Operação Travessa do Tranco.
Sirius parou de andar e o encarou com um grande sorriso animado e surpreso.
— Você os convenceu?
— A crise os convenceu. Eu fiz um longo e detalhado relatório sobre as possibilidades de crescimento econômico que a limpeza da Travessa trará. Mais negócios, mais impostos, taxas, empregos e assim por diante. — King explicou quando voltaram a caminhar pelo bonito parque. — Isso, mais o fato de que o Ministério não desembolsará um centavo para a Operação graças a sua generosa doação ao Departamento Auror em março possibilitaram a missão. Eu serei o chefe da Operação, apenas o Chefe Auror, Bones e o Ministro terão conhecimento sobre isso, além de qualquer auror de confiança que eu convocar para nos ajudar.
— Isso é incrível, King! — Sirius já podia sentir seu corpo se encher de adrenalina. — Quando começamos?
— Não até termos um plano de inteligência muito bem organizado, estudado e que você tenha tido algum treinamento real. Eu já tenho algumas ideias e hoje faremos uma primeira reunião para que eu possa apresentá-las aos envolvidos inicias. — King parou e Sirius o encarou confuso.
— Envolvidos?
— E aí, tudo beleza, Sirius? — Uma voz feminina falou a suas costas e se virando encontrou Nymphadora Tonks e Alastor Moody.
— Black. — Acenou Moody formalmente.
— Moody. — Disse Sirius no mesmo tom, o velho auror se desculpara meses atrás e ele não guardava rancor, mas era difícil tratá-lo amigavelmente. — Tonks, pensei que ainda estivesse em treinamento? — Perguntou em tom de pergunta e olhou para King questionador.
— Recruta Tonks participará de parte do meu plano, que ajudará a compor o seu disfarce. Auror Moody será o responsável pelas batidas, apreensões e prisões, ele e os aurores que convocar começarão a, ativamente, frequentar a Travessa do Tranco. — Informou King com sua voz mais profunda, era claro que estava no comando e não aceitaria rebeldia e questionamentos. — Apenas Moody saberá de nossa Operação, os aurores não serão informados.
— Sim, farei com meus garotos o trabalho sujo para você, Black. — Disse Moody em seu tom brusco e frio de sempre, mas antes que Sirius pudesse se incomodar com o comentário, acrescentou. — Bom plano, aliás.
Um elogio vindo de Alastor "Olho Tonto" Moody era algo tão raro que os três o encararam assombrados, finalmente, Sirius se recuperou.
— Obrigado, mas o mérito não é meu, passarei o cumprimento adiante. — Disse ele em tom mais descontraído.
— Bem, falta apenas mais uma pessoa antes de seguirmos adiante... Ah, aqui está ela. — Disse King e Sirius olhou para a mulher alta, cabelos marrons curtos e caminhar decidido.
— AC Denver. — Cumprimentou ele em tom bem mais amigável.
— Sr. Black. Bom reencontrá-lo com uma aparência mais humana, da última vez, o senhor me pareceu muito com um zumbi dos filmes de Hollywood. — Disse ela em seu jeito direto e franco.
Isso causou um bufo em Tonks e King tossiu para disfarçar o riso, Moody não entendeu nada. Sirius apenas sorriu abertamente, seus dentes brancos, olhos cinzas iluminados e belo rosto em total momento ofuscação. Emily Denver engoliu em seco tentando associar este homem com o quebrado e perdido de meses atrás, não conseguiu.
— Agente Chefe Auror da ICW, Escritório Interno do Reino Unido, Emily Denver. — King a apresentou. — Estes são Auror Sênior, Alastor Moody e Recruta Nível 2, Nymphadora Tonks. Sirius Black, você já conhece, obviamente. — E olhando para Sirius, explicou. — AC Denver concordou em hospedar seu treinamento no Escritório da ICW, aqui em Londres, por isso estamos aqui.
Sirius se virou ao seu aceno e viu o prédio, a alguns quarteirões, onde esteve preso por aproximadamente 2 meses no início do ano, enquanto seu caso era analisado pelo Secretário Balmat.
— Eu não sabia que havia uma área de treinamento de aurores no prédio, bem, minha estadia foi no cerceamento, não posso dizer que vi qualquer outra coisa. — Disse Sirius pensativo.
— Sim, temos uma área de treinamento e academia, aurores precisam se manter em forma e afiados, ninguém sob meu comando se acomoda. — Denver disse firmemente.
— O Sr. Secretário foi informado da Operação e nos deu permissão para que utilizemos uma sala segura para nossas reuniões e autorizou que AC Denver nos auxilie como consultora. Além disso, ela será sua treinadora, Sirius. — Informou King seriamente.
Isso fez Sirius olhar surpreso para o amigo e depois com curiosidade para a aurora.
— Sempre treino os aurores mal treinados por seus governos quando se apresentam ao meu comando, Sr. Black. Por isso tenho experiência e, informo desde já, não pegarei leve com você apenas por ser um recruta sem experiência. Entendido? — Disse ela em tom de desafio.
— Entendido. Mas saiba que estou longe de ser inexperiente e muito menos decidi me tornar auror para ser mimado, AC Denver. — Respondeu ele no mesmo tom.
— Bom saber. Até porque, sendo treinado por mim, você seria mais mimado se voltasse para Azkaban. — Denver ergueu o queixo e seu olhar era firme.
Isso provocou novas reações, Moody a olhou com respeito, Tonks chocada e preocupada com o primo e, King, arqueou a sobrancelha ao perceber a eletricidade no ar. Sirius a encarou e sem poder se impedir jogou a cabeça para traz em uma risada rouca e divertida. Denver sentiu um arrepio percorrê-la e, ao mesmo tempo, uma quentura no ventre com o som sensual e o rosto bonito iluminado. Ignorando as reações físicas nada bem-vindas, disse:
— Bom, se ele já está rindo e fazendo piadas sobre o seu injusto encarceramento, talvez esteja melhor do que eu esperava e isso é muito bom. — Ela olhou para King ao falar, depois voltou a olhar para Sirius. — Creio que poderei trabalhar você muito bem, Sr. Black.
— E eu não vejo a hora de começarmos, AC Denver. — Disse ele a encarando intensamente nos olhos âmbar, por alguns segundos a mais do que seria seguro.
King pigarreou e quebrou o clima, inesperadamente, elétrico, Denver e Sirius o encararam com expressões distintas, ela levemente constrangida e muito séria e ele com um enorme sorriso cheio de expectativa e diversão.
— Acredito que o melhor é passarmos essa reunião para o escritório, assim poderei explicar meu plano com mais segurança. — Disse King disfarçando a diversão.
— Isso é bom, precisamos estabelecer alguns protocolos de comunicação e contato, não podemos discutir coisas secretas tão abertamente. Vigilância constante! — Moody gritou a última parte com voz possante, fazendo a Recruta Tonks saltar de surpresa.
— Ok, estou curioso para ouvir esse plano e onde minha prima se encaixa nele. — Disse Sirius quando começaram a caminhada para o prédio da ICW.
Em uma sala de reuniões confortável e segura, King expôs o plano e eles discutiram, sugeriram e ajustaram as estratégias e participações de cada um. Estabelecendo protocolos e regras, além de escolhendo os aurores que participariam da equipe liderada por Moody. AC Denver se mostrou um grande trunfo com sua experiência e mente afiada. Quem mais se manteve em silencio foi Tonks que percebeu, inteligentemente, que estava aprendendo nesta reunião mais do que em qualquer aula do Treinamento Auror no último ano.
— Bem, Recruta Tonks, você pouco falou, imagino que isso signifique que está de acordo com o plano? — King perguntou inesperadamente pegando Tonks de surpresa.
— Eu... Sim, senhor. Minha participação é bem pequena e gostaria de me colocar à disposição para qualquer outra função durante a missão, Auror King. — Disse ela prontamente.
— Você estará iniciando seu segundo ano de treinamento em uma semana, Recruta Tonks e, até se formar na academia, sabe que não posso colocá-la em campo. — Disse ele seriamente.
— Não se preocupe, garota, haverá muita papelada nessa missão que não poderei dividir com nenhum auror, você poderá me ajudar. Pode ser minha auxiliar, eu sempre tenho um recruta para me dar uma mão na papelada, assim você continua participando da OP. — Disse Moody bruscamente e com uma careta que, talvez, fosse sua intenção de sorriso.
Tonks apenas acenou ansiosamente, mais do que disposta a aceitar qualquer coisa e ainda estar sob a tutela de Olho Tonto Moody, não pegou o olhar de pena dos outros três quando pensaram que em alguns meses de montanhas de relatórios, sua disposição diminuiria muito.
— Bem, eu tenho algumas ressalvas e condições. — Disse Sirius pensativamente. — Gostaria que o plano se iniciasse depois de 1º de setembro, quero passar essa última semana com meu afilhado antes que volte à escola. E quero contar a verdade para minha família e amigos mais próximos...
— Sr. Black, isso não é um jogo, um auror não fala sobre missões para família e amigos, imagine, seria um pesadelo e teríamos operações fracassadas e muitas mortes o tempo todo. — Disse Denver duramente.
— Sirius, essa é uma missão grande e longa, não podemos ter esse tipo de vulnerabilidade e sua vida estará mais em risco do que qualquer um, pois estará trabalhando sozinho. — Apontou King seriamente.
— Bem, eu compreendo tudo isso, mas espero que vocês compreendam que passei os últimos 10 anos isolado, longe de amigos e família, só agora estou conseguindo alcançar alguma paz e entendimento com seus abandonos. — Sirius disse com firmeza. — Contarei o mínimo e apenas para pessoas que tenho completa confiança, assim eles saberão que minhas atitudes ou ausências têm uma explicação. Já perdi muito e não perderei o afeto de pessoas que eu amo, apenas para manter um segredo desnecessário.
Era possível ver que Moody e Denver não concordavam, mas King o encarou pensativo.
— Muito bem, o que está planejando contar a eles, exatamente? — Perguntou por fim.
— E quem são eles? — Denver acrescentou com desaprovação.
— Os pais de minha prima, Tonks, meu advogado e amigo, Falc Boot, além de sua esposa e pai. Eu vivo com o Sr. Boot desde que deixei esse prédio em março, seu apoio tem sido inestimável, Serafina e Falc são guardiões legais do meu afilhado, assim todos se tornaram grandes amigos. — Informou Sirius a olhando diretamente ao responder. — Remus, Vance e Maria, todos você conheceu durante a investigação da ICW sobre o meu caso e sabe que eles são confiáveis.
— Mesmo o lobisomem? — Disse ela com a sobrancelha arqueada.
— Seu nome é Remus, e sim, mesmo ele. — Os dois se encararam com frieza e Sirius teve a sensação que poderia se afogar naqueles olhos castanhos e profundos, ainda que morreria congelado primeiro, pensou, divertidamente.
King voltou a pigarrear e Sirius desviou os olhos se lembrando que haviam mais pessoas na sala, a estática do ambiente pareceu estalar e ele teve que se convencer que o calor inesperado era causado pelo dia quente de verão.
— Você não respondeu minha pergunta. — Apontou King e Sirius acenou levemente constrangido e ignorando o brilho divertido nos olhos do amigo, continuou.
— Bem, direi apenas que estou trabalhando em uma OP com o Departamento Auror, não entrarei em detalhes. Todos são espertos, se ouvirem algum boato ou me verem fazendo algo estranho saberão o porquê e isso é tudo, não quero que se afastem de mim porque não entendem minhas ações. — Explicou Sirius se concentrando no amigo.
— Isso me parece justo. — Disse King acenando, quando viu que Denver pretendia discordar levantou a mão, detendo-a. — AC Denver, eu conheço todas as pessoas mencionadas, são boas pessoas, elas não sairão comentando nada disso por aí e não saberão detalhes para comentar. Sirius está certo, já tiramos muito dele, não podemos pedir que se arrisque e ainda se afaste das pessoas que lhe importam.
Seu tom era firme e decidido, ele estava no comando e deixou isso claro. Todos acenaram concordando, Moody e Denver menos receptivos.
— Bem, se acabamos, tenho que voltar para o Ministério, tenho muito o que alcançar depois de ter ficado tantos meses suspenso. — Disse Moody bruscamente se levantando. — E quero começar a preparar os rapazes para a OP.
— Eu preciso voltar para o meu Treinamento também. — Disse Tonks se despedindo de todos. — Sirius, está tudo certo para hoje à noite?
— Como combinado, 17 horas. — Informou Sirius.
Os dois saíram, Sirius se levantou para se despedir também.
— King, esperarei seu contato para um próximo encontro e o início da Operação. — Disse ele apertando sua mão. — AC Denver, quando poderemos começar o meu treinamento?
— Desde que você solicitou mais alguns dias como civil, lhe concederei isso, mas o espero aqui às 6 da manhã em 2 de setembro. Treinarei você todos os dias por 4 horas antes de assumir minhas funções e, quando digo todos os dias, quero dizer todos os dias, Sr. Black. — Disse ela com um leve sorriso sarcástico. — Pretendo que você termine o primeiro ano de treinamento antes do Natal e já lhe digo que se não acompanhar meu ritmo e mostrar comprometimento, terá que procurar outra maneira de se tornar um auror. Não perderei meu tempo. — Seu tom o desafiava e ao mesmo deixava claro que não acreditava que ele conseguiria.
Sirius sorriu reconhecendo a provocação, agradeceu silenciosamente a seu afilhado por insistir que treinasse fisicamente todos esses meses, assim, sabia que estava apto a aceitar o desafio.
— Garanto a você, AC Denver que nenhum tempo comigo jamais será perdido e prometo completa dedicação a você, a partir do dia 2. — Seus olhos cinzas tinham um brilho malicioso que respondiam desafiando a uma resposta ao duplo sentido de suas palavras.
Denver controlou a expressão e agradeceu por não ser do tipo que cora feito uma menina, porque suas palavras lhe trouxeram pensamentos nada profissionais do que ela poderia fazer com sua... dedicação.
— Muito bem. Auror King lhe enviará material de estudo que são utilizados pelo seu Ministério para o treinamento dos recruta e lhe fornecerei algo do meu próprio treinamento aqui e da MACUSA. — Denver se recusou a aceitar a provocação e endureceu o olhar. — 6 Horas, não se atrase.
Depois que Sirius acenou, lhe deu um último sorriso ofuscante e deixou a sala, Denver encarou seu colega.
— Eu sei que não concorda com minha decisão, mas acredito que é o melhor para a missão, Denver. — Disse King convicto.
— Não estou apenas preocupada com a missão, King. Você sabe muito bem que não pode lhe dar tratamento preferencial por causa da sua prisão injusta, se fizer isso uma vez terá que fazer de novo e de novo, uma hora isso se tornará um problema. Entende? — Explanou ela preocupada.
— Entendo e não discordo, mas você deve saber que algumas regras têm de ser avaliadas caso a caso, bom senso e humanidade não podem ou devem ser palavras vazias para um líder. — Expressou King com sua voz profunda. — Sirius está, reconhecidamente, muito melhor do que poderíamos esperar depois de tudo o que passou e isso se deve a sua rede de apoio. Se ele perder isso poderia regredir e, para a missão seria um desastre, mas para Sirius poderia ser fatal, assim me recuso a priorizar as regras em cima do bem-estar de um bruxo, qualquer bruxo.
Seu tom não admitia discussão e Denver acenou o olhando com respeito, apesar de suas preocupações, concordava com suas palavras e sabia como raro podia ser esta atitude em um líder.
"Além disso, tenho certeza que você é mais do que capaz de fazer Sirius entender que a capa de injustiçado não será uma fraqueza alimentada sob seu comando. " — Concluiu King com um brilho divertido no olhar ao pensar nesses dois trabalhando juntos nos próximos meses.
— Com certeza, eu sou. — Disse ela com segurança e encarando a porta por onde Sirius passou a alguns minutos.
Naquela noite os Boots organizaram um churrasco juntamente com Sirius para os Tonks e seus amigos. Harry estava ansioso para conhecer sua família estendida pela parte do padrinho, além de antigos amigos de seus pais. Depois de saber que Lupim tentou visitá-lo, mas foi impedido por Dumbledore, ele estava mais disposto a compreender que o antigo amigo de seu pai era tão culpado quanto Serafina. Portanto, se ele não a culpou ou se ressentiu dela, não lhe parecia justo fazer isso com Lupim. Uma parte dele ainda não compreendia como ele pode abandonar Sirius, mas seu padrinho estava lidando com isso e encontrando em si mesmo a força para perdoar e seguir em frente, Harry queria apoiá-lo e se Lupim lhe era um bom amigo, tudo bem por ele.
O churrasco seria no jardim, Harry ajudou com a comida, hambúrgueres, cachorros-quentes, saladas, molhos, além das bebidas e sobremesa. Nesta noite seriam apenas os Boots com os avós, Sr. Boot e Sra. Honora, incluídos, Sirius estava animado para apresentar a família e antigos amigos, os novos amigos que lhe ajudaram tanto nos últimos meses, além de Harry, claro. Os Tonks chegaram pontualmente às 17 horas por flu, as apresentações foram feitas e quando chegou a vez de Harry, ele se inclinou educadamente ao pegar a mão de Andrômeda Tonks.
— Hum, vejo que apesar de criado por trouxas, você está sendo ensinado as maneiras corretas de um bruxo e herdeiro se portar. — Sra. Tonks disse o encarando com olhar avaliador e não exatamente elogioso. — Também é um prazer conhecê-lo, Sr. Potter.
Harry não sabia o que dizer, mas logo seu marido, um senhor gorducho e de bochechas rosadas, quebrou o clima estranho.
— Não se preocupe com ela garoto, sua mordida não tem veneno. — Disse ele rindo divertidamente. — Sou Edward Tonks, mas pode me chamar de Ted e eu o chamarei de Harry, detesto toda essa formalidade puro-sangue.
Ele voltou a rir, Harry gostou dele na hora e, sorrindo, apertou sua mão.
— Prazer, Sr. Ted e concordo que entre a família formalidades são desnecessariamente cansativas. — Disse ele sincero e recebeu um sorriso ainda mais amplo, além de perceber um olhar de aprovação da Sra. Tonks em sua direção.
— Pode se dirigir a mim como, Andrômeda ou Drômeda, que é como a família costuma me chamar. — Disse ela em tom mais suave, mas ainda séria. — E esta é nossa filha, Nymph...
— Tonks, apenas Tonks. — A moça em questão era alta e magra, tinha o rosto em formato de coração, mesmo olhos cinzentos de Sirius e cabelos pintado de rosa na altura dos ombros. — E aí, tudo beleza, Harry? — Ela perguntou muito jovialmente e apesar de, fisicamente, se parecer mais com a mãe, em sua atitude calorosa, era toda como o pai.
— Prazer em conhecê-la, Srta. Tonks. — Disse ele formalmente e viu a Sra. Andrômeda o olhar com aprovação, ao mesmo tempo em que erguia a sobrancelha para a atitude da filha.
— Ei, nada dessa história de senhorita, por Merlin, apenas Tonks está bom, garoto e prazer em te conhecer também. — Disse ela e ignorou o bufo de desaprovação da mãe.
Tonks olhou em volta e ao ver Adam e Ayana brincado no jardim seus cabelos de repente se tornaram laranjas, Harry a encarou boquiaberto.
— Oh! Quem são aquelas fofurinhas bem ali? — Disse ela e correu animada para conhecer as crianças.
Harry não a seguiu apenas por educação, pois tinha que acompanhar seus pais a uma mesa e oferecer-lhes algo para beber. Mais tarde, ele descobriu que sua habilidade era a metamorfomagia, ouviu fascinado sobre como era ter essa habilidade e, juntamente com seus irmãos, riu muito ao vê-la mudar seu rosto para focinhos de porco ou bico de pato. Ayana não se desgrudou dela e o amor era, obviamente, correspondido.
Quando Maria MacDougal chegou, o abraçou carinhosamente e muito emocionada, segurando seu rosto suavemente o encarou nos olhos e sorriu.
— Eu não o vejo desde que era um bebezinho e olha só para você, tão grande e bonito. Eu disse a sua mãe, diversas vezes, "Lily, você e James farão os seres humanos mais lindos do mundo". — Disse ela e Harry corou feito um tomate maduro, apesar de sorrir e devolver o abraço, o que, claro, quase a levou as lágrimas.
Harry passou boa parte da noite, dane-se a etiqueta social, com a Srta. Maria ouvindo histórias de sua mãe, afinal elas dividiram um dormitório por 7 anos e, com exceção de Marlene MacKinnon, ela era sua melhor amiga.
— Acredito que ela começou a gostar do seu pai no 6º ano, antes disso ele era muito brincalhão e cheio de si, Merlin, James poderia passar horas bagunçando o cabelo para parecer mais descolado e chamar sua atenção. — Os dois riram divertidamente. — Então, naquele ano, algo mudou. Não sei o que aconteceu exatamente, mas seus avós paternos foram chamados e se espalhou o boato que alguma brincadeira de James e Sirius quase os fizeram serem expulsos. Os dois ficaram semanas sem conversar, o clima na torre era bem estranha, com menos risos e diversão, mesmo depois que eles fizeram as pazes, seu pai não foi o mesmo. Eu só percebi alguma coisa depois dos exames, pouco antes de deixarmos a escola, antes estava tão ocupada com os estudos, então, um dia a peguei olhando para ele algumas vezes, mas desviava o olhar quando James a olhava. Quando Marlene e eu a confrontamos, Lily corou e gaguejou, foi muito engraçado por que ela sempre foi tão segura e confiante. Nós a incentivamos, mas Lily disse que não acreditava que seu interesse era verdadeiro, que ele apenas continuava a perseguindo porque ela disse não e isso a fez um desafio.
— Mas no ano seguinte eles ficaram juntos. — Disse Harry sorrindo.
— Sim, ela tomou coragem, lhe deu uma chance e sei que nunca se arrependeu, me disse várias vezes que era a mulher mais feliz. Marlene era mais cínica e questionava essa mudança de James, mas sua mãe nos disse uma vez que ele não mudou, seu pai ainda era divertido, animado e otimista. Lily o chamava de "meu amor com coração de criança" e era assim que James parecia muitas vezes, não egoísta, irresponsável ou imaturo, apenas... — Maria apontou Adam que nesse momento fazia sons de pato e soltava um riso contagiante ao ver Tonks fazendo o bico. — Inocente.
Srta. Vance o confundiu, seus olhos eram tristes e bondosos, mas sua postura era reservada e distante. Ainda assim, Harry gostou de conhecê-la e ouvir histórias sobre as batalhas de seus pais, desconfiava que a Sra. Serafina não teria gostado, mas para ele foi fascinante.
— Seus pais eram implacáveis, Harry. Não me entenda mal, eles não eram cruéis ou maldosos, mas quando estavam lutando o foco total era em defesa e ofensa, vencer rapidamente e sem jogos. Não tinha uma pessoa que temia sair em missão com eles ou duvidavam de terem sua retaguarda protegida em uma luta. — Disse ela seriamente. — Apenas lamento que isso não impediu que eles acabassem mortos, que todos eles acabassem mortos.
Suas palavras poderiam ser brutais, mas Harry a entendia, a morte era brutal e fingir o contrário era tolice.
— O que a senhorita faz, Srta. Vance? — Perguntou ele decidindo mudar de assunto.
— Sou uma Obliviadora do Ministério. — Respondeu sem nenhuma emoção.
— A senhora gosta de trabalhar lá? — Harry a viu dar de ombros com indiferença.
— É apenas um trabalho, não tem nada de especial. Eu era boa em Defesa e tentei ser aurora, mas fui recusada no programa e quando isso acontece eles te direcionam para outra área do Departamento de Leis Mágicas, assim acabei lá. — Seu tom deixava claro sua completa indiferença sobre o trabalho e Harry lamentou sua existência tão fria e vazia, gostaria de poder ajudá-la, mas não sabia como.
Seu encontro com Remus Lupim foi estranhamente formal e constrangedor. Sirius os apresentou sorridente e orgulhoso, Remus o encarou como se visse um fantasma e Harry tentou sufocar o desconforto e suas reservas.
— Prazer em conhecê-lo, Sr. Lupim. — Disse ele educadamente.
— Remus, apenas, Harry. Para mim é um prazer revê-lo, é incrível como você cresceu e tão parecido com James quando ele tinha sua idade. — Disse ele com um sorriso suave. — Mas os olhos, você tem os olhos da sua mãe.
Harry acenou, confusamente, ele já sabia disso e não tinha ideia do que lhe responder. Felizmente, Maria chegou nesse instante e o cumprimentou com entusiasmo o livrando de ter que encontrar uma resposta. Durante parte da noite Harry o observou a distância, Sra. Serafina e Sr. Falc foram gentis e tentaram o fazer se sentir bem-vindo, Sr. Boot iniciou uma conversa sobre história mágica. Sra. Andrômeda lhe disse alguma grosseria, mas o Sr. Ted bateu em seu ombro lhe dizendo algumas palavras de conforto antes de se afastar enquanto Sr. Remus ficou olhando para o chão com os ombros caídos. Ele evitou as crianças e passou a maior parte do tempo sentando com Vance, Maria e Sirius, quando Tonks tentou entabular uma conversa com ele, se esquivou parecendo mal-humorado. E, quando o viu se dirigir para a sala, o seguiu e o encontrou pegando pó de flu do saco.
— Fugindo? — Harry perguntou friamente e nem se importou de assustá-lo.
— Ah, Harry, hum..., apenas... — Ele parou e suspirou desistindo de encontrar alguma desculpa. — Apenas não estou acostumado a estar cercado por tantas pessoas, por isso pensei em ir para casa. Desculpe não me despedir, eu não quis te tirar de sua diversão.
— Pensei que tivesse dito ao Sirius que queria me conhecer, ainda não tivemos chance de conversar ou será que meu padrinho entendeu errado? — Harry questionou impaciente.
— Claro que quero conhecê-lo, Harry, isso seria maravilhoso e...
— Bem, por um momento senhor me enganou, sabe, depois de 11 anos sem qualquer contato. — Seu tom saiu mais acusatório do que ele pretendia.
— Harry... Eu sinto muito que sua vida nos seus tios tenha sido difícil, Dumbledore me disse que você estava feliz e seguro, que visitá-lo poderia te colocar em risco. Se eu soubesse...
— O que faria se soubesse? Fugiria como está fazendo agora ou talvez se convenceria de que é minha culpa como fez com Sirius? — Harry falou com frieza e o viu empalidecer.
— Eu... eu sinto muito...
— Sente mesmo? — Harry foi duro.
— Sim. — Remus se sentou no sofá suspirando cansadamente e parecia muito mais velho. — Mais do que posso colocar em palavras e não sei se algum dia poderei espiar minha culpa com Sirius. E lamento não ter tentado mais chegar até você, Dumbledore... ele... eu nunca pensei em questioná-lo e nas últimas semanas, meses tudo o que faço é, me questionar, sobre porque confiei nele tão cegamente. Ainda não cheguei à conclusão se ele é muito convincente ou se eu sou fraco
— Provavelmente, a resposta é, as duas coisas. — Disse Harry sincero.
Remus acenou e o olhou curiosamente, parecia o ver pela primeira vez sem a sombra dos fantasmas dos amigos.
— E você pode estar certo, Harry. Isso não é desculpa, mas, ainda sinto muito. — Disse Remus e estava sendo sincero.
— Você ao menos está arrependido e se desculpa, Dumbledore nem isso oferece e seus pecados são bem maiores. — Harry suspirou e olhou para a lareira tentando organizar os pensamentos. — Vou ser direto com o senhor, Sr. Remus, desde que ouvi seu nome pela primeira vez e tudo relacionado a sua participação, suas ações e inações em tudo o que aconteceu com Sirius, meu primeiro instinto foi não gostar do senhor. Mas o senhor era muito amigo dos meus pais e meu padrinho realmente te ama, isso me faz acreditar que é uma boa pessoa, apenas cometeu erros e todos nós cometemos erros. Nas últimas semanas aprendi muito sobre perdão e por isso posso perdoá-lo, já que Sirius também pode.
— Isso... é muito generoso, Harry, de verdade, mais do que eu mereço. — Remus o olhou muito surpreso e tocado.
— Sobre sua ausência em minha vida, isso não é sua culpa, o senhor não foi o único amigo dos meus pais que foram impedidos de me ver. Essa culpa recai apenas sobre Dumbledore e para mim isso está encerrado. — Disse Harry e depois o olhou com mais firmeza. — No entanto, eu estou no mundo mágico a 1 ano agora e você poderia ter me escrito a qualquer momento desse ano, se apresentado e perguntado sobre mim. Pior, estou de férias a 2 meses e o senhor poderia ter pedido a Sirius para me encontrar antes, depois do incidente com meu tio, poderia ter vindo me visitar e hoje a noite quando, finalmente, nos conhecemos e temos a chance de conversar e, quem sabe, nos tornarmos amigos, o senhor me ignora e agora está fugindo.
— Harry..., eu... — Remus tentou falar, mas se calou e abaixou a cabeça envergonhado.
— Sirius está me dizendo a semanas o quanto o senhor quer me conhecer, mas eu não disse nada porque esperei por sua iniciativa e ela nunca veio, quem marcou esse churrasco foi o Sirius. Em alguns dias estarei voltando para Hogwarts e hoje é sua chance de tentar alguma aproximação se quiser, podemos trocar cartas e nos encontrar nas férias de inverno, no entanto, o senhor está partindo sem ao menos uma palavra comigo. — Harry o olhou com olhos verdes magoados. — A mim, parece que o senhor estava mentindo para Sirius.
— Não! Harry, não, eu queria muito conhecê-lo, reencontrá-lo, mas... — Ele parou tentando encontrar as palavras, fechou os olhos com força, pensando. — Eu... Não é desculpa, mas, vivi muito isolado nos últimos 10 anos e não estou acostumado a estar cercado por um monte de pessoas. — Ele falou olhando para o chão e depois o encarou desviando o olhar rápido para o tapete outra vez.
— E o fato que mal consegue me encarar? Qual é a não desculpa? — Harry se mostrou implacável.
— Eu devia estar preparado, quer dizer, já sabia o quanto se parece com seu pai, eu o vi no hospital a algumas semanas, mas... — Remus respirou fundo e o encarou, seus olhos muitos tristes. — É muito mais doloroso do que pensei que seria e saber que espera algo de mim, palavras, histórias, não acho que posso. E me sinto culpado também por tudo o que aconteceu com você e Sirius... não sei o que fazer ou dizer...
— Podemos começar deixando o passado para traz, se Sirius e eu estamos dispostos a seguir em frente, não vejo porque o senhor deve ficar mergulhado na culpa. Quanto aos meus pais, sei o quão doloroso é suas ausências e nunca irá embora, temos que aprender a conviver com isso e, se nos conhecermos melhor, talvez veja por si mesmo que não sou James, eu sou Harry. — Ele disse mais suave.
— Não, apenas de te ouvir falar, eu percebo que você não é James, me lembra sua mãe de alguma maneira, ainda que não me lembro de Lily ter sido tão sabia e inteligente aos 12 anos. — Remus o olhou com carinho nos olhos, mas a tristeza ainda estava lá. — Eu quero muito que sejamos próximos, ainda que não acredito que seria um bom amigo para você, Harry.
Harry franziu o cenho confuso, Sr. Remus parecia envergonhado, porque? Porque ele não poderia ser um bom amigo? Talvez...
— Porque o senhor é um lobisomem? — Ele perguntou tentando entender, mas Remus o encarou de olhos arregalados e empalideceu ainda mais.
— Como...?
— Sirius me contou. E isso não importa...
Mas Remus não parecia o estar ouvindo, seus olhos estavam em pânico e se misturou com profunda raiva.
— Ele não tinha o direito! Como ele pode? É meu segredo mais bem guardado, poderia destruir minha vida se isso se espalhasse. — Remus se levantou parecendo enfurecido e Harry não sabia se ele queria fugir ou confrontar Sirius. — Ele jurou que nunca contaria a ninguém...
— Eu não sou ninguém. — Harry o interrompeu com voz dura. — Eu sou a família dele e Sirius apenas foi sincero ao tentar explicar porque poderia perdoá-lo, porque ele compreende sua cega confiança a Dumbledore depois de tudo o que ele lhe proporcionou ao permitir que frequentasse Hogwarts. — Ele percebeu que Remus o estava ouvindo com atenção. — Além disso, depois de tudo, acredito que Sirius não lhe deva nada, qualquer juramento se perdeu a muitos anos atrás quando o senhor lhe virou as costas quando ele mais precisava.
Eles se encararam em silencio e, finalmente, Remus acenou envergonhado.
— Você está certo, sinto muito, espero que entenda como esse assunto é difícil para mim. Se as pessoas soubessem me tratariam como um monstro, minha vida se tornaria um inferno. — Desabafou ele defensivo e ainda magoado.
— Bem, eu não me importo e ninguém lá fora te tratou mal, com exceção da Sra. Andrômeda, mas acredito que seus motivos são outros. — Disse Harry dando de ombros.
— Você quer dizer que todos lá fora sabem...— Remus parecia completamente chocado.
— Não sei se todos, mas os Boots sabem e, como eu, eles não se importam, ninguém nesta família, ninguém que é meu amigo o tratará com desrespeito porque jamais tolerarei preconceitos e discriminações. — Harry o encarou até que ele se sentou e escondeu o rosto nas mãos.
— Você não compreende o que é ser um lobisomem em nossa sociedade, o peso que carregamos, discriminação é apenas o menos pior. A violência que tememos faz com que todos vivam escondidos ou mantenham em segredo absoluto sua condição. — Disse Remus suavemente. — Não ter um emprego, amigos ou família são apenas a realidade da nossa vida que todos aceitamos e nos conformamos, mas o segredo protege nossas vidas.
— Ninguém aqui se importa ou falará demais com quem não deve. Todos de uma forma ou de outra sofreram ou perderam alguém na última guerra por isso entendem de violência e discriminação. — Disse Harry suavemente. — Não vou fingir que entendo o que o senhor passa, assim como espero que não finja entender o que eu passei ou os fardos que carrego. Cada um tem os seus, afinal. — Harry disse o olhando seriamente.
Remus o olhou tristemente e acenou sem palavras.
"Você pode ir se quiser, fugir e se esconder como fez nos últimos 11 anos ou pode dar uma chance as pessoas lá fora e me conhecer como diz que quer. É sua escolha, mas... se quer que sejamos próximos um dia, tem que ficar por perto, eu não vou pedir, é o senhor que tem que mostrar como se sente de verdade. O movimento, é seu. "
Harry não esperou uma resposta, deixou a sala e voltou para o jardim para estar com sua família e amigos. Não podia fazer mais nada agora, Remus é quem tinha que mostrar que se importava de verdade. Ele se sentou na mesa com as crianças e Tonks, ela lhe contou sobre o treinamento auror, estava iniciando o segundo ano e estaria trabalhando com um dos maiores aurores do Departamento, Alastor "Olho Tonto" Moody. E, claro, todos queriam saber porque as pessoas o chamavam de Olho Tonto e as crianças ouviram fascinadas e aterrorizadas sobre suas cicatrizes e olho falso. Harry, estava rindo da expressão horrorizada de Ayana, quando viu o Sr. Remus sair da casa e lentamente caminhar até se sentar na mesa dos Boots e iniciar uma conversa com o Sr. Falc.
Mais tarde, Sirius pediu um instante da atenção de todos, eles tinham tido muita diversão, música, comida e bebida, agora saboreavam uma torta de maça que Harry fez.
— Queria agradecer a todos vocês, família, antigos amigos, novos amigos. O apoio de vocês nos últimos meses tem sido incrível e sei que jamais teria chegado tão longe sem que estivessem ao meu lado. — Disse Sirius e olhando para o afilhado, acrescentou. — E queria agradecer ao meu afilhado, por seu grande coração, sabedoria e amor. Agradeço também pela melhor torta de maça que já comi na vida. — Isso fez todos rirem e outros agradecerem em voz alta. — Vocês são as pessoas que mais me importam e por isso, além de reuni-los e agradecer, queria compartilhar algumas novidades. Fui aceito para iniciar o treinamento auror.
Isso provocou vivas e gritos de parabéns, algumas palmas, Harry correu para lhe dar um abraço.
— Também estou iniciando uma Operação secreta que envolve a ICW que é o lugar em que farei meu treinamento. Por isso ninguém além de vocês devem saber sobre o treinamento ou a missão. — Informou Sirius para surpresa de alguns. — Estarei disfarçado e agirei meio estranho, talvez se espalhem alguns boatos, mas, apesar de não poder lhes dar detalhes, queria que soubesse que faz parte do meu disfarce na OP.
— Mas, você não irá desaparecer, certo? — Perguntou Maria preocupada.
— Como você estará disfarçado? — Terry questionou curioso.
— Não, quer dizer estarei mais ocupado, mas não vou desaparecer e estarei disfarçado de Sirius Orion Black. — Seu sorriso era divertido e animado, sua declaração causou alguma confusão, mas ninguém fez perguntas, pois entendiam que secreto é secreto.
Harry não aceitou tão bem porque compreendeu do que se tratava e quis saber mais do plano, mas Sirius negou seu pedido.
— Harry, entenda, se eu te contar, você vai querer contar para seus amigos e prometi ao King, que agora é meu chefe imediato, que não daria detalhes. Ele só me autorizou a explicar por que estarei agindo estranhamente e qualquer notícia ou boato que surja sobre mim. — Disse ele quando Harry ficou mal-humorado. — Eu pedi porque não quero mal-entendidos ou me afastar dos meus amigos e família.
— Ok, mas essa foi minha ideia e só queria saber exatamente o que você tem que fazer, achei que ia apenas comprar os prédios. Você não estará em perigo, certo? — Harry estava muito preocupado.
— Não, temos um bom plano, King insiste em montes de regras e protocolos, prometo a você que não farei nada tolo. Não se preocupe.
Harry achava difícil não se preocupar, mas decidiu confiar no padrinho. Logo depois os Tonks se despediram, Sr. Boot e Sra. Honora deixaram bem mais cedo. Srta. Maria lhe deu um grande abraço e pediu para escreverem um ao outro, ele aceitou imediatamente. Srta. Vance, que parecia bem mais relaxada, olhos brilhantes e corada depois de uma noite de muita conversa e riso, pareceu voltar a sua expressão distante e triste quando se despediram. Harry compreendeu, então, que ela devia se sentir muito sozinha e mais uma vez desejou poder fazer algo por ela. Quando Sr. Remus veio se despedir, Harry sorriu e disse.
— O senhor ficou.
Remus sorriu meio tímido e o olhou com carinho.
— Então, eu fiz.
— Posso lhe escrever? — Harry lhe perguntou tímido também.
— Isso me deixaria muito feliz, de verdade. Eu prometo responder. — Respondeu Remus suavemente e depois partiu.
No dia seguinte, eles foram fazer as compras para Hogwarts, era quarta-feira e faltavam 6 dias para voltar para a escola. Harry teve que comprar vestes escolares novas e se sentiu muito feliz ao perceber que crescera 12 centímetros desde um ano atrás, ele ainda era mais baixo que Terry, mas apenas por pouco. Os livros do 2º ano foram comprados, com exceção dos de Defesa de Gilderoy Lockhart, pois Harry preferiria os livros de Aaron Mason. Em sua visita a Editora Aprilis, Harry também comprou o livro que Mason tinha escrito sobre transformação animagus com a esperança de que o autor encontrara em suas inúmeras viagens uma maneira de realizar a transformação diferente a que Sirius explicou, pois ainda a considerava bem estranha e sem sentido. Conversando com a Sra. Clark, Harry lhe deixou uma cópia do livro da sua mãe, apenas para saber se ele era possível de ser publicado, ela o agradeceu por confiar nela com algo tão importante.
Na quinta-feira, Harry não teve aulas e sim um longo dia na GER, era a hora de conhecer pessoalmente os associados já escolhidos e assinar o contrato com cada um deles. Todos já tinham assinado contratos de confidencialidade e horas de reuniões com a equipe definiram seus negócios, produtos, prédio, decoração, marketing. Mas nada disso era deles a não ser que eles assinassem um contrato com um herdeiro ou chefe de uma família antiga. Era uma lei purista que permitia que uma família puro-sangue antiga pudesse fazer quase qualquer coisa com um contrato mágico sem que um registro legal no Ministério da Magia seja necessário. Assim, enquanto para o resto do mundo a GER e, em consequência a Família Potter, eram as donas de todos esses novos negócios e lojas, magicamente, financeiramente e moralmente, Harry era apenas um dos sócios.
Harry não podia expressar como se sentia feliz por tudo estar dando certo, mas, saber que estava enganando a sociedade purista debaixo de seus narizes esnobes e com suas próprias leis preconceituosas, apenas tornou tudo melhor. Neste dia, finalmente, seus amigos estavam conhecendo a GER, Terry já visitara, mas Neville e Hermione não, e sua amiga estava muito ansiosa por esse momento. Sra. Serafina também os acompanhou e ficou impressionada em ver como a GER tinha vida, antes era só um prédio bonito e bem decorado, mas depois de semanas com pessoas trabalhando nele, era possível ver plantas, objetos, quadros, tapetes, mesmo papéis, penas, pergaminhos, pastas que mostravam o trabalho e as características dos funcionários. Isso sem falar no coquetel montado para esse momento por Isabella, Grace e Penny e a bonita decoração festiva. Essa foi uma ideia do Sr. Edgar, uma maneira de todos se conhecerem, socializarem, trocarem impressões e informações, além de comemorarem depois que todos os contratos estivessem devidamente assinados. Felizmente, desta vez, todos já estavam cientes que Harry Potter era o dono da GER, assim não houve choque ou espanto, mas Harry ainda corou um pouco com elogios e agradecimentos.
A primeira pessoa que ele cumprimentou foi Charity Doylen, a informal que o ajudou a comprar livros no ano anterior. Charity e seu marido Timothy seriam os donos da nova livraria, a "World Books". Os dois eram nascidos trouxas e se conheceram em Hogwarts, namoraram e se casaram logo depois de se formarem. Tim, como preferia ser chamado, era um Hufflepuff animado que nunca conseguiu um cargo melhor do que de faxineiro no mundo mágico, ganhando uma miséria. Ele acabou por desistir e ir trabalhar no mundo trouxa onde foi porteiro em um prédio por muitos anos e conseguiu sustentar os filhos que teve com Charity. Mas, quando perceberam a alguns anos que seus 3 filhos eram bruxos e que enviá-los para Hogwarts custaria uma pequena fortuna, Charity começou a vender livros ilegalmente para outros nascidos trouxas e participar da Feira dos Trouxas, o que lhe trazia um grande risco pessoal de ser pega e enviada para Azkaban.
— Sei porque fez isso, Harry. — Disse ela depois que o abraçou. — Todo esse plano saiu da sua cabeça quando teve conhecimento de como é a sociedade mágica e do risco que corríamos. Você queria nos proteger, os ilegais, não é mesmo?
Harry corou e a encarou, ela tinha 45 anos e era uma Ravenclaw como ele, assim com a mente afiada.
— Esse é um dos motivos, Sra. Charity, um dos muitos motivos.
Eles conversaram brevemente sobre a loja que venderia livros do mundo mágico e trouxa em andares separados. Haveria também uma sessão exclusiva de livros não censurados pelo Ministério da Magia e outra sessão de livros usados, para venda e troca. Era possível ver a empolgação e alívio que os dois sentiram quando assinaram o contrato e tudo se tornou real, eles estavam investindo em 55% da loja cada centavo que economizaram para os filhos frequentarem Hogwarts, mas isso não os assustava, pois segundo Tim:
— Agora, temos esperança, Harry.
Depois ele conheceu os sócios do Hotel que, finalmente, tinha um nome, "The Magic Hotel of London". Harry sentiu que era o ideal, pois não apenas apresentaria e propagaria a excelência do Hotel, mas também a entrada do comércio mágico de Londres em palavras gigantescas em uma entrada bem bonita e moderna. Os Sarid eram nascidos trouxas e tinham um restaurante no mundo trouxa, Sra. Rosa Esteban Sarid era espanhola e cozinheira em um hotel em Málaga quando o Sr. Adrian Sarid viajou para um treinamento, pois trabalhava nesta mesma rede de hotéis, só que em Londres, como assistente de gerente. Os dois se viram e se apaixonaram, a Sra. Rosa se mudou para a Inglaterra e os dois trabalharam por muitos anos neste hotel, até que decidiram abrir seu restaurante e trabalharem por conta própria. Seu filho, Fernando Sarid era o jovem que vendia poções informalmente, mas que não tinha um Mestre que lhe permitia ser dono de uma loja de poções no Beco Diagonal. Felizmente, além de aceitar outra colocação, ele indicou seus pais para terem um restaurante no Beco e, Edgar, ao conhecê-los e suas histórias e experiências em hotéis lhes ofereceu a oportunidade de serem os comandantes de seu próprio grande hotel. Eles aceitaram, deixaram o restaurante para sua filha, Emília e o marido cuidarem e compraram 40% do The Magic.
Harry os adorou, eles tinham pouco mais de 60 anos, eram cheios de histórias e humor. Sra. Rosa era uma grande cozinheira e considerou a ideia de o restaurante do The Magic servir comidas tradicionais do mundo todo uma ideia fantástica e muito inteligente, pois atrairia turistas de todo lugar para se hospedar, visitar e serem bem alimentados. Ela tinha um sotaque bonito e Harry discutiu diversas receitas que amava, seu interesse e conhecimento a fez pedir uma lista de suas comidas preferidas que ela colocaria no cardápio. Harry corou, mas acenou muito animado com a ideia. Sr. Adrian seria o gerente do Magic e, segundo sua esposa, parecia ter rejuvenescido nas últimas semanas com a oportunidade de trabalhar no que mais amava e no mundo que o rejeitara a tantos anos. Enquanto conversavam, Sr. Adrian disse que o The Magic traria muitos empregos e ele estava muito empolgado com a ideia de contratar tantos nascidos trouxas desempregados e ajudá-los. A estimativa inicial era que o The Magic Hotel of London teria 40 funcionários e esse número poderia aumentar. Seu filho, Fernando conseguiu uma vaga na Divisão de Marketing da GER, por isso a família Sarid parecia meio apaixonada por ele, Harry aceitou seus abraços alegres e informais adorando encontrar pessoas de cultura diferente das frias e formais maneiras inglesas.
Fiona O'Shea, a farmacêutica e potioneer da Clínica Relive, a clínica clandestina com médicos e curandeiros nascidos trouxas e mestiços que atendiam bruxos e trouxas, aceitara a proposta de Edgar para abrir uma loja de Poções, a "Rituum & Potions". Srta. Fiona era jovem e muito bonita, tinha 28 anos, olhos azuis e cabelos ruivos, além de irlandesa, tinha um quarto de sangue élfico. Ela era mestiça, pois seu pai era um bruxo de uma família puro-sangue da Irlanda e sua mãe era trouxa. Crescendo nos dois mundos e próxima da avó e seu povo, os Elfos da Floresta, Fiona tinha uma visão única e muitos conhecimentos que ela estava muito feliz em poder compartilhar com mais pessoas. A Rituum e Potions, que a GER tinha 30%, não teria apenas poções para bruxos e trouxas, haveria também amuletos de proteção com pedras, itens para rituais, como pot-pourri de ervas e especiarias iguais aos usados pelo Harry em seu ritual de purificação na montanha. Harry gostou muito dela e não pode deixar de perguntar mais sobre os Elfos da Floresta que eram um povo muito misterioso.
— O mistério do povo da minha avó vem da perseguição, Harry, outros seres mágicos, como os centauros, por exemplo, também se esconderiam se tivessem o poder mágico que os Elfos da Floresta têm. — Disse Fiona suavemente. — Os Elfos estiveram em convivência pacífica com seus antepassados, os Druidas, assim como, com qualquer ser mágico por séculos e séculos, conflitos existiram, mas raramente terminavam em violência. Infelizmente, os descendentes dos Druidas, os bruxos, criaram um mundo cheio de regras, governados por leis e não pela magia. Isso não é de todo ruim, mas ao se tornarem os governantes do mundo mágico, se sentiram no direito de reinar, ordenar e limitar todos os seres mágicos.
Harry, Hermione, Terry e Neville a ouviam com atenção.
"Primeiro eles classificaram e renomearam, a si mesmo e aos outros seres, os bruxos eram seres mágicos superiores e os outros era criaturas inferiores. Quando se desclassifica algo, você a desvaloriza e sente-se no direito de controlar e limitar. Os Elfos da Floresta perderam terras, assim como os centauros, goblins, elfos domésticos, sereias, ninfas, fadas e gigantes, mas pior que isso eles perderam respeito, se tornaram sem voz ou importância, não porque querem se esconder, mas porque os bruxos se esforçaram para lhes tirar da história e existência. Por exemplo, vocês já ouviram falar dos Elfos da Floresta em Hogwarts? " — Questionou ela e os 4 acenaram negativamente. — "Exatamente. Se vocês tratarem qualquer ser mágico com respeito, eles lhe devolveram esse respeito em igual medida, claro, que com alguma desconfiança dos filhos dos antigos Druidas. "
— Srta. Fiona, os elfos doméstico também tinham terras? — Perguntou Hermione ansiosa.
— Com certeza, elfos domésticos são seres tão alegres e poderosos, houve um tempo em que a Cidade Élfica era o lugar mais maravilhoso de se visitar. — Respondeu ela suavemente.
— Cidade Élfica? — Terry perguntou surpreso.
— Sim, os Elfos da Floresta vivem nas Florestas Mágicas, gostam do contato com a natureza onde realizam seus rituais e criam suas famílias. Mas os elfos domésticos tinham sua própria cidade, eles são muito engenhosos, poderosos e gostam de contato humano, sofreriam muito se ficassem isolados. Infelizmente, em algum momento da história, eles perderam o status de seres mágicos aliados aos bruxos, a quem serviam por amizade e pagamento, a relação, que era de respeito e mútua benefício foi extinta. Os bruxos da época os dominaram, destruíram a Cidade Élfica, mataram milhares e os escravizaram, no processo de alguns séculos a cultura dos elfos domésticos mudou, sua natureza doce e trabalhadora se manteve e eles passaram a acreditar que existiam apenas para servir seus mestres. — Fiona lhes contou com olhos tristes. — Isso é algo que todos os seres mágicos temem que lhes aconteçam, por isso se isolam e desconfiam dos filhos dos antigos Druidas.
Harry adorou a Srta. Fiona, mas Hermione parecia emocionada ao ouvir sobre as histórias dos elfos domésticos e ele a viu conversando longamente com a Srta. Belle. Não havia dúvida em sua mente que sua amiga estaria completamente envolvida com a Divisão Evans em alguns anos.
A loja de ingredientes para poções ficou com William MacNorth, o ilegal que vendia produtos mais baratos para o Prof. Flitwick. Will, como gosta de ser chamado tem 36 anos, é escocês e nascido trouxa, formado em Biologia e com um mestrado em Botânica. Tendo crescido em uma fazenda com pais agricultores, Will teve ajuda deles depois de Hogwarts para estudar, até conseguir um bom emprego no mundo trouxa, então, fez um Mestre em Herbologia particular, já que não conseguiu uma vaga no Ministério da Magia por seu status de sangue. Ele cultivava em uma área da fazenda dos seus pais as plantas mágicas que vendia ilegalmente, mas concordara em seguir as regras e leis do Ministério para poder ter uma loja no Beco Diagonal. Assim, além da loja, eles pretendiam conseguir uma licença para que ele tenha uma pequena estufa e possa cultivar suas plantas. Harry o achou muito inteligente e viu ele e seu amigo, Neville passarem horas conversando sobre plantas, cultivo e adubos. Para Harry, o único problema é que Will parecia mais interessado em trabalhar na estufa do que na loja, conversando com Edgar, este lhe explicou:
— Eu também percebi isso, Harry, mas precisamos ter um Mestre Herbologista na loja como "gerente", ou ao menos é assim que o Ministério o verá. Will não se interessa e nem precisamos que ele fique atrás do balcão realizando as vendas, seu trabalho será gerenciar a loja e funcionários, além de cuidar da estufa e acredito que ele quer muito que a loja dê certo. Foi por isso, afinal, que ele começou a vender ilegalmente, para obter lucros em seu trabalho.
Harry acenou, não completamente feliz com a situação, mas entendendo-a. Pelo menos, a GER tinha 70% da loja e outros 40% da estufa, se Will não se mostrasse dedicado, poderiam comprar a parte dele facilmente e encontrar um verdadeiro gerente Herbologista para a "Stuff for Potions". Não é que não queria ajudar Will ou não simpatizara com ele, apenas tinha a sensação que o jovem de 25 anos tinha que amadurecer bastante para ser um empresário, além de Herbologista.
Mary Steel era uma mulher de 42 anos que trabalhou como costureira por anos para uma grande e elegante loja de roupas no mundo trouxa. Srta. Steel tinha talento para ser uma estilista de sucesso, mas nunca conseguiu ir para a faculdade e, assim como muitos dos informais, ela começou a vender roupas ilegalmente para nascidos trouxas e mestiços quando percebeu que seu único filho era um bruxo também. Ela era mãe solteira, por isso sabia que não teria como pagar sua presença em Hogwarts apenas como costureira e começou a fazer esse trabalho extra. Seu filho, Jonathan já terminara Hogwarts e agora, para seu orgulho, cursava a Universidade de Arquitetura em Londres. Harry gostou dela, era uma mulher forte e segura, estava muito feliz em sair de um quartinho dos fundos de uma loja onde costurava sem parar e se tornar a dona de uma loja grande e exclusiva no Beco Diagonal. A GER teria 70% da "Fashion Charm", que seguiria a tendência das outras novas lojas do Beco, com roupas e acessórios mágicos e trouxas, moda masculina, feminina e infantil. Teria 3 andares, um para cada sessão, uma bela decoração e uma estimativa de ter pelo menos 15 funcionários, inicialmente.
Outra loja que estava empolgando Harry era a "Zonam", que tinha todos os seus produtos em couro do mundo mágico e trouxa. Joanna Jefferson ou JJ, como ela prefere ser chamada era a amiga do Prof. Jonas que o ajudou a criar o projeto de sua braçadeira onde sua capa de invisibilidade estava bem protegida. Foi dela que Harry comprou o couro e todo o material necessário e ele gostou muito de conhecê-la pessoalmente e o projeto de sua loja. JJ sempre trabalhou como artesã do couro a partir de casa e aceitando encomendas, ela era mestiça e poderia ter aberto uma loja, mas sempre precisou de um investidor. A GER era esse investidor e teria 50% da loja que além dos acessórios e couros, aceitaria encomendas personalizadas de todos os tipos de bolsas, jaquetas, coldres, braçadeiras e muito mais. Com 30 anos, JJ era loira, olhos verdes, bonita e divertida, eles simpatizaram um com o outro facilmente e Harry lhe encomendou um coldre para sua faca, com adaptação no tornozelo. Isso pareceu surpreendê-la, mas JJ não fez perguntas e Harry gostou dela ainda mais.
Isaac Taylor tinha 52 anos começou a vender sapatos, botas e tênis ilegalmente quando sua filha, Nora, foi para Hogwarts. Ele trabalhou por 30 anos em uma fábrica de sapatos trouxa em Manchester e tinha mais um filho em Hogwarts, além de pagar a Universidade de Administração de Nora. Sr. Isaac propôs que sua filha fizesse parte da sociedade e fosse a gerente administrativa. A loja teria produtos trouxas e mágicos e se chamaria "World of Shoes", o nome era um pouco comum, mas que passava o que eles queriam, vender calçados de todos os tipos para todas as pessoas. Sr. Isaac não fabricaria os sapatos, mas conhecia os meios de comprá-los diretamente das Fábricas trouxas por um preço justo e Harry pode ver seu otimismo quando assinaram o contrato. Srta. Nora, de 21 anos, era muito inteligente e agradeceu muito pela oportunidade que estavam proporcionando ao pai que, segundo suas palavras, "Nunca foi tão feliz". A única preocupação apresentada pelo Sr. Edgar era o fato de que a única Fábrica de sapatos do mundo mágico pertencia aos Nott que forneceriam por um valor muito maior, o que significava que os calçados trouxas seriam mais baratos e populares.
— Isso não é um problema, Sr. Edgar, se os produtos trouxas forem mais baratos, além de bons, isso forçará essas família puros-sangues a venderem seus produtos por um preço justo de mercado. Na minha opinião isso é exatamente o que precisamos que aconteça. — Afirmou Harry com convicção.
Helena O'Leary era nascida trouxa e casada com um trouxa, Michael Egan e eles tinham uma loja de joias no mundo trouxa em Dublin, Irlanda. Na verdade, a loja pertencia aos pais da Srta. Helena que ao terminar Hogwarts passou a trabalhar com eles e fez um curso de Designer de Joias. Ela se casou com um dos funcionários de seus pais, um ourives muito talentoso, Sr. Michael, ambos estavam no começo dos 30 anos e tinham dois filhos gêmeos. A vontade de abrir sua própria loja de joias fez com que ela começasse a vender ilegalmente pelos folhetos, mas agora com o investimento da GER a "Artem Pretiosum" deixaria de ser um sonho. Com 70% da loja o casal trabalharia juntos, ela desenharia e encantaria as peças mágicas e ele as criaria. Ter um trouxa frequentando o Beco Diagonal era algo novo e especial que precisaria de ajustes, afinal eles não podiam ver a entrada. Edgar acreditava que a princípio o melhor e o legalmente permitido era o Sr. Michael entrar com a esposa todos os dias, além de ter um ateliê em sua casa para o caso de não poder chegar a loja. Harry adorou o casal e seus filhos, os dois garotos de 4 anos eram tão fofos e bonitos que encantou a todos presentes no coquetel.
E, então, havia a nova papelaria a "Paper & Writing", mais uma vez fornecendo suprimentos tanto mágicos como trouxas e Harry se sentia muito empolgado com isso. Era uma maneira de introduzir uma "tecnologia" trouxa e esperava que fosse bem aceita, se não entre os puros-sangues puristas, ao menos pelo resto do mundo mágico. Henry Miller era o responsável pela loja, ou o gerente, infelizmente, o homem que vendia produtos de papelaria ilegalmente não era alguém confiável, pois muitas vezes vendia produtos roubados. Assim, como essa era uma loja importante que Harry queria muito que existisse, eles decidiram abri-la com seus 100% pertencendo a GER, até que conseguissem um sócio interessado. O Sr. Miller era australiano e vivia na Inglaterra desde criança, nascido trouxa, trabalhava no mundo trouxa como assistente em um escritório, praticamente, desde que deixara Hogwarts. Ele foi um dos muitos a ir na entrevista de Sirius e o Sr. Falc, quando eles contrataram o Sr. Edgar e veio nas entrevistas para os Diretores de Divisão. Harry o achou esperto, atento e com um sorriso bondoso, seria um bom gerente e talvez pudesse no futuro ser um sócio. Sr. Edgar lhe informou que eles lhe propuseram sociedade, mas que nesse momento o Sr. Miller não tinha dinheiro algum para investir. Ele lhe explicou que todo o dinheiro do Sr. Miller estava sendo gasto para tratar sua filha que tinha leucemia, pois o seguro de saúde do seu antigo trabalho não cobria tudo. Harry conversou com ele e o Sr. Miller, de 32 anos, lhe agradeceu muito pela oportunidade.
— Agora que estarei ganhando mais e com um seguro tão bom, Alice poderá ter um tratamento melhor e tenho mais esperança. Estive procurando empregos melhores no mundo trouxa e nunca imaginei que conseguiria isso no mundo mágico. Obrigada, Harry. — Disse ele sincero.
— Quantos anos tem a Alice?
— Ela tem 5 e estamos lutando a mais de um ano, temos esperança que logo aparecerá um doador de medula. Alice é forte e acredito que ela aguentará até isso acontecer. — Disse ele esperançoso.
— Ela é trouxa? O senhor já tentou a cura mágica?
— Sim, ela é trouxa e pesquisei sobre como os curandeiros tratam o câncer, mas, infelizmente, tudo o que eu li foi que o tratamento apenas serve para bruxos. Essa é uma doença rara em bruxos, você não faz ideia de como eu gostaria que ela fosse uma bruxa.
— O senhor já ouviu falar da Clínica Relive? — Perguntou Harry e, quando recebeu um não, explicou do que se tratava e depois o apresentou a Fiona. Quem sabe eles não poderiam ajudar a pequena Alice?
A nova loja de animais seria bem diferente da Empório Corujas ou da Animais Mágicos. Primeiro, porque venderiam animais mágicos e trouxas, segundo, porque os animais não ficariam presos em gaiolas na loja por dias, semanas ou meses. Eles ficariam em um galpão ou fazendinha, separados por seu habitat, mantidos saudáveis e bem cuidados por um magizoologista e um assistente de veterinário que auxiliariam o Sr. Ryan. Catálogos seriam montados com todos os animais que tinham e, se o cliente quisesse comprar um, seria levado por flu a fazenda e escolheria pessoalmente seu novo animal de estimação. Na loja em si haveria produtos como comida, roupas, coleiras, gaiolas, camas, cobertores e todo e qualquer acessórios para o seu animal de estimação. Harry achou brilhante e o novo sócio da "Pet & Love", Ryan Gregory, nascido trouxa, 39 anos, formado em Veterinária em uma faculdade trouxa disse que nunca poderia tratar os animais com tanta crueldade como as outras lojas do Beco Diagonal faziam. Sr. Ryan também explicou que isso tornaria a loja mais atraente para os clientes e eles se sentiriam especiais e exclusivos ao serem levados até a casa do animal para escolhê-lo. Harry concordou plenamente e assinou o contrato, que garantia a GER 60% da loja, com muita certeza do seu sucesso.
Havia alguns negócios que surpreenderam Harry quando leu sobre eles e alguns que ele não sabia nada sobre e teve que pesquisar e fazer perguntas. Como, por exemplo, a loja de decoração, a "Designer & Home" que teria dois andares de tudo o que você poderia querer para decorar sua casa, cobertores, toalhas, lençóis, utensílios de cozinha, quadros, porcelana, enfeites, cristais, tapetes. Haveriam itens trouxas como abajures que, claro, eram mais para enfeitar ou para iluminar uma casa trouxa com eletricidade, mas também teria itens mágicos como tapeçarias. Savita Achari, a sócia e idealizadora dessa loja, é nascida trouxa, tem pais indianos que vieram para a Inglaterra antes dela nascer. Seus pais têm uma loja que vende tecidos e sáris em Leicester e a Srta. Savita trabalhou lá enquanto estudava Designer de Interiores na faculdade. Ela se mudou para Londres para trabalhar em um grande escritório de Decoração e através de seu trabalho conheceu a empresa M&T Arquitetura e Construção que era administrada pelos dois bruxos que reformavam os imóveis da GER, o Sr. Ian e o Sr. Mac. Foram eles que a indicaram ao Sr. Edgar, que adorou a ideia de abrir um escritório de Designer de Interiores no Beco Diagonal, mas ele foi além e a convenceu a abrir uma loja de decoração. Assim a Designer e Home, que a GER tinha 50%, não apenas ofereceria os produtos, mas, para aqueles que queriam o trabalho de uma decoradora profissional, Srta. Savita estava disponível para visitar e projetar as casas dos clientes. Isso também fazia uma conexão com o escritório que a M&T Arquitetura e Construção decidiu abrir no Beco Diagonal. Claro que o Sr. Ian e o Sr. Mac tinham mais trabalho no mundo trouxa, mas manter um escritório com uma assistente ao lado da loja da Srta. Savita era uma boa jogada porque quem precisasse construir ou reformar com certeza precisaria de uma decoradora e o inverso era mais do que provável. Neste caso a GER não tinha qualquer participação, apenas alugava o prédio, mas ainda era um bom acordo. Depois de assinar o contrato com as duas novas empresas, Harry passou um tempo conversando com o Sr. Mac sobre as reformas das lojas e vielas.
— Estive pensando sobre o fato de que a entrada para o Beco acontecerá pelo The Magic. — Disse Harry. — Sei que teremos um fluxo constante de pessoas entrando e saindo sem que tenham interesse no hotel ou seu restaurante.
— Entendo sua preocupação. — Disse Sr. Mac, o arquiteto pensativo. — Você não quer tudo misturado, mas a separação pode tornar estranho também. Tem alguma ideia?
— Bem, primeiro, assim como a parede de tijolos mágicos do Caldeirão Furado, pensei que deveríamos ter algo interativo e divertido para as crianças. Mas algo mais interessante, talvez uma parede colorida e brilhante, uma espécie de mosaico de cores ou música. — Harry deu de ombros sem saber exatamente o que ficaria legal.
— Hum... isso é uma boa ideia. Uma grande parede colorida e brilhante poderia ser uma decoração de destaque. Interessante, muito interessante. — Disse ele parecendo animado.
— Também pensei que ao entrar no The Magic poderíamos ter um hall de entrada com um anfitrião que receberá educadamente o visitante. Claro, que pessoas que entram todos os dias apenas o cumprimentarão e seguirão seu caminho, mas aqueles novos ou que veem com menos frequência seriam auxiliados por ele. — Harry gesticulou com os braços. — Se ele quer ir para o Beco, lhe é indicado a parede, onde pode haver uma orientação sobre como abri-la. Se é o restaurante o anfitrião indica as portas a esquerda e se é o hotel as portas da direita que, claro, terão suas próprias recepções exclusivas para lhes indicar uma mesa ou fornecer um quarto.
— Isso é muito bom, podemos fazer as entradas amplas com portas duplas francesas e esse hall com uma decoração moderna e eclética que agradará todos os gostos e idade. — Sr. Mac estava ainda mais entusiasmado.
— Isso é importante, Sr. Mac, cada loja terá suas individualidades e a opinião de seus sócios, mas no que diz respeito a GER quero que elas tenham essa dualidade em comum. Quero que agrade a bruxos e trouxas, seja eclético e atual, sem exclusão e preconceitos. — Disse Harry sorrindo.
O desejo do Harry de ter uma pizzaria e lanchonete foi realizado quando o Sr. Julian Montesino indicou sua irmã, Filippa Montesino, como uma chefe de cozinha especializada em comida italiana. Srta. Filippa ou Pippa como preferia ser chamada tinha 26 anos e se parecia muito com o irmão, apenas mais bonita na opinião do Harry. A ideia original de ter um espaço servindo hambúrgueres e pizzas se ampliou para um restaurante italiano, mas que também serviria hambúrgueres deliciosos, além de ser uma espécie de delicatesse. Como foi ideia do Harry, o Sr. Edgar e a Srta. Pippa lhe permitiram escolher o nome do lugar e ele decidiu homenagear sua avó, Jacinth. Assim, Ristorante La Giacinta, que a GER tinha 70% e a Srta. Pippa seria a chefe de cozinha, Harry teve a oportunidade de experimentar sua comida e perdeu o folego de tão saborosa.
— Minha avó era uma grande cozinheira, se ainda estivesse aqui, adoraria cozinhar com você, Srta. Pippa. — Disse ele emocionado depois que escolheram o nome e assinaram o contrato.
— Bem, se você quiser vir e cozinha comigo, está convidado. — Disse ela e o beijou na bochecha o fazendo corar.
Harry de repente estava sentindo muito calor e ignorou o sorriso brincalhão de seu padrinho, Sr. Falc e Sr. Edgar.
La Giacinta não era o único lugar que teria uma comida saborosa. A "Coffee & Life" seria uma cafeteria, doceria e delicatesse que serviria comida natural e venderia alguns produtos exclusivos, também naturais. Harry não entendera o conceito e pesquisara muito, descobrira que no mundo trouxa havia um movimento de pessoas que não queriam os alimentos contaminados por agrotóxicos ou qualquer outra química que os levassem a crescerem mais rapidamente. Eram pessoas que defendiam os alimentos orgânicos e no mundo mágico haviam aqueles que defendiam o crescimento dos alimentos naturalmente também, ou seja, nada de poções ou feitiços para a aceleração, apenas o uso de adubos naturais. Harry descobriu que todas as suas fazendas produziam, antes de serem interrompidas por Dumbledore, comida natural e passou um bom tempo perguntando e aprendendo sobre o assunto com Alma Seagrave. Srta. Alma era galesa e dona de uma pequena fazenda de comida natural em Erwood, ela vendia seus alimentos no mundo trouxa, pois era mestiça, mas também os vendia ilegalmente para clientes bruxos. Quando o Sr. Edgar lhe ofereceu a chance de abrir uma cafeteria onde poderia vender seus produtos, assim como vender a comida produzida com seus produtos, ela aceitara com muito entusiasmo. Srta. Alma convidou sua melhor amiga para ser coproprietária, assim a Sra. Adélia Talgarth que era nascida trouxa e galesa também, estaria cuidando mais da administração da Coffee & Life, a Srta. Alma da fazenda e as duas de cozinhar os doces, salgados e sanduíches servidos na cafeteria. As duas dividiriam 40% entre si e a GER seria dona de 60%. Harry estava, particularmente, interessado porque ao pesquisar sobre o assunto, descobriu que enquanto suas fazendas estavam paralisadas o mercado se voltara para comidas produzidas de maneira não natural, isso as barateava, mas tirava seus nutrientes. Era claro para ele que, quando decidisse voltar ao mercado de alimentos naturais, uma campanha sobre os benefícios desses alimentos teria que ser feita ou não seriam competitivos.
A "Essence Spéciale" seria uma linda loja de perfumes e cosméticos. Harry foi apresentado ao Sr. Kabir Clement que parecia estar vibrando com tanta energia e animação, ele lhe deu um abraço apertado e falou em francês muito rápido, claro, Harry não entendeu quase nada. Depois, eles se sentaram e Sr. Clemente diminuiu o ritmo e Harry pode treinar um pouco seu francês, ainda que a conversa foi quase sempre em inglês, enquanto ouvia sua história. Sr. Clement era nascido trouxa, meio indiano, meio francês, tinha 46 anos e devido a sua origem e trabalho da família na Índia, se interessou logo cedo pela arte de fabricar perfumes. Ele tinha uma fábrica em Paris e uma loja de perfumaria, também conseguiu abrir uma loja em um shopping em Londres, mas devido ao seu status de sangue nunca conseguiu abrir uma no Beco Diagonal. Até agora. Harry ouviu seus planos e ideias, era claro que o homem era um empreendedor e visionário, ele também queria abrir uma fábrica na Inglaterra e ampliar a linha de produtos. Isso muito lhe interessou, pois significava mais empregos para os nascidos trouxas e ao conversar com o Sr. Edgar, sugeriu que oferecessem sociedade para esse empreendimento.
— A questão é que Kabir tem um sócio na França, Sr. Delacour, que cuida mais da área financeira, mas não se preocupe que conversarei com ele e farei uma proposta. Você tem razão, Harry, isso seria algo incrível e traria muitos empregos para o mundo mágico britânico. — Disse Edgar sorrindo animadamente.
— Se ele tem um sócio porque a dificuldade em abrir a loja no Beco? Ele é nascido trouxa também? — Harry perguntou confuso.
— Não, é um puro-sangue, mas é estrangeiro, francês, e por isso é como se fosse nascido trouxa, as taxas e imposições são as mesmas. — Informou Edgar chateado.
— Que absurdo. — Harry suspirou cansadamente.
— Sim. E, você, como está? — Perguntou ele percebendo seu cansaço.
— Exausto, feliz e alegre, mas muito cansado. — Harry foi sincero e olhou em volta para a área do saguão da GER onde os convidados socializavam em pequenos grupos e comiam. — Essa ideia de conhecê-los, assinar os contratos e comemorar foi brilhante, mas confesso que exaustiva.
— Eu imaginei que seria, mas estamos quase acabando, temos mais 2 contratos para assinar e eles estão esperando ansiosos por sua vez. Depois encerramos e você pode descansar um pouco ou curtir a festa. — Edgar disso em tom paternal.
— Quais são os números, Sr. Edgar? — Perguntou Harry curioso, perdera as contas.
— Inicialmente tínhamos 43 prédios, o hotel...
— The Magic. — Harry o corrigiu sorrindo. — Gostei do nome, acho que vai pegar fácil.
— Concordo. O The Magic engoliu 5 prédios e uma viela, assim restaram 38, um deles é a sede da GER.
— Portanto, restaram 37 prédios e quantos contratos assinarei hoje?
— Com os próximos dois, 17 prédios.
— Merlin, pareceram mais. Quer dizer que ainda faltam 20 prédios vazios, isso é muito, Sr. Edgar, principalmente, porque o Festival será mais bonito se não houverem lojas vazias. — Harry expôs preocupado.
— Sim, mas esse número não é o total de possibilidades, lembre-se que ainda estamos negociando com alguns ilegais e mais indicações surgiram naturalmente nas últimas semanas. — Edgar sorriu suavemente. — Não vou mentir, é possível que não tenhamos ocupação completa, mas isso não é incomum, aposto que em janeiro, depois do Festival, receberemos dezenas de pedidos de novos negócios e até faltarão prédios.
Mais tranquilizado, Harry acenou e concordou em conhecer o próximo associado que acabou por ser David Coleman o informal que lhe vendera sua vassoura. A "Sports Company" seria uma loja de 3 andares com produtos, equipamentos, uniformes para todos os tipos de esportes trouxa, além do quadribol, claro. David, nada de senhor, "Isso me faz sentir velho, cara", era jovial, inteligente, animado e cheio de ideias, nascido trouxa, 23 anos e elétrico. Investira cada centavo que tinha e, portanto, 35% da loja lhe pertencia, mas isso não o preocupava.
— Tenho esperança de que a loja será um sucesso tão grande que logo abriremos uma filial em Hogsmeade. — Disse ele sorridente.
— Essa é uma grande ideia. — Harry sorriu também e não lhe disse que gostava ainda mais do pensamento de abrir uma loja na Londres trouxa. — Depois gostaria de conversar com você sobre o Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. Você trabalhou lá, não é mesmo?
— Sim, cara, mas o lugar é lixo, sabe como é? Tem um chefe de departamento estúpido e ninguém leva nada a sério, só se preocupam em ir aos jogos, se exibir para as namoradas e conhecer os grandes jogadores. — David ficou sério e fez uma careta. — Ninguém lá se preocupa em melhorar ou promover o esporte, cara, parece que só trabalham porque adoram quadribol e não tem competência para fazer mais nada. Eu mostrei minhas ideias, mas o Sr. Ludo riu de mim, meu salário era uma piada de fazer chorar, sabe como é? E tinha puros-sangues que ganhavam muito mais para não fazer nada, cara, apenas ficar de bobeira e assistindo jogos. Me cansei e saí fora, cara.
Harry acenou e sorriu, gostou muito de David, talvez ele pudesse lhe ajudar a colocar as ideias de seu pai em prática.
— David, tenho algumas ideias para a Liga de Quadribol e muitas perguntas, você estaria disposto a me ajudar? — Harry perguntou animado.
— Ideias como essas que você teve quando inventou a GER? É claro que estou disposto a ajudar, cara! Seja o que for, pode contar comigo e, se ainda voltarmos para esses sacanas puros-sangues, ainda melhor, sabe como é? — Disse David saltitando de animação.
Harry riu divertidamente e prometeu encontrá-lo mais tarde. Em seguida conheceu o último associado, Linda Field que era uma nascida trouxa de 27 anos. Srta. Linda era paisagista e jardineira, aprendeu com seu pai, que trabalhou como jardineiro toda a vida, e fez vários cursos na área de arquitetura de jardins, sua loja "Tools & Gardens" seria, inicialmente, uma loja de equipamentos de jardinagem com a possibilidade de o cliente contratar a Srta. Linda para realizar o paisagismo em seu jardim. Todos estavam seguros que seria algo que se tornaria popular rapidamente quando se espalhasse que os jardins das grandes mansões puros-sangues teriam uma arquitetura exclusiva. Fora Sirius quem sugerira que a loja poderia ter outros tipos de equipamentos, assim, ferramentas diversas foram acrescentadas aos produtos de jardinagem. Srta. Linda não acreditava que algum bruxo compraria martelo, chave de fenda ou ferramentas para concertar carros, mas Sirius disse que haviam muito mestiços e nascidos trouxas, até mesmo puros-sangues como ele, que tinham carros, motos e gostavam de fazer carpintaria mágica ou trouxa e assim por diante. E sabendo que tinham todas essas ferramentas em um mesmo lugar no Beco Diagonal, muitos bruxos não se preocupariam em ir para a Londres trouxa procurar lojas e mais lojas até encontrar o que precisavam. Assim a Tools e Gardens tinha todos os tipos de equipamentos mágicos e trouxas para trabalhos manuais em várias áreas, jardinagem era apenas um setor. Harry tinha a impressão que entendedores do assunto teriam que ser contratados para auxiliar a Srta. Linda e, soube por Edgar, que isso já estava sendo providenciado, além disso ela também concordou em aprender o que fosse necessário.
Com o último contrato assinado, Harry pode circular e conversar com todos e se divertir, comer e beber. Ele passou mais tempo com David para entender as regras e leis que o Ministério usava para controlar a Liga de Quadribol. Conversou mais com Henry que estava esperançoso em levar sua filha na Clínica Relive e com a possibilidade de que eles poderiam ajudá-la. Esteve com Fiona e perguntou sobre poções e os rituais realizados por sua família na Irlanda. Ao fim do dia sentiu-se muito feliz e próximo com todas aquelas pessoas tão animadas e esperançosas de terem um mundo mágico melhor.
Quando pode ir para casa onde vivia com sua tia, Harry estava exausto, mas tão feliz que poderia estar flutuando, tinha a intuição de que o mundo mágico nunca mais seria o mesmo. Sua tia o esperava e quis saber se tudo foi bem, Harry lhe contara tudo o que acontecera, descobrira e estava realizando no último ano, tia Petúnia tinha dificuldades em compreender que o sobrinho era um grande empresário e predito em uma profecia. Pareciam dois mundos diferentes, mas ela ficara grata pela mentira do Sr. Niall, pois sabia que Vernon teria perdido toda a sua herança, assim como fizera com a dela. Harry sabia que a tia estava ansiosa com sua partida, Dudley lhe faria companhia, mas agora ela tinha que começar a tomar decisões mais práticas sobre a própria vida que vinha adiando. O processo de divórcio seria litigioso, pois Vernon não queria a separação, dividir bens ou ceder a guarda do Duda. Felizmente, o advogado que sua tia contratou era muito bom e ela estava mais esperançosa do que preocupada.
Harry, no dia seguinte, observou seu primo se olhar no espelho, ainda estava gordo, mas entre o peso perdido e o crescimento natural, não parecia tão obeso como antes.
— Não tem por que ficar nervoso, você se sairá bem. — Disse Harry tentando acalmá-lo.
— Eu sei, mas pelo que disse a Sra. Serafina essa escola é a melhor para mim e não quero perder a oportunidade, quer dizer, sinto que posso fazer bem lá. Entende? — Seu primo disse tenso.
Harry acenou pensando na mudança que 2 meses causaram no primo, agora ele estava mais sério, preocupado com a mãe e os estudos. Não que ele era um garoto brilhante ou superinteligente, mas só pelo fato de estar olhando em volta e se esforçando, deixou de ser o garoto estúpido, egoísta e alienado de antes. Harry não acreditava ter mérito, ele apenas fizera um pequeno movimento, foi seu primo que fez o resto por si mesmo. A escola que sua tia e Dudley estavam visitando fora recomendada por Serafina, a City Of London School era uma escola para meninos e uma das melhores de Londres, tinha um excelente currículo, atividades extracurriculares, bons professores, incríveis instalações e reputação de se preocupar com o lado humano do aluno e não apenas o acadêmico. Dudley teria que fazer uma prova e passar por uma entrevista e estava muito ansioso, Serafina, Harry e sua mãe o vinham preparando como podiam para os testes de admissão e agora chegou o dia.
Depois que os dois saíram, Harry subiu para seu quarto para terminar de arrumar suas coisas, hoje era seu último dia na Evans House. Quando seu primo e tia voltassem, eles sairiam para passear no Hyde Park e no shopping, jantar e se despedir. Na manhã seguinte ele estaria indo do treinamento no Centro Esportivo direto para os Chalé Boot com Sirius, onde ficaria até embarcar na terça-feira. Isso porque no domingo eles estariam em Oxford para um grande almoço de despedida e na segunda-feira, Harry tinha mais uma última reunião antes de poder se concentrar apenas em Hogwarts e ser um estudante.
Quando desceu para fazer um lanche, Harry parou e olhou para o quarto da mãe, uma parte dele não queria olhar para ele, era muito triste pensar em como ela se foi tão jovem. Mas, Harry não queria partir sem ao menos ver como era, assim decidiu entrar, se fosse muito difícil, ele sairia. Abrindo a porta suavemente, Harry olhou em volta e sorriu ao ver que não era nada do que esperava. Ao em vez de um quarto cheio de babados, ursos de pelúcia e cores suaves, se viu em um quarto cheio de livros, pôster de bandas de músicos, a cor violeta predominava e a decoração pareceu forte como Lily. Sorrindo ainda mais, Harry foi até a escrivaninha e viu alguns papeis de cartas com rascunhos, "Lily Potter", "Lily Evans Potter", "Lily e James", "James e Lily", "L&J", "James Evans", ele não conteve o riso nesse último. Os livros eram todos trouxas, Shakespeare predominava, mas também tinha Jane Austen e as Irmãs Brontë, uma romântica, pensou Harry, carinhosamente. Os pôsteres eram da banda ABBA, The Rolling Stones, Led Zeppelin e Harry decidiu que sua mãe tinha muito bom gosto e um lado roqueira que ele não conhecia.
Procurou na gaveta por algum diário, mas não encontrou, sua mãe nunca escrevera em um ou estava em algum lugar mais seguro. Abrindo o guarda roupa, viu algumas roupas trouxas antigas que ela deve ter deixado quando se casou e sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Suspirou, não podia ser deixar levar, já aceitara sua decisão, a perdoara e a amava ainda mais por sua coragem e por seu presente amoroso, mas tinha que seguir com sua vida.
— Obrigado, mamãe. — Sussurrou e deixou o quarto fechando a porta.
Ele estava pronto para visitar seu quarto, falar dela, com ela, sorrir e ser feliz, mas sua tia ainda não estava, Harry a viu olhar com culpa e tristeza para o quarto de sua mãe algumas vezes. Tinha esperança que com o tempo...
A porta da frente se abriu e Harry desceu rapidamente os últimos degraus.
— Então? — Perguntou ansioso para os dois.
— Ele conseguiu a vaga. — Disse sua tia animada e orgulhosa, Harry comemorou e bateu nas costas do primo, que corou. — Nós explicamos tudo, o bullying, a influência de Vernon e minha atitude permissiva, o que explica suas péssimas notas. Contei como Duda percebeu por si mesmo seus erros e vem estudando muito, se esforçando para entrar em uma boa escola que o ajude a ter um futuro.
— Ela me fez um monte de perguntas e fiz o que me falou, Harry, fui sincero, objetivo e quando não entendi alguma coisa, perguntei. O exame foi muito difícil e ela não deu nota, mas acho que foi o suficiente para conseguir a vaga. — Disse Duda timidamente.
— Isso é ótimo! Vamos sair e comemorar, hoje é por minha conta. Duda, você vai adorar o Hyde Park... — Disse Harry sorridente e pelo resto da noite os três se divertiram, quem os observasse não pensaria que eles eram uma família a poucas semanas.
Pela manhã, Harry foi surpreendido por um café da manhã de despedida de sua tia, grande, saudável e saboroso.
— Não precisava, tia Petúnia. — Disse ele enquanto comia com empolgação.
— Precisava sim e ainda é pouco... tenho muito o que compensar. — Disse ela e suavemente passou a mão por seus cabelos bagunçados.
Harry tentou não se tencionar, ainda era estranho ser tocado por ela, ainda que carinhosamente. Terminou de comer e estava lavando o último prato na pia quando ouviu a batida de Sirius na porta para levá-los ao Centro Esportivo, Duda se apressou em ir pegar sua mochila.
— Bem, tchau, tia Petúnia, nos vemos em 17 de dezembro. — Disse Harry ajustando a sua mochila no ombro esquerdo.
— Você pegou tudo, não se esqueceu de nada? — Perguntou ela arrumando a gola de sua jaqueta.
— Tudo certo. Hum... a senhora sabe enviar cartas pela Edwiges agora, se precisar me enviar algo urgentemente, pode pensar e ela sentirá que a senhora precisa dela. — Disse Harry tentando pensar em tudo. — Se precisar de ajuda com qualquer coisa pode entrar em contato com a Sra. Serafina, ela lhe deu o telefone do trabalho dela.
— Sim, eu sei tudo isso já, não se preocupe, ficaremos bem. — Disse ela suavemente e segurando seu rosto, continuou. — Você é quem deve ser cuidadoso. Aquela escola não é muito segura, não confio que Dumbledore o deixará em paz quando perceber que foi enganado e ainda tem essa história desse pequeno... Dobby.
— Eu serei cuidado, prometo. Adeus, tia. — Disse Harry e hesitante fez um movimento para abraçá-la, mas Petúnia o puxou contra ela e o apertou com força.
— Adeus, Harry. — Sussurrou sua tia emocionada.
Mais tarde naquela manhã, Harry teve seu último treino com o O-Sensei Koolang e ele queria repetir sua luta com Quirrell, claro, não estava indo bem porque tinha muita magia envolvida.
— Harry, eu sou seu mestre e um bom professor, posso ver quando alguém está mentindo. — Disse ele depois de um tempo. — Se não me disser a verdade, não posso te ajudar.
— Desculpe, é complicado. — Disse Harry sincero.
— Bem, é claro que é. Um professor tentando matar um aluno é mais do apenas complicado, é uma aberração. Harry, eu o conheço a semanas e já percebi que é diferente, assim como meu amigo, King. Não precisa me dizer o que não pode, apenas me diga o que aconteceu na luta, não farei perguntas. — Disse ele solenemente.
— Promete? Sem perguntas ou pensar que sou louco? — Harry o questionou ansiosamente.
— Prometo.
— Ok. Bem, Quirrell é um seguidor do homem que assassinou meus pais e que está tentando voltar ao poder, foi por isso que tentou me matar. Quando lutamos, eu sabia que ele era mais forte e pod, quer dizer, que poderia me vencer, assim, decidi que minha estratégia era pegá-lo de surpresa e usar o meio para atacá-lo. — Explicou Harry, escolhendo as palavras com cuidado.
— O que o fez atacar e não apenas se defender do ataque?
— Porque eu queria matá-lo. — Harry falou com sinceridade. — Sei que isso não vai de encontro a filosofia do Aikido, mas o maldito matou meus pais e eu queria, ainda quero, vingança.
— Ok. A vingança e a justiça são irmãs e a filosofia do Aikido não é contra a justiça. Mas não entendi, pensei que Quirrell te atacou e não o...
— Voldemort? Bem, eram os dois, na verdade.
— Você lutou com os dois? — Koolang parecia incrédulo.
— Sim, de certa maneira, eram o dois em um. Um só corpo. — Harry viu uma expressão curiosa passar por seu rosto e continuou. — Meu plano deu certo e o incapacitei ou me pareceu assim. Então, eu errei duas vezes, hesitei em finalizá-lo, o que lhe possibilitou se recuperar e me atacar. Depois quando me levantei, conversamos e não percebi que ele estava apenas me distraindo para me atacar de novo e foi assim que me vi no chão com ele sobre mim, me estrangulando.
— Muito bem. É bom perceber que você compreende o que fez de errado, hesitar em finalizar é algo comum em primeiras lutas, somos humanos e é natural sentirmos compaixão ou mesmo culpa. A verdade é que vencer pode ser tão difícil quanto perder. — Disse Koolang sabiamente.
— Sim, mas, naquele momento, perder significava morrer e foi uma tolice, principalmente sabendo o quão poderoso Voldemort é. — Disse Harry suspirando.
— Uma importante lição aprendida, então. Sobre ser distraído e atacado, o que levou você a isso? — Questionou Koolang ignorando o escorregão dele ao falar de poder.
— Arrogância, acredito. Eu havia chegado mais longe do que eu esperava e mesmo Voldemort reconheceu isso, me pediu para me juntar a ele e isso me pareceu uma espécie de vitória. Entende? — Disse Harry pensativo.
— Sim, o reconhecimento de suas habilidades por ele deve ter sido gratificante, não é incomum essa estratégia em uma luta para distrair o oponente. As vezes uma ofensa, elogio, pedido de misericórdia, para em seguida atacar. Como você se livrou dele quando ele estava te estrangulando? — Koolang lhe perguntou objetivamente.
— Não me livrei, tive sorte porque quando Quirrell me tocou... — Harry hesitou olhando para seu O-Sensei. — Bem, é difícil explicar, mas quando ele me tocava fisicamente, era doloroso, suas mãos queimaram, assim ele me soltou por conta própria. Isso me deu uma vantagem e coloquei minhas mãos no rosto dele e tentei empurrá-lo de cima de mim, sem sucesso, quando ele pegou a va... a arma e tentou apontar para mim, segurei sua mão e a desviei para longe. Então, meus amigos entraram para me ajudar e Quirrell tentou apontar na direção deles, percebi que se não acabasse com a luta, eles poderiam se machucar, assim segurei sua mão com as minhas duas mãos e apontei para seu pescoço e..., bem, sua cabeça explodiu.
O-Sensei Koolang ficou em silencio o encarando, mas ao perceber que Harry estava falando a verdade acenou e sem perguntas passou a ensinar técnicas e golpes para sair de uma situação como essa. Harry, particularmente, gostou de saber os lugares do corpo humano que provocavam dor, dormência e até inconsciência no oponente.
Depois, Harry se despediu de King e pediu a ele para cuidar bem de Sirius.
— Não se preocupe, Harry, estamos montando uma boa equipe e estarei na retaguarda, além disso, seu padrinho receberá um grande treinamento. — Disse ele maliciosamente e Harry o encarou confuso.
O dia seguinte foi para se despedirem dos Boots e Madakis. Terry passou muito tempo com a avó, o fim do verão mostrou a Sra. Honora em um declínio em sua memória e todos temiam, seu amigo mais que qualquer um, que ela não se lembrasse mais da família em breve. Prof.º Bunmi lhes deu muitas tarefas, livros e um programa de estudo para o próximo semestre até o natal, incluindo Hermione, e estava otimista que no próximo verão eles poderiam avançar dois ciclos ao em vez de um só. Isso os faria terminar o ensino médio com 16 anos e não com 18, o que era muito animador.
Harry e Terry passaram muito tempo com os irmãos, Adam, estava muito ansioso porque começava a estudar na escola trouxa nesta semana, Ayana não parava de falar de sua festa de aniversário que seria em 3 semanas, ela estava fazendo 9 anos e pretendia convidar todos os amigos da escola. Harry já lhe comprara um presente e outro para Hermione, que também fazia aniversário em setembro.
Finalmente na segunda-feira, Harry teve uma última reunião com o Sr. Falc, Sra. Serafina e Sirius.
— Harry, agendei uma reunião com a Linda para discutir o projeto do Jardim da Lily, antes de partir quero que você anote todas as ideias que tem, tudo o que quer que tenha no jardim e como o imagina. Será um projeto longo e por isso quanto antes começarmos melhor. — Disse ela suavemente. — Sirius me deixará estrar na casa e recolherei todos os objetos e móveis, deixaremos guardados na Abadia que tem muitos quartos vagos.
— Pretendemos contratar o Ian para a demolição do Chalé Iolanthe. Você está certo disso, Harry? — Sirius perguntou suavemente.
— Completamente. Nada me deixará mais feliz e antes de começar o jardim gostaria que a Srta. Linda me enviasse o projeto, eu tenho algumas ideias e quero ter certeza que ficará como imagino. — Disse Harry com firmeza.
— Bem, isso de lado. Você disse que tinha algumas perguntas, Harry. Imagino que seja sobre a pasta que encontrou com o testamento do Sr. Lindel Stronghold. — Disse o Sr. Falc tirando alguns documentos de uma pasta.
— Na verdade, primeiro eu queria saber como minha mãe entrou no cofre se apenas o sangue Potter pode acessá-lo depois da antessala? — Harry questionou algo que o confundiu.
— Porque ela era uma Potter, por casamento. — Disse Sirius como se fosse óbvio, Harry o encarou ainda confuso.
— Harry, quando dois bruxos se casam a cerimonia é mais do que promessas bem-intencionadas, existe um juramento mágico e vinculativo. Assina-se um contrato mágico e a cerimonia cria uma ligação mágica eterna entre os dois bruxos. — Serafina explicou com um sorriso.
— Oh! Então, a magia do cofre percebe o vínculo e que minha mãe é uma Potter. — Harry acenou compreendendo e sorriu lembrando dos rabiscos que sua mãe fez quando adolescente. — Ok, então, o senhor descobriu sobre o testamento do Sr. Stronghold?
— Sim. Com os papéis enviados por Dumbledore, tive acesso a essa parte de sua herança que não estava com Corner e não me pergunte porque o diretor decidiu manter em sua posse, não tenho ideia. — Explicou Sr. Falc claramente confuso.
— Se conheço um pouco o diretor, ele deu pouca ou nenhuma importância a isso, duvido até que se preocupou em verificar exatamente quais propriedades eu herdei. — Harry suspirou e bagunçou os cabelos. — Dumbledore a parte, Sr. Falc, eu não entendo porque herdei qualquer coisa de um estranho.
— E aí é que está, Harry. Sr. Stronghold não é, completamente, um estranho, estive olhando em livros de genealogia para verificar se não havia mesmo nenhum familiar para ele deixar sua herança e descobri que vocês são primos, muito distante, mas ainda primos. — Sr. Falc mostrou a linha e Harry a leu surpreendido.
— Nossa! A avó dele era prima da minha trisavó Laura Fleamont! — Harry sorriu animado. — Ele era um Fleamont também!
— Sim, elas eram primas irmãs e as últimas Fleamont, não havia descendentes homens como já sabíamos. A linha da Sra. Liliane termina com o Sr. Stronghold, que teve um filho, Douglas, ele era auror e morreu na guerra. Segundo minhas pesquisas, ele foi assassinado pelo próprio Voldemort. — Falc tinha uma expressão triste e Harry olhou para o nome de Douglas Stronghold, apenas 28 anos, tão jovem, assim como seus pais e Carole.
— Acredito que foi por isso, então, que ele me deixou tudo. Sr. Stronghold não tinha herdeiros, devia saber que éramos primos distantes e como acreditava que eu matei Voldemort, quis agradecer. — Harry suspirou, fez uma prece de agradecimento e prometeu visitar seu túmulo e do filho nas férias de inverno.
— Sim, acredito que foi uma combinação disso, porque primos distantes ele tinha outros. O mundo mágico é pequeno o suficiente para que todos sejamos relacionados em algum ponto. — Sr. Falc tirou algumas planilhas. — O Sr. Stronghold tinha participações em alguns negócios, nada muito grande ou lucrativo, mas seu cofre era bem generoso. Tem ouro, joias, armas, acredito que depois você pode visitar e descobrir o que quer fazer com isso, podemos transferir tudo para o Cofre Potter. Suas propriedades são uma mansão em Edimburgo, uma em Londres, uma casa de campo em Blackford, também na Escócia e o mais interessante. Aqui, veja isso.
Harry se inclinou para ler e engasgou, arregalando os olhos de choque
— Isso é sério?
— O que é? — Serafina perguntou curiosa.
— Uma ilha, e um castelo. — Falc disse sorrindo.
— Ele lhe deixou uma ilha e também um castelo? — Perguntou Sirius confuso.
— Não, é um castelo em uma ilha. Fica no Mar do Norte, a muitos milhares de quilômetros da costa da Escócia, aqui, olhe o mapa.
— Mas nesta região não tem ilhas. — Serafina disse convicta.
— Não no mapa dos trouxas, a ilha está cheia de proteções e não pode ser encontrada por eles, mas nós temos a localização por coordenadas, assim poderemos chegar facilmente. — Explicou Falc e sorriu. — A descrição do lugar é que tem 30 quilômetros de extensão e uma floresta que abrange quase toda a ilha, o ponto mais alto é uma montanha de uns 1200 metros de altitude onde foi construído o castelo ou "The Stronghold".
— A Fortaleza. — Disse Sirius animado. — Se o castelo for antigo pode ter sido construído como uma fortaleza realmente. Seria incrível poder visitá-lo e saber se está bem conservado.
— Deve estar, Dumbledore pode não ter dado muito importância a isso, mas ele tinha a localização e deve ter enviado os elfos para cuidar dessas propriedades nos últimos 7 anos, desde que o Sr. Stronghold faleceu. — Explicou Falc.
— Isso é algo que eu não entendi, vi as escrituras das propriedades Potter, mas não haviam endereços. Como chegamos até elas? — Perguntou Harry curioso.
— Por coordenadas, Harry. Ao longo dos séculos os bruxos e trouxas mapearam a Terra e temos uma classificação. Lembra-se das aulas de Geografia? — Perguntou Serafina sorrindo.
— Oh! Latitude e Longitude, a rosa dos ventos, os graus e tudo o mais. Entendi. — Harry se sentiu bobo por não ter pensado nisso antes. — Bem, vocês podem visitar e ver se está tudo certo com todas as casas, eu quero muito visitar Hallanon e a Mansão dos meus avós nas férias de inverno e agora também gostaria de conhecer The Stronghold. E falando sobre cuidar das propriedades, como faremos isso agora que não utilizaremos mais os elfos doméstico, Sr. Falc?
— Eu tenho um amigo, Hélio Jonas que tem uma empresa que cuida da manutenção das propriedades das famílias antigas. Ele atende famílias que não tem elfos, claro, e é muito confiável. — Disse Sr. Falc sorrindo.
— Jonas? Ele é parente do Prof. Jonas? — Harry estava surpreso.
— Exato. Hélio é o irmão mais velho de Hector, todos fomos para Hogwarts juntos, mas seu professor é alguns anos mais jovem. Os Jonas são donos da Madeireira Mágica que você tem 25%, Harry, mas Hélio decidiu trabalhar por conta própria e abriu sua própria empresa com a esposa. Ela faz a limpeza e ele o trabalho de carpintaria e manutenção que a casa possa necessitar. Eles também verificam se as pedras alas estão precisando de manutenção de um quebrador de maldições, algo que elfos domésticos não podem ou sabem fazer, assim, a primeira coisa que faremos é verificar se as proteções mágicas de cada propriedade estão em total funcionamento. — Explicou Falc e Harry acenou com um suspiro, era incrível quantas coisas ele não sabia.
— Não se preocupe, Harry, cuidaremos de tudo isso enquanto você estiver em Hogwarts. — Disse Sirius apertando seu ombro carinhosamente.
— E também não se preocupe como tudo o que você não sabe, Harry, pois tem muito tempo para aprender, as crianças de 12 anos puros-sangues não sabem todas essas coisas. — Serafina disse comum sorriso suave, Harry sorriu de volta e acenou.
— Tenho algumas notícias sobre o livro, "Harry, O Aventureiro". — Disse Falc e Harry o encarou ansioso. — Pesquisei e destrinchei o contrato, felizmente, não há nada nele que nos impeça de cancelar a autorização dada por Dumbledore do uso do seu nome.
— Sim! — Harry comemorou animado.
— Isso não significa que podemos fazer com que os livros já escritos e publicados sejam retirados das livrarias como você quer. — Explicou Sr. Falc e o sorriso do Harry morreu. — Apenas, a partir do momento que cancelarmos o contrato com a editora, ela não poderá publicar uma única linha que envolva Harry, O Aventureiro.
— Isso é melhor que nada, Harry, seria pedir demais que os livros já nas livrarias ou comprados por crianças fossem queimados como você gostaria. —Serafina bagunçou seus cabelos para consolá-lo.
— Suponho que sim. — Harry suspirou e pensou na melhor maneira de agir, por fim disse com determinação. — Cancele o contrato, Sr. Falc, imediatamente, deixe claro que os livros não poderão continuar a serem publicados ou os processaremos, nem mesmo uma versão com outro nome ou o mesmo, mas sem a frase "Baseado na vida de Harry Potter". A série, Harry, O Aventureiro, a partir de hoje, está morta.
Mais tarde naquele dia, Harry e Sirius saíram para andar com a motocicleta voadora, não foram longe ou por muito tempo, Terry, Ayana e Adam também queriam um passeio. Ainda assim, a emoção de voar sentado no sidecar foi imensa, enquanto conversavam, Harry se lembrou de sua visão, quando andou com seu pai e Sirius no jardim do Chalé Iolanthe ainda bebê.
— Sirius? Você me ensinará a pilotar no próximo verão? — Harry gritou entusiasmado dentro do capacete.
Sirius soltou uma gargalhada e acelerou, antes de diminuir e responder.
— Como se Serafina permitisse isso. — Ao ver seu rosto mal-humorado e olhos verdes implorando, acrescentou. — Você sabe que não posso decidir isso por mim mesmo, certo? Terei que discutir com os Boots e sua tia também está na equação, agora.
Harry acenou lembrando-se da discussão que ouviu entre eles semanas atrás, logo depois do seu acidente. Isso quer dizer que não poderia fazer nada se todos os 4 não concordassem com isso? Ótimo. Sua vida prometia ser bem chata se dependesse da Sra. Serafina e tia Petúnia.
— Você tem certeza que não podemos ser vistos, Sirius? — Harry decidiu mudar assunto e que o melhor era ouvir seu padrinho explicando os inúmeros feitiços que possibilitavam a moto voar e ainda ser invisível, ele já ouvira tudo antes enquanto arrumavam a moto, mas era um assunto que muito lhe interessava.
Depois que seus irmãos tiveram a sua vez de voarem, a família jantou, Sr. Boot e Sra. Honora incluídos, foi mais um momento de despedida e Harry se sentiu nostálgico a noite toda. Estava ansioso para voltar a Hogwarts, mas agora que tinha uma situação familiar tão incrível, uma parte dele gostaria de não ir para um colégio interno, de repente, dezembro parecia muito distante.
Pela manhã, Adam veio buscá-lo para os quatro se deitarem na cama de Terry, se aconchegarem e se despedirem.
— Passamos o verão todo juntos, dezembro chegará antes que percebamos e vocês dois estarão ocupados com a escola trouxa, fazendo amigos. Aposto que até esquecerão de escrever para seus irmãos chatos. — Disse Terry e fez cosquinha em Adam que riu divertido.
Sra. Serafina os encontrou dormindo mais tarde e apressou em enviá-los para se arrumarem. Harry tinha tudo pronto, apenas colocou sua roupa de viagem já separada, uma camiseta azul com uma imagem da Banda U2, um jeans preto rasgado, botas de couro preto de cano médio. Em sua mochila tinha o livro sobre transformação animagus de Aaron Mason, "Animagus: O encontro dos espíritos", que ele estava ansioso para ler, e seu uniforme para vestir quando chegasse a Hogwarts. Sentindo-se pronto, se despediu de seu quarto e do Chalé antes de partirem de carro para a estação.
Eles viajaram de trem até King' Cross e chegaram com 20 minutos de antecedência, ainda assim, a estação nove e meia estava abarrotada de pessoas e fumaça branca que os impedia de ver muito a frente. Harry se despediu de todos com grandes abraços, inclusive o Sr. Falc, que pareceu emocionado, pois era o primeiro abraço que trocavam. O abraço em Sirius demorou um pouco mais enquanto sussurravam um para o outro.
— Eu te amo, Harry, mais que tudo. Cuide-se e mantenha-se seguro, ok?
— Eu vou, prometo, mas você também tem que ficar seguro, Sirius. Use seu cérebro e não seja um tolo Gryffindor. — Zombou Harry com uma piscadela.
— Ei! — Protestou Sirius antes de apertá-lo outra vez. — Eu prometo.
— Eu te amo, Sirius.
Quando se despediu da Sra. Serafina, timidamente, lhe fez um pedido.
— Eu... se a senhora não quiser tudo bem, mas queria saber que a senhora poderia ficar atenta a minha tia. — Harry engoliu em seco e a olhou, seus grandes olhos verdes ansiosos. — Ela está se sentindo perdida, solitária e as vezes percebo que se culpa por tudo e, então, fica magoada com as ações do meu tio. Ela tem sido forte, mas tenho receio...
— Harry, não precisava nem pedir. É claro que visitarei Petúnia e os convidarei para fins de semana no Chalé, prometo apoiá-la, assim, não se preocupe. — Disse Sra. Serafina sincera.
Harry apenas suspirou aliviado e a abraçou mais uma vez, lhe dizendo um abafado:
— Obrigado. Nunca poderei lhe dizer o suficiente o quão grato eu sou.
— Não precisa. Eu sei. — Disse ela lhe dando um último beijo antes de deixá-lo ir.
Harry e Terry se acomodaram com suas mochilas na cabine em que se conheceram, trocando um sorriso ao perceberem que fazia um ano desde aquele dia.
— Acho que foi minha mãe quem me guiou, para o amigo certo, o melhor. — Disse Harry e Terry sorriu ainda mais.
— Bem, então, tenho que agradecer a sua mãe porque eu também recebi o melhor amigo e um irmão.
NA: Rapidamente, eu sei que alguns de vocês acham os negócios e personagens novos chatos e cansativos, mas espero que tenham paciência e entendam que era importante apresentar as mudanças que ocorrerão no Beco nos próximos meses. Não farei isso com frequência e pretendo me concentrar mais nos problemas do diário a partir de agora. Apenas no festival teremos mais detalhes. Para aqueles, como eu, que gostam e estavam ansiosos em conhecer os negócios da GER e quiserem me ajudar, faltam 20 lojas! 20! Eu não sei mais que negócios pensar e nem pensei nestes todos sozinha. Aceito sugestão e agradeço. Por favor, revisem e me digam o que gostaram ou não, isso me ajuda muito. Até a próxima, Tania
