Capítulo 50

A festa na piscina acabou se tornando uma festa surpresa de aniversário para a Hermione, quem teve a ideia foi Terry, que os lembrou que a amiga fazia aniversário em apenas 4 dias.

— Provavelmente estaremos muito ocupados para reunir todos em outra festa e poderemos fazer algo mais simples só entre nós no sábado. — Apontou ele, inteligentemente.

Neville e Harry concordaram prontamente e eles se dividiram para ajudar a montar a surpresa. Terry distraiu Hermione com o projeto de Transfiguração, Neville conversou com algumas meninas para fazerem uma decoração e Harry foi a cozinha pedir a Mimy alguma comida e fazer um bolo de aniversário. Quando ele disse que era para o aniversário da Hermione, os elfos se agitaram animados e ansiosos para fazerem algo por ela, pois todos a adoravam. Os professores, Joe e Charlie concordaram em participar e supervisionar a festa na piscina, além de ajudarem na montagem da decoração e mesa de comida.

Penny, Fred, George e todos os 2º anos foram convidados, com exceção dos Slytherins, ainda que Terry convidou, discretamente, Tracy, Daphne e Lidya, mas as meninas decidiram não vir, apesar de se organizarem e enviarem um presente improvisado das três com produtos de beleza que ainda não tinham abertos. E o time de quadribol da Ravenclaw foi incluído também, todos os jogadores ficaram muito satisfeitos de participarem de uma festa na piscina e Trevor concordou com o treino terminando mais cedo. A decisão de incluir os outros alunos, além dos amigos do Covil, foi de Harry, que percebeu que pareceria estranho e, óbvio, se não o fizessem.

A maioria não sabia que era uma festa de aniversário improvisada, assim, Hermione não ganhou muitos presentes, apenas de seus amigos mais próximos, mas isso não lhe importou quando percebeu a surpresa. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela os abraçou quase até sufocá-los e depois riu, agradeceu e chorou mais um pouco.

A comida e o bolo foram bem-vindos, pois depois de nadarem e brincarem na piscina, todos estavam famintos. Harry convidou o Colin para tirar algumas fotos, felizmente, sua câmera não se perdeu no mergulho e Charlie ligou a música ambiente da Caverna. As músicas vinham de uma vitrola e era amplificado por toda a área, Beatles e Michael Jackson foi o que mais agradou a todos. Mandy levou as meninas para dançarem e ensinou alguns passes de dança complicados, quando ela tentou arrastar os meninos, muitos fugiram se jogando na piscina o que provocou muito riso de todos.

Se, por um lado, foi bom ter o time de quadribol na festa porque, além de se divertirem, tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor, por outro, Harry teve que aguentar a perseguição da sua colega buscadora, Cho, por todos os lados. Sua voz doce, cílios batendo e sorriso meloso, lhe deu nos nervos, mas, felizmente, ele conseguiu um tempo de folga quando se afastou para conversar com a Penny, a monitora parecia intimidar a garota asiática.

— Ela tem uma queda por você, Harry, por isso está agindo assim. — Disse Penny divertida.

— Uma queda? Como, ela gosta de mim? — Harry olhou para a menina com o cenho franzido. — Isso não faz sentido, ela não parece gostar de mim, pelo contrário, além de ser muito competitiva. Posso perceber como fica irritada quando sou melhor que ela nos treinos, nunca se conformou em não conseguir a posição no time e já notei que não quer continuar na reserva.

— Bem... — Penny hesitou olhando a menina com mais atenção. — Hum..., talvez, ela esteja fingindo, é possível que Cho pense que poderia ter algum tipo de vantagem se conquistar você, mas acho que ela não é muito boa nisso sendo tão jovem.

— Vantagem? — Harry se sentiu ainda mais confuso.

— Bem, além do óbvio, a vaga no time titular...

— Espera, ela pensa que eu lhe daria a minha vaga no time? —Harry arregalou os olhos.

— Se ela pensa assim, mostra que não é muito esperta, mas algumas meninas usam seu charme ou o fato do garoto gostar delas como uma maneira de controlá-lo. — Explicou Penny suavemente. — Cho pode pensar que se namorassem, você, como um cavalheiro e bom namorado, lhe concederia todos os seus desejos, inclusive a titularidade no time.

— Hum... — Pensativo, Harry analisou as ações da buscadora nos últimos treinos e concluiu que era exatamente isso que ela estava tentando. — Isso faz sentido pelas ações dela, mas, eu não sou nenhum idiota e com certeza não deixarei ninguém me controlar. Mas que outras vantagens você pensa que ela poderia querer obter, Penny?

— Harry, você é famoso e muito rico, não conheço o caráter da Cho para afirmar isso, mas muitas meninas estariam interessadas em serem suas namoradas por causa dessas coisas. — Informou Penny e Harry voltou a arregalar os olhos. — Você não tinha pensado nisso? Que poderiam haver pessoas que se interessariam em ser seus amigos ou mais, por causa do que você tem e não por quem você é?

Sua pergunta foi em tom delicado e Harry viu seu olhar preocupado.

— Eu..., bem, por causa daqueles livros, eu sabia que tinha fãs, além de ser famoso pelo que aconteceu com Voldemort naquela noite, também notei muitas meninas com risinhos e olhares melosos. Elas parecem bem tolas, na verdade, e percebi alguns garotos puros-sangues que tentam ser meus amigos por causa do meu nome... Pelos menos foi o que pensei que eram seus motivos. — Disse Harry cabisbaixo.

— Em alguns casos pode ser isso e em outros é uma combinação, eu suponho. — Disse Penny pensativa. — Alguns podem achar mais importante você ser um Potter, mas ser amigo do menino-que-sobreviveu também dever ser um pensamento atraente. Alguns podem nem pensar nisso, seu nome ou seu dinheiro não importam, mas podem ser fãs dos livros ou te admirarem pelo que acreditam que você fez a 11 anos.

— Como eu saberei? Como saberei quem é meu amigo de verdade e quem tem apenas interesses em conseguir algo de mim? Talvez, algum tipo de vantagem ou se exibir para os outros? — Harry perguntou chateado.

— Você tem bons instintos, Harry, deve usá-los e ser observador como foi com a Cho, minha primeira impressão era que ela tinha uma queda por você, mas, imediatamente, você entendeu que isso não fazia sentido por causa do que observou em suas atitudes e expressões. — Disse Penny e apertou seu ombro. — Você é um garoto incrível e apenas conviver contigo um pouco, se a pessoa tem caráter, ela passará a gostar de você por quem é e, todo o resto, não importará. — Seu sorriso e expressão era sincera e, em um impulso, Harry a abraçou com força sabendo que estava falando sobre si mesma.

— Obrigado, Penny, por ser uma amiga de verdade e por me aconselhar sobre isso. — Disse ele emocionado.

— Ora... — Ela sussurrou emocionada, por um lado foi apenas alguns conselhos, mas, conhecendo sua história, sabia o quanto significava para ele a amizade verdadeira e seu apoio. — De nada, meu querido amigo.

Depois, eles conversaram um pouco mais sobre a reunião da noite anterior. Penny chegou depois da meia noite e ficou chateada por encontrar os 4 acordados lhe esperando, assim tudo o que fez foi dar um resumo e as boas notícias.

— Estou muito otimista, Harry, quer dizer, os puristas lutarão a cada passo do caminho, mas eles são minoria e, com o Sr. Boot como o Presidente do Conselho, acredito que podemos esperar mudanças positivas em Hogwarts. — Disse ela sorridente.

— Se metade dessas coisas que vocês disseram forem feitas, Hogwarts nunca mais será a mesma. Bem, sem Snape e Binns nossa vida aqui saltará muitos níveis de qualidade. — Disse ele animado.

— Nem me fale, o Sr. Ollerton estava indignado. Ele disse que seu maior prazer era permitir a educação mágica a todos, e uma boa educação, imagine saber das aulas atrozes que temos e ainda sobre o desfalque. — Penny suspirou e, baixando a voz, continuou. — Flitwick e McGonagall quase discutiram por causa das aulas extras e laboratórios de Poções, ele explicou tudo o que faz por nós alunos da Ravenclaw, sabe, projeto de pesquisa, laboratório, aulas de auxílio aos sábados. Disse que muitas vezes recebe a visita de outros alunos das outras casas, pedindo ajuda sobre algo porque ninguém sabe onde ficam os escritórios dela ou do Snape e Sprout. McGonagall ficou furiosa e disse que essas iniciativas não deveriam ser decisões dele e, sim, vir da direção e do Conselho, mas o próprio Ollerton a cortou e disse que era um absurdo que todos os outros professores também não fizessem todas aquelas coisas. Ele disse que pelo ótimo salários dos professores, todos deveriam dispor de seu tempo para mais do que apenas dar aulas, que todas as disciplinas principais deveriam ter um clube como o de Feitiços, que os escritórios deveriam ser acessíveis para os alunos que precisassem conversar ou tirar dúvidas. Flitwick a enterrou mais quando disse que propôs todas essas coisas muitas vezes ao diretor e que, ao sempre receber uma negativa, decidiu fazer tudo por conta própria e que os outros professores poderiam ter feito o mesmo se tivessem um mínimo de interesse.

— Uau! — Disse Harry também em tom baixo. — Imagino que não são só Snape e Binns que terão algumas surpresas.

— Sim, acredito que todos os professores terão que se adequar às novas regras e muitas mudanças. Estou tão empolgada, Harry! Como disse o Sr. Toots, gostaria de voltar a ter 11 anos. — Disse ela rindo e Harry a acompanhou muito ansioso para ver Hogwarts ser transformado e atingindo todo o seu potencial.

Ele também passou um tempo conversando com o time de quadribol, principalmente, o reserva, que Harry não conhecia tão bem e ficou feliz ao observá-los se divertirem e interagirem com todos. Trevor passou um bom tempo conversando com os professores, suas ambições profissionais e interesse por esportes se mostrando facilmente. Eddie Carmichael ficou babando nas meninas de maiôs, até que elas se incomodaram e tentaram afogá-lo de brincadeira, pelos menos, Harry pensou que era brincadeira. Depois disso, o garoto do 3º ano foi esperto e se afastou para junto de Hunter e Roger, 4º anos, que passaram um tempo rindo e zombando dele, antes de se envolverem em uma competição própria de braçadas. Claire ficou com as meninas mais jovens do 2º, conversando sobre assuntos de meninas ou aprendendo passos de dança.

Zane passou seu tempo mais com Owen, eles também eram do 4º ano, e ficaram mais isolados, pareciam não querer interagir muito com os outros alunos, mas, Harry conhecia o Owen a mais tempo e sabia que ele era muito legal. Quando entabulou uma meia conversa com eles, Scheyla se aproximou trazendo alguns sanduíches e cervejas amanteigadas voando.

— Aqui, pessoal, quase não os vi se servindo, Owen, Zane. — Disse ela sorridente. — Vocês têm que se misturar mais, principalmente você, Zane.

Este corou um pouco com a atenção, Harry já percebera como ele era tímido.

— Eu já disse isso a ele, além disso, nós irlandeses temos que nos unir, cara. — Disse Owen ironicamente. — Tem muitos escoceses e ingleses nesta escola para o meu gosto.

— Ei! — Harry protestou divertido. — Eu nasci na fronteira com Gales, assim sou apenas meio inglês, mas ainda me sinto ofendido.

Eles riram divertidos, até Zane relaxou um pouco.

— É uma pena que não more mais perto, Owen, seria incrível se viesse cavalgar conosco lá em casa durante o verão. —Disse Scheyla e depois tomou um gole da sua cerveja. — Zane conseguiu dois fins de semana para montar.

— Não dá, Schei, e não é só pela distância, a viagem de trem é cara e eu passei o verão estudando os assuntos trouxas para recuperar o tempo perdido nesses anos todos. Consegui fazer uma prova de proficiência de nível, do 1 para o 2, além de fazer algum trabalho de carpintaria trouxa e vender algumas das minhas peças em lojas do centro de Cork. — Owen expôs sem constrangimento.

— Isso é legal, você é muito talentoso com a carpintaria. — Disse ela compreensiva. — E você, Harry? O que fez de divertido no verão?

— Ah, bem, nada muito divertido, na verdade. — Harry hesitou e depois suspirou. — Estudei muito os assuntos trouxas e mágicos, me mudei de casa, o que foi bom, e comecei a visitar um centro esportivo parecido com esse em Londres. Também consegui ir ao cinema no shopping ou patinar algumas vezes no Hyde Park, nada muito emocionante.

Ele disse a verdade, mas sabia que faltava um bom pedaço das suas férias, infelizmente, não poderia lhes contar sobre a GER.

— Isso parece legal, patinar, quero dizer. — Disse Zane suavemente.

— Sim, é muito legal, mas imagino que cavalgar seja ainda mais, quer dizer, eu andei no lombo de Firenze e achei emocionante. — Disse Harry feliz pelo garoto estar falando com ele diretamente.

— Firenze? — Scheyla questionou confusa.

— Meu amigo centauro. — Explicou Harry e a viu e Zane arregalarem os olhos.

— Você é amigo de um centauro? — O garoto loiro e com olhos azuis perguntou chocado.

— E, ele te deixou montá-lo? — Scheyla também estava muito surpresa.

— Sim, bem, eu o montei lateralmente, mas sim. — Disse Harry lembrando de seu amigo e percebendo que sentia sua falta. — Estávamos na Floresta e alguém havia atacado um unicórnio, tínhamos pressa em tentar salvá-lo e fugir do perigo, assim ele me fez subir em seu lombo.

— Nossa! — Owen exclamou surpreso.

— Alguém machucou um unicórnio? Merlin, quem faria uma coisa dessas? — Scheyla disse aflita.

— Ele ficou bem? — Zane sussurrou ansioso.

— Sim, o bruxo que o atacou usou magia negra e estava bebendo seu sangue... — Os três soltaram exclamações de nojo e empalideceram. — Mas, Snape e Kettleburn o salvaram, Hagrid já o devolveu para sua família durante o verão, infelizmente, não consegui me despedir dele, espero poder encontrá-lo um dia porque nos tornamos muito próximos. — Harry lamentara não ter conseguido se despedir de Savage quando Dumbledore o tirara de Hogwarts bruscamente.

Seus companheiros ficaram em silêncio por um tempo tentando compreender essas fortes informações, finalmente, Zane disse com sua voz suave.

— Se você salvou sua vida, terão uma ligação para sempre, Harry, tenho certeza que se encontrarão outra vez e ser amigo de um centauro é uma grande honra.

— Sem dúvida é. — Harry sorriu ao pensar em Firenze. — De qualquer forma, estava pensando em pedir ao Hagrid para nos ensinar a cavalgar, quer dizer, aqueles que têm interesse em aprender.

— Espera. — Scheyla o encarou confusa. — Tem cavalos em Hogwarts?

— Sim. — Harry sorriu ao perceber que essa era outra coisa que ninguém parecia saber sobre a escola. — Eles são lindos e enormes, Hagrid disse que são, hum... Montanhês, porque são muito fortes e inteligentes, capazes de andar muitas distâncias e subir uma montanha levando o cavaleiro. — Disse Harry e, animadamente, contou sobre sua detenção e como ele e os amigos estavam ajudando o Hagrid a cuidar dos animais.

— Pôneis também? Como isso é possível? — Scheyla parecia inconformada. — Como não sabemos disso tudo? E porque ter todos esses animais se não podemos conviver ou cavalgá-los?

— Pensei que a partir do terceiro ano tivéssemos aulas de Criaturas Mágicas? — Foi Harry quem mostrou confusão agora.

— Sim, mas é optativa e decidi me concentrar em Runas e Aritmancia, pois são duas aulas muito difíceis que exigem muito, assim, não quis pegar mais uma eletiva. — Scheyla disse chateada. — Além disso, minha família trabalha com animais trouxas e mágicos, aprendo muito na prática em Hallanon e...

— O que? O que você disse? — Harry falou mais alto do que o seu normal e chamou a atenção de algumas pessoas mais próximas, mas, estava tão chocado que não percebeu os olhares ao encarar a Scheyla.

— Eu disse que aprendo muito na prática na fazenda da família, Hallanon e por isso decidi não fazer Trato das Criaturas Mágicas, mas se soubesse que tinha cavalos em Hogwarts, com certeza, teria ao menos lhes visitado e cavalgado... — Scheyla estava explicando, mas se calou ao, finalmente, perceber a expressão assombrada e confusa de Harry. — O quê?

— Você está falando de Hallanon de Kenmare? — Perguntou Harry com voz sufocada.

— Sim. Como você sabe? — Scheyla o olhou também surpresa.

— Porque Hallanon pertence a mim, a minha família, era da minha avó e agora é minha. Como raios, você me diz que pertence a sua família? E como vocês poderiam estar usando minha fazenda? — Harry questionou mais duramente do que falaria, normalmente.

— O que? — Scheyla o encarou sem entender.

— Harry? O que foi? — Terry se aproximou protetor ao ver seu amigo tão tenso.

E, então, Harry olhou em volta e viu algumas pessoas olhando, engolindo em seco ao perceber que deveria manter a calma e não discutir algo assim diante de estranhos.

— Vou me trocar e conversaremos sobre isso em um lugar mais discreto. — Disse ele encarando sua colega de time que o olhava confusa e hesitante. — Agora.

Ele não esperou sua resposta e, rapidamente, foi para o vestiário se trocar, Terry o acompanhou parecendo preocupado.

— Não precisa deixar a festa por causa disso, prometo que manterei a calma. — Disse ele ao amigo.

— Eu nem sei o que está acontecendo, mas você parece tenso e preocupado, sou seu irmão e estarei ao seu lado. — Respondeu ele em tom que não admitia discussão, grato, Harry apenas acenou.

Quando saíram, Zane também tinha se trocado e encarou o Harry com uma expressão desafiadora, ele escolheu ignorá-lo, se queria ou pretendia defender Scheyla, tudo bem, mas não deixaria de chegar ao fundo desta história. Era sua herança, seu legado e o orgulho de sua avó, não conseguia nem pensar na ideia de que alguém poderia ter invadido ou algo assim. No entanto, Harry pensou, enquanto caminhava com Terry, Scheyla e Zane para o Covil, isso não fazia o menor sentido, porque Dumbledore não permitiria uma invasão e ele paralisou a produção de todas as suas fazendas. E, o Sr. Falc estava visitando suas propriedades com o Sr. Jonas para realizar a manutenção, se algo estivesse errado, ele já saberia, a não ser que ainda não tivessem visitado Hallanon.

Assim que chegaram ao Covil, Harry fechou a porta e lançou feitiços de imperturbabilidade. Notou que Zane olhava em volta curioso e percebeu que não se lembrava de vê-lo nas reuniões com mestiços e nascidos trouxas do ano passado.

— Bem-vindo ao Covil, Zane, nos reunimos aqui quando precisamos discutir assuntos sensíveis. — Disse Harry objetivamente. — Não sabia que é puro-sangue, pensei que fosse mestiço ou nascido trouxa.

— Isso importa? — Questionou ele defensivamente.

— Não, a não ser que esteja escondendo algo. — Disse Harry e viu sua expressão endurecer. — Ninguém aqui é seu inimigo, Zane e espero que um dia confie em nós para ser você mesmo.

— Será que podemos nos concentrar na sua afirmação absurda de que Hallanon é sua? — Perguntou Zane irritado.

— Tudo bem, Zane. — Disse Scheyla suavemente e Harry lhe dirigiu seu olhar. — Harry disse a verdade, acho, apenas..., bem, eu não sabia quem... Eu nunca soube ou minha mãe quem era o dono de Hallanon, meu avô se recusou a nos dizer e não temos acesso aos livros antigos. Entende?

— Não, não entendo nada. — Disse Harry chocado por ela admitir tranquilamente que invadira sua casa. — Porque você não me explica.

Terry se mexeu ao perceber o tom suave e perigoso nas palavras de Harry, que passaram despercebidos pelos outros dois.

— Bem, antes, você disse que Hallanon pertenceu a sua avó, por um acaso, o nome dela era Euphemia O'Hallahans? — Perguntou Scheyla suavemente, parecia quase emocionada.

— Sim, esse era o nome de solteira da minha avó, depois que ela se casou com meu avô, Fleamont, se tornou uma Potter. — Disse Harry seriamente.

— Oh! — Scheyla respirou fundo como se tivesse tentando controlar a vontade de chorar. — Harry, nós somos primos, então.

— Primos? — Ele ficou completamente chocado, isso era a última coisa que esperava ouvir.

— Sim, bem, de alguns graus, mas, ainda assim, primos. — Ela sorriu suavemente. — Sua avó era irmã do meu bisavô, Patrick O'Hallahans, ele morreu muito antes de minha mãe nascer, então, tudo o que sabemos sobre ele é o que meu avô contou a minha mãe, porque eu convivi por muito pouco tempo com ele antes que morresse também.

— Ok. — Harry respirou fundo tentando entender essa nova informação, lhe ocorrera perguntar ao Sr. Falc se tinha como descobrir algum familiar mais próximo por parte de sua avó ou dos Potters, mas o pensamento lhe fugira da mente durante o ocupado verão. — Ok, mas isso ainda não me explica como vocês vivem em Hallanon que, pelo meu conhecimento, está vazia.

— Oh, está mesmo, infelizmente, e não vivemos na sua Hallanon, vivemos em uma fazenda próxima, muito menor que se chama Hallanon II, mas, é mais fácil apenas chamar de Hallanon. — Disse ela suspirando ao ver sua confusão. — Acho que o melhor é nos sentarmos porque a explicação é longa. — Todos fizeram isso, Terry e Zane curiosos, Scheyla ansiosa e Harry tenso. — Bem, você sabe algum detalhe sobre Hallanon? Ou como ela veio a pertencer a sua avó?

— Sim, soube que seu irmão perdeu toda a fortuna familiar, que já tinha sofrido grandes perdas, anteriormente, quando o avô de minha avó foi até obrigado a vender o time de quadribol, Kenmare Kestrels, fundado pelos O'Hallahans a muitos séculos. — Expôs Harry suavemente. — Meu avô, que amava muito a minha avó e sabia o quanto a casa em que crescera significava para ela, comprou Hallanon quando o irmão dela a perdeu por causa das dívidas. Sei também que ele esperava que meu avô lhe devolvesse a casa familiar por uma questão de direito da linha masculina e nunca perdoou minha avó por lhe "roubar" Hallanon. Acredito que nunca voltaram a se falar.

— Isso é um resumo muito bom dos fatos, ainda que o nosso lado da história era bem diferente e, claro, minha mãe sempre acreditou na versão contada por meu avô. — Scheyla se mexeu desconfortável. — Minha mãe é filha única, meu avô era bem mais velho quando ela nasceu e ser uma menina foi uma grande decepção para ele.

— Como era seu nome? — Perguntou Terry, sempre interessando em histórias.

— Victorio O'Hallahans. Bem, ele contou a minha mãe que sua tia Euphemia lhes roubara, dele e de seu pai, a casa ancestral dos O'Hallahans. Minha mãe nunca teve como ou porque duvidar dessa declaração e, assim, acreditou que sua avó tinha se casado com um homem inescrupuloso que enganara meu bisavô e lhe tomara Hallanon. — Disse Scheyla parecendo envergonhada e Harry se tencionou como um cordão ao ouvir tal ofensa mentirosa e desonrosa. — Quando minha mãe começou a ajudar com os livros da fazenda descobriu que nada daquilo era verdade. Os livros de contabilidade antigos da sua Hallanon mostravam perdas e investimentos absurdos e até tinha a documentação do banco Gringotes tomando posse da fazenda por causa das dívidas. Mamãe o questionou e vovô afirmou que nada disso importava, que quando sua tia Euphemia e o marido compraram Hallanon do Banco, deveriam ter devolvido para seus verdadeiros donos e não tomarem posse, pois ela era uma herança da linha masculina. — Scheyla fez uma careta irritada. — Esse sistema patriarcal me enoja e mamãe também não gostou, pior, vovô deixou escapar que sua avó se sentiu culpada por ficar com Hallanon e separou um pedaço menor das terras, desmembrou do todo e deu ao irmão. Essa é a nossa Hallanon, faz divisa pelo Norte da sua Hallanon e, é bem pequena em comparação, mas, é tudo o que temos e graças a sua avó.

Harry acenou entendendo melhor tudo e ficou aliviado que a sua Hallanon, apesar de vazia, estava segura e esperava em breve enchê-la de animais.

— Meu avô deu Hallanon a minha avó de presente de aniversário de casamento e como ela amava a casa de infância, além do fato de ser um presente tão especial, nunca poderia devolver ao seu bisavô, principalmente, se temesse que ele a perdesse de novo. — Considerou Harry pensativo.

— Mas como ele não perdeu a segunda Hallanon? E porque tem esse nome? — Terry questionou.

— O nome foi escolhido por meu bisavô que disse que ele pertencia ao verdadeiro herdeiro dos O'Hallahans. — Explicou Scheyla com uma leve careta. — E ele não perdeu porque sua avó passou a escritura das terras em seu nome com a condição de que ele assinasse um contrato mágico onde se comprometia a nunca usar a nova fazenda como garantia de empréstimos ou investimentos.

— Vovó foi muito inteligente. — Pensou Harry e sorriu ao perceber que isso era um plano bem Slytherin. — Não entendo porque você disse que não sabia quem eu era ou que não teve acesso a documentos com informações sobre a minha avó.

— Todos os documentos que continham o nome da sua avó, cartas que ela escreveu tentando uma reconciliação, foram queimados por meu bisavô. O nome dela, Euphemia, meu avô deixou escapar em uma discussão e, quando mamãe insistiu em saber o seu sobrenome de casada, ele se recusou a dizer e depois que ela partiu acho que não parecia mais importante. — Disse Scheyla dando de ombros. — Vovô nunca aceitou que ela assumisse a fazenda por ser mulher, criticava-a por tudo e os dois viviam brigando, no fim meu avô tentou casá-la com um bruxo puro-sangue que, na sua opinião, seria o homem ideal para administrar Hallanon II.

— Que tolo. — Harry disse suavemente.

— Sim, ele era, mamãe deixou a fazenda e acabou deixando o Reino Unido também, ela sabia, por sua amizade com uma nascida trouxa que conheceu aqui em Hogwarts, que os trouxas tinham fazendas com cavalos. — Scheyla sorriu meio sonhadora. — Mamãe, Patrice, é o seu nome, acabou na Espanha, trabalhando em uma hacienda trouxa onde conheceu meu pai e onde eu nasci. Quando vovô adoeceu e estava à beira da morte, escreveu para a mamãe pedindo que voltasse, queria se despedir, mas, no fim, ele morreu amargo ao vê-la casada com um trouxa e, ainda, lhe apresentando uma neta e não um neto.

— E vocês decidiram viver em Hallanon II? — Harry perguntou um pouco incomodado com o nome.

— Sim, mas estamos sempre viajando para a Espanha. A hancienda tem animais trouxas, cavalos, gados, tem um bom administrador e papai está sempre por lá. Meus avós trouxas vivem na Catalunha, na cidade de Lérida, não muito longe da Hancienda Alvorada. — Scheyla suspirou ao pensar em seu primeiro lar. — Hallanon tem animais mágicos e precisa de muita mais atenção, mamãe e os funcionários trabalham para mantê-los bem e os pouco animais não mágicos são cuidados pelo meu pai. Quanto aos livros antigos, que poderiam nos informar mais sobre a sua avó, estão todos na casa ancestral como chamamos e não temos acesso, a magia não nos permite entrar, assim nunca pudemos descobrir se tia Euphemia tinha descendentes. Ou porque a fazenda foi desativada a 11 anos, apesar de que agora faz sentido porque...

— Meu pai morreu a 11 anos. — Respondeu Harry, como sempre, sentindo um peso doloroso no coração ao pensar em seus pais.

— Sim. Imagine isso, quando eu contar a minha mãe que nossa família são os Potters, ela não acreditará. — Scheyla disse sorrido sincera. — Quer dizer, sei que não liga a mínima para sua fama e eu também não, mas o fato é que conhecemos o nome Potter por causa do que aconteceu a 11 anos com o fim da guerra e, todo esse tempo, você é nosso primo. Pense nisso, Harry, poderíamos ter crescido juntos, cavalgado desde crianças e nos divertido até não poder mais se soubéssemos disso antes.

Harry arregalou os olhos diante das suas palavras e se levantou sem saber o que fazer ou mesmo sentir, se aproximando da janela, observou a escuridão. Sempre pensara que os Dursleys eram sua única família, mas agora sabia que não era verdade, além de Sirius, os Boots teriam lhe acolhido e agora ele percebia que os Martíns também. Mas a proteção não poderia ser ignorada, Harry entendia isso e aceitara a decisão de Dumbledore, no entanto, era impossível não pensar em todos os cenários diferentes que ele poderia ter lhe permitido viver se fosse um pouco menos indiferente e negligente. Merlin, ele poderia ainda ter vivido com seus tios, sem maus tratos, conhecido e visitado os Boots e, talvez... convivido com os Martíns, aprendido a cavalgar, visitado Hallanon, a Espanha, crescido com uma prima, duas na verdade, Patrice poderia ter sido uma espécie de tia ou algo assim. As imagens se formaram em sua mente e Harry pode se ver crescendo no mundo mágico, conhecendo sua história e feliz, mas...

Ele se forçou a engolir a raiva e amargura que sentia, não resolvia nada, não mudava o passado e Harry sabia que não poderia perder tempo pensando no que poderia ter sido ou mergulhado em sentimentos negativos. Seu tempo neste mundo poderia ser bem curto e ele queria aproveitá-lo sendo feliz, estando com as pessoas que amava e o amavam de volta e, talvez... Conhecendo algumas novas, sua família. Ora, quem diria que o pequeno Harry, o "anormal", teria uma família de verdade e uma legal, para variar. Respirando fundo, ele se virou e encarou sua colega de time que o olhava preocupada.

— Isso teria sido incrível, mas temos o agora e o futuro para fazermos todas essas coisas. Adoraria saber mais sobre a família, se você não se importar de me contar, prima. — Disse Harry controlando a emoção com dificuldade.

— Oh... — Scheyla pareceu se emocionar também pelo que mostrava seus olhos brilhantes de lágrimas, abrindo um grande sorriso, continuou. — Eu adoraria, primo... Bem, eu tenho uma irmã e irmão, eles são bruxos também, adoram cavalgar e voar, mamãe é uma péssima cozinheira, mas papai, Rodrigo é o seu nome, cozinha as melhores paellas do mundo, Harry, você precisa provar, além disso...

Os dois ficaram um bom tempo conversando, mesmo quando voltaram para a torre Ravenclaw, eles se sentaram na sala de convivência onde Harry riu muito com as histórias da família Martín. Sua família. Os dois fizeram muitos planos para visitas no futuro próximo, nas férias de inverno e verão, Harry lhe contou dos seus planos de fazer Hallanon voltar ao seu auge, o que, claro, fez Scheyla bater palmas de animação. Ela decidiu escrever para os pais, imediatamente, contando as novidades e Harry torceu para que eles quisessem conhecê-lo também.

Enquanto eles se divertiam e conversavam, Dumbledore recebia em seu escritório o mais odiado dos professores de Hogwarts e lhe comunicava sua demissão.

— Sinto muito, Severus. — Disse o diretor encarando sua expressão paralisada pelo choque.

— Deve haver algo que possa fazer, Dumbledore, use sua influência, convença-os a não me demitirem. — Snape exigiu com voz sufocada.

— Eu usei, cada gota de influência e persuasão, mas nada surtiu efeito. A Associação de Pais apresentou as memórias das primeiras aulas dos 1º anos do ano passado, sua atitude com os Gryffindors, com o menino Longbottom, mostrou a todos o seu favoritismo a casa Slytherins. E, a lembrança seguinte, onde você atacou o Harry daquela maneira absurda, lhes mostrou o seu desiquilibro e o péssimo professor que você é, Severus. — Disse Dumbledore com expressão de pena.

Snape desviou seu olhar dessa expressão ofensiva e foi até a janela onde observou a noite dos jardins que foram seu lar e sua prisão nos últimos 11 anos, engoliu a amargura e tentou imaginar partir para sempre, percebeu com um certo pânico que Hogwarts era mais do que um refúgio seguro, era, talvez, o único lar que já tivera.

— Nunca lhe menti sobre ser um bom professor, Albus, meu Mestre em Poções me qualifica para ser um, mas lhe disse que não tinha interesse no cargo. Foi você quem insistiu e insistiu, eu pretendia desaparecer, mas seus planos eram mais importantes que tudo e todos, assim, aceitei ficar. No entanto, reconheço que estive seguro aqui nos últimos 11 anos e agora... — Snape tentou pensar no que fazer para estar seguro e deixar o país parecia a melhor solução.

— Você nunca tentou, nunca se esforçou para aprender, para crescer, Severus. Aqui, nesta escola, cercado por grandes professores, você poderia ter se permitido ser um bom professor, todos lhe teríamos auxiliado. — Dumbledore falou com firmeza. — Eu insisti em sua presença nesta escola porque é a maneira mais segura de colocar meus planos em prática quando Voldemort retornar, mais segura para você, pois quando se apresentar a ele, deve convencê-lo que nunca o traiu e sim buscou segurança e acesso a mim em seu nome. Durante todos esses anos, eu implorei que mudasse sua atitude e superasse o passado...

— Superar! Como posso superar? Você me prometeu que ela estaria a salvo, tudo o que fiz, todos os riscos que corri foram para protegê-la e, eu confiei em você! Assim como confiei em seu plano, mantenha Potter seguro, seja meu espião outra vez quando chegar a hora, por Lily, tudo por ela, mas você sempre quebra suas promessas, Dumbledore. — Gritou Snape furiosamente. — E, agora, serei expulso de Hogwarts feito um cachorro, precisarei me esconder ou todos os comensais da morte livres farão fila para me matar, pois acreditam que sou um espião traidor do Lorde das Trevas.

— Tive que anunciar a verdade para que você não acabasse em Azkaban, sabe disso, sabe muito bem que não tive escolha. — Disse Dumbledore suavemente.

— E, por isso, Hogwarts tem sido minha prisão nos últimos 11 anos, nunca deixei a escola porque nós dois temos consciência que, no dia em que não tiver mais as proteções destas paredes ou do seu nome, estarei acabado. — Disse Snape amargo. — Tudo isso por culpa do Potter!

— Não, Severus, tudo isso por sua culpa e enquanto não admitir para si mesmo seu próprios erros e falhas, nunca poderá mudar. — Dumbledore suspirou cansado. — Você me fez uma promessa de que me ajudaria a proteger Harry, por Lily e pretendo que a mantenha, assim, o que precisamos fazer é mantê-lo seguro.

— É tudo o que lhe importa? Me manter seguro para proteger o garoto arrogante? A minha vida pouco lhe importa? — A raiva, magoa e amargura podiam ser ouvidas claramente em suas palavras.

— Me importo com você, Severus, verdadeiramente, assim como com todos nesta escola ou no mundo mágico, mas se me pergunta quem entre vocês dois vem em primeiro lugar, lhe digo que é o menino e você sabe muito bem porquê. — Dumbledore falou com firmeza. — E, isso não é uma disputa de atenção ou importância, você é um adulto e deveria agir como tal, além disso, não o liberarei do seu juramento. Quando Voldemort retornar, preciso de você para ser meu espião, pois isso poderá salvar muitas vidas além do Harry. — Snape bufou desinteressado, mas Dumbledore o conhecia o suficiente para saber que era falso.

— Como faremos isso agora que não serei mais o seu professor de Poções? O Lorde das Trevas não acreditará que me aproximei de você fingindo arrependimento depois da... morte de Lily, para poder me manter seguro e para te espionar para ele. — Disse Snape, ignorando a crítica ao seu comportamento. — E, terei pouco valor para ele se não estiver por perto para te espionar e ao garoto. Isso se estiver vivo até que ele recupere seu poder, pois, assim que passar por aqueles portões, lhe garanto que meus queridos alunos avisarão seus pais que me perseguirão implacavelmente.

— Acredito que, em se tratando de Voldemort, podemos manter a mesma história, você se aproximou de mim depois do que aconteceu no Halloween a 11 anos, buscando proteção contra Azkaban e fingido arrependimento, sua intenção era se manter seguro caso ele estivesse mesmo morto ou ser seu espião no caso do seu possível retorno. — Dumbledore suspirou e voltou a se sentar. — Diga que se ofereceu para ser meu espião e mostrou remorso depois da morte de Lily, ele acreditará que eu concordei em lhe dar uma segunda chance, pois é assim que Voldemort me vê. Explique que eu menti sobre você ser meu espião para livrá-lo da prisão com a condição que no futuro, se necessário, você exerceria essa função. E, sobre sua demissão, diga a verdade, que você foi longe demais em mostrar seu ódio por Harry Potter e seus guardiões interferiram e usaram o poder que tinham para conseguir sua demissão, mas, que antes de ser expulso de Hogwarts, você se comprometeu a ainda ser meu espião desde que o mantivesse seguro dos comensais da morte e que concordei. E, é isso o que pretendo fazer.

— Como? Como me manterá seguro? — Snape voltou a ficar em frente à mesa ansioso.

— Como diretor não posso impedir sua demissão, mas posso insistir em hospedá-lo, fui muito firme em lhes dizer que depois de todo o risco que correu em nos ajudar durante a guerra, garantir sua segurança, era o mínimo que poderíamos fazer. — Dumbledore o encarou muito sério. — Eu não pude dar muitas informações dada a companhia à mesa, apenas reafirmei o que foi dito em julgamento e do meu compromisso com sua segurança. Eles concordaram, afinal, Hogwarts tem muito espaço, mas você não deve ter qualquer contato com os alunos Severus, nem mesmo os Slytherins. Compreende?

— Sim. — Snape tentou esconder o alívio que sentia e sorriu sarcástico. — Como se me aproximar desses imbecis sem cérebros fosse meu desejo matinal.

— Infelizmente, você terá que colaborar com sua hospedagem...

— O que? Você está me dizendo que terei que pagar para viver em Hogwarts? — Snape o encarou em choque.

— Consegui a permissão para que continue a viver aqui e a gentileza de lhe comunicar tudo isso, pessoalmente, mas o Sr. Schubert lembrou que Hogwarts só pode ser um refúgio em tempos de guerra, está em seu estatuto que apenas funcionários, alunos ou refugiados podem fazer da escola a sua residência. — Dumbledore disse serenamente. — Assim, sua estadia aqui, enquanto uma exceção arbitrária, só pode ser concedida diante do pagamento de sua hospedagem.

— Quanto? — Snape cuspiu com raiva.

— O mesmo valor que a diária do Caldeirão Furado quando o hospede fecha um pacote de um mês, 150 galeões mensais. — Disse Dumbledore suspirando.

— 150!? Isso é um absurdo! Eu tenho algumas economias, mas, sem trabalhar, elas acabarão em pouco tempo. — Snape voltou a se mover furioso. — O melhor é voltar para a casa dos meus pais em Spinner's End, colocar muitas proteções, acredito que estarei, razoavelmente, seguro.

— O valor está incluído a alimentação, um quarto e um laboratório para que possa trabalhar em suas poções, Severus e, como você disse, se não estiver perto de mim e sob minha proteção, terá pouca ou nenhuma compreensão de Voldemort quando voltar para ele. — Esclareceu o diretor persuasivo. — Além disso, sua casa de família só poderia ser segura, verdadeiramente, se a colocasse sob o Fidelius e você ficasse isolado, completamente. Aqui terá a companhia dos professores e poderá conseguir um trabalho, na verdade, o Sr. Schubert ofereceu a possibilidade de lhe conseguir um emprego.

— Emprego? E quem, afinal, é esse Sr. Schubert? — Snape perguntou irritado e curioso.

— Edgar Schubert é um bruxo nascido trouxa, da Hufflepuff, se formou a uns 30 anos e trabalhou quase que a vida toda no mundo trouxa, mas a alguns meses foi contratado para ser o diretor da nova empresa que está abrindo diversos negócios no Beco Diagonal. — Explicou Dumbledore suavemente. — Não tenho muitas informações sobre essa empresa, apenas que se chama GER, que ela comprou alguns imóveis no Beco e abrirá algumas lojas, eles estão contratando nascidos trouxas e mestiços por um salário justo.

— Mas o que seria esse trabalho? Porque, se ele está pensando que serei um balconista vendendo para tolos cabeças ocas, está muito enganado, prefiro antes ir viver entre os irlandeses, ou pior, os americanos. — Disse Snape com desprezo.

— Eu não sei o trabalho, mas dado o fato da discrição ser necessária, acredito que atendimento ao público não é uma possibilidade. — Dumbledore pegou um cartão. — Aqui, este é o cartão dele com o endereço do escritório da GER no Beco, Sr. Schubert disse para aparecer amanhã, às 9 horas, para uma entrevista, a partir disto, ele poderá verificar suas qualificações e você poderá dizer qual cargo e salário lhe interessa. Me parece uma oportunidade valiosa e, talvez, posso convencê-los a lhe darem um cargo aqui em Hogwarts no futuro, algumas mudanças estão sendo planejadas e, ainda que improvável, não é algo impossível de acontecer. — Disse ele suavemente tentando amenizar o golpe, sabia que precisava de Snape e ajudá-lo era o mínimo que poderia oferecer.

— Ok, bem, me parece que, no fim, por não ter mais que dar aulas àqueles descerebrados, sairei ganhando nesta história toda. — Disse Snape orgulhoso demais para mostrar o golpe que era a demissão. — E quem ocupará o meu lugar? Quando estarei livre daqueles cabeças-ocas, finalmente?

— A decisão de sua demissão aconteceu ontem e estamos procurando um Mestre de Poções que tenha interesse no cargo e disponibilidade para assumir imediatamente. Assim que eu souber lhe informarei, enquanto isso, por favor, continue com as aulas o mais normalmente possível e seja discreto, não queremos que isso se espalhe antes da hora. — Dumbledore disse suavemente em tom de dispensa. — Sinto muito, mais uma vez, Severus.

— Não tenha pena de mim, Dumbledore, como eu disse, acredito que saí ganhando em tudo isso. Boa noite. — Disse ele e deixou o escritório de cabeça erguida.

Sozinho, Dumbledore olhou para o poleiro vazio de sua antiga amiga e suspirou, mais cansado e duvidoso de si mesmo e seus planos do que já estivera.

— E, é por pensar assim que tenho pena de você, meu jovem tolo. — Sussurrou tristemente.

No dia seguinte, Hermione e Neville disseram que eles deveriam ter lhes chamado também para o Covil, diante de uma possível discussão com Scheyla.

— Você estavam se divertindo, Neville na piscina e você, Hermione, com sua festa de aniversário. Além disso, Terry me acompanhou e não era nada grave, apenas confuso e estranho. — Disse Harry enquanto faziam os deveres na Biblioteca.

— Oh! Foi incrível e tão doce de vocês me organizarem uma festa, muito obrigada mesmo. — Disse ela sorrindo emocionada de novo. — E, Harry, as meninas estavam me explicando sobre os produtos da linha de cabelos das Poções Sleekeazy e me disseram que são muito populares porque são, incrivelmente, bons e caros também. Você não deveria ter me dado um ano de produtos e...

— E, eu tenho um grande desconto, meu avô foi o inventor e quando ele vendeu a empresa, no contrato, ficou acordado que os Potters poderiam, para sempre, comprar os produtos pela metade do preço. — Informou Harry para surpresa dos amigos. — Assim, não se preocupe e aproveite bastante.

— Bem, nesse caso... no sábado vou dormir na torre Ravenclaw e as meninas me ensinarão a usá-lo. E, a Morag quer experimentar também para ver como fica com o cabelo liso. — Disse Hermione empolgada.

O fim de semana encontrou Harry em mais uma aula extra, no sábado de manhã, antes da aula de Carpintaria, ele se encontrou com a professora Babbling de Runas que concordou em lhe ensinar galês.

— Professor Flitwick me disse que o seu interesse em aprender galês, vem do seu desejo em traduzir livros e documentos antigos da sua família. — Disse ela doce e sorridente como ele se lembrava.

— Sim, senhora. Bem, meu interesse é nos Grimoires que não podem ser traduzidos por um feitiço devido as suas proteções mágicas. O meu Grimoire Potter está em galês e latim, que já estou estudando por conta própria e com o auxílio de um tutor nos verões. E, eu tenho o Grimoire Fleamont que está em latim, galês e gaélico, mas eu li que o gaélico e galês mais antigos são mais parecidos por serem derivados da mesma língua, o celta. — Disse Harry educadamente.

— Em parte, você está certo, mas isso depende se esse gaélico é irlandês ou escocês e do período que estamos falando. Se for o irlandês, existem mais semelhanças com o galês, mas, se for o escocês, as diferenças aumentam muito, porque os escoceses transformaram o gaélico irlandês original depois da invasão Irlandesa. — Ela explicou e Harry acenou. — O período é importante, porque encontramos escritos de até mil anos ou mais com semelhanças entre o gaélico e o galês, mas, desse período para frente, as diferenças aumentam até que elas se tornam o que são, duas línguas.

— Pelo que sei os Fleamont são escoceses. — Disse Harry lembrando da ilha que herdara a poucas semanas. — Bem, acredito que terei que aprender o gaélico também.

— Isso é uma ótima ideia, pois o ajudará com as Runas Celtas que aprenderá em minha aula. Suponho que pretende estar em minha aula a partir do ano que vem? — Perguntou ela com um sorriso malicioso.

— Eu, com certeza, estarei, Prof.ª Babbling. — Harry retribuiu seu sorriso.

— Bem, então, comecemos. Vamos para o alfabeto galês que, você deve observar, Harry, além de diferente do alfabeto latim, tem os sons de cada uma das letras muito distintos também. — Disse Babbling mais no modo professora, mas ainda agradável e compreensível de acompanhar.

Mais tarde e com a cabeça girando, Harry se perguntou como poderia decorar mais um alfabeto e um tão complexo, mas imaginou que se haviam pessoas que aprendiam mais de 6 ou 7 idiomas, bem, ele também poderia.

Na aula de carpintaria, ele trabalhou em sua estante de carvalho para seus livros e comentou com Terry sobre sua ideia de pedir um banheiro maior, com banheira, seu amigo arregalou os olhos e decidiu que queria o mesmo. No domingo de manhã, as meninas desceram as escadas com os cabelos lisos, bonitos e brilhantes o que causou muitos comentários e olhares. Hermione ficou muito bonita e Terry se apressou em lhe dizer isso, o que a fez corar e tentar mudar de assunto falando sobre a poção milagrosa que o Sr. Fleamont inventou.

Harry teve mais uma aula com Meistr Filius naquela tarde e, desta vez, o duelo foi com apenas um guerreiro que retornou seus feitiços e se defendeu.

— Esqueça que é uma estátua que pode ser destruída por uma maldição explosiva, esse tipo de feitiço, você não usará levemente. O que eu quero que faça é que busque estratégias para vencer seu inimigo, use sua inteligência, seu conhecimento e vença-o. — Disse Meistr duramente.

Harry acenou e se preparou, sua postura mudou, sua mente começou a trabalhar em estratégias na busca pela vitória, seus instintos estavam ligados ao máximo e quando a estátua começou a lançar feitiços, ele se esquivou e atacou. Sua decisão de não usar o Protego e confiar em seu físico para se esquivar se mostrou boa, a princípio, pois o fez se mover por todas as direções e sua agilidade o protegeu das maldições da estátua. Além disso, suas ações ofensivas tocou o alvo algumas vezes, mas, assim que ela se adaptou a sua estratégia, Harry não conseguiu mais acertá-la, pois também era rápida em se esquivar ou usar o Protego. O duelo se manteve neste impasse por um tempo e, então...

— Um inimigo, Prentis, em um campo plano e claro. Vamos mudar isso. — A voz de Meistr soou e de repente a sala de duelo escureceu.

A escuridão não era absoluta, mais como uma noite sem lua, ainda assim, Harry logo perdeu a estátua de vista quando ela se misturou nas sombras. Com a sensação de estar sendo caçado, que fez a adrenalina em seu corpo saltar e um gosto amargo se instalar em sua língua, Harry olhou em volta e fez movimentos lentos, não gostando nem um pouco do sentimento de ser a presa. Então, a luminosidade de um feitiço veio em sua direção e ele se esquivou, mas não encontrou um alvo para atacar, frustrado se desviou de outros feitiços de cores diferentes, mas logo foi atingido algumas vezes.

— Respire fundo, Prentis, confie em seus instintos, em todos os seus sentidos, não apenas em seus olhos. Pense!

Pensar. E, então, a resposta veio e ele se sentiu um idiota.

— Lucioler! — Gritou Harry girando a varinha em um círculo completo, fagulhas luminosas se espalharam em todas as direções e ele viu a estátua lhe lançando um feitiço, cegamente, pois a luminosidade a atrapalhou.

Se desviando, Harry lhe lançou outro ataque, se afastou para as sombras e, calculando que ela também teria outros "sentidos", acalmou a respiração e fechou os olhos tentando ouvir e sentir sua posição. Demorou um pouco, mas, logo Harry sentiu e ouviu o movimento a sua esquerda, não querendo mais se esconder, ele saltou rápido e a acertou com um feitiço.

Mudando de estratégia e tentando pegá-la de surpresa, decidiu usar o Protego e atacar rápido, continuou, estava tão concentrado na luta que não percebeu que parou de falar os feitiços. Instinto prevaleceu e sua habilidade natural se mostrou. Ataque, Protego, ataque, Protego, de novo e de novo, mas ela não parou de atacar de volta e Harry percebeu que precisava mudar de estratégia outra vez. Pensando rápido, ele acelerou em sua direção mantendo o Protego para evitar seus feitiços e a estátua, imediatamente, se posicionou preparando-se para uma luta física, mas Harry se desviou dela no último instante e, usando sua rapidez, lhe deu a volta e atacou por traz. "Glufot" deixou sua varinha, mas não a sua boca e atingiu a estátua que, quando tentou se virar e persegui-lo, não conseguiu se mover, pois estava grudada ao chão. Isso causou a distração que precisava e, sem hesitar, Harry lançou um Incarcerous, mas, precisando prender a estátua com mais firmeza do que faria com as cordas, imaginou correntes de metal. Em segundos, correntes finas de metal surgiram e envolveram a estátua, completamente, prendendo seu braço de varinha e encerrando o duelo. Sorrindo, Harry a encarou divertido, pois, ironicamente, a prendera como uma estátua.

A luz voltou de repente, Harry piscou olhando em volta e buscando perigo, mas encontrou apenas Meistr Filius caminhando na direção dele, calmamente. Ele manteve a postura, apenas abaixou a varinha em respeito e, respirou fundo, tentando acalmar a respiração ofegante e coração acelerado.

— Ofegante, Prentis? Talvez, você esteja precisando melhorar sua forma se uma pequena luta lhe tirou o fôlego. — Disse Filius com ironia.

Harry se enrijeceu com a crítica, mas não a questionou, sabia que precisava aumentar o ritmo e força do seu treino, a verdade é que não recebera autorização de Madame Pomfrey para fazer isso, ainda assim, tinha certeza que, comparado a outros colegas da escola, estava em ótima forma.

— Treinarei mais duramente, Meistr. — Harry disse respeitosamente.

— Bom, porque a cada aula de Duelo exigirei mais de você, física e mentalmente. Explique suas estratégias nesta luta, Prentis. — Disse Filius olhando para a estátua contida, com um olhar curioso.

Harry acenou e explicou cada decisão e estratégia, mudanças e objetivos.

— Muito bem. A luta teve três partes, a primeira onde você se sentiu seguro com seus feitiços e movimentos de esquiva, não foi atingido, mas atingiu seu adversário apenas 3 vezes. Por quanto tempo acreditou que aguentaria essa estratégia, Prentis? Quanto tempo levaria para se cansar e baixar a guarda? — Filius levantou a sobrancelha e Harry entendeu que não esperava uma resposta. — Estratégias são feitas para se vencer e não para não perder a luta, nunca pense primeiro, "como faço para não perder" e sim "como faço para ganhar", Prentis.

Harry acenou entendendo que fora arrogante ao se prender ao fato de que não estava em desvantagem defensiva. O-Sensei Koolang já lhe dissera que um bom guerreiro finalizava a luta rápido e sem rebusques.

"A segunda parte o encontrou perdido, Prentis e você foi atingido 11 vezes antes de pensar e agir, ao em vez, de se desesperar como um coelho caçado por um lobo. Você precisa se decidir, Prentis! — A voz de Meistr se tornou mais enérgica. — Você é um coelho ou um lobo!? É a presa ou o caçador? É o vitorioso ou o vencido? "

Harry engoliu em seco encarando seu mestre com a cabeça erguida e sabendo que ele estava certo, mesmo que doesse admitir. Não podia ser lento ou gentil, cada situação se mostrava de uma maneira e ele tinha que se adaptar, sobreviver e vencer.

— Eu sou o lobo, Meistr Filius, nunca a presa e não serei vencido. — Disse Harry com determinação.

— Bom saber que não estou treinando um coelhinho fofo. — Filius disse ironicamente. — Quando parou de pensar como a presa e decidiu caçar, conseguiu vencer seu inimigo com inteligência, ousadia e coragem. Parabéns, Prentis.

— Obrigado, Meistr. — Disse Harry humilde.

— Gostaria de saber sobre esses feitiços que utilizou por último, o Glufot, que colou a estátua ao chão eu conheço, é de Mason, mas, este último da corrente, é desconhecido para mim. — Filius se mostrou curioso. — Por um acaso o descobriu em seu Grimoire familiar?

— Não, senhor, é apenas o Incarcerous. — Disse Harry levemente confuso.

Filius franziu o rosto expressando confusão e voltou a olhar a estátua, se aproximou e tocou as correntes finas que eram, obviamente, de metal e não corda de sisal.

— Não, Harry, isso não é o feitiço Incarcerous, em absoluto. — Afirmou ele convicto.

— Mas... O senhor deve ter ouvido quando eu disse o feitiço, Incarcerous, apenas, desejei a conjuração de correntes para poder segurar a estátua, pois achei que ela seria mais forte e quebraria as cordas de sisal. — Explicou Harry suavemente e se colocando ao lado do professor.

— Hum..., não, Harry, você não percebeu, mas na parte final da luta, quando estava mais focado e predador, você passou a fazer os feitiços em silêncio, sem o uso de palavras. — Flitwick encarou a estátua pensativo e Harry abriu a boca de espanto.

— Verdade? Ora, mas, eu não percebi nada, estava tão concentrado...

— Você é muito habilidoso em Defesa Contra a Arte das Trevas, Harry, é tão natural para você, eu diria, quanto voar. Estou correto? — Questionou Flitwick conjurando uma mesa com água fresca, além de duas cadeiras onde se sentaram e, sedento, Harry bebeu avidamente antes de responder.

— Sim, pelo menos é o que sinto, as maldições, duelar, voar e feitiços são naturais como respirar, sou bom em Transfiguração, mas não é o mesmo. — Disse Harry pensativo.

— Exatamente. Antes, ninguém lhe orientou a tentar os feitiços silenciosamente, assim, continuou a dizê-los, mas, desde que lhe pedi isso, você vem se adaptando mentalmente. E, quando esteve em uma situação de maior exigência, sua mente e instinto lhe deram o que precisava. — Ponderou Flitwick pensativo. — Não quer dizer que será fácil no dia a dia ou em qualquer tipo de situação, mas, acredito que para você, será mais fácil alcançar essa habilidade.

Harry apenas acenou e agradeceu, mentalmente, que suas competências foram na direção que precisava para sobreviver ao que lhe esperava no futuro.

— E sobre o feitiço? — Questionou curioso.

— Hum..., você está seguro que pensou no Incarcerous quando fez o feitiço? — Seu professor parecia ainda mais pensativo e Harry apenas acenou. — Bem, posso estar errado, mas... Harry, você se lembra das nossas primeiras aulas quando expliquei como eram criados os feitiços, maldições e azarações?

— Sim, professor. O senhor nos contou que existem duas maneiras de se criar um feitiço. — Lembrou Harry curioso.

— Bem, existem duas maneiras porque existem dois tipos de bruxos capazes de criar um novo feitiço ou aperfeiçoar um já existente. Os estudiosos são aqueles que compreendem ou se identificam com a feitiçaria ou maldições e azarações, além da Aritmancia avançada, eles podem com tempo de pesquisa e estudos criarem novos feitiços ou modificá-los. — Explicou Flitwick e sorriu, nostálgico. — Sua mãe era assim, sua ligação com a feitiçaria e talento para a Aritmancia, além da dedicação aos estudos, a tornava uma grande pesquisadora e artesã de feitiços. Tive outra grande aluna com esse talento, Pandora Prewett, que se tornou Lovegood quando se casou, infelizmente, ela morreu em um acidente quando estava testando um novo feitiço, seu laboratório inteiro explodiu.

Harry viu a tristeza de seu professor e sentiu seu coração se apertar ao lembrar de Luna e seu rosto abatido ao falar da mãe.

"Bem. — Continuou Flitwick respirando fundo. — Os outros tipos de bruxos são mais raros, pois são aqueles que criam ou modificam um feitiço, maldição ou azaração de acordo com a necessidade que se apresenta a ele. Por exemplo, quando se está no escuro e necessita de luz, assim criou-se o feitiço Lumus, uma solução para uma necessidade. Compreende?

Harry acenou entendendo e tentou se lembrar do que pensara na hora da luta.

— Então, o senhor acredita que eu modifiquei o Incarcerous porque necessitei das correntes de metal? Mas, isso quer dizer que posso criar ou modificar feitiços só porque quero? — Harry tentou não se empolgar.

— Não. Lembre-se, a magia, a sua e a natural têm vida própria, para que isso aconteça deve-se encontrar um conjunto de fatores. Primeiro, sim, você deve ser o bruxo do tipo raro, sua ligação natural com Defesa, Feitiços e com a magia natural, caracterizam essa possível capacidade e, provavelmente, Harry, você será muito habilidoso em Runas e Aritmancia também. — Expôs Flitwick claramente. — Agora, depois disso, o contexto deve ser observado, por exemplo, o feitiço, maldição ou azaração não poderiam ser poderosos demais, afinal, você tem 12 anos e ainda não alcançou todo o seu potencial mágico bruto. E, mesmo diante de um feitiço mais simples, é preciso que você, realmente, necessite daquele feitiço ou daquela alteração para dobrar a magia a sua vontade. E, me parece, foi o que aconteceu, Harry, você dobrou a magia e a modificou à sua necessidade, assim, correntes e não cordas.

— Isso é muito legal! — Disse Harry sorrindo e se empolgando, apesar de tentar se conter.

— Realmente, é. — Flitwick disse com um sorriso orgulhoso. — Isso não quer dizer que não pode ser um artesão de feitiços do tipo estudioso, Harry, pelo contrário, acredito que, com seu dom natural, se tornará ainda mais talentoso que sua mãe se dedicar-se ao ofício. Agora, existem duas coisas que você precisa fazer em relação ao que aconteceu hoje. Primeiro, dominar esse feitiço, completamente, não apenas em situação de luta e estress, mas também em um momento de tranquilidade. Segundo, precisa nomeá-lo com um nome que seja coerente e ajude aqueles que forem aprendê-lo a, facilmente, visualizarem o objetivo do feitiço. Depois de tudo isso, contatamos o Ministério e registramos a modificação ao feitiço Incarcerous.

Harry acenou e suspirou com um sorriso tímido.

— Bem, parece que me enfiei em mais um projeto.

Sirius Black entrou triste e cabisbaixo no Caldeirão Furado. Era a terceira vez naquela semana que sua figura sombria entrava e se sentava em uma das mesas para beber e, assim como antes, ele estava sozinho e parecia que perdera o melhor amigo. Tom, o dono do bar e pousada, suspirou ao vê-lo outra vez, conhecia esse tipo de comportamento, vira em muitos momentos ao longo dos anos e sabia que cedo ou tarde, ele teria problemas com Black. E, Tom era velho o suficiente para saber que ter problemas com um Black não era uma boa ideia.

Mais tarde, naquela noite, depois de beber tanto que poderia desfalcar o estoque do bar, Black se envolveu em uma briga com um cara e uma garota bonita de olhos castanhos. A garota se ofendeu com suas atenções e lhe deu alguns socos bem colocados. Os bruxos no bar, desacostumados a brigas físicas e não duelos de magia, riram, gritaram e incentivaram, em pouco tempo se espalhou a fofoca que o herdeiro Black, bêbado, apanhara de uma mulher no Caldeirão.

Duas noites depois, Black voltou a aparecer e recebeu vários olhares, as pessoas que pretendiam ir embora decidiram ficar, pois estavam interessadas em presenciar mais um escândalo. Sirius Black os ignorou e se sentou em uma mesa onde começou a beber whisky de fogo. Sua expressão triste e amarga fizeram muitos especularem o que acontecera e outros expressaram, suavemente, a opinião que esse comportamento destrutivo era uma consequência de Azkaban.

— Eu já vi isso antes. — Sussurrou um homem para os amigos. — A tristeza e amargura é muito grande e a pessoa bebe até morrer, os curandeiros não conseguem salvá-la.

— Quer dizer que ele morrerá? — Questionou outro surpreso.

— Isso é muito injusto, depois de tudo o que ele passou. — Disse outro chateado.

— Ele é um Black, só por seu sangue, merece isso e muito pior. — Disse outro com raiva.

Enquanto todos sussurram e especulavam, Black continuou e beber, Tom estava com medo de outra briga e prejuízos, ainda que o movimento estava bom para um fim de mês. Ficou aliviado quando viu uma moça se sentar na mesa de Black, pela forma como se cumprimentaram pareciam amigos e esperou que, talvez, as coisas fossem mais calmas hoje. As mesas ao lado ficaram de ouvidos em pé para ouvir a conversa, mas não precisavam porque logo as vozes dos dois ocupantes da mesa, aumentaram de volume.

— Isso não é da sua conta! — Gritou Sirius furioso.

— É da minha conta sim! Porque me importo com você! Meus pais se importam com você e estão preocupados...

— Rá, rá, rá, rá! — Ele riu alto e irônico. — Se importam e se preocupam comigo! Rá, rá, mas não o fizeram a 11 anos quando fui jogado naquele inferno! — Sirius gritou bêbado e debochado. — Esperei por minha "Família" aparecer e, ao menos, me visitarem ou perguntarem o que aconteceu e esperei em vão! Você era uma criança, Nymphadora, mas mesmo você acreditou que eu era um monstro! Capaz de trair o melhor amigo, o afilhado por causa de um louco purista!

— Não me chame de Nymphadora! — Gritou Tonks perdendo a calma e levantando a voz! — Nada disso importa mais, Sirius! Você está a livre a meses e deve deixar o passado para traz...

— Deixar o passado... O que uma garotinha estúpida como você entende sobre sofrimento!? Qual foi o maior problema da sua vida? Hum? Quebrou a unha!? — Sirius debochou com o rosto raivoso, estava quase feio por sua careta.

— Cale a boca! Eu não sou nenhuma estúpida! — Vermelha de raiva, seus cabelos ficaram laranja como chamas de fogo. — Você é que está agindo estupidamente! Tudo estava indo bem, eu te vi a poucas semanas e parecia recuperado, otimista, agora está aqui amargo e bêbado.

— Recuperado! Acredita que alguém se recupera do que passei? E qual o problema de beber? Estou apenas me divertindo um pouco, não é como se tivesse muito na minha vida que me dê prazer! — Disse ele amargo. — Minha família está toda morta e meu nome é odiado, as pessoas me evitam ou me olham como se eu fosse um assassino! Eles sabem a verdade, mas para eles tudo o que importa é que sou um Black!

— Não para todos, Sirius! Para nós e seus amigos isso não importa! — Disse Tonks tristemente.

— Importou a 11 anos! Importou para vocês quando acreditaram e me abandonaram sem um segundo pensamento! Fui esquecido e torturado por aqueles vermes imundos! Ainda tenho pesadelos que não me deixam dormir! Apenas beber resolve, mas me cansei de beber sozinho em meu apartamento, por isso vim aqui e não foi para receber lição de moral de uma fedelha. — Disse ele agressivo.

— Mas... Sirius! — Tonks disse magoada. — Nós todos já nos desculpamos e você parecia tão bem, achei que tinha nos perdoado. E, na última vez que jantou na casa dos meus pais, nos contou sobre seus planos, sobre seu sonho de ser um auror. — Tonks tentou tocar sua mão. — Não percebe que pode jogar tudo fora? Se eles descobrirem como tem agido e como está bebendo, ele o recusarão para o treinamento auror e...

— Eles já fizeram isso. — Sirius gritou amargo.

— O que? Como assim! Eu pensei que tudo estava certo, você não passou no exame físico e teórico? — Tonks gritou chocada.

— Passei. — Sirius engoliu uma grande dose de whisky e riu amargo. — Durante todos esses malditos meses, eu fiz tudo o necessário para me reerguer, fiquei longe do álcool, das mulheres, treinei fisicamente, me alimentei, tomei aquelas poções nojentas, tudo para conseguir realizar meu sonho. O sonho que o Ministério me roubou por 10 anos e, agora que estava tão perto, eles me negam.

— Mas..., mas, eles não podem fazer isso... Porque?

— Porque não sou, suficientemente, estável! Disseram que o tempo que passei em Azkaban me deixou mentalmente frágil. Imagine isso, frágil! — Sirius jogou o copo no chão com raiva e pegou a garrafa e bebeu um longo gole. — Se sou frágil, eles são os únicos culpados! Esses filhos das putas do caralho! Eles acabaram comigo e agora não me aceitam para ser um deles. Mesmo com todo o dinheiro que doei para o Departamento Auror, disseram que isso não era o suficiente para que eu seja aceito.

— Oh, Sirius, eu sinto muito. — Tonks estava arrasada. — Mas, isso não é desculpa para agir assim e destruir a sua vida, existem outras coisas que você pode fazer e nós o apoiaremos...

— Eu não quero seus apoios de merda! — Gritou ele mais bêbado. — Estou cansado de aguentar seus remorsos chorosos! Cansado de fingir que perdoei o que fizeram comigo! Sabe o que os caralhos me disseram? Que eu não posso comprar meu lugar só porque sou um Black! Eu não queria comprar porra nenhuma! Eu ia me dedicar e trabalhar duro, ser um auror sempre foi meu sonho, mas, como sempre, não posso ter o que quero porque sou um Black!

— É por isso que não queremos nada com esse sobrenome ou o dinheiro dos Blacks, Sirius. — Disse Tonks orgulhosa. — Foi por isso que mamãe recusou, por causa de onde vem o dinheiro, você sabe que é dinheiro sujo.

— E o que importa tentar ser diferente dos outros Blacks se todos me tratam como se eu fosse o pior!? Hein? — Gritou ele e se levantando com o rosto brilhando por uma ideia, continuou. — É isso! Ao em vez de tentar ser diferente, serei o que todos esperam de mim! Rá, rá, rá, rá, como tenho sido idiota! Se é um Black que eles querem, pois é um Black que eles terão!

— O que quer dizer? Sirius, o que...? — Tonks o encarou preocupada.

— Cansei de ser bonzinho, acabei na prisão sendo inocente por ser bonzinho e agora estou com a mente tão ferrada que não posso ser auror. Bem, quem precisa desses filhos da puta? Eu sou um Black! Tenho mais dinheiro do que posso gastar em dez vidas e muitos negócios para administrar! — Sirius bebeu mais do gargalo da garrafa e voltou a rir. — E, posso comprar ainda mais negócios e me divertir com todas as mulheres que eu quiser! Quer saber!? Eu posso comprar um maldito bordel, ter mulher e dinheiro a vontade! Rá, rá, rá! Quem precisa ser um auror do caralho!? Eu vou é curtir minha vida e que todo mundo vá para o inferno!

— Sirius! O que você está pretendendo!? Sirius! — Gritou Tonks desesperada, mas ele a ignorou e continuou a andar em passo alegre para a saída, mal parecia bêbado.

Tonks, percebendo todo o bar a encarando, ficou vermelha de constrangimento e foi até o balcão saber se o seu primo pagou a conta. Para sua surpresa, quem a atendeu foi alguém bem conhecido.

— Sr. Weasley? — Perguntou ela baixinho, mas chocada.

— Oh..., Oi, Tonks, como vai? — Ele parecia levemente constrangido, seu rosto corado e mãos nervosas revelavam isso. — O que posso te servir?

— Eu..., quer dizer, nada, não quero nada, apenas... Sirius, meu primo, ele pagou a conta? — Perguntou ela também constrangida pelo comportamento de Sirius.

— Sim, desde que apareceu aqui na primeira noite, ele fez um acordo com o Tom, que envia a conta no dia seguinte para o seu advogado pagar tudo. — Informou ele ajeitando os óculos que estavam tortos. — Uma pena o que aconteceu com o Sirius, a 11 anos e agora também, mas me fala de você. Como vai seu treinamento auror?

— Bem, muito bem, apenas... queria poder fazer algo para ajudar o Sirius, mas... Hum, o senhor está bem? Não foi demitido também, não é? — Perguntou Tonks preocupada e constrangida.

— Não, graças a Merlin, ainda tenho meu emprego, mas cortaram as horas extras e com 5 crianças em Hogwarts, bem, tive que procurar um segundo emprego e o Tom me contratou na hora, sabe, sem muita espera e posso trabalhar a noite, então...

— Claro. Essa foi uma boa ideia, Sr. Weasley, muito boa mesmo. Eu... preciso ir e contar aos meus pais sobre... isso. — Disse Tonks ainda constrangida e apontando para a mesa em que estivera com Sirius. — Boa noite, Sr. Weasley.

— Boa noite, Tonks e boa sorte. — Disse Arthur com um sorriso suave.

Tonks andou para a saída do bar, sob muitos olhares, tropeçando em uma das cadeiras no caminho e, assim que estava fora, aparatou em um parque trouxa e caminhou, silenciosamente, até o escritório da ICW, onde encontrou o pessoal que a esperavam.

— Ufa! Acho que deu tudo certo. — Disse ela, cansadamente, e encarou o primo que suspirou e foi lhe dar um abraço.

— Me desculpe! Nada daquilo que disse era verdade e eu já os perdoei. — Disse Sirius suavemente, para que apenas ela ouvisse.

— Eu sei. — Sussurrou ela o abraçando de volta. — E, por você, fico muito feliz que era tudo encenação, Sirius. Você merece tudo de bom no mundo, primo.

— Bem, acredito que devemos iniciar a fase dois. — Disse King objetivamente. — Moody?

— Tenho um grupo de bons aurores disfarçados ou invisíveis por toda a Travessa do Tranco, eles passaram o último mês observando as atividades criminosas, os chefões e os peixes miúdos. — Disse Moody com sua voz grossa. — Podemos atacar amanhã mesmo e pegar muitos em flagrante, prender uma horda de bons sujeitos e colocar aurores plantados naquela Travessa o suficiente para que ninguém solte um peido sem ser ouvido por um dos meus garotos.

— Bem, comecemos, então. — Disse King olhando em volta. — Tonks, você foi brilhante e acredito que tenho mais uma missão para você nas próximas semanas, além da papelada de Moody.

— Claro, senhor, o que precisar. — Disse Tonks ansiosa.

— Ótimo. Minha ideia é a seguinte...

Enquanto King explicava sua ideia para Moody e Tonks, Sirius se aproximou de Denver que estava apenas observando da periferia, os dois já sabiam desta nova ideia.

— Você bateu muito forte na outra noite, pensei que tinha uma costela quebrada. — Sussurrou ele próximo a seu ouvido.

A respiração quente e o hálito de whisky, levemente presente, junto com seu perfume natural, atingiram Denver, inesperadamente, e foi como uma onda que entrou por seu corpo a esquentando e embriagando. Sua mente ficou turva e seu ventre se contorceu de ansiedade e prazer, com a boca seca, ela respirou, suavemente, tentando evitar o seu cheiro dele. Denver sabia que não podia se afastar ou lhe mostraria que ele a afetara, se recusava a mostrar fraqueza, assim ficou firme e respondeu:

— Tinha que ser realista, além disso, só por causa daquela cantada besta, você merecia alguns bons socos. — Disse ela com a voz rouca, pigarreou tentando disfarçar.

— Tinha que ser realista, eu estava bêbado, por isso a cantada besta. — Respondeu Sirius divertido e, propositalmente, encostou seu braço no braço dela, pele com pele, e teve que controlar o gemido quando a eletricidade prazerosa que lhe percorreu o corpo se instalou em sua virilha.

— Quer dizer que sóbrio suas cantadas são melhores? — Perguntou Denver e se arrependeu, um segundo depois, de fazer uma pergunta tão pessoal.

— Sirius, o que você pode dizer para orientar a Tonks em seu novo papel? — Perguntou King chamando a atenção dos dois, que não tinham percebido que estavam se encarando muito de perto.

— Te repondo mais tarde. — Sirius disse divertido com uma piscadela. — Prima, o que você precisa é ir as compras, amanhã mesmo.

— Compras? — Tonks o olhou com uma careta, compras não era sua atividade preferida, era tão feminino, pensou.

— Exato e como sei o que precisará, te acompanharei. Por minha conta, melhor, por conta dos Blacks. — Disse Sirius sorridente. — Vou adorar imaginar a minha querida mãe se revirando em seu maldito túmulo.

Quando setembro se transformou em outubro os alunos se debruçavam, ansiosamente, sobre o Profeta Diário acompanhando com intensa curiosidade e emoção as notícias das prisões dos marginais que habitavam a Travessa do Tranco a séculos. "Era uma resposta", segundo o porta voz do Ministério, "a exigência do público de melhores e efetivas ações do Departamento Auror, principalmente, depois dos grandes investimentos e doações feitas nos últimos meses. Por isso, além das batidas e prisões, um grande contingente auror patrulharia a Travessa, dia e noite, inibindo quaisquer atividades criminosas".

O jornalista escreveu que, em sua opinião, todas essas ações aconteciam porque o Ministério procurava limpar sua imagem mais do que arranhada depois dos recentes escândalos, além de ser uma tentativa do Ministro Fudge de se salvar e manter o cargo depois de 3 tentativas de expulsá-lo nas últimas semanas.

Em outro ponto, as meninas, mais interessadas na revista Witch Weekly, liam sobre o escândalo do momento protagonizado por Sirius Black, que foi fotografado por toda a semana com uma mulher diferente em seus braços a cada noite. As mulheres eram lindas, loiras, morenas, ruivas, altas e magras com vestidos trouxas curtos, apertados e sexys. Black estava vestido como um motoqueiro trouxa com couro preto e seu comportamento de beber, pagar bebidas para várias pessoas no Caldeirão ou no Três Vassouras, rir e contar piadas sujas, se espalhou aos quatro ventos e toda a sociedade mágica comentava que ele pretendia continuar as tradições de sua família e ganhar muito dinheiro com negócios escusos. Em Hogwarts, sua fama de badboy excitou e provocou risinhos nas meninas mais velhas que não desgrudavam das revistas e analisavam cada foto, a garota e as roupas que usavam naquela noite.

Harry sabia que era o início da Operação Travessa do Tranco e agradeceu que o conhecimento de que Sirius era seu padrinho não era popular, apenas alguns alunos de famílias mais tradicionais saberiam e eles apenas lhe lançaram alguns olhares curiosos. Sua preocupação com seu padrinho não apagou sua alegria ao ver que a Operação estava em andamento ou sua impressão de que era um bom plano, Harry expressou isso aos amigos que concordaram.

— Ele tem uma boa equipe e está bem protegido, Harry, acredito que você não tem motivos para se preocupar. — Disse Neville suavemente.

— E, eu concordo com você, o plano é muito bom, apenas gostaria de saber quem são as mulheres que estão aparecendo com ele toda a noite. — Disse Hermione olhando uma das fotos da revista daquela semana.

— Eu acredito que é mais como A Mulher. — Disse Terry com um sorriso inteligente.

Os três amigos o encaram e entenderam o que ele queria dizer ao mesmo tempo.

— Tonks! — Gritaram eles e riram divertidamente.

A Mulher daquela noite era Brit e ela tinha cabelos encaracolados e negros, olhos grandes e azuis que se destacavam com a maquiagem pesada, uma boca grande, carnuda e vermelha. Usava um microvestido azul royal que acentuava cada curva e fazia sua bunda e seios se destacarem, além de saltos prateados que a deixavam quase da altura do seu lindo e debochado acompanhante. Black estava bebendo o melhor whisky da safra de Ogden e cercado de sangues sugas que queriam sua bebida e um pedaço da sua garota, pelo menos para olhar e fantasiar.

Quando se afastaram para uma das partes mais escuras para um pouco de diversão, os homens uivaram de incentivo e o invejaram internamente. Sozinhos, Sirius a encostou na parede e fingiu tocá-la intimamente para o caso de alguém vir espiar, a garota soltou alguns gemidos e o elogiou.

— Você viu o cara de capuz me encarando, Brit? — Disse Sirius em um sussurro.

A garota bufou e cruzou os braços exasperada.

— Que nome horrível você escolheu hoje, Sirius, pior que Kim, Bia ou Tina, só é melhor que Dolly. — Disse Tonks.

— Bem, da próxima vez escolherei Dora ou Nympha, talvez combine mais com sua roupa. — Sussurrou Sirius divertido, depois voltou a ficar sério. — Quando o cara encapuzado me abordar, você diz que vai ao banheiro, não quero que ouça a conversa e chame a atenção dele.

— Mais do que já chamei com esse vestido? Bem, se é que isso pode ser chamado de vestido... — Ao ver seu olhar frio, Tonks suspirou. — Ok, mas não gosto de te deixar sozinho e como pode ter certeza que ele se aproximará de você hoje? Ele tem rodeado e observado por dias.

— Intuição. As coisas estão ficando mais apertadas na Travessa, Moody tem sido o seu louco de costume e o boato é que estão todos apavorados por lá. — Disse Sirius se inclinando perto de seu pescoço, mas, mantendo os olhos no caminho em que vieram. — Posso estar errado, mas acredito que ele testará as águas hoje, pelo menos.

E, mais tarde, a intuição de Sirius se mostrou certa, quando o homem se aproximou da mesa dele, os poucos ao redor se afastaram com medo da figura desconhecida, mas que gritava, por sua vestimenta e postura, que era muito perigoso.

— Olá, meu amigo! — Disse Sirius se fingindo de bêbado. — Quer uma bebida? Tom! Uma garrafa do seu melhor whisky!

— Gostaria de conversar com o senhor, discretamente, Sr. Black — disse o homem com sotaque cockney e voz rouca, ainda usava a capa e Sirius não podia ver o seu rosto.

— Baby, irei ao banheiro, estou apertada e os cavalheiros podem conversar com privaci... alguma coisa assim. — Disse Brit com voz meio bêbada e uma piscadela, se levantou e o vestido veio junto mostrando um pouco de sua calcinha.

Isso causou assobios pelo bar e ela o abaixou, mas, depois andou para o banheiro rebolando e se exibindo.

— Volte logo, Brit, estou pensando que é hora de irmos para o meu lugar ter um pouco de diversão! — Gritou Sirius e depois riu animadamente. — Sente-se, meu amigo, como se chama?

— Meu nome não importa. — O homem se sentou e falou baixo para ninguém ouvir, ainda que muitos tentaram. — Soube de um boato que o senhor está interessado em investir em um novo negócio...

— Sim, negócios dos bons, se é que você me entende? — Disse Sirius malicioso ao apontar para a cadeira onde Brit esteve sentada.

— Bem, tenho uma proposta para o senhor que, acredito, o agradará, Sr. Black. — Disse ele abaixando ainda mais a voz.

— Pufff. Pouca coisa me alegra nos dias de hoje, mas se você quer vender seu negócio, preciso saber o que é e onde fica, qual o preço e essas bobagens todas. Certo? — Disse ele, meio sem noção.

— Sim, mas o negócio não é meu, sou apenas o intermediário, meu patrão está um pouco... preso no momento, mas está disposto a fazer um bom preço para alguém tão distinto. — O homem se inclinou e seu rosto barbudo, feio e sujo ficou mais claro. — Os bordéis ficam na Travessa do Tranco, Sr. Black, e o senhor não poderá encontrar melhor localização ou lucros mais certos por essas bandas. E, os prédios vem com as portas fechadas...

— Espera, espera meu amigo sem nome, eu não posso fazer negócio com um interme... qualquer que seja o que você é, além disso, preciso conhecer o lugar e ter certeza da documentação, meu advogado precisa olhar toda essa porra antes que eu compre qualquer coisa. Além disso, também preciso examinar a mercadoria. — Disse Sirius com uma piscadela maliciosa. — Se é que você me entende?

— Sim, o senhor está interessado, então, não era só boato? — Perguntou o rapaz ansioso.

— Sim, sim, vou me divertir e ganhar dinheiro da maneira Black, minha família trouxe o primeiro bordel para a Travessa a séculos e sabemos muito bem como treinar nossos... hum, brinquedos. — Disse Sirius sorridente.

— Você deve ter ouvido sobre o que está acontecendo na Travessa, mas meu chefe descobriu que é tudo fogo de palha e logo o Ministério recuará...

— Não me fale dessa porra do Ministério, cara, ou meu humor se acaba, não me interesse o que esses filhos das putas estão fazendo, não sei do que você está falando e tenho raiva de quem sabe. Fui claro? — Disse Sirius dando um tapa na mesa, isso provocou um sorriso desdentado no homem que acenou.

— Beleza, Sr. Black. Isso é muito bom, não se importe com o Ministério, o senhor está certo. Escute, podemos nos encontrar amanhã, bem cedo? Terei os papéis para seu advogado e o senhor examinarem e até testarem a mercadoria. — Disse ele ansioso.

— Rá, rá, rá, rá. Gosto de como pensa, amigo, mas tenho cara de quem acorda cedo? Hum? — Disse Sirius mal-humorado e pegando o copo virou de uma vez. — Estou acordado agora e posso acordar o preguiçoso do meu advogado assim. — Disse ele estalando o dedo. — Vou dispensar minha boneca Brit e podemos ir para o seu lugar e espero que valha o meu tempo. Um Black não será enganado ou debochado sem consequência. Entendeu, Sem Nome? — Seu tom era mais perigoso e o homem acenou de olhos arregalados.

Nesse momento, Brit se aproximou rebolando e meio trôpega.

— Benzinho, já podemos ir? O banheiro daqui é meio nojento e estou precisando de um banho naquela sua banheira fonome... alguma coisa. — Disse ela com voz de bebê.

— Baby, tenho alguns negócios para tratar com meu amigo aqui, você vai na frente e me espera bem molhadinha. — Disse Sirius com uma piscadela, Brit fez beicinho de protesto, mas, um olhar dele e ela obedeceu.

Em poucos minutos, Sirius deixou o Caldeirão para o Beco, ele sabia que Tonks o estaria seguindo invisível até este momento, depois de enviar uma mensagem para Moody e King. Ele também mandou um patrono para Falc, que aparatou em alguns minutos, parecendo preocupado e, ao vê-lo inteiro e parecendo bêbado, ficou surpreso e depois zangado.

— E aí, Falc? Tudo bem, quanto tempo não te vejo. — Disse Sirius alto e bêbado. — Preciso dos seus serviços de advogado, vou comprar umas coisinhas e preciso que cheque se está tudo certo.

— Black, são quase duas da manhã, que porra é essa? — Falc falou irritado e entrando no jogo.

— Ei! Eu te pago muito bem, seu idiota! Se não quiser receber meu ouro posso arrumar outro advogado antes que consiga voltar para o seu sono de beleza. — Gritou Sirius raivoso.

Falc recuou e franziu o cenho, mas acenou.

— Ok. O que você pretende comprar nestas horas, Black? Seja o que for, só pode ser registrado amanhã, assim o negócio pode ser fechado amanhã. — Disse Falc seguindo os dois pelo Beco.

— Não é da sua conta, porra, apenas veja que está tudo certo e que esse meu amigo, Sem Nome, pode me vender o que eu quero comprar e registre amanhã. Faça seu trabalho e cale a porro da boca. — Disse Sirius mal-humorado.

— Você me tira da cama a essas horas e ainda age assim, eu não devia aguentar... O que estamos indo fazer na Travessa do Tranco? Você perdeu sua mente, Black? — Sussurrou Falc olhando em volta assustado.

— Não precisa ficar com medo, franguinha, vocês estão comigo, então, estão seguros. Mas fique de bico calado. — Disse o homem encapuzado.

Sirius soltou uma gargalhada e tropeçou meio bêbado.

— Franguinha! Rá, rá, rá! Combina com você, Falc, é um bom apelido.

— Black, você está completamente bêbado! O que decidiu comprar neste estado? Não percebe que pode ser enganado por esse sujeito? — Disse Falc ofendido.

— Foi por isso que te chamei aqui, seu idiota, agora cala a boca e faz o que eu te pago para fazer. — Disse Sirius em tom sério e perigoso.

Falc entendeu isso como um aviso para parar de falar e apenas os seguiu pela Travessa, anormalmente, vazia, até uma casa de aparência velha e mofada. Por dentro era bem diferente, muito bem decorada, com tapetes e móveis caros e luxuosos, estava vazio e silencioso, mas os dois homens poderiam imaginar, facilmente, como deveria ser quando cheio música, clientes e profissionais.

— Você pode andar por tudo se quiser. Meu chefe tem 4 dessas, são iguaizinhas, tem 3 andares e 22 quartos, uma cozinha também, além desse grande salão para as festas. — Disse o homem em tom malicioso ao dizer festa. — Aqui, eu tenho as escrituras e a procuração que ele me deu para poder vender em seu nome e esse é o valor que ele quer.

Sirius pegou os papéis e deu uma olhada, fingindo que não entendia, entregou para o Falc que começou a trabalhar. Enquanto isso, ele passeou por todos os cômodos, a cozinha pequena, mas bem equipada e limpa, os quartos também estavam limpos e tinham móveis confortáveis e decoração luxuosa que declarava para quais atividades eles serviam.

— Porque seu chefe não pode vir e vender ele mesmo? — Sirius ouviu Falc perguntar e apressadamente desceu as escadas.

— Já te mandei ficar com a porra da boca calada, isso não é da sua conta, franguinha. — Disse o homem dando um passo à frente, mas Sirius chegou neste instante e se colocou entre eles.

— Tudo é muito bom, gostei muito, mas isso é só uma casa e objetos, preciso ver as outras e o mais importante. As mercadorias, elas estão nas outras casas? — Disse Sirius fingindo animação.

— Não, estão aqui. O senhor fechará o negócio? Posso mostrá-las e te dar um gosto se disser que sim. — Disse ele ansioso.

— Que me diz, Falc? — Sirius perguntou mostrando ansiedade. — Eu realmente quero essa porra, cara. Está tudo certo?

— Black, escute, você entendeu que está comprando um... quer dizer, 4 bordéis? — Falc sussurrou aflito. — Você não pode investir essa fortuna em um negócio desse tipo e com um cara desse!

— Eu não pedi sua opinião, seu idiota, estou te perguntando se está tudo certo. — Disse Sirius lhe dando um tapa na orelha. — Esse é meu dinheiro e, se quiser comprar uma casa ou 4 casas de jogos e jogar o dia inteiro com meus novos brinquedos, o problema é meu. Agora responda o que perguntei, porra!

— Sim. — Disse Falc tentando conter a raiva e vontade de pegar a varinha. — Tudo é legitimo, mas o valor está acima de mercado, o preço justo seria uns 2 terços disso, no máximo.

— Tentando me enganar? — Disse Sirius com seu tom sombrio e perigoso encarando o homem encapuzado que se encolheu levemente, talvez, acostumado a ser batido por seu chefe.

— Não, não senhor, esse é o preço que meu chefe me mandou pedir, mas dois terços está bom, muito bom. Podemos assinar agora mesmo se o senhor quiser. — Disse ele dividido entre o medo e o desejo que fechar o negócio.

— Primeiro, quero ver meus novos brinquedos. — Disse Sirius com voz suave. — E espero que valha meu tempo.

— Valerá. Me siga, Sr. Black. — Eles foram para a cozinha e com um gesto de varinha do homem encapuzado, uma porta surgiu e se abriu revelando uma escada que os levou para outra porta que parecia bem trancada. — Quando o Ministério resolve fazer umas batidas trazemos todas as meninas e meninos para esse porão, Sr. Black, tem um túnel que liga as 4 casas, muito útil. Eles estão aqui a alguns dias agora, o senhor verá que são muito obedientes e competentes, não temos nenhuma virgem no momento, mas, posso arrumar uma por uma, boa comissão. E tem umas bem novinhas se o senhor se interessar...

— Prefiro mulheres, Sem Nome, ou você não viu quem era minha companhia mais cedo. — Sirius interrompeu bruscamente.

— Claro, claro, estava só dizendo. — Sussurrou ele e começou a mover a varinha, foram mais de 10 minutos até tirar todas as proteções e abrir a porta.

Que revelou um grande porão, provavelmente, magicamente ampliado, com dezenas de jovens de todas as idades sentadas ou deitadas no chão. Eles se encolheram assustados e piscaram por causa da iluminação mais forte da escada e Sirius tentou não se apegar aos seus rostos magros demais, ansiosos, apavorados ou inexpressivos, se concentrou em seus estados físicos, idades e números.

— Quantos são? — Sua voz rouca o fez parecer excitado e não chocado.

— 73, 17 são garotos e 56 garotas. — Disse ele e parecia orgulhoso. — Estávamos esperando um carregamento especial da França, mas tivemos que adiar, agora terei que avisá-los que devem procurar outro comprador.

— Isso é tolice, consiga essa entrega para mim e lhe darei uma boa comissão, Sem Nome. — Disse Sirius olhando em volta e percebendo que eles tinham água, mas não comida. — Quanto tempo estão sem comida?

— Claro, Sr. Black, considere feito. — Disse Sem nome animado. — Eu mando uma cesta com pães e queijos uma vez por dia, são todos magrinhos e não precisam de muita comida, o senhor não terá muito gasto com eles.

— Sim, no entanto, se adoecerem não trabalharão e terei prejuízo, mas não se preocupe, assinaremos o contrato e eles serão meus. — Disse Sirius e, se voltando de costas para o porão cheio de tristeza e dor, encarou Falc que estava muito pálido. — Quero assinar agora, Falc, assim, nem pense em fazer jogo duro.

— Ok, vamos assinar, qual será a forma de pagamento? — Disse Falc, subindo as escadas, Sirius o acompanhou, mas, antes, colocou sua própria proteção na porta

— Ouro, só aceito ouro. — Disse o Sem Nome com voz desejosa.

— Bem, Sr. Grant, isso seria muito ouro, podemos lhe dar um cheque para depósito ou fazer uma transferência direta, mas...

— Eu disse que quero ouro, sua franga imbecil! — Gritou Grant furioso. — E não repita meu nome!

— Esse é o nome na procuração, de que outra maneira quer que eu o chame? — Falc falou exasperado.

— Ele prefere Sem Nome, acho até que combina. Não complique Falc, dê o que ele quer, assim, eu terei o que quero. — Disse Sirius em tom de aviso, depois se espreguiçou, cansadamente. — Tenho uma gostosa me esperando, Tina ou Bia, não me lembro mais, assim, vamos finalizar e seguir nossos caminhos.

— Não vai provar a mercadoria, Sr. Black? — Questionou Sem Nome ansioso para agradar.

— Aquelas criaturas estão sem banho e comida, assim passo o oferecimento, Sem Nome, antes cuidarei para que fiquem cheirosas e capazes, como eu gosto, sou um homem jovem e vigoroso. Aqueles brinquedos não aguentariam jogar comigo. — Disse Sirius malicioso e provocou o riso divertido e adulador do Sem Nome.

Enquanto isso, Falc terminou de redigir o contrato, colocando cada um dos dados e legalidades para torná-lo válido.

— Aqui está, apenas assinem e o negócio está feito. — Disse ele, lhes entregando o documento.

— Espere e meu ouro? — Perguntou Sem Nome desconfiado.

— Podemos sair daqui e recolher direto no banco, não o enganarei, assim como espero que as outras casas estejam em condições idênticas a essa. — Apontou Sirius fingindo estar mais sóbrio. — Pretendo que continuemos a fazer bons negócios, Sem Nome.

— Claro, claro, é tudo como aqui e será muito bom trabalhar com o senhor, Sr. Black, será sim. — Disse ele e, rapidamente, assinou o contrato.

Sirius o imitou e Falc lançou alguns feitiços sobre o pergaminho.

— Muito bem. A mágica aceitou o contrato e agora não pode ser desfeito. Quer que lhe acompanhe até o banco, Black? — Falc tinha um certo desprezo em sua voz.

— Eu pareço precisar de uma babá, seu idiota? Se manda daqui! Pagarei por seus serviços em outro momento, me envie a conta. — Disse Sirius debochado.

— Espero que entenda que a conta por hoje será... bem alta. — Disse Falc ironicamente, antes de deixar a casa.

Ele caminhou apressadamente até chegar ao ponto de aparatação do Beco Diagonal, mas, antes de aparatar, Serafina surgiu e o chamou, Falc a encarou chocado e sem entender o que fazia ali.

— Desculpe, foi a única maneira que pensei em lhe chamar a atenção. — Sussurrou a mulher. — Sou Tonks, estive lhe acompanhando para ter certeza que chegaria seguro até aqui. Sirius explicará tudo mais tarde, espero que entenda que ele estava encenando.

— Claro que entendo. — Disse Falc impaciente. — Diga a ele que Serafina e eu estamos à disposição para ajudar com aqueles jovens, a hora que for. Agora, se me der licença... Ah, não volte a se transfigurar na minha mulher, isso foi a segunda pior coisa desta noite maldita.

Sirius, acompanhado do invisível Moody, entrou no Gringotes e deu os sacos de ouro a Sem Nome, que partiu sem vigilância, pois todos tinham certeza de que voltariam a vê-lo em breve. Depois, ele fingiu partir, mas voltou para a casa, invisível, encontrando King, Moody e Tonks lhe esperando.

— Precisamos tirá-los de lá. — Disse Sirius angustiado.

— Não podemos. — Moody falou com voz dura. — Aquele imbecil conhece esse lugar muito bem, pode ter até mais passagens secretas, se ele entrar e descobrir que os tiramos daqui desconfiará.

— Ele pode espalhar sua desconfiança e nossa OP termina antes de começar para valer. — Reiterou King com sua voz calmante. — E precisamos dele, quando nos entregar a carga especial, podemos prendê-lo e interrogá-lo, conseguir mais nomes e o acusar de muitos crimes.

— Mas... — Sirius suspirou tristemente sabendo que eles estavam certos.

— Vamos alimentá-los e acalmá-los, chamaremos alguns Curandeiros para tratá-los e, assim que Grant estiver preso, podemos tirá-los de lá. — Disse King com firmeza.

— Isso nos dará tempo para encontrar um lugar seguro para todos e organizar a transferência que tem que ser bem discreta, se algo vazar... — Moody fez uma careta, mas continuou bruscamente. — Hoje foi só o primeiro dia, Black, 4 casas a menos deste buraco nas mãos desses escrotos, quase 80 pessoas a menos em sofrimento. E, isso é só o início.

Mais tarde, Sirius, sem ter dormido, chegou ao treinamento e encontrou Denver a sua espera. Sua aparência mostrou a falta de condições para qualquer atividade física, então, ela o levou para treinamento de inteligência, mas, assim que começou a exemplificar um caso, Denver percebeu que Sirius não estava presente de verdade.

— Recruta? O que aconteceu para que não eu consiga manter sua atenção? — Questionou ela sabendo que o melhor era superarem isso.

Sirius a encarou e seus olhos prateados, sempre brilhantes e expressivos, estavam opacos e vazios de sentimentos. Denver se sentiu incomodada, pois nem mesmo o Sirius que encontrara em Azkaban a tantos meses parecia assim, tão ausente de tudo.

"Acredito que você tem um caso para discutirmos, Black, assim fale. " — Seu tom de ordem escondia sua preocupação, mas enquanto a encarava, Sirius percebeu que ela realmente se importava.

Assim, ele falou, contou sobre o avanço na Operação e onde a noite o levou, explicou porque não podiam tirar aquelas pobres crianças da casa e como, Tonks, Serafina, Falc e ele, passaram o resto da madrugada lhes ajudando com comidas, águas, roupas e lhes informando que estariam livres em breve.

— A maioria não acreditou em nós, alguns apenas pegaram a comida e se encolheram em um canto, outros nos disseram que não precisávamos mentir, pois trabalhariam como sempre. Alguns nos olharam com tanta esperança... — Sirius disse com voz robótica. — Todos pareciam tão... frágeis e feridos, tão jovens e pequenos, pareciam nem entender o que significa estarem livres, como se fosse um conceito desconhecido.

— Provavelmente é. — Disse Denver olhando para as próprias mãos sobre a mesa de reunião. — A maioria deles deveriam ser muito pequenos quando foram livres, se é que algum dia foram e, portanto, não se lembram. Ainda assim, são jovens e com ajuda, podem superar o que passaram e um dia terem uma vida. Eles são bruxos?

— A maioria são trouxas, os mais... sofridos. — A voz de Sirius se engolfou de emoção e ele teve que pigarrear. — Muitos nascidos trouxas e meias raças, ninfas, elfos da floresta, veelas...

— Merlin... — Denver suspirou meio pálida e enojada, esse era o tipo de caso que, mesmo os mais fortes, sempre se sentiam abalados.

— Acredito que o mais velho deve ter uns 28 ou 30 anos, os mais jovens, 12 ou 13. — Sussurrou ele e sua expressão parecia assombrada. — Sabe o que me fez ser diferente do resto da minha família? A pedir ao chapéu seletor para não me classificar na Slytherin?

— O que? — Sussurrou ela ao ver seus olhos se tornaram distantes no passado.

— Eu tinha 9 anos e tinha sido ensinado todo o mantra puro-sangue desde o berço, nunca duvidei da verdade dos meus pais, avós, tios, primos, não havia porque duvidar da verdade que parecia ser verdade. — Sirius disse suavemente. — Minha família tinha bordéis como esses e, apesar de saber disso, não entendia o que significava, mas, um dia... Meu pai me levou a casa de meu tio e, se você pode imaginar, ele era ainda pior que Orion Black. Tio Cygnus era um pervertido da pior espécie e tinha essa ideia que, quanto mais cedo você começa no sexo, mais aprende e mais homem você é. Por tradição, quando fizesse 13 anos, eu seria levado ao bordel para ser iniciado, mas, meu tio queria me treinar mais cedo, me dar um gosto do prazer... — Sirius se levantou e se virou de costas para Denver, envergonhado demais para encará-la. — Tudo o que entendi era que participaria de uma festa só com os homens da família e me senti especial, provoquei meu irmão Regulus que não teve autorização para estar lá e minha primas por serem meninas. No começo a festa foi chata, apenas os adultos e lamentei que meu irmão não estivesse presente para brincarmos, ser um homem Black não era o que pensei. Então, quando eles ficaram mais bêbados, a festa mais chata e eu planejava uma fuga, meu tio apresentou a diversão da noite... — Sirius encarou a janela, mas sua mente voltou para aquela tarde, os risos, o cheiro de whisky, a fumaça dos charutos, as conversas desinteressantes. — Ela era uma menina trouxa bem jovem, uns 12 anos, talvez, parecia confusa e assustada, não entendia porque ou onde estava e eu fiquei completamente perdido. Porque um sangue ruim era a diversão? Eram 4 homens adultos e meio bêbados, rindo dos seus gritos, eles a despiram e espancaram, puxaram seus cabelos e a chutaram no chão. Acho que jamais vi meu pai tratar nem um elfo doméstico daquela maneira e, em algum momento, entrei em choque e assisti a tudo paralisado como se não estivesse em meu corpo, parecia irreal e me ausentar foi uma forma defesa. Ou, foi isso o que disse meu terapeuta... E, então meu tio disse que ia treiná-la para mim, gritou meu nome e eu voltei para a sala, ouvi os gritos, senti os cheiros, Cygnus a montava e ria com sua dor. Ela olhou para mim, tão jovem, com olhos azuis claros cheios de lágrimas de desespero e dor, me encarou e implorou por ajuda, eu ouvi seus pensamentos, juro que entendi cada um dos seus pensamentos... Mas não fiz nada...

A dor em sua voz, a culpa era algo que carregava a tanto tempo que parecia machucar até mesmo falar sobre isso.

— Sirius... não foi sua culpa. — Denver tentou tocá-lo, mas ele se encolheu se sentindo muito sujo para ser tocado por ela.

— Não... eu não podia salvá-la, mas eu nem tentei porque estava apavorado demais, uma parte de mim temia que eles fizessem aquilo comigo, outro estava só... em choque e confusão completa, perdido e paralisado. — Sirius a encarou com olhos tristes. — Eu nunca soube seu nome, quem era, de onde era, se tinha família..., mas ela foi a pessoa mais importante da minha vida. Nunca a esqueci e depois daquele dia jamais consegui ser um Black, me odiei e meu sangue, me olhava no espelho e abominava minha semelhança com aqueles monstros.

— Você não é um monstro. — Disse ela com convicção absoluta, depois suspirou cansada. — Ela morreu, não é?

— Sim... Eu acabei fugindo da sala em algum momento e me refugiei no jardim, quando me encontraram, tio Cygnus disse ser uma pena eu ter sumido, porque iria experimentar o meu primeiro boquete. Meu pai disse que precisávamos partir e perguntou quem se livraria da carcaça... — Sirius se engasgou e fechou os olhos. — Como se ela fosse um animal que foi usado, abatido e cujo restos... não importassem. Tio Cygnus riu e disse que tiraria o lixo antes da minha tia chegar em casa...

— Ok, eu já entendi, não precisa continuar. — Disse ela não suportando mais ouvir ou presenciar a sua dor ao contar. Denver voltou a tocar seu ombro e, quando Sirius tentou afastá-la, ela não permitiu. — Pare de se afastar, como se estivesse contaminado, Sirius, por Deus do céu, você era uma criança, ainda mais jovem e tão vulnerável e inocente quanto aquela menina... Você não podia ajudá-la e ela estava morta assim que foi sequestrada, nunca houve uma chance... para nenhum de vocês dois.

— Eu fui um covarde, nem tentei e...

— Sirius... — Denver apertou seu ombro e o fez encará-la. — Você não tem mais 9 anos, é um adulto agora e sabe que não havia como salvá-la, imagine... Pense, por um segundo, se o seu afilhado lhe contasse essa mesma história, você o culparia? Você pensaria que seu garotinho era um covarde por não fazer nada?

Sirius fechou os olhos se sentindo enojado ao pensar em seu Harry perto daqueles monstros, ele era tão bom e inocente, sofrido, mas ainda intocado pela perversão humana. E, eu também era assim, pensou Sirius, quando seus olhos se encheram de lágrimas ao lembrar do garotinho que fora até aquele dia, que sentia a falta do seu irmãozinho, tão confuso e perdido ao ver os homens que acreditara serem perfeitos, destruir a inocência dele e daquela garotinha. Tomado pela dor e angústia, Sirius sentiu os joelhos vergarem e gemeu com um animal ferido.

— Ahhhh, Deus, por Deus...

— Sirius... não, Sirius... — Denver amparou seu peso e o abraçou se ajoelhando com ele ao chão. — Não faça isso, não se perca na dor, Sirius, escute... não foi em vão, aquela menina não morreu sem deixar algo precioso para traz. Ela tocou sua alma, Sirius, mesmo tão curta, sua vida foi tão importante e olha para você, quem é Sirius Black de verdade. Você a lembrou e honrou por todos esses anos e tentou não ser como aqueles monstros que a mataram, olhe para mim... — Denver segurou seu rosto e ela chorava junto com ele, compartilhava sua dor. — Seus olhos azuis inocentes, aquela alma tão sofrida tocou a sua e o transformou em um justiceiro, é por isso que você odeia a sua família, seus preconceitos, é por isso que você sempre sonhou em ser um auror, para encontrar justiça para ela e você vai... Não, escute, aqueles que a machucaram se foram, mas existem mais inocentes que precisam ser salvos e monstros que precisam ser parados e você será seu justiceiro, você a honrará e a cada um que salvar será por ela, para ela... Ela nunca será esquecida, ela foi importante...

Sirius acenou e soluçou, depois a puxou e abraçou tão forte quanto conseguiu e chorou contra seu ombro, Denver chorou com ele e o abraçou de volta, tentado lhe dar forças para que Sirius Black se tornasse o justiceiro que nasceu para ser, desde aquela tarde distante.

Na primeira semana de outubro, além das fofocas sobre Black e sua vida promíscua, o frio chegou e se instalou com um vento forte e cortante. Harry e os amigos agradeceram pela Caverna e sua pista de atletismo com fervor. Trouxe também, na primeira segunda-feira do mês, a presença, durante o café da manhã, de um convidado, um homem alto, gordo e sorridente. Avisados sobre um anúncio, todos os alunos esperaram com ansiedade uma explicação sobre a visita e, quando Dumbledore se levantou, todos ficaram em silêncio.

— Bom dia. Mais uma semana de aulas começam hoje e sei que estão ansiosos por suas lições. — Disse ele com um sorriso divertido. — Mas, antes, tenho que lhes comunicar que, devido a uma decisão conjunta da administração de Hogwarts e Severus Snape, ele não será mais um professor em nossa escola.

Todos o encaram sem compreender, completamente, suas palavras, outros abriram a boca em choque e Fred não se conteve.

— O senhor está brincando?

— Não, infelizmente, algumas mudanças estão sendo feitas na maneira de administrar Hogwarts, além do Conselho de Governadores, teremos, a partir de agora, a ajuda e supervisão da Associação de Pais, fundada pelos pais dos alunos. Essa não será a primeira mudança que teremos, acredito que muito em breve, vocês vivenciarão experiências maravilhosas e surpreendentes. — Dumbledore lhes disse, serenamente, mas ninguém parecia ouvir ou se importar.

— Snape não é mais nosso professor? — Perguntou uma garota Hufflepuff, talvez, 5º ano.

— Não, como disse...

— Ele foi demitido? — Perguntou outra garota da Ravenclaw.

— Sim, a nova admi...

— Para sempre? Quer dizer que ele nunca mais voltará? — Perguntou outro garoto Gryffindor.

— Sim, ele foi demitido para sempre e nunca voltará a ser um professor em Hogwarts. — Disse ele levemente exasperado e desistindo de explicar sobre o resto.

Assim que veio a confirmação e, todos entenderam o significado completo, o barulho se tornou ensurdecedor. Foram três quartos da escola gritando e pulando, subindo nos bancos e mesas, rindo ou se abraçando. Alguns estavam em lágrimas ao pensarem que poderiam ter a chance de passarem nas OWLs e estarem nas aulas avançadas, outros em prantos por saberem que não teriam mais que entrar naquela sala e serem aterrorizados por Snape. Os Slytherins se mantiveram neutros, mais por respeito, mas era possível ver alguns comemorando ou sorrindo, discretamente, outros tinha uma expressão sombria e encaravam a ovação com frieza e desprezo.

Harry e Terry se levantaram, batiam palmas e eram abraçados por seus amigos do Covil que sabiam de suas influências na criação da AP. Depois de barulhentos 15 minutos, Dumbledore retomou a palavra apenas para passá-la para Penny, Mino e Matt, para que explicassem o que era a AP e como pretendiam trazer melhorias a Hogwarts.

— Uma das coisas mais importantes que a AP quer fazer é ouvir os alunos, a verdade é que pagamos uma mensalidade muito cara para frequentar Hogwarts e ela deve ser uma escola feita para nós e também por nós. Assim, deixaremos uma urna de sugestões e reclamações no Grande Salão e, qualquer um, anonimamente ou não, pode se expressão sobre o que não está bom e o que falta em suas opiniões. Que tipo de escola vocês querem. — Disse Penny seriamente.

— Isso é muito importante, assim, sem brincadeiras, estamos falando do nosso futuro e acredito que nunca antes tivemos a oportunidade de sermos ouvidos. — Disse Mino e viu muitas expressões determinadas e acenos positivos.

Depois, Dumbledore se levantou e apresentou o novo professor de Poções, Horace Slughorn, as palmas foram mais educadas e contidas, ainda que seu grande sorriso e acenos foram retribuído por muitos alunos.

— Espero que ele seja bom. — Disse Harry o analisando.

— Depois de Snape, o Conselho e a AP não concordariam com alguém que não fosse um excelente professor. — Opinou Terry e Harry acenou concordando aliviado.

— Queria ter visto a cara do Snape quando foi demitido. — Disse Harry com um sorriso malicioso.

— Sim. — Terry riu e olhando em volta, continuou. — Hogwarts não parece mais limpa, de repente?

Sua pergunta foi ouvida pelos amigos em volta que entenderam de quem ele falava e gargalharam divertidos. Sim, Harry, pensou, Hogwarts parecia muito mais leve sem o peso da negatividade amarga e raivosa de Snape, mas, olhando em volta em busca de algo que não se encaixava, ainda havia o plano desconhecido do Malfoy que ninguém estava perto descobrir ou impedir.

Seu olhar foi atraído e se detiveram no fim da mesa, quando viu cabelos ruivos como chamas ao lado do loiro sujo, sorriu ao perceber que Ginny estava sentada na mesa Ravenclaw e parecia feliz. Mesmo de perfil, ele pode ver que as duas riam, Ginny jogava a cabeça para traz e Luna soltava seu grito de riso contagiante. Suspirando, Harry decidiu que, talvez, por apenas um pouco, ele deveria relaxar e se divertir também. Apenas, por um breve momento.