Capítulo 51

As primeiras aulas de Horace Slughorn naquela manhã de segunda-feira eram com a turma do 2º ano, Ravenclaw e Hufflepuff. Assim que foram dispensados, depois do anúncio da demissão de Snape e apresentação do novo professor, os alunos, com algum atraso, se apressaram para a sala de aula odiada nas masmorras. A porta estava aberta, então, todos entraram e se posicionaram em seus lugares de costume, Harry se sentou na primeira mesa do canto mais afastado da porta e tinha terminado de retirar suas anotações da bolsa quando Slughorn entrou, com sua pança o precedendo, na sala. Seus enormes bigodes de leão-marinho se curvaram nos cantos da boca sorridente quando ele cumprimentou a sala olhando em volta com seus olhos castanhos esverdeados avaliando cada rosto.

— Ora muito bem, ora muito bem, ora muito bem! — Disse ele com voz grossa e entusiasmada. — É muito bom estar de volta! Meu amigo, Dumbledore, me convidou a deixar a aposentadoria e eu, ainda que relutantemente, concordei. Estou um pouco velho, mas, ainda me lembro de como ensinar jovens mentes a aprender a nobre arte de criar poções. Isso mesmo, meus queridos, arte é a palavra. Um verdadeiro potioneer é, antes de tudo, um artista e espero ajudá-los a encontrar essa sensibilidade dentro de cada um. — Seu rosto sorridente se deteve em Harry no canto isolado da sala e pareceu perceber que todos estavam sozinhos em suas mesas e não em duplas ou trios. — Ora, porque estão todos separados e você, meu jovem, porque está isolado neste canto?

— Prof.º Snape nos separou desde que as avaliações das lições se tornaram mágicas e individuais, senhor. E, ele gostava de me vigiar de perto, assim me manteve aqui na frente. — Respondeu Harry educadamente.

— Ora, como é o seu nome? — Slughorn perguntou curioso.

— Harry Potter, senhor. — Disse Harry e viu seus olhos se arregalarem, seu sorriso retornar com entusiasmo e se tornar um riso que balançou sua enorme pança.

— Sr. Potter, que prazer lhe conhecer. — Disse ele se aproximando e lhe apertando a mão. — Sua mãe foi uma das minhas alunas mais talentosas, uma das minhas favoritas e espero que tenha herdado seu talento.

Harry relaxou, levemente, e sorriu tímido.

— Acredito que nunca poderia ser tão bom como ela, professor, mas eu tento. — Disse ele sincero.

— Ora, então, é isso que importa, não é mesmo? — Disse ele, o encarando como se Harry fosse algo muito valioso. — Agora, conversei, brevemente, com seu antigo professor e ouvi que essa classe tem apresentado algumas dificuldades. Assim, partiremos do princípio e para isso reorganizaremos a sala como deve ser uma sala de aula de Poções. Afastem-se para a frente da sala, por favor.

Os alunos pegaram suas mochilas e fizeram exatamente isso, em poucos segundos, alguns movimentos de varinha de Slughorn e a sala tinha 4 mesas grandes com espaços de trabalhos espaçosos ao lado dos fogareiros.

— Aqui está, meus queridos, 4 de vocês em cada mesa. Ao contrário do que disse seu antigo professor, mesmo com caldeirões e avaliações individuais, acredito que estarem próximos e aprendendo um com o outro é algo importante. — Disse ele sorridente. — Quando estiverem nos exames terão que fazer por conta própria, assim, não adianta copiarem dos colegas nas lições, os prejudicados serão vocês mesmos. E, eu estarei de olho, portanto, compartilhem e aprendam entre si, sem copiar, além disso, se tiverem dúvidas estarei aqui para respondê-las.

Os alunos, muitos surpresos e esperançosos, voltaram para as bancadas lentamente, Harry e Terry foram para a segunda na parte do fundo da sala, mas, mais perto da porta, o lugar que ficavam no início do ano anterior, antes de serem separados, e Justin e Megan os acompanharam.

— Podemos compartilhar com vocês? — Perguntou ela timidamente e os dois Ravens acenaram concordando com sorrisos sinceros.

Olhando em volta, Harry viu Anthony, Lisa e Michael com Sally-Anne. Padma, Morag e Mandy com Ernie e, Hannah e Susan, que se isolaram em uma da pontas da mesa bem longe de Smith e seu amigo, Wayne.

— Sim, ora, muito bem, estamos todos muito melhores, não é mesmo? — Disse o professor ganhando alguns sorrisos tímidos. — Agora vamos a chamada e, durante a lição, quero saber um pouco sobre cada um de vocês. — Em poucos minutos, Slughorn fez a chamada e depois explicou a poção que fariam. — Hoje, teremos tempo para fazer uma poção bem simples, a primeira que fizeram no ano passado. A poção em si não me importa, o que quero é observá-los trabalhando, preparando seus ingredientes, controlando seus caldeirões e assim por diante.

Enquanto todos iniciaram seus trabalhos, o professor passeou pela sala e fez algumas perguntas pessoais aos alunos, Harry percebeu que ele parecia interessado nos sobrenomes e familiares. Com os nascidos trouxas o interesse era menor e Harry trocou um olhar com Terry, pois temia que o novo professor pudesse ser um purista, mas, essa impressão se logo se desfez. Ele passou de mesa em mesa orientando, gentilmente e pacientemente, a todos sem fazer diferenças, respondeu perguntas ou explicou porque deveriam picar, amassar deste ou daquele jeito, orientou sobre as chamas e a quantidade de movimentos da colher no sentindo anti-horário ou horário.

— Este é um cálculo delicado, crianças. — Explicou ele claramente. — Um inventor de poção faz muitos testes e calcula, de acordo com os ingredientes e suas combinações, quantas vezes eles precisam ser mexidos para chegarem ao efeito esperado. Isso é Aritmancia Avançada, meus queridos, se tiverem interesse em serem bons potioneers, poderão escolher essa aula entre as eletivas no ano que vem.

— Prof. Slughorn, como o inventor sabe qual a direção correta? — Perguntou Megan docemente. Isso era algo que ela sempre esquecia ao fazer suas poções e, quando elas ficavam horríveis e Snape a criticava, duramente, se perguntava porque era tão importante.

— Ah, muito boa pergunta, minha querida Megan. — Professor Slughorn sorriu animado por ensinar. — Astronomia. Essa é a resposta. Quando vocês aprendem sobre a posição dos planetas, estrelas, lua e sol, aprendem sobre suas rotações, seus sentidos e direções. Em aulas de níveis NEWTs, vocês aprenderão que existem ingredientes que devem ser colhidos e preparados em certos períodos do mês, que as poções têm melhores resultados em certas luas. As direções em que mexemos uma poção é uma combinação disso tudo e, conhecer profundamente as reações dos ingredientes, é muito importante também. Assim, Herbologia, Astronomia e Aritmancia são aulas que trabalham de mãos dadas com a invenção e preparação de Poções.

Depois de uma aula tão boa, explicativa e interessante, era impossível não gostar do professor Slughorn, mas Harry conseguiu ficar dividido. Talvez fossem os entusiasmados elogios a sua técnica de preparação de ingredientes e poção, que depois de um tempo ficaram constrangedores. Ou, talvez, o fato que ele parecia muito interessado em Smith, Bones e ele mesmo, como se fossem especiais de alguma maneira. Seguindo sua intuição, Harry concluiu que suas ligações familiares, sobrenomes e, no caso dele, acrescente a fama, pareciam atraí-lo de alguma forma e isso se confirmou quando o ouviu se exibir sobre conhecer Gwenog Jones e conseguir bons ingressos para os jogos das Harpies.

— Talvez, você a conheça, Srta. Jones, afinal, têm o mesmo sobrenome. — Perguntou ele sorridente e olhar guloso.

— Não, senhor, hum..., sou nascida trouxa e não entendo nada de quadribol. — Disse ela timidamente.

Depois disso seu sorriso desapareceu e, apesar de ajudá-la com sua poção, o fez com muito menos gentileza ou interesse. Harry não hesitou em ajudar os dois, Justin e Megan, quando eles precisaram e, depois que entendeu o comportamento de Slughorn, o tratou com mais frieza. Não se importava se o homem quisesse adulá-lo o quanto quisesse, mas vê-lo desprezar alguém tão doce e sensível como Megan apenas porque ela não tinha parentes importantes ou fama, ele não toleraria.

— Me sinto como se tivesse sido lambido durante toda a aula e precisasse de um banho. — Disse Harry enquanto se encaminhavam para o almoço ao fim da aula.

Terry suspirou e acenou igualmente incomodado.

— Tão diferente do Snape quanto ele é, ainda tem um comportamento elitista e mesquinho, apenas não se importa com status de sangue ou classificação de casas.

— Sim, mas se importa em como o seu sobrenome, relações familiares e fama podem beneficiá-lo a curto e longo prazo. Imagino quantos ex-alunos preferidos lhe enviam presentes e proporcionam vantagens que tornam sua vida muito mais agradável. — Disse Harry com ironia.

— Bem, pelo menos ele é um bom professor, talvez devemos olhar pelo lado positivo. — Disse Terry e Harry suspirou concordando, suponho que era pedir muito ter um Slytherin que não pense em si mesmo primeiro.

— E, seu interesse não é exclusivo em mim, imagine se eu fosse o único que atraísse sua doce adulação nas aulas. Merlin, seria um pesadelo e começaria a sentir falta do Snape.

Isso fez os dois meninos rirem antes de se sentarem na mesa Ravenclaw. Mais tarde, Neville e Hermione os interrogaram sobre o novo professor, pois estavam ansiosos por suas aulas no dia seguinte, felizmente, Terry pôde tranquilizá-los e dizer que Slughorn, apesar de tudo, era um bom professor.

Outubro avançou com mais fofocas da imprensa sobre Sirius Black e sua agitada vida amorosa, as vigilâncias, batidas e prisões na Travessa do Tranco e a ansiedade por novas mudanças em Hogwarts. Passado o choque e entusiasmo empolgante pela demissão de Snape, os alunos, finalmente, compreenderam o que era a Associação de Pais, foram informados das possíveis mudanças a curto e longo prazo, descobriram que muitos pais de colegas ou seus próprios pais estavam associados ou se associando e, se permitiram, refletir e expressar o que eles gostariam de ter ou ver Hogwarts lhes fornecendo. O zunzunzum que se ouviu por toda a escola era que muitos alunos encheram a caixa de reclamações com mensagens onde apontavam Filch, a professora de Adivinhação, Binns e Lockhart, como péssimos professores, assim, muitos esperavam que eles fossem despedidos também. O boato chegou ao zelador que se tornou ainda mais chato e amargo, incomodando e atacando os alunos por qualquer coisinha.

O frio chegou com força e espalhando, pelos jardins, uma friagem úmida que entrava pelo castelo. Madame Pomfrey esteve muito ocupada com uma repentina onda de gripe entre professores e alunos. Sua poção reanimadora fazia efeito instantâneo, embora deixasse quem a bebia, fumegando pelas orelhas durante muitas horas. Harry e o amigos tinham o privilégio de ter os treinos físicos internos, na Caverna, mas os treinos de quadribol não. A um mês do primeiro jogo, Trevor intensificou os treinamentos e tornou a vida do time titular e reserva mais miserável, eles treinavam a noite e o frio, acompanhado de gotas de chuva do tamanho de balas de revólver, os deixavam congelados, apesar dos feitiços de aquecimento. Rapidamente, os dias seguidos de chuva fizeram as águas do lago subirem, os canteiros de flores virarem um rio lamacento, e as abóboras de Hagrid ficarem do tamanho de um barraco.

Em uma terça-feira fria e chuvosa, dia 21, Harry e seus colegas de time chegaram ao campo resmungando, tremendo e, ainda não tinham subido em suas vassouras, quando viram alguém se aproximando.

— ... e, talvez, você esteja certo sobre as novas vassouras do time da Slytherin, Harry e, seja apenas mais velocidade, para jogadores pouco habilidosos, mas, o Oliver está muito preocupado. Mesmo que joguemos com a Hufflepuff primeiro, teremos que conseguir uma boa vantagem para...

— Espere, Trevor. — Disse Harry olhando para o garoto que vinha andando na direção deles. — Colin? O que faz aqui fora com esse tempo?

— Desculpe, Harry, sei que disse que não podemos ir nos treinos dos times das outras casas, mas a Prof.ª McGonagall me pediu para encontrá-lo e me lembrei que estaria aqui. — Disse Colin, encharcado e tremendo de frio.

— E, ela não podia vir me procurar por si mesma? Ela sabe os horários dos meus treinos. — Disse Harry irritado e pegando sua varinha lançou no jovem 1º ano um forte feitiço de aquecimento.

— Ufa! Que legal, obrigado, Harry. — Disse Colin afastando o cabelo escorrido do rosto e sorrindo.

— O que a McGonagall quer comigo? — Perguntou Harry curioso.

— Ah! Ela pediu para lhe informar que o diretor o convoca para o seu escritório, imediatamente. — Disse Colin tentando imitar a expressão severa da professora de Transfiguração.

— O que? — Trevor perguntou irritado.

Harry apenas soltou um palavrão e, olhando para os colegas já encharcados e esperando o início do treino, encarou seu capitão.

— Façam o treino sem mim hoje, Trevor, seja o que for, duvido que será rápido. Continuaremos a falar sobre as Nimbus 2001 que o Malfoy comprou para o Draco entrar no time Slytherin mais tarde. Eu tenho algumas ideias de como tirar essa vantagem. — Disse Harry exasperado e, com esforço, ignorou o sorriso de satisfação que Cho não conseguiu esconder.

Harry e Colin entraram no castelo e, na pressa, eles não perceberam os rastros de lama que deixaram pelo caminho. Enquanto subiam a escadaria de mármore, Harry tentou pensar o que Dumbledore poderia querer falar com ele depois de tudo o que foi dito na última discussão.

— A professora disse alguma coisa sobre porque o diretor precisa de mim tão urgentemente, Colin?

— Não, Harry, apenas me pediu para encontrá-lo e entregar a...

O resto da frase de Colin foi abafado por um miado agudo vindo da direita. Eles olharam e se depararam com um par de olhos amarelos que mais pareciam globos de luz. Era Madame Norra, a gata esquelética e cinzenta que o Filch usava como uma espécie de delegada na sua luta incansável contra os estudantes.

— Merda, se ela está aqui, Filch deve estar por perto... — Disse Harry olhando em volta e se calou ao ver as pegadas de lama.

— Caramba, Harry, veja a bagunça que fizemos, o Filch vai nos matar. — Colin ficou pálido.

Irritado por ser tão burro e não ter feito isso antes, Harry, rapidamente, acenou sua varinha e limpou os sapatos de Colin.

— Vai, Colin. Eu vou atraí-lo para outra direção, suba e se troque dessas roupas molhadas, assim não fica doente também. — Disse Harry, Colin agradeceu e subiu as escadas para o sétimo andar.

Harry continuou com seu rastro de lama até o terceiro andar seguido pela gata feia, mas, assim que ouviu os gritos de Filch, limpou seu tênis, disparou em uma corrida pelo corredor e, em segundos, desapareceu com sua capa o envolvendo e protegendo, felizmente. Ele guardou a capa quando chegou em frente a gárgula e, mesmo tão longe, podia ouvir o zelador mal-humorado berrando de raiva. Respirando fundo, percebeu que Colin não lhe informou a senha e não tinha como entrar. Ótimo! Pensou irritado, estava perdendo um treino importante, a rede de comunicação e convocação na escola era das mais falhas e o acesso ao escritório do diretor era do mais restritos.

— O diretor Dumbledore está me esperando, será que você pode me deixar entrar? — Questionou ele para a gárgula que não se mexeu por quase um minuto, mas, de repente, ela se afastou para o lado e Harry suspirou de alívio ao subir na escada rolante.

— Entre, Harry. — A voz do diretor soou depois que ele bateu.

Para sua surpresa, Dumbledore não estava sozinho e isso o fez abrir um grande sorriso e recuperar o humor.

— Sr. Falc! — Harry exclamou e foi até ele para abraçá-lo.

— Olá, Harry. — Disse ele sorrindo e retribuindo o abraço com carinho. — Serafina lhe envia muito amor. Como está você?

— Estou bem, senhor, como estão todos em casa? Tudo está bem? — Perguntou Harry levemente preocupado. Então percebendo que estava sendo mal-educado, acrescentou. — Desculpe, diretor, não quis ser rude. Boa noite.

— Boa noite, Harry, e não se preocupe, é normal esquecermos esses detalhes tolos quando somos surpreendidos. — Disse Dumbledore com um sorriso gentil. — Falc me pediu para se reunir com você, como seu advogado e por questões ligados à sua herança. Normalmente, pais e guardiões são permitidos visitar apenas em emergências, mas como seu advogado e administrador da herança Potter, isso é aceitável.

— Lamento vir sem nenhum aviso, Harry, mas temos muito o que conversar e decisões que apenas você pode definir. — Disse Falc sorrindo. — E, sim, todos em casa estão muito bem.

— Que bom. — Disse Harry aliviado.

— Posso sair e deixá-los conversar com privacidade. — Disse Dumbledore serenamente.

— Isso não é necessário, diretor, tenho um lugar privado onde podemos conversar sobre minha herança sem problemas. — Disse Harry sorrindo formal. — Venha comigo, Sr. Falc.

Os dois adultos pareciam surpreendidos, mas não esboçaram nenhuma oposição e, em pouco tempo, Harry e Falc caminhavam pelo corredor do terceiro andar.

— Porque está molhado, Harry? — Perguntou o Sr. Falc tirando a varinha e o secando.

— Preciso aprender esse feitiço. — Disse Harry em uma anotação mental. — Estava no treino de quadribol, na verdade nem tínhamos começado, mas com toda essa chuva, foi o suficiente para me encharcar.

— Ok. Infelizmente, temos muito o que discutir e não poderia ser adiado ou discutido por cartas. E, também trouxe a lista de pedidos de Terry para suas pesquisas, alias...

— Verdade? O senhor trouxe tudo? Estávamos esperando com ansiedade, nesse caso é melhor irmos para o laboratório e não para o Covil. — Disse Harry e olhando as horas, continuou. — O gêmeos devem estar jantando, os convenci a aparecerem mais no grande salão nas refeições ou seus sumiços serão percebidos.

— Eu trouxe, foi uma longa lista e compramos no mundo trouxa que é mais barato, além disso, Serafina fez algumas pesquisas e compramos equipamentos de segurança também. — Explicou Falc olhando em volta para escola em que passara bons momentos na sua adolescência. — E, pretendo acrescentar alguns feitiços de segurança, além disso, trouxe alguns livros e quero que leiam com atenção porque, se não forem cuidadosos, poderão explodir o laboratório e se machucarem. Entendido?

— Sim, Sr. Falc, teremos muito cuidado e estudaremos tudo o que for necessário. Prometo. — Disse Harry muito sério.

Logo depois, eles chegaram e entraram no laboratório vazio, Falc olhou em volta impressionado. Nesta sala tinham 4 escrivaninhas com papéis, livros e anotações espalhadas, porque todos estavam pesquisando em direções diferentes. Em uma das paredes havia uma lousa, um quadro de avisos e uma prateleira com mais livros. Na parede oposta fora aberta uma grande porta dupla e eles podiam ver o laboratório com a mesa grande de pesquisa e os aparelhos para testes, era tudo bem espaçoso e possível de se ver que eles passaram muito tempo trabalhando por ali.

— Muito bom o espaço de vocês. — Disse Falc e, tirando do bolso três baús, os colocou em cima da mesa grande e os ampliou. — Aqui em tudo da lista, mais os equipamentos de segurança e outros equipamentos que Serafina acreditou que vocês precisariam para realizar essa pesquisa. Os livros ensinam como eles funcionam e tem muita orientação de segurança, repito, sejam muito cuidadosos. — Falc suspirou e tirando a varinha lançou alguns feitiços. — Esses são feitiços anti chamas e de amortecimento, não evita uma explosão mágica ou mesmo trouxa, mas vocês não ficarão muito feridos caso algo assim aconteça, em teoria. Ainda que estou confiando em vocês para não permitirem que algo assim aconteça, sugiro que, se tiverem que fazer algo mais perigoso, chamem o professor Flitwick para ajudá-los.

— Obrigado, Sr. Falc e prometo que seremos cuidadosos e pediremos ajuda se considerarmos necessário. O que mais o senhor queria falar comigo? — Perguntou Harry se sentando em uma cadeira de uma das escrivaninhas, Sr. Falc o acompanhou.

— Bem, já que estamos nisso, vamos falar sobre o Sr. Rodolfo Brand Jr o inventor do espelho comunicador. — Disse Falc e Harry acenou interessado. — A família Brand é puro sangue, mas a mãe de Junior é nascida trouxa, assim, pelo que o pai dele me informou, ele sempre se interessou por coisas trouxas. A ciência, as invenções, física, matemática, tudo o interessava e sua paixão por isso o fez pesquisar uma maneira de trazer o telefone para o nosso mundo. E, essa não era a sua única pesquisa ou interesses.

— Isso é incrível e, de certa forma, ele conseguiu, mas não entendo porque parou a pesquisa depois de ir tão longe. — Considerou Harry pensativo.

— Eu me encontrei com o Sr. Brand, que vive em Londres agora e quando jovem, foi um grande jogador de quadribol. Sua mãe era inglesa e seu pai alemão, ele me contou que seu pai esteve ao lado de Grindelwald durante a guerra dos anos 40, o que muito o envergonhou quando entendeu o que significava. — Disse Falc suavemente. — Devido as ideologias do pai, sua mãe o deixou e eles vieram para Inglaterra, onde não havia tanta discriminação aos familiares dos apoiadores de Grindelwald. Sr. Brand estudou em Hogwarts, casou-se com uma nascida trouxa e jogou em times de quadribol, ingleses e alemães, além de ter sido convocado pela seleção alemã muitas vezes. Então, seu filho mais velho, Junior mostrou grande interesse por coisas trouxas e nenhum interesse em quadribol e, ele e a esposa o apoiaram. — Falc pigarreou incomodado.

— Ele morreu, não é? — Harry perguntou entendendo, Sr. Falc parecia triste.

— Sim. Logo depois de criar o espelho e, enquanto pesquisava uma maneira de torná-lo mais barato e prático, ele foi morto. O nome Brand chegou aos ouvidos de Voldemort, que queria o apoio de famílias puros-sangues estrangeiras que lutaram ao de Grindelwald. Acredito que seus planos, no futuro, era dominar toda a Europa e o Sr. Brand me disse que recebeu sua visita, pessoalmente, em sua casa, Voldemort lhe ofereceu o privilégio de se juntar a ele, ser um dos seus comensais da morte, ofereceu deixar seus filhos mestiços viverem se ele se livrasse da esposa sangue ruim...

— Merlin... — Harry se levantou e foi olhar pela janela. Nunca compreenderia como esse monstro pôde se sentir no direito de destruir, manipular, ofertar, tão arrogante e soberbo, já ouvira diversas histórias parecidas com essa e ainda se enchia de raiva.

— Sim. Sr. Brand recusou, disse que não compartilhava dos ideais de seu pai e pediu que deixasse sua casa. — Falc suspirou cansado. — Ele me contou que estava apavorado e que foi respeitoso, mas que sabia que, provavelmente, seria morto, no entanto, Voldemort foi muito compreensivo, até mesmo educado, e aceitou sua recusa. Infelizmente, ele insistiu em esperar por seu filho primogênito e saber se ele gostaria de se juntar aos comensais da morte, disse que, talvez, "seu filho também não siga os ideais do pai". Junior estudava em uma universidade trouxa, namorava e tinha amigos trouxas, quando foi perguntado, riu e debochou de Voldemort e, bem...

— Voldemort fez ou que sempre faz e o matou. — Disse Harry olhando para a chuva batendo em ritmo constante na vidraça da janela.

— Sim, na frente do Sr. Brand, que decidiu fugir do pais com a esposa e os filhos mais jovens que estavam em Hogwarts na época, logo depois de enterrarem o Junior. — Falc explicou. — Quando a guerra acabou, eles voltaram e o Sr. Brand decidiu continuar a vender os espelhos em homenagem ao filho, ele tinha esperança que ficasse popular e o nome de Junior seria conhecido e respeitado. No entanto, os espelhos de comunicação nunca chegaram a este patamar, apenas uma loja no mundo mágico os vende e o dono encomenda uns 10 pares por ano.

— Eles vendem apenas isso? 10 pares por ano? — Harry ficou surpreso.

— Sim. Sr. Brand ficou curioso do meu interesse e eu lhe expliquei sobre a pesquisa de vocês e como não querem plagiar o trabalho de seu filho. Ele lhes desejou sorte. — Disse Sr. Falc encerrando a história.

— Bem, o senhor acredita que o Sr. Brand estaria disposto a vender a patente do filho ou o direito ao uso da invenção? — Harry perguntou ansioso.

— Vender? O que...? Harry, o que está planejando? — Falc perguntou sem entender.

— Muito simples, entendemos que o que impediu os espelhos de se tornarem populares foram a falta de praticidade e preço, conhecendo a história de Junior, aposto que ele estava pesquisando maneiras de resolver isso. — Disse Harry objetivamente. — Nós também faremos isso, pesquisaremos um aparelho mais barato e feitiços que nos permitam uma comunicação ampla com o mesmo aparelho. E, me parece que seria uma tolice tentar encontrar um feitiço e runas de comunicação quando Junior já fez isso. Teremos que passar anos pesquisando por algo diferente porque não podemos plagiá-lo e me parece que podemos investir esse dinheiro comprando sua patente e, claro, a grande vantagem é que ganharemos tempo.

Falc o encarou por um segundo analisando seus argumentos e depois sorriu.

— Você, como sempre, é brilhante e está certo, mas não sei se o Sr. Brand tem interesse em vender e muito menos o valor que ele pediria. — Disse Falc pensativo.

— O preço não é tão importante, claro, nada muito acima do preço justo, mas, o mais importante é que ele concorde em nos vender e que compreenda que queremos valorizar o trabalho incrível de seu filho. — Disse Harry ansiosamente. — Negocie com ele, Sr. Falc, podemos comprar os direitos da patente e pagar anualmente os royalties e, se ainda não aceitar, ofereça uma porcentagem dos lucros da empresa no futuro para ele, seus outros filhos ou netos. Diga que quando chegar o momento, anunciaremos que seu filho é o criador do feitiço de comunicação, diga que honraremos o seu nome, que ele não será esquecido ou desvalorizado por nós.

— Isso é muito gentil de sua parte, Harry. — Disse Sr. Falc o olhando com carinho. — Ok, farei isso, procurarei o Sr. Brand e negociarei em seu nome. Quanto está disposto a dispor das ações da empresa para lhe oferecer?

— Da minha porcentagem, negocie 5%, me parece justo, afinal, nossa empresa utilizará seu feitiço, mas todo o resto será nossa pesquisa e criação, além de investimento. — Harry viu o Sr. Falc tirar um livro e fazer algumas anotações. — O senhor pesquisou sobre o anúncio dos livros? Eu posso, legalmente, anunciar a verdade?

— Sim, você pode. A editora não ficará feliz e, se suas vendas caírem ou eles forem processados, podem querer nos responsabilizar, mas eu pesquisei cada viés legal possível e não há nada que eles possam fazer ou que impeça o anúncio. — Disse Falc e viu o sorriso aliviado do Harry, suspirando, acrescentou. — Serafina, sua tia, Sirius e eu estivemos nos reunindo e conversando sobre como ajudá-lo com toda essa questão da fama, os livros, o que aconteceu no Halloween quando você sobreviveu a maldição da morte e acredito que temos algumas boas ideias.

— Quais, Sr. Falc? — Harry arregalou os olhos ansioso.

— Bem, primeiro, sobre o livro. Lembra-se que me disse que queria recolher todos e fazer uma grande fogueira? — Questionou Falc.

— Sim, mas o senhor disse que era impossível. — Disse Harry confuso.

— Talvez não. Nossa ideia é que no anúncio que faremos contando a verdade sobre os livros, oferecemos nossas desculpas e explicações. Aqui. — Disse Falc lhe entregando um bloco de notas. — Fizemos um texto inicial e você pode acrescentar o que quiser e, estive conversando com o editor do Profeta Diário, ele acredita que uma entrevista com você seria importante...

— Eu não quero dar entrevista! — Harry exclamou na hora. — A ideia é diminuir minha fama e não a aumentar.

— Harry... — Sr. Falc suspirou, todos sabiam que seria essa a sua reação. — Não é tão simples assim, não tem como apagar tudo o que aconteceu e, mesmo com a verdade exposta, você ainda será famoso, seu nome ainda será conhecido. O que podemos fazer é redirecionar.

— Redirecionar? Não entendo, Sr. Falc. — Disse Harry muito confuso.

— Por exemplo, nesse caso do livro, vamos contar a verdade, nos desculpar e oferecer para comprar os livros de volta, foi Petúnia quem teve essa ideia. A princípio, pensamos em compensar, financeiramente, os que compraram os livros por todos esses anos, assim, direcionaríamos o conhecimento das pessoas para você, Harry Potter e não o Harry, O Aventureiro. Pensamos, inclusive, em doar o lucro obtido pelos livros para o Orfanato dos Abortos e abrigos ou orfanatos trouxas. — Explicou o Sr. Falc.

— Eu gosto desta ideia. — Disse Harry.

— Sim, mas sua tia disse que deveríamos comprar de volta os livros pelo valor que foram vendidos a eles, assim, compensamos quem foi enganado e tiramos o máximo possível dos livros de circulação. — Disse Falc e ao vê-lo arregalar os olhos, sorriu. — Sim, foi uma boa ideia, não é? E, era o que você queria, podemos fazer o que quiser com eles depois que os recolhermos e direcionamos a sua fama para a sua pessoa e não para um personagem fictício.

— Ok, recolher os livros me parece uma excelente ideia, mas porque direcionar minha fama para mim é bom? — Harry tentou entender esse raciocínio.

— Não buscaremos que você se torne mais famoso, não queremos que você dê um monte de entrevista ou comece a promover sua fama. A ideia é direcionar o que já existe para aquilo que você quer promover como, por exemplo, a verdade sobre os livros. É como se você lhes dissesse, "Ei, aquele do livro não sou eu, olhem para mim, me vejam, o meu eu de verdade". Faz sentido? — Falc explicou e Harry acenou começando a entender. — E, poderemos doar livros infantis ou juvenis para aqueles que devolverem os livros do Harry, o Aventureiro, sabe, incentivar a leitura. Na entrevista, você pode escrever que gosta muito de ler e que as crianças devem ler, mas que devem ser livros de qualidade e não mentirosos, acredito que o seu incentivo e conselho poderão tornar a devolução dos livros menos traumática. E, você pode mencionar a Associação de Pais, como os pais ouvirem e lutarem por uma escola melhor para seus filhos é algo importante e, bem...

— Pode falar, Sr. Falc. — Disse Harry entendendo que algumas palavras suas poderiam ajudá-los em muitos de seus projetos.

— Quando você nos escreveu contando que não podemos contar a verdade do que aconteceu naquela noite, por causa do que os comensais da morte poderiam tentar fazer com essa informação, estivemos tentando encontrar uma solução. Mesmo que Voldemort saiba a verdade, todos concordamos com Dumbledore que espalhar para seus comensais o sacrifício de Lily e a proteção criada é muito perigoso. — Explicou Falc suavemente. — Sirius foi quem teve a ideia de mentirmos, contamos a "verdade", mas com meias verdades.

— Ok, entendi, e o que diríamos? — Harry franziu o cenho.

— Diríamos que seus pais sabiam da perseguição de Voldemort e temiam que ele tentasse destruir a linha Potter. Então, pesquisaram, nos livros antigos dos Potters e Blacks, alguma magia que pudesse ser usada para proteger a linha, já que neste ponto, você foi feito o herdeiro de seu padrinho. — Explicou Falc seriamente. — Podemos dizer que é magia antiga e poderosa, que só pode ser feita por bruxos poderosos, como seus pais, que tem que ter o sangue Potter. Diremos que não foi você o responsável pelo desaparecimento de Voldemort e sim as ações de seus pais, que eles são os heróis e você pode mencionar o Jardim da Lily que está construindo em homenagem e agradecimento a eles. Compreende?

— Sim, a verdade, sem ser toda a verdade e, mais uma vez, uso minha fama para direcionar para o que é importante e posso dizer quão grato sou pelo que meus pais fizeram por mim. Quer dizer, não estou me exibindo, apenas utilizando o fato de ser famoso para fazer as pessoas entenderem e pensarem, me conhecerem, o verdadeiro Harry. — Harry se levantou pensativo e voltou a olhar para a noite escura, a chuva continuava. — Me parece um bom plano na teoria, mas me preocupa que essa mentira se torne a verdade e, se um dia, precisarmos que a verdade seja acreditada, ninguém o fará. Esse é problema com mentirosos, não é? Quando dizem a verdade, ninguém acredita.

— Sim e, enquanto no momento, não podemos imaginar porque seria necessário dizer a verdade para todos, posso entender sua preocupação. — Falc suspirou pensativo. — Faremos da maneira que quiser, Harry e, se não quer a entrevista, tudo bem, se não quer que informemos essa versão dos fatos, tudo bem, também. Sua decisão.

Harry pensou por um segundo sobre como se irritava com as pessoas que não podiam ver a verdade, não podiam entender que ele não queria fama e que perdera tudo naquela noite. Se irritara com Dumbledore por permitir que as mentiras se espalhassem e fossem incentivadas por aqueles livros absurdos e ofensivos. Agora tinha a chance que mudar tudo isso, poderia usar sua fama odiada para levar as pessoas a verem a verdade e conhecê-lo, seus pais e suas histórias. Não gostava de mentir, mas sabia que a verdade seria perigosa demais para todos e, pelo menos, esta versão seria mais verdade do que o que eles acreditavam agora.

— Não, Sr. Falc, não posso não fazer nada quando minhas ações podem ajudar as pessoas e nossos planos. Enquanto eu preferiria não ser famoso, não ser o herói, isso não mudará totalmente só porque quero que aconteça, mas, talvez, possamos lhes mostrar o meu eu verdadeiro e explicar a verdade ou o mais perto disso. — Harry voltou a se sentar e pegou o anúncio. — Como faremos essa entrevista?

— Bem, estive conversando com o Editor-Chefe do Profeta, Barnabas Cuffe, expliquei o que queremos, o anúncio sobre os livros, mas não lhe contei nada sobre a outra parte. Ele me disse que, acompanhado de uma entrevista sua, o anúncio teria mais credibilidade. E, ele enviou uma lista de perguntas baseado na questão dos livros, mas, quando colocarmos a segunda parte, Cuffe quererá mais algumas perguntas e vocês podem se corresponder diretamente. — Explicou o Sr. Falc lhe entregando a lista de perguntas.

— Ok, eu concordo, com uma condição. Que nada do que escrevermos ou eu responder será alterado, e assine um contrato mágico com o Sr. Cuffe que ele jamais escreverá uma linha em meu nome. Não quero que ninguém, muito menos a imprensa, se sinta no direito de falar por mim, Sr. Falc. — Disse Harry com firmeza.

— Essa é uma boa ideia, Harry, não podemos deter a imprensa de escrever sobre você, mas podemos impedir que escrevam mentiras em seu nome. E, podemos conversar com o Sr. Cuffe e fazer um acordo verbal amigável de sempre ver o nosso lado da história antes de qualquer publicação. — Disse Falc fazendo algumas anotações. — Acredito que a ideia de ter uma declaração ou entrevista sua de vez em quando o fará ansioso por não publicar mentiras sobre você.

— Bem, não me importo de esclarecer mentiras, mas não quero fazer dessas entrevistas um hábito, apenas quando for necessário. — Disse Harry um pouco constrangido.

— Você sabe que, quando assumir sua herança e as pessoas souberem que é o dono da GER, será ainda mais famoso, não é? — Disse Falc o olhando com curiosidade.

— Sim, mas, então, o motivo será outro. — Harry ficou pensativo. — Creio que será como o senhor disse, direcionaremos para outras coisas, para o que é importante. Não me importo de ser famoso por mim ou por coisas que eu faça, hoje ou no futuro, mas quero dissociar minha imagem ou fama de Voldemort, quero que as pessoas e os livros contem a verdade. Os heróis são meus pais, Sr. Falc, e é isso que eu quero que daqui a 100 anos as pessoas saibam, que Lily e James Potter destruíram Voldemort em 31 de outubro de 1981 e deram suas vidas para livrar o mundo mágico desse horror e salvar a vida de seu filho.

Um silêncio emocionado pairou no ar e os dois se olharam nos olhos por um tempo, por fim, Falc assentiu, como sempre admirado de sua maturidade e força.

— Ok, vamos trabalhar nesta declaração e depois com calma você responde às perguntas e envia para o Sr. Cuffe por coruja. —Os dois estavam inclinados sobre a declaração quando os gêmeos entraram.

— Oi, rapazes, desculpa invadir o laboratório, mas o Sr. Falc trouxe nossa lista de pedidos e estamos tendo uma reunião sobre minha herança familiar e outras coisas. — Disse Harry sorrindo tímido.

— Olá, Sr. Falc. — Disse George e Fred acenou indo abrir os baús com olhos arregalados.

— Está tudo aqui! Olha, George! — Disse ele animado.

— Podemos olhar amanhã, já está tarde. — Disse George com mais tato.

— O que? Não, temos mais de uma hora até o toque de recolher, podemos examinar tudo e...

— Fred, Sr. Falc e Harry estão discutindo assuntos confidencias, amanhã começamos bem cedo. Vamos lá. — Disse George mais direto e, finalmente, Fred entendeu.

— Oh! Desculpa. Vamos deixar vocês, então, até mais ver Sr. Falc e obrigada por nos trazer a encomenda tão rápido. — Disse Fred sorridente.

— Vocês poderiam ir encontrar o Terry e avisar que estamos aqui? Assim ele pode ver o Sr. Falc antes que ele vá embora. —

— Claro, Harry, faremos isso com prazer. Até mais. — Disse George sorrindo.

Eles se despediram e, trocando um sorriso, Harry e Falc voltaram a trabalhar.

— Você acha que precisa de ajuda com as perguntas? — Falc perguntou quando terminaram e ele guardou a declaração.

— Não, serei sincero, mas se tiver alguma coisa que não quiser falar, não responderei. — Disse Harry firmemente.

— Se isso acontecer, responda, redirecionando para o que é importante. Eu insisti nisto e Cuffe fez a lista de perguntas ele mesmo, a última coisa que queríamos era que Skeeter estivesse envolvida. — Falc suspirou e tirou outra pasta. — Vamos falar sobre suas propriedades agora. Visitamos algumas das fazendas na Inglaterra e Escócia, estão bem conservadas, mas precisaram de manutenção nas alas, além disso, estivemos, Sirius e eu, entrevistando possíveis funcionários e pesquisando os custos para reativar a produção de cada uma delas. Esse é o relatório e os primeiros nomes entrevistados, analise e nos dê sua opinião. Pelo que Edgar analisou desses relatórios iniciais, o maior problema será reentrar no mercado com os produtos naturais que são produzidos, tradicionalmente, pelas Fazendas Potters. O produto final tem um custo maior do que os magicamente produzidos e, bem, 11 anos se passaram, as pessoas estão acostumadas ao mais barato e, neste período de crise financeira, a receptividade pode não ser muito boa.

Harry acenou e colocou o relatório para ler com calma depois.

— Mas existem outros produtores de comida natural e o Ministério ainda não parou de demitir ou cortar horas extras? — Perguntou ele preocupado.

— Sim, mas são pequenos produtores, Harry, que vendem pouca comida e lucram pouco, você tem um total de 18 fazendas produtivas espalhadas por todo o Reino Unido. Isso gerará uma grande produção e, por isso, me parece que a melhor estratégia é reativar uma fazenda por vez e com baixa produção. — Sr. Falc explicou e suspirando, continuou. — Sim, existem muitos desempregados, principalmente, nascidos trouxas, as horas extras ainda estão cortadas e soube que haverá mais um corte nos salários dos funcionários, além de aumento dos impostos. Pode ser boato, mas estão levando as pessoas ao pânico e isso é uma péssima perspectiva para a inauguração das lojas, economia em crise, consumo baixo.

— Bem, deixe-me pensar sobre isso tudo, Sr. Falc e depois volto para o senhor se tiver alguma ideia ou com minhas decisões. — Disse Harry preocupado, tinha muito o que pensar.

—Ok. Tenho algumas fotos para você do castelo na ilha, é belíssimo, Harry, o castelo esteve abandonado e precisará de limpeza e reparação, além da manutenção das alas. Aqui.

Harry pegou a pasta e olhou as fotos se engasgando de espanto.

— Nossa! Uau! Caramba! — Ele arregalou os olhos e riu de puro choque.

— Eu sei, fiquei impressionado também, na verdade, impressionado é pouco. — Disse Falc rindo.

Harry olhou para a foto aérea da enorme ilha ou pareceu enorme. O castelo ficava no ponto mais alto e na beira de um penhasco, dava para ver as ondas do mar escuro batendo nas pedras lá embaixo. O castelo em sim parecia um pouco sombrio e abandonado, mas era enorme e imponte, talvez não tão grande quanto Hogwarts, mas, ainda muito grande. Do castelo se tinha uma vista do resto da ilha com morros gramados com pedras, mais ao fundo, a direita havia casas amontoadas e do lado esquerdo uma floresta densa com árvores verdes, altas e frondosas.

— Parece tão grande e é tudo tão lindo, mas a vila parece muito malconservada. — Disse Harry examinando cada foto mais uma vez.

— E, estão, Harry, o castelo tinha muita magia e é feito de pedra, mas as casas, todos esses anos de abandono, estão em péssimo estado. O melhor é destruirmos tudo e...

— Não, Sr. Falc, não destrua nada, por enquanto. Estive tendo algumas ideias e talvez essas casas ainda tenham serventia. — Disse Harry apressadamente.

— Mais ideias!? — Falc perguntou entre surpreso e divertido.

Neste momento a porta se abriu e Terry entrou, seguido de Hermione e Neville.

— Papai! — Gritou seu amigo e correu para lhe abraçar, seu pai retribuiu quase o tirando do chão ao apertá-lo com força.

— Ei, Terry! Como está você? — Sr. Falc tinha um grande sorriso ao beijar os cabelos do filho. — Sua mãe ficará com tanta inveja de mim por ver vocês dois antes do Natal, vou ouvir sobre isso por muitos dias. — Disse ele brincalhão.

Isso fez todos rirem e Sr. Falc cumprimentou Hermione e Neville com um abraço também, apenas mais suave.

— Nós só viemos lhe cumprimentar, Sr. Falc, os gêmeos nos disseram que estão discutindo questões confidenciais. — Disse Hermione formalmente.

— Vocês podem ficar se quiserem, não me importo. — Disse Harry sorrindo. — Estávamos falando sobre minhas propriedades.

— Sim, e depois falaremos da GER. — Disse Falc e todos se sentaram ansiosos para ouvir as novidades. — Qual ideia você teve, Harry?

— Bem, na verdade foi algo que a Hermione disse e eu escrevi para o Remus perguntando sobre os lobisomens. — Harry suspirou pensativo. — Bem, despois de tudo o que aconteceu com os lobisomens na última guerra e as leis contra eles são tão rígidas. Vocês sabiam que a Suprema Corte aprovou uma Lei Anti-Lobisomem a alguns anos que torna as Normas de Condutas ainda mais rígidas.

— Sim, infelizmente, isso é verdade e, pelos rumores, a autora da lei, Madame Umbridge quer tornar esse pacote de leis ainda mais rígidos no próximo ano. — Disse Falc preocupado.

— Desculpa, mas que Normas de Condutas estão falando? — Neville perguntou confuso, História não era sua disciplina favorita e sua memória não era das melhores.

— Em 1637, o Ministério conduziu a normatização da socialização dos lobisomens em nossa sociedade. Ou dessocialização, seria o termo mais correto. — Disse Hermione contrariada.

— Sim, quando os lobisomens se espalharam e se tornaram mais e mais perigosos, o Ministério os proibiu de muitas coisas, como vir para Hogwarts se fossem contaminados quando crianças, ou procriarem, terem propriedades privadas... — Disse Terry e Hermione pegou o ritmo.

— O que essencialmente quer dizer que se você tem uma casa ao ser mordido, o Ministério a toma de você porque, ao ser reclassificado como criatura das trevas, não tem mais direitos...

— E, você era obrigado por lei a viver em acampamentos nas florestas e, se desobedecesse, era classificado como fugitivo. — Continuou Terry.

— Sim, porque, como uma criatura, você não deve viver em sociedade com outros bruxos normais e, sim na Floresta, com outras criaturas. — Encerrou Hermione e Falc franziu o cenho ao olhar de um para o outro.

— E como Remus tem uma casa e não vive nestes acampamentos? — Neville perguntou confuso.

— Primeiro porque os acampamentos não existem mais e, principalmente, porque seu pai escondeu sua condição. — Harry falou suavemente. — Estive conversando por cartas com Remus e perguntando sobre sua história e da sociedade lobisomem. Vocês sabiam que os infectados pela Licantropia não são verdadeiros lobisomens?

— O que? — Hermione arregalou os olhos ansiosa por aprender algo novo, Terry era o mesmo.

— Mas os verdadeiros foram extintos. — Disse Falc confuso.

— Que verdadeiros? — Terry perguntou sem entender nada.

— Explique, Harry. — Disse Falc acenando.

— Bem, Remus me disse que seu pai trabalhou boa parte de sua vida no Departamento de Controle das Criaturas Mágicas e foi por tentar prender um lobisomem, Greyback, que Remus foi mordido. — Harry sentiu o estômago embrulhar ao lembrar os detalhes da história. — Greyback é um lobisomem solitário, sua maldade não lhe permite viver com uma matilha normal, às vezes, ele se junta a lobisomens ou bruxos iguais em sua maldade. Ele gosta de machucar as pessoas, mulheres, crianças... Remus acredita que, mesmo antes de ser transformado em lobisomem, ele já tinha essa natureza psicopata e sádica. Sr. Lupim o perseguiu ao descobrir o rastro de mortes que ele deixou para trás nas décadas de 50 e 60, principalmente, entre trouxas, mas entre bruxos também, além de muitos infectados com a licantropia.

Seus amigos empalideceram e mesmo o Sr. Falc fez uma careta de desgosto.

— O pai de Remus perseguia todos os lobisomens, na verdade, os rastreava e os apartava da sociedade para os acampamentos do Ministério. Nestes acampamentos, todos viviam com muito pouco porque o dinheiro que o Ministério oferecia era quase nada e eles não conseguiam empregos devido ao preconceito. Eles tinham uma vida miserável e, claro, muitos fugiam ou escondiam sua condição de lobisomem do Ministério. — Continuou Harry. — Quando ele descobriu que tinha um lobisomem fazendo essas atrocidades, levou o caso a Suprema Corte e pediu que todos os fugitivos fossem perseguidos, julgados e condenados a morte por não obedecerem ao Ministério. Ele disse na sessão com a imprensa presente: "eles merecem nada mais nada menos que a morte", Greyback leu nos jornais e infectou Remus em vingança, ele tinha apenas 4 anos.

— Isso é horrível. — Neville disse angustiado.

— Mas esse pedido do Sr. Lupim não foi aceito e os acampamentos não existem mais, certo? — Perguntou Hermione ansiosa.

— Não, porque durante a guerra, Voldemort invadiu e os libertou, oferecendo a chance de se juntarem ao seu exército e dominarem o mundo bruxo. — Harry continuou e viu Falc e Terry acenando. — Muitos aceitaram e foi por isso que o Chefe Auror se sentiu no direito de mandar seus aurores matar qualquer lobisomem identificado à vista, eles eram fugitivos, estavam ao lado de Voldemort, matando e aterrorizando por ele.

— Mas não mataram apenas os maus, mesmo eles mereciam julgamentos justos, mas os pais de Lisa e Dean, por exemplo, foram mortos e não eram comensais. — Disse Hermione triste pelos amigos.

— Sim, eles devem ter se refugiado no mundo trouxa quando os acampamentos foram desfeitos e conheceram as mães de Lisa e Dean, foi assim que eles nasceram, o que coloca a ideia de que lobisomens não podem procriar na lata do lixo. — Afirmou Terry chateada.

— Sim, pelo que Remus me disse, não foram todos que aceitaram se juntar a Voldemort, a maioria aproveitou para fugir, se esconder dos dois lados da guerra e, até hoje, ainda vivem em pequenos grupos nas florestas, fugindo do Ministério. Remus me disse que eles temem serem enviados para Azkaban ou para novos acampamentos, na verdade, a Lei Anti-Lobisomem da Umbridge prevê que os acampamentos sejam reativados e os lobisomens perseguidos, presos e reenviados para lá. — Disse Harry muito irritado com essa ideia.

— Isso seria horrível, imagino que esses acampamentos seriam como campos de concentração, deveria ser horrível. — Disse Hermione com lágrimas nos olhos.

— Ok, mas ainda não entendi sobre essa história de verdadeiros lobisomens. — Disse Terry curioso.

— Os lobisomens ou Matilha de Shapeshifters, são transmorfos, seres mágicos que podem se transformar em uma espécie de animais. Segundo eu li em livros quando criança, existiam várias comunidades de espécies diferentes, lobos, leões, ursos ou águias. Lembro que muito autores diziam que eles eram lendas, invenções ou que nunca foram vistos. — Disse Falc aos meninos que ouviram atentos. — Outros que eles existiram a séculos e séculos atrás, mas foram tão perseguidos que se esconderam completamente ou foram extintos.

— Uau! Shapeshifters!? Nunca li nada sobre eles. — Disse Terry animado.

— Isso seria incrível! — Hermione parecia igualmente empolgada.

— Extintos, até onde sabemos. — Disse Falc sorrindo de suas expressões. — E os livros que li sobre o assunto são mais de fantasia do que de Histórias reais, que vocês dois preferem.

— Bem, talvez não tão extintos assim, segundo me disse Remus. — Disse Harry sorrindo.

— O que? — Todos exclamaram surpresos.

— Remus me disse que seu pai ficou obcecado por encontrar uma cura depois que ele foi contaminado por Greyback. O Sr. Lupin investigou escritos antigos, ele era um pesquisador e historiador competente, além de ter trabalhando por muitos anos caçando criaturas escuras, além dos lobisomens. — Explicou Harry. — Descobriu que os Shapeshifters eram seres mágicos, chamados Feiticeiros da Floresta, que não tinham magia como a nossa, eles não tinham capacidade com ou sem varinha de fazer feitiços. Sua magia era diferente, natural, envolvia rituais e runas, eram próximos dos Elder Elfos, além dos Druidas, nossos antepassados mais antigos. Acredita-se, pelos escritos antigos que o Sr. Lupin encontrou, que eles desenvolveram uma maneira de, magicamente, se unirem a natureza e encontrarem seus animais de ligação, que seria uma honra se ligarem magicamente a alma de um animal mágico ou não mágico. Quando conseguiram isso, descobriram que podiam se transformar em seus animais de ligação, hoje nós chamamos esse processo de animagia. Os Druidas foram ensinados a capacidade, assim como os Elder Elfos, mas os Shapeshifter foram os únicos que valorizaram isso e tornaram parte de quem eram. Ao fazerem isso, seus descendentes nasceram com a capacidade e assim nasceram as Matilhas de Shapeshifters.

— Nossa! — Neville, Terry e Hermione tinham os olhos arregalados.

— Posso saber porque não nos contou tudo isso antes? — Hermione perguntou em seu tom incisivo.

— Porque a última carta chegou a alguns dias e estive pensando e pensando, como usar tudo isso com a minha ideia. — Disse Harry suspirando. — Eu planejava expor minhas ideias e ver o que vocês pensam, não sei se dará certo, mas no Natal, com a presença de Remus, quero discutir e chegar a um plano de ação.

— Estou curioso sobre sua ideia e o que isso tem a ver com Stronghold. — Disse Falc.

— Espera, continue a contar sobre os Shapeshifters. — Pediu Terry ansioso.

— Bem, resumindo, a união entre os povos de antigamente se desfez aos poucos. Os bruxos, descendentes dos Druidas se tornaram mais ambiciosos e pouco confiáveis, os Elder Elfos se isolaram até que desapareceram completamente. E, mesmo dentro das próprias matilhas, houve divisões, lobos não se misturavam com leões que não aceitavam ordens de águias e assim por diante. — Harry suspirou chateado. — Eles se dividiram em Matilhas, Orgulhos ou Bandos e essa divisão os enfraqueceram, começaram a serem perseguidos pelos bruxos que queriam a força dos animais e a inteligência do homem em seus exércitos, pois acreditavam que isso os ganharia guerras e começaram a vê-los como seres inferiores por serem animais também e não como iguais.

— Mas... isso é um absurdo! Eles também tinham a capacidade se tornarem animagus, então, não faz o menor sentido! — Exclamou Hermione inconformada.

— Os seres humanos justificam suas ações com qualquer mentira e no fim se torna verdade porque passam a creditar em suas invenções. — Disse Terry igualmente chateado.

— O Sr. Lupin disse que os Shapeshifters foram caçados e muitos feitos prisioneiros ou mortos, por fim, eles se esconderam e se isolaram ainda mais profundamente que os Altos Elfos, tanto que se tornaram lendas. E, foi então que um bruxo teve a ideia de criar seus próprios lobos, usando magia negra, poções obscuras, o sangue de um Shapeshifters lobo, Athanasi Lykan criou a Lycantropia. — Disse Harry.

— Isso eu sabia, ainda que uma parte dos bruxos queiram culpar os Shapeshifters pela contaminação. Do meu conhecimento histórico, esse foi o principal motivo que eles foram perseguidos, porque os bruxos queriam impedir que eles continuassem a contaminar os trouxas e bruxos. — Disse Falc pensativo. — Mas quem conta a história nem sempre é neutro e, se isso for verdade e a contaminação veio dessa doença criada por esse Lykan, a perseguição que eles sofreram foi ainda mais cruel. Eles não foram extintos, então?

— Remus disse em sua carta que seu pai encontrou sinais de que eles ainda existem, isolados, desconfiados dos bruxos e trouxas. Sr. Lupin tinha esperança que com a ajuda deles poderia encontrar uma cura, mas morreu antes de encontrá-los e Remus não continuou sua busca porque disse que entende suas necessidades de sigilo, que seria terrível se, ao encontrá-los, lhes trouxesse perigo. — Explicou o raciocínio de Remus. — Ele disse também que acredita que um dia a cura poderá ser encontrada assim como a doença foi criada, já existe a Poção Mata Cão e isso é um grande avanço.

— Ok, mas o que é sua ideia? Você quer encontrar os Shapeshifters? — Perguntou Hermione curiosa.

— Não, eu concordo com Remus, um dia, talvez seja seguro para eles conviverem abertamente em nosso mundo, mas, esse não é o momento. — Harry moveu a cabeça negativamente. — Lembra-se, Hermione, sobre o que você nos contou sobre o refúgio dos elfos domésticos? Sobre como meu bisavô disponibilizou uma das suas fazendas para que eles vivessem em um lugar seguro e pudessem se sentir produtivos e estarem felizes, saudáveis?

— Sim, claro, o Sr. Falc conseguiu essas informações para mim no Ministério, tenho me correspondido com a Srtas. Bella e Fiona, conversado com os elfos, perguntado sobre suas histórias. Eles me disseram que adoram trabalhar aqui e que visitam os elfos sem família no Jardim do Elfos, que eles são felizes e saudáveis, porque ajudam as crianças do Orfanato dos Abortos, mas que sentem falta de terem uma família para servir. — Hermione suspirou cansada. — Tentei lembrá-los de quando eram livres e trabalhavam para os bruxos em troca de pagamentos, perguntei sobre a Cidade dos Elfos, mas eles não sabem muito sobre isso e disseram que não devem falar do assunto ou são punidos por seus senhores. E, fica claro porque eles não sabem, provavelmente, os primeiros a serem escravizados foram severamente punidos ao mencionarem a Cidade dos Elfos, assim eles pararam de compartilhar suas histórias com as novas gerações. Aqui em Hogwarts, eles não temem serem punidos, apenas despedidos o que, claro, é uma punição terrível, acho que alguns prefeririam um castigo físico.

— Bem, o problema com os elfos é a mentalidade deles, acredito que o Ministério não se oporia muito fortemente em mudar as leis que regem os elfos domésticos. Os puros sangues gostam de escravizá-los, mas essa é uma tendência de seus preconceitos, eles escravizariam os trouxas também se pudessem. — Harry analisou a situação pensativo. — Mas, se houvesse uma luta forte contra eles, aposto que cederiam, eles não os valorizam o suficiente para lutar para mantê-los seus escravos e, se forçássemos, legalmente, politicamente e socialmente, não tenho dúvidas que os libertaríamos. Mas os lobisomens são diferentes, não apenas ninguém luta por eles, muitos querem que sejam marginalizados, mesmo os não puristas o temem, os perseguem e querem sua segregação, assim o que precisamos é lhes dar um lar, como meu bisavô deu aos elfos a décadas atrás. — Disse Harry sorrindo.

— Você está pensando...? — Falc o encarou surpreso.

— Sim, Sr. Falc, a minha ilha, que eu herdei do Sr. Stronghold, será o novo lar dos lobisomens. Poderemos chamar de Stronghold of Wolves ou a Fortaleza dos Lobos. — Harry tinha um sorriso de uma milha.

— Harry... eu não sei o que dizer... — Sr. Falc estava muito surpreso.

— Mas... isso é...

— Brilhante! — Exclamaram Terry e Hermione, ótimo, pensou Neville, agora estão falando juntos também.

— Não sei se eles aceitariam, Harry e eles poderiam pensar que é como os antigos e terríveis acampamentos do Ministério. — Falc estava pensativo, provavelmente analisando as possibilidades.

— Mas não será assim, Sr. Falc. — Harry se inclinou e falou com entusiasmo. — Vamos protegê-los do Ministério e de Voldemort quando ele voltar, imagine isso... — Harry pegou as fotos e espalhou na mesa, seus amigos pegaram e exclamaram de espanto. — Essa vila, cheia de casas, não pocilgas, boas casas. A floresta para correrem livres na lua cheia sem representar perigo para ninguém, podemos ter estufas para que eles mesmos produzam os ingredientes mais caros da Poção Mata Cão e diminuam os custos, precisaríamos apenas de um potioneer qualificado. Ofereceremos empregos na GER ou em minhas fazendas, onde serão respeitados os dias em que precisarem estar de repouso se recuperando da transformação e não sofrerão discriminações por sua condição. Poderiam, os que não quiserem trabalhar no continente, plantar e.… olha para isso, essas terras não são muito próprias para agricultura, mas poderiam ter ovelhas, venderiam lãs e carnes ou consumiriam entre si se todos colaborassem com o serviço umas poucas horas. E... — Harry buscou a foto do castelo. — Aqui, será uma escola.

— Escola!? — Todos exclamaram chocados com tudo o que já ouviram.

— Sim, olha o tamanho, é mais que suficiente, teremos aulas trouxas para os lobisomens trouxas e de magia para os mágicos. — Harry os encarou com olhos brilhantes. — Podemos ensinar os adultos que nunca seguraram uma varinha ou vieram a Hogwarts e, no futuro, seus filhos poderão estudar lá também. Porque aposto que eles se casarão entre si ou com outros bruxos e bruxas, terão filhos e, se houverem nascidos lobos, terão um lar seguro e estarão sendo capacitados como se viessem para Hogwarts. Claro, podemos supor que no futuro a ilha não precisará ser escondida do Ministério, então, Hogwarts poderá ser aberta para todos e, ainda, é possível pensar que se não houverem mais lobisomens como Greyback, talvez, não haja mais contaminação, mas enquanto isso a... Escola de Magia, Bruxaria e Trouxa Stronghold poderá dar a essas pessoas o que elas têm o direito de ter. — Harry os encarou e ficou sério. — Conhecimento.

Houve um longo e estranho silêncio, Falc olhava para as fotos e para Harry chocado, os três amigos sorriam e acenavam entusiasmados. Por fim, Falc engoliu em seco e suspirou um pouco envergonhado de sua raça.

— Como foi que ninguém pensou nisso antes?

Depois disso não havia muito tempo antes do toque de recolher, Harry falou brevemente sobre Hallanon e sua nova família descoberta. Ouviu sobre o progresso das reformas e recebeu um relatório sobre os novos negócios fechados pelo Sr. Edgar, ele tinha apenas que ler, aprovar e assinar. Eles se despediram e Harry deu boa noite para os amigos e, em sua mesa no seu quarto, respondeu às perguntas do Sr. Cuffe. Esperava estar tomando a decisão certa, sentia que essa era uma boa estratégia, ao mesmo tempo, tinha a sensação que estava esquecendo algo importante.

Seja o que for não houve muito tempo o que pensar, no dia seguinte à tarde, o Sr. Cuffe enviou mais algumas perguntas sobre a declaração da "verdade" do que aconteceu na noite do Halloween. Harry respondeu e depois se sentou com seus três amigos, lhes mostrou suas respostas e pediu conselhos.

— Para mim parece bom, você sempre direciona a pergunta para seus pais, fala sobre querer homenageá-los com o jardim, que eles são os heróis. — Disse Terry suavemente.

— E, as respostas sobre os livros estão boas também, você diz que não tinha controle sobre sua herança e que seu tutor na época considerou o negócio lucrativo, mas que assim que descobriu desfez o contrato e proibiu a venda dos livros. — Disse Hermione olhando com atenção. — Não apenas porque são mentirosos, mas também porque não quer ganhar dinheiro usando a tragédia que foi a morte dos seus pais.

— A mim, parece muito íntimo, Harry, talvez seja essa a intenção e se for está bom, mas, por exemplo, essa pergunta. "O que você sente sobre a morte dos seus pais? ". — Neville tinha uma expressão irritada. — Sinceramente, acredito que deve cortar ou não responder diretamente ou você dará uma abertura para eles quererem explorar isso, posso imaginar as pessoas falando ou perguntando sobre isso ou escrevendo mais coisas e acredito que você não gostará de ser dissecado emocionalmente.

Harry olhou a pergunta e sua resposta, não pode deixar de fazer uma careta, a última coisa que queria era falar sobre sua dor abertamente assim. Neville estava certo, ele detestaria se mais pessoas viessem perguntar ou quisessem ficar falando sobre seus sentimentos. Assim, ele refez sua resposta e mostrou ao amigo que suspirou, acenando.

— Bem, melhor, mais uma vez você redireciona. Aqui, acredito que essa precisa ser refinada também e essa aqui, e essa. — Disse Neville muito sério. Ele entendia, melhor que ninguém, a dor do seu amigo e o considerava muito corajoso por fazer o que estava fazendo, mas sabia que certas coisas poderiam trazer ainda mais mágoa e dor, se tratadas com leviandade pelas pessoas.

— Bem, é isso, vou enviar. — Disse Harry e dobrando os pergaminhos com cuidado no envelope entregou a Edwiges. — Viaje segura, minha amiga.

Enquanto Harry se correspondia durante toda a semana com o Editor-Chefe do Profeta Diário e mudava o curso da história, Ginny, sem saber que estava as vésperas de uma grande decepção, preparava sua mochila de material de estudo e de uma noite de pijama. Sendo sábado, ela e Luna tinham muitos deveres de casa, depois Ginny dormiria no quarto de sua amiga, elas vinham fazendo isso toda a semana agora e hoje era a vez de ficarem na torre Ravenclaw. Olhando em volta para ver se não esquecera nada, Ginny viu seu diário sobre a mesa, tinha um tempo que não conversava com Tom, sentia sua falta e precisava contar a ele as novidades. Como tinha tempo, decidiu que aquele era um bom momento, mas uma batida na porta a distraiu e, ao abri-la, ficou surpresa ao encontrar a professora Vector, a chefe da Gryffindor parada no corredor.

— Prof.ª Vector! — Ela exclamou surpresa.

— Olá, Ginny, gostaria de falar com você por um momento, poderia me acompanhar ao meu escritório? — Perguntou ela gentilmente.

Ginny engoliu em seco e acenou antes de pegar suas coisas. As duas deixaram a torre e foram para uma porta de uma sala a uns 20 metros de distância do retrato da mulher gorda. Pelo que entendera, antes ninguém sabia onde era o escritório de McGonagall, agora Vector, que era igualmente rigorosa, mantinha seu escritório próximo e deixara bem claro que todos eram bem-vindos a qualquer momento. Alguns alunos diziam que essa era uma estratégia para vigiá-los melhor, mas Ginny tinha a sensação que a bonita professora de cabelos negros longos e lisos, em seus 50 anos, se importava de verdade com os alunos.

— Fiz algo errado, professora? — Ginny perguntou insegura.

Não se lembrava de se meter em nenhum problema e suas notas eram boas em todas as matérias, até mesmo poções, pois no último mês de aulas com um novo e bom professor, Ginny se viu, realmente, aprendendo a fazer poções corretamente e gostando disso. Feitiços ainda era sua aula preferida, mas Poções e Transfiguração vinham bem perto.

— Não, Ginny, você não está em nenhum problema. — Prof.ª Vector se sentou em uma poltrona e indicou outra a Ginny. — Estou acompanhando cada um dos meus alunos com muito cuidado, esse é meu trabalho, garantir que estejam felizes, se dedicando aos estudos, com boas notas, mas também felizes e adaptados. Como tem sido Hogwarts para você nestes quase 2 meses, Ginny?

Ginny olhou para as mãos diante da pergunta suave e tentou mostrar força.

— Bem, está tudo bem. — Disse ela com voz firme, que tremeu no fim revelando a mentira.

— Percebi que você não fez amizade com seus colegas de ano da Gryffindor e passa muito tempo com sua amiga, Luna, na verdade, vocês duas me parecem passar tempo só uma com a outra e se visitando em suas torres. — Disse ela ainda em tom suave, seus olhos negros eram muito inteligentes e Ginny sentiu que nunca poderia mentir para ela.

— Isso... quer dizer, é errado fazermos isso? Nos disseram que podíamos nos visitar e... — Ginny parou antes de dizer que elas não tinham mais ninguém.

— Não, não é errado e, claro, que vocês podem se visitar e dormir no quarto uma da outra como eu estipulei, 1 vez por semana. O que me preocupa, é vocês não se permitirem fazer outros amigos em suas próprias casas ou na Hufflepuff. — Vector não mencionou a Slytherin, por sabia que amizades com esses alunos era mais complicado ou impossível. — Nestas semanas todas que está aqui, Ginny, convivendo com seus colegas, você conversou com eles? Tentou se aproximar, conhecê-los, ser sua amiga?

— Eu tentei, que dizer, na primeira semana, me apresentei para as meninas, elas já tinham se enturmado durante a classificação quando me sentei com meus irmãos e... — Ginny olhou para as mãos timidamente. — Fay e Kellah não foram muito simpáticas, mas Abla e Demelza foram legais e doces, apenas...

— Apenas? — Vector a incentivou suavemente.

— Elas são nascidas trouxas e falavam de coisas que eu não entendia, não tínhamos muito em comum, sabe. Apenas somos muito diferentes. — Disse ela dando de ombros.

— Todos somos diferentes, Ginny, é isso que torna o mundo tão especial, diferentes mentes, diferentes histórias e sentimentos. E isso é maravilhoso, pois nos permite aprender uns com os outros, você pode lhes ensinar sobre o nosso mundo e elas sobre o seu, além de que, amizade não tem a ver com afinidades apenas. Você e Luna, por exemplo, me parecem duas lindas jovens, boas amigas, mas diferentes uma da outra. — Disse Vector, acenando com a varinha e servindo chá para as duas.

— Sim, quer dizer, Luna é incrível, tem um jeito especial e você precisa aceitá-la do seu jeito, eu a conheço desde pequena porque moramos próximas, adoro ela porquê..., bem, ela é diferente, mas uma grande amiga. — Disse Ginny suavemente.

— Isso é muito bonito, Ginny, aceitar suas diferenças, respeitar seu jeito de ser e ser sua amiga mesmo que não tenham tanto em comum. Você não acredita que Abla e Demelza mereceriam uma chance assim também? — Vector perguntou com um sorriso gentil. — Talvez, se você se permitir conhecê-las, pode descobrir algumas afinidades ou que são boas amigas mesmo que não. Não acredita que valeria a pena tentar?

— Eu suponho que sim. Parece bobo, agora que eu penso, não ter me aproximado mais delas, Abla e Demelza parecem muito legais. — Disse Ginny pensativa. — Mas, os primeiros dias aqui foram tão... difíceis, não sei explicar.

— Tudo novo e que nos exige ou nos tira de um estado de conforto é difícil, mas eu a observei, Ginny, você é uma jovem alegre e cheia de vida, acredito que se tentar, se permitir poderá ter muitos e bons amigos. E sobre os meninos? Você tentou se aproximar deles? — Perguntou Vector enquanto Ginny corou com o elogio.

— Não, cresci cercada por meninos e pensei que seria legal ter algumas amigas para variar e depois, bem, estive tão ocupada com as lições e Luna nos divertimos muito juntas, me pareceu suficiente. — Disse ela dando de ombros.

— Nunca me ocorreu que Luna não lhe é suficiente ou você para ela, mas acredito que vocês duas merecem mais. Você não acha?

A pergunta fez Ginny pensar por um segundo. Luna era tão doce e sofrera tanto com a morte da mãe, ainda via nela aquela tristeza e resignação as vezes. Sua amiga também nunca protestava ao ser ridiculariza pelos outros alunos que não se esforçavam para conhecê-la e, agora, Ginny percebia que fizera o mesmo com seus colegas de casa. Tinha que parar de reclamar pela distância dos irmãos e tentar fazer amigos por si mesma, principalmente, agora que Hogwarts se tornara tão brilhante.

— Sim, acho que a senhora está certa e prometo me esforçar mais. — Disse Ginny sorrindo.

— Que bom. Agora, estive acompanhando suas notas e elas são muito surpreendentes, você tem se mantido acima da média facilmente, principalmente em Feitiços. Prof. Flitwick a elogiou muito e...

Meia hora depois, Ginny deixou o escritório sorrindo e corada pelos elogios e incentivo, além dos conselhos sobre o que melhorar em seus estudos. Ao entrar na torre Ravenclaw, Ginny foi direto para o quarto da amiga que procurava alguma coisa, seu quarto era bem arrumado e colorido, Luna usara os feitiços que aprenderam até agora para colocar cores por todos os lados.

— Oi, Luna? O que você procura? — Ginny perguntou sorridente.

— Meu livro de Poções e minha pena azul brilhante que papai me deu, acho que as fadas os levaram. — Disse Luna olhando embaixo da cama.

— Porque elas fariam isso? Estou lhe dizendo, Luna, alguém está pegando suas coisas, aposto que são essas meninas bobas que te tratam mal. — Disse Ginny perdendo seu bom humor.

— Não sei, Ginny, fadas podem ser brincalhonas e elas saberiam que precisaríamos do livro hoje, pois vamos ao laboratório de poções da Rowena. — Disse Luna olhando no banheiro.

— Sim, mas fadas não são maldosas e elas sabem o quanto essa pena é importante para você, Luna, além disso, deixar suas coisas em lugares altos ou escondê-las por vários dias quando você precisa delas não é engraçado. — Disse Ginny chateada.

— Sim, você está certa. — Luna voltou para o quarto e se sentou na cama, ao contrário do quarto de Ginny, o dela tinha poucos móveis, mas ela estava planejando construir alguns enfeites na aula de carpintaria. — Acho que eles me acham meio excêntrica ou não gostam de que sou feliz mesmo com suas provocações.

— Sim. Olha, podemos contar ao Prof. Flitwick, ele é tão legal e seu chefe de casa. — Disse Ginny, mas viu a amiga dar de ombros.

— As minhas coisas sempre aparecem em algum lugar, não é como se eles tivessem roubando, parece errado lhes dar problemas com Flitwick. — Disse Luna e terminou de arrumar sua mochila sem o livro e a pena. — Sinto falta da minha pena.

— Ok, então, hoje vamos estudar poções e preparar as aulas da semana, mas o que me diz de amanhã pesquisarmos um feitiço que tranque a porta bem mais forte que o Colloportus? — Sugeriu Ginny e viu a amiga sorrir sonhadora.

— Boa ideia, Ginny, você é muito inteligente para uma Gryffindor. — Provocou Luna sorridente.

— Ei! — Protestou Ginny rindo, depois, decidindo ignorar a provocação, continuou. — Deixa eu te contar o que aconteceu está amanhã.

— Deixo sim, pode contar. — Disse Luna enquanto as duas saiam do quarto e desciam para o laboratório.

Ginny adquirira o hábito de estudo dos Ravenclaws graças a sua amizade com a Luna, além de usarem o laboratório para treinar e aperfeiçoar as poções, também já participara das aulas de auxílios aos sábados. Felizmente, ninguém se opôs a sua presença, apesar de aquele Wilkes a olhou com frieza, Ginny lhe devolvera o olhar que tinha um aviso, "mexa comigo e minha amiga e terá problemas seu idiota". No entanto, alguém ou um grupo de alguéns continuava a provocar Luna quando Ginny não estava por perto, além de desaparecer com suas coisas. Bem, talvez, fosse a hora de descobrir quem eram esses péssimos companheiros de casa e lhes dar uma bela lição, pensou Ginny e, ela convocaria os gêmeos para ajudar, mesmo que tivesse que usar o Petrificus Totalus nos dois.

O sábado das duas foi de estudo e diversão, Ginny até arrastou a Luna para ver o treino de quadribol da Gryffindor e lamentou o péssimo buscador que eles tinham.

— Se ele é tão ruim porque você não o substitui. — Disse Luna olhando os jogadores voando. — O Harry era um primeiro ano também e conseguiu a vaga porque era bom, bem, você é boa também ou, pelo menos, melhor que o garoto ali... Ora, eu não sabia que tinham que fazer aquilo quando jogavam.

— E não temos, Luna, o garoto é um idiota, está tão preocupado com o jogo dos outros que bateu no aro, ui, deve ter doído. — Disse Ginny exasperada. — Você acha mesmo que tenho chance? Os gêmeos disseram que o Harry é fenomenal, eu não sou tão boa, além disso, sempre quis jogar como artilheira.

— Bem, mas as meninas artilheiras parecem tão boas e os seus irmãos também, até o goleiro é legal, mas esse buscador... sinto muito, Ginny, sua casa vai perder de novo, a não ser que você salve esse time. — Incentivou a amiga e Ginny sorriu com o pensamento, talvez pudesse conversar com os gêmeos e confessar que sabia voar muito bem, quem sabe Oliver lhe deixava fazer um teste.

Assim que acabou o treino, ela correu falar com os irmãos, mas, quando entrou no vestiário, soube que eles não ficaram para se trocar ali e foram direto embora. Decidida a encontrá-los, subiu rapidamente para a torre e bateu na porta de seus quartos, George abriu e pareceu desapontado ao vê-la como se esperasse outra pessoa.

— Ah, Ginny, não posso falar agora, estou de saída. — Disse ele apressado e colocando um pulôver tricotado por sua mãe com um F.

— Você está sempre ocupado, onde está o Fred? — Perguntou olhando em volta.

— Já saiu, ele ia a cozinha pegar alguns lanches para mais tarde, assim não temos que ir jantar no Grande Salão. — Disse ele saindo e fechando a porta quando ela o seguiu.

— Com o que vocês estão tão ocupados?

— Isso não lhe interessa, é assunto nosso. — Disse um pouco grosseiro.

Ginny tentou não ficar magoada, isso era algo que Fred diria, normalmente, mas George era sempre mais doce e paciente.

— Ok, não precisa me dizer, mas eu posso ir com você? Preciso falar com vocês dois, estou precisando...

— Não dá, Ginny, se não posso te falar o que fazemos, também não posso te levar até lá. — Disse George impaciente quando chegaram a sala comunal dos Gryffis.

— Ok, podemos conversar aqui, então, é bem rápido e...

— Hoje não dá, essa semana já perdemos tempo porque teve uma reunião inesperada no nosso lugar e hoje tivemos que estudar de manhã, Vector fica no nosso pé se não nos vê estudando, e a tarde o treino de quadribol. — George suspirou e finalmente a olhou. — Não temos tempo, fala com Percy ou Ron, eles podem te ajudar. Tchau.

E, ele saiu pelo retrato, Ginny ficou parada um segundo tentando engolir a vontade de chorar. Deixe de ser boba, Ginny, você consegue sem a ajuda deles, primeiro, ajudar a Luna e, depois, falar com o Oliver por conta própria. Se esforçando para não se sentir sozinha e abandonada, Ginny foi procurar a Luna que prometeu esperá-la na sala de convivência dos 1º anos na torre Raven. Quando se aconchegaram com um chá, começaram a planejar como se aproximariam de Abla e Demelza, que pareciam meninas tão doces, para serem suas amigas.

Na manhã seguinte, as duas desceram sorrindo para o café da manhã, elas decidiram se sentar na mesa Gryffindor perto de Abla e Demelza. Tinham planejado começar devagar e puxar conversa com as meninas aos poucos, talvez chamá-las para estudarem juntas, Ginny diria que não era tão boa em Astronomia e Luna em Herbologia. Poderia ser que as meninas tivessem dificuldades também...

Ginny olhou em volta confusa ao ver o grande zunzunzum que envolvia o Grande Salão, mais que o normal pelo horário sonolento do café da manhã. E, mais estranho, todos os alunos, até mesmo os Slytherins, estavam debruçados sobre o que parecia ser o Profeta Diário.

— O que é isso? Porque estão todos lendo o Profeta? — Perguntou Ginny curiosa.

— Bem, é o que fazemos com um jornal, Ginny, nós o lemos, para saber as notícias ou contos e tal. — Disse Luna com seu sorriso sonhador.

Ginny riu enquanto se aproximavam de onde seus alvos estavam sentados.

— Eu sei, Luna, apenas parece que tem alguma notícia especial pela forma que todos estão agindo, nunca vi os Gryffis tão acordados a essa hora da manhã. — Disse ela divertida quando se sentaram, decidindo quebrar o gelo e satisfazer sua curiosidade, já que as duas meninas estavam lendo um jornal, ela perguntou para Demelza. — Oi, Demelza! O que tem de tão importante no jornal que está deixando todo mundo tão agitado?

— Oi, Ginny! — Demelza levantou os olhos do jornal e sorriu para ela, bom sinal, pensou. — É uma entrevista do Harry Potter! E tem uma declaração também falando do que aconteceu naquela noite e...

— O que? — Ela ofegou, arregalando os olhos.

— Aqui, pegue o meu jornal, Ginny. — Disse Abla docemente, lhe entregando o papel e, em seguida, ela e Demelza mergulharam de volta na leitura.

Ginny, rapidamente, abriu e na primeira página viu uma foto de Harry com seus pais o abraçando, sorrindo e acenando.

— Oh! Ele era um bebê tão bonito, veja, Luna, e seus pais... — Ginny os olhou e eles lhes pareceram tão jovens e amorosos, apertou seu coração.

— Eles pareciam muito felizes. — Sussurrou Luna tristemente.

— Vamos ler. — Disse Ginny.

"Caros leitores, como Editor-Chefe do Profeta Diário acompanho inúmeras reportagens e trabalho, incansavelmente, para levar as notícias, as verdades e as relevantes opiniões ao povo mágico todos os dias. Me orgulho do que faço e me sinto privilegiado com essa missão, assim, quando o jovem Sr. Harry Potter, me pediu, por meio de seu guardião mágico e advogado, Falcon Boot, para lhes apresentar suas palavras, não pude lhe negar isso. Em correspondência com o jovem estudante do 2º de Hogwarts, pude conhecê-lo um pouco e, quando me pediu para ser chamado de Harry soube, por exemplo, que não gosta do título que o mundo mágico lhe deu a 11 anos, assim, aqui, neste jornal, ele será apenas Harry Potter. "

"Umas das perguntas que lhe fiz em nossa entrevista, foi: Porque fazer estas declarações, Harry? Porque anunciar para todos o que aconteceu a 11 anos e o vem acontecendo durante todo esse tempo com o seu nome? "

"Sua resposta foi":

Porque acredito que o mundo mágico deva ser informado da verdade, Sr. Cuffe. Estou vivendo em nosso mundo a pouco mais de um ano e já vi mentiras, meias verdades, omissões demais, por todos os lados. Dos adultos para as crianças, dos professores para os alunos, do Ministério para a sociedade. Isso tem que ter um fim e quero que as pessoas saibam a verdade sobre o que aconteceu naquela noite e entendam, completamente, que não é um dia de celebração. Pelo menos, não para mim.

"Com essas fortes palavras, lhes apresento uma Declaração do Sr. Potter e seus guardiões sobre o que aconteceu no Halloween de 1981. "

Em nome do Sr. Harry Potter e seus guardiões Falcon e Serafina Boot, gostaríamos de lhes informar que em 31 de outubro de 1981, Voldemort atacou a casa dos Potters com a intenção de destruir a linha nobre e antiga da Família Potter.

James e Lily Potter lutaram bravamente durante a guerra, antes e depois do nascimento de seu herdeiro, Harry, em 31 de julho de 1980. Os dois juntos enfrentaram, ferozmente, vários comensais da morte e o próprio Voldemort, 3 vezes, isso os tornou um alvo e, infelizmente, informações davam conta que seu bebê também era um alvo. Voldemort tinha decidido se vingar e terminar a linha de uma das famílias mais antigas e nobres do nosso mundo, mostrando completo desrespeito por nossa história e intensa crueldade. O casal Potter, corajosos e valentes como bons Gryffindors, temeram por seu filho e mostrando seu amor incondicional, decidiram se esconder. No entanto, Voldemort sempre os encontrava e hoje sabemos que, entre seus amigos, James e Lily tinham um traidor.

Desconfiados, se afastaram e começaram a pesquisar uma maneira de proteger seu primogênito, seu herdeiro e encontram em escritos antigos e Grimoires dos Potters, Fleamonts e os Blacks, informações de magias de proteção de sangue. Essas intensas pesquisas dos jovens e brilhantes pais duraram mais de 1 ano e, finalmente, eles conseguiram compor um ritual de proteção do primogênito que colocaram no bebê Harry. Esse é um ritual que apenas bruxos poderosos como eles poderiam erigir e só protege o sangue Potter, ainda assim, foi um grande feito do casal. Aliviados, decidiram tentar uma poderosa proteção final, o Feitiço Fidelius, mas, confiaram justamente no amigo traidor para ser o fiel do segredo.

E, então, sem proteção e despreparados, foram atacados por Voldemort no Chalé do Primogênito, no Chalé Iolanthe. James tentou segurá-lo para que Lily fugisse com Harry, deu a vida sem pensar para lhes ganhar tempo, mas Lily se viu presa, sem varinha diante do berço do filho. Não sabemos o que ela lhe disse, mas acredito que implorou para que ele não machucasse seu bebê antes de ser morta. Infelizmente, Voldemort, que não pode mais se considerado humano neste ponto, em sua maldade, virou sua varinha para um bebê de 15 meses e tentou matá-lo, mas a proteção entrou em vigor e a ricocheteou de volta destruindo seu perpetrador. Uma punição justa a esse assassino.

Diante da verdade, que o Ministério e aurores não se preocuparam em investigar ou propagar para o seu povo, espero que todos compreendam quem são os heróis do mundo mágico. James e Lily Potter salvaram a vida de seu filho amado e, indiretamente, salvaram o nosso mundo da crueldade de um tirano insano. O título de menino-que-sobreviveu ou herói do mundo mágico para Harry Potter é uma ofensa e desrespeito ao seus pais, aos seus sacrifícios, ao seu amor e memória. Assim, pedimos que com a verdade se faça o respeito e com o respeito se lembrem dos mortos com honra, não apenas James e Lily, mas todos que morreram por causa da brutalidade e preconceito. Se nos esquecemos e pararmos de lutar, esquecemos e paramos de honrar nossos mortos.

Sem nunca esquecer,

Família Potter e Família Boot

— Oh... — Ginny tinha os olhos cheios de lágrimas e olhou para Luna que estava com suas lágrimas escorrendo. — Eles o salvaram, Luna, os pais dele...

— Salvaram a todos nós, Ginny. — Disse ela tristemente.

Ginny acenou e olhou em volta, muitos estavam emocionados ou sussurravam tristemente, outros falavam baixinhos e tinha alguns, estranhamente, indignados. Decidiu voltar a ler.

"Diga-me, Harry, por que decidiu investigar e informar a verdade para todos? " Sr. Cuffe perguntou.

Desde o dia em que descobri que era um bruxo e soube que meus pais foram assassinados, quis saber mais sobre eles e o que aconteceu. Tudo o que ouvi foi que eu era um herói e salvei a todos, mas isso não fazia sentido, eu tinha 15 meses e pensei, preciso descobrir a verdade. Descobri que meus pais eram os heróis e que ninguém sabia disso, que ninguém falava ou se lembrava deles. Na verdade, as pessoas se aproximam de mim porque querem um autógrafo ou saber se me lembro do que aconteceu naquela noite, me tratam como se aquela noite fosse especial e motivo de comemoração. É por isso que quis contar, para todos saberem a verdade. — Respondeu Harry Potter.

"Você não acha que a morte de você-sabe-quem merece ser comemorada, Harry? Não acredita que temos motivos, depois de tantas mortes, de celebrar o fim da guerra? "

Claro que sim. Poderíamos fazer um memorial, poderíamos combater o preconceito dos puristas contra os nascidos trouxas, algo que não morreu com Voldemort. Podemos agradecer em uma oração aos meus pais, como eu faço, oro a eles e agradeço por minha vida. Meus pais me deram a vida duas vezes, Sr. Cuffe e sempre serei grato. O que preciso que as pessoas entendam é que naquela noite eu os perdi, os melhores pais do mundo, que me amavam mais que tudo. Nunca os conhecerei ou ouvirei suas vozes, se foram para sempre e é isso que aquela noite representa, tristeza e perda. Não posso celebrar ou usar suas mortes para ser famoso.

"Isso o incomoda? Ser famoso? "

Sim. Queria que as pessoas entendessem que sou famoso por algo que não fiz e porque meus pais morreram, se sacrificaram por mim. Eles são os heróis, não eu, quando me chamam de o "menino-que-viveu", não penso em Voldemort, penso em meus pais que morreram aos 21 anos de idade. Seu assassino não importa para mim, o que importa e deveria importar a todos são aqueles que morreram e eram bons, jovens, tinham uma vida para viver e não mereciam morrer ou serem esquecidos.

"Como você se sente sobre a morte dos seus pais? "

Acredito que seria impossível descrever esse tipo de dor, apenas quem passou por isso sabe, mas muitos perderam os pais, irmãos ou filhos na guerra, Sr. Cuffe. Muitas famílias, puro-sangue, mestiça ou trouxas foram tocadas por sua crueldade, Voldemort é um assassino e seus seguidores se aproveitaram de seu poder para tentar dizimar com a vida de pessoas inocentes em nome de um pensamento purista preconceituoso e arcaico. Parece que não aprendemos com nossos erros, Hitler, Grindelwald, Voldemort, e ainda temos pessoas que acham aceitável a discriminação. Isso, Sr. Cuffe, me dói tanto quanto a perda dos meus pais, a maneira como depois de alguns dias de estarem enterrados, eles foram esquecidos, suas lutas e o motivo de suas mortes foram esquecidas. O fato de nosso Ministério, nossas leis não tentarem mudar e impedir que os preconceitos e discriminações continuassem. E, como todos em nossa sociedade voltaram para suas vidas e não lutaram com palavras e ações por um mundo mágico sem preconceitos. Me dói, todos os dias, pensar que eles e tantos outros morreram em vão.

"O que pretende fazer para que seu pais sejam lembrados? E, diante dessas palavras tão fortes, podemos esperar que você se interesse por política, Harry? "

Essa foi uma pergunta extra de última hora, mas responderei ela primeiro, Sr. Cuffe. Sou muito jovem para definir o que farei profissionalmente, mas também sou um Potter, assim pode ter certeza que honrarei minha família não sendo passivo no que diz respeito ao nosso mundo. Em relação ao que farei por meus pais, devo ser o primeiro a lhe informar que na próxima primavera, no dia 20 de março, no equinócio, inaugurarei o Jardim da Lily. O antigo Chalé Iolanthe já foi destruído, o lugar era tão triste e macabro, foi muito doloroso visitá-lo e sentir a morte que lá imperava. Pareceu-me tão sombrio como monumento e não, verdadeiramente, uma homenagem que meus pais merecem. Assim, toda a área será transformada em um lindo jardim, com as flores preferidas da minha mãe, minha tia, madrinha, minhas avós. Terá lírios, petúnias e jacintos, estes são os nomes de minha tia e avó trouxas. O Jardim da Lily será aberto para todos visitarem e prestarem suas homenagens aos verdadeiros heróis do mundo mágico e o melhor é que será um local cheio de vida, luz, calor e perfumes, além de flores. Todos poderão passear, fazer piqueniques, levar seus filhos e contar a verdadeira história de Lily e James Potter. E, saibam que isso é só o começo porque, no que depender de mim, suas mortes não serão em vão.

Ginny tinha lágrimas escorrendo por seu rosto e fungou, Luna parecia arrasada também, talvez, lembrando a morte de sua mãe.

— Será tão lindo, espero poder visitar no verão. — Disse ela baixinho e abraçando sua amiga.

— Você acha... — Luna fungou e respirou fundo. — Você acha que ele deixaria eu plantar a flor preferida da minha mãe, Ginny? Lá no Jardim da Lily? Para homenageá-la?

— Oh, sim, Luna, vamos pedir a ele, Harry é tão doce, aposto que deixará. — Disse Ginny acenando e abraçando a amiga com força.

Depois elas voltaram a ler, pois tinha um segundo anúncio.

"Harry, quando soube desta história dos livros Harry, O Aventureiro, fiquei completamente chocado. Seu guardião, Sr. Boot me contou os detalhes e me senti enganado, assim como sei que todos no mundo mágico se sentirão. Eu tenho filhos e netos que são fãs destes livros e imagino que será um duro golpe a eles e muitas outras crianças. O que o levou a tomar a decisão de acabar com a série de livros com o seu nome?

— O que? — Ginny arregalou os olhos chocada. — Ele vai acabar com os livros? Mas porquê?

— Acho que ele deve explicar, no entanto, deve ser pelo mesmo motivo que o Harry quis contar a verdade sobre seus pais. — Disse Luna estranhamente sóbria. — Ele não gosta de mentiras, Ginny.

— Mas... — Ginny a encarou sem entender.

— Vamos ler. — Disse Luna, sabendo que isso seria um duro golpe para sua amiga.

Eu não gosto de mentiras, Sr. Cuffe, mesmo que essas mentiras sejam lucrativas. Enquanto crescia, longe do mundo mágico, eu não tinha controle sobre o meu nome ou minha herança e meu antigo tutor mágico acreditou que o lucro compensava o fato dos livros não serem sinceros. E, assim, também pensou a Editora que elaborou a série de livros, Harry, O Aventureiro. O fato é, minha família não age assim e, como um Potter, me sinto envergonhado que essas ações tenham ocorrido envolvendo meu nome, além da morte do meus pais.

"Depois dessa dura declaração, colocarei a vocês, caros leitores o anúncio que a família Potter e Boot apresenta a todos. "

Em nome do Sr. Potter e seus guardiões, Falcon e Serafina Boot, anuncio o fim da série de livros denominados, Harry, O Aventureiro. A nove anos, a Editora Charmel elaborou a ideia da série de livros contando a história de um personagem aventureiro, que viaja pelo mundo e realiza atos heroicos. Seu tutor na época, Albus Dumbledore, permitiu o uso legal do nome Harry, do título "menino-que-viveu" em meio a história, além da informação na capa do livro que aquelas histórias eram "Baseadas na vida de Harry Potter".

A ideia de ambos os lados eram lucrar com a fama do nome Harry Potter, fama essa adquirida no dia mais triste da vida de Harry, ou seja, queriam ganhar muitos galeões com a tragédia que foi a morte de James e Lily Potter. Como se não bastasse tudo isso, essa hedionda grosseria com a memória de heróis de guerra e com um bebê órfão que nada sabia ou podia controlar, eles também mentiram.

A ideia de que aquelas histórias são baseadas na vida de Harry Potter é completamente mentira. Harry nunca deixou o Reino Unido, nunca fez magia ou conheceu animais mágicos antes de vir a Hogwarts. Tendo vivido toda a sua vida com sua tia, Petúnia, irmã de Lily, Harry viveu no mundo trouxa sem saber que era um bruxo. Exatamente, os tios de Harry lhe disseram que seus pais morreram em um acidente de carro e jamais lhe contaram sobre o mundo mágico. Até que, um dia, uma carta especial chegou.

O Sr. Potter, seus guardiões mágicos e novo tutor, ao descobrirem sobre os livros e as mentiras, se indignaram e, imediatamente, decidiram parar com a publicação da série e ressarcir os enganados. Portanto, para todos vocês que compraram os livros, Harry, O Aventureiro, compareçam na Editora Aprilis, no Beco diagonal, onde receberão seu dinheiro de volta. Além disso, livros infantis de qualidade e idôneos, serão entregues para seus filhos como um presente e pedido de desculpas sinceros. Atenção, apenas os que apresentarem e devolverem os livros Harry, O Aventureiro, serão devidamente ressarcidos.

Em nome da família Potter, oferecemos sinceras desculpas por esse fato sórdido e esperamos que seus filhos possam desfrutar de bons livros.

Sinceramente,

Família Potter, Família Boot

Ginny estava chorando outra vez, de raiva e mágoa, eram tudo mentiram, mentiras! Engolindo a vontade de gritar, ela continuou a ler.

"Você me parece muito corajoso, Harry, em contar a verdade, se desculpar, mesmo que não seja o responsável e ainda ressarcir todos que foram enganados. " — Sr. Cuffe disse.

Isso é mínimo que posso fazer, Sr. Cuffe. Me sinto muito triste e envergonhado que meu nome, a morte e memória dos meus pais foram usadas desta maneira terrível. Tudo por lucro e ao fazerem isso enganaram milhares de pessoas, crianças que cresceram acreditando nestas mentiras. Pagar de volta e me desculpar é o mínimo que posso fazer, porque eles usaram meu nome para enganá-las e quero que saibam que lamento muito.

"É verdade que não sabia que era um bruxo até receber sua carta de Hogwarts? "

Sim, totalmente. Depois da morte dos meus pais e prisão injusta do meu padrinho, Sirius Black, o meu tutor se tornou o diretor Dumbledore que acreditou que eu deveria ficar com meus únicos parentes de sangue. Assim, minha tia trouxa, Petúnia me aceitou em sua casa, mas ela temia a magia, por causa da guerra, todas as mortes e a perda da minha mãe, sabe. Ela tinha esperança que eu não fosse um bruxo, assim, não me contou nada, disse que meus pais morreram em um acidente de carro, isso aconteceu de verdade, mas com meus avós trouxas. O dia em que minha carta chegou tomei o maior susto, mas fez sentido, as coisas estranhas viviam acontecendo a minha volta. E, eu tive sorte porque a família Boot, muito amiga dos Potters, me acolheu e me ensinou tudo o que eu precisava para ser um verdadeiro Potter.

"O que você diria para essas crianças e adolescentes que cresceram lendo sua história e que devem estar tristes hoje?

Diria para elas que sinto muito que estejam tristes, mas que a verdade é sempre melhor, que continuem lendo, eu adoro ler e as incentivo a nunca pararem de ler e aprender. Estejam elas em Hogwarts ou não, estudem, aprendam, pois, o conhecimento é algo precioso que nunca podem lhes ser tomado, pertence a elas para sempre. E, também diria para os pais ouvirem seus filhos e os professores seus alunos, talvez o senhor ainda não saiba, mas os pais dos alunos de Hogwarts formaram uma Associação de Pais com a intenção de participar e acompanhar com mais atenção e cuidado a vida escolar e interna de seus filhos. Considero isso algo importante, a participação dos pais e guardiões em nossas vidas.

"O que você pensa das ações das pessoas que enganaram o mundo mágico? E porque elas agiram assim? "

Lucro, Sr. Cuffe, eles fizeram isso por lucro. Eles não são Potters, não entendem nada sobre honra e honestidade, não compreendem o fato que naquela noite eu perdi tudo e jamais usaria suas mortes para me promover, ficar mais famoso ou rico. Mesmo essa entrevista, relutei em fazer, mas ao mesmo tempo, sabia que a verdade tinha que vir de mim. Penso que aquelas pessoas deveriam se envergonhar de si mesmas e pensar como seria se alguém usasse seu nome e a morte da sua família para enganar crianças inocentes e, tudo isso, apenas por ouro.

"Você acredita que dizer a verdade é o melhor para todos, Harry? "

A verdade é sempre melhor, Sr. Cuffe. Neste momento, têm crianças que são fãs de Harry, O Aventureiro, ou pior, meus fãs, mas é tudo mentira. Tudo! Eu não matei Voldemort, meus pais o mataram, suas coragens, amor incondicionais foi o que derrotou seu assassino. Eles são os heróis e devem ser honrados e lembrados. E, eu não sou esse personagem, sou Harry Potter, herdeiro da família nobre e antiga Potter. Um garoto de 12 anos, aluno de Hogwarts, da casa Ravenclaw e ansioso por aprender, buscador do time de quadribol e ansioso por ganhar mais uma copa de quadribol. Amigo de Terry, Hermione e Neville e muitos outros, afilhado, sobrinho, primo, colega, aluno, sou uma pessoa com sentimentos e uma história difícil. Não sou um herói e não quero fãs, quero apenas aproveitar o presente que os meus pais me deram, duas vezes. A vida.

"E, essas, meus amigos, foram as verdades apresentadas por Harry Potter, que acredito chocarão a todos, mas também os farão refletir sobre as mentiras que escolhemos acreditar, sobre o mundo que construímos para os nossos filhos e netos. Reflitam, caros leitores. "

"Para informações sobre o ressarcimento a qual você tem direito, consulte a pag. 6.

"Para informações sobre a Associação de Pais, consulte a pag. 7."

Ginny soluçou e largou o jornal enojada, escondeu o rosto nas mãos e tentou não chorar muito alto.

— Sinto muito, Ginny. — Sussurrou Luna apertando seus ombros.

— Você sabia, Luna? Você já sabia disso? — Perguntou ela ao encarar a amiga que não parecia surpresa.

— Não, mas, eu convivo com o Harry na torre e desde o primeiro dia ele não pareceu nada como o Harry, O Aventureiro das histórias. — Luna disse pensativa. — Pensei em te contar, mas pensei que você perceberia por si mesma.

— Eu... percebi, acho, ele é tão doce e tímido, às vezes. O personagem do livro é aventureiro, arrogante e convencido, em alguns momentos. — Ginny olhou para as mãos envergonhada. — Pensei que alguém como ele nunca olharia na minha direção ou aceitaria minha amizade, sabe, mas... o Harry é diferente.

— Porque o Harry é o verdadeiro e não um personagem que alguém criou. — Disse Luna e Ginny sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Porque eles mentiram, Luna? E porque meus pais me disseram que era a vida dele? Eu perguntei e eles disseram que era verdade.

— Meu pai também, bem, eles devem ter sido enganados também, acho. —Luna franziu o cenho confusa. — Eu sempre pensei que papai sabia de tudo e...

— Os adultos não deveriam ser enganados, ora. — Disse Ginny magoada e raivosa.

— Sim. — Disse Luna chateada.

— Vocês acreditam nisso? — A voz de Demelza chegou a elas. — Podem acreditar que tem pessoas que realmente são fãs de Potter? E, acreditaram que uma criança poderia fazer todas essas coisas?

— Quer dizer, aqui no jornal fala que em um dos livros o personagem lutou contra um dragão, imagine, quem pode acreditar em um absurdo desses? Mesmo um cachorro feroz poderia matar uma criança de 5 ou 8 anos, imagine um dragão. — Abla parecia inconformada.

— Os livros disseram que eram baseados na vida dele... — Sussurrou Ginny corando levemente.

— Sim, eu até entendo isso, mas ninguém parou para pensar que sua fama e esse apelido estúpido vinha da perda dos pais? — Disse Abla.

— E, realmente tem pessoas que pedem autógrafo? Que insensibilidade! — Acrescentou Demelza.

— Vocês não entendem. —Disse Ginny ficando irritada. O que elas sabiam?

— O que eu entendo é que todo o mundo mágico ignorou que o bebê Harry tinha acabado de se tornar um órfão e decidiram transformá-lo em um herói famoso quer ele quisesse ou fosse verdade ou não. — Disse uma garota do terceiro ano nascida trouxa também. — E, eles se esqueceram do motivo que eles morreram, preferiram celebrar e tornar tudo uma festa e lucro, as crianças foram enganadas e não têm culpa, mas os adultos são todos cegos e tolos.

Muitos acenaram com a cabeça e Ginny se sentiu ainda mais angustiada. Como fora estúpida! Quando crescia adorava ouvir histórias sobre Harry Potter e como ele derrotou o Lorde das Trevas, ler sobre suas aventuras pelo mundo, mas nunca lhe ocorrera que nada era verdade ou compreendera que ele perdera seus pais. Ela sabia, mas a morte parecia algo tão distante enquanto crescia e, mesmo agora, ao conhecê-lo, tudo o que vira era sua casca, o Harry Potter, o herói, o personagem. Ginny até conhecera um pouco do verdadeiro Harry, e ele a encantara, mas ela associara isso ao seu fascínio e admiração pelo Harry das histórias que crescera ouvindo ou lendo. Nunca tivera vergonha de ser fã dos livros de Harry, O Aventureiro, agora se sentia ludibriada, tola e estúpida.

— Ei, Ginny. — Percy, todo pomposo apareceu, de repente na sua linha de visão. — Você deveria escrever para papai e lhe dizer para ir trocar seus livros, nós poderemos recuperar todo o dinheiro que gastamos com essa bobagem e gastar com coisas importantes, sabe. Eu preciso de livros de verdade...

Mas Ginny parou de ouvir ao ver vários rostos se virarem em sua direção e a encarem com pena ou raiva, sem aguentar a vergonha que sentia, se levantou e saiu correndo se refugiando em seu quarto.

Luna olhou para Percy com raiva e decidiu ir embora para seu quarto também, tinha muito o que pensar e precisava escrever para o seu pai, queria que ele devolvesse seus livros também.

Separadas, momentaneamente, tristes e magoadas, as duas se isolaram, mas não foram as únicas. Na verdade, Harry esperava muitas reações dos seus colegas, provocações, raiva, pena, o que ele não esperava era a tristeza e mágoa que muitos demostraram. Foi só quando se viu cercado por meninos chateados e meninas chorosas, que lhe ocorreu o que tinha esquecido, não pensara no fato de que todos aqueles adolescentes passaram suas infâncias lendo seus livros, ouvindo suas histórias e que descobrir que foram enganados e suas crenças eram mentiras, bem, eles estavam sofrendo.

Harry foi gentil com todos e, aqueles que se desculparam por suas atitudes, ele disse que tudo estava bem, o importante era que, agora, todos sabiam a verdade. Durante todo o domingo, um triste e sombrio domingo, pessoas vieram falar com ele e mostrar solidariedade, indignação e mágoa. Ele não sabia o que fazer, mas, no futuro, perceberia que sua gentileza e disponibilidade era o que todos precisavam para entenderem e conhecerem mais o verdadeiro Harry Potter. E, enquanto, quase todas as crianças mestiças ou puros-sangues ficaram abaladas, apenas uma tinha um diário que lhe respondia de volta.

Ginny chorou muito em seu quarto, sua tristeza e mágoa se transformaram em raiva que ela voltou contra si mesma por julgar que fora muito tola e, buscando compreensão e uma palavra amiga, decidiu falar com o Tom. Ele foi muito compreensivo, gentil, doce, a incentivou a não se culpar, seus pais também foram enganados e seus irmãos, todas as palavras certas estavam lá. Tom também disse como sentia sua falta, disse que esperava que pudessem serem amigos de novo.

Mas... nós sempre fomos amigos, Tom!

Você me abandonou, Ginny, assim como seus irmãos te abandonaram...

Não, eles estão muito ocupados...

Você também estava ocupada, me senti menos importante, porque eu não era mais importante que suas aulas, projetos ou Luna

Desculpe, Tom, não vou te abandonar outra vez, prometo, serei uma boa amiga...

E a semana passou, com o mundo mágico se indignando ou se emocionando com a verdade, as repercussões se espalhando em mais e mais opiniões e ações dentro e fora de Hogwarts. E, Ginny passou mais tempo com Tom, deu mais de si mesma, sua magia, sua alma. Ela não se afastou de Luna, sua melhor amiga ainda era a melhor e mais querida pessoa do mundo e Ginny disse isso ao Tom. E, se sua amiga percebeu algo estranho com ela, associou a grande decepção que sofrera. Luna percebeu que Ginny não era ela mesma outra vez, notou que ela andava mais cansada e pálida, assim como a Prof.ª Vector, notou que a menina cheia de vida e alegria se fora, mas quase todos em Hogwarts estavam abalados com as notícias de domingo. Os dias foram passando e Tom ficou mais forte, começou a se sentir pronto para colocar seu plano em prática e decidiu que o Halloween era o dia perfeito por seu simbolismo.

O dia das bruxas foi um dia estranho, todos estavam assombrados com a verdade, alguns não se importavam, outros até se importavam, mas não tinham sensibilidade ou maturidade para compreender. Outros, fizeram uma oração de agradecimento para James e Lily Potter, por seu heroísmo e coragem. Sendo uma sexta-feira, Harry teve que ir as aulas e tentou ignorar os olhares, dos imaturos e insensíveis. Quando ficou livre, foi para o jardim que construíra na beira da Floresta Proibida, seus amigos o acompanharam e eles tiveram um momento de paz e reflexão.

— Apesar de tudo, sinto que fiz certo em falar a verdade. — Sussurrou ele suavemente.

— Você fez e a maioria das pessoas compreendem, acredito que até respeitam sua decisão. Algumas pessoas estão abaladas e magoadas, outros sentem que tudo o que você quer é mais atenção, mas, idiotas existem por toda a parte. — Disse Neville e todos riram.

— Não vou para a festa, vocês devem ir, mas não consigo comemorar nada hoje. — Disse Harry com voz emocionada.

— Nós ficaremos com você. — Disse Terry e os dois, Hermione e Neville concordaram.

E, foi por isso que na hora do banquete os 4 estavam no Covil. Eles tinham comida e bebida, Hermione lia o livro de Mason sobre animagus, estava fascinada e queria tentar esse método. Terry escrevia cartas para os irmãos, Neville e Harry jogavam xadrez. Então...

Matar... rasgar... devorar... deixe-me rasgá-la... faminto... mestre... deixe-me devorá-la...

Ao ouvir a voz Harry saltou e tirou sua varinha, olhando em volta assustado, pois parecia tão próxima.

— Harry...? — Neville o encarou surpreso.

— A voz! A voz voltou! — Gritou e saiu correndo do Covil.

— O que!?

— Harry!?

— Espere!

E logo os 3 corriam atrás dele pelo corredor do 5º andar.

— Vamos! Ele vai machucar alguém!

Mais cedo naquele dia, Ginny, se sentindo muito cansada, decidiu tirar um cochilo antes do banquete de Halloween, que ela estava ansiosa por participar, pois ouvira muitas vezes os irmãos lhe contando sobre essa festa especial. Pela manhã, ela fizera uma prece de agradecimento a James e Lily, também recebera uma carta do pai que lhe dizia que deixaria os livros, Harry, O aventureiro, guardados até ela voltar e decidir o que queria fazer com eles. Ainda se sentia muito triste com todas as verdades que descobrira no último domingo, mas Tom vinha sendo uma grande ajuda, ele era tão bom e compreensivo. Decidiu falar com ele antes do cochilo, mas, depois de duas frases, acabou não resistindo e sua cabeça pendeu sobre a mesa. Em poucos instantes, Tom assumiu o controle, depois de quase dois meses, a tristeza de Ginny lhe ajudou a assumir muito mais rápido e forte.

— Forte o suficiente para deixar um presente a Potter e Dumbledore, além de me livrar de um problema incomodo. — Disse ele com voz fria e irônica.

Sob o feitiço de desilusão, Tom esperou por sua amiga antiga e obediente, ela estava ansiosa por um banquete e ele lhe prometera que hoje ela não precisaria dormir com fome. Pouco depois a menina apareceu, olhando em volta, Freya seguia sua presa ansiosa por um sabor, mas não faria nada sem sua ordem.

Luna não queria ir para o banquete, assim decidiu procurar seu sapato que sumiu e depois ir encontrar a Ginny, mas para sua surpresa, viu a sua amiga caminhando pelo corredor do 2º andar.

— Ginny? — Mas ela não respondeu e Luna percebeu que estava indo na direção do banheiro inundado. Ela devia estar bem apertada, ninguém nunca ia para aquele banheiro, pensou Luna e quando chegou mais perto, viu seu sapato pendurado na viga e Ginny tentando tirá-lo e entendeu porque ela estava ali. — Oh! Você o encontrou, Ginny, obrigada, meus pés estão gelados. O que você acha de irmos comer um pudim depois?

Quando estava a uns dois metros, Ginny se virou com um sorriso estranhamente frio e mal.

— Oi. — A voz era suave e fria, errada.

— Você não é a Ginny. — Disse Luna sacando sua varinha.

— Não. Ginny está dormindo, eu quis sair para te conhecer, a menina que tem atrapalhado todos os meus planos. — A voz fria e maldosa era de dar arrepios, mas Luna só teve raiva.

— Deixe ela! Deixe minha amiga, agora! — Gritou ela o encarando de frente.

— Corajosa e uma puro-sangue, poderá ser útil um dia e, é apenas por isso, que não a matarei, sua garotinha boba. Freya, você sabe o que fazer. — Disse Tom com um sorriso preguiçoso.

Luna percebeu, mesmo sem entender o que ele disse no fim, que estava em muito perigo. Ao ouvir um sibilo as suas costas, endureceu de medo, mas antes que pudesse se virar, viu pela vidraça da janela que estava atrás da falsa Ginny, o monstruoso basilisco, refletido no vidro, atrás de si mesma a encarando com seus olhos amarelos. E, então, tudo escureceu...

Tom sorriu e suspirou, animado.

— Muito mais fácil do que pensei. — Disse ele e, com um movimento de varinha, pendurou, pelos tornozelos, a menina rígida pela petrificação com uma corda na viga, como estavam antes seus sapatos que ele desapareceu. — Essa informação foi muito útil, Ginevra.

Mestre...

— Eu sei, Freya, prometo que me livrarei dos galos hoje mesmo, infelizmente, isso não foi possível antes. O banquete acabou de começar, vou levá-los para você e depois poderá sair e caçar por conta própria. — Disse Tom em ofidioglossia, quase carinhosamente. — Enquanto isso, deixe-me cuidar desse pequeno projeto...

Ele, então, cortou o braço de Luna, bem sobre a veia e o sangue espirrou, mas Tom, com habilidade, o capturou e o levou a parede onde palavras se formaram. Se tivesse mais tempo faria a pequena Ginny escrever com suas próprias mãos e o sangue de sua querida amiga, mas estava atrasado e precisava matar os galos antes do fim do banquete. Quando terminou a última palavra soltou o braço da garota e...

— Miau. — O som o fez olhar para traz onde o gato do zelador o observava com olhos duros.

— Veja isso, Freya, um pequeno petisco antes do prato principal. — Disse Tom e sorriu quando sua linda amiga estraçalhou o gato em segundos. Seu grito foi alto, mas curto e ninguém ouviu. — Agora espere fora de vista, minha querida, que lhe trarei mais uns petiscos.

Satisfeito, Tom olhou para a garota de ponta cabeça, suas vestes desceram revelando sua calcinha branca e pés descalços, as pontas de seus cabelos loiros tocavam o chão molhado e uma poça de sangue se formava escorrendo e pingando de seu braço.

— Hum, espero que te encontrem logo, Lunazinha, ou vai sangrar até morrer. — Seu tom era alegre e cantante, como se fizesse uma piada divertida. Em seguida, invisível, desceu ao jardim, afinal, precisava estrangular uns galos gordos.

Enquanto Luna descia da torre e era seguida por Freya, Harry e os amigos deixavam o Covil, por alguns segundos não a viram. Frenético, Harry tentou seguir a voz, mas ela parecia vir de todos os lugares e, quando ficava mais distante, parecia estar no andar seguinte, assim, ele desceu para o quarto e depois o terceiro...

— Harry, pare! Não estamos ouvindo nada...

— Você precisa se acalmar! — Disse Hermione.

— Como podem não terem ouvido? — Harry olhou para os amigos que estavam tão confusos quanto ele.

— Você ainda está ouvindo? — Perguntou Neville pálido.

— Não. Droga, ele estava com fome, pediu... — Harry parou quando algo passou por sua mente e olhou em volta ainda mais frenético e tenso.

— E se nos separarmos ou irmos chamar um dos professores no banquete? — Sugeriu Hermione tensa.

— Não! Ninguém vai se separar, todos ficamos juntos. — Gritou Harry e ao ver seus amigos pularem de susto, respirou fundo, precisava se acalmar. — Ok, vamos os 4 juntos para o Grande Salão e chamamos o Flitwick.

Os três acenaram e, eles decidiram descer do terceiro para o segundo andar pela parte que levava a enfermaria, era o caminho mais longo, mas queriam ver se viam alguma coisa ou se a voz voltava. Quando chegaram próximos ao banheiro das meninas inundado, onde Harry vomitou no ano anterior, um cheiro acobreado e nauseante os atingiu.

— Quietos. — Disse Harry a frente.

— Porque a escola tem que ser tão escura? — Sussurrou Terry.

— Posso lançar um Lumus? — Neville perguntou ansioso.

— Estou vendo um vulto a frente, mas não se mexe. Ok, Neville, você lança o Lumus e se prepara para correr, eu vou a frente, Terry me dá cobertura, Hermione dá cobertura ao Terry. Se houver muito perigo, ataque e fuga. Entenderam?

Todos acenaram e um segundo depois, o corredor se iluminou e eles viram a 20 metros sua colega, a doce Luna Lovegood pendurada de ponta cabeça, com o olhar vidrado dos mortos e com uma imensa poça de sangue embaixo de si. Harry só registrou isso por um segundo antes que seu corpo se movesse por conta própria. Ele nem percebeu seu grito rouco e apavorado.

— Luna! — Ou percebeu que Terry o seguia de perto, não notou a inscrição, o gato estraçalhado, ou que estava chorando. — Não! Não! Luna!

Ele a ergueu e olhou para seus olhos bonitos, azuis e vazios.

— Precisamos soltá-la! — Gritou Terry desesperado e pegando seu braço tentou parar o sangramento.

Um soluço foi ouvido de Hermione que, com a mãos trêmulas, tentou soltar a corda, mas não conseguiu.

— Não solta! Terry, não solta!

— Precisamos dos professores e da Madame Pomfrey. Agora! Ela ainda está viva! — Disse Terry angustiado.

— Viva? — Harry o encarou sem entender, ele segurava seu tronco e cabeça, ela lhe parecia fria e rígida, seu olhar vazio, morta.

— Sim, alguém morto não sangra assim, o coração para de bater e o ferimento de sangrar, veja, está espirrando, cortou uma veia. — Disse Terry e, antes que precisasse pedir, Hermione conjurou bandagens e os dois enrolaram no corte em seu braço.

— Onde está Neville? — Harry olhou em volta apavorado ao não encontrar o amigo e foi quando ele viu a inscrição e a pele do gato cinzento. — Nev!?

— Ele deve ter ido pedir ajuda, acho... — Hermione também olhou em volta chorando de angústia, viu o gato e soltou um grito.

— O que? — Terry olhou na direção que os dois encaravam e empalideceu ao entender quem era. — Madame Norra, quem...

— Não podemos pensar nisso agora, temos que tentar soltar a Luna, ou... Hermione, você pode erguer o vestido dela? Não é certo que ela fique exposta assim. — Disse Harry sentindo o pânico recuar e dar lugar a raiva fria por quem fizera isso com uma menina tão doce e que já sofrera tanto.

— Sim, Harry. — Hermione, ainda com as mãos trêmulas conseguiu o feitiço que elevou sua veste a protegendo da grosseria da posição.

— Você tentou soltar a corda de sua perna? — Perguntou Harry olhando para a corda que prendia os tornozelos tão forte que cortavam a pele de Luna.

— Sim, não soltou, Harry e da viga também não...

Enquanto eles conversavam por uma solução, Neville correu pelos degraus até o grande salão, agradecendo o fato de estar em forma. Não era o mais rápido entre os amigos, mas era rápido o suficiente e quando, finalmente, entrou na área de refeição nem estava ofegante. Sua aparição chamou a atenção e o som das conversas foram morrendo ao verem sua palidez e pânico.

— Diretor! Professor Flitwick! — Seu grito fez morrer as últimas das conversas.

— Sr. Longbottom? — Dumbledore se levantou de seu lugar preocupado.

— Rápido, alguém atacou a Luna. Madame Pomfrey, ela está muito ferida. Rápido! Rápido! — Se no começo de suas palavras, todos pareciam em choque, antes que pudesse concluir, todos se moviam.

Dumbledore parecia um menino de tão rápido correu, os professores Flitwick, McGonagall e Prices seguiram atrás e a Madame Pomfrey já estava com a varinha em punho e expressão concentrada. Neville correu com eles e não viu os alunos se levantarem curiosos e preocupados, os professores que ficaram no Grande Salão os mandaram se sentarem, explicando que os outros precisavam de espaço e não curiosos atulhando o caminho, mas os monitores da Ravenclaw não se detiveram, pois era um de seus pupilos.

Harry estava cansado de segurar o peso enrijecido ou petrificado de Luna, mas se recusou a soltá-la, mesmo que queria tentar soltar as cordas. Esperançosamente, logo chegaria ajuda... E, finalmente, eles ouviram passos.

— Graças a Deus. — Hermione sussurrou aflita e ascendeu sua varinha para serem enxergados mais facilmente. — Diretor! Professor! Não consegui soltar a corda, alguém a pendurou, mas não consegui soltar. — Disse ela chorando.

— Deixe-me. Joe, ajude os meninos a segurá-la. — Disse Dumbledore com voz muito séria. — Pronto? — O três concordaram e, com um movimento de varinha, ele desenlaçou a corda de seus tornozelos.

— Madame Pomfrey, consegui conter o sangramento, mas o ferimento é bem grande e ela sangrou muito. — Terry disse, ainda que isso fosse óbvio, por todo o sangue no chão.

— Aqui, coloquem ela aqui. — Disse Pomfrey rigidamente ao conjurar uma maca flutuante.

Eles obedeceram, depois Harry esticou seus braços dolorosos, mas logo seu olhar foi atraído para a inscrição na parede.

A CÂMARA SECRETA FOI ABERTA.

INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO.

— O que raios...? — Ele sussurrou se aproximando mais da parede e percebeu, pelo cheiro, que era sangue, da Luna.

Terry se aproximou sem perceber que segurava o braço de Hermione e a levava com ele, Neville se colocou do outro lado dele e estava trêmulo, Harry percebeu que era de raiva e não medo.

— O sangue dela, ele usou o sangue... — A voz do seu amigo sufocou com a raiva.

Hermione soluçou e apertou o braço de Terry que estava muito pálido. Neste momento, Madame Pomfrey soltou uma exclamação, eles se viraram apavorados e a viram acenar com a varinha freneticamente.

— O que é isso, Poppy? — Dumbledore perguntou com a voz sombria. McGonagall estava mais atrás, impedindo os monitores Ravenclaws de se aproximarem muito e Flitwick estava ao lado da maca, observando sua aluna com muita preocupação.

— Petrificada, diretor, ela está petrificada, não sei como, mas... O melhor é levá-la para a enfermaria agora mesmo. Srta. Lovegood perdeu muito sangue e está muito fraca e fria, preciso tratá-la, quanto a petrificação... — Pomfrey o encarou parecendo angustiada.

— Leve-a, Poppy, enviarei Sprout para conversar com você, acredito que suas mandrágoras serão muito úteis. Cuide dela e, Filius, se quiser pode acompanhar e talvez entrar em contato com o Sr. Lovegood. — A expressão de Dumbledore era muito séria e sombria.

Os dois mencionados acenaram e se afastaram na direção da enfermaria, que não estava longe, com a maca flutuando entre eles. Flitwick segurava a mão de Luna, carinhosamente, e Pomfrey mantinha a maca estável com sua varinha. Harry olhou para os amigos e todos queriam seguir, mas sabiam que o melhor era ficar e explicar o que aconteceu ao diretor.

— Harry, meninos, vocês estão bem? — Penny, finalmente, conseguiu passar por McGonagall e se aproximou deles, ao ver o sangue em Terry se assustou. — Você está ferido, Terry?

— Não, estou bem, é o sangue da Luna... — Sua voz se engasgou e ela apertou seu ombro protetora, Hermione se aproximou mais.

— Sr. Thorne, poderia ir avisar a Prof.ª Sprout para ir à enfermaria conversar com Madame Pomfrey, por favor? — Disse Dumbledore ao monitor do 6º ano que acenou e se afastou rapidamente. — Vocês outros, voltem para o Grande Salão e tranquilize aos outros professores e alunos que a Srta. Lovegood está viva e sendo cuidada. Peça que todos voltem para suas salas comunais, ordenadamente, a sobremesa poderá ser servida lá e que um professor acompanhe cada casa. Avisem aos monitores para não permitir que nenhum aluno se afaste do grupo e andem pelo castelo, entendido?

Os monitores do 5º e 7º acenaram, seriamente, e se afastaram, mas Penny não se mexeu, continuando ao lado de Harry.

— Albus? O que pode ser isso que petrificou a Srta. Lovegood? — McGonagall perguntou tensa.

— Ainda é cedo para saber, teremos que investigar com atenção. — Disse ele olhando para a inscrição na parede.

— Diretor, o que é essa coisa, câmara secreta, exatamente? — Harry perguntou se aproximando de Dumbledore.

Mas neste momento, Filch e Lockhart de aproximaram deles vindo do corredor, um olhou para o sangue que teria que limpar com uma careta e o outro tinha um mega sorriso pretensioso.

— Vim o mais rápido que pude. Onde está a menina, poderia curá-la com um simples feitiço...

— Ela está na enfermaria sendo cuidada pela curandeira da escola, Gilderoy, que não é você. — McGonagall o cortou friamente.

— Sim, mas com minha experiência poderia lidar com isso muito mais rapidamente ou auxiliar a Madame Pomfrey...

— O que é isso? — Filch olhou confuso para o pelo cinzento no canto da parede oposta a inscrição.

— Sinto muito, Argus. — Dumbledore se aproximou e tocou o ombro do homem tristemente. — Parece que o que atacou a Srta. Lovegood, atacou Madame Norra também...

— Não! — Seu grito rouco, incrédulo e doloroso tocou a todos, ele deu uns passos à frente e quando pareceu confirmar que era sua gata levou as mãos ao rosto horrorizado. — Minha gata! Minha gata! Quem machucou a Madame Norra? — Gritou ele.

E seus olhos saltados pousaram em Harry.

— Você! — Gritou Filch e deu alguns passos em sua direção, depois olhou o sangue em Terry e gritou ainda mais. – Você! Você assassinou a minha gata! Você a matou! Vou matá-lo! Vou... — Mas ele não chegou a Terry porque Harry se colocou a frente e porque Joe, rapidamente, o imobilizou.

— Não vai machucar as crianças seu homem cego e tolo. — Disse ele com voz firme.

— Ele matou minha gata...

— Argus! — O chamado de Dumbledore nem precisou ser alto para, finalmente, deter o velho zelador. — Lamento a sua perda, verdadeiramente, mas essas crianças nada têm a ver com o que aconteceu com Madame Norra. Veja por si mesmo, ela foi atacada por algum animal e o sangue na camisa do Sr. Boot é da Srta. Lovegood que também está ferida e sendo tratada neste instante por Poppy.

Filch olhou em volta para todos que o encaravam e, quando Joe o soltou, apesar de ainda vigiá-lo de perto, caminhou até mais perto da gata e depois olhou para Dumbledore que acenou em confirmação tristemente. Harry não sabia o que esperar do velho e antipático zelador, mas cair no choro doloroso e copioso se ajoelhando ao lado do que sobrara da gata foi o que ele fez. Não houve quem não se emocionou com sua dor, Hermione chorou, Terry tinha lágrimas em seu rosto, Neville e Penny, mesmo os Prices estavam abalados. Finalmente, uma emocionada, McGonagall o levantou e, carinhosamente, o levou na direção da enfermaria onde poderia tomar uma poção calmante. Seus sussurros de consolo e os gemidos lamentosos de Filch se perderam a distância e o silêncio sombrio que ficou foi interrompido bruscamente quando Lockhart abriu a boca.

— Uma pena realmente, tanto apego a uma gata tão estranha, mas se estivesse aqui poderia tê-la salvo com certeza, já enfrentei dezenas de criaturas muito mais mortais que essa em minhas viagens...

— Cale a boca, seu verme asqueroso! — Para surpresa de todos, quem falou com raiva e varinha erguida, ameaçadoramente, foi Neville, seu rosto estava pálido e seu olhar raivoso.

— Sr. Longbottom... — Dumbledore tentou intervir suavemente, enquanto, Lockhart recuava assustado e se escondia atrás do diretor.

— Acabamos de encontrar uma colega, uma menina de 11 anos, ferida seriamente, pensamos que estivesse morta, Filch está de luto por perder sua melhor amiga. Não temos que ouvir suas mentiras e insensibilidades, assim, se o diretor não pode mantê-lo calado, vou lhe mostrar porque sou um Gryffindor, mesmo que seja expulso depois de acabar com você. — Disse Neville cheio de raiva, encarando Lockhart por baixo do braço de Dumbledore.

— Isso não será necessário. Acredito que seu escritório não está longe, Gilderoy, o melhor e mais seguro a se fazer neste momento é que se recolha. — Disse Dumbledore e parecia levemente divertido com o comportamento de Neville.

— Mas, diretor, tenho certeza que posso ser útil...

— Vá, Gilderoy. — O tom firme não aceitava discussão e, felizmente, ele desapareceu sem mais uma palavra.

— Boa, Nev. — Disse Harry batendo em seu ombro, elogiando e tentando acalmá-lo ao mesmo tempo.

Funcionou, porque, seu amigo respirou fundo e abaixou sua varinha, ainda sem guardá-la, na verdade, os 4 amigos ainda seguravam suas varinhas.

— Joe, Charlie, preciso conversar com os meninos e acredito que Filch não poderá cuidar desta bagunça, vocês se importam de limpar e...

— O que? — Harry deu um passo à frente, surpreso. — Não pode limpar nada aqui, essa é uma cena de crime, muito contaminada por todos que andamos por aqui, mas ainda pode ter muito o que ser investigado e descoberto.

— Dificilmente encontraremos algo aqui, além de magia e limpar o sangue e recolher os restos de Madame Norra não interferirá em minha investigação mais tarde, Harry. — Disse Dumbledore suavemente.

— Essa não é sua decisão a fazer, diretor Dumbledore, com todo respeito, o senhor não é um auror ou policial, pode descobrir as magias utilizadas, mas não pensa nos detalhes que um investigador treinado pensaria. — Disse Harry com firmeza.

— Como, por exemplo? — Dumbledore o encarou, curioso e não chateado.

— Como, por exemplo, os restos da Madame Norra, que pode e deve ter saliva deixado pela criatura que a atacou. — Apontou Harry e viu os olhos dos três adultos se arregalarem de surpresa. — De qualquer forma, quem deve investigar e decidir são os aurores, diretor e o senhor tem que chamá-los.

— Harry, não acredito que isso seja necessário... — O desconforto de Dumbledore era visível.

— Diretor, Harry está correto, este ataque precisa ser investigado e um auror tem o conhecimento para ver e descobrir coisas que nem saberíamos procurar. — Apontou Charlie em apoio a Harry e seu marido acenou concordando.

— Entendo a gravidade do que aconteceu, mas acredito que posso descobrir qual criatura fez isso...

— E o que importa qual criatura fez isso? — Harry o interrompeu irritado, não ia deixar que sua necessidade de manter o controle e tomar todas as decisões, transformasse Dumbledore no homem passivo e negligente que Harry conhecia muito bem. — A criatura, não importa quão mortal seja, não escreveu essas palavras na parede, não pendurou ou cortou Luna e usou seu sangue tão cruelmente. Quem fez isso foi um bruxo, bem humano e com uma varinha em mãos e é ele quem tem que ser detido, é ele quem os aurores tem que prender, porque é ele quem controla o que matou a gata e petrificou a Luna.

Todos ficaram em silêncio e Penny se aproximou se colocando ao lado de Harry e apertando seu ombro.

— Se o senhor não os chamar, eu farei isso, como membro da AP de Hogwarts, que tem a proteção dos alunos como prioridade, não hesitarei em passar por cima de sua autoridade, senhor. — Disse ela com voz firme e queixo erguido.

Encurralado, Dumbledore acenou e tirando sua varinha, pediu que todos se afastassem e isolou o corredor.

— Assim ninguém poderá mexer em nada. — Disse ele suspirando cansadamente. — O melhor é nos dirigirmos ao meu escritório e acionarmos o Departamento Auror. Joe e Charlie, se importariam de irem avisar os chefes das casas Ravenclaw e Gryffindor? Envie-os até nós, pois acredito que eles gostariam de estarem presentes quando os meninos estiverem dando seus depoimentos.

Os dois professores acenaram e partiram para caminhos diferentes para buscar Flitwick e Vector. Enquanto isso, os 5, pois Penny não iria a lugar algum, seguiram Dumbledore até o seu escritório no terceiro andar. Subir as escadas e entrar no escritório redondo e cheio de objetos estranhos distraiu os amigos, enquanto Harry se aproximou de Fawkes e acariciou suas penas suavemente.

— Oi, Fawkes. — Disse ele baixinho, sem a adrenalina e tensão do perigo, a tristeza pelo que aconteceu com sua colega Ravenclaw o atingiu com força.

A ave pareceu entender e trilhou, suavemente, era como uma canção amorosa que entrou e foi direto ao seu coração, esquentou, deu alento e esperança, tudo ao mesmo tempo. Olhando para os amigos, viu os três suspirarem gratificados e Hermione soluçou baixinho se aproximando mais de Terry, que passou a mão, suavemente, por suas costas em apoio.

Depois de terminar a chamada de flu, Dumbledore o encarou não muito feliz.

— Queria evitar isso, Harry, que se desgastassem e tivessem que dar depoimentos a aurores ou que se espalhasse seu envolvimento em toda essa história. Acredito que sua pessoa apareceu o suficiente no Profeta, não é mesmo? — Disse ele em leve tom de censura.

— Não precisa tentar me proteger, diretor, agradeço a intenção, mas o mais importante aqui não sou eu e sim descobrir quem está machucando os alunos. — Disse Harry com firmeza e reconheceu à contragosto. — Entendo que o senhor escondeu a morte de Quirrell para me proteger, mas acredito que as circunstâncias são diferentes e bem mais urgentes.

— Talvez. — Reconheceu Dumbledore serenamente. — Ainda assim, peço que deixe que eu fale quando o auror chegar, não quero...

Mas o que ele não queria ficou em aberto porque, neste momento, o flu foi acionado e um homem alto, negro e careca entrou no escritório com o uniforme auror oficial. Seguindo-o, logo depois, entrou um homem mais baixo e cheio de cicatriz, tinha uma perna de pau, um olho de vidro, faltava um pedaço da ponta do seu nariz e usava um casaco de couro de dragão preto. As duas figuras eram imponentes e intimidantes, até mesmo assustadoras, mas Harry nem piscou e dando um passo à frente estendeu a mão.

— Olá, Sr. King, é um prazer te encontrar de novo, apesar das circunstâncias. — Disse Harry com um sorriso.

— Como vai, Harry, também estou feliz em revê-lo. Sua última carta me dizia que as coisas estavam calmas por aqui, imagino que isso mudou. — Disse King com sua voz ressonante, seu tom era amigável, mas ainda oficial.

— Sim, o status mudou de laranja para vermelho, Sr. King, infelizmente, estamos todos em perigo. — Disse Harry seriamente e ignorou a expressão estranhamente congelada de Dumbledore, que mais uma vez percebeu que era o único na sala com pouco ou nenhum controle sobre a situação.

NA: Espero que gostem e, por favor, revisem e me digam se gostaram! Até mais, Tania