NA:Uma revisão apenas, pessoal, assim, sejam pacientes com os erros. Prometo que tentarei ser menos detalhista a partir do capítulo, não o próximo, o seguinte e voltar logo para Hogwarts. (In)Felizmente, o capítulo de hoje tinha algumas conversas importantes e necessárias, além do aniversário do Terry, (se você quiser ver fotos sobre isso, se junte ao grupo do facebook, publiquei lá). E, o próximo capítulo terá o que todos esperávamos! O Festival! Além da visita a Mansão Potter e o Natal, claro. Espero que gostem e que revisem
Até mais, Tania
PS: Nunca fiz isso antes, mas estou relendo a Trilogia da Alma e pensei em lhes indicar, além da primeira temporada da série derivada dos livros. É muito bom! Se alguém quiser mais detalhes, me avise por aqui ou pelo face. 😘
Capítulo 56
Petúnia e Dudley entraram pela barreira mágica na estação nove e meia de King Cross com a intenção de esperarem pela chegada do Expresso de Hogwarts. Ela era a primeira a admitir que nunca esperou voltar a entrar nesta estação, mas tanto mudou em sua vida nos últimos 6 meses, tanto mudou em si mesma, que isso não deveria surpreendê-la. No entanto, sua expressão incrédula enquanto atravessava a barreira, discretamente, de mãos dadas com o filho, dizia a verdade. Petúnia Dursley estava muito, mas muito surpresa.
Olhando em volta, viu inúmeras famílias esperando ansiosamente pelo Expresso e procurou por uma específica, mas encontrou apenas Sirius Black encostado displicentemente em uma das paredes. Sua aparência jovial de motoqueiro atraía inúmeros olhares dos pais e Petúnia, com justiça, pode compreendê-los. Se encontrasse um pai com essa aparência esperando o filho na entrada da escola de Dudley, também olharia, mas, se tinha algo que vinha aprendendo nos últimos meses, era que julgar um livro pela capa era um grande erro.
Olhando para Duda, viu seu olhar maravilhado seguir em todas as direções e sentiu seu coração se apertar. Sua decisão de afastar completamente a magia de suas vidas anos atrás tivera, entre outras coisas, a intenção de proteger seu filho da decepção de não ser um bruxo, de não ser parte desse mundo maravilhoso.
— Tudo bem, Duda? — Perguntou preocupada, não era a primeira vez que lhe fazia essa pergunta nas últimas semanas.
— Sim, mamãe, já lhe disse que está tudo bem. — Respondeu ele distraidamente.
Petúnia apenas suspirou enquanto se aproximava de Sirius, não acreditava em sua resposta, assim como não acreditou em todas as anteriores. Ela o conhecia e sabia que algo vinha lhe incomodando e isso começara a partir do momento em que seu pai voltou a fazer parte da sua vida. Na superfície, Dudley e Vernon estavam desfrutando dos sábados no Centro Esportivo, eles se divertiam com os esportes, Boxe, principalmente, mas seu filho convencera Vernon a participar da academia e piscina também. No entanto, Dudley pouco falou sobre o que eles conversaram, além do Boxe ou a escola, mas Petúnia tinha a sensação que seu ex-marido dissera algo que deixara Duda pensativo e desconfortável.
— Oi, Sirius. — Disse o filho cumprimentando o homem alto, cabelos encaracolados na altura dos ombros e jaqueta preta de couro, a calça jeans rasgada e botas de cano médio, apenas o fazia parecer mais rebelde ou legal, para um garoto de 12 anos, claro.
— Ei, Duda. Petúnia, como estão? — Disse Sirius com um sorriso suave.
— Olá, Sirius. Estamos bem, mas ansiosos por ver o Harry, não pensei que sentiria tanto sua falta. — Disse ela olhando ansiosa para o trilho do trem ao longe para ver se conseguia ver o trem chegando, mas seu olhar encontrou muitos olhares curiosos e alguns julgadores.
— Eu também estou com muitas saudades, apesar de tê-lo visto em setembro para a inauguração da Caverna dos Marotos, parece que foi a séculos. — Disse Sirius, seu sorriso aumentando ao pensar no afilhado. Ao ver sua expressão incomodada com os olhares, Sirius suspirou. — Não se incomode, Petúnia, eles estão olhando para mim, alguns ainda tem medo, outros me acham uma atração ou celebridade.
— Hum! Eles deveriam ser mais educados e não encarar. — Disse ela com expressão contrariada. — Você teve mais alguma notícia de Hogwarts? Alguma outra petrificação? — Perguntou ela decidindo mudar de assunto.
— Não, felizmente, nada mais aconteceu. — Sirius passou a mão pelos cabelos cansadamente. — Harry tem andado muito distante, escrevi-lhe tentando pacificá-lo depois de sua discussão com a Serafina e contando como estou tentando convencer o King a ouvir suas ideias sobre a investigação, mas ele me respondeu que tudo estava bem e que estava cumprindo a promessa de não se envolver.
— Tudo está bem... — Resmungou Petúnia chateada e olhando de relance para Duda, continuou. — Estou começando a odiar essa frase. — Dudley fingiu não ouvir o que diziam e continuou a olhar em volta com curiosidade. — Ainda não entendo qual o problema de ouvirem o menino se ele tem alguma ideia e como esses aurores ainda não descobriram nada. Tenho tido dificuldades para dormir de tanta preocupação com o que pode acontecer com um... — Petúnia baixou o tom de voz e tinha uma expressão incrédula. — ... basilisco solto por uma escola cheia de crianças, Sirius.
— Eu também, principalmente porque duvido que o Harry está se mantendo afastado como disse que está. — Sirius olhou com preocupação na direção geral de onde o trem surgiria. — Espero que todos nós juntos possamos ajudá-lo a se abrir e contar o que está passando em sua mente.
— Bem, isso será um trabalho difícil, aquele menino sabe ser fechado, principalmente quando está magoado. — Disse Petúnia e voltou a olhar para o filho de soslaio. — Lily era assim também.
— Eu me lembro. — Sirius sentiu o coração se apertar ao pensar nos amigos. — Ela perdia o temperamento e explodia facilmente se provocada, mas quando se magoava de verdade... — Ele riu suavemente. — James ficava apavorado quando ela entrava naquele seu modo silencioso e distante, porque não sabia o que tinha feito de errado. Bem, pelo menos no começo, depois de um tempo que eles estavam namorando e depois casados, ele sempre parecia entender seus humores e o que a incomodava.
Os olhos de Petúnia brilharam de nostalgia ao se lembrar de sua infância.
— Meus pais eram assim também. — Sussurrou ela e sorriu com a lembrança. — Eles sempre sabiam quando e porque o outro estava com algum problema, magoado ou preocupado. Nunca os vi brigarem ou desconfortáveis um com outro, estavam sempre em sintonia, em harmonia.
— Nem consigo imaginar algo assim... — Sirius pareceu desconfortável e seus olhos expressavam certa mágoa ou tristeza. — De qualquer forma, como está o treinamento de boxe, Duda?
Ele mudou de assunto rapidamente, não queria pensar em Denver agora, muito menos em seus pais.
O assunto seguro para os três se manteve por uns minutos, até que Serafina se aproximou com expressão cansada e todos se cumprimentaram.
— Petúnia, amanhã temos um jantar em família para o aniversário do Terry e queremos muito que você e Duda compareçam. — Disse Serafina educadamente.
— Oh! Isso é muita gentileza, mas não queremos nos impor, quer dizer, não somos exatamente família e... — Petúnia estava muito constrangida.
— Pode ser, mas acredito que devemos fazer esse movimento, queremos muito que o Harry passe o Natal conosco e também não queremos que vocês dois estejam sozinhos esse ano. — Serafina disse muito séria. — Devemos aceitar que somos uma família agora e estar juntos nestes momentos, na verdade, eu pretendia discutir os eventos festivos da semana que vem com você antes, mas estou trabalhando tanto com a GER e as Fazendas, além da AP, que simplesmente não tive tempo.
— Bem... — Petúnia olhou para o filho indecisa e de volta para Serafina, que parecia muito sincera. — Se você tem absoluta certeza, não queremos gerar nenhum constrangimento e claro que adoraríamos estar com o Harry e sua família... — Petúnia estava sendo sincera também, ainda que seu rosto estivesse corado pela situação. — Quer dizer, vocês têm sido muito compreensíveis e gentis...
— Você deveria mesmo aceitar, Petúnia, a família Boot, Madaki e Coltons são incríveis e teremos muita diversão. — Disse Sirius com um sorriso mais largo. — Este será meu primeiro Natal depois de 11 anos e acredito que devemos estar todos juntos, sabe, porque eu quero estar com o Harry, os Boots e você também, não podemos dividi-lo em 3, assim, no unimos em volta dele.
— Ok, isso faz sentido, claro. — Petúnia sorriu e olhou para o filho que acenou. — Aceitamos o convite, Serafina, muito obrigada.
— Ótimo. — Serafina sorriu aliviada. — Bem, temos o jantar de aniversário do Terry amanhã apenas com a família e, no sábado, ele e os amigos terão uma comemoração especial, vocês sabem, shopping, cinema e pizza. Estive pensando se você não se importaria de me acompanhar e me ajudar, serão 16 crianças ao todo, incluindo o Duda, e muitas delas não conhecem o mundo trouxa.
— Ora, isso seria maravilhoso! Claro que gostaria de ajudá-la, tenho me tornado especialista em acompanhar meu Duda e os amigos a todos os lugares. — Petúnia sorriu animada por ser incluída. — Você já tem os meios de transporte? Reservou a pizzaria? Comprou os ingressos do filme com antecedência?
Serafina meio que empalideceu e abriu a boca sem palavras, até que engasgou chateada.
— Sabia que tinha me esquecido de alguma coisa! Não comprei os ingressos! E se não tiver 18 ingressos para um único filme no sábado?
— Sábado é o dia de mais movimento no cinema, se deixar para comprar na portaria não encontrará nenhuma sessão com tantos ingressos disponíveis. — Disse Petúnia e acenou com a mão. — Me diga qual o filme e shopping que passarei por lá assim que deixarmos King Cross.
— Você tem certeza? A Evans House não é muito longe daqui e o shopping fica em Mayfair perto do Hyde Park. — Perguntou Serafina em dúvida.
— Sem problemas, precisamos ir comprar um presente para o Terry, além de Duda e eu precisamos de roupas novas. O melhor é irmos agora do que amanhã, pois estaremos com o tempo apertado se vamos dirigir até St. Albans. — Apontou Petúnia solícita.
— Sobre isso, semana que vem teremos vários eventos tradicionais da minha família. O que você acha de se hospedar conosco até o Boxing Day? Assim, você não precisa enfrentar estradas escorregadias pela neve ou usar meios mágicos que te deixam desconfortáveis. — Sugeriu Serafina e Petúnia sorriu suavemente.
— Isso é muito gentil e acredito que seria mais seguro. Obrigada, Serafina. — Petúnia respirou fundo, precisava se acostumar com sua nova vida mesmo que uma parte dela sempre vivesse em estado de perpétua incredulidade. — Agora me conte sobre a programação da próxima semana, assim posso me organizar e embalar tudo o que precisaremos.
Serafina com entusiasmo explicou todos os eventos e preparações da semana do Natal e Petúnia logo se envolveu com entusiasmo, fazendo perguntas e dando sugestões. Enquanto isso, Sirius e Duda continuaram a falar sobre esportes e o Boxe.
— Fico feliz que esteja se saindo tão bem, Duda e, se participar de competições, me avisa que tentarei ir e tirar umas fotos para enviar para o Harry. — Disse Sirius sorridente e, então, o barulho do apito foi ouvido ao longe e seu coração disparou. — Ele está chegando!
E, em poucos segundos todos puderam ver o Expresso vermelho ao longe, sua fumaça saindo da chaminé e o apito soando ainda mais forte. Mesmo quem não foi a Hogwarts pode sentir o coração disparar e o encanto envolver diante de uma visão tão mágica.
Quando o trem parou, as portas se abriram e os alunos começaram a sair aos borbotões e correr para os braços dos pais que os apertaram forte de alívio por vê-los seguros. Um casal ruivo em especial estava angustiado, pois tinham 5 dos seus 7 filhos em Hogwarts este ano, incluindo a caçula. Percy apareceu primeiro com o emblema de monitor em seu peito estufado, seguido de Ron que se despediu de seus amigos, Dean e Seamus, antes de se aproximar da mãe que, como ele esperava, lhe apertou e beijou constrangedoramente.
Fred e George apareceram rindo com seu amigo Lee Jordan e acenando para as meninas do time de quadribol. Os dois se deixaram abraçar pela mãe e o pai, que olharam em volta deles, pois sabiam que Ginny tenderia a estar por perto desses dois, mas não a viram.
— Onde está Ginny? — Molly perguntou ansiosa para ver sua garotinha, suas cartas foram tão irregulares e sem conteúdo.
— Ela deve estar saindo, acho que se sentou com suas amigas. — Disse Percy olhando em volta e percebendo que nem ao menos vira a irmã embarcar no trem nesta manhã, mesmo sendo o monitor Gryffindor.
— Oh! Ela tem amiguinhas? Ginny não falou nada em suas cartas, depois da Luna... não tínhamos certeza... — Molly olhou preocupada para o marido e voltou a procurar por sua filha, seu coração estava sempre apertado quando pensava em Ginny, nos últimos tempos.
Finalmente, entre os últimos alunos, Ginny apareceu, ela acenou para duas meninas que caminharam juntas para a barreira e depois veio até eles. Arthur tentou ver nos olhos da filha como ela estava depois de tudo o que aconteceu em Hogwarts neste mandato, mas eles estavam estranhamente guardados e sem brilho. Molly se apressou a frente para abraçá-la com força e não pareceu notar como Ginny se recostou nela cansada e aliviada, como se encontrasse nos braços da mãe a luz e calor depois de meses de escuridão e frieza. Seu pai também a abraçou e internamente se preocupou ao perceber como parecia magra e pequena, antes, ao ouvir Molly falar de sua preocupação, julgara que a esposa exagerava, mas, agora não tinha mais tanta certeza.
Durante a viagem de carro para casa, Arthur tinha a tarde de folga, os filhos contaram sobre os seus últimos meses, falaram uns sobre os outros, provocaram, riram, gritaram, mas uma voz não foi ouvida. Isso porque, Ginny, sentado no banco da frente e entre seus pais, se recostou no peito da sua mãe e, sentindo seu cheiro suave de canela e baunilha, além de uma segurança que lhe tirou o medo que a sufocava, dormia tranquilamente com um leve sorriso no rosto.
Enquanto isso, Harry e os amigos desciam do trem e se deparavam com a inesperada comitiva.
— Duda? Tia Petúnia? Sirius!? — Harry arregalou os olhos de surpresa e sorriu com entusiasmo.
Ele abraçou Sirius com força e longamente, depois apertou a mão do primo e bateu em seu ombro amigavelmente. Com sua tia, Harry também deu um abraço, estranhamente desajeitado no início e amorosamente apertado no fim.
— Como é bom vê-los! — Disse ele se afastando e depois olhou para a Sr. Serafina que abraçava Neville, depois de ter feito o mesmo com o filho e Hermione. — Olá Sra. Serafina, como está?
— Estou bem, Harry e feliz em vê-los em casa finalmente. — Disse ela sincera e o abraçando também.
Harry a sentiu abraçá-lo forte como se quisesse dizer alguma coisa, mas ele não tentou decifrar e apenas retribuiu com carinho.
— Neville? Estou te esperando, meu neto. — Disse uma voz contrariada.
— Oh! Desculpe, vovó, estava cumprimentando e me despedindo do pessoal. — Disse Neville sorrindo para a avó timidamente. — Deixe-me lhes apresentar. A senhora já conhece o Terry e a Hermione, esta é a Sra. Serafina Boot e o Sr. Sirius Black. Este é Harry Potter e seus parentes trouxas que eu também não conheço. Eu sou Neville Longbottom, grande amigo do Harry.
Neville falou com segurança e estendeu a mão educadamente para cumprimentar Petúnia e Dudley que retribuíram. Sua avó o olhou com a sobrancelhas erguidas, talvez surpresa por se mostrar tão seguro e, durante as apresentações e cumprimentos, ignorou Sirius descaradamente, mas olhou para o Harry com atenção.
— Sr. Potter, você se parece muito com seu pai e avô. Fleamont estaria orgulhoso que seu nome não morreu naquela noite, tenho certeza. — Seu tom era severo e nem parecia estar fazendo uma tentativa de cumprimento.
— E, eu tenho certeza que meu avô estaria ainda mais feliz porque estou vivo e feliz. — Disse Harry com um sorriso educado. — É um grande prazer conhecê-la, mas me chame de Harry, por favor, Nev é um grande amigo e não devemos nos prender a tantas formalidades. E, gostaria de aproveitar para convidá-lo para visitar comigo minhas fazendas que acabaram de ser reativadas, se a senhora permitir.
Sra. Longbottom o encarou severamente e depois ao neto que acenou sem baixar os olhos.
— Eu li nos jornais que seus novos tutores decidiram reiniciar as produções das Fazendas Potters, meu neto se interessa muito por Herbologia, é muita gentileza sua convidá-lo. Você deve agradecer, Neville. — Disse ela ainda muito séria e frisando seu nome inteiro.
— Na verdade, Nev e eu temos trabalhado em um projeto sobre adubos naturais, assim, sou eu quem devo lhe agradecer por toda a sua ajuda e entusiasmo. Os últimos meses foram difíceis em Hogwarts, Sra. Longbottom, mas a amizade e apoio de seu neto me ajudaram, a todos nós, a sermos mais fortes. — Disse Harry formal e sincero. Terry e Hermione acenaram em apoio a suas palavras e Neville corou.
— Ora, Harry, estamos nos ajudando, como amigos fazem, nenhum agradecimento formal é necessário. — Disse Neville sorrindo.
— Bem, se é esse o caso, permito que meu neto o acompanhe, na verdade, muito me alegro por suas amizades, os Potters, Longbottom e Boots sempre foram amigos e unidos em prol da nossa sociedade. — Sra. Longbottom disse com orgulho. — É bom ver que a nova geração não se esqueceu disso, não é mesmo, Sra. Boot?
— Com certeza, Sra. Longbottom. — Disse Serafina sorrindo com carinho para as crianças.
— Devemos ir, Neville, seus tios nos esperam para o chá e é mal-educado os deixar esperando. Se despeça, por favor. — Ordenou ela elegantemente. — Sra. Dursley, prazer em conhecê-la e parabéns por criar um jovem tão educado.
— Ora, muito obrigada, Sra. Longbottom e lhe digo o mesmo. Prazer em conhecê-la e a você também, Neville. — Petúnia disse educadamente e um pouco chocada com tanta formalidade e elegância.
As despedidas ocorreram e, muito em breve, os Longbottom tinham partido, tornando o ambiente bem mais leve.
— Nossa. — Disse Duda de olhos arregalados, nunca vira alguém tão formal e exótica.
— Agradeça que para ela somos invisíveis, meu amigo ou estaríamos encrencados. — Disse Sirius divertido.
— Eu não entendi porque uma mulher tão educada e elegante simplesmente ignorou o Sirius. Perdi alguma coisa? — Petúnia questionou confusa.
— Esse é um assunto delicado que precisa ser discutido em um ambiente mais discreto, Petúnia. Harry pode lhe explicar com calma os motivos de sua atitude e de todos esses olhares. — Disse Sirius gesticulando para as pessoas que deixavam a estação e ainda davam um último olhar para Sirius e, agora também, para o Harry.
— Ok, devemos ir então. — Disse ela ainda confusa.
Todos eles seguiram para a barreira e a atravessaram para King Cross, onde os pais de Hermione esperavam ansiosos. Mais abraços e apresentações foram feitas, Harry ainda não os conhecia, eles conversaram brevemente, fazendo planos para as férias e o encontro de sábado. Então, os Grangers também partiram e só restou os 6, Harry hesitou um pouco, sem saber para qual casa estava indo exatamente.
— Harry, sua tia e eu já combinamos os próximos dias, você pode vir conosco hoje, ela e Dudley estarão se juntando a nós a partir de amanhã para o jantar de aniversário do Terry. Eles ficarão conosco até o Boxing Day. — Serafina os informou e Harry olhou para sua tia surpreso.
— Todos nós queremos estar com você, assim é mais fácil se nos unirmos todos como uma família nestes momentos de festas. — Disse Petúnia respondendo a sua pergunta não formulada.
— Entendo. — Harry olhou para o primo e Sirius, brevemente, pensando no que queria fazer. — Acredito que se vamos passar a semana toda no Chalé, prefiro ir para a Evans House hoje se não se importam. Estou sentindo falta de casa, mais do que pensava, dado o pouco tempo que moramos lá.
Isso pareceu surpreender a todos, até mesmo Terry, que franziu o cenho levemente. O sorriso de Serafina morreu e Sirius o encarou com preocupação.
— Não há problema, querido, se você quer estar em casa, tudo bem. Nós três viajaremos amanhã depois do almoço para St. Albans e chegaremos com muito tempo para nos acomodar antes do jantar. — Disse Petúnia imediatamente ao perceber o silêncio constrangedor.
— Tem certeza, Harry? Ayana e Adam estão lhe esperando com ansiedade e sei que Falc tem muito o que conversar com você sobre o Festival. — Disse Serafina suavemente e era óbvio em seus olhos o desejo de que Harry aceitasse, para que eles dois também pudessem conversar, mas, era exatamente isso que ele queria evitar.
— Sim, senhora. Tenho certeza que eles entenderão que também estou com saudades da minha tia e primo, além disso, já nos encontraremos amanhã e passaremos muito tempo juntos nas próximas duas semanas. — Harry disse convicto e caminhou na direção de sua tia se colocando ao seu lado.
— Ok, então, esperamos vocês amanhã. — Disse ela ao ver um aceno de Sirius para não insistir.
— Harry, você gostaria de fazer alguma coisa comigo amanhã antes de saírem para St. Albans? — Sirius propôs querendo um tempo só os dois. — Não teremos muito tempo só nós dois depois, acredito.
— Claro, podemos correr, depois passear e almoçar em algum lugar. — Disse Harry sorrindo com entusiasmo.
— Argh! Nem no meu dia de folga consigo evitar os exercícios, você e Denver são dois carrascos. — Sirius disse rindo e todos acompanharam.
Todos se despediram e Harry entrou na Evans House alguns minutos depois, aliviado. Ele sabia que não poderia fugir por muito tempo da conversa que os Boots, Serafina principalmente, queria ter com ele, mas, pelo menos por algumas horas, poderia fingir não ser quem era.
— Harry, preciso ir fazer algumas compras para a próxima semana, assim pensei em irmos ao shopping e podemos jantar por lá ou em algum restaurante. O que me diz? — Petúnia perguntou assim que entraram na sala de estar.
— Parece perfeito para mim, tia, preciso apenas de um banho e trocar de roupa. — Harry sorriu com entusiasmo.
Ele sabia que era tolice, mas nunca se sentiu tão à vontade no mundo trouxa. Por algumas horas, ele foi apenas Harry, não um Potter, não famoso ou importante, não um líder ou aquele que sabia muito e não podia contar. Aqui não importava a magia, profecia ou morte, ninguém o encarava ou esperava dele tanto que parecia impossível de atender. Eram só compras sem importância, conversas displicentes, risos sem máscaras, um jantar sem olhar em volta procurando uma garota amaldiçoada que estava morrendo. Não foi até o momento em que pousou a cabeça em sua cama naquela noite, que Harry percebeu como estava exausto e, pela primeira vez em semanas, ele dormiu sem medo e com um sorriso suave no rosto.
Com muita energia, Harry acordou bem cedo e fez algo que gostava muito, o relaxava e não tinha feito em muito tempo, cozinhou. Ele preparou panquecas, ovos, bacon, torradas, legumes salteados, picou frutas, fez suco, assou um bolo e biscoitos, estava pensando se daria tempo de fazer alguns waffles quando Sirius chegou.
— Bom dia, Sirius! — Disse com entusiasmo.
— Bom dia. Porque você tem sempre esse sorriso a essa hora da manhã? — Sirius disse sonolento e mal-humorado como de costume a essa hora ingrata.
Harry riu, mas não respondeu, ele também não sabia, apenas era como era.
— Eu preparei um café da manhã bem grande para depois da corrida, você poderia colocar um feitiço de preservação de calor? — Pediu Harry e seu padrinho concordou.
— Nossa, que cheiro incrível! Você fez tudo isso sozinho? Que horas acordou? — Sirius olhou chocado para a mesa farta e cheirosa.
— Faz uma hora, mais ou menos, estava cheio de energia e animado, ainda estou, então vamos correr. — Disse Harry ansioso.
— Não podemos esquecer essa parte e ir direto para o café da manhã? — Sirius perguntou sentindo a boca salivar de vontade.
Mas Harry já deixara a cozinha e nem se preocupou em responder. Os dois foram até o lindo e nevado The Regent's Park, correram e pouco falaram, Harry apenas incentivava, preferindo deixar o fôlego para correr mais rápido e mais longe. O frio da manhã, que estava clareando lentamente, não parecia incomodá-lo e seus olhos verdes brilharam intensamente, seu sorriso era tão grande que Sirius não pode deixar de resmungar como sempre.
— Por Merlin, você pode não parecer tão feliz ao correr 5km com a temperatura a 2 graus?
Harry apenas riu divertido e feliz pela familiaridade da cena. Claro que ele sabia que são seria assim, tranquilo e sem assuntos pesados por muito tempo, durou até depois do café da manhã, na verdade, pois Sirius estava muito ocupado em comer com entusiasmo para conversar sobre qualquer coisa na cozinha da Evans House. Depois de os dois se banharem e se trocarem no quarto do Harry, no sótão, eles saíram e, quando Harry descobriu que iam andar e voar de moto, seu sorriso aumentou e o dia pareceu se tornar ainda melhor.
Eles primeiro andaram pelas ruas de Londres, mais tarde, invisíveis, voaram para o oeste na direção de Reading, onde Sirius lhe disse que eles almoçariam com os Tonks.
— Espero que não se importe, eles são nossa família também e foram convidados para o Natal, mas não se hospedarão como os Dursley...
— Evans. — Corrigiu Harry com uma careta ao pensar no nome.
Sirius o olhou confuso, mas deu de ombros.
— ... Como os Evans e pensei que podemos almoçar com eles hoje, assim vocês se conhecem melhor. — Explicou Sirius.
— Ótimo. Eu quero conhecê-los melhor, é bom saber que tenho mais famílias, estou louco para ir para Hallanon e encontrar os Martíns. — Disse Harry sorrindo animado.
— Eu também, imagine isso, primos de James, ele teria adorado conhecê-los, principalmente depois da morte dos seus avós. — Sirius sorriu tristemente. — Eles se foram tão rápido, um depois do outro e acabou sendo um enterro duplo, seu pai se sentiu tão solitário, pois era o último Potter. Bem, então, sua mão o lembrou que ela era uma Potter também e que os dois colocariam muitos Potters no mundo. — Sirius o encarou com carinho. — E, eles decidiram começar imediatamente.
Harry sorriu e acenou emocionado, não tinha palavras, apenas fechou os olhos e enviou uma prece ao 4 Potters e aos dois Evans que se foram antes, muito antes do que deviam. Pigarreando, ele decidiu mudar de assunto.
— Então, quando me ensinará a pilotar? — Disse Harry sentindo o vento frio romper o feitiço de aquecimento, ele acenou e Sirius voltou a apontar sua varinha e recolocá-lo.
— Eu conversei sobre isso com os Boots, Petúnia e eles querem que você espere até completar 16 anos...
— O que? — Harry ficou chocado.
— É a idade em que você aprenderá a aparatar e dirigir no mundo trouxa, assim, eles acreditam que você deve se manter nas leis dos dois mundos. — Disse Sirius e Harry o encarou, eles estavam indo devagar, por isso conversar era possível apesar do barulho do vento e da moto.
— E, você? O que pensa? — Em tom incisivo.
— Não importa o que eu penso, sou seu tutor legal, mas, não seu guardião, essas decisões têm que ser tomadas por todos nós. — Disse Sirius desconfortável. — Olha, sei que ficou chateado pela forma como Serafina lidou com a situação depois do Halloween, mas todos nós queremos proteger você e que aprenda os limites, o certo e errado. Mais importante, que esteja seguro.
— Você concorda com ela, então? Pensei que disse em sua última carta que estava tentando convencer o King a ouvir minhas ideias. — Disse Harry com expressão fechada.
— Eu não concordo com ela ou com King, que acredita que ouvir suas ideias o incentiva ao perigo, além de se preocupar muito com você depois do que passou no ano passado. — Sirius disse sincero. — Não posso ordenar ao chefe das investigações que quebre os protocolos e ouça um garoto de 12 anos, mesmo que eu acredite que esse garoto poderia ser de grande ajuda. Sobre Serafina...
— Eu realmente não estou interessado em te ouvir advogar por ela, Sirius, se essa era a sua intenção com esse passeio, prefiro voltar para Londres. — Harry disse com frieza.
Sirius apenas o encarou e depois desceu a moto em um campo verde ao lado de uma estrada, estacionou e olhando em volta, os tornou visível. Depois, desceu, tirou o capacete e se recostou na motocicleta esperando pelo Harry fazer o mesmo e, quando ele fez, disse:
— Você realmente está magoado.
— Não estou magoado e não estou interessado neste assunto. — Harry disse teimoso.
— Mas terá que falar, comigo, aqui, ou com todos juntos, Serafina está programando uma pequena reunião em breve. — Disse Sirius cruzando os braços.
— Eu já imaginava isso e vou lhe dizer o mesmo que direi nesta tal reunião. Não tenho nada a dizer, para mim, esse assunto acabou, estou cumprindo a promessa que fiz, não me envolvi nas investigações e estou deixando os adultos resolverem ou não essa confusão. — Mentiu Harry com firmeza.
— Você quer que eu acredite nisso? Harry, eu te conheço e...
— Não conhece, não. — Harry se afastou da moto. — Fomos apresentados a apenas alguns meses, 8, para ser mais preciso, assim, você não sabe nada de mim, da minha vida, de quem sou.
— Harry... — Sirius sentiu a tristeza o envolver porque era a verdade. — Mas eu quero conhecer, apenas, não se feche para mim, para as pessoas que te amam. Entendo que está magoado, tudo bem, mas, independente disso, sei o suficiente sobre você para saber que não obedeceria à regra ou ordem nenhuma se não concordasse com ela. Seu pai era assim e entendo melhor do que ninguém a necessidade fazer o certo, mesmo que por caminhos tortos.
— Sirius... eu não sei o que espera de mim... — Harry hesitou e caminhou de lá para cá tentando pensar. — Olha, a verdade... fiquei chateado com o que aconteceu, a maneira como todos simplesmente me forçaram a me calar com aquela promessa estúpida. A falta de confiança com que me encararam enquanto, arrogantemente me diziam, "Confie nos adultos". — Seu tom de frio deboche mostrava sua mágoa. — Isso foi uma grande hipocrisia e me deixou muito, mas muito puto..., mas isso passou, eu conversei com o Flitwick, Neville, mesmo Terry e sei que todos queriam me proteger e estavam abalados pelo que aconteceu com a Luna. Assim, acredite em mim, qualquer problema que eu tenha com a Serafina, não tem a ver com isso e lidarei com ele quando conversarmos, mas, de resto, não tenho mais nada a dizer.
— Ok. E você quer que eu acredite que não está investigando? — Sirius o encarou nos olhos com firmeza.
— Quem está me perguntando? Meu padrinho ou meu tutor que contará o que eu disser para os Boots e minha tia? — Ele retorquiu na mesma hora.
Sirius demorou um pouco para pensar, analisando essa pergunta e seu peso, não havia nada mais no mundo que o faria mais feliz do que ter sua confiança e ser seu confidente, apoiá-lo. No entanto, sabia que se escondesse informações importantes sobre o Harry de seus guardiões, poderia ser impedido de estar com ele, de fazer parte da sua vida. Além disso, ser seu padrinho era um dever importante demais para não agir da maneira mais adulta possível ou não ouvir conselhos de pessoas mais experientes, mesmo que esse mero pensamento teria levado o antigo Sirius a rir de deboche.
— Eles são os dois, eu sou os dois. Seu padrinho e tutor, minha prioridade é você, sempre, assim eu não posso esconder fatos importantes dos seus guardiões, pois isso poderia nos afastar e te colocar em perigo. — O olhar de Sirius pedia compreensão e Harry acenou engolindo a decepção.
— Ok. Eu compreendo, mas espero que você compreenda que, diante disso, não tenho nada a lhe dizer. — Harry falou resolutamente, voltou a vestir o capacete e se sentou no sidecar.
Sirius fechou os olhos e também engoliu a decepção e raiva. Se pelo menos ele fosse o único tutor, como deveria ter sido, se pelo menos os Boots fossem mais flexíveis, Harry não estaria com esse muro à sua volta, mantendo todos distantes.
Durante o resto da manhã, os dois se esforçaram para esquecer a difícil e inconclusiva conversa e se divertirem. Eles chegaram a Reading pelas estradas e conheceram um pouco da cidade, passearam pelo museu, parques e ruinas romanas. As 10 horas da manhã, estacionaram em frente à casa Tonks e foram recepcionados por Ted no jardim da frente no pequeno chalé de dois andares.
— Olá! Bom dia! — Seu rosto redondo e sorridente lembrava o Papai Noel, faltava apenas a barba branca, porque a barriga ele tinha também.
— Ted! Bom dia! — Sirius o abraçou animadamente.
— Olá, Sr. Tonks! — Disse Harry sorrindo.
— Ora, nada disso de senhor, detesto essa formalidade toda, me chame de Ted ou tio Ted, ou eu também o chamarei de Sr. Potter. — Disse ele brincalhão ao abraçá-lo, depois se curvou em zombaria formalidade ao chamá-lo de Sr. Potter.
Harry riu muito divertido e acenou.
— Ok, então, Ted, sem formalidades tolas. — Harry concordava totalmente.
— Ótimo! Entrem, entrem, Drômeda está fazendo um almoço delicioso, mas podemos tomar um eggnog ou chocolate quente para esquentar enquanto isso. — Disse Ted os apressando para dentro e fora do frio.
O chalé era simples, mas bonito e bem decorado, havia alguns enfeites, almofadas e tapetes coloridos que tornava tudo mais quente e não combinava com o inverno branco lá de fora ou com a personalidade da dona da casa. Esta entrou na sala de estar para cumprimentá-los, seus olhos castanhos eram bondosos e sua postura menos rígida e formal do que no dia em que se conheceram, Harry conseguiu até relaxar enquanto tomavam a bebida quente muito gostosa e que espantou o frio.
— O almoço ficará pronto às 11 horas, estou fazendo uma receita francesa que você adorava, Sirius. — Disse ela sorrindo com carinho para o primo.
— Bourguignon!? — Sirius exclamou de olhos arregalados de animação.
Ted e Drômeda riram e trocaram um olhar divertido.
— Ela me disse que essa seria a sua reação, Sirius. — Ted disse.
— Ora, eu me lembro de Sirius quando criança, comendo na mesa uma porção como era educado e depois fugindo para a cozinha para comer mais um ou duas. — Contou ela divertida.
— Ou três. — Sirius riu e piscou para Harry. — Sou obrigado a admitir que a comida francesa era a melhor coisa de Grimmauld Place. E o bourguignon, a minha comida favorita, não acredito que não a comi desde que deixei Azkaban. Obrigado, Andy.
— De nada, primo.
— Nunca comi esse prato, como é sua receita? — Harry perguntou interessado.
E, em pouco tempo, ele e Andrômeda se envolveram em uma discussão sobre o famoso prato francês e outros que ela conhecia, pois era a única comida permitida na família Black.
Quando se sentaram à mesa, Harry pode experimentar e só não teceu mais elogios do que o próprio Sirius que repetiu três vezes sem constrangimento.
— Realmente delicioso e estou pensando em fazer uma versão sem o vinho para servir nos Abrigos, o que acha, Sirius? — Harry disse quando terminou seu segundo prato, decidiu guardar um espaço para a sobremesa, que ele já sabia, era torta de cereja.
— Acredito que os sem tetos iriam adorar, mas concordo que o vinho tornaria inviável, mas não entendo nada de cozinha, assim, não sei como você poderia adaptar. — Disse Sirius sincero.
— Pensarei em alguma coisa, não é diferente de Poções, às vezes, você precisa fazer mudanças sutis ou adaptações. — Disse Harry pensativo.
— Abrigo? — Ted perguntou curioso e Harry explicou brevemente. — Isso é muito interessante e bonito, muitas pessoas nem se lembram que nesta época do ano existem milhares que não tem meios de comemorar o Natal.
— Ted envia presentes de Natal para o Orfanato Reading todos os anos. — Explicou Andrômeda orgulhosa do marido.
— Eu cresci nesta cidade, tinha uma boa família, mas estudei com crianças que não tinham e viviam no Orfanato, me lembro como todos os anos voltávamos para a escola contando como tinha sido nosso Natal e os presentes que ganhamos. — Ted sorriu com a lembrança. — Eu era muito jovem e não entendia, mas, um dia, perguntei a um dos meus amigos porque ele não falava sobre seus presentes. Ken, era seu nome, me contou como era sua vida no orfanato e, então, compreendi que eles mal tinham o que comer no Natal, presentes eram algo que aquelas crianças nunca ganharam durante suas vidas.
— E, você decidiu ajudar a partir daí. — Apontou Andrômeda.
— Não foi nada demais, conversei com meus pais, tios e avós, nos unimos com alguns vizinhos e, no ano seguinte, todos ganharam um presente. — Ted sorriu ao se lembrar. — E, se tornou uma tradição, até hoje envio presentes para eles com a ajuda de algumas pessoas bondosas.
— Isso é muito legal. — Harry disse olhando para a toalha da mesa. — No ano passado, quando ajudei a Sra. Serafina no abrigo, foi incrível, porque sempre estive tão concentrado em mim e nas minhas dificuldades, nunca tinha me ocorrido que haviam dezenas, talvez milhares de pessoas e crianças com ainda menos do que eu tinha. Me senti bem em saber que, naquele dia, nenhuma delas dormiria com fome.
O silêncio se manteve por um instante, até que Ted perguntou suavemente.
— Você dormiu muitas vezes com fome, Harry?
— Mais vezes do que poderia me lembrar. — Disse Harry constrangido, mas depois sorriu malicioso. — Mas, às vezes, à noite, eu fugia do meu armário e também comia escondido na cozinha, como você, Sirius.
— Armário? — Andrômeda o encarou confusa e depois ao primo que tinha uma expressão triste e furiosa ao mesmo tempo.
— Sim, aquele tio dele, Vernon Dursley o mantinha dormindo no armário sob a escada. — Explicou Sirius para o espanto do casal. — O julgamento dele será em breve pelo acidente na escada, espero que passe muitos anos preso.
— Eu nunca compreenderei esses trouxas que tratam suas crianças assim. — Disse Andrômeda um pouco arrogante.
— Pensei que os bruxos também maltratassem seus filhos? — Harry perguntou confuso. — Quer dizer, por isso existe o Orfanato do Abortos e, antes disso, eles eram abandonados em Londres e antes eram mortos.
— Sim, infelizmente, é verdade, mas isso acontecia a séculos atrás e hoje as crianças são envidas para o Orfanato, ensinadas e encaminhadas para uma vida no mundo trouxa. — Andy explicou ao acenar a varinha e enviar os pratos sujos para a pia e substitui-los com prato de sobremesa e a torta que começou a cortar e servir. — São em sua maioria as famílias com pensamentos puristas que fazem isso ou que se envergonham por terem um filho ou filha sem magia, mas, as crianças com magia são muito bem cuidadas e protegidas.
— Isso acontece porque as famílias valorizam muito as crianças que continuarão o nome e magia da família, assim, você não ouvirá sobre crianças bruxas sendo maltratadas por seus pais. — Disse Sirius e depois comeu um grande bocado de torta e gemeu de prazer. — Que delícia, Andy, você se superou.
— Está realmente delicioso, Sra. Andy. — Disse Harry sorrindo e a viu corar levemente com os elogios. — Bem, se a magia protege ou torna valiosas as crianças para seus pais, no meu caso, minha magia teve o efeito contrário. Vernon detesta tudo o que é diferente, anormal ou maluco, como ele mesmo diz e se pudesse ter me batido até tirar minha magia de mim, teria feito com prazer, apenas minha tia não lhe permitiu me tocar. Assim, ele tornou minha vida o pior possível e sempre se divertiu em me ver infeliz, com fome ou exausto de tanto trabalhar pela casa.
— Que homem terrível, você está certo, Sirius, ele tem que pagar e ir para a cadeia, é o mínimo, já que não podemos lhe dar uma lição. — Disse Ted chateado.
— Não quero usar magia contra ele e fazê-lo estar certo sobre os bruxos serem malucos. Sobre o processo, desde que não prejudique minha tia e primo, não me importo com o que acontece com ele. — Disse Harry com firmeza.
Depois do almoço, Harry ajudou Andy a arrumar a cozinha e Sirius com Ted, foram beber um vinho do porto na sala de estar.
— Você tem nas mãos uma criança que precisa de cuidados depois de infância que passou, Sirius, espero que entenda isso. — Disse Ted suavemente.
Sirius o olhou e depois suspirou.
— Não, não entendo e não faço ideia do que fazer, Ted, tenho seguido a liderança dos Boots que são incríveis e têm mais experiência, até mesmo Petúnia conhece o Harry melhor do que eu. — Sirius foi sincero. — Tenho a sensação de que estamos fazendo tudo errado, Harry anda tão fechado, distante, desconfiado, confesso que me sinto perdido.
— Bem, em primeiro lugar, não existe essa de experiência ou conhecer mais, Sirius, nenhuma criança é igual a outra, porque se fossem teríamos uma única receita e todos os pais do mundo a seguiriam. — Ted disse e apontou para uma foto de Nymphadora na parede. — Ela tem muito de mim e achei que seria fácil, uma menina tão linda. O que poderia ser tão difícil? Então, ela era muito inteligente, uma metamorfomaga, tão cheia de coragem que tinha certeza que estaria na Gryffindor e uma certa malícia quase maldosa que era toda Black.
Sirius riu meio divertido, meio irônico.
— Os filhos dos Boots não são o Harry e os dois nunca criaram um adolescente, a tia dele poderia conhecê-lo antes de ir para Hogwarts, mas agora ele não é apenas um garotinho oprimido, mais do que nunca, Harry é um Potter, um bruxo também e orgulhoso disso. — Apontou Ted sensato.
— Você quer dizer que devo ignorar seus conselhos? — Sirius perguntou confuso.
— Pelo contrário, nenhum de vocês sozinhos podem conseguir ajudar aquele menino a superar toda essa desconfiança dos adultos, mas, todos juntos e unidos, talvez. — Ted disse e Sirius acenou aliviado. — Mas não adianta pensarem que o que dá certo com o Terry ou Ayana, ou o primo trouxa, dará certo com o Harry, e todos vocês devem aprender a ouvi-lo, Sirius. Muitas crianças que sofrem abusos não esperam ou acreditam que podem contar com os adultos, preferem se virar sozinhos do que se arriscar a confiar.
— Porque tem medo do que pode acontecer quando não tem poder sobre si mesmo. — Disse Sirius, se lembrando de sua própria infância e como escondia da família seus pensamentos anti-puristas por medo. E, apenas quando ele fugiu de sua casa que se sentiu seguro para ser abertamente quem era.
Na cozinha, Harry enxugava os pratos enquanto falavam sobre as suas aulas em Hogwarts e suas notas.
— Seus avós se orgulhariam de você, parece que mesmo crescendo no mundo dos trouxas, não se deixou contagiar por sua preguiça. — Disse Andrômeda em um tom superior.
Harry quase a corrigiu, mas sabia que alguém que crescera se acreditando superior não mudaria de ideia facilmente, principalmente se, depois de ser casada com um nascido trouxa por tanto tempo, isso ainda não acontecera. Mas, pelo pouco que ouvira durante o almoço, Andy não interagia com os trouxas, mesmo com seu marido trabalhando ou sua filha estudando nesse mundo.
— Eu me esforço, sempre sinto que estou atrasado e não sei tanto quanto deveria, mas não me deixo abater. — Harry sorriu suavemente. — "Spiritus autem maximum thesaurum non fines hominis".
— "O Espirito sem limites é o maior tesouro do homem". — Repetiu Andy sorrindo também, depois lhe serviu mais um pouco de eggnog e ficou séria. — Percebi que você e Sirius estão tendo algum problema. Existe algo que possamos ajudar? Como família?
Harry hesitou e bebeu seu delicioso eggnog, pensando como poderia responder, quando não tinha família se sentia muito sozinho e ansiava por uma, agora que estava cercado por pessoas que se importavam, não sabia o que fazer com elas.
— Não sei se alguém pode nos ajudar exatamente porque... — Harry olhou para a mão levemente envergonhado. — Eles, os Boots também, querem algo de mim, confiança, mas não confiam em mim em troca, assim, não sei o que fazer.
— Bem, você está certo em dizer que isso é algo que não posso ajudá-los, mas... Harry, mais cedo você disse que cozinhar era igual a fazer uma poção e que, às vezes, precisava de sutileza e adaptações, além de tempo para refletir em uma solução. — Disse Andy suavemente e Harry acenou concordando. — Bem, as vezes as relações são assim também, principalmente quando são tão novas, precisa de tempo e paciência para encontrar os ingredientes certos. E, então, com delicadeza se adaptarem uns aos outros, sem pressa ou pressão.
Harry tomou sua bebida pensativo e acenou.
— Quer dizer que, só porque as coisas não estão boas agora, não quer dizer que não possam melhorar com o tempo e adaptações? — Ele perguntou tentando disfarçar a ansiedade.
— Se houver amor e paciência, o resto não importa, o que importa é nunca desistir. — Disse ela lhe devolvendo o lema Ravenclaw com outras palavras e Harry sorriu agradecido.
A viagem de volta foi mais rápida, sem paradas e pouca conversa, mas o clima era de maior camaradagem. Quando pararam em frente a Evans House, Sirius desceu da moto e lhe deu um grande abraço.
— Sabe que nos encontraremos hoje à noite, certo? — Apontou Harry divertido.
— Eu sei, mas abraços nunca são demais. — Disse Sirius e, para mostrar isso, o abraçou de novo, Harry retribuiu sem reclamar. — Quero que saiba que mesmo as coisas não estando tão bem, eu amo você, Harry Potter, mais que tudo, e tentarei melhorar para ser o padrinho que você precisa.
Harry fechou os olhos emocionado e o apertou com mais força afundando o rosto em seu peito, se sentindo verdadeiramente amado e seguro. Então, sentiu culpa, porque sabia que seus segredos os estavam afastando e Sirius não estava errado em não esconder informações dos seus guardiões.
— Também te amo, Sirius e preciso de tempo, todos nós precisamos de tempo e adaptações, acho. — Disse Harry e seu padrinho acenou concordando.
A viagem para St. Albans se iniciou com sua tia enchendo o carro com um monte de malas, que ela garantiu serem necessárias para a semana no Chalé Boot. Eles trancaram tudo e Harry levou seu malão encolhido na jaqueta ou não caberia no carro. Cansado e confortavelmente quente no banco de traz, Harry cochilou na primeira metade do trajeto e quando acordou, Dudley era quem dormia com um ronco suave.
— Oi, mais meia hora e chegaremos. — Disse sua tia em um sussurro.
— Bom, tenho tanto o que fazer pelos próximos dias. — Disse ele passando a mão pelos cabelos e tentando afastar o sono. — A senhora irá ao Festival, não é mesmo?
— Sim, Serafina e Sirius me mantiveram informados sobre o projeto da GER, sem muitos detalhes, apenas que as lojas se abrirão em uma grande festa no domingo. — Disse sua tia e Harry detalhou os últimos acontecimentos.
— Então, tudo quase fracassou por causa da falta de empregos? — Ela perguntou chocada. — Não sabia sobre a crise financeira no mundo mágico, ainda que o mundo trouxa também tem muitos desempregados.
— O mundo mágico é menor e o Ministério poderia ter uma postura diferente, diminuir os impostos e taxas, baixar os salários mais altos ao em vez de despedir todas aquelas pessoas. — Harry suspirou contrariado. — A senhora deveria assinar o Profeta, eles estão publicando a verdade do que está acontecendo. O bom é que o Sr. Falc conseguiu que o Ministério tirasse os impostos dos alimentos por tempo indefinido, isso os tornará ainda mais baratos e acessíveis a todos.
— Como você pretende administrar tudo isso, Harry? A GER, as Fazendas Potters, Hogwarts? — Ela parecia preocupada.
— É por isso que tenho bons gerentes, tia Petúnia, a senhora conhecerá o Sr. Edgar e verá como ele é perfeito como o Diretor da GER que tem suas Divisões e competentes diretores as administrando. — Harry apontou inteligentemente. — As Fazendas serão supervisionadas por Sirius e Falc que já contrataram dois gerentes, um agrônomo e uma administradora, além de subgerentes em cada uma das 18 fazendas, eles foram escolhidos entre os trabalhadores antigos e experientes dos meus avós que foram dispensados por Dumbledore.
— 18 Fazendas? Tudo isso? Nossa! E, o que são plantados nelas? — Perguntou Petúnia se mostrou chocada e curiosa.
— Bem, alimentos normais são as bases, não temos uma fazenda apenas de produtos mágicos, ainda que os produzimos também, claro. — Harry explicou tudo o que suas Fazendas produziriam nos próximos meses e as Feiras.
— Que incrível, foi uma ideia brilhante essas Feiras, eu adoraria comprar produtos frescos, recém colhidos e tenho certeza que serão um sucesso. — Petúnia olhou para o sobrinho e o viu corar com o elogio, decidiu mudar de assunto. — Você não falou sobre Hogwarts, como está sendo esses meses com tudo o que vem acontecendo?
Harry não respondeu de imediato, até porque não sabia o que dizer, a verdade era impossível, o que sua tinha queria ouvir, ele não sabia, porque ela nunca mostrara interesse em sua vida antes e tudo isso era novo.
— Tenso. — Decidiu, por fim, ser sincero e não dar muitas informações.
— Harry... eu sou sua tia e sei quando está mentindo ou escondendo algo, sempre consigo ver por esses olhos verdes cautelosos. — Petúnia o olhou com um sorriso triste. — Sua mãe era igualzinha.
Harry a olhou com ainda mais cautela, pelo espelho retrovisor, para seus olhos castanhos atentos e inteligentes, que ele muitas vezes a viu esconder para não desagradar a Vernon.
— Tia, estou cumprindo a promessa...
— Dane-se a promessa. — Disse ela com firmeza. — Eu não concordo com a atitude de Serafina, ela não falou por mim quando insistiu em não o ouvir ou lhe ordenou o cumprimento da promessa que fez de não se colocar em perigo. — Petúnia respirou fundo tentando se acalmar. — Existe uma diferença entre correr para o perigo e ajudar da forma como você puder a impedir que essas crianças sejam feridas, que você seja ferido ou pior. E, eu disse isso a ela, e que foi um erro tentar te calar a força... Eu sei que te calei a força por muito tempo, sua voz, sua vontade, sua... esperança...
Sua voz se embargou e seus olhos se encheram de lágrimas, Harry queria consolá-la, mas não podia, porque era verdade. Por muito anos, Harry se manteve calado, silencioso, com um fantasma ou alguém invisível, houve vezes em que passava dias sem dizer nada, além de "Sim, tia Petúnia", "Ok, Tio Vernon". Trancado em seu armário, sozinho, em silêncio para não incomodar nos jantares ou almoços, no Natal, Páscoa ou aniversários. Nunca sua voz era importante, nunca seus desejos eram ouvidos e seus sentimentos ou pensamentos não deveriam existir, porque ele não deveria estar ali.
— Não posso mais ser assim, tia Petúnia, não posso mais ser jogado em um armário e esquecido, ignorado. Não aceitarei mais isso. — Disse Harry com a voz rouca.
— Eu sei, soube no dia em que voltou para casa no início do verão e... depois de anos, ouvi sua voz, seus pensamentos, seus sentimentos... eles gritaram bem altos para mim. E, não quero que se cale nunca mais, você está lutando e talvez cometa erros, mas prefiro que os cometa por si mesmo, a que deixe de lutar. Entendeu? — Petúnia o olhou brevemente pelo espelho retrovisor e Harry acenou. — Sua mãe, se estivesse aqui, estaria apavorada e tentando protegê-lo, mas, ela nunca o colocaria em uma redoma e nunca deixaria de ter fé em você, Harry. Acredito nisso e, mesmo que não possa me dizer o que está acontecendo, saiba que confio em você para tomar as decisões certas. — Ela riu um pouco amarga e enxugou as lágrimas do rosto. — Evans nunca escolhem os caminhos fáceis, eu apenas me esqueci disso por um tempo, mas, você nunca esqueça quem é, Harry Evans Potter.
Harry acenou engasgado de emoção e olhou pela janela por um tempo, percebeu que seu primo acordara no meio da conversa porque seus roncos se foram.
— Não posso lhe contar muito, tia, apenas... posso lhe dizer que tomei uma decisão difícil, estou seguindo meus instintos, mas ainda poderia ter consequências terríveis. — Harry sussurrou preocupado.
— Se escolhesse outro caminho não haveria essa possibilidade? — Perguntou ela suavemente se tencionando.
— Sim, na verdade, poderiam haver consequências ainda piores, mas, sinto pesar sobre mim essa decisão. Mesmo se eu estiver certo, mesmo se for o caminho correto, ainda poderia trazer sofrimentos e sinto culpa... não sei o que fazer. — Harry a olhou nos olhos pelo retrovisor e seus olhos castanhos o encaram com carinho.
— Tenha fé em si mesmo, Harry, como eu e seu pais têm. — Ela suspirou e voltou a olhar para estrada. — Não se divida em duas direções ou caminhos, isso o deixará perdido, mais fraco e não lhe permitirá ver o que é importante. Confie em si mesmo e, se houverem consequências ruins, bem... lide com elas como puder e um dia de cada vez, mas foque-se no que é importante.
— Foque-se no que é importante. — Sussurrou ele pensativo, no que era importante.
— Você acredita que está certo, Harry? — A voz de Dudley falou baixinho.
Harry o olhou surpreso, seus olhos azuis e redondos o encaravam seriamente.
— Sim, acredito. — Ele respondeu sincero.
— Então é isso, não podemos fazer mais do o que acreditamos ser o certo, acho, porque, às vezes, algumas coisas, mesmo as difíceis e dolorosas, não estão em nosso poder. — Disse ele em um sussurro e Harry, pela primeira vez, viu a tristeza em seus olhos e percebeu que não era o único com um problema.
— Você está certo, Duda, preciso me concentrar e resolver isso, aceitar que não posso controlar tudo. — Harry respirou fundo sentindo um grande alívio envolvê-lo, o peso que o oprimia se desfez e ele sabia o que precisava fazer. — Obrigado, tia, por me ouvir.
Ela apenas acenou com um sorriso preocupado e depois olhou para Dudley, que olhava pensativo para as árvores da Floresta. Harry entendeu que ela não sabia o que estava incomodando o filho e agora, ele também se preocupou, nunca imaginou que veria o raso Dudley com um problema profundo.
Alguns minutos mais e eles chegaram ao Chalé Boot que parecia ainda mais lindo do que o Harry se lembrava, com toda a neve branca pelo jardim e as árvores.
— Uau! — Disse Duda ao ver o lugar iluminado como um desses cartões postais de Natal, parecia irreal.
— Lindo, não é mesmo? — Harry sorriu ao descer do carro.
— Realmente incrível. — Sussurrou Petúnia, ela já estivera no Chalé no verão e o considerara encantador, mas isso era de tirar o fôlego.
Neste momento a porta vermelha se abriu e Serafina apareceu sorridente, atrás dela, empurrando-a do caminho sem cerimônia, correram duas crianças que Harry conhecia muito bem. Sentindo seu coração disparar de tanta saudade e amor, ele correu na direção dos dois e se firmou para não cair quando eles saltaram em seus braços.
— Harry! Você chegou! — Gritou Adam o apertando pela cintura.
— Harry! Harry! Harry! — Gritou Ayana e ele riu divertido.
— Estou bem aqui! Como é bom ver vocês dois, estava com muitas saudades! — Sussurrou Harry os apertando no abraço a três.
— Nós o esperávamos ontem, Harry, tínhamos feito cookies para o chá como uma surpresa para você e o Terry. — Disse Ayana se afastando com um bico.
— Sinto muito, pessoal, precisava ir para casa um pouco, mas agora estou aqui. — Disse ele e beijou seus cabelos para demonstrar seu lamento. — Vocês dois assaram os cookies sozinhos?
— Sim, Harry, como você nos ensinou, Anne apenas colocou no forno para nós. — Disse Adam olhando para cima ainda agarrado a sua cintura.
— Isso é incrível! Espero que tenha sobrado um pouco para eu provar, devem estar deliciosos.
— Terry quis comer tudo, mas não deixamos, guardamos alguns para você, Harry. — Ayana sorria animada.
— Ei, vocês dois, podem deixar o Harry respirar e entrar em casa antes que congelem? Além disso, vocês não cumprimentaram os convidados, isso é muito rude. — Disse Serafina se aproximando.
— Ah! Eles estavam me contando sobre os cookies, Sra. Serafina. — Disse Harry sorrindo. — Adam, Ayana, vocês já conhecem meu primo Duda e minha tia Petúnia?
Eles já os conheciam, mas, educadamente os cumprimentaram outra vez e todos começaram a carregar as malas do carro para dentro da casa.
— Vamos instalá-los e depois tomamos um chá para esquentar. — Disse Serafina e chamou Terry para ajudá-los a levar as malas para os quartos.
Harry subiu ao seu quarto se sentindo em casa e feliz de estar aqui, sabia que independente da estranheza com a Sra. Serafina, o Chalé sempre seria um lar para ele. Durante o chá, ele provou os cookies das crianças e os elogiou com sinceridade, porque estavam deliciosos. Ele teria gostado de ajudar com a preparação do jantar de aniversário, mas Serafina estava bem adiantada e sua tia assumiu o posto, enquanto isso, seus irmãos o arrastaram para a sala de jogos para contarem sobre a escola e os novos amigos.
Esse era o primeiro ano de Adam na escola trouxa e ele adorava sua professora, que era muito linda e doce, suas palavras. Seus amigos novos eram dois garotos que gostavam de ler como ele, além disso, contou sobre como outros meninos os provocaram por gostarem de ler.
— Eles foram maus para você, Adam? — Harry perguntou irritado com o pensamento, sabia como as crianças poderiam ser más.
Terry, que lia um livro em uma das poltronas, levantou o olhar, interessado na resposta.
— Não muito, eles só riram dos livros que temos ou como gostamos de ir à biblioteca pegar novos ou que lemos em voz alta quando a Srta. Nya nos pede. — Adam deu de ombros e afastou os cachos da testa com um sopro. — Mas, a Srta. Nya nos defendeu e não os deixou serem maus, ela é muito legal.
— Que bom, se eles provocarem de novo, você conta a ela, Adam. — Disse Harry suavemente e pensando como nunca contou a professora sobre as provocações e perseguições de Dudley e sua gangue.
Olhou para o primo que estava ouvindo Ayana contar sobre as festas de pijamas em que esteve com suas amigas. Ela falava de purpurinas e músicas, bandas e roupas da cor rosa ou lilás, porque rosa era tão infantil e lilás era uma cor muito mais adulta e cool. Duda apenas acenava para a sua tagarelice com o olhar meio abobado e Harry quase riu porque sabia que o primo não estava acostumado com meninas.
— Você sabe porque eles agiram assim, Harry? — Adam perguntou movendo a peça do tabuleiro de xadrez.
Harry olhou para Terry em busca de ajuda, pois também não entendia porque alguns garotos faziam bullying com outros.
— É porque eles estavam com ciúmes. — Quem respondeu foi Duda e quando todos o encararam surpresos, corou e olhou para o tapete em que estavam sentados. — Eles não devem saber ler ainda ou não muito bem e, quando a professora elogiou vocês ou os viram se divertir com os livros, ficaram com ciúmes porque queriam ser assim, mas... — Duda relutou e corou ainda mais. — Eu não sabia como dizer o que eu sentia, então, ficava com vergonha e raiva... em casa, meu pai dizia ser certo eu fazer o que eu quisesse e que não podia deixar ninguém me desrespeitar... Então... na escola a professora dizia que era errado..., mas meu pai disse que ela era uma idiota...
— Duda... — Harry se aproximou do primo que parecia que ia chorar. — Está tudo bem...
— Eu... eu não sabia o que fazer, desculpa, Harry... desculpa ser mau para você... — Disse ele engasgado e Harry apertou seu ombro.
— Tudo bem, eu já te desculpei, não fique assim, já passou. — Disse ele sem saber como agir para seu primo se sentir melhor.
— Não chore, Duda. — Disse Adam indo até ele e o abraçou para espanto de seu primo que arregalou os olhos sem saber o que fazer.
Harry gesticulou para ele devolver o abraço e Duda, corado e meio tocado o fez.
— Obrigado, Harry, por ser um primo melhor que eu e, obrigado, Adam. — Disse ele baixinho e envergonhado.
— Pare com isso, não era sua culpa, foi como te ensinaram e, você pedir desculpas, bem, isso é algo que nunca imaginei que fizesse algum dia, Dud, assim, podemos seguir em frente. — Harry passou a mão pelos cabelos e os bagunçou ainda mais. — Eu disse a outra prima, que descobri outro dia, que tínhamos muito tempo para estarmos juntos e isso vale para nós também, temos muito tempo para sermos primos de verdade, Duda.
Seu primo acenou parecendo tirar algum peso dos ombros e depois o encarou curioso.
— Prima?
Harry viu que Ayana e Adam também não entenderam e contou a eles sobre Scheyla e Hallanon, além da grande família Martín que ele conheceria em breve. Terry se manteve mais silencioso, apesar de conversarem sobre o dia seguinte, ele pouco interagiu durante o resto da tarde e não parecia muito interessado nos irmãos. Mais tarde, depois de se vestirem para o jantar, Harry lhe perguntou sobre seu mau humor.
— Minha mãe me deu uma esculachada ontem quando pedi para não levar o Adam e a Ayana para nosso passeio amanhã. — Disse ele irritado, mas mantendo o tom baixo.
— O que? Porque você não quer levá-los? — Harry estava completamente chocado e confuso.
— Ora, eu disse que queria sair com meus amigos para comemorar meu aniversário, não quero festa com adultos ou crianças. Como você e Hermione disseram, eu deveria convidar os amigos mais próximos e da minha faixa etária, ter meus irmãos mais novos, meio que estraga um pouco a diversão. — Disse Terry chateado.
— Eu não vejo como, Mandy, Hermione e Neville gostam deles, os outros também gostarão. — Disse Harry discordando do amigo.
— Sim, mas você mesmo disse que nossos colegas mais velhos se sentiriam deslocados, os dois sendo tão jovens também, além disso, conversaremos com o pessoal assuntos que eles não sabem ou entendem e, aposto, que os dois ficarão falando de coisas infantis. — Apontou Terry e Harry começou a duvidar da inteligência do amigo.
— Terry, primeiro, pensei que os outros ficariam deslocados porque você, o aniversariante, não é tão próximo deles como eu e porque vamos ver um filme infantil e os mais velhos podem não gostar. Além disso, seriamos muitas pessoas, grande parte bruxos, no shopping, se queria convidar a todos, uma festa aqui seria melhor. — Apontou Harry impaciente. — Segundo, nada disso se aplica aos nossos irmãos que se divertirão muito e conversarão com nossos amigos assuntos normais, não é como se eles fossem bebês, Terry. Terceiro, mesmo que fosse o caso, eles são um patamar acima de amigos, porque são irmãos, assim, estão convidados especialmente para essas ocasiões sem precisarem de convite, além disso, sua mãe e minha tia estarão lá e poderão cuidar deles sem que precisemos nos preocupar com isso.
— Harry, achei que ficaria do meu lado, mamãe disse quase a mesma coisa que você, mas eu argumentei que a festa com a família, incluindo irmãos, é hoje e amanhã quero estar apenas com meus amigos. Por mim nem teria quaisquer adultos, mas, sei que é impossível... — Terry suspirou chateado. — Eu só queria um tempo de diversão com meus amigos no meu aniversário, não é pedir muito, é?
— Suponho que não, mas acho que isso deixaria Ayana e Adam muito magoados. Você acha que isso é menos importante do que ter sua comemoração livre de crianças abaixo dos 10 anos? — Harry perguntou porque não sabia mais o que dizer, não podia imaginar não querer estar com todos que amava e gostava no seu aniversário. Ou não ter uma festa legal como a que tivera no verão, bem, talvez... Terry estivesse crescendo e garotos mais velhos pensavam diferente, pensou Harry, confuso.
— Bem, suponho que você está certo e, de qualquer forma, mamãe não quis nem saber das minhas justificativas e disse que Adam e Ayana não ficarão para traz. — Disse Terry dando de ombros menos mal-humorado.
— Então, sugiro que você agradeça o fato de que ela não incluiu os seus primos ou teríamos Tianna, Marvel e Chester Jr nos acompanhando. — Harry falou meio zombando, meio sério.
— Merlin! Eu não tinha pensado nisso! — Terry empalideceu e passou a mão pelos bem assentados, os bagunçando. — Harry, é melhor não discutirmos mais isso, deixa como está. Ok?
— Ok. — Harry deu de ombros e segurou o riso a muito custo.
O jantar de aniversário foi uma delícia e não apenas por causa da comida saborosa ou o bolo de aniversário perfeito, mas sim, por causa do reencontro com toda a família. O Sr. Boot e Sra. Honora, que acreditava que o aniversário era de Falc, chegaram primeiro, seguidos dos avós Madakis que trouxeram mais comida e presentes, além do bolo, claro. Os Colton chegaram juntos com Martin, Elizabeth e os filhos, tornando o ambiente rapidamente barulhento e cheio de risos.
Harry foi abraçado, teve os cabelos bagunçados, felizmente, ele nem tentava mais assentá-los, pois seria trabalho perdido. Ele conversou com todos, riu, falou sobre esportes, os negócios da GER e das Fazendas, os investimentos trouxas, brincou com as crianças e viu, com o coração aquecido, sua tia Petúnia sorrir ou rir de verdade, com os olhos brilhantes e o rosto corado. Duda pareceu meio chocado por ser o preferido das meninas, mas Harry percebeu que seu tamanho grande e rosto bochechudo o fazia parecer legal e seguro. Chester Jr. dormiu em seu colo em algum momento e Duda o olhou em pânico, o que lhe arrancou um riso contagioso.
Terry abriu os presentes, as crianças comeram bolos e as mais novas foram colocadas para dormir, pois todos se hospedariam até domingo.
— Estamos ansiosos por domingo, Harry, um Festival do Solstício de Inverno parece brilhante. — Disse Elizabeth sorrindo. — Até deixei minhas compras de Natal para esse dia.
— Eu também. — Disse Harry e houve vários "Eu também" por todos os lados, todos riram.
— Ainda mais brilhante foi a ideia das Fazendas, Harry, exatamente o que o Festival precisava, injetar dinheiro parado. — Disse Chester o olhando com aprovação. — Seus cofres podem estar apenas vendo retiradas agora, os lucros virão a médio e longo prazo, mas o mais importante é pegar todo esse dinheiro que não rende nada em seu cofre e acelerar a economia com empregos, produção, compra e venda no comércio. Você está aprendendo muito rápido e aposto que, em poucos anos, não terei que cuidar de seus investimentos no mundo trouxa.
Harry deu de ombros e sorriu timidamente.
— Não me importo de ter ajuda, até porque, se continuar com essas ideias, terei tantos relatórios de diretores, gerentes, advogados ou investidores para ler que não farei mais nada na vida. — Disse ele brincalhão.
Ele também conversou a sós com o Sr. Martin, eles trocaram algumas cartas durante esses meses, principalmente, quando Harry estava tendo dificuldades em controlar seu temperamento. Nos últimos tempos, ele não escreveu, pois temia que o Sr. Martin contasse a Sra. Serafina sobre seus conflitos e escrever mentiras parecia tolice.
— Como tem sido os últimos meses com toda essa tensão, Harry? Seu sono foi afetado? Tem tido pesadelos? — Perguntou ele quando ficaram sozinhos.
— Sim. — Harry achou melhor ser sincero. — Acredito que todos na escola estivemos assim desde o Halloween, seria impossível não ser. Confesso que estou aliviado de estar em casa, ontem foi minha melhor noite de sono em semanas, porque sempre fico com receio de o responsável entrar nas torres.
— Você acredita que isso é possível? — Martin olhou para o sobrinho preocupado.
— Sim e não, as proteções são excelentes e não acredito que ele arriscaria ser pego, mas, se perder a paciência ou se estiver tentando um último movimento... — Harry deu de ombros, deixando em aberto as possibilidades.
— Entendo. Bem, talvez, antes de chegar neste ponto, eles consigam pegar o basilisco ou resolvam fechar a escola. — Disse ele sensato.
Harry arregalou os olhos abismado com a ideia. Fechar a escola, sem descobrirem quem ou qual objeto de Voldemort estava solto por aí podendo realizar um mal terrível? Depois disso, um peso estranho se instalou em seu estômago que o deixou embrulhado, pois Harry percebeu que, sua decisão de descobrir quem era a garota e a entrada da câmara antes de informar os aurores, estavam com os dias contados. Se houvessem mais ataques e eles decidissem fechar a escola, Harry teria que contar tudo o que sabia e esquecer suas preocupações, pois, impedir que o objeto fosse solto no mundo mágico, seria mais importante.
O Prof. Bunmi queria um momento para se reunirem e repassarem os estudos trouxas do semestre e Harry admitiu que não sabia como seria sua agenda nos próximos dias, precisava conversar com a Sra. Serafina e o Sr. Falc e se organizar.
— Sei que quer visitar todas essas propriedades e se envolver com todos esses projetos, Harry, é sua herança e suas ideias, mas não deve nunca deixar o conhecimento de lado. Aprender, na sua idade deve sempre ser o mais importante, se negligenciar isso estará se prejudicando de maneira irreversível. — Disse ele muito sério e Harry acenou com um suspiro, a verdade é que mesmo as aulas de Hogwarts, ele dera pouca atenção ultimamente.
— Existe tanto a fazer, tanto a aprender, Prof. Bunmi, como faço para alcançar tudo? — Perguntou Harry cansado.
— Você não alcança, se tentar fazer isso em um único movimento ou ao mesmo tempo, tudo se escapará de suas mãos. — Bunmi sorriu lembrando-se de si mesmo quando jovem e o desejo que aprender tudo, mudar o mundo e ainda ajudar as pessoas. Ele via isso em seus alunos todos os dias, mas também muitas vezes presenciava suas frustrações quando fracassavam ou percebiam que não eram imbatíveis ou onipotentes. — Concentre-se em suas prioridades, delegue para as pessoas em quem confia, adie o que puder ser adiado e foque-se 100% em aprender, nunca deixe o conhecimento em segundo plano porque, sem ele tudo se desmorona.
Harry ouviu e aceitou o conselho, pois sabia que era o que precisava fazer, aprender e aprender para um dia lutar e vencer Voldemort. Por mais dedicado que estava em detê-lo agora, sabia que essa luta não era dele e sim dos aurores ou outros adultos. Se não se focasse em se preparar para o futuro, estaria sendo um tolo cego. Naquela noite, antes de dormir, Harry pegou sua agenda, a olhou com atenção e percebeu que precisava dedicar mais algumas horas da sua semana a leituras, treinamento físico e estudos extras em outras disciplinas, além de Defesa. Vinha negligenciando Transfiguração, mesmo Feitiços e Poções, em que era muito bom aluno, Harry não estudava com tanto afinco ou lia livros mais avançados. Se queria ser um bruxo poderoso, tinha que fazer de adquirir conhecimento a sua prioridade e dedicar ao resto, o que podia do seu tempo.
Na manhã seguinte, Harry e Terry, acordaram cedo para irem treinar e Duda foi levado por aparatação por Serafina ao Centro Esportivo, onde realizaria o seu treinamento e passaria mais um dia com seu pai. A família toda se reuniu em um farto café da manhã e discutiram os planos do dia de cada um, Harry viu o alívio de Terry quando ele ouviu que seus tios pretendiam levar seus filhos para passearem em St. Albans. Enquanto todos se moviam para todas as direções, Harry se viu sentado no solário para um corte de cabelo, Adam o acompanhou, Falc e Terry não precisaram, pois, seus cabelos estavam decentes, como disse a Sra. Madaki.
— Harry, quando terminar, venha ao escritório, precisamos conversar sobre amanhã e seus planos nos próximos dias. — Disse Falc e ele acenou.
Com os cabelos mais curtos e ainda para todos os lados como gostava, Harry encontrou Falc, Serafina, sua tia e Sirius no escritório.
— Edgar está na GER envolvido em mil últimos detalhes, assim como todos os funcionários da empresa, assim seremos só nós e eu o informarei sobre qualquer última decisão. — Disse Falc e olhou para o relógio. — Sairei em seguida, já estou atrasado, ainda falta muito o que fazer e toda a ajuda é bem-vinda. Tem uma coisa que quero te perguntar, a inauguração do Hotel e nova entrada do Beco será o principal evento da manhã.
— Eu vi o folheto, ás 8 horas da manhã a nova entrada do Beco será aberta, mas se manteve o mistério do Hotel e restaurante. — Disse Harry.
— Sim. O The Magic é a grande atração e o que esperamos atraia muitos turistas, nós convidamos algumas pessoas para se hospedar, o nosso Ministro e o da França, altos funcionários dos Ministérios, algumas famílias escocesas e irlandesas. — Informou Falc. — Achamos que lhes oferecer uma hospedagem de uma noite seria uma grande propaganda, além de trazê-los para o Festival.
— Isso parece inteligente, mas porque precisamos de pessoas importantes no Festival? — Harry perguntou curioso.
— Porque são eles ou seus amigos, colegas ou conhecidos que mais usarão o Hotel, assim, suas indicações são a propaganda primária. E, porque precisamos do apoio dessas pessoas quando os puristas começarem a protestar contra as lojas. — Falc suspirou cansado. — Nós sabemos que quando eles verem todos os produtos trouxas, funcionários nascidos trouxas, haverá protestos e acreditamos que, se tivermos conquistado o apoio e interesse de pessoas importantes e não puristas, esses protestos não irão a lugar nenhum.
Harry acenou pensativo, propaganda e proteção em um movimento simples.
— Ok. Isso parece muito inteligente.
— Queremos saber também se você pretende revelar que é o dono da GER? — Sirius perguntou sentado ao seu lado.
— Pensei que não revelaríamos a família que criou a empresa, a menos que fosse necessário. — Harry estava confuso.
— Sim, mas, amanhã, na inauguração da nova Entrada do Beco e à noite, quando começar o show das Irmãs Estranhas, haverá um pequeno discurso e, em teoria, eles deveriam ser dados pelo dono da empresa, normalmente. — Explicou Serafina suavemente. — Edgar, como o Diretor Executivo, assumirá e os fará se quiser, mas, se decidir revelar que é o dono da GER, poderá assumir.
Harry engoliu em seco com a ideia de um discurso em frente a um monte de estranhos e se lembrou da reação das pessoas com a reativação da Fazendas. Imagine se descobrissem que ele estava abrindo todas essas lojas? Nunca teria paz e precisava se concentrar em suas prioridades, resolver o mistério da câmara e aprender, treinar para derrotar Voldemort de vez.
— Não, obrigado. — Harry suspirou aliviado por não ter que fazer isso. — Preciso me concentrar em meus estudos, em meu treinamento, não posso me distrair sendo um empresário ou ainda mais famoso e requisitado do que já sou. Não quero ser uma celebridade e prefiro que ninguém descubra a verdade por um tempo e façam um show disso, além de mais reportagens no Profeta. No futuro, quando a verdade vier à tona ou se precisarmos que ela venha à tona, tudo bem, lidarei com isso e as consequências, mas, no momento, me parece tolice me expor assim.
— Eu concordo. — Sirius o encarou com um sorriso. — Você é Harry Potter e precisará aprender a lidar com tudo que isso acarreta, mas não precisa lidar com tudo de uma vez e aos 12 anos. E, nós estamos aqui para cuidar disso para você, sei que tem dificuldades em confiar...
— Eu confio em vocês. — Interrompeu Harry com firmeza. — E, no Sr. Edgar, além dos funcionários que foram contratados para trabalhar na GER, nas Fazendas, nas lojas. Todos estão fazendo sua parte e um bom trabalho, preciso aceitar isso e me concentrar em minhas prioridades.
— Isso é muito maduro de você, Harry. — Disse Falc o olhando com atenção. — Na verdade, pensei que gostaria de fazer parte de tudo.
— Quero fazer parte, por exemplo, quero conhecer as Fazendas e os funcionários, mas não terei tempo de ir as 18 fazendas, assim, pensei em ir nas que escolhemos fazer as Feiras e os funcionários poderiam vir me encontrar para que eu possa conhecê-los e cumprimentá-los pessoalmente. — Disse Harry repensado sua ideia de ir as 18 fazendas. — Quero conversar também com os gerentes e subgerentes, falar das minhas ideias sobre as Feiras, mas, não posso passar toda as férias fazendo isso, precisamos priorizar, porque também tenho que estudar com o Prof. Bunmi e...
— Comigo. — Disse a Sra. Serafina e Harry acenou concordando.
— Também quero muito ir a Hallanon e passar uns dois dias conhecendo minha nova família, os Martín e quero conhecer a Mansão Potter. — Harry sentiu um aperto no peito com a ideia de conhecer a casa dos seus avós. — Deixarei Stronghold para o verão, mas, Sirius, gostaria de me encontrar com o Remus e conversar sobre minhas ideias sobre os lobisomens, se elas são possíveis e se já podemos começar a trabalhar na direção de ajudá-los.
— Ok, conversarei com Remus e organizarei um encontro... na verdade, os Boots concordaram em convidá-lo para o Natal, poderemos marcar um dia com ele, então. — Disse Sirius pensativo. — Falc nos falou das suas ideias e as considero fantásticas, Harry, podemos realmente mudar as vidas dessas pessoas com esse movimento, mudar para melhor.
— Espero que sim e já nos preparamos para a guerra. — Explicou Harry. — Precisamos refletir em outras medidas que possam ser benéficas ou ao menos não um ponto de desvantagem para nós quando Voldemort voltar.
— Foi por isso que pensou em ajudar os lobisomens? — Serafina perguntou confusa e chocada. — Em ter uma vantagem na guerra por eles lutarem ao nosso lado?
— Lutar? O que? Não! — Harry franziu o cenho sem entender. — Pensei em ajudá-los a ter um lar de verdade, não serem perseguidos pelo Ministério ou Voldemort, não serem mortos cruelmente. Me inspirei na ideia do meu avô em dar um lar aos elfos domésticos e não quero que eles lutem por Voldemort porque não têm escolha, assim como não espero que lutem ao nosso lado. Eu os quero seguros e sim, é uma desvantagem a menos, porque Voldemort não os terão ao seu lado.
— Ok, entendi, não devia ter me precipitado, apenas não compreendi a colocação e não sabia que estava fazendo planejamentos para uma possível guerra. — Disse Serafina em tom de desculpa. — De qualquer forma, você está certo, é uma forma brilhante de ajudá-los e protegê-los ao mesmo tempo.
— É claro que estou pensado na guerra, e ela não é possível, para mim é uma certeza e todos devemos nos preparar. — Harry olhou para a tia preocupado. — Temos que fazer um planejamento para proteger os mais vulneráveis, minha tia e primo tem a proteção de minha mãe, mas a maioria das famílias dos nascidos trouxas serão alvos.
— Harry, você está pensando que devemos fazer um planejamento de guerra? — Sirius se inclinou para frente pensativo.
— Sim. O Sr. Falc acabou de dizer que os puristas protestarão contra as lojas, imagine como será quando estivermos em guerra. — Harry os encarou preocupado. — Todos esses funcionários, "sangues ruins" no Beco, nas Fazendas, nas fábricas, suas famílias trouxas imundas em casas sem proteções mágicas.
— Deus, eles estarão em perigo. — Petúnia sussurrou pálida. — Como poderemos proteger todas essas famílias?
Todos se mantiveram em silêncio, porque não havia uma resposta clara.
— Qual a estratégia que usaram na primeira guerra? — Perguntou Harry para Sirius. — A Ordem da Fênix, quero dizer.
— Casas seguras e também ajudamos muitos a fugirem do país, mas com tantas pessoas, isso se tornaria inviável. — Sirius foi sincero. — Na época, nossas maiores preocupações eram com as famílias de funcionários do Ministério e ou dos estudantes de Hogwarts, mas você está certo, Harry, o número é bem maior agora e eles seriam alvos fáceis.
— Bem, mas temos tempo para pensar em soluções e tudo terá que ser mantido em suspenso porque não podemos pôr em prática antes de uma guerra começar de verdade e, mesmo que você tenha certeza, Harry, ainda pode levar anos. — Falc apontou com uma careta ao pensar em uma nova guerra.
— Pode ser, mas devemos pensar e nos preparar para a possibilidade de que a guerra aconteça antes. — Harry passou as mãos pelos cabelos. — O que está acontecendo em Hogwarts é apenas uma prova de que Voldemort tem mais poder do que podemos imaginar e não temos ideia de como detê-lo.
— Mas achei que Dumbledore disse ter certeza que Voldemort está de volta ao seu esconderijo na Albânia. — Serafina disse aflita. — Assim, não pode ser ele o responsável, Harry.
— Hum, imagine isso, os aurores não encontram a câmara e muito menos o basilisco, não sabem quem é a pessoa que controla o basilisco, a única certeza que temos é que Voldemort se declarou o herdeiro de Slytherin e era um ofidioglota. — Harry apontou sarcástico. — Mas o fato é que Voldemort está na Albânia!
Harry os encarou e os viu franzir o cenho, confusos.
— O que está sugerindo, Harry? — Sua tia perguntou suavemente.
— Eu? Nada. — Harry deu de ombros. — Estou cumprindo minha promessa de me manter afastado disso tudo, apenas acho curioso como ninguém parece saber nada de nada.
— Harry... — Serafina falou suavemente e seus olhos expressavam desculpas. — Quero me desculpar pela maneira como te tratei aquele dia, minha preocupação com vocês não me dá o direito de agir de maneira tão autoritária. E, quero que saiba que, se tiver alguma ideia, queremos saber, sinto muito por ter me recusado a ouvir o que tinha a dizer.
Ela parecia sincera e uma parte dele, a mais jovem e infantil queria lhes dizer o que sabia, despejar tudo e deixar que resolvessem, mas, Harry não podia se arriscar a ser retirado de Hogwarts. Há dois meses, não hesitaria em lhes contar tudo, mas agora sabia que confiar neles poderia resultar em ter seus desejos ignorados, sua voz calada, de uma maneira diferente da que crescera, mas, ainda autoritária.
— Está tudo bem, no entanto, eu cumpri a promessa e não sei de nada, claro que tenho algumas perguntas ou teorias, mas tenho certeza que os aurores treinados também as tem. — Harry disse com indiferença.
— Quer que acreditemos nisso? — Serafina perguntou incrédula. — Harry, conhecemos você e dificilmente deixaria de investigar por si mesmo. Queremos ajudar, mesmo que King não queira incentivá-lo ao perigo deixando que participe das investigações, se nos contar qualquer coisa que saiba, poderemos informá-lo e quem sabe descobrir todo esse mistério mais cedo.
Harry a encarou incrédulo, não conseguiu se segurar e riu, tanto que seu estômago doeu.
— Desculpem, mas é muito engraçado... — Disse ele rindo ainda mais.
— Nos explique o que é tão engraçado, Harry, sei que ficou chateado, Serafina não deveria ter lhe ignorado, mas a decisão de King é algo que não temos como mudar e se você souber de alguma coisa que possa ajudá-los não deve esconder. — Falc disse muito sério.
— Oh! Me desculpem, não se preocupem em se desculpar por terem me ignorado, eu sou só uma criança de 12 anos e foi me dito, inclusive pela senhora, que os aurores são mais do que competentes para descobrir tudo sem minha ajuda. — Harry começou sorrindo e no fim ficou sério, Serafina se tencionou. — Eu insisti, várias vezes, que queria apenas ajudar, não lutar contra Voldemort ou um basilisco, não correr para o perigo e, talvez, se juntássemos o que eles sabem e o que eu sei ou poderia descobrir, tudo já estaria resolvido ou perto disso. Agora, a senhora diz exatamente o que eu disse a dois meses, palavras que me fizeram ser chamado de arrogante e tratado como se fosse um pirralho mimado.
— Sinto muito, de verdade. — Serafina estava sendo sincera. — O que aconteceu com a Luna me abalou e você correu para o perigo, perseguiu a voz do basilisco e levou seus três amigos com você sem saber o que encontraria. Harry, já lhe ocorreu o que poderia ter acontecido se vocês chegassem antes? Sem saber sobre a mortalidade dos olhos do basilisco, vocês 4 estariam mortos e tudo o que eu queria era afastá-los de qualquer parte desta investigação. Sim, fui injusta e autoritária, reconheço isso, mas não o fiz para menosprezá-lo ou magoá-lo e sim, porque queria protegê-los.
— Eu acredito na senhora e... — Harry hesitou tentando encontrar as palavras. — Sei que Terry ser meu amigo o coloca em perigo, entendo sua preocupação...
— Eu não me preocupo apenas com Terry! — Protestou ela na hora.
— Eu sei! — Harry falou e engoliu em seco. — E, agradeço, não faz ideia de como sua preocupação e cuidados me confortaram, nunca... — Ele olhou para sua tia que abaixou os olhos envergonhada. — ... em minha lembrança, me senti tão querido e importante, protegido, mas... eu não sou Terry e a senhora não é minha mãe.
O peso de suas palavras pairou no ar aumentando a tensão e Harry a viu empalidecer, mas não desviou os olhos verdes dos seus castanhos.
— Harry... — Falc falou em tom de protesto, mas Serafina o impediu com um gesto.
— Continue. — Ela disse acenando e endireitando os ombros como se preparasse.
— A senhora não pode entrar em uma sala e nos dizer, "eu ordeno que não façam, não olhem, não falem, ponto final". E, esperar que eu lhe responda, "Sim, senhora", como Terry faz, porque não somos a mesma pessoa e a senhora não é para mim o que é para ele. — Harry rangeu os dentes controlando as lágrimas que queriam subir aos seus olhos. — Terry, Hermione e dezenas de outras crianças não podem compreender... — ele voltou a olhar para a tia e suspirou. — Ser calado e ignorado foi exatamente o que vivi enquanto crescia, assim, não espere que agora que tenho voz, eu abaixe a cabeça e me submeta. Mais importante que isso, eles também não têm o meu destino, eu aceitei a profecia e estou me preparando para cumpri-la, agradeço o apoio ao meu treinamento com o Flitwick, mas preciso que aceitem que eu sou diferente. Quando se trata de Voldemort, eu sou diferente, porque ele me escolheu e matou meus pais, eu sou diferente porque sobrevivi a sua maldição da morte e ganhei a proteção da minha mãe que pode ser o poder que me ajudará a derrotá-lo. Eu sou diferente porque lutei com ele no ano passado e venci, eu sou diferente porque... eu decidi ser diferente. — Harry hesitou, mas sabia que era o momento de lhes revelar seus antigos planos. — Antes de saber da proteção, pouco antes da audiência de custódia, eu planejei fugir do país.
Isso os desconcertou completamente e exclamações de espanto foram ouvidos na biblioteca.
— Harry... o que? — Sirius colocou a mão em seu ombro como se tentasse lhe impedir de desaparecer, os outros estavam pálidos e angustiados.
— Eu sabia que Dumbledore tinha poder suficiente para me obrigar a ficar no número 4, de me impedir de vir viver aqui e eu não podia mais aceitar aquela vida. — Harry viu sua tia fechar os punhos, parecendo desesperada. — Então, havia o seu estranho interesse em mim, suas tentativas de me controlar e, fugir dele, parecia algo inteligente a se fazer. O Sr. Falc disse que minha herança mágica estaria protegida até minha maioridade e eu tinha minha herança trouxa para me manter.
— Como?
— Onde? — Disseram Serafina e Falc ao mesmo tempo.
— Eu planejei tudo em detalhes com a ajuda de Hermione e Terry, Neville apoiou, mas como não conhece o mundo trouxa não pôde ajudar muito. — Harry deu de ombros. — Eu pegaria um trem depois da audiência, de Londres para Yarmouth e de lá um barco para Haia e depois um trem para Luxemburgo, de lá pegaria um ônibus para Stuttgart e mais um trem para Zurique, de lá encontraria um ônibus que me levasse ao chalé que minha mãe me deixou.
— Por isso você disse para transferir todo o dinheiro para a Suíça? — Perguntou Serafina chocada.
— Na época, só pensei que seria um ótimo lugar para um esconderijo e que o chalé deve ter sido comprado por meus pais com essa intenção. — Disse Harry lamentando internamente que eles não tivessem fugido.
— Mas... Harry, você é uma criança, como pretendia chegar a esses lugares sem que te parassem? — Sua tia perguntou muito angustiada.
— Poção Polissuco. — Respondeu e, ao ver sua confusão, explicou o que era. — É uma poção muito difícil de preparar, assim contatei um dos vendedores ilegais e fiz uma encomenda para até 30 horas de alteração, que é o tempo que estimamos, eu levaria para chegar a Suíça. Terry, durante a Páscoa, agendou todos os transportes no nome do assistente de dentista que trabalha para o pai da Hermione que, assim que chegou da escola no início do verão, foi ao consultório e roubou os cabelos, seus documentos e os enviou para mim por Edwiges.
— Isso é brilhante! — Exclamou Sirius chocado.
— Sirius! — Serafina o repreendeu.
— O que? Vocês sabem que estou certo, ninguém, nós ou Dumbledore poderíamos tê-lo encontrado, nem saberíamos por onde começar e, se o objetivo é fugir e se esconder, esse deve ser o resultado, Serafina. — Disse Sirius e depois olhou para o afilhado. — Foi um bom plano, quando estávamos ajudando os nascidos trouxas a fugirem na guerra, fazíamos malabarismos assim, mas nem sempre as ideias eram tão boas quanto a sua. Meu único protesto é não ter sido incluído.
— Você tinha acabado de sair da prisão, se algo desse errado, não queria que fosse acusado de sequestro por Dumbledore. — Disse Harry sorrindo. — Além disso, planejava, depois de um tempo, escrever para você ir me encontrar.
— E, você não planejava voltar? — Falc perguntou pensativo.
— Não, até minha maioridade e Dumbledore não ter controle sobre mim ou que Voldemort estivesse morto, assim seria seguro para mim e vocês. — Harry os olhou sincero. — Eu não queria me afastar de vocês, meus amigos, Hogwarts, mas, também sei que minha presença os coloca em grande risco. Na época me pareceu ser o movimento mais inteligente.
— A profecia o fez mudar de ideia? — Serafina perguntou curiosa.
— Não, na verdade, ela me fez acreditar que a ideia era perfeita. Eu poderia viajar com Sirius pelo mundo treinando e aprendendo, sem os testes de Dumbledore e, quando chegasse a hora, quando Voldemort voltasse, eu faria o mesmo, mas... — Harry suspirou cansado. — Minha tia me contou sobre a proteção de minha mãe, o que ela sabia sobre isso, que foi confirmado por Dumbledore e eu não podia jogar fora seu presente, seu sacrifício. Terry ficou surpreso quando cheguei aqui, porque já tínhamos nos despedido, caso perdêssemos, bem, vocês sabem tudo isso. O fato é que, quando percebi que tinha que ficar e me preparar, aceitei o meu papel e o que tenho que fazer para vencer Voldemort. Isso não pode ser evitado ou ignorado, nem por mim ou por vocês.
— Sempre pensamos que isso seria anos à frente, que você poderia crescer e treinar, que o que aconteceu no ano passado aconteceu porque foi uma armadilha de Dumbledore. — Serafina parecia angustiada.
— Eu gostaria de acreditar nisto, mas acho que seria ingenuidade, Sra. Serafina. — Harry a olhou e sorriu com carinho mostrando que a desculpara. — Existem pessoas demais, que apoiam Voldemort, soltos por aí e, rapidamente, sem que possamos controlar, tudo pode mudar para o pior.
Todos ficaram em silêncio e tentaram absorver tudo o que foi dito.
— Ok. Acho que todos temos que pensar sobre tudo o que conversamos, posso entender seus pontos Harry, mas a verdade é que você tem 12 anos e não pode vencer Voldemort ainda, por isso queremos que se mantenha afastado da luta direta. — Falc disse e olhou para Sirius.
— Mas, entendemos que não podemos mantê-lo afastado dos acontecimentos, assim, se você tiver informações importantes, forçaremos o King e o Moody a te ouvirem e dane-se os protocolos do Ministério. — Disse Sirius intensamente. — O mais importante, e você sempre esteve certo sobre isso, Harry, é todos nós nos unirmos e resolvermos essa bagunça antes que alguém acabe morto.
E, Harry pensou, esse era o seu maior medo, que alguém acabasse morto. Poderia confiar neles? Confiar que lhes permitiriam voltar a Hogwarts? Suas informações seriam o suficiente para deter Voldemort? Os aurores ouviriam seus conselhos e não fariam qualquer movimento que colocasse Dobby ou a garota em risco?
— Harry, se você está com medo da nossa reação, prometo que não faremos nada radical, principalmente, contra a sua vontade ou lhe obrigando a seguir promessas tolas. — Disse Serafina o encarando com sinceridade. — Por favor, confie em nós.
E, então, ele fechou os olhos e suspirou, porque suas palavras lhe deram a certeza do que fazer.
— Eu confio, sinceramente, mas... — Ele engoliu em seco e rezou para que estivesse certo. — Confio mais em mim e minha intuição, preciso...
— Harry... — Sirius protestou confirmando o que já imaginava, seu afilhado sabia e escondia alguma informação importante.
— Por favor, Sirius! — Harry interrompeu com firmeza e os encarou intensamente. — Preciso que confiem em mim! Isso não é um show de rebeldia infantil, eu estou confiando, tendo fé em mim e no que acredito que preciso fazer. Apenas... confiem em mim também. É tudo o que lhes peço.
Harry viu suas expressões de espanto e conflito, com exceção de sua tia que acenou em concordância.
— Eu o apoio. Você tem se mostrado um jovem magnífico que deixaria Lily... — Ela se engasgou e seus olhos se encheram de lágrimas. — ... muito orgulhosa e sei que, mesmo apavorada de preocupação, ela confiaria em você, Harry. — Então, ela olhou para os outros. — Ele nunca poderá confiar em nós se não lhe dermos nossa confiança primeiro. Acredito que todos nós, eu mais que qualquer um, já o desapontamos e não podemos culpá-lo por sentir que deve confiar apenas em si mesmo, mas podemos tentar melhorar e mostrar que estaremos aqui por ele, sempre e não importa o que.
Harry não conseguiu falar nada porque estava sem palavras, o apoio sincero de sua tia era tão incomum e, ao mesmo tempo, precioso que ele se sentiu emocionado, mas apenas a encarou nos olhos agradecendo, pois não podia falar agora.
— Ok, posso aceitar isso. — Disse Sirius, olho no olho. — Eu confio em você, mas, Harry, seja o que for que estiver planejando, fique seguro, porque... nada pode acontecer com você. Entendeu?
Sua voz se embargou no fim e Harry apenas acenou, ainda mais emocionado.
— Eu sei que não sou sua mãe e você estava certo no que disse antes, mas... — Serafina tinha lágrimas no rosto e Harry percebeu que não conseguiria controlar as suas também. — Eu ainda amo você, de verdade, e confio que fará o melhor para proteger a todos, mas preciso que proteja a si mesmo, Harry. Porque nada disso importa, proteção, profecia, se você não estiver vivo, além de toda a tristeza que viveremos ao perdê-lo.
— Eu não tenho a intenção de me colocar em perigo, no momento certo, buscarei ajuda. — Disse em tom de promessa.
— Nós todos confiamos em você, Harry e sei que é difícil, principalmente em Hogwarts, com adultos que não o apoiaram antes, mas, não deixe de pedir ajuda. — Falc estava muito sério. — Meu primeiro instinto não é confiar em uma criança de 12 anos, mas sua tia está certa, você tem se mostrado um jovem extraordinário e por isso acredito que devemos lhe deixar agir da maneira que achar certo, mas, seja maduro, valorize nossa confiança e, peça ajuda.
Seu tom era insistente e Harry acenou com a mesma seriedade, não podia lhes explicar, mas não tinha a menor intenção de entrar na câmara secreta de Salazar Slytherin.
Depois de alguns sanduíches no almoço, o grupo que passaria as próximas horas na Londres trouxa, comemorando o aniversário de Terry, usaram a lareira para flu ao Caldeirão Furado. De última hora, Ayana e Adam preferiram ficar com os primos, Tianna, Marvel e Jr, que seriam levados pelos pais a uma apresentação teatral de Natal em St. Albans. Terry pereceu mais feliz, no entanto, recebeu um olhar agudo de sua mãe e engoliu o sorriso. Sua tia foi ajudada por Serafina a usar o flu e, depois, foi de táxi buscar o Dudley, pretendendo ir direto do Centro Esportivo ao Hyde Park.
Aos poucos os amigos começaram a chegar pelo flu ou, no caso dos nascidos trouxas, pela porta do Caldeirão. Terry recebeu cumprimentos e abraços, os presentes e os guardou em sua mochila com feitiço de extensão, agradecendo aos amigos com um rosto sorridente.
— Estou curioso para saber o que faremos, Terry, nunca estive no mundo trouxa e imagino que aprenderei muito. — Disse Michael um pouco pomposo.
— Hoje não é dia de aprender, Mike, corta a frescura, hoje a gente vai balançar o esqueleto, rir até não poder mais e comer até explodir. — Disse Mandy como sempre sincera e objetiva.
Todos riram, alguns mais, porque entenderam a descrição das atividades.
— Boa discrição, Mandy. — Disse Anthony animado.
— Pois, eu não entendi e meu nome é Michael, não Mike, Amanda. — Disse Corner provocando e viu a amiga lhe lançar um olhar agudo.
— Não entre em disputa comigo, Mick ou garanto que te faço chorar. — Disse ela e a ameaça pareceu bem assustadora para o Harry.
Michael corou, mas não respondeu, para sua sorte.
Harry estava se acostumando com o fato de que os Weasleys pareciam estar sempre atrasados, assim não se surpreendeu que os últimos a chegarem foram Fred e George com seus sorrisos brincalhões. Com o grupo completo, descobriram que teriam que caminhar até o Hyde Park, pois, como a Sra. Serafina explicou, demoraria mais para chegarem se tivessem que chamar e esperar 3 táxis. Eram só algumas quadras, mas os frio e chão escorregadio pelo gelo, além do transito de carros e pedestres, tornou a caminhada uma pequena aventura, mas, felizmente, não houve reclamações, pois todos estavam animados e excitados pela emoção da diversão que os esperava. Os únicos que não conheciam nada do mundo trouxa eram Michael, Fred, George e Padma, Neville esteve no shopping com eles no verão, mas ele, assim como Morag, Lisa e Megan nunca estiveram em uma pista de patinação.
Em menos de meia hora, o grupo chegou na entrada do Park e se amontoaram para que a Sra. Serafina, discretamente, relançasse os feitiços de aquecimento.
— Vamos esperar uns minutinhos, pois faltam apenas o primo e a tia do Harry, eles devem estar chegando. — Disse ela baixinho e todos acenaram. — Quero que todos fiquemos sempre juntos ou em grupos, que não se afastarão muito uns dos outros, mas, se por um acaso, alguém se afastar e se perder, não entre em pânico. O feitiço de rastreamento que coloquei em vocês no Caldeirão, me levará até quem estiver perdido rapidamente, assim, apenas fiquem em um lugar quente e seguro, nada de ir falar com os trouxas sobre magia.
Todos voltaram a acenar e olharam em volta curiosos, pois mesmo a entrada mostrava a linda decoração de Natal. O arco da entrada era majestoso e iluminado, com duas árvores de Natal em cada lado e uma placa que dizia, Winter Wonderland. Os brinquedos do parque de diversão eram visíveis por causa de suas luzes abundantes e coloridas, os bruxos puros estavam além de curiosos.
Sua tia e Dudley chegaram alguns minutos depois e a impaciência os fez se apresentarem rapidamente, antes de entrarem no Mercado de Natal. Harry achou Duda um pouco para baixo, mas ele o animou prometendo lhe ensinar a patinar, seu primo sorriu e se enturmou com Justin e Megan que pareciam menos assustador. Observando os três conversarem, ocorreu a Harry que esse novo Dudley, seria um ótimo Hufflepuff.
O Mercado de Natal era incrível, mesmo durante o dia, e estava abarrotado de pessoas. Todos ficaram encantados e as meninas compraram algumas coisas aqui ou ali, os meninos também. Serafina disse aos que não tinham libras que pagaria suas compras pessoais e depois eles pagariam com galeões, mas, a tudo o que comessem, bebessem ou lugares e brinquedos que entrassem, sairia por sua conta. Em pouco tempo, eles compraram algumas lembranças, camisetas, discos de vinis, canecas, presentes ou brinquedos para alguém da família. Em determinado momento, pararam em uma barraquinha e comeram avelãs assadas e beberam chocolate quente, conversando animados sobre o que fariam depois das compras. As meninas queriam ir patinar, mas os meninos estavam muito curiosos sobre os brinquedos do parque de diversão e decidiram ir até lá primeiro.
Quando entraram na fila da roda gigante, Fred e George olhavam bobos e incrédulos.
— E isso gira? Como uma roda girando e girando? — George perguntou ao Harry que acenou sorrindo, pois também nunca andara de roda gigante.
— Acho que não é muito rápido, mas gira e você sobe até lá em cima e desce. — Explicou ele.
— Uau! E isso com eletricidade, apenas? — Fred estava incrédulo e os olhos castanhos brilhavam como o de uma criança.
— Hum..., acredito que é um pouco mais complexo que isso. — Harry disse quando os três, mais Duda, entraram em uma gaiola.
— Além da eletricidade, um brinquedo deste tamanho tem um motor hidráulico de alta rotação que é ligado pela eletricidade e aciona as engrenagens que além de estarem bem lubrificadas tem que ter cada parafuso bem ajustado. — Disse Duda sem perceber o olhar surpreso dos outros três meninos. — E, claro, a manutenção é essencial em algo tão complexo, além do uso de engrenagens, óleos e fios de alta qualidade. — Ele terminou e, finalmente, percebeu seus olhares. — O que?
— Motor? — Fred perguntou.
— Hidráulico? — Esse foi George.
— Engrenagem? — Fred.
— Parafuso? — George.
— E, como você sabe tudo isso? — Harry perguntou totalmente confuso, porque o primo que conhecia mal sabia ler e escrever.
— Oh! — Ele corou levemente. — Bem, eu sempre me interessei por máquinas e motores por causa do trabalho do meu pai, ele trabalha em uma empresa que fabrica brocas, parafusos, porcas e engrenagens. Ouvi ele falar sobre isso muitas vezes enquanto crescia e, na minha nova escola tem algumas aulas extracurriculares como culinária e carpintaria, tem também mecânica e eu escolhi participar dessa.
— Isso é muito legal, Duda! — Harry foi sincero e sorriu.
— Bem, é muito difícil, porque tem muita física e cálculos, mas tem sido muito legal. — Disse o primo corando mais.
— Bem, tudo é muito legal, inclusive os elogios, podemos esperar pelas declarações de amor que veem em seguida, mas preferiria muito mais que nos explicasse o que é tudo isso que falou antes. — Disse Fred em seu melhor tom mordaz.
Os 4 riram e Dudley se dispôs a falar, mas, nesse momento, a roda começou a se mover e os gêmeos observaram como lentamente a gaiola onde estavam subia a 80 metros de altura. Embasbacados, os dois olharam em volta e a vista era fenomenal, até Harry estava encantado, pois conseguia ver o parque todo e além.
— Lá! Veja, é onde está o Beco Diagonal! — Apontou Harry animado.
— Caramba! — Disse George.
— Veja, tem um castelo bem no meio de Londres! — Fred parecia chocado.
— É o palácio de Buckingham! — Disse Harry sorridente. — É onde vive a rainha da Inglaterra, Elizabeth.
— Nossa! — Disseram os irmãos encantados.
Entre exclamações e risos, Duda explicou aos gêmeos o que eram as tais coisas que faziam a roda gigante funcionar durante o divertido passeio.
Depois da roda gigante, eles foram a montanha russa e Harry riu muito ao ver alguns saindo meio verdes depois do rápido passeio. Ele adorou e poderia ir de novo, mas Serafina os lembrou que tinham horário no cinema e, se quisessem patinar, precisavam se mover até a pista. Todos concordaram.
O pessoal que sabiam patinar, Terry, Mandy, Hermione, Anthony e Harry se juntaram com duplas que não sabiam e, pacientemente, lhes acompanhou nos primeiros movimentos. Harry estava com Duda, como prometido e Megan, que lhe pediu ajuda, pois sabia como Harry era paciente para ensinar.
Seu primo era meio desajeitado e parecia, depois do primeiro tombo de bunda no chão, querer desistir, pois ficou vermelho como um tomate, talvez por ter uma menina como testemunha. Mas, um segundo depois, Megan caiu também e puxou Harry que puxou Duda e os três caíram em um montão. Por um segundo eles se olharam e, então, começaram a rir feito loucos, até perderem o fôlego. Depois disso, eles apenas se divertiram muito e, enquanto, nenhum dos dois eram patinadores habilidosos, a diversão mais do que compensou.
Os novos patinadores em sua maioria se saíram muito bem, tia Petúnia confessou que patinou quando criança em um lago próximo a sua casa de infância, assim tudo o que precisou foram alguns movimentos para relembrar. George, Fred, Michael e Morag, talvez, por serem corajosos jogadores de quadribol, se ajustaram bem e logo se sentiram seguros para fazer manobras sozinhos.
— Nossa, queria trazer a Ginny aqui, ela amaria tudo isso, mas patinar seria o seu preferido. — Contou George sorridente.
— Quem sabe no verão? Podemos vir passear um sábado e nos divertir! — Disse Harry sorrindo.
— Mas, no verão não tem como, porque não tem gelo! — Gritou ele espantado e Harry riu animado antes de explicar como eles tinham gelo no inverno.
Michael estava junto e ouviu arregalando os olhos.
— Mas, esses trouxas podem fazer mágica! Como isso é possível?
— Você ainda não viu nada, Mickey, te apresentarei ao seu xará e aí você conhecerá a verdadeira magia. — Zombou Mandy passando ao seu lado e os outros que entenderam o comentário caíram na gargalhada.
Harry observou, divertido, como Anthony tentava explicar a um confuso Michael o que era a Disney.
Neville não se saiu muito bem, mostrando que deixar o chão, mesmo que seja por alguns centímetros lhe tirava ainda mais sua coordenação e Lisa o acompanhou como uma patinadora sofrível.
Harry ainda teve tempo para patinar velozmente e se exibir um pouco com manobras mais difíceis, além de assistirem à uma apresentação de um casal que faziam alguns passos artísticos e piruetas fenomenais. O grupo aplaudiu encantado e depois deixaram o rink de patinação corados, suados e com sorrisos imensos.
Mais uma vez caminharam algumas quadras para o shopping e assim que entraram no ambiente decorado com enfeites natalinos e mais quente, se puseram a olhar em volta abismados com tantas lojas.
— É como um Beco Diagonal! — Disse Michael. — Mas fica tudo dentro de um prédio, quente e iluminado, isso é muito inteligente.
— E tem tudo aqui, comida, cinema, banheiros, lojas de todos os tipos. — Serafina explicou em mais detalhes o que fariam. — Agora são 17 horas e nossa sessão é as 18, os ingressos já estão comprados e não teremos que pegar filas para a pipoca porque já está tudo encomendado com antecedência, assim, vocês podem andar pelas lojas e explorar um pouco. Mas, se atentem para não se perderem, principalmente os que não conhecem o shopping e não se descuidem da hora.
— Eu gostaria de ir na loja de música, Sra. Serafina. — Informou Mandy. — Eu dei minha vitrola para a Sala dos Elfos e meus pais me deixaram comprar uma nova, queria saber se a senhora poderia encolher para mim, assim coloco na minha bolsa.
— Claro, será um prazer. — Disse Serafina sorrindo.
Depois disso, rapidamente, Morag, Padma, Hermione Megan e Lisa decidiram acompanhar Mandy a loja de música. Outro grupo se formou quando Harry puxou George e Fred para uma loja de computadores para lhes mostrar como funcionavam, Duda, que tinha gostado muito dos gêmeos os acompanhou. Sua tia Petúnia, sabendo que os 4 estariam seguros, ficou com Terry, Michael, Neville, Justin e Anthony que decidiram andar pelo shopping, olhando as lojas que lhes interessavam.
Na loja de computadores, eles foram atendidos por um vendedor que mostrou os novos lançamentos da Microsoft, explicou a internet e seu alcance mundial. Os gêmeos ficaram encantados, mas muito confusos, assim, eles compraram alguns livros que explicavam como tudo funcionava e Harry prometeu que no verão os convidaria a sua casa para usarem o seu.
— Podemos jogar alguns jogos de vídeos games, aposto que vocês vão ficar viciados. — Disse Duda.
— Bem, se forem como aqueles na loja, pena que vamos ver esse tal de filme, seria legal jogar mais. — Disse Fred que ficou encantado com o jogo de corrida que o vendedor deixou que testassem.
— Ah! Mas o filme é bem mais divertido, vocês vão ver. — Disse Harry animado ao se aproximarem do seu grupo que já estava na entrada do cinema.
— Essas escadas rolantes são maneiras, poderia ser assim em Hogwarts. — Disse George e, quem ouviu, acenou em concordância.
— Será que as mudanças no Beco e as novas lojas serão como esse Shopping? — Morag perguntou animada, apesar de mestiça, vivia em uma cidade pequena e nunca esteve em um lugar tão incrível.
— Eu soube que tudo fecharia mais cedo hoje e que ninguém mais entraria até amanhã de manhã, pois eles passarão a noite decorando a parte externa das lojas e retirando os feitiços que as esconderam, sabe, para ser uma surpresa para todos. — Contou Lisa animada.
— Estou tão ansiosa, quero chegar bem cedo, minha família usará o endereço de flu que eles colocaram nos folhetos que enviaram, mas, confesso que depois deste shopping incrível, não acredito que eles poderiam me surpreender mais. — Disse Padma alegremente.
Harry sorriu, sabendo que por mais incrível que o shopping fosse, o novo Beco Diagonal viraria o mundo mágico do avesso.
Em pouco minutos, eles pegaram sacos de pipoca, refrigerantes e doces, antes de entrarem no cinema para assistirem o filme, Esqueceram de Mim 2. A sala estava lotada porque era um lançamento de especial de Natal e quando as luzes se apagaram e a tela se iluminou, Harry ouviu alguns engasgos de choque.
— Mas que mágica é essa? — Sussurrou Michael e Mandy fez um sshhhh para ele se calar.
O filme, rapidamente se tornou interessante ao mostrar o personagem perdido em New York sendo perseguido por bandidos e usando sua inteligência para derrotá-los. Harry assistiu com os olhos brilhando, pois não pode deixar de se identificar com o garoto loiro e gargalhou tanto, mais tanto, que seus músculos do rosto doeram. Com resto de seus amigos foi igual e Harry teve certeza que eles nunca se esqueceriam de um filme tão legal. No fim, quando Kevin reencontrou a mãe, ele se emocionou como todos e sentiu seu coração se apertar de vontade de abraçar a sua também.
Quando deixaram a sala, o grupo olhava em volta como em transe ou conversavam animadamente sobre essa ou aquela cena, ainda rindo e muitos tinham lágrimas no rosto de chorar ao rirem tanto. George e Fred tinham olhos estalados e reconheceram que o filme era melhor que o jogo de vídeo game.
Serafina os apressou para fora do shopping e, mais uma vez, eles fizeram uma caminhada de algumas quadras para uma pizzaria onde tinham reserva. Todos estavam famintos e ansiosos por comerem, quem conhecia pizza, ainda mais e eles ocuparam uma longa mesa que chamou a atenção dos outros clientes. O lugar era grande e colorido, tinha uma área de brinquedos infantis e alguns jogos de fliperama, enquanto esperavam a pizza, todos jogaram um pouco e se divertiram muito.
Os bruxos puros não sabiam o que esperar da tal pizza, mas quando provaram gemeram deliciados e emocionados. Em poucos minutos as pizzas foram consumidas e mais foram pedidas, todos queriam provar todos os sabores e fizeram algumas caretas para as de brócolis, rúcula ou anchovas, mas, ainda assim, mesmo elas agradaram alguns e desapareceram da mesa. O refrigerante, a Pepsi, principalmente, se tornou a bebida preferida de todos que, carregados de gordura e açúcar, riam e falavam alto com muita animação.
— Isso é a perfeição, Anthony! Como aqueles puristas idiotas podem achar que os bruxos são superiores aos trouxas. —Disse Michael, de um lado da mesa para o outro, onde o amigo estava sentado.
— Michael! — Serafina lhe chamou a atenção e todos olharam em volta para os clientes das mesas mais próximas que os encaravam confusos, mas Anthony respondeu habilmente.
— Isso acontece porque no jogo, os bruxos têm mais poderes, o outro povo apenas usa inteligência e o físico, Michael, não magia.
Isso passou perto e como todos estavam satisfeitos, Serafina pediu que o sorvete fosse servido para todos como sobremesa e pagou a conta. Às 11 horas, chegaram de volta ao Caldeirão Furado, depois de mais uma caminhada pela Londres toda iluminada e decorada com enfeites de anjos natalinos. Os pais de Hermione, Anthony, Lisa, Justin e Megan, permitiram que seus filhos acampassem no Chalé Boot e eles seriam devolvidos na manhã seguinte, no Festival, os outros usariam o flu para irem as suas casas. Então, finalmente, depois das despedidas, todos seguiram seus caminhos com sorrisos bobos no rosto depois de um dia divertido e mágico.
