NA: Olá, como vão vocês? Meu atraso não usual aconteceu porque algo não muito bom aconteceu. É a vida.

Tb vivenciei um momento de obsessão por séries e mergulhei em uma maratona de Arrow e Flash que me ajudou a fugir dos problemas, felizmente, me curei rapidamente e voltei a me concentrar só na fic e é assim que pretendo me manter. Assim, se a vida colaborar, sem mais atrasos. O próximo capítulo já está adiantad ultimo antes de voltar a Hogwarts, Graças a Deus.
Por favor, revisem. Até mais, Tania

Capítulo 60

O dia seguinte, 23 de dezembro, foi passado na cozinha do Chalé com parte da família colaborando na preparação das refeições para as doações. Apenas Duda, Adam e Ayana ficaram de fora, Sr. Falc teve que ir para a GER trabalhar e o Prof. Bunmi ficou com as crianças, jogando xadrez, brincando e conversando, pois alegou que se ele tentasse cozinhar, provavelmente mataria todos os sem tetos do Abrigo. Isso fez todos rirem muito e Harry observou como Duda, depois do café da manhã, era abraçado pelos ombros pelo professor e conduzido a sala de jogos para um desafio de xadrez, sua expressão era meio ansiosa, apavorada e contente, como se ele não conseguisse se decidir o que sentir.

Harry cozinhou sua receita de Bourguignon sem o vinho e com o caldo de legumes. Sra. Madaki ficou impressionada e lhe recomendou seu pão de milho para acompanhar, combinaria e daria mais sustança. Ele aceitou o conselho e depois de colocar no fogo sua imensa panela de legumes para o caldo, começou a amassar 10 receitas de pães de milho em duas partes. O resto da família estava todo envolvido em seus próprios projetos.

A Sra. Serafina, com a ajuda de Terry e Elizabeth, estava fazendo uma grande receita de caçarola, pernis, presuntos e batatas assadas, além de tortas de maçã de sobremesa. Sr. Martin ficara em Londres com Tianna e Marvel, mas eles se encontrariam no dia seguinte no Abrigo em Londres, além de virem para o dia de Natal na Abadia. Sra. Madaki tinha a ajuda de Miriam, como todos os anos, mas, desta vez, elas precisariam da ajuda da magia para levar a comida para o Abrigo em Oxford.

— Eu ajudei a fundar esse Abrigo e, por todos esses mais de 20 anos, estive lá, mas, esse ano, com tantos novos convidados, o Festival e a Honora, não poderei ajudar a servir, mas prometi a eles enviar muita comida. — Disse ela suavemente enquanto amassava seu próprio pão de milho.

Harry apenas acenou entendendo, os convidados a mais em relação ao ano passado eram, Sirius, que teve uma reunião sobre a OP Travessa do Tranco hoje, para discutirem como agiriam depois do ataque ao Beco Diagonal. Seu padrinho lhe dissera que talvez o ataque os ajudaria a encerrar a OP mais cedo do que o previsto e Harry estava torcendo por isso. Os outros eram os Tonks e Remus, além de tia Petúnia e Duda, claro. Isso tornava o casarão dos Madakis pequeno, além disso, como eram convidados dos Boots, era mais correto que eles hospedassem o almoço de Natal. O problema era que o Chalé também não tinha tanto espaço, ainda que pudesse ser magicamente ampliado. No entanto, a Sra. Honora era a variável mais delicada e decisiva de toda a questão, pois nos últimos meses ela piorara muito. Infelizmente, sair de sua rotina e deixar a Abadia a tornava muito desorientada, o que a angustiava e a tornava agressiva ou chorosa. O Chalé parecia ser a exceção, mas ao em vez de perdida, a Sra. Honora voltava para o passado, quando os filhos eram crianças, e eles temiam que viver essa regressão cercada por estranhos não lhe faria bem. Diante de tudo isso, a melhor e óbvia solução era que o almoço de Natal seria realizado na Abadia, onde haveria mais espaço e a Sra. Honora teria a chance de passar um dia bom.

A Sra. Madaki e o Prof. Bunmi, assim como sua tia, decidiram, então, vir passar a semana toda em St. Albans. Assim, não precisariam viajar de um lado para o outro, magicamente ou não, para o Festival e depois para o Natal. E a Sra. Madaki pôde cuidar das crianças enquanto a Sra. Serafina esteve ocupada com detalhes do Festival, pois Anne estava de férias. Tudo se encaixou bem, apenas, a Sra. Madaki não poderia ajudar a servir a comida para o Abrigo de Oxford, como fazia todos os anos desde a sua fundação. A solução era que a Sra. Serafina enviaria a comida magicamente para Oxford, o que exigiria muito habilidade, e uma equipe de entregas, já contratada, entregaria a comida no Abrigo.

— Ainda não entendo porque eu ou Serafina não podemos entregar a comida e ela disse que ainda pretende enfeitiçar os entregadores. — Resmungou Sra. Madaki não muito feliz.

— Mamãe, a senhora já avisou ao Abrigo que não pode voltar para Oxford antes do Natal, se aparecesse lá amanhã com toda essa comida, estaria contrariando o que disse e isso vale para o resto da família. Afinal, eles se perguntariam como pudemos dirigir até Oxford e voltar, mas não podemos ficar e ajudar, não teríamos como explicar magia ou aparatação. — Explicou Sra. Serafina mais uma vez. — E, não vou enfeitiçar os entregadores, apenas mudarei a placa do caminhão de entrega para fazer parecer que os entregadores vieram desde St. Albans e, lhes lançarei um leve Confundus... Não me faça essa expressão, é um feitiço leve e só entrará em vigor se alguém no Abrigo mencionar ou perguntar sobre a viagem. Eles confirmarão que são de St. Albans e tudo estará bem.

— E eles ficaram achando que são de St. Albans? — Perguntou Petúnia confusa.

— Não, é um feitiço leve que se desgastará em algumas horas e só será acionado se o pessoal do Abrigo mencionar alguma coisa. Se mais alguém falar algo sobre viagens ou algo do tipo, nada acontecerá, porque a questão do feitiço é a intenção. — Serafina concluiu e todos acenaram, ainda que os trouxas não estivessem muito convencidos.

Tia Petúnia também tinha seu próprio projeto, ela estava fazendo receitas salgadas e doces que sua mãe costumava preparar nos Natais da família Evans. Harry ficou um bom tempo olhando o caderno de receitas de sua avó, analisando sua letra, observações e toques, até algumas correções em algumas receitas e sorriu ao perceber que isso era um talento que sua mãe e ele herdaram da avó Jacinth. Harry tinha decidido fazer para sobremesa uma receita que aprendera em suas pesquisas enquanto discutia com a Sra. Rosa os cardápios do The True. Ela lhe enviara livros com receitas de quase todos os países do mundo e Harry testara algumas mais simples na cozinha do castelo. Entre elas, tinha uma receita portuguesa, Pastel de Belém, que ele achou muito interessante, pois lembrava os mince pies que gostava de preparar. Os pasteis eram deliciosos e Harry decidira prepará-los para o Abrigo, pois eram muito fáceis de cozinhar e tinha certeza que os desabrigados gostariam muito, mas olhando o caderno de receitas da sua avó, uma receita lhe chamou a atenção. A Banoffee Pie era uma torta incrível com doce de leite, chantilly e bananas, a massa era feita de biscoitos, mas sua avó fazia uma anotação dizendo que com massa folhada se tornava uma sobremesa de pedaços, mas fácil de servir e preparar do que uma torta inteira, e que ficava mais gostoso também.

Harry primeiro verificou se tinha os ingredientes e depois decidiu combinar a massa dos pasteis de Belém com o doce de leite, chantilly, bananas e um toque de cacau em cima.

— Essa é uma boa ideia, Harry, mas o aconselho a colocar pouco recheio para não ficar muito doce e pesado, além disso, faça os pasteis folhados mais grossos para ficar bem estruturado. — Aconselhou a Sra. Madaki e Harry concordou sorrindo e começou a trabalhar.

O dia passou sem perceberem, cozinhando, conversando e rindo, o grupo preparou toda a comida que levariam aos Abrigos no dia seguinte. Harry, pelo menos por algumas horas se desligou de tudo que aconteceu nos últimos dias e se concentrou em cozinhar a melhor e mais saborosa comida possível. Foi apenas a noite que o Sr. Falc trouxe mais notícias, durante o jantar lhes contou que o Beco estava como na inauguração e que o dia foi de mais uma multidão comprando e comprando. As notícias no Profeta eram positivas, elogiosas e focadas na GER, nas lojas e mudanças, enquanto criticavam duramente o Ministério, o Ministro e a Suprema Corte. Também havia informações sobre os enterros das vítimas, a Família Bulstrode se recusou a se pronunciar publicamente, mas o Sr. Falc soube que o chefe da família exigiu que Amico Carrow e Kevin Parkinson recebessem o beijo dos Dementadores. Isso abalou a todos, Sirius empalideceu na hora e parecia completamente assombrado.

— A decisão de punição, quando forem condenados, não será essa, nem mesmo Dolohov, Travers ou os Lestranges tiveram essa sentença. — Garantiu o Sr. Falc.

Eric Abbott, pai de Hannah, era sobrinho de Tom Gamp e seu familiar mais próximo. Ele falou sobre a tragédia que a morte do tio era para todos, sua entrevista, breve, foi comovente e informava que Tom seria enterrado no domingo.

A caixinha de doações resultara em uma quantia além do necessário para ajudar os comerciantes atingidos pelo ataque e o dinheiro extra seria direcionado para a Divisão Evans que os converteria em doações ou projetos como bolsas de estudo para estudantes de Hogwarts e para a qualificação dos formandos.

Harry foi dormir com uma mistura estranha de sentimentos, o dia fora bom, as coisas estavam voltando ao normal de antes do ataque, mas, ao mesmo tempo, parecia estranho que isso acontecesse, afinal, três pessoas inocentes tinham morrido por causa da maldade de outras. O Beco Diagonal fora concertado, os assassinos pagariam por seus crimes e todos seguiriam em frente com suas vidas, mas isso parecia errado. Uma parte dele sentia-se culpado pelo que aconteceu e, talvez, não devia se permitir ter uma celebração de Natal, quando aquelas pessoas e suas famílias não teriam o mesmo. Confuso, Harry dormiu, felizmente, sem pesadelos depois de meditar.

O dia seguinte começou bem cedo, Sra. Serafina foi para Oxford cuidar do pequeno projeto de entrega, enquanto eles abarrotavam dois carros com comida. Sua tia levaria seus preparos para o Orfanato e Abrigo de St. Albans, depois seguiria para Londres, onde se encontraria com os outros para ajudar a servir. Duda a acompanhou, pois queria ir ajudar no Abrigo, ainda que Harry tivesse a sensação que seu primo não compreendia completamente o que veria.

Harry viajou com o Prof. Bunmi, a Sra. Madaki, Terry e Serafina. Sr. Falc e as crianças iriam para a Abadia e os esperariam lá, pois ele, seus pais e Sirius pretendiam iniciar a preparação do Ritual Yule. Miriam, Elizabeth, que voltaram para Londres no dia anterior, e Martin, se encontrariam com eles no Abrigo St. Andrews em Lambeth.

Às 10 horas, eles chegaram e começaram a ajudar com a arrumação e, às 11 horas, os sem tetos ou famílias pobres da região, que esperavam na fila, foram permitidos entrar. Harry, com a ajuda de Duda e Terry, serviu seu prato, pão e sobremesa com um sorriso de satisfação ao ver como eles pareciam gostar do que preparou. Enquanto via o prazer das pessoas comendo sua comida, Harry percebeu que, por mais que fosse doloroso, seguir em frente era necessário e se sentiu menos culpado por isso, mas também prometeu que não os esqueceria, nunca se esqueceria de Tom, Milles e Zenis.

— Essas pessoas não têm o que comer, Harry? — A voz de Duda o tirou de suas reflexões.

— Não, e a maioria não tem onde viver também, Duda, eles são desabrigados e vivem nas ruas. — Disse Harry e viu sua expressão se aprofundar enquanto pensava.

— Mas... está muito frio, como eles podem viver sem uma casa? — Sussurrou sem entender.

— Não sei... suponho que durmam em Abrigos como esse que lhes dão uma cama e uma sopa. Hoje é especial, assim é aberto até para as famílias pobres da região que tem casa, mas não tem condições de ter uma comemoração de Natal. — Disse Harry e, discretamente, apontou para uma família de três crianças que estavam com sua mãe, eles pareciam chocados com tanta comida. — Mas o Abrigo funciona todo o dia e acolhe os sem tento, os alimenta e veste também.

— Porque eles não têm casa? — Duda sussurrou.

— Cada um tem uma história, Duda. — Respondeu Terry. — Você teria que conversar com eles e perguntar, ouvir com gentileza, posso lhe contar a história do meu bisavô.

Duda acenou e Terry contou a história do pai da Sra. Madaki que perdeu a vida nas ruas da Luisiana, morrendo de frio. Depois disso, Duda ficou um bom tempo em silêncio e, às vezes, Harry o pegou olhando para a Sra. Madaki que passava entre as mesas conversando com os sem tetos, oferecendo um casaco extra, ouvindo seus pedidos e indicando alguns para Elizabeth e Martin que os examinava e medicava, pois muitos estavam com gripe, tosse, feridas causadas pelo frio ou coceiras pela falta de banhos.

— Se você quiser, pode ir lá ajudá-la. — Disse Harry por fim, quando viu seu primo a olhando mais uma vez.

Duda hesitou, depois respirou fundo e foi até a Sra. Madaki, ela pareceu surpresa por um segundo com o que ele lhe disse, mas depois abriu um grande sorriso e beijou suas bochechas o fazendo corar. Depois disso, ela o apresentou a alguns dos sem tetos e, pelo resto do dia, Duda a seguiu por todos os lados aprendendo a conversar, a ouvir e ajudar a todos.

O fim do dia trouxe cansaço, mas uma grande satisfação. Sua tia estava muito silenciosa quando Harry entrou com ela no seu carro, Duda preferiu ir com a Sra. Madaki.

— Tudo bem, tia? — Perguntou ele suavemente.

— O que... — Ela o olhou, parecendo voltar de muito longe. — Sim, sim, tudo bem, querido. Hum... acredito que vamos direto para a Abadia, certo?

— Sim. Eu sei o caminho, assim não precisamos segui-los. Estou ansioso pelo Ritual Yule e... ainda não acredito que decidiu participar. — Disse Harry um pouco hesitante.

Ele viu sua tia respirar fundo e dizer suavemente.

— Eu também não, Harry, acredite, também estou surpresa.

Os dois viajaram em silêncio por um tempo antes que Harry lhe perguntasse se gostou de ajudar no Abrigo.

— Eu... ainda estou um pouco chocada, na verdade. — Ela pigarreou e suspirou apertando o volante. — Eu já lhe contei sobre sua avó?

— Um monte de coisas e seu livro de receita me disse um pouco mais. — Disse Harry suavemente.

— Ela tinha cheiro de canela, estava sempre cozinhando e papai amava seus doces, o bolo de chocolate que ela fazia era o seu preferido. — Petúnia sussurrou emocionada. — Mamãe adorava ajudar as pessoas, quando vivíamos em Cokeworth, sempre que nossa situação lhe permitia, ela ajudava família mais pobres. Quando viemos para Londres e papai tinha seu próprio escritório, nossa situação melhorou e ela pode ajudar mais. Nos Natais, ela ajudava no Abrigo, um mais perto lá de casa... Abrigo St. Joseph e papai a acompanhava.

— A senhora também ajudava? — Harry perguntou e viu seu aceno negativo.

— Não, eles me convidavam e eu sempre recusei, muito orgulhosa e envolvida em meu próprio mundo, como a maioria dos adolescentes, para perceber como o tempo que tínhamos era tão curto e, por isso, valioso. — Ela sorriu um pouco triste para ele. — Então, estou sentindo uma grande mistura de sentimentos, satisfação por ajudar tantas pessoas, contentamento porque sei que meus pais estariam orgulhosos de mim e tristeza pelo tempo que perdi sendo tão tolamente egoísta.

Harry acenou entendendo o que ela queria dizer, se pudesse ter tido mais tempo com seus pais, mais alguns anos, ter algumas lembranças deles, seria incrível.

— Bem, hoje a senhora poderá conversar com eles e dizer como se sente. — Harry sorriu com o pensamento, queria muito sentir seus avós, os Evans e os Potters.

— Exatamente por isso decidi participar do Ritual e porquê... sinto que tenho que seguir em frente, sabe. — Disse ela levantando os ombros como se tentasse tomar coragem.

— Sei. — Disse Harry pensando nos três que morreram no ataque. — Temos que fazer isso, por nós e para honrá-los, tia Petúnia.

Ela acenou e eles ficaram em silêncio pelo resto da viagem, Harry até cochilou um pouco e quando chegaram a Abadia os outros já estavam lá. Depois de lancharem, eles se envolveram na preparação da comida para a celebração da ceia do Ritual Yule, com algumas das refeições preferidas dos seus mortos. Apenas a Sra. Madaki e o Prof. Bunmi, não participariam por causa de sua religião, assim, eles estavam fazendo companhia a Adam e Ayana na sala de estar antes de irem dormir.

— Essa foi uma excelente ideia, Sirius. — Disse o Sr. Boot. — O Natal sempre foi uma data tão difícil para nós e nunca pensamos em uma celebração do Yule para os mortos.

— Esse é meu primeiro Natal fora daquele lugar desde a guerra e senti que precisava fazer algo... visitar os túmulos deles é tão difícil, mas... Harry me ajudou a perceber que não precisava ir até lá para homenagear Lily e James. — Disse Sirius enquanto fritava os Bubble and Squeak que Harry preparara. — Como está a torta de pastor, Harry?

— Perfeita, assim como o Queen of Puddings e a Treacle Tart. — Respondeu Harry com satisfação. — Ainda não acredito que papai era vegetariano. Como nunca me disse isso?

A pergunta fez Sirius gargalhar e chamou a atenção dos outros para a conversa. Harry ficou encantado ao descobrir que uma das suas comidas preferidas, Torta de Pastor, era da sua mãe também, mas, na sobremesa, eles não combinavam. Na verdade, era o seu pai que adorava Treacle Tart ou torta de melaço e Harry sorriu ainda mais ao perceber que tinha um pouquinho dos dois. Mas, o mais chocante e divertido, foi descobrir que seu pai era vegetariano.

— James tinha um pouco de vergonha disso, sabe, não era algo comum e a maioria das receitas vai algum tipo de carne. — Disse Sirius com um largo sorriso. — Além disso, comer carne tem um lado animalesco e viril do predador, James não queria ser zombado. Ele escondeu até de nós por um tempo, mas, logo percebemos que seu prato tinha apenas legumes, verduras... até o bacon, no café da manhã, ele não comia mais.

— Mas o que o fez se tornar vegetariano? — Terry perguntou curioso.

— Pontas. — Sirius disse simplesmente. — Antes de nos tornarmos animagus, ele comia carne normalmente e gostava de tudo, bacon, era um de seus preferidos. Quando o pressionamos, James confessou que depois de se tornar Pontas e interagir mais e mais com seu animagus, comer animal não era atraente.

— Acho que faz sentido, afinal, cervos são herbívoros. — Disse Serafina ajudando a Sra. Honora a fazer algumas madeleines, era um dos doces preferidos de Carole.

— Exato. No início, James só se sentiu estranho e sem vontade de comer, mas, com o passar do tempo, ele disse que parecia errado. — Sirius riu divertido. — Eu fiquei completamente chocado, porque o meu animagus é carnívoro e comer carne tinha ficado ainda mais saboroso para mim. Zombamos um pouco dele, mas depois o apoiamos e foi assim que Bubble and Squeak se tornou um de seus pratos favoritos, principalmente, no café da manhã e quando sua mãe lhe preparava.

— Eu sempre achei fascinante a ideia de ser um animagus, mas, imaginar que meu paladar mudará depois da transformação, é um pouco assustador. — Disse Falc enquanto recheava os Scones com geleia de framboesa, como sua irmã amava.

— Pode mudar, mas também pode se acentuar e isso é positivo. — Disse Sirius. — Meu olfato e paladar são melhores, minha audição também, mas você corre o risco de ser um herbívoro e não gostar mais de carne.

— Bem, eu acho que isso é algo positivo, a conexão mágica e espiritual que você cria com seu animagus é algo transcendental. Assim, provavelmente, sempre foi melhor para seu corpo e magia que papai não comesse carne e, em algum nível, ele sentia que não era um predador. — Disse Harry inteligentemente. — Para mim, é o oposto, sinto que quando me tornar um animagus, serei um animal que come carne.

— E, como você sabe de tudo isso? — Perguntou Serafina o encarando seriamente.

— Estive estudando sobre o assunto, porque quero me tornar um animagus e o livro de Mason sobre o assunto é fascinante. — Disse Harry tranquilamente. — Seu método é muito diferente do que o Sirius e papai usaram, muito mais interessante e mágico. Por exemplo, ele diz que todos temos nossos animais espirituais, mas apenas aquele que sentir seu chamado deve reivindicá-lo.

— E, quando você está planejando fazer isso? Aliás, quando pretendia nos contar sobre isso? — Perguntou Serafina com o cenho franzido.

— Eu pretendo fazer isso quando sentir que estou pronto. — Disse Harry com firmeza. — Eu já senti o chamado, mas preciso estar pronto para reivindicar meu animal espiritual. E, pretendia lhes contar quando esse momento chegasse, seja ele quando for, porque precisarei iniciar minha jornada espiritual. Ou quando o assunto surgisse, como agora.

Serafina parecia que ia dizer algo, mas Falc se adiantou.

— Jornada espiritual? Como exatamente?

— Bem, Mason viajou pelo mundo buscando as tradições diferentes de diversos países e fez pesquisas nos livros antigos dos nossos ancestrais, os Druidas...

— Druidas são reais? — Duda, que ajudava a mãe a fazer um bolo de chocolate para o vovô Brian, perguntou surpreso.

— Eles eram nossos ancestrais, Duda, os primeiros bruxos, que viveram a milênios. — Terry contou entusiasmado. — Os povos antigos, os celtas, eles tinham sacerdotes conselheiros que realizavam rituais para proteger a colheita, liam nas estrelas e posições dos planetas o futuro. Eles tinham rituais de purificação como o Alban Arthan que participamos no Festival e protegiam o povo celta com seu poderes e sabedoria.

— Naquele período, todos os seres mágicos eram amigos, os Druidas, os Altos Elfos, Anões, Centauros, Ninfas, Elfos Domésticos, Fadas e muitos outros. — Explicou Serafina suavemente. — Infelizmente, isso não é mais verdade.

— E, foi naquele período, que os Feiticeiros da Floresta encontraram uma forma de se ligarem magicamente com seus animais espirituais. — Harry contou sobre os Shapeshifters e como transformaram sua capacidade de se tornarem animais, parte de seus seres e, assim, seus filhos também nasceram com a capacidade. — Mason pesquisou o pouco de informação que existe sobre como eles realizaram o ritual e fez uma análise, em seu livro, sobre outros rituais, feitiços e sobre transfiguração avançada...

— Espere, eu não entendo tudo isso que você está falando, mas, se estou compreendendo onde você quer chegar... Você está pretendendo ser como esses transformos? — Petúnia perguntou chocada.

— Não, ou pelo menos, não exatamente. — Harry suspirou quando arrumou o último prato na mesa. — Mason disse que em algum momento, a transformação animaga se modernizou e se tornou um processo avançado de Transfiguração, que manteve pouco de sua essência, que era a conexão com a natureza e ligação de sua alma e magia com o seu animal espiritual. Ele escreve que, com o passar do tempo, um animagus se torna mais e mais ligado ao seu animal, como Sirius é hoje com Almofadinhas, no entanto, o processo antigo trazia essa conexão desde o início e ela é muito mais forte.

— Provavelmente, quem modernizou o processo foi alguém que queria separar a transformação animaga dos Shapeshifters. Os bruxos gostam de se sentirem superior e acreditarem que inventaram tudo o que se relaciona com a magia. — Disse Serafina ironicamente.

— É bem possível. — Concordou o Sr. Boot. — Então, Mason diz que o jeito antigo é melhor, mas, como é o jeito antigo?

— Ele não leu só sobre os métodos antigos, Mason esteve com bruxos animagus do mundo todo e conversou com eles, descobriu como se tornaram animagus e chegou a um ritual. — Harry sorriu e seus olhos brilharam de entusiasmo. — Você deve sentir o chamado, todos temos nossos animais espirituais, mas, às vezes, nossa alma e magia não sente ou não precisa dessa ligação. Eu senti o meu, mas Terry não. — Disse ele apontando para o amigo que deu de ombros indiferente.

— Acho interessante academicamente, mas não tenho vontade, necessidade ou desejo de me ligar a um animal ou me transformar em um. — Terry disse ajeitando a última Madeleine. — Hermione e Neville leram o livro de Mason e também sentiram o chamado, na verdade, Hermione está ansiosíssima para se sentir pronta para a convocação.

— Convocação? — Sirius olhou muito confuso.

— Sim, quando você sentir que sua alma e magia estão prontos, preparados para essa ligação e qualquer prova ou sacrifício que for exigido de você, então é o momento da convocação. — Harry explicou. — A sua viagem espiritual começará, uma jornada solitária e a conexão com a magia da natureza se ampliará mais e mais. Por fim, depois de alguns dias ou horas, o guardião da natureza ou da magia exigirá de você uma convocação, um ritual muito complicado que precisa ser preciso e respeitoso. Nele, você convoca o seu animal espiritual que só se aproximará se sentir que você está pronto, se ao fim do ritual, nada acontecer, você deve agradecer, partir e tentar em outro momento quando realmente estiver pronto. Se o seu animal aceitar a convocação e se aproximar, ele o testará, seu espírito, seu caráter, sua magia e coração. Se você passar, é feita a ligação espiritual, ele deixa a natureza e se torna parte de você para sempre, como companheiros, até depois da morte, mas...

— O que? — Duda sussurrou quando Harry fez uma pausa em seu conto.

— Se você não passar em seu teste, seu animal espiritual partirá e não voltará mais, pois a magia sentirá que você não é digno e nunca mais lhe permitirá realizar a convocação. — Harry disse e suspirou. — Assim, só existe uma chance.

— Uau! — Sirius disse surpreso e depois sorriu com malícia. — Ainda bem que não tentei esse aos 13 anos ou jamais passaria no teste. — Ele gargalhou divertido e todos riram também. — Mas, James teria sido aceito, com certeza.

Harry sorriu, depois se lembrou do sorriso malicioso de seu pai em suas fotos aos 13 anos e não teve tanta certeza.

Com a comida toda pronta, ela foi enviada, magicamente, para uma mesa no gazebo do jardim, que tinha sido preparado para o Ritual Yule e estava magicamente protegido do frio. A decisão de fazer o Ritual no gazebo tinha como objetivo se aproximar mais da magia da natureza e não das fortes magias da antiga Abadia. Eles seguiram todos juntos pelo jardim nevado, a noite fria e muito escura, era quase meia noite, as crianças e os avós Madakis já estavam dormindo.

Quando chegaram ao gazebo quente e estranhamente florido apesar da paisagem nevada a volta, Harry sentiu o cheiro das ervas que estavam nos braseiros, antes mesmo de serem ligados. Além da mesa com todas as comidas preparadas por eles, no centro do gazebo havia madeira de pinheiro empilhada para uma pequena fogueira. E, pendurados no teto, haviam azevinhos, visgos e pinhos, por todos os lados no chão e nas treliças, crisântemos, lírios e rosas brancas. Nos braseiros, Harry identificou sálvia e louros entre as ervas e também tinha um pequeno tronco de carvalho com velas verdes e vermelhas.

— Falta pouco para a meia noite. — Disse o Sr. Boot suavemente. — Todos estão prontos?

— Eu estou. — Disse Sra. Honora, estranhamente lúcida, na verdade, ela ajudou o marido, o filho e Sirius a prepararem o gazebo para o Ritual e parecia muito animada com a celebração.

— O que temos que fazer? — Perguntou Petúnia ansiosa.

— Iniciaremos o ritual e cada um de nós pode dizer algumas palavras, fazer algum pedido, dizer o que está em seu coração. — Sra. Honora respondeu. — Eles nos ouvirão e depois cearemos em suas companhias. Querido?

Sr. Boot acendeu os braseiros e a fogueira com troncos de pinheiros, o cheiro e fumaça pareceu encher seus pulmões e envolver suas mentes, calor se espalhou e todos suspiraram de contentamento.

— Eu era jovem em meu último Ritual Yule, mas ainda me lembro das palavras de invocação. Como a mulher mais velha do círculo, eu conduzirei o Ritual e celebraremos juntos. — Sra. Honora disse em tom suave e etéreo.

Ela se aproximou das velas que estavam enfiadas no tronco de carvalho.

— Hoje invoco os poderes dos Espíritos da Luz. Com esta vela, eu honro todos os espíritos do Fogo. — E, acendeu as velas vermelhas. — Com esta vela, eu honro todos os espíritos da Natureza. — Acendeu as velas verdes. — Com as ervas, preparamos nossos espíritos e, com as flores, purificamos o nosso ambiente. Com a fogueira, honramos a Deusa e pedimos forças para enfrentar os nossos invernos. Nesta linda noite, dou as boas-vindas ao Yule e celebro o movimento eterno da Natureza, vida e morte, vivos e mortos. Com esse vinho, abriremos nossas mentes e nos aproximaremos da magia da Deusa que nos abençoará com seu poder e amor. — Sra. Honora pegou uma taça com vinho e ervas, levou para cada um beber um pouco e, por último, ela mesma tomou um gole antes de jogar o resto na fogueira que se agitou e cintilou.

Harry sentiu o efeito do vinho com ervas imediatamente, junto com a fumaça, cheiros e calor, sua mente girou e a magia crepitou. Sua pele formigou com a força da magia no ambiente e ele se deixou levar, conectou sua magia com a da Natureza e tudo se ampliou, se elevou e Harry era mais, era todos, era muito. Lembrou sutilmente o ritual de ligação ancestral, no Alban Arthan, mas, ainda não o mesmo, pois ele não queria cantar e girar, ele sentia uma paz estranha e a expectativa por algo desconhecido.

— Nessa noite, onde celebramos o Renascimento e o retorno da luz, nós elevamos nossos espíritos e magia para nos conectarmos aos nossos mortos, aos amados que se foram desse plano físico. Ao lado dos nossos vivos, com nossa força e magia, com nosso espírito e coração, convoco a todos para celebrar o Yule conosco, em nossa mesa e para ouvir nossas palavras, nossos pedidos e declarações. Por favor, que a magia os traga para nós e nos permita esse momento de celebração familiar e espiritual. Nós os homenageamos com nosso amor e os invocamos a nossa celebração. Digam.

— Nós os homenageamos com nosso amor e os invocamos a nossa celebração. — Todos repetiram ao mesmo tempo.

O ar se agitou e o fogo oscilou, a madeira de pinho estalou e um sino começou a tocar suavemente. O ritmo não era dançante, parecia falar de amor e sentimentos, como uma música sem palavras. Harry sentiu-se ainda mais quente e um cheiro de lírios o cercou, suspirando, pode sentir seu imenso amor e soube que sua mãe estava ao seu lado.

— Mamãe... — Sussurrou ele, mas não abriu os olhos. — Estou vivo, mamãe, obrigada por me dar a vida e por me dar tanta vida... — Sua voz se embargou. — Por favor, não me deixe sozinho, fique comigo...

O sino oscilou em um ritmo diferente e uma brisa ondulante acariciou seus cabelos e sussurrou:

"Sempre"

Então, o sino desapareceu e o cheiro de lírios mudou para o cheiro de grama recém cortada, Harry ouviu cascos pisando no chão de madeira do gazebo e quando ele ficou mais alto, uma brisa suave acariciou seu rosto como um beijo. Soluçando, Harry sentiu um desejo pelo abraço de seu pai.

— Me abrace e não me deixe ir, papai. Te amo. — A pressão e calor em seu corpo aumentou, seu coração se expandiu de carinho como quando abraçava Sirius, ou Adam e Ayana, mas era como se suas almas se tocassem brevemente e, então, se foi. — Obrigado. O amor de vocês é meu maior presente, obrigado por tudo e por virem até mim hoje.

Então, o calor aumentou e uma suavidade estranha o envolveu, Harry sentiu o cheiro de bolo de chocolate e o cheiro de canela. E, além de muito amor, sentiu muito orgulho e carinho o envolver, suspirou e depois soluçou de saudades.

— Vovô Brian? Vovó Jacinth? — Sussurrou baixinho e o calor aumentou. — Também estou feliz por estarem ao meu lado e me sinto orgulhoso de vir de vocês dois. Nunca me esquecerei ou me envergonharei de ser um Evans, eu prometo. Cuida da mamãe e perdoe a tia Petúnia, ela está melhor agora e acho que tem medo que vocês estão bravos com ela.

O cheiro de bolo de chocolate se tornou mais forte e o de canela o envolveu.

— Também amo vocês. Obrigado por virem.

Uma brisa quente passou por seus cabelos e os cheiros se afastaram, mas a brisa se tornou mais e mais quente, até que Harry se sentiu queimando, sem dor. Respirando fundo, o cheiro lavanda e de poções sendo preparadas se moveu a sua volta e Harry sentiu as pernas bambearem, era como receber um grande peso e não ter forças para segurar. Soluçando, ele se deixou amparar e se recostou na energia mágica forte e amorosa, sabendo quem eram.

— Vovô Fleamont... — Sussurrou ele e o cheiro de poções o apertou. — Vovó Euphemia... — O calor se tornou mais forte e a brisa de lavanda acariciou seus cabelos. — Eu também os amos, muito... — Engasgado pelas lágrimas, Harry sentiu o amor deles e seu amparo, sabia que podia se deixar levar, que eles lhe cuidariam, sonolento suspirou suavemente. — Cuide do papai e da mamãe. Eu prometo os deixar orgulhosos... Obrigado por virem...

A vontade de se recostar em sua força era grande e se sentindo mais em paz do nunca, Harry se deixou ir e sua mente flutuou em um sono pacífico. A última coisa que ouviu foi uma canção de ninar murmurada em seu ouvido, antes de cair na inconsciência.

Enquanto Harry encontrava seus mortos, todos os outros passavam por suas próprias experiências. Duda estava um pouco assustado no início, mas as ervas, o calor e o vinho era como um manto de paz e entendimento. Mesmo sem ser um bruxo, ele pode sentir sua pele se arrepiar e sentiu um beijo com cheiro de canela tocar seu rosto. O aperto em seu ombro era confortador e o cheiro de bolo de chocolate parecia ampará-lo, ele nunca se sentiu menos sozinho. Eram seus avós, Duda sabia e pode sentir a impressão de seus cheiros, o conforto e força.

— Queria pedir a vocês que cuidassem da mamãe. — Sussurrou ele. — Avô, avó, mamãe está triste e não sei o que fazer. Vocês poderiam ajudá-la? Prometo que serei melhor, tentarei lhes deixar orgulhosos. Sinto muito ter sido mal antes, espero que ainda gostem de mim. — Sua voz se embargou no fim e Duda abaixou a cabeça envergonhado, mas uma energia a ergueu e os cheiros o envolveu como um abraço.

O abraço era como uma energia quente que o apertava e sustentava, ele se sentiu erguido e, mesmo sem palavras, entendeu o que sentiam, pois ele sentia isso de sua mãe quando ela o abraçava.

— Amo vocês também. Obrigado por acreditarem em mim e por virem até nós hoje. — Disse ele confortado e esperançoso.

Serafina sentiu o abraço de Carole, seu cheiro terroso sempre um conforto, elas foram muito amigas e a coragem e força da cunhada sempre a impressionaram. Lily também a abraçou e lhe agradeceu amorosamente por cuidar do Harry. As duas amigas queridas lhe mostraram alegria com o encontro e Serafina chorou emocionada ao sentir as saudades que a muito não se permitia enfrentar. Perdê-las de maneira tão terrível e continuar com sua vida, ter filhos, ser feliz, enquanto elas nunca puderam, sempre lhe pesou em seu coração. Mas, ali, naquele momento, elas lhe absolveram da culpa e agradeceram por sua amizade.

Falc, queria apenas sentir sua irmã e se desculpar.

— Desculpe... me desculpe por não te proteger ou Louis e por não levar seu assassino a justiça. Perdoe-me. — Ele suspirou quando seu cheiro de flores e terra, que sempre lhe lembrou da estufa do Chalé o envolveu. A energia o abraçou e Falc sentiu paz, amor e suspirou com seu conforto. — Obrigado por vir, irmã. Cuide da mãe, por favor.

Terry sentiu sua tia e sua energia o aqueceu e confortou, era como ser abraçado e ao mesmo tempo apresentado a alguém especial

— Também estou feliz em conhecê-la, tia. Sinto muito orgulho de ser seu sobrinho, por sua coragem e destemor. Eu... não sei se tenho isso em mim para ser o amigo que o Harry precisa e não sei como o ajudar... — Terry suspirou trêmulo. — Queria que estivesse aqui para me dar conselhos e me ensinar a ser como você.

O cheiro terroso aumentou, o calor e conforto o envolveu e Terry se sentiu muito amado. A sensação era de segurança e confiança, seu espírito foi elevado e ele entendeu sua mensagem.

— Você acredita que posso fazer o que eu quiser? Mesmo... que o que eu quero, não é o que todos esperam de mim? — Sussurrou com os olhos fechados e a resposta veio como um beijo suave em seus cabelos, o sentimento da energia era de orgulho e confiança. — Ok, eu tentarei. Obrigado por vir e cuide da vovó, ela sente muito a sua falta.

Sirius sentiu o cheiro da grama e lírios o envolver, suspirando, sentiu a tristeza e culpa apertar seu coração.

— Sinto tanto, eu daria minha vida, tudo, para tê-los aqui. Eu devia ir aos seus túmulos, mas... é tão difícil encarar que vocês se foram para sempre e não sei... como viver minha vida sem vocês, depois de Azkaban. A OP, ser um auror me faz sentir útil, quero ser um padrinho que o Harry se orgulha em ter, mas... as vezes, me sinto perdido... — Sirius sentiu uma brisa e calor o envolveu, gratidão e amor, coragem. — James, você sempre sabia o que queria, nunca teve dúvidas e Lily, você era tão forte, tão corajosa. Eu era tão tolo, acreditava que tínhamos todo o tempo do mundo, que poderia protegê-los, confiei em Peter e... Harry e vocês pagaram um preço terrível pelos meus erros. Sei que não me odeiam, mas preciso que me perdoem... — A brisa ficou mais forte e o sentimento de amor e perdão ficou mais forte, engasgado, Sirius chorou. — Obrigado, muito obrigado por isso, por virem aqui hoje e pelo Harry, ele é o que me faz querer ser melhor, me faz querer viver e foi o sacrifício de vocês que lhe salvou. — O cheiro de lírio aumentou, era gratidão e um pedido. — Eu cuidarei dele, prometo, nem sempre sei como, Harry é tão especial. Você tinha razão James, ele é melhor que vocês, melhor que todos nós e me sinto privilegiado de estar ao seu lado. Por favor, cuidem dele também.

O calor se tornou mais forte, como um abraço de conforto e afirmação. A brisa quente e suave mudou, o cheiro de poções e lavanda o envolveu junto com um calor tão forte que parecia queimá-lo.

— Sr. Fleamont, Sra. Euphemia... — Sirius os identificou e sorriu suavemente. — Obrigado por virem... sinto tantas saudades... — Sua voz se embargou. — Eu sinto muito... meus erros, James, não consegui protegê-lo... Me perdoem... — Ele soluçou e sentiu o abraço de conforto e amor. — Prometo fazer melhor, cuidarei do Harry... — O calor oscilou parecendo discordar e Sirius entendeu. — Cuidarei de mim também... os deixarei orgulhosos, honrarei o apoio e crença que sempre tiverem em mim... — Outra vez o calor oscilou e Sirius suspirou. — Não sei... eu... — Mas o calor lhe abraçou lhe dando confiança e coragem, o cheiro de poções o apertou suavemente e Sirius suspirou energizado. — Eu prometo, tentarei seguir meu coração. Obrigado por tudo e cuidem do Harry, ele precisa tanto de vocês.

Sr. Boot suspirou ao ser cercado por uma energia amorosa de cheiro terroso.

— Minha menina... — Ele sorriu suavemente. — Como é bom te sentir outra vez... quantas saudades, estou tão feliz que veio, obrigado, e agradeço também pelo privilégio de ser seu pai. Queria lhe pedir para cuidar de sua mãe, ela está partindo, sua mente e sua alma estão nos deixando. Cuide dela. — A energia o abraçou com força, tanto amor. — Eu ficarei bem, ainda não é o meu momento, tenho muito o que fazer, levarei o seu assassino a justiça e o farei pagar pelo que fez. Preciso ajudar seu irmão, toda a família, a vencer a próxima guerra, ganhei um novo neto, que tem um peso grande em seus ombros e você estava certa, filha, não podemos deixar de lutar contra o mal, todos os dias. Pretendo ajudá-lo a carregar esse fardo, me penitenciar por falhar com você e, só então, poderemos nos reencontrar, mas nunca, nunca a esquecerei, Carole, sempre estará em minhas lembranças, em meu coração. Mas, agora tenho que seguir em frente, a dor e o luto não podem continuar me paralisando. — O cheiro terroso se tornou mais forte e exigente. — É claro que não estou zangado com você, filha... Merlin, tenho tanto orgulho, tanto, você é tão forte e corajosa, vou honrar isso, lutarei até meu último suspiro. — O calor o abraçou e expressou mais amor. — Também te amo, minha menina.

Petúnia estava tremendo quando caminhou pelo jardim até o gazebo. Mal se reconhecia como a mesma Petúnia do último Natal, quando recebeu a visita do Harry e estava apavorada com as mudanças que sua vida com certeza teria ao ver como seu sobrinho estava diferente. Por meses, ela fingiu e empurrou para o fundo da mente suas preocupações, tão covarde e tola como sempre foi, desde sempre. Então, o verão chegou e tudo implodiu como qualquer um poderia prever, menos ela... Não, não era verdade, no fundo, ela sabia, mas se recusou a admitir. Petúnia não estava cega, apenas mentiu para si mesma, de novo, de novo e mais um pouco.

Sua conversa com Dumbledore a impactou, cada uma de suas palavras jamais seriam apagados de sua mente, mas foram suas palavras sobre o futuro que mais a chocaram; "Quando vai tentar se redimir? Em seu leito de morte? Quando for tarde demais e nada possa ser feito para que seu sobrinho a perdoe e a ame? ". Ela perdera o equilíbrio, literalmente com essas palavras, a culpa que sentia a cada dia, em cada respiração, quase a sufocou e, naquele momento, Petúnia não pode fingir, mentir, se esquivar da verdade. Antes de partir, o bruxo imponente e assustador lhe deixou mais uma mensagem; "Seu tempo está acabando, Petúnia, em poucos anos, Harry passará por aquela porta e deixará esta casa para sempre e você terá perdido a chance de se redimir com sua irmã. ".

Se fosse sincera, Petúnia admitiria que se redimir com sua irmã não era uma preocupação urgente ao longo dos anos, suas maiores preocupações eram tentar salvar o seu casamento, manter seu filho seguro e proteger seu sobrinho da maneira que pudesse. E, ela fracassara em tudo... No entanto, a verdade dessas palavras a assombraram por semanas, o tempo... o tempo se esvaia e, muito em breve, ela perderia o Harry, ele partiria para sempre e nunca mais o veria. Então, houve o acidente e sua covardia quase o matou, naqueles segundos em que levou para chegar até ele e sentir seu coração batendo... tempo... segundos de terror e angústia, minutos de pavor que ele não sobrevivesse ou tivesse sequelas e, apenas quando o médico garantiu que Harry estava fora de perigo, Petúnia percebeu. Naqueles momentos, ela não foi ninguém além de sua tia, sua cuidadora e responsável e... foi tão fácil... Deus a ajude, mas foi tão fácil se preocupar, cuidar e amá-lo, como foi quando Harry era um bebezinho tão doce. Petúnia não precisou pensar, refletir e escolher um lado, tomar uma decisão, apenas agiu como seu coração e instinto a conduziu a agir, e nunca se sentiu tão forte, tão bem consigo mesma, tão leve de um peso que parecia oprimir sua alma, seu coração. E, então, ela sabia o que tinha que fazer, foi doloroso e assustador, mas libertador, como se amarras invisíveis fossem rompidas e, de repente, ela pudesse respirar, caminhar, falar e ser quem devia ser.

Mas as palavras de Dumbledore sobre o tempo voltaram a assombrá-la em sua conversa com Harry; "Ela está morta! Ela só viveu e viverá até os 21 anos, apenas e.… foi-se. Ela não tinha tudo, ela tinha tão pouco tempo para viver, se o destino foi cruel em não lhe dar magia, imagine como cruel ele foi para ela. ". Como doeu ouvir isso, como doeu perceber a sua tolice e... o desperdício... tempo... tempo...

Durante meses, vivendo em sua antiga casa de infância e tentando se reerguer e se reencontrar, Petúnia evitou o quarto de sua irmã. Vergonha, culpa, tristeza, os sentimentos que nunca se permitiu sentir ou entender antes e uma parte dela sabia que precisava encará-los. Sua hesitação a colocou em um limbo, não era o processo de divórcio, a falta de dinheiro, adaptação a nova vida ou suas dúvidas profissionais. O que a manteve paralisada foi o luto, a culpa e o auto ódio, a certeza de que o que fizera nunca teria perdão.

Assim, ela se concentrou em ser uma mãe melhor para Duda, a apoiá-lo em todas as mudanças em suas vidas e educá-lo sobre o certo e errado, como sempre deveria ter feito. Estava orgulhosa dele por suas notas melhores, perda de peso e novas amizades. Também tentou apoiar o Harry, mesmo que a distância, e manteve qualquer de seus próprios problemas em suspenso.

Então, no Festival..., ela sentiu uma necessidade estranha de participar do Ritual e... era difícil explicar os sentimentos, a exaltação, purificação. Petúnia estava confusa, pois não era uma bruxa, mas, quando o sino começou a tocar e todos a girar em volta da fogueira, isso não importou. Ela sentiu como se fosse elevada, sua mente livre de pensamentos negativos, seu coração sem tristeza e angústia, sem culpa ou vergonha. Por algumas horas, Petúnia se sentiu jovem, limpa e esperançosa, mas a realidade a alcançou rapidamente e foi doloroso, muito doloroso...

Assim, quando esse Ritual Yule foi mencionado, ela decidiu participar, precisava começar a se redimir com sua irmã e o primeiro passo era se desculpar. Talvez, Lily não a odiasse tanto e poderia perdoá-la, talvez... depois disso, Petúnia poderia não se odiar tanto... talvez... Houvesse tempo para ser uma pessoa melhor, deixar seus pais orgulhosos e ser feliz.

O cálice foi lhe estendido pela Sra. Honora, com seu sorriso doce e ela bebeu, sentindo o corpo esquentar e sua mente rodar. Ela não podia sentir a magia no ar, mas seu corpo se arrepiou e tudo se moveu lentamente, os cheiros a envolveram até que uma brisa estranha acariciou seu rosto, era suave e cheirava a bolo de chocolate como o que ela fez essa noite para seu pai.

— Papai... — O cheiro se tornou mais forte e pareceu abraçá-la. — Papai, sinto tanto, tanto, me perdoe, por favor... — A brisa se tornou mais forte, agitada e exigente, Petúnia entendeu e soluçou. — Não, não, o senhor não falhou ou me decepcionou, eu vejo agora, lembro me como era. Quando estou em nossa casa, andando pelos cômodos, cozinhando na cozinha, me lembro de como maravilhoso era ter você e seu amor. Eu falhei... me distanciei e não valorizei o que tinha, fui eu, que não me deixei ser amada, alcançada por seu amor... — O cheiro de canela chegou mais devagar e hesitante, acariciou seu rosto como um suspiro. — Mamãe... obrigada por virem, obrigada por não me odiarem... — Os cheiros se tornaram mais forte e Petúnia suspirou quando sentiu o amor abraçá-la como um manto quente. — Sinto tanto, entendo tantas coisas agora... o tempo, como fui tola... perdi o pouco tempo que tinha com vocês e Lily, invejando, culpando, amarga e triste pelo que não podia ter, não percebi como o que eu tinha era valioso... minha família. Nos últimos meses, me lembrei como era ser uma Evans, ser sua filha, ser amada e querida. Eu não via antes e sinto tanto, tanto... Harry me mostrou, ele é tão forte e corajoso, seus olhos, seu amor... é como se ele tocasse em meu coração e me curasse, mas não é rápido, estou curando lentamente e, para ser alguém melhor, preciso de vocês, preciso que me perdoem. — A energia pareceu elevá-la e Petúnia suspirou quando flutuou, sua mente relaxou e vozes sussurraram na brisa suspirada.

"Nós a amamos, sempre terá o nosso perdão e apoio. Se perdoe, filha..."

— Oh... — Petúnia soluçou de saudades, tanto tempo sem ouvir essas vozes, tanto tempo, tão pouco tempo para tê-los... — Obrigada, vos amo muito e nunca mais me esquecerei de quem sou, prometo.

Uma brisa mais forte se agitou e um cheiro suave de lírios se aproximou com cautela.

— Lily? — Petúnia sussurrou e tremeu, o cheiro de lírios se acentuou, mas não era amoroso e sim distante. — Eu... eu... Lily, eu queria ser uma bruxa poderosa, por apenas um dia, e voltar no tempo, para aquele primeiro dia em que você fez as flores se abrirem no jardim. — O cheiro se tornou mais forte, mas nada expressou. — Eu te amava tanto e tanto, minha irmãzinha, éramos tão jovens e inocentes, tudo parecia uma brincadeira e estávamos encantadas pelo mundo. Então, a inocência se foi, eu cresci e percebi um mundo mais cruel, injusto e desigual, não era sua culpa, de ninguém, na verdade, a vida é assim... Eu devia ser feliz por você, mas doeu tanto... tanto, não ir com você, não ser uma bruxa e vê-la partir... Nada justifica o que eu fiz, Harry... — O cheiro se agitou exigente e Petúnia soluçou, seu corpo oscilou pelo peso da vergonha e culpa, os cheiros de canela e bolo de chocolate voltaram e a ampararam. — Sim, sim, seu Harry, ele não merecia, eu sei e você também não. Ele me fez ver, me disse... — Sua voz se embargou de tristeza. — Tempo... tivemos tão pouco tempo... tão pouco e eu desperdicei, joguei fora o seu amor e amizade, nossa relação e... hoje, os motivos são tão tolos e esfarrapados. Lily, queria tanto voltar no tempo e recomeçar, ser a irmã que você merecia, te apoiar, amar e proteger... — A brisa se agitou fortemente e Petúnia se encolheu. — Sim, Harry ainda está aqui, é tão fácil amá-lo, o difícil foi tentar não lhe dar o meu amor por todos esses anos. Ele é especial, porque veio de você e por ele mesmo, estou tentando me redimir, com você e com o Harry... sei que não tem perdão o que fiz, mas... — O cheiro se tornou quente e agitado, Petúnia sentiu-se fraca e suspirou, perto da inconsciência.

"Ame meu filho, Tuney, cuide dele e não o machuque mais, só assim posso te perdoar, só assim o passado não importará... Eu te amo, ainda somos família e sempre seremos... Ame-o, Tuney, por favor...

— Eu farei, eu prometo. — Sentindo uma sonolência estranha, Petúnia suspirou. — Tentarei o ajudar como você faria, Lily... vou me redimir com todos vocês... prometo... amo-os tanto... tempo... tão pouco tempo...

Honora viu o fogo estalar quando jogou o vinho nas chamas e sentiu sua mente se agitar com uma lucidez e clareza estranha. Sentiu-se jovem e forte, real e saudável, então, o cheiro de flores e terra a envolveu... tudo se tornou mais e mais. O gazebo era claro e quente, o mundo branco e lindo.

— Senti tanto a sua falta, sei que em breve estaremos juntas, minha magia se prepara para a minha partida. — O cheiro terroso a apertou com amor. — Também te amo, tanto... não há um dia em que não pense em você e espere o seu retorno... Naquele dia, quando saiu para a missão e nós discutimos, não entendi sua coragem, seu destemor, apenas queria te proteger de todos os perigos do mundo. Sinto tanto por não ter lhe apoiado, uma parte de mim ainda está presa aquele momento, esperando a porta se abrir e você voltar para casa, mas isso nunca acontecerá... Lamentei e lamentei, me culpei e chorei de desespero... me enraiveci contra o destino até que... eu fugi da realidade, me tranquei em minha mente, me recusei a superar a tristeza, ignorei minha família que precisava de mim... — Honora sentiu os olhos se encherem de lágrimas e olhou em volta. — Não estou aqui hoje para te encontrar, Carole, estou aqui para ajudá-los, compensá-los por minha ausência, passada e futura. — Ela sorriu para o neto, para o filho e a nora, o marido e a nova família que crescia a sua volta. — Eu falhei com eles e não com você, é muito claro, agora, você era tudo, tão forte e valente. Seu assassino é o único culpado, mas eu fui fraca, não consegui submergir de toda a dor que sua morte provocou... — O cheiro se agitou se encolhendo contra ela. — Não, não é sua culpa, filha... tenho tanto orgulho de você... em breve nos encontraremos... Obrigada por vir até nós essa noite para a celebração do Yule, esse será o melhor Natal que tivemos em 12 anos. Obrigada a todos por virem e os convido para se sentarem na mesa que preparamos em suas homenagens, para celebrarmos como uma grande família.

Harry acordou e se sentiu descansado, acolhido e amado, parecia que dormira por horas, mas foram apenas alguns minutos. Suspirando, se esticou e olhou em volta, a magia, calor e cheiro ainda envolvia o gazebo, mas o ritual parecia ter terminado. Todos pareciam emocionados e leves, sorriam suavemente, com marcas de lágrimas no rosto.

— Bem, agora que toda a família está presente, celebremos. — Disse a Sra. Honora e apontou a mesa farta.

Todos acenaram e se sentaram, ninguém fez perguntas, apenas passaram a comida entre si e Duda, curioso, apontou para um jarro no centro da mesa.

— De onde veio as tulipas amarelas? Não me lembro delas estarem aqui.

Sra. Honora sorriu suavemente e, emocionada, disse:

— Ela é um presente para nós, meu jovem, um agradecimento por convidá-los para a nossa celebração.

Harry sorriu, sabendo que eram as flores preferidas de Carole e trocou um sorriso com Terry. Sua tia parecia um pouco cansada, mas seus olhos brilhavam de emoção e... esperança, talvez.

— Quero propor um brinde. — Disse o Sr. Boot erguendo a taça de vinho. — A família!

— A família! — Todos erguerem seus copos, beberam e depois começaram a comer.

A conversa se iniciou, sobre a deliciosa comida e como essa ou aquela era a preferida de James, ou Carole, ou Fleamont. Em pouco tempo, estavam contando histórias sobre os seus amados e rindo das mais engraçadas ou se emocionando com as mais tocantes. E, durante toda a ceia, todos a mesa sentiam suas presenças e sabiam que estavam compartilhando essa celebração especial com eles, como uma grande família.

Outra família grande e animada iniciou a manhã de Natal com muito barulho e risos. Com o novo emprego de Arthur, todos se sentiram mais aliviados e esperançosos. Ginny, particularmente, nunca se sentiu tão bem, tão leve e alegre, parecia que todas as dúvidas e angústias tinham desaparecido. Nos primeiros dias, ela se sentiu hesitante, um pouco vazia e enjoada, ao mesmo tempo, o cansaço e a escuridão que pareciam cercá-la constantemente, não estavam mais lá. Ela passou um bom tempo com sua mãe, ajudando com as preparações de Natal, preparando doces que seriam enviados de presente para membros da família, embrulhando presentes e apenas curtindo sua voz e cheiro. Claro que isso apenas preocupou seus pais ainda mais, porque ela jamais fez nada disso sem reclamar ou tentar fugir para se divertir com os irmãos.

No entanto, enquanto os dias passavam, Ginny parecia cada vez melhor, se alimentando bem, rindo, brincando ou brigando com os irmãos. Sua agitação natural retornou, sua magia reacendeu e ela parecia a alma da casa com seu fogo e alegria, como sempre. Assim, eles relaxaram aos poucos, concluíram que seu abatimento era por causa da Luna e que sua atitude prestativa era saudades misturada com maturidade, afinal, como disse Arthur, "Ela está crescendo, querida".

Ginny não entedia porque se sentia tão bem, mas guardou sua confusão para si mesma, uma parte dela queria muito que Bill viesse passar o Natal em casa, assim poderia desabafar com ele. Seus pais estavam ali, mas não era o mesmo, além disso, temia que eles a levassem ao St. Mungus e descobrissem que ela estava ficando louca, a impedissem de voltar para Hogwarts ou a internassem para sempre. Infelizmente, Bill não conseguiu folga, mas, Charlie sim, porque no ano anterior ele ficou na reserva de dragões trabalhando direto, pois, na época, todos esperavam que Ginny e seus pais o visitariam. Seus pais cancelaram a viagem e seus irmãos voltaram para casa de Hogwarts e foram obrigados a ouvirem a maior das palestras que qualquer um deles já ouviram de seus pais. Molly estava sempre gritando e explanando, mas Arthur era do tipo silencioso, assim, quando ele falava era importante ouvir.

Percy parecia focado em fazer tudo certo e obrigar seus irmãos a mesma atitude por medo de perder seu distintivo de monitor ou não conseguir o de monitor-chefe. Na verdade, ele não confessaria a ninguém, mas vinha tendo pesadelos sobre isso e apenas sua namorada parecia conseguir lhe tranquilizar. Ron estava dedicando mais horas dos seus dias para os deveres de casa, estudos e suas notas melhoraram muito. Ainda estava longe de serem o ideal, Molly deixou isso claro, mas houve evolução, assim Ron pode ter um feriado tranquilo e dormir, comer e se divertir sem sermões ou ter horas de leitura. Quer dizer, eram férias, quem lia nas férias?

Fred e George estavam de castigos, mesmo com o final feliz e alegria de passearem pelo Beco, comerem e comprarem alguns pequenos deleites, seus pais não deixaram de se lembrar da punição. Eles não reclamaram, aceitaram e obedeceram, porque sabiam que estavam errados, porque queriam conquistar suas confianças e porque estavam cansados de serem considerados idiotas irresponsáveis. Queriam que seus pais acreditassem neles e os levassem a sério como faziam com seus irmãos mais velhos, principalmente quando apresentassem suas ideias e planos para o futuro profissional, tanto seus projetos particulares, como os com o Harry. Assim, apesar de chateados por perderem a reunião com o Sr. Brand, os dois se calaram e apenas fizeram o que foi ordenado.

Quando Charlie chegou no dia 24, a festa ficou ainda mais divertida e na manhã de Natal a família quase se sentiu completa. Eles foram abrir os presentes antes do café da manhã e riram, agradeceram e pularam de diversão com seus presentes. E, neste momento, ouviram uma batida na porta da frente, surpresos, todos se olharam.

— Estamos esperando alguém, Molly querida? — Perguntou Arthur se levantando.

— O que? Não, hum... tia Muriel talvez apareça ou não para o almoço... você não acha que Bill...? — Seus olhos se arregalaram quando se levantou e correu para abrir a porta.

Não era Bill e sim um casal muito sorridente.

— Feliz Natal! — Eles exclamaram juntos.

Todos os Weasleys apareceram atrás da mãe e encararam os estranhos espantados.

— Feliz... Natal..., hum, quer dizer... Quem são vocês? — Arthur abriu mais a porta e perguntou, já que sua esposa parecia emudecida.

— Oh! Somos Joshua e Emily Lewis. — Disse Joshua se apresentando e a esposa. — Somos da, The Best Candy! — Gritaram juntos cheios de animação.

— E, estamos aqui para entregar o presente de Natal de Fred e George Weasley! — Disse Emily e mostrou o pequeno baú colorido que segurava.

— Para nós!? — Exclamaram eles juntos e com expressões idênticas de espanto.

— Sim e agora conhecendo-os, entendo porque são duas mesas. — Disse Josh divertido. — Se nos derem um momento, as montaremos para vocês antes de partimos para as outras entregas especiais de Natal.

— Sim, sim, claro, mas... mesas... O que exatamente... — Molly finalmente encontrou voz e deixou o casal entrar, depois os conduziu para a cozinha onde todos assistiram abismados o que eles faziam.

Josh retirou duas mesinhas vermelhas do baú que Emily segurava e, com um aceno de varinha, as ampliou. Elas eram mesas pequenas, de um metro de diâmetro cada, mas tinha espaço suficiente para os doces trazidos serem estrategicamente espalhados e formarem uma decoração bonita e apetitosa. Eles trabalharam rápido e sem perderem o sorriso ou entusiasmo, quando terminaram, suspiram contentes.

— Esperamos que gostem, preparamos tudo com muito carinho e queremos que nossos doces tornem seus Natais ainda mais especiais. — Disse Emily docemente.

— Sim. Por favor, se tiverem qualquer dúvida ou reclamação, não hesitem em nos contatar, para nós é importante sempre melhorar. — Acrescentou ele solenemente.

— Temos que ir agora, temos um grande entrega para o Orfanato do Abortos. — Disse ela se encaminhando para a sala de estar.

— Espere! — George exclamou, apesar da dificuldade em tirar os olhos das mesas. — Quem? Quer dizer... quem nos presenteou?

— Oh! Tinha me esquecido. Aqui tem um cartão para vocês e tenham todos um Feliz Natal! — Disse Josh seguindo a esposa.

— Feliz Natal! — Responderam os Weasley fracamente devido a surpresa, Arthur os acompanhou para a saída e fechou a porta depois de observá-los caminhar pelo jardim até o ponto de aparatação.

Não tinha se passado mais que 5 minutos e agora a cozinha da família estava cheia de doces deliciosos, bonitos e coloridos.

— Quem mandou tudo isso a vocês? — Ron perguntou sem conseguir disfarçar a inveja pelo presente dos irmãos.

— Fred e George! O que vocês aprontaram dessa vez!? — Molly disse com expressão severa, mas o choque lhe impediu de gritar.

— Querida, deixe-os ler o cartão. — Disse Arthur sensato.

— Leia, Georgie, assim podemos experimentar algumas dessas gostosuras. — Ginny tinha um sorriso enorme. — Tem cupcakes! Montes de cupcakes! Como os da revista de produtos que estávamos olhando!

— O que é um cupcake? — Perguntou Charlie com seus cabelos ruivos soltos e bagunçados. — E o que são esses ursinhos coloridos? O que é esse monte de doces?

— São doces trouxas, temos a revista de produtos que diz o que é cada um. — Disse Fred ansioso. — Podemos pegar depois, mas agora quero saber quem nos enviou esse presente. Leia, George.

— Ok. — Disse George e abriu o envelope onde havia um cartão de natal colorido. — "Caros amigos, Fred e George, espero que meu presente os encontre bem e felizes. Quando pensava com o que presenteá-los neste Natal, queria algo que os simbolizassem, algo que mostrasse o meu apreço por nossas amizades e algo que pudessem compartilhar com suas famílias. Conheço-os e sei que, assim como é para mim, para vocês, família é o que há de mais importante no mundo. Bem, amigos vem logo em seguida e espero que compartilhem a doçura dos meus presentes com sua família, assim como minha afetuosa amizade. Feliz Natal, Fred, George e Família Weasley. Com toda a doçura do mundo, Harry Potter"

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos e, então, Fred e George se olharam.

— Harry! — Exclamaram e depois sorriram. — Tinha que ser.

— Ele é cheio de surpresas. — Disse George, olhando para os doces com carinho.

— E, um bom amigo, pelo jeito. — Disse Chalie pegando um ursinho azul e jogando na boca. — Hum... um ótimo amigo.

— Espere, vou pegar a revista, assim podemos saber o nome do que estamos comendo. — Gritou George correndo escada acima.

Quando voltou sua mãe tinha uma expressão severa e Fred parecia zangado.

— Isso não é caridade! — Seu irmão exclamou.

— Um amigo não dá esse tipo de presente sem mais ou menos! Um presente caro como esse é um exagero, vocês nem são tão amigos assim e depois do constrangimento que passamos com os Boots há apenas alguns dias. — Disse ela severa. — Digam a verdade! Vocês se queixaram da nossa situação e pediram esses doces como presentes de Natal! Nem pensem em mentir! Eu vi como olharam para essa loja, The Best não sei o que, e como ficaram para cima e para baixo lendo essa revista com sua irmã. Depois escreveram uma carta para ele e nem esconderam isso.

— Não escondemos porque não tinha nada para esconder. — Disse George engolindo a amargura em sua boca por suas palavras desconfiadas. — Escrevemos ao Harry para lhe desejar um Feliz Natal, dizer obrigado por nos ajudar depois do Festival e dizer que não poderíamos visitá-lo na semana que vem como tínhamos combinado, porque estamos de castigo. — Ele não disse que também agradeceu pelo emprego de seu pai. — Ah, também lhe contamos que nosso pai tem um novo trabalho.

— Além disso, nós somos muito bons amigos e nunca pedimos nada ao Harry, contamos que o papai tinha perdido o emprego, mas o presente foi iniciativa dele, assim como veio dele enviar seus uniformes e livros do primeiro ano para a Ginny. — Fred parecia ter perdido o brilho e animação de antes.

— Harry é assim, ele se preocupa com todo mundo e está sempre pensando em como ajudar ou tornar a vida de todos um pouco melhor. — George disse chateado. — Mas isso não é caridade, é amizade e ele não nos ofenderia nos dando algo caro demais e fútil.

— Sim, ele nos deu alguns doces, mãe, para compartilhar com a família. É um presente para todos nós e não vamos devolver. — Fred disse teimosamente.

— É claro que não devolverão. — Disse Arthur e olhou para a esposa. — Molly, é Natal e foi um presente muito doce e pensativo, ainda não conhecemos o Harry, mas, é óbvio que ele gosta muito dos meninos. Seria uma grande ofensa devolver um presente de Natal tão bonito.

— Ok. Talvez. — Molly suspirou. — Estou exagerando, mas é que me parece muito para uma criança gastar em um presente. O que seus guardiões vão pensar de nós?

— Não é um presente, mãe, são dois e são apenas alguns doces que, aliás, estou louca para experimentar. — Disse Ginny tentando trazer alegria para os rostos dos irmãos. — Posso pegar um cupcake, por favorzinho!?

— E o que são esses doces coloridos aqui? — Disse Charlie pegando um macaron roxo.

— Hum... deixe eu ver... Macaron! — Exclamou George e pegou um também. — Hum... tão bom.

— O cupcake também, hum... tem recheio de framboesa. Eu amo framboesas! — Ginny exclamou rindo com chantilly azul no nariz.

— E o que são os ursinhos? — Perguntou Ron pegando alguns coloridos e colocando na boca.

— Gomas de ursinhos. E, esses são brownies, hum... aqui são trufas, bombons, aqui muffins, hum... recheado com banana, que delícia.

— São todos doces trouxas? — Arthur finalmente se aproximou. — Que engenhosos, como eles fazem essas coisas...

— Gomas. — Disse George com a boca cheia de muffins.

— Gomas em forma de urso sem magia? — Perguntou encantado e provou junto com os filhos um pouco de cada.

Molly também se aproximou e recebeu de Charlie algo chamado bark e também provou os fudges, decidindo que os seus eram muito melhores, mas teve que admitir, contrariada, que os cookies eram espetaculares.

O Natal dos Weasleys acabou por ser bem diferente, ainda era animado, alegre, cheio de comida, risos, brincadeiras e presentes, mas não houve café da manhã ou sobremesa depois do almoço. Na verdade, mesmo a deliciosa comida da Sra. Weasley sobrou mais do que o normal porque os doces trouxas enviados por Harry, se tornaram um grande sucesso.

O dia de Natal na Abadia trouxe o resto da família e mais visitantes. Os Coltons e Madakis chegaram logo depois do café da manhã e antes das trocas dos presentes. Sra. Honora era a anfitriã perfeita, parecia iluminada, mais jovem e sorridente. Sua magia, o ritual, as visitas, o Natal ou tudo isso junto, pareciam ter lhe rejuvenescido e Harry pode sentir sua magia agitada, oscilante e alegre. Os presentes foram trocados, as crianças foram brincar de guerra de bolas de neve com os adultos masculinos e as mulheres prepararem o almoço.

Harry ficou dividido entre os dois, mas Sirius o convenceu a entrar no seu time, os dois trabalharam bem juntos, Almofadinhas farejando e Harry acertando os alvos. No fim, os dois eram os únicos que não foram acertados e Harry se aproveitou de sua distração para levitar uma grande bola de neve sobre o agitado cão Wolfhound irlandês negro e derrubá-la em sua cabeça.

— Uhuhh! Eu sou o grande campeão! — Harry saltou comemorando e então saiu em disparada quando Almofadinhas o perseguiu em vingança. — Você não pode me alcançaaar! Você é muito lento e velho! Rá, rá, rá!

Harry era muito rápido, mas a neve fofa o atrapalhava, demorou um pouco, mas, finalmente, ele o alcançou e o derrubou no chão. E, para seu total constrangimento, Almofadinhas começou a lamber seu rosto alegremente.

— Ughh! Não, Almofadinhas... menino mal, me deixe levantar, está muito frio e não tenho pelos como você. — Disse um Harry babado e depois corou quando todos riram dele.

Quando Sirius voltou, estava rindo muito também.

— Quem é velho, garoto?

— Bem, quando não tiver neve no chão, faremos esse teste outra vez e aposto que ganharei facilmente. — Disse Harry sorrindo com petulância.

— Aposta? O que apostamos...?

— Ei! Temos mais convidados chegando! Venham se aquecer e se arrumar para o almoço! — Gritou Serafina e todos voltaram para dentro, felizes, corados, molhados, no caso do Harry, babado e com uma aposta combinada para o verão.

Os Tonks chegaram primeiro, Sra. Honora e Andrômeda se deram bem facilmente, assim como o Sr. Boot e Ted. Nymphadora ou Tonks como insistiu em ser chamada por todos, se mostrou encantada com mais crianças e Tianna, Marvel e Chester Jr ficaram igualmente apaixonados por ela. Jr ria descontroladamente com seus bicos de patos e não quis deixar o seu colo pelo resto do dia.

Remus chegou devagar, hesitante e tímido, mas Sirius o colocou à vontade com brincadeiras e uma xícara de eggnog. Serafina e ele iniciaram uma conversa sobre história da magia, logo o Prof. Bunmi se envolveu e os três compararam alguns eventos históricos que atingiram os dois mundos e como eles influenciaram a vida dos trouxas e bruxos. Harry olhou para tia que parecia anos mais jovem e conversava com Elizabeth e Miriam, ela sorria, ria ou se expressava sobre algo e seus olhos brilhavam. Duda conversava com o Sr. Chester sobre boxe e outras lutas, Sr. Martin ria com as crianças e observava fascinado o focinho de lobo de Tonks. Todos pareciam se encaixar, como uma família deveria ser e Harry suspirou de contentamento.

Mais tarde, depois de um farto, delicioso e divertido almoço, Harry conseguiu um tempo com a Tonks para falar sobre o seu cabelo que cresce quando é cortado de uma maneira que ele não gosta.

— Sra. Serafina acredita que seja uma habilidade familiar herdada e queria saber se tem algo que você sabe que eu poderia fazer para desenvolvê-la, além da capacidade inconsciente de crescer o meu cabelo. — Encerrou Harry ansioso.

— Na teoria, com a magia, tudo é possível, Harry. — Disse ela e olhou para o pai. — Meu pai insistiu que eu fizesse meus estudos trouxas, mesmo que minha mãe fosse contra, mas ele queria que eu respeitasse minhas origens, os dois mundos e que esses conhecimentos fossem uma vantagem para mim. — Disse ela sorrindo. — Sou a melhor recruta em meu grupo, bem, não em vigilância... sou meio desastrada.

Os dois riram, Harry já tinha percebido que ela tropeçava ou esbarrava em tudo, até no ar.

— De qualquer forma, nós bruxos, temos a magia e os trouxas tem a ciência, que está sempre avançando e descobrindo coisas novas. Na medicina, física, matemática, agora a tecnologia dos computadores e assim por diante. — Tonks explicou e Harry acenou, entendendo onde ela queria chegar.

— Compreendo, só porque algo não existe ou aconteceu, não quer dizer que é impossível, apenas não foi descoberto como chegar lá, ainda. — Disse ele e Tonks sorriu, seu cabelo pink mudando para azul neon.

— Exato. Me parece que essa é uma habilidade recessiva... Você já estudou sobre genes dominantes e recessivos? — Ela perguntou e Harry acenou afirmativamente. — Bom, então você sabe como terminou com esses olhos incríveis da sua mãe, enquanto todo o resto de você é..., bem, James. — Eles riram de novo e Harry acenou divertido. — A metamorfomagia também está em meus genes e nos seus, mas em mim ele se manifesta como um gene dominante e, em você, como um gene recessivo. No entanto, não estamos falando sobre cor de olhos ou formato do nariz, Harry, e sim, sobre magia e com magia...

— Tudo é possível. — Harry assentiu pensativo. — Estive lendo sobre metamorfomagia e animagia, pensei que eram parecidos e que um se conectaria com o outro, mas a ligação com seu animal espiritual lhe dá a capacidade de se transformar apenas em seu animal. É algo mais transcendental...

— Espera, eu estudei animagia também, sempre me fascinou, ainda que seja inútil para mim já que posso me tornar qualquer ser vivo, incluindo animais. — Disse Tonks e estendeu a mão, transformando-a na pata de um urso. — Mas me lembro que a transformação animaga exige um grande talento para a transfiguração, mais do que qualquer coisa.

— Sim, mas isso é no método mais comum, Tonks, estive lendo o livro de Aaron Mason e... — Harry lhe explicou sobre como Mason descobriu os rituais antigos e utilizados em outros países.

— Que incrível, lembra um pouco a jornada dos índios americanos, como eles tinham que deixar a aldeia para encontrar o seu animal espiritual, era como um ritual para a vida adulta, sabe, para se tornarem guerreiros de seu povo. — Disse Tonks entusiasmada.

— Mason esteve com esses índios e escreveu sobre isso. Todos os jovens faziam suas jornadas, mas, apenas aqueles abençoados com a magia, conseguiam se transformar em seus animais espirituais. Eles se tornavam os pajés da tribo e realizavam rituais, curas e ensinavam o próximo pajé. — Disse Harry sorrindo. — Hoje, sabemos que eles eram bruxos nascidos de índios não mágicos. De qualquer forma, existem diferenças porque os índios, bruxos ou não, têm uma grande conexão com a natureza e nós não, assim precisamos sentir o chamado e estarmos prontos para encontrar nosso animal espiritual. Se passarmos pelo teste, seu espirito passa a ser um com o nosso, assim, não se exige a necessidade de talento para a Transfiguração, até porque, esse ritual acontece a muito mais tempo do que existe essa arte mágica.

— Fascinante. — Disse ela sorrindo. — E, eu achando que já tinha aprendido tudo o que tinha para aprender, pelo menos nessa área. Você me emprestaria o livro de Mason?

— Claro. Está no Chalé, volto em um instante.

E, ele voltou, encontrando Tonks conversando com Remus sobre seu trabalho nas Fábricas Blacks.

— Eu nunca poderia trabalhar em um escritório, ainda mais com números, morreria de tédio. — Disse ela com expressão de pavor cômico, seu cabelo ficou até amarelo esverdeado como vômito.

Remus riu divertidamente, enquanto Harry se sentou com eles.

— Eu não ligo, quer dizer, meu sonho não era ser um contador, mas é bom ter um trabalho fixo e ainda ver algo bom ser realizado. — Disse ele em seu tom gentil. — Sirius contratou mais de 200 funcionários em todas as suas fábricas nos últimos meses, além dos que já tinham. A produção aumentou, o lucro também, mas, o mais importante, todos ganham um salário justo e estão gostando do ambiente e do trabalho. Sem mais discriminações e maus tratos.

— Seria incrível se fosse assim em todos os lugares, talvez, depois do que aconteceu no Beco, o Ministério e a Suprema Corte mudem as leis. — Disse Harry esperançoso.

— Edgar foi muito corajoso em seu movimento..., na verdade, esse dono da GER, que teve toda essa ideia de reformar o Beco Diagonal... — Remus parecia sem palavras, depois continuou olhando para o Harry. — Você também foi brilhante em reativar suas fazendas e dar emprego a tantas pessoas, Harry, seu pai e avô estariam muito orgulhosos.

Harry sorriu com isso e sentiu seu coração se aquecer. Estivera com seu avô a algumas horas, em um nível espiritual e mágico, mas nunca se sentira tão seguro, nunca sentira uma magia tão forte.

— Remus? — Tonks o encarava com um olhar suave. — Qual era o seu sonho? De trabalho, quero dizer.

— Ah..., algo impossível, infelizmente. — Ele lhe deu um sorriso triste e resignado. — Eu queria ser professor, em Hogwarts, claro.

Harry sorriu com isso, na verdade, combinava bem, podia imaginá-lo como um grande professor.

— Tenho certeza que não é impossível, quer dizer, tem que fazer um Mestre, mas alguns professores acabarão se aposentando em algum momento. — Disse Tonks entusiasmada, seus cabelos se agitaram do pink para o azul neon outra vez.

— Bem... — Remus hesitou sem saber como explicar e Harry decidiu salvá-lo.

— Na verdade, acredito que você seria um grande professor, Remus, mas não em Hogwarts. — Ele disse com um sorriso misterioso. — Sirius lhe contou que tive algumas ideias? Para ajudar a comunidade lobisomem?

— Sim. — Remus o olhou um pouco preocupado que ele mencionaria sua condição.

— Bem, perguntei a ele quem eu poderia confiar que me ajudaria com esse projeto e Sirius me disse que você era perfeito para o papel. — Harry falou sem revelar nada. — Então, estava pensando se podemos conversar sobre isso, em outro momento, claro, e em privado.

— Eu... sim, claro, estou curioso. Você gostaria de marcar algo para semana que vem? — Remus sorriu gentilmente.

— Estarei super ocupado na semana que vem, minha agenda... não importa. — Harry suspirou pensando e depois sorriu. — Na verdade, você tem planos para o fim de semana?

— O que? O fim de semana? Não, nada marcado, apenas adiantar algum trabalho, talvez. — Ele deu de ombros e Harry ficou feliz ao perceber que suas roupas eram novas e bonitas, não esfarrapadas como antes.

— Bom, estarei indo para Hallanon, amanhã na verdade, voltaremos na segunda-feira. Gostaria de ir conosco? — Harry sorriu com entusiasmo.

— O que é Hallanon? — Tonks e Remus perguntaram, depois se encararam e trocaram um sorriso.

— Sirius não lhes contou sobre Hallanon? Ou sobre os Martíns? — Harry perguntou surpreso e, depois que eles acenaram negativamente, mergulhou na história da sua nova família encontrada.

— Primos de James... — Remus parecia emocionado. — Ele ficaria tão feliz.

— Sirius disse o mesmo e estou ansioso para conhecê-los. Venha conosco, Remus, assim teremos tempo para conversar sobre a ideia que tive. — Disse ele sorrindo.

— É uma ótima ideia, assim, você pode descansar, Remus. — Disse Tonks o olhando preocupada. — Você deve estar trabalhando muito pela sua aparência.

Harry viu Remus sorrir um pouco constrangido e percebeu que ele parecia mesmo muito cansado... a lua cheia! Claro, fora lua cheia a apenas 3 dias!

— Uns dias de folga seria bom, pelo que ouvi, Hallanon é um lugar incrível. — Disse Harry e Remus sorriu acenando.

— Ok, vocês me convenceram, irei com vocês para Hallanon. E, quem mais vai, além de Sirius? — Perguntou curioso.

— Oh! Todos os Boots, claro, menos o Sr. Boot e a Sra. Honora, Neville e Hermione também vão. — Harry sorriu animado. — Acredito que será muito divertido.

— E sua tia e primo? — Tonks perguntou olhando para eles rapidamente.

— Não, eles voltarão para Evans House amanhã. — Disse Harry suavemente. — Eu não os convidei, na verdade, porque estarei conhecendo um monte de pessoas, explorando a propriedade e não terei tempo para lhes dar atenção. Talvez, no verão, possamos todos ir lá por uma semana.

Harry não se preocupou com eles ficarem chateados, porque sua tia já tinha dito que pretendia fazer uma grande faxina em casa e doar tudo o que não precisavam mais. Ele até a liberou para doação algumas coisas antigas da casa que precisavam de substituição, enquanto no papel a casa era sua, no fundo, Harry sabia que ela pertencia a sua tia Petúnia e queria que ela se sentisse à vontade para redecorar. Serafina concordou em ir concertar tudo o que estivesse quebrado, rasgado ou envelhecido, além de ajudar com a entrega das caixas. Ele ficou um pouco surpreso ao saber disso, pois, em sua lembrança, tia Petúnia sempre foi muito mesquinha, mas não contestou. Harry pensou que poderia convidar o Duda, mas, aos sábados, ele se encontrava com o pai e ia ao Centro Esportivo, também não tinha certeza se ele quereria deixar a mãe sozinha.

Mais tarde, Harry decidiu lhe perguntar, apenas para ter certeza que não estava sendo mal-educado ao não o convidar.

— Eu agradeço, Harry, mas, não quero deixar minha mãe sozinha logo depois do Natal e ela me pediu para ajudar com a faxina... Nós ajudamos aqui e foi muito divertido. — Duda respondeu enquanto jogavam uma partida de xadrez e bebiam eggnog no fim do dia. — Sra. Serafina disse que eles entregam tudo o que separamos para Orfanatos e Abrigos como os que ajudamos na véspera de Natal.

— Sim, essa ONG se comunica com os Orfanatos e Abrigos de toda a região e distribui de acordo com a necessidade de cada um. — Disse Harry. — Você gostou de ir ao Abrigo? Quer dizer... nunca imaginei que gostaria de ir a um lugar assim, sabe.

Duda baixou a cabeça com certo constrangimento.

— Eu sei... — Pigarreado ele voltou a encará-lo. — Queria te perguntar uma coisa... — Harry acenou o incentivando. — Porque decidiu me ajudar no verão? Depois de tudo o que fiz para você e como me comportava com todos.

— É difícil explicar. — Harry olhou para as peças tentando organizar os pensamentos e ser totalmente honesto. — Instinto, mais do que tudo, acredito e... — Ele hesitou e olhou seu primo nos olhos. — Eu matei alguém no ano passado.

— O que? — Seu primo empalideceu e parecia chocado.

— Foi em legítima defesa, sabe, ele era um professor, mais forte e poderoso, Voldemort o possuía e isso o tornou ainda mais forte. — Harry moveu seu cavalo em um ataque agressivo, como era seu jeito de jogar. — Eu queria vingar a morte dos meus pais, queria sair vivo daquela câmara e, mais que tudo, queria impedir que ele matasse ou machucasse mais alguém outra vez. Eu lutei muito, fui além da minha capacidade e, no fim, venci, Quirrell estava morto e eu vivo, Voldemort fugiu sem concretizar seus planos. Uma semana depois, Dumbledore me largou em frente ao número 4 e eu não era a mesma pessoa que saiu de lá... — Harry hesitou, mas decidiu continuar. — Antes, não sabia quem eu era, Duda, não sabia que era um bruxo, mas, mais importante, não sabia que era Harry Potter, e tudo o que significa ser quem sou, minha família, meus antepassados, meu destino. Eu era só um garotinho abusado, oprimido e solitário, mas... Um amigo me disse que sou um guerreiro e, quando entrei na casa do seu pai, depois de tudo o que passei, não poderia deixá-lo me trancar, escravizar e esfomear. Assim, ameacei sua mãe, seu pai, mas, quando olhei para você...

— Percebeu que eu era igual a esse Quirrell? — Perguntou Duda olhando para o tabuleiro.

— O que? — Harry o encarou e viu sua vergonha. — Duda! Não! Claro que não, você não faz ideia... não há nada em você de Quirrell ou Voldemort. Eles são maus, de uma maneira que você nunca poderia imaginar e espero que nunca encontre esse tipo de maldade. — Ele passou as mãos pelos cabelos tentando se recompor. — O que eu vi era que você era igual a mim, o reverso, mas ainda igual. Perdido, sem direção ou o apoio que uma criança precisa, percebi que você estava tão doente como eu... — Harry contou sobre seus problemas de saúde e o tratamento que ainda fazia. — Duda, sua obesidade também era uma doença e seus pais não pareciam ver, mesmo que te amassem, não conseguiam ajudá-lo. Se tem algo que eu aprendi em meu primeiro ano em Hogwarts, foi que nós não somos nada sem pessoas a nossa volta, sozinhos não crescemos, Duda ou melhoramos. Antes, eu tinha um grande vazio, sabe, mas com meus amigos, professores e os Boots, comecei a crescer, aprender, ficar mais forte e, finalmente, buscar atingir o meu potencial máximo. Assim, pensei que, talvez, pudesse te ajudar de alguma maneira em nossas interações, mas...

— Percebeu que me afastar de meus antigos amigos seria mais efetivo. — Duda sugeriu com a sobrancelha levantada.

— Sim, porque seja para o bem ou para o mal, as pessoas com quem convivemos nos acrescenta, Duda. — Harry suspirou. — Foi um impulso, mentir para seus pais sobre sua pequena ex-gangue... — Harry o encarou e disse com sinceridade. — Não apenas para te ajudar, mas para impedir que vocês machucassem alguém, porque, quer admitam ou não, se continuassem com aquele comportamento, vocês acabariam por fazer isso.

Duda acenou, concordando e ficou em silêncio, talvez absorvendo tudo o que Harry lhe dissera, no entanto, seu primo ainda não terminara.

— Mas, eu não fiz nada, Duda, não de verdade, foi você e a tia Petúnia que fizeram, que decidiram mudar e agir diferente...

— Mas... — Duda tentou protestar.

— Não. Me escute, no início do verão, eu tive essa ideia, era o começo desse plano, pensei que, se agisse diferente com vocês, talvez, com o tempo, pudessem mudar ou percebessem... — Harry deu de ombros. — Bem, que tia Petúnia percebesse que Vernon não a merece e que você precisava de sua ajuda e, talvez, em uma nova escola, com novos amigos e professores, você também mudaria. No entanto, em minha mente, isso demoraria anos e anos, mas, bem..., um dia, poderia ser que vocês não me odiassem... — Harry olhou para o primo rapidamente antes de mover sua rainha e cercar seu rei. — Então, as coisas se precipitaram e tudo mudou, mas, eu não fiz nada, Duda, foram vocês que abriram os olhos e pararam de fugir da verdade, que decidiram ser quem sempre tiveram o potencial para ser. Isso exige coragem, sabe, e determinação, você melhorou suas notas, emagreceu um monte e fez novas amizades com pessoas legais. Você fez isso. — Harry falou com firmeza antes de encerrar. — Cheque mate.

Duda desviou o olhar para o tabuleiro e franziu o cenho.

— O que eu fiz de errado dessa vez?

Harry explicou os movimentos e escolhas que ambos fizeram, depois decidiram jogar mais uma vez.

— Eu nunca te odiei, você sabe. — Duda falou de repente. — Apenas, não gostar de você ou te tratar mal parecia algo normal e esperado, como escovar os dentes ou ir à escola.

Harry acenou entendendo o sentimento.

— Eu também não entendia o porquê, mas, houve um tempo em que pensei que era assim em todas as casas. Os pais amavam os filhos e odiavam qualquer outra criança, por isso sempre sonhava que meus pais poderiam estar vivos e me encontrar... — Harry parou, apertando seu peão com força. — Depois cresci e percebi que o problema era eu, ainda que não entendesse o porquê, até receber minha carta.

— Acho... acho que o problema nunca foi você, Harry e, sobre o que disse antes... — Ele hesitou tentando encontrar as palavras. — Se estou melhorando, como você disse, é porque tenho ajuda, inclusive a sua e... você começou tudo isso e o acidente foi como um tapa na cara, me acordou..., mas, o mais importante, é que você me perdoou, eu não merecia... sei que não e ainda assim...

Harry o olhou preocupado, pois era óbvio que tinha algo que o incomodava muito.

— Tem algo te incomodando, Dud? — Perguntou ele suavemente e, talvez, Duda teria se fechado e dito: "está tudo bem", como vinha fazendo a semanas, mas o apelido de infância, uma lembrança distante, mas, cheia de bons sentimentos, o desarmou.

— Eu... não sei o que fazer sobre o meu pai... — Duda falou baixinho e olhou em volta preocupado que a mãe o ouvisse. — Harry..., você acha que a minha mãe está infeliz?

— Infeliz? Hum... — Confuso com a pergunta, Harry olhou e encontrou sua tia conversando com a Sra. Honora, na verdade, a conversa sobre jardinagem e flores durava mais de duas horas. Petúnia vestia uma calça cinza e quente, uma blusa branca e um casaquinho de lá azul claro, a roupa era de qualidade, mas simples e a deixava bonita, seus olhos marrons esverdeados brilhavam, seu sorriso era sincero, não falso ou forçado. Na verdade, para Harry, ela nunca lhe pareceu tão jovem e... feliz? Não, talvez, a palavra fosse leve.

Encarando o primo, ele explicou sua impressão e viu Duda observar sua mãe por quase 5 minutos antes de suspirar confuso. Harry, então, ouviu com atenção quando o primo explicou sobre sua conversa com Vernon e suas trocas duras de palavras.

— Estou confuso, Harry, porque não quero que ela seja infeliz, mas também não quero voltar a como era antes, sabe. — Disse ele olhando envergonhado para as peças do xadrez.

Harry suspirou tentando controlar a raiva que sentia por seu, felizmente, ex-tio.

— Antes de qualquer coisa, me diga uma coisa. Porque não quer que eles voltem? Pensei que isso o deixaria animado, ter seus pais juntos, eles mimarão você com tudo o que quiser, acredito que ainda poderá ir para sua atual escola se quiser. Seu pai até se mudaria para Londres para te agradar, aposto. — Harry perguntou curioso.

— Bem, hum... é difícil explicar, mas, antes era tudo mentira, Harry, eles me diziam que seus pais e você eram pessoas horríveis e é mentira. Diziam que ser normal é ser melhor, mentira, que eu era melhor que todo mundo e que notas ou tratar bem as pessoas não importava. Mentiras. — Duda parecia magoado. — Eu pensei que meu pai era perfeito, mas... era outra mentira. Mas, o motivo principal é porque eu gosto mais da minha mãe de agora do que a de antes... — Ele olhou de relance para ela do outro lado da sala. — Agora, ela realmente parece se importar comigo, sabe, me diz o certo ou errado, me ensina, me apoia e aconselha. Me leva ao treino, me ajuda com os estudos, convida meus amigos, não importam que sujarão a cozinha com os lanches... — Ele suspirou. — Antes, ela dizia que eu era perfeito obeso daquela maneira e comendo sem parar ou que minhas notas baixas eram culpa dos professores. Me deixava ir aonde quisesse com meus amigos sem se preocupar com o que estávamos fazendo. Agora, parece que tenho alguém cuidando de mim, de verdade, não sei... Harry, você acha que estou sendo egoísta?

— Não sei se tenho como responder a isso, sinceramente, a única pessoa que pode dizer como se sente, se está infeliz ou não, é sua mãe, mas..., bem, posso lhe dizer o que eu penso. — Harry o encarou nos olhos. — Você tem um grande potencial, Duda, todos temos, de realizar grandes coisas, mágica ou não, pouco importa. Seus pais erraram com você e comigo, nunca nos empurraram, nos ensinaram, nos amaram como precisávamos, mas, sua mãe percebeu e ela está tentando ser a mãe que sempre deveria ser. Tia Petúnia também tem um grande potencial, para ser uma boa mãe, tia, amiga... — Harry olhou para ela que ria de algo dito por Adam, que sussurrava em seu ouvido, antes de subir no colo da Sra. Honora. — ... ser humano e contadora. Seu pai a convenceu do contrário, a fez deixar a faculdade e lhe disse que ela nunca seria boa o suficiente, que nunca conseguiria realizar seus planos, tia Petúnia acreditou e desistiu.

— Ele estava errado! — Disse Duda zangado e defendendo a mãe com convicção.

— É claro que estava... — Harry suspirou tentando explicar sem ofender o pai dele. — Lembra-se quando você nos disse que o que levou as crianças a provocarem o Adam e seus amigos foi a insegurança, o ciúme por alguém fazer algo melhor que você ou que ainda não aprendeu?

— Sim, me sentia assim quando alguém era melhor que eu em algo, ficava com ciúmes e tinha vontade de socá-los. — Duda disse fechando os punhos, ainda gordos, mas não tanto como antes. — Mas, não me sinto mais assim... me lembro quando você me disse, no início do verão, que eu poderia aprender e, então, me explicou matemática e ciências... — Duda sorriu meio desconcertado. — Eu entendi, realmente entendi e você disse que eu tinha capacidade, apenas precisava de alguém com paciência e que me explicasse em palavras mais simples. Antes, eu não entendia nada e me achava um burro, ficava com raiva e com medo de zombarem de mim.

— Essa, me parece uma boa explicação de porque você agia como agia e, acredito, que muitos outros bullyings tem os mesmos sentimentos. — Harry mudou seu bispo e levou o primo na direção que queria. — Seu pai é um valentão, Duda, mesmo que seja duro ouvir isso, é a verdade e não vou tentar compreender o porquê, ele que faça terapia e supere seus problemas. No entanto, aposto que quando conheceu a tia Petúnia, ele a viu, bonita, inteligente, esperta, talentosa, com grandes chances de herdar do vovô Brian seu escritório de contabilidade, quem sabe, trabalhar em uma grande empresa. — Ele sorriu com certa frieza. — Vernon deve ter ficado com inveja, ciúmes, inseguro. Imagine, uma mulher melhor que ele? Deve ter se sentido apavorado, e se ela ganhasse um salário maior? Tivesse mais sucesso? O que as pessoas diriam dele?

— Então ele a convenceu que ela era incapaz. — Entendeu Duda, meio enjoado. — Mas... — Seu olhar se desviou para a mãe.

— Porque ela acreditou? Acho que isso é algo que tem que perguntar para ela, Dud, são seus sentimentos, sua história e acredito que seria bom para vocês conversarem. — Harry suspirou e moveu seu cavalo suavemente, prendendo seu rei na armadilha. — Alias, me parece que ela está preocupada com você e que deveria ser sincero, assim como a tia deveria ser, ao responder suas perguntas. Posso não saber muito sobre relacionamentos, mas aprendi outro dia que segredos e falta de confiança não são coisas boas, sabe. E, sobre o seu pai... ele é seu pai, mas, neste momento, vocês estão em lados opostos no ringue, Duda, porque não concordam um com o outro, assim, sugiro que comece a observá-lo como seu adversário. Entenda-o, Duda, descubra suas motivações, seus movimentos, para poder compreendê-los e antecipá-los, assim, poderá se defender e a sua mãe.

Seu primo pareceu desconcertado e um pouco perdido.

— Ele não é seu inimigo, mas suas motivações podem não ser para o seu benefício ou de sua mãe e sim, dele. — Harry explicou e Duda acenou. — E, além de sua mãe, se precisar conversar, pode me escrever ou ao Sirius, mesmo Serafina ou Falc, tenho certeza que o ajudariam.

Ele voltou a acenar e depois sorriu.

— Sra. Madaki disse que tenho jeito para ajudar com os desabrigados, que eles se sentem à vontade e não intimidados comigo. Legal, não é?

Harry sorriu também, pensando em como era bizarro o seu perseguidor particular da infância ser chamado de, não intimidante.

— Quase tão legal e surpreendente como a magia, eu diria.

O dia de Natal terminou quando todos começaram a partir, os avós Madakis foram levados por aparatação para Oxford, a tempo para assistirem o culto de sua igreja. Os Tonks saíram por flu, depois de convidá-los para um almoço de ano novo, que todos aceitaram animados, pois não havia como não gostar de Ted e Tonks, já Andrômeda, passado um primeiro momento, também era alguém muito legal. Remus foi convidado para dormir no Chalé já que, no dia seguinte, eles sairiam cedo para Hallanon e foi a sua casa buscar uma pequena mala.

Eles todos voltaram para o Chalé e, depois de tanta comida e brincadeira, todos foram dormir cedo. Harry estava lendo A Aventura de Pudim de Natal, de Agatha Christie, quando ouviu uma batida na porta e Terry entrou.

— Ei. — Ele o encarou curioso, pois seu amigo estava estranhamente sério.

— Oi, queria conversar com você e espero que não se chateie. — Disse ele sentando em uma poltrona.

Harry se sentou na cama e deixou o livro no criado mudo.

— Porque ficaria chateado? — Harry perguntou cauteloso, seu amigo não sabia de seus segredos, mas tinha informação suficiente para lhe causar problemas com os adultos.

— Eu... decidi não ir para Hallanon neste fim de semana... — Terry disse hesitante. — Amanhã, quero manter a tradição de assistir os jogos do Boxing Day com vovô Bunmi, mas, o mais importante, quero passar o máximo de tempo possível com a vovó Honora, assim, volto amanhã de Oxford direto para a Abadia.

Harry acenou olhando para seu amigo e tentando entender o que seu rosto lhe mostrava.

— Não estou chateado, sei que tem motivos importantes e tudo bem por mim.

Terry suspirou de alívio.

— Já conversei com meus pais e eles concordaram, que bom que compreende.

— Eu não iria tão longe, mas tenho algumas suposições. Imagino que quer estar com sua avó quando ela está tão lúcida. — Disse Harry o incentivando a se abrir.

— Sim... — Terry pareceu triste. — Isso não vai durar e logo partiremos, não sei... se ela se lembrará de mim no verão e... — Terry viu o aceno de Harry e suspirou. — Não quero perder algumas tradições, sabe, com meus avós, como o futebol no Boxing Day. Quero conhecer Hallanon e todos os outros lugares, mas isso é mais importante...

— Ok. E, faz sentido, se estivesse no seu lugar, faria a mesma coisa. — Disse Harry com um sorriso triste, adoraria passar o dia, um único dia, com seus avós.

— Harry, lembra-se quando conversamos antes das férias? Quando eu disse que queria saber o que estava acontecendo para te ajudar, que manteria os seus segredos e o apoiaria? — Perguntou Terry gentilmente.

— Sim, eu te disse que lhe contaria tudo, quando me dissesse que estar pronto, para ouvir, esconder e mentir. — Harry o encarou com atenção.

— Eu não estou pronto e não sei quando estarei, quero ser o amigo que você precisa, mas...

— Terry, pare, você é o melhor amigo que eu tenho no mundo todo e meu irmão. É exatamente o amigo que preciso, e você me apoia, me incentiva, confia em mim e sua fé me faz acreditar que posso realizar o que preciso realizar. — Harry bagunçou os cabelos. — Foi você que me disse que estamos crescendo, aprendendo, que somos jovens e amadurecemos de maneiras e em momentos diferentes.

— Sim, mas, você precisa de mim agora. — Terry suspirou e olhou para o chão. — Não sou tão corajoso como um Gryffindor, Harry e uma parte de mim, quer apenas ficar no fundo e deixar que alguém resolva os problemas. Eu... não sou um líder como você.

— Ora, e o que isso importa? — Harry quebrou a cabeça tentando encontrar uma resposta e se lembrou de uma conversa de meses atrás com Firenze. — Eu também não sou tão poderoso como Dumbledore, tão brincalhão como meu pai ou caloroso como minha mãe, nem mesmo tão bondoso como você. O problema é que você está dividido, eu acho, entre o que você quer ser e quem você é...

— Como você sabe? — Terry perguntou surpreso.

— Firenze. No fim do ano passado, quando conversei com ele e me disse que eu era um guerreiro, Firenze também me disse que sua mente estava em conflito com o seu coração. — Disse Harry suavemente.

— Você nunca me contou sobre isso. — Disse Terry com o cenho franzido.

— Bem, parecia algo pessoal e íntimo, além disso, você tem uma dezena de pessoas com quem conversar, Terry e pedir conselhos. — Harry o encarou. — Não pensou em falar sobre isso com seus pais e avós?

— Não, não quero decepcioná-los, mas... No ritual, minha tia Carole veio até mim, foi incrível conhecer e sentir sua energia. Eu disse a ela que gostaria que estivesse aqui para me ajudar a ser tão corajoso como ela foi, para fazer algo incrível e lutar, mesmo não sendo uma Gryffindor. — Terry hesitou tentando encontrar as palavras. — Senti que ela me disse para ouvir meu coração e ser sincero, por isso vim lhe contar que não me sinto pronto.

— Acho que sua tia é bem esperta e acho que está dando muita importância para classificação das casas...

— Isso porque você tem as características de todas as casas, Harry, eu sou mais Ravenclaw do que qualquer um de nós 4. Sou racional demais, penso demais nas consequências, nas regras, confio nos adultos...

— E, mesmo assim, desceu pelo alçapão. — Harry sorriu quase divertido. — O que importa o seu primeiro instinto quando, no fim, você faz o que tem que fazer? Duvido que, para sua tia, o primeiro instinto foi lutar, na verdade, foi ajudar as pessoas, por isso ela não estava na Ordem e sim ajudando os nascidos trouxas a fugirem e se esconderem. Apenas, quando foi necessário que ela lutasse, que desse sua vida para ganhar tempo para proteger aquelas pessoas em fuga, Carole o fez e você também o faria, Terry.

— Você acha? Acredita que posso ser assim também? — Ele parecia em conflito.

— Você já foi, estava lá comigo e Hermione tentando chegar a Quirrell e detê-lo, mas... — Harry hesitou confuso também. — Acredito que você não tem a motivação, agora, porque tudo está bem, sua família está segura, não existe ninguém em risco de vida ou morte. Para mim e Neville, é diferente...

— Por causa, dos seus pais. — Terry disse suavemente.

— Sim. — Harry pigarreou e se levantando, olhou pela janela, tinha começado a nevar outra vez, o jardim era branco e sombrio. — Eu senti meus pais no ritual, pude lhes agradecer e pedir que sempre estejam comigo, pude sentir o amor que eles têm por mim e foi incrível. Senti meus avós também e... nossa, Terry, eles me fizeram sentir tão seguro e amado, eles eram tão fortes e sábios. Me sinto tão triste por não os ter em minha vida, mas suas perdas, enquanto trágicas, são aceitáveis, mas, meus pais... — Harry olhou para o amigo e deixou que ele visse sua dor, raiva e revolta. — Eles foram arrancados de mim! Por causa desses pensamentos puristas e de um assassino louco e cruel, eles se foram e jamais... — Ele fechou os olhos tentando controlar a dor que se tornou quase insuportável. — Perdê-los desta maneira tão cruel é minha motivação para matar Voldemort e cumprir a profecia, mas, minha motivação para quebrar as regras, investigar e fazer o necessário para impedir sejam quais forem seus planos, vem do meu desejo que proteger a todos. Talvez Hermione esteja certa e eu queira ser o herói, mas, a verdade é que, se eu puder impedir que mais pessoas sejam feridas, mortas, ou que uma criança cresça sem pais, sentirei que valeu a pena.

— O que valeu a pena? — Terry perguntou confuso.

— O sacrifício dos meus pais. — Harry o olhou e sorriu triste. — Eu só estou aqui e posso viver, ser feliz, porque eles estão mortos e juro que honrarei isso, dedicarei minha vida a fazer coisas boas, ajudarei as pessoas e não permitirei que suas mortes sejam em vão. Você entende, Terry? Não é uma questão de casas ou ser ou não corajoso, é uma questão de motivação e escolhas.

— Eu quero ajudá-lo, Harry, essa é minha motivação e escolho fazer isso...

— Terry... não é o mesmo e você sabe. Além disso, você me ajuda, eu te disse isso e não preciso que tire sua varinha e lance feitiços, ou minta para seus pais se não é algo que quer fazer. — Harry falou com firmeza, seu tom de líder atingiu Terry que o ouviu. — Também não gosto de mentir para os adultos e sou eu quem tenho que superar meus problemas de confiança, não você que tem que se tornar desconfiado.

— Estamos os dois mudando e crescendo. — Terry repetiu suas próprias palavras.

— Sim e você me ajuda com isso, como eu te ajudo também. Olha, se não se sente pronto para se envolver com as questões da câmara secreta, está tudo bem e assim que descobrir quem está fazendo isso, informarei o Flitwick e os aurores. Não tenho planos para me colocar ou, qualquer um de vocês, diretamente em perigo. — Harry sorriu suavemente. — Eu disse a Duda hoje que ele deveria conversar com minha tia e ser sincero, acho que o mesmo vale para você.

— Eu devo conversar com sua tia? — Terry disse com um brilho divertido nos olhos castanhos e Harry riu.

— Não, você sabe o que eu quis dizer. Por alguma razão, você parece achar que seus pais ficarão decepcionados com você e isso me parece impossível. Assim, seja o que for, converse com eles, Terry e resolva isso. — Harry insistiu e o viu acenar.

Na manhã seguinte, Harry treinou com Sirius, Duda e Terry bem cedo. Assim que terminaram o café da manhã, sua tia e primo partiram com o carro, prometendo se reencontrarem na semana seguinte. Neville chegou em seguida e eles se cumprimentaram alegremente, seu amigo tinha uma grande e ansioso sorriso em seu rosto.

— Bem, vou buscar a Hermione. — Disse Sirius e seguiu para o ponto de aparatação.

— Acredito que peguei tudo... — Disse Serafina encolhendo as últimas malas e colocando no bolso. — Terry, estaremos de volta na segunda-feira de manhã, bem cedo.

— Ok. — Disse ele sorrindo gentilmente.

Neville pareceu que ia perguntar, mas, neste momento, Sirius voltou com Hermione, que se aproximou deles cheia de animação.

— Como vocês estão? Eu li no Profeta o que aconteceu com o Beco. Tudo está bem agora? Como foi o Natal? Gostaram dos presentes que lhes enviei? Eu adorei o que me deram! Obrigada. Vocês já estão com tudo pronto? Que horas sai a chave de portal? Estou tão ansiosa para conhecer Hallanon e os Martíns! Scheyla prometeu que poderemos cavalgar e eles tem animais mágicos lá. Será emocionante! Vocês...

Hermione falou tudo em um só folego e seus amigos sorriram para sua agitação.

— Merlin, ela não respira? — Sussurrou Sirius para Remus, que estava sentado calmamente em uma poltrona observando todos terminarem de se organizar.

— Devagar, Hermione, e sim, adorei o presente que me enviou, de todos, aliás. Obrigado. Meu Natal foi ótimo, pois convenci minha avó a deixar meus pais saírem do St. Mungus e ficar conosco pelo dia todo. — Disse Neville sorrindo com um brilho nos olhos, depois olhou para o Terry. — Você não vem para Hallanon?

— O que? — Hermione ficou confusa.

Antes de entrarem de férias, todos estavam ansiosos para conhecerem Hallanon, cada um por seus próprios motivos. Neville estava interessado em acompanhá-lo nas visitas a todas as fazendas, pois queria ajudar com suas ideias para as estufas e as estufas de adubos. No fim, ele cancelou, mantendo apenas a viagem para Hallanon, mas Harry não se importou, ele também mudou seus planos e visitou apenas as fazendas das Feiras. Além disso, pretendia conversar com os gerentes, Francisco e Faith, sobre essas ideias e Neville ainda podia estar na reunião se quisesse. Hermione queria muito ir para Hallanon, ela e Scheyla se tornaram boas amigas depois que sua prima ficou mais tempo com eles. Ela também estava curiosa sobre a Mansão Potter, mas Neville disse que não era uma boa ideia, pelo menos, não nesta primeira visita. Já o entusiasmo do Terry vinho do seu amor pelos animais, assim, todos ficaram empolgados com a ideia da primeira viagem deles em grupo para fora da Inglaterra e como isso seria uma grande e divertida aventura. Por isso a surpresa dos amigos com a desistência de Terry, que ficou constrangido com a pergunta.

— Hum..., sim, já disse ao Harry que quero ficar com a minha avó, ela está bem lúcida nos últimos dias e não quero deixá-la. Hoje, estarei com o vovô Bunmi, mas o resto do fim de semana, estarei com ela. — Ele começou hesitante, mas encerrou com mais segurança.

— E, eu disse que tudo bem, no verão poderemos voltar a Hallanon e ter muita diversão, na verdade, com toda a neve que está caindo, faremos muito pouco mesmo. — Disse Harry dando de ombros e deixando claro que não se importava, o que era verdade, ele compreendia o amigo e faria o mesmo no lugar dele.

Seus amigos acenaram sem mais perguntas.

— Ok, então, se está tudo resolvido, temos alguns minutos antes do Portal sair e eu levarei Terry por aparatação para Oxford. Você pegou tudo o que precisava, filho? — Questionou Falc.

— Sim. — Terry se despediu de todos e abraçou os irmãos antes de ir com seu pai.

— Porque vamos por chave de portal? — Perguntou Hermione curiosa.

— Porque é uma viagem muito longa para a aparatação, já tive isso o suficiente no início da semana, alias. E o flu ainda não está ligado em Hallanon, na verdade, apesar da casa estar habitável, a fazenda não está em funcionamento. — Informou Harry e olhando para Neville. — Estou curioso sobre o que você queria falar comigo, parecia ser importante e o fez até desistir de vir nas visitas as fazendas.

— Oh! Não, bem, é importante, mesmo, mas eu desisti porque tinha algumas pesquisas para fazer e como sabia que estaríamos o fim de semana fora, queria passar mais tempo com meus pais. — Disse Neville sorrindo e ao ver seus olhos curiosos, afinal, pesquisar não era sua atividade favorita, continuou. — Explicarei com calma depois...

— Pronto. Podemos partir. — Disse o Sr. Falc entrando na sala. Ele pegou uma chaleira velha e acenou com a varinha. — Ela partirá em 1 minuto, todos a toquem.

Eles se moveram e formaram um círculo tocando a chaleira que brilhou e brilhou. Harry sentiu como se um gancho o puxasse pelo umbigo e tudo a sua volta girou até que o chão branco de neve se aproximou, onde ele pousou desequilibrado e caiu com alguém em cima dele e depois mais alguém. Os adultos ajudaram as crianças a se levantarem e Harry resmungou irritado, enquanto se desamassava e espanava a neve de sua calça. Não existia um único meio de viagem mágica que não fosse desagradável?

Olhando em volta, percebeu que pousaram em um jardim nevado em frente a uma grande casa de pedras amareladas. Poderia até ser chamada de mansão, tão grande era, mas o que mais impressionava não era o seu tamanho e sim sua arquitetura antiga e solida. Hallanon fora construída a uns 800 anos e sua arquitetura medieval seguia a linha romântica com janelas amplas e posicionadas de maneira a refletir a luz, tornando a fachada espetacular. Os telhados eram caídos, angulosos e com curvas que os fez arregalar os olhos impressionados com tanta beleza. Parecia a Harry que Hallanon sempre existira, solida, imponente, mas, as chaminés sem fumaça subindo e as luzes apagadas a tornava bem pouco acolhedora. Na verdade, Hallanon parecia solitária, sem calor e luz, talvez... fosse o inverno, mas, Harry não acreditou nisso.

— Acho que nunca vi uma casa tão linda. — Disse ele suavemente. — E tão... triste.