NA: Olá, antes de mais nada, lamento quebrar a promessa de esse ser o último capítulo antes do fim das férias. Vocês verão por si mesmos quando lerem que esse capítulo enorme, além de seus personagens, ganharam vida própria e eu não pude resumir. Não farei mais promessas, ainda que minha intenção é que o próximo seja o ultimo e, então, voltamos para Hogwarts.

Como ficou tão grande, eu não fiz revisão dupla, assim, sejam pacientes com os erros.
Espero que gostem e, por favor, revisem. Até mais, Tania

Capítulo 61

Alguns acenaram concordando com sua avaliação, pois tinham a mesma sensação.

— Deve ser porque está vazia a mais de 30 anos, Harry. — Disse Falc e subiu a escada de pedras até a pequena varanda da frente, abriu a porta dupla de madeira para um vestíbulo amplo e iluminado.

Na verdade, a casa era toda bem iluminada, pois havia janelas amplas em todos os cômodos. Os móveis eram antigos e luxuosos, mas combinava perfeitamente com as paredes de pedras, as cortinas brancas e os tapetes finos. Eles eram da pérsia, informou o Sr. Falc, acrescentando que toda a casa tinha obras de artes caríssimas e móveis antigos de qualidade superior. Haviam quadros de O'Hallahans antigos também, mas estavam todos encantados para dormir.

— Tivemos que fazer isso. — Explicou Sirius. — Porque muitos ficaram zangados por ter estranhos na casa, os elfos podiam vir limpar sem problemas, claro, mas, bruxos que não são da família, não são muito bem-vindos.

— E, o irmão de sua avó tem um quadro, quando dissemos que você era o dono de Hallanon e não os seus herdeiros diretos... Vamos dizer que ele não ficou muito feliz. — Concluiu Falc e Harry acenou.

— Ok. — Disse ele e continuou a olhar pela casa, a sala de estar era ampla com sofás marrons, almofadas de veludo vermelho e candelabros dourados. No primeiro andar, também havia um salão de festa pequeno, uma grande cozinha e uma biblioteca.

— Eu não sabia que existia um feitiço que poderia colocar os quadros para dormir. — Disse Hermione interessada.

— Existe e foi a Serafina quem o lançou porque é bem complexo, ainda mais em uma casa deste tamanho. — Disse Sirius sorrindo. — Vamos lá! Vou lhes mostrar onde irão dormir.

Harry descobriu que a casa tinha mais dois andares e o seu quarto era o principal, onde o dono e chefe da família dormia. Ele ficava no terceiro andar com uma grande janela para com vista para as montanhas, aliás, a frente da casa era para leste, com visão das montanhas e a floresta. No quarto, Harry ficou impressionado com os móveis bonitos e caros da suíte, mesmo o banheiro tinha uma banheira gigantesca, torneiras douradas que ele descobriu eram feitas de ouro como os candelabros e, apesar de tudo ser de muito bom gosto, ficou claro porque os O'Hallahans foram a falência. Se a casa luxuosa fosse uma amostra de como eles gostavam de viver, pensou Harry, incomodado, não havia fortuna que se mantivesse, principalmente diante de investimentos ruins. A verdade é que, até agora, não tinha gostado da Mansão, preferiria muito mais o Chalé dos Boots, que era mais simples e, no entanto, tinha mais vida e calor do que Hallanon.

Depois de deixar seu baú, desceu para ajudar a Sra. Serafina a descarregar a comida que trouxeram para o fim de semana. Assim que terminaram, foram explorar a fazenda e foi como entrar em outro mundo. Deixando a cozinha pela porta dos fundos, todos se depararam com o que era a verdadeira Hallanon.

— Nossa! — Disse Neville e os dois trocaram um sorriso.

— Bem, agora entendo porque minha avó amava tanto a fazenda, não era pela casa em si. — Disse Harry sem fôlego.

Na parte de traz da Mansão a vista era espetacular. Eles deviam estar a três quilômetros do mar e o sol da manhã de inverno brilhava sobre a água azul, tornado a vista a imagem perfeita de um cartão postal. Os estábulos ficavam à direita, no meio do caminho entre a casa e a praia, sorridentes, eles caminharam na manhã fria e Harry desejou já terem cavalos. A mansão e os estábulos ficavam em um platô mais alto que o mar e aos pés da montanha, assim, enquanto caminhavam, Harry percebeu que havia uma falecia que terminava abruptamente antes do mar azul brilhante.

— Não se preocupe, a direita do precipício existe uma trilha que desce até chegar a praia. — Informou Falc ao ver seu olhar preocupado.

— Podemos ir até a praia, vale a pena, apesar do frio, ou quer ver o estábulo primeiro? — Perguntou Sirius e Harry sorriu malicioso.

— A praia! — Depois disparou a correr. — Quem chegar por último é a mulher do padre!

— Ei! Isso não é justo! — Gritou seu padrinho antes de se transformar em Almofadinhas e correr atrás dele.

Neville, Hermione, Ayana e Adam dispararam, rindo de diversão e encantados com a vista belíssima. Falc e Serafina seguiram em um passo mais tranquilo e de mãos dadas.

— Será que deveríamos lembrar o Sirius a sua idade? — Perguntou Falc divertido.

— E estragar o seu humor? Não, deixe-os se divertirem. — Disse Serafina sorridente. — Ainda não acredito que Terry desistiu de vir.

— Sim. Ele lhe explicou exatamente o porquê? — Falc parecia preocupado.

— Sim. Disse que quer aproveitar que sua mãe está lúcida para estar com ela o máximo de tempo possível, disse que teme que quando chegar o verão, ela não se lembrará mais dele. — Disse Serafina e ele assentiu, pois era algo que eles esperariam do filho. — Mas, tinha algo mais o incomodando e, quando perguntei o que era, disse que estava tudo bem.

— Você não acreditou? — Perguntou Falc.

— Harry está escondendo algo e suponho que Terry saiba e esteja fazendo o mesmo, acredito que deve ser isso. — Disse Serafina dando de ombros.

— Isso não tinha me ocorrido, nosso filho sabe o mesmo que o Harry sobre a câmara secreta e está mentindo para nós. Ou omitindo. — Ele disse com o cenho franzido.

— Não está. — Disse Neville a alguns metros de distância, na beira da falecia. Harry, Ayana e Almofadinhas já estavam na praia, Adam e Hermione desciam pela trilha de mãos dadas, um ajudando o outro. — Desculpe, não quis ouvir, mas fiquei com medo de correr pela trilha íngreme e cair, sou meio desajeitado.

— Tudo bem, Neville. — Disse Serafina sorrindo suavemente. — Você disse que Harry não contou ao Terry o que ele descobriu sobre a câmara?

— Sim, Terry e Hermione deixaram claro que não queriam investigar ou desobedecer suas ordens Sra. Serafina ou se colocarem em perigo. — Neville informou e deu de ombros. — Eles confiavam nos aurores e insistiram que o Harry cumprisse a promessa que fez no verão. E, Harry aceitou, ele disse que não pode obrigá-los a se envolverem em algo perigoso. Depois, quando ouve o ataque ao Colin e ficou claro que os aurores e a equipe de caça não resolveriam nada facilmente, eles tentaram voltar atrás e saber o que sabíamos, mas...

— Harry não lhes contou. — Falc completou entendendo.

— Sim, não por raiva, na verdade, Harry disse que lhes contaria se prometessem não contar a nenhum adulto, mentir para os seus pais e os professores, não importa o que fosse dito. — Neville olhou para a praia cheia de neve e viu o amigo correr com o cachorro preto gigantesco pulando em volta. — Eles hesitaram e, então, Harry decidiu não dizer nada.

Os dois adultos acenaram e Neville começou a descer a trilha íngreme cautelosamente.

Harry adorou a praia, era a segunda que conhecia, mas, a primeira com neve e era incrível, frio, congelante e, ainda, maravilhoso. Apenas pensar que tinha uma praia particular para vir nadar durante os verões lhe deu o maior sorriso de todos. O grupo não ficou muito tempo e logo subiram a trilha conversando sobre um chocolate quente depois que olhassem o estábulo.

Que era gigantesco e muito bem conservado, na verdade, Harry teve a impressão de que era tão bem cuidado como a casa, apenas não tão luxuoso. O telhado era em V e toda a estrutura do gigantesco prédio retangular era de madeira, no centro havia um paddock circular coberto onde se exercitava os cavalos. Nas duas laterais, do começo ao fim, haviam baias vazias, na parede de frente estava a porta grande de correr que se abria para o mar. Ao fundo, havia uma área de escritório e um grande depósito com celas e outras ferramentas úteis na criação dos cavalos. Outra porta menor, para humanos e não cavalos, se abria bem próximo da entrada para a cozinha.

— Tem 550 baias, Harry, e pelos relatórios que encontramos, estavam todos ocupados. Os lucros da fazenda com o treinamento e venda dos cavalos eram imensos, além de outros animais mágicos que viviam na floresta. — Disse Falc apontando para a floresta e montanha menor.

— O que aconteceu com eles? — Perguntou Harry preocupado. — E, porque não fizeram a frente da casa com vista para o mar e não para as montanhas?

— Os animais foram transferidos para sua reserva na África, Harry, tem uma equipe lá que é completamente autossuficiente, não precisa de visitas ou supervisão, assim, Dumbledore não pôde ou se preocupou em fechá-la. — Explicou Sirius com uma leve careta. — Felizmente.

— Sobre a sua segunda pergunta, não tenho ideia, a não ser que, imagino, eles gostavam mais da vista das montanhas e floresta, do que a do mar. — Continuou Falc e Harry acenou.

— Podemos reabri-la, Sr. Falc, como fizemos com as outras? — Harry perguntou ansioso.

— Podemos, claro, mas, é outro mundo, Harry. — Falc trocou um olhar com Sirius.

— Harry, nós não temos conhecimento ou conhecemos quem tem, teremos que pesquisar com calma e encontrar pessoas capacitadas. Isso, sem falar em conseguir os animais de volta aqui e... — Sirius suspirou. — A verdade é que nem sei por onde começar e o que tem que ser feito.

— Eu também não. — Falc foi sincero.

— Bem, ainda bem, que conheceremos alguém que sabe, não é mesmo? — Harry sorriu divertido.

— Harry! — Adam se aproximou correndo. — Você terá cavalos aqui? Para montarmos!? De verdade!?

Harry riu de seu entusiasmo e olhou em volta, imaginando todas a dezenas de baias ocupadas com os mais belos cavalos do mundo.

— Essa é a ideia, Adam. — Respondeu ao passar o braço por seus ombros.

Seguindo lateralmente o estábulo, havia outro grande paddock descoberto para exercícios e com um circuito de obstáculos. Mais para o sul, na direção da montanha menor e próximo a floresta, haviam algumas estufas e Neville ficou entusiasmado para verificar, infelizmente, estavam completamente vazias.

— Que desperdício. — Disse ele olhando para os imensos espaços sem plantas ou alimentos.

— Sim. — Harry suspirou passando a mão pelos cabelos. — Mas você devia ter visto as outras fazendas, Nev, mesmo sendo inverno e o trabalho estar só começando, é incrível tudo que já estão fazendo.

— Me conta. — Disse ele ansioso e Harry o fez, falando das seis fazendas em que estivera e suas instalações, animais, alimentos plantados e áreas de construção das Feiras.

Depois do chocolate quente, Hermione se enfiou na biblioteca, Sr. Falc foi buscar um carro na cidade mais próxima para que pudessem ir até Hallanon II. Remus e Sirius decidiram ir explorar a floresta, Harry e Neville também foram a biblioteca, mas ignoraram os livros e continuaram conversando sobre suas ideias e a próxima reunião com seus gerentes.

— Espero que esteja lá, Neville, poderá me ajudar a falar sobre nossas ideias. E, por falar nisso, o que você estava pesquisando e queria falar comigo?

— Ah, Harry, você não vai acreditar. Lembra-se que eu disse que tinha certeza que já tinha lido sobre um material mágico que ressonava sons? — Neville parecia entusiasmado.

— Sim, você insistiu que tinha certeza que poderia nos ajudar com nosso projeto de acelerar o crescimento das plantas e alimentos com a música. — Harry sorriu de sua expressão. — Você se lembrou?

— O Portal me ajudou a lembrar. — Neville riu divertido do seu rosto confuso. — A voz me disse, "Aquilo que procuras está onde deixou, aquilo que não lembra está perdido, mas encontre a pedra e se lembrará onde está. Assim ouvirá à música. "

— Hã? — Harry o encarou absolutamente perdido.

— Eu sei, parece confuso, mas eu estava tentando lembrar onde tinha lido ou ouvido falar sobre como ressonar o som e para mim fez todo o sentido. — Neville disse sorridente.

— Ok? — Harry o questionou em expectativa.

— Hecatita! — Neville parecia ter descoberto um mundo.

— O que?

— Hecatita vem do grego, é o nome dado a pedra de quartzo purpura, Harry, que é uma pedra mágica. Ela é rara, mas, muito poderosa e ressoa o som, hum... como o eco...

— Espera, você quer dizer que os ecos nas cavernas acontecem por causa dessa pedra? — Harry o encarou chocado. — Os trouxas não sabem disso, eles têm outra explicação, sabe, porque o ambiente vazio permiti que o som bata nas paredes e volte, reverbere de volta em as direções.

— Sim, mas essa é uma explicação simplista, estive lendo sobre o assunto e a magia da Hecatita absorve o som e pode ressoar para sempre em um nível não audível para nós. — Disse Neville e Harry arregalou os olhos.

— É exatamente isso que procuramos! Uma maneira de ressoar à música da fênix em uma frequência que apenas as plantas podem ouvir! — Disse Harry animado.

— E, os animais. Eu lhe disse que tinha lido sobre isso em algum lugar, bem, foi no seu livro, quer dizer, no livro do Harry, o Aventureiro. — Neville levantou as mãos apaziguador ao ver sua careta. — Eu sei, mas meus livros ainda estavam em casa, minha avó não foi trocar e, quando o Portal Adler me deu a dica, me lembrei do livro imediatamente.

— Porque? — Harry não entendia nada.

— Porque no volume 15, você... que dizer, Harry, O Aventureiro tinha que controlar uma quimera furiosa. Então, você...

— Entendi, Neville, continue. — Disse Harry ao ver o amigo pretender se corrigir de novo.

— Bem, o personagem tinha a ideia de usar as Hecatitas para acalmar ou distrair cada um dos animais da quimera. Assim, você gravou uma loba uivando para distrair a parte lobo, gravou um passarinho cantando para atrair a águia em direção a sua presa. Também gravou um filhote de urso para a parte urso ficar desesperada e, assim, conseguiu derrotá-la. — Concluiu Neville sorrindo.

— Eu a matei? — Harry perguntou com a sobrancelha erguida em diversão.

— Não, isso seria horrível, Harry, eram livros infantis e traumatizar as crianças não era o objetivo, afinal. Você a prendeu em um templo mágico na Grécia e a separou, sabe, desfez a quimera e tornou cada animal único. — Ele disse como se fosse algo incrível.

— Merlin... e isso é mais infantil? Bem, suponho que com a magia... — Harry suspirou e bagunçou os cabelos. — Deixa isso para lá. Vamos nos concentrar na pedra, Hecatita, você pesquisou sobre ela?

— Sim, procurei em livros de pedras, metal, ervas, plantas, animais mágicos, tentando encontrar qualquer referência a Hecatita e nada. Minha avó ficou curiosa sobre porque estava trancado tanto tempo na nossa biblioteca e, quando expliquei, me disse que deveria procurar em livros sobre grandes invenções mágicas, feitiços, objetos e tal... — Neville se interrompeu quando Hermione apareceu com os braços empilhados de livros.

— Harry! Sua biblioteca é incrível! Tem uma sessão enorme sobre criaturas mágicas e como cuidar delas! — Seu sorriso era enorme. — Terry iria amar, ele gosta tanto de animais e sei que não posso levar nada daqui, mas, eu adoraria ler todos! Tem muitos livros de encantos também, Harry e rituais, tenho certeza que vão lhe interessar.

Hermione colocou sua pilha na mesa e depois olhou para os livros com uma expressão de tanto afeto que Harry se segurou para não rir.

— Leia quantos conseguir, Hermione e não me importo de lhe emprestar um, depois você me devolve. — Harry olhou em volta da luxuosa biblioteca. — Imagino que como as obras de arte e móveis caros, devam existir alguns livros raros e caros também. Mas confesso que estou mais interessado em encontrar o Grimoire da família O'Hallahans.

— Oh! Deve ter um monte de feitiços antigos, imagine isso, uma pena que eu não possa ler os Grimoires de famílias antigas. Isso não é muito justo. — Disse ela se sentando a mesa e pegando o primeiro livro.

— Injusto seria se alguém roubasse feitiços das famílias antigas e as usasse para prejudicar pessoas, Hermione. — Disse Neville com a sobrancelha erguida.

— Eu entendo isso, mas acredito que todos deveriam ser obrigados a publicar seus Grimoires, assim não haveria feitiços desconhecidos. Imagine o quanto não sabemos porque ficam escondidos, quer dizer, a mãe do Harry decidiu publicar suas invenções. — Apontou Hermione sensata.

— Minha mãe era uma feiticeira, Hermione e publicar seus feitiços faz parte disso, não é o mesmo que criar algo para proteger sua família e não querer que ninguém o ataque com sua invenção. Além disso, magias familiares são muito poderosas e a maioria delas só funcionam se o lançador for um bruxo daquela família. — Harry apontou sabendo que, alguns dos feitiços em seus Grimoires, ele não pretendia ensinar para ninguém. — Continue, Nev, você ia me explicar que encontrou alguma informação sobre a Hecatita.

— Sim, encontrei esse livro que fala sobre invenções mágicas do século XV e aqui tinha o que eu procurava. — Disse Neville tirando um livro grande e grosso do bolso de seu casaco que devia ter um feitiço de extensão.

— Espera, pensei que estivéssemos falando sobre uma pedra mágica, colhido na natureza, não sobre invenções mágicas. — Disse Harry confuso.

— Sim! Mas Harry, a pedra mágica armazena todos os sons a sua volta e o ecoa eternamente, apenas quando se acumulam ou são muito intensos e altos, nós podemos ouvir, mas, para os animais e plantas, o som é constante. — Neville explicou abrindo o livro. — Essas pedras eram encontradas em regiões remotas, não de seres humanos, mas de animais, que ficavam distante por causa do barulho constante de sons diversos e antigos. Era assim que os bruxos exploradores a encontravam, em montanhas sem animais, eles as mineravam e vendiam para serem usadas ao lado das pedras alas das propriedades porquê...

— Ela manteria os animais longe! — Harry arregalou os olhos chocado. — Que engenhoso!

— Sim, mas caro, porque as minas não são abundantes ou fáceis para explorar, no entanto, algumas famílias não se importavam porque as Hecatita mantinham até mesmo os dragões a distância e, em uma época em que eles viviam livremente e não em reservas, ter essa proteção era fundamental. — Explicou Neville. — Mas, as pedras tinham pouca utilidade além disso, no entanto, uma família que era especialista em criar e proteger animais mágicos, além de serem muito bons com Feitiços, decidiu tentar transformar a pedra em algo mais útil. E, eles criaram feitiços e runas que permite a você imprimir um som na pedra e esse som será repetido eternamente, sem absorver outros sons, a não ser que você precise mudar o som que a pedra deve ecoar.

Harry arregalou os olhou e olhou para Hermione que parou de ler e os ouvia com a boca aberta.

— Como um gravador! Hermione!

— Harry! Isso pode ser o que precisamos para o intercomunicador mágico! Teríamos que reverter a função, é claro, ao em vez de gravar, a pedra teria que servir como um condutor do som, das palavras ditas, até a outra pedra. — Disse Hermione se levantando.

— Teremos que conseguir essas pedras e fazer testes, se conseguirmos a patente do Sr. Brand, talvez, precisaremos fazer poucas ou nenhuma modificação. — Disse Harry pensativo e empolgado.

— Pode não ser o suficiente, mas, os metais que estamos testando, combinado com a Hecatita... — Hermione arregalou os olhos. — Poderia ser o substituto do carbono! Mas se for muito cara...

— Pedirei ao Sr. Falc que verifique os preços e quem é o dono da patente dessa invenção, ele pode descobrir quem é a família que inventou esse gravador mágico e comprar a patente também e... — Harry disse acelerado e se levantou como se fosse sair em busca do Sr. Falc.

— Ou, você pode me deixar terminar e saberá em alguns segundos. — Disse Neville exasperado.

— Você sabe!? — Hermione disse um pouca zangada. — Ora! E, porque não disse nada?

— Vocês não param de falar! — Exclamou ele abrindo os braços.

— Ok, desculpa, Neville. — Disse Harry voltando a se sentar e ansioso perguntou. — Qual era a família que inventou esses feitiços e que tornaram as pedras Hecatitas em gravadores mágicos?

— Uma família mágica irlandesa e antiga. — Neville fez um certo suspense e parecia se divertir. — Os O'Hallahans.

Houve um instante de silêncio e, então, Hermione se engasgou e gritou ao mesmo tempo, enquanto Harry se levantou abismado.

— O que!? Você quer dizer...?

— Sim, segundo esse livro, Mylor O'Hallahan inventou uma maneira de transformar a Hecatita em um gravador de sons para poder trabalhar com seus animais mágicos. — Disse Neville, Hermione saltou e tomou o livro de suas mãos começando a folheá-lo. — Ele controlava os Cavalos Alados, de todas as espécies, hipogrifos, cavalos mágicos, dragões. Da mesma maneira que você fez no livro, Harry, usava sons específicos para distraí-los, atraí-los ou apenas se comunicar.

— Aqui diz que foi uma grande invenção e permitiu aos O'Hallahans saltar a frente em seu trato com os animais mágicos e assim enriquecer. — Hermione disse lendo rapidamente como sempre. — E, que eles se recusaram a permitir que qualquer um acesse essas informações, não foi registrada uma patente, pois na época, o Ministério não existia, mas proteções mágicas poderosas foram vinculadas ao Grimoire da família, assim, apenas seu herdeiro direto e masculino, pode acessar. — Encerrou ela com uma careta.

— Espere, herdeiro direto? — Harry mostrou preocupação. — Scheyla tem um irmão, qual de nós dois seria o herdeiro dos O'Hallahans?

— Você. — Disse Sirius entrando na biblioteca com Remus, que parecia mais descansado e alegre depois do passeio.

— Como você sabe? — Harry perguntou curioso.

— Porque eu sabia que você teria interesse em acessar o Grimoire da família e tínhamos que ter certeza que poderia tocá-lo sem ser ferido, ou seja, ter certeza que você era o chefe da família O'Hallahans. — Explicou ele sorrindo e indo até uma parede onde estava um quadro com lindos cavalos correndo pela praia, Sirius o abriu com sua varinha e atrás havia um nicho onde repousava um livro grosso e antigo.

— Eles não parecem ter se preocupado em esconder. — Disse Hermione se aproximando com os outros.

— Porque ninguém poderia tocá-lo sem ter uma morte bem dolorosa. — Sirius disse e apontou para o Harry. — Apenas você pode pegar e ler.

— Tem certeza? — Harry hesitou, apesar da ansiedade.

— Sim. Depois que Patrick, irmão de sua avó, faleceu, seu filho assumiu como chefe da família, mas ele só teve uma filha, Patrícia, assim, o herdeiro masculino da linha era...

— Meu pai. — Harry acenou entendendo.

— Sim e, depois de James, o herdeiro é você. Mas, os O'Hallahans não são apenas uma família patriarcal, eles eram puristas também e, mesmo se você fosse mulher, Harry, seriam seus futuros filhos ou netos os herdeiros. — Explicou Sirius suavemente. — O filho de sua prima não pode ser o herdeiro porque seu pai é um trouxa.

— Isso é horrível. — Sussurrou Hermione muito chateada.

— Sim, mas, agora que sou o chefe da família, talvez, possa mudar essas leis antigas da família. — Disse Harry olhando para o Grimoire com o cenho franzido.

— Essa é uma ótima ideia e me ocorre que posso fazer o mesmo... assim que a OP Travessa do Tranco acabar. — Sirius disse sorrindo. — Quer vê-lo agora?

— Não, em outro momento. — Disse Harry e o quadro se fechou. — Neville, isso quer dizer que poderemos utilizar as pedras e, talvez, elas possam ser uteis para a MagiTec também. Só precisamos saber onde tem minas ou quem vende as pedras...

— De que pedras estão falando? — Remus perguntou curioso.

— As Hecatitas, Neville descobriu que elas são o que precisamos para o nosso projeto e que um antigo antepassado O'Hallahans criou uma maneira de usá-las, precisamos apenas descobrir quem as vende e se são muito caras. — Explicou Harry sentando-se também.

— Bem, isso é fácil, existe uma mina nas montanhas. — Disse Sirius fazendo um gesto para a janela enorme onde todos podiam ver a montanha nevada e cheia de árvores. — Ela foi desativada por Dumbledore, infelizmente, mas podemos tentar reativá-la, bem, descobrir como fazer isso exatamente.

Harry o encarou por alguns segundos completamente chocado, entes de se apressar até a janela e observar a montanha e floresta que ficava a alguns quilômetros da mansão.

— Eu não posso acreditar... A montanha, ela é minha? — Harry sussurrou como se fosse algo perigoso de dizer em voz alta.

— Sim, aqui, venha ver o mapa da propriedade. — Disse Sirius e o abriu sobre a mesa, todos se levantaram para ver também. — Os O'Hallahans construíram a mansão aos pés da Montanha Ken, a cidade mais próxima é Kenmare, onde fica a sede do time de quadribol que pertenceu a família, alias.

— Eles fundaram o time Kenmare Kestrels, mas tiveram que vender quando perderam quase todo o dinheiro. — Harry explicou suavemente. — Meu avô conseguiu comprar 30% do time antes de morrer.

— Sim, sua avó era uma grande fã e sempre ia aos jogos, seu pai amava quadribol e era um torcedor fanático dos KK. — Disse Sirius com um sorriso nostálgico. — Bem, você pode ver pelo mapa que toda essa área das montanhas com as florestas pertence a propriedade.

Harry olhou o mapa com atenção e percebeu que toda a propriedade era de floresta com um relevo irregular. O ponto mais alto era o Monte Ken, onde uma marcação mostrava que tinha uma mina e uma construção, talvez um chalé, armazém ou escritório que gerenciava a mineração. Do outro lado do Monte Ken, assim que ele terminava, um recorte foi feito, sinalizando que um pedaço das terras, um quarto do total, lhe pareceu, foi desmembrado do todo e agora tinha outra cor e um novo nome, Hallanon II. Harry fez uma careta para o nome e suspirou, não adiantava se incomodar, era o que era.

A escolha da pequena área para a doação foi feita estrategicamente, ele percebeu, pois tinha um grande rio cortando aquele trecho descendo da montanha, assim, sua prima tinha uma boa fonte de água. Essa era a parte norte do mapa, no lado sul, havia uma outra montanha, não tão alta, onde se lia Reserva e Harry entendeu que nesta área era onde ficavam os animais mágicos. Entre o Monte Ken e a Reserva, havia um largo e comprido vale que se chamava Vale do Meio. Também haviam rios descendo das montanhas em direção ao vale e na direção leste onde a propriedade seguia com mais floresta e, ao fim, antes da divisa da propriedade, havia outra construção.

— É enorme. — Disse ele e apontou para as construções. — O que são essas construções?

— No Monte Ken tem um chalé e um armazém de equipamentos, tem também um alojamento e refeitório para os mineradores. — Sirius fez uma careta. — Não são muito confortáveis ou conservados, não acredito que fossem muito usados, pelo que entendi, sua avó autorizou que os funcionários voltassem para casa ao fim do dia de trabalho, antes que ela assumisse, eles eram obrigados a dormir lá.

— Ok. Isso faz mais sentido, com a magia eles podem chegar rapidamente e não precisa ter guardas assegurando a mina. — Apontou Harry.

— O Monte é totalmente protegida, a propriedade toda, na verdade, bruxos podem vê-la, mas não entrar e, mesmo nós, que temos autorização para entrar na propriedade, não conseguimos aparatar até lá e não existe lareiras para flu. — Sirius disse e ergueu a sobrancelha.

— Quer dizer que só é possível acessar a mina subindo a montanha? — Hermione perguntou surpresa.

— Sim, parece que os antigos O'Hallahans eram bem desconfiados e paranoicos. — Explicou ele e, apontando para as outras construções, continuou. — São chalés para verificação da propriedade ou dos animais, assim você não precisa dormir ao relento.

— As viagens deveriam ser feitas de cavalos, os cavalos mágicos são rápidos e levam o seu cavalheiro para qualquer lugar. — Acrescentou Remus olhando o mapa curioso. — Assim, porque permitir aparatação e correr o risco de ser espionado ou roubado. Um pouco paranoico, mas inteligente, levando-se em conta o valor de alguns dos animais e das Hecatitas.

— Sim, mas um pé no saco para mim e Falc verificar tudo, fomos de vassoura, aliás, já que não temos cavalos. — Sirius contou. — Essa área de Reserva tem uma grande área para treinamento dos animais mágicos, mas a maior parte é floresta para eles viverem livres.

— Sirius, você acredita que minha prima, Patrice, concordaria em administrar Hallanon? — Harry perguntou suavemente, olhando para o mapa e imaginando o imenso trabalho que reativar a fazenda exigiria deles, principalmente, levando-se em conta que nenhum deles entendia nada de nada.

— Eu não sei... — Sirius parecia surpreso e pensativo. — É isso que você quer? Contratá-los?

— Bem, não sei, mas Scheyla me disse que eles têm animais mágicos e cavalos mágicos e trouxas em Hallanon II. Ou seja, eles entendem disso e poderiam se interessar...

— O almoço está pronto e ouvi o Falc estacionar na frente da mansão. — Disse Serafina entrando na biblioteca. — Poderemos partir assim que terminarmos de almoçar.

— Bom, porque estou com fome. — Disse Sirius sorrindo.

— Hallanon II fica muito longe? — Perguntou Neville enquanto deixavam a biblioteca em direção a cozinha. Não tinha uma mesa lá, apenas na sala de jantar formal, mas Serafina conjurou uma, azul, como no Chalé Boot.

— Uma viagem de 2 horas. — Disse Falc entrando na cozinha. — Quase o tempo que levei de vir de Kenmare até aqui de carro e estou faminto.

— Bom, preparei sanduíches porque, provavelmente, os Martíns estarão nos esperando para um chá mais tarde. Eu os informei que chegaríamos por volta das 15 horas. — Disse Serafina enquanto todos se sentavam para comer seus deliciosos sanduíches.

— A cidade de Kenmare é bonita, Sr. Falc? — Perguntou Hermione ansiosa e eles ouviram sua descrição da bonita, histórica e receptiva cidade.

— Podemos ir amanhã conhecer e jantar por lá se quiserem. — Sugeriu ele e todos acenaram com entusiasmo. — Posso aproveitar para devolver o carro alugado, mesmo que combinemos de passar o domingo com os Martíns, tenho certeza que não se importarão que aparatemos.

— Acredito que não se importariam hoje também, mas não seria educado chegar desta maneira na primeira visita, acredito. — Acrescentou Serafina dando de ombros.

— E, podemos olhar a paisagem pelo caminho, pelo que vi no mapa, a estrada passa lateralmente por toda a propriedade até chegar em Hallanon II. — Disse Harry pegando outro sanduíche e comendo apressado, queria partir e conhecer sua família o mais rápido possível.

— Harry sugeriu que contratássemos os Martíns para administrar Hallanon. — Disse Sirius a Falc que fez uma careta.

— Eles têm sua própria fazenda, Harry, pequena é verdade, mas que exige muito deles e não vão negligenciá-la para ir trabalhar para outra pessoa. — Falc considerou suavemente. — Podemos lhes pedir ajuda, orientação, claro, sobre quem contratar, mas, não acredito que aceitariam essa proposta.

— Ok. — Harry mastigou pensativamente e olhou em volta, a cozinha era o lugar mais simples da casa, mas ainda, luxuosa e bonita. — Hum... e se lhe oferecêssemos sociedade?

Todos pararam de comer e o encaram, Harry sorriu entre tímido e divertido.

— Você quer dizer, unir as duas fazendas? — Perguntou Sirius parecendo entender onde ele queria chegar.

— Porque não? Se não fosse por meu tio avô ser como era, tenho certeza que minha avó teria feito isso. E, essa história de Hallanon e Hallanon II é a coisa mais ridícula que eu já ouvi. — Disse ele com uma careta. — Podemos reunir Hallanon como deveria ser e torná-la o que era antes de ser desativada.

— Não é uma ideia ruim, se eles tiverem interesse, claro, mas teremos que chegar a um acordo de sociedade e sobre a mansão. — Disse Falc pensativo. — Imagino que lhe interessaria tê-la disponível para você no futuro, para visitar a propriedade...

— Para mim é indiferente. — Harry disse sincero. — Não gostei particularmente da mansão, apesar de ter amado a praia e adoraria visitar, andar a cavalo, mas, se eles quisessem viver aqui, isso não seria um problema. Na verdade, deixe a mansão para eles e construímos um Chalé mais perto do mar, naquela direção. — Harry disse sorridente e apontando para a floresta depois da praia.

— Poderíamos chamar de o Chalé da Praia! — Disse Sirius entusiasmado.

— E, fazer uma grande varanda para fazermos churrascos no verão, bem de frente com o mar. — Disse Harry tinha os olhos brilhando.

— Oh! E, um longo deck de madeira que vá do chalé até a areia! — Disse Neville de olhos arregalados.

— Um deque sobre o mar seria incrível também! — Hermione acrescentou. — Poderíamos pular direto na água!

— E pescar! — Harry e todos o olharam confuso. — Quer dizer, eu nunca pesquei, mas seria legal aprender.

— Com certeza, adoraria pescar, podemos fazer uma fogueira na praia e assar os nossos peixes. — Disse Adam e Ayana fez uma careta para a ideia.

— Bem, estou vendo que ninguém parece ter gostado muito da casa. — Disse Falc levemente surpreso.

— A mansão é linda e entendo porque minha avó gostava tanto, mas acho que ela amava mais a propriedade do que a casa em si. — Harry suspirou e sorriu. —E, ainda não conheço a Mansão Potter, mas aposto que é muito diferente disso aqui.

— Bem diferente. — Disse Remus e Sirius acenou. — Quando pretende visitar a mansão dos seus avós?

— Segunda-feira. — Harry respondeu simplesmente. — Não quero adiar mais, para o caso de mais alguma coisa acontecer e depois estarei muito ocupado.

— Sim, temos a reunião com o Sr. Brand. — Disse Hermione quando se levantaram e se dirigiram para a porta da frente. — Estou tão ansiosa, você ouviu algo sobre os gêmeos? Eles conseguiram autorização para vir ao Chalé, Harry?

— Não, eles estão de castigo, teremos que fazer isso só nós três. — Disse Harry e viu sua amiga arregalar os olhos de surpresa.

— Mas... o que aconteceu? Eles estavam se comportando tão bem. — Eles entraram no SVU de 7 lugares, eles eram 9, mas com uma pouco de magia, todos ficaram confortáveis.

Enquanto o Sr. Falc dirigia, Harry explicou o que aconteceu com Fred e George no Festival e porque estavam de castigo.

— Eles me escreveram para agradecer, Sr. Weasley está trabalhando de barman no The Bar e a família está mais aliviada, mas os dois foram castigados de qualquer forma. — Disse ele por fim.

— Isso parece tão injusto. — Neville disse suavemente.

— Sim, mas a Sra. Serafina está certa, se não fossem punidos poderiam fazer de novo e se machucarem. — Disse Hermione sensata. — Bem, teremos que ser nós dois e Terry a convencer o Sr. Brand.

Harry apenas acenou sem dizer nada, essa era uma reunião importante e agora com essas pedras, Hecatitas, eles poderiam estar a um passo de criar o intercomunicador. Isso sem falar no projeto de crescimento natural dos alimentos através da música, se os resultados fossem como ele acreditava, então, os alimentos ficariam mais baratos e saudáveis, os ingredientes de poções também e as poções para cura seguiriam nesta direção.

Durante o resto da viagem, os três se juntaram em sussurros intensos discutindo os planos, ideias e o que fariam primeiro.

— Precisamos chegar a mina e as pedras, rapidamente. — Disse Harry.

— As runas, os feitiços, precisamos estudá-los... Tanto o que fazer... — Hermione expôs.

— Precisamos de testes, plantas e alimentos, uma estufa... — Neville acrescentou.

— O que eles tanto falam? — Perguntou Remus curiosamente para Sirius sentado ao seu lado direito. Em seu lado esquerdo estava Adam lendo um livro sobre plantas. Ayana, ao lado do irmão lia uma revista de quadribol.

— Ah, vindo desses três, quatro se incluir o Terry, imagino que estejam planejando mudar o mundo. — Disse Sirius divertidamente.

— Estou perguntando a sério, Sirius. — Disse Remus exasperadamente ao virar a página do seu próprio livro.

— Eu estou falando sério. — Disse ele antes de se ajeitar para um cochilo.

A última meia hora de viagem, Harry passou em silêncio, tentando conter a ansiedade que sentia com a proximidade do momento de conhecer sua família. Ele sabia que era bobo, quer dizer, eles eram só primos e ainda de vários graus afastado, mas não podia afastar a sensação de familiaridade. Talvez fosse sua amizade fácil com Scheyla, mesmo antes de descobrirem que eram primos, eles se deram muito bem. Sua prima era muito divertida, bonita, inteligente e lhe contara sobre sua vida na fazenda, na Espanha, sobre cavalgar e Harry adorava conversar com ela. Depois, os dois se tornaram ainda mais próximos e Scheyla agiu mais protetora, era como ter uma irmã em Hogwarts e, apesar de ter Terry e Penny, essa nova irmã era seu sangue. A diferença era sutil, mas estava lá.

Hallanon II se aproximou, os pastos, florestas, o rio, era tão belo quanto a sua Hallanon, apenas sem a praia. A casa também era grande, dois andares, de madeira e pintada de branco, com uma enorme varanda na frente e uma porta azul com uma guirlanda natalina pendurada. Mas, o que tinha de maior e mais bem conservado era sem dúvida o estábulo, o celeiro e paddocks que ficavam a uns 500 metros distante da casa e próximo a floresta.

Quando o carro parou, todos desceram olhando em volta com sorrisos animados. A casa tinha luz, calor, vida, o cheiro dos cavalos deixava claro que o estábulo não estava vazio e, apesar de menor, era muito bonita e não uma fazenda fantasma. A porta azul se abriu e Scheyla apareceu sorridente, desceu os degraus e se aproximou de Harry.

— Você chegou! Não acredito que está aqui! — Disse ela lhe dando um grande abraço.

— Eu prometi que vinha. — Disse ele sorrindo e a abraçou de volta. — Teve um bom Natal?

— Muito bom! E você? Hermione! — Disse ela abraçando a amiga e depois Neville, cheia de empolgação.

Harry apresentou a prima para sua família, eles se cumprimentaram animados, mas sua atenção se voltou para alguém que deixava o estábulo e caminhava na direção da frente casa. Ele não sabia o que esperar de sua prima, Patrice Martín, mas tinha que admitir que estava ansioso para conhecê-la. Quando ela se aproximou mais, Harry arregalou os olhos surpreso e caminhou em sua direção também.

— O que? — Sussurrou chocado, alguém chamou seu nome, mas Harry ignorou e continuou a andar.

Finalmente, depois de 10 passos, os dois pararam a uns 3 metros de distância um do outro e Harry pensou que deveria ter enlouquecido.

— Olha o que a vida me trouxe. — Disse ela com a voz rouca. — Já tinha desistido de encontrar minha família e os donos de Hallanon, mas, aqui estamos.

Harry não tinha palavras e nem tentou responder... Como isso era possível?

— Tudo bem, Harry? — Perguntou Serafina ao ver seu rosto pálido e chocado.

— Merlin! — Disse Sirius espantado.

— Incrível! — Remus disse meio engasgado.

— O que está acontecendo? Estão me olhando como se tivessem vendo um fantasma. — Disse Patrice confusa, ela olhou para a filha e viu sua igual confusão.

Mas Harry não sabia se conseguiria falar ainda tão chocado estava porque, na sua frente, estava uma réplica quase perfeita de Euphemia Potter. Pelo menos as fotos que ele viu mostravam a incrível semelhança, desde os cabelos vermelhos, ao sorriso arrogante, queixo pontudo, a cor da pele branca, quase translúcida e o mais marcante, os olhos cor de whisky.

— Surpreendente! — Disse Falc também assombrado.

— O que tem de tão surpreendente na minha mãe? — Scheyla perguntou um pouco irritada com a falta de explicações.

Harry a olhou e percebeu que Scheyla tinha os mesmos olhos da mãe e da sua avó, na verdade, era o que a tornava tão exótica. Seus cabelos eram negros, com alguns reflexos avermelhados, sua pele era morena clara, mas, seus olhos eram de um castanho cor de whisky que contrastava exoticamente com sua tez amendoada.

— Desculpe-nos, Sra. Martín. — Disse Falc tentando superar a surpresa. — Apenas, a senhora tem uma semelhança impressionante com sua tia, Euphemia Potter.

— Verdade? — Seus olhos se arregalaram de surpresa, depois ela sorriu emocionada. — Eu nunca vi fotos dela, não sabia que éramos parecidas.

— Mais como gêmeas, na verdade. — Disse Sirius ainda a olhando assombrado. — Até o sorriso, o jeito de falar...

— A voz, o jeito de andar, lembra muito também, mas a senhora é mais alta. — Disse Remus e sorrindo estendeu a mão. — Remus Lupim, é um grande prazer conhecê-la. Eu era um dos melhores amigos do seu primo, James, da escola.

— Prazer, Sr. Lupim e, por favor, me chame de Patrice. — Ela disse sorridente.

— Remus, por favor.

— Eu sou Serafina Boot, guardião do Harry e este é meu marido, Falc... — Todos se apresentaram e, por último, Patrice o encarou.

— E você... — Mas Harry não a deixou falar, estava emocionado, desconcertado e trêmulo, assim, num impulso a abraçou pela cintura com força. — Oh... — Patrice sentiu seus olhos se encherem de lágrimas enquanto o apertava contra ela com força e tentava encontrar o que dizer. — Também estou muito, muito feliz em conhecê-lo, Harry.

Harry fechou os olhos sentindo seu calor e o cheiro suave de cavalo, terra e neve, depois se afastou e envergonhado limpou uma lágrima do rosto.

— Oi. — Disse ele sorrindo timidamente. — Eu sou seu primo Harry, Harry Potter.

Ela riu roucamente e o puxou para outro abraço suave.

— Eu imaginei e eu, sou Patrice O'Hallahan Martín, mas, você pode me chamar de Tia Trissie, meu querido primo. — Seus olhos cor de whisky brilhavam de emoção e afeto.

— Ok. — Harry ainda a olhava meio assombrado e falou a primeira coisa que saiu de sua mente. — Eu trouxe fotos.

— O que? — Trissie perguntou confusa.

— Fotos. — Harry disse e, então, corou envergonhado ao perceber que não fazia sentido. — Quero dizer que trouxe fotos da vovó Euphemia e do vovô Fleamont, dos meus pais também.

— Ora! Isso é maravilhoso! — Seus olhos brilharam com lágrimas outra vez. — Sempre quis conhecê-los, minha tia e sua família, saber quem eram e onde estavam, já tinha desistido... E, então, recebi uma carta de Scheyla e descobri que minha tia se casou com um Potter! Imagine isso!

— Pois é. E, eu, que cresci pensando que não tinha nenhuma família além dos Dursleys, agora tenho um monte. — Disse ele sorridente e gesticulando na direção das pessoas a sua volta.

— Bem, então, a vida surpreendeu nós dois e de uma maneira muito boa. — Sua voz se embargou e Harry apenas acenou emocionado. — Agora, vamos parar com toda essa bobagem emocional e sair desse frio, estávamos lhes esperando para o chá e Rodrigo deve ter algumas de suas gostosuras nos esperando. — Disse ela sorridente e gesticulando para todos segui-la para a casa. — Seus irmãos já acordaram, Schey?

— Não, mamãe, quando saí, eles ainda cochilavam. — Disse Scheyla e depois olhou para o Harry. — Lembra-se que lhe disse sobre os meus irmãos?

— Sim, gêmeos, Dominic e Dulce Maria, quase 2 anos. — Disse Harry ao entrar na linda casa e ser conduzido para uma gostosa sala de estar.

A casa era acolhedora e sem o aspecto antigo de Hallanon ou a Abadia, mesmo o Chalé. Parecia mais campestre, madeira por todos os lados, cores azuis e branco predominavam nas almofadas e tapetes, móveis simples e rústicos, mas bonitos e bem conservados. A casa parecia um lar e era muito diferente de Hallanon, Harry tinha a sensação de que a mansão não foi um lar desde o dia em que sua avó se casou e foi embora.

— Sua casa é linda, tia Trissie. — Disse ele sorrindo.

— Oh! Obrigada, querido. — Disse Trissie abrindo um grande sorriso. — Por favor, sintam-se em casa, é maravilhoso conhecê-los e recebê-los em Hallanon II...

— Schey! Tus hermanos se han despertado! — Uma voz gritou da cozinha e Scheyla se moveu para as escadas.

— Estoy yendo! — Ela gritou de volta, subindo os degraus correndo.

— Rodrigo! Nossos visitantes chegaram! — Gritou Trissie na direção de onde a voz ressoou.

Harry sorriu por como natural e legais todos eram, sem formalidade ou cerimonias.

— Chegaram...? — Disse a voz e o seu dono entrou na sala um segundo depois. — E o que está esperando, querida? Traga-os para a cozinha, o chá está pronto.

O homem era alto, muito alto e magro, moreno, olhos e cabelos negros, barba bem aparada e um sorriso cheio de dentes brancos. Era o sorriso da Scheyla, percebeu Harry.

— Hola a todos. Eu sou Rodrigo Martíns. — Disse com seu inglês com forte sotaque espanhol. — Venham para a cozinha, está mais quente lá e nós preparamos um lanche bem saboroso.

Ele gesticulou para a cozinha e todos o seguiram. A cozinha era grande e tinha uma mesa de madeira rústica enorme e abarrotada de doces, lanches e sanduíches. No fogão, uma senhora idosa de cabelos brancos presos em um coque, lavava as louças em uma pia, mas se interrompeu e enxugou as mãos no avental, sorrindo para eles.

— Hola a todos! Pero, cuanta gente guapa! — Disse ela e olhou para o Sr. Martín falando algo mais em espanhol, muito rápido para entender, mas o fez rir divertido.

— Si, si, madrina. — Ele, então, os olhou e continuou. — Esta es mi madrina... madrinha, quero dizer, Yolanda Fernandes.

— Hola. Prazer em conhecê-los. — Disse ela com um sorriso carinhoso e um inglês ainda menos claro do que o do Rodrigo. — Cuál de ustedes es primo de Trissie? Primo?

— Soy yo, Señora Fernandes. — Disse Harry se adiantando com um grande sorriso. — Soy Harry Potter.

Harry estendeu a mão para um cumprimento, mas foi puxado para um abraço esmagador primeiro por ela e, depois, pelo Sr. Martín, que também lhe beijou as duas bochechas.

— Bienvenido a familia, joven. — Ele o segurou pelos ombros o olhando com afeto. — Esperamos por muito tempo para tê-lo conosco, muito longo tempo. Nuestro hogar es tu hogar. Entendido?

— Si. — Harry engoliu o bolo em sua garganta e acenou. — Muchas gracias, Sr. Martín.

— Ora! Nada de senhor, somos una familia... Família. Me chame de Rodrigo ou tio Rodrigo, o que preferir. E, me apresente a todas essas pessoas lindas que o acompanham, depois, poderemos comer. — Disse ele sorridente, mas em tom que não admitia discussão.

Harry concordou e fez as apresentações, Madrina Yolanda abraçou e beijou a todos sem a menor cerimônia e tio Rodrigo apertava as mãos com entusiasmo e energia. Tia Trissie acenou com a varinha e mais pratos, copos e cadeiras surgiram na mesa para acomodar a todos, a magia fez Madrina Yolanda se agitar toda e exclamar em espanhol algo sobre pegar com as próprias mãos e sem truques bobos.

— Vamos sentar! E comer! — Disse Tio Rodrigo falando alto e animado, todos se sentaram sorrindo, mas desconcertados com tantos abraços, beijos e informal alegria. Digamos que não era algo muito inglês. — Preparamos algumas comidas da minha terra e espero que gostem. Madrina é a melhor cozinheira que conheço.

— Ora! Não sou melhor que tua madre ou tua abuela. Não as deixem ouvir-te dizer isso, Rodrigo ou te puxarão as orelhas. — Disse ela servindo os pratos das pessoas mais próximas dela, Remus e Neville. — Precisa comer bastante, Remus, está muito flaco, magro... Pero donde estan los niños?

— Estamos aqui! — Scheyla entrou com seus irmãos caminhando ao seu lado, um em cada mão. — Eles precisaram de uma troca de fralda.

— Que lindos! — Sussurrou Hermione encantada, Ayana e Adam pareciam se segurar para não correrem para as duas crianças que gingavam pela cozinha conduzidos pela irmã mais velha.

Os dois eram minúsculos, morenos claros como a irmã, ela tinha os cabelos castanhos escuros avermelhados e olhos negros. Ele era ruivo e tinha olhos cor de whisky, os dois olharam para os visitantes com curiosidade e reagiram de maneiras diferentes. Dominic, mais reservado, se escondeu tímido atrás da perna de Scheyla e Dulce Maria acenou abrindo um grande sorriso.

— Os bebês da mamãe acordaram e bem na hora de conhecerem o seu novo primo. Vem cá, Harry. — Disse tia Trissie e Harry se colocou ao lado dela em frente aos gêmeos. — Dulce, Dominic, este é Harry, seu primo. Diz oi para ele, queridos.

— Hola! — Exclamou Dulce sorrindo e acenando. Dominic espiou e acenou, mas não disse nada.

Harry sorriu encantado e se agachou na altura deles.

— Olá, Dulce, oi Dominic. Estou feliz em conhecê-los. — Disse ele suavemente e estendeu a mão para cumprimentá-los.

Dulce ignorou a mão estendida e se jogou no colo dele.

— Arry! — Exclamou e Harry riu divertido e encantado, beijou seus cabelos cheirosos e a abraçou de volta.

Dominic olhou hesitante, mas, talvez, ao ver a irmã já explorando o convidado e que tudo foi bem, se aproximou curioso.

— Olá. — Sussurrou Harry abrindo um sorriso só para ele e foi o suficiente. Dominic pareceu perder a insegurança e o abraçou também. Engasgado, Harry os abraçou juntos e sorriu emocionado.

— Estou muito feliz em conhecê-los, vocês são tão bonitos e cheirosos como sua irmã me contou. — Disse ele beijando seus cabelos e testas suavemente.

— Imo! Arry! — Disse Dulce empolgada. — Beijo. — Acrescentou fazendo um bico e Harry virou o rosto e recebeu um beijo barulhento e molhado que o fez rir.

— Cheirosos porque você não trocou as fraldas deles, Harry, acredite, não havia nada de agradável nisso. — Disse Scheyla divertida e se sentando ao lado da Hermione.

Harry apenas sorriu e encarou Dominic que olhava para a irmã desconfiado depois do beijo, como se pensasse que ela estava exagerando em sua empolgação.

— Vamos nos sentar e tomar nosso chá, ursinhos. — Disse tia Trissie e pegou Dominic o colocando em seu caldeirão alto. — Agora você, Dulce...

— Não, momy. — Ela esperneou as perninhas e se agarrou em Harry que já estava de pé. — Arry! Queio Arry!

— Você não pode se sentar com o Harry, como ele tomará seu chá? — Disse ela exasperada, mas Harry a pegou no colo, feliz de ter alguma prática com Chester Jr e se sentou em sua cadeira.

— Tudo bem, tia Trissie, eu consigo. — Disse ele e a sentou em sua coxa esquerda, pegou um cookie e estendeu para Dulce que o agarrou fortemente.

— Igada, Arry. — Disse ela docemente e mordiscou o cookie. — Hum... cê, Arry. — Disse ela lhe estendendo o cookie e Harry deu uma mordida.

— Hum... — Disse ele imitando ela, que abriu um grande sorriso e mordiscou outra vez.

— Hum... — Depois riu divertida e Harry a acompanhou.

— Não sabia que tinha jeito com crianças. — Disse Neville meio assombrado.

Harry levantou o olhar para o amigo e sorriu.

— Eu não tenho jeito, Dulce é que é um doce. Certo? — Disse ele perguntando a garotinha que acenou se aconchegando contra seu peito.

Na mesa, todos começavam a conversar aos poucos, fatos sem importância, a viagem, que eles deveriam ter aparatado e não vindo de carro. Alguém serviu a Harry seu chá e um prato cheio de guloseimas, ele comeu e dividiu com Dulce Maria, encantado com o sabor diferente de algumas coisas.

— Isso é polvorón? — Harry perguntou a Madrina Yolanda. — Eu li sobre eles, é um doce espanhol com amêndoas, não é? Hum..., mas esse não tem amêndoas...

— Oh! Você gosta de cozinhar, querido? — Yolanda falou sorridente. — Este, eu fiz com coco, é o preferido da Scheyla, mas com amêndoas é muito bom também e mais tradicional.

— Harry é um grande cozinheiro, Madrina Yolanda. —Disse Serafina com um sorriso orgulhoso.

— Não tão bom assim. — Disse ele corando. — Eu, apenas gosto de cozinhar e testar algumas receitas.

— Tudo o que ele faz fica delicioso. — Disse Ayana sorrindo e comendo uma magdalena. — Ele nos ensinou a assar cookies e brownies deliciosos.

— São os melhores do mundo! — Disse Adam comendo um polvorón.

— Eu li nos jornais que você tinha crescido no mundo trouxa, com uma tia, Harry. — Disse tia Trissie curiosa. — Ela te ensinou a cozinhar?

— Bem... — Harry hesitou. — Mais ou menos, de qualquer forma, eu gosto muito de cozinhar e isso me ajuda com poções também.

— Deve ser por isso que sou terrível em poções, é minha pior matéria e também não cozinho nada. — Disse Scheyla bebendo seu chá.

— Acho que as duas coisas só se combinam para o Harry, Schey, porque eu também não sei fritar um ovo e sou boa em poções. — Disse Hermione.

— Muito boa. — Neville acenou. — Eu sou razoável e graças a ajuda do Harry e da Hermione, mas nunca tentei cozinhar nada.

— Eu adoro cozinhar também e hoje prepararei uma paella para o nosso jantar. — Disse Rodrigo com seu vozeirão. — Você pode me ajudar se quiser, Harry.

— Eu adoraria. — Disse ele entusiasmado.

— Bom ter mais alguém na família que sabe o prazer de preparar uma boa paella espanhola, porque já desisti com essas duas. — Disse ele gargalhando. — Trissie pode queimar água, lhe garanto.

Todos riram divertidos e ela concordou.

— Infelizmente, é verdade, cresci sem minha mãe e cavalgando por aí livre, sem preocupações ou quem me ensinasse essas atividades mais caseiras. Ainda que acredito que, no meu caso, não teria importado, pois ainda seria um desastre na cozinha. — Disse ela autodepreciativa e todos riram. — Seus tios não quiseram vir, Harry?

— Não, quer dizer, acredito que no verão minha tia e primo me acompanharão. — Disse Harry sorrindo. — Ele quer aprender a cavalgar e espero que já tenhamos cavalos em Hallanon, mas, neste fim de semana, não era possível virem.

— Você pretende abrir Hallanon? — Scheyla bateu palmas de entusiasmo. — Isso será incrível! Mamãe sempre fala como é triste ver a fazenda vazia, bem, do que podemos ver pela fronteira, claro.

— Vocês nunca estiveram em Hallanon? — Perguntou Hermione surpresa.

— Não, as proteções permitem que apenas seu dono ou herdeiro direto entre na propriedade, além de seus representantes e convidados, claro. — Disse Trissie. — Meu pai conseguia entrar no pasto, mas, nunca na casa, porque apesar de não ser o dono, era o herdeiro mágico direto. Por um tempo foi assim, ainda que ele fosse muito orgulho para visitar a fazenda, mas, em algum momento, ele não pode mais atravessar a fronteira.

— Deve ter sido quando James nasceu e se tornou o herdeiro direto de Euphemia. — Disse Falc pensativamente. — Isso impossibilitou o acesso do seu pai.

— Então, a senhora nunca esteve em Hallanon, tia Trissie? — Harry perguntou confuso. — Quer dizer, sei que nunca conheceu minha avó ou soube quem ela era, mas não imaginei que nunca tinha estado na fazenda.

— Bem, esse é o negócio com a magia, Harry, não tem como simplesmente entrar, eu até consigo ver que a propriedade existe, mas não consigo passar pela fronteira. — Ela aponto para o marido e Yolanda. — Eles não conseguem ver nada.

— É bem estranho, quer dizer, sabemos que tem algo ali, mas tudo o que vemos é uma montanha pedregosa e escarpada. — Disse Rodrigo com o cenho franzido.

Harry ficou chocado, pedregoso? Ora! Só havia floresta nas montanhas, além de muita neve. Trissie acenou e continuou.

— Quando eu era jovem, criança ainda, Hallanon estava sempre no discurso do meu pai, sobre como ela tinha sido tomada do meu avô e tudo o mais que você já sabe. Eu nunca conheci meu avô, Patrick, pois ele morreu quando eu era um bebê, mas nunca tive porque duvidar do meu pai. — Ela deu uma caneca com bico para Dominic que a agarrou e começou a tomar o leite morno. — Terminei Hogwarts e passei a trabalhar aqui em tempo integral, mas, quando comecei a olhar para alguns documentos e livros de contabilidade antigos, descobri a verdade. Eu ainda não podia, ou meu pai, chegar perto de Hallanon, ele se recusou a dizer quem era minha tia e, quando fui ao registro no Ministério da Magia, descobri que a informação era confidencial. — Trissie suspirou com o olhar distante ao se lembrar do passado. — Talvez, eu pudesse ter posto anúncio no jornal ou algo assim, mas, eu era muito jovem e não pensei nisso, além do que, meu pai disse que ela não queria nada conosco ou, então, teria tentado entrar em contato por todos esses anos.

— Mas isso não é verdade! — Harry disse chocado.

— Não, mas acreditei quando ele disse que houve uma grande briga e não tinha como contatá-la, saber quem era e perguntar a verdade. — Trissie sorriu tristemente. — Quando deixei o país, pensei que estava deixando tudo para traz, inclusive a guerra que se tornava cada vez pior.

— Como você descobriu que minha avó tentou te contatar? — Perguntou ele olhando para Dulce que comia os últimos vestígios de biscoito, sua mãe também lhe estendeu, flutuando, uma caneca de leite com um bico na tampa.

— Anos depois, quando voltei para cá a pedido do meu pai, que estava morrendo, ele me confidenciou que ela escrevia uma carta todos os anos, na época do Natal. — Trissie abaixou a cabeça triste e Rodrigo apoio a mão em seu ombro para consolá-la. — Isso foi a 7 anos atrás, nunca voltei para a Inglaterra e não sabia que Hallanon tinha sido desativada. Meu pai, então, contou toda a verdade e que tinha queimado as cartas, dezenas de cartas, pois foram mais de 40 anos, onde tia Euphemia tentou fazer as pazes. E, papai contou que as cartas pararam de chegar e, pouco depois, Hallanon foi esvaziada e fechada completamente. Isso só poderia significar que tia Euphemia tinha falecido, assim, depois que ele morreu, me pareceu tolice tentar descobrir o que quer que fosse, porque já era tarde demais.

Harry acenou entendendo melhor tudo e lamentou que todas essas circunstâncias lhes impediram de se encontrarem antes.

— Você dever ter estado em Hogwarts conosco. — Disse Sirius pensativo. — Não sei como James não a reconheceu porque, sinceramente, Patrice, você é a imagem da sua tia avó.

— Verdade? — Rodrigo perguntou surpreso.

— Você devia ter visto quando eles a viram, papai, pareciam ter visto um fantasma, não que eles já não viram montes de fantasmas. — Disse Scheyla divertida. — Hogwarts está cheio deles, afinal.

— Dios me ayude! — Disse Madrina Yolanda fazendo o sinal da cruz e apertando um pingente de cruz com força. — No hables de los muertos como esa, chica.

— Não se preocupe, Madrina, não tem fantasmas aqui. — Disse Trissie suavemente, depois olhou para a filha com um olhar agudo. — Scheyla, já lhe disse para não provocar a Madrina com essas histórias.

— Desculpe, Madrina. Apenas queria dizer que eles agiram assombrados quando viram a mamãe. — Justificou ela parecendo apenas um pouco arrependida.

Yolanda acenou e voltou a fazer o sinal da cruz mais duas vezes.

— E, respondendo a sua pergunta, Sirius, acredito que estive em Hogwarts bem antes de vocês. — Disse Trissie tomando um gole do seu chá.

Essa declaração fez todos se espantarem, pois ela parecia bem jovem, talvez a idade de Serafina.

— Verdade? Nós entramos na turma de 71, você deveria estar uns anos à frente. Talvez? — Sirius disse hesitante, pois não queria ofendê-la.

Isso fez Trissie rir divertida e acenar negativamente.

— Oh! Agora fiquei lisonjeada. Ouviu isso, Digro? — Disse ela falando para o marido.

— Eles estão certo, mi amor, você parece tão jovem e bonita como no dia em que te conheci. — Disse Rodrigo se inclinando e lhe dando um beijo quente, ainda que Harry ficou aliviado por não ter línguas envolvidas.

Ela riu um pouco corada com os elogios e Scheyla fez uma careta.

— Vocês poderiam tentar ser discretos quando temos visitas, sabe, para causar uma boa impressão. — Disse ela ironicamente.

Todos riram divertidos e Sirius respondeu.

— E qual é a má impressão em um beijo ou no amor? Quero ver a hora em que você estiver namorando, Scheyla, a última coisa em sua mente será causar uma boa impressão. — Disse ele brincalhão e Scheyla corou, pois, afinal, Sirius Black era muito bonito.

— O que não acontecerá até que ela tenha 30 anos. — Disse Rodrigo com uma carranca. — Bruxo ou não, é melhor esses garotos de Hogwarts ficarem bem longe da minha pequeña hija.

— Padre! — Protestou Scheyla corada.

— Querido, ela nasceu a quase 16 anos, você deveria já ter se ajustado a ideia de que sua filhinha namorará na adolescência. — Disse Trissie ironicamente.

— Duvido que algum pai pode se ajustar a essa verdade dolorosa. — Disse ele mal-humorado.

— Concordo. — Disse Falc olhando para Ayana com um olhar sofrido. — Elas não poderiam ter essa idade para sempre?

— Isso seria perfeito. — Acrescentou Rodrigo.

— E, muito chato, não vejo a hora de crescer e ir para Hogwarts! Imagine ser para sempre criança e não poder ter uma varinha ou uma vassoura. — Disse Ayana com o rosto sujo de açúcar de confeiteiro dos polvorón que comeu.

— Você está certa, querida, isso seria muito chato. — Disse Trissie sorrindo. — Bem, respondendo, eu me formei em Hogwarts em 69 e tenho 41 anos, mas obrigada pelos elogios.

— Uau! — Hermione expressou o espanto de todos.

— Isso não deveria me surpreender, a senhora Euphemia teve o James com mais de 60 anos e não parecia ter nem 50. — Disse Falc lembrando-se.

— Mais de 60 anos? — Rodrigo estava perdido.

— Bem, faz sentido, ela era a irmã mais velha do meu avô e se tivesse tido filhos quando era jovem, eles seriam da idade do meu pai, mais ou menos. — Disse Trissie pensativa. — James é o primo em primeiro grau do meu pai e a diferença de idade é imensa, na verdade, ele é mais novo que eu.

— Meus avós tentaram engravidar por anos e já tinham desistido quando meu pai chegou. — Disse Harry sorrindo orgulhoso.

— Nós tivemos o mesmo problema. — Disse Trissie olhando com carinho para os filhos. — Quando nos casamos, eu tinha 22 anos, mas demorei 3 anos para engravidar e, apenas 2 anos atrás, engravidei dos gêmeos, apesar de tentarmos por anos.

— Eu ainda estou abismado com a ideia de uma mulher ter um filho depois dos 60 anos. — Disse Rodrigo com o cenho franzido. — Sou só eu?

— Não uma mulher, mas uma bruxa e isso muda tudo. — Disse Serafina suavemente. — Bruxos vivem mais tempo e envelhecem mais tarde, assim, uma bruxa de 60 anos pode ter filhos. Não que não seja um pouco surpreendente, como Harry disse, os Potters já tinham desistido.

— Vivem mais tempo? — Rodrigo olhou para a esposa com curiosidade. — E, envelhecem mais tarde? Por isso você parece tão jovem. Tem algo que esqueceu de me dizer sobre ser uma bruxa?

— Isso não quer dizer nada. Os bruxos têm doenças também e eu poderia acabar morrendo antes de você. Assim... — Disse ela dando de ombros sem dar importância a isso.

— Sei, mas, estou curioso. Em média, com que idade um bruxo ou bruxa morre? — Pressionou ele e quando a esposa se ocupou de Dominic para não responder, olhou para Serafina que respondeu hesitante.

— Bem... nosso diretor, por exemplo, Dumbledore, ele tem 111 anos e é considerado uma pessoa idosa, mas ainda é ativo, trabalha e é muito poderoso. Na verdade, eu diria que é o bruxo mais poderoso da Europa e, se não ficar doente ou for morto em um duelo, acredito que poderia viver mais uns 20 anos ativamente. E, depois que se aposentar, talvez...

— É possível um bruxo morrer perto dos 150 anos, antes disso, seria um pouco surpreendente ou uma fatalidade. — Terminou Trissie, porque era claro que Serafina estava protelando.

— Quer dizer que você vai viver o dobro de tempo que eu? — Rodrigo estava chocado.

— É claro que não. — Trissie pegou a mão dele e apertou com força. — Primeiro, você vai viver muito mais que 75 anos e é bem improvável que eu chegue aos 150.

— Trissie tem razão, Rodrigo, o mundo bruxo também tem doenças e os mais idosos são muito vulneráveis a elas. — Disse Falc e seu olhar mostrava que estava pensando em sua mãe que não tinha nem 70 anos, ela era considerada jovem, na verdade. — Muitos chegam aos 150, mas essa é uma possibilidade, não o mais comum.

— Sim, porque senão meus avós estariam vivos. — Disse Harry suavemente. — Eles morreram aos 83 anos de varíola de dragão, com alguns dias de diferença.

— Poderíamos falar de um assunto menos mórbido? Algo mais feliz como o fato do Harry reabrir Hallanon!? —Disse Scheyla tentando redirecionar o assunto.

— Boa ideia. — Disse Trissie, ansiosa para abandonar essa conversa. — Você já sabe como fará para reativar a fazenda, Harry?

— Não faço ideia. — Ele disse sincero. — Nenhum de nós sabe, na verdade.

— As fazendas Potters foram desativadas a 11 anos, depois da morte de James e as reativamos a 1 mês, apenas. — Disse Falc. — Temos novos funcionários e já estão produzindo, também contratamos bons gerentes para cuidar de cada fazenda, além de incríveis administradores.

— Nossas funções como guardiões e tutor do Harry é supervisionar bem de perto, ainda que nenhum de nós entende muito de agricultura. — Disse Sirius apontando para os Boots e ele mesmo. — E, entendemos menos ainda de cavalos, assim, teremos que encontrar pessoas qualificadas para administrar Hallanon também.

— O que aconteceu com os animais que viviam na fazenda ou os antigos funcionários? — Perguntou Trissie interessada.

— Os animais foram transferidos para a Reserva que os Potters têm na África e, pelas minhas pesquisas, alguns funcionários seguiram junto. Outros se espalharam em outras fazendas do Reino Unido, mesmo Reservas aqui na Europa. — Informou Falc suavemente. — Entrei em contato com alguns, pois sabia que o Harry quereria reativar Hallanon e alguns se mostraram interessado em retornar.

— E, precisaremos saber quantos animais podem ser transportados da Reserva de volta...

— Espere, espere um segundo. — Disse Scheyla parecendo chocada. — Você tem uma Reserva na África!? Quer dizer, uma Reserva com um monte de animais?

— Sim. — Respondeu Harry e Scheyla abriu a boca de espanto.

— Uau! Isso é incrível! Adoraria visitar e ver todos esses animais em seu habitat natural. — Disse ela olhando para Harry e depois para a mãe. — Mamãe...

— Nem pense em me olhar com essa expressão, garota, uma viagem para a África não é o mesmo que ir para a Espanha ou mesmo para os Estados Unidos. — Disse Trissie séria. — Além disso, seu primo tem que nos convidar e não você, assim, contenha-se.

— Eu os convido, também adoraria conhecer a Reserva, mas não sei se poderei ir tão cedo. — Harry disse imediatamente.

— Obrigada, Harry, seria realmente incrível conhecer uma Reserva Natural. — Disse Trissie sorrindo. — De qualquer forma, existe uma questão que vocês precisam levar em conta quando repatriarem todos esses animais para a Irlanda.

— O que? — Sirius perguntou curioso.

— Se eles querem voltar. — Ela disse suavemente, ao ver suas expressões de espanto, acrescentou. — Os animais são muito inteligentes e não é difícil nos conectarmos com eles, questionar e receber uma resposta. Há 11 anos, todos foram arrancados de sua casa e agora, essa Reserva Natural pode ser seu novo lar, arrancá-los de lá seria um grande desrespeito e poderia traumatizá-los.

Houve um instante de silêncio enquanto todos absorviam mais essa dificuldade.

— Bem, isso só acrescenta ao que já sabíamos. — Disse Falc olhando para o Harry com atenção. — Reabrir Hallanon será um processo longo e que exigirá muito conhecimento, paciência e dedicação.

— Sim, mas podemos começar devagar, com alguns poucos cavalos... — Sirius disse e Harry acenou negativamente. — Você tem outra ideia?

— Sim, mas ainda tenho muito o que pensar, assim, guardarei minhas ideias para mim, por enquanto. — Disse Harry com firmeza, porque não queria mencionar a proposta de sociedade ainda, não era o momento e, felizmente, todos pareceram entender. — Acredito que vou no carro buscar os presentes e as fotos. — Disse ele se levantando e segurando Dulce firmemente. — Aqui, Neville, segure ela para mim.

— Eu!? — Neville perguntou meio em pânico, mas Harry a sentou em seu colo sem cerimônia.

— Você é único Neville presente, assim... Dulce, este é meu amigo, Nev, você fica com ele e já eu volto. Ok? — — Disse Harry suavemente, se inclinando para falar na sua altura.

— Ok. — Disse ela e olhando para Neville estendeu seu biscoito meio comido e babado. — okies, Nev?

— Presentes? — Scheyla se levantou curiosa e o seguiu até a frente da casa. — Você trouxe presentes?

— Sim. — Harry sorriu para ela com carinho. — É Natal, afinal, e vocês são minha família, mas não quis enviar por coruja, já que estaria aqui hoje. Espero que não se importe que esteja atrasado.

— Claro que não! Imagine, presentes! Adoro presentes! — Disse ela saltitando ao seu lado. — Depois poderemos ir ver os cavalos, Harry, temos cavalos trouxas normais e alguns mágicos, temos também algumas criaturas mágicas como em Hogwarts.

Ela continuou falando sobre os animais, enquanto Harry pegava um baú com presentes e uma mochila com as fotos.

"Deixe-me te ajudar. " — Disse Scheyla pegando a mochila.

Eles voltaram para a cozinha e a mesa estava limpa agora, assim, Harry pousou o baú e Serafina o ampliou.

— São apenas alguns presentes para o Natal e alguns doces que eu fiz. — Harry disse distribuindo os presentes.

Ele comprara uma luva de goleiro de quadribol para Scheyla, brinquedos e roupas para os gêmeos, um livro de culinária para Rodrigo e outro de tricotar para a Madrina Yolanda. Para Trissie, ele pegou um casaco de couro de dragão que era muito resistente ao frio e feitiços, era verde escuro e com um capuz estiloso. E, para todos, Harry assou biscoitos de Natal, como fez para os Boots no ano anterior.

— Espero que gostem. — Disse ele timidamente.

Eles gostaram, Scheyla saltou com a luva de couro de dragão negro e os outros ficaram muito impressionados. Trissie adorou seu casaco e o vestiu encantada, mesmo os biscoitos fizeram muito sucesso.

— Maravilhoso e os padrões com o glacê, os desenhos, acredito que nunca comi um tão bom desde que vim para a Irlanda. — Disse Rodrigo sincero e Harry corou com os elogios.

— Você não precisava ter nos comprado presentes, garoto. — Disse Trissie com uma expressão falsamente zangada. — Mas amei o meu casaco novo, verdadeiramente. Obrigada.

— De nada. — Disse ele baixinho e raspando a bota no chão um pouco constrangido.

— Temos um presente para você também. — Disse Scheyla saltando de ansiedade.

— Tem? — Harry arregalou os olhos.

— Sim, pensamos em algo que todo garoto quer e algo que o lembre de nós, sua família, quando estivermos longe. — Disse Trissie e foi até a porta que levava a lavanderia, voltando com uma cesta, com cobertores e um filhote de cachorro, o que provocou exclamações.

— Para mim? — Harry arregalou os olhos para o lindo filhote ruivo de orelha caída. — O filhote é para mim?

— Sim, nós temos um casal de setter irlandeses, Dragomir e Califa. — Disse Trissie e suavemente ergueu o filhote sonolento. — Ele nasceu a dois meses e já está desmamado, vacinado e é seu.

— Vendemos os outros filhotes na cidade, mas separamos esse para o seu presente de Natal, Harry. — Disse Rodrigo sorrindo e se aproximando. — Scheyla nos disse que você tem jeito com animais e, só de ver você com os bebês, sabemos que é o presente certo.

Harry não sabia o que falar e, ainda de olhos arregalados, estendeu os braços e pegou o filhote de pelos vermelhos.

— Olá... — Sussurrou o segurando pela barriga e coçando suas orelhas, ele bocejou e depois usou sua linguinha rosa para lamber sua mão, cheirou e mordiscou. — Como você é bonito, garoto e tão pequeno... E, seu pelo é vermelho! — Harry exclamou encantado. — Nunca vi um cachorro ruivo antes...

Harry lembrou os cachorros de Marge e como eram desagradáveis, mas, esse parecia tão diferente. Sua expressão era descuidada e doce, Harry o aproximou de seu rosto e encarou seus olhos castanhos como chocolate, vendo apenas curiosidade e gentileza.

— Os setters irlandeses são muito amigos e leais, são ótimas companhias, bons trabalhadores em fazendas, companheiros de caminhadas, são muito ativos e se enturmam bem em matilhas. — Disse Trissie sorrindo orgulhosa. — Eles podem te proteger de algum perigo, mas não são brigões ou violentos.

— Você é um bom garoto, não é? — Sussurrou Harry encarando seus olhos, o filhote sorriu bonachão e despreocupado com a língua de fora. — Vamos ser bons amigos, os melhores amigos. — Ele o aproximou de seu rosto e tomou umas lambidas carinhosas. — Obrigado. Eu... nem sei o que dizer, esse é um presente incrível. Obrigado, tia Trissie, tio Rodrigo.

— De nada. — Trissie se aproximou e o abraçou pelos ombros lhe dando um beijo na testa. — É o mínimo, para compensar todos esses anos... — Ela hesitou, mas depois respirou fundo. — Desculpe não ter tentado mais, eu não deveria ter desistido de procurar minha família e, então, conheceria você desde sempre. Sei que viveria com sua tia, mas, poderia ter vindo nos visitar ou nós te visitaríamos.

— Não tem porque se desculpar, tia Trissie, a senhora jamais teria me encontrado. — Disse Harry e voltou a erguer seu filhote, ignorando a expressão surpresa dos Martíns. — Preciso de um nome bem legal para você, não é? Alguma sugestão?

Harry olhou para o pessoal que estavam com expressões diferentes, Adam e Ayana estava bem pertos e acariciavam o filhote, parecendo loucos para pegá-lo. Neville, que tinha entregado Dulce a Hermione, sorria, e sua amiga olhava meio assombrada. Os adultos pareciam divididos. Sirius ciumento, Falc despreocupado e Serafina preocupada.

— Posso pegá-lo, Harry? Por favorzinho? — Disse Ayana implorando com as mãos juntas.

— Ok, mas seja cuidadosa. — Disse ele um pouco ciumento, não queria dividir seu filhote.

— Ele é lindo, Harry, você deveria chamá-lo de Fofo. — Disse Adam e Neville arregalou os olhos.

— Não! — Disse alto e quando todo o encaram, corou. — Quer dizer, hum... ele não tem cara de Fofo, Harry deveria escolher outro nome, que combina, sabe...

— Concordo. — Harry riu divertido. — Preciso de um nome que combine com esse carinha.

— Rojo, es un buen nombre. — Disse Madrina Yolanda enquanto lavava a louça do chá, sem magia, ela preferia assim.

— Vermelho? — Harry hesitou e pegando seu carinha, o ergueu até seu rosto. — Não, muito simples e óbvio, afinal, os ruivos não devem gostar de serem chamados de ruivos, red ou vermelhos.

— Com certeza não. — Disse Trisse pegando o filho que se agarrou a sua perna, Dulce parecia feliz no colo da Hermione, brincando com seus cabelos cacheados.

— Eu tenho um nome perfeito para você. — Disse Harry sorrindo, seu filhote retribuiu com sua expressão de expectativa. — Ffrind. — Disse Harry com o acento galês perfeito. — Quer dizer, amigo em galês e... acho que ele gostou. — Disse Harry divertido quando Ffrind latiu animado.

— É perfeito. — Disse Rodrigo.

— Eu gosto muito e se Ffrind gosta. — Disse Trissie. — Temos tudo o que você precisa para levá-lo para Hogwarts, Harry e mantê-lo em seu quarto. Se você passear com Ffrind algumas horas por dia, ele não se importará de ficar no quarto ou na torre Ravenclaw.

— Se ele gosta de atividade física, o levarei comigo para treinar, vamos nos divertir muito. — Disse Harry suavemente e coçou suas orelhinhas peludas e caídas. — Mas não o levarei para Hogwarts ainda, é muito perigoso com o basilisco a solta.

— Você pode deixar Ffrind em casa, Harry, o Kalil adorará a companhia e temos muito espaço para ele correr. — Disse Serafina e Adam saltou.

— Sim! — Disse ele e Ayana bateu palmas.

— Sinto muito, Ayana, Adam, mas vocês já têm o Kalil, minha tia e o Duda não tem companhia, assim, deixarei o Ffrind com eles. — Disse Harry suavemente. —Tudo bem?

Os dois pareciam decepcionados, mas, por fim, Adam acenou.

— Ok, não quero que o Duda fique sozinho. — Disse ele acariciando as costas de Ffrind.

— Certo, mas podemos visitá-lo? — Ayana perguntou olhando para a mãe com olhos implorando.

— Talvez... — Serafina hesitou. — Harry, tem certeza que sua tia vai querer um cachorro em casa? Pelo que me lembro, ela disse que não gostava deles.

Harry riu e fez uma careta.

— Sra. Serafina, minha tia não gostava dos cães da cadela, não tem como ela não gostar do Ffrind, além disso, assim que o basilisco for eliminado, o levarei para Hogwarts comigo. — Disse acariciando seu Ffrind com carinho, não havia comparação entre ele e os cães daquela mulher horrível, pensou Harry.

— Cadela? — Trissie perguntou confusa.

— Se esse basilisco é tão perigoso, porque deixam as crianças voltarem para a escola? — Disse Rodrigo olhando para a filha preocupado.

— A possibilidade de fechar a escola existe, Rodrigo, mas os aurores e equipe de caça estão procurando pelo basilisco e as regras para proteger os alunos foram alteradas. — Serafina disse muito seriamente. — Acredite, com Terry e Harry na escola, além de todas as crianças, estamos pensando em todas as possibilidades.

— Por falar nisso, onde está o Terry? — Perguntou Scheyla pegando Dulce quando ela estendeu os braços.

— Ele quis ficar com avó, minha mãe está doente e ele sabe que não a verá até a páscoa, assim quer aproveitar o máximo de tempo possível ao seu lado. — Explicou Falc suavemente.

— Lo siento por tu madre, que Dios te proteja. — Disse Madrina.

— Desculpe, não entendi. — Disse Falc hesitante.

— Ela disse, que sente muito por sua mãe e que Deus a proteja. — Disse Harry entregando Ffrind para o Adam que abriu um imenso sorriso.

— Desde quando você fala espanhol? — Perguntou Sirius olhando meio atravessado para o filhote.

— Bem, eu treinei um pouco com a Scheyla e a... — Harry se engasgou e tossiu para disfarçar, pois quase mencionou a Sra. Rosa. — Um dicionário de espanhol, queria saber o básico quando os visitasse. — Querendo mudar de assunto acrescentou rapidamente. — Vamos ver as fotos?

— Sim! — Scheyla disse animada e eles voltaram a se sentar na mesa.

Harry pegou os diversos álbuns que tinha, a um ano, ele comprara um álbum que nunca acaba, mas, depois, decidiu dividi-los por temas e comprou mais dois.

— Essas são fotos que estavam no Chalé Iolanthe, a Sra. Serafina os conseguiu para mim, tem também fotos que a Sra. Honora me deu cópias e que os amigos dos meus avós e pais me enviaram. — Harry sorriu para Remus. — Remus me ajudou com isso.

— Eu apenas escrevi para os nossos antigos amigos e pedi que me enviassem cópias das fotos de seus pais. — Disse Remus gentilmente. — Eles ficaram muito felizes em lhe enviar, Harry e mostraram ansiedade para conhecerem o filho de James e Lily.

— Meu pai era amigo do Sr. Potter e conseguiu mais algumas fotos deles mais jovens, assim, você verá o nosso espanto. — Disse Falc levemente divertido.

Os álbuns foram divididos entre os Martíns que logo estavam soltando exclamações de espanto.

— Pero esto es assombroso! — Disse Madrina espantada.

— Mamãe, é você! Quer dizer, é como se, nas fotos, fosse você.

— Como gêmeas, mi amor, incrível! — Disse Rodrigo absolutamente chocado.

Trissie não disse nada e apenas olhou as fotos e acariciou as imagens com carinho, sua emoção era clara e logo seus olhos verteram as lágrimas que tentava segurar.

— Ela deve ter morrido achando que eu também a odiava... — Trissie disse triste. — Oh... que triste não ter te conhecido, tia Euphemia, teríamos sido grandes amigas.

Rodrigo a abraçou pelos ombros e sussurrou em espanhol em seu ouvido, a consolando. Era algo muito íntimo e todos desviaram olhar decidindo dar privacidade a eles, Yolanda pegou Dulce e Dominic, levou-os para a sala de jogos, Adam e Ayana ficaram felizes em acompanhar. Remus e Sirius decidiram olhar os cavalos, Falc decidiu acompanhá-los e Scheyla foi como guia, arrastando Hermione e Nev junto. Assim, logo, apenas Harry estava na mesa olhando para o casal discretamente.

— Você se parece muito com seu pai também, Harry. — Disse ela depois que se acalmou, o encarou com os olhos vermelhos. — De ser difícil para você, muito mais do que para mim, nunca os conhecer, tê-los perdido tão jovem. Lamento muito.

— Eu também e isso nunca passará. — Harry enxugou uma lágrima discretamente. — Eles morreram para me salvar e já aceitei isso, mas nunca aceitarei seus assassinatos. — Harry suspirou. — Por tudo o que ouvi sobre a vovó Euphemia, sua força e alegria, astúcia Slytherin e montes de outras coisas incríveis, acredito que ela seria alguém incrível para ter em nossas vidas. Também lamento que nunca tenhamos eles.

— Mas temos um ao outro e o resto da família. — Trissie se levantou e o abraçou. — É maravilhoso, saber que eu e meus filhos não somos os últimos O'Hallahans. Quero fazer parte da sua vida, Harry, da maneira como você quiser, quero que sejamos como uma família. Ok?

— Ok. — Disse ele engasgado.

— Agora, porque não vamos ver os cavalos e você me explica algumas coisas que não entendi. — Disse ela o abraçando pelos ombros.

— Vou buscar as crianças. — Disse Rodrigo e Trissie acenou enquanto deixavam a cozinha para a parte de traz da fazenda, seus casacos tinham magicamente vindo do cabideiro da porta da frente para o dos fundos.

— Que coisa? — Harry perguntou curioso.

— Bem, porque você vive com sua tia, se o Boots são seus guardiões e seu padrinho o seu tutor, porque disse que eu nunca te encontraria se tivesse lhe procurado e por último, mas não menos importante, quem é a cadela? — Disse ela com um sorriso gentil e um olhar muito astuto.

Harry engoliu em seco ao ver seu olhar e percebeu que não sabia qual era a sua casa em Hogwarts.

— Hum..., bem, tia Trissie, sabe, essa é uma longa história. — Disse ele hesitantemente.

— Bom, ainda bem que temos muitos cavalos para ver, assim, terá tempo de me dar um resumo bem detalhado. — Disse ela e ele percebeu, pelo seu tom, que não tinha muita escolha.

O estábulo era menos da metade do tamanho do estábulo de Hallanon e os cavalos eram magníficos. Todos estavam encantados e quando Adam e Ayana chegaram com o Rodrigo, seus olhos pareciam que saltariam de tão arregalados. Scheyla era uma ótima guia e falou sobre as raças e como eram melhores utilizadas, ela demonstrou todo o seu orgulho por cada animal, chamando-os pelos nomes. Harry se manteve de ouvido atento, mas, ele e Trissie ficaram mais atrás enquanto contava sobre sua vida nos Dursleys, Dumbledore, os Boots e Sirius. Ele fez um resumo, mas ainda assim, era claro que Trissie entendeu muito bem a situação toda e que algumas informações ficaram de fora.

— Não sei o que mais está me escondendo e entendo que acabamos de nos conhecer, assim não precisa confiar em mim ainda, mas, quero que saiba que pode contar comigo se precisar. Contra quem for, seus tios, Dumbledore ou comensais da morte, entendido? — Disse ela seriamente e Harry acenou, mas ao mesmo tempo, sabia que não poderia envolvê-la com a profecia, Voldemort e todos os outros perigos. Os Boots já estavam muito envolvidos e seriam um alvo, não havia como mudar isso, mas ele poderia manter os Martíns seguros o máximo possível.

— Sim, tia Trissie. — Mentiu ele, sem nem piscar.

— Ok. Agora, me responda com sinceridade como está a vida com sua tia? Ela realmente mudou? Você está seguro lá? — Ela perguntou muito séria e Harry acenou, contando as mudanças que ocorreram com sua tia.

— Bem, fico mais tranquila e é bem claro que os Boots e seu padrinho cuidam de você, mas se precisar de qualquer coisa não hesite em me pedir. — Disse ela passando a mão pelos seus cabelos com carinho.

— Combinado. — Disse ele e olhando para Ayana que estava em cima de um pônei aprendendo a montar sob a orientação paciente de Rodrigo, acrescentou sorrindo de animação. — Você me ensina a cavalgar?

Trissie riu e acenou, o levando até o centro do paddock.

— Eu o ensinarei, com certeza. Agora, você é um bruxo e deve aprender a sentir e conectar com os animais, e respeitá-los. — Disse ela suavemente. — Feche os olhos e tente se conectar com sua magia, deixe que ela te guie para o animal que quer te conhecer, que quer ser montado e, depois, caminhe até ele.

Harry acenou e não teve dificuldades em limpar sua mente, prática e uma conexão forte com sua magia o permitiu expandi-la em busca do animal que queria conhecê-lo. Ele já se conectara com a magia do ambiente, da Floresta Proibida, principalmente, mas nunca tentou se conectar com os animais, assim era tudo novo e interessante. Harry suspirou ao senti-los, eram quentes, suaves e puros, conseguia até diferenciar os cavalos mágicos dos não mágicos e, pela primeira vez, lamentou que Terry não estivesse aqui, seu amigo amaria.

Se concentrando, deixou sua magia tocá-los gentilmente, pedindo permissão para montá-los. Sentiu e ouviu um movimento a esquerda e sem se preocupar em abrir os olhos, caminhou naquela direção, enxergando com sua magia a energia azul escura e aveludada como o céu em uma noite sem lua. Quando chegou à sua frente, deixou sua magia acariciá-la suavemente e suspirou quando sentiu seu fôlego quente no rosto. Abrindo os olhos, Harry se encontrou frente a frente a uma égua inteiramente negra, na verdade, o brilho do pelo parecia meio azulado de tão negro.

— Olá... — Sussurrou e estendeu a mão acariciando seu focinho e subindo pelo chanfro até o topete. — Que linda garota você é, tão linda... — Harry a abraçou acariciando seu pescoço. — Obrigada por me escolher.

— Esta é Zaíra, é uma égua árabe e, bem, parece que gostou de você. — Disse Trissie parecendo impressionada.

— Eu também gostei muito dela. — Disse Harry a acariciando, seu focinho bateu em seu ombro em um gesto afirmativo, ele riu. — E ela concorda, que garota esperta.

— Ela é mágica. — Sussurrou Trissie abrindo a porta da baia.

— Eu sei, posso sentir. — Disse Harry se afastando enquanto Zaíra o seguia elegantemente. — Além de bonita e esperta, você é muito poderosa, Zaíra.

Ela relinchou feliz com o elogiou, bateu as patas orgulhosa e acenou com a cabeça orgulhosa.

Harry e Trissie riram de sua vaidade.

— Siga até a área onde estão as celas, Harry, vou te ensinar a encilhá-la. — Orientou Trissie e quando o Harry a atendeu, Zaíra o seguiu batendo o focinho em seu ombro brincalhona.

Enquanto tia Trissie o ensinava a encilhar os arreios e a cela, explicou mais sobre os cavalos árabes.

— Eles são do oriente médio, claro, a raça mais antiga e pura que existe, a maioria das outras raças surgiram a partir da árabe. Eles são bem rústicos e rápidos, ótimos para o trabalho na fazenda, além de brincalhões e leais, mas também são corajosos e fogosos. — Harry terminou de selar Zaíra que ficou muito dócil, apenas lhe dando uns cutucões brincalhão no ombro ou acariciando seus cabelos. — Agora, você deve se posicionar do lado esquerdo de Zaíra, segure a rédea com a mão esquerda e a apoie no pilo para te ajudar na alavancagem. Coloque seu pé esquerdo no estribo e impulsione o seu corpo, alce sua perna direita sobre a sela e apoie seu pé direito no outro estribo. Sua impulsão tem que ser precisa, equilibrada e segura, se o cavalo sentir sua insegurança, se incomodara e tentará te impedir de montá-lo. Os cavalos mágicos o jogarão para fora da cela sem cerimônia se não mostrar respeito e coragem.

Harry acenou, mas não se preocupou, não estava com medo ou inseguro e Zaíra gostava dele tanto quando ele gostava dela. Seu movimento foi mais lento do que deveria, mas, em segundos, se viu montado na linda égua e sorriu animado com o quão alta ela era.

—Incrível! — Disse ele e acariciou seu pescoço. — Boa garota, você é tão alta e elegante. Vamos dar uma volta, vamos?

Parecia que ela só estava esperando o seu pedido para se mover e, Harry, acostumado a voar, instintivamente apertou as pernas e segurou nas rédeas quando Zaíra se moveu bruscamente, se equilibrando sem dificuldade.

— Não deixe o paddock. — Disse tia Trissie e Harry acenou, deixando que Zaíra trotasse em círculos pelo paddock oval. — E..., puxe as rédeas para ela virar... ok, não preciso dizer porque parece que você já sabe...

Harry não sabia, mas seu instinto natural para voar prevaleceu e ele sabia exatamente o que fazer. Virar puxando as rédeas sutilmente, puxar para trás para diminuir a velocidade, soltar e se inclinar para ir mais rápido, apertar as pernas para se equilibrar e guiar a montaria. Assim como se conectava com sua vassoura, Harry se conectou com Zaíra, sentindo sua alegria por brincar, cavalgar com ele era brincar para ela e Harry riu divertido.

— Também gosto de brincar, Zaíra, vamos mais rápido, garota. Vamos nos divertir!

Zaíra o atendeu e começou um galope mais ligeiro, e empinou o rosto com orgulho se exibindo para os outros cavalos que relincharam desejando brincar também.

Trissie se aproximou dos outros, Adam e Ayana estavam em seus pôneis sendo ensinados por Rodrigo. Hermione montara um Appaloosa dócil e era orientada por Scheyla.

— Pensei que ele nunca tinha montado. — Disse Rodrigo confuso ao ver Harry rindo e elogiando Zaíra que parecia se divertir muito também.

— Eu também. — Respondeu ela e olhou para os Boots e Sirius.

— Ele nunca cavalgou, mas é um voador natural, imagino que isso se aplique a montar vassouras e cavalos. — Disse Sirius olhando o afilhado com orgulho.

— Você precisa vê-lo voando, mamãe, Harry é o melhor voador de toda a escola, por isso acredito que ainda temos chance de ganhar a Taça de Quadribol. — Disse Scheyla fazendo outro círculo ao lado de Hermione que já conduzia a rédea sozinha, mas em um passo bem lento para tristeza de Lesco que olhava Zaíra correr com inveja.

— Isso sem falar que foi uma grande injustiça os Ravenclaws perderem. — Disse Neville olhando os cavalos com ansiedade.

— Bem, já que estou livre, posso te ensinar a montar, Neville. Vamos lá? — Disse Trissie sorrindo.

— Oh..., bem, eu não sou um grande voador como o Harry, Sra. Patrice... — Neville se mostrou muito hesitante. — Não sei se...

— Bobagem, Neville, uma coisa não tem a ver com a outra, lhe garanto. Vamos lá. — Disse ela em tom firme que não admitia discussão.

— Ok... — Se esforçando para superar o medo, Neville a acompanhou e seguiu suas instruções.

Em poucos instantes, ele se conectou com um Finnhorse castanho, robusto e forte. Todo o resto foi bem, mas sua insegurança surgiu na hora de montar, Cuzco se agitou, mas Trissie segurou as rédeas e exigiu paciência, algo que os cavalos da raça Finlandeses tinham de sobra. Depois de um pouco de hesitação, com Trissie o acompanhando de perto, Neville andou em círculos pequenos e se soltou cada vez mais. Na verdade, ele se sentiu mais confiante a cada momento, mais até que a Hermione que ainda parecia hesitante em aumentar a velocidade.

Aos poucos, todos foram ensinados a encilhar sua montaria, Sirius já tinha montado, mas foi a mais de 15 anos, assim, precisou de alguma reciclagem. O paddock era a grande o suficiente para todos cavalgarem, Adam e Ayana estavam com a Scheyla virando em círculos curto. Harry fazia os círculos mais longo e rápidos, Neville sorrindo cheio de animação logo o acompanhou, em ritmo mais lento. Hermione se manteve em círculos médios em um passo suave, mas, apesar da cautela, também estava se divertindo. Os adultos não tiveram problemas, Falc, Serafina, Sirius e Remus, se adaptaram as suas montarias e cavalgaram em bom ritmo.

— Amanhã podemos dar uma volta pela fazenda se sentirem segurança. — Disse Trissie quando os ensinava a desencilhar, escovar e se despedir dos cavalos. — Hoje já está escurecendo e seria perigoso para cavaleiros iniciantes.

Eles voltaram para casa e a claridade do dia se desvanecia na tarde de inverno. Rodrigo recebeu a ajuda que Harry e Yolanda para preparar a paella de frutos do mar e a sobremesa, arroz con leche.

Serafina se envolveu em uma conversa com Trissie, sobre Harry, claro. Scheyla levou os amigos para conversar e conhecer a casa, Remus e Sirius ficaram brincando com os gêmeos, Adam e Ayana, ou melhor, Almofadinhas estava brincado com eles. Ffrind se juntou a eles, mas Almofadinhas o tratou com frieza tentando afastá-lo, no entanto, o filhote persistiu latindo e pulando no gigante peludo até que pareceu conquistá-lo um pouco.

Quando o jantar estava pronto, Dulce Maria e Dominic já estavam dormindo, Ffrind também em sua cesta. A comida foi um grande sucesso. Rodrigo e Yolanda elogiaram Harry por seu talento para cozinhar. Ele corou e ficou encantado com o arroz doce com leite e canela, já planejando fazer para o Abrigo no ano seguinte, pois era uma sobremesa saudável e gostosa.

Cansados, eles fizeram a viagem depois do jantar prometendo estarem de volta no dia seguinte por aparatação. Adam e Ayana dormiram no caminho de volta e todos estavam mais silenciosos depois da boa comida e diversão.

— Ainda não acredito que cavalguei tão bem, pensei que nunca aprenderia ou teria coragem, mas eu me conectei com Cuzco como faço com as plantas e ele é tão bondoso, gentil e tranquilo que perdi o medo. — Disse Neville com um sorriso sonhador.

— Harry, pensei que gostaria de falar sobre seus planos para Patrice e Rodrigo, fazer a proposta de sociedade. — Disse Falc o olhando curioso pelo vidro retrovisor.

— Ainda é cedo, estamos nos conhecendo e, enquanto na teoria, a ideia é perfeita, na prática não é tão simples assim. — Disse Harry sonolento, comera muita paella de camarão. — Além disso, não queria que esse primeiro encontro ficássemos falando sobre negócios, números, queria que todos nos divertíssemos.

— Você fez bem, Harry, e temos que considerar o fato que eles são muito felizes e podem não querer mudar suas vidas tão drasticamente. — Disse Serafina sensata.

Harry acenou e ajustou a cesta de Ffrind em seu colo, esperando que a Sra. Serafina não estivesse certa.

Ele só conseguiu a resposta para essa questão na tarde seguinte. Todos acordaram cedo, tomaram café da manhã e com a ajuda dos adultos aparataram para a casa do Martíns. Hallanon era linda, mas, mesmo Hermione reconheceu que, apesar da biblioteca, não havia muito o que fazer ali. Era em Hallanon II que havia vida, pessoas incríveis e divertidas, cavalos e muita atividade.

Cavalgar pela fazenda nevada foi muito divertido e frio, Harry montou Zaíra e os dois eram como os melhores amigos. Ele pediu para a Sra. Serafina lhe conjurar um bolsa canguru onde Ffrind se aconchegou e, por toda a cavalgada, manteve a cabeça erguida, sentindo o vento com a língua de fora, latindo e sorrindo com toda a diversão.

— Você quer ir mais rápido, Ffrind? — Harry perguntou e o filhote latiu concordando. — Vamos lá! Vamos garota, mais rápido.

Zaíra o atendeu acelerando o galope e Harry riu divertido com o vento frio bagunçando seus cabelos e concluiu que cavalgar era tão bom quanto voar.

Todos os outros se divertiram muito também, apenas Hermione teve que escolher um novo cavalo porque Lesco se recusou a permitir que ela o montasse. Um Andaluz idoso e tranquilo a aceitou, gostando do passeio lento, seguro e cauteloso que Hermione manteve.

Desta vez Rodrigo, Trissie e Scheyla cavalgaram com eles e ficou claro a diferença entre os iniciantes e os três cavaleiros experientes. Suas montarias eram mais altas, fortes, temperamentais e rápidas, seus controles eram instintivos e hábeis. Harry sorriu para a Scheyla e apontou que ela cavalgava melhor, mesmo que ele voasse com mais habilidade.

— Sim, mas isso é uma questão de prática, cavalgar é instintivo para você também, assim, quanto mais tempo passar em cima de um cavalo, melhor ficará. — Disse ela sorrindo.

— Precisamos ter acesso aos cavalos em Hogwarts, então, temos que ter permissão para cavalgar. — Disse Harry pensativo.

— Conversei com Hagrid, depois que me contou sobre os animais que estão na escola e ele disse que não temos autorização ou animais suficientes. — Disse ela enquanto cavalgavam em um passo suave. — Mesmo que fossemos uma turma pequena, o que eu duvido, precisaríamos de mais animais e um instrutor.

— Hagrid pode ser nosso instrutor, ele ama os animais e os alunos, tem muita paciência para ensinar e seria um grande professor. — Harry apontou, Neville e Hermione concordaram.

— Teríamos que ter mais animais e um estábulo maior, um paddock... — Scheyla parou e o encarou sorrindo. — Poderíamos apresentar uma proposta ao diretor, Conselho de Governadores e a AP, quem sabe conseguimos autorização.

— Precisamos também encaixar em nossos horários. — Disse Hermione séria. — Temos Educação Física e Carpintaria Magica, se vamos ter aulas de equitação precisa ser em um horário que não atrapalhe nossos estudos em magia.

— Pode ser uma aula a partir no 3º ano, como Trato de Criaturas Mágicas e pode ser opcional. — Disse Harry dando de ombros. — Poderia ser uma atividade extra, sem notas e exames, diferente de Educação Física, que teremos testes.

— É uma boa ideia e alunos a partir do 3º ano seria o ideal, porque são mais velhos e responsáveis. — Scheyla disse empolgada. — Harry! Podemos fazer isso, criar uma proposta e apresentar a eles, talvez, tenhamos sorte.

— Eu posso ajudar. — Hermione se propôs e Neville acenou, concordando em participar.

— Bem, vamos fazer isso, então. — Disse Harry sorrindo.

Seguindo pela trilha, eles se aproximaram mais da montanha e Trissie disse que deveriam voltar, pois a fronteira com Hallanon estava próxima, mas Harry disse que queria seguir até a fronteira.

— Bem, é aqui, Harry, vocês podem avançar se quiserem, mas nós não vamos além. — Disse tia Trissie detendo seu Anglo-Árabe de nome Scoty.

Harry sorriu e avançou, fechou os olhos e sentiu as alas poderosas que estavam sob seu comando, conectado a sua magia e a comandou suavemente.

— Podem vir agora, a magia entende que vocês são meus convidados. — Disse ele tranquilamente e avançou pela trilha que seguia para o Vale do Meio.

Os três pararam surpresos e Harry se virou quando não se moveram.

— Apenas assim? — Rodrigo estava espantado. — Não precisa de varinha ou algo assim?

— Não com alas. — Disse Serafina suavemente. — Elas estão conectadas a magia do Harry que tem uma forte ligação com sua própria magia e, neste caso, o que importa é a intenção. Se ele quisesse nos expulsar ou impedir de entrar, poderia e, se quiséssemos entrar à força, precisaríamos de nossa varinha para quebrar as alas. Também precisamos dela para criá-las ou fortalecê-las, mas não para introduzi-los, porque a magia sente a intenção do Harry em lhes permitirem entrar e isso é suficiente.

— Incrível. — Rodrigo avançou lentamente com seu cavalo que não se agitou e recuou como fazia normalmente.

— Não acredito que vamos realmente conhecer Hallanon! — Disse Scheyla acelerando sua Pia, uma égua Andaluza. — Podemos cavalgar até a sede? Adoraria conhecer a Mansão, só a vimos por foto.

— Por mim, tudo bem. — Disse Harry sorrindo. — Podemos almoçar lá e depois voltar.

Todos concordaram e avançaram, mas Trissie ainda estava paralisada do outro lado da fronteira. Harry virou Zaíra completamente e voltou até emparelhar ao seu lado.

— Eu... não tinha nem 10 anos quando tentei atravessar a primeira vez... — Sussurrou ela parecendo emocionada. — E, depois de mais de 30 anos, já tinha aceitado que jamais... agora, aqui, não sei se consigo.

— Claro que consegue. — Harry disse com firmeza e ela o encarou. — A senhora é uma O'Hallahan e está é sua terra, além disso, não está sozinha. — Estendendo a mão para ela, acrescentou. — Vamos, tia Trissie.

Ela segurou sua mão e, lentamente, eles avançaram até cruzarem a fronteira sem qualquer impedimento. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas elas não caíram, respirando fundo, Trissie se recompôs e sorriu para ele.

— Obrigada, Harry.

— De nada. Vamos lá, temos um longo caminho e o Vale do Meio é um ótimo lugar para apostar uma corrida. — Disse ele e instigou Zaíra. — Vamos, garota, vamos mostrar para eles que somos os mais rápidos.

Sua égua disparou confiante e animada, Harry pode entender exatamente o que ela sentia. Vamos brincar! Rindo, Harry manteve a dianteira por um tempo, mas, em breve os três cavaleiros experientes assumiram a liderança. Sirius e Remus vinham logo atrás dele, depois Falc e Neville. Por último, Serafina /e Hermione galopavam em bom ritmo, mas sem tentarem participar da corrida.

No meio da manhã, eles pararam para os cavalos beberem água e descasarem por meia hora, o rio que cortava o vale era forte, com corredeiras, pedras, gelo e uma ponte larga que eles atravessaram. Tudo era tão bonito, a montanha cheia de neve, as árvores, Harry só podia imaginar como seria no verão, tudo verde e florido. A cada momento, podia entender melhor porque sua avó amava Hallanon.

Pouco antes das 13 horas, eles deixaram o vale e subiram até o sopé da montanha em um ritmo lento, montaria e cavaleiros cansados. E, ao terminarem a subida, finalmente, visualizaram o mar, o que provocou exclamações de alegria de todos, principalmente dos Martíns. Esse era o ponto mais alto em que estiveram e os cavalos ficaram um pouco agitados, olhando para a montanha.

— Deve ser por causa das Hecatitas que tem na montanha. — Disse Trissie suavemente acalmando Scoty. — Esse é o ponto mais alto, o mais próximo a mina. Vamos nos apressar e nos afastar.

Todos acenaram e instigaram suas montarias na direção do litoral. Quando visualizaram a mansão, os cavalos estavam mais calmos e Harry se aproximou de Trissie.

— A senhora sabe sobre as Hecatitas? — Ele perguntou curioso.

— Eu sei tudo sobre a história dos O'Hallahan, Harry, ouvi dezenas de história do meu pai. Sei sobre como éramos os donos do time de quadribol, Kenmare, como foi vendido para investir em mais cavalos. Sei sobre as minas, e o trabalho com as Hecatitas, a invenção dos feitiços e runas que permitiram que a utilizassem no trabalho com os animais. — Ela parou e olhou encantada para a Mansão que estava bem a frente deles. — Vi fotos e ouvi dezenas de histórias sobre a beleza de Hallanon, mas, nenhum deles se compara a realidade.

Harry acenou, concordando em parte, na verdade, ele adorava a fazenda, mas a Mansão lhe parecia apenas uma grande casa luxuosa e vazia.

— Bem, na verdade, pelas informações que tenho, Kestrels Kenmare foi vendido porque o avô de minha avó quase levou a família a falência. — Disse Harry suavemente. — O pai dela assumiu e salvou-os de perder tudo, mas, quando morreu, seu irmão terminou o trabalho do avô. Foi, então, que meu avô comprou Hallanon do Banco Gringotes e o deu de presente de aniversário de casamento para vovó Euphemia.

Harry desceu de Zaíra e se esticou, olhou para Trissie que o encarava pensativa.

— Deveria saber que haveria muitas histórias mentirosas em tudo que me contou. — Disse ela e desceu também.

— Bem, tem centenas de livros na biblioteca e, agora que tem acesso a mansão, poderá descobrir tudo. — Harry pegou as rédeas de sua égua e começou a caminhar lentamente para o estabulo, dando a volta na mansão. —Aliás, a senhora sabe porque a casa foi construída de frente para a montanha e não para o mar?

— Ah! Eu sei porque! — Disse ela e riu divertida. — Porque o primeiro O'Hallahans a viver aqui, que construiu a mansão, queria ficar vigiando a mina de Hecatitas!

— O que? — Harry franziu o cenho quando entraram no estábulo, todos já estavam desencilhando suas montarias, pois tinham feito o caminho montados.

— Sim, Harry, os O'Hallahans não encontraram a mina depois de se instalarem aqui, na verdade, eles se instalaram nesta região por causa da mina de Hecatitas que eram e são pedras muito valiosas. — Trissie parou um segundo olhando em volta chocada com o tamanho do lugar. — Assim, o quarto e as salas, todos os cômodos da casa tem janelas imensas com vidros para poderem ver a montanha e vigiar a mina. Meu pai contava que o primeiro O'Hallahan dormia com um olho aberto e outro fechado.

Harry levou Zaíra para uma baia e começou a desencilhá-la, Trissie pegou a baia ao lado.

— Essa é coisa mais bizarramente paranoica que já ouvi, tia Trissie, o que quer dizer algo, afinal, eu vivia com Vernon Dursley. — Harry apontou e Trissie riu.

— Trissie! — Rodrigo apareceu com um sorriso de partir a cara. — Você viu o tamanho disso? É mais que o dobro do nosso estábulo, tenho certeza. Falc disse que tem 550 baias, imagine isso.

Harry sorriu ao vê-los passeando juntos pelo estábulo, analisando e apontando os detalhes. Cada cavaleiro colocou água e comida para seu cavalo antes de entrarem na mansão para almoçarem, pois também estavam famintos. Depois do almoço, os Martíns fizeram um tour pela mansão, encantados por tudo, os móveis antigos, os retratos, obras de arte e os livros. Scheyla e Hermione se debruçaram sobre livros de Feitiços, Criaturas Mágicas e Trissie sobre os livros e diários com informações sobre os O'Hallahans. Antes de voltarem para Hallanon II, ainda passearam pela praia e Scheyla parecia completamente encantada.

— No verão poderemos nadar! Talvez aprender a surfar! — Disse ela pulando sobre a neve e areia.

— O que é surfar? — Neville questionou confuso.

— Você quer dizer que quer subir em uma prancha e entrar no mar, se equilibrar de pé em cima dela e equilibrar a prancha sobre as ondas? — Perguntou Hermione respondendo Neville e mostrando seu pânico ao mesmo tempo.

— Sobre as ondas? — Neville olhou para as ondas imensas que se formavam com o vento forte que vinha do Oeste. — Os trouxas são insanos?

Harry riu de suas expressões, mas olhando para o olhar brilhante da prima, sentiu o mesmo entusiasmo.

— Sim! — Responderam os dois.

Quando voltaram para o estábulo o vento tinha aumentado muito e Trissie olhou preocupada para as nuvens escuras.

— Acredito que vem vindo uma tempestade de neve, não sei se chegaremos a Hallanon II a tempo de evitá-la. — Disse ela suavemente.

— Porque não ficamos aqui? — Harry propôs sorrindo. — Temos muita comida, os cavalos têm comida e estão confortáveis, temos quartos para todos e amanhã podemos ir sem perigo.

— Os bebês... — Rodrigo apontou, preocupado com Dulce e Dominic que estavam sob os cuidados de Yolanda.

— Podemos aparatar e ir buscá-los. — Disse Serafina olhando para o céu cada vez mais carregado.

— Ok. Hum... precisamos de mais comida para os cavalos, com esse frio, queimarão mais gordura para se manterem aquecidos mesmo que o estábulo esteja protegido. — Disse ela pensando rápido. — Preciso arrumar tudo o que precisamos para passar a noite e cuidar dos cavalos da fazenda antes de voltarmos.

— Então, você precisa me levar junto. — Disse Rodrigo sério. — Enquanto cuido de tudo fora, você cuida de tudo de dentro da casa.

Trissie o olhou surpresa por um segundo.

— Pensei que não gostasse de aparatar. — Disse ela suavemente.

— Bem, é uma situação de emergência, assim... — Ele deu de ombros desconfortável.

Tomada a decisão, Rodrigo, Serafina, Sirius e Trissie voltaram para Hallanon II, enquanto o resto deles entraram de volta na mansão e Harry foi preparar chocolates quentes e queijos grelhados com a ajuda de Remus, que parecia muito mais descansado e saudável depois do passeio ao ar livre.

— Remus, hoje depois do jantar, podemos conversar sobre minhas ideias? — Harry perguntou, pois eles tinham cancelado a ida para a cidade devido a tempestade.

— Claro, Harry, na verdade, foi para isso que vim e estou feliz por isso, há muito tempo não me divertia tanto. — Disse ele suavemente.

— Porque, Remus? Quer dizer... — Harry hesitou tentando encontrar as palavras. — Eu não estou falando sobre fazer parte da minha vida, sabemos que isso era impossível, por causa de Dumbledore e entendo que, depois de tudo que aconteceu, você ficou muito abalado. Mas...

— Porque continuei uma existência vazia e solitária anos depois? — Remus terminou sua frase e Harry acenou, ainda que não tivesse a intenção de usar palavras tão fortes. — Eu..., bem, quando aconteceu comigo o que aconteceu, eu tinha certeza que minha vida estava acabada, nunca teria amigos, esposa, filhos ou poderia estar seguro da discriminação ou perseguição. — Remus virou um queijo grelhado e sorriu com olhar distante em uma lembrança feliz. — Então, fui para Hogwarts e conheci Sirius, seu pai e Peter, nos tornamos amigos, mas, me esforcei para manter minha condição em absoluto segredo. Eles descobriram e pensei, pronto, é o fim, nunca mais serão meus amigos e contarão para todo mundo, serei expulso de Hogwarts.

— Mas eles não te denunciaram, nem mesmo Peter. — Apontou Harry com o cenho franzido.

— Peter era só um garoto de 12 anos, Harry, nesta idade não tem como sabermos quem seremos exatamente quando adultos, depende de nossas escolhas. — Remus suspirou. — Rabicho não era um purista e nunca me discriminou, assim, acredito que suas escolhas foram motivadas por sua covardia e fraqueza, não por pensamentos puristas.

— Isso não o absolve. — Disse Harry com voz dura.

— Não, definitivamente. — Remus colou outro queijo quente preparado por Harry na frigideira. — Foi ideia do seu pai, sabe?

— O que? Se tornar animagus? — Harry o encarou interessado.

— Sim. Quando eles descobriram, continuaram a ser meus amigos e me senti o garoto mais sortudo do mundo, seu pai costumava dizer que eu só tinha um pequeno problema peludo. — Os dois riram, e Remus continuou. — Um dia, depois que voltei de uma lua cheia, pálido e cansado, James estava me ajudando com os deveres e aulas que eu tinha perdido. Em algum momento, ele me olhou pensativo e quando o questionei, me perguntou: "Qual a pior coisa em ser um lobisomem? ". — Remus suspirou com olhos distantes. — Foi a primeira pessoa que me perguntou isso, mesmo meus pais nunca se interessaram porque, para eles, a vergonha e discriminação era o pior, assim, eles supunham que me sentia igual. Meu pai passou cada segundo do resto da sua vida tentando me concertar, porque ele não me aceitava, então, como eu poderia me aceitar ou pedir que qualquer um o fizesse? — Remus suspirou e enxugou uma lágrima que escorreu pelo seu rosto. — Desculpe, eu... estou fazendo terapia, Sirius insistiu que todos os seus funcionários o fizesse e descobri recentemente porque nunca consegui me aceitar.

— Porque você acha que seu pai não o amava? —Sussurrou Harry gentilmente.

— Sei que ele me amava e se culpava, mas nunca superou o horror de ter um filho lobisomem, nunca aceitou que não havia o que fazer, nunca me aceitou e... assim, nunca consegui me ver além disso. — Disse Remus, depois suspirou. — Desculpe, isso é complicado, nem eu entendo direito e confesso que não sei o que saber disso me ajuda, o terapeuta parece acreditar que entender tudo isso são os primeiros passos na direção certa.

Harry acenou entendendo sua confusão, mas sabendo por experiência própria que compreender porque nos sentimos como nos sentimos é algo importante. Ele descobriu isso em suas sessões com o Sr. Martin no ano anterior.

— Eu entendo. — Harry suspirou e entregou mais um queijo quente. — No ano passado, sentia uma grande tristeza, uma dor e escuridão que parecia que iam me afogar. Passei um dia inteiro na cama sem vontade de fazer nada, comer, conversar... Sra. Serafina tinha me levado ao tumulo dos meus pais. — Explicou ao ver seu olhar questionador. — No dia seguinte estava assim e não entendia, quer dizer, eu sabia que meus pais estavam mortos, sempre soube, mas, conversando com o Sr. Martin, entendi que nunca tive a oportunidade de viver o luto pela morte deles. Chorar e lamentar, me entristecer ou me revoltar e, ao visitar seus túmulos, a realidade de suas mortes me acertaram de uma vez. Sr. Martin explicou que o luto é algo que temos que viver, atravessar para o outro lado, sem fingir ou reprimir o que sentimos. Foi bom para mim saber que o que eu sentia era algo humano e que não fraqueza.

— Fico feliz que ele tenha lhe ajudado. — Disse Remus apertando seu ombro em conforto. — Sirius disse que também o ajudou muito fazer terapia depois de Azkaban, assim, não desistirei.

— Isso é bom. Me conte, o que você respondeu para o meu pai? — Harry perguntou sorrindo.

— Ah! Eu disse a verdade, não consegui fugir da sua sincera preocupação, pois percebi que não perguntava por mera curiosidade. Disse a ele que no começo o pior eram as dores da transformação, meus ossos e articulações parecem quebrar, alongar, encolher, mas, com o tempo, me acostumei com isso. — Remus desligou o fogo e pegou a bandeja com os queijos quentes, o colocou na mesa e acenou sua varinha para que ficassem quente. — Naquele momento, o pior era não ter nada para morder, o lobisomem sente essa necessidade e, assim, trancado, eu me mordia e arranhava. No dia seguinte, além de exausto, eu estava ferido e os machucados demoravam muito mais para curar por serem infringido por um lobisomem.

— Então, além do cansaço e mal-estar, você passava os dias depois da transformação com dor pelos ferimentos. — Harry sentiu seu coração se apertar ao imaginar uma criança passando por tantos sofrimentos.

— Sim. Seu pai, então, se colocou a pesquisar como poderia me ajudar e no inicio ele teve as ideias mais mirabolantes. — Remus riu divertido. — Que eu deveria ficar trancado em uma sala cheio de brinquedos para brincar ou com um cervo ou vaca para me alimentar. — Harry riu também.

— Não eram boas ideias? — Perguntou ele curioso.

— Eu destruiria os brinquedos em segundos e, se meu lado predador fosse acionado, poderia conseguir fugir da Casa do Gritos e sair para caçar. — Disse Remus levemente envergonhado. — No fim, ele teve a ideia de se tornarem animagus, pois um lobisomem é perigoso apenas para humanos. Eles demoraram três anos, pois é algo muito complexo, mas, no nosso quinto ano, começaram a se juntar a mim nas luas cheias. Sob a influência deles, eu me tornei menos perigoso. Meu corpo ainda era o de um lobo, mas minha mente se tornava menos lupina quando estávamos juntos. — Sua expressão se tornou meio culpada. — Bom, abriram-se possibilidades extremamente excitantes para nós a partir deste momento. Não demorou muito e começamos a deixar a Casa dos Gritos e perambular pelos terrenos da escola e pelo povoado à noite. Sirius e James se transformavam em animais tão grandes que conseguiam controlar o lobisomem. Duvido que qualquer aluno de Hogwarts jamais tenha descoberto mais a respeito dos terrenos da escola e do povoado de Hogsmeade do que nós... E, foi assim que acabamos preparando o Mapa do Maroto.

Harry acenou imaginando como eles devem ter se divertido e quão imprudentes foram ao mesmo tempo, se tivessem se deparado com um humano, um aluno... Seria uma grande tragédia.

— Eu também penso que o que fizemos foi errado, Harry. — Disse Remus lendo sua expressão. — Agora, respondendo a sua pergunta, naquela noite, eu não perdi apenas meus melhores amigos, minha família, perdi minha matilha também. O lobisomem se tornou mais agressivo, impaciente, selvagem, estava sempre cansado ou ferido, era como se ele sentisse a dor de perder seus companheiros. Depois que o pior passou, eu tinha que escolher sair e encontrar uma nova matilha ou me tornar um lobo solitário e... Bem, decidi que não queria arriscar outra vez, como poderia ter a sorte de encontrar tão bons amigos? Nunca poderia substituí-los, minha família, minha matilha.

Remus escondeu o rosto nas mãos mostrando sua dor e Harry o abraçou pela cintura, sabendo como doloroso a solidão pode ser. Surpreso, Remus descobriu o rosto e o apertou contra si, sentindo todo o amor por aquele doce menino.

— Harry...

— Eu entendo, Remus, às vezes, parece que a dor é tão grande que nunca irá embora e não poderemos viver. — Harry recuou e o encarou. — Eu me senti assim também, mas temos de lutar contra isso, meus pais e muitos outros morreram, estamos aqui por seus sacrifícios, assim, temos que viver por mais difícil que seja. Eu perdi minha família naquela noite também, perdi o maior amor que há e nunca os terei, mas, encontrei uma nova família, amigos e todos os dias encontro mais amor a minha volta. — Harry fechou os olhos e pensou em todos que amava e que o amavam. — Você pode sentir? Você não está mais sozinho, Remus.

Essas palavras foram como um soco no estômago que lhe tirou o ar, Remus se inclinou sem fôlego e tentou absorver essa realidade. Harry voltou a abraçá-lo com força outra vez e, ao lobisomem solitário, apenas lhe restou chorar.

Depois que todos voltaram de Hallanon II, com os gêmeos, eles se sentaram para lanchar e Harry ganhou elogios por seu queijo grelhado e chocolate quente.

— Eu disse que era o melhor. — Disse Ayana sorridente.

Yolanda não quis vir por aparatação, preferiu ficar sozinha na fazenda do Martíns.

— Ela tem um pouco de medo de magia. — Justificou Rodrigo.

— É mais do que medo, é preconceito, já lhe disse que não fazemos bruxaria ou satanismo, mas Madrina parece pensar que somos pecadores do diabo. — Scheyla disse irritada.

— Scheyla! — Trissie lhe chamou a atenção na hora.

— O que? É verdade. — Disse ela desafiadora.

— Pode ser, mas minha Madrina nunca te tratou mal ou sua mãe, além de ter concordado em vir nos ajudar com os bebês quando eles nasceram. — Disse Rodrigo de expressão fechada. — Así, que ten respeto y discreción.

— Ok, desculpe. — Disse ela, mas dava para ver que estava chateada.

Mais tarde, Harry foi ajudar Trissie a alimentar os cavalos antes de escurecer, ele alegou que queria aprender, mas também queria uma oportunidade de conversarem a sós.

— Remus me pareceu diferente, menos reservado, até me contou algumas histórias sobre minha tia e James. — Disse ela enquanto o ensinava a cuidar dos cascos dos cavalos.

— Pois é, curioso. — Harry sorriu secretamente. — Talvez Remus só precisasse de um tempo para se sentir à vontade ou ele é tímido.

— De qualquer forma, estou adorando conhecer mais sobre eles, mesmo que sejam com histórias de quem os conheceu antes de partirem. — Disse ela limpando os cascos com uma escova que tinha uma espécie de prego de metal comprido para tirar pedras presas.

— Então a senhora precisa conhecer o Sr. Boot e a Sra. Honora, eles são mais novos que meus avós, mas eram bons amigos deles. — Disse Harry erguendo um dos cascos de Zaíra e imitando o que Trissie fazia com Cuzco. — Eles têm as melhores histórias de todas e a Sra. Honora era a mais próxima da vovó Euphemia e... — Harry parou e olhou para sua tia, sussurrando. — Na verdade, ela pensará que a senhora é a vovó...

— O que? Oh! Porque sou parecida com minha tia, claro, mas... — Trissie parou ao ver o rosto sério de Harry. — O que foi?

— Sra. Honora tem Alzheimer e, muitas vezes, ela volta ao passado, como…. Bem, quando nos conhecemos ela pensou que eu fosse meu pai e... — Harry suspirou acariciando Zaíra. — Acredito que acontecerá o mesmo quando a Sra. Honora a conhecer.

— Sinto muito. — Trissie parou o que fazia e se aproximou. — Eu ouvi Schey perguntando por Terry e Falc explicou que ele quis ficar com a avó.

— Sim, ela está incrivelmente lúcida nos últimos dias e Terry quer passar o maior tempo possível com a avó antes de voltarmos a Hogwarts. Seu maior medo é voltar no verão e a Sra. Honora não se lembrar mais quem ele é. — Disse Harry triste. — Eu faria o mesmo, se tivesse a chance, nem que fosse por um dia, apenas um dia com eles...

Trissie o abraçou pelos ombros e acenou, engolindo o bolo de emoção que se formou em sua garganta.

— Eu também.

Eles continuaram a cuidar e alimentar os animais, Harry gostando mais do que imaginou apesar da intenção inicial.

— Estou lhe dizendo, tia, que a vovó amava a fazenda, a casa também, mas acredito que era a propriedade que lhe tocava o coração. — Afirmou Harry convicto.

— Harry, você tem que pensar no fato de que ela passou a infância naquela casa e é diferente. Tudo que você vê é um monte de pedras, madeira e vidro, para tia Euphemia, a mansão era o seu lar. — Disse Trissie que discordava que a casa era muito luxuosa e fria. — Está apenas precisando de pessoas, assim, parecerá mais quente e caseira.

— Bem, a arquitetura é linda e adoro as janelas grande, apesar de estarem viradas para as montanhas e não a praia, mas, se fosse viver nela, mudaria os móveis, a decoração. — Afirmou ele e depois deu de ombros. — No entanto, não pretendo viver nela e já decidi fazer uma casa na beira da praia para mim.

— O que? Você construirá outra casa sendo que aquela mansão linda está apenas ali? — Trissie parecia chocada e Harry sorriu, pois, a conversa estava indo para onde queria.

— Sim, vem, vou lhe mostrar. — Harry a levou para fora do estábulo, o vento era forte e as nuvens cada vez mais escuras. Ele apontou para o fim da praia onde começava a floresta. — Está vendo lá, onde a praia termina?

Trissie acenou, de um lado havia a falecia e, lá em baixo, pedras eram atingidas por ondas continuamente, a trilha descia até a praia que seguia por mais de um quilometro até atingir a floresta.

— Farei um grande chalé de madeira com uma varanda bem bonita e que envolva toda a casa, quero um deck que termine na areia e outro que avance para o mar uns 30 ou 40 metros. — Harry sorriu imaginando. — Pintarei em azul Ravenclaw... — Ele ouviu o trejeito de Trissie que era da Slytherin. — As portas podem ser verdes ou vermelhas, com móveis claros e caseiros, feitos por mim e meu amigo, o Prof. Jonas. Bem no meio da floresta, não cortarei muitas árvores, quero que pareça que o chalé nasceu junto com elas e ficará bem de frente para o mar.

— Parece lindo, posso ver e... combina com você. — Disse ela o encarando. — Mas, e Hallanon?

— Bem, eu terei que contratar um administrador, ele e sua família podem muito bem viver na mansão. — Disse Harry dando de ombros com indiferença. — Os quadros odiarão ver alguém que não é um O'Hallahan viver lá e, provavelmente, teremos que deixá-los dormindo o tempo todo.

— Sim... meu pai também odiaria e acho que ele e meu avô se revirarão em seus túmulos. — Disse ela parecendo chateada. — Mas, se você não gostou da mansão...

— Não, não gostei, pelo menos, não para viver. — Disse Harry sabendo que o seu lar estava em outro lugar. — Mas, eu tenho uma outra ideia e talvez a senhora possa me ajudar.

Trissie o encarou confusa, mas acenou concordando.

— Claro, eu lhe disse que pode contar comigo, sempre. Qual seria a sua outra ideia? — Disse ela positiva e acenou para saírem do vento e voltaram ao estábulo.

— Ah, uma coisa bem simples, sabe, tia Trissie. — Harry sorriu levemente e seus olhos verdes mostram sua astúcia Slytherin. — Uniremos Hallanon e Hallanon II em uma única fazenda, nos tornamos sócios e a senhora se muda para a mansão com a família toda.

Trissie o encarou por uns 5 segundos sem palavras, seus pensamentos por todos os lados, unir, mudar, uma Hallanon, sociedade...

— O que!? — Ela o encarou muito séria e ele fez o mesmo, seu sorriso desaparecendo. — Isso é brincadeira?

— Não. — Harry disse com firmeza. — Jamais brincaria sobre algo tão importante para nós dois e estou completamente lúcido, lhe garanto. — Ele suspirou levemente. — Este foi o primeiro lar da minha avó, ela amava tanto que meu avô lhe deu de presente de aniversário. Imagine isso, o quanto ele não deveria amá-la para fazer isso. — Seus olhos brilharam de emoção. — Eu valorizo Hallanon, mas este não é o meu lar, tia Trissie, antes de ser um O'Hallahan, eu sou um Potter. — Harry expressou seu orgulho. — Mas a senhora, antes de ser uma Martín, é uma O'Hallahan e este é o seu lar de verdade, a senhora sabe disso. Por isso, sempre lhe doeu não poder nunca atravessar a fronteira, talvez por isso partiu, porque doía demais e, talvez, por isso voltou.

— Harry... eu..., olha, não sei o que dizer e... Hallanon é sua, Harry, você não é apenas o dono, mas o herdeiro direto e não posso tirar isso de você, jamais faria isso. — Disse ela e passou as mãos pelos cabelos, confusa e desconcertada.

— Eu sei e não estou lhe dando Hallanon, como disse, eu a valorizo e sei que minha avó quer que a fazenda pertença a mim e meus filhos. — Harry tentou organizar seus pensamentos para se expressar corretamente. — Mas, é exatamente por isso que acredito que unirmos as Hallanons e nos tornarmos sócios é a resposta, tia Trissie. Primeiro, porque a fazenda, os animais, funcionários, mesmo a mansão, estarão nas mãos da pessoa certa, competente, habilidosa, experiente, que respeita e valoriza Hallanon tanto quando eu e minha avó. — Ao ver seu olhar indagador, sorriu. — A senhora.

— Ok. Isso pode ser verdade, mas...

— Espere, não quer ouvir o segundo motivo? — Harry a interrompeu suavemente e Trissie engoliu em seco concordando, ainda que uma parte dela sabia que não deveria ouvir mais nada. — Porque é isso o que minha avó iria querer se estivesse aqui.

— Como... como pode saber isso? — Sussurrou ela emocionada.

— Porque eu sei que ela nunca quis essa divisão em primeiro lugar. — Harry respondeu convicto. — A Sra. Honora me disse que ela tentou aconselhar e ajudar o irmão, ele recusou a ouvir uma mulher. Aposto que vovó, mesmo sendo a dona, tentou chegar a um acordo com ele e não o expulsou daqui, mas...

— Meu avô queria que ela lhe devolvesse Hallanon, integralmente. — Disse Trissie acenando.

— Sim e isso era impossível. — Harry suspirou. — Vovó talvez quisesse que ele continuasse a cuidar dos animais ou a viver na mansão sem custos e, quando ele recusou e ameaçou partir, ela lhe concedeu uma parte da fazenda.

— Mas, ele ou seus herdeiros jamais poderiam usar a propriedade como garantia de investimentos ou empréstimos. — Disse ela concluindo os fatos.

— Minha avó era uma Slytherin muito esperta, como a senhora. — Disse Harry com um sorriso sutil.

— E, como você. — Retorquiu ela o encarando com atenção.

Harry riu divertidamente e fez um sinal de segredo com o dedo indicador sobre os lábios.

— Ssshhhh, não espalhe isso por aí, tia Trissie. — Os dois riram e depois se encaram, olhos nos olhos, se comunicando muito bem. — A senhora, entende, não é? Melhor do que eu, aliás, como deve ter sido difícil para a minha avó ver duas Hallanons quando deveria existir apenas uma. Como deve ter sido doloroso por anos e anos tentar fazer as pazes com sua família, mas ser ignorada e desprezada por algo que não foi sua culpa.

— Sim, eu... entendo. — Disse ela, seus olhos brilharam com lágrimas.

— Minha avó nunca quis essa bizarrice de Hallanon II, tia Trissie, assim, cabe a nós dois concertarmos isso e respeitar sua memória. — Harry falou com firmeza e emoção. — Nós somos os últimos O'Hallahans e, como família, devemos viver sem discórdia ou divisões tolas e transformar Hallanon no que ela nasceu para ser, mas... — Harry a olhou com sinceridade. — Eu não posso fazer isso sozinho, tia Trissie, preciso da sua ajuda.

Trissie olhou para o mar pelo vidro da porta do estábulo e deu alguns passos pensativa.

— Você é muito persuasivo, Harry. — Disse ela ainda encarando o mar revolto.

— Isso é um sim? — Ele nem ousou sorriu ou falar muito alto.

— Isso, é um talvez. — Trissie respondeu e o olhou com sinceridade. — Tenho muito o que pensar e não posso tomar essa decisão sozinha. Rodrigo abriu mão de seu país, do seu lar, sua Alvorada... — Seus olhos expressaram amor pelo marido. — Ele ama sua hancienda, mas sabia como era importante para mim voltar para casa e...

— E...? — Harry perguntou suavemente.

Ela o olhou por alguns segundos, um menino que acabou de conhecer e a quem não deveria se sentir tão próxima ou confiar tranquilamente, no entanto, era isso que seu coração sentia.

— Quando deixei a Inglaterra, estávamos em guerra, não tão ruim como ficou alguns anos depois, mas ainda muito ruim. Eu era de uma família puro-sangue e Slytherin, em teoria, não deveria ser um alvo, mas, meu pai tinha essa ideia de que, por ser mulher, eu não deveria assumir seu lugar na administração da fazenda. — Trissie sorriu ironicamente. — Ele aprendeu muito bem com meu avô.

— Ele apoiou Voldemort? — Perguntou Harry tentando não se enfurecer com o pensamento.

— Não, ele não era um homem violento e não tinha nenhum desejo de matar trouxas ou nascidos trouxas, apenas queria que eles ficassem quietos em suas inferioridades e não tentassem se misturar com os puros. — Disse ela com uma careta. — Sempre dizia que éramos superiores e por isso não deveríamos procriar com eles, para não enfraquecer nosso sangue e magia. Foi assim que um dia cheguei em casa e me deparei com Seymour Selwyn, que meu pai alegou seria meu futuro marido.

— Mas a família Selwyn eram comensais da morte! — Harry exclamou chocado.

— Com certeza eram, mas eles também são uma família muito antiga, membros dos Sagrados 28 e toda essa bobagem. — Eles viram pelo vidro os primeiros flocos de neve que começaram a cair. — Eu me informei, tinha contatos, sou uma Slytherin, afinal, e descobri que os Selwyn estavam precisando de dinheiro, pois tinham gastado muito apoiando você-sabe-quem na guerra. Seymour não era o filho mais velho, assim, pouco sobraria para ele quando seu pai falecesse e isso o fez buscar uma esposa com posses e pura, claro.

— Isso é terrível. — Harry não conseguia imaginar a injustiça que era para as mulheres serem obrigadas a se casar por conveniência.

— Sim. — Trissie pegou alguns sacos de aveia e começaram a alimentar os cavalos. — Meu pai estava irredutível e eu não sabia o que fazer, mas tudo ficou pior quando fomos a um jantar na Mansão Selwyn e conheci sua família, seu pai e irmão eram pior que ele, o que é surpreendente, porque Seymour era nojento. Pior, foi ouvi-los falar abertamente sobre você-sabe-quem, a guerra e como em breve os mestiços e trouxas estariam em seu lugar.

— Merlin! — Harry soltou o saco de aveia e o virou na baia. — Não sei como a senhora conseguiu se manter calada.

— Medo, Harry, puro medo, eles eram apavorantes. Até meu pai pareceu perceber que tinha tomado uma decisão equivocada, mas a palavra tinha sido dada e ele não voltaria atrás. Eu sabia que tinha que fugir antes de um contrato mágico de noivado ser assinado, assim, escrevi para uma amiga nascida trouxa da escola e ela me encontrou em Londres. — Trissie sorriu ao pensar naquele momento de medo e ansiedade, era tão jovem. — Ela era uma Ravenclaw, tinha uma mãe francesa e estava deixando o país por causa da guerra, nos sentamos no restaurante e Jaqueline me mostrou a passagem de avião e me disse: "Partimos hoje, meus pais se encontrarão conosco em algumas semanas. " — Trissie sorriu de sua expressão surpresa. — Eu sei, acho que minha expressão foi igual a sua, mas percebi que ela estava certa, não podia voltar, e se não conseguisse sair de novo? Partimos e, por dois anos, vivi em Paris com ela e sua família trouxa, eles me acolheram, me protegeram e me ensinaram a viver como uma trouxa.

— Quando foi para a Espanha? — Harry perguntou curioso.

— Ao fim desses dois anos, sentia muita falta da vida na fazenda, dos animais e, apesar de ter trabalhado e contribuído com minha estadia, sentia que precisava seguir em frente e ser independente. Jaqueline tinha um tio que conhecia alguém, que sabia de uma fazenda no norte da Espanha que precisava de pessoas que tinham experiência com cavalos. — Ela sorriu e fechou a área de armazenamento dos alimentos. — Foi a melhor decisão que tomei, conheci Rodrigo e nunca poderia ter sido mais feliz, mas, escondi dele que era uma bruxa.

— O que? — Harry a encarou espantado.

— Eu não podia contar no começo, claro, Estatuto de Sigilo e tudo o mais, além disso, a guerra estava no auge e fingir ser trouxa me parecia ser o mais inteligente. — Trissie suspirou e fez uma expressão culpada. — Quando começamos a namorar, adiei quebrar o Estatuto até ter certeza que era sério, na verdade, só podemos contar depois de casados, é a lei.

— Mas senhora não contou. — Constatou Harry um pouco chocado.

— Não. A família Martín é muito religiosa, católicos fervorosos e tive medo que Rodrigo não se casasse comigo, depois tive medo que ele se zangasse e quisesse se separar, com o passar dos anos, tive medo que ele me odiasse pela mentira. — Ela deu de ombros cansadamente. — Sempre tinha um motivo para adiar, uma desculpa e o tempo passou. Eu não vivia como uma bruxa ou fazia magia a mais de uma década, quando a coruja do meu pai entrou no meio do jantar de domingo.

— Ai. — Disse Harry com uma careta.

— Essa é uma boa expressão para o que aconteceu a seguir. — Disse ela com um sorriso de escárnio. — Rodrigo me perdoou pelas mentiras, me acompanhou até aqui para me despedir do meu pai, ficou ao meu lado quando o enterrei e concordou em se mudar para cá, porque a hancienda pode ser administrada por qualquer pessoa. No entanto, Hallanon só poderia ser cuidada por mim.

— Essa é uma afirmação inquestionável. — Harry brincou e pouco antes dela abrir a porta para voltarem para a casa, acrescentou. — Essa fazenda só pode ser administrada por uma pessoa, mas ela inteira, tia Trissie, como uma Hallanon. Eu entendo que essa é uma decisão importante, assim, não tocarei mais no assunto, quando a senhora se decidir, estarei em Hogwarts esperando ansiosamente por sua resposta.

Naquela noite o jantar foi animado e saboroso, a mesa de jantar formal foi usada e os candelabros de ouro brilhavam com a luz das velas. Rodrigo tinha trazido uma peça de cordeiro de sua viagem a Hallanon II e ela foi assada até ficar dourada e cheirosa. Batatas foram assadas, um molho suculento para acompanhar, além de legumes grelhados. De sobremesa, Harry fez pastel de Belém e recebeu mais elogios de todos.

Enquanto Remus parecia mais leve e sorridente, conversando, rindo e contando piadas ou contos, Trissie se tornou mais introspectiva. Harry sabia que sua mente ainda estava na conversa que tiveram, mas manteve sua promessa de não tocar mais no assunto. Depois do jantar, Harry, Sirius e Remus se trancaram em uma sala enquanto o resto da casa se dividiu em atividades diferentes. Ele, então, explicou em detalhes suas ideias para os lobisomens e a Fortaleza Wolf. Seu padrinho já tinha uma versão resumida por Falc, mas ficou empolgado ao entender completamente os planos. Remus manteve os olhos arregalados e a boca aberta durante quase meia hora durante a explicação, até que Sirius lhe disse que pegaria moscas. Quando terminou, eles ficaram em silêncio, Sirius e Harry encarando Remus e esperando sua opinião.

— Bem... —Ele parou desconcertado e respirou fundo. — Antes de mais nada, Harry, você tem certeza de que quer, praticamente, dar uma ilha e um castelo para os lobisomens? Sem qualquer ganho financeiro com aluguel ou arrendamento das terras? — Ao ver Harry negando e prestes a falar, Remus fez um gesto com a mão pedindo um segundo. — Porque, um lugar assim, você poderia vender por uma fortuna ou alugar e ter uma renda substancial, além de viver lá ou passar o verão no futuro com seus filhos e esposa. É um castelo, Harry. — Apontou ele para as fotos espalhadas na mesa.

— Ok, são questões razoáveis. Eu não tenho interesse em viver em uma ilha na Escócia, mesmo no verão, além de ter dezenas de outras propriedades que me atraem mais, como a Mansão em Londres em frente ao Hyde Park, a Mansão Potter que pretendo conhecer essa semana ou mesmo, Hallanon. — Harry se levantou e olhou pela janela onde a tempestade caia impiedosamente, a altura da neve era mais de 1 metro, com certeza. — Essa Mansão não me agrada particularmente, mas, a propriedade com os cavalos sim e seria maravilhoso para crianças crescerem aqui ou passarem os verões e, é bem menos isolado que uma ilha. Também não me interessa vender e não preciso de renda, Remus, você deve saber que tenho mais dinheiro que precisarei mesmo que vivesse mil anos. Agora, se você acredita que a comunidade lobisomem não aceitaria viver na ilha de graça, talvez por orgulho ou por acreditarem que é caridade, podemos pensar em algo. Por isso decidi falar com você, Remus, para que me aconselhasse sobre qual é o melhor caminho e para me ajudar a abordar os lobisomens.

— Ele está convicto, Moony, acredite. — Disse Sirius que não poderia falar sobre a GER, mas tentou passar sua impressão. — Harry sabe o que faz e seus planos para ajudar os lobisomens é sua maneira de protegê-los e a nós, para quando Voldemort voltar e estivermos em guerra outra vez.

— Você espera que eles lutem ao nosso lado? — Remus perguntou e Harry acenou.

— Não. Imagino que essa pergunta será feita de novo e de novo, mas a resposta será sempre não. Quero-os seguros do Ministério, de Voldemort, quero que tenham um lar, trabalho, escola, uma vida digna, amigos e família também, claro. — Disse Harry sorrindo para Remus, que retribuiu com um aceno. — E, quando a guerra recomeçar, teremos menos inimigos para combater porque eles não serão obrigados a se juntarem a Voldemort, pois estarão completamente escondidos.

— Precisaríamos de alas fortíssimas para que a ilha não fosse acessada ou encontrada. — Remus disse e era claro que sua mente já estava pensando em todo o projeto. — Ainda assim, poderia haver traidores, algo deste tamanho não ficaria em segredo por muito tempo e, se o Ministério ficar sabendo, você teria problemas com a lei, Harry. Infelizmente, a cada ano as Leis Anti-Lobisomem ficam mais rígidas e discriminatórias.

— Nós sabemos de tudo isso, Remus e, a longo prazo, refazer as leis deve ser nosso objetivo, mas, agora e nos próximos anos, o mais importante é fazer o que o Ministério não faz. — Sirius disse suavemente. — Olha o que a GER fez com o Beco e o que estamos fazendo com a Travessa, a ideia da OP não veio do Ministro ou da Suprema corte, acredite. E, se podemos mudar o nosso centro comercial, se podemos criar mais empregos com salários justos para os nascidos trouxas, porque também não podemos ajudar a comunidade lobisomem?

— Podemos tentar manter o segredo o máximo de tempo, Remus. — Harry disse sem acrescentar que pretendia fazer o mesmo sobre quem era o dono da GER. — E, para viverem na Fortaleza Wolf, teremos critérios rígidos, contratos mágicos de confidencialidade e de compromisso com a comunidade, com a garantia de que nunca se unirão a Voldemort ou seus comensais da morte. Podemos criar alas que os impeçam de voltar para a ilha no caso de descumprirem o contrato ou se algum deles tiver a intenção de prejudicar qualquer um do seu povo.

— Isso pode ser feito, seria um longo trabalho com magias poderosas, teríamos que ter os melhores bruxos quebradores de maldições, especialistas em alas, contratos e feitiços. — Remus disse pensativo. — Mas... custaria uma fortuna, Harry, na verdade, reformar as casas, plantar nas estufas, os animais, fazer a poção wolfsbane, manter a escola... — Remus parecia quase apavorado só de pensar nos custos.

— Sim, inicialmente, mas podemos encontrar soluções, por exemplo, as casas podem ser concertadas por eles, os primeiros habitantes. — Harry falou com seu entusiasmo de sempre. — Contrataremos o Ian e o Mac, mas pediremos que utilizem os donos das casas como mão de obra, isso diminuirá os custos e eles ainda aprenderam uma profissão. Aqueles que gostarem podem conseguir um trabalho com a M&T Arquitetura e Construção. Os animais e sementes ou mudas, poderei fornecer das minhas fazendas onde eles podem fazer um estágio de um mês para aprenderem a agricultura e ovinocultura, assim, logo serão sustentáveis e poderão consumir e comercializar seus produtos.

— A escola provavelmente deverá começar devagar, não existe muitas crianças e eu poderia lhes ensinar e aos adultos interessados sem custos. — Disse Remus animado. — Posso continuar como contador para as Fábricas Blacks enquanto dou aulas, assim, não fico sem salário. Podemos comprar livros usados, tanto mágicos como trouxas e utilizar material de escrita trouxa que são mais baratos. Se eles serão como uma comunidade com trabalho cooperativo, precisarão estabelecer regras, fornecimento de horas de trabalho ou taxa sobre o salário para aqueles que trabalham fora da ilha. Acredito que eles não gostariam de um salão de refeição comunitária e, se cada um tiver sua casa, isso não será necessário.

Remus se levantou e andou de lá para cá, sua mente trabalhando febrilmente em todas as possibilidades.

"Eles não aceitarão as casas e terras de graça, são orgulhos, como você disse, Harry e verão isso como caridade ou pior, que eles estão em dívida com você ou são seus servos por viverem em suas terras. — Remus apontou e Harry se lembrou do feudalismo, assim acenou concordando. — Podemos estabelecer um valor de arrendamento justo e isso lhes proporcionará a vida digna que você mencionou.

— Ok, concordo, mas os custos iniciais serão abatidos devido ao fato de que eles trabalharão nas melhorias da minha ilha e restabelecerão a produção. — Harry apontou inteligentemente. — Quer dizer, se eu fosse fazer isso sem a ajuda deles, gastaria muito mais, assim, podemos estabelecer um dividendo de 1 ano.

Remus parou pensativo e acenou.

— É justo, mas acredito que eles aceitarão apenas 6 meses. — Apontou ele objetivo.

— Eu sei, por isso oferecerei 1 ano. — Disse Harry sorrindo e Sirius gargalhou.

— Remus, eu já lhe disse, pare de subestimá-lo, Harry é um Ravenclaw, afinal. — Disse ele divertido.

— Sim, acredito que estou começando a entender o que quer dizer, Almofadinhas. — Remus se sentou pensativo e olhou para Harry com atenção. — Harry, parece impossível o que vou lhe dizer, mas, acredito que suas ideias poderão realmente dar certo.

— Acredita? — Ele sentiu seu coração se acelerar de alegria.

— Sim, eu... estou abismado e não digo que será fácil, mas sim, eu realmente acredito. — Remus sorriu com os olhos castanhos brilhando de incredulidade e encantamento.

— Bem, então, por onde começamos? — Harry perguntou sorridente e encarando os dois marotos.