Oi, pessoal! Queria apenas lhes contar uma boa notícia! Apesar do meu atraso, essa semana haverá dois capítulos! O que aconteceu é que esses acontecimentos estavam na minha mente a séculos e eu estava ansiosa por escrevê-los, assim como vocês, não via a hora de voltar para Hogwarts e chegar neste ponto principal do arco da Câmara. Mas, assim que comecei a escrever, percebi que o capítulo ficaria muito grande e minha opção era parar em algum momento ou continuar na onda dos acontecimentos. Bem, resumindo, não consegui parar de escrever!
Assim, meu megamonstro capítulozila chegou a 34 mil palavras! kkkk Eu sei! Vocês querem tudo, não é mesmo?
Mas, acho que ficará estranho e maluco publicar tudo em um capítulo só, assim, vou dividi-lo ao meio. Portanto, agora publico esse capítulo e amanhã a continuação dele, por assim dizer. Apesar de não chamar de Parte 1 e 2, vocês verão que os acontecimentos fluem naturalmente de um capítulo para o outro e espero que gostem muito.
Não se acostumem porque isso não acontecerá com frequência! kkkkk E, por favor! REVISEM!
Capítulos duplos merecem! Além disso, tenho umas supresinhas especiais! Ah! Adoro suspense!
Capítulo 67
Para Ginny Weasley, a semana que se seguiu foi a mais angustiante de toda a sua vida. Na segunda-feira, ela tentou se manter à tona, não ter uma crise nervosa e escolheu não deixar o seu quarto. Um sentimento rançoso e aterrorizante a envolveu e lhe deixou o estômago embrulhado e a boca amarga. A culpa se misturou com o terror e ela se enfiou sob as cobertas, tremendo descontroladamente, pois tinha certeza que, a qualquer momento, os aurores invadiriam seu quarto e a arrastariam para Azkaban.
Na terça-feira, as aulas voltaram e Ginny caminhou junto com Abla e Demelza. Agarradas e apavoradas, ela deixou suas amigas acreditarem que seu medo era apenas do basilisco. Mas, a verdade era que, a cada pequeno som mais alto ou a cada vez que se deparava com um dos aurores, em algum ponto do castelo, Ginny saltava ou empalidecia de puro terror. Dormir e comer se tornou impossível e, rapidamente, ela se tornou menor, magra demais, sua pela quase translúcida e suas sardas ficaram mais destacada em seu rosto fino. As olheiras eram evidências dos pesadelos aterrorizantes que a agarravam todas as noites como garras dolorosas de culpa, medo e solidão.
Na quarta-feira, finalmente, a Prof.ª Vector percebeu o seu estado, que poderia ser considerado normal diante dos acontecimentos, afinal, muitos alunos foram enviados para a Madame Pomfrey para uma poção calmante. No entanto, os grandes olhos castanhos de Ginny estavam por demais angustiados e tristes, assim, Vector foi procurá-la em seu quarto, onde Ginny tendia a se trancar depois das aulas.
— Você não está se alimentando ou dormindo, tem algo mais acontecendo além do medo normal do basilisco? — Perguntou ela suavemente.
Ginny abriu a boca para responder que estava tudo bem, mas, nenhum som saiu. Tremendo, ela soluçou e se encolheu em si mesma se abraçando.
— Ginny, o que... Aqui, querida, estou sempre carregando um para emergências nos dias de hoje. Beba a poção. — Vector lhe estendeu o vidro e a ajudou a beber.
Imediatamente, um embotamento não natural e estranho a envolveu e Ginny sentiu a angústia, o medo e a culpa, flutuarem para longe.
— Pronto. Isso te ajudará um pouco e, se quiser uma poção de sono sem sonhos para essa noite, deixarei aqui no seu criado mudo. — Vector disse colocando outro vidro no lugar mencionado. — Agora, me conte o que mais a está incomodando?
Ginny a olhou por traz do falso véu de calma que anuviava seus sentimentos, mas, que lhe permitiram se lembrar do porquê, ela decidiu não contar para ninguém. Vector era gentil e firme, passava uma confiança e segurança que faziam Ginny gostar muito dela, mas, algo, uma intuição que parecia vir de sua alma, de sua magia, lhe dizia que, por mais delicada e justa que fosse, Vector não podia protegê-la de ser expulsa ou presa.
— Eu tenho tido pesadelos com Luna e Colin, que estou com eles, mas, não consigo salvá-los e... também, meu estômago se embrulha quando vou comer... — Disse ela suave e calmamente.
— Ok. Claro, você teve dois amigos petrificados e agora, a Srta. Granger, com quem também devia ter contato. Os pesadelos são normais e a angústia ou medo podem tirar o apetite. — Vector disse gentilmente. — Amanhã pela manhã, antes das aulas, quero que vá a Madame Pomfrey e ela lhe ajudará com algumas poções, talvez, algumas vitaminas. Você precisa se alimentar e dormir para ficar forte, Ginny, assim pode enfrentar o que vier.
Ginny concordou e, depois que Vector saiu, pensou em suas palavras. Forte para enfrentar o que vier. Era isso o que precisava, decidiu, ser forte, mentalmente e fisicamente, para poder fazer o que tinha se proposto a fazer. Ficar sem comer e dormir, trancada em seu quarto com um rato assustado não ajudaria em nada! Tinha que comer bem, ficar forte, parar de choramingo, não adiantava ficar se culpando pelo que aconteceu com Colin, Luna e os outros! O que tinha que fazer era encontrar o diário e destruí-lo, assim, compensaria um pouco o que tinha causado. Mas, para isso, pensou, teria que deixar o quarto e andar pela escola, pela Torre e não teria medo porque, se os aurores não a prenderam até agora, era porque não sabiam de nada.
Resoluta, Ginny jogou fora a poção de sono sem sonhos ao em vez de tomá-la e enfrentou os pesadelos, se forçando a voltar a dormir e não se permitindo chorar uma única lágrima durante toda a noite.
Na quinta-feira, ela se forçou a comer tudo o que Madame Pomfrey lhe serviu no café da manhã, ainda na enfermaria, acompanhada de poções de vitaminas, mas, recusou as poções calmantes e de sono. Naquele dia, ao em vez de se esconder e se encolher, Ginny começou a olhar em volta, investigar e buscar qualquer coisa que pudesse lhe dizer quem estava com o diário.
Se concentrando em seus primeiros dias com o diário, Ginny se lembrou do sentimento de profunda insegurança, ansiedade e medo que sentiu. Percebeu, analisando friamente, que eram seus sentimentos, mas, eles foram de alguma forma aumentados 10, talvez, 100 vezes mais do que o normal. Claramente, o diário e Tom, conseguiram influenciar seus sentimentos e pensamentos, Ginny não entendia como e a aterrorizava pensar que era magia negra. Mas, o que mais poderia ser? Depois, ele deveria ter controlado seu corpo enquanto ela dormia! Por isso que ela acordou algumas vezes em alguns lugares estranhos do castelo e Tom lhe dissera que era sonambulismo! Mentira! Mas, no fim, quando estava mais fraca, ele assumiu o controle mesmo quando ela estava acordada e foi assim que Ginny teve aqueles apagões, chegara a pensar que estava enlouquecendo e Tom concordara! Ele a manipulara! E, ela acreditara nele como uma tola ingênua!
Rapidamente, toda a dor da traição se transformou em uma fúria quente e intensa, Ginny usou isso como combustível para se concentrar nas aulas, para comer e dormir, para se fortalecer e se preparar para destruí-lo quando o encontrasse. Seus olhos se moviam por todos os alunos o mais discretamente possível, principalmente na hora das refeições, mas, infelizmente, todos pareciam ansiosos e preocupados, assim, para sua grande aflição, Ginny não conseguiu descobrir nada.
O que também a incomodou muito, era o fato de que não importava o que fizesse ou quanto tentasse se impedir, seus olhos sempre pousavam em Harry. Era possível vê-lo sempre perto de seus amigos mais próximos, ainda mais unidos do que antes. Eles se mostravam silenciosos, sérios e tristes, talvez, pelo que acontecera com Hermione, de quem costumavam ser inseparáveis. Mas, logo a notícia da morte da avó de Terry Boot se espalhou pela escola e Ginny percebeu que o abatido garoto moreno tinha mais um motivo para estar triste. Culpada, Ginny não se atreveu a se aproximar deles porque sabia que eles a odiariam e, com razão, pelo que fizera. Se descobrissem que ela era a responsável pela petrificação de Hermione, com certeza, eles a entregariam aos aurores, mesmo se soubessem que isso significaria ela ser enviada para Azkaban. Ainda assim, Ginny não conseguia se evitar de olhá-lo, mas, sempre que o percebia se virar na sua direção, ela desviava o olhar e fingia participar da conversa de Abla e Demelza.
No fim de semana, nada mais de ruim acontecera e a presença dos aurores e caçadores do Ministério que acamparam na escola, literalmente, trouxe uma calmaria aos alunos. Ainda não estavam relaxados ou se atreviam a sair pela escola sozinhos, mas, conseguiram uma medida de calma em que não precisavam de poções calmantes e não ficavam olhando pelos cantos ou se agarrando apavorados e chorosos.
As aulas e deveres de casa em quantidades alarmantes lhes deu a volta a rotina que eles precisavam, ainda que era possível ouvir muitos alunos resmungando e reclamando sobre essa absurda e cruel atitude dos professores. Ginny mergulhou nas aulas e, decidida a estar pronta quando chegasse o momento de destruir o diário, começou a estudar algumas maldições de Defesa por conta própria, afinal, Lockhart era mais inútil que um troll. Na biblioteca, ela procurou e encontrou alguns livros de Defesa dos 1º e 2º anos e, sozinha em seu quarto, treinou ferozmente até conseguir realizá-los. Seus irmãos continuavam ocupados com suas próprias vidas e, pela primeira vez, Ginny não se importou e até preferiu que eles não ficassem no seu pé. Abla e Demelza eram boas companhias porque aceitavam sua presença silenciosa, não faziam perguntas e, eram sempre tão doces e bondosas, que Ginny chegou à conclusão que tinha muita sorte em tê-las como suas amigas.
E, assim, as semanas de janeiro se moveram lentamente, um dia de cada vez e com todos, aos poucos, voltando suas atenções para os jogos de quadribol entre as Casas. Lembrando-se do que acontecera no último jogo em que esteve, Ginny só podia torcer que o mesmo não estivesse acontecendo com outro aluno naquele momento.
O fim de semana de despedida da Sra. Honora foi o momento mais triste que Harry presenciou em sua vida. Eles partiram na sexta-feira depois da última aula do dia, utilizando o flu de Flitwick que foi, temporariamente, conectado com o Chalé Boot. Além de Neville, Scheyla também os acompanhou, pois, os Martins foram comunicados e decidiram comparecer à cerimônia fúnebre.
Depois de uma semana tensa e cansativa, Harry se sentiu muito aliviado por deixar a escola, os olhares e preocupações constantes. Infelizmente, mesmo com a ajuda de Terry e Flitwick, eles não avançaram em nada nas investigações ou descobriram ninguém que se sobressaísse. Harry, particularmente, andou pela escola sob a capa de invisibilidade tentando perceber algum movimento ou expressão que soasse um alarme, mas, tudo o que ele conseguiu foi se preocupar com Ginny, que ele achou muito pálida, magra e assustada.
Ele comentou com os gêmeos, que disseram que ela estava bem, apenas com dificuldades para dormir, teve alguns pesadelos, mas que Vector e Madame Pomfrey a estavam ajudando. Isso estava acontecendo com quase todos os alunos, mesmo os mais velhos, assim, Harry supôs que não deveria se preocupar particularmente com ela, afinal, a menina tinha 4 irmãos mais velhos e uma boa Chefe de Casa. Hermione e Neville disseram, em vários momentos, que Vector era muito mais presente e acessível do que McGonagall, portanto, Harry se concentrou em outras coisas mais urgentes.
Como o seu treinamento, que Flitwick insistiu que fosse adiado até a semana seguinte, para lhe dar mais tempo para se recuperar melhor. Harry não gostou, queria começar agora e estava se sentido recuperado e energizado depois de sua aventura na Floresta Proibida, mas, decidiu obedecer seu Meistr, pois confiava em sua sabedoria. Assim, lhe restou apenas o treinamento físico que, sem a Caverna, voltou a acontecer no Covil, com Terry e Neville o acompanhando e sendo exigidos ao máximo.
— Não temos tempo para esperar que os construtores reformem a Caverna, assim, correremos aqui e nos manteremos em forma. — Disse Harry, que também escreveu para Denver em busca de conselhos sobre exercícios que uniria e prepararia sua equipe melhor para o que viria.
As aulas deveriam estar em segundo plano, mas, os professores, talvez, com a intenção de distraí-los, lhes encheu que deveres de casa, fato que enfureceu Harry enormemente.
— Eles deviam estar nos ensinando maneiras práticas para nos defender! Feitiços e Maldições, para lutarmos, nos esconder ou fugir! Devíamos estar aprendendo a duelar e lutar! Mas, passamos horas, todos os dias, escrevendo e escrevendo esses montes de pergaminhos. — Disse ele indignado.
— Parece que foi ideia da McGonagall, os professores devem tentar manter os alunos ocupados e na rotina de estudo, sabe, para não terem muito tempo livre para andarem pela escola ou pensar em coisas ruins. — Explicou Neville com uma leve carranca.
— Bem, isso pode dar resultado para os outros, mas para nós, é só atraso em nosso treinamento mais avançado. Agora que estou com o 4º volume do livro de Mason, quero treinar as maldições até conseguir realizá-las perfeitamente. — Disse Harry tenso. — Eles acham que consegui lutar com a basilisco fazendo deveres de casa?
— Concordo, mas, para ser justo, eles não sabem porque precisamos de tempo livre, Harry. E, talvez, para os outros alunos, se manterem ocupados não seja ruim. No entanto, acho um absurdo que nada mais esteja sendo feito para nos proteger. — Terry afirmou pensativo.
— Mais? Além de 5 aurores, 10 recrutas aurores e 6 caçadores do Ministério? — Neville se mostrou confuso.
— Sim, Nev. Sabe, no mundo trouxa existem todos os tipos possíveis de treinamentos de emergência. Na minha escola trouxa, tinha treinamento contra incêndio, por exemplo. — Terry explicou suavemente. — Você teve, Harry?
— Sim. Um ou duas vezes por ano, eu acho, nós fazíamos o dia de treinamentos. — Harry se concentrou para se lembrar. — O alarme dos bombeiros soava e tínhamos que sair ordenadamente na direção das saídas. Tínhamos que seguir o adulto ou professor mais próximo, havia diretrizes para o caso de estarmos sozinhos nos banheiros ou nos vestiários, trocando de roupas para a aulas de PA.
— Exatamente. — Terry sorriu, ainda que a animação não alcançasse seus olhos.
— Espere. — Neville interrompeu antes que o amigo continuasse seu pensamento. — O que é um bombeiro?
Terry e Harry o olharam um pouco chocados ao perceberam que algo tão importante e comum, não era nem ao menos reconhecido por bruxos.
— Algo que o mundo bruxo tem, mas, é chamado de outro nome, acredito. — Terry disse pensativo. — Se uma emergência mágica, uma explosão ou um objeto encantado está descontrolado, existem diferentes Departamentos no Ministério que fazem o resgate. Certo?
— Sim, quer dizer, além do aurores e os caçadores do Departamento de Controle da Criaturas Mágicas, existem os obliviadores e o pai do Fred e George, trabalha no Departamento do Mau Uso dos Artefatos Trouxas. — Neville concordou.
— Bem, os trouxas têm vários Departamentos também, policiais, que são os equivalentes dos aurores e os bombeiros, que são aqueles que resgatam pessoas em acidentes de carros, incêndios, quedas de montanhas, afogamentos ou qualquer emergência que você puder imaginar. — Terry explicou suavemente. — Na escola, como disse o Harry, mas, também em outros prédios públicos, existem treinamentos de emergências, ou seja, um treinamento onde todos aprendem o que fazer no caso de uma emergência acontecer. Incêndios, explosões, terremotos, furacão ou qualquer outra catástrofe possível. Existem também protocolos de emergência que são ensinados a todos desde muito cedo, por exemplo, em caso de um furacão ou bombardeio, ir para o subsolo, um porão. Ou, em um terremoto, deixar o prédio em que você está, que poderia desabar e, assim por diante.
— Ok, entendi. Você acha que deveríamos ter esse tipo de treinamento? — Neville questionou interessado.
— Antes, temos que ter protocolos de segurança. — Terry disse e se inclinando para frente continuou em tom mais baixo — Por exemplo, a Caverna não pode ter apenas uma entrada e saída, tem que existir uma saída de emergência. Nas escolas, prédios públicos, auditórios, academias, restaurantes ou, qualquer lugar, onde se tem aglomeração de pessoas, eles são obrigados, pelas leis trouxas, a terem mais de uma saída.
— Claro! — Harry exclamou e fechou os olhos por não terem pensado nisso antes. — Se acontece um acidente, um incêndio, por exemplo, Neville, e você está no vestiário da escola, o treinamento nos diz que devemos ir para a saída mais próxima. Nem sempre a entrada principal é a saída mais próxima ou ela pode estar bloqueada pelo fogo, assim, devem existir saídas nos fundos e laterais dos prédios para que você consiga sair em segurança o mais rápido possível.
— E, ajuda os bombeiros a entrar para resgatar caso alguém fique preso ou esteja ferido. No caso do ataque a Caverna, ter uma única porta de saída foi como estar preso em uma caixa e, literalmente, tínhamos que explodir uma parede para encontrar uma saída. — Terry disse e agitou os cabelos, ainda levemente envergonhado por sua tolice. — E, não tínhamos um alarme, quer dizer, nós tínhamos as explosões e, depois, o Neville começou a gritar, no entanto, isso foi falho, porque Voldemort impediu o som de deixar a Caverna por vários minutos preciosos.
— Sim, imagine se acontecesse um incêndio em um prédio trouxa e o alarme não funcionasse... — Harry se interrompeu ao ver o olhar confuso de Neville e explicou o que eram os alarmes de incêndio. — Eles se conectam diretamente com o Departamento dos Bombeiros e, o som é tão alto, que as pessoas em volta do prédio em chamas ouvem, ligam por ajuda e, tão importante quanto isso, as pessoas que estiverem no prédio saem rapidamente.
— Entendi, se o alarme não soasse, demoraria mais para as pessoas deixarem o prédio e para a ajuda chegar. — Neville considerou pensativo.
— Sim, poucos minutos seriam suficiente para o fogo se espalhar mais e mais, isso poderia causar a morte de muitas pessoas. — Disse Terry. — Precisamos disso aqui, uma versão mágica, claro, mas, imagine um alarme que seja acionado e toque por toda a escola. Os alunos estarão treinados e saberão que não devem deixar as suas Casas ou que devem voltar rapidamente se estiverem fora. Depois de alguns minutos, as portas das salas comunais seriam seladas e os alunos estariam protegidos, em teoria. Mas, claro, precisamos, antes mais nada, estabelecer regras, por exemplo, no caso de o castelo não estar seguro, se houver o ataque de um dragão, um manticore ou um basilisco, qual o protocolo? Ou, um ataque de comensais da morte? Os alunos se escondem ou deveria haver uma maneira de evacuá-los para um local seguro?
Harry e Neville olharam impressionados para o amigo, que parecia estar empenhado em usar sua grande inteligência no que era o mais importante em uma batalha. Proteger os inocentes.
— Acho que são todas boas perguntas, Terry e, como você me ensinou, são com perguntas que aprendemos e melhoramos as coisas. — Harry disse e Neville acenou.
— Estou pensando na questão do protocolo médico também. — Terry disse e olhando para o Harry acrescentou timidamente. — Não consigo parar de pensar no que fiz naquele dia, Harry. Sobre como eu fiquei perdido e não consegui pensar ou encontrar as melhores soluções, mesmo as óbvias. Percebi que, uma das coisas que nos tornam diferentes, é que você consegue pensar rapidamente em momentos de crise, eu não tenho essa capacidade, assim, preciso de planos, protocolos, regras, treinamento. Vovô Bunmi chamaria de tipos diferentes de inteligência, todos somos capazes, mas, não realizamos da mesma maneira.
— Seu avô sempre tem algo assim para nos fazer sentir melhor quando erramos. — Disse Harry e os três riram divertidos. — Terry, sabe, acredito que você deveria se sentar com a Penny e os outros dois alunos membros da AP, depois, conversarem com Flitwick e, por fim, irem diretamente a sua mãe, ao Conselho de Governadores e apresentarem tudo isso que nos falou. Sinceramente, suas ideias são brilhantes e trarão ainda mais e melhores mudanças para a escola.
— Concordo, até porque, nós sabemos que, um dia, isso será necessário. — Neville disse suavemente. — Não sabemos quando, mas, Voldemort retornará e estaremos em guerra aberta, assim, proteger os alunos será importante. Mesmo que alguns digam que na última guerra, Hogwarts não foi atacada, é impossível afirmar que isso nunca acontecerá. E... — Neville hesitou ao olhar para Terry, que acenou o incentivando a continuar. — Acho que você não está totalmente certo, quando diz que não consegue pensar rápido como o Harry em uma situação de crise.
— Como assim? — Terry se mostrou curioso.
— É como você disse, tipos diferentes de inteligências, mas, também, tipos diferentes de talentos, Terry. — Neville apontou para o Harry. — Por diversos motivos, o Harry tem um grande instinto de sobrevivência e um grande talento para a Defesa Contra as Artes das Trevas. Sua magia é forte, sua mente adaptativa e ágil, além de toda a questão de resolver os mistérios, que é quase, bem... Sherlockiano. Mas, você também tem isso quando se trata de questões de cura, eu já te observei, Terry. — Neville sorriu quando o amigo pareceu constrangido pelo elogio. — Não é apenas uma questão de conhecimento teórico na área de cura, que você também tem, mas, principalmente, na maneira calma e segura que age quando alguém está ferido. Sim, você entrou em pânico quando viu a Charlie ferida, mas, sei que você sabia como ajudá-la e por isso quis levá-la conosco. Certo?
— Eu... sim, pensei que, quando estivéssemos trancados no vestiário, eu poderia deter o sangramento. Eu também lembrava da bolsa de poções do Harry, sabia como ganhar tempo para mantê-la viva até a Madame Pomfrey tratá-la. — Terry bagunçou os cabelos. — Minha mente começou a pensar e analisar todos os aspectos médicos, estava tão focado, que não percebi o mais importante.
— Mas, depois, quando tudo acabou, você se manteve calmo e cuidou da Hermione, Charlie e Harry em poucos minutos. Nunca tinha te visto assim, tão seguro, completamente em seu elemento e, acredite, eu vou ao St. Mungus a anos e já vi medibruxos ou curandeiros novatos ansiosos e hesitantes em situações muito menos assustadoras do que um braço estraçalhado. Isso nunca aconteceu com você e, além disso, quando o Joe discutia com aquele curandeiro, você pensou na solução e planejou tudo em segundos. Talvez, tenha salvado o braço da Charlie.
Eles ficaram em silêncio e Harry olhou um pouco surpreso para Terry, lembrando-se de como o considerou calmo demais depois do ataque. Particularmente, Harry não prestou atenção ao que ele fazia, pois estava além da exaustão e muito perto de perder a consciência, mas, Terry cuidara dos ferimentos de Charlie sem hesitação ou confusão, enquanto outros teriam ficado perdidos ou enojados.
— Você tem talento para ser um Curandeiro. — Harry disse em tom de afirmação e surpresa, por não ter percebido antes o que agora lhe parecia bem óbvio. Terry era sempre tão bondoso, tranquilo e seguro, claro, eram qualidades de um professor também e, para o Harry, quando pensava em uma possível profissão para o seu irmão, era a de Mestre, assim como Serafina e Bunmi. Mas... — E, você gosta disso.
Era outra afirmação, pois ficou evidente que Terry gostou do que eles disseram e se, ser bom em cura, era importante para ele, significava que Terry queria ser um curandeiro ou, pelo menos, se interessava muito pela ideia.
— Eu... sim..., bem, quer dizer... — Terry estava meio corado e constrangido, talvez, sem uma resposta, o que era raro. — Eu me interesso, comecei a ler mais sobre cura e medicina por causa dos problemas de saúde da minha avó e, então, li mais e mais sobre o assunto, tudo é muito fascinante, sabe. Não apenas a ideia de curar pessoas, cuidar, tratar suas doenças e salvar suas vidas, mas, a pesquisa de novos remédios e tratamentos para doenças que não tem cura também me atraem.
— Como o Alzheimer. — Disse Harry entendendo melhor o amigo.
— Sim, mas existem outras, câncer e varíola de dragão que tem uma vacina e não uma cura, assim, se um idoso ou criança pegam, ainda podem morrer. Como aconteceu com seus avós, Harry. — Terry tinha uma grande energia ao falar sobre o assunto, era bem claro que estava muito empolgado. — E a Lycantropia? Quer dizer, a partir da poção mata cão e do conhecimento de que a doença foi criada, não é impossível pensar que um dia poderemos encontrar uma cura.
— Isso tudo é incrível e acho que você é a pessoa certa para algo assim, mas... — Harry olhou para Neville um pouco hesitante. — Porque nunca nos contou? Quer dizer, vocês sabem do meu interesse por ser um auror um dia, quer dizer, somos jovens e eu pensei que você queria ser um professor, na verdade...
— Professor? — Terry o olhou chocado. — Você pensou que eu queria ser um professor?
— Sim, com certeza. Você tem muito jeito para isso e acho que seria um professor tão bom quanto seu avô e sua mãe. — Harry disse sorrindo. — Na verdade, posso te ver ensinando história ou inglês, aqui ou em uma faculdade, porque você é sempre tão paciente e explica tão bem os assuntos teóricos.
— Sim, quer dizer, sempre pensei que História eram as aulas mais chatas do mundo, até que você começou a nos ensinar. — Neville afirmou e Harry acenou.
— Qualquer um é melhor que Binns. — Disse Terry e os três riram levemente.
— Você tornou História algo importante e interessante, Terry e, é por isso, que gosto das aulas do Achala, se não fosse por você, não valorizaria tanto quanto faço. — Disse Harry sincero.
— Eu, na verdade, não pensei muito nisso porque não importa, no fim das contas. — Terry disse suavemente e hesitante. — Ou, pelo menos, não importava, mas... no Ritual Yule, eu senti minha tia Carole, lembra-se que eu lhe disse que ela me incentivou a seguir o meu coração, Harry?
— Sim. — Harry acenou se lembrando como seu amigo parecia um pouco perdido e angustiado. — E, você me disse que ainda não estava pronto para se envolver nas investigações sobre a Câmara ou mentir para os seus pais.
— Sim, bem, você disse que estávamos em tempos diferentes e estava certo, agora me sinto pronto. — Terry disse e sua expressão convicta não afastou a tristeza no olhar. — Bem, naquele momento, tinham duas coisas me incomodando, conflitando em minha mente. Eu queria ajudá-lo, mas, não me sentia pronto e tinha percebido que queria ser um médico/curandeiro, mas, não queria decepcionar os meus pais. Eu estava me sentindo muito culpado e perdido, mas, senti a tia Carole me dizer para ouvir o meu coração.
— Ok. Acho que é um bom conselho, mas o que faz você acreditar que ser um curandeiro decepcionaria os seus pais? — Neville perguntou confuso.
— Porque, na minha família, os primogênitos, os herdeiros, são advogados, como meu pai e avô Boot. — Terry bagunçou os cabelos. — Sempre foi assim, desde o primeiro Boot. Estávamos lá quando o Ministério foi fundado e as leis criadas, desde então, os Boots trabalham no Departamento de Leis. — Neville e Harry devem ter demonstrado em suas expressões as suas descrenças. — Não me entendam mal, meus pais e avô não me odiariam ou desertariam, nada disso. Na verdade, sei que para eles, eu ser feliz é o mais importante, mas, também sei que, mesmo que nunca digam, eles se sentirão decepcionados se não seguir a tradição.
— E, você estava com medo de decepcioná-los? — Neville perguntou baixinho, pois ele conhecia muito bem esse sentimento.
— Sim, antes, era só um pensamento, sabe. Eu não conseguia me imaginar como um advogado, mas, ao mesmo tempo, admirava o meu pai e queria ser como ele. Quando fiquei mais velho, percebi que quero ser eu mesmo e que não quero trabalhar na área de Direito, então, nos últimos meses, isso se tornou ainda mais forte e, no verão... — Terry hesitou. — No verão, o vovô fez um comentário quando estava ajudando ele e Sirius com suas pesquisas... Lembram-se que lhes falei sobre isso?
— Sim, as pesquisas sobre a última guerra, seu avô e Sirius querem descobrir o que foi feito de errado, encontrar Peter e contar a verdade dos acontecimentos em um livro. — Harry resumiu.
— Sim, então, estávamos na Abadia e vovô disse algo como, quando chegasse a minha vez, eu não seria apenas um advogado ou juiz seguindo e aplicando as leis, que eu tinha potencial para ser o Chefe do Departamento de Leis e ajudar o mundo mágico, criando novas e melhores leis para todos. — Terry ficou meio cabisbaixo. — Sei que ele ficará desapontado, mas, não posso não seguir o meu coração, sabe.
Neville e Harry acenaram delicadamente.
— Bem... — Harry hesitou um pouco tentando colocar seus pensamentos em palavras. — Acho que você deveria conversar com eles, seu avô e seus pais porque, não é só uma questão de te verem feliz, sabe, acredito que eles se sentiriam orgulhosos com seu talento, Terry. Quer dizer, você não está pensando em ser um assaltante de velhinhas e sim, um grande médico/curador e pesquisador.
— Harry está certo, quer dizer, para minha avó, se eu não for um auror como o meu pai, nada do que escolher fazer, será bom o suficiente, mas, seus pais e avô são diferentes, Terry. — Neville parecia um pouco chateado com isso e Harry bateu fraternalmente seu ombro, lhe dando apoio. — Além disso, você tem dois irmãos que podem se interessar por Direito, assim, a tradição continuaria em sua família.
— Oh! — Harry arregalou os olhos. — Ayana! Ela seria uma grande advogada, apenas olharia com aquele olhar que diz, "você não ousaria me dizer não, certo? " — Harry riu ao pensar, Terry e Neville o acompanharam. — Ninguém lhe negaria nada e ela é esperta como o seu pai, Terry, assim, pode ser que a Ayana se interesse por Direito como ele.
Isso fez Terry acenar pensativo e teve de reconhecer que os dois, provavelmente, estavam certos, mas, ainda se sentia um pouco receoso da reação deles quando lhes contasse que pretendia estudar medicina.
— Talvez, vocês estejam certos e Ayana poderia ser uma advogada tão boa quanto o papai e o meu avô. — Disse ele. — Bem, vamos continuar com os deveres porque ainda falta muito para terminar e não teremos o fim de semana livre.
O fim de semana era algo esperado e temido por Terry, que queria estar com sua família, mas não deixar a Hermione. Também não estava ansioso pelo funeral de sua avó ou se sentia preparado para as últimas despedidas.
Quando chegaram ao Chalé, na sexta-feira à tarde, Adam e Ayana abraçaram os irmãos com força e não quiseram mais deixá-los. Terry não se importou e se consolou em lhes dar o seu apoio, pois os dois pareciam muito tristes e confusos. Harry os ajudou a sentirem o amor da avó Honora e eles choraram ao perceberem que sempre poderiam senti-la.
— Tudo é magia e ela faz parte de nós, vocês nunca estarão sozinhos. Ok? — Disse ele suavemente.
No jantar, a família contou muitas histórias sobre a Honora, algumas engraçadas, outras tristes. Harry, Neville e Scheyla eram quem a conheciam menos, mas ouviram encantados essa espécie de homenagem e despedida da família. Sr. Boot estava muito silencioso, era possível ver a tristeza e angústia que o tomava, ainda assim, ele contou como a convidou para sair em uma viagem para Hogsmeade e eles começaram a namorar.
— Estávamos no 4º ano e, naquela época, convidar alguém para um encontro era considerado muito sério, portanto, era mais comum que você convidasse a pessoa para sair com seu grupo. — Disse ele com o olhar distante. — Assim, você tinha a chance de conhecer a garota, sem anunciar um compromisso para toda a escola. Claro que isso é uma bobagem porque, você deveria poder conhecer a pessoa que lhe interesse, no dia a dia da escola, conversando, nas aulas ou refeições. No entanto, Honora era uma Hufflepuff e não era considerado descolado para um Gryffindor andar pela escola com uma Puff. — Ele fez uma careta divertida. — Quando temos 14 anos, ser popular ou, o que seus amigos pensam de você, é muito importante, ainda que uma grande tolice, claro.
— O senhor a convidou para sair, vovô? — Ayana perguntou com os olhos brilhando.
— Não, eu me interessava por ela, a achava bonita e divertida, mas, era um dos tolos que se importava com a opinião dos meus colegas e não queria ser zombado. — Disse ele em tom autodepreciativo. — Então, um dia, nas férias de páscoa, estávamos no jardim rindo e aprontando como adolescentes. Alguém propôs uma aposta, não me lembro o que era, algo sobre escalar uma árvore mais rápido e o perdedor pagaria uma prenda. Um deles quis estabelecer a punição antes e alguém sugeriu que teríamos que convidar uma garota da Hufflepuff para sair no próximo fim de semana de visita a vila.
— Oh! Vovô! — Ayana exclamou brincando de estar zangada.
— Não acredito! Vocês começaram a namorar por causa de uma aposta? — Terry também estava chocado e sorria.
— E, ele perdeu a aposta de propósito. — Confidenciou Falc, que já conhecia a história.
— O que!?
— Como assim!?
Todos exclamaram surpresos, Prof. Bunmi e a Sra. Madaki estavam na mesa e sorriam ao ver as crianças distraídas.
— Deixem-me terminar. Quando ouvi qual era a pena, percebi que tinha a solução dos meus problemas, assim, fingi cair de um dos galhos, perdi tempo de propósito e tive que cumprir a punição. — Disse ele sorrindo e as crianças riram divertidas. — Convidei ela para sair, só nós dois, como estabelecia a aposta e Honora aceitou. Foi a visita a Hogsmeade mais divertida de todas até aquele momento e, quando voltamos para a escola, eu já sabia que queria vê-la mais, conversar com ela e segurar sua mão. Assim, perguntei se queria ser minha namorada e Honora aceitou, mas, com uma condição.
— Qual? — Harry estava além de curioso.
— Que lhe contasse que aposta eu perdi para ter que convidá-la para sair. — Contou o Sr. Boot rindo e todos arregalaram os olhos de choque.
— Ela sabia! — Gritou Ayana.
— Mas, como!? — Neville questionou.
— Porque ela sabia que eu não passava de um garoto tolo da Gryffindor, que só teria coragem de convidá-la para sairmos, ainda por cima, sozinhos, se uma aposta perdida estivesse envolvida no meio de tudo. — Disse ele rindo e todos o acompanharam.
Apesar de todos estarem muito evolvidos com a perda de Honora, os adultos ainda queriam que os meninos contassem em mais detalhes sobre o ataque da basilisco. Assim, depois que todos se retiraram, Harry, Terry e Neville, se viram na biblioteca com Serafina, Falc e Sirius, que estavam muito sérios.
— No dia em que estive em Hogwarts, eu estava muito chocado para me concentrar nos detalhes, mas depois... — Falc olhou para Terry com a atenção. — Você se mostrou muito decidido e envolvido em ficar em Hogwarts, sei que Harry não tinha lhe contado o que ele sabia, mas, me parece que isso mudou agora.
— Harry... meninos, vocês entendem a gravidade do que aconteceu e o quão perto estamos de fechar a escola? — Serafina disse suavemente. — Precisamos que nos contêm o que sabem e, assim, resolvermos isso de uma vez.
— Sra. Serafina, nós já conversamos sobre isso no início das férias, não posso lhe contar nada ou aos aurores. Estou seguindo minha intuição e, se estiver errado, enfrentarei as consequências, mas, preciso fazer isso da minha maneira. — Disse Harry com firmeza.
— Está disposto a arriscar a vida de alguém? Um amigo? Uma criança? A sua? Está realmente preparado para viver com a culpa...
— Ei! — Terry interrompeu a mãe e se levantou zangado. — Isso não é justo ou certo! Se alguém morrer, o único culpado será Voldemort e Malfoy! Não, o Harry! E também não deve estar em suas costas o que acontece com as investigações, pois Harry não é um auror! Se alguém aqui é responsável por nada ter sido descoberto ainda, esses alguéns são os aurores, que estão fazendo um péssimo trabalho.
— Eu não quis dizer... — Serafina se calou completamente desconcertada pela atitude do filho.
— Além disso, eu prometi não me envolver se os adultos estivessem cuidando da situação e, de onde eu vejo, isso não está acontecendo. — Harry disse firmemente se levantando também e Neville o seguiu. — Se os aurores descobrirem primeiro e resolverem tudo, bom para eles, mas, nós estamos fazendo a nossa própria investigação e não tenho dúvidas que conseguiremos a verdade muito antes deles.
— E, não tem mais como nos unirmos e sermos uma equipe, porque não confiamos neles e, sem confiança, não tem como trabalharmos juntos. — Disse Neville e os outros acenaram.
— E, para nós, esse assunto está encerrado. — Disse Terry com dureza. — Boa noite.
— Boa noite. — Neville seguiu Terry para fora do escritório.
— Boa noite. — Harry saiu um segundo depois.
Os três adultos ficaram em um silêncio chocado, até que Sirius riu divertidamente.
— O que diabos você está rindo? — Serafina perguntou zangada.
— Não é óbvio? — Ele perguntou se levantando e alongando os músculos tensos.
— Eu nem entendi direito o que acabou de acontecer, como vou saber porque está rindo, Sirius. — Disse ela e, se levantando, cruzou os braços o desafiando.
— Às vezes, para uma Ravenclaw, você não é muito esperta, Serafina. — Disse ele ironicamente.
— O que quer dizer? — Disse ela meio indignada.
— Retiro o que eu disse, você é toda Ravenclaw, apenas razão e cérebro, nada de emoção e coração. — Disse ele se irritando também. — Esses três garotos passaram por uma experiência de quase morte, viram uma amiga querida ser petrificada, isso sem falar na professora, que eles gostam muito. Eles já eram grandes amigos, mas, depois de tudo o que viveram, estão ainda mais próximos e confiam um no outro para proteger suas costas.
— Como uma equipe. — Disse Falc com um olhar interessado.
— Sim. Nós éramos assim também na escola, não apenas amigos, mas, uma equipe e muito bem entrosada. — Disse Sirius suavemente. — Sabíamos o que o outro pensava, planejava e como executava. Cobríamos e defendíamos uns aos outros o tempo todo e sem hesitação. Porque acha que escolhemos o Peter? Ele era da nossa equipe, nossa família, o que tornou a traição ainda mais dolorosa... — Sirius tinha uma expressão de raiva e tristeza, mas, engoliu em seco e continuou. — O que quero dizer é que não adianta tentar pedir ao Terry que traia a confiança do Harry, ele não fará isso. E, se você atacar um deles, ataca a todos, assim, sugiro que repense essa ideia de culpar o Harry por seguir seu coração.
— E, se ele estiver errado? — Serafina perguntou angustiada.
— É uma questão de confiança, Serafina. — Sirius disse abertamente irritado. — Eu confio no meu afilhado de olhos fechados e, se tivesse que apostar a minha vida, aqui e agora, em quem resolverá toda essa bagunça, eu escolheria o Harry assim... — Disse ele e estalou o dedo para exemplificar.
Depois, ele deixou o casal com suas reflexões e voltou para a Abadia, onde estava o Sr. Boot. Mesmo querendo passar mais tempo com o Harry, Sirius sabia que não deveria deixá-lo sozinho e, quando o encontrou na biblioteca, bebendo whisky e olhando para os papeis das pesquisas que vinham fazendo, ficou feliz com sua decisão.
— O senhor não pode beber todas as noites para dormir ou acabará um bêbedo inútil. — Suavemente, Sirius devolveu a reprimenda que o Sr. Boot utilizou meses e meses atrás, antes de lhe tirar o copo e a garrafa.
— Enterre uma filha e o amor de sua vida primeiro, depois venha me dizer o que eu posso ou não fazer. — Disse ele meio bêbado e com crueldade.
— Eu enterrei mais gente do que gostaria, velho, incluindo três irmãos. — Sirius devolveu na hora. — O senhor lutou por mim quando eu tentei essa merda e lutarei pelo senhor também.
Sr. Boot suspirou arrependido e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Desculpe, apenas... não sei como dormir naquela cama fria e vazia sem ela... amanhã...chegou cedo demais. Como vou dizer adeus a minha Honora? Como? — Ele escondeu o rosto na mão direita enquanto seus ombros se sacudiam em soluços dolorosos.
Sirius engoliu em seco e esperou que as lágrimas esvaziassem um pouco da dor, depois, o ajudou a se levantar e ir até o seu quarto, com a cama fria e vazia.
— Velho, teremos que seguir um dia de cada vez... lembra-se, quando deixei a prisão, eu estava tão perdido, não sabia para onde ir ou o que fazer e você me disse isso. Vocês me deram um lar e cuidaram de mim, me amaram e protegeram, agora, é minha vez de retribuir aos dois. — Sirius o abraçou fortemente. — Um dia de cada vez, enfrentaremos o dia de amanhã e, depois, seguimos em frente.
O amanhã, era um sábado de janeiro, frio, úmido e com um céu carregado e cinzento que prometia uma neve ou chuva para breve.
— Honora detestaria sair de casa em um dia como esse. — Disse o Sr. Boot com um sorriso suave ao se lembrar de sua aversão pelo inverno.
— Vamos? Ainda temos que comer alguma coisa no Chalé, antes de sairmos para o cemitério. — Disse Sirius e os dois usaram o flu para o Chalé.
Todos já estavam acordados e vestidos em vestes formais de cores escuras e com expressões sombrias, tristes ou chorosas. Os Martíns, Evans, Coltons e Madakis iam direto, pois, o cemitério mágico mais próximo de St. Albans, ficava em Londres. O corpo da Sra. Honora foi enviado para St. Mungus e preparado pelo próprio Hospital que, tradicionalmente, realizava o trabalho fúnebre, pois não haviam funerárias no mundo mágico.
O tipo de cerimônia dependia da escolha da família e quanto eles poderiam pagar, o que no caso do Boots, não era um problema. Ainda assim, o Sr. Boot escolheu uma cerimônia simples, com muitas flores, tulipas amarelas, principalmente. Uma música antiga e mágica, tocada por uma arpa, envolvia o salão do prédio onde o caixão os esperava quando usaram uma chave de portal para viajarem até lá.
Além da família, muitos amigos ou conhecidos dos Boots foram chegando aos poucos e, como eles eram uma família muito respeitada, o Sr. Boot foi cumprimentado por dezenas de pessoas. Terry se colocou ao lado do caixão e tocou a mão de sua avó com carinho sem perceber as lágrimas que escorriam por seu rosto. Harry se manteve perto dele e de Ayana, mas, Adam não largou a mãe por um segundo, lembrando a todos, o quão jovem ele era.
Além das lindas flores e da música suave, na sala ao lado, um buffet era servido para as pessoas, que conversavam sobre a morta enquanto comiam os deliciosos canapês e mini sanduíches. Harry, que nunca esteve em um funeral, achou tudo muito estranho e invasivo. Se pudesse escolher, preferiria não ter tantos estranhos ou conhecidos, que não tinham uma forte ligação com a Sra. Honora e estavam ali apenas porque era educado ou conveniente.
Quando comentou isso com Remus, que estava conversando suavemente com Sirius, perguntou como foi o funeral dos seus pais.
— Dumbledore decidiu tudo rapidamente e não permitiu a entrada das pessoas fora da Ordem. Primeiro, porque a comoção teria trazido milhares de bruxos para o enterro e, segundo, porque era muito perigoso com tantos comensais da morte soltos e descontrolados. — Remus explicou suavemente. — Eu sabia que eles quereriam ser enterrados na Mansão Potter, mas, não tínhamos acesso, assim, Dumbledore escolheu o cemitério mágico de Godric's Hollow.
— Eu... o que? Tem um cemitério em Stone Waterfall? — Harry estava completamente chocado.
— Sim. — Respondeu Sirius seriamente. — Não quis lhe mostrar em nossa visita porquê..., bem, não achei que era o momento. Tudo já estava sendo muito difícil e emocional, mas, tem um mausoléu com as cinzas de todos os seus antepassados, Harry, inclusive dos seus avós.
— Um mausoléu? O que é isso, exatamente? — Ele estava confuso e meio chocado.
— Uma cripta, Harry, feita de mármore e detalhes em ouro, tem runas em volta dela que impede que seja acessada por qualquer um, apenas família e amigos bem próximos. — Explicou Sirius suavemente.
— Os Potters não enterram os seus mortos, Harry. O funeral dos seus avós foi realizado na floresta da Mansão e seus corpos cremados. Houve uma cerimônia linda e mágica, com apenas os amigos e familiares, depois suas cinzas são recolhidas em uma urna e selada na cripta. — Remus contou suavemente.
— Isso... eu..., meu pais queriam isso também? E porque os Potters são cremados? — Ele sussurrou urgentemente.
— Antigamente, a magia negra era algo mais comumente usada pelos bruxos, Harry, e as famílias, tradicionalmente, protegiam os túmulos de seus entes queridos para evitar que seus restos mortais fosse roubados para o uso em algum ritual escuro. — Remus contou suavemente e Harry empalideceu. — Calma, nos dias de hoje, a magia negra é proibida pelas leis do Ministério e esses rituais ou poções escuras se perderam no passado.
— Sim, mas, Voldemort sempre fez uso de magia negra livremente e isso é apenas mais um dos seus crimes. — Disse Sirius com uma carranca. — De qualquer forma, os cemitérios mágicos têm muitas proteções e não é tão simples invadir e roubar os túmulos, mas, os Potters não quiseram arriscar e minha família também não. Os Blacks também têm uma cripta particular em um lugar desconhecido por estranhos, apenas a família tem acesso a informação. E, a cremação é a solução final, porque as cinzas não podem ser utilizadas para nada, depois que foi tocada por fogo mágico.
Harry acenou tentando compreender tudo, mas, se sentiu meio entorpecido.
— Quer dizer que os meus pais queriam ser cremados e que suas cinzas fossem colocadas na cripta da família. Além disso, quando Voldemort voltar, ele poderia invadir os túmulos deles e roubar seus restos para rituais ou poções de magia negra? — Ele expôs os fatos terríveis tentando não vomitar quando seu estômago se agitou. — Porque ninguém me disse isso?
— Harry, primeiro, Voldemort não voltou e isso não é algo urgente, além disso, não temos porque supor que ele tentaria algo assim. Estamos apenas explicando porque a sua família crema seus mortos e os mantem em uma cripta particular em Stone Waterfall. — Sirius falou calmamente. — Sobre a vontade dos seus pais, pelo que eu entendi, quando Dumbledore anulou os seus testamentos, isso incluía os seus desejos fúnebres. E, ele não poderia manter suas vontades, de qualquer forma, porque não tinha como acessar a Mansão. Lembra-se?
Harry acenou, mas não conseguiu afastar o mal-estar quando lembrou do livro de Mason sobre como combater as artes das trevas. Incluía um capítulo muito assustador sobre os inferis, como eram feitos e como lutar contra eles e destruí-los. O texto não ensinava a maldição utilizada para fazer um inferi, mas deixava bem claro que a magia envolvida é das mais escuras. Harry podia entender porque os seus antepassados, potioneers, guerreiros e curandeiros, decidiriam cremar os seus mortos e evitar que seus restos fosse usados para algo tão terrível.
— Precisamos realizar suas vontades, então. — Disse Harry decidido e, agora que sabia o que tinha que fazer, se sentiu mais calmo. Lembrou-se, de repente, do terrível pesadelo que teve a algumas semanas, onde encontrava os túmulos de seus pais abertos e seus restos apodrecidos. — Precisamos protegê-los e lhes dar paz, porque eles não devem estar contentes por seus corpos estarem onde estão. — Ele acenou decidido e ignorou o olhar de espanto de Remus e Sirius.
— Harry... — Sirius parecia meio esverdeado como se fosse vomitar. — Não podemos tirar seus corpos dos túmulos e... transportar para Stone Waterfall!
— Claro que podemos. — Harry disse calmamente. — Se chama exumação e os trouxas fazem isso o tempo todo, Sirius. Acredito que, com magia, seria ainda mais tranquilo, mas, deixaremos para o verão, pois teremos mais tempo para fazer uma linda cerimônia na Floresta Stone Waterfall.
— Harry, eles estão seguros onde estão e, com certeza, estão em paz. — Remus disse suavemente. — No mundo mágico, mexer nos corpos não é algo tão comum ou aceitável, na verdade, é considerado um desrespeito e má sorte.
— Isso é bobagem supersticiosa. — Harry disse e olhou para a Sra. Brown com uma careta porque ela falava muito alto, como sempre. — Meus pais tiveram suas vontades desrespeitadas o suficiente e sei que eles gostariam de manter a tradição de serem cremados e protegidos em nossa cripta. Além disso, está disposto a garantir que, quando a guerra recomeçar abertamente, Voldemort não os transformarão em inferis? Apenas pelo prazer de nos magoar e humilhar? Ou algo pior?
Remus e Sirius empalideceram ainda mais, aterrorizados e chocados com o pensamento.
— Ok. Talvez seja o melhor mesmo. — Disse Remus e Sirius acenou meio engasgado.
A pequena recepção, Harry entendeu depois, era uma maneira dos Boots homenagear a Sra. Honora, com a presença de diversas famílias do mundo mágico que compareceram para mostrar os seus respeitos e condolências. Tradicionalmente, se a recepção estivesse vazia, seria considerado que o morto não era alguém respeitado ou querido. No entanto, esse momento, apesar de importante, era curto e singelo, com apenas algumas horas de confraternização respeitosa. Às 11 horas, o caixão foi retirado do prédio que ficava praticamente dentro do cemitério mágico de Londres e todos caminharam lentamente por um caminho nevado e bonito.
Quando chegaram ao mausoléu dos Boots, Harry sentiu que nem ele estava preparado para esse momento imensuravelmente triste. O Sr. Boot, com a voz embargada pela emoção e dor, disse algumas palavras doces e falou do amor de sua vida, os aconselhando a viverem intensamente o sentimento quando o encontrasse, pois nada valia mais a pena na vida.
— Não desperdicem tempo e não hesitem em dar tudo de si ao verdadeiro amor de suas vidas. Assim, quando o dia de hoje chegar, vocês sentirão apenas tristeza e não arrependimentos. — Ele encerrou em um sussurro entrecortado.
Adam não deixou o colo da mãe e Ayana se agarrou a Harry e Terry, Sr. Boot foi amparado por Falc e Sirius. E, foi assim que, lentamente, o caixão foi colocado na última morada de Honora Boot.
Depois disso, todos deixaram o cemitério e a sensação de entorpecimento estranho e irreal tomou conta da família. Eles se despediram dos amigos e conhecidos, apenas a família e amigos mais próximos voltariam para o Chalé Boot, onde um buffet os esperavam para o almoço em uma continuação da cerimônia fúnebre. Mais uma vez, Harry se sentiu perdido com essa estranha tradição, até que o Sr. Falc tintilou o seu copo de vinho élfico e falou:
— Família e amigos queridos, hoje vivemos mais um dia difícil de dor e tristeza, mas, amanhã recomeçamos, honrando a vida e amor de minha mãe. Quero propor um brinde, a mãe mais doce e amorosa que qualquer um poderia ter! — Erguendo a taça gritou. — A Honora Boot!
— A Honora! — Todos os outros ergueram sua bebida e gritaram, depois beberam em sua homenagem.
— Quero propor um brinde. — Sra. Madaki se adiantou. — A melhor amiga que o destino me proporcionou e que trouxe muita alegria a vida de todos nós. A Honora! — Ela gritou erguendo a taça, todos a acompanharam e beberam.
E, assim, todos prosseguiram com seus brindes e homenagens, ninguém da família ou amigos próximos deixaram de dizer algo bonito sobre a Sra. Honora. Os adultos beberam vinho em seu nome, celebraram sua vida e, em pouco tempo, Harry viu todos rindo ou sorrindo com as histórias contadas e excesso de vinho. Ele bebeu apenas meia taça de vinho élfico e, depois, brindou com suco como as outras crianças. O clima era estranho, agridoce, doía, mas era bom e necessário para todos.
— Soube que você passou por outra situação de quase morte a alguns dias. — Uma voz disse ao seu lado e Harry olhou de soslaio para Trissie.
— Pois é, tia Trissie, acho que teremos todos que nos acostumarmos com isso. — Disse Harry um pouco displicente.
— Tem coisas que você deixou de me contar em nossa última conversa, Harry e gostaria de entender porque, para superarmos isso. Se vamos tentar fazer esse negócio de família e sociedade dar certo, precisamos confiar uns nos outros. — Disse ela firmemente e Harry imaginou que sua avó deveria parecer assim quando estivesse decepcionada com ele.
— Espere... a senhora disse sociedade? — Harry arregalou os olhos ao vê-la acenar.
— Rodrigo está muito interessado na sociedade e sabe o quanto me deixaria feliz viver em Hallanon, unir as fazendas que nunca deveriam ter sido separadas. — Disse ela olhando para as pessoas na recepção e não para o Harry. — Mas, não vejo como podemos seguir nesta direção com tantos segredos importantes da sua parte, Harry.
— Não é uma questão de confiança, tia Trissie. — Harry olhou na direção de sua outra tia, Petúnia e de Serafina, que era como uma madrinha, depois abrangeu o resto da família e pensou na tristeza que sentiu quando enterraram a Sra. Honora. — A verdade é que me apavora pensar em enterrar mais alguém desta sala, sabe. O curioso, é que sempre quis ter uma família e agora, eu tenho, mas, sinto um grande peso, tia Trissie. Esse peso é um medo terrível de não conseguir protegê-los, assim, tinha esperança de manter vocês distantes disso tudo e, o mais importante, seguros.
— Eu não sei se entendo... — Trissie o encarou confusa. — Porque precisaria nos proteger? Porque saber sobre sua vida não é seguro? E, porque raios, você acha que é sua responsabilidade cuidar da nossa proteção?
— Voldemort ainda está vivo e tentando recuperar o seu poder. — Disse ele calmamente e sem enrolação. Trissie arfou e empalideceu na hora. — Um dia, cedo ou tarde, a guerra recomeçará e ele virá atrás de mim, portanto, todos que eu amo estarão em perigo. Os Boots estão profundamente envolvidos, mas, tinha esperança de manter os Martins distantes da guerra, tia Trissie. Com os gêmeos e o Rodrigo sendo trouxa, vocês seriam alvos e teriam mais dificuldades de se protegerem.
— Mas... Como? — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Pensei que esse pesadelo tinha terminado para sempre... não entendo... Isso quer dizer que você estará em muito perigo quando ele... voltar, e, ainda, o que espera é que me mantenha distante e não o ajude. Eu não sei se você percebe, mas, eu sou o adulto aqui e aquele que deve te proteger, não o contrário.
— Não. Seu trabalho é proteger Dulce e Dominic, estar lá para ser a mãe deles até que cresçam. Eles não precisam ser órfãos também, sabe. — Harry disse com firmeza. — Precisa cuidar de Hallanon porque, quer eu sobreviva ou não a essa nova guerra, terei muito pouco tempo para fazer isso. E, precisa ficar segura, tia Trissie, a senhora e o resto da família, assim, serão pessoas a menos com quem terei que me preocupar.
— Harry... — Ela estendeu a mão e apertou seu ombro. — Não é seu trabalho se preocupar conosco ou... sei lá, acabar com a guerra...
— Sim, é sim. — Harry suspirou cansadamente. — Não gostaria de falar sobre isso com tantos ouvidos a nossa volta, podemos adiar essa conversa para as férias de páscoa, por favor?
— Ok. — Trissie o encarou nos olhos e parecia triste. — Não importa como, se não puder empunhar minha varinha e lutar ao seu lado, ainda quero te ajudar. Entendeu?
Harry acenou e se apertou em seu abraço. Pigarreando os dois se afastaram e tentaram retomar o controle das emoções.
— Seremos sócios, então. — Disse ele casualmente e sorriu levemente.
— Pois é. Acho que não tem volta agora, depois que imaginei como poderia ser, não consigo pensar em mais nada. — Disse ela suavemente. — Sei que esse não é o momento, mas, assim que você sentir que Falc está pronto para trabalhar, podemos começar as negociações do contrato de sociedade.
— Ok. — Harry olhou na direção do Sr. Falc que estava sentando ao lado de seu amigo, Anton Davis, eles pareciam muito tristes e emocionais. — Lamento que a senhora não tenha conhecido a Sra. Honora, teria gostado dela e ouvido histórias muito legais da vovó Euphemia.
— Eu sinto muito também, mas, talvez, você possa me contar essas histórias que ela compartilhou com você. — Disse Trissie e Harry sorriu, acenando e sentindo-se melhor.
— Sim, compartilhar conhecimento. Aprendi com um amigo que isso é muito importante outro dia. — Disse Harry e começou a contar suas histórias preferidas de seus avós.
Quando todos foram embora, Terry, Harry, Neville, Scheyla e o Prof. Bunmi, ajudaram a Sra. Madaki na limpeza, quanto Serafina e Falc colocaram Adam e Ayana na cama. Sirius acompanhou o Sr. Boot de volta para a Abadia e o silêncio no Chalé era algo muito estranho. Esse era aquele momento em que você deveria encerrar o funeral e retomar as coisas do dia a dia. Fazer planos, pensar no dia seguinte e no outro, escola, trabalho e o que mais for parte da vida, no entanto, havia um vazio estranho como um buraco que não tinha como ser preenchido. Harry podia ver como todos os Boots estavam perdidos, era como se olhassem em volta em busca de algo que não estava ali, que nunca mais estaria ali. Era triste e doloroso, assim, eles pouco falaram e foram cedo dormir.
Harry correu sozinho no dia seguinte, decidiu deixar o Terry e Neville descansarem, pois sabia que eles precisavam. A semana foi difícil para todos eles com o ataque, a morte da Sra. Honora e a pressão em que estavam para encontrar a garota que era controlada por Voldemort. Neville estava sentindo muito a falta de Hermione, que era sua melhor amiga, já que passavam seu tempo na Torre Gryffindor e todas as aulas juntos. Terry, além da perda da avó, ainda se sentia muito culpado pelos erros que cometeu na Caverna e estava se exigindo muito nos treinamentos físicos. Hoje, uma folga iria bem, mas, a partir do dia seguinte, tudo ficaria mais intenso, pois Harry podia sentir, o fim do mistério da Câmara Secreta estava próximo.
O domingo foi preguiçoso e silencioso, Harry ajudou a preparar o almoço e Terry passou muito tempo com os irmãos. Durante o almoço, aos poucos, todos começaram a conversar sobre os planos da semana. Foi o Prof. Bunmi quem começou falando sobre suas aulas e como Oxford estava linda nessa época do ano. Serafina contou sobre seus alunos e como estava feliz em voltar de sua licença temporária, ainda que o trabalho da AP só crescia. Scheyla falou dos deveres de casa sem fim e como estava ansiosa pelos treinos de quadribol começarem nesta semana.
— Tia Trissie se decidiu por unir as Hallanons e nos tornarmos sócios. — Compartilhou Harry, mas, decidiu deixar de fora os seus planos de matar uma basilisco de mil anos.
— Verdade? Quer dizer que vamos morar naquela Mansão enorme e linda? — Scheyla perguntou e bombeou os punhos no ar quando Harry confirmou. — Sim!
— Isso é ótimo. — Falc disse ansioso pela ideia de se concentrar no trabalho. — Você quer algo específico no acordo de sociedade?
— Que seja justo para os dois lados e precisamos nos concentrar na fazenda, nos animais, trazê-los para casa da África. Contratar bons funcionários, o tio de Zane me parece uma ótima opção. — Harry disse objetivo. — Não quero que pensemos nas minas agora, isso não é tão importante, mas, seria bom se começássemos a parte de preparação para uma futura reativação da extração. E, precisamos começar a preparação para a construção da oficina de lapidação na fazenda e da loja de pedra preciosas no Beco. A exploração da montanha pode ser colocada na sociedade, mas, com uma porcentagem menor da divisão dos lucros do que é a divisão da fazenda. Quero que essas decisões paralelas sejam feitas com cuidado, respeitando a Diona e o fato de que a família Martín viverá na Mansão Hallanon, além dos animais, claro.
Harry falou tudo de uma vez e, quando parou, todos o encaravam entre divertidos e surpresos.
— Mais alguma coisa? — Perguntou Falc escondendo o sorriso.
— Sim, quero que o projeto do meu chalé na praia seja feito, enviarei minhas ideias para o Ian e o Mac. Quando o pior do inverno passar, quero que ele comece a ser construído, assim, teremos um lugar para ficar quando visitarmos Hallanon no verão. — Harry olhou pensativo para seu garfo. — Quero que os estábulos de companheiros sejam construídos ou ativados, para que os animais fiquem mais confortáveis e seguros. Bem, acho que é isso...
— Fico feliz, porque isso já será trabalho o suficiente. — Disse Falc suavemente. — Isso sem falar no Jardim da Lily, as Feiras e fico feliz que a GER está indo muito bem, praticamente não precisa de mim.
— O senhor trabalha para a GER? — Scheyla perguntou arregalando os olhos. — Quer dizer que sabe quem é o dono misterioso! Eu vi algumas reportagens na Witch Weekly, eles especulavam sobre qual família teria dinheiro para um empreendimento tão grande. Eles dizem que deve ser o bruxo ou bruxa mais ricos do mundo mágico e alguns leitores responderam com sugestões.
Todos se paralisaram e a encararam por alguns segundos, meio chocados com a informação e também com o deslize de Falc em falar sobre a GER tão naturalmente.
— Espere. — Terry disse por um segundo e seu olhos brilharam de diversão. — Eles estão especulando e votando sobre quem é o dono da GER?
— Sim. O mais votado até agora é Roland Ollarghton, o dono dos Ballycastle Bats, pois ele é super rico. — Disse ela animada. — Mas, tem um grupo de pessoas que tem certeza que é uma mulher, sabe, por fazer algo tão legal e com tanto bom gosto, assim, a bruxa mais votada é Luciana Zabini, que é riquíssima e super chique.
Todos voltaram a ficar em silêncio e era claro que seguravam o riso. Sirius estava, literalmente, com uma das mãos sobre a boca para se impedir de gargalhar.
— E, qual o seu voto? — Neville perguntou também se divertindo.
— Para fazer algo tão bonito e chique, com certeza é uma mulher, mas, não sei se é a Sra. Zabini, ela é meio sinistra com tantos maridos mortos. — Disse ela e depois olhou surpresa quando todos explodiram em risos descontrolados. Apenas Harry se manteve sério e corado de puro constrangimento. — Porque eles estão rindo? — Sussurrou Scheyla confusa, para o primo.
— Hum... vai saber. — Disse ele dando de ombros.
Os 4 partiram logo depois do chá e ainda tiveram tempo para algum estudo e mais deveres de casa antes do jantar. Depois que voltaram do Grande Salão, Harry foi encurralado por Trevor para discutirem os treinamentos de quadribol e ele teve que se esforçar para não lhe dizer que não tinha tempo para pensar nisso. No entanto, Harry sabia que não podia parar tudo para se concentrar apenas no mistério da Câmara e se forçou a dedicar o seu tempo a outras coisas.
No dia seguinte, uma semana depois do ataque, Harry e os amigos voltaram para a Caverna, que havia sido reformada. Joe os esperava e outros aurores também se posicionaram para suas proteções. Além de Terry e Neville, todo o time de quadribol estava presente e Harry tomou a palavra.
— Se queremos vencer a Copa de Quadribol, devemos estar em forma, nos dedicar a melhorar nosso condicionamento físico. Neville, Terry e eu, temos nosso próprio circuito, pois treinamos a mais tempo e vocês poderão nos acompanhar um dia se tiverem dedicação. — Disse ele firmemente.
— Se alguém não quiser fazer o treinamento físico, não ficará no time e o professor Flitwick me apoiou sobre isso. — Trevor disse olhando na direção de Melrose, que estava muito irritado.
Mas, ninguém protestou e eles logo foram para perto de Joe, que os auxiliou em seus objetivos individuais. Uma hora depois, o grupo, suado e sem fôlego, assistiram Neville dando voltas e mais voltas em braçadas rápidas na piscina. Terry, com um bastão em frente ao espelho, treinava agilmente acertar um inimigo invisível e Harry, na academia, erguia pesos de acordo com sua idade. Nenhum dos três parou na última hora ou aparentavam cansaço e, enquanto alguns ficaram impressionados, desejando chegar neste ponto, outros não gostaram tanto dessa novidade. Melrose era o mais irritado, por ser obrigado a se exercitar feito um trouxa, mas, ele queria muito estar no time, então, se calou.
— Acho que o plano não deu certo. — Trevor disse ao fim do treino. — Foi uma boa ideia, mas...
— Espere. Hoje é só o primeiro dia e ele ainda nem sentiu as dores dos exercícios. Joe pegou muito mais pesado do que nas aulas de Educação Física e todos sentirão, pode acreditar. E, Melrose foi quem menos se alongou, amanhã, ele estará bem dolorido. — Disse Harry enxugando o suor do rosto com uma toalha.
— Seria bom porque, eu não posso tirá-lo do time sem um motivo, mas, se ele decidir sair por conta própria, poderemos ter um time sem um purista idiota. — Disse Trevor arrumando sua mochila no ombro e deixando o vestiário.
Harry ficou mais tempo, porque queria falar com Joe e saber notícias da Charlie. Terry e Neville tiveram a mesma ideia e, logo, os três estavam em frente ao treinador.
— Sua mão está salva, Graças a Deus. — Disse Joe com um imenso sorrindo de alívio. — Eu decidi trazê-la de volta para Hogwarts, assim, fico mais perto e posso visitá-la várias vezes durante o dia, enquanto continuo trabalhando. Mais uma semana e posso iniciar os exercícios de fisioterapia mesmo que ela esteja petrificada, assim, quando a poção restauradora estiver pronta, Charlie estará com a mão em boa mobilidade.
— Podemos visitá-la? — Terry perguntou suavemente. — Estamos sempre visitando a Hermione, além de Luna e Colin, também.
— Claro que sim. — Seu sorriso aumentou. — Por favor, sei que Charlie ficará feliz. Na verdade, tenho que lhes agradecer por salvarem sua vida, não sei como fizeram, mas... Obrigado.
— Acredite, nós também não conseguimos entender como sobrevivemos e é um alívio enorme saber que ela ficará totalmente recuperada. — Disse Harry rapidamente, não queria que os amigos dissessem que foi ele quem lutou com a basilisco. Se isso continuasse a se espalhar, cedo ou tarde, chegaria aos seus inimigos, ou pior, a imprensa.
As semanas seguintes prosseguiram, um dia de cada vez, mas, Harry mal os viu passarem. As aulas e deveres de casa tomaram muito do seu tempo, mas, pouco ou nada de sua concentração. Seu foco principal era encontrar a menina antes que os aurores e caçadores encontrassem a basilisco, manter a si e seus amigos seguros e treinar muito. Denver lhe enviou uma carta muito legal com sugestões de exercícios para ele, Neville e Terry. Além disso, Meistr estava mais exigente que nunca e, logo no primeiro treinamento, Harry percebeu isso.
— A alguns meses, eu te dei uma missão simples, encontrar a resposta a sua própria pergunta. — Meistr disse, depois que se cumprimentaram. — Porque as estátuas se regeneraram todas as vezes que você as explodiu? Esperava uma resposta mais cedo, Prentis.
— Eu entendi a uma semana, Meistr, quando estive em batalha contra a basilisco. — Harry respondeu e se irritou por ter demorado tanto para chegar a essa compreensão.
— Às vezes, nós entendemos determinados fatos quando os vivenciamos. Qual a resposta? — Meistr perguntou curioso.
— As estátuas voltavam porque em uma batalha o inimigo sempre pode ser despertado por seus companheiros. — Disse Harry suspirando. — Lutando com a Freya, eu percebi que não tem como terminar a luta se o inimigo continua vindo de novo e de novo. Parecia que nunca acabaria e, pensei, era apenas um basilisco, como será quando for 10 ou 20 comensais da morte? Foi quando percebi que tirá-los poderia ser possível, mas, nunca teria fim se eles fossem despertados por seus companheiros.
— Correto. Você tem uma ideia de como resolver isso?
— Além de matá-los? — Harry perguntou dando de ombros.
— Matar deve ser encarado com muita seriedade, Prentis. Não é fácil viver com esse peso e, se em algum momento, matar se tornar fácil, então, é ainda pior, porque nunca haverá um critério e, sem isso, não existem limites. — Meistr disse muito sério.
— Eu entendo, Meistr. — Harry disse sincero, pois não queria se tornar um assassino.
— Você lutou com a basilisco com o máximo de sua capacidade e admite que cometeu erros. — Disse Flitwick suavemente.
— Sim, muitos. Entre eles não confiar em minha equipe, não ser um bom líder e outras coisas mais. — Harry disse cabisbaixo. — Tenho algumas ideias de treinamento entre nós que podem ajudar e queria pedir permissão para usar esse espaço.
— Claro. Agora, vamos nos concentrar em como você vencerá seus inimigos quando eles voltam a vida. Vamos repetir a nossa primeira simulação, quero saber se você evoluiu e se consegue encontrar soluções para esse problema. — Disse Meistr e acenou com a varinha, acionando as 20 estátuas que se moveram elegantemente e se posicionaram em frente ao Harry.
Desta vez, Harry não se esqueceu das espadas, não se moveu loucamente e sim, se posicionou, se defendeu e atacou do meio da arena de duelo. Sua concentração se manteve na defesa enquanto tentava encontrar uma maneira de impedi-los de se regenerar. Foi apenas quando um deles tentou acertá-lo com a espada, que uma ideia lhe ocorreu. Sem hesitar, Harry saltou no ar e lançou um feitiço de explosão na espada que explodiu em pedaços e não voltou a se reconstruir.
Depois disso, Harry se moveu e destruiu sistematicamente as espadas e varinhas das estátuas que se moveram para o lado e pararam de lutar quando isso acontecia. A luta não durou nem 10 minutos e Harry não estava ofegante quando terminou.
— Muito bem. Você encontrou a solução mais óbvia, mas, deve se lembrar que retirar uma varinha de um bruxo é mais difícil, Prentis. — Disse Meistr. — Vamos outra vez. Agora, quero que os atinja com um feitiço primeiro e depois que estiverem caídos, lhes tire suas varinhas e espadas.
Harry acenou, a luta recomeçou e, desta vez, foi muito mais difícil porque as estátuas se defendiam muito bem e atingi-las era mais difícil do que fora atingir as espadas e varinhas inesperadamente. Mas, o mais difícil era conseguir destruir suas varinhas e espadas depois que caiam quando estava cercado por outras estátuas o atacando. Quando finalmente conseguia uma brecha, a estátua caída já tinha sido acordada por uma companheira e Harry se viu em um loop infinito outra vez. Ele não queria utilizar feitiços de explosão porque, na simulação, deveria se imaginar lutando com humanos e não poderia utilizá-los sem matá-los.
Mais de 20 minutos de luta depois e ele tirara apenas 6 das 20 estátuas e estava se cansando rápido, assim, decidiu usar um último recurso. A ideia lhe ocorreu ao lembrar como o ajudara em outras ocasiões.
— Incarcerous Metallum! — Ele disse baixinho e as correntes surgiram.
Harry as enviou na direção de 4 estátuas, as acorrentou juntas e, com um movimento da mão esquerda, utilizou a magia sem varinha para um Expelliarmus simples e viu suas varinhas voarem longe. Ele não se preocupou em pegá-las ou destruí-las e se desviou de um ataque, a estátua chegou tão perto que Harry saltou e chutou sua espada, que disparou para o outro lado da sala. E, a acertou com um estupefaça, antes de rolar pelo chão e se desviar de outro ataque de espada. Inesperadamente, um aguilhão ardente o acertou nas costas e ele olhou a tempo de ver que as estátuas desarmadas pegaram as varinhas caídas e voltaram para a luta. Irritado com seu erro, Harry lançou o feitiço Terremotus, que moveu o chão, desestabilizou as estátuas e lhe deu alguma vantagem. Por fim, ele lançou mais correntes e prendeu algumas estátuas, conseguindo por fim desarmá-las. Sem fôlego, Harry continuou lutando e, em mais alguns minutos, tudo acabou e ele ficou parado um pouco surpreso por não ter mais estátuas.
Meistr se aproximou e olhou para o seu trabalho com uma careta.
— Isso foi uma tremenda bagunça e você morreu 6 vezes, Prentis. Melhor do que as 17 vezes do primeiro embate, mas, ainda, morto é morto. — Flitwick observou ironicamente.
Harry acenou irritado consigo mesmo e muito cansado.
— Você está cansado? — Flitwick lhe deu um copo de água.
— Sim, Meistr. — Harry bebeu tudo, o copo se encheu com mais e ele voltou a beber rapidamente.
— Isso porque esperamos 1 semana desde o ataque. — Flitwick suspirou. — Quando se está cercado ou em uma batalha, Prentis, você deve ser eficiente em suas ações. Não adianta estupefaz um inimigo e o deixar com sua varinha, mas, também, não adianta lhe tirar a varinha e deixá-lo acordado ou as varinhas intactas. Você tem um bom repertório, mas precisa ser mais criativo e efetivo ao utilizá-lo, pois, sua magia é um bem precioso e gastá-la com feitiços poderosos que não dão resultados, é um grande desperdício.
— Eu me dreno e não consigo resultados. — Harry acenou entendendo melhor. — Preciso usar o meu repertório, ser criativo e efetivo.
— Vamos continuar. — Meistr disse e Harry ficou surpreso, pois pensou que o treino acabara. — Lutaremos, sem magia.
Quando, finalmente, Harry foi para o seu quarto, ele se arrastou para a banheira de água quente, tão cansado e dolorido que pensou em dormir ali dentro.
E, nos próximos encontros, Meistr manteve o ritmo duro e intenso, Harry chegou à conclusão de que a intensão era fazê-lo encontrar soluções desesperadamente, apenas para não apanhar mais.
O treinamento com Terry e Neville também se intensificou e a ausência da Hermione apenas os motivou mais.
— Hoje, vamos fazer um exercício. — Harry disse e pegou dois lenços grandes. — Irei vendá-los e vocês seguirão as minhas ordens sem ver, apenas ouvindo enquanto os oriento.
A intenção era clara para os três, que eles aprendessem a confiar em seu líder e seguir ordens. Todos, também entendiam a importância do exercício.
— Um de cada vez?
— Não. Os dois ao mesmo tempo. — Disse Harry firme.
Quando eles estavam bem vendados, Harry espalhou obstáculos pela sala de duelos e, depois, os posicionou em pontos opostos.
— Neville, o objetivo é que você chegue até o Terry, que está cercado e precisa de ajuda. Entendeu? — Harry perguntou e o viu acenar positivamente. — Caminhe para frente... Abaixe-se! — Gritou ao lançar um Estupefaça. — Você está sendo atacado! Terry está cada vez mais cercado, se não se apressar, ele será sequestrado! Mantenha-se abaixo e vá para a esquerda! Ataque a direita! Mais para o alto! Levante-se! Corra para a direita! Salte! — Neville não saltou e tropeçou, caiu no chão e perdeu a varinha. — Sua varinha caiu a sua direita, três metros, mantenha-se abaixado. Não! Não se levante! — Harry enviara um feitiço ardente que o atingiu nas costas.
— Ai! — Neville gritou e se virou sem perceber que mudou de direção.
— Não! Vire-se! Pare, abaixe-se, sua varinha está a um metro. — Harry mantivera Terry parado, mas, decidiu mudar isso. — Sua posição está comprometida, Terry, precisa se mover! Mantenha-se abaixado e ande três metros para a direita. Onde está sua varinha? Escudo! — Terry lançou o escudo e impediu o feitiço do Harry de atingi-lo.
— Peguei! — Gritou Neville ao agarrar a varinha.
— Terry está sendo atacado! Sua posição estava comprometida e ele se moveu para outro ponto, precisa ir para a esquerda, rápido e com cautela! — Neville obedeceu e foi para a esquerda, mas, se moveu muito rápido e ultrapassou o que deveria ser uma parede. — Não! Você está se expondo! Escudo! Escudo! — O grito de Harry o assustou e Neville se atrapalhou, um segundo depois, estava inconsciente. — Neville foi ferido! Você precisa alcançá-lo, Terry. Use sua varinha! Feitiços! Acerte os inimigos!
— Onde!? — Terry estendeu a varinha.
— A sua frente, mantenha-se abaixado e tente acertá-los, caminhe para a esquerda lateralmente e continue a enviar feitiços! Escudo! Feitiços! Não pare! Ande lateralmente para a esquerda! Neville não tem muito tempo, ele está muito ferido! Abaixe-se! Um passo a frente! Não pare os feitiços! Escudo!
Mas Terry se atrapalhou e lançou mais feitiços ao em vez erguer o escudo e caiu inconsciente pelo feitiço do Harry.
— Enervate. Enervate. — Disse Harry acenando a varinha e os dois amigos acordaram. — Os dois morreram.
— Droga. — Disse Terry tirando a venda dos olhos.
— Vocês precisam manter a calma, estão se afobando e não ouvindo com atenção. — Disse Harry seriamente. — Respirem fundo e vamos de novo.
Eles repetiram o exercício com algumas variações e eles não chegaram ao fim outra vez.
— De novo. — Disse Harry depois que os acordou.
— Mais uma vez. — Disse ele meia hora depois ao despertá-los.
— Ok. — Harry pode ver como estavam cansados, mas sabia que precisava exigir mais para perceberem a seriedade da situação. — Vamos treinar alguns dos feitiços dos nossos repertórios, sem repetições. Vocês dois contra mim, podem usar o ambiente, se esquivar ou o que mais pensarem. Vamos lá!
E, assim, o mês de janeiro prosseguiu, com os jogos de quadribol se aproximando a cada dia mais e uma diferente tensão se estabelecendo pela escola. Essa era uma tensão gerada por uma animação contida, pois os alunos queriam se empolgar como sempre com as partidas, provocar os rivais, no entanto, a presença constante dos aurores era uma lembrança viva do perigo em que estavam e nublava um pouco o clima. Mas, quando chegaram as vésperas do primeiro jogo e mais nenhum ataque ocorreu, eles acabaram se soltando. Isso porque, o jogo Gryffindor contra Slytherin, tinha tanta rivalidade que era impossível os alunos não se provocarem e se empolgarem.
O sábado amanheceu frio e ventoso, uma tempestade de neve era esperada no fim do dia, mas, a esperança era que não chegasse antes do fim da partida. Os Aurores mantiveram um esquema de proteção especial, pois temiam que um ataque poderia acontecer na hora do jogo, mas, os alunos e times pouco notaram isso diante da eletricidade e expectativa. Harry chegou à conclusão que todos estavam apenas muito aliviados de não terem preocupações ou montes de deveres de casa por um dia.
Todos os times estavam na disputa da taça, com os Slytherins na liderança, seguido dos Hufflepuff, e os Gryffindors e Ravenclaws estavam empatados em terceiro. No entanto, a diferença na pontuação era mínima e, portanto, esses segundos jogos eram decisivos, pois, os dois times que ganhassem, disputariam o campeonato nos últimos jogos em maio. Harry estava confiante que eles venceriam a Hufflepuff e torcia para que os Gryffs vencessem os Slytherins, assim, a disputa seria entre as duas casas.
O jogo começou às 14 horas e, sentado na arquibancada com Terry e Neville, Harry assistiu as artilheiras Gryffindors usarem a mesma estratégia que eles utilizaram contra os fortes, troncudos e desonestos jogadores Slytherins. Evitar o confronto físico e usar a rapidez e leveza, pois eram muito menores, como uma vantagem. Desde o início, ficou claro que não havia chances de a casa das cobras vencer o jogo e seu próprio capitão percebeu isso. Era possível ouvi-lo gritar, meio desesperado, para o Malfoy pegar o maldito pomo antes que tomassem uma grande goleada.
— Nossa. — Disse Harry olhando as artilheiras. — Elas são incríveis, se chegássemos a esse nível de entrosamento e qualidade, nada nos pararia.
— Sim, o problema é que não temos um apanhador. — Resmungou Neville olhando para o garoto do 4º que tomara o lugar de McLaggen, pois o idiota tentara desautorizar o Wood durante os treinos. — McLaggen, mesmo estando no terceiro ano, era melhor que esse garoto, Phillips, mas, ouvi os gêmeos dizerem que Oliver ameaçou afogá-lo no Lago Negro se continuassem com ele.
— Uma pena. — Terry observou. — Conhecemos o irmão dele no ano passado, lembra? O cara era super legal, mas, o irmão é um arrogante esnobe.
— O mesmo acontece com a Lavander, ela é legal, apesar dos risos e fofocas, mas, o irmão dela, que está no sétimo ano, se acha o senhor do mundo. — Disse Neville. — Soube que ele passou a mão nas pernas da Alice outro dia e ela o enfeitiçou nas bolas.
— Ui! — Exclamaram Terry e Harry, que depois riram, pois acharam merecido.
— Sim. E, depois, Wood lhe deu um soco no estômago, ele tem uma queda pela Alice, mas, tenta disfarçar, apenas, não é muito bom nisso. — Contou Neville divertido.
— E, para quem não gosta de fofocas, vocês parecem que adoram fofocar. — Disse Mandy ironicamente.
Isso fez as meninas rirem, Morag e Padma, mais Lisa, que não estava muito com Michael e Anthony ultimamente.
— Lisa, porque não tem andado com Michael e Anthony nas últimas semanas? — Harry perguntou curioso e viu Angelina marcar outro gol.
— Ah... — Ela pareceu chateada e esperou o barulho da torcida morrer, antes de falar. — Eles ainda são meus amigos, apenas... Bem, você sabe como o Michael não pode nos convidar para festas formais em sua casa, por causa dos clientes do seu pai e tal? — Os três meninos acenaram concordando e perceberam que Mandy, Padma e Morag já sabiam o que acontecera. — O fato é que Michael insistiu em nos convidar, durante as férias de inverno, para passarmos um dia na casa deles, sabe, só com a família, sem outros convidados e eu pensei que seria muito legal conhecer mais uma casa mágica.
— Não foi legal? — Terry perguntou preocupado.
— Sim, quer dizer, eu me diverti muito e, mesmo que só por um dia, achei que foi legal do Michael insistir com seus pais, para que sejamos bem-vindos em sua casa. Michael queria muito que entendêssemos que ele não é seus pais ou pensa igual a eles. — Lisa parecia meio constrangida e, talvez, magoada. — Apenas, bem, ele vive em uma mansão e Anthony nem piscou, porque vive em uma ainda maior, foi o que ele disse. Tudo era tão formal e estranho, até para tomar o chá, havia uma cerimônia e me senti muito fora de lugar. Quer dizer, eu vivia em um dos bairros mais pobres de uma cidade pequena, minha mãe trabalhava em dois empregos para eu poder vir para Hogwarts e vivíamos em um apartamento minúsculo de 1 quarto só, que dividíamos. Agora, com a indenização e a diminuição da mensalidade da escola, estamos melhor, vivemos em uma casinha bem bonita e minha mãe está estudando a noite... eu... quer dizer, estamos bem, sabe. — Lisa parecia meio constrangida e um pouco triste, talvez.
— Sim. — Terry disse suavemente. — Ficamos contentes que apesar de toda a tragédia e tristeza, vocês estejam bem agora, Lisa. E, mesmo antes, sua mãe parecia estar fazendo um trabalho maravilhoso em cuidar de você.
— Minha mãe é maravilhosa. E, eu estava tão tensa quando cheguei aqui em nosso primeiro ano, não sei se perceberam...
— Não, imagine. — Disse Mandy ironicamente.
— Só faltou você nos degolar em nossos sonos. —Acrescentou Padma divertidamente e todos riram, inclusive Lisa, que corou também.
— Pois é. Havia tanta pressão, mas, estou fugindo da questão. O fato é que os pais de Michael perceberam que eu venho de uma condição financeira bem diferente e não me trataram tão bem como ao Anthony, mas, eu decidi que não tinha importância. — Lisa se interrompeu quando a torcida vermelha gritou. — Bem, no jantar, eu acabei comentando sobre como tínhamos comprado uma casa bem legal e que mamãe voltou a estudar. Uma coisa levou a outra e eu contei que meu pai foi um dos lobisomens assassinados pelo Ministério.
— Imagino que eles não gostaram. — Disse Harry com uma careta.
— Eles foram muito elegantes e tentaram disfarçar, mas, ficou bem claro para mim que estavam chocados e contrariados. Depois, antes de irmos embora, eu ouvi o Michael brigando com eles sobre isso, dizendo que eles estavam sendo preconceituosos e que não deixaria de ser meu amigo. — Lisa suspirou e puxou uma mexa do cabelo loiro atrás da orelha. — Não sei o que pensar, gosto de Michael e ele é um bom amigo, mas, não sei se vale a pena continuar nossa amizade nessas circunstâncias.
— Sabe. — Harry começou, mas parou quando viu outro gol de Katie Bell. — Meu pai e padrinho se tornaram amigos no Expresso, na primeira viagem para a escola. Um Black e um Potter, uma família purista ao extremo e, a outra, completamente defensora dos nascidos trouxas ou os seres mágicos oprimidos. No entanto, eles se tornaram os melhores amigos, se amavam como irmãos e, quando os pais de Sirius tentaram obrigá-lo a se tornar um comensal da morte, ele fugiu e meus avós o acolheram. Ele teve com meus avós e pais, uma família de verdade, amor incondicional e a maior das amizades. E, apesar de tudo, somos uma família hoje, sei que ele nunca se arrependeu e, sei que Sirius é Sirius, não seus pais. — Harry a encarou e viu seus olhos brilhando de lágrimas. — Você não deve deixar que esses puristas esnobes te controlem e te impeçam de viver uma grande amizade. Se lhes der esse poder sobre sua vida e escolhas, eles vencem.
— Harry está certo. — Disse Padma apertando seu ombro com carinho. — Eu sou puro sangue, mas sou inferior por ser indiana ou mulher, mas, não deixarei que ninguém pise em mim ou me limite.
— Vocês não acham... quer dizer... — Outra ovação da torcida, Lisa aproveitou para respirar fundo e se acalmar. — Ouvi a mãe do Michael lhe dizer que... nunca poderei me casar ou ter filhos, porque sou meia lobisomem e, que ser meu amigo, poderia lhe prejudicar, sabe, impedi-lo de conseguir um bom partido ou clientes.
Todos exclamaram de raiva, Padma e Morag a apertaram ainda mais forte.
— Lisa, durante séculos disseram que os lobisomens não poderiam procriar porque nasceriam feras ou outro absurdo. Você, Dean e os outros alunos, são a evidência de que tudo não passa de preconceito e ignorância. — Terry disse suavemente. — A Lycantropia é uma doença, obviamente não é transmitida pelos genes e não há motivos para temer que será diferente com seus filhos.
— Além disso, as pessoas com quem você ou o Michael se casarão, serão as melhores das pessoas e não se importarão com algo assim. — Disse Mandy com firmeza e Lisa fungou acenando.
— Obrigada, por me apoiarem e dizerem essas coisas. — Disse ela emocionada e olhando para onde Michael e Anthony estavam sentados, continuou. — Acho que vou lá me sentar com eles e... ver como estão.
Era óbvio que Lisa sentia falta de seus melhores amigos e Harry entendia bem, pois Terry, Neville e ele, sentiam muito a ausência da Hermione.
Pouco depois, Malfoy, finalmente, pegou o pomo, mas, seu time ainda perdeu de 470 a 210 pontos, o que praticamente os eliminavam da disputa para a Taça. A comemoração de três quartos de Hogwarts foi intensa, pois todos eles estavam muito contentes que o time que mais jogava sujo havia perdido. Além disso, logo se espalhou pela escola que isso era um bom presságio, um sinal de que o herdeiro de Slytherin e sua basilisco logo seriam pegos pelos aurores e tudo ficaria bem.
Harry não tinha tanta esperança e, apesar de sentir que o fim estava próximo, não tinha tanta certeza de que tudo estaria bem. Na semana que antecedeu ao seu jogo, foi mais difícil do que nunca, tentar ser só mais um aluno e vivenciar a expectativa e animação do seu time ou da Casa Ravenclaw com a partida. O dia do jogo era chuvoso e escuro, com trovões e ventos cortantes.
— Bem, hoje é um grande dia e... — Trevor começou, mas, foi interrompido pelo trovão ensurdecedor que soou. — Precisamos vencer e com o maior número de pontos possíveis, pois nosso próximo jogo será contra os Gryffis, assim, se estivemos muito atrás em pontuação, será mais difícil alcançá-los. Certo? — Todos acenaram mesmo quando a chuva parecia ficar cada vez pior. — Harry, tente nos ajudar, seguiremos nossa estratégia, mas, a prioridade é não permitir que o Diggory pegue o pomo primeiro. Lembre-se que ele é muito melhor do que os apanhadores dos outros times.
Harry acenou e subiu para os céus decidido a dar a vitória para a sua equipe, o que, depois de alguns minutos, começou a parecer impossível. Apesar dos feitiços de aquecimento e visibilidade em seus óculos, a visão do campo era mínima. O vento desfez o calor em poucos minutos e ele se sentiu rapidamente congelando em sua vassoura. Trevor e, depois Finley, o capitão do time da Hufflepuff, pediram tempo para poderem se secarem e renovarem os feitiços. As arquibancadas estavam lotadas de feitiços guarda-chuvas e os jogadores estavam ansiosos por acabarem logo esse jogo infernalmente frio.
Harry olhou para os professores abrigados em seu camarote, secos, quentes e sentiu sua irritação crescer. Voando até a frente deles, exclamou:
— Será que vocês poderiam, por um segundo, refletirem sobre o fato de que isso aqui não é nada divertido e quadribol deveria ser sobre diversão? — Os rostos deles ficaram espantados. — Sem contar que é perigoso, sabe.
— Me parece que você está apenas tentando fugir do jogo de novo, Sr. Potter. — Disse McGonagall com um sorriso divertido. — Se quiser desistir, ficarei feliz em levar a taça para o meu escritório.
Harry engoliu a vontade de dar uma resposta malcriada e voltou ao jogo decidido a acabar com esse inferno. Seu time estava vencendo de 90 a 30 pontos e ele sabia que seu capitão queria mais pontuação, mas, Harry estava cansado e enregelado demais para se preocupar com isso, assim, por mais 10 minutos, concentrou suas atenções apenas em encontrar e capturar o pomo. Felizmente, ele o viu, voando perto das balizes da Hufflepuff e, usando como desculpa ajudar sua equipe a fazer um gol, Harry se aproximou do pomo. Cedric acreditou nele e não o seguiu, assim, quando Harry embicou velozmente na direção do pomo dourado, o apanhador mais velho estava muito longe para tentar alguma coisa.
Aliviado, Harry ergueu o pomo e foi abraçado por seus companheiros. Eles não comemoraram muito em campo, rapidamente, entraram no vestiário para se trocarem e aquecerem.
— Desculpa, Trevor, sei que não é uma grande pontuação. — Disse Harry depois que estavam secos.
— Tudo bem. Ganhamos de 270 a 50, não foi o suficiente para ultrapassar os Gryffs, mas, deixamos os Slys para traz e assumimos a vice-liderança. — Disse Trevor suavemente. — O que precisaremos é vencer nosso jogo em maio contra os Gryffindors por uma pontuação que supere a soma dos pontos deles. O bom é que Hufflepuff e Slytherins não tem mais quase nenhuma chance, assim, seu jogo será apenas para decidir o terceiro e quarto lugares.
— Bem, estou feliz que acabou por hoje, achei que viraria um picolé lá em cima. — Disse Harry e parte do time riu, os outros riram só depois que foram explicados o que era um picolé.
O time voltou para a Sala Comunal e comemorou com o resto da casa, mas, Harry foi dormir assim que pode, pois estava completamente exausto.
Fevereiro chegou com mais frio e tanta neve, que todos ficaram felizes com as mudanças feitas em Hogwarts nos últimos meses pelos novos zeladores. O Sr. e Sra. T mantinham toda a escola limpa, iluminada e, mais importante, aquecida. A lareiras estavam sempre acesas no Salão principal e na nova ala da Biblioteca, nos corredores, tinham feitiços que os mantinham quentinhos, bem diferente do gelo de antes. Ainda assim, muitos alunos estavam ficando resfriados e, depois do jogo que tiveram, Scheyla, Roger e Trevor acabaram entre os doentes. Harry ficou mais do que feliz por estar saudável e ter mais tempo livre para treinar duelo e não quadribol.
Enquanto fevereiro avançava, Harry percebeu duas coisas que vinham o incomodando muito nas últimas semanas. Primeiro, a falta de um novo ataque ou qualquer outra pista, ele nem ao menos ouvira Freya por nenhuma parte do castelo e isso o fazia pensar em mil possibilidades diferentes. Talvez, depois da garota ter começado a despertar da última vez, Voldemort estava mais cauteloso? Será que a garota percebeu algo e parou de usar o tal objeto amaldiçoado? Será que Voldemort ainda continuava a controlá-la, mas, agora estava esperando que todos abaixassem a guarda ou os aurores fossem embora, para tentar um novo ataque?
Harry, praticamente não deixava a Torre por nenhuma razão sem a capa, a não ser para a aulas e academia. Era possível que essa falta de acesso a ele e a presença dos aurores, fosse o motivo para a inação de Voldemort, mas, era muito difícil não saber o que estava acontecendo.
— Podemos não saber o que está acontecendo, mas, enquanto nada muda, temos tempo para treinar, Harry. — Disse Terry inteligentemente. — Uma pena que a Hermione não esteja treinando também, ela ficará surpresa com o quanto evoluímos.
— Você quer dizer que ela ficará chateada, não é? — Neville observou divertido. — Quando perceber o quanto estamos aprendendo e que ela ficou para traz.
Harry acenou, sabendo que era verdade, mas...
— Ela usará isso como motivação e nos alcançará em um instante. — Disse Harry pensativo, ainda não lhes contara que Denver estava tentando conseguir a poção restauradora. A verdade é que não queria correr o risco de isso se espalhar de alguma maneira pela escola, pois colocaria os petrificados em grande perigo. — Lá vem o Lockhart outra vez, juro, isso está me estressando. Vamos subir, prefiro estudar na Torre.
Seus amigos concordaram e eles deixaram a biblioteca quente e silenciosa contrariados.
Essa era a outra coisa que vinha irritando o Harry, não conseguia entender porque Lockhart estava por toda a parte, não importava a direção em que olhava. No início, Harry pensou que o idiota estava querendo insistir naquelas ideias absurdas, sobre lhe ensinar a ser uma celebridade, mas, o homem não se aproximou diretamente ou tentou conversar. Lockhart apenas pairava por perto deles e, como não os estavam seguindo abertamente, Harry não podia confrontá-lo, mas, tinha quase certeza que o professor idiota o estava vigiando.
— Você tem certeza que ele não está sendo possuído por Voldemort ou controlado por Imperius para te vigiar? — Neville perguntou tenso.
— Eu conversei com Flitwick, que está de olho em Lockhart e ele garantiu que o idiota não está imperioso. — Harry respondeu tentando controlar a irritação. — Pior é essa história de que ele está organizando algum evento no dia de São Valentin. Eu, sinceramente, estou pensando em fingir estar doente e me trancar em meu quarto.
— Não é uma má ideia. — Disse Terry rindo.
No fim, Harry decidiu ir para a aula, era uma sexta-feira 13, véspera do dia dos namorados. O dia seguinte, sábado, os alunos do terceiro ano e acima, estariam visitando Hogsmeade, assim, Lockhart decidiu fazer o seu evento especial na sexta. Naquela manhã, Harry estava atrasado, porque ficara boa parte da noite lendo e treinando novos feitiços em sua parede. Precisava aumentar o seu repertório e tinha tido muito pouco tempo para estudar o livro Vol. 4 do Mason. Perder hora era algo incomum para ele e, quando estava arrumando a mochila com seu uniforme, antes de descer para a Caverna, derrubou um livro pequeno de capa preta. Franzindo o cenho, Harry o pegou na mão e, instantaneamente, se lembrou o que era. O diário que encontrou no banheiro no dia do ataque! Como pôde se esquecer? Todo esse tempo, esse aluno ou aluna, Riddle devia estar chateado e pensando que perdera seu diário pessoal para sempre. E, como ele deixou sua mochila e foi parar em seu baú com suas roupas?
Pensativo, Harry tentou se lembrar daqueles dias, primeiro o ataque, depois, o choque que foi a notícia da morte da Sra. Honora. Isso sem falar em toda a tensão, a ausência da Hermione e a cirurgia de Charlie. Lembrou-se de ir para Floresta e ter esvaziado sua cochila sem muitos cuidados, depois, acrescentara algumas coisas pensando que acamparia na Floresta, mas, no fim, dormira na cabana de Firenze. Suspirando, Harry apressadamente colocou o diário de volta na mochila decidido a devolver ao seu dono.
Mais tarde, depois do treino, perguntou ao Neville se conhecia algum Riddle da sua casa e explicou sobre o diário.
— Riddle? — Neville acenou negativamente. — Não posso garantir conhecer todo mundo, principalmente os alunos mais velhos, mas, acho que não tem um Riddle na Gryffindor.
— Bem, talvez ele seja Hufflepuff ou Slytherin... Quer saber, vou perguntar ao Flitwick, ele saberá com certeza e não preciso sair por aí perguntando para todo mundo. — Disse Harry decidido e, então, eles entrarão no Grande Salão. — Merlin de Deus!
— Jesus! — Disse Terry de boca aberta.
— Acho que vou vomitar. — Sussurrou Neville chocado e meio esverdeado.
Harry pensou, por um momento, que tivesse entrado na porta errada. As paredes estavam cobertas com grandes flores rosa berrante. E, pior ainda, de um teto azul-celeste caía confete em feitio de coração. Harry dirigiu-se à mesa da Ravenclaw, onde todos os seus colegas, mesmo as meninas, encaravam as decorações com cara de nojo.
— Que é que Lockhart está aprontando? — Perguntou Harry a Michael e Anthony que pareciam que também ficariam doentes.
Lisa apontou para a mesa dos professores, enquanto tentava segurar a vontade de rir.
Lockhart, usando vestes rosa berrante, para combinar com a decoração, gesticulava pedindo silêncio. Os professores, de cada lado dele, estavam impassíveis. De onde se sentara, Harry podia ver um músculo tremendo na bochecha da Prof.ª a McGonagall. Flitwick parecia querer se esconder embaixo da mesa.
— Feliz Dia dos Namorados! — Exclamou Lockhart. — E, será que posso agradecer às quarenta e seis pessoas que me mandaram cartões até o momento? Eu percebi como a escola tem andado muito tensa e sombria, decidi que precisávamos animar um pouco o clima e que melhor maneira do que com muito amor! Assim, tomei a liberdade de fazer esta surpresinha para vocês, e ela não acaba aqui!
Lockhart bateu palmas e, pela porta que abria para o saguão de entrada, entraram onze anões de cara amarrada. Mas não eram uns anões quaisquer. Lockhart mandara-os usar asas douradas e trazer harpas.
— Os meus cupidos, entregadores de cartões! – Sorriu Lockhart. — Eles vão circular pela escola durante o dia de hoje entregando os cartões dos namorados. E a brincadeira não termina aí! Tenho certeza de que os meus colegas vão querer entrar no espírito festivo da data! Por que não pedir ao Prof. Slughorn para lhes ensinar a preparar uma Poção do Amor! E, por falar nisso, o Prof. Flitwick conhece mais Feitiços de Fascinação do que qualquer outro mago que eu conheça, o danadinho!
O Prof. Flitwick escondeu o rosto nas mãos. Slughorn sorriu e acenou animadamente, Harry percebeu que muitas meninas sorriam animadas e coradas.
— Merlin, espero não receber esses cartões estúpidos. — Disse Harry meio desesperado, decidindo ignorar os olhares e sorrisos divertidos dos amigos.
O dia inteiro, os anões não pararam de invadir as salas de aula e entregar cartões, para irritação dos professores e, no fim daquela tarde, quando os alunos subiam as escadarias depois do almoço, para as próximas aulas, um dos anões alcançou Harry.
— Oi, você! "Arry" Potter! — Gritou um anão particularmente mal-encarado, que abria caminho às cotoveladas para chegar até Harry.
Infeliz por não ter seu desejo atendido, Harry decidiu parar e receber o cartão de uma vez, mas, para sua consternação, todos decidiram fazer o mesmo e assistir o que acontecia. Isso criou um transito de alunos e, além da sua turma, os alunos do primeiro ano, mais precisamente, uma corada Ginny Weasley, estava observando tudo com atenção. Finalmente, o anão meteu-se por entre a garotada chutando as canelas de todos e o alcançou.
— Tenho um cartão musical para entregar a "Arry" Potter em pessoa. — Disse, empunhando a harpa de um jeito meio assustador.
— Musical? — Harry arregalou os olhos com a ideia absurda e, de soslaio, viu a surpresa no rosto de Ginny. — Tem certeza que não é só um cartão?
— Tenho. Agora, fique parado! — Grunhiu o anão, agarrando a mochila de Harry para lhe impedir de fugir.
— Ei! — Ele protestou irritado e puxou a mochila de seu aperto, mas, com um som de rasgo, ela se rompeu ao meio. Os livros, os pergaminhos e as penas, roupas e até o diário preto se espalharam pelo chão. — Maldição! — Irritado além do que deveria, Harry se abaixou e acenou a varinha, reparando a mochila e começando a recolher suas coisas.
— Que é que está acontecendo aqui? — Ouviu-se a voz fria e arrastada de Draco Malfoy. — Porque não avançamos?
Os Slytherins também os alcançaram. Perfeito. As coisas não podiam ficar melhores, Harry pensou ironicamente e, com a ajuda de Terry, terminou de recolher suas coisas, colocou sua mochila no ombro e encarou o anão mal-encarado.
— De logo esse cartão estúpido ou me atrasarei para a próxima aula. — Disse Harry e, ao se levantar, viu os olhos arregalados, pele pálida e choque no rosto de Ginny. Droga! Ela deve estar pensando que eu a acho estúpida por enviar o cartão!
— Que confusão é essa? — Perguntou outra voz conhecida. Era Percy Weasley que se aproximava.
— Não tem confusão nenhuma. — Disse Harry mal-humorado. — Eu tenho um cartão para receber e as pessoas pararam porque são um bando de intrometidas!
— Muito bem. — Disse o anão, impedindo Percy de dispersar a turma. — Vamos ao seu cartão cantado:
Gentil menino de olhos verdes profundos
Seu coração bondoso tocou a minha alma
Sempre penso em ti e me sinto mais feliz
Você é minha inspiração e sorriso verdadeiro
Obrigada, por sua doçura e coragem
Harry ouviu muito risos entre os alunos, mas ignorou porque achou o cartão muito bonito, apesar de preferir que não fosse cantado.
— Você tem um cartão para mim? — Perguntou e o anão lhe estendeu um bonito cartão com margaridas e corações azuis. Abrindo-o, Harry encontrou as palavras cantadas em uma letra bonita e simples, sem grandes floreios.
Enquanto relia o cartão, Percy Weasley fazia o possível para dispersar os alunos, alguns ainda rindo ou fazendo comentários bem-humorados. Harry levantou a cabeça em busca de Ginny, tinha certeza que o cartão era dela e seu coração fez uma batida estranhamente acelerada quando a encontrou o encarando com olhos arregalados. Tentando mostrar que gostara do cartão, Harry sorriu suavemente para ela, mas, Ginny não retribuiu, parecendo ainda pálida e estranha.
— Vão andando, vão andando, a sineta tocou há cinco minutos, já para a aula — disse Percy, espantando os alunos mais novos. — Todos para as suas salas ou lhes tirarei 5 pontos.
— Bem, Potter, não vai nos dizer quem é sua namorada? — Debochou Draco enquanto subiam as escadas na mesma direção, afinal, eles tinham a mesma aula. — Ou será que devemos adivinhar? Ei, pobretona! — Ele gritou na direção do corredor por onde os primeiros anos seguiam. — Weasley!? Acho que Potter não gostou muito do seu cartão!
Gina se virou e seu rosto ficou bem vermelho, seus olhos brilharam com lágrimas e Harry se encheu de raiva. Dando um passo à frente, tropeçou Draco que caiu duramente de joelhos no chão com sua alavanca.
— Draco! Não precisa ficar de joelhos para declarar seu amor eterno a mim. — Harry zombou e quando o garoto tentou se levantar, apertou seu ombro com força e o manteve no chão de joelhos. — Essa sua obsessão por mim já está começando a ficar constrangedora e seu ciúme é muito revelador.
Os risos explodiram em volta e Harry olhou na direção de Ginny que tinha os olhos ainda mais arregalados. Sem poder se conter e, sem saber muito bem porque fez isso, Harry sorriu e lhe deu uma piscadela marota, antes de voltar a subir as escadas.
— Isso foi cruel. — Disse Terry entre exasperado e divertido.
— Se soubesse o que tive vontade de fazer com ele, me diria que fui até clemente. — Disse Harry em tom definitivo.
Ginny seguiu para a aula tentando engolir a bile amarga que se instalou em sua garganta. Não podia ir ao banheiro vomitar, não podia chorar ou gritar, precisava manter a calma! Mas, como!? Todas essas semanas tentando encontrar o diário e, agora, sabia com quem estava, de todos que não queria em perigo, Harry era o mais importante! Ele não merecia isso! Depois de tudo o que sofreu desde a morte dos pais, a última coisa que ela queria era que ele fosse machucado por Tom! Pior! E, se os aurores acreditassem que ele era o herdeiro de Slytherin!? Poderiam prendê-lo!
As aulas das tardes passaram como um borrão e Ginny sentiu sua ansiedade, desespero e medo aumentar a cada momento. Precisava pegar de volta o diário e destruí-lo, mas como? Não podia entrar em seu quarto, apenas uma monitora conhecia o encanto de autorização que lhe permitia entrar no quarto de um menino. Além disso, com a Luna petrificada, ela chamaria a atenção ao entrar na Torre Ravenclaw, pois não tinha outros amigos por lá.
Talvez, ela poderia pegar de sua mochila, pensou, se ela voltasse a se romper e o Harry não percebesse... Enquanto sua mente pensava em soluções, Ginny chegou a Sala Comunal sem perceber o caminho.
— Ei, Ginny, soube que enviou um cartão dos namorados para alguém especial hoje! — Disse Fred divertidamente.
Foi só então que Ginny se lembrou do cartão e seu rosto corou na hora. Harry parecera gostar do cartão e colocara Malfoy de joelhos, literalmente, por zombar dela, mas, será que era ele? Lembrou-se que quando se conheceram, ele também lhe dera uma piscadela ao defendê-la de Ron e, decidiu que sim, não tinha porque acreditar que Tom conseguira assumir o controle tão rapidamente. Harry era um bruxo muito forte, afinal.
— Ginny? Está ouvindo? — George perguntou e estalou os dedos perto do seu rosto.
— Sim? — Ela os olhou levemente confusa e torceu as mãos de ansiedade.
— Estávamos nos perguntando se você sabe como seu cartão virou um cartão cantante? — Fred sorriu animado por ter lhes pregado uma peça.
— Foram vocês!? — Ginny entendeu de repente. — Mas, como?
— Nós vimos você entregando o cartão para o anão e lhe demos uns sicles para ele o fazer cantante. — Disse George sorridente. — Sabíamos que era para o Harry e queríamos lhe pregar uma brincadeira.
— Uma pena que não conseguimos assistir, deve ter sido hilário! — Fred exclamou rindo. — Harry ficou muito constrangido? Eu apostei com o George que, com certeza, ele tentou fugir do anão e sua arpa.
— Mas, eu acho que ele apenas ficou vermelho feito uma beterraba. — George disse sorrindo. — Quem ganhou?
Ginny abriu a boca, mas nenhum som saiu enquanto os encarava abismada. Como eles podiam ter achado isso engraçado?
— Isso não teve a menor graça e os dois perderam a aposta. — Disse ela furiosa. — Harry gostou do meu cartão e a única humilhada nessa história sou eu, assim, muito obrigada!
Sem lhes dar a chance de responder, Ginny subiu para o seu quarto e pulou na cama sentindo um misto de raiva, desespero e solidão a envolver. Como queria ter certeza que poderia confiar em alguém? Mas, quem? Os professores a denunciariam, seus irmãos poderiam contar para os seus pais ou para os professores e... Harry, o pensamento lhe ocorreu. Talvez pudesse contar para o Harry e eles destruiriam o diário juntos! Mas, se Tom o estivesse controlando, poderia matá-la antes que ela pudesse salvar o Harry e, então, tudo estaria perdido!
Ela não podia deixar isso acontecer! Era a única que sabia a verdade sobre o diário e tinha que salvá-lo! Decidida, Ginny se levantou da cama e enxugou o rosto. Precisava formar um plano e roubar o diário de volta, não choramingar feito um bebê!
No fim, seu plano não foi tão complicado e a ausência dos aurores facilitou muito. No dia seguinte, apenas os caçadores estavam pela escola, pois os aurores foram chamados para uma missão urgente que ninguém sabia detalhes. Assim, Ginny se aproveitou de seu tamanho pequeno, se vestiu com roupas escuras e se alojou embaixo da escada em espiral que subia para a Torre Ravenclaw. Sua ideia era passar o fim de semana ali e esperar que o Harry surgisse sozinho, então, ela o acertaria com um feitiço e roubaria o diário. Sentada sozinha no nicho escuro, Ginny esperou e desejou, desesperadamente, estar fazendo a coisa certa.
