NA: Olá! Só queria avisar que esse capítulo se tornou um capítulozilla e não quis dividir como fiz nos dois anteriores, assim, tem apenas um revisão e espero que sejam paciente com os erros.
Por favor, REVISEM! Estou muito ansiosa para saber o que vocês acharam de tudo o que aconteceu! Muito aconteceu!
Até mais, Tania

Capítulo 69

A véspera do dia de São Valentin no reformado e muito bonito Beco Diagonal, foi muito especial. Esse era o primeiro feriado depois do Natal e, não qualquer feriado, o dia dos namorados era considerado um dos mais importantes comercialmente e tinha um grande impacto na vida das pessoas. Isso era real no mundo trouxa ou mágico, mas, era a primeira vez que o centro comercial do mundo mágico vivia o feriado de maneira tão intensa e... Bem, muito colorida.

Com muito bom gosto, todas as lojas foram decoradas com motivos de São Valentin. Promoções, produtos especiais, brindes e tudo o mais que era possível atrair os clientes, foi pensado e posto em prática pelos novos lojistas. Os antigos, que não pertenciam a GER, mas que fizeram amizade com os novos colegas muito rapidamente, entraram na onda e, auxiliados pela equipe de decoração da GER, transformaram suas lojas para esse fim de semana especial. Além de trabalharem no sábado até às 18 horas, todo o comércio abriria no domingo até as 14 horas em um dia de ofertas e promoções pós feriado.

Os bruxos e bruxas, que já amavam o novo Beco Diagonal, ficaram ainda mais empolgados e felizes com tantos incríveis, deliciosos ou promocionais novos produtos. Obviamente, os maiores compradores dos produtos trouxas das novas lojas eram mestiços e nascidos trouxas, mas, os puros sangues não puristas, cresciam entre os principais consumidores quanto mais conheciam esses novos produtos. Isso porque eles tinham os salários mais altos na sociedade mágica, assim, mais dinheiro para comprar e, o medo inicial de que as lojas com produtos trouxas ou mais supérfluos demorassem para deslanchar, não se comprovou na realidade. Na verdade, nesses quase dois meses desde a inauguração, todos os novos comércios foram um grande sucesso de vendas.

Jantando em sua mesa no restaurante The True Magic, Lucius Malfoy não precisava dos balancetes financeiros da GER para saber disso tudo. O novo restaurante do novo hotel, The Magic, estava abarrotado de clientes sorridentes e amorosamente felizes. E, Lucius tinha certeza que o próprio The Magic estaria com lotação máxima, o que incluía ele mesmo e sua linda esposa.

— Se pretendia ficar com essa expressão e nem ao menos aproveitar essa deliciosa comida, deveríamos ter ficado em casa, Lucius. — Disse Narcisa Malfoy que usava lindas vestes prateadas, acompanhado de um colar de ouro rosa e safiras que combinava com o seus olhos e tez clara. Como sempre, sua esposa estava de tirar o fôlego, mas o ar de enfado estudado lhe tirava um pouco a beleza do rosto em forma de coração.

— Estamos comendo comida feita por sangue ruins, Cissy. — Lucius disse e, movendo a sua taça de vinho suavemente, fez o líquido rubro girar hipnoticamente na luz suave. — E, essa decoração...

— Achei de muito bom gosto, nada extravagante, rosa ou brilhante demais e a música é tão delicada. Nosso quarto também é adorável e estou ansiosa pelo dia no Spa amanhã, o folheto me prometeu massagens, tratamentos na pele e nos cabelos, além da maquiagem perfeita. — Apesar de falar de coisas positivas, o rosto de Narcisa, ou Cissy, para os íntimos, não mostrou nenhuma emoção, além do tédio. — E, o Baile de São Valentin amanhã será o evento mais comentado por meses. Os convites eram muito disputados e custaram uma fortuna, um lindo presente do meu querido marido para mim. E, estou mais do que disposta a lhe mostrar, quão grata eu sou por essa surpresa, Luc.

Lucius sentiu um toque na parte alta de sua coxa e sentiu seu corpo reagir de interesse, mas, sufocou o desejo e se controlou para não fazer mais uma careta. Sua garçonete recebera algumas mais cedo enquanto os atendia e Narcisa não gostara de como ele não conseguia disfarçar as emoções.

— Toda essa descrição que me fez, Nina, parecia uma trouxa falando... — Lucius se interrompeu quando a mão em sua coxa cravou as unhas dolorosamente e prometeu mais dor ao subir para cima. — Desculpe.

— Foi sua ideia, Lucius, seu presente de São Valentin e estou tentando me divertir com o que me presenteou. — Apesar da raiva, Narcisa ainda mantinha uma expressão impassível quando pegou a deliciosa sobremesa e comeu mais um pedaço. — O jantar, o dia amanhã, o Baile, são coisas que nossa sociedade está participando e acho que é importante que façamos parte, mas eu estou aqui porque você me trouxe. Não ouse me acusar...

— Desculpe, Cissy. — Lucius disse com suavidade e sinceridade. — Estou de mal humor e...

— Tenso. — Narcisa disse e bebeu mais um pouco de vinho. — Conheço-o e sei disso, estou esperando que me diga porque está tão preocupado, minha impressão era que tentaríamos nos divertir neste feriado.

— Não ligo a mínima para o feriado. — Lucius disse bruscamente. — Se tiver terminado, podemos ir para o nosso quarto e poderei lhe contar com mais privacidade.

— Muito bem. — Narcisa terminou a sobremesa com um suspiro satisfeito, a maior emoção que demostrou a noite toda. — Não importa quem preparou a comida, tem mãos de fada, jamais provei algo tão delicioso e o garoto Potter tem muito bom gosto.

— Hupf. — Resmungou Lucius com amargura. — Ainda não acredito que escolheu o Cardápio do Potter. Isso é quase uma blasfêmia, além de uma grande tolice.

— Uma que faz muito sucesso, você ouviu a garçonete. — Narcisa disse enquanto caminhavam pelo restaurante sem precisarem pagar pelo jantar, que seria acrescentada ao valor da conta do hotel quando fizessem o check out. — O Cardápio Preferidos do Potter é o maior sucesso do restaurante, as pessoas vêm de longe para provar e existem reservas até junho, que é quando o Cardápio será substituído.

— Não deixa de ser uma tolice. — Disse Lucius ao atravessarem o Caminho do Cervo para o Saguão do The Magic e, de lá, subiram no elevador até o quarto deles. — Ainda que fico muito feliz por conseguirmos o quarto Slytherin. — Acrescentou ele ao olhar para a linda decoração verde escura.

— Muito bom gosto, claro, mas falta um pouco de... Classe. — Disse ela com seu ar entediado, antes de olhar para Lucius e sua expressão mudou mostrando o que sentia. Irritação, curiosidade, impaciência, até um pouco de desejo.

Lucius sempre se surpreendia com sua incrível habilidade em oclumência e sua capacidade de isolar completamente suas verdadeiras emoções em público. Ele não chegava aos seus pés e, infelizmente, Draco não herdara o talento da mãe.

— Estou esperando, Luc. — Disse ela seca e sem drama.

— Pretendo matar Sirius Black em algumas horas. — Disse ele e esperou sua reação.

Seu rosto mostrou a surpresa, preocupação e se instalou em completa irritação em segundos.

— Esse presente é o seu álibi! — Disse Narcisa, pouco preocupada com a morte de seu primo. — Não acredito! Você me deu esse presente! Terei que passar meu dia amanhã sendo tocada por esses animais imundos e tudo, porque você precisava de um maldito álibi! E, não pensou em me consultar ou ao menos me avisar? Porque?

— Obviamente não podia correr o risco de que me dissesse não. E precisava que, pelo menos você, parecesse feliz e animada com o presente ou minha presença aqui ainda pareceria suspeita. — Lucius disse suavemente, tentando aplacá-la. — Você se mostrou uma ótima hóspede e, se soubesse a verdade, poderia não ter se esforçado tanto.

— Ou, eu poderia ter feito um trabalho ainda melhor se soubesse o que está em jogo. — Disse ela com ironia gélida.

— Terá oportunidade amanhã no Spa em que passará o seu dia. — Disse Lucius e olhou o relógio em seu bolso. — Preciso me trocar e seguir o meu caminho.

— Espere. — Narcisa se tencionou. — Você não me disse o que ou como o fará o que pretende. E, como deixará o hotel sem ser visto?

— Sairei pela janela, desiludido e voando em minha vassoura. — Lucius foi até o baú e pegou uma mochila com tudo o que precisaria, inclusive uma roupa mais propícia. — Por isso a localização e data é tão perfeita, se estivéssemos em casa, poderia ser um dos suspeitos, mas aqui, todos nos viram jantar e subir. Voltarei em poucas horas e, se alguém te perguntar, nunca saí do seu lado.

— Se alguém vier me perguntar alguma coisa, é porque não fez um bom trabalho, Lucius. — Narcisa disse com frieza. — Porque precisa se envolver pessoalmente? Não tem algum capacho para fazer o serviço sujo? Além disso, na hora do Baile amanhã não seria melhor? Aposto que meu primo estará presente.

— Sim, ele estará, já confirmei a informação, mas hoje, Black estará se encontrando com uma figura perigosa para comprar mais alguns prédios na Travessa do Tranco. — Lucius disse mostrando sua irritação. — Soube que ele já começou as reformas nos bordeis e pubs que comprou e que conseguiu contato com fornecedores de todo o Reino Unido, comprando dezenas de boas mercadorias. Ele está investindo pesado e soube que suas ideias são reformar a Travessa como a GER fez com o Beco, mantendo negócios legais na frente e os mais escusos atrás, assim, os aurores e o Ministério não metem o bedelho. Esse é um plano brilhante e não entendo como o idiota do seu primo Gryffindor pensou em algum assim e nós, não.

— Talvez, porque os aurores do Ministério nunca foram um problema antes. — Narcisa disse objetivamente, pois não era do tipo que ficava se lamentando inutilmente. — Então, qual a ideia? Matar Sirius e impedir que continue a comprar os prédios? Por despeito e vingança? Porque, essa ideia brilhante do meu primo, pode ser colocada em prática por você em seus negócios, sem que sua morte seja necessária.

— Nunca a morte de Black seria desnecessária, mas, vingança não é o meu objetivo. — Lucius terminou de se vestir e olhou para o relógio. — Enquanto seu primo estava na prisão, consegui receber mais da metade dos lucros das Fábricas Black, apenas molhando os bolsos do Ministro. Quando Black estiver bem morto, conseguiremos que você herde toda a fortuna Black e, então, como os donos de metade da Travessa, colocaremos essas ideias em prática.

— Lucius... — Narcisa apertou os punhos para controlar o seu temperamento, detestava mulheres que gritavam loucamente. Crescera vendo sua irmã com esse comportamento baixo e se orgulhava de ser uma mulher elegante e concisa, que dizia o que precisava ser dito sem levantar o tom. — Talvez isso fosse uma possibilidade quando Sirius estava preso e se ele tivesse morrido em Azkaban, mas, agora... Meu primo não é nenhum tolo, Lucius, ele já tomou providências para que a fortuna Black fique bem longe das nossas mãos e você sabe disso. Acredita mesmo que poderia contestar o testamento de um Black?

— Você é uma Black também e Draco será o último da linha masculina, Narcisa. — Lucius disse impaciente. — Black deve ter favorecido o afilhado em seu testamento e Potter não é um Black, bem longe disso. Não pediremos toda a fortuna Black, entraremos com um pedido para que você e Draco possam manter a linha da família como os últimos herdeiros de sangue. Eu já consultei um advogado e ele acredita que, com algumas manobras, podemos conseguir pelo menos um terço, quem sabe, metade da fortuna Black e o controle sobre a administração das propriedades, afinal, Potter é menor de idade.

— Mas, você me disse que os Boots são seus tutores e uma briga judicial como essa poderia levar meses, talvez, anos, Lucius. — Narcisa o encarou sem esconder o seu desapontamento. — Ao em vez de vender os prédios na Travessa e parar de perder dinheiro, você pretende entrar em um embate jurídico que consumirá uma fortuna, além de não haver garantias de vitória! E, se vencer, será porque molhou a mão de muitas pessoas no caminho, além de cometer um assassinato.

— Preocupada com seu primo, querida? Que tocante. — Lucius disse mordaz ao pegar sua máscara e a vassoura.

— Não, estou preocupada com a nossa família, Lucius. — Narcisa respondeu com leve emoção. — Você me prometeu, quando o Lord das Trevas morreu, que você se manteria longe disso. — Ela apontou para a máscara de caveira branca. — Me prometeu que sua prioridade seria manter nossa família segura e com o status social que merecemos. Agora, quer jogar tudo isso fora e correr o risco de acabar em Azkaban! As coisas estão mudando, Lucius e, se esconder atrás dessa máscara, não o protegerá mais!

— Sim, mas é exatamente para deter essa mudança que farei esse movimento essa noite, Cissy. — Lucius disse impaciente. — Me recuso a deixar que o nosso mundo se torne um lugar onde esses invasores imundos têm algum poder ou direito. Assim como não permitirei que Black aumente sua fortuna roubando os meus negócios desta maneira rasteira! — Lucius podia ver sua preocupação por ele, assim, suspirou e a abraçou gentilmente. — Escute, você sabe que não sou um tolo insensato, não estou agindo sem planejamento ou tomado pela raiva como Parkinson fez. Os meus contatos no Ministério me informaram que os números de aurores estará baixo esta noite porque eles estão a semanas se dividindo entre Hogwarts, a Travessa e outras missões. Black acredita que está indo ao encontro do representante dos donos dos prédios do fundo da Travessa, mas, na verdade, eles e eu, o estaremos esperando nesta emboscada. Tudo será rápido e simples, eu terei o prazer de matá-lo e estarei de volta para aproveitarmos o São Valentin.

Narcisa se afastou dos seus braços, não queria mostrar que o perdoara tão facilmente. Se quisesse o seu perdão, Lucius teria que se esforçar muito mais, além disso, tinha que pensar neste plano e, com o marido muito perto, seria mais complicado. Não que ela o deixaria saber como a afetava.

— Tem apenas uma coisa que não ficou claro neste seu plano. — Ela perguntou com o cenho franzido. — Você e Avery se uniram a esse grupo para matar Black, mas, qual interesse deles em matar o meu primo? Quanto está lhe custando esse acordo, Lucius?

Lucius titubeou imperceptivelmente, qualquer outra pessoa não perceberia sua insegurança, mas, sua esposa viu e ficou ainda mais preocupada.

— Eles aceitaram 20% dos prédios de Black na Travessa, depois que tudo estiver em nossas mãos. — Lucius disse e ao ver sua expressão ergueu as mãos em sinal de defesa. — Eu sei o que parece...

— Não! Você não sabe ou parece não ter percebido que prometer pagamento a alguém com algo que você não tem em seu poder ou grandes garantias de adquirir, é uma grande tolice! — Narcisa disse zangada e Lucius sabia que para ela mostrar tanta emoção era porque realmente não gostava do seu plano.

— Narcisa, acredito que conseguirei contestar o testamente de Black com sucesso ou não me arriscaria em matá-lo. Além disso, não pretendo honrar meu acordo com essa ralé, quando isso acontecer. — Lucius a viu estreitar os olhos. — Confie em mim, essa é uma grande jogada. No momento a Travessa está dividida entre esse grupo, Black e nós, primeiro, tiramos Black, depois, esmagamos esses tolos que estão se iludindo ao acreditarem que um Malfoy faria negócios com seu tipo. Com a Travessa em nosso poder e o controle da fortuna Black, teremos tanto poder que ninguém ousará nos desafiar e, então, pressionarei o Ministro e a Suprema Corte a nosso favor.

— Pensei, depois do que aconteceu com Kevin e os Carrows, que você e os outros tinham decidido manter um perfil baixo, não atrair atenção negativa para nós ou nossa causa. — Disse Narcisa contrariada.

— Sim, esse é o plano e ainda me enfurece que aqueles tolos, ao atacarem o Beco, nos atrasaram em meses, talvez anos, em nossos objetivos de reunirmos as famílias puras para assumir o poder sobre o mundo mágico. — Lucius caminhou até a janela que tinha vista para o Beco Diagonal e não a Londres trouxa, algo que exigira ao solicitar o quarto. — Politicamente estamos em grande desvantagem no momento, mas, dinheiro compra qualquer coisa, principalmente políticos. Assim que dominarmos a Travessa e a fortuna Black, seremos a família mais poderosa do mundo mágico, Narcisa. Assim, enquanto sou obrigado a não agir na esfera política, pelo menos, não agressivamente, tirarei alguns inimigos do meu caminho e enriquecerei ainda mais. Isso é o que um Malfoy faz e é assim desde que o primeiro de nós existimos, Narcisa. Assim nós enriquecemos e, lhe garanto, não falharei em meus planos.

— Muito bem. Desejo-lhe sorte, já que pelo visto não precisa de meus conselhos. — Disse ela com frieza e lhe virou as costas.

Lucius hesitou, mas percebeu que teria que rastejar muito para conseguir o seu perdão e não tinha tempo para isso agora. Assim, se desiludindo e a vassoura, ele saltou pela janela sem dizer mais nada.

Enquanto Lucius Malfoy tentava convencer sua esposa do brilhantismo do seu plano, o grupo que era dono dos prédios do fundo da Travessa do Tranco, conhecido como Chiqueiro, se reunia para definirem os últimos detalhes do seu próprio plano.

— Tem certeza que essa é a melhor opção, Greyback? — Carl Teagan perguntou enquanto olhava pela janela para a Travessa escura e decrépita.

— Esse é o melhor plano ou deixaremos que Malfoy nos faça de idiotas? Como se fossemos os seus cães obedientes? — Greyback respondeu e olhou em volta para seus associados.

Todos os 4 na sala eram lobisomens e, com exceção de Greyback, cada um tinha sua própria gangue ou matilha. Fenrir Greyback que era muito sádico e mal para receber a lealdade de uma matilha. Como um sociopata, antes mesmo de ser um lobisomem, ele usou de sua inteligência e habilidades mágicas para satisfazer os seus desejos, fosse dinheiro, bebida, mulher ou, a deliciosa sensação de matar alguém. Os trouxas foram aterrorizados pelos seus assassinatos e os bruxos nunca se interessaram por um serial killer no mundo trouxa ou se preocuparam em identificar se as mortes eram cometidas por um bruxo.

Ser um lobisomem combinou com sua natureza predadora, com sua maldade e desejo por infligir dor as suas vítimas. Mas, ele detestou não ser mais aceito na sociedade mágica e escolheu transmitir a Lycantropia a outros bruxos em vingança e pelo puro prazer de quão poderoso ele se sentia. Greyback adorava ser temido, mas detestava ser desprezado, discriminado e viver a margem da sociedade. Quando Voldemort estava assumindo o poder, Greyback o apoio, pois acreditou em sua promessa de uma sociedade onde os lobisomens estariam livres de perseguições e, o mais importante, onde um predador como ele poderia matar trouxas livremente. No entanto, tudo se perdeu naquele Halloween a mais de 10 anos e, mais uma vez, ele e os outros lobisomens ficaram sem nada, perseguidos pelo Ministério, que os assassinou como animais, desprezados pelos seguidores puros sangues do Lord das Trevas, que fingiram que nunca tinham estado em suas presenças.

Isso o enfureceu, mas Greyback decidiu usar sua inteligência e, se aproveitando do caos que estava o Ministério, colocou um novo plano em prática. Isso exigiu que Greyback se unisse a esses três líderes de matilhas, pois ele precisava de varinhas para realizar o seu golpe. Teagan e seu pequeno grupo viviam de roubos e armações nas ruas de Londres, pois eram bruxos nascidos trouxas e, na lua cheia, se trancavam em uma área isolada no subsolo do metro para não ferirem ninguém.

Esse fato por si, já causava em Greyback um profundo desprezo pelos T-London, que era o nome que a gangue escolheu para si mesma. Mas, o fato de que eles tinham pouco estômago para a parte mais cruel do trabalho, era o principal empecilho nessa sociedade e Greyback tinha que se controlar para não matar todos eles. Isso era outro fator que o impedia de ser o líder de uma matilha, sua crueldade e sadismo o faria matar qualquer um que o irritasse e dane-se as consequências.

— Greyback está certo. Este é o nosso ponto e ninguém vai nos tirar daqui, podemos manter o perfil baixo até os aurores deixarem de vez a Travessa. — Riles Gunfyer falou com voz grossa e dura. — Nas últimas semanas, eles já diminuíram os seus números e, é uma questão de tempo até os negócios voltarem ao que eram antes.

— Malfoy me informou que eles estão com alguns problemas em Hogwarts, assim, estão dividindo os aurores e tudo o que precisamos é manter posição. — Greyback se moveu mais perto da luz mostrando sua feição meio bestial e olhos sádicos. — E, com esse plano, conseguiremos mais território, damos uma lição em Malfoy por sua arrogância e nos livramos de um concorrente direto.

— Eu gosto disso, Greyback. — Todd Egan disse, se sentando elegantemente e se servindo de vinho. — Meus homens estão ansiosos por mais dinheiro, paralisar os negócios não é bom para a boa vida.

Greyback fez uma careta para o almofadinha pomposo que adorava a vida boêmia e confortável. De família rica, Egan sofreu para se adaptar a viver na floresta com um bando de lobisomens, mas o plano de Greyback lhe proporcionou o dinheiro que precisava para algumas comodidades e prazeres de sua antiga vida. Gunfyer era um fazendeiro galês gigantesco e musculoso, quando se tornou um lobisomem, viver a vida nômade e rústica não o incomodou, mas, assim como Egan, estava impaciente com a falta de grana. Os Gárgulas, como se denominavam sua matilha, viviam nas florestas galesas e se sempre moviam de um lugar para outro, pois temiam a perseguição do Ministério.

— Minha matilha também está passando um inverno duro, Greyback, temos muitas bocas para alimentar. — Disse Gunfyer olhando atravessado para Egan que gastava a sua parte dos lucros em roupas, bebidas e comidas caras, além de mulheres.

Os Gárgulas eram a maior matilha entre as três e a que menos parecia uma gangue, ainda que realizasse crimes o suficiente para ser classificada como uma.

— Quando o Lord das Trevas foi morto a tantos anos, nós aproveitamos o caos do Ministério para invadir essa área da Travessa. — Greyback disse sem esconder o seu orgulho. — O lugar estava meio abandonado porque os marginais da área estavam se escondendo dos aurores, assim, tomamos esses prédios e, até hoje, ninguém no Ministério sabe que toda essa área é comandada por lobisomens ou que existe uma outra entrada no fim da Travessa.

— Sim, foi um bom plano e nossa sociedade tem sido lucrativa. — Disse Teagan que tentou não se detestar por se unir a Greyback. Ele era um marginal e não hesitava em roubar, enganar e iludir suas vítimas, mas, os T-London não matavam, estupravam ou torturavam, assim, a decisão de se unir a essa sociedade, fora muito difícil. Apenas a perspectiva de muita grana o fez deixar os escrúpulos de lado e se associar a Greyback e Egan.

No entanto, desde o início, apesar de criminosos, as matilhas foram divididas em trabalhos diferentes. Os Gárgulas comandavam os pubs, que recebia os lobisomens de todo o Reino Unido e eram muito lucrativos, pois ali, ninguém precisava esconder sua condição. Eles cuidavam do serviço, da comida, bebida e não hesitavam em roubar para fornecer os pubs. Eles trabalhavam muito com os T-London, que conheciam muitos lugares para roubar e mantinham o controle sobre a jogatina e outros golpes na sociedade deles. Egan e seu grupo, que se chamavam Lords, cuidavam do prostíbulo, incluindo comprar, sequestrar e manter as mercadorias sob controle. Greyback não fazia nada diretamente, porque até os outros lobisomens o temiam e, se soubessem que ele fazia parte da sociedade do Chiqueiro, não frequentariam os estabelecimentos. Assim, ele só se mantinha na sombra e lucrava sua parte, afinal, foi sua a ideia desse golpe. Sua maior colaboração ao longo dos anos foi manter os concorrentes e os outros donos de negócios da Travessa, longe do seu território, pois todos temiam Greyback.

— Sinceramente, acho que estamos sendo ambiciosos demais, precisamos continuar a agir discretamente e não chamar a atenção do Ministério para o Chiqueiro. — Disse Teagan razoável. — E, não acredito que trair Malfoy, matar Black e invadir mais prédios seja o mais inteligente.

— Malfoy quer que nós façamos o seu trabalho sujo, pois, se tudo explodir, seremos os culpados e pagaremos a conta. — Greyback disse furioso. — Ele pensa que somos bestas inferiores, pouco inteligentes e que não percebemos a sua mentira ao nos prometer parte do espólio de Black. Isso sem falar no fato que pode levar meses até que ele consiga colocar as mãos no dinheiro, como disse Egan, testamento de famílias antigas não são facilmente contestados.

— Não podemos esperar meses e, se a intenção dele é nos enganar, concordo em lhe antecipar o favor. — Disse Egan com um sorriso malicioso. — Se conseguirmos que Black nos passe alguns prédios antes de morrer e mantendo nossa posição atual, estaremos muito mais fortes quando os aurores se cansarem desses joguinhos tolos.

— E se isso não acontecer? — Teagan perguntou muito preocupado. — E se os aurores continuarem a ocupar a Travessa, principalmente depois de Black ser assassinado aqui? Meses se passaram e agora, houve uma diminuição de aurores por causa de Hogwarts, mas, esse problema poderia ser resolvido a qualquer momento. E, se eles decidirem limpar o Chiqueiro? Nossos clientes pararam de vir porque eles são lobisomens e não correrão o risco de serem presos. Conseguir mais prédios não mudará isso.

— Qual a sua sugestão? — Gunfyer perguntou porque gostava de Teagan e seus instintos.

— Nos mantermos quietos ou oferecermos sociedade para Black... — Exclamações de raiva o interromperam. — Não, me escutem! Black é riquíssimo! E, tem poder, um nome respeitado, além de cérebro! Sejam quais forem os seus planos para a Travessa, aposto que ganhará muito mais dinheiro em um ano, do que nós em mais de 10 anos dominando o Chiqueiro. Ele está vindo para comprar os nossos prédios, mas podemos lhe oferecer sociedade, ficamos por traz fazendo o trabalho sujo e deixamos que ele seja o rosto do empreendimento. Se ele conseguir tornar os negócios legais, pelo menos na superfície, os aurores deixam de ser um problema e ganharemos muita grana!

Todos os três ficaram em silêncio pensativos, pois tinham que reconhecer que era um bom plano. Teagan era conhecido por sua mente arguta e por isso sobreviveu tanto tempo realizando seus golpes no quintal Ministério da Magia.

— Não é um plano ruim, T. — Disse Egan com seu sotaque aristocrata arrastado. — A questão é? Black aceitará se associar conosco?

— E, se ele aceitar, o que faremos com o Malfoy? — Perguntou Gunfyer com suas sobrancelhas grossas e loiras erguidas.

— O matamos. — Greyback respondeu e sorriu só de imaginar o prazer que isso lhe daria. — E, se Black não aceitar a sociedade, mantemos o plano original, acabamos com ele e invadimos mais prédios. Quanto aos aurores, não deixaremos que esses idiotas nos impeçam de aumentar nosso território. Seja qual for o desfecho da reunião de logo mais, um desses dois, não deixará a Travessa do Tranco vivo e, nós, estaremos mais ricos.

Sirius Black não sabia dos planos de Malfoy ou dos donos do Chiqueiro para o encontro desta noite. Ainda assim, sentado na sala de reunião do Escritório da ICW em Londres, se preparava para a reunião com o representante dos donos dos prédios do fim da Travessa. O lugar, popularmente conhecido como O Chiqueiro.

— Acredito que esse é um bom plano e podemos ter um grande avanço nesta noite. — Disse King quando os últimos detalhes foram acertados. — Moody manterá apenas dois aurores a vista essa noite, como planejamos, e essa informação já deve ter caído no ouvido do dono do prédio. Esperançosamente, ele pode aparecer pessoalmente a reunião ao em vez de enviar um testa de ferro. Se isso acontecer, Moody e os outros aurores atacarão e efetuarão a prisão ou prisões.

— Isso acabará com o meu disfarce de vez ou, ao menos, me deixará mais exposto. — Sirius disse olhando para o seu chefe. — Você realmente acha que essa é a atitude certa?

— A opção seria continuarmos a ocupar a Travessa por mais meses e meses, até que os últimos proprietários resolvam vender. Isso está consumindo muitos recursos, Sirius e precisamos de um avanço mais significativo. — King disse objetivamente. — Se esse proprietário ou, o seu representante, concordarem em vender os prédios do fim da Travessa, mantemos o jogo mais um pouco. Mas, ele vem te evitando a meses e recusando suas propostas de compra, assim, a solução é encerrarmos essa etapa da OP.

— O que será feito na próxima fase? — Tonks perguntou curiosa.

— Anunciaremos que Sirius foi aceito no treinamento auror devido as novas políticas de contratação. — King explicou suavemente. — Sirius, então, dará uma entrevista dizendo que esteve meio perdido nos últimos meses ao acreditar que seu sonho não se realizaria, mas, que agora está tão feliz, que quer voltar a ser quem sempre foi.

— Eu direi que me inspirei no dono da GER, no novo Beco Diagonal e que pretendo renovar a Travessa do Tranco. Sem mais bandidos, marginais e apenas negócios lícitos e tal. — Sirius continuou.

— Isso é bom, mas, e os prédios que faltarem? Quer dizer, pelo que entendi, essa pessoa que você encontrará hoje representa os donos dos últimos 6 prédios da Travessa. Ou o Chiqueiro. — Tonks olhou para o mapa e as sinalizações dos prédios já comprados e os que faltavam. — Isso quer dizer que ainda faltarão 13 propriedades.

— Sim, mas não conseguimos nem o cheiro dos donos ou dono desses 13 prédios. — Moody disse com expressão rabugenta. — Em minha opinião, será alguém poderoso que cobre seu rastro muito bem. Quando os aurores começaram a limpar Travessa, esses estabelecimentos fecharam as portas e não conseguimos qualquer informação, dica, suspeito, comentário, nada. Ou ninguém sabe ou não querem dizer a quem eles pertencem.

— A melhor opção é, depois do anúncio do Sirius sobre a revitalização da Travessa, observemos com atenção os movimentos que os donos farão. Os prédios poderão ser reformados ou vendidos pelo dono, mas, com aquela área sendo revitalizada e se tornando uma extensão do Beco, dificilmente eles poderão ser utilizados para as atividades criminosas de antes. — King finalizou e se levantou. — Acredito que esse é o melhor plano, afinal, nunca pretendemos comprar todos os prédios da Travessa.

— Pode ser que tudo se resolva hoje, mas, acredito que o melhor é não expormos do garoto. — Disse Moody levantando-se também.

— Qual a sua ideia? — Sirius também se levantou, pois, o horário da reunião se aproximava.

— Se a compra não avançar, receberemos o sinal para invadir a reunião e prender o tal proprietário ou o representante, para conseguirmos o nome do seu chefe, mas, acredito que o melhor é prendermos o Sirius também. — Moody disse e viu os cenhos franzidos de todos. — Sei que é a última coisa que gostaria de vivenciar outra vez, Black, mas, é melhor que ninguém pense ou saiba com certeza que esteve envolvido nesta OP. Depois da sua falsa prisão, você pode dizer que isso o fez repensar o caminho em que esteve nos últimos meses e toda a ladainha que programou.

— Porque isso seria tão importante? — Sirius perguntou dando de ombros. — Depois do fim da OP, não me importo com o fim do disfarce.

— Sim, mas se importará se tiver um monte de bruxos querendo se vingar por ter sido enganado por você. — Moody disse bruscamente. — Prendemos muitos, mas não todos e você não vai querê-los te caçando.

— Eu acho uma boa ideia. — Tonks disse preocupada com o primo. — E, você não será acusado ou nada disso, apenas levado preso até o Ministério.

Sirius olhou pensativo e acenou.

— Ok, se for necessário que vocês invadam a reunião, podem me prender, mas, apenas se conseguirem me pegar. — Disse Sirius e sorriu desafiadoramente.

Tonks bufou tentando disfarçar o riso e Moody o avaliou divertidamente.

— Se conseguir fugir de mim, Black, como o meu chapéu. — Disse ele aceitando o desafio.

Menos de 15 minutos depois, Sirius entrou no Beco Diagonal depois de ouvir o conselho estranho do Portal Adler. "Cuidado com a sua esquerda, Justiceiro. " Seja o que for que significasse, Sirius decidiu segui-lo, pois tinha uma leve sensação de que a noite poderia levar seus planos tão bem discutidos em uma direção bem sombria. Ele sentiu isso, anos atrás, quando foi checar Rabicho e encontrou a casa vazia, assim, decidiu não ignorar o seu instinto.

— Tonks. — Sussurrou ele para a sombra invisível que o seguia e, além de proteger suas costas, avisaria Moody e seu rapazes se deveria ou não invadir a reunião.

— Sim? — Ela sussurrou a sua direita.

— Meus instintos estão gritando que a noite será complicada, assim, mantenha-se atenta. — Ele disse e a ouviu sussurrar um Ok mais tenso.

Sirius chegou a Travessa e avançou passando por sua pequena rua estreita de calçado quebrado e velho. Os prédios eram todos, por fora, com a aparência decrépita e sombria. 6 dos 19 prédios que ainda não compraram ficavam no começo da Travessa, mais 7 no meio e os últimos 6 eram o Chiqueiro. No fim escuro e perigoso da Travessa, onde ninguém se atrevia a ir e poucos sabiam sobre qualquer coisa, apenas que estava sempre cheio por pessoas de aparência estranha e perigosa. Desde a invasão dos aurores, que limpou as ruas dos mendigos e doentes, além de afastar os clientes, todos os negócios pararam e as casas, pub e prostíbulos estiveram, aparentemente, abandonados. Mas, a cada vez que comprou um prédio ou prédios de um marginal, Sirius descobriu mais e mais "mercadorias" presas nos porões. Essas pessoas foram sendo retiradas aos poucos, encaminhadas a uma ala do St. Mungus que poucas e confiáveis pessoas sabiam sobre ou tinham acesso.

Ao mesmo tempo, logo depois da compra, os marginais eram seguidos, emboscados e presos, mas, cada uma dessas prisões foi mantida em sigilo. Assim, seu disfarce era mantido, o mundo mágico ficava mais limpo e aquelas pobres pessoas eram salvas. Sirius, tinha que admitir para si mesmo, que jamais se sentiu tão satisfeito consigo mesmo, feliz e orgulhoso do trabalho que estava realizando. Os outros aurores não sabiam de sua ajuda, mas Sirius sabia que fazia parte de uma equipe e isso era muito bom.

Ele também sabia que King estava sendo pressionado pelo Ministro, que queria menos gastos e mais resultados. Principalmente, resultados que poderiam ser colocados no Profeta e que o ajudaria a se reeleger, no entanto, Sirius também acreditava que encerrar a OP era uma coisa boa. Se o representante de hoje acertasse a venda do Chiqueiro e a OP fosse finalizada, Sirius poderia se concentrar na reconstrução da Travessa, terminar o seu treinamento auror, cuidar das pessoas que amava e, quem sabe, conquistar uma certa Chefe Auror.

Esse pensamento o fez sorrir e seu passo ganhou a descontração que precisava para manter o personagem ao se aproximou do Chiqueiro. Ali, não havia lanternas nas ruas e os prédios estavam escuros, o breu não o intimidou, pois Sirius podia enxergar razoavelmente bem no escuro. Não como Almofadinhas poderia, mas, melhor que um bruxo que não era animagus.

Sirius parou na rua e olhou em volta procurando algum movimento em qualquer das seis casas. Avançando mais alguns passos, conseguiu visualizar o paredão gigantesco que encerrava e separava a Travessa do Beco trouxa com caçambas de lixo que ficava do outro lado. Olhando em volta, aparentemente descontraído, Sirius sentiu sua pele se arrepiar e sabia que estava sendo observado. Finalmente, passos soaram e um homem vestido com roupas elegantes e caras surgiu caminhando como os puros sangues ricos faziam, como se fosse os donos do mundo.

Sirius sorriu animado, mantendo o personagem e também porque sentia que o verdadeiro dono resolveu aparecer como eles tinham conjecturado. Esse foi o plano, pensou, manter menos aurores neste fim de semana de São Valentin, deixar escapar aqui e ali a informação de falta de pessoal e armar uma emboscada para o dono do Chiqueiro.

— Olá! Você é o representante? Ou o dono do Chiqueiro? Porque foi difícil de encontrá-lo, meu amigo! — Disse Sirius como se estivesse encontrando um velho amigo em um lugar qualquer.

O homem caminhou mais para frente e Sirius conseguiu um bom olhar para o seu rosto. Imperceptivelmente, seu corpo se tencionou todo e ele imaginou que seu rosto mostrou uma leve surpresa, porque Todd Egan riu divertido.

— Vejo que me reconhece, Sirius. — Seu tom era leve e arrastado, com um toque de diversão. — Não nos vemos a muito tempo, primo. Diga, algum recado da minha ex-noiva? Sempre imaginei que você e Bella juntos em Azkaban teria sido a maior diversão de assistir.

— Egan. — O sorriso de Sirius morreu ao olhar para Todd Egan, primo em segundo grau dos Black e pertencente a uma família pura. Estava noivo de Bellatrix, sua prima louca, até ser mordido por um lobisomem e expulso da família Egan, da sociedade mágica e ter o noivado cancelado. — Sem recados de Bella, você sabe que todo o amor dela é para o seu Mestre. — Sirius sorriu tentando deixar de lado a surpresa e voltar ao jogo. — Mas, vejo que os últimos anos foram muito melhores para você do que para mim, primo. Como tem passado? E, como se tornou o dono do Chiqueiro?

— Concordo com você que minha vida nos últimos 11 anos foi melhor que a sua e isso acontece porque me associei com as pessoas certas. Ao contrário de você, Sirius que sempre preferiu a turma menos interessante. — Egan falou debochadamente e seu sotaque arrastado o fazia parecer ainda mais desagradável.

— Tinha me esquecido porque nunca gostei de você, Todd, agora me lembro. Além de um idiota, você gostava muito de jogar com Bella, pelos menos até que ela te chutou como um cachorro. — Sirius devolveu mordaz, sabendo que agir todo bonzinho e amigável traria mais desconfiança por parte de seu primo.

Egan riu sem se importar com o que foi dito e, na verdade, parecia se divertir.

— Isso não me atinge, Sirius, na verdade, ser mordido por um lobisomem foi a melhor coisa que já me aconteceu. — Ele abriu os braços gesticulando para si mesmo e o ambiente. — Isso me libertou da vida chata e controlada que tinha antes em nossa sociedade velha e rígida, agora, posso ser eu mesmo e me divertir com tudo o que o mundo oferece. E, ainda ganhar muito dinheiro com essas diversões, se é que você me entende.

— Entendo muito bem. — Sirius sorriu fingindo apreciar a sugestão.

— Soube que deixou os antigos escrúpulos e nobreza Gryffindor para traz e se juntou aos mortais, primo. Mas, você não me culparia por duvidar dessa sua mudança repentina de coração, não é mesmo? — Egan perguntou com as sobrancelhas arqueadas de desconfiança.

Sirius apenas deu de ombros e mostrou certa frieza. Agora entendia porque era tão difícil se aproximar dos donos do Chiqueiro, Egan o conhecia mais intimamente e sabia que seu personagem poderia ser falso.

— Passe 10 anos trancado em Azkaban, injustamente e, depois, venha me dizer isso de novo, Todd. — Sirius disse deixando toda a raiva e amargura se mostrar em sua voz e expressão. — Aquele maldito inferno tirou tudo de mim e, quando saí, não havia mais nada, mesmo quando tentei recomeçar... Eles me derrubaram outra vez e estou cansado de me importar. Agora, a única coisa que me interessa, sou eu e minha diversão.

Egan o olhou com atenção como se tentasse ter certeza de sua sinceridade.

— Está me dizendo que, de repente, se tornou o que seu pais queriam que fosse a vida toda? Apenas porque alguém não lhe deu o que queria. — Ele perguntou incrédulo.

Sirius riu amargamente e acenou negativamente.

— Acho que não entendeu, Todd. Não ligo a mínima para os meus pais ou todo esse papo purista idiota. Não me tornei um comensal da morte e nunca me ajoelharia diante daquele maluco feioso. — Sirius disse debochadamente. — Estou aproveitando a minha vida, minha fortuna e não me tornando meus pais. Quero ser livre, Todd, como não fui nos últimos anos e até antes de Azkaban, quando estava preso em tolices sobre o certo e o errado. E, se puder ganhar dinheiro enquanto me divirto, ainda melhor.

Sirius pareceu dizer o que Egan queria ou precisava ouvir, porque ele sorriu e o cumprimentou alegremente.

— Bem-vindo a liberdade, primo. — Egan disse e sinalizou. — Acredito que, diante disso, está pronto para conhecer os meus sócios.

Sirius sabia que haviam mais olhos sobre ele, mas ainda se surpreendeu quando mais três homens aparecerem de pontos diferente e se posicionaram ao seu redor, deixando apenas as suas costas livres. Egan mudou de posição e ficou a sua esquerda, seguido por outro lobisomem de casaco comprido de couro negro que ficou no centro, bem à frente de Sirius, e mostrava ser o líder. A sua direita, mais dois lobisomens, um baixo e magro de olhar inteligente e outro loiro, alto, cheio de músculos e expressão severa.

— Olá, senhores. — Sirius disse mostrando descontração e segurança, apesar de não se sentir assim ao ser cercado por 4 lobisomens que não eram nada como seu amigo Remus. — Um prazer, finalmente encontrá-los.

— Soube que esteve nos procurando, Black. — Disse o bruxo a sua frente com o casacão. — Pensamos que hoje seria um bom momento para saber exatamente o que quer de nós.

Seu rosto continuou mais na sombra, mas, sua voz rouca e sussurrante, era de dar arrepios.

— Vocês devem ter ouvido que comprei alguns prédios pela Travessa. — Sirius disse objetivamente. — Tenho algumas ideias para ganhar muitos galeões e ter muita diversão, imagino que seja o esquema de vocês aqui no Chiqueiro. Estou surpreso que vocês sejam os donos, pelo que me lembro, lobisomens não podem ter propriedade privada.

— Não somos os donos reais. — O cara de casacão disse e sorriu maldosamente. — Invadimos a muitos anos, não encontramos muita resistência, quem tentou nos deter foi cuidado, desde então, ninguém ousou nos enfrentar pelo lugar.

— Compreendo. — Sirius sorriu com malícia e observou os arredores, sentindo que haviam mais olhos sobre ele. — O Ministério nunca se importou com a Travessa antes, muito menos com o Chiqueiro, assim, vocês estiveram livres para explorar esse pequeno empreendimento. Estou apenas com uma dúvida? Vocês têm clientes? — Sirius ergueu a sobrancelha e as mãos em defesa. — Não que me importe, não sou como os puristas idiotas, mas, do meu conhecimento, seus clientes em potencial se importam e eles jamais frequentariam um estabelecimento comandando por lobisomens.

— Nossos clientes são lobisomens, Black. — Disse o Casacão e apontou para o paredão no fim da Travessa. — Tem uma entrada secreta bem ali e, assim, eles se sentem seguros para vir em busca de diversão.

— Existe uma comunidade de lobisomens bem grande em todo o Reino Unido, Sirius. — Egan disse e parecia estar tentando convencê-lo. — Maior do que você ou aqueles tolos do Ministério poderiam imaginar. Eles são obrigados a viver em florestas e não têm empregos, mas ainda merecem ter um pouco de diversão.

— Claro. — Sirius disse percebendo que eles tinham se unido em um negócio bem lucrativo. — Imagino que seus clientes conseguem seus galões de maneiras não muito lícitas e vocês tem preços acessíveis porque conseguem suas mercadorias da mesma maneira. Esse é um plano brilhante.

Sirius foi sincero em seu elogio e percebeu que eles pareciam contentes e animados com sua reação. Menos o Casacão que ainda se mantinha nas sombras e parecia avaliá-lo. Ele tinha mais perguntas e estava muito interessando em suas identidades, mas o movimento de alguém voando a volta deles atraiu suas atenções. Sirius sacou a varinha pronto para lutar e percebendo que sua intuição estava correta.

— Vocês têm convidados? — Perguntou com frieza ao ver um comensal da morte pousar, com capa e máscara, como nos velhos tempos. — Achei que estivéssemos aqui para fazer negócios.

— Pois pensou errado, Black. — Disse o mascarado que Sirius reconheceu imediatamente. — Você está aqui para morrer.

— Malfoy? — Sirius franziu o cenho e tentou esconder a satisfação ao vê-lo ali. Se encerrasse essa missão prendendo esse desgraçado, seria a maior das vitorias. — Se unindo a esse lixo, Egan, pensei que era melhor que isso.

— Melhor não é uma palavra que me caia bem, primo, mas também não me agrada rastejar nos esgotos, acredite. — Egan disse olhando para seu antigo melhor amigo com ódio.

— Ainda choramingando por sua má sorte, Todd? Como se ser uma besta imunda não fosse o suficiente, você também não consegue agir como um homem e aceitar o seu destino? — Malfoy disse com desprezo e ignorou os rosnados de raiva dos quatro lobisomens. — Não estamos aqui para relembrar o passado e sim, para matar Black, como combinamos.

— Então, você armou essa emboscada para mim? — Sirius encarou a todos com frieza. — E, o que vocês ganham por servir esse ser tão superior? Porque, eu posso lhes oferecer muito mais e serei melhor companhia.

Malfoy riu debochadamente e sacou sua varinha.

— Não precisa implorar, Black, prometo que o matarei rapidamente.

— Não tão rápido, Malfoy. — O Casacão falou com frieza. — Como disse Black, estamos aqui para negociar e estou disposto a ouvir sua proposta.

— Isso não foi o combinado, Greyback! — Malfoy exclamou furioso ao se virar para o homem que deu um passo à frente mostrando seu rosto meio bestial.

— E, como você pretende me impedir, Lucius? — Fenrir Greyback, o mais procurado e terrível lobisomem conhecido, perguntou debochadamente. — Lutando? Você e qual exército? Porque, não o vejo cercado por seus amiguinhos mascarados como antigamente, enquanto eu...

Greyback abriu os braços e, em segundos, mais de 50 ou 60 lobisomens apareceram saindo das sombras e se posicionando em todos os lugares. Sirius olhou em volta e viu alguns nos telhados dos prédios, recostados nas paredes, posicionados atrás de cada um dos três lobisomens, Egan, o magrelo inteligente e o gigante loiro. Percebeu que o plano do Malfoy para matá-lo fora tomado por esse grupo, claramente, matilhas diferentes, unidas em seus negócios e que não os largariam facilmente. Não precisava ser muito inteligente para saber que a noite não terminaria pacificamente e Sirius esperava que a cavalaria fosse avisada por Tonks, pois ele precisaria de ajuda para sair vivo daqui.

— Você pagará por isso, Greyback. — Malfoy disse furioso.

— Acalme-se, Lucius. — Greyback disse debochando mais uma vez de seu nome. — Você ainda pode ter o que quer, se Black decidir não aceitar nossa proposta.

— Essa é sua chance, primo. — Egan disse dando um passo à frente e parecia ansioso para que Sirius aceitasse o acordo. — Sei que veio aqui achando que compraria o Chiqueiro, mas não estamos dispostos a vender, no entanto, oferecemos sociedade.

— Faremos o trabalho sujo, Sr. Black, como estamos fazendo agora e o senhor investe em reformar os prédios e criar negócios lícitos de fachada. — O magrelo inteligente disse animado. — Para todo mundo o senhor será o dono e ganharemos muito mais dinheiro, porque não teremos apenas lobisomens como clientes.

— Soubemos que é isso que pretende fazer com os outros prédios que comprou. — Disse o gigante loiro. — Se o senhor conseguir se livrar dos aurores e tornar a Travessa um lugar tão bonito quanto o Beco Diagonal, trará os clientes até aqui e, assim, teremos o suficiente para alimentar nossas matilhas por muitos invernos.

— Esses são os meus planos. — Disse Sirius fingindo considerar sua proposta. — Eu estive esperando que os aurores deixassem a Travessa e já fazem meses... Paciência não é uma das minhas qualidades. — Disse ele ironicamente. — Foi quando tive a ideia de reformar os meus prédios e criar alguns negócios de fachada, ganhar dinheiro com isso e tirar os aurores do meu pé.

— Essa é uma ideia brilhante. — Disse o magrelo inteligente. — Os trouxas fazem muito isso, se chama lavagem de dinheiro e seria algo perfeito para alguém rico e com sobrenome respeitável como o senhor.

— Bem, mas só tem algumas questões com essa proposta que me preocupa. — Disse Sirius tentando ganhar tempo. — Primeiro, eu não comprei toda a Travessa, ainda faltam muitos prédios e, para revitalizar tudo, como a tal empresa GER fez com o Beco, não podemos ter prédios decrépitos e abandonados.

— Podemos ajudar com isso. — O magricela disse ansioso. — Descobriremos facilmente quem são os donos e os obrigamos a vender para você, Sr. Black.

— E, podemos começar com o loirinho aqui. — Greyback disse apontando sua varinha para o Malfoy. — Você assina e passa os seus prédios para Black, Lucius...

— Não farei isso! — Malfoy disse possesso por seu plano ter falhado. — Não venderei meus prédios!

— Quem falou alguma coisa sobre vender, Luc. — Disse Egan mostrando intimidade. — Você passará seus prédios para Black, aqui e agora, se quiser sair vivo do Chiqueiro.

— Absurdo, se pensam que perderei meus negócios... — Mas, o que ele ia falar se perdeu, quando Egan se adiantou e colocou a ponta de uma espada fina e brilhante em seu pescoço.

— Lembra-se, Luc? Quando éramos garotos e aprendemos a esgrimir juntos? — A espada era uma Katana japonesa, não uma de treinamento e, para provar isso, Egan passou suavemente a ponta em seu pescoço e o cheiro de sangue rescindiu pelo ar carregado de tensão. — Posso lhe garantir que estou muito melhor agora, com meus sentidos aprimorados e arrancaria sua cabeça fora em um segundo.

— Todd... por favor... — Malfoy engoliu em seco claramente apavorado.

— Por favor... Um Malfoy implorando. — Egan riu friamente. — Isso é tão irônico... Ainda me lembro de quando fui expulso de casa pelo meu pai, escorraçado como um animal e, quando lhe implorei por ajuda, você me disse que deveria agradecer por ele não ter me matado, pois era isso que uma besta inferior merecia.

— Eu... — Mas Malfoy não tinha o que dizer para se livra da situação em que estava. — Ok, eu assino.

Egan recuou para a sua posição e guardou a espada.

— Problema resolvido, Black. — Greyback disse sorrindo com malícia. — Qualquer um que ainda não lhe vendeu, o fará facilmente quando os visitarmos.

— Bem, esse é um problema resolvido, mas, existe outro. — Disse Sirius com frieza.

— Qual? — Greyback perguntou curioso.

— Você. — Sirius disse e olhou para os outros três líderes. — Ao contrário de vocês, não estou disposto ou interessado em trabalhar com um assassino de mulheres e crianças. Existem alguns esgotos, primo, que ninguém deve se rastejar.

— Bem... — Greyback se aproximou um pouco mais. — Assim como o loiro bonito ali, não estamos lhe dando uma escolha, Black.

— Pensei que não se importasse com essas bobagens puristas, Sirius ou era só um discurso bonito? — Egan perguntou se mostrando decepcionado.

— Não são apenas palavras. — Sirius olhou para os três líderes e continuou com sinceridade. — Não me importo de trabalhar com todos vocês e acho que podemos ganhar muita grana bem debaixo do nariz idiota do Ministério, mas, não aceitarei Greyback na sociedade.

Greyback riu roucamente e se aproximou ainda mais de Sirius.

— Este é o meu jogo, Black. Eu tive a ideia de invadir o Chiqueiro anos atrás e planejei trair o Malfoy, porque podemos ganhar mais grana com você do que com ele. — Greyback moveu a varinha casualmente. — Se você disser não, tudo bem, apenas cuidaremos de você depois que passar os seus prédios para nós.

— E, como pretende justificar a minha morte e a apropriação ilegal das minhas propriedades? — Sirius perguntou e sentiu um toque suave em suas costas. Era o sinal de que Tonks já avisara Moody e seu garotos, isso o tranquilizou. — Lobisomens não podem ter propriedades e mesmo que tenham um testa de ferro, minha morte gerará perguntas e investigações o suficiente para que seus netos sejam avôs no dia em que os aurores finalmente deixarem a Travessa.

— Nós daremos um jeito. — Greyback disse confiante. — As pessoas me temem e com razão, posso me livrar de alguns aurores facilmente, morder outros ou seus pequenos herdeiros.

— E, quantos de vocês serão mortos nessa guerra? — Sirius sorriu ao ver as dúvidas nos rostos do magricela inteligente e do gigante loiro. — Além de não existir garantias de que vencerão, o Ministério está contratando um monte de novos aurores, aumentando a força e mudando os protocolos. Foi por isso que não fui aceito, eles querem os melhores dos melhores e o que acontecerá se eles voltarem a persegui-los como antes?

— Eles nunca deixaram de nos perseguir. — Disse o gigante loiro amargo.

— Pode ser. — Sirius acenou suavemente. — Mas, se tentarem tomar a Travessa, sem preparação e inteligência, eles vão esmagá-los. — Ele manteve os olhos nesses dois. — Greyback pode ter pensado no plano, mas o exército aqui não é dele e são suas matilhas que sofrerão as consequências. Ele apenas os usa como mão de obra para manter os bolsos cheios. Se concordarem em trabalhar comigo, ganharão muito mais e poderão sair do esgoto.

— Não acreditem nele! — Greyback disse furioso. — Assim que tiver assumido a Travessa, ele os expulsarão! Estivemos trabalhando juntos por mais de 10 anos e podemos crescer ainda mais se seguirmos o meu plano! — Ele se virou para os três líderes. — Vamos invadir as casas de Black e Malfoy, vamos nos apoderar de tudo e mostrar ao Ministério que não podem conosco! Somos centenas e eles alguns poucos aurores inexperientes!

— Você enlouqueceu, Greyback? — O gigante loiro disse. — Não posso trazer minha matilha aqui para iniciar uma guerra com o Ministério! Eles poderiam ser todos mortos ou presos!

— Você está sendo covarde, Gunfyer. — Disse Egan com um sorriso mordaz. — Isso não me surpreende, você e Teagan sempre tiveram muitos escrúpulos para o meu gosto. Nunca se evolveram nos trabalhos mais sujos ou lucrativos. Acham que sairemos do Chiqueiro se não lutarmos? Se quisermos assumir o nosso lugar de direito no mundo mágico, precisamos ser ousados e obrigá-los a nos aceitar, mesmo se tivermos que transformar essa maldita Travessa em um rio de sangue!

— Egan! Escute o que está falando! — Sirius disse razoável. — O que foi feito com você e ainda acontece com todos os lobisomens é injusto, mas uma guerra não é a resposta.

— Quero o meu lugar no mundo mágico de volta, Sirius! — Egan disse meio descontrolado. — Eu sou um Egan! E meu lugar não é no Chiqueiro! Se não for nos ajudar, é melhor sair do caminho.

A tensão da noite apenas se acentuou e Sirius percebeu que não poderia convencê-los, mesmo se Teagan e Gunfyer aceitasse sua proposta, haveria uma guerra.

— Estou disposto a aceitar a proposta, desde que matem Greyback, aqui e agora. — Disse ele com dureza. — Então, os ajudarei e suas matilhas a ganhar muito dinheiro. — Ele se virou levemente para a direita encarando Teagan e Gunfyer. — Mais importante, posso mantê-los em segurança do Ministério e de tipos como o Malfoy.

— Se tentarem me trair comerei vocês vivos! — Rugiu Greyback ao recuar para mais perto da saída, pois sentia que o jogo tinha virado contra ele. Olhando para Egan, sinalizou com o olhar e moveu sua varinha para distrair Black. — Começarei com você... Reducto!

— Protego! — Sirius disse pronto para o duelo, mas antes de pudesse revisar o ataque, sentiu um movimento a sua esquerda e a espada de Egan o penetrou lateralmente. — Ufghh! — Chocado, Sirius apenas olhou para a espada que invadia seu corpo pelo lado esquerdo. "Cuidado com a sua esquerda, justiceiro", as palavras ressoaram em sua mente enquanto caia de joelhos no calçado velho da Travessa.

Egan sorriu sadicamente e puxou a espada de seu corpo enquanto Sirius sentia a dor finalmente alcançá-lo. Ofegante, levou as mãos ao ferimento tentando conter o sangue que saia profusamente.

— Hemorragia interna, primo, alguns minutos dolorosos e você estará bem morto. — Disse Egan satisfeito. — Não deixarei que...

— Todos abaixem suas varinhas! — A voz brusca de Moody ecoou bem alta em volta deles. — Aqui são os aurores e vocês estão cercados! Ou se entregam por bem ou...

Mas a ameaça não precisou ser dita porque, em segundos, todos os lobisomens começaram a atirar feitiços de ataque e proteção. Isso era a resposta ao pedido de Moody que, sem hesitar, acionou seus homens a batalha. Ele mesmo se moveu habilmente lançando feitiços e torcendo para que o aumento do número de aurores, com a adição dos aurores de Hogwarts, que tinham sido convocados urgentemente, fosse o suficiente para vencerem tantos lobisomens. Em poucos segundos, a Travessa do Tranco, ou mais precisamente, o Chiqueiro, se tornou uma zona de batalha mágica com feitiços voando para todos os lados.

Enquanto o mundo oscilava em cores a sua volta, Sirius, deitado no chão sujo se esvaia em sangue, até que sentiu um toque invisível e soube que não morreria sozinho.

— Tonks...

— Não fale, poupe o fôlego, eu não sei bem o que fazer, mas tentarei o que puder antes de te tirar daqui. — Sussurrou ela e saiu debaixo da capa.

— Não... — sussurrou ele com voz dolorosa. — Se cubra, eu já estou morto...

— Não! — Tonks disse e, olhando em volta para a luta, voltou a se cobrir com a capa e, invisível, arrastou Sirius para uma área mais escura. — Pense em Harry! — Ela disse voltando a tirar a capa e movendo sua varinha sobre o ferimento. — Ele não merece te perder de novo! Por favor, Sirius!

Seu desespero e o rosto de Harry lhe pedindo para nunca mais o deixar, despertou Sirius a vontade de viver a todo custo.

— Ok. Ok. Preciso... — Sirius se interrompeu quando a parede acima deles foi atingida por um feitiço de explosão e fragmentos caiu sobre eles. — Vou me transformar em Almofadinhas... a mudança ajudará com o sangramento...

— Isso é bom. — Disse Tonks e tirando o seu cachecol amarrou em volta do ferimento apertando com força. — Isso vai ajudar ainda mais... Aqui, uma poção de reposição de sangue e energética. — Sirius bebeu as duas poções já se sentindo melhor. — Chegue a segurança e mande sua localização para eu poder te tirar de lá para o St. Mungus.

— Você não deve lutar... — Ao ver sua expressão determinada. — Tonks... você é uma recruta... se cubra com a capa e saia...

— Ok, mas antes, preciso te ajudar até conseguir sair dessa bagunça... — Tonks se abaixou quando mais fragmento voaram em todas as direções. — Vou criar uma distração e você se transforma. Ok?

Sirius apenas acenou sentindo que não tinha tempo para continuar a discutir e a viu desaparecer sobre a capa. Alguns segundos depois, uma explosão aconteceu em um dos prédios do Chiqueiro, o telhado desabou e os lobisomens que estavam em cima, despencaram nos destroços. Feliz, porque ela mirou na matilha de Egan, Sirius olhou em volta por um segundo antes de se transformar em Almofadinhas. Então, a noite se tornou mais clara e os cheiros mais aguçados, o instinto de sobrevivência gritou e Almofadinhas sabia exatamente o que fazer.

Por anos, ele conviveu com um lobisomem e quando eles brincavam de se perseguir, Almofadinhas sempre vencia porque conseguia subir nas árvores mais altas, algo que Moony e Pontas não podiam fazer. Assim, arrastando a barriga pelo chão, Almofadinhas se afastou na direção de um dos prédios vazios e começou a escalá-lo, contando com a escuridão e sua própria cor para não ser visto por ninguém. Ainda assim, Almofadinhas podia sentir o perigo da morte por causa do seu ferimento na barriga, que sangrava mais lentamente do que deveria, mas, com certeza, o estava matando.

Sabendo que tinha pouco ou nenhum tempo para se decidir por um lugar, Almofadinhas seguiu seus instintos e foi para aonde haveria amigos, poções e, talvez, alguém com habilidades de cura. Quando chegou ao telhado da Rituum & Potions, seus pensamentos eram fragmentados e confusos, apenas o instinto de sobrevivência o fez continuar se arrastando até a porta dos fundos. Voltando a ser Sirius, ele se viu sentado e recostado na porta, o cachecol de Tonks antes azul, agora estava vermelho de seu sangue. O tempo se esgotou, pensou Sirius exausto, se tivesse a sorte de ter alguém na loja aquela noite... Mas, primeiro, precisava invadir e chamar a atenção desse alguém ou quem sabe... Fiona colocou um alarme. Assim, Sirius usou o pouco de energia que tinha para quebrar a porta dos fundos e, literalmente, se arrastou para dentro da loja, na área do depósito, percebeu ele, com a mente se tornando nebulosa.

Então, ele ouviu passos e sentiu um alívio percorrê-lo. Ajuda! Havia alguém para ajudar...

— Ora, Ora, Ora. — Um homem se aproximou lentamente e se agachou em frente a Sirius, que estava deitado de lado no chão do depósito. — Veja o que o destino me trouxe... O prazer de ver Sirius Black morrer.

Sirius sentiu a escuridão envolvê-lo e a última coisa que viu foi o sorriso de satisfação de Severus Snape.

A luta na Travessa do Tranco poderia ter se tornado uma vitória para os lobisomens se eles tivessem se unido, afinal, estavam em maioria. Mas, Teagan assoviou para seus homens que a luta era para fugirem dali e Gunfyer cantou em galês uma ordem de retirada. Assim, os aurores venceram terreno e recuaram os lobisomens, sem perceberem que eles estavam sendo prensados onde queriam chegar, a entrada secreta da Travessa. Ao mesmo tempo, um Egan furioso, ordenou aos seus homens que usassem força mortal e, agressivamente, tentou vencer a luta, mesmo que estivessem em minoria.

Toda a luta era uma grande bagunça e a explosão causada por Tonks tornou tudo ainda mais confuso. Teagan viu os homens de Egan claramente perdendo a batalha e sinalizou para seus últimos homens que era o momento de partirem de vez. Assim, um deles lançou algumas granadas de mão trouxas bem no meio do Chiqueiro e Teagan gritou em galês.

— Pwmp!

Gunfyer gritou em galês para os seus homens se protegerem e todos acionaram escudos, mas, as granadas não apenas explodiram, algumas acionaram um som agudo e ensurdecedor que desorientou a todos. Isso foi o suficiente para os últimos T-London desaparecerem pela entrada secreta.

— Vamos Gun! — Disse Teagan pegando o grandão pelos ombros e o arrastando para o paredão.

— Não! Meus homens, T! Preciso ajudá-los! — Gritou Gunfyer meio tonto.

— A maioria saiu e, se você for preso, não poderá ajudar mais ninguém! — Teagan usou toda a sua força para arrastá-lo pela abertura e, assim que estavam fora das proteções, ele os aparatou para longe dali.

Enquanto os Lords lutavam uma batalha absurda, Greyback desapareceu nas sombras e subiu para o prédio mais alto, observando seu pequeno reino ruir diante dos seus olhos. Enraivecido, observou as sucessivas explosões levarem o Chiqueiro a meras ruinas e destroços, também percebeu que os aurores estavam vencendo e prendendo os lobisomens que não conseguiram fugir. A maioria eram Lords, mas, também haviam alguns poucos Gárgulas caídos. Bem feito, pensou Greyback, sentindo alguma satisfação em saber que aqueles tolos também estavam perdendo tudo. O melhor era partir para longe, decidiu, se agrupar e pensar em algum outro golpe, além de se vingar de Sirius Black.

Ágil, Greyback pulou pelos telhados na direção do Beco, o caminho oposto em que os lobisomens fugiam e onde haveriam menos aurores. Sua intenção era se mover para bem longe, mas, o cheiro de sangue fresco lhe chamou a atenção. Parecia um animal, pensou Greyback, mas, havia algo familiar no cheiro e, assim, ele decidiu seguir o rastro.

Malfoy conseguiu se afastar discretamente da discussão provocada por Black e sorriu com satisfação ao vê-lo ser morto por Egan. Então, os aurores apareceram e o mundo ficou uma tremenda bagunça de feitiços e explosões. Tentando se afastar para um lugar onde poderia alçar voo com a vassoura, Malfoy se moveu pelas sombras, mas, logo percebeu que estava indo na direção dos aurores e não podia se arriscar ser visto ou pego com as roupas dos comensais.

Ele entrou em um dos prédios e, um segundo depois, uma grande explosão no meio da rua fez tudo estremecer, seguido por um som ensurdecedor que parecia estourar seus ouvidos. Desorientado, Malfoy cambaleou para as escadas decidindo que voaria por uma das janelas. Os sons das lutas diminuíram e, percebendo que seu tempo estava acabando, Malfoy estourou uma das janelas e voou velozmente na direção do céu. Feitiços de cores variadas o perseguiram enquanto ele ziguezagueava, tento subir o mais alto e longe do alcance dos disparos.

Seu primeiro instinto foi retornar para o Hotel, mas não podia correr o risco de ser visto, assim, ele continuou voando para o alto e mais alto até desaparecer completamente na noite escura de inverno. Quando deixou as proteções, Malfoy aparatou para sua Mansão e, foi só então, que percebeu que estava ferido. Seu braço fora atingido por algum feitiço e sangrava profusamente. Na sala de estar, ele abriu o alçapão e desceu, tirou a capa e a máscara, antes de cuidar dos ferimentos do braço e pescoço. Depois, subiu ao seu quarto e se vestiu com roupas limpas, antes de usar o flu para o saguão de entrada do Beco onde se sentou por meia hora no The Bar para se mostrar e ter um álibi. Só então, Malfoy subiu para o seu quarto no Hotel e encontrou Narcisa sentada calmamente em uma poltrona, lendo um livro.

— Imagino, pela troca de roupa e todas a explosões que ouvi vindo da direção da Travessa que seu plano não foi muito bem. — Disse ela sem lhe dar mais do que um pequeno momento de atenção.

— Foi um desastre e você estava certa, mas, o mais importante é que, Sirius Black está morto. — Disse Malfoy com um sorriso de satisfação.

Severus Snape não esperava companhia na véspera de São Valentin, assim como em nenhuma outra noite, na verdade. Sua vida nos últimos meses se tornou um pouco mais suave e calma, fato que o agradava muito. Para quem olhava de fora, veria apenas uma existência solitária e vazia, mas, Severus não queria diferente. E, isso tinha muitos motivos.

O primeiro e mais facilmente entendido por todos era que ele detestava as pessoas. Não era um ódio mortal ou inveja debilitante, não, era apenas uma grande irritação e desgosto por todos os seres humanos da fase da Terra. Claro, alguns eram toleráveis, Severus os identificava entre as pessoas que tinham alguma inteligência e, assim, não lhe causavam constante irritação. No entanto, esses eram a minoria absoluta do mundo, o que tornava a convivência social uma grande tortura em sua opinião.

O segundo motivo, era algo que Severus jamais admitiria para si mesmo. Vinha de um profundo desejo de autopunição e a crença de que ele jamais poderia ser feliz outra vez. De que ele não merecia ser feliz outra vez. Na verdade, se não fosse a promessa feita a Dumbledore a tantos anos, Severus já teria cometido suicídio a muito tempo e uma parte dele sabia o quanto ansiava pelo momento de abraçar a tão ansiada morte.

Fiona O'Shea, a meia élfica inteligente, percebeu ao entrevistá-lo para o emprego de potioneer, que o homem estava em um mundo de dor e desespero sem fim, mas sabia que pouco poderia fazer para ajudá-lo se ele não quisesse ajuda. Esse era o problema com algumas pessoas traumatizadas e perdidas na dor do luto, elas não queriam sair da profunda escuridão que as cercava porque acreditavam que mereciam essa existência vazia.

Fiona não se preocupou em tentar salvar Severus, mas também não o julgou por seus comportamentos antissociais flagrantes. Na verdade, ela os compreendeu e o aceitou exatamente como era, sem pedir que mudasse ou criticar seu comportamento. Seu limite foi que ele não destratasse seus funcionários, que preparavam poções ao seu lado todos os dias, mas, é claro que Severus não a obedeceu. Nas primeiras semanas de trabalho, antes da abertura da loja no Festival, as reclamações foram se acumulando e alguns funcionários até ameaçaram deixar o emprego se Severus continuasse a ofendê-los. Muitos, que foram seus alunos, disseram que o aguentaram por anos em Hogwarts e não aceitariam mais serem maltratados.

Ela estava a ponto de desistir de sua contratação, ainda que Severus Snape fosse o melhor potioneer que tinha, além dela mesma. No entanto, depois da inauguração, os turnos de fabricação de poções diminuíram, já que não era necessário produzirem 24 horas por dia, mas, ainda era preciso que um potioneer estivesse atento as poções durante a noite. Sempre haviam uma ou mais poções que precisavam ser mexidas, um ingrediente acrescentado ou uma preparação iniciada no meio da noite. A solução, então, foi transferir Severus para o turno da noite e, assim, as reclamações acabaram e Fiona podia dormir sem precisar visitar o laboratório de madrugada.

Depois disso, não houve mais problemas na Rituum & Potions e, se Severus parecia ainda mais solitário que antes... bem, essa era uma preocupação diferente.

Snape, na verdade, abraçou com prazer a solidão porque, como dito anteriormente, ele detestava pessoas. Suas noites eram muito tranquilas, realizava o seu trabalho, estudava, pesquisava e, às vezes, lia algo apenas pelo prazer de ler. Durante o dia, em Hogwarts, depois de algumas horas de sono, Snape passava o seu tempo trancado em seu laboratório com mais pesquisas e abastecendo as poções da Enfermaria da escola. Esse pequeno trabalho extra abatia um pouco o valor que pagava por sua estadia em Hogwarts.

As únicas pessoas que ele via eram Dumbledore, alguns professores com quem conversava ou dividia uma refeição, Madame Pomfrey e Fiona. Todos os dias quando entrava e saia do seu turno, Snape a encontrava e, ele não gostaria de admitir, mas considerava a jovem potioneer muito inteligente e talentosa. Snape não diria que eles eram amigos, claro, mas, ela era tolerável de se conviver e isso era um grande elogio, em sua opinião. O melhor em sua vida, na verdade, era o fato de não ter que aturar aquelas crianças insuportavelmente cabeça ocas de Hogwarts e, se alguém o observasse de perto, diria que Snape estava até mais contente que antes, mesmo que fosse apenas por um pouquinho.

Assim, com a previsão de mais uma noite agradavelmente solitária, Snape foi surpreendido com a invasão do depósito. A porta dos fundos foi, pelo barulho alto, arrombada e, ao sacar sua varinha e caminhar lentamente, Snape decidiu que o ladrão não era muito competente. No entanto, ao entrar no depósito, se deparou com Sirius Black, claramente muito ferido e se arrastando pelo chão em busca de ajuda.

— Ora, Ora, Ora. — Snape sorriu com satisfação ao ver seu antigo algoz dos tempos de escola tão perto da morte. — Veja o que o destino me trouxe... O prazer de ver Sirius Black morrer.

Snape não teve a chance de se gabar muito ou responder a algum comentário mordaz de Black, pois ele ficou inconsciente logo depois.

— Retiro o que disse, o destino é uma puta que adora a ironia de me ver salvar a vida de Sirius Black. — Disse Snape mal-humorado e, acenando com a varinha, flutuou seu corpo até a mesa do laboratório.

Uma explosão ecoou e estremeceu o chão, enquanto Snape realizava um feitiço diagnóstico que lhe mostrou os danos internos.

— Aposto que você é o responsável por essa explosão, Black, vou gostar muito de te salvar e vê-lo ser enviado para Azkaban outra vez. — Disse Snape e, com movimentos rápidos, lhe deu poções de reposição de sangue e usou o seu básico conhecimento de cura para deter o sangramento, mas conseguiu apenas que a hemorragia diminuísse.

Neste momento, o flu foi acionado e Fiona apareceu segurando sua varinha.

— Eu recebi o alarme de invasão, o que... — Mas ela se deteve ao ver Sirius pálido e sangrado sobre a mesa de trabalho. — Sirius! O que aconteceu com ele?

Fiona se aproximou rapidamente começando a mover sua varinha.

— Não sabia que tinha o desprazer de conhecer Black. — Snape disse irritado. — Não tenho ideia do que aconteceu com ele, apenas que aconteceram algumas explosões na direção da Travessa e aposto que é sua culpa. Black sempre esteve envolvido em confusões e acabará morto ou, esperançosamente, preso outra vez.

— Esse não é o momento para os seus ataques de amargura, Severus. — Fiona disse suavemente movendo sua varinha. — Os danos são intensos, rim, baço, uma laceração na aorta que está sangrando lentamente, mas constante. É um milagre que ainda esteja vivo...

— Black tem o irritante costume de não desaparecer de vez. — Snape disse mordaz. — Devo chamar socorro no St. Mungus?

— Ele não aguentará muito mais e não poderá ser movido até fecharmos essa artéria. — Fiona disse e fechando os olhos, sussurrou em gaélico antigo.

— Você sabe fazer isso? — Snape perguntou suavemente.

— Um feitiço antigo do meu povo, cauteriza o ferimento, mas preciso me concentrar e ir bem devagar ou poderia romper a artéria e o matar. — Fiona disse, ainda em um sussurro.

Snape apenas acenou e se afastou em busca de mais poções, deixando-a trabalhar. Mesmo que adoraria irritá-la o suficiente para que matasse Black, hoje não seria o dia que teria esse prazer, pensou rabugento. Depois de colocar diversas poções ao seu alcance, ele voltou para o depósito para concertar a porta, mas, se deparou com outro invasor. Mais uma vez, um antigo conhecido.

— Greyback... — Ele sussurrou para não assustar Fiona e sacou sua varinha. — Aqui não é o seu lugar... Retire-se.

— Pelo cheiro, você tem algo aqui que me interessa, Snape. — Greyback moveu sua marinha e sorriu cruelmente mostrando as presas. — Apenas me deixe colher meu prêmio e o deixarei em paz.

— Seu prêmio está sob minha proteção essa noite e você sabe que posso matá-lo facilmente. — Snape disse e devolveu o sorriso. — O Lord das Trevas compartilhou muitos segredos comigo, Greyback e não hesitarei em lhe mostrar alguns se não partir.

— Isso não é da sua conta... — Greyback deu um passo à frente, mas um feitiço o atingiu no braço em um piscar de olhos. — Ahhh!

— Não me obrigue a lhe mostrar quanta dor posso lhe causar, Besta! — Snape mostrou toda sua aversão em sua expressão. — Se quiser o seu prêmio, terá que colher em outro momento, pois hoje, ele é da minha conta. Retire-se!

Greyback olhou para o braço lacerado e que sangrava profusamente, depois olhou para Snape com ódio.

— Ok. Pegarei meu prêmio em outro momento. Bom te rever, Snape. — Greyback sorriu com maldade e recuou, caminhando de costas até sair do prédio e escalá-lo agilmente.

Snape concertou e trancou a porta, lançou alguns feitiços de proteção e voltou até o laboratório rapidamente.

— Temos um grande problema. — Disse ele à Fiona que ainda se mantinha com os olhos fechados. — Precisamos acordá-lo e saber quem chamar para tirá-lo daqui.

— Se acordá-lo agora, a dor o fará se mover e perderei o progresso que fiz. — Disse ela sem deixar o que fazia. — Estou quase terminando essa primeira etapa... ele precisará de mais ajuda com os ferimentos internos. O que estou fazendo é apenas deter a hemorragia...

— Ok. — Snape hesitou pensando. Se chamasse os aurores, Black poderia realmente acabar na prisão e, por mais que isso o agradasse, sabia que não era a coisa certa a fazer. — Me ensine o que eu devo fazer para concertar os danos nos órgãos, assim terminamos mais rápido.

Fiona abriu os olhos e o encarou com leve surpresa por sua disposição.

— Ok, vamos lá, você deve... — Ela explicou e Snape seguiu suas orientações lentamente, mostrando sua grande habilidade com a varinha.

Ainda assim, com os dois trabalhando, eles demoraram quase vinte minutos para concertar a bagunça feita pela espada. Um curandeiro experiente teria feito tudo em 5 minutos, mas, não havia tempo para encontrar um.

— Pronto. Talvez esteja meio tosco, mas ele viverá. — Fiona suspirou cansada e enxugou o suor da testa.

— Isso é mais do que Black merece. — Snape disse rabugento. — Podemos acordá-lo agora? Precisamos saber quem é de sua confiança para chamarmos, não sei se os aurores são a melhor opção.

— Pensei que o queria preso? — Fiona o olhou com a sobrancelha arqueada.

— Na verdade, morto me deixaria mais feliz, mas não podemos ter tudo o que queremos, não é mesmo? — Snape disse com frieza.

— Sem dúvida. — Fiona pegou um pequeno frasco e colocou sobre o nariz de Sirius que arfou e respirou bruscamente quando acordou. — Tente não se mover muito, nós o concertamos, mas ainda deve estar doloroso.

— O que... — Desorientado e sentindo dor por toda a parte, Sirius olhou em volta. — Fiona... o que...

— Você foi ferido e chegou a minha loja, Sirius. — Fiona pegou água e levou aos seus lábios. — Aqui, você precisa se hidratar e respirar fundo. Logo a desorientação passará e você não corre mais risco de vida...

— Sinto informar que isso não é verdade. — Snape se aproximou um passo e Sirius franziu o cenho quando o viu. Quando desmaiou pensou que vivia um pesadelo, pois, a última coisa que viu, era essa cara feia, mas, pelo jeito era verdade.

— Snape... — Mesmo fracamente, sua voz mostrou desprezo.

— Black... — Snape devolveu no mesmo tom e sorriu com frieza. — Não sei o que aprontou desta vez, mas Greyback está lá fora esperando para terminar o que, eu suponho, ele começou mais cedo.

— Porra... — Sirius fechou os olhos e respirou fundo. — Você me salvou e ainda impediu que Greyback me matasse, Snape? Quase me faz acreditar que você é alguém em polissuco.

— Eu não te salvei, Fiona o fez, por mim o deixaria sangrar até morrer, Black. — Snape se apressou em lhe assegurar.

— Mentira. Quando cheguei, ele já estava fazendo um bom trabalho, Sirius. — Fiona disse exasperada. — Não sei porque se odeiam e não me interessa, mas nós dois trabalhamos para te concertar. Você tinha alguns ferimentos internos e uma hemorragia que não sei como não te matou antes de chegar aqui.

Sirius olhou de Fiona para Snape que se manteve com uma careta de contrariedade e amargura.

— Bem, obrigado... os dois. — Sirius disse um pouco sem graça. Quase morrera e ainda tinha que agradecer ao Snape, o destino era uma cadela.

— Ainda não está a salvo, Black, mas se quiser tentar sua sorte lá fora, não o impedirei. — Snape disse mordaz e sem se preocupar em reconhecer o seu agradecimento.

— Severus não tem certeza do que aconteceu, houve algumas explosões na Travessa do Tranco. — Fiona disse decidindo ignorar os dois homens e seus comportamentos tolos. — Você quer que acionemos os aurores?

— Não... — Sirius fechou os olhos tentando encontrar uma solução.

— Livre a um ano e já fugindo dos aurores, Black? Deve ser algum tipo de recorde. — Debochou Snape e Sirius controlou a vontade de fazer uma careta.

— Apenas estava no lugar errado, uma emboscada e os aurores apareceram, não os quero fazendo perguntas de porque eu estava lá. — Sirius mentiu facilmente, porque sabia que Greyback poderia estar por perto, ouvindo. — Greyback armou a emboscada a mando de Malfoy, que me quer morto para pôr suas mãos sujas em minha herança.

— Lucius? — Snape perguntou surpreso.

— Sim, seu amiguinho apareceu de máscara e tudo, Snape, me lembrou os velhos tempos. — Sirius disse sarcástico. — Consegui jogar uns contra os outros, quase consegui que Greyback fosse traído e morto, mas... uma luta começou, fui atingido por uma espada por um antigo conhecido e, então, os aurores aparecerão... — Cansado, Sirius respirou fundo para recuperar o fôlego. — Consegui sair de lá pelo telhado e meio que me arrastei para cá... pensei que em uma loja de poções poderia ter uma chance.

— Foi uma boa ideia e fico feliz que tenha conseguido chegar aqui. — Fiona disse apertando o seu ombro e pegando mais água. — Você perdeu muito sangue e, mesmo com as poções de reposição, precisa se hidratar e comer também.

— Se os aurores estão pela Travessa, podem acabar te encontrando aqui e Greyback lá fora, me parece o seu maior problema. — Disse Snape. — Quem deveria chamar para levá-lo a um lugar seguro, Black? Lupim?

— Não... não quero envolvê-lo, seria muito perigoso... Melhor, eu sumir por um tempo... — Sirius fechou os olhos. — Tenho uma amiga americana que está em Londres temporariamente para um trabalho...

— Como a contatamos? — Snape perguntou um pouco impaciente e recebeu um olhar irritado de Fiona.

— Envie um patrono... — Sirius disse, pois não sabia o seu endereço de flu. — Emily Denver... — Sussurrou o nome para que ninguém ouvisse.

— Pode falar livremente, Greyback não ouvirá. — Disse Snape que lançou o Muffiato a um bom tempo. — Apenas não posso impedi-lo de saber que ainda está aqui, afinal, você fede, Black.

— Hum... pelo menos meu cabelo é bonito... — Sirius devolveu a velha provocação.

— Chega vocês dois, parecem duas crianças ou pior, adolescentes mal-educados. — Fiona disse impaciente. — Emily Denver é o nome? O que digo a ela?

— Diga que o recruta especial precisa de apoio e dê a localização. — Sirius disse cansadamente.

Fiona acenou a varinha e uma espécie de pássaro pequeno apareceu em uma luz prateada e bonita. Ela disse a mensagem e o pássaro voou até atravessar e desaparecer pela parede.

— Pronto. Acredito que ele a encontrará. — Disse Fiona e olhou para Sirius que ainda estava pálido e abatido. — Acredito que mais uma poção de reposição de sangue e uma para dor para aguentar a viagem. — Olhando em volta pensativa continuou. — Temos alguma comida leve ou uma roupa limpa, Severus?

— Não. — Snape respondeu. — Tem alguns sanduíches na caixa fria, mas Black precisará de uma sopa, acredito.

— Sim. — Disse ela preocupada e foi até a caixa fria para ter certeza. — Posso ir em casa bem rápido...

O barulho da porta da frente sendo aberta a interrompeu e Fiona, Snape e Sirius sacaram suas varinhas, mas, apenas uma mulher alta, de cabelos marrons curtos e olhos de aço apareceu, também com uma varinha empunhada.

— Emily... — Sirius disse e todos relaxaram suas posturas.

— Ei, você chegou rápido. — Disse Fiona sorrindo suavemente.

Denver não sorriu e, depois de vasculhar a sala por qualquer perigo, se concentrou em Sirius.

— O que você aprontou dessa vez, Black? — Perguntou ela duramente.

— Longa história... — Sirius disse e lhe enviou um aviso com o olhar. — Emily, esta é Fiona O'Shea, dona da Rituum & Potions. Este é Severus Snape, ninguém importante. Mas, eles salvaram minha vida e preciso desaparecer por um tempo... essa localização está sendo vigiada... — Cansado, Sirius fechou os olhos, respirando fundo e tentando não desmaiar.

— Quão ferido ele está? — Denver se aproximou preocupada e sem se preocupar em cumprimentar ninguém.

Sirius ouviu as descrições de seus ferimentos e o que eles fizeram para salvá-lo, além de todas as recomendações para a sua recuperação.

— Ainda que chamar um curandeiro experiente não seria uma má ideia também. — Finalizou Fiona preocupada.

— Bobagem... — Sirius sorriu suavemente para Fiona. — Você deve ter feito um grande trabalho... Harry lhe dará um bônus quando souber...

— Tolo. Deve ser o efeito da poção para dor, só isso explica falar tanta bobagem. — Fiona disse exasperada.

— Ah não, Black não precisa estar drogado para falar bobagem, isso é parte de sua personalidade. — Disse Denver e Snape bufou tentando esconder o divertimento.

— Eu digo isso a anos e ninguém acredita em mim. — Disse ele e avaliando a mulher com atenção perguntou. — E, afinal, quem é você?

— Não é da sua conta, Snape... — Sirius disse o encarando com irritação. — Podemos ir? Não quero que os aurores me encontrem ou que Greyback resolva tentar sua sorte invadindo.

— Ele já tentou e o coloquei para correr. — Snape respondeu com frieza. — Greyback sabe o que posso fazer com ele e não tentará sua sorte aqui, mas poderia segui-lo e encontrá-lo, Black. Ele me pareceu muito determinado.

— Bem, deixe-o vir, vou adorar conhecê-lo. — Denver disse com frieza. — Quem é esse Greyback afinal?

— Te contarei tudo depois... — Sirius tentou se levantar e gemeu.

— Aqui. — Denver o ajudou e Sirius se apoiou em seu ombro. — Consegue ir até o ponto de aparatação ou devemos tentar o flu?

— Flu... — Sussurrou fracamente. — Não quero que sejamos vistos...

— Ok. — Denver o encaminhou para a lareira.

— É melhor irem para o Saguão que é uma lareira pública e depois partirem para o seu lugar. — Fiona disse os acompanhando de perto. — Melhor que tentar ligar minha lareira com a sua, poderia deixar pistas para traz.

— Isso é bom... — Denver falou com voz tensa por aguentar o peso de Sirius. — Obrigado.

— Obrigado, Fiona... — Sirius disse em um sussurro e, um segundo depois, sentiu o movimento brusco do flu.

O mundo girou e ele teria caído quando pararam, mas Denver o segurou com firmeza. Outra vez o mundo girou e Sirius perdeu a noção de tudo, quando a escuridão se aproximou.

— Vamos lá, Sirius... mais alguns passos, você consegue... — Denver disse e, praticamente o carregou até a sua cama, onde o deitou não tão suavemente. — Porra... Você é pesado, homem...

Mas não houve resposta, pois Sirius havia finalmente desmaiado.

— Bem, pelo menos você realizou o seu plano de se enfiar na minha cama. — Disse Denver ironicamente.

O som da batida ecoou no silêncio do corredor e, em segundos, a porta se abriu bruscamente. Harry se deparou com Flitwick, mas percebeu que ainda estava invisível e teve alguns segundos a mais para se recompor enquanto entrava na sala e tirava a capa.

— Tenho boas notícias. — Disse ele, decidindo ir ao ponto da questão e evitar perguntas, para as quais, teria que responder com mentiras. — Sei onde é a entrada e como abri-la, assim, podemos colocar nosso plano em movimento amanhã.

Harry olhou para os amigos e seu Chefe, suas expressões eram das mais sombrias.

— Harry...

— O que? — Seu coração disparou e seu olhar foi para o mapa temendo que algo de ruim tivesse acontecido com Ginny nos segundos em que não olhava. — Algo aconteceu?

— Não. — Flitwick apontou para a mesa onde havia chá, leite, chocolate quente, sanduíches e biscoitos. — Sei que não jantou ainda, assim, vamos nos sentar e conversamos.

Harry não tinha a menor fome, seu estômago ainda estava embrulhado com o cheiro de sangue... "Não pense! " Sua mente gritou e ele decidiu comer para não atrair a atenção. Sentando-se na poltrona azul, pegou alguns sanduíches em um prato e um chocolate quente para se aquecer. Logo na primeira mordida, percebeu que estava com muita fome e, olhando para o relógio, soube o porquê. Já eram quase 11 horas da noite e sua última refeição, o chá da tarde, tinha sido a quase 6 horas.

— O professor pediu para a Mimy trazer os sanduíches e ela fez os seus favoritos, como sempre. — Disse Terry tentando desfazer a tensão

Harry sorriu enquanto mastigava, tentando afastar os sentimentos negativos.

— Algo aconteceu? — Voltou a perguntar tentando aparentar tranquilidade.

— Primeiro nos conte o que aconteceu no banheiro e quais as suas impressões. — Pediu Flitwick, claramente curioso.

Respirando fundo e agradecendo por estar ocupado com a comida, Harry engoliu e resumiu os fatos, com grandes buracos.

— Fiquei esperando no banheiro, dei uma olhada em volta, mas, não encontrei nada que parecesse com uma parede secreta ou alçapão, mas, de repente, a pia rangeu. — Ele tomou um gole do seu chocolate. — Eu espiei um pouco e vi a grande pia circular do meio do banheiro se abrir e um buraco apareceu no lugar. Não pude ver dentro da abertura, pois ouvi passos, assim, me afastei para mais longe e fechei os olhos. Com minha magia, pude ver a magia da Ginny e ouvi o Tom falando com Freya... — Harry comeu mais do seu sanduíche para ganhar algum tempo. — Ele estava muito zangado com ela por falhar em me matar, mas que a prioridade agora era encontrar outra pessoa para escrever em seu diário. Riddle disse que procuraria amanhã no café da manhã, já que tinha perdido o jantar, por alguém vulnerável e depois levaria a Ginny até a Câmara para Freya matá-la. Um pequeno petisco, ele a chamou.

A raiva era possível de identificar em sua voz, mas sua expressão continuou calma.

— Então, ele percebeu que ela está lutando e tentando destruí-lo. Como, se não pode ler os pensamentos? — Neville perguntou confuso.

— Você acha que ela escreveu e contou a ele? — Terry perguntou franzindo o cenho.

— Não. Ginny estava muito decidida a destruir o diário, não acredito que escreveria e muito menos contaria seus planos. — Harry disse convicto. — O problema é que não sabemos que tipo de ligação mágica ou emocional ela tem com o diário... — Ele pegou o mapa e colocou sobre a mesa. — Ela está em seu quarto e voltou a ser a Ginny, está parada assim a muito tempo, acredito que deve estar dormindo. No caminho até aqui, estive pensando que poderíamos ir até o seu quarto e pegar o diário, quer dizer, durante todo esse tempo em que ele esteve comigo, Riddle não conseguiu assumir. Isso deve significar que Ginny tem que estar com o diário, tocando-o, talvez, para que Riddle fique forte e possa assumir.

— Harry... — Flitwick hesitou e Harry voltou a se tencionar.

— O que? Porque está tão hesitante, senhor?

— Esse objeto, os meninos me explicaram e quero ouvir tudo o que sentiu quando escreveu nele, suas impressões, tudo. — Flitwick pediu sério.

Harry acenou e fez o que ele pediu, quando terminou percebeu que seu professor estava meio pálido.

— Professor?

— Eu... não quero acreditar, mas... — Flitwick passou a mão pelo rosto meio assombrado. — Eu não fui criado dentro da Cidadela dos Goblins ou ensinado como os goblins que trabalham nas minas ou Gringotes são. Assim como você, Harry, um bruxo, mas, crescendo no mundo trouxa sem aprender nossa cultura. — Harry acenou entendendo. — Meus pais, me mantiveram escondidos e os goblins souberam da minha existência quando eu já era adulto e capaz de me defender. Já lhe contei que me tornei um campeão de duelo por pura necessidade de sobrevivência e, foi por isso, que ganhei algum respeito dos goblins. Não aceitação, entenda, não posso viver na Cidadela ou trabalhar no Gringotes, muito menos saber os seus segredos de metalurgia, mas, a família da minha mãe, me acolheu o suficiente para me ensinar algumas coisas importantes. Sua intenção era me ensinar a maneira goblin de se defender, entendem? Eu era muito bom em Defesa, Feitiços, esgrima e até tinha aprendido algumas lutas marciais. Mas, foram meu tio e avô que me ensinaram sobre como encontrar magias escuras, como encontrar tesouros e desfazer alas e armadilhas mágicas que te matariam dolorosamente em segundos.

— Como um Quebrador de Maldições? — Perguntou Terry interessado.

— Sim, mas, entendam que não tenho o conhecimento ou experiência de um Quebrador, apenas, minha família goblin queria me ensinar o básico sobre as coisas sombrias que existem no mundo e como um goblin pode destruí-lo ou superá-lo. — Flitwick sorriu carinhosamente. — Acho que eles queriam se exibir um pouco, sabe, me fazer sentir que ser um goblin é melhor que ser um bruxo.

— Entendi. — Harry pensou com atenção no que seu professor estava tentando dizer. — E, seja o que for esse diário, foi mencionado por eles?

— Sim..., mas... — Flitwick suspirou parecendo perdido. — Isso que estou pensando, que eles me descreveram a tantos anos... Harry, é algo raro, abominável e, se for o que penso... Se Voldemort fez isso...

— O que é, professor? — Neville perguntou suavemente.

— Não ouso lhes dizer, não. — Flitwick negou com a cabeça. — Pelo menos até confirmarmos e, então, não terei escolha, mas... não, é melhor nunca saberem de algo assim.

— Ok, mas, ainda podemos ir buscá-lo e destruí-lo? — Harry perguntou preocupado.

— Sim, em teoria, mas... — Flitwick observou o mapa. — Ginny tem uma ligação com esse diário e ele, claramente, pode influenciá-la, sua mente, emoções, magia. Riddle consegue assumir e controlar o seu corpo e quem sabe o que mais, que não podemos imaginar. Ela está lutando, sua magia está lutando, sua mente, sua alma e ela pode vencer... O que quero dizer é que, se tirarmos o diário dela quando Ginny está nessa missão para se redimir e destruí-lo, poderíamos destruí-la no processo.

— Quer dizer que devemos deixar que ela destrua o diário? — Terry perguntou confuso.

— Não exatamente, primeiro, destruir esse diário não será tão simples e esse é apenas um dos nossos problemas. — Flitwick parecia muito preocupado. — O que quero dizer, é que não sabemos a extensão da ligação da Ginny com esse diário e, é possível que, se essa ligação não for quebrada antes de destruí-lo, Ginny poderia não sobreviver.

— O que? — Harry empalideceu de pavor.

— Pense no que o Neville disse sobre os Dementadores, como eles se alimentam de bons sentimentos e podem sugar a alma com um beijo. Essa conexão horrível, nos destrói a alma e tudo se acaba. — Flitwick parecia meio enojado. — Ginny e esse objeto tem algum tipo de ligação, mágica e emocional, acredito. Imagine que nós o pegamos e o destruímos, sem que ela ao menos saiba disso, quebramos a ligação, sabemos com certeza que a Ginny ficará bem? Fisicamente existe um risco, mas, suponhamos que sim, ela sobrevive a destruição do diário, como será quando acordar e perceber o que fez, involuntariamente? Harry, você disse que suas palavras foram que era tudo culpa dela, mas, que ela resolveria a qualquer custo.

— Sim. — Harry disse e bagunçou mais os cabelos. — Ela parecia muito angustiada, desesperada e se sentindo culpada. Então, o senhor acredita que se simplesmente a salvarmos sem que ela participe da luta e destruição do diário, isso lhe faria mal emocionalmente e, talvez, até fisicamente?

— Sim, ela está lutando e devemos ajudá-la a quebrar essa ligação por si própria. Sabemos que essa é uma conexão parasitaria, pois Riddle está se alimentando de sua magia e emoções, quando Ginny conseguir quebrar essa conexão, acredito que destruir o diário não será um risco a sua vida. — Flitwick explicou e os meninos acenaram. — Além disso, emocionalmente, ela estará mais forte, pois sentirá que se redimiu ao lutar contra Riddle, por vencê-lo. Compreendem?

— Sim. — Harry disse e olhou para o mapa. — Eu também não iria querer ser salvo, me sentiria muito melhor se o destruísse por mim mesmo ou pelo menos se conseguisse quebrar essa conexão porquê... — Harry acenou pensativo. — É essa conexão que dá poder a ele sobre a Ginny, é o que lhe permite mexer com suas emoções, pensamentos, controlar o seu corpo... Se conseguirmos que a Ginny quebre essa conexão, ela estará livre e isso seria importante.

— Além disso, se existe a possibilidade de que ela morra se destruirmos o diário sem quebrar essa conexão, me parece que não devemos arriscar. — Opinou Neville ansioso.

— Então, o que fazemos? — Terry olhou para o nome da Ginny no mapa. — Deixamos que Tom a leve para a Câmara e colocamos nosso plano em prática?

— Antes de mais nada, precisamos de uma maneira de destruir aquele diário. — Flitwick disse e seu tom era muito sombrio. — Harry, acredito que temos que pedir ajuda a Dumbledore.

— O que? Mas... professor, o senhor o ouviu, Dumbledore não se dispôs a esconder e proteger a garota que estava sendo controlada por Voldemort. — Harry disse tenso. — Olha, antes de seguirmos por esse caminho, o senhor precisa nos dizer o que é esse objeto e como destruí-lo, assim, com mais informações, podemos decidir.

— Não vou lhes dizer o que é, até ter certeza, porque, se não for isso, não quero que tenham o conhecimento de que algo tão escuro existe. — Flitwick disse com firmeza. — Mas, se for o que estou pensando, ele pode ser destruído com fogo maldito ou por algo que impeça a sua regeneração. Fogo normal, água, rasgar, explodir... nada disso funciona porque a magia negra inserida no objeto a regenera.

— Como se estivesse viva... — Harry disse suavemente, pois essa era a sensação que tinha do diário, como se ele estivesse vivo. — O diário precisa ser morto e por algo que seja tão poderoso como o fogo maldito.

— Não é uma questão de poder, o fogo maldito destrói tudo a sua frente e não existe contrafeitiço, apenas feitiços de contenção que são usados até que a magia ou ódio que geraram o fogo se acabe. Precisa ser algo que não tem reversão, um contrafeitiço ou antídoto...

— Antídoto? — Harry arregalou os olhos na mesma hora. — Como um antídoto para um veneno? O de um basilisco, por exemplo? Ou, uma acromântula?

— Hum... sim, de basilisco, com certeza, pois, apenas as lágrimas de uma fênix podem combatê-lo, como sabemos. — Flitwick disse pensativo. — De uma acromântula... não creio, porque existem antídotos, uma cominação de bezoar e poções antivenenos. No entanto, são poções muito difíceis de se preparar e o bezoar apenas retarda a progressão do veneno. Se você for picado por uma acromântula, a chance de sobrevivência é mínima, sinceramente, assim, é possível que o seu veneno destrua o diário, mas...

— Não há como ter certeza... — Harry pegou sua adaga e a observou. — Se conseguisse contato com o veneno da Freya, o Athame seria o que precisamos, pois, seu metal élfico pode absorver substancias ou essências mágicas.

— Mas, se você matar a Freya como planejou, não haverá corpo e não acredito que durante a luta, você conseguirá levar a adaga para suas presas venenosas. —Considerou Terry.

— Talvez, mas posso tentar. — Harry disse dando de ombros. — Além disso, podemos usar veneno da acromântula também e, quem sabe, funcione. Acredito que o fogo maldito seria o último recurso.

— Um recurso que me recuso a tentar na presença de vocês três. — Flitwick disse com firmeza. — É uma maldição dificílima de fazer e ainda mais de se controlar. E, é por isso que sugeri pedirmos ajuda ao Dumbledore, ele poderia realizar algo assim sem grandes riscos e, acredito que todos concordamos, o diretor tem que ser informado sobre a existência desse diário.

— Senhor, acredita que Dumbledore respeitará o direito da Ginny de lutar contra o Riddle? Se houver um risco de que ela morra quando destruirmos o diário, tem certeza que isso o impedirá? — Harry perguntou objetivamente. — Talvez, esteja sendo muito duro e desconfiado, Dumbledore não é mal, mas, é indiferente e passivo demais e sempre me deu muitos motivos para desconfiar dele. Não vou arriscar a vida da Ginny esperando a sua boa vontade.

— Eu também não. — Neville disse com firmeza. — Não aceitarei que ela seja sacrificada por ninguém, mesmo se o próprio Merlin aparecesse aqui, eu não concordaria com isso.

— Muito bem. — Flitwick disse pensativo e orgulhoso. — Eu concordo com vocês, mas temo que nosso plano precisa ser repensado. Temos que considerar não destruirmos o diário depois que a Ginny quebrar a conexão e sim, levá-lo até o diretor, para que ele o destrua, sem dar informações de como o conseguimos.

— Eu gosto disso, era o nosso plano antes do diário ser roubado. — Terry disse e olhou para o Harry. — Mas não acho que você concorde.

— Se o senhor disser que Dumbledore precisa do diário... vivo, para descobrir o que ele é. Se, o veneno da acromântula não funcionar e o fogo maldito não for uma opção, suponho que não teremos escolha. — Harry disse decidido. — Mas, acredito que devemos tentar, principalmente porque eu quero muito ter a satisfação de destruí-lo e penso que Ginny precisará ver isso também.

— Se o entregarmos para Dumbledore destruí-lo, a Ginny não poderá ver, pois sua identidade não será revelada. — Flitwick acenou concordando. — Ok, podemos tentar, mas... — O professor franziu o cenho de repente como se percebesse algo. — Espere um momento, que veneno de acromântula? Por um acaso, você tem isso na sua bolsa?

— Não, mas eu tenho um amigo que conhece uma. — Harry disse sorrindo com malícia.

Alguns minutos depois, Harry e Flitwick, invisíveis, bateram na porta da cabana de Hagrid. O frio era intenso e a noite muito escura, o céu nublado e prometendo mais neve em breve.

— Tem certeza que não quer que eu vá com o senhor? — Perguntou Harry mais uma vez ao Flitwick.

— Tenho. — Seu Chefe respondeu com firmeza e eles ouviram passou, latidos e, então, Hagrid abriu a porta segurando a besta e vestindo um gigantesco pijama de flanela laranja. — Merlin me ajude!

— Quem... Harry? — Hagrid, sonolento e descabelado, sussurrou ao não encontrar ninguém na porta, como aconteceu mais cedo.

Ele e Flitwick entraram, tiraram a capa e Hagrid arregalou os olhos ao ver o professor.

— Hagrid, você disse que queria ajudar e agora é o momento. — Harry falou com firmeza.

— O que você precisa, Harry? — Hagrid disse depois de um segundo de espanto.

— Precisamos que você leve o professor Flitwick até onde Aragogue vive e nos consiga veneno de acromântula. — Ele disse e viu seu amigo abrir aboca de espanto.

— O que..., mas... veneno... Aragogue... quando? — Hagrid se confundiu afastando a cabeleira do rosto.

— Agora, Hagrid. — Flitwick disse muito sério. — Harry me disse da sua disposição em nos ajudar e é urgente que tenhamos acesso a esse veneno.

— Para impedir o Tom? — Hagrid sussurrou e olhou pela janela tenso. — Não tenho medo de dizer esse nome, mas, ainda fico com a sensação de que o maldito poderia aparecer.

— Sim, Hagrid. Eu lhe disse que tínhamos um plano e precisamos de um veneno mortal para nos ajudar a deter o Tom. — Harry o informou suavemente.

— Bom, se é assim, eu ajudo. Aragogue também ficará feliz em ajudar, tenho certeza. — Hagrid disse determinado. — Se me derem licença, me arrumarei em um instante.

Harry e Flitwick voltaram a ficar invisíveis e esperaram por alguns minutos até o Hagrid de sempre aparecer.

— Venham comigo. — Ele sussurrou e todos caminharam até bem perto das árvores da Floresta Proibida.

— Onde vamos, Hagrid? — Flitwick perguntou quando pararam. — Pensei que deixaríamos Hogwarts pelos portões.

— Não. Aragogue vive na Floresta, professor. — Disse Hagrid ajeitando a besta no ombro.

— Tem uma acromântula gigante vivendo na Floresta Proibida? — Flitwick parecia chocado.

— Bem..., hum, quer dizer, sim, mas ela vive muito longe daqui. — Hagrid parecia um pouco constrangido e seu rosto ficou claramente corado, apesar da noite escura.

Harry teve a impressão de que estava escondendo algo, mas decidiu que não queria saber.

— Nos separamos aqui, professor. — Ele disse suavemente.

— Você não vem, Harry? — Hagrid pareceu desapontado. — Queria lhe apresentar meu amigo, Aragogue.

— Hum... talvez, uma próxima vez, Hagrid. — Harry disse meio desconcertado. — Preciso ficar, o professor me quer descansado para o que virá amanhã.

— Harry, não devemos demorar, assim, me espere. — Flitwick parecia muito tenso.

— Eu esperarei, professor, como combinamos, mas temos um prazo. — Harry disse sincero. — Assim, se puder refazer os feitiços...

— Ok. — Flitwick acenou com a varinha em profunda concentração. — Neville e Terry também estão sem cheiro e som, apenas por precaução, mas, não acredito que será necessário. Desceremos para a Câmara Secreta juntos.

Harry apenas acenou, se cobriu com a capa e voltou para o castelo. Ele entrou no escritório de Flitwick, que se tornou uma espécie de quartel e encontrou Neville arrumando os colchonetes conjurados por Flitwick, enquanto Terry observava o mapa.

— Voltou rápido. — Terry observou.

— Hagrid não fez perguntas e concordou sem problemas, na verdade, parecia ansioso em ir visitar seu amigo Aragogue e se mostrou desapontado que não irei conhecê-lo. — Harry disse sarcasticamente.

Os amigos riram meio chocados, meio divertidos.

— Não sei como podemos rir depois da noite que tivemos. — Disse Terry sem tirar os olhos do mapa. — Você acha mesmo necessário vigiarmos a Ginny?

— Sim, absolutamente. — Harry se aproximou. — Não podemos correr o risco de que Ginny acorde mais cedo, talvez com um pesadelo e Riddle assuma, a leve para a Câmara e a mate, enquanto estamos dormindo sossegados. Somos os únicos que sabem o que está acontecendo e que podem ajudá-la.

— Além disso, decidimos não tirar o diário dela enquanto estiver dormindo e... — Neville parecia muito angustiado. — É nossa responsabilidade o que acontece com a Ginny agora, precisamos protegê-la.

— Ok. — Terry suspirou e acenou para os dois. — Podem dormir, pego a primeira vigilância.

— Nos revezaremos. — Harry olhou para o relógio. — Agora é meia noite, uma hora de sono para cada um e, às 3 da manhã, nos preparamos para descer. Se Flitwick não chegar até às 4 horas, descemos só nós três. Entendido?

Os dois amigos concordaram e Harry se deitou em seu colchonete. Neville e Terry sussurraram sobre algo antes do seu amigo Gryffindor se deitar no colchonete ao lado. Harry tinha certeza que teria dificuldade para dormir ou teria pesadelos, assim, se concentrou em sua meditação buscando alguma paz, forçou os acontecimentos do dia para uma classificação de importância, mantendo Ginny e o conhecimento de que ela era a garota que ele procurou por tantos meses, bem no começo da sua consciência. Nem percebeu quando dormiu, um sono pesado e reparador, seus sonhos eram sobre fitas vermelhas e quentes, suaves como seda, que o acariciavam e Harry sentiu uma grande paz ao ser cercadas por elas.

— Harry, acorde, está na hora. — Terry o chamou e ele despertou na mesma hora, completamente alerta.

— Minha vez de vigiar o mapa? — Ele perguntou se sentando.

— Não. Neville e eu no revezamos sozinhos, achamos melhor deixar que dormisse mais tempo. — Disse Terry e apontou para Neville que observava o mapa.

— Não deviam ter feito isso...

— Harry, foi você quem foi atacado por um feitiço e ficou inconsciente a algumas horas, além do fato de que lutará contra uma basilisco de mil anos daqui a pouco. — Neville apontou objetivamente. — Acredito que devíamos ter feito isso sim.

— Ok, ok... Obrigado. — Harry se levantou e se espreguiçou. —Vocês conseguiram descansar um pouco? Onde está Flitwick?

— Sim, dormimos, apesar de tudo e o professor ainda não chegou. — Disse Terry e começou a preparar um chá bem quente para lhes ajudar a despertar e esquentar.

— Merda. — Harry olhou para o relógio. — Não poderemos esperar...

— Ainda temos uma hora, ele chegará a tempo. — Terry disse com firmeza.

Harry apenas acenou sentindo um mal pressentimento. Porque nenhum dos seus planos estavam dando certo?

Os três tomaram chá e comeram alguns sanduíches, sabiam que não haviam como saber quando tudo acabaria e estar bem alimentados era o melhor. A tensão no ar apenas se acentuou enquanto os minutos passavam e Harry se levantou quando chegaram as 3:35 da manhã.

— Não vou esperar mais, precisamos nos preparar e descer. — Harry disse com determinação. — Não correrei o risco de ter todo o plano perdido.

— O que você acha que o atrasou? — Terry estava muito tenso.

— Não sei, mas... espero que os dois estejam bem. — Harry moveu os ombros tentando tirar a tensão. — Deve ser apenas uma longa caminhada, quer dizer, Hagrid disse que Aragogue vive muito profundamente na Floresta.

— Espera... — Neville ficou meio pálido. — Tem uma aranha do tamanho da cabana do Hagrid vivendo na Floresta?

— Sim, mas não podemos pensar nisso agora, temos que seguir em frente. — Harry disse tentando trazê-los ao jogo e, felizmente, os viu se levantar e endireitar os ombros com determinação.

— O que faremos em relação ao mapa? Um de nós desceria, mas ficaria na retaguarda para observar os movimentos. — Terry perguntou.

— Sei quem pode nos ajudar com isso. — Harry sorriu com certa frieza. — Acredito que é hora de acordá-los e tornar suas noites bem difíceis.

Harry entrou na torre Gryffindor com a senha e subiu até o 4 andar. Bateu na porta firmemente, mas, não muito alto, fez isso mais duas vezes até que George apareceu sonolento, confuso e cabelos bagunçados, vestindo um pijama azul claro com a barra quase no meio da canela.

— O que... Harry? — George se mostrou chocado quando Harry tirou a capa e entrou.

— Feche a porta. — Ele disse friamente. — Vá acordar o Fred.

George estava tão perdido que hesitou sem saber o que fazer direito, mas, automaticamente fechou a porta.

— Porque... quer dizer, o que está fazendo aqui de madrugada?

— Não precisa acordá-lo, eu faço isso. — Harry se moveu de um quarto para o outro por uma abertura bem larga na parede que os meninos tinham exigido quando souberam que ficariam em quartos individuais. — Fred! — Harry chamou sem se preocupar em falar baixo e acendeu as luzes do quarto.

George o seguiu de boca aberta e Fred pulou assustado ao ouvir seu nome gritado. Seus olhos se fecharam com a luminosidade e sua expressão era cômica de tanta confusão.

— O que? George? Harry? O que...

— Vistam-se. — Harry disse ainda frio e duro, tentando muito não explodir sua raiva. — Tenho uma missão para vocês.

— A essa hora? Que porra, cara! — Fred ficou irritado ao ver as horas. — São quase, 4 porra da madrugada!

— Harry, você está bem? Está agindo todo estranho... — George disse o encarando preocupado.

— Não, eu não estou bem. — Harry rangeu os dentes tentando controlar a raiva. — Estou furioso... absolutamente possesso... Vocês não fazem ideia de como queria... Mas, não posso pensar ou fazer isso agora, preciso dos dois e tem que ser agora. Vistam-se!

— Olha, você pode ser o nosso sócio, mas não é o nosso chefe, sacou? — Fred disse zangado. — Assim, nem pense que pode vir aqui e nos dar ordens, ainda por cima a essa hora. Se George quiser te ajudar, problema é dele, mas eu vou voltar para a cama...

— Reducto! — Harry apontou para a cama com toda a sua raiva e a explodiu em pó.

— Porra! — Fred saltou para longe. — Você enlouqueceu!?

— Vocês vêm comigo, agora, nada de bons sonhos para nenhum de vocês e por um bom tempo, espero. — Harry disse e viu como estavam completamente abismados. — Vistam-se!

— Ok, nós vamos, parece ser algo sério e importante. — George disse e lançou ao irmão um olhar que o mandava calar a boca.

Em 5 minutos, eles caminhavam de volta para o quinto andar. Os gêmeos estavam desiludidos e Harry sob a capa. Ele bateu na porta do escritório que foi aberta e os três entraram, voltando a visibilidade.

— Flitwick? — Harry perguntou na mesma hora.

— Nada ainda. — Terry respondeu sem tirar os olhos do mapa.

— Tem certeza que podemos confiar nestes dois idiotas? — Neville perguntou com frieza.

— Ei! — Fred pareceu indignado com o comentário. — Olha, eu não sei o que raios está acontecendo, mas quero algumas respostas do porque fui retirado à força da minha cama a essa hora e ainda sou chamado de idiota.

Harry os encarou ainda frio e duro, Terry não se preocupou em lhes dirigir um olhar e Neville parecia querer estrangulá-los.

— Quando chegamos a Hogwarts em setembro, na reunião no Covil, eu lhes contei sobre Dobby, Malfoy e como era importante observarmos e percebermos qualquer coisa estranha, fora de lugar ou alguém que não parecia muito com ele mesma. — Harry disse e os viu acenar. — Depois, lhes perguntei se os Lovegood poderiam ser desafetos dos Malfoys e vocês disseram que não, mas que os Weasleys eram.

— Isso tem a ver com o herdeiro? Ou aquela sua ideia de que poderíamos ser alvos? — Fred perguntou parecendo perdido e chateado. — Estamos todos bem, Harry, nenhum de nós foi petrificado ou atacado...

— Não? Tem certeza? Estão certos que todos os 5 Weasleys estão bem? — Harry perguntou e viu suas expressões confusas se tornarem levemente preocupadas, mas foram os olhos de George que mostraram algo. — Ah! Aqui, George... bem aqui, esse pensamento, algo não lhe parece tão bem? Porque não compartilha.

— Não é nada... eu, quer dizer... — George parecia meio perdido e seu rosto se fechou um pouco. — Minha irmã Ginny, ela tem agido um pouco... não sei explicar...

— Tente. — Harry disse com frieza.

— Olha, Ginny é muito corajosa e brincalhona, está sempre falando e falando, temos que pedir que cale a boca, mas, ultimamente, bem... não a vejo muito e, quando a encontro, ela anda meio calada, sem muitos sorrisos. — George olhou para Fred que deu de ombros porque não percebeu nada disso.

— Eu não percebi, porque não a vemos muito, mas, me parece normal, com toda a tensão da escola e com dois dos seus amigos petrificados... — Fred disse, mas parecia tenso. — Vocês sabem de algo diferente?

— A questão é porque vocês não sabem. — Neville disse chateado. — Harry os alertou sobre a possibilidade de vocês serem alvos, disse que a petrificação da Luna poderia ter sido um engano e o que fizeram sobre isso?

— Olha. — George disse e parecia irritado também. — Se vocês sabem de algo, queremos saber, mas não entendo como qualquer coisa disso tem a ver com a Ginny. Não passamos muito tempo com ela aqui em Hogwarts, mas, se tivesse algo errado, Ginny teria nos procurado. Além disso, nas férias de Natal, minha irmã era completamente ela mesma, toda feliz e animada.

— E, isso não lhe fez pensar? — Harry questionou tentando não julgar demais, afinal, ele também não percebeu nada. — Não você, Fred, que não percebeu que Ginny parecia meio estranha, mas George, você não ficou confuso com essa mudança de comportamento tão brusco?

— Eu... — George pareceu desconcertado ao perceber que isso deveria ter lhe chamado a atenção. — Apenas pensei que era a tensão e Luna...

— Mas Luna foi petrificada no Halloween! — Harry disse impaciente. — No Halloween! Eu lhes disse para olhar para ela, disse das possibilidades da investigação. Eu lhes disse!

— Eu... olhei, ela parecia bem... — George disse e Fred apertou os dentes sentindo raiva e culpa, porque nunca se preocupou em seguir o pedido.

— Ela não estava bem! — Harry gritou agora. — Sua melhor amiga estava petrificada e até eu percebi que ela estava triste! Vocês tentaram ajudá-la? Passaram mais tempo com ela? Perceberam que Ginny se sentia solitária?

— Não. — Fred foi sincero e engoliu em seco. — Eu... nem me lembrei do que você disse, sobre ela ser um alvo. Estávamos envolvidos nas pesquisas e... não havia tempo...

— E, ela os procurou? Tentou passar tempo com vocês? Tentou conversar? — Harry viu a culpa em seus rostos e rosnou de fúria. — Seus desgraçados! Vocês são seus irmãos! Deviam ter percebido! Eram para estarem lá quando ela precisou de ajuda!

— Eu... — George estava pálido. — Ginny disse que precisava conversar sobre algo... eu me lembro, Fred, um dia, ela me cercou na Sala Comunal e disse que era importante, mas, eu a dispensei, mandei que procurasse o Percy.

— Percy? — Neville perguntou pálido de fúria. — Aquele idiota pomposo que passa o tempo todo recriminando todo mundo por qualquer coisa? Acha que ela procuraria ele se estivesse com problemas?

— Não. — Fred respondeu seco e defensivo. — Estávamos ocupados, ok? Não tínhamos tempo para ela e Ginny tem seus próprios amigos do seu ano, não somos sua babá!

— Não é essa a questão. — Harry disse fechando os olhos e tentando se concentrar. — Ela não precisava de seus irmãos para jogos ou conversa fiada, Ginny precisava de vocês para perceberem que ela está morrendo.

— O que? — George e Fred perguntaram, pálidos e chocados. — Do que está falando?

— Onde ela está? Ginny foi petrificada?

— Não, ela está em seu quarto dormindo. — Terry respondeu levantando os olhos do mapa. — Venham ver.

— Isso é uma brincadeira? — Fred se aproximou tão rápido quanto o George. — Se é, não tem graça.

— Queríamos que fosse... — Terry apontou para o mapa. — Estamos vigiando a horas e sabemos que é sua última noite de sono.

— Voldemort a matará pela manhã. — Harry disse sem piedade e ouviu suas exclamações de choque.

— Mas...

— Não... não pode ser...

— Ela está bem, veja... — George parecia angustiado quando pegou o mapa. — Ginny está bem!

— Não está, não. — Harry disse e tomou o mapa de sua mão. — A meses! Ela não está bem a meses! E, como chegamos neste ponto? Como vocês e seus dois irmãos não perceberam nada? Eu estou furioso por ter confiado em vocês, eu sou o idiota! Eu! Deveria ter vigiado e cuidado dela por mim mesmo, mas pensei que vocês se importavam com ela!

— Nós a amamos... — George tinha seus olhos cheios de lágrimas. — Harry... Ela é tudo para nós, por favor... depois, você pode nos bater até nos matar, não me importo, mas, me diga o que houve com a minha irmã.

— Malfoy lhe deu um diário amaldiçoado no verão. — Harry disse ainda duro e frio. — Eu lhes disse, contei sobre o aviso do Dobby. Porque não levaram a sério? Porque não prestaram atenção?

— Diário? — Fred franziu o cenho. — Eu a vi escrevendo em um diário no fim do verão, era preto...

— É esse mesmo. — Harry disse e o viu arregalar os olhos. — Não sei como, Malfoy plantou o diário na Ginny...

— A briga! — George disse chocado. — Fred, a briga!

— O que é isso? — Neville perguntou confuso. Terry recebera o mapa de volta e vigiava.

George, então, contou sobre a briga de seu pai com Lucius Malfoy.

— Jesus Cristo! — Harry puxou os cabelos em fúria. — Não lhes ocorreu que isso era importante de ser dito? Por favor! Eu disse que Malfoy tinha um plano desde, pelo menos, o início do verão! Seu pai o irritou de novo e mais uma vez! Então, convenientemente, vocês se encontram com ele no Beco Diagonal no dia de compras e Malfoy provoca seu pai para uma briga! George! Isso foi de propósito! Ele precisava de uma distração para deixar o diário com a Ginny!

— Isso poderia ter sido resolvido a meses... — Terry disse, fechando os olhos de raiva. — Hermione não estaria petrificada, nós não teríamos quase morrido e... Ginny. — Ele os olhou com raiva. — Eu tenho dois irmãos mais novos e, às vezes, quero um tempo só para mim, mas nunca deixo de ser o irmão deles! Não dá para desligar! Não tem como chegar em Hogwarts e, de repente, Ginny deixa de existir para vocês!

Os dois tinham a cabeça baixa e pareciam castigados, culpados e preocupados.

— O que... esse diário... O que ele faz? — Fred tomou coragem para perguntar.

— Ele foi feito por Voldemort, magia negra... — Os meninos exclamaram de terror. — Flitwick disse que é a maior abominação que poderia existir e se recusou a nos dizer o que é exatamente. Ele foi em busca de algo para tentar destruí-lo...

— Mas, não podemos fazer isso? — George sacou a varinha. — Eu sei alguns feitiços que vão trucidar essa coisa.

— Nem Flitwick poderia fazer isso... — Harry suspirou e olhou para o relógio, mais 5 minutos e eles desceriam. — Pensem, foi feito por Voldemort e não será destruído facilmente, mas o pior... Ginny desenvolveu uma ligação ou conexão mágica e emocional com o diário.

— O que? — George se sentou, pois, suas pernas bambearam.

— O diário responde de volta, usando a tinta que escrevemos, Tom ou Voldemort é muito gentil e educado. Ginny achou que tinha um amigo mágico, mas, o diário tem alguns feitiços bem sutis que nos dá vontade de confiar e falar de si mesmo, uma sensação de segurança. — Harry caminhou de um lado para o outro enquanto explicava. — E, quanto mais Ginny escreveu, mais Tom deve ter se fortalecido, influenciando seus sentimentos ou pensamentos, mas ela não percebeu. Então, chegamos a Hogwarts e Ginny passava o tempo todo com a Luna, principalmente na nossa Torre, eu a vi sempre por lá e ela até dormiu algumas vezes no quarto da Luna.

— Não sabia disso... — Fred sussurrou assombrado ao perceber que mal se lembrava de ver sua irmã naquelas primeiras semanas.

— Mas, Tom percebeu e sabia o que tinha que fazer, tirar do caminho o que o atrapalhava. — Harry disse com dureza.

— Luna. — George parecia que ia vomitar. — O ataque a Luna...

— Sim. — Harry disse simplesmente.

— Mas... como? — Fred parecia perdido.

— Ele possuiu a Ginny, controlou o seu corpo, assumiu e atacou a Luna. — Harry disse. — Ginny estava dormindo naquele dia, mas seu corpo estava sendo controlado por Voldemort e foi assim que ele abriu a Câmara Secreta e atacou a Luna, Colin, Hermione e Charlie.

— Não! Não...

— Ginny jamais... ela... você não a conhece! Minha irmã nunca machucaria ninguém! Muito menos a Luna! — George disse, branco feito um cadáver.

— Ela não sabia! Seus tolos! — Neville disse irritado. — Não entendem! A conexão que ela formou com o diário o alimentou com sua magia, o fortaleceu enquanto Ginny ficava mais e mais fraca! Ele está matando-a lentamente! Foi assim que ele conseguiu assumir e controlar o seu corpo, suas emoções! Ginny está estranha e triste porque Voldemort está em sua cabeça a fazendo se sentir triste, solitária, culpada, rejeitada! E, quando ela lutou contra ele, quando ela tentou se soltar de suas garras, Voldemort lhe tirou a sua melhor amiga para que Ginny ficasse sozinha. — Neville riu sem humor. — Ele não precisou atacar vocês dois ou Ron e Percy! Porque vocês a deixaram sozinha por si mesmos. Ajudaram ele a prendê-la, amarrá-la e, mesmo quando Ginny percebeu o que estava acontecendo... ela não procurou por vocês. Ela não pediu ajuda e isso porque não confia em vocês, como poderia se mal se lembram que tem uma irmã.

Os dois adolescentes não responderam, estavam em lágrimas e pálidos.

— Ela sabe? — George disse horrorizado com tudo o que ouviu.

— Desde o ataque a Caverna. — Harry disse. — Ginny é muito forte, está lutando contra Voldemort a meses e acredito que pode vencê-lo. Foi um dos motivos que não desconfiamos dela, pensamos que teria que ser alguém mais velho, porque seria magicamente mais forte. — Ele suspirou e percebeu que o tempo para explicações acabou. — Precisamos ir...

— Espere! — Fred disse chocado. — Como vocês sabem disso tudo? E, se o diário está com a Ginny, porque não vamos lá e o pegamos?

— Sim! — George se levantou cheio de energia ansiosa. — Devemos fazer isso agora! E, se Flitwick não pode destruí-lo, pedimos ao Dumbledore, afinal, ele é... Dumbledore.

— Acha que é tão simples assim? — Harry perguntou levantando a sobrancelhas. — Acredita que teria lhes tirado da cama se, por um acaso, destruir o diário fosse o maior dos nossos problemas?

— Que parte de Ginny está morrendo ou Voldemort irá matá-la, vocês não entenderam? — Neville perguntou duramente.

— Mas... — George parecia perto de desmoronar. — Temos que salvá-la...

— Sim, e nós vamos, foi por isso que lhes chamei. — Harry disse suavizando o tom, dava pare ver como eles estavam arrasados. — Precisamos da sua ajuda.

— Claro. — Fred sacou a varinha e parecia pronto para lutar. — Onde vamos ou que faremos?

— Vocês ficarão aqui. — Harry disse com firmeza. — Temos um plano e acredito que salvaremos a Ginny, mas precisamos que vigiem o mapa, se algo mudar, vocês nos contatarão pelo espelho e...

— Espera! — Fred gritou em protesto. — Não ficaremos para traz! Nós vamos com vocês e ajudaremos!

— Sim! Sabemos mais magias que vocês e... Porque raios vocês, 3 segundos anos tem que fazer isso? Podemos chamar os aurores, Dumbledore, Vector... — George parecia que deixaria o escritório para fazer exatamente isso.

— Sim, façam isso e depois podem visitar sua irmã em Azkaban. — Harry disse apontando a porta, mas suas palavras os fizeram se paralisarem completamente.

— O que...

— Azkaban? — George parecia engasgado.

— Você acha que os aurores estão aqui para salvar a Ginny? Ou para detê-la? Prendê-la? — Harry perguntou com as sobrancelhas arqueadas. — Eles sabem, Moody e King, que o responsável é Voldemort, mas como provaremos isso? Todos pensam que ele está morto e o Ministro quer fazer uma prisão desesperadamente, para tentar limpar sua imagem e vencer as eleições.

— Mas..., mas, Ginny não é culpada... — George disse apavorado.

— Claro que não, a questão é que ela parecerá a culpada e, mesmo se conseguirmos provar a influência do diário, ainda haverá uma investigação, talvez, um julgamento. A história chegará aos jornais e ninguém nunca esquecerá. — Harry disse engolindo em seco. — Dumbledore disse que lutará para que ela não seja presa, que sua punição seja revertida em expulsão de Hogwarts, até porque os pais dos outros alunos não quererão que ela fique perto de seus filhos.

— Expulsão... julgamento...

— Merlin! — Fred puxou os cabelos em choque e com raiva. — Esses desgraçados! Ela só tem 11 ano pessoa com o coração mais grande desse mundo, eles não podem fazer isso.

— Achamos que foi por isso que ela não pediu ajuda. — Disse Neville e parecia arrasado. — Ginny sabe que os adultos podem denunciá-la aos aurores e teme confiar em seus amigos ou irmãos, pois poderiam contar para os professores.

— E, ela está certa. — Harry disse severamente. — Seu primeiro instinto foi correr para Dumbledore ou Vector, Ginny fez bem em não confiar em vocês, mas o fato é que ela está tentando resolver tudo sozinha e precisamos ajudá-la. Sabemos como, estamos prontos para isso a semanas, antes mesmo de sabermos quem era a garota controlada por Voldemort.

— Ok. — Fred disse e os irmão trocaram um olhar. — Mas queremos ajudar, ela é nossa irmã, você não pode nos impedir.

— Posso sim, tiro suas varinhas e os acorrento na cadeira se for necessário, assim, não me testem. — Harry falou com frieza. — Vocês não sabem o que faremos ou como e porque agiremos assim. Nós treinamos e planejamos a semanas, vocês apenas atrapalhariam, o que preciso é que vigiem o mapa. Se Ginny acordar e Tom Riddle assumir, vocês usam o espelho para nos contatar.

— Tom Riddle? — George estava confuso. — Quem é esse? E, como vocês sabem tudo isso?

— Como descobriu que a Ginny está com esse diário? Na verdade, como sabe tanto sobre esse diário? E...

— Calem a boca! — Neville falou irritado. — Nosso tempo é curto e não temos como explicar tudo em detalhes, isso terá que esperar. Harry já disse que temos um plano para salvar a Ginny e precisamos agir agora! Vocês ficam aqui e vigiem, não saiam, não chamem a atenção de ninguém, não contatem ou avisem ninguém, mesmo seus irmãos.

— Isso é importante. — Harry disse seriamente. — Não importam o que vejam nesse mapa, vocês não podem fazer nada, muito mesmo tentar interceptar a Ginny. Nós desceremos a Câmara e esperaremos por Voldemort, que é Tom Riddle e, é lá que lutaremos contra ele e a ajudaremos. Entendam que, se lutarmos aqui em cima, alguém poderia ver ou ouvir, seria muito difícil manter sua identidade em segredo.

— Flitwick deve chegar em breve, nos avisem pelo espelho assim que isso acontecer. — Neville disse e lhes entregou um dos espelhos, guardando o outro no bolso.

Os meninos pareciam perdidos, arrasados e incrédulos.

— Porque... ainda não entendi... porque não pegamos o diário e o destruímos. Porque a Ginny tem que ser levada até a Câmara? — George perguntou com voz trêmula.

— Flitwick teme que se a conexão que Ginny tem com o diário não for quebrada, ela morrerá quando ele for destruído. — Harry respondeu sombrio e os ouviu gemer de angústia e terror. — Ela está lutando, é muito forte e não desistirá...

— Essa é a Ginny, forte, guerreira... — George disse enxugando as lágrimas do rosto.

Harry o olhou levemente surpreso com o adjetivo e acenou.

— Guerreira... — ele bagunçou os cabelos pensativo. — Sim, combina com ela. Precisamos ir, o tempo já se esgotou e estamos muito perto de o plano ser todo perdido. Terry, o caminho está livre?

— Sim, ninguém nos corredores, pirraça está nas masmorras. Acredito que poderemos ir sem problemas. — Disse ele e olhou para os gêmeos. — Não tirem os olhos do mapa nem por um segundo. Entenderam?

George acenou e assumiu o seu posto encarando o mapa meio determinado, meio desesperado.

— E.… esperem, apenas um precisa vigiar o mapa, vocês estão sem o Flitwick, posso ir e ajudá-los. — Fred disse ansioso.

— Não. — Harry respondeu com firmeza. — Você não sabe o plano e não tenho tempo de explicar, a última coisa que preciso é que acabe morto, Fred. Além disso... ficarem aqui pensando em tudo o que não fizeram nos últimos meses, sem saber se conseguiremos salvá-la, é exatamente o castigo que merecem. Faria o mesmo com Ron e Percy se tivesse confiança que eles jamais falariam sobre tudo isso a ninguém.

Os dois abaixaram a cabeça castigados e George o encarou com olhos desesperados.

— Mas... Harry, você vai salvá-la, não é?

— Não pretendo voltar daquela Câmara sem ela. — Respondeu com determinação.

Depois, ele tirou a capa e se cobriu junto com Terry e Neville. A caminhada para o banheiro foi curta e sem surpresas, quando chegaram ao banheiro, Harry se posicionou em frente a pia.

— Se algo der errado, usem o espelho e...

— Nada dará errado, Harry, estamos prontos e venceremos. — Neville disse com firmeza.

— Eu sei que pode fazer isso, Harry, confio em você. — Terry reafirmou com convicção.

— Bem, lá vai. Abra. Não, isso é inglês... Abra. — Harry franziu o cenho e visualizou uma cobra. — Abra.

Finalmente, ele disse em ofidioglossia e um rangido foi ouvido. No segundo seguinte, a pia começou a se deslocar; a pia, na realidade, sumiu de vista, deixando um grande cano exposto, um cano largo o suficiente para um homem escorregar por dentro dele. Harry desta vez observou com atenção e percebeu que esse cano íngreme não combinava com os passos que ouviu mais cedo.

— Acho que haviam escadas. — Ele sussurrou para os amigos. — Mas, descer por elas demorará muito, o melhor é deslizarmos pelo cano... — Ele engoliu em seco ao perceber que deveria haver sangue de Lockhart caído pelo caminho. — Pensando melhor, ir devagar será melhor, pois podemos chegar a Câmara com mais cautela. — Sem esperar por uma resposta, continuou. — Escadas.

E, o chão do cano se reestruturou com um barulho de pedras se esfregando e escadas apareceram.

— Legal. — Terry disse e parecia pensativo. — Adoraria saber os encantos que Slytherin usou.

— Podemos investigar depois. — Concordou Harry, depois guardou a capa, sacou a varinha e iniciou a descida. — Lumus.

Terry e Neville o seguiram, mantendo as varinhas livres para qualquer coisa. As escadas seguiam sempre bruscamente para baixo e haviam canos saindo para todas as direções, mas nenhum tão largo quanto aquele em que estavam. Harry perdeu a noção de distância enquanto desciam cada vez mais fundo sob a escola, para além das masmorras mais fundas.

— Isso está demorando muito. — Sussurrou irritado consigo mesmo por escolher as escadas. — Vamos tentar ir mais rápido, acendam suas varinhas também para verem os degraus.

Os três começaram um trote leve e, quando o cano, finalmente, nivelou, Harry diminuiu o passo.

— Irei a frente, esperem aqui. — Ele fechou os olhos, apagou a varinha e sentiu sua magia se expandir pelo ambiente, mas havia apenas escuridão, nenhum ser vivo mágico.

Ainda assim, ele continuou pelo cano até chegar ao fim e pisar em outro ambiente, Harry olhou em volta e, depois de ter certeza que a basilisco não estava ali, abriu os olhos. O lugar era um túnel de pedra úmido e escuro, suficientemente amplo para uma pessoa ficar de pé.

Harry afastou-se para um lado e olhou de volta para o dentro do cano.

— Podem vir. — Disse e acendeu a varinha outra vez. — Devemos estar quilômetros abaixo da escola — Acrescentou Harry, sua voz ecoando no túnel escuro.

— Pela umidade, estamos debaixo do lago — Terry sussurrou olhando para o teto. — Isso é muito perigoso, Harry, anos de umidade e sem manutenção das estruturas, todo o teto poderia colapsar a qualquer momento.

— Mais uma coisa para nos preocuparmos. — Harry sussurrou preocupado. — Vamos manter os feitiços de explosão ao mínimo. — Os três se viraram para encarar a escuridão à frente. — Vamos. E, lembrem-se, a qualquer sinal de movimento, fechem os olhos imediatamente.

Eles prosseguiram, seus passos chapinhando ruidosamente no chão molhado e o túnel era tão escuro que eles só conseguiam ver uma pequena distância à frente. As sombras nas paredes molhadas pareciam monstruosas à luz da varinha. Mas o túnel estava silencioso como um túmulo, e o primeiro som inesperado que ouviram foi o ruído de alguma coisa sendo esmagada quando Neville pisou no crânio de rato. Harry baixou a varinha para olhar o chão e viu que se encontrava coalhado de ossos de pequenos animais. Tentou não pensar em Lockhart e imaginar se Freya já o comera todo ou se haveriam ossos para traz.

O túnel fazia uma curva e, mais uma vez, Harry os deteve para investigar à frente. Não havia nada vivo, ainda que seus olhos identificassem o contorno de uma coisa enorme e curvilínea, deitada atravessada no túnel. Apenas por precaução, ele avançou um pouco mais e a luz deslizou pela pele de uma cobra gigantesca, colorida e venenosa, que se encontrava enroscada e oca no chão do túnel. O bicho que se desfizera dela devia ter no mínimo uns seis metros de comprimento.

— Ok. — Ele disse e seus passos se reiniciaram.

— Isso é da Freya? — Neville perguntou arregalando os olhos.

— Não sei, acho que não, mas, se for, tem alguns séculos. Freya é muito maior que isso. — Harry disse com segurança.

Então, eles continuaram pelo túnel, que dava voltas e mais voltas e parecia não ter fim.

— Isso é enorme. — Terry olhou para as paredes de pedras cheias de limo. — Slytherin deve ter demorado muito tempo para construir.

— Se arrumarmos a estrutura, poderíamos reutilizar os espaços. — Harry disse suavemente.

— Hogwarts já é enorme, mas, poderíamos usar como um lugar secreto para treinar ou algo assim. — Disse Neville.

— Voldemort conhece esse lugar e sabe como entrar, não há como ser secreto. — Harry observou. — Estava pensando mais em algo para nós, quer dizer, para os alunos.

— Como o que? — Terry perguntou curioso.

— Um rinque de patinação, dependendo o tamanho dessa câmara. Um grande centro de treinamento e competições de duelos, quem sabe, poderíamos fazer competições com escolas mágicas do mundo todo. — Harry disse e viu seus amigos o encararem com surpresa.

— Isso seria incrível. — Terry disse.

— Com certeza, ainda que eu ficaria bem longe dos patins. — Acrescentou o Neville sorrindo e, um segundo depois, seu sorriso morreu.

Ao dobrarem mais uma curva, eles se depararam com uma parede sólida à frente em que havia duas cobras entrelaçadas talhadas em pedra, os olhos engastados com duas enormes esmeraldas brilhantes.

— Bem, acho que finalmente chegamos a Câmara. — Harry respirou fundo tentando relaxar a tensão. — Ok. Coloquem as vendas.

Ele observou enquanto os dois colocavam as vendas que encomendaram com JJ. Eram feitas com couro de dragão, forradas com pele macia para não incomodar o rosto e magicamente encantada para não deixarem o seu rosto, a não ser que você ou alguém a tirasse. Assim, não importa o que acontecesse, elas não cairiam do rosto por acidente. Harry não sabia o que JJ pensou quando fez a encomenda, mas, como sempre, a artesã não fez perguntas.

— Quando eu entrar, procurarei por ela e voltarei para buscá-los e posicioná-los. — Harry sussurrou, apesar de saber que não precisavam repassar o plano. — Não importa o que aconteça ou o que vocês escutem, não tirem as vendas.

Eles acenaram, já com as vendas e Harry colocou a sua também, afinal, ele era quem mais se movimentaria. A ideia da venda veio quando Terry lhe confessou que diversas vezes, durante o ataque na Caverna, ele tivera que se obrigar a não abrir os olhos, pois instintivamente, no momento de perigo, seu corpo parecia querer ignorar o conhecimento racional da sua mente. Harry entendera o perigo terrível e decidira encomendar as vendas, assim, não haveria o risco de abrirem os olhos no momento errado, como aconteceu com Charlie.

Sem necessidade de fingir que as cobras de pedra eram reais; seus olhos pareciam estranhamente vivos, Harry disse:

Abram. — Disse num sibilo firme.

As cobras se separaram e as paredes se afastaram, as duas metades deslizaram suavemente, desaparecendo de vista e Harry, determinado, entrou.

Ele caminhou para dentro da Câmara escura com muita cautela, esperando ver a cor verde escuro como musgo podre da Freya em algum lugar, mas, isso não aconteceu. Tirando a venda, Harry abriu os olhos e se viu em uma câmara muito comprida e mal iluminada. Altas colunas de pedra entrelaçadas com cobras em relevo sustentavam um teto que se perdia na escuridão, projetando longas sombras negras na luz estranha e esverdeada que iluminava o lugar. Harry escutou o silêncio hostil e, caminhando mais alguns passos até o centro do imenso espaço, ficou em frente a uma estátua tão alta como a própria Câmara e que se posicionava contra a parede do fundo.

Harry teve que esticar o pescoço para ver o rosto gigantesco lá no alto. Era antigo e simiesco, com uma barba longa e rala que caía quase até a barra das vestes esvoaçantes de um bruxo de pedra, onde havia dois pés cinzentos enormes apoiados no chão liso da Câmara.

— O homem se amava, disso não tenho dúvida. — Sussurrou e observou o ambiente buscando os lugares mais seguros para posicionar o Terry e Neville.

Voltando a porta da Câmara, os encontrou tensos e com as vendas.

— Entrem e podem tirar a venda, ela não está aqui, mas, façam silêncio. — Harry disse bem baixinho.

Os dois lhe obedeceram e o seguiram para a Câmara, arregalando os olhos de espanto, mas se mantiveram em silêncio. Com gestos, Harry apontou o lugar onde queria que eles ficassem, estariam seguros e poderiam ajudá-lo ao mesmo tempo. Eles acenaram e Harry lhes entregou a capa para ficarem invisíveis, pois ele não precisaria dela. Todo o resto já estava combinado e eles tinham treinado, feito algumas simulações, assim, apenas tinham que acreditar que daria certo. Seus amigos voltaram a colocar as vendas e se cobriram com a capa, posicionados dentro de uma fonte vazia que formava um nicho na parede.

Respirando fundo, Harry voltou para o centro da Câmara, colocou à venda e se posicionou em frente à estátua, pois sentia que ela era importante. Onde mais Slytherin manteria o ninho de sua basilisco? E, onde ela teria hibernado por séculos?

Freya? — Harry gritou com voz bem alta tentando soar como Riddle. — Venha ao seu mestre.

Ele esperou longos minutos e nada aconteceu, sua mente começou a considerar rapidamente as possibilidades. O ninho de Freya só poderia ser aberto com ofidioglossia? Deveria ser ou, então, Freya poderia ter tentado deixar a Câmara sozinha, sem um mestre a conduzindo.

Abra. — Ele disse, mas nada rangeu e se abriu. — Droga. — Harry tentou pensar em outras possibilidades, o tempo estava se escoando.

Há algumas horas, Riddle a chamou e ela não estava presa, mas era possível que ele estivesse tão furioso que esqueceu de prendê-la em seu ninho. No entanto, ele não voltou e a prendeu, assim... Claro! Todas as aberturas se fechavam sozinhas, desde o banheiro lá em cima até aqui, então, provavelmente, quando Freya entrou no ninho, ele se fechou. E, ela sairia sozinha? Ela poderia se quisesse?

Venha até mim. — Nada aconteceu e Harry ficou meio desesperado. Ele lançava algum feitiço? Será...

Quem invade a minha morada... Quem é o intruso na Câmara do meu mestre...

Isso! Harry sentiu o coração se acelerar ao ouvir o silvo de Freya.

Freya, sou o pequeno inseto com quem lutou a algumas semanas, Potter, o inimigo do seu mestre. — Harry disse esperando tentá-la.

Potter... você é um língua de cobra... esse é um dom raro... o que faz em minha morada... meu mestre o quer morto...

Sim, também falo com cobras, posso até ser um dos herdeiros de Slytherin, mas não vim aqui para me tornar o seu mestre e sim, para conversar com você. — Harry disse tentando não parecer ameaçador. — Você poderia sair do seu ninho, Freya?

Não posso deixar o meu ninho... Meu mestre deve abrir a entrada... se você é o herdeiro de Salazar... deve saber como me libertar...

Eu não sei se sou o herdeiro, mas preciso muito falar com você, Freya. — Harry hesitou pensativo. — Seu mestre quer me matar e pretendo me defender, planejo matá-lo, mas gostaria de não ter que te matar.

Você não pode me matar, pequeno inseto... Não tem força ou poder para isso... e meu mestre irá destruí-lo em breve...

Seu tom era cruel e era possível sentir que ela não tinha bondade.

Eu vim aqui agora, Freya, com a esperança de que você concordaria em não machucar mais ninguém. Seu mestre é cruel e mal, sem honra ou nobreza, ele assassinou os meus pais e muitas outras pessoas. Mas, você, é apenas uma incrível criatura mágica e antiga que foi escravizada e prisioneira de Slytherin e Riddle por todos esses séculos.

Você quer me libertar... eu sou uma besta e seria caçada... estou protegida em minha câmara...

Salazar te disse isso? — Harry pensou tentando encontrar algo que a convencesse a sair. — Eu poderia conseguir um lugar seguro para você, se me prometesse não matar ninguém, conseguiria comida e estaria livre em uma floresta grande.

Não posso prometer não ser quem sou, falante... você não veio aqui para me ajudar... veio para me matar... não finja...

Não estou fingindo, se sentir que posso confiar em você, que nunca machucará seres e criaturas mágicas, lhe darei um novo lar. Um melhor e mais seguro, posso fazer isso. — Harry esperou e sorriu com certa frieza. — Mas, nós dois sabemos que você não quer isso.

Não... Salazar era o meu melhor amigo... meu criador e mestre... servir o seu herdeiro é minha honra... matar e me alimentar também me agrada muito... pequeno inseto...

Uma pena. — Harry disse suavemente. — Então, não tenho escolha a não ser te matar, Freya.

Você pode tentar... matar você deixará meu mestre muito satisfeito... eu não comerei o seu corpo... quero que ele veja que cumpri o seu pedido e matei o seu inimigo...

Você pode tentar. — Harry sorriu sentindo a proximidade da luta agitar a adrenalina em seu corpo. — Mas, você precisa sair, Freya ou se esconderá de um pequeno inseto.

Diga "Fale comigo, Slytherin, o maior dos Quatro de Hogwarts. "

Fale comigo, Slytherin, o maior dos Quatro de Hogwarts. — Harry disse sem hesitar, pois não podia mais perder tempo.

Ele ouviu um rangido de pedra se movendo no alto da estátua e imaginou que uma abertura se abriu no.… rosto de Slytherin? Seus sentidos, audição e percepção mágica, captaram o momento exato em que a Freya deixou seu ninho, descendo até que ela bateu no piso de pedra da Câmara, que trepidou assustadoramente. Harry a viu se alongar e se erguer a sua frente, vários metros acima do solo e, sabendo o que tinha que fazer, se ajoelhou mostrando o seu respeito.

Eu, Harry James Potter, invoco a magia como testemunha desta batalha. Grande e poderosa rainha das serpentes, em nome da magia que nos cerca e que alimenta o nosso sangue, eu te desafio a um duelo mortal. Desta batalha, apenas um saíra vivo e a honra será alcançada por nós dois. Que a sábia e poderosa magia nos dê a honra de seu julgamento. Que assim seja.

A magia crepitou, poderosa e intensa, o ar se tornou sufocante e Harry sentiu seus pelos se arrepiarem e sua magia se conectar com a magia natural, ao mesmo tempo, suas palavras carregadas com sua magia alcançaram Freya que se agitou desconcertada. Em um segundo, ela sentiu mais do que em toda a sua vida, era como deixar de ver apenas escuro e passar a ver em outras cores. Sentimentos novos, percepções e sensações a tomaram, Freya observou o pequeno que a enfrentava de joelhos, mostrando respeito e honra. Instintivamente, sua magia lhe disse o que deveria fazer.

Eu aceito o seu desafio, jovem guerreiro. Que assim seja.

Mais uma vez, o ar se agitou e a magia reconheceu a batalha mágica. Harry sentiu a magia de Freya tocá-lo, mostrando espanto, respeito e vontade de vencer.

Você não veio até aqui para me caçar... veio duelar comigo...

Sim. Eu sou um guerreiro, não um caçador.— Harry disse levantando-se.

Posso sentir... que tem um coração nobre e bondoso... jamais tinha conhecido um bruxo ou criatura assim... talvez... eu seria diferente... se meu criador e mestre fosse alguém como você...

Lamento, Freya, que nunca esteve livre ou conheceu a bondade... Eu também estive preso e cercado por pessoas que não tinham bondade em seus corações. Eu me libertei e, hoje, você também encontrará a liberdade. Sinto não poder deixar que você viva. — Harry disse com sinceridade.

E... Eu lamento não poder deixar de matá-lo... somos quem somos... guerreiro

Harry estava preparado para essa luta, pronto para vencer, não tornar a batalha longa e desonrar seu oponente. Depois da luta na Caverna, Harry planejara esse momento e sabia que venceria, mas, uma nova missão foi adicionada e ele tinha que tentar levar a adaga ao veneno em suas presas. Assim, Harry se afastou do primeiro ataque de Freya e erguendo a varinha, lançou o primeiro feitiço.

— "Praeto Nebula! " — Gritou em inglês e Harry sabia que era o sinal que Terry e Neville precisavam.

Uma nevoa densa e prateada envolveu a sala rapidamente. Era um feitiço elemental do Grimoire O'Hallahans, difícil de realizar e que sugaria sua energia se tivesse que fazer mais de uma vez, mas, seus amigos manteriam a nevoa sempre densa. Eles também utilizariam o Tenebronube, o feitiço de Mason que Harry usou diversas vezes na última luta contra Freya, que criava uma nuvem escura. A intenção desses feitiços era cegá-la e, sem poder cheirá-lo ou ouvir a batida do seu coração, Freya não teria como encontrá-lo. Ou assim, ele pensou...

Interessante... não posso vê-lo... cheirá-lo... ouvi-lo... mas posso sentir o calor do seu corpo e isso você não pode esconder...

Harry franziu o cenho confuso quando a basilisco o atacou mostrando que realmente podia localizá-lo. O que raios? Cobras tinham um sensor térmico, mas Freya nunca o viu antes, então, como podia sentir o seu calor corporal agora? Ele não tinha uma resposta, assim, tudo o que pôde fazer foi se afastar e usar sua varinha para atacar e se defender dos ataques de Freya.

— "Buzzi! " — Um som alto e agudo soou pela Câmara. — "Lucioler! " — Fagulhas de fogo voaram em volta da cabeça de Freya e Harry esperava que machucassem seus olhos e a desorientasse. — "Ferupila! " — O impacto do feitiço era forte como uma bola de ferro gigantesca e Harry esperava que tivesse o efeito de um gancho bem dado em um humano.

Com sua estratégia mudando obrigatoriamente, Harry percebeu duas coisas. Primeiro, teria que desistir de tentar colher o veneno das presas de Freya, pois seria impossível chegar tão perto, se ela pudesse detectar o seu calor. Segundo, sem ficar completamente invisível como planejara, a luta duraria para sempre como aconteceu na Caverna, porque ele teria que se concentrar apenas em se defender dos seus ataques e não a matar de uma vez como esperava.

Sua mente seguiu para o plano B e, para isso, precisava de distrações e mais desorientação das varinhas extras.

— Terry! Use o "Vaporiom! " — Harry gritou pedindo o feitiço de Mason que criava vapor e calor, esperando que, ao aumentar a temperatura da Câmara, seu calor corporal poderia ficar menos perceptível.

Ele se manteve movendo-se agilmente, se desviando dos ataques da energia cor verde musgo, utilizando feitiços de desorientação até que a sala se tornou quase insuportavelmente quente e úmida. Harry percebeu o momento em que sua ideia funcionou, Freya se tornou confusa, hesitante, seu calor corporal se confundindo com a intensa temperatura do ambiente e ele conseguiu o que precisava.

— Dobby! — Harry gritou e esperou, um segundo, dois segundos... — Vem, vem...

Um estalo alto e Harry viu a energia azul elétrica na sua frente.

— Olhos fechados! — Gritou e, estendendo a mão, o agarrou.

— Dobby está com os olhos fechados, Harry Potter, senhor... — Sua voz era apavorada e tensa, um sussurro. — Está na hora?

— Sim, Dobby, traga o que combinamos e depois, pode ir embora, não o quero em perigo. Vá, bem rápido! — Harry o instigou e, quando o elfo desapareceu, ele já tirara a vassoura do bolso e a ampliara.

Freya, que seguia em sua direção, guiada pelo som da conversa, não teve chance nenhuma, pois, quando Harry alçou voo, tudo se tornou mais fácil e inevitável. Em sua vassoura, pensou Harry, não importava quantos sentidos ela tinha, a basilisco nunca o pegaria. Ele voou habilidosamente em volta de sua cabeça, o som do vento que seus movimentos rápidos faziam, a atraia, mas, quando Freya se movia tentando abocanhá-lo, Harry não estava mais ali.

Eu gostei do apelido, Freya, assim, hoje, sou o pequeno inseto irritante que a matará. — Harry provocou sentindo que o fim estava próximo.

Mudei de ideia... inseto irritante... comerei você quando o matar...

Desculpe, Freya, mas acredito que você já comeu hoje... Eu estava lá quando pegou o bruxo loiro... — Harry hesitou, pois não queria saber. — Você o devorou inteiro?

Sim... um lindo presente do meu mestre... Mas como poderia estar no banheiro se não senti o seu calor...

Harry franziu o cenho desconcertado, pois não entendia... A capa! Claro! A capa deveria deixá-lo completamente invisível, inclusive o calor corporal! Por isso Freya não sentira a presença de Terry e Neville!

Apenas um presente do meu pai... — Harry sentiu seu coração se aquecer com o pensamento. — Não sobrou nada do bruxo loiro, Freya? — Precisava ter certeza!

Apenas alguns ossos maiores... que eu regurgitei em meu ninho... porque isso lhe importa...

Tudo me importa. — Harry sentiu um frio envolvê-lo ao pensar que teria que desaparecer os ossos antes que alguém os descobrisse.

Mas, seus pensamentos foram interrompidos quando a energia azul elétrica retornou e, junto com ela, dezenas de pequenos pontos coloridos.

— Deixe-os e vá Dobby! — Harry berrou e seu amigo estalou ao partir. — Chegou o momento, Freya.

Galos... Você trouxe galos para a nossa batalha...

Sim, ele são jovens e não te matarão, mas você ficará fraca... queria honrar a sua morte, terminando a luta o mais rapidamente possível. — Disse Harry observando que a basilisco deteve os movimentos e ouvia atentamente os pequenos sons que os galos faziam.

O dia está amanhecendo... quando me mover... eles sentirão o perigo e cantarão... Então, você irá me matar...

Sim. E, você estará livre, como sempre mereceu estar. — Harry disse, parado em sua vassoura no ar e a observando atentamente.

Se tenho que morrer hoje... me sinto em paz em saber que será um guerreiro honrado e bondoso que me matará... Mas falhei com meu mestre...

Você não precisa de um mestre... a partir de hoje, você é apenas Freya, a basilisco. — Harry disse e esperou pelo próximo movimento no grande tabuleiro de xadrez que tinha montado. — Adeus, Freya.

Adeus, guerreiro honrado...

E, Freya se moveu bruscamente em uma tentativa final de matar os galos e vencer, mas, era por isso que haviam tantos, enquanto ela matou os primeiros 5, 10, 15, em poucos segundos, os outros, apavorados com o perigo, começaram a cantar. Era um instinto duplo de sobrevivência, alertar os outros animais do perigo e a sensação de que o canto era a fraqueza do inimigo. O amanhecer, que todos os galos poderiam sentir, era apenas um bônus extra e Harry programara tudo para esse momento.

Freya não morreria com os cantos dos galos jovens, mesmo que fossem mais de um, mas sua magia enfraqueceu, seu corpo se esticou dolorosamente e apenas o orgulho a impediu de gritar. Seu instinto, mesmo quando sentiu o pequeno inseto pousar em seu corpo, era lutar, ainda que qualquer movimento fosse doloroso demais e ela se viu quase implorando pelo fim. Mas, Freya esperou que se aproximasse mais, decidida a mordê-lo, pois morreria honrando o desejo do seu mestre... E, então, uma mão pequena e suave tocou a sua cabeça, carinhosamente, gentilmente e, uma emoção que nunca sentiu antes, a envolveu. Freya nunca foi amada, tocada ou afagada, seus mestres a viam como uma arma e assim, a usaram, mas ali, no último segundo de vida, Freya conheceu a verdadeira bondade e ela vinha do seu algoz. Ou, pensou, do seu libertador...

Você foi uma grande oponente, foi uma honra ter lutado e vencido nosso duelo. — Harry sussurrou e pensou em tentar colher o veneno, mas percebeu que seria uma desonra tirar algo dela neste momento. Afinal, ele já lhe tirou tudo. — Eu, Harry James Potter encerro o nosso duelo mágico, a liberto da sua vida de escuridão e escravidão. Te envio para a nossa mãe, a magia, que ela a receba, Freya e que você jamais se sinta sozinha outra vez. Magia, aceite a minha oferenda e julgue a nossa batalha. — Harry ergueu a adaga, segurando-a com as duas mãos e, com um único movimento, a abaixou no meio do crânio de Freya com toda a sua força. O Athame penetrou facilmente, como se não rompesse o couro e ossos de uma basilisco de mil anos e acertou o seu cérebro, tornando a morte rápida e sem dor. Fechando os olhos, Harry disse as palavras ensinadas pelo pai de Firenze e que tornaria sua morte pelo Athame uma oferenda honrosa. — Sit magia quod ipsius animae sit liberari, et diriget vos. Siderum custos tuus. (Que sua alma seja livre e que a magia lhe guie. Que as estrelas zelem por você.)

Harry, verdadeiramente, não sabia o esperar a partir deste ponto e continuou a segurar a adaga com firmeza, mesmo sentindo que Freya se fora. A magia voltou a crepitar e estalar, pulsar, envolver e lhe tirou o fôlego de tão forte e intensa. Então...

— Ahhh! — Harry voou para o alto quando a magia pulsou para todas as direções, como se o corpo de Freya implodisse em energia mágica.

Harry sentiu a energia atravessá-lo, se conectar com a sua magia e se expandir para o todo, se tornando parte da magia da natureza e brilhando como fogos que iluminam o céu. A luz era de sentidos, de sensação e tão bom, intenso e limpo...

Obrigada por me libertar... não estou mais no escuro... agora estou em toda a parte... obrigada...

Harry se engasgou ao ouvir as palavras emocionadas e suspirou quando a energia o pousou no chão gentilmente antes de se dissipar para sempre. Sobrecarregado com a emoção e a magia, que parecia sair por todos os seus poros, Harry se ajoelhou, arfando e tentando controlar a respiração. Quando conseguiu se levantar, suas pernas estavam bambas como se feitas de gelatinas, mas, Harry não se sentia cansado ou fraco. Na verdade, ele estava energizado e se sentia tão forte que era como tentar se ajustar a um corpo diferente. Sabendo que tudo terminou, ele tirou a venda com mãos trêmulas e, olhou em volta, mas tudo estava nublado pela neblina prateada, pelo vapor e quente como o inferno.

— Acabou! Terry! Neville! — Movendo a sua varinha, Harry disse. — "Ventus! " "Zepir Praezid! "

Os feitiços provocaram rajadas de ventos que dissiparam a neblina e o vapor, além de refrescar a Câmara. Enquanto isso, Terry e Neville removeram a capa, tiraram as vendas e o encararam.

— Acabou? — Neville sussurrou sem acreditar.

— Sim! Freya se foi, está livre agora. — Harry sorriu aliviado e emocionado.

— Mas... — Terry olhou em volta para as duas dezenas de galos jovens mortos, outros tantos que ciscavam assustados, mas não viu nenhum corpo de basilisco.

— Ela se tornou energia mágica e está em toda parte. — Harry suspirou confiante de que estava certo. — Freya faz parte do todo e está no começo de tudo.

— Graças a Merlin. — Neville parecia que precisava se sentar de tanto alívio.

— Você conseguiu! — Terry exclamou de olhos arregalados e ocorreu a Harry que os dois pareciam tão surpresos e aliviados, porque não confiaram muito em seu plano.

— Nós conseguimos! — Ele disse e, se aproximando, bateu em seus ombros. — Nós conseguimos! Obrigado! Não teria vencido sem suas ajudas!

Os dois ficaram de olhos arregalados ainda olhando em volta e para o Harry, coraram com os elogios e sorriram felizes e aliviados.

— Houve algum sinal do espelho? — Harry perguntou, receoso que Flitwick ainda não chegara. Ele precisava do veneno da acromântula! Era sua última esperança para destruir o diário, além disso, estava muito preocupado com a possibilidade de seu professor e Hagrid terem se ferido.

— Oh! — Neville pegou o espelho do bolso. — Sim, senti o espelho vibrar, mas decidi não o acionar, temi que Freya pudesse nos ouvir e não poderíamos mudar de lugar depois que ela nos localizasse.

— Bom pensamento, Nev. — Disse Harry e, pegando o espelho, chamou pelo outro. O rosto pálido e tenso de Flitwick apareceu na mesma hora. — O senhor está bem! — Exclamou aliviado.

— Acho que essa fala é minha. — Seu chefe parecia tentar examiná-lo. — Você está bem? Os meninos?

— Tudo certo. Estamos os três seguros e a missão foi cumprida com sucesso. — Harry não podia deixar de lhe dar um grande sorriso. — Como foi em sua missão? Tudo correu bem?

— Bem... — Flitwick parecia meio esverdeado e suor brotou em sua testa. — É uma palavra muito forte, mas, agora não é o momento de falarmos disso e sim, continuarmos para a segunda parte do plano. Eu cumpri a missão, o veneno está aqui.

— Isso é ótimo! — Harry se sentiu aliviado. — Eu não consegui o veneno da Freya na adaga, assim, essa é nossa melhor aposta.

— Bom, temos muito pouco tempo, o dia já amanheceu, Harry. — Flitwick olhou para o lado e depois para o Harry. — O gêmeos querem saber se agora podem ir até a Câmara?

— Não! — Harry gritou na mesma hora com voz forte. — Se eles não conseguirem se controlar ao verem a Ginny sofrendo e agirem impulsivamente, podem colocar tudo a perder e se machucarem no processo. Fred! Imagine como ela se sentirá se um de vocês acabar ferido ou pior!?

— Eu concordo, não se preocupe, vou trancá-los no escritório, apenas por precaução. — Disse Flitwick e parecia muito cansado, afinal, além de não dormir, ele fez uma longa caminhada. — Vou até o banheiro, é arriscado esperar mais...

— Ginny se moveu! — Uma voz falou ao fundo, era George, adivinhou Harry.

— Nosso tempo acabou, professor! Não precisa trazer o mapa, vou abrir a entrada para o senhor e vocês dois continuem descrevendo o que acontece com a Ginny. — Harry atravessou a Câmara, abriu a porta e disparou correndo pelo corredor.

Ele era rápido e venceu o longo caminho em poucos minutos.

— Ela está andando pelo quarto. — Disse Fred que assumiu o espelho quando Flitwick deixou o quarto. Apesar de falar com ele, o garoto ruivo não tirou os olhos do mapa.

Ao alcançar o cano, Harry nem se sentia ofegante ou cansado, pediu as escadas, pois elas tinham desaparecido e subiu a longa escadaria o mais rápido que pode. Quando alcançou a abertura, que estava fechada, ele pediu que abrisse e viu quando o rosto surpreso de Flitwick apareceu no alto do cano.

— Seja bem-vindo, professor. — Harry sorriu e os dois começaram a descer os degraus.

— Que interessante, adoraria investigar os feitiços utilizados por Slytherin. — Disse Flitwick com sua voz esganiçada.

Harry sorriu por ele dizer o mesmo que Terry, os dois eram mais Ravenclaws do que ele e Neville.

— Com certeza, faremos isso depois. — Harry diminuiu o ritmo para acompanhar Flitwick, mas logo ficou impaciente, além das pernas curtas, seu professor parecia muito cansado.

— Harry! — A voz de um dos gêmeos ecoou na escadaria.

— O que? — Ele parou e olhou o espelho, encontrando o seu rosto branco e apavorado.

— Não é mais a Ginny! O nome no quarto dela mudou para Tom Riddle! — Disse Fred e George parecia querer sair da sala.

— Precisamos ir até ela! Temos que ajudá-la!

— George! Escute! Esse é Voldemort! Ele não hesitará em matá-los! Isso destruirá a Ginny, mesmo Azkaban não seria tão ruim! Temos um plano e precisamos que vocês parem de gritar ou alguém acabará por ouvir! — Harry usou toda a sua voz de liderança e os viu olharem pelo espelho e acenarem muito angustiados. — Ok. Onde está o Riddle agora?

— Está saindo da Torre. — Disse Fred e seus olhos brilharam com lágrimas que parecia se esforçar para impedir de cair.

— Ok, nosso tempo acabou de vez. Professor, monte em minhas costas, precisamos correr, a Câmara fica longe e precisamos nos preparar para a chegada de Riddle. — Harry se agachou e Flitwick resmungou.

— Outra vez... duas vezes carregado em uma noite, só pode ser brincadeira... — Mas, ele pulou nas costas do Harry e se segurou firmemente quando ele começou a descer as escadas correndo.

Quando elas terminaram, Harry correu pelo corredor escuro, apenas a varinha acesa de Flitwick iluminava um pouco o caminho, assim, ele confiou em sua magia para guiá-lo. Quando chegaram na porta da Câmara, ela voltara a se fechar e Harry desceu Flitwick, antes de abri-la.

— Chegamos. — Harry entrou e encontrou Terry Neville praticamente no mesmo lugar.

— Uau! Você foi rápido! — Terry disse surpreso, pois a distância era grande.

— Fui e voltei correndo. — Disse Harry simplesmente e não percebeu que os três pareceram surpresos porque ele não estava ofegante ou parecia fisicamente cansado. — Fred, onde ele está?

— Harry, ele parou em uma sala de aula abandonada do 6 andar. Ginny voltou por alguns segundos no corredor, depois, Riddle retornou e entrou na sala. — Fred respondeu sério.

— Ela está lutando. — Harry disse e sorriu meio orgulhoso.

— Isso mostra muita força e ela só tem 11 anos. — Flitwick parecia impressionado.

— Ok, enquanto a Ginny luta, nós nos preparamos, Tom não a deixará pedir ajuda a algum professor, assim, ele a trará para cá o mais rápido possível. — Harry olhou em volta para a bagunça de galos mortos e os vivos. — Precisamos desaparecer tudo isso, professor. E, nós limparemos. Vocês continuem observando e nos contando o que acontece com a Ginny.

Flitwick desapareceu os galos mortos e enviou os vivos para o jardim, enquanto isso, Harry, Neville e Terry limparam as penas e sangue que eram mais fáceis de desaparecer com os feitiços de limpeza que conheciam. Fred continuou a narrar o que via no mapa.

— Ele desceu até o segundo andar, mas não entrou no corredor... Ginny voltou, ela parece estar tentando ir para a direção oposta, talvez a Torre... Riddle voltou, ele desceu para o Grande Salão...

— Porque ele está lá e não indo para a Câmara? E, porque a Ginny não pede ajuda? Tem muitos alunos e professores tomando o café da manhã. — George perguntou confusos.

— Ele quer encontrar alguém que considere solitário e vulnerável para poder escrever em seu diário. Provavelmente, Riddle pretende encantá-lo para que a pessoa receba o diário em seu quarto ou algo assim. Depois, pretende vir aqui com a intenção de matar a Ginny. — Disse Harry pensativo.

— Isso não seria difícil de fazer, se ele souber o nome, não precisa da localização do quarto. — Flitwick disse. — Apenas um encanto para encontrar fulano de tal e o diário aparece onde o aluno escolhido estiver. E, Riddle é muito esperto e capaz, assim, deve ter desiludido e silenciado a Ginny, quando percebeu que ela estava lutando, para não correr o risco de ela assumir e gritar por ajuda.

— Parece isso... Eles estão no meio do Salão e quando a Ginny volta, mesmo que sejam por alguns segundos, ela não se aproxima de ninguém... Espere. — Fred parou e franziu o cenho. — Riddle se aproximou de uma menina, Leda Pilnner, parece a mesa da Hufflepuff.

— Acho que ele escolheu sua próxima vítima... — Harry olhou para Neville que acenou pensando a mesma coisa. Precisavam conhecer essa menina e ter certeza que não estivesse mais solitária.

— Ele deixou o Grande Salão... — Fred parecia angustiado. — Harry... Ele está indo para o banheiro e a Ginny fica indo e voltando, ela caminha na direção oposta, mas, ele volta e continua no caminho...

— Ela deve estar desesperada, se souber que ele pretende matá-la... Merlin, Ginny deve acreditar que está indo para a sua morte... — George sussurrou arrasado.

— Mas ela não está e nós vamos estar bem aqui para ajudá-la a vencer essa luta. — Harry falou com firmeza. — Vamos nos preparar, vocês dois ficam embaixo da capa e o professor se desilude. Eu ficarei atrás de uma das colunas e, quando ele entrar, o enfrentarei. Se houver um duelo, interfiram para me proteger, não machucar a Ginny. Ok?

Os três acenaram em concordância.

— E nós? — Sussurrou George.

— Rezem, para que consigamos vencer essa próxima batalha. É a mais importante. — Harry disse, desligou o espelho e o entregou ao Neville.

Ele e Terry se afastaram para a fonte e se cobriram com a capa. Flitwick estendeu o veneno e Harry acenou negativamente.

— E, se eu quebrar na luta? — Ele perguntou ansioso.

— O vidro é inquebrável. Você terá que abrir para usar o veneno no diário. — Disse Flitwick, Harry o pegou e colocou no bolso de sua jaqueta. — Boa sorte.

— Obrigado. — Harry o observou desaparecer.

Tenso, ele se colocou atrás de uma das colunas e esperou. Não foram mais do que 10 minutos e a porta se abriu, passos suaves soaram e, pela primeira vez, Harry viu Ginny Weasley sendo possuída por Tom Riddle. Seu rosto estava tenso e malicioso, seus olhos castanhos frios e duros, havia uma aura de crueldade que não combinava em nada com a menina alegre e calorosa que Harry conheceu.

— Finalmente me livrarei de você, sua garota insuportável! — Sua voz era fria e dura. — Pedirei a minha Freya que lhe cause muita dor, é o que merece por se colocar em meu caminho e tentar destruir os meus planos. Fale comigo, Slytherin, o maior dos Quatro de Hogwarts.

Mas, Riddle não tinha percebido que a boca da grande estátua de Slytherin já estava aberta, apenas quando nenhum barulho soou, ele olhou para cima e franziu o cenho confuso.

Freya? — Silêncio e Riddle deu alguns passos mais perto da estátua. — Freya, você está aí, minha querida?

Silenciosamente, Harry caminhou e se posicionou às suas costas.

— Ela não vai responder — disse Harry em tom de falso lamento.

Tom Riddle se virou abruptamente na sua direção de varinha empunhada.

— Potter! Mas... Como!? — Seu tom era incrédulo e meio aterrorizado.

Freya, você está aí, minha querida? — Harry o repetiu em ofidioglossia em tom de deboche.

— Você... — Riddle parecia sem palavras. — Você é como eu...

— Não, Tom, eu não sou nada como você e, não sinto muito em te informar que seus planos... Bem, como se diz, Boom! Explodiram, meio que, literalmente. — Disse ele com um sorriso sarcástico.

— Freya... o que... Que é que você quer dizer com "ela não vai responder"? — Perguntou e parecia meio desesperado, zangado. — Ela não está... não está...?

— Morta? Sim, com certeza. Antes, tivemos uma longa conversa, depois a enviei para um lugar melhor do que essa Câmara, onde foi prisioneira por séculos. — Harry abriu os braços e gesticulou para o espaço.

Tom pareceu deixar o desespero de lado e se concentrar na fúria. O rosto lindo de Ginny se contorceu em uma careta cruel e carregada de ódio.

— Vou matá-lo! — Gritou ele e Harry acenou tranquilamente com a cabeça.

— Não, Ginny vai matá-lo. Ela está lutando e, quer saber, você não tem a menor chance. — Harry olhou para os olhos castanhos com intensidade. — Certo, Ginny?

E, observou seus olhos castanhos chocolate mudarem e expressarem surpresa, dor, medo, desespero e, o mais importante, esperança!

— Harry!