Notas do Autor

Olá! Vou lhes explicar o que aconteceu com esse capítulo. Com o fim do arco da Câmara, precisava reiniciar a história e continuar outros arcos esquecidos, além de começar alguns novos. Mas, isso não é algo simples e comecei o capítulo meio sem rumo de para onde ir e sem um fim claro em minha mente. O capítulo, sem meio e sem fim, ficou estranho e continuei escrevendo, escrevendo e escrevendo, cheguei a 40 mil palavras e percebi que tinha que reler, encontrar ou escrever um fim e dividir em dois capítulos. Foi o que fiz e esse final, foi acrescentado depois, pois me pareceu que, depois de tudo o que aconteceu, era o que Sirius faria.
Assim, eu já tenho 19 mil palavras escritas que precisa apenas de revisão e um final, espero publicar amanhã ou quarta.
Em outro ponto, infelizmente, outra coisa que me atrasou na ultima semana foi a terrível situação que o mundo está enfrentando com o COVID-19. Eu vivo no interior e ainda não tem casos em minha cidade, estamos vivendo normalmente, mas a tensão e ansiedade vem crescendo a cada dia. Ver o que a Itália e outros países estão passado é muito angustiante e assustador. Para poder escrever, tive que me forçar a parar de ver as noticias, entrar nos sites e desligar a TV, ou a ansiedade não me deixaria terminar os capítulos.
Desejo a todos os meus leitores que fiquem seguros, se estiverem na área de risco, se isolem, releiam a fic e outras, comprem livros virtuais. Eu tenho uns 8 mil livros em meu HD e posso enviar para todos que estiverem presos. Se inscrevam no face e posso enviar por lá ou por email. Não descumpram a regra de isolamento, deixe suas casas apenas se for essencial. Para aqueles que já estão enfrentando o pior do vírus, orarei por vocês e suas famílias. Espero que todos sejamos solidários e fortes para enfrentar essa tragédia, que Deus nos abençoe.

Capítulo 71

Sirius, com o cenho franzido, ouviu sobre o acordo que Harry e Emily fizeram no jantar em dezembro e as cartas que trocaram, onde a Agente o aconselhou sobre treinamentos, exercícios, liderança e planejamento de missões. Sentados na mesa minúscula do pequeno apartamento Sirius ouviu, comeu e refletiu sobre as informações.

— Então, "Acabou", significa que ele descobriu quem estava abrindo a Câmara Secreta? — Sirius perguntou tomando mais café.

— Bem, posso estar errada, afinal, como lhe disse, Harry não entrou em detalhes antes ou agora, mas, acredito que esse "Acabou", quer dizer que tudo está resolvido. Eles estão seguros, sem mais atacante e sem mais basilisco. — Informou Denver antes de comer um grande pedaço de bacon suculento.

— Eita, se isso for verdade... — Sirius se distraiu ao vê-la comer, algo que ele jamais pensou que pudesse classificar como sensual.

— Hum? — Questionou ela, curiosa pelo fim da frase.

— Quer dizer, eu não deveria me surpreender, Harry é tão incrível e, se tivesse que apostar, teria apostado nele, mas, ainda estou um pouco chocado que isso possa ser verdade. — Sirius disse olhando para o seu prato e mantendo a concentração. — Como raios ele matou um basilisco, Denver? Eu acredito que encontrar o atacante não seria impossível, mas, ainda, como Harry o deteve? Ele está seguro? Ferido? Quanto risco ele correu... E, porque ele não me disse nada? Porque não me pediu conselhos e contou sobre seus planos? Porque Harry fez um acordo com você e não me contou... Aliás, porque você não me contou sobre esse acordo, afinal?

Denver ergueu a sobrancelha e o encarou com dureza.

— Eu não sei as respostas para todas essas perguntas, Sirius. Harry é seu afilhado e, com certeza, eu não tenho como começar a supor como é a relação de vocês dois, no entanto, eu posso lhe dizer duas coisas. O fato de você também não saber as repostas para essas perguntas, me diz que a relação de vocês está com alguns problemas. E, Harry me pediu, especificamente, para não te contar do nosso acordo porque tinha certeza que você contaria aos Boots. — Denver usou o guardanapo para limpar a boca. — Eu não poderia dizer não, pois o Harry, claramente, precisava de ajuda e conselhos, assim, eu tinha que manter nosso acordo para que ele confiasse em mim.

Sirius acenou pensativo e entendendo o seu ponto. A verdade é que Harry faria o que sentia que deveria fazer, não importa o que eles dissessem, assim, foi melhor que ele tivesse o apoio de um adulto.

— Droga. — Sirius se levantou da mesa e caminhou até a janela pequena, como tudo naquele apartamento sufocante e minúsculo. Estava tão acostumado com a espaçosa Abadia que estar confinado aqui era como estar em uma maldita cela. — Você está certa e ele me deu a chance de ajudar, de participar e eu... recusei. Harry me perguntou se manteria segredo dos Boots e eu neguei, assim, ele se recusou a me dizer qualquer outra coisa. Pensei que estava fazendo a coisa certa e, agora, já não tenho tanta certeza.

— Bem, porque é tão importante manter os Boots no escuro? Pensei que eles fossem boas pessoas. — Denver questionou ao retirar os pratos vazios da mesa e acionando a magia para lavá-los.

— Oh, eles são incríveis e adoram o Harry, e o sentimento é reciproco, mas, acontece que Serafina e Falc são os guardiões do Harry. — Sirius olhou para a Londres cinzenta, fria e triste. — Eles dividem a guarda com sua tia trouxa, Petúnia, assim, eu tenho apenas a função de ser o tutor da sua herança. — Sirius sorriu com a lembrança. — Preciso lhe contar como isso aconteceu, aliás, você ficará chocada.

— Eu gostaria de ouvir. — Disse ela suavemente e acenou para o quarto com a varinha, os frascos de poções flutuaram até o Sirius que os pegou com uma careta. — Então, você não é o guardião legal do Harry? Não toma as decisões principais sobre ele?

— Não. Ainda que, no testamento de Lily e James, eu seja nomeado o seu guardião e tutor legal. — Sirius tomou as poções e depois pegou um copo de água que ela deixou sobre a mesa. — É uma longa história, não quero te incomodar...

— Não é incomodo. — Denver disse sincera. — Se não quisesse te ouvir, não teria perguntado. — Sirius acenou e sorriu agradecido. — Olha, porque não tomamos um banho e, depois, você pode me contar o que estiver à vontade para compartilhar. Hum?

— Juntos? — Sirius ergueu a sobrancelha em uma expressão maliciosamente interessada.

— Sim, mas sem mais jogos, Black, você precisa se recuperar totalmente e já fez mais exercícios do que deveria. — Disse Denver com firmeza enquanto caminhava para o banheiro... minúsculo.

— Mesmo se você estivesse disposta a esquecer esse detalhe, me parece que esse banheiro não comportaria tais jogos. — Sirius disse com sarcasmo. — Tem certeza que cabe nós dois nesse cubículo?

— Teremos que nos apertar um pouco, claro, mas... Quer saber, não ficarei defendendo o apartamento, sei que é pequeno, mas ele serve aos meus propósitos. Isso é o que importa. — Ela disse exasperada e abriu o chuveiro antes de se despir sem o menor constrangimento.

E porque teria, se perguntou Sirius, quando toda ela era tão linda, musculosa e lisa. Sem fôlego com tanta beleza e sentindo o seu corpo reagir, Sirius se despiu da calça de pijama e a abraçou por traz.

— Sirius! Nem pense... — Mas ele não lhe deu a chance de continuar o seu protesto quando a empurrou para baixa da água quente e a pressionou contra seu corpo.

— Vamos tornar esse banho mais quente, Emily. Posso descansar mais tarde, agora, eu quero você. — Ele a virou e mergulhou em sua boca, as mãos deslizando por sua pele lisa e molhada, tão sensual que lhe tirou o controle. — Foda, como você é gostosa!

— Como você faz isso? — Ela sussurrou puxando os seus cabelos molhados e mordendo o seu lábio gordo em um beijo suculento. — Como sempre me faz perder o controle? Não consigo dizer não... Não quero dizer não...

— Somos dois, Emy... — Sirius abaixou a boca, deslizando por sua pele molhada até abocanhar um dos seios pequenos e redondos. Ele mordiscou e chupou o mamilo e os dois gemeram de prazer. — Vamos nos perder juntos...

Muito mais tarde, depois do banho com sexo, sono, sexo, mais sono e a decisão sensata de que tinham que comer, Denver decidiu pedir uma pizza vegetariana para jantarem.

— Vegetariana? Quer dizer, cheia de legumes? — Sirius perguntou com uma careta.

— Você ainda tem que comer saudável, Sirius. Tem um pouco de sopa e, junto com a pizza, não estará fugindo muito da dieta. Além disso, é muito gostosa. — Disse ela com uma convicção duvidosa.

— Sei, acreditarei em você sobre isso. — Sirius disse. — Mas, você poderia pedir algo com carne também? Estou está louco por algo sangrento.

— Hum, ok. Talvez, depois de toda a perda de sangue, seria bom um pouco de proteína vermelha. — Disse ela pensativa e interessada. — Mas, uma pizza gordurosa de calabresa não seria o ideal, assim, pedirei um bom bife do restaurante aqui da esquina.

Meia hora depois os dois estavam devorando os seus bifes malpassados com grandes gemidos de prazer, a pizza de legumes completamente esquecida ao lado.

— Merlin, agradeço por minha vida e por bifes sangrentos. — Disse Sirius antes de comer outro pedaço. Ele também comeu a que restava da sopa, mas, o bife era exatamente o que precisava para se sentir mais forte.

— Amém. — Respondeu Denver comendo com prazer o seu próprio delicioso e grande bife malpassado. — Bem, me conte sobre a dinâmica com o Harry e toda essa longa história.

Sirius acenou e contou. Falou sobre a infância difícil do Harry, a interferência insalubre de Dumbledore. Explicou a proteção das alas, a disputa de guarda e até os planos secretos do Harry de fugir para a Suíça.

— Aquele homenzinho desprezível! — Denver disse furiosa. — Eu sabia! Quando o tive em minha sala de interrogatório, eu sabia o quão sorrateiro e perigoso ele pode ser. — Ela se levantou e caminhou irritada pelo espaço diminuto. — Eu queria tê-lo acusado pela sua prisão injusta, queria ter investigado mais, no entanto, seu nome prestigioso barrou nossos caminhos. Ser destituído do cargo de Chefe da ICW é pouco para o que Dumbledore fez com você e Harry.

— Concordo. — Sirius disse um pouco surpreso com sua reação. — Sua negligência é criminosa e nunca o perdoarei pelo que causou ao Harry.

— E sobre esses tios, Sirius? Os dois deveriam estar na cadeia! — Denver disse zangada.

— Bem... sente-se aqui que contarei o resto. Harry deu uma grande lição em Dumbledore... — Sirius explicou sobre o incidente da escada, a chantagem e como Petúnia alterou seu comportamento, a separação e o processo de Vernon Dursley.

— E, você acha que ela está sendo sincera? Ou fez toda essa mudança súbita para se livrar da cadeia? — Denver questionou desconfiada.

— Acredito que a Petúnia está sendo sincera e que se importa com o Harry. — Sirius suspirou. — Na verdade, acho que a relação dela com o Vernon era no mínimo insalubre ou até meio abusiva, emocionalmente falando. E, o Harry a perdoou, Denver, e adora a tia, então, isso é o suficiente para mim.

— Ok. Você sabe quando será o julgamento desse tal Dursley? — Denver perguntou casualmente.

— No mês que vem, dia 17. — Sirius disse e sorriu. — Estou ansioso e espero que ele pegue o máximo de pena possível pelo que fez.

— Hum... bom saber. — Denver disse e se levantou para lhes fazer um café, enquanto acenava a varinha para os pratos serem lavados na pia. — Harry foi brilhante em seu plano contra o Dumbledore e a validação do testamento abre muitas possibilidades. Por exemplo, você poderia assumir a guarda do Harry, pois essa era a vontade de seus pais.

— Sim, mas isso iniciaria uma briga com Serafina, Falc e Petúnia, além disso, Harry não pode deixar a casa de da tia por causa da proteção. Acredite, mesmo perdoando-a, se não fosse por essa proteção que seus pais lhe presentearam, Harry não quereria morar com Petúnia e nós também não permitiríamos. — Sirius disse cansado. — Eu poderia tentar um acordo amigável com os Boots, a vontade do Harry é importante, mas, se eles não quiserem ceder a guarda, tudo pode ficar muito complicado. Entrar em uma disputa judicial poderia ser prejudicial para todos os lados. Como um cara solteiro, com minha reputação e o tempo que passei em Azkaban, eu não seria considerado o melhor guardião pelos juízes, não importa o que diz o testamento. E, isso poderia causar um rompimento ou mal-estar com os Boots, eles podem me proibir de ter acesso contínuo ao Harry, visitações controladas não me interessam.

— Mas, como tutor de sua herança, você apenas controla isso, não tem poder de decisão sobre a vida do Harry. — Apontou Denver objetivamente.

— Não. Ainda, eles respeitam minha opinião, nós estamos criando o Harry juntos e isso é bom por um lado, porque tenho ajuda, mas...

— Quando não concorda com algo, você não tem o real poder ou controle sobre a situação. — Denver terminou entendendo. — E, onde entra toda essa história do Harry te pedir segredo ou não querer confiar aos Boots, as suas investigações sobre a Câmara.

Sirius, então, explicou o conflito com Serafina e como o Harry se fechou depois disso.

— Ele deve temer o que eles farão com as informações, na verdade, mesmo comigo, Harry disse muito pouco. — Denver disse suavemente.

— Sim, Harry tem muita dificuldade em confiar nos adultos e tudo isso serviu para aliená-lo ainda mais. — Sirius disse pensativo. — Eu consegui conversar com ele sozinho e, quando me colocou contra a parede e me pediu para não contar nada aos Boots, recusei... — Sirius viu sua expressão e ergueu as mãos em autodefesa. — Eu sei, eu sei, não foi a decisão certa, mas, Denver, mentir por ele seria um péssimo exemplo e, se os Boots descobrissem que eu sabia que Harry planejava fazer algo perigoso, eles estariam em seu direito de me proibir de vê-lo.

— Ok. Olha, eu percebo que é uma situação complicada, quase impossível, e estou longe de ser uma especialista em crianças. Na verdade, elas não fazem parte da minha vida desde que eu fui criança, mas, é exatamente por me lembrar dessa época que posso lhe dizer isso. — Denver bebeu um gole do seu café. — Harry cresceu cercado por pessoas indiferentes, passivas e negligentes, que não fizeram o mínimo necessário para protegê-lo. E, não estou falando dos tios que o abusaram e sim, dos outros adultos, que observaram a situação e fingiram ou não quiseram ver a verdade. Ou que disseram, "Ah, isso é muito complicado, deixa para lá". Quando você se recusa a mentir por ele, o que deveria ser um bom exemplo para qualquer outra criança, para o Harry, tudo o que mostra é que você não está disposto a lutar por ele, Sirius. E, nada disso o impediu de estar em uma situação perigosa, apenas fez com que você não estivesse lá para apoiá-lo ou ajudá-lo.

Sirius olhou para o café e analisou o que Denver disse, mas, claro que ele não podia discordar. Suas próprias lembranças de sua infância eram de inúmeras mentiras para os adultos de sua vida, algumas apenas para continuar com suas diversões e brincadeiras, mas, muitas delas eram para manter a paz de espírito com sua família. No fim, se tornou necessário mentir para manter a sua segurança, até que a fuga era a única opção e, então, ele teve dois adultos que o apoiaram e ajudaram contra tudo e todos. O que seria dele se Fleamont e Euphemia tivessem decidido que a situação era muito complicada? Que não era certo recebê-lo e escondê-lo em suas casas? Ou mentir para seus pais sobre sua localização? E, como ele, Sirius, se sentiria se eles lhe dessem as costas apenas porque era a coisa certa a fazer? Mas, fazer o errado era o melhor? Não. Mas, ele poderia ter lutado mais? Insistido mais com os Boots? Sim.

— Eu não agi muito melhor que Dumbledore, não é? — Sirius disse com auto aversão. — Ao em vez de tentar pensar em soluções, eu apenas disse que não havia o que fazer e desisti de quem é mais importante em tudo isso. Não lutei por ele, o apoiei ou estive lá quando o Harry mais precisou. Eu quero fazer o melhor por ele, Denver, e, em minha mente, dar um bom exemplo, disciplinar, educar, ensinar os limites, além de amá-lo, era o que o Harry precisava, mas, eu me esqueci que ele não é uma criança comum. — Sirius estava chateado ao perceber os seus erros. —Eu não sei como criar uma criança e, ter o apoio dos Boots e Petúnia, me aliviou de ter que aprender, me esforçar, porque ele não é só minha responsabilidade e as decisões difíceis não são minhas. — Sirius a encarou nos olhos e parecia determinado. — Mas, ele é meu, Emily, desde o dia em que nasceu, Harry é meu afilhado, meu para amar, proteger, cuidar, lutar por. Tão importante que isso, Harry não é como os outros adolescentes e estamos todos errados em pensar que ele precisa do mesmo tipo de criação.

— Ninguém é igual a ninguém. — Emily apoiou o queixo na mão e o observou com certo carinho. — Ainda, pelo pouco que o conheço, Harry me parece especial.

— Sim, ele é e... — Sirius hesitou ao entender algo importante que Harry lhe disse antes, mas, que apenas agora fez todo o sentido. — Ele tem um grande peso sobre seus ombros e tem sido tão corajoso, forte, digno. Harry nos disse isso, sabe, que ele aceitou o seu destino, que está disposto a enfrentá-lo e que precisa que aceitemos isso também. Estive lutando contra isso, assim como Serafina e Falc, estamos todos tentando protegê-lo, abrigá-lo dos perigos e tratando-o como uma criança que tem que se sentar e esperar que os adultos resolvam tudo.

— O adultos são falhos, Sirius, nós sabemos disso e, infelizmente, o Harry também. — Denver suspirou e seus olhos ficaram tristes. — Nós, os adultos, também estamos presos em nosso egoísmo genético, a mercê da burocracia paralisante e cultura normalizadora da nossa sociedade. Harry é muito inteligente, tem uma boa equipe e, pelo que me contou, eles estavam com dificuldades para confiar uns nos outros e lutavam para superar isso. Mas, seus amigos estão dispostos a serem parte dessa equipe, estar ao seu lado, lutar com e por ele. E, apesar de não saber qual é esse importante destino que você mencionou, eu sei que, com inteligência, criatividade, coragem e um boa equipe, tudo é possível. — Denver se inclinou na cadeira e o observou com as sobrancelhas arqueadas ao questioná-lo. — A questão é, você fará parte dessa equipe?

— Com certeza, eu farei e não deixarei mais ninguém me impedir de estar com meu afilhado. — Sirius disse entre desafiante e decepcionado consigo mesmo. — Não apenas fisicamente, Denver, preciso estar lá para o Harry. — Se levantando ele caminhou pelo apartamento sentindo um grande cansaço envolvê-lo. — Como tenho sido tolo, Harry matou um maldito basilisco, venceu Voldemort mais uma vez e estive me preocupando com minha carreira. Ele está lutando essa guerra sem mim, porque estou muito focado em meu próprio umbigo para apoiá-lo como precisa.

— Oh, oh, oh... — Denver protestou erguendo as mãos em profundo choque e confusão. — Primeiro, sua carreira é importante, você é importante, Sirius. E, o trabalho que tem feito é fundamental para a diminuição da criminalidade e, se me lembro, essa OP salvou as vidas de centenas de pessoas. Segundo, que história é essa de guerra? E, Voldemort? Esse bruxo não foi morto a mais de 11 anos? Pelos pais do Harry?

— Não. — Sirius voltou a se sentar e sentiu os ombros caírem. — Voldemort está vivo e tentando recuperar o seu poder.

— Mas... — Confusa, Denver fechou os olhos tentando se lembrar de tudo o que lera sobre a guerra mágica do Reino Unido. — As informações divulgadas pelo Ministério são de que houve uma explosão mágica naquela noite. Hum... enquanto investigava o seu caso, eu tive acesso aos relatórios que os aurores fizeram ao examinarem o berçário do Harry. Haviam restos de um corpo, roupas rasgadas e foi confirmado que era de Voldemort.

— Eu não sabia disso, pensei que eles nem se preocuparam em investigar. — Sirius se inclinou interessado.

— Acredite, fizeram um trabalho bem inferior, vergonhoso. — Emily disse com uma careta de desprezo. — Com tudo o que aconteceu, incluindo a sua prisão, todos aqueles trouxas mortos, a morte de James e Lily Potter, de Voldemort e a sobrevivência de Harry, deveriam haver centenas, talvez milhares de páginas. Cada aspecto deveria ter sido analisado, questionado, verificado, mas, como sabemos, eles pouco fizeram. No entanto, o relatório sobre o berçário foi muito claro, Lily Potter estava caída em frente ao berço, morta pela maldição da morte. Harry Potter estava em seu berço, foi retirado por Hagrid a pedido de Dumbledore, que foi o primeiro em cena e a preservou magicamente, felizmente. Os diagnósticos realizados em Harry, mostraram que seu ferimento foi infligido por uma maldição escura, provavelmente, a mesma maldição da morte, mas, uma magia desconhecida impediu a sua morte e refletiu a maldição em seu atacante. Possivelmente, essa magia protetora desconhecida em contato com a maldição da morte, provocou uma explosão que destruiu parte do telhado e parede da casa. Restos de carne, ossos, sangue e roupas, que compunham um corpo adulto, se espalhou pelo berçário e corredor.

Dever falou mecanicamente como se relesse o relatório em sua mente e não percebeu como Sirius empalideceu com suas palavras.

— Merlin... — Ele sussurrou fechando os olhos e tentando apagar as imagens de sua mente. De repente, Sirius percebeu que não queria saber como tudo aconteceu e agradeceu que o berçário já não existia mais.

— O que... — Então, Emily entendeu o que fizera e sua expressão se tornou arrependida na mesma hora. — Sirius, me desculpa... eu... Eu não pensei, não devia...

— Tudo bem. — Ele apertou a mão que ela estendeu. — Realmente. Eu queria saber, apenas... foi mais doloroso do que esperava... — Suspirando, ele esfregou o rosto tentando se concentrar. — Então, hum... a explosão destruiu o berçário ou parte dele, além do corpo de Voldemort, mas, porque não machucou o Harry ou o corpo de... Lily? E, Voldemort foi "morto" pela maldição que refletiu ou pela explosão?

— Bem, são boas perguntas. — Denver disse pensativa. — Que não estão respondidas no relatório, mas pelo que o Harry disse no jornal, seu pais realizaram um encanto familiar antigo e poderoso que o protegeu. Deve ser algo especial para Dumbledore conseguir criar essas alas e...

— Denver. — Sirius a interrompeu. — Isso nunca aconteceu, não existe encanto familiar nenhum.

Ela o olhou surpresa por um segundo, até entender o que ele disse.

— Mas... como o Harry sobreviveu? — Ela perguntou perdida.

— Lily. Ela... — Sirius pigarreou para tentar vencer a emoção. — Eu não posso dizer porque, mas posso lhe contar que o alvo do ataque naquela noite... era o Harry.

— O que? — Isso desconcertou Denver completamente. — Porque...?

— Não posso lhe contar, é um segredo do Harry, algo que ele pediu a todos nós que não contássemos a mais ninguém. Na época, entendi que ele não quer que a verdade se espalhe, mas, a verdade é que o alvo era ele e Lily... se colocou em frente ao seu berço e se sacrificou por ele. — Sirius viu Emily apertar a mão sobre o peito emocionada. — Isso, seu sacrifício, criou uma proteção mágica antiga, Emily, que vem do amor de Lily e, é por isso que Harry tem que viver com a Petúnia, pois ela é o sangue de Lily. Essa proteção não são apenas alas, ela vive no sangue, na pele do Harry. No ano passado, fim do mandato, Harry reencontrou Voldemort e a proteção o salvou outra vez.

— Isso... — Emily parecia não ter palavras, sua voz estava embargada e mãos trêmulas. — Harry sabe disso?

— Sim. — Sirius se lembrou da reação do afilhado. — Ah, Emily, ele se sentiu tão culpado, tão triste... — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Disse que temia que eles se arrependeram de morrer para salvá-lo, que ele não valia a vida deles, que James e Lily eram mais importantes...

— Oh, Deus... — Ela apertou as mãos do Sirius com força.

— Eu disse a ele, disse que os dois deveriam se sentir orgulhosos e felizes por terem podido salvá-lo e vê-lo crescer nesse garoto incrível. — Sirius fungou e suspirou cansado. — Eu temi que isso lhe pesaria negativamente, mas, Harry é incrível, ele disse que ser tão amado e querido nunca poderia ser ruim. E, que a única coisa que sentia era amor e gratidão, que seu objetivo era tornar o mundo um lugar melhor, como teria sido se seus pais tivessem tido a chance de viver e realizar grandes coisas. Harry disse que o mundo não merecia perdê-los e que quer fazer seus sacrifícios valer a pena.

Emily enxugou uma lágrima e se levantou tentando disfarçar a emoção e tristeza que sentia. Sua mente se voltou, involuntariamente, para sua própria infância e, melhor do que ninguém entendeu o que o Harry sentia. Nunca, ser amado, poderia ser ruim.

— Então, Voldemort está vivo. — Ela disse preparando um chocolate para se aquecerem, café não os deixaria dormir.

— Sim, não preciso lhe dizer que são informações confidencias... — Sirius disse preocupado.

— Sirius... eu não posso desligar quem sou, deixar de ser uma policial, mas, com certeza, não farei nada que poderia prejudicar o Harry ou qualquer outra pessoa inocente. Ok? — Disse ela, pois queria entender como alguém que teve o corpo explodido, sobreviveu.

— Ok. Bem, Voldemort se escondeu... — E Sirius contou sobre o encontro e luta de Harry, Quirrell e Voldemort.

— Um espectro... — Emily disse assombrada e lhe serviu o chocolate em uma caneca do Mickey. — Merlin, o que raios esse cara fez para sobreviver e se tornar um espectro capaz de possuir um ser humano, Sirius?

— Não sei. — Sirius parecia cansado. — Você me diz que o corpo foi destruído e isso me faz refletir que Voldemort encontrou um jeito, com magia negra, claro, de...

— Fugir da morte. — Emily disse e seu rosto era sombrio. — Porque todas essas coisas não foram informadas aos aurores, Sirius? Eles deveriam investigar uma morte suspeita, saber que Voldemort está vivo, procurar o seu espectro, descobrir como ele sobreviveu, caçá-lo e impedi-lo de voltar.

— Dumbledore. — Sirius disse tomando o seu chocolate e contendo um bocejo.

— Claro. Deve ser sua especialidade esconder, omitir, iludir, Jesus, esse homem é um grande perigo. — Emily disse exasperada. — Ele se tornaria um perigo ainda maior que tivesse sido tão louco ou ambicioso como é esse Voldemort.

— Bem, algo para agradecer, então... — Sirius bocejou sem poder disfarçar.

— Você está exausto. — Emily disse exasperada. — Deveria ter dito, Sirius.

— Estou bem. — Disse ele sonolento.

— Sei... essa conversa se tornou muito mais sombria do que alguém em recuperação deveria suportar. — Disse ela se levantando e lavando as canecas. — Vamos dormir, descansar e podemos continuar em outro momento, tenho a sensação de que as surpresas não acabaram.

— Sim. — Sirius se deixou levar para o quarto, onde eles se arrumaram para dormir. — Obrigado, Emily, por me ouvir e se importar...

— De nada. Amanhã vou bem cedo para o escritório, mas, você pode ficar aqui se não estiver se sentindo bem para aparatar ou usar o flu. — Disse ela, quando eles se aconchegaram na cama.

— Hum... ok... — Disse ele respirando o seu cheiro delicioso. — Você cheira a laranja...

— Toranja. — Disse ela suavemente. — O perfume do meu shampoo é de toranja...

— Hum... se você diz... — Sirius sorriu antes de dormir.

— Eu digo, apesar de que você não deve fazer ideia do que é uma toranja... — Respondeu ela se aconchegando ao seu peito.

Pela manhã, Sirius acordou para uma cama e apartamento vazios. Sabendo que precisava voltar para a Abadia, ele se levantou, se vestiu, comeu o café da manhã magicamente preservado que Denver lhe deixou sobre a mesa, lavou a louça e decidiu deixar o apartamento a pé, pois queria descobrir o endereço.

Sirius se sentia incrivelmente bem, apesar de ainda um pouco fraco e cansado, assim, decidiu pegar um taxi até o Beco e usar o flu do Saguão de Entrada. Sua mente, durante a viagem, se moveu por tudo o que aconteceu neste fim de semana, as consequências, possibilidades, decisões e a verdade clara que seu mundo estava mudando. Mais uma vez.

Sr. Boot estava no escritório quando ele chegou a Abadia e sua expressão foi de profundo alívio quando o viu.

— Parece que as notícias de sua quase morte podem ter sido exageradas. — Disse ele, o abraçando com carinho. — Você me parece muito bem.

Sirius sorriu e não pode evitar de corar levemente. Seria impossível não estar bem depois do fim de semana incrível que teve com Denver.

— Bem, as notícias foram precisas, mas, eu tive a melhor das enfermeiras. — Disse Sirius com certa timidez.

— Ora, ora. — Sr. Boot riu suavemente. — Agora fiquei mais curioso, quero que me conte tudo sobre esse seu fim de semana de aventuras.

— E, eu quero lhe contar tudo, Sr. Boot, mas, antes, queria saber as notícias que tem de Hogwarts. — Sirius disse e viu seu rosto ficar muito sério. — Desde que soube que a trama da Câmara Secreta se resolveu, estou ansioso para saber o que aconteceu exatamente e se as crianças estão bem. Harry, Terry e Neville não se feriram, certo?

— Eu... — Sr. Boot o encarou confusamente e seu rosto empalideceu levemente. — Sirius, não sei do que está falando... Hogwarts... o que?

— Mas... — Sirius passou as mãos pelos cabelos, também confuso. — Recebi... quer dizer, Denver, a Agente Denver, ela me socorreu e escreveu para o senhor.

— Sim, sim, claro, eu me lembro dela da época do seu encarceramento e trocamos cartas nos últimos dois dias. Ela me manteve informado sobre o seu progresso. — Disse ele ansioso.

— Bem, acontece que Harry a conheceu no fim das férias de inverno e eles fizeram uma espécie de acordo, trocaram algumas cartas...

— Acordo? — Sr. Boot parecia perdido.

— Sim, me pegou de surpresa também, acredite. Mas, eu explico isso depois. — Sirius disse apressado. — O fato é que ontem à tarde, Harry enviou uma carta a Denver dizendo que tudo estava terminado. Foram poucas palavras, mas Emily interpretou elas como, o basilisco está morto, o atacante cuidado, tudo acabou.

— Bem..., mas, se tudo isso aconteceu, porque não fomos informados? — Sr. Boot parecia preocupado e tenso. — O Conselho de Governadores deveria ser mantido envolvido com tudo isso, além disso, sem os aurores em Hogwarts, como eles pegaram o atacante e mataram a basilisco?

— Os aurores deixaram Hogwarts? — Sirius se mostrou surpreso.

— Você não tem lido os jornais, Sirius? — Sr. Boot lhe estendeu o exemplar desta manhã. — Está tudo aí, os aurores foram chamados quando a Travessa foi invadida por tantos lobisomens. Agora, eles estão guardando o lugar para impedir novas tentativas de invasões.

— Novas tentativas... isso é uma piada. — Sirius esquadrinhou o jornal irritado. — Os lobisomens que queriam tomar a Travessa estão presos ou mortos, os outros só lutaram para fugir daquele inferno. Preciso me encontrar com Remus, talvez, esse seja o melhor momento para ele se aproximar de alguns grupos ou matilhas de lobisomens.

— Bem, mas, ainda não entendi sobre Hogwarts. — Sr. Boot disse irritado.

— Acredito que a mensagem dizia o que já sabíamos, Sr. Boot. Harry e os meninos resolveram tudo sem ajuda dos aurores, na verdade, suas ausências podem ter contribuído para que matassem a basilisco e pegassem o atacante. — Explicou Sirius suavemente.

— Sirius... isso é impossível, três crianças de 12 anos não poderiam fazer algo assim... Poderiam? — Ele perguntou abismado.

Mas, essa pergunta, eles só poderiam ter mais tarde, assim, decidiram se separar. Sr. Boot foi para Hogwarts se reunir com Dumbledore e descobrir a verdade sobre os acontecimentos, enquanto Sirius usou o flu de volta para o Beco e foi para os Escritórios Blacks.

Remus estava sentando trabalhando em sua mesa, mas era possível perceber a tensão em seus ombros e nas linhas de expressões do seu rosto, que estavam mais acentuadas.

— Remus. — Ele disse e fechou a porta atrás de si.

— Sirius! — Seu amigo se levantou e o examinou preocupado. — Pensei que estaria mais grave! O que faz aqui? Não deveria estar de repouso? Eu estive na Abadia para saber de você e o Sr. Boot me contou o que aconteceu!

— Estou bem. — Apesar das palavras, ele se sentou, pois se sentia um pouco cansado. — Precisava te ver, Remus, essa bagunça da Travessa, os lobisomens...

— Não eram as matilhas ou grupos que conheço, Sirius, eram gangues. — Remus tentou explicar e seu amigo acenou.

— Eu sei, mas, o Ministério não fará distinção e você sabe disso. — Sirius disse preocupado.

— Eu pensei assim, na verdade, imagino que tudo isso causará mais perseguições e restrições para nós. — Remus se mostrou sombrio.

— Infelizmente. — Sirius apontou a cadeira ao seu lado. — Sente-se, vou lhe contar o que aconteceu, minhas impressões e o que o Ministério está planejando.

Sirius contou em detalhes os acontecimentos da última sexta-feira, sem deixar nada de fora e incluiu as possíveis ações do Ministério contra os lobisomens.

— Greyback... — Remus estava pálido e um pouco trêmulo. — Ele quase te matou... Sirius, o que estava pensando?!

— Em matá-lo, Remus, em vingar o que aquele maldito fez com você e tantos outros inocentes. — Sirius disse zangado.

— Eu não preciso que faça isso por mim! Vingança! A mesma que o levou atrás de Rabicho feito um louco! Quando deveria ter pensado e pedido ajuda! Cuidado do Harry! — Remus disse furioso. — James e Lily não queriam ou precisavam de vingança, Sirius! E, eu com certeza também não, principalmente sob o risco de sua vida!

— Eu sei... Remus, eu sei...

— Sabe? — Remus o encarou furioso. — Sabe a culpa que carrego pelo que fiz a você? Ou como seria miserável o resto da minha vida se você morresse para se vingar por mim? Você tem alguma ideia do quanto significa para o Harry? O que faria para aquele menino perder você? Deus, Sirius!

Sirius abaixou a cabeça envergonhado. Não tinha como se desculpar por ser tão tolo e impulsivo, no fim, talvez, não fosse tão diferente do que era aos 16 anos.

— Desculpe. — Ele levantou a cabeça. — Me desculpe, você está certo e eu tenho sido tão tolo, Remus, pensei que tinha todas as respostas. Estive tentando compensar tudo o que perdi, conduzir a minha vida para onde acreditei que ela deveria estar e me sentindo perdido nesta nova realidade. Um novo corpo, novos sentimentos, pensamentos, um novo mundo...

— Não entendo. — Remus disse confuso.

— Eu também não, minha mente está indo e vindo em milhares de direções diferentes, mas, prometo que assim que chegar a algumas conclusões, lhe aviso. — Sirius disse sorrindo com um ar de desculpa. — Mas, vamos nos concentrar nos lobisomens, não apenas os que vivem uma vida honesta, mas, os que estiveram lá naquela noite.

— Sirius, se você está sob a ilusão de que eles são bons ou recuperáveis... — Remus moveu a cabeça negativamente e suspirou. — Olha, eles são gangues e fazem mais do que roubar alguns trocados, estão envolvidos com contrabando, tráfico de poções, de criaturas mágicas, de pessoas, além de explorações, extorsões, roubos, golpes.

— Eu sei, Remus, mas, eles não têm escolha, tem? — Sirius disse cansado. — A nossa sociedade nunca lhes deu outra opção, Remus e, sim, eles poderiam viver miseráveis em acampamentos nas Florestas, fazer alguns bicos aqui ou ali como os seus conhecidos fazem. Eles escolheram errado ao decidirem se envolver em crimes, mas, como podemos julgá-los quando a opção é quase morrer de fome?

— Ok. Você está certo, não podemos julgar, mas, se eles cometeram crimes, eles devem pagar por isso e serem julgados pela justiça. Eles merecem Azkaban e não Stronghold. — Remus apontou seriamente.

Sirius fez uma careta.

— Ninguém merece Azkaban, Remus, acredite. — Sirius tentou não lembrar daquele inferno, mas era impossível. — Talvez, Voldemort, Bella e outros como eles, mas, os outros não merecem aquele inferno. Olha, Egan deixou mais do que claro que Gun e Teagan não se envolveram com o pior dos trabalhos, percebi pela dinâmica, pelas atitudes e palavras que eles apenas queriam uma fonte de renda para suas matilhas, Remus.

— Ok. Entendi, mas, nem todos serão assim, você entende? Quer dizer, alguns são bandidos porque gostam disso, Sirius e estaríamos arriscando Stronghold se confiássemos nas pessoas erradas. — Seu amigo apontou.

— Vamos usar todos os tipos de contratos e magias de vínculos, sigilo e segredo que pudermos pensar. — Sirius disse pensativo. — Os Boots vão nos ajudar, Remus. Me diga, você não sabia sobre os lobisomens comandarem o Chiqueiro? Tem alguma notícia sobre a comunidade desde sexta?

— Não. Pelo que você descreveu, o conhecimento existia apenas entre a comunidade lobisomem, mas, eu me mantive afastado deles desde o fim da guerra. E, desde sexta-feira, ir a procura dos grupos que conheço teria sido muito perigoso, Sirius, eu imaginei que os aurores fariam algumas batidas e, se me encontrassem lá, descobririam que sou um lobisomem. — Remus se mostrou angustiado. — Quer dizer, além dos que já sabem por causa das investigações do seu caso, mas, eles prometeram manter o sigilo.

— Emily e King são confiáveis, você sabe disso. — Sirius disse pensativo.

— Emily? — Remus o encarou meio divertido. — Chamando sua treinadora pelo primeiro nome? Isso é uma grande diferença para o "ela é uma maldita carrasca sem coração! "

— Bem, digamos que tivemos uma boa evolução neste último fim de semana. — Sirius disse rindo.

— Seu cachorro safado! — Remus riu divertido. — Todos preocupados com a sua saúde e você se esbaldando! Pensei que estivesse morrendo!

— Isso foi sexta-feira à noite, Remus, domingo era completamente diferente. — Sirius disse e seu sorriso brilhante mostrava que estava muito feliz.

— Você parece feliz... pensei que estaria arrasado com a perspectiva de não poder ser um auror. — Remus disse confuso.

— Pois é, curioso, não? Acho que a noção de que estou vivo e estive muito perto de..., bem, não estar, me fez ver as coisas de maneira um pouco diferente. — Sirius de ombros. — De qualquer forma, você sabe algo sobre Teagan e Gun?

— Teagan é o líder de uma gangue de lobisomens nascidos trouxas. Os T-London vivem aqui em Londres e aproveitam o seu conhecimento dos dois mundos para seus golpes e roubos. — Remus disse pensativo. — Não sei nada sobre Teagan ou os membros de sua gangue/matilha, mas, eles têm a reputação de serem muito inteligentes, aqueles tipos que sabem onde e como ir ou conseguir qualquer coisa. Eles não são violentos, a não ser que tenham que defender o seu território, mas, pelo que entendo, eles fazem apenas golpes e roubos. Nada como assassinato, prostituição ou coisas assim.

— Você tentou se aproximar deles na guerra? — Sirius perguntou curioso.

— Sim, a pedido de Dumbledore e, claro, eu sabia que seria um fracasso, pois esses caras não deixarão de fazer o que fazem apenas por um aperto de mão. Sirius, estou te falando, eles não são do tipo que viverão felizes isolados em uma ilha, plantando e criando carneiros. — Remus avisou preocupado.

— Ok. E o Gun? — Sirius questionou enquanto pensava em outras possibilidades. "Sempre existe uma solução, Sirius, desde que você use o seu cérebro e esteja disposto". A palavras de Harry soaram em sua mente e Sirius percebeu que esteve sendo tão passivo como todos os adultos da vida do seu afilhado.

— Sirius? — Remus chamou confuso. — Você está bem? Não deveria estar de repouso ou algo assim?

— Desculpa. Me distrai com meus pensamentos, mas, estou bem. — Sirius mostrou a cicatriz grossa em seu flanco esquerdo. — Eu perdi muito sangue e tenho mais uns dias de poções, mas não preciso ficar de repouso nem nada, apenas ir devagar.

— Egan foi muito traiçoeiro. — Remus disse com expressão escura.

— Meu primo sempre foi assim, eu que não deveria ter lhe dado a oportunidade. Gun? — Sirius disse suspirando.

— Ah, os Gárgulas. Eu os conheço um pouco mais, eles são uma das maiores matilhas do Reino Unido e vivem viajando de uma floresta para outra, principalmente em Gales, mas, as vezes na Inglaterra também. — Remus contou. — Eu os visitei algumas vezes e Gun nem era o líder, então, mas haviam muitas mulheres e crianças entre eles.

— Crianças? — Sirius perguntou confuso.

— Crianças que foram mordidas e abandonadas por suas famílias. — Remus fez uma careta. — Como eles são um grupo bem grande e familiar, quando isso acontece, as crianças são enviadas para viverem com os Gárgulas.

— Então, do que você sabe, eles não são uma gangue e sim uma matilha de camponeses? — Sirius perguntou suavemente.

— Sim, ou foi o que eu pensei, mas, Sirius, se eles entraram em sociedade com Egan e Greyback...

— Mas aposto que fizeram isso porque não tinham comida para toda a matilha, Remus e apenas alguns deles devem ter se envolvido, talvez, os rapazes mais jovens e fortes. As mulheres e crianças, talvez os mais velhos, devem ter continuado afastado de tudo e sem saberem de onde vinha comida. — Sirius lembrou-se do homem gigantesco. — Ele parecia desesperado, Teagan também, mas Gun me disse que um acordo entre nós, os faria ter dinheiro para alimentar sua matilha no inverno.

— Bem, imagino que com os negócios no Chiqueiro paralisados a meses, esse último inverno deve ter sido difícil. — Remus disse com o cenho franzido. — Não duvido que eles aceitariam a chance de um lugar a salvo do Ministério e com trabalho, comida, abrigo, mas, não posso tentar contatá-los agora, Sirius. Eles estarão escondidos e desconfiados, talvez, apavorados com a possibilidade de serem presos. Além disso, tentar um movimento agora, poderia colocar o meu segredo em risco.

— Tudo bem. — Sirius se levantou tentando encontrar o melhor caminho. — Os seus colegas mais próximos, você conseguiu algum avanço?

— Incrivelmente, sim. Talvez o inverno seja um motivador, você sabe que poucos tem uma casa como eu e, um emprego, então, isso é a maior raridade. Como você disse, eles vivem de bicos e acampam nas florestas em pequenos grupos. — Remus disse triste. — Eu visitei um grupo de lobisomens mais velho, levei roupas quentes e comida, barracas mais confortáveis e espaçosas. Agora que tenho condições, posso fazer um pouco por eles.

— Isso é bom. — Sirius disse. — Se precisar, posso ajudar com...

— Sirius. — Remus negou com a cabeça. — Você sabe que eles não aceitarão caridade, mesmo de mim, levei poucas coisas e apenas o mais essencial ou não teriam aceitado.

— Certo. E, como foi a reação deles a ideia da ilha? — Sirius perguntou e, se levantando, começou a lhes preparar um chá no pequeno jogo de chá que Remus tinha em seu escritório.

— Deixa que eu faço isso, você se senta e descansa. — Disse Remus lhe tirando o bule das mãos.

— Obrigado. Ficar com a Emily foi incrível, mas ela só toma café ou chocolate quente. — Disse Sirius sorrindo. — Senti falta de um bom chá inglês.

— Posso entender isso. — Enquanto preparava o chá, Remus contou o que aconteceu em seu encontro. — Decidi procurar esse grupo porque os conheço a mais tempo. Eles são muito respeitados e influentes em meio a comunidade dos lobisomens e me conhecem, sabem que meu interesse ou palavras são idôneas.

— E, eles acreditaram em você? — Sirius aceitou a xícara e bebeu um gole quente e saboroso. — Hum, bom, muito bom. Obrigado.

— De nada. Sim, eles acreditaram, mas, estão céticos sobre o dono da ilha, que não pude dizer quem era ainda. Suas perguntas foram as que eu esperava e, quanto mais explicava, mais chocados e encantados eles ficavam. — Remus bebeu o seu chá pensativo. — Mas, percebi que eles não irão confiar na minha palavra sem terem a informação de quem é o dono da ilha e deixaram claro que não falarão com os outros lobisomens até o conhecerem.

— Porque? Quer dizer, entendo que eles queiram saber, mas, porque não falarão sobre isso com os outros? — Sirius perguntou confuso.

— Disseram que não querem lhes dar esperanças e decepcioná-los. — Remus falou tristemente. — Eu os entendo, Sirius, essa ideia do Harry, é o sonho de 90% dos lobisomens que já conheci e, se eles espalharem a proposta, mas, depois descobrirem que era uma brincadeira ou que o custo é muito alto, a decepção seria terrível.

— Bem, acredito que se eles concordarem em assinar um contrato de confidencialidade, podemos dizer que a ideia e a ilha são do Harry. — Sirius disse terminando o seu chá.

— Você não entendeu, eles querem conhecê-lo, Sirius, não apenas saberem quem ele é. — Remus recolheu as xícaras. — O que me disseram é que, se assinarão suas vidas na mão dessa pessoa, eles precisam olhar em seus olhos e ver a sua alma.

— Merda. — Sirius disse surpreso.

— Sim. E, se hesitarmos ou demorarmos muito, eles apenas ficarão mais desconfiados. Ao mesmo tempo, como eu disse, com os aurores se movendo atrás dos lobisomens, procurá-los se tornou um risco enorme. — Remus explicou. — Estamos meio ferrados.

— Sim, mas, tem uma solução, Remus, precisamos apenas encontrá-la. — Sirius se levantou decidindo voltar para Abadia e descansar. — Porque não vem jantar hoje a noite? Tem um monte de coisa acontecendo em Hogwarts com o Harry e...

— Ele está bem? — Remus se levantou preocupado.

— Sim, já que nenhuma notícia contrária chegou, mas... — Sirius suspirou. — É confuso, venha jantar e posso explicar tudo.

— Ok. Combinado.

Sirius passou pelo restaurante Coffee & Life e comprou o almoço para ele e o Sr. Boot, antes de voltar para a Abadia. Ao chegar, encontrou-o andando de um lado para o outro muito irritado.

— Então? — Sirius perguntou ansioso.

— Você estava certo. A basilisco está morta, o possível atacante foi detido e o aluno salvo da trama do Malfoy, mas, Dumbledore não sabe de nada porque, Harry, os meninos e Flitwick mantêm tudo a setes chaves. — Ele disse a ponto de explodir. — Como tudo isso acontece naquela escola e o seu diretor, vice-diretora ou professores, não sabem de nada?

— Eles devem ter sido muito eficientes em manterem o sigilo. — Sirius disse pensativo e começou a lhe servir o almoço, salada, um sanduíche integral de queijo branco e suco de fruta. — Então, Flitwick faz parte de sua equipe... me sinto mais aliviado.

— Equipe? — Sr. Boot olhou confuso para toda aquela comida saudável. — O que raios é esse negócio verde?

— Ah, um suco de couve, laranja e romã, a moça me disse que é o melhor para ajudar a recuperar a saúde depois da perda de sangue. — Disse Sirius e bebeu um gole de seu copo. — Hum... o gosto é melhor que a aparência. Sente-se, Sr. Boot, vamos almoçar e o senhor me conta da sua reunião com Dumbledore.

— Acho que prefiro ver as sobras que a Serafina me enviou... — Disse ele olhando desconfiado para a comida diferente.

— Hum... Prove, o senhor gostará. — Insistiu o Sirius dando uma segunda mordida em seu sanduíche.

Sr. Boot acabou concordando e comeu um pouco da salada e sanduíche de queijo, incrivelmente saboroso, apesar de estranho. O suco, ele se recusou a chegar perto, afinal, não perdeu sangue como Sirius e, além disso, quem tomava suco de couve?

— Dumbledore apenas disse que, ontem, no fim da tarde, Flitwick o procurou e contou que tudo estava seguro, sem nenhum detalhe além disso. — Sr. Boot compartilhou. — A prova lhe foi fornecida, mas ele não quis me mostrar, pois disse que a está examinando. Acredito que seja lá o que descobrir, Dumbledore pretende manter para si mesmo, como tudo o mais.

— E, Harry? — Sirius perguntou confuso.

— Ele disse que todos estão bem, ninguém esteve na enfermaria, nada aconteceu que atraísse a atenção dos alunos, professores ou dele. — Sr. Boot suspirou. — Você está certo, eles se esforçaram para manter o sigilo absoluto. De qualquer forma, teremos um convidado para jantar hoje.

— Verdade? Bem, acredito que serão dois, então, pois convidei o Remus. — Sirius disse tirando outro embrulho de doces da The Best Candy. — Aqui. Quem o senhor convidou? — Perguntou ao lhe estender um cupcake de creme e coco.

— Agora, isso é mais interessante. — Disse o Sr. Boot com olhos brilhantes. — Hum... perfeito, mas, Honora estaria furiosa ao me ver comer doces.

— Com certeza. — Sirius disse retribuindo o seu sorriso. A Sra. Honora, mesmo com os problemas de memória, insistia que eles comecem de maneira saudável e com pouco açúcar. — Quem o senhor convidou para jantar?

— Flitwick. — Disse ele pegando um segundo cupcake de creme e morango. — Com exceção dos meninos, ele é quem terá as informações que queremos.

— Boa ideia. — Sirius pegou o seu cupcake de chocolate e nozes. — Precisamos apenas avisar o Falc e Serafina que eles terão todos nós para o jantar hoje.

— Hum... Essa é uma boa ideia também.

Serafina chegou em casa naquela tarde muito animada, apesar das preocupações com Sirius e Hogwarts, ela não podia deixar de se sentir feliz por estar trabalhando. Seu afastamento no semestre anterior foi provisório e necessário, ser a Diretora da AP exigia muito de si, mas, Serafina sentiu falta da escola a cada segundo dos seus dias. Ela amava ensinar, adorava os seus alunos, a interação com cada um deles e observar suas evoluções e crescimento.

— Posso ir brincar no bosque, mamãe? — A voz de seu garotinho soou quando entraram no Chalé.

— Sim. Suba e troque o seu uniforme, depois pode brincar por meia hora antes do dever de casa, banho e jantar. — Disse ela e, olhando para a filha, acrescentou. — Você irá brincar com seu irmão?

— Não. Está muito frio para andar pelas árvores... — Seu bico mostrou sua irritação com o inverno sem fim e com o fato do seu irmão conseguir se conectar com a magia das árvores e ela não. — E, tenho mais o que fazer.

— Algum projeto novo da... — Perguntou ela, mas se interrompeu ao sentir o cheiro de comida que vinha da cozinha. — Ora, alguém está cozinhando?

Os três seguiram para a cozinha e encontraram o Sr. Boot e Sirius preparando o jantar.

— Sirius! Vovô! — Adam correu para abraçá-los, seguido por Ayana e Serafina.

— Olá, meus queridinhos. — Sr. Boot abraçou e beijou os netos.

— O que fazem aqui? E, preparando o jantar? — Serafina disse confusa. — Sirius, você não deveria estar de repouso?

— Estou sentado picando as coisas, Sr. Boot está fazendo o trabalho duro. — Disse Sirius retribuindo o seu abraço e os das crianças. — Tiveram um bom dia na escola?

As crianças começaram a falar e falar sobre o seu dia, Sirius ouviu com um grande sorriso e paciência. Enquanto isso, o Sr. Boot explicou para Serafina por que estavam ali.

— Pensamos que, já que não tínhamos como te avisar sobre os convidados para o jantar, o mínimo que deveríamos fazer, era te ajudar na preparação da comida. — Encerrou ele suavemente.

— Ok, sem problemas. — Disse ela suavemente. — Vou subir, me trocar e já desço para ajudar. Mas, ainda não entendi porque Flitwick e Remus estão vindo jantar, além do prazer de suas companhias.

— Hum... uma longa história que terá que ficar para depois que as crianças forem para a cama. — Disse ele e, por sua expressão, Serafina percebeu que era sério.

Flitwick e Remus, além de Falc, se juntaram a eles mais tarde e o jantar foi amigável, ainda que claramente tenso. Todos conversaram sobre seus dias, aulas, o tempo, a situação da Travessa, as crianças tagarelaram sobre seus amigos ou professor favorito. Ayana fez um monte de perguntas a Flitwick sobre Hogwarts, as aulas de Feitiços e Adam ouvia tudo com os olhos arregalados. No entanto, era claro que todos esperavam ansiosos pelo momento de conversarem sobre o que os reunira ali naquela noite.

Quando as crianças foram para a cama, eles seguiram para a biblioteca. Falc serviu todos com um whisky de primeira qualidade, com exceção de Sirius, que se contentou com um chá de romã.

— Sua menina é muito curiosa, Serafina, espero que esteja em minha casa. — Disse Flitwick sorrindo com carinho, ele amava crianças.

— Oh... Sinto muito, professor. — Serafina disse ao estender a xícara para o Sirius. — Ayana é curiosa e sempre quer fazer, experimentar e saber tudo, mas, ela não é muito Ravenclaw. Na verdade, acredito que seu desejo por aventuras a fará uma Gryffindor, como o pai e o avô.

— Bem, você já ficou com o Terry, assim, mais do que justo que eu tenha um filho Gryffindor. — Falc brincou divertidamente.

— E o pequeno? — Flitwick perguntou depois de rir.

— Adam é uma incógnita. — Disse Serafina pensativa. — Ele é muito jovem ainda e tem tanto da sua personalidade que está se desenvolvendo... Mas, ele gosta muito de aprender, então, pode ser que tenhamos sorte, Filius.

Eles riram suavemente, mas o Sr. Boot acenou negativamente.

— Pois eu aposto qualquer coisa que Adam será um Hufflepuff. — Disse ele suavemente. — Ele tem a mesma doçura e bondade que minha Honora e Carole tinham.

— Hum... Eu não apostaria contra você, papai. — Disse Falc sorrindo ao pensar nas duas mulheres com carinho. — Bem, agora, o que era tão importante que tivemos esse jantar combinado tão abruptamente? Imagino que seja pelo que aconteceu na Travessa, mas, não entendi a presença do professor, ainda que estou feliz em recebê-lo, senhor.

— Obrigado. No entanto, acredito que minha presença se deva por outro motivo. — Flitwick disse e seu rosto ficou muito sério. — Harry ou Terry escreveram para vocês compartilhando as boas notícias?

— Noticias? — Serafina perguntou surpresa. — Algo aconteceu? Eles estão bem?

— Não soubemos de nada. — Falc se sentou preocupado. — Se tivesse tido outro ataque, a AP seria informada.

Flitwick se mostrou confuso e olhou para o Sr. Boot.

— Pensei que tivesse dito que recebeu a informação de Harry por carta? — Ele perguntou surpreso.

— Eu não, Sirius recebeu. — Sr. Boot disse apontando para Sirius que suspirou.

— Quem me dera. Quem recebeu a carta foi Emily Denver. — Disse ele e não parecia feliz.

— Quem é essa? — Flitwick perguntou confuso.

— E o que raios aconteceu? — Serafina perguntou tensa.

— Acho que as informações estão desencontradas porque cada um sabe um pouco e coisas diferentes. Sirius, talvez o melhor seja você começar do começo e deixar todos nós inteirados da cronologia dos eventos, assim, podemos chegar ao fim e ao mais importante. — Propôs Remus inteligentemente.

— Ok. — Sirius olhou para Flitwick para respondê-lo. — Emily Denver é a Agente Chefe da ICW... — Ele, então contou sobre a OP Travessa do Tranco e como Emily vinha fazendo o seu treinamento. — Na sexta-feira à noite, estávamos em um ponto decisivo da Operação, pretendíamos encerrá-la depois dessa próxima reunião e eu poderia voltar ao meu personagem verdadeiro. Além de poder fazer o meu treinamento com a turma do segundo ano do recrutamento auror.

— O que deu errado, Sirius? E, porque você terminou ferido? — Sr. Boot perguntou, pois ainda não esquecera o momento em que recebera a carta de Emily, fora apavorante e, apenas a certeza de que Sirius estava fora de perigo, o tranquilizou.

— Bem... — Suspirando, Sirius contou outra vez o que aconteceu na Operação, até o momento em que Denver o socorreu e levou para o seu apartamento.

— Malfoy. — Sr. Boot cuspiu o nome com raiva. — Sempre esse maldito e seus planos. Como algo assim não está nos jornais? Ou os aurores não farão nada como sempre?

— Bem, essa parte é mais confidencial, não posso dar detalhes, mas, posso lhes dizer que Malfoy não será acusado por isso, pois não podemos revelar o meu disfarce ao acusá-lo. — Sirius podia ver como todos estavam zangados com isso. — No entanto, ele não sairá tão livremente, seu sobrenome não impedirá que seja investigado pelos aurores e, com sorte, provas dos seus crimes aparecerão.

— Bem, isso é muito mais do que tivemos nos últimos 12 anos. — Disse Falc tenso.

— Greyback te perseguindo é o que mais me preocupa, Sirius. — Apontou Flitwick sério.

— Imagino que seu disfarce tem que ser mantido para que os outros lobisomens também não decidam se vingar. — Disse o Sr. Boot e Sirius acenou.

— E, é por isso que tudo se complicou. — Sirius explicou porque ele não podia fazer o planejado e se desfazer de seu disfarce. — A verdade é que me tornar auror se tornou praticamente impossível.

— A verdade é que essa missão final foi muito mal planejada. — Flitwick disse pensativo. — O encontro deveria ter sido em um território mais controlado, apenas Tonks como observadora foi quase amadorismo e você não deveria ter tentado matar Greyback.

— Não. — Sirius abaixou a cabeça envergonhado. — Eu já ouvi isso de Denver, King e Remus, a verdade é que tudo foi uma grande bagunça e minhas ações pioraram as coisas.

— Você queria muito ser um auror, Sirius. — Sr. Boot falou suavemente. — Está pronto para desistir disso?

— Sinceramente, no momento, estou feliz por estar vivo. Além disso, algumas coisas aconteceram no fim de semana que me fizeram perceber que, apesar da minha decepção, no momento, existem coisas mais importantes e, a maior delas, é Harry. — Sirius disse e olhou para Flitwick novamente. — Fiquei completamente chocado e triste quando Denver recebeu uma carta do Harry ontem, no fim da manhã, contanto em poucas palavras que tudo estava resolvido em Hogwarts e que o acordo deles se mantinha.

— Acordo? — Serafina perguntou com o cenho franzido. — E, o que aconteceu em Hogwarts?

— Harry conheceu a Denver no fim das férias de inverno. Lembram-se? — Todos acenaram e, então, Sirius explicou o acordo sobre as poções restauradoras. — E, eles trocaram várias cartas nas últimas semanas, Harry pediu conselhos sobre como liderar uma equipe e sobre exercícios de treinamento em equipe.

— Muito inteligente. — Flitwick sorriu orgulhoso. — Depois do desastre na Caverna, Harry tem treinado incansavelmente, sozinho, com Terry, Neville e comigo. Além disso, ele não falou nada sobre a possibilidade de as poções chegarem pela Agente Denver. Claro, se isso se espalhasse, colocaria a vida dos petrificados em grande risco.

— Mas... porque ele não nos disse? E, porque Denver não te contou sobre esse acordo? — Serafina perguntou chateada.

— Ele pediu a ela especificamente que não me contasse, pois, senão, eu contaria a vocês. — Sirius disse decepcionado consigo mesmo. — Eu pedi ao Harry que confiasse em mim, mas, no segundo em que ele me pediu para manter segredo e, eu recusei, não havia mais volta. Harry se fechou completamente e se isolou de nós, mas, o pior é que ele enfrentou todo esse perigo em Hogwarts sem nossa ajuda e, quando terminou, não compartilhou conosco. — Sirius olhou para o relógio. — Denver recebeu a sua carta a quase 36 horas e nenhuma chegou para nós, dele ou do Terry.

— Mas, o que eles fizeram? — Falc perguntou entendendo bem a gravidade da situação. — Professor?

— Bem, espero que entendam que não posso contar detalhes que o próprio Harry não compartilhou. Se, e quando, vocês tiverem que saber como tudo aconteceu, deve ser por ele e não eu. — Flitwick disse muito sério. — Mas, neste fim de semana, mais precisamente na madrugada e manhã de domingo, Harry, Terry, Neville, com um pouco da minha ajuda, destruíram a basilisco e detiveram o atacante.

— O que? — Falc perguntou chocado.

— Mas, como? Sem os aurores na escola, pensei... estava tão preocupada com um novo ataque... — Serafina estava confusa.

— Na verdade, sem eles cheirando em volta, tudo foi mais fácil. — Flitwick disse sorridente. — E, sobre como, eu não posso lhes dizer. Assim como a Agente Denver, me comprometi com o Harry e com os seus segredos, no entanto, tenho certeza que eles mesmos compartilharão tudo o que aconteceu com vocês.

— Quando o Sirius me contou sobre a carta, eu não conseguia acreditar que três crianças de 12 anos poderiam fazer isso, mas, sabendo que o senhor estava junto com eles, me sinto menos incrédulo. — Disse o Sr. Boot.

— Engana-se, Áquila. Eu quase nada tive a ver com o sucesso da empreitada. — Flitwick ergueu as mãos deixando claro que não teve um grande envolvimento. — Harry planejou basicamente cada detalhe da missão e praticamente a executou, perfeitamente, com algum apoio de Terry, Neville e eu.

— Mas... Missão? — Serafina estava perdida. — Eu sabia que o Harry e os meninos estavam investigando por conta própria, mas, tive a impressão que a intenção era acionar os aurores quando eles descobrissem algo que levasse ao fim disso tudo. — Sua expressão endureceu. — E, agora o senhor me diz que eles organizaram e realizaram uma "missão", algo com certeza absurdo e arriscado que adultos deveriam estar fazendo. Além disso, o senhor apoiou, manteve segredo e incentivou que três crianças se arriscassem desta maneira?

— Hum... Sim, esse é um bom resumo de tudo o que aconteceu, sob a perspectiva de um pai, claro. — Flitwick disse e acrescentou com certa frieza. — Mas, sugiro, minha querida Serafina, que guarde o julgamento para depois que tiver todos os fatos, pois é isso que espero de uma aluna da minha casa.

Serafina engoliu em seco chocada pela reprimenda.

— Mas...

— Filius, eu compreendo sua colocação, mas, não entendo porque não pode nos contar o que aconteceu? Imagino que com o fim de tudo, seja seguro compartilhar alguns fatos. — Sr. Boot disse em tom conciliador.

— Bem, posso lhes dizer que depois do ataque de Luna, um grande desserviço foi feito por vocês e os aurores ao se recusarem a ouvir o Harry ou deixar que ele fosse informado sobre as descobertas da investigação. — Flitwick disse e estava zangado. — Posso lhes assegurar, com 100% de certeza, que toda essa trama teria terminado a semanas, talvez meses, se Harry não fosse completamente excluído e ignorado. Corremos um risco enorme de que alguém na escola morresse porque alguns adultos acreditam que sabem mais ou não precisam da ajuda de uma criança de 12 anos.

Serafina empalideceu ao ouvir essa verdade jogada em sua cara e nem conseguiu pensar em se defender ou protestar. Os outros tinham expressões sérias, pois já sabiam que aquela atitude havia causado em Harry uma profunda desconfiança.

— Bem, Harry estava zangado e magoado, com razão, seu orgulho falou mais alto e ele escolheu esconder a sua descoberta de que o monstro da Câmara era uma basilisco. — Flitwick contou o que aconteceu no café da manhã e Sirius abriu um sorriso orgulhoso, Remus arregalou os olhos.

— Ele questionou Dumbledore e Moody? — Ele perguntou chocado.

— Sim. Foi brilhante e, ao mesmo tempo, mostrou a todos que ele já estava à frente na investigação. — Flitwick disse sorrindo.

— E, mesmo depois disso, esses tolos decidiram não lhe perguntar o que ele sabia? — Sr. Boot ergueu os braços exasperado. — Merlin nos salve de tanta incompetência.

— Sim. E, Harry estava decidido a não contar nada, a não ser que eles viessem pedir a sua ajuda. — Disse Flitwick com um sorriso carinhoso. — Me lembrou um pouco da Lily, tão orgulhoso, magoado e tentando disfarçar.

— Sim. Essa era a Lily. — Remus disse e ele compartilhou um olhar triste com Sirius.

— Mas, eu disse que essa atitude orgulhosa e tola, seria esperado de um Gryffindor e não um Ravenclaw. — Flitwick disse. — Harry prometeu refletir sobre isso, mas, antes de deixar a minha sala, eu também o fiz prometer que se descobrisse algo, ele não se colocaria em perigo sozinho. Se não quisesse contatar os aurores, ao menos, que me procurasse, prometi que lhe daria todo o auxílio em meu poder e manteria seus segredos. Percebi, por sua atitude e a maneira como foi dispensado pelos aurores, que se não me comprometesse com ele 100%, haveria o risco do Harry fazer tudo por si mesmo e não consigo imaginar o que aconteceria então.

— Isso foi inteligente. — Sirius disse e apertou as mãos. — Eu deveria ter feito o mesmo, estive agindo tão tolamente.

— Bem, mas, as minhas preocupações eram sem sentido. — Continuou Flitwick como se Sirius não tivesse falado. — E, eu deveria saber que Harry não deixaria o seu orgulho guiar as suas decisões. Depois de refletir, Harry decidiu que se descobrisse algo importante em suas investigações, ele chamaria os aurores, ou melhor, me avisaria e eu os informaria, assim como ao diretor.

— E, porque isso não aconteceu? — Falc perguntou tenso.

— Tudo mudou no ataque a Colin. — Flitwick hesitou se deveria contar essa parte ou deixar que Harry explicasse. — Acredito que deixarei que Harry...

— Professor, por favor, como podemos compreender tudo isso, os riscos que eles correram se não entendermos suas motivações. — Protestou Falc ansioso.

— Precisam entender que se Harry não lhes contou nada ou me autorizou a contar nada, fazer isso poderia ser considerado uma traição e não quebrarei sua confiança. Nem mesmo por vocês. — Flitwick disse convicto.

— E se perguntarmos a ele? — Sirius sugeriu. — Onde está o espelho? Podemos perguntar diretamente ao Harry, se o senhor pode nos contar o que aconteceu nos últimos meses.

— Ok. Se ele autorizar, não vejo problemas. — Flitwick se mostrou positivo e Serafina deixou o escritório rigidamente para buscar o espelho de comunicação.

Ao voltar, Sirius o pegou e chamou o Harry que atendeu do outro lado.

— Um momento, tenho uma chamada de casa. — Sua voz soou quando ele moveu o espelho até seu rosto surgir.

Sirius suspirou de alívio ao vê-lo bem e seguro, nem tinha percebido o aperto em seu peito de medo que seu afilhado estivesse machucado.

— Sirius! — Seu sorriso foi contagiante. — Eu li as notícias nos jornais! A OP acabou? Tudo deu certo?

— Oi, Harry, escute, depois conversamos sobre isso, pois tenho muito o que te contar. — Sirius disse e seu tom levou seriedade ao rosto do garoto moreno. — Temos outro assunto agora, você pode falar?

— Sim. Estou com uns amigos no Covil, mas, me afastei para conversarmos. O que você precisa? — Harry perguntou objetivo.

— Estou no Chalé e tem algumas pessoas aqui, vou posicionar o espelho. — Sirius fez isso e observou a expressão de seu afilhado mudar sutilmente ao ver Flitwick presente.

— Olá, pessoal. — Harry disse em tom guardado.

— Harry, vou direto ao ponto. — Flitwick disse. — Eles souberam que nossas ações colocaram um fim ao mistério da Câmara Secreta e me convidaram para que eu compartilhasse o que exatamente aconteceu. Claro, se você não escreveu contando, não serei eu a informá-los, pois me comprometi ao sigilo de tudo o que você me disse e fizemos. Assim, Sirius teve a ideia de lhe pedir autorização.

— Entendo. — Harry os observou com olhos verdes afiados. — Como descobriram? Dumbledore?

— Não, Harry, eu estava com Denver ontem quando ela recebeu sua carta. — Disse Sirius sincero.

— Droga. — Harry sussurrou e o espelho se agitou quando ele bagunçou seus cabelos bagunçados com uma das mãos.

— Ela me contou sobre o acordo de vocês e como têm trocado cartas, mas, fez isso porque acreditou que a palavra "Acabou", tornava seguro me informar. — Contemporizou Sirius.

— Bem, além dessas palavras, lembro-me de escrever, bem claramente, que o nosso acordo se mantem. Isso inclui a confidencialidade. — Harry disse irritado. — Mas, tudo bem, o maior risco passou, suponho, no entanto, todos vocês precisam entender que a informação da poção restauradora não pode deixar essa sala. Entendem?

— Oh, sim, compreendo. Muito inteligente, Harry. — Flitwick o cumprimentou.

— Eu não entendo nada. — Serafina disse além de chateada. — E, não entendo porque teve que se colocar em perigo, matar uma basilisco, deter o atacante ou porque escreveu para uma desconhecida para contar que fez isso e não para a sua família.

— Bem, na verdade, acreditei que vocês saberiam por Dumbledore da resolução do mistério da Câmara. — Harry disse suavemente. — Ele fez um grande anúncio hoje no jantar, acabou se tornando uma comemoração incrível. O diretor também disse que já tinha comunicado o Conselho de Governadores, AP e o Ministério, que os caçadores tinham deixado a escola e que poderíamos dormir tranquilos. — Harry sorriu ironicamente. — Alguém lhe perguntou como tudo tinha se resolvido e ele ficou bem sem graça, afinal, não sabe onde começa as patas e termina o rabo.

Sirius riu divertido.

— Aposto que ele deu uma de suas respostas misteriosas, onde não diz nada com nada. — Disse ele e Harry riu acenando.

— Bem isso. — Harry concordou. — Também disse que alguns alunos e um professor fizeram uma armadilha para a basilisco, que foram muito corajosos e que deveríamos nos concentrar em comemorar, além de voltar as nossas vidas normais.

— Espere, o diretor não nos comunicou sobre nada... — Serafina protestou.

— Depois que Sirius me contou sobre a carta, eu fui até Hogwarts me encontrar com Dumbledore. — Sr. Boot explicou. — Ele me disse que não sabia de nada, apenas o que Filius lhe disse, que foi bem pouco, assim, decidi convidá-lo para o jantar para que pudesse nos esclarecer os fatos. Eu lhe disse que a comunicaria e aos outros membros do Conselho, escrevi a todos eles, menos ao Malfoy e seus amigos.

— Ok. — Serafina acenou. — Você não nos respondeu as minhas perguntas, Harry.

— Não respondi porque não há o que dizer, Sra. Serafina. — Harry apoiou o queixo na mão. — Eu não posso lhes contar tudo o que aconteceu por carta, seria impossível... Merlin, foram tantas coisas. Estava planejando contar tudo nas férias de Páscoa, mas, as coisas se precipitaram.

— Bem, se você autorizar o professor, ele poderia nos contar e, depois, na Páscoa, apenas fazemos algumas perguntas. — Disse Falc em tom de pedido.

— Bem, acredito que o senhor sabe de tudo, não? O que falou até agora, professor? — Harry perguntou pensativo.

— Apenas do motivo de manter o segredo, Harry, nossa conversa depois do primeiro ataque e minha promessa a você. — Disse Flitwick suavemente.

— Hum... Bem, vocês sabem tudo sobre o Dobby, certo? — Harry perguntou e Remus foi o único que acenou negativamente. — Remus não sabe? Bem, terão que começar do começo, então. Eu o autorizo, professor, mas existem algumas condições.

— Quais? — Flitwick perguntou curioso.

— A identidade ou qualquer coisa que possa levar até ela, não será dito, nunca. — Harry disse gravemente.

— O que? Não entendi! — Sirius disse confuso.

— Harry, porque não podemos saber de tudo? Não confia em nós? — Serafina perguntou chateada.

— Não com isso. — Harry disse seriamente. — O professor sabe do que estou falando e não adianta insistir, certos segredos não devem ser compartilhados, pois quanto mais pessoas sabem, menos um segredo ele é.

Sirius viu algo em seus olhos verdes, um assombro ou tristeza, e franziu o cenho preocupado. Harry parecia anos mais velhos do que seus 12 anos, na verdade, ele parecia muito mais velho do que a última vez que o vira em dezembro.

— Ok, Harry, eu concordo com você. — Flitwick disse suavemente. — Depois conversamos sobre o seu acordo com a Agente Denver, estou curioso e, talvez, eu possa ajudar de alguma maneira.

— Isso seria bom, senhor. — Harry disse, seu olhar mostrando confiança e respeito. — Mais pessoas pensando, os planos ficam melhores. Uma só mente nunca pode pensar em todas as variáveis possíveis.

— Acho que você é uma exceção. — Disse Flitwick e, Harry riu, corando levemente.

— Nos encontramos amanhã, como combinado? — Harry disse e algo pareceu chamar sua atenção atrás dele, pois afastou o espelho para o chão. — Já estou terminando. — Sua voz saiu mais suave, quase... doce? — Guarda uns biscoitos para mim...

Depois o espelho voltou e seu sorriso era dez vezes maior do que antes, seus olhos verdes brilharam e seu rosto estava mais corado. Sirius franziu o cenho desconfiado, mas Flitwick se adiantou e encerrou a ligação.

— Amanhã, como combinado e nada de passar do toque de recolher, Harry. — Disse ele, seu afilhado deu uma piscadela.

— Apenas prometo não ser pego. Até mais. — E desligou.

Todos ficaram um pouco chocados com sua despedida um pouco ausente e distraída.

— Ele parece tão... — Serafina começou hesitante.

— Ocupado? — Falc concluiu.

— Ele e os amigos estão comemorando o fim de tudo e relaxando. — Flitwick disse suavemente. — Vocês precisam entender que os últimos meses foram muito difíceis para o Harry, para todos, na verdade, mas acredito que para ele ainda mais.

— Eu confesso estar um pouco perdido em toda essa história, professor. — Remus disse suavemente. — O senhor poderia nos contar o que aconteceu que levou a missão de ontem?

— Bem, tudo começa com a visita de Dobby ao Harry durante o verão... — Flitwick os levou pelos fatos que todos, menos Remus, sabiam, até chegar a segunda visita de Dobby.

— Ele o visitou naquela noite? — Falc parecia espantado. — Harry não contou isso a ninguém, contou?

— Não, apenas para Neville que o apoiou o tempo todo, neste momento, Terry e Hermione concordavam que deixar os adultos resolverem tudo era o melhor. — Flitwick explicou. — Não vou entrar na dinâmica da relação dos quatro amigos, mas, vocês podem imaginar que isso foi muito difícil para todos eles.

— Sim, mas depois, o Terry decidiu participar e parecia saber tudo o que o Harry e Neville sabiam. — Disse Serafina lembrando-se da atitude dos 3 em janeiro.

— Quando o tempo passou e os aurores e caçadores não encontraram uma única pista, eles ficaram em dúvida, mas, Harry foi muito firme e disse que só lhes contaria o que sabia quando eles tivessem certeza e disposição para mentir aos adultos. — Flitwick suspirou. — Neste ponto, Harry tinha informações que não poderia chegar até vocês de maneira alguma. Mas, foi apenas depois do ataque a Caverna e petrificação da Hermione que Terry se decidiu e eles se entenderam.

— O que era tão importante que não podíamos saber? — Sirius perguntou ansioso.

— E, porque não podíamos saber? Somos seus pais e ele sabe que podem contar conosco. — Protestou Serafina.

— Estamos falando do Harry, Serafina e não do Terry, o menino que você cuidou desde a concepção. A quanto tempo vocês todos o conhecem? — Flitwick perguntou exasperado. — 1 Ano? Menos? Harry é não um dos seus filhos ou os enxerga como seus pais e cuidadores. Na verdade, vocês serem tão protetores era um dos problemas e acho que o Harry, por desconhecimento, não confia nisso. Talvez, de uma maneira distorcida, ele acredite que mesmo com boas intenções, vocês podem prejudicá-lo e, definitivamente, ele não gosta de não ter o controle sobre sua própria vida.

— Depois de tudo o que Dumbledore lhe fez, isso não me surpreende. — Disse o Sr. Boot chateado. — Nos conte o que ele descobriu com esse elfo, Dobby.

— Bem... — Flitwick compartilhou a conversa curiosa e inteligente que eles tiveram.

— Um objeto escuro que pertencia a Voldemort, entregue por Malfoy a um aluno, que morreria. — Sirius sussurrou chocado. — Impressionante como o Harry conseguiu tantas informações em pouco tempo de investigação.

— E, isso o deixou mais decepcionado com os aurores, Sirius. — Flitwick apontou. — Quando, depois do ataque a Luna, Harry foi questionado e dispensado, ele não entendia porque eles não podiam ouvi-lo, suas impressões e informações. Harry disse que as perguntas certas nunca foram feitas e isso o fez não confiar que os aurores realmente conseguiriam resolver toda a trama.

— Que perguntas? — Remus indagou curioso.

— Bem, primeiro, a visita do Dobby no verão. Harry disse que contou a vocês o que aconteceu, um resumo depois do incidente da escada e sofrendo de uma concussão. E, vocês contaram ao King, o que diluiu ainda mais os fatos, algo normal de acontecer, mas, se eles tivessem questionado o Harry ou olhado para a sua lembrança do encontro, teriam obtido muitas outras informações e impressões. — Flitwick expôs. — Harry também tinha certeza que a Luna não foi um ataque aleatório, que Voldemort era o único que poderia estar controlando a criatura e que o foco da investigação não deveria ser caçá-la e sim encontrar quem estava sendo usado por Voldemort ou Malfoy para abrir a Câmara. Ainda que, como eles estavam fazendo isso, era um grande mistério.

Flitwick então explicou o raciocínio do Harry por traz disso tudo e todos arregalaram os olhos.

— Brilhante. — Remus sussurrou surpreso. — Claro, a melhor maneira de encontrar a entrada da Câmara e a basilisco, seria encontrar o aluno que estava com problemas, segui-lo e resolver tudo de uma vez.

— Exatamente. Harry temia que os aurores encontrassem o aluno e retirassem o objeto sem se preocupar em destruir a criatura. — Flitwick muito sério.

— E, isso seria ruim porque? Quer dizer, matar a basilisco seria o melhor, mas, deter o plano não era o mais importante? — Serafina disse confusa.

— Não, porque Harry raciocinou que ter uma basilisco em uma Câmara que apenas Voldemort pode acessar, seria uma grande desvantagem na guerra. Na verdade, Hogwarts poderia deixar de ser um lugar seguro para os alunos. — Ele apontou e todos acenaram entendendo.

— Mas, Voldemort não usou isso na última guerra. — Falc considerou.

— Não, mas não temos como saber se ele não planejava tomar Hogwarts em algum momento com o apoio de Freya. — Flitwick objetou suavemente.

— Freya? — Sirius questionou confuso. — Quem é Freya.

— A basilisco, mas, estou me adiantando. — Flitwick disse com um sorriso de desculpa. — Harry neste ponto tinha decidido encontrar o aluno que estava com esse objeto escuro de Voldemort e segui-lo com a capa, descobrir a entrada e me avisar. Eu informaria a Dumbledore, que acionaria os aurores e eles poderiam descer para a Câmara, salvar o aluno e destruir a criatura.

— Era um bom plano. — Falc disse pensativo. — Não entendo porque ele não poderia nos dizer isso, não teríamos contado aos aurores sobre o objeto, pois entenderíamos que eles poderiam não seguir essa linha de investigação.

— Harry não confiaria em nós, Falc. — Sirius disse irritado. — Serafina mostrou apoio aos aurores e insistiu que Harry não se envolvesse em nada, assim, ele temeria que informássemos ao King.

— Exato. Harry teve receio que ninguém ouvisse as suas ideias como aconteceu antes, temia que os aurores começassem a revistar todos os alunos e seus quartos. — Flitwick explicou.

— Isso poderia ser um desastre. — Sr. Boot apontou. — Se o objeto não fosse encontrado, o atacante seria alertado e ser muito mais cuidadoso, tornar impossível encontrá-lo.

— Sim, assim, como os caçadores andando pela escola era um absurdo. Harry disse que tudo deveria ter sido feito com sutileza, pois, se a Câmara não foi encontrada em mil anos por diversos grandes bruxos, dificilmente os caçadores do Ministério teriam alguma chance. E, ao saber da caçada, o atacante manteria a basilisco muito bem escondida, o que, em teoria, impediu ataques, mas essa vantagem não foi usada. Quer dizer, manter os caçadores buscando a basilisco poderia ter sido usado como um disfarce para investigar o mais importante, encontrar o atacante. — Flitwick explicou.

— Toda a investigação seguiu um caminho absurdo. — Sirius disse cansado. — King e Moody são muito competentes, mas, eles estavam muito ocupados com seus cargos e na OP da Travessa, assim, deixaram o Dawlish comandando as investigações em Hogwarts.

— Bem, Harry lhe dirá que foi uma grande piada e vocês entenderão melhor depois que terminar de lhes contar tudo. Agora, o motivo principal que fez o Harry manter segredo absoluto de vocês, surgiu ainda naquela noite, depois que o Dobby partiu... — Flitwick descreveu aquele momento aterrorizante em que Harry se deparou com Voldemort e Freya, prestes a matar o Colin e tentando matá-lo.

O silêncio no escritório era de profundo choque, pois ninguém conseguia expressar o que sentiam ou raciocinar a gravidade da situação.

— Harry... ele era o alvo... — Sirius estava tão pálido como quando perdeu todo aquele sangue. — Todo esse tempo, ele sabia que Voldemort estava caçando-o...

— Porque não nos contou algo tão grave? — Serafina sussurrou angustiada.

— Como? Como ele sabia que era Voldemort com certeza? E, que era uma menina? — Remus perguntou espantado.

— E, como ele pode ser Voldemort, se acreditou no que o Harry disse aos jornais? — Falc perguntou espantado. — Nós sabemos que Voldemort sabe a verdade de como ele foi derrotado a 11 anos.

— São todas boas perguntas. — Flitwick disse aprovador. — Harry as fez todas e ficou muito confuso, mas, de uma coisa ele sabia com certeza, não podia deixá-los saberem que o alvo do atacante era ele, pois temia que vocês o retirassem de Hogwarts para protegê-lo.

— Se ele era o alvo e estava sendo caçado, tirá-lo da escola seria algo sensato e inteligente. — Serafina defendeu.

— Eu concordo, e tiraria o Terry também. — Falc disse sério.

— Mas, isso seria um erro, pois Harry era o único que poderia descobrir mais e entrar na Câmara, além disso, sem ele em Hogwarts, Voldemort teria se voltado contra os nascidos trouxas. — Flitwick os viu arregalar os olhos. — Teria sido uma carnificina, pois ninguém entre os alunos podem se defender contra Voldemort e um basilisco, mesmo os alunos do sétimo ano.

— E, o Harry pode? — Remus perguntou espantado.

— E, mais importante, permitir que ele seja uma isca era o correto? — Serafina disse indignada.

— Sim, Remus, o ataque na Caverna nos mostrou que o Harry podia vencer a basilisco e, Voldemort, ele já venceu antes, assim, com um bom planejamento, estávamos esperançosos de que poderíamos superá-los de uma vez. — Flitwick explicou. — Serafina, foi por isso que ele não lhes contou, porque sabia que vocês não concordariam, mesmo com sua disposição de manter Voldemort ocupado caçando-o. Harry decidiu assumir o risco e retribuir, Voldemort não sabia, mas estava sendo caçado também.

— Mas, essa não era sua decisão. — Serafina disse chocada. — Ele tem 12 anos e não pode decidir se colocar em perigo mortal, não importa o quão habilidoso Harry seja.

— Serafina, não tentarei lhe dizer como criar seus filhos, não sou pai, mas, entendo um pouco de adolescentes. E, posso lhes dizer que o Harry não é um adolescente como os outros e vocês precisam acompanhá-lo, se adaptar à realidade que é sua vida, seu destino. — Flitwick disse suavemente. — Ou, ele sempre mentirá para vocês.

— Continue, professor. — Sirius disse rapidamente, cortando qualquer coisa que Serafina tinha a dizer. — Gostaria de entender tudo o que aconteceu.

— Bem, respondendo as suas perguntas, Harry sabia que era Voldemort pela maneira fria e cruel de falar, por dizer coisas como "depois que recuperar o meu corpo", pelo fato da basilisco, Freya, chamá-lo de Mestre. E, claro, por dizer que Harry o derrotou por causa de um feitiço familiar. Quando Voldemort deixou a enfermaria, muito zangado por não o encontrar, ele disse "...estúpida! Eu a farei pagar por isso, assim que não mais precisar dela, você poderá desfrutar de seu corpo, Freya". Harry também ficou desconcertado sobre o porquê Voldemort acreditou nas mentiras do jornal e chegou a assustadora conclusão que esse não era o mesmo Voldemort que ele enfrentou no fim do primeiro ano.

— Merlin! O que esse louco fez, Filius? — Sr. Boot tinha uma expressão de pavor e assombro.

— Algo terrível, infelizmente. — Flitwick tinha uma expressão de nojo. — Mas, deixe-me seguir com a linha das investigações do Harry. Depois que ele ouviu tudo isso e salvou a vida de Colin, tão brilhantemente, eu diria, Harry se viu nesta situação angustiante e tensa de estar sendo caçado por Voldemort e sua Freya. Ao mesmo tempo, ele começou a caçá-los, decidido a encontrar essa garota e salvá-la da morte certa. Sua rotina mudou completamente, Harry raramente deixava a Torre, a não ser para as aulas e treinos na Caverna. Com o mapa e a capa, ele passou muitas horas observando e investigando por toda a escola e todos os alunos, buscando qualquer coisa que atraísse sua atenção. Não foi fácil, pois ele temia que Voldemort não tivesse paciência e tentasse atacá-lo na Torre durante o seu sono. Harry começou a dormir mal e ter pesadelos, mas tinha a esperança que nenhum ataque ocorreria antes que ele descobrisse alguma coisa.

— O que não foi o que aconteceu. — Falc disse cansado. — Eu não consigo nem imaginar o que Harry passou ao enfrentar estes momentos sozinho, apenas com o apoio do Neville, mas, professor, ele poderia ter buscado a sua ajuda, nossa ajuda. O ataque a Caverna quase os matou, a todos eles.

— Vou lhes dizer duas coisas sobre isso e não tentarei mais defender a decisão do Harry, pois a compreensão caberá a vocês e espero que estejam dispostos a ver além da superfície, afinal, estamos falando de magia. — Flitwick disse seriamente. — Harry não confia em nós. Ponto. Isso é nossa responsabilidade e não dele. Ponto. E, neste momento, ele seguiu sua intuição mais do que em qualquer momento de sua vida. Acreditem, Harry estava em conflito, se deveria ou não contar a vocês e aos aurores o que ele sabia, mas, sua intuição lhe disse que contar a eles era a decisão errada, até descobrir quem era a garota e onde era a entrada da Câmara. Deixar Hogwarts não era nem em sonho uma opção e, Harry sabia que poderia estar errado, mas decidiu seguir o que sentia ser o caminho certo.

— E, no fim, ele estava certo. — Serafina disse pensativa. — Mas, isso não muda o fato de que ele tem 12 anos, não deveria estar tomando decisões de vida ou morte e se colocando em risco de novo e mais uma vez.

— Serafina. — Sr. Boot disse exasperado. — O Harry não é um garoto de 12 anos normal e você precisa aceitar isso. Além de tudo, você está ignorando o mais importante aqui.

— O que, pai? — Falc perguntou curioso.

— Harry enfrentou Voldemort mais uma vez e venceu, salvou a vida dessa garota, de Colin, Terry, Neville, Hermione, Charlie. Ele se arriscou e se manteve a postos, para ser caçado, enquanto planejava maneiras de vencer, de pedir ajuda, de encontrar as respostas. — Sr. Boot disse severamente. — Ele fez isso sem a nossa ajuda, porque nós não conquistamos a sua confiança e chegará o dia em que Harry estará em frente a Voldemort, cumprindo aquela maldita profecia e só saberemos depois, porque não nos abrimos a verdade.

— Mas... que tipo de pais seriamos se apoiássemos algo assim? — Serafina disse angustiada. — Oh, sim, você precisa ficar em Hogwarts para ser caçado por um louco e sua basilisco? Sim, sem problemas. Você quer sair à noite para investigar, observar ou lutar contra monstros? Tudo bem. Ah, você precisa descer na Câmara Secreta e matar uma basilisco? Claro, porque não? Nos traga um suvenir!

Sua respiração estava ofegante quando terminou de falar e sua expressão era de quem cairia no choro a qualquer momento.

— Querida... — Falc sussurrou ao segurar sua mão tentando lhe passar forças.

— Eu não sei ser esse tipo de mãe, Falc. — Disse ela com os olhos cheios de lágrimas. — Desde o momento em que aquela mulher horrível ameaçou o meu bebê, minha maior prioridade é protegê-los. Não sei ser o tipo de mãe que aceita o fato de crianças estarem em risco de vida constante ou apoia que eles se joguem em aventuras arriscadas.

— Não é uma aventura. — Sirius disse engasgado. — Serafina, você não está ouvindo, Harry salvou a vida de Flitwick, Colin, e de todas as crianças, impediu o retorno de Voldemort, matou essa basilisco e deteve os planos de Malfoy e seu mestre. — Sirius suspirou cansado. — O Harry está enfrentando uma guerra, Serafina, não uma aventura, e você precisa aceitar isso. Não precisam participar se não quiserem, está tudo bem. Vocês foram embora na última vez, fizeram o certo para o Terry, mas, eu estive aqui, todos os dias, lutando e tentando proteger meus melhores amigos. E, eu falhei... — Sua voz sufocou e seus olhos se encheram de lágrimas. — Um erro de julgamento que nunca poderei viver tempo suficiente para me arrepender e depois, ainda falhei com o Harry, espetacularmente. O pior padrinho do mundo é a descrição da minha relação com meu afilhado. No entanto, eu tenho uma segunda oportunidade e não falharei outra vez. Harry precisa que sejamos mais dos que pais protetores e cuidadores, ele precisa mais do que amor, isso é fácil! Amá-lo, cuidar dele, Serafina, é fácil! Morrer por ele é fácil! — Sirius disse com veemência. — O difícil será ver ele lutar essa guerra, difícil será lutar ao lado dele. Difícil será conquistar sua confiança porque, primeiro, teremos que confiar nele!

Mais uma vez todos ficaram em silêncio, emocional e triste.

— Sirius está certo. — Flitwick disse suavemente. — Quando parei de duvidar do Harry, quando aceitei que ele era mais do que capaz de fazer tudo o que se propôs, ele confiou em mim. Porque, quando eu confiei nele, Harry me disse seus pensamentos, raciocínios, planos, ideias, vocês o conhecem e não é porque ele é um aluno da minha casa, mas, Harry é absolutamente genial quando se empenha em encontrar soluções ou resolver mistérios. Cada um de vocês devem refletir sobre isso e encontrar dentro de vocês o necessário para ser o que o Harry precisa que vocês sejam. — Ele suspirou e sorriu. — Talvez, o resto do conto os ajude com isso.

Flitwick, avançou para o ataque na Caverna do Marotos, explicou como o Harry lutou ferozmente, algo que eles já sabiam, mas acrescentou os erros cometidos por Terry e Hermione. Contou também o que ele ouviu Voldemort dizer e como Harry aparatou em um momento de desespero.

— Aparatou? — Sr. Boot o encarou chocado. — Mas, não se pode aparatar em Hogwarts, é impossível.

— Meu pensamento foi o mesmo, mas aconteceu e sou obrigado a lhes dizer que, em se tratando do Harry e a magia, nada me parece impossível. — Disse Flitwick sorridente. — Bem, diante de tudo o que aconteceu, eu percebi que Harry era o alvo e que ele estava escondendo essa informação. O pressionei e recebi a confirmação, assim como Terry, que não sabia sobre isso. Nós dois o pressionamos a contar tudo aos aurores, com quem estávamos prestes a nos reunir para o depoimento do ataque e Harry concordou, mas, então... — Ele contou a reunião assustadora que tiveram com King, Moody e Dumbledore.

— Merlin! Fudge estava considerando enviar uma criança para Azkaban? — Sr. Boot parecia indignado.

— Na verdade, ele queria um nome para jogar nos jornais, mesmo que fosse só uma suspeita, para poder mostrar serviço ao público e parar as críticas. — Flitwick mostrou sua expressão mais zangada. — Moody e King estavam presos, pois desde as mudanças que ocorreram no Ministério depois do escândalo do ano passado, eles tem novas regras, protocolos a seguir e tem seus chefes atentos a cada passo que dão.

— Eles realmente disseram que o Harry poderia ser acusado apenas por ter estado no local dos três ataques? — Sirius estava tendo dificuldade de se controlar.

— Sim, não que eles acreditassem nisso, mas alegaram que o Ministro, os jornais e o público poderiam ver assim. Moody foi muito claro em dizer que, ao encontrarem a garota, provar que ela estava sob o controle de um bruxo adulto, muito menos Voldemort, seria quase impossível. Se ninguém morresse, ela poderia apenas ser expulsa, mas, do contrário, Azkaban era uma possibilidade ou, ao menos, teríamos um julgamento. — Flitwick apontou.

— Isso destruiria a vida dessa menina. — Serafina disse chocada. — Além de ser usada desta maneira horrível, ser expulsa, presa e julgada, o caso nos jornais. Mesmo sem uma condenação, ela jamais se recuperaria.

— Exatamente. E, a passividade de Dumbledore ao concordar com esse absurdo, como se ele não tivesse poder para lutar por algo diferente, foi assombroso. Assim, quando Harry se levantou e disse que a partir daquele ponto, eles seguiriam caminhos diferentes e que ele salvaria a garota, mataria a basilisco e deteria Voldemort, eu me coloquei ao seu lado. E, nem por um segundo, eu duvidei que ele faria exatamente isso.

— James e Lily devem estar muito orgulhosos dele... — Remus disse emocionado.

— Sem dúvida. — Disse Flitwick sorrindo e Sirius acenou, sem conseguir articular uma frase pela emoção.

— Bem, depois disso, como lhes falei, formamos uma equipe, com o Terry e eu descobrindo todas essas novas informações e ouvindo as suas ideias. — Flitwick suspirou meio assombrado. — Harry tinha tudo definido em etapas, investigar e observar para encontrar a menina. Se proteger de um novo ataque, treinar em preparação para um novo ataque e, por fim, quando tivéssemos a identidade da garota, descer na Câmara, matar a Freya e deter Voldemort.

— Parece bem complexo, principalmente a última etapa. — Disse Falc suavemente.

— Sim. Na verdade, nada era simples porque, depois do ataque, todas as meninas estavam tensas, angustiadas e apavoradas, era quase impossível destacar uma delas. Ainda assim, Harry a percebeu, mas, a garota era muito jovem e já tínhamos concluído que por estar lutando contra Voldemort, ela deveria ser uma das alunas mais velhas e, assim, magicamente mais forte. Além disso, Harry conhecia seu irmão, conversou com ele e recebeu a informação de que a garota estava bem, apenas com pesadelos e preocupada. O irmão também garantiu que ficaria atento a garota, mas, ele descumpriu a promessa.

— Isso deve ter enfurecido o Harry. — Disse Sirius.

— Completamente. Bem, investigamos e nada descobríamos, repassamos todos os fatos e nada, treinamos, protegemos o Harry e pensamos em cada detalhe da missão final. Matar a Freya e deter Voldemort. Harry sabia o que e como queria fazer, assim, apenas afinamos tudo, repassamos e treinamos algumas vezes, até que estivéssemos confiantes de que nada daria errado. — Flitwick sorriu. — Mas, o inesperado sempre acontece e, nesse caso, isso aconteceu mais de uma vez. Primeiro, Harry decidiu ir procurar pelo Hagrid...

Todos ouviram assombrados as descobertas que Harry fez com o Guarda Caça, até chegar à conclusão final.

— Então... — Sirius estava furioso. — Dawlish e os outros aurores estavam vigiando o Hagrid? Ao em vez de procurarem o verdadeiro culpado, eles passaram semanas seguindo-o por toda a parte?

— Sim. Como lhe disse, uma piada. Harry afirmou que nunca deveria ter se preocupado que eles chegassem a menina primeiro, porque eles nunca a procuraram. — Explicou o professor.

— E, Hagrid foi expulso injustamente, essa história poderia ter se repetido se não fosse a interferência de vocês. — Sr. Boot disse inconformado.

— Isso tudo é tão horrível, mas, ainda não entendi porque saber que o Hagrid foi enquadrado por esse Tom Riddle importa. — Disse Falc franzido o cenho.

— Porque Tom Riddle é o verdadeiro nome de Voldemort. — Flitwick disse e viu suas expressões surpresas. — A Câmara foi aberta a quase 50 anos por ele, uma garota foi assassinada, Hagrid enquadrado e Riddle seguiu livre para fazer tudo o que fez e se tornar Voldemort.

— Merlin... Se ele tivesse sido pego... — Sr. Boot parecia assombrado.

— Dippet era ainda pior que Dumbledore, a escola ia ser fechada, o atacante era muito bom em não ser pego e Hagrid caiu em seu colo. O culpado perfeito. — Flitwick apontou tristemente. — Riddle disse que Dumbledore, o professor de Transfiguração, desconfiou dele e sempre o observou de perto, mas, ele era o único. Todos os outros professores o adoravam e o consideravam um gênio, com um futuro brilhante.

— Isso é apavorante. — Serafina disse e todos concordaram.

— Mas, o mais importante é que na manhã do ataque a Caverna, Harry... — Flitwick explicou a saga do diário e como saber o nome de Voldemort tornou tudo claro.

— Harry esteve com o objeto por semanas sem saber! — Remus arregalou os olhos.

— Isso deve ter tornado tudo mais fácil. — Considerou Sirius surpreso.

— Em teoria sim, Harry voltou para o seu quarto e escreveu no diário, que respondeu. — Disse Flitwick e suas expressões eram o que esperava. — Acreditem, também fiquei assombrado, mas, é a verdade. Tom Riddle estava vivo naquele diário e, quando Harry escreveu fingindo ser um aluno qualquer, a tinta desapareceu, absorvida no papel e usada na resposta de Riddle. Harry o descreveu como amigável, gentil, educado, persuasivo e haviam alguns feitiços sutis no diário que influenciava quem escrevia nele. Harry disse sentiu vontade de continuar escrevendo, de falar de si mesmo, segurança de que Tom era de confiança. Ele disse que apesar de sutil, era muito invasivo e, que se não soubesse a verdade, acreditaria completamente em tudo o que Riddle dissesse.

— Merlin, essa pobre menina não teve a menor chance... — Sr. Boot disse muito pálido. — Isso é das piores magias negras que já tive conhecimento. Como ela pode estar viva, Filius?

— Harry. — Ele respondeu simplesmente. — Bem, continuando, quando o Harry confirmou a verdade sobre o diário, ele decidiu me entregar, pois perceberam que apenas um adulto poderia destruí-lo. A ideia era contar aos aurores onde era a entrada da Câmara e deixar que eles lidassem com Freya, afinal, a menina estava segura, o objeto seria destruído. No entanto, o inesperado se fez presente...

Flitwick contou do ataque da menina e o roubo do diário.

— Merlin! — Sirius se levantou inconformado.

—Não a culpe, Sirius. Ela viu o diário com o Harry e temeu por sua vida, por sua liberdade. — Flitwick explicou. — Na manhã do ataque da Caverna, ela estava lutando e acordou naquele banheiro, não era primeira vez, mas, desta vez ela percebeu que a culpa era do diário. Assim, ela o jogou para bem longe de si.

— Mas, porque não procurou ajuda? — Serafina perguntou com o cenho franzido. — Essas crianças tentam resolver tudo sozinhas! Ela deveria procurar um dos professores, sua Chefe de casa.

— Não tenho como imaginar como ela se sentiu ao perceber o que estava acontecendo, Serafina, mas, acredito que o seu estado emocional deve ter sido completamente abalado. No entanto, quando ela se acalmou, percebeu o que tinha feito e voltou para pegar o diário, com a intenção entregá-lo a um adulto, infelizmente, Harry já o tinha pego. — Flitwick a defendeu e todos acenaram em compreensão. — Ao mesmo tempo, ela soube que os aurores estavam com a intenção de prender o responsável e, muito espertamente, percebeu que não podia confiar em ninguém.

— Ninguém? — Sirius perguntou surpreso.

— Ela não me conhece tão bem ou Harry e os meninos, seu irmão a ignorou o ano todo, os outros professores ou seu Chefe de casa teriam procurado por Dumbledore ou pior, os aurores. Talvez, Dumbledore escolhesse abafar tudo e não contar aos aurores, mas, não existiam garantias. — Flitwick explicou suavemente.

— Ela percebeu isso? Que estava basicamente sozinha? — Remus perguntou tocado pela solidão que a garota sentiu.

— Sim, ela me disse que o instinto lhe dizia para não confiar em ninguém, porque eles não poderiam protegê-la dos aurores, expulsão e prisão. Ela nem ao menos tinha o diário para provar nada, assim, ela passou aquelas semanas em que a procurávamos, em busca do diário e, quando o viu com o Harry, pensou que Riddle o tivesse controlando também e forçando-o a fazer coisas ruins. — Explicou ele suavemente.

— Ela foi muito forte e corajosa, lutando contra Voldemort, buscando o diário, tentando destruí-lo, tudo sozinha. — Remus disse suavemente.

— Sim, mas, o problema desse diário... Assim que os meninos o descreveram, eu percebi o que poderia ser e que a garota tinha formado uma conexão com ele. — Flitwick parecia cansado. — Sabia que o destruir poderia não ser o suficiente para salvar a sua vida. Quebrar a conexão dela com o diário poderia ser a única forma de ela sobreviver a sua destruição e ainda havia a dificuldade de como destruiríamos aquela coisa.

— O que é afinal? — Sirius perguntou preocupado.

— Contarei depois, deixe-me contar o resto, já está no fim. — Flitwick explicou as mudanças nos planos, resumiu sua aventura na Floresta e ignorou suas expressões ao saberem que um ninho de acromântula vivia tão perto da escola. Ele explicou como os meninos desceram sozinhos e Harry matou Freya no duelo e ritual ensinado pelos centauros. O auge do conto, que todos acompanhavam de olhos arregalados, foi a chegada de Tom Riddle e a batalha que se seguiu até que, finalmente, Harry e a garota destruíram o diário com o Athame.

— Você está certo, Filius, não existe nada impossível para esse menino... — Sr. Boot disse depois de um tempo de silêncio abismado.

— Eu pensei que o senhor tinha tirado a adaga dele, professor. — Disse Serafina confusa e chocada com tudo o que ouviu.

— Um Athame cerimonial feito e presenteado aos Potters por um dos antigos Elfos? Um presente especial concedido por uma dívida de vida e que o Harry sentiu chamar por ele quando o encontrou em seu cofre? Eu jamais desrespeitaria a magia assim, Serafina, principalmente a magia antiga e natural. — Flitwick disse em tom de professor. — Harry contou que a magia lhe disse para nunca se separar do Athame e ele escolheu ouvi-la, eu escolhi respeitar isso.

— Incrível, tudo isso é incrível. — Sirius disse e fechou os olhos. — Não acredito em tudo o que o Harry fez, como planejou tudo, matar a basilisco primeiro e não apenas matá-la, ele a libertou, a honrou e ofertou sua morte de maneira tão digna. Riddle não teve a menor chance ou qualquer ideia que estava sendo emboscado.

— E, ele ajudou a garota a quebrar a conexão com o diário. — Remus disse orgulhoso. — Ela também foi muito forte, imagino que seja a identidade dela que Harry não quer que seja mencionada.

— Sim. — Flitwick acenou. — Harry foi muito rígido com não permitir que nem mesmo uma fofoca se espalhe pela escola sobre isso. E, ele prometeu a ela que não contaremos a ninguém, nunca, a menos que ela autorizasse e confiasse na pessoa. Assim, sinto que vocês não saberão quem ela é.

— Suponho que com tudo isso que aconteceu, toda essa luta para salvá-la de Voldemort e da injusta do Ministério, Harry está certo em ser tão cuidadoso. Mas, me preocupo que essa garota lidará com tudo isso sozinha, sem seus pais, sem que os professores ou seus amigos a apoiem. — Disse Serafina preocupada.

— Não se preocupe, Serafina, nós não a deixaremos sozinha. Eu já me encontrei com ela hoje depois das aulas, conversamos sobre o que aconteceu e pretendo continuar a me reunir com ela, até que sinta que superou o trauma. Também sei que, neste momento, ela deve estar com os meninos no Covil, quebrando o toque de recolher e conversando sobre a investigação que o Harry liderou. — Flitwick disse suavemente. — Não a deixaremos sozinha, mas, acredito que ela já foi invadida demais para permitimos que curiosos ou pessoas bem-intencionadas a machuquem. Sobre sua família, Harry disse e, eu concordo, que deve ser ela a lhes contar o que aconteceu, quando estiver pronta. E, se confiar neles para fazer isso, claro.

— Ele cuidará dela, Terry e Neville também. — Disse Falc convicto.

— Sim. — Sirius disse e pensou no sorriso de Harry no espelho mais cedo. — Acredito que eles ficarão bem. Mas, ainda não nos disse o que era esse diário, professor.

— Ah, bem, Riddle confirmou o que ele era durante a sua conversa com o Harry, ainda que eu já tinha adivinhado. — Flitwick empalideceu levemente. — Eu entreguei o diário destruído ao Dumbledore que pretende examiná-lo, mas, eu disse a ele que já sabia o que era. O diretor foi muito enfático em que eu não conte sobre isso a ninguém, muito menos ao Harry.

— Quando estive com ele hoje mais cedo, Dumbledore parecia muito tenso e disse ter recebido uma prova de que tudo foi resolvido, mas, se recusou a me deixar ver. — Disse o Sr. Boot tenso.

— Sim, ele é assim, mas, nesse caso, não posso culpá-lo por se preocupar e ser precavido. — Flitwick disse sombrio. — Não preciso lhes dizer que isso nunca pode deixar esta sala ou ser discutido levianamente. Não apenas as pessoas comuns nunca podem saber sobre isso, mas, com certeza, seria desastroso se Voldemort desconfiasse que descobrimos o que ele fez. Também temos que considerar as consequências dessa descoberta e o que fazer sobre isso.

— Está me assustando. — Sirius disse preocupado. — Mas, suponho que seja o que for, Harry o destruiu e isso é bom, certo?

— Sim, esse é o lado positivo, eu suponho. — Flitwick disse tensamente. — Mas... Bem, eu lhes direi o que é, e vocês poderão refletir por si mesmos. Os goblins, em suas pesquisas nos pergaminhos e tumbas antigas, descobrem todos os tipos magias e objetos escuros. Sei sobre isso, superficialmente, apenas o que meu avô me contou para que eu tivesse o conhecimento de como me proteger. Nunca imaginei que me depararia com algo assim, pensei que seria o tipo de coisa que foi realizado a séculos atrás e esquecido no tempo. — Suspirando, Flitwick disse a palavra que ouviu apenas uma vez em sua vida e há muitos anos. — Horcrux ou Horcruxes.

Todos franziram o cenho em confusão.

— Não sei o que é isso, ainda que imagino, seja algo envolvendo magia negra. — Sr. Boot considerou.

— Sim. Apesar de estar feliz de não conhecerem nada sobre essa abominação, tenho que lhes contar que isso é uma maneira de enganar a morte. Voldemort é imortal. — — Flitwick disse e os viu empalidecerem.

— Como?

— Imortal...

— Por isso ele não morreu naquela noite? Por causa desse diário? — Sirius perguntou pensando na conversa que teve com Emily na noite anterior.

— Sim, isso supondo que o diário seja o único. — Disse Flitwick expressando o seu maior temor.

— Espere, espere... — Falc respirou fundo. — Não entendo nada disso, professor, como Voldemort poder ser imortal? Eu nunca imaginaria que isso existia e como o diário explica isso?

— Suponho que, com magia negra, nada seja impossível, até mesmo enganar a morte. Uma horcrux é um objeto onde o bruxo protege um pedaço de sua alma e, enquanto o objeto e esse pedaço de alma estiverem intactos, ele não pode ser morto. — Explicou ele simplesmente. — Além de como pode ser destruído, não sei muito mais além disso, mas, Riddle teve grande prazer em explicar que, aos 16 anos de idade, ele buscou o poder além dos maiores poderes. A imortalidade.

— Aos 16 anos... — Serafina não conseguia entender, conceber tal absurdo.

— Sim. Riddle contou que além de encontrar e abrir a Câmara, assassinar a Myrtle e enquadrar o Hagrid, ele matou seu pai e avós trouxas, que o abandonaram e sua mãe quando ela estava grávida. Sua mãe morreu ao dar à luz e, ao que me pareceu, para Riddle, isso foi uma fraqueza. Seu pai a abandonou quando descobriu que ela era uma bruxa, pois temia a magia e, assim, ele o procurou, encontrou e se vingou. O Riddle do diário estava no sexto ano e tinha 16 anos quando fez tudo isso, mas, sua maior ambição e propósito era alcançar o verdadeiro poder, assim, ele pesquisou em livros da área restrita de Hogwarts e descobriu como realizar uma horcrux.

— Algo que imagino deve ser feito de maneira terrível também. — Sr. Boot disse meio enojado.

— Eu não sei, Áquila, sinceramente, além do que é uma horcrux e como destruí-la, apenas me foi dito que, se me deparasse com tal abominação, nunca deveria formar um vínculo ou ter uma conexão emocional com o objeto. Se isso acontecesse, minha alma e magia, poderiam ser sugados pela alma que foi preservada na horcrux, até que ela seria forte o suficiente para me possuir, ou seja, deixar o objeto e habitar o meu corpo. Se a conexão não fosse quebrada ou o objeto destruído, eu enfraqueceria até morrer e a alma se fortaleceria a ponto de, magicamente, criar um novo corpo para si mesma.

— Quer dizer que Riddle, literalmente, sugaria toda a essência de vida da garota e teria um novo corpo? — Remus estava completamente pálido de horror. — Merlin... isso é mesmo uma abominação.

— Estou completamente aterrorizado que algo assim exista e que Malfoy teve a coragem de entregá-lo à uma criança. — Sr. Boot disse furioso. — Esse homem não tem limites!

— Precisamos detê-lo e acredito que seu último movimento na Travessa pode ser o começo do fim para Malfoy, ainda, parece que não é rápido o suficiente. — Sirius disse amargo. — No entanto, minha mente não para de repetir o fato mais importante aqui, Voldemort é imortal.

— Mas... com essa... coisa destruída, ele não pode ser mais, não é? — Sussurrou Serafina horrorizada.

— Sinceramente, a maneira como ele se gabou de ser o maior bruxo de todos os tempos, de alcançar poderes que nem mesmo bruxos poderosos como Dumbledore sonhariam... Merlin, se vocês o ouvissem, claramente um adolescente, impetuoso, arrogante, completamente convencido de sua superioridade acima de todos, trouxas e bruxos. Absolutamente mimado, não porque foi criado assim por uma figura paterna, na verdade, ele chamou o orfanato onde cresceu de inferno. Não, Riddle, por se acreditar tão superior e especial, não aceita ter negado aquilo que deseja, sua vontade deve ser satisfeita e, se as coisas não vão como quer, ele tem uma birra, fica violento, mortal. — Flitwick deu o testemunho de um lado de Voldemort que a maioria conhecia, mas nunca tinham entendido ou imaginado completamente a natureza monstruosa de sua maldade. — Assim, respondendo a sua pergunta, não posso afirmar que o diário seja a única horcrux que ele fez.

— Duvido muito. — Sirius disse, sua mente analisando tudo o que ouviu e sabia sobre Voldemort. — Ele jamais faria apenas um, se a imortalidade era seu maior propósito, ao descobrir como realizar esse feito, Voldemort não pararia em um ou dois e, muito menos, deixaria o seu único e maior tesouro com Malfoy. Pensem, Malfoy sabia o que era aquela coisa, assim como sabia que ao entregá-la a um aluno, a Câmara Secreta seria reaberta, nascidos trouxas mortos, talvez, Dumbledore demitido, se tivesse sorte, a AP poderia ser desfeita. Voldemort lhe contou isso, assim, o diário tinha esse propósito...

— Claro! Riddle teve que parar os ataques! — Flitwick exclamou animado. — Hagrid disse que Hogwarts, depois da morte de Myrtle, estava prestes a ser fechada e Riddle pediu para ficar, mas foi recusado. Diante da perspectiva de ser enviado de volta para o orfanato onde cresceu, ele decidiu parar os ataques e enquadrar o Hagrid. Assim, o diário deveria ter a função de continuar o seu trabalho interrompido contra a sua vontade.

— Isso faz sentido, mas vocês acreditam que Malfoy teria sua permissão para usar o diário ou a ordem era apenas guardá-lo? — Remus perguntou pensativo. — Porque, do que sabemos, os comensais não faziam nada sem sua ordem direta.

— Malfoy e muitos dos comensais acreditam que Voldemort está morto, o que não faz sentido se ele sabia o que era o diário. — Sirius disse, pensativo. — Ainda que Bella, em Azkaban, parecia convicta de que seu mestre retornaria.

— Voldemort não confiaria tal informação a qualquer um. — Sr. Boot disse muito sério. — Assim como não podemos deixar o nosso conhecimento vazar, Voldemort temeria que seus comensais o traíssem ou contassem o seu maior segredo.

— Uma coisa como essa só o mantem imortal se não for descoberto e destruído. — Sirius concordou. — Assim, Malfoy não sabe que o diário é uma horcrux, apenas que ela tem o poder de abrir a Câmara e decide usá-lo em seu benefício, pois acredita que seu Mestre está morto.

— Adoraria ver o que Voldemort fará com ele quando descobrir isso. — Disse Sr. Boot com um sorriso quase maldoso.

— Prefiro que Voldemort não volte, por nenhum motivo. — Disse Serafina sentindo-se gelada com toda a conversa difícil. — Ainda que Malfoy não tinha autorização para dispor do diário, este, tinha um objetivo específico, assim, podemos supor que Voldemort faria mais de um... seguro de imortalidade... Merlin, não acredito que estou falando sobre tal absurdo. — Disse ela engasgada. — O que que quero dizer, é possível fazer mais de uma... horcrux? E, se sim, quantas ele poderia ter feito?

— E, onde está? Como as destruímos? — Falc acrescentou às perguntas urgentes.

— Bem, primeiro, não sei se é possível, pois não sei como é feito, apenas que o bruxo rompe um pedaço de sua alma inteira e a protege em um objeto. Não consigo nem começar a imaginar quantos são ou onde Voldemort poderia tê-las escondidas, mas, meu avô me ensinou que a única maneira de destruir tal abominação é com algo que não lhe permita se regenerar. Uma maldição poderosa e sem contrafeitiço ou um veneno sem antídoto, como o fogo maldito ou o veneno de um basilisco, que tem um antídoto raro, as lágrimas de uma fênix. O veneno da acromântula não o matou, na verdade, o diário se mostrou machucado e, em poucos segundos, começou a se refazer, se regenerar. — Explicou Flitwick objetivamente.

— E, onde entra a adaga do Harry nesta história? Ele conseguiu que a lâmina absorvesse o veneno da basilisco? — Remus perguntou curioso.

— Não. No entanto, Harry disse que conseguiu sentir, devido a sua ligação com a adaga, que ela se tornou mais poderosa quando matou a Freya, assim, por intuição, acreditou que o Athame mataria Riddle. — Flitwick explicou e suspirou cansado. — Ele estava certo, felizmente.

— Então, temos uma forma segura de destruir essas coisas, melhor do que fogo maldito e mais acessível do que veneno de basilisco. — Sirius disse suavemente. — Precisamos nos concentrar em saber mais sobre Voldemort e, assim, descobrir quantos e onde podem estar suas horcruxes.

— Exatamente o meu pensamento. — Flitwick disse suavemente. — E, posso estar errado, mas temos que considerar que o Harry deve participar de suas destruições.

— O que? Porque? — Serafina perguntou confusa.

— Primeiro, porque o destino de Harry e Voldemort parecem estar ligados de uma maneira complexamente mágica. Algo, Serafina, muito além do nosso conhecimento ou a superficial realidade. — Disse Flitwick inteligentemente. — Assim, a profecia, a proteção, eventos mágicos poderosos que permitiram ao Harry ser o alvo e o algoz de Voldemort. Eles são destinados a serem inimigos e Harry foi profetizado como aquele com o poder de derrotá-lo, portanto...

— O que? — Remus sussurrou encarando Sirius em choque profundo. — É a segunda vez que falam sobre isso. Que profecia é essa? O que ela diz? Porque... não me falou nada sobre isso?

— Harry não quis, Remus, depois lhe explicarei com mais detalhes. Deixe o professor terminar o seu raciocínio. — Sirius disse suavemente e Remus assentiu muito sério.

— O que queria dizer é que, se Harry é aquele com o poder de derrotar Voldemort, isso inclui o seu todo, não apenas a parte principal que é, sabemos, o atacante do Halloween de 11 anos atrás. — Continuou Flitwick sobriamente. — Se tentarmos manter o Harry longe da procura e destruição da ou das horcruxes, acredito que poderemos falhar espetacularmente, porque a magia já determinou que ele é aquele que pode realizar esse feito.

— Mas, professor, isso significa que teremos que acreditar que o cumprimento da profecia é o único caminho possível? Quer dizer, Voldemort acreditou nela e atacou os Potters, Dumbledore acredita nela e fez a vida do Harry o que foi. — Serafina objetou chateada. — Agora, nós também decidiremos e agiremos apoiados na crença do que diz uma profecia?

— Bem, não é essa a minha intenção. — Flitwick disse suavemente. — No entanto, eu lhes digo, quando Voldemort retornar, eu acredito que ele poder ser derrotado por Harry Potter. Não por você, ou Falc, Sirius, Remus, Áquila e, muito menos, por mim. Na verdade, mesmo Dumbledore, eu começo a ter dúvidas.

— O que isso quer dizer? Que devemos nos colocar de lado e deixar o Harry lutar até a morte com aquele monstro? — Ela perguntou perdida.

— Sim. Até porque, não foi a profecia que decidiu isso, Serafina, Harry decidiu que destruirá Voldemort e, verdade ou não, a profecia se cumprirá quando isso acontecer. — Encerrou ele e, se levantando, abriu os braços em um longo suspiro. — Acredito que lhes contei tudo o que aconteceu e agora temos um cenário nada fácil a nossa frente. Além do sigilo, acredito que nosso pequeno grupo dever se unir e se colocar ao lado do Harry, ajudá-lo a estar vivo ao fim desta guerra.

— O senhor pretende contar sobre essas horcruxes aos meninos? — Falc perguntou preocupado.

— Sim. Primeiro, Harry não é tolo e conseguiu as informações de Riddle, assim, se eu não contar, ele pesquisará por conta própria e isso seria muito arriscado e contraproducente. — Flitwick disse com firmeza. — Segundo, eu me comprometi a apoiá-lo incondicionalmente nesta guerra e, como seu Meistr, não poderia mentir ou omitir algo tão importante.

— Isso inclui Terry, Neville e Hermione, quando ela acordar? — Serafina perguntou com voz mais dura.

— Bem, se você se preocupou em realmente ouvir tudo o que eu disse nesta noite, então, dever compreender que eles são uma equipe, Serafina. — Flitwick disse e sorriu tristemente. — Essas três crianças que você mencionou não se demoverão da decisão de apoiar o Harry e, em minha humilde opinião, isso é um dos maiores trunfos que ele tem contra Voldemort. Verdadeiros amigos.

O silêncio que se seguiu foi curto, pois, Flitwick se despediu, prometeu manter contato e sugeriu que, assim que todos absorvessem tudo o que foi dito nesta noite, eles poderiam voltar a se reunir. Sr. Boot o acompanhou até o flu e depois retornou para o silêncio sepulcral do escritório.

— Acredito que nesta noite, devemos nos recolher e pensar em tudo isso. — Ele disse suavemente sentindo o peso de cada um dos seus anos vergar um pouco os seus ombros. — Estamos muito chocados para compreender ou decidir qualquer coisa...

— Pelo contrário, Sr. Boot. — Sirius se levantou muito sério. — Minha compreensão já era muito clara antes desta reunião e tudo o que descobrimos hoje só me fez mais convicto do que devo fazer. Harry lutará essa guerra e eu estarei ao seu lado, como parte de sua equipe e nunca mais voltarei a lhe negar o meu apoio incondicional. Isso significa que farei o necessário para que ele vença e sobreviva... — Sua voz se perdeu na emoção e Sirius respirou fundo antes de continuar com voz firme. — Eu não quero, mas não hesitarei em lutar contra vocês pela guarda dele se chegarmos a isso, pois Harry é minha prioridade. Eu estive me enganando em supor que o melhor que eu poderia fazer por ele era amá-lo e protegê-lo. Harry precisa de muito mais de mim e estou pronto para fazer o necessário.

— Eu não tenho todos os fatos, obviamente, mas, nunca deixarei de lutar contra Voldemort e, se o que precisamos para que ele seja destruído de uma vez, é o Harry, me parece que estamos em boas mãos. — Remus disse suavemente. — Acredito que ele precisa que o ensinemos, treinos, aulas, livros, Harry também precisa do nosso amor e companheirismo, claro, mas, o mais importante, ele precisa da nossa confiança.

— Flitwick está certo, Harry deixará de mentir, quando confiar em nós, mas, para isso, temos que acreditar que ele pode fazer isso. — Sr. Boot disse suspirando. — Parece loucura, mas, aquele menino é tão surpreendente que não posso fechar os olhos para a verdade. Harry Potter pode vencer Voldemort e estarei ao seu lado nesta guerra.

Involuntariamente, a afirmação dos três se tornou uma espécie de juramento de lealdade e uma resposta de Falc e Serafina era necessária.

— Eu, mesmo antes de ouvir sobre esse último grande feito, acreditava no Harry. — Falc disse cansadamente. — Acredito que ele pode cumprir aquela profecia, mas, não sou tolo em acreditar que uma nova guerra será vencida facilmente, com apenas uma batalha. Na última vez, todos perdemos muito e, quer queiramos admitir ou não, podemos não estar vivos para ver o fim. Tinha esperança... que poderíamos protegê-los, deixá-los ser crianças e adiar o máximo possível que eles arriscassem suas vidas ou pagassem o preço final. — Ele enxugou uma lágrima que escorreu por seu rosto e pigarreou. — No entanto, não existe mais tempo e, se essa é a única forma de meus filhos terem um futuro, então, eu apoiarei o Harry.

— Falc... — Serafina sussurrou surpresa e angustiada. — O que está sugerindo?

— Exatamente o que todos dissemos, Serafina, faremos o que for necessário. — Disse ele firmemente. — Seremos uma equipe, respeitaremos e confiaremos no Harry e nos garotos, como não fizemos nos últimos meses. Treinaremos eles, ensinaremos, amaremos e, se for preciso, morreremos para que a guerra tenha um fim e nossos filhos estejam vivos quando isso acontecer.

— Eu acredito que devemos conversar, porque...

— Não há mais nada a ser dito. — Falc a interrompeu com firmeza. — Estamos todos sendo tolos iludidos e, enquanto fechamos os olhos para a realidade, Harry salvou as vidas de não sei quantas pessoas. Ele está no segundo ano e fez mais do que nós fizemos na última guerra. Porque escolhemos não lutar...

— Isso não é justo! — Serafina disse e seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu não te pedi para vir comigo!

— Claro que não! Eu escolhi! Por nosso bebê! Ignorei a dor absurda que a morte de Carole me causou, deixei meus pais sozinhos com seu luto e desespero, abandonei Louis e Anton para lutarem na guerra e buscarem justiça por minha irmã sem mim. — Sua expressão era de profunda dor. — Fiz isso sem hesitação ou arrependimentos por amor ao meu filho! No entanto, desta vez, Terry estará em um lugar diferente, Serafina, e você não poderá se esconder para protegê-lo, porque ele não estará em seu ventre. Terry estará ao lado do Harry, lutando, planejando e salvando vidas, assim, mais uma vez, faço a mesma escolha que fiz a 12 anos. Eu escolho o meu filho, acima de tudo, mesmo de você.

Serafina o encarou abismada e depois explodiu em lágrimas e soluços dolorosos. Falc a abraçou apertado e gesticulou para os outros saírem, mas, ela percebeu e se agitou.

— Não! — Ela se afastou do seu abraço e tentou controlar o choro. — Ninguém sai daqui até que eu fale... — Sua voz se embargou e mais lágrimas escorreram. — Eu não sou covarde! Posso não ter salvado vidas ou lutado batalhas, não sou uma guerreira, mas... Eu amo aqueles meninos, todos eles estão em meu coração e protegê-los é o que eu sinto que devo fazer. Eu não sei ser a mãe que permite que eles lutem uma maldita guerra aos 12 anos! Isso é insano! — Serafina respirou fundo e tentou expressar o sentia. — Eu... preciso de tempo... para me ajustar a essa realidade que está sendo esfregada em minha cara... Eu... não estou no mesmo tempo em que vocês, que parecem estar prontos para embainhar suas varinhas e saírem em batalha. E, consigo conceber que terei que ver meus filhos lutando para sobreviver, matando para não morrerem... — Sua voz se perdeu completamente e ela se forçou a engolir o choro. — Mas, não me julguem tão duramente porque isso não me impedirá de lutar e morrer por meus filhos, incluindo o Harry. Sirius, por favor, não o tire de nós, eu... sei que você poderia, que tem o direito, mas... Ele, você, vocês são parte da nossa família e não podemos nos perder, assim, por favor...

— Eu jamais o afastaria de vocês, Serafina. — Sirius se aproximou e apertou suas mãos com força e carinho. — Apenas disse que lutaria pelo poder de decidir a vida do Harry, pois me sinto impotente e culpado... Eu... em dezembro, Harry me disse que me contaria tudo o que sabia, se eu não contasse a vocês dois. Agora, entendo que o medo dele era ser retirado de Hogwarts, mas, o meu medo era mentir por ele e que vocês me proibissem de vê-lo, assim, eu lhe disse que não.

— Sirius..., sinto muito. — Sussurrou ela triste. — Nunca lhes afastaríamos, nunca...

— Eu não sou a melhor figura paterna e queria aprender com vocês, não confiava em mim sobre como cuidar dele e decidi seguir suas lideranças. — Sirius se afastou constrangido. — Harry me pediu que o apoiasse... Merlin, quanto, eu já não fiz por ele? Quanta decepção mais devo ser como padrinho? Ele estava correndo um risco mortal! E, mais uma vez, Harry não pode contar comigo, mas, isso não voltará a se repetir. — Ele fechou os olhos percebendo como estava exausto. — Eu não quero brigar com vocês e entendo, Serafina, que você precisa de tempo para se ajustar, mas, espero que também possa entender que meu afilhado precisa de mim agora.

— Acho que, mesmo que estejamos ou não prontos para essa maldita guerra, todos precisamos de tempo para aceitar tudo isso. — Sr. Boot disse suavemente. — Quando chegar o momento, nos reuniremos mais uma vez com Flitwick e iniciaremos um planejamento sobre o que fazer a partir deste ponto.

Todos acenaram, exaustos, magoados, determinados, tristes, uma mistura de sentimentos que parecia ligá-los e afastá-los ao mesmo tempo.

Apesar de não estar pronta, Serafina compreendia que precisava ir além de si mesma, para ser o que seus filhos precisavam. Ainda assim, naquela noite, deitada ao lado de seu marido igualmente insone, Serafina mais uma vez lamentou e se culpou por aqueles que se foram. Lily saberia o que fazer por Harry e, como a guerreira que fora, lutaria ferozmente ao seu lado. Carole, tão leal e corajosa, incansável em seu desejo de proteger a todos, se moveria entre eles, docemente, justa, os motivando a serem melhores, mais fortes e determinados. Mesmo Honora, a antiga Honora, mostraria sua crença absoluta neles e seu amor os acalentaria e fortaleceria nas noites mais escuras.

Mas, ela não era nenhuma delas e não sabia o que fazer para encontrar dentro de si o que era necessário para enfrentar o futuro que os aguardava.

Greyback sussurrou e soprou suavemente em suas mãos tentando esquentá-la. Como estava no mundo trouxa, tirar a varinha não era a melhor ideia. Sentado na mesa dos fundos do pub barulhento e com péssima reputação, além de aquecimento inexistente, ele tinha uma caneca de cerveja quente e alguns artigos de jornais antigos a sua frente.

A cerveja e comida trouxa eram barata e gordurenta, mas, não tão ruim, pensou ele. Com uma mãe bruxa nascida trouxa, Greyback conseguia se manter escondido neste mundo com razoável sucesso. Mulher estúpida e irritante! Feliz o dia em que seu pai a retalhou com a faca da cozinha, pensou, e a lembrança fez Greyback sorrir em diversão. Sua mãe planejava deixar o seu pai, apenas porque ele gostava de lhe dar uns tapas e socos, ela pretendia levá-lo junto, mas Fenrir a dedurou ao seu pai, que decidiu lhe dar uma última lição, não com a magia, mas com as próprias mãos, bem mais satisfatório. Greyback também não gostava de torturar com magia, não tinha a menor graça, facas e suas garras eram seus instrumentos favoritos.

Mas, esta noite, ele não estava caçando, pelo menos, não a sua caça habitual. Depois de pegar sua comida e cerveja, Greyback escolheu uma mesa e se concentrou em sua pesquisa. Foi demorado e chato passar por todas as reportagens em busca de qualquer pequena informação, mas, aos poucos, ele começou a compor uma linha de dados razoável. Agora, tinha uma boa ideia de por onde começar a procurar por Black, suas fábricas eram os lugares mais óbvios e fáceis de observar a distância. Seu escritório no Beco era muito arriscado, não podia ser visto e correr o risco de ser preso pelos aurores que fervilhavam por lá.

A ligação com os Boots também era interessante. Eles eram os guardiões de Potter, que era afilhado de Black e, portanto, era possível que eles vivessem perto. Pensativo, Greyback olhou para os endereços que conseguiu, viajaria por meios trouxas, decidiu, observaria a distância e se aproximaria de alguns tolos para obter informação. Algumas ameaças e qualquer um desembuchava facilmente, pensou, com um sorriso maldoso.

Confiante, Greyback decidiu que tinha o suficiente para iniciar sua verdadeira caçada ao maldito Black. Ele pagaria por seu pequeno jogo do outro dia, depois, Greyback iria atrás de Gun e T por terem considerado traí-lo, mas, primeiro, o mais satisfatório.

Colocando algumas libras na mesa, ele caminhou para a saída e decidiu ir até a estação descobrir qual era o próximo trem para St. Albans.

Adam acordou bem cedo e, se agasalhando, correu para o bosque sorrindo com grande animação. Ele sabia que seus pais não gostariam de suas escapadas para brincar nas árvores, mas, ele adorava se conectar com elas e sentir a magia da natureza. Sorrindo, Adam fechou os olhos e sentiu o prazer que sua magia tinha com essa conexão tão especial. Ayana estava chateada que ela não conseguia fazer isso como ele, mas, Adam lhe disse que ela era muito tensa e irritada. Sua irmã não conversou com ele por longas duas horas depois que lhe disse isso, apesar de ter lhe pedido desculpas.

Despreocupado e feliz, Adam se moveu com os olhos fechados e suspirou de contentamento com toda a energia e alegria das árvores.

— Bom dia, arvorezinhas! — Riu ele divertido. — Vamos brincar!

Sirius bateu na porta e desejou, esperou que ela não estivesse dormindo. A reunião fora dura e, depois de acompanhar o Sr. Boot até a Abadia, ele se sentara com Remus e lhe contara sobre a profecia e a luta de Harry com Voldemort no ano anterior.

Harry realmente o venceu! E, com a proteção da Lily mais uma vez! — Remus exclamou chocado. — E, Dumbledore! Ele sabe sobre a profecia desde antes que eles... Sirius... — Sua dor era flagrante. — James e Lily foram perseguidos e mortos, por causa dessa profecia...

Você não deve dizer ou pensar assim, Remus. Estávamos em guerra e com um espião entre nós, nossos amigos poderiam terminar mortos de qualquer forma. A profecia motivou Voldemort a matar o Harry, mas, não foi por causa dela que eles morreram, Remus e, Harry entende isso. — Sirius disse com firmeza.

Você está certo, me desculpa. Voldemort é um assassino, não precisava de desculpas para matá-los e isso não é culpa do Harry. — Remus disse envergonhado. — Porque Dumbledore não permitiu que Harry fosse melhor preparado, Sirius? Mesmo agora, não faz nada para treiná-lo, para que ele tenha a chance de vencer Voldemort quando ele voltar.

Não sabemos. — Sirius suspirou. — Ele disse em vários momentos que o Harry deve ter a oportunidade de ter uma infância. Neville sugeriu que o resto da profecia, que não sabemos o conteúdo, poderia dizer algo que o leve a crer que Harry tem que morrer para derrotar Voldemort.

O que!? — Remus se levantou e andou pelo escritório da Abadia, Sr. Boot se retirou assim que chegaram. — Mesmo que esteja escrito isso, literalmente, seria um absurdo que Dumbledore decida permitir que aconteça!

Com certeza. Não estamos nos guiando pela profecia, como sugeriu a Serafina, Remus. Harry disse que, independentemente dela, ele lutará até o fim para derrotar Voldemort. — Sirius explicou. — O assassinato de seus pais é o que o motiva em busca de vingança e justiça, além de impedir que mais inocentes morram por causa daquele monstro. Acredito que ele pode fazer isso, mas, Harry precisa do nosso apoio.

Eu também acredito nele, mas, Harry precisará de muito treinamento e eu quero ajudar, Sirius. Quero fazer parte desta equipe, destruir essas horcruxes e lutar para que o Harry vença e sobreviva. — Remus falou convicto. — Quando conversar com ele, diga que pode contar comigo para o que precisar.

Eu direi.

O barulho da porta se abrindo o trouxe de volta ao presente e Sirius encarou o olhar sonolento, cabelos bagunçados, camiseta do Mickey usado como pijama em mais uma Emily desconhecida. Ela era tão linda e quente, que Sirius ficou sem palavras por alguns segundos.

— Você não deveria estar descansando? — Ela perguntou irritada. — Sabe que horas são, Sirius?

— Desculpe... — Ele sorriu um pouco tímido e cansado. — Tive um dia... não há palavras, acho. E, quando me deitei em minha cama, percebi que não te vi hoje e que queria muito, muito, vê-la, Emily.

O rosto dela se suavizou, mas apenas um pouco.

— Bem, você me viu e me acordou também. E, agora? — Disse ela cruzando os braços mal-humorada.

Sirius sorriu mais amplamente adorando seu jeito rabugento.

— Agora, apesar de minúscula, adoraria dormir em sua cama, me acostumei com ela, sabe, até estranhei a minha imensa cama na Abadia. — Disse ele divertido.

— Hum... Eu disse que o lugar servia, não disse? — Emily abriu mais a porta e o deixou entrar.

Eles foram para o quarto e Sirius vestiu o seu pijama, que ainda estava por ali.

— Estou cansada e com sono, Black e você com uma cara de defunto, por isso, nada de gracinhas, meu chapa. —Disse ela firme e Sirius acenou ao se deitar ao seu lado.

— Por hoje, é exatamente o que eu quero, Denver. — Sussurrou Sirius a abraçando contra o seu corpo. — Dormir. Com você. Por hoje. Amanhã, bem... amanhã é outro dia...