Notas do Autor

Olá, pessoal, sei que estão esperando esse capítulo a um tempo, nem sei quanto eu estou atrasada e lamento. Estou escrevendo a passo de tartaruga. Muito tensa e ansiosa, sem inspiração, mas não parei de escrever, apenas estou escrevendo mais devagar.
O fato é que a vida de todos está mudando bruscamente e continuará assim pelos próximos meses. Pessoalmente, tive que tomar medidas em meu trabalho, isolar pessoas da minha família que são do grupo de risco e aceitar que eu não posso me isolar, pois preciso continuar trabalhando. Tudo isso gera muita tensão e ansiedades. Tive dificuldades para dormir, assim como para escrever.
Também, como alguém que já perdeu os avós, e sei o quanto isso é doloroso, me sinto absolutamente devastada pela dura realidade de que milhares de crianças perderão os seus avós e não os terão até o que deveria ser o ciclo natural da grande maioria. Assim, os últimos dias foram difíceis e de ajuste a nossa nova e triste realidade. Vocês verão isso se refletir em minha escrita, pois é impossível não dar um pouco de mim quando escrevo. E, na verdade, isso é bom, me faz sentir melhor, por isso, não temam porque não pretendo parar de escrever a fic. Apenas precisei respirar fundo, antes de voltar a conseguir me concentrar por um período de tempo maior que 10 minutos.
Para compensá-los e porque vocês merecem, principalmente neste momento de isolamento social, estou publicando um capítulozilla. E, já iniciei o próximo, assim, espero publicar em uma semana como sempre.
Sobre o titulo, como o capítulo se alongou muito e foi em todas as direções, encontrar um titulo era impossível, assim, escolhi Fica em Casa, em homenagem a todas as vitimas do COVID-19. Essa é a mensagem mais importante da nossa vida neste momento e aconselho que todos a sigam, se puderem.
Por ultimo, e desculpe me alongar, recebi uma revisão que me perguntou sobre o Harry ser tão adulto e ter tanto conhecimento. Estou me esforçando para mostrar um Harry de 12 anos mais inteligente e maduro, que convive com pessoas, adultos ou não, inteligentes e que lhe ensinam muitas coisas. Além disso, o Harry Ravenclaw está sempre estudando e lendo sobre Defesa, Feitiços, Poções, Negócios e tudo o que lhe é importante neste momento. Apenas, não coloco isso a todo momento ou aulas extras, mas ele não é super inteligente, apenas estudioso e usando a sua inteligencia, algo que o Harry canon sempre teve, apenas não utilizava muito.
Creio que é isso, boa leitura, revisem, por favor. Fiquem seguros e que Deus os guarde em segurança.

Capítulo 72

Em Hogwarts, Harry guardou o espelho e voltou para o Covil onde seus amigos tomavam chocolate quente e comiam biscoitos. Ele já lhes contara todos os detalhes das investigações dos últimos meses e eles tinham discutido cada aspecto de tudo o que aconteceu. Harry apenas deixou o fato de Voldemort ser imortal fora da conversa, pois ainda não confiava nos gêmeos.

— Ah, Harry, que bom que voltou. Tudo bem em casa? — Perguntou Terry curioso.

— Sim, apenas descobri porque o Flitwick desmarcou conosco. — Disse ele se sentando no sofá ao lado de Ginny. — Ele está no Chalé, foi convidado para jantar e esclarecer a resolução de toda a trama da Câmara.

— Dumbledore já lhes contou? — Neville se mostrou surpreso.

— Parece que sim e não. Quando ele os avisou, Sirius já tinha recebido a informação porque estava com a Denver quando ela leu a minha carta. — Disse Harry pegando outro biscoito que Ginny tinha guardado para ele.

— Espero que eles não queiram nos castigar pelo resto da vida por termos desobedecido. — Terry disse desconfortável.

— Lidaremos com isso quando for preciso. — Harry deu de ombros.

— Espero que isso não aconteça, não seria justo, pois eu estaria morta se não fosse por vocês. — Disse Ginny suavemente.

— Harry, estávamos falando que descobrir sobre o que era o diário exatamente é importante, mas deve ficar só entre nós. — Disse Neville.

— Não. — Harry disse e olhou para os gêmeos. — Espero que mantenham segredo de tudo o que aconteceu, mas, o que descobrirmos e investigarmos a partir de agora, vocês não farão parte.

— Mas, queremos ajudar... — George protestou chateado.

— Bom saber disso. — Ele falou com firmeza. — Isso é o mínimo que eu espero, que vocês queiram ajudar, mas, eu exijo muito mais, principalmente, depois de tudo o que aconteceu. — Harry apontou para Terry e Neville. — Vocês devem ter percebido que nós somos uma equipe, defendemos, cobrimos, mentimos e lutamos juntos e um pelo outro. Não foi fácil chegarmos até aqui, foi preciso muita determinação e trabalho duro, além disso, todos temos que estar prontos para fazer o que for necessário. Inclui muitos estudos, treinos, preparação, dedicação e se importar. — Ele olhou para seus rostos abatidos e envergonhados. Fred e George ouviram abismados tudo o que aconteceu nos últimos meses e sabiam que era vergonhoso ter três 2º anos salvando toda a escola e sua irmã, principalmente, porque eles não tinham se importado em fazer nada sobre qualquer coisa. Como Terry, eles estavam acostumados a deixar os adultos resolverem e, assim, se concentrarem em si mesmos. — Eu acredito que estejam arrependidos e lamentosos de tudo o que aconteceu, mas, para serem parte da minha equipe, saber o que sabemos, participar de qualquer missão que planejarmos, precisam estar mais do que dispostos. Isso é mais do que uma aventura e serão muito exigidos, assim, até que me digam que querem e me convençam que estão prontos, o que vocês sabem até agora, é tudo o que saberão.

— Eu entendo... — George disse baixinho. — Pensarei em tudo isso, prometo que não o procurarei levianamente.

— Eu também... eu... — Fred hesitou, não dormira quase nada e estava exausto. — Eu pensei que o que fazíamos, o projeto, era uma coisa boa e sei que falhamos feio, Harry, mas, nós nos importamos...

— Com o que? — Neville perguntou irritado. — Com quem? E, mais importante, como vocês mostram que se importam? Vocês sabem que Voldemort está vivo e o que fizeram sobre isso? — Ele os olhou duramente. — Treinaram mais? Estudaram mais? Pensaram em contar para os seus pais e prepará-los para a guerra ou fingiram que o que aconteceu no ano passado foi uma aventura? Porque o Harry aqui, desde que venceu Voldemort em junho passado, treinou incansavelmente, na Caverna, com magia, leu livros, Grimoires e, quando Dobby apareceu, se dispôs a fazer o necessário para ajudar a pessoa que foi escolhida como alvo por Malfoy e impedir que alunos fossem mortos. — Ele apontou para o Terry. — Acredita que foi fácil para nós sermos uma equipe? Harry brigou com Terry e Hermione, mentiu para os seus guardiões, seu padrinho e, quando descobriu que era o alvo, escondeu de todos para poder se fazer de isca. Ele não contou, mas, foram semanas dormindo mal, com pesadelos e temendo que Voldemort atacasse a Torre durante a noite.

— Neville... — Harry protestou constrangido.

— Eles precisam saber, Harry, a verdade, as dificuldades. — Neville disse com firmeza. — Se importar não são palavras ou um estado de espírito, são ações e vocês precisam cair da real. Nós estamos em guerra, Voldemort está vivo e, pela segunda vez, Harry o impediu de retornar, mas, cedo ou tarde, ele conseguirá recuperar o seu corpo. Se vocês se importam com mais do que vocês mesmos, sugiro que reflitam sobre isso.

Todos ficaram em silêncio, pois suas palavras foram muito duras. Até que...

— Eu quero fazer parte da sua equipe. — Ginny disse erguendo o queixo e olhando para todos com determinação, antes de se concentrar no Harry. — Quero treinar e ajudar a matar Voldemort.

Harry sorriu para o fato de ela não hesitar ou tremer ao dizer o nome, além de ver e entender muito bem o seu desejo.

— Sabe, Terry e Hermione não estavam no mesmo tempo que Neville e eu. — Harry disse e olhou para os gêmeos. — Eles se importavam, mas, não compreendiam o nosso desejo de vencer Voldemort a qualquer custo. Nenhum dos dois teve seus pais arrancados deles e eu aceitei que os dois precisavam de tempo para compreenderem que essa guerra não é apenas dos nossos pais ou dos outros adultos, ela é nossa. — Ele olhou para Ginny. — Essa guerra é minha, ela é sua e de todos aqueles que sentem que nada é mais importante do que os impedir de matar inocentes e destruir nosso mundo. De todos aqueles que perderam demais e precisam de vingança, justiça e paz. Eu já sabia que você quereria lutar, por isso te chamei para treinar na Caverna e, assim que estiver com sua varinha, começaremos o treinamento mágico também. E, desde já, espero que entenda que vou te exigir tanto quanto de Terry e Neville, não aceitarei corpo mole ou desinteresse.

— Ai, Ginny, quase tenho pena de você. — Disse Terry sorrindo. — Harry é um carrasco.

— Não precisa ter pena, Terry, posso lidar com isso. — Disse ela firme. — Mas, pensei que teria que treinar com o Joe?

— Sim, você está começando e precisa pegar o ritmo, entrar em forma, além de ter um circuito personalizado de acordo com suas necessidades físicas e objetivos futuros. — Harry explicou e Ginny acenou, pois Joe havia explicado tudo isso naquela manhã.

— Eu disse ao professor que quero ser mais forte e resistente. — Explicou ela. — Joe disse que preciso correr e nadar, mas também será bom colocar ginástica e musculação leve em meu circuito.

— Com seu tipo físico, a ginástica é muito boa, pois a tornará mais ágil e flexível. — Harry acenou olhando para o seu corpo pequeno e magro, mas, como ele, Ginny não era uma magra delicada ou flácida, havia uma musculatura rígida em seus braços e pernas que o fazia pensar que ela também fazia trabalhos físicos enquanto crescia. — Quando a introduzirmos na luta marcial, você perceberá que esse treinamento de preparação com o Joe será fundamental.

— Luta marcial? — Ginny perguntou confusa.

— Sim, lutas físicas trouxas. — Harry disse. — Você tem um físico semelhante ao meu e precisa aprender a se defender fisicamente, além de magicamente. E, como somos pequenos e temos menos força, precisamos ser mais rápidos e a ginástica, corrida, natação e musculação, lhe darão isso e mais a resistência. Entende?

— Sim. — Ginny acenou e ergueu os ombros, ansiosa por começar. — Quando poderei aprender essas lutas e fazer os treinamentos físicos com vocês?

— Estamos em ritmos diferentes, Ginny, mesmo Terry e eu, além da Hermione, seguimos nosso próprio circuito. —Neville explicou. — Harry está bem além de nós...

— Não tanto assim. — Protestou Harry timidamente.

— Nós treinamos juntos, mas, cada um em seu ritmo e tempo. — Neville continuou sorrindo. — Ainda que o Harry nos motive e exija de todos nós durante os treinos.

Ela acenou pensativa e olhou para o Harry.

— Então, assim que eu estiver mais forte e em forma, poderei treinar com vocês? — Perguntou curiosa.

— Sim. Enquanto isso, lhe darei alguns livros para ler. — Harry pegou sua mochila. — O livros sobre oclumência está com Fred e George, eles devem ter terminado até agora e podem lhe entregar.

— Hum... ainda estamos lendo, Harry. — George disse hesitante.

— Mas, eu lhes emprestei antes das férias de inverno, pelo menos, um mês antes. — Harry disse surpreso.

— Sim, mas... estivemos tão focados no projeto e...

— Ok, entendi. — Harry disse com frieza.

— O que é esse tal de projeto? — Ginny perguntou curiosa. — Vocês estavam sempre sumidos e me disseram que não podiam dizer onde ou que faziam, mas, acho que mereço saber agora.

— Tem questões de confidencialidade, Ginny, já lhe dissemos que não podemos lhe contar. — Disse Fred suavemente.

— Bem, mantenham seus segredos, então. — Disse ela com frieza. — Se não leram o livro até agora, problema de vocês, eu preciso dele e depois que ler, lhes devolvo. — Seu tom não admitia discussão e os dois acenaram.

— Vocês não confiam em Ginny para contar sobre a MagiTec? — Terry perguntou confuso. — Porque não temos nenhum contrato mágico que nos impeçam de falar sobre isso, muito menos com nossa família. O que nós não podemos falar são sobre os projetos confidenciais que estamos trabalhando.

Ginny os encarou magoada.

— Vocês disseram que tinham um contrato com o Harry que os impedia de falar sobre isso. — Disse ela. — Eu pensei que confiavam em mim, vocês sabem que nunca traí os seus segredos para ninguém.

— É que... — George tentou se explicar.

— Isso é muito importante. O projeto, ele é muito importante para nós e, se mamãe soubesse... — Fred disse tenso.

— Não gostamos de mentir para ela, mas, você sabe como ela é, Ginny e, bem, decidimos não contar a ninguém até que seja a hora certa. — George explicou, com um olhar de desculpa.

— Ok, mas, eu jamais contaria a mãe algo tão importante, além disso... — Ginny hesitou e seus olhos castanhos expressaram tristeza ao olhar para as mãos. — Deixa para lá.

— O que a Ginny não quer dizer, é que se vocês tivessem contado e permitido que ela lhes fizesse companhia ou ajudar com o projeto, talvez, teriam percebido que algo estava errado. — Harry disse com raiva. — Talvez, ela não tivesse escrito no diário, talvez, ela tivesse lhes mostrado o diário e vocês poderiam ter estado lá para ajudá-la.

Ginny empalideceu e apertou as mãos, tentara não pensar muito no diário nas últimas horas. Ela dormira todo o domingo, exaurida demais até para ter pesadelos, acordou a noitinha e encontrou uma bandeja com comida deliciosa e preservada. Depois de um banho e de comer, Ginny voltou a dormir, mas, a noite não foi tão pacífica, os pesadelos haviam acompanhado seu sono e Ginny se forçou a não chorar e voltar a dormir, como tinha se habituado. Acordara com o despertador da varinha às 5 da manhã e fora para a Caverna treinar, ansiosa por fazer algo normal, se ocupar e..., bem, ver o Harry. Treinar com o Joe fora um pouco decepcionante, mas, agora ela entendia que era temporário.

Durante o dia, tudo foi um misto de emoções. Ela se manteve ocupada, tentando fingir que era apenas mais um dia comum, que ela era apenas mais uma das alunas e, ao mesmo tempo, se sentia estranhamente aliviada que o pesadelo das últimas semanas teve fim. Então, Flitwick a chamou depois da última aula do dia e pediu para conversarem, ele disse que era o único adulto que sabia o que aconteceu e queria que Ginny lhe contasse os eventos que culminaram no dia anterior. Flitwick explicou que falar sobre isso a ajudaria a superar o que passara, mas, Ginny sentira um grande caroço em sua garganta e apenas conseguiu contar os eventos de maneira bem mecânica. Era como se falasse sobre outra pessoa, sem demonstrar ou expressar os sentimentos que cada um daqueles momentos lhe causara. Incrivelmente, Flitwick não ficou chateado com isso e disse que a esperava para o chá no domingo, para conversarem sobre sua semana, além disso, sugeriu que também poderia conversar com os meninos caso se sentisse à vontade.

Mas, Ginny não queria falar sobre o que aconteceu com ninguém, seja Flitwick ou os meninos. Assim, ela foi para a reunião do Covil muito preocupada que eles lhe fariam perguntas, mas, felizmente, a reunião se concentrou na explicação do Harry sobre como ele descobriu tudo, matou a basilisco e conseguiu ajudá-la a lutar contra Riddle. Apesar de constrangida ao descobrir que Harry não estava sendo controlado pelo diário e pretendia entregá-lo a Flitwick para que fosse destruísse, quando ela o atacou, Ginny não pode deixar de sentir que as coisas terminaram da maneira que deveriam. Ela vencera Riddle e o reduzira ao que ele era, um parasita asqueroso, agora, teria a chance de fazer parte da equipe do Harry e, talvez, se tornassem amigos.

— Eu não entendo todos esses segredos! — Harry continuou irritado. — Vocês estão envolvidos em algo sério e importante, porque sua mãe não pode saber? E, qual o problema em contar a sua irmã sobre isso e tê-la lhes fazendo companhia?

— Eu estou no laboratório o tempo todo, apesar de não ser um dos sócios. — Apontou Neville.

— E, quando meus irmãos estiverem em Hogwarts, pretendo que venham livremente me ver ou falar comigo quando eu estiver no laboratório. — Disse Terry suavemente.

— É diferente para nós, ok. — Disse Fred chateado. — Minha mãe não é legal e compreensiva, ela nem nos ouviria e tentaria nos proibir de fazer qualquer coisa porque, se gostamos, então significa que não é coisa boa. Meus irmãos, Percy nos deduraria em um piscar de olhos, Ron tem uma boca grande e falaria demais na hora de uma discussão. E, Ginny, normalmente, ela guarda os nossos segredos, mas, o projeto é muito importante para arriscarmos. Sinto muito que isso nos isolou e não estávamos lá para você, Ginny.

— Estávamos errados em te ignorar, mas, não fizemos isso porque não nos importamos com você ou com os ataques. — George disse e baixou a cabeça. — Pensamos que os aurores estavam resolvendo tudo, crescemos acreditando que os adultos e o Ministério são chatos, mas também são aqueles que fazem as coisas funcionarem.

— Bem-vindo ao meu mundo. — Harry disse cansado de tudo isso. — Acredito que devemos seguir em frente, mas, vou ser sincero com vocês dois, tudo isso me fez reavaliar a nossa sociedade e...

— O que? — Fred e George se levantaram chocados e irritados. — Uma coisa não tem a ver com a outra...

— Você não pode nos demitir ou algo assim, somos sócios! Temos um contrato! — Gritou Fred.

— Nosso contrato tem uma clausula bem clara que diz que qualquer comportamento amoral ou insalubre pode ser utilizado como motivo para quebra de contrato. — Harry disse seriamente. — Não estou dizendo que pretendo fazer isso, apenas que vocês estão sob observação. Sinceramente, eu entendo tudo o que aconteceu, ok. Vocês são jovens e humanos, erraram, estão arrependidos e não os julgarei por isso. Estou longe se ser diferente e sei que todos cometeremos mais erros até o dia da nossa morte. Também não tentarei dizer como vocês devem agir com seus pais e irmãos, essa não é minha especialidade e, como disse, eu menti e muito para os meus guardiões e padrinho.

— Então, qual é o problema? — Fred gritou ansioso. — O que fizemos de tão imperdoável assim?

— Não é imperdoável, Fred, ou não estaríamos conversando sobre isso. — Harry disse e se levantou para ficar mais perto da altura dos dois garotos ruivos. — O problema é que vocês quebraram minha confiança e...

— Como? — George perguntou surpreso.

— Não fizemos nada para você! Foi com a Ginny que falhamos! — Disse Fred apressadamente.

— Vocês mentiram para mim! — Harry exclamou irritado. — Pensem! Eu não sou apenas um amigo, sou seu sócio e vocês mentiram bem na minha cara! E, quando lhes pedi algo importante... — Harry fechou os olhos tentando controlar a raiva. — Vocês me ignoraram completamente! Eu posso ser mais jovem que vocês, mas, pensei que tinha conquistado o seu respeito depois de tudo o que passamos! Como posso voltar a confiar em vocês dois? Como saberei que não estão mentindo ou me ignorando na próxima vez que lhes pedir para fazerem algo importante!?

O silêncio foi tenso e Harry viu suas expressões murcharem, seus olhos se arregalarem quando entenderam a gravidade da situação.

— Vocês entendem? Estamos criando algo incrível com a MagiTec e vocês são meus sócios, pesquisadores e amigos. — Harry disse duramente. — Mas, neste momento, estão sob observação e, se voltarem a mentir para mim ou ignorar um pedido vital ou uma ordem direta, acabou.

— Eu... — Fred falou, mas depois se calou, pois não tinha palavras.

— Nós entendemos e você está certo... — George disse suavemente, parecia arrasado. — Não pensamos e..., talvez, seja esse um dos nossos problemas. Espero que possa nos perdoar e prometo que recuperaremos a sua confiança.

Harry suspirou esperando não estar sendo muito duro com eles.

— Espero que sim. Assim como espero que, por mais brincalhões que sejam, vocês consigam entender que, quando se trata das minhas empresas, minha herança, deixada por meus pais, eu levo tudo muito a sério. E, enquanto não quero que vocês mudem suas personalidades, eu espero que vocês levem o nosso trabalho com a mesma seriedade. — Harry os viu acenar. — E, já que estamos neste assunto e, isso é apenas um pedido, quero que vocês compartilhem com a sua irmã a MagiTec e o trabalho incrível que estão fazendo. Ela merece saber e fazer parte disso, assim como vocês merecem o apoio de mais pessoas da sua família.

Os dois o olharam surpresos e depois para Ginny que observava toda a conversa entre admirada e surpresa. Por fim, eles trocaram um olhar e acenaram, antes de voltarem a olhar para a irmã.

— Sentimos muito ter excluído você, Ginny e, se quiser fazer parte do que estamos fazendo, nós gostaríamos de compartilhar com nossa irmã favorita. — Disse George e Fred acenou seriamente com a cabeça.

Ginny os observou pensativamente, antes de sorrir e seu olhos brilharam em diversão maliciosa.

— Ok. Eu concordo, mas, com uma condição.

— Qual? — Fred perguntou desconfiado, Ginny poderia ser bem esperta as vezes.

— Eu pretendo treinar com o Harry, fazer parte da sua equipe e vocês não poderão opinar sobre o que eu faço ou deixo de fazer. Mais importante, nunca poderão contar para a mãe e o pai, qualquer coisa que eu fizer e, por último, vocês me cobrirão sempre que eu precisar. — Disse ela se levantando e caminhando até parar em frente aos irmãos. — Então? Temos um acordo?

— Você joga duro, Ginny... — Disse George meio preocupado, meio divertido.

— Por quanto tempo teremos que te cobrir? — Fred perguntou. — E o que está incluído nessa cobertura?

— Tudo o que eu achar que é importante ou precisar esconder e, acredito que, até eu terminar Hogwarts, é uma data justa. — Disse ela com um sorriso malicioso.

— E, se concordarmos você nos perdoa e voltamos a como era antes? — George perguntou ansioso.

— Eu já os perdoei e voltar a ser como antes depende de vocês, se não voltarem a me excluir de suas vidas. — Disse ela e cruzou os braços esperando.

— Isso não acontecerá nunca mais. — Disse Fred e depois de olhar para o irmão, acrescentou. — Ok. Acredito que temos um acordo.

Eles se apertaram a mão e Harry sorriu para a esperteza de Ginny. Quando voltaram a se sentar, ele observou isso.

— Esse foi um bom acordo. — Sussurrou para ela pegando outro biscoito.

— Com certeza foi. — Ela sorriu para ele.

— Então, hum... como você está? — Ele perguntou suavemente mantendo a conversa apenas entre os dois.

— Oh... Bem, estou bem, eu acho. — Disse Ginny olhando para as mãos. — Apenas tentando não pensar muito e ser eu mesma, sabe.

— Hum... sei. Bem, se você quiser conversar, sobre qualquer coisa... — Disse Harry, hesitante se deveria dizer a ela que fingir ou não pensar sobre tudo, não ajudaria muito.

— Ok, obrigada, sabe... por oferecer. — Disse ela constrangida.

— Queria te perguntar se você quer vir na reunião com o Flitwick amanhã. — Questionou ele, mudando de assunto. — Mas, se for saber essas informações, preciso que se dedique com afinco a aprender oclumência.

— Eu pegarei o livro com os meninos e começarei a estudar hoje mesmo. Você disse que tinha mais alguns livros para me recomendar? — Disse ela curiosa.

— Sim. Aqui, eu já os trouxe, pois tinha certeza que você iria querer começar a treinar. — Disse Harry e pegou a sua mochila tirando os livros. — São os dois primeiros volumes do livro de defesa do Mason e, acredite, melhor do que qualquer coisa que você já leu. Tem também alguns extras, sobre como se defender com seu cérebro tanto quanto com sua magia, sobre como combater a magia negra. Meu melhor assunto é Defesa, Feitiços e Poções, mas, sou bom em Transfiguração. Os volumes mais avançados de Mason introduzem a Transfiguração e Feitiços como formas de defesa em duelos, mas, você verá que nosso foco principal são as maldições. Quais são os seus melhores assuntos?

— Feitiços e Transfiguração, melhorei em Poções depois que o Snape saiu, mas não sou muito paciente. E, aprendi as maldições do livro de Defesa com facilidade, não sei o quanto sou boa, porque nosso professor fugitivo era uma piada. — Disse Ginny examinando os livros com atenção e não viu a expressão estranha que passou pelo rosto do Harry. — Você pensaria que depois de escrever todos aqueles livros, Lockhart não fugiria como um covarde, não é?

Harry acenou sem comentar nada e tentou ignorar o mal-estar que esse assunto lhe trazia. Naquela manhã, todos tinham finalmente notado o desaparecimento de Lockhart, já que ele não compareceu as aulas. Logo a notícia se espalhou entre os alunos de que, ao saber que os aurores deixaram a escola, Lockhart decidira fugir por medo do basilisco. Como esse era o seu objetivo, Harry se sentiu aliviado, mas, foi só durante o jantar que ele pode respirar mais tranquilamente. Dumbledore fez uma breve declaração informando sobre como alguns alunos e um dos professores, tinham montado uma armadilha para a basilisco e conseguiram matá-la com galos. Também explicou que o herdeiro de Slytherin fora detido, mas fugira, como aconteceu anteriormente, e tranquilizou a todos de que ele não voltaria em breve. O diretor também confirmou a partida de Lockhart e que as aulas de Defesa estavam suspensas até que um novo professor fosse encontrado.

Apesar da culpa que o atravessou, Harry se sentiu incrivelmente aliviado ao perceber que ninguém parecia curioso ou preocupado com o desaparecimento de Lockhart, o que significava que não haveria uma investigação. Ainda, ele duvida que algum dia ouviria o nome dele sem sentir o coração bater acelerado e as lembranças de sua terrível morte invadirem a sua mente.

— Harry? — Ginny tocou o seu braço, pois o chamou algumas vezes e ele parecia não ouvir. — Tudo bem?

— Ah, sim, tudo bem, apenas... cansado. — Disse Harry desconcertado.

— Eu estava dizendo que estou sem minha mochila e não quero carregar todos esses livros até a Torre, alguém pode me ver. — Disse Ginny curiosamente.

— Pode levar a mochila, ela tem o feitiço de extensão e peso pena, assim, será mais fácil e você me devolve tudo quando terminar de ler. — Disse Harry voltando a guardar os livros e lhe entregando a mochila.

— Obrigada... hum, cuidarei bem dela e dos livros. — Ela sorriu e Harry retribuiu, sentindo borboletas estranhas voarem em sua barriga.

— De nada. Hum... — Harry desviou o olhar do seu sorriso e tentou organizar os pensamentos. O que ele pretendia dizer? Ah, sim... — Eu emprestei para Tonks, mas, assim que ela me devolver, te passo o livro sobre a transformação animagus do Mason.

Ginny arregalou os olhos e tentou não dar um gritinho de animação.

— Animagus? Você está pensando em ser um? Meu irmão Bill também pensou, mas, disse que é muito complicado e exigente. — Disse ela entusiasmada.

— Bem, a maneira que os bruxos bretões fazem, como um processo de transfiguração, é complicado, chato e meio esquisito. Mason pesquisou sobre isso, em livros antigos, viajou a diversos países compreendendo suas culturas e criou um ritual diferente e incrivelmente interessante. — Harry lhe contou e percebeu os meninos se acomodando para um jogo de xadrez. — Você lerá o livro e verá por si mesma. Eu pretendo seguir o método de Mason, e espero que nos próximos anos, consiga a transformação completa.

— Eu lerei com certeza, sempre achei a ideia fascinante... Imagine, Harry, se transformar em uma águia ou outra ave e voar livremente! — Ginny disse com os olhos castanhos brilhando de entusiasmo. — Seria maravilhoso e... a Luna! Ela amaria, mas preferiria um animal terrestre e bem fofo como... — Então, ela se lembrou que sua melhor amiga estava petrificada e sua voz morreu, sua expressão se entristeceu e o brilho em seus olhos se apagou.

— Ei. — Harry apertou sua mão com carinho. — Luna logo estará acordada, eu lhe disse que Denver está em busca da poção restauradora. E, poderemos todos treinar e nos tornamos animagus juntos.

Ginny engoliu em seco tentando afastar a culpa e se concentrar na mão do Harry apertando a dela.

— Isso seria incrível, Harry, mas... — Ela o encarou. — Primeiro, eu não sei se ela ainda quererá ser minha amiga ou o Colin, por esse assunto. Também, há o fato de que eles podem ter me visto quando... — Ginny fechou os punhos tentando não pensar, não pensar. Não pense! — Os aurores os questionarão e...

— Eu já pensei nisso. — Harry sorriu com malícia e Ginny sentiu seu coração pular uma batida. — Quando Denver trouxer a poção restaurado, estarei presente e conversarei com a Luna e o Colin, não tenho dúvidas que eles entenderão e não dirão nada.

— E, você acredita que eles me perdoarão? — Ginny perguntou, expressando seu maior medo.

— Você me perdoou? Por não ter me aproximado de você e percebido antes o que acontecia? — Harry devolveu inteligentemente.

— Oh... não havia nada o que perdoar. — Ginny protestou na mesma hora. — Você não tinha como saber, Harry e, ainda assim, nunca desistiu de impedir o Riddle.

— Bem, isso também vale para você, então, essa é sua resposta. — Harry falou tranquilamente.

— Mas... — Ginny parou desconcerta ao entender o que ele disse. — Eu... você acha mesmo que eles ou meus pais... não me culparão?

Harry suspirou pensativo e acenou se despedindo de Terry que decidiu ir dormir, pois disse estar com muito sono. Os gêmeos e Neville conversavam e jogavam xadrez de três no outro lado do Covil.

— Sabe, eu... Quer dizer, cada pessoa sente ou supera os momentos tristes de uma maneira, mas... — Harry hesitou, tentar falar sobre sentimentos não era fácil, mesmo que fosse importante. — Você já sabe que eu lutei contra Voldemort no fim do ano passado.

— Sim. — Ginny acenou. — Não sei os detalhes, mas, imagino que foi quando descobriu que ele estava vivo.

— Exato. Esse é um conto para outro momento, mas, enquanto lutávamos, Voldemort me disse que, o alvo do ataque no Halloween de 1981 era eu e não meus pais, como todos pensaram.

— O que? Mas... — Ginny franziu o cenho confusa. — Você disse, em sua entrevista, que Voldemort decidiu matá-lo em vingança por seus pais o desafiarem, certo? Sua intenção era acabar com a linha Potter...

— Bem, essa não é toda a informação, apenas uma versão da verdade, porque seria muito perigoso se os comensais da morte livres, como Malfoy, soubessem o que de fato aconteceu. Entende? — Harry a viu acenar. — Bem, Voldemort explicou... Como eu disse, o cara adora falar de si mesmo e ele contou que minha mãe não precisava ter morrido. O alvo era eu, Ginny e, se meus pais tivessem se colocado de lado e deixado Voldemort me matar, eles estariam vivos.

— Mas... eles o amavam, Harry... — Ginny tinha empalidecido.

— Sim, eles me amavam. — Ele suspirou trêmulo. — Tanto, tanto, que morreram para que eu vivesse. E, é um presente incrível, Ginny, o maior presente do mundo é o amor dos meus pais. Mas, eu me senti tão culpado que mal conseguia ver essa verdade e, em minha mente, eles se arrependiam de terem feito isso. — Harry a olhou e seu sorriso foi triste. — Eu tinha certeza que meus pais até se arrependiam de terem me tido e que, aonde quer que estivessem, deviam me odiar ou lamentar morrerem por mim.

— Harry... — Sua voz se embargou e suas mãos tremeram de vontade de abraçá-lo.

— Eu sei... bobo de mim, não é? — Harry disse e suspirou cansado. — Eu conversei com meu padrinho, os Boots e entendi a verdade, que meus pais me amavam mais que tudo no mundo. Entendi também, que esses pensamentos vinham da culpa que eu sentia por suas mortes. Você entende, Ginny? A culpa que você sente, a faz pensar e acreditar que eles a culparão, que a odiarão ou que não compreenderão a verdade.

Ginny acenou entendendo o que Harry queria dizer. Eram seus sentimentos, sua culpa que a fazia temer a reação de Luna, Colin e seus pais, mas isso não queria dizer que eles não reagiriam mal, certo? Confusa, ela compartilhou esse pensamento com o Harry, que deu de ombros.

— Bem, isso quem pode responder é você mesma, Ginny. — Harry disse suavemente. — Eu não conhecia meus pais, mas Sirius os conhecia muito bem e me contou sobre o seu amor por mim. Incrivelmente, eu posso sentir esse amor e isso me faz acreditar, incondicionalmente, que meus pais jamais tiveram um segundo de arrependimento. Você conhece a Luna e seu pais melhor do que eu e, acredito que a partir desse conhecimento, é possível que consiga imaginar suas reações, além do sentimento de culpa que está sentindo.

— Hum... — Ginny ficou pensativa. — Eu não conheço o Colin muito bem...

— Ah, deixa eu te contar sobre meu amigo Colin. — Harry sorriu divertido e contou sobre o pequeno incidente que tiveram no início do mandato. — Ele veio me pedir desculpas, disse que se colocou em meu lugar e entendeu porque a atitude dele me incomodou tanto. Eu também não o conheço muito bem, mas, tenho certeza que ele não a culpará e estará muito feliz que você está a salvo.

Ginny acenou, pois essa parecia uma boa analise do Colin, muito feliz e solidário, ele a aceitou e lhe fez companhia quando Luna foi petrificada sem perguntas, cobranças ou comentários.

— Ok. Então, o Colin pode reagir bem, porque é uma pessoa generosa e boa. Luna, ah, a Luna, ela é minha melhor amiga desde que éramos crianças. — Ginny sorriu ao pensar em sua amiga. — Nós nos afastamos um pouco quando sua mãe faleceu, pois, seu pai se tornou muito protetor e também porque ele tinha que levá-la em suas viagens de pesquisas de criaturas mágicas pelo mundo. Luna tem um jeito diferente de ver as coisas, sabe, sempre me surpreendo ou aprendo algo novo com ela. Nas vezes em que disse algo que a chateou e pedi desculpas, tudo ficou bem, Luna não fica com raiva ou guarda rancor, acho que ela nem saberia como fazer isso, sabe. Seu coração é imenso e... — Ela se emocionou. — Sinto falta dela.

— Eu também. — Disse Harry pensativo.

Isso fez Ginny ficar confusa e se lembrar de Tom lhe dizendo que Harry e Luna eram amigos próximos, por isso ele se aproximou para conversar com elas no início do mandato. Harry ao ver sua expressão confusa, tentou explicar porque sentia falta da Luna.

— Ah, não porque a conheço bem ou passei tempo com ela, nada disso. — Ele disse, desfazendo, sem perceber, a insegurança de Ginny. — Infelizmente, eu conversei com ela poucas vezes, na maioria, quando estava com você. Lembra? — Ginny acenou. — Quando soube sobre o bullying, fiquei muito chateado por não ter feito nada, talvez, ela teria contado se eu tivesse tentado me aproximar.

— Oh, Luna não se importava com isso, Harry. — Disse Ginny, sentindo seu coração se aquecer ao saber que ele não gostava de maneira especial da Luna e, ainda, se preocupava com ela. — Eu me importava mais do que ela, na verdade. E, Luna não queria contar para o professor Flitwick, pois não queria causar problemas a ninguém, afinal, suas coisas sempre apareciam depois de um tempo.

— Verdade? — Harry ficou surpreso.

— Sim, essa é a Luna para você. — Ginny sorriu com carinho ao pensar na amiga. — Mas, porque disse que sente falta da Luna?

— Ah, bem, você estava sempre feliz com a Luna por perto. — Disse Harry sem perceber o significado das suas palavras. — Depois que ela foi petrificada, você sempre parecia triste e gosto de te ver feliz.

— Oh... — Ginny abriu a boca, mas nada mais inteligente saiu quando seu coração acelerou e seu estômago deu uma cambalhota estranha.

— Bem, e sobre os seus pais? — Harry perguntou voltando ao ponto.

— Hum... meu pai, ele é o melhor, sabe. — Ginny sorriu carinhosamente. — Papai me aceita como sou, sem críticas, sem tentar me mudar, mas, sei que ficará decepcionado por eu ter escrito no diário. Ele nos ensinou sobre objetos mágicos escuros e eu deveria... — Ela fechou os olhos com raiva de si mesma. — Mas, não acredito que ficará zangado comigo. Agora, a minha mãe... — Ginny suspirou. — Os gêmeos estão certos em dizer que mamãe não é fácil de lidar, sabe. Ela nos ama muito e tem um grande coração, mas também pode ser muito crítica e exigente. Acho que ela poderá ficar zangada, mas, depois, como sempre acontece, a raiva passa e ela só fica aliviada que estamos bem.

— Bom, acho que é isso, então. — Harry disse sorrindo. — Não será fácil, mas acredito que nenhum deles ficará com raiva ou não a perdoará e, acredito que você pode enfrentar isso.

Ginny acenou duvidosa e ansiosa. Racionalizar sobre tudo isso, talvez, trouxesse clareza, mas, não afastava a angústia, a culpa e medo.

— Ei, você disse que gostaria que seu animagus fosse uma ave, isso quer dizer que gosta de voar? — Harry perguntou ao perceber sua angústia.

— Eu... sim. — Ela olhou para os irmãos que riam e provocavam Neville sobre alguma coisa. — Adoro voar, a liberdade e o vento, o frio na barriga... Não tem nada melhor.

— Concordo. — Harry sorriu animado. —Talvez possamos voar juntos quando o tempo esquentar um pouco. Com tudo o que aconteceu e o pessoal gripado, os treinos estão suspensos e eu não tive tempo de ir para o campo.

— Isso seria legal. — Seu sorriso aumentou e seus olhos brilharam com a ideia de voar. Harry arquivou a informação de que, além da Luna, voar também parecia deixá-la feliz. — Eu te vi voar nos jogos esse ano e você é incrivelmente rápido e flexível. A impressão que eu tenho, é que você consegue dobrar o vento, se mover além do movimento fluído e contínuo, sabe, desacelerar e mudar de direção sem medo algum.

— Bem, sou obrigado a dizer que realmente não tenho medo porque, quando estou voando é... difícil colocar em palavras, mas, é tão fácil quanto andar. Entende? — Harry explicou com entusiasmo. — Eu não tenho medo de andar ou correr, parar, virar, acelerar, assim, quando estou na vassoura, tenho a mesma sensação. E, sobre esse dobrar o vento, isso é a Física, desaceleração e aceleração.

— Física? — Ginny perguntou confusa.

— É uma matéria trouxa que está ligada a matemática. Se quiser, posso lhe emprestar um livro introdutivo, é muito legal. — Disse Harry. — Basicamente, neste caso, diz que, com os cálculos certos, você pode literalmente fazer qualquer movimento desde que desacelere no momento certo, atingindo a velocidade precisa com a vassoura. Claro, você precisa verificar a velocidade do vento, seu peso e altura... — Harry voltou a olhar para ela. — Você tem o físico parecido com o meu, como eu disse e, nas lutas, terá que usar a rapidez e flexibilidade, não a força bruta. Acredito que você seria uma apanhadora tão boa quanto eu, se quisesse.

Isso fez Ginny corar pelo elogio, mas, seus olhos se entristeceram um pouco.

— Eu pensei nisso, mas... — Ela torceu a mão de um jeito que Harry associou aos momentos em que seus pensamentos se voltavam para o diário. — De qualquer forma, tem apenas mais um jogo e espero tentar no ano que vem. Eu sempre quis ser artilheira, mas, as nossas são muito boas e serão anos até que tenha uma vaga livre, assim, testarei como apanhadora.

— Quando joga com seus irmãos, qual a sua posição? — Harry perguntou interessado, talvez, eles pudessem treinar juntos.

— Oh... — Seu rosto corou e seu sorriso se tornou meio culpado, meio malicioso, Harry se pegou sorrindo mesmo se saber o porquê. — Bem, você não pode contar isso para ninguém, nem para os gêmeos...

— Claro que não. — Harry se inclinou mais perto e falou mais baixo. — Eu guardo os seus segredos e você guarda os meus.

Ginny riu divertida e estendeu a mão.

— Acordado. — Os dois apertaram as mãos e sorriram um para o outro. — Bem, na verdade, minha mãe nunca me deixou jogar quadribol com os meninos. Ela acha que é muito bruto e sempre teve medo que me machucasse, além de não ser uma atividade muito feminina. — Ginny fez uma careta. — E, claro, eu não sabia voar, ou era o que eles pensavam. Eu pedi para aprender pelo menos a voar, mas, ela nunca autorizou, pois dizia que eu era muito jovem, as vassouras muito velhas e que deveria esperar para aprender quando chegasse a Hogwarts, assim, teria um professor me ensinando. Mas, eu não queria esperar, assim, quando tinha 6, quase 7 anos, invadi o galpão de vassouras e peguei a melhor que tínhamos e aprendi a voar sozinha.

— O que? — Harry arregalou os olhos.

— Sim. — Ginny ergueu o queixo e sorriu orgulhosa. — Eu passei muitas madrugadas voando e era fácil, como você disse. Não que eu não tenha medo, assim, não faço muitas manobras, mas, voar era tão fácil e maravilhoso quanto... andar.

— Incrível! — Harry disse sem levantar a voz. — Quer dizer que seus irmãos não sabem?

— Não. Eu quase disse a eles meses atrás, depois do primeiro jogo da Gryffindor, hum... Luna me incentivou a tentar entrar no time. Quer dizer, ninguém pode ser pior do que aquele McLaggen, certo? — Ginny disse quase indignada. — Ou, assim eu pensei, mas o garoto que está agora é um horror.

— O que te impediu de falar com eles? — Harry perguntou curioso.

— Bem, eu nunca conseguia encontrá-los, não sabia onde estavam e, quando tentava falar, eles me dispensavam, dizendo que não tinham tempo e para procurar o Percy se precisasse de alguma coisa. — Ginny disse e depois esfregou as mãos em sua calça jeans. — Então, teve o Halloween e... tudo ficou menos importante.

— Entendo. — Harry disse e tentou ignorar a raiva que sentia pelos gêmeos ainda. Não podia ficar julgando-os tão duramente, não seria justo. — E, porque não foi direto ao Wood?

— Ah, pensei que o George poderia me conseguir um teste, Wood pode ser meio... intenso, de um jeito não bom. — Disse Ginny dando de ombros. — Aliás, eu o ouvi falando sobre a injustiça de vocês perderem aquele jogo para os Slytherins e concordo. Eu estava sentada com o Colin e, nós dois vimos o balaço te perseguindo loucamente.

— Obrigado por dizer isso, infelizmente, quem decide sobre as regras e tal, não viram nada. — Harry disse, depois deu de ombros. — Não importa porque, no fim, eles estão fora da disputa, o máximo que podem conseguir é o segundo lugar. O jogo final, entre nós e o time da Gryffindor, decidirá o campeão e isso me parece justo.

— Não temos a menor chance de ganhar e você sabe disso. — Disse Ginny exasperada. — Mesmo que nossas artilheiras sejam melhores, você pegará o pomo facilmente, sinceramente, não existe uma verdadeira disputa.

Harry a observou um pouco ofendido.

— Bem, você poderia mudar isso. — Desafiou ele erguendo a sobrancelha. — Ainda tem um jogo e vocês poderiam ser campeões se tivessem um apanhador bom. Bem, se é que você é boa mesmo e não está falando da boca para fora.

— Ohhhhh... — Ela riu divertida. — Sei o que está tentando fazer aqui, Potter, cresci com 6 irmãos mais velhos, assim, sei todos os movimentos manipuladores do desafio ao orgulho. — Ginny riu de sua expressão. — E, só para constar, isso só funciona para o orgulho dos meninos, garotas são muito espertas para aceitarem desafios bobos.

— Hum..., bom saber. — Harry riu também. — Agora, sério, você deveria tentar. Vá direto ao Wood e não deixe ele te intimidar, peça um teste justo, o máximo que pode receber é um não e, vamos concordar, isso é o que você já tem agora.

— Hum... vou pensar sobre isso. — Disse Ginny com pouca convicção.

— O que? — Harry perguntou mais sério. — Pensei que quisesse entrar no time.

— Sim, bem, jogar quadribol foi sempre um grande desejo, eu cresci ouvindo os jogos da Liga na rádio bruxa, assistindo os jogos dos meus irmãos e ansiando por fazer parte disso. — Ginny disse. — Eu até pensei que, se for muito boa, quero fazer isso profissionalmente um dia. Adoraria jogar para o meu time, as Harpias de Holyhead, elas são o melhor time e só aceitam garotas na equipe.

— Bem, isso exige muita dedicação e treinamento, se começasse agora, aposto que isso contaria no seu currículo, por estar no primeiro ano. — Harry disse motivador e viu seus olhos brilharem com a ideia. — Mas, algo a impede?

— Apenas... depois de tudo o que aconteceu, eu gostaria de seguir com minha vida e esquecer, fingir que... nunca encontrei aquele diário... — Ginny sentiu seu coração se acelerar quando a ansiedade aumentou. Ela torceu as mãos e se sentiu gelada. — Então, eu me lembro das pessoas petrificadas... E, parece injusto que eu entre no time, me divirta, realize um sonho, seja feliz... enquanto eles estão lá, presos, paralisados... por minha culpa...

Harry a viu se esforçar para explicar e apesar da voz trêmula, ela não chorou, seus olhos continuaram secos, apenas, muito tristes. Seu coração se apertou por isso, por ela.

— Talvez seja mesmo. — Harry disse pensativo e entendendo que, diante de uma tragédia, aqueles que sobreviviam demoravam um pouco para se sentirem no direito de viver. — Injusto, quero dizer... Suponho que é sempre injusto que nós possamos viver e sermos felizes, quando alguns não podem. Mas, sabe o que eu acho mais injusto? — Ginny acenou a cabeça negativamente. — Nós termos a oportunidade de sermos felizes, de termos uma boa vida e realizarmos grandes coisas no mundo, talvez, fazer o bem e, ao em vez disso, escolhermos ser infelizes, amargos e vazios. Isso me parece um grande desperdício e muito injusto, sabe.

Ginny arregalou os olhos e acenou refletindo sobre suas palavras. Ao pensar em quantas pessoas morreram quando lutaram contra Voldemort, sentiu sua pele se arrepiar. Eles se foram e nunca poderiam realizar grandes coisas em suas vidas ou serem felizes, mas, ela teve uma segunda chance, estava viva e, talvez, pudesse agradecer e compensar por isso. Talvez, ela pudesse ser feliz e fazer coisas boas para outras pessoas serem felizes...

— Eu vou pensar sobre isso, prometo. — Disse ela com muito mais convicção.

— Ok. — Harry disse sorrindo e decidindo não a pressionar mais.

— Ei, Ginnygirl, estamos indo, já está bem tarde. — Disse George e Harry a viu fazer uma careta por causa do apelido.

— Nossa, já são quase 11 horas. — Disse ela surpresa, pois mal percebera o tempo passando.

— Devemos ir dormir ou estaremos mortos amanhã no treinamento. — Disse Harry se levantando. — Hoje foi uma noite atípica, mas, normalmente, estamos dormindo por volta das 10 horas ou então não conseguimos treinar para valer e, ainda poderíamos não ter concentração nas aulas.

— Entendi. — Ginny disse enquanto desciam as escadas.

Harry tirou o mapa e observou o caminho até a Torre Gryffindor.

— Irei acompanhá-los até o retrato da mulher gorda, não tem mais riscos com a Freya, mas, estamos bem além do toque de recolher e não quero que tenham problemas. — Disse ele abrindo o Covil.

— Esse mapa é incrível, Harry. — Sussurrou Ginny andando bem perto para poder ver melhor.

— Sim. — Ele respirou o perfume floral do seu cabelo vermelho brilhante que estava preso em uma trança. — Meu pai e seus amigos o fizeram, um dia te conto a história deles. De qualquer forma, ele foi muito útil para te encontrar.

— Estamos tentando fazer outro. — Fred disse bem baixinho. — Escrevemos ao Sirius e ao Remus, eles nos passaram o que foi feito, mas, o trabalho de Transfiguração mais pesado foi do seu pai, Harry.

— Hermione é muito boa em Transfiguração, acredito que entre nós todos, podemos fazer outro mapa, mas, quero uma versão diferente. — Harry disse suavemente. — Temos que ser criativos e pensar em algo mais prático e seguro, o mapa assim, poderia cair nas mãos erradas e ser usado contra nós.

— Sua ideia de algo mais portátil é legal, Harry, mas, não sei como faremos isso e ainda poderia ser perdido ou roubado. — Disse George. — Além de que, colocar a imagem como aqueles computadores me parece... sei lá, meio impossível.

— Nada é impossível, principalmente com a magia. — Disse Harry pensativo. — Apenas temos que deixar nossa criatividade trabalhar e usar o cérebro.

— Hum, não sei se é isso que estão pensando, mas se querem projetar as imagens do mapa de maneira rápida e segura, porque não tentam colocar elas nos relógios? — Ginny sugeriu timidamente.

Harry parou de andar e a encarou surpreso.

— Interessante. Como, não importa agora, mas, de que maneira você vê isso? — Perguntou ele curioso.

— Bem, hum... — Ginny gesticulou para o relógio no pulso do Harry, que estendeu o braço. — Esse é um relógio trouxa, mas, os mágicos têm um monte de outras informações, como a posição e fases da lua, uma bússola. Então, vocês poderiam colocar, não sei como, o conteúdo do mapa no relógio e, ao apertar um dos botões, a imagem poderia se projetar para fora. — Ela moveu a mão e mostrou um quadrado um pouco menor que o tamanho do pergaminho do mapa. — Poderia ser classificado por andares, jardim, masmorra, hum... cozinha, talvez.

— Hum... — Harry olhou pensativamente para o relógio. — Teria que ser mais que um simples botão ou ele poderia ser acionado sem querer, precisaria ter uma senha ou algo do tipo. Também precisaremos que o feitiço de projeção seja inteligente, ou seja, que responda a nossa voz ou magia.

— Talvez as pedras... — Sussurrou Fred antes de interromper. — Precisamos fazer muita pesquisa, mas parece uma grande ideia.

— Sim, acho que podemos descobrir o como, mas realmente, é uma boa ideia, Ginny. — Disse Harry sorrindo e retomando o caminho que continuava livre.

Ginny corou com o elogio e se despediu dos garotos antes de subir para o seu quarto. Ela se deitou, desejando poder dormir à noite toda sem pesadelos, mas não foi atendida. Em algum momento da madrugada, ela acordou ofegante e trêmula com um grito preso na garganta. Sentindo frio, Ginny se encolheu sob a cobertas e se forçou a não chorar, enquanto sua mente tentava sufocar o horror que sentia. Não pense! Não pense!

Quando acordou de manhã e desceu para a sala comunal, ficou surpresa ao encontrar Fred e George a esperando.

— O que fazem aqui?

— Bem, precisamos que o Harry volte a confiar em nós de novo e, se um dia entraremos em sua equipe e ajudaremos a vencer Voldemort, precisaremos estar prontos. — George disse. — Ele não nos aceitará se estivermos fora de forma e fracos, assim, vamos nos exercitar também e já decidimos treinar mais Defesa por conta própria.

Ginny pode ver em seus olhos que estavam bem determinados e como ela sabia que odiavam acordar cedo, chegou à conclusão que eles estavam levando a sério tudo o que o Harry disse.

— Acho uma boa ideia. — Disse enquanto caminhavam para fora da Torre.

Desde que a Caverna foi inaugurada, o toque de recolher terminava às 5 e não mais às 6 da manhã, pois assim, os alunos tinham mais tempo para treinar sem atrapalhar os estudos.

— Pensamos também que, depois das aulas, você poderia vir ao laboratório conosco e, assim, compartilhamos o nosso trabalho com você. — Disse Fred com um convite sincero no olhar.

— Eu gostaria disso. — Disse Ginny sorrindo.

— Você está bem, Gingin? — Perguntou George. — Você parece não ter dormido muito.

— Estou bem. — Ela disse com firmeza. — Nós fomos dormir muito tarde e são 5 da manhã, claro que dormi pouco. E, não me chame de Gingin, Gege. — Provocou ela com um sorriso brincalhão.

George corou com o apelido que Ginny lhe deu quando bebê, porque era difícil dizer o seu nome inteiro. Fred riu alto em diversão e eles passaram o resto do caminho se provocando.

Na Caverna, Harry os cumprimentou e, apesar de não dizer nada sobre a presença dos gêmeos, era possível ver sua aprovação.

Mais tarde, depois das aulas, Ginny descobriu sobre a MagiTec e ficou abismada com o fato de seus irmãos serem realmente sócios de uma empresa. Algumas coisas ela não entendia completamente e Fred disse que gostaria que Ginny assinasse um contrato de confidencialidade para ser informada sobre alguns dos projetos e segredos mais importantes.

— Devíamos ter pensado nisso antes, Ginny, apenas um contrato de confidencialidade e poderíamos ter compartilhado tudo isso com você. — Disse George. — Nós também assinamos porque o Harry quer que nossas invenções ligadas a MagiTec não vazem. Além da existência das pedras, pois seria muito perigoso se as informações sobre elas caíssem nos ouvidos errados.

— Ok. Não me importo de assinar, vocês o tem aqui? — Ela perguntou olhando para o espaçoso laboratório, os livros, escrivaninhas cheias de papeis e cálculos, além de uma área onde o fogareiro derretia alguns metais preciosos, como ouro, platina e bronze. Algumas pedras purpuras estavam em uma mesa grande e era possível perceber que estavam em diferentes níveis de testes. — Isso é incrível... se vocês conseguirem inventar esse magicomunicador, ganharão uma fortuna.

— Não se, irmãzinha, quando inventarmos o intercomunicador mágico, que é como o chamamos, ganharemos rios de galeões. — Disse Fred sorrido com malícia.

— Não temos o contrato aqui, mas, pediremos ao advogado da empresa que o envie. — Disse George. — Depois, podemos contar o resto. Aqui, tem o livro sobre oclumência, quando terminar, por favor, nos devolva e continuaremos com mais afinco.

— Legal. — Ginny pegou o livro ansiosa por começar a ler, assim que terminasse os deveres de casa.

— Ginny, queríamos te perguntar... se você pretende contar aos nossos pais o que aconteceu? — Fred perguntou suavemente e ela empalideceu na hora com a pergunta e as lembranças. Como gostaria de poder esquecer!

— Ginny... — George se aproximou. — O que aconteceu não foi sua culpa, foi daquele maldito Malfoy e Voldemort. E, papai precisa saber o que ele fez...

— É minha decisão! — Ela disse levantando a voz por causa da ansiedade. — Harry disse que eu decidirei o que ou para quem falar e vocês não podem contar nada! Vocês prometeram!

— Ei, ei... — Fred se aproximou e falou tranquilamente segurando o seu ombro. — Não vamos falar nada, acalme-se.

Ofegante e irritada, ela se desvencilhou e se afastou.

— Eu estou calma! — Ginny disse sem perceber o tom agudo de pânico nas palavras. — Eu tenho que ir, preciso fazer meus deveres.

Apressadamente, Ginny deixou o laboratório e seus dois irmãos com expressões preocupadas.

— Ela não está nada bem... — Sussurrou George de coração partido.

— Não. Isso é culpa nossa, Georgie e não podemos fazer nada ou pedir ajuda para o papai ou Bill. Eles conversariam com ela e a ajudariam. — Disse Fred chateado.

— Não temos escolha, teremos que ajudá-la nós mesmos, Fredie. — Disse George sentindo uma grande angústia em seu peito, pois não estavam acostumados a serem aqueles que resolviam ou cuidavam das coisas. — Não podemos falhar com a Ginny outra vez.

Ginny correu do laboratório, sentindo o seu coração bater tanto que seu peito doía. Não conseguia respirar! Entrando em uma das salas antes que fosse vista e chamasse a atenção, ela abriu uma das janelas para poder respirar e sentiu o ar frio bater em sua pele.

Seus pensamentos se voltaram para o medo que sentiu quando Tom a levou para a Câmara, o sentimento de impotência e descontrole porque ela não podia fazer nada! Não podia impedi-lo! Era tão fraca! E, ninguém a ajudou! Com a respiração se tornando mais áspera, Ginny sentiu o mundo se tornar disforme e se encostou na parede descendo até se sentar no chão de pedra. Não conseguia respirar! Estava sufocando! Iria morrer! Tom a mataria! Por favor! Alguém me ajude! Seus pensamentos se tornaram confusos e frenéticos antes de seu mundo escurecer.

Quando acordou, Ginny estava encolhida em posição fetal no chão e com muito frio. Tremendo, olhou em volta confusa e se lembrou do que aconteceu. Ela obviamente entrou em pânico, mas não entendia porque sentira a falta de ar e desmaiara. Com as mãos geladas, ela fechou a janela e voltou a subir para a Torre, onde encontrou o Neville que pareceu aliviado e preocupado ao vê-la.

— Que bom que te encontrei, Harry pediu para te buscar para a reunião com o Flitwick. — Disse ele e Ginny percebeu que apagara por muito tempo. — Você parece um pouco pálida. Tudo bem? Já jantou?

— Eu... sim, acabei de vir de lá. — Disse ela sem olhar em seu rosto, percebendo o livro em sua mão, acrescentou. — Vou deixar esse livro no meu quarto e volto em um momento.

— Ok, te espero. — Disse Neville preocupado com a mentira, pois tinha acabado de jantar com Terry e Harry, assim, sabia que ela não estava no Grande Salão.

Os dois caminharam em silêncio até o escritório de Flitwick, com Neville tentando puxar assunto e Ginny respondendo distraidamente em monossílabas, até que ele desistiu.

Harry, Terry e Flitwick os esperavam quando eles chegaram.

— Ah, que bom que chegaram. — Disse o pequeno professor muito seriamente. — Antes de mais nada, quero lhes dizer que vocês foram incríveis neste episódio todo, principalmente você, Ginny, por sua grande força e determinação. Terry, foi preciso muita coragem para enfrentar seus medos, duvidas, voltar atrás em suas ideias originais e, assim, ajudar os seus amigos. Neville, você mostrou grande coragem e lealdade, o valor da amizade se mostra não com apoio incondicional e sim, com questionamentos, verdades e afeto. — Todos ouviram e coraram de constrangimento e prazer pelos elogios. — Harry, não tenho palavras para elogiar o seu brilhantismo e determinação incansável frente ao perigo de outros. Só posso lhe dizer que tenho muito orgulho de tê-lo como meu aluno e Prentis.

Harry, assim como os outros, corou e agradeceu.

— O senhor também foi incrível, professor, principalmente por acreditar e apoiar os nossos planos. — Disse ele sincero. — Nenhum outro adulto fez isso por nós.

— Não seja tão duro, Harry, é difícil para nós adultos, deixarmos crianças arriscarem suas vidas. Nosso instinto natural é proteger as crianças, cuidar e resolver os problemas. — Flitwick suspirou pensativo. — O sentimento de todos é que falhamos quando percebemos que não fomos capazes de fazer o que é a nossa responsabilidade.

Harry acenou entendendo, mas sabia também que nem todos os adultos se sentiam assim e que, mesmo os que se esforçavam para fazer o melhor, podiam falhar.

— Como foi a reunião com os meus adultos? — Perguntou Harry curioso.

— Ah, difícil, muito difícil. — Flitwick suspirou cansado. — Vamos começar do início, acredito que vocês devem estar cientes que temos um ninho de acromântulas na Floresta Proibida.

— O que? — Todos exclamaram assombrados.

— Sim. Hagrid teve a brilhante ideia de conseguir uma acromântula fêmea para fazer companhia a Aragogue, pois acreditou que ele estivesse solitário. — Flitwick contou e parecia que queria vomitar ou chorar.

— Merlin... — Terry sussurrou meio pálido. — Eles procriaram?

— Sim, centenas e seus filhos tiveram mais algumas centenas de aranhas e... é o lugar mais terrivelmente assustador em que já estive em minha vida. Acreditem... eu já estive na Cidadela dos Goblins, que não é um lugar agradável, mas esse ninho... — Seu olhar parecia assombrado e meio aterrorizado. — Pensei que não sairia vivo de lá, meninos.

— O que aconteceu? — Neville perguntou aflito.

— Hagrid nunca levou um visitante ao ninho que é, literalmente, um grande declive na Floresta, parecido com um vale. Aragogue pensou que eu era comida para eles, que Hagrid os estava presenteando e não ficaram felizes que não era essa a verdade. — Flitwick contou e parecia meio pálido. — Logo, fomos cercados por milhares de aranhas de todos os tamanhos e, o barulho de suas pinças batendo, ansiosas por uma refeição, foi apavorante. Hagrid, nem piscou, não parecia nada preocupado e ficava dizendo que elas eram boas garotas, que tudo ficaria bem.

— Hagrid perdeu completamente o juízo. — Disse Terry boquiaberto.

— Sim, pensei o mesmo. Aragogue ouviu o nosso pedido e explicações, não gostou nada de querermos o seu veneno e se recusou a ajudar. Disse que agradecia por tudo o que Hagrid lhe fez e sua amizade, mas, que não ajudaria ou se envolveria com os problemas humanos. — Continuou ele. — Disse que deixaria o Hagrid me levar embora vivo, já que era tão pequeno e não seria uma refeição de verdade, mas que não queria que levasse mais visitantes ao ninho. Isso irritou o Hagrid e pensei que a viagem seria inútil, então, decidi mencionar que o veneno era para nos ajudar a matar um basilisco. Isso as encheu de pânico, pois não existem nada que as aranhas temem mais do que um basilisco, é seu predador mais efetivo.

— Isso ajudou? — Harry perguntou.

— Não. Elas ficaram em pânico e ofendidas, pois nunca falam o nome da criatura e era um desrespeito de minha parte dizer assim, se mais nem menos. — Flitwick explicou. — Aragogue disse que não queria saber nada sobre isso e nos mandou embora, disse ao Hagrid que ele também não deveria voltar ou deixaria de impedir seus filhos de comê-lo. Hagrid estava muito chateado e o chamou de ingrato. Eu estava em pânico, porque a discussão dos dois parecia agradar as aranhas e percebi que era a amizade deles que impedia que fossemos mortos. Assim, me desculpei e tentei ser agradável, assumir a culpa e dizer que Hagrid não sabia de nada, estava apenas me fazendo um favor e isso acalmou Aragogue, que nos deixou partir finalmente.

— Mas... não entendo. Como o senhor conseguiu o veneno e porque demorou tantas horas para voltar? — Harry perguntou confuso.

— Ah, bem, deixamos o ninho e, algumas centenas de metros depois, Hagrid percebeu que estávamos sendo seguidos. — Ele continuou e parecia suar ao se lembrar do perigo pelo qual passou. — Alguns dos filhos de Aragogue resolveram desobedecê-lo e nos atacar. No começo, Hagrid disse que deveriam estar apenas nos seguindo para ter certeza de que não voltaríamos, mas, quanto mais nos afastávamos, menos certo sobre isso ele ficava e, neste ponto, eu já tinha certeza que elas estavam nos caçando.

— Nossa, isso deve ter sido assustador. — Sussurrou Ginny chocada, não conseguia nem pensar como se sentiria se o professor e Hagrid tivessem morrido. Nunca se perdoaria, tinha certeza.

— Sim. Meia hora de caminhada e elas nos cercaram na frente e atrás. Hagrid tentou argumentar que não deveriam fazer isso, que Aragogue se zangaria pela desobediência e sua morte, mas, elas apenas batiam suas pinças e se aproximavam. Então... — Todos ouviam o conto com atenção sentindo a tensão daquele momento. — Hagrid me agarrou e me jogou nas suas costas, saiu correndo e usou toda a sua força, seu corpo e braços para atropelar as aranhas a nossa frente. E, ele correu e correu. Eu me agarrei desesperadamente porque sabia que se caísse, seria o fim, mas, não importa o quão forte e rápido o Hagrid fosse, as aranhas não desistiam e pareciam que nos atacaria a qualquer momento. Algumas que chegavam mais perto ou tentava agarrar o Hagrid eram socadas por eles ou, eu as atingia com um feitiço. Mas, Hagrid já estava se cansando e a perspectiva não era boa para nós, eu confesso, então, inesperadamente, a ajuda chegou.

— Quem? — Neville perguntou ansioso.

— Aposto que eram os centauros. — Disse Harry sorrindo.

— Sim, eles mesmos. Chegaram cavalgando e circulando em uma coreografia bonita e bem ensaiada, enviando suas flechas em todas as direções e jogando as suas lanças nas aranhas. — Flitwick parecia impressionado. — Hagrid parou e começamos a lutar também, felizmente, elas entraram em pânico e se dispersaram. As que foram mortas, ficaram para traz, claro, e foi como eu consegui o veneno.

Todos os meninos pareciam impressionados ao imaginarem a cena em suas mentes.

— Que aventura, professor! Quase me arrependo de não ter ido com o senhor. — Disse Harry divertido e recebeu um olhar azedo de Flitwick.

— Pois eu dispenso esse tipo de aventura, muito obrigado. E, na próxima vez que tiver que entrar em um ninho de acromântula, você pode ficar à vontade, Harry. — Disse ele acidamente.

Harry riu e Ginny o acompanhou, Neville sorriu e Terry olhou para o irmão com expressão exasperada.

— Bem, Firenze estava entre os centauros? Meu amigo me mandou algum recado? — Harry perguntou sorridente.

— Você é amigo de um centauro? — Ginny questionou chocada.

— Sim, mas isso porque Firenze é especial, quando o conhecer verá por si mesma. Ele aceitou minha amizade, apesar de seu Clã não aprovar. — Disse Harry orgulhoso do amigo.

— Firenze estava entre os caçadores e me contou que o Chefe Agouro viu nos movimentos dos planetas que sua batalha honrosa contra a basilisco precisaria de ajuda. Ele sentiu a magia pedindo a sua interferência e decidiu ouvir o seu chamado. — Flitwick explicou. — Não posso dizer o quão aliviado me sinto por essa atitude dele e enviei os meus agradecimentos mais sinceros. Os caçadores disseram que estão sempre protegendo o território e caçando as aranhas que tentam se aproximar demais. Eles se esforçam para mantê-las em seu pequeno território, mas, o aumento delas está se tornando cada vez mais um problema. Até Hagrid admitiu que nunca pensou que elas agiriam como fizeram, pois, sempre foram boas garotas.

— Hagrid precisa revisar os seus conceitos sobre como boas garotas se comportam. — Terry disse exasperado. — O senhor contou sobre isso ao Dumbledore? O que se pode fazer com as acromântulas?

— Sim. Dumbledore ficou muito preocupado, mas acredita que Hagrid sofreria muito se elas fossem exterminadas. Ele disse que pretende discutir o caso com Amos Diggory que é o chefe do Departamento de Controle e Regulamentação das Criaturas Mágicas para chegarem a uma solução. — Flitwick os informou. — E, seguindo nesta direção, chegamos ao meu encontro com Dumbledore e algumas decisões que precisam ser tomadas.

— Porque, professor? Houve algum problema com o diretor? — Harry perguntou preocupado.

— Sim, de certa forma. O diretor aceitou que o aluno controlado pelo diário seja mantido em sigilo com a minha promessa de que farei o possível para ajudá-lo a superar o que aconteceu. Por sua vontade, a família do aluno seria chamada, assim, ele teria o apoio dos pais. — Flitwick olhou suavemente para Ginny e lhe deu um sorriso carinhoso. — Eu já planejava fazer isso, mas, ele me lembrou que sou o único adulto que sabe a identidade da Ginny e preciso cuidar dela. Assim, durante o resto do ano, Ginny e eu tomaremos chás aos domingos e conversaremos sobre o que aconteceu ou qualquer outra coisa que surja.

Ginny abaixou a cabeça constrangida, pois não queria ver a pena em seus rostos.

— Isso é bom. — Harry disse suavemente. — Me lembra do verão passado, quando precisei conversar com o Sr. Martin toda a semana. A terapia me ajudou muito a encontrar o entendimento e uma certa paz também.

— Às vezes, falar é a única maneira de tirar a dor. — Terry disse suavemente. — Com a morte da minha avó, se não pudesse conversar com o Harry, Neville, mesmo a Hermione, além de escrever aos meus pais e avô, seria muito mais difícil lidar com a tristeza que sinto por sua partida.

— Eu senti isso também. — Neville falou e sorriu timidamente para Ginny que os olhava surpresa e tocada por suas palavras. — Quando todos souberam a verdade sobre os meus pais, eu pude falar sobre eles com os meus amigos e percebi que esconder fora um erro, sabe, porque não podemos fugir do que faz parte de nós.

Ginny acenou entendendo o que eles diziam, mas, por dentro, o desejo de esquecer e nunca mais lembrar, pensar ou falar sobre o que aconteceu era gigantesca.

— Bem, isso resolvido, Dumbledore quis um relato do que aconteceu e pediu para conversar diretamente com você, Harry, mas, eu disse que você preferiria não levar os créditos. — Flitwick disse irritado. — Ele insiste que nos dará um troféu por serviços prestados a Hogwarts e, apesar de querer negar, Dumbledore foi irredutível.

— Mas, porque? Não precisamos de nada disso e ele não falou nossos nomes ou sobre troféu algum quando fez o anúncio da morte de Freya. — Harry questionou irritado e confuso.

— Porque eu exigi isso, assim como exigi que os troféus deveriam ser entregues discretamente. — Flitwick contou. — Dumbledore disse que não pode fingir que nada aconteceu ou o Hagrid não conseguirá que as antigas acusações sejam retiradas. Ele pretende até, que o Hagrid possa concluir seus OWLs e NEWTs dos assuntos em que ele tem mais dominância, Feitiços, Trato de Criaturas Mágicas, Herbologia. E, o que aconteceu prova que Hagrid nunca abriu a Câmara ou matou ninguém.

— Eu entendo o pensamento. — Harry disse. — Mas, como ele pretende que isso tudo aconteça se não daremos nossos depoimentos aos aurores ou temos provas de que o atacante era Voldemort? Essa foi a discussão que tivemos sobre a expulsão ou até prisão da Ginny.

— São duas coisas diferentes. — Flitwick se apressou em explicar. — Hagrid não tem qualquer pendência criminal com o Ministério, o Departamento Auror ou a Justiça. Ele foi expulso de Hogwarts por acusações que não foram suficientes para prendê-lo, mas que, para Dippet, eram suficientes para expulsá-lo. Diante de sua expulsão, sua varinha foi quebrada e Hagrid nunca pode concluir sua educação.

— Essa é a lei, Harry. Antigamente, não era incomum as mulheres estudarem até cumprirem suas OWLs e depois deixarem a escola para se casarem. Assim, a lei diz que se você não terminar sua educação pelo menos até o fim do quinto ano, você não é qualificado para ter uma varinha. — Terry explicou.

— Exato. Dumbledore não precisa dizer nada aos aurores ou ao Ministro sobre como tudo aconteceu, ele apenas informou que tudo foi resolvido. Agora, ele pode se aproximar do Conselho de Governadores e explicar em mais detalhes, exigir que a expulsão do Hagrid seja revertida e nosso amigo permitido uma varinha, terminar sua educação e quem sabe o que mais. — Ele sorriu animado com a expectativa.

— Ok, pelo bem do Hagrid, não me importo que nosso envolvimento não seja completamente abafado. Suponho que o mais importante é manter a identidade da Ginny em segredo. — Disse Harry meio mal-humorado.

— E, se esses tais troféus não virarem um circo, talvez, o assunto não se espalhe. — Disse Terry despreocupado.

— Isso seria o ideal, suponho, mas, temos que estar preparados para o oposto acontecer. — Disse Flitwick. — Dumbledore também disse que nunca teve a intenção de denunciar a aluna que foi controlada pelo diário, apenas que, se os aurores se envolvessem diretamente na captura, ele não poderia impedir os procedimentos legais. Como isso não aconteceu, o diretor se sente muito feliz em manter a Ginny segura, mesmo que não saiba quem ela é.

— Ele estava sendo sincero? — Neville perguntou um pouco cético.

— Acredito que sim. Dumbledore se preocupa muito com seus alunos, não tenho porque duvidar que ele deixaria protegeria a Ginny, principalmente considerando o quanto ele defendeu o Hagrid da sua injusta expulsão. — Flitwick concluiu e todos acenaram.

— Ainda prefiro que ele não saiba sobre mim, professor, nem o diretor ou qualquer outra pessoa. — Disse Ginny apertando as mãos de ansiedade.

— E, assim será. — Flitwick sorriu gentilmente. — Bem, o Ministro foi informado de que a basilisco foi morta e o atacante fugiu. Dumbledore me chamou hoje em seu escritório e Fudge estava lá, ansioso por me agradecer e querendo me presentear com uma Ordem de Merlin Segunda Classe em um grande evento no saguão do Ministério com toda a imprensa e blá, blá, blá.

— Uau! — Terry arregalou os olhos.

— E, ele disse que dará uma Ordem de Merlin Terceira Classe para os alunos incríveis que me ajudaram na armadilha. — Flitwick disse e sua expressão não era animada. — Entendo que vocês podem considerar uma grande honra, assim, se quiserem e seus pais e guardiões autorizarem, podemos ir nesta direção.

— Eu não quero. — Harry disse com firmeza. — Não fiz nada disso para ser premiado, parabenizado ou ficar famoso. Não vejo qual o sentido em comemorar algo que finalmente teve fim, mas que trouxe tanto sofrimento a tantas pessoas. Myrtle Warren foi assassinada e está esquecida. Hagrid, expulso, quase preso e sua vida para sempre marcada pela covardia de Dippet. Hermione, Charlie, Colin, Luna, atacados e petrificados, poderiam não ter sobrevivido e, com certeza, nunca se esquecerão do que passaram. — Harry hesitou quando o rosto sorridente e arrogante de Lockhart pulou em sua mente. Pigarreando, desconcertado, ele olhou para Ginny tentando se concentrar. — Ginny, quase morreu também e sofreu muito com essa armadilha do Malfoy e Riddle. Com exceção de Myrtle, que nunca teve a chance, todos são fortes e superarão essa tragédia, mas, apesar disso, não vejo como poderia ser tão mesquinho ao aceitar prêmios ou qualquer outro benefício em cima da dor de todos. No entanto, se algum de vocês quiserem receber o prêmio, não me oporei, é seus direitos e bem merecido.

— Por mim está tudo bem também. — Ginny disse apressadamente. — Vocês todos me salvaram e merecem ser reconhecidos, a Ordem de Merlin é um grande prêmio e vocês não devem recusar por mim.

— Eu não quero ou mereço ser reconhecido. — Terry disse com uma careta. — Pouco fiz e não aceitarei um reconhecimento injusto, além de que, não tenho interesse em ser famoso ou preciso de prêmios por fazer o que é certo.

— Faço minhas as palavras de Terry e Harry. Não tenho mais nada a acrescentar. — Disse Neville dando de ombros.

— Graças a Merlin. — Flitwick disse aliviado. — Eu penso como vocês e estava torcendo para que recusassem. Ótimo! Avisarei Dumbledore, que poderá resolver tudo com o Fudge, o diretor é muito bom em lidar com ele, felizmente. Em todo o caso, vocês devem se preparar para a possibilidade de que os seus envolvimentos na morte da basilisco não ficarão em segredo, aqui ou lá fora.

— Ai, espero que isso não aconteça. — Terry disse irritado.

— Lidaremos com isso. — Harry deu de ombros.

— Fácil para você falar, Harry, você já é famoso. — Disse Terry provocando.

Com uma careta, Harry lhe jogou uma almofada e todos riram divertidos.

— Bem, essa era a parte mais fácil do que tínhamos que conversar. — Flitwick continuou com expressão sombria. — Ginny, Harry me contou que você pretende treinar e se preparar para ajudar na luta contra Voldemort e seus comensais. — Ela acenou de queixo erguido e expressão determinada. — Bem, não preciso lhe dizer que não posso treiná-la pessoalmente sem a autorização dos seus pais. Eu sou um duelista experiente e Harry é meu aprendiz desde o início do mandato, ele também tem treinado com Terry, Hermione e Neville conteúdos mais avançados, principalmente em Defesa. Se você pretende treinar com eles, Ginny, deve estar ciente da responsabilidade que o conhecimento e poder mágico traz a um bruxo. — Flitwick falou muito seriamente e Ginny acenou ouvindo com atenção. — Harry está bem avançado em Defesa, muito mais que um segundo ano, Terry e Neville um pouco atrás, Hermione, por estar a algumas semanas petrificadas, atrás dos dois. No entanto, estar em um colégio interno, ser um adolescente, as emoções e provocações, fazem parte das suas vidas. Harry tem um problema com seu temperamento, oclumência e disciplina tem ajudado. — Harry acenou e sorriu para ela quando Ginny o olhou. — Não estou dizendo que nunca cometerá erros, mas, estou lhe dizendo que espero que não use o seu conhecimento para machucar outras crianças em caso de haver algum conflito. Entende?

— Sim, professor. — Ginny hesitou, antes de continuar. — Eu também posso ser meio explosiva quando fico com raiva, mas, prometo que tentarei me controlar.

— Bom, isso é tudo que eu posso te pedir. — Disse ele sorrindo. — Continuando, você deve compreender a gravidade da situação em que estamos. Quase que, literalmente, somos os únicos que sabem que Voldemort está vivo e tentando recuperar o poder. O Ministério e a população não sabem ou estão se preparando para a futura guerra que, com certeza, todos enfrentaremos. Entrar para a equipe do Harry é lutar diretamente e enfrentar enormes perigos. E, sei que o que passou nesses últimos meses é motivo mais do que suficiente para fazer essa escolha, mas, não quero que faça isso apenas no calor da emoção e motivada pelo desejo de se vingar. Entende o que quero dizer?

— Sim, senhor. — Ginny acenou tentando pensar em como explicar o que sentia. — Acredito que mesmo sem o diário, eu estaria envolvida com a guerra, professor, pois sou uma Weasley e nunca deixaríamos de lutar. Mas, isso aconteceu e... de todos os motivos que eu teria para lutar contra Voldemort, vingança é apenas mais um deles e não posso deixar de me sentir assim. — Ela olhou para Neville entendendo o que ele disse mais cedo. — Isso faz parte de mim.

Todos ficaram em silêncio e Ginny corou um pouco com os olhares.

— A vingança está em todos nós. — Neville sussurrou triste ao pensar em seus pais. — Faz parte de todos nós, mas, Ginny, isso não dever ser maior que os bons sentimentos, amizade, família ou você. Apenas, não deixe a vingança se tornar tudo o que você é.

Ela voltou a acenar emocionada com suas palavras, pois sabia o quão pior Voldemort e seus comensais foram para ele e seus pais.

— Bem, temos também que considerar a confidencialidade, Harry me disse que você começará a aprender oclumência. — Flitwick questionou levemente.

— Sim, senhor. Na verdade, estava com meus irmãos agora a pouco, antes de vir para cá e eles me entregaram o livro do Harry. — Disse ela apressadamente. — Pretendo começar a ler hoje mesmo e me dedicar ao aprendizado, não quero ninguém invadindo a minha mente.

— Ok, se precisar de qualquer ajuda, não hesite em me pedir ou ao Harry, ele é muito bom em oclumência, sua evolução nos últimos meses foi incrível. — Disse Flitwick e Harry tentou não corar com o elogio, sem sucesso. — Seguindo. Harry, Terry, a reunião com seus pais, guardiões, padrinho e avô foi muito difícil. Vocês já tiveram a oportunidade de conversar com eles?

— Não. — Terry disse suavemente. — Pensei em escrever uma carta, mas, depois percebi que agora que sabem tudo, quem tem que fazer o próximo movimento são eles. Eu responderei todas as perguntas que tiverem e, se quiserem me colocar de castigo, aceitarei.

— Pois eu não aceito. — Harry disse irritado. — Eu não quero prêmios ou tapinhas nas costas, mas também me recuso a ser punido por fazer o certo.

— O problema, como eu disse, é o fato de vocês se colocarem em tantos perigos, voluntariamente, e ainda mentirem para eles. — Flitwick observou pensativo. — Sirius parecia um pouco triste ou chateado que você escolheu escrever para Denver e contar que tudo acabou.

— Bem, todos terão que superar isso. — Harry disse sentindo a raiva se acender. — Estou tentando ser paciente, professor, porque compreendo-os e também aceito que cada um de nós está processando a realidade e se ajustando. Não pressionarei ninguém a me apoiar ou lutar, mas também não aceitarei que ninguém se coloque em meu caminho por puro egoísmo.

— Egoísmo? É assim que você vê a preocupação deles, Harry? — Perguntou Flitwick surpreso.

— Sim. — Harry se levantou e andou tentando se controlar. — Quando Sirius me pediu para confiar nele e contar tudo o que eu sabia, pedi-lhe que mantivesse segredo dos Boots, pois temia que Serafina insistisse em me tirar de Hogwarts. Ele negou e justificou isso, eu entendi o seu temor de que mentir por mim poderia causar problemas em sua relação com os Boots, que são meus guardiões. Ele me disse que não podia mentir, dar um mal exemplo ou não ser um bom educador, que era sua função me disciplinar. — Harry olhou para os outros tentando ver se eles entendiam. — Entendem?

— Desculpe, não entendi. O que isso tudo o torna egoísta? — Terry perguntou e Neville acenou também confuso.

— É óbvio. — Ginny disse exasperada. — Todas as suas justificativas eram para ele, Sirius. Para ele ficar bem com os guardiões do Harry, para ele ficar com a consciência tranquila que é um bom exemplo e está sendo um bom pai. Minha mãe é assim as vezes, ela quer que nos comportemos para que seja vista como uma boa mãe que educou bem os seus filhos. Mãe fica horrorizada quando fazemos algo que a envergonhe, mesmo se estivermos nos divertindo. — Ginny cruzou os braços e fez um bico bonito. — Harry precisava que o Sirius o apoiasse, não que desse um passo atrás e dissesse; "então, eu te apoio, mas só se você me fizer ficar bem, se for prejudicar minha imagem, não posso estar lá para você".

— Exato! — Harry sorriu meio surpreso por ela entendê-lo tão facilmente. Isso era inédito, normalmente, seus amigos tinham que ser explicado tintim por tintim.

— Oh... — Neville parecia desconcertado. — Vendo por esse lado, realmente, eles foram egoístas.

— Meus pais também? — Terry disse confuso.

— Essa é minha opinião, ok? — Harry falou e voltou a se sentar. — Sua mãe e seu pai precisam que estejamos seguros, quando nos ferimos ou nos colocamos em situação de risco, pior, quando resolvemos situações impossíveis, que adultos deveriam cuidar, eles sentem que fracassaram. Como o professor disse, é instintivo para alguns adultos, os pais, protegerem as crianças e sentirem que estão cumprindo bem o seu papel. Se, por um acaso, o melhor para a criança é que eles não as impeçam ou cerquem em uma redoma, isso pouco importa.

— Ok, Harry, eu até entendo que, em algum sentido, esse é um instinto egoísta de ser um bom pai e cuidador, mas, ainda, é acompanhado de um instinto de amor de proteger sua criança ou qualquer criança. — Flitwick defendeu suavemente.

— Que o senhor, como professor, deve sentir fortemente, no entanto, o senhor nos apoiou e confiou. — Harry observou. — Olha, sinceramente, não estou chateado, como disse, é compreensivo e acredito que eles perceberão e aceitarão a realidade, cedo ou tarde. Mas, enquanto isso, não aceitarei ser punido ou lecionado como se fosse uma criança imprudente e irresponsável.

— Hum... adoraria ter coragem de dizer a minha mãe que seus sermões e castigos são, na verdade, um ato egoísta e prejudiciais a mim e a nossa relação. — Disse Ginny quase divertida.

Todos riram, mas Harry fez uma careta, pensando que, talvez, ele também não teria coragem de dizer algo assim a sua mãe. Supôs, pensou com o coração apertado, que se tivesse noção da grande dor que era estar sem ela, que qualquer castigo seria mais do que bem-vindo.

— Bem, acho que teremos que lidar com isso. — Harry disse suavemente. — Eles não nos contataram ontem, depois da reunião ou hoje, em qualquer horário, assim, pode ser que tenham deixado para conversarmos na Páscoa.

— Acredito que não, Harry. — Flitwick disse solenemente. — A conversa que tivemos foi muito difícil e tensa, todos estavam abalados e a morte da basilisco e os riscos que correram, foi apenas o começo. Assim, esperem que eles entrem em contato em breve. Quanto a nós, temos que falar sobre o diário e o que ele era exatamente.

— Apesar de não saber o nome ou como é feito, entendi o conceito e me preocupa grandemente a ideia de que Voldemort possa ser imortal. — Disse Harry e Ginny o encarou surpresa. — Desculpe, tive que deixar isso de lado ontem, não queria que os gêmeos soubessem de algo tão perigoso até se comprometerem verdadeiramente.

Ela acenou, pois entendia, mas não conseguia conceber como Voldemort podia ser imortal e o que isso tinha a ver com o diário.

— Eu também não sei como é feito, mas, o nome é Horcrux. — Flitwick disse sombrio e explicou exatamente o que era, porque era feito e repetiu como se destruía. — Claro, o Athame parece ser uma exceção e pode ser porque é muito poderoso ou porque absorveu o veneno da basilisco.

Todos ouviram abismado e Ginny tinha empalidecido completamente, apenas sua determinação a impediu de vomitar ou sair correndo.

— Um pedaço de sua alma... — Ela sussurrou horrorizada.

— Sim, de quando ele tinha 16 anos e já era um assassino louco. — Harry disse e, em um impulso, apertou sua mão. — Isso só atesta o que falamos, Ginny, não era apenas uma memória ou qualquer magia negra. Algo assim, era uma armadilha, uma abominação e qualquer um nesta escola, mesmo um adulto, poderia ter passado pelo que você passou.

— Harry está certo, Ginny. — Flitwick observou. — Uma horcrux, em teoria, poderia ser colocado em qualquer objeto, ainda que não acredito que alguém como Voldemort o vincularia a algo que ele não considerasse a altura de si mesmo. Dito isso, ao escolher um diário, a intenção sempre foi essa, abrir a Câmara Secreta, possuir um aluno e matar nascidos trouxas. — Ele sorriu gentilmente. — Ninguém morreu, você lutou bravamente e seus planos fracassaram, porque Voldemort nunca previu que haveriam tantas pessoas mais fortes que ele, dispostas a tudo para impedi-lo.

Ginny se sentiu agradecida por suas palavras, mas não afastou o frio terror que sentia em seu coração, assim, sem poder falar, ela apenas acenou.

— Professor, então, o senhor acredita que existam mais dessas coisas? O diário não é o único? — Terry perguntou tenso.

— Pensei que com a destruição do diário, Voldemort não seria mais imortal. — Disse Neville angustiado.

— Bem, posso estar errado em minha suposição, mas observamos Voldemort em dois momentos diferentes de sua vida, aos 16 anos e como está agora, quando não passa de um espectro fraco. — Flitwick considerou. — Sua arrogância, ganância pelo poder e maldades, me parecem tornar claro que nada o deteria em seu objetivo final, a imortalidade.

Harry estava pensativo e silencioso, ouvindo-os, até que Terry lhe perguntou:

— Harry? Você tem uma ideia diferente?

— Sejamos sinceros. Apesar de não sabermos como se faz essa coisa, que deve ser algo terrível. Apesar de não termos interesse em sermos imortais, a pedra filosofal é um testemunho disso, se nos fosse oferecido a chance de imortalidade, ficaríamos tentados ou fascinados, no mínimo. E, acho que a população de todo o mundo sentiria o mesmo, certo? — Todos acenaram e Harry continuou. — Assim, temos Voldemort, abandonado pelo pai trouxa, a mãe cometeu a fraqueza de morrer e deixá-lo no orfanato que ele chama de inferno. Ela era uma bruxa e Tom tem esse discurso de que ser um bruxo o torna especial e superior. Ele disse que sempre soube que não era igual as crianças com quem cresceu, fáceis de manipular e dobrar a sua vontade.

— Merlin, não consigo imaginar o que essas crianças passaram. — Disse Terry desconcertado.

— Mas, Tom descobriu que apesar de superior e especial, ele morria como todos os trouxas do mundo. Isso deve ter sido decepcionante, certo? — Harry continuou. — Aposto que quando começou a pesquisa, tinha certeza que sua mãe era a trouxa e seu pai um bruxo.

— E, descobrir a verdade, deve ter tido um grande impacto no adolescente Voldemort. — Flitwick acenou concordando. — Entendo onde quer chegar, Harry. Ser imortal deve ter se tornado sua obsessão e, ao descobrir como fazer isso, ao fazer sua primeira horcrux, nada o deteria.

— Seria algo como, outros bruxos podem ter feito uma ou duas, mas, eu sou mais poderoso, superior, assim, farei mais. Ele se acha excepcional, o maior bruxo que já existiu é seu slogan de campanha favorito. — Harry disse ironicamente. — E, sobre o diário, professor, tenho uma teoria diferente.

— Como assim? — Flitwick perguntou curioso.

— O diário tinha a principal função de ser usado para controlar a basilisco, claro, isso foi inteligente dele, afinal, Tom teve que interromper seu divertimento na década de 40. — Harry disse e se inclinando para frente, continuou. — Mas, em minha opinião, o objetivo do diário para o Voldemort adulto nunca foi matar nascidos trouxas, professor. Na verdade, acredito que o Voldemort adolescente foi imprudente, impulsivo e arrogante, ele deve ter se sentido o maioral quando descobriu ser o herdeiro de Slytherin. E, imaginem isso, ele não podia contar a ninguém! Merlin! O imbecil é um egocêntrico! Mal consegue parar de falar se tiver uma única pessoa na plateia ou uma basilisco! — Seu sorriso era quase incrédulo. — Então, o que ele faz? Decide se exibir e sair pela escola petrificando os alunos, até que um morre e ele percebe o seu erro. Hogwarts seria fechada e ele teria que voltar para o inferno, pior, sua Câmara poderia ter sido descoberta, Dumbledore o olhou com ainda mais desconfiança e Tom deve ter passado os seus últimos meses aqui, sendo o mais discreto possível.

— Ok, tudo isso faz sentido, mas qual você acredita, era o objetivo do diário? — Flitwick perguntou curioso.

— Era para ser o seu Cavalo de Troia. — Harry disse e viu o Terry exclamar com os olhos arregalados.

— Puta que pariu! — Disse ele e depois corou pelo palavrão. — Desculpe.

— Não, eu me desculpo, porque não entendi nada. — Disse o professor confuso.

— Malfoy foi dado o diário para guardar e não sabia o que era ou sua importância. Não acredito que ele imaginava ser o significado vivo de que seu mestre não está morto ou não o disporia tão levianamente. Certo? — Harry refletiu e todos acenaram. — Assim, ele apenas sabia que abriria a Câmara e mataria nascidos trouxas, quando se viu revistado por objetos escuros, quando se viu desejoso de vingança e tirar do caminho algumas pessoas para seu próprio ganho pessoal, usou o diário, mas Voldemort nunca lhe autorizou e aposto que o reencontro deles será bem quente. — Seu sorriso era malicioso. — Voldemort ficou mais velho e iniciou uma guerra, amadureceu o suficiente para não pensar em usar o diário para matar alguns alunos ou se exibir. Junte-se a isso o fato de que aquele a quem ele mais temia era Dumbledore que, literalmente, é o senhor de Hogwarts. Com tudo isso, qual seria a melhor função para o diário, além de usá-lo para o golpe final? Um verdadeiro Cavalo de Troia!

— O que é um Cavalo de Troia? — Neville perguntou desconcertado e Terry arregalou os olhos.

— Deixa que eu explico...

Quando terminou, todos tinham os olhos arregalados.

— Merlin, ele planejava usar o diário para vencer a guerra de uma vez! — Flitwick disse horrorizado.

— Sim, imagine que ele está vencendo a guerra, mas, Dumbledore está aqui, entrincheirado, cercado por aliados e protegendo as crianças. Hogwarts seria quase uma fortaleza, principalmente por causa do diretor, e a guerra nunca seria totalmente vencida, mesmo se ele se nomeasse o Ministro da Magia. — Harry explicou seu pensamento. — Tentar atacar poderia ter resultados, mas, morreriam dezenas pelos dois lados e aposto que Voldemort temeria o risco de perder, ainda que não temesse a morte, claro. Além disso, ele é um covarde, nunca lutaria honrosamente, assim, o diário poderia ser plantado facilmente na escola. Tom usaria a basilisco e, sem dificuldades, eles poderiam coordenar um ataque final onde o cavalo ou, no caso, a basilisco estaria bem ali, aos pés de Dumbledore que, claro, seria o alvo principal.

— Com Dumbledore morto, Hogwarts cairia facilmente. — Disse Flitwick chocado. — Voldemort nunca lutaria diretamente com Dumbledore! Ele temeria perder! E, mesmo com a imortalidade, seria um risco que não tomaria, assim, o diário lhe apresentava a solução perfeitamente covarde, como ele.

— E, mais do que nunca, tenho certeza que o diário e seu propósito significa que Voldemort fez outras horcruxes. — Harry disse sombrio. — Agora, a questão é, o que faremos sobre isso?

— Vocês devem, por enquanto, se concentrarem nos estudos e treinamentos. — Flitwick disse. — Os Boots, Sirius e Remus me ajudarão a descobrir tudo o que pudermos sobre Tom Riddle, além de quantas e, mais importante, onde poderiam estar suas horcruxes. Quando chegar a hora de destruí-las, precisaremos de você, Harry, mas, agora, vocês pouco podem fazer.

— Eu concordo. — Harry disse sabendo que era o mais inteligente. — Mas, não quero ser excluído da busca e gostaria de participar das discussões, pesquisas ou conclusões.

— Para mim, essa é a única opção. — Ele respondeu. — Precisaremos de muitos cérebros para encontrar e destruí-las, Voldemort não o terá deixado em qualquer lugar.

— E, Dumbledore? — Terry perguntou. — Ele sabe e deve fazer sua própria pesquisa, certo? Não seria melhor nos unirmos?

— O diretor ficou muito desconcertado com minhas informações, mas, sua reação ao meu conhecimento do que era o diário, foi muito pior, acreditem. Ele foi muito contundente em insistir que não devo mencionar o diário a ninguém ou explicar a você o que ele é, Harry. — Disse o professor com uma careta mal-humorada.

— Hum... Dumbledore é a pessoa mais inteligente dessa escola, mas, a mais iludida também. Chega a ser desconcertante. — Disse Harry ironicamente.

— Sim, o senhor não concordou, imagino? — Neville perguntou irritado.

— Na verdade, eu concordei, com a condição de que ele me deixasse ajudá-lo a pesquisar sobre a possiblidade de Voldemort ter mais horcruxes. — Flitwick parecia quase envergonhado.

— Professor! — Terry exclamou surpreso. — O senhor será nosso espião!

— Bem, sim. — Disse ele e, apesar de envergonhado, também parecia empolgado. — Imagine isso, eu, Filius Flitwick, um espião! Merlin me ajude!

Todos riram e Harry se levantou e bateu em seu ombro com camaradagem.

— Esqueça o que eu disse! A pessoa mais inteligente desta escola é o Chefe da Casa Ravenclaw! — Exclamou ele rindo.

Isso fez Flitwick corar levemente e sorrir pelos elogios e parabéns.

— Sim, sim, obrigado, mas isso torna a discrição e sigilo ainda mais importantes, meninos. — Ele falou mais sério. — Dumbledore está longe de ser um idiota e perceberá facilmente se vocês não disfarçarem o fato de estarem participando das investigações. Com o tempo, espero que eu consiga convencê-lo a permitir que os Boots, Sirius e Remus participem, enquanto isso, utilizarei as informações fornecidas por Dumbledore para ajudar na investigação particular. Teremos que ser muito sutis e cuidadosos, pois, o diretor ou Voldemort não poderão saber o que estamos fazendo.

— Ok. — Todos concordaram, mas Ginny se forçou a perguntar, apesar de se sentir tímida. — Eu só não entendo muito bem porque vocês não confiam em Dumbledore? Quer dizer, em minha casa, meus pais o tem como o maior e mais bondoso bruxo do nosso mundo.

— Ah, bem... — Harry sorriu hesitante. — Essa é uma longa história, Ginny, mas agora que somos amigos e com você aprendendo oclumência, poderei lhe contar aos poucos tudo o que aconteceu no último ano e meio.

Ginny sentiu seu coração se aquecer ao saber que Harry os consideravam amigos e, sorriu, sentindo-se corar.

— Hum... tenho a sensação de que você tem muitas longas histórias para me contar, Harry. — Disse ela levemente brincalhona.

Harry retribuiu o seu sorriso com diversão.

— Sim, acho que tenho mesmo. — Ele observou seus olhos brilhantes, mas se preocupou com sua palidez. — Acho também, que devemos de um nome para a nossa missão. Assim, poderemos conversar e escrever em códigos, além de que, acredito que descobrir e destruir quaisquer horcruxes que Voldemort ainda tenha, deverá ser a nossa Operação mais importante.

— Essa é uma boa ideia. — Terry disse pensativo. — Operação Morte?

— Tenebroso. — Neville disse divertido. — Operação Destruição?

— Um pouco genérico. — Harry disse e percebeu os olhos da Ginny se arregalarem. — Teve uma ideia? — Perguntou gentilmente.

— Bem... — Ela hesitou, mas Harry a incentivou com um aceno. — Bem, Riddle chamou o orfanato de inferno e seu maior medo é a morte, certo? Operação Morte é um pouco sinistro, mas Operação Inferno, que é para onde o mandaremos e todos os seus pedaços de alma, me agrada mais.

— Eu gosto, Operação Inferno. E, quando terminarmos, Voldemort estará onde merece e mais teme. — Harry disse e olhou para os amigos que acenaram.

— Inferno. Um conceito antigo associado ao sofrimento pós morte e me parece adequado, pois é para lá que enviaremos Voldemort, para sempre. — Flitwick disse convicto.

Mais tarde, depois da reunião, Harry recebeu uma chamada no espelho. Ele já estava em seu quarto, lendo um pouco antes de dormir, mas, depois do aviso de Flitwick, já esperava uma chamada dos seus adultos. Para sua surpresa, apenas Sirius apareceu no espelho e seu rosto estava tenso.

— Oi, Sirius. Apenas você hoje? — Ele perguntou curioso.

— Sim. Todos querem conversar, mas, eu queria um momento para falar com você a sós. — Sirius disse suavemente.

— Se você quer me perguntar ou está chateado com o fato de eu enviar a carta a Denver... — Harry começou, igualmente tenso.

— Não, não, Harry, eu fiquei chateado, mas não com você. — Sirius suspirou parecendo cansado. — Estou chateado comigo mesmo, porque sei que você me ofereceu a chance de fazer parte, de apoiá-lo e ajudar a resolver mais essa trama perigosa, mas, eu fui tolo e recusei. — Seus olhos cinzas estavam tristes. — Minhas ações, sejam por quais motivos elas foram, sempre resultou em você tendo que lidar sozinho com os problemas e perigos. Quero me desculpar, Harry, por tudo, por deixá-lo com o Hagrid a 11 anos e ir em busca do Peter. Por te virar as costas mais uma vez a algumas semanas quando eu deveria ser o primeiro a apoiá-lo incondicionalmente. Você é minha família, Harry, e eu aprendi com seus avós e com James, que família não hesita a fazer o necessário um pelo outro. Sinto se dei a impressão que não confio em você ou que não é a minha maior prioridade. Mais do que qualquer coisa, sinto que mais uma vez, eu não estava lá para você e que acredite estar sozinho nesta guerra.

— Eu sei que não estou sozinho, Sirius. — Harry disse suavemente, emocionado por suas palavras. — Apenas, você precisa aceitar que não existe volta para mim. James e Lily... — Sua voz se perdeu e Harry fechou os olhos, buscando controle. — Meus pais morreram porque nossa sociedade é preconceituosa, purista, desigual e eu estou lutando para mudar isso. Eles foram assassinados por Voldemort e eu lutarei para terminar com ele de uma vez. Eles morreram por causa dessa profecia e, se é verdade que tenho o poder de derrotá-lo, não deixarei de buscar isso, incansavelmente. Eu posso ter apenas 12 anos, mas, o meu compromisso, a minha vida é, e sempre será dedicada a honrar as vidas de James e Lily Potter. Essa é minha missão, Sirius e, mesmo depois que Voldemort estiver morto e seus comensais presos, não deixarei de lutar por justiça.

— Justiça? — Sirius sussurrou emocionado e surpreso pelo uso da palavra.

— Sim. Quero que os meus filhos vivam em um mundo justo, Sirius, onde monstros como Voldemort não tenham a chance de existir e, se algum surgir, tenhamos leis e medidas efetivas para detê-los. — Harry disse e estava com muita raiva. — Dumbledore entregou a carta de Tom Riddle quando ele fez 11 anos. Riddle me disse que o professor de Transfiguração nunca confiou ou gostou dele, mas, ainda assim, aqui, nesta escola, Tom se deu um novo nome. Voldemort. Merlin, Sirius, ele abriu a Câmara, petrificou alunos, assassinou uma menina e se gabou de encontrar e matar seu pai e avós. E, ele tinha 16 anos! — Harry estava tão indignado. — Onde estavam os professores!? O Diretor? Os aurores? Porque Hogwarts parece um mundo sem leis e regras onde assassinatos acontecem impunimente? Onde crianças de 13 anos são expulsas sem provas!? Onde está a justiça? — Harry viu os olhos de Sirius parecerem alcançar um entendimento. — Depois, a guerra que Voldemort submeteu ao nosso mundo durou 11 anos, Sirius. Porque? Tantas pessoas mortas, perseguidas, desaparecidas e ninguém fez nada. O Ministério foi mais do que incompetente, eles foram propositalmente omissos e cruéis ao não agirem e ainda perseguirem inocentes. E, o que fez a Ordem da Fênix? Sinceramente, Dumbledore os mandou fazer mais do que estancar, com a ponta dos dedos, uma hemorragia que jorrava? Porque ele nunca matou Voldemort? Ele ao menos tentou? E, os comensais? Porque a maioria está viva? Porque quase todos estão livres? — Harry não conseguia parar, pois tudo o que sua mente tinha nos últimos dias, eram perguntas. — O que mudou com o fim da guerra, Sirius? Que leis ou ações efetivas foram criadas pelo Ministério para impedir ou agir no caso de algo como aquilo acontecer de novo? Porque eu tive que descer àquela Câmara sem um auror? Que justiça é essa, Sirius, que faz com que uma menina seja acusada, expulsa e presa, apenas para ajudar um político a mostrar serviço e ganhar uma eleição?

— Isso não é justiça... — Sirius sussurrou meio chocado. — Eu entendi errado, Harry, pensei que tinha que buscar justiça para... Eles, combatendo diretamente, varinha a varinha. Existem outras maneiras de se conseguir justiça, a verdadeira justiça e agora eu vejo isso. Obrigado, Harry, por sempre inspirar e motivar a todos nós com sua coragem e determinação. Eu percebi quase tarde demais, mas, prometo a você, Harry, aqui e agora, que estarei sempre ao seu lado em sua missão. Não voltarei a te decepcionar e nunca deixarei que pense que não faria o necessário para te apoiar, mesmo se tiver que mentir para todo o universo. — Harry observou a intensidade e sinceridade com que Sirius falou e sorriu.

— Bem-vindo a bordo, padrinho. — Disse ele divertido.

Sirius riu animado e feliz que seu afilhado não estava zangado, depois ficou sério ao se lembrar o que precisava lhe contar.

— Infelizmente, tenho outro assunto importante que preciso compartilhar com você. — Sirius, então, contou sobre o desfecho da OP Travessa do Tranco, a emboscada, Malfoy, Greyback, o ferimento, Snape, Fiona, Denver.

— Sirius! — Harry estava de coração apertado e seus olhos se encheram de lágrimas. — Sirius! Você quase morreu, eu...

— Acalme-se. Vamos lá, nada de lágrimas, Harry. — Sirius falou com voz calmante, Harry fugou e respirou fundo, pois percebeu o mais importante nisso tudo. Seu padrinho estava vivo.

— Você não pode morrer, Sirius, não agora, não nunca... — Harry disfarçadamente limpou uma lágrima teimosa. — Você precisa ser cuidadoso, Sirius, por favor.

— Eu serei, prometo. — Ele disse solenemente. — Eu tentarei sobreviver a essa guerra, Harry, mas, você deve se preparar para o fato de que nem todos conseguirão.

Harry fechou os olhos tentando não pensar nesta verdade terrível ou em Lockhart.

— Eu sei... eu... É por isso que temos que nos preparar e antecipar. — Harry suspirou cansado. — O que faremos sobre o Malfoy?

— Como lhe disse, King o está investigando, Harry, aposto que Malfoy tem muitos esqueletos e logo será preso. — Sirius disse sensato.

— Mas, ele poderia tentar de novo, Sirius! E, veja o que ele fez com a garota! Ele sabia que ela morreria e não se importou! Quero destruí-lo! — Harry disse com raiva.

— Vingança não levará a nada, Harry. Veja o que aconteceu comigo quando fui atrás de Rabicho sem pensar ou quando tentei matar Greyback indiretamente. Meu desejo de vingança se voltou contra mim e não quero que o mesmo lhe aconteça. — Sirius disse inteligentemente.

— Quem disse que faremos isso impulsivamente? Pensaremos com cuidado, Sirius, além disso, eu não quero que Malfoy seja morto, isso é muito bom para aquele... — Harry nem conseguia um adjetivo. — Eu já sei o que faremos e preciso da sua ajuda.

— Seja o que for, pode contar comigo. Sempre. — Sirius disse com um olhar sincero e intenso.

— Bom, minha ideia é... — Ele explicou em detalhes o que queria fazer com o Malfoy e, quando terminou, Sirius assoviou impressionado.

— Ainda bem que estou do seu lado, amigo, ser seu inimigo não é moleza. — Ele disse e depois riu, Harry o acompanhou. — O único problema que vejo, é o que eu te expliquei sobre as consequências da OP, mas, pensarei em alguma coisa.

— Então, você me ajudará? E, sobre os Boots? — Harry perguntou preocupado.

— Imagino que Flitwick deve ter lhe contado um pouco sobre a nossa reunião. — Sirius conjecturou.

— Bem, ele não deu detalhes, mas disse que foi muito difícil para todos saberem sobre tudo o que aconteceu nos últimos meses e sobre as horcruxes. — Harry disse tenso.

— Sim. — Sirius sorriu um pouco triste. — Estamos todos entorpecidos e assombrados com tudo, sentido que falhamos com você, como cuidadores e pais. E, igualmente perdidos e chocados com a realidade de que Voldemort é imortal e você já iniciou a guerra para destruí-lo de uma vez.

— A guerra nunca acabou, Sirius, apenas, eu sou o novo jogador neste jogo e pretendo ganhar. — Harry disse com convicção.

— Flitwick está certo. — Sirius disse. — Ele disse que não tem a menor dúvida que você vencerá Voldemort e está certo.

Harry corou e sorriu com surpresa.

— Ele disse isso? E, você realmente acredita em mim? — Ele perguntou mostrando claramente como suas confianças lhe era importante.

— Eu acredito sim. — Disse Sirius sincero e Harry mostrou um sorriso ainda maior.

— Obrigado. Bem, e como ficou a reunião?

— Depois que Flitwick saiu, eu deixei claro aos Boots que minha lealdade e apoio incondicional é para você. Disse também que se for necessário, brigarei na justiça para ser o seu guardião, como determina o testamento de James e Lily, que foi revalidado. — Sirius informou e Harry arregalou os olhos. — Não quero te afastar deles, Harry, mas gostaria de ser aquele que toma as decisões finais sobre você, sem interferência ou o risco de ser proibido de te ver por algum erro de julgamento, meu ou deles.

— Uau! — Harry sussurrou espantado.

— Eles me prometeram que nunca nos afastarão e eu concordei em deixar assim, por enquanto. Se estiver bem para você, claro. — Disse Sirius preocupado.

— Sim, desde que eles não tentem me proibir de fazer o que tenho que fazer ou de estar com você, podemos continuar como estamos. — Harry disse. — Até porque, tenho alguns planos diferentes para o futuro.

— Será que quero saber quais são esses planos? — Sirius perguntou divertido.

— Provavelmente não, mas, te contarei no momento certo. — Harry respondeu com malícia.

— Certo. Bem, o fato é que Serafina disse que não deixará de lutar e te apoiar, mas, precisa de um tempo para se ajustar a tudo o que aconteceu. — Sirius informou suavemente. — Remus, Sr. Boot e Falc, estão 100% com você, mas ela precisará de mais tempo, Harry.

— Eu não me importo e já esperava isso. — Harry disse suavemente. — Terry e a mãe são muito parecidos e ele também precisou de um tempo para se ajustar, mais importante, os dois nunca sentiram o chamado, Sirius.

— Chamado? — Sirius perguntou confuso.

— Não sei se essa é a palavra... — Harry hesitou tentando se explicar. — Talvez, desejo seja o termo correto. Sabe, aquele momento em que tudo dentro de você deseja lutar, se vingar, deter a qualquer custo? É transformador e você nunca mais é o mesmo porque, até que acabe, você não pode parar. Terry nunca sentiu isso, esse desespero, dor, desejo e raiva, com tanta intensidade que se não fizer algo..., bem, não existe a possiblidade de não fazer algo. Eu sabia disso, eu entendi e disse a ele que somos pessoas diferentes, com histórias de vida diferentes e não estamos na mesma página.

— Entendi. — Sirius disse suavemente. Enquanto a morte da menina de olhos azuis foi o catalisador em sua vida e o instigou a não ser como os outros Blacks, foi a morte de Brand Junior o momento em que ele quis largar tudo para lutar na guerra, apenas os adultos e James o seguraram em Hogwarts até se formar. — Terry sente esse desejo agora?

— Sim e não. — Harry disse e sorriu. — Ele quer deter Voldemort e os comensais, quer me ajudar e fazer parte da equipe até o fim. Terry entende que não há volta e, na verdade, acho que ele não quer voltar a como era antes. No entanto, no fundo, ele não quer lutar com uma varinha, Terry quer ajudar, mas, sem a violência, sem matar quando for necessário.

— Compreensivo, ele não é um guerreiro e Serafina também não. — Sirius acenou entendendo melhor. — Serafina sempre esteve relativamente protegida na última guerra e, quando as coisas ficaram mais perigosas, ela se escondeu para proteger o Terry.

— Ela ainda tem esse instinto, Sirius, de proteger, não de lutar. — Harry disse suave. — Terry tinha o instinto de deixar para os adultos resolverem, era o que ele conhecia, mas, então, tudo isso aconteceu e, naquele dia, no ataque a Caverna... Ele se perdeu completamente, Sirius, quase nos matou a todos, além de não ter feito nada para proteger a Hermione ou ajudar a Charlie, efetivamente. Isso o abalou e, até hoje, a cada treino, Terry se esforça para ser melhor, mas, eu sei que o seu lugar na batalha não é lutando e sim, salvando vidas.

— Ele ficará na retaguarda, então, protegendo suas costas e ajudando os feridos. — Sirius entendeu. — Me parece um bom plano e pode servir para a Serafina também, mas, o problema será ela se ajustar ao fato de que você estará na linha de frente.

— Bem, mesmo que ela não se ajuste, terá que aceitar. — Harry disse dando de ombros, pois essa era a verdade absoluta sobre isso. — E, Remus? Como reagiu a tudo isso?

— Abalado também, principalmente quando compartilhei sua luta com Voldemort, a do ano passado e a profecia. — Sirius disse e fez uma careta. — Eu disse que não contamos antes porque não sabíamos se ele seria de confiança ou correria para o Dumbledore para informar tudo. Remus ficou horrorizado que o diretor sabe disso desde antes dos seus pais morrerem e nunca pensou em lhe contar ou permitir que ele o ajudasse a se preparar para o que viria.

— Oh! Acho que Dumbledore tem perdido muito fãs ultimamente. — Harry disse com um sorriso divertido.

— Sem dúvida. — Sirius sorriu também. — Bem, Remus pediu para lhe dizer que o ajudará a cumprir essa profecia, conte com ele para tudo o que precisar.

— Fico feliz, quanto mais pessoas do nosso lado melhor. — Harry disse, sentindo um calor gostoso de carinho o envolver. — Agora que toda essa coisa da Câmara acabou, poderemos nos concentrar em treinar e tentarei me aproximar do filhos e netos dos membros da Suprema Corte. Como tem ido da parte de vocês?

— Lento. — Sirius disse com uma careta. — Sr. Boot esteve de luto pela Sra. Honora, assim, pouco saiu de casa, muito menos tentou se encontrar com os membros mais velhos que são seus conhecidos ou amigos. Falc está trabalhando feito um louco, esteve várias vezes na Irlanda, o contrato com os Martins está pronto e acredito que precisa apenas das assinaturas. Conseguimos encontrar um gerente de vendas que gerenciará apenas as Feiras, que estão sendo projetadas com os arquitetos. As fazendas estão iniciando a preparação para o plantio da primavera que começará em um mês e Falc está se encontrando com o Sr. McNash para discutir a possibilidade de uma sociedade, e isso não está indo a lugar nenhum. — Sirius disse com uma careta. — Eu tento ajudar, mas estive tão ocupado com o treinamento e a OP que não colaborei tanto quanto deveria. Além disso, temos outro problema com os lobisomens.

— Espere, pensei que disse que o que aconteceu na emboscada tornou difícil e perigoso uma aproximação agora. — Harry apontou confuso.

— Sim, mas Remus tinha conseguido, antes dessa bagunça toda, se encontrar com um pequeno grupo de lobisomens mais velhos. — Sirius explicou. — Eles são da confiança de Remus e confiam nele também, além de serem muito respeitados e confiados pelos outros grupos e matilhas.

— Espere, antes, porque você chama de grupo ou matilha? — Harry perguntou confuso.

— Grupos de lobisomens podem ser grandes ou pequenos, normalmente, terá de 20 a 50 lobisomens. São chamados de grupos porque não tem um sistema hierárquico, são apenas um grupo de lobisomens que se reúne e vivem juntos, por proteção e companhia, pois ser solitário para um lobo é difícil e doloroso. — Sirius explicou. — Uma matilha, vive o sistema mais tradicional de matilhas, ou seja, tem um alfa que é o chefe sobre todos, ele dá as ordens e é obedecido sem questionamentos, mas, também é sua reponsabilidade cuidar, proteger e alimentar a matilha. Ele terá ajuda claro, delegará funções, organizará para que todos colaborem, trabalhem para a matilha, mas, essencialmente, os lobisomens de uma matilha sabem que não podem fazer nada sem autorização do Alfa ou serão expulsos da matilha.

— Entendi. — Harry disse. — Esse Gun é o Alfa de sua matilha, os Gárgulas. E o T?

— Os T-London, pelo pouco que descobri, não são uma matilha, eles são uma gangue, Harry. — Sirius disse suavemente. — Vivem em Londres e cometem crimes nos dois mundos.

— Lobisomens vivendo livremente em Londres, isso daria um filme. — Harry disse ironicamente. — Ok, mas não entendi porque o Remus ter se encontrado com esse grupo de lobisomens mais velhos é um problema? Imagino que eles entenderão que, com os aurores perseguindo lobisomens, Remus terá que ser discreto e aposto que ficarão ainda mais interessados na ilha.

— Não é tão simples. — Sirius disse preocupado. — Eles respeitam o Remus e seu desejo de manter sua condição em segredo, assim, entenderão que ele ficará mais distante por um tempo. No entanto, quando eles se encontraram, o grupo disse que não entrará em contato com os outros grupos e matilhas até ter certeza que essa história de ilha dos lobos é real e não uma armadilha.

— Isso me parece justo, principalmente agora com o Ministério os perseguindo mais fortemente. Imagino que o maior temor deles é serem aprisionados como foram antes, nos acampamentos do Ministério. — Harry suspirou percebendo que toda essa bagunça da OP Travessa do Tranco poderia atrasá-los no projeto Stronghold.

— Mesmo sem essa perseguição, eles não atenderão ao pedido do Remus, que queria os seus apoios para se reunir com os outros grupos e matilhas. Eles disseram que só usarão o respeito que têm entre a comunidade lobisomens, se tiverem certeza que é tudo real, disseram ao Remus que não querem lhes dar esperanças e, depois, descobrirem que era uma enganação. — Sirius disse com o rosto sério. — Eles querem se encontrar com o dono de Stronghold.

— Ah. — Harry franziu o cenho surpreso.

— Sim. E, não posso fingir ser o dono, Harry, eles são muito espertos e perceberão a mentira na hora. — Disse Sirius.

— Não, isso estragaria tudo, Sirius, os deixariam mais desconfiados e com razão. — Harry disse preocupado. — Remus realmente confia neles?

— Sim, não acredito que você estaria em perigo, mas ainda, é muito arriscado que deixem a informação vazar. — Sirius explicou sua preocupação. — No entanto, se eles se convencerem, poderão intermediar o encontro com os outros lobisomens e até convencê-los da veracidade do projeto, sem que seu nome seja mencionado.

— Ok. Se eles darão as suas palavras aos outros que o projeto é real e não uma armadilha, suponho que me encontrarem antes seja justo. — Harry disse pensativo. — Quando podemos fazer isso?

— Na Páscoa seria o ideal para você, mas muito distante para eles. Remus pode marcar um encontro, no entanto, acredita que esperar 2 meses é um péssimo movimento. — Sirius explicou.

— Então, não esperaremos. — Harry disse com firmeza. — Posso deixar Hogwarts por uma das passagens secretas facilmente e me encontrar com eles. Apenas, acredito que eles deverão assinar um contrato de confidencialidade, para a não divulgação do meu nome. Não podemos impedir que falem sobre o projeto, pois afinal, esse é o objetivo... Sirius, como saberemos quem devemos aceitar na ilha? Ou devemos aceitar todos? E, lobisomens como Greyback ou Egan?

— Tipos como eles, não serão aceitos por nós ou os lobisomens, mas, eles não são maus por serem lobisomens, Harry, acredite, Egan já era assim antes da mordida. — Sirius disse com uma careta. — Agora, bruxos como Teagan ou Gun e seus homens, acredito que a maioria, não têm muitas escolhas e viver no crime é o que fazem por sobrevivência. Gostaria de poder ajudá-los todos, mas, sou realista o suficiente para dizer que muitos deles nunca se acostumarão a viverem isolados em uma ilha ou se tornarem fazendeiros.

— Você acha que alguns se acostumaram ou aprenderam a gostar da vida de bandido? — Harry perguntou curioso.

— Sim e, outros, gostam da vida na cidade. Os Gárgulas e a maioria das matilhas e grupos vivem nas Florestas do Reino unido, mas, os T-London, vivem em Londres e estão acostumados com a vida agitada de uma cidade tão grande. — Sirius expôs seus pensamentos.

— Eu não tinha pensado nisso. — Harry disse pensativo. — Não tinha considerado que alguns não quererão viver na ilha e trabalhar no campo. Sirius, temos que pensar nessas pessoas, em alguma maneira de ajudá-las e lhes dar a oportunidade de sair do mundo do crime. Se alguns continuarem, não deve ser porque não tiveram escolha.

— Eu concordo. Remus acredita que estaremos perdendo tempo com a maioria, mas, naquela noite, tanto Teagan como Gun, pareciam apenas desesperados por conseguirem algum meio de trabalho para poder levar comida para os seus. — Contou Sirius. — A questão é, o que fazer?

— Bem, precisamos usar nossos cérebros. — Harry considerou pensativo. — A primeira coisa é essa reunião com os amigos de Remus. Se eles nos apoiarem, atingiremos um grande número de lobisomens que precisam e quererão viver na ilha. E, talvez, tenhamos a sorte de chegar a Gun, que nos levará a Teagan e evitaremos os riscos de Remus ser pego os procurando.

— Ok, pedirei ao Remus que marque o encontro com seus amigos, no fim de semana é melhor e pensaremos em algo para ajudar todos os lobisomens. — Sirius disse e olhou para o relógio. — Devo deixar você dormir, já está muito tarde. Tentarei manter as coisas como estão o máximo possível e colocar nossos planos em movimento.

— Ok. Vamos nos falando. — Harry sorriu. — Boa noite, Sirius. Fique seguro.

— Você também, Harry. Boa noite.

Depois de desligar, Harry suspirou exasperado ao perceber que, nas últimas 48 horas, esteve tentando aproveitar o fim da tensão. Ele e os amigos praticamente estiveram comemorando que tudo acabou bem, a basilisco e Voldemort foram detidos, Ginny estava segura e tentando superar. No entanto, a realidade do mundo lá fora invadiu essa pequena bolha brutalmente. Sirius quase morreu, os lobisomens estavam em mais riscos do que nunca por serem perseguidos por esse Ministério discriminador e injusto. Malfoy estava livre para fazer o que mais quisesse, pois King ainda tinha que reunir provas dos seus crimes e, Harry percebeu, ele não tinha tempo para relaxar ou comemorar nada.

Na manhã seguinte, ele explicou aos amigos o que aconteceu e algumas das suas ideias. Neville acenou e, assim que terminaram o café da manhã, foi para sua aula prometendo espalhar os papeis com a data e hora da reunião. Terry fez o mesmo, e Harry entregou ao time de quadribol, com exceção de Melrose, os mesmos convites.

O Covil se encheu rapidamente na hora marcada e Harry ficou surpreso ao ver Ron Weasley acompanhando os seus amigos. Terry estava ocupando o lugar da Hermione nas anotações e registros da reunião e Harry se posicionou a frente do grupo. Por fim, os gêmeos e Ginny entraram apressados, provavelmente estavam no laboratório e ele sorriu ao vê-la mais corada e parecendo alegre.

— Ginny? O que você está fazendo aqui? — As palavras vieram, claro, de seu irmão Ron.

— O mesmo que você, imagino. — Disse ela com frieza.

— Todos que estão aqui foram convidados, direta ou indiretamente, no entanto, — Harry olhou para o garoto ruivo. — Se me lembro, você deixou o Covil depois de atitudes discriminatórias e eu disse que poderia voltar quando pedisse desculpas.

— Ah, bem, sinto muito. — Ron disse e ficou vermelho até as orelhas de vergonha.

— As desculpas são para as meninas Slytherins, Ron, foram elas que você discriminou. — Harry disse erguendo as sobrancelhas.

Isso pareceu chocá-lo e desconcertá-lo, Ron olhou para as três meninas e ficou ainda mais vermelho, principalmente, porque todos olhavam para ele.

— Hum... desculpe... — Seu sussurro foi ouvido por apenas os mais próximos e Harry pretendia repreendê-lo, mas Tracy se adiantou.

— Não precisamos de desculpas alguma, porque você e o que nos disse aquele dia, não existem para nós. — Ela disse com desprezo. — Estamos aqui, porque o Harry disse que era urgente e queremos ajudar, só isso importa.

— E, prefiro que não percamos tempos com coisas pequenas, Harry. Se puder ir direto ao ponto, você sabe que nosso tempo é curto. — Disse Daphne com seu rosto inexpressivo de sempre e Harry acenou.

— Ok, vocês estão certas. O que quero falar com vocês é algo importante e deveria ter sido feito antes, mas, estivemos muito envolvidos com as investigações sobre a Câmara e...

— Eu sabia! — Disse Justin se levantando do chão onde estava sentado. — Foram vocês! Eu disse a Megan! Não disse? — Ele olhou para sua melhor amiga que acenou. — Vocês mataram a basilisco!

Isso provocou um silêncio surpreso e olhos arregalados.

— O que? — Sussurros se espalharam entre todos.

— O diretor disse que um professor e alguns alunos criaram uma armadilha e mataram o basilisco. — Disse Michael exasperado. — Com certeza não foram três 2º anos, Justin.

— Bem, pois quem são esses alunos? Ou o professor? — Justin falou olhando para todos com expressão questionadora. — Harry estava investigando, foi com ele que descobrimos o que aconteceria antes mesmo que começasse.

— Bem, porque não deixamos o Harry falar, então podemos saber a verdade. — Disse Penny irritada e houve vários acenos de concordância.

Harry sorriu para a amiga antes de ficar mais sério.

— Justin está certo, fomos nós, com a ajuda do Professor Flitwick, que matamos a basilisco. — Disse Harry e expressões de espanto, exclamações de choque percorreram a todos. — Mas, não é sobre isso que quero falar e gostaria que mantivessem o sigilo sobre essa informação.

— Espere... — Foi Scheyla quem falou. — Vocês mataram um basilisco?

— Harry... — Penny parecia sem palavras.

— E, vocês detiveram o atacante? — Trevor perguntou surpreso.

— Na verdade, o Harry matou a basilisco. — Disse Terry sorrindo. — Ele não gosta de se gabar, mas, Neville e eu, apenas cobrimos suas costas e o Flitwick nem estava presente.

— Terry! — Harry exclamou exasperado. — Pessoal, isso não é importante...

— Como assim, isso não é importante? — Justin exclamou. — Eu sabia! Ah!

— Você matou um basilisco sozinho? — Trevor disse abismado.

— E, acha que não é importante? — Penny acrescentou e todos pareciam assombrados.

— Olha, eu não entrarei em detalhes e, como disse, quero que isso fique apenas entre nós, mas, o que aconteceu foi que montamos uma armadilha...

— Ideia dele. — Disse Neville divertido e Harry rosnou.

— Sim. — Suspirando ao ver seus olhares curiosos e ansiosos, Harry decidiu explicar melhor. — Olha, o que acontece é que eu percebi, logo depois do ataque ao Colin, que os aurores estavam seguindo o caminho errado, pois se focaram em tentar encontrar a basilisco e não o aluno que tinha sido vítima de Malfoy.

— Você descobriu quem ele escolheu? — Daphne perguntou curiosa. — Nós especulamos se era o filho de um inimigo ou um "amigo".

— Ah, foi o filho de um inimigo, que ele queria se vingar e tirar do seu caminho. Além disso, Malfoy, que é um dos membros do Conselho dos Governadores, queria a demissão de Dumbledore e a extinção da AP. Malfoy vem perdendo muito poder e é sobre isso que quero conversar com vocês. — Disse Harry, sério.

— Ah, mas nos conte o que aconteceu! — Lavander disse ansiosa.

— Lavander, se descobrir que alguém saiu fofocando sobre isso, ficarei muito chateado e preciso que vocês compreendam porque é importante manter entre nós o que fazemos. — Harry disse e houve muitos acenos, pois ele colocou toda a sua voz de líder.

— Não se preocupe, Harry, eu jamais fofocaria sobre algo importante assim. Prometo. — Disse Lavander estranhamente séria.

— Ok. Como eu dizia, percebi que o mais importante era encontrar esse aluno e segui-lo até a Câmara, assim, se descobriria a entrada, onde a basilisco poderia ser morta e ele salvo. — Harry explicou suavemente. — Mas, os aurores se recusaram a ouvir qualquer coisa e focaram primeiro em matar a basilisco, ignorando que alguém precisava de ajuda. Piorou depois do ataque a Caverna porque eles decidiram, sob pressão do Fudge, que a prioridade era encontrar o aluno, expulsá-lo e prendê-lo. — Sussurros e exclamações indignadas foram ouvidas. — Na verdade, mesmo um suspeito o agradaria, para poder jogar o nome no Profeta e mostrar aos críticos que ele estava agindo, sem se importar que isso destruiria a vida dessa pessoa ou se ela era culpada. — Mais raiva nos rostos de todos. — Lembrando que a pessoa, o aluno, nunca poderia ser culpada, porque isso foi uma armação do Malfoy.

— Que homem horrível e incompetente! — Penny exclamou furiosa. — Estávamos vivendo esse momento terrível de crise e ele só pensava em seu cargo?

— Você disse tudo o que sabia para os aurores, Harry? — Michael perguntou. — Sobre o elfo e tal?

— Sim, o nome dele é Dobby. — Harry disse tentando não se irritar com a expressão meio incrédula de Corner. — Na verdade, ele me deu mais algumas boas pistas e eu teria contado tudo o que descobri aos aurores se eles estivessem, primeiro, dispostos a me ouvir e, segundo, dispostos a proteger o aluno. Quando ficou claro que isso não aconteceria, decidimos nos unir com o Flitwick e, neste ponto, por precaução, eu já tinha formulado um plano.

— Harry, desde o ataque ao Colin, percebeu que precisava se preparar com antecedência, caso os aurores se mostrassem incompetentes. — Disse Neville sorrindo. — Melhor remediar do que prevenir.

— Não, Nev, é melhor prevenir do que remediar. — Disse Terry e o pessoal de origem trouxa riu.

— O que você planejou, Harry? — Perguntou Lisa curiosa.

— Bem, primeiro, eu sabia que encontrar a Câmara era quase impossível, assim, meu foco era encontrar qualquer aluno que se mostrasse suspeito, segui-lo, observá-lo e descartá-lo se fosse o caso. Segundo, matar a basilisco sozinho seria quase impossível, assim, eu precisava de ajuda e comecei pedindo-a ao Dobby. — Harry sorriu ao se lembrar de quando conversou com seu pequeno amigo a tantos meses.

Agora, meu plano é bem simples. — Disse Harry para ao orgulhoso elfo. — Você conhece o Jardim do Elfos? Onde ficam os elfos que não está ligado a uma família?

Sim, Harry Potter, senhor, Dobby conhece e, às vezes, Dobby visita o Jardim do Elfos. — Seu sorriso aumentou. — É uma linda fazenda e tem muito trabalho, plantar, colher, maravilhoso. O elfos preferem ter uma família, mas, Dobby sabe que se sentem muito feliz lá porque podem trabalhar e os alimentos vão para o Orfanato.

Sim, isso é muito legal e quero muito visitar o lugar assim que possível. Dobby, você sabe que a fazenda foi doada por meu bisavô Henry aos elfos domésticos, para que eles tivessem um lar para viver e trabalhar? — Harry questionou.

Senhor Henry era seu bisavô? — Dobby arregalou os olhos. — Dobby não sabia disso. Tem um retrato dele na fazenda, mas, Dobby nunca falou com o Senhor Henry. Os elfos gostam muito do Sr. Henry, Dobby sabe disso.

Tem um retrato dele lá? Que curioso. — Harry disse sorrindo. — Bom, talvez, isso nos ajude. Dobby, preciso que vá até a fazenda e descubra se eles têm galinheiros, se têm galos e que comece a criá-los.

Galos? — Dobby arregalou os olhos.

Sim, são eles que matam os basiliscos. — Harry disse ansioso. — Se não houver, eu quero que você diga que eles devem começar a criá-los. Façam mais galinheiros, uns 40 ou 50 mais ou menos para que possamos ter muitos galos jovens.

Dobby não entende, Harry Potter, senhor. — Ele parecia confuso.

Galos adultos e fortes, podem matar a basilisco, mas, sinto que será a minha adaga que a matará, por isso a magia insistiu que a trouxesse. No entanto, galos jovens a enfraquecerá, Dobby e, então, poderei usar a adaga. E, têm que ser muitos porque, quando a basilisco sentir suas presenças, tentará matá-los e isso os assustará, eles cantarão por instinto de sobrevivência sem precisarem ser forçados, o que não faria efeito. — Explicou Harry que vinha pensando nisso desde que Dumbledore falou sobre o assunto. — Preciso que você, com a ajuda dos outros elfos, criem e cuidem deles para mim, Dobby e, no momento certo, eu te chamarei e pedirei que os traga para mim. Você faria isso? Me ajudaria a matar a basilisco?

Dobby ajuda, mas... Dobby acha isso perigoso, Harry Potter. — Dobby torcia as mãos ansioso.

E é, Dobby, mas, às vezes, temos que fazer isso, superar nossos medos e seguir nossos instintos. O que sua magia lhe diz, Dobby? — Harry falou baixinho. — O que ela diz que você deve fazer?

Dobby arregalou os olhos e parecia emocionado.

A magia de Dobby não está escravizada, Harry Potter, apenas Dobby está e todos os dias ela diz para fazer uma coisa e Dobby nunca pode atendê-la. — Ele fungou tristemente. — A magia de Dobby diz que devo proteger Harry Potter, por isso Dobby foi procurá-lo no verão.

E agora? O que ela diz agora? — Harry perguntou suavemente.

Agora, a magia de Dobby diz que Harry Potter está certo e que Dobby deve ajudá-lo com os pequenos galos. — Dobby disse erguendo o queixo com orgulho.

Bom. Você entendeu tudo o que deve fazer? — Harry perguntou e Dobby acenou. — Seja cuidadoso e não seja pego. Ok? — Dobby voltou a acenar. — Peça ajuda aos outros elfos, mas não dê informações do que faremos, é muito perigoso. Ok? — Dobby acenou. — De lembranças minhas ao meu vovô Henry? — Mais uma vez ele acenou. — Obrigado, Dobby, de verdade. Por tudo.

De nada, Harry Potter.

— Bem, foi isso. — Harry disse e todos ficaram em silêncio o encarando. — Todos esses meses, Dobby cuidou dos galinheiros e criou os galos jovens.

— E, você matou o basilisco com sua adaga? — Sussurrou Megan meio pálida.

— Sim. — Harry disse como se não fosse algo impressionante. — É uma adaga antiga feita por um dos Altos Elfos que presenteou um dos meus antepassados e conserva o seu poder. Senti ela me chamar quando a encontrei em meu cofre, a magia me dizia para mantê-la comigo o tempo todo. Quando descobrimos sobre a basilisco, percebi porque ela era importante.

— Porque fica chamando o monstro de ela? — Perguntou Ron, confuso.

— Porque é uma cobra. — Disse Harry sem perder a compostura, estava ficando bom em mentir. — De qualquer forma, neste ponto, eu não planejava matar a basilisco, era uma precaução. Eu tinha decidido encontrar o aluno, segui-lo e informar aos aurores, claro, eu ofereceria os galos para ajudá-los a matar a basilisco. Mas, quando soube, em janeiro, que o Ministério pretendia prender o aluno, a não ser que as provas de controle mental fossem muito claras, decidi agir por conta própria e tive o apoio de Terry, Neville e Flitwick.

— Porque não pediu nossa ajuda? — Scheyla parecia chateada. — Eu te ajudaria. E, se algo acontecesse com você? Mamãe ficará louca quando souber disso tudo.

— Não contei porque era um plano que não se exigia montes de pessoas e, na verdade, quanto mais pessoas soubessem, mais riscos tínhamos de o plano falhar. — Harry disse, ignorando a menção a tia Trissie. — Lembrem-se que Hogwarts estava cheia de caçadores e de aurores, todos observando tudo com atenção. Além disso, o aluno ou a pessoa que o controlava poderia perceber alguma coisa, um único olhar diferente e tudo estaria perdido. A discrição era o ponto mais importante na investigação, porque o atacante poderia tentar eliminar qualquer pessoa que ele julgasse que o estivesse investigando ou mesmo o aluno que controlava.

— Claro! Se eliminasse esse aluno, poderia passar para outro e a investigação começaria da estaca zero. — Disse Penny de olhos arregalados.

— Exatamente. — Harry disse sorrindo.

— Bem, quem era o aluno e o atacante? — Perguntou Padma preocupada.

— O aluno está bem e isso é tudo o que direi sobre isso. — Harry disse em tom que não aceitava discussão. — O atacante era Voldemort.

Exclamações de choque se espalharam e todos empalideceram e estremeceram.

— Mas, como? Ele voltou? — Sussurrou Justin assustado.

— Sim e, mais uma vez, tentava recuperar o seu corpo. — Harry disse sem explicar sobre o diário, Tom Riddle ou horcrux. — Como disse, Malfoy escolheu esse aluno e plantou um objeto escuro de Voldemort nele durante o verão. Com esse objeto, o aluno foi controlado por Voldemort e, sem saber, abriu a Câmara Secreta e controlou a basilisco.

— Merlin! E, ele não sabia de nada? — Perguntou Tracy chocada com a ideia de ser usada assim.

— Não. E, mesmo que sua magia estivesse lutando, ela também estava enfraquecendo. Voldemort, por meio desse objeto estava roubando a essência de vida desse aluno e, quando o matasse completamente, ele teria um novo corpo. — Harry disse sombrio.

— Isso é magia negra! — Michael disse e MacMillan acenou.

— Com certeza. Me admira que esse aluno sobreviveu. — Disse o garoto Hufflepuff, engolindo em seco.

— Ele é forte e tem uma magia impressionante. — Harry disse. — Quando eu enfrentei Voldemort, ele lutou ao meu lado e me ajudou a vencê-lo. Mas, não se enganem, Voldemort não está morto, apenas fugiu mais uma vez e continuará a tentar recuperar o seu corpo.

Todos acenaram e pareciam meio apavorados pela ideia terrível.

— Nos conte como descobriu o aluno e encontrou a Câmara. — Pediu Justin.

— E, matou a basilisco. — Disse Dean de olhos arregalados.

— Eu percebi que um aluno se destacava. — Harry disse. — Ele estava muito tenso, fez algumas coisas incomuns e decidi segui-lo, apenas para ter certeza. Para minha surpresa, ele me levou direto a entrada da Câmara e, quando me dei conta, o ouvi conversando com a basilisco. Depois disso, chamei os dois e Flitwick que, infelizmente, não pode vir até nós em tempo. Seguimos o aluno e descemos até a Câmara, onde nos escondemos, ela é enorme, então, não tivemos problemas com isso. Esperamos Voldemort sair e matamos a Fr... a basilisco, com os galos e a adaga, logo depois, o professor chegou e montamos uma armadilha para Voldemort. Esperamos até ele voltar a descer até a Câmara e conseguimos vencê-lo e expulsá-lo mais uma vez.

— Oh, aposto que fui muito mais emocionante que isso. — Disse Seamus sorrindo. — Nos conte mais detalhes!

— Isso não é uma aventura, Seamus. — Disse Neville irritado. — Pessoas estão petrificadas, ausentes dessa reunião, alias. Descobrimos que na primeira vez que a Câmara foi aberta por Voldemort, que era estudante aqui, uma garota morreu. A fantasma do banheiro, Myrtle, foi assassinada por Voldemort e nunca descobriram o que ele fez. Pior, Hagrid levou a culpa, apenas porque foi visto com alguns dos seus animais perigosos e acabou expulso, teria sido preso se Dumbledore não interferisse.

Todos arregalaram os olhos chocados.

— Vocês precisam entender que o que aconteceu no ano passado e esse ano, não é uma simples aventura emocionante. — Harry disse suavemente. — Estamos em guerra e, se tiver que lutar a cada ano para que Voldemort não recupere o seu corpo, eu lutarei. Se quiserem ajudar, precisam mostrar que entendem a gravidade disso e que estão dispostos a fazer mais. No entanto, esse é um assunto para outro momento, o que quero conversar com vocês são outras coisas. Antes, volto a frisar a importância do sigilo...

— Porque isso? — Ron o interrompeu. — Quer dizer, você não gostaria que todos soubessem o que você fez? Que é um herói? Ser famoso?

— Não. — Harry respondeu secamente. — Não tenho motivos para comemorar, como disse o Neville e, a única coisa boa em tudo isso, é que o aluno está bem e... ninguém morreu. — Ele desviou o olhar levemente tentando apagar a imagem do rosto de Lockhart da mente. — E, o motivo principal para que as pessoas não saibam a verdade, é porque eu quero que elas me subestimem. Quero que me vejam como um garoto de 12 anos fraco e não se preparem muito para tentarem me matar, pois assim, falharão.

— Isso é inteligente. — Disse Trevor acenando.

— Sim, mas, você fala como que esperasse montes de bruxos tentando te matar. — Disse Parvati preocupada.

— Bem, eu contei a vocês o que aconteceu nos últimos dois anos e, ao contrário do resto do mundo bruxo, sabemos que Voldemort está vivo e tentando se recuperar. — Disse Harry dando de ombros. — Quando isso acontecer, ele terá muitos comensais da morte livres, prontos para seguirem as suas ordens e quem vocês acham que eles tentarão matar primeiro?

— Você. — Disse Scheyla de olhos arregalados. — Harry...

— E, é por isso que estou treinando. — Harry suspirou se sentindo mais velho que todos os presentes, apesar de ser, provavelmente, o mais jovem, com exceção da Ginny. — Eu estou treinando e é por isso que posso matar um basilisco, na verdade, lembro-me de lhes aconselhar a treinarem mais Defesa e se prepararem para o que está por vir.

Harry viu algumas expressões constrangidas.

— Mas, tivemos um professor terrível! — Mandy protestou chateada. — Devemos estar muito atrasados.

— Sim. — Terry respondeu. — Mas, vocês podem estudar sozinhos, nós fazemos isso e não somos tão bons em Defesa como o Harry, mas, não estamos atrasados.

— A AP prometeu que em breve teremos um bom professor. — Disse Penny séria. — Eles sabem das reclamações sobre o Lockhart e, com sua fuga, encontrar alguém se tornou ainda mais urgente. O problema é que não é um cargo fácil de se preencher, porque existe um boato de que ele foi amaldiçoado.

— O que? — Harry se mostrou confuso.

— Sim, nós ouvimos sobre isso. — George disse e vários alunos acenaram. — Tem uns 25 anos que nenhum professor dura mais que um ano, ou ele morre ou desaparece, se demite ou algo assim.

— Eu não sabia disso. — Terry franziu o cenho. — Por isso ninguém quer o cargo?

— Sim. — Respondeu Penny. — A AP e o Conselho estão tentando encontrar um professor estrangeiro que aceite trabalhar aqui em Hogwarts.

— Bem, mas não existe uma maneira de se descobrir se realmente existe uma maldição e quebrá-la? — Susan disse exasperada. — Se for verdade, o próximo professor não dura mais que um ano outra vez.

Ninguém respondeu e Harry trocou um sorriso com Terry e Neville. Nestas horas, a ausência da Hermione ficava mais evidente, ela já estaria planejando pesquisar sobre o assunto assim que ele surgisse.

— Olha, vamos nos concentrar no motivo pelo qual eu lhes chamei aqui. — Harry disse e recebeu vários acenos. — Vocês já sabem o que aconteceu, porque é importante manter o sigilo e que devem começar a treinar por si mesmos ao em vez de esperarem por um professor. Seguindo em frente, temos outro problema que é urgente agora e preciso da ajuda de vocês. Primeiro, quem de vocês conhece e já começou a aprender oclumência?

Michael, Padma, Parvati, MacMillan e Susan ergueram o braço e o número pequeno desconcertou o Harry.

— Pensei que haveriam mais de vocês. — Ele disse confuso.

— O que é oclumência? — Perguntou Owen que estava sentado ao lado do Zane e Hunter.

— Deixa que eu explico. — Disse Terry e rapidamente explicou a todos que ainda não sabiam, o que era e sua importância.

— Lembro-me de vocês comentando sobre isso quando discutíamos os privilégios dos alunos puros. — Disse Penny pensativa. — Por falar nisso, as invasões das aulas extras dos 6º e 7º anos estão correndo perfeitamente.

— Isso é bom. — Harry disse. — Já são dois anos e ninguém tentou nos barrar ou pareceu perceber alguma coisa. E, é sobre isso que quero falar. Está na hora de nos infiltramos no Ministério e Suprema Corte, assim, como nos infiltramos em Hogwarts. Aqui, graças aos nossos movimentos, as aulas, a biblioteca, áreas comuns, corredores, vem melhorando pouco a pouco.

— E, nem tivemos que fazer muito. — Disse Penny sorrindo. — Apenas nos unimos, mantivemos o segredo, protestamos e ajudamos alguns adultos dispostos a nos apoiar. O que você está planejando agora, chefe?

Harry sorriu para a sua piscadela que ninguém, além de Neville e Terry, entenderam.

— Bem, além do absurdo das atitudes aqui em Hogwarts, sabemos que o Ministro tem feito um péssimo trabalho ao cuidar do nosso mundo. As demissões feitas por causa da crise financeira foram desumanas, se não fosse a GER ou as Fazendas Potters contratando, o Natal de montes de famílias teriam sido terríveis. — Disse Harry.

— Harry. — Susan falou suavemente e Harry acenou para que ela continuasse.

— Bem, minha tia é a Chefe do Departamento de Leis e explicou para minha família que o Ministro criou uma Secretaria de Cortes das Despesas do Ministério. A intenção era encontrar maneiras de economizar, afinal, as multas e indenizações causaram a quase falência do Ministério. — Explicou Susan objetivamente. — No entanto, minha tia ficou muito zangada com a pessoa que ele colocou no comando da Secretaria, Madame Umbridge, que decidiu cortar dezenas de empregos e os salários dos funcionários que continuaram, além de acabar com as horas extras. Umbridge despediu todos os funcionários nascidos trouxas e muitos mestiços, cortou os salários e horas extras de todos os mestiços e alguns puros de família sem importância. Minha tia também disse que os funcionários que ficaram em vários dos departamentos são muito incompetentes porque, normalmente, apenas davam ordens aos seus subordinados e que seus salários, por serem puros, não foram cortados. E, eles têm os salários mais altos no Ministério.

As exclamações de indignação foram ouvidas por todo o Covil.

— Isso não me surpreende. — Disse Harry sombrio. — Essa Madame Umbridge é quem criou o Pacote de Leis Anti-Lobisomem e com o que aconteceu na Travessa, sei que sua intenção é exigir que leis mais duras sejam criadas contra eles. Inclusive a recriação dos acampamentos de concentração para mantê-los trancados.

— O que? — Lisa ficou pálida e indignada, Dean tinha uma expressão raivosa.

— Isso é um absurdo! — Disse ele.

— Sim, realmente é e, neste momento, não podemos impedir e precisamos mudar isso. — Disse Harry seriamente. — A Suprema Corte tem 50 membros e cada um deles tem filhos ou netos estudando aqui em Hogwarts. Cada um deles, os que não são puristas declarados, claro, serão abordados por meus guardiões e nós faremos o mesmo aqui, em Hogwarts, com seus filhos e netos.

— E o que falaremos a eles? — Megan perguntou tímida.

— Vamos conhecê-los, descobrir se são puristas ou não e, aqueles que não forem, explicaremos nossos planos, projetos e os convidaremos a fazer parte. Nos tornaremos os seus amigos e lhe pediremos para convencer seus pais e avós a nos apoiar. — Harry explicou.

— Mas, não seria errado sermos amigos deles por interesse? — Perguntou Justin meio contrariado.

— Não mentiremos para ninguém. — Harry disse suavemente.

— Além disso, todos somos amigos dos nossos amigos por interesse. — Disse Tracy divertida. — Eu sou a amiga da Daphne porque ela é tão fria e dura, afasta qualquer um que queira ser idiota conosco na nossa casa. Acreditem, não é porque ela é engraçada que somos amigas.

Isso provocou risos meios contidos.

— O que a Tracy quer dizer é que, além de afeto, relações de amizades também tem interesses egoístas ou então, todos seriamos amigos de todo mundo. — Daphne disse friamente. — Mas, Harry, você deve se lembrar que em um jogo desse, o outro lado também tem interesses, precisamos estar dispostos a dar o que eles querem.

— Exato. — Harry disse sorrindo. — Eu já tinha pensado nisso. Meus negócios estão indo muito bem e crescendo. Vocês têm pais que tem suas próprias empresas e os membros da Suprema Corte tem a deles. Os meus adultos, fora de Hogwarts, tentarão descobrir como se aproximar e o que cada um deles precisa, podemos fazer o mesmo aqui.

— Você quer comprar seus apoios? — Ron perguntou com o cenho franzido.

— Não! — Harry suspirou irritado.

— Se trata de uma forma de socializar, Weasley. — Michael explicou. — Você se aproxima e faz amizade, oferece sociedade, serviços ou se torna cliente. Você pode fazer isso de muitas maneiras, por exemplo, ir a uma festa e conversar com diversas pessoas diferentes, ser engraçado, gentil e não esquecível, assim, se um dia, aquela pessoa precisa de um advogado, como o meu pai, ela se lembrará dele.

— Isso. — Harry acenou. — Não se trata de comprar apoio ou votos, pressionar ou ameaçar e não vamos mentir. Faremos amizades com essas pessoas e diremos a verdade, não vamos fingir sermos amigos porque queremos a sua ajuda. Não quero fazer nada imoral ou antiético.

— No entanto, precisamos fazer alguma coisa. O lado purista é muito unido, porque tem uma bandeira. — Disse Terry. — Essa bandeira é a discriminação e o desejo que nascidos trouxas e mestiços sejam expulsos ou não tenham os mesmos direitos que os puros. Nós, nascidos trouxas, mestiços e puros não puristas, não concordamos, mas não nos unimos para mudar nada. Seja na política ou nas leis, tudo continua como sempre foi e são os puros que mantêm os privilégios.

— Eu acho uma boa ideia, na teoria. — Daphne disse. — Mas, você sabe que nós não poderemos ajudar, pois estaríamos nos colocando em risco em nossa casa. E, eu particularmente não posso tentar influenciar o meu pai, pois, apesar de declaradamente neutro, ele preferiria apoiar os puristas do que nós.

— Eu sei disso Daphne e entendo. Eu te chamei aqui, para que acompanhem as nossas ações e para que nos ajude com estratégias. — Harry acenou para o Terry. — Aqui está a lista com os nomes dos 50 membros da Suprema Corte. Acredito que você e outros puros, devam conhecer seus sobrenomes e se têm um filho ou neto aqui na escola. Precisamos descobrir quem eles são, dividir os alvos entre nós e pesquisá-los, observá-los, para decidir como nos aproximaremos de cada um deles. Por exemplo, Allen Finley, que é capitão do time de quadribol da Hufflepuff, seu avô é um membro da Suprema Corte, Albert Finley.

— Eu conheço o Allen. — Disse Trevor dividindo uma lista com a Penny. — Ele é um cara legal.

— Bem, seu avô deu uma declaração muito legal logo depois do ataque ao Beco Diagonal. — Disse Harry. — Ele disse que quer criar mais leis contra a discriminação e que espera o apoio de seus colegas.

— Isso seria incrível! — Penny disse ansiosa. — Se os atos de discriminação se tornarem crime, teremos um avanço incrível! Mesmo os salários discrepantes podem ser denunciados e as condições de trabalho poderiam ser melhoradas.

— Sabemos que Finley não é purista e podemos nos aproximar de Allen, ainda que seu avô não parece precisar de incentivo. — Disse Harry pensativo.

— Ainda, podemos criar uma rede de informações e conhecimento, esses alunos não devem ficar alienados da verdade de como é o mundo. — Disse Terry. — Assim como vocês ouviram a verdade e estão dispostos a ajudar, se espalharmos mais e mais os fatos, haverá mais pessoas querendo participar desta corrente.

— Acho isso muito legal e quero ajudar. — Disse Mandy. — O que fazemos?

— Primeiro, quem sabe se existem alunos com esses sobrenomes na escola? — Harry perguntou olhando para os colegas puros.

— Eu conheço... talvez 22 sobrenomes que com certeza estão aqui, mas, 6... não, 8, são puristas ou neutros. — Disse Daphne e disse o nome de cada um.

Terry se levantou e usando um marcador já preparado escreveu o nome e casa que ela mencionou, grifando aqueles puristas e colocando um asterisco nos neutros.

— Acredito que os neutros não devam ser descartados completamente, podemos descobrir mais e, quem sabe, eles estejam dispostos a influenciar seus pais. — Harry disse. — Mais alguém?

— Sim. — Michael disse. — Tem mais 6 que eu conheço, além do que a Daphne falou. — E falou os seus nomes.

— Eu conheço mais 4. — Acrescentou MacMillan.

— Hum... — Susan olhou para a lista e os nomes ditos. — Acho que só faltou o Parkinson, mas o idiota se colocou na cadeia, assim, não conta. Soube que Everett ficou com a vaga, mas ele não tem nenhuma criança em Hogwarts.

— Ok, são 32 de 50, mas, 5 são puristas e 6 são neutros. — Terry disse. — São 21 alunos, é um número muito bom, até porque, sabemos que os 29 que sobraram não são todos puristas, eles apenas não têm crianças em Hogwarts.

— Se conseguirmos que seus pais e avós concordem com as mudanças de leis será um grande passo. — Harry disse. — Venceremos essa guerra sem precisar pegar em armas, apenas com inteligência e criatividade.

— Traremos todos aqui e contaremos a realidade? Pediremos ajuda? — Perguntou Lisa.

— Hum, acredito que isso exige mais sutileza. — Harry falou pensativo. — Pensei em descobrir primeiro suas opiniões e ações em relação aos nascidos trouxas. Seria terrível trazer aqui alguém como Melrose.

Alguns resmungos foram ouvidos do seu time.

— Ou o Zacharias Smith. — Disse Hannah com uma careta que muitos imitaram.

— Acredito que a sutileza é importante. — Daphne acrescentou. — Depois de observarmos e descobrirmos suas crenças, devemos nos aproximar deles em dois ou três. Conversar e comentar sobre o ataque no Beco, por exemplo, ou as demissões do Ministério, observar suas reações e opiniões. Depois, diremos como Harry Potter está tentando convencer a Suprema Corte a aprovar leis mais justas, proteger os discriminados e influenciar o Ministério a pagar salários iguais a todos.

— Espere, precisamos dizer isso? Quer dizer... — Harry estava desconcertado.

— Potter, quem você acha que pode motivá-los a se envolver? Weasley? — Daphne disse sincera. — Será o seu nome que os farão olhar com interesse e se engajarem. E, se os seus adultos se envolverem e, acredito que inclui Sirius Black, um sobrenome importante, tornará esse plano ainda mais possível de ter sucesso. Quando esses alunos ouvirem que você se importa, que quer apoiar essas mudanças e pretende, junto com Black, lutar por isso, eles ouvirão com mais atenção, contarão aos seus pais que também estarão mais atentos e refletirão se devem ou não ir contra Harry Potter.

— Ela está certa. — Disse Michael. — Meu pai é um elitista e os sobrenomes Black e Potter, o faria se engajar na causa facilmente, ainda que ele tentasse aparentar neutralidade para não desagradar o outro lado.

— Esse é um problema. — Disse MacMillan. — Se tornar um apoiador de Potter, o torna inimigo dos puristas e isso pode ser perigoso ou trazer prejuízos às empresas.

— Bem, primeiro, eu entendo que meu nome possa atrair um maior interesse inicial, mas, precisamos focar em nossa bandeira. — Disse Harry firmemente. — Não serei para a nossa causa o que era Voldemort para a deles! Todos podemos liderar, aqui e lá fora, todos podemos inspirar os outros se acreditarmos na verdade do que dissermos. Assim, não quero ninguém pensando ou dizendo que as pessoas devem seguir ou se tornar um apoiador de Harry Potter, quero que digam que devemos ser apoiadores da justiça e igualdade. — Todos acenaram de olhos meio arregalados ou sorrindo ao ouvirem suas palavras veementes. — Segundo, perigos haverão enquanto tipos como Malfoy estiverem livres para circular livremente e atacar covardemente qualquer um que queira tirar do seu caminho. Por isso é tão importante tirarmos o poder político e legal desses puros puristas. Terceiro, sobre prejuízos econômicos, é aí que entra os meus negócios ou os do meu padrinho. Se alguém que apoiar a nossa causa sofrer alguma retaliação em seus negócios, nós os ajudaremos com sociedade, matérias primas ou até empréstimos.

— Essa é uma excelente ideia. — Susan disse sorrindo. — Harry, se você tirar o poder econômico dessas famílias puras antigas, muito do seu poder no Ministério ou Suprema Corte diminuirá.

— Exatamente o que eu pensei e já tenho alguns planos em andamento para Malfoy. — Harry sorriu com malícia. — Acredito que ele tem que pagar pelo que fez aqui e na Travessa.

— O que?

— Na Travessa?

— Mas pensei que tinha sido os lobisomens que tentaram invadir e tomar o lugar. — Disse Michael surpreso.

— Michael, espero que não pretenda passar essas informações para o seu pai se beneficiar. É importante mantermos o sigilo, pois poderiam prejudicar muitas pessoas. — Disse Harry muito sério.

— Não se preocupe, Harry, eu acredito e prezo o que estamos tentando fazer e não concordo com meus pais, além disso, ele já tem muito dinheiro. — Disse Michael sincero.

— Bem, eu não posso dar detalhes, pois são informações sigilosas, mas posso lhes dizer que o que aconteceu na Travessa foi uma armadilha. — Harry disse com uma careta. — Meu padrinho esteve comprando muitos imóveis na Travessa.

— Nós soubemos disso, fez muito o jornal essa notícia, dizia que ele retomaria os antigos negócios dos Blacks. — Disse Tracy ironicamente.

— Meu padrinho nunca foi um Black verdadeiro, era um Gryffindor, melhor amigo de um Potter, meu padrinho. Pensem por um momento, vocês acreditam que meus pais escolheriam ele para ser o meu padrinho se Sirius não fosse de confiança? — Harry perguntou e muitos arregalaram os olhos.

— Mas... então porque prenderam ele se era óbvio que não poderia ser culpado? — Perguntou Megan confusa.

— Pelo mesmo motivo que meu pai e o do Dean foram assassinados. O Ministério é uma bagunça que perpetua a discriminação da nossa sociedade e fazem isso legalmente. — Disse Lisa com raiva.

— Exatamente. No caso do meu padrinho, o péssimo trabalho dos aurores e a desumanidade da Ministra, foi acompanhada da discriminação por seu sobrenome. Bem, retomando, quando os aurores não aceitaram o Sirius para o treinamento auror, que era o seu sonho quando jovem, ele decidiu seguir os passos de seu tio... — Harry explicou sobre os negócios e a herança que Sirius recebeu. — Ele teve a ideia quando a Travessa foi invadida pelos aurores, comprar os prédios, reformá-los e vender para a GER construir lojas. Sirius também queria fazer uma boate no estilo trouxa, ele ama coisas trouxas.

— Uau! Uma boate! — Mandy exclamou e ao ver os olhares confusos dos puristas lhes explicou o que era.

— E, podemos ir e dançar por horas e horas? — Daphne perguntou, pois adorava as aulas de ginástica e dança da professora Charlie.

— Sim! É maravilhoso! Toca todos os tipos de música para dançar, claro, e as luzes, todo mundo na pista. Uma energia de tirar o fôlego! — Mandy explicou sorridente.

— Como sabe disso? — Morag perguntou curiosa.

— Oh! Eu fugi com uma prima minha até uma boate quando estávamos de férias em Porto Rico. — Disse ela com sotaque espanhol. — Nós apenas espiamos e foi incrível, claro que não podíamos entrar, o segurança nunca permitiria, mas só de ver de fora, foi incrível.

— Ele ainda pretende fazer isso, Harry. Seu padrinho ainda fará essa boate? — Tracy perguntou ansiosa.

— Sim, mas agora, por causa da demora de se resolver as questões da Travessa, ele decidiu construí-la em outro lugar. — Harry disse sorrindo. — Ele comprou o Caldeirão Furado em sociedade com o dono da GER e reformará o lugar transformando-o na Boate Black.

Houve alguns gritos de comemoração e palmas, mas Harry viu a expressão triste de Hannah.

— Sinto muito, Hannah, pelo que aconteceu com o seu tio e pelas mudanças no Caldeirão. — Disse Harry e todos ficaram sério.

— Tudo bem, Harry. — Ela disse dando de ombros. — Quem matou meu tio avô foram aqueles loucos e foi o meu pai quem decidiu vender o Pub. Minha mãe e eu pedimos que ele não vendesse, poderíamos reformar e assumir o lugar, quer dizer, seria um ótimo lugar para trabalhar nas férias de verão e tio Tom me prometeu deixar o Pub de herança... — Hannah percebeu que estava falando demais e corou constrangida. — Desculpe, hum... fico feliz por seu padrinho, essa boate parece que vai ser bem legal.

— Bem, se no futuro você decidir abrir um Pub, pode procurar o dono da GER, tenho certeza que ele ficará feliz em te ajudar. — Disse Neville sorrindo.

— Eu concordo. — Disse Harry tentando disfarçar o sorriso. — Agora, voltando aos planos do Sirius, sua ideia era ganhar dinheiro e gerar mais empregos, transformar a Travessa no que é o Beco hoje. Na sexta passada, ele tinha um encontro com alguns donos de prédios, queria convencê-los a vender, mas ele descobriu que os donos eram os lobisomens e que todos queriam sociedade.

— Como eles poderiam ser os donos se o Ministério não permite que os lobisomens tenham propriedade? — Perguntou Penny surpresa.

— Eles estavam na Travessa do Tranco, o lugar nunca foi cuidado pelo Ministério, muito menos o fundão, mais conhecido como Chiqueiro. — Explicou Terry. — Pelo que Sirius contou ao Harry, os lobisomens se aproveitaram do caos no fim da última guerra, quando todos fugiam desesperado depois do desaparecimento de Voldemort, para assumir o lugar. Havia uma entrada no paredão do fundo e seus clientes eram lobisomens, em sua maioria.

— O fato é, que eles souberam dos planos do Sirius para renovar o lugar, ainda que houve um boato de que meu padrinho manteria negócios escusos por traz dos negócios de fachada, mas isso é mentira. Então, Sirius disse que concordava com a sociedade, desde que não cometessem mais crimes. — Disse Harry fazendo algumas alterações para não envolver a Operação dos aurores.

— E eles concordaram? — Dean perguntou ansioso.

— Na mesma hora. — Harry sorriu. — Na verdade, eles só queriam um meio de subsistência para alimentar suas matilhas que estão passando fome no inverno. No entanto, nem todos eram bons ou concordavam com um trabalho que renderia um salário ou uma porcentagem sobre os lucros. Sirius não sabia, mas um dos líderes, Todd Egan havia feito um acordo com Greyback e Malfoy...

— O que? — As expressões de choque nas crianças puristas exigiu uma explicação sobre quem era Greyback. Terry rapidamente resumiu sua história e todos empalideceram. — Assim, o plano do Malfoy era matar o Sirius para conseguir colocar a mão em sua herança e fez um acordo com Greyback, mas, ele e Egan o traíram oferecendo sociedade ao Sirius.

— Uau... — Sussurraram, alguns chocados ou enojados com tudo que ouviam.

— Então, Sirius disse que aceitaria sociedade com Egan, T e Gun, mas não Greyback, por tudo o que contamos sobre ele. — Harry continuou. — Mas, Egan e Greyback tinham seu próprio acordo, se Sirius dissesse não, eles o matariam e aceitariam o acordo com o Malfoy. Além disso, eles tiveram essa ideia brilhante de invadir outros prédios da Travessa e aumentar seus territórios, mas, a Travessa estava sendo observada e, se eles fossem apenas dois ou três, talvez, não chamassem a atenção. No entanto, mais de 50 bruxos atraíram os vigias, que chamaram os aurores, inclusive os que estavam aqui em Hogwarts e eles começaram uma batalha. Egan quase matou o Sirius com sua espada. E, instigou os seus homens a atacar os aurores, Greyback e Malfoy fugiram, T, Gun e seus homens lutaram desesperadamente para fugirem, pois não queriam invadir nada. No fim, alguns dos lobisomens da matilha do Gun foram presos.

— E, agora os aurores estão perseguindo os lobisomens e pretendem endurecer as leis? Mas, isso é muito injusto. — Disse Lisa indignada.

— Pelo que entendi, as ordens são para não prender ninguém que não for comprovadamente um dos que estiveram na Travessa, mas, os aurores farão batidas, atormentarão e perseguirão os lobisomens e temo que eles os maltratem ou prendam e os obrigue a confessar. — Harry disse. — No mundo trouxa isso acontece e sabemos que aqui o sistema não é muito confiável. Além disso, temos essa Umbridge com suas leis ficando mais rígidas e tudo isso por causa do Malfoy, Greyback e Egan. Os três escaparam da justiça, infelizmente e não podemos fazer nada, mas podemos ajudar os lobisomens.

— Você tem uma ideia de como podemos protegê-los? — Dean perguntou ansioso.

— Alguns sim, tenho um plano e preciso que entendam a gravidade do que vou lhes contar. — Harry disse e acenou para Terry que moveu a varinha para ter certeza que não seriam ouvidos. — Se o Ministério descobrisse o que pretendemos fazer, tentaria no impedir ou pior.

Todos acenaram percebendo a gravidade da situação e Harry explicou sobre a ilha, sem dar a localização ou o nome.

— Você criará um lar para eles? Com casa, trabalho e escola? — Perguntou Scheyla de olhos arregalados.

— Sim. Tenho pessoas entrando em contato com a comunidade lobisomem e tentando convencê-los a aceitar a nossa ajuda. Se isso acontecer, nas próximas semanas, eles poderão se mudar para a Ilha dos Lobos e começar a reconstruir as cabanas, iniciar as plantações e criar os animais. Estarão escondidos e protegidos do Ministério e de Voldemort, quando ele voltar. — Harry disse ignorando os olhares de espanto. — Eles querem se encontrar com o dono da Ilha para ter certeza que não é uma brincadeira ou alguém tentando machucá-los, assim, quando me reunir com eles, espero convencê-los.

— Precisamos também nos juntar para apoiá-los. — Disse Terry suavemente. — Pensamos bastante e sabemos que eles são muito orgulhosos e não aceitam caridade. No entanto, precisamos pensar em maneiras de ajudá-los, talvez doando roupas, livros e objetos essenciais que não usamos mais. As matilhas têm muitas crianças e podemos doar brinquedos também. Assim, pensamos em coordenar entre nós um grupo para organizar o recolhimento desses produtos.

— Como não queremos que chamem de caridade, pensamos em criar uma espécie de grupo de apoio dos alunos de Hogwarts para os alunos da Escola Stronghold. — Neville falou. — Talvez uma espécie de bem-vindos.

— Essa é uma grande ideia! — Penny disse animada. — Podemos chamar de Comitê dos Alunos, passaremos com cuidado entre os alunos de toda a escola, pedindo doações, não podemos falar sobre a Ilha, mas diremos que é para o Orfanato dos Abortos ou crianças com renda baixa. Então, enviamos como um presente de boas-vindas aos novos moradores da Ilha Lobo.

— Quando verem que são presentes para as crianças estudarem, brincarem e se vestirem, os adultos não recusarão, principalmente, porque veio de outras crianças. — Disse Claire, artilheira do time reserva. — Isso é um bom plano.

— Harry, deixe que cuidamos disso, se for feito pelos alunos mais velhos e uma monitora, tem mais chances de recebermos mais doações. — Disse Penny ansiosa por começar.

— Ok. Temos também que passar, com sutileza, a verdade do que aconteceu na Travessa naquela noite, para que os membros da Suprema Corte recebam essas informações dos seus filhos e netos. Se eles souberem que os lobisomens são inocentes, talvez não votem para endurecer as leis. — Harry pensativo. — Daphne, você poderia dar algumas dicas de como cada um deve agir e qual a melhor maneira de abordar os alunos?

Daphne concordou e lhes aconselhou sobre como agir com as crianças de famílias mágicas antigas. Todos ouviram com atenção e alguns anotaram.

— Eu tentarei me aproximar de alguns desses nomes neutros que estão na Slytherin, mas, posso lhes dizer que a maioria não se envolverá. Neutralidade é algo ensinado desde o berço e muitas vezes esconde a verdade sobre o que pensam. — Disse ela sem emoção.

— Bem, como dividimos isso? Quem se aproxima de quem? — Perguntou Mandy.

Rapidamente, eles dividiram entre si os alunos, combinando que casa e faixa etária eram os melhores critérios ou seria estranho se aproximar deles.

— Mas, lembrem-se. — Daphne reforçou. — Observem primeiro com atenção e procurem a melhor abordagem. Harry, acredito que esse movimento deveria seguir na direção dos filhos de funcionários do Ministério, principalmente os Chefes de Departamentos.

— Eu concordo. — Harry disse. — Cedric, por exemplo, seu pai é o Chefe do Departamento de Regulação e Controle das Criaturas Mágicas. Eu pretendo falar com ele pessoalmente e ver se consigo que converse com o seu pai e tente influenciá-lo a não maltratar os lobisomens. Mas, não falarei sobre a Ilha ou nossos planos, precisamos ter certeza de que eles estão engajados 100% para confiar neles com essas informações vitais.

— Isso é importante. — Neville complementou. — Não adianta parecerem concordar, eles têm que estar dispostos a se envolver e manter segredos, como nós. Se apenas mostrarem simpatia, não podem ser confiados com informações importantes e confidenciais.

— Pessoal, isso é muito importante, estou confiando na seriedade de todos porque acredito em vocês e porque sei muito bem que não posso fazer todas essas mudanças sem ajuda. E, porque sei que todos aqui se importam. — Harry disse os encarando seriamente, todos acenaram e endireitaram as posturas tentando mostrar a verdade de suas palavras.

— Não se preocupe, Harry, nós faremos a nossa parte. — Disse Penny olhando em volta com um sorriso de incentivo. — Existe mais alguma coisa que podemos fazer?

— Creio que era isso. — Harry disse pensativo. — Apenas quero dizer que podem vir conversar com qualquer um de nós quando precisarem ou tiverem ideias. Boa noite, pessoal.

Aos poucos todos foram se despedindo, Harry sinalizou para que Dean e Lisa ficassem, ao mesmo tempo, Owen se aproximou junto com Zane, que parecia incentivá-lo.

— Owen, tudo certo? — Harry perguntou enquanto viu Dean e Lisa começarem a conversar com Terry. Ginny também ficou e conversava com Neville.

— Hum... sim, bem... veja, Harry... — O garoto gaguejou constrangido.

— Olha, seja o que for, pode falar, sem problemas. — Disse Harry calmo.

— Bem, Zane me disse que você está contratando o avô dele para trabalhar em sua fazenda em Kenmare. — Disse Owen timidamente.

— Sim... quer dizer, minha fazenda, Hallanon, esteve fechada desde a morte dos meus pais. Minha tia Trissie, mãe da Scheyla, é a dona da fazenda vizinha, a Hallanon II, vocês já sabem disso. — Harry disse suavemente. — Decidimos unir as fazendas, como deveria ser, e reativá-la. O avô de Zane era o antigo administrador de Hallanon e por isso pensamos que se ele tivesse interesse, seria incrível tê-lo para nos ajudar com essa empreitada. Bem, mas porque está me perguntando?

— É... bem, meus pais trabalham em uma Fábrica em Cork por uma miséria, sabe... — Ele disse hesitante. — Com a mensalidade de Hogwarts, ainda que esteja melhor agora, mais o aluguel e os gastos com alimentos e roupas... Resumindo, temos muito pouco, mas está tudo bem, vamos indo, eu comecei a trabalhar durante o verão e a grana que ganhei ajudou a comprar os meus materiais escolares este ano.

— Sim, você vendeu objetos de madeira que construiu, certo? — Harry se lembrou que essa era sua intenção ao fazer as aulas de Carpintaria Mágica.

— Sim, eu fiz objetos pequenos de decoração, pois, sem magia era muito difícil e custoso construir móveis. Ainda assim, vendi muito bem em uma feira livre lá em Cork. — Disse Owen sorrindo, depois, seu sorriso morreu. — Bem, como disse, estávamos indo bem, Harry e, em outras circunstâncias, eu jamais pensaria em te incomodar, mas, minha irmã... Bree, Brianna, mas a chamamos de Bree.

— Aconteceu algo com ela? — Harry perguntou preocupado.

— Ela tem problemas respiratórios, bronquite, já teve pneumonia 4 vezes e agora seu quadro evoluiu para bronquite asmática. — Disse Owen tenso.

— Sinto muito. Há algo que eu possa fazer? — Harry o questionou.

— Os médicos disseram que o seu quadro piora cada vez mais por causa da poluição. — Explicou Owen. — Vivemos em um bairro pobre, claro, perto da área industrial de Cork que emitem muitos poluentes no ar e, por isso, Bree fica cada vez pior. Meus pais me enviaram uma carta dizendo que ela pegou mais uma gripe na escola, sabe, algo comum de acontecer no fim do inverno.

— E, ela está bem? — Harry questionou tentando entender onde Owen queria chegar.

— Não, ela está no hospital com mais uma pneumonia e os médicos disseram que, se ela sobreviver dessa vez, pode não ter uma próxima. — Owen parecia que queria chorar. — Zane disse... — Respirando fundo, ele continuou. — Zane disse que podemos ir viver com ele e o avô, Scheyla disse que somos muito bem-vindos, principalmente agora que ela e a família viverão em uma casa enorme. O ar puro fará muito bem a Bree e minha família já sabe sobre magia, assim, acredito que o Estatuto não seria um problema.

— Concordo. — Harry disse positivo. — Você está me pedindo permissão? Porque se for isso, nem precisava, se o avô de Zane e tia Trissie não se importam, eu jamais colocaria empecilhos, pelo contrário.

— Não, Harry, você vê. — Owen pareceu ficar constrangido outra vez. — Como no caso dos lobisomens, nós não aceitamos caridade e Zane já tinha me dito que você ou a Scheyla me ajudariam com isso, mas, só ao ouvir você dizer isso, sabe, que precisamos respeitar os lobisomens, tomei coragem.

— Ok? — Harry o incentivou.

— Eu queria saber se existe a possibilidade de a fazenda contratar os meus pais ou ao menos um deles para trabalhar. — Owen disse e ficou vermelho. — Sei que meus pais aceitariam a ajuda e a mudança melhor se pudessem trabalhar, sem caridade. Entende?

Claro que entendo. — Harry disse e franziu o cenho. — Apesar de dono, eu não estou participando ou tenho conhecimento de todos os trabalhos que existem na Fazenda. Scheyla, na verdade, saberia mais do que eu, mas tenho certeza que encontraremos um trabalho para os dois. Algo que não envolva o uso da magia, claro, e quanto a espaço, acredite, isso é o que não falta em Hallanon. Diga-me, sua irmã é trouxa?

— Sim. — Owen disse. — Isso é um problema?

— Não, apenas, acho que talvez o Terry poderia ajudar que ela tivesse um tratamento melhor, sua tia é pediatra e existe uma clínica clandestina que usa métodos trouxas e mágicos para tratamentos. — Explicou o Harry, antes de chamar mais alto. — Terry?

— Isso existe? Uma clínica que faz isso? — Owen parecia chocado.

— Sim, mas eles trabalham escondidos do Ministério e...

— O que foi? — Terry se aproximou.

— Eu estava contando ao Owen que você pode ajudá-lo, pois sua irmã está muito doente. — Harry explicou rapidamente, depois, deixou Terry contar sobre a clínica e foi conversar com Dean e Lisa. — Tenho uma missão diferente para vocês dois.

— O que é, Harry? — Lisa questionou curiosa.

— Bem, eu terei uma reunião com alguns lobisomens em breve e espero convencê-los das nossas boas intenções. Depois, esse grupo entrará em contato com as outras matilhas e grupos, eles são bem respeitados e acredito que suas garantias os farão me ouvir pelo menos. Quem sabe até convencê-los a conhecer a Ilha e verem que é tudo verdade. Acredito que será um processo delicado e lento, mas quero contar com vocês dois para ajudar com os mais difíceis. — Explicou Harry suavemente.

— Claro, mas como podemos ajudar? — Dean perguntou ansioso.

— Vindo a algumas reuniões se necessário e descobrindo se os outros familiares de lobisomens mortos pelo Ministério, gostariam de ajudar. — Harry disse. — Conversem com eles e digam que tem pessoas querendo ajudar a comunidade lobisomem e pergunte que querem fazer parte. Observem, como disse Daphne, se estão sendo sinceros ou, na verdade, são racistas. Acredito que se nos unirmos podemos fazer parte dessa nova vida dos lobisomens.

— Isso seria legal, mas, porque você acha isso importante? — Disse Lisa suavemente.

— Porque, para mim, a Ilha não pode se tornar um instrumento de segregação. Eles podem viver lá, estudar em sua própria escola com outros seres mágicos, mas, também devem podem viver em nosso mundo, trabalhar, ir as lojas do Beco, comer no restaurante, terem amigos ou namorados e coisas assim. — Harry explicou suas ideias. — Seria terrível se eles pensassem que os estamos isolando, prendendo ou afastando de nós, porque os achamos perigosos ou algo do tipo. E, se criamos um grupo de pessoas interessadas em ajudar, podemos ter essa ligação que pode levar professores para a Ilha no futuro ou quem sabe alguém se casando com alguns deles. Faz sentido?

— Claro! A Ilha é um lugar para estarem protegidos e terem um lar, não para afastá-los de nós. — Disse Lisa sorrindo.

— Eu gosto disso. — Dean acenou. — Você disse outros seres mágicos?

— Sim, eu tenho um amigo centauro que está interessado em ser professor na escola e não vejo porque não podemos ter outros seres mágicos estudando lá com os lobisomens. — Harry deu de ombros. — Isso acontecerá com o tempo, acredito.

— Ok, faremos o que nos pediu, Harry. E, se precisar, não me importo de ir as reuniões com os lobisomens. — Disse Dean sincero.

— Eu digo o mesmo. — Lisa acrescentou antes de saírem.

Harry voltou para junto de Terry, Owen e Zane.

— Bem, se você quiser, podemos conversar com a minha mãe e ela entrará em contato com a Clínica Relive e minha tia Elizabeth. — Concluiu Terry. — Harry, você está com o espelho?

— Sim. — Harry tirou do bolso. — Owen, resolva as questões com a saúde da sua irmã e depois diga aos seus pais que o Sr. Falc, pai do Terry, os levarão para Hallanon. Conversarei com ele e tia Trissie sobre o trabalho deles.

— Obrigado, Harry, quer dizer, se não der certo, tudo bem, só de você tentar... — Owen parecia emocionado.

— De nada. E, não se preocupe que dará certo. — Harry se afastou e foi conversar com Neville e Ginny que riam de algo.

— Oi. — Ele disse sorrindo. — Como estão?

— Estávamos falando sobre o fato de que você não quer ser elogiado ou apoiado como um líder, mas, faz coisas incríveis que leva todos a te admirarem e ficarem ansiosos por segui-lo. — Disse Neville divertido.

Harry fez uma careta de constrangimento e Ginny riu da sua expressão.

— Não adianta, Harry, você é um líder e o fato de não ordenar ou exigir nada e sim, pedir, motivar e confiar, mostra que é um dos bons. — Disse Ginny com os olhos brilhando de admiração e diversão. — E, pelo pouco que vi dos que estavam aqui hoje, eles não fazem isso porque você é Harry Potter e sim por você mesmo, sabe, suas ações e palavras.

— Hum... menos mal, eu suponho, mas, a questão é que não quero seguidores, não quero ser aquele que todos olham em busca de salvá-los, de solucionar os problemas ou esperar ordens. — Disse Harry cansado. — O que eu quero são amigos, companheiros de luta que sejam criativos, inteligentes, proativos e que se dediquem a pensar em soluções e aplicá-las. O mundo está cheio de ovelhas seguindo pastores, não precisamos de mais uma geração de alienados.

— Eu concordo. — Disse Neville mais sério agora. — E penso que você está certo em confiar em todos para ajudar, diferente de Dumbledore que se guarda em sua torre e desconfia de todo mundo, ao mesmo tempo que espera que o obedecemos cegamente. No entanto, Harry, é normal que em momentos como esses ou em coisas normais do dia a dia, existam líderes que influenciem as pessoas. É assim que funciona a política e, nesse momento, termos alguém como você, que nos motiva a nos organizarmos e agirmos é muito importante.

— Bem, acho que não posso fugir disso... — Harry disse bagunçando os cabelos timidamente. Ginny riu outra vez, sem poder se conter e Harry a olhou confuso. — O que?

— Apenas, você é tão seguro de si quando está falando com todos, nem parece ter 12 anos, mas, então, se te elogiam ou algo assim, você fica todo tímido e envergonhado. — Disse ela com os olhos castanhos brilhando. — É engraçado e fofo.

— Fofo? — Harry fez uma careta. — Eu não sou fofo, por acaso pareço um filhote ou algo assim? — Ginny riu ainda mais jogando a cabeça para traz. — Você está zombando de mim, não é?

— Sim! Sua expressão é muito divertida, Harry. — Disse ela rindo e Harry não pode se evitar de sorrir diante de seu riso contagiante.

— Bem, pode zombar o quanto quiser, desde que não me chame de fofo, esse título deve ir para o meu filhote, Ffrind. — Disse Harry e Ginny arregalou os olhos.

— Você tem um cachorro? — Ela perguntou e Harry acenou tirando uma carta do bolso.

— Minha tia em enviou essa carta com uma foto dele, para mostrar como Ffrind cresceu. Veja. — Disse o Harry lhe mostrando o filhote que sorria feliz e gentil para a câmara trouxa.

— Oh, meu... Ele é ruivo! — Disse Ginny sem fôlego. — É tão lindo!

— Ele é um Setter irlandês e minha tia Trissie, mãe da Scheyla, o deu para mim de presente de Natal. — Disse Harry sorrindo. — Agora que a basilisco se foi, pretendo trazê-lo para Hogwarts, já estou com muitas saudades.

— Ele é perfeito, Harry, não vejo a hora de conhecê-lo. Eu sempre quis um gato, mas, eles são caros para comprar e manter, assim... — Ela deu de ombros.

— Eu não gosto muito de gatos, Ginny, quando eu era criança... — Harry e Ginny continuarem a conversar sem perceberem que Neville, completamente esquecido, se levantou e foi convidar o Terry para uma partida de xadrez.

Enquanto a semana deles passava com novos planos e ações que gerariam mudanças futuras como uma onda gigantescas de um tsunami, Harry tentou ficar atento a Ginny que parecia bem, mas, algo lhe dizia não era inteiramente verdade. Os dois se tornaram amigos facilmente, sem quaisquer constrangimentos ou dúvidas. Eles falavam de si mesmos e histórias de suas famílias sem hesitações e riam muito juntos ou um do outro quando se provocavam. Ficou claro que eles tinham o mesmo humor sarcástico, Ginny um pouco mais brincalhona e Harry mais mórbido.

Harry ficou surpreso por como a vontade se sentia com ela, nunca, nem mesmo com Terry, ele conseguiu falar de si mesmo, sua história ou sentimentos tão facilmente. Infelizmente, Ginny evitou o assunto do diário e Harry decidiu não pressionar, respeitar que ela falaria quando pudesse, além de confiar que seus chás aos domingos com Flitwick, poderiam ajudá-la.

Além dos novos projetos, os treinos de quadribol voltaram e Harry sentiu feliz em poder voar outra vez. Ele e Ginny combinaram de voar juntos no domingo e os dois estavam ansiosos por isso. Terry e Harry receberam cartas de casa, felizmente, não haviam broncas, apenas palavras de orgulho por suas ações e alívio que todos estavam bem, incluindo o Neville que corou e sorriu com os verdadeiros sentimentos das palavras. Os troféus por serviços prestados a escola com seus nomes foram acrescentados a sala de troféus sem alarde ou pompas e, felizmente, ninguém percebeu nada. Terry era o mais aliviado de que o público em geral não saberia a verdade e estava pronto para seguir em frente, a única coisa que o impedia era a ausência da Hermione.

Ginny, apesar dos pesadelos que a perseguiam durante as noites e do esforço que fazia para não pensar no diário, se sentia melhor a cada dia. Sua magia estava mais forte e os exercícios na Caverna a enchiam de adrenalina e energia, fato que a deixava mais alegre, apesar de tudo. Sua alimentação saudável, feita por Mimy, lhe permitiu ganhar algum peso e seu rosto se mostrava menos fino e a palidez desapareceu.

Era fácil, com Abla e Demelza, manter o astral alto, pois as duas eram muito doces e divertidas. Ainda mais fácil, era rir e se divertir com os gêmeos, que a acolheram e voltaram a ser os irmãos brincalhões e amorosos de sempre. Com Terry, Neville e Harry, Ginny encontrou um novo companheirismo, que vinha do conhecimento mútuo da verdade, das suas compreensões e compaixões, mas também, do fato de que nenhum deles a tratava como uma menininha frágil que precisava de cuidados ou espaço.

Com eles, Ginny se sentia mais à vontade para ser ela mesma, sentia menos vergonha ou culpa pelo que aconteceu, pois era genuíno que nenhum deles a culpavam ou a julgavam fraca. Os gêmeos, às vezes, eram muitos cuidadosos ou preocupados, queriam falar sobre coisas que Ginny não queria falar ou pensar. E, as duas amigas Gryffindors não sabiam de nada, assim, Ginny se sentia melhor em companhia dos três novos amigos. Claro, o fato de ela e Harry gostarem de estar um com o outro, era só um detalhe sem grande importância.

Na manhã de sábado, Ginny recebeu sua varinha e nunca se sentiu mais uma bruxa do que naquele momento. Aliviada e muito grata, sentiu que poderia começar a viver tudo o que a ida a Hogwarts prometia e, ver as vítimas petrificadas acordadas, era o que precisava para ter um pouco de paz.

No sábado à noite, depois de um treino duro com Meistr Flitwick, Harry se lavou e se arrumou antes de vestir sua capa, pegar o mapa e caminhar lentamente até a passagem do Salgueiro Lutador. Ao chegar à casa dos gritos, encontrou Sirius e Falc o esperando com expressões ansiosas.

— Olá. — Disse ele e se engasgou quando Sirius lhe deu um abraço esmagador.

— Que bom ver que está bem. — Disse ele em um sussurro emocionado.

— Ora, você já sabia disso, Sirius, nos falamos no espelho todos esses dias. — Disse Harry meio sem fôlego e recebeu um abraço mais contido de Falc.

— Bem, mas, ver com os meus próprios olhos é muito melhor. — Disse Sirius sorrindo aliviado. — Pronto para isso?

— Sim. — Harry acenou. — Mas, não o esperava, Sr. Falc.

— Surgiu um problema e quando Sirius nos falou desse encontro, pensei que era uma boa ideia conversamos. — Falc disse parecendo cansado. — Lembra-se dos planos do Edgar, de a GER entrar em sociedade com Kabir Clement e seu sócio, para abrir uma fábrica de cosméticos e perfumes aqui na Inglaterra? Gerar empregos e baratear os produtos?

— Sim. Pensei que era uma ideia incrível e espero que dê certo. — Disse Harry curioso.

— Sim, as negociações estão avançando e ao assinarmos o contrato, poderemos partir para a parte prática. Encontrar um lugar, transformar em uma fábrica produtiva, contratar o pessoal, comprar matérias primas e equipamentos. — Falc disse.

— Mas...? — Harry perguntou entendendo que algo impedia a negociação.

— O sócio de Clement quer conhecer o dono da GER. — Falc disse e Harry fez uma careta.

— Todos querem me conhecer! — Ele disse irritado.

— Entenda, Harry, o sócio do Sr. Clement é um empresário experiente e muito sagaz, assim, não gosta de todos esses segredos e sigilos. Além disso, ele alega que se Clement sabe quem você é, ele também tem o direito de saber. — Explicou Falc. — E, ele concordou com a assinatura de um contrato para manter a sua identidade em segredo.

— Ok, suponho que não podemos esperar até a Páscoa também, certo? — Harry considerou.

— Não e é por isso que vim. Se estiver tudo bem, depois do seu encontro com os amigos de Remus, podemos nos encontrar com o Sr. Clement e seu sócio na GER. — Sugeriu Falc e Harry acenou.

— Por mim tudo bem. Tem mais alguma coisa? — Ele perguntou.

— Algumas boas notícias. — Falc sorriu agora. — O contrato com Trissie e Rodrigo está pronto, você precisa apenas ler e assinar. Como isso era só uma formalidade, estivemos contratando funcionários, Sr. Erwood já se mudou para a fazenda, assim como os Martins se mudaram para a mansão. Trissie e o Sr. Erwood estão organizando a viagem para a África, para trazerem os animais de volta, infelizmente, existem muitas burocracias e, para não haver atrasos, eles decidiram não esperar pela assinatura do contrato.

— Tudo bem para mim e posso assinar mais tarde na GER. — Disse Harry sorrindo com essas boas notícias. — E sobre o trabalho para os pais do Owen?

— Bem, eles não têm cursos universitários, mas Trissie disse que precisará de alguém que ajude com a papelada administrativa da fazenda. Não a contabilidade porque eu faço essa parte, quero dizer, as coisas do dia a dia, compras, vendas, contratos, anotações, planilhas e tal. A mãe de Owen poderia ser uma ótima assistente, mesmo sendo trouxa, e Trissie pretende lhe oferecer a vaga. — Falc explicou e Harry acenou. — Quanto ao pai, pensamos ver o que lhe interessa, trabalhar com os animais ou na nova empresa de vendas de pedras preciosas.

— Parece legal, acho que Owen ficará aliviado. — Disse Harry alegre. — Algo mais?

— Sim. Sirius conseguiu comprar a casa dos gritos e a terra em volta, assim, podemos começar as construções do Mercado Hogsmeade, como planejamos.

— Isso é ótimo! — Harry sorriu ao olhar para o padrinho.

— A negociação foi lenta, mas o Conselho acabou concordando que Hogwarts não precisa dessas terras, enquanto o dinheiro seria bem-vindo com todas as mudanças previstas para a escola. — Explicou Sirius com expressão de vitória. — Infelizmente, o Sr. Nash não está interessando na sociedade, disse que está muito velho e pensando em se aposentar. Seus filhos trabalham no Ministério e não tem interesse em seguir cuidando do Mercado Nash, assim, eu pensei que Sirius Black deveria entrar em sociedade com as Fazendas Potters neste novo empreendimento.

Harry sorriu divertido.

— Combinado, sócio. — Disse ele estendendo a mão e selando o acordo. — Mais alguma coisa?

— Nada que não possa esperar. — Falc disse. — Estarei na GER esperando o retorno de vocês.

E, acenando, ele se virou e aparatou.

— Nós iremos até a casa do Remus. — Sirius disse estendendo o braço. — Os lobisomens concordaram em se encontrar lá, pois na floresta, estaríamos todos muito expostos. Os aurores, comandados por Moody, estão procurando os lobisomens que estavam na Travessa naquela noite por todos os cantos.

— Eles acharam alguém? — Harry perguntou preocupado ao segurar seu braço.

— Sim, encontraram várias matilhas ou grupos, interrogaram e buscaram álibis, mas, não prenderam ninguém. No entanto, os lobisomens estão inquietos e assustados, tensos com a possibilidade de as leis se endurecerem. Também estão sofrendo porque não têm comida e o fim do inverno promete ser duro. — Depois de terminar de falar, eles aparataram.

— Precisamos ajudá-los urgentemente, Sirius. — Disse Harry preocupado.

— E, nós iremos. Começando aqui e agora, Harry. — Disse ele antes de bater na porta da pequena casa.

Remus abriu apenas uma fresta e pareceu aliviado quando os viu.

— Entrem. — Sua voz era um sussurro tenso. — Rápido.

— Oi, Remus. — Disse Harry sorrindo. — Soube que se juntou aos rebeldes.

— Oi, Harry. — Remus o olhou timidamente e depois o abraçou com força. — Que bom que está bem. — Ele se afastou. — E, eu sempre fui um rebelde, desde o dia em que conheci James Potter.

Isso fez Harry sorrir mais, apesar do constrangimento do abraço. O que acontecia com todos querendo abraçar apertado hoje?

— Bom saber. — Ele disse e olhou para a pequena sala de Remus, que estava vazia. — Eles ainda não chegaram?

— Sim, mas estão lá fora. — Remus os conduziu para a cozinha. — Eles estão acostumados a viverem nas florestas e não se sentem à vontade em uma casa. Além disso, estão receosos e, estando lá fora, é mais fácil fugirem se precisarem.

Eles saíram pela porta dos fundos que dava para um jardim escuro, que terminava no início de um bosque. Remus os conduziu pelas árvores sem parecer preocupado com a escuridão e Harry percebeu que ele e Sirius enxergavam bem a noite. Ele controlou a vontade de acionar a luz em sua varinha e seguiu perto, atento ao chão para não tropeçar. Finalmente, eles pararam em uma pequena clareira que também estava vazia e Remus assoviou em um ritmo cantado. Deveria ser um sinal porque, no segundo seguinte, bruxos apareceram das sombras e de traz das árvores. Harry contou 4, mas teve a sensação de que haveriam mais escondidos em volta da pequena clareira.

— Remus, algum problema? — Disse o primeiro homem se aproximando deles. Ele tinha uns 70 anos, barba e cabelos compridos e brancos, olhos castanhos e rosto enrugado. Suas roupas, pelo que Harry podia ver, eram desgastadas e velhas, seu casaco fino, apesar do frio intenso, e sua magreza fazia pensar que ele não comia com muita frequência.

— Não, Theo, tudo está bem. — Remus disse do seu jeito gentil e calmo.

— Porque tem uma criança aqui, Remus? — Disse uma mulher também bem idosa.

Harry a olhou e percebeu seu olhar preocupado e tenso. Ela era muito magra também, com roupas desgastadas e finas, seus cabelos brancos presos em uma trança, o rosto enrugado e com cicatrizes.

— Oi. — Harry disse suavemente e deu um passo à frente sorrindo gentilmente. — Vocês queriam me conhecer? Bem, eu vim... sou Harry... — Ele estendeu a mão em cumprimento. — Harry Potter.

Houve um silêncio estranho e os dois à frente encaram Remus com espanto, que apenas acenou em confirmação.

— Bridget Goldman. — Disse a senhora idosa e apertou sua mão suavemente. — Prazer em conhecê-lo, Sr. Potter.

— Apenas Harry, por favor, Sra. Bridget. — Disse Harry, seu sorrindo aumentando. — Temos muito o que conversar e sem formalidades é melhor. — Ele estendeu a mão para o Sr. Theo que pareceu meio chocado ao devolver o cumprimento.

— Theo Goldman. — Disse ele fracamente. — Prazer, Sr... quer dizer, Harry.

— Remus? O que é isso? Pensei que traria o dono da tal Ilha? — Perguntou outro senhor velhinho, magro demais e com roupas finas.

— Ele trouxe. — Harry sorriu tentando acalmá-los. — Eu herdei Stronghold de um primo distante, assim que soube como era o local, percebi que era o lugar perfeito para um refúgio. E, quem precisa de um refúgio seguro, um lar, são os lobisomens, por isso tive a ideia de transformar a ilha em seus lares.

— Você teve essa ideia? — Sra. Bridget perguntou chocada. — E, sobre a escola também? Para as crianças aprenderem magia?

— Sim. E, qualquer adulto que foi impedido de ir para Hogwarts. O castelo é bem grande e, acredito, será o local perfeito para a Escola de Magia e Trouxa Stronghold. Eu tinha pensado em chamar de Escola dos Lobos, mas um amigo disse que poderia ter outros seres mágicos estudando lá, não apenas os lobisomens. — Harry disse suavemente. — Assim, pensei nesse nome, mas, estou aberto a outras sugestões. Também pensei em chamar o lugar de Stronghold porque, assim, se alguém ouvir sobre isso, não associará a verdade, quer dizer, se começar a se espalhar por aí o nome Ilha dos Lobos, pode ser perigoso.

— Espere, espere, garoto. — Disse o senhor que ainda parecia perdido. — Você quer dizer que um garoto de 12 anos teve essa ideia, assim, do nada, e que você pretende deixar os lobisomens viverem nesta tal ilha?

— Sim. — Harry disse simplesmente e, mesmo no escuro, viu suas expressões de espanto e descrença.

— Mas... você pode fazer isso? — Sr. Theo perguntou e depois tossiu fortemente, parecendo ficar mais pálido e sem fôlego. — Desculpe... Uma gripe de inverno que ainda não sarou... você pode fazer isso? Deixar-nos viver nesta sua ilha, construir casas, estudar no castelo e tudo o mais?

— Sim, eu posso. — Harry disse, preocupado com sua saúde. Os três lobisomens mais próximos eram muito idosos e muito magros. — Este é meu padrinho, Sirius Black, ele é o meu tutor e cuida da minha herança. Meus guardiões não estão aqui porque não queríamos deixá-los nervosos, mas, Remus pode apresentá-los em uma próxima reunião. Todos eles me apoiam em minha ideia e, mesmo se não fosse o caso, minha herança foi deixada por meus antepassados, meus pais e avós, assim, concerne a mim decidir sobre ela.

Suas palavras foram simples e firmes, mas Harry os viu olhando em dúvida para Remus e desconfiados para o Sirius.

— Olá a todos. — Disse seu padrinho. — Meu nome é Sirius Black e sei por experiência própria o que o Ministério corrupto e incompetente pode fazer. Desde que recuperei minha liberdade, não passa um dia em que não me enfureço pelo que me aconteceu. Estou tentando seguir em frente, recuperar o tempo que perdi e fazer coisas boas, ajudar outras pessoas como fui ajudado. — Sirius olhou para o Harry e apertou seu ombro. — Harry me ajudou, ele me tirou da cadeia e está sempre pensando em maneiras de ajudar outras pessoas que são perseguidas ou discriminadas. Foi assim que ele teve essa ideia da Ilha dos Lobos ou Stronghold, se tornar o lar e refúgio de vocês. Espero que possam no dar uma chance.

Harry viu alguma esperança em suas expressões duvidosas e olhou em volta para os outros, mas era difícil enxergá-los.

— Isso aqui não me parece o lugar que deveríamos conversar. — Harry disse. — Vocês confiam no Remus e eu deixei Hogwarts escondido para vir conhecê-los, mais importante, para que me conhecessem. Como olharão para minha alma nessa escuridão? Eu mal posso enxergá-los e não tenho o benefício de ver no escuro, assim, peço que nos reunamos na casa do Remus. — Eles arregalaram os olhos hesitantes e Harry pensou em Dobby, que nunca foi tratado bem por bruxos e não entendia ou acreditava na bondade. — Por favor.

Seu pedido pareceu alcançá-los e eles acenaram, olharam em volta sinalizando para o escuro, o que fez mais alguns deixarem as sombras. Harry decidiu não os encarar e se virou, voltando para a pequena casa de Remus, que parecia surpreso por todos os lobisomens decidirem entrar. Em poucos minutos, o espaço pequeno ficou cheio de lobisomens idosos, de cabelos brancos, roupas velhas e finas, rostos marcados e olhos tristes ou tímidos. Todos pareciam magros demais, meio sem esperança ou ansiosos, olhando em volta pouco à vontade, pois a maioria não tinha ou entrava em uma casa a muitas décadas.

— Acomode todos, Sirius, conjure poltronas confortáveis, por favor. Eu prepararei um chá e fico feliz que tive a ideia de trazer alguns biscoitos, será um ótimo acompanhamento. — Harry disse tentando quebrar o constrangimento de todos.

Remus o acompanhou até a cozinha, mas não disse nada, Harry adivinhou que os lobisomens, com boa audição, os ouviria. Eles preparam chás para todos e Harry serviu os biscoitos amanteigados que preparara naquela mesma tarde, sua intenção era que eles pudessem conversar e comer biscoitos, afinal, comida sempre deixava todos com um humor melhor. Mas, deveria ter trazido algo com mais sustança, pensou, pois eles estavam todos desnutridos.

Na sala, quando retornaram, todos os 9 lobisomens estavam sentados, tensos e inquietos. Com a ajuda de Remus, Harry serviu o chá e biscoitos para cada um deles com um sorriso gentil.

— Espero que gostem, são bem frescos, eu mesmo fiz hoje à tarde. — Harry disse suavemente, antes de se sentar em um sofá ao lado de Sirius, Remus pegou uma poltrona próxima.

O grupo formava um círculo largo e Harry os viu beber o chá quente, alguns fechavam os olhos, saboreando a quentura e o cheiro, antes de beber, como se quisessem alongar um momento de algo que a muito perderam. Alguns, hesitantemente provaram o biscoito e ouve alguns suspiros de surpresa ou prazer.

— Você... preparou isso? — Perguntou Bridget surpresa.

— Sim, eu gosto muito de cozinhar e pensei que seria bom trazer alguns biscoitos saborosos para nossa reunião. — Disse Harry sorrindo timidamente. — Estão bons?

Houve muitos acenos e alguns os olharam como se ele fosse um ser extraterrestre.

— Você preparou isso para nós? — Perguntou um homem bem velhinho, quase completamente careca e muito magro.

— Sim, fiquei na dúvida qual sabor fazer, mas, acho que os amanteigados, todo mundo gosta. — Harry disse se sentindo envergonhado com todos os olhos o encarando.

— São maravilhosos... — Disse uma outra mulher, ela parecia ter uns 50 anos, cabelos curtos e pretos, cheios de fios brancos. — A muito tempo não como um biscoito tão bom... costumava assá-los a muitos anos, quando tive uma casa, uma cozinha. Os amanteigados eram o meus preferidos...

O silêncio que seguiu era nostálgico e triste, Harry percebeu, por suas expressões, que todos se sentiam da mesma maneira, pois essas eram suas histórias.

— Esses eu fiz no castelo de Hogwarts. — Harry disse. — Mimy, minha amiga elfa, me deixa assar e cozinhar de vez em quando, pois isso me acalma. E, eu gosto de fazer algumas guloseimas para os meus amigos.

— Você parece um bom menino. — Disse a Sra. Bridget sorrindo suavemente.

— Mas, isso não é garantia de que podemos aceitar essa proposta, principalmente por ele ser um menino. — Protestou o homem de antes.

— Porque não nos apresentamos. — Harry disse feliz por Remus e Sirius deixarem que ele conduzisse a reunião. — Eu gostaria de saber seus nomes, pode ser só o primeiro se preferirem, assim, posso responder as perguntas que tiverem sobre Stronghold.

Houve um silêncio estranho e ninguém tomou a iniciativa de dizer o próprio nome.

— Nós entendemos sobre a ilha, Harry. — Disse Bridget. — Apenas... é difícil acreditar que isso seja verdade e que tudo foi ideia de um garoto de 12 anos.

— Como sabemos que não é só um momento, um garoto rico que teve uma ideia e que amanhã vai nos despejar ou nos explorar? — Perguntou outro senhor que tinha muitas cicatrizes no rosto, seus olhos azuis estavam caídos e cansados.

— Bem, eu não seria quem sou se fizesse algo assim, seria? — Disse Harry dando de ombros. — Olha, não nos conhecemos a mais do que 20 minutos e eu poderia lhes dizer cada um dos motivos que me levaram a ter essa ideia. Eu poderia lhes dizer sobre a história nobre dos Potters, sobre a honra dos meus antepassados que muito me orgulha e que pretendo seguir os seus passos, fazendo o bem e protegendo todos que puder. Também poderia dizer que cresci no mundo trouxa e que descobrir o meu legado, minha família, foi algo muito importante para mim. Poderia acrescentar que meus pais são descritos por todos que os conheceram, como duas das melhores pessoas que já existiram. Eles não eram perfeitos, vejam bem, e eu não sou ou pretendo ser endeusado ou coisa do tipo. — Harry fez uma careta com a ideia absurda. — Mas, eles faziam o que era certo, faziam o bem e ajudavam as pessoas sempre que podiam, tenho certeza que se estivessem vivos, teriam feito coisas maravilhosas para muitas pessoas. Apenas... o amor deles por mim era mais forte, eu era mais importante que tudo o mais e, por isso, estou aqui e eles não. Alguns poderiam pensar que sinto peso ou culpa, mas, na verdade, eu me sinto honrado por tê-los como meus pais e poder continuar os seus legados. — Harry sorriu mostrando sua sinceridade. — Eu poderia também dizer que cresci em uma casa ruim, com pessoas que me odiavam ou não podiam me amar. Cresci preso, desprezado, humilhado, perseguido, injustiçado e esfomeado... — Seus olhos se entristeceram ao se lembrar daqueles dias sombrios e como chegou bem perto de perder a esperança. — Meus parentes me trancaram em um armário, era o meu quarto, sabe, o único lugar meu na casa e... eu não era bem-vindo em outro lugar ou em suas vidas perfeitas, em sua família perfeita. Eles odiavam e temiam a magia, desprezavam minha existência e se amarguravam por ter me em suas presenças. Eu fui obrigado a fazer os serviços domésticos e era dado muita pouca comida que tinha que cozinhar, ainda, era chamado de ingrato por querer um pouco mais. — Harry sorriu com amargura. — Mas... quando estamos com fome... tem dias que, tudo em você, gira em torno disso, não sentir aquele vazio doloroso no estômago. Acho que o pior, é o quão perto cheguei de perder a esperança... os momentos em que tentei agradá-los, me humilhei para ter uma migalha a mais ou passar menos tempo trancado... — Harry sentiu um aperto no ombro e sorriu com tristeza para Sirius que entendia cada uma das suas palavras. — Eu também poderia lhes dizer que Voldemort está vivo e tentando recuperar o seu corpo, quando isso acontecer, ele virá atrás dos lobisomens e os obrigará a lutar por ele. Poderia também lhes dizer que o Ministério, apesar de algumas mudanças, está longe de ser confiável e justo, assim, quando a guerra recomeçar, vocês serão ainda mais perseguidos do que já são. Poderia também lhes contar que o meu maior desejo, além de matar Voldemort, é proteger todos dele, todos aqueles que não precisam sofrer por seus ideais megalomaníacos e cruéis. Quero mantê-los longe do seu alcance, quero lhes dar um lar de verdade, quero que não sintam mais fome, frio ou desesperança. — Harry falou isso os encarando, olho no olho e ignorou suas expressões perplexas. — Tudo isso é verdade e apenas um desses motivos já seria um bom motivo para fazer isso. Eu também poderia pedir ao Sirius e Remus que falassem do meu caráter, eles lhe diriam que não sou um menino inconsequente e que respeito muito a minha herança, além de ter um bom coração. E, no fim, acho que vocês ainda teriam medo de confiar em mim, em nós, porque nunca ninguém os protegeu e cuidou como mereciam. Pior, ninguém nunca acreditou em vocês, em seus bons corações, em seus caráteres e na capacidade de cada um de ser útil para a nossa sociedade. Como se, por serem lobisomens, se tornassem inúteis, incapazes, sem inteligência, talentos, magia... Como se não fossem mais bruxos! Ou não tivessem direitos! — Harry fechou os punhos com raiva. — Os puristas acreditam que tem o direito de decidir quem é melhor ou pior, quem merece mais ou menos. Quem vive ou quem morre. — Ele respirou fundo. — Essa crueldade deve ter fim e espero que, um dia, todos sejam aceitos na sociedade mágica, não importa sua origem ou sangue, capacidade ou aparência. No entanto, ainda estamos longe disso, por isso, pensei em um refúgio para a comunidade lobisomem e, por saber que vocês têm todo o direito de não acreditarem ou confiarem em mim, não importa o que lhes diga, não me negarei a contratos mágicos vinculativos. Colocaremos nosso acordo em um pergaminho mágico e, com a minha magia, atenderei os seus pedidos e condições, respeitarei suas reivindicações e estarei, por respeito e honra da magia, vinculado as minhas promessas.

O silêncio se seguiu as suas palavras e Harry esperou que eles compreendessem sua sinceridade. Alguém fungou levemente, outros o olhavam como se não acreditassem no que viam.

— Remus... ele é real? — Sussurrou a senhora de cabelos grisalhos curtos.

— Sim, Fennah, ele é real e sincero. Acreditem. — Disse Remus com um sorriso emocionado.

— Pobrezinho, tão jovem para conhecer a dor e maldade... — Disse Bridget chateada. —Espero que os tenha feito pagar por tratar uma criança assim, Sr. Black.

— Voldemort está vivo? — Um deles sussurrou e era claro o seu medo.

— Onde ele está?

— Você quer que lutemos contra ele por você?

— É por isso que nos dará um lar?

As perguntas se sucederam ansiosas e meio apavoradas.

— Não! — Harry gritou com força e calou todos. — Ninguém aqui precisa ou será chamado para lutar, muito menos pedirei a qualquer um que lute por mim. — Ele os olhou com firmeza. — Voldemort é minha responsabilidade e pretendo matá-lo, não duvidem. Tenho bons amigos e família que estarão ao meu lado e cobrirão minhas costas, além deles, qualquer um que quiser lutar na guerra, terá que decidir fazer isso por si mesmo, por suas próprias razões. Claro que precisaremos de ajuda, vamos ter que proteger as famílias dos nascidos trouxas que serão perseguidos. Precisaremos de casas seguras, alimentos, roupas e segurança mágica. O Beco Diagonal é uma vulnerabilidade grande, não podemos permitir ataques ou que as lojas e fábricas parem de funcionar ou todos perderão seus empregos e passarão fome. Temos que criar um grande grupo que ajudará a todos, com solidariedade e inteligência porque, quando Voldemort voltar, ele não pode ter facilidade para colocar seus planos em prática. — Harry se levantou e caminhou pela sala pensando, gesticulando e falando sobre seus planos. — Parar ou aterrorizar o Beco, não mesmo. Obrigar os lobisomens a lutar ao seu lado, nem pensar. Matar nascidos trouxas e suas famílias, nunca. Invadir o Ministério com espiões e tomar o poder... Bem, essa parte será mais complicada, mas tenho alguns planos em andamento para impedir isso também.

— Nós estamos em guerra. — Disse Theo o encarando de olhos arregalados. — Por isso vocês estão tomando todas essas providências e querem nos proteger, vocês estão se preparando para o pior momento da guerra, quando Voldemort retornar, mas, desde já, nós estamos em guerra.

— Sim. — Harry disse surpreso por ele dizer o nome, quando os outros estremeciam a cada vez que diziam Voldemort. — O senhor lutou na última guerra?

— Na última e na anterior, contra Grindelwald. — Disse o Sr. Theo. — Eu era auror, garoto, até ser mordido por um lobisomem no cumprimento do dever. Fui demitido, minha casa confiscada e acabei na rua sem nada.

Sua amargura era nítida e Harry olhou chocado para Sirius que espelhou sua raiva.

— Mas... eles não podem fazer isso! — Harry disse. — No mundo trouxa, se um policial se fere no cumprimento do dever e não pode mais trabalhar, ele é aposentado e recebe um salário justo.

— Lobisomens não são mais considerados humanos, muito menos bruxos, como você disse. — O homem de rosto amargo e sofrido disse. — Quando somos mordidos, somos segregados e perdemos tudo, é por isso que muitos escondem sua condição, como Remus aqui.

— Às vezes... Na maioria das vezes, não é possível esconder porque a ferida da mordida é altamente infecciosa e precisa do tratamento de um curandeiro e poções caras. — Disse outra mulher de olhos tristes e rosto enrugado, ela sorriu para o Harry. — Eu era curandeira até... cuidei de muitos casos e nunca pensei que um dia... Quando aconteceu, pensei que os curandeiros me apoiariam, mas todos me viraram as costas. Não são apenas os puristas que nos discriminam, o resto dos bruxos que aceitam os nascidos trouxas, também nos temem e nos afastam.

— Isso porque são uns ignorantes. — Harry disse irritado. — Sinto que vivamos em uma sociedade que legaliza a discriminação e não compreende que uma condição, seja qual for, não torna alguém mal. Estamos tentando fazer um movimento em direção a Suprema Corte também, se conseguirmos mais poder, deteremos a Umbridge e seu projeto de lei Anti-Lobisomem. Mas, não estou aqui para fazer promessas vazias ou dizer que tentarei melhorar suas vidas, também não estou fazendo caridade ou dizendo que não os acredito capazes de proverem seus sustentos. Apenas, desejo que tenham um lar, seguro e quente, comida, educação e trabalho, quem sabe, saúde também... — Harry olhou para a curandeira. — Como é o seu nome, senhora?

— Alice. — Sussurrou ela.

— Sra. Alice, o que acha de abrirmos uma clínica na ilha? Para cuidar de todos os lobisomens, das crianças e não deixar que fiquem abandonados sem tratamento. A senhora poderia ser uma professora de novos curandeiros e medibruxos lobisomens, que quiserem trabalhar na clínica. — Sugeriu Harry suavemente.

Ela o encarou espantada e seus olhos se encheram de lágrimas.

— Isso... voltar a cuidar das pessoas, ensinar... — Sra. Alice soluçou e escondeu o rosto. — Não posso acreditar que é real... não posso...

— É real. — Remus disse. — Nunca os procuraria e lhes daria esperança se não fosse real. Quero lhes dizer que a ilha está esperando, eu visitei o local e podemos mudar todos para lá o mais rápido possível, acampar enquanto trabalhamos na reconstrução das cabanas. Eu pretendo ser um dos professores da Escola e tem um amigo do Harry que está interessado em lecionar em Stronghold. Se tudo caminhar bem, podemos ter todos acomodados antes do início do outono, cada um em sua casa, com trabalho e comida.

— Mas, onde trabalharemos? — O homem mais desconfiado perguntou. — Não podemos todos plantar e cuidar de carneiros, somos muitos, Remus, você sabe disso.

— Estamos trabalhando nisso. — Sirius disse. — Minhas Fábricas estão esperando, apesar do crescimento na produção, não contratei ninguém porque sabia que vocês precisariam de postos de trabalhos. As Fazendas Potters estão produzindo e, em breve, anunciaremos a contratação de mais alguns funcionários. Claro, ajudaria se soubéssemos quantos vocês são e quantos postos de trabalhos precisaremos disponibilizar.

— Duvido que tenha o suficiente ou que seus empregados concordariam em trabalhar com lobisomens. — Disse o homem amargo.

— Simon, eu trabalho para o Sirius. — Disse Remus suavemente. — E mantenho em segredo minha condição. Claro que uma pessoa só é mais fácil, alguns dias por semana, eu trabalho a partir de casa, assim, ninguém estranha o fato de não estar no escritório nas luas cheias. Mas, ainda assim, podemos pensar em maneiras de manter a condição de cada um em segredo por tanto tempo que for necessário.

— Se vocês quiserem fazer isso, tudo bem, mas, digo desde já que meus funcionários não se oporão a trabalhar com vocês. — Sirius disse suavemente. — Eu conheço cada um deles, de cada fábrica e sei que aceitarão os lobisomens sem problemas.

— Os meus funcionários são mais novos. — Harry disse pensativo ao se sentar. — As fazendas estão reabertas a poucos meses e não posso garantir que todos agirão corretamente, infelizmente. Mas, posso lhes garantir que, quem os discriminar, será demitido imediatamente e que todos assinaram contratos de confidencialidade e não poderão espalhar a informação.

— Mesmo que isso acontecesse, famílias antigas como os Potters e os Blacks estão protegidos por leis antigas e puristas. — Sirius disse suavemente. — Entendam que as leis Anti-Lobisomem proíbem os lobisomens de serem contratados e trabalharem, mas, essas leis são recentes. As famílias antigas têm um monte de privilégios legais que as permite fazer o que bem entenderem com seus negócios familiares. Os puristas defendem essas leis com unhas e dentes, pois isso os permite pagar menos para nascidos trouxas ou ter locais de trabalhos insalubres ou perigosos, demitir sem indenizações ou justas causas e assim por diante. Existe um subdepartamento que regulamenta e cuida das questões trabalhista no Ministério, no entanto, eles não chegam perto de qualquer família antiga. Entendem? — Sirius explicou ironicamente. — Assim, utilizamos essas leis injustas para fazermos o certo. Contratamos quem quisermos e ninguém ousará nos questionar.

Os lobisomens pareciam chocados e mais esperançosos.

— Mas, ainda, somos muitos... — Theo hesitou e olhou em volta, recebendo vários acenos. — Somos uma comunidade de 3.347 lobisomens no Reino Unido, divididos entre grupos e matilhas.

Harry ficou surpreso, pois não imaginou que houvessem tantos.

— Não sei se cabemos em sua ilha... — Disse Bridget tristemente ao ver sua expressão.

— Oh! Não! A ilha é bem grande. — Harry riu suavemente. — Remus, você não lhes mostrou as fotos?

— Sirius ficou de trazê-las... — Ele olhou para o amigo que pegou uma pasta do bolso e tirou um envelope com as fotos.

Elas foram espalhadas por todos que arregalaram os olhos e exclamaram espantados e encantados.

— É linda! Veja essa vista!

— O Castelo! É imenso!

— Tem praia! Eu não vou à praia a anos!

— Veja a vila! Deve haver umas 300 cabanas!

— Podemos reconstruí-las e tem espaço para construir mais... Vejam!

— Olha a Floresta! Podemos nos transformar lá e não machucaremos ninguém...

Os nove bruxos pareciam não perceber que começavam a fazer planos e mais planos. Harry sorriu sentindo que eles tinham avançado alguns passos na direção certa.

— Harry, Remus, Sr. Black, tenho mais algumas perguntas. — Disse Theo e voltou a tossir dolorosamente até ficar pálido e sem fêlego.

— Theo, porque não me disse que estava doente? Eu teria conseguido poções para vocês. — Disse Remus também preocupado ao se levantar e procurar em seu armário de poções algo que pudesse ajudar.

— Ora, isso é só uma tosse, Remus. E, poções são muito caras, meu amigo, não podemos ser um peso para você. — Disse Theo recusando a poção que Remus estendia.

— Se o senhor não se cuidar, não viverá para ver Stronghold se tornar o lar dos lobisomens. — Harry disse. — Não é o momento para orgulho e remédio não é caridade, é um direito que todos devemos ter. Queria também dizer que quero montar estufas para os ingredientes de poções, para que vocês produzam suas próprias poções, inclusive a poção wolfsbane. Agora, aceite a poção, Sr. Theo e viva para ajudar sua comunidade a ter um futuro melhor.

Ele pareceu hesitar, mas depois suspirou e tomou a poção que Remus lhe estendia.

— Obrigado, Remus. — Disse com a voz rouca.

— De nada, meu amigo, mas essas não são as poções que você precisa, isso apenas irá aliviar um pouco a tosse. — Remus voltou a se sentar. — Quais eram as suas dúvidas?

— Ah, sobre os empregos que vocês disseram, não terão vagas para todos, claro, e alguns trabalharão na ilha...

— Não se preocupe com isso, Sr. Theo, eu tenho algumas ideias sobre os empregos e haverá muito trabalho na ilha. Desses todos lobisomens, alguns são crianças e idosos que não precisarão trabalhar, as crianças irão para a escola e os idosos podem fazer algum trabalho menos pesado na vila ou se tornarem professores como a Sra. Alice. — Disse Harry pensativo. — Tem o fato também, Sirius estava me dizendo, que nem todos quererão viver na ilha, pois preferem a cidade, como os T-London. Assim, para eles, os que quiserem deixar o mundo do crime, claro, precisamos pensar em outra alternativa.

— Espere, vocês vão ajudar os lobisomens que se envolveram na questão da Travessa? Que gerenciavam o Chiqueiro? — Theo perguntou surpreso.

— Eu disse que a maioria não mudará de vida, Theo, mas eles insistem. — Remus disse exasperado.

— Queremos ajudar a todos que queiram ter uma vida digna e sem crimes. Como disse o Harry, se ele prefere viver em Londres, precisamos de uma alternativa, desde que esteja disposto a não cometer mais crimes. Todos precisam de uma oportunidade, essa é a única forma de sermos justos. — Disse Sirius convicto.

— Bem... posso tentar encontrar o Gun e o Teagan, mas, nem todos confiarão facilmente. — Disse Theo pensativo.

— Então, esses mais de 3 mil lobisomens são sem contar esses dois grupos? — Harry perguntou.

— Não, não... essa é a contagem total, sempre que alguém é mordido, nós acrescentamos mais um na soma. — Disse Theo. — Bem, se os mais velhos, acima dos 70 anos, não vão trabalhar e muito menos as crianças e adolescentes, o número abaixa bem. Se conseguirem mesmo um emprego para alguns deles... isso é o sonho de todos, ter um trabalho, mas, Remus está certo, nem todos quererão viver na ilha e alguns, continuarão a vida de criminosos.

— Vamos lidar com uma coisa de cada vez. — Sirius disse. — Resolvemos um problema, depois outro e outro. Primeiro, estamos aqui, expondo os nossos planos e as ideias do Harry. Se vocês concordarem em procurar a comunidade e compartilhar tudo o que dissemos, damos mais um passo. Precisamos do nome e idade de todos, pode ser primeiro nome, para sabermos os números de pessoas que se mudarão para a ilha imediatamente. Assim, podemos cuidar da logística, Remus e eu cuidaremos de tudo, nos organizaremos e manteremos a comunicação com vocês. Também precisamos saber quantos adultos existem, para descobrir quantos postos de trabalhos precisamos criar exatamente.

— Vocês querem começar agora? — Perguntou o homem careca espantado e esperançoso.

— Sim, Simon, não temos porque esperar e sei o quanto esse inverno está sendo difícil para a comunidade. — Remus disse. — Os números são importantes para entramos em contato com a empresa de construção, inicialmente haverá trabalho para muitos, porque já conversamos com o Ian e o Mac e eles concordaram em contratar vocês para reconstruir as cabanas. Alguns de vocês, que trabalharão com plantação e animais, começarão a aprender nas Fazendas Potters. Precisamos providenciar o necessário para iniciar as aulas, assim, saber quantas crianças existem é muito importante. Bem, tem muito o que fazermos e quanto mais rápido agirmos, mais rápido, a comunidade estará em seu novo lar.

O tom de Remus era persuasivo e era possível ver a esperança e desejo de todos.

— Nós queremos e acreditamos, certo? — Bridget olhou em volta e todos acenaram. — Vocês poderiam falar mais do contrato de arrendamento?

— Ah, essa ideia é do Remus. — Disse Harry. — Eu queria que todos os lobisomens vivessem em Stronghold sem custos, mas, ele acredita que vocês não gostariam disso. Assim, Remus teve a ideia do arrendamento da ilha para a comunidade dos lobisomens.

— Nosso amigo está certo. — Theo disse de queixo erguido. — Não podemos viver de graça em suas terras, como servos ou algo assim. Temos que ter um contrato justo e trabalharemos para pagar o arrendamento. Quer dizer... se houver mesmo trabalho... — Sua expressão se tornou duvidosa.

— Haverá, não sei para quantos, mas teremos muitas vagas em breve, enquanto isso, vocês se concentrarão na reestruturação da ilha. — Harry disse firme. — Claro que, como vocês irão reestruturar a minha ilha, plantar, reconstruir e construir casas, haverá um tempo de abatimento do arrendamento. Acredito que 1 ano é um tempo justo, assim, colocaremos no contrato que as melhorias serão o pagamento do arrendamento do primeiro ano do contrato. Também acredito que o contrato de arrendamento deve ter uns 10 anos e o valor anual dever ser 10% dos ganhos brutos que os moradores tiverem no ano. Quer dizer, somados os salários de cada um e qualquer renda que tiverem com as vendas de produtos agrícolas produzidos na ilha. Acredito que todos os moradores adultos deverão colaborar com o pagamento do arrendamento, claro.

— Esse arrendamento não me parece muito justo, quer dizer, parece muito bom para nós, mas, porque teremos um ano de folga se já ganharemos salários para construir as cabanas? — Disse Simon confuso.

— Sim, mas isso não tem nada a ver comigo. — Harry explicou. — Eu contratarei uma empresa de construção, a M&T Arquitetura e Construção, e eles empregarão vocês. — Harry viu suas expressões se confundirem mais e continuou antes que percebessem a sua intenção. — Vocês têm mais perguntas?

— Bem... eu tenho uma sobre a poção wolfsbane. — Disse a Sra. Alice. — Quem a preparará para nós todos os meses? Acredito que não temos nenhum potioneer entre nós e, mesmo se plantarmos alguns dos produtos, ainda será muito caro fazer para mais de 3 mil pessoas. Certo?

— Encontraremos um professor de Poções que dê aulas na escola e prepare as poções para todos, claro, ele precisará de ajuda, pois serão muitas, assim, todos que tiverem alguma experiência ou interesse em aprender, deverão trabalhar com isso. — Remus explicou. — Talvez os adolescentes e idosos, que não trabalharão, possam se revezar em ajudar o potioneer que contratarmos. O pagamento dele deve vir da comunidade e todos devem colaborar, como uma cooperativa. Isso acontecerá com os professores da escola também, claro, para ela existir, precisamos que todos colaborem.

— Isso me parece uma grande ideia. — Disse Alice sorrindo. — Já estou ansiosa para começar.

— Eu tenho outra pergunta... — Um dos idosos que ainda não falou disse com voz fraca. Harry teve a nítida impressão, por todos os biscoitos que ele comeu e escondeu no bolso do casaco fino e puído, que ele estava com muita fome. — Sou Mark Phillips... hum, Harry, você disse que um amigo seu quer vir dar aulas na escola. Ele sabe para quem dará aulas? E, esses outros professores que vocês querem contratar, eles aceitarão ir para uma ilha cheia de lobisomens? E, bem... eles não viverão lá, não é?

— Oh, eles não podem, seria muito perigoso, mesmo com a poção, poderíamos morder alguém... — Disse Bridget ansiosa.

— Acredito que os professores que contrataremos saberão a verdade, assinarão contratos de confidencialidade e não poderão ser racistas ou não os contrataremos. — Disse Sirius objetivamente. — E, acredito que a maioria não viverá na ilha, mas, os que viverem, poderão deixar a ilha nas noites de lua cheia, claro.

— Meu amigo Firenze viverá na ilha. — Disse Harry firme. — Ele pretende deixar seu clã e quer muito ser professor, além de viajar e conhecer outras culturas. Na verdade, ele está ansioso para começar também.

— Verdade. — Remus sorriu. — Ainda não o conheço, mas tenho me correspondido com Firenze e, a cada carta, ele me pede mais e mais livros. Um grande estudioso e acredito que será um grande professor.

— Quem é Firenze? Um lobisomem? — Perguntou Theo.

— Não, ele é um centauro do clã dos centauros que vivem na Floresta Proibida, lá em Hogwarts. — Disse Harry e não percebeu os olhares surpresos. — Ele é incrível e um grande amigo, tenho certeza que vocês gostarão dele. Ah, foi o Firenze que sugeriu que a nova escola pode ter outros seres mágicos como alunos e acredito que é uma grande ideia.

— Um centauro...

— Você é amigo de um centauro?

— Mas... eles odeiam os humanos!

— Quando o conhecerem verão que Firenze é especial. — Harry disse sorrindo e sem perceber os olhares de admiração. — Bem, acredito que é isso. Vocês têm mais perguntas?

Todos acenaram que não, Harry se levantou se esticando, ainda estava dolorido da sua luta com Meistr Flitwick.

— Bem, levarei o Harry de volta para a escola e acredito que quando precisarem de novas reuniões, ele não será mais necessário. Certo? — Sirius disse e pegou alguns papeis da pasta. — Tenho os contratos de confidencialidade para não envolverem o nome do Harry quando contarem aos outros lobisomens sobre a ilha.

— Isso é apenas até que separemos os confiáveis dos não confiáveis. — Remus explicou rapidamente. — Apesar das leis favoráveis para as famílias antigas, não queremos que o Ministério e, muito menos os comensais da morte, descubram o que estamos fazendo. Pior, que um dia, Voldemort descubra sobre a ilha e sua localização. Assim que todos concordarem e assinarmos os contratos onde se comprometem a nunca colocarem em risco a ilha e os lobisomens, teremos como separar quem é sincero e quem não é.

— Como? — Bridget perguntou surpresa.

— Existem diversas magias, Bridget, que colocaremos no contrato, onde quem não for sincero será exposto, onde quem mudar de lado no futuro será exposto. Isso é para a segurança de Stronghold. — Remus explicou. — Também pretendemos contratar quebradores de maldições especializados em alas para protegerem a ilha, mesmo diante de um ataque de Voldemort, apenas por precaução. E, teremos que organizar entradas de aparatação muito bem protegidas, pois, se alguém mudar de lado e tiver alguma intenção ruim para os membros da ilha, não conseguirão aparatar de volta para Stronghold.

— Uau! Vocês estão pensando em tudo... — Theo disse impressionado, depois olhou para o Harry com os olhos brilhantes. — Você quer mesmo nos proteger, não é?

— Quero proteger a todos, Sr. Theo. — Harry disse sincero e mostrando a sua alma em seus brilhantes olhos verdes. — Quando a guerra começar, muitos morrerão, infelizmente, mas, ninguém que pode ser protegido deve morrer apenas porque ninguém faz nada sobre isso. E, quero dizer desde já que se precisarem de mim nas próximas reuniões, eu virei. — Harry sorriu com malícia. — Não me importo de fugir de Hogwarts e, não virei sozinho, tenho alguns bons amigos ansiosos por ajudar e que querem muito conhecê-los.

Isso pareceu surpreende-los, mas não fizeram mais perguntas, apenas assinaram os contratos depois de lê-los e se despediram. Harry fez questão de apertar as mãos dos nove lobisomens que, timidamente, o encarando com admiração e respeito, lhes disse os seus nomes. Além de Theo e Bridget, que eram casados e Simon, Alice, Mark, haviam também neste grupo de anciões, Jonas, Robert, Fennah e Dorian.

Sirius o levou para o ponto de aparatação do Saguão do Beco. Harry, sob a capa, passou pela barreira que Sirius tocou, sentindo alguma curiosidade sobre a mensagem do Portal Adler ao ver o seu sorriso. Também ficou curioso com o que o Portal lhe diria, agora que tinha encontrado o cheiro e a chama... A chama... que faz parte da sua alma... O que isso significava exatamente? Confuso, Harry apressou o passo para acompanhar seu padrinho, com a sensação de que já sabia a resposta, mas... ainda não a alcançara completamente.

Eles entraram na GER e subiram para o terceiro andar, seguindo direto para a sala de Edgar, onde ele, Falc, Sr. Clement e seu sócio aguardavam.

— Lamento se demoramos muito, mas a reunião se estendeu além do que previmos. — Disse Sirius assim que entraram.

— Está tudo bem, Sirius, o Falc nos avisou que isso era possível e como a reunião foi agendada de última hora, não podemos reclamar, pelo contrário. — Sr. Clement apertou a mão de Sirius e depois se virou para o Harry com um grande sorriso. — Devemos é agradecer por sua disposição em vir nos encontrar tão abruptamente, Harry. É um grande prazer revê-lo.

— Digo o mesmo, Sr. Kabir. — Harry sorriu apertando sua mão. — Espero que esteja bem e que a loja esteja prosperando.

— Eu estou ótimo! Muito feliz! E, a loja!? Ah! — Sr. Clement parecia que ia saltar de entusiasmo. — Os ingleses tem muito bom gosto e sabem fazer um bom negócio, Harry, como eu pensava. Estamos vendendo muito!

— Bom! Fico muito feliz! — Harry disse e olhou para o Sr. Edgar de quem se aproximou para um aperto de mão caloroso. — Estava com saudades, Sr. Edgar! Como está! E, como vai a GER!? Os funcionários!? As lojas!?

— Feliz em vê-lo e também senti sua falta, as reuniões com você são as melhores. — Edgar disse com um sorriso carinhoso. — Você recebeu os relatórios, não poderíamos estar mais felizes com as lojas, e os funcionários estão bem, trabalhando contentes, que é o mais importante. Deixe-me lhe apresentar o sócio de Kabir, que chegou da França a dois dias, ansioso por conhecer o dono da GER.

Harry olhou para o homem pequeno e muito gordo, de rosto redondo, rosado e sorridente.

— Olá! — Ele sorriu para o homem, o que fez seu rosto se enrugar ainda mais quando seu sorriso aumentou.

— Olá, criança. — Disse ele simpaticamente e com sotaque francês acentuado, mais que o do Sr. Clement.

— Harry, este é Émile Delacour. — Disse Edgar. — Sr. Delacour, este é Harry Potter, o dono da GER.

Sr. Delacour olhou de um para o outro de olhos arregalados e a boca aberta em um bico gorducho.

— Mais quoi... — Ele disse em francês antes de se virar para o Sr. Clement. — Kabir, c'est une blague?

— Não, Émile, não é uma brincadeira. — Ele se aproximou e apertou o ombro do Harry. — Harry Potter, é o nosso sócio e dono da GER Empreendimentos. Por isso eu lhe disse que o segredo é necessário, Harry quer ter uma vida normal, apesar de quem ele é.

— Um dia as pessoas saberão que sou o dono da GER, Sr. Delacour, mas, gostaria de adiar esse momento, porque tenho muitas outras coisas importantes em que preciso me concentrar. — Disse Harry sorrindo. — Enquanto isso, o Sr. Edgar administra tudo com muita competência, meu padrinho, Sirius Black e meu guardião e advogado, o Sr. Falc, o auxiliam.

— Prazer em conhecê-lo, Sr. Delacour, eu sou Sirius Black. — Sirius se adiantou e apertou a mão de Delacour que ainda parecia meio chocado.

— Não sei o que dizer... Kabir! — Disse o homem pedindo ajuda ao amigo, que riu divertido.

— Ah! Não se preocupe, Émile, eu também fiquei muito chocado quando eu soube, mas quando conhecer o Harry, verá que ele é um jovem impressionante. — Disse o Sr. Kabir divertido.

— Porque não vamos para a sala de reuniões e prosseguimos com as negociações? — Sr. Edgar sugeriu e todos concordaram.

Quando estavam sentados, Harry percebeu que o Sr. Delacour ainda o encarava espantado e sorriu para o homem, tentando tranquilizá-lo.

— Em que ponto estamos, Sr. Edgar? — Perguntou Harry.

— Temos um acordo de sociedade justa, Harry, os números estão esclarecidos e, ao avançarmos com as assinaturas, podemos encontrar um local para a Fábrica. — Edgar disse estendendo o contrato para que Harry o lesse.

— Me parece bom... — Harry disse ao terminar a leitura. — Ter a fabricação dos cosméticos e perfumes aqui, os tornará mais baratos e gerará empregos, que era o nosso principal objetivo. Estamos buscando resolver a questão da matéria prima? Porque acredito que seria inteligente que pudéssemos produzir parte da matéria prima, isso baixaria os custos e garantiria a qualidade.

— Nós comprarmos a matéria prima de um fazendeiro francês. — Disse Sr. Clement. — Sua flores, plantas, frutas e raízes são de alta qualidade e, por isso, temos os melhores perfumes, sabonetes, hidratantes e shampoos. Ele é um produtor trouxa, pois no mundo mágico não temos fazendeiros de flores e plantas... quer dizer, existem os herbários mágicos que vendem plantas mágicas para poções, mas não é o que utilizamos para fazer cosméticos, claro.

— Hum... — Harry acenou pensativo. — Acredito que está na hora de mudarmos isso, então.

— Como assim? — Sr. Delacour pareceu confuso, ao ver as expressões animadas e conformadas de Edgar, Sirius e Falc.

— Ele quer dizer que devemos, além de abrir a Fábrica de Cosméticos, iniciar a produção da matéria prima. — Disse Edgar sorrindo.

— Importar a matéria prima da França não me interessa, pois se plantamos e colhermos aqui mesmo e com a mesma qualidade, teremos a chance de aumentar as nossas opções de produtos cosméticos. Podemos, inclusive, criar uma linha mais popular e acessível, além da linha atual que é mais cara. E, isso nos dará mais vagas de empregos. — Apontou Harry inteligentemente.

— Isso é muito interessante. — Sr. Clemente disse pensativo. — Mas, nós não entendemos nada de agricultura ou plantações de flores, árvores e plantas. Esse fazendeiro que nos fornece os produtos extrai os óleos naturalmente das árvores, assim como produz flores e plantas de maneira orgânica e natural, sem química.

— Temos muito orgulho dos nossos produtos serem todos naturais, sem química trouxa e sem magia. — Disse Sr. Delacour.

— Isso é maravilhoso, porque minha família é uma das maiores produtoras de alimentos naturais do Reino Unido. — Disse Harry orgulhoso.

— Na verdade, as Fazendas Potters são os maiores produtores de alimentos naturais do Reino Unido. — Disse Falc.

— Oh! Veja, ainda não sabia disso. —Harry disse divertido. — Olha, entendo que essa não é a especialidade de vocês, mas acredito que devemos dar esse passo.

— Bem... — Clement olhou para Delacour que deu de ombros. — Teremos que ver a qualidade do que vocês produzirão, claro, e podemos listar todos os tipos de matérias primas que precisamos para a produção da fábrica. Saber que vocês têm pessoal especializado e terras para o plantio me faz acreditar que tudo o que precisam é decidirem fazer isso. Nós, como sócios da fábrica, teremos prazer em comprar as matérias primas.

— Desde que se mantenha a qualidade e preços justos. — Interveio Delacour.

Harry acenou entendendo que eles não tinham interesse em se tornarem sócios da fazenda e, na verdade, isso era o melhor, em sua opinião.

— Harry, está pensando em mudar a produção de uma das fazendas? — Falc perguntou curioso.

— Não, a menos que no futuro precisemos aumentar a produção. — Harry disse. — No momento, quero que iniciamos esse novo projeto na minha ilha, no Norte.

Isso gerou exclamações de Sirius e Falc, Edgar sorriu e bateu palmas.

— Sabia que tinha uma carta na manga! — Ele disse rindo.

— Na verdade, eu tenho duas. — Harry disse sutilmente. — Sr. Delacour, Sr. Clement, quando iniciamos nossa sociedade a alguns meses, na abertura da Essence Spéciale, nunca me preocupei em lhes perguntar sobre o que cada um de vocês pensam sobre fatos importantes do nosso mundo. Quando a GER contratou cada um dos seus funcionários, buscamos selecionar pessoas de mente aberta, sem preconceitos ou intolerantes. Como eles são, em sua maioria, nascidos trouxas ou mestiços que vivem sendo discriminados pela sociedade mágica, isso não foi tão difícil, pois eles, melhor do que ninguém, entendem a segregação. — Harry os viu acenar um pouco confusos. — O critério para a escolha dos sócios das lojas do Beco Diagonal também seguiu alguns critérios, mas, claro, menos rígidos. Honestidade, capacidades, boas ideias e muita vontade de trabalhar foram alguns dos pontos principais. No entanto... — Harry apontou para o contrato. — Preciso de um pouco mais que isso dos senhores antes de assinar esse contrato.

— Mais? — Clement pareceu confuso.

— Você quer dizer, uma parte maior da sociedade? — Delacour perguntou parecendo chateado.

— Não, não. — Harry acenou negativamente. — Os valores acordados pelos meus adultos estão bons para mim. O que eu preciso, é saber o que vocês pensam dos lobisomens.

— Lobisomens? — Clement perguntou surpreso.

— Je ne comprends pas. — Delacour disse perdido.

— Sim. Me digam o que pensam dos lobisomens e das leis segregadoras impostas pelo Ministério da Magia do Reino Unido. — Harry solicitou atento.

— Bem... eu não sei o que isso pode ter a ver, mas... — Sr. Clement suspirou. — Abomino preconceitos e discriminações, Harry. Sou meio indiano e meio francês, minha família indiana não me aceita totalmente, eles são muito tradicionais. Minha família francesa é maravilhosa e ama minha mãe e a mim incondicionalmente. Foi com eles que aprendi sobre a tolerância, a aceitação das diferenças e sobre o amor ao próximo. Infelizmente, nem todos os franceses são liberais assim, mas, os ingleses são muito piores. A xenofobia que enfrentei ao longo dos anos em que tentei abrir minha loja aqui, não veio de pessoas comuns, não. Fui discriminado pelo seu Ministério e por suas leis... assim, se existem leis que fazem isso com os lobisomens, elas estão erradas e são muito cruéis, pois, a maioria dos lobisomens são pessoas boas e inofensivas que precisam de ajuda e não de abandono.

Harry não expressou o que pensava sobre suas palavras, apenas se virou para o Sr. Delacour que respirou fundo, fez um bico pensativo antes de soltar o ar.

— Bem, concordo com tudo o que disse o Kabir, por isso somos amigos a mais de 30 anos, nos conhecemos na escola e sempre nos aceitamos mutuamente ou qualquer outro ser mágico ou não mágico. — Ele pareceu hesitar antes de sorrir carinhosamente. — Minha mulher é meia veela e nossas filhas um quarto veela, na França, minha família não sofre preconceitos e podemos viver livremente, com algumas poucas exceções de famílias antigas e tradicionais que não aceitam a mistura de raças. Infelizmente, não é assim em todos os países da Europa, o seu Ministério tem leis contra casamento e procriação entre diferentes seres mágicos, incluindo veelas e lobisomens. E, assim como Kabir, não apoio ou aceito este tipo de pensamento.

Harry sorriu ao perceber a sinceridade dos dois, mas, ainda olhou para os seus adultos questionando suas impressões. Os três acenaram afirmativamente.

— Bem, acredito que o destino fez bem em nos unir, então, porque eu tenho uma ideiazinha muito importante e precisarei da concordância dos meus futuros sócios. — Harry disse com diversão.

— Qual ideia? — Sr. Clement perguntou olhando para Edgar confuso.

— Não olhe para mim, Kabir. Eu não sei de nada e, como disse antes, as reuniões com o Harry são sempre as mais interessantes, pois ele sempre tem as melhores ideias. — Disse Edgar erguendo os braços em autodefesa.

— Espere. — Delacour olhou espantado para Edgar, Falc e Sirius. — A ideia da GER, as sociedades, a reforma do Beco... foi tudo ideia da criança?

— Sim. — Edgar disse sorrindo e com os olhos brilhando. — Isso inclui o Festival e uma maneira de enganar o Ministério com as sociedades.

— Eu apenas pensei no todo, Sr. Delacour, o resto, os detalhes e todo o trabalho duro foram dos meus adultos e dos nossos funcionários, que são incansáveis e muito competentes. — Harry disse timidamente.

— Ainda... isso é impressionante! — Exclamou Delacour abismado.

— Harry, qual a sua ideia, ainda não entendi. — Perguntou Falc preocupado.

— Ah, bem, eu ainda não sei qual a estimativa de postos de trabalhos que criaremos com a Fábrica de Cosméticos...

— Uns 50, inicialmente. — Disse o Sr. Clement. — Se abrirmos uma loja no mundo trouxa como planejamos, podemos dobrar isso nos próximos meses.

— Bem, isso é bem menos do que eu gostaria. — Harry disse com uma careta. — Mas, suponho que com parte da ilha se tornando uma fazenda de produtos naturais para a fábrica, esse número crescerá.

— Eu não sei o tamanho dessa ilha, claro, ou qual o tamanho da produção que você pretende iniciar. Temos também que considerar a magia, nosso fazendeiro francês é trouxa e tem uma fazenda de porte médio e, obviamente, não somos seus únicos clientes. — Clement expôs rapidamente. — Sua fazenda tem, na época das colheitas, uns 350 ou 400 funcionários de uma vez. Você deve reduzir uns 30 ou 40% no resto do ano.

— Ok. — Harry acenou pensativo. — Bem, suponho que terá que ser um pouco de cada lugar.

— Não entendi. — Disse o Sr. Clement.

— Ah, apenas um pensamento, ficará mais claro quando lhes contar a minha proposta. — Disse Harry sorrindo. — O que quero lhes propor é que essas possíveis 50 vagas de empregos ou mais, sejam destinadas a comunidade dos lobisomens. — Os rostos de todos mostraram surpresa e Sirius riu divertidamente. — Seremos a primeira empresa neste país que emprega lobisomens em quase que a totalidade dos cargos e que descumprem a lei discriminatória e cruel do Ministério da Magia.

— Isso é brilhante, Harry! — Sirius disse animadamente.

— Eu também penso assim, além de ser muito possível e resolver, pelo menos em parte, como os ajudaremos. — Disse Falc pensativo.

— Eu concordo. — Edgar falou pensativo. — E, já digo que podemos começar a seleção o quanto antes, estive estudando sobre a indústria de cosméticos naturais e pretendo visitar a fábrica que eles têm na França. Isso me dará a segurança para auxiliar na montagem da nossa fábrica.

— Fico feliz que me apoiem. — Harry sorriu agradecido para os três. — A questão é se os senhores concordam com a minha ideia. — Harry encarou os dois franceses que os olhava espantado.

— Harry, não temos nenhum problema com lobisomens, como dissemos, mas se é ilegal contratá-los, como faremos isso? E, sobre a lua cheia? — Sr. Clement perguntou.

— Bem, assim como a loja, a fábrica deverá ser, aos olhos do Ministério, uma empresa da Família Potter e isso nos dará a proteção que precisamos, pois, os negócios de família antigas não são questionados ou monitorados. — Disse Harry objetivamente e Clement acenou. — Quanto a lua cheia, a fábrica terá que parar todos os meses por três dias, um dia antes, o dia da lua cheia e um dia depois. Respeitaremos sua condição, que é uma questão de saúde e seremos humanos, pois é impossível pensar só em dinheiro, lucros e ignorar o mais importante. A vida.

— Bem, suponho que seja razoável, claro, podemos colocar uma hora a mais de trabalho todos os dias para não corrermos o risco de não termos produtos para vender. — Clement disse e olhou para Delacour que encarava o Harry com uma estranha expressão. — Émile?

— Apenas, queria saber o quão importante é isso para você, Harry? — Delacour disse suavemente.

— Muito importante. — Harry disse seriamente. — Tão importante que suas respostas definirão ou não se assinaremos esse contrato. — Ele apontou para os papeis que estavam sobre a mesa.

Um silêncio estranhamente tenso se fez na sala de reuniões e, apesar de não concordarem com a imposição do Harry, nenhum dos seus adultos o questionou.

— Foi o que pensei. — Delacour o encarou e, de repente sorriu animado e bochechudo. — Se precisar da minha concordância, você a tem! Acho uma ideia brilhante! Kabir! Ajudaremos muitas dessas pobres pessoas!

— Eu concordo também, mas... — Clement encarou o Harry curioso. — Como contrataremos esses lobisomens? Pelo que sei, todos são muito desconfiados e vivem isolados nas florestas, duvido que confiarão em nós, se tentássemos encontrá-los.

— Ah, bem, lembra-se da ilha que falei antes? — Harry perguntou com um sorriso malicioso.