Olá! Espero que todos estejam seguros e bem! Mais um capítulo! Espero que gostem e revisem para me dizer que sim ou não!
Uma revisão apenas, espero que não tenha muitos erros.
Se mantenham seguros! Até mais, Tania
Capítulo 73
Mais tarde, depois das despedidas, alguns detalhes discutidos e com os contratos devidamente assinados, Sirius aparatou com o Harry na Casa dos Gritos.
— Acho que foi uma noite produtiva. — Harry disse animadamente. — O que você acha?
— Penso que você foi brilhante como sempre. — Sirius disse bocejando. — E, tem muito mais energia do que eu.
— Me senti assim desde que matei a Freya, com mais energia e disposição. — Harry disse curioso. — Sabe, durmo menos, mas não sinto cansaço ou sono.
— Você já falou com a Madame Pomfrey? — Sirius perguntou preocupado.
— Tenho uma consulta amanhã e não posso falar sobre a basilisco, mas, lhe direi que tenho me sentido mais forte. — Disse Harry dando de ombros.
— E sua magia? Alguma mudança? — Sirius questionou.
— Não sei, me sinto mais energizado, mas, não sei se isso tem a ver com minha magia. — Harry se alongou e suspirou. — Parece mais físico, sabe, meu corpo está diferente, mais forte e, nos primeiros dias, eu senti muito estranho, como se tivesse que me ajustar a um corpo diferente.
— Bem... a basilisco tinha muita energia mágica, impossível saber o que pode acontecer em uma situação tão única e especial. — Sirius disse suavemente. — Me envie uma carta depois, contando sobre a consulta. Ok? — Harry acenou. — Queria saber se tudo bem eu vir com a Denver no dia em que ela trouxer a poção restauradora, podemos usar essa passagem secreta mesmo.
— Tudo bem você vir, Sirius, mas, esse caminho é o mais distante da enfermaria e não podemos correr o risco de vocês serem visto. — Harry disse preocupado. — Acredito que a passagem por traz do espelho ou da corcunda de um olho só sejam as melhores opções e vocês podem se desiludir antes de irmos rapidamente até os petrificados.
— Mas, a passagem do espelho não estava desmoronando? — Sirius franziu o cenho.
— Eu concertei com a ajuda dos gêmeos, tem algumas armadilhas, assim, não entre no túnel de uma vez. Me contate pelo espelho, que vou até vocês e as desfaço. — Disse Harry.
— Harry, tenho certeza que consigo lidar com algumas armadilhas feitas por estudantes. — Sirius disse exasperado.
— Tudo bem, então, mas, depois não diga que não te avisei. — Harry sorriu com malícia. — Agora que decidiu não ser mais um auror, você já sabe o que fará?
— Ah, além de ajudar você a salvar o mundo mágico? — Sirius riu divertido quando Harry fez uma careta de constrangimento. — Eu tenho algumas ideias sim, a principal é mudar a minha reputação e me aproximar dos membros da Suprema Corte. Também quero apresentar alguns projetos de leis, não sei como fazer isso, mas pretendo estudar e pedir ajuda ao Falc e ao Sr. Boot. Também tenho uma pesquisa importante a fazer sobre um tal Tom Riddle.
— Ah, bem, parece-me que você estará muito ocupado nos próximos meses. — Harry disse. — Não se tornar mais um auror está te incomodando?
— Menos do que eu pensei que incomodaria. — Sirius disse sincero. — Estou decepcionado, ao mesmo tempo, estou me despedindo de uma vez do Sirius Black de antes de Azkaban. Eu tentei segurar partes de quem eu era porque, quando deixei a prisão, estava muito perdido e sem uma identidade. Estive com minha terapeuta esta semana e percebemos que, finalmente, estou mais forte, centrado e pronto para entender e aceitar que aquele Sirius morreu. Quem eu sou hoje, não quer ser um auror, Harry.
— O que você quer ser? — Harry perguntou curioso.
— Ainda não sei, apenas, sei o que eu não quero ser. — Sirius disse e se aproximando apertou seu ombro ao encará-lo nos olhos. — Sei também que você é minha prioridade e não pretendo me distrair dos nossos planos.
— Bem, mas, se você descobrir o que quer fazer, deve fazer, Sirius, isso é importante também. — Harry defendeu suavemente e, hesitante, decidiu pedir sua ajuda sobre as perguntas que rondavam sua mente a uma semana. — Sabe, queria te perguntar uma coisa...
— O que? — Sirius se mostrou curioso por sua hesitação.
— Lembra-se quando Serafina falou sobre almas gêmeas? — Harry disse e encarou o chão com certo constrangimento.
— Sim e me lembro que te disse que um dia você encontraria a sua. — Disse Sirius confuso pelo assunto inesperado.
— Mas... como eu saberei se a encontrei? — Harry disse confuso. — Eu vou sentir o que? Tem algum tipo de ligação?
— Ai, melhor sentarmos para termos essa conversa, que está um pouco mais cedo do que eu esperava, sinceramente. — Sirius conjurou duas poltronas e eles se sentaram. — Ok, não existe uma ligação óbvia ou mágica que te aponte para a sua alma gêmea, Harry. E, você pode gostar ou se sentir atraído por uma garota ou garoto, mesmo que eles não sejam a sua alma gêmea. Na grande maioria das vezes, as pessoas não se casam com as primeiras pessoas que sentem atração ou afeto, que beijam ou transam. Graças a Merlin por isso, ou eu estaria casado a muito tempo com uma querida amiga e nós dois somos só amigos.
— Mas... com meus pais foi diferente, certo? — Harry perguntou ansioso.
— Sim, mas que eu saiba os dois foram a encontros e beijaram outras pessoas, apenas foram a primeira transa um do outro. — Sirius disse. — Eles são algumas das exceções, que acontece muito em Hogwarts, porque é possível que estejamos estudando aqui com nossa alma gêmea. Falc e Serafina estavam aqui, quase que ao mesmo tempo, em casas diferentes, ele um ano a frente dela e os dois só se conheceram fora de Hogwarts.
— Mas, como sabemos? Quer dizer, se as pessoas vão a encontros com outras pessoas, como eles sabem quando encontraram a sua alma gêmea? — Harry perguntou confuso.
— Ah, bem... Harry, você entende que muitas vezes as pessoas não prestam atenção aos sinais e se casam com as pessoas erradas. Certo? — Harry fez uma careta para a ideia. — Isso acontece mais no mundo trouxa, pois eles não têm a magia para guiá-los. Você precisa ouvir a sua magia, Harry, ela lhe dirá se o que você sente é mais do que atração, mas... — Sirius o encarou. — Isso é um pouco cedo, Harry, você nem começou a puberdade direito, não pode me dizer que se sente atraído ou gosta de uma garota ou um garoto.
— Não é isso... — Harry se perguntou se devia ou não falar e bagunçou mais os cabelos.
— Vamos lá, seja o que for, você pode falar comigo. — Disse Sirius tranquilamente e Harry acenou.
— Bem, mas é confuso e não quero de zombe de mim. Ok? — Harry o encarou seriamente.
— Ok. Eu não faria isso sobre algo que é tão importante para você. — Sirius esperou calmamente.
— Bem, o Portal Adler me fez sentir um cheiro no Natal, lembra? — Sirius acenou e Harry continuou. — As vozes...não era uma voz apenas, eram como um coro de vozes suaves, me disseram, "não se esqueça do cheiro, guerreiro". Era o melhor cheiro do mundo, Sirius, me deixou com as pernas bambas, meu coração se aqueceu e acelerou... me fez sentir uma emoção maravilhosa e eu queria sentir esse cheiro para sempre. — Harry corou um pouco a sua descrição sincera. — Depois, eu tive um pesadelo horrível... Quando visitamos a fazenda em Godric, bem, naquela noite, pouco antes de você me acordar para me avisar sobre o ataque, eu já tinha acordado de um pesadelo horroroso. Era como se algo tentasse me afastar do cheiro e das fitas de fogo...
— O que? — Sirius estava perdido.
— No Portal, além do cheiro, apareceram essas fitas de fogo, que me acariciavam mornamente e minha magia parecia gostar, apreciar o calor. — Harry explicou e Sirius acenou. — Então, naquela noite, além do cheiro, eu sonhei com as fitas de fogo, que eram como seda, suaves e quentes, mas, uma escuridão tentava me afastar... De repente, me vi em Godric's Hollow e ouvi um bebê chorando, pensei que fosse o Jason e tentei alcançá-lo, ajudá-lo, mas, não o encontrava. Então, eu estava em frente o Chalé Iolanthe e, depois... no cemitério, onde tinha dois caixões abertos ao lado das sepulturas e me aproximei para ver... pensei que veria meus pais, mortos, pálidos e frios... Mas, eles estavam apodrecidos, decompostos e... o cheiro...
— Merlin. — Sirius sussurrou ficando tão pálido como um fantasma. — Por isso disse que queria cremá-los, porque acredita que eles não gostam do que aconteceu com seus corpos.
— Acredito que se o desejo da pessoa é ser cremada, ela não ficaria feliz se isso não acontecesse. — Resumiu Harry com firmeza. — Eu acordei e o cheiro de podridão era tudo o que eu podia sentir, vomitei, tomei um banho e me deitei de novo, mas, o cheiro não me abandonava, Sirius. Então, você me acordou...
— Porque não me disse? — Sirius perguntou preocupado.
— Com o ataque ao Beco, nada era mais importante. — Harry suspirou. — Mas, quando eu atravessei o Portal sob a capa, as vozes voltaram a me envolver com o cheiro e a repetir urgentemente que eu não o esquecesse. Eu não sei como, mas, isso afastou o cheiro da morte, Sirius e eu prometi que não o esqueceria. Mas... as vozes me responderam e me deram outra mensagem.
— Qual? — Sirius perguntou surpreso que o Portal lhe dera tantas informações.
— Elas disseram: "Quando o encontrar, não desista das chamas, Guerreiro, elas fazem parte da sua alma". — Harry disse suavemente. — Eu não entendi... até que encontrei o cheiro.
— Não entendo. — Sirius estava muito confuso. — O que era o cheiro ou as chamas?
— Era a garota que estava sendo controlada por Riddle. — Harry explicou.
— O que? — Sirius não conseguiu esconder o choque.
— O cheiro me ajudou a encontrar a garota, Sirius... — Harry hesitou em dar informações. — Quando eu estava procurando por ela, nem pensei no cheiro, mas, ao me atacar para pegar o diário, a garota chegou bem perto de mim. Me disse que sentia muito, que faria o necessário para destruir o diário e me proteger, ela estava tão desesperada, culpada e sozinha. — Harry fechou os olhos lembrando-se da tensão e desespero. — O cheiro do cabelo dela me fez entender que ela era o cheiro que eu não deveria esquecer. Mas, não tinha como eu saber quem ela era, então, segui as pistas e, quando o nome dela surgiu em minha mente, peguei um cartão de São Valentin que ela tinha me enviado e o cheiro dela estava lá, foi então que compreendi que ela era quem estava sendo controlada por Voldemort.
— Ok. — Sirius refletiu sobre isso. — O cheiro do cabelo da garota que você deveria encontrar e salvar, foi lhe mostrado pela magia do Portal. Isso vai de encontro com a sua intuição de que você não deveria desistir de encontrá-la. Incrível como a magia já sabia e quis te ajudar a salvá-la.
— Sim, mesmo antes disso, eu sentia uma urgência, Sirius, que eu precisava encontrá-la e ajudá-la. Você sabe que estou muito conectado com a minha magia, minha intuição e, tudo em mim, em minha alma e magia, dizia que eu não deveria contar ao aurores o que sabia. E, que eu precisava ajudá-la, pois ela estava sofrendo e em grande perigo. — Harry disse tentando explicar os sentimentos daqueles momentos angustiantes.
— Você podia sentir isso? Que ela estava sofrendo? — Sirius perguntou curioso.
— Sim, era angustiante, porque eu não conseguia encontrá-la. — Harry disse e suspirou. — Antes, eu percebi que ela estava com algum problema, mas todos pareciam preocupados ou tristes com os ataques, assim, conversei com o seu irmão e ele me disse que ela estava bem, apenas tendo alguns pesadelos.
— Porque não perguntou pessoalmente? — Sirius questionou.
— Ah, porque sou um idiota. — Harry disse passando as mãos pelos cabelos. — Ela é tímida e sempre que tentei me aproximar, ela fugiu, literalmente, assim, parei de insistir, mesmo que eu quisesse ser seu amigo. Também, estava tão ocupado com a investigação que achei que era mais importante me concentrar nisso e, seu irmão me garantiu que ficaria de olho nela...
— Não é sua culpa, Harry. — Disse Sirius ao ver o peso da culpa sobre o afilhado.
— Não, assim como não é culpa dela, mas, nós dois não podemos evitar o que sentimos, Sirius. — Harry suspirou. — Acredito que quando os petrificados retornarem a nossa convivência ou, quando eu tiver certeza que ela está bem, a culpa nos deixará.
— Ok. E você descobriu o que a mensagem sobre as chamas significava? — Sirius questionou curioso.
— É ela, Sirius. — Harry disse desconcertado. — Ela é as chamas.
— O que? — Sirius ficou perdido.
— A mensagem dizia, quando encontrar o cheiro, não desista das chamas. Lembra-se quando eu disse que no Portal e nos meus sonhos, tinham fitas de fogo quente e sedosas? — Sirius acenou. — Bem, quando eu precisei olhar para ela com minha magia, os olhos fechados por causa da basilisco, eu vi a sua magia e eram como fitas de fogo, vermelhas e quentes, Sirius. Eu consigo ver todos os seres vivos, os mágicos têm cores específicas e as dela eram exatamente como as chamas do Portal! — Harry disse, ainda impressionado com isso. — Todas essas semanas, eu sonhei com essas fitas e elas me envolviam, quentes e suaves. Então...
— Então? — Sirius perguntou suavemente.
— Quando lutávamos contra Riddle, para quebrar a sua conexão com o diário... ela foi muito forte e corajosa, pois ele a estava machucando e a tinha enfraquecido muito. — Harry disse com orgulho. — Bem, Riddle percebeu que ia perder e decidiu matá-la de qualquer forma, em dado momento, ele me disse para matá-la, se eu queria vencê-lo, eu só tinha que desistir dela e matá-la.
— Mas o Portal disse, não desista das chamas... — Sirius disse pensativo.
— Sim. Percebi, naquele momento, que ela era as chamas que eu não deveria desistir, mas, desde que tudo acabou, não me sai da cabeça o que mais a magia do Portal me disse. — Harry suspirou. — "Elas fazem parte da sua alma".
— Harry... — Sirius o encarou impressionado. — Você está pensando...
— Eu não quero pensar. — Harry se levantou e andou de um lado para o outro. — Estou fugindo de pensar em tudo isso nesta última semana, uma parte de mim está meio constrangida e confusa. Outra, não quer saber porque é loucura, mas, outra quer saber e entender se isso é possível. Sirius, é possível que o que o Portal quis dizer é... você sabe... Isso? E, como eu saberei com certeza?
Sirius o encarou pensativo tentando saber o que fazer em uma situação tão inusitada.
— Sabe, tem algo que eu ouvi do seu avô uma vez que pode nos ajudar nesta situação. Na época, ele aconselhava o seu pai sobre sexo. — Sirius sorriu suavemente lembrando-se daquele momento. — Eu já lhe contei as circunstancias em que eu perdi a minha virgindade e, como todos os adolescentes cheios de hormônios, nunca deixei de ter algumas relações sexuais quando tive a oportunidade e uma companheira disposta. Seu pai não estava pronto ou interessado nisso até mais tarde, mas, então, ele estava apaixonado por sua mãe e as outras garotas não o atraiam. Um dia, no Natal do nosso sétimo ano, estávamos na Mansão Potter e seu pai tomou coragem e perguntou ao seu avô quando um homem sabe que é o momento certo para perder a virgindade. Quer dizer, no pensamento tradicional, para um homem, não existe um momento certo, não existe estar pronto, porque espera-se que sejamos machos e transemos com toda a saia que se movimente ao nosso redor, sem que questões sentimentais estejam envolvidas. No entanto, James tinha esperado pela Lily e, agora que eles estavam namorando, acredito que o desejo o estava consumindo, afinal, aos 17 anos... — Sirius parou e moveu a cabeça negativamente. — Deixa isso para lá, você saberá quando estiver com 17 anos.
— Ok. O que vovô respondeu para o meu pai? — Harry perguntou curioso.
— Ele disse que quando falou sobre sexo conosco anos atrás, James corou e ficou constrangido, envergonhado, mortificado, mal conseguiu fazer uma pergunta sobre o assunto. Coube a mim fazer as perguntas porque, neste ponto, eu não era mais virgem e eu queria aprender. — Sirius deu de ombros. — Fleamont disse que, se uma pessoa não está pronta para falar sobre sexo, apenas falar, sem ficar vermelho como um tomate e completamente mortificado, bem, então, ela também não está pronta para fazer sexo.
Harry acenou entendendo o raciocínio do seu avô e achou muito inteligente.
— Interessante.
— Sim. E, seu avô acrescentou que o fato de seu pai estar ali, conversando sobre sexo com ele, fazendo perguntas, interessado em seus conselhos e sem qualquer constrangimento, mostrava que James estava pronto. Apenas, ele tinha que respeitar sua namorada, descobrir se ela estava pronta e, então, os dois encontrarem o momento certo. — Concluiu Sirius suavemente. — Seus pais perderam a virgindade alguns meses depois, no dia do aniversário de 18 anos de James.
— E, você acha que esse conselho se aplica a mim? — Harry perguntou, entendendo onde o padrinho queria chegar.
— Sim. Pense, Harry, além de muito jovem, você não tem certeza se quer saber, está constrangido, meio chocado e, quando me perguntou, não conseguiu dizer em palavras completas aquilo que espera que eu te responda. — Sirius disse. — Mesmo que eu tivesse a resposta, você está pronto para ela se mal pode formular a pergunta? E, está pronto para viver com a verdade?
— Bem. — Harry analisou os próprios sentimentos. — Ok, acho... que ainda não quero saber, mas... fugir da realidade é o caminho certo? Estou confuso, Sirius.
— Ok, vamos por partes. Mesmo que você tivesse certeza da resposta, 100% de certeza, do fundo do seu coração... Lembre-se, não serei eu que lhe darei essa certeza, você tem que encontrá-la, mas, vamos supor que isso aconteça. — Sirius disse e Harry acenou. — Aonde isso te leva? Ela está pronta para saber? Vocês farão o que com essa informação? Eu não sei a idade dela, mas você é muito jovem para namorar, Harry. Vocês continuarão apenas amigos? Bem, vocês podem continuar amigos mesmo sem uma resposta neste momento.
— Bem... eu não sei se estou pronto e acho que ela também não está, principalmente depois de tudo o que passou. E, somos muito jovens... — Harry suspirou pensativo. — Nesta última semana, nos tornamos amigos facilmente, o constrangimento e timidez dela desapareceram como se nunca existissem e descobri que temo muito em comum. — Harry sorriu docemente ao pensar nela e não viu o olhar surpreso do padrinho. — Rimos muito juntos, o tempo todo e, é muito fácil conversar com ela sobre todos os assuntos. Ela é muito divertida e sarcástica, parece entender tudo o que eu falo sem muitas explicações e o que ela diz também faz sentido para mim, sabe.
— Hum... — Sirius disse tentando controlar o sorriso. — Ela parece ser uma garota muito especial, principalmente depois de tudo o que enfrentou, mas, acredito que é da sua amizade que ela precisa agora. E, sobre entender o que o Portal quis dizer, meu conselho é, não se apresse em encontrar uma resposta e escute a sua magia, pois, em algum momento, ela lhe dará a completa certeza e, acredito que esse momento acontecerá, quando você estiver pronto para saber.
Harry acenou e, apesar das dúvidas, sentiu-se estranhamente aliviado, pois entendeu que elas vinham do fato de que ainda era jovem e não estava pronto para as respostas.
— Ok. Obrigado, Sirius. — Ele disse sorrindo aliviado para o padrinho.
— De nada. — Sirius sentiu se emocionado e tentou disfarçar. — Sou eu que deve lhe agradecer, por confiar em mim depois de ter te decepcionado.
— Está tudo bem. Eu entendi e por isso aceitei sua reação, assim como as atitudes da Serafina, Terry e Hermione. — Harry disse sincero, depois suspirou. — Eu não gostei, mas entendi, apenas... preciso que compreenda, Sirius, esse é o meu destino e ninguém pode me impedir dele, seja por amor ou por ódio. O que quero dizer é que, Voldemort de 16 anos, os comensais da morte ou vocês, não me impedirão de matar Voldemort. No entanto, eu não sou tolo, sei que preciso treinar, estudar e me preparar para esse momento. Sei também que não vencerei sozinho, na verdade, sem todos vocês ao meu lado eu estaria mais fraco. O mais importante de tudo é que me recuso a fugir da realidade, Sirius.
— Como assim? — Sirius se mostrou curioso.
— Bem, eu poderia fingir que Voldemort demorará anos, décadas para voltar, assim, porque treinar tanto? Ou poderia pensar, se ele voltar antes, serão os adultos que resolverão tudo, afinal, sou um adolescente, o que isso tem a ver comigo? — Harry sorriu. — Seria fácil, tentar ser apenas outro aluno qualquer e acreditar que tudo o que aconteceu nos últimos dois anos, Quirrell e a Câmara, foram apenas aventuras que caíram no meu colo. Seria fácil fugir da realidade, mas, não seria inteligente porque, um dia, quando eu menos esperar, um inteiro e poderoso Voldemort estará na minha frente e não saberei o que fazer para me manter vivo, quanto mais destruí-lo. — Harry deu de ombros. — Talvez, se eu fosse um Gryffindor, esse seria o meu caminho, mas, eu sou um Ravenclaw e me orgulho de usar a minha inteligência em minhas decisões e ações. Se tenho esse destino, inevitável, porque Voldemort acredita na profecia e virá atrás de mim, bem, então, o que farei é muito simples. — Harry sorriu com malícia. — Usarei minha inteligência para criar a maior armadilha de todos os tempos, assim, no dia em que Voldemort finalmente recuperar o seu corpo, o farei desejar estar morto.
— Estou vendo que você tem algumas outras ideias. — Disse Sirius ao ver o seu sorriso.
— Algumas... — Harry olhou para o relógio. — Já passa da meia noite, Sirius, irei para cama, pois daqui a pouco tenho que me levantar para o treinamento na Caverna.
— E, claro, me deixará curioso... já percebi que você adora fazer um mistério. — Sirius disse exasperado.
Harry riu divertido e o abraçou antes de voltar para o castelo.
Pela manhã, depois de um bom treino e o café da manhã, Harry foi a sua consulta com Madame Pomfrey. Sentado na cama da enfermaria, ele balançou as pernas que não alcançavam o chão e pensou em como explicaria a curandeira qualquer alteração que pudesse haver em seus exames.
— Muito bem, Harry, no mês passado seus exames foram mais positivos, ainda que encontrei um pouco de exaustão e anemia. Por isso lhe disse que se alimentasse e dormisse mais e melhor, além de amenizar os seus treinos físicos. — Madame Pomfrey disse olhando o relatório do mês anterior. — Sei que quer aumentar os seus treinos, mas seus músculos ainda mostram alguma atrofia, Harry e seus ossos estão com falta de vitamina D, algo normal depois de um inverno tão longo, em combinação com seus problemas de saúde. Por isso, acredito que com a primavera e verão, além das poções regulares, você poderá estar quase completamente curado até o início do próximo mandato, em setembro.
— Quase? — Harry disse com uma careta. — Gostaria de estar completamente curado, Madame Pomfrey, até porque, a senhora disse que depois que fizer 13 anos, se iniciar o crescimento da puberdade, provavelmente as poções para os ossos não farão mais efeito.
— Verdade, Harry, mas, os seus ossos se solidificaram muito bem comparado ao que eram e, quando iniciar o crescimento físico da puberdade, acredito que estarão fortes o suficiente para lhe dar uma boa altura e musculatura. — Disse Pomfrey, preparando um novo pergaminho e pena para o exame de hoje.
Harry controlou a vontade de fazer uma careta, uma boa altura não era o que queria, ele queria a altura que teria se nunca tivesse passado fome nos Dursleys.
— Ok. — Disse apenas, não muito animado.
— Algum sintoma no último mês que deva me alertar? — Perguntou Madame suavemente.
— Não, na verdade, nunca me senti melhor. — Disse Harry sincero.
— Tem dormido e comido melhor, então? — Ela gesticulou para que ele se deitasse, assim mediria sua altura, peso e realizaria os feitiços diagnósticos.
— Nesta última semana sim, meu apetite voltou e durmo muito bem, mas, como não me sinto cansado, não tenho dormido muito. — Harry disse e não acrescentou que seu apetite e insônia tinham sido afetados pela tensão e ansiedade da investigação.
— Muito bem. — Ela acenou com a varinha e franziu o cenho levemente quando a pena marcou a altura e peso. — Boas notícias, você tem algum peso a mais, principalmente muscular e cresceu 3 centímetros no último mês.
— Verdade? — Harry arregalou os olhos surpreso, normalmente, 3 centímetros demoraria uns 6 meses para acrescentar a sua altura.
—Sim, isso é muito impressionante e me faz pensar que você entrará na puberdade antes do que pensei. — Ela disse pensativa. — A média dos adolescentes é de 0,7 a 1 centímetro por mês, mas a sua média estava estabilizada em 0,5. Esses três centímetros em um único mês sugerem que seu corpo está reagindo mais fortemente as poções e isso é muito bom. — Ela então acenou com a varinha realizando os feitiços do exame.
— Quando a senhora acha que entrarei na puberdade? — Harry perguntou ansioso, pois isso significaria um aumento da potência e força da sua magia.
— Hum... um segundo, Harry. — Agora, com o cenho mais franzido, Pomfrey acenou a varinha mais uma vez e observou os resultados serem reescrito pela pena no pergaminho. — Mas... o que?
— Tudo bem? — Harry sussurrou preocupado.
— Talvez seja a pena... — Ela disse distraidamente e refez todos os procedimentos desde o início até repetir os feitiços de diagnósticos. Sua expressão foi de choque e confusão. — Harry, você disse que tem se sentido melhor. Quando isso começou, exatamente? E, qual a sensação?
— Hum... — Ele hesitou, como explicaria sem falar da basilisco. — Porque? — Perguntou tentando ganhar tempo, mas Madame Pomfrey percebeu na hora.
— O que você não está me contando, Harry Potter? — Disse ela com voz afiada. — Trate de me dizer agora mesmo o que aconteceu!
— Madame... — Harry hesitou e olhou em volta meio imaginando se dava para fugir.
— Não tente me enrolar com esse, madame, quero saber o que aconteceu agora mesmo. Tem algo a ver com os seus estranhos e misteriosos comportamentos do último domingo? — Perguntou ela desconfiada e acenando com a varinha, tornou a enfermaria segura. — Pronto, ninguém poderá ouvir nada. Diga-me, estou esperando.
— Bem, eu não direi tudo, porque a maior parte não diz respeito a mim e não quebrarei minhas promessas. Ok? — Harry disse firme e a viu acenar relutantemente. — Posso apenas dizer que, no último domingo, eu entrei em um duelo mágico com a basilisco que estava andando pela escola...
— O que? — Sem fôlego de susto, Pomfrey se sentou bruscamente quando suas pernas ficaram bambas.
— Não se preocupe, nós planejamos tudo com muito cuidado e eu corri muito pouco perigo. — Harry disse apressadamente. — Usamos galos jovens para enfraquecê-la e... — Ele fez um resumo rápido do que fez e o porquê.
— Então, você usou um poderoso Athame cerimonial para matar um basilisco de mil ano e ofertar a sua morte, sua magia e essência de vida, para a magia natural. — Sussurrou ela assombrada.
— Sim. Quando percebi que os aurores não conseguiriam caçá-la e que caberia a mim matá-la, não quis que sua morte fosse indigna. Depois de ficar presa naquela câmara por mil anos, ela merecia ser livre e não que seu corpo fosse deixado para apodrecer. — Harry disse e pegou a adaga para mostrar a curandeira. — Quando a encontrei no meu cofre, algo nela me atraiu, senti que deveria trazê-la, mantê-la sempre comigo e, quando descobri sobre a basilisco, entendi o porquê. Foi muito bonito enviá-la para o início de tudo, saber que seu corpo se desfez em energia e se juntou a magia natural.
— E, foi desde então que você se sentiu diferente? — Pomfrey perguntou tensa.
— Sim. Nas primeiras horas, foi como se eu estivesse em um corpo diferente e precisasse me ajustar, me encaixar nesse novo corpo, mas, não era uma sensação ruim. — Harry acenou negativamente com a cabeça. — Na verdade, nunca me senti tão forte, madame, aquele cansaço ou sonolência desapareceram. Estou me sentindo cheio de energia e até aumentei o tempo de treino, mas, não sinto mais aquela exaustão no fim do dia. Meu apetite melhorou e tenho comido mais do que o habitual, além disso, não sinto que preciso dormir tanto. Sabe, nesta semana, sempre que precisei dormir mais tarde, acordei no outro dia bem-disposto e cheio de energia.
— Ok. — Ela o olhou pensativa. — O que aconteceu, no momento em que você matou a basilisco?
— Ah! Foi como uma explosão de energia. Pensei que a basilisco se desfaria depois de morta, mas, a magia estalou e seu corpo se tornou uma grande energia mágica que me jogou para o alto. — Harry disse ao se lembrar daquele momento. — A energia me atravessou, senti ela passar por todos os poros do meu corpo, mas não doeu, era suave e quente. Então, essa energia me segurou no ar e me pousou no chão suavemente, acariciou meu rosto em despedida e se desfez em todas as direções. Pude sentir como Freya estava feliz e grata por estar finalmente livre.
— Incrível! — Disse ela levando a mão ao rosto.
— Sim, realmente foi, Madame Pomfrey. E, é muito bom saber que Freya está livre. — Harry disse sorrindo.
— Não, Harry, incrível o que aconteceu com você. — Disse a curandeira. — Você disse que depois disso sentiu o seu corpo estranho, como se tivesse que se ajustar a ele.
— Sim, como se não fosse o meu corpo de sempre e eu precisasse me acostumar com um corpo novo. — Explicou Harry curioso com sua expressão.
— Isso porque você tem um corpo novo, Harry literalmente! — Exclamou Pomfrey meio assombrada.
— Hum?
— Você não tem mais nenhuma doença, Harry!
— O que? — Harry se sentou de tanta surpresa. — Como assim, eu não... O que?
— Eu não sei, mas, é bem claro. — Madame Pomfrey lhe estendeu o pergaminho. — Você não tem mais nanismo, ossos fracos ou porosos, atrofia muscular, anemia ou exaustão física. Todos os problemas de saúde que você apresentou a 1 ano e meio, que estamos tratando e veem evoluindo positivamente, desapareceram.
Harry, com a boca aberta, leu as palavras no pergaminho, "Não consta nenhuma enfermidade".
— Mas... Madame Pomfrey... não entendo. O que... Porque? — Ele se sentia absolutamente assombrado.
— Eu não direi que entendo, Harry, mas, o tratamento deveria continuar pelo menos até agosto, talvez setembro. Há um mês detectei dificuldades em seus ossos em absorver os nutrientes que precisava para se tornarem mais fortes e, verdadeiramente, ainda poderia levar mais um ano até que estivesse completamente curado. — Madame Pomfrey disse sincera. — No entanto, aqui consta exatamente isso, você está completamente curado e, eu diria, seu corpo nunca esteve tão saudável.
— Verdade? Não tenho nem mesmo anemia? Ou... fraqueza muscular? — Harry perguntou assombrado. Seus músculos e ossos fracos eram sua maior tristeza, pois, além de não conseguir treinar mais fortemente, havia a perspectiva real de que ele não seria tão alto quanto deveria ser.
— Deite-se, refarei todos os feitiços. — Ela pediu seriamente e Harry obedeceu.
Por mais 5 minutos, ela moveu sua varinha sobre ele em um desenho intrincado, até que parou com um suspiro.
— O que? — Harry perguntou tenso.
— Incrivelmente, o resultado do diagnóstico parece mostrar que você nunca esteve doente, Harry. — Pomfrey disse e se sentou surpresa. — Seus ossos estão perfeitos, como se nunca tivessem tido fraquezas, assim como seus músculos, nunca terem sofrido de atrofia. Seus órgãos, estômago, sangue, tudo saudável a um nível que eu não acreditaria se não estivesse vendo por mim mesma.
— O que isso quer dizer? — Harry perguntou ansioso.
— Eu diria que o seu duelo com a basilisco e a explosão mágica resultante disso, lhe presenteou com uma regeneração física, Harry. — Disse ela suavemente. — Exatamente porque isso aconteceu, creio ser impossível determinar. Poderia ser um presente da basilisco por libertá-la ou da magia por sua nobre oferenda. Ou, poderia ser apenas um acidente, uma consequência inesperada e casual, afinal, você teve o seu corpo em contato com uma grande quantidade de energia mágica positiva, ou seja, uma magia que não o viu como um inimigo e até, segundo as suas palavras, o agradeceu e protegeu.
— Mas... — Harry estava sem fôlego. — Eu... não entendo...
— Harry, basicamente, você teve que se ajustar ao seu corpo nos últimos dias porque ele é um corpo saudável e forte, algo que você nunca teve antes. Sua magia se mostra como deveria ser para a sua idade, portanto, está mais forte do que era antes, porque agora o seu corpo pode suportar esse aumento. Não é um aumento tão grande que você sentiria no dia a dia das aulas, mas, se tentar alguns feitiços mais avançados, verá que os fará com mais facilidade. — Explicou Pomfrey objetivamente.
— Mais forte? Minha magia está mais forte e... meu corpo está regenerado? — Harry perguntou abismado. — Quer dizer que eu não tenho mais nanismo? Que estou com o corpo que teria se nunca...
— Sim, e o seu crescimento de 3 centímetros em um mês mostra isso. Acredito que nos próximos meses, você chegará a altura que teria se nunca tivesse vivenciado a desnutrição na infância. — Pomfrey sorriu entre espantada e feliz. — Por isso, também posso supor que a sua puberdade chegará mais cedo, 13 anos e não 14 ou 15 como eu previa antes.
Harry não sabia o que dizer, não podia pensar ou formular palavras para algo tão incrível e especial. Um presente, da magia ou de Freya, não importava, mas tinha certeza que era um presente. Seus olhos se encheram de lágrimas ao pensar que todos aqueles anos de tormento e fome não o prejudicaria mais, física ou magicamente.
— Eu não serei mais um nanico... — Sussurrou espantado e, sem poder se conter, explodiu em lágrimas.
— Harry! — Pomfrey sentiu o coração se apertar ao ver sua emoção. — Tudo bem, chore. — Sussurrou batendo carinhosamente em seu ombro enquanto Harry afundou o rosto no travesseiro e soluçou. — Chore tudo o que precisar, coloque a dor e o alívio para fora, mas, também se permita sentir a alegria deste lindo presente, doce menino.
Quando deixou a enfermaria meia hora depois, sem uma única poção e com um atestado de alta dos tratamentos, Harry tinha o maior dos sorrisos e caminhava com passos leves. Ainda não podia acreditar que era verdade, mas não iria questionar, apenas agradecer e colher os frutos. Primeiro, cresceria para ser tão ou mais alto que seu pai e Sirius. Segundo, com o físico saudável, poderia treinar mais forte, ganhar mais massa muscular e deixar de ser um magricela. Terceiro, com um corpo forte, sua magia poderia se desenvolver em todo o seu potencial, sem mais restrições. E, com uma magia mais forte, maiores seriam as suas chances de vencer Voldemort. Ah! Aquele maldito não perdia por esperar, pensou Harry, animadamente.
Olhando o relógio, percebeu que só tinha tempo para pegar um lanche rápido antes de ir para o campo se encontrar com a Ginny como combinaram. Depois de pegar um sanduíche e algumas frutas extras para sua nova amiga, Harry desceu até o campo de quadribol com um sorriso tão grande que o dia parecia estar ensolarado e bonito quando, na verdade, estava meio cinzento e frio. Mas, não havia chuva ou neve e era o dia mais quente em muito tempo, assim, eles tinham combinado de voar um pouco hoje, pois estavam muito ansiosos para esperarem a primavera chegar.
A verdade é que Harry a convidara, pois tinha um plano e Ginny não pode lhe dizer não quando prometeu deixá-la voar em sua Nimbus 2000.
Quando se aproximou do campo, Harry viu as duas pessoas que queria nos lugares esperados e sorriu animadamente.
— Ginny? — Harry gritou acenando de longe e a viu se virar para ele e sorrir aliviada. — Desculpe o atraso! Passei na cozinha para pegar um lanche, pois estou faminto!
— Tudo bem. — Respondeu ela com um grande sorriso quando Harry se aproximou mais. — Estava na dúvida se você teria se esquecido.
— Jamais esqueceria, estou ansioso por isso, acredite. — Harry disse e, pegando do bolso, lhe estendeu um pequeno pote com framboesas graúdas, morangos e mirtilos. — Aqui. Também peguei um sanduíche extra, você já lanchou? — Perguntou lhe estendendo um sanduíche de frango, cenoura e queijo, ele também tinha um para si mesmo.
— Obrigada. — Disse ela surpresa. — Eu tomei café da manhã e ia almoçar mais tarde.
— Não, não, Ginny. — Harry disse engolindo sua mordida antes de falar. — Com os treinos, para ter energia, ganhar massa muscular e se recuperar física e magicamente, você precisa fazer mais do que três refeições. Precisa comer de três em três horas, os lanches da manhã, da tarde e da noite são importantes. Frutas, sucos, leite, às vezes, um sanduíche com proteína precisa ser acrescentado a sua dieta diária.
— Oh..., mas, eles não servem isso no Grande Salão... — Disse Ginny confusa.
— Um erro que espero que eles corrijam em breve. Enquanto isso, você pode ir até a cozinha que os elfos a servirão do que quiser e farão isso com prazer. — Disse Harry e, depois de terminar o sanduíche, pegou algumas frutas do pote, mas deixou as framboesas para Ginny, pois eram as suas preferidas.
— Eu não sei onde fica a cozinha. — Ginny disse fazendo um bico mal-humorado com a boca mais vermelha pelos sucos das framboesas.
— Eu posso te mostrar depois... — Harry começou a dizer, mas se interrompeu ao olhar para o seu rosto e ver seu bico bonito. Sua barriga deu uma guinada estranha e, de repente parecia verão, pigarreando, ele desviou o olhar e encarou as arquibancadas percebendo que seu tempo se esgotara. — Vamos voar?
— Sim! — Ginny exclamou com entusiasmo. — Peguei essa vassoura lá no galpão.
— Eu voo com ela e você pode voar com a Nimbus. — Harry disse tirando a vassoura do bolso e usando a varinha para crescê-la ao tamanho normal. — Depois que se acostumar com ela, podemos fazer alguns exercícios de apanhador.
Ginny acenou com um grande sorriso e olhos brilhantes que não desgrudavam da vassoura. Harry estendeu-a e ela saltou excitadamente para frente, pegou a vassoura, montou e subiu ao céu em um zum rápido e cheio de energia, como um raio. Olhando espantado para o borrão, Harry mudou o pensamento, era mais como um raio vermelho ou uma chama elétrica. Querendo acompanhá-la, Harry montou na vassoura da escola e alçou voo sentindo uma alegria tão grande que nem se importou com a lentidão da vassoura velha.
Ele e Ginny voaram entre si, fizeram alguns zigs zags, mergulharam e empinaram para o céu, sempre rindo de pura diversão. Quando pararam um ao lado do outro a uns 50 metros de altura, Ginny estava corada, trança bagunçada e um sorriso de rachar a cara.
— Obrigada, Harry! Nunca voei em algo tão incrível! É uma verdadeira maravilha! — Disse ela cheia de energia animada.
— De nada. — Harry mal conseguia parar de olhá-la, nunca vira alguém com tanta energia, que parecia deixar seu corpo em forma de bons sentimentos, magia quente e reluzente. Ginny parecia esplendorosamente brilhante... Como chamas.
— E você! Como pode voar tão bem nessa vassoura velha!? — Ela exclamou inconformada. — E, como faz para sair do mergulho tão tarde? Precisa me ensinar, Harry!
Seu tom era enérgico, mas não mandão como da Hermione e Harry se viu sorrindo ainda mais.
— O segredo, Ginny... — Ele se aproximou até estar bem perto e viu seus olhos se arregalarem e o castanho se escurecer quando seus rostos ficaram a alguns centímetros de distância. — É não ter medo.
Então, ele agarrou o cabo da Nimbus e os mergulhou em alta velocidade. Sem medo e seguindo o seu instinto, Harry ignorou o seu grito de alerta, mantendo a descida veloz muito mais perto do chão do que Ginny tentou antes e virou no último segundo. Com sua conexão com a magia das vassouras, ele as orientou facilmente e, sem dificuldades, eles planaram a centímetros do chão e depois subiram para o alto velozmente. Harry a soltou e apenas seguiu atrás, até que Ginny se virou e os dois ficaram frente a frente se encarando a uns 3 metros de distância e a uns bons 30 metros do chão.
Sua expressão era de espanto, quase choque e Harry se perguntou se ela ficaria com raiva e gritaria com ele. Mas, então, seu grande sorriso voltou e a energia pulsou de seu corpo em ansiedade, vontade e prazer.
— Isso foi incrível! Vamos de novo! — Disse se aproximando dele e Harry não pode deixar de jogar a cabeça para traz e gargalhar de alegria.
— Você é surpreendente! — Disse ele e ignorando o seu rosto corado pelo elogio, voltou a agarrar a vassoura e mergulhou.
Em meia hora, Ginny estava mergulhando sozinha e sem medo algum, mostrando toda a sua habilidade. Harry, então, pegou algumas bolas de golfe e começou a jogar para que ela as buscasse. Rápida e corajosa, nenhuma bola ela desistia facilmente e, em alguns minutos, Harry percebeu que Ginny era quase tão boa quanto ele. Com um treino forte, ela seria tão boa quanto, pensou animado.
— Potter! Desça aqui! — O grito veio do chão e Harry olhou para ver Oliver Wood parado e acenando freneticamente.
Eles desceram, Ginny mais hesitante pela surpresa de ver o capitão do time da Gryffindor ali.
— Você tinha razão! Não duvidarei mais de você, Potter! Ela é incrível! — Wood exclamou sem tirar os olhos de Ginny. — Weasleys! Eu devia saber que deveriam haver mais jogadores talentosos depois do Charlie e os gêmeos! Onde você se escondeu durante esses meses, garota?
Harry sorriu animado ao ver a expressão maravilhada de Wood. Ele decidira procurar o garoto ontem, enquanto Ginny estava no Beco comprando a sua varinha e lhe fazer uma surpresa hoje. Não que convencer o garoto tenso e obcecado fora fácil, apenas quando prometeu não jogar o último jogo se estivesse mentindo, Wood finalmente lhe deu atenção e concordou em vir até aqui. Harry insistiu em que ele não aparecesse até estar convencido que Ginny era a sua buscadora dos sonhos.
— Harry? — Ginny se aproximou mais hesitante e ansiosa.
— Tudo bem, Ginny, eu queria lhe fazer uma surpresa. — Harry tinha o maior dos sorrisos. — Chamei o Wood para te ver e disse para aparecer apenas se estivesse convencido de que você é a melhor apanhadora da Casa Gryffindor.
— Convencido! Estou encantado! Maravilhado! — Wood exclamou com expressão meio faminta. — Garota! Você é perfeita e exatamente o que o time precisa para vencer as Águias! Assim, já lhe digo que está no time!
Harry sorriu ainda mais e olhou para Ginny que tinha os olhos arregalados de espanto, incerteza e esperança.
— Eu... — Ela gaguejou olhando do Wood para o Harry e de volta para o Wood. — Eu não... eu...
Então, seus olhos se encheram de lágrimas e ela saiu correndo, soltando a vassoura no chão frio.
— O que? — Wood parecia perdido. — Ela não quer? Você disse que ela queria! — Ele encarou o Harry com expressão acusatória.
— Conversarei com ela. — Disse Harry preocupado e, recolhendo a sua vassoura, a encolheu e colocou no bolso.
— Potter! Eu vim até aqui e ela é perfeita! Converse com ela e a convença! Agora mesmo! — Gritou Wood em tom de capitão e Harry lhe fez uma careta.
— Pare de me dar ordens, Oliver, você não é meu capitão, graças a Merlin por isso. — Disse ele com uma careta. — Aqui, guarde a vassoura no barracão, por favor, enquanto vou atrás dela. Primeiro terei certeza que Ginny está bem, depois, mencionarei quadribol... E, se abrir a boca para dizer que quadribol é mais importante do que ela, soltarei os gêmeos em você. — Avisou o Harry ao ver o garoto mais velho abrindo a boca, que voltou a fechar diante da sua ameaça. — Não se preocupe, tenho certeza que Ginny logo o procurará e concordará em ser parte do time. Enquanto isso, por favor, mantenha segredo de tudo e da minha participação, como combinamos.
— Potter, se você a convencer a entrar para o time, guardo todos os seus segredos para sempre. — Disse Wood em tom de juramento e Harry encarou o garoto meio incomodado com sua expressão obcecada que sempre surgia quando a questão era quadribol. Harry tinha que admitir que era meio assustador.
— Ok. Porque meu time ficará muito chateado se descobrirem o que eu fiz. — Disse ele sentindo alguma culpa, enquanto caminhava para o castelo.
Harry não se preocupou em se despedir do garoto e, assim que ficou sozinho, se cobriu com a capa e pegou o mapa. Queria chegar a Ginny rapidamente e sem interrupções. Olhando o mapa, ele a encontrou em uma sala vazia do primeiro andar e se apressou naquela direção. Apesar da culpa que sentia em relação ao seu time, Harry sabia que não podia deixar de fazer isso pela Ginny, principalmente sabendo o quanto ela gostava de quadribol e como merecia algo que a fizesse feliz depois de tudo o que passou. Apesar de ser leal ao seu time e pretender jogar para vencer, a verdade é que Ginny era mais importante.
Ele entrou na sala e a encontrou na beira da janela olhando para o lago.
— Eu sabia que viria atrás de mim. — Disse ela suavemente. — Me lembrei do mapa e percebi que não podia fugir.
— É isso que deseja fazer? Fugir? — Harry perguntou guardando o mapa e a capa, antes de fechar a porta para terem privacidade. Ginny não respondeu ou se virou e Harry não gostou nada. — Sinto muito se lhe chateei ao me intrometer e chamar o Wood. Minha intenção era te fazer uma surpresa e lhe dar um pouco de alegria, pois sei como deseja estar no time.
Isso a fez olhá-lo com olhos desolados de tristeza e culpa.
— Não precisa se desculpar, foi um gesto muito bonito e... eu que fui boba de sair correndo quando deveria agradecer... — Ela sussurrou e olhou para o chão.
— Não preciso de agradecimentos, apenas a quero bem e feliz... isso é o mais importante aqui. — Harry disse sentindo seu estômago se revirar com seu sofrimento. — Fale comigo, Ginny, deixe-me te ajudar... Você não está sozinha.
Ginny engoliu em seco tentando pensar no que dizer, como explicar, precisava tranquilizá-lo que estava bem e que não queria falar sobre o diário, mas, então, sua boca se abriu e as palavras saíram sem planejamento.
— Eu me senti sozinha nos últimos meses. — Sussurrou e seus olhos o encararam expressando a sua solidão. — Nunca pensei que estar sozinha doesse tanto...
— Sim, dói, mas, não era real, Ginny. — Harry se aproximou mais. — Riddle a fez sentir...
— Riddle não tem nada a ver com isso! — Ela exclamou com raiva e apertou os punhos. — Eu sou a culpada! Eu! Você não pode entender!
Ofegante, Ginny se moveu pela sala vazia e Harry esperou, sabendo que precisava deixá-la tirar tudo de dentro de si.
— Eu fui tão fraca! Ele me dizia uma coisa e eu acreditava! Ele mentia e eu nunca duvidava! Mesmo as coisas mais absurdas! Eu deveria ter percebido! — Ginny gritou e bateu o pé no chão furiosa consigo mesma. — Sabe porque fugi de você? — Harry acenou curioso, pois sempre quis saber. — Primeiro foi o negócio dos livros mentirosos, fiquei tímida ao te conhecer porque era fã das histórias, mas, você era sempre tão doce e gentil que isso passou. Então... Luna, foi atacada e eu... pensei que estava dormindo... — Sua expressão mostrou a dor que sentia. — Mas, eu estava lá... — Seus olhos pareciam horrorizados pelo pensamento terrível. — Senti-me tão culpada por ter caído no sono e não estar lá para ajudar a Luna. Riddle não me absolveu, pelo contrário, ele repetiu várias vezes que a Luna estar petrificada era minha culpa e, quanto mais ele falava, mais eu acreditava. E, ele disse... — Ginny abaixou a cabeça envergonhada. — Riddle disse que você era muito amigo da Luna, por serem da mesma casa, que deveriam ter conversado muitas vezes e, que as vezes em que se aproximou de nós, era porque queria ver e conversar com ela. No começo, eu disse que a Luna teria me dito, mas, ele argumentou que ela é distraída, que poderia ter se esquecido e, quanto mais Riddle falava, mais verdade parecia.
— Ok. — Harry franziu o cenho ao pensar nesse jogo doentio do maldito. — E, porque isso a impeliu de fugir de mim a cada vez que tentava me aproximar?
— Riddle disse que você me odiaria quando descobrisse que era minha culpa a petrificação da Luna, porque eu não poderia ter dormido e a deixado sozinha. — Ginny disse com voz entrecortada. — Quando me perguntava como estava, eu sabia que perguntaria daquela noite e, então, eu fugia por medo que me odiasse.
— Eu nunca a odiaria... — Harry disse suavemente e viu sua raiva aumentar.
— Mas eu me odeio! Me odeio por ser tão fraca! Eu deixei ele mexer com minha cabeça! Me manipular como uma marionete! — Ginny disse com nojo de si mesma. — E, não estou nem falando de quando ele controlou o meu corpo... — Seu rosto ficou pálido com o pensamento. — Estou falando das muitas vezes em que ele disse algo assim e, eu acreditei! Ele disse que não deveria contar aos meus pais como me sentia doente ou eles me internariam no St. Mungus por me considerarem louca, como a menina do jornal. — Ginny soluçou dolorosamente. — Meu pai jamais faria isso comigo... ele ficará tão magoado por eu ter acreditado por um segundo... Ah, Harry, ele é o melhor e eu duvidei dele, do seu amor por mim... — Caindo de joelhos no chão e chorando dolorosamente, Ginny cobriu o rosto com as mãos. — Eu sou uma filha horrível... Eu fui tão fraca... tão covarde...
Harry se ajoelhou na frente dela e, sem tocá-la, a deixou chorar a sua dor, sabendo que ela precisava disso.
— Tudo bem, chore... Chore, Ginny. — Ele sussurrou carinhosamente. — Coloque tudo isso para fora, toda essa dor e raiva, mas, se permita se perdoar e se alegrar por estar viva.
Quando ela se acalmou um pouco, Harry lhe estendeu um lenço para enxugar o rosto que estava vermelho, seus olhos tinham escurecido ainda mais e parecia chocolate amargo e não ao leite. Como ela podia ser bonita mesmo quando chorava? Desconcertado, Harry tentou se concentrar no mais importante.
— Você não acha que eu fui fraca? — Ela perguntou com esperança e dúvida.
— Não. — Ele respondeu com sinceridade. — Flitwick explicou o que é uma horcrux e o perigo de formar uma conexão com uma delas, até mesmo para um bruxo adulto. O diário foi feito com essa intenção específica, pois não existe nada em que despejamos mais emoções do que um diário pessoal. — Harry sorriu tristemente. — Quando eu escrevo no meu, acredite, emoções e sentimentos estão em cada linha.
— Você tem um diário? — Ginny se mostrou espantada quando Harry acenou. — Eu... no Natal, quando deixei o diário aqui, comecei a pensar claramente e percebi como não estava sendo eu mesma naquelas semanas. Por meses, com exceção do tempo em que não escrevi no diário, eu me senti tão... duvidosa de mim mesma e essa insegurança era tão absurda! Eu jamais fui assim ou medrosa, hesitante, desconfiada, sempre fui cheia de energia e ativa, mas estava sempre cansada e sonolenta. — Seu rosto mostrou raiva de novo. — Eu sabia! Sabia que tinha algo errado e meus pais estavam bem ali, todos os dias, amorosos e gentis... Eu poderia, não, eu deveria ter dito a eles! Mas, estava com medo de estar enlouquecendo! Todos aqueles sentimentos estranhos que não pareciam meus, não pareciam reais e... Percy! Harry, meu irmão disse que eu não era forte para estudar em Hogwarts! Fiquei com tanto medo de estar ficando como a menina do jornal! — Ela soluçou. — Pensei que eles me levariam ao hospital e eu seria internada como a garota, assim, me calei e por minha covardia, Hermione e Charlie foram feridas. Você... todos vocês poderiam ter morrido. Sinto muito... — Ela soluçou abaixando a cabeça e Harry estendeu os braços e a puxou para um abraço forte.
— Tudo bem... — Sussurrou contra o seu cabelo enquanto ela soluçava contra seu peito. — Tudo bem, estar com medo, insegura e duvidosa... Todo mundo sente isso as vezes, mas, o diário, fez esses sentimentos se tornarem maiores, iludiram sua percepção da realidade. Mesmo quando você discordava, discutia ou se negava, Riddle usava a conexão que tinha com o diário, para influenciar seus sentimentos e pensamentos.
Ginny se afastou e acenou apertando o lenço com força.
— Eu sei e... nada parece real... — Ela o olhou perdida. — Quando penso em todos aqueles meses, não consigo diferenciar o real, do não real, parece tudo mentira, uma ilusão, uma realidade disforme e, então... — Mais lágrimas caíram do seu rosto e sua voz se embargou. — Eu me lembro da muitas vezes em que ele controlou meu corpo, assumiu e caminhou com minhas pernas, falou com minha boca, machucou com minha magia... — Ginny apertou os punhos. — Eu estou tentando não pensar, mas, é tão difícil e os pesadelos não me deixam dormir, às vezes, me lembro daquele momento horrível em que ele me levou para a Câmara. Eu pedi ajuda, mas ninguém me ouvia! Eu não era forte para impedi-lo e ninguém me ajudou! Eu estava sozinha! Outro dia, me senti voltando para aquele momento e entrei em pânico, fiquei com falta de ar e desmaiei por um tempo. — Ginny olhou para ele desolada. — Não sei o que está acontecendo comigo ou como melhorar, Harry...
Harry suspirou com o coração apertado por sua tristeza e dor.
— Bem, não pensar ou falar sobre isso não é o melhor caminho. — Disse Harry seriamente.
— Mas... — Ginny sentiu medo e raiva. — Eu não quero lembrar! Não quero pensar! — Ela se levantou e caminhou pela sala ansiosa e apertando as mãos. — Com certeza, também não quero falar sobre nada disso! Quero me esquecer!
— Bem, e do que adiantou isso até agora? — Harry se levantou e falou com frieza. Ginny pareceu desconcertada e desviou o olhar para sua expressão de raiva. — Não! Olhe para mim! — Harry exigiu e se aproximou dela. — Guardar tudo para si mesma não é a resposta, Ginny! Você fez isso por meses, influenciada pelo diário, e agora quer continuar a agir assim! Isso era compreensível antes, mas, agora não é e não aceitarei isso!
— Você está zangado comigo. — Sussurrou ela surpresa com sua expressão.
— Sim. Eu estou com muita raiva de todos. Voldemort e Malfoy estão no topo da minha lista, acredite. — Harry disse com um brilho frio em seus olhos verdes. — Seus irmãos vêm logo em seguida e, eu mesmo, por ter sido tão tolo e confiante. E, sim, também estou com raiva de você... —Harry se afastou e foi a sua vez de andar pela sala. — Eu lhe ofereci minha amizade! Em diversos momentos, eu me aproximei e tentei mostrar gentileza e bondade! Antes e depois do Halloween, pedi que se sentasse comigo e meus amigos, procurei saber se estava bem e tentei conversar! E, você preferiu ser amiga de um maldito diário falante! — Harry parou e a encarou indignado. — Você ficou chateada quando pensou que eu gostava da Luna e não de você, então, como eu deveria me sentir ao ser trocado por um diário estúpido!
Ginny o encarou de boca aberta por sua raiva e protesto indignado.
— Eu não pensei... desculpe, não quis desprezar sua amizade. — Disse ela desolada por ver que o magoara. — Eu queria muito ser sua amiga, eu quero ser sua amiga, mas... Riddle me fazia sentir que não merecia ninguém, nada, me fazia sentir pequena e inútil... — Ginny sentiu a raiva aumentar. — Eu o odeio! Odeio aquele maldito! Odeio! Odeio!
Sua raiva a fez pegar uma das cadeiras e a jogar contra a parede, onde se espatifou e sua magia se agitou furiosa. Ofegante, Ginny olhou para os pedaços de madeira no chão.
— Melhor? — Harry a viu acenar afirmativamente e suspirar cansadamente. — Eu fiz o mesmo quando descobri que você era a garota que... Estava lutando contra Voldemort. — Ela o olhou surpresa. — Sim, eu pensei que estava segura e, porque queria muito isso, pedi aos seus irmãos que ficassem atentos. Eu me preocupo com você, Ginny e quero muito ser seu amigo, se me der o prazer da sua amizade.
— Mesmo depois de tudo o que fiz? — Ginny disse surpresa.
— Essa é a sua culpa falando, você me conhece e já repeti várias vezes que não a culpo de nada. — Disse ele sincero. — Você acabou de dizer, Ginny, que queria ter se tornado minha amiga antes e que o diário a influenciou a fugir de mim. Você sabe que não é a culpada, assim como eu sei que você nunca foi controlada por Voldemort.
— Eu fui. — Ginny disse e ergueu o queixo com raiva. — Ele me controlou.
— Não, ele tentou te controlar e não conseguiu. — Harry sorriu ao ver seu olhar surpreso. — Riddle odiava você, Ginny e, em vários momentos, deixou isso bem claro ao esbravejar sobre a sua teimosia e resistência. Você dificultou, resistiu e lutou a cada minuto e ele a odiava por isso. Ginny, você foi a garota que lutou contra Voldemort e venceu, mas, ele nunca a controlou, não verdadeiramente.
Ginny apertou a mandíbula controlando a vontade de chorar de novo, detestava chorar e já passara do seu limite.
— Eu o venci, mas, jamais teria conseguido sem você. — Ela olhou para as mãos envergonhada.
— E, nem eu sem você. — Harry disse simplesmente. — Eu a ajudei a vencê-lo e você me ajudou a não desistir.
— Eu fiz? — Ela perguntou surpresa.
— Sim, mas essa é uma história para outro dia. — Harry disse sorrindo. — Então, aceitará minha amizade ou não?
— Sim. Quero ser sua amiga, Harry. — Disse ela sorrindo timidamente.
— Bom. — Harry sorriu ainda mais e estendeu a mão em cumprimento, curvando a cabeça cavalheirescamente. — Harry Potter, prazer em conhecê-la e muito obrigado por aceitar minha amizade sincera.
— Ginny Weasley, prazer em te conhecer. Eu que me sinto honrada por seu oferecimento, espero fazer jus a tão nobre gentileza. — Disse Ginny e, como uma elegante dama, o cumprimentou como se segurasse um vestido e curvando a cabeça.
— Agora, como seu amigo, quero lhe pedir para confiar em mim ou no professor Flitwick para conversar sobre sua dor e tristeza. — Harry disse docemente. — Acredite, se guardar tudo dentro de você, ficará doente pelo veneno de tantos sentimentos negativos.
— Se meu amigo acredita que isso me ajudará, confiarei em sua palavra. — Ginny sussurrou corajosamente. — Serei corajosa em enfrentar meu pesar e honrarei sua amizade.
— É tudo que te peço. — Disse ele se inclinando em reconhecimento a sua coragem.
Suspirando, Ginny pegou a varinha e concertou a cadeira.
— Suponho que isso nos leva ao começo, não é? E, eu devo me decidir sobre estar ou não no time. — Disse ela acariciando a varinha de amoreira e coração de dragão, que lhe parecia tão surpreendentemente familiar.
— Antes, queria saber se está disposta a ter outro amigo além de mim. — Harry disse suavemente e sentiu uma certa ansiedade, pois queria muito apresentá-los, mas, não houvera oportunidade até agora.
Ginny se mostrou surpresa e acenou.
— Claro que sim, se ele é seu amigo, deve ser alguém que eu gostaria de conhecer. — Disse ela curiosa.
— Oh, sim, ele é um grande amigo. — Harry sorriu divertido e, esperando que ele pudesse vir, disse. — Dobby!
Ginny ofegou ao entender quem era e levou a mão a boca quando, alguns segundos depois, o pequeno e elétrico elfo apareceu em frente ao Harry.
— Harry Potter, senhor! — Exclamou ele animadamente. — Dobby estava ansioso para saber se Harry Potter estava bem! Mas, Dobby não deixou o jantar queimar desta vez, Harry Potter!
— Fico muito feliz, Dobby, acho que está ficando muito bom em disfarçar e mentir, meu amigo. — Harry disse com um sorriso orgulhoso, o que fez o pequeno elfo estufar o peito, animado com os elogios.
— Dobby melhorou muito, Harry Potter, porque Dobby queria muito ajudar o senhor. — Disse Dobby solenemente.
— Obrigado, Dobby, por tudo. E, me desculpe não te chamar antes, mas, eu queria muito te apresentar uma pessoa e ainda não tinha tido a oportunidade. — Harry disse e se moveu até a Ginny que estava com os olhos arregalados. — Dobby, essa a menina que você me ajudou a salvar, aquela que Malfoy entregou o diário de Riddle. — Harry disse suavemente e o elfo arregalou os olhos verdes ao seu máximo. — Essa é minha amiga, Ginny Weasley e eu queria lhe agradecer por todo o seu auxílio, nunca teria podido ajudá-la se não fosse por você. — Harry, então, olhou para Ginny que parecia emocionada. — Ginny, este é meu amigo, Dobby, o elfo mais corajoso que existe no mundo.
Dobby olhou para Harry com adoração e corou com o elogio, antes de encarar a Ginny que se ajoelhou outra vez para ficar na altura do pequeno elfo. Seus olhos castanhos brilhavam com as lágrimas não derramadas, seu rosto repleto de sardas estava vermelho pelo choro e, talvez, Ginny não estivesse em seu momento mais atraente, mas, assim como o Harry, Dobby a achou muito bonita.
— Senhorita Bonita está triste? Dobby pode ajudar? — Ele perguntou ansioso.
— Oh... — Ginny suspirou e sentiu o coração se encher de amor pelo pequeno elfo. — Não, eu não estou triste, não mais. Graças a você, Dobby, eu tenho motivos para estar feliz e grata por estar viva. Obrigada. — Ela estendeu a mão e pegou suas mãozinhas nas delas. — Obrigada por sua coragem e por se importar, por alertar e ajudar o Harry a me salvar.
— Dobby não precisa de obrigada, Senhorita Bonita. Dobby está feliz que a Senhorita Bonita e Harry Potter estão seguros. — Ele olhou para o chão constrangido pelos agradecimentos. — Dobby sabia do plano do Mestre, mas, Dobby não sabia para quem o Mestre entregaria o diário mal. Então, um dia, Dobby ouviu que o diário mal mataria Harry Potter e Dobby decidiu que tinha que agir. — Dobby olhou para Harry com adoração. — Dobby sabia que tinha que salvar Harry Potter, mas, Dobby nunca pensou que Harry Potter seria tão corajoso e nobre. Dobby também não sabia que Harry Potter se tornaria amigo de Dobby. E, Dobby fica muito feliz por isso e pela Senhorita Bonita estar a salvo do diário mal.
Ginny e Harry trocaram um olhar divertidos pela solenidade de Dobby que parecia quase fazer um discurso.
— Eu também estou feliz, Dobby e muito grata a você. — Ginny estendeu os braços e puxou o pequeno elfo em um abraço forte, que fez Dobby arregalar os olhos e ofegar de emoção. — Obrigada e espero que também queira ser meu amigo.
Quando se afastou, Dobby parecia mudo de espanto, pois nunca tinha sido tratado com tanta gentileza por um bruxo em sua vida, quanto mais ser abraçado por um. Emocionado, ele caiu em prantos e enxugou as lágrimas em sua fronha suja e velha.
— Ei, tudo bem, Dobby. — Harry bateu em seu ombro carinhosamente.
— Dobby nunca foi abraçado antes por um bruxo e, além de Harry Potter, Dobby nunca foi tratado com gentileza. — Ele fungou e olhou para os dois com profunda adoração. — Dobby agradece a Senhorita Bonita e Harry Potter por serem bons para Dobby.
— Não precisa agradecer, Dobby, eu que estou em eterna gratidão com você. — Ginny disse gentilmente e enxugou as lágrimas do elfo com o lenço que Harry lhe emprestou.
— Dobby, eu lhe prometi te libertar e quero que saiba que continuo absolutamente determinado a isso. Entendeu? — Harry disse com firmeza e Dobby acenou com esperança em seus olhos brilhantes. — Preciso de alguma ajuda sua, Dobby, mas, apenas se isso não te colocar em perigo ou se não o obrigar a se castigar. Ok?
— Sim, Harry Potter, senhor, Dobby quer ajudar e Dobby quer ser livre. — Disse o elfo excitadamente. — O que Dobby pode fazer?
— Eu ainda tenho alguns detalhes para acertar e preciso pensar com muito cuidado, porque não podemos arriscar que Malfoy descubra e o obrigue a falar, pior, que o machuque. — Harry disse pensativamente. — Assim que tiver tudo bem organizado, eu te chamo, Dobby.
— Ok, Harry Potter, senhor. — Dobby sorriu brilhantemente. — Dobby ficou muito feliz em conhecer a Senhorita Bonita.
— Eu também fiquei muito feliz e honrada em te conhecer, Dobby. — Ginny lhe deu outro abraço forte e Dobby, engasgado e corado, desapareceu assim que ela o soltou.
— Acho que ele gosta mais de você do que de mim, afinal, eu não ganhei um apelido tão justo. — Harry disse divertido e Ginny corou ao se levantar do chão.
— Não me provoque, Harry, porque tenho certeza que o ouvi dizer, Harry Potter é tão corajoso e nobre. — Disse Ginny imitando a voz esganiçada e solene de Dobby.
Harry arregalou os olhos de surpresa para a imitação quase perfeita e depois jogou a cabeça para traz gargalhando. Ginny o acompanhou e os dois riram juntos por alguns minutos, até que Harry suspirou e a olhou carinhosamente.
— Está tudo bem ser feliz, Ginny, você não precisa esperar que eles acordem para isso. — Disse ele suavemente.
— Eu... — Confusa, Ginny apertou as mãos. — Me sinto melhor, menos culpada, mas, ainda estou tão confusa.
— Ok, eu entendo. — Harry disse pensativo. — Quero que se concentre no que você sabe, no que você quer, Ginny. É sua vida, você a controla e decide o que quer fazer a partir de agora. — Ele a encarou com firmeza e a viu se endireitar, erguer o queixo e seus olhos reluzirem de poder.
— Eu quero, mais do que tudo, controlar a minha vida. Quero ser uma bruxa forte e poderosa. Quero Luna de volta. Quero ser sua amiga e companheira de luta. Quero te ajudar a matar Voldemort. Quero ser motivo de orgulho para os meus pais. E, maldito seja, mas, eu quero muito jogar quadribol! — Disse ela gritando no fim e, num impulso, saltou e o abraçou passando os braços em volta do seu pescoço. — Obrigada! Obrigada! — Harry mal teve tempo de retribuir o abraço e sentir o delicioso perfume dos seus cabelos e Ginny já tinha se afastado, agitada, ansiosa, cheia de energia e animação. — Wood gostou do meu teste, certo!? Oh! Merlin! Eu saí correndo! E, se ele não quiser mais que eu entre para o time!? E, se eu estraguei tudo!?
— Não se preocupe, ele disse que a vaga é sua, apenas precisa de um sim. — Harry disse olhando divertido para ela, que andava de um lado para outro borbulhando de vida e alegria.
— Ahhhhhh! — Ela deu um gritinho e saltou batendo palmas, Harry ficou desconcertado, pois ainda não a tinha visto agir tão... hum... feminina? — Eu não acredito... Harry!
— Oi? — Ele perguntou desconcertado.
— Eu vou jogar quadribol! — Ela pulou mais algumas vezes e jogou os braços para cima, Harry apenas sorriu encantado com sua alegria.
— Sim, com certeza, você vai. — Ele sorriu malicioso. — Espero que esteja preparada para perder, porque eu não vou facilitar para você, Ginnygirl.
Ginny ficou séria na hora e rosnou, Harry sentiu o coração se acelerar com o som e o fogo em seus olhos.
— Não ouse pensar em ir fácil comigo, Potter ou acreditar que pode me vencer sem muito esforço. — Ela deu um passo e bateu o dedo indicador em seu peito. — E não me chame assim! Detesto esses apelidos bobos e infantis dos gêmeos!
— Bem, vou te chamar de Senhorita Bonita, então. — Harry disse provocando.
Ginny corou meio desconcertada pelo flerte suave.
— Não, esse eu só deixo o Dobby me chamar, porque ele é fofo. — Protestou ela fracamente.
— Bem, mas pensei que eu também fosse fofo. — Harry disse sorrindo e Ginny ficou sem ter o que dizer, assim, ela lhe mostrou a língua e Harry riu divertido. — Ok, não te chamarei assim, mas acredito que tenho que ter um nome especial para te chamar também.
— Hum, não Ginevra. — Disse ela com uma careta que Harry espelhou.
— Não, definitivamente não Ginevra, não combina com você. — Harry disse e a encarou intensamente. — Ginny, às vezes, também não combina, sabe, parece muito infantil e simples. E, você não é assim, você é forte e corajosa, cheia de vida e determinação... Hum, acho que já sei. — Harry sorriu e se aproximou mais um passo. — Um nome forte que combina com você e que será como eu a chamarei especialmente, se me der sua permissão, valente Guinevere.
Ele se curvou cavalheirescamente e Ginny corou ainda mais, sentindo o coração palpitar com tantos sentimentos que não conseguia nomear. Ela pensou no nome por um segundo, a versão inglesa de Ginevra, seu significado e como soava bonito e forte quando Harry o pronunciava. A fazia se sentir especial, mais velha e diferente da Ginny de sempre, mas, talvez, a Ginny de sempre não existisse mais. Quem era ela agora? E, quem ela queria ser?
— Eu lhe dou minha permissão. — Respondeu ela o cumprimentando como uma elegante dama, assim como sua avó lhe ensinou. — Eu... gosto desse nome, mais do que Ginevra... — Ginny o encarou nos olhos tentando tomar coragem de perguntar se ele realmente a considerava bonita e especial, mas as palavras não saíram.
Harry sorriu e prendeu seu olhar castanho da cor do chocolate ao leite, sentindo seu coração se aquecer e seu estômago se encher de borboletas voadoras. Sentiu vontade de chegar mais perto e... O que? Recuando, Harry pigarreou tentando afastar o pensamento absurdamente fora de hora. Sirius estava certo, eles eram muito jovens e ela precisava de um amigo, de um verdadeiro amigo.
— Então, você quer que te acompanhe em seu encontro com o Wood, Guinevere? — Harry perguntou e o nome fluiu naturalmente de seus lábios, sem hesitação ou estranheza.
— Não. — Ginny respondeu sentindo o seu coração se aquecer com o uso do bonito nome que ele escolheu especialmente para ela. — Eu posso lidar com isso e, se ele será meu capitão, não posso mostrar fraqueza.
— Muito bem. — Harry disse e abriu a porta para deixarem a sala. — Apenas um conselho extra, não o leve muito a sério, pois seu futuro capitão me pareceu meio... obcecado. Tenho a impressão de que não seria nada surpreendente se ele lhe ordenasse pegar o pomo ou morrer tentando.
— Pode deixar. — Ginny disse sorrindo com determinação. — Estou acostumada a lidar com garotos tolos.
— Ah, outra coisa. — Eles pararam aos pés da escadaria de mármore. — Wood prometeu manter em segredo minha participação em tudo isso, não quero que meu time fique pensando que não sou leal a eles ou algo assim.
— Oh! Eu não tinha pensado nisso. — Ginny falou confusa. — Bem, mas eles não devem nunca duvidar que você jogará para valer ou que não é leal ao time. — Eles subiram os degraus e Ginny continuou. — Ainda, eles poderiam questionar porque você ajudou o time da Gryffindor antes de um jogo final tão importante.
— Bem, eu prefiro que eles não saibam, principalmente aquele Melrose, mas, se acontecer, apenas direi a verdade. — Disse Harry quando se aproximaram do corredor do quinto andar.
— A verdade? — Ginny questionou ao perceber, de repente, que também não sabia o porquê das ações do Harry.
— Sim, que eu te ajudei e não o time da Gryffindor, porque você é muito mais importante que qualquer campeonato. — Harry falou simplesmente e sem perceber como Ginny arregalou os olhos de assombro com essa declaração. — Ei, o que acha de nos encontrarmos aqui mesmo daqui a uma hora? Assim, te mostro onde fica a cozinha e almoçamos por lá.
— Ok. — Sussurrou Ginny com voz fraca de puro espanto.
— Combinado. Terei tempo de conversar com o Terry e escrever uma carta para o Sirius. — Harry disse apressando o passo ao deixar a escadaria. — Até daqui a pouco, Guinevere.
— Até... — Ginny olhou para suas costas desconcertada e exasperada. Como ele dizia algo tão... grande, assim, simplesmente, como se não fosse... importante? — Meninos são muito estranhos. — Sussurrou antes de continuar a subir os degraus para chegar a sua Torre.
Wood estava sentado com Alicia e Angelina, fazendo deveres de casa, mas, a todo instante, ele olhava para a abertura do retrato da mulher gorda. Assim que Ginny apareceu, ele se levantou e foi em sua direção quase correndo de tanta ansiedade.
— Então? — Ele perguntou quase saltitando com a expectativa.
— A resposta é sim, quero a vaga de apanhadora do time. — Ela disse suavemente e Wood se agitou feito um louco em uma espécie de dança feliz de comemoração.
— Sim! Ufa, garota, você quase me matou com esse suspense. — Wood disse colocando a mão no peito, obviamente muito aliviado. — Falarei com o resto do time e marcarei um treino de emergência para hoje mesmo, às 14 horas. Assim, não se atrase, garota...
— Ginny. — Ela disse firme. — Meu nome é Ginny, não garota e, ás 16 horas, tenho um compromisso com o professor Flitwick, assim, espero que o treino não dure além disso.
— Ah, claro, vou apenas te apresentar ao pessoal e começar a treinar o time com um apanhador de verdade. Até mais tarde. — Wood disse e se afastou apressadamente, sua mente completamente voltada para os esquemas e estratégias de quadribol.
Aliviada e empolgada, Ginny subiu para colocar uma roupa de treino, assim, depois do almoço, poderia ir direto para o campo.
Enquanto isso, Harry encontrou Terry e Neville terminando suas poções de treinamento no laboratório da Torre Ravenclaw.
— Preciso falar com vocês, que bom que estão terminando. — Sussurrou ele apressadamente.
— Eu pretendia ir ver a Hermione antes do almoço. — Protestou Terry suavemente.
— Deixa para depois do almoço, Terry, é importante e sigiloso. — Harry disse urgentemente. — Temos que ir para o meu quarto, acho mais seguro do que o Covil.
— Bem. — Ele concordou preocupado se algo mais teria acontecido de ruim.
— Você sabe que quando a Hermione acordar, teremos que voltar ao Covil, afinal, ela não pode entrar no seu quarto. — Disse Neville quando subiram as escadas.
— Sei, mas o Covil está muito conhecido, teremos que considerar outro lugar para assuntos muito importantes que não queremos ou podemos compartilhar com o resto do pessoal do Covil. — Harry disse pensativo ao fechar a porta do seu quarto. — Como as horcruxes, por exemplo, ou o vou lhes contarei agora.
— O que aconteceu? — Terry perguntou ainda mais preocupado.
— Eu... vocês não acreditarão, mas, eu estou curado! — Exclamou ele com um sorriso imenso e alegre.
— O que? — Terry e Neville disseram ao mesmo tempo e o garoto Gryffindor continuou. — As poções fizeram efeito finalmente?
— Não! Quer dizer, sim, mas o tratamento duraria mais alguns meses, talvez até um ano e, com minha falta de apetite e insônia das últimas semanas, eu tinha até retrocedido um pouco. — Harry disse um pouco envergonhado.
— Você não nos contou isso. — Terry disse surpreso.
— Ah, eu não quis preocupá-los, mas, na minha última consulta com Pomfrey, ela se mostrou preocupada, porque eu estava com um pouco de anemia e meus ossos pareciam estar com dificuldades para absorver os nutrientes necessários para curarem. Ela disse também que eu mostrava alguma exaustão e que deveria dormir e comer mais. — Harry disse timidamente, depois sorriu animado. — Mas, agora, eu não tenho mais nada! — Ele riu de suas expressões confusas. — Deixe-me explicar!
Harry, então, contou sobre sua consulta e os resultados surpreendentes.
— Quer dizer... — Neville começou assombrado.
— Que sua luta com a basilisco o curou dos seus problemas de saúde? — Terry encerrou com o mesmo tom.
— Mais como regenerou, como se nunca tivessem existido. — Harry disse emocionado. — Eu cresci 3 centímetros neste mês, quer dizer, aposto que foi na última semana e Pomfrey disse que devo alcançar a altura que eu deveria ter muito em breve. Ela disse que minha magia também aumentou, apenas o suficiente para se ajustar com a minha idade, agora que tenho um corpo forte. — Harry disse. — É por isso que ando cheio de energia, consigo ficar acordado até mais tarde, durmo menos, mas, acordo bem-disposto. Meu apetite também aumentou, bem, mas isso pode ser porque eu não estou mais tenso com a investigação e não porque estou saudável.
— Poder ser, mas a verdade é que pessoas saudáveis tem mais apetite e comem mais. — Terry disse pensativo. — Regenerou seu corpo, a magia ou a Freya, que dá no mesmo já que a basilisco se tornou parte da magia natural. Um fenômeno mágico, com certeza e, em se tratando de você, Harry, não muito surpreendente.
— E, você acha que essa regeneração pode continuar acontecendo? — Neville perguntou curioso.
— Você quer dizer... — Harry arregalou os olhos. — Eu não tinha pensado nisso, mas... Bem, só há um jeito de saber... — Ele pegou a adaga e fez um corte fino na mão.
— Harry! — Protestou Terry, mas era tarde. — Merlin me ajude! Você não pode ir se cortando assim...
— Sarou? — Neville se aproximou interessado e ignorando o discurso preocupado de Terry.
— Não... — Harry disse com voz estranha. — E está queimando... me sinto estranho... — Ele olhou para a mão que sangrava e a queimação que se espalhava pelo seu braço. — Terry... acho que a adaga está envenenada...
— Merlin! Deve ser o veneno da basilisco! — Terry se moveu rapidamente e, sem pânico, pegou as lágrimas da fênix da bolsa que estava na perna do Harry e pingou uma gotinha transparente no corte que se fechou em segundos. — Melhor?
— Sim. — Harry disse olhando pensativo para a adaga. — Por isso ela destruiu o diário, porque absorveu a essência da Freya, mais precisamente, absorveu aquilo que a fortalece.
— O veneno. — Neville disse suavemente. — O metal dos Elfos tem o mesmo poder que os metais dos goblins, absorve o que o fortalece. Em um duelo mágico como aquele, onde o Athame foi usado para ofertar a morte à magia, ele absorveu da essência da Freya o que o mais o fortaleceria.
— Você acha que pode ter sido isso que aconteceu comigo? — Harry perguntou espantado. — Acredita que, por segurar o Athame e vencer o duelo honradamente, fui presenteado ou minha magia absorveu o que mais me fortaleceria? Quer dizer, meu corpo era fraco e doente, agora está forte e saudável.
— Faz sentido, mas, isso é o que mais o fortaleceria? — Neville perguntou confuso.
— Acho que faz todo o sentido porque estamos falando de uma criatura mágica que não tinha poderes mágicos, assim, o Harry não poderia absorver magia. — Disse Terry inteligentemente. — Suas armas eram o veneno e os olhos mortais, que nós três concordamos não deixaria o Harry mais forte e sim...
— Monstruoso. — Harry disse ironicamente.
— Exato. Mas, além disso, Freya era muito forte e resistente fisicamente, ou não viveria um século. Acredito que essa força e resistência vinha da sua magia, assim, quando Harry a matou, o Athame absorveu o veneno e a magia do Harry absorveu a sua força e resistência mágica. — Terry explicou com os olhos brilhantes. — Não que o Harry seja agora superforte ou se regenere de qualquer ferimento ou viverá mil anos. Acredito que sua própria magia converteu essa magia de força e resistência que ela absorveu da basilisco, no que você mais precisava, um corpo saudável. Assim sendo, lhe fortalecendo, como a adaga, que ficou mais poderosa com o veneno.
— Faz sentido, até porque, agora que tenho um corpo novinho e forte, poderei atingir todo o meu potencial físico e, principalmente, mágico! — Harry disse empolgado. — Isso era exatamente o que eu precisava para me fortalecer e ser mais poderoso.
— Muito legal e inteligente a sua magia agir assim, Harry. — Disse Neville e provocou o amigo. — Você deve estar feliz porque não será mais um nanico.
— Eu não sou... — Harry fez uma careta. — Ok, eu sou um nanico, mas, é por pouco tempo! Aposto que serei mais alto que vocês dois!
— Talvez mais alto que o Neville, mas você não pode ser mais alto que eu, Harry. — Terry disse sorrindo. — É uma questão de genética, meus pais são muito altos, os dois. Pelo que vi nas fotos dos seus pais, seu pai era alto e sua mãe tinha estatura mediana, assim, eu serei um pouco mais alto que você.
Harry riu divertido e foi pegar pena e pergaminho em sua mochila.
— Não me importo, apenas estou muito feliz que atingirei a altura que deveria ter se nunca tivesse vivenciado a desnutrição na infância. — Harry parou e os encarou com um olhar de intensa alegria. — Vocês percebem que isso significa que, pelo menos fisicamente, é como se eu nunca tivesse vivido com os Dursleys?
— Isso é incrível, Harry e você merece, de verdade. — Terry disse emocionado e Neville concordou.
— Escreverei uma carta ao Sirius, ele me pediu ontem, quando soube da minha consulta, que eu lhe informasse dos resultados. — Harry disse ao se sentar à mesa e começar a carta.
— Conte-nos da reunião com os lobisomens, você apenas nos disse essa manhã que tudo correu bem. — Disse Neville se acomodando na cama do Harry.
— Ah, mais que bem, na verdade. — Disse Harry e resumiu os detalhes mais importantes enquanto escrevia lentamente a carta para Sirius.
— Uau! Então, tem tantos lobisomens no Reino Unido? — Neville questionou surpreso.
— Sim, e precisamos muito ajudá-los, principalmente com empregos. — Harry disse seriamente. — Com a fábrica de cosméticos, a fazenda de matérias primas na ilha, as vagas que surgirão em minhas fazendas e nas feiras, além das vagas nas Fábricas Blacks, teremos emprego para bem menos da metade.
— Mas, e o trabalho que eles farão na ilha, plantar, cuidar dos animais? — Neville perguntou.
— Sim, mas, a ilha não tem espaço infinito. — Harry disse suavemente. — A Floresta será usada para a fazenda... vamos chamá-la de Fazenda das Flores. — Harry disse. — Antes de sair da GER, conversei sobre isso com o Sr. Clement e os outros, as matérias primas são flores, raízes, plantas e óleos retirados das árvores, assim, o que precisamos é construir estufas com preservação climática. Montamos essas estruturas em uma parte da floresta, junto com um escritório e galpão de coleta e armazenagem. Nas áreas mais planas ou com solo pedregoso, podemos fazer as estufas da comunidade lobisomem e os animais podem ser mantidos nas pastagens montanhosas.
— Certo. — Terry considerou pensativo. — A Fazenda das Flores será um negócio seu e você contratará alguns funcionários entre os lobisomens, mas a fazenda dos lobisomens é deles para gerenciar.
— Sim e, sendo realista, com um número tão grande de lobisomens que viverão na ilha, a maior parte da produção deles serão para consumo e não venda. — Harry considerou. — Mesmo que houver trabalho para uns 100 lobisomens, é possível, e que eles se revezem em turnos para ninguém ficar trabalhando 12 horas seguidas, ainda teremos muitos lobisomens sem trabalho.
— Sim, mais 50 vagas da Fábrica de Cosméticos, umas 100 ou 150 da Fazenda da Flores, e o que pode surgir em suas fazendas e feiras ou nas fábricas do Sirius, não chegaria nem a mil postos de trabalho. — Terry somou pensativamente. — Com mais de três mil lobisomens... você tem razão, nós temos um problema.
— Sim, confesso que não imaginei que haveria tantos. — Harry disse com um suspiro.
— Aposto que Greyback tem algo a ver com isso. — Neville apontou e todos fizeram uma careta. — Mas, esses números podem diminuir bastante quando se excluir os idosos, as crianças e adolescentes, além das mulheres.
Isso surpreendeu Harry, que olhou para amigo em confusão.
— Porque excluiríamos as mulheres? — Ele perguntou. — Tenho certeza que muitas delas quererão trabalhar.
— Desculpe... — Neville pareceu meio desconcertado. — É que cresci com a minha avó dizendo que mulheres não devem trabalhar, ela é muito tradicional e, na verdade, as mulheres trabalharem é algo novo no mundo mágico. Minha avó chama de modernidade vulgar uma dama deixar seu lar, seu marido e filhos para trabalhar por dinheiro. — Neville pareceu envergonhado ao ver a expressão de Harry e Terry. — Eu não concordo com ela, mas, acho que ser educado por minha avó meio que torna inevitável passar alguns desses pensamentos sem perceber.
— Infelizmente, enquanto no mundo trouxa as mulheres conquistam cada vez mais espaço no mercado de trabalho, no mundo mágico isso não é tão comum. — Terry apontou. — A maioria dos trabalhos são subalternos, secretárias, recepcionista ou algo aceitável do trabalho feminino, como a mãe de MacMillan, que é assistente social. No Ministério, existem Departamentos apenas com homens, como o dos esportes mágicos, e outros em que a predominância são de homens. Culturalmente, as famílias antigas mágicas, não importam se são puristas ou não, mantêm suas mulheres em casa, como uma boa dona de casa.
Harry fez uma careta e olhou para o Neville.
— E como sua avó lidava com sua mãe, que trabalhava como aurora?
— Ah, minha tia avó deixou escapar algumas vezes que vovó não aprovava minha mãe e que elas tiveram uma discussão feia quando, depois que nasci, mamãe insistiu em voltar a trabalhar. — Neville disse meio cabisbaixo. — Mas, as vezes acho que vovó admira a coragem de mamãe, sabe, de continuar lutando na guerra incansavelmente. Ela também cuida da minha mãe muito bem e acho que seus pensamentos tradicionais não a impedem de gostar dela.
— Bem. — Harry dobou a carta e começou outra para sua tia Petúnia, sabia que ela ficaria feliz ao saber da notícia sobre a sua saúde. — Fico feliz sobre isso, mas, voltando aos lobisomens, apesar de não sabermos os números e, sem tirar as mulheres, claro, teremos muitas pessoas sem emprego.
— Olha, não se preocupe tanto, logo teremos algumas ideias, quem sabe a Hermione se junte a nós em breve e ela com certeza ajudará. — Disse Terry sorrindo.
— Tem razão e, de qualquer forma, todos estão pensando e procurando ideias. — Harry terminou a carta e a dobrou. — Algo surgirá, com certeza. Vamos almoçar na cozinha? Prometi a Ginny que lhe mostraria onde fica, assim, ela pode lanchar entre as refeições.
Terry e Neville concordaram e eles saíram do quarto.
— Como foi o voo de vocês essa manhã? — Neville perguntou. — Ginny é boa mesmo?
— Mais do que boa, na verdade, com um pouco de treino, ela será tão boa quanto eu. — Harry disse sorrindo.
Os dois garotos se mostraram impressionados e Neville perguntou:
— E, como ela lhe pareceu? Tentei conversar e me manter atento, mas, Ginny se esquiva ou simplesmente diz que está bem...
— Hum, ela não me parece bem, acho que está tentando se convencer que está bem. — Terry disse baixinho. — Mas, é muito recente, assim, não podemos esperar que seja fácil superar tudo o que aconteceu.
— Acho que os dois estão certos e tenho percebido como ela quer deixar tudo para traz, esquecer, mas isso é impossível. Eu já lhe disse isso, assim como lhe aconselhei a se abrir com Flitwick. — Harry disse quando se aproximaram das escadas. — Ele não é um terapeuta como o Sr. Martin, mas tenho certeza que poderá ajuda-la. E nós, como seus amigos, temos que apoiá-la e tentar mostrar que somos verdadeiros em nosso afeto. Depois da maneira como ela foi traída e magoada por Riddle, será difícil que Ginny volte a confiar.
— Como você. — Neville disse suavemente. — Por isso que você a entende tão bem, Harry, afinal, você também tem dificuldade em confiar nas pessoas.
— Sim e eu recebi o apoio de todos vocês, consegui me abrir e expressar o que me machucou ou ainda machuca. — Harry disse. — Ainda tenho problemas de confiança, mas estou melhor do que eu estava em meu primeiro dia em Hogwarts. E, acho que todos temos que nos lembrar que a verdadeira Ginny, ou quem ela é agora, depois de tudo o que passou, acabou de chegar aqui.
Seus amigos acenaram entendendo e, então, a escadas e Ginny, que os esperava, apareceram. Ela tinha um sorriso meio tímido, meio empolgado.
— Pronta para conhecer a cozinha? — Harry perguntou sorrindo.
— Sim, ansiosa, na verdade. — Ela disse. — E estou faminta.
— Ah! Essa é exatamente a frase que Mimy adora ouvir, Ginny. — Neville disse divertido. — Ela irá amar suas visitas se você comer sua comida em grande quantidade.
— Bem, eu sou pequena, mas como bem. — Ela respondeu. — Apenas ainda não sei o que preciso comer nos lanches para melhorar o meu rendimento nos treinos.
— Não se preocupe, Ginny, nós aprendemos muito sobre alimentação saudável e para treinamentos nos últimos meses e podemos lhe ensinar. — Terry disse com seu sorriso gentil.
— Ok. — Ginny sorriu animada e tocada por seus apoios. — Obrigada, meninos.
O domingo de Greyback não estava sendo tão agradável, depois de uma semana muito frustrante. Inicialmente, sua viagem a Abadia Boot se mostrou frutífera, pois, mesmo a quilômetros de distância, Greyback conseguiu detectar facilmente o cheiro forte de Black na grande mansão. Foi fácil deduzir que, ou ele vivia ali ou passava muito do seu tempo na casa dos Boots, assim, havia uma grande chance de ouvir ou ver algo que o ajudasse em sua vingança.
Infelizmente as alas da antiga Abadia eram insuperáveis para um bruxo mediano como ele, assim, como um bom caçador, Greyback se manteve pacientemente a espera de que Black deixasse as proteções. Sentado em uma árvore alta, contra o vento, ele tinha uma boa visão do grande jardim branco e da Abadia que lembrava uma igreja trouxa antiga, de pedras cinzentas. Apenas o som não chegava tão longe, talvez por causa das paredes de pedra.
Ele também visitou os endereços de suas fábricas, onde as alas não eram tão fortes e conseguiu se aproximar o suficiente, sem chamar a atenção, para constatar que Black visitava as fábricas apenas uma vez por semana, a não ser que houvesse algum problema. Com sua boa audição, além do olfato, Greyback compreendeu que o escritório no Beco Diagonal centralizava a administração de todas as fábricas, assim, Black passava mais tempo por lá.
Como não podia ir até o Beco com todos aqueles malditos aurores por todo lado, ele decidiu que sua melhor chance era a Abadia, assim, durante o resto da semana, Greyback ficou sentado em sua árvore observando e aguardando. Logo ficou claro que Black não deixava a grande mansão, provavelmente usava o flu e aparatava de um ponto específico. Ser inverno tornava muito improvável um passeio pelo bosque e, apesar de um caçador experiente e paciente, Greyback começou a pensar que o melhor era ir atrás de T e Gun primeiro, depois voltaria a caçar Black no Beco, quando os aurores esvaziassem um pouco o lugar.
Greyback não se importava com o desconforto ou o frio da espera, o que o frustrava sem fim era o desejo não satisfeito de matar. Duas ou três semanas eram o seu limite, depois, era quase impossível conter o desejo de sentir o cheiro do medo e sangue de uma das suas matanças. Ele matara um cervo no bosque para se alimentar e tentar conter a fissura, mas seu anseio apenas aumentara e seus pensamentos se voltavam a todo instante para sua última vítima.
— Hum... talvez, eu possa ir até a cabana hoje à noite e isso me acalme um pouco. — Considerou pensativo. — Quem sabe Egan não está por lá e possa me ajudar a pegar Black mais facilmente...
Egan tinha uma cabana de luxo em Dover, um lugar tranquilo e sofisticado que ele valorizava e exibia com seu sorriso arrogante. O dinheiro que ele ganhava com a sociedade lhe permitiu uma vida mais próxima da sua anterior, quando era o herdeiro de uma família antiga e rica. A cabana seria o tipo de lugar que ele herdaria se nunca tivesse sido mordido e Greyback tinha um quarto no lugar onde guardava os seus pequenos suvenires.
Apesar de ter dinheiro, Greyback não tinha ou se importava em ter uma casa, na verdade, ele gostava de viver nas florestas, como uma fera. E, sentia um grande prazer em deixar a floresta para caçar nas cidades como as antigas histórias do lobo mal. Assim, quando sua amizade com Egan se aprofundou e eles descobriram alguns gostos semelhantes por garotas jovens, Greyback passou a ocupar um dos quartos da cabana. Era lá que ele guardava pequenas lembranças de suas mortes, objetos que o recordava de seus momentos de maior satisfação. Greyback gostava de tocá-los, cheirá-los e recordar cada momento, cada grito, o cheiro do medo e sangue, o gosto da carne...
— Hum... — Greyback gemeu excitado, algo que nenhuma mulher jamais realizou. Egan, normalmente gostava de estuprar as garotas antes de entregar para que Greyback as torturasse e matasse, pois, o lobisomem não tinha nenhum interesse sexual por elas. — Sim, visitarei a cabana hoje à noite, isso me ajudará a continuar a caçada com mais tranquilidade. Quem sabe Egan não tem algum brinquedo novo...
Seus pensamentos horripilantes foram interrompidos pelo riso de uma criança. Olhando atentamente, Greyback viu um menino moreno e de cachos negros angelicais correr pelo jardim branco com um grande cachorro preto e peludo. Inspirando profundamente, ele reconheceu o cheiro que encontrou junto com o sangue naquela noite no Beco e teve a sua confirmação. Como supunha, Black era um animagus e, provavelmente foi por isso que ele não morreu com o ferimento causado por Egan.
Observando a cena, Greyback prendeu sua atenção no menino risonho que fugia ou perseguia o cachorro, as vezes parava e jogava neve nos pelos negros os esbranquiçando. Finalmente, o cachorro o derrubou no chão e lambeu seu rosto.
— Não, Almofadinhas! Menino mal! Hugh! Que nojo! — O garoto gritou e riu divertido.
Agora que eles estavam fora da mansão, Greyback podia ouvi-los e o cheiro o garoto era muito tentador. Seus olhos brilharam de interesse e sua mente se desviou da sua caçada original, quando outra mais interessante se apresentou.
— Adam! Sirius! — Uma voz feminina surgiu na porta. — O almoço está pronto!
— Ok! O papai já chegou? — O garotinho se levantou espanando a neve.
— Não, querido, mas tenho certeza que logo chegará. — Disse a voz que não tinha o rosto, pois falava do pórtico coberto.
O garotinho pareceu chateado e o cachorro se tornou Sirius Black.
— Ei, não fique assim, se seu pai ainda não chegou, deve ser porque algo o prendeu. — A voz mais rouca e profunda de Sirius chegou até Greyback facilmente.
— Papai nunca está em casa, Sirius, mesmo a mamãe está sempre trabalhando e, quando eles estão em casa, só trabalham. — O garoto, Adam, reclamou e chutou uma pedra chateado.
— Olha, vou falar com eles sobre isso. Ok? — Sirius disse suavemente. — Tenho certeza que seus pais não querem passar pouco tempo com você ou sua irmã, apenas estão um pouco sobrecarregados.
— Ayana também não quer mais brincar comigo, diz que sou criança e ela já é muito grande para brincar. — Adam disse. — Mas, acho que está com ciúme porque eu consigo me conectar com as arvorezinhas e ela não. Tudo o que ela faz é ficar trancada em seu quarto, Sirius! Isso não tem a menor graça!
Sirius riu divertido.
— Sim, ela deve estar com um pouco de ciúme, mas Ayana também não gosta muito do inverno. — Sirius conduziu o garoto para a Abadia. — Olha, vamos almoçar e, quando o seu pai chegar, não deixarei que trabalhe mais hoje, assim vocês podem passar um tempo juntos. Quem sabe ele...
A voz desapareceu e Greyback sorriu ao perceber que tinha um novo plano em mente. Seria como matar dois coelhinhos com uma única tacada.
Falc chegou no meio do almoço à Abadia, cansado e distraído com o tanto de trabalho e providências sem fim que tinha pela frente. Sirius sabia que tinha que ajudá-lo mais, afinal, era o tutor do Harry, mas sua inexperiência e desconhecimento legais não o tornavam um bom administrador. Depois do almoço, Sirius pediu para falar com Falc em particular e, assim que entraram no escritório, foi direto ao ponto.
— Precisamos contratar um administrador para a herança Potter.
— O que? — Falc se mostrou espantado. — Eu sou o administrador.
— Não, você é o advogado e faz um trabalho brilhante, mas tem trabalhado 16, 18 horas por dia, pois tem que correr de um lado para o outro gerenciando todos os detalhes. — Sirius disse razoavelmente. — Eu tento ajudar, mas não tenho muita experiência e estive ocupado com a OP. Agora terei mais tempo e podemos dividir as tarefas ou podemos contratar um administrador, como fizemos com a GER. Você não tem que se preocupar com nada sobre a GER, a não ser as questões legais, porque o Edgar é um grande administrador.
— E, você acha que podemos fazer isso com o resto? — Falc perguntou pensativo. — Olha, Hallanon está sendo reaberta e isso tem exigido muito de mim, viagens, planejamentos, contratações e muitos questões legais para a migração dos animais que estão na África. Temos as outras fazendas que estão sofrendo muitas mudanças e modernizações, além das feiras que estão sendo construídas. Agora a fábrica de cosméticos que é um novo setor que preciso aprender, mas, acredito que logo tudo estará funcionando perfeitamente e eu voltarei ao meu ritmo normal de trabalho. Tenho estado sobrecarregado porque tudo se juntou ao mesmo tempo.
— Falc, você sabe que isso é uma esperança vã. — Sirius disse sensato. — Daqui a pouco teremos que reabrir as minas, abrir a oficina de lapidação, a loja de pedras preciosas no Beco, reconstruir a ilha para os lobos, construir o Mercado de Hogsmeade e sabe Merlin o que mais o Harry inventará. O trabalho nunca termina e com mais e mais negócios sendo inaugurados, que você tem que administrar, mais trabalho terá pela frente, pois os gerentes apenas cuidam da logística do dia a dia. Em Hallanon, haverá uma sócia que assumirá boa parte do trabalho prático com os animais, mas sei que a administração financeira será sua. Bem, quando você será advogado de novo?
— Sirius, você sabe que um advogado no mundo mágico é também um administrador e não posso virar as costas para as minhas funções. — Falc observou exasperado.
— Pois eu prefiro que encontremos um administrador competente para podermos supervisionar o seu trabalho, como fazemos com o Edgar. Assim, podemos nos concentrar no que é mais importante. — Sirius defendeu suavemente.
— E, o que é? — Falc perguntou cansadamente.
— Para mim, Harry, encontrar tudo o que puder sobre Riddle e ajudá-lo a vencer essa guerra. Para você, sua família, Falc. — Sirius apontou para a porta. — A quanto tempo não passa um tempo com seu pai? Ele está de luto e precisa de você. Adam tem sentido sua falta, ele me disse que nunca o vê e que, mesmo quando está em casa, está trabalhando. — Falc ficou meio sombrio e Sirius ergueu os braços. — Desculpe me intrometer, não quero chateá-lo ou te ensinar a ser algo que eu não sou, um bom filho ou um pai, mas eles precisam de você.
— E, o que você sugere? Edgar é uma joia rara, Sirius, não é fácil encontrar alguém tão competente e confiável como ele. — Falc disse se levantando e olhando pela janela.
— Inicialmente, podemos dividir os projetos, assim, tentamos não te sobrecarregar tanto e, se sentirmos que precisamos de mais ajuda, procuramos alguém cuidadosamente, sem afobação. — Sirius apontou.
— Mas, e o treinamento auror? A OP acabou, mas o treinamento ainda exigirá muito de você. — Falc se virou surpreso.
— Eu estou abandonando o treinamento auror. — Sirius disse firmemente e, pela primeira vez, a alguém além do Harry e Denver.
— O que? — Falc se mostrou chocado. — Mas, era o seu sonho...
— Não, Falc, era o sonho de outro Sirius. — Ele suspirou e sorriu timidamente. — Eu estive sendo meio cego para a verdade, sabe, mas quase morrer e o Harry, me ajudaram a vê-la. Quando eu deixei Hogwarts, escolhi suspender meu sonho de ser um auror e me concentrar na guerra, pois acreditava que era o mais importante.
— Mas você ainda pensava em ser um auror um dia. — Falc apontou curioso e se sentou em uma das cadeiras.
— Sim, eu tinha esse anseio por justiça, por causa de tudo o que presenciei a minha família fazer aos inocentes. Eu queria salvar e levar justiça às vítimas das maldades desse nosso mundo. — Sirius respondeu sincero. — E, o jovem Sirius, de antes de Azkaban, era o auror perfeito, destemido, descompromissado, aventureiro, com uma gana por prender os caras maus e limpar o nome Black. Quando deixei a prisão, eu não sabia muito bem o que fazer comigo mesmo ou quem eu era exatamente, assim, me apeguei a quem eu fui.
— E, quem você é agora? — Falc perguntou curioso.
— Eu não sei e estou ansioso por descobrir sem carregar o peso dos sonhos que se perderam. A única coisa que sei com certeza é que não quero ser um auror e ficar preso a burocracia e leis corruptas do Ministério. — Sirius disse com firmeza. — Tenho que ajudar o Harry em seus projetos e, como um auror, jamais conseguirei. Preciso ajudá-lo a encontrar e destruir essas horcruxes, assim, preciso ser livre para estar ao seu lado e lutar com todas as armas possíveis. King e Moody se importam, mas estão de mãos atadas, Falc, por isso aquelas três crianças tiveram que se arriscar. Hogwarts tem tantos problemas e a AP está apenas começando o seu trabalho de levar mudanças benéficas aos alunos. E, acredito que está na hora de começarmos a fazer o mesmo no Ministério e na Suprema Corte.
— Mudar as leis. — Falc disse pensativo. — Harry está decidido a não aceitar as taxas sobre os livros de Lily, será uma disputa judicial duríssima.
— Exato. Enquanto você está bancando o administrador e eu brincando de ser recruta auror, ninguém está mudando as leis e é nisso que precisamos nos concentrar. — Sirius disse determinado. — Olha, eu posso administrar o projeto da Ilha, do Mercado em Hogsmeade e da Fábrica de Cosméticos, afinal neste último, teremos o Edgar envolvido.
— Eu fico com Hallanon, as fazendas e as feiras. — Falc disse a acenou pensativo. — Parece-me uma boa ideia.
— E, preciso começar a estudar sobre a Suprema Corte e as leis, quero saber como apresentar projetos de leis, por exemplo. — Sirius disse pensando que nunca imaginou que diria tais palavras quando era jovem. — Mas, antes, precisamos socializar com os membros da Suprema Corte, como tínhamos planejado, e conquistá-los para a nossa causa.
— Essa era uma boa ideia, mas, não seguimos em frente. Porque? — Falc questionou confuso e Sirius suspirou.
— Porque estivemos todos em luto, meu amigo. — Sirius disse tristemente. — Seu pai planejava dar alguns jantares para antigos amigos e nós aceitaríamos alguns convites para jantares ou festas, mas...
— Minha mãe se foi... — Falc disse em um sussurro triste e chocado, seus olhos brilharam com lágrimas. — Eu... não sei o que dizer, apenas, estive mergulhado no trabalho e não posso acreditar que... Não me lembro da última vez que pensei em minha mãe.
— Talvez, por isso que esteve tão mergulhado no trabalho, Falc, para não pensar ou se lembrar que ela se foi. — A voz do Sr. Boot ecoou da porta do escritório.
— Papai, eu... — Falc se levantou um pouco desconcertado.
— Eu percebi, Falc e não me surpreendi, pois seu jeito de lidar com sentimentos ruins sempre foi fugir deles. — Sr. Boot se aproximou mais do filho. — Nas últimas semanas, eu te vi fugindo para o trabalho cada vez mais e mais, parecendo ansioso e feliz por ter uma desculpa para não falar comigo ou se lembrar de sua mãe.
— Desculpe, eu... não percebi que estava fazendo isso. — Falc se aproximou do pai. — Me desculpa não ter estado aqui para o senhor nestas semanas.
— Eu estou bem. — Sr. Boot disse com você embargada. — Tive minha Honora por quase 50 anos e fomos muito felizes, não tenho arrependimentos, apenas saudades. Mas, seus filhos perderam a avó e mal veem o pai, assim, sugiro que respire fundo, lide com sua dor e os ajude a lidar com a deles. Eles precisam de você, Falcon Boot.
Falcon acenou rigidamente, mais do que castigado por suas palavras, mas, então, a dor que esteve sufocando por semanas o alcançou e ele se inclinou, escondeu o rosto em suas mãos e explodiu em soluços dolorosos.
— Tudo bem... — Sr. Boot bateu em seu ombro e apoiou sua cabeça contra seu peito. — Tudo bem, chore...
Sirius saiu lentamente do escritório e os deixou sozinhos. Depois de se despedir do resto da família, ele aparatou até o beco perto da casa de Denver e, alguns minutos depois, bateu na porta do seu apartamento.
— Oi, está quase atrasado. — Disse ela duramente e fechou a porta do apartamento, pois eles iriam para outro lugar.
— Olá, para você também. — Disse Sirius agradável. — Eu também senti sua falta e espero que tenha tido um boa noite, mesmo sem a minha presença.
— Deixe de frescura, Sirius. — Disse ela mal-humorada. — E, porque não dormiria bem? Dormi sozinha a vida toda e, com certeza não terei problemas depois de você dormir na minha cama algumas poucas vezes.
Sirius a olhou e percebeu sua tensão.
— Eu também não dormi muito bem. — Ele disse e a viu fazer uma careta irritada. — Olha, se não quiser fazer isso, eu entendo.
— Eu não me importo de mentir por você, também não estou contente com o King e seus chefes. — Denver disse sobriamente. — Apenas não gosto do motivo que pretende mentir, Sirius, pegar informações sensíveis e usar em benefício próprio é espionagem e isso é considerado um crime gravíssimo.
— Eu sei, mas prometo que não usarei nada do que descobrir para fazer coisas ruins. — Sirius disse em tom de promessa quanto caminhavam pela rua. Os escritórios da ICW ficavam a alguns quarteirões e eles tinha uma reunião com King, Tonks e Moody naquela tarde. — Preciso apenas saber o máximo possível sobre os negócios do Malfoy, assim, me antecipo e consigo realizar o plano do Harry. Também preciso descobrir sobre as investigações de Moody para encontrar os lobisomens, pois assim, posso protegê-los e impedir que sejam presos. Eles me dirão tudo isso se acreditarem que ainda estou participando do treinamento auror, portanto...
— Portanto, nós dois fingiremos que você pretende continuar o treinamento, mesmo que tenho decidido não ser mais um auror. — Denver disse séria e, quando viu o prédio com os escritórios, interrompeu a caminhada. — Eu entendi tudo isso, mas, não importa suas boas intenções, as coisas podem sair do controle rapidamente e não quero que volte para a prisão. Como disse, não me importo de mentir por você, mas se farei isso, não aceitarei ser deixada de fora. Assim, sejam quais forem os seus planos, eu farei parte. Entendido?
— Completamente. — Sirius disse e sorriu divertido lhe lançando um olhar quente. — Eu não iria querer de outra maneira, aliás, eu tenho alguns planos interessantes para depois da reunião e adoraria o seu envolvimento.
Denver rosnou de irritação e frustração ao retomar a caminhada.
— Ainda estou menstruada, Black e louca para descarregar meu mal humor. — Disse ela acidamente.
— Ei, não precisamos transar, podemos apenas curtir alguma coisa juntos. — Disse Sirius suavemente.
— Somos amantes, Black, não dois adolescentes, assim, se não podemos transar, nos encontrarmos parece meio fora de propósito. — Disse ela em tom defensivo e Sirius percebeu que era melhor recuar, afinal, nenhum dos dois estavam prontos para avançarem a relação para algo mais sério do que tinham no momento.
— Ok, mas, apenas com uma última observação. Eu não vejo nada errado em sermos adolescentes... só as vezes. — Sirius disse e, ao esperar mais uma tirada mal-humorada, ficou alegremente surpreso ao ver a sombra de um sorriso em seu rosto.
Eles prosseguiram o resto do caminho em silêncio e encontraram King os esperando na sala de reunião. Ele lhes lançou um olhar curioso, mas não fez comentários sobre estarem chegando juntos. Moody e Tonks chegaram alguns minutos depois e todos se cumprimentaram.
— Feliz de te ver inteiro e bem, Sirius. — Tonks disse depois de abraçá-lo. — Mãe ficou preocupada quando soube e pediu para lhe dizer que espera uma visita.
— Ok, escreverei para ela marcando alguma coisa. — Sirius disse e, segurando a sua mão entre as dele, a apertou com carinho. — Obrigado por toda a sua ajuda, eu não teria conseguido deixar aquele lugar vivo se não fosse por você, prima.
— Ora. — Tonks pareceu desconcertada e corou com o olhar de todos sobre ela. — Eu apenas fiz meu trabalho, Sirius, e ainda poderia ter feito mais. Depois que saiu de lá, percebi que o mais inteligente era ter ido com você, assim, poderia te ajudar a chegar ao St. Mungus.
— Não pense isso, nem por um segundo, as coisas foram melhores assim, até porque, eu não poderia ir para o hospital sem chamar a atenção. — Disse Sirius suavemente. — O tempo e distração era exatamente o que eu precisava para me colocar em segurança e conseguir ajuda.
— Sirius está certo, Tonks, suas ações foram corretas, na verdade... — King pediu que todos se sentassem. — O Chefe Scrimgeour disse que considera a OP um sucesso, pois, apesar das dificuldades, nós alcançamos o objetivo final. Limpamos a Travessa, prendemos dezenas de marginais, retiramos os mendigos, doentes e resgatamos as vítimas sequestradas. — Ele abriu uma pasta para ler o conteúdo. — Estive em contato com a equipe que está cuidando das vítimas e dos doentes, tenho os números e as medidas que foram tomadas até agora. O St. Mungus abriu uma nova ala que eles estão chamando de asilo, que é onde estão enviando bruxos com algum tipo de doença mental, que eles chamam de cérebro fraco.
— Esse termo, cérebro fraco está incorreto, incrível como os bruxos se considerarem tão superiores, mas estão tão atrás dos trouxas quando se trata de neurologia, psiquiatria e psicologia. — Denver disse irritada.
— Sim, mas, pelos menos, estão tratando desses pobres, antes apenas os abandonavam sem cuidados e muitos deles acabavam como mendigos na Travessa, onde morriam rapidamente. — Moody disse com uma careta mal-humorada. — A decisão de limpar a Travessa os obrigou a parar de ignorar esses doentes como fizeram desde sempre.
— E, talvez, agora que eles estão lá sendo cuidados, bem alimentados e com remédios, alguns melhorem ou os curandeiros possam fazer pesquisas para encontrar poções que os ajudem. — Disse Tonks otimista. — E. sobre as vítimas, King?
— Boa parte era menor de idade e estão sendo liberadas para as famílias, quando elas existem e são encontradas. — Disse ele com uma expressão sombria. — Os jovens trouxas serão obliviados e enviados para suas famílias ou orfanatos. Os mágicos que não tem famílias também estão sendo enviados para o Orfanato dos Abortos, pelo menos provisoriamente, afinal, eles nunca tiveram crianças e adolescentes mágicos antes. Os adultos trouxas, depois de obliviados, serão deixados em suas casas ou nas casas de familiares. E, os adultos mágicos estão sendo liberados, assim que se mostram curados de seus ferimentos.
— Mas, King, eles serão auxiliados? Uma indenização, talvez um lar ou emprego para os que não tem um? — Sirius perguntou preocupado. — Quando saí das celas daqui, desses escritórios, eu não tinha mais meu apartamento, meus melhores amigos e familiares estavam mortos ou eram quase estranhos. O Sr. Boot me ofereceu sua casa e, incrivelmente, a Abadia se tornou meu lar, mas, se não fosse isso, eu ficaria perdido de para onde ir. E, eu tinha muitos galeões, o que duvido seja o caso de qualquer uma dessas pessoas sequestradas.
— Isso foi pensado pelas assistentes sociais do Ministério que estão gerenciando tudo, afinal, em se tratando de abuso de menores, elas são as responsáveis. — King informou seriamente. — Sra. MacMillan e a Sra. Diggory insistiram que o Ministério tem de ajudar todas as vítimas, prover tratamentos, roupas, comidas, apoio financeiro, um lar e empregos. Acredite, foi uma discussão dura com o Ministro e elas venceram, depois que Madame Bones as apoiou e o lembrou de que se o descaso chegasse a imprensa, Fudge poderia ser encarado como o vilão de toda essa história.
— Ele deve ter ficado em pânico. — Moody disse com uma careta de satisfação. — O Profeta está criticando tudo o que Fudge faz ou não faz, ultimamente, se esse assunto caísse em seus ouvidos, seria um desastre para a sua reeleição no ano que vem.
— Sim, Fudge pensou que sua reeleição seria apenas uma formalidade, mas, com tudo o que tem acontecido ultimamente, ele já percebeu que precisará se esforçar muito para continuar no cargo. — Disse King. — De qualquer forma, os prédios confiscados na Travessa já foram vendidos para a GER, Fudge tinha pressa em conseguir algum dinheiro no caixa do Ministério, que está bem vazio, mas acabou aceitando que esse dinheiro será destinado a auxiliar as vítimas, além do asilo do St. Mungus.
— Mas, e as vítimas obliviadas? — Tonks perguntou preocupada.
— Elas terão que ser esquecidas, pois sabem muito sobre magia e, na verdade, não eram muitos. — King disse e sua expressão era de pena. — Pelo que entendemos nas informações colhidas, os jovens trouxas sequestrados não viviam por muito tempo.
Um silêncio sombrio se instalou na sala, até que Sirius perguntou se eles teriam algum tipo de ajuda financeira.
— Como são trouxas e não se lembrarão de nada, seria suspeito se aparecessem com dinheiro, Sirius. — Moody disse.
— Isso é besteira e vocês sabem. — Sirius disse irritado. — Um bom obliviador criará uma história para os seus desaparecimentos, inclusive visitará as famílias e lhes "convencerão" da mesma história. Muito mais suspeito será se, um monte de pessoas que estão desaparecidas há meses, começarem a aparecer por todos os lados, completamente desmemoriadas.
— Bom ponto. — King disse pensativo. — Conversarei com a Sra. MacMillan hoje mesmo, pois as obliviações estão marcadas para começarem amanhã. Tonks e Moody, os dois receberão recomendações positivas em suas fichas por todo o trabalho duro que fizeram. Moody, o Chefe me autorizou a restituir a sua classificação, assim, oficialmente você não está mais rebaixado e retorna a ser um Auror Sênior. — Moody apenas acenou com uma careta e Tonks agradeceu com um sorriso. — Bem, acredito que a única questão que resta em tudo isso, é a situação do Sirius. Alguém tem alguma sugestão?
— Eu tenho. — Sirius disse casualmente. — Pensei em seguirmos o plano inicial, eu continuo o meu treinamento com a Denver, enquanto tento melhorar a minha imagem. Posso dar uma boa entrevista, doar algum dinheiro para a caridade, me comportar e, quando as coisas se acalmarem, o Chefe Scrimgeour pode me convidar para ser um auror.
— Mas, e o treinamento? — King perguntou surpreso.
— Eu pensei sobre isso. — Denver disse seriamente. — Vocês podem dizer que Sirius passou por um treinamento especial e se mostrou apto, depois de testes específicos, a se tornar um Auror Júnior.
— Haverá perguntas, claro, e alguns acreditarão em nepotismo ou privilégios, mas ninguém contestará. — Sirius disse. — Meu treinamento com Denver dura até dezembro, se mantivermos esse ritmo, assim, em janeiro, podemos rever a situação, os rumores e identificar se é seguro me associar com os aurores abertamente.
— Parece razoável e agradeço a sua paciência ao esperar mais um ano, Sirius, pois sei o quão ansioso estava para iniciar o treinamento oficial. — Disse King sinceramente.
— Se entrasse na turma da Tonks agora, que está terminando o 2º ano de treinamento, apenas poderia me formar na primavera do ano que vem. — Sirius disse sensato. — Assim, posso concluir o treinamento antes e, se vermos que a situação se acalmou, posso começar minha carreira com essa turma. Não me parece que seja algo tão ruim, apenas uma pequena alteração nos planos originais.
— Bem, acredito que é o mais sensato e, em um ano, é possível que os lobisomens não desconfiarão que você teve algo a ver com o que aconteceu naquela noite na Travessa. — King considerou.
— Sim, e a minha entrevista ajudará, aliás, pretendo defender os lobisomens, acredito que isso contará a meu favor. — Sirius disse sorrindo. — Alguma novidade na investigação, Moody?
— Muitas. — Ele disse em seu tom rabugento, mas não parecia desconfiado, o que era um alívio para Sirius que sabia que se informasse a eles que pretendia deixar o treinamento, não receberia uma resposta. — Visitamos alguns lugares onde os lobisomens acampam mais habitualmente e interrogamos alguns deles. A maioria não sabe ou entende o que aconteceu naquela noite e negam qualquer associação com Greyback. Ele é odiado e temido por toda a comunidade e não acredito que ninguém mentia. No entanto, quando perguntei sobre o tal Gun e T, todos se mostraram reticentes, alguns disseram que sabem quem são, mas, não os conhece pessoalmente ou não os vê desde o início do inverno. E, claro, ninguém sabe dizer onde estão agora.
— Imagino que T e sua gangue estejam em Londres, mas, não acredito que seu esconderijo seja fácil de encontrar. — Sirius especulou ainda casualmente.
— Sim, mas, eu deixei alguns homens observando os acampamentos em que senti que eles sabiam mais do que disseram. Aposto que cedo ou tarde, alguém se sentirá à vontade para sair e ir até o encontro de um desses dois. — Moody disse com um sorriso malicioso. — Quando isso acontecer, nós os pegaremos.
— Mas, porque a perseguição se eu e Sirius testemunhamos que T, Gun e seus homens não tiveram a intenção de invadir a Travessa? Ou lutar contra os aurores? — Tonks perguntou chateada e se lembrou de emendar no fim. — Senhor?
— O Ministério ou o Ministro não ligam se eles lutaram ou não, se queriam ou não invadir a Travessa. — Moody disse rabugento. — Fudge está muito preocupado em mostrar serviço e seguir as leis, depois que o Ministério foi punido tão severamente pela ICW, por não as cumprir. Prender lobisomens que descumpriram as leis lhe dá a chance de fazer isso e se exibir, garota.
— Ele usará isso como slogan de campanha. — King explicou. — Se prendermos 10, 20, 50 lobisomens marginais, Fudge dirá que graças a ele, o mundo mágico está mais seguro. E, vamos combinar que, de todos os criminosos que existem em nosso mundo, os mais fáceis de perseguir são os lobisomens, pois ninguém se importa com eles.
— Bem, eu me importo e acho muito injusto que eles paguem por uma armadilha que Malfoy e Greyback criaram para mim. Além de acreditar que todas essas leis absurdas são ultrapassadas e desumanas, King. — Sirius disse tentando controlar a raiva. — Os lobisomens foram proibidos de trabalhar, ter uma casa ou qualquer propriedade, vivem abandonados e temidos. Se alguém é culpado por seus crimes são essas leis Anti-Lobisomem. — Sirius encarou Denver. — Imagino que a ICW não possa fazer nada sobre isso?
— Não existe uma lei internacional que diga como os lobisomens devam ser tratados por seus países de origem, ainda que eles entrem nas leis de proteção das criaturas mágicas que devem ser protegidas e contidas para que não ameacem o Estatuto de Sigilo. — Denver explicou secamente. — Como os dragões.
Todos fizeram uma careta de mal-estar pela classificação absurdamente discriminatória.
— Isso tem que mudar. — Sirius disse cansadamente. — Fudge não é a melhor opção para Ministro, devem ter outros que seriam mais competentes e corajosos para realizar as mudanças necessárias para acabar com todos esses absurdos.
— Candidatos existem, mas, para se tornarem elegíveis, precisam do apoio de pelo menos um terço da Suprema Corte. — King explicou. — Nas últimas eleições, a quase quatro anos, houverem dois pleiteantes, Fudge e MacTavish, mas o último teve apenas 10 apoiadores. Assim, com apenas um candidato recebendo o apoio da maioria da Suprema Corte, eleições não foram necessárias e Fudge se tornou o Ministro, automaticamente.
— MacTavish não era uma escolha muito melhor. — Moody opinou com uma careta e Sirius concordou, pois, o homem tinha acabado de perder o cargo de presidente do Conselho de Governadores de Hogwarts para o Sr. Boot. — Mas Fudge ganhou porque foi escolhido como uma marionete pela aliança dos puristas e neutros, que são a maioria dos Conservadores, o partido que era liderada do Parkinson e Greengrass, purista e neutro, respectivamente.
— MacTavish foi considerado uma escolha mais interessante pelo partido Progressistas, mas precisava de mais votos. — King continuou. — Fudge recebeu mais da metade dos 50 votos, por causa da aliança dos neutros e puristas, mas também porque os membros do partido Conservador o consideram uma opção menos progressista.
— A verdade é que os Conservadores são maioria na Suprema Corte, por isso, seus candidatos quase sempre vencem sem precisar de eleições públicas. — Disse Moody dando de ombros.
— Sim, mas, nem todos os chamados Conservadores são puristas ou neutros que no fundo são puristas não declarados. — Disse King. — Se houvesse um bom candidato, alguns desses Conservadores poderiam mudar seus votos e escolherem o candidato dos Progressistas.
— As eleições serão em maio do ano que vem? — Sirius disse pensativamente. — Existe algum rumor de um possível candidato ou aliança?
— Não, ou pelo menos não até a bomba do que aconteceu com você, Crouch Jr. e os lobisomens, além da crise econômica e do ataque ao Beco. — Disse King serenamente. — Agora existem rumores de que alguns membros da Suprema Corte que votaram em Fudge, não o consideram forte o suficiente para lidar com todas essas crises.
— Bom saber disso, talvez, eu possa agitar as coisas um pouquinho mais. — Sirius disse sorrindo com malícia.
— O que está planejando, Black? — Moody perguntou curioso.
— Nada perigoso, prometo. — Sirius disse mais sério. — Pretendo pagar um bom advogado para os lobisomens da matilha do Gun, anunciarei isso na minha entrevista e direi que eles estão sendo perseguidos injustamente pelo Ministro. Me parece algo justo e que faz com que os lobisomens não desconfiem de mim.
— Hum... — Moody disse pensativo. — Não é uma ideia má e imagino que você pretende ajudar os outros que prendermos também?
— Com certeza. — Sirius disse convicto. — Todos merecem um advogado e a chance de se defenderem.
Todos entenderam o porquê de suas palavras, claro, mas não sabiam que, na verdade, sua intenção era impedir que eles fossem presos até terem a chance de escolherem uma outra vida que Harry lhes ofereceria em breve.
— Bom, mas, essa sua entrevista não será bem vista pelo Ministro, assim, espero que no ano que vem, Fudge não esteja no cargo. — King disse.
— Eu também. — Sirius disse e decidiu arriscar mais algumas informações. — Algo sobre a investigação do Malfoy?
— Quase nada. — King disse objetivamente. — Além de ter acabado de começar, trabalharei sozinho e precisarei ser muito sutil para não levantar nenhumas suspeitas.
— Você diz sutil quando quer dizer lento. — Sirius disse com uma careta. — Eu não poderia te ajudar com essa investigação?
— Não, Sirius, o fato é que você não é um auror e não posso justificar sua colaboração, já ultrapassamos essa linha com a OP Travessa do Tranco. Existe também o fato de esta ser uma questão pessoal para você e isso poderia comprometer todo o caso em um julgamento. — King negou firmemente.
— Se chegarmos a isso, King. — Moody disse zangado. — Nós temos informações suficiente para prender aquele desgraçado e conseguir uma confissão em um interrogatório, mas Scrimgeour nega porque o loiro azedo é amigo do Ministro. Esse é outro que está mais preocupado em manter o cargo do que em fazer o trabalho.
— Bem, apenas terei que fazer muito bem o meu trabalho e conseguir provas irrefutáveis contra Malfoy, assim, mesmo o Ministro não poderá impedir sua prisão. — King disse seriamente.
— Depois do que aconteceu, Malfoy ficará bem quieto, exatamente por medo de estar sendo investigado, King, afinal, ele já deve saber que eu estou vivo. — Sirius argumentou.
— Sim, mas não penso que ele acreditará que você contará algo para os aurores, Sirius, na verdade, é mais razoável que ele esteja temendo uma retaliação sua. — King expôs inteligentemente. — De qualquer forma, essa possibilidade só faz com que a minha investigação tenha que ser ainda mais sutil e bem-feita, como eu disse. Mas, acreditem, eu pretendo pegá-lo, cedo ou tarde.
— Bem, apenas quero lhes dizer que pretendo retaliar, como você disse. — Sirius disse jogando alguns fatos na mesa, pois pretendia fazer muito mais. — Não se assustem, eu não o matarei. — Disse ele ao ver suas expressões. — Pretendo expulsar Narcisa e Draco da Família Black oficialmente e judicialmente, também entrarei com os papeis para restituir os Tonks.
— Muito bem, garoto. — Disse Moody com sua meia careta, meio sorriso de satisfação.
— Por isso é importante? — Denver perguntou curiosa. — Quer dizer, imagino que ser expulso de uma família seja ruim, mas, porque Malfoy se importará com isso?
— Ser expulso de uma Família com a importância dos Blacks é a questão. — Sirius explicou. — No mundo mágico, os Malfoys, enquanto importantes, ricos e puros, não se comparam aos Blacks, que são muito mais antigos, ricos e poderosos. O casamento de Lucius com Narcisa não teve nenhum impacto na importância dos Blacks, mas os Malfoys se alçaram acima nessa rede de disputas de poder puristas. Aliás, foi assim que eles chegaram a terem tanto poder, com casamentos convenientes e com negócios escusos que os tornaram muito ricos.
— Então, com a expulsão da Família Black, eles perdem algum poder? — Denver questionou.
— Sim. Poder e prestígio, principalmente para aqueles que consideram isso importante, mas também existe a vergonha de serem enxotados desta maneira. É considerado desonroso, para dizer o mínimo. — Sirius disse sorrindo. — Tem alguma perda financeira também, os negócios Blacks estão sob meu controle e sou o herdeiro principal, mas, todos os membros da Família Black, os que estão na tapeçaria, recebem uma pequena porcentagem dos lucros. O que, no caso das minhas empresas, é muita grana, mas, a partir de agora, os Malfoy não terão mais este mimo.
— Isso quer dizer que meu pais receberão essa grana? — Tonks se mostrou surpresa.
— Com certeza. — Sirius disse sorrindo ainda mais. — E, Malfoy perderá um pouco de seus rendimentos. Eu já devia ter feito isso, na verdade, mas, estive muito ocupado reestruturando as Fábricas Blacks e depois com o treinamento.
— Bem, se Malfoy ficar sem esses preciosos galeões, isso poderá levá-lo a se movimentar mais em seus negócios e, talvez, eu consiga pegá-lo mais rapidamente. — King disse com um meio sorriso. — Talvez, indiretamente, você ajude na investigação, Sirius.
— Bem, mesmo que eu não possa participar das investigações diretamente, se vocês precisarem da minha ajuda, sabem que podem contar comigo. — Sirius disse sincero.
Moody e King concordaram e, logo depois se despediram, encerrando a reunião.
— Sirius, eu posso contar as novidades a minha mãe ou você quer fazer uma surpresa? — Tonks perguntou com um grande sorriso.
— Porque não esperamos os papeis serem oficiais, assim, posso entregá-los pessoalmente. — Sirius propôs e Tonks concordou.
— Combinado. Até mais ver, primo, Denver.
Sozinhos, Sirius e Denver se encararam por alguns segundos.
— Esse é um jogo perigoso, Black. — Denver falou suavemente.
— Sim, mas será por pouco tempo, prometo. — Sirius disse suspirando. —Acredite, não gosto de mentir para eles ou espioná-los, mas preciso ganhar algum tempo, assim, coloco nossos planos em prática.
— Bem, quero saber que planos são esses. — Denver disse pensativamente. — Porque não voltamos para o meu apartamento e conversamos?
— Ora, esse era o convite que eu estava esperando. — Sirius disse com um sorriso malicioso.
— Corte os pensamentos safados, Black, vamos apenas conversar. — Disse Denver ao deixar a sala de reuniões.
— Impossível! — Sirius disse quando chegaram a rua. — O único jeito de cortar os meus pensamentos safados de você e eu em uma cama, será se cortarem a minha cabeça, o que considero uma péssima ideia.
— Bem, nesse caso concordamos. — Disse Denver virando uma esquina diferente do caminho por onde eles vieram. — Desde que mantenha sua safadeza só em pensamentos, tudo bem por mim.
— Ei, acho que estamos no caminho errado. — Disse Sirius que tinha certeza que o caminho para o apartamento era outro.
— Vamos fazer uma parada em uma doceria que encontrei quando me mudei para Londres. — Respondeu Denver. — Compramos alguns donuts e podemos tomar um café da tarde enquanto você me coloca a par desses planos.
— O nome é chá da tarde. — Disse Sirius exasperado. — E o que são donuts?
— Você verá e eu não tenho chá em minha casa, Sirius, assim, é café da tarde mesmo. — Denver deu de ombros.
— Bem, então, precisamos resolver isso. — Sirius disse decidido.
Meia hora depois, eles entraram no apartamento, Emily com uma caixa de donuts, sabores sortidos, claro. E, Sirius, com algumas caixas de chá, Twinings, claro. Os dois se sentaram na mesa minúscula com suas xícaras de chá e café, Emily lhe deu um donuts de creme e Sirius deu sua primeira mordida no céu na terra.
— Hum... — Ele gemeu de prazer. — Merlin me ajude, isso é tão bom que deveria ser proibido.
— Pecado puro, eu também acho. — Emily disse mordendo o seu preferido de geleia e bacon caramelizado. — Eu só os como aos domingos e treino extra amanhã.
— Hum... bom demais, Harry se apaixonará por isso e aposto que vai querer aprender a cozinhar. — Disse Sirius sorrindo bobamente por pura felicidade açucarada.
— É assar, Sirius, não cozinhar. — Ela corrigiu e o viu dar de ombros, mais interessado na geleia do seu segundo donuts escorrendo, do que em sua correção.
Emily acabou por ser atraída para sua boca e língua lambendo os dedos sujos de açúcar e geleia, sua mente ganhou vida própria e se esqueceu de qualquer outra coisa que não fosse o desejo a tomar seu corpo. Mas, a contração dolorosa do seu útero a lembrou da realidade e a encheu de frustração. Acenando com a varinha, a poção milagrosa para cólicas foi tomada e, em segundos, a dor voltou a desaparecer, para o seu alívio.
O mais incrível era que, apesar da frustração sexual, Emily se sentia muito bem, normalmente seu mau humor durava todo o ciclo menstrual, mas hoje, até que se sentia melhor. Talvez fosse todo esse açúcar, considerou, ou a presença leve e engraçada de um certo alguém. Ela olhou para Sirius que parecia ainda mais pecaminoso do que normalmente ao comer os donuts e pensou que nunca mais ela os comeria sem lembrar-se dessa cena luxuriosa.
— Hum... não precisa só olhar, Emy, pode comer também. — Provocou Sirius com seu sorriso malicioso e safado.
— Não me chame de Emy ou te darei um apelido igualmente constrangedor, estou te avisando. — Ameaçou ela, mas sem muita seriedade. — Eu não estava te encarando se quer saber, apenas pensando que quem inventou essa história de TPM devia ser um homem, porque ela não tem nada de pré, pois dura a ciclo inteiro.
— Eu deveria saber sobre o que está falando? — Sirius perguntou confuso.
— Em Hogwarts os meninos não aprendem sobre meninas e meninos, puberdade e desenvolvimentos físicos? — Emily perguntou curiosa.
— Não. O que aprendemos são o que as garotas nos contam e sei que, além da menstruação, as mulheres ficam mais sensíveis e chorosas neste período do mês. — Disse Sirius dando de ombros.
— Sensíveis e chorosas? — O mau humor de Emily voltou com força total. — Se algum dia me chamar de chorosa, Black, petrifico você e depilo cada pelo do seu corpo com cera bem quente. Entendeu? — Ela disse e apesar de não entender muito bem a ameaça, Sirius empalideceu, pois lhe pareceu bem dolorosa e a expressão de Denver era meio assustadora. — E o que raios de problema tem essa sua escola de magia que se gaba de ser a melhor e ficar em um castelo, mas não ensina nem o básico sobre a vida? Por um acaso custa ter aulas de Saúde? Ou será que por serem bruxos, eles acreditam que tudo bem formar um bando de ignorantes insensíveis!?
Sirius arregalou os olhos e tentou imaginar o que deveria fazer para não a deixar com mais raiva e, inteligentemente, lhe estendeu o último donuts e disse humildemente.
— Você tem razão, essa é uma falha grave de Hogwarts. Talvez, depois, você possa me explicar o que eu preciso saber.
— Não seja condescendente comigo, Black. — Emily disse e mordeu o donuts, sentindo-se um pouco melhor ao alimentar os seus hormônios com açúcar, chocolate e carboidratos. — Bem, me fala sobre esses tais planos, já enrolou o suficiente.
Sirius ficou com vontade de se defender alegando que esteve ocupado comendo, mas desistiu, pois não queria irritá-la ainda mais. Seja o que fosse esse negócio de TPM, era bem assustador. Se levantando, preparou mais chá para os dois, quem sabe isso ajudasse a acalmá-la, e começou a contar as ideias do Harry, para os lobisomens e para o Malfoy.
Emily bebeu a água quente perfumada com uma careta de nojo, mas se sentiu mais calma, incrivelmente. E tentou não mostrar que estava impressionada com os planos do garoto de olhos verdes e cabelos bagunçados.
— Sem dúvida são boas ideias, principalmente as da ilha, mas, porque esse movimento contra o Malfoy que será preso cedo ou tarde por King? — Perguntou ela curiosa.
— Ah... — Sirius fez uma careta, pois ainda não lhe contara os detalhes sobre o que aconteceu na Câmara Secreta. — Existem algumas coisas que preciso conversar com os outros antes de te contar, quero que se junte ao nosso grupo, ou como você chamou, a Equipe do Harry. No entanto, preciso que todos, inclusive o Harry, concordem com isso. — Sirius a encarou preocupado, mas Denver não se chateou, apenas acenou em concordância. — O que posso lhe dizer é que toda essa história da Câmara e a basilisco aconteceu porque alguém colocou um objeto escuro de Voldemort em uma das alunas de Hogwarts.
— Eu entendi mais ou menos isso. — Emily disse suavemente. — Harry deixou escapar que precisava salvar alguém, mas precisava encontrá-la antes.
— Ele a encontrou, a ajudou e a garota está segura, todos estão, graças a Merlin e ao brilhantismo do Harry. — Sirius disse sorrindo com orgulho. — Mas, a garota quase morreu e, sem sua interferência, teria morrido e Voldemort recuperado o seu corpo.
— Isso me parece algo muito estranho para um objeto escuro conseguir realizar. — Emily considerou pensativa. — Imagino que magia negra poderosa estava envolvido.
— Sim, infelizmente. — Sirius disse com uma careta. — A pessoa que plantou esse objeto na garota sabia que ela morreria, Emily, e fazer isso com uma criança... não tem perdão. Bem, essa pessoa é o Malfoy.
— Ah. — Emily acenou entendendo e sentindo o mesmo desejo por justiça. — Compreendo, mas ainda insisto que devem deixar a vingança de lado e confiar na justiça. Tenho convicção de que King poderá levar esse homem a prisão.
— Harry e eu acreditamos nisso também. — Sirius disse sincero. — Mesmo que demore, temos certeza que King conseguirá prender Malfoy e, o que são mais alguns meses, depois de anos de impunidade. O problema é que Harry não está pensando só em vingança, Emily, isso nos dará uma grande satisfação, mas não é o mais importante.
— Então, qual o objetivo dessas ações? — Emily questionou curiosa e percebendo que Harry parecia sempre ter uma carta na manga.
— Deixe-me lhe explicar... — Sirius contou sobre os movimentos que iniciariam em breve para formar alianças com os membros da Suprema Corte.
— Por isso perguntou a eles sobre um possível opositor a Fudge? — Emily perguntou surpresa.
— Sim, se houvesse um candidato Progressista que concordasse em lutar por todas essas mudanças necessárias em nosso mundo e recebesse mais de um terço dos votos da Suprema Corte, poderíamos levar a eleição a voto popular. — Sirius apontou. — Com Fudge sendo tão fraco, haveria uma chance real de termos um Ministro que lutaria por leis mais justas para lobisomens, mestiços e nascidos trouxas.
— E, enfraquecer Malfoy ajuda em tudo isso? — Emily olhou para o açúcar da caixa vazia de donuts e lamentou que tenham se acabado.
— Sim, ele não é membro da Suprema Corte, mas é o líder dos puros e tem grande influência entre os neutros, além de ser muito rico. — Sirius explicou.
— Não entendi essa história de neutros. — Disse Denver.
— A Suprema Corte é dividida entre os partidos Conservadores e Progressistas que, infelizmente, são minoria há muito tempo. Todos são puros ou mestiços, claro, porque aos nascidos trouxas não é permitido uma cadeira no Supremo. — Sirius continuou. — Quando falamos de puristas, falamos dos que são abertamente anti trouxas e que gostariam de ver os bruxos nascidos trouxas proibidos de vir ao nosso mundo. A maioria, se não todos, apoiaram Voldemort financeiramente ou mesmo com suas varinhas durante a guerra, como era o caso de Parkinson, o cara que atacou o Beco Diagonal. — Emily acenou entendendo. — Os neutros são aqueles que nunca apoiaram Voldemort porque são contra a violência ou porque são covardes, alguns outros porque acreditam que os nascidos trouxas são úteis para ocuparem os subempregos. No entanto, eles também não lutaram contra Voldemort porque, apesar de não declararem abertamente, eles são puristas.
— Mas nem todo o Conservador é purista? — Emily perguntou.
— Não, alguns membros do Partido dos Conservadores não são puristas, apenas não aceitam mudanças de leis ou debates sociais importantes como a questão dos lobisomens. — Sirius fez uma careta. — Eles são tradicionalistas e querem que tudo continue como sempre foi. O Partido Progressista não elege um Ministro há muito tempo e, diretamente, sem votação popular, acredito que nunca aconteceu.
— Hum... não imaginava que você se interessaria em se envolver com política, Sirius. — Denver disse o encarando com atenção.
— Não me interesso por política, Emily. — Sirius negou com uma careta. — O que me interessa é a justiça.
— Justiça. — Ela se mostrou espantada.
— Sim, estranho, certo? — Sirius sorriu parecendo espantado. — Eu foquei tanto em ser um auror, que era meu sonho antigo, e perdi o quadro maior, mas, Harry... Merlin, esse menino é uma inspiração. Ele me fez ver que lutar pela justiça pode ser mais do que o trabalho que um auror faz, por mais importante que este seja. Existem juízes, advogados, políticos e, mesmo cidadãos como eu, que podem e devem exigir e lutar por justiça.
— Você está certo, se apenas os aurores defendessem e trabalhassem por justiça, perderíamos feio. — Emily disse seriamente. — Deve existir uma cadeia de pessoas trabalhando com empenho, inteligência e criatividade, além de competência e honestidade. Um país precisa de um governo composto por pessoas que lutem por justiça e igualdade. — Ela o encarou e sorriu. — Entendi. Você pretende lutar por um mundo mágico britânico mais justo e igualitário, para que coisas como o que você presenciou não se repitam.
— Sim. — Sirius mostrou tristeza em seus olhos prateados. — Tantas são as injustiças, crueldades e desumanidades que fazem parte da sociedade mágica do Reino Unido, que transformam o que minha família fazia em algo normal na cultura purista. O que aconteceu comigo não foi apenas um erro, Emily, e ninguém discute o fato de que minha prisão é apenas uma das muitas injustiças que são cometidas todos os dias. Harry me disse que precisamos lutar por um mundo mais justo e pretendo dedicar a minha vida a isso. E, enfraquecer Malfoy também é um passo para enfraquecer Voldemort quando ele voltar.
— Ok. Faz sentido e, se precisar da minha ajuda, sabe que pode me pedir. — Disse Emily pensativa.
— Bem, tem algo que você poderia fazer se estiver disposta. — Sirius disse tentativamente.
— O que? — Ela se mostrou interessada.
— Você tem muita experiência, Emily e, em alguns anos, estaremos em guerra, assim, poderia olhar para o que precisamos fazer para nos prepararmos efetivamente. — Sirius parecia preocupado. — Eu era jovem na última vez e estou longe de ter aprendido muito na última década. Sr. Boot e eu estivemos debruçados sobre as ações do Ministério e da Ordem da Fênix durante a guerra, tentando encontrar os erros cometidos para não os repetirmos. Ao mesmo tempo, Harry disse algo muito importante, precisamos nos antecipar e montar uma armadilha para Voldemort, uma tão perfeita que o impeça de agir livremente ou facilmente.
— Entendi. — Emily acenou, se levantou e caminhou pensativamente. — Vocês querem aproveitar o tempo que têm, para se prepararem, ganhar vantagem e tornar a vida dele mais difícil quando a guerra recomeçar. Interessante e muito inteligente.
— Harry. — Sirius disse simplesmente.
— Claro. Muito bem, eu ajudarei sim e com prazer. — Emily disse sincera e firme.
— Obrigado. — Sirius sorriu, depois, seus olhos brilharam. — Falando em prazer...
— Nem pense! — Emily disse sentindo o desejo e a frustração envolvê-la.
— O que? Eu estava apenas pensando em irmos buscar mais alguns donuts! — Sirius disse e, quando o Emily o encarou incrédula, riu divertidamente. — Admita, Emy, é você que não para de pensar em transar comigo.
Emily respondeu com um palavrão obsceno e Sirius riu ainda mais.
Quando a noite caiu no bosque do Chalé Boot naquele domingo, Greyback observou o garoto caminhando entre as árvores com um sorriso de desejo. Encontrar o Chalé e o cheiro do garoto, que estava por todos os lados, foi muito fácil e seu plano se tornou ainda mais sólido.
As alas aqui eram tão fortes quanto as proteções da Abadia, mas o garoto passeando entre as árvores oferecia uma infinidade de possibilidades. Greyback conhecia muitas delas, pois já as usara em outros momentos para atrair garotinhas tolas e deliciosas.
— Hum... um filhote... — Sussurrou pensativamente. — Sim, o simples choro de um cachorrinho perdido e atraio o garoto para fora das alas. Fácil, fácil... — Greyback lambeu as unhas compridas ansioso e faminto, enquanto observava o garoto de expressão angelical sorrir e conversar com as árvores.
Ele respirou fundo o cheiro delicioso de inocência e planejou seus movimentos com cuidado. Primeiro, atrairia Black para sua pequena armadilha e, depois, passaria um tempo se divertindo com o pequeno anjo.
— Adam! — Uma voz de garota foi ouvida e o interesse de Greyback aumentou ao ver sua preferência habitual se aproximar das árvores. — Adam, já escureceu! O jantar está quase pronto e mamãe quer que vá tomar banho!
O cheiro da garotinha chegou até ele e Greyback sorriu ao pensar que Egan adoraria se divertir com ela primeiro.
— Ok! — Adam respondeu e correu para o jardim e perto da irmã. — Ayana! As árvores estão inquietas hoje, me disseram que não devo voltar para o bosque.
— Não estou interessada! E, estou cansada de ter que ficar cuidando de você como se fosse sua babá! — Disse a garota parecendo chateada.
— Mas, Ayana! — O garotinho correu atrás da irmã e ela o ignorou enquanto desapareciam dentro do Chalé.
Sorrindo, Greyback decidiu seguir seus planos anteriores. Visitaria a cabana de Egan, passaria a noite com seus pequenos suvenires, relembrando e se acalmando, pois quando pegasse a criança, precisaria de muito alto controle para não devorá-la antes que Black caísse em sua armadilha. Pela manhã, conseguiria um filhotinho bem bonito e voltaria aqui, para continuar a sua caçada. Sim, pensou, enquanto saltava da árvore e caminhava pelo bosque estranhamente agitado, amanhã prometia muita satisfação. A sua preferida.
