Notas do Autor

Olá! Espero que todos estejam seguros e saudáveis!
Um revisão só, ou só publicaria amanhã, mas, como gostei do resultado, decidi não adiar mais. Mas, sejam pacientes com os erros.
Por favor, Revisem! Estou ansiosa para saber o que pensam do plano de resgate e se alguém tinha adivinhado como seria ou perto disso. Também adoraria saber o que pensam da Rox!
Até mais, Tania

Capítulo 76

A coruja pousou no beiral da janela e Harry tentou pegar a carta, recebendo uma bicada dolorida.

— Ai! — Ele recolheu mão que sangrava e encarou a coruja irritado. — Sirius, é melhor você pegar a carta, tem o seu nome nela.

— Deixe-me. — Sirius se apressou até a janela aberta e retirou a carta sem o mesmo entusiasmo anterior, pois temia ser outro engano.

Todos se aproximaram, ansiosos por descobrirem se a carta era a mensagem tão esperada e, quando Sirius sorriu animado, houve um suspiro coletivo de alívio.

— Greyback? — Denver questionou objetiva.

— Sim, ele pede para que nos encontremos sozinhos ou matará o Adam. — Sirius disse entregando a carta a ela.

— A coruja está esperando a resposta. — Harry apontou enquanto Remus curava a picada na sua mão.

— Você pedirá uma prova de vida? — Remus perguntou ansioso.

— Não sei se devemos esperar mais tempo, a coruja ir e voltar, depois, ir outra vez com a nossa confirmação e voltar com a localização de onde devo aparatar. — Sirius disse ansioso. — Mais tempo que ele passará com o Adam, mais tempo em que ele pode perceber...

— Essa carta parece estranha. — Interrompeu Denver pensativa.

— Como assim? — Harry perguntou curioso e a pegou para ler.

Black, eu tenho o que você quer e você sabe o que quero. Vamos terminar o que começou na Travessa. Se quer o menino, venha encontrar a mim sozinho e sem varinha. Se perceber que mente, corto a garganta do pequeno anjo. Você só tem uma chance

Fenrir Greyback

— Ele não diz onde o Sirius deve encontrá-lo, assim, deve estar esperando um pedido de prova de vida. — Harry disse. — E, tem muitos erros... Greyback não sabe escrever.

— Sim, mas, tem mais alguma coisa me incomodando. — Denver disse pensativa enquanto a carta passava pela mão de Remus e do Sr. Boot. — Vamos pedir para o Dr. Martin analisar para nós, talvez, ele perceba algo que não vemos.

Sr. Boot foi buscá-lo e Martin leu a carta com atenção, releu, releu mais uma vez e suspirou.

— Você está certa. — Ele disse olhando para Denver. — Incrivelmente simples, quase tosca, na verdade. E, abre para um pedido de prova de vida, o que nos garante que Adam está vivo.

— Eu não sei se entendo porque a simplicidade da carta é importante? — Sirius perguntou lentamente.

— Porque mostra que Greyback não é muito inteligente ou um assassino organizado. — Martin explicou. — Existe uma classificação de assassinos em série, que ajuda na análise do perfil e, assim, podemos prever melhor o seu comportamento. São chamados de assassinos organizados e desorganizados ou, às vezes, uma mistura dos dois. Basicamente, os organizados são muito inteligentes e competentes socialmente, têm um trabalho, amigos, famílias e muitas vezes, uma vida de sucesso. Eles são extremamente controlados, seu perfil de vítima é a fonte da sua fantasia, mas, ele escolherá vítimas desconhecidas, planejará com precisão cada detalhe para não haver fuga ou correr o risco de ser pego. — Martin se sentou e analisou a carta mais uma vez. — O assassino desorganizado é mais impulsivo, controlado por seus desejos e satisfação, menos preocupado com ser pego e sim em manter o ritual que lhe proporciona prazer. Ele também tem pouca inteligente e incapacidade de conviver socialmente. Quando pega uma vítima, pode ser por impulso de momento ou em suas zonas de conforto, ou seja, ou ele pegará vítimas em seu território ou vítimas em situação vulneráveis. Como uma garota andando sozinha por uma trilha.

— Greyback é esse último. — Sr. Boot disse compreendendo.

— Acredito que ele foi. — Martin olhou para o Remus. — Você disse que ele quase foi preso por policiais e aurores, certo?

— Sim. As investigações trouxas chegaram a ele, pois Greyback é mestiço e vivia na antiga casa da sua mãe em um bairro trouxa, ela era nascida trouxa. — Remus disse lembrando-se das anotações de seu pai. — Como eram trouxas sendo mortos de maneiras não mágicas, os aurores não perceberam o que acontecia até Greyback usar magia para fugir da polícia. Então, ele começou a ser perseguido pelos dois lados e, em sua fuga, acabou sendo mordido por um lobisomem.

— Isso explica tudo, então. — Martin disse. — Greyback era um assassino desorganizado, não muito inteligente, deixou pistas que ajudaram os policias trouxas a encontrá-lo. Aposto que ele não era muito sutil, deveria ser arrogante, pouco sociável, talvez até mesmo apresentasse comportamentos socialmente inadequados ou agressivos. Deve ter mantido a matança na sua área, não acreditando que a polícia trouxa o pegaria e, sem magia, estava protegido dos aurores. É o tipo de assassino que é pego rapidamente e preso, pois não tem inteligência e controle o suficiente para não cometer erros.

— No entanto, Greyback está livre a décadas. — Sirius observou curioso.

— O que mudou? — Sr. Boot perguntou suavemente.

— Ele se tornou um lobisomem. — Remus respondeu de olhos arregalados.

— Sim. — Martin sorriu suavemente. — Por isso ele aceitou o seu lobo, como você disse, e é mais animal do que humano mesmo sem a lua cheia. Se tornar um lobisomem deve ter sido até fácil e bem-vindo para Greyback, como... Um superpoder.

— Superpoder? — Sr. Boot ficou perdido.

— Sim, como Peter Parker, o Homem Aranha. — Martin explicou empolgado. — Apesar de muito inteligente, Peter era fisicamente comum e obteve muitos benefícios com a picada da aranha radioativa, que lhe trouxe grandes poderes e... — Martin parou ao ver os olhares confusos de todos, menos Denver. — Vocês não sabem do que eu estou falando, me desculpem. O que quero dizer é que, ser transformado em um lobisomem tornou um psicopata desorganizado em um super assassino e Greyback deve ter adorado isso. Imagine, instintos aprimorados, melhor visão, olfato, audição, mais força física, mais rapidez para correr e caçar. Antes, ele deveria persegui-las e pegá-las na primeira oportunidade, depois de se tornar um lobisomem, Greyback não precisaria se apressar e isso prolongaria a caçada.

— A caçada mais longa deveria significar mais diversão, pois aposto que caçar faz parte do seu ritual, perseguir e apavorar a vítima, pegá-la quando quiser. — Denver acenou entendendo. — Greyback não precisa se preocupar com ser organizado e metódico, ele é superpoderoso e ninguém foge ou lhe é uma verdadeira ameaça.

— Exato. Ser um lobisomem lhe permitiu ser quase invencível ou inalcançável para os aurores e policias. É como pegar o pior ser humano e lhe dar superpoderes, tornando suas ações terríveis ainda piores e mais abrangentes. — Martin disse suavemente. — Se não tivesse sido mordido, ele seria preso ou morto facilmente, pois não tinha capacidade ou inteligência para fugir.

— O que explica como ele acabou se escondendo em uma floresta na lua cheia e foi mordido. — Harry observou pensativo. — Isso quer dizer que Greyback continua sendo desorganizado, pouco inteligente e socialmente incompetente, por isso não tem uma gangue ou matilha. E, ele confiaria muito em seus poderes e instintos de lobisomem, deve ser arrogante sobre isso, afinal, por quase 30 anos, ele foi invencível.

— Ao mesmo tempo, seu lado humano, que sabemos é um psicopata sádico, vive de impulsos incontroláveis, por isso Greyback não resistiu a pegar o Adam, foi o seu lado pouco inteligente controlando suas ações. — Martin disse. — O lado animal também vê o Adam como sua presa e quer comê-lo, junte isso ao desejo de matar de Greyback e o fato de meu sobrinho estar vivo é um milagre.

— Quer dizer que o canibalismo de Greyback só surgiu depois de se tornar um lobisomem? — Harry perguntou curioso.

— Faz sentido. — Denver respondeu. — Como Greyback deixa o seu lobo agir livremente, ele deve ter duas partes cruéis dentro de si, uma que gosta de torturar e matar, outra que gosta de comer a vítima.

— Onde isso nos deixa com o Adam? — Sirius perguntou. — Saber isso sobre ele nos ajuda ou não?

— Sim, acredito que sim. — Martin disse positivo. — Greyback não percebeu que está em desvantagem. Sua falta de inteligência, sua arrogância, seu desejo por Adam, seu anseio por vingança e instinto de se livrar do seu predador rival, o tornam previsível e menos perigoso. Não quer dizer que ele não poderia matar o Adam ou o Sirius, Greyback ainda é um assassino com superpoderes, mas, acredito que será mais fácil manipulá-lo como vocês planejam.

— Isso é bom, mas não devemos ficar arrogantes ou confiantes demais. — Denver disse com firmeza. — Acredito que o primeiro passo é pedir uma prova de vida e a localização do encontro, a coruja ainda está aqui, afinal, o que significa que Greyback espera isso de nós e está se achando muito esperto, assim, mantemos o plano e deixamos que ele pense que é quem comanda esse jogo.

Todos acenaram e Sirius escreveu a carta mais importante de sua vida.

Greyback, do alto da árvore, observou a Abadia Boot, que mais lhe parecia um castelo e que estava vazia e escura agora. Black era inteligente, como disse Egan e, ao oferecer ajuda aos lobisomens presos, conseguiu que as matilhas ficassem ao seu lado e concordassem em ajudá-lo a encontrar o anjinho. Talvez, Black tenha oferecido grana para que os outros lobisomens o matassem, pensou.

Naquela noite, na Travessa, Greyback sentiu que Black era um inimigo poderoso e que precisava tirá-lo do caminho, além de se vingar. Agora que estava sendo caçado pelas matilhas, isso era ainda mais importante e apenas matando Black isso teria fim. As matilhas ficariam sem o que Black lhes prometera e Greyback seguiria o seu plano, transformaria alguns bruxos em lobisomens e depois, atacaria os acampamentos.

Talvez, ter um grupo ao seu serviço não fosse tão ruim, considerou Greyback. Ele não gostava ou tinha paciência com as pessoas e sempre as viu como fracas e inúteis, como sua mãe tinha sido. Se pudesse escolher, ele se concentraria no mais importante, matar, mas, se as matilhas pensavam em se unir contra ele, o melhor era ter alguns lobisomens que serviriam como escudos e morreriam no seu lugar.

No entanto, o mais importante era matar Black e, para isso, o seu plano de sequestrar o garoto era perfeito, pois agora, aquele maldito estava em suas mãos. Ainda melhor, quando Black estivesse morto, Greyback poderia desfrutar do seu pequeno anjinho com calma. Por isso deveria se manter afastado do garoto, pois, mais cedo, Greyback quase não resistiu a comê-lo antes da hora. Precisava se concentrar e manter o controle ou perderia a chance de matar Black, e ele era muito perigoso para continuar vivo. Mesmo que Greyback quisesse esquecer tudo e se concentrar em seu pequeno prêmio, não podia, pois, seus instintos lhe diziam que, para sobreviver, Black precisava morrer. E, Greyback sempre confiava em seus instintos.

O bater das asas o alertou e Greyback enxergou a coruja de Egan, Orfeu se aproximar ao longe. Sentiu satisfação e alívio, pois em breve, seu plano estaria cumprido e ele livre para continuar com seus prazeres.

Greyback, concordo com qualquer coisa e espero que honre sua promessa de devolver o Adam em segurança para os seus pais.

Antes, quero uma prova de vida. Se me enviar a certeza de que o menino está vivo, escreva a localização para o nosso encontro, pois irei aonde você quiser, desarmado, como ordenou.

Black

Greyback sorriu com grande satisfação. Era possível perceber o desespero de Black e que ele seguiria suas ordens como um cordeirinho.

— Espere aqui, Orfeu. — Disse ele a coruja antes de aparatar até a clareira na beira do penhasco, onde percebeu que o seu anjinho estava acordado.

— Acordou, anjinho? — Greyback sussurrou carinhosamente. — Nãos se preocupe, em breve o jogo chegará ao fim e poderemos passar muito tempo juntos. — Adam não respondeu e o encarou de olhos arregalados, antes de olhar para algo a sua frente e depois olhá-lo de novo apavorado. — O que? Estava sentindo a minha falta? Sei que deve ter medo do escuro, aqui por esses lados, a noite chega mais rápido, mas, logo lhe farei companhia e ainda trarei um visitante especial.

O garoto continuou sem falar nada e olhou confuso para algo a sua frente, mas, como não tinha nada lá, Greyback ignorou e foi até a sua mochila. Ele pegou a sua câmera fotográfica e caminhou até o menino, que se encolheu assustado, mas continuou em silêncio.

— Aqui, segure isso. — Greyback lhe desamarrou sem perceber o seu braço solto e lhe estendeu o jornal. — Mantenha na sua frente com a primeira página bem visível. — Adam segurou o jornal na frente do peito e a foto de Sirius Black, sentado em um poltrona com uma expressão solene, ficou em destaque.

Greyback se afastou e tirou uma foto, que deixou a câmera polaroid na mesma hora. Era uma foto trouxa, mas serviria, pensou e, em sua opinião, a compra da câmera fora uma boa jogada, pois lhe permitia dar uma prova de vida a Black, sem permitir que ele se aproximasse do seu prêmio até estar desarmado.

Distraidamente, ele voltou a amarrar o Adam e aparatou de volta para a floresta da Abadia, saltou até a árvore e entregou o mesmo envelope da carta de Black com a foto dentro e uma localização para se encontrarem. Orfeu voou na direção do Chalé e Greyback sorriu animadamente com a iminente realização da sua vingança.

Na clareira, Adam viu o homem mau desaparecer e encarou o cachorro bonito e enorme confusamente curioso.

"Ele não pode te ver, cachorro bonito? "

"Eu sou parte de você, irmão, estou conectado ao seu espirito e a natureza. Ninguém, além de você pode me ver."

"Oh..." Adam não entendia completamente, mas estava feliz com isso e que o cachorro bonito estava seguro. "Você tem um nome, cachorro bonito? "

"Sim, me chamo Galon, irmão. " O cachorro o encarava com olhos castanhos familiares e bondosos. "Sou parte da sua alma, sua magia e seu coração, assim, meu nome é uma representação de você, Adam. Galon significa coração na língua antiga. "

"Oh... Galon, esse é um nome bonito e combina com você…" Adam tinha ficado com os braços presos, mas a corda que o homem mau lançou estava mais frouxa e ele conseguiu soltar o braço direito e acariciar Galon, que o escondia do vento frio. "Como posso te entender, Galon? Nunca conheci um cachorro que fale. "

"Eu não falo, irmão, apenas me comunico com você de uma maneira que pode me entender, assim como eu te compreendo. "

"Oh... isso é muito legal! Ayana ficará com ciúmes…" Adam fungou quando seus olhos se encheram de lágrimas. "Sinto muita falta dela e da minha mamãe e do meu papai. Quando poderei ir para casa? Você sabe, Galon? "

"Em breve, filhote, o lobo virá resgatá-lo e o levará para sua família. " Galon disse suavemente e lambeu seu rosto carinhosamente.

Adam o abraçou e suspirou contra seu pelo grosso.

"Ainda bem que está aqui comigo, Galon, ou eu estaria com muito medo do homem mau. "

Orfeu chegou com a carta e Sirius a abriu rapidamente quase saltando de alegria ao ver a foto de Adam com o horário impresso.

— É o Adam! Greyback tirou a foto a alguns minutos. — Aliviado, ele passou a carta entre todos, incluindo Elizabeth que viera da cozinha.

— Graças a Deus. — Ela disse apetando as mãos trêmulas. — Subirei para avisar o Falc, talvez a Serafina já esteja acordada.

Ela deixou a sala enquanto Denver se aproximou do mapa do Reino Unido que eles tinham providenciado e que estava sobre a mesa.

— Ele parece tão assustado... — Sr. Boot disse acariciando a foto delicadamente com as pontas dos dedos.

— A floresta que ele diz para você ir, Sirius, fica a nordeste, em Yorkshire. — Denver disse analisando o mapa. — Perto da costa do Mar do Norte.

— É provável que o Adam não esteja lá. — Sirius disse ansioso. — Mesmo Greyback, não seria tão tolo.

— Sim, o melhor é mantermos o plano, assim, ligue os seus espelhos e todos ouviremos tudo o que acontece, mas, você não nos ouvirá. Também poderei seguir sua localização pelos feitiços que o professor colocou neles. — Denver disse e parou em frente a Sirius, observando quando ele conectava os espelhos com todos na sala. — Seja esperto, eu estarei com você quase o tempo todo...

— Não interfira se eu estiver em perigo, não até termos certeza que Adam está em segurança. — Sirius disse a encarando olho no olho com intensidade. — Por favor, Emily.

— Não deixarei que morra, Sirius, nem pense em me pedir isso, mas, prometo que apenas sua morte iminente, fará com que me revele e interfira. Ok? — Denver disse baixinho, Sirius acenou engolindo em seco e olhou para a sua boca com interesse. — Se me beijar na frente de todo mundo, Greyback não precisará matá-lo, eu mesmo farei isso.

Ela se afastou e Sirius fez uma careta chateado.

— Mulher cruel. — Sussurrou ele e sentiu alguém ao seu lado.

— Quem? — Harry perguntou curioso.

— Oh, ninguém. — Sirius sorriu sem graça. — Esse foi um bom plano, Harry, tenho certeza que dará certo.

— Todos ajudaram com ideias, não é mérito meu, Sirius. — Harry disse dando de ombros timidamente. — Ainda, você estará em grande perigo, assim, tente ficar seguro o máximo possível e siga o plano.

— Eu pretendo. — Sirius o abraçou com força e os bolsos mágicos impediram que eles sentissem os espelhos nos casacos uns dos outros. — E, você, tente ficar seguro também, isso é o mais importante. Eu te amo, Harry.

— Eu te amo, Sirius. — Harry sentiu a emoção criar um caroço em sua garganta e engoliu em seco, pois não era hora de chorar.

Eles se separaram e Remus bateu amigavelmente no ombro de Sirius.

— Não vou me declarar, porque isso seria bem estranho com a sua namorada bem ali, mas, trate de voltar ou ficarei muito puto com você, amigo. — Remus disse ironicamente, mas com um toque de seriedade em seus olhos castanhos.

— Combinado. Não quero te ver puto, você fica insuportável. — Sirius brincou e os dois se abraçaram.

— Namorada? — Harry perguntou ao cruzar os braços e encarar o padrinho com um olhar afiado.

— Merlin, é como quando a Lily tentava nos interrogar, Remus. — Sirius disse desconcertado. — Hum... bem, preciso me despedir do Sr. Boot. Até mais.

Sirius se afastou e abraçou o Sr. Boot com força antes de ir até a sua prima e lhe beijar a bochecha fraternalmente.

— Ele está namorando a Tonks? — Harry perguntou surpreso.

— O que? — Remus perguntou chocado. — Não, claro que não. Tonks é sua prima e muito jovem para o Sirius, Harry.

— Ora, essa história de idade é bobagem e ela é muito bonita. — Harry deu de ombros e Remus olhou para Tonks com mais atenção percebendo que ela era, realmente, muito bonita. — Então, ele está namorando a Denver? Hum... interessante, na verdade, eu posso ver isso, Remus, eles combinam, acho.

Harry parecia meio desconcertado com a novidade e não sabia o que sentia exatamente.

— Bem, não pense muito nisso, pelo que entendi, a relação deles não é séria. Eu estava apenas provocando o Sirius. — Remus disse apertando ombro de Harry carinhosamente.

Harry ficou mais confuso ao saber disso. Quer dizer que eles não estavam namorando? Eles estava apenas... seus pensamentos foram para uma direção constrangedora e seu rosto ficou vermelho como um pimentão. Envergonhado, decidiu seguir o conselho do Remus e não pensar... quer dizer, esquecer esse assunto, completamente.

— Bem, é isso. — Sirius disse com um suspiro ao colocar sua varinha sobre a mesa e olhar no mapa a localização das coordenadas enviadas por Greyback mais vez. — Começamos.

Todos o observaram deixar o escritório e ir para o ponto de aparatação. Harry ligou o seu espelho de Sirius e todos ouviram o estampido de aparatação, seguido de silêncio, antes de suas palavras desesperadas.

— Estou aqui, Greyback! Vim sozinho e desarmado como me ordenou! — Seu tom era quase choroso e derrotado.

Falc e Serafina entraram no escritório neste momento com expressões tensas. Elizabeth seguiu com uma bandeja com chá e sanduíches.

— Greyback entrou em contato? — Serafina perguntou ansiosa.

— Sim, como imaginávamos. — Denver disse séria. — O plano já entrou em andamento.

— Queremos ajudar... — Falc disse apertando a mão da esposa com força. — Vocês estão desfalcados e podemos ser úteis.

— Duvido muito. — Denver falou objetivamente. — Os dois então envolvidos demais, com razão, e emoções descontroladas poderia colocar toda a missão em risco.

— Isso não é uma missão! É o meu filho! Quero ajudar, preciso ir buscá-lo! — Serafina disse com voz fraca e seu olhar mostrava certa sonolência.

— Serafina, eles estão certos. — Martin se aproximou da irmã. — Um movimento errado e o plano poderia fracassar, o que deixaria o Adam em grande risco de ser perdido para sempre. E, você não tem condições emocionais ou físicas para ajudá-los.

— Isso porque você me drogou, Martin. — Serafina reclamou e seu irmão a levou até uma poltrona.

— Fiz isso porque você estava histérica e ninguém aqui esperava outra coisa diante dessa situação. — Martin disse firme. — Agora, sente-se. Você vai comer e se hidratar, isso fará o efeito do tranquilizante passar mais rapidamente.

— Mas, Adam... — Serafina protestou cansada.

— Nós o traremos de volta, Sra. Serafina. — Harry disse se aproximando dela.

— Nós? — Ela o encarou com surpresa. — Você também irá?

— Sim. — Harry sorriu e lhe beijou a bochecha carinhosamente. — Voltaremos logo, Sra. Serafina e traremos o Adam para a senhora.

Serafina estava muito desconcertada para responder e, Harry se afastou para perto da Denver.

— Não se preocupe, Falc, eu prometi que tomaria o seu luga que farei. — Remus apertou seu ombro amigavelmente e caminhou até ficar ao lado do Harry.

Tonks também se posicionou e acenou mostrando sua expressão mais confiante.

— Precisamos ir agora. — Denver disse olhando para a sua equipe que era composta por uma recruta, um lobisomem e um adolescente de 12 anos.

Nesse momento, passos curtos e rápidos foram ouvidos por todos e Flitwick entrou apressadamente.

— Cheguei a tempo? Ou eles já partiram? — Ele perguntou ofegante.

— Greyback! Pare com seus jogos! Onde está você? — A voz desesperada do Sirius ecoou no escritório vindo do espelho do Harry.

— Apenas a tempo, professor. — Denver disse rapidamente. — Coloque os espelhos, pois precisamos estar prontos para aparatar na hora certa.

Flitwick acenou e rapidamente se preparou, antes do grupo se encaminhar para o ponto de aparatação do Chalé.

— Todos sem cheiro e se som? — Flitwick perguntou e Denver acenou.

— Eu encantei a todos pessoalmente, senhor. Professor, eu levo o senhor e o Harry, pois sei as coordenadas, Tonks irá com Remus. Vocês dois, fiquem juntos. — Denver disse desnecessariamente, pois eles já sabiam o que fazer.

— Greyback! — Sirius gritou outra vez e eles ouviram barulho de papel. — É aqui, eu olhei no mapa, essas são as coordenadas.

— As coordenadas estão certas, Black. — A voz rouca de Greyback soou pelo espelho. — Apenas esperando e verificando o perímetro, para ter certeza de que veio sozinho.

— Eu fiz como me pediu, sozinho e sem varinha, Greyback. — Sirius disse ansiosamente.

— Essa é a nossa deixa. — Denver disse. — Vamos aparatar bem longe deles e nos dividir para as nossas missões. Flitwick e eu ficaremos invisíveis e voaremos até onde eles estão, se eles se moverem ou aparatarem, os seguiremos. Vocês procurem pelo Adam.

Todos acenaram e Harry apertou seu braço esquerdo com força. Um segundo depois, ele passou pelo tubo de borracha e todos estavam em meio a uma floresta fria e ventosa. Harry pode perceber, apesar do escuro, as árvores antigas e grossas, o cheiro de sal marinho o fez acreditar que não estavam longe do mar, mas, era longe o suficiente para não ouvirem as ondas. O silêncio era absoluto, pois os animais já tinham se recolhido com a chegada da noite.

— Vocês sabem o que fazer. — Denver disse e todos acenaram antes de montarem em suas vassouras e voaram para o céu.

Harry os observou se espalharem em duplas e, sozinho, seguiu para a sua missão. Ou a missão do Moody, mais precisamente. Denver assumiria a parte de King, que consistia em ser o backup de Sirius, ou seja, se Greyback lhe desse mais do que alguns socos ou feitiços dolorosos e decidisse matá-lo, Denver interferiria. Ela, então, assumiria o seu próprio papel, que era eliminar Greyback de uma vez, enquanto Flitwick e King, bem, apenas Flitwick, retirava o ferido Sirius do caminho do perigo e retornava para ajudar a Denver. O que ela garantiu que não precisaria.

A primeira parte do plano era muito importante e consistia em Sirius ser um bom ator, fingir estar derrotado, conformado e desesperado para salvar o Adam, se entregando ao Greyback de maneira suicida. Enquanto Denver e Flitwick ficavam com Sirius, observando sua interação com Greyback, Harry, assumindo o lugar do Moody, voaria bem alto e rápido por todos os lados da floresta, com a esperança de encontrar o Adam em algum lugar. Claro que o olho mágico de Moody teria sido uma grande vantagem nessa missão.

Remus e Tonks estariam procurando o Adam também e precisavam se manter juntos por causa da segunda parte do plano, pois não podiam correr o risco de não chegarem a tempo. Denver também estaria ajudando na procura, se não tivesse que assumir o lugar do King.

Eles sabiam que as chances do Adam estar perto do local de encontro com o Sirius eram pequenas, mas tinham que verificar essa possibilidade. Se tivessem sorte, quando Greyback levasse o Sirius até o Adam, a segunda parte do plano já estaria em movimento. Caso não encontrassem o Adam, eles teriam que ir para o plano B, Denver usaria o localizador do espelho para aparatar até Sirius e chegaria a uma situação desconhecida, potencialmente desvantajosa e muito arriscada para o Adam e para o seu padrinho. Assim, encontrar o Adam enquanto Sirius mantinha Greyback distraído era a melhor chance que tinham, até porque, se Greyback decidisse matar o Sirius antes de levá-lo até o Adam, Denver teria que interferir. E, se o lobisomem estivesse morto ou mesmo capturado, as possibilidades eram de que eles não teriam a localização exata do Adam. Por isso, Sirius foi tão insistente em que aguentaria as agressões de Greyback e, apenas o risco de morte, deveria levar Denver a agir.

— Por favor, Greyback, me deixe ver o Adam, apenas... quero me despedir, ter certeza de que ele está bem e que você cumprirá a sua parte no acordo. — Sirius implorava para o lobisomem.

— Eu não acho que você merece encontrar o meu anjinho. — Greyback disse com voz possessiva e, todos que ouviam em seus espelhos, sentiram um frio na espinha. — Você foi muito atrevido, Black, se sentindo o maioral, acreditando que poderia me vencer.

— Eu... cometi um erro, eu admito que estava errado em fazer aquilo. Olha, se você quiser, podemos trabalhar juntos, ser sócios. — Sirius disse em tom suplicante.

Greyback sorriu ao sentir o medo de morrer de Black.

— Implorando, Black? Isso tudo por medo da morte? Não tão Gryffindor assim, não é mesmo? — Ele disse arrogantemente e sem perceber que o cheiro era falso. — Talvez, eu concorde com a sua proposta, mas, eu serei o chefe dessa vez e você segue minhas ordens. Que tal? E, primeiro, tem que pedir desculpas, de joelhos.

Sirius engoliu em seco e, muito pálido, acenou em concordância.

— Eu posso fazer isso, sem problemas, mas, primeiro, me leve para ver o Adam, quero apenas... — O som de uma pancada e um gemido sufocado de dor foi ouvido por todos, quando Greyback saltou e acertou o peito de Sirius com a sola dos dois pés, o jogando duramente de costas no chão, antes de pousar agachado ao seu lado.

— Eu disse de joelhos! Quero te ver no chão, Black, não me desafiando! — Greyback disse furiosamente ao Sirius, que tentava recuperar o folego.

No alto, invisíveis, sem cheiro ou som, Denver e Flitwick observavam com expressões tensas e preocupadas.

— Desculpe... — Sirius disse fracamente quando se virou e, lentamente, se ajoelhou. — Me desculpe, tudo isso é culpa minha... — Greyback se levantou também e olhou com satisfação para Black de joelhos na sua frente, se sentindo poderoso e forte. — Olha, Greyback...

— Sr. Greyback para você. — Greyback disse sorrindo e, quando Sirius hesitou, o acertou com um chute em seu queixo. — O que eu te disse?

Tonto, Sirius cuspiu o sangue da boca, antes de se reposicionar de joelhos outra vez.

— Me desculpe, Sr. Greyback, tudo isso foi minha culpa. Se me der outra chance, posso torná-lo um homem rico, senhor. — Sirius falou ofegante, humilde e desesperado.

— Eu poderia acreditar em você, Black, se não fosse as matilhas se unindo contra mim. — Greyback deu a volta em Sirius segurou os seus cabelos compridos, puxando-os dolorosamente. — Você fez isso! Os virou contra mim, lhes fez promessas para que os meus decidissem me caçar! Eu transformei a maioria deles! Dei-lhes poderes! Os tornei mais, muito mais do que poderiam ser em suas vidas chatas de humanos! Mas, eu concertarei isso.

Greyback o soltou e, pegando a sua faca, passou a ponta ameaçadoramente pelo rosto de Sirius, descendo pelo seu pescoço lentamente. Denver, imediatamente, desceu vários metros com sua vasssoura, pronta para agir e agradeceu o feitiço que impedia que Greyback ouvisse o seu coração, que se acelerou desesperadamente.

— Terminarei o que comecei na Travessa. — Greyback disse sorrindo. — Sem erros, dessa vez, e você não sobreviverá, Black. Depois, transformarei mais alguns lobisomens e atacarei as matilhas com eles. Assim que esses imbecis perderem suas promessas vazias e eu matar algumas centenas deles, aposto que voltarão a serem obedientes e ficarão longe dos meus negócios.

— Mas... Sr. Greyback, o senhor perdeu o Chiqueiro e deve querer outra renda. Eu posso fazer isso, posso lhe dar um negócio, onde o senhor será o chefe e terá muito dinheiro... — Sirius engoliu em seco, olhando apavorado para a faca comprida e afiada. — Eu... pensei em ajudar os lobisomens presos, porque odeio o Ministério, não por eles e posso desistir se me ordenar. Eu apenas quero ver o menino bem e se me deixar...

— Viver? — Greyback riu e lhe deu um tapa no rosto, mais humilhante que doloroso. — Eu não ligo para dinheiro, Black, o Chiqueiro foi apenas um jogo conveniente. Na época, o Lord das Trevas desaparecera, os lobisomens perdiam poder e eram obrigados se esconderem outra vez, além de serem humilhados pelos comensais da morte com quem lutaram lado a lado dias antes. — Seu tom era de desprezo e amargura. — Eu fiquei furioso, pois o Lord nos fez muitas promessas e Egan insistiu que precisávamos de uma maneira de manter o nosso poder. Ele disse que com dinheiro se tem poder, então, eu soube do Chiqueiro vazio, com apenas uns gatos pingados que expulsamos facilmente.

— Foi uma grande ideia... — Sirius disse e levou um soco doloroso na maça do rosto.

— Eu não terminei! Cale-se! — Sirius acenou e, tonto, apoio as mãos no chão e cuspiu mais sangue.

— Perdão... — Sirius endireitou o tronco, se mantendo de joelhos.

— Como eu dizia, era apenas uma maneira de conseguir poder para mim, não havia mais nada de interessante. O dinheiro é uma tolice e Egan gostava dos brinquedos, mas, eu sempre conseguia os meus do meu jeito, a caçada faz parte do jogo e o deixa mais interessante. Com o tempo, até que vi benefícios na sociedade, pois gostava de saber que a matilha de Gun e a gangue do T, me obedeceriam, atenderiam aos meus desejos e até me protegeriam se eu precisasse. — Greyback voltou a rodeá-lo e se abaixou para falar em seu ouvido com muito ódio. — Mas, você mudou isso! Em minutos e algumas palavras bonitas, você os virou contra mim e eles ousaram pensar em me matar! — Greyback se colocou a sua frente outra vez e sorriu com maldade. — Eu os matarei também, primeiro acharei Gun e, depois, cada um dos seus homens...

Enquanto Greyback falava dos seus planos e se gabava arrogantemente do seu poder, Harry continuava procurando. Cada agressão que Sirius sofria o enchia mais de raiva e do propósito frio de que Greyback não viveria por muito mais tempo. Remus e Tonks não tinham se comunicado com ele ainda, eles procuravam na direção oposta e não deviam ter encontrado nada.

Suspirando, Harry subiu ainda mais alto, ignorando o vento frio e tentando ter uma visão mais ampla. O problema de subir demais, era que tornava mais difícil ver entre as árvores e, pela foto, Adam estava recostado em uma árvore grossa, com raízes enormes e antigas. A copa o esconderia, pensou Harry, assim, voar mais baixo e rapidamente, mas verificando cada centímetro da floresta atentamente, era o melhor jeito de encontrar o Adam, se ele estivesse aqui. No entanto, talvez, houvesse outro jeito e, com uma nova ideia em mente, ele desceu até o meio das árvores e pousou no chão de neve rala.

Suspirando, Harry observou a floresta escura, os galhos das árvores que se moviam com o vento frio e, fechando os olhos, estendeu sua magia que se expandiu além do seu corpo e encontrou uma magia forte, antiga e bondosa. A magia natural da floresta o acariciou e confortou como um velho amigo, calmante e amoroso.

"Estou aqui e me sinto mais vivo. Como isso é possível? "

As árvores se agitaram e a impressão de sentimentos chegaram até Harry, que sorriu divertido.

"Acho que a Floresta Proibida ficaria enciumada com isso. Como vocês podem ser mais antigos e poderosos? "

Mais agitação das árvores e um trovão pareceu ecoar no céu, acima do Harry, que arregalou os olhos surpreso.

— Ok, não a questionarei mais. — Ele disse divertido e respeitoso. — A senhora poderia me levar até o meu irmão, por favor?

As árvores se agitaram e sussurraram em concordância. Harry não sabia o que esperar, mas ficou sem ação quando um cachorro peludo e gigantesco apareceu na sua frente e o encarou com os mesmos olhos castanhos de...

— Adam. — Harry suspirou emocionado.

O cachorro, incrivelmente bonito e de expressão bondosa, pareceu sorrir com carinho antes de se virar e correr. Harry hesitou por apenas um segundo antes de montar a sua Nimbus e segui-lo velozmente por entre as árvores, se desviando delas com habilidade e sem perder o cachorro de vista.

Assim que o choque passou, Harry usou a varinha para verificar sua localização e pegou o espelho do Remus do bolso certo.

— Remus. — Sem olhar para o espelho para não bater nas árvores, Harry esperou ser atendido.

— Harry! Você o encontrou? — Remus perguntou frenético.

— Sim, estou indo para Noroeste, Remus, na direção do monte achatado. — Harry disse rapidamente, podendo visualizar ao longe a forma do monte.

— Estamos na direção oposta, Sudoeste, mas, seguiremos para lá agora mesmo. Mantenha o espelho ligado. — Remus disse e era possível ouvi-lo falar suavemente com a Tonks. — As coisas estão ficando difíceis para o Sirius, precisamos colocar a segunda parte do plano em movimento e avisar a Denver que o alvo um está seguro, assim, ela pode interferir.

— Tenho a impressão que o nosso tempo será apertado. — Harry disse voando habilmente por entre as árvores. Conectado com elas como estava, na verdade, ele desconfiava que poderia se desviar com os olhos fechados.

— O que você viu, Harry? Uma fogueira? — Remus perguntou curioso.

— Não, eu vi o Adam. — Harry sorriu, absolutamente certo de sua suposição.

— Eu só preciso vê-lo! Por favor! Sr. Greyback, estou implorando! — Sirius gritou do chão onde foi chutado por Greyback. — Eu fiz tudo o que me pediu e deixarei que me mate... Eu perdi tudo, os Boots me odeiam, não tenho mais família e não me importo..., mas, eu preciso ter certeza que cumprirá a sua parte e quero dizer adeus ao Adam.

— Bem, será um adeus mesmo ou, um até logo, afinal, vocês se reencontrarão muito em breve no além, se é que isso existe. — Greyback zombou cruelmente.

— O que...? Mas, nós temos um acordo! — Sirius protestou e tentou se levantar, mas Greyback lhe deu um soco no ombro e passou a faca por suas costas em um risco profundo e doloroso. — Ahhhh!

— Eu te mandei ficar no chão! — Greyback disse e o chutou nas costelas com violência.

— Pare... por favor...

— Sim, assim, está melhor. — Greyback sorriu com satisfação. — Eu ainda não quero te matar, mas, se me provocar... Quanto ao anjinho, ele é meu, Black, e pretendo me divertir muito com o maravilhoso tempo que teremos juntos. Depois que matar você na frente dele, claro, poderei me dedicar totalmente a saboreá-lo.

— Tínhamos um acordo...

Greyback gargalhou debochadamente.

— Acordo, como se você nunca tivesse quebrado um acordo ou descumprido uma promessa. É para isso que os acordos são feitos, afinal, para serem quebrados pelos mais espertos. — Ele disse indiferente.

— Mas... Greyback, por favor... você pode ter quem quiser... deixe o garoto voltar para os pais... — Sirius implorou em lágrimas.

— Não, já disse que ele é meu, minha propriedade. — Seu rosto escureceu ao ser desafiado e sua natureza predadora se atiçou para destruir quem queria roubar sua presa.

— E... se... já sei, você poderia transformá-lo. Daqui a alguns dias será lua cheia e isso seria uma vingança justa, assim, ele ainda pode viver... — Sirius disse tentando ganhar mais tempo.

Greyback voltou a gargalhar e parecia divertido.

— Ideia interessante e seria ainda melhor se eu ficasse com o anjinho para mim, ele seria parte da minha nova gangue, que eu pretendo criar depois que te matar. — Ele disse maldosamente. — Mas, isso seria um desperdício, o anjinho é tão bonito, seu sangue tem um sabor delicioso e posso imaginar que sua carne será o mesmo. Eu nunca poderia resistir...

Todos sentiram seus estômagos embrulharem ao ouvi-lo descrever o que queria fazer com Adam, mas fazê-lo falar era o que eles precisavam, pois assim teriam mais tempo.

Harry viu o cachorro grande e peludo começar a subir o monte chapado por uma trilha íngreme de pedras e virou sua vassoura agudamente para cima, voando velozmente ao longo da parede do penhasco.

— Ele está em cima do monte chapado, Remus. — Harry avisou com a voz abafada pelo vento frio.

— Ok. Estamos na metade da distância. — Remus disse. — Você precisa acionar o espelho da Denver, assim, ela pode atacar o Greyback, sabendo que encontramos o Adam.

— Farei isso quando colocar os meus olhos sobre ele. — Harry garantiu e se aproximou do topo do monte.

— Mas, pensei que o tinha visto. — Remus protestou confuso.

— Apenas o seu espírito. — Harry disse sorrindo e, ao chegar ao topo chapado do monte, encontrou a continuação da floresta antiga e poderosa.

Ele olhou em volta e encontrou o cachorro correndo pelo meio das árvores. Sem hesitar, Harry o seguiu e não demorou muito para ver um clarão do fogo de uma fogueira a distância. Ansioso, Harry acelerou e passou como um borrão por entre as árvores, até sair em uma pequena clareira cheia de pedras escuras, que estava à beira de um penhasco, do outro lado do monte chapado. Ele localizou o enorme cachorro imediatamente e o lindo animal estava ao lado do...

— Adam! — Harry gritou quando o identificou amarrado a árvore. Adam arregalou os olhos ao vê-lo e abriu um imenso sorriso. — Adam, Adam, Adam... — Harry falou fervorosamente e extremamente grato por encontrá-lo vivo.

Ele voou em sua direção, saltou da vassoura em movimento e, instintivamente, estendeu sua magia a frente e soltou as cordas que envolviam seu pequeno irmão. Quando Harry o alcançou, lhe deu o maior dos abraços e Adam retribuiu, se apertando contra seu corpo fortemente.

— Adam, Adam... — Harry sussurrou sem parar e sua voz se embargou, seus olhos de lágrimas de alegria e profundo alívio. — Você está bem? Está ferido?

Adam, ainda sorrindo, acenou negativamente, mas Harry viu o corte em seu rosto. Maldito, Greyback! Ele pagaria por machucá-lo!

— Deixe-me avisar... — Harry pegou o espelho com o nome da Denver. — Remus, eu o encontrei, você está chegando?

— Eu ouvi, estou a 2 minutos do monte chapado. — Remus respondeu com a voz abafada pelo vento e emoção.

— Estamos em uma pequena clareira do outro lado do monte, a beira do penhasco... tem uma fogueira acesa. Te espero chegar e aviso ela. — Harry propôs, preocupado que qualquer ação, trouxesse Greyback para o monte, antes que Adam estivesse em segurança.

— Ok. — Remus falou tenso, pois Sirius estava levando uma tremenda surra.

Harry olhou para o cachorro e acariciou seu focinho, orelhas e as costas escuras.

— Bom garoto. Muito obrigado por me ajudar. — Ele disse suavemente e recebeu uma lambida suave em resposta. Adam arregalou os olhos e abriu a boca para falar, mas, nada saiu. — Ele já tem um nome, Adam?

Harry olhou para o menino, que apontou para a garganta e tentou falar, mas nenhum som saiu.

— O que foi? — Harry franziu o cenho confuso. — Ele o enfeitiçou para que não gritasse?

Adam gesticulou que não e se mostrou confuso ou incerto.

— Olha, quando chegarmos em caso, seus pais podem examinar para ter certeza. Ok? — Harry disse, decidindo não tentar descobrir por si mesmo.

Adam acenou e sorriu mais tranquilo ao pensar em casa e seus pais. Depois gesticulou para o Harry, olhos e Galon, mostrando confusão.

— Porque, eu posso ver o cachorro? — Harry decifrou e Adam gesticulou que sim. — Porque me conectei com a magia da Floresta, que é muito intensa. — Adam arregalou os olhos e tentou falar outra vez, mas, sua voz parecia ter desaparecido, frustrado, ele apenas acenou confirmando. — Você sente? — Harry perguntou e Adam voltou a acenar. — Bem, eu me conectei e pedi ajuda para te encontrar, a floresta concordou, então, o cachorro apareceu e me guiou até aqui.

Adam arregalou os olhos e, se levantando, abraçou o cachorro carinhosamente e com gratidão.

"Obrigado, Galon! Você trouxe o meu irmão até mim! Obrigado! "

"De nada, irmão, meu destino é protegê-lo. Fico feliz que tenha um irmão tão sábio. "

— Você já lhe deu um nome? — Harry perguntou suavemente ao acariciar as costas do enorme cão peludo.

Adam, mais uma vez, tentou automaticamente responder com palavras, mas, nenhum som saiu de sua boca. Franzindo o cenho em frustração e confusão, ele pegou um galho e escreveu na neve rala do chão.

"Galon, ele disse"

— Galon... — Harry sorriu e encarou os olhos castanhos suaves e bondosos do cachorro. — Coração em galês, um nome perfeito e que te representa bem, Adam.

Adam se mostrou confuso e gesticulou perguntando o que significava, pois Galon disse o mesmo mais cedo.

— Ah! Galon é seu animal espiritual, Adam, seu animagus. — Harry disse sorrindo e o menino esbugalhou os olhos em choque, depois, olhou para o cachorro, para o Harry, o cachorro e voltou a abraçar o animal pelo pescoço, bem apertado.

"Galon! Você é meu animagus! "

"Bem, eu já lhe disse isso, filhote. "

— Eu já disse que não desistirei do meu anjinho! — A voz de Greyback ecoou pela clareira quando Harry tirou o feitiço de silêncio do espelho de Sirius, com magia sem varinha.

Adam pulou apavorado e temendo que o homem mal tinha voltado e machucaria o Harry.

— Tudo bem, Adam, a voz vem do espelho. Sirius está mantendo o Greyback ocupado. — Harry disse suavemente ao tocar o seu ombro e olhou para cima quando dois vultos apareceram voando de cima das copas das árvores. — Seu resgate está aqui.

Remus e Tonks tinham expressões tensas, mas seus olhos brilharam ao verem o Adam vivo e bem. Ele sorriu ao reconhecê-los e se deixou abraçar pelos dois.

— Harry, avise a Denver, talvez, ela consiga atacar sem que a segunda parte do plano seja necessária. — Remus disse apressadamente.

— Vou me preparar mesmo assim. — Tonks disse e todos acenaram.

— Denver. — Harry disse encarando o espelho e esperou longos segundos antes do rosto pálido da agente aparecer no espelho. — Alvo 1, seguro.

— Bom. — Disse ela e um brilho predatório surgiu em seu olhar, antes de desligar.

Enquanto isso, Adam se despedia de Galon.

"Quando o verei de novo, Galon? "

"Quando estiver pronto, irmão. Você está seguro agora, o lobo o levará para sua casa e o entregará aos seus pais. " Galon lambeu seu rosto, recebeu outro apertado abraço e depois desapareceu entre as árvores.

"Obrigado, Galon! Obrigado, senhora árvore! "

Um sussurro das árvores, como uma carícia foi a resposta da floresta. Depois, Adam olhou em volta e arregalou os olhos ao ver um duplo dele amarrado a árvore, como ele estava antes.

— Ele tem um corte na bochecha, Tonks. — Harry observou. — E, seus braços estavam por cima das cordas.

Tonks acenou, observou o Adam com atenção, depois fechou os olhos e se concentrou até o corte exato aparecer na bochecha certa. Adam abriu a boca para dizer um "uau", mas, nenhum som saiu.

— Você vem comigo, Adam. — Remus disse e, se abaixando, sinalizou para ele subir em suas costas, mas Adam hesitou e olhou para Harry preocupado.

— Eu irei em breve, preciso ajudar o Sirius, mas logo, logo, todos estaremos no Chalé. — Harry disse suavemente e o abraçou apertado.

Adam acenou e subiu nas costas do Remus, lançando um último olhar para o sangue seco do filhotinho e prometendo que nunca o esqueceria.

— Sejam cuidadosos, vocês dois. — Remus disse muito sério. — Tentarei voltar...

Seja o que for que ele falaria se perdeu quando um estampido alto soou entre as árvores, depois passos e gemidos.

— Meu anjinho está bem aqui, Black...

Harry e Remus trocaram olhares arregalados e se moveram rapidamente. Remus correu silenciosamente para as árvores, na direção oposta da qual Greyback vinha, suas pernas rápidas e fortes mal sentiram o peso de Adam. Em segundos, eles estavam a quilômetros de distância e Remus se sentiu seguro para montar em sua vassoura e voar para longe da clareira.

Harry montou em sua vassoura e voou para o penhasco, desceu e planou contra a pedra cinza escura e fria, perto o suficiente para ouvir e não ser visto.

— Aqui está o meu anjinho, Black, pode se despedir. — Greyback disse debochadamente.

— Sirius! — Adam/Tonks exclamou apavorado.

Denver desligou o espelho e voltou a descer toda a distância até o professor, ela se afastara por medo que Greyback pudesse ouvir a conversa, mesmo com os feitiços de silêncio.

Flitwick a encarou e ela fez um gesto positivo, que lhe rendeu um sorriso estranhamente alegre do professor minúsculo. Denver, então, gesticulou para descerem e finalizarem a missão, Flitwick concordou e eles voaram ainda mais perto de Greyback e Sirius. O professor se posicionou de um lado, pronto para resgatar o Sirius quando Denver afastasse Greyback dele, mas, neste momento, o lobisomem segurava uma faca contra o seu pescoço. Com dificuldade, Denver se conteve, esperando o melhor momento, pois temia que um movimento brusco cortasse a jugular do pescoço de Sirius

— Por favor... — Sirius ofegou. — Eu não mereço, mas... deixe que me despeça do Adam... preciso pedir desculpas...

— Você implora tão bem. — Greyback disse com um sorriso de satisfação. — Eu já planejava levar você e te matar na frente do meu anjinho, mas foi divertido te ver implorar, Black. Muito divertido, quase tão divertido como será te matar. — Greyback deu um passo para trás e afastou a faca, Denver, ainda na vassoura, se moveu os últimos metros velozmente... — Bem, então, vamos lá. — Disse Greyback e, segurando o Sirius pelo ombro esquerdo, aparatou-os com um estampido agudo.

— Maldição! — Denver exclamou furiosa, quando não os alcançou por centímetro. Pegando a varinha, ela rapidamente usou o feitiço de localização do espelho e a varinha apontou para o Noroeste.

— Se a varinha indicou uma direção, eles estão pertos ou, então, ela vibraria e te levaria para o local exato quando você aparatasse. — Flitwick observou ao se aproximar.

— Noroeste. Vamos lá. — Denver subiu e voou por cima das copas das árvores velozmente, com Flitwick seguindo de perto.

Na clareira, Greyback se aproximou do Adam/Tonks e acariciou os seus cachos, ele se encolheu apavorado e encarou o Sirius, que estava ajoelhado a vários metros de distância e muito machucado.

— Sirius...

— Não se preocupe, anjinho, o velho Greyback cuidará bem do Sirius. — Greyback riu maldosamente. — Eu o trouxe para se despedir de você, ele insistiu muito, anjinho.

— Adam... — Sirius falou ofegante e tentou se levantar, pois queria se aproximar, mas Greyback o acertou com um soco no rosto que o fez cair de costas no chão áspero.

— Ugh! — Sirius gemeu dolorosamente.

— Sirius! Sirius! — Adam/Tonks gritou desesperado.

— Eu não lhe mandei se levantar, mandei? E nem pense em se aproximar do meu anjinho, ele é meu! Você só está aqui para morrer, Black e, como sou generoso, você pode se despedir do garoto. — Greyback falou cruelmente.

— Ok... desculpe... — Sirius se virou e, com dificuldade, se ajoelhou outra vez.

— Sirius... Não machuque ele! — Adam/Tonks gritou chorando.

— Tudo bem, Adam, está tudo bem. — Sirius disse com a voz engasgada de dor e, sem saber se esse era ou não o verdadeiro Adam, acrescentou. — Você irá para casa, em breve. Ok? Não tenha medo.

— Ele é um mentiroso, meu anjinho. — Greyback se aproximou de Adam/Tonks e sentiu o cheiro saboroso do menino, seu medo, seu coração acelerado. — Acredite no velho Greyback, depois de matá-lo, nós dois vamos para o meu esconderijo especial e passaremos momentos deliciosos juntos.

— Não... por favor, não mate o Sirius. — Adam/Tonks soluçou tristemente. — Deixe ele em paz!

— Está tudo bem, Adam, isso não é sua culpa. Ok? — Sirius o encarou nos olhos tristemente. — Sinto muito, é minha culpa, tudo minha culpa... Olha, eu preciso me despedir, mas, seja o que for que me aconteça...

— Não! Sirius, por favor! — Adam/Tonks soluçou e lágrimas escorreram por seu rosto. — Você tem que ficar bem, Sirius.

— Não chore, anjinho. — Greyback se aproximou e se agachou em frente ao menino, fascinado e sentindo aquele desejo incontrolável que era tão comum em sua natureza. — Greyback cuidará de você, não chore por Black, ele é o culpado de tudo o que lhe aconteceu, assim, ele merece morrer.

Estendendo o dedo com a garra comprida, Greyback limpou uma lágrima do seu rostinho e a levou a boca, lambendo-o e pensando que deveria matar Black em breve, para poder ficar a sós com o seu anjinho e, então...

— Não faça isso, Greyback... — Sirius protestou fracamente e viu o lobisomem se levantar confuso, ainda encarando o Adam/Tonks.

— O que... — Ele deu um passo atrás e olhou para Sirius. — Esse não é o meu anjinho... não tem o mesmo gosto, mas o cheiro... — Greyback se aproximou e cheirou seu pescoço profundamente. — O cheiro é o mesmo!

— Ei! — Sirius se levantou, menos fraco do que fingia, tentando distraí-lo e dar tempo para a Tonks fugir. — Saia de perto dela!

Greyback veio em sua direção furiosamente e, quando tentou socá-lo, Sirius se desviou e o socou de volta.

— Maldito! O que você fez!? — Greyback gritou ao cuspir o sangue da boca no chão.

— O que você acha? — Sirius perguntou ironicamente. — Acredita mesmo que me entregaria a você e confiaria que cumpriria o acordo? Como você disse, Greyback, acordos são sempre quebrados e minha prioridade era salvar o Adam.

— Onde está o meu anjinho!? — Berrou Greyback descontrolado.

— Ele não é seu! — Sirius gritou de volta e se preparou para o seu ataque, mesmo ferido, lutaria com tudo que tinha.

Enquanto isso, Adam/Tonks se encolheu, se soltou das cordas e voltou a ser Tonks, sem que Greyback, perdido em seu descontrole, a percebesse. Ela sacou a sua varinha e se preparou para ajudar o seu primo, mas, não foi preciso. Denver chegou voando velozmente e, quando Greyback saltou para Sirius com suas garras prontas para rasgá-lo, a agente saltou da vassoura e o acertou no peito com as solas dos pés e o jogou rolando para trás.

Denver pousou agachada e o encarou predadora.

— Eu estava louca para devolver o golpe e para te conhecer, Greyback. — Ela sorriu friamente. — Me chame de Rox.

Ela se moveu para frente e se transformou em uma leoa da montanha enorme, musculosa, olhos castanhos amarelados, rugido feroz e, em duas passadas, Rox estava sobre Greyback. O lobisomem, chocado, demorou um segundo para reagir e, com isso, Rox o arranhou cruelmente no peito com suas patas e lhe arrancou um pedaço do ombro com suas presas grandes e fortes. Então, o instinto de Greyback apareceu e ele tentou se defender atacando a leoa com as suas próprias garras e a chutando para trás com suas pernas. Rox se desviou e saltou, antes de voltar a pular velozmente na direção do pescoço de Greyback, com um único objetivo. Matar o lobo que machucou seu homem.

— Venha, Sirius, eu o levarei de volta para o Chalé. — Flitwick disse, lhe estendendo o braço direito.

— Estou bem. — Sirius respondeu, apesar de ser bem visível a mentira. — Não estou tão ferido como temíamos, quero ficar e ajudá-la se precisar. Onde está o Harry? Remus tirou o Adam?

— Eu fico aqui e lhe dou suporte, Sirius. — Tonks disse sem tirar os olhos do lobo e da leoa que se rodeavam. — Não que eu acredite que ela precisará. — Acrescentou impressionada com a enorme e elegante leoa que não tinha um arranhão, enquanto Greyback estava bem machucado. — Remus seguiu o plano e resgatou o Adam. Harry fugiu com a sua vassoura pouco antes de vocês dois chegarem aqui.

— Sirius, mesmo se Denver precisar de ajuda, você está muito ferido e poderia atrapalhar ou se machucar mais seriamente. — Flitwick disse e viu a leoa ficar em pé sobre a patas traseiras, alcançar a altura de Greyback e o arranhar cruelmente na face com uma das patas, depois a outra face com a outra pata. — Tonks está certa, ela não precisa de ajuda.

— Incrível, não é mesmo? — Sirius observou fascinado e tenso. — Nunca vi nada mais belo...

Greyback percebeu o mesmo e, como um animal que encontrou um predador muito, mas muito perigoso, seu instinto lhe disse que precisava fugir urgentemente. Para as árvores não era uma opção, pois a leoa o perseguiria, além disse, três bruxos cercavam o caminho e, enquanto se livrar deles não seria difícil, apenas o atrasaria ainda mais. Assim, só lhe restou um caminho e, se hesitar, Greyback correu e pulou do penhasco com a certeza de que conseguiria pousar nas árvores e não se machucaria.

Rox rugiu em fúria e se aproximou da beira do penhasco para ver Greyback, mas, o que viu foi o Harry, que desceu velozmente com sua vassoura na direção do lobisomem, emparelhou e o acertou com um chute violento na cabeça.

— Isso é pelo meu irmão! — Harry gritou com raiva.

Rox sorriu e pulou atrás dos dois, assustando completamente seus observadores, que correram para a beira do penhasco, apavorados que ela se machucasse na queda.

Greyback, tonto, olhou para o voador, um menino nanico e para as árvores, que se aproximavam rapidamente. Harry, rápido como um borrão, até para o lobisomem, deu a volta para o seu outro lado e o chutou nas costelas, o empurrando para as árvores com ainda mais força que a queda em si.

— Isso é pelo Sirius! — Gritou ele e viu com satisfação quando o lobisomem tentou conter sua queda, mas, ainda bateu dolosamente nos galhos das árvores, que se quebraram, antes de bater no chão em um pouso não muito bom.

— Harry! — O gritou veio do alto e Harry olhou para ver Denver caindo em sua direção.

Sem hesitar ou usar sua varinha, Harry estendeu sua magia e diminuiu a velocidade da queda o suficiente para que pudesse voar ao seu lado e Denver montar atrás de si na vassoura.

— Vamos pegá-lo! — Denver disse com sede de sangue, não deixaria sua caça fugir, principalmente quando era um inimigo tão perigoso.

Harry embicou para o meio das árvores voando e se desviando delas com tanta velocidade e habilidade, que Denver arregalou os olhos de surpresa. Rapidamente, eles localizaram Greyback, que se levantara, mais do que um pouco ferido e, agora, corria e saltava pela floresta tentando fugir.

— Rápido! Se ele aparatar nós o perderemos! — Sussurrou ela furiosa com o pensamento.

Mas, Greyback estava seguindo os instintos do lobo e não do bruxo, assim, sua mente se mantinha focada em correr e saltar para longe do predador. Infelizmente, para ele, Harry era muito mais rápido em sua vassoura do que Greyback, machucado, poderia ser em seus saltos pelos galhos das árvores ou corridas pelo chão. Assim que se aproximaram do lobisomem, Denver saltou da vassoura e, ainda no ar, se transformou em Rox, perseguindo Greyback de perto, graças as suas pernas longas e musculosas. Mas foi o Harry que voltou a emparelhar sua vassoura com o lobisomem e, desta vez, ele não usou a perna para chutá-lo, usou a sua magia para fazê-lo tropeçar na direção de uma árvore. Com a velocidade com que ele corria, Greyback bateu com tanta violência na árvore, que lançou lascas de madeira para todos os lados.

— Isso foi pelo Remus! — Gritou com satisfação ao vê-lo caído no chão, tonto e ofegante.

Em um segundo, Rox estava a sua frente com seu olhar castanho como o whisky e o encarando com atenção. Greyback conhecia aquele olhar, a satisfação do predador antes de matar sua presa. Desesperado, ele se arrastou pelo chão frio e tentou pensar em alguma coisa, mas, o problema era que Greyback não era muito inteligente ou sabia o que fazer em situações desvantajosas, pois, ele sempre era o caçador, nunca a presa.

Rox o rodeou e rugiu de fúria ao vê-lo tentar fugir covardemente ao em vez de aceitar a derrota e a morte com honra. Sua mente de leoa o enxergava como um monstro vil que precisava ser eliminado e pagar por machucar o seu homem, além do filhote. Apesar da sua sede de sangue, Rox sabia que essa presa não merecia ser comida ou mesmo provada, assim, em um salto, ela prendeu seu tronco no chão com suas patas enormes e levou suas presas ao seu pescoço. Ao em vez de morder a jugular, Rox usou a sua mandíbula poderosa e virou seu pescoço para trás, quebrando o osso com um som audível. Depois, a leoa se afastou, olhou para os olhos vazios e sem vida da presa e rugiu de satisfação por sua vitória. Ela conseguira! Derrotara o inimigo e protegera o seu homem!

— Merlin, que você é grande. — Harry disse olhando impressionado, pois mesmo assim, em quatros patas, ela era quase da sua altura.

Rox examinou o pequeno guerreiro e rugiu em agradecimento pela ajuda, mas, quando ele tentou acariciá-la com a mão, a leoa saltou para trás e rugiu em advertência.

— Ok. Entendi, sem afagos. — Harry sorriu divertido. — Galon foi mais bonzinho, mas, suponho que você seja menos domesticada.

Rox rugiu em protesto com a palavra ofensiva e Harry riu divertidamente.

— O importante é que o pegamos. — Harry disse olhando com satisfação para o corpo de Greyback. — E, acredito que já sei o que devemos fazer com ele.

— Denver! Harry! — O chamado vinha do alto e era a voz do Sirius, que não deveria estar ali.

— Estamos aqui! — Harry respondeu e viu a leoa se transformar em Denver que olhou zangada na direção de onde vinham Sirius, Tonks, Flitwick e Remus.

— Você não deveria estar aqui, Black, esse não era o plano. — Disse ela duramente.

— Eu estou bem. — Ele respondeu com voz fraca ao pousar no chão e gemer de dor. — Vocês estão bem? Harry, está ferido?

— Nenhum arranhão. — Harry disse e chutou Greyback. — Ele era muito lento para nós, Sirius, apenas sinto que você teve que se disfarçar de saco de pancada.

— Bem, esse era o plano. — Disse Sirius com um sorrindo divertido. — Mudar o cheiro da Tonks foi o toque perfeito.

— Poderia não ter sido necessário. — Denver disse mal-humorada. — Eu estava prestes a pegá-lo na primeira localização quando Greyback aparatou vocês para a clareira no monte.

— Bem, se isso acontecesse, eu teria treinado tanto para nada. — Tonks protestou divertidamente. — Percebi que tenho algum talento para ser atriz ou para trabalhos disfarçados.

— O que poderá ser muito útil em sua carreira. — Denver observou em tom elogioso. — E o menino?

— Seguro com os pais. — Remus respondeu e sorriu gentilmente. — Foi muito bonito vê-los se reencontrar, mas, Adam continua sem falar.

— O que? — Denver, Sirius e Flitwick se mostraram surpresos.

— Pensei que pudesse ser alguma magia que Greyback usou para que Adam não gritasse por socorro e alertasse a nós ou algum trouxa acampando. — Harry observou preocupado.

— Não detectamos nenhuma magia e Martin sugeriu que pode ser um efeito do trauma de tudo o que ele viveu. Ainda assim, seria bom se um curandeiro pudesse examiná-lo. — Remus disse e, olhando para o amigo, acrescentou. — Você precisa de um também, mal se mantem em pé.

— Bobagem... — Sirius disse e abanou a mão displicente, mas, seus joelhos se vergaram quando ele bambeou para frente.

Denver saltou e apoiou o seu peso, Remus o pegou pelo outro lado.

— Cachorro teimoso. — A agente disse irritada. — Você já deveria ter partido e estar sendo cuidado.

— Não queria deixá-los... — Sirius sussurrou fracamente. — Estava preocupado e, então, fiquei hipnotizado vendo a Rox lutar... Nunca vi algo tão lindo em minha vida...

— Tolo. — Denver disse desconcertada pelo elogio inesperado e na frente de todos.

— Leve-o, Denver. — Harry disse sorrindo divertidamente ao perceber que sua percepção estava correta. Os dois combinavam, de um jeito estranho. — Tonks pode ajudá-la a levar o Sirius para o Chalé, enquanto, o professor e Remus me ajudam a cuidar do corpo de Greyback.

Tonks se adiantou e assumiu o lugar do Remus, que se afastou e, sem querer, roçou o seu peito contra as suas costas e sentiu o seu verdadeiro cheiro, que voltou com o fim do feitiço. Pigarreando, Remus deu um passo para mais longe, mais rápido que o necessário, ao sentir seu corpo reagir ao cheiro muito, muito bom da jovem recruta.

— O que fará com o corpo? — Sirius perguntou. — Não vá se colocar em perigo, Harry.

— Eu não vou, prometo. — Harry sorriu brilhantemente. — Quero apenas corrigir uma injustiça. E, não se preocupe, que conseguirei uma curandeira

Seu padrinho acenou confiando em Harry e, com a ajuda de Denver e Tonks, eles aparataram para St. Albans.

— Qual a sua ideia, Harry? — Flitwick perguntou curioso e, depois que o Harry explicou, o professor o encarou com olhos afiados. — Desde que se tornou o meu aluno, minha vida se tornou uma aventura depois de uma aventura. Você tem algo a dizer sobre isso, Prentis?

— De nada, Meistr? — Harry perguntou brilhantemente.

Remus tossiu sufocando o riso e foi até o corpo de Greyback, o levantando sobre o ombro direito em posição de resgate.

— Eu o levo. Nada me dará mais satisfação... bem, depois de vê-lo morto, claro. — Remus disse e aparatou.

Harry segurou o braço de Flitwick e eles o seguiram. Na floresta, em Swanage, os três caminharam até o acampamento dos anciões, Remus assoviou para avisar e recebeu a resposta do vigia. Quando alcançaram as barracas, todos estavam acordados e esperando tensamente pelas notícias.

— Remus? — Theo perguntou ansioso. — Algo com a matilha de Elfort?

— Não. Pelo que sei, eles estão a caminho da ilha. — Remus disse e jogou o corpo estropiado de Greyback no chão, sem muito cuidado. — Vim lhes trazer um presente.

— Greyback! — Bridget exclamou chocada.

— Ele está morto! — Simon gritou e encarou Remus de olhos arregalados. — Você o matou!

— Não, não fui eu. — Remus suspirou. — Montamos uma equipe e resgatamos o menino, Adam, minha parte da missão era levá-lo aos seus pais. Matar Greyback ficou por conta da namorada do Sirius, que é uma auror muito competente. Harry aqui, a ajudou.

Todos os bruxos mais velhos o encararam assombrados e Harry deu de ombros timidamente.

— Eu apenas lhe dei uma carona. — Ele disse suavemente. — Agora Greyback está onde deveria estar, bem morto, e acredito que é hora de pararmos o Fudge e sua caça aos lobisomens. O que me dizem?

Todos acenaram e pareciam emocionados ao ver Greyback morto, além de dispostos a ajudar. Harry explicou sua ideia rapidamente e ouviu algumas exclamações de espanto.

— Estão comigo? — Ele finalizou e os anciões apenas acenaram com suas bocas abertas. — Bom, então, por enquanto, mantenham o corpo do Greyback escondido enquanto preparamos tudo. Sra. Alice, estamos precisando de um curandeiro, Sirius está muito machucado porque ficou distraindo o imbecil aqui... — Harry deu outro chute em Greyback. — Enquanto achávamos e salvávamos o Adam.

— Claro. — Alice se adiantou na mesma hora. — Eu irei imediatamente.

— Quer que te acompanhe, Ally? — Mark perguntou ansioso.

— Não precisa, Mark, eu estarei entre amigos. — Alice disse sorrindo para Remus e Flitwick.

Os quatro se afastaram do acampamento antes de aparatarem. Remus levou o Harry direto para o Chalé, enquanto Flitwick e Alice foram para o Saguão do Beco Diagonal, esperar pela liberação de Alice pelo flu.

A família estava toda na cozinha, havia muita comida e bebida sobre a mesa e todos os Madakis tinham sido buscado por aparatação pelos familiares bruxos. Adam, estava no colo da mãe, e cercado pelo pai, Ayana, os avós e tios maternos, que mantinham suas cadeiras bem perto da cadeira da Sra. Serafina.

Sirius, ainda machucado, estava repousando em uma poltrona confortável, Denver se sentava no braço da poltrona ao seu lado e Tonks se sentara à mesa e tomava um chá, enquanto observava a família paparicar o Adam.

— Harry! — Alguém gritou e seu nome foi repetido por todos os lados. Ele foi abraçado, recebeu tapas amigáveis nas costas e ombros até que parou em frente ao Adam, que se mantinha aconchegado no abraço forte de sua mãe. Encarando o menino nos olhos, ele disse firme e direto.

— Greyback está morto, Adam. — Harry viu os seus olhos se arregalarem e sua mão se mover, seu rosto virar uma careta má e feia. — Sim, o homem mal se foi para sempre e não voltará.

Adam suspirou de alívio e apontou para a floresta, gesticulando que as árvores lhe disseram que tudo ficaria bem, assim, ele não teve muito medo, só um pouco.

— Você foi muito corajoso. — Harry disse com um sorriso orgulhoso.

— Como você entende o que ele diz? — Ayana perguntou confusa.

— Eu escuto com o meu cérebro, não com meus ouvidos, Ayana. — Harry disse sorrindo carinhosamente para ela. — Uma curandeira está vindo, o professor a trará por flu se vocês a liberarem. — Ele olhou para o Sr. Falc, que acenou e foi para a sala de estar, liberar a lareira.

A Sra. Alice chegou hesitante, mas, ao ver o Remus sentado à mesa tomando chá e conversando tranquilamente com o Sr. Martin e o Prof. Bunmi, se mostrou aliviada.

— Eu estou bem, Alice, atenda o Adam primeiro. — Sirius protestou quando Denver a levou até ele.

— Me parece que você é mais urgente, Sr. Black. — Ela disse olhando para o menino e o encontrando sorrindo ao ouvir algo que sua avó, a Sra. Madaki, lhe dizia.

— Ele não está falando, Alice, estamos com receio que Greyback usou alguma magia... — Sirius se moveu e gemeu colocando a mão no peito.

— Eu irei vê-lo em um segundo, me parece que você tem algumas costelas quebradas e isso é o mais urgente. — Alice disse firmemente e começou a acenar a varinha de maneira intrincada.

Harry se aproximou preocupado com a palidez e expressão dolorosa de seu padrinho.

— Sem hemorragia interna, felizmente, mas você tem 3 costelas quebradas, seu tórax tem um hematoma gigantesco e você teve sorte de não ter mais ossos torácicos quebrados. Tem também alguns hematomas nos rins e fígado, mas, nada muito grave. — Alice disse gentilmente. — Seu nariz e a maça esquerda da sua face estão quebrados, assim como alguns dentes. Concertarei o que puder, mas, você precisa de algumas poções, urgentemente.

— Eu posso ir buscar, me faça uma lista. — Denver falou objetivamente.

— Vá até a Fiona, Emily e diga que depois irei acertar a conta. — Sirius disse com um leve sorriso.

Dever acenou e deixou o Chalé para o Beco rapidamente, enquanto Alice concertava o Sirius.

— Depois que tomar a poção para a dor, terá que se deitar, assim a Esquelesce terá um melhor efeito. — Alice disse suavemente ao terminar.

— Ele estará bom amanhã de manhã para colocarmos os nossos planos em andamento, Sra. Alice? — Harry perguntou aceitando o prato com sanduíches e biscoitos da Sra. Madaki.

— Que planos? — Falc perguntou curioso.

— Sim, se o Sr. Black descansar durante toda a noite, amanhã, ele poderá se mover normalmente, apenas nada de entrar em outra luta ou se esforçar fisicamente. — Alice disse sorrindo.

— Me chame de Sirius, Alice, por favor e obrigado por me livrar do treino nos próximos dias. — Sirius disse sorrindo. — Também gostaria de saber sobre esse tal plano que estou envolvido, mas não sei nada.

Harry engoliu a mordida do seu sanduíche e explicou sua ideia, enquanto Alice examinava o Adam, ainda no colo da Serafina. Houve algumas exclamações e assovios quando ele terminou.

— Você nunca descansa, não é? — Falc disse divertido.

— O menino está certo, a melhor maneira de lutar contra com opressores, é levar a luta até eles, bater de frente. — Prof. Bunmi disse convicto. — Vocês verão como esse Ministro se acovardará rapidamente depois disso.

— Acredito que é brilhante e nos ajudará em nossos primeiros passos na Suprema Corte para mudar as leis contra os lobisomens. — Sirius disse meio sonolento.

— Além de protegê-los do Ministério até conseguirmos fechar os acordos e todos estarem seguros na ilha. — Remus disse. — Talvez até Elfort e sua matilha não precisem se esconder e desaparecer misteriosamente, pois isso poderia chamar a atenção.

— Como foi a retirada deles, professor? — Harry perguntou depois de tomar um grande gole de leite quente.

— Tranquilo. — A voz esganiçada de Flitwick soou pela cozinha, ele também estava sentado à mesa comendo o seu jantar. — Edgar e sua equipe são muito eficientes, Harry. Ele entendeu o que tinha que fazer e a urgência, assim, enquanto Edgar acertava os detalhes, eu pedi a ajuda da Alice para evacuarmos a matilha de Elfort para as cidades designadas. Felizmente, Elfort concordou com o plano quando soube que os aurores pretendiam prendê-los por cumplicidade na morte de Robards.

— Ainda estou chocado com isso. — Disse Falc que parecia ter voltado a ser ele mesmo. — Legalmente falando, o Ministro não pode interferir desta maneira no Departamento de Leis e um pedido judicial a Suprema Corte é algo inédito e não muito ético.

— Então, ele não foi enfeitiçado? — Serafina perguntou surpresa. — Nenhum feitiço para silenciá-lo? Nós verificamos, mas, pensamos...

— Vocês podem levá-lo até o St. Mungus, se quiserem. — Alice disse gentilmente. — No entanto, acredito que nenhum feitiço foi usado no Adam, nem mesmo um para aquecê-lo ou algo assim. A única coisa que percebo em meus exames é um pouco de desidratação e exaustão, assim, apenas líquidos, uma alimentação leve e uma noite de sono, é minha recomendação.

— Isso não me surpreende. — Disse Denver na porta da cozinha com um saco de papel que entregou para Alice. — Greyback não sacou a varinha uma única vez em nossa luta ou tentou aparatar e fugir quando se viu encurralado. Acredito que o doutor estava certo, como humano, Greyback era pouco inteligente e deveria ser um bruxo mediano também. Ao se tornar um lobisomem, adquiriu superpoderes e confiava muito neles para viver, caçar e se proteger.

— E, como Adam ficou aquecido naquela escarpa ventosa sem um feitiço de aquecimento? — Perguntou Sirius com a voz mais forte depois de tomar a poção para dor. — Aquela fogueira não me pareceu ser o suficiente.

Adam arregalou os olhos e tentou falar, mas sua boca se moveu sem som algum e seu rosto se fechou em frustração. Ele apontou para a garganta e olhou para a mãe confuso.

— Eu também não sei, querido, mas, vamos descobrir. Ok? — Serafina disse suavemente e lhe deu um beijo na bochecha.

Adam acenou e, então, desceu do colo da mãe e foi para frente do Sirius explicar com gestos agitados e muita mímica, como ele ficou aquecido. Todos franziram o cenho confusos, pois ele gesticulava muito rapidamente.

— Você o entende? — Falc olhou para Harry que acenou.

— Ele disse que estava com medo e não conseguia se conectar com a magia das árvores. Então... o homem mau foi embora e ele tentou de novo. — Adam acenou que sim e continuou gesticulando. — Adam conseguiu se conectar e a magia da floresta era muito forte, não eram arvorezinhas, eram senhoras árvores. — Harry continuou a explicação. — Então, ele pediu ajuda e a magia concordou, mas, disse que ele não deveria fugir, pois, o homem mau o caçaria e o mataria. Adam deveria esperar porque a ajuda estava vindo... — Adam gesticulou sobre Galon e seu sorriso se tornou brilhante e empolgado. — Mas, a magia enviou o seu irmão espiritual para mantê-lo aquecido, pois a fogueira tinha se apagado e Adam estava congelando.

— Merlin... — Serafina empalideceu de angústia e Falc apertou seu ombro com carinho.

— Irmão espiritual? — Tonks perguntou. — Nós ouvimos você falando sobre isso pelo espelho, quer dizer que o seu animagus estava realmente lá?

— Sim. — Harry disse sorrindo. — Era um cachorro enorme... — Adam pulou para mostrar que o animal era mais alto que ele. — Sim, bem grande, muito peludo e bonito, se chamava Galon e tinha os olhos do Adam.

Todos pareciam chocados, menos Denver que suspirou lentamente.

— Quando se está conectado com a magia natural, como Adam e Harry estão, não é incomum que seus animais espirituais o socorrem em caso de perigo, mesmo antes do ritual para a transformação animagus. — Disse ela. — Aconteceu comigo também e tomei o maior susto quando Rox apareceu, acreditem.

— Uma leoa daquele tamanho, nós acreditamos. — Disse Flitwick pensativo. — Vocês já avisaram o Terry e o Neville que tudo deu certo?

— Sim, conversamos com eles rapidamente, os dois estavam presos por alguns colegas e não conseguiram chegar até a lareira da sua sala, professor. Nos disseram que assim que possível, virão para cá também. — Disse Falc sem tirar os olhos do Adam que parecia esperar uma reação maior sobre sua novidade. — Então, você conheceu o seu animagus? Isso é brilhante, filho. Imagino que deve querer se transformar um dia?

Adam acenou e gesticulou sem parar.

— Ele diz que Galon é maravilhoso e que lhe disse que eles se reencontrarão quando Adam estiver pronto. — Harry disse lentamente. — Eu adoraria conhecer o meu animagus também e Galon é realmente incrível, foi ele que me levou até o Adam.

— Como assim? — Serafina perguntou espantada.

Harry explicou o que acontecera na floresta e deu de ombros com os olhares surpresos ou impressionados.

— O olho mágico do Moody seria útil também e eu apenas tentei pensar em uma maneira mais rápida de encontrar o Adam. — Disse ele timidamente.

— Não. — Serafina disse com voz emocionada. — Não foi apenas isso, foi algo que só você poderia ter feito... Mesmo com o olho mágico do Moody, poderíamos não ter chegado a tempo ao Adam.

— Sim, mas, então, tínhamos o plano B, Denver localizaria o Sirius pelo espelho. — Harry disse confuso ao vê-la se levantar e vir até ele.

— Seu plano, sua ideia. — Disse ela o encarando.

— Não, era de todos...

— Besteira. — Serafina disse duramente. — Eu tenho sido uma idiota cega, fechada e inflexível, algo que me envergonha muito. Você é brilhante, Harry Potter. Você teve a ideia, você não perdeu a calma quando tudo e todos começaram a desmoronar. Denver liderou com sua experiência, mas, você liderou com seu coração, seus instintos e... salvou o meu bebê. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Você deveria estar lá para encontrá-lo mais rápido, assim, como é você quem nos guiará para o fim dessa maldita guerra. Eu entendo agora e... Harry, eu acredito em você, tenho convicção de que, quando chegar o momento, você vencerá Voldemort. — Ela tocou seu rosto com carinho. — Me desculpe por tornar tudo tão complicado quando é tão simples. É tudo uma questão de fé e eu tenho fé em você, Harry, verdadeiramente.

Harry ficou sem palavras e, apenas acenou engolindo em seco, depois a abraçou com força pressionando o rosto contra seu peito.

— Está tudo bem, Sra. Serafina, de verdade. — Ele se afastou e sorriu para ela com os olhos verdes brilhando. — Bem-vinda a equipe.

Serafina sorriu e o abraçou emocionada enquanto todos assistiam aliviados.

— Adam! — Terry entrou naquele momento na cozinha e abraçou o irmão com força o tirando do chão em empolgação. — Você está bem! Eu estava com medo... — Sua voz ficou emocionada e Terry se afastou para encontrar o Adam sorrindo docemente para ele. — Desculpe não ter ido te salvar também, irmão.

Adam gesticulou e apontou para todos em volta, depois para si e que estava tudo bem.

— O que? Porque não está falando? — Terry perguntou surpreso.

— Não sabemos, filho, mas descobriremos em breve. — Falc disse antes de abraçar o Terry, que depois se viu abraçado pelo resto da grande família Boot/Madaki. Neville, corado, também acabou cheio de abraços e beijos, enquanto Denver e Remus levavam o Sirius escada acima para poder repousar e tomar as últimas poções.

Enquanto Harry traduzia o Adam para o Terry e Neville, todos foram se organizando para passar a noite. A Sra. Alice foi convidada, mas recusou, prometendo voltar pela manhã e verificar o Sirius antes da nova ideia do Harry ser colocada em prática. Quando Adam começou a bocejar, sua mãe insistiu que ele tinha que ir dormir e o levou para cima, com Falc e Ayana seguindo bem de perto.

Flitwick e os meninos se despediram de todos e usaram o flu para voltar para Hogwarts, cansados e aliviados que tudo terminou bem.

— Sei que gostariam de ficar mais e ver o Adam pela manhã, meninos, mas, seria muito arriscado e não queremos chamar a atenção, principalmente a de Dumbledore. — Flitwick observou cansado. — Que dia longo! Graças a Merlin que tudo terminou bem.

— Nós entendemos, professor. — Terry disse parecendo aliviado. — Apenas ver o Adam vivo, em casa... é o suficiente.

— Muito bem, vamos descansar, porque amanhã temos mais um dia de aulas e o mundo mágico, mais um escândalo. — Flitwick disse sorrindo.

— Uma pena que não possamos estar lá, mas, o importante é que os lobisomens estarão em segurança, até poderem ir para a ilha. — Harry observou cansadamente.

— Estou ansioso por esse momento. — Disse Neville ao caminhar para a porta do escritório. — Ginny parecia muito preocupada, eu lhe disse que depois explicaríamos tudo.

— Deixe que eu falo com ela amanhã e lhe conto tudo, Neville. — Harry se ofereceu na mesma hora, enquanto deixavam o escritório do professor, que acenou em despedida.

— Ok. Também tenho que lhes contar sobre porque me atrasei depois da aula de Transfiguração ontem. — Neville contou e bocejou. — Amanhã?

— Amanhã. — Harry e Terry responderam.

Neville acenou e foi na direção das escadarias, que o levariam ao sétimo andar. Os Ravenclaws subiram a escada circular que levada a águia da torre e se depararam com uma cena incomum.

— Eu estou irritado sim! Como poderia não estar, quando minha namorada me esconde coisas e passa o dia com outro garoto! — Exclamou Percy Weasley com raiva e rosto corado.

— Eu já lhe disse que não estive o dia todo com Trevor! — Penny respondeu chateada. — Você parece se recusar a ouvir o que digo! Eu tive uma missão importante...

— Que não quer me dizer. — Percy observou ironicamente.

— Tem a ver com o meu trabalho de verão na GER e, por isso, é confidencial, Percy. — Penny disse em um tom de quem estava se repetindo. — Se eu pudesse, lhe contaria, mas...

— O que você estava fazendo de tão importante e confidencial para essa empresa, quando só trabalha para eles nos verões? Pior, que a obrigou a quebrar as regras de Hogwarts e deixar a escola escondida, além de mentir para o seu namorado? — Percy questionou ajeitando os óculos.

— Eu não estou mentindo! Contei tudo o que aconteceu hoje, apenas não falei de assuntos sigilosos. E, já disse que tenho autorização para deixar Hogwarts como um dos membros da AP. E, não ligo a mínima para regras estúpidas quando algo importante, uma emergência, está em questão, Percy. — Penny disse furiosa agora.

— Sim, mas você não deixou a escola com aquele garoto por causa de assuntos da AP, eram assuntos pessoais e passou horas na companhia dele. — Percy argumentou. — Eu não deveria cobri-la e sim, reportá-la ao professor Flitwick.

— Você ouviu a parte em que disse que a situação era uma emergência? E, pedi ajuda do Trevor porque ele também trabalha na GER, sabia do assunto e pode aparatar até o Beco Diagonal, me levando com ele. — Penny disse cansada. — E, somos amigos. Agora, se você tem um problema com isso ou com o que eu fiz, dane-se e fique à vontade para fazer o que achar melhor. Boa noite.

Penny tocou a águia, respondeu à pergunta e entrou em segundos, sem perceber a presença dos meninos. Percy ajeitou os óculos indignado e se virou para a escada, parando surpreso ao vê-los, vermelho até as orelhas de vergonha e sem dizer nada, ele desceu as escadas apressadamente.

— Uau! — Terry disse surpreso. — Porque as pessoas namoram mesmo?

— Sei lá. — Harry disse olhando com irritação para as costas de Percy Weasley. — O que me surpreende mais é porque a Penny namora esse idiota.

— Boa pergunta. — Terry disse e eles entraram na torre, encontrando a Penny sentada em uma das poltronas encarado o fogo furiosamente.

— Irei falar com ela. Boa noite. — Harry disse e Terry acenou subindo para o seu quarto. — Dia difícil? — Ele perguntou ao se sentar na poltrona ao seu lado, Penny lhe lançou um olhar mal-humorado.

— Mais como noite difícil. — Ela respondeu. — Você me disse para ser criativa e conseguir que todas a doações que recebemos nas últimas semanas chegassem ao Sr. Edgar o mais rápido possível. Bem, eu percebi que o melhor era encolher tudo e simplesmente levar até a GER pessoalmente, mas, a única maneira de fazer isso sem ser descoberta, era deixar Hogwarts por uma passagem secreta, que eu nem sabia que existia, e aparatar até o Beco Diagonal.

— Imagino que Terry, Neville e os gêmeos Weasleys lhe ajudaram com a primeira parte. — Harry disse suavemente.

— Sim. E, não tínhamos reunido tudo ainda, quer dizer, não esperávamos a pressa, então, algumas coisas continuavam com os alunos que se prontificaram em fazer as doações. Outros disseram que seus pais ainda não tinham enviado o que eles têm em casa, o que quer dizer que ainda não conseguimos uma boa parte dos materiais doados. — Penny explicou. — De qualquer forma, tive que reunir alguns do pessoal de confiança do Covil para passar e recolher as doações que estavam em Hogwarts. Então, quando tínhamos centenas e centenas de roupas, sapatos, brinquedos, livros, maquiagem, acessórios variados e até algum material de escrita, tive que pensar em como chegar a GER.

— Você fez bem em chamar o Trevor, ele sabe sobre a ilha, mesmo que não trabalhe na GER, ainda, além de ter 17 anos e saber aparatar. — Harry disse sorrindo. — Foi muito esperta e criativa.

— Bem... — Contente com o elogio, Penny demorou para perceber que o Harry ouvira sua conversa com Percy e corou quando entendeu. — Eu fiz isso, quer dizer, não podia chamar o Percy, pois ele não sabe aparatar ou sobre o Covil, os lobisomens e a ilha. Trevor foi muito legal e nossa viagem ao Beco não demorou nada, o que tomou mais tempo foi organizar tudo, mas, Percy acha que passei horas sozinha com o Trevor.

— Hum... — Harry disse incomodado de novo e querendo perguntar porque ela namorava o Percy, mas Penny se adiantou a ele.

— Então, você vai me contar o que aconteceu? Porque era tão importante que tudo chegasse ao Sr. Edgar o mais rápido possível? — Penny perguntou cansada.

— Bem... — Harry olhou em volta e observou os estudantes nas mesas fazendo seus deveres. — Porque não subimos até a minha sala de convivência e eu te explicarei.

Penny concordou e eles subiram, felizmente, encontrando a sala de convivência do segundo ano vazia.

— Algo disso sairá nas notícias de amanhã, mas, te contarei tudo, desde o começo. — Harry disse e explicou o sequestro do Adam, a morte do auror, a fuga da matilha de Elfort e o resgate.

— Merlin... — Penny estava pálida e trêmula. — Harry... Jesus Cristo, Harry! Em quantas confusões você se mete! O perigo que correu e o pequeno...

— Ele está bem e eu nunca estive em perigo nenhum. — Harry disse. — Nossa equipe era muito boa e Greyback nunca teve uma chance. O que mostra que o que faltou ao Ministério foi competência para pegar aquele monstro, Penny, pois ele estava longe de ser muito inteligente. De qualquer forma, sua missão também foi importante, pois aposto que o Edgar conseguiu entregar algumas das roupas para os lobisomens enfrentarem essa viagem longa de ônibus até Edimburgo, sem que se sintam mal, pois não sou eu que lhes dei roupas novas. E, quando eles chegarem a ilha, o resto estará esperando por eles e pelos outros, assim que assinarmos os contratos e todos se mudarem.

— Quando isso acontecerá? — Penny perguntou mais calma.

— Em breve, ainda que tenho uma ideia em andamento que tirará a urgência ou o risco de mais prisões ou mortes, espero. — Harry disse e, ao ver o seu olhar curioso, acenou. — Amanhã, nas notícias, você saberá. Se não se importar, estou cansado e irei dormir.

— Ok. — Penny disse e suspirou ao sorrir para ele. — Obrigada por me deixar participar de tudo isso, é uma grande honra ajudar neste projeto, Harry.

— De nada, acho. — Harry deu alguns passou, depois parou e a olhou curioso. — Porque uma garota tão legal como você, namoraria um idiota como Percy Weasley?

Penny pareceu chocada com a pergunta e defensivamente, respondeu:

— Isso não lhe diz respeito, Harry Potter. — Ela disse indignada e parecia um pouco com McGonagall em sua severidade. — E, você não conhece o Percy, assim, não fale sobre o que não sabe. Ok?

— Ok. — Harry disse, mas não estava nem um pouco preocupado com suas palavras ou tom, pois podia ver seu desconforto. — Eu realmente não conheço o Percy e o pouco que sei, bem, vamos dizer que não é bom. No entanto, eu sei de duas coisas, primeiro, você é minha amiga e eu quero o melhor do melhor para meus amigos. Segundo, eu autorizei que aqueles que confiassem em alguém na escola, poderiam trazê-los ao Covil e contar sobre os lobisomens, falei até para chamá-los para participar e defender a causa. Principalmente entre as crianças com pais que trabalham na Suprema Corte e no Ministério, lembra-se?

— Sim, eu me lembro. — Penny disse suavemente. — O que isso tem a ver?

— Bem, me ocorre que você poderia contar ao Percy o que estava fazendo hoje, porque não tem nada a ver com a GER e sim, com Harry Potter. — Harry disse e a encarou nos olhos. — Mas você escolheu não contar ou trazê-lo para o projeto e, acredito que isso acontece, porque você não confia nele, Penny. Então, me confunde a razão pela qual uma Ravenclaw tão inteligente, namora um cara em quem ela não confia.

— Eu... — Penny parecia bem desconcertada e sem palavras.

Harry decidiu deixá-la sozinha com suas reflexões e foi para o seu quarto.

A noite de Barnabas Cuffe não estava sendo tão proveitosa como o esperado. Tudo mudara rapidamente ao longo do dia, como era normal no jornalismo. O que era notícia de manhã, não importava mais à tarde, ou verdades se tornavam mentiras em um piscar de olhos e vice e versa.

A reunião inesperada com o dono do Profeta e seu chefe, Sr. Conan Birdwhistle se prolongava a mais de uma hora em argumentos técnicos e planilhas de números.

— Conan. — Barnie disse com um suspiro cansado. — Eu lhe mostrei os números, nós vendemos mais exemplares quando temos uma entrevista com o Sr. Black ou seu afilhado, Harry Potter. Temos mais anunciantes e recebemos mais cartas positivas dos leitores elogiando o nosso trabalho. Também lhe mostrei como as críticas ao atual governo do Ministro Fudge vem aumentando a cada dia, e não é apenas o Profeta que tecem essas críticas. As rádios e a população em geral estão sem paciência para os desmandos de Fudge. — Barnie apontou para os papeis sobre a mesa. — Preparei todo esse relatório com antecedência, pois conheço os políticos e tinha certeza que Fudge tentaria interferir no conteúdo do Profeta.

— Muito inteligente da sua parte, Barnie e é por isso que é o meu Editor Chefe a tantos anos. — Disse o Sr. Birdwhistle, um homem muito alto e magro, de 85 anos, cabelos brancos curtos e olhos castanhos escuros inteligentes. — Nos conhecemos a mais de 30 anos, Barnie e seus argumentos financeiros são mais do que convincentes. Fudge me ofereceu qualquer coisa que eu queira e, com inteligência, poderíamos compensar qualquer queda no número de vendas de exemplares.

— Sim, mas, e o nosso prestígio? — Barnie disse duramente. — Se nos tornamos o jornal do Ministro, poderemos virar piada entre os leitores e concorrentes. Se Fudge perder a reeleição no ano que vem, o novo Ministro poderia retaliar duramente ou teríamos que rastejar na sarjeta para voltar a receber uma mísera entrevista.

— Entendo a sua preocupação, mas a imprensa influencia eleições e podemos fazer com que Fudge vença. — Sr. Birdwhistle argumentou. — Particularmente, como um membro do Partido Conservador, me interesso que o nosso candidato continue na cadeira de Ministro. E, talvez, no próximo ano, depois das reeleições, Fudge me ajudará a conseguir uma vaga na Suprema Corte.

— Compreendo as suas ambições, Conan, mas uma imprensa verdadeiramente livre não deveria influenciar eleições. — Barnie defendeu. — Devemos escrever a verdade, dos dois lados, manter a nossa ética, princípios e isso nos dará grandes histórias. Imagine se Black aparecer amanhã com um grande furo e não pudermos publicar? Ele irá para uma rádio qualquer ou para o Pasquim e perderemos o bonde, não teremos edições especiais, grandes capas, seremos apenas assessores de imprensa de Cornelius Fudge. — Barnie viu a dúvida no olhar do seu chefe e decidiu pressionar. — Vamos deixar de lado a questão política, pois eu poderia argumentar que Fudge é um péssimo Ministro e merecemos alguém melhor. E, que o senhor poderia chegar a Suprema Corte por méritos próprios, sem ficar preso a um acordo esdruxulo com alguém tão inconstante e estúpido como Fudge. Vamos apenas considerar o futuro, Conan, imagine o seguinte cenário: O Profeta se torna a assessoria particular de Fudge e perdemos todos os grandes furos ou entrevistas com Black e Potter, que são muito mais interessantes para o público do que qualquer Ministro, principalmente Fudge. — Conan acenou concordando com essa verdade absoluta. — Nos tornamos uma piada, mas não sofremos financeiramente e o senhor consegue a sua vaga na Suprema Corte. Black está começando uma luta dura contra o Ministério e quer assumir um papel mais atuante na Suprema Corte. Isso quer dizer que, mesmo se Fudge for o Ministro, estará ofuscado por Black e Potter que ganharão mais e mais poder ao longo dos anos.

— Entendo onde quer chegar. — Sr. Birdwhistle disse pensativamente. — Fudge perderá influencia mais e mais, daqui a 5 anos não será mais o Ministro e nós perderemos o nosso apoio no Ministério.

— Pior, perderemos a confiança de Black e Potter, além de qualquer de seus aliados e do público em geral. — Barnie pressionou. — Teremos que rastejar por informações, entrevistas ou declarações e poderemos não ser mais o único grande jornal do mundo mágico neste momento.

— Como assim? — Birdwhistle questionou preocupado.

— Black não está brincando, Conan, apenas uma hora em sua presença e lhe garanto que ele está determinado em realizar os seus projetos. Acredita que seria muito difícil para alguém com a fortuna Black abrir o seu próprio jornal e publicar a verdade? — Barnie expos claramente.

— Você acredita...? — Birdwhistle parecia chocado.

— Absolutamente. — Barnie disse sincero. — Talvez, ele começasse por dar entrevistas para as rádios e para o Pasquim. Depois que perdeu a esposa, Xeno ficou meio perdido, é verdade, mas, eu o conheço e sei que nunca recusaria um furo ou uma entrevista polêmica. Em pouco tempo, ou o Pasquim cresceria para competir conosco ou o Black fundaria seu próprio jornal e, então...

— Estaríamos perdidos. — Birdwhistle disse meio pálido. — Se Black e Potter decidissem criar um jornal com a qualidade que temos aqui, no Profeta, teríamos uma séria concorrência, Barnie. Perderíamos assinantes, anunciantes e... Merlin, seria um pesadelo!

— Black não quer decidir o que escrevemos, Conan, não ficaremos em suas mãos ou como seus assessores de imprensa particulares. Ele quer apenas que escrevamos os verdadeiros fatos, que demos voz aos dois lados da história e sigamos como uma imprensa livre, como deve ser em um país democrático. — Barnie disse intensamente. — O que me diz?

— Eu... você me deu muito o que pensar, Barnie. — Birdwhistle suspirou. — Quando vim até aqui, estava convencido de que favorecer Fudge era o melhor caminho para o Profeta, mas sei que você ama esse jornal tanto quando eu e seus argumentos foram extremamente válidos. Por isso, irei para casa e pensarei com muito cuidado em tudo o que me disse.

— É tudo o que posso pedir, Conan. — Barnie respondeu antes de lhes servir mais uma dose de whisky de fogo, pois queria que a reunião terminasse amigavelmente. — Amanhã teremos a resposta de Fudge com o destaque do assassinato do auror Robards pelo lobisomem assassino, Fenrir Greyback. Conseguimos uma descrição das ações que levaram a morte de Robards e a fuga de Egan e Greyback, dois marginais procurados. É uma versão oficial do gabinete do Ministro, mas, quando questionei o Departamento Auror, eles disseram que até as investigações serem concluídas, não divulgarão informações. Também conseguimos uma entrevista com Fudge, que responde duramente as críticas de Black e usa o assassinato do auror como exemplo de que as ações do Ministério contra os lobisomens estão corretas. Eu contatarei Sirius Black amanhã, espero que consigamos uma tréplica e poderíamos lançar uma edição noturna, se Black tiver mais informações polêmicas. Sinceramente, publicar os dois lados nos renderá mais vendas, anúncios e prestígio do que nos posicionarmos em apoio a qualquer um deles, Conan.

Birdwhistle bebeu o seu whisky lentamente, considerando tudo o que ouviu e, apesar das suas posições políticas, o Profeta, seu primeiro grande negócio, era sua maior paixão. Barnie era um pouco ingênuo com seu discurso sobre imprensa livre e isso não preocupava Birdwhistle, pois éticas e princípios tinham limites, em sua opinião. No entanto, a perspectiva de perder dinheiro e até mesmo o seu jornal, não poderia deixar de ser considerado com muito cuidado, pois isso seria uma tragédia.

— Continue trabalhando como sempre, Barnie, publicando os dois lados e sendo crítico com todas as partes. — Birdwhistle considerou lentamente. — Se Fudge voltar a entrar em contato comigo, lhe direi que não estamos perseguindo ou poupando ninguém em nossas reportagens e que estou considerando as vantagens da sua proposta. Vamos ver como Black responderá depois do assassinato do auror Robards e se ele continuará a defender os lobisomens.

Barnie acenou positivamente enquanto, secretamente, esperava que Black tivesse uma carta na manga.

Na manhã seguinte, bem cedo, Barnie observou entrar em sua sala a sua possível nova repórter, Emmeline Vance. E, perdeu o fôlego com sua beleza, tanto, que por alguns segundos, ficou sem reação, até que percebeu sua hesitação e se levantou para cumprimentá-la.

— Desculpe..., hum, Bom dia, Srta. Vance. — Ele disse, dando a volta na mesa e estendendo a mão direita. — Barnabas Cuffe, mas pode me chamar de Barnie, por favor. É um prazer conhecê-la.

— O prazer é meu, Sr. Cuffe. Obrigada por me receber e me dar essa oportunidade. — Vance disse cheia de ansiedade e certa timidez.

Naquela manhã, antes mesmo do sol nascer, ela trocou de roupas dúzias de vezes, pois não tinha nada que considerasse feminino ou bonito para se apresentar a essa entrevista. Por fim decidiu por uma saia preta básica, uma camisa azul com botões dourados e uma corrente de ouro como acessório, além do relógio de pulso. Seus longos e lisos cabelos negros ficaram soltos, ao em vez de presos no coque de sempre, em uma tentativa de parecer menos simples. Uma maquiagem básica para dar um pouco de vida em seu rosto de traços finos, afastar as olheiras e destacar seus olhos negros e pele cor de oliva, completava o quadro. Vance sinceramente esperava não estar simples ou exagerada demais para uma repórter, mais importante, ela queria muito causar uma boa impressão e conseguir o emprego, pois, há 2 dias, ela se demitiu do seu trabalho no Ministério da Magia.

— De nada. — Barnie respondeu levemente distraído por sua voz e olhos negros marcantes.

— Sr. Cuffe? — Vance perguntou confusa por seu silêncio e observação.

— Ah! Sim, por favor, sente-se, Srta. Vance. — Ele indicou a cadeira em frente a sua mesa e voltou a se sentar em sua própria cadeira. — Desculpe, meu dia ontem terminou mais tarde do que o normal e estou um pouco distraído. Primeiro de tudo, gostaria que me falasse um pouco sobre você, Srta. Vance, seu tempo de escola, OWLs e NEWTs. Os trabalhos que realizou desde a sua formação, disponibilidades pessoais e profissionais para se dedicar a ser uma repórter investigativa.

Vance engoliu em seco e, ainda sem sorrir, iniciou um pequeno monólogo sobre as questões apresentadas.

— Então a senhorita não tem um namorado no momento? — Barnie perguntou ao registrar a parte mais interessante da resposta.

— Não, senhor. — Vance disse e, finalmente, percebeu o olhar de admiração do editor. — Quer dizer, tive alguns relacionamentos, mas nada sério ou que me impeça de realizar um bom trabalho no Profeta Diário.

— Isso é incrível. — Barnie disse com um sorriso bobo e, pela primeira vez, Vance relaxou e sorriu timidamente, o que iluminou o seu rosto e a deixou mais bonita. — Realmente incrível...

— Sr. Cuffe, eu escrevi uma reportagem de uma dica que recebi de uma fonte, sobre as ações do Ministério junto as vítimas encontradas em cárcere privada na Travessa do Tranco. — Vance disse esperando que uma amostra do seu trabalho a ajudasse a conseguir a vaga.

— Verdade? — Barnie arregalou os olhos surpreso. — Você trouxe? Adoraria lê-lo e ver a qualidade da sua escrita.

— Aqui está, Sr. Cuffe. — Vance lhe entregou os papeis e esperou ansiosa enquanto o Sr. Cuffe lia o texto.

— Hum... bom, muito bom. — Barnie disse pensativamente quando chegou ao fim do texto. — A senhorita ganha pontos extras pela iniciativa de me trazer uma reportagem tão interessante. Precisamos trabalhar um pouco no tom da sua escrita e também preciso que tenha em mãos provas da veracidade de alguns fatos como, por exemplo, essas entrevistas oficias. Fontes e informações anônimas estão protegidas, mas, quando fizer uma entrevista oficial, como essa com a assistente social, a Sra. MacMillan, sempre registre oficialmente com uma pena incorruptível, pois, assim, você tem provas do que foi lhe dito. — Barnie a olhou com um sorriso suave. — Você não vai querer ser acusada de escrever mentiras, processada ou algo assim.

— Ok. — Disse ela ansiosa por aprender e com medo de perder a oportunidade por esse erro.

— Você escreve incrivelmente bem, tem uma veia humana e crítica interessante, mas precisamos refiná-la, pois não pode mostrar envolvimento emocional demais. A parcialidade em uma reportagem é importante, Srta. Vance ou se torna uma crônica. Compreende? — Barnie perguntou ainda com seu sorriso suave.

— Sim, senhor e estou disposta a aprender. — Vance respondeu sincera.

— Bom, agora, e quanto a legalidade das informações? Como funcionária do Ministério, creio que existe uma questão de confidencialidade. — Observou ele preocupado.

— Bem, senhor, eu reli o meu contrato e nele diz que não posso divulgar informações confidencias referentes ao meu Departamento ou a qualquer trabalho direto ou indireto em que me envolver enquanto funcionaria do Ministério. — Vance explicou corajosamente. — Eu me demiti do Ministério a dois dias e a maior parte das informações não são classificadas como confidenciais e foram obtidas com entrevistas ou relatórios públicos. Apenas a dica de que o dinheiro das vendas dos imóveis desapropriados não está chegando até as vítimas trouxas, é confidencial e veio da minha fonte.

— Mas, você tem o direito de proteger a sua fonte e essa informação é confirmada pela assistente social, assim, isso não é um problema. — Barnie disse e seu sorriso aumentou. — Gostaria que me trouxesse uma cópia desse contrato, que encaminharei para os nossos advogados. Em casos assim, é melhor deixá-los analisar cada detalhe e se prepararem judicialmente para qualquer tentativa do Ministério de deter uma publicação ou nos processar.

— Eu o trarei, com certeza. — Vance disse positiva.

— Ok. Então, vamos publicar.

— O que? — Vance arregalou os olhos surpresa e confusa.

— Exatamente o que eu disse, depois que editar um pouco o texto, nada que mude a essência da mensagem, não se preocupe, você terá a sua primeira reportagem publicada no Profeta Diário, Srta. Vance. — Barnie disse com uma formalidade alegre.

— Primeira? — Ela disse sem poder acreditar.

— Sim, e a primeira de muitas, eu espero. — Barnie se levantou e deu a volta na mesa estendendo a mão direita outra vez. — Bem-vinda ao Profeta Diário.

Chocada e estranhamente excitada, Vance se levantou e apertou sua mão firmemente.

— Eu... muito obrigada, Sr. Cuffe. Realmente.

— De nada e, agora, por favor, vamos deixar as formalidades de lado, detesto ser chamado de Sr. Cuffe. — Barnie disse sorridente. — Apenas Barnie e eu a chamarei de... Emmeline?

Uma batida na porta os interrompeu e o rosto da sua secretária apareceu pela fresta.

— Desculpe interromper, Barnie, mas o Sr. Black está aqui e diz que precisa falar com você, urgentemente. — Lyra disse com expressão embaraçada.

— Claro, deixe-o entrar, Lyra, por favor. — Barnie disse suavemente e sentindo a empolgação do jornalista crescer, pois tinha certeza que essa era a tréplica que ele esperava.

Sirius entrou e parecia abatido, mas seus olhos cinzentos estavam frios e duros.

— Barnie... — Então, ele viu Vance e sorriu suavemente. — Vance! Não imaginaria te encontrar aqui. — Sirius se aproximou para um abraço e beijo amigável que fizeram Barnie franzir o cenho involuntariamente.

— Sirius, você não me parece bem. — Ela disse ao observar sua expressão. — Algo aconteceu?

— Sim, na verdade e é por isso que estou aqui. — Sirius respondeu e olhou para Barnie ao jogar a cópia do Profeta sobre a mesa. — Quer saber a verdade do que aconteceu? Não essas mentiras e justificativas tolas?

— Com certeza. — Barnie respondeu com os olhos brilhando.

— Bem, vem comigo, então, e traga um fotógrafo de confiança. — Sirius disse determinado. — Acredito que é o momento de conhecer algumas pessoas frente e a frente, Barnie.

Barnie arregalou os olhou e depois encarou Vance.

— Você confia em... Vance? — Ele disse testando o nome e percebendo que combinava com ela.

— Sim. — Sirius respondeu simplesmente.

— Ótimo. Vance, pegue esse equipamento fotográfico, porque será a minha fotografa hoje. — Disse Barnie lhe estendendo uma maleta de couro preta.

Vance arregalou os olhos, mas, sendo sempre uma mulher de ação, pegou a maleta sem hesitar e questionar. Os três deixaram o escritório e desceram pelo elevador até o ponto de aparatação do prédio do Profeta, onde Falc os esperava.

— Anton já iniciou os trabalhos. — Falc disse simplesmente. — Vance? Que surpresa, está trabalhando no Profeta?

— Sim, desde a poucos minutos... eu acho. — Ela disse olhando para Barnie que acenou confirmando.

— Ela já está em fase de treinamento e será minha fotógrafa hoje. Para onde vamos? — O editor perguntou curioso.

— Não podemos dizer o local exato, assim, os levaremos por aparatação acompanhada. — Explicou Sirius estendendo o braço para Vance, mas, Barnie se adiantou e o pegou, deixando que Falc levasse Vance.

Eles aparataram em uma floresta em Swanage e iniciaram uma caminhada por entre as árvores.

— Se soubesse que faria uma trilha teria me vestido de acordo. — Disse Vance e, sacando a sua varinha, mudou seus sapatos por botas e sua saia por uma calça de combate que se apertou sensualmente em seu traseiro. Depois, prendeu seus cabelos longos e um coque bagunçado, o que deixou o seu pescoço fino exposto e fez Barnie arregalar os olhos, pois tinha certeza que jamais vira uma mulher tão linda.

— Mais um dia inesperado. — Falc disse em tom estranho.

— Para onde vamos e quem encontraremos, Sirius? — Barnie perguntou preocupado.

— Estamos indo até um grupo de lobisomens. — Sirius disse ignorando o olhar alarmado de Barnie, Vance nem piscou. — Esse é um grupo ancião, digamos assim, e eles aconselham ou passam informações para as outras matilhas e grupos, pois tem a confiança deles. Entende?

— Sim. — Barnie respondeu suavemente.

— Eles também confiam nos anciões para falar por eles e contar a história verdadeira do que aconteceu ontem, pois têm medo de aparecerem e serem presos. — Sirius continuou.

— Então, você sabe onde está a matilha que desapareceu ontem? — Barnie perguntou empolgado. — Todos estava falando sobre isso, como os aurores que vigiavam o acampamento não viram como todos simplesmente evaporaram, sem deixar vestígios. Fudge está usando essa fuga para convencer a todos de que os lobisomens não são vítimas inocentes como você declarou, Sirius.

— Não é a mim que você entrevistará hoje, Barnie. — Sirius disse tenso. — Não me importo com disputas tolas com o Ministro, apenas quero que a verdade seja dita sobre a matilha de Elfort. Sobre sua localização, a única coisa que importa é que eles estão seguros e não deixarão o esconderijo até terem certeza que não acabarão em Azkaban por algo que não fizeram.

— Como advogado, meu sócio e eu pretendemos defender os lobisomens, Sr. Cuffe. — Falc disse com voz de aço. — Provaremos e conseguiremos que esse disparate que Fudge pretende, uma ordem judicial de prisão direto da Suprema Corte, seja impedida ou anulada. No entanto, enquanto isso, as pessoas do nosso mundo estão lendo o Profeta e acreditando naquelas declarações mentirosas e preconceituosas.

— Trouxemos você aqui para que veja a verdade, Barnie e escreva o que vê. — Disse Sirius suavemente e, então, apontou para o acampamento simples, com algumas poucas barracas, uma fogueira e alguns bruxos de cabelos brancos, rostos enrugados, magros demais, roupas puídas e muito finas para o frio de inverno.

— Sirius! — Bridget se adiantou com um sorriso de boas-vindas, apesar de certa tensão. — Chegou na hora certa, acabamos que preparar uma sopa de coelho, Mark o caçou para nós.

— Já tomamos café, Bridget, muito obrigado. — Sirius se adiantou e apertou sua mão com carinho, enquanto os outros se aproximavam hesitante e temerosos. — Theo, Simon, Alice, pessoal. Este é o repórter de confiança que lhes falei, Barnie e sua fotógrafa e minha amiga, Vance. E, este é Falcon Boot, de quem já tinha falado antes. — Falc se adiantou para apertar as mãos de todos e Vance acenou com um sorriso tímido, Barnie seguiu o seu exemplo, mantendo uma expressão agradável apesar do choque do que via a sua frente. — Estes são, Theo e sua esposa Bridget, Alice, Mark, Simon, Fennah, Dorian, Jonas e Robert.

Feita as apresentações, o grupo se sentou em volta da fogueira com os lobisomens comendo o seu parco café da manhã e mostrando expressões aliviadas quando todos recusaram acompanhá-los, pois já tinha se alimentado.

Barnie os olhou com muita atenção, sem fingir não ver o que estava diante dos seus olhos e quando viu o olhar pesaroso e faminto do Sr. Dorian para o prato vazio, teve dificuldades em manter a compostura.

— Trouxe o Barnie aqui para que vocês contem a versão dos rapazes da Matilha do Elfort sobre a morte do auror Robards e tudo o mais que aconteceu depois disso. — Disse Sirius lentamente.

— Ok. — Theo disse e viu Barnie arrumar a pena de escrita rápida e incorruptível sobre um pergaminho grande. — Acredito que tudo começa naquela noite na Travessa do Tranco, onde Gun e Teagan tentavam se dar bem e arrumar um bom negócio para poder sustentar as suas pessoas. A comunidade lobisomem interage, mas não influenciamos ou decidimos por outros grupos ou matilhas.

— Qual a diferença entre grupos ou matilhas, Sr. Theo? — Barnie perguntou curioso e acenou fascinado com a explicação. — Entendo, então, o seu grupo se uniu e vocês trabalham juntos, mas, em uma matilha, o Alfa decide e cuida dos lobisomens.

— Exato. Normalmente, quando alguém não gosta de receber ordens de um alfa, ele prefere se unir a um grupo e viver com mais liberdade. Ao mesmo tempo, ele está mais por conta própria, ainda que tentamos nos ajudar o máximo possível. — Theo continuou. — Entre as matilhas e grupos, nós ajudamos também se podemos, mas, não é muito comum, sabe. Cada grupo e matilha se cuida ou decide por si mesmo suas ações, assim, nenhuma outra matilha ou grupo estava envolvido nas atividades de Gun e Teagan. — Theo olhou para os seus amigos. — Mesmo assim, recebemos a visita dos aurores e fomos sinceros ao dizer que não sabíamos de nada ou onde estavam esses dois rapazes. Felizmente o Sr. Robards, que nos visitou, foi muito gentil e acreditou em nós, sabe.

— É uma verdadeira pena o que aconteceu com ele, enviamos as nossas condolências a sua família. — Disse Bridget pesarosamente e todos acenaram em concordância.

— Mas os aurores não acreditaram que a matilha de Elfort não soubesse de nada. Certo? — Barnie perguntou suavemente.

— Eu aconselhei Elfort e Tennison, mesmo Blythe e McGregor, a não se importarem com isso, pois os aurores estavam fazendo os seus trabalhos. — Theo explicou apressadamente. — Quando eu era auror, também tinha que interrogar pessoas inocentes que ficavam chateadas de serem consideradas suspeitas.

— O senhor era auror? — Barnie perguntou surpreso.

— Sim, por 50 anos, lutei nas guerras contra Grindelwald e você-sabe-quem, mas, um dia, fui mordido por um lobisomem em uma missão e... perdi tudo. — Theo suspirou e deu um sorriso triste. — Perdi o meu emprego, minha casa foi confiscada e, todos que pensei que eram meus amigos, passaram a me ver como um monstro ou algo assim. — Ele abanou a mão. — Desculpe, o senhor não está aqui para ouvir sobre isso. Como eu dizia, os mais jovens aceitam os conselhos dos mais velhos, às vezes, e não se importaram que os aurores deixaram alguns dos seus homens vigiando. Então, Sirius aqui, nos enviou uma mensagem de que Greyback poderia atacar as matilhas em busca de informações sobre o paradeiro de Gun e Teagan, pois queria se vingar pelo que aconteceu na Travessa.

— Como soube disso, Sr. Black? — Barnie perguntou, ao introduzir Sirius a entrevista.

— Greyback tentou me sequestrar e me matar a dois dias. — Sirius disse suavemente. — Eu escapei por pouco e com alguns ferimentos, estive me recuperando, mas, consegui enviar a mensagem aos anciãos para que eles alertassem as matilhas e os grupos, pois Greyback me disse o que pretendia fazer depois de me matar.

— Nós avisamos e as matilhas ficaram em alerta, pois não se brinca com uma ameaça de Greyback e seu novo brinquedo, Egan. — Theo continuou. — Ontem, eles apareceram na matilha de Elfort e encurralaram um adolescente, 16 anos, queriam saber onde estavam Gun e Teagan. Ameaçaram levá-lo, torturá-lo e matá-lo se não dissesse o que sabia. O que Greyback não esperava era que haveria mais lobisomens vigiando o perímetro... — Theo, então, explicou o que aconteceu nas duas perseguições e como Robards acabou morto enquanto Greyback e Egan fugiram. — O rapazes queriam ajudar e qualquer dos dois aurores, se forem honestos e honrados como um homem da lei dever ser, dirão a verdade.

— A não ser que Fudge esteja obrigando-os a mentir sobre o que aconteceu ontem para justificar essa perseguição desumana contra os lobisomens. — Sirius disse com voz fria. — Um auror perdeu a vida cruelmente e usar isso para ganhar poder político é no mínimo antiético, além de amoral.

— Tem mais. — Theo disse lentamente e sinalizou para o Simon, que se afastou para a floresta com Mark. — Eu orientei a matilha de Elfort a se esconderem até que a verdade fosse esclarecida e conversei com outros alfas, pois sabíamos que a verdade surgiria apenas se Greyback, o verdadeiro assassino, fosse pego. Assim, nesta noite, um grupo de bravos rapazes das matilhas de Elfort, Tennison, Blythe e McGregor, montaram uma armadilha e fizeram aquilo que os aurores parecem não terem competência para fazer.

Simon e Mark voltaram carregando um corpo e Barnie se levantou chocado.

— Isso é...?

— Sim, este é Fenrir Greyback, bem morto, graças a Merlin. Os rapazes não sabiam o que fazer com o corpo, assim, trouxeram até aqui e eu chamei por Sirius. — Theo disse. — Foi quando ele teve a ideia de chamar a imprensa e contar a verdade.

Simon e Mark jogaram o corpo de Greyback no chão de maneira descuidada e Barnie empalideceu ao ver o cadáver e sua aparência animalesca. Vivo, deveria ser absolutamente assustador, pensou ele.

— Fotos, Vance, comece a tirar fotos. — Orientou Barnie ansioso por realizar o seu trabalho apesar de tudo.

— O senhor contará a verdade? — Bridget disse suavemente. — Para que não prendam mais bruxos inocentes?

— Eu contarei, com toda a certeza. — Disse Barnie gentil e sincero.

Os anciãos pareciam menos tensos depois da sua garantia e Barnie fez mais algumas perguntas a Theo e Sirius, quanto Vance tirava fotos do corpo de Greyback e do grupo de anciões.

— Vance... — Ele chamou ela de lado. — Quero que pergunte se concordam em serem entrevistados por nós, para uma reportagem com tema diferente. Você a escreverá, como fez no caso das vítimas da Travessa, quero que descubra as suas histórias, quem eram antes, o que realizaram, o que perderam. Tire fotos deles e do acampamento para mostrarmos a todos quem são e como vivem os "monstros" que Fudge e Umbridge querem perseguir impiedosamente.

— Sim, Barnie. — Disse Vance e ele sentiu seu coração disparar ao ouvi-la dizer o seu nome pela primeira vez. Merlin! Como era possível, um homem de 52 anos, se apaixonar à primeira vista!?

Sirius observou movimentos no meio das árvores e sorriu sutilmente ao ver a chegada de Moody, King, Scrimgeour e Bones.

— Bom dia! Que bom que aceitaram o meu convite. — Ele exclamou animado e percebeu suas expressões desconcertadas ao identificarem a presença da imprensa. Esse pequeno toque foi ideia dele, o que Sirius acreditava, complementaria a ideia do Harry com perfeição. — Como lhes prometi, ali está Greyback e espero que entreguem a recompensa oferecida por sua captura, vivo ou morto. Acho que eram 2 mil galeões, não eram?

— Passou para 3 mil depois do que aconteceu na Travessa e para 5 mil depois de ontem. — Bones informou suavemente. — Quem o matou?

— Os mesmos que são acusados pelo Ministro Fudge de ajudarem em sua fuga e na de Egan, além de serem cumplices na morte do auror Robards. — Sirius disse e apontou para o grupo de lobisomens. — Alguns rapazes das matilhas se uniram e montaram uma armadilha para Greyback, pois sabiam que apenas a sua captura poderia deixá-los a salvo da perseguição do Ministério. Eles não confiam nos aurores, então, pediram aos anciãos para entregarem o corpo e contar a verdade ao público, por isso, chamamos a imprensa também.

— Isso tudo me parece muito mal explicado, Black. — Disse Moody com um dos olhos em Sirius e o mágico no cadáver de Greyback.

— Talvez, eu possa lhe explicar, Alastor. — Theo disse e Moody arregalou os olhos em choque ao identificar a voz e ligá-la ao rosto envelhecido de seu antigo mentor.

— Senhor... — Moody se aproximou imediatamente e estendeu a mão respeitosamente. — Lamento, senhor, eu não o reconheci. Um prazer revê-lo, senhor.

— Pare com essas formalidades, Alastor, não sou mais o seu treinador e também não sou mais o mesmo, assim, é compreensível que não tenha me reconhecido. — Theo falou e lhe apertou a mão firmemente.

Moody ficou chocado ao ver como o seu antigo treinador e mentor estava diferente. Eles se viram duas vezes logo depois que Theo foi mordido e, apesar de velho, o antigo auror era robusto, forte, musculoso e alto. Agora, Theo parecia mais encolhido, magro demais, sem músculos sob a pele ressecada e seu rosto estava mais enrugado do que se esperaria de um bruxo de 80 anos.

— Moody? — Madame Bones questionou confusa.

— Madame Bones, este é o meu antigo mentor, auror Theo Goldman, ele foi meu instrutor na academia e meu primeiro parceiro. — Moody disse com orgulho. — Tudo o que sei, aprendi com ele, Madame.

— Bobagem, Alastor. — Theo disse levemente corado. — Você se destacou no treinamento desde o primeiro dia e foi por esses méritos que escolhi tê-lo como meu parceiro quando se formou na academia. Eu aprendi muito e saí ganhando em nossa parceria, posso lhe garantir.

— É uma honra conhecê-lo, senhor. — Madame Bones estendeu a mão sem hesitar. — Eu sou advogada e não auror, mas não cheguei a Chefe do Departamento de Leis sem ouvir falar de Theo Goldman.

— A honra é minha, Madame Bones. Soube que tem feito um grande trabalho como Chefe e espero que continue, senhora. — Theo apertou sua mão educadamente. — King, a última vez que te vi, você ainda era um auror júnior, mas vejo que estava certo quando lhe disse que chegaria longe.

— Prazer em revê-lo, senhor e obrigado pelos conselhos. — King disse respeitosamente ao apertar sua mão.

— Rufus. — Theo cumprimentou formalmente com um movimento de cabeça e sem estender a mão.

— Theo. — Scrimgeour devolveu o cumprimento formal com uma expressão neutra.

— Deixe-me lhe apresentar o meu grupo e amigos. — Theo fez as apresentações e Moody mostrou surpresa ao saber que seu antigo mentor se casara.

— Pois é, encontrei o amor depois da velhice e acampado por essas florestas. — Ele disse com um sorriso suave e apertando a mão de Bridget com carinho.

— Parabéns, senhor. — Moody disse com seu sorriso que parecia uma careta. — Bem, o senhor foi responsável pela morte de Greyback?

— Não diretamente, Alastor, estou um pouco velho para a ação, infelizmente, mas ajudei os rapazes a montar uma armadilha para pegá-lo. — Theo, então, contou toda a história inventada mais uma vez. — Espero que ao entregarmos esse facínora, o Departamento compreenda que os rapazes de Elfort não tiveram cumplicidade com a morte do auror Robards e que cessem a perseguição.

— Nós já sabíamos disso, senhor. — Moody disse indiferente ao fato de Barnie escrever cada palavra que diziam. — O outro auror presente na ação testemunhou os fatos e sabemos que o único responsável pela morte de Robards foi Fenrir Greyback.

— Mas... as notícias... — Theo olhou para Barnie e, depois, para Madame Bones.

— Nós recebemos do próprio Ministro Fudge a informação de que um pedido foi feito junto a Suprema Corte, solicitando a prisão da matilha de Elfort por cumplicidade no assassinato do auror Gawain Robards. — Disse Barnie formalmente. — Tentamos contato com o seu Departamento ontem, Madame Bones, mas apenas recebemos uma declaração de não divulgação. O Departamento de Leis tem algo diferente a declarar hoje?

— As investigações sobre a morte trágica do auror Robards ainda estão em andamento, Sr. Cuffe e, ontem, sabíamos quase nada, além de estarmos vivendo o choque que foi a trágica morte de um colega. — Madame Bones declarou educadamente. — Informações iniciais colhidas na hora do fato, nos leva a crer que os lobisomens da matilha de Elfort, envolvidos na ação, buscavam a captura do lobisomem assassino, Fenrir Greyback. Eles não colaboraram ou favoreceram de maneira alguma para o assassinato do auror Robards, cometido por Greyback.

— E sobre a fuga de Egan? Nossas informações eram de que o auror que o perseguia, acusou os lobisomens de facilitar a sua fuga. — Barnie pressionou.

— O auror em questão, que perseguia Todd Egan, cometeu um erro ao avaliar a situação e permitiu que o cúmplice de Greyback tivesse a chance de fugir quando as alas anti aparatação caíram. Foi um erro involuntário, pois ele não tinha como saber que, em outro ponto da floresta, Greyback mataria o auror Robards, colapsando assim as alas e permitindo a aparatação de Todd Egan. — Moody disse com uma careta severa. — O auror em questão sofrerá algumas sanções disciplinares e isso é tudo o que falaremos sobre isso.

— E, sobre a ordem judicial que o Ministro Fudge pediu a Suprema Corte? — Barnie perguntou ansioso, como um tubarão, por mais sangue no mar.

— O Ministro Fudge ou qualquer um que ocupe o cargo, não tem autorização para mandar prender ninguém, Sr. Cuffe. — Madame Bones disse e olhou para Sirius. — Algo que Bagnold esqueceu a 11 anos, infelizmente. Prisões, investigações criminais, julgamentos e tudo referente ao cumprimento das nossas leis, concerne ao Departamento de Leis, ao qual, eu tenho muita honra em comandar.

— A senhora não respondeu a minha pergunta. — Pressionou Barnie educadamente.

— O pedido de prisão da matilha de Elfort, feita pelo Ministro, foi negada por meu Departamento, pois ainda estávamos investigando os fatos, Sr. Cuffe. — Disse Madame Bones objetivamente.

— Um pedido completamente arbitrário e ilegal, pois não era toda a matilha de Elfort que estava envolvida na ação que resultou na fuga de Greyback e Egan, muito menos no assassinato do auror Robards. — Disse Falc em seu melhor tom de advogado. — E, como a senhora disse, não cabe ao Ministro mandar prender ou soltar ninguém, Madame Bones.

— Ministro Fudge disse temer que a matilha fugisse antes que esclarecêssemos os fatos, Sr. Boot e, com minha recusa, decidiu pedir uma ordem judicial de prisão diretamente a Suprema Corte. — Madame Bones disse tentando pisar com cuidado em toda a grande bagunça que Fudge fez com suas declarações e ações. — Nesta manhã, o Bruxo Chefe da Suprema Corte, Albus Dumbledore, recusou a solicitação do Ministro Fudge para enviar o pedido de prisão para a votação urgente dos membros da Corte. Como lhes informamos, a investigação inicial e ainda não concluída, não sugere a culpa de nenhum membro da matilha de Elfort na trágica morte do auror Robards. O Chefe Dumbledore solicitou nossas averiguações e, ao ouvir os fatos, decidiu por recusar o pedido do Ministro Fudge.

— Vocês entregarem o corpo do Greyback apenas cimenta o caso e, assim que concluirmos o inquérito, vocês serão avisados. — King disse com sua voz serena e profunda. — Então, poderão avisar a matilha de Elfort que eles podem sair do esconderijo. E, quando isso acontecer, por favor, estenda as nossas desculpas por todo esse transtorno.

— As suas desculpas ou a do Departamento Auror? — Theo perguntou com um olhar afiado para Scrimgeour. — Ainda não ouvi você dizendo nada sobre toda essa bagunça, Rufus.

— Não há nada a dizer, Theo, principalmente quando entramos direto em uma armadilha com a imprensa presente. — Rufus disse diplomaticamente. — Eu reforço as afirmações da Madame Bones e dos meus aurores, não tenho nada mais a declarar.

— Sempre político. — Theo disse com certo desprezo, depois tossiu fortemente e empalideceu.

— Senhor... — Moody ficou preocupado ao ver sua situação.

— Estou bem, estou bem. — Theo disse com voz rouca e se esforçando para se endireitar. — Apenas um pouco velho, sabe, e peguei um resfriado forte nesse último inverno, mas, estou bem.

— Madame Bones, o que a senhora tem a declarar sobre a maneira como foi tratado um auror que serviu o Departamento por 50 anos, ao ser mordido por um lobisomem em uma missão oficial? — Vance disparou corajosamente. — Theo Goldman foi despedido e teve sua casa confiscada pelo Ministério, proibido de conseguir outro trabalho e obrigado a viver precariamente em uma barraca na floresta.

— Eu... — Madame Bones ficou desconcertada com a pergunta e também pela identidade da interlocutora. — Srta. Vance, o que faz aqui?

— Não trabalho mais para o Ministério, Madame, agora sou uma repórter do Profeta Diário. — Disse Vance educadamente e tentando não se intimidar por seu olhar severo. — E, quanto a minha pergunta, Madame?

— Nós, do Departamento de Leis Mágicas não criamos as leis, Srta. Vance, apenas a aplicamos com toda a nossa capacidade. — Madame Bones disse serenamente. — Cumprimos com o nosso trabalho, mas não podemos opinar sobre as leis estabelecidas pela Suprema Corte.

— E, qual a sua opinião pessoal, Madame Bones? — Vance persistiu e ganhou um brilho de aprovação de Barnie.

— Qualquer bruxa ou bruxo com um coração não veria com bons olhos algo assim, Srta. Vance. — Madame Bones disse friamente. — Um auror veterano, que serviu o Ministério e a população mágica com tanta dedicação, merecia muito mais do que recebeu o Sr. Goldman.

— Então, a senhora é contra as leis Anti- Lobisomem? — Perguntou Vance, mesmo sabendo que estava ultrapassando a linha invisível.

— Acredito que já respondi a isso, Srta. Vance e agora, não tenho mais nada a declarar. — Bones disse em tom definitivo. — Sr. Goldman, organizarei um momento para que receba a sua recompensa pela captura de Fenrir Greyback o quanto antes. Aguarde meu contato. Bom dia a todos.

— Obrigado, Madame Bones e bom dia. — Respondeu Theo chocado.

— Moody, cuide do transporte do corpo de Greyback. — Scrimgeour ordenou e, sem despedidas, virou-se e seguiu a Madame Bones.

Todos ficaram em silêncio por alguns segundos observando-os desaparecer em meio as árvores, até que...

— Ganhamos 5 mil galeões? — Theo perguntou sem fôlego, depois, olhou para os amigos que tinham expressões incrédulas. — Ganhamos 5 mil galeões!

Houve abraços e comemorações chocadas, mas alegres por todos os lados, até Vance e Barnie comemoraram discretamente. Enquanto isso, Moody enviou o corpo de Greyback, magicamente, para o Ministério e respondeu mais algumas perguntas de Vance sobre sua relação profissional com Theo. Barnie também fez mais algumas averiguações com King antes que os dois aurores se despedissem e partissem.

— Gostaria muito de manter contato, senhor. — Moody disse a Theo. — Naquela época, eu estava envolvido com a guerra e, quando tudo acabou, não sabia ao menos se o senhor estava vivo.

— Eu... — Theo parecia desconcertado e emocionado. — Claro, escreva e podemos tomar uma bebida em algum momento, Alastor.

Depois que os aurores partiram, Barnie também voltou para o Profeta para iniciar sua reportagem especial, o que garantiria uma edição noturna do jornal.

— Vance... — Ele disse suavemente. — Você esteve brilhante! Termine a sua reportagem sobre as histórias dos anciões e a publicaremos hoje na edição noturna junto com a verdade sobre a morte do auror, a morte de Greyback, o fiasco de Fudge, a recusa da Suprema Corte em atender o seu pedido e a história das vítimas trouxas. — Barnie tinha um sorriso de tubarão. — Será uma marretada em Fudge e seu governo.

— Ok. — Vance disse sentindo a animação borbulhar ao ouvir o seu elogio. — Depois que terminar, volto ao jornal e escrevo a matéria ou o senhor quer que eu faça mais alguma coisa?

— Primeiro, escreva a matéria. — Barnie a orientou. — Depois, se der tempo e você tiver algum contato no Ministério, tente alguma informação sobre a reação de Fudge a negativa de Dumbledore. Eu perguntarei oficialmente, mas, duvido que ele dê alguma declaração, o Ministro só fala quando está por cima.

Ela concordou e, enquanto Barnie partia, Vance voltou as suas entrevistas, sentindo-se mais viva nessas últimas horas, do que na última década.

— Sirius. — Theo o chamou de lado, Falc os acompanhou. — Eu comemorei a recompensa, mas, sabemos que o dinheiro não é nosso e entregaremos...

— Deixe de tolice, Theo. — Falc respondeu firme. — Não queremos o dinheiro ou precisamos dele, nossa recompensa é ter meu filho... — Sua voz se perdeu na emoção. — Meu Adam está vivo e seguro em casa, Theo e o dinheiro deveria ser de todos vocês, que sofreram tanto por causa de Greyback e do Ministério.

— Ele está certo, Theo, assim, nem pense em recusar a recompensa e reflita sobre tudo o que podem fazer para beneficiar a comunidade lobisomem com todos esses galeões. — Sirius disse sorrindo.

— Obrigado, os dois. E, estamos muito felizes e aliviados que o seu menino esteja a salvo, Sr. Boot. — Theo disse emocionado. — Se conseguirmos ir para a ilha, esse dinheiro poderá nos alimentar e vestir por alguns anos. Serão alguns invernos gordos, com certeza.

— Vamos acertar tudo para que esse último inverno seja o último magro, Theo. — Sirius disse determinado. — Quando Elfort e sua matilha chegarem a Edimburgo, provavelmente, toda a investigação estará finalizada e eles não precisarão se esconder urgentemente na ilha. Então, marcaremos a nossa próxima reunião com o Harry e, quem sabe, conseguimos chegar a um acordo com todos, Theo.

— Isso seria incrível, Sirius, realmente, incrível. — Ele disse emocionado.

Sirius e Falc deixaram o acampamento caminhando pela floresta sem pressa.

— Isso foi muito bom. — Falc disse suavemente. — Harry teve a ideia de chamar a imprensa, contar a verdade, sem mencionar o sequestro, e mostrar o corpo de Greyback. Você teve a ideia de chamar Bones e os outros, conseguir uma garantia pública de que os lobisomens estão seguros e que a recompensa seja entregue a eles.

— Bom, mas não perfeito. — Sirius disse suavemente. — Adam não está falando por causa do trauma do que passou com Greyback, segundo o Martin. Egan ainda está livre e os aurores continuam procurando Gun, Teagan e suas pessoas. E, eu tirei você da sua família, quando sei que quer ficar com eles hoje.

— Apenas por algumas horas. — Falc olhou para o relógio. — É tão cedo que posso pegar as crianças dormindo ainda. Anton concordou em assumir a defesa dos lobisomens presos, essa era a ação mais urgente e está sendo cuidada por alguém competente. Posso passar uns dias tranquilos com minha família e, depois... — Falc parou de andar e encarou Sirius. — Acredito que você estava certo sobre contratarmos ajuda para a parte administrativa e burocrática que é gerenciar a fortuna Potter, principalmente com o Harry tendo ideias e mais ideias.

— E, uma guerra no horizonte. — Sirius disse pensativo. — Precisamos nos preparar e isso inclui melhorar a segurança do Chalé e da Abadia. Precisamos de um local para reuniões, onde possamos trazer pessoas que não são da família e temos que começar a organizar locais seguros, planos de fuga.

— Ei. — Falc disse batendo em seu ombro amigavelmente. — Não se pressione demais, ok? Vamos trabalhar em tudo isso, uma coisa de cada vez, agora, temos que conseguir um competente e honesto administrador.

— Ok. Falarei com o Edgar sobre isso. — Sirius disse tentando ser positivo. — Nos vemos mais tarde.

— Combinado. — Falc respondeu, antes de aparatar no Chalé e encontrar sua família, ainda de pijamas, tomando o café da manhã. — Bom dia, Boots! E, Madakis! — Ele disse sorridente, sentindo uma imensa alegria quando todos responderam e Adam correu para lhe dar um abraço.

No escritório de Barnie Cuffe no Profeta Diário, ele olhou para o seu chefe, Conan Birdwhistle, em grande expectativa.

— Então? O que eu lhe disse? — Barnie perguntou empolgado, depois de mostrar o furo de reportagem que conseguira naquela manhã.

— Você está certo, Barnie. — Birdwhistle disse com um sorriso de turbarão. — Isso merece uma edição especial e não podemos escrever apenas o que Fudge quer. Deixe-os lutar e se estraçalhar, nós publicaremos os fatos e os cadáveres.

Naquela noite, todos os bruxos assinantes do Profeta Diário, receberam uma cópia da edição especial noturna. Na capa, a foto de noves idosos, magros, famintos, doentes, olhos tristes, cabelos brancos, sorrisos bondosos, que viviam em um acampamento simples na floresta e comiam sopa de coelho caçado. O título da reportagem da nova jornalista, Emmeline Vance, era: "MONSTROS? "