Notas do Autor

Olá, pessoal! Sei que estão esperando esse capítulo a mais de 2 semanas e estão ansiosos, mas espero que valha a pena a espera! Esse é o capítulo recorde absoluto! São 45 mil palavras! Vcs leram certo! 45! E, acho que isso compensa o atraso, certo? kkk
Bem, esse capítulo fluiu incrivelmente bem, nem parecia que estava ficando tão longo e eu não conseguia chegar aos seu fim. Vcs sabem que gosto de inicio, meio e fim, assim, decidi continuar até encontrá-lo e não o dividir em dois depois. Quando lerem, vcs perceberão isso, pois não parece que ele é tão longo! Me contem! Adoro suas revisões e estou com sdds delas.
Por falar nisso, obrigada por todas as lindas revisões! E, queria a opinião de vcs, leitores sobre uma questão levantada por dois revisores queridos. Eles querem que eu divida a fic, Harry, O Ravenclaw, em ano 1, 2, 3, 4... e assim por diante e publique separadamente. Seus argumentos são de que, desta maneira,as pessoas que encontrarem a história não se sentirão intimidadas ou assutadas pela enorme quantidade de palavras e capítulos. Eu tenho os meu próprios pensamentos, mas quero ouvi-los, afinal, serão vcs que companharão e viverão as mudanças. Assim, peço que, mesmo os que não revisem normalmente, me digam o que preferem. Depois de ouvir a maioria, posso decidir melhor qual o caminho escolher.
Se cuidem! Até mais, Tania

Capítulo 77

A primeira noite de Adam depois do sequestro foi de grande alegria e alívio. Temendo um pesadelo e querendo que ele descansasse muito bem depois do sofrimento e exaustão física que vivenciou, Serafina lhe deu uma dose suave de poção do sono sem sonhos.

Pela manhã, toda a família estava presente, com exceção de Harry, Terry e Sirius. Os filhos de Martin e Elizabeth, além do garotinho de Miriam e Chester, foram buscados em Londres e cercaram o primo de amor, abraços e beijos, além de muitas brincadeiras e risos.

Apesar de feliz, Adam teve momentos de reflexão e distração, às vezes, seu olhar se tornava distante ou triste, assombrado por uma lembrança que não queria compartilhar, mesmo se pudesse. Ele não queria falar do filhotinho para ninguém ou pensar em como o pequeno morreu, mas, também não queria esquecê-lo e sua mente ficou confusa sobre isso.

Adam passou uma hora com seu tio Martin, conversando sobre o que ele quisesse, além de desenhar, pintar e escrever. Adam não entendia que tipo de conversa era essa, já que ele não tinha mais voz, mas achou divertido. Não ter voz era muito frustrante, mas, em alguns momentos do dia, Adam pensou que não era tão ruim, pois ele não queria responder algumas perguntas difíceis. Seus pais queriam saber o que aconteceu durante o tempo em que o homem mal o levou para longe. Adam apenas deu de ombros e escreveu no papel que não aconteceu nada ruim, pois o homem mau foi embora e, então, ele não estava mais sozinho ou com medo, pois Galon apareceu, depois, Harry chegou e Remus o levou para casa. Ainda assim, seus pais sussurraram preocupados com seu tio Martin e Adam entendeu que o seu tio lhes disse para serem pacientes, pois ele, Adam, não estava pronto para falar.

Ele, Adam, decidiu ignorar isso e fingir que não entendeu o que eles queriam, pois ele não queria contar sobre o filhotinho. Ainda assim, Adam gostou de desenhar com seu tio Martin e gostou ainda mais que ele não ficou lhe enchendo de perguntas e mais perguntas. Seu tio Martin disse que eles se encontrariam 2 vezes por semana para conversarem sobre o que ele quisesse e Adam achou isso legal.

Então, naquela noite, sua família estendida voltou para suas casas e apenas vovô Bunmi e vovó Shawanna decidiram ficar por mais alguns dias. Adam foi para a cama com muitos beijos, abraços de boa noite e sua mãe lhe contou uma história. Cansado, depois de um dia de brincadeiras com os primos, Adam dormiu rapidamente e sem poções desta vez. Por isso, Serafina e Falc não se surpreenderam quando acordaram no meio da noite com gritos altos e aterrorizados que ecoaram pelo Chalé, enchendo de terror a todos.

— AHHHHHHH! — Adam, preso em seu pesadelo gritou, ao ver o homem mal machucando o seu priminho, Chester Jr. O garotinho estava sem a cabeça e o homem mal lhe oferecia uma mordida antes dele mesmo morder o bracinho pequeno e arrancar um pedaço. — AHHHHHHH! AHHHHHH! — O berros se tornaram mais altos, sem palavras, apenas o terror paralisante da visão terrível.

— Adam! Acorde! Filho! Por favor! Acorde! — As palavras vieram de longe e, finalmente o alcançaram, lhe tirando do pesadelo.

Adam se debatia de um lado para o outro e seu pai o segurava para não se machucar e falava com ele para que o reconhecesse.

— Tudo bem, é só um pesadelo, Adam. Papai está aqui...

Acordado, Adam olhou em volta sentindo um imenso alívio ao perceber que não estava amarrado na árvore, naquela clareira fria. Ele estava em casa e seu pai o abraçava, sua mãe segurava e beijava suas mãos e sussurrava que estava tudo bem. Ayana também estava no quarto, chorando baixinho e muito pálida, sua avó a abraçava pelos ombros e seu avô Bunmi apertava as duas mãos, como se fizesse uma prece.

Então, ele se lembrou do sonho horrível e tentou falar, mas, sua voz ainda estava sumida. Aflito, Adam agitou as mãos freneticamente, no entanto, seus pais o entenderam apenas quando ele escreveu no papel e insistiu em ir ver se Chester Jr. estava bem. Assim, Ayana ficou com os avós e Adam, Serafina e Falc, aparataram as três da manhã na mansão de Miriam e Chester em Londres e os acordaram, para que assim, Adam visse o priminho dormindo tranquilo, seguro e inteiro.

Enquanto os pais adultos tomavam um chocolate quente e conversavam em sussurros, Adam se aconchegou ao lado de Chester Jr. e dormiu sem mais pesadelos.

O dia seguinte foi mais silencioso, sem as visitas, e mais sombrio depois da noite difícil. Adam, mesmo se pudesse falar, provavelmente não o faria e seus pais os cercaram por todos os lados, super amorosos e protetores. Seus avós tentavam manter o clima mais leve, sua avó lhes fez seu café da manhã favorito e, no fim da tarde, eles assaram cookies. Seu avô Bunmi o distraiu com histórias e seu avô Boot com uma partida de xadrez. As distrações eram bem-vindas e Adam se esforçou para não pensar no pesadelo.

Ayana era a mais perdida sobre o que fazer com essa nova dinâmica em sua casa. Tudo era tão diferente, primeiro sua avó Honora falecera e, então, seu pai nunca estava em casa, seu avô Boot parecia sempre triste e sua mãe impaciente. Depois, alguém sequestrou o seu irmãozinho, que ele foi resgatado e estava em casa agora, mas o Adam não era o mesmo Adam de antes e Ayana não sabia o que fazer com esse novo Adam.

Naquela noite, antes do jantar, Ayana foi até o seu quarto, Adam estava se vestindo depois do banho e seus cabelos cacheados ainda estavam úmidos e bagunçados.

— Mamãe pediu para lhe dizer que o jantar fica pronto em 15 minutos. — Ela disse suavemente. Adam acenou e gesticulou para o cabelo, antes de vestir a camiseta. — Você pode falar comigo, sabe.

Adam parou de andar na direção do pente e a encarou confuso.

— Eu não sei porque não quer falar com o papai e a mamãe, mas você pode falar comigo, eu guardo o seu segredo. — Disse ela e seus olhos se encheram de lágrimas quando Adam gesticulou negativamente com a cabeça, apontou para a garganta e tentou falar, mas não tinha som. — Eu não entendo! Você não está doente! Porque não pode falar?

Adam deu de ombros e moveu a mão como se dissesse, "não tenho ideia".

— Você está zangado comigo, não está? — Ayana falou e passou as costas da mão pelo rosto e nariz, que estavam úmidos pelo choro. — Eu sei que está... — Adam se aproximou confuso e segurou sua mão, apertou e acenou negativamente. — Então, fala! Se não está zangado comigo, fala, Adam! — Ela segurou o seu ombro e o chacoalhou levemente. — Você tem que falar, tem que ficar bem! E não pode ir embora! Eu não quero te perder também!

Adam não sabia o que fazer, assim, apenas a abraçou encostando o rosto em seu peito, pois ela era mais alta que ele. Então, ele ouviu um soluço e se afastou, ficando perdido ao vê-la chorar fortemente.

— Foi minha culpa! Você me disse do aviso das árvores e eu não te escutei! Desculpa! Me desculpa ter sido má com você! Não me odeie, Adam!

Adam tinha os olhos arregalados e percebeu que tinha que ajudá-la como o Terry fazia, assim, ele se sentou no tapete e a levou junto. Suavemente, Adam a abraçou, desta vez, seu rosto ficou contra o seu peito, seus braços em volta dos seus ombros e ele lhe deu alguns tapinhas carinhosos enquanto ela soluçava desesperadamente. Adam nunca tinha consolado ou cuidado de alguém antes, pois como o caçula, sempre era quem era abraçado para se sentir melhor, assim, ele esperava estar fazendo certo. Ao mesmo tempo, Adam lamentou não poder falar para ela o que pensava e sentia, mas decidiu tentar, mesmo sem palavras. Quando Ayana parou de chorar e se afastou, Adam tocou em seu braço e a fez olhá-lo, enquanto começava a gesticular devagar sem perder o contato visual.

— Você não está zangado comigo... — Ayana entendeu e falou em voz alta. — Eu não sou má, apenas... mal-humorada... O homem que te levou era mal e eu não sou como ele... Você me ama... — Ela arregalou os olhos por ter conseguido entender tudo e, tocando o próprio coração, apontou para o irmão. — Eu também te amo e prometo sempre te ouvir... mesmo sem palavras.

Adam sorriu docemente e os dois se abraçaram bem forte antes de descerem para o jantar de mãos dadas.

Infelizmente, as noites no Chalé Boot não se tornaram mais tranquilas nos dias seguintes. Os pesadelos e gritos aterrorizados de Adam se repetiram todas as madrugadas, tornando o ambiente cada vez mais opressivo e angustiante. Apesar dos gritos revelarem que as cordas vocais de Adam estavam saudáveis e que a mudez era psicológica, ninguém se sentiu consolado por essa constatação. Os adultos não dormiam de preocupação e, mesmo Adam, começou a apresentar olheiras e bocejar muito durante o dia, além de ir dormir sempre com medo do que veria em seus pesadelos. Depois da primeira noite, ele não precisou mais verificar a pessoa ferida pelo homem mau, mas ainda o apavorava pensar que alguém que amava poderia ser machucado. O quarto de Ayana foi protegido magicamente, assim, ela era a única que conseguia dormir, apesar de saber que os pesadelos do irmão não tinham diminuído.

Martin e Alice, que voltou a ser consultada, declinaram da ideia do uso de remédios ou poções para dormir. A curandeira disse que poderia provocar vicio ou outros problemas no desenvolvimento físico do Adam e Martin disse que isso apenas embotaria sua mente e não o deixaria lidar com o trauma que o aterrorizava. Serafina e Falc concordaram, mais se angustiavam em pensar com o que o inconsciente do menino estava lidando, que o fazia acordar com gritos tão aterrorizados.

No domingo de madrugada, Adam despertou de repente, se sentindo estranho. Não foi um pesadelo que o acordou e sim o frio em sua cama molhada. Confuso, ele se sentou e percebeu que fizera xixi na cama toda. Vermelho de vergonha e muito confuso, Adam se levantou, se banhou e vestiu um novo pijama sozinho. Depois, olhou para os lençóis molhados que não sabia trocar e franziu o rosto de sono. Não queria chamar ninguém, teria vergonha se seu pai e Ayana vissem que ele fez xixi feito um bebê. Assim, Adam decidiu ir dormir com alguém que não o questionaria sobre nada.

Kalil tinha sua cama no solário do Chalé e abanou o rabo quando o viu aparecer com sua vela acesa. Com medo de dormir no escuro, Adam pediu a sua mãe que sempre a deixasse acesa, felizmente, pensou ele, ao colocá-la sobre uma mesinha. Além da vela, Adam arrastava um cobertor que não se molhara, ele subiu na cama do Kalil, e se deitou ao seu lado o abraçando e os cobrindo com a coberta peluda.

Kalil lambeu o seu rosto como fez Galon há alguns dias e Adam sorriu ao se aconchegar mais perto do Golden Retriever peludo. Em segundos, ele estava dormindo... sem pesadelos.

Serafina acordou com o brilho do sol entrando pela janela, fato que a surpreendeu. Primeiro, porque os últimos dias tinham sido nublados e chuvosos, sem sol para espantar o frio do começo de março. Segundo, porque seu sono não foi interrompido de madrugada pelos gritos de Adam, como aconteceu nas ultimas noites. Assim que esse pensamento se tornou coerente, Serafina pulou da cama e correu para o quarto do filho.

— Adam! — Ela gritou preocupada, o que imediatamente acordou o Falc, que se levantou, pegou a varinha e a seguiu. — Adam. — Serafina entrou no quarto e sentiu o coração se acelerar de pânico ao encontrá-lo vazio. — Não! Adam! Falc!

— Estou aqui. — Falc disse sério e pálido. — Já amanheceu, ele deve ter descido...

— A cama está fria e... molhada. — Confusa, Serafina afastou a coberta e percebeu a mancha distinta. — Ele fez xixi durante o sono...

— O que? Adam nunca fez isso antes. — Falc disse preocupado e, olhando o banheiro, encontrou seu pijama molhado no chão.

— Não é incomum isso acontecer depois que uma criança vivencia um trauma. Poderia ocorrer até durante o dia, se algo lhe lembrar do que vivenciou. — Serafina disse. — Porque ele não me chamou ou foi dormir na nossa cama?

— Talvez tenha ficado envergonhado. — Disse Falc deixando o quarto e verificando os outros quartos do andar, mas, apenas Ayana dormia em sua cama. — Acredita que teve outro pesadelo?

— Talvez tenha feito xixi antes... ele pode estar com os meus pais. — Serafina subiu para o terceiro andar, mas, seus pais madrugadores já tinham se levantado.

Assim, ela desceu e sinalizou negativamente para o Falc e eles desceram para o primeiro andar. Serafina seguiu para a cozinha, onde o cheiro de café, barulho de conversa e panelas era bem distinto.

— Adam está com vocês? — Ela perguntou ainda da entrada e viu seus sorrisos morrerem na mesma hora.

— Não. Achamos que estivesse dormindo em seu quarto. — A Sra. Madaki disse preocupada. — Estávamos comemorando que ele não teve um pesadelo essa noite...

— Aqui! — A voz abafada de Falc os alcançou e os três seguiram até o solário, onde encontraram o Adam abraçado ao Kalil e dormindo profundamente. O cachorro levantou a cabeça, sorriu com a língua de fora, abanou o rabo, mas não se moveu, apenas apoio seu focinho contra os cabelos de Adam e lhe fez um cafuné.

— Graças a Deus. — Disse a Sra. Madaki em tom de prece.

Os quatro voltaram para a cozinha e se sentaram para tomarem o café da manhã, decidindo deixá-lo dormir até acordar naturalmente.

— Ele fez xixi na cama, deve ter ficado com vergonha e decidiu dormir com o Kalil. — Serafina disse pensativa.

— Acho que é mais que isso, filha. — Prof. Bunmi disse com um sorriso suave. — Acredito que vocês encontraram o que o ajudará com os pesadelos, além da terapia, muito amor e o tempo, claro.

Isso surpreendeu Falc e Serafina, mas a ideia de a presença do Kalil espantar os pesadelos era muito bem-vinda. Naquela tarde, depois do almoço de família, onde todos os Madakis estavam presentes, além do Sr. Boot e Sirius, Martin foi perguntado sobre a possibilidade de deixarem o Kalil dormir no quarto do Adam.

— Acredito que é uma excelente ideia. — Martin disse suavemente. — Os cães já são treinados para situações de emergência, resgate, guias para cegos e portadores de epilepsia. Além disso, Adam formou uma conexão muito forte com o seu animal espiritual, Galon, todos os desenhos que fez em nossa sessão tinha o cão. Não seria impossível, dado o seu amor por Kalil, que Adam transfira a segurança que encontrou com o Galon, para o seu cachorro de infância.

— Deixaremos o Kalil dormir com o Adam em seu quarto, então. — Serafina disse. — Acredita que seja saudável ele precisar do cachorro para se sentir seguro?

— Sim e não. — Martin disse sincero. — A curto prazo e dada a urgência do trauma, me parece algo positivo, assim o Adam encontra a confiança que precisa para dormir, interagir e se comunicar conosco. A terapia fará o resto com o tempo, além do apoio familiar. No entanto, a longo prazo, não seria aconselhável que Adam continue a sentir a necessidade da presença do Kalil ou que não consiga sair e caminhar pela floresta sem ele ou sozinho.

—Preferimos que ele não caminhe sozinho na floresta, Martin. — Disse Serafina tensa.

— O que mostra que o Adam não é o único que precisa se curar, Serafina. — Martin disse muito sério. — Toda a família viveu um grande trauma e precisaremos de tempo para superar, mas, no caso de Adam, Ayana e vocês, ajuda psicológica é mais do que necessária.

— Mas... — Falc parecia confuso.

— Adam não poderá viver em uma bolha de segurança para sempre, Falc. Para sua saúde emocional e desenvolvimento psíquico, Adam precisará superar os medos, deixar o casulo de segurança e, aos poucos, fazer coisas normais de garotos, o que ele já amava realizar, além de descobrir coisas novas. — Martin disse e olhou para as crianças no solário. — A última coisa que ele precisa é de pais super protetores que o impedirão de crescer, ser independente e forte para enfrentar a vida, inclusive, o lado ruim da vida.

Os dois acenaram ao se olharem pensativos. A verdade era que fazer terapia pelo bem de seus filhos não era um grande sacrifício. Eles fariam o que fosse necessário para vê-los saudáveis.

— Por isso sugiro que encontrem um profissional especialista em psicologia familiar. — Martin disse suavemente. — Eu atenderei o Adam por algumas sessões, mas, dado o meu envolvimento familiar, não seria ético continuar além da urgência do momento ou atender vocês dois também.

— Eu enviei uma carta a Clínica Relive, perguntando se eles têm uma psicóloga que possa nos acolher. — Serafina disse suavemente. — Se tivermos que ir para um atendimento trouxa, será difícil explicar tudo o que aconteceu, magia, lobisomens... Merlin, seriamos todos internados.

— Eu estou trabalhando voluntariamente na Clínica, vocês sabem, e eles têm dois profissionais da área de saúde mental, uma psicóloga e uma psiquiatra. — Martin disse. — Nenhuma das duas é especialista em psicologia da família, mas, mentir em terapia para um profissional trouxa é muito pior, pois seria completamente improdutivo para o processo terapêutico.

Serafina, além de tudo o que teve que enfrentar naqueles dias, precisou de coragem para admitir os seus erros e tomar algumas decisões. Além da sua declaração sincera e importante ao Harry, ela também precisava se desculpar com o Sirius, que tentou se esquivar e evitá-la, mas acabou encurralado na cozinha quando Serafina finalmente o encontrou sozinho.

— Por favor, Sirius, se não me deixar dizer o que eu preciso, ficarei me sentindo culpada. — Serafina disse em tom de súplica.

— Ok, mas não precisa se desculpar por nada que tenha dito, Serafina. Eu não estou chateado, você estava desesperada e sua reação era mais do que justificada. — Sirius disse impaciente.

— Talvez. — Serafina suspirou e eles se sentaram à mesa da cozinha, que estava vazia, incrivelmente. — Minhas ações e palavras podem ter sido justificadas e, talvez, eu não precise me desculpar, no entanto, acredito que precisamos esclarecer algumas coisas importantes.

— Ok. — Sirius perguntou curioso.

— Primeiro, eu não penso ou acredito que o que aconteceu com o Adam foi sua culpa... — Serafina viu o olhar dele cair para as mãos sobre a mesa e confirmou o seu receio. — Eu sabia, sabia que estaria se culpando. Sirius, eu disse aquilo em um momento de desespero, porque não podia alcançar o verdadeiro culpado e precisava culpar alguém ou enlouqueceria em minha própria culpa.

— O que? Serafina, não foi sua culpa... — Sirius protestou na mesma hora.

— Foi sim. — Serafina sorriu suavemente. — Minha e do Falc, mas isso é algo que nós dois lidaremos. De qualquer forma, naquele momento, eu teria culpado o meu marido se ele estivesse ali, forte como uma rocha e pudesse suportar a minha dor, mas, a sua própria dor era grande demais. No entanto, você estava lá, Sirius, e acho que senti que aguentaria se eu descarregasse a minha dor sobre você. Eu consegui me manter sã por um tempo graças a sua força e sou muito grata, pelo apoio e por salvar o meu filho... — Sua voz se embargou de emoção e os olhos do Sirius brilharam com lágrimas.

— Serafina...

— Por favor, deixe-me terminar. —Serafina disse rapidamente ao respirar fundo e manter a calma. — Todos ajudaram, cada um de sua maneira, mas, você se entregou ao plano completamente e sem pensar duas vezes, assim que o Harry nos explicou. Não importava a surra, cicatrizes, dor ou mesmo, a possibilidade de morrer, você não hesitou e isso tornou possível salvar o Adam.

— Mesmo se eu não fosse responsável pelo que aconteceu, eu ainda faria isso, Serafina. Eu... durante todo o tempo em que esperávamos a carta do Greyback, pensei mil vezes em voltar naquela noite na Travessa e dizer ao meu eu do passado que não fosse tão imprudente e estúpido! — Sirius se levantou e andou atormentado. — Assim como passei anos naquela maldita cela desejando voltar e chacoalhar o meu eu, de 12 anos atrás, até que ele entendesse que não podia confiar no rato ou sair como um louco em busca de vingança.

— Sirius... — Serafina se emocionou ao ver sua dor.

— Como sou tolo! Não... eu sou amaldiçoado, Serafina, o sangue Black em mim faz tudo o que eu toco ser manchado, contaminado por essa maldição! — Sirius disse puxando os próprios cabelos.

— Sirius! — Serafina se levantou e se aproximou preocupada.

— Mesmo quando eu tento fazer o bem, ainda assim, tudo dá errado e as pessoas que amo se ferem. — Sirius disse com lágrimas nos olhos. — Você tem razão no que disse, foi minha culpa e...

— Pare com isso! — Serafina lhe disse energicamente. — Não foi sua culpa! Greyback era um monstro que não deveria existir a muito tempo e isso não é sua responsabilidade. O que aconteceu na Travessa foi um conjunto de erros envolvendo a missão e você é apenas uma parte disso. Mais importante, meu filho é minha responsabilidade e de Falc, não sua, Sirius. Sente-se aqui.

Sirius foi conduzido por Serafina até a cadeira e se sentou ao seu lado, apertando sua mão com carinho.

— A vida... pode ficar difícil, sabe, coisas ruins acontecem que estão fora do nosso controle. Pessoas nos ferem, nos traem, nos abandonam, isso é feito conosco, mas não é nossa culpa, assim, como não é culpa do Harry que seus tios o feriram enquanto crescia ou que seus pais foram assassinados por Voldemort. — Serafina disse lentamente. — Todos temos nossa parcela de responsabilidade, eu concordo, mas não é sua culpa, seja o que aconteceu há 12 anos, ou o sequestro do meu filho. — Serafina podia ver a dor e tormento em seus olhos cinzas. — Olha, toda essa situação só me fez entender uma coisa.

— O que? — Sirius suspirou cansado.

— Eu entendi porque James e Lily o escolheram como padrinhos do Harry. — Ela disse com um sorriso suave. — Eles sabiam que você faria o impossível por ele, o amaria e apoiaria incondicionalmente. Você é um exemplo que espero seguir, para me tornar a madrinha que o Harry precisa e merece.

Sirius arregalou os olhos surpreso com suas palavras.

— Você... realmente pensa isso? — Sussurrou engasgado.

— Sim e não sou a única, Sirius. Falc e o resto da família se sentem assim também. Alguém te tratou diferente de antes? — Serafina perguntou.

— Não, não, todos foram maravilhosos como sempre. — Sirius disse pensando no grande almoço animado que tiveram mais cedo.

— Exato. Ninguém, nem por um segundo, te culpou pelo que aconteceu, pelo contrário, todos o amam ainda mais por tudo o que fez. Eles sabem, assim como eu, que você teria dado a sua vida pelo meu filho, mesmo ele não sendo Harry, ou seu sangue...

— Adam é minha família e eu o amo. — Sirius disse na mesma hora.

— Sim, somos uma família e enfrentamos os problemas juntos, não culpamos uns aos outros por coisas que estão fora do nosso controle e sinto muito ter agido assim, mesmo naquele momento de desespero. Agora, pare com essa história de se culpar e se atormentar, Falc e eu não aceitaremos isso. Entendeu? — Serafina disse firmemente e Sirius acenou sentindo a pressão da culpa deixar o seu coração.

A segunda parte difícil de suas admissões e decisões, aconteceu mais tarde. Sentada na poltrona em seu quarto, depois de colocar o Adam para dormir em companhia do Kalil, Serafina observou o seu marido, que se arrumava para dormir.

— Você sabe que temos uma parcela de culpa no que aconteceu, certo? — Ela disse suavemente e Falc parou seus movimentos de vestir a camisa do pijama, antes de encará-la. — Nós somos seus pais, mas, nas últimas semanas, meses, talvez, não estávamos presentes para o Adam e a Ayana. — Seu tom era suave e sem acusações, Falc se sentou na cama e manteve a cabeça baixa. — Muitas vezes, quando uma criança é sequestrada ou ferida em um acidente, os pais são ausentes ou negligentes de sua segurança. Não somos pais negligentes, mas estivemos ausentes física e emocionalmente.

— Você quer dizer que, eu, estive ausente. — Falc disse com a voz oca pela culpa que sentia.

— Não, nós dois estivemos envolvidos com nossas vidas, nossos trabalhos e esquecemos o que é importante, verdadeiramente importante. — Serafina disse direta. — Isso esteve rondando os meus pensamentos nos últimos meses, que eu estava assumindo mais do que poderia ou deveria, mas, escolhi empurrar para o fundo da minha mente, sabe, porque... fui egoísta. — Seus olhos se encheram de lágrimas e a voz se embargou, Falc se aproximou na mesma hora e se ajoelhou a sua frente pegando suas mãos e apertando com força. — Eu queria tudo, Falc, queria abraçar e carregar tudo comigo, realizar grandes coisas e mudar o mundo, mas, não percebi ou não quis ver, que meus filhos não estavam tendo o espaço que precisam e merecem em meus braços.

— Eu... fiz isso também. — Falc disse beijando as costas das suas mãos suavemente. — Mesmo antes de minha mãe falecer, eu estava sobrecarregado com tanto trabalho, mas, depois... — Ele deitou o rosto em suas pernas enquanto lágrimas de tristeza rolavam pelo rosto dos dois, ao pensarem em suas perdas. — Sinto tanta falta dela e de Carole... Merlin... tantos anos se passaram, mas a dor é como se tivesse sido ontem. — Serafina acariciou seus cabelos amorosamente. — Me desculpe, eu estive fugindo, mergulhando no trabalhado para poder esquecer, não lembrar ou sentir...

— Eu entendo, meu amor. — Serafina se inclinou e beijou seus cabelos suavemente. — Eu sei que não quis fugir de nós e, talvez, Martin esteja certo ao dizer que precisamos nos curar. Não apenas do sequestro, mas, de tudo, começando com aquela mulher me ameaçando... Você se lembra que tive pesadelos por semanas? Mesmo depois que estávamos em uma casa segura, do outro lado do Atlântico, eu ainda tive crises de pânico. A morte de Carole, que você nunca teve tempo para lamentar e... a partida de Honora, tão cedo e injusto quanto foi a morte de sua irmã.

— Louis... — Falc sussurrou a voz cheia de dor pela perda do amigo.

— Lily... — Serafina sentiu mais lágrimas escorrer pelo seu rosto. — Precisamos... de ajuda, Falc, porque, temos que estar fortes e saudáveis para cuidar das nossas crianças. Eles precisam de nós inteiros, principalmente com uma guerra pela frente.

— Porque nós teremos mais perdas, é impossível não ser assim. — Falc suspirou. — Em concordo em irmos para a terapia, todos nós, quero ouvir a voz do meu filho e ver Ayana brilhar outra vez.

— E, eu deixarei o meu emprego. — Serafina disse determinada.

— O que? — Falc levantou a cabeça e a encarou espantado.

— Como eu disse, isso já estava no fundo da minha mente e estive relutando em encarar a realidade. — Serafina disse lentamente. — Mas, agora, tudo está claro como nunca esteve. Meu maior desejo depois de Hogwarts era ajudar o mundo mágico a ser um mundo melhor e, finalmente, estou tendo essa oportunidade como diretora da AP.

— Mas, você ama ensinar, querida. — Falc apertou sua mão. — Lembro-me como ficou feliz quando começou a trabalhar como professora anos atrás e, até hoje, isso lhe dá imenso prazer.

— Sim, verdade, e é por isso que digo que fui egoísta, pois quis ter tudo, os dois mundos em minhas mãos. Isso é impossível e injusto, Falc, com a nossa família, com Hogwarts, que precisa de mais da minha dedicação e com meus alunos, pois nunca estou lá 100%, pelo contrário, minha mente está sempre voltada para o meu trabalho na AP. — Serafina suspirou. — Há tanto o que fazer e, é esse trabalho incrível que faz os meus olhos brilharem e meu coração se acelerar, mesmo que eu ainda ame ensinar.

— Você tem certeza? — Falc a encarou nos olhos lendo a verdade e tranquilidade de sua decisão.

— Sim. E, talvez, muito em breve eu estarei ensinando outra vez, pois a escola de Stronghold precisará de professores. — Serafina sorriu e seus olhos brilharam com a ideia. — Imagine, ensinar disciplinas mágicas e trouxas para todos aqueles lobisomens ansiosos por aprenderem e construírem uma nova vida. Mas, isso levará alguns meses e, enquanto isso, posso me dedicar totalmente a Hogwarts, nossos filhos e você.

— Gostei dessa última parte. — Falc sorriu e seus olhos azuis brilharam de amor e desejo. — Bem, falando sobre diminuir o ritmo, quero que saiba que Edgar já está entrevistando possíveis administradores para assumir a carga diária pesada que é gerenciar os negócios Potter. E, Sirius e eu concordamos em contar a Anton sobre alguns dos projetos futuros, na verdade, falamos sobre convidá-lo para ser parte da equipe.

— Verdade? Isso é muito importante, ainda que eu confie em Anton, claro. — Serafina disse surpresa enquanto passava as mãos suavemente por seus ombros largos e nus, pois Falc ainda estava sem a camisa.

— Sirius quer trazer a Denver também, contar sobre a profecia e as horcrux, acredito que Anton poderia ser uma grande ajuda. Temos muito o que fazer e, além de confiável, meu amigo é eficiente. — Falc disse e, segurando os seus joelhos, ele os afastou, abrindo suas pernas ao mesmo tempo em que arrastou o seu traseiro para a beira da poltrona, até que suas coxas envolveram a sua cintura.

— Eu gosto da ideia, simpatizei com a Denver. — Sussurrou Serafina enquanto acenava com a varinha e trancava a porta, sem perder o contato visual com os olhos azuis que se escureceram de desejo. — Quando decidimos? — Sua voz era rouca agora e sua língua lambeu seus lábios secos, atraindo o interesse de Falc.

— Logo. Faremos uma reunião... — Falc disse enquanto aproximava a sua boca da boca dela, respiração com respiração. — Todos da equipe... — Ele mordeu o seu lábio inferior suavemente, chupando-o e lambendo. — ... devem concordar...

— Bom... — Serafina segurou o seu rosto e devolveu a mordida, com uma pitada de dor que fez Falc rosnar de desejo contra a sua boca.

Ele se levantou sem soltá-la e Serafina prendeu as pernas com firmeza em volta da cintura e passou os braços por seu pescoço. Falc caminhou até a cama sem deixar de beijá-la, a deitou na cama cobrindo-a com o seu corpo e, por algumas horas, o mundo se tornou apenas amor, desejo e eles.

Sirius enfrentou uma semana difícil também. Além da culpa que sentia, precisou aceitar um distanciamento inesperado de Denver. Ele a conhecia o suficiente para saber que Emily tinha se aproximado mais do que se sentia confortável, se exposto demais e, agora, recuava, pois não queria se abrir para uma relação mais séria. Sirius não era tolo ou corajoso o suficiente para invadir sua casa e exigir dela mais do que estava disposta a dar, pois, afinal, ele também não sabia até onde queria ou podia ir e oferecer de si mesmo.

A verdade, se fosse sincero consigo mesmo, era que o seu coração estava mais envolvido do que o esperado depois de um tempo de relação tão curto. Ele não sabia o que isso significava, mas queria descobrir, mergulhar de cabeça e, imprudentemente, pagar para ver. No entanto, Sirius entendia que Denver era muito mais cautelosa e o assombrava a ideia de que tipo de vida ela teve para ter ainda mais fantasmas e barreiras do que ele tinha.

Em tudo, apesar de compreendê-la, Sirius se ressentia um pouco por não ter o seu apoio naqueles primeiros dias difíceis depois do sequestro. Assim, ele se concentrou no trabalho, pois havia muito o que fazer e na repercussão que a reportagem do Profeta trouxe. Incrivelmente, a reação do público foi completamente surpreendente e positiva. O Profeta e o Ministério receberam muitas cartas criticando o Ministro e as ações contra os lobisomens. Doações para ajudar o grupo de anciões começaram a chegar no escritório do Sirius no Beco e no Profeta Diário. Havia muitas roupas, comidas, barracas novas e, muitas pessoas que se dispuseram a fazer mais se precisassem.

A base das críticas eram as leis Anti-Lobisomem, que impediam que os lobisomens tivessem um lar e um emprego. Em algumas das cartas, pessoas se ofereciam para ajudar a construir casas para os eles ou lhes ofereciam empregos. Albert Finley deu uma entrevista no Profeta onde dizia estar defendendo as mudanças de leis há muitos anos, além de lançar duras críticas ao Ministro Fudge que resistia e pressionava para mantê-las e endurecê-las.

Fudge deu uma declaração oficial dizendo que suas ações visavam proteger a população, mas extraoficialmente, Vance conseguiu informações de que o Ministro teve uma grande discussão com a Madame Bones e ameaçou demiti-la. Seu chilique só parou quando foi informado que ele poderia fazer isso apenas se tivesse uma boa justificativa, não porque estava chateado com ela.

Comentários sobre uma possível renúncia ou impeachment de Fudge começaram a circular, ao mesmo tempo que alguns especularam que o Partido Conservador poderia escolher um novo candidato para as eleições. Isso seria um feito histórico e inédito, pois um Ministro nunca deixou de disputar as reeleições. Sirius esperava que a situação toda se acalmasse para poder iniciar o plano de se aproximar dos membros da Suprema Corte, ao mesmo tempo, decidiu iniciar o projeto de lei que pretendia apresentar para abolir as Leis Anti-Lobisomem.

Sua experiência com algo assim era mínima, assim, ele decidiu consultar o autor do projeto de lei de Proteção aos Trouxas, Arthur Weasley. Depois de enviar uma carta a ele, convidando-o para um almoço, Sirius respondeu a carta de sua prima, Narcisa, e solicitou que o encontro deles ocorresse na Mansão Malfoy, pois era melhor não serem vistos juntos em público. Narcisa concordou e agendou o encontro para a segunda-feira à noite, às 9 horas.

Sirius chegou 5 minutos adiantado a Mansão Malfoy, observando com a mesma diversão da adolescência os cisnes bancos no jardim. A última vez que esteve aqui, aos 15, foi no casamente de Narcisa e Lucius, o evento do ano, lembrou-se, tão disputado e comentado que, quando acabou, todos respiraram aliviados por ter chegado ao fim, finalmente.

O elfo que abriu a porta o encarou de olhos arregalados e curiosos.

— Boa noite, mestre Black, senhor. — Disse ele com a voz esganiçada.

— Olá. — Sirius entrou no vestíbulo e, não vendo pessoas ou quadros, se agachou em frente ao elfo. — Você é o Dobby, certo?

— Sim, mestre Black. — Dobby sussurrou e seus olhos se arregalaram de medo. — Eu ser Dobby.

— Harry me falou de você. — Sirius disse bem baixinho. — Me disse que são grandes amigos.

Dobby pareceu ficar mais alto de orgulho e corou, seus olhos brilhando de adoração.

— O senhor Harry Potter disse isso? — Sirius acenou sorrindo. — Senhor Harry Potter é o melhor amigo de Dobby, Mestre Black.

— Bom saber. Você poderia me levar até minha prima agora? — Sirius pediu gentilmente.

Dobby acenou e o conduziu escadaria acima até a saleta pessoal de Narcisa, que não tinha quadros espiões em sua decoração feminina e delicada.

— Prima. — Sirius sorriu ao vê-la tão bonita e se aproximou, segurou suas duas mãos e lhe beijou ambas as faces. — Quanto tempo, Cissy, é muito bom revê-la.

— Sirius. — Narcisa retribuiu o calor do cumprimento, algo raro e fruto da amizade e afeto da infância, nunca esquecida. — Também estou feliz em revê-lo e encontrá-lo recuperado da sua provação.

Sirius e Narcisa eram os primos mais próximos em idade e foram amigos durante a infância. Hogwarts, a rivalidade entre as casas e os pensamentos puristas defendidos por Narcisa, os afastou mais e mais a cada ano. Quando ela se casou com Lucius, depois de concluir Hogwarts, Sirius a viu mudar e se tornar cada vez mais fria, distante e cruel. Não como Bella, claro, mas ainda indiferente a qualquer um que não fosse Lucius, a si mesma e, depois, Draco. Quando Sirius fugiu da casa dos seus pais e a guerra se tornou ainda mais violenta, claramente diferenciando um lado do outro, a relação deles se desfez e eles pouco se encontraram até aquela noite de Halloween. Uma dessas vezes, foi quando Draco nasceu e Narcisa levou o bebezinho para o apartamento de Sirius em Londres, para que ele o conhecesse. Um ano depois, Sirius estava em Azkaban.

— Sinto não ter lhe visitado antes, Cissy, mas não acreditei que seria possível depois de tudo o que aconteceu. — Sirius disse sincero e ainda segurando sua mão com carinho. — Você está linda, como há 12 anos, acho que Lucius não foi não mal marido como eu previ.

— Muitas das suas previsões se cumpriram, Sirius, mas, não essa. — Narcisa lhe indicou o sofá. — Gostaria de beber alguma coisa?

— Acho que o horário nos permite o nosso preferido. O que me diz? — Sirius sorriu e Narcisa retribuiu, mostrando muito mais emoção do que faria com um estranho ou ambiente formal.

Ela acenou com a varinha e duas doses de whisky de fogo foi servida em copos de cristal, antes de flutuarem até eles.

— Eu tenho uma safra especial, envelhecido em um tonel de carvalho branco. — Narcisa disse. — Lucius não sabe do meu pequeno mimo, ele tem essa ideia antiga que mulheres não devem beber algo tão forte, pois não seria adequado as suas sensibilidades.

— Palavras de Abraxas repetidas por Lucius, aposto. — Disse Sirius com desprezo. — Nunca entenderei como suporta esse mundo que te obriga a ficar presa a um molde tão... restritivo, Cissy.

— Esse é o meu mundo, Sirius, na qual nasci e cresci, onde fui ensinada desde menina a fazer o que me é apropriado como mulher, esposa e mãe. — Narcisa não se defendeu ou justificou, apenas expôs os fatos objetivamente. — Você é quem sempre ansiou por um mundo diferente e fugiu nesta direção.

— Eu não fui o único a fugir. — Sirius disse e observou a leve tristeza em seus olhos cinzas azulados, tão parecidos com os seus próprios. — Você encontrou Andy desde...?

— Não. — Narcisa apertou as mãos pequenas juntas, mas seu rosto continuou neutro. — Seria muito difícil... vê-la apenas uma vez e uma relação entre nós é impossível, você sabe disso.

— Sei? — Sirius deu de ombros decidindo não insistir. — Espero que nosso encontro em sua casa não lhe traga problema, prima, mas, estou vivendo como hóspede na casa de um amigo, não quis lhe impor a sua presença.

— E, nos encontrarmos em público não seria aconselhável. — Narcisa disse seriamente.

— Pensei em meu escritório, mas, como é um assunto de família, não pareceu correto nos encontrarmos lá. — Sirius disse sincero.

— Eu entendo e sinto o mesmo. Não se preocupe, Lucius está em uma reunião de negócios e não seremos interrompidos. — Narcisa disse tentando esconder a ansiedade. — Na verdade, você concordar em se encontrar comigo, depois de tudo, me surpreendeu e espero que isso seja porque está disposto a ser persuadido, primo.

— Lucius sabe que me escreveu? — Sirius perguntou curioso.

— Não, ele tem seus próprios planos e não concordaria que eu me humilhasse ao implorar a você que mude de ideia em sua decisão. — Narcisa disse. — Meu marido é incrivelmente mais acessível que outros bruxos puros-sangues, Sirius, mas, mesmo ele, acredita que as mulheres não devem se envolver em certos assuntos.

— Como o assassinato de um membro da sua família? — Sirius disse erguendo as sobrancelhas e movendo o whisky delicioso no copo fino.

— Eu soube poucos minutos antes de Lucius deixar a minha presença, Sirius e tentei detê-lo, não apenas por seu bem, acredite, mas por medo das consequências que enfrentaríamos pelas ações tolas do meu marido. — Narcisa disse firme e sincera. — Quando o Lord da Trevas morreu, eu o fiz me prometer que não faria nada tolo que colocasse a nossa família em risco e Lucius descumpriu a promessa espetacularmente. Agora, meu filho e eu, pagaremos por seus erros e sei que está aqui para negociar, afinal, mesmo sendo um Gryffindor, você sabe se portar como um Slytherin, Sirius. Por isso, serei direta. — Narcisa respirou fundo. — O que quer em troca de não me expulsar e ao meu filho da Família Black?

Sirius a olhou com intensidade e se absteve de sorrir, pois sabia como humilhante esse movimento era para sua prima.

— Quero que deixe Lucius Malfoy. — Sirius disse diretamente.

— O que? — Narcisa perdeu o fôlego e empalideceu.

— Você ouviu muito bem e como quer que eu seja direto, pois estou sendo, Cissy. Quero que se divorcie de Lucius, deixe essa casa e o sobrenome Malfoy, que volte a ser Narcisa Black. — Sirius disse e observou sua expressão, sempre tão neutra, mostrar profundo choque. — Eu lhe darei muito dinheiro, uma gorda mesada, mais os rendimentos anuais das Fábricas Black e uma mansão aonde quiser, Paris, Roma, Berlin... Lembro-me que você amava Bruxelas, prima.

— Sirius...

— Além disso, você tirará o Draco de Hogwarts e o enviará para Beauxbatons. Quero que recomece a sua vida com o seu filho, bem longe da Inglaterra, Cissy. — Sirius encerrou e abriu as mãos. — Essa são as minhas condições.

Narcisa podia ver que ele não estava brincando e sentiu seu coração se afundar de desanimo.

— Eu amo Lucius, Sirius e você sabe disso. — Narcisa se levantou e caminhou até a janela observando o jardim. — Você me pede o impossível, pois, posso ser fria e indiferente, mas amo profundamente meu marido e meu Draco. Isso os magoaria e me destruiria, Sirius, ainda que ser expulsa da nossa família me cause uma grande magoa, mas só atingiria a mim, assim...

— Cissy, você sabe porque decidi por expulsá-la, tanto que nem contestou minha decisão. O que Lucius fez... — Sirius ergue a blusa mostrando a cicatriz. — Se fosse só eu, talvez, pudesse deixar de lado por você, mas, meu Harry teria sofrido enormemente ao perder sua única família. Ele é um garoto maravilhoso que eu amo mais que tudo e já perdeu tanto, Cissy, e é por ele que estou aqui agora.

— O que quer dizer? — Narcisa ficou confusa.

— Esqueça o Lucius ou vinganças tolas, Cissy. Porque você acha que lhe apresentei essa condição? — Sirius disse lentamente.

Narcisa, muito inteligente, não respondeu imediatamente e voltou a caminhar pela saleta e se sentar no sofá dourado enquanto refletia.

— Você me quer longe da Inglaterra, eu e Draco, seguros. — Narcisa disse e a tensão endureceu o seu corpo, fazendo-a parecer uma estátua. — Porque?

Sirius a olhou com atenção sabendo que o jogo que ele e Harry estavam planejando era arriscado, mas necessário.

— Voldemort está vivo. — Ele disse simplesmente e observou a tragédia dessa verdade impactá-la tão profundamente quanto fez com Vance, apenas, Narcisa sabia disfarçar melhor.

— Não... isso é impossível e, se for uma das suas brincadeiras, não tem graça, Sirius. — Apesar de sua negativa, Narcisa sabia que o primo não mentia e apertou as mãos juntas tentando manter a compostura. — O Lord das Trevas está morto, Lucius investigou... ele e os outros procuraram se informar, o corpo... foi destruído, ele não pode...

Sirius lhe serviu mais uma dose de whisky que Narcisa bebeu de uma vez e conseguiu o controle que precisava.

— Por isso você me quer longe, para me proteger e ao Draco do que virá. — Narcisa disse secamente. — Muito tocante, Sirius.

— Ironia não combina com toda essa frieza, prima, já lhe disse isso antes. — Sirius disse suavemente. — Quando Voldemort conseguir voltar, ano que vem ou daqui a 5,10 anos, não importa, seu marido voltará para suas fileiras de comensais da morte. E, levará Draco com ele, Cissy. — Ele levantou as sobrancelhas quando a viu ficar ainda mais pálida. — Se você ama seu filho tanto quanto eu amo o meu afilhado, imagino que não quererá que Draco se ajoelhe aos pés daquele insano, que a qualquer capricho o torturará ou matará, apenas por prazer ou porque pode.

— Draco... — Narcisa parecia verdadeiramente enjoada depois da descrição mais do que plausível do futuro de seu filho.

— Harry conhece o seu filho e, por suas atitudes, sabe que no futuro próximo, eles serão mais do que rivais. Quando Lucius quase me matou, eu lhe disse do nosso parentesco e Harry me pediu para lhe fazer essa oferta. — Sirius disse sincero. — Você e seu filho, longe e protegidos dos dois lados da guerra e, ao mesmo tempo, temos dois inimigos a menos com quem nos preocupar. Eu sei que você nunca viria para o nosso lado, assim, tinha esperança de persuadi-la a neutralidade.

— E, abandono Lucius a sua própria sorte, sozinho para enfrentar o Lord das Trevas. — Narcisa parecia angustiada. — Tenho que escolher entre o meu filho e o meu marido.

— Na verdade, acrescente a si mesma no lado do seu filho, Cissy. — Sirius disse suavemente. — Além disso, Lucius me parece impossível de salvar, você mesmo disse que ele não te escuta, assim, é improvável que você o convença a não retornar ao serviço de Voldemort. Certo?

— Eu poderia tentar... — Cissy disse ansiosa, mas se interrompeu e tentou se acalmar, precisava se manter fria para pensar no que fazer. — Com tempo, eu poderia convencê-lo de que isso não é do nosso interesse, mas... — Narcisa tentou pensar em como poderia fazer isso, no entanto, ela conhecia o seu marido e sabia que ele se agarraria a chance de transformar o mundo mágico em um mundo puro. E, Voldemort lhe daria isso.

— Difícil, não é? — Sirius disse lentamente. — Lucius é um purista extremo que se disfarça na pele de um purista neutro. Ao contrário de Nott e Greengrass, Lucius abomina a presença dos nascidos trouxas em nosso mundo e não vê utilidade para eles.

Narcisa não respondeu, mas não precisava, pois ela sabia dos inúmeros assassinatos cometidos por seu marido ao longo dos anos. Além, claro, dos bordeis abarrotados de mulheres trouxas a disposição dos prazeres perversos dos seus amigos e clientes.

— Tem que haver outra solução, Sirius, eu... não estou pronta para desistir do meu marido. — Narcisa disse e parecia quase implorar.

— Nunca pensei que a veria implorar, prima. — Sirius disse e a viu endurecer ao encará-lo com frieza. — Assim, muito melhor, essa é a Cissy que eu conheço.

— Sem jogos, Sirius. — Narcisa disse e se serviu de uma terceira dose de whisky.

— Eu tenho outra possibilidade, mas, antes que pense em aceitar... — Sirius disse em tom de aviso ao ver seus olhos interessados. — Entenda que não tem volta, Cissy, se aceitar minha proposta, exigirei um juramento e não a liberarei até que sua vida esteja em grande risco de morte.

— Diga. — Narcisa disse tensa e se perguntando se estava prestes a fazer um acordo com o diabo.

— Você fica com Lucius e sua vida atual, ganha tempo para convencê-lo a não voltar aos serviços do seu Lord. Começa a ensinar o Draco a ser menos intolerante, pois o mundo depois da guerra, que nós venceremos, não tolerará mais os puristas. Ensine-o, Narcisa, a se adaptar, a ver além dessa tolice puro sangue e ser um homem melhor do que Lucius. — Sirius disse com firmeza. — Você é a melhor oclumente que já conheci e uma grande Slytherin, Bella e Lucius nunca chegaram aos seus pés, assim, sei que pensará em uma maneira de salvar o seu filho e marido. Quando o Lord da Trevas retornar, você será minha espiã...

— O que? — Narcisa pareceu ainda mais chocada do que ao saber de Voldemort estava vivo.

— Supondo que Lucius não fuja para bem longe com você e Draco no momento em que for convocado e, se isso acontecer, acreditarei que você é a mais poderosas das mulheres, claro. — Sirius disse ironicamente. — Se Lucius retornar aos serviços de Voldemort, algo mais do que provável, você será a minha espiã, Cissy.

— E, o que eu ganho com isso? — Narcisa perguntou com voz dura e fria.

— Um passe livre para si e seu filho, Lucius também, se ele decidir deixar de ser um dos apoiadores daquele monstro. — Sirius disse lentamente. — Se, quando Voldemort voltar, Lucius concordar em fugir do paás e não o apoiar, eu os ajudarei financeiramente e a trago de volta para a Família, assim como Draco. Caso ele volte a ser um fiel comensal, você espiona Voldemort e me passa informações valiosas que nos ajudem a destruí-lo de vez. Se fizer isso, deixaremos um plano de fuga e esconderijo prontos para o momento em que precisar fugir, espero, com Lucius ao seu lado. Depende do seu poder de persuasão ou de quantos cruciatus seu marido pode aguentar, claro. — Sirius disse e viu uma ponta de medo em seus olhos azulados. — Se concordar em espionar para mim, a protegerei e sua família em toda a minha capacidade, lhe darei um lar seguro assim que sua vida estiver em risco e, ao fim da guerra, a trarei de volta para a nossa família. Claro, estarão livres de Azkaban, pois testemunharei que todos vocês eram espiões.

— E se você morrer? — Narcisa disse e sua voz parecia meio vazia.

— Deixaremos tudo muito bem amarrado em um contrato mágico, Cissy, assim, você pode pensar com calma e estipular suas condições, pois elas serão cumpridas mesmo depois da minha morte. — Sirius disse lentamente. — No contrato, tornaremos impossível que você me traia ou, que eu a traia, mas, se fizer algo, pessoalmente ou indiretamente, que cause a minha morte ou do meu afilhado, o contrato será nulo.

— Você pensou muito bem em tudo isso, Sirius, parece até que a decisão de me expulsar da família e anunciar no Profeta foi planejado para chegarmos neste ponto. — Narcisa disse lentamente e, pela primeira vez, Sirius sorriu divertido. — Seu bastardo!

— Ora, que interessante, eu não sabia que poderia xingar, Cissy. — Sirius riu levemente. — Olha, se serve de consolo, não foi ideia minha, pelo menos não tudo, eu apenas ajustei alguns detalhes. Acho que ficará feliz em saber que não foi um Gryffindor que a encurralou, prima.

— Quem? — Narcisa perguntou surpresa e curiosa.

— Harry. — Sirius disse e seu sorriso se ampliou ao perceber sua incredulidade.

— Você quer que eu acredite que um menino de 12 anos pensou em tudo isso? — Narcisa questionou.

— Sim. Harry é especial, Cissy e você gostaria muito dele se as circunstâncias fossem diferentes. — Sirius disse sincero e a olhou com o carinho antigo que mal se lembrava de ter sentido um dia. — Se pedisse o meu conselho, eu lhe diria para ir embora no dia em que Draco descer do Expresso, daqui a três meses. Dane-se Lucius e todo o resto, Cissy! Se salve! Salve o Draco do terror da guerra!

— Sirius... — Narcisa estendeu a mão, que Sirius segurou e apertou com carinho. — Eu... preciso pensar.

— Pense, com cuidado e inteligência, pense e decida, Cissy. — Sirius disse suavemente. — Eu assinarei a sua expulsão da nossa Família, como uma punição ao Lucius e não por rancor a você. A partir desse ponto, depende de você o que acontecerá.

— E... se eu recusar as duas propostas, Sirius, o que acontecerá? — Narcisa perguntou com certa tristeza.

— Você já sabe a resposta, prima. — Sirius acariciou o seu rosto suavemente. — Lutaremos em lados opostos mais uma vez, mas, neste tempo, não serei eu que terminarei em Azkaban.

Narcisa acenou e apertou mais uma vez a sua mão antes de pegar o copo vazio.

— Me acompanha em uma última? Para nos despedir? — Ela propôs e Sirius aceitou.

— Antes de partir, gostaria de lhe pedir um favor, se possível. — Sirius disse em tom suave.

— O que é? — Narcisa se mostrou curiosa, mas desconfiada, pois, as propostas anteriores não foram muito gentis.

— Estou precisando deixar a casa onde estou. — Sirius mentiu sem problemas, confiando em sua própria oclumência. — Faz um ano que estou vivendo lá e a cada dia sinto mais falta de ter o meu espaço, minha privacidade, acredito que pode me entender. — Ele sorriu com certa malícia e Narcisa acenou torcendo o nariz para o comentário vulgar. — Não quero voltar a ter um apartamento minúsculo, não tenho mais 20 anos, além disso, Harry, seus amigos e meus amigos serão presenças constantes, assim, pensei em abrir a Mansão Black.

— Você odeia Grimmauld Place. — Disse Narcisa surpresa.

— Pretendo reformá-la de cima a baixo, acredite. — Sirius disse. — De qualquer forma, eu odeio a lembranças do que passei naquela casa, não a casa em si. E, eu sei bem que elas nunca me abandonarão, mas, por causa dos Dementadores, eu vivi por 10 anos preso no passado, Cissy. Acredito que estou pronto para seguir em frente... preciso seguir em frente.

Narcisa acenou levemente tocada por seu sofrimento, mas, ainda estava muito zangada com a armadilha para se importar demais.

— O que precisa?

— Para começar, gostaria que me arranjasse um elfo doméstico, sei que deve ter muitos e bem treinados. — Sirius disse acenando com a mão como se não fosse importante. — Muito melhor do que ir até o jardim, comprar e treinar um elfo jovem em meio a uma reforma, por Merlin. Se me vendesse um, ficaria muito grato e, caso lhe falte, você poderia colher um no jardim e treinar com muito mais tempo e paciência do que eu.

— Creio que é possível. — Narcisa disse pensativa. — Não que treinar um elfo novo seja minha atividade favorita e espero que esteja disposto a ser generoso em troca da minha atenção.

Sirius riu divertido e acenou.

— Eu conheço os Slytherins desde o berço prima e sei que vocês nunca fazem nada de graça. — Sirius disse sem ressentimento. — O que me diz se eu lhe permitir escolher entre os móveis, objetos, quadros ou, qualquer coisa que possa querer da Mansão Black?

— Qual o meu limite? — Narcisa perguntou ao pensar em todas aquelas coisas valiosas na Mansão ancestral dos Blacks.

— Eu passarei primeiro, tirarei qualquer tipo de objeto escuro ou perigoso, depois, você pode ficar à vontade. Sem limites. — Sirius disse e viu os seus olhos brilharem de interesse. — Na verdade, você me fará um favor, pois sei que não quererei manter nada daquilo na Mansão reformada e não precisarei ter o trabalho de enviar para o cofre em Gringotes ou doar...

— Você não pode doar os objetos da nossa família, Sirius Black! — Narcisa disse exasperada. — Isso seria um sacrilégio, um crime com a história da Família Black. Ok, ajudarei você com esses dois problemas e espero o seu chamado para ir buscar os objetos.

— Talvez, então, você terá uma resposta as minhas propostas. — Sirius disse erguendo a sobrancelha e Narcisa acenou rigidamente.

— Você tem alguma preferência pelo sexo do elfo? — Narcisa perguntou, decidida a não voltar ao assunto anterior.

— Um macho jovem me parece o mais adequado, Cissy, pois haverá muito trabalho e não quero uma elfa fêmea tentando ser minha mãe quando estou querendo aproveitar minha liberdade. — Sirius disse pensativo e rabugento. — O elfo que abriu a porta e me trouxe até aqui, como se chama? Ele pareceu bem treinado e cheio de energia.

— Hum, até demais. — Narcisa disse com uma careta de desagrado. — Agora é você quem me fará um favor, pois esse elfo em particular é excitado e atrapalhado demais, mas acredito que para um homem solteiro, ele se adeque. Dobby, é o seu nome, sabe cozinhar muito bem, limpar, costurar, mas não é a melhor opção para servir uma mesa. Gildy, seria a mais certa para festas e jantares, mas, ela seria uma matrona controladora, aposto. Além disso, ela cuida dos meus vestidos com perfeição, por isso, não poderia vendê-la.

— Bem, se Dobby tiver interesse...

— Ele é um elfo, Sirius, sua opinião pouco importa. — Narcisa disse e, se levantando, foi até sua mesa, sem perceber o olhar de triunfo do primo. — Faremos um contrato de venda simples, mas, precisará ser registrado no Ministério.

— Eu posso fazer isso amanhã, mas... — Sirius hesitou. — Lucius não deveria assinar? Não o quero contestando depois, Cissy, e me humilhando ao pegar o elfo de volta.

— Não se preocupe. Dobby é uma propriedade da Mansão e sou eu quem tem o controle sobre a logística do lar, está em meu contrato de casamento. — Narcisa disse enquanto escrevia no pergaminho. — Eu insisti nisso, pois não queria ter que pedir permissão para fazer vitela e não peixe no jantar, como faziam nossas mães.

— Merlin, eu me lembro disso. — Sirius disse com uma careta, pegou o pergaminho, leu e depois assinou ao lado da assinatura de Narcisa, sem contestar o valor. — Espero que eu possa levá-lo hoje, Cissy.

— É melhor assim. Lucius não pode contestar a venda, mas mataria o pobre antes de entrega-lo a você. — Disse Narcisa, sem perceber a expressão sombria de Sirius e guardou a sua cópia do contrato. — Dobby!

Dobby aparatou imediatamente e olhou Sirius de olhos arregalados, suas orelhas se agitando.

— Mestra chamou Dobby? O que Dobby pode fazer por Mestra Narcisa? — Dobby sussurrou olhando de Narcisa para Sirius sem parar. — Dobby sente que não é mais o elfo da Mestra Narcisa...

— E não é mesmo, Dobby. — Narcisa disse indiferente, sua expressão era a careta de tédio de sempre. — Eu acabei de vendê-lo para o meu primo. O Sr. Black precisa de um elfo jovem e bem treinado para realizar muito trabalho, acredito que ouvirei que você cumpriu com o seu dever, pois garanti o seu bom serviço ao meu primo.

Dobby tinha os olhos esbugalhados e apertava as mãos de ansiedade.

— Dobby pertence a Mestre Black, agora? — Dobby sussurrou incrédulo.

— Sim, Dobby. — Sirius disse educadamente, mas sem demonstrar muito interesse. — A magia já aceitou a vontade de sua antiga Mestra, assim, espero apenas que aceite ser o meu elfo, para concluirmos a transação. — Disse ele sabendo que, ao contrário do que disse Narcisa, a magia de Dobby deveria aceitá-lo como mestre, ou o pequeno poderia traí-lo, assim como fez com Lucius.

— Dobby aceita, Mestre Black. — Dobby disse e uma agitação sutil de magia passou entre os dois.

— Muito bem. — Sirius disse. — Você deve ir até a Abadia Boot, onde vivo no momento e me esperar lá.

— Sim, Mestre Black. — Dobby disse e, olhando para Narcisa, acrescentou. — Adeus, Mestra, Dobby deseja tudo de bom.

— Adeus, Dobby. — Narcisa disse indiferente e, no segundo em que o elfo aparatou para longe, se esqueceu dele. — Sirius, foi um grande prazer recebê-lo...

— Não precisa mentir, Cissy, estamos em família e a pose puro sangue Slytherin pouco se me dá. — Sirius disse cortando as despedidas falsas e, se aproximando, pegou a sua mão e apertou com afeto. — Pense com cuidado, prima. Até mais e não precisa me acompanhar, eu sei o caminho da saída.

Enquanto descia as escadas e caminhava para a porta, Sirius não fez nada desonesto, mas, observou todos os espaços visíveis da Mansão com muita atenção. E, fez o mesmo no jardim, antes de passar pelos portões negros com um grande sorriso em seu rosto e aparatar para casa.

Em Hogwarts, Harry estava sentado em uma das poltronas do Covil, observando a chuva fria que batia na janela. Era a noite seguinte ao resgate de Adam e, depois de um dia de aulas comum, era estranho relembrar o dia anterior e os seus acontecimentos surpreendentes e assustadores.

— Você teve coragem de dizer isso a ela? — Ginny perguntou de olhos arregalados. Ainda estava chocada com o sequestro e tudo o que aconteceu até o resgate do irmão de Terry, mas tinha que admirar a coragem do amigo de dizer a verdade na cara da monitora, Penny.

— Sim, talvez, eu tenha sido insensível, mas... — Harry deu de ombros. — Foi assim que terminou o meu longo dia.

— Impressionante e assustador. — Ginny disse pensativa. — Fico feliz que o irmãozinho do Terry esteja bem e que Greyback não possa mais ferir ou contaminar ninguém. — Ela olhou para Terry e Neville que jogavam xadrez do outro lado da sala. — Nev lhe contou sobre a Leda?

— Sim. — Harry disse e a encarou. — Como foi? Vê-la? Conhecê-la?

— Bom. Leda é uma garota legal, Harry, apenas tímida, solitária e isso me fez querer ainda mais ser sua amiga. — Ginny disse. — Estou esperançosa que ela decida vir treinar conosco de manhã, mas, me preocupa uma coisa. — Harry a olhou com uma expressão interrogadora. — Porque todos os alunos não passam por exames de saúde com a Madame Pomfrey? Quer dizer, esse é o meu primeiro ano, mas, eu não fui chamada para nenhum tipo de testes, para descobrir se estou saudável. Talvez, a curandeira tivesse descoberto que havia algo errado comigo, sabe, por causa do diário. E, Leda, ela claramente está muito acima do peso, isso não deve ser considerado saudável. Certo?

— Você está certa. — Harry disse lentamente ao considerar o seu próprio caso, talvez, se não fosse o conselho da Sra. Serafina, ele ainda estaria doente. — Guinevere, você deveria falar com a Penny sobre isso, ela é membro da AP e pode levar essa observação importante em uma próxima reunião. Quanto a Leda, amanhã, você e o Neville me apresentarão a ela, talvez, eu possa ajudar.

— Não sei se a Penny irá querer falar comigo se está brigada com meu irmão. — Ginny disse pensativa. — Sabe, Percy não é tão ruim.

— Desculpe, estamos falando sobre o mesmo Percy? — Harry perguntou sarcasticamente.

— Sim, o mesmo. — Ginny disse sorrindo. — Acho que o meu irmão não tem... como se diz, carisma, além de ser muito teimoso e orgulhoso. Viver à sombra do Bill e do Charlie não ajuda também.

— Todos temos problemas, Guinevere. — Harry disse. — E, cometemos erros, talvez, o que falte ao seu irmão, sejam pessoas que lhe critiquem e comuniquem os seus erros. Além disso, porque seus irmãos mais velhos seriam um problema?

— Bem, Bill é muito carismático e bonito. Pelo que ouvi em suas conversar com o Charlie, ele sempre fez muito sucesso com as meninas, bem, ele é meu irmão favorito, afinal. — Os dois riram divertidos. — Além disso, Bill não precisa se esforçar para ter as melhores notas ou resultados. Entende? Ele se divertia, curtia com os amigos e namoradas, mas, ainda conseguia se destacar em todas as disciplinas e ser monitor, monitor chefe. Ele tem uma aura de positividade em volta dele e, acredito que em qualquer área que decidir trabalhar, terá muito sucesso.

— Interessante. — Harry disse lentamente. — Alguém com esse perfil seria uma ótima contratação. E o Charlie?

— O oposto. — Ginny disse sorrindo. — Charlie é simples, caseiro, distraído, sua mente está sempre nos animais, estudá-los, cuidá-los, protegê-los. Todos os verões, depois que fez 14 anos, ele foi para algum acampamento de cuidados de criaturas mágicas. Se estava em casa, poderia se perder em leitura, pesquisa ou no bosque que rodeia a nossa casa, procurando criaturas. Lembro-me de minha mãe se exasperar com ele, tentar fazê-lo esquecer os animais, ser mais ambicioso, se preocupar com seus estudos e em conseguir um trabalho normal, mas Charlie sempre lutava contra ela. — Ginny suspirou cansada. — Um dia, ele parou de lutar e passou a ignorá-la completamente e se distanciou da família ainda mais... tenho a impressão, que Charlie prefere a companhia dos animais dos que as das pessoas, sabe. Então, quando terminou Hogwarts, Charlie já tinha um emprego na Reserva de Dragões na Romênia e foi embora dois dias depois de chegar em casa.

— E o Percy ficou no meio? — Harry perguntou pensativo. — Entre ser um sucesso como Bill e não um fracasso com Charlie, segundo a opinião da sua mãe?

— Não sei se ele quer agradá-la, Harry, mais do que quer satisfazer suas próprias ambições ou as duas coisas. — Ginny disse. — Percy tem um bom coração, eu sei disso, mas, não sei como chegar até ele.

— Acho que ser sincera pode ser um começo. — Harry a sentiu ficar tensa, mas decidiu ignorá-la. — No último verão, quando voltei para casa, tomei a decisão de não fingir mais que aceitava a maneira como meus tios me tratavam e questionei minha tia e suas ações. — Ele deu de ombros. — Não digo que funcionaria em todas as situações, mas, mentir e esconder, me parece uma ferramenta da passividade, entende? Prefiro errar por agir do que por não agir.

— Você criticou sua tia? — Ginny perguntou gentilmente e pensou na sua família, como todos viviam em volta da sua mãe, temerosos de dizer a ela que discordavam de suas ações ou opiniões. Tradicionalmente, todos fingiam aceitar o que ela dizia ou fazia, pois, questionar gerava conflitos e discussões.

— Mais como questionar, sabe. — Harry respondeu. — Eu cresci proibido de fazer perguntas, mas, quando cheguei no número 4 no último verão, me recusei a ficar calado. Porque? Porque ela odiava a minha mãe? Porque me odiava? Porque não podia me amar? Porque ficou comigo, se não me queria? — Harry apertou o punho com a lembrança triste. — Ela se recusou a responder, mas, tudo bem, eu tinha feito a minha parte, Guinevere, porque, às vezes, não é a resposta o mais importante e sim, as reflexões que nossas perguntas geram. E, a sensação de que você não é um fantasma, invisível e inativo.

— Eu não quero ser invisível. — Ela sussurrou com olhos assombrados.

— Então, não seja. — Harry disse carinhosamente.

Ginny acenou e engoliu em seco, pensando no que significava para ela se tornar visível e ativa em sua vida e escolhas. Ela não temia os conflitos e discussões, ao contrário do seu pai, sempre um diplomata ao lidar com sua mãe. Muitas vezes, Ginny teve que se munir de paciência extra para se calar, devido ao pedido silencioso dos olhos azuis e amorosos do seu pai.

— Sua tia o trata melhor? — Ginny perguntou preocupada com ele.

— Melhor? — Harry sorriu e seus olhos verdes brilhantes eram de tirar o fôlego. — Deixe-me lhe contar o que aconteceu no último verão, Guinevere.

Ginny concordou e sentiu seu coração disparar como sempre acontecia ao ouvi-lo dizer o seu nome especial para ela.

No dia seguinte, sob o burburinho da reação a edição especial do profeta, Harry foi apresentado a Leda Pilnner, que se sentou na mesa Gryffindor com Ginny e as amigas.

— Soube que talvez venha treinar conosco na Caverna. — Disse ele suavemente depois das apresentações.

— Ainda não me decidi. — Leda respondeu timidamente e encarando a mesa.

— Sabe porque eu treino? — Harry perguntou lentamente e a viu olhá-lo rapidamente antes de voltar a encarar a mesa. Ele pode ver sua curiosidade e o receio por trás.

— Não. — Ela disse tentando não questionar, mas seus olhos diziam outra coisa.

— Porque eu estava doente quando cheguei a Hogwarts. — Harry resumiu os seus problemas de saúde e a viu encará-lo de olhos arregalados. — Fiquei apavorado de ser um nanico fraco ou ficar cego. Como me defenderia de qualquer um se isso acontecesse? Mesmo com trouxas, sem poder usar magia, eu seria trucidado. E, se em uma luta eu perdesse minha varinha? Ficaria impotente, preso em uma armadilha, pois meu corpo é uma desvantagem.

— Mas, porque você precisaria se defender? — Leda perguntou suavemente. — Você é Harry Potter... — Ela viu sua tensão e se calou temerosa, quase se encolhendo.

— Eu sou, não é? — Harry disse e foi sua vez de desviar o olhar. — Imagine isso, porque alguém tentaria matar uma criança de 15 meses depois de assassinar os seus pais? Olhe em volta, Leda. — Harry disse com firmeza. — Observe os olhares. — Leda seguiu seu conselho e olhou para os alunos das quatros mesas. — Procure além da superfície, você sabe ler as pessoas, teve que aprender a entender seus humores, emoções, para prever suas ações e se preparar, se proteger. — Leda engoliu em seco acenando e observou com mais atenção, detectando muito olhares sutis na direção do Harry. Alguns eram de curiosidade sobre porque ele conversava com Leda Pilnner, outros de interesse ou afeto, mesmo adoração, amigos ou fãs, considerou ela. No entanto, alguns eram hostis, raiva, temor misturado com ódio, frieza com cálculo e Leda engoliu em seco ao perceber...

— Você está cercado por inimigos. — Ela disse suavemente.

— Sim. — Harry sorriu com satisfação. — Eles tentam esconder, mas, eu os vejo muito bem, pois também aprendi desde cedo a ler as pessoas. São puristas, Leda, não bruxos puros como Ginny, que tem um grande coração e nenhum preconceito. Não, esses são aqueles cujas famílias lutaram ao lado ou defenderam o assassino dos meus pais. Eles querem um mundo onde pessoas como nós não existam, Leda, pois, se nascidos trouxas não vieram para o mundo mágico, mestiços não nascerão. Muitas dessas famílias apostaram tudo em Voldemort e perderam, eles me odeiam por isso e, quando eu lutar contra os seus preconceitos, discriminações e leis desumanas... — Harry apontou para o profeta que estava sendo lido e relido por todos os lados. — Me odiarão ainda mais e lutarão de volta. No entanto, eles jogam sujo e tentarão me emboscar, não agora, pois sou apenas um garotinho de 12 anos, aprendendo a usar a minha varinha.

— Mas, um dia, eles virão atrás de você, para matá-lo, se vingar ou te impedir. — Leda disse, entendendo que a maneira como Black estava agindo, era o que Harry pretendia defender e realizar também.

— Sim. — Harry disse e suspirou. — Acho que não preciso me preocupar com isso por um tempo, mas, enquanto isso, eu me preparo, cuido da minha saúde, fico forte e aprendo a me defender física e magicamente.

— Eu não sou boa com magia também. — Leda disse envergonhada. — Além de ter o meu corpo como desvantagem.

— Hum... — Harry a olhou pensativamente. — Vou lhe dizer uma coisa, Leda, magia tem a ver com intensão e se você não acreditar que pode realizá-la, você não realizará. Também, se o seu corpo não estiver saudável, sua magia será mais fraca, pois ela não pode se fortalecer e crescer.

Leda arregalou os olhos surpresa.

— Quer dizer, que eu sou fraca magicamente porque sou gorda? — Ela sussurrou chocada.

— Acredito que é um conjunto, seu corpo está doente, sua confiança abalada e ninguém te ajuda. — Harry olhou para a mesa dos professores com irritação. Prof. Sprout e McGonagall conversavam animadamente como se não houvesse problemas no mundo. — Lamento por isso, mas depende de você cuidar de si mesma, o que inclui, pedir ajuda para algum adulto.

— Não gosto muito de adultos. — Confessou ela bem baixinho e olhou em volta para ter certeza que ninguém ouviu.

— Oh, eu te entendo, também não são as minhas pessoas preferidas. — Harry riu divertido e Leda sorriu levemente surpresa. — Tem algum professor que você gosta ou confia mais?

— Bem... o Prof. Flitwick e a Prof.ª Babbling, de Runas Antigas, são os meus preferidos. — Leda disse pensativa, depois olhou para Sprout. — Prof.ª Sprout é gentil também, mas está sempre muito ocupada e, como não sou muito boa em Herbologia...

— Eu entendo. — Harry disse, apesar de não compreender ou gostar. Na verdade, Sprout dava pouca atenção ou gentilezas a qualquer aluno que não fosse muito bom em sua aula. — Flitwick é uma opção, sei que ele a ouvirá e que fará o que puder para te ajudar. Bathsheda, é um doce e acredito que pode confiar nela também.

— Você conhece a professora de Runas? — Leda se mostrou confusa.

— Sim, ela me dá aulas de galês. — Harry disse suavemente. — Como somos só nós dois e ela é tão jovem, me pediu para chamá-la por seu primeiro nome. Estou ansioso por começar as suas aulas de Runas no ano de quem.

— Ela é muito paciente para explicar e como estamos estudando apenas a teoria, isso me torna boa em Runas Antigas. — Leda disse timidamente. — Depois das OWLs, começaremos a parte prática e, então, será mais complicado. Eu acho que conversarei com o Flitwick, Babbling tem andando muito ansiosa ultimamente, acho que está enfrentando algum problema pessoal. — Harry acenou e seu rosto mostrou preocupação, porque gostava muito de Bathsheda. — Você acredita que devo falar sobre o bullying? — Leda perguntou hesitante ao olhar na direção do trio que a atormentava há anos e que se mantinha encarando Neville com um olhar de raiva mortal.

— Você deve dizer o que se sentir confortável para compartilhar, Leda. — Harry disse suavemente. — Apenas, lembre-se que Flitwick virará o mundo do avesso para te ajudar. — Harry disse com convicção e a viu acenar. — Ele entende, sabe, como é ser perseguido, atormentado, subestimado e desprezado. — Ele apontou para Abla e Demelza que conversavam e sorriam alegremente sem ouvirem a conversa particular. Ginny, ao contrário, estava sentada ao lado do Harry e mantinha um ouvido atento, enquanto fingia acompanhar a conversa das duas amigas. — Elas veem um mundo que não existe, sem monstros, maldades e tristezas. Nós sabemos a verdade, Leda e, por isso, temos que nos preparar e lutar contra os mais terríveis... — Harry pensou em Greyback e acenou na direção do trio Hufflepuff. — E contra os mais fracos e patéticos, que precisam pisar nos outros para se sentirem fortes e importantes.

Leda espiou as meninas rapidamente antes de encarar o Harry com um olhar triste.

— Eu não me lembro de ser assim, de ver um mundo sem monstro. — Ela disse em um sussurro e Harry sentiu seu coração se apertar de tristeza.

— Sabe, eu descobri algo nos últimos tempos e... — Harry sorriu meio culpado. — Nem sempre eu consigo seguir isso, mas, estou me esforçando para mudar e aprender a confiar porque, quando você não luta sozinha contra os monstros, Leda, eles são bem menos assustadores.

— São? — Leda perguntou com olhos arregalados.

— Ah, são. — Harry sorriu ao pensar em Greyback pateticamente tentando fugir de Rox. — Se você deixar, meus amigos e eu lutaremos ao seu lado, Leda e, assim, você não estará sozinha quando tiver que enfrentar os monstros.

Leda engoliu em seco e sentiu seus olhos se encheram de lágrimas de emoção por suas palavras, ainda que o medo de confiar e se machucar era imenso. Respirando fundo, decidiu olhar com atenção e descobrir se ele estava sendo sincero, assim, ela levantou os olhos e o encarou de frente analisando sua expressão, seus olhos verdes, seu sorriso gentil. Leda olhou tão profundamente que viu além da superfície e enxergou a sua bondade, sede por justiça e coragem.

— Ok. — Disse ela e foi como se jogar por um penhasco tão alto e profundo onde nada existia, além de Harry e a esperança de que ele a pegaria.

— Ok. — Harry sorriu e comeu um pedaço dos seus ovos mexidos. — Vamos trabalhar, então, Leda. Você faz a sua parte e eu faço a minha.

Ele terminou de comer rapidamente e se levantou acenando em despedida para as meninas, antes de caminhar até os gêmeos, que conversavam com Lee sobre como a casa Gryffindor venceria o campeonato, pois o time tinha uma arma secreta.

— Arma secreta? Eu deveria me preocupar? — Harry perguntou divertido e os garotos se calaram na mesma hora, lhe lançando olhares competitivos.

— Não precisa tentar saber, Harry, pois não diremos nada. Nem sob tortura. — Disse George firme.

— E, prepare-se para perder, Potter, porque vocês não têm a menor chance. — Disse Fred convencido.

— Só acredito vendo. — Harry deu de ombros indiferente, apesar da sua diversão. — Tenho uma missão para vocês.

— Estamos dentro, chefe. — Disse George e Fred acenou ansioso por se redimirem.

— Parem com isso. — Harry se sentou no banco, mantendo as pernas para fora. — Não sou o chefe de vocês, somos sócios e amigos. — Ele disse diretamente, pois sabia que Lee sabia sobre a MagiTec.

— Somos amigos ainda? — George perguntou hesitante.

— Claro que sim, seus bobos. — Harry disse sorrindo. — Olha, lamento se fui muito duro, mas, apenas queria que compreendessem a seriedade do que aconteceu.

Os dois rostos idênticos acenaram solenemente.

— Nós compreendemos, Harry, de verdade e... — Fred, como sempre, teve dificuldade em expressar as emoções.

— Sabemos como nossos erros poderiam ter acabado com nossas vidas. — George disse e olhou para a irmã com carinho. — Não poderíamos ter uma vida sem ela.

Harry acenou e viu o olhar confuso de Lee, que parecia um pouco chocado com esse lado mais sério dos amigos.

— Então, é isso, não tenho mais nada a dizer. — Harry encerrou a questão e sorriu. — Agora, sobre a missão, vocês podem recusar se quiserem, não precisam fazer nada para tentarem me aplacar ou algo assim.

— Dever ser algo importante e queremos ajudar, afinal, somos amigos. — Disse George trocando um olhar com Fred.

— Além disso, suas missões são sempre divertidas. — Fred disse com um brilho malicioso no olhar.

— Bem, acho que vocês gostarão dessa também. — Harry sinalizou para o trio da Hufflepuff. — Estão vendo o trio ali, Hufflepuff, quinto ano, líder loiro purista.

— Sim. — Fred respondeu, George e Lee acenaram. — Tem um trio desses em todos os anos.

— Eu não duvido. — Harry disse ironicamente.

— O que eles fizeram? — Lee perguntou curioso.

— Porque estão encarando o Neville com tanta raiva? — George acompanhou seus olhares de raiva e percebeu a situação rapidamente.

— Neville os encontrou fazendo bullying com a Leda. — Harry apontou para a menina. — Eles zombam dela há anos porque é gorda e ele não pôde ver a garota ser atormentada sem interferir... — Ele contou o que seu amigo tímido fizera com o trio e acompanhou suas expressões chocados se tornarem divertidas rapidamente.

— Eu não sabia que o Neville tinha isso nele! — Fred exclamou rindo divertidamente. — Oh! Adoraria estar lá para ver o feitiço perder o efeito.

Os quatro meninos gemeram de dor falsamente e depois gargalharam.

— Bem, brincadeiras à parte, o Neville sabe que exagerou um pouco e, claramente, os idiotas não entenderam a mensagem. — Harry disse e os três acenaram. — Leda tem passado tempo com Ginny e suas amigas, assim, sem estar sozinha, tem evitado a possibilidade de ser atormentada.

— Acho que o alvo deles mudou, Harry. — Disse Fred. Estava claro que o trio planejava alguma coisa, pois sussurravam e apontavam ou olhavam para Neville com insistência.

— Sim. Minha missão para vocês é que cubram as costas do Neville sempre que possível. — Harry disse objetivamente. — Terry e eu não estamos com ele o tempo todo, aulas diferentes em muitos momentos, mais o caminho para a torre Gryffindor. Se puderem acompanhá-lo algumas vezes e espalhar entre os seus colegas de casa, apenas para ficarem de olho, pois tenho medo que Neville seja emboscado e ferido.

— Claro, faremos isso com prazer. —Disse George com muita seriedade. — E, nos revezaremos para cuidar do Neville, pode confiar, Harry.

— Eu também ajudarei. — Lee disse com convicção.

— Diga, nós lidarmos diretamente com esses três está incluído na missão? — Fred perguntou lançando um olhar afiado para o trio.

— Vocês podem lidar com isso, mas, nada de bullying ou violência. — Harry disse com firmeza. — Não vamos nos rebaixar ao nível deles, assim, podem ameaçar ou fazerem brincadeiras, mas, não publicamente.

— Porque? — Fred perguntou confuso.

— Porque só é brincadeira se os dois lados participam e riem, se não, é humilhação pública, Fred e não seremos iguais a esses imbecis. — Harry disse e sinalizou para a Leda. — Eles a chamam de Leda Pig, por causa do seu peso e a atormentam há anos. — As expressões dos meninos se fecharam de raiva. — Precisamos lutar contra o bullying e não nos tornarmos parte do problema.

— Certo. — George disse e apontou sutilmente para Neville, antes de dizer divertido. — Isso quer dizer que não podemos pisar em suas bolas?

Isso fez os quatro gargalharem animadamente mais uma vez.

Antes de ir para a sua primeira aula, Harry ainda conseguiu interceptar o Cedric Diggory e pediu para conversar com ele na hora do almoço. O rapaz alto concordou e, Harry lhe mostrou o Covil, pois tinha questões confidencias para tratar.

— Eu passei na cozinha e peguei uns sanduíches. — Harry disse colocando a pequena cesta sobre a mesa. — Espero que não se importe por não almoçar no Grande Salão.

— Não me importo, Harry. — Cedric disse e observou quando o Harry lançou feitiços de imperturbabilidade. — Ainda que esteja curioso para saber o motivo de tanto mistério e como encontrou esse lugar.

— Vamos comer e eu te conto essa parte. — Harry disse e, eles comeram os sanduíches, enquanto Harry explicava a aventura de encontrar e limpar o lugar

Harry se manteve atento ao garoto, mas, como antes, sua impressão sobre Cedric era muito positiva.

— Legal, Harry, mas, porque você precisa de um lugar assim para se reunir e conversar? Que dizer, adoraria poder beijar algumas garotas aqui... — Cedric disse divertido.

— Antes, deixe-me lhe perguntar o que você pensa disso aqui. — Harry tirou o jornal da noite anterior e o colocou sobre a mesa, com a foto dos anciões virada para cima.

O rosto de Cedric se fechou e o garoto tranquilo desapareceu quando a raiva aflorou.

— Uma atrocidade! — Ele pareceu querer conter a raiva, mas não conseguiu. — Não consegui dormir ontem, Harry, depois de ler essa desumanidade! Um auror! Uma curandeira! E, tantos outros que dedicaram as suas vidas ao nosso mundo, jogados fora como lixo. — Cedric se levantou cheio de energia. — E, os que nunca tiveram essa oportunidade? Alguns são lobisomens desde criança e nunca vieram para Hogwarts, tiveram a chance de serem bruxos, terem uma profissão, uma família, um lar. — Seus olhos brilharam de tristeza e emoção. — Não é apenas uma casa para abrigá-los do frio que os lobisomens precisam, Harry, eles merecem um lar.

— O que o seu pai pensa disso? — Harry questionou aliviado por sua percepção sobre Cedric estar correta.

— Papai é tradicional. — Cedric parecia meio envergonhado. — Ele não tem um coração ruim, sabe, apenas segue as regras e as tradições do nosso mundo, além de ser ambicioso.

— Curioso, essa é a segunda vez que ouço essa descrição. — Harry disse pensativo. — Ser ambicioso não é ruim, respeitar regras ou tradições, não é crime, pelo contrário. O problema é ser cego para o sofrimento das pessoas ou seres mágicos, alheio a opressão, discriminação e tormento de inocentes. Quando ser alienado e indiferente, o torna cumplice dessas maldades, simplesmente por não fazer nada.

Cedric se sentou, ouvindo com atenção as palavras do Harry e acenando em concordância.

— Eu penso assim também e por isso não quero seguir os passos do meu pai no Departamento de Controle e Regulamentação de Criaturas Mágicas. — Cedric disse. — Eu pensei no que você disse aquele dia na casa dos Boots, mas eu não acredito que posso mudar a maneira como os seres mágicos são tratados, trabalhando no Departamento que os trata como... isso. — Ele apontou para o jornal. — E, tenho medo de ser pressionado a mudar ou lutar tanto que acabarei vencido.

— Não será vencido, Cedric, se tiver uma equipe, boas pessoas, que lutem ao seu lado. — Harry disse sorrindo para a ironia da repetição da conversa com pessoas tão distintas. — Se estiver interessado em realizar mudanças grandes e verdadeiras, não apenas nas vidas dos lobisomens, mas, em todo o mundo mágico, tenho uma proposta para você.

— Uma proposta? — Cedric pareceu confuso e curioso. — Imagino que tenha a ver com o envolvimento do seu padrinho em toda essa questão e suas declarações de que pretende lutar por leis mais justas na Suprema Corte.

— Esse é um dos caminhos, Cedric, o mais político e por isso o mais longo. — Harry respondeu. — Nós dois concordamos que os lobisomens não podem esperar, mas, respondendo a sua pergunta, tem a ver com as ações do Sirius também.

— Imagino que você não me dirá até que eu concorde, mas, não posso dizer sim, sem saber no que isso implica. O que teria que fazer exatamente? — Cedric persistiu.

— Muitas coisas não muito legais, segundo as leis atuais do Ministério. — Harry disse ironicamente e Cedric fez uma careta para o jornal. — Acho que o mais difícil, Cedric, é que terá que mentir para o seu pai e, talvez, espioná-lo também.

Isso pareceu surpreender o garoto e, ao perceber que Harry estava falando sério, ficou ainda mais desconcertado.

— Não sei o que dizer. — Cedric disse. — Eu sou um Hufflepuff e ser desleal não faz parte de mim, Harry.

— Eu entendo. — Harry disse e suspirou. — Eu não sou um Hufflepuff, na verdade, acredito que o chapéu só me colocaria lá, se não houvesse outras três opções. No entanto, eu também sou leal, Cedric, aos meus amigos e familiares, mas, minha maior lealdade é para comigo mesmo.

— Como assim? — Cedric perguntou confuso, pois pensar em si mesmo primeiro, era o oposto de ser leal.

— Sou leal aos meus sonhos, ideais, princípios, ao meu sobrenome e magia. — Harry sorriu com a certeza acolhedora de sua origem. — Sou leal aos meus antepassados e suas lutas por fazer o bem para o mundo mágico. A Família Potter tem minha lealdade, meus pais e seus sacrifícios tem minha lealdade. — Harry apontou para o jornal. — Os indefesos, oprimidos, perseguidos, maltratados e abusados, tem a minha lealdade. Mas, essas são minhas lealdades, Cedric, você precisa descobrir as suas.

Cedric parecia completamente desconcertado e sem palavras, pois nunca tinha visto a lealdade como mais do que ser leal aos seus amigos e sua família. E, nunca pensou que aprenderia a verdadeira extensão dessa qualidade de um Ravenclaw de 12 anos.

— Eu quero ajudar, apenas, não quero machucar o meu pai. — Ele disse sincero.

— Você disse que ele tem um bom coração, certo? — Harry perguntou e sorriu ao ter uma ideia.

— Sim, ele tem. — Cedric disse convicto.

— Bom, então, a sua missão mais importante, como parte da minha equipe, é encontrar o coração do seu pai e motivá-lo a usá-lo, Cedric. — Harry disse suavemente. — E, prometo que não será obrigado a fazer nada que não queira, eu não sou o seu chefe e você não tem que assinar contratos mágicos ou algo do tipo. Apenas, ajudar no que puder e manter o sigilo do que fazemos, pois, não permitir que pessoas como seu pai descubram, pode salvar vidas. Entende?

— Sim, eu compreendo. — Cedric disse e ficou pensativo por alguns momentos, levantou-se, caminhou pela sala, olhou pela janela para a chuva fina e nevoenta que caia e que se tornaria neve ao fim da tarde. Harry o deixou em silêncio, com seus pensamentos, esperando ter dito tudo o que precisava ser dito. — Eu concordo. — Cedric disse, depois de quase 5 minutos de reflexões. — E, você está certo, devo respeitar as minhas lealdades, mas não desistirei do meu pai.

— Eu faria o mesmo em seu lugar. — Harry disse, desejando poder ter seus pais também.

— Conte-me, o que quer de mim e quais os seus planos? — Cedric pediu suavemente.

— Espero que entenda, Cedric, que levo muito a sério tudo que estamos fazendo. — Harry disse com firmeza. — Mesmo que decida não nos ajudar, agora ou no futuro, espero que seja honrado para não revelar nossos segredos e colocar a vida de inocentes em risco. Além disso, você deve aprender oclumência, se já não souber, e compreender que estou confiando em você e espero que não quebre sua palavra.

— Ok. — Cedric pareceu desconcertado com tanta formalidade. — Eu prometo, por minha honra, manter sigilo sobre o que me disser.

— Bem, vamos começar com a sua pergunta. Porque precisamos de um lugar como esse para reuniões? — Harry sorriu e contou sobre as primeiras reuniões no Covil e como eles espalharam a verdade sobre as discriminações e desigualdades de empregos e salariais entre bruxos puros, mestiços e nascidos trouxas. — Você não sabia disso? — Harry perguntou ao ver o seu olhar surpreso. — Não sabia, por exemplo, que com a crise, o Ministério demitiu centenas de funcionários, cortou salários, horas extras e que o critério era o status de sangue do bruxo?

— Merlin. Eu não... — Cedric parecia perdido. — Em que mundos vivemos, Harry?

— Em um muito injusto e desigual, que trabalha arduamente para manter suas tradições e nos manter alienados. — Harry disse com intensidade. — Vamos as taxas e impostos, as aulas extras e livros censurados. — Continuou ele e, quando terminou, olhou para o relógio. — Precisamos ir para as aulas da tarde, mas acredito que lhe dei muito o que pensar.

— Sim, muito. — Cedric disse e dava para perceber que estava com raiva e desapontado. — Mas você não me disse o que quer de mim ou nada sobre os lobisomens.

— Não, porque quero que pense com cuidado e decida se quer fazer parte disso. — Harry disse com cuidado. — Vamos quebrar a lei, lutar contra elas, mudá-las, encerrar tradições, mentir, enganar e manipular. Se ainda quiser participar, amanhã, almoçamos aqui outra vez e lhe conto o resto. E, sobre o que quero que você faça, além de encontrar o coração do seu pai, é convencê-lo a lutar contra a lei Anti-Lobisomem.

— Convencê-lo? — Cedric pareceu surpreso. — Como? Eu lhe disse que ele é teimoso, sobre os lobisomens é pior ainda.

— Bem, acho que encontrar o seu coração e convencê-lo estão interligados. Quanto ao como? Isso é com você, Cedric, pois é quem conhece o seu pai. — Harry disse motivador. — Use sua inteligência, influencie, argumente, exponha os seus pensamentos, questione, participe, escute-o, se envolva e, se conseguir, convença-o a usar o seu bom coração. Vamos precisar de todo o apoio para acabar com esse projeto de lei da Umbridge e, o Chefe do Departamento de Controle e Regulação das Criaturas Mágicas, seria um grande acréscimo a nossa causa.

— Posso entender isso e também o que me pede. — Cedric disse. — Se eu decidir não fazer isso...

— Não precisa voltar amanhã e está tudo bem. — Harry disse com um sorriso sincero. — Se decidir, terá mais coisas para descobrir e fazer, mas preciso que tenha certeza.

— Ok. Estou um pouco chocado com todo o seu cuidado e formalidade. — Cedric disse. — É possível ver que é tudo muito importante para você e me surpreende que alguém tão jovem possa se envolver algo assim.

— Pare com isso. — Harry se levantou e pegou sua mochila. — Minha idade não tem nada a ver, você sabe disso. Eu sou um Potter, Cedric, meus antepassados andaram por esses corredores antes de mim, fazendo alianças e realizando projetos importantes. Essa é a minha vez e, um dia, nossos filhos e netos estarão fazendo o mesmo.

— É isso o que estamos fazendo? Formando uma aliança? — Cedric perguntou confuso.

— O que você achou que era? Um acordo de noivado? — Harry disse sarcástico e riu da expressão assustada do outro garoto. — Um dia, Cedric, seremos os adultos que chefiam Departamentos, sentam em cadeiras da Suprema Corte, apresentam projetos de leis e os responsáveis pelas injustiças e crueldades. Podemos esperar até sermos maiores de idade ou até os 30 anos, mas, eu quero começar agora.

— Entendi isso. — Cedric disse suavemente. — Prometo analisar tudo com muito cuidado.

— Sugiro que use o seu coração. — Harry disse quando se aproximaram das escadarias. — E, extraoficialmente, tenho outra missão para você, se estiver interessado, mas não tem a ver com nosso acordo de amanhã.

— O que é? — Cedric se mostrou curioso e ouviu sobre uma menina chamada Leda Pilnner e seus algozes.

— Leda está no meu ano, não sabia que estavam fazendo isso com ela. — Cedric disse chocado ou chateado.

— Não sabia ou não quis ver? — Harry perguntou com certa dureza. — Não culpe a ignorância, Cedric e sim, a sua indiferença, que é sua responsabilidade, assim como de todos nós que não vemos além da superfície. — Cedric parou de andar, desconcertado com a reprimenda e parecia querer argumentar, no entanto, não encontrava palavras. Harry parou também e o olhou com frieza. — Não espere de mim que eu finja e lhe dê falsos elogios, se tiver que criticar, não hesitarei. Ainda que o que está acontecendo com Leda é como a unha minúscula de um braço gigantesco, que não é sua culpa ou minha, e sim dos adultos que deveriam cuidar das crianças que estão sob sua responsabilidade. Sinceramente, nessas condições, chamais enviaria os meus filhos para estudar aqui.

— Bem, então, o que quer de mim? — Cedric perguntou com voz irritada.

— Proteja-a, Cedric. — Harry disse suavemente. — Aqui fora, estaremos de olho, Neville tem seus colegas Gryffs e Leda não estará mais sozinha. No entanto, dentro da casa Hufflepuff, não temos acesso ou sabemos como é o tratamento que Leda recebe do trio ou dos outros.

— Eu posso fazer isso. — Cedric disse tentando conter a irritação por ser repreendido por um nanico de 12 anos. — Cuidarei dela e observarei se isso acontece com outros colegas da minha casa.

— Eu agradeço. — Harry disse em tom amigável. — Lembre-se que está lidando com alguns puristas, seja cuidadoso e inteligente.

Cedric se afastou e Harry o observou esperando que sua crítica não o afastasse, mas, se isso acontecesse, então, o garoto não era tão justo e inteligente como parecia ser.

Naquela noite, depois de terminarem o treino de quadribol, Trevor o chamou de lado para conversarem.

— Fiquei sabendo de um boato de que o time da Gryffindor tem uma arma secreta e têm a certeza de que ganharam de nós. — Ele disse preocupado. — Você sabe alguma coisa?

— Pelo que entendi, eles conseguiram um apanhador decente, finalmente. — Disse Harry sincero, pois fingir que não sabia, quando Ginny era sua amiga, seria tolice. — Acredito que estão certos, Trevor, eles têm uma pontuação melhor do que a nossa, assim, mesmo que ganharmos o jogo, podemos perder o campeonato. Suas artilheiras são melhores e, se tiverem um buscador que cause problemas, podem vencer.

— Tudo por causa daquele jogo com os Slytherins. — Trevor disse irritado. — Nós merecíamos ter ganho, Harry, estaríamos com a mesma pontuação ou a frente dos Gryffis.

— Lamento...

— Não foi sua culpa. — Trevor o interrompeu. — Apenas, foi tão incrível ganhar no ano passado que seria bom me despedir da escola com mais um campeonato. Mas, suponho que depois dos Slytherins ganharem por seis anos seguidos, eu deveria me contentar. Certo?

— Ei, não jogue a toalha, ainda temos um jogo para jogar e, até alguém pegar o pomo, o campeonato não está perdido. — Harry o motivou.

— Tentarei ser positivo, amigo. — Trevor disse sorrindo. — Ei, queria te contar, mas, não tive a oportunidade antes... — Ele parecia hesitante. — Lembra-se que me falou daquela ideia de abrir um centro esportivo no mundo m´sgico?

— Sim. — Harry acenou curioso.

— Bem, você sabe como fiquei interessado e os projetos do seu pai para reestruturar a Liga de Quadribol, é de tirar o fôlego. — Trevor corou levemente. — Eu realmente gostei, mas, imagino que não seja algo que você poderá iniciar por enquanto...

— Fale logo, Trevor. — Harry disse com o cenho franzido.

— Bem, eu recebi uma carta, me convidando para uma entrevista de emprego na GER, durante as férias de páscoa. — Trevor falou rapidamente. — É como uma entrevista introdutória, eles querem me conhecer, descobrir o meu perfil e interesses, se têm uma colocação para mim e se estou interessado. Na carta, eles dizem que se eu passar na entrevista, haverá uma nova reunião no início do verão, quando me formar, e que existe a possiblidade de auxílio com bolsas de estudo para a universidade, se eu for selecionado.

— Parece uma grande oportunidade. — Harry disse tentando não sorrir e se manter neutro. — Você não deve perdê-la.

— Assim que você iniciar seus projetos, prometo que irei te ajudar, mas, essa é a minha chance de ir para a faculdade de medicina, Harry. — Trevor disse ansioso e culpado. — Quero ser um médico esportivo e trabalharei na área que eles quiserem se forem me ajudar a realizar esse sonho.

— Trevor, é o seu sonho e você deve lutar por isso. — Harry disse sincero. — Se a GER está lhe oferecendo essa oportunidade, é porque ouviram coisas boas sobre você, pois duvido que eles escreverão cartas como essas para todos os alunos do sétimo ano. Está tudo bem.

— Tem certeza? — Trevor perguntou hesitante e Harry sorriu divertido.

— Absolutamente. Mas, se você conhecer o dono da GER pessoalmente, espero que me conte quem é. Então, estaremos quites.

— Combinado. — Trevor sorriu aliviado.

No Covil, na hora do almoço do dia seguinte, Harry aguardou sentado e comendo o seu almoço saudável calmamente enquanto esperava. Dessa vez, Neville e Terry estavam presentes, pois não haveria mais a necessidade de uma conversa particular.

— Você acredita que ele virá? — Neville perguntou suavemente.

— Espero que sim. — Harry disse sincero. — Usei todos os conselhos que a Daphne me deu, mas tenho a impressão que o Cedric me achou um pouco formal ou arrogante, talvez.

— Bem, ele é de uma família pura, mas os Diggorys não são antigos, ricos e formais como os Greengrass ou Smith. — Terry disse lentamente. — Mas, estiveram neutros na guerra, como essas duas famílias e talvez o Cedric queira manter essa neutralidade, afinal, ele é um Hufflepuff.

— O que isso quer dizer? — Neville perguntou confuso. — Ser um Hufflepuff não significa que ele não possa lutar em uma guerra.

— Claro que não, mas, eles têm uma natureza mais pacifica e amigável. Verbalmente ou magicamente, conflitos não são dos seus agrados. — Terry explicou o seu raciocínio e Neville acenou.

— Acho que por foi isso que eu achei que estaria na Hufflepuff, nunca gostei de conflitos e discussões. — Neville disse e Harry respondeu na mesma hora.

— Não, você só gosta de pisar em bolas. — Disse ele e caiu na gargalhada, com Terry o acompanhado.

Neville corou, como fazia sempre que o assunto era mencionado, mas também riu divertido, pois, apesar de envergonhado por seu exagero, ainda se sentia estranhamente gratificado.

Cedric entrou no meio dos risos e ficou desconcertado ao ver quão jovem Harry parecia, quando ontem parecia tão... crescido.

— Oi, Cedric! — Harry disse mais informalmente. — Que bom que veio, temos muito o que conversar. Você conhece o Terry e Neville, claro, eles vieram ajudar a explicar algumas coisas.

— Oi, garotos. — Cedric disse sorrindo amigavelmente, antes de olhar para o Harry. — Queria me desculpar por minha irritação de ontem, você estava certo em tudo o que disse e minha reação foi apenas porque estava envergonhado.

— Desculpas aceitas. — Harry disse e lhe estendeu alguns sanduíches. — Seguimos em frente. A primeira coisa que deve saber, é que você não é o único que está sendo recrutado, por assim, dizer. — Harry disse e gesticulou para o Terry, que explicou sobre como a equipe do Covil estava se aproximando dos outros filhos de funcionários do Ministério e membros da Suprema Corte para tentar envolvê-los na causa.

— Então, você está formando alianças com todas essas famílias? — Cedric perguntou surpreso.

— Longe disso, Cedric. — Neville respondeu. — Não formaríamos uma aliança com os Diggorys se você não estivesse disposto e interessado em participar.

— Muitos desses filhos ou netos que são alunos aqui em Hogwarts, não se importam ou se interessam por ajudar em causa alguma, muito menos a dos lobisomens. — Terry continuou. — Isso sem falar nos de famílias puristas. Nossa equipe está se aproximando, conhecendo, fazendo amizade e, aqueles que se mostrarem verdadeiramente indignados e interessados como você, serão chamados para participar.

— E, eles influenciarão os seus pais e avós em casa, assim como o Harry me pediu para fazer em relação ao meu pai. — Cedric disse lentamente. — Isso é muito inteligente, mas, o que oferecerão em troca? Quer dizer, normalmente, alianças como essa significam um quid pro co.

— O que você quer, Cedric? — Harry questionou diretamente. — Em troca de nos ajudar, o que você gostaria de receber?

— Eu... — Cedric pareceu desconcertado. — Nada, realmente, não consigo pensar em nada que eu queira ou precise. Apenas quero ajudar, porque acredito que é o certo a se fazer.

— Exatamente. — Harry disse sorrindo. — Não chamaremos qualquer um, pessoas hesitantes, egoístas ou apenas ambiciosas. Muitos dirão que se importam ou simpatizam com os lobisomens, mas, não estão dispostos a trabalharem duro para ajudar. Outros, se interessarão apenas por causa de uma possível aliança com um Potter ou Black, Longbottom ou Boot. — Harry explicou lentamente. — Queremos encontrar alunos como você, Cedric, que quer ajudar, se importa e agirá sobre isso sem esperar algum ganho próprio. Claro, consequentemente, como companheiros ou até amigos, se um dia precisar de mim, de nós, pode contar conosco.

Cedric acenou percebendo a sinceridade de suas palavras e gratificado com a ideia de ser amigo de bruxos e bruxas que pensavam como ele.

— Quando conhecerei o resto do pessoal? E, posso recrutar também? — Ele perguntou ansioso por começar.

— Ah, faremos uma reunião neste fim de semana para saber como cada grupo está se saindo. — Terry disse. — Dividimos os nomes em pequenos grupos, de acordo com idade e casa, para não chamar muita atenção.

— Isso é importante, Cedric. — Harry explicou. — Somos amigos e colegas, mas, evitamos ficar nos reunindo e falando sobre esses assuntos sigilosos em qualquer lugar, pois poderíamos ser ouvidos. Você tinha a senha para entrar no Covil, mas, depois lhe mostrarei as outras 2 entradas e é sempre bom revezar a maneira de entrar, porque seria estranho se todos subissem até o quinto andar, principalmente Hufflepuffs e Slytherins.

— Há Slytherins na equipe? — Cedric perguntou surpreso.

— Sim e espero que isso não seja um problema. — Harry disse e Cedric gesticulou que não. — Bom, nós não podemos continuar com preconceitos tolos, quando estamos lutando contra eles. Sobre recrutar, é claro que se você conhece alguém que defenda nossas ideias, tenha interesse real em ajudar e concorde em estudar oclumência para mantermos o sigilo, não vejo porque não trazer.

— Isso é algo delicado, Cedric. — Neville disse suavemente. — Não estamos por aí tentando manipular ou mudar ninguém, queremos identificar pessoas que realmente se importam e querem ajudar. Como o Harry disse, você pode conhecer alguém que concorda com suas ideias, mas não quer se envolver em qualquer ação, ou pior, a pessoa pode não entender a importância do sigilo e falar para as amigas ou familiares.

— Isso seria um desastre. — Harry disse seriamente. — Estamos conseguindo agir praticamente sem resistência até agora, por causa do sigilo e é assim que chegaremos mais longe.

— Quando eles perceberem o que estamos fazendo, será tarde demais para deter o progresso do mundo mágico. — Terry disse sorrindo.

— Eles, vocês querem dizer, o Ministério. — Cedric disse curioso.

— O Ministério não é nosso inimigo. — Terry disse objetivo. — Ele apenas está atrasado, corrupto e fraco diante das necessidades da população. No momento e por muitos séculos, o Ministério governou apenas para as famílias puras e antigas. Politicamente podemos e devemos exigir mudanças, mas isso não começa no Ministério, Cedric, as mudanças começam em Hogwarts.

— Com a AP, por exemplo. — Harry disse sorrindo.

— Foi ideia de vocês? — Cedric perguntou surpreso.

— Não diretamente, mas questionamos os nossos adultos sobre porque eles não faziam mais e exigiam mais para o nosso benefício como alunos. — Harry disse. — Melhores professores e aulas são o mínimo, mas, nem isso nós tínhamos. Áreas de convivência e locais de estudo adequados, atividades extracurriculares, mais aulas, são apenas coisas inteligentes para o nosso desenvolvimento e que merecemos, principalmente com o preço que pagamos na mensalidade.

— E, indo na direção das mudanças, porque não termos as aulas extras para todos, porque só para os alunos puros sangues? — Terry disse irritado. — Porque todos não podemos aprender sobre política, administração, costumes, direito? Porque os livros devem ser controlados e censurados pelo Ministério? Porque não temos o direito de aprendermos o que quisermos e a liberdade de questionar, debater e compreender o mundo em que vivemos?

— Você está no quarto anos, Cedric. — Harry disse. — Algumas das suas aulas o ensinou a ter senso crítico e opinião própria? Ou são apenas conteúdos, sem discussões, debates, política, cultura, história, que levem os alunos além da superfície?

— As aulas do Prof. Achala são meio assim... — Cedric parou ao ver os seus acenos. — E, ele já faz parte dessas mudanças.

— Sim, não queremos que todos pensem como nós, Cedric, não queremos seguidores ou ovelhas, queremos que os alunos aprendam a pensar por si mesmos. — Terry disse. — Nós chamamos de rebelião silenciosa, porque não nos importa números e sim, verdade. Que os alunos verdadeiramente aprendam a criticar, refletir, questionar e inspire amigos, irmãos, pais, assim, aos poucos e mesmo que demore muitos e muitos anos, atingiremos todo o mundo mágico.

— Precisamos também respeitar a cultura do nosso mundo. — Neville disse. — Muitos puros sangues alegam que os nascidos trouxas querem mudar o nosso mundo para ser como o mundo trouxa. E, não é isso que queremos e sim, que possamos nos adaptar e estarmos abertos as diferenças.

— No momento, as tradições antigas são barreiras e instrumentos dos puristas preconceituosos. — Harry disse. — Mas, elas podem ser parte da nossa cultura sem que para isso tenhamos que desprezar, segregar ou expulsar outras culturas.

— Diversidade. — Terry disse sorrindo. — Nós evoluímos e aprendemos em nossas relações com os outros, como você está fazendo agora, Cedric. E, temos que ser tolerantes a diversidade de pensamentos, sentimentos, sonhos, amores, projetos, línguas, culturas, aparências.

Cedric acenou fascinado com tudo o que ouvia e que colocava em palavras simples tudo o que sempre sentiu sobre o mundo mágico e, ainda, o levou a refletir além. Além da superfície.

— Como posso ajudar... quer dizer, além de tentar influenciar o meu pai. — Cedric disse empolgado.

— Bem, o nosso principal projeto no momento é ajudar os lobisomens. — Harry disse e explicou sobre a ilha, as doações e os empregos que eles estavam tentando conseguir para a comunidade. — Eles são pessoas que querem e merecerem viver com dignidade, por isso não lhe daremos nada e sim os ajudaremos a conseguir por si mesmos. A ilha será arrendada, as doações são de roupas e objetos usados, eles aprenderão uma profissão ou uma nova profissão em alguns casos e trabalharão por seus sustentos.

— Isso é perfeito, Harry e justamente o que lhe disse ontem, que os lobisomens precisavam de um lar, não apenas uma casa para abrigá-los do frio. — Cedric disse com os olhos brilhantes.

— A intenção da ilha é lhes dar um lar de verdade e que seja seguro do Ministério e suas leis desumanas. — Terry acrescentou e, hesitante, acrescentou. — Também, queremos protegê-los da guerra que está em nosso futuro.

— Guerra? — Cedric parecia perdido e chocado ao olhar entre Terry e Harry.

— Voldemort está vivo, Cedric. — Harry disse com expressão sombria.

— Isso é impossível. — Cedric disse meio sem fôlego.

— Mesmo? — Harry perguntou ironicamente. — Vamos lá, pense um pouco, Cedric. — Harry disse, decidido a não o convencer de nada e sim, estimulá-lo a pensar por si mesmo. — Quem foi que divulgou as informações sobre a morte de Voldemort para o público?

— O... Ministério. — Disse Cedric menos convicto.

— O mesmo Ministério que enviou o meu padrinho para Azkaban sem julgamento? — Harry perguntou com as sobrancelhas arqueadas e Cedric apenas acenou sentindo um frio na barriga. — Quem você acredita que causou problemas a dois anos, tentou me matar e quase matou o professor Flitwick? Ah, e que indiretamente, foi o responsável pela morte de Quirrell.

— Mas... Quirrell morreu em um acidente... — Cedric tentou protestar fracamente.

— Isso foi o que o diretor decidiu divulgar, mas, acredite, estávamos lá e não foi um acidente. — Neville afirmou e mostrou certo desprezo ao mencionar Dumbledore.

— E, sobre este ano? — Terry disse com uma careta. — Quem você acha que era o herdeiro de Slytherin e abriu a Câmara Secreta? Ou reabriu, na verdade.

— Reabriu? — Cedric parecia meio enjoado.

— Sim, a quase 50 anos, Tom Riddle abriu a Câmara de Slytherin e petrificou estudantes. — Harry disse sombrio. — Ele parou apenas quando matou uma garota, Myrtle Warren, e decidiram fechar Hogwarts, órfão, Riddle decidiu interromper seu projeto e incriminar outro aluno.

— Quem é Riddle? — Cedric parecia perdido. — E, quem ele incriminou?

— Tom Riddle é o verdadeiro nome de Voldemort. — Harry disse. — Ele estudou aqui e, aos 16 anos, abriu câmara e incriminou o Hagrid, que estava em seu terceiro ano. Hagrid foi expulso e quase preso por algo que não fez, enquanto Riddle ficou impune para ser transformar em Voldemort e iniciar a guerra.

— Como ele pode estar vivo? — Cedric estava pálido agora e não duvidava mais. — Você... quer dizer, seus pais não o mataram?

— Meus pais criaram uma maneira de me proteger da tentativa de Voldemort contra a minha vida e isso causou uma explosão mágica que destruiu o seu corpo. — Harry disse se desviando da verdade para não mencionar as horcrux. — Ele vive como um espectro, fraco, patético, mas ainda vivo e tentando recuperar o seu corpo e reassumir o seu poder. No primeiro ano, Quirrell o permitiu possuí-lo e isso o matou, praticamente.

— Acredite, foi assustador quando percebemos que tivemos aula na presença de Voldemort por um ano inteiro. — Neville disse com uma careta de desagrado.

— Merlin... — Cedric pareceu cada vez mais assombrado.

— Ele voltará, Cedric, cedo ou tarde. — Harry disse pensativo. — O melhor é que seja mais tarde e dê tempo para que crescemos, nos tornemos adultos e fortes magicamente. Mas não podemos confiar nessa esperança, assim, nós temos que nos preparar e mudar o mundo mágico o quanto for possível, pois assim, quando Voldemort se reerguer, não terá a chance de vencer, como aconteceu da última vez.

— Por isso quer ajudar os lobos? — Cedric perguntou ao compreender a importância disso.

— Sim, pense, se eles estiverem protegidos, não serão vítimas ou mais bruxos aumentando os seus números porque, com certeza, Voldemort os obrigará ou os seduzirá para que lutem por ele. — Harry disse. — Mas, independentemente de Voldemort, temos que ajudá-los, porque é a coisa certa a se fazer.

— Não estamos lhe contando isso porque queremos que você lute na guerra ou eles, por sinal, cada um fará o que a sua consciência lhe orientar. — Terry disse e parecia cansado. — Merlin sabe que eu não sou um guerreiro e lutar batalhas de vida ou morte não é o meu negócio, mas, aprendi que se não lutarmos para acabar com isso, eles virão atrás de nós e das nossas famílias.

— O que orientamos a todos é que estudem mais Defesa e se preparem para se defender. — Harry disse. — Se quiser contar para pessoas de confiança que Voldemort está vivo, tudo bem, quanto mais pessoas souberem, melhor.

— Duvido que alguém acreditaria em mim. — Cedric disse. — Imagino que é por isso que vocês não estão espalhando aos quatro ventos ou anunciando no jornal.

— Contamos para quem confiamos e que confiam que não mentiríamos sobre algo assim, mas, declarar para o público que não quer acreditar seria tolice. — Harry deu de ombros.

— Quer todo munda saiba ou não, nos preparamos. — Neville determinado. — Lutamos, resistimos e trabalhamos para ajudar o máximo de seres mágicos que pudermos.

— Então, o que me diz? — Harry perguntou. — Está dentro?

— Eu já estava antes, agora, não poderia deixar de ajudar por nada. — Cedric disse solenemente. — Podem contar comigo.

— Bem-vindo a equipe. — Harry disse sorriu e estendeu a mão para um aperto formal.

Mais tarde, depois de conversarem sobre como o Cedric poderia tentar influenciar o seu pai e obter informações, além de doações para a comunidade lobisomem, Harry lhe mostrou as outras saídas e informou as senhas.

— Nós mudamos uma vez por mês. — Harry explicou. — Terry e Hermione cuidam disso, na verdade, pois tenho muito o que fazer e é bom ter ajuda.

— O que te mantem tão ocupado? — Cedric perguntou curioso.

— Aulas, aulas extras, treinamentos físicos e mágicos, leituras, quadribol e, bem, alguns dias inesperados. — Harry disse sorrindo sarcasticamente. — Informamos a nova senha quando são mudadas e, quando marcamos uma reunião, fazemos por pequenos bilhetes com a data e horário, que devem ser queimados assim que forem lidos. Entregamos a um aluno de cada casa e esse aluno se torna responsável para avisar os outros colegas de sua casa, assim, não temos dezenas de bilhetes circulando por aí e que nos tomaria muito tempo para fazer.

— Inteligente. — Cedric disse e depois sorriu do olhar do Harry. — Ravenclaw, claro. Porque você sente que precisa de tanta discrição aqui, em Hogwarts?

— Não se engane, Cedric. — Harry disse suavemente. — Muitos dos alunos desta escola são de famílias puristas, alguns até foram apoiadores diretos de Voldemort. Qualquer movimento estranho ou direto de Harry Potter, chamará a atenção e acredito que reuniões e rebeliões, poderiam ser classificados assim. Certo?

— Sim, suponho que sim. — Cedric respondeu pensativo.

— Além de compartilhar com seus pais suas observações, esses alunos serão os adversários políticos ou comensais da morte com quem lutaremos diretamente um dia, Cedric e, por isso, não devemos subestimá-los ou impedir que eles subestimem a nós. Porque nos revelar? — Harry sorriu ironicamente. — Deixe-os pensar que sou só um garotinho tolo e você, um rosto bonitinho, sem cérebro, coragem ou astúcia.

— Eu já comecei a aprender oclumência. — Cedric contou suavemente. — Meu pai me ensina desde o verão antes do meu terceiro ano.

— Isso é bom. — Harry disse positivo. — Toda a equipe do Covil está aprendendo, eu lhes emprestei livros não censurado sobre o assunto e na próxima reunião saberei como têm se saído.

— Como fazemos para saber quem é confiável, Harry? Quem é purista? Se eles não se declaram ou discriminam. — Cedric expôs sua dúvida.

— Não sei se serve para todos, claro, mas para mim é uma combinação. — Harry disse pensativo quando caminharam de volta para a sala do Covil pelo corredor iluminado por tochas. — Eu os observo com muita atenção, principalmente os seus olhos, Cedric, porque a boca diz uma coisa ou sorri, mas, os olhos não mentem. E, confio em meus instintos e em minha magia, eles estão interligados, pois sei que quando meus instintos me dizem algo, é minha magia me alertando da verdade ou de um perigo. Entende?

— Eu não, realmente. — Cedric disse confuso.

— Quando está aprendendo oclumência, você se conecta com a sua magia, faz meditação e tenta alcançar o estado de ausência... — Harry parou ao vê-lo acenar negativamente.

— Meditação? Estado do que? — Cedric perguntou perdido.

Harry parou e encarou o garoto mais velho, antes de perguntar.

— O que diabos tem feito para aprender oclumência?

— Bem, limpar a mente, basicamente. — Cedric respondeu quando recomeçaram a caminhar. — Eu devo sempre treinar limpar a mente de todos os pensamentos antes de ir dormir e isso me ajudará a manter meus pensamentos escondidos e impossíveis de ler.

— Bem, essa é uma das etapas, claro, mas, o que acontece em um ataque direto? — Harry questionou. — O livro que leu sobre o assunto não diz como transformar sua magia em uma espécie de exército de defesa? Assim, se alguém tentar invadir sua mente, você pode expulsá-lo facilmente se o seu exército estiver bem fortalecido. — Cedric arregalou os olhos e negou. — Ou se quiser esconder informações, mas, sem que a pessoa saiba que faz isso, ele não ensina a manter seus pensamentos superficiais focado em algo inofensivo? Porque, se mantiver os seus pensamentos superficiais em branco, o seu inimigo saberá que tem algo a esconder, assim, enganá-lo é mais inteligente do que enfrentá-lo, principalmente se ele for mais forte magicamente.

— Papai me deu um livro antigo para ler e não há nada sobre isso nele. — Cedric disse mal-humorado. — Estou limpando a mente a quase 2 anos e você me diz que não será efetivo?

— Para um inimigo como Voldemort e seus seguidores mais poderosos? Não mesmo. — Harry disse ironicamente. — E, ouso dizer que, em alguns anos, você não manterá sua mente de mim também, Cedric.

— Você poderia me emprestar esse livro de que falou? — O Hufflepuff perguntou vencendo o orgulho.

— Claro, eu tenho algumas cópias circulando entre a equipe do Covil e, na reunião de amanhã a noite, você pode entrar na fila para conseguir um. — Harry disse sorrindo suavemente. — Mason o ajudará a aprender a verdadeira oclumência.

Eles se despediram depois disso e Harry voltou para a sala do Covil, encontrando Terry, Neville e Ginny.

— Pensei em passar aqui para falar com você sobre a Leda. — Ginny disse suavemente. — Acredito que ela seria uma boa candidata para entrar para equipe do Covil e ajudar, mas, não sei se é momento. Também não sei o que você disse a ela, mas, Leda parece decidida a se exercitar na Caverna e se alimentar de maneira saudável.

— Isso é ótimo. — Harry disse se sentando ao seu lado no sofá e observando o brilho do fogo refletir em seus cabelos, que brilhavam como chamas alaranjadas, vermelhas e douradas. — Eu apenas fiz um acordo com ela... — Disse ele distraidamente e se aproximou para sentir o perfume floral que estava mais forte em seus cabelos recém lavados e que estavam soltos. — Você lavou os seus cabelos?

— O que? — Ginny ficou surpresa com a mudança de assunto e depois corou. — Sim, eu os lavei agora a pouco e... os sequei com um feitiço, mas, gosto de deixá-los soltos por um tempo, antes de trançá-los.

— Eles estão muito bonitos. — Harry disse suavemente, ainda admirando os fios compridos.

— Obrigada. — Sussurrou Ginny timidamente e pretendia perguntar sobre a Leda outra vez, mas Harry falou primeiro.

— Que shampoo você usa? — Harry perguntou curioso.

— O que? — Ginny estava desconcertada. Nem mesmo suas amigas nunca lhe perguntaram algo tão íntimo e, ao mesmo tempo, tão trivial antes.

— O shampoo, ele tem um cheiro delicioso. — Harry disse e, lentamente, se inclinou ainda mais perto, cheirando os seus cabelos e se deixando inundar pelo aroma incrivelmente maravilhoso.

— Eu... — Ginny estava sem fôlego agora e pigarreou antes de continuar. — Bem, eu faço o meu próprio shampoo, sabe.

— Verdade? — Harry a encarou surpreso.

— Sim, hum... sabonetes e shampoos são artigos muito caros no mundo mágico, assim, normalmente, apenas famílias ricas os compram. — Ginny disse levemente constrangida. — Minha mãe aprendeu com a mãe dela, que aprendeu com a mãe dela e assim por diante. Ela prepara os shampoos e sabonetes para toda a família, mas, eu nunca gostei do cheiro, pois ela usava uma essência amadeirada ou cítrica, para agradar os meus irmãos e meu pai, que não queriam um cheiro muito feminino.

— Entendo. Como você terminou com o seu cheiro especial? — Harry perguntou suavemente.

— Minha avó paterna, Cedrella, ela era uma Black e costumava ser muito rica, assim, nunca precisou preparar o seu próprio shampoo, mas aprendeu quando a família empobreceu. — Ginny disse com um sorriso saudoso. — Eu reclamei um dia e ela disse que faríamos uma combinação especial, testaríamos os ingredientes até que eu encontrasse o cheiro certo para mim. Lembro-me de perguntar, como eu saberia qual o certo e vovó disse que o aroma me aqueceria por dentro. Então, compramos flores secas e começamos a fazer combinações no caldeirão, procurando a essência correta, pois os cheiros individuais de cada flor não me atraíram.

— E qual foi a combinação? — Ele insistiu, tentando colocar o cheiro delicioso, que o aquecia por dentro, em imagens.

— Bem, peônias, lírios do vale, gardênias, flores do campo e um toque de ervilhas de cheiro. — Ginny disse lentamente. — Minhas escolhas são mais campestres e terrosas, com um toque de doçura, assim, o aroma fica mais floral e fresco, não doce e enjoativo.

— É perfeito. — Harry disse ao visualizar cada flor, pois as conhecia muito bem dos seus tempos de jardineiro. Ginny corou e o olhou timidamente. — Você ainda faz o seu próprio shampoo e sabonete?

— Sim. — Ela acenou. — Eu fiz centenas de vezes com minha avó antes de ela falecer e não é muito difícil, ainda que eu não seja muito boa em poções. O shampoo é o meu favorito, pois deixa os meus cabelos bem macios e brilhantes, mas, o sabonete, parece faltar algo.

— O que? — Harry perguntou curioso.

— Não sei explicar, talvez, um toque de acidez, algo cítrico. — Ginny disse pensativa. — Estávamos conversando sobre voltarmos a pesquisar, quando vovó adoeceu e se foi.

— Poderíamos tentar encontrar, se você quiser. — Harry se ofereceu em um impulso. — E, eu posso lhe emprestar o livro da minha mãe, podemos treinar a preparação de poções juntos e aposto que você será a melhor aluna do seu ano.

— Isso seria legal, ainda que duvido que isso aconteça. — Ginny disse sorrindo com entusiasmo. — Não sabia que a sua mãe tinha um livro sobre poções.

— Ah, ainda não foi publicado, está em fase de edição, na verdade. — Harry disse com orgulho. — Eu emprestei para os meninos e Hermione, não me importo de compartilhar com você também, ainda que peço que seja discreta.

— Claro. — Ginny se sentia tocado. — Eu prometo. Quando começamos?

— Amanhã? Depois do treino na Caverna? — Harry sorriu também empolgado.

— Combinado. — Ginny suspirou ao voltar ao assunto. — E sobre a Leda?

— Ah, eu concordo com a sua intuição. Acredito que seja cedo para trazê-la para o Covil, precisamos conhecê-la um pouco mais, mas, se quer recrutá-la, comece a conversar com ela sobre os lobisomens, mudanças de leis e enfrentar o Ministério. — Harry disse objetivamente. — Observe-a com atenção, além da superfície, descubra quais são suas opiniões e se seus sentimentos são verdadeiros, mais importante, se está disposta a ajudar. — Pensativo, Harry suspirou — Sinceramente, ela precisa se ajudar no momento e isso me parece o mais importante. Leda precisa lutar por si mesma.

— Leda me disse que ia conversar com o professor Flitwick amanhã de manhã e, hoje à tarde, ela teve uma consulta com a Madame Pomfrey. — Ginny disse positiva. — Não sei como a convenceu, mas ela parece bem motivada.

— Eu não fiz nada. — Harry deu de ombros timidamente. — Apenas ofereci a nossa amizade e a aconselhei a cuidar de si mesma. Às vezes, as crianças e os adolescentes têm pais ou guardiões para fazer isso, mas, no caso de Leda, ela só tem a si mesma, Guinevere e, por isso, deve crescer mais rápido e se cuidar sozinha.

Ginny acenou e estendeu sua mão apertando o seu braço com carinho.

— Ou, às vezes, você pode ter a sorte de encontrar bons amigos pelo caminho e perceber que não está sozinho. — Ela disse suavemente.

— Sim, tem isso. — Harry sorriu e apertou sua mão esquerda com a sua direita. — Domingo, teremos outro treinamento de Defesa, você virá?

— Não perderia por nada. — Ginny disse com seu sorriso aumentando, depois bocejou e se espreguiçou. — Irei para a cama agora. Boa noite, Harry, meninos.

— Vou com você, Ginny, amanhã será outro dia longo. — Neville se levantou e a seguiu. — Boa noite.

Na manhã seguinte, depois do treino na Caverna, os quatro foram para o laboratório de poções dos Ravenclaws. Ginny se surpreendeu, pois achou que iam para as masmorras e Harry lhe explicou como o laboratório funcionava.

— Bem, isso explica porque são chamados de a casa dos inteligentes. — Ginny disse impressionada.

— É mais que isso, Ginny, nós somos a casa do conhecimento e, por isso, não deixamos nada nos limitar. — Terry disse com orgulho. — O espirito sem limites é o maior tesouro do homem.

— Luna adora essa citação. — Ginny disse sorrindo ao pensar na amiga. — Então, vocês treinam as poções da semana aqui?

— Sim, assim como fazemos preparações para as aulas, com leitura e anotações, também tentamos treinar as poções com antecedência ou corrigimos as que fizemos na semana anterior, se houver erros. Nem sempre dá tempo, acredite. — Harry disse pegando uma mesa e apontando o Bubbles, que ajudava os alunos mais velhos com seus trabalhos avançados. — Bubbles nos ajuda e fica de olho em nossa segurança.

— Nós corrigimos, Gynny, o Harry não precisa refazer nada. — Neville disse em tom autodepreciativo e brincalhão.

— Você é tão bom assim? — Ginny perguntou surpresa.

— Eu adoro cozinhar e poções tem a ver com paciência e intuição, assim como fazer uma deliciosa refeição. — Harry disse como se não fosse nada demais.

— Deve ser por isso que não sou boa em uma coisa ou em outra, eu não sou paciente. — Ginny disse ironicamente.

— Mas, é inteligente e tem uma boa intuição, assim, pode ser uma boa potioneer, mesmo que não goste do oficio ou de cozinhar, como eu. — Harry disse. — Vamos começar?

Todos acenaram e, cada um iniciou sua própria poção, que estariam fazendo nas aulas da semana seguinte. Ginny e Harry, em uma mesa extra com vários pequenos caldeirões, preparavam os sabonetes para a testagem. Eles usaram a mesma receita tradicional que Ginny preparava a muitos anos e conversavam sobre o que deveriam tentar.

— Bem, você pensa em algo cítrico. — Harry disse pensativamente. — Temos várias frutas cítricas ou ácidas. Qual o cheiro que te atrai mais?

— Hum... — Pensativa, Ginny cheirou as opções. — A laranja e a tangerina, eu suponho. O capim-limão também, mas, me faz pensar em chá, não sabonetes. Eu também gosto do cheiro da romã, da groselha e do pêssego.

— Ok, vamos tentar esses. — Harry a estimulou e a viu acrescentar a essência de cada um mencionado, pois elas já estavam prontas no laboratório. — Porque a ervilha de cheiro vai só por último e depois de desligar o fogo?

— Porque elas são maceradas enquanto botões e, nessa fase, quando parecem uma ervilha, elas são venenosas. — Ginny disse enquanto lentamente acrescentava as essências de cada fruta cítrica ou ácida. — Mas, é quando elas têm o cheiro mais marcante, assim, as essências são feitas dos botões e, apenas uma gota pode ser usada nas poções, com o fogo apagado, ou o sabonete e shampoo poderiam se tornar agressivos a pele e ao couro cabeludo.

— Interessante. — Harry se aproximou mais do primeiro caldeirão e a viu desligá-lo, antes de acrescentar a gota de ervilha de cheiro. O cheiro pareceu acentuar todo o resto e se tornou o seu floral delicioso, mas com um toque adocicado distinto. — Laranja.

— Poderíamos tentar outras espécies de laranjas, mas já posso dizer que não gosto, muito doce. — Ginny disse e passou ao outro caldeirão, fazendo a mesma coisa.

— Limão. — Harry sussurrou incomodado com o cheiro cítrico.

— Poderíamos por menos limão, tentar equilibrar... — Sussurrou Ginny levemente sem fôlego com a proximidade do Harry, que estava olhando por cima do seu ombro esquerdo.

— Seria uma perda de tempo, pois não é limão. — Harry disse lentamente e o ar quente da sua boca acariciou o seu pescoço provocando-lhe um arrepio. — Tem que ser algo que se harmonize com o resto, limão é um grande contraste.

— Tem razão. — Ginny disse com a voz rouca e caminhou para o próximo caldeirão, aliviada com a distância, até que ele se aconchegou a ela outra vez. — Talvez a tangerina.

— Não. — Ele disse, quando ela terminou. — Parece algo que eu beberia no café da manhã.

— Tangerina tem um cheiro muito marcante, rouba todo o resto. — Ela disse pensativa. — Então, talvez a romã, já que o seu cheiro é tão suave, possa harmonizar melhor. — Assim que o novo sabonete ficou pronto, os dois fizeram uma careta e disseram ao mesmo tempo. — Não. — Ginny acrescentou. — Parece quase desaparecer e não se integrar com todo o resto, felizmente, porque, eu não gosto dessa fruta.

— Talvez seja isso, Guinevere. — Harry disse arregalando os olhos. — Qual a sua fruta preferida?

— Framboesas. — Ginny disse olhando para as essências ácidas e pegou a de framboesas. — Você acredita que isso influi?

— Não tem porque não acreditarmos nisso. — Harry disse lentamente. — É algo que deve combinar com a sua essência, seus gostos, sua alma, sua magia, que deve tocá-la de alguma maneira. Assim, porque não a sua fruta favorita?

— Certo. Bem, tentamos a groselha e pêssego primeiro, pois estão adicionadas. — Ginny disse, mas a groselha ficou tão doce que era enjoativo e o pêssego parecia meio masculino. — Bem, vamos tentar a framboesa.

Assim que o sabonete ficou pronto, Harry soube que era o certo, pois o aroma que se espalhou era perfeito. Tinha o aroma floral de antes, mas, com um toque mais escuro e encorpado, com uma nota doce e ácida. Além disso, o líquido se tornou vermelho perolado e era incrivelmente bonito.

— É lindo e o aroma tão... — Ginny hesitou, parecendo tímida.

— Tão? — Harry perguntou, imaginando se ela encontrou a palavra para descrever o aroma perfeito, pois ele não a tinha.

— Sensual. — Ginny disse e corou levemente.

— Ah... — Harry olhou para o líquido cremoso, vermelho perolado, com seu aroma floral perfeito e a nota da suculência da fruta e acenou, entendendo o que ela queria dizer. — Sim, é perfeito e exclusivo. Deveria chamá-lo de Guinevere... — Ele disse baixinho e ela arregalou os olhos castanhos encontrando com os seus verdes. — Você mudará o shampoo também?

— Não. Eu gosto do shampoo assim mesmo. — Disse ela suavemente e sem desviar o olhar.

— Eu também. — Ele disse gostando de como seus olhos castanhos da cor do chocolate ao leite, tinham pequenas manchinhas escuras que formavam um desenho muito bonito de riscos arredondados circulando a íris.

— Harry, você irá se atrasar para a sua aula. — Alertou Terry, mexendo distraidamente a sua segunda poção, pois a primeira não ficou nada boa.

— O que? — Harry se afastou confuso e demorou um segundo para registrar e entender. — Ah, sim, eu preciso ir, Bathsheda deve estar me esperando já.

Harry finalizou a sua própria poção, que estava perfeita, limpou tudo, se despediu e, apressadamente, deixou a torre até a sala de aula de Runas Antigas, onde aconteciam as suas aulas de galês.

— Prof.ª Bathsheda, desculpe o atraso, acabei me distraindo... — Harry parou ao ver a professora loira de olhos azuis e robusta, enxugar as lágrimas do rosto apressadamente.

— Ah, Harry, não tem problema, foram só alguns minutinhos. — Ela disse com um sorriso claramente forçado. — Vamos começar, eu preparei algo especial para hoje.

— Tudo bem, professora? Existe algo que eu poderia fazer para ajudar? — Harry perguntou suavemente.

— Ora, tudo está bem, Harry, não se preocupe. Apenas fiquei emocionada com a balada romântica que estava lendo e é isso o que veremos hoje. — Bathsheda disse decidida a mudar de assunto e começar a aula. — Eu trouxe algumas músicas galesas, antigas e modernas. Desde o período medieval, temos trovas lindas, algumas falavam de amor, outras de guerra e outras eram religiosas. Não era incomum que a trova pudesse ser declamada como um poema ou cantada com o acompanhamento de cítaras, harpas ou tambores.

A aula prosseguiu normalmente e foi muito interessante traduzir as trovas ou baladas e músicas modernas. Na última, Harry declamou em voz alta em galês e em inglês, pois Bathsheda queria ver como estava a sua pronúncia.

Pe bawn i'n aros, byddwn i ddim ond yn eich ffordd chi

Felly af, ond dwi'n gwybod

Byddaf yn meddwl amdanoch bob cam o'r ffordd

A byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf bob amser yn dy garu di

Ti, fy darling i, hm

Atgofion chwerwfelys

Dyna'r cyfan rydw i'n mynd gyda mi

Felly, hwyl fawr

Os gwelwch yn dda, peidiwch â chrio

Mae'r ddau ohonom yn gwybod nad fi yw'r hyn sydd ei angen arnoch chi

A byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf bob amser yn dy garu di, ti

Rwy'n gobeithio bod bywyd yn eich trin chi'n garedig

A gobeithio bod gennych chi bopeth rydych chi wedi breuddwydio amdano

A dymunaf lawenydd a hapusrwydd ichi

Ond yn anad dim, hoffwn eich caru

A byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf bob amser yn dy garu di

Byddaf, byddaf bob amser yn dy garu

Ti, darling, dwi'n dy garu di

Ooh, byddaf bob amser, byddaf bob amser yn dy garu

Se eu ficasse, só estaria no seu caminho

Então eu vou, mas eu sei

Eu vou pensar em você a cada passo do caminho

E eu sempre vou te amar

Eu vou sempre amar você

Você, minha querida você, hm

Memórias agridoces

Isso é tudo que estou levando comigo

Então adeus

Por favor não chore

Nós dois sabemos que eu não sou o que você, você precisa

E eu sempre vou te amar

Eu sempre vou te amar

Espero que a vida te trate bem

E eu espero que todos vocês tenham sonhado

E desejo-lhe alegria e felicidade

Mas acima de tudo, desejo que você ame

E eu sempre vou te amar

Eu vou sempre amar você

Eu vou sempre amar você

Eu vou sempre amar você

Eu vou sempre amar você

Eu sempre vou te amar

Você, querida, eu te amo

Ooh, eu sempre, sempre amarei você

Quando chegou ao fim da linda música, que declamou como um poema, Harry ouviu um snifch e, levantando os olhos, viu que Bathsheda estava em lágrimas e tentava secá-las com um lenço de cor creme. Mas era em vão, dada a quantidade de lágrimas de deixavam os seus olhos e Harry ficou emocionado com a sua tristeza.

— Prof.ª Bathsheda, conte-me o que a deixou tão triste, talvez, falar sobre isso com um amigo, a ajude. — Disse Harry suavemente e aproximou mais sua cadeira da dela, se perguntando se estava fazendo o certo ao se envolver. Não era mais inteligente sair correndo ao primeiro sinal de lágrimas? Afinal, o que entendia de consolar garotas? Terry era melhor nisso do que ele, pois treinou bastante com Ayana.

— Oh, Harry, eu não devo... — Ela parecia hesitante e constrangida.

— Somo amigos, certo? — Harry disse decidindo que não poderia lhe abandonar em sua tristeza.

— Claro que somos. — Bathsheda suspirou ao olhar para o rosto bondoso e gentil do seu aluno. — Eu... apenas, não contei a ninguém ainda e...

— O que aconteceu? — Harry perguntou ainda mais preocupado com seu conflito. Será que ela estava doente ou alguém próximo morrera?

— Eu estou grávida. — Disse ela e, imediatamente, como se derrubasse uma parede ao dizer as palavras em voz alto, Bathsheda começou a soluçar.

Harry arregalou os olhos, pois não era isso que esperava e viu a jovem professora esconder o rosto no lenço de cor creme enquanto seus ombros se sacudiam em soluços desesperados. Sem saber o que fazer, Harry se levantou e lhe deu uns tapinhas no ombro esquerdo, imaginando porque ela estava triste por estar grávida. Ela não queria o bebê? Não conseguia imaginar uma mãe que não quisesse o seu bebê, ele tinha que admitir isso, pois sabia o quanto sua mãe o amara e o quisera. Ao mesmo tempo, sua tia não o quis por muito anos e, talvez, Bathsheda tivesse uma razão para estar triste.

— Tudo bem, professora, tenho certeza que seja o que for que a deixe triste, pode ser resolvido. — Harry disse suavemente e torcendo para não estar dizendo nenhuma besteira.

Aos poucos, Bathsheda se acalmou e suspirou tremulamente antes de levantar o rosto bonito e redondo, que agora estava vermelho pelo choro.

— O bebê não é o problema, Harry, não estava planejando, mas, bem... é meu bebê e, já o amo. — Ela disse em um sussurro rouco e sorriu levemente ao falar do bebê, seus olhos azuis brilharam de amor.

— Então, me conte, qual o problema? — Harry perguntou e voltou a se sentar em sua cadeira.

— Primeiro, eu sou solteira e mulheres terem filhos fora do casamento é incomum e altamente impróprio no mundo mágico. — Bathsheda disse lentamente. — Minha família me apoiará, mas, sei que meu pai e avô ficarão muito decepcionados por desonrar o nome da nossa família, pois somos muito tradicionais em Gales. E o escândalo poderia me fazer perder o emprego, quer dizer, Hogwarts é um colégio interno cheio de adolescentes e seus pais podem não querer uma mão solteira para educar os seus filhos. — Bathsheda se levantou e caminhou angustiada. — Eu amo ser professora e não saberia o que fazer se perdesse a minha vaga aqui, em Hogwarts.

Harry estava com o cenho franzido e tentava entender tudo o que ouvia. Mesmo no mundo trouxa, mulheres terem filhos sem estarem casadas, apesar de não tão incomum, gerava falatório e recriminações. Ainda se lembrava de ouvir sua tia Petúnia e as vizinhas da Rua dos Alfeneiros, falando maldosamente de uma ou outra jovem que engravidara do namorado ou noivo e que tiveram que se casar às pressas. Em sua escola, em seu terceiro ano do primário, a secretária do diretor fora demitida e o zunzunzum na época, que sua tia repetira para o seu tio durante o jantar, era que ela engravidara mesmo sem estar noiva ou namorando. Seu tio dissera com desprezo que ela talvez nem soubesse quem era o pai da criança e a chamou de... Harry tentou lembrar a palavra usada por ele, vagabunda. Sim, era isso.

— Isso tudo é um absurdo. — Disse Harry na mesma hora. — Preconceitos e machismo, é o nome desses tipos de atitudes. Eu estive lendo sobre isso, a Sra. Serafina me emprestou um livro que fala sobre a misoginia e o patriarcado que imperam em nossa sociedade. Apesar de ser um livro trouxa, seu texto serve para o mundo mágico também e você não deve deixar que ninguém a recrimine, professora, pois não fez nada de errado. Além disse, ninguém tem nada a ver com a sua vida e ter um filho não deveria te fazer perder o emprego.

— Oh, Harry, você é um doce. — Bathsheda disse carinhosamente. — E, está certo sobre o que diz, mas, ainda me entristece saber que minha família se decepcionará comigo e minha vontade ou opinião não impedirá que eu seja demitida.

— Bem, se isso acontecer, a senhora não ficará sem emprego por muito tempo. — Harry disse convicto. — Hogwarts é que estará perdendo. — Ele pensou na escola da ilha e como Bathsheda seria um grande acréscimo como professora dos lobisomens. — Mas, e sobre o pai do bebê? Ele não o quer?

— Eu... ainda não lhe contei. — Bathsheda corou levemente. — Como lhe disse, ainda não tinha contado a ninguém e só descobri a uns 10 dias atrás. Estou com receio da sua reação, sabe, porque estivemos tão felizes durante essas semanas em que namoramos e não quero estragar tudo caso ele não queira ter um filho agora.

— Bem, acho que ele não tem muita escolha já que o bebê já está vindo. — Harry deu de ombros e ficou aliviado por ela estar namorando alguém. — E, se ele é uma pessoa legal, aposto que ficará feliz e a apoiará.

— Oh, sim, ele é o melhor. — Bathsheda sorriu e seu rosto se iluminou ao falar dele. — Hector é um homem maravilhoso e estamos apaixonados, mas, é tudo tão recente, sabe.

— Hector? — Harry arregalou os olhos. — Como em Hector Jonas? O Professor Jonas? Das aulas de carpintaria?

— Sim, ele mesmo. — Bathsheda corou levemente. — Nós éramos amigos e, bem, começamos a gostar um do outro, mas não tínhamos coragem para revelar nossos sentimentos. Então... — Ela corou ainda mais e Harry arqueou as sobrancelhas curioso. — Na inauguração das novas lojas da GER, no Beco Diagonal, nós nos encontramos em sua loja, que estava maravilhosa e Hector fazendo muitas vendas. Ele estava muito feliz e orgulhoso, sabe, e... pensei em confessar os meus sentimentos, longe da escola, em um dia tão bom, mas, então, Hector me apresentou a sua amiga, JJ, e eles pareciam combinar tão bem. Ela é super bonita e magra, os dois tinham essa intimidade que vem de muitos anos de amizade e acabei desistindo de falar, apenas... fui embora. — Bathsheda olhou para o Harry e ela parecia encantada tanto quanto envergonhada. — No Ritual Alban Arthan, daquela noite, quando começamos a dançar em volta da fogueira, eu senti uma grande atração em uma direção específica e a segui, até que estava em frente ao Hector. Era algo tão forte, que me guiava e puxava... magia antiga, reconheci, e sabia que não podia ou conseguiria ignorar.

Harry arregalou os olhos ao se lembrar daquele dia e dos casais se beijando em volta da fogueira. Merlin, ainda bem que ele não os viu ou morreria de vergonha para sempre.

— Hector sentiu o mesmo e quando nos vimos, começamos a dançar, nos beijar e o calor era tão intenso, crepitava a nossa volta, como se a fogueira estivesse dentro de nós, em nossas almas. Mal conseguimos chegar ao novo hotel e nos registrar para um quarto e, então... você sabe. — Encerrou ela com um sorriso sonhador.

— Não, eu não sei. — Harry disse com o rosto corado de constrangimento e, ainda, levemente divertido.

Bathsheda pareceu cair em si sobre com quem ela falava e ficou vermelha como um pimentão ao arregalar os olhos.

— Merlin! O que estou fazendo? Não deveria estar falando sobre essas coisas com um aluno, muito menos um de 12 anos. — Ela escondeu o rosto envergonhada. — Esqueça-se de tudo isso, Harry e me desculpe. Eu sou uma professora terrível, que vergonha...

— Está tudo bem, professora. — Harry disse tentando superar o constrangimento e decidindo terminar o que começara, afinal, fora ele quem insistira em saber. — Nós somos amigos e foi eu quem lhe perguntou o que estava acontecendo. Bem... — Ele suspirou tentando encontrar uma maneira de continuar. — Então, vocês fizeram o bebê?

Bathsheda corou, mas acenou e sorriu apaixonada.

— Mais de uma vez. — Ela disse e riu quando o Harry escondeu o rosto vermelho em sua mão direita e gemeu de constrangimento. — Desculpe, não pude resistir, você fica muito fofo quando está envergonhado.

— Alguém já me disse isso. — Harry sorriu também apesar de continuar corado. — E, vocês estão namorando desde o Alban Arthan?

— Sim. E, estamos muito felizes, mas, como disse, ainda é recente e não falamos sobre filhos, na verdade, nem discutimos casamento. — Bathsheda voltou a torcer o lenço em suas mãos, mostrando sua ansiedade e temor. — Além de todos os problemas que posso ter, estou com medo de perder o Hector quando lhe contar.

— Me contar o que? — A voz do professor Jonas soou da porta entreaberta e os dois pularam assustados. — E, porque você me perderia, mo ghràidh?

Harry viu Bathsheda arregalar os olhos azuis e torcer o lenço ansiosamente.

— Hector!? — Ela exclamou tensa. — Você já está aqui!

— Sim, pensei em almoçarmos juntos antes da minha aula começar. — Jonas disse suavemente, antes de olhar para o Harry. — Bom dia, Harry. Pronto para a nossa aula? Já tem um novo protejo em mente?

— Sim, professor, tive algumas ideias. — Harry disse sorrindo. — E, já encerrei minha aula com a professora Bathsheda, assim, os deixarei conversando.

O Prof. Jonas acenou distraidamente enquanto voltava a sua atenção para Bathsheda, que fungou quando lágrimas voltaram a escorrer pelo seu rosto.

— Mo ghaol, o que está acontecendo? Porque está chorando? Alguém te feriu? — Jonas se aproximou e pegou suas mãos, as apertando com carinho, mas Bathsheda apenas soluçou e não conseguiu falar. — Está tudo bem, seja o que for que aconteceu, eu estou aqui com você e não tem nada no mundo que a fará me perder.

Seu tom era suave e amoroso, Harry percebeu que deveria sair e não ficar assistindo um momento tão íntimo, mas, os dois namorados pareciam tê-lo esquecido e ele queria saber se o professor ficaria feliz ao saber sobre o bebê.

— Desculpe, estou muito sensível e chorando por qualquer bobagem... — Bathsheda suspirou e tentou enxugar o rosto com o lenço, mas Jonas pegou o lenço da sua mão e carinhosamente limpou suas lágrimas.

— Diga-me, mo ghràidh... Minha querida, Sheda, conte-me o que angustia. — Disse Jonas examinando seu rosto com olhos amorosos.

— Nós fizemos um bebê! — Ela exclamou em um ímpeto e arregalou os olhos azuis esperando a sua reação.

— O que? — Jonas ficou parado de choque e confusão.

— Na noite do Alban Arthan, a deusa nos ajudou a ficarmos juntos e também a fazer um bebê, Hector! — Bathsheda disse ainda receosa. — Eu estou grávida!

— Grávida? Um bebê? — Jonas olhou na direção da sua barriga e parecia assombrado. — Nós fizemos um bebê? Nosso bebê? Mo ghràidh! — Ele a abraçou com força e tinha um grande sorriso em seu rosto. — Abençoe a deusa!

Harry decidiu que era a hora certa de desaparecer e deixou a sala, fechando a porta silenciosamente. Com um grande sorriso no rosto, ele foi para o Salão Principal almoçar e, quando viu a Leda sentada em frente a Ginny na mesa Gryffindor, foi na direção delas.

— Sozinhas hoje? — Ele perguntou ao se sentar ao lado da Ginny.

— Abla e Demelza já terminaram e subiram para fazer os seus deveres. — Ginny disse depois de engolir o pudim que mastigava. — Eu decidi ficar e esperar a Leda terminar antes de irmos para a aula do Jonas.

— Eu me atrasei porque, essa manhã, me reuni com o Prof. Flitwick. — Leda disse e, por seu rosto rosado, parecia ter chorado.

— Tudo correu bem? — Ele perguntou suavemente.

— Acho que sim. — Ela engoliu em seco e moveu sua comida com o garfo ao mesmo tempo que o prato saudável do Harry apareceu na sua frente. — Oh, Madame Pomfrey combinou com a elfa, Mimy, de me enviar comida saudável assim, mas, meu prato era menor.

— Isso porque você precisa emagrecer, eu estou tentando ganhar músculos e deixar de ser um nanico. — Disse Harry sorrindo gentilmente e Leda acenou, entendendo. — Você falou sobre o bullying?

— Sim. E, disse que você e seus amigos estão ajudando. — Leda disse e, se inclinando, acrescentou em tom mais suave. — Contei sobre o orfanato também e como é horrível lá, Flitwick prometeu me ajudar a não ter que voltar àquele lugar nunca mais.

— Se ele prometeu, acredite, o professor cumprirá. — Olhando em volta, Harry sinalizou para as duas meninas se aproximarem do centro da mesa para poder falar ainda mais baixo. — Acabei de descobrir algo, mas não podem contar para ninguém, não quero que vire fofoca e prejudique a professora Bathsheda.

— A professora de Runas? — Ginny sussurrou perto do seu ouvido esquerdo e Harry se arrepiou, engoliu em seco e acenou. — O que tem ela?

— Lembra-se que me disse que a achou perturbada ou triste, Leda? — Harry perguntou em tom suave e a menina acenou. — Bem, quando cheguei a aula hoje, ela estava chorando e a convenci a me contar o que acontecia. — As meninas arregalaram os olhos de curiosidade e preocupação. — Ela está grávida! — Harry sussurrou animado em lhes contar a novidade e as viu engasgarem de choque. — Do professor Jonas! — As duas levaram as mãos ao rosto ainda mais surpresas.

— Uau! — Ginny disse empolgada.

— Eu não sabia que eles estavam namorando ou algo assim. — Leda disse ainda surpresa.

— Parece que no ritual do Alban Arthan, a deusa os atraiu um para o outro e ainda decidiu torná-los bem férteis. — Harry disse com um grande sorriso. — Ela estava muito preocupada em lhe contar, sem saber qual seria a sua reação, mas, quando os deixei, Jonas parecia que tinha viajado para a lua e voltado, de tão feliz que estava.

— Ritual? Deusa? — Leda parecia confusa.

— Porque viajar a lua deixaria alguém feliz? — Ginny perguntou confusa também.

— É uma expressão trouxa, acho que quer dizer sair de órbita, se elevar, como se ele estivesse tão feliz quanto à altura da lua. — Disse Harry para Ginny, que acenou, ainda não completamente certa se entendera a expressão estranha. Ele, então, explicou a Leda sobre o Ritual Alban Arthan, que ocorreu na inauguração do Beco.

— Oh, eu não deixei Hogwarts no Natal. — Leda disse pensativa. — Então, o Ritual é feito em homenagem a deusa da colheita e da fertilidade?

— Sim. — Harry disse pensativo. — Sirius me disse que nos tempos antigos, nossos antepassados reuniam várias vilas para o Ritual, era uma maneira de encontrar a sua alma gêmea. No dia seguinte, tinha dezenas de casamentos e, meses depois, um monte de bebês.

— Que legal. — Leda disse suavemente. — Eu não sabia que coisas como almas gêmeas existiam...

— Sirius me disse que nós, bruxos, podemos encontrá-los mais facilmente que os trouxas, pois temos a nossa magia nos guiando. — Harry disse e olhou rapidamente para Ginny, que ouvia atentamente. — Se escutarmos a nossa magia, ela nos dirá quem é a nossa alma gêmea, pois, as magias têm que se combinarem, se gostarem até.

— Então, Babbling e Jonas são almas gêmeas? — Leda perguntou e parecia espantada. — Você acha que nossas almas gêmeas nos amam, mesmo que não sejamos muito bonitas? Quer dizer, o professor é lindo e Babbling é um pouco cheinha.

— Acho que se você ama de verdade, tem a capacidade de ver além da superfície e se você tem um bom coração, então, sim. — Harry disse sincero.

— Ei, não se preocupe tanto com isso, Leda. — Ginny disse suavemente. — Ainda somos jovens e é cedo para pensarmos em almas gêmeas. Vamos nos concentrar no mais importante. Vamos ter um bebê em Hogwarts! — Ela exclamou em um sussurro.

— Talvez, não. — Harry disse mais sério e contou sobre as preocupações de Bathsheda.

— Mas... isso é tão injusto! — Ginny disse furiosa. — Ela não pode ser demitida por isso! É preconceituoso e... e... maldoso!

— Coitada, não é para menos que andava tão angustiada. — Leda disse chateada. — Ela não está pensando em dar o bebê para a adoção, não é?

— Adoção? — Ginny perguntou confusa. — O que é isso?

— Adoção não existe no mundo mágico, Leda. — Harry disse e depois explicou para Ginny o que era. — Aqui, ter um filho é algo muito importante, é a continuação da sua família, seu nome, sua magia. O Orfanato dos Abortos existe apenas porque as famílias puristas se envergonham quando uma das suas crianças nasce sem magia.

— Os trouxas abandonam os seus bebês? — Ginny parecia chocada.

— Claro, porque você acha que eu vivo em um orfanato? — Leda disse bem baixinho.

— Pensei... que seus pais tinham falecido, como os pais do Harry. — Ela sussurrou e estendeu a mão apertando a de Leda. — Desculpe, não quis te chatear.

— Tudo bem. — Leda deu de ombros. — Eu não me lembro deles, quer dizer, tenho umas espécies de sonhos com uma mulher, mas, realmente, não sei se era a minha mãe.

— De qualquer forma, os professores se amam e, mesmo que não fosse assim, a Bathsheda não desistiria do bebê, ela me disse que já o amava. — Harry disse suavemente. — Apenas estava triste em decepcionar a família e preocupada em perder o emprego, pois ela ama ensinar.

— Bem, se é assim e, se eles se casarem, ela não pode ser demitida e teremos um bebê em Hogwarts. — Disse Ginny sorrindo.

— Mas, ela pode trazê-lo aqui? — Harry perguntou curioso. — Para viver com ela e o professor Jonas?

— Boa pergunta. — Leda disse com uma expressão pensativa. — Tem algum professor que é casado ou tem filhos em Hogwarts?

Como nenhum deles tinha uma resposta, eles apenas terminaram de comer antes de ir para aula do sorridente e animado Prof. Jonas.

— Acho que entendo o que quis dizer, Harry. — Ginny comentou divertida. — Ele parece estar flutuando, aposto que poderia voar até a lua e voltar.

— Do que estão falando? — Terry e Neville se aproximaram curiosos.

— Depois explicarei a vocês. — Harry disse. — Então, vocês terminaram os seus projetos? Vão ajudar com a ideia da Ginny?

— Claro. — Neville disse, ansioso por começar. — Posso ficar com as camas? Elas são bem difíceis e legais de fazer.

— Pode ser. — Harry disse e fez umas anotações em um bloco. — Você faz as camas de adultos e, eu faço as de solteiro. Terry?

— Gostaria da sala, estantes, prateleiras, mesas de centro. — Terry disse pensativo.

— Eu fico com a cozinha, mesas, armários. — Ginny disse animada. — Aposto que os lobisomens vão amar os móveis que faremos para suas novas casas.

— Concordo. Essa foi uma ideia brilhante, Ginny. — Disse Harry e Ginny sorriu, corando levemente pelo elogio. — Vamos fazer o quanto pudermos durante esses meses e, se o Jonas autorizar ou tivermos tempo, podemos vir trabalhar duas ou três vezes por semana, assim concluímos mais rápido cada móvel. — Harry disse. — O que quero mesmo, no futuro, é tentar levar o professor até a ilha, para ensinar carpintaria a quem se interessar, mas, enquanto isso, vamos lhes enviar alguns móveis. Um presente de boas-vindas, da equipe do Covil.

— Espero que o resto da equipe concorde em participar quando propor isso a eles hoje à noite, durante a reunião. — Terry disse, depois, todos ficaram em silêncio para ouvir as orientações do radiante professor Jonas.

O Covil se encheu e, felizmente, se ampliou magicamente para que todos se acomodassem confortavelmente, mesmo que alguns se sentassem nos tapetes fofos do chão. A magia de ampliação de espaço era uma contribuição de Flitwick, pois a cada dia, a equipe do Covil crescia.

— Oi, pessoal. — Harry falou em tom mais alto, ele era o único em pé, na frente de todos. — Como podem ver, temos um novo integrante. — Ele apontou para Cedric que acenou ainda levemente surpreso com o número grande de alunos e os muitos rostos conhecidos. — Por favor, Cedric, se puder se apresentar e dizer seus status de sangue para registro. — Harry apontou para Terry que fazia o registro da reunião no lugar da Hermione. — É uma espécie de tradição e uma maneira de mantermos o controle do que estamos fazendo e no que cada um está trabalhando.

— Ok. Eu sou Cedric Amos Diggory, tenho 15 anos e sou puro sangue. E, da Casa Hufflepuff. — Ele disse ao se levantar e receber muitos olhares e risinhos de Lavander e Parvati. Mesmo as meninas Ravenclaw e Hufflepuff não ficaram imunes ao garoto de olhos cinzentos, alto e bonito.

— Obrigado, Cedric. — Harry disse trocando um olhar divertido com a Ginny que, felizmente, não pareceu se derreter para o Hufflepuff. — Eu recrutei o Cedric, usei todos os conselhos que a Daphne nos deu e, felizmente, ele está muito interessado em nos ajudar e a comunidade lobisomem.

— Harry me pediu para tentar influenciar o meu pai e coletar informações. — Cedric disse seriamente. — Como o meu pai é Chefe do Departamento de Controle e Regulação das Criaturas Mágicas, espero poder ajudar com isso, mas, qualquer outra coisa que precisem, podem contar comigo.

Houve muitos acenos e os garotos mais próximos bateram em suas costas o felicitando e agradecendo.

— Como estão indo os outros recrutamentos? — Harry perguntou e Trevor levantou a mão na mesma hora. — Trevor?

— Como combinado, estive conversando com o Allen e, assim como o seu pai, ele está muito interessado em ajudar os lobisomens e as injustiças cometidas contra eles e os nascidos trouxas. — Trevor explicou. — Seu pai é o líder do Partido Progressista na Suprema Corte e está sempre lutando contra as leis discriminatórias, tentando apresentar projetos de leis mais justas. Infelizmente, os Progressistas são minoria entre os membros da Corte e, mesmo os Neutros, tendem a se manterem com os Conservadores.

— E, sobre as eleições do ano que vem? — Daphne perguntou curiosa. — Ele disse se os Progressistas pretendem lançar um candidato para concorrer com o Fudge?

— Conversamos muito sobre os últimos acontecimentos divulgados pelo Profeta e Allen me disse que seu pai lhe escreveu muito otimista, pois o Ministro estava se colocando fora da cadeira por conta própria. — Trevor disse. — O Sr. Finley disse que eles só precisam do candidato certo e ganharão as eleições.

— Está falando sobre Allen Finley? — Cedric perguntou surpreso. — Meu capitão do time de quadribol?

— Sim, estou tentando recrutá-lo e, em teoria, não precisamos de muito, pois ele se importa e quer ajudar. — Trevor disse. — Mas, tem algo me incomodando, Harry... — Ele olhou para o amigo e para Daphne. — Tenho feito tudo o que me aconselhou e seguido o meu instinto.

— E, o que ele lhe diz sobre Allen? — Harry perguntou curioso.

— Que não é tão sincero quanto diz ou quer parecer ser. — Trevor disse e parecia envergonhado. — Olha, Allen é um cara legal, está no sétimo ano como eu, assim, no conhecemos desde o primeiro dia de aula. Nunca o vi fazer nada que me levasse a pensar que ele não é o garoto bom e gentil que sempre se mostrou ser.

— O que você acha, Cedric? — Harry perguntou pensativo. — Você o conhece melhor do que todos nós, joga no time com o Allen a dois anos e ele é seu capitão desde então. Certo?

— Sim. — Cedric acenou e parecia meio incomodado de falar sobre um amigo e companheiro de time. — Trevor o descreveu bem, ele é legal, gentil com todos, educado e fácil de fazer amizade. É um bom capitão, exige muita dedicação e trabalho duro, mas, os Hufflepuffs são assim mesmo. Allen é justo e trabalhador, eu diria.

Harry viu os Hufflepuffs acenarem, concordando com a discrição de Allen ou com a observação de pertencer a casa dos texugos.

— Ok. — Harry analisou pensativo tentando ver além da superfície das descrições. — Ok. Cedric, você disse que ele é um bom amigo, um capitão justo e exigente, isso quer dizer que é um cara legal para se ter no time, seguir como líder, sair e se divertir. Certo?

— Sim. — Cedric disse imaginando onde o Harry queria chegar.

— Ok. Mas, você lhe contaria o seu maior segredo? — Harry lhe perguntou e viu muitas expressões confusas se clarearem quando o entenderam.

— Segredo? — Cedric franziu o cenho, mas Trevor arregalou os olhos compreendendo a peça que faltava.

— Sim, imagine que você fez algo vergonhoso ou ilegal, ou sabe algo sobre alguém, um segredo polêmico ou fato importante. Você contaria a Allen Finley? — Harry perguntou e viu quando o garoto entendeu.

— Ah! — Ele exclamou e seu rosto corou de constrangimento.

— O que esse "Ah! ", que dizer, Diggory? — Daphne disse impaciente.

— Quero dizer que entendi e não, eu não contaria algo assim ao Allen. — Cedric falou firmemente.

— Porque? — Harry questionou e o viu se mover desconfortavelmente, pois não era da sua natureza falar mal de uma amigo e companheiro.

— Bem... Allen pode ser justo, como eu disse, mas, às vezes, seu senso de justiça é direcionado a si mesmo. —Cedric explicou. — Eu nunca contei isso a ninguém e espero que essa informação não deixe o Covil. — Seu rosto estava muito sério e seu tom era de comando.

Todos acenaram concordando, Fred sorriu, bateu em seu ombro e disse divertido:

— Não se preocupe, Ced, o que fazemos e dizemos no Covil, fica no Covil.

— Ok. Em meu segundo ano, quando entrei para o time, a capitã escolhida era Aniston, Lori Aniston. Ela estava no sexto ano e o Allen no quinto, assim, por uma questão de hierarquia e mais tempo no time, ela ficaria com o emblema de capitão.

— Mas? — Harry perguntou curioso.

— Aniston estava namorando uma garota. — Cedric disse e, ao ver as expressões surpresas, continuou rapidamente. — O problema não era esse e sim, que ela e a outra menina, que estava em outra casa, tentavam manter a relação em segredo, para não terem que enfrentar os preconceitos ou comentários se espalhando por toda a escola.

— Não me diga que além de mães solteiras, Hogwarts também discrimina os homossexuais? — Harry disse acidamente.

— O mundo mágico está atrasado, Harry, de muitas maneiras, estamos décadas atrás da cultura trouxa. — Terry disse cansado. — Nossas leis discriminam diversos seres mágicos, incluindo bruxos nascidos trouxas. Acredita que uma sociedade assim aceitaria uma relação homossexual?

— Existem casais homossexuais em nosso mundo, mas, eles são extremamente discretos, a ponto de você não saber quem são. Esse é um segredo que não se compartilha no mundo mágico. — Explicou MacMillan muito sério.

— Imagino que Aniston descobriu isso do jeito mais difícil. O que aconteceu com ela? — Harry perguntou tentando controlar a irritação.

— Bem, Aniston e Allen eram companheiros de time há anos e acredito que eram amigos, assim, ele sabia sobre o seu namoro. Mas, para manter a relação em segredo, Aniston muitas vezes deixava a Toca fora do horário permitido, pois elas não podiam namorar quando todos estavam acordados.

— Allen sabia disso? — Trevor questionou e seu rosto estava sério.

— Eu estava entrando no time e não conhecia bem o pessoal, na verdade, no meu teste, o Allen já era o capitão e Aniston não jogava mais. A informação que o time me passou foi que alguém a dedurou e Aniston foi flagrada com a namorada pela Sprout e perdeu o emblema. — Cedric parecia além de constrangido. — Ela tentou explicar porque deixava a Toca naquele horário, a importância da discrição, mas Sprout é muito rígida e não aceitou suas desculpas. Então, Aniston saiu do time, pois não queria continuar sem ser a capitã e nunca voltou. Bem, pelo menos é isso que foi me dito...

— Mas... — Harry o motivou a continuar.

— Maldição, Harry, isso é uma merda. — Disse Cedric constrangido e Harry acenou.

— Realmente é uma grande merda, Cedric, mas todos aqui entendem sobre discrição e confiança, se alguém sair por aí falando o que não deve, não terá uma segunda oportunidade. — Ele olhou para o grupo que acenaram muito sérios. — Eu não quero saber nada sobre o Allen com a intenção de prejudicá-lo, a questão é se você acha, baseado no que sabe sobre ele, se devemos trazê-lo para o Covil e lhe contar todos os nossos segredos. — Harry expôs duramente.

— Bem, acho que não, mas, vocês devem julgar por si mesmos. — Cedric suspirou. — Depois do último jogo, no ano passado, eu voltei para os vestiários, tinha me esquecido algumas coisas e não queria correr o risco de sumirem ao deixar para o dia seguinte. Acabei me deparando com Allen e Aniston discutindo, ela disse que não falou nada antes porque queria que os seus dois últimos anos em Hogwarts corressem bem. E, que tinha receio que a mesma pessoa que a dedurou para Sprout, espalhasse a verdade sobre a sua relação com a garota pela escola. Allen se fez de desentendido, mas Aniston disse que sabia a verdade, as únicas pessoas que sabiam e ainda estavam na escola, era ele e a namorada. Os outros colegas de time tinham se formado antes do meu segundo ano. Entendem?

— Então, Allen dedurou a amiga e companheira de time, porque queria se o capitão do time? — Trevor disse e parecia meio enojado.

— Sim, Aniston disse que saiu do time porque sabia a verdade e não queria ficar recebendo ordens de um traidor. — Cedric disse chateado. — Allen acabou admitindo o que fez e se justificou, ele disse que era o certo a fazer porque Aniston estava quebrando as regras e que, como capitã, tinha que dar um bom exemplo. Ele disse que ela não era um bom exemplo, por suas atitudes, suas opções de namoro e, que a pessoa em posição de liderança, tem que ser limpo e não manchado.

— Merlin... — Harry suspirou e houve muitos resmungos mal-humorados pela sala.

— Ele é um político. — Disse Daphne friamente. — Aprendeu desde o berço com o seu pai e, é leal a si mesmo antes qualquer causa ou pessoa. Se o trouxermos aqui e contarmos nossos segredos, Finley usará o conhecimento para o seu próprio benefício assim que tiver uma oportunidade.

— Mas, e o seu sendo de justiça? Ele parece realmente se importar com os lobisomens e nascidos trouxas. — Trevor disse inconformado.

— Ele ser bom não o faz menos político, Pickford. — Disse Daphne. — Uma coisa não excluiu a outra, pelo contrário, se Allen tem boas ideias e algum senso se justiça, ele age porque se importa, mas, se houver uma maneira de vencer um adversário ou ganhar com alguma informação, sua boa intenção não o deterá.

— Ele foi criado por um político, um bom, porque Albert Finley é bem prestigiado, membro da Suprema Corte, líder do Partido Progressista. Literalmente, um sucesso e que sabe jogar o jogo político. — Corner acrescentou. — Seu filho não seria diferente e todos somos um pouco políticos aqui, a diferença é que nós não colocamos qualquer benefício próprio a frente de ajudar a causa que acreditamos ou as pessoas inocentes.

— Como podemos ter certeza disso? — Ron perguntou confuso. — Como sabemos em quem confiar? Quer dizer... eu esperaria algo assim de um Slytherin, não de um Hufflepuff.

— Slytherins são ambiciosos, mas leias aos amigos verdadeiros, Weasleys. — Tracy disse em tom cortante. — A música do chapéu diz isso, poderemos até trair um aliado ou adversário, mas, jamais trairíamos um amigo.

— Todos temos essas características dentro de nós, aos 11, 15 ou 20. — Terry disse inteligentemente. — Aos 11 somos ambiciosos em aprender magia, inteligentes em querer isso, leais com nossos sonhos e corajosos para agir sobre esse desejo. O chapéu descobre o que é mais importante, não quer dizer que você não tem um pouco de tudo dentro de si, apenas que algo se sobressai e sua vontade, ou seja, qual casa o atrai mais, também é importante. Quando crescemos, vivemos novas experiências e, provavelmente, se fossemos reclassificados, não estaríamos na mesma casa. Portanto, não podemos considerar apenas a casa quando recrutamos nossos colegas.

— Allen é um bom sujeito, como o pai, e eles parecem se importar com causas justas, mas, ao mesmo tempo, pelo menos o filho, tem seu próprio senso de justiça. — Harry tinha um olhar pensativo e concentrado. — Se observarmos, Allen fez o "certo", pois, Aniston estava quebrando as regras, ela era uma líder e se esperava que desse um bom exemplo. Mas o mundo não é preto ou branco, existem tons de cinzas que devemos considerar e, assim, cada situação é uma situação.

— Ele virou o seu senso de justiça em benefício próprio. — Cedric disse entendendo. — Quer dizer, ele achava o que Aniston fazia errado, mas, se não fosse beneficiá-lo, provavelmente, não faria nada sobre isso.

— Exato. Muitas pessoas são cegas sobre seguir regras e autoridades, mas, elas não jogam. — Harry olhou para Penny que assentiu. — Allen, que já é um político desde o berço, como dito por Daphne, joga com o conhecimento. Isso quer dizer que, se ele descobrisse sobre a ilha, poderia nos apoiar, mas, se no futuro encontrasse algum benefício para si ou seu pai, ao revelar que estamos quebrando as leis do Ministério, Allen nos trairia. E, não se sentiria culpado por isso porque, somos nós que estamos manchados.

Houve muitos acenos e olhares confusos, até perdidos entre o grupo.

— Não sei o que dizer. — Susan disse suavemente. — Allen é nosso colega de casa, nosso capitão e um cara legal, gentil, gostamos dele. — Ela olhou para os colegas que assentiram. — Agora fiquei completamente perdida porque, se Allen não é de confiança, como saberemos quem é?

— Todos estão aprendendo oclumência a partir do livro do Mason? — Harry perguntou e a maioria acenou.

— Acabei de pegar o livro e começar a ler. — Megan disse suavemente.

— Eu estou na fila, leio depois da Megan. — Disse Justin ansioso.

— Cedric também estrará na fila, pessoal da Hufflepuff. — Harry disse e Justin deu um joia para o colega, que acenou. — Quando todos estiverem aprendendo oclumência, meditando, se conectando com a própria magia e a do ambiente, será mais fácil para entenderem isso. Seguir a intuição, para um bruxo, não é apenas uma força de expressão, pois nossa magia fala conosco. Ela é mais sábia que nosso pensamento consciente e nos alerta para a verdade e para os perigos, assim, vocês devem aprender a ouvi-la e ver além da superfície.

— Como uma espécie de legilimência? — MacMillan perguntou curioso.

— Não exatamente, ainda que a Hermione estava se dedicando a aprender as duas disciplinas, quem tiver interesse, fique à vontade. — Harry disse. — Quando eu sou apresentado a alguém novo, minha magia me diz se a magia dessa pessoa é confiável.

— Mas a magia de alguém pode ser má? Ou sei lá, não confiável? — Hannah perguntou confusa e Harry sorriu.

— Eu não questiono, Hannah, apenas confio em minha magia, ela é mais sábia do que eu jamais serei. — Harry disse gentilmente.

— Acho que não podemos esquecer da intenção, um feitiço, mesmo o mais simples, pode ser mortal dependendo da intenção do bruxo. — Penny disse inteligentemente. — Se você conhece alguém com pensamentos e sentimentos ruins, más intenções, isso se conecta com a sua magia, pois faz parte de quem ele é.

— Faz sentido. — Harry disse acenando. — Trevor fez isso, seus olhos, ouvidos e análise consciente falharam, pois o que vemos de Allen é apenas uma parte dele.

— Algo, uma intuição, aqui dentro, me dizia que ele não encaixava, como a porca para o parafuso errado. — Disse Trevor e, ao ver o olhar confuso dos puros sangues, sorriu e acenou com a varinha, conjurando um parafuso e duas porcas de tamanhos diferentes. — Eu cresci na oficina do meu pai, ele é mecânico de carro e eu o ajudei muitas vezes com as ferramentas e concertos. Estão vendo? Isso é um parafuso, que serve para prender algo a outra coisa, a porca vem atrás e dá o arremate, assim, o parafuso fica firme e não se solta. — Trevor mostrou rosqueando a porca do ajuste certo. — Essa é perfeita e se encaixa, mas, se eu usar a outra... — Ele tirou a primeira e usou a larga. — Ela fica frouxa e o parafuso se desprende, seja o que for que concertamos, se solta, a peça cai ou quebra e poderia provocar um acidente de carro, a morte do nosso cliente.

— Nossa! — Todos pareciam surpresos e impressionados.

— Acredito que a maneira como Trevor explicou a sua intuição é válida e um bom conselho. — Terry disse lentamente. — Ele utilizou como exemplo algo que lhe faz sentido, pois é do seu conhecimento e cada um pode fazer o mesmo. Se algo não parece certo, talvez, não esteja certo, assim, deem uma segunda olhada, uma terceira ou quarta. E, se for necessário, chame pela ajuda de outra pessoa.

— Isso é importante. — Harry disse. — Nós não somos um exército, não precisamos de números, precisamos de pessoas boas, que se importam e querem se envolver. — Ele apontou para o Cedric. — Allen, assim como o Cedric, seriam bons para a nossa equipe, mas, não sob o risco de sermos traídos. Não há porque ter pressa, um grupo pode ajudar o outro e não existe alguém mais valioso que o outro, pois, todos que tiverem um bom coração, são importantes. — Houve muitos acenos e expressões aliviadas. — Alguém evoluiu com mais algum dos nomes?

Os grupos se manifestaram explicando o que cada um tinha feito até o momento e Terry anotou, marcando a evolução de cada um.

— Ok. — Terry resumiu ao terminarem. — Tirando o Allen, temos 20 nomes e, desses, 8 se mostraram promissores. Os grupos fizeram contatos, se tornaram amigáveis, discutiram as reportagens do Profeta e eles se mostraram positivos a causa.

— Sim, mas, destes 8, 7 são filhos ou netos de membros da Suprema Corte e que estão no Partido Progressista. O outro é neta de um membro sem partido, chamado de Neutro. — Daphne disse analisando o quadro. — Esses pais e avós Progressistas não precisam de influência para apoiar as causas que defendemos, nós necessitamos dos votos dos Conservadores não puristas, assim, temos que alcançar as suas crianças.

— Vamos fazer essa diferenciação. — Harry disse com o cenho franzido. — Quem sabe quais membros da Corte é de qual Partido ou Neutro.

— Eu sei. — Corner, Susan e Daphne responderam e rapidamente esse dado foi acrescentado as informações.

— Então, temos 28 do Partido Conservador, 15 do Partido Progressista, uma vantagem esmagadora. — Harry disse pensativo. — E, 7 Neutros, sem partido.

— Sim, mas dos 28 Conservadores, a metade, 14, são puristas ou os chamados neutros na guerra, como o meu pai. Eles não apoiaram Voldemort ou a guerra, mas, no fundo, são tão puristas como os comensais da morte. — Daphne explicou e Harry acenou.

— Então, temos apenas 36 votos possíveis, pois os outros sempre votarão contra causas humanas e mais justas. — Ele disse. — É mais do que suficiente e não devemos descartar as crianças dos Progressistas, todos são importantes e não temos como saber se algum deles, um dia, poderá se envolver mais diretamente e realizar grandes coisas.

— Isso sem falar que é mais uma pessoa para passar a mensagem e defender nossas bandeiras. — Terry explicou. — Cada pessoa que atingimos, terá contato com outras, amigos, familiares, colegas, e passarão a mensagem adiante. Como uma rede ou teia de informações, ensinamentos e, talvez, um dia, quando nossa geração estiver bem velhinha, não exista uma única criança nesta escola que tema ou discrimine lobisomens, nascidos trouxas, elfos, goblins ou qualquer outro ser mágico.

Todos acenaram solenemente e Harry os percebeu mais motivados.

— Falamos sobre os progressos, agora, vamos falar sobre as dificuldades e saber se devemos eliminar mais alguém além do Allen Finley. — Harry sugeriu e cada grupo falou sobre os problemas que enfrentavam para abordar, fazer amizade ou se aproximar dos alvos. — Então, James Redford é Neutro, mas sua filha não?

— Não sei como pensa esse Redford, mas, Jacinta, que está no sexto ano da Ravenclaw, é... — Claire tentou encontrar palavra. — Esnobe. Ainda me lembro do nosso primeiro dia ou noite, depois da classificação. — Ela explicou suavemente. — Ela me olhou e disse, "bem, além de ignorante, dá para ver por suas roupas, que você também é pobre. "

— Que encantadora. — Penny disse com uma careta. — Eu posso dizer o mesmo, já que nós três e mais duas meninas, éramos as únicas a ser classificadas naquela noite, na Casa Ravenclaw. Jacinta nunca fez amizade com três de nós, apenas a outra menina, que é puro sangue, se tornou sua melhor amiga.

— Mas não sei se o problema dela é o sangue, exatamente. — Claire disse sincera. — Ou a classe social, quer dizer, nossa amiga, Camillie, é puro sangue e Penny mestiça, mas, como somos todas pobres...

— Camillie, além de pobre, tem uma mãe francesa e muitas vezes ouvi Jacinta falando mal de estrangeiros, apenas para atingi-la. — Penny disse. — De qualquer forma, tentamos ouvir suas opiniões sobre os lobisomens, inclusive, pedimos doações para os órfãos, mas...

— Camillie não lê o profeta e tinha total desconhecimento sobre o assunto dos lobisomens. Quando mostramos curiosidade em saber a posição do seu pai na Suprema Corte e se ele poderia ajudá-los, Camillie riu e disse que seu pai não tinha motivo algum para ajudar um monte de pobretões. — Claire deu de ombros. — Acho que Jacinta não os odeia por serem lobisomens, sabe, apenas... eles não existem para ela porque não têm dinheiro.

— E as doações? — Mandy perguntou, pois conhecia a garota em questão e sempre admirou suas roupas e elegância a distância.

— Ela disse que achava que doações estimulava a vagabundagem e que deveríamos dizer aos pobres para irem trabalhar, não que sejam mendigos preguiçosos. — Penny disse e as expressões eram meio chocadas e enojadas.

— Estão vendo? — Harry disse suavemente. — Não é apenas puristas e não puristas, existem todo o tipo de pessoa e por isso que devemos observar com atenção.

— Ver além da superfície. — Disse Ginny suavemente e Harry lhe enviou um sorriso.

— Isso. Bem, tiramos mais uma e passarei essa informação ao Sirius, pois acredito que Jacinta repetiu o que ouviu em casa, afinal, ela não se interessa por política. — Harry disse e Terry tirou o nome dela. — Acredito que o seu pai apoiará causas que envolvam famílias muito ricas.

— Isso quer dizer temos menos um Neutro para convencer na Suprema Corte e menos um voto. — Penny disse preocupada. — Temos que ter 25 para aprovar os projetos. Certo?

— São 25, mais 1 para os projetos e mudanças de leis. — Susan explicou. — E, para concorrer a Ministro, você tem que conseguir um terço dos votos de apoiadores. Se houver dois candidatos indicados pela Suprema Corte, acontece a eleição pública, onde um representante de cada família se apresenta a Corte e vota. Mas, voltando a questão dos projetos, conseguir 25 de 35 me parece muito difícil.

— Talvez, mas não é impossível, não se esqueçam que o Sirius e os Boots estarão trabalhando lá fora também. E, se esse Redford apoia famílias muito ricas, os Potters e Blacks ainda podem interessá-lo, portanto, perdemos apenas a filha, não o pai. — Harry disse. — Bem, 8 promissores e 11 que ainda estão em observação. Alguém tem alguma ideia? Pergunta? Ou, quer ajuda?

— Sim, poderia nos dar outro nome? — Fred pediu com olhos implorando. — McLaggen é a coisa mais chata dessa escola, até Binns não era tão insuportável.

Houve muitos risos, pois quem conhecia McLaggen concordaram e apreciaram a descrição. Depois dos risos, eles trocaram alguns alvos e, por fim, encerraram o assunto.

— Harry, queria perguntar se você sabe algo do que aconteceu com os lobisomens esta semana, a morte do auror e do Greyback. — Justin perguntou ansioso.

— Sei que o Sirius foi atacado por Greyback e, com a ajuda dos lobisomens, montou uma armadilha e o matou. — Harry disse. — Ele não quis falar sobre o seu envolvimento, pois queria que o crédito fosse todo dos lobisomens, assim, Fudge não teria porque continuar com as perseguições ou campanha para endurecer as leis.

— E, o Ministro pretende parar? — Lisa perguntou ansiosa.

— Ele terá, se não quiser se queimar ainda mais. — Susan disse. — Pelo que saiu no Profeta nos últimos dias, as críticas têm apenas aumentado, as pessoas estão indignadas com o Ministério e solidárias aos lobisomens. Aquela reportagem da Vance, sobre os anciões, foi como uma bomba.

— Eu fiquei emocionada. — Lavander disse sincera. — Eles não merecem tanto abandono e espero que logo estejam seguros na ilha.

— Quando isso acontecerá, Harry? — Dean questionou.

— A qualquer momento. — Harry respondeu. — Estamos deixando a poeira assentar depois de tudo o que aconteceu. Em breve, me reunirei com todas as matilhas e grupos, ou com os seus representantes. Quero que Dean e Lisa venham junto, aliás. — Harry os encarou. — E a missão que lhes dei?

— Tem 5 alunos na escola que são parentes de lobisomens assassinados pelo Ministério, além de nós dois. — Lisa explicou. — Um deles não se interessou, disse que seu pai não tinha contato com o seu tio e que, ele mesmo, nunca o conheceu. O garoto disse que não quer mal aos lobisomens e que não tem os mesmos preconceitos que seu pai ou o resto da família, mas ainda não quer se envolver.

— Os outros 4 estão ansiosos por ajudar, quando contamos a verdade sobre as doações, eles se prontificaram na mesma hora. Inclusive, escreveram a parentes pedindo mais doações e que eles recolham dos vizinhos também e enviem para cá. — Dean explicou e, Harry, ao ver os olhares curiosos, explicou sua ideia.

— Isso é muito legal, nos integrarmos com eles e vice e versa, somos partes de um todo. — Penny disse. — Muito inteligente, Harry, mas, organizando o recolhimento das doações urgentemente naquele dia, percebi que essa logística está errada.

— Como assim? — Terry perguntou curioso.

— Trazer as doações para Hogwarts, enviadas por corujas de familiares mágicos ou trouxas, sem encolhimento ou caixas extensíveis, chamará a atenção. E, depois que estão aqui, temos que recolher, guardar e enviá-las para Londres, assim, sugiro cortar o intermédio. — Penny explicou. — Seria muito mais simples se tivéssemos os endereços dos doadores, então, eu me comunico com a chefe da Divisão Evans da GER, que enviaria um ou dois funcionários para recolher tudo em poucas horas.

— Mas porque a GER concordaria em ajudar? — Corner perguntou curioso. — E, porque você teve que agir com tanta urgência e recolher as doações?

Penny arregalou os olhos confusa sobre como explicar e Harry assumiu sem problemas.

— Quando eu soube da morte do auror, fui informado que a matilha de Elfort seria responsabilizada, assim, disse ao Sirius que os enviassem com urgência para se esconderem na ilha. — Harry explicou. — Pedi a Penny que reunisse o que tivéssemos e fizesse chegar ao Sirius, em seu escritório no prédio da GER. Sirius pediu ajuda ao Sr. Schubert, o diretor da empresa e o chefe da Penny, ele fez as doações chegarem aos lobisomens que já estavam em fuga.

— Assim que disse que precisávamos de ajuda, o Sr. Edgar concordou e disse que poderíamos contar com eles sempre que necessário. — Penny disse. — Por isso, tive essa ideia, eles podem recolher, guardar e enviar para a ilha todas a doações.

— Eu concordo. — Harry disse e houve muitos acenos. — Me parece bem inteligente, assim, Penny, providencie isso.

— Penny, você já conheceu o dono da GER? — Scheyla perguntou com um sorriso astuto.

Penny arregalou os olhos parecendo desconfortável e demorou a responder.

— Não... claro que não... — Penny tentou mentir.

— Você o conhece! — Lavander deu um gritinho e bateu palmas. — Ele é bonito?

— Oh não, me diga que é uma mulher! Eu tinha certeza que era uma mulher! — Scheyla protestou chateada.

— Mesmo se o conhecesse, o que não acontece, eu não lhes diria. — Penny se recuperou e disse indignada. — Chega desse assunto!

— Concordo. — Harry apoiou ignorando os sorrisos divertidos de Terry e Neville. — Queria falar que daqui a pouco mais de um mês, será a inauguração do Jardim da Lily e gostaria muito se vocês todos pudessem ir.

— Oh! Isso é tão lindo. — Suspirou Parvati com olhos muito melosos.

— Também farei um grande Baile no verão, junto com o meu padrinho. Espero que esses momentos de interação social com as famílias bruxas, nos ajudem a observar e compreender melhor a situação política que enfrentaremos. Afinal, toda a sociedade mágica, não purista, estará presente, além de muitas famílias trouxas, minha própria família estará lá e poderemos ver quem está escondendo suas verdadeiras cores. — Harry disse e viu o olhar de interesse de Daphne.

— Você e Black começarão a participar ativamente da alta sociedade mágica e seus eventos sociais. — Daphne constatou e sorriu, mostrando certa admiração. — Muito inteligente, isso lhes trarão muitos contatos e influência, bons negócio e poder.

— O nome Black e Potter juntos. — Corner disse. — Isso é muito poder.

— Isso pouco me importa. — Harry disse sincero.

— Harry, por favor, não precisa fingir. — MacMillan disse com um leve escárnio.

— Não preciso mesmo. — Harry disse irritado. — Mesmo se tivesse a ambição de ser diretor de Hogwarts ou Chefe Bruxo da Suprema Corte ou ICW, eu não precisaria fingir, esconder ou me envergonhar! Não há nada errado com a ambição! — Ele olhou para Daphne, Tracy e Lidya. — O chapéu quase me enviou para a Slytherin, pois viu em mim um grande desejo de crescer e me superar. Ele apenas escolheu a Ravenclaw porque, eu lhe disse que queria muito ter amigos, algo impossível de acontecer na Slytherin, obviamente. Mas, eu não tenho mais 11 anos, ou vivo em um mundo ilusório de paz, onde o assassino dos meus pais está morto. Minha maior ambição, hoje, é sobreviver a essa guerra e o maior desejo do meu coração é que... não tenhamos muitas mortes. — Harry os viu empalidecer. — Eu sei que somos jovens e estou exigindo muito de vocês, mais maturidade e coragem que muitos adultos têm, e que nós não deveríamos precisar ter em nossa idade, mas, essa é a nossa realidade. Haverá momentos de descontração, diversão e alegria, vocês devem aproveitar, mas treinem, observem, aprendam e se concentrem. — Harry os observou e suspirou. — Voldemort foi vencido a algumas semanas e, talvez, tenhamos um tempo de tranquilidade, mas, enquanto isso, podemos continuar a lutar contra ele. Ajudar os lobisomens é lutar contra ele, dizer a verdade sobre a nossa sociedade para todos os alunos e melhorar Hogwarts, é lutar contra ele. Eu não preciso de poder algum, nós precisamos de poder, de direitos, de igualdade e justiça. Por isso estamos nos infiltrando na Suprema Corte e precisamos de um novo Ministro.

— Porque você considera Fudge fraco? — Megan perguntou corajosamente.

— Isso é o menor dos seus defeitos. — Harry disse. — Há 3 semanas, ele queria o nome de qualquer aluno para jogar no Profeta, para culpar sobre os ataques, fosse ele culpado ou não. Um aluno, uma criança, talvez, com a vida destruída para sempre, apenas para ficar bem com o público. Agora, ele esteve jogando com a vida dos lobisomens, apenas para defender sua carreira, conseguir se reeleger. O que acontecerá quando Voldemort retornar?

— Merlin... — MacMillan sussurrou. — É capaz de ele se juntar a Voldemort...

— Ou negar que ele voltou...

— Culpar alguém por isso, assim, ele não fica mal para os seus eleitores...

— Sendo tão fraco, Fudge não lutará contra Voldemort e os comensais...

— Está brincando? Ele é amigo do Malfoy!

Enquanto todos especulavam, Harry se acalmou e pegou um par de olhos castanhos que o observavam preocupados.

— Não quero ser Ministro ou mandar no Ministro, mas, acho que merecemos e precisamos de um chefe de estado melhor. — Harry disse. — Nós não influenciaremos as eleições, mas, estaremos nos encontrando com os pais das crianças de quem tentamos nos aproximar e que votarão o próximo Ministro. Tudo o que peço é que observem, quem seria o melhor candidato, quem deveríamos apoiar?

— Você quer saber qual desses possíveis candidatos a concorrer com Fudge, deve receber o apoio do nome Potter e Black. — Daphne disse entendendo. — Pois, essa pessoa receberá o poder dos seus nomes e deve ser o Ministro que melhor nos conduzirá durante guerra.

— Exato. — Harry disse. — E, se alguém se interessar em saber sobre as minhas ambições profissionais, no momento, eu acho que quero ser um auror, não Ministro da Magia. — Ele acrescentou seco ao encarar MacMillan e Corner, que ficaram constrangidos.

— Tem mais uma ideia que a Ginny teve. — Terry disse, tentando acabar com o momento delicado. — Ginny?

Ginny arregalou os olhos e se levantou, se colocando ao lado do Harry e corando de constrangimento, pois não sabia que teria que falar na frente de todos.

— Bem... — Ela pigarreou e sentiu o ombro do Harry se recostar no seu, lhe oferecendo apoio e sua voz saiu. — Quando o Harry me falou sobre as doações e as reformas que serão feitas nas cabanas da ilha, tive a ideia de usarmos as aulas de Carpintaria do Prof. Jonas para mobiliar as cabanas. Se todos nós, que estivermos nas aulas de Carpintaria, construirmos vários tipos de móveis diferentes e doá-los para os lobisomens, acredito que eles poderão se mudar assim que as cabanas estiverem prontas e não precisarão se preocupar com móveis.

— Isso é uma grande ideia! — Owen, o mais apaixonado por carpintaria, exclamou.

— Sim, começamos na aula de hoje. — Harry disse sorrindo. — Cada um de nós escolheu uma peça, cama, mesa, estantes, armários, criados mudos, mesinhas de centros. Quando terminarmos, podemos encolher, encaixar e enviar para a GER, que entregará na ilha.

— Claro que é improvável mobiliarmos todas as cabanas, mas, acreditamos que se começássemos agora e produzíssemos até o fim do ano, poderíamos ter alguns móveis dos alunos de Hogwarts em cada um dos novos lares dos lobisomens. — Terry explicou e, pelos sorrisos e acenos, todos pareciam animados com o projeto.

— Isso é muito doce. — Lavander disse com um sorriso. — Vou construir umas penteadeiras infantis, assim, as crianças terão onde se maquiarem e fazerem penteados.

Rapidamente, todos começaram a opinar sobre o que queriam fazer e Terry organizou os nomes e móveis escolhidos.

— Não queremos um monte de mesa e nenhum armário, por exemplo. — Ele explicou sorridente.

— Temos que ser cuidadosos e discretos. — Harry disse tentando conter a empolgação barulhenta. — Jonas é de confiança, mas, se descobrissem o que estamos fazendo e que o professor sabia, ele poderia perder o emprego, por isso não quero envolvê-lo. No futuro, penso em convidá-lo para dar aulas na escola Stronghold, mas, primeiro, precisamos avançar no mais importante, que é colocar os lobisomens em segurança em um bom lar.

— Isso é algo importante. — Terry disse. — Temos considerado sobre como agir e o que dizer, se o que estamos fazendo for descoberto.

— Podemos assumir a culpa. — Disse Hannah corajosamente.

— Eu não me importo de fazer isso. — Ron acrescentou impetuosamente.

— Sim, mas, eles não expulsarão 30 crianças. — Harry disse sorrindo. — Eles irão querer pegar o líder e responsável, puni-lo, expulsá-lo ou algo assim. Por isso, vocês devem manter silêncio e dizer que não sabem de nada. Digam apenas que receberam uma carta da Empresa GER lhes oferecendo treinamentos ou entrevistas de empregos, pontos por atitudes humanas e caridosas, que aumentarão suas chances de conseguirem um emprego na empresa no futuro.

— O que? — Todos pareciam chocados.

— Porque culparemos essa empresa?

— Não podemos prejudicá-los, eles estão fazendo algo incrível.

— Não se preocupem. — Harry disse parando os protestos. — Sirius conhece o diretor e o dono da GER, assim, tudo foi garantido para que eles assumam a responsabilidade. Lembrem-se, eles são um grande Conglomerado, muito ricos e fortes, estão protegidos pelas leis, pedir a nossa ajuda com doações é perfeitamente legal. No entanto, se nós, os alunos, estivéssemos fazendo isso por conta própria, sem avisar os professores, diretor e vice-diretora, poderíamos ter problemas.

— Podemos dizer que não sabemos para onde vai as doações, que a carta mencionava comunidades carentes, orfanatos e abrigos trouxas. — Terry explicou. — Quando a GER for questionada, ela dirá que era um teste para selecionar as crianças puras não puristas e os mais potencialmente bons futuros funcionários entre os alunos de Hogwarts. Algo muito comum no mundo trouxa e, mais uma vez, não ilegal. Certo?

— Isso é muito inteligente. — Penny disse pensativa. — E, sobre as aulas que nos infiltramos?

— Acredito que em breve a AP poderá resolver isso e tornar as aulas extras não secretas, assim, não importará. — Terry esperançoso.

— Bem, tem uma última coisa que quero conversar com vocês antes de encerrarmos a reunião. — Harry disse hesitante e olhou para o Neville, que foi quem lhe deu a ideia e, agora, acenou, o incentivando a continuar. — Neville foi quem teve essa ideia, na verdade, ele me falou sobre isso há semanas, mas estivemos muito ocupados e não tive tempo para analisar a questão. — Harry suspirou antes de continuar. — O que falarei deve ser encarado com muita seriedade, ninguém é obrigado a participar e, prefiro que todos reflitam com cuidado antes de decidirem...

— Fale logo, Potter. — Daphne disse impaciente como sempre. Fred, que estava perto dela, deu um pulo de susto com a voz fria e lhe enviou um olhar mal-humorado. — O que? Está sonhando acordado e a culpa é minha, Weasley? — Zombou ela ironicamente.

— Bem, gostaria de perguntar se vocês têm interesse em começar a treinar Defesa Contra as Artes das Trevas mais avançado e com afinco. — Harry perguntou suavemente e viu muitas expressões interessadas ou empolgadas. — Logo teremos, esperançosamente, um bom professor de Defesa, mas, enquanto isso e, mesmo depois, podemos formar uma espécie de clube ou equipe de treinamento. Antes que digam sim, quero avisar que não pegarei leve com ninguém, pelo contrário, esperem muitas horas duras de treinamento em seus futuros.

— Isso serve para mim também? — Trevor disse surpreso. — Eu estou no sétimo ano e, com certeza, sei mais magia do que você.

— Boa pergunta. E, podemos fazer um teste agora mesmo, assim, saberemos. — Harry disse e gesticulou para que ele se levantasse e abrissem algum espaço. Os outros se afastaram para o lado, assim, não seriam atingidos e os dois ficaram há 4 metros um do outro se encarando. — Apenas um ataque de cada lado, você lança o seu melhor, eu me defendo, lanço o meu melhor e você se defende. Ok?

— Ok. — Trevor parecia hesitante. — Você quer ir primeiro?

— Tudo bem. — Harry sacou a varinha tão rapidamente que ninguém percebeu e, silenciosamente, lançou um "Lucioler" que causou uma explosão de fagulhas cegante. Depois, se moveu rapidamente e, ao mesmo tempo, lançou um Expelliarmus, ainda em silêncio. Quando todos voltaram a enxergar, Harry estava atrás de Trevor, que ele derrubou de joelhos, com a adaga em sua garganta e sua varinha em seu poder.

— Merlin!

— O que?!

— O que aconteceu?

— Jesus! — Trevor exclamou meio chocado ao sentir a adaga tão perto do seu pescoço.

Harry se afastou e ficou a sua frente, guardou a adaga, sua varinha e lhe estendeu a sua, que Trevor olhou com surpresa, pois ainda não tinha percebido que não estava em sua mão, tamanho o choque. Ele se levantou e pegou a varinha sem dizer nada, pois não tinha palavras.

— Aqui, sua vez. — Harry se afastou e esperou.

Trevor hesitou, como se pensasse qual feitiço usar, expressão aberta até que...

— Expelliarmus! — Harry disse e sua varinha estava em sua mão.

— Mas, pensei que era a minha vez! — Trevor protestou chateado.

— Terry? O que você analisa dessa situação? — Harry perguntou em tom de treinador, Terry se adiantou muito sério.

— A melhor defesa é o ataque. Trevor, você hesitou, demorou para se decidir e atacar, assim, Harry se defendeu antes de ser atacado. — Terry terminou a explicação e recuou de volta ao grupo.

— Em um duelo, você não pode hesitar ou refletir, perder tempo para escolher um feitiço. Não pense, Trevor, aja. — Harry lhe devolveu a varinha e se posicionou. — Outra vez.

Dessa vez, Trevor ergueu a varinha em posição de duelo, mirou e gritou:

— Estupefaça! — A magia brilhante veio forte na direção do Harry, mas, não rápida demais, mostrando falta de convicção, fato que ficou claro em sua voz hesitante.

Harry teve tempo de, simplesmente, se mover para o lado e o feitiço foi absorvido pela parede.

— Melhor. Neville? — Ele disse e o garoto Gryffindor se adiantou.

— Trevor, seu feitiço foi forte, mas lento, isso mostra falta de convicção, incerteza. Nunca ataque se não tiver certeza, pois, seus feitiços serão lentos ou fracos, talvez, os dois. — Neville recuou e Harry acenou.

— Faltou falar da postura de duelo. — Harry disse suavemente. — Não os treinarei para participar de uma competição e sim, para sobreviverem, talvez, matarem para continuarem vivos. Não precisa erguer o braço em posição de duelo, mostra a sua intenção para o inimigo e isso não é nada inteligente.

Harry se moveu lateralmente, sacou a varinha do coldre e moveu a mão agilmente enviando um feitiço silencioso na direção do Trevor. Sua varinha voou outra vez para as mãos do Harry.

— Mal dá para ver você fazer nada. — Disse Susan de olhos arregalados.

— Essa é a intenção. — Harry disse. — Quantos de vocês sabem fazer um Protego? — Apenas Daphne, Terry, Neville, Corner, Megan e Justin levantaram a mão. — Eu ensinei todos, menos a Daphne, certo? — Eles acenaram. — Trevor, você se formará em 3 meses, como pode não saber o feitiço que te protegerá de quase todas as maldições?

— Eu sei fazer, mas, é fraco e... instável, não dura muito. — Trevor disse um pouco envergonhado.

— Ok. — Harry se aproximou dele. — Terry? Ataque.

Harry ergueu o seu Protego na frente dele e de Trevor, enquanto Terry começou a lançar feitiços de ataque.

— Estupefaça!

— Trevor! — Harry gritou bem alto e o garoto, além do resto do Covil, pulou assustado. — Trevor! Estamos sendo atacados! Trevor! Você precisa nos proteger! Trevor! Ele irá nos matar! Ele está se aproximando! — O menino o encarou espantado, mas os gritos se tornaram mais alto e desesperados.

— O que... pare... — Trevor tentou falar, mas Harry não parou.

— Ele irá pegá-la! Você precisa protegê-la! Trevor!

— Pare de gritar no meu ouvido! — Ele gritou irritado.

— Trevor! Sua família! Ele irá matar todos! Trevor! Lance o seu Protego! Agora! Proteja-os!

— Não diga isso, porra! — Gritou Trevor furioso e moveu sua varinha. — Protego!

— Ele irá pegá-los! Lute, Trevor! Todos serão mortos! Você precisa proteger sua família! Eles serão mortos! — Harry gritou mais alto e guardou sua varinha.

— Eu não deixarei ninguém os machucar! Pare de dizer isso! — Trevor gritou possesso.

— Ok. — Harry disse em tom normal.

— Ok? — Trevor o olhou como se ele fosse um lunático. — Você fica gritando feito um pirado e só diz, "ok"?

— Sim. Você atendeu a emergência. — Harry disse e apontou para a parede de magia a frente deles. — Se precisasse nos salvar com esse feitiço, acho que conseguiria.

— Mas... — Trevor tinha os olhos arregalados, pois o feitiço não era instável e fraco, Terry continuava a enviar alguns feitiços aleatoriamente. — Eu nunca... consegui isso antes...

— Terry. — Harry pediu suavemente e seu amigo parou os ataques, logo depois, Trevor moveu a varinha e a barreira mágica se desfez. — Magia, todas as magias, tem a ver com intenção. Você pode ser um bruxo muito poderoso, usar uma varinha perfeita, mas, se não acreditar, confiar e querer realizar o feitiço ou a maldição... — Ele apontou para o Trevor. — Qual a função do Protego?

— Proteger. — Trevor disse lentamente. — Quer dizer que só conseguirei realizá-lo se sentir que estou em perigo ou que preciso proteger outra pessoa?

— Hum... boa pergunta. — Harry disse. — Vamos tentar agora, que não estou gritando em seu ouvido como um pirado. Mas... — Ele olhou seu capitão nos olhos. — Lembre-se. Seu pai é um nascido trouxa, você tem família trouxa, amigos, que serão alvos e, talvez, a garota que você gosta esteja em perigo um dia. Você não precisa se proteger agora, mas precisa dominar e realizar esse feitiço com perfeição, pois um dia, ele salvará a sua vida e daqueles que você ama. Assim, queira, Trevor! Acredite! Confie em sua magia e queira o melhor e mais forte escudo! — Enquanto falava, Harry se afastou e sacou a varinha. — Não pense! Apenas...

— Aja... Protego! — Gritou Trevor e uma barreira brilhante surgiu a sua frente.

— Expelliarmus! — Harry gritou e a barreira absorveu o feitiço. — Estupefaça! — Outra vez, mas na terceira, a barreira enfraqueceu e se desfez. — Mais uma vez!

— Protego! — Trevor repetiu e Harry o martelou até que a barreira se desfez.

— Outra vez!

— Protego!

— Outra vez!

— Protego!

Quando Harry parou, Trevor respirava ofegante, estava suado e exausto, mas, o próprio Harry não parecia ter feito esforço algum.

— Muito bem. — Harry disse. — Mas ainda longe de ser o ideal para sobreviver. — Ele olhou para os outros do Covil que tinham expressões chocadas ou assombradas. — Sabe o que Malfoy poderia fazer com vocês? Os Lestrange? — O silêncio pesado e sombrio fez muitos engolirem em seco. — Voldemort é apenas a cereja do topo do bolo, mas, se não aprenderem a se defender como se estivessem em batalha, pois é isso o que viveremos, lutaremos por nossas vidas. Se não aprenderem, morrerão nas mãos dos comensais da morte, no primeiro encontro.

— Eu quero aprender... — Lisa deu um passo à frente determinada. — Minha mãe é tudo o que tenho, ela é trouxa... Eu já perdi o meu pai para essa maldita guerra, não a perderei também.

— Meus pais e irmão são trouxas. — Mandy se adiantou furiosa. — Mato qualquer desgraçado que chegar perto deles.

— Você pode nos ensinar? — Hannah perguntou timidamente.

— Queremos aprender. — Justin disse e Megan acenou convicta. Houve muitos outros acenos, mas, haviam algumas expressões ansiosas.

— Eu também. — Daphne se adiantou. — Eu sei muita magia, mas não sei lutar e preciso aprender. Preciso saber me defender do meu pai e do meu avô, Harry, eles tentarão me matar quando souberem o que estou fazendo.

— Alguém não quer fazer parte disso? — Harry perguntou suavemente. — Ninguém precisa ir além do que está pronto, ou lutar, se não quiserem.

— Posso aprender apenas a me defender? Não a matar? — Claire perguntou hesitante.

— Pode. — Harry disse acenando. — Mas, a melhor defesa...

— É o ataque... — Claire sussurrou e parecia receosa. — Não sei o que dizer.

— Então, não diga nada. — Harry disse firme e gentil. — Treinarei apenas quem estiver pronto para lutar na guerra, batalhas de vida ou morte e tudo o que vier junto.

Houve muitas hesitações e Terry se adiantou.

— Eu não quero lutar. — Ele disse suavemente. — Eu quero estudar e aprender, sou um Ravenclaw, não um guerreiro, mas... Um dia, não muito distante, eu estarei em frente a um assassino que tentará matar a mim, meus amigos e família. Eu não quero matá-lo e, se não precisar, não o farei, mas, eu não deixarei que ele me mate ou aqueles a quem amo sem lutar até não poder mais.

— Mas, para lutarmos até o último suspiro, precisamos aprender como, pois, seria cruel morrermos apenas porque nunca aprendemos como sobreviver. Também temos que encarar a realidade de que essa é a nossa guerra, não apenas dos adultos, e que, às vezes, precisaremos resolver por nós mesmos, pois os adultos falharão em nos proteger. — Neville disse. — Não poderemos nos esconder, fugir ou continuarmos inúteis em uma luta, assim como não acredito que ficarão passivos quando estivermos ameaçados.

— Ninguém precisa decidir nada agora. — Harry disse. — Apenas, Neville está certo e por isso concordei em treiná-los. Hermione está petrificada porque não conseguiu pensar em um momento de luta. Há semanas, isso não sai da minha cabeça, sabe, e é muito cruel que uma garota de 13 anos tenha que aprender a pensar rápido para sobreviver, mas, quero lhes dar a chance de não estarem vulneráveis como ela esteve naquele dia.

— Quem quiser começar, o que deve fazer? — Dean perguntou ansioso.

— Primeiro. — Harry apontou para o Terry, que pegou uma mochila, abriu e tirou 4 cópias dos livros, Vol. 1 e 2, de Mason. — A Magia Defensiva na Prática e seu Uso Contra as Artes das Trevas. Esse é um livro não censurado de Defesa, escrito por Mason, duvido que encontrarão algo revezem e leiam esses livros. Leiam! Não quero saber de vocês agitando as varinhas por aí, treinando as maldições, quero que leiam e aprendam tudo o que ele ensina. — Os livros foram entregues a quatro colegas. — Segundo, deem tudo na oclumência, pois ela não apenas protegerá os seus segredos, também os farão conhecer e se conectar melhor com as suas magias. Isso os tornará mais fortes e instintivos, lutar não se trata de pensar, se tratar de confiar e agir, se conhecerem a sua magia, confiarão nela. — Todos acenaram. — Terceiro. Todos, sem exceção, começaram a treinar amanhã na Caverna, às 6 da manhã.

— O que? — Suspiros e expressões de surpresa se espalharam.

— Eu corro dez quilômetros, nado mais 4, pego peso, faço ginástica e até luto quando o Joe tem tempo. — Harry disse. — Sou magro, ágil, mas pequeno... — Ele olhou em volta. — Claire, você é a mais forte entre as meninas, mais apta fisicamente, se importa de me ajudar?

— Não. — Claire se aproximou e Harry a atacou de surpresa. Pegou o seu braço direito e o torceu fazendo-a gritar, cair de joelhos pela dor e tentar alcançá-lo com o braço esquerdo. — Me solta!

Mas, Harry apenas torceu o braço até o meio das suas costas, segurou com a mão esquerda e passou o direito por seu pescoço em um mata leão perfeito.

— Se solte. — Harry disse. Claire se moveu, tentou usar o corpo, o braço livre, se levantar, ficou ofegante, mas nada fez o Harry se mover.

— Por favor... — Apesar de Harry não apertar seu pescoço, ela parecia assustada.

— Ok. — Harry se afastou e a viu se levantar ofegante e com os olhos cheios de lágrimas. — Desculpe, não quis assustá-la ou machucá-la.

— Não, não foi isso, apenas, percebi a situação vulnerável em que estava e o que poderia acontecer... Eu sou uma nascida trouxa e ele virão atrás de mim... — Ela disse angustiada. — Eu não quero ficar vulnerável, quero aprender a me defender.

— Você já está treinando por causa do quadribol e está em forma, assim, precisamos apenas acrescentar algumas coisas ao seu treinamento. — Harry disse gentilmente. — Quando procurarem o Joe, digam que querem aprender a se defenderem fisicamente, querem ficar em forma, mas também fortes para lutarem e, que precisam de muita resistência. Trevor, você parecia um cachorro velho em 3 minutos de duelos.

— Mas os bruxos não se exercitam. — Disse Ron meio apavorado com a ideia de acordar tão cedo para treinar.

— Exato. — Terry disse sorrindo. — O bruxos confiam em sua magia e nós estaremos em grande vantagem se estivermos aptos fisicamente e eles não.

— Imagine uma batalha que dure horas, correndo de um lado para o outro ou uma perseguição, uma fuga. — Harry disse e tirando sua varinha a entregou a Terry. — Imagine, que você está sem varinha.

— Mas, você venceu a Claire porque ela é uma menina. — Disse Eddie Carmichael, o goleiro reserva do time Ravenclaw.

— Bem, você está no quarto ano e é bem mais alto que eu, se quiser, pode vir tentar. — Harry disse e Eddie se adiantou, mas, em segundos, estava na mesma posição que a Claire e não conseguia se soltar.

— Cara, você é forte. — Ele disse segurando o braço dolorido depois que Harry o soltou. — Como pode ser tão forte se é tão magricela?

— Não preciso ser musculoso para ter músculos fortes e resistentes. — Harry respondeu. — Mais alguém quer tentar?

— Eu gostaria, sem a luz cegante desta vez. — Trevor se adiantou a frente.

Harry agiu rapidamente, mudou de tática e, se agachando, atacou suas pernas compridas. Depois, enquanto Trevor se inclinava para tocar o joelho dolorido, Harry agarrou os seus cabelos e os puxou para trás com força, expondo o seu pescoço e fazendo o amigo gritar. Trevor, com os olhos entrecerrados pela dor, estendeu o braço aleatoriamente tentando acertá-lo ou empurrá-lo, mas, Harry, que planejava posicionar a adaga em sua jugular outra vez, apenas pegou sua mão e a dobrou para trás. Seu amigo gritou ainda mais alto e caiu de joelhos de tanta dor, Harry deu a volta e lhe aplicou o mata leão perfeitamente.

— Que porra! — Trevor disse furioso ao se levantar embalando o punho doloroso. — Como você faz essa merda?

— E como pode ser tão rápido? — MacMillan estava impressionado.

— Nada disso importa, pois não chegaremos a esse ponto tão cedo. — Harry disse. — Era apenas uma demonstração de porquê treinar fisicamente é importante e necessário. O que quero é que se concentrem no primeiro, segundo e terceiro pontos que mencionei.

— E, se não quisermos treinar fisicamente? — Perguntou Tracy entediada. — Porque eu prefiro ser perfeita com a minha varinha, do que me atracar com alguém.

— Se não treinarem na Caverna, não treinam magia comigo. — Harry disse firmemente e ouviu gemidos. — Acham que poderão me acompanhar? Que quando fizer simulações de lutas, duelos, vocês conseguirão se manterem e acompanharem aqueles que estão em forma? Trevor, meia hora do que fizemos agora a pouco, eu te atacando e, acrescento pedir que se esquive, além de usar o escudo. Acredita que aguentaria?

— Não e estou treinando na Caverna por causa do quadribol. — Trevor respondeu sincero e rabugento.

— Essa é a realidade. — Harry disse objetivo.

— Harry, onde está aprendendo tudo isso? Quer dizer, você fez até magia silenciosa e não pode ter aprendido isso tudo sozinho. — Questionou Corner desconfiado e Harry suspirou, era difícil simpatizar com o caro.

— Eu tenho um mestre de duelo. — Harry disse e viu expressões chocadas. — Todos podem ter se quiserem e puderem pagar, além de terem a honra de serem aceitos como aprendizes. Eu sou um Ravenclaw e valorizo o aprendizado, assim como a inteligência. Qual a disciplina que eu preciso me dedicar mais e ir além?

— Defesa. — Scheyla disse, pois sabia que seu primo seria alvo quando Voldemort voltasse.

— A quanto tempo treina? — Daphne perguntou interessada.

— Desde setembro e, se serve de consolo, ele limpa o chão comigo em muitos momentos. — Harry sorriu brincalhão.

Muitos riram e o clima se descontraiu.

— Quando começamos a treinar magia? — Owen perguntou ansioso.

— Em setembro. — Harry disse e ouviu mais exclamações de protestos. — Escutem, vocês têm que ficar em forma, ler os livros e não tem como eu conseguir mais livros para todos ler ao mesmo tempo. E, acabaram de começar a aprender oclumência, assim, esses três movimentos levarão alguns meses e...

— Será verão. — Morag disse e Harry acenou.

— Exato. Além disso, quero que todos se acostumem com a ideia do que faremos e porque faremos. — Harry disse sério e todos acenaram. — Bem, a única exceção é o Trevor, que começará a treinar comigo amanhã, já que não estará aqui em setembro.

— Mas, o Terry e o Neville já estão treinando, certo? — MacMillan perguntou. — E, a Hermione?

— Hermione não e os dois começaram a treinar depois do ataque na Caverna. — Harry explicou.

— Foi muito difícil, não saber o que fazer, para onde ir... eu estava com a minha varinha não mão e era completamente inútil. — Neville disse meio assombrado.

— Eu estava com os olhos fechados, mas, ouvi a Hermione gritando e não podia fazer nada para ajudá-la. — Terry disse chateado. — Depois disso, decidi que queria saber me defender porque, se não fosse o Harry, estaríamos todos mortos naquele dia...

— Pensei que a Charlie tivesse mantido a basilisco longe. — Disse Scheyla surpresa. — Não foi isso que a McGonagall disse?

— Ela até receberá uma ordem de Merlin terceira classe por salvarem as suas vidas. — Susan disse surpresa.

— Isso não importa. — Harry disse. — Deixe que ela receba ou recuse o prêmio e que todos acreditem nisso, a última coisa que eu preciso é o Ministro se perguntando como lutei e matei uma basilisco.

— Deixe que eles te subestimem. — Disse Mandy com um sorriso divertido.

— Isso. E, respondendo à questão do MacMillan, Neville e Terry, além da Hermione, quando acordar, são meus amigos mais próximos e estão comigo o tempo todo. Isso os torna alvos e, portanto, estão treinando com antecedência. — Harry disse suavemente.

— Então, não é muito seguro ficar perto de você, não é? — Brincou Corner e Mandy lhe deu um tapa no braço.

— Não seja estúpido! — Ela disse lhe lançando um olhar mortal. — Gosto de sermos amigos, Harry e protegerei suas costas sempre que precisar.

— Obrigado, Mandy e Corner, não te quero muito perto mesmo. — Harry disse rabugento e todos riram. — Vamos encerrar? Alguém tem mais alguma pergunta?

— Gostaria de saber o que devemos falar para os nossos pais? — Megan perguntou suavemente. — Sobre tudo isso...

— A verdade. — Harry disse e olhou para Daphne. — A versão que os mantenham seguros ou que sintam que eles estão preparados para ouvir e... vocês prontos para contar. — Seu olhar se desviou sutilmente para Ginny.

Houve muitos acenos e logo depois eles se despediram. Alguns ficaram para trás para conversar com o Harry em particular.

— Espero que não esteja chateado, capitão. — Harry disse com um sorriso tímido.

— Não. Estou envergonhado e decepcionado ao perceber que, apesar de todos esses anos de estudo, a fortuna que meu pai pagou nas mensalidades, eu deixarei Hogwarts sem saber me defender. — Trevor parecia derrotado. — Isso é muito injusto, Harry, as famílias puras devem saber como as aulas aqui são fracas e pagam tutores para os seus filhos, mas, eu sou pobre, cara. Sempre pensei que ser um Ravenclaw, dedicado aos meus estudos, era o suficiente, mas, se não fosse pela GER, não teria nem trabalho ao me formar.

— Você tem razão, isso é muito injusto, para você e todos que já deixaram Hogwarts ou se formarão este ano. — Harry disse gentilmente. — A AP está fazendo boas mudanças e elas continuarão a acontecer, sei que planejam reformular a grade curricular e, infelizmente, você não se beneficiará disso.

— Eu tenho os meus NEWTs em 3 meses, já estou estudando horas a mais para ele, além dos treinos para o jogo final de quadribol. — Trevor parecia desanimado. — Como poderei ler extra e treinar com você? Ou aumentar o meu treino na Caverna? Ainda tenho que me preparar para a entrevista na GER... Isso é uma grande bagunça.

— Não pense em tudo isso como algo ruim e sim, como uma oportunidade. — Harry disse. — E, não se preocupe com o tempo, pois continuaremos a treinar no verão.

— Oh? Está decidindo o meu verão agora, Potter? Fico imaginando quem é o capitão aqui. — Trevor provocou e eles riram. — Sério? Vamos continuar a treinar durante o verão?

— Sim e, depois que eu voltar à escola, se te interessar, você pode continuar a treinar com o meu padrinho. — Harry disse muito sério.

— Isso é demais! — Ele disse com o sorriso aumentando.

— Sim, você treinará, trabalhará e estudará medicina. — Harry disse ironicamente. — Aposto que sentirá falta da correria de Hogwarts, meu amigo. — Eles riram outra vez, antes do Harry acrescentar. — Existe outra coisa que pedirei a você no futuro.

— O que? — Trevor perguntou curioso.

— Que treine os que se formarem sem estarem prontos e os que já estão lá fora, vulneráveis a morrerem facilmente quando a guerra começar. — Harry disse lentamente e viu seus olhos se arregalarem.

— Eu? — Trevor perguntou surpreso.

— Não sozinho, mas, você será treinado agora para, um dia, treinar outros. O que acha? — Harry perguntou arqueando as sobrancelhas.

— Claro. Pode contar comigo. — Ele disse muito determinado. Em seguida, eles se despediram.

Depois, Lisa e Dean se aproximaram para falarem sobre a reunião com os lobisomens.

— Eu quero levá-los conosco e confio em suas impressões, mas, gostaria de conhecê-los primeiro, ter minha própria opinião sobre eles. — Harry disse. — Os lobisomens estão confiando em mim e não posso arriscar essa confiança, muito menos a segurança deles.

— Como fazemos isso? — Dean perguntou ansioso.

— Um chá amanhã, na cozinha. — Harry disse pensativo. — Quero ver como eles tratam e reagem aos elfos, além disso, comendo é a melhor maneira para se conhecer e conversar com as pessoas.

— Onde fica a cozinha? — Lisa perguntou. — Podemos entrar lá?

Harry riu divertido e lhe deu um tapinha no braço.

— Lisa, amanhã, na hora do chá, vou lhe mostrar o meu lugar favorito em Hogwarts. E, vamos dividir para não atrair atenção, dois vêm com você e dois com o Dean, pedirei que o Terry e Neville acompanhe cada trio para a entrada da cozinha. Combinado? — Eles concordaram e partiram.

— Ei. — Owen e Zane se aproximaram. — Como está a sua irmã?

— Bem. Ela já está em casa... na nova casa, em Hallanon. — Owen parecia muito feliz. — Eu ia falar antes, mas, você andou meio sumido nesta semana...

— Foi uma semana corrida. — Harry disse dando de ombros. — Seus pais se mudaram?

— Sim, no último domingo e me escreveram dizendo que amaram a fazenda e o chalé que viveremos é novo e tudo. — Owen olhou para o Zane. — Nós seremos vizinhos do Zane e seu avô, poderemos ajudar na fazendo nos verões e a Scheyla também estará por perto. E, o mais importante, minha irmã não terá mais problemas de saúde, na verdade, ela está em tratamento na Clínica Relive e eles acreditam que seus problemas respiratórios podem ser totalmente curados um dia.

— Isso é incrível! Nós nos veremos durante os verões também porque visitarei muito a fazenda. E, sobre os empregos para os seus pais? O que ficou acertado? — Harry perguntou curioso, pois não tinha sido informado de nada pelo Sr. Falc ou Sirius. O que não era surpreendente dado o sequestro do Adam.

— Bem, na verdade, eu também não sei. — Owen disse. — Parece que eles conversaram sobre algumas possibilidades, mas nada oficial.

— Tenho certeza que tudo dará certo, o mais importante é que sua irmã está bem agora. — Harry disse positivo e eles se despediram. — Penny? Você parece zangada.

— Você tem que combinar algumas coisas comigo antes, eu quase pisei na bola ao falar sobre a urgência de reunir as doações para os lobisomens. — Penny disse um pouco chateada. — E, que história é essa de culpar a GER? Se o Ministério tentar culpar a empresa sobre qualquer influência negativa sobre os alunos, isso lhe trará problemas. Eles poderiam forçá-lo a se revelar, já pensou nisso?

— Sim. E, se for necessário, me revelarei, afinal, isso terá que acontecer um dia, além disso, é melhor do que os alunos serem prejudicados. E, você tem razão, deveria ter combinado com você o que falaríamos antes da reunião, apenas, achei que estaria chateada comigo ainda e não quis incomodá-la. — Harry disse sincero.

— Você nunca me incomoda. — Penny disse timidamente. — Eu estava mal-humorada e você não é o culpado de nada. Estamos bem?

— Sempre. — Harry disse lhe dando um grande sorriso.

— Estou preocupada com o treinamento... — Sua expressão era cautelosa. — Você acha que está certo treiná-los para lutar?

— Não, não é o certo. Voldemort não deveria existir e os adultos deveriam lidar com isso, mas, essa não é a nossa vida, Penny. — Harry tinha uma expressão triste. — Se, ao fim da guerra, qualquer de vocês não tiver sobrevivido, me sentirei culpado para sempre, mas, ao menos, vocês terão uma chance. E, isso é importante, ter uma chance de lutar e sobreviver.

— Você está certo e não deve se sentir culpado, Harry, pois nada disso é sua culpa. Os preconceitos de sangue, que duram séculos, Voldemort existir, a incompetência do Ministério e dos nossos líderes mágicos, todas essas coisas e muito mais, não são sua reponsabilidade. — Harry acenou, sabendo que ela estava certa e Penny hesitou antes de continuar. — Eu pensei sobre o que você disse, sobre o Percy...

— Eu sinto muito se fui insensível. — Harry disse sincero.

— Harry, você disse a verdade e é isso que eu espero que um amigo verdadeiro. — Penny disse. — Alguém que não se importa comigo, tentaria contemporizar a realidade e não quero esse tipo de amizade conivente. Percy, como você disse, é fanático por regras e respeito a autoridades, por isso nunca o trouxe aqui ou lhe contei sobre nossos segredos.

— E, como isso fica? — Harry disse confuso. — Você não fez nada errado, mas está mentindo e escondendo coisas dele, Penny, assim, ele tem razão em estar desconfiado. Percy pode mudar e se tornar confiável?

— Talvez. — Penny parecia desanimada. — Mas, já vi isso antes, uma garota conhece um cara e tenta mudá-lo, acredita que o amor supera tudo ou que com ela será diferente. Se fossem meus segredos, eu poderia arriscar, mas, não farei isso com assuntos tão importantes. E, sobre o que farei? Bem, na verdade, eu já fiz, pois terminei com ele ontem.

— Lamento. — Disse Harry surpreso. — Você gostava dele e isso não é justo.

— Eu gostava, mas... somos muito diferentes e essa história de que opostos se atraem é interessante até o capítulo 2, depois fica muito cansativo. — Penny disse ironicamente. — Mudando de assunto, posso ir com você na reunião com os lobisomens?

— Claro. — Harry disse ainda preocupado que ela estivesse apenas disfarçando a tristeza pelo fim do namoro. — Porque?

— Quero explicar sobre o comitê dos alunos que estão doando e ajudando na reconstrução da ilha. Acredito que se eu falar oficialmente sobre o assunto, eles acreditarão que você não está lhe dando nada, que não é caridade e sim, um projeto de apoio dos alunos de Hogwarts. — Penny disse e Harry acenou.

— Boa ideia. — Harry disse e olhou para o Covil vazio. — Sobrou só nós dois, vamos subir?

— Ok. — Ela sorriu suavemente e eles trancaram a porta antes de descerem a escada e saírem para o corredor. — Estou ansiosa pelas férias de Páscoa e a inauguração do Jardim da Lily. Isabela me disse que o mistério com o paisagismo é obra sua e eu não deveria ficar surpresa, porque sei que você adora ser misterioso...

— Penny? — Percy surgiu do canto do corredor quando eles se aproximaram da escada curva que levava a Torre.

— Percy? O que faz aqui? — Penny se mostrou surpresa ao vê-lo, assim como ele, ao ver o Harry.

— Eu... vim conversar com você e sua amiga, Camillie, disse que não estava na Torre, mas, como hoje você não está em patrulha, pensei... — Percy balbuciou, ficou vermelho até as orelhas e abaixou os olhos envergonhado.

— Pensou o que? Que eu estava por aí com algum garoto? Talvez, Trevor? E, que ia me esperar e me pegar em flagrante!? — Penny começou suavemente, mas no fim estava indignada.

— Eu... eu... não, apenas... — Percy gaguejou perdido, desviou o olhar para o Harry, como se buscasse uma maneira de se safar e encontrou. — Não, claro que não. Eu estava apenas preocupado com você, Penny, porque já passou do toque de recolher e você não está de patrulha hoje à noite. Fiquei com receio de que algo tivesse..., mas, estou vendo que você apenas pegou um infrator. Onde o encontrou? Está trazendo-o para o Prof. Flitwick lhe dar detenção?

— É... o que? — Penny ficou desconcertada e olhou para o Harry.

— Já passou do toque de recolher, imagino que é por isso que deixou a Torre, estava atrás do Potter. — Percy disse mais seguro. — Você deve saber que não tem privilégios em Hogwarts, Sr. Potter...

— Percy, você entendeu errado. — Muito irritada, Penny interrompeu o seu sermão. — E, não sei se acredito em sua explicação de estar preocupado comigo, mas vamos deixar isso de lado. Sobre o seu motivo para vir me procurar, eu não quero mais conversar, terminamos e isso não tem volta.

— Não! Você terminou, não eu! — Percy falou mais alto e, depois, respirou fundo tentando se acalmar. — Olha, me desculpe, eu estive conversando com o Wood e ele me disse que garotas não gostam de namorados desconfiados e ciumentos. Por isso eu vim, para lhe pedir desculpas pelas minhas desconfianças e acusações. Olha, se me der uma nova chance, eu prometo que não agirei daquela maneira de novo.

Harry viu Penny suspirar e entendeu que a conversa seria muito longa, assim, decidiu deixá-los a sós.

— Vou subir, Penny, nos falamos amanhã...

— Espere. — Percy interrompeu confuso e indignado. — Você não o levará para o Prof. Flitwick? Para que seja punido por ser pego fora da Torre depois do toque de recolher?

— Eu já lhe disse que entendeu errado a situação, Percy. — Penny disse exasperada. — Harry e eu estávamos juntos, perdemos a noção do tempo e mal passou meia hora do toque de recolher. E, o Harry estava com uma monitora, assim, não tem falta nenhuma que precise de punição.

— Ok. E, onde vocês estavam? — Percy perguntou se empertigando como um sabugo e franzindo o cenho.

— Eu respondo essa. — Harry disse ironicamente. — Não é da sua conta, Weasley. E, o Wood não lhe disse isso, mas, eu posso lhe informar que garotas também não gostam de ex-namorados perseguidores.

Percy se engasgou, tão embasbacado estava com o seu atrevimento, que não conseguiu encontrar palavras para responder.

— Não seja malcriado, Harry. — Penny lhe lançou um olhar de aviso. — Nós estávamos na cozinha, Percy, tomando um chocolate quente e conversando, por isso perdemos a noção das horas.

— Oh... — Percy acenou e lançou um último olhar irritado para o Harry, antes de começar a lecionar a ex-namorada. — Entendo, ainda que me preocupe com isso, Penny, pois você tem agido muito diferente de si mesma ultimamente. Naquele dia, desapareceu, fazendo algo desconhecido e chegou a deixar a escola sem autorização. Hoje, perde o toque de recolher e leva um segundo ano a cometer uma infração séria. Você tem um grande futuro, Penny, mas, se continuar assim, perderá suas chances de ser a monitora chefe no ano que vem e isso pode impactar suas possibilidades profissionais no Ministério depois de Hogwarts.

— Merlin, que idiota... — Harry resmungou exasperado.

— Como ousa?! — Percy o encarou indignado. — Potter, sugiro que se controle, pois está falando com um monitor e não hesitarei em tirar pontos da sua casa se continuar a ser ofensivo.

— Weasley... — Harry deu um passo à frente e mostrou toda a sua aversão ao irmão da Ginny, que a machucou tanto nos meses anteriores. — Você não merece um segundo da minha atenção ou do interesse de uma garota legal como a Penny, mas, vou lhe dizer duas coisas. Apenas o ouvi por 3 minutos e entendi porque não foi escolhido para a Ravenclaw, apesar de estudioso, está bem longe de ser inteligente. A segunda coisa é, pegue esse seu livro de regras e enfie no seu rabo. — Harry sorriu ao vê-lo se avermelhar de raiva e constrangimento. — Desculpe, Penny, não consegui deixar de ser malcriado com esse aí. Boa noite.

Harry subiu rapidamente para o seu quarto tentando controlar a irritação com aquele sem noção. Nunca o perdoaria pelo que fez com a Ginny, a negligenciou e aterrorizou com ameaças, ao em vez de apoiá-la e incentivá-la enquanto enfrentava o maldito diário. Alguns podem dizer que Percy não sabia sobre o diário, mas, ele sabia que a irmã de 11 anos estava vivenciando muita tensão em seu primeiro ano em Hogwarts. O imbecil, ao em vez de ajudá-la a enfrentar o desafio, tentou minar sua confiança e apavorá-la com ameaças. Isso era motivo mais do que suficiente para olhar com mais cuidado para o garoto e tratá-lo com muito pouco respeito. E, Penny poderia ficar zangada o quanto quisesse com ele, pois Harry não se arrependia! Até que o garoto idiota se desculpasse e tratasse melhor a sua Guinevere, Harry lhe daria o tratamento merecido!

Resoluto e sem perceber os pensamentos possessivos, Harry se preparou para dormir, meditou e depois sonhou com caldeirões borbulhando, aroma floral e laços sedosos de fogo o acariciando.

Enquanto Harry subia as escadas, Penny se perguntava porque o Percy parecia desagradá-lo tanto. Outro mistério, percebeu.

— Esse garoto... ele... eu deveria denunciá-lo para o seu Chefe. O Prof. Flitwick precisa saber que tipo vulgar o Potter está se tornando. — Percy disse empertigado como uma espiga e vermelho de constrangimento.

— Bem, eu conheço o Harry e ele não age assim sem motivos, então, fico imaginando o que você fez para irritá-lo. — Penny disse pensativa.

— Está dizendo que é minha culpa! — Percy exclamou indignado.

— Sim. — Penny disse e deu de ombros. — Isso não importa, vamos falar sobre o que o trouxe aqui, Percy. Entendo que queira conversar, mas, eu não mudarei de ideia, nosso namoro não tem volta e gostaria que não insistisse, quem sabe como tempo, possamos ser amigos.

— É por causa do Trevor? — Percy não resistiu a desconfiança.

— Merlin, você parece um cachorro que não larga do osso. — Penny disse exasperada. — Não me defenderei outra vez, já disse tudo o que havia para dizer sobre isso.

— Olha, se você me disser o que devo fazer, eu posso mudar, Penny. — Percy disse ansioso.

— Percy, esse é o problema em ficarmos juntos. — Penny estava exausta. — Você não percebe? Nos últimos meses tudo o que fizemos foi discutir, eu tentando convencê-lo a ser mais flexível e aberto a mudanças. Você tentando me tornar mais como você! Um tentando mudar e moldar o outro ao seu ideal de namorado e, quer saber, não é assim que uma relação deve ser!

— Mas... — Percy parecia confuso.

— Olha, você não precisa concordar comigo, mas precisa respeitar a minha decisão e, para mim, esse assunto está encerrado. Espero que um dia, você entenda o que estou tentando lhe dizer. — Penny disse suavemente.

— Você está dizendo que não gosta de mim como eu sou. — Percy disse magoado. — Mas, não me dá uma chance de melhorar e isso é muito injusto.

— Você também não gosta de mim com eu sou, ou não me criticaria a cada 5 segundos. — Penny disse direta. — E, se você quer ser uma pessoa melhor, faça por si mesmo, eu não serei o seu esteio ou pior, a sua terapeuta.

Penny se virou e foi embora, pois não havia mais nada a dizer.

— O que é uma terapeuta? — Perguntou Percy apalermado para o corredor vazio.

No dia seguinte, apesar de domingo, foi um dia muito agitado para o Harry. Ele treinou de manhã com Trevor, Neville, Terry e Ginny, exigindo o máximo possível física, mágica e intelectualmente.

— Não importa ler as magias nos livros, saber fazê-las com a sua varinha, se não puder agir sob pressão. E, agir com inteligência. — Harry disse ao fim dos exercícios, enquanto observava os quatro amigos suados e ofegantes. — Se você tiver tempo para pensar e planejar suas ações, bem, ótimo, mas sabemos que isso é algo improvável durante uma guerra. Bem, é isso por hoje, nos encontremos na quarta-feira, às 8 horas, antes da aula de Astronomia. Trevor, espero que possa vir.

— Claro. — Seu capitão acenou e depois se aproximou do Harry. — Eu não sabia que essa arena de treinamento de duelos existia aqui, na nossa Torre. Diga-me, é o Flitwick que está lhe treinando?

— Sim. Você sabe que ele é um campeão e mestre em duelos. — Harry confirmou enquanto pegava a sua mochila. — Eu tenho um treino com ele amanhã à noite, nós alternamos para não atrair a atenção de ninguém. E, sempre que temos uma oportunidade e estamos em dia com nossos estudos, os rapazes, Ginny e eu, fazemos nossas aulas extras de Defesa.

— Porque você chama de aulas de Defesa e seu tempo com Flitwick de aulas de duelos? — Trevor perguntou curioso.

— Porque eu não sou um mestre em duelos, Trevor e seria uma blasfêmia chamar assim, mas, aulas extras de Defesa cabe, pois temos aulas extras das outras disciplinas também. Hermione comanda Transfiguração, Neville Herbologia, Terry, História e, assim, todos nós nos ajudamos. — Harry explicou lentamente. — Acho que podemos chamar de aulas extras avançadas de Defesa, pois, quando algum dos meus outros amigos e colegas pedem ajuda com algo ensinado em classe, é apenas uma orientação, aqui, eu posso ensinar coisas mais avançadas, que li ou aprendi com o Flitwick.

— Você ensinará todas essas coisas aos outros? — Trevor voltou a perguntar.

— Não sei, pretendo me sentar durante o verão e montar uma programação de aulas extras. — Harry olhou pensativo para o tatame. — Teremos que começar com o básico, caso não tenhamos um bom professor no ano que vem e ir avançando. Talvez tenhamos sorte e o nosso novo professor seja incrível, assim, posso me preocupar apenas com cenários de pressão em duelos mágicos e físicos. Mais alguma pergunta?

— Sim. Eu entendi porque está treinando o Neville e o Terry, além de mim, mas, porque a menina ruiva está aqui? — Trevor perguntou olhando com curiosidade para a menina do primeiro ano minúscula que bebia água e conversava com Neville e Terry sobre o treino.

Harry o encarou desconcertado e, depois, olhou para a Ginny tentando pensar em uma resposta, pois não podia explicar a verdade.

— Bem... Ginny e eu somos muito amigos... — Harry disse e se irritou por não ter sido mais convincente ao ver a expressão incrédula do Trevor, afinal, ele e Ginny mal se falavam até há algumas semanas. — Cara, você é muito curioso, sabia?

Mal-humorado, Harry se afastou na direção da porta, saiu da área de duelo e subiu para tomar um banho antes do almoço.

— O que aconteceu com o Harry? Ele estava bem? — Ginny se aproximou preocupada com a saída abrupta do amigo.

Trevor olhou surpreso para a porta e para a garota ruiva minúscula, depois para a porta mais uma vez e sua expressão se tornou pensativa ao se lembrar do rosto corado do Harry.

— Ah! Sim, tudo bem com ele. — Trevor disse com um sorriso gentil. — Ele disse apenas que queria tomar um banho e eu farei o mesmo, porque estou fedendo. Até quarta-feira, pessoal!

Naquela tarde, Harry estava na cozinha com a Mimy fazendo rolls de canela. O doce americano tinha se tornado um dos seus favoritos e os elfos também o apreciavam, além de gostarem muito que o Harry trouxesse novas receitas para eles cozinharem para os alunos.

— Eu acho esse doce um pouco mais complicado, Mimy, pois a massa deve ficar firme, mas não seca, tem que ser macia e suculenta. — Harry disse enquanto enrolava a massa com o recheio de canela e açúcar antes de cortar com a faca.

— O segredo, Harry, senhor, é como amassar a massa. — Mimy disse ao seu lado preparando a sua própria fornada. — Mimy sabe que não se faz macarrão como se faz rollzy de canela.

— Tem razão, preciso me lembrar de explicar isso para o Hagrid. — Harry disse entregando a assadeira para o elfo, Gill, colocar no forno. Esse era o acordo, os elfos o deixavam cozinhar e assar, desde que ele ficasse longe do forno e não fizesse qualquer limpeza, claro. — Combinamos de que eu lhe daria outra aula na terça-feira à tarde, ele quer aprender a fazer os rolls e os brownies.

— Ai, ai, ai. — Mimy disse enquanto os outros elfos arregalavam os olhos desconfortáveis. — Mimy terá que separar um grande espaço da cozinha apenas para o senhor Hagrid e o senhor, senhor Harry. Senhor Hagrid é muito grande, senhor Harry, Mimy não quer que o senhor Hagrid derrube ou quebre nada na cozinha. Ou atrapalhe os elfos a cozinharem o jantar.

— Ah, eu não tinha percebido que atrapalhávamos, Mimy. — Harry disse pensativo. — A cabana do Hagrid tem uma cozinha minúscula, ele apenas faz chá e assa alguns biscoitos, mas, talvez possamos pedir ao Flitwick para fazer algumas mudanças mágicas e aumentar a cabana.

— Oh, não, Mestre Harry, Mimy e os elfos gostamos de ter o Mestre Harry aqui. — Mimy disse aflita. — Mimy não quis dizer para o Mestre não vir mais.

— Eu ainda virei cozinhar sozinho ou com meus amigos, Mimy, apenas, quando for ensinar alguma receita nova ao Hagrid, poderemos cozinhar em sua cabana, assim não atrapalhamos o trabalho de vocês. — Harry disse com um sorriso doce. — E, lembre-se que eu pedi para não me chamar de mestre, apenas senhor Harry, está bom.

— Ok, senhor Harry. Mimy esquece as vezes. — Mimy disse saltitando com as suas assadeiras até o forno. — E, é bom o senhor Hagrid cozinhar em sua cabana, Mimy e os elfos, estamos gratos.

Harry acenou e levantou a cabeça quando a porta da cozinha se abriu e Neville entrou com Dean e mais dois garotos. Mimy se apressou em trazer xicaras de chá, biscoitos e os rolls de canela já assados, o cheiro delicioso fizeram os meninos arregalarem os olhos de surpresa e interesse.

— Olá! Eu fiz alguns biscoitos e rolls de canela para o nosso chá. — Disse Harry sorrindo. — Temos apenas que esperar os outros... — Mas a porta voltou a se abrir e Terry entrou com Lisa e mais um garoto e uma garota. — Não temos que esperar mais.

O grupo se sentou na mesa ainda olhando em volta espantado com a enorme cozinha e a grande quantidade de elfos. Harry os observou com atenção, mas não viu nenhum deles olhar com desprezo para os elfos ou Mimy, que rodou em volta deles entusiasmada com tanto trabalho e alunos para servir. Era ainda mais especial porque ela estava ajudando o senhor Harry.

— Bem, porque não nos apresentamos? — Harry sugeriu tentando quebrar o silêncio tímido. — Eu sou Harry Potter, estou no segundo ano, na casa Ravenclaw e perdi meu pais na última guerra de sangue. Apesar de não ter nenhum parente lobisomem assassinado, conheço alguns lobisomens que têm um grande coração e estou aqui porque quero muito ajudá-los.

Terry e Neville falaram de si e seus familiares perdidos, depois, foi a vez da Lisa.

— Meu nome é Lisa Turpin, segundo ano, Ravenclaw. Meu pai se chamava Lenny Turpin e ele fugiu do acampamento onde o Ministério mantinha os lobisomens prisioneiros. O Ministério dizia que os acampamentos eram para o bem dos lobisomens e proteção da população mágica, mas era mentira. O lugar era um campo de concentração, onde havia fome, frio, miséria, doenças e, se algum lobisomem não voltasse ao sair para trabalhar, eram considerados fugitivos. — Lisa estava lívida e seu olhos tristes. — Eles não podiam acumular coisas, apenas podiam entrar com comida e a roupa do corpo, se tentassem comprar o objeto mais simples, os guardas confiscavam e puniam o lobisomem infrator. Voldemort, em 1974, invadiu os acampamentos e os libertou, oferecendo vantagens e poder, se o ajudassem a vencer a guerra. Meu pai não se interessou, decidindo fugir e se esconder no mundo trouxa, onde conheceu a minha mãe, eles se casaram e eu nasci, mas... — Seus olhos brilharam com lágrimas. — O relatório diz que o auror o encontrou depois de uma transformação, saindo de uma floresta, machucado e sujo, o identificou como um lobisomem e o matou sem fazer uma única pergunta. Seu corpo foi enterrado na floresta, em local desconhecido, como um animal e, eu nunca poderei conhecer ou enterrar o meu pai. Por isso estou aqui, para ajudar aqueles que ainda vivem e precisam do nosso apoio contra o Ministério e suas leis cruéis.

A emoção de Lisa atingiu a todos, inclusive os elfos que tinham parado de trabalhar e ouviam de olhos arregalados.

— Eu sou Dean Thomas, segundo ano, Gryffindor. Meu pai era Joshua Wright... — Dean pareceu hesitar. — Ele também fugiu do acampamento e terminou no mundo trouxa, mas, ele era puro sangue e não sabia nada sobre esse novo mundo. Minha mãe me disse que ele sempre se mostrava confuso sobre as coisas mais simples e nunca falava de uma família ou seu passado, muito menos sobre magia. A relação deles foi breve, eles não chegaram a se casar ou noivar, mas, quando mamãe contou a ele que estava grávida, meu pai decidiu que precisava tentar encontrar a sua família, seus pais e, talvez, fazer as pazes. — Dean olhou para as mãos. — Ele nunca voltou e minha mãe se casou anos depois, eu uso o nome do meu padrasto, mas, pretendo acrescentar o Wright. Apenas, espero conseguir descobrir mais sobre a minha família bruxa, se possível e quem sabe... — Ele pareceu constrangido. — Meu pai foi morto por um auror perto da cidade de Kendal, na Região dos Lagos e... o relatório não diz quase nada, apenas... que ele foi identificado, na verdade, reconhecido pelo auror e morto. Não há informações do que fizeram com o corpo... — Dean parecia perdido. — Sempre pensei que ele foi embora porque não se importava o suficiente, mas, na verdade, nos tiraram um do outro, da oportunidade do que poderíamos ter vivido. — Dean limpou uma lágrima que escorreu pelo rosto. — Espero evitar que isso aconteça com outras crianças e, ajudar os lobisomens, me parece uma maneira de honrar o meu pai.

— Sou Eric Reeth, sexto ano, Gryffindor. — O garoto alto e magricela disse com voz tímida. — Minha história é parecida com a deles, mas quem sumiu foi o meu irmão... — Seus olhos azuis mostravam a sua tristeza quando ele pegou uma foto e mostrou um adolescente de 16 ou 17 anos que poderia ser seu gêmeo, pois tinha os mesmos olhos azuis e cabelos loiros cacheados. — Ele terminou Hogwarts e tentava conseguir um trabalho, mas, sendo nascido trouxa e, com a guerra, era mais seguro voltar para o mundo trouxa. Meus pais o apoiaram, mas... Elliot era teimoso e queria ajudar a vencer vol... Voldemort. — Eric disse o nome com determinação apesar de gaguejar um pouco. — Ele foi mordido quando ajudava na proteção de alguns perseguidos pelos comensais e enviado para o St. Mungus. Na época, os acampamentos não existiam mais, mas, o seu registro no Ministério fez Elliot perceber que nunca poderia ter uma vida aqui, pois agora tinha dois motivos para ser discriminado. Lembro-me do seu desespero, dos meus pais chorando quando o encontraram em seu quarto quando ele tentou se matar... — Lágrimas escorreram por seu rosto, que ele limpou constrangido. — Ele sobreviveu e começou a tomar antidepressivos, meus pais o vigiavam como falcões e Elliot pareceu melhorar, eu me lembro de vê-lo sorrir algumas vezes quando brincava comigo. Então, em uma noite de lua cheia, ele foi para uma floresta como sempre, para a transformação e... nunca voltou. — Agora Eric estava com raiva. — Meus pais não podiam explicar o seu desaparecimento para os policiais trouxas, o porquê de Elliot estar na floresta e com o seu histórico de suicida, eles deram pouca atenção. Disseram que era possível que ele tivesse se jogado de alguma ponte e seu corpo levado pelo rio, que era impossível ser encontrado. Não havia como dois trouxas chegarem ao Ministério e procurar os aurores, mas, eles escreveram algumas cartas implorando por ajuda, mas, elas nunca foram respondidas. Quando descobrimos que eu também era um bruxo, eles não queriam me deixar vir, mas, McGonagall garantiu que a guerra tinha acabado e que eu estaria seguro. — Ele sorriu ironicamente. — Agora eu sei a verdade, sobre o meu futuro brilhante no mundo mágico e sobre o destino do meu irmão. Ele foi morto e enterrado por um auror, no relatório havia uma localização aproximada e conseguimos encontrar o seu corpo e enterrá-lo no cemitério da nossa cidade. Tudo pago pelo Ministério, assim como a indenização, uma boa ajuda para os meus estudos e a velhice dos meus pais, mas que não devolve o que perdemos. Elliot... estava tentando superar sua dor, que foi causada pela discriminação do mundo que ele amava e, o mundo que o destruiu... — Eric abaixou a cabeça e respirou fundo, limpando mais lágrimas. — Ele era o melhor irmão e quero fazer isso por ele, por mim, por meus filhos, preciso ajudar no que puder.

— Sou Janeth Carson, sétimo ano, Hufflepuff. — Disse a única garota depois de um silêncio respeitoso a triste história de Elliot Reeth. — Meu pai era um bruxo nascido trouxa, assim como a minha mãe e nossa vida era difícil, pois eles não tinham bons empregos. Papai trabalhava em segundos empregos que surgissem, bicos ou temporários, apenas para complementar os salários dos dois. Ao contrário de vocês, eu conheci e me lembro do meu pai. — Janeth sorriu triste. — Ele era um cara muito bom, sabe, engraçado e otimista, mesmo quando a minha mãe se mostrava pessimista com tantas despesas e tão pouco dinheiro, ele não desanimava. Uma noite, depois de sair de um trabalho temporário, acabou sendo atacado por comensais da morte. Entre eles, estava Greyback, que decidiu não matar o meu pai e sim... vocês sabem... — O rosto de pele morena clara de Janeth ficou branco e sua angústia era visível. — Papai sobreviveu aos ferimentos e voltou para casa depois de semanas no St. Mungus, mas, ele estava diferente. Além das cicatrizes em seu corpo, seus olhos eram tristes, não havia mais sorrisos, risos, brincadeiras e otimismo, apenas... silêncio e aversão. Eu... ouvi ele dizendo a minha mãe, que era melhor para nós se ele não estivesse por perto, que estaríamos mais seguros, que ele seria um peso, uma boca a mais para alimentar. Além disso, o Ministério queria tomar a casa, pois lobisomens não podem ter propriedades, assim, papai passou a casa para o nome da minha mãe e partiu. — Janeth apertou as mãos e seu olhos castanhos brilharam de dor. — Eu me lembro... quando ele veio se despedir, disse que me amava, pediu que eu não o esquecesse e que viria visitar sempre que fosse possível. Mas... ele nunca voltou e pensei... tantas coisas, que meu pai não me amava, que não se importava, que tinha esquecido de mim e... também pensei que ele poderia ter sido morto por comensais, afinal a guerra ainda não tinha acabado quando tudo isso aconteceu. — Ela olhou para Harry e seus olhos pareciam pedras castanhas cheias de fúria fria. — Nunca pensei que a polícia, que deveria nos proteger, diferenciar os inocentes... Eles tiraram o meu pai de mim, não a mordida, pois sei que ele voltaria, apenas... — Sua voz se embargou. — Papi nunca teve a chance. — Lisa apertou o seu ombro em apoio. — Seu nome era John Carson, ele era um Hufflepuff como eu e foi assassinado por um auror, enterrado em local desconhecido. Quero ajudar os lobisomens para que não sejam mais vítimas da crueldade do Ministério e, talvez, onde estiver, papai perceba que nunca o esqueci.

Mimy trouxe mais chá para todos, seu rostinho estava triste e lágrimas escorriam sem parar dos seus olhos, que ela enxugava no avental. Os outros elfos trabalhavam lentamente e em silêncio respeitoso, os mais próximos ouviam e sussurravam para os mais distantes, assim, todos ouviam as histórias.

— Meu nome é Dempsey Murray, quarto ano, Ravenclaw. — Disse o garoto de cabelos ruivos e olhos azuis. — Eu sou de uma família puro sangue que não é purista, mas que discrimina os lobisomens como quase todo o mundo mágico faz. Eu não sabia disso..., quer dizer, meu tio, Edward Murray, morreu há muitos anos, quando ele era criança ou adolescente, foi o pouco que me disseram e essa era a história oficial. O assunto em minha casa, em Aberdeen, na Escócia, era proibido e sempre pensei que era pela dor e tristeza da perda dos meus avós e do meu pai. — Dempsey parecia envergonhado. — Quando a notícia veio à tona, sobre os assassinatos cometidos pelos aurores, não me apresentei, porque não tinha nada a ver comigo, mas, então, quando os nomes dos lobisomens mortos foram publicados no Ministério, descobri que meu tio estava entre eles. Quando cheguei em casa no verão, eu questionei meus pais e soube a verdade... meu tio Edward foi mordido aos 14 anos... minha idade... — Sua voz se perdeu na dor e traição terrível. — Eles o expulsaram de casa, com nada, sua varinha foi quebrada, ele não tinha dinheiro, apenas as roupas que vestia. Nunca mais o viram ou se preocuparam em saber se ele estava bem, seguro, vivo... Merlin, como pais podem fazer isso? Jogam o filho fora, porque estão com vergonha ou porque é a tradição, deixam de amá-lo apenas porque ele tem uma condição que não o torna mal ou um monstro. São apenas algumas horas por mês onde eles se transformam e, então, eles são humanos outra vez. — Dempsey parecia perdido, inconformado. — Eles também se surpreenderam ao saberem que meu tio estava morto ou as circunstâncias da sua morte. Seu corpo foi enterrado e, exigi do meu pai que o recuperasse e o colocasse na cripta da família, assim como, doasse a indenização para uma causa nobre. Papai é um membro da Suprema Corte e era muito jovem quando tudo aconteceu, ele não tinha controle sobre a situação e me disse lamentar não ter tentado... — Dempsey acenou com a mão. — Meu tio foi morto quase imediatamente depois da fuga dos acampamentos, assim, 17 anos atrás e sua família nunca soube... Perguntei ao meu pai se esse é o meu destino, se eu for mordido, também serei expulso, rejeitado e esquecido? — Ele apertou as mãos com raiva. — Papai ficou chocado com a ideia e acho que percebeu a crueldade dessas leis. Fiz ele prometer que lutaria contra elas, que faria o certo, por tio Edward e quero fazer a minha parte porque, se um dia, meu filho for mordido, quero que ele viva em um mundo diferente do que vivemos agora.

Harry acenou percebendo que o pai de Dempsey, Ernest Murray, do Partido Conservador, poderia ser um voto certo para a luta deles. Depois olhou para o garoto mais jovem que tinha uma expressão bem neutra, mas, Harry podia ver o esforço que fazia para não demonstrar emoção.

— Sou Julius Yaxley, terceiro ano, Slytherin. — Disse ele com voz firme. — Meu pai é um auror e também foi um comensal da morte durante a guerra. Ele gosta de beber, o meu pai e, quando fica bêbado, fala sobre o passado e como estava bem perto de ser marcado pelo Lord das Trevas, se tornar um comensal do círculo interno, um dos seus seguidores mais confiáveis. Então... — Julius apontou para o Harry quase ironicamente, mas Harry podia ver a tristeza por trás da fachada. — Quando bebe e fala do passado, meu pai conta sobre como o seu grande amigo, Lucius Malfoy, era quem lhe dava ordens e como ele conseguira um encontro pessoal com o Lord das Trevas. Nesse encontro, meu pai pretendia lhe prestar as suas homenagens e ser marcado. Meu pai é muito triste por isso nunca ter acontecido, acreditem, mas, além disso, ele fala sobre como matou muitos lobisomens durante a guerra... — Exclamações dos outros o interromperam, mas Julius respirou fundo e continuou. — Os relatórios dos aurores não tem o nome do auror, pois quando a ordem para matar os lobisomens foi dada, ficou decidido que os responsáveis seriam Bagnold e os Chefes do Departamento Auror e do Departamento das Leis. Assim, os relatórios, com poucas informações, também protegem os assassinos, mas, meu pai adora falar sobre isso quando está bêbado. — Harry percebeu o olhar de raiva dos outros e observou como Julius mantinha o olhar em sua direção, apesar de não fazer contato visual. — Ele matou a minha mãe também... — Sua expressão neutra derreteu um pouco. — Eu sabia disso a muito tempo, ele se gabou e esfregou na minha cara que tinha matado ela e como fez isso...

— Merlin... — Janeth sussurrou parecendo enjoada.

— Mas, pensei que tinha feito isso por capricho ou porque ela o desagradou de alguma maneira, mas, então, eu vi o nome dela no jornal e soube a verdade. Eu o questionei e minha avó, entre os dois, consegui entender o que aconteceu. Minha mãe, pouco depois que eu nasci, estava na nossa casa de campo, pois meu pai gostava de dar festas barulhentas em nossa casa em Londres, com bebidas e mulheres. Um bebê chorão e uma mulher convalescendo não o interessavam, assim, ele a enviou para lá e, uma noite, um lobisomem entrou na casa. Minha mãe lutou e o impediu de me matar, mas, foi mordida e ficou muito machucada... — Julius tentava falar rápido e diretamente, sem emoção, mas o brilho em seus olhos o denunciava, assim como sua palidez. — Ela pediu ajuda e foi enviada para o St. Mungus, sobreviveu e, quando acordou, soube qual seria o seu destino. Minha mãe fugiu e se escondeu antes que meu pai pudesse matá-la, apenas... ela decidiu voltar, pediu ajuda a minha avó, implorou para que ela me levasse ao jardim, assim, minha mãe me roubaria e desapareceríamos. — Julius apertou os punhos com raiva. — Minha avó a traiu e meu pai a capturou antes que pudesse me segurar, a levou para o porão da nossa casa e a torturou, antes de matá-la... — Uma única lágrima escorreu pelo canto do seu olho e ele a limpou discretamente. — Não a há corpo, porque meu pai a desmembrou e a alimentou aos cachorros...

— Jesus... — Lisa estava encolhida de desespero.

— Não estou aqui por um futuro brilhante e sim pelo passado terrivelmente cruel que me tirou a única pessoa que me amou. — Julius disse friamente. — Não quero justiça, quero vingança, não me importo de morrer, desde que destrua o meu pai e qualquer um que a tirou de mim. Quero participar de qualquer coisa que impeça que algo assim aconteça outra vez com qualquer mãe.

O silêncio foi duro para todos, pois era claro que ninguém estava preparado para as tragédias que era a história de cada um. Harry respirou fundo tentando encontrar as palavras, que eram nada diante de tudo o que foi dito.

— Sabe, é curioso como tudo o que contaram sobre os seus amados perdidos, me fazem pensar em meus pais. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu estou vivo porque eles morreram, meus pais deram suas vidas por mim, foram heróis, meus heróis. E, Lenny, Joshua, Elliot, John, Edward e... como era o nome da sua mãe, Julius?

— Diana. — Julius sussurrou com tristeza.

— Diana. Todos eles foram heróis também, por tentarem viver uma vida de bem, proteger suas famílias de tudo e todos. — Harry disse e olhou para Julius. — Minha mãe morreu em frente ao meu berço, me protegendo com o seu corpo. Seu amor era o maior amor do mundo e foi tirado de mim, Diana o amava mais do que tudo também e tentou salvá-lo, ela é sua heroína, Julius. E, seu nome deveria ser tão conhecido quanto o de Lily Potter, todos eles, deveriam ter seus nomes conhecidos, lembrados e cabe a nós fazer isso acontecer. Eles não serão mais sombras, fantasmas, esquecidos, pois são importantes e amados. Isso importa... — Harry os viu se emocionarem. — O nosso amor por eles importa.

O rosto de Julius derreteu e ele parecia muito jovem quando se inclinou na mesa e chorou silenciosamente.

— Foi minha culpa, se ela não tivesse voltado... — Ele soluçou dolorosamente.

— Não. O amor dela por você era mais importante que tudo, inclusive, que sua própria vida. — Harry disse triste por sua dor. — Respeite seu amor, sua decisão em tentar te salvar e culpe o monstro que a tirou de você, Julius. Você quer vingança, tudo bem por mim, vamos vingar a Diana, vingaremos todos eles e, quando terminarmos, o mundo mágico dos puristas não existirá mais.

Todos acenaram determinados, mas nada disseram por causa da emoção. Mimy serviu chá quente a todos antes de abraçar o Julius, que ainda chorava silenciosamente e pareceu chocado pelo carinho da elfa.

— Sabe, eu descobri que comer coisas gostosas é uma ótima maneira de conhecer pessoas, conversar e sentir coisas boas. — Harry disse sorrindo. — Provem os rolls de canela, é um doce americano que a avó do Terry me ensinou a fazer.

Os garotos acenaram e, hesitantes, morderam o doce cheiroso que ainda estava quente. Seus olhos se arregalaram e gemidos de prazer foram ouvidos pela cozinha. Os elfos, mais tranquilos, voltaram a trabalhar normalmente, com barulho e conversas.

— Hum... tão bom como o da vovó. Com isso é possível? — Terry resmungou contrariado e Harry riu divertido.

— Você cozinhou isso? — Janeth perguntou chocada. — Eu mal sei fritar um ovo.

— Sim, eu assei, esse é o termo correto. — Harry disse depois de engolir a sua mordida. — E, sim, eu fiz esses. Mimy fez alguns também, mas os servirá amanhã no café da manhã para os alunos, no Grande Salão.

— Isso é um doce americano mágico? — Perguntou Julius encantado.

— Não, Julius, é um doce trouxa. — Terry disse lentamente. — Minha avó é trouxa e americana.

— Eu não sabia que trouxas sabiam fazer algo tão bom. — Julius disse distraidamente ao pegar um segundo roll. — Meu pai e minha avó dizem que eles são como animais e que vivem em cavernas.

Isso fez os nascidos trouxas arregalarem os olhos em choque e Eric se engasgar quando tentou mastigar e rir ao mesmo tempo. Em meio aos risos, Dean bateu nas costas do garoto e o ajudou com um copo de água.

— Julius, um dia, você conhecerá como vivem os trouxas. — Disse Dean exasperado. — Eu o levarei pessoalmente e você poderá ver com seus próprios olhos as maravilhas que eles podem criar, mesmo sem magia.

— Como se pode criar maravilhas sem magia? — Julius perguntou confuso.

— Com o cérebro. — Harry respondeu ao abrir o pote de biscoito, o cheiro de chocolate e manteiga se espalhou por todo o lado. — Essa é uma receita que estive testando, eu misturei os biscoitos de chocolate com os amanteigados, espero que gostem.

Todos provaram e gemeram de prazer, misturado com espanto.

— Harry, você se superou! — Neville exclamou deliciado.

— Aprovado, então? — Ele perguntou e todos apenas acenaram, pois estavam com a boca cheia. — Bem, acredito que falamos muito sobre o passado e, enquanto muito importante, não deve ser o nosso foco. Nossas perdas devem nos motivar a ir em frente, lutar e viver, tenho certeza que nossos pais, tios e irmão, querem que tenhamos a vida incrível que eles não puderam ter. — Harry percebeu que todos o ouviam com atenção. — Se vocês me perguntarem porque quero fazer tudo isso, lhes direi que não vivo apenas por mim. Tento realizar muito mais, para compensar a perda que o mundo teve com as mortes dos meus pais e tento honrar os seus sacrifícios sendo muito feliz. Podemos nos amargurar e odiar ou podemos amar, ter amigos, família, realizar um trabalho que toca nossos corações e mente, além de lutar por um mundo mágico melhor.

— Não será fácil. — Terry disse. — O puros sangues não sabem dos nossos planos, mas, em breve, perceberão e lutarão contra nossas ações. Os lobisomens são o nosso foco no momento e chamamos vocês porque sentíamos que tinham o direito de participar, além de terem a motivação.

— O lobisomens não são um povo distinto do nosso. — Neville disse suavemente. — Eles são bruxos, humanos, capazes de aprender, trabalhar e amar como nós. Queremos fazer parte do seu mundo e, um dia, trazê-los para ser parte do nosso.

— Um mundo sem segregações, preconceitos e discriminações, assim, não será mais, eles e nós, seremos todos uma comunidade mágica com seres mágicos diversos. — Harry disse. — Não sou tolo em acreditar que o preconceito purista desaparecerá, mas, se mudarmos as leis e transformamos em crime os atos de discriminação, estaremos avançando em direção a uma sociedade mais justa e inclusiva para todos.

— Eu quero fazer parte disso. — Janeth disse e sorriu levemente. — Parece uma revolução.

— Rebelião silenciosa, é como chamamos, pois, usamos os nossos cérebros, planejamos com inteligência, somos criativos e agimos sem que ninguém descubra nada. — Harry disse com um sorriso malicioso. — Por isso, espero não apenas que mantenham o sigilo, mas que controlem os seus temperamentos e vontade de contar vantagem. — Ele olhou para o Julius. — Sei que terá muita vontade de jogar na cara do seu pai que o está enganando, ajudando pessoas que ele odeia e se vingando, mas, deve agir com inteligência, Julius. Não pode colocar a si mesmo ou a vida dos lobisomens em risco, apenas pela satisfação, pelo contrário. Minha sugestão, é que você aja como um bom Slytherin até poder deixar a sua casa vivo e, então, lidaremos com o seu pai.

— Como faremos isso? — Julius perguntou ansioso.

— Azkaban me parece uma opção, mas... — Harry sorriu com certa crueldade. — Eu conheço algumas aranhas gigantes que adoram carne fresca.

Julius arregalou os olhos e depois sorriu estendendo a mão em cumprimento.

— Combinado. — Harry sorriu de volta e apertou a sua mão.

— Vocês são cruéis. — Disse Lisa assombrada.

— Esse cara provavelmente matou alguns dos nossos também, assim, me parece bem justo. — Disse Janeth, Eric e Dempsey acenaram, Dean parecia confuso.

— Acalmem-se, não somos assassinos e não nos tornaremos uma gangue de marginais. — Harry disse suavemente. — Yaxley tem sua serventia, é amigo de Malfoy e um auror corrupto, aposto que Julius ainda ouvirá muita coisa interessante quando ele beber. Mas, sua situação pode ser perigosa, por isso, começaremos a pensar em um plano de contingência, onde resgatamos o Julius e prendemos o Yaxley. Se os aurores forem competentes e o prenderem, bom, mas, no caso deles fazerem o que sabem fazer tão bem, merda, Yaxley virá atrás de Julius e, quando isso acontecer...

— Nós estaremos em nosso direito de acabar com ele. — Disse Dean compreendendo. — O que acontece se ele terminar em Azkaban?

— Meu padrinho disse que apenas Voldemort e os Lestrange merecem aquele lugar, ninguém mais. — Harry disse com dureza. — Providenciaremos para que os Dementadores cuidem dele com carinho, por muitos e muitos anos.

Todos acenaram em concordância e Julius parecia mais relaxado, como se compreendesse que estava entre amigos e poderia ser ele mesmo.

— Seja o que for que faremos, não posso deixar que minha casa descubra ou estou morto. — Julius disse sincero. — A casa Slytherin não aceita que você até mesmo olhe com simpatia para nascidos trouxas ou lobisomens. E, não sei como planeja me tirar da casa do meu pai antes dos 17 anos, mas, se descobrir um jeito, estou dentro.

— Vamos pensar com calma, mas, acredito que, se o seu pai fosse preso por corrupção, não poderia ter a tutela do seu filho menor. Certo? — Harry disse e os colegas acenaram. — O pai do Terry é advogado e pediremos que ele olhe com atenção para isso. E, ninguém deve saber o que faremos, nem mesmo os professores ou o diretor, na verdade, os elfos também não saberão. — Harry olhou para os pequenos que ouviam a conversa com atenção sincera, pois eram sempre carinhosos e preocupados com Harry e os amigos. — Mimy, você tem como fazer uma magia onde o que dissermos pode ser ouvido apenas por nós, na mesa, ninguém mais na cozinha?

Mimy acenou e estalou os dedos, uma espécie de bolha invisível os cercou e, quando a Mimy falou, eles também não a ouviram.

— Legal. — Harry gesticulou com um ok e obrigado, Mimy deu um grande sorriso e se afastou. — Agora vamos aos planos... — Demorou quase uma hora para contar sobre a ilha, as reformas, os empregos, a aproximação aos membros da Suprema Corte, seus filhos e netos em Hogwarts, para poderem avançar com projetos de leis anti discriminação. — Claro, que o foco inicial são os lobisomens, mas a médio e longo prazo, queremos atingir todos os discriminados e oprimidos, como os nascidos trouxas, elfos domésticos, goblins, elfos, centauros e, assim por diante.

— Não queremos discriminar os puros sangues e sim, trazer a igualdade social. — Terry encerrou e pegou mais um biscoito. — Então?

— É tudo incrivelmente brilhante! — Janeth disse com os olhos brilhando e grande sorriso. — Claro que o ideal seria se pudéssemos já viver juntos como uma só comunidade, mas, isso seria impossível, assim, a ilha é a solução perfeita. Talvez, sejam necessárias uma ou duas gerações para nos integrarmos, mas, esse movimento tem que começar para ser alcançado.

— Eu estou feliz de fazer parte de algo assim e concordo que proteger os lobisomens é o mais importante agora. — Disse Eric ansioso.

— E, lhes dar um meio de subsistência, uma possibilidade de ter uma vida digna. — Disse Dempsey ao pensar na maneira como o seu tio foi abandonado. — Prometo insistir com o meu pai para que apoie as leis anti discriminação que vocês pretendem apresentar.

— A ilha também diminui as chances de haver mais contaminação e assassinatos das famílias puras. — Julius disse. — Ainda que os abortos não têm a mesma sorte, infelizmente.

— O que Sirius Black disse é verdade? — Janeth perguntou pálida. — Eles matam as crianças?

— Os puristas mais extremos matam sim. — Julius disse com uma careta. — Se eu fosse um aborto, não teria vivido muito, acreditem.

— Eu ouvi algumas histórias também e gostaria de poder dizer que minha família jamais faria algo assim, mas... — Dempsey deu de ombros envergonhado. — Depois do que descobri, acredito que pelo menos no Orfanato do Abortos, eu terminaria, com certeza.

— Creio que a situações dos abortos é algo que teremos que abordar em breve e qualquer ideia é bem-vinda. — Harry disse. — Então, estão dispostos a ir ao encontro com os lobisomens?

— Sim! — Todos disseram com entusiasmo. — Quando será?

— Em breve. — Harry disse. — Precisamos apenas deixar que tudo se acalme depois da confusão da semana passada. — Ele ficou mais sério e seus olhos verdes brilharam afiados. — Eu não lhes pedi para assinar contratos de sigilo ou fazer juramentos de lealdade, pois sinto que todos estão sendo verdadeiros. No entanto, eu não lhes disse onde fica a ilha, onde vamos encontrar os lobisomens, quem são as pessoas que estão envolvidas em Hogwarts ou fora daqui. — Harry olhou para cada um deles. — Se decidirem não participar, tudo bem, mas, se mudarem para o outro lado ou cometerem algum erro perigoso que coloque a vida deles em risco, acabou, não terão outra oportunidade. E, se quiserem saber mais, terão que assinar contratos mágicos de confidencialidade, pois não colocarei em risco a vida dos lobisomens, por ninguém.

Todos acenaram muito sérios e determinados.

— O pessoal do Covil também terá que assinar? — Lisa perguntou curiosa. — Porque me ocorreu que você também não nos contou nada além do que falou aqui.

— Sim, Lisa, todos assinarão. — Harry disse e se inclinou para trás. — Também quero elaborar uma maneira de não termos traidores, mas, ainda não tive tempo para pensar ou pesquisar sobre isso.

— Hermione faz falta. — Terry disse com olhos castanhos tristonhos.

— Logo a teremos de volta. — Neville disse suavemente e bateu em seu ombro tentando consolá-lo.

Segunda-feira à noite, depois do jantar e do seu treino com Flitwick, Harry estava na banheira relaxando os seus músculos tensos e contusões doloridas. Meistr fora particularmente brutal hoje, pois queria treinar até onde a sua força física recém adquirida poderia ser uma vantagem. Harry nunca se sentiu melhor fisicamente, não existia mais a falta de energia, seu corpo não o limitava mais e, até sua mente parecia mais clara e ágil. Ele não tinha certeza, mas, acreditava que estava um pouco mais alto e isso era algo para se comemorar em sua opinião.

Seu corpo também estava mudando e, apesar de ter lido sobre isso no livro sobre o desenvolvimento da puberdade, Harry ainda achava meio estranho os pelos crescendo em seu púbis. Mais incomodo era o seu testículo ficando maior, o que exigia um pouco de adaptabilidade em suas roupas. Suponha que seja inevitável, crescer, e bom, claro, muito bom, mas estranho também. Harry suspirou fechando os olhos e pensando que essa banheira foi a melhor coisa que ele já pensou. Neville estava com inveja dele e Harry não podia culpá-lo...

O barulho de vibração atraiu a sua atenção e Harry pegou o espelho de comunicação, que estava ao lado, e o acionou.

— Sirius! — Harry disse sorrindo. — Como foi? Algum avanço?

— Mais do que algum, na verdade. — Sirius disse com um sorriso arrogante. — Coloquei o nosso plano em prática, Narcisa respondeu como eu esperava e ainda consegui um presente para você.

— Um presente? — Harry se mostrou confuso. — Espera! Como ela reagiu a sua proposta?

— Eu te contarei em detalhes depois, antes, tem alguém aqui que está louco para te cumprimentar. — Sirius disse e moveu o espelho até focalizar em um elfo bem conhecido, de olhos verdes e enorme sorriso.

— Dobby! — Harry se sentou na banheira surpreso.

— Harry Potter, senhor! Dobby é o elfo do padrinho de Harry Potter! — O elfo saltitou e parecia que explodiria de alegria. — Dobby é muito feliz, Harry Potter! Dobby não é mais o elfo do Mestre Lucius!

Harry arregalou os olhos de assombro, essa era a ideia, mas ele nunca pensou que Sirius conseguiria isso no primeiro encontro.

— Eu não acredito! Como!? Sirius! — O rosto de Sirius tornou a aparecer com seu sorriso arrogante.

— Gostou do seu presente? Eu lhe disse que não teria dificuldade nessa missão. — Sirius disse. — O que está fazendo... Merlin me ajude! Você está pelado! Ei! Eu não preciso ver isso! Tire o espelho de perto do seu... Harry Potter!

— Espere! Estou deixando a banheira e me vestirei rapidamente! — Harry se apressou em se enxugar, correu pelado para o quarto e se vestiu com roupas quentes e limpas. — Pronto. Dobby? — O rosto do elfo, que estava com as duas mãozinhas sobre os olhos, apareceu no espelho.

— Dobby pode olhar? — Ele perguntou hesitante e vermelho de vergonha.

— Sim! Estou vestindo! — Harry disse ignorando o constrangimento do elfo. — Dobby! Será que você poder vir me buscar?

— Não, Harry Potter, senhor. — Dobby parecia angustiado por não o atender. — Dobby pode aparatar até Hogwarts, mas não pode estar levando alunos com ele.

— E, se eu deixar Hogwarts? — Harry perguntou se apressando em pegar um casaco, o mapa e se cobrir com a capa de invisibilidade.

— Então, Dobby pode trazer o Harry Potter! — Dobby exclamou animado.

— Ok, vou desligar e, assim que sair, chamo outra vez. — Harry se apressou em deixar a Torre, correr silenciosamente pelos corredores e escadas até a passagem secreta que o levaria ao depósito da Dedos de Mel. Ele não se preocupou em entrar no porão, apenas se aproximou o máximo possível do alçapão e pegou o espelho, direcionando a luz da sua varinha para poder ver. — Sirius Black. — O rosto de seu padrinho surgiu e ele questionou na mesma hora:

— Onde está?

— Na Dedos de Mel. Dobby, estou na passagem secreta, embaixo do porão da loja de doces de Hogsmeade, você consegue me sentir? Pode vir me buscar? — Harry disse bem baixinho.

— Sim... — Um estalo alto. — Harry Potter, senhor. — Dobby disse parado à sua frente com um sorriso imenso.

— Vamos lá. — Harry segurou a sua mão e, um segundo depois, eles estavam no quarto do Sirius na Abadia. — Hum, um pouco mais lento e apertado que a aparatação com um bruxo. — Harry disse meio tonto.

— Eu não mereço um abraço? — Sirius disse e Harry sorriu animado ao abraçá-lo com força.

— Eu não acredito que você conseguiu de primeira! Pensei que poderia demorar um tempo até conseguir libertá-lo! — Harry disse alegre e se afastou para olhar para o elfo. — Eu te disse que o tiraria daquela casa, não disse?

— Harry Potter disse. — Dobby parecia brilhar de tanta felicidade. — Dobby acreditou, mas Dobby não esperava... Harry Potter pediu ao mestre Black que comprasse Dobby de Mestra Narcisa?

— Sim, mas, pensei que o nosso plano teria que avançar um pouco mais, pelo menos até que os problemas financeiros dos Malfoys se tornem mais... urgentes. — Harry disse olhando questionador para o padrinho.

— Eu conheço a Cissy muito bem, éramos amigos quando crianças. — Sirius indicou o sofá para Harry e Dobby, que se sentou fungando de emoção, depois se sentou na poltrona que havia na pequena saleta do quarto. — Ela é uma Slytherin clássica, na verdadeira concepção das características da casa, além de incrível oclumente. Mas, eu conheço sua personalidade e quais botões apertar, quais reações observar e, mais importante, sei que não devo mentir ou tentar iludi-la. Eu sou um Gryffindor e Narcisa espera movimentos e ações diretas, não tolas, entenda, ela sabe que sou inteligente, mas, também conhece a minha impaciência Gryffindor ou minha pouca incapacidade para jogos de ilusão.

— Conte-me. — Harry perguntou empolgado e ouviu os detalhes da reunião, arregalando os olhos para cada movimento. — Bom, muito bom! Você me disse que saberia como colocar o plano em prática e estava certo! O que você acha que ela fará?

— Não tenho certeza. — Sirius disse mais sério. — Apesar do meu desejo de que Narcisa parta com o Draco, acredito que ela escolherá entre as duas outras opções. Ser nossa espiã ou apostar em Voldemort e que ele vencerá a guerra, além de aceitar a expulsão da família Black.

— Bem, espero que ela escolha ser nossa espiã ou fuja também, pois tiraríamos os Malfoys da jogada e Voldemort perderia um importante aliado. — Harry disse pensativo e ignorou estremecimento de Dobby. — Caso ela decida se colocar contra nós e apoiar Voldemort, será uma pena para ela e Draco. Quanto a Lucius, a única forma dele não acabar morto ou em Azkaban, é se fugir do país, porque nunca perdoarei o que ele fez com... ela.

— Dobby queria perguntar como está a Senhorita...

— Dobby! — Harry o interrompeu urgentemente. — A identidade da Senhorita é segredo! Mesmo para o Sirius.

— Oh! — Dobby arregalou os olhos e acenou. — Mas, Dobby ia chamar a senhorita de Senhorita Bonita. Dobby pode dizer assim na frente do Mestre Black?

— Sim, Dobby, você pode chamá-la assim. — Harry sorriu divertido, depois, seu sorriso aumentou e se tornou carinhoso quando acrescentou. — E, a Senhorita Bonita está bem, está mais alegre e sorridente, acho que ficaria contente com a sua visita. Agora que você está livre, podemos organizar um almoço... — Seus olhos se arregalaram. — Vou preparar uma paella na cozinha, como o tio Rodrigo me ensinou, e convidarei todo o Covil para participar do almoço e conhecer você, Dobby!

Dobby arregalou os olhos de animação, depois ficou confuso.

— Dobby está livre agora? Mas... Dobby não está livre, Dobby é o elfo do Mestre Black, padrinho de Harry Potter. — Dobby disse olhando com respeito para Sirius e adoração para o Harry.

— Ah, cuidaremos disso agora mesmo, Dobby. Aqui. — Sirius pegou o casaco que usara na sua visita a Narcisa e estendeu para Dobby, que o segurou automaticamente com os olhos esbugalhados. — Acredito que isso o faz totalmente livre, meu amigo.

— Dobby está livre? — Dobby abraçou o casaco, pulou do sofá e saltitou pelo quarto em comemoração. — Dobby está livre! Livre!

Harry e Sirius riram com a sua animação enquanto Dobby dançava pelo quarto abraçado ao casaco.

— Eu estou muito feliz também, Dobby. — Harry disse com os olhos brilhando. — E, gostaria de saber se você gostaria de trabalhar para mim, por um salário justo, férias, folgas, horas extras e todos os direitos que um funcionário deve ter.

Dobby parou de pular e encarou Harry ainda mais chocado que antes.

— Dobby trabalhar para Harry Potter? Dobby livre, sem ser um servo e trabalhando para Harry Potter? — Dobby tinha os olhos verdes esbugalhados e começou a tremer.

— Acho que você quebrou ele, Harry. — Sirius disse preocupado.

— Dobby? — Harry se levantou com medo que o elfo estivesse tendo um enfarto.

— UHHHHUHHHH! — Dobby berrou a exclamação de vitória e pulou para cima e para baixo, antes de saltar a frente e abraçar o Harry fortemente pela cintura.

Harry deu um passo atrás e se engasgou surpreso pelo impacto inesperado. Dobby, então, se afastou preocupado, mas com o seu enorme sorriso preso em sua cara.

— Desculpe, Harry Potter, senhor, Dobby apenas está muito feliz! E, Dobby descobriu que gosta de abraços!

— Tudo bem, Dobby. Eu também descobri, há não muito tempo, que gosto muito de abraços. — Harry disse divertido.

— O abraço da Senhorita Bonita é o melhor. — Dobby disse timidamente.

— Ora, que interessante. — Sirius disse divertido. — Você já experimentou os abraços da sua Senhorita Bonita, Harry?

Harry corou incontrolavelmente e pigarreou tentando encontrar o que dizer.

— Sim, Dobby, os abraços dela são legais... — Harry ignorou o olhar malicioso de Sirius e voltou a se sentar. — Agora vamos conversar, Dobby, sente-se aqui, por favor. — Dobby o atendeu enquanto Sirius riu divertido da expressão do Harry. — Você esteve todo esse tempo preso pela Família Malfoy e entendendo se quiser um tempo para se divertir. Talvez, viajar em férias, visitar sua família e amigos, bem, tirar uma folga de trabalhar, mas, se você quiser, depois, eu gostaria muito quee viesse trabalhar para mim, Dobby.

— Dobby gostaria de trabalhar para Harry Potter e Dobby não precisa de férias, Harry Potter, senhor. — Dobby disse ansioso e animado. — Dobby também não precisa de pagamentos ou dias de folgas, Dobby pode trabalhar todos os dias e de graça!

— Não, não. — Harry disse muito sério e o sorriso de Dobby sumiu. — A Família Potter nunca se serviu de escravos ou servos e, eu jamais me aproveitaria de um amigo. Nós somos amigos, Dobby. Certo?

— Sim, senhor, Harry Potter. — Dobby voltou a sorrir com essa afirmação.

— Bom. Então, eu o contratarei corretamente, lhe pagarei 10 galeões a cada quinzena e você trabalhará 8 horas por dia, 5 dias por semana. Os fins de semana serão livres para poder passear, visitar amigos ou viajar e, se houver alguma emergência e eu precisar de você fora do seu horário de trabalho, pagarei horas extras. — Harry explicou e viu os olhos de Dobby se arregalarem mais a cada momento. — Esses são os seus direitos, Dobby ou de qualquer trabalhador da Família Potter ou Black e, você não merece menos que qualquer um. Você fará parte da minha equipe e trabalhará muito, assim, merece receber o reconhecimento justo por todo o seu trabalho, Dobby. Bem, é isso, você concorda ou não? — Harry questionou firme.

Dobby engoliu em seco e pensou em tudo o que foi dito. Isso só poderia ser um sonho, ele estava livre, trabalharia para Harry Potter e seria tratado com respeito e recompensado por seu trabalho!

— Dobby concorda, Harry Potter, senhor! — Ele exclamou sorridente.

— Que bom, Dobby. — Harry sorriu e trocou um olhar com o Sirius, que observava a interação deles com carinho. — Sirius lhe mostrará um contrato de trabalho, Dobby, com tudo o que acordamos, mais um contrato de sigilo, pois é importante que você mantenha segredo absoluto de tudo o que faremos e conversamos ou que você escute em nossas reuniões. Eu tenho muitos inimigos, Dobby e, quando Voldemort voltar e a guerra se reiniciar, tudo será ainda mais complicado e perigoso, assim, se um dia, você não quiser mais trabalhar para mim, tudo bem. Você pode se demitir e conseguir um novo emprego quando quiser, Dobby, porque você é livre.

Dobby arregalou os olhos com a ideia de que poderia fazer o que quisesse porque era livre, mas, depois, seu olhar se tornou determinado e ele disse convicto.

— Dobby não o abandonará, Harry Potter, senhor. Dobby ajudará o seu amigo Harry Potter a vencer a guerra. Dobby promete, Harry Potter, senhor.