Capítulo 78

Harry sorriu para Dobby e sua promessa. Libertar o pequeno elfo era uma grande vitória, simbolizava a sua própria libertação dos Dursley e de Dumbledore, além do desejo que ele e todos os seus amigos tinham de libertar o mundo mágico dos puristas. Mais importante, agora, Dobby estava seguro.

— Obrigado, Dobby, por tudo o que fez para me ajudar e proteger durante os últimos meses, além da Senhorita Bonita. E, agradeço por sua disposição de lutar ao meu lado e dos meus amigos nessa guerra. — Harry olhou para Sirius ainda sorrindo. — E, da família. Nós somos uma boa equipe, estamos crescendo e nos unindo a cada dia mais para realizar muitas coisas boas e você é bem-vindo a equipe.

Dobby arregalou os olhos e estufou o peito orgulhoso.

— Dobby agradece a confiança de Harry Potter, senhor.

— Bem, como meu amigo e funcionário, quero que pare de me chamar de senhor e Harry Potter, apenas Harry está bom. — Harry disse em uma tentativa justa, afinal, com a Mimy, ele conseguiu tirar apenas o mestre Potter.

— Oh! Dobby não poderia... isso seria desrespeitoso... — Dobby engoliu em seco confuso e aflito.

— Eu sei que é difícil, Dobby, mas, preciso que tente, que se esforce para me ver como um igual, não um superior. — Harry disse. — Se, na frente dos outros quiser me chamar de Sr. Harry, tudo bem, mas, quando estivermos só nós dois e entre amigos mais próximos ou família, gostaria que me chamasse apenas de Harry. Sabe porquê?

— Porque, Harry P... senhor? — Dobby se engasgou, mas recebeu um sorriso motivador do Harry.

— Porque quero se sejamos amigos próximos, Dobby, e amigos próximos não chamam uns aos outros de senhor. — Harry disse e viu Dobby arregalar ainda mais os olhos.

— Senhor Harry P... é melhor amigo de Dobby. — Dobby disse ainda se engasgando, mas, se esforçando.

— Bom, Dobby, você conseguirá. — Harry elogiou e Dobby corou pelo elogio. — Agora, você pode dormir aqui hoje e, amanhã, depois de assinar os contratos com o Sirius, quero que venha me ver, pois lhe passarei sua primeira missão.

— Ok... — Dobby falou lentamente, sílaba por sílaba como se precisasse pensar com muito cuidado. — Dobby agradece por me libertar, Harry, se...

— Apenas Harry entre amigos e família. — Harry o interrompeu, mas pode ver como ele ficou engasgado e aflito com o senhor na ponta da língua. — Onde ele pode dormir, Sirius?

— Tem um quarto aqui ao lado, Dobby, é um dos pequenos, acho que foi feito para ser um berçário, mas, você pode dormir nele, tem uma cama confortável. — Sirius disse gentilmente, depois pegou uma bolsinha cheia de galeões. — Aqui, esse dinheiro é o adiantamento do seu salário quinzenal, assim, você pode comprar roupas, sapatos ou o que mais precisar. Se quiser, posso te levar as compras amanhã, diretamente na fábrica de roupas, assim terá um bom desconto, depois, vamos ao sapateiro.

Dobby os olhava meio vesgo. Cama? Roupas? Compras? Sapatos? Galeões?

— Você precisa se vestir de acordo com um funcionário da Família Potter, Dobby, não como um servo. — Harry o lembrou. — Se vista do seu gosto, desde que fique confortável, eu ficarei feliz.

Dobby acenou ansioso e olhou para a bolsinha de dinheiro com receio.

— Mestre Black poderia guardar para Dobby? — Ele perguntou formalmente.

— Eu, Sirius ou Sr. Sirius, farei melhor, Dobby. — Sirius disse com um sorriso. — Amanhã, antes das compras e depois que assinar os contratos, visitaremos o Gringotes e abriremos uma conta em seu nome. Seu cofre será uma das urnas, que ficam na sala de cofres simples do térreo, para pessoas que guardam pouco ouro ou poucos objetos pessoais. Eu tenho alguns elfos que são meus funcionários e que recebem seus pagamentos diretamente em seus cofres no Gringotes. E, os goblins lhe fornecerão uma pequena bolsa mágica, que ficará vazia até que você solicite o valor que quer para a sua compra. Assim, não precisará carregar galeões com você para todos os lados. O que me diz?

Dobby parecia ainda mais chocado e um pouco confuso, assim, apenas acenou antes de se despedir do Harry com mais um abraço e ir para o quarto ao lado, que mais parecia um palácio. Ele ficou olhando para a cama gigante por uns quinze minutos antes de pegar um dos travesseiros, colocar sobre o tapete fofo no chão, se deitar sobre ele e dormir confortavelmente.

No quarto do Sirius, depois da saída de Dobby, Harry deu um forte abraço em seu padrinho.

— Muito obrigado! Esse foi o melhor presente! — Ele exclamou com um grande sorriso.

— De nada. E, foi um prazer libertá-lo, como você disse, o Dobby é especial. — Sirius sentiu seu coração se aquecer ao ver a felicidade do afilhado e saber que suas ações proporcionaram isso. — Com a conta em Gringotes e a bolsa mágica vazia, Dobby aos poucos se sentirá mais confortável em usar galeões em compras, ao mesmo tempo em que se ajusta ao fato de que agora é livre.

— Ele parecia com medo de pegar a bolsa de dinheiro. — Harry disse confuso.

— Elfos domésticos são punidos com a morte se forem pegos roubando, Harry, assim, andar por aí com uma bolsa cheia de galões pode ser meio assustador mesmo. — Sirius explicou e Harry acenou recordando que Dobby lhe contara sobre isso, então, se lembrou do momento em que o elfo compartilhou isso com ele e empalideceu levemente.

— Ei, não fique preocupado com o Dobby, ele é livre agora e se ajustará aos poucos. Os elfos que trabalham para mim nas Fábricas Black, estranharam um pouco no início, mas, agora, estão mais à vontade com o dinheiro e gostam muito de serem livres. — Disse Sirius suavemente, sem compreender a expressão do afilhado.

— Bem, com essa última parte, acho que o Dobby não precisará de tempo. — Disse Harry se esforçando para apagar o rosto sorridente de Lockhart de sua mente e disfarçar o desconforto. — O mais importante é que o Dobby está seguro e livre, espero que ele seja o primeiro de muitos, mas, temos que conversar sobre lutar pelos direitos dos elfos na Suprema Corte, assim como faremos sobre os direitos dos lobisomens. Hermione estava fazendo muitas pesquisas sobre isso antes de ser petrificada e teve algumas ideias de por onde começarmos. E, quando ela acordar, sei que quererá ir para a luta direta na Corte.

— Acho uma grande ideia, mas não devemos misturar ou querer abarcar tudo de uma vez, Harry. — Sirius disse lentamente. — Temos que ser sutis em nosso desejo de mudanças, uma pequena por vez ou eles perceberão nossas ações como uma revolução e isso fará com que os Conservadores não nos ouçam.

— E, se eles não nos ouvirem, não poderemos convencê-los a nos apoiar. — Harry acenou sentindo um certo cansaço. — Política é muito irritante, Sirius, sutileza, ilusão, pequenos passos, demorará anos para mudar todas essas leis injustas.

— É verdade, mas, melhor assim, do que começarmos uma guerra civil. — Sirius apontou alguns livros sobre sua mesa. — Prof. Bunmi me recomendou algumas leituras muito interessantes e o caminho pacífico e democrático é o melhor para o que queremos, Harry. Não podemos correr o risco de fazer mais inimigos além dos puristas ou sermos taxados de anarquistas, quando o que queremos é apenas igualdade e justiça.

— Eu sei e concordo, ainda que não deixe de ser frustrante ter que convencer as pessoas de algo tão óbvio. — Harry disse. — Aliás, tenho informações de alguns membros da Suprema Corte, acredito que o ajudará a se preparar para a sua investida. — Ele, então, explicou sobre Allen Finley e a possibilidade de seu pai, Albert Finley, líder do partido Progressista, não ser tão sincero.

— Então, vocês levantaram a hipótese de que o Sr. Finley apenas está usando uma causa popular para se promover. — Sirius fez algumas anotações. — Isso é interessante e perigoso, pois Finley é muito influente entre os Progressistas, aos quais, eu acreditei que não teríamos problemas em convencer dos nossos projetos.

— Não acredito que isso mudou. — Harry disse pensativo. — Pelo que a Susan, a Daphne e o Corner explicaram, os Progressistas e Finley, como seu líder, estão há muitos anos empenhados em mudar as leis anti nascidos trouxas. Mas, essa é uma causa popular, afinal, os números de nascidos trouxas ou mestiços superam em muito o número de puros sangues.

— Mas, eles nunca tentaram lutar pelos direitos dos lobisomens, na verdade, Finley não disse nada depois do que aconteceu na Travessa do Tranco. — Sirius acenou entendendo. — É um tema polêmico, assim, ele esperou para ver a reação do público e, quando eles se mostraram favoráveis aos lobisomens, Finley deu aquela entrevista de apoio aos lobisomens e ainda mentiu ao dizer que luta por seus direitos há anos.

— Ele é um político e Daphne levantou a possibilidade de que sua intenção, ao tentar conquistar apoio popular, é concorrer contra o Fudge ao cargo de Ministro na reeleição do ano que vem. — Harry continuou. — Allen contou ao Trevor, que em sua carta, seu pai disse que só precisavam do candidato certo e venceriam, pois, o Fudge estava trabalhando sozinho para deixar o cargo.

— E, é por isso que ele está aparecendo tanto! Claro! Finley terá o apoio do Partido Progressista para ser o candidato deles a concorrer contra o Fudge. — Sirius fez mais algumas anotações. — Se ele obtiver um terço dos votos da Suprema Corte, haverá dois candidatos, o que levará a votação popular e, no momento, Finley tem mais apoio público do que o Fudge.

— Isso transformaria Finley no novo Ministro. No entanto, se ele se mostrar como o percebemos, do tipo de Ministro que age de acordo com a opinião popular, Finley poderia se voltar contra nós rapidamente, Sirius. — Harry disse preocupado.

— É possível, mas, ainda, Finley seria melhor Ministro do que Fudge. — Sirius disse, depois acenou negativamente. — Estou dizendo tolices, pois ainda não o conheço e essa suposição é precipitada.

— Se ele for um purista disfarçado, estaríamos ferrados na guerra e, se Finley se preocupar mais com sua carreira do que com o que é o certo e justo, será apenas mais um político, não tão diferente do Fudge. — Harry explicou suas preocupações.

— Isso quer dizer que ele só compraria brigas populares, onde a maioria dos eleitores são favoráveis ou que tem uma grande chance de vencer. — Sirius disse fazendo mais anotações. — Se os direitos dos elfos não entrar neste pacote, por exemplo, Finley nunca nos apoiará nesta luta. Você está certo, Harry, política é uma grande merda.

— O que Finley precisa, além do apoio dos Progressistas? — Harry perguntou tentando ser objetivo e encontrar uma solução.

— Ele precisará que 15 mais 1 dos membros da Corte que apoiem a sua candidatura. — Sirius disse fazendo mais anotações. — O que tornará necessário ter os votos de pelo menos dois Neutros, pois os Progressistas são apenas 14. Mas, aposto que isso não será um problema, pois o Fudge está em baixa inclusive entre os Conservadores, que estão se perguntando se devem lançar um novo candidato a Ministro e descartar o Fudge.

— Existe um candidato possível e popular entre os Conservadores? — Harry perguntou curioso.

— Não sei, mas o líder do Partido Conservador, Stuart Waffling é um homem muito severo e lidera os Conservadores com punhos de ferro, assim, todos seguirão a sua determinação. — Sirius disse pensativo.

— Os Neutros não se envolverão além dos votos, pois não tem interesses em cargos políticos. Certo? — Harry questionou.

— Sim, por isso são chamados Neutros, não pertencem a nenhum dos dois Partidos, não querem cargos políticos e seus votos seriam mais justos, baseados em informações legais, não apenas em opiniões pessoais. — Sirius disse. — Em teoria, claro.

— Acho que temos alguém que difere da teoria, mas, antes de falar dele... — Harry disse preocupado. — Tem alguma maneira de não ficarmos presos entre Finley e Fudge? Ou descobrirmos que Finley não é tão político como aparenta?

— Eu me encontrarei com ele e os membros do Partido Progressista em breve, apenas... — Sirius hesitou. — Tudo o que aconteceu nas últimas semanas não permitiu que eu começasse a frequentar a alta sociedade bruxa como planejamos, Harry. O Boots estão de luto e não podem dar jantares ou festas, eu não tenho uma casa para realizar algo assim. Mas, depois das minhas últimas entrevistas, recebi o convite do Partido Progressista para um jantar na próxima semana e conhecerei os seus membros.

— Finley quer o seu apoio! — Harry exclamou arregalando os olhos.

— Exatamente a conclusão que chegamos, o Sr. Boot e eu. — Sirius disse. — Ele pode querer me convidar a entrar para o Partido Progressista também, pois isso mostraria o meu apoio direto ao seu candidato a Ministro, ainda que eu não tinha considerado que ele mesmo quer ser o novo Ministro. Sr. Boot sugeriu que Finley gostaria de usar a minha popularidade para aumentar as chances do seu candidato ou ele mesmo, vencer as eleições.

Harry acenou concordando, Sirius era muito popular nas reportagens e opiniões no momento. Seu tempo preso injustamente em Azkaban, sua iniciativa em renovar a Travessa como a GER fez com o Beco, sua defesa contra as injustiças sofridas pelos lobisomens, abortos e nascidos trouxas, elevaram o seu status ao de uma verdadeira celebridade amada e respeitada. Ele ser bonito era apenas um fator a mais para as mulheres e, segundo sua prima Scheyla, seu padrinho estava contado para ser eleito o solteiro mais bonito e rico do mundo mágico pela revista Weekly Witch.

— Sirius... — Harry arregalou os olhos quando uma ideia o atingiu.

— O que? Ai, eu conheço essa expressão, você está tendo uma ideia e aposto que não será muito boa para mim. — Sirius disse com expressão sofrida. — Diz logo, vai.

— Bem, se o Finley quer usar a sua popularidade para se eleger Ministro, qual a possibilidade de a usarmos para eleger você, o novo Ministro da Magia? — Harry perguntou com os olhos brilhando.

Sirius esbugalhou os olhos igual ao Dobby e soltou uma gargalhada de diversão e incredulidade. Ele riu tanto que precisou segurar o estômago dolorido, lágrimas escorreram dos seus olhos e seu rosto ficou vermelho. Enquanto ele ria loucamente, Harry o observou ironicamente e cruzou os braços esperando.

— Pode parar de rir, Sirius, porque, eu não estou brincando. — Ele disse em tom superior.

— Mas, claro que você está brincando... Imagine isso, Sirius Black, o Ministro da Magia! — Sirius se dobrou rindo ainda mais.

— Eu não vejo nada de engraçado nisso, Sirius, pelo contrário. — Harry disse levemente irritado.

— Harry, escute... — Sirius parou de rir com seu tom e olhou confuso para o afilhado.

— Não, você me escuta primeiro. — Harry disse muito sério. — Nós precisamos de alguém no cargo que realmente se importe e queira realizar coisas boas para todos. Alguém que não mudará a direção de acordo com o vento mais promissor que levará a sua carreira mais rapidamente para o sucesso. Alguém que seja querido e respeitado pelo público, além de ter a capacidade de conquistar o apoio da Suprema Corte. O nome Black é tão poderoso que, os Conservadores não puristas, se sentirão tentados a apoiá-lo ou, ao menos, ouvir suas ideias, desde que sejam sutis, como você disse. E, os Progressistas ouvirão o seu discurso sobre direitos e justiça, assim, você será visto como alguém que defende suas causas. — Harry se inclinou para frente. — Sirius, você poderia unir os dois lados contra os puristas.

Sirius o ouviu de olhos arregalados e boca aberta de espanto.

— Harry, mas... Eu nunca pensei em me envolver com política, muito menos concorrer a um cargo. — Sirius disse confuso. — Acredite, eu não poderia ter ido para a Slytherin, mesmo se implorasse ao chapéu porque, eu nunca fui ambicioso.

— Sua ambição não é por sucesso pessoal e sim, por levar justiça as vítimas, Sirius, por isso queria ser um auror e eu o entendo. — Harry disse sincero. — Mas, é exatamente isso que o torna o melhor candidato para a nossa causa, porque, você não será um Ministro que se importa mais com ter poder, do que com os bruxos e bruxas do nosso mundo. Sabemos muito bem que Fudge é assim e, Finley poderia ser igual, pior, se ele for mais inteligente que o Fudge, poderia ser muito mais perigoso.

Sirius estava desconcertado, claro, porque o seu argumento era muito válido.

— Eu... não sei o que dizer, sinceramente. — Ele disse perdido. — Eu estou aprendendo sobre política agora, estou lendo livros sobre algo que nunca me interessei antes e marquei um almoço com Arthur Weasley para consultá-lo sobre como montar um projeto de lei para apresentar a Corte sem passar vergonha.

— Weasley? — Harry se mostrou confuso.

— Sim, Arthur Weasley apresentou brilhantemente a Lei de Proteção aos Trouxas e conseguiu a maioria dos votos. — Sirius explicou e não viu a expressão mais carregada que cruzou o rosto do Harry. — Agora, é crime que bruxos adulterem objetos trouxas, seja por intenção dolosa ou apenas por uma brincadeira. Ele focou na proteção dos trouxas e no fato de que o Estatuto de Sigilo estava sendo violado quando um bruxo encantava as xícaras ou as chaves dos trouxas, que eram obrigados a serem obliviados a cada vez que suas xícaras de chá os perseguiam ou mordiam em suas casas.

— Merlin, tem gente tão doente que faz isso por diversão? — Harry disse irritado. — E, Weasley conseguiu aprovar essa lei e ganhar um monte de inimigos ao mesmo tempo. Será que isso não lhe ocorreu?

— O que? Do que está falando? — Sirius questionou confuso.

— Nada, deixa para lá. O que importa, Sirius, é que você está aprendendo e pode continuar a aprender enquanto se torna o Ministro, ora. — Harry disse dando de ombros.

— Harry, não seja ingênuo. — Sirius disse e suspirou. — Olha, primeiro, não é com o público que devo me preocupar e minha inexperiência poderia não lhes importar, mas importará para os membros da Suprema Corte, que não apoiarão a minha candidatura. — Sirius viu a sua expressão de frustração. — Você entendeu, bom. E, não se esqueça que nem estou filiado a um partido no momento e, se me filiasse aos Progressista, eles também não me apoiariam, não apenas por causa da minha falta de conhecimento, mas por sua lealdade ao Finley, que é o líder do Partido.

— Ok. — Harry disse pensativo e suspirou, pois não parecia haver uma solução para todos esses problemas. — Bem, se é assim, o que faremos? Apoiaremos o Finley? Nos arriscamos?

— Eu não vejo outra saída, Harry. — Sirius disse pensativo. — Claro, se ele for um purista disfarçado, isso não é uma opção, mas devemos esperar para decidir. Sr. Boot me acompanhará ao jantar e, depois desse encontro, teremos uma ideia melhor de quem é Albert Finley.

— Bem. — Harry disse acenando levemente contrariado. — Agora, deixe-me lhe dizer quem é James Redford. — Ele, então falou sobre Jacinta Redford e a certeza que tinha que seu pai seria igual em suas opiniões e julgamentos.

— Ele é um Neutro, isso quer dizer que apesar de não ambicionar um cargo político, provavelmente vende o seu voto para quem paga mais. — Sirius disse voltando a escrever em seu pequeno livro de anotações.

— Como alguém assim é um membro da Suprema Corte? — Harry perguntou irritado. — Esse não é um cargo de honra? Conseguido pelo mérito de grandes realizações?

— Em teoria. — Sirius disse e fez uma careta. — Lembre-se que Kevin Parkinson era um dos membros, Harry e isso nos fala um pouco sobre os critérios.

— Me admira que Malfoy não esteja lá também. — Harry disse com desprezo.

— Ele não está porque sua família não é tão antiga quanto a dos outros, mas, acredite, Lucius está trabalhando para conseguir uma cadeira quando for mais velho. — Sirius explicou. — A escolha dos membros acontece por vários critérios. Os Neutros, por exemplo, não são indicações dos Partidos, assim, eles se tornam membros por méritos próprios ou grandes feitos, publicação de livros, invenções de feitiços ou poções, une-se a isso, um sobrenome antigo e muita riqueza. Os membros da Corte que pertencem a um dos Partidos também terão méritos, mais a indicação dos colegas Conservadores ou Progressistas, para concorrerem a cadeira. Ah, e eles devem ter mais de 45 anos, no caso de você estar pensando em me transformar em um membro da Suprema Corte.

— Não estou. — Harry disse com uma careta mal-humorada. — Como eles são substituídos?

— Bem, além de quando são enviados para Azkaban por incendiarem o Beco Diagonal? — Sirius perguntou ironicamente. — Eles morrem ou se aposentam por velhice, renunciam a cadeira voluntariamente por questões de saúde ou familiares. Não acontece com frequência, sabe, mas, quando acontece, quem estiver pleiteando a cadeira vaga, vem à frente do púlpito e discursa em causa própria. Ah, ele deve receber a indicação e apoio de pelo menos um dos membros da Corte ou do Ministro da Magia para ser autorizado a discursar. Depois que todos os candidatos discursam, existe uma votação e aquele receber mais votos, nesse caso, quem fez mais alianças, vence e se torna parte da Suprema Corte.

— Ok. Então Redford deve ser muito rico, além de ter feito algo importante e de ter um sobrenome antigo. — Harry se tornou pensativo. — Não entendo, o cargo em si deve ser uma grande honra, porque fazer alianças ou vender seu voto por dinheiro, se ele já deve ser muito rico?

— Porque quem é muito rico e ambicioso, sempre quer mais dinheiro. — Sirius disse com uma careta. — Nós dois temos mais dinheiro que 10 gerações poderiam gastar, mas, ainda investimos. Redford não troca o seu voto por dinheiro e sim, por bons negócios, que lhe rendem muito dinheiro, portanto, ser um membro da Corte para ele, é um investimento lucrativo e não uma honra.

— Qual é o negócio da Família Redford? — Harry perguntou curioso.

— Joias. — Sirius respondeu lentamente. — A joalheria Redford é uma das lojas mais antigas no Beco e eles fazem as joias mágicas mais lindas, poderosas e caras do mundo mágico.

— Mas, eles têm concorrência agora. — Harry ergueu a sobrancelha.

— Sim, a Artem Pretiosum está lhe causando dificuldades nos últimos meses porque os preços da loja da GER são muito melhores e mantendo a mesma qualidade. — Sirius acenou. — Mas isso é recente, os Redfords reinaram por séculos sem concorrência e nunca tentaram desafiar os goblins ao fazerem armas mágicas com pedras preciosas. E, comparada aos preços dos goblins, suas joias são muito mais acessíveis.

— Imagino para quem. — Harry disse ironicamente. — Então, o que? Ele apoia as famílias ricas com seu voto na Corte em troca de que?

— É como você disse, Harry. — Sirius sorriu divertido. — Suas joias são acessíveis as famílias ricas, não importa se são puristas ou não, importa é que sejam seus preciosos clientes. Portanto, ele apoia os seus clientes ricos em seus projetos para que continuem a manter as leis que os permitem continuarem muito ricos. Não é diferente do que estamos fazendo, tentando ganhar influência e poder na Suprema Corte, apenas, queremos fazer isso por um motivo justo, Redford fez e ainda faz, por dinheiro.

— Isso é um monte de bobagens. — Harry se levantou irritado e impaciente. — Estou cansado, Sirius, muito cansado. Não tenho paciência para ficar pensando em qual é a motivação de cada um desses... Idiotas, egoístas e gananciosos... — Harry chutou a poltrona. — Velhotes estúpidos!

— O que mostra que você é humano e tem 12 anos, Harry. — Sirius o olhou com carinho. — Olha, porque não me passa as informações que tem, discutirei com o Sr. Boot, Falc, Serafina e tentaremos descobrir mais sobre os membros da Corte. Acho que devemos nos concentrar no jantar da semana que vem com o Partido Progressista e, depois, nos reunir pelo espelho para decidir os próximos passo. Sr. Boot acredita que o fato de eles tomarem a iniciativa ao me convidarem, é algo positivo, pois esconde as nossas ambições, pelo menos inicialmente.

— Deixe que eles tomem a iniciativa, o subestimem e lhe deem muitas informações, pois estarão mais relaxados, afinal, não sabem dos nossos planos. — Harry disse inteligentemente. — Isso é bom, fácil de compreender e de realizar. Bem, deixe-me lhe contar sobre Ernest Murray... — Ele explicou sobre Dempsey e a promessa que arrancou do seu pai.

— Interessante. Um Conservador com muitos motivos para apoiar os direitos dos lobisomens, desde que não esteja mentindo para o filho. — Sirius fez mais anotações. — Isso é muito bom, Harry, tenho certeza que poderei usar essa informação. O que mais?

Harry contou sobre Julius e seu pai, Corban Yaxley, além de toda a história de sua mãe. Sirius ficou meio pálido, mas, fez suas anotações pensativamente e suspirou, ao fim.

— Sinto te dizer que essa não é a pior história que já ouvi, Harry. — Sirius disse suavemente. — Os Blacks participavam de caçadas aos trouxas séculos atrás e ficaram arrasados quando foi proibido por causa do Estatuto de Sigilo.

— Caçada aos trouxas? — Harry questionou chocado. — Mas... eles são humanos...

— Não para os puristas, Harry. Para eles, os trouxas são animais inferiores e as caçadas eram promovidas anualmente, um grande evento, com festas, bailes e premiações. — Sirius disse com certa vergonha e tristeza.

— Merlin... — Harry suspirou agradecendo que sua família foi cheia de homens bons e honrados ou se sentiria como Sirius, envergonhado de ser um Potter, como ele era de ser um Black.

— Bem, de qualquer forma, precisamos pensar em como podemos usar essa informação para prejudicar o Lucius. — Sirius disse objetivamente.

— Eu, sinceramente, não acredito que o Yaxley seja mais do que um espião para o Malfoy, que ele usa para obter informações privilegiadas. — Harry deu de ombros. — Duvido que ele saberá segredos de Malfoy que o colocariam em Azkaban, por exemplo.

— Pode ser. E, a família Yaxley não é uma das mais ricas ou importantes, o que explica porque Corban estava ansioso para ser marcado, mas, ainda não tinha conseguido essa honra. — Disse Sirius com desprezo e ironia. — Você acredita que Julius poderia obter alguma informação útil para nós?

— Não sei e não acho que o risco de sua vida vale a pena tentarmos algo útil que poderia ou não existir. — Harry disse firmemente. — O que pensei é que Julius poderia obter alguma informação que ligue o pai aos assassinatos dos lobisomens, pois aposto que Yaxley foi um dos principais aurores assassinos. Prendemos ele, Malfoy perde o seu espião e Julius fica livre.

— Teremos que envolver o King nisso. — Sirius disse muito sério. — King pode tomar o depoimento de Julius, investigar o Yaxley sigilosamente e encontrar provas de seus crimes. Harry...

— O que? — Ele perguntou bocejando e se espreguiçando.

— Eu lhe direi uma coisa, mas não quero que conte ao Julius, pois poderia ser perigoso se ele confrontasse o pai. Promete? — Sirius perguntou muito seriamente e Harry acenou. — Você disse que Julius contou que um lobisomem entrou na casa de campo da Família Yaxley e atacou sua mãe, que ela lutou, o matou, mas foi mordida.

— Sim. — Harry franziu o cenho curioso. — Sua avó lhe deu essas informações e seu pai contou sobre o assassinato.

— Bem, mas... Olha, os Yaxleys não são riquíssimos, antigos e respeitados, mas, ainda são uma família pura de posses. Eles têm uma Mansão em Londres, outra no campo, devem ter um cofre decente e, além de serem tradicionais, devem ter muitos inimigos.

— Certo, mas, o que isso tem haver? — Harry não entendia nada.

— Pense, Harry, comparemos os Yaxleys aos Boots, uma família de posses, um cofre decente, uma mansão em Londres e outra no campo. — Sirius disse erguendo as sobrancelhas e o incentivando a perceber o detalhe.

— Desculpe, Sirius, quando disse que estava cansado, eu estava sendo literal. Você pode explicar, por favor? — Harry disse sincero, pois não compreendera a questão.

— Acredita que se Greyback pudesse entrar pelas alas da Abadia ou do Chalé, ele não entraria? — Sirius apontou sorrindo. — Tudo bem, ele tinha suas fantasias e rituais, mas, porque não esperar a lua cheia, invadir a casa e matar a todos?

— Porque as alas não o deixariam entrar. — Harry franziu o cenho chocado. — As alas afastam os seres mágicos ou um dragão ou dementador poderiam entrar, assim, como um lobisomem. Por isso que as maiores vítimas de lobisomens são trouxas e elas não sobrevivem aos ataques.

— Exato. Na casa do Remus, as alas eram frágeis, pois sua família não tinha posses, apenas uma casa simples e a família vivia do salário do Sr. Lupim. Assim, eles não tinham como pagar por alas decentes que impediriam a entrada de Greyback que, ainda por cima, planejava os ataques com antecedência quando buscava vingança.

— Então, Greyback passou pelas alas e se posicionou para que no momento da transformação, estivesse perto de Remus. — Harry disse. — Mas, então... Sirius, como o lobisomem entrou na casa de campo dos Yaxleys?

— Não sei. — Sirius disse pensativo. — Podemos supor, claro, que a situação financeira de Yaxley seja pior do que imaginamos ou, que ele negligenciou as alas. Se ele estava dedicando o seu tempo as festas, bebidas e mulheres, essa é uma boa combinação para ficar sem galeões ou não cuidar bem das propriedades. Mas, também não podemos descartar que alguém permitiu o acesso do lobisomem na casa.

— Mas... porque alguém deixaria um lobisomem entrar em uma casa com uma mulher e um bebê indefeso? — Harry sussurrou chocado.

— Para se livrar deles. — Sirius respondeu suavemente. — E, afastar qualquer possibilidade de ser considerado o culpado. Aposto que a esposa de Yaxley ainda é considerada como desaparecida ou fugitiva por todos esses anos, Harry, porque ninguém sabe que ela morreu, afinal, até o corpo foi cuidadosamente descartado para não haver nenhum vestígio.

Harry estava chocado com a ideia terrível, ainda que a primeira possibilidade era possível também.

— Se isso for verdade, porque ele a mataria, Sirius? Quer dizer, o divórcio não é proibido no mundo mágico, certo?

— Certo. Ainda, muito raro e considerado um escândalo, uma desonra. — Sirius pareceu hesitar e suspirou. — A questão não é a tentativa de matá-la e sim, que ao fazer isso, Yaxley teria matado o seu filho e herdeiro. Se o lobisomem tivesse tido sucesso, Julius teria morrido também.

— E, porque Yaxley tentaria matar o próprio filho? — Harry sabia como os herdeiros, principalmente os meninos, eram importantes no mundo mágico. — Se fosse uma menina... Além disso, porque não o matar depois de matar a mãe de Julius?

— A avó pode ter interferido ou ele pensou que não teria como se safar se o menino desaparecesse ou morresse de repente, depois de todo o acontecido. — Sirius deu de ombros. — Você está certo, não tem muito sentido, provavelmente, o que aconteceu foi que Yaxley negligenciou as alas e, por isso, o lobisomem entrou na casa.

Harry acenou concordando, mas sentiu um afundamento no fundo do estômago, um mal-estar, um estranho pressentimento, de que a explicação não era tão simples assim.

Sirius o aparatou para a Casa dos Gritos em seguida e Harry subiu para a Torre silenciosamente, até estar em sua cama quente e macia, tentando não pensar em porque um pai tentaria matar o seu filho.

No dia seguinte, Dobby teve o dia mais estranho da sua vida. Ele assinou os papeis, contratos de trabalho e confidencialidade, que o tornavam um dos empregados de Harry Potter. O Sr. Sirius enviou os papeis da sua compra e liberdade ao Ministério para ser registrado, assim, ninguém poderia reivindicá-lo ou tentar usá-lo como um servo e, o mestre Lucius não poderia tê-lo de volta.

Dobby conheceu o Sr. Boot, foi impedido de fazer o café da manhã, pois a Abadia tinha uma empregada doméstica humana que ganhava um salário. O Sr. Boot insistiu que Dobby se sentasse a mesa com eles para tomar o café da manhã e que lhe falasse sobre ele, Dobby. E, o agradeceu por ser amigo e ajudar Harry Potter, que era como um neto para ele. Dobby apenas acenou corado de vergonha e timidez, se perguntando se a qualquer momento acordaria com os berros do Mestre Lucius e um dos seus castigos, porque era impossível que não estivesse sonhando.

Em seguida, eles deixaram a Abadia e foram para o Gringotes, onde uma conta foi aberta em seu nome e um pequeno cofre foi disponibilizado em uma grande sala cheia de pequenos cofres que eram como gavetas de metais nas paredes. Com o dinheiro de 3 meses de salário depositado, Dobby conseguiu uma bolsinha mágica, por uma pequena taxa, e deixou o banco para a Fábrica Têxtil do Sr. Sirius.

O Sr. Sirius insistiu que ele comprasse roupas personalizadas e com preços de fábrica, assim, Dobby pagou bem pouco pelas novas roupas, que seriam costuradas rapidamente e sob medida.

— Posso ter um casaco, Sr. Sirius? — Dobby sussurrou timidamente.

— Claro, Dobby. — Sirius disse com um sorriso. — Que tipo de casaco?

— Dobby gosta do casaco que o Sr. Sirius libertou Dobby. — Ele sorriu com os olhos brilhando.

— Muito bom gosto, meu amigo. — Sirius disse divertido. — Vamos acrescentar uma camiseta sob o casaco, algo mais casual e confortável do que uma camisa de botões. O que me diz?

Dobby, de olhos arregalados, acenou positivamente.

— Temos um lançamento de primavera/verão que está sendo preparado, mas, acredito que você gostará, Dobby. — Sirius lhe mostrou uma camisa azul com uma águia preta, outra, verde com uma cobra preta, ainda uma preta com um texugo amarelo e outra preta com um leão vermelho. — O que acha? Aposto que serão um sucesso entre os adolescentes quando chegar o verão.

— Dobby gosta, Sr. Sirius, Dobby gosta muito! — O elfo tinha os olhos arregalados e aceitou a sua preferida, a azul com uma águia preta.

Além dessa escolha, ele pegou mais umas camisetas sem estampas e outras com estampas ou dizeres estranhos. Havia uma que dizia, "Me, Weird? Always". Uma outra dizia, Love is Love, mas a que ele mais gostou foi, "Do All Things With Love". A que ele não entendeu o que significava, dizia: "Rock N' Roll Stole My Soul".

— Não se preocupe, o Harry lhe explicará e fará sentido. — Sirius disse quando Dobby perguntou se algo que roubava a alma era bom, afinal, os Dementadores eram maus. — Agora, faremos alguns casacos, de tecidos diferentes, alguns mais quentes, outros mais frescos para o verão e, claro, não podemos deixar o seu guarda roupa sem uma jaqueta de couro preta descolada.

Dobby apenas acenou e engoliu em seco quando a quantidade de roupa continuou a aumentar e aumentar.

— Agora, Dobby, sei que está acostumado a usar fronhas, mas, a vestimenta masculina mais comum são calças. — Sirius considerou. — No entanto, você poderia usar kilts se achar difícil de acostumar com o aperto das calças e, claro, você não precisa usar cuecas.

Dobby experimentou as calças com as cuecas do seu tamanho, mas achou muito apertado e estranho. Depois, ele colocou as calças sem as cuecas e gostou mais, assim, Sirius mandou fazer algumas de diferentes tecidos também, além de alguns kilts nas cores da Família Potter.

— Assim você pode variar, Dobby, os kilts são considerados respeitáveis para muitas ocasiões, portanto, não se acanhe de usá-los. — Sirius disse gentilmente e Dobby acenou sem palavras com a ideia de usar as cores da família de Harry Potter. — Agora, sapatos. Enquanto seu guarda-roupa é feito pelos costureiros da fábrica, visitaremos a World of Shoes e encomendaremos os calçados que precisa.

Assim, Dobby se viu retornando ao Beco Diagonal, onde eles entraram em uma linda loja com centenas de sapatos femininos e masculinos de todos os tipos. O Sr. Taylor, o dono da loja e sapateiro, os atendeu com um grande sorriso e muita gentileza. Sr. Sirius insistiu que Dobby tivesse 5 pares de sapatos, 1 par social, 1 par de tênis de corrida, que Dobby não entendeu o que era exatamente, 1 chinelo para usar em casa e 2 botas para o dia a dia.

Feita a encomenda, eles passaram para comprar o almoço em um lugar chamado The Bar e retornaram a Abadia.

— Dobby poderia fazer o almoço, Sr. Sirius, Dobby cozinha muito bem. — Dobby disse enquanto arrumavam a mesa da cozinha para a refeição e ao ser informado que a empregada trabalhava apenas no período da manhã, cuidando da limpeza da Abadia e deixando o jantar pronto, pois, quase sempre, não havia ninguém presente durante o almoço, depois da morte da Sra. Honora.

— Eu sei, Dobby, mas, você não é meu funcionário e sim, do Harry, acredito que ele não gostaria que o tratasse como meu servo. Além disso, você é meu amigo e hóspede na Abadia, não tenho o hábito de permitir que amigos ou hóspedes cozinhem para mim, afinal, é meu dever fornecer as refeições. — Sirius explicou e viu a expressão confusa de Dobby voltar. — Não se preocupe, eu sei que é tudo novo, mas, antes que perceba, você estará acostumado a não ser mais um servo e sim, um elfo livre.

Dobby sorriu brilhantemente e olhou pra Sirius com admiração.

— Dobby gosta de ser livre e, Dobby gosta de fazer compras, mas Dobby não sabe onde usar tantas roupas e sapatos novos, Sr. Sirius. — Dobby disse ansioso.

— Não se preocupe, Harry com certeza pensará em muitas coisas para você fazer e, depois de usar suas roupas uma ou duas vezes, o normal é lavá-las, passá-las e colocá-las em seu guarda roupa. — Explicou Sirius suavemente, enquanto o Sr. Boot entrou na cozinha. — Comprei o nosso almoço no The Bar.

— Graças a Merlin! Achei que teria que comer outro sanduíche natural e beber suco esquisito. — Sr. Boot disse aliviado. — Como foram as compras, Dobby? Se divertiu?

— Dobby se divertiu, Sr. Boot, mas, Dobby estava dizendo ao Sr. Sirius, que Dobby não tem onde usar tantas roupas ou onde guardá-las. Dobby não tem um guarda roupa ou um malão... Dobby não tem nem uma casa! — O elfo arregalou os olhos ao perceber esse fato.

— Sua casa é com o Harry, por enquanto, Dobby ou, ele pode te deixar viver aqui conosco, afinal, a Abadia é bem grande e só tem nós dois. — Sirius disse e entregou um prato com um hambúrguer duplo com bacon, anéis de cebola e molho barbecue. Ao lado, havia batatas fritas e um copo com Pepsi bem gelada.

Dobby olhou confuso para a comida estranha, até que observou o Sr. Sirius e o Sr. Boot pegando o pão redondo com as mãos e dando uma grande mordida. Ele hesitou, mas estava com fome e o cheiro era muito bom, assim, Dobby repetiu o gesto dos bruxos e experimentou a comida mais incrivelmente incrível do mundo todo. Arregalando os olhos, ele mastigou e mordeu outra vez, sem acreditar que algo tão delicioso poderia existir.

— Não esqueça as batatas e a bebida, Dobby, tudo junto fica muito bom e é uma das comidas trouxas mais deliciosas. — Sirius disse e Dobby apenas acenou, pois estava com a boca cheia.

— Sabe, Sirius, deveríamos pensar em nos mudar para a Mansão Boot em Londres. — Sr. Boot dizia. — A Abadia é muito grande para nós dois e, em Londres, estaríamos mais perto do Ministério e seria mais fácil receber visitantes para o almoço ou jantar.

Dobby ouviu em silêncio a conversa e experimentou a bebida preta que fazia cócegas no nariz e as batatas fritas macias, concordando que tudo junto parecia tornar o pão redondo ainda melhor. Sr. Sirius se mostrou animado com a ideia, pois disse que poderia supervisionar melhor a reforma da Mansão da Família Black. Quando o segundo sanduíche foi distribuído, Sr. Sirius contou sobre a sua conversa com o Sr. Harry ao Sr. Boot.

— Muito boas essas informações. — Sr. Boot disse pensativo. — E, não acho completamente insano a ideia de você ser o Ministro. — Sirius arregalou os olhos surpreso. — Não agora, concordo que, politicamente, você não é forte para conseguir concorrer ao cargo, mesmo que seja popular entre o público. No entanto, daqui a alguns anos, você poderia concorrer, desde que começasse a trabalhar desde já para conseguir o apoio necessário na Corte.

— E, o que envolveria trabalhar para obter apoio? — Sirius perguntou confuso. — Em nem sei se quero ser um político, muito menos um Ministro, assim como não tenho ideia do que fazer para alcançar isso.

— Bem, primeiro, eu acredito que você deve decidir se esse trabalho pode ser algo que o atraia, pois exigirá muito de você e do seu tempo. — Sr. Boot disse pensativo. — Em seguida, o que está pretendendo fazer, frequentar a alta sociedade, se filiar a um Partido, se relacionar com os políticos e membros da Suprema Corte, além de apresentar projetos de leis, é exatamente o que uma pessoa deve fazer para se posicionar politicamente para um cargo. Em teoria, alguns anos fazendo tudo isso e estudando, aprendendo e agindo politicamente, o tornaria elegível a tentar uma vaga na Suprema Corte ou no Gabinete.

Sirius acenou entendendo melhor todo o cenário. Mas, ele queria ser o Ministro da Magia? A ideia era mais do que desconcertante, era meio aterradora, afinal, ele era Sirius Black e nunca tinha pensado em se envolver com política, muito menos assumir um cargo tão sério e importante.

— Acredito que precisamos conhecer os membros do Partido Progressista, saber se eles são verdadeiros em seus desejos de mudanças. Se estão dispostos a lutar verdadeiramente pelos direitos e pela justiça dos perseguidos e oprimidos. — Sirius disse depois de refletir por alguns minutos. — Enquanto isso, pensarei com cuidado em toda essa questão e continuarei a aprender.

— É uma boa ideia. — Sr. Boot disse orgulhoso. — Não há porque apressar uma decisão. O que mais o Harry descobriu?

Sirius contou sobre Murray e Yaxley, o que fez expressões diferentes surgirem no rosto do Sr. Boot.

— Uma família virando as costas para uma criança é muito triste, mas, concordo que Murray pode ser um ponto de apoio e influência dentro do Partido Conservador. — Ele disse pensativo. — Quanto ao Yaxley, você está certo em avisar o King do caso, pois esse menino pode estar em risco, Sirius e, obviamente, ele vem sofrendo abusos do pai desde pequeno. Bons pais não bebem na frente dos seus filhos ou falam sobre coisas tão terríveis.

Dobby ouviu tudo em silêncio e com os olhos arregalados, pois sabia porque Yaxley não gostava do filho, mas, claro, ele não podia contar os segredos do seu antigo Mestre.

Naquela tarde, Harry foi até o seu quarto e respirou fundo antes de chamar por seu novo funcionário.

— Dobby?

O elfo estalou na sua frente, ainda vestindo uma fronha, esta era nova e limpa.

— Harry Po... senhor! — Dobby exclamou entusiasmado.

— Olá, Dobby, teve um bom dia? — Harry indicou as cadeiras e os dois se sentaram.

— Dobby teve um grande dia, Harry, senhor. Dobby fez muitas compras com o Sr. Sirius e as novas roupas e sapatos de Dobby chegam amanhã, Sr. Harry. — Dobby explicou suavemente e apontou para a fronha que usava. — Sr. Sirius deixou Dobby vestir uma fronha limpa hoje de manhã, mas, amanhã, Dobby terá roupas novas e... descoladas. — Ele disse a palavra lentamente e Harry riu divertido.

— Isso é bom, fico feliz que esteja se adaptando. — Harry suspirou e olhou para o Dobby com atenção. — O mais importante para mim, desde que o diário de Riddle foi destruído e a basilisco morta, era libertar você, Dobby e ter certeza de que estaria seguro.

— Dobby agradece, Harry P... senhor. — Dobby disse com adoração.

— De nada. Eu não fiz muito, apenas pedi ao Sirius que tentasse te libertar. — Harry deu de ombros. — Você assinou os contratos de trabalho e confidencialidade, certo?

— Dobby assinou, Sr. Harry. Dobby agora é funcionário do Sr. Harry. — Dobby disse sorridente e orgulhoso.

— Bom. E, espero que compreenda que como meu funcionário, você pode se demitir e ir trabalhar em outro lugar no momento em que quiser. Certo? — Harry falou muito sério e Dobby acenou de olhos arregalados. — Também entende que se eu pedir para que faça algo, você pode dizer não, quando quiser? — Dobby acenou um pouco hesitante e confuso. — O que quero dizer é que se eu lhe pedir para fazer algo que você não quer ou que acredita estar errado, você não é obrigado a obedecer, Dobby. Você não é um escravo mais e, se cometer algum erro, também não haverá punições.

— Dobby entende que Dobby é livre e que o Sr. Harry não é como o Mestre Lucius, mas, Dobby não entende como pode dizer não ao que o Sr. Harry me pede. — Dobby disse perdido.

— Você se lembra da noite em que te chamei e pedi que desaparecesse todos os pertences de uma certa pessoa? — Harry perguntou e Dobby acenou arregalando ainda mais os olhos verdes como bolas de tênis. — Você entendeu porque fazíamos isso? — Outra vez Dobby acenou. — Eu não sou como o Malfoy, nunca o machucaria ou mataria alguém intencionalmente, mas, naquela noite, uma pessoa morreu e eu tive que fazer parecer que ela tinha fugido. Fiz isso para proteger a Senhorita Bonita, Dobby, e não me arrependo, mesmo que tenha sido errado ou que poderia me prejudicar. Você entende? — Dobby acenou. — A culpa pela morte daquela pessoa, naquela noite, foi de Riddle e de Malfoy, mas, eu não tinha como provar e isso enviaria a Senhorita Bonita para Azkaban.

Dobby pareceu aflito e torceu as mãos.

— Dobby fica feliz por ter ajudado o Sr. Harry a proteger a Senhorita Bonita. — Dobby disse sincero.

— E, eu sempre serei grato a você, Dobby. Mas, esse é um exemplo de coisas que eu posso ser obrigado a fazer, para proteger alguém ou porque, eu, acho que é o certo, mesmo que seja ilegal, segundo as leis do Ministério. — Harry o encarou com firmeza. — Mas, ao longo da sua vida, você nunca teve a liberdade de fazer o que você achava certo e, a partir de agora, isso mudará. O que quero dizer é que, antes de te pedir para fazer alguma coisa, eu lhe explicarei o que e o porquê, assim, será a sua decisão fazer ou não. Você não é só livre para agir, mas também para pensar e decidir por si mesmo. Entende?

— Dobby entende. Se Dobby decidir ajudar porque Dobby acha certo, Dobby pode. — Harry acenou concordando. — Mas... se Dobby pensar ser errado ou ruim, Dobby pode dizer não.

— Isso. Para qualquer coisa, você pode dizer não e eu prometo te ouvir, te compreender e respeitar a sua decisão. — Harry falou em tom de promessa. — Combinado? — Dobby acenou ansiosamente. — Bom, agora eu vou te explicar a nossa primeira missão e se você considerar errado, tudo bem.

— Dobby entende, Sr. Harry. O que Dobby e o Sr. Harry têm que fazer? — Dobby perguntou muito sério ao perceber que era algo importante e, talvez, não muito bom.

— Precisamos cuidar de alguns ossos, Dobby. — Harry explicou a missão e Dobby acenou.

— Se Dobby ajudar o Sr. Harry, Dobby ajuda a proteger a Senhorita Bonita e o Sr. Harry? — Dobby perguntou curioso.

— Sim, Dobby, porque, se encontrarem os ossos e descobrirem o que aconteceu de verdade, eles saberão que eu escondi a morte dessa pessoa. Então, não apenas a Senhorita Bonita seria prejudicada, eu também, mas... — Harry falou com firmeza. — Se você não quiser, não precisa me ajudar, eu tentarei cuidar disso sozinho. É sua decisão.

Dobby torceu a mão e pensou por alguns segundos, o que era estranho porque ele quase nunca precisou fazer isso antes. Em sua vida, o momento mais decisivo e que exigiu muita reflexão, foi quando Dobby decidiu ir avisar o Sr. Harry do perigo em Hogwarts. E, essa foi a decisão certa, assim, agora, Dobby decidiu seguir o seu coração mais uma vez.

— Dobby quer ajudar o Sr. Harry. Dobby acredita que é o certo e quer fazer isso. — Ele disse com convicção.

— Bom. Cuidaremos disso hoje à noite, quando todos estiverem dormindo. — Harry suspirou meio aliviado, pois, com a ajuda do Dobby, seria mais fácil lidar com isso. — Dobby, eu acredito que você não pode contar os segredos de Malfoy, mesmo que não seja mais o seu elfo. Certo?

— Dobby não pode, Sr. Harry. Dobby é proibido por magia, mas, Dobby pode responder suas perguntas com "Dobby não pode dizer". Assim, Dobby não está contando os segredos de Mestre Lucius.

— Ok. Quando me ocorrer uma pergunta, eu farei e gostaria que você respondesse qualquer pergunta assim do Sirius também ou dos Boots. — Harry explicou e Dobby acenou. — Também gostaria que, caso um deles algum dia precise, você os ajude, mas não como escravo ou servo e apenas se eles estiverem realmente precisando. Ok?

— Dobby entende, Sr. Harry. — Dobby acenou aliviado de que poderia ajudar o Sr. Sirius também, pois ele gostava muito dele. — Dobby viverá na casa do Sr. Sirius?

— Não, Dobby, você viverá na Mansão Potter. — Harry disse com um sorriso. — Lá será o meu lar um dia, muito em breve, mas, enquanto isso, preciso que você cuide da Mansão. Além disso, faremos uma pequena reforma, que começará em abril e quero que vigie os operários, eles trabalham para o Ian e o Mac, que são de confiança, mas, não arriscarei que algo seja roubado por algum funcionário não tão honesto. Entende?

— Dobby pode fazer isso, Harry P... senhor! — Dobby estufou o peito ansioso por começar.

— Durante o verão, nós daremos um grande Baile, Dobby e também realizaremos a cerimônia de cremação dos restos mortais dos meus pais. — Harry disse suavemente e seus olhos se entristeceram. — É a coisa certa a fazer, mas será um momento difícil para todos. Quero que me ajude a cuidar da Mansão, prepará-la para quando recebermos os convidados, minha família e amigos. No entanto, será muito trabalho e você precisará de ajuda de outros elfos domésticos, assim, uma das suas missões, a partir de agora, é tentar recrutar outros Dobbys.

— Mais Dobbys? Como Dobby faz mais Dobbys? — Dobby perguntou abobalhado.

— No jardim e lá embaixo na cozinha, tem montes de elfos domésticos, Dobby, portanto, quero que tente recrutá-los e convencê-los de que serem livres é bom. — Harry disse com um sorriso. — Mas, isso tem que ser feito com muita inteligência e sutileza, Dobby, você não pode obrigá-los a pensar como você. O que temos que fazer é levá-los a refletir sobre a vida de servidão e que é melhor serem elfos livres que trabalham para um bom patrão.

Dobby acenou de olhos arregalados.

— Dobby deve encontrar mais Dobbys, mais elfos que queiram trabalhar para o Sr. Harry, mas, livres e por um salário justo. — Ele disse assombrado.

— Sim, Dobby. Não será do dia para a noite, mas a cada elfo que você conseguir fazer duvidar ou repensar a maneira como os elfos são tratados, mais perto estaremos de, um dia, libertar todos os elfos domésticos do mundo mágico. — Harry explicou sorrindo.

— Oh! — Os olhos de Dobby brilharam como estrelas.

— Primeiro, vamos mostrar para os elfos, que ser livre é bom, depois, pediremos mais direitos e proteções a eles e, por fim, um dia, exigiremos a liberdades dos elfos domésticos. Entende? — Harry viu seu amigo acenar animadamente.

— O que Dobby deve fazer?

— Eu vou explicar como começamos... — Harry, então, resumiu o que fariam dali por diante e Dobby acenou, saltitou e sorriu sem parar.

— Dobby gosta dessa ideia, Sr. Harry. — Dobby disse alegremente.

— Bom, porque quem teve essa ideia foi minha amiga, Hermione, bem, ela e Terry pesquisaram muito sobre elfos domésticos e suas histórias. Hermione disse que se pudéssemos ter um elfo para ajudar, talvez, poderíamos alcançar os outros mais rapidamente, ainda que seja um elfo de cada vez. — Harry sorriu. — Hermione ficará muito feliz em conhecê-lo, Dobby, assim que for despetrificada. Bem, além dessas coisas, eu quero que você trabalhe com o Sirius e Remus Lupim, um bom amigo meu, para fazer um mapa especial.

— Dobby deve fazer um mapa? — Dobby se mostrou confuso. — Como Dobby faz um mapa?

— Não é nada complicado, Dobby, mas, talvez, você pense não ser certo e pode dizer não. — Harry disse muito sério. — Eu quero fazer um mapa como esse... — Ele tirou o mapa do maroto do bolso e mostrou ao elfo. — Eu juro solenemente que não farei nada de bom. — O mapa se abriu e Hogwarts apareceu, Harry mostrou os pontos, pequenas pegadas de sapatos onde estava cada pessoa na Torre, incluindo eles dois. — Meu pai fez esse mapa, junto com Sirius e Remus, eles eram grandes amigos desde a escola. Legal, certo?

— Dobby acha o mapa muito legal... — Ele manteve os olhos arregalados para o seu nome. — Dobby está no mapa! Como Dobby está aqui e no mapa?

— Porque o mapa dos marotos mostra Hogwarts e todos que estão na escola neste momento. Quero fazer um mapa como esse Dobby, de outros lugares, mas, mais importante, quero um mapa dos marotos, da Mansão Malfoy. — Harry disse com voz suave.

Dobby engasgou quando entendeu o que deveria fazer.

— Dobby tem que voltar a Mansão do Mestre Lucius? — Ele perguntou torcendo as mãos assustado.

— Não, você não precisa voltar a Mansão dos Malfoys, apenas, precisará ajudar o Sirius a desenhar o mapa, cada detalhe da Mansão, desenhado em um pergaminho como esse. — Harry se mostrou ansioso. — Não são os segredos do Malfoy, apenas, o desenho de cada cômodo da Mansão, onde eles estão, para que servem, quantos andares tem e assim por diante. Você acha que pode fazer isso? Ou quer fazer isso?

Dobby olhou para Harry e depois o mapa, engolindo em seco confuso e duvidoso.

— Antes... Sr. Harry disse que explicaria a Dobby o porquê que Dobby deve fazer certas coisas. O Sr. Harry poderia explicar a Dobby? — Ele perguntou muito hesitante, mas, o sorriso de orgulho do Harry o fez relaxar.

— Muito bom, Dobby, você entendeu bem. Eu quero fazer isso, por muitas razões, Dobby, quero me vingar de Malfoy pelo que ele fez com a Senhorita Bonita. Para isso, preciso de informações, preciso vigiá-lo, saber quando está em casa e quando sai. Também quero saber quem o visita, quem são seus amigos, aliados, espiões ou sócios, pois, grande parte será de comensais da morte ou puristas, talvez, até mesmo alguém que finge ser bom, mas, que na verdade, é tão ruim quanto o Malfoy. Por fim, quando Riddle voltar e a guerra recomeçar, a Mansão Malfoy poderá ser um dos locais onde ele se reunirá com seus comensais, talvez, Riddle até se hospede lá. Com o mapa, poderemos vigiá-los, observar suas movimentações e planejar como e o que fazer para anular suas ações. — Harry viu o elfo abrir a boca chocado com tantas coisas que poderiam fazer com o mapa. — E, você ouviu ontem, que o Sirius fez uma proposta a Sra. Malfoy, caso ela aceite, podemos vigiá-la também e resgatá-la se percebermos que sua vida está em risco. É por tudo isso que quero fazer esse mapa, Dobby.

— Dobby ajudará Harry Po... senhor! Dobby prometeu a ajudar o Sr. Harry a vencer a guerra e Dobby cumprirá a promessa. — Ele respirou fundo e suspirou. — Dobby pode ajudar com o mapa porque Mestre Lucius nunca proibiu o Dobby de desenhar a Mansão, mas Mestre Lucius proibiu o Dobby de contar os seus segredos. Dobby não pode contar o que viu o Mestre Lucius fazer, falar ou ouvir de seus convidados.

— Entendo. — Harry suspirou, pois isso era uma pena. — O mapa já será um grande avanço, Dobby, nos ajudará muito. Assim, muito obrigado.

— De nada, Harry, senhor. — Dobby estufou o peito de orgulho.

— Bem, agora se você quiser voltar para a Abadia. — Harry disse sorrindo. — Sirius o levará a Mansão Potter amanhã com certeza, mas, lembre-se, Dobby, você não precisa trabalhar mais do que 8 horas por dia ou ficar preso a Mansão. Se não houver muito o que fazer por lá, até começarem as obras, você poder ir visitar a Abadia, o Jardim dos Elfos ou, se sentir muita solidão vivendo lá sozinho, tenho certeza que o Sr. Boot não se importará que viva na Abadia com ele e Sirius.

— Tem algo mais que Dobby pode fazer por Harry P..., senhor? — Dobby perguntou ansioso.

— Tenho certeza de que pensarei em algo em breve, Dobby, mas, acredito que é só, pelo menos até hoje à noite. — Harry disse e seus olhos mostraram a seriedade do que precisavam fazer.

— Até mais tarde, Sr. Harry!

Dobby aparatou de volta para a Abadia e se sentou com o Sr. Sirius e o Sr. Boot no escritório, ouvindo encantado como eles planejavam mudar o mundo mágico.

Naquela noite, Harry subiu mais cedo para o seu quarto, alegando estar cansado depois do treino de quadribol e que precisava dormir mais. Ele esperou por 15 minutos até ter certeza que ninguém o procuraria, antes de chamar por Dobby. Nenhum dos dois disse nada, apenas entraram embaixo da capa e caminharam rápido e silenciosamente pela Torre, escadas e corredores até chegarem ao banheiro feminino do segundo andar. Harry manteve o mapa em suas mãos, mas, felizmente, a capa os protegia bem.

Assim que eles estavam em frente a pia, Harry guardou a capa e disse com firmeza.

Abra. — Ao seu lado, Dobby pulou, mas Harry ignorou e observou a entrada se abrir lentamente. — Vamos deslizar, Dobby, será mais rápido que as escadas.

Dobby apenas acenou e arregalou os olhos ao ver o Sr. Harry desaparecer pelo cano escuro. Engolindo em seco, Dobby entrou e se deixou cair no que parecia ser o maior escorregador do mundo. Era sujo e bolorento, além de úmido, frio e escuro, assim, não era um passeio divertido. Os sons de ossos esmagados, quando o Sr. Harry caminhou pelo chão, lhe causou arrepios de mau agouro e Dobby estremeceu de temor.

— Não se preocupe, Dobby, a basilisco se foi e acredito que não tem mais nada aqui que ofereça perigo. — Harry disse e estendeu a mão, que Dobby agarrou com força, sentindo menos medo quando caminharam de mãos dadas pelo corredor iluminado pela luz da varinha. — Veja, Dobby, como as paredes e o teto estão rachados, precisará de uma boa reforma, então, depois, poderemos usar essa câmara para algo útil e divertido. No entanto, antes disso, precisamos tirar os ossos ou... Bem, estaremos em uma enrascada das boas.

Dobby apenas acenou e Harry continuou falando sobre as ideias que tiveram para a transformação da câmara. Sua voz firme o acalmou e Dobby logo esqueceu o medo, se concentrando nas coisas incríveis que poderiam fazer ali embaixo.

Até que chegaram a uma porta circular com cobras de olhos brilhantes.

Abra. — Harry disse e as cobras deslizaram, destravando a porta e a câmara surgiu, imensa, iluminada por tochas e com uma estátua gigantesca de Salazar Slytherin. — Ele realmente se amava, esse Slytherin, para fazer uma coisa deste tamanho. Está vendo a boca lá no alto? A basilisco saiu por lá, era onde ficava o seu ninho e nós a usaremos para entrar. Ok?

— Sim, Harry, senhor. — Dobby sussurrou com o medo retornando com força total.

Harry pegou a vassoura do bolso e a ampliou, antes de montá-la. Dobby montou atrás e segurou com firmeza em sua cintura, mas, Harry subiu lentamente e, com a varinha acesa, entrou cautelosamente pela boca da estátua.

Dentro estava escuro, mas era possível visualizar algumas tochas, assim, Dobby estalou os dedos e as acendeu. Quando tudo se iluminou, eles viram as entranhas da estátua que tinha as suas paredes em forma circular como as Torres. Descendo pelas paredes até embaixo, haviam armas de todos os tipos, espadas com pedras preciosas, machados com cabos decorados com prata, lanças com detalhes em jade, arcos e bestas com crinas de unicórnios. Também havia uma grande tapeçaria com o brasão da Casa Slytherin, muito bonita e bem conservada em veludo verde, com uma cobra prateada e bordada com fios de prata.

— Dobby nunca viu uma tapeçaria tão grande. Dobby acha que deve ter uns 10 metros. — Dobby sussurrou impressionado.

— E, veja todas essas armas antigas, Dobby. — Harry examinou algumas mais de perto enquanto desciam lentamente com a vassoura. — São tão lindas e devem valer uma fortuna! Aposto que foram feitas por goblins ou, quem sabe, pelos antigos elfos.

— O que o Sr. Harry fará com tudo isso? — Dobby perguntou curioso.

— Eu não preciso de dinheiro ou armas, mas, também não deixarei que Riddle ou Dumbledore, nem mesmo o Ministério, tomem posse. — Harry disse pensativo. — Amanhã, Dobby, depois que você tiver tido acesso a Mansão Potter, quero que leve tudo para lá. Existe uma sala de jogos no primeiro andar, atrás da sala de jantar, quero arrume tudo lá e deixe a sala bem protegida até eu decidir o que fazer com tudo isso.

— Sim, Sr. Harry. — Disse Dobby feliz por ter muito trabalho a sua frente.

Eles pousaram no chão da estátua e observaram que havia um único caminho. Era uma passagem grande, em forma de arco, que levava a uma sala, que deveria ter sido usado como escritório e saleta pessoal por Slytherin, pois seus móveis lembravam as salas do período medieval. Com o teto alto como a câmara e a estátua, a sala tinha uma mesa, cadeiras, poltronas e uma prateleira com livros antigos de capas de couro preto. Um nicho estranho em um dos cantos, tinha uma espécie de grade ou portão de ferro negro, mas, a única abertura identificável, ficava no alto da parede arredondada e tinha o formato e tamanho do cano em que escorregaram lá em cima, no banheiro.

— Hum... Salazar fez um monumento a si mesmo lá na câmara com a estátua, um museu para o seu nome, dentro da estátua, um escritório para seu conforto e estudos. — Harry olhou com desprezo para o buraco redondo na parede. — E, manteve a Freya escondida em um buraco, bem longe dele, prisioneira e desimportante.

— Tha i na nathair, an robh thu airson gun cuireadh mi i air pedestal? — Uma voz falou à direita do Harry, que olhou rapidamente e encontrou um quadro com um bruxo de olhos azuis. — Eu disse: Ela é uma cobra, você queria que a colocasse em um pedestal?

Harry observou o homem de cabelos castanhos compridos e presos por uma fita de couro. Ele usava um manto de veludo verde escuro e um colete de couro marrom, todo trançado em detalhes e bordados antigos. Quando se levantou observando os visitantes com muita atenção, Harry percebeu a capa luxuosa em suas costas, feita do pelo de algum animal branco, urso ou lobo, talvez. Salazar Slytherin tinha um rosto bem comum, liso e sem barba, testa larga, uma boca fina, levemente mesquinha e um nariz aristocrático.

— Você é um Potter, não é? — Ele disse com voz suave e educada.

— Sim e você é Salazar Slytherin. — Harry disse tentando disfarçar o choque da descoberta. — Como podemos nos entender?

— Ah! Meu herdeiro, Tom, fez uso de um feitiço de tradução para nos entendermos. Brilhante trabalho de varinha e um feitiço muito útil, teria facilitado muito os meus encontros com as normandas. — Slytherin sorriu maliciosamente.

Harry tentou se adaptar ao fato de que estava conversando com Salazar Slytherin e, ao mesmo tempo, apagar o rosto mal e severo da sua imaginação e se ajustar ao rosto simples e inofensivo a sua frente. Na verdade, o mais impressionando em Slytherin eram suas roupas luxuosas e, talvez, seus olhos azuis como o mar.

— Mas, diga-me, o que um Potter faz em minha Câmara? Não me diga que é o meu herdeiro também? — Slytherin perguntou curioso.

— Como sabe que sou um Potter? — Harry perguntou primeiro.

— Bem, fui professor de Linfred, depois, de seus 7 filhos e posso reconhecer os olhos, além dos cabelos impossíveis de controlar, claro. — Disse Slytherin simplesmente.

— Mas... meus olhos são herança da minha mãe... — Harry disse confuso.

— Verdade? Interessante. — Slytherin o observou com aqueles olhos azuis inteligentes. — Talvez, ela fosse uma Potter também, mas, eu não sabia que a Família de Linfred tinha o hábito de se casar entre si.

— Não temos e, respondendo a sua pergunta, não sou um dos seus herdeiros. — Harry disse lentamente e observou sua expressão. — Minha mãe era nascida trouxa.

A expressão de Slytherin se tornou mais fria e levemente indiferente.

— Sim, Linfred e seus rebentos tinham o péssimo costume de se misturar com os animais. — Ele disse com sarcasmo frio. — O que faz em minha câmara? Onde está o meu herdeiro?

— Morto. — Harry respondeu com um sorriso irônico. — Minha mãe o matou.

Slytherin riu e voltou a se sentar em sua cadeira de madeira negra, que lembrava um trono.

— Consigo perceber uma mentira de longe, garoto, dificilmente uma trouxa imunda mataria o herdeiro do maior bruxo que já existiu. — Slytherin disse com certa soberba.

Dessa vez foi o Harry quem riu da frase megalomaníaca.

— Tom me disse a mesma coisa, mas, em suas palavras, o maior bruxo que já existiu era ele e não você. — Harry disse divertido. — Eu ainda penso que vocês dois não poderiam existir no mesmo período sem se matarem, os egos não permitiriam.

— Hum... Tom era muito... arrogante, mas, como meu herdeiro, vejo isso como uma qualidade. — Slytherin disse pensativo. — Ainda não respondeu o que faz aqui.

— Ah! Essa é uma longa história, Slytherin. — Harry olhou pensativo em volta. — Existe algum tipo de feitiço ou maldição nos objetos da câmara? As armas e livros? Ou no seu quadro?

— Não. — Slytherin o encarou curioso. — Minha câmara é secreta e impossível de ser acessada, apenas o meu verdadeiro herdeiro saberia como entrar ou teria a habilidade para tal feito. Mesmo este escritório, foi completamente selado por mim antes que deixei Hogwarts para sempre. Além disso, maldições antigas não podem ser facilmente desfeitas e poderiam matar o meu próprio herdeiro.

— Fico feliz em saber. — Harry disse satisfeito e deu uma piscadela para Dobby, que ouvia a conversa de olhos esbugalhados. — A câmara será reformada e se tornará parte da escola, para o acesso dos alunos. — Ele falou como se já estivesse tudo decidido e não fosse apenas uma possibilidade. — Os professores pretendem colocar algumas aulas extras aqui, construir uma arena de duelos, quem sabe, uma pista de patinação para a nossa diversão.

— Impossível. — Slytherin disse levantando-se do seu trono. — Minha câmara é inacessível e não compreendo como você está aqui, se não é o meu herdeiro.

— As coisa mudam, Slytherin, o mundo não é mais o mesmo. Hogwarts não é mais como era em seu tempo e essa câmara não é mais sua. — Harry disse com frieza.

— Quem é você? Porque está aqui? Como entrou? — Slytherin perguntou duramente e sua expressão se tornou meio assustadora. Agora era mais fácil entender porque foi tão temido e considerado perigoso, Harry pôde ver em seus olhos azuis que ele mataria sem hesitação. — Se o que diz é verdade, porque um garoto está aqui e não o diretor de Hogwarts?

— Estou aqui para cuidar de algumas coisas, entre elas, levar todos os objetos e o seu quadro, para outro lugar. — Harry disse sem se preocupar em responder as outras questões.

— Você não pode fazer isso. — Slytherin se sentou tranquilamente e o encarou com desprezo. — Um meio sangue não tem poder ou autoridade para remover os meus pertences da minha câmara.

— Hum... — Harry o observou ironicamente. — Porque você acha que estou aqui no meio da noite, sem adultos e com o meu elfo doméstico?

Slytherin olhou para Dobby pela primeira vez e depois voltou a encarar o Harry.

— Por sua maneira de se dirigir a um superior e por seu atrevimento em considerar a retirada do meu quadro e pertences do lugar aonde eles pertencem, imagino, que foi criado entre os animais trouxas. Não entende a história ou a importância de quem sou? — Slytherin o encarou com muito desprezo. — Seu pai não lhe ensinou a respeitar a história, as tradições?

— Não, porque o seu herdeiro, Tom, o matou. — Harry disse com frieza. — Eu tinha 1 ano de idade e, além do meu pai, ele já tinha assassinado centenas de outros bruxos e bruxas que tentaram deter o seu insano plano de matar ou escravizar trouxas ou bruxos nascidos trouxas. Seu plano era dominar e controlar o mundo mágico, tirando todos do seu caminho e matando puros sangues ou crianças inocentes se fosse necessário. — Slytherin fez uma expressão estranha. — Reconhece o plano? Talvez, você o tenha planejado em seu próprio tempo ou inspirado Tom a 50 anos.

— Nunca planejei controlar o mundo mágico ou matar centenas de pessoas, apenas queria os trouxas separados dos bruxos. — Slytherin disse indiferente. — Então, meu herdeiro matou o seu pai...

— E, minha mãe também. — Harry disse e seus olhos se entristeceram. — Ele queria me matar, por uma profecia tola, que o fez acreditar que eu era aquele nascido com o poder para derrotá-lo. Meus pais se esconderam, foram traídos e minha mãe se colocou diante do meu berço, implorou por minha vida, ofereceu a sua própria vida e Tom a assassinou. Isso criou uma proteção mágica antiga, fruto do seu amor e sacrifício, assim, quando Tom tentou me matar, o feitiço da morte se virou contra ele e o destruiu. Seu corpo, pelo menos. Tom agora é um espectro sombrio, capaz de possuir outro ser humano e foi assim que eu o conheci há dois anos, ele possuiu um dos meus professores e tentou me matar mais uma vez. Não terminou bem para o professor. — Harry encerrou ironicamente.

Slytherin o encarava olho no olho como se avaliasse a verdade de suas palavras e, quando percebeu a sua sinceridade, acenou e sua expressão se tornou dura, fria e possessa, como uma raiva enregelante. Harry sentiu o Dobby estremecer, se aproximar mais das suas pernas em receio e, até ele se arrepiou ao perceber o perigo que aquela expressão representava. Slytherin estava longe de ser comum, mais parecia um anjo furioso e mal.

— Bem, se o que dizes é verdade, não posso lhe negar o seu direito de reivindicar a herança do meu herdeiro em punição depois de um ataque tão covarde. A desonra dos Slytherins deve ser paga, pois um bruxo não mata um Senhor e herdeiro de uma Família Mágica, sua esposa, ataca o seu infante e único herdeiro, o torna órfão, sem que o sangue e magia exijam uma reparação. — Slytherin disse estoicamente. — Tudo o que pertence à Família Slytherin, deste momento em diante, é entregue a posse do herdeiro da Família Potter e, apenas o seu julgamento e a sabedoria da magia, poderá liberar o meu nome e sangue de tal punição ou desonra.

— Que assim seja. — Harry disse e a magia se agitou em volta dele, selando o compromisso. Ele até conseguiu sentir o poder das armas mágicas e que elas agora lhe pertenciam. — Estou colocando suas coisas e seu quadro em um local seguro, pois jamais permitirei que Tom as tenha ou o Ministério da Magia e o diretor de Hogwarts, porque não confio neles.

— O que é Ministério da Magia? — Slytherin questionou levemente curioso.

Harry franziu o cenho confuso, mas supôs que isolado na câmara, seu quadro não tinha como perceber ou ouvir a passagem dos séculos e seus acontecimentos.

— Tom não lhe contou sobre o que aconteceu ao mundo nos últimos mil anos? — Harry questionou.

— Meu herdeiro estava muito interessado em si mesmo e em fazer perguntas sobre grandes magias, maldições, encantamentos. — Slytherin explicou. — Tudo o que me disse de si mesmo era que nossa Família era tão poderosa quanto foi no passado, mas, que ainda não tínhamos conseguido realizar o meu desejo, que era afastar os impuros do nosso mundo.

Harry arregalou os olhos e não resistiu a gargalhar com essas palavras.

— Merlin... Tom é um bom mentiroso se você não percebeu a falsidade escorrendo por suas palavras. E, imagino que depois de bajulá-lo por informações, ele pouco veio aqui, pois não é da sua natureza ficar elogiando ou se fazendo de humilde, seu grande ego não lhe permitiria. — Harry sorriu de sua expressão e do fato de que Slytherin não tentou negar a afirmação. — Você lhe respondeu todas as suas perguntas ou lhe ensinou algo razoavelmente interessante e Tom não voltou. Sabe, ele tem esse dom, de usar e não valorizar, algo que herdou de você, acredito.

— Refere-se a Freya? — Slytherin disse indiferente. — Era um animal de estimação, que planejava usar para vencer aqueles defensores dos impuros, mas, fui expulso de minha escola e nunca pude retornar. Helga, Gryffindor e Rowena criaram alas que nunca pude ultrapassar, assim, Freya ficou presa aqui, até a chegada do meu herdeiro.

— Como o seu quadro parou aqui? — Harry perguntou curioso.

— Eu fui diretor de Hogwarts e todos os diretores, ao morrerem, têm um quadro encantado criado pela magia da escola. Um encantamento muito interessante inventado por Rowena, claro. — Slytherin explicou lentamente. — Quando fui expulso, acreditei que a magia de Hogwarts me renegaria, assim, decidi fazer um quadro por mim mesmo, com um artista da distante Londres, uma pequena cidade que ficava bem ao sul e que crescia rapidamente por causa do seu porto. Apesar de abarrotada com trouxas imundos, também recebia muitos artistas mágicos do continente. Deixei instruções para que o quadro fosse enviado para Hogwarts depois da minha morte, pois tinha esperança de que Rowena, a diretora na época ou quem a substituísse, não recusaria o meu pedido. Afinal, eu era um dos fundadores desta escola e tendo feito a passagem para o Reino do Mortos, não ofereceria mais perigos ou dissabores. — Slytherin gesticulou com os braços apontando para o castelo. — No entanto, Hogwarts não me renegou, este quadro foi criado e disposto no escritório do diretor. Ou seja, aqui.

— Aqui era o escritório do diretor de Hogwarts? — Harry perguntou surpreso.

— Sim. Eu fui o primeiro diretor de Hogwarts. — Slytherin disse com muito orgulho. — Cada um de nós tinha o seu próprio escritório e, depois que fui expulso, Rowena assumiu, assim, imagino que ela tenha um quadro também, em seu escritório.

— É possível. — Harry disse pensativo e imaginando se o escritório de Rowena ficaria na Torre, próximo ao seu quarto ou ao laboratório de poções. — Mas, se o seu escritório era aqui, como alguém viria conversar com você tão profundamente abaixo das áreas comuns? Sua câmara não era secreta?

— A câmara, a estátua e a entrada secundária eram secretas e demoraram muito anos para a sua conclusão, mas, o meu escritório não. — Slytherin apontou para o nicho que ficava atrás do portão de grade, feito com ferro negro. — Se você entrar no nicho, ele o levará até outro nicho das masmorras, ou o trará para baixo até o meu escritório. Uma magia muito interessante criada por mim, claro, além de muito útil, pois poderia fazer meus experimentos e construir a minha câmara sem olhos curiosos. Como disse, ao ser expulso, selei os nichos, pois não queria que ninguém acessasse os meus segredos.

— Interessante. — Harry se aproximou alguns passos e observou que o nicho continuava subindo por dentro da parede até, provavelmente, as masmorras, em uma espécie rudimentar de elevador de pedra. — Deve ser o primeiro elevar inventado... Bem, mas, onde está o seu outro quadro? Porque, existem dezenas de quadros no escritório do Diretor Dumbledore e você não está lá. Certo?

— Não. Meu quadro particular deve ter se perdido, pois esse quadro foi criado por Hogwarts no momento da minha morte. — Slytherin explicou. — O outro, foi pintado em Londres, anos antes do dia em que morri e, eu era mais velho. — Ele tocou o próprio rosto. — Essa é aparência que eu tinha quando fui expulso de Hogwarts, é como a magia do castelo se lembrava de mim. E, por isso tenho as recordações de minha vida toda, incluindo a minha passagem para o Reino dos Mortos.

— No outro quadro, sua imagem teria lembranças até o momento da pintura... — Harry sentiu o Dobby puxar a sua calça e percebeu que ele queria lhe dizer alguma coisa. Ele se abaixou e ouviu o seu sussurro. — Meu amigo me diz que o outro quadro está vazio, pois você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Assim, quando esse quadro foi criado, a sua imagem no outro quadro, desapareceu. Ele poderia ter sido abandonado ou destruído... Com quem você deixou o quadro? — Harry perguntou curioso.

— Com meu bom amigo, Canis Black. — Slytherin disse e ficou surpreso com o sorriso de Harry. — O que? Não me diga que o mundo mudou tanto que um Black e um Potter são amigáveis agora.

Isso fez Harry rir de verdade e dar um piscada para o Dobby que sorriu de volta.

— O último Black é meu padrinho, a única família deixada por meus pais. — Disse Harry animadamente. — Acredite, Salazar, mil anos faz uma grande diferença. Londres, por exemplo, não é apenas uma pequena cidade com um porto, agora é a capital da Inglaterra e uma das maiores metrópoles do mundo, com milhões de habitantes. Mundo aliás, que não é só a Europa, Ásia ou África, mais continentes foram descobertos e países fundados.

— Bem, o mundo não me interessa e sim, o nosso mundo mágico. — Slytherin disse com indiferença. — Somos os superiores que habitam essas terras, portanto, devemos ser maioria e governar aqueles animais imundos, obviamente.

Isso fez o Harry gargalhar ainda mais até se dobrar apertando a barriga.

— Nunca ouvi nada tão engraçado, eu juro. — Ele disse depois de se controlar. — Sabe, em outro momento, eu te contarei um pouco sobre o mundo, apenas pelo prazer de ver suas expressões. Agora, realmente, precisamos seguir...

— Espere. — Slytherin o interrompeu irritado. — Você ia me falar sobre o meu herdeiro e minha família. Sua educação deixa a desejar com esse seu estranho hábito de rir incontrolavelmente e não falar os fatos, jovem tolo.

— Desculpe, apenas tantas coisas engraçadas... Bem, como eu posso te dizer isso, hum... A Família Slytherin não existe mais, pelo menos, não há mais nenhum herdeiro direto com o sobrenome.

— Mas... Tom se presentou como Tom Slytherin! — O homem no retrato se levantou furioso.

— Tom Slytherin nem combina e, para quem diz que percebe as mentiras facilmente... — Harry suspirou divertido. — Suponho que alguns acreditam no que querem acreditar. O que não entendo é o fato de que ele fez muitas perguntas sobre o passado, maldições e feitiços antigos, assim, deve ter passado algumas horas com você, Slytherin. Não lhe ocorreu fazer mais perguntas sobre os últimos mil anos?

— Ele não parecia interessado em falar de si mesmo, apenas em me ouvir e meus grandes feitos. Ele também perguntou sobre algumas magias que permitissem a um bruxo alcançar a imortalidade, eu lhe falei sobre a única que tinha conhecimento. — Slytherin disse friamente. — Depois disso, o jovem nunca mais voltou.

— Ele não queria falar de si mesmo? Isso é uma novidade. — Harry disse ironicamente e levemente desconcertado ao perceber que Voldemort descobriu sobre existência da horcrux com Slytherin. Fazia sentido, afinal, essa era uma magia sombria muito antiga, que deveria ter sido esquecida a séculos. — Claro, ele o questionou sobre o que necessitava saber, recebeu a informação e, depois, jogou fora o brinquedo usado. Esse é o Tom... E, seu sobrenome é Riddle, Tom Riddle, mestiço, mãe bruxa e pai trouxa. Ele cresceu no mundo trouxa, aliás, em um orfanato, que é como chamam uma casa em que vivem os órfãos.

— Isso não é possível! — Slytherin se levantou com aquela expressão assustadora. — Meu herdeiro não pode ter o sangue daqueles animais! Ele é puro, assim como todos os Slytherins!

— Ele não é um Slytherin! Apenas seu herdeiro de sangue, não de linha ou sobrenome. — Harry disse impaciente. — Já lhe disse que não existe mais a Família Slytherin ou, de qualquer dos Fundadores de Hogwarts, por sinal.

Slytherin fez uma careta e depois voltou a se sentar indiferente e frio. Harry começou a perceber que essas eram as suas emoções principais retratadas no quadro, indiferença, frieza, seguido por arrogância, soberba, raiva, fúria fria e mortal.

— Pelo menos a Família de Gryffindor também deixou de existir. — Ele sorriu com certa maldade. — Um castigo justo ao meu ver.

— Acredito que isso vale para os dois, então. — Harry disse sarcasticamente.

— Ah! Aposto que estou diante de um discípulo daquele tolo nobre, teimoso e cabeça de vento. — Slytherin disse friamente.

— Não, Slytherin, minha Torre é a das águias. — Harry respondeu com um sorriso superior.

— Hum... Interessante. — Slytherin realmente parecia sincero em sua sutil admiração. — Você me lembra de Linfred e seu filho mais velho, Hardwin, ambos eram muito inteligentes e atrevidos. Você está aqui, roubando ou assumindo posse de itens da minha família e, com isso, enganando o meu herdeiro e o diretor de Hogwarts, além desse tal Ministério, seja o que for. Tem certeza que não tem o meu sangue?

— Não, não tenho certeza. Mas, isso não importa, pois não sou o seu herdeiro, sou um Potter. — Harry disse arrogantemente. — Me diga, Linfred e seus filhos tinham mesmo olhos verdes? Como os meus?

— Não, apenas Linfred e suas filhas, os filhos tinham olhos castanhos. — Slytherin explicou. — Mas, os olhos são os mesmos, a mesma cor e formato, sem dúvida. Linfred era um aluno de poções de primeira qualidade, superior a mim mesmo, se você pode acreditar.

Harry sorriu para o seu tom superior, surpreso e levemente ofendido por existir alguém melhor que ele em alguma coisa. Depois, refletiu sobre os olhos da mesma cor e sua mente tentou encontrar uma explicação. Talvez, fosse apenas coincidência, pensou, gerações e mais gerações o separavam de Linfred e seus filhos. Provavelmente, outros de seus antepassados tinham olhos de todas as cores, incluindo azul, verde, negros, castanhos. Mas, Harry sentiu a curiosidade se atiçar e desejou ter conhecido os retratos dos seus antepassados.

— Bem, tem sido interessante, mas devemos seguir em frente, Dobby. — Harry disse olhando para o elfo que acenou freneticamente.

— Pretende me tirar da minha câmara esta noite? E, para onde me levará? — Slytherin perguntou curioso.

— Não esta noite. — Harry disse e olhou para o buraco na parede. — Dobby cuidará disso amanhã. Agora, precisamos ir até o ninho da Freya.

— Você sabe o que aconteceu com ela? — Slytherin questionou indiferente. — Ela deixou há algumas semanas, mas, não retornou.

— Sim. — Harry disse e, subindo na vassoura, esperou que Dobby montasse antes de flutuar para cima e acrescentar. — Eu a matei.

E, ignorando a expressão levemente admirada de Slytherin, Harry voou pela abertura redonda. O cano os levou para outra câmara, que mais parecia um poço largo, claramente um ninho onde uma cobra gigantesca vivia, comia e dormi. Haviam centenas de ossos por todos os lados, além de cascalhos e galhos, que formavam uma grande cama de cobra. O lugar era o mais seco e escuro de todo o lugar, não haviam tochas e apenas a varinha do Harry iluminava o ambiente. Acima deles, a parede circular era cheia de canos e mais canos, por onde Freya deve ter entrado e saído muitas vezes.

— Que incrível, esses canos devem seguir por toda a escola, o que quer dizer que Freya poderia ter saído sozinha. — Harry sussurrou pensativa. — Ou será que algum encantamento a impedia?

Dobby fez um gesto de quem não sabe e estalou os dedos criando tochas acesas, que flutuaram e iluminaram o poço como se fosse dia.

— Dobby não sabe, senhor.

— No ataque a Caverna, ela veio pelo cano e, em outros momentos, eu a ouvi pelas paredes da escola. — Harry disse pensativo. — E, naquela noite, quando Riddle a chamou no banheiro para matar... Eu pensei que ele tinha deixado a estátua aberta, assim como a porta circular com as cobras. Agora, parece tolice pensar que Riddle faria isso, o que significa, que Freya usou um desses canos.

— Freya parecia muito obediente, Harry, senhor, como um elfo. — Disse Dobby distraidamente olhando em volta à procura de ossos específicos.

— Como um elfo... Claro! — Harry arregalou os olhos. — Slytherin deve ter formado uma ligação de escravidão, como os bruxos fazem com os elfos e os O'Hallahans fizeram com a Diona. Por isso ela era tão obediente! Não deixava a câmara como foi ordenado e, como foi criada para matar e não proteger, como a Diona, não podia deixar de obedecer ao herdeiro da ligação de escravidão. Riddle. — Harry sentiu o seu coração se apertar ao pensar em todos esses séculos de verdadeira escravidão. — Pelo menos ela podia hibernar ou enlouqueceria presa aqui por tanto tempo e, que bom que a Freya está livre agora.

— Acho que Dobby encontrou, Harry, senhor. — Dobby disse baixinho.

Harry se aproximou do amigo e percebeu que ele estava certo. Esses ossos eram bem diferentes dos pequenos ossos de ratos ou outros animais que Freya encontrou pela escola. Lembrando-se do esqueleto na sala de aula de ciências, Harry percebeu que estava diante de dois fêmures humanos, além dos ossos ilíacos. Engolindo em seco, ele olhou em volta e encontrou duas tíbias e duas fíbulas, mas não havia mais nada.

— Olhe bem, Dobby, não podemos deixar nada humano para trás. — Disse Harry com voz sumida e Dobby acenou freneticamente antes de seguir sua orientação.

Os dois olharam por uns 10 minutos, mas, não encontram mais nada que parecesse ossos humanos, pelo menos não inteiros e, se haviam alguns pedaços quebrados, não faria diferença, pois não seria diferenciado dos ossos pequenos dos animais.

— Ela o apertou, eu ouvi o seu troco sendo esmagado, por isso, Freya deve ter conseguido digerir os ossos superiores. — Harry disse pensativo e tentando entender o que aconteceu, era meio mórbido, mas necessário. — Ela deve ter apenas engolindo a parte inferior e, depois, regurgitou como me disse, pois, os ossos eram muito grandes. Mas... — Ele parou e olhou para Dobby, que o ouvia muito pálido e Harry percebeu que deveria estar igual, pois sentia um suor frio escorrer por seu corpo e rosto, além do estômago enjoado. — Freya arrancou o seu braço lá em cima no banheiro e o engoliu sem esmagá-lo, o que quer dizer que deveríamos encontrar os ossos do braço, eles são grandes também, principalmente de um homem adulto.

— Talvez... Dobby possa convocá-lo, Sr. Harry. — Dobby sussurrou de olhos arregalados.

— Sim, boa ideia. — Harry engoliu em seco. — Pense em seus nomes, Dobby, úmero, rádio e cúbito.

Dobby acenou e estalou os dedos, mas, nada aconteceu. Harry suspirou e limpou o suor frio do rosto.

— Ela deve ter mastigado e, por isso, conseguiu digerir. Vamos pegar esses ossos e sair desse inferno, Dobby. — Harry disse tenso e viu seu amigo acenar, encolher os ossos e guardar na mochila que trouxeram para isso.

Depois, eles subiram rapidamente na vassoura e deixaram o poço, passaram pelo escritório, acenando adeus ao quadro de Slytherin, subiram por dentro da estátua e chegaram a câmara principal. Saindo para o corredor, Harry selou a porta e, ainda voando, alcançaram o cano escuro e íngreme.

— Deixe-me ver o caminho lá em cima, Dobby. — Harry verificou o mapa e viu a área do banheiro vazio. — Por precaução, vamos com a capa, pois não quero encontrar a Myrtle também, nossa missão dever ser completamente secreta.

Dobby apenas acenou, mas, depois, pensou nos ossos na mochila.

— O que Dobby e o Sr. Harry farão com os ossos, senhor?

— Vamos enterrá-los, Dobby e fazer uma cerimônia de sepultamento respeitosa. — Harry disse suavemente. — É o mínimo que ele merece... Certo?

— Sim, Sr. Harry, Dobby pensa assim também. — Dobby disse baixinho.

Depois de saírem do banheiro, eles caminharam pelos corredores até uma das passagens secretas, que os levou para Hogsmeade.

— Preciso que nos leve até uma floresta antiga em Yorkshire, Dobby, fica a Nordeste da Inglaterra, próximo ao litoral do Mar do Norte. — Harry olhou para a Floresta Proibida. — Não posso me arriscar a enterrar aqui e, em algum momento, os ossos serem encontrados por Hagrid ou os centauros. Se, algum dia, desconfiarem que ele... morreu, quero que pensem que foi depois que fugiu de Hogwarts.

Dobby acenou de olhos arregalados e, pegando a sua mão, os aparatou para o lugar pedido. Harry reconheceu a floresta antiga, de árvores grossas e raízes proeminentes. Montando a vassoura com Dobby, Harry subiu bem alto e, facilmente encontrou o monte chapado onde Adam foi amarrado por Greyback e voou naquela direção.

— Se mantenha aquecido, Dobby, está muito frio. — Harry orientou, enquanto o vento frio agitava a capa de invisibilidade.

Quando chegou ao monte, Harry encontrou a clareira com pedras e pousou.

— Greyback é um assassino, ninguém acharia estranho se houvessem corpos enterrados por aqui. — Harry disse suspirando e guardando a capa. — Vamos cavar, Dobby.

Dobby voltou a acenar e eles escolheram uma árvore bem alta e grossa, diante da qual, o elfo fez uma cova com magia, um buraco não muito grande, mas, bem fundo. Depois, ele tirou os ossos da mochila e os colocou no fundo, antes de estalar os dedos para fazê-los voltar ao tamanho normal e, em seguida, outro estalar de dedos e os ossos estavam cobertos pela terra escura e fria. Harry se aproximou e ajeitou o musgo e folhas por cima, para não ficar parecendo uma cova, depois, suspirando, apontou para o tronco da árvore.

— Por favor, Dobby, escreva para mim, G.L., para ter uma espécie de lápide. — Harry disse suavemente e Dobby o atendeu sem dizer nada.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos em um clima solene, até Harry voltar a suspirar.

— Aqui repousa, Gilderoy Lockhart. — Ele disse gentilmente. — Ele não era um bom homem ou bruxo ou professor... Também não penso que tenha sido um bom amigo, mas, talvez, tenha sido um bom filho e irmão. Independente disso, Gilderoy não merecia morrer desta maneira e seu assassinato não será esquecido por mim. Lamento não poder dizer a verdade a todos, professor, mas, aonde estiver, saiba que vingarei a sua morte e nunca deixarei de lembrá-lo. Fique em paz.

— Dobby deseja paz ao senhor dos ossos. — Dobby disse solenemente.

— Vamos, Dobby, vamos voltar para Hogwarts. — Harry disse baixinho e, segurando sua mão, eles aparataram para a Escócia.

Cornelius Fudge teve uma semana de cão, não havia dúvida disso ou lembranças de dias tão dificultosos. Naquela terça-feira, uma semana depois do assassinato do auror Robards, ele tentou compreender o que, exatamente, tinha dado tão errado. Os lobisomens antes odiados e temidos, de repente, tinham se transformados nos queridinhos do público. Black, um ex-prisioneiro de família antiga e purista, se transformou em uma celebridade e defensor ferrenho dos direitos dos lobisomens. O Ministério passava de escândalos atrás de escândalos, investigações, punições, prisões e multas terríveis que os levaram a ficar de cofres vazios. Todos os seus esquemas de desvio de recursos ou recebimento de propina estavam interrompidos há meses e sem data de retorno por causa das investigações e, bem, pela falta de galeões. Afinal, como ele poderia roubar se não havia o que roubar?

Assim, seu mandato de 5 anos, que prometia ser suave e tranquilo, seguido de uma reeleição perfeita e mais 5 anos como Ministro da Magia, se transformou em um pesadelo. Além de ter sua reeleição em sério risco, o Profeta Diário decidiu por persegui-lo injustamente! Imagine isso!

Porque não podiam deixá-lo em paz!? Era tão difícil assim? Ele só queria ser o Ministro e fazer o que Ministros fazem! Além de tudo, Fudge fora expulso do seu quarto por sua esposa e era obrigado a dormir em um dos quartos de hóspedes. A Sra. Fudge se cansou de sua insônia e movimentos constantes durante o pouco sono agitado que tinha. Ele perdera peso, cabelos e estava muito perto de enlouquecer, porque não tinha ideia de como resolver a situação em que se encontrava. E, tudo isso por causa de Black! Maldita hora em que ele deixou Azkaban!

— Não se preocupe, Cornelius, nós encontraremos uma solução. — Dolores falou com sua voz mais açucarada, enquanto lhe servia um chá bem doce. — Se o Sr. Birdwhistle decidiu não atender o mais simples dos pedidos, a perda será dele, pois não terá mais o apoio do Ministro da Magia ou do Ministério. Eu estive verificando essa nova repórter, Vance, e descobri que ela era funcionária do Ministério até terça-feira da semana passada.

— O que? — Fudge quase se engasgou com o chá quente e doce demais. — O que aconteceu na semana passada? O mundo enlouqueceu? Todos resolveram deixar de fazer o que faziam para me perseguir?

— Agora, pense, meu querido Cornelius. — Dolores mexeu o seu chá lentamente com um sorriso esperto. — Podemos processar a Srta. Vance e o Profeta Diário, pois, com certeza, as informações que eles utilizaram nas reportagens foram obtidas quando ela ainda era funcionária do Ministério e, portanto, estava sob contrato de sigilo.

Fudge arregalou os olhos claramente mostrando gostar da ideia, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, outra voz falou da porta do escritório.

— Esse seria um movimento muito tolo, atacar quem tem o poder de te redimir ou destruir. — O homem alto e magro, usava um manto azul escuro e tinha cabelos brancos lisos muito compridos e barba grisalha bem aparada. — O Profeta é muito bem assessorado juridicamente, assim, não estará publicando algo que não foi devidamente checado como isento de processos legais. E, a última coisa que deve fazer para tentar reconquistar o público, Cornelius, é atacar a imprensa e os seus direitos a livre informação.

— Sr. Waffling! — Fudge se levantou ansioso e surpreso. — Eu não estava lhe esperando, senhor!

— Pois devia, se tivesse o mínimo de inteligência. — Stuart Waffling disse com desprezo e arrogância. — Estive observando de perto a sua péssima gestão, Cornelius e acredito que chegou o momento em que devo interferir diretamente.

— O que? Mas..., mas... — Fudge ficou vermelho, depois pálido e depois vermelho outra vez. — Senhor, eu... não entendo...

— A lista do que você não entende deve ser maior que o Tâmisa, Cornelius, assim, nenhuma novidade lá. — Disse o Sr. Waffling em zombaria depreciativa, o que fez Fudge corar ainda mais. — Retire-se. — O homem imponente apontou a bengala para Umbridge, sem se preocupar em lhe dirigir um mero olhar.

— Sr. Waffling, acredito que não fomos apresentados. — Umbridge se levantou e sorriu docemente, parecendo um grande sapo apaixonado. — Eu sou Dolores Umbridge, sou a subsecretária júnior do Ministro Fudge e também sou a Diretora da Secretaria de Cortes de Gastos do Ministério.

— Eu não perguntei quem você é, apenas ordenei que se retire. — Waffling ainda não a olhou e, portanto, não viu a sua expressão chocada, enquanto caminhava até se colocar em frente à mesa de Fudge. — Acredito que precisamos ter uma conversa séria, Cornelius.

— Sim! Claro, claro, Sr. Waffling. Dolores, deixe-nos a sós, por favor. — Fudge disse em tom de ordem e ajeitando papeis sobre a mesa, ainda com o rosto vermelho de constrangimento.

— Sim, certamente, Cornelius. — Umbridge disse com sua voz açucarada, ainda que seu olhar mostrasse muita raiva. — Enviarei uma xícara de chá extra...

— Se eu quiser chá, posso muito bem conjurar uma xícara, garota. Agora, saia e deixe de lengalenga. — Waffling disse com impaciência, paternalismo e frieza, o que fez Umbridge se engasgar ao engolir o resto da frase e deixar o escritório apressadamente, com o rosto vermelho de humilhação e raiva.

— Sr. Waffling... — Fudge começou ansioso, mas a bengala do homem imponente se levantou e o calou.

— Cornelius, em meus 75 anos como membro do Partido Conservador, o bruxo ou bruxa sentados nesta cadeira, conseguiu esse feito por apoio meu, da minha Família e do meu Partido. — Sua expressão era de superioridade e olhos cinzas duros e frios. — Sou um homem de quase 100 anos, Cornelius e, em metade desses anos, sou o Líder do Partido Conservador. Eu tenho muito orgulho disso, do meu legado e do fato de que, nos últimos 100 anos, nosso mundo continua preservando as tradições e honrando nossos antepassados. Acredito que você, Cornelius, entende a importância do que digo?

— Sim, sim, Sr. Waffling, absolutamente. Eu fiquei muito honrado quando recebi o apoio do Partido e do senhor para concorrer ao cargo. — Fudge enxugou o rosto ansiosamente.

— Não houve concorrência, Cornelius, eu o escolhi e o coloquei neste cargo. Ponto. — Waffling fez uma careta de desprezo. — Os Progressistas são minoria na Corte há séculos e incapazes de apresentarem um candidato suficientemente interessante para que os Neutros o apoiem. Por isso, continuamos no poder a tanto tempo e é assim que pretendo que continuemos, Cornelius, mesmo que eu tenha que o substituir. Entendeu?

— Eu... Sr. Waffling, espero que entenda que estou sendo barbaramente perseguido...

— Eu não quero justificativas tolas, Cornelius. Eu perguntei, se você entendeu? — Waffling questionou duramente, mas ainda em tom suave.

— Sim... claro, senhor, eu entendo. — Fudge engoliu em seco com a sensação de que estava completamente perdido.

— Bom. Irei direto ao ponto, Cornelius. Ontem, os membros do Partido Conservador se reuniram e indicaram a sua não candidatura à reeleição. — Waffling falou direto e indiferente a palidez de Fudge. — Eles acreditam que suas chances de vencer o candidato dos Progressistas, é quase zero.

— Mas..., mas, isso é um absurdo! Eu sou o Ministro da Magia! Não tenho culpa do que está acontecendo! Perseguições injustas! Todos estão contra mim! — Fudge estava quase chorando.

— Cale-se! Recomponha-se e se comporte como um homem! — A voz de Waffling trovejou pelo escritório e Fudge se encolheu e engoliu a bile que subiu em sua garganta.

— Sr. Waffling... Eu... lamento se o desapontei, mas, a prisão injusta de Black caiu em meu colo como um filhote de dragão e, desde então, esse dragão apenas se torna maior e mais feroz. — Fudge resmungou meio infantilmente.

— Incrivelmente, você diz algo sensato, Cornelius. Existe uma primeira vez para tudo, eu suponho. — Waffling disse criticamente.

— Além disso, os Progressistas não têm um candidato, senhor, assim, não existe a menor chance de perdermos a reeleição. — Acrescentou Fudge meio desesperado.

— Bem, a primeira e a única, pelo jeito. — Waffling disse ironicamente. — Em que mundo você está vivendo, Cornelius? Finley lançará a sua candidatura oficial em breve e pretende ter o apoio de Sirius Black, de seus fãs, todos os 14 membros do Partido Progressista na Corte, além do resto do Partido. Depois disso, ele precisará de apenas 2 Neutros favoráveis, para poder concorrer com você em voto aberto. — Fudge esbugalhou os olhos e parecia apavorado. — Sua incompetência permitiu que os Progressistas, pela primeira vez em quase um século, tivessem um candidato elegível para a eleição pública e a possibilidade aceitável de ganhá-la.

— Mas..., mas..., O que eu farei!? — Fudge, desesperado, puxou os poucos cabelos que cobriam as laterais de sua cabeça.

— Nós faremos, Cornelius. — Waffling falou friamente. — Apesar da indicação do Partido de que devemos apoiar um novo nome para concorrer com Finley, eu discordei e meu desejo não foi contestado, como sempre, aliás. Assim, mais uma vez, você me deve, Cornelius, porque continuará a ser o Ministro da Magia. Você entendeu?

— Sim... sim. Sim! Eu entendi! Muito obrigado! O senhor não se arrependerá por me apoiar! Eu prometo! Farei o que for necessário...

— Você fará o que eu mandar, Cornelius, nem mais ou menos. — Waffling disse erguendo as sobrancelhas e calando Fudge, que acenou freneticamente. — Deixei essa situação ir longe demais porque suas atitudes não eram tão absurdas diante do caos que se instalou no mundo mágico. E, porque eu sabia que você estava se aconselhando com Madame Bones que, apesar de não ser um membro do Partido, é uma mulher razoavelmente sensata e inteligente, bem, para uma mulher, claro. — Waffling zombou com desprezo. — Mas, imagine a minha surpresa ao ser informado que você rompeu com a Madame Bones e ainda ameaçou demiti-la. Talvez, além de Black e Finley, Bones seja o nome mais elogiado no Profeta nas últimas semanas e você, Cornelius, está se indispondo publicamente com alguém que deveria estar sendo usada como aliada para tentar redimir a sua imagem.

— Mas... Madame Bones! Ela... ela quer que eu apoie os lobisomens! Diz que é função do Ministério ajudar e oferecer uma vida humana para aquelas... coisas! — Fudge disse furiosamente horrorizado.

— Bones, como qualquer mulher, tem o coração mole, Cornelius, por isso elas não são muito úteis em posições de comando, pois são fracas demais para fazerem o que deve ser feito. — Waffling disse com um sorriso de menosprezo. — Mas, o momento não é de atacar aleatoriamente em todas as direções com a esperança de acertar os seus inimigos. Agora, Cornelius, o momento é de pensar! E, agir com inteligência!

Fudge acenou freneticamente, mas, como sempre, não sabia o que fazer.

— O que devo fazer? — Perguntou ele ansioso.

— Primeiro, você mudará o tom, Cornelius e fará as pazes com a Bones. — Waffling apontou para a porta. — Essa garota sapa não é a melhor conselheira para você, obviamente, mas, pior é o fato de que ela é a autora do projeto de lei Anti-Lobisomem, portanto, ser visto sendo aconselhado por ela, é péssimo para a sua imagem. Despeça-a, transfira-a para os arquivos do porão, não me importa, mas Dolores Umbridge não será mais a Subsecretária Júnior do Ministro. Entendeu?

— Sim, sim, senhor. Mas, o que faço sobre os lobisomens? E, essa ideia absurda de não os perseguir e, ainda por cima, ter que ajudá-los? — Fudge parecia um menino perdido.

— Em uma guerra, Cornelius, o comandante as vezes tem que recuar ao perceber que está perdendo. E, é exatamente isso o que faremos. — Waffling sorriu com superioridade. — Você se desfará da influência da garota sapa e dará a entender que ela o aconselhava erroneamente. Depois, concordará com os eleitores, os lobos precisam de apoio e não merecem ser tratados de maneira tão injusta e desumana.

— Mas... — Fudge abriu a boca, parecendo um peixe morto. — Os Conservadores nunca fariam isso... Fariam?

— Por isso que se chama recuar, Cornelius. — Disse Waffling impaciente com tanta estupidez. — Você fingirá concordar e fará algumas doações a comunidade lobisomem, comida, roupas, barracas novas e qualquer outra bobagem que eles precisarem. Você se mostrará um Ministro humano, que repensou suas atitudes, admitiu que estava errado e se tornou uma pessoa melhor ou qualquer blábláblá que esses imbecis precisem ouvir.

— Isso é bom! Eu posso fazer isso! — Fudge disse ansioso e animado. — Chamaremos a imprensa para fotografar as doações e mostrar que o meu governo está atendendo as solicitações do povo.

— Exatamente. E, é disso que as pessoas tolas gostam, imagens dos ricos dando esmolas para os pobres e mendigos. — Waffling disse ironicamente. — Não precisaremos fazer muito mais que jogar alguns galeões no lixo para recuperar a sua imagem, Cornelius, pois, aposto que em um mês, todos já terão esquecido dessa tolice de ajudar essas bestas.

— Mas... E, Finley!? Ele parece decidido a criar problemas e tentar amenizar as leis Anti-Lobisomem! — Fudge disse preocupado.

— Finley é um cão velho muito esperto, Cornelius. — Waffling riu divertido. — Ele quer ser Ministro e, por isso, está usando todo esse assunto tolo para se promover, para se mostrar o Ministro justo e humano que os eleitores acreditam, em suas ignorâncias, que é o que o mundo mágico precisa. Em todos esses anos como líder do Partido Progressista, Finley nunca se envolveu ou se interessou em defender lobos. — Seu tom era de desprezo. — Ele e seu Partido defendem os nascidos trouxas, impostos mais baixos, leis mais justas ou outras causas que poderiam levar parte da população a vê-los como seus defensores, afinal, os nascidos trouxas e mestiços votam. No entanto, os lobos não votam, certo? — Waffling riu ironicamente. — Porque perder tempo com isso, então? Apenas agora, quando o assunto se tornou tão polêmico e estampa a primeira página do Profeta, atraindo a atenção e solidariedade pública, Finley resolveu fingir que se importa.

— E, claramente, ele espera conseguir apoio da Corte e ganhar as eleições abertas! — Fudge disse e seu rosto se avermelhou de raiva. — Pois, ele que espere sentado! Finley não me vencerá!

— Não mesmo, por isso, você fará o que eu lhe disser, Cornelius. Fui claro? — Waffling perguntou com frieza e Fudge acenou freneticamente mais uma vez. — Vamos dar algumas esmolas para as bestas, afinal, não há nada demais em jogar os restos da mesa para os cachorros, não é mesmo? — Waffling sorriu maldoso. — Aposto que, em um mês, esse assunto será esquecido pelo Profeta e a população mágica. Sendo assim, Finley não tentará mudar as leis Anti-Lobisomem na Suprema Corte, porque não será mais uma causa que lhe renderá votos. Se estiver em campanha, Finley se concentrará em conquistar o apoio dos Neutros e pouco se importará com as bestas.

— E, enquanto isso, eu limpo a minha imagem ao enviar ajuda aos lobisomens e prometer rever a possiblidade de o Ministério apoiá-los. — Fudge disse com um sorriso animado. — Talvez, Finley não consiga os votos necessários para uma eleição aberta, mas, se conseguir, eu estarei bem colocado entre a opinião do público e poderei vencê-lo!

— Sim, Cornelius, você ficará bem nas fotos do Profeta, falará e fará o necessário para que as pessoas acreditem em seu arrependimento e que seus erros foram fruto das péssimas orientações da garota sapa. E, enquanto isso, eu farei a minha parte nos bastidores. — Waffling sorriu como um tubarão. — Me reunirei com alguns dos Neutros e os convencerei de que é dos seus interesses não apoiarem os Progressistas na Suprema Corte.

Fudge arregalou os olhos que brilharam de animação ao perceber que, com o apoio de Waffling, ele conseguiria se manter como Ministro. Apenas...

— Sr. Waffling, tem apenas duas questões... — Fudge pigarreou nervosamente ao vê-lo erguer as sobrancelhas severamente. — Dolores não é apenas a minha Subsecretária Junior, ela também é a diretora da Secretaria de Cortes de Gastos, que eu instaurei depois que praticamente falimos por causa da multas e indenizações impostas pela ICW, Black e as famílias dos lobisomens assassinados. Além disso, não temos dinheiro sobrando em caixa para fazer doações aos lobisomens, mal conseguimos manter os salários em dia.

— Bem, primeiro, você extinguirá essa tolice de cortes de gastos e aumentará os impostos, Cornelius. É assim que um governo enche os seus cofres desde os tempos dos reis, senhores feudais e plebeus, tirando os galeões do povo. — Waffling disse friamente. — Apresente na Suprema Corte uma petição para o aumento dos impostos comerciais, por exemplo, afinal, a tal GER está lucrando muito depois de ter renovado o Beco Diagonal. Aumente as taxas para os registros de patentes, publicações de livros, músicas ou qualquer outro tipo de arte tola, além das taxas para a abertura de novas empresas, pois soube que Black pretende abrir alguns novos negócios.

— Mas, as famílias puras antigas não pagam muitos impostos, são os mestiços e nascidos trouxas que arcam com os maiores valores. — Fudge argumentou pensativo.

— Será uma medida provisória e não agradará muitas famílias puras, mas, isentaremos as famílias do nosso Partido, claro, e dos membros da Corte que concordarem em nos apoiar. Além disso, culparemos a ajuda que o Ministério está sendo obrigado a dar aos lobos. Aposto que depois disso, qualquer família que apoiou essa tolice do governo ter que agir de maneira justa e humana com as bestas, voltarão atrás rapidamente. — Waffling disse divertido.

— Isso é brilhante! — Fudge disse animadamente. — Se conseguirmos o aumento e até a criação de alguns novos impostos, finalmente, teremos galeões enchendo os nossos cofres! — E, eu poderei voltar a ter a minha parte justa, pensou o Ministro. — Posso até usar o argumento de que se eles querem igualdade, então, têm que pagar os mesmos valores nos impostos e taxas!

— Mais importante, oferecemos isenção para aqueles que nos apoiarem e lhe garanto que até mesmo os Progressistas repensarão os seus votos e apoios. — Waffling disse com um sorriso superior. — Quanto a tal Dorinda...

— Dolores, na verdade... — Fudge o interrompeu para corrigi-lo, mas, a expressão fria do homem mais velho o calou.

— Bem, sobre ela...

No entanto, mais uma vez, Waffling foi interrompido, mas, a voz ou gritos vinham de fora do escritório. Confusos, os dois homens saíram rapidamente, passaram pela mesa vazia da secretária de Fudge e seguiram na direção do escritório da Madame Bones, enquanto os gritos ficavam cada mais estridentes e identificáveis.

— Como você ousa! Retire-se do meu escritório agora! — Bones interrompeu os berros histéricos brevemente.

— Não deixarei! E, isso será o seu fim! Como você ousa trazer esses animais imundos ao Ministério! A poucos metros de distância do Ministro da Magia! — Quem berrava em um tom ensurdecedor, era Dolores Umbridge, que encarava Madame Bones e os seus convidados com fúria assassina. Na verdade, ao em vez de um sapo, ela lembrava mais um boi antes de dar uma chifrada no toureiro.

No escritório estavam, além de Bones e Umbridge, os lobisomens anciões, Theo Goldman, sua esposa, Bridget e todos os outros do seu grupo. Eles se mantinham meio encolhidos em um canto, com medo da louca sapa-boi que berrava descontroladamente. Vance e um fotógrafo também estavam presentes, enviados pelo Cuffe, para registrarem o momento da entrega do prêmio pela captura de Fenrir Greyback. As secretárias de Bones e Fudge, assistiam tudo da porta, com olhos arregalados e expressões de choque. No entanto, enquanto Bones parecia que fulminaria Umbridge com sua expressão gélida e severa, quem mais chamava a atenção era a própria Dolores Umbridge, que praticamente espumava pela boca enquanto encarava os anciões com olhos assassinos.

— QUERO ESTES MESTIÇOS IMUNDOS FORA DAQUI! — Seu berro era tão alto que, com certeza, todos os bruxos do andar ouviriam e, um segundo depois, alguns aurores apareceram apressados e com varinhas empunhadas.

— Com licença, Ministro. — Um dos aurores pediu passagem a Fudge, que encarava a cena abismado e entrou no escritório. — Madame Bones, os lobisomens estão causando problemas?

— Sim! Prendam esses animais! — Gritou Umbridge enlouquecida.

— Não! — Bones gritou de volta se colocando em frente aos anciões. — Quem está causando problemas é essa mulher absurda que invadiu o meu escritório, se meteu em assuntos que não lhe dizem respeito e acredita poder dar ordens a mim!

— Não permitirei que premie essas bestas com o rico dinheiro do meu Cornelius! Entregue-me agora essa bolsa de galeões...

— Não irá permitir!? E, quem a senhora pensa que é? Com que autoridade age como uma transloucada e invade o meu escritório!? — Bones deu um passo à frente e estava pálida de fúria. — Saia do meu escritório ou mandarei prendê-la por desacato! E, por atitude agressiva a um superior em seu local de trabalho, conseguirei a sua demissão!

— Eu sou a Subsecretária Junior do Ministro e tenho certeza que falo por Cornelius ao afirmar que não permitirei tal monstruosidade nos chãos sagrados deste Ministério! — Umbridge disse arrogantemente.

— Bem, acredito que isso responde a sua pergunta completamente, Cornelius. Agora, o que fará? — Sussurrou Waffling para Fudge, que o encarou com olhos esbugalhados e, depois, olhou para onde ele apontava. Vance, a repórter, escrevia freneticamente e o fotógrafo não parava de acionar a máquina com um sorriso encantado, como se tivesse ganhado a loteria.

— Dolores! — Fudge adentrou o escritório como um homem em uma missão. — O que pensa que está fazendo!?

— Cornelius!? — Umbridge o encarou surpresa por ser pega em flagrante, mas, depois se recuperou. — Meu querido Cornelius, uma afronta aconte...

— Cale-se! — Fudge disse em tom de autoridade. — Como ousa afrontar desta maneira a Madame Bones!? Sua superior e a mais distintas das damas! E, em seu escritório! — O rosto de Fudge estava composto, nada de palidez ou vermelhidão, o que mostrava a falta de emoção e sinceridade. — Nunca lhe dei autorização para fazer algo tão absurdo e muito menos falar em meu nome! — Ele olhou na direção da câmara com sua expressão mais severa e séria.

— Mas... Cornelius... esses... — Umbridge o encarava horrorizada e apontou para os anciões.

— Mas, nada! Eu aguentei o suficiente dos seus desmandos e conselhos tolos! — Fudge disse e empinou o peito em orgulho. — Mantive-a ao meu lado por amizade e porque acreditei em suas boas intenções, mas, vejo agora que estava errado! Sobre você e como encarar toda essa situação! Mas, nunca é cedo para um verdadeiro Ministro mudar de ideia e reconhecer os seus erros! Começando por você! Está despedida, Dolores! Des-pe-di-da!

— Cornelius! — Umbridge berrou e empalideceu.

— Não é mais a minha Subsecretária ou diretora da Secretaria de Corte de Gastos! Você tem agido pelas minhas costas, falando em meu nome e me aconselhado com esses seus pensamentos cruéis e discriminatórios! Mas, a partir de agora, eu me liberto de você! — Fudge disse erguendo o queixo e se posicionando como um guerreiro que venceu uma árdua batalha. — Auror Dawlish!

— Senhor. — Dawlish se apresentou ao seu lado em segundos.

— Leve a Madame Umbridge para o meu escritório. Eu lidarei com ela a seguir. — Fudge disse rigidamente e sem dirigir outro olhar para Umbridge, que começou a soluçar histericamente enquanto o auror Dawlish a retirava do escritório. — Madame Bones. — Ele foi em sua direção e parecia sinceramente arrependido. — Eu realmente sinto muito, por Dolores e seu histerismo, assim como, por minhas atitudes anteriores.

— Está tudo bem, Ministro. — Bones disse rigidamente e não se deixando enganar. — Se você me der licença, estou no meio da premiação pela captura de Greyback. Gostaria de realizar essa solene cerimônia sem mais balbúrdias.

— Claro, claro! — Fudge olhou na direção dos anciões que vestiam suas melhores roupas, estavam limpos, barbeados e não pareciam monstros ou bestas. Isso o desconcertou levemente, principalmente ao ver seus olhos bondosos e receosos. — Senhores! Eu lamento tudo isso! De verdade! — E, incrivelmente, Fudge estava sendo sincero. — Sou Cornelius Fudge, Ministro da Magia, é um prazer conhecer as pessoas que ajudaram a capturar um dos maiores assassinos do nosso mundo. — Ele se adiantou e apertou suas mãos, tentando ignorar o medo que sentia de lobisomens.

Cada um deles apertou sua mão hesitante e se apresentou.

— Theo Goldman foi auror por mais de 50 anos, Cornelius, antes de ser mordido e expulso da corporação. — Bones disse rigidamente. — Ele é quem mencionei em nossa discussão, sobre as injustiças que vivenciam os bruxos e bruxas que sofrem esse destino.

— Sim, sim, eu me lembro. Lamento não ter lhe dado ouvidos, Madame Bones, eu estava cego e mal aconselhado. — Fudge disse com expressão arrependida, depois, lembrando-se das ordens que recebeu, acrescentou. — Mas, eu tive tempo para refletir sobre a nossa longa conversa e concordo com tudo o que disse. Devemos direcionar recursos para ajudar a comunidade lobisomem, doar comida, roupas, barracas e qualquer outro meio de subsistência. E, a longo prazo, precisamos planejar moradias seguras e confortáveis, além de apoio social constante.

— Nós não queremos doações ou apoio social, Ministro. — Simon disse com expressão fechada. — Queremos viver com dignidade, do fruto do nosso trabalho, não de caridades.

Isso surpreendeu Fudge, que acenou desconcertado.

— Claro, claro. Essa é uma boa ideia. — Ele disse e agora todos podiam ver sua insinceridade. — Madame Bones, espero que não se importe que eu tire uma foto com vocês no momento da premiação. Me agradaria muito se todos puderem ver que o Ministro apoia os lobisomens e que não existem motivos para temê-los!

Madame Bones engoliu a raiva pela óbvia manobra de limpeza de imagem e acenou concordando. Assim, o fotógrafo tirou diversas fotos do grupo de lobisomens recebendo a bolsa de galeões das mãos de Bones, com o Ministro Fudge sorridente bem ao lado. Enquanto as fotos eram tiradas, Waffling, muito satisfeito, deixou o local, sua mente planejando quem deveria começar a comprar ou chantagear primeiro.

Depois da sessão de fotos, Vance aproveitou para fazer algumas perguntas.

— Isso quer dizer que o senhor apoia a iniciativa do Partido Progressista em buscar mudar a leis Anti-Lobisomem na Suprema Corte?

— Bem, tudo o que for possível para desfazer os erros passados receberá o meu apoio, claro. — Fudge disse com um sorriso falso.

— Mesmo esse não sendo o discurso do seu Partido? Quer dizer, os Conservadores são ferrenhos defensores dos direitos dos puros. —Vance acrescentou inteligentemente.

— Ah, mas... bem, as coisas mudam... você sabe. Eu, por exemplo, sou um novo homem! E, quero ajudar a comunidade lobisomem. — Fudge ficou desconcertado, mas se manteve no plano.

— O senhor tem o apoio do seu Partido para concorrer à reeleição, Ministro?

— Sim, absolutamente! Estou muito feliz em anunciar que fui escolhido pelo Partido Conservador para representá-los no ano que vem, nas eleições. — Fudge estufou o peito orgulhoso. — Tenho certeza que terei o apoio de todos para continuar o bom trabalho e realizar ainda mais pelo mundo mágico.

Fudge se despediu depois disso e foi para o seu escritório apressadamente, onde encontrou Dolores chorando desesperadamente em uma das cadeiras.

— Deixe-nos a sós, Dawlish. — O auror acenou e se retirou. Dolores continuou a chorar escondendo o rosto nas mãos e não o encarou. — Dolores, não chore, eu não falei a sério. Vamos, recomponha-se e eu te explicarei tudo.

Ela finalmente o encarou e ele recuou assustado com sua expressão meio enlouquecida, magoada, feroz e sapoide.

— Cornelius... Eu... eu, nunca... — Ela falou de maneira entrecortada por causa dos soluços.

— Olha, eu não tive escolha! Eu juro! Ou fazia aquilo ou deixava de ser o Ministro. — Ele disse recuando para atrás da sua mesa e colocando a mesa entre eles, apenas por precaução.

Mas suas palavras pareceram alcançá-la, pois Umbridge parou de chorar e o encarou chocada.

— Não ser mais o Ministro? Isso é um absurdo!

— Exato! Eu não mereço perder o cargo! Sou um bom Ministro! — Fudge disse indignado.

— O melhor! Você é o melhor Ministro que esse Ministério já teve a honra de ter! E, não deixe que ninguém o convença do contrário! — Umbridge disse enfaticamente.

— Minha querida, Dolores, sempre tão leal. — Ele disse como se falasse com um filhotinho de cachorro. — Lamento que eu tive que fazer o que fiz, mas, lhe explicarei tudo e, então, você compreenderá a situação. — Fudge disse e, rapidamente, contou a dura conversa que teve mais cedo com o Waffling.

— Então... — Umbridge o encarou com olhos arregalados.

— Então, ou te culpava por tudo e limpava a minha imagem, ou não seria mais o candidato nas eleições do ano que vem. — Fudge disse com um suspiro cansado. — Tinha certeza de que você compreenderia e me apoiaria, Dolores, como sempre fez.

— É claro, meu querido Cornelius, sou sua mais leal apoiadora, você sabe. — Umbridge disse com um sorriso choroso açucarado. — Se é preciso fazer esse sacrifício, eu o farei com coragem! Faço qualquer coisa para que continue a ser o Ministro, Cornelius, mas, você precisa me despedir?

— Não, não, isso não é necessário. — Fudge disse aliviado por sua calma, Umbridge poderia ser meio assustadora as vezes. — Mas, terei que enviá-la para trabalhar nos arquivos, Dolores, assim, ninguém a verá com muita frequência, pois estará no porão. Não será por muito tempo, assim que for reeleito, a transfiro para outro setor, ainda que acredito que não poderá trabalhar diretamente comigo outra vez, infelizmente.

— E, sobre a Secretaria de Cortes de Gastos? — Umbridge perguntou conformada. Em seguida, um novo pensamento a deixou horrorizada. — E, o meu salário? Não me diga que terei o salário de uma estagiária ou rato de arquivos!?

— Não! Você continuará a receber o mesmo salário, isso é o justo, querida Dolores, afinal, você se esforçou muito para ter um pagamento tão alto. E, a Secretaria será extinguida, Waffling tem outros planos e pretendo obedecê-lo. Na verdade, me pareceram boas ideias e, se tudo der certo, muito em breve, sairemos do vermelho e tudo voltará ao normal. — Fudge sorriu animadamente e Umbridge respirou aliviada.

— Se você está feliz e não corre risco, eu também fico feliz, Cornelius. Sentirei falta de trabalharmos lado a lado, mas, é por um bem maior e, portanto, o sacrifício é válido. — Umbridge sorriu, depois se levantou e começou a chorar. — Como pode fazer isso comigo!? Depois de tantos anos de apoio e lealdade fiel...

Umbridge saiu correndo do escritório, aos prantos, gritando e se descabelando como alguém que acabou de ser demitida. Fudge ficou paralisado de choque, entendendo que ela estava apenas mantendo as aparências, mas, verdadeiramente desconcertado pelos gritos que ainda podia ouvir do seu escritório.

— Bem, primeira fase do plano em andamento. — — Disse Fudge com um sorriso satisfeito. — Finley, você não sabe o que o espera!

A campanha de limpeza da imagem de Fudge progrediu durante o resto da semana, os lobisomens receberam mais algumas doações, bem menos do que as enviadas pela população mágica, e o Profeta cobriu e publicou as mudanças de atitudes do Ministro. Ainda assim, os textos de Vance eram muito inteligentes e reflexivos, levantando a todo momento a questão de se Fudge manteria tais atitudes depois de eleito. Assim como questionou as razões de Albert Finley, que nunca antes se interessou pelos lobisomens ou seus direitos, estar tão empenhado agora. Ao fim das entrevistas e reportagens, Vance fazia algumas perguntas justas, "Será, caros leitores, que estamos presos entre um Ministro fraco ou o menos pior? E, eles verdadeiramente manterão as promessas de mudanças ou elas serão falsas e vazias como suas palavras e corações? "

Vance também fez uma longa reportagem explicando o sistema eleitoral do mundo mágico. "Portanto, apesar da decisão ser sobre o nosso futuro, pouco ou nenhum poder temos, caros leitores. Nossas vidas estão nas mãos de 50 bruxos e bruxas que, como indivíduos, fazem escolhas individuais e não coletivas. Eles não escolhem baseado no que é o melhor para a população mágica e sim, de acordo com seus princípios e interesses. Como sabemos que os membros da Corte não vendem seus votos para os que lhe oferecem maiores benefícios? E, mesmo quando a Suprema Corte se divide entre dois candidatos, a votação aberta permite apenas que o chefe masculino de cada família se apresente a Corte e vote em nome de todos os membros adultos da família. Mulheres não têm direito ao voto ou de discordar de seus maridos, pais ou filhos. Lobisomens, centauros, elfos, goblins, seres mágicos que convivem e enfrentam os desmandos do Ministro escolhido, não têm direito a opinar ou votar. Se estamos vivendo um tempo de mudanças, de luta por direitos, igualdade e justiça, como faremos isso se não temos o poder mais básico em uma democracia? O poder de escolher o nosso futuro. "

— Isso é brilhante, Vance. — Barnie disse sorridente. — As vendas estão lá em cima, os anúncios aumentaram e todos estão falando sobre suas reportagens e entrevistas.

— Obrigada, Barnie. — Vance suspirou alegre por suas palavras e o trabalho incrível que vinha desempenhando. Finalmente, se sentia útil e realizada. — Você me disse que tinha uma nova atribuição?

— Sim. Tente uma entrevista com Sirius, ele é o curinga nessa história toda e quero saber para qual dos lados ele pretende oferecer o seu apoio. Consiga sua opinião justa sobre os candidatos e suas promessas. — Barnie disse. — Também, em 3 semanas, teremos a inauguração do Jardim da Lily e quero que consiga acesso exclusivo, antes, durante e depois do grande dia. Uma entrevista com Harry Potter fecharia com chave de ouro, claro.

— Pensei que Skeeter estava no comando da agenda social? — Vance perguntou confusa.

— Ela está, mas, tudo referente a Black e Potter, quero que seja atribuição sua. — Barnie disse lentamente.

— Por causa, da minha amizade com eles? — Ela questionou seriamente.

— Sim, mas não quero que faça nada imoral ou antiético, Vance, ou traia a confiança que eles têm em você. Divulgue apenas o que eles concordarem, ok? — Barnie disse e Vance acenou aliviada. — A relação de amizade lhe dará maior acesso e confiança, pois eles saberão que você escreverá com justiça e bom gosto. Skeeter não conseguiria uma frase de Sirius, muito menos uma entrevista.

— Bem, Skeeter já não gosta muito de mim, acho que depois disso, ela deixará de me fulminar com os olhos, para me atacar com feitiços. — Vance disse brincalhona.

— Se ela te der problemas, fale comigo. — Barnie disse protetor, depois, casualmente acrescentou. — Hum... gostaria de jantar hoje à noite, depois que saímos? — Vance arregalou os olhos e corou levemente. — Hum... se quiser, claro... Tenho uma mesa no The True Magic...

— Eu sou mais o tipo de garota do The Bar. — Vance disse e viu seu rosto cair em desapontamento. — Se aceitar o meu convite, poderemos beber uma cerveja e comer uns hambúrgueres... depois do trabalho.

Barnie arregalou os olhos que brilharam de leve humor.

— Está me chamando para um encontro, Vance?

— Apenas se você estiver me chamando para um encontro, Barnie? — Ela disse em tom de flerte, depois, ficou séria. — E, se isso não tiver nada a ver com o meu trabalho...

— Não! — Barnie disse imediatamente. — Eu temia que chegasse a essa conclusão e hesitei... Olha, não existe nada legal que nos impeça de nos relacionar assim e prometo que, se não der certo, isso não afetará o seu trabalho ou posição aqui, de nenhuma maneira. Eu prometo. — Barnie disse ansioso e sincero.

Vance sentiu que podia confiar nele e, porque se sentia muito alegre para ser detida pelas dúvidas, decidiu mergulhar de cabeça e pagar para ver.

— Bom. — Ela sorriu e seus olhos negros brilharam. — Temos um encontro, então.

A comunidade lobisomem acompanhava os acontecimentos com atenção, lendo cada linha do que o Profeta publicava. Os alfas das matilhas e líderes dos grupos se reuniram para discutir e decidir o que fariam a partir deste ponto.

— Essa garota, Vance, eu a conheci. — Theo Goldman disse ao pessoal reunido na floresta onde ficava a casa de Remus. — Ela se importa e está dizendo a verdade.

— Eu conheço Vance desde a escola. — Remus disse. — Ela realmente tem um grande coração, uma mente afiada e, se percebeu que os dois lados estão mentindo sobre ajudar os lobisomens, é porque eles estão.

— Isso não me surpreende. — McGregor, o escocês ruivo, alto e muscoloso, cuspiu no chão mostrando raiva. — Todos são iguais e não se importam conosco, apenas com seus próprios umbigos.

— Mas, agora temos o dinheiro do Ministério. — Blythe, o galês loiro, disse com sua voz tranquila e macia. — Além das doações, assim, se racionarmos, poderá durar por muito tempo. Isso se Black não quiser tomar os galeões que o Ministério entregou.

— Não. Nem Sirius, ou qualquer um que participou do resgate do Adam, querem o dinheiro pela morte de Greyback. — Remus disse sincero. — Mas, esse dinheiro não durará para sempre e, mesmo se houverem mudanças no Ministério, aposto que demorará a chegar até nós.

— Pior, se Fudge ganhar, aposto que voltará a nos perseguir e continuarão tentando prender Gun e Teagan. — Disse Elfort preocupado. — Não podemos escondê-los para sempre. Olha... — Ele olhou para Remus com atenção. — O seu pessoal nos salvou quando estávamos prestes a sermos jogados na prisão com falsas acusações. Antes... eu ainda tinha dúvidas, mas, agora acredito que Potter e Black estão sendo sinceros. Minha matilha está acampada nos arredores de Edimburgo e estamos prontos para irmos para a ilha.

— Nós também. — Becky disse parecendo cansada. — Nossa matilha está exausta e faminta, se Potter não mudou de ideia, queremos muito ter um lar na ilha.

— Como faremos isso? — McGregor questionou. — Simplesmente vamos todos viver em uma ilha e brincar de casinha? Nós temos nossas próprias matilhas e grupos, cada um lidera de uma maneira. E, essa ilha cabe mais de 3 mil pessoas? Do que viveremos? A caça na floresta acabará rapidamente e, depois?

— Além disso, Potter construirá nossas casas? Nos deixará viver lá de graça? Estaremos todos em dívida e o que acontecerá quando ele resolver cobrar? — Sonnian outro alfa, um irlandês de olhos verdes, acrescentou preocupado.

— São boas perguntas e todas as que tiverem, poderão fazer pessoalmente ao Harry e seus guardiões quando os encontrarem. — Remus disse lentamente. — Posso lhes adiantar que não haverá dívida, Harry arrendará a ilha para moradia e utilização das terras para a criação de animais e cultivos em estufas. Vocês terão o primeiro ano isento, pois trabalharão de graça para a reforma das cabanas, mas, depois, podem usar o dinheiro que receberam pela morte de Greyback para pagar anualmente. Será um valor justo, Harry não quer fazer caridade ou explorá-los. Tudo isso ou qualquer outra coisa que quiserem, será acordado em um contrato mágico de longo prazo. Falc, acredita que devemos fazer um primeiro contrato de 10 anos, pois todos terão que se ajustar, mudanças podem ser necessárias, poderemos descobrir isso ou aquilo para acrescentar ou tirar do contrato. Depois disso, podemos fazer um contrato de 30 ou 50 anos, com a possibilidade de anexos serem acrescentados. — Remus percebeu que todos o ouviam com muita atenção. — A ilha é imensa, tem espaço suficiente para todos e empregos serão arranjados. Neste momento, Harry e Sirius estão abrindo algumas novas empresas, assim, grande parte de vocês trabalhará nelas, outros, podem cuidar do trabalho que existirá na ilha, na escola, nas estufas, na fazenda ou qualquer outra coisa necessária. Sobre como funcionará a estrutura, aconselho pelo método de cooperativa, onde cada um colabora com o todo e ajuda a comunidade, com parte dos seus salários e tempo de trabalho.

— Podemos formar um conselho de líderes ao em vez de ter um único alfa. — Disse Becky acenando. — Isso poderia dar certo, se todos passarem a ver a comunidade lobisomem como um todo e não grupos ou matilhas separadas. E, todos trabalham para que todos os lobisomens estejam seguros e alimentados.

— Só de vivermos em uma casa, termos trabalho, comida, remédios, curandeiros, uma escola... — Alice suspirou emocionada. — Isso é o mais importante, não quem é o alfa ou quem faz o que. Tudo isso são detalhes, que podemos organizar facilmente se todos tiverem a mente aberta.

Houve muito acenos de concordância.

— E, sobre Gun e Teagan? — Perguntou Blythe. — Potter e Black irão querer dois criminosos na ilha?

— Sim, desde que se disponham a não cometerem crimes, poderão viver na ilha. — Remus informou. — Não se enganem, Harry é veemente que cada lobisomem assine os contratos individualmente, se comprometendo com a comunidade lobisomem, com a segurança de todos e com uma vida honesta e digna. Se alguém não for sincero ou decidir cometer crimes, não terá uma segunda chance.

— Gun e seu povo ficarão felizes em viver na ilha e não cometerem mais crimes, mas, Teagan é outra história. — Elfort disse pensativo. — Ele vive nas ruas de Londres, não em um acampamento na floresta e sua gangue gosta do que fazem.

— Bem, é por isso que o Harry e Sirius querem encontrar com eles pessoalmente. — Remus disse e viu suas expressões de alarmes. — Acredito que já demos mostras da nossa sinceridade e merecemos a confiança de um encontro. Precisamos conversar com todos, vocês querem conhecer o Harry, bem, ele quer conhecê-los e isso inclui Gun e Teagan. Chegou o momento, todos os lideres devem estar prontos para uma decisão definitiva.

Os líderes presentes se olharam e acenaram entre si, antes de aquiescerem positivamente para Remus.

— Quando? — Becky perguntou ansiosa.

— Daqui a três semanas, no domingo de páscoa. — Remus respondeu. — Harry e Sirius convidam os líderes para um almoço e, depois, conversamos e chegamos a um acordo.

— Onde? — Elfort perguntou surpreso.

— Na ilha, no Castelo de Stronghold.

Naquela manhã de sexta-feira, em um Tribunal da Coroa, na corte criminal em Surrey, Vernon Dursley também não estava tendo um dia dos mais agradáveis. Mas, ao contrário de Cornelius Fudge, Vernon não tinha uma rede de embusteiros canalhas e gananciosos, interessados em limpar a sua imagem.

Depois que Petúnia contou a verdade sobre os acontecimentos que levaram ao seu divórcio a vizinha do número sete, a vida de Vernon em Privet Drive mudou radicalmente. As fofocas se espalharam, cresceram, excederam a verdade e, em poucas semanas, toda a vizinhança acreditava que Vernon Dursley era um pedófilo, que estuprou e assassinou brutalmente o seu sobrinho de 10 anos. Outra versão dizia que ele desfigurou sua esposa Petúnia com uma faca, antes de estripar o filho e sobrinho. Ainda, tinha uma que afirmava com convicção, que Vernon cozinhou o sobrinho em uma sopa e serviu em um jantar de negócios importantes e que, por isso, o tal negócio não foi firmado.

As pessoas o evitavam, atravessavam a rua quando o viam, afastavam as crianças ou faziam o sinal da cruz. Os vizinhos mais próximos do número 5 e 6, decidiram tirar férias ou morar com parentes até que Vernon fosse julgado e condenado. Em seu trabalho, Vernon conseguiu manter segredo sobre o julgamento por algumas semanas, até que o investigador do Promotor apareceu, fazendo perguntas sobre o seu comportamento e caráter. Funcionários denunciaram, anonimamente, o seu comportamento agressivo, o abuso verbal e psicológico, além do sempre presente machismo e racismo. Sua secretária confessou aos prantos que ele gritava com ela dezenas de vezes em um único dia e que estava sempre enraivecido ou descontrolado.

Depois disso, o chefe de Vernon o afastou do seu cargo. Ele não se preocupava, verdadeiramente, com os seus funcionários ou qualquer dos seus direitos ou questões humanas. Sinceramente, ele nem se importava muito se Vernon deu uma coça em seu sobrinho atrevido. Sua decisão de afastar Vernon era apenas preocupação e cuidados com a imagem da empresa, pois não podiam se associar com um condenado por agressão infantil. Assim, ele o colocou em licença remunerada, com a promessa de que tudo voltaria ao normal, se Vernon fosse inocentado, mas que, do contrário, o seu contrato seria anulado por má conduta.

Vernon contratou outro advogado depois do fiasco do seu divórcio e este se mostrou convicto de que o aspecto involuntário do acidente de Potter era o suficiente para inocentá-lo. Pelo alto valor que estava pagando, Vernon acreditava que era isso o que aconteceria, pois, afinal, ele não jogou a aberração pela escada. Ainda assim, Vernon Dursley passou os dias que antecederam ao julgamento em extrema ansiedade e, não trabalhar, apenas lhe dava mais horas para pensar, pois não tinha nada para manter-se ocupado. Sua irmã veio para lhe fazer companhia e testemunhar a seu favor no julgamento. Além de Marge, alguns amigos de longa data, também se pronunciariam em defesa do seu caráter. O fato de não poder falar a verdade sobre o que aconteceu era o que mais o aborrecia, mas Vernon sabia melhor do que tentar explicar ao juiz sobre... aquelas esquisitices.

Vernon estava tão confiante que até fez planos para depois do julgamento. Primeiro, venderia a casa e compraria algo muito melhor, mais perto do seu trabalho e bem longe daqueles vizinhos aborrecidos. Depois, se daria de presente um carro novo, para compensar o ano terrível que teve. Em seguida, tentaria se reaproximar de sua esposa e filho, tinha certeza que com persistência, poderia reconquistá-lo.

A ilusão de Vernon se desfez com o trabalho impecável do Promotor do caso e sua equipe. Os testemunhos dos vizinhos, funcionários, Petúnia e Dursley eram como toneladas de excremento fedorento sobre os depoimentos fracos da sua irmã e colegas de faculdade que ele não via há anos. Na verdade, as palavras exageradamente raivosas de Marge sobre o Harry, mais atrapalharam do que ajudaram a sua defesa. No fim, todo o caso apresentado pelo Promotor mostrou a verdade sobre Vernon Dursley, que ele era um ser humano mesquinho, preconceituoso, abusivo, desonesto, maldoso e muito, mas, muito raivoso.

Além disso, o Juiz que julgava o caso recebeu uma orientação do seu chefe, que recebeu do seu chefe, que recebeu do seu chefe... Bem, digamos, que alguém falou com alguém, lançou um alerta vermelho e solicitou que o caso fosse tratado com a maior rigidez, pois a criança agredida era muito importante. Essa pessoa estava no julgamento, sentada ao lado de Sirius Black e assistia com satisfação como a defesa de Vernon era destruída, peça por peça.

— Você não precisava vir, Denver, mas, estou feliz que está aqui. — Sirius disse e apertou sua mão com afeto. — Se Dursley for condenado, podemos ir comemorar depois.

— Não se, ele será condenado. — Denver disse com convicção. — Eu conversei com o meu chefe e ele conhece algumas pessoas no Departamento de Justiça trouxa. Eles pedirão a pena máxima, ainda que é pouco para esse... — Ela se calou, pois não conseguia nomear o homem asqueroso.

Sirius sorriu ao saber da notícia e apertou sua mão com mais força.

— Bem, então, além de comemorar, terei que lhe agradecer. Hum... isso me dá muitas ideias incrivelmente interessantes. — Sirius disse com malícia.

— Eu não disse que concordava, posso estar ocupada hoje à noite. — Denver disse erguendo a sobrancelha.

— Não seja cruel. — Sirius disse suavemente. — Sei que precisou de um tempo... depois do sequestro, mas, sinto sua falta, Emily.

Denver não respondeu, até porque, não era muito boa com as palavras, assim, ela apenas apertou sua mão com força e Sirius suspirou de alívio. Tudo ficaria bem, por enquanto.

Petúnia estava sentado a alguns metros de distância e ouvia o julgamento tensa e ansiosa. Há alguns dias, Dudley fora ouvido pelo juiz, acompanhado de uma assistente social e psicóloga, enquanto o depoimento do Harry na época do acidente fora o suficiente para a promotoria. Ninguém achou interessante tirar uma criança do seu colégio interno para fazê-la relembrar da agressão ao testemunhar em um julgamento. Claro, se o Promotor duvidasse da condenação, ele escolheria diferente, mas, as provas médicas, testemunhos de Dudley e Petúnia, além das alegações de caráteres colhidos, eram mais do que suficientes.

Dudley quis comparecer ao julgamento, mas, Petúnia não permitiu, pois sabia que coisas muito ruins seriam ditas sobre o seu pai. Ainda assim, ela deixou que esperasse do lado de fora, sentado perto do guarda e, para o bem do seu filho, Petúnia estava esperançosa de que Vernon não fosse preso. Não que ela não acreditasse que ele deveria pagar pelo que fez, mas, ser condenado a trabalho voluntário, terapia e uma gorda multa eram o suficiente, em sua opinião. Esse resultado seria um alívio para o seu filho, que se sentia responsável pela prisão e julgamento do pai. Além disso, Petúnia se sentiria menos culpada, pois, se Vernon deveria ser preso pelo que fez com o Harry, ela também, afinal, por todos aqueles anos, Petúnia permitiu que seu sobrinho fosse maltratado. Claro, todos aqueles anos não estavam em julgamento hoje, apenas a queda da escada e, por isso, Petúnia estava positiva sobre o resultado, afinal, Dudley e ela testemunharam que fora um acidente.

Ao fim, apesar de suas esperanças, a situação não estava em suas mãos e pensamentos positivos não ajudariam em nada, pois Vernon não estava em um bom dia.

— Sr. Dursley. — Começou o Juiz McKey, ao fim das alegações da Defesa e do Promotor. — Eu não sou psiquiatra e não vou fingir entender a sua raiva exacerbada em direção ao mundo ou a uma criança. Já tive em meu tribunal todo o tipo de homens e mulheres, que cometeram atrocidades terríveis contra crianças e, quando olho para o senhor, para essas provas, testemunhos, vejo alguém que pode facilmente se tornar uma dessas pessoas. O senhor alega e as testemunhas presentes confirmam, que a queda de Harry Potter foi um acidente, mas, em nenhum momento o senhor mostra remorso por ter provocado involuntariamente os sérios ferimentos em uma criança de 12 anos, que também é seu sobrinho. Tanto no momento do acidente, como aqui e agora, o senhor tem muita pouca empatia ou entendimento da gravidade do que aconteceu e isso é muito sério. — Juiz McKey tirou um relatório da pilha e o abriu. — Eu tenho em minhas mãos uma avaliação psiquiatra da sua pessoa, solicitada pelo Promotor e, ela me diz que o senhor tem traços claros de transtorno narcísico e descontrole emocional severo. Isso quer dizer que o senhor é incapaz de sentir empatia, objetifica quem o desagrada por qualquer razão e não tem senso de humanidade. Também diz que o senhor controla com muita dificuldade a raiva violenta que sente por algumas pessoas diferentes da nossa sociedade. Eu me pergunto, Sr. Dursley, se, no dia de hoje, eu deixá-lo sair livre deste Tribunal, quanto tempo demorará para o senhor matar alguém? Um negro, por ser negro, um homossexual, por ser homossexual, uma criança diferente, por ser diferente. — Vernon empalideceu e até o seu advogado ficou preocupado e surpreso com o discurso. — Eu lhe direi o que acontecerá hoje, em meu Tribunal, Sr Dursley. Pelo acidente de Harry Potter, 12 anos, que provocou traumatismos graves e que o senhor foi culposamente responsável, eu o considero culpado e lhe condeno a pena máxima. Serão 6 anos de reclusão, Sr. Dursley, com possibilidade de condicional em 3 anos, se, apenas se, o senhor participar de terapia de controle de raiva, trabalhos voluntários, atividades sociais, artísticas e educacionais durante o seu encarceramento. E, depois que uma avaliação psiquiatra garanta que os 3 anos de encarceramento foram suficientes para que o senhor mostre o mínimo de arrependimento por seus atos.

Vernon engasgou chocado e, pela primeira vez, não tinha palavras ou raiva dentro de si para blasfemar. Apenas se sentou e ouviu a tudo calado e de olhos arregalados, assim, como Petúnia, que sentiu o coração se afundar ao ouvir o veredicto e pensar em seu filho.

— Pense nesta condenação como uma oportunidade, Sr. Dursley, de se tornar uma pessoa melhor. — Sr. McKey prosseguiu. — Porque, eu lhe garanto, se o senhor não fizer isso, deixará a prisão daqui a 6 anos para, muito em breve, estar sendo julgado outra vez, por assassinato. E, então, não haverá segundas chances.

Suas palavras eram duras, mas, em tom gentil e Vernon abaixou a cabeça envergonhado. Tudo perdido, pensou, sua família, seu trabalho, sua reputação, perdidos para sempre. E, sua liberdade! Vernon viu os policiais se aproximarem, levantá-lo e algemarem os seus pulsos, mas, ele se sentia entorpecido, preso no choque que o mantinha distante da realidade, como se observasse outra pessoa por um túnel distante e embaçado. Ele mal percebeu quando foi retirado do Tribunal da Coroa e levado para uma cela, onde esperaria o transporte para a Penitenciária Down High, em Surrey.

Pelo outro lado, Petúnia também deixou a sala do Tribunal, muito angustiada, culpada e triste pelas consequências que seus erros trouxeram a Vernon e a Dudley. Ignorando Sirius, que abraçava uma mulher alta e bonita em comemoração pela sentença, Petúnia caminhou até onde estava o filho, que esperava caminhando ansiosamente pelo corredor.

— Mãe! — Dudley gritou assim que a viu e caminhou em sua direção, mas, parou ao ver sua expressão pálida e triste. — O que? O que aconteceu?

— Sinto muito, Duda, seu pai... ele foi condenado...

— Sim, mas não será preso, certo? Você disse que ele pegaria a pena mínima e faria serviços comunitários, pagaria uma multa. — Dudley perguntou sentido o estômago queimar ao perceber que a situação não era tão simples.

— Não, o... Promotor, ele e sua equipe fizeram um bom trabalho ao pesquisar sobre o caráter do seu pai e, o Juiz lhe deu a pena máxima. — Petúnia lhe apertou os ombros ansiosamente. — Vamos para casa, querido, e te conto o que aconteceu.

— Eu posso ver o meu pai? Me despedir? — Dudley perguntou baixinho, pois não o encontrava desde o início de janeiro.

— Não. — Petúnia suspirou cansada. — Seu pai já foi enviado para a prisão, mas... eu descobrirei onde ele está e se poderemos visitá-lo em algum momento. Ok?

— Quanto tempo, mamãe? Papai ficará preso por quanto tempo? — Dudley caminhou ao seu lado e, felizmente, perdeu Sirius e Denver deixando o Tribunal com grandes sorrisos satisfeitos.

— Vamos para casa, querido e lhe explicarei a sentença. Talvez... Duda, seu pai precisará do seu apoio e amor, mais do que nunca, para enfrentar os próximos anos e, talvez, ele não ficará preso por tanto tempo. — Ela disse angustiada, podia não amar mais o ex-marido, mas, era terrível imaginá-lo na prisão por 6 anos.

— Foi minha culpa, não foi? — Dudley soluçou quando os dois se sentaram no carro no estacionamento. — Se eu não tivesse...

— Não! Duda! Não! — Petúnia o abraçou com força. — Se, existem tantos ses! Escute! Escute a sua mãe com atenção! Nada disso é sua culpa! Nada! Você não é culpado ou responsável pelas escolhas e erros dos adultos! Entendeu? — Duda acenou chorando.

— O que será do meu pai, mamãe? — Ele perguntou soluçando.

— Vernon enfrentará um castigo duro por seus erros e tentaremos ajudá-lo como pudermos. Talvez, a prisão e o seu amor, o ajudem a se tornar uma pessoa melhor, então, em alguns anos, ele estará livre para continuar com sua vida. — Petúnia disse tentando ser esperançosa.

Dudley acenou outra vez, mas, não conseguiu deixar de chorar baixinho enquanto sua mãe dirigia de volta para Evans House.

No domingo, depois do treino na Caverna, Harry foi a cozinha preparar o almoço especial para os colegas do Covil e o Dobby. O convite foi feito discretamente e pequenos grupos deveriam começar a chegar a partir das 11 horas. Harry sabia que era provável que os zeladores, professores ou mesmo Dumbledore, percebessem a movimentação estranha de algumas dezenas de alunos almoçando na cozinha. O plano era dizer que estavam comemorando alguns aniversários, Ginny comentou que Ron fizera aniversário em 1 de março e os gêmeos fariam em 1 de abril. Em uma pesquisa rápida, descobriram que Morag, Padma e Parvati também faziam aniversários no fim de março e meio de abril.

Harry convidou a Ginny para ajudá-lo a preparar o almoço e ela se mostrou cética sobre a ideia de cozinhar, principalmente uma comida tão exótica e para tantas pessoas.

— Minha mãe tenta me fazer ajudá-la, Harry, acredite, não me saí nada bem. — Ela disse quando entraram na cozinha e foram para a área separada por Mimy para prepararem a refeição. — Ela sempre fica impaciente com a minha lentidão e me expulsa da cozinha.

— Bem, me parece que ela está fazendo um bom trabalho em tentar fazer você odiar cozinhar ou ser uma péssima cozinheira. — Harry zombou brincalhão. — Cozinhar não tem a ver com pressa e sim, precisão, algo que você tem de sobra ou não seria uma buscadora tão boa.

— Bem. Mas, porque não fazemos algo inglês e comum? — Ginny fez uma última tentativa.

— Porque seria muito sem graça, além disso, é um almoço em homenagem ao... Dobby. — Harry sussurrou a última parte. — E, em comemoração à sua libertação, assim, deve ser algo especial e não... comum, que deveria ser sinônimo de chato em minha opinião.

— Não deveríamos esperar os outros acordarem antes de fazer isso? — Ginny perguntou ao colocar o avental que o Harry lhe estendeu.

— Eu pensei nisso. — Harry disse pensativo. — Hermione adoraria estar aqui, mas, não sei quando eles acordarão e quero que o Dobby tenha esse momento, além de colocar o plano... você sabe, em movimento. — Ginny acenou e olhou sutilmente para os elfos que trabalhavam muito felizes. — Depois, podemos fazer uma nova festa, talvez, na piscina, para comemorar que eles acordaram e estão todos bem.

— Gosto dessa ideia, a Luna adora nadar na piscina e uma festa lá será perfeita. — Ginny disse sorrindo. — Então, o que eu faço, chefe Potter?

Harry sorriu e lhe deu as primeiras instruções, pois haviam muitos ingredientes para picar, cortar, bater e amassar. Mimy logo se aproximou para ajudar e colocar no forno os bolos para assarem, pois Harry decidiu que se os disfarces eram aniversários, bolos de aniversários eram obrigatórios.

— Sra. Madaki faz uns bolos de aniversários maravilhosos, ela aprendeu com sua mãe que era boleira e doceira lá na Louisiana. Eu aprendi durante o verão, mas, duvido que fiquem tão gostoso. — Harry explicou suavemente. — Ainda bem que os elfos me deixaram mexer no fogão ou não conseguiria fazer essa geleia.

— Hum... amo geleia de framboesa. — Ginny disse pegando um pouco no dedo e levando a boca. — Está uma delícia, Harry.

— Que bom, escolhi esse recheio porque pensei que gostaria. — Harry disse e olhou para o seu rosto, que estava cheio de farinha. — Você fez uma bagunça de farinha, Guinevere.

— Como você não se suja? — Ginny perguntou rindo ao tentar se limpar com o avental.

— Aqui. — Harry pegou seu lenço e limpou seu rosto da farinha e geleia. — Não me sujo porque não sou desastrado.

— Oh! — Ginny encarou chocada a sua expressão provocadora. — Eu não sou desastrada, senhor! — Quando Harry riu, Ginny sujou o dedo de geleia e passou por sua bochecha e nariz. — Pronto! Quem é o desastrado agora?

Harry a encarou chocado, mas, em seguida, se dobrou de rir em diversão.

— Isso foi golpe baixo! — Ele disse e, pegando um pouco de chantilly, Harry espirrou em seu rosto.

— Harry! — Ginny abriu a boca de surpresa e um pouco espirrou dentro. — Hum, isso é muito bom...

— Deixe-me ver. — Harry estendeu a mão e pegou um pouco de chantilly do seu rosto e lambeu o dedo gulosamente. — Sim, tem razão, muito bom.

Os dois se olharam todos sujos e riram divertidos antes de se limparem e voltarem ao trabalho.

— Porque fazemos a sobremesa primeiro? — Ginny perguntou enquanto observavam a Mimy retirar os bolos assados do forno e colocá-los para esfriar.

— Porque os bolos têm que esfriar antes de colocarmos o recheio e a cobertura. — Harry disse suavemente. — Depois, conservamos na caixa fria ou comeremos bolo morno e isso não é legal. Você quer escolher os enfeites?

— Enfeites? — Ginny perguntou confusa.

— Sim, podemos colocar sobre o chantilly o que quisermos para enfeitar, sabe. Frutas, gotas ou raspas de chocolate, confeites ou escrever e desenhar algo. — Harry explicou.

— Oh! Minha mãe normalmente faz alguma decoração com marzipã. — Ginny disse pensativa. — Podemos colocar algumas framboesas? E, eu posso fazer um desenho?

— O que quiser, Guinevere. — Disse Harry sorrindo feliz com a sua animação.

— Legal! Você precisa da minha ajuda para algo mais? — Ela perguntou ansiosa.

— Não, agora tudo o que falta é cozinhar a paella e o fogo faz a maior parte do trabalho. — Harry a liberou e se concentrou em colocar na panela tudo o necessário para fazer a paella saborosa que o tio Rodrigo o ensinou.

Às 11 horas, o pessoal do Covil começou a chegar e se moverem para a mesa preparada pelos elfos em um dos cantos da cozinha, próximo à área em que o Harry cozinhava.

— Pelo cheiro, parece delicioso, Harry! — Mandy disse sorridente ao se aproximar com Padma e Morag. — Terry disse que você está fazendo paella e, eu adoro esse prato!

— Bem, é a primeira vez que faço sozinho, espero que fique bom. — Harry disse e se aproximou da Ginny, que estava toda suja de doce outra vez. — Como você consegue se sujar assim? — Ele perguntou confuso e divertido, tirou o lenço e voltou a limpar o seu rosto. — Como ficou o bolo?

— Bom... acho, espero que goste. Olha. — Ela disse saltitando cheia de energia e lhe mostrou o bolo decorado.

Harry arregalou os olhos de surpresa. A parte de cima do chantilly tinha sido decorado com framboesas em seus quatro cantos, mas, no meio, tinha o Dobby, ele trazia pequenos galos e ajudava a sua própria versão de marzipã a derrotar uma cobra verde bem grande, seu corpo fazendo duas voltas inteiras no bolo. E, em sua cabeça havia até uma adaga incrustrada.

— Uau! — Ele disse impressionado. — Eles parecem tão realista...

— Mamãe é muito boa nisso, os seus bonecos de marzipã ficariam muito melhores, mas...

— Estão lindos e mostram perfeitamente o que aconteceu. — Harry disse suavemente. — Dobby, eu, Freya e, as framboesas, são a representação da verdadeira guerreira dessa história. Duvido que qualquer um faria melhor, Guinevere... — Ele disse sincero e sem desviar o olhar.

Ginny sorriu sentindo o seu coração bater com força só de encarar os seus olhos verdes brilhantes e ouvir sua voz.

— Acha que Dobby gostará? — Ela perguntou sentindo o rosto corar pelos elogios.

— Um bolo feito e decorado por sua Senhorita Bonita? — Harry disse divertido. — Ele vai amar.

— Ei, precisam de ajuda? — Terry se aproximou com Neville.

— Há umas duas horas, talvez, agora já está tudo pronto. — Harry disse provocando.

— Bem, estávamos com a Hermione e a Luna, Colin... — Terry tentou justificar, mas, logo percebeu que era brincadeira. — Rá! Me pegou de novo.

— Isso porque é muito fácil te provocar, Terryboy. — Ginny disse divertida.

— Rá, rá, Ginnybaby. — Terry devolveu enquanto Harry e Neville riam da sua expressão.

— Ei. — Fred cercou Terry por um lado e George pelo outro. — Apenas nós dois podemos chamá-la assim, T-boy.

— Ninguém pode me chamar assim, Frederick. — Ginny disse com um olhar mal-humorado. — Ou deveria chamá-los por seus apelidos de infância, aposto que arrancaria muitas risadas.

— Você, como nossa irmã preferida, não nos trairia assim, certo? — George o famoso, Gege, perguntou meio apavorado.

— Não me testem. — Disse Ginny divertida.

— Agora fiquei curioso. — Harry disse rindo. — Não podem ser piores do que os apelidos do meu primo. Tia Petúnia o chamava de Dudinho ou Dudoquinha.

Os colegas que estavam mais perto e ouviram, explodiram em gargalhadas.

— Acho que nada pode ser pior que isso! — Fred disse rindo muito.

Quando todos chegaram e se sentaram, o almoço já estava pronto e Harry se levantou antes que todos atacassem a comida cheirosa que estava sobre a mesa grande.

— Vocês devem estar se perguntando porque eu marquei esse almoço hoje. — Harry disse sorrindo.

— Se for cozinhar essas delícias para nós, Harry, pode me chamar sempre que quiser. — Disse Claire divertida e houve muitos acenos e resmungos de aprovação.

— Combinado. Bem, eu queria apresentar alguém para vocês e também preparar esse almoço em agradecimento por sua ajuda e amizade. — Harry disse com o sorriso aumentando. — Além de comemorar a sua libertação! — Ele falou mais alto e os elfos que trabalhavam servindo o almoço no Grande Salão puderam ouvir e olharam confusos.

— Você quer dizer... — Penny arregalou os olhos e muitos se mostraram confusos ou chocados.

— Sim! Dobby, você pode vir? Por favor. — Ele pediu educada e gentilmente.

Dobby estalou no meio da cozinha e olhou em volta até encontrar o Harry e sorrir o seu mega sorriso animado.

— Harry, senhor! — Ele caminhou e ignorou os engasgos, gritinhos, panelas e pratos caindo ao chão por todos os lados da grande cozinha.

O elfos todos pararam o que faziam e encararam o Dobby, que caminhava em botas de couro preta, calças jeans pretas, camisa azul com a águia preta e uma jaqueta de couro igualzinho ao que Sirius usou para libertá-lo. Sua entrada foi perfeita e ele caminhou preguiçosamente, se exibindo para os outros elfos.

— Pessoal, quero que conheçam o meu grande amigo, Dobby, que me ajudou muito nos últimos meses a encontrar e destruir o monstro da Câmara Secreta. — Harry disse e percebeu os elfos da cozinha esbugalhando os olhos ainda mais. — Finalmente, consegui retribuir a sua amizade, comprando ele de sua antiga família e lhe dando a liberdade!

Como combinado, Terry, Neville e Ginny se levantaram e começaram a bater palmas para o Dobby, os outros o imitaram imediatamente. Dobby arregalou os olhos e corou, mas continuou a sua caminhada da gloria sob os aplausos.

— Prazer em conhecê-lo finalmente, Dobby, sou Terry! — Terry se adiantou e apertou sua mão. — Harry fala muito de você e de sua boa amizade!

— Prazer, Dobby! Sou o Neville! Parabéns por sua liberdade! — Neville fez a sua parte e também apertou a sua mão.

Ginny se adiantou e lhe deu um abraço, sussurrando um agradecimento, antes de falar mais alto.

— Sou Ginny, Dobby, prazer em te conhecer! Você está livre! Parabéns!

Rapidamente, Dobby foi cercado e cumprimentado por todos, que se mostraram muito emocionados e alegres por finalmente conhecê-lo e saber de sua liberdade, mesmo sem Harry ter combinado nada com eles. O elfo parecia perdido com tanta atenção, abraços, beijos e apertos de mãos, além de responder dezenas de perguntas.

— Dobby agradece! Sim, Dobby ajudou o Sr. Harry a matar a grande cobra! Dobby criou e trouxe os pequenos galos, quando o Sr. Harry pediu ao Dobby! Dobby está muito feliz por estar livre! Dobby deve a liberdade de Dobby ao Sr. Harry! Sim! Sim! Família antiga de Dobby era cruel, mas, agora, Dobby é funcionário do Sr. Harry. E, Dobby tem um salário! Dobby foi as compras com o Sr. Sirius, padrinho do Sr. Harry, e comprou todas essas roupas maneiras e descoladas. Veja, essa camisa é... lançamento de mercado da... primavera e verão... Sr. Sirius me mostrou, tem de todas as casas! Mas, Dobby gosta mais da casa do Sr. Harry!

Harry sorriu para a interação e observou discretamente como os outros elfos observavam Dobby sendo festejado e parabenizado por sua liberdade, novo emprego e roupas. Provavelmente, eles ainda não mudariam séculos de crenças impostas cruelmente pelos bruxos, mas, esse era um bom começo.

— Sr. Harry? — Mimy sussurrou ao seu lado e Harry a encarou gentilmente. — Ele é louco? Dobby perdeu a cabeça?

— Não, Mimy, ele apenas está muito feliz. — Harry disse lentamente para sua querida amiga. — A liberdade e o reconhecimento verdadeiro por seu bom trabalho, faz isso com as pessoas, traz felicidade.

Mimy mantinha os olhos esbugalhados e parecia dividida entre não discordar do seu querido Sr. Harry ou manter o que sempre foi a cultura dos elfos domésticos.

— Ele trabalhará para o senhor? — Ela parecia meio invejosa.

— Sim. A família Potter só aceita em seus serviços, seres livres, nunca tivemos ou teremos escravos. — Harry disse com orgulho. — Eu precisava de um elfo, assim, contratei o Dobby quando ele conseguiu a sua liberdade.

— Mimy poderia ser a elfa do Sr. Harry, não precisava buscar um elfo estranho. — Mimy disse enciumada.

— Bem, Mimy, acontece que o Dobby não é um estranho, ele é um grande amigo. Além disso, eu só contrato trabalhadores livres e você teria que ser livre, ter um salário e folgas para poder ser minha funcionária. — Harry disse muito sério.

— Mas... isso seria errado! — Mimy disse de olhos arregalados.

— Porque? — Harry questionou e percebeu mais elfos ouvindo a conversa em volta.

— Porque não é o jeito certo! — Mimy respondeu.

— Porque? — Ele devolveu na mesma hora.

— Porque... não é assim que funciona a vida dos elfos domésticos.

— Porque?

— Porque, é assim que é.

— Porque?

— Porque... porque... sempre foi assim...

— Foi mesmo? Eu soube que os elfos tinham sua própria cidade um dia, quando foram livres. — Harry disse suavemente e viu muitos deles arregalarem os olhos de medo.

— Elfos domésticos não falam disso ou são mortos, Sr. Harry! — Mimy exclamou receosa.

— Porque? — Harry perguntou. — Porque, Mimy?

— Apenas, é assim que as coisas são...

Harry viu outros acenando tristemente e ele observou a conversa ser passada em volta.

— Bem, talvez, esteja na hora de não ser mais assim. — Ele decidiu deixar assim por enquanto, sabendo que demoraria muito tempo para convencê-los que a escravidão em que viviam não era o certo. — Ei, pessoal? Vamos comer!

— Sim! Estou morrendo de fome! — Ron disse sentando-se a mesa e começando a se servir.

Os outros seguiram seus movimentos e, rapidamente, todos estavam comendo a deliciosa paella.

— Isso é incrível! — Sussurros e gemidos de prazer se espalharam pela mesa.

— De onde é mesmo? — Eddie Carmichael perguntou.

— É da minha terra, da Espanha. — Scheyla respondeu. — Meu padre, Rodrigo ensinou o Harry a preparar esse prato. Harry, ele não acreditará que você fez sozinho e ficou tão bom! Quase igual ao dele!

— Eu não fiz sozinho! — Harry disse e sorriu para o Dobby sentado ao seu lado e almoçando com eles como um igual, assim, como tinham combinado. — Ginny me ajudou e, ela fez uma surpresa para a sobremesa.

— Ginny? Mas, ela não sabe cozinhar! — Ron disse com a boca meio cheia e recebeu algumas caretas de quem estava perto dele.

— Eu estou aprendendo com o Harry, e é melhor não me chatear ou te deixo sem sobremesa. — Ginny provocou e Ron ficou pálido.

— O que tem de bom para a sobremesa? — Neville, que amava doces, perguntou.

— Bolo de chocolate belga com recheio de geleia de framboesa. — Harry respondeu e viu todos arregalarem os olhos e se apressarem em comer a paella.

— Quero fazer um brinde. — Fred se levantou e parecia estranhamente sério. — Dobby ajudou o Harry a vencer Vol... demort e destruir o monstro da câmara. Sempre seremos gratos, aos dois. — Ele se emocionou e levantou o seu suco de abóbora. — A Dobby e Harry!

— A Dobby e Harry! — Todos gritaram levantando seus copos e brindando alegremente.

Mais tarde, Harry se recostou em sua cadeira e observou todos comendo seus segundos pedaços de bolo. A decoração fez muito sucesso, Ginny corou diante das palmas, depois, se curvou divertidamente agradecendo as ovações. Dobby insistiu em ficar com o boneco de marzipã dele mesmo e do Harry, mas fez questão de comer o pedaço com a cabeça da cobra que George lhe estendeu. O pequeno elfo riu alegremente quando mordeu a cabeça da basilisco e todos bateram palmas ou gritaram de animação.

— Hermione adoraria estar aqui e ver sua ideia ganhando vida. — Disse Terry tristemente ao olhar para os elfos da cozinha de Hogwarts, que trabalhavam lentamente, sem tirarem seus olhos do que acontecia na mesa.

— Isso é só o começo e ela seria a primeira a dizer que não deveríamos perder essa oportunidade. — Harry disse e olhou para o Dobby que ria animadamente das piadas dos gêmeos. — Vestido assim, Dobby parece o Sirius!

— Ele disse umas dez vezes para mim que, o grande padrinho do Sr. Harry, o libertou. — Terry disse divertido.

— Harghy... — Neville falou mastigando um grande pedaço de bolo.

— Merlin, Neville, resolveu dar uma de Ron? — Harry disse rindo, Terry e Neville o acompanharam.

— Desculpe, esse bolo está delicioso, é muito difícil parar de comer. — Ele disse encantado e com o rosto cheio de chocolate.

— Bem, você terá, porque o Ron vai comer o último pedaço. — Apontou Terry divertido e Neville arregalou os olhos indignado.

— O que? Mas... ele já comeu 4 pedaços! — Seu amigo se levantou e correu para o meio da mesa para disputar o último pedaço de bolo.

Harry gargalhou quando viu eles ficarem discutindo e Dobby se aproveitar da distração para pegar o bolo e entregar para Ginny.

— Aqui, Senhorita Bonita, Dobby lhe salvou o último pedaço. Dobby agradece a Senhorita Bonita pela surpresa que fez para Dobby. — Ele disse a olhando com adoração.

— Obrigada, Dobby. — Ginny disse divertida e comeu uma mordida do bolo delicioso enquanto Neville e Ron ainda discutiam.

— Eu cheguei primeiro, assim, é meu!

— Ora, se for assim, toda a comida de Hogwarts é sua porque, quando se tratar de comer, você é sempre o primeiro a chegar! — Provocou Neville ironicamente.

Harry e Terry se dobraram de rir, pois os dois tolos nem perceberam que Ginny já tinha comido todo o pedaço de bolo.

— Delicioso. — Ela disse lambendo o último resquício da geleia vermelha.

— Harry, o Dobby falou que o seu padrinho lançará essas camisetas legais com cores e desenhos das nossas casas. É verdade? — Claire perguntou ansiosa, Scheyla a acompanhava.

— Sim, haverá femininas, masculinas e infantis, pelo que sei. — Confirmou o Harry.

— Você acredita que ele nos deixaria ter algumas peças de promoção com antecedência, Harry? Como ele fez com o Dobby? — Sua prima perguntou. — Seria incrível poder lançar uma moda tão legal!

— Eu posso perguntar, Schey. — Ele prometeu e elas agradeceram.

— Harry, meu amigo, você deveria pensar em abrir um restaurante e não ser um auror, sabe. Porque esse almoço foi incrível! — Disse Trevor animado.

Harry não se aguentou e riu.

— Sim, porque não. — Ele disse divertido. — Preparado para a entrevista?

— Sim. — Ele parecia ansioso. — Confesso que estou mais ansioso com essa entrevista do que com a final de quadribol. Acho que porque me vejo cada vez menos como um estudante de Hogwarts. — Trevor explicou pensativo. — De qualquer forma, eu estive conversando com a Penny, já que ela trabalha na GER, e pedindo dicas do que falar, como me comportar e até o que vestir, sabe. Estou me sentindo mais confiante.

— Ah! — Harry não aguentou e provocou divertidamente. — Por isso tem passado tanto tempo com a Penny, apenas pedindo dicas? Hum?

— O que? — Trevor arregalou os olhos e corou levemente envergonhado. — Harry! Ela tem namorado! Esqueceu?

— Eles terminaram. — Harry disse e Trevor arregalou ainda mais os olhos, agora de interesse.

— Verdade? Quando? O que aconteceu? — Então, ele pareceu perceber que mostrava muito interesse e pigarreou constrangido. — Quer dizer, hum... eu não sabia. Espero que ela esteja bem.

— Eu não sei, na verdade, porque não entendo nada sobre garotas e namoros, mas, tenho certeza que Penny está melhor agora do que namorando com Percy Weasley. — Harry disse lentamente.

— Eu ouvi direito? — Fred se aproximou com os olhos brilhando de curiosidade. — Meu nobre irmão, Percy, tem uma namorada?

— Não mais. — Harry disse e, ao ver a malícia em seu olhar, acrescentou com falsa seriedade. — Ela terminou com ele, depois que Percy agiu como um louco ciumento, a perseguiu freneticamente pela escola e fez patéticas declarações de amor. Eu estava lá, foi bem humilhante e constrangedor, mas, tenho certeza que você não zombaria do seu irmão sobre isso, certo?

— Não, de maneira alguma. Com licença, preciso encontrar o meu irmão mais bonito. — Fred disse meio engasgado e se afastou rapidamente. — Georgie!

— Você é cruel. — Disse Trevor em um sussurro chocado. — Muito cruel. Ainda bem que sou o seu amigo, cara.

Harry não se aguentou e gargalhou, Trevor o acompanhou, depois se afastou para pedir mais dicas a Penny.

Apesar do almoço ter acabado, ninguém parecia querer ir embora, pois estavam se divertindo com toda a conversa e brincadeiras. Harry estava rindo de uma conversa hilária que estava tendo com a Mandy, Padma e Parvati, quando sentiu o seu espelho vibrar. Se afastando e torcendo para que não fosse notícias ruins, ele o acionou e viu a expressão triunfante de Denver.

— A poção restaurado acabou de chegar. — Ela disse sem preâmbulos. — Sirius e eu estamos indo para Hogwarts, agora.

Harry sentiu o coração se acelerar, a emoção e adrenalina pulsarem fortemente.

— Eu os encontrarei no local combinado. — Ele disse e desligou o espelho.

Olhando para o seus amigos e colegas, decidiu não contar a ninguém, pois, essa pequena operação exigia muita discrição. Assim, discretamente, ele se cobriu com a capa e deixou a cozinha, correndo pelos corredores até a entrada da passagem secreta dos espelhos, que era a mais perto da enfermaria. Harry tirou a capa, entrou e se deparou com uma cena absurdamente engraçada.

Denver não tinha mais os seus cabelos marrons curtos, agora, eles estavam cumpridos até os joelhos e da cor de uma cenoura. Seu rosto estava pintado de amarelo, suas mãos eram patas de patos e, quando o viu, ela tentou falar, mas sua boca apenas emitiu um som de quac. Sirius, estava com os cabelos curtos, cheios do que pareciam pompons rosas fofos, seu rosto estava azul brilhante e, quando falou, dezenas de bolhas de sabão saíram da sua boca.

— Você disse que passaria pelas armadilhas dos gêmeos sem problemas. — Harry disse completamente chocado.

Denver olhou com raiva para o Sirius e começou a falar sem parar.

— Quac, quac, quac, quac, quac, quac!

Sirius tentou se defender, mas, isso apenas fez mais bolhas deixarem a sua boca, se espalharem e encherem a sala que tinha as paredes cobertas por espelhos. Harry não se aguentou e começou a gargalhar, segurando o estômago, suas pernas bambearam e ele caiu no chão sem forças de tanto rir.

— Ah! Ah! Ah! Ah! — Ele gargalhou ainda mais descontroladamente quando Sirius e Denver se voltaram contra ele.

— Quac! Quac! Quac! — Ela disse sem parar apontando para Harry e os dois, provavelmente pedindo uma solução, enquanto mais e mais bolhas encheram a sala.

Demorou muito tempo para o Harry ter o mínimo de controle sobre o riso, enquanto isso, os dois adultos tentaram, sem sucesso, desfazer os feitiços. Quando se acalmou, Harry os encontrou sentados no chão, calmamente esperando o efeito se desfazer ou Harry parar de rir e usar os contrafeitiços.

— Desculpe. — Ele sussurrou rouco, enxugando as lágrimas do rosto e ainda soltando alguns risinhos de vez em quando. — O efeito passará sozinho, esses são alguns feitiços que os gêmeos inventaram e, eu não sei os contrafeitiços.

Demorou uns 15 minutos, mas, finalmente, Denver e Sirius voltaram a ser eles mesmos.

— Você disse que os meninos inventaram isso? — Sirius perguntou impressionado. — Muito bom! Eles têm muito talento!

— Talento! Eu fiquei grasnando feito um pato, Black! — Denver falou irritada, mas, isso apenas fez Sirius rir, Harry não se aguentou e começou a rir outra vez.

— Foi muito engraçado! — Seu padrinho disse rindo descontroladamente.

— Fred e George querem abrir uma loja de piadas. — Harry disse quando se acalmou. — Eu não sei todos os detalhes, eles são supersecretos, mas, se isso for algumas das coisas que podem fazer, a loja será um sucesso absoluto.

— Bem, eu pensaria que estaria ansioso por ver seus amigos despetrificados, Harry, ou entendi errado? — Denver disse cansada de ser motivo de risos.

— Desculpe, Denver. — Harry disse sincero. — Estou mais do que ansioso, eu juro, além de muito grato. Como conseguiu a poção?

— Um amigo meu que vive nas Rochosas. — Denver disse mais suavemente. — Estudamos juntos em Ilvermorny e, agora, Simon é um potioneer qualificado e especialista em plantas raras. Eu escrevi para ele quando me pediu ajuda, pois sabia que, ou Simon teria ou poderia conseguir a poção restauradora. — Denver mostrou a bolsa onde estavam os frascos. — Ele me disse que esperou suas mandrágoras amadurecerem e fez a poção por si mesmo.

— Maravilha! — Harry sorriu sentindo uma imensa alegria. — Eles acordarão muito mais cedo do que o previsto! E, poderemos tentar controlar a situação, pois conversaremos com eles sem os aurores ou professores. — Ele tirou o mapa do bolso e olhou pelos corredores.

— Madame Pomfrey ainda estará lá. — Sirius disse se aproximando para olhar o mapa.

— Ela é de confiança, tenho certeza. — Harry sussurrou distraído.

— Meu amigo, Simon, ele ficou curioso sobre porque precisamos de uma poção como essa. Você se importa que eu lhe conte sobre o basilisco? — Denver perguntou suavemente.

— Não, mas, não fale sobre o diário ou Voldemort, por favor. — Harry disse lentamente. — Não podemos deixar que essas informações se espalhem ou, o fato de que nós sabemos mais do que deveríamos.

— Ok. — Disse Denver levemente confusa, porque ainda não sabia o que era o diário exatamente.

— O caminho está livre, mas, precisamos do Flitwick e ele está em seu escritório... — Disse pensativo sobre como avisá-lo que precisava dele na enfermaria. — Dobby?

Imediatamente ouviu-se um estalo alto e Dobby apareceu na sala de espelhos de olhos arregalados.

— Sr. Harry chamou? — Ele viu o Sirius e seu sorriso aumentou. — Olá, Sr. Sirius!

— Oi, Dobby, como está a Mansão? — Sirius sorriu amigável.

— Bem! Dobby está limpando tudo, pois só a magia não tira toda a sujeira e Dobby começou a trabalhar no jardim! — Dobby estufou o peito orgulhoso.

— Isso é brilhante, Dobby, mas, apenas 8 horas de trabalho por dia. Ok? — Dobby acenou levemente preocupado e Harry sorriu, tranquilizando-o que estava tudo bem. — Esta é Denver, a namorada do Sirius, ela conseguiu a poção restauradora para os petrificados, mas preciso do Prof. Flitwick na enfermaria. Você poderia avisá-lo, por favor? Diga que é urgente.

— Sim, Sr. Harry. — Dobby sorriu brilhantemente e se foi com um estalo.

— Você tem um elfo? — Denver perguntou confusa. — E, de onde tirou que sou a namorada do seu padrinho?

— Eu não o tenho, ele é meu funcionário e bem pago. — Harry disse e olhou para os dois, meio confuso. — Pensei ter entendido o Remus dizer que vocês estavam juntos.

— Estamos transando, garoto, não namorando. — Denver respondeu secamente e ignorou a careta do Sirius. — E, agradeceria se, na próxima vez, você me apresentasse por mim mesma e não como a namorada de alguém. Eu sou minha própria pessoa, não um apêndice, entendeu?

Confuso, Harry apenas acenou, pois não sabia o que responder e olhou para Sirius, que apenas deu de ombros sem oferecer uma explicação.

— Flitwick, já está a caminho da enfermaria. — Harry disse olhando o mapa. — Agora é a nossa vez e o caminho está... livre.

Eles deixaram a passagem e se apressaram na direção da enfermaria, Harry manteve os olhos no mapa e blasfemou quando viu McGonagall deixar o seu escritório e vir apressadamente na direção deles.

— Tem uma alcova ali na frente. — Disse Sirius, que conhecia muito bem a escola.

Eles apressaram o passo, Sirius e Denver se esconderam na alcova e Harry se cobriu com a capa.

— Onde...? — Denver se mostrou confusa quando o Harry sumiu.

— Ssshhhh... — Sirius disse em um sussurro e, um segundo depois, McGonagall passou pelo corredor.

Harry esperou mais um pouco e observou o mapa com atenção antes de guardar a capa e olhar para os dois.

— Vamos, rápido! — Ele disse em tom urgente.

Eles se apressaram e logo chegaram a enfermaria, onde encontraram Flitwick tentando explicar para Madame Pomfrey a situação.

— Poppy, entenda que o importante é que conseguimos a poção e eles poderão ser acordados. — Flitwick disse suavemente. — Mas, não podemos dizer a fonte ou chamar ninguém até que Harry possa conversar com Colin e Luna. Confie em mim.

— Não gosto de tantos segredos, Filius, mas, como acredito que uma coisa está ligada a outra, concordarei. Apenas, preciso examinar a poção e descobrir a procedência antes de ministrá-la, pois são as vidas dos meus pacientes que estão em risco. — Pomfrey respondeu severa.

— Madame... — Denver se adiantou respeitosamente. — Sou Emily Denver, Agente Chefe da ICW de Londres. Aqui está a poção restauradora e uma cópia do certificado do Mestre Potioneer americano, Simon St. Clair. Ele é um amigo dos tempos de escola e, além de potioneer, Simon é especialista em plantas raras, como as mandrágoras.

— Papoula Pomfrey, prazer em conhecê-la, Agente Chefe. — Madame Pomfrey pegou a bolsa com as poções e olhou para o Harry seriamente. — Acredito que você tem um bom motivo para fazer isso.

— Sim, senhora. — Harry disse sincero. — Preciso conversar com Luna e Colin, antes dos aurores chegarem e, Flitwick ficará com os créditos pela poção.

— Eu direi que me correspondi com amigos de Ilvermorny e, eles me indicaram St. Clair, de quem encomendei a poção meses atrás, com a esperança de que os petrificados saberiam alguma pista do atacante. — Flitwick explicou. — Não contei a ninguém, obviamente, porque não podia deixar essa informação se espalhar e chegar ao responsável pelos ataques, o que colocaria as vidas dos petrificados em grande risco.

— Isso quer dizer que, Denver, Harry e eu, não estivemos aqui, Madame Pomfrey. — Sirius se adiantou e a cumprimentou com um sorriso largo. — É um grande prazer revê-la, como sempre.

— Sirius, com está? — Ela lhe sorriu suavemente, depois se afastou para autentificar as poções.

Harry continuou a examinar o mapa tensamente, pois temia que Dumbledore, que estava em seu escritório, pudesse descobrir a presença dos visitantes.

— As poções são perfeitas. — Pomfrey retornou do seu escritório e parecia satisfeita. — Isso é maravilhoso! Eu estava angustiada que eles ficariam assim até junho. Com quem começamos?

— Colin e Luna. — Harry disse ansioso. — Depois saímos e a senhora continua com os outros, sem que eles nos vejam.

Pomfrey concordou e foi até a área atrás de uma grande cortina branca, onde os petrificados estiveram repousando por todos aqueles meses, Harry e Flitwick a seguiram, mas Sirius e Denver ficaram para trás. Harry tinha estado aqui dezenas de vezes nas últimas semanas, assim, não se deixou abalar pela estranheza de ver seus amigos e a Prof.ª Charlie paralisados como estátuas. Ele apenas observou silenciosamente, enquanto Colin despertava lentamente depois que a poção foi ministrada pela curandeira.

— Colin... — Ele sussurrou para o amigo que o encarou confuso.

— Harry? Onde...? — Sua voz estava rouca e, quando se moveu, parecia sentir os músculos doloridos.

— Você se lembra da noite em que estava vindo me visitar na enfermaria, depois do jogo de quadribol? — Ele disse e viu as lembranças voltarem lentamente.

— Ginny! — Ele ofegou apavorado. — Harry! Ginny está em perigo! Ele... alguém a...

— Sshhh... — Harry o abaixou de volta na cama. — Está tudo bem... Não, Colin, me escute com atenção! Ginny está segura! Eu descobri tudo e ela está bem! Prometo a você!

Colin se deixou cair nos travesseiros muito aliviado e acenando mais calmo.

— Ok. — Ele disse meio sonolento.

— Não durma ainda. Pomfrey acordará a Luna e conversarei com vocês dois rapidamente, depois, você descansa. — Harry disse firme e se colocou ao lado da cama da Luna, que acordou também lentamente, mas não parecia nada confusa. Ela sorriu para o Harry e suspirou se espreguiçando como se despertasse de um longo sono.

— Precisa me dizer algo, Harry? — Ela disse com voz rouca. — Sobre a Ginny? Ela está bem agora, certo? Você a salvou.

— Sim... — Harry ficou desconcertado. — Quer dizer, eu a ajudei a se salvar, Ginny é muito forte e não desistiu.

— Claro que não, minha Ginny jamais desiste de nada, ela é uma guerreira. — Luna disse, se recostando contra os travesseiros sonolenta. — Mas, você já sabe disso.

— Sim. — Harry retribuiu o sorriso da Luna. — Prof. Flitwick conseguiu a poção restauradora, mas, antes que os outros sejam acordados ou o diretor e os aurores sejam chamados, eu precisava conversar com vocês dois. — Ele disse muito sério e Colin acenou confuso, enquanto Luna apenas sorriu com seu olhar sonhador de sempre. — Os aurores pretendem prender o responsável pelos ataques, por isso, vocês não devem dizer que viram a Ginny na noite em que foram petrificados.

— Fomos petrificados? Que curioso. — Luna disse suavemente.

— Mas, a Ginny não tem culpa! — Colin disse com o máximo de energia que reuniu. — Foi outra pessoa... coisa... que falou...

— Colin, escute-me. — Harry segurou sua mão. — Eu explicarei tudo o que aconteceu depois e a Ginny também, mas, você está certo, não foi culpa dela, nada do que aconteceu, nenhum dos ataques. O problema é que não temos como provar essa verdade e, se vocês disserem que quem estava lá na noite dos ataques, foi a Ginny, ela será expulsa de Hogwarts com toda a certeza e poderá até ser presa.

— Houve mais ataques? — Luna perguntou interessada e olhou em volta. — Olá, Prof. Flitwick, Madame Pomfrey. Quem são aquelas?

— Hermione e a professora Charlie. — Harry disse enquanto Pomfrey e Flitwick cumprimentavam a Luna e o Colin.

— Preciso examiná-los, Harry e acordar os outros, além de chamar seus familiares e o diretor. — Pomfrey disse em tom muito mais suave ao perceber que todo o plano tinha o objetivo de proteger a jovem Ginny Weasley.

— Ok, Madame Pomfrey. — Harry disse. — Estamos combinados? Vocês dirão que não viram o atacante? Ou que eu estive aqui?

— Que atacante? Quem é você? — Luna suspirou sonhadora. — Oh, estou tão confusa...

— Não se preocupe, Harry, jamais prejudicaria a Ginny. — Colin disse sincero e divertido.

— Obrigado, aos dois. E, muito obrigado, Madame Pomfrey. — Harry disse sorrindo para a curandeira, que acenou regiamente.

Harry deixou a área protegida pelas cortinas brancas e foi até Sirius e Denver, que o olharam com aprovação, pois puderam ouvir a conversa. Ele apenas sorriu, muito aliviado, olhou o mapa e apressou-os silenciosamente para a passagem dos espelhos.

— Não acredito que tudo isso finalmente acabou. — Harry disse suspirando profundamente feliz e aliviado. — Agora, ela está protegida, definitivamente.

— Ginny? — Sirius ergueu a sobrancelha divertidamente.

— Sim, mas, não comente nada quando a conhecer, Sirius, ela ainda não consegue falar sobre isso casualmente. — Harry disse lamentando não poder manter sua identidade em segredo, mas confiava em Madame Pomfrey, Sirius e Denver. — Obrigado, Denver, de verdade. Além de proteger a Ginny, será bom ter meus amigos de volta.

— De nada. — Denver deu dando de ombros casualmente, mantendo as mãos no bolso do casaco. — Fico feliz que tudo acabou bem, sem mortos e feridos graves ou punições injustas.

Harry apenas acenou com um sorriso sem graça e se esforçou para ignorar a imagem do rosto sorridente de Lockhart.

— Harry, tenho algumas notícias boas, eu pretendia te chamar pelo espelho hoje à noite, mas, já que estamos aqui. — Sirius disse sorridente. — Os líderes lobisomens concordaram com o almoço na ilha, no domingo de Páscoa.

— Bom! — Harry sorriu animado. — Isso é muito bom! Deixarei o pessoal avisado, os que também irão ao almoço, além de nós, quero dizer. Remus está positivo que eles aceitarão viver na ilha?

— Sim, principalmente agora de Elfort está do nosso lado e grato pela ajuda que lhe demos e sua matilha. — Sirius disse otimista. — Acredito que estamos apenas precisando solucionar alguns poucos detalhes e encontrar mais empregos para todos, mas, amanhã tenho uma reunião com o administrador que contratamos para nos ajudar a gerir a sua herança, além da Petúnia. A ideia é decidirmos que área de negócios trouxas investir e, assim, produzirmos mais postos de trabalho para os lobisomens.

Harry acenou sorrindo e sentindo mais otimismo. As coisas estavam se encaixando e, talvez, pelos próximos meses, ele poderia relaxar e ser apenas um estudante.

— Fico feliz que tenham encontrado alguém bom para o cargo e que irá ajudá-los. — Ele disse cansadamente. — Tia Trissie me escreveu, ela estará viajando na próxima semana para a Reserva na África, para buscar os animais. Ela parece muito animada e Scheyla está muito enciumada de não poder ir também. Alguma coisa sobre as minas?

— Estamos entrevistando alguns ex-funcionários e espero selecionarmos uma boa equipe e abrirmos as minas em um ou dois meses. — Sirius disse. — Alias, os Flynn estão aguardando, não existem vagas para trouxas ainda, mas, assim que abrirmos as empresas no mundo trouxa, eles serão empregados.

— Bem, o ideal seria se eles se qualificarem, sabe, estudarem alguma coisa. — Harry disse sabendo que os pais de Owen não tinham muitas qualificações, pois não estudaram depois da escola. — Podemos ajudá-los com bolsas de estudo, certo?

— Claro. Conversarei com a Bella. — Sirius disse mencionando a Diretora da Divisão Evans. — Você sabe que o julgamento de Vernon Dursley aconteceu na última sexta-feira, certo?

— Sim. — Harry fez uma careta de desagrado. — Ainda bem que não precisaram que eu comparecesse para testemunhar. Minha tia deve me enviar uma carta hoje contando sobre o resultado, ainda que, pelo que ela me disse, Vernon só pegaria algumas horas de trabalho voluntário, uma multa e ficaria em condicional.

— Bem, mas, isso não aconteceu. — Sirius sorriu muito animado. — Dursley foi condenado a pena máxima e pegou 6 anos de prisão!

Harry empalideceu na mesma hora.

— O que? — Perguntou chocado.

— Sim, não é incrível? — Sirius disse animado, sem perceber a reação estranha do afilhado, mas, Denver notou e, infelizmente, não conseguiu impedir que Sirius continuasse falando. — Denver, tem uns contatos no mundo trouxa e conseguiu que o caso fosse julgado por um juiz muito rígido, além de ser destacado com um... como se chama?

— Alerta vermelho. — Denver disse confusa pela expressão de Harry. — Quando a vítima é alguém importante, como o filho de um policial, por exemplo, é colocado um alerta vermelho, assim, o responsável por sua morte ou agressão, pega a pena máxima em seu julgamento. Além disso, o Juiz McKey, é o juiz mais rígido da vara infantil, pois teve um irmão espancado até a morte quando eles eram adolescentes.

Harry a ouviu em silêncio e sem acreditar, assim, como não entendia a expressão alegre de Sirius.

— Porque você fez isso? — Ele perguntou a Denver com raiva.

— O que? — Sirius ficou completamente perdido, pois não era a reação que esperava de Harry.

— Quem lhe disse para interferir no que não era da sua conta? — Harry ainda olhava para Denver com raiva. — Você não tinha nada que se meter!

— Eu... — Denver hesitou pensando em como responder e ainda surpresa por sua raiva.

— Harry! — Sirius lhe chamou a atenção. — Denver só queria ajudar! Quando contei sobre como te trataram na infância, ela quis que o responsável fosse punido merecidamente!

— Pois não devia ter feito isso! Ela não tinha nada que se envolver no que não é da conta dela! E, você não deveria ter falado nada sobre a minha infância! — Harry voltou sua raiva para o Sirius. — Eu nunca lhe dei autorização para isso! Ela não é nada minha ou sua, aliás! Afinal, vocês só estão transando, certo?

— Pare de gritar. — Sirius disse tentando manter a calma. — Pensei que ficaria feliz ao saber... sei que odeia aquele homem...

— Pois pensou errado! E, não sabe nada sobre o meu ódio! — Harry disse furioso. — Eu odeio Voldemort! Ele assassinou meus pais! Me deu motivos para odiá-lo!

— E, o Dursley não? — Denver perguntou curiosa. — Acredita que o que ele fez com você não foi grave?

— Eu sei que foi, mas, está no passado! — Harry disse irritado. — Eu não preciso vê-lo ou viver com ele nunca mais, meu corpo está completamente curado, assim, posso esquecer, superar isso e, com certeza, não perderei meu tempo odiando aquela morsa patética! E, o acidente só foi tão grave por causa da minha magia acidental, Vernon não me jogou da escada!

— Ele ia te espancar, Harry! — Sirius protestou irritado também, não gostava de ver o afilhado defendendo aquele verme.

— Sirius! Eu vivi por 10 anos naquela casa e Vernon nunca me deu mais do que alguns safanões! Minha tia pode ter sido obrigada a acalmá-lo algumas vezes quando ele ficava com muita raiva, mas, se Vernon quisesse me machucar, poderia ter feito isso em muitas oportunidades! — Harry disse exasperado.

— Ele te trancou no armário e te deixou passar fome, Harry. — Denver disse seriamente. — Isso é muito grave e motivo mais do que suficiente para que ele passasse até mais tempo na prisão.

— Sim, mas, ele não fez isso sozinho, fez? — Harry disse a encarando com raiva. — Minha tia estava lá e é sua cúmplice, mas, eu não a quero na cadeia! Além disso, não era isso que estava sendo julgado! Minha queda, da maneira como foi, não é justificativa para ele passar 6 anos na prisão!

— Bem, mas, e se sua magia não o defendesse e ele o espancasse. — Sirius argumentou. — Você poderia ter sido ferido até mais gravemente!

— Ou, minha tia poderia ter conseguido acalmá-lo, ou ele poderia ter se arrependido, ou, eu poderia ter conseguido pegar minha varinha e estupefá-lo. Ou, como das outras vezes, Vernon teria gritado, ameaçado e apenas me trancado no quarto, sem me encostar um dedo! Não é justo que o julguem e condenem por algo que não aconteceu! — Harry estava gritando e não conseguia controlar a raiva.

— Tem razão. — Denver disse tentando conter o Sirius de continuar a discutir. — Você está certo, é uma pena muito severa, apenas por causa da sua queda involuntária, mas, acredito que é justa por todo o resto que nunca será julgado porque, você não quer envolver ou punir a sua tia.

— Sim, mas, tia Petúnia deve estar se sentindo culpada... — Harry disse aflito ao passar a mão pelos cabelos. — Por não estar presa também e Vernon pagar pelos dois. Isso é uma grande bagunça!

— Harry! Olha, eu entendi, mas, você não gosta daquele homem minimamente! Porque está tão contrariado? — Sirius perguntou impaciente.

— Você não entendeu nada! — Harry disse cada vez mais furioso. — O problema aqui não sou eu! É o Duda! Meu primo não é culpado de nada disso e agora ficará 6 anos sem ver o pai ou terá que visitá-lo na prisão! — Ele percebeu suas expressões surpresas. — Não tinham pensado em Duda, não é? Bem, pois deveriam! Ou, melhor, deveriam não se meter no que não lhes dizem respeito!

— Sirius não tem nada a ver com isso. — Denver disse suavemente. — Ele não me pediu nada, eu fiz por mim mesma. E, pelo que tinha entendido, Dursley não era bom para o filho também.

— Vernon não é um grande pai, mas, ama muito o Duda, além disso... Porque? Porque fez isso? — Harry a encarou zangado. — O que tem a minha infância a ver com você? O que lhe deu o direito de agir assim?

— Ela só queria ajudar, Harry, não fez por mal. — Sirius disse com expressão arrependida ao pensar em Duda, algo que não tinha feito ainda.

— Ajudar? — Harry perdeu o pouco controle que tinha e berrou furioso. — EU ESTOU CANSADO DAS PESSOAS INTERFERINDO EM MINHA VIDA COM SUAS MALDITAS BOAS INTENÇÕES! SUGIRO QUE DA PRÓXIMA VEZ, ME ESPERE PEDIR POR AJUDA! OU, MELHOR AINDA, QUE ME PERGUNTE SE ESTOU INTERESSADO!

— Harry! — Sirius tentou impedi-lo de sair da sala.

— NÃO SE METAM NA MINHA VIDA! — Harry berrou antes de bater a porta de espelhos com força, deixando os dois adultos para trás, paralisados de puro choque.