Prometo responder os comentários depois, mas estou na maior pressa agora. Boa leitura!


Capítulo 12 - O Torneio Tribruxo


Os garotos passaram pelos portões, ladeados por estátuas de javalis alados,

- A decoração de Hogwarts é bem excêntrica - comentou Lene.

e as carruagens subiram o imponente caminho oscilando perigosamente sob uma chuva que parecia estar virando tromba d'água. Curvando-se para a janela, Harry pôde ver Hogwarts se aproximando, suas numerosas janelas borradas e iluminadas por trás da cortina de chuva. Os relâmpagos riscaram o céu no momento em que a carruagem parou diante das enormes portas de entrada de carvalho,

- Nada como uma boa chegada - ironizou Dorcas.

a que se chegava por um lance de degraus de pedra. As pessoas que tinham tomado as carruagens anteriores já subiam correndo os degraus para entrar no castelo;

- Esse povo tem medo de chuva é? - perguntou Lene.

- Não, mas para quer andar devagar só para se molhar mais? - comentou Alice.

- Na verdade, diversos fatores podem fazer com que a pessoa se molhe mais andando na chuva - disse Frank.

- Amor, dá para ficar calado? - pediu Alice.

Harry, Ron, Hermione e Neville saltaram da carruagem e correram escada acima, também, só erguendo a cabeça quando já estavam seguros,

- Vocês agiram como pessoas normais - comentou Lily surpresa.

- É a minha influência - falou Neville.

- Faz sentido - a ruiva concordou.

no cavernoso saguão de entrada iluminado por archotes, com sua magnífica escadaria de mármore.

— Caracoles — exclamou Ron, sacudindo a cabeça e espalhando água para todos os lados — se isso continuar assim, o lago vai transbordar.

- Essa seria uma visão e tanto - comentou James.

- Não tenho certeza que é possível o lago de Hogwarts transbordar... - comentou Remus.

Estou todo molhado!

Um grande balão vermelho e cheio de água caíra do teto na cabeça de Ron e estourara.

- Não basta a chuva? - perguntou Snape.

- Quem fez isso? - falou Regulus.

- Quem você acha? - falou Ron.

- Peeves - falou Sirius ao ver o olhar perdido do irmão. Se havia que Regulus não era bom era com pegadinhas.

- Exatamente.

Encharcado e resmungando, Ron cambaleou para o lado e esbarrou em Harry na hora em que uma segunda bomba de água caiu errando Hermione por um triz, ele estourou aos pés de Harry, espirrando água gelada por cima dos tênis e das meias do garoto.

James começou a rir, não conseguindo se conter. Sirius riu junto.

- É incrível o meu apoio familiar - ironizou Harry.

As pessoas em volta soltaram gritinhos e começaram a se empurrar procurando sair da linha de tiro.

- Pânico total em Hogwarts - falou Dorcas.

- É, nada mais assustador do que isso - disse Ron.

Harry olhou para o alto e viu, flutuando seis metros acima, Peeves, o poltergeist, um homenzinho de chapéu em forma de sino e gravata borboleta cor de laranja, o rosto largo e malicioso contorcendo-se de concentração para tornar a fazer mira.

- Ele consegue ser bem insuportável quando quer.

— Peeves! — berrou uma voz zangada. — Peeves, desça já aqui, AGORA!

A Professora Minerva McGonagall,

- Tia Minnie! - falou James empolgado.

subdiretora da escola e diretora da Grifinória, saiu correndo do Salão Principal, a professora escorregou no chão molhado e agarrou Hermione pelo pescoço para evitar cair.

- Queria ver isso - falou Sirius. Minnie era sempre tão séria e composta.

- Ela deve ter ficado arretada com Peeves - comentou Remus, pela primeira vez com pena do fantasma.

— Ai... Desculpe, Srta. Granger...

— Tudo bem, professora! — ofegou Hermione, massageando a garganta.

- É, tudo ótimo - ironizou Ginny olhando preocupada para a amiga.

- Só doeu um pouco na hora.

— Peeves, desça aqui AGORA! — bradou ela, ajeitando o chapéu cônico e olhando feio pelos óculos de aros quadrados.

- Só ela para manter a dignidade em uma situação dessas - falou Lily admirada.

— Não tô fazendo nada! — gargalhou Peeves, disparando uma bomba de água contra várias garotas do quinto ano, que gritaram e mergulharam no Salão Principal.

- Bem convincente - disse Frank.

— Já molharam as calças, foi? Que inconvenientes! Ihhhhhhhhhh!

- Não mais que você - resmungou Lene.

E mirou mais uma bomba em um grupo de alunos do segundo ano que tinha acabado de chegar.

- Dá tempo de correr ainda? - perguntou James.

- Nem venha, James. Você se juntaria a ele jogando água no povo - falou Lily.

- Não posso dizer o que eu faria, já que não vivi a situação - disse James.

- É, é por isso que eu estou dizendo o quê você faria, não se preocupe.

— Vou chamar o diretor! — ameaçou a Professora Minerva.

- Não sei o quanto Dumbledore ficaria irritado com isso - falou Hermione.

- Ele veria mais como uma brincadeira inocente - falou Harry.

— Estou lhe avisando, Peeves...

Peeves estirou a língua, jogou a última de suas bombas de água para o alto e disparou pela escada de mármore acima, gargalhando feito um louco.

- Feito um louco não, ele é um louco - falou Regulus.

— Bom, vamos andando, então! — disse a professora em tom eficiente para os alunos molhados. — Para o Salão Principal, vamos!

- Ela bem que podia ter secado os alunos antes, né? - falou Frank.

Harry, Ron e Hermione escorregaram pelo saguão de entrada e pelas portas de folhas duplas à direita, Ron, furioso, resmungando entredentes ao afastar os cabelos, que escorriam água, para longe do rosto.

- Ninguém pode te culpar - disse Frank.

O Salão Principal tinha o aspecto esplêndido de sempre,

- Hogwarts é um dos lugares mais lindo que eu já vi - afirmou Lissy. Remus concordou com ela.

decorado para a festa de abertura do ano letivo.

- A comida desse dia é melhor ainda - disse Ron sonhador.

- Eu sei! - falou Sirius empolgado.

Pratos e taças de ouro refulgiam à luz de centenas e centenas de velas que flutuavam no ar sobre as mesas. As quatro mesas longas das Casas estavam cheias de alunos que falavam sem parar;

- Parece até que eles não se vem faz tempo - brincou Lily.

no fundo do salão, os professores e outros funcionários sentavam-se a uma quinta mesa, de frente para os estudantes.

- Para ficar de olho em algumas pessoas que podiam começar uma confusão - disse Lene olhando para James e Sirius.

- Nem estávamos lá! - protestaram juntos.

- Não dessa vez, de qualquer maneira - falou Remus.

- Você está do lado de quem? - falou James.

- Da verdade, ué.

- 7 anos de amizade para a pessoa ficar do lado da verdade - Sirius reclamou. Remus deu de ombros.

Estava muito mais quente ali.

Sirius levantou uma sobrancelha. Lene mandou ele parar de ser idiota.

Harry, Ron e Hermione passaram pela mesa dos alunos da Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa, e se sentaram com os colegas da Grifinória no extremo do salão, ao lado de Nearly Headless Nick, o fantasma de sua Casa. Branco-pérola e semitransparente, Nick estava vestido esta noite com o gibão de sempre e uma gola de rufos particularmente grande, que servia o duplo propósito de parecer bem festiva e garantir que sua cabeça não balançasse demais no pescoço parcialmente decepado.

- Nunca pensei nisso, mas fantasmas podem mudar de roupa, certo? - falou Lene.

- Aparentemente sim - falou Dorcas.

— Boa noite — disse ele aos garotos.

— Para quem? — perguntou Harry, descalçando os tênis e despejando a água que se acumulara dentro.

- Nada como chegar com estilo - falou Lene.

- Porque um carro voador não tem graça, claro - falou Josh.

— Espero que andem depressa com a seleção. Estou faminto.

- Até você? - falou Ginny, chocada.

Harry deu de ombros. A verdade é que não comia muito na casa dos Dursley, então quando chegava em Hogwarts compensava pelo tempo perdido.

A seleção dos novos alunos por Casas era realizada no início de cada ano letivo, mas por uma infeliz combinação de circunstâncias,

- Ou seja várias coisas malucas acontecendo.

Harry não estivera presente a nenhuma desde a dele mesmo.

- Pelo menos você estava na sua - falou Regulus.

Estava ansioso para assisti-la. Nesse instante, uma voz excitada e ofegante chamou-o mais adiante à mesa:

— Oi, Harry!

- Uma das suas fãs? - perguntou Sirius.

- Quase isso - murmurou Harry.

Era Colin Creevey, um aluno do terceiro ano para quem Harry era uma espécie de herói.

- Meu filho sendo um herói para os outros! - falou James dramático, fazendo Harry corar.

— Oi, Colin — cumprimentou Harry cauteloso.

- Você realmente não gosta de atenção - comentou Regulus.

- É que Colin é muito empolgado com as coisas que gosta - falou Harry - Nunca sei o que esperar dele.

— Harry, adivinha só! Adivinha só, Harry! Meu irmão está começando! Meu irmão Dennis!

- Duas vezes Creevey - resmungou James.

- Não aja como se você não fosse gostar disso - falou Lily - Aposto que você queria um fã assim.

- Não quero, eu já tenho fãs - disse James, sorrindo arrogantemente.

— Hum... Que bom! — disse Harry.

- Senti uma falsidade - falou Neville.

- Jamais.

— Ele está realmente excitado! — continuou Colin, praticamente dando pulos na cadeira.

- Para Colin estar dizendo isso, imagino como o irmão dele está - falou Lene.

— Espero que ele fique na Grifinória! Cruze os dedos, hein, Harry?

— Hum... Claro — disse Harry.

- Aposto que você estava torcendo para ele ficar em qualquer outra casa - falou Lene.

E tornou a se virar para Hermione, Ron e Nearly Headless Nick. — Irmãos e irmãs geralmente vão para a mesma Casa, não é?

Sirius e Regulus se olharam rapidamente, antes de desviarem o olhar.

- Muitas vezes eles vão porque os ensinamentos em casa são parecidos, então valorizam mais uma mesma característica - disse Frank - Mas algumas vezes não.

Estava pensando nos Weasley, todos os sete alunos da Grifinória.

- Somos uma família unida - Fred deu de ombros.

- Eu realmente não consigo ver um Weasley em uma outra casa - disse Snape.

— Ah, não, não obrigatoriamente — disse Hermione. — A gêmea de Parvati Patil está em Corvinal e elas são idênticas, a gente podia até pensar que fossem ficar juntas, não é mesmo?

- Mas elas são muito diferentes de personalidade - falou Neville.

- Sério? - disse Harry curioso.

- Aham - disse Neville.

Harry olhou para a mesa dos professores. Parecia haver mais lugares vazios do que habitualmente.

- Como? Já são poucos professores - disse Dorcas.

- O professor de DCAT ainda não tinha chegado - falou Ron.

Hagrid, é claro, ainda estava lutando para atravessar o lago com os alunos do primeiro ano, a Professora McGonagall provavelmente estava supervisionando a secagem do piso do saguão de entrada, mas havia ainda outra cadeira desocupada e ele não conseguia atinar quem mais estava faltando.

- Era o único que eu não conhecia, por isso não fez falta.

— Onde é que está o novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas? — perguntou Hermione, que também estava olhando para os professores.

Os garotos ainda não tinham tido nenhum professor de Defesa contra as Artes das Trevas que durasse mais de três trimestres.

- E só Remus era normal - falou Lily.

- Não sei o Remus é muito normal não, ruivinha - disse Sirius.

O favorito de Harry fora de longe o Professor Lupin,

- Obrigado Harry.

- Você é realmente um ótimo professor - disse Harry.

- Fico feliz de ter dado aula para você - falou Remus honestamente. Nunca tinha conseguido estar presente para Harry tanto quanto queria, mas pelo menos passara um ano em Hogwarts com ele.

que se demitira no ano anterior. Seu olhar percorreu a mesa dos professores. Decididamente não havia nenhuma cara nova.

- O único professor que muda em Hogwarts é o de DCAT. É meio entediante - disse Ginny.

— Quem sabe não conseguiram ninguém! — sugeriu Hermione, parecendo ansiosa.

- Não ficaria surpresa se isso realmente acontecesse - disse Lily.

- São vários anos mudando de professores - concordou Snape.

- Na verdade, Dumbledore suspeita que Voldemort lançou uma maldição no cargo - disse Harry.

- O quê? Por quê? - disse Regulus.

- Bem, Voldemort uma vez quis o cargo, mas ele não conseguiu. E desde então os professores tem mudado bastante - disse Harry.

- Não acredito que Voldemor quis ser professor - disse Lily horrorizada.

Harry examinou os ocupantes da mesa com mais atenção.

- Harry detetive prestes a entrar em ação.

O minúsculo Professor Flitwick, professor de Feitiços, estava sentado em uma alta pilha de almofadas ao lado da Professora Sprout, a mestra de Herbologia, usando um chapéu enviesado sobre os cabelos grisalhos e esvoaçantes.

Ginny sorriu, gostava bastante do professor.

Conversava com a Professora Sinistra, do Departamento de Astronomia.

- Ainda não sei o que ela está fazendo em Hogwarts - falou Hermione.

- Bem, você sabe - disse Harry.

Hermione só o olhou irritada.

Do outro lado de Sinistra estava o mestre de Poções, de rosto macilento, nariz de gancho e cabelos oleosos,

- Você realmente me odeia, não? - perguntou Snape.

- Desculpe.

Snape a pessoa de quem Harry menos gostava em Hogwarts.

- Até mais que Filch? - falou Ron espantado.

- Sim, só não menos que Umbridge - falou Harry.

- Ela era um horror - concordou Neville. Estava surpreso, mas entendia o amigo.

A repulsa de Harry por Snape só igualava o ódio que o professor sentia por ele,

- Uma relação admirável de professor e aluno - ironizou Lene.

um ódio que tinha, se é que isso era possível, se intensificado no ano anterior, quando o garoto ajudara Sirius a fugir bem debaixo do nariz exageradamente grande de Snape

Lily revirou os olhos. Aparentemente, era pedir demais que seu amigo e seu filho se dessem bem.

– ele e Sirius eram inimigos desde os tempos de escola.

- Não é como se eu não tivesse motivos para isso - Snape comentou. Sirius ia responder, mas achou melhor ficar calado.

Do outro lado de Snape, havia um lugar vago, que Harry achou que devia ser o da Professora McGonagall. Ao lado, e bem no centro da mesa, sentava-se o Professor Dumbledore, o diretor, seus cabelos e barbas prateados e ondulantes brilhando à luz das velas, suas magníficas vestes verde-escuras bordadas com luas e estrelas.

- Ele sempre tem uma aparência excêntrica - comentou Alice.

Dumbledore tinha as pontas dos dedos longos e finos e ele apoiava nelas o queixo, contemplando o teto através de oclinhos de meia-lua, como se estivesse perdido em pensamentos.

- Ele devia estar pensando no torneio - comentou Hermione.

- Não sei, é muito complicado de imaginar o que Dumbledore está pensando - falou Harry.

Harry olhou para o teto também. Era encantado para parecer o céu lá fora e nunca tivera um aspecto tão tempestuoso. Nuvens roxas e negras giravam por ele e quando se ouvia uma nova trovoada, corria um relâmpago pelo teto.

- Aposto que nessa hora queriam ter encantado o céu para parecer algo bonito - falou Dorcas.

— Ah, anda logo — gemeu Ron, ao lado de Harry. — Eu seria capaz de devorar um hipogrifo.

- Quando não - resmungou Hermione.

As palavras mal tinham saído de sua boca e as portas do Salão Principal se abriram e fez-se silêncio. A Professora Minerva encabeçava uma longa fila de alunos do primeiro ano até o centro do salão. Se Harry, Ron e Hermione estavam molhados, seu estado nem se comparava ao desses garotos. Eles pareciam ter feito a travessia do lago a nado em lugar de fazê-la de barco.

- Coitados - falou Regulus. Hogwarts devia ser mais preparada para que isso não acontecesse.

Todos estavam tomados por tremores, em que se misturavam o frio e o nervosismo, ao passarem pela mesa dos professores e pararem em fila diante do resto da escola – todos exceto o menorzinho, um menino com cabelos castanho-baços, que vinha embrulhado em um agasalho que Harry reconheceu ser o casaco de pele de toupeira de Hagrid.

Lily sorriu. Só Hagrid para ser gentil assim.

O casaco era tão grande que o garoto parecia coberto por um toldo escuro e peludo. Seu rosto miúdo aparecia por cima da gola, quase dolorosamente excitado. Quando ele se alinhou com os colegas aterrorizados, viu que Colin Creevey o olhava, ergueu os polegares e falou:

— Caí no lago! — Parecia decididamente encantado com o ocorrido.

- Dennis? - perguntou Ron.

Harry assentiu.

A Professora Minerva agora colocava um banquinho de três pernas diante dos novos alunos e, em cima, um chapéu de bruxo, extremamente velho, sujo e remendado.

- Ei, ele tem séculos! - defendeu Josh - E duvido que alguém limpe ele!

Os garotos arregalaram os olhos. E todo o resto da escola também.

- Isso foi um exagero, Harry.

- Okay, talvez um pouco.

Por um instante, fez-se silêncio. Em seguida, um rasgo junto à aba se escancarou como uma boca, e o chapéu começou a cantar:

Há mil anos ou pouco mais,

Eu era recém-feito,

Viviam quatro bruxos de fama,

Cujos nomes todos ainda conhecem:

O valente Gryffindor das charnecas,

A bonita Ravenclaw das ravinas,

A meiga Hufflepuff das planícies,

O astuto Slytherin dos brejais.

Compartilhavam um desejo, um sonho,

Uma esperança, um plano ousado

De juntos, educar jovens bruxos.

Assim começou a Escola de Hogwarts.

Cada um desses quatro fundadores

Formou sua própria casa, pois cada um

Valorizava várias virtudes

Nos jovens que pretendiam formar.

Para Gryffindor os valentes eram

Prezados acima de todo o resto;

Para Ravenclaw os mais inteligentes

Seriam sempre os superiores;

Para Hufflepuff os aplicados eram

Os merecedores de admissão;

E Slytherin, mais sedento de poder,

Amava aqueles de grande ambição.

Enquanto vivos eles separaram

Do conjunto os seus favoritos

Mas como selecionar os melhores,

Quando um dia tivessem partido?

Foi Gryffindor que encontrou a solução

Tirando-me da própria cabeça

Depois me dotaram de cérebro

Para que por eles eu pudesse escolher!

Coloque-me entre suas orelhas,

Até hoje ainda não me enganei.

Darei uma olhada em sua cabeça

E direi qual a casa do seu coração!

Os aplausos ecoaram pelo Salão Principal quando o Chapéu Seletor terminou.

- O Chapéu tem umas músicas legais - comentou Harry.

Regulus estava pensativo. Se o Chapéu nunca tinha se engando, então Harry realmente deveria estar na Sonserina? Que desperdício.

— Não foi essa a música que ele cantou quando fomos selecionados — disse Harry, fazendo coro aos aplausos gerais.

— Cada ano ele canta uma diferente — disse Ron.

- É, você nunca chega a tempo para ver as novas músicas, né? - falou James.

- Acontece - Harry deu de ombros.

— Deve ser uma vida bem chata, não é, a de um chapéu?

- Quem sabe? Talvez ele ache nossa vida chata - falou Lissy.

Vai ver ele passa o ano compondo a nova canção.

A Professora Minerva agora desenrolava um grande pergaminho.

— Quando eu chamar seu nome, ponha o Chapéu e se sente no banquinho — explicou ela aos alunos do primeiro ano. — Quando o chapéu anunciar sua casa, vá se sentar à mesa correspondente.

— Ackerley, Stuart!

Um menino se adiantou, tremendo visivelmente da cabeça aos pés,

- Ih, já não é Grifinória - falou James.

- É? Porque eu me lembro de vários grifinórios que estavam nervosos na hora - falou Lily.

apanhou o Chapéu, colocou-o e se sentou no banquinho.

— Corvinal! — anunciou o chapéu.

Stuart Ackerley tirou o chapéu e correu para uma cadeira à mesa de Corvinal, na qual todos o aplaudiam.

- Bom saber que eles são receptivos.

Harry viu, de relance, Cho,

- De relance, sei, tava é procurando por ela - comentou Sirius.

a apanhadora do time da Corvinal, aplaudindo Stuart Ackerley quando o garoto se sentou. Por um segundo fugaz, Harry teve um estranho desejo de se reunir à mesa da Corvinal também.

Ginny lançou um olhar assassino para Harry.

— Baddock, Malcolm!

— Sonserina!

A mesa do outro lado do salão prorrompeu em vivas.

- Os Sonserinos precisam cuidar do seus - falou Snape.

Harry viu Malfoy aplaudindo quando Baddock se juntou aos alunos de Sonserina. Harry se perguntou se Baddock saberia que a casa de Sonserina formara um número maior de bruxos das trevas do que qualquer outra.

- Harry!

- Desculpa, Regulus, eu não quis dizer isso... Foi só que Malfoy me irritou - disse Harry.

Fred e Jorge vaiaram Malcolm Baddock quando ele se sentou.

- Isso não foi nada legal - disse Alex, com uma cara feia para os gêmeos.

— Branstone, Eleanora!

— Lufa-Lufa!

— Cauldwell, Owen!

— Lufa-Lufa!

— Creevey, Deenis!

O miudinho Deenis Creevey adiantou-se com passos incertos, tropeçando no casaco de Hagrid, que nesta hora entrou discretamente no salão por uma porta atrás da mesa dos professores. Umas duas vezes mais alto do que um homem normal e pelo menos três vezes mais largo, Hagrid, com seus cabelos e barbas negros, longos, desgrenhados e embaraçados, parecia um tanto assustador – uma impressão enganosa, porque Harry, Ron e Hermione sabiam que o amigo possuía uma natureza muito bondosa.

- Ele é um fofo - concordou Lily.

Ele deu uma piscadela para os três garotos, ao se sentar à ponta da mesa dos professores e viu Deenis Creevey experimentar o Chapéu Seletor. O rasgo junto à aba se escancarou...

— Grifinória! — gritou o chapéu.

Harry, Ron e Hermione sorriram.

Hagrid aplaudiu com os demais alunos da Casa, quando Denis Creevey, abrindo um sorriso de lado a lado do rosto, tirou o chapéu, recolocou-o no banquinho e correu para se juntar ao irmão.

— Colin, eu caí na água! — disse ele com a voz aguda, atirando-se no assento de uma cadeira vazia. — Foi genial! E uma coisa na água me agarrou e me empurrou de volta pro barco!

— Legal! — disse Colin, no mesmo tom excitado.

- Como eles acham legal? - Snape perguntou incrédulo. Depois ninguém acreditava que grifinórios tinham problemas.

— Provavelmente foi a lula gigante, Deenis!

— Uau! — exclamou Deenis, como se ninguém, nem no sonho mais delirante, pudesse esperar coisa melhor do que ser atirado em um lago revolto e profundo e ser empurrado de volta por um gigantesco monstro marinho.

- Bem, é um jeito diferente de começar a escola - disse Frank num tom-de-eu-estou-tentando-entender.

— Deenis! Deenis! Está vendo aquele garoto lá? Aquele de cabelos pretos e óculos? Está vendo ele? Sabe quem é, Deenis?

- Imagino quem seja - falou Lene irônica.

Harry olhou para o outro lado, fixando toda a atenção no Chapéu Seletor, que agora selecionava Ema Dobbs.

- Boa Harry.

A seleção prosseguiu, garotos e garotas expressando no rosto variados graus de medo se adiantavam, um a um, até o banquinho de três pernas, e a fila foi diminuindo à medida que a Professora Minerva ultrapassava a letra "L".

— Ah, anda logo — gemeu Ron, massageando o estômago.

- Parece que você não comeu nada o mês todo - repreendeu Ginny.

— Ora, Ron, a seleção é muito mais importante do que a comida — disse Nearly Headless Nick, na hora em que "Madley, Laura!" tornava-se aluna da Lufa-Lufa.

— Claro que é, se a pessoa já está morta — retrucou Ron.

- Isso foi muito rude - falou Fred, sério.

— Espero que os selecionados para a Grifinória este ano estejam à altura do time — disse o fantasma, aplaudindo, quando "McDonald, Natália!" reuniu-se à mesa deles. — Não queremos interromper a nossa maré de vitórias, não é mesmo?

- Claro que não - concordou James ansiosamente.

Grifinória tinha ganhado o Campeonato Intercasas nos três últimos anos.

- Como sempre devia ser - falou James sonhador.

— Pritchard, Graham!

— Sonserina!

— Quirke, Orla!

— Corvinal!

E, finalmente, com "Whirby, Kevin!" (Lufa-Lufa) encerrou-se a seleção. A Professora Minerva apanhou o chapéu e o banquinho e levou-os embora.

— Já não era sem tempo — exclamou Ron, apanhando os talheres e olhando esperançoso para seu prato de ouro.

O Professor Dumbledore se levantara. Sorria para os estudantes, os braços abertos num gesto de boas-vindas.

Regulus quase revirou os olhos. Lindo esse ato, mas Dumbledore sempre favoreceu Grifinórios.

— Só tenho duas palavras para lhes dizer — começou ele, sua voz grave ecoando pelo salão. — Bom apetite!

— Apoiado! Apoiado! — disseram Harry e Ron em voz alta, enquanto as travessas vazias se enchiam magicamente diante dos seus olhos.

- Até você entrou nessa? - falou Lily, desapontada.

Nearly Headless Nick ficou observando tristemente Harry, Ron e Hermione encherem os pratos.

- Deve ser horrível não poder comer - disse Sirius.

— Aaah, agora sim! — disse Ron, com a boca cheia de purê de batatas.

— Vocês têm sorte de que haja uma festa esta noite, sabem — disse Nearly Headless Nick. — Hoje cedo tivemos problemas na cozinha.

— Por quê? O que aconteceu? — perguntou Harry com a boca cheia de carne.

- Harry Potter! - Lily repreendeu.

— Peeves, é claro — disse Nick sacudindo a cabeça, que se desequilibrou perigosamente. O fantasma puxou mais para cima um rufo da gola. — A história de sempre, sabem. Ele queria vir à festa,

- Não sei porque ele faz tanta questão disso, ele já tem o resto do ano para conhecer os alunos - disse Lene.

bom, isto está fora de questão, vocês sabem como ele é, absolutamente selvagem, não pode ver um prato de comida sem querer atirá-lo longe. Reunimos um conselho de fantasmas, frei Gorducho foi a favor de dar uma chance a Peeves, mas muito prudentemente, na minha opinião, o Bloody Baron fez pé firme.

O Bloody Baron era o fantasma da Sonserina, um espectro extremamente magro e silencioso, coberto de manchas de sangue prateado. Era a única pessoa de Hogwarts que conseguia realmente controlar Peeves.

- Ele bem que podia dar algumas dicas - disse Harry.

— É, achamos que Peeves estava invocado com alguma coisa

- Quando não? - resmungou Alice.

— disse Ron sombriamente. — Então, que foi que ele aprontou na cozinha?

— Ah, o de sempre — respondeu Nearly Headless Nick, sacudindo os ombros — causou prejuízos e confusão. Tachos e panelas por toda parte. Sopa para todo lado. Deixou os elfos domésticos loucos de terror...

Hermione fez uma carreta. Isso não era justo. Até os fantasmas perturbavam os elfos.

Blém.

Hermione derrubara sua taça de vinho. O suco de abóbora escorreu pela mesa, manchando de laranja mais de um metro de linho branco, mas nem se importou.

- O que foi? - perguntou Lene, não entendendo nem um pouco o que poderia causar uma altitude dessas.

- Eu tinha acabado de descobrir algo horrível.

— Tem elfos domésticos aqui? — perguntou, encarando Nearly Headless Nick com uma expressão de horror. — Aqui em Hogwarts?

- Como você achava que a comida surge e as coisas são limpas? - perguntou Regulus, chocado.

- Eu não sei, magia? - falou Hermione irônica - Há vários meios que não precisam de escravidão!

Snape revirou os olhos.

— Claro que sim — disse o fantasma, parecendo surpreso com a reação da garota.

Até o fantasma acha que Granger é idiota, pensou Regulus.

— O maior número que existe em uma habitação na Grã-Bretanha, acho. Mais de cem.

- Agora que Hermione morre de vez - falou Sirius.

- Nem me fale, isso atrapalhou o resto do nosso ano - falou Ron.

— Eu nunca vi nenhum! — exclamou Hermione.

— Bom, eles raramente deixam a cozinha durante o dia, não é? Saem à noite para fazer limpeza... Abastecer as lareiras e coisas assim... Quero dizer, não é esperado que fiquem à vista. Essa é a marca de um bom elfo doméstico, não é, que não se saiba que ele existe.

- Dizem algo parecido sobre garçons - falou Lene, pensativa.

Hermione ficou olhando o fantasma.

— Mas eles recebem salário? — perguntou ela. — Têm férias, não têm?

Férias? O que faríamos se os elfos tirassem férias, pensou Regulus. Ele sentiria falta do amigo.

Licença médica, aposentadoria e todo o resto?

Nearly Headless Nick deu gargalhadas tão gostosas que sua gola de tufos escorregou,

- Você pensa de uma maneira muito diferente da maioria dos bruxos - falou James gentilmente.

e a cabeça despencou para o lado e ficou balançando nos poucos centímetros de pele e músculo fantasmais que ainda a ligavam ao pescoço.

- Nojento - falou Alice.

— Licença para tratamento médico e aposentadoria? — repetiu ele, puxando a cabeça de volta aos ombros e prendendo-a mais uma vez com a gola. — Elfos domésticos não querem licenças nem aposentadorias.

- Para ser justo, eles realmente não querem - falou Ron. Hermione quase o assassinou com o olhar.

Hermione olhou para o prato de comida em que mal tocara, juntou os talheres e afastou-o.

- Agora você vai morrer de fome? - falou Frank. Isso não ia funcionar.

— Ora, vamos, Mione — disse Ron, cuspindo, sem querer, fragmentos de pudim de carne em Harry. — Opa... Desculpe, Harry...

A maioria das pessoas tentaram não fazerem caretas, mas não conseguiram.

— E engoliu. — Você não vai arranjar licenças para eles deixando de comer!

- Ron está certo - falou Frank.

— Trabalho escravo — disse a garota, respirando com força pelo nariz. — Foi isso que preparou este jantar. Trabalho escravo.

E recusou-se a continuar comendo.

- Eu sinto muito orgulho de você, Mione. Você lutou pelo que acreditava - falou Ginny.

Regulus revirou os olhos. Grifinórios.

A chuva ainda batucava com força nas janelas altas e escuras. Mais uma trovoada sacudiu as vidraças e o céu tempestuoso relampejou, iluminando os pratos de ouro quando os restos do primeiro prato desapareceram e foram substituídos instantaneamente por sobremesas.

- É ainda melhor - falou Sirius sonhador. Remus concordou, claro, tinha chocolate.

— Torta de caramelo, Mione! — exclamou Ron, abanando intencionalmente o cheiro da sobremesa para os lados da amiga. — Pudim de groselhas, olha! Bolo de chocolate recheado!

Mas Hermione lhe lançou um olhar tão parecido com o que a Professora Minerva costumava dar que o garoto desistiu.

- Você praticou com ela?

- Não conscientemente.

Quando as sobremesas também tinham sido destruídas, e as últimas migalhas desaparecidas dos pratos, deixando-os limpos e brilhantes, Albus Dumbledore tornou a se levantar. O burburinho das conversas que enchiam o salão cessou quase imediatamente, de modo que somente se ouviam o uivo do vento e o batuque da chuva.

- Isso é realmente impressionante - falou Josh.

— Então! — exclamou Dumbledore, sorrindo para todos. — Agora que já comemos e molhamos também a garganta ("Hum!", fez Hermione),

- Não comeu porque não quis.

- Porque é trabalho escravo!

preciso mais uma vez pedir sua atenção, para alguns avisos. O Sr. Filch, o zelador, me pediu para avisá-los de que a lista dos objetos proibidos no interior do castelo este ano cresceu, passando a incluir ioiôs berrantes, Frisbees dentados e Bumerangues de repetição. A lista inteira tem uns quatrocentos e trinta e sete itens, creio eu, e pode ser examinada na sala do Sr. Filch, se alguém quiser lê-la.

Fred e George sorriram. Ah, eles já tinham lido a lista. Só para usarem todos os objetos que puderam.

Os cantos da boca de Dumbledore tremeram ligeiramente.

- Nem Dumbledore leva isso a sério.

Ele continuou:

— Como sempre, eu gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos,

- Mas não para detenções, claro - falou Regulus irônico, fazendo Harry, Lene, Dorcas e Sirius rirem.

e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram à terceira série.

- Esses bebês - implicou Sirius.

— Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.

- O quê? - James praticamente gritou - Você não pode fazer isso! É uma tradição, é uma vida... Seu idiota..

- Ele fez - falou Harry, fazendo James continuar a xingar Dumbledore, piorando cada vez mais os insultos - Mas ele tinha uma razão - disse, embora a razão fosse meio louca. Sério, que inventou todo aquele torneio infernal?

— Quê? — exclamou Harry.

Ele olhou para Fred e George, seus companheiros no time de Quadribol.

- Sofremos tanto quanto você, Harry - falaram juntos.

Xingaram Dumbledore em silêncio, aparentemente espantados demais para falar.

- Essa foi a primeira vez - falou Ginny.

- E última.

Dumbledore continuou:

— Isto se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente.

- Não mais que a Copa - resmungou James, na mesma hora que Remus perguntava qual evento.

Tenho o grande prazer de anunciar que este ano em Hogwarts...

Mas neste momento, ouviu-se uma trovoada ensurdecedora e as portas do Salão Principal se escancararam.

Apareceu um homem parado à porta, apoiado em um longo cajado e coberto por uma capa de viagem preta. Todas as cabeças no Salão Principal se viraram para o estranho, repentinamente iluminado por um relâmpago que cortou o teto.

- O dia só fica melhor não? - ironizou Alice.

Ele baixou o capuz, sacudiu uma longa juba de cabelos grisalhos ainda escuros e começou a caminhar em direção à mesa dos professores.

- DCAT? - Lily adivinhou. Harry assentiu.

Um ruído metálico e abafado ecoava pelo salão a cada passo que ele dava. Quando alcançou a ponta da mesa, virou à direita e mancou pesadamente até Dumbledore.

Mais um relâmpago cruzou o teto. Hermione prendeu a respiração. O relâmpago revelou nitidamente as feições do homem e seu rosto era diferente de qualquer outro que Harry já vira.

- Como assim? - falou Lene curiosa. Porque, sério, depois de um tempo todo mundo começava a se parecer se você prestasse atenção.

Parecia ter sido talhado em madeira exposta ao tempo, por alguém que tinha uma vaguíssima ideia do aspecto que um rosto humano deveria ter, e não fora muito habilidoso com o formão.

- Harry, você não é nada gentil.

- Não fui eu que escrevi!

Cada centímetro da pele do estranho parecia ter cicatrizes.

- Certo... Isso é meio... ahn... assustador - falou Dorcas.

A boca lembrava um rasgo diagonal e faltava um bom pedaço do nariz. Mas eram os seus olhos que o tornavam assustador.

- O quê?

Um deles era miúdo, escuro e penetrante. O outro era grande, redondo como uma moeda e azul elétrico vivo. O olho azul se movia continuamente sem piscar, e revirava para cima, para baixo, e de um lado para o outro, independentemente do olho normal, depois virava de trás para diante, apontando para o interior da cabeça do homem, de modo que só o que as pessoas viam era o branco da córnea.

- O que aconteceu com ele? - perguntou Lily, espantada.

- Guerra - falou Harry simplesmente.

O estranho chegou-se a Dumbledore. Estendeu a mão direita, que era tão cheia de cicatrizes quanto o rosto, e o diretor a apertou,

Ele fez isso só para mostrar a todos que Dumbledore confiava nele, pensou Harry, enjoado.

murmurando palavras que Harry não pôde ouvir. Parecia estar fazendo perguntas ao estranho, que abanava negativamente a cabeça, sem sorrir, e respondia em voz baixa.

Ron achava que a imitação tinha sido bem feita; o real Moody quase não sorria.

Dumbledore assentiu com a cabeça e indicou ao homem o lugar vazio à sua direita.

- Dumbledore devia saber que ele teria dificuldades de acomodações - falou Lily.

- Eles eram amigos - falou Harry.

O estranho se sentou, sacudiu a juba grisalha para afastá-la do rosto, puxou um prato de salsichas para si, levou-o ao que restara do nariz e cheirou-o.

Tirou então uma faquinha do bolso, espetou a salsicha e começou a comer.

Seu olho normal fixava as salsichas, mas o olho azul continuava a dar voltas na órbita registrando o salão e os estudantes.

- Nada passa despercebido - falou Ron.

— Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas — disse Dumbledore, animado, em meio ao silêncio. — Professor Moody.

- Pelo menos ele enfrentou algo na vida dele. Claramente - falou Remus, tentando se animar.

- Para ser sincero, foi um ano que ainda conseguimos aprender - falou Harry hesitante. Não queria elogiar o louco do Barty Crouch Jr. mas era verdade.

Era normal os novos membros do corpo docente serem recebidos com aplausos, mas nem os colegas nem os estudantes bateram palmas, exceto Dumbledore e Hagrid.

- Vocês deviam ter feito algo - falou Lily desapontada.

- Estávamos chocados, como todos.

Os dois juntaram as mãos e bateram palmas, mas o som ecoou tristemente no silêncio e eles bem depressa pararam. Todos pareciam demasiado hipnotizados pela aparência grotesca de Moody para ter qualquer reação exceto encarar o homem.

Ele deve ter sido bem horrível mesmo, se conseguiu chocar os Sonserinos, pensou Regulus.

— Moody? — murmurou Harry para Ron. — Olho-Tonto Moody? O que o seu pai foi ajudar hoje de manhã?

- Ele deve ser gente boa, então, se Dumbledore e Arthur gostam dele... - falou Sirius simplesmente. Ele não era de julgar pela aparência.

— Deve ser — disse Ron baixo, em tom de assombro.

— Que aconteceu com ele? — cochichou Hermione. — Que aconteceu com a cara dele?

— Não sei — cochichou Ron em resposta, mirando Moody, fascinado.

- RON!

- Desculpa, desculpa... eu só estava processando.

Moody parecia totalmente indiferente à recepção quase fria que tivera.

- Ele está acostumado, não? - falou Alice.

Ignorando a jarra de suco de abóbora à sua frente,

- Quem faz isso? - Lene perguntou dramaticamente.

o homem tornou a enfiar a mão no interior da capa, puxou um frasco de bolso e bebeu um longo gole. Quando levantou o braço para beber, sua capa se elevou alguns centímetros do chão e Harry viu, por baixo da mesa, um bom pedaço de uma perna de pau,

- Pobre homem - falou Alex. Imagina a dor de perder a perna?

que terminava em um pé com garras.

- Você realmente gosta de observar as pessoas - disse Frank.

- Eu não tinha nada melhor para fazer - Harry deu de ombros.

Dumbledore pigarreou outra vez.

— Como eu ia dizendo — recomeçou ele, sorrindo para o mar de alunos à sua frente, todos ainda mirando Mad-Eye Moody, paralisados — teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses, um evento que não é realizado há um século.

- Não venha com esse absurdo para cima de mim - resmungou James - Você cortou a melhor parte da escola.

Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.

Frank, Regulus e Snape trocaram olhares, preocupados. Eles sabiam a história do Torneio, sabiam que era perigoso. E com a sorte de Harry...

— O senhor está BRINCANDO! — exclamou em voz alta Fred Weasley.

- Como você já sabia o que era? - falou Ginny curiosa.

- Um bom jornalista nunca revela suas fontes - disse Fred.

- Mas você nem é jornalista.

- Isso não importa.

A tensão que invadira o salão desde a chegada de Moody repentinamente se desfez. Quase todos riram e Dumbledore deu risadinhas de prazer.

- Tá vendo, sou ótimo para animar o clima - disse Fred.

- Disso ninguém dúvida - falou Lily.

— Não estou brincando, Sr. Weasley — disse ele — embora, agora que o senhor menciona, ouvi uma excelente piada durante o verão sobre um trasgo, uma bruxa má e um Leprechaun que entram num bar...

- Dumbledore estás prestes a contar uma piada para todos estudantes? - falou Snape, incrédulo. O diretor nunca faria algo assim no tempos deles. Talvez seja a idade.

A Professora Minerva pigarreou alto.

— Hum... Mas talvez não seja hora...

- Minnie é muito estraga prazeres - falou James, desapontado. Ele queria saber o final da piada.

- Não se preocupe, James, eu conheço várias piadas - disse Sirius, com um sorriso maroto, sabendo o que o amigo estava pensando.

Não... Onde é mesmo que eu estava? Ah, sim, no Torneio Tribruxo... Bom, alguns de vocês talvez não saibam o que é esse torneio, de modo que espero que aqueles que já sabem me perdoem por dar uma breve explicação, e deixem sua atenção vagar livremente.

- Só falta colocar um alerta para quando for interessante ouvir novamente - falou Josh.

"O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria – Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang.

- Um pouco antigo - falou Ginny.

- Mas claro que Hogwarts é a melhor escolha - falou Alex.

- Não sei, a Beauxbatons parece ser legal - falou Lissy.

- Nem comece - disse Josh.

Um campeão era eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas.

- Pode dar empate? - Regulus perguntou. Se cada campeão ganhasse uma tarefa...

- Não, porque não é como se cada tarefa valesse um. Em cada tarefa, tem primeiro colocado, segundo e terceiro - explicou Hermione.

As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades,

- É realmente interessante - falou Harry - Sempre achei esquisito que o mundo mágico da Inglaterra parece não interagir muito com os outros países.

até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido.

— Taxa de mortalidade? — sussurrou Hermione, parecendo assustada.

- Claro, era uma atividade que ocorria na escola e podia causar morte! - falou Hermione.

- Ela tem noção que sempre corremos perigo de vida dentro de Hogwarts, certo? - perguntou Ron inseguro para Harry.

- Honestamente, não sei.

Mas, aparentemente, sua ansiedade não foi compartilhada pela maioria dos alunos no salão, muitos murmuravam entre si, excitados,

- Parece que o fato de ser mortal tornou as coisas só mais atraentes - falou Ginny.

e o próprio Harry estava bem mais interessado em saber mais sobre o torneio do que em se preocupar com o que acontecera centenas de anos atrás.

- Se você quer saber mais sobre o torneio, você deveria saber mais sobre a história dele - falou Regulus - Aposto que o modelo do passado é parecido com o novo.

- É sim, as provas foram parecidas - falou Fred. Ele teria explicado isso a Harry quando ele estava no Torneio, mas só percebera mais tarde.

— Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio — continuou Dumbledore — nenhuma das quais foi bem-sucedida.

- Dumbledore sabe fazer um discurso positivo - falou Lene.

No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão

- Para que trabalhar em parar a escravidão quando tem um torneio - resmungou Hermione.

para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal.

- Falharam epicamente - falou Neville para Harry.

— Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas em outubro e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas.

- Imagino como deve ter sido a pré-seleção em cada escola - falou Frank curioso.

- Ah! Eu sei... - falou Hermione e explicou o que Krum tinha a contado.

Um juiz imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo,

Harry revirou os olhos.

a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.

— Estou nessa! — sibilou Fred Weasley para os colegas de mesa,

Fred sorriu. Mesmo não tendo entrado no sorteio, conseguira o prêmio, que era o que queria para começar a sua loja.

o rosto iluminado de entusiasmo ante a perspectiva de tal glória e riqueza.

- Estou estava vendo meu futuro, Harryzinho - falou Fred.

Aparentemente ele não era o único que estava se vendo como campeão de Hogwarts.

- Aposto que metade dos estudantes estão assim - falou Lene.

- Talvez mais - falou Dorcas.

Em cada mesa Harry viu gente olhando arrebatada para Dumbledore ou então cochichando ardentemente com os vizinhos. Mas, então, Dumbledore recomeçou a falar, e o salão se aquietou.

— Ansiosos como eu sei que estarão para ganhar a Taça para Hogwarts

- Mas para si - falou Lily.

- Vamos lá, Lily, eu sei que você entraria se pudesse - disse James.

Lily mordeu o lábio. A verdade é que ela entraria mesmo.

— disse ele — os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor este ano uma restrição à idade dos contendores. Somente os alunos que forem maiores, isto é, tiverem mais de dezessete anos, terão permissão de apresentar seus nomes à seleção.

Lily suspirou aliviada. Finalmente algo perigoso que não iria envolver Harry.

Isto — Dumbledore elevou ligeiramente a voz, pois várias pessoas haviam protestado indignadas ao ouvir suas palavras, e os gêmeos Weasley, de repente, pareciam furiosos

Grifinórios mudam de ideia tão rapidamente, pensou Regulus.

— é uma medida que julgamos necessária, pois as tarefas do torneio continuarão a ser difíceis e perigosas, por mais precauções que tomemos, e é muito pouco provável que os alunos abaixo da sexta e sétima séries sejam capazes de dar conta delas.

Hermione e Ron sorriram orgulhosos para Harry.

Cuidarei pessoalmente para que nenhum aluno menor de idade engane o nosso juiz imparcial e seja escolhido campeão de Hogwarts.

- É, bem, parece que ele não conseguiu - falou Neville para Ginny.

— Seus olhos azul-claros cintilaram ao perpassar os rostos rebelados de Fred e George.

- Eu sei que teríamos sidos bom no torneio se tivéssemos a chance - falou George.

— Portanto peço que não percam tempo apresentando suas candidaturas se ainda não tiverem completado dezessete anos.

- Como se isso fosse parar algumas pessoas - falou Lily, olhando para os gêmeos. Eles eram muitos parecidos com Marotos para isso.

— As delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo.

- Isso é muito legal - falou Alice empolgada - Queria conhecer estrangeiros.

Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco, e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido.

Harry sorriu ironicamente, fazendo Ginny lançar um olhar preocupado para ele.

E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!

- Como se alguém fosse conseguir dormir logo depois de uma novidade dessas - falou Sirius.

Dumbledore tornou a se sentar e virou-se para falar com Mad-Eye Moody. Ouviu-se um estardalhaço de cadeiras batendo e se arrastando quando os alunos se levantaram para sair como um enxame em direção às portas de entrada do Salão Principal.

- A ordem acabou - falou Hermione.

— Não podem fazer isso com a gente! — reclamou George Weasley, que não se reunira aos colegas que se dirigiam às portas, mas continuara parado olhando de cara emburrada para Dumbledore. — Vamos fazer dezessete anos em abril, por que não podemos tentar?

- É uma pena mesmo - falou Lene, sabendo o quanto ela ficaria irritada se acontecesse com ela.

— Não vão me impedir de me inscrever — disse Fred, teimoso, também amarrando a cara para a mesa principal. — Os campeões vão fazer todo o tipo de coisa que normalmente nunca podemos fazer.

- É, bem divertido - ironizou Harry.

E mil galeões de prêmio!

— É — disse Ron, um olhar distante no rosto. — É, mil galeões...

James olhou curioso para Ron. Obviamente, ele sabia que essa era uma quantidade boa de dinheiro, mas ele não sentia isso.

— Vamos — disse Hermione — vamos ser os únicos a ficar aqui se vocês não se mexerem.

Harry, Ron, Hermione, Fred e George saíram para o saguão de entrada, os gêmeos discutindo as maneiras pelas quais Dumbledore poderia impedir os menores de dezessete anos de se inscreverem no torneio.

- Foi bem original - admitiu Neville.

- O que ele fez? - perguntou Sirius, curioso.

- Vocês vão ver - falou Harry.

— Quem é esse juiz imparcial que vai decidir quem são os campeões? — perguntou Harry.

— Sei lá — disse Fred — mas é ele a quem temos de enganar. Acho que umas gotas de Poção para Envelhecer talvez resolvam, Jorge...

- Ele não teria um registro dos estudantes? - falou Frank.

— Mas Dumbledore sabe que vocês são menores — ponderou Ron.

— É, mas não é ele que decide quem é o campeão, é? — perguntou Fred, astutamente.

- Mas ele pode falar para o juiz - disse Regulus.

— Estou achando que quando esse juiz souber quem quer entrar, ele vai escolher o melhor de cada escola, sem se importar com a idade do campeão.

- Ninguém é louco de ir contra Dumbledore publicamente - disse Snape.

Dumbledore está tentando impedir a gente de se inscrever.

- Claro.

— Mas teve pessoas que morreram! — disse Hermione com a voz preocupada, enquanto passavam por uma porta escondida atrás de uma tapeçaria para subir outra escada ainda mais estreita.

- Odeio isso - falou Lissy.

— É — disse Fred levianamente — mas isso foi há muitos anos, não é? Em todo o caso, onde é que está a graça se não houver um pouco de risco?

- Isso é mais que um pouco.

Ei, Ron, e se descobrirmos como contornar Dumbledore? Já imaginou a gente se inscrevendo?

— Que é que você acha? — perguntou Ron a Harry. — Seria legal, não seria? Mas suponha que eles queiram alguém mais velho?... Não sei se já aprendemos o suficiente...

- Não, vocês só enfrentaram Voldemort no corpo de outra pessoa, um basilisco e dementadores - falou Lene irônica.

- A maioria disso foi Harry - apontou Ron.

- Ainda assim, vocês o ajudaram - falou Dorcas.

— Eu decididamente não aprendi — ouviu-se a voz tristonha de Neville às costas de Fred e George.

- Aprendeu sim, você só precisa de mais confiança - falou Harry.

— Mas imagino que a minha avó vai querer que eu experimente, ela está sempre falando que eu devia lutar pela honra da família. Eu terei que... Opa...

- Neville Longbottom, me escute atentamente. Você nunca, nunca, terá que fazer algo para honrar nossa família - falou Frank sério - Eu sei que mamãe pode ser difícil, mas você me traz orgulho desde que nasceu. Só de ser quem é. Eu não poderia pedir para você fazer mais nada - disse.

- Obrigado pai - disse Neville.

- Eu não quero que você faça nada porque se sente pressionado. Quero que faça o que escolher fazer - disse Frank.

O pé de Neville afundara direto por um degrau no meio da escada. Havia muitos desses degraus bichados em Hogwarts, já era uma segunda natureza na maioria dos alunos antigos saltar esse determinado degrau, mas a memória de Neville era notoriamente fraca.

- Eu sou ruim com direções - admitiu.

Harry e Ron o agarraram pelas axilas e o puxaram para cima,

- Obrigado.

- Nada, Neville.

enquanto uma armadura no alto das escadas rangia e retinia, rindo-se asmaticamente.

- Não tem o que fazer ela - resmungou Ron.

— Quieta aí — disse Ron, baixando o visor da armadura com estrépito, ao passarem.

Os garotos se dirigiram à entrada da Torre da Grifinória, que ficava escondida atrás de uma grande pintura a óleo de uma mulher gorda com um vestido de seda rosa.

— Senha? — perguntou ela quando os garotos se aproximaram.

Asnice — disse George — um monitor me informou lá embaixo.

- Eu sou a salvação desse grupo, podem dizer - falou George.

- Claro...

O retrato girou para frente, expondo um buraco na parede, pelo qual todos passaram. Um fogo crepitante aquecia a sala comunal circular, mobiliada com fofas poltronas e mesas.

- Nada como chegar em casa - disse Sirius, fazendo Regulus o olhar magoado.

Hermione lançou às chamas dançantes um olhar mal-humorado e Harry a ouviu dizer distintamente "trabalho escravo!", antes de dar boa-noite aos amigos e desaparecer pelo portal que dava acesso ao dormitório das meninas.

- Sinto que isso não acabou por aí - falou Frank.

- De jeito nenhum.

Harry, Ron e Neville subiram a última escada em espiral para chegar ao próprio dormitório, que ficava situado no alto da Torre. As camas de colunas com cortinados vermelho escuro estavam encostadas às paredes, cada uma com o malão do dono aos pés. Dean e Simas já estavam se deitando, Simas pregara sua roseta da Irlanda na cabeceira da cama e Dino afixara um pôster de Vítor Krum em cima da mesa-de-cabeceira. Seu velho pôster do time de futebol de West Ham estava pendurado ao lado do novo.

- Um pouco fanático - disse Snape.

— Biruta — suspirou Ron, sacudindo a cabeça para os jogadores de futebol completamente imóveis.

Snape e Ron se olharam estranhamente.

Harry, Ron e Neville vestiram os pijamas e se enfiaram em suas camas.

Alice sorriu. Era isso que ela queria para o seu filho: amigos bons.

Alguém – um elfo doméstico,com certeza

Hermione resmungou.

– colocara esquentadores entre os lençóis. Era extremamente confortável, ficar ali deitado na cama escutando a tempestade rugir lá fora.

- Só você acha confortável ouvir a tempestade.

— Eu tentaria, sabe — disse Rony, sonolento, no escuro — se Fred e George descobrirem como... O torneio... Nunca se sabe, não é?

— Imagino que não...

Harry se virou na cama, uma série de imagens novas e fascinantes se formando em sua cabeça... Ele enganara o juiz imparcial fazendo-o acreditar que tinha dezessete anos... Tornara-se campeão de Hogwarts...

- Então você pensou em entrar!

- Mas foi só por um segundo - falou Ron.

Estava em pé nos jardins, os braços erguidos em triunfo diante de toda a escola, que o aplaudia e gritava... Ele acabara de ganhar o Torneio Tribruxo... O rosto de Cho se destacava claramente na multidão difusa, o rosto radioso de admiração...

- Claro - ironizou Ginny.

James sorriu para o filho.

Harry sorriu para o travesseiro, excepcionalmente contente de que Rony não pudesse ver o que ele via.

- É, imagina se ele soubesse disso, né? - falou Ron.

- Péssimo - resmungou Harry.