Roberta vitoria: Obrigada pelo comentário! Sempre demoro, mas posto. Espero que goste!
O Cálice de Fogo - Parte II
Como o dia seguinte era sábado, normalmente a maioria dos estudantes teria tomado o café da manhã mais tarde.
- Temos que aproveitar a pouca liberdade.
Harry, Ron e Hermione, porém, não foram os únicos a se levantarem muito mais cedo do que costumavam nos fins de semana.
- Espero que tenha um bom motivo - falou Sirius.
- O torneio - lembrou Remus.
- Ah, sim.
Quando desceram para o saguão, viram umas vinte pessoas andando por ali, alguns comendo torrada, todos examinando o Cálice de Fogo. A peça fora colocada no centro do saguão sobre o banquinho que era usado para o Chapéu Seletor. Uma fina linha dourada fora traçada no chão, formando um círculo de uns três metros de raio.
— Alguém já depositou o nome? — perguntou Ron, ansioso, a uma aluna do terceiro ano.
— Todo o pessoal da Durmstrang — respondeu ela.
- Faz sentido, eles viajaram só para isso.
— Mas ainda não vi ninguém de Hogwarts.
— Aposto como tem gente que depositou ontem à noite depois que fomos todos dormir — disse Harry.
- Só para caso de não ser escolhido - falou Harry.
— Eu teria feito isso se fosse eles... Não iria querer ninguém me olhando. E se o cálice cuspisse o meu nome de volta na hora?
- Seria uma humilhação incrível - disse Josh.
- Mas eu acho que isso só aconteceria com alguém com menos de 17 anos - falou Lene.
Alguém riu às costas de Harry. Ao se virar, ele viu Fred, George e Lee Jordan correndo escada abaixo, os três parecendo excitadíssimos.
- Coisa boa não estão aprontando - falou Lily, que era acostumada demais com os Marotos.
- Somos anjinhos - falou Fred, ofendido.
— Resolvido — disse Fred num cochicho vitorioso a Harry, Ron e Hermione. — Acabamos de tomá-la.
— Quê? — exclamou Ron.
— A Poção para Envelhecer, cabeça-de-bagre — disse Fred.
- Isso não vai funcionar - disse Frank - Vocês realmente acharam que iam conseguir?
— Uma gota cada um — acrescentou George, esfregando as mãos de alegria. — Só precisamos envelhecer alguns meses.
George estremeceu. Ele estava muito feliz que não tinha conseguido se inscrever, afinal. Não sabia se conseguiria sobreviver tudo que Harry tinha passado.
— Vamos dividir os mil galeões entre os três se um de nós vencer — disse Lee, com um largo sorriso.
Snape revirou os olhos. Tão grifinório isso: uma pessoa faria tudo e os outros dois só assistiriam, mesmo assim dividiriam o dinheiro.
— Não tenho muita certeza de que isso vai dar certo — disse Hermione em tom de aviso. — Tenho certeza de que Dumbledore terá pensado nessa possibilidade.
- Finalmente alguém que pensa - falou Frank.
- Valia a pena tenta - disse Fred, dando de ombros.
Fred, George e Lee não lhe deram atenção.
- Eles nunca deram mesmo.
- Qual é, Mione, te ouvimos. É só que você é certinha demais - falou George.
- Não sou! - disse ela.
- É sim - disse Ron, rindo.
— Pronto? — perguntou Fred aos outros dois, tremendo de excitação. — Vamos então, eu vou primeiro...
Harry observou, fascinado, quando Fred tirou do bolso um pedaço de pergaminho com as palavras "Fred Weasley – Hogwarts".
O garoto foi direto à linha e parou ali, balançando-se nas pontas dos pés como um mergulhador se preparando para um salto de quinze metros. Depois, acompanhado pelo olhar de todos que estavam no saguão, ele respirou fundo e atravessou a linha.
Por uma fração de segundo, Harry achou que a coisa dera certo – George certamente pensara o mesmo, porque soltou um berro de triunfo e correu atrás de Fred – mas no momento seguinte, ouviram um chiado forte e os gêmeos foram arremessados para fora do círculo dourado, como bolas de golfe.
Isso que dá ser tão impulsivo, pensou Regulus.
- Foi bom enquanto durou - falou Sirius, entre risadas.
- Foi uma humilhação total - falou George, mas não pareceu envergonhando nem com as risadas de todos.
Eles aterrissaram dolorosamente, a dez metros de distância no frio chão de pedra e, para piorar a situação, ouviram um forte estalo e brotaram nos dois longas barbas brancas e idênticas.
- É quem... eu... ar.. acho que é? - estava difícil para James falar de tanto rir.
O saguão de entrada ecoou de risadas. Até Fred e George riram depois de se levantar e dar uma boa olhada nas barbas um do outro.
- Não ia adiantar de nada ficar irritado - falou George.
- E foi engraçado mesmo - disse Fred.
— Eu avisei a vocês — disse uma voz grave e risonha, ao que todos se viraram e deram com o Professor Dumbledore saindo do Salão Principal. Ele examinou Fred e George, com os olhos cintilando. — Sugiro que os dois procurem Madame Pomfrey. Ela já está cuidando da Srta. Fawcett da Corvinal e do Sr. Summers da Lufa-Lufa, que também resolveram envelhecer um pouquinho. Embora eu deva dizer que as barbas deles não são tão bonitas quanto as suas.
- Dumbledore deu um jeito de anunciar para todos quem tentou fazer isso também - falou Remus, impressionado.
Fred e George seguiram para a ala hospitalar acompanhados por Lee, que rolava de rir, e Harry, Ron e Hermione, também às gargalhadas, foram tomar o café da manhã.
- É um prazer servir de entretenimento - disse George.
A decoração no Salão Principal estava mudada essa manhã.
- Ah, já achei que era só para os estrangeiros.
Como era o Dia das Bruxas, uma nuvem de morcegos vivos esvoaçava pelo teto encantado, enquanto centenas de abóboras esculpidas riam-se em cada canto. Harry, à frente dos três, foi até Dean e Seamus, que discutiam quais alunos de Hogwarts com dezessete anos ou mais estariam se inscrevendo.
- Será que meu filho finalmente vai ser socialmente? - perguntou James, falsamente emocionado.
— Corre um boato que Warrington se levantou cedo e depositou o nome no cálice — disse Dean a Harry. — Aquele grandalhão da Sonserina que parece uma preguiça.
- É, porque todos sabemos como os boatos de Hogwarts são confiáveis - disse Lene.
Harry, que jogara Quadribol contra Warrington, sacudiu a cabeça, desgostoso.
— Não podemos ter um campeão da Sonserina!
Regulus olhou magoado para Harry, que baixou a cabeça, envergonhado.
— E todo o pessoal da Lufa-Lufa está falando em Diggory — disse Seamus com desprezo.
- A Lufa-Lufa acertou em cheio - falou Ginny para Ron.
— Eu não teria imaginado que ele fosse querer arriscar aquele belo físico.
- Ele já arrisca jogando Quadribol - resmungou Hermione.
- É muito diferente! - protestou Ron.
— Escutem! — disse Hermione de repente.
As pessoas estavam aplaudindo no saguão de entrada. Todos se viraram nas cadeiras e viram Angelina Johnson entrando no salão, sorrindo meio encabulada. Uma garota alta, que jogava como artilheira no time de Quadribol da Grifinória,
- Ela daria uma excelente campeã - comentou James.
- Daria mesmo - falou Harry sincero. Angelina conseguiria passar das tarefas, sem dúvidas.
Angelina se aproximou dos colegas, sentou-se e disse:
— Bom, está feito! Depositei o meu nome!
— Você está brincando! — disse Ron, parecendo impressionado.
— Então você já fez dezessete? — perguntou Harry.
- Não sabe a ideia da sua própria companheira? - perguntou James, desapontado.
- Nem todo tem cadernos e planilhas sobre tudo relacionado a Quadribol, James - disse Lily.
— Claro que sim. Você está vendo alguma barba? — respondeu Ron.
— Fiz 17 anos na semana passada — disse Angelina.
— Fico feliz que alguém da Grifinória esteja concorrendo — comentou Hermione. — Espero sinceramente que você seja escolhida, Angelina!
— Obrigada, Hermione — agradeceu Angelina, sorrindo para ela.
- Não sabia que vocês eram amigas - falou Neville.
- Amigas, não. Mas ela é legal - Hermione deu de ombros.
— É, é melhor você do que o Zé Bonitinho Diggory — disse Seamus, fazendo vários alunos da Lufa-Lufa que passavam pela mesa amarrarem a cara para ele.
- Claro né, vocês estão xingando o candidato deles - falou Sirius.
— Então, que é que vocês vão fazer hoje? — perguntou Ron a Harry e Hermione, quando saíam do salão depois do café.
— Ainda não fomos visitar o Hagrid — lembrou Harry.
— OK, desde que ele não nos peça para doar uns dedos aos explosivins.
Uma expressão de grande excitação surgiu de repente no rosto de Hermione.
- Espero que não seja para excetuar a ideia de Ron - falou Frank.
- NÃO! Nada com isso, pode ter certeza - falou Hermione.
— Acabei de me tocar, ainda não pedi ao Hagrid para se alistar no F.A.L.E.! — disse ela animada. — Me esperem aqui enquanto dou uma corrida lá em cima para apanhar os distintivos.
— Qual é a dela? — exclamou Ron, exasperado, quando Hermione saiu correndo escada acima.
- O Hagrid talvez goste da ideia - falou Lily, pensativa.
— Ei, Ron — disse Harry de repente. — É a sua amiga...
Os alunos de Beauxbatons entravam no castelo, vindo dos jardins, entre eles a garota Veela.
Aposto como ela nunca é conhecida como mais que isso, pensou Dorcas tristemente.
O pessoal aglomerado à volta do cálice se afastou para deixá-los passar, observando-os ansiosos. Madame Maxime entrou atrás dos alunos e organizou-os em fila. Um a um eles atravessaram a linha etária e depositaram seus pedaços de pergaminho nas chamas branco-azuladas. A cada nome inscrito, o fogo se avermelhava e faiscava por um breve instante.
- Aparentemente nenhum deles tentou burlar as regras - falou Regulus, desapontado. O que era a vida sem um pouco de diversão?
— Que é que você acha que acontece com os que não são escolhidos? — murmurou Ron para Harry, quando a garota Veela deixou cair seu pedaço de pergaminho no Cálice de Fogo. — Você acha que voltam para a escola ou ficam por aqui para assistir ao torneio?
- Ficam - falou James, que pergunta mais burra, pensou. Se todos voltassem não teria nenhum colega para torcer e ajudar o campeão e ele estaria em desvantagem.
— Não sei — disse Harry. — Ficam por aqui, suponho... Madame Maxime vai ficar para julgar, não é?
- E ela confiaria em Dumbledore e na Inglaterra? - perguntou Frank.
Depois que os alunos de Beauxbatons se inscreveram, Madame Maxime levou-os de volta aos jardins.
— Onde é que eles estão dormindo, então? — perguntou Ron chegando até as portas de entrada e acompanhando-os com o olhar.
- Espero que não esteja perguntando isso para invadir o quarto de Fleur.
Um ruído de chocalho às costas dos dois anunciou a reaparição de Hermione com a caixa de distintivos do F.A.L.E.
Regulus revirou os olhos.
— Ah, bom, vamos logo — disse Ron e desceu aos saltos os degraus de pedra, mantendo os olhos fixos na garota Veela, que a essa altura já estava no meio do jardim com a diretora.
- Ela está bem preocupada com você - provocou Ginny.
Ao se aproximarem da cabana de Hagrid na orla da Floresta Proibida, o mistério do dormitório dos alunos de Beauxbatons se esclareceu. A enorme carruagem azul-clara em que haviam chegado fora estacionada a menos de duzentos metros da porta da cabana de Hagrid, e eles estavam embarcando nela.
- Muito sem graça - resmungou Sirius. Ele esperava uma grande surpresa, algo impactante.
Os cavalos elefânticos que puxavam a carruagem pastavam agora em um picadeiro improvisado montado a um lado.
Harry bateu na porta de Hagrid e os latidos retumbantes de Fang responderam imediatamente.
— Até que enfim! — saudou-os Hagrid, quando abriu a porta e viu quem batia. — Achei que vocês tinham esquecido onde eu morava!
Regulus revirou os olhos, quanto drama. Eles eram estudantes, tinham coisas melhores para fazerem.
— Estivemos realmente ocupados, Hag... — Hermione começou a dizer, mas parou de chofre, encarando Hagrid, aparentemente sem saber o que dizer.
- O que foi dessa vez? - perguntou Lily, temerosa.
Hagrid estava usando seu melhor (e horroroso) terno de tecido marrom peludo, com uma gravata amarela e laranja. Mas isto não era o pior, ele evidentemente tentara domesticar os cabelos, usando uma grande quantidade de um produto que parecia graxa para eixo de rodas. Estavam agora alisados em dois molhos – talvez ele tivesse tentado fazer um rabo-de-cavalo como o de Bill,
James não conseguiu evitar a careta de se formar. A imagem de Hagrid assim era simplesmente assustadora.
O meio-gigante conseguiu ficar mais feio ainda, pensou Snape com desprezo.
mas descobrira que tinha cabelo demais. O penteado realmente não combinava nadinha com Hagrid. Por um instante, Hermione mirou-o de olhos arregalados,
- Foi meu choque inicial, não consegui evitar reagir - disse dando de ombros.
- Completamente compreensível - falou Alice.
depois, obviamente decidindo não fazer comentários disse:
— Hum, onde estão os explosivins?
- Sua tentativa de ser educada foi louvável - falou Lene.
— Lá fora no canteiro de abóboras — respondeu Hagrid alegre. — Estão ficando uns bichões, quase um metro de comprimento agora. O único problema é que começaram a matar uns aos outros.
- Eles estão resolvendo todos os problemas - disse Fred impressionado - Foi uma resposta a preces de vocês.
- Ninguém ficou mais feliz que nós - falou Ron. Por serem amigos de Hagrid, a pior parte sempre ficava com eles.
— Ah, não, sério? — exclamou Hermione, lançando um olhar de censura a Ron, que olhava sem disfarçar o penteado esquisito de Hagrid, e acabara de abrir a boca para dizer alguma coisa.
- Quem vê pense que a mãe não o educou - falou Fred.
Parcialmente verdade, pensou Ginny. Por serem mais novos, muitas vezes Molly recorria aos filhos mais velhos para cuidarem de Ron. Ela nem tanto, por ser a princesinha.
— É — disse Hagrid com tristeza. — Mas tudo bem, eles agora estão em caixas separadas. Ainda sobraram uns vinte.
- Que maravilha - ironizou Lene.
— Isso é que foi sorte! — disse Ron. Mas Hagrid não percebeu a ironia.
A cabana de Hagrid tinha um único cômodo, e a um canto havia uma cama gigantesca coberta com uma colcha de retalhos. Uma mesa igualmente enorme com cadeiras ficava diante da lareira, sob uma quantidade de presuntos curados, e aves mortas que pendiam do teto. Os garotos se sentaram à mesa enquanto Hagrid preparava o chá e logo se deixaram absorver por mais uma discussão sobre o Torneio Tribruxo. Hagrid parecia tão excitado com o assunto quanto eles.
- É finalmente um ano diferente para ele - disse Harry.
— Aguardem — disse ele, sorrindo. — Aguardem só. Vocês vão ver uma coisa que nunca viram antes. A primeira tarefa... Ah, mas eu não posso contar.
Lily ficou curiosa, sabia que só contariam para Hagrid da tarefa se fosse necessário. Mas qual seria o animal mágico?
— Vamos, Hagrid! — insistiram Harry, Ron e Hermione, mas ele apenas sacudiu a cabeça, rindo.
— Não quero estragar a surpresa. Mas vai ser espetacular, isso eu posso dizer. Os campeões vão ter tarefas escolhidas sob medida. Nunca pensei que ia viver para ver organizarem novamente um Torneio Tribruxo!
Harry fez uma careta. Foi bem sob medida. E foi tão divertido ter que enfrentar um dragão só para a diversão de um público imbecil.
Os garotos acabaram almoçando com Hagrid, embora não comessem muito – ele disse que preparara um picadinho de carne, mas quando Hermione encontrou uma garra no dela, os três perderam um pouco o apetite.
- Como assim uma garra? - falou Dorcas.
- Exatamente como você imaginou.
Mas se divertiram tentando fazer Hagrid contar as tarefas que haveria no torneio, especulando quais dos inscritos seriam provavelmente escolhidos para campeões, e imaginando se Fred e George já teriam perdido as barbas.
- Bom saber que você se divertem a nossas custas - disseram os gêmeos.
Uma chuva leve começara a cair lá pelo meio da tarde, foi muito gostoso sentarem ao pé da lareira e escutar as gotas de chuva tamborilando de leve na janela, vendo Hagrid cerzir suas meias enquanto discutia com Hermione sobre os elfos domésticos – porque ele se recusou terminantemente a entrar para o F.A.L.E. quando a garota lhe mostrou os distintivos.
— Seria fazer a eles uma maldade, Hermione — disse sério enquanto trabalhava com uma enorme agulha de osso enfiada com uma linha de cerzir amarela. — Faz parte da natureza deles cuidar dos seres humanos, é disso que eles gostam, entende? Você os faria infelizes se tirasse o trabalho deles e os insultaria se tentasse lhes pagar um salário.
- De todas as pessoas... achei que Hagid entenderia - falou Lily desapontada.
— Mas Harry libertou o Dobby e ele foi à lua de tanta felicidade! — disse Hermione. — E ouvimos dizer que ele está exigindo salário agora!
— Tudo bem, tem aberrações em toda espécie da natureza. Não estou dizendo que não haja elfo esquisito que aceite a liberdade, mas você jamais convenceria a maioria deles a concordar com isso, não, nada feito, Hermione.
Hermione pareceu ficar realmente contrariada e guardou a caixa de distintivos no bolso da capa.
- Não entendia como logo Hagrid não lutava pelos elfos - falou.
Lá pelas cinco horas começou a escurecer, e Ron, Harry e Hermione decidiram que já era hora de voltar ao castelo para a festa do Dia das Bruxas – e, o que era mais importante, para o anúncio de quem seriam os campeões das escolas.
- Festa tem todo ano, Torneio Tribruxo não - concordou James.
— Vou com vocês — disse Hagrid, deixando o cerzido de lado. — Me deem um segundo.
Ele se levantou, foi até a cômoda ao lado da cama e começou a procurar alguma coisa nas gavetas. Os garotos não prestaram muita atenção, até que um fedor realmente horrível chegou às suas narinas.
As maravilhas nunca acabam, pensou Regulus ironicamente.
Tossindo, Ron perguntou:
— Hagrid, que é isso?
— Eh? — exclamou Hagrid, virando-se com um enorme frasco na mão. — Você não gostou?
- Não respondeu a pergunta.
— Isso é loção de barba? — perguntou Hermione, com um tom de voz levemente chocado.
— Hum... Eau-de-Cologne — murmurou Hagrid. Ele ficou vermelho. — Talvez seja um pouco demais — disse meio impaciente. — Vou tirar, esperem aí...
- Como assim tirar... - Lissy falou, confusa.
Ele saiu desajeitado da cabana e os garotos o viram lavar-se vigorosamente no barril de água do lado da janela.
- Desse jeitinho bem delicado - falou Hermione.
— Eau-de-Cologne? — repetiu Hermione surpresa. — Hagrid?
— E qual é a explicação para os cabelos e o terno dele? — perguntou Harry em voz baixa.
- ENCONTRO - falou James, animado. Mas não tinha ideia de quem sairia com Hagrid.
- Não exatamente - falou Ron.
— Olhem lá! — exclamou Ron de repente, apontando para fora da janela.
Hagrid acabara de se aprumar e se virara. Se ficara vermelho antes, não era nada comparável ao que estava acontecendo agora. Levantando-se muito cautelosamente, para que Hagrid não os visse, Harry, Ron e Hermione espiaram pela janela e viram que Madame Maxime e os alunos de Beauxbatons tinham acabado de sair da carruagem, obviamente para irem à festa também. Os garotos não conseguiam ouvir, mas Hagrid estava falando com a diretora com os olhos embaçados e uma expressão de arrebatamento, que Harry só notara nele uma única vez – quando admirava o filhote de dragão Norberto.
- Não acredito... - falou James. Hagrid e a diretora de Beauxbatons? Era demais.
— Ele está indo com ela para o castelo! — disse Hermione indignada. — Pensei que ele estava nos esperando!
- Ora, Hermione, o amor não espera - implicou Neville. Hermione revirou os olhos para o amigo.
Sem lançar sequer um olhar à cabana, Hagrid foi subindo pelo gramado com Madame Maxime, e os alunos de Beauxbatons seguiam em sua cola, quase correndo para acompanhar os passos enormes dos dois.
- Pelo visto o amor atrapalha a vida de todo mundo - resmungou Lene.
- Outch! Amor é algo lindo, minha querida Lene - retrucou Sirius.
James revirou os olhos para o melhor amigo, enquanto Regulus conteve o impulso de fazer o mesmo.
— Ele está caído por ela! — comentou Ron incrédulo. — Bom, se eles tiverem filhos, vão marcar um recorde mundial, aposto como um bebê deles iria pesar uma tonelada.
Isso não foi nada legal, pensou Dorcas.
Os três saíram da cabana sozinhos e fecharam a porta ao passar. Estava surpreendentemente escuro do lado de fora. Puxando as capas para mais junto do corpo, eles subiram pelos gramados da propriedade.
— Ah, são eles. Olhem lá! — sussurrou Hermione.
A delegação de Durmstrang seguia do lago para o castelo. Viktor Krum caminhava ao lado de Karkaroff e os outros os acompanhavam em pequenos grupos. Ron observou Krum excitado, mas o jogador nem olhou para os lados ao alcançar as portas do castelo um pouco à frente de Hermione, Ron e Harry, andando sempre reto.
- Talvez ele esteja nervoso.
- Ou ele só esteja concentrado - falou Regulus, pensativo. Antes de treinar, esquecia de tudo.
Quando os três amigos entraram, o salão iluminado por velas estava quase cheio. O Cálice de Fogo fora mudado de lugar; agora se encontrava diante da cadeira vazia de Dumbledore, à mesa dos professores. Fred e George – novamente de cara lisa – pareciam ter aceitado o desapontamento muito bem.
- Não somos pessoas mal humoradas, Harry - falou Fred.
- Além disso, outros amigos nossos se inscreveram - disse George.
— Espero que seja Angelina — disse Fred, quando Harry, Ron e Hermione se sentaram.
- Ela seria muito boa - falou Ginny.
- As provas seriam tranquilas para ela até - falou Harry, pensativo.
— Eu também! — disse Hermione sem fôlego. — Bom, vamos saber daqui a pouco!
A festa das bruxas pareceu durar muito mais do que habitualmente.
- Claro, vocês estão muito mais ansiosos para o depois - comentou Ron.
Talvez porque fosse o segundo banquete em dois dias, Harry não pareceu interessado na comida preparada com extravagância tanto quanto das outras vezes.
- Meu filho está ficando mal acostumado - falou Lily, mas ela sorria.
Como todas as pessoas no salão, a julgar pelas constantes espichadas de pescoços, as expressões impacientes nos rostos, o desassossego de todos que se levantavam para ver se Dumbledore já acabara de comer, Harry simplesmente queria que os pratos fossem retirados e os nomes dos campeões, anunciados.
Harry soltou um riso irônico. Se ele soubesse naquela época que ele seria um dos campeões e qual seria o destino de Cedric, ele nunca teria se empolgado com esse momento. Teria desejado que o banquete nunca acabasse.
Depois de muito tempo, os pratos voltaram ao estado de limpeza inicial, houve um aumento acentuado no volume dos ruídos no salão, que caiu quase instantaneamente quando Dumbledore se ergueu.
- É impressionante o efeito que Dumbledore tem - falou Frank.
E perigoso, pensou Regulus.
A cada lado dele, o Professor Karkaroff e Madame Máxime pareciam tão tensos e ansiosos quanto os demais.
- Aposto que eles já tem os preferidos deles - disse James.
- Eles devem estar nervosos de outros serem escolhidos - concordou Sirius.
Ludo Bagman sorria e piscava para vários alunos. O Sr. Crouch, porém, parecia bastante desinteressado, quase entediado.
- Eles são sempre assim - disse Alice - Completamente diferentes um do outro.
— Bom, o Cálice de Fogo está quase pronto para decidir — disse Dumbledore. — Estimo que só precise de mais um minuto.
- Como ele pode saber disso? - perguntou Dorcas admirada.
Ninguém tinha uma resposta para dar, infelizmente.
Agora, quando os nomes dos campeões forem chamados, eu pediria que eles viessem até este lado do salão, passassem diante da mesa dos professores e entrassem na câmara ao lado — ele indicou a porta atrás da mesa — onde receberão as primeiras instruções.
- Para na mesa dos professores para que? - falou Sirius confuso.
Ele puxou, então, a varinha e fez um gesto amplo, na mesma hora todas as velas, exceto as que estavam dentro das abóboras recortadas, se apagaram, mergulhando o salão na penumbra. O Cálice de Fogo agora brilhava com mais intensidade do que qualquer outra coisa ali, a brancura azulada das chamas que faiscavam vivamente quase fazia os olhos doerem. Todos observavam à espera... Alguns consultavam os relógios a todo momento...¹
— A qualquer segundo agora — sussurrou Lee Jordan, a dois lugares de distância de Harry.
As chamas dentro do Cálice de repente tornaram a se avermelhar.
- Ele está pronto! - falou Sirius ansioso.
Começaram a soltar faíscas. No momento seguinte, uma língua de fogo se ergueu no ar, e expeliu um pedaço de pergaminho chamuscado – o salão inteiro prendeu a respiração.
Dumbledore apanhou o pergaminho e segurou-o à distância do braço, de modo a poder lê-lo à luz das chamas, que voltaram a ficar branco-azuladas.
— O campeão de Durmstrang — leu ele em alto e bom som — será Viktor Krum.
- AH É! Esse foi esperado! - comemorou Sirius, na mesma hora que Lene gritava empolgada.
- Krum parece ser uma boa escolha! - concordou James empolgado.
Remus teve que sorrir. Não conhecia os talentos mágicos de Krum, mas devia ter havido uma razão pela qual ele fora escolhido.
— Grande surpresa! — berrou Ron, ao mesmo tempo que uma tempestade de aplausos e vivas percorreu o salão.
Ron corou quando Hermione lhe lançou um sorriso divertido.
Harry viu Viktor Krum se levantar da mesa da Sonserina e se encaminhar com as costas curvas para Dumbledore, ele virou à direita, passou diante da mesa dos professores e desapareceu pela porta que levava à câmara vizinha.
— Bravo, Viktor! — disse Karkaroff com a voz tão retumbante que todos puderam ouvi-lo apesar dos aplausos. — Eu sabia que você era capaz!
- Então o favorito de Karkaroff foi escolhido - observou Frank.
Os aplausos e comentários morreram. Agora todas as atenções tornaram a se concentrar no Cálice de Fogo, que, segundos depois, tornou a se avermelhar.
Um segundo pedaço de pergaminho voou de dentro dele, lançado pelas chamas.
— O campeão de Beauxbatons é Fleur Delacour!
— É ela, Ron! — gritou Harry, quando a garota que parecia uma Veela levantou-se graciosamente, sacudiu a cascata de cabelos louro-prateados para trás e caminhou impetuosamente entre as mesas da Corvinal e da Lufa-Lufa.
- Parte veela - corrigiu Ginny.
- Eu fico feliz que ela tenha sido escolhida - falou Lene - Assim ela prova que é mais que um rostinho bonito - disse empolgada.
— Ah, olha lá, eles estão desapontados — disse Hermione sobrepondo sua voz ao barulho e indicando com a cabeça o resto da delegação de Beauxbatons.
"Desapontados" era dizer pouco, pensou Harry. Duas das garotas que não tinham sido escolhidas debulhavam-se em lágrimas e soluçavam, com as cabeças deitadas nos braços.
- Provavelmente eram as mesmas que odiavam Fleur - disse George e deu de ombros depois quando todos o observavam - Ela me contou, ué.
Ao contrário de Ginny, ele tinha ficado feliz em receber Fleur na família e a achava uma ótima amiga.
Quando Fleur Delacour também desapareceu na câmara vizinha, todos tornaram a fazer silêncio, mas desta vez foi um silêncio tão pesado de excitação que quase dava para sentir seu gosto. O campeão de Hogwarts é o próximo...
- O melhor pro final, claro - disse Josh.
E o Cálice de Fogo ficou mais uma vez vermelho; jorraram faíscas dele; a língua de fogo ergueu-se muito alto no ar e de sua ponta Dumbledore tirou o terceiro pedaço de pergaminho.
— O campeão de Hogwarts — anunciou ele — é Cedric Diggory!
— Não! — exclamou Ron em voz alta, mas ninguém o ouviu exceto Harry; a zoeira na mesa vizinha era grande demais.
Cada um dos alunos da Lufa-Lufa ficou de pé, gritando e sapateando, quando Cedric passou por eles, um enorme sorriso no rosto, e se encaminhou para a câmara atrás da mesa dos professores.
Neville sorriu triste. Ele tinha ficado feliz em ver que finalmente alguém da Lufa-Lufa irá ganhar uma chance de mostrar do que era capaz, mas o destino de Cedric fora triste demais.
- Aquele da Copa? - perguntou Lene.
- Sim - respondeu Ron.
- Ele parece ser legal - ela comentou. Estava um pouco desapontada que não fosse alguém mais conhecido, mas...
Na verdade, os aplausos para Cedric foram tão longos que passou algum tempo até que Dumbledore pudesse se fazer ouvir novamente.
Regulus sorriu. Até o poderoso Dumbledore tinha seus limites.
— Excelente! — exclamou Dumbledore feliz, quando finalmente o tumulto serenou. — Muito bem, agora temos os nossos três campeões. Estou certo de que posso contar com todos, inclusive com os demais alunos de Beauxbatons e Durmstrang, para oferecer aos nossos campeões todo o apoio que puderem, torcendo pelo seus campeões, vocês contribuirão de maneira muito real...
- É, e o Torneio será uma diversão sem fim - o sarcasmo na voz de Harry era pesado.
Mas Dumbledore parou inesperadamente de falar, e tornou-se óbvio para todos o que o distraíra. O fogo no Cálice acabara de se avermelhar outra vez.
- Aposto que isso não estava previsto - falou Dorcas.
- Não por todos - murmurou Harry.
Expeliu faíscas. Uma longa chama elevou-se subitamente no ar e ergueu mais um pedaço de pergaminho. Com um gesto aparentemente automático, Dumbledore estendeu a mão e apanhou o pergaminho.
- Não teria sido ótimo se ele nunca tivesse lido o nome? - falou Ginny.
- Nada é tão fácil.
Ergueu-o e seus olhos se arregalaram para o nome que viu escrito.
Houve uma longa pausa, durante a qual o bruxo mirou o pergaminho em suas mãos e todos no salão fixaram o olhar em Dumbledore. Ele pigarreou e leu...
— Harry Potter!
- Claro - falou Lene.
- Harry, você colocou o seu nome? - perguntou James espantado.
Harry conteve sua irritação, claro que até seu pai pensaria que ele tinha feito isso.
- É claro que ele não fez, Potter - resmungou Regulus. Harry não tinha interesse em nada que o Torneio podia oferecer e por mais que ele gostasse de quebrar as regras, ele nunca fazia isso por um motivo tão fútil quanto glória.
- Mas ele até pensou que seria bom! - James se defendeu.
- É, por tipo, três segundos - Regulus revirou os olhos.
- Eu realmente não me inscrevi - falou Harry.
Sirius segurou James quando Regulus deu um sorriso vitorioso para ele. Conhecia os dois tão bem que sabia que se não intervissem daria confusão.
¹ - Eu achava que Hogwarts não podia ter relógios ou qualquer equipamento tecnológico. Alguém pode me explicar isso?
