Feliz ano novo galera! Espero que tenham curtido muito e que estejam com muito gás para esse ano.


Os quatro campeões


Harry ficou sentado ali, consciente de que cada cabeça no Salão Principal se virara para ele. Sentia-se atordoado. Entorpecido. Sem dúvida estava sonhando. Não ouvira direito.

Ron olhou para Harry culpado. Agora sem dúvida alguma tinha certeza que seu amigo nunca colocara o nome no Cálice e sentia-se um idiota por brigar com ele.

Não houve aplausos.

James fez uma careta, como se esse fato o ofendesse pessoalmente.

- Achei injusto - resmungou Josh.

- Só quer dizer que o efeito de Harry é grande nas pessoas - disse Alex com um sorriso.

Um zunido, como o de abelhas enraivecidas, começou a encher o salão, alguns estudantes ficaram em pé para ter uma visão melhor de Harry, sentado ali, imóvel, em sua cadeira.

- Hogwarts sempre está pronta para fofocar - disse Hermione. Essa era a única certeza que tinha. Sentia pena de Harry por ele sempre ser o alvo das fofocas.

Na mesa principal, a Professora Minerva se levantara e passara por Ludo Bagman e pelo Professor Karkaroff para cochichar urgentemente com o Professor Dumbledore, que inclinara a cabeça para ela, franzindo ligeiramente a testa.

Regulus balançou a cabeça. Grifinórios eram tão indiscretos.

Harry se virou para Ron e Hermione, mais além, viu toda a longa mesa da Grifinória observando-o, boquiaberta.

- Eles deviam aplaudir, pelo menos - comentou Snape.

Regulus concordou. Era o que a Sonserina faria. Uma frente unida. Podia até que a Casa brigasse entre si, mas nunca demonstravam isso na frente da escola toda.

— Eu não inscrevi meu nome — disse Harry sem saber o que dizer. — Vocês sabem que não.

Os dois apenas olharam para ele também, sem saber o que responder.

Hermione corou. Agora ela via que devia ter concordado com ele, ter dito que sabia que ele jamais faria isso. Diminuiria pelo menos uma parte dos rumores.

- Sinto muito, cara - falou Ron. Ele sabia que era tarde demais. Porém, era tudo que ele podia fazer.

Na mesa principal, o Professor Dumbledore se aprumou, acenando a cabeça afirmativamente para a Professora Minerva.

— Harry Potter! — tornou ele a chamar. — Harry! Aqui, se me faz o favor!

- É, porque isso está ajudando bastante - resmungou Regulus.

- O quê você queria que ele fizesse?

- Eu queria que ele lembrasse aos outros alunos que não tem como um ALUNO DO QUARTO ANO passar sozinho pelas supostas proteções fortes elaboradas por ele e o Ministério. Alguém teria que ter colocado o nome de Harry. Dessa maneira, pelo menos algumas pessoas iriam perceber que Harry não se inscreveu - falou Regulus. Só então ele chegou a uma terrível conclusão. Quem perderia seu tempo colocando o nome de Harry? Alguém estava atrás de alguma coisa e isso não parecia ser algo bom para ele.

— Anda — murmurou Hermione, dando um leve empurrão em Harry.

O garoto ficou de pé, pisou na barra das vestes e tropeçou brevemente.

- Você puxou a sua mãe nisso - murmurou James.

- Eu não tropeço! - falou Lily indignada. A risada de Alice e Dorcas a interromperam - Bem, só quando estou muito nervosa e nem todo mundo tem o luxo de ter um ego do tamanho do de James.

- O quê meu ego tem a ver com qualquer coisa? - disse James.

- Você não fica nervoso, por isso não tropeça! - ela apontou.

Saiu pelo espaço entre as mesas da Grifinória e da Lufa-Lufa.

- Pelo lado positivo você não passou pela da Sonserina - falou Sirius.

Regulus teve que concordar. Sabia que se Harry passasse por lá agora, ouviria insultos.

Teve a impressão de estar fazendo uma longuíssima caminhada, a mesa principal parecia não chegar mais perto e ele sentia centenas de olhos fixos nele, como se cada um fosse um refletor. O zunzum não parava de crescer. Depois do que lhe pareceu uma hora, o garoto chegou diante de Dumbledore, sentindo fixos nele os olhares dos professores.

- Isso é porque eles realmente estavam falando de você.

— Bom... Pela porta — disse Dumbledore. O diretor não sorria.

Regulus conteve os xingamentos que queriam sair. A atitude de Dumbledore não estava ajudando nem um pouco.

Harry passou pela mesa dos professores. Hagrid estava sentado bem no fim. Mas não piscou para Harry, nem acenou nem fez qualquer dos sinais habituais para cumprimentá-lo. Parecia inteiramente perplexo e olhou para Harry quando este passou, como os demais. O garoto passou pela porta e se viu em um aposento menor, com as paredes cobertas de retratos a óleo de bruxas e bruxos.

- Ninguém vai ajudar meu filho? - falou Lily incrédula - Ele acabou de ser inscrito num torneio mortal contra a vontade dele e ninguém pensa em dizer que ele vai sobreviver? Wow, Hogwarts é cheia de simpatia.

Um belo fogo rugia na lareira em frente. Os rostos nos retratos se viraram para olhá-lo quando ele entrou.

Surpreendeu uma bruxa encarquilhada passando rapidamente da moldura do próprio retrato para a moldura vizinha, que enquadrava um bruxo de bigodes de morsa. A bruxa encarquilhada começou a cochichar no ouvido do colega.

- Até os retratos tão fofocando - resmungou Lene.

Viktor Krum, Cedric Diggory e Fleur Delacour estavam reunidos em torno da lareira. Pareciam estranhamente imponentes, recortados contra as chamas.

- Não se sinta ameaçado, Harry - disse James - Eles são mais velhos, mas não enfrenteram o que você enfrentou.

Krum, curvado e pensativo, apoiava-se no console da lareira, ligeiramente afastado dos outros.

Hermione sorriu. Isso era tão Krum.

Cedric estava parado com as mãos às costas, contemplando o fogo. Fleur Delacour virou a cabeça quando Harry entrou e jogou para trás a cascata de cabelos longos e prateados.

— Que foi? — perguntou ela. — Querrem que a jante volte ao salon?

Ginny revirou os olhos. É, porque era a função de Harry servir de mensageiro.

Pensava que ele viera trazer um recado. Harry não sabia como explicar o que acabara de acontecer. Ficou ali parado, olhando para os três campeões.

Sirius riu. Ele sabia que a coisa era séria, mas a cena de Harry parado vendo os outros campeões era engraçada.

- Eu quero saber como você sempre se mete nessas coisas - falou Neville, divertido.

Percebeu de repente como eram altos.

- Ah, não, você está ficando ameaçado.

Houve um ruído de passos apressados atrás de Harry, e Ludo Bagman entrou na sala. Segurou o garoto pelo braço e levou-o até os outros.

- Nunca me senti tanto um bicho de estimação.

— Extraordinário! — murmurou, apertando o braço de Harry. — Absolutamente extraordinário! Senhores... Senhora — acrescentou, aproximando-se da lareira e falando aos outros três. — Gostaria de lhes apresentar, por mais incrível que possa parecer, o quarto campeão do Torneio Tribruxo.

Viktor Krum se empertigou. Seu rosto carrancudo nublou-se ao examinar Harry.

- Eu entendo ele. Foi algo diferente do prometido - disse Josh.

Cedric fez cara de estupefação. Olhou de Bagman para Harry e de volta como se tivesse certeza de que ouvira mal o que o bruxo acabara de dizer. Fleur Delacour, porém, sacudiu os cabelos, sorriu e disse:

— Que grrande piada, Senhorr Bagman.

- Cedric foi o mais simpático - observou Lene.

- Ele era assim - foi tudo que Harry falou.

— Piada? — repetiu Bagman, confuso. — Não, não, não é não! O nome de Harry acaba de sair do Cálice de Fogo!

As grossas sobrancelhas de Krum se contraíram ligeiramente. Cedric continuou a parecer educadamente surpreso.

- Ele certamente caiu na Casa certa - falou Snape.

Fleur franziu a testa.

— Mas evidaman houve um engano — disse a Bagman com desdém. — Ele non pode competirr. É jovem demais.

- Além disso são três campeões - apontou Josh.

— Bom... É surpreendente — concordou Bagman, esfregando o queixo liso e sorrindo para Harry. — Mas, como sabem, o limite de idade só foi imposto este ano como medida suplementar de precaução. E como o nome dele saiu do Cálice de Fogo... Quero dizer, acho que a essa altura não podemos fugir à responsabilidade... Somos obrigados... Harry terá que se esforçar o máximo que...

- Quando foi que o Ministério virou tão incapaz de explicar qualquer coisa? - resmungou James.

- Ninguém vai dar ao Harry a escolha de não competir? - falou Neville indignado. Sabia que o amigo não tinha se inscrito, mas achava que ele tinha aproveitado o resultado e decidido participar. Não que ele tenha sido forçado.

A porta às costas deles se abriu e um grande grupo de pessoas entrou: o Professor Dumbledore, seguido de perto pelo Sr. Crouch, o Professor Karkaroff, Madame Maxime, a Professora McGonagall e o Professor Snape. Harry ouviu o zunzum de centenas de estudantes do outro lado da parede, antes da Professora McGonagall fechar a porta.

- Eu quero saber por que Snape está aí - resmungou Sirius.

- Talvez porque eu tenha inteligência e talento? - devolveu Snape.

— Madame Maxime! — chamou Fleur na mesma hora, indo ao encontro de sua diretora. — Eston dizando que esse garrotinho vai competirr tambá!

Sob o seu atordoamento e incredulidade, Harry sentiu uma crispação de raiva. Garrotinho?

- É sério que seu problema não é participar de um Torneio mortal, mas sim de ser chamado de garotinho? - perguntou Lily incrédula.

- Já estou acostumado com o perigo - falou Harry, dando de ombros.

Madame Maxime se empertigara até o limite de sua considerável altura. O cocuruto da bela cabeça roçou o lustre repleto de velas, e seu imenso peito coberto de cetim negro se estufou.

- Ela está se preparando para a batalha - disse Ron.

— Que significa isso, Dumbly-dorr? — perguntou imperiosamente.

— Eu também gostaria de saber, Dumbledore — disse o Professor Karkaroff. Em seu rosto havia um sorriso inflexível e seus olhos azuis eram duas lascas de gelo.

— Dois campeões de Hogwarts? Não me lembro de ninguém ter me dito que a escola que sediasse o torneio poderia ter dois campeões, ou será que não li o regulamento com a devida atenção?

Ele deu um sorrisinho maldoso.

- É realmente injusto - falou Snape.

- As chances de Hogwarts ganhar são maiores - concordou Regulus.

— Impossível — exclamou Madame Maxime, cujas enormes mãos com numerosas e soberbas opalas descansavam no ombro de Fleur. — Hogwarts não pode terr dois campeons. Serria muito injusto.

— Tivemos a impressão de que a sua linha etária deixaria de fora os competidores mais jovens, Dumbledore — disse Karkaroff, o sorriso inflexível ainda no rosto, embora seus olhos estivessem mais frios que nunca. — Do contrário, teríamos, naturalmente, trazido uma seleção de candidatos mais ampla de nossas escolas.

Snape revirou os olhos. Agora, isso era só implica de Karkaroff, porque ele sempre ia preferir Krum a qualquer outro aluno.

— Não é culpa de ninguém, exceto de Potter, Karkaroff — falou Snape suavemente. Seus olhos negros brilharam de malícia. — Não saia culpando Dumbledore pela determinação de Potter de desobedecer às regras. Ele não tem feito nada exceto transgredir limites desde que chegou aqui...

- Você não perde uma oportunidade, não é Snape? - comentou Lene.

— Muito obrigado, Severus — disse Dumbledore com firmeza, e Snape se calou, embora seus olhos continuassem a brilhar maldosamente por trás da cortina de cabelos negros e oleosos.

Ele só estava esperando a oportunidade para falar mais mal de mim, pensou Harry.

O Professor Dumbledore olhou então para Harry, que o encarou, tentando perceber a expressão dos olhos do diretor por trás dos oclinhos de meia-lua.

— Você depositou seu nome no Cálice de Fogo, Harry? — perguntou Dumbledore calmamente.

— Não — respondeu Harry. Estava consciente de que todos o olhavam com atenção.

Nas sombras, Snape fez um barulhinho impaciente de descrença.

— Você pediu a um estudante mais velho para depositá-lo no Cálice de Fogo para você? — tornou o diretor, sem dar atenção a Snape.

- Então era simples assim quebrar a proteção? - falou Frank incrédulo. Dumbledore estava insano.

— Não — disse Harry com veemência.

— Ah, mas é clarro que ele está mentindo — exclamou Madame Maxime.

Snape agora sacudia a cabeça, a boca crispada.

Snape deu de ombros. Oras, ele não sabia porque não acreditava que Harry não colocou o nome dele, talvez porque fosse exatamente o tipo de coisa que James faria.

— Ele não poderia ter atravessado a linha etária — interpôs a Professora Minerva energicamente. — Tenho certeza de que todos concordamos nisso...

— Dumbly-dorr deve terr se enganado ao traçarr a linha — concluiu Madame Maxime, encolhendo os ombros.

— É claro que isto é possível — respondeu Dumbledore polidamente.

Mas isso não vai resolver nenhum problema de agora, pensou Regulus, e aposto que ele está esperando que alguém o defenda.

— Dumbledore, você sabe muito bem que não se enganou! — exclamou a Professora Minerva, aborrecida.

Bingo, Regulus pensou satisfesto.

— Francamente, que tolice! Harry não poderia ter cruzado a linha pessoalmente, e como o Professor Dumbledore acredita que ele não convenceu um colega mais velho a fazer isso por ele, decerto isto deveria bastar para todos nós!

Snape revirou os olhos. Essa era a famosa lógica Grifinória. Por que fazer uma investigação sobre um assunto que dizia sobre 3 países? Não era muito melhor acreditar na suposição de alguém que não tinha nem uma teoria formada, só porque essa pessoa era Dumbledore? Francamente.

Ela lançou um olhar muito zangado ao Professor Snape.

Snape nunca sentiu uma indiferença maior na vida dele. Se Minerva quisesse ficar irritada só por isso, que ficasse.

— Sr. Crouch... Sr. Bagman — começou Karkaroff, a voz mais uma vez untuosa —, os senhores são os nossos... Hum... Juizes objetivos. Certamente os senhores concordarão que isto é extremamente irregular?

- Acho que ninguém pode discordar disso - falou Neville.

Bagman enxugou o rosto redondo e infantil com o lenço e olhou para o Sr. Crouch, que estava parado fora do círculo das chamas da lareira, o rosto semi-oculto pelas sombras. Parecia um pouco sobrenatural, a obscuridade fazia-o parecer muito mais velho, emprestando-lhe quase uma aparência de caveira.

- Um contraste perfeito - resmungou Ron.

Quando falou, porém, foi em seu tom habitualmente seco.

— Devemos obedecer ao regulamento e o regulamento diz claramente que as pessoas cujos nomes saírem do Cálice de Fogo devem competir no torneio.

- Claro que uma questão tão complexa pode ser resolvida assim - falou Frank secamente - Não há nenhuma diferença ou injustiça.

— Bom, Barty conhece os regulamentos de trás para diante — disse Bagman, sorrindo, e se voltou para Karkaroff e Madame Maxime como se o assunto estivesse definitivamente encerrado.

- Ele é mais burro que parece - disse Ginny.

— Eu insisto em tornar a submeter os nomes do restante dos meus alunos -disse Karkaroff. Ele agora deixara de lado seu tom untuoso e o sorriso. Seu rosto tinha uma expressão realmente feia. — Vocês prepararão novamente o Cálice de Fogo e continuaremos a depositar nomes até cada escola ter dois campeões. Seria o justo, Dumbledore.

- Nunca achei que diria isso, mas concordo com Karkaroff - disse Sirius. Isso resolveria os problemas.

— Mas Karkaroff, a coisa não funciona assim — comentou Bagman. — O Cálice de Fogo se apagou, e não voltará a arder até o inicio do próximo torneio...

- Então que use outra coisa, ora - sugeriu Alex.

— ... No qual Durmstrang, com toda a certeza, não irá competir! — explodiu Karkaroff — Depois de tantas reuniões e negociações e tantos compromissos, eu não esperava que acontecesse uma coisa desta natureza! Tenho até vontade de me retirar agora mesmo!

- Seria uma crise internacional - falou Dorcas.

- E eu seria a causa - resmungou Harry.

- Não, claro que não - falou Lily.

- Seria assim que os jornais veriam.

— Uma ameaça inútil, Karkaroff — rosnou uma voz próxima à porta. — Você não pode abandonar o seu campeão agora. Ele tem que competir. Todos têm que competir. Um ato contratual mágico, conforme disse Dumbledore. Conveniente, não é mesmo?

- Eu diria estupidez - falou Frank.

Moody acabara de entrar na sala. Encaminhou-se, mancando, até a lareira, e a cada passo que dava, ouvia-se uma batidinha.

— Conveniente? — perguntou Karkaroff. — Receio não estar entendendo, Moody.

Harry percebeu que o bruxo tentava parecer desdenhoso, como se não valesse a pena dar atenção ao que Moody dissera, mas suas mãos o traíam, tinham se fechado em punhos.

- Perceptivo você.

— Não mesmo? — perguntou Moody em voz alta. — É muito simples Karkaroff. Alguém depositou o nome de Harry naquele cálice sabendo que o garoto teria que competir se saísse o seu nome.

Regulus engoliu em seco. A situação de Harry estava pior do que ele pensava e ele temia o que esse torneio ia trazer.

— Evidaman algém que querria oferrecer a Hogwarts duas oporrtunidades de vancerr! — comentou Madame Maxime.

- Claro - Lily revirou os olhos.

— Eu concordo, Madame Maxime — disse Karkaroff, com uma reverência. –Vou reclamar com o Ministério da Magia e a Confederação Internacional dos Bruxos...

— Se alguém tem razão para reclamar é o Potter — rosnou Moody —, mas... O que é engraçado... Não estou ouvindo ele dizer uma única palavra...

- Eu não tinha a chance de falar.

— Por que ele irria reclamar? — disse Fleur Delacour de repente, batendo o pé. — Ele tam a chance de competirr, não é? Durrante semanas vivemos a esperrança de serr escolhidos! A honrra de nossas escolas! Mil galeões de prrêmio, é uma chance pela qual muita jante morrerria!

- Uma pena que não Harry - falou Ginny.

— Talvez alguém tenha esperança de que Harry morra — disse Moody, com um leve vestígio de rosnado na voz.

- Novidade - resmungou Harry.

Lily fez uma careta, sentindo-se triste. Ela só queria paz para Harry.

Seguiu-se um silêncio extremamente tenso às suas palavras.

- É fácil fofocar sobre mim, mas ninguém quer admitir que estão querendo me matar - resmungou Harry.

Ludo Bagman, que parecia de fato muito ansioso, balançou-se nervoso e disse:

— Moody, meu caro... Que coisa para você dizer!

— Todos sabemos que o Professor Moody considera a manhã perdida se não descobrir seis conspirações para assassiná-lo antes do almoço — disse Karkaroff em voz alta. — Pelo visto, agora está ensinando a seus alunos o medo de serem assassinados, também. Uma estranha qualidade para um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Dumbledore, mas com toda a certeza você tem suas razões.

- Muito fácil ele dizer isso - falou Ron.

— Será que estou imaginando coisas? Vendo coisas? — rosnou Moody. — Foi um bruxo ou uma bruxa habilitada que pôs o nome do garoto naquele cálice...

— Ah, que prrova há disso? — exclamou Madame Maxime, erguendo as enormes mãos.

- Que provas vocês tem de qualquer coisa? - reclamou Josh - Parece que adultos perto de vocês sempre são burros, Harry.

— Porque enganou um objeto mágico de grande poder! — disse Moody. — Seria preciso um Feitiço para confundir excepcionalmente forte para mistificar aquele cálice a ponto de fazê-lo esquecer que apenas três escolas competem no torneio... Estou imaginando que alguém tenha inscrito Potter em uma quarta escola, para garantir que ele fosse o único de sua categoria...

- Mas não é só porque tem um grande poder que automaticamente é um adulto - falou Hermione.

Harry sentia-se enjoado em ver como "Moody" discutira abertamente como ele colocara o nome dele.

— Você parece ter pensado muito no assunto — disse Karkaroff com frieza —,

Harry riu. Que ironia que Karkaroff estivesse certo.

e não deixa de ser uma teoria criativa, embora, é claro, eu tenha ouvido dizer que recentemente você meteu na cabeça que um dos seus presentes de aniversário continha um ovo de basilisco ardilosamente disfarçado e o fez em pedaços antes de se dar conta de que era um relógio de viajem. Então você compreenderá se não o levarmos inteiramente a serio...

- Uma coisa não tem a ver com a outra - falou Neville, pensando em Luna. Muitas vezes ela acertava, mas as pessoas não a levavam a sério, por ser, bem, ela.

— Há pessoas que usam ocasiões inocentes em proveito próprio — retrucou Moody num tom ameaçador. — o meu trabalho é pensar como os bruxos das trevas pensariam, Karkaroff, como você deve se lembrar...

- Isso não vai ser bonito - falou Fred.

— Alastor! — exclamou Dumbledore em tom de aviso. Harry se perguntou por um momento com quem ele estaria falando, mas logo percebeu que "Mad-Eye" não poderia ser o verdadeiro nome de Moody.

- Nenhuma mãe é louca a este ponto - falou Lene.

Este se calou, embora ainda observasse Karkaroff com satisfação, o rosto de Karkaroff estava em brasa.

— Como foi que essa situação surgiu, não sabemos — disse Dumbledore dirigindo-se às pessoas reunidas na sala. — Parece-me, no entanto, que não temos alternativa alguma senão aceitá-la. Os dois, Cedric e Harry, foram escolhidos para competir no torneio. E, portanto, é o que farão...

Regulus franziu a sobrancelha. Parecia que Dumbledore não queria pensar no assunto. Com certeza, com tempo ele poderia encontrar uma solução um pouco melhor? Como uma forma de desclassificar Harry?

— Ah, mas Dumbly-dorr...

— Minha cara Madame Maxime, se a senhora tiver uma alternativa, ficarei encantado em ouvi-la.

Dumbledore aguardou, mas Madame Maxime não disse nada, apenas o fitou de cara amarrada. E não foi a única, tampouco. Snape parecia furioso, Karkaroff, lívido. Bagman, porém, parecia bastante excitado.

- Bom que alguém esteja do seu lado - falou Remus - Bagman não é o melhor, mas...

— Bom, vamos agilizar isso, então? — disse, esfregando as mãos e sorrindo para os presentes. — Temos que dar nossas instruções aos campeões, não é mesmo? Barty, quer fazer as honras da casa? — O Sr. Crouch pareceu despertar de um profundo devaneio.

— Sim — disse ele —, instruções. E... A primeira tarefa...

Encaminhou-se, então, para a claridade das chamas. De perto, Harry achou que ele parecia estar passando mal. Havia sombras escuras sob seus olhos e sua pele enrugada tinha uma aparência frágil que lembrava papel, traços que não estavam ali durante a Copa Mundial de Quadribol.

- Estranho - falou Alice, pensativa.

— A primeira tarefa destina-se a testar o arrojo dos campeões — disse ele a Harry, Cedric, Fleur e Krum —, por isso não vamos lhes dizer qual é. A coragem diante do desconhecido é uma qualidade importante em um bruxo... Muito importante...

— A primeira tarefa terá lugar, em vinte e quatro de novembro, perante os demais estudantes e a banca de juizes. É proibido aos campeões pedirem aos seus professores, ou aceitarem deles, ajuda de qualquer tipo para realizar as tarefas do torneio. Os campeões enfrentarão o primeiro desafio armados apenas de varinhas. Receberão informações sobre a segunda tarefa quando a primeira estiver concluída. Por força da natureza árdua e demorada do torneio, os campeões estão dispensados dos exames do fim do ano letivo.

Harry revirou os olhos. É, todas as regras foram seguidas, com certeza...

- Pelo menos uma coisa boa - falou James.

- Horrível - falou Lily - Ele vai estudar o ano inteiro e não vai ter a chance de provar?

- Tudo bem, mãe - Harry sorriu.

O Sr. Crouch virou-se para encarar Dumbledore.

— Acho que é só isso, não é, Alvo?

— Acho que sim — respondeu Dumbledore,

- Simples.

que observava o Sr. Crouch com uma leve preocupação. — Você tem certeza de que não quer pernoitar em Hogwarts, Barty?

— Não, Dumbledore, preciso voltar ao Ministério. Estamos passando um momento muito movimentado e muito difícil... Deixei o jovem Weatherby responsável pelo departamento... Muito entusiasmado... Um pouquinho demais, para dizer a verdade...

Os gêmeos estavam vermelhos de tanto rir.

- Nosso orgulho! - ironizaram - Weatherby...

— Você vai pelo menos tomar um drinque antes de partir? — convidou Dumbledore.

— Vamos, Barty, eu vou ficar! — disse Bagman animado.

- Acho que isso o desincentivou mais ainda - falou Ron.

— As coisas estão acontecendo em Hogwarts agora, sabe, está muito mais excitante aqui do que no escritório!

— Acho que não, Ludo — respondeu Crouch, com um toque de sua antiga impaciência.

— Professor Karkaroff, Madame Maxime, um último drinque antes de nos recolhermos? — perguntou Dumbledore.

Mas Madame Maxime já passara um braço pelos ombros de Fleur e a conduzia rapidamente para fora da sala. Harry ouviu as duas conversarem muito depressa em francês, ao atravessarem o Salão Principal. Karkaroff fez sinal para Krum e eles, também, agitados, saíram em silencio.

- É, acho que a diplomacia está indo mal - falou Lily.

— Harry, Cedric, sugiro que vocês vão se deitar — disse Dumbledore, sorrindo para os dois. — Tenho certeza de que Grifinória e Lufa-Lufa estão aguardando vocês para comemorar e seria uma pena privar seus colegas desta excelente desculpa para fazerem muito barulho e confusão.

Regulus revirou os olhos.

Uma pena que nem todo mundo queria comemorar, pensou Harry.

Harry olhou para Cedric, que concordou com a cabeça, e juntos saíram da sala.

O Salão Principal agora estava deserto; as velas já estavam pequenas, dando aos sorrisos serrilhados das abóboras um ar misterioso e bruxuleante.

— Então — disse Cedric com um sorrisinho. — Vamos jogar um contra o outro novamente!

— Acho que sim — respondeu Harry. Na realidade ele não conseguiu pensar no que dizer. Dentro de sua cabeça parecia haver uma desordem total, como se o seu cérebro tivesse sido saqueado.

- Muita coisa para processar - falou Neville com simpatia.

— Então... Me conta... — disse Cedric, quando chegaram ao saguão de entrada, que estava agora iluminado por archotes, na ausência do Cálice de Fogo. — No duro, como foi que você conseguiu inscrever seu nome?

— Não inscrevi — disse Harry erguendo os olhos para o colega. — Não pus o meu nome lá. Falei a verdade.

— Ah... Tá — respondeu Cedric. Harry percebeu que Cedric não acreditara nele. — Bom... A gente se vê, então!

Harry sentiu seu coração batendo dolorosamente. Era uma tortura ouvir sobre Cedric.

- Pelo menos ele foi amigável - falou Lene. Ela gostava de Cedric.

Em vez de subir a escadaria de mármore, Cedric rumou para a porta à direita. Harry ficou parado escutando-o descer os degraus de pedra, depois, lentamente, começou a subir os de mármore.

Será que mais alguém além de Ron e Hermione acreditaria nele ou iriam todos pensar que se inscrevera no torneio? Contudo, como é que alguém podia pensar uma coisa dessas, quando ele ia enfrentar competidores que tinham mais três anos de educação mágica — quando ia enfrentar tarefas que não somente pareciam perigosas, mas que deveriam ser executadas diante de centenas de pessoas? E, ele pensara nisso... Devaneara sobre isso... Mas fora brincadeirinha, verdade, uma espécie de sonho descomprometido... Jamais considerara seriamente se inscrever, verdade...

Sirius sentia o impulso de gritar com Harry e fazê-lo entender que isso não importava, de uma forma ou de outra, ele teria que participar do torneio. Mas não ia adiantar, isso fora há anos.

Mas alguém considerara isso... Alguém quisera vê-lo no torneio, e tomara providências para tanto. Por quê? Para lhe fazer um gosto? Tinha a impressão que não...

James sentiu pena do filho. Devia ser péssimo todo ano tentar descobrir quem estava querendo matá-lo.

Para vê-lo fazer papel de bobo? Bom, provavelmente ia ter o seu desejo satisfeito... Mas, para vê-lo morto? Moody estaria agindo com a sua paranóia habitual? Alguém não poderia ter posto o nome de Harry no Cálice de Fogo de brincadeira, para pregar uma peça? Será que alguém queria realmente vê-lo morto?

Essa pergunta Harry pôde responder na hora. Sim, alguém queria vê-lo morto, alguém queria vê-lo morto desde que tinha um ano de idade... Lord Voldemort.

A resposta mais óbvia é a resposta, pensou Harry.

- Não pode ser - falou Dorcas assustada.

Mas como é que o bruxo conseguira providenciar para que o nome de Harry fosse posto no Cálice de Fogo? Estava supostamente muito longe, em algum país distante, escondido, sozinho... Fraco e impotente...

Mas Voldemort surgiu do nada, pensou Alex. Ele é capaz de se reerguer.

No entanto naquele sonho que tivera, pouco antes de acordar com a cicatriz doendo, Voldemort não estava sozinho... Estava falando com Rabicho... Conspirando para matar Harry...

- Talvez não tenha sido um sonho - sugeriu Lene hesitantemente. Era uma hipótese perigosa, mas não conseguia tirá-la da cabeça.

Harry levou um choque ao se descobrir diante da Mulher Gorda. Mal reparara aonde seus pés o levavam. Foi também uma surpresa ver que ela não estava sozinha na moldura. A bruxa encarquilhada, que passara para o quadro vizinho quando ele fora se reunir aos campeões na sala embaixo, agora estava sentada, toda cheia de si, ao lado da Mulher Gorda. Devia ter corrido pelos forros de todos os quadros de setes escadas para chegar ali antes dele. As duas, ela e a Mulher Gorda, o miravam com o maior interesse.

— Ora muito bem — disse a Mulher Gorda —, Violeta acaba de me contar tudo. Então quem foi afinal o escolhido para campeão da escola?

Asnice — disse Harry sem emoção.

— Certamente que não é! — protestou a bruxa pálida, indignada.

— Não, não, Vi, é a senha — explicou a Mulher Gorda para acalmá-la, e rodou nas dobradiças para deixar Harry entrar na sala comunal.

- Até os quadros são fofoqueiros.

O estardalhaço que feriu os ouvidos de Harry quando o retrato girou quase o derrubou de costas. A próxima coisa de que teve consciência foi que estava sendo arrastado para dentro da sala por uns doze pares de mãos, diante dos alunos da Grifinória em peso, que gritavam, aplaudiam e assobiavam.

— Devia ter nos avisado de que tinha se inscrito! — berrou Fred parecia meio aborrecido e meio impressionado.

- Eu estava os dois - admitiu. Claro que estava orgulho por Harry, mas queria ter tido a chance.

— Como foi que você fez isso, sem ficar barbudo? Genial — rugiu George.

Harry sorriu. Os gêmeos sempre foram bons com ele.

— Não fiz — disse Harry. — Não sei como foi que...

Mas Angelina agora se atirava em cima dele.

Sirius fez uma cara maliciosa. Harry revirou os olhos.

— Ah, se não pôde ser eu, pelo menos foi alguém da Grifinória...

- Diggory ignorado com sucesso - falou Frank.

— Você vai poder dar o troco ao Diggory por aquela última partida de Quadribol, Harry! — gritou a voz fina de Katie Bell, outra artilheira da Grifinória.

- Porque é isso que importa.

— Temos comida, Harry, venha comer alguma coisa...

— Não estou com fome, comi bastante no banquete...

Mas ninguém quis ouvir falar de sua falta de apetite, ninguém quis saber que ele não pusera o nome no Cálice de Fogo, ninguém parecia ter notado que ele não estava com a menor disposição de comemorar... Lee Jordan desencavara uma bandeira da Grifinória em algum lugar, e insistia em enrolá-la em Harry como uma capa.

- Desculpe, Harry, estávamos felizes por você - falou Neville, culpado.

- Tudo bem, Neville, não tinha como vocês saberem - disse Harry.

Harry não conseguiu fugir; sempre que tentava escapulir até a escada dos dormitórios, os colegas à sua volta cerravam fileiras e o forçavam a aceitar mais uma cerveja amanteigada, metendo salgadinhos e amendoins nas mãos dele... Todos queriam saber como é que ele fizera aquilo, como ludibriara a linha etária de Dumbledore e conseguira depositar o nome no Cálice de Fogo...

— Não fui eu — repetia ele sem parar —, não sei como foi que aconteceu.

- Na verdade, ainda estou processando - acrescentou.

Mas pela pouca atenção que os colegas lhe davam, os protestos do garoto não faziam a menor diferença.

— Estou cansado! — berrou ele finalmente depois de quase meia hora. — Não, é sério, George, vou me deitar...

- Foi mal, Harry - pediu o ruivo.

- Nada.

A coisa que ele mais queria era encontrar Ron e Hermione para buscar um pouco de sanidade, mas nenhum dos dois parecia estar na sala comunal.

Ron e Hermione se entreolharam culpados.

Insistindo que precisava dormir, e quase achatando os irmãozinhos Creevey quando tentaram desviá-lo ao pé da escada, Harry conseguiu se livrar de todo mundo e subiu para o dormitório o mais depressa que pôde.

- Vai que alguém mudava de ideia - falou assustado.

Para seu grande alívio, encontrou Ron, ainda vestido, deitado na cama de um dormitório em que não havia mais ninguém. Ele ergueu os olhos quando Harry entrou batendo a porta.

— Por onde você andou? — perguntou Harry.

— Ah, olá — respondeu Ron.

Sorria, mas parecia um sorriso muito estranho e tenso.

Ron sentia-se imensamente culpado e estava com vergonha da cena que leriam agora.

Harry, de repente, se deu conta de que ainda vestia a bandeira vermelha da Grifinória que Lee amarrara nele. Apressou-se em despi-la, mas o nó estava muito apertado. Ron continuou deitado na cama sem se mexer, apreciando os esforços de Harry para retirar a bandeira.

- Inútil - resmungou Ginny.

— Então — disse ele, quando Harry finalmente conseguiu remover e atirar a bandeira a um canto. — Meus parabéns.

— Que é que você quer dizer com parabéns? — perguntou Harry encarando-o.

Decididamente havia alguma coisa esquisita no jeito com que Ron sorria, parecia mais uma careta.

Ginny colocou a mão na testa, sabendo o que viria a seguir.

— Bom... Ninguém mais conseguiu atravessar a linha etária. Nem mesmo Fred e George. Que foi que você usou, a Capa da Invisibilidade?

- O Torneio não seria enganado por algo tão simples.

— A Capa da Invisibilidade não teria me ajudado a atravessar aquela linha — disse Harry lentamente.

— Ah, certo. Achei que você teria me contado se fosse a capa... Porque ela poderia cobrir nós dois, não é mesmo? Mas você encontrou outro jeito, não foi?

- Parece que você passou bastante tempo pensando nisso - falou Regulus friamente. Não gostava de onde isso estava indo.

— Escuta aqui. Eu não depositei meu nome naquele cálice. Deve ter sido outra pessoa.

Ron ergueu as sobrancelhas.

— Por que alguém faria uma coisa dessas?

— Não sei. — Harry achou que seria muito melodramático dizer para me matar.

Alice revirou os olhos, o que isso importava quando era a verdade?

Ron ergueu as sobrancelhas tão alto que elas correram o risco de desaparecer sob seus cabelos.

— Tudo bem, a mim você pode contar a verdade. Se você não quer que o resto do pessoal saiba, ótimo, mas não sei por que está se dando ao trabalho de mentir, você nem ficou mal por isso, não é? A amiga da Mulher Gorda, a tal da Violeta, já contou a todo mundo que Dumbledore vai deixar você competir. Mil galeões de prêmio, hein? E nem vai precisar prestar os exames de fim de ano...

- É, bem divertido - falou Regulus secamente.

— Eu não pus o meu nome naquele cálice! — disse Harry começando a se aborrecer.

- Oh, não - falou Lily, não queria presenciar (indiretamente) uma briga entre os dois.

— Ah, tá — retorquiu Ron com o mesmíssimo tom cético de Cedric. — Só que ainda hoje de manhã você disse que teria posto à noite passada sem que ninguém o visse... Eu não sou burro, sabe?

— Pois está parecendo — disse Harry com rispidez.

- HARRY! - gritou Lily na mesma hora que Hermione gritava: - RON!

- Vocês parecem duas crianças birrentas - falou Sirius.

Remus olhou despontado para Ron. Ele devia saber que Harry não mentiria para ele, embora o Potter também não estivesse lidando da melhor forma.

— Ah, é? — respondeu Ron, mas agora não havia nenhum vestígio de sorriso em seu rosto amarelo ou de qualquer cor. — Você está querendo se deitar, Harry, imagino que vai precisar se levantar cedo amanhã para a sessão de fotografias, ou seja, lá o que for.

- Não acredito que você disse isso, Ron Weasley - falou Ginny. O mundo inteiro sabia o quanto Harry odiava a própria fama.

- Isso não importa agora - falou Harry. Já era besteira.

E fechou com força as cortinas em torno de sua cama de colunas, deixando Harry parado ali à porta, encarando as cortinas de veludo vinho, que agora escondiam uma das poucas pessoas que ele contara que fosse acreditar nele.

- Você parece péssimo - comentou Josh.

- Eu estava - concordou Harry.