– Você tem certeza disso, Hiashi? – perguntou com seriedade o Kazekage.

– Tenho – o outro respondeu firmemente.

– Eu ainda não sei se concordo. – Rasa cruzou seus braços sobre sua mesa. – Que bem fará adiar isso? O quanto antes nós contarmos, mais tempo eles terão para se acostumar com a ideia desse matrimônio.

– Eu não posso dizer a respeito de Gaara, Kazekage-dono. Mas Hinata ainda é muito nova, apenas uma criança e não saberia lidar com tal coisa... Não ainda – argumentou.

Para Hiashi, aquele era um assunto delicado. Hinata era do tipo de pessoa que se importava e sentia demais. Era algo ele vinha tentando corrigí-la, pois os outros a usariam por sua bondade.

Tão bondosa... Tal como sua mãe. Hiashi não pôde deixar de notar o quão sua filha lembrava a Hikari, sua falecida esposa. As duas se assemelhavam em muito, mas isso agora seria apenas um problema; uma mera distração. Hinata tinha de estar focada apenas no clã Hyuuga e suas habilidades. Nada mais.

– E quando pretende contar para ela? – o Sabaku questionou. – Um dia antes da cerimônia? – Havia ironia em seu tom de voz, mas o líder Hyuuga prontamente a ignorou.

– Contarei quando achar que ela estiver pronta – falou calmamente. – Mas não se preocupe, farei com que ela saiba de tudo no mínimo um ano antes da cerimônia.

Para Rasa, era no mínimo engraçado ver alguém tão frio quanto Hyuuga Hiashi se mostrar tão preocupado com os sentimentos de alguém. Mesmo que essa pessoa fosse sua própria filha, no mundo em que viviam não havia espaço para esses sentimentos. No entanto, dadas as circunstâncias, ele estava disposto a considerar as palavras do homem à sua frente. Não importa como, quando ou onde, não é mesmo? Não tinha nada a perder.

– Entendo – retorquiu. – Então faça como achar melhor. Privarei meu filho sobre isso também. Nós e os anciãos, somos os únicos que sabemos.

– Eu agradeço. – Hiashi fez uma breve reverência com a cabeça. – Existe mais algum assunto que precisamos resolver?

– Sim, existe – não hesitou em sua resposta. – Sua filha se tornará a próxima líder Hyuuga e não poderá abandonar Konoha. No entanto, Gaara será um Kazekage, e sua saída de Suna está completamente fora de questão. Onde os dois viverão depois de já unidos?

– Não há porque ter tanta pressa sobre isso. Ainda temos oito anos pela frente até o casamento. Há tempo o suficiente para resolvermos os detalhes. Mas agora, com sua licença, tenho alguns assuntos a tratar com os anciãos.

– Certo. – Rasa levantou-se recebendo outra reverência do líder Hyuuga e devolveu-a brevemente. Em seguida, Hiashi se retirou em passos largos.

Já sozinho em seu próprio escritório, Rasa agarrou uma kunai entre os dedos e a atirou rápida e precisamente em direção a um olho que flutuava em um canto escuro da sala, completamente oculto. Ou melhor, quase. Poucas coisas passavam despercebidas por seus sentidos, e ele reconhecia muito bem aquele jutsu. Apesar da velocidade da kunai, o olho desmanchou-se em areia antes que fosse atingido.

No topo da Torre do Kazekage, Gaara sorriu de lado atrevidamente quando Rasa apareceu em sua frente.

– Tarde demais – replicou o Sabaku menor.

Rasa respirou profundamente.

– Espero que você não se torne um problema sobre isso, Gaara. Já estou ocupado o suficiente para perder meu tempo com você.

– Tão ocupado decidindo meu futuro que não tem tempo pra mim? Não sabe o quão meu coração está despedaçado agora – disse em tom entediado, inclinando levemente a cabeça para o lado.

– Me poupe de suas piadas. Sabe das responsabilidades e deveres que tenho com a Vila – franziu as sobrancelhas e estreitou os olhos para o filho caçula. – E o dever que você tem.

Gaara retornou-lhe o olhar com ocioso desdém.

– Não lembro de ter me comprometido com nada.

– Compromissou-se ao ter nascido um Sabaku – esbravejou irritado o Kazekage. –Não há escolhas aqui, Gaara.

Sem mais uma palavra, Gaara se levantou e começou a se afastar, mas quando já estava na beirada da torre, parou ao ouvir Rasa o chamando.

– Isso deve ser mantido em sigilo ainda. Ninguém deve saber – Rasa relembrou, mesmo sabendo que o Sabaku menor assistira toda conversa anterior com o líder Hyuuga, mas achou necessário reforçar. – Principalmente a herdeira Hyuuga.

Gaara apenas lhe deu um último olhar por cima do ombro direito, antes de desaparecer em areia. Rasa entendeu aquilo como uma confirmação e voltou para seu escritório.


Em um beco sombrio e gelado da cidade, Gaara estava recostado em uma parede de braços cruzados. Seu cenho se franzia enquanto analisava e pensava sobre a situação em que estava.

O futuro arranjo poderia ser uma vantagem para ele. Um dos deveres como herdeiro Kazekage era o de continuar a linhagem do clã. Ele duvidava que algum dia alguma mulher se aproximaria mais de cinco metros dele intencionalmente, sem que fosse para matá-lo.

Que se fodam os deveres, pensou amargamente, lembrando das palavras de seu pai.

– Tcs. Um dever com a Vila... – escarneou. – Quando metade dela quer me ver longe, e a outra metade quer minha cabeça em uma estaca. Que se foda a Vila.

Uma coisa para ele era certa, não gostava nem um pouco da ideia de ser controlado. Não era nenhum tipo de marionete como as de Kankuro. Mataria qualquer infeliz que tentasse manipular seu futuro.

A ideia em sua mente não soou nem um pouco mal.

Em um instante, ele surgiu no terraço do prédio da parede da qual estava encostado há pouco, observando o céu escuro e estrelado.

– Talvez... seja chegada a hora de visitar minha futura esposa – sussurrou obscuramente. Eu vou acabar com isso. Nem que tenha que começar uma guerra.

Ele tinha a visto mais cedo naquele dia. Ele nunca esquecia de um chakra, e o dela foi particularmente fácil de localizar. Desde que vira o da herdeira Hyuuga, sentia como se já o tivesse gravado há anos, e no entanto, tinha sido a primeira vez que pusera os olhos naquela garota. Não pôde reconhecer precisamente suas feições, pois ela não demorou muito a perceber que estava sendo observada, apesar de não tê-lo visto no alto da Torre.

Porém, o que mais o intrigava não era o fato de ele estar familiarizado com o chakra de uma pessoa que não conhecia, mas sim que Shukaku não parara de rugir um instante sequer, desde que ele a avistara. Não emitia uma única palavra, mas também, nunca estivera tão barulhento.


A areia não se movia. Se recusava a obedecer suas ordens silenciosas. Gaara viera apenas com um único motivo fixado em sua mente:

Matá-la...

Todavia, parecia que sua areia não estava de acordo com seus planos. Isso nunca aconteceu antes; não desta forma. Suas ordens sempre foram absolutas e instantaneamente obedecidas. A única ordem que sua areia falhava em obedecer, era a de não protegê-lo.

Sentado em cima de um muro, ouvindo os incessantes rugidos de sua besta e observando a garota fazer seus golpes em um poste de treinamento, Gaara sabia que podia o fazer com suas próprias mãos. Afinal, ela era uma menina pequena e magra. Quebrá-la não seria nenhum problema.

Foi então que Hinata percebeu sua presença. Gaara viu as veias ao redor de seus olhos se sobressaírem em sua pele no doujutsu de seu clã. Ela girou sobre si e o encarou, já se colocando na posição de seu taijutsu.

No momento em que seus olhos se encontraram, Shukaku se silenciou imediatamente, e Gaara não teve outra escolha senão silenciar-se também, e observar. A garota à sua frente estava ansiosa e extremamente nervosa com sua presença.

– Q-Quem é você? – ela lhe perguntou.


Ele andara para o sul, sem qualquer destino certo em mente. Agora, sentado entre as dunas, percebia que deveria estar a quilômetros de distância de Suna, ou de qualquer outra habitação.

Gaara precisava pensar. Estava atormentado, confuso como há muito tempo não se sentia. De repente, as coisas pararam de fazer sentido.

Ele não conseguiu matá-la.

Não sabia como lidar com o comportamento de Shukaku. Estava tão agitado desde que sentira a presença dela, mas quando ela os olhou pela primeira vez, de repente... ele se acalmou. O Sabaku tentara se comunicar com a besta por inúmeras vezes, mas Shukaku nada dizia.

E então vinha a areia, que na presença daquela garota, decidira simplesmente não mais o obedecer. Agia de maneira estranha, como se fosse de alguma forma atraída pela herdeira Hyuuga como próprio imã.

E havia também... Ele mesmo. Gaara tinha de admitir: o único motivo de aquela garota ainda respirar, fora porque ele decidiu que assim seria. O jinchuuriki sabia que não foi a areia ou Shukaku que de fato o impediu de tirar a vida dela. Não, a verdade é que ela o intrigava. Seus gestos, o vermelho em seu rosto, seu estilo de luta, seus olhos que lembravam duas grandes luas cheias. Sua aura emanava inocência pura, e ao mesmo tempo, uma persistência que ardia como brasas. Cada detalhe nela, lhe parecia convidativo. Ele simplesmente não queria matá-la.

Gaara olhou para o céu acima que tingia-se lentamente de um azul mais claro. A lua já havia partido e aos poucos levava as estrelas consigo. No horizonte, uma forte luz amarelada anunciava a chegada do sol. Estava amanhecendo.

A lua. Não deixe-a partir. A lua... é minha. A LUA ME PERTENCE – Shukaku esbravejou sonoramente, e Gaara não estava surpreso. A bem da verdade, era exatamente por isso que aguardava.

Tornara-se rotineiro. Toda manhã, quando o sol nascia, Shukaku repetia aquela mesma frase. Gaara nunca entendera o que o demônio do deserto poderia querer dizer com aquilo, e tampouco se importava. Tudo o que importava naquele momento era que o Ichibi despertara, e poderia então finalmente responder as perguntas que embaçavam sua mente já nebulosa pelas mesmas.

Gaara fechou os olhos e se pôs em posição meditativa. Inspirou o ar por suas narinas, e deixou-o escapar por sua boca. O fez algumas vezes, e não muito tempo depois estava em frente ao Ichibi, nos profundos poços de sua consciência. A besta erguia-se descomunalmente em sua grandeza. Ao longo de sua pele marrom-areia, haviam marcas azul escuras de seu selo amaldiçoado. As íris amareladas se destacavam em suas escleras negras como carvão.

– Vejo que já despertou, Shukaku – solene, cumprimentou.

E quem disse que estava dormindo? – Shukaku pôs se a gargalhar, escancarando sua gigantesca boca maciça. – Não se engane criança. Eu não te daria a chance de descansar de fato. Estarei bem desperto quando você fechar seus olhos sonolentos, e quando eu te possuir, talvez você não volte a abri-los.

Gaara franziu o cenho incomodado.

– Não pretendo que seja tão cedo, não se preocupe. Mas não é sobre meu sono que vim conversar.

Não? – perguntou em falsa surpresa. – Ah, entendo. É sobre a Hyuuga que veio falar, não é? – e gargalhou novamente.

– Você a conhece.

Shukaku o encarou. Não se tratava de uma pergunta.

Não, Sabaku. Não conheço a garota. Mas de uma coisa eu tenho certeza: conheço o sangue dela. Ah sim, não há dúvida…

– Você a deseja – Gaara se atreveu a dizer. – Por quê?

Você fala como se eu fosse o único – a besta riu sarcasticamente. – Sim, eu desejo o sangue da garota, mas não da forma que imagina, Sabaku. Mas você não entenderia. Não ainda. – E então as brutas feições do Ichibi tornaram-se sérias; ele aproximou-se pesadamente e silabou para Gaara em tom de quem não brincava. – Se tirar uma gota sequer de sangue dela, criança, garanto-lhe que se arrependerá.

De volta as dunas, Gaara abriu os olhos.

Sobre isso, não precisa se preocupar, Shukaku, pensou. Quem se atrever em tocá-la, eu farei pessoalmente com que se arrependa.


Andando pelas ruas de Suna, Hinata aproveitava o último dia que ficaria na Vila. Desde que seu pai e ela chegaram, passara-se uma semana, e no fim da tarde eles partiriam de volta para Konoha.

Seu pai, na maior parte do tempo estava em importantes reuniões. Ela, que geralmente ficava sozinha, aos poucos se acostumou com o clima do deserto, e o turbante já não mais a incomodava. Ela se encontrara de vez em quando com Temari e Kankuro, e os dois sempre que podiam, lhe mostravam uma parte de Suna que ela ainda não conhecia.

Sentiria falta deles. Desde o início, os dois sempre foram muito gentis com ela, e Hinata sentia-se mais do que grata.

Ao mesmo tempo, estava feliz de estar voltando para casa. Tinha saudades de Hanabi, de Kō, seu guardião, e da brisa fresca de Konoha.

Parando em frente à uma pequena barraca de roupas, Hinata se permitiu passar um tempo olhando os vestidos, e não demorou muito para que se visse encantada. Haviam vestidos de todas as cores e tamanhos, de tecidos leves e esvoaçantes. Um em particular lhe chamou atenção. Era um vestido vermelho escarlate. Tinha vários detalhes e desenhos de pequenos redemoinhos em um dourado que lembrava ouro puro. A saia era separada da parte de cima, fazendo com que a barriga de quem o usasse ficasse exposta.

– É realmente... muito bonito – divagou.

Ao olhar mais um pouco para o vestido, o vermelho de seu tecido fez Hinata lembrar em como o cabelo vermelho de Gaara balançava ao vento frio naquela noite. Desde então, ela nunca mais o vira. Haviam muitas perguntas ao redor daquele garoto que mantinham a Hyuuga em curiosidade.

Por que ele não apareceu na reunião em que seriam apresentados? Por que resolveu visitá-la tão tarde da noite? Como sabia seu nome se não tinham sido apresentados? Qual era a relação que ele tinha com os irmãos e o pai? Por que seu chakra era tão estranho, e simultaneamente tão familiar para ela? Como ele conseguia manipular a areia daquela forma? Ele realmente não tinha nenhum amigo? Por quê?

Hinata balançou a cabeça negativamente, como se assim enxotasse todas as dúvidas dela. Não devia se fazer tantas perguntas que muito provavelmente não seriam respondidas. Resolveu, por fim, que não era de sua conta e voltou a caminhar.

Depois de não muito tempo andando, ela viu uma senhora que carregava nas costas um saco que parecia muito pesado, lhe fazendo parar pelo esforço tomado. Hinata não pensou duas vezes.

– Com licença, a senhora precisa de ajuda? – perguntou timidamente.

A velha mulher de cabelos esbranquiçados lhe olhou um pouco surpresa, com olhos castanhos que pareceram cintilar por um instante, mas logo lhe sorriu.

– Ora, mocinha, não é necessário. Não quero incomodar.

– N-Não é incômodo algum, senhora. – E era verdade. Ainda era manhã, e Hinata não tinha nada planejado, então, não tinha pressa alguma. – Ficarei feliz se puder ajudar.

– Bom, se é assim eu ficarei muito grata.

As duas começaram a caminhar novamente. O saco estava de fato muito pesado, e apesar de lhe tomar bastante esforço, não era nada que Hinata não pudesse aguentar.

– É aqui, chegamos – disse a velhinha ao chegarem em uma barraca, e logo Hinata percebeu que era a mesma da qual parara há algum tempo para olhar os vestidos.

– Esta barraca é sua? – perguntou curiosa.

– Oh, é sim, mas não foi sempre. Primeiro foi de meu avô, e então de minha mãe, e então foi passada para mim. Minha mãe começou a vender roupas, mas as vendas não estão indo muito bem agora. Ninguém mais quer comprar estes trapos velhos. Por isso estou trazendo este saco pesado comigo. Voltarei a vender peixe como meu avô. Não é fácil conseguir peixe por aqui, como é de se esperar. Mas a cada duas semanas uma caravana vem do País da Água trazendo produtos marítimos. Podem ser caros, mas com certeza lucram muito mais aqui, e... – interrompeu-se, parecendo ter percebido algo. – Oh, me desculpe, devo estar falando demais.

Hinata riu suavemente de sua falácia.

– Não se preocupe – disse. – Eu gosto de ouvir. E... é uma pena que pare de vender essas roupas. São todas muito bonitas. Especialmente o vestido vermelho.

– Você gostou? É um vestido de dança do ventre. Pode pegá-lo se quiser.

– N-Não! De forma alguma. Não quero lhe prejudicar – Hinata ruborizou. – É muita gentileza, mas eu terei de recusar. Além do mais, e-ele é muito grande para mim.

– Ora, não precisa se acanhar. Pode ser grande agora, mas você não ficará deste tamanho para sempre, certo? Vamos, aceite como agradecimento por ter me ajudado. Ademais, eu provavelmente o jogaria fora mais tarde. Não será prejuízo nenhum.

– A senhora não se importaria? Realmente?

– Mas é claro que não! Vou empacotar para você.

Enquanto empacotava o vestido, as duas perceberam que ainda não tinham se apresentado, e Hinata descobriu que o nome da senhora que ajudara era Onaki. Hinata passou o fim da manhã escutando histórias da vida de Onaki, e também, contando um pouco da sua.

Quando quase meio dia, Hinata percebeu o sol alto, e se despediu de Onaki agradecendo imensamente pelo vestido. A mesma se despediu desejando boa viagem e que voltasse o quanto antes para Suna para visitá-la.

Hinata estava muito feliz. Fizera uma nova amizade e tinha em mãos um vestido maravilhoso. Era verdade que ainda não lhe servia, mas a perolada era paciente. Sabia que um dia teria a oportunidade de usá-lo.

A Hyuuga estava quase na esquina de sua nova casa provisória, quando repentinamente, mais uma vez sentiu que tinha companhia. Porém, desta vez não era Gaara quem a acompanhava. Ela ativou o byakugan, e virando-se para trás, reuniu coragem e perguntou:

– Quem está aí?

Da parede, um ninja surgiu em um jutsu que Hinata não reconhecia. Ele era um homem alto de pele clara e dentes afiados. Seu cabelo era mediano e negro, e estava preso em um rabo de cavalo. Hinata sentia o forte cheiro de peixe, quando notou a bandana que ele usava.

– Você tem que me acompanhar, Hyuuga – disse o estranho, já sacando duas kunais de seu bolso.

Vila Oculta da Névoa..., pensou Hinata, e esse cheiro de peixe. Ele só pode ter vindo junto com a caravana... Mas, por que me atacar? Ele está recebendo ordens ou é um autônomo?

A Hyuuga não sabia quais eram as intenções daquele ninja, mas tinha certeza que não era a hora certa para buscar respostas. Primeiro, se preocuparia com sua própria vida. O homem à sua frente era um chūnin, ou até mesmo um jounin. Ela não poderia lutar, sabia que não tinha chances. E pelo jeito o homem não lhe deixaria muito tempo para pensar, pois já se aproximava dela com as afiadas kunais em mãos. Hinata não tinha escolha, teria de fugir.

Com agilidade, a menor pegou uma bolinha vermelha do bolso de sua calça e a atingiu no chão, criando uma grande cortina de fumaça, apenas para dar-lhe tempo suficiente para sumir e reaparecer à alguns metros de distância e continuar a correr do ninja da Névoa. Sua distância nesse jutsu ainda era curta, mas ela acreditava que seria o bastante para fugir e encontrar alguém que pudesse ajudá-la. Foi então que sentiu uma corrente de água agarrá-la pelos tornozelos e atirá-la contra uma parede.

Hinata caiu sentada no chão, sentindo pontadas ardentes em suas costas. Tentou se levantar, mas o jutsu de água continuava a prendê-la. O homem materializou-se em sua frente.

– Você custará muito no mercado clandestino, Hyuuga. Especialmente esses seus olhos brancos.

Ele se aproximava cada vez mais, esticando uma das mãos em direção ao seu rosto. Hinata já não tinha mais forças, e não sabia o que poderia fazer. Lágrimas de impotência encheram seus olhos, e lhe custou muito segurá-las. Sua visão começou a ficar turva. Tinha batido a cabeça com força na parede.

Quando suas esperanças já se acabavam, o ninja estranho foi repentinamente levado em um forte puxão para trás. Ele tentou fazer um jutsu com as mãos, mas antes que terminasse os selos, uma enorme quantidade de areia cercou seu corpo e o imobilizou.

Caixão de Areia – foi a última coisa que Hinata escutou, antes que seus olhos se fechassem, e ela por fim desmaiasse.