Notas Iniciais:
Esta história apresenta uma trupe fictícia chamada Harotsuka, qualquer fato relatado é pura ficção, mas eu me inspirei em um grupo especializado em musicais que realmente existe chamado Takarazuka Kagekidan. Por outro lado, os dados fornecidos não serão fidedignos. Afinal, o grupo é meu e eu faço o que quero!
Já Sailor Moon não me pertence, não lucro nadinha com isto. Às vezes, nem comentário... (pescou?)


Olho Azul Apresenta:

Na Cabeça,
No Coração

Capítulo 3

Escondida atrás de uma construção no topo de um prédio, Usagi olhou de volta para a pessoa a seu lado. Ele tentava mantê-la imperceptível, com uma mão protetora puxando-a para si pelo ombro. Não queria ver Mamoru ali, de smoking e máscara. Aquele era o Tuxedo Kamen. Não Mamoru Chiba. Mas ela apenas suspirou ao encontrar o mesmo rosto que se acostumara a ver quase diariamente no meio de seu caminho.

— Aí estão! — ouviu Zoicite dizer antes de o próprio surgir do topo da construção que até então os ocultava. Ele saltou para a frente de ambos e gargalhou daquela forma típica de um vilão. Ou talvez com um tom mais musical?

Tudo o que Usagi sabia era que precisava de um descanso maior. Suas pernas tremiam de exaustão, seu estômago doía depois de todo o esforço com a fuga e sua mente havia declarado estado de calamidade. Desejou distraidamente ter ignorado o chamado de seu comunicador e seguido com Mamoru até a casa de Nao e depois estar em um set cercada de comida e artistas. Então, percebeu que nada teria mudado. Por algum motivo, Nao estava agora com suas amigas — felizmente em segurança — e Mamoru se encontrava bem a seu lado. Não havia estado de negação que sobrevivesse à certeza.

— Pois bem, Tuxedo Kamen. Não foi muito inteligente continuar com sua protegida, foi? Ou esqueceu que meu negócio se limita à sua pessoa. Melhor, aos cristais que você possui neste momento. — Zoicite estendeu a mão. — Darei a última chance de entregá-los e pronto, damos meia-volta e vamos embora.

— Preferia aquele duelo que você tinha sugerido — Mamoru... Tuxedo Kamen respondeu.

— Acho que já nos cansamos o bastante por um dia. E uma dica, eu não pretendia honrar minha parte do acordo. — Zoicite olhava para um ponto indefinido enquanto falava.

Tuxedo Kamen foi mais rápido. Ao perceber o plano de atingi-los pelas costas com seu golpe, jogou o corpo sobre Usagi, que pôde apenas gritar com o susto. Jurava haver visto as pontas afiadas furarem as costas de Tuxedo Kamen. Contudo, ao recuperar o controle sobre sua respiração, sobre sua visão, percebeu que um contra-ataque conseguira desfazê-las antes que atingissem alguém.

— Sailor Moon! — Mars havia chegado acompanhada por Jupiter e Venus.

— Zoicite! — Venus apontou o dedo para o mesmo, o próprio nome pronunciado soava como se estivesse lançando uma maldição.

— Onde está Kunzite? — ele indagou, uma sombra de desespero cobriu sua expressão ao identificar Sailor Venus.

Venus riu com presunção.

— Fugiu.

Usagi distinguiu alívio no rosto de Zoicite, que parecia haver recuperado sua postura usual. Ele fez uma mesura para ela e Tuxedo Kamen e ofereceu uma risada para Venus.

— Creio que nossa conversa ficará para a próxima, então. — Seus olhos focaram Tuxedo Kamen enquanto ele desaparecia.

Sem esconder a preocupação com a ameaça, Usagi levantou-se e perguntou a ele:

— E agora, o que você vai fazer?

Se Zoicite conhecia sua identidade real, não lhe custaria capturar alguém com quem ele realmente se importasse e trazer ao Dark Kingdom os cristais restantes. Junto ao Cristal de Prata.

Mas quando voltou o corpo a Tuxedo Kamen, ele também já havia desaparecido.

— Sailor Moon — ouviu Jupiter chamá-la com impaciência, como se não fosse a primeira vez.

Havia se distraído, ainda olhando o espaço onde Mamoru não mais estava.

— O que houve aqui? — inquiriu-lhe Mars. — Não achava que aquele sujeitinho pudesse ficar ainda mais convencido.

Usagi pressionou os lábios, mas não conseguiu explicar. Não conseguiu revelar a verdade sobre Tuxedo Kamen. Então, recordou-se de uma questão ainda mais urgente.

— Onde está a Mercury? E a Nao-san?

Jupiter sorriu.

— Mercury ainda a está acompanhando para mais longe enquanto voltávamos para te ajudar. Mas aí só encontramos a Sailor Venus acabando com a raça daquele outro sujeitinho. Precisava vê-la pondo-o pra correr!

— Sailor Moon! — Mercury juntou-se ao grupo pouco depois. Antes que lhe perguntassem, ela esclareceu: — Eu a levei até uma rua movimentada e esperei escondida até que pudesse entrar em um táxi. Está tudo bem agora. Não pareciam realmente interessados nela. — Então, repassou uma pequena folha de papel para Usagi. — Ela me pediu que lhe entregasse este cartão como agradecimento.

Usagi pegou o pegou o mesmo com mãos incertas. Agora notava ser um desses cartões de apresentação, onde podia ler o nome de Nao — ao menos seu primeiro nome escrito em hiragana, pois não conseguiu ler imediatamente o sobrenome em kanji — e um logotipo de alguma empresa de talentos. A escrita apressada à mão não era apenas um agradecimento. Junto a um "muito obrigada" estavam números. Dia e hora.

— Parece que nossa reunião terá que ser adiada... — Jupiter comentou, distraindo Usagi sobre o significado daquela mensagem.

No horizonte, o sol já se punha e, até chegarem ao templo de Rei, já estaria completamente escuro. Usagi assentiu sem disfarçar o contentamento com a notícia.

— Acho que podemos fazê-la aqui mesmo — anunciou Mars.

— Mas Luna disse ter algo para nos mostrar — Mercury lembrou. — Está com você?

— Na verdade, não era bem algo.

Todas se viraram para Sailor Venus ao ouvirem sua voz. Absorta no diálogo com suas amigas de sempre, Usagi a olhou com surpresa, como se a percebesse pela primeira vez. Ainda não estava acostumada com sua existência em carne e osso, apesar de logo cedo estar pensando em como também já não era mais normal vê-la como uma heroína distante de sua realidade.

Venus fez um aceno de cabeça e exibiu um sorriso bem diferente do que mostrava aos inimigos. Era jovial, talvez até brincalhão.

— Eu entrei em contato com a Rei, pois já era hora de nos conhecermos oficialmente. — Apontou com o dedo para o próprio nariz e continuou: — Sou Minako Aino, estudante do nono ano.


Usagi apertou o passo para chegar a tempo de ainda poder encontrar Nao, arrependida em parte por não haver compartilhado o conteúdo do cartão com suas amigas. Inicialmente, não ficara quieta de propósito. Ver um ídolo como Sailor Venus ser adicionado ao grupo havia sido uma emoção forte demais para pensar que os problemas daquele dia continuavam. Era tanto em sua cabeça que se permitiu ignorar tudo de ruim e se concentrar em dar as boas-vindas a Minako.

Quando chegou em casa e trocou de roupa, viu o cartão cair sobre o piso de seu quarto e recordou-se dos números escritos. Um dia, uma hora. Eles não eram só isso. Entre as informações de contato impressas no cartão, havia mais da escrita de Nao.

Perigo em Harotsuka? — Usagi leu em voz alta. A menção do grupo de teatro pareceu fazer a última ligação de que ela precisava.

E agora cá estava ela, perto do mesmo campo aberto onde quase havia sido morta da última vez. Sem a menção de outro lugar e sem ela realmente conhecer o endereço oficial de Nao, Usagi presumiu ser aquele o ponto de encontro.

Antes de andar os últimos três minutos até o parque, algo mais — além de haver se perdido para chegar ali — apareceu em seu caminho para atrasá-la.

— Mamoru! — exclamou alto demais, chamando a atenção do próprio.

A grande razão para não haver simplificado tudo e aparecido no apartamento de Nao — além de não saber onde ela morava — para aquela conversa era exatamente essa coceira na barriga sempre que se deparava com Mamoru desde aquele dia. E nossa, quantas vezes podia ser normal ver uma pessoa na rua por coincidência?

— O que faz por aqui? — ele perguntou ao se aproximar, os olhos não considerando Usagi por mais de um segundo antes de circular por toda a região.

Não estava com paciência para inventar desculpas.

— Você teria visto a Nao-san? — ela perguntou em resposta.

— Ela anda estranha há algum tempo. Digo, não a conheço para saber o que é estranho, mas faz dias que a sensação piorou — ele falava como se desabafando.

No fundo, Usagi queria concordar com mais ênfase que o aceno casual com a cabeça. Era mesmo estranho aparecer no meio de uma batalha depois que todos já haviam evacuado o local. Mais ainda, pedir para se encontrar com Sailor Moon. E mais que isso, apresentar-lhe um caso que poderia interessá-la como senshi.

— Você sabe de alguma coisa? — Usagi indagou, percebendo que sua voz soava suspeita, estranhamente aguda.

Mas Mamoru não reparou, continuando a procurar por Nao.

— Eu a segui. Mas, em algum momento, eu a perdi de vista e... — Ele mordeu o lábio inferior. — Da última vez que isso aconteceu, ela tinha ido parar no meio de uma dessas lutas com monstros. Por sorte, Sailor Moon a salvou.

— Da última vez, quando eu não pude ir com você? Você veio parar bem aqui? — Usagi fingiu admiração.

— Eu disse que foi aqui?

— Sim, acabou de dizer! — ela respondeu rápido, orgulhosa de sua técnica evasiva.

Mamoru coçou a cabeça. Seus ombros caíram junto com a mão. Ela o havia convencido.

— Pois é. Quando cheguei ao prédio dela naquele dia, o porteiro me avisou que ela tinha acabado de pedir pra ele chamar um táxi. Como ele sabia que trabalho pra ela, consegui o endereço. E de repente, está todo mundo correndo, mas não encontro Nao-san. Claro, porque ela estava bem lá no meio de tudo.

Por isso Tuxedo Kamen chegou àquela hora. Antes de Nao aparecer atrás daquela parede, Mamoru estivera procurando por ela na multidão.

— E agora, cá estamos de novo. Ela pede um táxi pra cá e... — Mamoru fez uma expressão desanimada, os olhos enfim parando em um ponto entre os pés deles.

— Mamoru, você sabe quem a Nao-san é?

Algo brilhou no olhar dele quando ao se levantar curioso até ela.

— Como assim?

— Eu notei isso noutro dia e não acredito que nunca me mencionou! Nao-san não é nenhuma Nao Sakamoto e por isso não queria ser chamada pelo sobrenome. — Usagi pausou dramática ao perceber que havia cativado a atenção do outro. Ergueu um dedo triunfal e explicou: — Ela é a Nao Raiyuu!

Mamoru devolveu uma expressão confusa. Que anticlimático. Não era essa reação com que Usagi contava...

— Quê? — ele perguntou irritado quando ela nada mais disse.

— Oh, você não sabia? Nem você sabia? — Usagi perguntou ainda mais animada.

— Não sabia que ela tem outro sobrenome? Sua cabeça de vento. Atrizes usam nomes artísticos a todo momento. Que tem isso de especial?

— Ela é uma First!

— Uma... first? — a língua dele enrolou ao pronunciar.

— Do Harotsuka! Uma atriz principal! E você nunca me disse!

Mamoru virou as costas e começou a se afastar, uma mão erguida para se despedir.

— Até mais, cabecinha de vento.

— Ei, volta aqui! Você sabia, né? Nunca me disse nada, mas sabia! — Usagi lhe puxou o braço e sacudiu.

— Não faço ideia se sabia. Só que estou perdendo tempo com uma fanática, e uma fanática que honra muito mal o nome — ele disse voltando a percorrer todo o lugar atrás de Nao.

Usagi o soltou.

— Pois faça como quiser! — E mostrou a língua, pisando fundo em direção ao parque aberto onde ela sabia que Nao estaria.

Aquele encontro, porém, fez voltar à sua cabeça a dúvida. Por que ela não falara nada a suas amigas? Por mais que pudesse convencer-se de que não avisar sobre Nao era poupá-las de uma pista infrutífera — também não passava de um detalhe já haver visto HaroGenies, a revista oficial de Harotsuka, escondidas debaixo da cama de Rei e não querer dividir a chance de ter uma entrevista pessoal com uma ex-First do Harotsuka —, não encontrava um bom argumento para não mencionar o acaso de haver descoberto a identidade de Tuxedo Kamen.

Por que sempre que considerava contar chegava à conclusão de que não queria trair o segredo de Mamoru?

Ao final, acordou consigo própria que contaria ou se elas perguntassem ou se chegava um momento em que a informação se tornasse necessária. Até lá, ninguém perdia nada. Quem sabe ela até pudesse suborná-lo a ajudá-las com os cristais?


Quando Usagi — já vestida como Sailor Moon — localizou Nao, ela estava exausta de percorrer o parque. Tinha certeza de haver passado por aquela pequena estrutura de madeira fazendo um pequeno ambiente com bancos a seu redor. Durante o inverno, havia aquecedores e, durante o verão, um ventilador jorrava um vento refrescante. Fazia sentido ser um ponto de encontro, então por que ela não pensara em olhar mais de perto quem se encontrava ali?

Aquele parque havia lhe deixado a imagem de ser um campo vasto, sem cobertura e sem fim. Contudo, agora que já correra por todo ele, Usagi começava a apreender o quanto havia se desesperado ao fugir com Nao dos ataques naquele dia. Havia muitas árvores, um chafariz — no momento, em manutenção graças a algum dos participantes daquela noite —, um enorme lago ao fundo, onde existia até uma casa para barcos que podiam ser alugados. E existia aquele pequeno ambiente mais ou menos no seu centro e a poucos passos de uma das margens do lago, numa posição para propositalmente lembrar um jardim japonês, o que incluía uma pequena ponte característica.

E lá estava Nao, de pé quase no centro da estrutura. Pensando bem, Usagi talvez a tivesse notado e descartado a figura como sendo de um homem. Na primeira vez em que a vira, Nao usava uma longa saia e uma blusa fina coberta por um casaco, o típico estilo de uma mulher japonesa. Na segunda vez, um vestido acima do joelho e uma calça por baixo.

Hoje, porém, aquelas deviam ser suas roupas de dia-a-dia. Um blazer cinza escuro estava desabotoado sobre uma camiseta branca com alguma estampa que não podia distinguir à distância. Embaixo, uma calça de prega um pouco larga e um tênis de camurça. Na cabeça, chapéu e óculos escuros. Somando-se a essa moda predominantemente masculina, sem qualquer detalhe fofo, rosa ou mesmo delicado, seu cabelo também parecia um pouco mais curto não em decorrência de um corte, mas pela forma como ela o havia estilizado, com algum gel que o fez subir mais, em oposição ao penteado quase reto que usava nos encontros anteriores.

Agora sim não restava dúvidas de que Usagi estava vendo uma autêntica genie, uma atriz de Harotsuka. Bem, uma ex-genie. Mas vestida assim, Nao enganaria facilmente qualquer fã casual como alguma das meninas atuais. E precisaria ser bem casual para não reconhecer uma first em toda sua glória.

— Nao-san — Usagi a chamou, forçando um tom grave de voz.

Ao se voltar para ela, Nao retirou imediatamente os óculos e curvou o corpo a perfeitos noventa graus.

— Sinto muito por aquele dia! — disse-lhe, mantendo a posição por mais tempo que parecia confortável para qualquer das duas.

Usagi balançou as mãos sem jeito.

— Por favor, não faça isso. — Ela esticou o braço para forçar os ombros de Nao até que esta se levantasse.

"Alta..." Usagi pensou tão logo conseguiu o almejado.

— Eu tenho me mantido tão ativa como posso desde que me aposentei de minha antiga função, mas claramente não foi nem metade do que seria necessário. Eu pus sua vida e até de seus amigos em risco. — Nao fez novamente o gesto, forçando Usagi a empurrá-la de volta mais uma vez. Aquela mulher parecia tão assustada... até mais do que ao serem atacadas pelo Dark Kingdom. — Fui uma egoísta pelo que fiz.

— Mas, Nao-san... o que quis dizer com haver perigo em Harotsuka? — Usagi apressou-se em perguntar, precisava evitar mais um pedido de desculpas.

Nao fechou a boca, seus lábios tremulavam tensos. Então, seguiu até um dos bancos sob a estrutura de madeira e abriu sua bolsa, retirando dali uma pasta de documentos.

— Por favor, leia estes papéis com calma — Nao pediu ao entregar a mesma.

Erguendo as sobrancelhas, Usagi começou a folhear o conteúdo, formado em sua maioria por notícias impressas da internet. Havia ainda algumas fotografias de celular retratando meninas em poses casuais. Chamava-lhe atenção o cabelo curto de muitas dessas, uma marca das designadas a papéis masculinos no Harotsuka. Rabiscada no canto dessas fotografias, ela encontrou as datas, provavelmente as em que haviam sido tiradas as fotos.

— Se comparar, a feição física de algumas não é a mesma em fotos de apenas uma ou duas semanas depois. Por mais que ensaios do Harotsuka sejam desgastantes, algumas estão já há oito, dez anos nessa rotina e sabem que devemos evitar exteriorizar o cansaço para não preocuparmos os fãs. — Nao pareceu perceber a interrogativa na feição de Usagi, pois adiantou-se para explicar: — Quero dizer que elas estão ainda pior do que você está vendo.

As duas últimas fotos pareciam menos casuais. Se Usagi fosse descrever, algum paparazzo invadira uma das salas de ensaio e furtara algumas imagens de genies sendo instruídas pelos professores.

— Esta pessoa. — Nao pousou o dedo acima da cabeça do único estrangeiro óbvio na imagem da sala, embora fosse impossível reconhecer qualquer outro traço dele devido à qualidade da imagem. — É um coreógrafo vindo da França. Ou da Suíça. Ou de Liechtenstein.

Usagi riu com a aparente confusão, mas não foi seguida.

— Ele tem uma origem dependendo do website que consultamos — explicou Nao sem demonstrar irritação. Seu olhar, na verdade, estava perdido, como se ela desejasse mergulhar para dentro daquela cena. — A foto está um pouco longe porque todos os meios de reprodução estavam proibidos nesse ensaio, mas a pessoa que me repassou isto me assegurou que não era para o rosto dele parecer tão desfocado. Como não estou mais lá, tenho recebido informações de uma genie que esteve comigo na época em que eu era parte da trupe Himawari, mas agora ela foi transferida à Tsubaki.

Não prestando real atenção às explicações adicionais, Usagi encarou o homem sentindo seu estômago encolher como se estivesse para ouvir o clímax de um conto de terror.

— Acha que um vampiro está sugando as genies? — ela perguntou alarmada, esquecendo-se até de disfarçar a voz.

— Não... digo, acho que não. — Nao levou o dedo até os lábios, como se pontuasse o local algumas vezes. — Sei que é vago, Sailor Moon, mas só posso dizer que está errado. — Ela então puxou uma das notícias impressas da internet, um anúncio de licença de saúde por um dia. — Estes vêm se acumulando acima do natural para uma peça. Nós nunca deixamos de participar a menos que realmente não dê. Ainda mais em ensaios. Três meninas já perderam os papéis para outras em troca de algo com menos destaque. Algumas estão ou foram internadas. Grande parte são genies pertencentes a uma única trupe.

— E você acha que foi este estrangeiro?

— Tenho certeza dele, mas não é o único desfocado na foto. — Nao mostrou mais duas pessoas e pareceu em dúvida sobre uma terceira. — Este grupo está encarregado da coreografia para a próxima peça da trupe Tsubaki. Mesmo que nem todas sejam de lá, o que talvez iria contra o que estou afirmando, preciso deixar claro que somos um só grupo de teatro. Digo, eles são. Como fui parte, sei como é comum encontrarmos meninas pelos corredores e muitas delas até entrarem nas salas dos nossos ensaios. O problema está na trupe Tsubaki, mas põe todo o Harotsuka em perigo. — Ela novamente pôs o dedo sobre o coreógrafo estrangeiro. — O problema é este homem. Por favor, salve o Harotsuka. — Nao novamente se curvou a noventa graus.

Não havia sido Usagi a dar o discurso, mas até ela precisou de tempo para recuperar o fôlego. Nao, por outro lado, permaneceu naquela posição até ser ordenada a se levantar.

— Eu... — Usagi mordeu seu lábio inferior. — Não sei se poderia ir até o Harotsuka. Se fosse apenas um monstro, bastaria ir derrotá-lo, mas...

— Venha comigo, por favor! Partirei nesta sexta-feira, retorno no domingo à noite.

Seu sorriso gritava que sim, mas viajar com Nao seria impraticável.

— Não posso entrar em um trem desta forma. — Olhava para seu uniforme, quando uma ideia lhe ocorreu. — Na verdade, eu não posso sair de Tóquio. O que faremos se um youma atacar e matar todos? — Precisava afirmar aquele álibi e aguardou até Nao confirmar que o havia comprado.

— Eu entendo, mas... não seria muito tempo e todas suas despesas estariam pagas. Poderíamos usar um sobretudo e um chapéu para te ocultar dos passageiros.

— Agradeço, mas eu não posso. Se realmente acha que isso precisa ser investigado, posso enviar alguém para isso. Temos uma conhecida em comum que talvez aceite nos ajudar. Nunca seria tão útil como eu, mas é de total confiança! — Usagi piscou o olho, mais para si mesma por aquele disfarce perfeito.

— Como assim?

— Eu preciso de uns informantes por toda Tóquio para sempre saber de casos assim. E essa conhecida é uma das minhas principais colaboradoras — mentiu sem gaguejar uma só sílaba. A excitação de conseguir uma viagem para os bastidores do Harotsuka já havia apagado até a náusea que a foto do ensaio lhe causara.

— Oh... — Nao a olhava de volta admirada, assentindo distraída.

— É a melhor solução. O que acontecer, eu estarei lá em segundos, mas para uma investigação não posso ir eu mesma.

— E ela realmente vai aceitar?

— Sem dúvidas! Pedirei que entre em contato ainda esta noite para vocês acertarem detalhes.

Usagi precisava de todas suas energias para conter uma risada.

— Sailor Moon?

Ouvindo aquela terceira voz, ela se voltou para o lado de fora da estrutura, de onde Mamoru encarava a ambas boquiaberto. Havia se esquecido de que ele também estava procurando Nao...

— Preciso ir agora. Até mais, Nao-san! — Ela correu o quanto pôde, antes que Mamoru estragasse seu passeio daquele fim de semana.

Continuará!