Notas Iniciais:

Err, hello! Estou de volta!

Estou experimentando usar os honoríficos aqui, mas não estou muito certa sobre os corretos. Peço desculpas pelos eventuais erros.
Esta fic obedece ao universo do anime clássico, ele é situado logo após a primeira aparição da Sailor Venus e antes da Usagi saber quem é o Tuxedo Kamen.
Esta história conterá uma trupe fictícia chamada Harotsuka, qualquer fato relatado é pura ficção, mas eu me inspirei em um grupo especializado em musicais que realmente existe chamado Takarazuka Kagekidan. Por outro lado, os dados fornecidos não serão fidedignos.

Sailor Moon não me pertence, não lucro nada com isto.


Olho Azul Apresenta:

Na Cabeça,
No Coração

Capítulo 4

Como parte do mais importante conglomerado na Região Oeste do Japão, o Harotsuka havia feito a cidade de onde originara seu nome prosperar turisticamente, desde simples refúgio rural a uma referência para o turismo de entretenimento. Seu centro era bastante pequeno, principalmente para Usagi, tão acostumada ao caos de Tóquio. Ela sentia que poderia caminhar por todas as ruas principais em quinze minutos e, com mais cinco, estaria dentro do Grande Teatro de Harotsuka, onde os principais shows do grupo aconteciam.

Graças a todo esse poder do conglomerado e à crescente fama nacional do próprio teatro de mulheres, a cidade de Harotsuka viu ser construído um hotel de luxo para receber executivos e suas famílias sempre que estivessem na Região Oeste e preferissem escapar dos grandes centros urbanos de Osaka e Kobe — ou simplesmente observar as estrelas de Harotsuka andarem pela rua em frente ao próprio hotel, quando não nos corredores do mesmo, onde se marcavam diversas de suas atividades profissionais.

Usagi nem se lembrava de estar estatelada na frente do quarto de hotel em que dormiria pelos próximos dois dias. Como já não aflorassem suas emoções simplesmente por descer do táxi em frente a uma construção tão charmosamente europeia e observar nas paredes quadros com pôsteres e até objetos usados em peças, ela babou ao encontrar o televisor posicionado bem em frente às duas camas — uma de casal e uma de solteiro, segundo a descrição do quarto pelo concierge, mas caberia uma família inteira na última.

Seu estado catatônico foi quebrado quando sentiu algo bater contra suas costas.

— Dá pra não monopolizar a entrada? — Mamoru estava batendo nela com uma das extremidades da bolsa de Nao que ele carregava desde a estação do trem bala em Osaka.

— Ah, muito obrigada, Chiba-kun! — Em contraste, Nao passou delicadamente por Usagi desde o interior do quarto e tentou segurar sua própria bagagem.

Contudo, Mamoru insistiu em levar as mesmas até a cama de casal, onde abriu a maior e passou a tirar peças de roupa já penduradas em cabides. Diligentemente, ele carregou todas até o enorme armário e pendurou-as parecendo seguir alguma ordem. Por fim, deixou uma última em seu braço e tornou à cama de Nao, onde a estirou.

— Então... eu dividirei a cama com a Nao-san, né? — Usagi perguntou, incerta de qual era a alternativa menos estranha agora que fazia os cálculos.

Nao deu uma risada leve e balançou a mão na frente do rosto.

— Você fica com a outra, Usagi-chan. Chiba-kun já tinha reservado um quarto para si. Podemos pedir um para você também, se preferir — ela explicou com um pouco de frustração na voz.

— Oh, não precisa! — Usagi sentiu o rosto queimar.

— Não mesmo — Mamoru interveio. — Nenhuma necessidade desta cabecinha de vento estar aqui.

Quando Usagi entrara em contato com Nao para informar ser ela a suposta colaboradora, aproveitou para destacar a importância de Mamoru não ser informado mais que o necessário. Nao lhe explicara então que, após ser flagrada com alguém como Sailor Moon em plena luz de um dia pacífico, precisou contar a ele sobre os problemas que a preocupavam em Harotsuka. Assim, ficara acordado que ela levaria Usagi para ajudá-la a checar tudo enquanto ela estivesse ocupada com seu trabalho e, por ser apenas uma menina, poderia se passar por uma fã sem levantar suspeitas.

No momento, Mamoru a estudava tão desconfiado quanto quando ele a encontrara na estação próxima à casa de Nao naquela tarde, antes de irem de táxi para a estação do trem bala. A desculpa não o convencera nem um pouco, podia ler em sua expressão.

— Mas estou muito feliz, Nao-san. Não acredito que dividirei quarto com uma ex-genie! — Sentou-se com todo o peso sobre a cama e sentiu o colchão macio levantá-la em resposta ao impacto.

— Uma pena não estar muito disponível para mostrá-los a cidade. Sabe, eu nasci bem perto daqui, não haveria uma guia melhor para Harotsuka! Na verdade, tenho que ir daqui a pouco, sinto muito por tomar o banho na sua frente, Usagi-chan.

— E vai ficar tudo bem trabalhando por lá? — perguntou-lhe Mamoru, a preocupação provando que ele já sabia das desconfianças sobre o grupo teatral.

Nao sorriu de um jeito que Usagi imaginava só poder imitar dali a muitos anos de prática, e talvez nunca direcionado a Mamoru, sempre tão comportado tal qual um adulto décadas mais velho que a real idade.

— Apenas vá guardar suas coisas em seu quarto e veja se está tudo bem lá, pra podermos reclamar antes de eu sair, tudo bem? Ah, e garanta que Usagi tenha a refeição que quiser caso ela não esteja com vontade de comer no hotel. Do contrário, o serviço de quarto é de causar inveja em qualquer grande cadeia. — Ela piscou com o olho. — Olha que nem costumo ser visita aqui.

Mesmo Usagi percebera que nenhuma palavra se dirigia à sua própria segurança.

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No final, Usagi decidiu comer mesmo no quarto, como sugerido. Apenas uma olhada para fora e o escuro demonstrando como havia poucas lojas abertas ao redor causara-lhe preguiça. Já limpa da viagem e de banho tomado, ela voltou a se jogar sobre a cama, seu pijama envolto por um robe felpudo que lembrava uma nuvem e até lhe dava vontade de comer algodão doce.

— Oh, Starlight Gigolo! — ela gritou assim que alguma imagem surgiu no televisor, as letras da guia indicando ser aquele o nome da programação. — Não acredito que aqui recebemos de graça o Hello Stage! Ele é o canal pago com apenas coisas do Harotsuka, e eu nunca convenci meus pais a assinarem.

Olhava embasbacada para a atriz na tela. Era uma apresentação de mais de dez anos antes protagonizada por uma genie havia muito aposentada, ali vestida como um homem. Dançando enquanto cantava no topo dos pulmões com técnica perfeita, a cauda do smoking balançando atrás dela como se executasse uma coreografia própria.

— Estou no céu! — exclamou, levantando as pernas e balançando como se pedalasse.

— Devíamos pedir logo nossa janta — comentou Mamoru, já encerradas todas suas tarefas para organizar os pertences de Nao pelo quarto.

— Devíamos? Nossa? — ela perguntou sem conter um riso sardônico. — Pelo que lembro, a Nao-san só liberou comida pra mim. Você contente-se com a loja de conveniência perto da estação. — Apontou com firmeza para onde achava estar a estação de trem Harotsuka Sul, que vira ao descer do táxi bem em frente ao hotel.

Sentiu a pasta de capa dura pousar sobre sua cara e a devolveu com muito mais força na direção de Mamoru, que a segurou com facilidade.

— Devia usar essa agilidade toda quando meus sapatos voam em vez de ficar me dando sermões — Usagi comentou entre dentes.

A pasta agora acertou seu estômago. Ela estava prestes a arremessá-la de volta, imitando a mesma posição com que lançava sua tiara, quando Mamoru ergueu a mão e apontou para o objeto.

— Escolhe logo. E não vale pedir tudo, pois é a Nao-san quem vai pagar e acredite, genies ou ex-genies não têm recursos ilimitados para aplacar uma fome como a sua.

Usagi mostrou a língua e abriu a pasta, folheando as folhas plastificadas. No canto de sua cabeça, cozinhava a vontade de pedir tudo mesmo.

Feito o pedido, Usagi buscou no banheiro o secador disponibilizado pelo hotel e decidiu passar o tempo preparando o cabelo para o dia seguinte enquanto esperavam a janta. Parou dois minutos depois, sacudindo seu ombro de nervoso.

— Qual é? — perguntou irritada para Mamoru, que parecia a estar olhando fixamente desde que devolvera o telefone ao gancho. — Apaixonou agora que viu meus longos cabelos dourados?

Ele caminhou até o segundo ambiente do quarto, uma pequena sala com direito a móvel um sofá de dois lugares e uma poltrona, além de uma mesinha de centro. Usagi ansiava por tomar chá ali com Nao tão logo esta tivesse algum tempo livre.

— Estava exatamente me perguntando qual a sua aqui. Ele sentou-se sobre o sofá e cruzou os braços. — Podendo se infiltrar ou não, pra que ela confiaria no seu bom senso? Nao-san foi criada aqui, com certeza conhece garotas mais indicadas para o trabalho. E deve ter umas trinta ou quarenta só naquela trupe. Qual diferença você faz?

— Eu seria uma visitante já alertada. É diferente. E você também meio que não se qualifica entre os fãs habituais. — Ela riu pelo nariz da própria piada.

Mamoru ergueu uma sobrancelha.

— Não tá pensando em entrar lá só pra ser chutada depois de perturbar a primeira atriz que vir, né? Aposto que você nem saberia o nome dela. Não, aposto que ela seria só uma maquiadora.

Genie, não atriz. E genies não precisam de maquiadoras. Só elas sabem fazer aquela arte que as transformam para os palcos! — disse com as mãos sobre as bochechas, que queimavam com a animação ao lembrar-se de que, no dia seguinte, ela veria tudo em primeira mão.

— Isto tão não vai dar certo — ele concluiu, seu tom parecia mais leve, como se estivesse brincando, apesar de Usagi saber que Mamoru realmente acreditava no que dizia.

Usagi mesma sentiu a tensão formada em seu estômago desde cedo diminuir. Seguindo aquele questionamento, mais soava como se ele estivesse preocupado que Nao houvesse sido enganada de alguma forma — ela fora mesmo, mas era para o bem, e os resultados seriam até melhores já que estava ali a verdadeira Sailor Moon, tal qual se desejava originalmente. No fundo, Mamoru apenas desconfiava não passar de um truque para Usagi ter uma experiência exclusiva com o Harotsuka.

— De toda forma, se ouviu essa história toda, já sabe que lá é bem perigoso. Não é melhor só assistir a alguma peça?

Ela caiu na gargalhada, apenas parando ao observar — com contentamento — a irritação no rosto de Mamoru.

— É que você disse algo tão hilário e amador, Mamo-chan, Mamo-chan! — Estalou a língua várias vezes e continuou a repetir o falso apelido carinhoso com tom nada lisonjeiro. — Faz ideia de há quanto tempo já tá tudo esgotado?

Mamoru franziu a testa, franca surpresa começava a lavar a raiva de antes.

— Agora em cartaz é a peça de aposentadoria de uma first. Sabe, a genie mais importante de toda trupe. Será a última chance de os fãs a verem. Dá até pra conseguir um lugar na galeria e assistir de pé, pois esses eles só vendem no dia mesmo. Isso se eu tivesse a fim de fazer fila às cinco da manhã e esperar até dez para saber se cheguei a tempo ou não. E num sábado? — Ela voltou a gargalhar para óbvio desconforto de Mamoru. — Simplesmente impossível!

Ele continuava sem realmente compreender, mas virou o rosto para o lado e fechou os olhos como se não se importasse. Usagi levantou-se da cama, caminhou até a pequena sala e curvou-se na frente dele até que os reabrisse.

— Quê? — Seu olhar estava mais afiado que faca para sushi.

— Tenho certeza de que você não fazia ideia de nada do que falei. — Ela sorriu com orgulho de si mesma. — Tava contando as rugas que apareceram, porque tem algo que eu sei que você não.

— Volta pra sua cama, volta. Teu cabelo ainda tá pingando em mim. — Ele limpou uma gota do braço.

— Ha! — Usagi apontou para a testa enrugada. — Incrível como você não parece nem saber o que são as firsts. Você realmente não faz ideia de quem é a Nao-san. — Ao notar o tédio na expressão de Mamoru, ela pegou a toalha molhada que deixara sobre seus ombros enquanto secava os cabelos e jogou sobre ele. — Vai trabalhar e pendura lá no banheiro pra mim. — E virou-se de volta à cama e a seu Starlight Gigolo. Pelo canto dos olhos, sentiu-se surpresa ao perceber que ele a atendera.

Uau. Ela realmente virara a poderosa e podia mandar em Mamoru? Aquela viagem estava se saindo melhor que a encomenda.

Continuará...

Anita


Notas da Autora:

Preciso começar com um agradecimento especial à Pandora Imperatix pelo comentário fofo!

Agora vem a parte das desculpas, como devem ter percebido, a fic vai virar um tutorial de tempos em tempos. Eu me empolguei adaptando as coisas para o meu Harotsuka... Até estava aqui rindo enquanto lia das coisas que fui adaptando. Diferente do Takarazuka que tem cinco (ou seis) trupes, o Harotsuka foi simplificado em quatro. Decidi que elas teriam nomes em japonês de flores. Por quê? Porque minha outra inspiração para o Harotsuka foi o supergrupo de idols "Hello! Project"... sim, eu sou uma fanática pior que a Usagi! O Hello! Project tinha acabado de anunciar dois novos grupos muito parecidos chamados Kobushi (ou magnólia) Factory e Tsubaki (ou camélia) Factory. Achei kobushi muito feio porque me lembra punho, mas no segundo que precisei inventar um nome para trupe Tsubaki foi o que me veio na hora. Tsubaki é a trupe que mais aparecerá aqui na fic, então guardem esse nome! Ou não... xD

Não existe nenhuma cidade chamada Harotsuka (acho), mas existe sim a cidade de Takarazuka e peguei emprestadas muitas de suas características. E mudarei sempre que for mais fácil pra mim, obviamente, hohoho.

Mas sério, esta fic é tão divertida de criar que já sinto vontade de fazer mais coisas Sailor Moon x Harotsuka. Pena que só dá pra juntar UsaMamo uma vez. :( Por outro lado, temos sempre amnésias por aí, né? Hihihi.Espero que continuem lendo a história, fazia tempo que eu não sentia tanta felicidade numa cena UsaMamo.

E até a próxima! Não deixem de comentar, por favor!