O primeiro dia de trabalho do Gohan

Sobre a superfície da terra era possível ver uma figura flutuante cuja face estava obscurecida pelas trevas. O cenário em torno dele era de pura destruição, de uma cidade inteira só se restou destroços, e em uma de suas mãos Gohan estava sendo erguido pelo pescoço, agonizando.

Apesar do corpo todo ferido, o homem misterioso o soltou de uma altura de um prédio. Gohan caiu até o chão sem nenhuma reação, totalmente inerte. Dos escombros ao seu redor saíram Goku e Vegeta, também muito feridos. Eles fizeram a fusão e assim surgiu Gogeta, que foi para cima do sujeito, mas nem mesmo Gogeta era páreo para tamanha aberração. Foram muitos socos e chutes até que finalmente Gogeta foi lançado inconsciente ao solo, próximo a Gohan. Então o homem criou uma poderosa energia com suas mãos enquanto subia até a estratosfera. Quando ele parou, lançou a enorme energia até a Terra, fazendo-a em pedaços.

- Não! - gritou Dendê desesperado, jogando os lençóis de sua cama todo suado e exasperado.

- Kami-sama! Se acalme, foi só um pesadelo! - disse o senhor Popo, que já estava correndo e levando um copo d'água até Dendê.

- Obrigado, senhor Popo. - agradeceu Dendê ao beber a água. Ainda assustado ele se levanta de sua cama e pega seu cajado. Lentamente ele caminhou pelo templo subindo algumas escadas até a parte da superfície, onde podia ver as nuvens abaixo do templo. Fechando os olhos ele se concentrou, vendo tudo o que acontecia na Terra.

- Kami-sama parece estar preocupado… aconteceu alguma coisa? - perguntava senhor Popo ansioso.

- Sim senhor Popo, eu estou sentindo as forças do mal se moverem cada vez mais rápido. Não sei quando, mas chegará um dia que virão buscar a esfera do dragão especial, e sinceramente não sei se Goku e os outros vão conseguir vencer.

- Não diga isso Kami-sama! Goku é muito forte, se ele não puder vencer…!

- Por isso mesmo eu alertei a todos. Espero que tenham ouvido meu aviso e estejam treinando duro para o que está por vir… - respondeu Dendê, que não conseguiu evitar de deixar o senhor Popo mais apreensivo.

Agora na casa de Goku todos estavam descontraídos, tomando seu café da manhã. Gohan contava a todos que havia conseguido um estágio na Corporação Cápsula e que começaria naquele dia mesmo a trabalhar. "Nossa, irmão! Que demais!" - falou Goten ainda com a boca cheia de panquecas.

"- Meus parabéns, meu filho, tenho certeza que será bem-sucedido" – disse Goku; "- Ai que orgulho do meu filho! Já está dando o primeiro passo para se tornar um cientista de sucesso!" - adicionou Chichi segurando seu rosto com ambas as mãos, todo iluminado de alegria. Gohan agradecia os elogios; ele estava muito feliz em ver a aprovação dos seus pais, mas logo precisaria se despedir para ir até a corporação Cápsula. Foi então que Goku sugeriu ir com ele para visitar Bulma, e apesar de estranhar, Gohan ficou feliz em saber que iria na companhia do pai. Os dois se despediram de Chichi e Goten, e foram voando juntos até a Corporação Cápsula.

Enquanto voavam a uma velocidade moderada, Gohan e Goku conversavam bastante.

- Gohan, meu filho, eu fico feliz que tenha conseguido seu estágio, mas é importante também que você volte a treinar. Dendê nos avisou que criaturas poderosas poderão atacar a Terra.

- Sim, papai, eu também pensei nisso, por isso decidi pedir o estágio para Bulma. Aproveitei também para pedir para usar a cápsula de gravidade, assim posso treinar e trabalhar no mesmo lugar.

- Mesmo? Que bom! Era nesse ponto que eu queria chegar Gohan.

- O que tem em mente papai?

- Parece que ainda não cortou sua cauda. Me responda, porque decidiu fazer isso?

- Bom para ser honesto eu até iria cortá-la, mas quando pedi para o senhor Piccolo me ajudar ele sugeriu que ao invés disso eu treinasse para controlar esse poder.

- Hm... interessante!

- O que o senhor acha?

- Eu concordo com Piccolo. Talvez possamos tirar vantagem daquela transformação, mas como pretende controlá-la?

- Bem… Para ser sincero eu não sei…

Eu também não tenho a menor ideia de como te ajudar meu filho, mas talvez…

- Talvez...? - insistiu Gohan.

- Talvez Vegeta possa te ajudar! - terminou Goku com um certo receio.

- O quê?! O senhor Vegeta? - Gohan ficou tão espantado que até se atrapalhou no voo.

- Ele é o único que consegue ou, pelo menos, conseguia controlar aquela transformação.

- Sim o senhor Piccolo mencionou isso, mas não sei se ele vai topar.

- Bom temos que tentar, eu vou conversar com ele, pode deixar.

Quando os dois chegaram na Corporação Cápsula ela estava bastante movimentada. Muitos caminhões chegavam com mercadorias, e alguns trabalhadores usavam guindastes e carregavam materiais próximos aos galpões ainda em construção. Goku e Gohan aterrisaram e foram até a entrada. Gohan precisou apenas mencionar seu nome para ter o passe livre por todo o complexo. Ambos seguiram até chegarem no mesmo galpão onde Bulma estava firme e forte trabalhando com os Tsufurujins. Goku resolveu chamá-la de longe gritando.

- Ei, Bulmaaaa!

- Goku? Gohan? Que surpresa boa!

- Sim eu já cheguei para o meu primeiro dia, e meu pai veio até aqui para te visitar.

- Chegou nove horas em ponto. Parabéns pela pontualidade! Venham comigo então que eu vou mostrar a sala onde você vai trabalhar, Gohan.

- Nossa, Bulma, esse lugar continua enorme! - Goku olhava os arredores com aquele seu olhar levemente espantado.

- Sim, e estamos ampliando o mais rápido possível para que os Tsufurujins possam trabalhar melhor. Isso aqui tá uma loucura! - apesar de dizer isso, Bulma ainda estava sorrindo.

- Que bom que estão se dando bem! - respondeu Goku. Eles caminhavam agora entre os corredores quando Bulma abriu uma porta que dava entrada a um pequeno laboratório de robótica, onde havia dezenas de robôs estragados ou incompletos.

- Nossa! Que demais! Todos esses robôs são da Corporação Cápsula? - perguntou Gohan quase assobiando.

- Sim, são projetos incompletos ou com defeitos, e precisamos de pessoas para revisá-los, testá-los, e se possível completá-los. Ali tem uma prateleira com todas as ferramentas que você vai precisar. Temos também algumas caixas com peças extras. Parece muita coisa, mas não se preocupe, cada projeto vem com um pendrive com seu próprio manual e tarefas a serem feitas. Enfim, preciso que você trabalhe com todos eles, Gohan, mas pode fazer no seu próprio ritmo, afinal estamos dedicando todo nosso pessoal com o projeto dos Tsufurujins, então a Corporação Cápsula já está com muitos projetos atrasados. Se você conseguir concluir pelo menos esses mais simples já vai ser de grande ajuda de qualquer forma!

- Bem, vou fazer o meu melhor! - Gohan coçava a cabeça enquanto olhava para o cenário caótico de peças mecânicas e robôs desmontados.

Bulma sem perder tempo foi até o armário.

- Bem, aqui está seu jaleco, seu crachá, e se for mexer com a máquina de solda não esqueça de usar os óculos! Sinta-se à vontade!

- Obrigado, Bulma!

- Bem, Goku, e você imagino que veio falar com Vegeta, né? Venha, vamos conversar na cafeteria - disse Bulma enquanto começava a guiar o Goku até uma outra seção do complexo.

- Na verdade sim, ha ha! Como adivinhou?

- Eu te conheço há muitos anos, mas sinto dizer que Vegeta foi treinar no espaço. Ele deve voltar quando o combustível da nave estiver acabando. Imagino que seja daqui a uma semana ou talvez menos.

- Poxa, que pena! Precisava pedir um favor a ele.

- Bom, assim que ele chegar posso pedir para ele te ligar.

- Não sei se vai ser possível, pois vou treinar junto com o senhor Kaioh.

- Então leve um de nossos telefones via satélite. - Bulma tirou uma cápsula de um dos bolsos de seu jaleco e a entregou a Goku.

- Sério? Você já construiu algo assim? - perguntou Goku após guardar a cápsula em seu gi.

- Sim, em caso do Vegeta precisar de ajuda no espaço, mas ele nunca liga ou atende.

- Ha ha! Esse Vegeta não tem jeito mesmo… Mas eu levarei sim, obrigado!

- Imagina!

- Bom, acho que vou indo. Não quero atrapalhar o Gohan, então diga a ele que já fui.

- Pode deixar!

- Tchau, Bulma, e muito obrigado! - Goku agora colocava os dedos na testa para fazer o teletransporte, e instantaneamente seu corpo desaparece.

Após a ida de Goku, Bulma ficou curiosa em relação ao desempenho de Gohan. Ela decidiu ir até o laboratório onde ela o havia deixado e começou a observá-lo pelo vidro da porta. Para sua surpresa, Gohan já tinha desmontado um robô por completo enquanto testava seus componentes. Bulma chegou a dizer em pensamento: "Impressionante. Gohan realmente é bem diferente de seu pai. Não imaginei que conseguiria desmontar aquele projeto tão rápido. Talvez ele seja mais inteligente do que imaginei".

Enquanto espionava Gohan, Bulma foi surpreendida com um toque no ombro por um de seus funcionários. Ao ouvir um grito de susto vindo de algum lugar do lado de fora, Gohan olhou para a porta, mas não viu nada através do vidro; isso porque Bulma se abaixou rapidamente enquanto tampava a boca com as mãos.

- O que você quer? Não vê que quase me mata do coração? - sussurou Bulma.

- Desculpe, senhorita Bulma, mas é que os Tsufurujins precisam imediatamente da senhora - respondeu o funcionário ainda aflito.

- Sim, já estou indo! - mal terminou a frase e Bulma já se apressava em direção ao laboratório onde estavam os Tsufurujins.

Depois que Bulma voltou ao laboratório, Gohan já tinha passado um bom tempo trabalhando nos projetos. Ele passava o tempo entre ler os manuais e desmontar os projetos para fazer testes e, mesmo sendo algo difícil para Gohan, sua concentração parecia inabalável. Aos poucos, com umas mexidas aqui e leituras ali ele parecia demonstrar cada vez mais facilidade no que fazia. O trabalho ia de vento em popa até que Gohan foi interrompido pelo som de uma sirene. Ele então parou o trabalho e foi até a porta, onde viu muitos cientistas saindo do complexo correndo.

Ainda olhando sem entender o que se tratava tudo aquilo, Gohan por fim viu Bulma correndo em sua direção. Ela parecia aflita e ofegante.

- Gohan! Aconteceu um acidente! Estávamos fazendo um teste no protótipo da forja quando os reatores superaqueceram. Temos que fugir antes que o complexo exploda! - Bulma arquejava desesperada.

- Pode ir na frente, vou ajudar as pessoas a fugirem! - Gohan olhou para os lados antes de levantar o pulso com o seu relógio - Transmutação! - ele gritou ao apertar um botão de seu relógio, quando uma forte luz contornou seu corpo e no mesmo instante o preencheu com a roupa do Grande Saiyaman.

- Gohan, espere! - Bulma tentou avisá-lo, mas Gohan já havia saído correndo enquanto orientava as pessoas a fugirem. Ela então saiu do complexo e pegou uma das motos a jato que ficavam de fora, indo o mais rápido possível até um prédio próximo.

Enquanto ela estacionava a moto e saía correndo a pé pelos corredores do prédio, Gohan também corria, mas complexo adentro, procurando pessoas que não conseguiram fugir. Bulma finalmente chegou até a sala que queria e rapidamente colocou um headset na cabeça. Com ele, ela poderia entrar em contato via rádio com Gohan. Enquanto isso, Gohan ainda se movia dentro do complexo, até que um cientista o parou gritando, desesperado: "- Grande Saiyaman! Minha esposa está dentro do reator!"

"- Fuja o mais rápido daqui! Prometo que vou resgatá-la!" - gritou Gohan. O homem agradeceu e continuou a correr, quando de repente o capacete do Grande Saiyaman começou a transmitir a ligação de Bulma:

- Gohan! É a Bulma! Estou falando através do rádio do traje. Estou agora na sala de controle fora do complexo. Praticamente todas as pessoas já fugiram, você precisa sair daí!

- Ainda tem cientistas dentro do reator, preciso ajudá-los!

- Tudo bem, então! Vou te guiar até o reator, mas seja rápido! - respondeu Bulma. Ela agora dava direções a Gohan entre os múltiplos corredores do complexo que mais pareciam um labirinto. Após correr em super velocidade, mais rápido até mesmo que um carro, Gohan finalmente conseguiu chegar à porta do reator. As sirenes já estavam acionadas e acima havia uma luz vermelha de alerta.

- Pronto! - disse Gohan no mesmo instante.

- A porta foi selada pelo sistema de segurança, mas Gohan... ela pesa mais de 100 toneladas, não será fácil movê-la. - Gohan percebeu o tom de preocupação na voz de Bulma, misturado aos gritos das pessoas presas atrás da porta, que agora batiam desesperadas na mesma para fazer o máximo de barulho possível.

O Grande Saiyaman então se transforma em Super Saiyaman, emitindo um brilho dourado. A pressão de seu Ki era tanta que fazia esvoaçar sua capa vermelha. Sem perder tempo ele penetrou as mãos porta adentro, fazendo uma força descomunal para conseguir erguê-la. Mesmo com ela já sendo erguida na altura de sua cabeça ele teve que flutuar para erguê-la ao máximo.

Com a porta aberta as pessoas saíam em debandada, fugindo desesperadas, seguidas por uma rajada de ar quente que vinha daquela sala. Gohan deu uma boa olhada no interior da sala antes de entrar e viu uma mulher desmaiada perto do computador central do protótipo. Sem pensar duas vezes, Gohan largou a porta e foi voando até a mulher para ajudá-la.

- Moça! Ei, moça! Acorde! - Gohan chacoalhava a moça tentando acordá-la.

- Gohan, acho que é possível desativar o reator daí de dentro! Acesse o console e siga as minhas instruções! - dizia a voz da Bulma pelo rádio.

- Certo! - concordou Gohan. O suor agora escorria de seu rosto em grande quantidade, pois a sala estava muito quente, ainda assim ele ignorou esse incômodo e acessou o console. Digitando rapidamente os comandos ele tinha a esperança de conseguir algum controle. Em seguida, Bulma passou a senha mestra de controle e orientou Gohan a apertar algumas teclas específicas. Gohan agora precisava digitar com exatidão, mesmo que isso significasse que sua velocidade diminuísse um pouco.

Após vários cliques de teclas e segundos de tensão, finalmente os reatores desligaram e a temperatura da sala começou a abaixar. Gohan suspirou aliviado e se virou para pegar a mulher no colo, que ainda estava desmaiada. Ele precisou de alguns minutos de caminhada para sair da sala e dos corredores até poder chegar no lado de fora do complexo. Assim que o esposo da mulher desmaiada viu o Grande Saiyaman saindo com sua esposa no colo foi correndo ao seu encontro, chorando e agradecendo Gohan, mas pessoas ao redor batiam palmas e gritavam de alegria agradecendo ao Grande Saiyaman.

Gohan não resistiu e começou a fazer suas poses de grande Saiyaman gesticulando espalhafatosamente os braços e as pernas do jeito de sempre dizendo: "- Quando não houver mais luz, quando a esperança acabar, o Grande Saiyaman estará lá para te salvar!"

As pessoas ficaram divididas; algumas vibraram de emoção, enquanto outras ficaram sem graça com a apresentação. Ignorando essas últimas, Gohan finalizou com um voo em forma de arco, voando até a parte de trás da Corporação Cápsula, onde ele sabia que não haveria tantas pessoas. Ele entrou novamente, dessa vez pegando um caminho diferente indo até a câmara de gravidade.

Passado algum tempo, quando até mesmo a agitação do lado de fora já havia se acalmado, Gohan começou a se preparar para treinar. Bulma já tinha configurado a câmara para que Gohan conseguisse controlar a gravidade da sala com seu relógio de Grande Saiyaman; isso além de colocar outras funcionalidades no relógio como, por exemplo, mais opções de roupa. Gohan então selecionou uma roupa de treino, um short negro de malha e um tênis. Ele começou a se alongar enquanto dizia: "- Bom faz tempo que não treino pesado, e como nunca usei essa cápsula antes vou ter que ajustar para 100 G. Dessa maneira meu corpo vai pesar 9 toneladas... acho que é um bom começo.". Gohan deu os comandos no relógio e a cápsula de gravidade começou a funcionar, emitindo um ruído leve de algo rotacionando. Ele começou a sentir a força da gravidade aumentando para 100 vezes mais forte que a da Terra, sendo imediatamente puxado com força para baixo, a ponto de ter de flexionar os braços e as pernas para não cair.

- Nossa, fica bem difícil me mexer assim, vou ter que me transformar em Super Saiyajin 2.

Foi quando Gohan expulsou boa parte de seu Ki com um grito. Seus músculos aumentaram um pouco, os cabelos arrepiaram, e seus olhos ficaram azuis. Pouco a pouco suas sobrancelhas e seu cabelo ficaram dourados, e por último seu corpo foi preenchido por um brilho dourado seguido de alguns raios azuis.

- Agora posso me mexer melhor, vou ficar assim por enquanto até me aquecer. – Gohan já tinha começado a fazer algumas flexões e alguns abdominais; agora como Super Saiyajin 2 ele conseguia se mover com mais facilidade mesmo sob 100 vezes a força da gravidade.

Enquanto Gohan se exercitava sua cauda também se movia como se sentisse a agitação do treino, mas não era só a cauda de Gohan que reagia ao treino, alguns cientistas perceberam o consumo de energia vindo da cápsula de energia e então entraram em contato com Bulma, que já estava na entrada da corporação conversando com os cientistas do lado de fora.

- Senhorita Bulma, detectamos um grande uso de energia no setor 36-c. - dizia a voz de um cientista pelo rádio.

- É o setor da cápsula de gravidade. Gohan finalmente começou a treinar! - respondeu Bulma.

- Senhorita devo salientar que isso pode sobrecarregar nosso sistema de energia.

- Sinto muito, mas o treinamento de Gohan é tão importante quanto nossa pesquisa, por isso podem começar a construir mais geradores. Essa cápsula não será desativada. - Bulma agora usou um tom mais irritado, o que fez os cientistas desligarem o rádio e discutirem entre si. Ali havia alguns cientistas humanos e outros Tsufurujins, e foi justamente um dos Tsufurijins que ligou para o comunicador do General Avocado informando que Gohan estava treinando.

O general Avocado por sua vez saiu da sua seção do complexo da Corporação Cápsula para ir até os cientistas e acompanhar o treinamento de Gohan. Chegando lá ficou surpreso ao ver Gohan treinando sob uma força de 100G. Pelo visor o general via Gohan dar vários socos e chutes intercalando com alguns saltos, e tudo aquilo mesmo sob aquela imensa carga… ele parecia tão rápido como se ainda estivesse sob a gravidade comum.

- É impressionante! É por isso que são tão poderosos! Sua força não tem limites! - o general ainda estava abismado, mesmo ao ver Gohan já começando a suar pelo esforço.

- Mas isso vai atrasar nossas pesquisas. Essa cápsula consome muita energia General! - alertou um dos cientistas Tsufurujins.

- Eu entendo sua frustração, mas existem coisas que estão além da ciência. Vamos enfrentar inimigos muito poderosos, por isso esse garoto precisa continuar se fortalecendo. Tenho certeza que vamos conseguir suprir essa deficiência energética o quanto antes, não, devemos conseguir!

- Assim espero, General… Assim espero…

General Avocado começou a olhar Gohan com outros olhos. Nunca imaginou um Saiyajin treinando… ele pensava que eram meros selvagens que só sabiam destruir, e apesar de Gohan se mover com facilidade na cápsula, seu rosto agora estava coberto de suor. O general também soube do ato heróico do Grande Saiyaman, e nesse momento estava pensativo, refletindo sobre seus ideais e em tudo que acreditou até então.

Alguns quilômetros dali, Videl também treinava em uma sala exclusiva na academia Satan. Ela usava caneleiras e tornozeleiras com peso enquanto dava chutes e socos. Na sala onde estava já havia dezenas de sacos de pancadas destruídos. Seu rosto e corpo pingavam de suor, pois já estava treinando há horas. Foi quando decidiu tirar os pesos e tomar um banho, já que também precisava ir para seu estágio da faculdade.

Durante o banho quente, ela pensava em como lidar com o Gohan após a discussão do outro dia. Ela precisava ir até ele e dizer o que precisava ser dito, mas ao mesmo tempo não sabia se conseguiria. Videl finalmente saiu, se arrumou e se despediu de seu pai, acionando a sua cápsula para poder pegar sua nave. Gohan não era o único que a preocupava no momento: Videl também pensava em como treinar parar ficar mais forte, pois após toda aquela situação com os Tsufurujins ela percebeu que estava estagnada no seu treinamento e mais do que nunca precisava melhorar. Ainda assim ela não sabia se estava pronta para ver o Gohan tão cedo a ponto de pedir para treiná-la, então ela começou a pensar em alguém que poderia lhe ensinar. Contudo sempre que tentava pensar em alguém todos lhe pareciam distantes ou sem nenhuma intimidade, como Goku, Vegeta, e Piccolo. Até que lhe veio em mente a imagem da androide 18, que também era uma mulher e mostrou um desempenho bem forte no torneio de artes marciais.

Videl estava tão absorta nisso que quando deu por si já estava na delegacia principal de Satan City. Ela pousou sua nave no heliporto, a transformou em capsula novamente, e entrou na cobertura da delegacia, pegando o elevador até a recepção onde se apresentou como estagiária. A recepcionista a levou até a sala do diretor que daria suas instruções. Ao entrar na sala se deparou com o diretor, um homem de meia idade com cabelos grisalhos que a cumprimentou sorridente e começou a instruí-la sobre seu trabalho, explicando sobre suas designações nessa delegacia.

- Bem, senhorita Videl... - começou o diretor.

- Só Videl basta senhor.

- Certo, Videl, como ia dizendo por enquanto você vai coletar os depoimentos e ajudar os delegados e investigadores nas ações. Foi até bom você ter aparecido para falar a verdade, porque estamos precisando de muitos ajudantes... – sorria sem jeito o diretor - … por mais que o Grande Saiyaman e você coloquem muitos bandidos na cadeia, existem muitos crimes a serem investigados, e se isso não bastasse surgiram esses tais de Tsufurujins, que mesmo que seu pai tenha prometido que estão aqui para nos ajudar não podemos evitar de ficarmos de olho. Você está pronta para nos ajudar?

- Sim! - Videl estava convicta.

- Bom, então me acompanhe até a sala 27 do primeiro andar…

O diretor levou Videl até uma sala que aparentemente era um arquivo com dezenas de gavetas abarrotadas de papéis. Ele a instruiu a organizar de acordo com os padrões da delegacia, explicou que na pressa os investigadores e delegados não colocavam no lugar certo e que isso bagunçava todo o arquivo. Por falta de ajudantes eles nunca conseguiam organizar tudo a tempo, então ele pediu que Videl o organizasse. Videl arregalou bem os olhos diante da bagunça de papéis e arquivos mal organizados, mas começou a botar mão na massa, passando algumas horas ali movendo centenas de documentos nos lugares certos. O trabalho fluía bem quando o rádio comunicador de Videl começou a tocar.

- Videl na escuta!

- Senhorita Videl, estamos no banco central. Uma quadrilha conseguiu entrar e pegou os funcionários de refém! Precisamos do seu apoio!

- Estou indo!

Videu largou a sala de arquivos e foi correndo até a saída do primeiro andar. Quando chegou na calçada já saiu voando até o banco central a toda velocidade. Em poucos minutos chegou até o banco, abarrotado de viaturas ao redor; duas delas inclusive já bem alvejadas por tiros. Videl flutuou até o chão e perguntou qual era a situação para o policial.

- Qual a situação oficial?

- Eles são aproximadamente oito, senhorita Videl. Estão com muitos reféns, ameaçando atirar neles caso entremos. - respondeu o policial.

- Vou tentar entrar pelos fundos e pegar eles de surpresa. - Videl estava calma e confiante.

- Certo. Vamos tentar distraí-los por aqui. - acenou o policial com a cabeça.

Videl então foi pelos fundos sorrateiramente, voando bem baixo e devagar para que os bandidos não a notassem. Ela entrou pelas portas do fundo e notou que só havia um vigia, por isso se aproximou e com um golpe de karatê acertou a nuca do bandido, fazendo-o desmaiar. Mais adiante ela chegou até a recepção do banco, onde se deparou com a cena de todos os reféns deitados no chão sob a mira dos bandidos. Dois reféns estavam com armas apontadas diretamente em suas cabeças.

Videl resolveu esperar o momento certo de agir, enquanto os policiais tentavam distrair os bandidos com as negociações. Finalmente o bandido que estava segurando um dos reféns e apontava uma arma para sua cabeça se distraiu, dando a brecha que a Videl precisava. Rapidamente ela se moveu e o golpeou, mandando-o para longe em um piscar de olhos. Todos os outros bandidos olharam para Videl e viram ela se preparando para acertar o próximo golpe em outro bandido, mas o líder dos bandidos a deteve com alguns tiros no chão perto de seus pés.

- Mais um passo e vamos atirar nos reféns! Você pode ser muito rápida, menina, mas não pode salvar dois ao mesmo tempo! - o líder pegou mais um refém e apontou a arma para sua cabeça.

Videl levantou as mãos se rendendo, visivelmente frustrada enquanto o líder dos bandidos mandou um dos seus a amarrar e a apontar a arma na cabeça de Videl.

- Mas que ótimo! Além da grana do banco, vamos também lucrar com o resgate da filha do Mister Satan! - riu o líder. Os bandidos acompanharam o riso enquanto os reféns se desesperavam mais e mais.

Os policiais já suspeitavam que algo estava dando errado pela demora e, quando perceberam que Videl foi sequestrada, imediatamente anunciaram na rádio da polícia. Nisso os repórteres começaram a juntar perto do banco, anunciando que Videl estava presa como refém.

Tudo parecia estar perdido para eles até que os policiais viram uma sombra passar sobre a porta do banco. Quando olharam para cima viram uma capa vermelha sendo agitada pelo vento e um capacete alaranjado. Em um piscar de olhos o Grande Saiyaman surgiu ali e estava flutuando com os braços cruzados, observando a cena toda. Instantaneamente os repórteres começaram a gritar junto com os policiais, flashes de câmeras preencheram o local, e o Grande Saiyaman desceu até o chão lentamente.

- Droga! O Grande Saiyaman veio! - disse um bandido dentro do banco.

- Não faz mal, com a quantidade de reféns que temos ele não vai poder fazer nada. - respondeu o líder.

Logo uma multidão se formou em torno do grande Saiyaman, o que o forçou a pedir que todos se afastassem e somente o policial responsável permanecesse. Inicialmente os repórteres relutaram, fazendo perguntas e tirando mais fotos, mas Gohan se irritou e falou em um tom mais alto e assertivo: "- Vocês querem que os reféns se machuquem?"

Isso foi o suficiente para fazer os repórteres recuarem. O policial se aproximou de Gohan e começou a contar toda a situação.

- Que bom que chegou, Grande Saiyaman! São oito bandidos e doze reféns, contando com a senhorita Videl. Acha que consegue derrotá-los?

- Tenho algo em mente. Não façam nada até eu terminar.

- Entendido. - acenou o policial.

Gohan então entra no banco central andando tranquilamente, para a surpresa do policial. Assim que ele passa pela porta giratória alguns bandidos apontam as armas para ele. Um deles aponta uma arma para uma multidão, um outro para a cabeça de um refém rendido, e mais outro para a cabeça de Videl. De repente, Gohan começa a fazer as poses de grande Saiyaman dizendo: "- Tremam diante dessa capa vermelha, pois ela representa o sangue da justiça! O mal nunca prevalecerá, a escuridão nunca irá avançar enquanto o grande Saiyaman lutar!"

Tanto os bandidos quanto os reféns ficaram sem palavras e com os olhos arregalados, menos Videl cujas bochechas já estavam vermelhas como dois pimentões.

- Ham Ham *limpando a garganta* Não importa o quanto digam que seja rápido, temos duas armas e dois reféns! Se tentar salvar um o outro morre! Renda-se, Grande Saiyaman, ou terá sangue em suas mãos! - gritou o líder.

- Hm… Então acha que podem me vencer apenas com quantidade? - Gohan fez um gesto com o dedo indicador e o dedo médio esticados e os outros fechados, como se fosse um ninja.

- O que ele pretende fazer? - perguntou um dos bandidos para o outro.

- Justice… Bunshin! - gritou Gohan. Ele começou a fazer um Zanzouken, projetando várias imagens de si dentro do banco. Algumas ficaram bem próximas dos bandidos, e outras em vários locais aleatórios, como nos caixas eletrônicos, mesas e cadeiras. Estavam ali espalhados pelo menos uns 15 grandes Saiyamans. Os bandidos ficaram perplexos, seus olhos completamente arregalados; eles pareciam não acreditar no que viam. Videl por outro lado estava um pouco confusa, pois só sentia um Ki, apesar de agora ver vários Gohans.

- Se for necessário a justiça irá se multiplicar, mas nunca o mal irá prevalecer! - sorria Gohan determinado.

- Eu… Eu… Eu me rendo! - disse um bandido.

- Pra mim já deu! Esse cara não é normal! - disse outro bandido.

- Sai fora! Ninguém disse que teriam tantos Grandes Saiyamans! Eu prefiro ser preso! - disse mais um outro bandido.

Pouco a pouco todos os bandidos se renderam e começaram a sair por conta própria. Assim que saíam a polícia imediatamente os algemava e os conduzia até as viaturas. Quando estes saíram os reféns foram os próximos. Tanto eles, quanto os policiais e os repórteres ainda estavam confusos, não entendendo o que tinha acabado de acontecer, pois para eles tudo foi resolvido sem que um conflito sequer tivesse acontecido.

Só restaram então o Gohan e a Videl dentro do banco. Videl, ainda incrédula, perguntou a Gohan o que tinha sido aquilo.

- Eu vi várias imagens suas mas senti apenas um Ki. O que foi aquilo? - perguntou Videl, ainda confusa.

Gohan riu animado, coçando o nariz - Então você percebeu? Se chama Zanzouken; eu me movi em uma velocidade alta e alternada, deixando alguns reflexos dos meus movimentos que se transformaram nas projeções que você viu. Posso te ensinar qualquer dia desses, se quiser. - Gohan agora se gabava, com um sorriso orgulhoso no rosto.

- Eu sabia que tinha algum truque! - suspirou a Videl com um leve sorriso.

- Bom, agora tenho que ir, até mais Videl… - Gohan começou a flutuar lentamente mostrando a intenção de voar, mas Videl o segurou pelo braço.

- Espera! - falou com um olhar apreensivo.

- O que foi? - perguntou Gohan agora um pouco preocupado.

- Precisamos conversar. - Videl agora exibia um rosto corado. O rosto de Gohan respondeu com o mesmo tom de vermelho em suas bochechas.

- Tá bom. - disse Gohan timidamente.

-Vamos para um lugar mais vazio. - logo em seguida, Videl saiu voando pelos fundos e Gohan a seguiu. Os repórteres só viram o risco vermelho da capa do grande Saiyaman deixando o banco enquanto entrevistavam os bandidos e os policiais.

Videl levou Gohan para o alto de um prédio que estava um pouco afastado dali e com a cobertura estava vazia. Ela aterrissou e se encostou no parapeito, com o Gohan fazendo o mesmo ao seu lado.

- Bom, eu gostaria de pedir desculpas pelo que eu fiz. Eu não deveria ter feito aquilo, mas acabei perdendo o controle. Não se preocupe, já conversei com a Samanta, só faltava mesmo era falar com você... - Videl estava um pouco envergonhada, usando um tom de voz mais suave e evitando contato visual com Gohan.

Gohan por sua vez tirou o capacete de Saiyaman e com a mão direita gentilmente ergueu a cabeça de Videl para que a pudesse encarar com ternura.

- Tá tudo bem, Videl, não se preocupe. O importante é que você voltou a si…

Não estava nos planos de Gohan o que estava prestes a acontecer, mas quando olhou para aqueles olhos negros e seus longos cabelos um impulso foi mais forte que sua consciência; sua mão esquerda puxou Videl pela cintura enquanto sua mão direita acariciava delicadamente seu rosto. Gohan aproximou seu rosto com a de Videl, que concordou e deixou que se aproximasse. Seus lábios se tocam, os olhos se fecham em um beijo bem fogoso. Videl abraçou Gohan e ele respondeu abraçando-a mais apertado e colocando seus braços em volta de sua cintura. Porém sua cauda também acabou envolvendo os dois. Videl levou um pequeno susto e acabou afastando Gohan, que estava agora perplexo.

- Desculpa Videl! Eu não queria… - dizia Gohan entendendo tudo e trazendo a cauda para trás, gesticulando os braços de forma espalhafatosa. Videl acabou se afastando um pouco de Gohan, ainda tampando a boca com a mão, mas não mais pelo susto e sim porque estava arrependida com o que tinha acabado de fazer.

- Ahn… eu acabei de lembrar que tenho que voltar para meu estágio… hm... depois a gente se fala… - Videl saiu voando rapidamente, ainda corada e sem graça.

- Ah! Droga de cauda! Droga de tsufurijins! - frustrado, Gohan cerrava os punhos e gritava contra o céu.

O dia de Gohan não tinha sido fácil. Ele voltou voando para casa cansado, com os braços cruzados e ainda pensando no que poderia fazer para remediar a situação. Videl também voltava para casa, ainda frustrada com a reação que teve. Por mais que ela tivesse medo daquela transformação do Gohan ela ainda o queria, pois no fundo ela sabia que Gohan ainda continuava o mesmo. Mas agora era tarde demais e ela não podia desfazer o que tinha acontecido.

Assim que Gohan chegou em casa ele desmaiou na cama de sono, pois estava muito cansado tanto física quanto mentalmente. Videl por outro lado ainda estava acordada e tendo dificuldades para dormir, pensando sobre tudo o que tinha acontecido. Lógico, ouvir seu pai contar sobre suas façanhas também não estava ajudando.

Goku e Vegeta treinavam duro. O primeiro no planeta do Kaioh do Norte, enquanto Vegeta estava no espaço destruindo meteoritos. Ambos tentavam aumentar a estabilidade do Super Saiyajin 3, mas sempre se cansavam muito rápido. Ainda sim continuavam a treinar até o limite de suas forças para ficarem mais fortes.

E agora? O que será do relacionamento de Gohan com Videl? Quando tudo parecia bem aconteceu mais um imprevisto. Será que os Tsufurujins vão conseguir reconstruir sua nave e voltar para seu planeta? Goku e Vegeta vão conseguir melhorar seu condicionamento? Qual será o destino da Terra com essa ameaça misteriosa a solta? Não percam o próximo episódio : "Socorro Grande Saiyaman!" quando Gohan recebe seu primeiro salário e o entrega para Chichi ela fica orgulhosa e vai ao shopping fazer umas compras, mas o shopping é atacado por bandidos e as pessoas entram em pânico. Será que o grande Saiyaman chegará a tempo para salvá-las?

Nota do Autor: E ai estão gostando da fanfic? Espero que sim haha! Apesar de ter muitas ideias escrever nunca foi meu forte, por isso estou recebendo ajuda durante a revisão da minha amiga Luna Autumnwind , ela é muito boa com escrita e também possui um perfil aqui, não deixem de acompanhar: u/5401130/Luna-Autumnwind