CAPÍTULO V

Pansy agora sentia frio, um frio terrível, que enregelava seu corpo onde a capa tinha escorregado. Começou a tremer; Harry parou e a pôs no chão, segurando-a para dar-lhe apoio.

— Já estamos quase chegando.

Pansy estava exausta demais para perguntar onde e ainda perplexa pelo que acabara de fazer. Expusera os dois e isso poderia ter causado a morte deles. Sentia-se tola e doente.

— Consegue ficar em pé? — Ele mal esperou pelo sinal dela. — Então comece a andar, o movimento vai aquecer você.

Ela tropeçou, mas Harry forçou-a a continuar. Pansy sentia uma dor horrível nos pés e nas pernas, que estavam gelados e adormecidos, e o frio da madrugada quase fez com que perdesse a respiração.

— Não posso continuar. — Ela começou a dobrar os joelhos.

— Ande! — ordenou Harry rispidamente, endireitando o seu corpo e empurrando-a para a frente. — Temos que chegar à caverna antes do amanhecer.

— Caverna? — Os modos rudes de Harry estavam surtindo efeito. Apesar de ainda estar andando aos tropeções, Pansy começou a sen tir-se mais consciente, aquecida pelo movimento.

— É pouco mais do que um buraco no meio das rochas, do outro lado do morro. Os inimigos não sabem da sua existência; só meus homens que moram por aqui a conhecem. Lá encontraremos comida, água e alguns cobertores.

Continuaram andando e logo chegaram a um terreno pedregoso, sem vegetação, que parecia terminar numa parede de rocha sólida. Guiada por Harry, Pansy viu uma abertura suficiente para dar passagem a uma só pessoa, e com certa dificuldade. Um de cada vez entrou por ela e Pansy tropeçou em alguma coisa macia. Teria caído, se Harry não a tivesse segurado.

— Eles trabalharam bem! — disse ele, enquanto acomodava Pansy sobre a pilha de cobertores que cobria o chão da caverna.

— Há luz aqui! E água! — Ela ficou surpresa em enxergar perfeitamente o rosto de Harry.

— Sim, e chegamos bem a tempo.

— Podemos usar magia?

— Ainda não. Só quando atravessarmos a fronteira.

— Você tem sua varinha?

— Você não tem a sua?

— Não preciso. Faço feitiço com as mãos.

— Eu também.

— Você pode tomar banho primeiro, tem roupas limpas em algum lugar aqui, vou procurar para você.

— Obrigado!

Pansy percebeu que Harry encaminhou-se para a frente da caverna, evitando a todo custo olhar em sua direção. Ela banhou-se na pequena tina de madeira que havia, sentindo-se feliz por estar limpa. Harry trouxe um vestido limpo e sua bolsa, onde ela tinha coisas pessoais, e graças a Merlin, calcinhas.

Quando ela terminou, foi a vez de Harry, e ela viu que ele também tinha roupas limpas a disposição.

Quando ambos tinham terminado, eles se admiraram por um momento e então perceberam que o sol se levantou e iluminada o interior da caverna.

— Seu rosto está ferido. — Pansy disse com preocupação.

— Você me arranhou. — Harry passou o dedo pelos arranhões e Pansy percebeu um brilho de raiva nos olhos dourados. — Não precisava ter exagerado na sua atuação.

— Minha atuação? E o que devo dizer da sua atitude? — Ela rapidamente se irritou.

— Tive que fazer você calar a boca. Você estava gritando em inglês e eles perceberiam a diferença.

Ela encolheu os ombros, sem ligar para a acusação.

— E é o melhor modo que conhece para fazer uma mulher ficar quieta! — lembrou ela.

— Sempre funciona.

A indiferença do tom de voz de Harry soou como um insulto à feminilidade de Pansy.

— Gostaria de saber o que Ginny diz disso. Ela permite que você saia calando todas as mulheres que não quer ouvir por aí?

— O que Ginny diz não interessa a você. — Harry respondeu rispidamente. — E agora vamos comer e depois dormir. — Completou Harry dirigindo sua atenção àquilo que, obviamente, considerava mais importante.

— Não estou com fome! — Pansy queria se rebelar.

— Mesmo assim, vai ter que comer — disse ele, pondo um pedaço de carne e uma fatia de pão em suas mãos.

Pansy sentiu o cheiro da refeição e percebeu que estava com fome. Começou a comer, cansada demais para teimar inutilmente com ele. Quando ambos terminaram, Harry arranjou os cobertores sobre um monte de palha que estava arrumado mais para dentro da caverna.

— Será que essa palha não está cheia de espinhos? Já estou toda machucada.

— Não, venha aqui ver, eles a recolhem de um rio aqui perto. — Harry levantou o cobertor que estava por cima, esperando que, com isso, ela se acomodasse na cama improvisada.

— Onde é que você vai dormir? — Assim que as palavras saíram de sua boca, ela se arrependeu de tê-las pronunciado, mas ficou olhando para ele, esperando a resposta.

— Aqui, com você, é claro. — Harry viu os olhos de Pansy se arregalarem de espanto e acrescentou, impaciente: — Não há pro blema algum. Somos casados... Lembra-se?

— Você não me deixa esquecer.

— E você está muito ansiosa para esquecer, não é mesmo? Aposto que não vê a hora de voltar para os braços de doninha do Malfoy.

— Assim como você deve estar ansioso para ir para os braços da sua amada coelha Weasley.

— Ginny não é uma coelha. — Harry disse irritado.

— Assim como Draco não é uma doninha — Pansy o enfrentou.

— Tudo bem. Agora vamos descansar enquanto podemos. Venha deitar.

Pansy caminhou lentamente e passou por Harry, deitando-se, evitando qualquer contato com ele. Encolheu-se toda, procurando ficar o mais afastada possível, no espaço limitado da cama improvisada, puxando as dobras da capa bem junto do seu corpo para evitar qualquer contato com ele. Ficou tensa e rígida, mas Harry não fez qualquer tentativa para tocá-la. Ao contrário do que ela pensou, ao deitar-se sobre o colchão improvisado de palha ela imediatamente adormeceu.

Horas depois Pansy acordou com o cheiro da fumaça. Mal podia acreditar que tinha conseguido dormir. Não imaginou que seria possível pegar no sono quando Harry deitou-se ao seu lado. Começou a tossir por causa da fumaça que enchia toda a caverna e seus olhos começaram a lacrimejar.

— Harry, acorde! — Pansy virou-se e viu que o lugar ao lado esta va desocupado.

— Estou aqui — ele falou, baixinho, através da abertura na rocha. Pansy mal podia distingui-lo por entre os rolos de fumaça escura.

— Vamos sair, há um incêndio! — O terror a fez correr em direção da abertura, à procura de ar fresco.

— O fogo é lá fora, não aqui. — Harry puxou-a para um lado, impedindo-a de chegar perto da passagem.

— Mas... — Pansy lutou para libertar-se.

— Calma! Dê uma olhada! — Ele a sacudiu com força e fez com que ela virasse o rosto para fora, ainda segurando-a perto de si.

— O que é que eles estão fazendo? — Várias formas masculinas se movimentavam por entre a fumaça, enquanto o fogo devorava todo o mato seco que havia perto das rochas. Pansy mal podia respirar. — Temos que sair daqui!

— Fique onde está.

— Não posso. — Ela engasgou. — Não estou conseguindo respirar.

— Se ficar pior, deite-se no chão com o rosto virado para baixo. A fumaça tende a subir e haverá oxigênio perto do chão.

Harry não desviou a atenção dos homens do lado de fora da caverna e do que estavam fazendo.

— Eles não estão conseguindo dominar o fogo!

— Não é isso que estão pretendendo. Estão fazendo com que se alastre ainda mais.

— Por que?

— Não percebeu? Pensam que estamos escondidos no mato, que rem aquelas pedras preciosas a qualquer custo. Isto quer dizer que ainda não as encontraram.

— Por que as querem tanto?

— São valiosas e serviriam para financiar esse movimento. Eles não dispõe de muitos recursos e qualquer dinheiro é lucro para eles. Fazem tudo para conseguir recursos financeiros.

— E o governo local?

— Não tem experiência e nem organização suficientes para resistir. Temo que o pais só não será tomado porque temos uma boa estratégia de intervenção.

— E o que estão esperando para pô-la em prática?

— Que eu apareça. É o protocolo.

— Potter veja! Estão chegando cada vez mais perto — disse ela em pânico, vendo os homens formando uma fileira, atiçando o fogo logo à frente da caverna.

— Certamente eles não sabem desta abertura, ou já teriam vindo diretamente para cá. — Disse Harry com confiança.

— Se chegarem mais perto das rochas, vão acabar descobrindo essa entrada.

— Não creio que virão até aqui. Não sabem da caverna e vão continuar procurando pelo mato, onde acham mais provável haver alguém escondido. Temos que continuar aqui e em silêncio, é a nossa única chance de não sermos descobertos. Aguente firme Parkinson!

— Não precisa se preocupar, ficarei quieta — disse Pansy, bai xinho, e ficou furiosa quando viu um sorriso cínico começar a se formar nos lábios de Harry.

Resolutamente ela abafou um acesso de tosse, mas precisou tirar a mão da boca para coçar a nuca. Alguma coisa áspera estava passando por ela.

— Merlin!

— Psiu! Fique calada!

— Não pude evitar. Veja! É uma aranha enorme! — murmurou Pansy cheia de raiva, atirando o inseto para longe, com uma cara de nojo. — Há uma outra aqui. Merlin, devem estar fugindo do fogo. Isto aqui vai ficar infestado!

Pansy olhou aterrorizada à sua volta. Havia aranhas no teto da caverna, descendo pelas paredes. Uma coisa enorme e monstruosa bateu no rosto de Pansy. Uma aranha preta e peluda como nunca vira, nem mesmo nos seus piores pesadelos. Ela abriu a boca para gritar, mas a mão de Harry se fechou sobre a sua boca abafando o grito.

— Quieta! — Murmurou ele. — Elas não lhe farão mal. Não são venenosas.

Podiam não ser venenosas, mas eram horríveis. Só com muito esforço, Pansy conseguiu ficar quieta. Quando Harry percebeu que ela não ia mais gritar, tirou a mão de sua boca e pegou-a em seus braços, afastando-a das aranhas que infestavam o chão. Pansy estremeceu e escondeu o rosto contra o peito dele, sentia as lágrimas formando-se em seus olhos, mas se recusava a desabar perto dele.

Harry afastou-a dele, empurrando-a para o lado. Em seguida ele sacudiu bem as cobertas para afastar qualquer inseto e deitou-a cuidadosamente no monte de palha onde tinham dormido.

— Esqueça as aranhas! — Murmurou ele no ouvido de Pansy, deitando-se ao lado dela. — Esqueça a fumaça! — Ele puxou um cobertor sobre ela, e sobre ele também. — Logo vai estar tudo acabado — Prometeu ele com uma ternura tão grande que Pansy começou a imaginar se não estava sonhando.

Os lábios de Harry pararam de falar e se puseram sobre os dela, apagando as imagens ameaçadoras do pensamento de Pansy. Não havia crueldade, apenas carinho. Ele beijou-lhe as pálpebras para que ela não visse as aranhas, passando por sobre seu nariz para que ela não sentisse a fumaça, chegando aos lábios para impedi-la de gritar ou dizer algo.

Naquele instante ela pensou em Draco, com quem namorara por muitos anos e conhecia desde a infância. Ela crescera com a promessa de que casariam um dia, mas esse dia ainda não havia chegado e ela e Draco estavam separados agora.

Ela sabia que seu casamento com Potter era uma mentira, mas aquela incerteza quanto ao seu futuro, quanto a se voltaria para a Inglaterra e para seu pai um dia, fazia com que ela não conseguia resistir a vontade de viver intensamente tudo o que podia enquanto estava naquela jornada de vida ou morte. Se ela morresse, ao menos teria passado um tempo com um homem que a fizera se sentir emocionada e viva. Se sobrevivesse, guardaria as lembranças vividas no fundo de seu coração e voltaria a sua vida de modelo, provavelmente casando com Draco em seguida. Com um suspiro, Pansy se rendeu as carícias de Harry, entregando-se totalmente àquela paixão impossível de controlar.

Harry despiu-a de um modo delicado, retirando toda a roupa dela e dele, sem que ela se desse conta porque ele não a deixava de beijar. O calor da caverna misturava-se ao calor de seus corpos, fazendo com que eles suassem e seus suores se misturasse, permitindo que as mãos de ambos deslizassem sobre o corpo do outro numa missão exploradora. Quando Harry depositou beijos nos seus seios despidos, a sensação embriagadora tomou conta de todo seu ser, afastando qualquer ideia do perigo que corriam, da ameaça representada pelos rebeldes lá fora. Foi como se um véu caísse sobre o passado e o futuro, deixando somente o presente, um presente cheio de um fogo que fez o incêndio do mato parecer insignificante, com chamas de êxtase que, como um raio, pareceu consumir tudo à sua volta, enchendo aquela caverna desoladora de uma luz maravilhosa que só ela e Harry, iriam conhecer.

Quando ele a penetrou com urgência ela sentiu uma onda de prazer que quase a fez chegar ao êxtase, Harry a preenchia e seus corpos tinham um encaixe perfeito. Eles movimentaram os quadris juntos, ritmicamente, enquanto trocavam beijos intensos. Quando chegaram ao clímax foi juntos e Pansy viu seu mundo explodir em milhões de estrelas, como ela nunca tinha sentido antes. Harry derramou-se dentro dela até o fim e depois a puxou para o lado, envolvendo-a num abraço acolhedor enquanto acalmavam a respiração e caiam no sono.