CAPÍTULO VIII

Uma semana depois Pansy juntou-se a Harry quando viu as terras da Inglaterra se aproximando. Sentiu-se tomada mais uma vez pelo medo e pela insegurança.

— Quando sairmos, fique perto de mim e não diga uma só palavra. Eu cuidarei de tudo — disse Harry, sem maiores rodeios.

Desta vez ele não vai precisar me beijar para eu ficar de boca fechada, pensou Pansy cheia de amargura. Estava tão nervosa que sua língua parecia paralisada, e não poderia falar nem que quisesse.

Assim que desembarcaram, Harry dirigiu-se ao primeiro oficial da alfândega que encontrou.

— Fomos informados de sua chegada, Sr. Potter. — O homem observou o rosto pálido de Pansy com um olhar cheio de gentileza. — Parece que sua senhora passou por um mau pedaço. Fiquem aqui, por favor. Estamos evitando a imprensa a todo a custo. O Ministério achou melhor conduzi-los como trouxas, então verei se seu carro já chegou. — Ele apontou uma cadeira para Pansy e saiu.

Pansy evitava olhar para Harry, tomada de medo pela forma como seria sua vida de agora em diante. Quando estava só com Harry ela parecia ter vivido uma outra vida, vida essa que estava bem distante agora. A realidade era que estava casada com Harry Potter, mas logo anulariam o casamento. Que consequências teria isso para sua vida? Ele seria um herói é claro, mas e ela, nem a donzela resgatada poderia ser, pois não ficaria com o cavalheiro no final.

— Seu motorista está esperando lá fora. Logo vai estar em casa, senhora. Lamento que precisem passar no Ministério antes, mas dadas as circunstâncias... — disse com um sorriso amável o funcionário da alfândega.

Que casa? Ora, em Londres, é claro, disse a mente de Pansy.

Assim que entraram no carro este se pôs em movimento, mas em poucos minutos Pansy percebeu que essa era a chave de portal e imediatamente eles aparatam em frente ao Ministério da Magia.

— Harry...

— Vamos Pansy, precisamos passar por isso logo antes de finalmente estarmos em casa.

Eles entraram no Ministério por uma cabine telefônica e quando chegaram no Hall perceberam que haviam muitas pessoas os aguardando. Pansy sentiu-se imediatamente envolvida em um abraço que ela reconheceu ser de Luna, ao qual ela retribuiu.

— Me perdoa Pansy, eu não sabia, juro que não sabia, ou não teria insistido — Luna chorava.

— Não foi nada Luna, estou bem, estou de volta. — Pansy respondeu imaginando que ela falava da situação pela qual ela e Harry passaram, mas foi então que ela viu a ruiva Weasley, Ginny, correr para os braços de Harry e ela parecia... gorda.

— Ninguém sabia Pansy, só a família dela. Harry não sabia, ou ele jamais teria concordado em casar e sabe lá o que teria acontecido com você.

— Do que está falando Luna? — Pansy perguntou afastando-se um pouco da amiga.

— Da gravidez de Ginny, ela espera um filho de Harry.

Pansy empalideceu e por um instante sentiu como se estivesse de volta ao mar. Ainda bem que Luna a agarrava, ou teria caído ali mesmo, os joelhos fracos.

— Pansy viu Ginny abraçada por Harry, um sorriso genuíno nos lábios dele enquanto olhava para a barriga da ruiva.

Pansy sentiu seu estomago afundar naquele momento. Não que ela esperasse ficar com Harry afinal, mas de alguma forma o seu corpo traiçoeiro, diga-se o seu coração, insistia em se importar com o que acontecia com Harry.

— Senhores, sei que o momento é de alegria ao termos de volta nosso brilhante Auror e a Srta Parkinson, mas precisamos do depoimento deles agora. — Anunciou um funcionário do Ministério.

Sem delongas, Pansy e Harry foram conduzidos a uma sala de julgamentos, os dois no banco que seria dos réus. Era estranho, mas tudo era estranho naquela situação. Logo eles se viram contando toda a historia, Pansy relatando sobre as joias e Harry sobre a missão de salvá-los, incluindo o casamento.

Pansy viu como Ginny prendeu a respiração nesse momento.

— O casamento é válido?

— Sim — Respondeu Blaise Zabini. Pansy o viu pela primeira vez desde que chegou ali e então ao seu lado ela viu Draco. Ele a olhava com angustia e uma pontada de desespero. "O que ele fazia ali?" Pansy se perguntou.

— Mas foi apenas para garantir a segurança da Srta Parkinson, estou certo? — Perguntou o Ministro.

— Sim — Continuou Blaise — O acordo incluía a anulação do casamento quando retornassem em segurança a Londres.

— Ah sim, certo, podemos providenciar isso agora mesmo. Em menos de uma semana estarão livres novamente e tudo não terá passado de um acordo. É o que desejam?

— Sim — Harry respondeu ansiosamente enquanto olhava para Ginny Weasley. Pansy sentiu seu coração quebrar naquele instante.

— Srta Parkinson?

— Sim, claro. — Pansy dava o seu melhor para parecer indiferente.

— Ótimo, então daremos entrada em tudo. Vocês receberão o certificado de anulação por coruja na próxima semana.

Dali a mais uma hora tudo terminou com o Ministério em uma breve cerimônia de agradecimento e Pansy foi ao banco depositar as joias, acompanhada de Luna, Blaise e Draco.

Pansy não se despedira de Harry, quando foram liberados ele correu para Ginny e a beijou apaixonadamente. Ao ver a cena, Pansy sentiu-se mal, mas ela era Sonserina, fingiu que estava tudo bem e saiu com uma expressão esnobe do Ministério.

Quando chegaram a Mansão Parkinson, Luna subiu com ela para o quarto, enquanto Blaise e Draco foram ordenar o jantar e aguardar na biblioteca.

— Você não parece feliz Pansy.

— Estou cansada Luna. Tudo isso foi...

— Você me perdoa?

— Não há o que perdoar.

— Aconteceu algo entre você e Harry?

— O que poderia acontecer além desse casamento de mentira? — Pansy forçou um sorriso — Tudo permanece igual Luna, não nos tornamos melhores amigos por passar por tudo isso, nem mesmo amigos pode-se dizer.

— Fico feliz em saber que não se envolveram, pois Harry jamais ficaria com você.

— Ele ama a Weasley e eu não dou a mínima para isso. — Pansy comentou com indiferença.

— Sim, ele faz. Deve estar nas nuvens com a gravidez de Ginny. Ela me disse que escapou meses atrás para ir vê-lo. Nesse dia eles romperam em definitivo, Harry não queria deixá-la, mas achou melhor pela segurança dela. Ginny não tomou precauções e ficou muito feliz quando soube que engravidou.

— Foi de propósito? — Pansy perguntou assustada.

— Sim, ela disse que não importava o que acontecesse, queria uma parte de Harry consigo. Fico feliz que ele tenha voltado ileso e que possam ficar juntos. Esse sempre foi o sonho de Harry, uma família.

— Desejo que Harry seja feliz.

Luna percebeu que Pansy o chamara Harry, como se de algum modo eles tivessem sim se aproximado. Mas mesmo que assim fosse, isso agora fazia parte do passado agora. Harry casaria com Ginny, Luna tinha certeza, ele sempre quisera uma família, e Pansy, ela esperava que desse uma nova chance a Draco.

— Draco ficou desesperado quando soube o que houve com você.

— Mesmo? — Pansy perguntou incrédula.

— Sim, parece que o medo de a perder mexeu com ele.

— Não acredito Luna.

— Ouça o que ele tem a dizer, ele não a seguiu até aqui para nada.

— Verei o que posso fazer, mas não se encha de esperanças. Draco me magoou muito.

Minutos depois o jantar foi anunciado e Pansy desceu com Luna. Elas encontraram Blaise e Draco ao pé da escada e os homens ofereceram seus braços a elas, como perfeitos cavalheiros.

Pansy sentiu-se estremecer ante o toque de Draco. Fazia tempo que o amara, mesmo agora sentia que ainda tinha sentimentos por ele, mas se tivesse que escolher entre Draco e Harry, teria ficado com a segunda opção.

O quarteto jantou alegremente conversando sobre diversas coisas e evitando o tema do casamento de Pansy e todo o perigo que ela passou. Ao final, Luna e Blaise se despediram e Pansy ficou a sós com Draco. Era hora de ela enfrentar seu ex.

— Pansy, como você está?

— Bem Draco, agora estou bem.

— Minha querida — Disse Draco puxando-a para um abraço. Pansy se deixou abraçar, sentindo-se mais uma vez segura nos braços de alguém. Ela precisava disso. — Não imagino pelo que você passou nestes dias Pansy, mas sei pelo que passei sem saber o que aconteceria com você, se a veria outra vez.

— Draco...

— Percebi que continuo te amando Pansy, amo como sempre amei desde que éramos crianças. Fui um tolo ao pensar que precisava viver outras experiências antes de comprometer-me. Agora sei que a única mulher com quem quero estar é você. Você é tudo que quero Pansy, a mulher que quero ao meu lado. Perdoe-me pelo que fiz você sofrer, perdoe-me por tê-la abandonado.

— Draco eu... — Pansy desprendeu-se dele e o encarou, queria olhar no fundo dos olhos de Draco e ver se ele dizia a verdade. Ela viu a verdade neles. Draco a amava.

— Sei que o que fiz foi errado, mas nunca menti para você. Julguei ser melhor passar um tempo afastado e conhecendo outras pessoas, mas só me envolvi com uma mulher...

— Não quero saber Draco! — Disse Pansy tentando soltar-se.

— Eu percebi que não queria estar com ela, porque ela não era você. Então te procurei, mas você tinha viajado a trabalho. Quando soube do que estava acontecendo com você, do perigo que passava, pensei que morreria se você se machucasse. Senti-me infeliz por ter ficado esse tempo longe de você.

— Draco...

— Eu a amo Pansy, tenho certeza disso, e quero que seja minha para sempre. — Disse Draco ajoelhando-se — Quer ser minha esposa Pansy?

Pansy o encarou estupefata. Ali estava o momento que ela sonhou viver desde que tinha dez anos e viu Draco pela primeira vez na vida. Ela sempre o desejara, sempre desejou ser sua esposa, ter uma família com ele. Mas naquele momento, tudo era tão confuso! "Por que não respondia?" Ela se perguntou. "Por que ficara muda?" E nesse instante seu coração respondeu, "por causa de Harry". Ela tinha estado com Harry, tinha sentimentos por ele, mas Harry amava outra e ela está grávida. Poderia ter Draco, poderia esquecer Harry e voltar a amar unicamente a Draco. Ela o amara tanto, isso poderia voltar a ser igual.

— Eu aceito.

Draco levantou-se feliz e ergueu Pansy em seus braços, girando-a. Ela sentiu a euforia e a excitação de um sonho a se realizar, o casamento. Mesmo que não amasse Draco como antes, ainda assim o amava de alguma forma e seria feliz com ele, voltaria a vê-lo como único em sua vida, Pansy dizia a si mesma.

Draco a levou até o quarto de Pansy, onde estivera tantas vezes. Lentamente a pôs no chão e segurando seu rosto com as mãos a beijou. Pansy sentiu seu corpo amolecer, Draco a beijava com ternura, com carinho. Ela correspondeu. Logo o beijo passou a ser algo mais apaixonado e intenso e quando Pansy percebeu, Draco a deitava na cama e a despia habilmente. Pansy o desejava, desejava fazer amor com Draco, desejava apagar as lembranças de Harry de si.

Pansy e Draco fizeram amor apaixonado naquela noite e no dia seguinte começaram os preparativos para o casamento, assim como Harry e Ginny faziam na Toca. Ambos os casais transbordavam alegria e paixão. O que Pansy e Harry viveram parecia esquecido agora.

A imprensa ficou eufórica ao anunciar as duas bodas, nunca mencionando o casamento entre Pansy e Harry no exterior, aparentemente tudo realmente ficara em segredo.