CAPÍTULO IX

Durante as semanas que se seguiram, o assunto era casamento, notadamente dos famosos e ricos bruxos.

Alguns dias após falou-se da gravidez de Ginny Weasley. Comentários sobre a ordem das coisas sendo feitos, mas Harry era o menino de ouro, tudo o que ele fazia era aceitável.

Pansy evitou ler a respeito de qualquer coisa sobre Harry, voltando toda a sua atenção a Draco e seu próprio casamento. Ela se obrigara a apagar as lembranças do que vivera com Harry, forçando-se a acreditar que a noite que passou com ele fora apenas um sonho.

Três semanas depois do retorno a Londres, Harry casou com Ginny na Toca, numa festa simples, íntima e alegre. Rony e Hermione foram padrinhos do casamento e muitos amigos estiveram presentes. Draco e Pansy foram convidados, mas declinaram do convite e enviaram apenas o presente de casamento. As fotos divulgadas mostravam a felicidade do casal, da família, dos amigos. Pansy não conseguiu resistir a curiosidade e lera a respeito.

Harry e Ginny não tiveram lua-de-mel, mas após o casamento retiraram-se para uma casa em Godric Hollow, a mesma que fora dos pais de Harry quando eles morreram. A casa tinha sido transformada em uma pequena mansão para abrigar a nova família Potter. O bebê chegaria dali a três meses.

Um mês e meio depois do retorno a Londres, Draco e Pansy casaram numa festa grandiosa na Mansão Malfoy, igualmente divulgada e comentada no mundo bruxo. Eles viveriam na mansão Malfoy da França, herança de Draco, mas antes iriam numa lua-de-mel romântica pela Europa. Harry e Ginny também foram convidados para o casamento, mas também declinaram da festa e enviaram apenas o presente.

Alguns dias após retornaram da lua-de-mel, Pansy sentiu-se mal enquanto colhia rosas no jardim da Mansão. Tinha vomitado, sentindo-se tonta e fraca. Draco ficou preocupado e imediatamente chamou o médico da família para examiná-la. Ele temia que ela tivesse contraído algo durante a lua-de-mel.

— Então doutor, acredita que contraí alguma virose durante a viagem? — Perguntou Pansy após o término dos exames.

Ela e Draco olhavam ansiosos para o médico idoso. Este riu satisfeito.

— Tenho o prazer de lhes informar, senhores Malfoy, que a Sra. Malfoy está grávida.

Pansy não pode conter as lágrimas de alegria que se formaram em seu rosto e para sua surpresa, Draco também chorou. Eles se abraçaram e ela sentiu uma imensa felicidade por estar casada com um homem que a amava e pelo filho que teriam. Sua vida estava maravilhosamente bem.

Quando a notícia foi dada a mãe de Draco e ao pai de Pansy durante um jantar, estes ficaram imensamente felizes e insistiram para que o jovem casal retornasse a Londres. Os avós os queriam mais perto.

— Venham para casa, será muito melhor para todos nós. Draco pode trabalhar normalmente e você será bem assistida querida. — Disse Narcisa.

— Sim minha filha, quero acompanhar tudo e tê-la por perto facilita as coisas. Sabe que não posso viajar muito.

Pansy e Draco concordaram e dias depois eles chegavam a Londres. Se estabeleceriam em uma nova mansão que havia sido comprada próximo as casas dos pais de Draco e Pansy, onde preparariam tudo para o nascimento do bebê.

A notícia se espalhou no mundo bruxo e a gravidez de Pansy foi amplamente anunciada. O mundo bruxo vibrava acompanhando os dois casais de bruxos mais famosos da Grã-Bretanha.

Após a mudança a vida em Londres era agradável e havia caído numa rotina tranquila. Os tempos perigosos junto a Harry eram apenas uma lembrança distante.

Draco trabalhava a maior parte do tempo em casa, ficando ao lado de Pansy sempre. Saía algumas vezes para reuniões enquanto ela recebia visitas de seu pai, sua sogra e alguns amigos próximos.

Pansy passava a maior parte do tempo preparando-se para a chegada do bebê. Estava decorando o quarto, comprando roupas, lendo sobre a maternidade, indo às consultas com a obstetra.

Era uma tarde de quinta-feira e Pansy estava no Saint-Mungus com Draco para uma consulta de rotina quando a imprensa emergiu no local alvoroçada. Quando Pansy entrou na sala da Dra. Ming, sua obstetra, esta informou que o bebê do menino-que-sobreviveu havia nascido, um menino saudável nomeado de James Sirius Potter, por isso a imprensa estava toda lá.

Pansy sentiu uma fisgada no coração ao saber, as lembranças de sua noite na caverna com Harry emergiram em sua mente, mas felizmente ela foi tirada dos devaneios quando a médica pediu que se acomodasse para o ultrassom.

Pansy e Draco ouviram o coração do bebê e ficaram emocionados. Eles sempre ficavam, sempre choravam. Era um emoção indescritível para ambos, parcialmente órfãos, que agora teriam sua própria e completa família.

— Bem querida, o bebê está bem e saudável, seu desenvolvimento está como o esperado. Querem saber o sexo?

— Sim — responderam ambos juntos.

— É uma menina. E você está entre três meses e meio e quatro, quer fazer o exame de precisão?

— Não precisa Doutora, sabemos bem quando foi. — Garantiu Draco.

Pansy sentiu seu coração aquecer e Draco a abraçou. Mas apenas um segundo depois ela avaliou o que a médica dissera. O período que ela mencionou indicava uma janela maior do que o período em que ela estava com Draco desde que reataram. Poderia haver uma chance de o bebê ser de Harry? Pansy ficou gelada com aquele pensamento. Draco notou a mudança.

— Você está bem meu amor?

— Sim. Só um leve enjoo. — Pansy garantiu.

— Já devia ter passado, mas acredito que no máximo nas duas próximas semanas isso passa. — Garantiu a Dra. Ming.

Eles saíram do hospital em meio ao tumulto de repórteres presentes e Draco comentou que deveriam enviar uma coruja parabenizando Harry pelo nascimento do bebê. Pansy concordou e acrescentou que enviariam um presente também.

Quando chegaram a mansão uma carta vinda do Ministério esperava por Pansy. Ela ficou surpresa. Tomando a carta ela leu atentamente.

— Do que se trata? — Questionou Draco com curiosidade.

— O Ministério está me ofertando um emprego temporário. Eles estão em posse de alguns artefatos mágicos que possuem pedras. Aparentemente eles não conseguiram liberar a magia neles e acreditam que está relacionado a essas pedras. Querem que eu os ajude a identificar e tratar das pedras para despertar a magia dos artefatos. — Pansy estava excitada, era uma ótima oportunidade e ter sido reconhecida por seus conhecimentos nessa área a encheu de orgulho.

— Diga-lhes que não. — Afirmou Draco categoricamente.

— Por que? — Pansy questionou surpresa.

— Você não pode fazer esse trabalho, é perigoso para você e o bebê. Lidar com magia desconhecida pode provocar algo inesperado e ferir vocês.

— O Ministério vai garantir toda a segurança.

— Não confio neles. Você não irá. — Draco insistiu.

Pansy o encarou contrariada.

— Eu quero aceitar Draco, ainda faltam cinco meses até o bebê nascer e eu posso trabalhar sem problemas.

— Não quero Pansy, isso pode esgotar você, prejudicar o bebê.

Pansy percebeu que Draco estava inflexível, mas ela não se deu por vencida.

— Não vai prejudicar, tenho certeza. Eu jamais faria algo para prejudicar nossa filha. É uma grande oportunidade e não vejo porque não aceitar. Estaremos seguras lá.

— Não posso permitir. Vou falar com seu pai, tenho certeza que ele vai concordar comigo. — Draco insistia em que Pansy declinasse da oferta.

— Não quero que o meta em nossos assuntos Draco, não é necessário. E isso não me fará mudar de ideia. Eu vou. Talvez termine em um ou dois meses, muito antes de o bebê nascer. Você sabe que é uma ótima oportunidade, de todas as formas.

— Mesmo assim.

— Eu irei aceitar. — Pansy o encarou desafiadora.

Eram dois sonserinos afinal, acostumados a terem seus desejos aceitos e todos concordarem com eles.

— Pansy...

— Se eu me cansar ou sentir que há algum perigo para mim e o bebê eu prometo abandonar o emprego no mesmo instante, mas não posso faze-lo sem antes saber do que se trata. Se for bom, quero aproveitar essa oportunidade. É algo que nunca imaginei.

— Promete? Promete que se for perigoso você vai rejeitar a proposta?

— Sim, jamais colocaria a vida da nossa filha em perigo.

Draco concordou relutante e assistiu Pansy escrever a carta resposta ao Ministério. Em seguida eles providenciaram um jantar e enviaram os convites aos pais para virem acompanhá-los afim de que pudessem contar a novidade sobre o sexo do bebê e o trabalho de Pansy.

Narcisa e Frederick ficaram imensamente felizes com a notícia de uma neta e começaram a debater sobre a educação que os pais deveriam dar a ela. Passados alguns minutos Pansy contou da oferta do Ministério e, diante da oposição de Narcisa e seu pai, ela acabou por discutir como discutira com Draco, convencendo-os no final da mesma forma e garantindo que avaliaria o perigo do trabalho para ela e o bebê.

Naquela noite Pansy fora dormir feliz pela novidade, nem sequer recordando Harry uma única vez. Na manhã seguinte Pansy recebeu outra carta do Ministério, gratos pela aceitação e indicando o dia para ela se apresentar e conhecer a equipe.