O que for preciso
Porque adoro a adrenalina nas minhas veias
Faço o que for preciso
Porque amo a sensação de quando rompo meus limites
O que for preciso
Você me leva até o topo, estou pronto para
O que for preciso
Porque adoro a adrenalina nas minhas veias
Faço o que for preciso
Whatever It Takes — Imagine Dragons
Londres, Inglaterra
04 de Outubro de 1818
Thomas foi obrigado a admitir, quando a luz entrou no quarto, que a iluminação do Sol da manhã ficava muito bem na pele levemente bronzeada de Aaron. Sentado sobre os quadris do amante, Thomas estava dividido em apreciar mais o corpo do homem deitado sob si ou pensar em novas formas de provocá-lo, embora devesse admitir que se a força com a qual Aaron estava apertando seus quadris fosse indicativo de alguma coisa, era que ele já estava bem satisfeito da forma como as coisas estavam indo agora.
— Não devíamos… — Aaron começou a falar, a voz sendo cortada por um gemido.
Um sorriso cruel se abriu no rosto de Thomas. Era disso que gostava. Gostava de ver Aaron perdendo a linha do raciocínio quando estava com ele. Gostava de saber exatamente que tipo de poder exercia sobre os outros, e não seria diferente com o homem que estava em sua cama.
— O que disse? — perguntou, com um sorriso cruel no rosto.
Propositalmente, ele contraiu os músculos das nádegas, e a reação no rosto de Aaron foi tão adorável que Thomas desejou ter uma pintura daquele momento para carregar consigo. Aaron soltou um gemido baixo e forte, e Thomas sorriu ainda mais. Isso era ótimo para seu ego.
— Não devíamos… Vamos… Nos atrasar…
— Hm… Então você quer que eu me levante… — Thomas rebolou um pouco e conseguia sentir as unhas de Aaron se cravando em sua pele. Ia deixar marca. — Agora?
— Não! Não… Só… Só mais um pouco…
Mais um pouco? Tsc. Thomas poderia ficar ali o dia inteiro. Não estava nem aí pra se Alban precisava dele para isso ou aquilo, até porque era obrigado a admitir, achava que tinha mais vantagem em deixar ele sozinho.
— Não sei… Agora acho que perdi o interesse…
— Thomas…
É claro que não tinha perdido. Thomas apoiou as mãos na cabeceira da cama de seu apartamento em Londres, pegando mais força e velocidade nos movimentos. Aaron perdia a compostura cada vez mais, e Thomas conseguiu sentir na forma como as pernas do homem se contraíram embaixo de si quando ele tinha chegado ao orgasmo.
E exatamente naquele momento que Thomas estava aproveitando o melhor momento de estar na cama com um cara, ouviu batidas bem tímidas na porta.
Só podia ser piada.
— Não tem ninguém aqui! — ele respondeu, sentindo a mão de Aaron chegar até o pau dele e levantando uma sobrancelha.
Que gracinha, Aaron se importava com ele na cama. Imagine só.
— O senhor Frankestein está na sala, senhor Prescott. Disse que o senhor marcou com ele a essa hora da manhã.
Nem pensar! Thomas levantou o olhar para o relógio na mesa de cabeceira e viu que, de fato, Alban tinha chegado com a impecável pontualidade britânica que era esperada do escocês.
Oh merda. Devia ter marcado mais tarde.
— Enrola ele. Eu já vou.
Thomas não prestou atenção para ouvir a resposta da criada. Aaron estava chegando bem perto de conseguir… Ah, sim. Thomas soltou um suspiro forte, agarrando mais a cabeceira da cama e sentindo o leve cansaço pós-orgasmo tomar conta de seu corpo. Ele resmungou baixinho. Não era de abraços e carinhos exagerados, mas gostava de pelo menos um minuto de paz depois de uma transa antes de ter que sair para fazer qualquer coisa.
Mas não tinha muito o que fazer agora. Ele tinha prometido a Alban que iria acompanhá-lo e Aaron também, e embora fosse fácil para Thomas se fazer desentendido e fingir que tinha algo mais importante para fazer, Aaron era bem mais coração mole. Então, se não tinha chance de cabular o compromisso pra estender o tempo na cama, era bem mais útil ir logo como tinha prometido e ver um pouco do movimento da rua. Tinha que se mostrar aos outros, afinal de contas.
Thomas levantou de uma vez, e começou a procurar algumas roupas para tomar um banho. Aaron foi bem mais lento, e Thomas conseguiu ouvir ele resmungar várias vezes antes de se por de pé.
— Pegue suas coisas, saia pela janela, entre no prédio e bata na porta de casa como se tivesse acabado de chegar. — Thomas orientou, caminhando até seu banheiro.
Rico até perder de vista, Thomas era um dos afortunados a ter acesso ao luxo da água encanada. Seu banho já estava preparado e quente e ele deixou Aaron no quarto, certo de que não o encontraria lá quando voltasse.
E de fato, quando finalmente foi até a sala para encontrar Alban, encontrou sua empregada abrindo a porta para um Aaron sorridente, como se tivesse acabado de chegar. Thomas abriu um sorriso. Tinha que reconhecer, o cara era bom em disfarçar. Ainda bem, ou nem estaria em sua cama.
— Pois bem. Podemos sair agora. — Thomas anunciou, arrumando as abotoaduras em sua blusa.
— Certo. — Alban respondeu, se levantando imediatamente e ajeitando o casaco umas três vezes em sequência.
Thomas riu, baixinho, e viu o olhar de reprovação de Aaron para ele.
— O que foi?
— Nada. — Aaron respondeu, indo até o líder e ajeitando a gola do casaco para ele. — Esse casaco é novo? Fica bem em você. O perfume está ótimo também.
— Obrigado. Bem, então vamos.
Alban deu uma última ajeitada no cabelo e o trio saiu.
Era um exercício curioso, para dizer o mínimo, andar pelas ruas de Londres. Thomas era observador e marrento, e sempre que dava de cara com um dos lordes com quem já tinha se envolvido em segredo, e eram muitos, ele dava um sorrisinho provocador para o homem. As reações eram das mais diversas. Alguns se desesperavam por serem reconhecidos na rua, outros faziam uma expressão de nojo tão severa que Thomas quase se surpreendia pela hipocrisia, mas a maioria fingia que não era com eles.
De lorde em lorde, o trio chegou à estação de carruagens de Londres. Alban andava de um lado para o outro, tentando não parecer nervoso mas falhando miseravelmente a cada vez que checava o relógio de bolso. Thomas se sentou em um banco para esperar, mais interessado em olhar as unhas do que em prestar atenção na ansiedade do líder, e em algum tempo Aaron se sentou ao seu lado também.
— Olha só pra ele. — Aaron comentou. — Completamente ingênuo.
— Completamente burro. Não foi falta de tentar dar um pouco de malícia pra ele. Quantas vezes levamos ele em cabarés enquanto ela estava fora? Três?
— Cinco. Ele preferiu acabar com o estoque de Haig em vez de parar para olhar em volta. Alban tem o apelo sexual de um ursinho de pelúcia. Desse jeito ele nunca vai perceber.
— Estou começando a querer apostar dinheiro nisso. Acho que ela vai descobrir antes dele.
— Você acha?
— Tenho quase certeza. Ela tem experiência em relacionamentos. Sabe como sentimentos funcionam.
— Eles fariam um casal bonito.
— Ah, fariam. Um lindo casal que prefere trabalhar a noite inteira em vez de dar uma volta em um clube noturno e estender a diversão em casa. Tsc. Sabe que tipo de casal eles fazem? O chato. Ou melhor, eles não fazem tipo de casal nenhum, porque Alban é burro como uma porta e não se dá conta de que está…
— Ssssssh!
Aaron indicou a rua com a cabeça. Uma carruagem estava parada à frente da estação. O cocheiro tinha acabado de tirar as malas da carruagem, mas em vez dele, quem estava aos pés da escada estendendo a mão para ajudar a recém-chegada a descer era Alban.
A mulher segurou a mão dele para sair da carruagem. Vestida de verde com um chapéu bem enfeitado, ela poderia ser uma típica dama da sociedade inglesa se não fosse pelos cabelos curtos demais para a época, ou pelo batom de cor inesperadamente forte. Thomas pensou na mesma hora que ela se maquiava e penteava como uma cortesã para se vestir como uma dama, e embora a lógica não fizesse nenhum sentido para ele era ridiculamente óbvio que agradava Alban, que tinha um sorriso de orelha a orelha no rosto no momento. Ele pegou uma das malas dela para carregar, e ela insistiu em levar a outra ela mesma. E assim, em poucos passos, a dupla estava perto o bastante para que pudesse ser ouvida pelos colegas de clã.
— ...e talvez eu tenha corroído muito o corpo para que um padrão de regeneração seja identificado, porém…
— ...o zumbi é capaz de se recuperar dos cortes mas não do ácido que você jogou…
— …o que significa que a regeneração dele deve, possivelmente, ter origem química…
— …porque a introdução de um elemento químico estranho ao organismo atrapalhou o andamento normal da cura do morto-vivo.
Alban abriu um sorriso simpático.
— Senhorita Frankestein… É muito bom ter você de volta.
— O prazer é todo meu. Eu amo meus tios, mas depois de alguns dias com eles as perguntas sobre casamento começam a ser cansativas.
O dois riram e Thomas podia jurar que a risada deles estava sincronizada. Chegava quase a ser nojento de tão fofo.
— Ótimo. — Thomas comentou, se levantando. — Pegou tudo? Podemos ir agora?
— Ah, sim. Vamos andando, estou morrendo de saudades do laboratório.
Dessa vez, no caminho de volta, em vez de prestar atenção nos habitantes londrinos, Thomas e Aaron estavam ouvindo a conversa de Alban e Lileas. Por mais que fosse óbvio que Alban simplesmente queria que Lileas voltasse, afinal, separar os dois chegava a ser crueldade de tanto que funcionavam em sincronia quando estavam juntos. Ele tinha razão quando tinha dito que esperar a química voltar para continuar o trabalho era uma boa estratégia. Só no caminho de volta da estação para o laboratório, com uma breve pausa para Lily deixar as malas em sua casa, eles já tinham criado tantas teorias diferentes que Thomas nem sabia quais deveria levar à sério.
Só ouvir os dois já estava cansando a beleza do médico. Ia precisar de um bom copo de bebida em uma molly house para se desintoxicar do excesso de "Albeas" na sua frente. Mas ia ter que dar um jeito de despistar Aaron. Adorava o colega, mas ter liberdade pra beijar outras bocas era sempre bom.
Com esse pensamento, Thomas entrou na Torre de Londres, e estava bem otimista quanto ao seu passeio noturno até ouvir vozes alteradas na entrada. Ele percebeu que tinha se distraído um pouco e que Alban e Lileas já estava vários passos à sua frente. O caçador correu para os alcançar e achou os dois discutindo a plenos pulmões com o secretário, enquanto Aaron tentava inutilmente separar a briga.
Ah, sim, o secretário. Já tinha dado suas fugidas com ele também.
Agora não era hora disso. Thomas ajeitou o terno e se aproximou com sua melhor pose intimidadora.
— O que está acontecendo?
— O que está acontecendo — Alban respondeu. — é que nosso secretário é um idiota!
— Alban! Seja mais gentil. — Lileas comentou.
— Desculpe. Idiota bem intencionado.
— Aaron? — Thomas pediu, uma vez que não parecia que nenhum dos outros dois ia dar uma resposta inteira.
— Também estou tentando descobrir. Me distraí um pouco e quando vi já estavam os três gritando e…
— Chega. Eu vou resolver isso. Lily? — Alban chamou, e os dois foram caminhando torre adentro.
Thomas trocou um rápido olhar com Aaron e logo os dois seguiram atrás da dupla, Thomas já com a cabeça fervendo de curiosidade. Eles continuaram seguindo pelos corredores até o destino final, que foi o escritório que Alban ocupava quando estava na torre. E assim que Thomas entrou no lugar não apenas deu razão a todo o escândalo que Alban e Lily tinham montado, como desejou ter sabido do motivo para xingar com eles.
— Inacreditável. — sussurrou, ao reconhecer o homem sentado na cadeira esperando pacientemente Alban voltar como se tivesse hora marcada com ele.
— Senhor Frankestein! — o intruso cumprimentou, se levantando e estendendo uma mão para Alban apertar.
O líder ignorou.
— Doutor Jekyll. Se importaria de dizer o que está fazendo em meu escritório?
— Ah, bem, sim. — Jekyll puxou a mão de volta para trás e começou a girar o chapéu na mão. Parecia nervoso. — Eu te mandei uma série de cartas, mas não respondeu nenhuma.
Thomas quase conseguiu ouvir um "por que será" murmurado por Alban.
— Enfim, estive fazendo uns novos estudos… Acredito que a psiqué humana possa ser dividida e controlada em lados bons e ruins. Com os químicos certos…
Alban levantou uma mão e Jekyll se calou. Thomas abriu um sorriso pequeno. Alban era uma pessoa de… situações. Sem dúvidas, os momentos preferidos de Thomas eram quando ele se enfurecia. Parecia bem mais maduro do que quando era incapaz de lidar com seus sentimentos por Lily, por exemplo. Chegava a ser até atraente. Infelizmente, Alban não tinha interesse nenhum em homens. Thomas já tinha tentado pra saber, e até onde tinha conhecimento, Aaron também.
— Jekyll, pela última vez: nós NÃO trabalhamos com a mente humana. Nós NÃO podemos ajudar você. Você NÃO pode ser um Frankestein. Não é a sua área de estudos. Você estuda a mente das pessoas. Nós estudamos pessoas mortas. Não está vendo uma diferença palpável entre os dois ramos?
— Senhor Frankestein…
— Saia da torre e pare de nos importunar! Nós temos trabalho sério a fazer!
— Mas…
— FORA!
A sala entrou em silêncio. Alban estava meio vermelho, e parecia muito mais sério e maduro do que há alguns minutos atrás. Era nessas horas que Thomas se lembrava de por que o homem tinha sido escolhido para ser líder. Era como se ele tivesse duas facetas. Podia ser vulnerável e até frágil emocionalmente, mas profissionalmente era como uma rocha. Aaron parecia um pouco surpreso, e havia um sorriso pequeno e carregado de admiração no rosto de Lily.
Sinceramente… Talvez devesse só trancar os dois em um laboratório.
Ah não, pera, ele e Aaron já tinham feito isso. Os dois tinham descoberto uma nova forma de caçar zumbis naquela noite.
Jekyll engoliu em seco e ergueu o queixo, mas mesmo assim parecia muito menor do que Alban. O líder manteve a postura firme e a expressão autoritária enquanto observava Jekyll deixar seu escritório.
Assim que a porta se fechou, Alban soltou o ar, se sentou em uma cadeira e seu rosto começou a voltar à coloração normal.
— Ele vai acabar se matando desse jeito. — Alban comentou. — Da próxima vez que decidir estudar um zumbi e o corpo levantar no laboratório dele, podemos não estar por perto para ajudar. Homem burro e senil…
— Acho que ele não tem os parafusos no lugar, se quer saber o que penso. — Aaron comentou. — Ha, parafusos. Entendeu, por que ele é cientista…
Thomas riu. Aaron vinha com cada uma. Lily e Alban nunca achavam graça, mas sinceramente, era um humor adoravelmente peculiar.
— Bom, temos teorias para testar. — Lily comentou.
— Sim! Com certeza. — Alban respondeu, se levantando de uma vez. Ele pegou um maço de cartas em sua mesa e enfiou no bolso, leria depois. — Quer deixar o casaco aqui?
— Ah, é uma boa ideia. — ela deu uma inspirada no ar. — Perfume novo?
— Ah? Ah, sim, o meu antigo acabou...
Thomas levantou uma sobrancelha, vendo Alban tirar o casaco de Lily e deixá-lo em sua cadeira. O líder se livrou do casaco dele também e abriu a porta do escritório.
— Depois da senhorita.
E assim "Albeas" deixou o escritório.
— Não tem condição. — Aaron comentou depois que os dois saíram. — Ele deve estar se fazendo de desentendido.
— Acredite Aaron, as pessoas podem ser muito cegas sobre os assuntos do coração.
Sim, poderiam.
Talvez fosse chamar Aaron para ir com ele na molly house depois que o trabalho terminasse por ali.
