E você me pegou tipo, oh

O que você quer de mim?

E eu tentei comprar o seu coração bonito

Mas o preço é muito alto

Você ama quando eu desmorono

Para você me erguer

E me atirar contra a parede

Não pare de me amar (me amar)

Não desista de me amar (me amar)

Ah, e meu bem, eu estou lutando contra o fogo

Só para chegar perto de você

Nós podemos queimar alguma coisa, meu bem?

E eu corro por milhas só para conseguir um gosto

Deve ser amor no cérebro

Love On The Brain — Rihanna

Hunedoara, Império Austríaco

01 de Novembro de 1818

O clique da porta se fechando fez Vlad levantar uma sobrancelha. Se fechar em aposentos com Nico ou Cissa era comum. O que não era comum era que Cissa o levasse para um escritório de forma tão secretiva que não deixasse ninguém saber disso.

Ele travou o maxilar, e cruzou os braços. Não gostava de esconder algo de uma das garotas. Elas poderiam acabar brigando e isso seria muito problemático. O tipo de coisa do qual ele não gostaria de estar perto.

— O que estou fazendo aqui? — ele perguntou, quando Cissa se virou para ele.

— Precisamos conversar.

Vlad suspirou, sem se preocupar com o quão ruim aquilo poderia soar. A caçadora não se sentou, então ele também não se deu ao trabalho. Seja lá o que aquilo fosse, estava com um mal pressentimento, e ia preferir que acabasse rápido.

— Nico está superando — ele adiantou, tentando encurtar a conversa. Sabia o quanto Cissa estava preocupada com a caçadora. — Ou ao menos se focando no trabalho, o que pra mim serve por agora. Não dá para adiantar o luto…

— Não é sobre Nico. É sobre mim. E você. E… É segredo, então, vamos não passar o assunto adiante para ninguém, ao menos por enquanto.

Bem. Certamente, ele estava confuso agora.

— O que foi?

Cissa não parecia querer falar. Ela mordeu o lábio, apertando as mãos e Vlad a conhecia o bastante para saber que ela estava pensando em mentir ou desistir.

— Eu… Eu não sangrei esse mês, Vlad.

Bem, ela tinha decidido falar por fim. Mas Vlad não entendeu o que ele tinha a ver com isso.

— Hm… Excelente? Que bom que sua esquiva está boa o bastante para escapar dos dentes dos…

— Vlad! Eu… Eu não sangrei...

Ele franziu a testa. Qual o problema?

— Faz um tempo que você voltou. Lembra? No dia que você chegou da viagem de caça, a gente foi pro armário.

Vlad sorriu. Ah, sim, se lembrava disso. Muito bem. Embora ele tivesse planejado esperar Nico também, Cissa estava bem ali e tinha sido um bom tempo longe das duas, então…

Então…

O sorriso sumiu.

— Narcissa Van Helsing…

Ela não disse nada, e Vlad também não achava que pudesse falar alguma coisa agora. Isso não podia estar acontecendo. Cissa não podia estar…

Alguém bateu na porta. Vlad e Cissa se encararam por um instante, e havia tanta coisa não dita no ar naquele momento que poucas vezes ele sentira um ambiente tão tenso.

— Vlad? Vlad, está aí? Nico tem uma pista.

Era Edgar. Vlad suspirou, passando a mão pelo rosto. Excelente senso de momento, Nico, ele pensou, com ironia. Tudo bem. A situação com Cissa ia ter que esperar. Trocou um olhar rápido com a caçadora e ela abriu a porta, sorrindo para Edgar com tanta naturalidade que nem parecia que tinha acabado de falar de algo tão delicado.

— Vamos ver do que se trata então, sim? — a caçadora completou, saindo da sala.

Vlad não teve escolha a não ser sair atrás, e parte dele até agradecia ter algo pra se ocupar e não precisar pensar em outras coisas agora. Mas outra parte estava, de repente, preocupada com o que estava prestes a acontecer. Ele seguiu os outros dois pelo corredor, e o destino final foi o escritório que Nico ocupava.

E ela não parecia bem. Estava com os olhos fundos e tinha perdido peso. Parecia exausta, mas, ao mesmo tempo, realizada. Ela tinha mesmo encontrado alguma coisa.

— E então? — Edgar perguntou.

— Eu estava juntando umas coisas… Não sei se faz muito sentido, é tudo um pouco confuso…

Nico andava de um lado para o outro pela sala, agitando as mãos em algum tipo de ansiedade e murmurando para si mesma. Vlad quase conseguia ouvir as engrenagens da cabeça dela girando. A conhecia quando estava pensando.

— Quando eu convenci minha mãe a desistir da tolice de me casar com Vlad foi dizendo a ela que estávamos com recursos escassos depois daquele roubo de meses atrás, e que deveríamos focar nosso dinheiro em caçar os responsáveis. Lembram-se?

Como poderia esquecer? Vlad soltou uma risadinha sarcástica. Se lembrava perfeitamente. Uma bela noite, um bando de vampiros decidiu que era uma excelente ideia invadir o Castelo de Corvin. Os cinco Van Helsing e todos os mercenários que estavam no castelo tinham tido muito trabalho para se livrarem do ataque. Mataram vários vampiros, mas não todos. Muitos tinham escapado com jóias e outras peças ornamentais de valor alto.

Vlad ainda não entendia o que tinha levado os vampiros a fazerem algo suicida daquele jeito por dinheiro, sendo que eles não deviam ter consciência o bastante para ligar para esse tipo de coisa; e nem entendia como eles tinham conseguido se organizar o bastante para isso. A questão era que, ao menos em partes, tinha funcionado. O clã tinha perdido muito naquela noite. Fosse porque queriam dinheiro, fosse para afetar a moral dos caçadores, qualquer lógica por trás daquilo não fazia o menor sentido considerando o quão burros e incapazes de qualquer tipo de planejamento os vampiros eram… Ou ao menos deveriam ser.

— Onde quer chegar com isso? — Vlad questionou.

— Por que esse vampiro, que Edgar trouxe da caverna onde Tavvy… — A caçadora pausou e engoliu em seco. — Por que ele mencionaria esse roubo que nosso clã sofreu daquele bando de vampiros há meses atrás?

Vlad olhou para Cissa, confuso. Realmente… Por quê? Obviamente ele deveria estar lá quando aconteceu, mas…

— Você não estava perguntando ele sobre isso, estava? — Edgar questionou.

— Não. Eu estava perguntando sobre Tavvy, e a atividade vampírica recente. E ele respondeu com isso. Isso significa que… As duas coisas estão relacionadas de alguma forma.

Vlad percebeu a forma como a voz de Nico estremeceu ao mencionar o nome do irmão e abaixou a cabeça, evitando olhar para ela. Não estava desconfortável, exatamente. Estava triste. Por ela.

Desde o funeral de Octavian, ele e Cissa vinham tentando fazer algo pela líder. Perder o irmão tinha sido muito traumático para ela. Infelizmente, a resposta de Nico tinha sido afastar todo mundo enquanto estava de luto, e depois afastar todo mundo novamente enquanto torturava o vampiro nas masmorras até que ele dissesse alguma coisa.

Não sabia o que Nico ia acabar fazendo quando essa caça chegasse ao fim. Temia que seria algo ruim.

— Faria sentido… — Cissa murmurou. — Se os vampiros tivessem levado algo importante embora. Mas nós fizemos um inventário depois do roubo. Tudo que perdemos foi um monte de peças decorativas. Valem muito dinheiro? Sim, mas não consigo ver o interesse que vampiros teriam nelas. Toda essa situação ainda me confunde muito.

Bem, Narcissa tinha razão. Mas olhando para Nico, e depois para Edgar, Vlad viu que tinha mais algo além disso. Alguma conclusão a qual os dois tinham chegado.

— Estou com um mal pressentimento sobre isso.

— Nico e eu achamos que o roubo pode ter sido uma distração para encobrir alguma outra coisa.

Não, isso já era demais. Vampiros não tinham intelectual o suficiente para armar um roubo para encobrir algum outro plano. Eles eram burros e esfomeados. Só.

— Não acham que é um pouco demais para criaturas que não conseguem nem colocar mais de três palavras na mesma frase?

— Esse que eu interroguei consegue colocar dez.

Vlad deixou o queixo cair. Agora sim ele estava ficando preocupado.

— Bem… Ok. — Ele limpou a garganta. — Digamos que vocês tem razão, e que eles tiveram a capacidade de causar um roubo para encobrir alguma outra coisa. Nós fizemos um inventário do castelo. Tudo que foi perdido está contabilizado. É só lermos a lista. Não acho que tenha nada importante por lá, mas…

— A culpa é minha — Nico cortou. — Eu fui ingênua. Achei que vampiros não tivessem capacidade de abrir trancas complicadas, ou algo do tipo, então… Eu não pensei…

A líder suspirou. O que estava acontecendo? Por que ela estava tão pálida? Por que Edgar parecia tão pensativo e preocupado? Vlad olhou para Cissa, esperando que a mulher dissesse algo, mas ela parecia tão ao mais perdida que ele.

— Nico não achou que eles pudessem abrir cofres — Edgar explicou. — Especialmente sem deixar sinais de arrombamento. Então, na época, ela não se deu ao trabalho de conferir. Até agora…

Vampiros tinham aberto um cofre? Com intelecto em vez da força? Não… Não, isso não estava certo…

— Não. Vampiros não podem fazer isso — Vlad insistiu.

— Mas…

— Alguma outra coisa fez, Nico! Uma pessoa! Não um vampiro!

— Gente! — Cissa cortou a discussão. — E importa agora quem foi? O que foi Nico? O que levaram?

A líder se virou para um cofre atrás de sua mesa, o abrindo.

— Sabem a história de como a igreja levou tudo relacionado ao coven de Murray embora depois de capturá-la? Não é mentira… Mas não é total verdade também. Eles levaram tudo que puderam encontrar. O Castelo de Corvin também tinha seus segredos, e por anos os Van Helsing foram encontrando coisas deixadas para trás e entregando para a igreja. Mas teve uma coisa que não quisemos entregar. Não queríamos isso nas mãos do clero e guardamos com a gente… — Ela mostrou o interior do cofre. Vazio. — …E agora se foi.

— Nico… — Vlad engoliu em seco. — O que devia estar aí dentro?

Nicoleta trocou um breve olhar com Edgar antes de responder.

— O diário de Mina Murray. Um caderno onde ela registrou todos os feitos de seu coven, os procedimentos, os objetivos… tudo.

O silêncio que se seguiu a isso foi a única reação que seria capaz de transparecer exatamente o quanto a situação tinha agravado naquele momento. Vlad estava chocado, e ele viu que Cissa não estava muito atrás. Edgar, apesar de não demonstrar surpresa, não parecia um exemplo de paz de espírito, também.

Enfim, Vlad disse a única coisa que achava que conseguiria dizer agora.

— O quê?

Nem sabia por onde começar. Não sabia se devia estar mais chocado com o fato de tal diário existir e ter estado ali o tempo todo, ou que o castelo fora roubado e Nico não se dera ao trabalho de conferir se algo tão importante como aquilo ainda estava no lugar.

O silêncio persistia, e Vlad achou melhor sentar. Nunca fora o tipo responsável. Sempre fora mais parecido com Octavian do que com Edgar, embora de forma geral tivesse mais cuidado com a própria vida. Mas aquilo era outro nível. Era um nível muito absurdo de irresponsabilidade para chegar ao ponto em que Vlad tivesse consciência de que era um erro que não podia se cometer.

Era demais.

— Ainda não sabemos se o diário foi levado no dia do roubo.

Vlad percebeu que Edgar estava tentando amenizar a situação antes que algo explodisse dentro daquela sala, mas não sabia se seria o suficiente. O clima já estava tenso demais.

— Nico conferiu o cofre antes do roubo acontecer, e hoje é a primeira vez que olha depois — ele continuou. — É bom ressaltar que o cofre é de prata benzida. Ele deveria mesmo ser à prova de vampiros. Então, no lugar dela, eu mesmo talvez não me desse ao trabalho de conferir a integridade depois de uma invasão de vampiros. Para humanos, porém…

— Precisamos saber se esse roubo teve ou não relação com o sumiço do diário — Cissa sugeriu, por fim. — Se não tiver, temos dois problemas para resolver. Se tiver… é um problema só, mas um bem grande.

A líder concordou, e fechou o cofre. Vlad tinha a impressão de que não tinham acabado ainda.

— Nico?

— Mais uma coisa… — a líder respondeu. — Eu preciso de ajuda.

Nicoleta suspirou. Vlad podia jurar que parte do que via nos olhos dela agora era alívio. Isso o fez se perguntar por quanto tempo ela estava carregando tudo nas costas sem conseguir, sem ter coragem de pedir por apoio.

— Estamos aqui. Para o que precisar.

— Obrigada, Cissa, mas… É sério. Eu… Eu não consigo mais dar conta disso tudo sozinha, é demais. Eu não consigo… Eu não quero ser a minha mãe. Eu vejo o que a pressão de lidar com os Van Helsing sozinha fez com ela, e a pessoa que ela se tornou. Tão… Indiferente. Às vezes é como se ela nem tivesse sentimentos.

— Você não está sozinha, Nico.

A forma como Edgar chamou a líder pelo apelido fez um leve comichão percorrer a pele de Vlad. Quando isso tinha acontecido? Eles tinham mesmo se aproximado depois da morte de Octavian, não?

Luto entendia luto, afinal de contas. Era por isso. Com certeza.

— Obrigada, Edgar, mas…

— É sério. Nós Van Helsings sempre falhamos em entender algo que os outros clãs compreendem muito bem: deveríamos trabalhar em equipe. Não é à toa que a taxa de sucesso dos Flores é tão alta. Clãs são grupos de caçadores com um líder, não grupos de soldados com um chefe. Nós podemos dar conta disso, Nico. Mas… Seja uma líder, então. Como você quiser ser. E não como sua mãe quer.

Vlad conhecia Nico o bastante para saber que não era tão simples assim. O simples fato de que Nico estivesse considerando desviar sua forma de trabalhar da forma que a mãe a treinara a vida inteira para fazer, já era muito.

— Podemos falar disso depois — Cissa cortou. — Agora temos que descobrir exatamente se o diário está relacionado ao roubo ou não. Nico?

A líder concordou. Ainda parecia pálida e cansada, mas, quando acompanhou Cissa para fora da sala, foi com o mesmo andar de elegância que sempre ostentara. As duas, na verdade. Vê-las juntas era como ver a realeza atravessando os portões de um salão de baile.

Era belo. E assustador.

Vlad as seguiu para fora, e viu Edgar vindo logo atrás dele. Os quatro foram descendo para uma das masmorras do castelo, onde o vampiro estava sendo mantido. Vlad caminhava com a cabeça tão erguida quanto elas, e dessa forma, era fácil sentir olhares de criados se desviarem dos quatro enquanto eles passavam.

Talvez fossem intimidantes demais.

Talvez fosse bom que fosse assim.

Quando chegaram à cela do vampiro, Vlad percebeu que Nico tinha o acorrentado embaixo da janela. Estava coberto de queimaduras e ferimentos, além de ainda mais raquítico do que quando fora encontrado. Não vinha comendo e não tinha sido solto nenhuma vez desde que chegara ali. E a janela era uma forma eficiente de fazer um vampiro falar. Dos quatro, ela e Cissa eram as melhores nisso, e por isso foi natural que Edgar e Vlad se acomodassem no canto da cela enquanto observavam as duas cuidarem das perguntas.

— Deixa comigo, Nico. Você já fez demais.

A caçadora deixou um beijo suave sobre os lábios de Nico e tirou uma faca de prata de uma liga por baixo do vestido.

Não ia precisar disso. Vlad viu o quanto o vampiro já estava acabado. Ia falar qualquer coisa sem que o menor esforço fosse preciso.

Devia ter sido uma última semana muito complicada para ele.

— Eu só tenho uma pergunta. Se responder rápido, eu posso soltar você dessas algemas e cobrir a janela da sua cela. Entende o que estou dizendo?

O vampiro grunhiu, o que era o mais próximo de um "sim" que seria capaz de proferir agora. Era uma bom plano que Cissa aparecesse como a mulher boazinha que iria salvar o vampiro agora. Animais feridos tendiam a se abrir a quem oferecesse ajuda.

— Ótimo. O diário de Mina Murray. Foram vocês?

Nada que o vampiro pudesse dizer agora poderia disfarçar o olhar de terror em seu rosto. E isso era toda a resposta que qualquer um ali precisava, mas detalhes eram importantes e poderiam ajudar. Qualquer informação era útil.

— Ah, vai ter que tentar melhor que isso — Narcissa comentou, girando a lâmina na mão. — Onde está? Para onde levaram? Quem abriu o cofre?

— N-não… — o vampiro grunhiu.

— Nós temos a noite toda — Vlad incentivou, acenando para a criatura.

Algo não parecia certo. O medo do vampiro não parecia direcionado a eles, mas sim a algo além. Vlad percebeu isso, e viu que Narcissa também. Ela se ajoelhou e colocou a faca no pescoço dele, fazendo o vampiro chiar com o toque da lâmina abençoada em sua pele. Uma leve fumaça indicou que a pele dele começara a queimar ali.

— Vamos tentar de novo. O que é que não está nos contando, hein?

— N-nãaao… Aaaaarg… Nos… Aaaargh…

— Você quer passar outra manhã debaixo da janela? — Nico perguntou. — Eu posso providenciar isso.

Vlad quase teve pena do pavor que cruzou os olhos do vampiro naquele momento. Pela primeira vez ele se questionou o quão longe Nico teria ido com aquele dali. Podia ser um vampiro agora, mas fora uma pessoa um dia. E parte dessa consciência ainda estava ali.

— Nico…

— Depois, Vlad.

Infernos…

Cissa virou a lâmina, agora tocando todo o lado da adaga no peito do vampiro, e ele começou a chiar e choramingar.

Edgar foi o primeiro a virar de costas. Vlad não ficou surpreso com isso, o homem nunca tivera muito estômago para essas seções de tortura. O pior foi que o próprio Vlad não sabia se conseguiria continuar ali. Aquilo era demais.

— Me dê um nome. Um nome, e nós iremos embora.

O vampiro chiou e se debateu, choramingando. Vlad acabou dando as costas também.

Por que não podia acabar logo? O vampiro já estava no limite, era só falar… Por que ele não falava?

Por quê?

— Aaaaargh… Eu… Fala… Parar…

O chiado parou. Cissa tinha puxado a adaga e estava esperando que o vampiro respondesse. Era um tanto quanto aliviador.

— E então?

Houve uma pausa. Vlad imaginou que nessa pausa Cissa deveria ter erguido a adaga novamente, porque ouve um pequeno grunhido antes que o vampiro respondesse.

— Nos… Nos… Fe… Nosfera… Tu…

De repente, Vlad sentiu que o mundo tinha entrado em câmera lenta.

Ele olhou para o lado, e viu a cor no rosto de Edgar sumir. Então, olhou para Nico e a viu se virando para ele no mesmo momento em que Edgar tirou uma faca do cinto.

Depois disso, tudo aconteceu rápido demais.

Nico e Vlad se jogaram contra Edgar, o empurrando para fora da cela. Cissa saiu logo depois, trancando a porta. E bem a tempo, porque em um surto de fúria descontrolado Edgar se soltou dos dois e avançou contra o portão da cela.

— ONDE? ONDE OUVIU ESSE NOME? ONDE ELE ESTÁ?

Os três caçadores não sabiam o que fazer. Precisavam tirar Edgar dali, rápido, mas naquele momento sequer sabiam como se aproximar.

E talvez não devessem. Talvez devessem ter deixado Edgar lá dentro.

O homem passara anos e anos procurando o culpado pelo assassinato de sua filha, para chegar apenas em um nome que nunca conseguira rastrear… Até agora.

— O que vamos fazer? — Vlad perguntou, vendo Edgar socar as grades da cela.

Não demoraria muito para o homem se lembrar de que a chave estava ali atrás com ele.

— Vamos deixá-lo aí, e levar a chave com a gente — Nico respondeu, pegando os pulsos dos dois e começando a levá-los embora.

Deixá-lo ali? Simplesmente deixá-lo? Infernos… Infernos, realmente, não tinha outra coisa a se fazer. Edgar gritava cada vez mais, não iria sair dali a menos que fosse obrigado e estava perto demais de ficar violento. Ele precisava de tempo, e não fazia sentido se machucarem tentando tirá-lo dali agora.

— E depois? — Cissa perguntou.

Nico não respondeu, e Vlad percebeu que era porque ela não sabia.

Ele também não fazia ideia.