Você não está sozinho, juntos nós ficamos de pé

Estarei ao seu lado, você sabe que segurarei sua mão

Quando fizer frio e parecer ser o fim

E não tiver para onde ir, você sabe, eu não desistirei

Não, eu não desistirei

Continue aguentando

Porque você sabe que conseguiremos, conseguiremos

Apenas seja forte

Pois você sabe que estou aqui por você, estou aqui por você

Não há nada que possa dizer, nada que possa fazer

Não há outro jeito em se tratando da verdade

Então continue aguentando

Porque você sabe que conseguiremos, nós conseguiremos

Keep Holding On — Avril Lavigne

Menorca, Ilhas Baleares

19 de Novembro de 1818

Uma festa de Flores sempre acabava saindo do controle.

Não do jeito ruim, não. Era simplesmente inevitável que a festa crescesse além do tamanho que ela deveria ter. A coisa toda tinha começado com os cinco caçadores e alguns artistas locais, mas agora o acampamento estava tão cheio de gente que Rhuan sequer conseguia ver as barracas no fundo do local.

Era um grande contraste com o clima do local mais cedo. Quando o clã tinha voltado da casa de Madalena, o silêncio era total. Pietra estava claramente arrasada. Tinha ido tão longe para encontrar a mãe, e Rhuan conseguia ver em seu rosto o quanto ela não queria ter seguido o clã para fora da cabana de La Milagrosa. Por um bom tempo ele pensou que Madalena não apareceria, e pensar em como Pietra ficaria triste era de partir o coração. Mas, eventualmente, ficou claro que não era só Pietra que queria recuperar o tempo perdido. Madalena chegou antes mesmo da festa começar, indo conversar com Pietra em um canto à parte. Apolo acabou se retirando para sua cabana, deixando Rhuan, Charles e Letitia em uma das fogueiras.

Isso fora a várias horas atrás. Agora, mesmo que Pietra ainda estivesse com a mãe, Apolo ainda estivesse em sua cabana e Rhuan, Charles e Letitia ainda estivessem em uma das fogueiras, o ambiente em volta deles virara uma loucura.

De alguma forma a notícia da festa se espalhara demais, e agora tinha tanta gente no acampamento que Rhuan mal conseguia se movimentar. Estava tentando não deixar nenhum dos três copos de rum que carregava caírem, mas esbarrava em alguém a cada dois passos, e a tarefa se mostrava bem complicada. Haviam pelo menos dez músicos no local e mais uma série de pessoas dançando, bebendo, flertando… Rhuan abriu um sorriso. Esse tipo de festa o lembrava de casa, antes de terem partido de Sevilha. Era o tipo de coisa que os Flores costumavam fazer quando sentavam acampamento em algum lugar por mais de uma noite. Mais do que qualquer pedaço de terra, era o tipo de coisa que fazia Rhuan se sentir em casa. Mesmo que ele fosse alguém mais tranquilo, era assim que estava acostumado a viver no clã. Havia uma certa nostalgia nisso.

Ele finalmente conseguiu chegar na fogueira onde estivera com Letitia e Charles e não pode deixar de reparar que a líder estava sozinha. Ela abriu um sorriso e tossiu um pouco, antes de pegar seu copo das mãos de Rhuan.

— Se agasalhe — ele aconselhou, passando a mão pelas costas dela.

Letitia usava um vestido leve, e já estavam em novembro. Não ia demorar para começar a nevar. A líder devia começar a se agasalhar mais.

— Estou bem. O rum está quente e eu devo me retirar em breve.

O problema era que não adiantava insistir com ela. Em nada. Quando Letitia colocava algo na cabeça…

Rhuan deu um gole em seu rum, olhando pensativo para o outro copo que segurava.

— Falando em "se retirar", para onde Charles foi?

Letitia deu de ombros, bebendo mais um gole de seu copo.

— Ele se levantou e saiu. Você conhece o Charles, ele deve ter visto um par de pernas interessante passando por aí.

Rhuan franziu a testa. Não… Algo não parecia certo nisso.

Conhecia Charles. Ele era impulsivo, até um pouco irresponsável às vezes, mas sempre fora muito espirituoso. Recentemente, não achava que tivesse visto muito desse espírito nele.

— É… Ele deve… — Rhuan comentou, se levantando. — Bem, eu vou ter que beber esses dois então. Acho que vou para minha barraca, a festa já rendeu o suficiente para mim. Boa noite, Leti.

A líder agradeceu com um sorriso e um "boa noite" murmurado entre mais duas tosses. Rhuan levantou a sobrancelha, mas decidiu que cuidaria dela depois. Agora tinha outra coisa para fazer.

Ele tinha uma desconfiança. Não achava que Charles estava por aí com um par de pernas qualquer, não. O conhecia o suficiente para saber quando o caçador estava no clima de procurar alguém aleatório para dividir a cama, e quando não estava. Rhuan foi direto para a barraca de Charles e não ficou nada surpreso ao ver a sombra dele lá dentro, sentado no colchão, fazendo algo que não conseguia ver o que era.

Rhuan se abaixou na entrada.

— Charles? Eu peguei seu rum.

Houve movimento dentro da barraca. Rhuan esperou um pouco enquanto Charles levantava e a tenda se abriu. O caçador visivelmente esperava que Rhuan apenas entregasse o rum para ele, mas o marinheiro levantou a sobrancelha. Oh, não. Não mesmo.

— Chegue mais para trás por favor… — Rhuan pediu, se abaixando e entrando na barraca.

O marinheiro entregou o rum para Charles, fechando a tenda atrás de si e se sentando no colchão, ao lado do caçador. Visivelmente, Charles estivera organizando algumas plantas que Rhuan tinha muita certeza que ele tinha surrupiado da casa de Madalena sem ninguém ver. O narguilé estava aceso.

Charles colocou todas as plantas de lado, se sentando ao lado de Rhuan, mas sem beber seu copo. O próprio Rhuan decidiu por colocar ambos no chão. Talvez devessem deixar o rum de lado pelo momento.

— O que está acontecendo com você?

Rhuan sempre fora direto para várias coisas. Ali não seria diferente.

Charles sorriu, e Rhuan conseguiu ver como o sorriso era superficial. Conhecia os sorrisos genuínos do caçador. Aquele não era um deles.

— O que quer dizer?

Rhuan não sabia se conseguiria explicar. Era mais um sentimento que qualquer outra coisa, um instinto de que algo não estava bem. Não algo que desse para colocar em palavras.

— Você está mascarando alguma coisa, Charles, eu te conheço. O que aconteceu? Foi a leitura de Apolo, com Rosa? Porque… Eu não acho que ela tenha muito a ver com tudo.

Charles olhou para Rhuan como se não tivesse entendido nada. O marinheiro não o culpava. Não tinha se explicado muito bem.

— A visão de Letitia… Um mar, uma loba mãe… Eu acho que é Madalena. Nós cruzamos os mares para encontrá-la, e ela é herdeira direta da fundadora do clã, que caçou os primeiros lobos, mas que teve que abrir mão da própria família para isso. A Guarda Perséfone. Uma loba sozinha, ilhada em água salgada. Era a história do clã, Charles.

Se Rhuan esperava deixar Charles mais feliz ou aliviado com isso, foi uma surpresa ver que nada mudou. Esse não era o problema. Talvez ele mesmo já tivesse chegado à conclusão sozinho. Então… O que era?

— Fale comigo, Charlie.

Rhuan viu Charles estender a mão para o narguilé, e segurou o pulso dele antes que fizesse isso. Não. Charles já estava um pouco alterado. Queria que tivessem uma conversa o mais honesta e direta possível.

Charles suspirou.

— O que você quer, Santiago?

— Eu estou preocupado com você.

— Não tem nada para se preocupar.

— Não?

Charles ficou em silêncio. Talvez Rhuan tivesse insistido demais, e temia que isso pudesse piorar as coisas. Mas não sabia o que estava acontecendo, então não tivera outra escolha. Ele se levantou, pegando o copo de rum. Era melhor deixá-lo sozinho.

— Onde vai?

Ou talvez "sozinho" fosse exatamente o que Charles não pudesse ficar agora.

De repente, Rhuan começou a entender.

— Vou tirar algumas coisas do caminho. Me dê um instante.

Rhuan levou os copos de rum pra fora, entregando pros primeiros frequentadores da festa que encontrou. Depois voltou para a barraca e apagou o narguilé, se deitando no colchão de Charles e o chamando com a mão.

Se Charles pensou em recusar, logo desistiu, pois acabou aceitando e se deitando ao lado de Rhuan. O marinheiro o abraçou, e o instinto imediato de Charles foi se deitar no peito dele. E assim Rhuan terminou de juntar as peças.

— Está se sentindo solitário, Charles?

Charles riu. Mais uma das risadas que Rhuan reconheceu como superficial.

— É claro que não, isso seria ridículo. Nós somos cinco, e está cheio de gente ali fora…

— Sozinho e solitário não são a mesma coisa. Você pode se sentir solitário cercado de pessoas… Eu senti, por muito tempo.

Rhuan não sabia se conseguiria explicar. Depois que perdera a mãe e a irmã, mesmo que tivesse acabado de reencontrar seu pai, continuou se sentindo solitário por um longo tempo. E Rhuan não achava que já tivesse visto Charles passar mais de dois dias longe de Rosa, que dirá esse tempo todo.

Charles não respondeu, e Rhuan não sabia o que dizer. Ele abraçou Charles e os dois ficaram deitados ali por um bom tempo. Charles claramente parecia estar pensando em algo, e Rhuan tentando decidir o que fazer para ajudar.

— Ela vai ficar bem, Charles. Rosa vai ficar bem, nós podemos voltar para Valencia agora e…

— Não é ela.

O quê?

Rhuan olhou confuso para Charles. Tinha assumido que todo o tempo longe de Rosa estivesse o afetando. Estava errado? Então o que seria…?

— Não é ela, Santiago… Eu… — Charles engoliu em seco. — Não é Rosa, não são meus pais, não é nem mesmo Margarida. Não é nada que eu já tenha tido. E ainda assim… Como é possível que eu sinta falta de algo que nunca foi meu?

O marinheiro apertou um pouco o abraço, em instinto. Não sabia. Nunca sentira nada parecido com isso. Tivera sim a vida recheada de perdas e saudades, mas sentir todo aquele aperto gelado que a falta de alguém trazia, e sequer saber de onde isso vinha? Parecia tão… vazio.

— Devia ter sido Margarida, sabe? — Charles comentou, agora mexendo distraído em um dos botões do colete de Rhuan. — Eu não acho que a amasse, não realmente… Mas acho que o tempo me levaria até lá. E foi a única coisa que não tivemos. Tempo. E então eu olho para fora, e Pietra e Apolo parecem tão felizes juntos… Eu não sei. Não é inveja. É mais algo como se eu estivesse esperando em uma fila para ser o próximo… Mas sentindo que minha vez nunca vai chegar.

— É por isso que você tem ido pra cama de tanta gente ultimamente? Está tentando… encontrar algo?

Charles deu de ombros em resposta. Rhuan sabia que isso era um sim.

— Isso é ridículo, Charles! Você não pode fazer isso com você mesmo… Qual foi a última vez em que dormiu com alguém porque quis, de verdade, em vez de estar tentando preencher alguma coisa?

— Eu não sei… A moça que me deu a informação…

— Você queria informação. Não conta.

Charles franziu a testa.

— Você, no barco?

— Não. Você fez aquilo por mim, não por você.

— Ok… Você, a caminho de Madrid?

Madrid. Isso fora no fim de setembro. Um mês e meio definitivamente não era assim tanto tempo, numericamente, mas se tornava um tempo assustador quando Rhuan pensava em com quantas pessoas Charles tinha se deitado nesse meio tempo.

Rhuan se sentou, o que fez Charles mudar de posição na cama. Ele viu o caçador levar as mãos ao rosto o mais discretamente que pode, mas não discreto o bastante para que o marinheiro não soubesse que estava enxugando os olhos.

— Você é uma pessoa incrível, Charles. Você sabe disso, não é?

Charles riu. Genuíno, dessa vez, mas ainda meio triste.

— Bem, obrigado por elogiar meus talentos de sedução. Tinham que ter alguma utilidade prática, não é?

— Céus… Você não sabe…

— O que quer dizer? Eu acabei de falar que…

Rhuan se abaixou e beijou os lábios de Charles.

— Pare. Pare com isso Charles, pare com isso e me escute. Você é uma pessoa incrível, sim. Você sempre consegue quebrar o gelo quando está todo mundo tenso com alguma coisa. Você tem um conhecimento botânico assustador. Conhece plantas para literalmente todo tipo de efeito. Como isso pode não ser útil?

Ele fez um carinho nos cabelos de Charles. Por mais que dissesse tudo aquilo, ele sabia que, entre ouvir tudo isso e acreditar de fato, havia um longo caminho. No momento, não podia fazê-lo entender isso.

Talvez pudesse ao menos fazê-lo se sentir melhor. Menos sozinho, quem sabe? Um pouco mais amado?

— Eu sei que nós não somos exatamente o fim da linha um para o outro. Mas não significa que de alguma forma eu não te ame — o marinheiro comentou. — Eu quero que você saiba disso. Eu quero que você se sinta um pouco menos solitário. Eu posso fazer isso por você, de alguma forma?

De certa forma, Rhuan sabia o que o caçador ia fazer em seguida.

Charles ergueu o tronco do colchão, enlaçando os dedos nos cabelos de Rhuan e o puxando para um beijo. O marinheiro ainda não sabia exatamente se aquilo devia acontecer ou não, se era o caminho certo ou não. Mas, por outro lado, achava que era o tipo de coisa que Charles devia descobrir por conta própria, então só deixou acontecer.

Rhuan se acomodou sobre o corpo de Charles, com os joelhos ao lado dos quadris dele. O beijo de Charles estava calmo, quase como se ele ainda pensasse sobre o que estava fazendo. Rhuan cortou o contato para levar os beijos para o maxilar do caçador, e dali para o pescoço dele, deixando o peso de seu corpo cair sobre o de Charles e seus quadris se pressionarem sobre os dele.

O caçador soltou um "oh". Aquilo era um bom sinal, certo?

As mãos de Charles se fecharam sobre o colete dele, apertando o tecido com força. Aquilo também era um bom sinal. Eram todos os pequenos detalhes que sempre faziam parte desses momentos dos dois. Sussurros e gemidos curtos, o toque forte e as roupas maltratadas.

Rhuan percebeu naquele instante como sempre fora tão carnal com os dois. Nunca tinha o incomodado antes, mas agora ele imaginou que, realmente, não fosse o tipo de coisa que Charles precisava. Devia mesmo deixar ele descobrir isso sozinho?

O marinheiro passou a mão pelo peito do caçador, a descendo devagar até as calças dele e enfiando a mão por dentro da peça de roupa. Apesar do suspiro, da força nas mãos, de todos os detalhes presentes, Charles não estava excitado. E não ia ficar. Não era disso que ele precisava agora.

— Hm… Santiago?

— Sim? — ele murmurou, contra o pescoço dele.

— Eu não acho que… Não acho que isso seja certo… Agora… Quer dizer, eu sei que fui eu quem começou, mas…

— Tudo bem.

De certa forma, Rhuan estava aliviado que Charles tivesse falado isso. Eles se sentaram no colchão, lado a lado, e o marinheiro pensou por um instante sobre o que aqueles últimos segundos significavam para eles. De certa forma, Rhuan sentia que o que quer que existisse entre os dois tinha acabado. Ele não era o que Charles buscava, e Charles também não o era para Rhuan. Ainda assim, mesmo que tivesse consciência dos motivos pelos quais aquilo acontecera, era triste saber que tinha terminado.

Especialmente porque aquilo tudo não ajudava Charles em nada. E Rhuan estava sem opções.

— Santiago… Acho que… Acho que é isto? Para nós? Quer dizer…

Rhuan viu que Charles girava o anel que dera para ele no dedo. Ele franziu a testa.

— Nem ouse me devolver isso, Charles. Foi um presente.

— Mas…

— Não. Nunca foi para significar nada além da nossa amizade. Ainda somos amigos. Por que você não ficaria com ele?

Charles fez silêncio por um instante, mas Rhuan sabia pela forma como os lábios dele estavam se movendo que ele ainda queria dizer alguma coisa, então esperou. Esperou por longos segundos até saber o que era.

— Eu… Eu sinto muito.

Claro que seria algo assim.

— Não tem pelo que sentir, Charlie. Nós sempre soubemos que era onde tudo ia chegar.

Rhuan sorriu da maneira mais honesta que podia, considerando que estava sentindo, sim, um leve peso no peito. Passou o braço pelos ombros de Charles e o puxou para perto, apoiando o queixo no topo da cabeça do caçador e agradecendo que a posição não permitisse a ele ver seus olhos. Achava que ia chorar. Não queria que Charles visse isso.

— Me desculpe, Santiago… Ainda assim, eu sinto muito…

Rhuan não sabia o que dizer. Abriu a boca, piscando os olhos devagar para tentar impedir as lágrimas de se formarem. E enquanto pensava no que falar, percebeu que havia uma coisa… Havia uma coisa que poderia significar muito mais para os dois, agora, do que qualquer transa. Qualquer beijo. Qualquer anel. Algo que ele nunca tinha feito por ninguém antes, mas que naquele instante, ele sentiu no seu coração, queria dividir com Charles.

— Charlie… Você quer saber um segredo?

Charles se soltou do abraço. Ao contrário de Rhuan, ele tinha parado de fazer força para fingir que não estava chorando.

— O que foi?

— Todo mundo sabe que Santiago é meu apelido, não é? Pois então. O meu nome é Rhuan.

Por um instante, Charles apenas o olhou, um pouco embasbacado. Rhuan decidiu que aquele momento de choque era bom para explicar.

— Eu mudei muito antes de vir para o clã, e depois… Eu… Eu queria um novo começo. — Ele engoliu em seco. — Esse nome está carregado de memórias ruins e um passado que eu não queria trazer para uma vida que seria tão melhor… Acho que eu tentei me tornar outra pessoa. Começar de novo.

Charles engoliu em seco.

— E… Funcionou?

Rhuan negou com a cabeça. Ainda sentia falta de sua família todos os dias. Ainda amava navegar. Ainda visitava os túmulos de sua irmã e seu pai em Sevilha todos os meses, se estivesse por perto. Deixara muito menos de sua vida para trás do que gostaria.

— Não… Não muito.

Charles deu de ombros.

— Talvez… Talvez você devesse ter se focado no contrário, não? Fazer novas memórias com o nome que sempre teve?

Rhuan riu. Não poderia ter feito outra coisa. Era tão típico de Charles resolver tudo com uma frase, uma sugestão. Ele via a vida de forma tão simplista às vezes que chegava a dar uma certa inveja ocasional.

— Talvez, Charles… Talvez.

— Bem, então quem sabe…

Charles não terminou de falar. De repente, um grito estridente se fez ouvir do lado de fora da barraca. Os dois se olharam surpresos, mas aquele grito se tornou mais outro, e mais outro, e logo ficou claro que algo de muito errado estava acontecendo na festa.

— Charlie…

— Estou ouvindo.

Eles se olharam e se levantaram de uma vez, saindo para fora da barraca. E então, deram de cara com o inferno.