Sim, eu entendo que toda vida deve acabar, uh-huh
Enquanto nos sentamos sozinhos,
Sei que algum dia nós também devemos ir, uh-huh
Sim, eu sou um homem de sorte,
Por contar em ambas as mãos aqueles que amo
Algumas pessoas só têm uma, sim,
Outras, não têm nenhuma
Fique comigo
Vamos apenas respirar
Eu já te disse que preciso de você?
Eu já te disse que quero você?
Oh, se eu não disse, eu sou um tolo
Ninguém sabe disso mais do que eu
Enquanto eu confesso
Just Breathe — Pearl Jam
Londres, Inglaterra
21 de Novembro de 1818
Thomas era uma pessoa difícil de agradar em aspectos sociais, mas mesmo ele teve que admitir, a família de Lily sabia dar uma festa. Toda a decoração da recepção era branca e verde, e o salão da mansão Blythe estava cheio de lírios para todos os lados. Haviam várias mesas com comida, muito bem feita, ele destacou mentalmente. Conseguiu identificar pratos temperados com especiarias, e doces com frutas que com certeza eram importadas de lugares mais quentes. Havia bastante uísque, que Thomas imaginava ter sido o único pedido de Alban, e a música era de excelente qualidade. O tipo de coisa tocada por músicos que ele esperava ver em um concerto de luxo, ou tocando em casas de nobres muito abastados.
— Quem diria… Aconteceu mesmo.
Thomas sorriu, olhando para Aaron ao seu lado. Sim, tinha mesmo acontecido. E, no mínimo, o caçador estava feliz de ter tido a chance de presenciar isso antes que acabasse indo embora com Aaron para outro lugar.
— Também poderia ser uma casa na praia — Aaron comentou, dando de ombros.
Thomas ponderou a possibilidade por um instante. Uma casa na praia… Não, parecia quente demais. E areia parecia muito incômodo. E as escolhas de vestimenta apropriadas para esse tipo de ambiente também não lhe pareciam muito interessantes.
— Não. Continuo preferindo o chalé na montanha. Rústico, mas ao menos não é quente demais — Thomas se esquivou, franzindo um pouco o lábio em claro desgosto pelo suor que acompanharia o calor da praia.
Aaron soltou uma risadinha sarcástica adorável, e Thomas o olhou, completamente chocado. Desde quando Aaron tinha criado censo sarcástico?
— Você está andando demais comigo, Aaron.
— Você me diz isso agora que estamos planejando morar juntos?
Céus!
Thomas engoliu em seco. De repente, começou a recear que fosse acabar ganhando uma ereção no meio da recepção de casamento.
— Talvez devêssemos nos sentar.
Aaron concordou com o aceno de cabeça que costumava fazer, e Thomas respirou, aliviado pelo momento. Morar com ele ia mesmo ser uma aventura e tanto.
Eles se sentaram a uma das mesas e Thomas educadamente recusou o uísque que estavam oferecendo. Ia ter que procurar um vinho depois. Até lá, talvez ficasse com o ponche.
Aos poucos, o salão foi se enchendo de convidados. Thomas não conhecia quase ninguém, mas só de olhar sabia dizer quem estava traindo o marido, quais homens se deitavam com outros, quais das mulheres estavam solteiras e quais eram viúvas… Vários dos familiares e amigos de Alban tinham decidido vir usando o mesmo kilt ridículo, e eles pareciam bem chegados a uísque e a cerveja. Dava para ver bem de que buraco Alban tinha saído.
E por falar nele...
— Alban parece bastante irritado — Aaron murmurou, indicando o líder com a cabeça.
Alban e Lily estavam conversando em um canto, e o tom vermelho no rosto do escocês era semelhante ao que Thomas vira nas poucas vezes em que Alban se fazia ser respeitado. O caçador levantou a sobrancelha, chocado. Nunca tinha os visto brigar. E logo agora, no casamento…
Oh, infernos!
— Aaron! — Thomas puxou a manga do casaco do amante.
Parado ao lado da mesa de quitutes, estava o bastardo do Jekyll. Ele tinha mesmo tido a cara-de-pau de comparecer à cerimônia.
Agora, o próprio Thomas estava ficando furioso.
— Tom, acho que devemos ir falar com eles.
O visconde rangeu os dentes, e se levantou. Sim, parecia uma boa ideia. Até porque, se não se distraísse com algo agora, era capaz de acabar voando no pescoço daquele infeliz.
Ele seguiu Aaron, desviando do contingente de pessoas e tentando não perder a compostura. Era muita ousadia. Bem no casamento de seus melhores amigos?! A vontade que Thomas tinha era de pegar a adaga de dentro de seu casaco e...
— Tom?
— Que é?
Ele olhou para frente, e percebeu que tinham chegado até os amigos. Lily colocara a mão nas costas de Alban, concentrada em acalmá-lo. Não parecia estar dando muito certo.
— De quem foi essa ideia absurdamente estúpida? — Thomas questionou, cruzando os braços e resistindo ao impulso de balançar os dois pelos ombros até que lhes entrasse bom senso na cabeça.
Lily respirou fundo, revirando os olhos.
— Nossa. A questão foi que nenhum de nós achou que ele fosse de fato ter a coragem de aparecer, o convidamos por aparências.
— Ninguém pode saber o que aconteceu comigo, não ainda. — Alban continuou. — E depois de ter chamado todos esses outros cientistas, não podíamos deixar ele de fora também. As pessoas não sabem como nós nos detestamos, e pareceu uma boa ideia manter a situação assim.
Thomas rangeu os dentes. Eles estava até certos, até porque, nem mesmo ele teria contado com a falta de decoro de Jekyll de acabar mesmo aparecendo na cerimônia.
— Bem, agora não tem o que fazer sobre isso — Aaron comentou, o que fez Thomas apreciar ainda mais a paciência dele por tentar manter as coisas sob controle. — É o casamento de vocês. Aproveitem a festa.
Alban respirou fundo e levantou o rosto. A raiva estava passando, o que era perceptível pela suavização do tom vermelho.
— Eu aproveitaria a festa muito melhor se não fosse a última vez que vejo vocês dois.
É claro. Thomas devia ter imaginado que Alban não estava tão bem com a partida dele e de Aaron quanto parecia estar.
— Isso não é verdade. Nós vamos ficar para ajudar a resolver o surto da névoa, primeiro. E depois… — Aaron olhou para Thomas, e o visconde sentiu um bolo de nervoso na garganta. Ainda era difícil tocar nesse assunto.
Alban riu, sarcástico. A raiva parecia ter ido embora, e Thomas o conhecia o suficiente para saber o quão frustrado ele estava agora que o surto tinha passado. O líder apontou de forma muito deselegante para Jekyll, respirando fundo como se preparasse para explicar somas básicas a um bebê. Ele estava mesmo colocando as raízes escocesas para fora, não?
— Está vendo ali? Aquele é o responsável pelo surto. Ou seja, o problema pode ser resolvido agora. Ou seja — ele deu de ombros. —, hoje pode muito bem ser o último dia que vejo vocês em muito, muito tempo. Me desculpem se não estou pulando de alegria.
— Oh! É verdade! — Lily exclamou, de repente. — Eu tenho uma solução para isso. Podemos todos nos mudar para a Escócia! Vocês podem ter a casa de vocês, e Alban e eu teremos a nossa, suficientemente longe para dar privacidade e perto o suficiente para que não tenhamos que ficar tanto tempo afastados!
Oh, droga.
Thomas suspirou. Não que não quisesse que aquilo acontecesse. Seria perfeito! Alban e Lily teriam filhos um dia, e ele e Aaron poderiam visitá-los e ser padrinhos das crianças. O pacote completo. Entretanto, isso ignorava um detalhe sobre o que Aaron e Thomas tinham decidido para a vida deles.
— Lily — Thomas suspirou, tendo que olhar dentro de seus olhos. —Jekyll é nosso último caso. Nós não queremos caçar mais. Não é só da cidade que estamos indo embora, é do clã também. E… — Thomas quase se impediu de continuar quando viu o olhar de decepção no rosto dela. Mas não queria ir embora se ela não entendesse exatamente porque. Era importante. — E Londres não pode ficar sem o clã. É onde nasceu. É onde a primeira base sempre vai ser. É onde o líder do clã tem que estar.
O quarteto caiu em silêncio. Lily começara a chorar silenciosamente, e Thomas queria saber o que fazer. Queria, pela primeira vez na vida, sentir que não tinha ferido os sentimentos de alguém, em vez de simplesmente tentar consertar tudo de qualquer jeito.
Alban a abraçou, e mesmo a frustração dele parecia ter sumido. Thomas já estava se sentindo mal o suficiente por deixá-los. Não queria também ter que vê-los chorar por isso.
Era demais.
Thomas se virou e saiu em silêncio.
Não sabia bem onde estava indo. Adentrou a mansão, desviando das pessoas, entrando em corredores vazios e subindo para os andares frios. Nunca tinha sentido a necessidade de estar sozinho para esconder seus sentimentos antes, geralmente conseguia fazer isso muito bem em público. O que estava sentindo naquele momento, porém, não era algo que pudesse deixar que os outros vissem…
— Thomas idiota. Idiota, idiota, idiota… — ele murmurava. — Tinha que ser no casamento? Nem nessa situação você conseguia manter a boca idiota fechada?
— TOM!
Ele suspirou, se virando e vendo Aaron um pouco ofegante atrás dele. Aparentemente correra para o alcançar?
— O que foi?!
Sua visão estava um pouco embaçada. Excelente, já estava bêbado, era isto?Aaron o alcançou e abriu a porta do quarto ao lado deles, entrando, puxando Thomas e fechando a porta atrás deles, trancando em seguida.
Então Aaron o abraçou.
— O que está fazendo? — Thomas questionou, confuso.
E irritado. Seu coração estava acelerado, e ele piscou várias vezes para afastar o embaçado do rosto. Qual não foi sua surpresa ao sentir a visão ficar mais clara quando suas lágrimas escorreram pelo rosto.
Estava chorando.
Ele não chorava. Mas já era a segunda vez que isso acontecia desde que tinha dito aos dois que iam embora.
— Inferno.
— Tudo bem Thomas. Está tudo bem…
Aaron acariciou os cabelos dele e Thomas deitou a cabeça no ombro do amante. Podia não gostar de todos esses sentimentos, mas era diferente agora. Seu relacionamento com Aaron tinha mudado as coisas. Estava mais expressivo, mais sensível. Antigamente, ele tinha que pegar tudo que sentia e esconder numa caixinha para ninguém ver. Ter uma pessoa para com quem dividir isso, e sem nem mesmo se importar em o fazer, era algo novo. E bom.
— Tem certeza de que quer fazer isso? — Thomas perguntou, enxugando as lágrimas. — Eu sou uma péssima pessoa, Aaron. Você sabe. Vai ser difícil, conviver comigo e…
— Eu tenho te aturado por anos. Eu sei o que estou fazendo. — Aaron estava com aquela voz, como se tivesse muito mais sabedoria e carinho do que o mundo merecia — Ei, olhe para mim.
Aaron segurou o rosto de Thomas entre suas mãos, e o visconde viu um sorriso se abrindo no rosto dele.
— Se eu quero ir embora com o homem que eu amo? — Aaron perguntou. — Morar em uma casa tranquila, pacífica e acordar ao seu lado, todos os ouvir resmungar da falta de moda das pessoas, tomar vinho num fim de tarde… Sim, Thomas. Mil vezes, sim.
Thomas sentiu os lábios de Aaron tocarem os dele, e seu coração amoleceu por inteiro. Ele sentiu o toque súbito de uma das mãos de Aaron na sua, e percebeu que havia algo ali. Algo que ele estava o entregando. Tom separou o beijo para olhar para baixo, e abriu a mão. Segurava um anel de ouro branco com esmeraldas pequenas incrustadas. Era um anel chique, e bem masculino. O tipo de coisa que Thomas já costumava usar.
Ele piscou, surpreso.
— Está me dando um anel?
— Por que não, certo? — Aaron deu de ombros. — Quer dizer… é sutil. É como os que você já tem. Você pode colocar na mão, se quiser, e ninguém vai pensar que não foi você quem comprou. Mesmo que signifique algo para nós dois, eu…
Thomas o interrompeu, colocou o anel no dedo, enlaçou os braços no pescoço de Aaron, e o beijou.
Sim, ainda estava sentido por toda a situação com Alban e Lily. Mas o que estava vivenciando com Aaron era maior do que qualquer coisa. Queria experimentar um pouco mais. Queria ter um canto com ele, um pedaço de sua vida que pertencesse a seus momentos com ele.
E podia, certo? Sim, é claro que sim. Sabia que era uma péssima pessoa, e era quando estava com Aaron que se sentia como se fosse uma pessoa melhor. Quase digno. Como isso podia ser ruim? Ou errado?
Ele cortou o beijo. Não era, não ia aceitar que fosse.
— A porta está trancada? — Thomas perguntou.
Ele esperava que Aaron respondesse. O que aconteceu foi muito mais interessante.
Aaron pegou Thomas pelos quadris, o carregando. O visconde fechou as pernas ao redor do amante, e foi carregado até a cama. Aaron não o soltou com muita delicadeza, e Thomas sentiu a cama do quarto ranger quando Aaron subiu nela também.
— Não sei — ele respondeu, com um sorriso no rosto. — Está?
Thomas riu. Não teria como fazer outra coisa, conhecia Aaron o suficiente para saber que ele não corria certos riscos, e que sim, a porta estava muito bem trancada. Ainda assim, a audácia dele de desafiá-lo em uma resposta enquanto beijava seu pescoço e desabotoava suas roupas fez Thomas sentir ainda mais admiração por ele.
Não achava que fosse possível, mas sentiu.
O casaco e a blusa de Thomas foram parar no chão. Ele levantou uma sobrancelha, não conseguindo se impedir de amaldiçoar Aaron um pouquinho pela falta de cuidado com suas roupas de tecido caro, mas foi difícil continuar pensando nisso quando a mão de Aaron encontrou sua bunda e a boca dele começou a deixar chupões em seu pescoço, ombro, seu peito…
Por algum motivo, Thomas escolheu aquele momento para notar que Aaron estava sendo dominante. Não era um traço da personalidade dele, nem algo que já o tivesse visto fazer antes. E definitivamente não era algo que imaginou que pudesse ser tão provocante.
— Hm… Aaron… O que você está… — ele gritou, cobrindo a boca com a mão na mesma hora.
Aaron colocara a coxa entre as pernas de Thomas, e a fricção fez o visconde apertar o casaco do amante em resposta.
— O que foi? — Aaron perguntou, parecendo preocupado. — Perdão. Eu pensei que você poderia gostar de…
Na mesma hora, Thomas colocou um dedo sobre os lábios de Aaron. "Perdão." Algumas coisas nunca mudavam.
— Eu vou te parar agora, antes que você fale mais bobagem.
— Então — Aaron murmurou, contra o dedo de Thomas. — Você gosta assim também?
— Aaron…
— Legal!
E naquele instante, Aaron era o mesmo homem de sempre, mesmo com uma nova voracidade, o sorriso empolgado e o senso de humor único. Thomas sorriu, sentindo um conforto e uma familiaridade no peito que eram o bastante para fazê-lo ganhar o dia.
Aaron apertou a bunda de Thomas, com força, friccionando ainda mais contra sua coxa. Thomas mordeu o lábio, jogando a cabeça para trás. Começava a achar que Aaron estava vestido demais.
Ele levou uma mão aos botões da camisa dele, mas qual não foi sua surpresa quando Aaron segurou os pulsos dele com uma mão e os prendeu, acima da cabeça de Thomas.
— Está com pressa?
Aaron o puxou novamente contra sua coxa, e Thomas soltou um palavrão, bem alto.
— Aaron! Isso vai ter volta.
— Estou contando com isso.
Mesmo sendo maléfico, Aaron ainda tinha um limite palpável de pena. Ele deixou um selinho sobre os lábios de Thomas, mordendo o lábio inferior de leve e se levantou.
Thomas deixou que o amante lhe tirasse os sapatos e as calças, depois assistiu, quase trêmulo em expectativa, quando Aaron começou a se despir. Incrível. Para Thomas, Aaron era um atentado contra as leis da ciência de tão belo. Já estava duro antes, agora então… Ele tentou conter a ansiedade, mas a meia blusa desabotoada que Aaron estava tirando bem devagar, Thomas percebeu, era de propósito.
— Seu desgraçado.
Até pensou em se levantar e ir até Aaron e terminar o serviço ele mesmo, mas teve a impressão de que não só ele não ia deixar, como também ia o castigar depois por isso. E Aaron era bem mais forte que ele, poderia controlar a situação muito bem.
Era uma sensação nova, estar submisso a alguém de forma tão sutil. Thomas resolveu que gostava disso.
Sem escolha a não ser se recostar na cabeceira e aproveitar o show, Thomas assistiu a blusa de Aaron, finalmente, ir parar no chão. E depois os sapatos. Quando Aaron chegou nas calças Thomas decidiu que não conseguia esperar mais, começou a se tocar, vendo o tecido expor, aos poucos, as nádegas e as coxas dele.
— Aaron, pelo inferno, venha aqui agora.
E ele riu, se divertindo com a situação de Thomas.
— É divertido ver você se aliviar sozinho.
Ousado! Oh, ia mesmo ter volta. Ah, se ia!
— Aaron — Thomas cerrou os olhos, em expectativa.
— Deite de bruços.
Naquele instante, Thomas experimentou a curiosamente excitante sensação de saber que tinha que obedecer se quisesse ganhar o que queria, e que era exatamente o que gostava de fazer com Aaron. Não fazia ideia que estar do outro lado da equação poderia ser tão bom. Resmungando, ele obedeceu, e em segundos Aaron havia se deitado em cima dele.
— Olá! — Aaron disse, divertido, deixando um beijo no nariz de Thomas.
Não dava nem pra ficar com raiva dele. Amar era mesmo uma coisa poderosa demais.
— Olá. Ainda tem o óleo de coco que eu te dei?
— É claro que tenho.
Aaron deixou outro beijo, agora na testa de Thomas, e não demorou para que o caçador sentisse o óleo espalhando-se entre suas nádegas. Até isso Aaron parecia estar fazendo devagar, e dessa vez ele estava sendo cuidadoso, não provocante. Mesmo depois de anos, Aaron não tinha que ter cuidado, era totalmente desnecessário, perda de tempo e…
— Aaron, eu juro, se você não…
— Ok. Entendido.
Aaron segurou uma das mãos de Thomas e enfim o caçador sentiu seu corpo ser invadido pelo amante. Chegava a ser quase um alívio sentir Aaron se movendo dentro dele. E se era por essa breve sensação de alívio que Aaron deixava Thomas o provocar tanto, agora entendia porque. Valia à pena.
Aquele momento passado com Aaron era tudo o que ele poderia querer. Era tudo que ele amava. Pensar em uma vida inteira com ele… Thomas sorriu, até um pouco tímido, humilde no que sentia agora. Beijou os lábios de Aaron, apertando a mão dele, sentindo seu coração acelerar aos poucos. Aaron começou a masturbar Thomas, e ele abaixou a cabeça, respirando acelerado e murmurando contra o colchão que, pelos céus, aquilo era perfeito. Estar com Aaron era perfeito.
Os movimentos de Aaron o aproximaram do ápice, e enfim, ele gozou, apertando a mão do amante e aproximando os lábios dos de Aaron.
— Eu te amo — anunciou sentindo o corpo amolecer.
Amava mesmo. E não ligava de admitir, não mais. Não mesmo. Nunca mais.
Aaron o beijou novamente, e mais uma vez, se movendo mais rápido e com mais força até que ele também chegou ao orgasmo. Por algum tempo, Aaron ficou deitado ali, em cima de Thomas, recobrando as energias e beijando a nuca e os ombros do amante.
Enfim, ele se afastou, se deitando ao lado.
Thomas sentiu frio na mesma hora. Tinha mesmo sido intenso.
Resmungando, Thomas pensou em chegar para perto de Aaron para se esquentar um pouquinho com o calor do outro, mas pareceu se lembrar naquele exato momento de que estavam na recepção de casamento de seus melhores amigos. E que Lily não estava muito feliz com eles no momento.
— Tom?
Thomas suspirou. Era pedir demais um pouco de paz de espírito? Lá se ia seu momento no paraíso com Aaron.
— Sim?
— Estou com sede.
É claro que estava. Thomas sorriu e se inclinou sobre o amante, deixando um beijo nos lábios dele.
— Vou te buscar uma garrafa de vinho, a cozinha deve ter. Se vista e me encontre lá embaixo, ok?
Aaron concordou. Thomas se levantou e vestiu as roupas, fazendo o possível para ficar o mais impecável possível. Estava bem descabelado, nada que um tempo em frente ao espelho se arrumando não pudesse resolver. Então ele sorriu para a maravilhosa imagem que era Aaron nu, deitado naquela cama, e deixou o quarto.
