Capítulo 2 - Capítulo 2

Elizabeth acordou na segunda-feira às seis horas da manhã. Tinha sido uma noite difícil, mal havia dormido e quando conseguiu sonhava com sua mãe.

No sonho o rosto dela parecia menos borrado do que nos outros sonhos que costumava ter. Além disso, diferente das outras vezes, a mulher não gritava com ela e a dizia que ela era um monstro.

Tentando esquecer aquilo, a bruxa olhou para o escritório do diretor e sorriu. Ela começou a imaginar como havia sido os anos de seu pai debaixo daquele teto. Depois de dezessete anos se perguntando de como seria estudar ali, lá estava ela agora tendo aquela oportunidade.

A menina sabia que a situação que os fizeram mudar era a pior possível, mas ela tinha esperança que sua avó ficaria bem.

Como combinado, na noite anterior ela tinha chegado a Hogwarts, mas o Diretor não pôde recebê-la, então, ela estava ali naquele momento para aquilo.

- Prazer em conhecê-la, senhorita Snape, você se parece muito com seu pai. – Disse Neville.

- Obrigada, Diretor. - Liz murmurou. – Gostaria de agradecer sua solidariedade a nós, pois sei que não é adequado que uma transferência se faça de forma tão repentina e bem depois do ano letivo ter começado.

- Por tudo que seu pai nos fez, isso não é nada. Sinto muito por sua avó. Ela é uma pessoa maravilhosa. Uma grande amiga de minha avó. Então, tive a chance de conhecê-la. Tenho certeza que ela irá se recuperar, sei que a Sra. Prince está em boas mãos. – Longbottom disse muito emocionado.

- Vovó me falou sobre a sua avó, Diretor. - Liz disse suavemente. – Eram grandes amigas aqui em Hogwarts.

- De fato eram. A onde você estudou? – Ele perguntou.

- Na Academia Beauxbatons.

- Claro que sim! – Nevile continuou. - Que cabeça a minha, você morava na França. – Disse o homem sorrindo.

De repente, a porta se abriu e Hermione Granger os encarou parecendo apavorada. Naquele momento, a professora pareceu perder a cor. Ela não estava acreditando no que estava vendo.

Hermione se segurou na cadeira para não cair no chão e tentou fixar seus olhos na menina.

- Hermione? – Sussurrou Neville. – Você precisa da medibruxa? Sente-se, por favor. Pode ajudar.

- Oh, bem... – Balbuciou. – Eu.. eu vou ficar bem. Eu... – Ela fechou os olhos e suspirou. Sua mente gritava se perguntando como aquilo era possível. Depois de tantos anos, ela não podia acreditar que o que mais desejava estava prestes a acontecer.

- Hermione? – Neville lhe trouxe de volta de seus pensamentos frenéticos. – Você ainda está pálida. Você está chorando?

- O quê? 0h, não. – Mentiu limpando o rosto. – É apenas alergia. Desculpe, Diretor. Foi me dito que estaria me esperando. – Disse tentando focar em outra coisa que não fosse a menina.

- Sim, mas era apenas para dizer que você está liberada para comparecer à reunião.

- Claro. – Sussurrou ainda um pouco apavorada. – Obrigada, Neville.

- Oh, - A voz gentil de Neville disse quando ele se lembrou que eles não estavam sozinhos na sala. - deixe-me apresentá-la a Hermione Granger. Ela é a nova professora de transfiguração. A Sra. Granger acabou de voltar dos EUA para se juntar a nós e devo dizer que você não foi a única a iniciar em Hogwarts no meio do ano letivo. – Disse com um sorriso contagiante. - Hermione, eu gostaria que você conhecesse Elizabeth Snape, a filha de Severus Snape.

Hermione assentiu e olhou para Liz. A bruxa ofegou, Elizabeth lembrava muito Alexander. Apesar de não serem gêmeos univitelinos, era chocante a semelhança entre os dois.

Elizabeth estava tão linda. Hermione sentiu uma leve pontada no coração.

- Merlin, - Neville sussurrou. - pode acreditar que ele teve uma filha?

- Olá, Srta. Snape, é um prazer conhecê-la. - A morena de cabelos encaracolados e pele pálida estendeu a mão, Hermione cuidadosamente pegou, ela esperava que esse dia tivesse chegado antes, mas agora lá estava ela frente a frente a menina. – Não sabia que seu pai havia voltado. – Balbuciou ainda instável.

Hermione percebeu que sua semelhança com Alexander era facilmente identificável.

- Igualmente, Sra. Granger. – Liz respondeu suavemente, com um sorriso gentil. – Papai está de volta há apenas quatro dias. Aconteceram algumas coisas que nos levaram a mudar.

- Claro. – Disse a professora.

- Venha agora Srta., - Neville voltou-se para ela. - vou mostrar-lhe um pouco da escola, onde será sua primeira aula e lhe entregar o horário de suas aulas. – Disse o diretor, em seguida, virou-se para sua melhor amiga. – Eu te encontro mais tarde. - Hermione assentiu antes de olhar mais uma vez para a menina.

(...)

Hermione Granger não podia acreditar que Elizabeth, sua filha, estava em Hogwarts e seria sua aluna. Mas ela deveria ter adivinhado que um dia elas iriam se encontrar.

Depois de tudo que aconteceu há anos atrás, se um dia a menina soubesse de toda a verdade, talvez não a perdoaria. Para falar a verdade, ela sabia que Alexander também não ficaria feliz com a revelação.

Claro que ela não havia sido a única a errar, afinal, Snape havia concordado com tudo e não havia feito nenhum esforço para mudar tudo.

Mas, olhando para a garota, ela viu o quão linda e educada Elizabeth havia ficado. Severus definitivamente havia sido um bom pai para a filha.

Com a emoção a flor da pele, ela caiu na cama chorando pela vida que escolheu para si mesma. A única coisa que ela conseguia pensar era no que seus filhos fariam se soubessem da verdade.

Anos atrás, ela havia sido fraca e incapaz de lidar com uma situação que só cabia a ela resolver e, por isso, havia prejudicado a vida das pessoas que ela mais amava.

(...)

Eliza olhou para cima para ver Harry olhando para ela com um olhar de choque. Ela quase praguejou, definitivamente, a jovem estudante não esperava por aquilo.

Nunca havia passado por sua cabeça que Harry seria seu professor em Hogwarts. Para a jovem bruxa, era impossível que alguém com um rosto tão jovial pudesse dar aula.

Droga, quantos anos ele tem? – Pensou assustada. – Merda! Merda! Merda!

A aula passou em uma lentidão inexplicável. O tempo parecia ter congelado. Quando enfim o sinal soou, ele se aproximou cautelosamente.

- Senhorita, no meu escritório, agora! - Ele rosnou, em seguida, saiu da sala se olhar para trás.

Elizabeth encolheu os ombros e suspirou. Era sua forma de ganhar um pouco de coragem. Depois de olhar fixamente para a porta que o bruxo havia desaparecido, rapidamente seguiu atrás dele se perguntando o que esperava por ela.

A mais jovem Snape logo percebeu que o mago estava tão apavorado que mal conseguia falar. Ele gesticulou para ela se sentar e Liz agradeceu. Logo ele bateu a porta do escritório para lhes dar um pouco mais de privacidade e se sentou.

- Qual o significado disso, Srta Snape? - Ele exigiu. – É algum tipo de brincadeira sem graça?

Os olhos dela se se arregalaram devido ao seu tom.

- Bem? - Ele perguntou, sentindo muita raiva. – Merlin, diga alguma coisa! – Praticamente gritou.

- Não poderia imaginar que você era um professor de Hogwarts. Céus, para que eu me relacionaria com um professor? Não faz sentido nenhum. - Ela respondeu, cruzando os braços. – Foi apenas uma coincidência ruim, Har..Professor. – Disse com sinceridade. – Como poderia imaginar? Acabei de me mudar, quatro dias atrás ainda morava na França.

Ele estudou o rosto dela por um minuto e, logo depois, abaixou a cabeça sentindo-se completamente perdido.

- Você não parece alarmada. - Ele comentou.

Ela realmente sentiu-se mal com toda a descoberta, mas realmente não achava que era o fim do mundo.

- Estou, acredite, nunca pensei que estaria em uma situação tão embaraçosa como está. Porém, eu não posso desistir da escola, meu pai nunca permitiria. Aliás, se ele ao menos imaginar sobre o que aconteceu, ele me mata, ele te mata.

- Droga! Você é filha do Snape! – Resmungou apavorado. – Tudo que aconteceu terá que ficar apenas entre nós. Renunciarei ainda essa semana. - Ele explicou.

- Por quê? – Perguntou em choque.

- Eu não posso dar aula para você. Mesmo que nada mais ocorrerá, nós nos beijamos, por isso, é antiético. - Ele protestou.

Ela revirou os olhos e se levantou.

- Não é como se alguém soubesse que algo aconteceu entre nós. Você não precisa sair. - Ela o informou rapidamente. – Falo sério quando garanto que nada e nem ninguém saberá do que houve. Não contarei a ninguém, dou a minha palavra.

Ele abriu e fechou a boca algumas vezes, silenciosamente.

- Preciso pensar sobre isso. - Disse ele finalmente. – Porém, nada que eu pense pode mudar o que houve. Fui um tolo e terei que pagar pelos meus atos.

- Pense melhor. Talvez quando um pouco do choque passar você possa enxergar as coisas com um pouco mais de clareza. – Ela sussurrou.

Harry suspirou e passou a mão pelo rosto.

- Acho que você deve ir, Srta. Snape. Preciso ficar sozinho. - Disse ele, finalmente.

Eliza olhou para ele parecendo um pouco frustrada, mas assentiu.

- Sinto muito, professor. - Ela disse, com tristeza.

Assim que a menina saiu pela porta, ele voltou a se lembrar de Snape.

Harry se perguntou quanto tempo demoraria até o pai da menina descobrisse, afinal, ele sabia que coisas assim não costumavam ficar escondidas por muito tempo.

Suspirando em derrota, ele foi para seus aposentos.

(...)

Hermione mentalmente contou até dez antes de pensar como o repreenderia por ele não estar prestando atenção no que ela estava falando.

Harry havia se reposicionado em sua mesa e estava rabiscando um papel furiosamente, no entanto, ela duvidava que ele pudesse prestar atenção no que estava fazendo.

- Harry Potter! O que deu em você hoje?

Ele deu um leve sobressalto deixando a pena cair no chão. Hermione revirou os olhos e levitou a pena de volta a mesa e o encarou novamente. Assim como ela, Harry parecia miserável.

- Desculpe, Hermione. Mas eu estou um pouco confuso devido a umas decisões que preciso tomar. - Harry disse desesperadamente enquanto colocava as mãos no rosto.

Hermione deu-lhe o olhar mais cauteloso, mas logo voltou a falar:

- São as alunas de novo? – Perguntou com dó. - Eu não vejo o grande problema, Harry. Todos nós sabemos como as adolescentes podem ser nessa idade. Não é como se você fosse se casar com uma delas. – Disse tentando deixa-lo mais calmo e ele quase engasgou.

Hermione bufou.

- Oh, por favor, Harry. Você é o adulto, sei que dará um jeito de superar essa paixonite alguma aluna que está pairando sobre sua cabeça. Acredite existem problemas muito piores do que esse. – Resmungou triste.

- Você quem pensa. - Ele resmungou. – Espere, o que houve com você? Parece péssima, Hermione.

- Nada. – Mentiu. - Bem, eu só andei refletindo sobre algumas coisas, mas vou ficar bem. - Ela olhou para ele novamente, mas logo voltou a atenção para seus pergaminhos. – E, bem, fui chamada para comparecer a escola do meu filho. Só espero que ele não tenha sido expulso novamente. – Grunhiu nervosa.

- Já foram quantas? Sete escolas? – Perguntou com pena.

- Quem me dera, querido. Foram dezoito escolas, Harry. Alexander conseguiu ser expulso de dezoito escolas em menos de um e meio.

Hermione suspirou e se encostou na cadeira. Por alguns instantes ela se pegou pensando que se Severus tivesse participado da vida de Alexander as coisas pudessem ser diferentes.

Notas Finais

Gente, juro que esse enredo pode não fazer sentido para alguns, mas eu pensei nele por muito tempo e me apaixonei... Minha mente vai longe pensando no universo desse fic rsrs