Notas do Autor

Boa noite.

Apesar da demora, aqui vai mais um capítulo. Espero que gostem!

Boa leitura e até breve.

TatianyPrince.

Capítulo 4 - Capítulo 4

Para Hermione, dar aula era possivelmente a coisa mais tranquilizadora que existia. A certa altura, era a única que a fazia esquecer de certos problemas que não saiam de sua mente.

Alexander não dava notícias há dois dias. Se por um lado era uma boa coisa, pois pelo menos ela sabia que ele ainda não havia sido expulso, por outro lado, estava no escuro sobre o que poderia estar acontecendo com ele.

Esses pensamentos a fizeram rir. Como na terra ela poderia ter um filho capaz de ser expulso de várias escolas, estava além do que podia compreender. Por isso, aquilo continuava matando-a por dentro e tornando-a louca.

Seus pensamentos corriam em círculos às vezes, já que nenhuma explicação parecia adequada para sua situação. Apesar de trágico, foi engraçado, realmente, algumas vezes ela se pegava imaginando como Severus reagiria se soubesse.

Tentando ignorar aqueles pensamentos, Hermione tentou se concentrar em sua fala.

- Como eu disse, - Continuou a Professora. - É preciso haver perfeição para que a transfiguração tenha sucesso e ainda é necessário que haja muita concentração e foco. Assim, - De repente, parou seu raciocínio quando foi abruptamente interrompida quando a porta se abriu e Elizabeth Snape entrou em sua sala.

- Desculpe, Professora Granger. – Sussurrou Liz envergonhada. – Sei que estou atrasada, mas posso entrar?

- Senhorita Snape, ainda que seu atraso seja mínimo, não tolero que cheguem depois do horário em minha sala de aula. – Falou um pouco autoritária, mas sabendo que ela não podia tratar a menina de modo diferente, visto que havia acabado de repreender outro aluno minutos atrás. – Tem pelo menos algo relevante que justifique seu atraso? Como, por exemplo, algum bilhete de algum professor ou monitor?

- Não senhora, infelizmente. – Gaguejou ao notar que era o centro das atenções. - le fuseau horaire était le seul à blâmer. J'aurais dû être plus attentif à toi ..

Todos olharam para ela sem entender absolutamente nada e alguns chegaram a gargalhar.

- Só para dizer que é melhor do que todos e sabe francês. – Liz ouviu alguém cochichar e logo depois escutou a professora repreender tal aluno.

- Desculpe, - Disse ficando ainda mais vermelha. – Não percebi... quando fico nervosa... eu.. eu não irei atrapalhar mais sua aula. Com licença. – Disse se virando para sair dali imediatamente.

Hermione levantou as mãos como forma de pará-la.

- Calma senhorita, - A bruxa falou com pena. – Serei solidária a você e aceitarei que assista a aula, sei como o fuso horário pode ser cruel conosco.

Hermione havia ficado com um pouco de dó ao notar como Eliza estava nervosa. Mas sabia que cair de paraquedas no meio do ano em uma escola não era uma tarefa muito fácil. Ela mesma estava passando por aquela experiência.

- Obrigada, Professora Granger.

Hermione assentiu, esperou que a menina se sentasse e se concentrou novamente.

- Como eu estava dizendo, concentração e foco são essenciais, pois assim, com muita prática, vocês farão um excelente trabalho. Este tipo de magia que estudaremos hoje é geralmente chamado de "Transfiguração Humana". Mas não se assustem com o nome, pode ser mais divertido do que parece. – Brincou. - Não é porque faz parte do meu campo de ensino, mas devo informá-los que é o ramo da Transfiguração considerada mais difícil e a mais científica das matérias.

Enquanto explicava, a bruxa andava de um lado para o outro. Hermione esperava que não estivesse fazendo uma tola de si mesmo. Ter a sua filha lhe assistindo estava deixando-a extremamente nervosa.

Cada minuto que passava era como um balde de desespero caísse em seu coração. A mulher sabia que não estava exagerando, já que olhar para a menina fazia com que a culpa roesse sua alma. Entretanto, mesmo atordoada, se esforçou para continuar.

- A chave é manusear muito bem sua varinha, já que os movimentos devem ter precisão. - Continuou a Professora Granger. – Muito embora transfiguração Humana seja uma matéria importante, infelizmente, não é comum encontrá-la em uma grade curricular.

Hermione passou as mãos pelos cabelos, tirando de sua visão um cacho irritante que insistia em atrapalhar.

- Senhorita Snape, sei que em Beauxbaton vocês possuem essa disciplina, você pode dizer para turma qual a relação da transfiguração humana com um Metamorphmagi?

A menina assentiu timidamente, mas respondeu sua pergunta.

- Não tive a chance de explorar a matéria como gostaria, mas sei que a relação entre elas está simplesmente no fato da Transfiguração Humana poder ser usada para replicar as habilidades de um Metamorfago. – Sussurrou a bruxa.

- Não explicou nada. – Um sonserino resmungou.

– Bem sinteticamente falando, - A menina continuou envergonhada. – o sujeito que a pratica pode assumir uma forma completamente diferente da sua. Já presenciei alguns alunos que conseguiram fazer o cabelo crescer e, também, mudar a sua cor.

- Exatamente, Senhorita Snape. – Falou Hermione orgulhosa. – Sem dúvidas nenhuma, pode-se dizer que a Transfiguração Humana é um ramo da magia que permite que um bruxo comum realize a mesma mudança que ocorre de forma natural com os Metamorfago. .. Snape. – Hermione sorriu brilhantemente. - 10 pontos para a grifinória.

(...)

Na mansão Snape, o clima não estava dos melhores. Severus Snape havia tido um começo de semana difícil. Depois de ter escutado diversas charadas de sua mãe sobre como ele havia se afastado, resolveu que tiraria um pouco de seu tempo para ela.

- Obrigada por sua atenção e seu tempo. - Eileen falou com um tom acusador.

- A senhora sabe que não é intencional.

- Se você diz... – Ela sussurrou com a cara fechada.

- Muito bem, Sra. Prince. Agora que estou aqui, me diga o que te aflige. - Ele disse.

Enquanto isso, o homem cruzou os braços sobre o peito e esperou que ela falasse.

- Elizabeth precisa de novas vestes. – Disse e seus olhos brilharam em determinação.

- É por isso que exigiu minha presença? - Ele riu e ela resmungou.

- Ah, Severus. Sinceramente não sei o que falar com você. - Disse a Snape um pouco chocada. – Por Deus, passou tanto tempo dentro daquele laboratório que achei que quando saísse eu não saberia nem como me comunicar com outras pessoas. Só queria conversar com alguém, então não me repreenda se já não sei o que dizer. – Ela rosnou.

Ele endureceu levemente e suspirou. Aquele tom de voz que ela usava costumava mostrar quão aborrecida ela estava.

- Desculpe, a senhora tem toda a razão, sinto muito. Tenho a ciência de que precisa de companhia. Porém, preciso de mais uma hora, não posso parar nessa fase da poção.

Ele apertou a mão de sua mãe e lhe deu um beijo nas têmporas. As palmas dela estavam geladas. Snape ficou quieto por alguns instantes, tentando pensar em uma forma de não deixá-la sozinha por tanto tempo, mas não conseguia pensar em nada.

- Ah, Severus, espere um momento, acho que vai querer saber que chegou outra coruja para você. – Resmungou.

- Por que não disse antes?

- Como? – Questionou curiosa. – Achei que só poderia te chamar se fosse caso de vida ou morte. – Ela o acusou.

Com um olhar furioso, o homem lia e relia o pergaminho sem lhe dar nenhuma pista do que poderia ser.

- Não pode ser. – Esbravejou.

- O que foi?

- Aquele almofadinha americano novamente. Como ele é capaz de criticar meus compostos? - Ele bufou ironicamente - É cientificamente provado, se pudesse mataria aquele presunçoso.

- Você está certo de que críticas não são bem-vindas? – Perguntou a ele com uma careta. – Deus sabe como conseguiu dar aulas por tanto tempo.

- Nunca disse isso, mas esse indivíduo passou dos limites. - Disse sem paciência. - E, de qualquer forma, não tenho intenção de responder.

- Engraçado você dizer isso, há três dias você disse o mesmo, porém, tive a impressão que vi você respondê-lo.

- Eu não fiz nada do tipo! - Gritou o homem enquanto voltava para seu laboratório.

(...)

Embora Hermione tentasse convencer Harry do contrário, nada parecia fazê-lo mudar de ideia. Para ela, algo parecia terrivelmente errado, por trás daquela decisão, existia algo a mais, mas não conseguia identificar o que era.

- Não se atreva, Harry James Potter! – Hermione disse em aviso. – Como assim você vai sair logo agora?

- Mione ...

- Uh-uh ... - Ela balançou a cabeça. - Vou fingir que não ouvi essa ideia ridícula.

- Você não entenderia. Mas é oficial, já comuniquei o diretor.

- Harry.. - Ela se levantou e aproximou-se dele, abraçando-o com força. – Vou sentir sua falta, sabia disso? Logo agora que voltei. Confesso que até imaginei Ronald aqui dando aulas. – Sorriu.

- Sinto muito. Vem comigo dar o comunicado para os alunos?

Depois de um momento, ela acariciou sua bochecha carinhosamente e, apesar de desanimada, assentiu.

- Honestamente, Harry! Não vejo o que pode ser tão grave ao ponto de fazê-lo deixar Hogwarts agora... - Hermione invadiu o corredor, com Harry a acompanhando. – Espere, não me diga que decidiu ir atrás de Ginny?! – Questionou alarmada.

- O quê? Não, Hermione. Só preciso dar um tempo do ensino. Além disso, pode ser uma boa hora para aceitar um cargo como chefe dos auror.

Suspirando, ele seguiu Hermione pelo buraco do retrato e os dois entraram na sala comunal da Grifinória.

- Oh, Harry! - Hermione riu quando eles entraram na sala comunal e se depararam com várias alunas do sétimo ano os encarando com um olhar quase faminto. - Você viu o rosto delas? – Sussurrou. – Entendo porque você fica tão nervoso. Quer que eu dê o recado?

Harry bufou.

- Não precisa, Hermione. Mas é um pesadelo sangrento, não acha? Só piora, mais um pouco e precisaria e escolta. – Harry grunhiu balançando a cabeça. – Srta Weasley? Sr. Brown? – Os alunos se aproximaram e aguardaram. – Pode reunir todos os alunos aqui, por favor? – Ambos assentiram e entraram nos dormitórios.

Ele olhou para os poucos alunos que já estavam presentes e suspirou. Harry sabia que sentiria falta do ensino, mas já não podia continuar a lecionar. Ele teve ainda mais certeza de suas decisões quando seus olhos encontraram os olhos de Elizabeth Snape.

A jovem estava sentada no sofá, as pernas enroladas sob ela. Seus olhos estavam levemente inchados parecendo exausta, mas ainda assim ela se sentou e esperou.

Ele parou todos os seus pensamentos frenéticos e virou-se para Hermione.

- Sim, Harry?

- Oh, nada. Bem, na verdade, estava pensando em algo. Você também ficou surpresa com a filha do Snape sendo colocada na grifinória?

Hermione sorriu gentilmente.

- Claro que sim, Harry. Como poderia ser diferente, querido? – Gargalhou levemente. – Sejamos sinceros, Severus Snape é o homem mais sonserino que já conheci. Para dizer a verdade, talvez nem Salazar Sonserina chegue aos seus pés. Não existe nem um fio de cabelo em Snape que não honre sua casa. Chega ser angustiante!

- Você tem razão. – Sussurrou com um leve sorriso.

- Com licença, Professor Potter. – Victória Weasley se aproximou. - Mas todos já estão aqui.

- Ok, obrigado. Muito bem! Reuni todos para dizer que logo vocês terão outro professor de Defesa Contra as artes das trevas. Recebi um convite para voltar a trabalhar no Ministério da Magia e resolvi aceitar.

- Dará aula até quando, Professor? – Perguntou Antonella que se encontrava ao lado de Elizabeth.

- Srta. Nott, sinceramente, não tenho certeza! Tudo dependerá do Diretor, já que ele ficou de escolher um novo professor. E, por falar nisso, a Professora Granger assumirá meu lugar como chefe de casa da Grifinória. Mais alguma pergunta? – Quando nada foi dito, Harry assentiu e desejou boa noite a todos.

- Desculpe, Prodessor. – Liz veio correndo atrás dele. – Mas posso falar com o Senhor? – Perguntou e abaixou a cabeça com vergonha.

- Sinto muito, Srta. Snape. Mas a professora Granger e eu temos um compromisso.

- Ah, Harry, - Hermione sussurrou. - Por favor. O que temos que fazer pode esperar. Tenho certeza que é algo importante. Então, com licença e te vejo mais tarde. Boa noite, Srta. Snape.

- Bem, então vamos ao meu escritório. – Falou a contragosto.

(...)

Para Elizabeth Snape, a luz do escritório estava tão baixa que servia apenas para destacar ainda mais o frio daquela época do ano. Harry parecia impaciente, provavelmente não estava gostando de sua presença.

- O que você precisa, Srta. Snape?

- Por que está indo embora? - Perguntou, incerta.

- Não é adequado termos esse tipo de conversa, você é minha aluna. Tirando qualquer coisa que envolva minha vida pessoal, o que quer de mim?

- Uma decisão mais sábia, Senhor. - Ela sorriu zombeteiramente. - Você ficou absolutamente louco! – Ela rosnou.

- Provavelmente. Mas isso não te dar o direito de vim até aqui falar sobre minha escolha, Srta. Snape. O que podia fazer senão aceitar um cargo no Ministério? – Harry perguntou, estreitando os olhos. – Você, melhor do que ninguém, deveria entender.

Liz levantou uma sobrancelha.

- Você está jogando fora todos esses anos de ensino por causa de algo tão pequeno. Isso é tão tolo!

- Eu acho que... - Harry ofegou. – que não temos nada para conversa. Gostaria que você fosse para seu quarto.

- Harry, eu estou apaixonada por você! - Ela deixou escapar – Mas sei que isso não vai ser possível e entendo perfeitamente. Mas mal posso acreditar que sairá por causa de um beijo. Por causa de um breve beijo. Talvez o beijo mais rápido de todo o século.

- Eu ... uh ... eu estou certo sobre minha decisão. - Ele gaguejou, evitando os olhos dela . – Não tem volta. – Revelou envergonhado. – Por favor, volte para seu dormitório. – Harry respirou fundo e, sem saber como, conseguiu dizer: - espero não termos mais essa conversa.

- Hum, ok ... se você tem certeza. - Ela respondeu decepcionada, mas saiu deixando-o sozinho.

Quando ela bateu a porta ao sair, o mago se questionou se era apenas a imaginação dele ou ela estava sendo sincera sobre os seus sentimentos. Apesar de sua inquietação, Harry sabia que não poderia descobrir.