Capítulo 5 - Capítulo 5
TRÊS SEMANAS DEPOIS
- Estou feliz que você esteja gostando de dar aulas aqui, Hermione. – Neville disse feliz.
- Os alunos são muito bons, Neville. – Falou animada.
- Se estiver tudo bem, posso perguntar-lhe sobre adquirir um aprendiz? Você precisa de um.
- Eu mal os conheço. – Sussurrou desanimada.
O diretor gargalhou levemente.
- Ouvi dizer que a Grifinória ganhou muitos pontos hoje, Professora Granger. – Disse maliciosamente. – Quem você tem em mente? Há alguém que possa ter chamado sua atenção?
- Bem... Sim! Sem dúvidas, Elizabeth Snape! – Ela respondeu e ele não pareceu surpreso. - Uma das alunas mais notáveis do sétimo ano.
- Imaginei, antes de aceitá-la como nossa aluna chequei seu histórico escolar. Ela é brilhante, mas não esperaria nada diferente da filha de Snape. – Neville divagou. – Por falar nele, esteve aqui recentemente para concluir a matricula da filha, é assustador notar que ele não envelheceu um dia sequer.
O bruxo estranhou quando rosto da mulher em sua frente fechou.
- Qual é o problema?
Hermione havia ficado um pouco decepcionada ao lembrar que nunca seria comparada com o brilhantismo de sua filha. Mas ela sabia que a culpa era apenas dela.
- Nada. - Hermione deu de ombros e se levantou.
O diretor coçou o queixo e a observou.
- Se você diz. Eu queria saber se você poderia perguntar a senhorita Snape, se ela aceita ser sua aprendiz. – Sussurrou o homem. – Acredito que ambas farão um ótimo trabalho.
Os olhos de Hermione se iluminaram e ela assentiu em troca.
- Desculpe, Neville. Sei que isso não me diz respeito, mas e a renúncia de Harry? Ele me disse algo de estar aguardando você conseguir um substituto. - Hermione se sentou na cadeira à sua frente, amuada. - Me desculpe, eu sei que não posso dizer nada sobre isso, porém, me pergunto se não teria nada que pudéssemos fazer para ele mudar de ideia...
- Confesso que já tentei de diversas formas. – O diretor divagou. - Por mais que eu tente, não consigo entender o que levou Harry a isso.
- Já tem alguém em mente?
- Para falar a verdade, sim! Estou em negociação.
- Isso pode demorar? – Hermione pressionou a mão na testa. – Sei que estou sendo egoísta, mas você não pode imaginar o quão feliz estou por estar perto de Harry novamente. Não queria que isso acabasse tão rápido.
- Para sua sorte, eu posso não estar me empenhando como eu deveria! – Sorriu envergonhado. – Existe alguns assuntos mais urgentes.
- Bem ... você tem que dar atenção especial a esses assuntos urgentes, então ninguém pode te culpar. - Hermione respondeu, embora soubesse que o argumento era fraco.
(...)
Victor Krum estava sentado em frente a Diretora de Alexander torcendo para que ela acreditasse no que ele estava dizendo. A mulher o encarava com cara de poucos amigos e não fazia nenhum esforço para disfarçar sua indignação.
- Tudo bem, Sr. Krum. Dessa vez essa situação irá passar, mas sabia que nunca na minha vida como Diretora um aluno me causou tamanha confusão. Vou deixá-los conversar! Mas que fique claro, Senhores que essa foi a última advertência e da próxima vez não terei compaixão.
A diretora fechou a porte e Victor deu um suspiro de alívio.
- Sinto muito, padrinho. - Alexander murmurou rapidamente e tentou se levantar.
- Ainda não acabamos, jovem, eu ainda não tive minhas explicações. - Krum retrucou, sacudindo sua varinha para se certificar que ninguém ouviria sua conversa. – Como conseguiu que a coruja da diretora não achasse sua mãe?
- A receptei no meio do caminho e fiz com que ela voltasse. - Falou sem nenhum arrependimento.
- Você tem alguma noção da gravidade de toda a situação?
- Sim! – Respondeu e passou a mão pelos cabelos novamente, confuso. – Mas estava precisando de dinheiro! Minha mãe cortou minha mesada.
- Por Deus, Alexander. Você não poderia me pedir? Sou seu padrinho, poderia fazer isso por você. Vender poções ilegalmente dentro de uma escola não é a coisa mais inteligente para quem está presta a ser expulso.
- Eu sei. - Ele respondeu finalmente, com mais convicção do que realmente sentia. – Mas eles insistiram e ofereceram muito dinheiro. Caso contrário, não teria aceito.
- Terei que contar para sua mãe.
- NÃO! – O rapaz gritou desesperado. – Não faça isso! – Resmungou. - Minha mãe não. Isso não vai se repetir! Se ela souber, vai me matar...
- Você tinha que ter pensado nisso antes. - Ele continuou apressadamente.
- Por favor, padrinho! Me dê essa chance. Ela ficará decepcionada e serei punido pelo resto da vida! - Ele bufou com dignidade. – Pelo menos deixe que eu conte. Mas na hora certa.
- Muito bem, garoto! Vou confiar em você. Não me decepcione. – Tentou dar um voto de confiança. – Mas me diz, tirando todos os problemas que você tem arrumado, como está?
O rapaz deu de ombros, como se fosse algo que ele nunca considerou.
- Bem, eu acho.
- Escute, Alex... Não se meta mais em confusão, você é inteligente demais para isso.
As bochechas do menino coraram e ele olhou para o chão.
(...)
- Liz ... – Antonella chamou. – O que você tem? Parece estar tensa... sei que tem muita matéria e que você está um pouco atrasada, mas considerando que chegou depois...
- Um pouco? Eu, eu ... estou muito atrasada. - Ela fez uma pausa, - Não sei o que fazer!
- Calma, respira. Tá suando muito. – Falou preocupada.
- Não estou me sentido muito bem. – Eu preciso de um ar fresco. Não sei o que está acontecendo, mas.. meu coração tá um pouco acelerado.. não consigo controlar essa ansiedade. Preciso dar uma volta!
- O quê? Vai sair a essa hora? Não é seguro, - abriu a boca para falar, mas Elizabeth interrompeu. – São nove horas da noite.
- Vou ficar bem, Só preciso tomar um ar.
A garota de cabelos escuros se levantou e correu para a porta deixando uma amiga muito preocupada para trás.
(...)
Examinando a sala de Hermione com atenção, Harry sorriu ao encontrá-la enfiada em um livro. Ele a viu resmungar enquanto mudava de página e a expressão dela logo se suavizou quando folheava a página seguinte.
- Então ... como vai a pesquisa? – Perguntou tirando-a de seus devaneios.
- Olá, querido! Bem, não pensei muito nisso. – Respondeu com honestidade. - Mas eu tenho que começar a pensar em algum momento. Neville me falou sobre a necessidade de ter um aprendiz. Isso significa que terei que pensar no meu projeto de pesquisa.
- Tem alguém em mente?
- Sim, eu.. - Ela parou e pareceu se perder nos próprios pensamentos.
- Hermione? O que foi?
Ela suspirou. - Não é nada, Harry!
- E sobre o aluno? Já tem algum nome em vista? - Ele ecoou, pedindo por uma resposta.
- Oh, sim! – Sorriu. - Elizabeth Snape! Não consigo pensar em mais ninguém.
- Então te aconselho em falar logo com ela. Ouvi dizer que há mais alguém que a quer como aprendiz.
- Farei isso. E você querido? Nenhum substituto a vista? – Fingiu não saber de nada.
- Ainda não. Às vezes me pergunto se Neville não está me enrolando.
Hermione soltou um suspiro pesado e mordeu o lábio como se estivesse tentando segurar um comentário.
- Não pense nisso, Harry! Então, ...
A porta se abriu e Antonela Nott correu direto para dentro. A menina estava ofegante e com um olhar terrivelmente preocupado.
- O que houve, Srta. Nott? - Perguntou Hermione, gentilmente.
- Professora... Professor... é que... Um aluno! Um aluno foi encontrado desacordado no jardim.
(...)
- Certo, e como você explica sua vassoura destroçada daquele jeito? – Poppy perguntou alarmada. – Aquilo não me parece uma espécie de brincadeira. Quem fez aquilo queria machucar aquela pobre alma.
Hermione fechou os olhos para controlar sua frustração e agonia.
Harry e Neville andavam de um lado para o outro como se aquilo pudesse ajudá-los a encontrar por respostas. Depois que o caos se acalmou, Neville decidiu que não havia nada para fazer enquanto o aluno não acordasse e ordenou que todos fossem descansar.
Embora quisesse procurar por respostas, Hermione sabia que seu amigo estava certo. Mas pensar que algo perturbador estava solto por Hogwarts e que podia fazer mal a mais alguém, estava deixando-a doente.
- Eu... – Começou o professor de defesa. – Vou para fazer uma última ronda e vou para meu escritório. Ficarei atento a qualquer chamado.
- Claro. – Neville respondeu. – Vou acionar os familiares e os aurores.
- Posso ir com você? – Hermione perguntou. – Posso ajudar, disse enquanto toca levemente o ombro de Neville.
(...)
Após vistoriar o último corredor, Harry caminhou até a sua sala. Ainda muito preocupado, a única coisa que conseguia pensar era que algo terrivelmente sombrio poderia estar para acontecer.
- Srta. Snape? – Questionou surpreso ao encontrá-la em sua porta. - O que faz aqui? Não é um bom momento. – A repreendeu.
- Professor... Bem, uh... é que... bem eu vim aqui para lhe dizer, hum, que eu estava lá fora quando tudo aconteceu. – Revelou com lágrimas escorrendo pelo rosto e tentou se virar para sair, mas foi impedida pelo homem.
- Como assim estava lá fora?
- Eu vi quando o Sr. Jones foi atacado.
- O quê?
- Na verdade.. quando eu cheguei, a pessoa se assustou e correu. – Revelou ainda muito nervosa.
Harry passou a mão pelos cabelos e abriu a porta do escritório para que eles pudessem entrar. Pediu que ela se sentasse e tentou organizar seus pensamentos.
- Você consegue descrevê-lo?
- Não! Estava com uma capa enorme e mal dava para ver os olhos... mas não estava sozinho! Eu podia ouvir outras vozes alertando-o que era hora de ir. Professor, ele ia matá-lo. Tenho certeza que iria. - As lágrimas de Elizabeth começaram a fluir. Ela as enxugou com impaciência, mas não conseguia se controlar. Sem pensar em seu ato, Elizabeth se jogou para frente abraçando-o. Harry suspirou e colocou o braço em volta dela, mas quando se deu conta do que estava acontecendo, tentou se afastar.
Liz o encarou envergonhada e se desculpou. – O Sr. Jones ficará bem? – Perguntou tentando resgatar um pouco da dignidade que lhe restava.
Harry ficou assustado com a pergunta, afinal, nem ele sabia a resposta.
- Poppy fará de tudo para que fique. Srta. Snape, escute. Preciso que se recomponha para que eu possa te acompanhar ao dormitório. Tudo que você viu será importante para que possamos entender o que ocorreu e para também responsabilizar o culpado. Agora me diga, o que fazia lá fora?
A jovem virou-se para Harry, parecendo apreensiva. – Só precisava me acalmar. Essas paredes pareciam estar me sufocando, então fui respirar um pouco de ar puro.
- Bem, infelizmente, terei que lhe dar uma detenção. - Disse o professor de defesa, vendo o rosto de Eliza cair. – As normas da escola são bem claras.
Ainda chateada, Elizabeth balançou a cabeça.
Com um semblante triste no rosto, a jovem acabou de contar o que havia presenciado e Harry agradeceu pelas informações.
- Lamento profundamente pelo que você presenciou. – Harry disse colocando a mão reconfortante em se ombro, mas logo se afastou.
- Obrigada senhor, posso ir agora?
- Mmm, eu vou te levar. Você não está em condições de andar sozinha pelo castelo.
