Capítulo 6 - Capítulo 6

Era muito cedo quando Liz se levantou. O mundo ainda parecia estar dormindo, mas ela literalmente havia visto o sol nascer. A noite anterior ainda estava muito viva em sua memória e aquilo era assustador.

O pouco que havia dormido, sonhou que estava sendo atacada.

Elizabeth havia recebido uma coruja do diretor há poucos minutos. Segundo o recado, ela estava sendo aguardada em sua sala às 8 horas para falar com os aurores sobre o que havia presenciado.

Só Merlin sabia o quão nervosa ela estava. A jovem não sabia explicar, mas algo gritava dentro dela para que conversasse com alguém, talvez pudesse ir até seu pai, afinal, se alguém poderia acamá-la esse alguém seria ele. Mas não, depois de pensar melhor entendeu que ele poderia temer por sua segurança e poderia pensar em tirá-la de lá, e ela não queria desistir de Hogwarts naquele momento.

A jovem sabia que não poderia procurar por Harry, já que na noite anterior o clima entre eles havia ficado um tanto quanto estranho. Ela não se importava com os beijos que eles haviam compartilhado, sabia que não tinha nada ilícito naquilo, visto que nenhum dos dois estavam cientes que seriam professor e aluna.

Entretanto, o fato daquilo mexer tanto com ele não era algo que a deixava confortável. Então, naquele momento ela desejava que as coisas fossem mais simples e que aquilo nunca tivesse acontecido, pois, talvez assim, ela não estivesse perdendo a companhia de alguém tão fantástico como Harry.

Então, a única pessoa que ela poderia procurar naquele momento seria a professora Granger. Sim, era o que ela faria, conversaria com a professora.

Com aquilo em mente, levantou-se e saiu na ponta dos pés do dormitório. A jovem estava tentando não acordar nenhuma de suas companheiras de casa.

Quando conseguiu sair sem ser notada, caminhou lentamente para o escritório da professora. Respirando fundo, Elizabeth bateu na porta.

- Entre! - Veio a voz baixa do outro lado da porta.

(...)

Tonks observava atentamente como Harry parecia estar lutando consigo mesmo por intermináveis minutos. Depois de Ginny tê-lo deixado no altar, aquilo era bastante comum. Mas isso... isso era algo diferente.

- Como você se sente, Harry? – Tonks perguntou, olhando-o diretamente nos olhos. Ela havia chegado a cerca de meia hora e o homem em sua frente parecia completamente absorto em seus pensamentos.

- Nada.

- O quê? Harry? - Tonks chamou, deixando a xicara bater na mesa de merfim.

- Desculpe, mas o que disse? – Questionou envergonhado.

- Perguntei o que como vai você?

- Bem, mas com algumas coisas para pensar. – Sussurrou.

- Ouvi dizer que vai realmente sair de Hogwarts.

- Ouviu corretamente, Tonks. Para ser sincero, estou preocupado com a demora do diretor em conseguir um substituto para mim.

- AH, ouvi dizer. – Sussurrou e se aproximou dele. – Parece que ninguém parece bom o suficiente, o último candidato ficou tão decepcionado que bebeu ao ponto de sair carregado do três vassouras. Acho que ele ficou chateado. – Gargalhou.

- Realmente?

- Sim, Blaise Zabbini me disse.

- Bem ... então é apenas questão de tempo para Neville encontrar alguém.

- Sim, logo seremos companheiros de trabalho. Me diga Harry, como está a nossa prova testemunhal? - Perguntou.

- Não a chame assim, faz tudo parecer ainda pior. – Resmungou um pouco pálido.

- Isso quer dizer que nossa testemunha ocular não está bem?

Harry piscou. - Obviamente.

Dora sorriu. – Interessante.

Harry franziu a testa e a encarou sem entender. - Com licença?

- Nada. - Dora argumentou. – Estou apenas surpresa com seu estado de espírito. - Ela murmurou. - Faz algum tempo que não te vejo assim tão... ah, esquece!

(...)

A professora olhava para Liz com os olhos mais arregalados que ela já havia visto. Parecia que Elizabeth estava em frente a sua avó quando soubesse o que ela havia presenciado.

Contar para outra pessoa, foi a melhor coisa que podia ter feito, Liz pensou consigo mesma. Ela ainda conseguia se lembrar das palavras horríveis que o homem encapuzado havia dito ao seu colega de classe, mas compartilhar aquilo com alguém pareceu acalmá-la um pouco mais.

- Olhe para o outro lado de tudo isso, o seu colega deve a vida dele a você! – Hermione sussurrou contemplando tudo que havia escutado. – Mas por todos os meios, não faça isso novamente. – Disse apontado para o lado de fora. – Ele podia ter feito o mesmo com você.

A menina consertou-se na cadeira e respirou fundo.

- Desculpe professora, estava apavorada e precisava respirar. Por alguns instantes achei que estava tendo um colapso. Então tive a ideia estupida de sair um pouco. – Disse com outra lágrima correndo por sua bochecha pálida.

- Tudo bem querida, não chore. Na sua idade eu também tive minhas parcelas de erros. Talvez erros muito piores do que esse. – Sussurrou com seu rosto cheio de tristeza. – Olha, tenho certeza que o Sr. Jones ficará bem! E logo descobriremos quem está por trás desse ataque, você não tem o que temer. Se estiver tendo dificuldades para dormir, podemos conversar com Poppy.

Com um sorriso triste no rosto, a menina assentiu.

- Então, Elizabeth, - Hermione continuou um pouco incerta. - o Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas realmente lhe deu um mês de detenção? – Perguntou parecendo curiosa.

- Sim. – Resmungou.

- Eu nem sabia que Harry podia ser tão severo. – Sussurrou surpresa. – Bem, ele deve ter seus motivos. - Disse, colocando a mão reconfortante na mão da jovem.

- Obrigada por ter me ouvido Professora. Tenho que ir agora. Está quase na hora.

- Eu vou te acompanhar, não poderei ficar com você, já que tenho um compromisso em Hogsmead. Porém, sei que seu Chefe de Casa estará presente!

(...)

Elizabeth Snape apareceu exatamente ás oito. Ajeitando as vestes, ela entrou na sala do diretor. Dentro da sala, o professor de DCAT e uma auror eram as únicas pessoas presentes.

Ela deu o primeiro passo para a cadeira que lhe foi oferecida a se sentou. O professor Potter lhe explicou o motivo da ausência do diretor e a mulher ao seu lado deu as instruções de como aquela reunião prosseguiria.

- Charlie fez várias tentativas. – Tonks murmurou. – Mas o Sr. Jones não respondeu bem, havia manchas negras por toda a sua mente, então as tentativas de Legilimencia foram em vão.

Liz balançou a cabeça e olhou para o chão.

- Você terá que nos contar cada detalhe daquela noite, Sta. Snape. – A auror solicitou. – Não temos autorização de usar qualquer feitiço em você para obtermos o que precisamos, então teremos que usar o bom e velho relato.

- Srta. Snape, isso pode parar a qualquer momento. Eu só queria que você soubesse disso. Se não se sentir bem avise!

Respirando pesadamente, ela assentiu.

- Obrigada. - Soluçou e colocou os braços em volta de si mesma.

Tonks observava a pequena interação sem ter o que dizer. Ela olhou para Harry, que estava concentrado na menina. E um pequeno sorriso cruzou seu rosto. Por alguns instantes, ela pensou no que Snape pensaria caso presenciasse tal cena.

Ela colocou a pena no papel e esperou. Quando Elizabeth considerou-se pronta, Harry sentou-se na cadeira de madeira e permitiu que a auror começasse seu trabalho.

(...)

Quase uma hora depois, sentindo que a conversa havia terminado, Liz sentiu que poderia relaxar um pouco, embora ainda estive nervosa.

Tonks enrolou o pergaminho cuidadosamente, amarrou com um pedaço de cordão guardou em suas vestes. Nenhum dos dois ocupantes da sala olhou para ela para dizer qualquer coisa.

- Muito bem então! – Disse quebrando o silencio. – Estou satisfeita com o que consegui. Mas lembrando de qualquer outra coisa, você encontrará uma maneira de me dizer.

- Deseja mais alguma coisa? – Harry a questionou.

- Isso é o suficiente! - Ninfadora Tonks disse suavemente, olhando para os outros dois. – Obrigada, Srta. Snape! Sinto muito que isso tenha mexido com você, mas não havia outra forma de fazer isso. - disse Tonks, movendo-se para a mesa.

Liz assentiu, mas seu olhar ainda estava no chão. Harry sentiu o coração dele bater de uma forma agonizante. Para ele, era terrível vê-la sofrer tanto.

- Harry, vou voltar para o Ministério e ver o que posso fazer com essas informações, mas qualquer mudança no estado do Sr. Jones nos comunique!

- Claro. Obrigado, Tonks! Tenha um bom dia. – Disse enquanto caminhava com ela até a porta do escritório do diretor. – Até logo. – Sussurrou enquanto fechava a porta.

Harry se virou e a encarou. Liz se repreendeu por tê-lo deixado notar que ela estava olhando para ele.

- Professor, sinto muito por não ter ajudado muito... - Ela disse suavemente, quebrando o completo silêncio.

- Como assim não ajudou? Você ainda não entendeu, não é?! O caso poderia estar parado até que o Sr. Jones acordasse. - Harry falou gentilmente. – Então, não diga que você não ajudou. Aceita uma xicara de chá? Assim você pode se acalmar!

(...)

- O que você poderia fazer? - Eileen disse, suas mãos levantando em frustração. Ela fechou os olhos e respirou fundo. – Não sei, Severus. Porém, se pudesse faria de tudo para que você se afastasse dessa mulher. Definitivamente, qualquer outra pessoa seria uma companheira melhor do que ela.

A velha bruxa não conseguia entender como um homem tão inteligente poderia ter feito uma escolha tão ruim. Por inúmeras vezes ela havia tentado, porém, sempre que a mulher abria a boca algo dentro dela se despertava ao ponto de querer confrontá-la.

Eileen só queria que seu filho soubesse quem Natasha realmente era.

- Não entendo sua implicância. - Snape disse a ela.

- Não entende? – A mulher retrucou com raiva. – Aquela mulher é... - Ela piscou. – Esqueça, Severus. Você é uma homem adulto, nada que eu diga mudará a sua mente. - Falou mais suavemente. – Não vale a pena tanto estresse.

- Quem é você e o que fez com a Sra. Prince? - Snape perguntou, caminhando decididamente em sua direção, um brilho familiar nos olhos. – Antes que eu me esqueça, Elizabeth virá jantar conosco no seu aniversário.

- Pelo menos uma notícia boa! – Falou ela, beliscando suavemente a linha da mandíbula, - Estou extremamente interessada em descobrir como tem sido em Hogwarts. – A velha senhora soltou um suspiro feliz.

Houve o som de uma coruja batendo na janela e Eileen se adiantou para deixar o animal entrar com cuidado, tirou o pergaminho das patas do bicho.

- Ohhh... Para você!

- Aquele patife. - Disse irritado, ao reconhecer a caligrafia. - insiste em me desafiar. Suas convicções são potencialmente desastrosas! Sua teoria é estapafúrdia.

- O americano? – Gargalhou levemente. - Então por que está tão irritado? – Sua mãe perguntou em seu modo. – Se esse sujeito é tão ruim, por que isso te incomoda tanto? Apenas o ignore.

- Suponho que seja o melhor. – Respondeu com uma voz derrotada.

(...)

Alexander Snape tirou os olhos de seus livros para se encontrar olhando para uma de suas professoras. Seu primeiro pensamento foi que ele deveria procurar um lugar melhor para estudar. A mulher era incrivelmente inconveniente, ele certamente teria que se livrar dela.

- Tanto tempo e você continua sem amigos. Acho que podemos fazer algo sobre isso. – Disse a professora Shalengir empolgada.

- Não preciso de companhia, Sra. Shalengir! - Chamou seu nome e a trouxe de volta à realidade.

- O quê? Todos precisam de companhia rapaz.

Alex olhou para ela fazendo o seu melhor para não revirar os olhos. A mulher era insuportável e parecia encontrá-lo nos piores momentos.

- Ninguém é bom o suficiente para estar com ele, Professora.

- Não? - Shalengir perguntou para menina que estava na mesa ao lado. – Como pode ter tanta certeza, Srta. Jackson? Por que não fica e ajuda seu colega a se enturmar? Você está ajudando?

- Sim ... Sim, eu vou ajudá-lo. – Stefani se manifestou.

- Ótimo! – A professora respondeu e depois seguiu o seu caminho.

Sem nenhuma paciência, Alexander juntou suas coisas e estava prestes a sair quando a a menina que acabara de se meter em seus assuntos decidira voltar a falar:

- Você é tão terrível ou você está com fome? – Perguntou surpreendendo-o.

- Serei suficientemente claro! – Rosnou. – Não preciso de companhia.

- Oh, tudo bem então, bom dia! – Saiu decepcionada.

(...)

- Você não tem que ir... Não tem que sair de Hogwarts. - Liz disse calmamente.

- Sabe que isso não é uma opção, Srta. Snape. - Ele sussurrou. – É o melhor que posso fazer.

- É por causa dela? – Questionou e ele a encarou sem entender.

- Eu não entendo. Do que você está falando? - Harry disse calmamente, ainda parecendo confuso.

– Falo de Ginny Weasley, Harry.

- Como você? Ah, esquece. Não fazia ideia de que ainda falavam sobre isso.

Harry levantou-se e caminhou até a janela e nenhum dos dois falou por vários minutos.