Capítulo 9 - Capítulo 9
Na noite seguinte, enquanto todos jantavam, Neville entrou no Salão Principal rumando em direção a Harry.
- Boa noite, Diretor! - Harry disse enquanto Neville se sentava ao lado dele.
- Boa noite, Harry. Está melhor? - Ele perguntou. – Soube que foi parar na enfermaria na noite passada.
- Oh, sim, mas agora estou bem. – Harry respondeu aliviado. - Obrigado.
- Que bom. – Falou com sinceridade. – Harry, preciso falar com você no meu escritório e o que temos para conversar não pode esperar.
- Bem... – Começou um pouco apreensivo. - Pelo seu semblante deve realmente ser algo sério. Podemos ir agora se for o caso.
- Então, por favor. – Concordou prontamente.
Harry ignorou o olhar questionador de Neville e o seguiu.
O professor de DCAT sabia que aquela atitude do diretor era um pouco suspeita. Mas era difícil obter respostas apenas com aquilo, especialmente quando se tratava de seu amigo.
Então, ele seguiu o homem até a sua sala e assim que eles entraram a conversa começou.
- Harry, posso te perguntar uma coisa? – Questionou e olhou para o outro homem que ainda parecia tentar entender o que estava acontecendo.
- Claro, Diretor. – Respondeu seriamente.
- Qual é o nível de seu relacionamento com Srta. Snape?
Harry caiu na cadeira surpreso e olhou para o amigo assustado.
- O quê? – Questionou assustado.
- Há um rumor por aí, Harry. Só essa semana recebi duas cartas anônimas.
Harry deveria saber que coisas daquele tipo não ficavam as escondidas por muito tempo. Bem, ele não era tolo, porém, algo dentro dele queria pensar que aquilo não viria a tona tão rapidamente.
- Um rumor? Cartas anônimas? – Questionou tentando achar as palavras adequadas.
- Sim, a princípio resolvi lhe dar o benefício da dúvida. Mas já não posso ignorar. Então, quero que seja honesto comigo.
- Não há nada entre mim e a Srta. Elizabeth Snape, Diretor. - Ele murmurou, voltando-se para o outro homem. – Mas tenho que confessar que ela e eu compartilhamos um beijo no três vassouras.
- O quê? Caro Merlin, Harry. - Falou sem rodeios. – Isso não é bom. Isso é péssimo. Como isso foi acontecer? Você ficou maluco? Ela é nossa aluna. Uma menor de idade.
- Mas infelizmente é a realidade, Neville. Dito isto, estou pronto para sofrer as consequências dos meus atos. – Harry deixou bem claro.
- Claro que será responsabilizado. Oh, Harry! Como pôde? – Perguntou enojado.
- Não sabia que ela era uma aluna. – Revelou parecendo aflito. – A conheci em um domingo! Conversamos e acabamos nos aproximando, mas fiquei alarmado quando a vi na segunda-feira aqui em Hogwarts. Foi só naquele momento que soube que ela seria minha aluna.
- O quê? E depois?
- Não tem depois, Diretor. Depois pedi minha demissão.
O outro homem pareceu um pouco mais aliviado e voltou a se sentar.
- Bem, ela ainda não era nossa aluna no domingo. Graças a Deus, Harry. A matricula dela foi efetivada na terça-feira. Sei que não é o ideal, mas é notório que houve uma mal-entendido. – Disse em nítido conflito interno.
- Sim, houve um grande mal-entendido. E me repreendo constantemente por esse erro. – Falou com um olhar assombrado. – E então? Como irá acontecer o meu desligamento?
- Bem, as coisas irão continuar como estão. – Revelou um pouco mais tranquilo. – Você fez o que deveria ter feito diante de tudo isso. Então, até que eu encontre um substituto, você permanece.
- E o Snape? – Harry perguntou de repente. – Acho devo ir até ele e explicar tudo.
- O quê? Não penso assim. Ele nem te escutaria meu amigo.
- Não sei, Neville, não quero pagar para ver.
- Deixa que eu resolvo isso. – Neville se prontificou.
O professor ficou atordoada, mas um pouco mais tranquilo em relação a sua situação em Hogwarts. No entanto, sua maior preocupação era que as mesmas cartas anônimas encontrassem Severus Snape.
(...)
Eram dez horas da noite quando Severus Snape aparatou nos portões de Hogwarts. Deslizando para dentro do Castelo, Severus possuia apenas um objetivo: encontrar Hermione Granger.
Ele estava tão cansado dela sendo tão ... tão Hermione Granger. Pela forma que as coisas haviam se desenrolado há anos atrás, ele sabia que ela não ficaria longe por muito tempo, mas ele estava disposto a lembrá-la que tudo deveria ficar como estava. Estava disposto a lembrá-la que ela era a única responsável por aquela situação.
Eles tinham um acordo. Um acordo que ela deveria honrar. Aquela maldita mulher havia se metido em sua vida uma vez, ele não permitiria que ela se aproximasse novamente.
Quando ele a encontrou, Hermione estava em frente à sua porta. Ele estreitou os olhos para ela e a bruxa se contorceu. Ela não ficou tão surpresa ao vê-lo.
Ele a pegou pelos braços e Hermione soltou um grito, se desvencilhando.
- Não ouse e me tocar novamente, Snape. Eu juro que da próxima vez eu vou te azarar tanto que você se arrependerá de ter nascido!
- O que faz aqui, Granger. – Rosnou. – Tínhamos um acordo. Um maldito acordo que você deveria honrar.
- Não grite! – Ela alertou. - Sabia que viria.
- Não tive outra opção, Granger. Ou tive?
- Por favor, entre. – Ela permitiu. – Sim, como você disse, nós temos um acordo. Mas não quebrei nosso acordo.
Severus passou por ela e parou na sala de estar. Embora não estivesse surpresa por sua visita, ela esperava que ele demorasse um pouco mais para visitá-la.
- Sente-se, veio falar sobre Elizabeth? - Hermione sabia exatamente sobre o que ele queria falar. Ela só queria ver o que Severus tinha para ela naquela noite.
- Ela foi para casa na noite passada, realizamos um jantar de aniversário para sua avó! – Snape disse com firmeza. - Imagine a minha surpresa quando ela falou da sua incrível professora Granger.
O coração de Hermione bateu forte no peito, sentindo como se estivesse prestes a parar.
- Sim, ela é minha aprendiz. Sem dúvidas, Eliza é a melhor aluna da classe. Você fez um ótimo trabalho. – Ela disse e olhos dele escureceram e ele deu um passo em sua direção.
- Quero que você mantenha distância da minha filha, Granger. – Snape estalou e suas palavras sacudiram o corpo de Hermione levemente.
- Ela também é minha filha, Snape. – Se recompôs.
Hermione sabia que ela estava em desvantagem, pois ela havia sido a única a causar aquela situação.
- Sim, biologicamente falando, você está certa. – Snape rosnou. – Mas se depender de mim esse vínculo nunca passará disso.
- Eu quero me aproximar dela. – Sussurrou. – Isso... já não faz mais nenhum sentido. Já fui punida o suficiente.
Snape riu: - Não estou perguntando se você quer estar perto dela. Você escolheu, Granger! Tudo isso é culpa sua.
- Foi um grande erro, Severus! Me arrependi do que fiz. Quero fazer parte da vida dela!
- Isso não vai acontecer! – Avisou.
- Você não pode estar falando sério? Eu me arrependi, por Merlin. Ela se tornou uma menina agradável e doce. Uma jovem linda e encantadora e quero fazer parte disso. Dane-se aqueles papéis sangrentos.
Aquela declaração feita por ela havia mexido mais com os sentimentos do que Severus poderia ter imaginado. Mas ele não poderia permitir que ela arruinasse a melhor coisa que já havia acontecido com ele. Por isso, Ele queria desesperadamente que Hermione se afastasse de sua filha.
- Severus, por favor, deixe que eu faça parte da vida da minha... da nossa filha. Eu quero fazer parte disso, quero estar presente quando ela precisar. - Os olhos dela brilharam em lágrimas. – Eu a amo. Não deveria ter feito aquilo com você, mas eu queria tanto ser mãe.
Ele suspirou pesadamente, ser pai era certamente tudo que ele não desejava há alguns anos atrás. Mas com o tempo, ele havia se acostumado com tudo aquilo e se apaixonado pela filha.
- É uma história fascinante, na verdade. - Snape falou com deboche. – Me comoveria se não tivesse visto o suficiente! Sabe, Granger, você quem começou. Acredito que não precisaríamos estar nisso se não fosse por sua causa. Coloque-se no meu lugar, por favor, se poupe. Nos poupe. – Grunhiu enquanto Hermione chorava eloquentemente. - Se afaste da minha filha. Se você me der licença, existe um lugar que eu preciso estar.
- Não faça isso. Sei que fui uma idiota, insensata e egoísta, Severus. Mas podemos mudar essa situação. Tenho certeza que Alexander adoraria te conhecer. Adoraria saber sobre você, Severus.
- Não se aproxime da minha filha, Granger. – Disse ignorando-a. - Desfaça o convite do aprendizado imediatamente. - Respondeu Snape, olhando para ela. - O acordo era que você ficaria longe de nós! Cumpra a sua palavra.
Hermione fez uma careta e assistiu enquanto ele saia pela porta tão furioso quanto havia entrado. Naquele momento ela teve a certeza de que ele nunca a perdoaria.
(...)
A visita de Severus Snape havia mexido tanto com ela que ela havia decidido que veria Harry. Ainda que ela não dissesse o que havia acontecido, ter alguém para conversar seria suficiente naquele momento.
O escritório de Harry estava fechado, mas ela podia ver velas ligadas do outro lado e aquilo poderia significar qualquer coisa, menos boas notícias.
- Harry? Querido você está ai? – Sussurrou e ouviu seus soluços do lado de dentro. – Alohomora.
Ela entrou e não estranhou nem um pouco ao vê-lo tão desleixado.
- Bebendo a essa hora, Harry? O que houve? Não me diga que é por causa de Ginny!
- Antes fosse. –Grunhiu evidentemente bêbado.
- Então o que pode ser tão ruim que está te deixando tão mal?
- Beijei uma aluna, Hermione. – Resmungou. – Fui um idiota e beijei uma aluna.
- O quê? Não é possível.
- Sou desprezível, Hermione. Sabe a mulher que conheci no três vassouras? – Gaguejou afobado. - Aquela que por uns instantes me peguei pensando? É a filha do Snape.. Filha do Snape. Uma aluna! Eu me apaixonei por uma aluna. Quando a conheci, estava tendo um dia muito ruim. Então, quando me dei conta, estava sentando com ela tendo a melhor conversa de toda a minha vida.
- Harry... você não pode estar falando sério. – Ela praticamente implorou por uma negativa.
- Estou sim, Hermione... e sabe o que é pior? Mesmo agora me pego pensando se poderíamos fugir juntos. – Revelou fazendo a amiga perder a cor.
- Harry James Potter. – Rosnou. – Não pense em fazer algo assim!
- Como não? Seria a minha chance! Só eu e ela em um lugar desconhecido. Snape nunca saberia, Hermione.
- Você não pode, Harry. - Disse suavemente, tentando conter as lágrimas. A bruxa parecia atordoado, completamente desorientada. Harry tentou alcançar suas mãos, mas ela se afastou.
- Ela logo alcançará a maioridade... – Sussurrou suplicante. – Seria minha chance. Você não entende?
- Você não é você, Harry. Você está bêbado.
- Nunca estive tão certo em toda a minha vida. Hermione. Você não percebe?
- Você não pode estar com ela... – Gritou. – Fique longe dela.
- Por que eu faria isso? Hermione, você não entende...
- Você não pode estar com ela por que eu estou dizendo que não pode, Harry! – A mulher terminou de gritar, apesar de ter prometido para si mesma manter a calma.
- Me diga pelo menos o porquê? – Pediu desesperado.
- Ah, Merlin. Precisa mesmo? Estou dizendo que não pode e pronto. O fato dela ser sua aluna não é o suficiente?
- Bem, isso não vai me impedir, Hermione. Estarei no Ministério da Magia... Já não serei o professor dela. Assim como eu não era quando me apaixonei por ela.
- Harry... você não pode... por favor... não me obrigue a te impedir.
- Nada que você me diga vai mudar minha decisão.
- Será? – Questionou. Ela respirou furiosamente pensando em tudo que aquela revelação poderia causa, mas simplesmente não via motivos para não contar. – Nada pode fazer mudar sua opinião? Ela é filha de Severus Snape! Você não deve ter pensado adequadamente.
- Pensei, Hermione. Pensei muito bem e estou disposto a enfrentá-lo se for preciso.
- Harry... Não, por favor não.
- Por quê? Me dê um bom motivo! – Gritou. Ela estava com muita raiva, muito frustrada, muito ... muito furiosa. No fundo de sua mente, sabia que podia piorar ainda mais as coisas e aquele tinha sido um dos motivos de não contar para ninguém. Porém, ela não podia ver aquilo e ficar quieta. O acordo que ela tinha com Snape era de não dizer a Elizabeth e aquilo ela não faria. – Você não tem um bom motivo, não é?
- Porque ela é minha filha, Harry. – Respondeu caindo com a cabeça sobre a mesa.
Harry arregalou os olhos, surpreso. Como era possível aquilo ser verdade? – Pensou ele. O bruxo ofegou, a discussão parou e mais retumbante silêncio prevaleceu. Harry olhava para ela como estivesse lutando uma enorme batalha consigo mesmo.
Por um momento, Harry se recusou acreditar, afinal, ele só se lembrava de tê-la visto grávida há uns bons 18 anos atrás. Foi quando a sua ficha caiu. Alexander tinha uma irmã.
Ele não sabia que o dizer, embora se Harry fosse honesto consigo mesmo, no fundo ele apenas queria que nada daquilo fosse verdade.
- Por que está mentindo para ela? – Perguntou totalmente decepcionado.
- Você não entenderia. - A mulher exclamou fazendo uma careta de desgosto.
Hermione sabia que seu amigo não entenderia, pois nem mesmo ela conseguia entender. Ela se considerava um monstro.
- Você devia dizer a ela, Liz merece isso. – Harry sussurrou frustrado. Revoltado.
- Não posso, Harry. É mais complicado do que isso.
Pela primeira vez em sua vida, Harry ficou decepcionado com a mulher.
- Alexander sabe?
- Ele não sabe, Harry. – Sussurrou em lágrimas.
- Por favor, Hermione... vá embora. Preciso ficar sozinho. – Disse depois de um tempo.
- Tudo bem, mas Harry... eu posso te explicar.
- Não agora... – Impediu.
Lentamente, a bruxa se retirou do escritório deixando o amigo sozinho.
Ao contrário do que ela havia imaginado, dizer aquilo para alguém não havia sido nada tranquilizador. A dor e o arrependimento que ela sentia aumentou ainda mais.
Por um momento, ela imaginou que a dor que veria nos olhos de seus filhos seria ainda maior do que a de Harry se um dia ela pudesse contar a eles.
Hermione se pegou pensando na possibilidade de esmagar as suas almas com aquela revelação. Por alguns segundos, se pegou pensando que não dizer seria o melhor para todos.
Ela podia conviver com o remorso todas as noites. Porém, não sabia que poderia conviver com o desprezo de seus filhos se eles soubessem o que ela havia causado.
Quando entrou em seus aposentos, havia uma coruja esperando no parapeito da janela. Ela enxugou as lágrimas com a barra da blusa e deixou que o animal entrasse. Tentando terminar com aquilo de uma vez, pegou o pergaminho que estava preso em uma de suas patas e viu quando o bicho se virou para ir embora.
Cara Sr. Granger,
É com bastante pesar que informamos que seu filho, Alexander Granger, está sendo expulso da Escola de Magia e Bruxaria de Ilvermorny. Por favor, encontre em anexo todo o copilado da justificativa de tal expulsão e o nome de eventuais escolas para matricula.
Aguardamos sua coruja.
Com os melhores cumprimentos,
Bridget Goolbi
Vice-Diretora
- Alexander Granger, não posso acreditar. – Grunhiu.
