Capítulo 10 - Capítulo 10

Hermione Granger acordou na manhã seguinte decidida a procurar por Severus Snape. Ela havia pensado, pensando e pensado. Porém, por mais que pensasse não conseguia chegar a nenhuma outra solução.

Então, ela bateu na porta olhou para Severus e o notou estremecer.

- O que quer, Granger? – Disse quando ela apareceu em sua casa sem ao menos ser convidada.

- Precisamos acabar com isso, a situação mudou.

- Que situação mudou? Por mim, tudo deve permanecer igual.

Um pouco sem jeito, ela entregou o pergaminho que havia tirado seu sono e o resto de sua paz. Claro que estava com um pouco de vergonha, mas sabia que aquilo tinha que ser feito.

- Por que está me mostrando isso? – Ele perguntou e ela olhou nos olhos escuros dele por um momento, mas não via expressão nele.

- Nenhuma dessas escolas o aceitou, Severus. Hogwarts era minha última opção. Mas você ver, é a única escola capaz de aceitá-lo. Não posso deixar meu filho sem uma escola. Não quando temos uma única opção.

- O que você quer de mim? – Rosnou perdendo a polidez.

- O que eu quero de você? Você não percebe? A partir do momento que Alexander entrar por aquela porta, todos saberão de quem ele é irmão. Todos saberão que ele é seu filho, Severus.

Snape olhou para ela, mas ainda assim ele não mostrou nenhuma expressão em seu rosto.

- Deve haver outra alternativa. - Snape respondeu. – Sempre há.

- O quê? - Ela disse, irritada. – Não posso acreditar nisso. Você não percebe que seria uma boa oportunidade de colocarmos fim nessa agonia? Alexander certamente iria gostar de lhe conhecer.

- Me diga, Granger. O que disse a ele sobre sua concepção? – Perguntou de repente.

Fazia séculos que Hermione não sabia o que era ser surpreendida por alguma pergunta. Ela era ótima em argumentar e, às vezes, achava que faltava alguém que pudesse aguçar esse seu lado. Mas ela não contava com aquela pergunta naquele momento.

- Que queria ser mãe e, então, optei por um doador de esperma. – Sussurrou sem graça.

- Você não mentiu. - Disse Severus, levando-a para porta. - Agora se você me permite, tenho muito o que fazer.

- Por Salazar, Snape. – Implorou. - Preciso de sua ajuda. - Ela sussurrou enquanto se deixava cair na cadeira. – Alexander foi expulso. Bem, ele foi expulso mais uma vez. E não sei o que fazer! Já não existe nenhuma escola que possa aceitá-lo. Você precisa enxergar o meu lado. Ele não pode não estudar.

- Essa responsabilidade não é minha, Granger. - Ele disse quando cruzou os braços sobre o peito.

- O quê? Você não pode estar falando sério. - Ela disse. – Ele também é seu filho.

- Geneticamente falando, sim! Ele é "meu filho". – Snape repreendeu e Hermione abriu a boca para refutar sua declaração, mas foi impedida por ele. – Ele é meu filho porque você forçou toda essa situação mulher. Por causa de uma maldita dívida de vida. – Ele gritou e se inclinou para olhar para ela como se fosse atacá-la. - Se o problema é escola, minha filha sairá de Hogwarts. Assim, seu filho poderá entrar.

- Você é um cretino, Snape. Não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei que você poderia compreender o que estava acontecendo.

- E você foi egoísta, Granger. Saia da minha casa. Que fique claro, só tenho uma filha e quero que você fique longe dela. – Grunhiu e os lábios de Hermione se torceram. – Não tenho nenhuma responsabilidade com o seu precioso filho. Não tenho culpa se você não soube dar a devida educação a ele.

Em resposta, a mulher de cabelos encaracolados pulou para cima dele lhe dando um tapa no rosto que ecoou por toda a sala.

- Não fale assim do meu filho. - Hermione rosnou e deu um empurrão no braço de Severus.

- Como você ousa. – Rosnou.

Eileen abriu a porta e lançou aos dois um olhar de puro choque e desapontamento. Fazia alguns minutos que ela estava escutando a conversa dos dois, a presença da mulher não era algo que ela esperava em um dia como aquele.

Então, ouvir a conversar dos dois era a melhor maneira para saber o que estava acontecendo. Seu maior medo era que algo tivesse ocorrido com sua neta, porém, aquela revelação não era algo que ela estava esperando.

- Então, eu tenho outro neto? – Sussurrou. - Quando você iria me contar, Severus? No meu leito de morte? – Questionou insatisfeita.

- Satisfeita, Granger? – Snape a desafiou. – Você só tem uma neta.

Hermione, tentando desacelerar a respiração, olhou para o outro lado.

- Pelo amor de Salazar, Severus. - Eileen disse, seu tom perdendo seu polimento. – Não esperava ouvir algo tão grotesco de você. Não importa quais eram as circunstâncias que envolveram a concepção dele, afinal, Elizabeth foi gerada nesta mesma circunstância, então ela não é mais Snape do que ele. Ouvi o que você disse e sinto vergonha. Eu realmente espero que no fundo seja apenas sua birra falando.

- Preciso ir... – A outra mulher se manifestou. - Vou deixá-los, foi uma péssima ideia ter aparecido sem avisar. – Hermione sussurrou arrependida. – Desculpe pelo tapa Snape.

- Você não vai a lugar nenhum, Sra. Granger. – Eileen rosnou. – E ele mereceu o tapa. – Afirmou convicta. -Você disse que precisava de ajuda, pois bem! Ele vai ajudar... Nós vamos ajudar.

- Mãe... – Snape interrompeu. – Você não tem esse direito. Granger e eu temos um contrato! Ela teria UM filho meu e nunca mais me exigiria qualquer coisa. Essa criança nunca saberia da minha participação em sua concepção. Não é isso, Granger? Não foi esse os seus termos?

- Sinto muito! – Hermione sussurrou e se afastou imediatamente. – Na época não percebi que estava sendo tão egoísta e insensível.

- Você não estaria se desculpando assim se seu contrato tivesse previsto que você teria gêmeos, Granger. – Snape a acusou. – Sim, porque você não imaginou que seu contrato deixava brechas.

- E você não pensou duas vezes ao alegar isso, não é? – Hermione disse e Severus bufou. – Sim, porque não pestanejou ao exigir a segunda criança.

- O contrato dizia que você teria UM filho meu. E você teve. Então, respeite os malditos papéis. – Exigiu.

- Certo, Severus. – Sussurrou e sentiu seu coração quebrar. - Nós temos um contrato, um contrato bruxo que eu mesma elaborei. Não tenho o direito de estar aqui te exigindo isso. – Engasgou em lágrimas.

- Chega você dois. – A mulher mais velha exigiu. - Não importa que vocês tenham um contrato. – Eileen gritou de volta. – Isso não me importa. Não estamos falando de objetos! Estamos falando de seres humanos. Vocês dois estão sendo egoístas! Não importa que errou primeiro, vocês precisam consertar essa tolice. - Bufou e olhou para o relógio. – Agora sente-se e me conte o que aconteceu, Senhora Granger.

Severus teve uma súbita vontade de se esconder atrás da cortina, ouvir sua mãe falar daquele jeito o fez sentir uns trinta anos mais novo.

Hermione sentiu um impulso momentâneo de sair correndo dali. Estava envergonhada por ouvir tudo aquilo da outra mulher, porém sabia que não deveria. Ela tinha que aproveitar a chance que o destino estava lhe dando. Então faria aquilo por seus filhos.

- Bem, Alexander sempre foi um bom menino! Mas no último ano ele se transformou em outra pessoa. – Confessou angustiada. - Pode ser apenas uma fase, mas a questão é que ele acaba de ser expulso mais uma vez e já não sei o que fazer com ele.

- E o que você quer que eu faça? – Snape perguntou.

- Eu vim até aqui para lhe dizer isso e esperava que você pudesse me ajudar a achar uma solução. - Disse ela com cuidado. – Mas já entendi que isso não será possível.

O olhar de Snape se aguçou.

- Ele não pode estudar em Hogwarts? – Eileen perguntou.

- De acordo com o seu filho, não pode, Sra. Prince. – Hermione respondeu.

- Exatamente! – Snape concordou.

- Mas não vejo existe outra escola. – Revelou a professora.

- Você não pode fazer isso, Granger. – Severus voltou a falar. - Isso poderia expor Elizabeth.

- A questão, meu querido, - Sua mãe começou. - é que ela já está exposta! – Concluiu revoltada com as palavras dele. – Além disso, o seu filho precisa estudar! O menino precisa terminar o ano. Posso conversar com o Diretor se for o caso.

- Oh, não, Sra. Prince. – Hermione interrompeu. - Não por isso! Se for o caso, eu mesma poderia fazer isso. Mas... não é uma boa ideia. Não tenho esse direito. – Sussurrou olhando para Snape.

- Ah, minha querida! O que não foi uma boa ideia é ter reivindicado uma dívida de vida para poder ter um filho! – Esbravejou. - Mas já que isso foi feito, o jeito é aceitar as consequências. Eles não têm culpa de nada.

- Me sinto envergonhada. – Sussurrou Hermione com a cabeça baixa.

- Não sinta, foi graças a sua tolice que pude ter a oportunidade de ser avó. Por falar nisso, quero conhecê-lo. – Avisou. - Tenho esse direito! Vou deixá-los conversar, resolvam isso. Se não resolverem, resolvo eu. Agora preciso de um ar.

Eles assistiram a mulher andar em direção a porta e Snape deu um leve suspiro quando ela bateu a porta.

- Isso não vai acontecer, Granger. – Snape rosnou baixinho. – Te encontro a noite em Hogwarts. Vou te ajudar a encontrar uma solução, mas eles não podem estudar no mesmo lugar. – Voltou a repetir.

Percebendo que não resolveria nada, ela assentiu e se levantou.

- É uma pena que você não possa me perdoar. – Sussurrou. – Mas te entendo Severus, se você tivesse feito o que eu fiz com você, talvez eu também não te perdoasse. – Revelou antes de bater a porta e sair.

(...)

- Desculpe, Harry. - Hermione soluçou. – Mas não é um bom momento. – Repetiu pela terceira vez. – Não pode me procurar mais tarde?

Hermione sabia que tinha que esclarecer as coisas com o amigo, mas naquele momento ela não tinha cabeça para aquilo.

- Não me diga. – Debochou, mas sabia para ela não estava sendo fácil. - Por que está chorando?

- Você tinha razão sobre contar a Elizabeth. – Falou enfim. - Mas eu não posso, Harry. Não posso.

- Hermione você se arrepende de tê-la deixado com o pai? - Sua voz mudou com a última pergunta para quase um sussurro.

- Não é como se eu quisesse isso. Eu a queria, eu juro que a queria. - Hermione suspirou olhando para o amigo. – Mas... Não pude evitar.

- Sou todo ouvidos. Me conte o que houve, Hermione. Me prove que você não é tão egoísta como estou pensando.

- Oh, Harry. Sempre evitei falar sobre isso porque existe um contrato entre mim e Severus.

- Que contrato? Não faz nenhum sentido! O Relacionamento de vocês foi um segredo?

- Não, Harry. Bem... Queria um filho! Achei que estava na idade certa para isso, porém, não tinha alguém na minha vida que pudesse me ajudar se é que você me entende. Mas, enfim, a questão é que Snape tinha uma dívida de vida comigo e imaginei que essa era uma boa forma de acabar com isso. Então, lhe pedi um filho, mas que ele não teria contato nenhum. Merlin, fui terrível não fui? O forcei a algo que ele não queria.

- Então, vocês foram para a França fazer todo o procedimento porque nossa lei não permitia. Por isso, resolveu ter Alexander na França. – Repreendeu ele.

- Exatamente. Formalizamos isso em um contrato para deixar bem claro que não o procuraria para que ele fizesse parte disso e que o filho que ele me desse não teria nenhum contato com ele. O que eu não esperava que eu precisasse dele logo depois. A minha gravidez foi de risco e precisei de sua ajuda como o bom mestre de poções que ele é.

- E ai? – Tentou extrair um pouco mais dela.

- Nos aproximamos e, bem,.. em algum momento o bebê nasceu, mas não era apenas um bebê como estava no contrato. – Sua voz estremeceu.

- Então...

- O contrato deixava bem claro que só queria um filho dele e nunca mais reivindicaria qualquer coisa dele. É ele sendo o bom sonserino que é... Você pode imaginar o resto.

- Mas porque não voltaram atrás? Você sabe, um contrato deixou as coisas ainda piores ao meu ver. Porém, tudo tem remédio. – Tentou ele.

- Você não entende, não é? Como eu poderia fazer isso quando praticamente o obriguei a me dar o que eu queria? Fui egoísta e não pensei no que isso poderia estar sendo para ele. Entendo o motivo de sua raiva por mim. Hoje percebo o meu erro, Harry. Pena que é tarde demais para isso.

- Bem, agora eu sei de onde Alex puxou esse gênio difícil dele. – Harry disse balançando a cabeça.

Hermione o empurrou levemente. - Não seja ridículo, Harry. Meu filho era absolutamente perfeito. E se tornou esse jovem problemático apenas recentemente. E justamente no seu último ano, não sei o que fazer.

Os lábios de Harry apareceram em um sorriso irônico.

- Você trabalha em uma escola, Hermione. Não deve ser tão difícil convencer Neville de conseguir uma vaga para o Alex.

Hermione bufou e recostou-se na cadeira, - Você que não posso.

- Eu sei. Mas talvez seja a hora de você de contar com a Sra. Prince.

- Você sabe que eu não posso! Ainda que ela seja a mãe dele... O contrato e entre mim e ele.

Eles ficaram em silêncio e entrelaçaram os dedos.

- As coisas irão se resolver, Hermione. – Harry falou depois de um tempo, sua voz baixa e levemente áspera. – Você e Snape precisam chegar em um acordo razoável. Existe duas vidas entre esse problema de vocês.

Hermione engoliu em seco por um nó na garganta e assentiu. – Acho que preciso encontrar meu filho.

- Quer que eu vá com você?

- Não precisa, Harry. Mas muito obrigada. – Falou agradecida. – Estamos bem?

- Ficaremos bem. Hermione. – Sorriu levemente.

(...)

Hermione torceu o nariz e contou até dez.

- Expulso? Você foi expulso? - Hermione riu esteticamente e balançou a cabeça, - Sério, Alexander? Expulso por ter arrumado confusão em um pub?

A bruxa sentou-se na tentativa de se acalmar e olhou para ele com um olhar de decepção que ele nunca havia recebido.

- Você conseguiu! – Hermione começou. – Nunca achei que pudesse me decepcionar tanto, Alex. – Lamentou e esfregou a têmpora. - Depois de tudo que conversamos, não posso acreditar. Não vai dizer nada em sua defesa?

- Adiantaria?

- Realmente? Não adiantaria, porém, algo dentro de mim ainda tinha alguma esperança de tudo isso ser um mal-entendido. Você ficará em Hogsmead para ... para que eu possa resolver as coisas seja lá onde conseguirmos uma vaga para você. Reúna todas as suas coisas, temos que ir.

Ela se afastou e encontrou os olhos dele.

- Foi a segunda vez que me senti tão decepcionada em toda minha vida, verdadeiramente decepcionada. Como se eu não pudesse respirar novamente.

Alex engoliu em seco, mas não impediu que a perguntasse: - Qual foi a primeira vez?

- Isso não vem ao caso. – Sussurrou bruscamente e virou-se para porta. – Apenas arrume suas coisas.