Capítulo 2 - Capítulo 2

UM MÊS DEPOIS.

- Snape ... não os olhe assim. Daqui a pouco seu olhar irá perfurar a Potter Mãe. – Disse Draco em seu tom mais brincalhão.

- Será novamente Granger em pouco tempo. – Disse Hermione se lembrado que provavelmente assinaria os papéis do divórcio em breve. – E não estava olhando para eles, Draco.

- Não é o que parecia. – Draco Malfoy a censurou. - Eu não te entendo, Hermione. Eu sei que você ama o padrinho, então por que a separação?

- Os motivos que levaram ele aceitar, bem você sabe. – Ela sussurrou. – Nós dois sabemos que agora que Voldemort já não está entre nós, essa lei está prestes a ser revogada.

- Na verdade.. – Quando Malfoy ia completar sua fala, foi interrompido por um recado da diretora.

- Ah sim, - Minerva disse, limpando a garganta. - eu quase me esqueci de passar um importante aviso. Para iniciar nosso ano, nós teremos um novo professor de Quadribol, um ex-aluno de Durmstrang. Acredito que ele fará uma adição excepcional à equipe. Quero que deem boas-vindas ao Professor Victor Krum!

- Merlin, me mate agora. – Hermione sussurrou sentindo-se derrotada.

Com exceção dos Snapes, todos olhavam para o ex-jogador de quadribol com grande alegria. Hermione só queria fingir que nada daquilo estava acontecendo e enfiar sua cabeça no primeiro buraco que visse.

- Com licença, posso me sentar? – James Potter perguntou.

Hermione mal conseguia o encarar, Harry se parecia tanto com seu pai. Isso a deixava nervosa.

- Claro. – Respondeu Draco Malfoy.

- Não estou atrapalhando, estou? – Perguntou James Potter.

- Claro que não. – A bruxa o informou. – Sei que ano letivo mal começou, mas estávamos apenas falando do quanto queremos que as férias de natal cheguem. – Disfarçou Hermione e Draco sorriu por sua mentira descarada.

- Senhorita Granger, há quanto tempo dar aulas em Hogwarts? – O pai de Harry perguntou.

A sala da equipe parecia muito mais maçante do que o normal.

- Desde que me formei, Senhor Potter. Um pouco mais de três anos para ser mais exata.

- Então, – Começou James ao vê-la olhando para o atual marido. - ainda tento entender como conseguiu suportar essa lei de casamento por tantos anos. O Snape não é uma pessoa muito cordial para se tolerar no dia a dia. Infelizmente, não posso disfarçar minha curiosidade, quem lhe obrigou a chegar nesse extremo?

Ela teve que respirar fundo, Hermione não podia ser indelicada com o pai de seu melhor amigo. Então, ela foi obrigada a controlar seus nervos. Por mais que sua maior vontade era lhe dizer umas poucas e boas ao homem, ela apenas sorriu.

- Na verdade, Senhor Potter, fui a única a ir até Dumbledore, lhe pedir para que conversasse com Severus sobre essa possibilidade. Eu diria que, ao contrário de muitas outras nascidas trouxas, eu tive muita sorte. Se alguém deveria ter ficado ressentido nessa história, esse alguém seria ele. Ao contrário do que você pode pensar, Severus é um ótimo homem. Agora se me der licença, tenho aulas para dar.

Ela deu uma última olhada para seu futuro ex-marido e se foi. Ainda onde estava sentado, Draco teve que se segurar para não rir.

(...)

No final da noite, uma reunião convocada por Minerva de última hora deixou Hermione um pouco preocupada. Ela não sabia do que se tratava, mas a diretora parecia nada bem. Para ser bem sincera, Hermione achou que Minerva estava mais do que revoltada.

O que quer que fosse, logo ela saberia.

Tentando dissipar um pouco de sua preocupação, discretamente, a bruxa olhou para Severus que estava em um canto afastado da sala e começou a observá-lo. Com tristeza, não pôde deixar de pensar no quão cansado ele parecia. O homem parecia não dormir há uma semana.

Tirando-a de seus devaneios, dois funcionários do Ministério entraram na sala, dirigiram-se para onde Harry Potter estava e se sentaram no centro de tudo. Foi em uma total infelicidade que olhavam para todos e declararam que era com muita tristeza e pesar que que a lei de casamento não seria revogada.

Aparentemente, o grande número de pessoas mortas na guerra colocava em risco o mundo mágico. Por isso, a única salvação para o futuro do mundo bruxo era que a lei permanecesse.

Todos da equipe estavam abismados e revoltados com a revelação. Todos, exceto uma pessoa. O coração de Hermione estava descompassado. Ela não podia acreditar que ainda haveria uma chance para ela.

Ela sabia que era egoísta de pensar daquela forma, porém, seu amor por Severus não ajudava em nada. No final, ela ainda teria uma chance de quem sabe poder conquistá-lo.

- Me diga o que têm de errado, Minerva. - Kingsley Shacklebolt - É melhor perguntar o que não está errado. Isso certamente faria disso tudo mais curto.

- Não brinque comigo, Senhor! - Ela retrucou, silenciosamente se perguntando onde eles haviam errado para estar ouvindo sobre aquela atrocidade. – Isso é alguma espécie de brincadeira sem sentido? Onde vocês estão com a cabeça? Não me diga que vocês enlouqueceram..

- Não diga isso, minha senhora. – O homem a interrompeu. - Eu não sou criança. Estou apenas passando as ordens de meus superiores.

- Por quê? Eu sou a única pessoa nessa sala que ver o quão ridículo é isso tudo? Voldemort se foi! Essa lei deve cair assim como ele caiu. Essas pessoas não podem ser forçadas a continuar infelizes. – Falou com um brusco gesto de sua mão. – O Ministro da Magia enlouqueceu de vez?

- Minerva, - Snape começou não gostando do rumo que aquela conversa estava tomando. – O Ministro é um homem velho. Ele está um pouco perdido.

- Você pode tentar persuadi-lo, Diretora. – Lily sussurrou olhando para Harry que parecia concordar com ela. – Nada está perdido.

- Isso não ficará assim! – A diretora rosnou. – Quero uma reunião com o Ministro o quanto antes!

Minerva McGonagall não concordava com as escolhas de seu Ministro. Ela era uma Grifinória, afinal de contas, e a coragem que corria por suas veias não era facilmente ignorável. Por isso, nas primeiras horas da manhã ela estaria no Ministério da Magia.

Depois de debates acalorados, a reunião acabou e todos pareciam com muita pressa. Hermione esperou que eles saíssem para sair em seguida.

- Esperava bem mais de você, Hermione. – Minerva rosnou, assustando-a.

- Você está brava comigo? - Sua voz era suave, mas áspera. – Não sou a culpada pelo que está acontecendo, Minerva.

- Sim, eu estou. – Minerva respondeu, sua voz era igualmente rouca, e as palavras queimavam quando passavam por seus lábios. – De fato, não é a culpada, mas você se calou diante daquela loucura! Merlin, Hermione, achei que você defenderia nossa causa. Deixar que essa lei permaneça é loucura. Estou decepcionada.

- Minerva.. – Tentou se explicar.

- Adeus, Hermione, estou cansada demais para um diálogo que não me ajudará em nada. – A interrompeu bruscamente.

- Não ligue para ela, Granger. – Draco sussurrou.

- Estou meio que me acostumando. - Ela soltou a fala com mais calma do que se sentia. – Só essa semana é a segunda vez que ela me repreende. – Lágrimas silenciosas passaram por seu rosto e ela tentou escondê-la. Minerva havia jogado um balde de água fria em sua felicidade.

Draco não soube o que fazer, então, ele apenas tirou o lenço de seu bolso e deu a ela. Então ele simplesmente esperou até que ela pudesse dizer alguma coisa.

- Se você não se importasse eu gostaria que isso ficasse entre nós. – Exigiu.

O homem riu e acenou para ela.

- Obrigada. - Ela disse sarcasticamente lembrando um pouco o jeito de Snape. – Ficarei com isso e vou lhe devolver em melhores condições.

(...)

Quando Draco adentrou seu escritório ele encontrou Luna, sua esposa, sentada em sua mesa com alguns pergaminhos em sua mão.

- Demorou. – Ela sussurrou.

- Sim, a Sra. Snape precisou de minha ajuda.

- Claro que precisou. – Sussurrou com um pequeno aperto em seu coração

- Não sei sobre o que está tentando implicar, Luna.

- Não estou tentando implicar nada, eu sei o que você pensa sobre ela, porém, pelo que parece vamos continuar presos neste casamento, Draco. Sinto muito por tudo isso. Mas pelo menos Hermione estará com o homem que ela ama.

- Como você sabe que ela o ama? – Questionou surpreso.

Ela sorriu com um pouco de tristeza, mas parecia certa do que estava implicando.

- Ela é minha amiga. Então, para mim, é bem óbvio. Sem contar que eles estão sempre se insultando! Mas de uma forma não ruim, se é que isso faz algum sentido. Eu trabalho com ele constantemente, Snape está sempre reclamando de suas manias insuportáveis, mas sente falta dela nos momentos que ela não está. Ela parece estar sempre procurando por ele quando chega em algum lugar.

- Devo concordar com você.

- Mas pense bem... – Luna continuou. – Como poderia ser diferente? Eles estão no mesmo nível de brilhantismo, mas possuem gostos diferentes. Então, existe um ponto de equilíbrio incrível.

- Você não poderia ter mais razão. – Malfoy resmungou.

Luna olhou para ele um pouco desconcertada.

- Draco... Desculpe por estar dizendo essas coisas. Sei que você a ama e não deve ser fácil.

- Continuo sem saber o que você quer dizer. – Ele insistiu.

- Ah, por favor! Não comigo.

- Apenas gosto da companhia dela.

- Draco, sabemos que não é só isso. – Disse tentando fazê-lo entender seu ponto.

- Ok, ela muitas vezes me incomoda com sua atitude de saber-tudo, eu admito. No entanto, também admitirei que ela é inteligente e extremamente engenhosa. Ela conhece os livros de cor e salteado, mas também pode fazer uso prático das palavras que ela lê.

- E? – Luna o incentivou a continuar.

- Ela consegue me espantar com toda sua nobreza e toda sua lealdade a seus amigos, e, é inteligente o bastante ao ponto de não levar desaforo para casa. – Ele sussurrou parecendo esquecer de onde estava e com quem estava.

- Conclusão, você a ama. – Luna sorriu zombeteira.

- Gosto da companhia dela. – Draco rosnou. - Eu reconheço suas virtudes. – Resmungou baixinho.

- Não quero que me julgue mal... – Luna tentou novamente. – Mas, Draco, se isso não é amor, não sei o que é.

Depois de um longo silencio, a jovem bruxa voltou a falar:

- Pare de negar seu amor por ela. Eu sei que será difícil agora que essa lei vai continuar, mas se um dia isso acabar, lute por ela, Draco! Lute pelo que você realmente acredita.

- Essa lei não será revogada, Luna. Além disso, mesmo que fosse, o coração de Hermione já ama outra pessoa. Por favor, não volte a falar mais disso, nós somos casados. Não fica bem. – O Bruxo a alertou, saindo do escritório. - Boa noite.

Sua esposa observou enquanto ele se retirava pensando na ironia que tudo aquilo havia se tornado.

- Não deveria dizer essas coisas a ele. – Resmungou a mulher pendurada na parede.

- Por Salazar, Elizabeth! – Gritou assustada. – você quase me matou do coração! Isso não se faz. Estava um pouco distraída.

Elizabeth Burke era uma bruxa que teve seu retrato pendurado no escritório de Draco. Suas características eram bastante comuns. Seu vestido escuro, seu colar de pérola e chapéu muito pontudo não a diferenciava dos demais habitantes do castelo.

Luna sabia que Elizabeth era uma bruxa de sangue puro que havia se classificado como aluna da sonserina, mas apesar disso, para Sra. Malfoy, a mulher sempre fora bastante agradável.

- Por mais que você mereça por aquele papelão, não foi minha intenção assustá-la, Lovegood. Deveria dizer a esse tonto como você realmente se sente sobre ele antes que seja tarde demais, antes que você o perca para sempre. Se não o fizer, você passará o resto de sua vida sem nada além de arrependimento e miséria. Eu posso garantir você estará infeliz nos braços de outro. – Burke a alertou com seu jeito presunçoso. – Isso servi para a Sra. Snape também. Não sei o que vocês duas estão pensando.

- Infelizmente, não posso fazer nada sobre isso. – Lamentou. - Draco ama outra mulher. Acho que sempre houve essa coisa por Hermione!

- A Sra. Snape o ver apenas como amigo, minha querida. Nunca passará disso. E, bem... sobre a Sra. Snape, talvez ela consiga dizer ao marido o que sente.

- É melhor que eu não me iluda. – Concluiu por fim. - Boa noite, madame Burke. Se me der licença, preciso dormir.