Parte 1: Ajudem Mihoshi
"Mihoshi, na escuta?" Kiyone chamou pela parceira no comunicador. Do momento que entraram na nave dos contrabandistas, mantinham comunicação extrema, mas já fazia um tempo que Mhoshi não respondia. "Mihoshi, por favor? Me responda por favor." Kiyone deu um suspiro de aborrecimento.
"No mínimo ela esqueceu de ligar o comunicador de novo. Às vezes penso que deveria..." Mas o pensamento da policial foi interrompido quando notou ter pisado em algo.
Olhando pra baixo, viu com grande preocupação que era o comunicador de Mihoshi, todo em pedaços como que pisoteado, e um pouco mais à frente num canto, a arma da parceira. Isso deixou-a um tanto angustiada e se aquilo era sinal de que a parceira estava em perigo, tinha que achá-la e bem depressa.
Um pouco mais adiante, viu uma sala meio iluminada onde se ouvia vozes e risos um tanto macabros, como se alguém estivesse sendo torturado. Ao entrar na sala, o que viu a horrorizou: eram 3 dos contrabandistas segurando uma mulher amordaçada e violentando-a. Dois a seguravam pelos braços e o terceiro, provavelmente o chefe, fazia o trabalho e para o horror de Kiyone, viu que a mulher sendo estuprada era...Mihoshi.
Tal visão fez o sangue da garota de cabelo verde ferver. "COMO SE ATREVEM?"
O grito acabou por chamar a atenção dos agressores, que nem tiveram tempo pra nada quando Kiyone descarregou sua arma neles.
Os que seguravam Mihoshi tombaram na hora, mas o chefe conseguiu se esquivar na última hora, deixando a garota loira cair como uma boneca. Kiyone saiu atrás dele e o seguiu até uma espécie de sala de controle. Lá, ele pareceu tentar ligar algum tipo de segurança, porém a policial surgiu e descarregou vários tiros nele, derrubando-o. Contudo, ainda meio apoiado ao painel, acionou um botão que fez soar um tipo de alarme.
"Terminou, Qatak. Vai pagar pelo que fez a Mihoshi. Estou falando de prisão perpétua, seu monstro."
"Eu acho que não, policial." Qatak respondeu com um sorriso zombeteiro enquanto segurava o ferimento. "Porque acionei a auto destruição da nave. Em poucos minutos tudo isso vai...BUUM." Kiyone não acreditava no que ouvira. "Você o quê?" "Exatamente. Prefiro morrer à ser preso, e se valoriza aquela sua amiga vadiazinha, melhor que saia daqui. Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah."
Vendo que o bandido dizia a verdade, Kiyone não teve escolha. Correu até a sala e pegou Mihoshi, que por milagre ainda estava viva. Seguindo com toda a força que suas pernas aguentavam, correu com a parceira em suas costas ate o Yagami.
Foi uma corrida contra o tempo e faltando poucos segundos para a explosão, a garota de cabelo esverdeado alcançou a nava da PG e ativou os motores, fugindo e se distanciando da nave contrabandista, que evaporou numa bola do fogo no espaço.
"Bem, outra tentativa de obter uma promoção já era," Ela pensou bem aborrecida, desviando o olhar para Mihoshi. "mas ao menos Mihoshi está segura. Que bom que não estava consciente do que lhe fizeram, pois não sei se ela aguentaria." Aliviada por tal pensamento, Kiyone tratou de rumar de volta à Terra.
"Tenchi, meu amor. Seja bem vindo ao lar." Disse Ryoko ao receber Tenchi em seus braços de volta da escola. "Já que voltou, o que acha de nós darmos uma voltinha pelo campo e aí..."
"Vai se afastando dele, Ryoko." Falou Ayeka em tom autoritário. "Sabe que lorde Tenchi não é para o seu bico. Apenas uma verdadeira princesa é a companheira ideal para ele."
"Oh, que bom, e onde está essa 'verdadeira princesa' hein, queridinha?" Ryoko respondeu em seu costumeiro tom sarcástico. Ayeka nunca escondia dela o seu estado de raiva. Tenchi procurou amparar as coisas.
"Garotas, por favor. Ontem mesmo limpei todo o quintal. Não quero buracos no jardim."
Nesse momento, a Yagami chegou e pousou com toda força. Tenchi e as garotas foram até lá pra receber suas amigas, mas o que viram foi Kiyone em choque, segurando Mihoshi ainda desmaiada.
"Nossa, Kiyone. O que houve com você e Mihoshi?" "Eu estou bem, mas Mihoshi está muito mal, Ayeka. Temos que levá-la pra Washu imediatamente."
"Tenha calma. Ryoko, leve ela rápido." E obedecendo a Tenchi, a ex-pirata espacial segurou a amiga desacordada e desmaterializou-se pra dentro da casa.
Na cozinha, Tenchi deu a Kiyone um copo de água com açúcar para acalmá-la, enquanto contava tudo que aconteceu.
"...e ergui Mihoshi e saí antes da nave explodir. Vim a toda pra cá porque não seria bom levá-la até o QG e comunicar que ela foi...que ela foi..." Kiyone mal conseguia conter o choro. Sasami lhe deu um lenço. "Obrigada, Sasami."
"Procure se acalmar, querida. Sei que tudo vai dar certo. Washu a está tratando agora." Falou Nobuyuki, lhe pondo a mão no ombro em apoio." "Realmente espero que sim. Sei o quanto Mihoshi faz da minha vida um caos, mas se algo acontecesse com ela..." Uma pausa para refletir. "Ela é minha amiga mais querida. Sempre soube trazer alegria a minha vida, ainda mais com seu espírito tão positivo. Acho que no fundo...não saberia viver sem ela." Kiyone estava a ponto de chorar de novo, mas Katsuhiro a amparou.
"Minha filha. É nessa hora que precisa ter fé. Tem que acreditar que tudo ficará bem. Precisa ser positiva. Se gosta tanto de Mihoshi, faça isso por ela." Kiyone ainda tinha os olhos úmidos, mas viu o avô de Tenchi com esperança.
"O senhor tem razão. Vou ser otimista. Obrigada."
Nessa hora, Washu surgiu de sua porta espacial na presença de todos. Kiyone foi a primeira a perguntar.
"Como ela está? Ferida? É muito grave?" A cientista ruiva fez sinal para se acalmar. "Fique tranquila. Ela não sofreu nenhum ferimento grave. Está se recuperando e consciente, e felizmente não lembra de nada."
"Em geral, não acho que seja novidade vindo dela, mas nesse caso até que foi bom." Respondeu Ryoko. Kiyone ignorou-a e se dirigiu a Washu.
"Eu posso vê-la?" A pequena cientista conduziu-a pela porta espacial até o laboratório.
Chegando lá, Mihoshi estava numa cama já acordada. Kiyone e Washu tinham acabado de chegar. A loira bronzeada sorriu e acenou. "Olá, Kiyone, Washu. Tudo bem?"
A policial, sentindo-se aliviada por sua amiga estar acordada e bem, correu até a cama e abraçou-a. "Mihoshi. Que bom que está bem. Não está com dores?"
"Oh, não, Kiyone. Apenas com um pouco de fome." Para Kiyone, ouvir tais palavras era um sinal de alegria, vendo que sua querida parceira não mudava seu jeito de ser, e não queria que fosse diferente.
Washu, observando à distância, checava as leituras em seus painéis, mostrando uma certa preocupação. "Hmmm. Se estas leituras da situação biológica estiverem corretas...creio que virá mais coisa à frente, e Deus queira que dê certo à vocês." Ela pensou com seus botões.
Continua...
