Entre dois pulmões
Petunia não havia pensado muito antes de beijar Sirius. Esperava, e por algumas horas creditou, que havia conseguido contornar toda a tensão entre os dois, mas a verdade é que a presença dele ali havia balançado suas estruturas. Petunia sentia que o órgão pulsante entre seus pulmões, adormecido há tantos anos, saltaria para fora de seu corpo, e só encontrou paz quando colou seus lábios nos dele.
Tão rápido quanto Petunia o beijou, Sirius retribuiu, agarrando-a pela nuca com uma de suas mãos, enquanto a outra enlaçava a cintura da loira, a fim de ter a confirmação física de que ela estava ali. Quinze anos desde a última vez que a beijou, e como sentiu falta! Os lábios dela eram macios, estavam úmidos das lágrimas e com gosto de vinho. No momento em que sua língua adentrou a boca dela, ele sentiu toda a enxurrada de sentimentos que sentia quando os dois eram mais jovens assolar seu corpo inteiro. Parecia que havia voltado no tempo, tudo estava congelado, só havia ele e ela no mundo naquele beijo. Sirius a segurava firmemente contra si, querendo sentir o corpo dela contra o seu, querendo mantê-la perto e jamais deixá-la sair do seu abraço e da sua vida novamente.
Petunia se entregava ao beijo como se a sua própria vida dependesse dele, estava carregando aquele sentimento há muito tempo e não conseguia negar que Sirius adentrar novamente sua vida havia virado tudo de cabeça para baixo. Durante os meses que se seguiram após a janta dos dois com Harry, Petunia foi atormentada pela constatação de que nunca havia, de fato, esquecido o maroto. Ela tentou, a todo custo, convencer a si mesma de que amava a imagem que havia guardado dele todos esses anos, mas vê-lo depois de tanto tempo lhe mostrou que o amaria em todas as versões que ele apresentasse a ela. Sirius estava quebrado, mas ela também estava. E ela amava cada fragmento dele. Ela passou os últimos meses com todos os sentimentos à flor da pele, sentindo o coração palpitar, as mãos suarem e a respiração falhar.
Mas agora, entregue ao beijo dele, com as mãos dele a segurando firmemente contra seu tronco nu, ela estava em paz. Os pensamentos que a atormentavam viraram silêncio e ela não pensava em nada, somente sentia a pele do peito dele contra seus dedos, a língua dele abraçando a sua, as mãos dele contra seu corpo afastando suas roupas, o cheiro do cabelo dele e o jeito como todo o seu corpo buscava o toque dele. Sirius rompeu o beijo para deslizar seus lábios pelo pescoço de Petunia, prensando-a contra a porta. Ele estava em êxtase, tudo o que mais queria era beijá-la, tocá-la e se enterrar nela como há tanto tempo ansiava. Mas sabia que estava explorando terreno incerto. Ter Petunia em seus braços depois de quinze anos era como visitar seu lugar preferido no mundo após muitos anos e já não saber que caminho percorrer. Ele voltou sua atenção à boca dela e tomou os lábios dela com delicadeza. Deslizou suas mãos para os botões da camisa dela e a abriu com cuidado.
Tomando fôlego, Petunia quebrou o beijo e abriu os olhos, encontrando os olhos cinzentos dele. Ele a encarava em expectativa, e levou sua mão ao rosto dela, afastando alguns fios de cabelo que caíam sobre o rosto dela.
- Eu senti a sua falta – ela confessou, num sussurro. Sirius fechou os olhos e sorriu, encostando a ponta de seu nariz no nariz dela. Olhou-a nos olhos novamente. O olhar dele dizia tantas coisas que Petunia ficou confusa. Sirius sempre comunicou muito com o corpo, nunca fora muito bom em verbalizar o que sentia. Em verdade, trocar cartas com Petunia quando os dois eram mais jovens foi o que o ajudou a organizar seus sentimentos e perder o receio em colocá-los para fora. No entanto, quando se tratava em vocalizar o que sentia, ele falhava. Ele queria que ela conseguisse enxergar tudo o que ele queria comunicar, mas sabia que havia a machucado demais e feito com que ela duvidasse do amor dele por ela. Ele sentiu a garganta seca e a segurou mais força contra o próprio corpo.
- Eu passei os últimos quinze anos sentindo a sua falta – ele finalmente disse. A voz dele estava rouca e ele não havia tirado os olhos dos dela – Eu passei os últimos quinze anos querendo você de volta, Túnia.
Petunia suspirou aliviada e sorriu entre as lágrimas, e ele acariciou o rosto dela com seu polegar. Os dois ainda estavam contra a porta do quarto dela e Petunia deslizou os dedos sobre o peito dele, contornando as tatuagens que ele tinha. Percebeu que ele já não estava tão magro quanto da última vez que o vira. Ela deslizou os dedos por toda a extensão do tronco dele, sentindo os batimentos frenéticos do coração do maroto contra a ponta de seus dedos. Sirius terminou de desabotoar a camisa e deslizou o pedaço de roupa para fora do corpo dela. Ele tentava manter a respiração controlada, mas sabia que seu coração batia descompassadamente dentro de si.
Petunia, então, colou os lábios nos dele de novo. Sirius retribuiu sedento e deslizou as mãos por toda a extensão do corpo dela até alcançar a bunda da mulher. Puxou-a para cima e fez com que ela o abraçasse com as pernas. Conduziu Petunia até a cama e se deitou sobre ela, levando delicadamente as duas mãos dela para cima de sua própria cabeça. Segurou, com uma mão, os dois pulsos unidos de Petunia e, com a outra mão, conseguiu se livrar da calça dela. O moreno abocanhou novamente os lábios dela e Petunia sentiu a mão gelada que segurava seus pulsos descendo lentamente por seu braço estendido. Fechou os olhos quando ele levou os lábios até o seu pescoço e sentiu quando o polegar dele deslizou contra sua axila, descendo por toda a extensão de seu corpo até a sua cintura. Os dedos frios, então, subiram novamente aos seios dela. A loira aproveitou suas mãos livres e ajudou Sirius a se livrar da própria calça e da cueca. Sirius afastou as pernas dela com o joelho e se colocou entre elas, e Petunia podia sentir o membro do maroto contra sua calcinha.
Sirius acariciou e beijou o corpo inteiro de Petunia, apertou a carne dela entre seus dedos e se deleitou com os gemidos que ela deixava escapar. Como havia sentido a falta dela! Foram anos desde que a tocou pela última vez e, mesmo nos 12 anos que passou em Azkaban sem qualquer contato físico, não ansiava por qualquer toque, ansiava pelo dela. Vê-la nua sob si o era como enxergar depois de ano de cegueira. Ela continuava tão linda quanto ele se lembrava. Ele precisava estar dentro dela, mas sabia que não conseguiria durar muito, então se dedicou a beijar, sugar e lamber cada centímetro do corpo dela antes de finalmente se enterrar nela. Era perfeito. Era como se o corpo dela tivesse sido moldado para recebê-lo. Sirius entrava e saía dela olhando-a nos olhos, sorria quando ela sorria e vez que outra depositava beijos carinhosos por todo o rosto dela. Quando ela fechou os olhos e jogou a cabeça para trás com um gemido, ele segurou o rosto dela para que ela o olhasse.
- Olhe para mim – ele sussurrou com a voz rouca, fazendo com que os pelos da nuca dela se arrepiassem – eu passei muito tempo longe de você, eu quero ver seus olhos quando você gozar.
A sensação dele dentro dela enquanto os olhos cinzas penetravam os dela tornavam o momento recheado de sensações. Os movimentos lentos dele eram precisos e ela se viu mais de uma vez buscando os lábios rosados entreabertos dele. Sirius sorriu contra os lábios dela quando a loira gemeu seu nome. Quando Petunia se contraiu e gemeu alto, Sirius não aguentou e gozou logo em seguida. O maroto apoiou um cotovelo na cama e permaneceu, ofegante, dentro dela, espalhando beijos por toda a extensão do pescoço, bochechas e lábios dela.
Quando quebrou o beijo, Sirius a olhou nos olhos, e Petunia mal conseguiu enxergar o cinza por trás da pupila dilatada, provavelmente pela luz baixa do quarto. Eles ficaram, por algum tempo, se encarando em silêncio, até que o maroto deslizou para fora dela e puxou contra seu corpo. Os dois ficaram deitados um de frente para o outro enquanto os dois acariciavam delicadamente o corpo um do outro. O coração de Sirius passou a bater tranquilo, respeitando a mesma contagem entre uma batida e outra. Petunia olhava para o corpo de Sirius, contornando as tatuagens do peito dele com a ponta de seus dedos.
- Gosta do que vê? – Sirius perguntou com um sorriso maroto, apontando com os olhos para as mãos da mulher acariciando seu peito, e Petunia deixou escapar uma risada.
- Você sabe que sim – ela respondeu.
- Eu sei que ainda não estou na melhor forma, doze anos na prisão... mas... – ele tentou perguntar, mas pareceu sem graça e fechou a boca.
- Você pareceu bem em forma – ela o tranquilizou, acariciando o topo do nariz dele com a ponta de seus dedos, e ele lhe sorriu – ouso dizer que foi um dos melhores.
E era verdade. Quando jovens, eles fizeram de tudo e mais um pouco na cama, o que, em outras circunstâncias, tornaria o momento recém dividido bastante sem graça. No entanto, nunca haviam experienciado uma troca tão íntima após tantos anos separados. Eram tantos sentimentos, tantas sensações, parecia que tudo havia sido amplificado. Afinal, não era só Sirius que havia passado anos sem o toque de outra pessoa. Petunia também havia.
- Espera – Sirius disse de repente, muito sério –quer dizer que quando éramos mais jovens eu era ruim de cama?
Petunia não aguentou e começou a rir muito alto, e Sirius fingiu estar emburrado.
- Eu nunca disse isso – ela se defendeu.
- Mas se esse foi um dos melhores, depois do quê? Quinze anos? – ele fazia as contas, fingindo estar ofendido – Quer dizer que eu deveria ser muito ruim. Explique-se agora, Petunia Evans!
- Você é ridículo! – ela respondeu, rindo – Está colocando palavras na minha boca.
Sirius levou suas mãos até a barriga de Petunia e começou a fazer cócegas na loira, que passou a se contorcer na cama de tanto rir.
- Par... para Sirius! – ela pedia, rindo descontroladamente.
- Então explique-se! – ele respondeu, e seguiu fazendo cócegas nela, mas foi pego de surpresa quando as mãos de Petunia encontraram sua axila, único local em que Sirius sentia cócegas. Com o jogo virado, ele passou a pedir que ela parasse, e ela o fez, depois de longos minutos.
- Trégua? – ele perguntou, levantando as mãos.
- Trégua – ela respondeu ofegante – Eu que deveria ficar ofendida, já que claramente esse não entrou na sua lista de melhores.
- Bobagem. Todos com você são os melhores, porque são com você – ele respondeu, pegando as mãos dela e beijando as duas palmas, uma de cada vez – Mas, para ser honesto, esse foi um dos nossos melhores. Transar com a minha garota depois de anos separados é, com certeza, o melhor.
O coração de Petunia pulou uma batida, e ela se sentiu triste. Ela não era a garota dele há muito tempo, e por escolha dele. Em verdade, legalmente ela era mulher de Vernon, e o sobrenome em seu documento de identidade a lembraria disso todos os dias até que a audiência do divórcio saísse. Então não, ela não era a garota de Sirius. Ela não respondeu, somente se concentrou em manter a mesma expressão facial para que ele não percebesse. Mas, é claro, que foi em vão. Sirius sempre conseguiu saber como ela se sentia, como se lesse seus pensamentos ou farejasse no ar os sentimentos dela.
- O que houve? – ele perguntou preocupado, puxando-a mais para si. Sentia que havia dito algo errado, e repassou rapidamente em pensamento todas as palavras que havia proferido. Sentiu-se temeroso de que ela simplesmente levantasse daquela cama e o mandasse embora, então instintivamente a apertou firmemente contra si.
- Você sabe que eu ainda sou apaixonada por você, não sabe? – ela repetiu a pergunta que havia feito no primeiro dia em que dormiram juntos. A pergunta que selava o combinado que mais tarde Sirius quebrou. O moreno pareceu ser pego de surpresa, mas logo relaxou os músculos.
- Eu tinha esperança de que você fosse – ele respondeu, roçando os lábios nos dela – Porque eu nunca deixei de amar você, nem por um único dia.
Petunia não estava convencida. O que ele havia respondido não fornecia qualquer garantia a ela de que ele correspondesse aos sentimentos dela, ou que sequer tenha correspondido algum dia, mas, de fato, respondia a sua pergunta. Petunia perguntou se ele sabia que ela era apaixonada por ele, e ele respondeu que sim. Mesmo assim, depositou um beijo carinhoso nos lábios de Sirius. Ela queria sentir o corpo dele contra o seu por mais tempo, queria sentir o cheiro dele por mais tempo, queria tê-lo ali consigo, abraçando-a enquanto ela dormia.
Iria, pelo menos por aquela noite, trancar novamente seus sentimentos atrás de uma porta no fundo de seu coração e sua cabeça, deixar de pensar em tudo. Deixaria para o dia seguinte as dúvidas. Naquela noite, ela se preocuparia somente em dormir sentindo o corpo de Sirius contra o seu.
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Na manhã seguinte, Petunia acordou em uma cama vazia, mas ouviu barulho na cozinha, então soube que Sirius continuava ali. Cobriu o corpo nu com um roupão que estava pendurado ao lado da porta e se dirigiu à cozinha. Sirius mexia alguns ovos em uma frigideira enquanto a cafeteira roncava, e parecia que já sabia que Petunia se aproximava, pois assim que ela cruzou o marco da porta da cozinha, ele baixou o fogo, largou o que estava fazendo e foi até ela.
A loira não sabia o que esperar dessa manhã pós-noite juntos, mas sabia que definitivamente não estava contando com a possibilidade de ele enlaçar sua cintura e a puxar para um beijo. O que foi exatamente o que ele fez.
- Bom dia – ele disse, ao separar os lábios dos dela.
- Bom dia – ela respondeu, piscando os olhos várias vezes. Sirius voltou ao fogão e terminou de mexer os ovos.
- Eu estava contando que você continuasse dormindo para que eu pudesse te levar o café na cama – ele disse, dando de ombros.
- Sirius Black levando café na cama? – Petunia perguntou de forma divertida e se adiantou para pegar duas canecas no armário.
O maroto desligou o fogo e olhou para a loira, servindo de café as duas canecas que ela segurava nas mãos.
- Eu faria qualquer coisa por você – Sirius respondeu e as bochechas dela ficaram vermelhas feito pimenta -Eu espero que tenha ficado bom... O café... Eu tive de ler as instruções na caixa, nunca vi uma cafeteira com fio antes.
Petunia percebeu que ele estava corado e que havia mudado de assunto conscientemente, provavelmente estava nervoso, então ela não conseguiu deixar de sorrir de forma sincera. Sirius sempre tivera movimentos quase que calculados, desfilava pelos lugares de forma tão elegante que por vezes parecia que o maroto flutuava sobre o chão. Provavelmente herdara a graciosidade de sua família, que, Petunia sabia, havia lhe fornecido a melhor educação possível no mundo bruxo. No entanto, dentro daquela cozinha, o moreno parecia perdido. Ele vestia somente cuecas e havia colocado um avental, que ele acabou por manchar de ovos e café, e tentava desastradamente arrumar a mesa para que os dois comessem. A loira sorriu para e cena e, assim que Sirius estendeu uma toalha sobre a mesa, ela pousou as duas xícaras de café no local e se dirigiu ao fogão.
O maroto suspirou aliviado quando viu que Petunia sacou dois pratos e passou a servir os ovos mexidos e as duas torradas que Sirius havia feito. Ela executava a tarefa de forma muito mais habilidosa do que ele. Os dois se sentaram à mesa e Petunia deu o primeiro gole no café.
- Está muito bom – ela tranquilizou o moreno, que a olhava ansioso esperando o veredicto sobre o café. Ele suspirou aliviado.
- O que você costuma fazer aos sábados? – Sirius perguntou interessado.
- Eu leio, às vezes eu caminho pela rua, arrumo a casa – Petunia respondeu – e, poucas vezes, eu escrevo.
- Por que poucas vezes? Você amava escrever – o moreno perguntou.
- Com o tempo fui perdendo o hábito – ela deu de ombros – E alguns hábitos são difíceis de recuperar.
- Escreva para mim – ele disse, bebericando o café.
- O quê?
- Escreva para mim, e eu escrevo para você – ele respondeu, recostando-se na cadeira – Vamos trocar cartas longas como fazíamos. Merlin, você era a única pessoa que conseguia me fazer escrever mais de quatro linhas.
Petunia revirou os olhos e sacudiu a cabeça, e Sirius riu. Ela jamais escreveria para ele. Ela já não era a jovem corajosa e sem medo de assumir os próprios sentimentos. Quando Sirius estava em Hogwarts, Petunia escrevia páginas e mais páginas para ele, e ele correspondia. Ela confessou seus sentimentos por ele no papel e pessoalmente, sequer pensou duas vezes. Ela sentia e, portanto, colocava em palavras para que ficasse tudo às claras. No entanto, os anos transcorridos e principalmente o casamento com Vernon assassinaram essa parte de Petunia, que de um livro aberto passou a ser um baú trancado a sete chaves.
A loira levantou e recolheu as louças, enquanto o moreno dobrava a toalha que estava sobre a mesa. Antes que Petunia abrisse a torneira para lavar a louça, Sirius a abraçou por trás. Ele envolveu a cintura dela com os braços e pousou o queixo no ombro dela. Num gesto carinhoso, ele roçou a ponta de seu nariz no pescoço da mulher e depositou um beijo no mesmo local.
- Você ainda tem minhas cartas? – ele perguntou baixo, e o ar que saía de sua boca entrava em contato com a orelha de Petunia. Os pelos da nuca dela ficaram arrepiados. Sirius buscou os braços dela, entrelaçou seus dedos nos dedos dela e cruzou os braços da loira sobre a própria barriga dela.
- Poucas– ela respondeu – A maioria se perdeu com o tempo.
Por muito tempo Petunia teve todas as cartas escritas por Sirius, e as guardou numa lata de biscoitos de Natal juntamente com algumas fotos. Certo dia, Vernon descobriu as cartas e rasgou quase todas. Petunia conseguiu salvar apenas meia dúzia, e lembrava do quanto chorou pela perda dos pedaços de papel. Ela nunca havia relido nenhuma carta desde que se casara com Vernon, mas gostava de saber que tinha guardados um pedaço de Sirius e um pedaço de si mesma em uma fase mais feliz de sua vida.
- Eu tenho todas as suas cartas – ele confessou – Escondi-as embaixo do assoalho do antigo apartamento, mas nunca tive a chance de reler nenhuma delas.
- Como sabe que elas continuam onde você deixou? – ela perguntou, realmente interessada, e ele a apertou mais contra si.
- No mundo bruxo, quando você compra um imóvel, ele sempre é seu, mesmo que você vá preso injustamente – ele respondeu divertido, e Petunia soltou um riso baixo. Ele beijou os seus cabelos – Então eu sei que elas continuam exatamente onde eu as coloquei, só não tive a oportunidade de buscá-las ainda.
Sirius acabou lavando a louça, e Petunia aproveitou para tomar um banho. Poucos minutos depois, o moreno se juntou a ela no chuveiro. Os dois, já limpos e vestindo roupões, se sentaram junto à janela e o maroto comentou que era a primeira vez em muito tempo que pegava um pouco de sol, e lamentou o fato de não poder passear com ela na rua. Petunia tentou ler um capítulo de seu livro, mas foi completamente distraída por um Sirius que massageava suas pernas e beijava a ponta de seus dedos dos pés, fazendo-a rir.
Parecia que os dois haviam voltado no tempo e estavam no apartamento antigo de Sirius, onde passavam todos os dias livres juntos. Sirius acabou ficando até segunda-feira pela manhã e, nesse meio tempo, os dois assistiram a filmes, cozinharam, beberam, transaram e trocaram carinhos. Quando o fim de semana acabou, tanto Sirius quanto Petunia estavam um pouco abatidos. A realidade havia chegado de supetão e os arrancado dos dois dias utópicos que os dois viveram juntos.
Antes de abrir a porta e sair para o trabalho, Petunia olhou para Sirius, que estava já completamente vestido e esperaria o movimento do prédio cessar um pouco para voltar como animago ao Largo Grimmauld.
- Sirius... – Petunia respirou fundo e continuou – Você não pode ficar vindo aqui.
- Você sabe que eu não posso prometer isso, não depois desses últimos dias – ele respondeu, seus olhos cinzentos penetrando os de Petunia.
- Esses últimos dias foram maravilhosos, mas precisamos voltar a realidade – ela explicava, já um pouco desesperada por ver nos olhos do moreno que ele não cederia.
- Nós podemos viver dias como esses sempre, eu posso vir aos finais de semana – ele disse, ignorando completamente o fato de que fora expressamente recomendado por Remus e Dumbledore a não deixar, sob hipótese alguma, a mansão dos Black.
- Não, você não pode.
- Eu posso, e eu vou... se você me quiser – ele teimava, e Petunia estava começando a perder a paciência e ficar nervosa.
- Sirius... – ela aumentou um pouco o tom de voz, enquanto gesticulava nervosamente. Sirius pegou o rosto dela entre as mãos e a encarou muito sério.
- Você quer que eu pare de vir? – ele perguntou – Se você não quiser mais me ver, eu prometo que não venho mais.
- Sirius, você está sendo injusto – ela suspirou.
- A vida é injusta – ele respondeu, dando de ombros. Petunia riu baixo e fechou os olhos.
- Você é um completo idiota, sabia?
- Eu sei – ele disse, e colou a testa na dela – Eu passei quinze anos longe de você, por favor não me peça para ficar longe. Você sabe que eu não vou conseguir.
- Você pode ser pego de novo – ela exclamou num sussurro – Por favor, seja razoável.
- Eu não vou ficar trancado naquela casa – Sirius respondeu, pondo um fim na discussão. Ele não ficaria trancado em Largo Grimmauld, não depois de dois dias com Petunia, não depois de tê-la de volta. Ele já havia ficado tempo demais separado dela e de Harry, e não permitiria que isso acontecesse novamente. Petunia beijou os lábios dele com carinho e enterrou os dedos nos cabelos negros do maroto. Sirius sorriu.
- Eu posso descobrir um jeito de escrever a você por intermédio de Remus, o que acha? – ela sugeriu.
- Eu amo as suas cartas, mas elas não têm o seu cheiro, ou o seu gosto – ele respondeu – Elas não são o suficiente.
- Eu posso pedir a Remus que me leve até a sua casa – ela tentou convencê-lo – Eu sei que você odeia aquela casa, e eu sei que é horrível você ter que ficar trancado lá, mas... Por favor, Sirius, você não pode ser pego. E se para evitar que você seja um inconsequente eu tenho que ir até a casa onde a sua maldita família viveu, que seja.
Sirius deu uma gargalhada e a beijou.
- Mal posso esperar para apresentar você à minha querida mãe – ele brincou.
- O quê? – ela arregalou os olhos, e ele riu ainda mais alto.
- Falamos disso quando você for me visitar – ele respondeu.
- Isso quer dizer que você vai se comportar e não vai mais se arriscar até que eu vá ver você? – ela pediu uma confirmação, levantando uma sobrancelha.
- Eu serei um bom garoto – ele piscou um olho e a beijou antes que ela conseguisse revirar os olhos.
Assim que se despediu de Petunia, Sirius voltou para casa saltitando em sua forma canina. Tudo havia corrido muito melhor do que ele sequer ousava sonhar. Quando tomou a decisão de ir até o apartamento de Petunia, não sabia o que esperar, só queria vê-la novamente. No entanto, ali estava ele, voltando para casa depois de dois dias inteiros na companhia dela, sentindo o cheiro dela em seu corpo. Absolutamente nada poderia estragar seu dia. Nada além de um Remus extremamente puto com os braços cruzados na frente da porta da casa dos Black.
