CAPÍTULO III
- Sorria, Pansy! – cochichou Harry, quando eles se adiantaram, ainda segurando a mão dela. - Você parece que está a caminho de Askaban. Cadê o orgulho Slytherin agora? A frieza?
Os olhos de Pansy brilharam de raiva e ela parou de andar, tentando livrar-se da mão de Harry por um momento. Ele, no entanto, não permitiu. Harry a abraçou e a apertou contra si.
- Faça tudo direitinho, Pansy. Lembre-se: es tamos apaixonados. – Ele sussurrou em seu ouvido, depois roçando os lábios suavemente nos dela, demonstrando uma fami liaridade surpreendente.
Aquela proximidade enviou ondas elétricas pelo corpo de ambos. A tensão de repente se tornou palpável.
- Tem razão. Vamos procurar nosso lugar! – Pansy falou quebrando o momento.
Eles seguiram rumo a capela. Quando entraram, Pansy sua mãe. Em tom de voz bem baixo, em respeito ao recinto sagrado de antiga construção, apontou com um gesto de cabeça para uma das convidadas, sentada em um banco:
- Aquela é minha mãe, Harry.
- A de chapéu prateado? - Inclinou a cabeça para captar as palavras sussurradas.
Pansy meneou a cabeça.
- Mamãe ficará furiosa por havermos escolhido a mesma cor. Eu deveria saber: ela é o tipo de pessoa que adora verde. Prepare-se Harry, pois aí vamos nós.
Eles caminharam para sentar-se ao lado da mãe de Pansy e esta quando a viu imediatamente se ergueu, o olhar reprovador estampado em sua face.
- Pans, o que lhe deu na cabeça para usar roupa verde com seu tom de cabelo?
Fiona Parkinson era uma mulher bonita e muito elegante, mas tinha expressão rígida e austera.
Pansy olhou para Harry, indiferente, antes de sentar-se, ignorando a mãe.
- Sra. Parkinson, assumo total responsabilidade pela escolha. Pansy está procurando me divertir.
O olhar surpreso no rosto de Fiona quando Harry, cheio de charme e carisma, se inclinou em sua direção e estendeu a mão, despertou em Pansy uma vontade imensa de rir. Aquele não era o tipo de homem que a mãe ou quem quer que fosse imaginara, um dia, encontrar ao lado dela. Harry era o garoto de ouro, salvador do mundo bruxo, um deus praticamente. E pela primeira vez, desde que encontrara Harry Potter, ela se deu conta de que a decisão de empregar um artifício daquele se justificara. Ela era a noiva abandonada que surgia no casamento do traidor com o melhor partido do mundo bruxo, o solteiro mais cobiçado, um dos bruxos mais ricos e famosos. Sorrindo felinamente, Pansy decidiu aproveitar o máximo possível a presença de Harry sem se importar com o fato de que todo aquele fascínio era falso.
- Harry odeia verde, mamãe. Fizemos uma aposta e ele perdeu, precisou aceitar que eu viesse assim tão Slytherin!
Pansy mal conseguia conter o riso de satisfação. Não só sua mãe como várias pessoas ao redor agora observavam o que acontecia, inclusive seu pai, que se aproximava deles. Ela e Harry eram o centro das atenções. O que era bom. Ela nem pensava no que faria depois com essa mentira, só queria aproveitar agora.
- Quem é este belo jovem, Pansy? Não vai apresentá-lo? - Perguntou seu pai.
- Vocês já ouviram falar dele. - Pansy disse como se fosse a coisa mais sem importância do mundo - Este é Harry Potter.
- Encantado, Sr. e Sra. Parkinson!
A mãe de Pansy ficou estática, os olhos presos da cicatriz de Harry. Olhou para ele e para Pansy e pareceu não acreditar no que via.
O pai de Pansy olhou para Harry dos pés a cabeça e deu um leve sorriso de satisfação, parecendo aprovar o que via.
- É um prazer conhecê-lo Sr. Potter. Sou Frederick Parkinson, pai de Pansy. - Disse o homem oferecendo a mão a Harry, que retribuiu o aperto.
- É uma enorme satisfação conhecê-lo. – Disse Harry.
- Você está linda querida! Perfeita como sempre! – Frederick beijou a face da filha.
- Eu sou Fiona. - A mãe de Pansy pareceu acordar do transe - É um novo amigo de Pansy? Ela é muito fechada com relação às amizades.
Pansy quase engasgou com a própria saliva. Sua mãe não perdia uma oportunidade de menosprezá-la. Como se ela não fosse capaz de atrair Harry Potter!
- Somos mais que amigos, não é, querida? - Os olhos de Harry estavam fixos no rosto de Pansy, dando a impressão a seus pais de que ele e a filha eram muito íntimos. Foi tão convin cente que Pansy corou.
- Oh! - Exclamou Fiona.
- Perdoe-me pela falta de protocolo Sr. e Sra. Parkinson, mas Pansy preferiu que nossa relação ficasse em segredo por algum tempo. Sou uma figura pública e ela não queria o incômodo da imprensa que vem por ser minha companheira. Como a Sra. observou, Pansy é muito discreta.
- Oh, não se preocupe Harry, entendemos a situação. - Disse o Sr. Parkinson - Fico feliz que Pansy tenha alguém e mais ainda em saber que essa pessoa é você. Tenho certeza que está cuidando muito bem de nossa filha.
Apesar das palavras delicadas, Harry entendeu o tom de advertência velada.
- Só o que desejo é a felicidade de Pansy - Retrucou Harry com um sorriso encantador.
Naquele momento, ela notou, com o canto dos olhos, que alguém se levantava de uma fileira opos ta. Virou a cabeça como que atraída por um ímã poderoso, e os músculos de seu corpo se contraíram. Era Draco. A perda e a amargura que Pansy sentia transformaram-se em uma dor física.
Draco era um jovem muito atraente, loiro e atlé tico. Seus traços aristocráticos, a expressão sincera e direta, os cabelos loiros platinados que lhe davam um ar ainda mais etéreo, os olhos cinzentos. Ele a viu, mas não demonstrou nenhuma emoção. Pansy não sa bia se sentia alívio ou humilhação.
De súbito uma mão segurou-lhe o rosto e a des pertou de seu transe.
- Não estou acostumado a ver a mulher que acompanho encarando outro homem como uma tola apaixonada. - As palavras, ditas em tom baixo e casual, tiveram o efeito de um balde de água fria. Harry aproximara os lábios dos dela, dando ao incidente uma aparência sensual.
- Como ousa?! – Pansy murmurou quando ele se afastou.
Pansy sabia que aquilo era verdade e ela se sentiu humilhada por haver sido flagrada comportando-se da maneira que jurara nunca mais se comportar. Ela sentiu raiva de Harry, por ele ter notado aque le momento de fraqueza e ter tido o mau gosto de mencionar o fato.
- Por que deveria eu desperdiçar meu tempo e minha energia agindo como perfeito enamorado se você não coopera? – Harry empurrou.
Pansy não pôde deixar de se sentir ofendida ante a insinuação de que agir como seu amante requeria uma grande quantidade de sacrifício.
- Não precisa se comportar como um conselheiro Potter. E não precisa se esforçar tanto, ou, a não ser que seja um excelente mentiroso, vai acabar nos colocando em uma situação difícil.
Harry suspirou, impaciente e lançou um olhar em direção ao noivo.
- Ele nem sequer esboçou uma expressão Pansy. Draco Malfoy não está nem aí para você, e se você quer que ele tenha certeza disso me avise, pois não vou ficar aqui fazendo papel de idiota.
Pansy o encarava furiosa, mas reconhecia que ele tinha razão. Ela tinha de se controlar se queria convencer os outros de que havia superado a traição de Draco e se sentia satisfeita e feliz.
- Importa-se de tirar as mãos de cima de mim, Harry?
A mão que havia chamado sua atenção ainda segurava-lhe o rosto, as pontas dos dedos mergulhadas nos cabelos de Pansy. Harry aproximara o rosto do dela o suficiente para que Pansy pudesse ad mirá-lo muito bem, a textura da pele, a cor dos olhos, os traços suaves, o aroma almiscarado da fragrância masculina que exalava. Aquela posição parecia íntima e camuflava a pequena tensão entre eles.
Um dos dedos de Harry acariciou a bochecha de Pansy. A expressão nos olhos verdes, enquanto observavam o movimento preguiçoso do dedo, demonstrava uma incrível autoconfiança. A perna de Harry, pressionada con tra a dela, também a deixava perturbada.
Os acordes familiares da marcha nupcial soaram, e, com o coração aos pulos, Pansy livrou-se da mão de Harry e dirigiu-lhe um olhar frio e distante, tentando ignorar a descarga de adrenalina que percorreu suas veias. Em uma ocasião como aquela, Pansy não poderia dirigir sua atenção a nada além da atração principal: a noiva.
Pansy viu Astoria Greengrass caminhar pela capela parecendo uma princesa. A satisfação estava estampada no rosto da jovem. Pansy sustentou o olhar, tentando demonstrar que estava indiferente a tudo aquilo. A noiva cruzou o olhar com ela, um sorriso de escarnio em seu rosto por um breve momento. Pansy não se deixou abater.
Harry envolveu a mão de Pansy e ela permitiu, sentindo-se segura e protegida. Era como se ele lhe passasse a força e a confiança que ela necessitava para enfrentar aquela situação que era uma tortura. A sua raiva por Harry havia passado. Ela se sentia mesmo feliz e grata por tê-lo ao seu lado.
